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A moderna blasfêmia

Na época de Jesus, os líderes religiosos, blasfemando, atribuíram a obra do Espírito Santo a


Satanás. Jesus os advertiu que tal blasfêmia era imperdoável (Mateus 12:24). O movimento
carismático moderno faz o inverso, atribuindo a obra de Satanás ao Espírito Santo.

Levítico 10
1 E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram
neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o
Senhor, o que não lhes ordenara.
2 Então saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor.
3 E disse Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor falou, dizendo: Serei santificado naqueles
que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão calou-se.

Nadabe e Abiú não eram vendedores de óleo de cobra que se infiltraram no acampamento dos
israelitas a fim de difundir as superstições dos cananeus entre o povo de Deus. Veja as qualificações
que eles tinham:

• Eram aparentemente justos e respeitáveis e líderes espirituais piedosos


• Eram sacerdotes de Deus. Não eram levitas de segunda classe.
• Nadabe era herdeiro natural ao cargo de sumo sacerdote e Abiú era o próximo depois de Nadabe.
• Eles eram os filhos mais velhos de Arão e Moisés era tio deles.
• Seus nomes encabeçam a lista dos nobres de Israel (Êxodo 24:11),
• Além de Arão, são os únicos apontados pelo nome na primeira vez em que as Escrituras Sagradas
mencionam “setenta anciões de Israel”, o grupo de líderes que compartilhou a supervisão espiritual
de Israel (Números 11:16-24)

Esses dois irmãos, juntamente com os outros setenta anciãos, receberam, no Sinai, o privilégio de
subir parcialmente o monte e ver a distância como Deus conversava com Moisés (Êxodo 24:9-10).
Naquele momento, o povo de Israel recebeu a instrução para ficar no pé do monte e a ter “cuidado de
não subir ao monte e nem tocar na sua base” (Êxodo 19:12).
Na base do monte os israelitas podiam ver a fumaça e os relâmpagos, mas Nadabe e Abiú foram
explicitamente chamados pelo próprio Senhor, que os convidou a subir e a trazer os demais anciãos.
E eles “viram a Deus, e depois comeram e beberam” (Êxodo 24:11).

Ou seja, Nadabe e Abiú estiveram mais perto de Deus do que provavelmente qualquer outra pessoa.
A nenhum outro israelita, exceto o próprio Moisés, fora dado este privilégio tão grande.
Eles pareciam realmente ser piedosos, líderes espirituais, confiáveis e servos fiéis de Deus.
Certamente todos em Israel os tinham em alta estima.
Grande foi a perplexidade quando Deus, subitamente, fulminou a ambos com uma rajada de fogo,
aparentemente no primeiro dia de serviço no tabernáculo.
O mais provável é que Nadabe e Abiú pegaram fogo de alguma outra fonte que não o altar de bronze
e o usou para acender seus incensários. Eles também podem ter bebido vinho, os levando ao
equívoco (Levítico 10:9).

O cerne do pecado foi o fato deles terem se aproximado de Deus de forma descuidada, arrogante,
inadequada, sem a reverência que Deus merece. Eles não o trataram como santo e nem exaltaram
seu nome diante de todo o povo.
A resposta do Senhor foi rápida e mortal. O “fogo estranho” de Nadabe e Abiú acendeu o fogo
inextinguível do juízo divino contra eles, e foram incinerados no local.
Este é um relato preocupante e assustador, e tem implicações óbvias para a igreja contemporânea.
Desonrar o Senhor, trata-lo com desprezo ou aproximar-se dele de uma maneira que o despreze é um
pecado grave.
Aqueles que adoram o Senhor devem fazê-lo da maneira que Ele exige, tratando-o como Santo.
O Espírito Santo é a gloriosa terceira pessoa da Trindade, não é menor que o Pai ou o Filho. Desonrá-
lo é desonrar a Deus.
Insultar o Espírito Santo é tomar o nome de Deus em vão. Afirmar que Ele autoriza a adoração
antibíblica é tratar Deus com desprezo. Transformá-lo em um espetáculo é algo que desagrada
profundamente a Deus.
Atitudes irreverentes e doutrinas distorcidas trazidas para a igreja pelo movimento carismático
moderno são iguais ao fogo estranho de Nadabe e Abiú, ou até mesmo pior.

Na época de Jesus, os líderes religiosos, blasfemando, atribuíram a obra do Espírito Santo a


Satanás. Jesus os advertiu que tal blasfêmia era imperdoável (Mateus 12:24). O movimento
carismático moderno faz o inverso, atribuindo a obra de Satanás ao Espírito Santo

Uma parte da igreja é culpada de negligenciar o Espírito Santo por completo. Tornou-o uma parte
esquecida de Trindade e prosseguem com a igreja na base do intelecto, entretenimentos, inovações
e clichês vazios.
Minimizam a própria santidade e a obra santificadora do Espírito Santo. Tocam a igreja com
recursos humanos e não pelo poder do Espírito Santo.
Trocam a autoridade do Espírito Santo, que inspirou as Escrituras Sagradas, por substitutos baratos
e impotentes.

