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HIDROGEOGRAFIA

CURSOS DE GRADUAÇÃO – EAD

Hidrogeografia – Prof. Ms. Mauro Juliano Cascaes

Meu nome é Mauro Juliano Cascaes. Sou oceanógrafo formado


pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), especialista
em Gestão Ambiental pelo Claretiano de São Paulo, mestre
e doutorando em Ciências pela USP-SP. Atualmente, ministro
as disciplinas Recursos Aquáticos, Meio Ambiente e Direito
Ambiental em alguns cursos de Graduação e Pós-graduação.
Além disso, sou pesquisador em Hidrografia do Instituto Antártico
de Pesquisas Ambientais e revisor da revista Science of the Total
Environment.
e-mail: maurojuliano@usp.br

Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação


Mauro Juliano Cascaes

HIDROGEOGRAFIA

Batatais
Claretiano
2014
© Ação Educacional Clare ana, 2014 – Batatais (SP)
Versão: ago./2014

551.48 C331h

Cascaes, Mauro Juliano
Hidrogeografia / Mauro Juliano Cascaes – Batatais, SP : Claretiano, 2014.
142 p.

ISBN: 978-85-8377-144-9

1. Água. 2. Oceanos e mares. 3. Escoamento em vertentes e rios.


4. Bacias fluviais e regimes fluviais. 5. Águas subterrâneas. 6. Hidrologia
do Brasil. I. Hidrogeografia.

CDD 551.48

Corpo Técnico Editorial do Material Didático Mediacional


Coordenador de Material DidáƟco Mediacional: J. Alves

Preparação Revisão
Aline de Fátima Guedes Cecília Beatriz Alves Teixeira
Camila Maria Nardi Matos Felipe Aleixo
Carolina de Andrade Baviera Filipi Andrade de Deus Silveira
Cá a Aparecida Ribeiro Paulo Roberto F. M. Sposati Ortiz
Dandara Louise Vieira Matavelli Rafael Antonio Morotti
Elaine Aparecida de Lima Moraes Rodrigo Ferreira Daverni
Josiane Marchiori Mar ns Sônia Galindo Melo
Talita Cristina Bartolomeu
Lidiane Maria Magalini
Vanessa Vergani Machado
Luciana A. Mani Adami
Luciana dos Santos Sançana de Melo
Projeto gráfico, diagramação e capa
Patrícia Alves Veronez Montera Eduardo de Oliveira Azevedo
Raquel Baptista Meneses Frata Joice Cristina Micai
Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Simone Rodrigues de Oliveira Luis Antônio Guimarães Toloi
Raphael Fantacini de Oliveira
Bibliotecária Tamires Botta Murakami de Souza
Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11 Wagner Segato dos Santos

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SUMÁRIO

CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO


1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 9
2 ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO .......................................................................... 10

UNIDADE 1 ÁGUA NO PLANETA TERRA


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 35
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 35
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE ............................................... 36
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 36
5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA..................................................................................... 37
6 ORIGEM DA ÁGUA E CICLO HIDROLÓGICO .................................................... 38
7 DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA PELO PLANETA ....................................................... 40
8 CARACTERÍSTICAS ............................................................................................ 42
9 APLICAÇÕES DA ÁGUA ..................................................................................... 44
10 CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS........................................................................... 44
11 DEGRADAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS ..................................................... 48
12 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 49
13 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 50
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 50

UNIDADE 2 ÁGUAS SUBTERRÂNEAS


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 51
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 51
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE ............................................... 52
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 52
5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA..................................................................................... 52
6 DEFINIÇÃO ........................................................................................................ 54
7 ORIGEM E OCORRÊNCIA .................................................................................. 55
8 CARACTERÍSTICAS ............................................................................................ 57
9 UTILIZAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS ..................................................... 59
10 DISTRIBUIÇÃO VERTICAL ................................................................................ 59
11 TIPOS DE AQUÍFEROS ..................................................................................... 61
12 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 64
13 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 64
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 64

UNIDADE 3 OCEANOS E MARES


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 67
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 67
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE ............................................... 68
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 68
5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA..................................................................................... 68
6 DEFINIÇÃO ........................................................................................................ 71
7 VARIABILIDADE DA LINHA DE COSTA ............................................................. 72
8 MARGENS CONTINENTAIS ............................................................................... 73
9 BACIAS OCEÂNICAS .......................................................................................... 75
10 DORSAL OCEÂNICA OU CORDILHEIRA MESOCEÂNICA ................................ 77
11 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 77
12 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 78
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 78

UNIDADE 4 MOVIMENTO DAS ÁGUAS OCEÂNICAS


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 79
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 79
3 ORIENTAÇÃO PARA O ESTUDO DA UNIDADE ................................................. 80
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 80
5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONHECIMENTO DA DINÂMICA DOS OCEANOS ..... 80
6 CIRCULAÇÃO OCEÂNICA GLOBAL ................................................................... 81
7 ONDAS ............................................................................................................... 88
8 MARÉS ............................................................................................................... 91
9 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ........................................................................ 94
10 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 94
11 E REFERÊNCIAS................................................................................................ 94
12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 94

UNIDADE 5 ESCOAMENTO EM VERTENTES E RIOS


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 97
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 97
3 ORIENTAÇÃO PARA O ESTUDO DA UNIDADE ................................................. 98
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 98
5 RIOS .................................................................................................................. 98
6 CLASSIFICAÇÃO DOS RIOS ............................................................................... 99
7 REGIMES FLUVIAIS ........................................................................................... 103
8 GEOMORFOLOGIA FLUVIAL: OS RIOS COMO AGENTES MODIFICADORES
DE PAISAGEM ................................................................................................... 104
9 OUTRAS MASSAS D’ÁGUA SUPERFICIAIS ....................................................... 108
10 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 112
11 CONSIDERAÇÕES ........................................................................................... 113
12 E REFERÊNCIAS................................................................................................ 113
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 113

UNIDADE 6 HIDROLOGIA DO BRASIL


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 115
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 115
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE ............................................... 116
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 116
5 BACIAS HIDROGRÁFICAS BRASILEIRAS .......................................................... 116
6 BACIA AMAZÔNICA .......................................................................................... 118
7 BACIA DO SÃO FRANCISCO .............................................................................. 120
8 OUTRAS BACIAS ............................................................................................... 120
9 OUTRAS ÁGUAS SUPERFICIAIS ........................................................................ 122
10 ÁGUAS SUBTERRÂNEAS .................................................................................. 124
11 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 126
12 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 126
13 E REFERÊNCIAS................................................................................................ 126
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 127

UNIDADE 7 PROTEÇÃO LEGAL DOS RECURSOS HÍDRICOS


1 OBJETIVOS ........................................................................................................ 129
2 CONTEÚDOS ..................................................................................................... 129
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE ............................................... 130
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE ............................................................................... 130
5 CONCEITOS E PRINCÍPIOS NORTEADORES..................................................... 130
6 TUTELA DOS RECURSOS AQUÁTICOS ............................................................. 132
7 PROCESSO DE TUTELA ..................................................................................... 133
8 POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS PNRH ................................ 136
9 TEXTO COMPLEMENTAR .................................................................................. 138
10 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 141
11 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 141
12 E REFERÊNCIAS................................................................................................ 141
13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 141
Claretiano - Centro Universitário
EAD
Caderno de
Referência de
Conteúdo

CRC

Conteúdo –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Água no planeta Terra. Oceanos e mares. Movimentos das águas oceânicas.
Escoamento em vertentes e rios. Bacias fluviais e regimes fluviais. Águas subter-
râneas. Hidrologia do Brasil.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

1. INTRODUÇÃO
O estudo do Caderno de Referência de Conteúdo de Hidro-
geografia possibilitará a você a interpretação dos processos liga-
dos à água como ferramenta de desenvolvimento regional e de
utilização racional dos recursos hídricos.
Em função disso, na Unidade 1, conheceremos as formas da
água no planeta e as suas interações com a natureza. Ao compreen-
dermos as características desse elemento, será possível distinguir
os processos de sua ciclagem e a importância de sua manutenção
para a sustentação da vida e do meio ambiente em equilíbrio. Para
tanto, a unidade abordará os métodos de classificação para a cor-
reta aplicação desse recurso.
10 © Hidrogeografia

A Unidade 2 abrangerá a ocorrência de um dos processos do


ciclo da água pelo planeta, que trata da sua movimentação pelo
subsolo e a importância desse transporte como método de utiliza-
ção do recurso.
No decorrer da Unidade 3, identificaremos as principais pro-
víncias dos oceanos, a sua formação e a sua caracterização, bem
como a forma como elas se inter-relacionam com as águas que as
preenchem. Seguindo essa análise, poderemos interpretar ques-
tões inerentes a essas formações, os processos de variabilidade da
linha de costa, entre outros.
Complementando a unidade anterior, a Unidade 4 possibi-
litará a aplicação dos conceitos aprendidos para a compreensão
e dedução dos aspectos que envolvem a movimentação de águas
oceânicas, seja a nível global, regional ou unitário. Essa compreen-
são permitirá, também, a solução dos problemas regionais por
meio da análise das questões mais abrangentes, ou seja, permitirá
que a visão global dos processos planeje as ações locais.
Já a Unidade 5 abordará as questões geográficas associadas
aos cursos naturais de água pela superfície do planeta. Por meio
da classificação e da exposição da geomorfologia resultante, será
possível relacionar e justificar as ferramentas de desenvolvimento
aplicadas aos recursos hídricos.
Na Unidade 6, serão ilustrados os compartimentos dos re-
cursos hídricos brasileiros e, fundamentado na sua interação com
a conceituação teórica, poderemos analisar as medidas práticas
de gestão ambiental tanto para as águas quanto para os demais
ambientes naturais em que elas estão presentes.
Por fim, na Unidade 7, conheceremos os principais mecanis-
mos legais de proteção dos recursos hídricos, os quais tornarão
eficazes quaisquer formas de lesão sobre o ambiente em que vive-
mos, expondo os caminhos a ser tomados.
© Caderno de Referência de Conteúdo 11

2. ORIENTAÇÕES PARA ESTUDO


Abordagem Geral
Neste tópico, apresenta-se uma visão geral do que será estu-
dado neste Caderno de Referência de Conteúdo. Aqui, você entrará
em contato, de forma breve e geral, com os assuntos principais
deste conteúdo e terá a oportunidade de aprofundar essas ques-
tões no estudo de cada unidade. No entanto, esta abordagem ge-
ral visa fornecer-lhe o conhecimento básico necessário para que
possa construir um referencial teórico com base sólida – científica
e cultural –, para que, no futuro exercício de sua profissão, você a
exerça com competência cognitiva, ética e responsabilidade social.
Vamos começar nossa aventura pela apresentação das ideias e dos
princípios básicos que fundamentam este Caderno de Referência
de Conteúdo.
Vamos lá?
Como você vê o planeta Terra?
O planeta pode ser visto como uma grande máquina. Uma
máquina que envolve processos complexos e que não pode parar,
sob o risco de atingir o colapso.
Para melhor entender esses processos, podemos subdividi-los
em quatro esferas: a atmosfera, a litosfera, a biosfera e a hidrosfera.
Neste Caderno de Referência de Conteúdo, focaremos os processos
que envolvem a hidrosfera, que é a camada que contém toda a por-
ção de água existente no planeta, incluindo a atmosfera adjacente.
A água é a essência da vida na Terra. A humanidade, des-
de as primeiras civilizações, desenvolveu-se nas proximidades de
grandes rios. Nossos antepassados aprenderam a controlar o fluxo
dos rios, e a irrigação na agricultura tornou-se tão eficiente que,
por vezes, essas civilizações foram chamadas "civilizações hidráuli-
cas". Até hoje, nossa dependência da água não é menos importan-
te, já que podemos sobreviver sem a maior parte dos elementos
existentes, mas não somos capazes de sobreviver sem água.

