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Itapevi, 18 de Dezembro de 2014.

Escola Municipal Livre de Teatro.


Disciplina: História do Teatro I Horário: 16h40 às 17h40.
Professor: Daniel Bernardes Pinto.

Caderno de questões

1) O historiador Jean-Pierre Vernant analisa os conceitos de mito e trageé dia na Greé cia Antiga esclarecendo
alguns equíévocos comuns. Leia as citaçoõ es abaixo e depois responda: O que é mito? O que é diálogo? O que
é conflito? Defina suscintamente.

“As tragédias, bem entendido, não são mitos. Pode-se afirmar, ao contrário, que o
gênero surgiu no fim do século VI a.C. quando a linguagem do mito deixa de
apreender a realidade política da cidade.
(...)O Édipo Rei de Sófocles não é uma versão, entre muitas outras, do mito de
Édipo.
(...)a decodificação de um mito, a princípio, segue as articulações do discurso,
(...) A narrativa [mítica], que é o ponto de partida, (...) com o mesmo sistema de
código cujas chaves se quer descobrir.
(...)O problema (...) é compreender como se articulam e se combinam para
construir um fato humano único, uma mesma invenção que, na história, aparece
sob três faces: como realidade social com a instituição dos concursos trágicos,
como criação estética com o advento de um novo gênero literário, como mutação
psicológica com o surgimento de uma consciência e de um homem trágicos...” 1

“...a máscara sublinharia o parentesco da tragédia com as mascaradas rituais. Mas, por sua
natureza, por sua função, a máscara trágica é bem diferente de um transvestimento religioso.
(...) Seu papel é estético, não mais ritual.
(...)a máscara integra a personagem trágica numa categoria social e religiosa bem definida: a
dos heróis”2

“(...) [Para os gregos] há como que degraus de direito. Num polo, o direito se
apoia na autoridade do fato, na coerção; no outro, põe em jogo potências
sagradas: a ordem do mundo, a justiça de Zeus.
(...)O que a tragédia mostra (...) é um direito que não está fixado, que se desloca
e se transforma em seu contrário. A tragédia, bem entendido, é algo muito
diferente de um debate jurídico. Toma como objeto o homem que em si próprio,
vive esse debate, que é coagido a fazer uma escolha definitiva, a orientar sua
ação num universo de valores ambíguos onde jamais algo é estável e unívoco.” 3

2) Leia e responda. (Texto extraíédo da tese: O Circo Teatro – Um Estudo De Caso: O Pavilhão Arethuzza”)

“Desde os seus primórdios o circo, fazendo jus a origem do nome, partiu da


forma circular para apresentar suas atrações. O homem das cavernas em suas
conversas ao redor da fogueira, fonte central de calor e de irradiação de
energia. O ser humano, mesmo que não perceba, está intimamente ligado ao

1 VERNANT, J-P. Mito e tragédia na Grécia antiga. São Paulo: Perspectiva, 2014, p. XXII-XXIII.
2 (idem : 1-2, 2014).
3 (idem : 3, 2014).
movimento circular em todos os momentos de sua existência. Desenvolvem o
mesmo circuito o processo circulatório e o respiratório, assim como obedecem a
um programa circular as etapas de desenvolvimento do homem, desde seu
nascimento até a inevitável morte.”

“Circo e teatro sempre foram duas coisas bem diferentes. As raízes do teatro
estão fincadas em celebrações ritualísticas das mais diversas culturas. Quanto
ao circo, muitos dos números de habilidades corporais ou destreza física
tiveram seu nascedouro nos treinamentos militares.”

Qual a civilização antiga que está mais relacionada com o nascedouro do circo
ocidental? Cite as características culturais que explica o motivo pelo qual as
atrações circenses tinham grande destaque nesta civilização.

3) Durante a idade Meé dia a Igreja projetou sua autoridade para aleé m da Casa de Deus, aà s cidades e aldeias,
diante do portal para o paé tio e aà praça do mercado, ganhando as cores e originalidade da vida cotidiana.
Lieux e mansions inspiraram os pageants (palcos simultaâ neos) e pageants aux wagons (carros-palcos). A
partir daíé começou um processo de laicizaçaõ o, com um acabamento realista, desenvolvimento da teé cnica e
ascensaõ o da cultura burguesa que determinou as festas populares, dando origem ao carnaval. Dentro do
drama litué rgico, a evoluçaõ o para o burlesco e para a obscenidade atinge uma tal repercussaõ o, que levaria a
Igreja a proibi-la em 1548. Contudo, isso naõ o significou o fim dos misteé rios, que fazem hoje parte das
tradiçoõ es do povo e continuam a ser representados, e sim o estíémulo para o renascimento do autor liberal e
da tradiçaõ o autoral.

