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QUESTÕES OAB- EMPRESARIAL

(Exames XXIV, XXIII, XXII, XXI, XX e XIX)

Ponte da Saudade Empreendimentos Imobiliários Ltda. deseja registrar como marca


de serviços de assessoria imobiliária a expressão “Imóvel é segurança”. Tal expressão já é
usada pela sociedade em seus materiais publicitários com extremo sucesso, de modo que
seu sócio majoritário deseja associá-la aos serviços para ter maior visibilidade e garantir
seu uso exclusivo em todo o território nacional. A expressão de propaganda “Imóvel é
segurança” está sendo imitada por uma concorrente da sociedade, criando confusão entre
os estabelecimentos, ocasionando perda de receitas atuais e futuras para Ponte da
Saudade Empreendimentos Imobiliários Ltda. Sobre o fato narrado, responda aos itens a
seguir.

A) A expressão “Imóvel é segurança” pode ser registrada como marca? (Valor: 0,55)

B) É possível adotar alguma providência para a sociedade ser ressarcida dos danos com a
utilização indevida da expressão de propaganda por concorrente? (Valor: 0,70)

Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo


legal não confere pontuação.

Gabarito comentado

A questão tem por objetivo verificar se o examinando conhece a impossibilidade de ser


registrada marca ou expressão usada apenas como sinal de propaganda do requerente e a
possibilidade de o prejudicado por atos de concorrência desleal pleitear reparação civil
pelos prejuízos que tiver.

A) Não é possível registrar como marca a expressão “Imóvel é segurança”, pois se trata de
expressão empregada apenas como meio de propaganda pela sociedade e em razão de
óbice legal, contido no Art. 124, inciso VII, da Lei nº 9.279/96.

B) Sim. A imitação de expressão de propaganda empregada por terceiros, de modo a criar


confusão entre os estabelecimentos, constitui ato de concorrência desleal contra Ponte da
Saudade Empreendimentos Imobiliários Ltda. A prática de ato de concorrência desleal dá
ao prejudicado o direito de intentar as ações cíveis cabíveis e pleitear indenização por
perdas e danos, inclusive lucros cessantes, com fundamento no Art. 207 e no Art. 210,
ambos da Lei nº 9.279/96 OU no Art. 209 e no Art. 210, ambos da Lei nº 9.279/96.
Lino é gerente do estabelecimento empresarial do microempresário individual
Teotônio Palmeira. Na ausência do empresário, sob a justificativa de que precisa de um
tratamento médico, Lino decidiu transferir unilateralmente sua condição de gerente e as
prerrogativas decorrentes dela a seu amigo Mário, que aceitou o encargo. Com base
nessas informações, responda aos questionamentos a seguir.

A) Na condição de gerente do empresário Teotônio Palmeira e com a justificativa


apresentada, Lino pode designar outro gerente para substituí-lo sem autorização do
primeiro? (Valor: 0,60)

B) Caso Lino venha a praticar um ato doloso no exercício da gerência que cause prejuízo a
terceiro, este poderá responsabilizar o empresário Teotônio Palmeira? (Valor: 0,65)

Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação ou transcrição
do dispositivo legal não confere pontuação.

Gabarito comentado

O objetivo da questão é saber se o examinando conhece as disposições legais acerca dos


prepostos do empresário, com enfoque na figura do gerente, preposto permanente daquele.
O examinando deverá ser capaz de identificar que Teotônio Palmeira é um empresário
individual. Portanto, a resposta que estiver fundamentada em dispositivo de EIRELI, de
sociedade simples ou sociedade empresária não pontua. Ademais, o que se pretende
avaliar é o instituto da preposição, disciplinado no Código Civil no Direito de Empresa, e não
o contrato de mandato ou a figura do MEI. Pelas informações contidas no enunciado e, por
aplicação do Art. 1.169 do CC, percebe-se que Lino não pode fazer-se substituir no
exercício da preposição sem autorização prévia e escrita do preponente Teotônio. Além
disso, se o gerente vier a praticar ato doloso que cause prejuízo a terceiro, esse poderá
responsabilizar tanto o preposto quanto o empresário, solidariamente, como preceitua o Art.
1.177, parágrafo único, do CC.

