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A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade,


e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
João 14.6.

 Jesus é a única porta da salvação; não há salvação


senão por Ele.
 Os discípulos tinham convicção de que a maior
necessidade de cada indivíduo era a salvação do pecado e da ira de
Deus, e pregavam que esta necessidade não poderia ser satisfeita por
nenhum outro, senão Jesus Cristo. Isto revela a natureza exclusiva do
evangelho e coloca sobre a igreja a pesada responsabilidade de pregar o
evangelho a todas as pessoas. Se houvesse outros meios de salvação, a
igreja poderia ficar despreocupada. Mas, segundo o próprio Cristo - João
14.6, não há esperança para ninguém, fora da salvação em Cristo.

 A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA.
 A duração.
A duração desta dispensação vai da crucificação de Cristo à sua Segunda
Vinda, período que já abrange quase 2000 anos.

 O início da Dispensação Eclesiástica (graça).


Com efeito, esta dispensação foi inaugurada no Dia de Pentecostes, quando
o Espírito Santo foi derramado. A experiência pentecostal do poder do
Espírito Santo torna real na vida dos crentes, aquilo que Jesus proveu pela
sua morte na cruz - Atos 2.

Com a morte de Cristo, Deus consagrou um “novo e vivo caminho” de acesso


à sua Pessoa.

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo
e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne. Hebreus
10.19,20.

Esse acesso ao “trono da graça” e a abolição do caminho cerimonial foram


simbolizados pelo rasgar do véu do Templo no momento em que Jesus morreu.

E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o


espírito.
E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e
tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. Mateus 27.50,51.

Cristo profere suas últimas palavras, bradando alto: Está consumado - João
19.30. Este brado significa o fim dos seus sofrimentos e a consumação da obra
da redenção. Foi paga a dívida do pecado humano, e o plano da salvação

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cumprido. Feito isto, Ele faz uma oração final: Pai, nas tuas mãos entrego o
meu espírito.
O véu do templo - Êxodo 26.31-33; 36.35, rasgado mostra que o caminho para
a presença de Deus foi aberto. A cortina que fazia separação entre o Santo
Lugar e o Santo dos Santos vedava o caminho à presença de Deus.

Mediante a morte de Cristo, a cortina foi removida e aberto ficou o caminho


para o Santo dos Santos (a presença de Deus), para todos quantos crerem em
Cristo e na sua Palavra salvífica - Hebreus 9.1-14; 10.19-22.

 Resumo do período pós-diluviano.


No período pós-diluviano Deus havia separado um homem, Abraão, e sua
família para com eles efetuar a sua vontade entre os homens. Foi a
Dispensação Patriarcal.
Em seguida, Deus separou a descendência natural de Abraão, a nação de
Israel, para ser o instrumento pelo qual abençoaria o mundo. Infelizmente, essa
nação de tal modo desobedeceu a Deus que Ele foi obrigado a espalhá-la
sobre a face da terra, terminando sua utilidade direta no “Plano de Deus” de
servir o mundo pós-diluviano.
Contudo a Semente – Cristo havia chegado ao mundo e, através de sua morte
e ressurreição e glorificação, Deus cumprirá suas promessas ao mundo.

Cristo, o cumprimento das profecias.


Cristo cumpriu todas as profecias messiânicas do Antigo Testamento.
1) Cristo foi a “Semente da mulher” - Gênesis 3.15, de nascimento virginal,
cuja obra foi esmagar a cabeça da serpente - Lucas 10.18; João 12.31 e
redimir o homem do poder de Satanás - Mateus 20.28. Ao efetuar esse
resgate, Cristo também foi ferido - Mateus 27.26.
2) Cristo foi a “Semente de Abraão” - Gálatas 3.16, que veio ao mundo a
libertar não somente Israel dos seus inimigos, como também todo o
mundo, a ser uma benção para todas as nações - Isaias 66.19; Miquéias
4.2. Em Cristo todas as cláusulas da Aliança com Abraão referente aos
territórios do Oriente Médio serão cumpridas - Ezequiel 47,48. Será
quando esse povo, grandemente arrependido, tiver sido purificado -
Zacarias 13.9; 12.10; 8.23, que Deus o fará uma grande benção a todas
as famílias da terra.
3) Cristo foi o “Profeta semelhante a Moisés” - Atos 3.22-26, que veio para
falar-lhes a Palavra de Deus - Deuteronômio 18.15; João 12.49. Cristo
foi “nascido sob a Lei” - Gálatas 4.4, e veio cumprir a Lei - Mateus
5.17,18.