Teatro Olíémpico Vicenza

Sabemos que as farsas autorais começaram a ser encomendadas por nobres e burgueses emergentes
em hotéis, salões e castelos com salas fechadas. Quais as principais contribuições para a
interpretação dramática e desenvolvimento da arte do ator nesta mudança de espaço físico para os
teatros cobertos.

4) Compare Teatro Primitivo e Teatro Antigo, respondendo a perguntas, tais como:

a) Quais os primeiros indíécios de teatro/teatralidade no mundo?


b) Cite os motivos principais que deram origem a esta teatralidade na humanidade?
c) Qual a relaçaõ o entre teatro e imitaçaõ o?
d) O que define teatro primitivo?
e) Quando, onde e de que forma o teatro se formaliza e consolida-se pela primeira vez como uma
linguagem esteé tico sociocultural?
f) Quais os objetivos do teatro institucionalizado pela aristocracia da Greé cia Antiga?

5) Leia o texto abaixo e escreva algumas linhas sobre o que é para você cultura
popular. Diferencie teoricamente as expressões “ator popular” e “ator famoso”.
“Teatro popular, diz-se de um gênero de teatro destinado às camadas menos
elitistas da nação. Um teatro feito em circos, praças e espaços públicos, por
artistas mambembes, e sobretudo voltado para o gosto ingênuo do povo.
Muito em voga durante o século XX em todo o mundo ocidental, representado
por grupos de atores pequeno-burgueses que tinham por ideal um teatro
acessível ao povo e transformador da sociedade para uma sociedade popular e
socialista. Para tais grupos, o dramaturgo e diretor alemão Bertold Brecht foi o
grande autor e inspirador.”4

6) Leia e responda.

“Brecht escreveu seu ensaio sobre o teatro clássico chinês em 1935, depois de
ter visto uma representação do grande artista chinês – o ator da Ópera de
Pequim Mei Lanfang.
(...) A aguda capacidade de observação de Brecht merece nosso respeito. Ele
descobriu, numa primeira olhada, que o teatro chinês tinha um rico tesouro, ou
seja a qualidade teatral que ele estava procurando. Ele chamou, mais tarde, esta
qualidade de verfremdungseffekt, o efeito de estranhamento.
(...) Vamos começar examinando a observação de Brecht que o tradicional
teatro chinês não tem “quarta parede”, que a performance é claramente dirigida
aos espectadores. Assim esta forma de representação se distingue da estética do
moderno teatro ocidental realista, a qual tenta criar uma ilusão da vida cotidiana
no palco. (...) O teatro chinês tradicional reconhece completamente a natureza
assumida do palco, e francamente admite que nós estamos atuando.” 5

Cite algumas diferenças e influências do teatro oriental para a cultura mundial do


teatro?

7) Resuma o enredo de Édipo Rei, destaque protagonista e antagonista e defina o conflito principal.

8) (FUVEST-1982) Escreveram peças para teatro, durante o "Século de Péricles" (séc.V a.C.):

a) Homero, Tucíédides, Heroé doto e Xenofonte


b) EÉ squilo, Soé focles, Euríépedes e Aristoé fanes
c) Soé crates, Protaé goras, Plataõ o e Aristoé teles
d) Eratoé stenes, Arquimedes, Euclides e Pitaé goras
e) Píéndaro, Alceu, Safo e Hesíéodo

4 Teatro Popular, site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_popular (acessado 16/12/2014 as 12:31)


5 ZUOLIN, Huang. Um acréscimo ao texto de Brecht: “o efeito de estranhamento na interpretação do teatro chinês”. Publicado em
Tatlow, A. Brecht and East Asian Theatre. The proceedings of a Conference on Brecht in East Asian Theatre. Hong Kong University
Press. 1982. pg. 96-110. Tradução: Robson Corrêa de Camargo apostila para o curso de Direção Teatral/UFG 2008.
Boa prova!!!

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