A) Não. Lino não pode, sem autorização escrita do empresário (preponente), designar outro
gerente para substituí-lo, porque tal conduta é vedada ao preposto, de acordo com o Art.
1.169 do CC.

B) Sim. No exercício de suas funções, o preposto Lino é solidariamente responsável com o


preponente Teotônio Palmeira perante terceiros, pelos atos dolosos praticados pelo
primeiro, com fundamento no Art. 1.177, parágrafo único, do CC.

Como o comando da questão indaga do examinando a hipótese de prática de ato DOLOSO


por parte do preposto gerente, não será aceito como fundamento legal nenhum dispositivo a
não ser o parágrafo único do art. 1.177 do Código Civil.
Cotegipe, Ribeiro e Camargo, brasileiros, pretendem constituir uma sociedade
empresária para atuar na exportação de arroz. Cotegipe, domiciliado em Piratini/RS, será o
sócio majoritário, com 75% (setenta e cinco por cento) do capital. Os futuros sócios
informam a você que a sociedade será constituída em Santa Vitória do Palmar/RS, local da
sede contratual, e terá quatro filiais, todas no mesmo estado. A administração da sociedade
funcionará em Minas, cidade da República Oriental do Uruguai, domicílio dos sócios Ribeiro
e Camargo, mas as deliberações sociais ocorrerão em Santa Vitória do Palmar/RS.
Considerados esses dados, responda aos questionamentos a seguir.

A) A sociedade descrita no enunciado poderá ser considerada uma sociedade brasileira?


(Valor: 0,80)

B) Diante do fato de o domicílio do sócio majoritário, bem como o lugar da constituição e as


filiais serem no Brasil, a sociedade precisa de autorização do Poder Executivo para
funcionar? (Valor: 0,45)

Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal
não confere pontuação.

Gabarito comentado

A questão tem por objetivo constatar se o examinando identifica o critério utilizado pelo
direito pátrio para conferir nacionalidade brasileira às sociedades constituídas no Brasil
(Sede E Administração) e que as sociedade estrangeiras precisam de autorização para
funcionar concedida pelo Poder Executivo antes de entrarem em funcionamento.

A) Não, a sociedade não pode ser considerada brasileira. Somente será considerada
nacional, a sociedade que tenha no país a sede de sua administração. Como a
administração da sociedade funcionará em território (ou cidade) uruguaio(a), ela não reúne
os requisitos para ser uma sociedade brasileira, sendo uma sociedade estrangeira, com
fundamento no Art. 1.126 do CC.

B) Sim, porque a sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, precisa de
autorização prévia do Poder Executivo para funcionar no País, nos termos do Art. 1.134 do
CC. O fato o domicílio do sócio majoritário, bem como o lugar da constiuição e as filiais
serem no Brasil não desobriga a sociedade de obter autorização prévia, porque como a
administração está no exterior, ela não é uma sociedade brasileira.

Os sócios da sociedade limitada Salão de Beleza e Cosmética Granja Ltda.


pretendem reduzir o capital social integralizado em 90%, ou seja, dos atuais R$ 50.000,00
(cinquenta mil reais) para R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Você deverá analisar o caso e
responder aos seguintes questionamentos.

A) Qual a justificativa prevista na legislação aplicável para a pretendida redução e qual o


procedimento a ser adotado? (Valor: 0,95)
B) Sabendo-se que a sociedade não tem dívidas em mora e paga pontualmente aos seus
credores, há necessidade de manifestação destes sobre a redução do capital? (Valor: 0,30)

Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo


legal não confere pontuação.