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12 © Hidrogeografia

A Hidrogeografia visa o estudo dos aspectos físicos da hi-


drosfera do planeta Terra, assim como sua ocorrência, circulação e
distribuição. Seu objetivo, portanto, é promover aos seus alunos a
compreensão da dinâmica do ciclo da água e a interpretação dos
seus processos pelo ambiente natural.
Estudaremos, inicialmente, a movimentação da água pelo pla-
neta, denominada “Ciclo Hidrológico”.
O Ciclo Hidrológico é o constante movimento da água pelos
diferentes compartimentos ambientais do planeta, seja pelos re-
servatórios superficiais e subterrâneos, seja pelos oceanos e mares,
seja pela atmosfera e pelas calotas polares. Essa dinâmica tem início
na energia solar, que permite que a água seja evaporada, transpor-
tada pelos ventos, condensada e precipitada.
Por meio desses processos, a água é continuamente transfor-
mada de um estado físico a outro, mantendo praticamente constan-
te os reservatórios de água do planeta.
De toda a água existente, pouco mais de 0,5% se encontra
em reservatórios terrestres. Entretanto, deste percentual, apenas
0,007% está disponível para o consumo humano. Sua distribuição
irregular pelo planeta e o aumento da degradação da sua qualidade,
promovida pelo homem, tem gerado escassez de água para cerca de
500 milhões de pessoas em todo o mundo.
Por suas características, a água possui muitas aplicações. Pode-
mos salientar, inicialmente, a importância da água no consumo direto
pelos seres vivos e, indiretamente, para a irrigação de culturas agrícolas.
Além disso, a água é importante, também, no meio industrial, na gera-
ção de energia elétrica, na navegação, na recreação, dentre outros.
Os relatos da utilização das águas subterrâneas para o consu-
mo e a irrigação remontam milhares de anos. Todavia, apenas nos
últimos séculos é que os processos se tornaram mais conhecidos,
possibilitando o uso mais racional desses reservatórios. Até hoje,
porém, ainda há certa resistência na correta gestão dos recursos
subterrâneos, já que esse planejamento demanda maiores gastos.
© Caderno de Referência de Conteúdo 13

"Água subterrânea" é aquela que ocupa os vazios de forma-


ções rochosas ou do solo. A maior parte dela é originada pela água
de chuva, que infiltra para o subsolo, processo esse conhecido como
"percolação".
Grandes reservatórios de água subterrânea podem estar ar-
mazenados em unidades rochosas ou em sedimento poroso e per-
meável e são conhecidos como "aquíferos”.
De toda a água existente no planeta, menos de 1% corres-
ponde às águas subterrâneas. Contudo, essa quantidade é 40 ve-
zes maior que todo o volume de água doce dos rios, lagos e de
outros reservatórios superficiais terrestres.
As águas subterrâneas não apresentam grande variabilidade
em épocas chuvosas e épocas de seca, já que estão protegidas da
evaporação. Além disso, são menos vulneráveis às contaminações
antropogênicas em relação às águas superficiais.
O baixo custo de captação, a grande ocorrência espacial e a
melhor qualidade para o consumo somam-se à maior facilidade
e ao menor impacto ambiental para sua exploração. Nos países
desenvolvidos, como os europeus, por exemplo, quase 80% da po-
pulação é abastecida por águas subterrâneas. No entanto, países
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como é o caso do Bra-
sil, a importância desse recurso ainda é bastante negligenciada.
A exploração dos oceanos e mares iniciou-se a partir do de-
senvolvimento das primeiras técnicas de navegação pelos egíp-
cios. Desde então, muitos povos realizaram grandes expedições
oceânicas em diferentes épocas.
Entretanto, as expedições de cunho científico iniciaram-
-se, apenas, no século 18, com as viagens do capitão inglês James
Cook, que adquiriu grandes volumes de dados geográficos, geoló-
gicos, físicos e biológicos.
O último século foi caracterizado pela maciça investigação dos
mares do planeta, baseada em técnicas mais modernas, atingindo
seu ápice com o lançamento de um satélite para a exploração ma-

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14 © Hidrogeografia

rítima por sensoriamento remoto. Atualmente, os oceanos e mares


estão entre os ambientes mais estudados pelos geógrafos.
Os oceanos são grandes porções de água salgada que reco-
brem cerca de 70% do planeta Terra. Já os mares não apresentam
tal distribuição e se caracterizam por porções de água salgada co-
nectadas aos oceanos, margeando, porém, os continentes.
Muitos elementos influenciam, direta e indiretamente, os
oceanos e os mares. Os principais elementos são:
a) Energia solar: promove a circulação atmosférica e parte
da circulação oceânica, além de outros fatores.
b) Ventos atmosféricos: geram correntes oceânicas e on-
das.
c) Regimes climáticos: influenciam, diretamente, os pro-
cessos costeiros.
d) Natureza das rochas costeiras: determinam a predomi-
nância e a magnitude da erosão e da deposição ocorren-
tes nessa região.
e) Atividades antropogênicas: podem ser de vários tipos e
apresentam maior impacto nas regiões costeiras.
Um ambiente marinho de morfologia bastante interessante
é a "margem continental", uma porção da placa continental que se
encontra submersa e constitui a zona de transição entre o conti-
nente e o oceano profundo. Ocupando cerca de um quinto da área
ocupada pelos oceanos, as placas podem ser classificadas em dois
tipos: as margens ativas e as margens passivas.
As margens ativas são aquelas que se encontram onde há
convergência de placas litosféricas. São margens relativamente es-
treitas, concentradas em um local com grande atividade tectôni-
ca e vulcânica, já que, com o encontro de duas placas, uma delas
submerge a outra. Um bom exemplo desse tipo de margem é a do
oceano Pacífico.
Já as margens passivas são mais extensas e tectonicamente
mais estáveis, já que o fundo oceânico se encontra em proces-
© Caderno de Referência de Conteúdo 15

so de expansão. Um exemplo de margem passiva é a do oceano


Atlântico.
Após essas margens, que marcam o fim dos ambientes conti-
nentais, ocorrem as bacias oceânicas, que são extensos ambientes
com feições características, tais como: a planície abissal, as colinas
abissais, os montes submarinos e as fossas de mar profundo.
Ocupando um terço do assoalho oceânico aproximadamen-
te, as dorsais oceânicas, também conhecidas como “cordilheiras
mesoceânicas”, representam as cordilheiras mais longas e contí-
nuas de todo o planeta. Elas possuem entre 1.000 e 3.000 metros
de altura e milhares de quilômetros de extensão e indicam o local
de formação de nova placa oceânica.
Como pudemos notar, o fundo marinho é um ambiente ex-
tremamente irregular com um grande número de feições próprias.
Assim, para entender a circulação das águas oceânicas pelo
planeta, é necessário compreender, também, a circulação dos ven-
tos pela atmosfera, já que seus processos estão conectados.
A energia que alimenta todo o movimento das correntes
atmosféricas provém, originariamente, da fonte solar. A diferen-
ça de insolação promovida nas diferentes partes do planeta gera
diferentes quantidades de energia para cada latitude. Entre as lati-
tudes, porém, ocorre intensa transferência de energia, promoven-
do a circulação atmosférica. Os ventos, portanto, são produzidos
pelas diferenças na pressão atmosférica de um local a outro e são
caracterizados pela velocidade e direção.
Nos oceanos, ocorrem dois tipos de circulação: a circulação
superficial e a profunda, com origens distintas e particularidades
próprias.
A circulação superficial ocorre nas primeiras centenas de me-
tros, com origem na ação dos ventos predominantemente. A energia
é transferida dos ventos para a água pela fricção do ar na superfície
do mar. As primeiras consequências dessa transferência de energia

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16 © Hidrogeografia

ocorrem por grandes movimentos circulares oceânicos, denomina-


dos “giros”, geralmente centrados nas latitudes de 20° a 30°.
As correntes de fundo ocorrem abaixo da camada superficial
dos oceanos a uma profundidade acima de 100 metros. Essa cir-
culação de mar profundo é conhecida como “termoalina”, pois é
controlada pelas diferenças na temperatura e pela salinidade das
massas d'água. Em outras palavras, é a diferença de densidade das
massas d'água que gera a circulação profunda.
Além das grandes circulações dos oceanos, ocorrem outros
tipos de movimentações das águas oceânicas. As mais importan-
tes são as ondas e as marés.
Ondas são perturbações na superfície de um fluido, pelo
qual a energia é transferida de um lugar para outro. A fricção entre
o vento e a superfície dos oceanos gera ondulações na água, que
são as ondas. Estas são formadas na água de acordo com a velo-
cidade, direção e duração dos ventos. Em condições favoráveis,
formam-se as vagas, que são ondas que podem viajar por milha-
res de quilômetros antes de quebrar em uma costa. Contudo, em
condições desfavoráveis, formam-se ondas menores, porém muito
mais complexas, que são conhecidas como “ondas capilares”.
As ondas são grandes agentes modificadores de paisagens
costeiras e constituem um dos processos mais dinâmicos das zo-
nas litorâneas.
Um tipo de onda muito importante é a onda de maré, que é
uma oscilação vertical da superfície do mar ou outra massa d´água
originada pela atração gravitacional da Lua e do Sol. Dependendo
da localização geográfica, as ondas de maré podem variar de al-
guns centímetros a alguns metros e ocorrem de forma periódica.

Escoamento em vertentes e rios


Rios são cursos naturais de água doce que se movem sobre
a superfície terrestre até atingir o mar ou outro corpo d´água. São
muito importantes às atividades humanas, como, por exemplo,
© Caderno de Referência de Conteúdo 17

para o consumo, a irrigação, a fonte de energia elétrica, o trans-


porte, a recreação, dentre outras.
Em geral, os rios são formados a partir de nascentes. Nesses
cursos d´água, a fonte que os alimenta se dá pela água que precipi-
tou, percolou no solo e aflorou em superfície. Esses rios são deno-
minados “rios de regime pluvial”. No entanto, nem sempre um rio
é formado dessa maneira. Eles também podem ter origem niveal,
que se dá pelo derretimento da neve; ou glaciário, originado pelo
derretimento do gelo em altas latitudes. Os rios ainda possuem a
combinação de uma ou mais dessas modalidades, já que, depois
de ser formados, se juntam a outros rios de diferente regime.
Os cursos d'água são organizados em uma bacia de drena-
gem, que consiste em uma extensão territorial na qual os rios são
alimentados. Essa bacia de drenagem abrange certo número de
canais e pode possuir extensão de alguns quilômetros quadrados
até dimensões subcontinentais.
Uma propriedade fundamental da movimentação dos rios é
o gradiente, que é a diferença de elevação entre dois pontos ao
longo do curso de um rio. Quanto maior essa diferença, mais tur-
bulento será o rio. Por isso, os rios que se movem em encostas
de grandes elevações continentais são mais turbulentos do que os
rios de planície.
Os rios de um mesmo local são medidos por sua descarga,
que é definida pelo volume de água por unidade de tempo que
passa por uma seção transversal do canal.
A descarga, a velocidade, o padrão de drenagem e os demais
fatores de um rio variam de acordo com uma série de parâmetros,
como a natureza das rochas pelas quais os rios se movem, a co-
bertura vegetal adjacente, a declividade do solo e a presença ou
ausência de fontes de água. É importante ressaltar, também, que a
descarga dos rios varia diariamente e reflete a presença/ausência/
quantidade de precipitação ou glaciação.

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18 © Hidrogeografia

Os continentes são escavados pelo gelo, moldados pelos


ventos e modificados pelas ondas. Entretanto, exceto em ambien-
tes dominados pelo gelo e em desertos, são os rios os maiores
agentes modificadores de paisagem do nosso planeta.

Hidrologia do Brasil
Dividindo-se a água doce existente em todo o planeta por
sua população, não haveria escassez. Cada pessoa teria mais de
seis vezes do mínimo de água recomendado pelas Nações Unidas,
para bons níveis de saúde e higiene, que é de 80 litros por dia. En-
tretanto, os recursos hídricos estão mal distribuídos pelo planeta,
fazendo que alguns países utilizem mais de 500 litros, enquanto
outros, menos de 5 litros ao dia por pessoa.
Em todo o mundo, a América do Sul e a Ásia são os continen-
tes mais privilegiados, com o maior número de terras úmidas, em
contraste com a África e outras regiões desérticas. O Brasil figu-
ra dentre os nove países mais ricos em água, juntamente com os
EUA, a China, o Canadá, a Indonésia, a Índia, a Colômbia, o Peru e
a Rússia. Esses países detêm, juntos, cerca de 60% de toda a dispo-
nibilidade de água doce do mundo.
No Brasil, sua grande extensão territorial, aliada ao regime
tropical úmido, resulta em precipitações médias de 1.000 a 3.000
milímetros por ano em quase todo o país.
A descarga média dos rios brasileiros é de mais de 6.000
quilômetros cúbicos por segundo, sendo que mais de 70% dessa
vazão corresponde à bacia hidrográfica do Amazonas, a maior do
mundo, ocupando cerca de 50% do território brasileiro. Além da
bacia do Amazonas, as bacias do São Francisco e do Paraná são as
mais importantes.
A rede hidrográfica brasileira possui grande umidade na
maior parte do território e é considerada a mais densa de todos
os países. Além disso, é basicamente constituída de rios, apresen-
tando poucos lagos. Todos os rios existentes no território nacional
© Caderno de Referência de Conteúdo 19

possuem origem pluvial, exceto o Amazonas, que possui parte de


contribuição do derretimento da neve da Cordilheira dos Andes.
Com exceção de alguns rios da região nordeste, o período
de cheia dos rios brasileiros ocorre no verão. Esses rios possuem
regime perene, ou seja, com curso contínuo ao longo do tempo.
Em geral, os rios brasileiros possuem alto potencial hídrico,
com quase 6.000 quilômetros cúbicos por ano, apesar de utilizar
menos de 10% do volume disponível. Apesar desse baixo uso, 97%
da eletricidade gerada no país provêm de fontes fluviais. O Brasil
possui, também, abundância na disponibilidade hídrica social, que
é o total de descarga dos rios do país dividido pela população, com
exceção de alguns estados nordestinos, que apresentam uma dis-
ponibilidade hídrica considerada regular, de 1.000 a 2.000 metros
cúbicos por habitante por ano.
Dentre os principais usos dos rios brasileiros, estão a navega-
ção, o turismo e a irrigação.
Estima-se que o Brasil possua mais de 110.000 quilômetros
cúbicos de água subterrânea, quantidade suficiente para abaste-
cer toda a atual população do planeta por mais de dois séculos.
Sabe-se, entretanto, que esses números são relativos, já que a
exploração de águas subterrâneas exige planejamento e cautela.
Todavia, as águas subterrâneas brasileiras devem ser considera-
das uma alternativa em potencial para acelerar o desenvolvimento
econômico e social do país.
O maior reservatório se encontra na Bacia Sedimentar Para-
ná, com cerca de metade da quantidade brasileira, no qual o sis-
tema aquífero Guarani está presente, seguido pelas províncias do
Amazonas e Maranhão, com 30 e 15% do total.
Dos 200.000 poços atualmente existentes no país, a maior parte
se destina ao abastecimento público. Os estados de São Paulo, Bahia,
Rio Grande do Sul, Ceará e Piauí são os que possuem maior núme-
ro de poços e, em muitos locais do país, constituem a extração mais