Por outro lado, os movimentos pentecostais e carismáticos modernos levaram o pêndulo para o
outro extremo. Criaram uma preocupação doentia com supostas manifestações do poder do
Espírito Santo.
Eles falam muito sobre fenômenos, emoções e sensações, mas pouco tem a dizer sobre Cristo, sua
vida, obra e Evangelho.
Esta fixação na suposta obra do Espírito Santo é uma falsa reverência, pois Jesus disse: “Mas,
quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que
procede do Pai, Ele testificará de mim” (João 15:26).

O verdadeiro Espírito Santo não é uma corrente eletrizante de energia estática, um tagarela
extremamente chato com um discurso irracional ou um gênio cósmico que indiscriminadamente
concede desejos egoístas de saúde e riqueza.
O verdadeiro Espírito Santo não faz com que seu povo ladre como cães e ria como hienas; Ele não o
derruba no chão em um estupor inconsciente; Ele não o incita uma adoração de forma caótica e
incontrolável e nem realiza a sua obra por meio de falsos profetas, falsos curandeiros e
televangelistas fraudulentos.
Ao inventar um falso Espírito Santo de ideias idólatras, o movimento carismático moderno oferece
fogo estranho que tem causado prejuízos incalculáveis para o Corpo de Cristo.

É triste dizer que aqueles que afirmam estar mais focados no Espírito Santo sejam, na realidade, os
que mais o ofendem, entristecem, insultam, deturpam, extinguem e desonram.
Como fazem isto? Atribuindo-lhe palavras que Ele não disse, atos que Ele não realizou, fenômenos
que Ele não produziu e experiências que não tem nada a ver com Ele. Eles fixaram o nome Dele
naquilo que não é sua obra.
Eles são vigaristas espirituais, malfeitores, trapaceiros e charlatões. Judas os chamou de nuvens
sem água, ondas bravias e estrelas errantes, “para os quais estão reservadas para sempre as mais
densas trevas”.

A Bíblia deixa claro que Deus pede para ser adorado pelo o que Ele realmente é. Da mesma forma
que ninguém pode honrar o Pai a não ser que o Filho seja honrado, é igualmente impossível honrar o
Pai e o Filho enquanto se desonra o Espírito Santo.
Eles se tornaram igual aos israelitas de Êxodo 32, que obrigaram Arão a modelar um bezerro de ouro,
enquanto Moisés estava ausente. Os idólatras alegaram estar honrando a Deus (v.4-8), enquanto
adoravam um deus falsificado.
A resposta de Deus foi rápida e severa. Antes que o dia terminasse, milhares foram condenados à
morte.

Não podemos dar a Deus a forma que gostaríamos. Não podemos moldar Deus à nossa própria
imagem, de acordo com nossas próprias especificações e fantasias.
O movimento carismático criou sua própria versão do bezerro de ouro para o Espírito Santo.
Jogaram a Palavra de Deus no fogo da experiência humana e adoraram um falso espírito que
surgiu, desfilando diante deles com aberrações.
Enquanto movimento organizado, eles tem persistentemente ignorado a verdade sobre o Espírito
Santo e, com uma temerária liberdade, criaram um falso espírito na casa de Deus, desonrando a
terceira pessoa da Trindade, usando o próprio nome dela.

Apesar de suas heresias, o movimento carismático ganha terreno no meio evangélico. Os portões da
igreja foram abertos para um “cavalo de tróia” de subjetivismo, comprometimento ecumênico e
desvios doutrinários. Aqueles que se comprometem com isto estão em grave perigo por brincar com
“fogo estranho”.
Ao elevar a autoridade da experiência sobre a autoridade da Palavra de Deus, este movimento
destruiu o sistema imunológico da igreja – abrindo as portas para a entrada de todas as formas de
práticas e ensinos heréticos.

Promulgar uma noção corrompida do Espírito Santo e de sua obra nada mais é que blasfêmia,
porque o Espírito Santo é Deus.
Ele deve ser exaltado, honrado e adorado. Junto com o Pai e o Filho, Ele deve ser glorificado em
todos os momentos, por tudo que Ele é e por tudo que Ele faz.
Ele deve ser amado e engrandecido por aqueles em quem habita. Mas, para que isto ocorra, ele deve
ser adorado verdadeiramente.

Resumo parcial da Introdução do livro “Fogo Estranho”, John MacArthur, Editora Thomas Nelson
BRASIL

Clique aqui e Leia também o sermão “Fogo Estranho” de John MacArthur.

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