GABARITO COMENTADO

A questão tem por objetivo aferir os conhecimentos do(a) examinando(a) sobre as causas
que autorizam a redução do capital na sociedade limitada, o procedimento a ser adotado e
a necessidade de manifestação dos credores quirografários anteriores à deliberação antes
do arquivamento da ata no registro competente. Pelo enunciado fica patente que não se
trata da hipótese de redução do capital por perdas irreparáveis, seja porque não há menção
que a sociedade teve perdas, ao contrário paga pontualmente seus credores e não tem
dívidas em mora, seja porque não tem seu capital inteiramente integralizado. Destarte, o
examinando deve afastar a incidência do inciso I do Art. 1.082, do Código Civil. Assim
sendo, não pontua a resposta que apontar como justificativa para redução a compensação
de perdas irreparáveis, seja porque tal informação não consta do enunciado, seja porque o
capital não está integralizado em 100%, exigência legal, e sim em 90%. Espera-se que a(o)
examinanda(o) reconheça a inadequação da situação descrita no inciso I do Art. 1.082, do
Código Civil, e não a reproduza em sua resposta, exatamente para afirmar que a
justificativa para a redução é, exclusivamente, o excesso do capital fixado no contrato em
relação ao objeto social.

A) A justificativa prevista na legislação para a redução do capital é, exclusivamente, o


excesso deste em relação ao objeto social, de acordo com o Art. 1.082, inciso II, do Código
Civil. Quanto ao procedimento, deverá ser realizada a modificação do contrato social, de
acordo com o Art. 1.082, caput, do Código Civil, por meio de deliberação dos sócios em
reunião ou assembleia, observando-se o quórum de, no mínimo, ¾ (três quartos) do capital
social, nos termos do que dispõe o Art. 1.071, inciso V, e o Art. 1.076, inciso I, ambos do
Código Civil.

B) Sim. Mesmo que a sociedade não possua dívidas em mora e pague pontualmente aos
credores, a redução somente se tornará eficaz se, no prazo de noventa dias, contados da
data da publicação da ata da assembleia ou da reunião que aprovar a redução, não for
impugnada por credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, ou se provado o
pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor, com fundamento no Art.
1.084, §§ 1º e 2º, do Código Civil.

Uma companhia fechada realizou regularmente a alienação do estabelecimento


empresarial situado na cidade de Sobral. Não houve publicação do contrato de trespasse na
imprensa oficial, apenas o arquivamento do mesmo contrato na Junta Comercial do Estado
do Ceará, onde está arquivado o estatuto. O acionista minoritário Murtinho consultou o
acionista majoritário Severiano para saber a razão da ausência de publicação. A resposta
que recebeu foi a seguinte: como a receita bruta anual da companhia é de três milhões de
reais, ela é considerada uma empresa de pequeno porte e, como tal, está dispensada da
publicação de atos societários, nos termos da legislação que regula as empresas de
pequeno porte. Murtinho consultou seu advogado para que ele analisasse a resposta
apresentada por Severiano, nos termos a seguir.

A) A companhia fechada da qual Murtinho é acionista é, de direito, uma empresa de


pequeno porte? (Valor: 0,70)

B) É dispensável a publicação do contrato de trespasse do estabelecimento de Sobral?


(Valor: 0,55)

Obs.: O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal
não será pontuada.

Gabarito comentado

A questão tem por objetivo verificar o conhecimento do examinando sobre a obrigatoriedade


do enquadramento como empresa de pequeno porte para que as sociedades empresárias
possam gozar das prerrogativas concedidas pela Lei Complementar nº 123/2006, entre elas
a dispensa de publicação de atos societários (Art. 71). Ademais, o examinando deverá
demonstrar que sabe da vedação às sociedades por ações do enquadramento como
microempresa ou empresa de pequeno porte, com base no Art. 3º, § 4º, inciso X, da Lei
Complementar nº 123/2006.