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20 © Hidrogeografia

importante de água doce, apesar desse número ainda ser pequeno


em comparação com seu potencial de exploração. Contudo, nos últi-
mos anos, tem aumentado a utilização de águas subterrâneas para o
abastecimento da população, com acréscimo de empresas privadas e
órgãos públicos que atuam na pesquisa e captação desses recursos.
O continente sul-americano apresenta muitas áreas de transi-
ção, como várzeas, lagos rasos e pântanos. A essas áreas alagadas,
somam-se a grande quantidade de mangues, que são zonas de transi-
ção entre as águas interiores e os sistemas marinhos que se estendem
na zona litorânea até à latitude de 30°. Essas regiões possuem grande
importância, já que apresentam grande biodiversidade de espécies
biológicas, além de ser núcleos ou centros ativos de evolução.
Apesar dos grandes reservatórios de água doce existentes no
Brasil, o abastecimento de água potável a toda a população é um
grande desafio, já que a poluição dos recursos aquáticos no país
cresce em proporções preocupantes, tornando inutilizáveis uma
parte dos recursos disponíveis. A ocupação rural indiscriminada
tem desmatado as áreas das bacias hidrográficas, intensificando
os processos de erosão, o empobrecimento da vegetação nativa e
a redução das reservas de água. Associado a esses problemas, as
políticas governamentais, quando existentes, carecem de efetivi-
dade, deixando à mercê um patrimônio não apenas nacional, mas
também da humanidade.
Em 1992, a ONU redigiu a Declaração Universal dos Direitos
da Água, documento de suma importância para o futuro geógrafo,
o qual apresenta os seguintes princípios, com os quais encerrare-
mos esta abordagem geral:

Declaração Universal dos Direitos ––––––––––––––––––––––


Art. 1º – A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada con nente, cada povo, cada
nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de
todos.
Art. 2º – A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo ve-
getal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera,
o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.
© Caderno de Referência de Conteúdo 21

Art. 3º – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos,


frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade,
precaução e parcimônia.
Art. 4º – O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água
e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para
garan r a con nuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em par cular, da
preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
Art. 5º – A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um
emprés mo aos nossos sucessores. Sua proteção cons tui uma necessidade vital, assim
como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.
Art. 6º – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico:
precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem
escassear em qualquer região do mundo.
Art. 7º – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira
geral, sua u lização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se
chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas
atualmente disponíveis.
Art. 8º – A u lização da água implica em respeito à lei. Sua proteção cons tui uma obri-
gação jurídica para todo homem ou grupo social que a u liza. Esta questão não deve ser
ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
Art. 9º – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os impera vos de sua proteção e
as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
Art. 10º – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o
consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Fonte: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/agua/declaracao.html>.
Acesso em: 21 jun. 2010.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Não coloque barreiras em seu conhecimento. Leia, investi-
gue, pergunte e busque mais. Tenha sempre em mente que, com o
conhecimento, é possível contribuirmos para esse planeta de ma-
neira ética e responsável. Pense nisso!

Glossário de Conceitos
O Glossário permite a você uma consulta rápida e precisa
das definições conceituais, possibilitando-lhe um bom domínio
dos termos técnico-científicos utilizados na área de conhecimen-
to dos temas tratados neste Caderno de Referência de Conteúdo.
Veja, a seguir, a definição dos principais conceitos:
1) Abiótico: é o componente do meio ambiente que não é vivo.
2) Águas subterrâneas: podem ser definidas como aque-
las provenientes do subsolo, que ocupam os poros e as

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22 © Hidrogeografia

fraturas de rochas. É a água que permanece ou que se


desloca em subssuperfície.
3) Aquíferos: são estratos de rochas permeáveis que po-
dem reter a água ou permitir sua passagem (MONKHOU-
SE; SMALL, 1978).
4) Arcos de ilhas: cinturão de vulcões rodeados por uma
fossa submarina.
5) Assoreamento: processo de aterramento de corpos
aquáticos por solo ou por sedimento ali depositado.
6) Autótrofos: seres vivos que produzem seu próprio ali-
mento por meio da energia solar, do gás carbônico e da
água do solo.
7) Bacia de drenagem: composição de nascentes e tributá-
rios em determinado terreno.
8) Bacia oceânica: depressão ocupada pelo oceano além
do limite da plataforma continental.
9) Balneabilidade: qualidade da água destinada à recrea-
ção de contato primário, que pode ser mergulho e nata-
ção, já que há possibilidade de ingerir grande quantida-
de de água.
10) Bentos: conjunto de seres vivos que vivem associados
aos fundos de rios, lagos ou mares.
11) Biodegradável: composto que se decompõe pela ação
de seres vivos.
12) Bioma: conjunto de ecossistemas terrestres que pos-
suem tipos vegetais semelhantes, com fauna, flora e cli-
ma característicos de um grande ecossistema.
13) Biosfera: conjunto de todos os ecossistemas do planeta,
seja da atmosfera, seja da crosta terrestre, seja da água,
assim como das demais formas de vida.
14) Biota: conjunto de seres vivos com grande semelhança
física, química e biológica que habitam certo ambiente
ecológico.
15) Buraco da camada de ozônio: área atmosférica com re-
duzida quantidade de gás ozônio, cuja presença é essen-
cial à preservação da vida no planeta.
© Caderno de Referência de Conteúdo 23

16) Cadeia alimentar marinha: a cadeia alimentar dá-se


pela sequência de seres vivos, na qual um serve de ali-
mento a outro. Ela é composta por organismos produto-
res, consumidores e decompositores.
17) Camada de ozônio: é uma camada de gás ozônio que
filtra os raios ultravioletas emitidos pelo sol.
18) Cânions submarinos: canais de passagem de sedimento
da plataforma continental, alimentados por correntes de
turbidez, geralmente ocorrendo entre a plataforma e o
talude continental.
19) Chuva ácida: precipitação de água de pH ácido devido à
presença de resíduos gasosos.
20) Ciclo hidrológico: é o nome dado à permanente mudan-
ça de estado físico da água ao redor do planeta, percor-
rendo os mais simples e os mais complexos caminhos.
21) Circulação atmosférica: combinação das circulações ho-
rizontal e vertical de massas de ar pelo planeta.
22) Circulação superficial: movimento de massas de água
em camada superficial da coluna d’água, que ocorrem
pela força do vento.
23) Circulação termoalina: movimento de massas de água
em certa profundidade, gerado pelo gradiente de den-
sidade.
24) Circunavegar: é navegar em torno da Terra, de uma ilha
ou de uma massa terrestre.
25) Cobertura vegetal: quantidade e qualidade de vegetal
que ocupa uma superfície.
26) Colina abissal: domos presentes na bacia oceânica, de
até 1.000 metros de altura.
27) Condutividade hidráulica: é a capacidade de transmis-
são de água por um corpo, característica essa intrínseca
de cada um.
28) Contaminação: introdução de organismos patogênicos,
substâncias tóxicas ou outros elementos em concentra-
ção capaz de afetar a saúde humana.
29) Dano ambiental: alteração ambiental provocada por in-
tervenção humana.

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24 © Hidrogeografia

30) Degradação: processo de degeneração do corpo aquá-


tico.
31) Denitrificação: é o processo pelo qual o nitrato gerado
na nitrificação é transformado por bactérias anaeróbicas
em gás N2, a forma mais estável do nitrogênio.
32) Deposição fluvial: deposição de sedimento da coluna
d´água de um rio ou de córrego para o seu fundo.
33) Detenção superficial: fenômeno do aprisionamento
temporário de água na superfície de um terreno, que
ocasionará, posteriormente, a enxurrada.
34) Direitos difusos: direitos cujas titularidades são de pes-
soas indeterminadas (meio ambiente). Diferem de direi-
to coletivo, pois este se refere a uma coletividade deter-
minada de pessoas (direito de alvará de Associação de
Alcoólicos Anônimos).
35) Distributários sucessivos: padrão de canais que se for-
mam em localização adjacente ao curso principal de um
rio, formando o delta.
36) Dorsal oceânica: cordilheira que se estende no fundo do
oceano e representa a feição mais característica da for-
mação de placa litosférica.
37) Ecossistema: conjunto de organismos associados a seu
ambiente.
38) Efeito estufa: fenômeno que ocorre quando gases apri-
sionam calor na atmosfera terrestre, impedindo o retor-
no do calor para a alta atmosfera.
39) Elementos naturais: os elementos naturais são objetos
de referência encontrados em obras de expressão lite-
rária e filosófica da Antiguidade. A origem deles é incer-
ta, já que alguns historiadores afirmam que a Teoria dos
Quatro Elementos derivou da chinesa Teoria dos Cinco
Elementos e outros atribuem sua gênese à Grécia. Os
Quatro Elementos naturais são a água, a terra, o fogo e
o ar.
40) Elevação continental: idem Sopé continental.
41) Erosão fluvial: escavação física de determinado terreno
por um rio ou córrego.
© Caderno de Referência de Conteúdo 25

42) Escoamento subterrâneo: transporte de água abaixo da


camada de solo.
43) Escoamento superficial: deslizamento de água pelo solo.
44) Espiral de Ekman: fenômeno que ocorre em uma coluna
d´água, na qual seu sentido tem direções diferentes em
relação ao vento que a gerou.
45) Estados físicos da matéria: são as diferentes formas de
como uma substância se apresenta no espaço, as quais
podem estar nos estados: sólido, cuja forma e volume
são fixos; líquido, que pode variar apenas na forma; ou
gasoso, cuja forma e volume podem variar. Fisicamente,
isto se dá pelo grau de agitação das moléculas que com-
põem a substância.
46) Eutrofização: fenômeno ocasionado por introdução de
compostos químicos em um corpo aquático, fertilizan-
do-o e ocasionando uma superpopulação de micro-orga-
nismos de compositores, que podem esgotar o oxigênio
da água, acarretando a morte por asfixia dos organismos
que dele sobrevivem.
47) Evapotranspiração: combinação dos fatores de evapora-
ção da água da superfície do planeta com a transpiração
dos seres vivos.
48) Fauna: conjunto de animais que habitam determinada
região.
49) Flora: conjunto de espécies vegetais de uma determina-
da região, em sua importância coletiva.
50) Força de Coriolis: força que desvia um corpo lateralmen-
te, ocasionada pela rotação da Terra.
51) Fossa: depressões profundas que geralmente ocorrem
em locais de encontro de placa litosférica.
52) Fossa das Marianas: é o local mais profundo dos ocea-
nos e tem pouco mais de 11.000 metros de profundida-
de. Essa fossa está localizada no Oceano Pacífico.
53) Fossas oceânicas: feições profundas nas quais há sub-
ducção de duas placas litosféricas.
54) Granulometria: é a dimensão predominante das partí-
culas de uma porção de sedimento.

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26 © Hidrogeografia

55) Hábitat: local físico onde um organismo vive.