15. E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te
ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. Gênesis 3.15.
16. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz: E às
posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade, que é
Cristo. Gálatas 3.16.
20. E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado,
21. o qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais
Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.

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22. Porque Moisés disse: O Senhor, vosso Deus, levantará dentre vossos irmãos um
profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser.
23. E acontecerá que toda alma que não escutar esse profeta será exterminada dentre o
povo.
24. E todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também
anunciaram estes dias.
25. Vós sois os filhos dos profetas e do concerto que Deus fez com nossos pais, dizendo
a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
26. Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisso vos
abençoasse, e vos desviasse, a cada um, das vossas maldades. Atos 3.22-26.

A Nova Aliança.
Tal qual Moisés foi mediador da Aliança Mosaica, assim Cristo é o Mediador da
Nova Aliança.

Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é


mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores
promessas. Hebreus 8.6.

Cristo é Mediador de um pacto eterno

Jesus é o mediador do novo e melhor


concerto, a fim de que "os chamados recebam
a promessa da herança eterna".

Jesus no Calvário, foi tanto sacerdote como o próprio


sacrifício. Ele ofereceu-se a si mesmo por todo o
mundo, como sacrifício perfeito pelo pecado, ao
derramar o seu sangue e morrer em lugar do pecador.

Com a vinda de Cristo, a “Velha Aliança”, a Mosaica, terminou, como o


apostolo Paulo afirma em Romanos 10.4, e Gálatas 3.19-29.

4. Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. Romanos 10.4.

19. Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a
posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos na mão de um
medianeiro.
20. Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um.
21. Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se dada
fosse uma lei que pudesse vivificar a justiça, na verdade, teria sido pela lei.

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22. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em
Jesus Cristo fosse dada aos crentes.
23. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para
aquela fé que se havia de manifestar.
24. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela
fé, fôssemos justificados.
25. Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio.
26. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus;
27. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestiram de Cristo.
28. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea;
porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
29. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a
promessa. Gálatas 3.19.

A palavra traduzida "lei" (gr. nomos; hb. torah) significa "ensino" ou "instrução".
O termo lei pode referir-se aos Dez Mandamentos, ao Pentateuco ou a
qualquer mandamento no AT.
O uso por Paulo da palavra "lei" pode incluir o sistema sacrificial do concerto
mosaico. A respeito dessa lei, Paulo declara várias coisas:

1) Ela foi dada por Deus "por causa das transgressões", a fim de demonstrar
que o pecado é a violação da vontade de Deus, e despertar os homens a
verem sua necessidade de misericórdia, graça e salvação de Deus em
Cristo - Gálatas 3. 24; Romanos 5.20; 8.2.
2) Embora o mandamento fosse santo, bom e justo - Romanos 7.12 eram
inadequados, porque não conseguia transmitir vida espiritual nem força
moral - Gálatas 3.21; Romanos 8.3; Hebreus 7.18,19.
3) A lei funcionou como "aio" ou tutor do povo de Deus até que viesse a
salvação pela fé em Cristo (vv. 22-26). Nessa função, a lei revelou a
vontade de Deus para o comportamento do seu povo - Êxodo 19.4-6;
20.1-17 proveu sacrifícios de sangue para cobrir os pecados do seu povo
Levítico 1.5; 16.33 e apontou para a morte expiatória de Cristo - Hebreus
9.14; 10.12-14.
4) A lei foi dada para nos conduzir a Cristo a fim de sermos justificados pela
fé - Gálatas 3.24. Mas agora que Cristo já veio, finda está a função da lei
como supervisora – Gálatas 3.25. Por isso, já não se deve buscar a
salvação através das provisões do antigo concerto, nem pela obediência
às suas leis e ao seu sistema de sacrifícios. A salvação, agora, tem lugar
de conformidade com as provisões no novo concerto, a saber, a morte
expiatória de Cristo, a sua ressurreição gloriosa e o privilégio subsequente
de pertencer a Cristo - Gálatas 3.27-29.