A) Não. As sociedades por ações não podem se beneficiar do tratamento jurídico


diferenciado conferido às empresas de pequeno porte, ainda que a receita bruta anual seja
inferior ao limite máximo previsto no Art. 3º, inciso II, da Lei Complementar nº 123/2006,
com fundamento no Art. 3º, § 4º, inciso X, da Lei Complementar nº 123/2006.

B) Não. Em razão de a companhia não ser uma empresa de pequeno porte, para os fins
legais, é obrigatória a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial com base no
Art. 1.144 do Código Civil.

José Porfírio é empresário individual enquadrado como microempresário e está


tendo êxito com sua empresa. Renato, irmão de José Porfírio, por causa transitória, não
pode exprimir sua vontade e, por essa razão, com base no Art. 1.767, I, do Código Civil, foi
submetido preventiva e extraordinariamente à curatela, a qual afeta os atos relacionados
aos direitos de natureza patrimonial e negocial. José Porfírio foi nomeado curador do irmão
pelo juiz, que fixou os limites da curatela nos termos do artigo 1.782 do Código Civil.
Desejoso de ajudar seu irmão a superar os problemas que motivaram a instituição da
curatela, José Porfírio procura você, na condição de advogado(a), para esclarecer as
dúvidas a seguir:

A) De acordo com as disposições do Código Civil, Renato pode iniciar o exercício individual
de empresa, em nome próprio, mediante autorização judicial? (Valor: 0,70)
B) Caso José Porfírio queira admitir seu irmão como sócio, poderá manter a condição de
empresário individual? (Valor: 0,55)

Obs.: O examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal
não será pontuada.

Gabarito comentado

A questão está relacionada à capacidade civil para a pessoa natural iniciar empresa (e não
sua continuidade), bem como a possibilidade de transformação de registro de empresário
em sociedade empresária. O examinando deverá estar apto a identificar que o
relativamente incapaz pode apenas prosseguir a empresa por ele exercida antes do
advento da incapacidade, com autorização judicial, jamais iniciá-la. Também se deseja que
o examinando demonstre conhecimento acerca da impossibilidade de o empresário
individual se associar a uma pessoa, mantendo sua condição jurídica. O enunciado deixa
evidente que Renato não pode transitoriamente exprimir sua vontade, sendo relativamente
incapaz, nos termos do Art. 4º, III, do Código Civil, na redação dada pelo Art. 114 da Lei nº
13.146/2015. Ademais, o juiz fixou os limites da curatela, para determinar que o curatelado
não possa, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou
ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não sejam de mera administração (artigos
1.772 e 1.782 do Código Civil). Logo, não tem Renato o pleno gozo de sua capacidade civil
para iniciar o exercício da empresa (Art. 972 do Código Civil) e, enquanto durar sua
incapacidade, ele não pode ser empresário. De acordo com o item 3.5.11 do Edital, as
respostas às questões discursivas serão avaliadas quanto à adequação ao problema
apresentado, ao domínio do raciocínio jurídico, à fundamentação e sua consistência, à
capacidade de interpretação e exposição e à técnica profissional demonstrada, sendo que a
mera transcrição de dispositivos legais, desprovida do raciocínio jurídico, não ensejará
pontuação.

A) Não. Renato não pode iniciar empresa, mesmo com autorização judicial. Um dos
requisitos para a pessoa natural iniciar o exercício da atividade de empresário é estar em
pleno gozo da capacidade civil, com fundamento no Art. 972 do Código Civil, o que não
ocorre com Renato por ser relativamente incapaz (Art. 4º, III, do Código Civil), afetando a
curatela os atos relacionados aos direitos de natureza patrimonial e negocial.

B) Não. O empresário pessoa natural só pode exercer a empresa individualmente. Caso


queira admitir seu irmão como sócio, José Porfírio deverá requerer ao Registro Público de
Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais, a transformação de seu registro de
empresário para registro de sociedade empresária, com fundamento no Art. 968, § 3º, do
Código Civil.