56) Hidrogeografia: palavra composta de termos gregos. Hi-
dro = Água; Geo = Terra; Grafia = Estudo, descrição. Logo,
“Hidrogeografia” é o estudo das águas do planeta Terra.
57) Hidrosfera: parte da biosfera representada pelas massas
de água.
58) Hot spot: pontos da placa litosférica em que o mando
superior apresenta temperatura mais alta do que em ou-
tras regiões.
59) Impacto ambiental: qualquer alteração das proprie-
dades físico-químicas ou biológicas do meio ambiente,
causada por matéria ou energia resultante de atividades
humanas que, direta ou indiretamente, afete a saúde,
a segurança e o bem-estar da população, bem como as
atividades sociais e econômicas, a biota e as condições
estéticas e sanitárias do meio ambiente.
60) Infiltração: é a entrada de água pela superfície do solo.
61) Interceptação vegetal: coleta de água precipitada pela
superfície dos vegetais.
62) Jusante: em direção à foz. Quando se fala que algo está
à jusante, se quer dizer que está em direção à foz e vice-
-versa.
63) Lençol freático: camada de solo subterrânea saturada
de água.
64) Linha de costa: linha de contato entre a terra e o mar.
65) Lixiviação: arraste vertical de partículas da superfície do
solo para camadas mais profundas.
66) Manancial: corpo d´água utilizado para abastecimento
humano, industrial ou animal ou para a irrigação.
67) Marés: oscilações verticais da superfície do mar ou de
uma massa d´água na superfície da Terra causadas pelas
atrações gravitacionais da Lua e do Sol.
68) Margem continental: zona de transição entre os conti-
nentes e a bacia oceânica.
69) Meio ambiente artificial: ambiente composto de cons-
truções feitas pelo homem (construções civis, praças,
shopping centers).
© Caderno de Referência de Conteúdo 27

70) Meio ambiente cultural: conjunto de bens imateriais ou


elementos formadores de uma cultura.
71) Meio ambiente do trabalho: ambiente em que o traba-
lhador irá realizar seu serviço remunerado.
72) Meio ambiente natural: ambiente composto de ele-
mentos naturais, como florestas, rios, animais, etc.
73) Meio ambiente: tudo o que cerca os seres vivos, incluin-
do eles.
74) Montante: em direção à fonte, à cabeceira.
75) Montes submarinos: domos presentes na bacia oceâni-
ca, com mais de 1.000 metros de altura.
76) Nível freático: é a interface entre o solo e a zona aquosa,
em profundidade.
77) Ocupação do solo: quantidade e qualidade de corpos
que ocupam uma superfície. Esses corpos podem ser
pessoas, construções, corpos aquáticos etc.
78) Ondas: perturbações da superfície de um fluido, pelo
qual a energia é transferida de um local a outro.
79) Permeabilidade: capacidade de permitir que ocorra um
fluxo de água dentro de um corpo qualquer.
80) Placa litosférica: porções de crosta terrestre que flutuam
sobre o manto e que se deslocam por diversas direções.
81) Planície abissal: feição extremamente plana que repre-
senta o leito da bacia oceânica.
82) Plataforma continental: extensão submersa do conti-
nente adjacente.
83) Poluente: substância, meio ou agente que provoque
qualquer forma de poluição.
84) Porosidade: é a relação entre o volume dos poros e o
volume total de um material.
85) Potencial hidráulico: diferencial de pressão entre dois
pontos, que força o deslocamento de água entre eles.
86) Precipitação: qualquer tipo de fenômeno relacionado à
queda de água na superfície terrestre.
87) Progradação: quando há acréscimo de sedimento na
zona costeira capaz de transportar a linha de costa mar
adentro.

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28 © Hidrogeografia

88) Quadratura: é a posição de dois corpos em relação a um


ponto, cujas direções formam um ângulo reto entre si.
89) Radiação solar: é a designação dada à energia radian-
te emitida pelo sol, particularmente aquela transmitida
sob a forma de radiação eletromagnética.
90) Ravinas: sulcos no terreno formados pela erosão hídrica.
91) Regime fluvial: padrão de frequência e qualidade de rios
e córregos.
92) Retenção superficial: é o fenômeno da retenção de água
em depressões na superfície de um terreno.
93) Rotação do planeta: movimento giratório que o planeta
promove em torno de um eixo.
94) Seleção natural: processo de eliminação natural de indi-
víduos menos adaptados a um ambiente, os quais, por
ter menos probabilidade de êxito do que os demais, dei-
xam sua descendência mais reduzida.
95) Sopé continental: feição formada pelo acúmulo de se-
dimento proveniente do escorregamento pelo talude
continental.
96) Subsolo: camada da crosta terrestre que fica abaixo do
solo.
97) Talude continental: depressão que marca o fim das pla-
taformas continentais.
98) Topografia: gradiente e inclinação de um terreno.
99) Transporte fluvial: transporte de sedimento por um rio
ou córrego.
100) Tutela pré-processual: proteção de um direito que ainda
não foi levado a conflito judicial.
101) Tutela processual: proteção de um direito levado a con-
flito judicial.
102) Tutela: defesa, proteção.
103) Vazão: é o volume de determinado fluido que passa por
determinada seção de um conduto que pode ser livre ou
forçado por uma unidade de tempo.
© Caderno de Referência de Conteúdo 29

104) Várzeas: são áreas periodicamente inundadas pelo fluxo


lateral de rios em lagos ou por precipitação direta em
água subterrânea.
105) Zona capilar: região do solo onde a água ascende por
meio de sua tensão superficial.
106) Zona costeira: porção terrestre que sofre influência de
condições marinhas.
107) Zona saturada: camada de solo em que não há espaços
vazios entre o sedimento.
108) Zona vadosa ou não saturada: camada de solo localiza-
da acima da superfície freática. Possui o espaço entre os
poros preenchido por gases.

Esquema dos Conceitos-chave


Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais
importantes deste estudo, apresentamos, a seguir (Figura 1), um
Esquema dos Conceitos-chave. O mais aconselhável é que você
mesmo faça o seu esquema de conceitos-chave ou até mesmo o
seu mapa mental. Esse exercício é uma forma de você construir o
seu conhecimento, ressignificando as informações a partir de suas
próprias percepções.
É importante ressaltar que o propósito desse Esquema dos
Conceitos-chave é representar, de maneira gráfica, as relações entre
os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos mais com-
plexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você na or-
denação e na sequenciação hierarquizada dos conteúdos de ensino.
Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende-se
que, por meio da organização das ideias e dos princípios em esque-
mas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu conhecimen-
to de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pedagógicos
significativos no seu processo de ensino e aprendizagem.
Aplicado a diversas áreas do ensino e da aprendizagem es-
colar (tais como planejamentos de currículo, sistemas e pesquisas
em Educação), o Esquema dos Conceitos-chave baseia-se, ainda,

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30 © Hidrogeografia

na ideia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, que es-


tabelece que a aprendizagem ocorre pela assimilação de novos
conceitos e de proposições na estrutura cognitiva do aluno. Assim,
novas ideias e informações são aprendidas, uma vez que existem
pontos de ancoragem.
Tem-se de destacar que “aprendizagem” não significa, ape-
nas, realizar acréscimos na estrutura cognitiva do aluno; é preci-
so, sobretudo, estabelecer modificações para que ela se configure
como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante con-
siderar as entradas de conhecimento e organizar bem os materiais
de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os novos concei-
tos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma vez
que, ao fixar esses conceitos nas suas já existentes estruturas cog-
nitivas, outros serão também relembrados.
Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é
você o principal agente da construção do próprio conhecimento,
por meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações inter-
nas e externas, o Esquema dos Conceitos-chave tem por objetivo
tornar significativa a sua aprendizagem, transformando o seu co-
nhecimento sistematizado em conteúdo curricular, ou seja, esta-
belecendo uma relação entre aquilo que você acabou de conhecer
com o que já fazia parte do seu conhecimento de mundo (adap-
tado do site disponível em: <http://penta2.ufrgs.br/edutools/
mapasconceituais/utilizamapasconceituais.html>. Acesso em: 11
mar. 2010).
© Caderno de Referência de Conteúdo 31

Figura 1 Esquema dos Conceitos-chave – Hidrogeografia.

Como você pode observar, esse Esquema dá a você, como dis-


semos anteriormente, uma visão geral dos conceitos mais impor-

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32 © Hidrogeografia

tantes deste estudo. Ao segui-lo, você poderá transitar entre um e


outro conceito e descobrir o caminho para construir o seu processo
de ensino-aprendizagem. Por exemplo, o conceito “Modificação da
Paisagem” implica o conhecimento da convergência dos processos
ambientais ligados aos ambientes aquáticos que promovem a modi-
ficação de um ambiente ou de um ecossistema, como Margens Con-
tinentais e Padrões de Drenagem. Sem o domínio conceitual desse
processo explicitado, seria possível ter uma visão pontual e limitada
dos processos que envolvem esse conceito.
O Esquema dos Conceitos-chave é mais um dos recursos de
aprendizagem que vem se somar àqueles disponíveis no ambien-
te virtual, por meio de suas ferramentas interativas, bem como
àqueles relacionados às atividades didático-pedagógicas realiza-
das presencialmente no polo. Lembre-se de que você, aluno EAD,
deve valer-se da sua autonomia na construção de seu próprio co-
nhecimento.

Questões Autoavaliativas
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas sobre os conteúdos ali tratados, as quais podem
ser de múltipla escolha ou abertas com respostas objetivas ou dis-
sertativas. Vale ressaltar que se entendem as respostas objetivas
como as que se referem aos conteúdos matemáticos ou àqueles
que exigem uma resposta determinada, inalterada.
Responder, discutir e comentar essas questões, bem como
relacioná-las com a prática do ensino de Geografia pode ser uma
forma de você avaliar o seu conhecimento. Assim, mediante a re-
solução de questões pertinentes ao assunto tratado, você estará se
preparando para a avaliação final, que será dissertativa. Além disso,
essa é uma maneira privilegiada de você testar seus conhecimentos
e adquirir uma formação sólida para a sua prática profissional.
© Caderno de Referência de Conteúdo 33

Bibliografia Básica
É fundamental que você use a bibliografia básica em seus
estudos, mas não se prenda só a ela. Consulte também as apre-
sentadas no Plano de Ensino e no item Orientações para o estudo
da unidade.

Figuras (ilustrações, quadros...)


Neste material instrucional, as ilustrações fazem parte inte-
grante dos conteúdos, ou seja, elas não são meramente ilustra-
tivas, pois esquematizam e resumem conteúdos explicitados no
texto. Não deixe de observar a relação dessas figuras com os con-
teúdos estudados, pois relacionar aquilo que está no campo visual
com o conceitual faz parte de uma boa formação intelectual.

Dicas (motivacionais)
O estudo deste Caderno de Referência de Conteúdo convida
você a olhar, de forma mais apurada, a Educação como processo
de emancipação do ser humano. É importante que você se atente
às explicações teóricas, práticas e científicas que estão presentes
nos meios de comunicação, bem como partilhe suas descobertas
com seus colegas, pois, ao compartilhar com outras pessoas aqui-
lo que você observa, permite-se descobrir algo que ainda não se
conhece, aprendendo a ver e a notar o que não havia sido perce-
bido antes. Observar é, portanto, uma capacidade que nos impele
à maturidade.
Você, como aluno dos cursos de Graduação na modalidade
EAD e futuro profissional da educação, necessita de uma forma-
ção conceitual sólida e consistente. Para isso, você contará com
a ajuda do tutor a distância, do tutor presencial e, sobretudo, da
interação com seus colegas. Sugerimos, pois, que organize bem o
seu tempo e realize as atividades nas datas estipuladas.
É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em
seu caderno ou no Bloco de Anotações, pois, no futuro, elas pode-

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34 © Hidrogeografia

rão ser utilizadas na elaboração de sua monografia ou de produ-


ções científicas.
Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie
seus horizontes teóricos. Coteje-os com o material didático, discuta
a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às videoaulas.
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas, que são importantes para a sua análise sobre os
conteúdos desenvolvidos e para saber se estes foram significativos
para sua formação. Indague, reflita, conteste e construa resenhas,
pois esses procedimentos serão importantes para o seu amadure-
cimento intelectual.
Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na
modalidade a distância é participar, ou seja, interagir, procurando
sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores.
Caso precise de auxílio sobre algum assunto relacionado a
este Caderno de Referência de Conteúdo, entre em contato com
seu tutor. Ele estará pronto para ajudar você.
EAD
Água no Planeta
Terra
1
1. OBJETIVOS
• Conhecer e compreender a distribuição e a dinâmica das
águas pelo planeta.
• Interpretar os processos das águas no meio ambiente.
• Conhecer e classificar os recursos aquáticos.
• Reconhecer a importância da água como recurso.

2. CONTEÚDOS
• Evolução histórica.
• Origem da água e ciclo hidrológico.
• Distribuição da água pelo planeta.
• Características.
• Classificação das águas.
• Aplicações das águas.
• Degradação dos recursos hídricos.
36 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Para agilizar sua aprendizagem, tenha constantemente
em mãos o Glossário de Conceitos. Consulte-o sempre
que se deparar com algum termo desconhecido.
2) Ao longo deste estudo, você compreenderá que a água é
um bem muito precioso e que ela participa de inúmeros
processos no planeta. Portanto, é importante que você,
ao se deparar com situações cotidianas do meio ambien-
te – como, por exemplo, a chuva de granizo, um passeio
pelo parque, o trabalho das formigas etc. –, tente refletir
sobre o papel da água naquele momento e naquela si-
tuação.
3) Além disso, é importante ter em mente que, a água,
como um bem valioso, merece a atenção dos programas
de ação e de gestão segundo as bases da essencialidade
e do uso racional, levando em consideração o desenvol-
vimento sustentável.
4) Para iniciar o estudo desta unidade, pense em você
como um componente do sistema vivo que habita a Ter-
ra. Lembre-se de que você não está nele, mas faz par-
te dele. Com base nessa informação, reflita: durante o
seu dia, você usa produtos ambientalmente incorretos?
Quando você atira lixo pela janela do carro ou não se
preocupa em separar o lixo reciclável do orgânico, a
quem você está fazendo mal? A um meio ambiente mui-
to longe de você ou a você mesmo? Lembre-se de que
você se tornará um profissional do meio ambiente, de-
vendo, portanto, ser um exemplo a todos.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Para darmos início aos nossos estudos em Hidrogeografia,
examinaremos, nesta unidade, as primeiras teorias de reconheci-
mento dos processos que envolvem a água e estudaremos os co-
nhecimentos atuais sobre a sua origem, a sua ocorrência e a sua dis-
tribuição pelo planeta, além de sua classificação e de sua aplicação.
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 37

Todos esses conteúdos nos auxiliarão na compreensão dos


processos ambientais ligados à água que veremos nas próximas
unidades.
Bons estudos!

5. EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A teoria dos quatro elementos naturais, que se refere aos
elementos essenciais à vida humana, água, terra, fogo e ar, remon-
ta às bases das civilizações indianas e chinesas. Essa teoria era de-
fendida pelo filósofo Tales de Mileto (625-558 a.C.), considerado
um dos sete sábios da Grécia Antiga, que acreditava que a água era
a substância primordial da natureza.
Ao longo da história, sempre foi defendida a ideia de que
a água é a substância essencial da natureza e dos processos que
envolvem a vida. Entretanto, os processos da água pelo planeta
começaram a ser conhecidos apenas em meados do século 5º a.C.,
constituindo, dessa forma, um dos conhecimentos mais antigos da
humanidade.
Anaxágoras (500-428 a.C.) afirmava que as chuvas eram
importantes na manutenção do equilíbrio hídrico da Terra. Nes-
sa mesma época, Heródoto (485-424 a.C.) e Aristóteles (384-322
a.C.) já conheciam os fenômenos da condensação e da infiltração.
O filósofo romano Sêneca (54 a.C.-30 d.C.), por sua vez, associou-
-os, afirmando que após o aporte de água pelos rios, os níveis dos
oceanos permaneciam constantes por causa da evaporação. As-
sim, o filósofo tornou-se pioneiro na teoria dos ciclos hidrológicos.

Decorridos mais de dois mil anos dessas primeiras teorias e com


os processos melhor compreendidos, o ser humano ainda não va-
loriza suficientemente esse recurso como essencial à qualidade de
vida no planeta.

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38 © Hidrogeografia

6. ORIGEM DA ÁGUA E CICLO HIDROLÓGICO


Você já imaginou como seria o planeta Terra sem água?
Pois bem, podemos afirmar que, sem a água, a Terra seria
um local deserto e sem nenhum vestígio de vida, visto que ne-
nhum processo biológico ocorre sem a sua ação direta ou indireta.
A água é uma das substâncias mais comuns da natureza e
cobre cerca de 70% da superfície do planeta. Ela é encontrada nos
três estados físicos da matéria, sólido, líquido e gasoso, porém,
ocorre com mais frequência no estado líquido, e é renovada por
meio do ciclo hidrológico. As águas presentes na natureza com-
põem a hidrosfera, que possui cerca de 1,46 bilhão de km3, e seu
transporte por longas distâncias é feito pela atmosfera, pelo sub-
solo, pelos mares, pelas geleiras e pelos rios.
A água participa de muitos processos químicos, físicos e bio-
lógicos e seu surgimento data da época da formação do Sistema
Solar, que ocorreu há 4,5 bilhões de anos, quando os átomos de hi-
drogênio se fundiram com os de oxigênio, formando-a primordial-
mente no estado gasoso. Durante a formação da crosta, ocorreu o
processo de desgaseificação, que liberou, também, o vapor-d'água
para a atmosfera.
Com o adensamento dos gases, ocorreu um pequeno resfria-
mento do planeta, e, com a ação da força gravitacional, parte do
vapor-d'água passou ao estado líquido e precipitou na superfície
terrestre, formando o oceano primitivo, ou seja, a primeira grande
acumulação de água no planeta.
Desde então, a água circula pelo planeta nos três estados
físicos por um ciclo denominado ciclo hidrológico, o qual podemos
observar na Figura 1.
A energia motora do ciclo hidrológico é a radiação solar, que
aquece a superfície das águas superficiais do planeta e promove a
sua evaporação para a atmosfera. Quando a água se resfria, ocorre
a precipitação em forma de chuva, neve ou granizo.
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 39

Ao atingir o solo, parte da água escorre superficialmente e


parte infiltra no subsolo. Essa água subterrânea pode tanto per-
manecer armazenada ali durante anos quanto aflorar na superfície
em nascentes de água, dando início a cursos naturais que irão che-
gar novamente aos oceanos.

Figura 1 Principais processos do ciclo hidrológico.

Para que você possa compreender melhor, veja, na Tabela


1, cada um dos componentes dos processos do ciclo hidrológico.

Tabela 1 Componentes dos processos do ciclo hidrológico.


Precipitação Pode ocorrer em forma de chuva, granizo ou neve.
É a combinação dos fatores:
Evapotranspiração • evaporação da água da superfície das plantas ou do solo;
• transpiração dos seres vivos.
É a coleta de chuva da superfície das plantas, que é
influenciada por fatores como tipo e adensamento da
Interceptação vegetal
vegetação, estágio de crescimento, estação do ano e
velocidade do vento.
É a água retida nas depressões da superfície do solo, que
pode tanto infiltrar quanto evaporar. A retenção superficial
Retenção superficial
é afetada pelas características da superfície do solo, pelo
grau de erosão e pela presença de prática cultural.

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40 © Hidrogeografia

É a água temporariamente detida na superfície do solo


e que irá originar a enxurrada. A detenção superficial é
Detenção superficial
influenciada pela vegetação, pela topografia da área e pelo
relevo.
É a entrada de água pela superfície do solo. Os fatores que
Infiltração influenciam a infiltração são o tipo, a compactação e a
umidade do solo antes e durante a chuva.
Escoamento superficial É o deslizamento da água pela superfície do solo.
Escoamento
É o transporte da água em subsuperfície.
subterrâneo
Fonte: (CHRISTOPHERSON, 1997). Adaptado pelo autor.

Os processos descritos na Tabela 1 são intercambiáveis, ou


seja, são continuamente transformados de um estado a outro, e,
por esse motivo, a quantidade de água no planeta é mantida. Por-
tanto, o ciclo hidrológico descreve o movimento da água entre a
atmosfera e a superfície terrestre como resultado dos processos
de evaporação, transpiração, condensação e precipitação, purifi-
cando, assim, 580.000 km3 de água por ano.
No entanto, a disponibilidade de água nos diferentes com-
partimentos ambientais tem sido alterada por intervenções huma-
nas, pois o represamento de águas, o desmatamento, a emissão
de gases intensificadores do efeito estufa e a urbanização acarre-
tam mudanças nas fases do ciclo hidrológico.
Vale destacar ainda que, além dos problemas relacionados à
quantidade da água, há, também, os relacionados à sua qualidade,
que se dá pela poluição dos recursos hídricos, impedindo o seu
uso pelo ser humano.

7. DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA PELO PLANETA


Quem nunca ouviu falar que os mares e os rios são uma fon-
te inesgotável de água?
De fato, cerca de 70% do planeta é coberto de água, mas dessa
totalidade, 97,2% corresponde às águas salgadas. Dos 2,8% restan-
tes, 77% estão distribuídos nas calotas polares, 22,5% nos aquíferos
e 0,5% em rios, lagos e outros reservatórios (STRAHLER; STRAHLER,
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 41

1994). Em outras palavras, de toda a água disponível no planeta, ape-


nas 0,007% está disponível para o consumo. Observe a Figura 2:

Figura 2 Distribuição das águas pelo planeta.

Todos os anos, cerca de 1.200.000 km3 de água circulam pelo


planeta. Desse total, cerca de 86% corresponde ao volume que eva-
pora dos oceanos e 14%, ao que é evapotranspirado dos continentes.
Dessa água que evapora, 78% retorna para a superfície do planeta por
meio da precipitação que ocorre nos oceanos e 22% da que ocorre
nos continentes. Outras dezenas de milhares de km3 de água circu-
lam pelo planeta pela advecção atmosférica e pela dinâmica terrestre,
conforme demonstrado na Figura 3 (CRISTOPHERSON, 1997).

Fonte: (ESTEVES, 1998). Adaptado pelo autor.


Figura 3 Volume de água em circulação na Terra (em km3/ano).

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42 © Hidrogeografia

Basicamente, a distribuição de água pelo planeta dá-se, além


da radiação solar, pelas características da água, que serão aborda-
das no próximo tópico. Acompanhe.

8. CARACTERÍSTICAS
Em nosso estudo, as águas podem ser agrupadas conforme
duas características distintas: as físicas e as químicas. Vejamos, a
seguir, cada uma delas.

Ao ler cada característica da água, tente pensar quais as conse-


quências de cada uma delas no meio ambiente, além das já men-
cionadas.

Características físicas
As características físicas são as qualificações que descrevem
o elemento água. As principais são a densidade, o calor específico,
a tensão superficial e a penetração da luz. Veja, a seguir, as especi-
ficidades de cada uma delas.

Densidade
A densidade da água varia de acordo com a temperatura,
com as substâncias nela dissolvidas e com a pressão. No meio am-
biente, a variação da densidade do meio aquático é suficiente para
originar uma série de fatores.

Calor específico
É a quantidade de energia necessária para elevar em 1ºC a
temperatura de 1 kg de água a 14,5ºC. O calor específico da água é
alto, e, por isso, ela pode absorver ou liberar grandes quantidades
de calor com uma variação de temperatura relativamente peque-
na. No meio ambiente, grandes massas-d'água conseguem alterar
o clima, amenizando as variações de temperatura.
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 43

Essa característica é um dos grandes benefícios do oceano,


que atua como regulador climático global. De forma análoga, es-
tão os desertos, que, por não apresentarem significativa parcela
de água, têm grandes variações diárias de temperatura.

Tensão superficial
O arranjo das moléculas de água na interface com o ar forma
uma película que possui determinada tensão, que é causada pela coe-
são existente entre as moléculas, denominada tensão superficial.
A tensão superficial decresce com o aumento da tempera-
tura e com a quantidade de substâncias orgânicas dissolvidas. Ela
possibilita a existência de vida microscópica nos espaços entre as
moléculas (interstícios), já que essa película impede que esses se-
res se sedimentem no fundo marinho ou que sejam expelidos para
a atmosfera.

Penetração da luz
A água permite uma grande penetração de luz em seu meio
que torna possível a ocorrência da fotossíntese pelo plâncton e,
consequentemente, dá início à cadeia alimentar marinha. A ener-
gia luminosa, porém, tende a ficar retida na primeira centena de
metros de profundidade, e, desse modo, ao atravessar as cama-
das, há a absorção diferenciada pelos variados comprimentos de
onda que caracterizam o espectro de energia luminosa. Alguns
fatores influenciam na penetração da luz, como, por exemplo, a
turbidez do meio, que é a concentração de material particulado
em suspensão na coluna-d'água.

Características químicas
A água é capaz de dissolver um grande número de substân-
cias orgânicas e inorgânicas, possibilitando, assim, a sobrevivên-
cia de muitos organismos que nela habitam. A presença de gases
dissolvidos permite a ocorrência da fotossíntese e da respiração

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44 © Hidrogeografia

aeróbia pelos seres que ali vivem e a presença de nutrientes dis-


solvidos é necessária para a constituição das cadeias alimentares,
pois estes servem de alimento para determinados organismos.
O pH da água pura a 25ºC é igual a sete, caracterizando-a,
dessa forma, como neutra. Ela pode variar em algumas unidades,
mas, em geral, encontra-se, no meio ambiente, com valores essen-
ciais para a manutenção da vida.

9. APLICAÇÕES DA ÁGUA
A água é um dos recursos naturais mais utilizados devido às
suas características singulares. É fundamental para a manutenção
da vida no planeta e, para que isso ocorra, deve estar presente não
apenas em quantidade, mas também em qualidade adequadas.
Entre os inúmeros usos da água, podemos destacar:
1) consumo pelo homem e pelos animais domésticos;
2) irrigação e culturas agrícolas;
3) processos industriais;
4) geração de energia elétrica;
5) navegação;
6) recreação;
7) preservação da flora e da fauna.

10. CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS


Atualmente, a classificação legal das águas é definida pela
Resolução CONAMA nº 357/2005, que dispõe que, quanto à salini-
dade, as águas são classificadas em:
• Doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5%.
• Salobras: águas com salinidade superior a 0,5% e inferior
a 30%.
• Salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30%.
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 45

Resolução CONAMA ––––––––––––––––––––––––––––––––––


A sigla CONAMA significa Conselho Nacional do Meio Ambiente. É um órgão do
Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA e foi instituído pela lei 6.938/81.
Entre outras atribuições, estabelece normas, critérios e padrões relativos ao con-
trole e à manutenção da qualidade do meio ambiente.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Segundo os usos preponderantes a que as águas se desti-


nam, as águas doces, as salobras e as salinas são classificadas em
treze classes, de acordo com os seus usos, conforme definido no
artigo 3º da Resolução CONAMA nº 357/2005:

Resolução CONAMA nº 357 ––––––––––––––––––––––––––––


Esta resolução entrou em vigor em 2005 e estabelece, entre outras disposições,
a classificação dos corpos de água.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
RESOLUÇÃO CONAMA 357/2005: Art.3º [...]
Parágrafo único. As águas de melhor qualidade podem ser apro-
veitadas em uso menos exigente, desde que este não prejudique a
qualidade da água, atendidos outros requisitos pertinentes.

Seção I – Das Águas Doces


Art. 4º As águas doces são classificadas em:
I – classe especial: águas destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e,
c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conser-
vação de proteção integral.
II – classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento sim-
plificado;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquá-
tico e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas
que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas
sem remoção de película; e

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46 © Hidrogeografia

e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas.


III – classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento con-
vencional;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquá-
tico e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins,
campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter
contato direto; e
e) à aqüicultura e à atividade de pesca.
IV – classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento con-
vencional ou avançado;
b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
c) à pesca amadora;
d) à recreação de contato secundário; e
e) à dessedentação de animais.
V – classe 4: águas que podem ser destinadas:
a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística.

Seção II – Das Águas Salinas


Art. 5º As águas salinas são assim classificadas:
I – classe especial: águas destinadas:
a) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conser-
vação de proteção integral; e
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
II – classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) à recreação de contato primário, conforme Resolução CONAMA
nº 274, de 2000;
b) à proteção das comunidades aquáticas; e
c) à aqüicultura e à atividade de pesca.
III – classe 2: águas que podem ser destinadas:
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 47

a) à pesca amadora; e
b) à recreação de contato secundário.
IV – classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística.

Seção II – Das Águas Salobras


Art. 6º As águas salobras são assim classificadas:
I – classe especial: águas destinadas:
a) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conser-
vação de proteção integral; e
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
II – classe 1: águas que podem ser destinadas:
a) à recreação de contato primário, conforme Resolução CONAMA
nº 274, de 2000;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à aqüicultura e à atividade de pesca;
d) ao abastecimento para consumo humano após tratamento con-
vencional ou avançado;
e) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas
que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas
sem remoção de película, e à irrigação de parques, jardins, campos
de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato
direto.
III – classe 2: águas que podem ser destinadas:
a) à pesca amadora; e
b) à recreação de contato secundário.
IV – classe 3: águas que podem ser destinadas:
a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística.

A Resolução CONAMA nº 357/2005 também estabelece


padrões e condições para o lançamento de efluentes nos corpos
hídricos. Esses critérios são muito importantes para a qualidade
resultante dos corpos de água.

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48 © Hidrogeografia

No próximo tópico, veremos algumas questões referentes à


degradação dos recursos hídricos.

Não é necessário que você decore a classificação das águas se-


gundo a Resolução do CONAMA. Entretanto, é importante que
você faça uma leitura atenta para conhecê-la em linhas gerais,
identificando os motivos pelos quais o legislador decidiu separá-
-las dessa maneira.

11. DEGRADAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS


Atualmente, a população mundial consome cerca de 4.000
km3 de água ao ano, três vezes mais do que consumia na década
de 1950, um ritmo sensivelmente mais elevado que o crescimento
populacional. Assim, a Organização das Nações Unidas para a Agri-
cultura e Alimentação, Food and Agriculture Organization – FAO,
estima que, até o ano de 2027, cerca de 1,8 bilhão de pessoas po-
derão sofrer com a escassez de água (AGÊNCIA BRASIL, 2007).
Além do problema da escassez de água para o consumo, ou-
tros problemas podem estar relacionados ao colapso ou ao exau-
rimento dos recursos hídricos, como, por exemplo, a inviabilização
do desenvolvimento econômico e social e a redução do bem-estar
e das condições gerais de saúde da população.
Segundo Barros (2000), são três os principais problemas que
atingem a disponibilidade hídrica mundial:
• a degradação dos mananciais;
• o aumento exponencial da demanda;
• o descompasso entre a distribuição dos recursos hídricos
e a localização das demandas, visto que as águas estão
distribuídas heterogeneamente no tempo e no espaço.
Portanto, cabe ao ser humano a proteção contra toda a for-
ma de degradação desse recurso, seja na forma de poluição direta,
© U1 - Nome da Unidade Água no Planeta Terra 49

de construções que impeçam o fluxo natural dos cursos-d’água ou


de desmatamento, já que estas afetam todo o ciclo hidrológico.
Segundo Castro et al (2003), algumas medidas podem ser to-
madas para que haja a proteção dos recursos hídricos, tais como:
• a mudança cultural da população;
• a proteção dos recursos hídricos de superfície e de sub-
superfície;
• a gestão otimizada dos sistemas de captação, tratamento,
armazenamento e distribuição de água.
Entretanto, as ações não podem ser tomadas isoladamente,
cabe a toda a sociedade, pois, agir em conjunto na correta gestão
das águas do planeta.

12. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Sugerimos que você procure responder, discutir e comentar
as questões a seguir que tratam da temática desenvolvida nes-
ta unidade, ou seja, da origem, distribuição e características da
água no planeta Terra, assim como sua classificação, usos e de-
gradação. A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante
para você testar seu desempenho. Se você encontrar dificuldade
em respondê-las, procure revisar os conteúdos estudados para
saná-las. Este é um momento impar para você fazer uma revisão
desta unidade.
1) Sem consultar o material, tente esquematizar o ciclo da água pelo planeta,
passando pelas diversas fases e nos diferentes compartimentos ambientais.

2) Associe as características da água (densidade, calor específico etc.) ao pro-


cesso do ciclo hidrológico.

3) Quais são as diferentes classes de águas doces, salinas e salobras segundo a


Resolução Conama nº 357/2005?

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50 © Hidrogeografia

13. CONSIDERAÇÕES
Após o estudo desta unidade, foi possível conhecer e inter-
pretar os processos da água no meio ambiente. Vimos, também,
como classificá-la para que haja o uso racional dos recursos hídri-
cos existentes no planeta.
Prosseguindo nossos estudos, tomaremos conhecimento, na
próxima unidade, da distribuição e da dinâmica das águas subter-
râneas pelo subsolo.
Até lá!

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AGÊNCIA BRASIL. Falta de água deve afetar mais de um bilhão de pessoas em 20
anos. Disponível em: <http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/02/15/
materia.2007-02-15.9552793296/view>. Acesso em: 14 dez. 2008.
BARROS, J. G. Gestão integrada dos recursos hídricos - implementação do uso das águas
subterrâneas. Brasília: MMA/SRH/OEA, 2000.
BRASIL. Resolução CONAMA nº 357/2005. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
port/conama/res/res05/res35705.pdf>. Acesso em: 1 maio 2009.
CASTRO, A. L. C. de et al. Desastres naturais. Vol. 1. Brasília: Ministério da Integração
Nacional, 2003.
CHRISTOPHERSON, R.W. Geosystems – an introduction to physical geography. New
Jersey: Prentice Hall, 1997.
ESTEVES, F. A. Fundamentos de limnologia. Rio de Janeiro: Interciência/FINEP, 1988.
HIRATA, R. Recursos hídricos. In: TEIXEIRA, W. et al (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo:
Oficina de Textos, 2001.
MONKHOUSE, F.J.; SMALL, J. A dictionary of the natural environment. London: Edward
Arnold Ltda., 1976.
SHIKLOMANOV, I. World water resources: a new appraisal and assessment for the 21th
century. IHP/UNESCO, 1998.
STRAHLER, A.; STRAHLER, A. Introducing physical geography. New York: John Wiley &
Sons, 1982.
EAD
Águas Subterrâneas

2
1. OBJETIVOS
• Conhecer a definição, a origem e a ocorrência das águas
subterrâneas.
• Compreender a distribuição vertical e as características
das águas subterrâneas.
• Identificar os tipos de aquíferos.

2. CONTEÚDOS
• Evolução histórica.
• Definição.
• Origem e ocorrência.
• Características.
• Utilização das águas subterrâneas.
• Distribuição vertical.
• Tipos de aquíferos.
52 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Ao iniciar os estudos desta unidade, é importante que
você se atente para a evolução histórica da descoberta
dos processos subterrâneos da água, que perceba que
são necessários muitos anos para que possamos com-
preender a natureza e que ainda há muito a descobrir; é
exatamente por isso que temos de ter cuidado ao usá-la,
agindo com racionalidade e ética.
2) Você sabia que, em uma cidade, em todos os locais onde
há abastecimento de água e coleta de esgoto, não é per-
mitido que as propriedades tenham poço ou fossa? Ten-
te descobrir o porquê utilizando-se dos conceitos que
serão abordados nesta unidade.
3) No decorrer do estudo desta unidade, tente recordar de
ambientes em que já esteve e que ilustram os processos
abordados.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Na unidade anterior, conhecemos as características e a dinâ-
mica da água pelo planeta. De posse de tais conhecimentos, é pos-
sível, agora, aprofundar nossa compreensão do assunto por meio
do estudo dos processos ligados à água no subsolo.
Nesta unidade, portanto, abordaremos a origem e a ocor-
rência das águas em subsuperfície e veremos seus meios de ca-
racterização, bem como o de seus reservatórios, com o intuito de
compreender essa parte integrante do ciclo da água.
Bons estudos!

5. EVOLUÇÃO HISTÓRICA
As águas subterrâneas começaram a ser utilizadas para o con-
sumo e para a agricultura em épocas muito remotas, em torno de 800
a.C., por meio de poços construídos para a captação de água na Pérsia
© U2 - Águas Subterrâneas 53

e no Egito. Todd (1959) observa que no livro bíblico do Antigo Testa-


mento, por exemplo, há inúmeras referências às águas subterrâneas,
às nascentes e aos poços.
Até o século 16, os processos de origem e dinâmica das águas
subterrâneas pelo subsolo eram completamente incompreendidos.
Não obstante, surgiram algumas teorias sobre o ciclo da água pelo
meio ambiente, nas quais se acreditava, nessa época, que a água do
mar era conduzida até o alto das montanhas por canais subterrâneos
e era purificada até atingir a superfície.
No século 17, a investigação de três cientistas foi fundamental
para o conhecimento dos reais processos influentes nas águas sub-
terrâneas. O pioneiro foi o francês Pierre Perrault (1608-1680), que
mediu a precipitação pluviométrica de uma bacia hidrográfica e o vo-
lume do seu escoamento superficial. Em seus estudos, Perrault ob-
servou que o volume de chuvas era suficiente para suprir a vazão de
água dos rios e dos outros processos ocorrentes na natureza. Poste-
riormente, o físico francês Edmé Mariotté (1620-1684) comprovou,
com suas investigações, a teoria da infiltração proposta por Perrault,
e seus estudos renderam-lhe a obra De l’origine des fontaines no ano
de 1674. Já o astrônomo inglês Edmond Halley (1656-1742) demons-
trou que a evaporação da água do mar era suficiente para suprir as
nascentes e os fluxos dos cursos de água observados nos continentes
(ROSS, 1982).
A partir desses três pesquisadores, o interesse pelo assunto
cresceu, levando alguns cientistas a estudar profundamente a dinâ-
mica das águas pelo subsolo. Entre os mais importantes, podemos
destacar as contribuições do engenheiro Henry Darcy (1803-1856) na
metade do século 19, que conseguiu calcular com precisão a descarga
de água sobre os solos e a sua fórmula, conhecida como Lei de Darcy,
é fundamental para os métodos contemporâneos de avaliação quan-
titativa dos recursos hídricos.
A partir da década de 1980, além de estudos quantitativos,
evidenciou-se a pesquisa da qualidade dos recursos hídricos subter-
râneos em virtude da sua crescente degradação nas últimas décadas.

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54 © Hidrogeografia

6. DEFINIÇÃO
Apesar do grande volume visível de água doce nos rios e
nos lagos, apenas 3% dela encontra-se na superfície. Além disso, a
ocorrência de chuvas é muito irregular ao longo do ano, tornando
irregular, também, o abastecimento dos rios. Assim, é imprescin-
dível conhecer os processos atuantes nas águas em subsuperfície
para atender as demandas do mundo atual.
Vale destacar que as águas subterrâneas não são independen-
tes das águas de superfície, visto que ambas se encontram interliga-
das e são componentes dos recursos hídricos do planeta. Por faze-
rem parte desse sistema hídrico, a atenção com elas deve ser maior,
já que toda a ação em qualquer uma das componentes afeta todo o
sistema. Para entender essa interdependência, observe a Figura 1.

Fonte: (KARMANN, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 1 Infiltração e fluxo de água subterrânea.

No entanto, apesar da importância de serem utilizadas em


conjunto, a maior parte dos países ainda reluta quando se propõe
incluir a água subterrânea no planejamento e na gestão dos recur-
sos hídricos, pois tal utilização é mais onerosa.
© U2 - Águas Subterrâneas 55

7. ORIGEM E OCORRÊNCIA
Quase a totalidade das águas possui origem na renovação do
ciclo hidrológico, porém, sua ocorrência é mais complexa.
Segundo Karmann (2001), são vários os fatores que influen-
ciam no armazenamento das águas no subsolo. Vejamos, a seguir,
cada um deles.

Infiltração
A infiltração é o processo mais importante do abastecimento
de água no subsolo e depende de diversos fatores para acontecer,
conforme podemos observar na Tabela 1.

Tabela 1 Fatores que influenciam na infiltração de água no subsolo.