A Nova Aliança inclui a presença de “testamento” ou


“legado”, que se torna válido à morte do testador,
que é Cristo (Gálatas 3.15).

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A Aliança Mosaica era transitória e de qualidade “assistencial”, não definitiva;
como se pode entender pelo fato de animais serem sacrificados como tipos de
Cordeiro de Deus, que posteriormente daria a sua vida.

 O ANTIGO E O NOVO CONCERTO.

 O Antigo Concerto.

 Segundo o antigo concerto, a salvação e o


relacionamento correto com Deus provinham de um
relacionamento com Ele à base da fé expressa pela
obediência à sua lei e ao sistema sacrificial desta.

Os sacrificios do Antigo Concerto

1º - Ensinar ao povo de Deus a gravidade do


pecado.

O pecado separava os pecadores de um Deus santo, e


somente através do derramamento de sangue poderiam
reconciliar-se com Deus e encontrar perdão.

2º - Prover um meio para Israel chegar-se a


Deus.

Mediante a fé, a obediência e o amor.

3º - O sacrifício perfeito de Cristo pelos


pecados.

Indicar de antemão ou prenunciar (8.5; 10.1) o


sacrifício perfeito de Cristo pelos pecados da raça
humana.

Jeremias profetizou que, num tempo futuro, Deus faria um novo concerto, um melhor
concerto, com o seu povo - Jeremias 31.31-34.
É melhor concerto do que o antigo - Romanos 7 - porque perdoa totalmente os
pecados dos que se arrependem - Romanos 8.12, transforma-os em filhos de Deus
Romanos 8.15,16, dá-lhes novo coração e nova natureza para que possam,
espontaneamente, amar e obedecer a Deus - Romanos 8.10; Ezequiel 11.19,20, os
conduz a um estreito relacionamento pessoal com Jesus Cristo e o Pai (8.11) e provê
uma experiência maior em relação ao Espírito Santo - Joel 2.28; Atos 1.5,8; 2.16,17,
33, 38,39; Romanos 8.14,15,26.

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 O Novo Concerto.

Jesus é quem instituiu o novo concerto ou o novo testamento (ambas as idéias estão
contidas na palavra grega diatheke — testamento), e seu ministério celestial é
incomparavelmente superior ao dos sacerdotes terrenos do AT.

O novo concerto é um acordo, promessa, última vontade e testamento, e uma


declaração do propósito divino em outorgar graça e bênção àqueles que se chegam
a Deus mediante a fé obediente. De modo específico, trata-se de um concerto de
promessa para aqueles que, por fé, aceitam a Cristo como o Filho de Deus, recebem
suas promessas e se dedicam pessoalmente a Ele e aos preceitos do novo
concerto.

O sacrifício do Novo Concerto

1º - O ofício de Jesus Cristo como mediador do novo concerto baseia-se na sua


morte Expiatória.

As promessas e os preceitos desse novo concerto são expressos em todo o NT.


Seu propósito é: salvar da culpa e da condenação da lei todos que creem em Jesus Cristo e
dedicam suas vidas às verdades e deveres do seu concerto.

2º - O sacrifício de Jesus é melhor que os do antigo concerto.

Por ser um sacrifício voluntário e obediente de uma pessoa justa (Jesus Cristo), e não um sacrifício
involuntário de um animal.
O sacrifício de Jesus e o seu cumprimento da vontade de Deus foram perfeitos, e, portanto, proveu
um caminho para o pleno perdão, reconciliação com Deus e santificação.

3º - O novo concerto pode ser chamado o novo concerto do Espírito.

Porque é o Espírito Santo quem outorga a vida e o poder


àqueles que aceitam o concerto de Deus.

4º - Todos os que pertencem ao novo concerto por Jesus Cristo recebem as


bênçãos e a salvação.

Oriundas desse concerto mediante sua perseverança na fé e na obediência. Os infiéis são excluídos
dessas bênçãos.