Ricardo constituiu uma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI)


com o capital mínimo legal e procedeu ao arquivamento do ato constitutivo na Junta
Comercial. Nove meses após a constituição, o instituidor decidiu dobrar o valor do capital
para atender às exigências de um edital de licitação. Para tanto, fez uma declaração de
aumento do capital e deu publicidade no registro de títulos e documentos. O ato constitutivo
da EIRELI não foi alterado porque, segundo Ricardo, tal procedimento é obrigatório apenas
para contratos plurilaterais e, como a EIRELI não tem contrato e sim ato unilateral de
constituição, a forma por ele adotada foi correta. Ricardo também pretende associar seu
irmão Hélio à sua quota única, estabelecendo um condomínio entre eles, já que a quota é
indivisa. Com base no caso apresentado, responda aos itens a seguir.

A) O aumento do capital social da EIRELI pode ser realizado independentemente de


alteração do ato de constituição? (Valor: 0,50)

B) É possível acatar a solução proposta por Ricardo de associar Hélio à sua quota? (Valor:
0,75)

Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A simples transcrição de dispositivo


legal não confere pontuação.

Gabarito comentado

A questão trata da aplicação das normas da sociedade limitada, NO QUE COUBER, a


EIRELI, em especial a necessidade de arquivamento do ato que instituir o aumento do
capital e da impossibilidade de condomínio sobre a quota. O examinando deve deixar claro
na resposta ao item A da possibilidade de aplicação do art. 1.081 do Código Civil, inserido
no capítulo da sociedade limitada, por não haver incompatibilidade com as disposições
referentes a EIRELI. De acordo com o item 3.5.11 do Edital, as respostas às questões
discursivas serão avaliadas quanto à adequação ao problema apresentado, ao domínio do
raciocínio jurídico, à fundamentação e sua consistência, à capacidade de interpretação e
exposição e à técnica profissional demonstrada, sendo que a mera transcrição de
dispositivos legais, desprovida do raciocínio jurídico, não ensejará pontuação.
Sobre o aumento do capital da EIRELI com a necessária alteração do ato de constituição,
trata-se de aplicação, mutatis mutandis, do Art. 1.081, caput, do CC, em razão da
disposição contida no Art. 980-A, § 6º, do CC. O dispositivo determina que o capital da
sociedade limitada pode ser aumentado, após sua integralização, sendo feita a
correspondente modificação do contrato social. No caso de EIRELI não se aplica a
exigência de integralização em virtude da determinação contida no Art. 980-A, caput, do
CC; todavia, persiste a exigência da modificação do ato de constituição (que não será o
contrato plurilateral e sim um ato unilateral).
Por sua vez, na resposta ao item B, o examinando deverá afirmar que não pode ser
aplicada a disposição do Código Civil, que autoriza o condomínio de quota (Art. 1.056, § 1º),
porque embora seja compatível com a sociedade limitada, é incompatível com a
unipessoalidade permanente, característica essencial da EIRELI. Assim, a proposta de
associar o irmão Hélio na quota única da EIRELI não é possível, porque a copropriedade da
quota revelaria uma pluralidade, pois seriam duas pessoas participando da EIRELI e
exercendo direitos em comum.
A) Não. É necessário que o aumento do capital da EIRELI seja realizado com a
correspondente modificação do ato de constituição, ainda que esse não seja um contrato
plurilateral, em face da determinação contida no Art. 1.081, caput, do CC, aplicável à
EIRELI em razão da disposição contida no Art. 980-A, § 6º, do CC.

B) Não. A solução proposta por Ricardo de associar seu irmão Hélio à quota única da
EIRELI, criando um condomínio sobre a quota indivisa, embora tenha previsão para a
sociedade limitada (Art. 1.056, § 1º, do CC) não é possível sua aplicação à EIRELI. Assim,
aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras
previstas para as sociedades limitadas. A copropriedade da quota viola a unipessoalidade
permanente, característica essencial dessa pessoa jurídica (“será constituída por uma única
pessoa”), como está disposto no Art. 980-A, caput, do CC.