Tipos de materiais Materiais porosos e permeáveis ou rochas fraturadas e
terrestres porosas favorecem a infiltração da água no solo, o oposto
do que ocorre com os materiais argilosos ou com as rochas
cristalinas não fraturadas.
Cobertura vegetal Coberturas vegetais espessas exercem controle na infiltração,
pois retêm parte desta temporariamente. Sua liberação para
o subsolo ocorre após atingir a capacidade do campo, que é
o volume de água absorvido pela cobertura antes de atingir
a saturação.
Topografia Grandes gradientes dificultam a infiltração de água no
subsolo, pois há maior eficiência no escoamento superficial.
Precipitação A distribuição da precipitação ao longo de um período é uma
questão importante na quantidade de infiltração.
Em casos elevados de precipitação, o volume de água
excede a capacidade de infiltração, favorecendo, assim, o
escoamento superficial direto.
Em contrapartida, chuvas distribuídas ao longo do ano
promovem mais infiltração, pois a velocidade desta
acompanha o volume de precipitação.
Ocupação do solo Quanto mais urbanizada for determinada região, maior
será o escoamento superficial e, dessa forma, haverá a
redução na recarga da água no subsolo. Por isso, nas áreas
rurais, há mais infiltração do que nas cidades, pois, além do
desmatamento, a compactação do solo por pisoteamento
de animais também contribui para a redução das taxas de
entrada de água em subsuperfície.
Fonte: acervo pessoal do autor.

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56 © Hidrogeografia

Assim, após a infiltração da água no solo, os estoques de


água em geral promovem a sua contínua movimentação.

Dinâmica da água no subsolo


As características do solo influenciam no modo e na magni-
tude da movimentação da água subterrânea. Os principais fatores
são (Tabela 2):

Tabela 2 Fatores que influenciam na movimentação da água no


subsolo.
Forças que agem nas A movimentação das águas no subsolo é controlada pela força
moléculas de água gravitacional, pela tensão superficial e pela atração molecular.
A atração molecular dá-se pela atração de cargas opostas,
fazendo que as moléculas de água sejam presas na superfície
dos argilominerais. Quando a água fica presa na parede dos
poros ou mesmo quando tem movimento ascendente em
decorrência do mínimo espaço entre os materiais, ocorre a
tensão superficial.
Porosidade A porosidade é definida como a relação entre o volume dos
poros e o volume total de um material. Há dois tipos de
porosidade: a primária e a secundária.
A porosidade primária é caracterizada pelos espaços entre os
grãos, gerada juntamente com o sedimento ou com a rocha.
Já a porosidade secundária ocorre em fraturas ou em falhas
durante a deformação da rocha. Observe a Figura 2.
Permeabilidade Esta é uma propriedade que determina a disponibilidade de
água subterrânea pela capacidade de permitir o fluxo de água
por meio dos poros.
Potencial hidráulico Promove o fluxo das águas pelo subsolo por meio da diferença
de pressão entre dois pontos, movimentando-se de um ponto
de alto potencial para outro, de baixo potencial.
Condutividade Para as águas superficiais, a velocidade do movimento é
hidráulica diretamente proporcional à inclinação da superfície. Além
desta, o fluxo de águas subterrâneas também é determinado
pela permeabilidade do subsolo e pela viscosidade da água.
A condutividade hidráulica é uma característica intrínseca do
material e expressa a capacidade de transmissão do fluxo de
água.
Fonte: acervo pessoal do autor.
© U2 - Águas Subterrâneas 57

Fonte: (KARMANN, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 2 Três tipos fundamentais de porosidade: poros; fraturas; falhas.

Neste tópico, estudamos como ocorre a dinâmica das águas


pelo subsolo. Vimos que, de acordo com essa movimentação, são
formados estoques em determinados locais, os quais podem ser
caracterizados para a sua melhor utilização pelo ser humano. Ve-
jamos a seguir.

8. CARACTERÍSTICAS
Várias são as possibilidades de uso das águas subterrâneas.
Nesse sentido, faz-se necessária a caracterização da fonte subter-
rânea para sua correta utilização, levando em consideração os fa-
tores elencados a seguir.

Localização
As águas superficiais correm por caminhos irregulares e,
para utilizá-las, é necessária a construção de obras de contenção.

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58 © Hidrogeografia

Já as águas subterrâneas ocorrem em áreas extensas. Isso reduz


a necessidade de distribuição até locais mais distantes, visto que
cada local de captação pode acessá-la independentemente de um
sistema interligado na superfície.

Variabilidade e disponibilidade
O armazenamento das águas subterrâneas é feito no próprio
aquífero, e, por isso, elas não sofrem evaporação direta. Os esto-
ques de água não apresentam, então, grande variabilidade sazonal
e anual, como ocorre com as águas de superfície.
A disponibilidade das águas subterrâneas também não é afe-
tada por influências climáticas negativas, como, por exemplo, pro-
longados períodos de estiagem, e, dessa forma, é um importante
recurso para ser utilizado em períodos de seca.

Qualidade da água
As águas subterrâneas são menos vulneráveis às contami-
nações físicas, químicas e biológicas provenientes das atividades
humanas, porém, se estas ocorrerem, o tratamento é muito mais
difícil e oneroso em relação às águas superficiais.

Instabilidade do terreno
É muito importante conhecer a estrutura mineralógica dos
aquíferos, uma vez que o bombeamento de águas subterrâneas
para a superfície pode ocasionar o rebaixamento do nível dos so-
los (subsidência).

Aspectos legais e institucionais


São raros os documentos legais que limitam ou que regulam a
exploração de águas subterrâneas e, quando estes existem, carecem
de atualidade e aplicabilidade. Mesmo assim, as águas subterrâneas
devem ser vistas como instrumento de proteção aos recursos natu-
rais tanto pela presente quanto pelas futuras gerações.
© U2 - Águas Subterrâneas 59

9. UTILIZAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS


Por causa da escassez de água que atinge parte da população
mundial ou mesmo pela indisponibilidade de água com qualidade,
os recursos hídricos subterrâneos são uma importante alternativa
de fonte desse recurso.
Há muitas vantagens na utilização das águas subterrâneas, e,
dentre elas, podemos destacar:
1) baixo custo de captação comparado às águas superfi-
ciais;
2) menor impacto ambiental se forem seguidos os trâmites
técnicos e legais;
3) maior facilidade na exploração;
4) em geral, as águas subterrâneas são de boa qualidade
para o consumo por estarem mais protegidas de fontes
poluidoras.
Cabe ressaltar que, na Europa, cerca de 75% da população é
abastecida por águas subterrâneas.
Já no semiárido nordestino, com a falta do uso racional de
águas superficiais e subterrâneas, a principal saída das águas des-
ses reservatórios ocorre por evaporação. Com isso, há uma intensa
e crescente concentração dos sais no meio aquático, que é, um
sério problema de degradação ambiental.

10. DISTRIBUIÇÃO VERTICAL


A ocorrência de águas subterrâneas pode ser dividida em
duas zonas, a zona saturada e a zona não saturada ou vadosa,
conforme podemos observar na Figura 3.

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60 © Hidrogeografia

Fonte: (KARMANN, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 3 Distribuição vertical da água no subsolo.

Vejamos, a seguir, mais detalhes de cada uma dessas zonas.

Zona saturada
Localiza-se abaixo da superfície freática, e, nela, não há espa-
ços vazios entre os sedimentos, visto que todos os espaços estão
preenchidos por água.

Zona não saturada ou vadosa


Situa-se da superfície freática até a superfície do terreno.
Nela, há espaços entre os sedimentos, os quais são preenchidos por
gases.
Essa zona pode ser subdividida em outras três zonas:
• Zona de evapotranspiração ou de água do solo: essa zona
se situa entre os extremos das raízes da vegetação e a su-
perfície do terreno. É a porção superior da zona vadosa,
© U2 - Águas Subterrâneas 61

podendo variar de alguns centímetros até vários metros


dependendo da cobertura vegetal do solo.
• Zona capilar: estende-se da superfície freática até o limite
de ascensão capilar da água e depende do tamanho dos
poros e da homogeneidade do terreno.
• Zona intermediária: está compreendida entre a zona de
evapotranspiração e a zona capilar.
Para que você possa compreender melhor cada uma dessas
zonas, observe a Figura 4.

Fonte: (BEAR; VERRUIJT, 1987). Adaptado pelo autor.


Figura 4 Representação esquemática da distribuição da água no subsolo, com destaque
para as zonas de umidade.

Como pudemos observar, as águas podem entrar no subso-


lo e ficar armazenadas em reservatórios de diversas maneiras. No
próximo tópico, veremos os tipos de aquíferos. Acompanhe.

11. TIPOS DE AQUÍFEROS


A palavra aquífero tem origem latina e significa carregar
água. Os aquíferos são, portanto, unidades rochosas ou de sedi-
mentos porosos e permeáveis que atuam como reservatórios sub-
terrâneos de armazenamento de água.

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62 © Hidrogeografia

Há três tipos de aquíferos: o aquífero confinado ou artesia-


no, o aquífero livre e o aquífero suspenso. Vejamos, a seguir, mais
detalhes sobre eles.

Aquífero confinado ou artesiano


Nos aquíferos confinados, o nível-d'água está confinado sob
maior pressão que a pressão atmosférica por estratos relativa-
mente impermeáveis sobrejacentes, conforme podemos observar
na Figura 5.

Aquífero livre
É aquele cujo topo é delimitado pelo nível freático.

Aquífero suspenso
São as acumulações de água que se formam sobre as cama-
das menos permeáveis da zona insaturada e que, assim, formam
um novo aquífero acima do principal. Para que você possa com-
preendê-lo melhor, observe a Figura 6.

Fonte: (TODD, 1959). Adaptado pelo autor.


Figura 5 Representação esquemática de aquíferos livres e confinados.
© U2 - Águas Subterrâneas 63

Fonte: (KARMANN, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 6 Representação esquemática de aquíferos, com destaque para o aquífero livre.

Vale destacar que a exploração irracional das águas subterrâ-


neas pode ocasionar algumas consequências negativas, tais como:
1) a redução da capacidade de produção dos poços, ocasio-
nando aumento nos custos de bombeamento;
2) a indução de fluxos de água salina da costa marítima
para o interior do reservatório;
3) a infiltração de água subterrânea de qualidade ruim ad-
vinda das adjacências;
4) o rebaixamento do nível do terreno.
Portanto, concluímos que, além do exato conhecimento da
extensão, das características e do tipo de aquífero, também é ne-
cessária a sua correta exploração.

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12. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


1) Tente memorizar cada fator envolvido na infiltração de água no subsolo e os
associe à presença e à magnitude de reservatórios que podem ser formados
no local.

2) Analise os fatores de ocorrência das águas subterrâneas apresentados nesta


unidade e reflita sobre como ocorre a infiltração e a distribuição das águas
no subsolo:
a) em região da Mata Atlântica;
b) a partir do leito de um rio;
c) no centro de uma grande metrópole;
d) em um terreno íngreme e erodido pela ação do escoamento superficial.
3) Pense nas camadas do solo e procure entender como funciona a dinâmica
da água dentro de um aquífero, respondendo, mentalmente, aos seguintes
questionamentos:
a) Como a raiz de uma árvore utiliza a água na zona de água do solo?
b) Como seria o afloramento de uma superfície freática?
c) Como se desloca a água em uma franja capilar?
d) Como funcionam os processos na zona de saturação?

13. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, conhecemos a origem, a ocorrência e os pro-
cessos ligados às águas subterrâneas, bem como identificamos os
tipos de reservatórios de água no subsolo para guiar sua correta
utilização.
Na próxima unidade, estudaremos os limites de ocorrência
dos oceanos e dos mares e a morfologia do seu substrato.
Bom estudo!

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BEAR, J.; VERRUIJT, A. Modeling groundwater flow and pollution. Holland: D. Reidel,
Dordrecht, 1987.
FEITOSA, F. A. C.; FILHO, J. M. (Orgs.). Hidrogeologia: conceitos e aplicações. Fortaleza:
CPRM/LABHID-UFPE, 1997.
KARMANN, I. Ciclo da água: água subterrânea e sua ação geológica. In: TEIXEIRA, W. et al
(Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2001.
© U2 - Águas Subterrâneas 65

ROSS, D. A. Introduction to Oceanography. New Jersey: Prentice-Hall, 1982.


TODD, D. K. Hidrologia de águas subterrâneas. São Paulo: Edgard Blücher Ltda., 1959.
UNESCO. Groundwater. Environment and development, n. 2. Briefs, 1992.

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EAD
Oceanos e Mares

3
1. OBJETIVOS
• Conhecer e compreender os processos que interferem na
variabilidade da linha de costa.
• Identificar os limites e as feições presentes abaixo do ní-
vel do mar.
• Reconhecer os processos de atuação do meio ambiente
no relevo submarino.

2. CONTEÚDOS
• Evolução histórica.
• Definição.
• Variabilidade da linha de costa.
• Margens continentais.
• Bacias oceânicas.
• Dorsal oceânica ou cordilheira mesoceânica.
68 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) É importante que você saiba que os oceanos são os re-
cursos aquáticos mais desconhecidos cientificamente.
No entanto, os dados que podem ser conseguidos nesse
ambiente nos permitem entender diversos processos de
formação e evolução do planeta.
2) Você sabia que apenas 5% dos fundos marinhos já foram
mapeados pelo ser humano? Por isso, é comum ouvir-
mos dizer que os seres humanos conhecem mais a su-
perfície de Marte do que o fundo dos oceanos.
3) Para melhor compreender os conceitos desta unidade,
associe-os às feições encontradas pelo mundo, como o
cinturão de vulcões do oceano Pacífico, as ilhas oceâni-
cas, dentre outros.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Na unidade anterior, conhecemos as características e os pa-
drões de movimentação das águas subterrâneas. Já nesta unida-
de, veremos outros compartimentos aquáticos: os oceanos e os
mares.
Para tanto, estudaremos as características das águas salga-
das, que estão distribuídas nos oceanos e nos mares, e aborda-
remos os conceitos dos diferentes tipos de margens e do relevo
desses ambientes.
Bons estudos!

5. EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Até hoje, os oceanos e os mares são considerados ambientes
pouco conhecidos pelos seres humanos, em relação aos mistérios
que ainda guardam. A sua exploração, notadamente, iniciou-se a
partir do desenvolvimento das primeiras artes de navegação, pe-
los egípcios, por volta de 4.000 a.C. Dois mil anos depois, os poli-
© U3 - Oceanos e Mares 69

nésios, com canoas capazes de flutuar na água, exploraram grande


parte do Oceano Pacífico, estabelecendo-se em diversas ilhas. En-
tretanto, foram os fenícios que realizaram as maiores navegações
da época, criando rotas marítimas até o Oceano Atlântico pelo mar
Mediterrâneo. Eles são considerados os primeiros navegadores a
circunavegar o continente africano, aproximadamente no ano de
600 a.C.
O grego Heródoto, em 450 a.C., compilou um mapa do mun-
do de acordo com o conhecimento possuído na época. Nele, o mar
Mediterrâneo estava na porção central e era rodeado por três con-
tinentes: Europa, Ásia e Líbia (norte da África). Toda a parte norte
e leste do mapa, no qual estavam a Europa e a Ásia, não possuía
limite continental, pois esta era uma região inexplorada (ROSS,
1982).
Dessa época até o século 17, os oceanos foram bastante ex-
plorados em relação aos seus limites com os continentes e com
o descobrimento de diversas feições geográficas pelo mundo. Em
geral, essas descobertas eram feitas por marinheiros em expedi-
ções com objetivos políticos, econômicos ou religiosos. Destes,
destacam-se o grego Pytheas, o escandinavo Eric e seu filho Leif
Ericson, o italiano Cristóvão Colombo e os portugueses Vasco da
Gama, Bartolomeu Dias e Pedro Álvares Cabral.
A primeira grande expedição marítima com o objetivo de in-
vestigar cientificamente os oceanos ocorreu entre os anos de 1768
e 1771, com a embarcação HMS Endeavour, comandada pelo Ca-
pitão James Cook. Entre os anos de 1772 a 1775 e 1778 a 1779, o
Capitão Cook também comandou viagens marítimas a bordo das
embarcações HMS Adventure e HMS Resolution, adquirindo gran-
de quantidade de dados geográficos, geológicos, físicos e biológi-
cos dos principais oceanos (ROSS, 1982).
Uma das mais importantes viagens marítimas foi realizada a
bordo do HMS Beagle, comandada pelo Capitão Robert Fitzroy, na
qual Charles Darwin ocupava o posto de naturalista. Com início no

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70 © Hidrogeografia

ano de 1831, essa viagem de cinco anos deu uma volta ao redor
da Terra, porém, na maior parte do tempo, dedicou-se a explorar a
costa da América do Sul.
Durante a viagem, Darwin estudou a geologia e a biologia
dessa costa e coletou amostras de rochas e de animais. O natu-
ralista ficou impressionado com as populações únicas de animais
que encontrou nas ilhas Galápagos e com a diversidade dos seres
vivos da América do Sul. Entretanto, o maior mérito de Darwin foi
conseguido décadas mais tarde, após estudar muito o material
coletado em sua viagem, com o desenvolvimento de uma teoria
sobre a origem das espécies por seleção natural.
Já Charles Wyville Thomson foi o primeiro a realizar medi-
ções de temperatura em mar profundo, a bordo do HMS Lightning
e do HMS Porcupine, entre os anos de 1868 e 1870. Suas coletas
de seres vivos a grandes profundidades derrubaram a teoria do
biólogo marinho inglês Edward Forbes, que havia sugerido, no seu
livro Distribution of Marine Life, de 1854, que a vida marinha não
poderia existir além dos 1.750 pés (cerca de 550 metros), denomi-
nada zona azoica.
Entre os anos de 1872 e 1876, Thomson, a bordo do HMS
Challenger, consolidou o equívoco na teoria de Forbes ao percor-
rer 70.000 milhas náuticas. Nessa viagem, o estudioso realizou 500
sondagens em mar profundo e coletou mais de 5.000 espécimes
de vida marinha. A sondagem mais profunda foi executada a 8.200
metros, na Fossa das Marianas. Suas observações e suas conclu-
sões foram publicadas em cinco volumes, intitulados Challenger
Reports.
Dos sete navios da Marinha dos Estados Unidos, os USS Al-
batross, um foi construído especificamente para conduzir a pes-
quisa científica no mar. Entre os anos de 1882 e 1921, a expedição,
comandada inicialmente por Zera Tanner, realizou diversos cruzei-
ros oceanográficos, obtendo dados de diversos compartimentos
dos oceanos.
© U3 - Oceanos e Mares 71

Do século 20 em diante, houve um grande crescimento no in-


teresse de investigação dos mares do planeta, impulsionado por téc-
nicas mais modernas de exploração baseadas em complexos equi-
pamentos desenvolvidos para a busca de informações de diversos
campos da ciência. Pesquisas marítimas envolvendo equipamentos
eletrônicos e outras ferramentas sofisticadas, muitas delas com
objetivos bélicos, deram um grande impulso no conhecimento dos
oceanos. Dentre os fatos que marcaram essa época, destaca-se a
criação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (Inter-
national Council for the Exploration of the Sea – ICES) em 1902, a ex-
pedição alemã a bordo do Meteor em 1925 e do submarino nuclear
USS Nautilus em 1958, a organização do Projeto de Perfuração do
Mar Profundo (Deep Sea Drilling Program – DSDP) em 1968, a cria-
ção do Departamento da Administração Oceânica e Atmosférica Na-
cional (National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA)
em 1970, início da Década Internacional da Exploração dos Oceanos
(International Decade of Ocean Exploration – IDOE) na década de
1970 e, em 1978, o lançamento do primeiro satélite oceanográfico,
o Seasat-A, que marcou a modernização das técnicas de exploração
marítima a partir do sensoriamento remoto.

6. DEFINIÇÃO
Como sabemos, os oceanos são grandes porções de água
salgada que recobrem cerca de 70% do planeta Terra. Estão dis-
tribuídos ao longo de todo o planeta, e, neles, encontram-se as
maiores profundidades existentes, além de muitas outras feições
igualmente curiosas.
Há cinco oceanos no planeta Terra:
1) Oceano Atlântico.
2) Oceano Pacífico.
3) Oceano Índico.
4) Oceano Glacial Ártico.
5) Oceano Glacial Antártico.

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72 © Hidrogeografia

Já os mares são porções de água salgada conectadas aos


oceanos que não possuem uma distribuição tão homogênea como
a destes e que, geralmente, margeiam os continentes.
Os oceanos e os mares são ambientes que possuem relações
dinâmicas com as porções de terra continentais, e o seu contato
não é regular no espaço e no tempo, conforme estudaremos nos
próximos tópicos. Acompanhe.

7. VARIABILIDADE DA LINHA DE COSTA


Enquanto a linha de costa é o contato entre a terra e o mar, a
zona costeira é uma área de difícil delimitação, pois ela se dá pela
porção da terra que é influenciada por algumas condições mari-
nhas, como, por exemplo, ondas, marés, ventos ou biota.
As zonas costeiras estão distribuídas globalmente, porém,
seu tamanho varia de acordo com as condições locais, indo, em
geral, de algumas centenas de metros a algumas dezenas de quilô-
metros. Além disso, os impactos antrópicos sobre a linha de costa
são muito grandes, especialmente a partir do século 20.
As costas podem ser subdivididas em duas categorias:
• dominantemente erosionais: são muito variáveis e ten-
dem a ser mais finas;
• dominantemente deposicionais: ao longo do tempo (na
escala de centenas de anos), as costas deposicionais in-
cluem uma grande variedade de sistemas, como deltas de
rios, sistemas de ilhas-barreira e planícies costeiras.
Vale destacar que as diferenças climáticas geram vários tipos de
costa, nas quais a temperatura e o regime de chuvas são as maiores in-
fluências. A placa tectônica da crosta terrestre também exerce grande
influência na zona costeira, visto que as costas que se encontram em
cima ou próximas aos limites dessas placas tendem a ser mais finas se
comparadas às mais afastadas dos limites das placas tectônicas.
© U3 - Oceanos e Mares 73

Prosseguindo nossos estudos, falaremos, a seguir, das mar-


gens continentais. Acompanhe.

8. MARGENS CONTINENTAIS
Margem continental é a zona de transição entre os continen-
tes e a bacia oceânica, e ocupa cerca de um quinto da área ocupa-
da pelos oceanos (KENNETT, 1982).
Há dois tipos de margem continental: a margem ativa ou
pacífica e a margem passiva ou atlântica. A seguir, vejamos cada
uma delas mais detalhadamente.

Margem ativa ou pacífica


Localiza-se nas regiões de convergência de placas litosféri-
cas. Geralmente, é mais estreita e possui grande ação tectônica,
apresentando atividades vulcânicas e terremotos, bem como as
feições delas decorrentes, como dobramentos e falhamentos.
Usualmente, apresenta as seguintes feições:
• Fossas oceânicas: são feições características das margens
ativas, pois ocorrem pela subducção de uma placa sobre a
outra e pela ausência de sedimentação na área.
• Arcos de ilhas: é um cinturão de vulcões ativos ou inati-
vos rodeados por uma fossa submarina e, por isso, ocor-
rem próximos à região de subducção de placas tectônicas.
As margens ativas ainda podem ser subdivididas em dois ti-
pos. Vejamos.

Margem do tipo chilena


Quando há subducção de uma placa oceânica por uma conti-
nental. Nela, ocorre uma fossa logo abaixo do talude e um sistema
de cadeias de montanhas jovens na borda continental emersa.

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74 © Hidrogeografia

Margem do tipo marianas


Quando há subducção de uma placa oceânica por outra,
também oceânica. A margem do tipo marianas caracteriza-se pelo
desenvolvimento de um sistema de ilhas vulcânicas adjacente às
fossas tectônicas profundas. Essa margem é conhecida como arcos
de ilhas.
Vale ressaltar que a margem continental adjacente ao Ocea-
no Pacífico é do tipo ativa, pois notam-se grandes fossas oceânicas
na costa chilena e cadeias de vulcões no Pacífico sudoeste em for-
ma de cinturões.

Margem passiva ou atlântica


De acordo com Blij e Muller (1996), geralmente mais exten-
sas, tectonicamente mais estáveis e com grande acúmulo de ca-
madas sedimentares, as margens passivas ou atlânticas apresen-
tam os seguintes ambientes (Tabela 1):

Tabela 1 Feições características de margens passivas.


É uma extensão submersa do continente adjacente, com
topografia e rochas similares limitadas pela linha de costa
e pela quebra continental, que marca o início do talude
continental entre 100 e 200 metros de profundidade.
Plataforma continental
Possui gradientes relativamente suaves e sua topografia
é resultante da acumulação de erosão e sedimentação
relacionadas às numerosas oscilações de larga escala do
nível do mar no último milhão de anos.
Marca o fim das plataformas continentais e apresenta um
gradiente elevado que marca, efetivamente, a transição
entre a crosta continental e a crosta oceânica.
É composto por sedimentos originados no continente que
avançam em direção a profundidades cada vez maiores,
provocando, assim, o deslocamento progressivo da quebra
Talude continental
da plataforma continental e do talude continental.
Como possui gradientes elevados, é uma feição
instável comumente associada aos deslizamentos e
aos desmoronamentos dos sedimentos originados na
plataforma continental, formando sistemas de ravinas,
cânions e canais submarinos.
© U3 - Oceanos e Mares 75

São feições formadas pelo transporte dos sedimentos do


Sopé ou elevação talude continental que se acumulam em sua base. Os sopés
continental continentais são ausentes quando a margem continental
coincide com as zonas de subducção.
São os canais de passagem dos sedimentos provenientes
da plataforma continental. Esse sedimento em suspensão
que se move para baixo nos taludes continentais gera
eventos turbulentos, conhecidos como correntes de
turbidez, e, no local em que o sedimento é depositado,
são formados leques submarinos. Os cânions possuem
Cânions submarinos um perfil em forma de "V" e são muito comuns em todo o
mundo nos taludes continentais com gradientes superiores
a 1:50. Alguns cientistas também atribuem a formação
de cânions submarinos aos eventos de rebaixamento do
nível dos oceanos, nos quais os sistemas de drenagem
continentais atingem regiões próximas ao fim da
plataforma continental.
Fonte: acervo pessoal do autor.

Para que você possa compreender melhor, observe a Figura 1:

Fonte: (TESSLER; MAHIQUES, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 1 Processos oceânicos e a fisiografia dos fundos marinhos.

Um bom exemplo de margem passiva é a do Oceano Atlân-


tico, que apresenta plataforma, talude e sopé continentais bem
desenvolvidos, feições típicas desse tipo de margem.

9. BACIAS OCEÂNICAS
Após as margens continentais, ocorrem as bacias oceânicas,
que são grandes depressões ocupadas pelo oceano e formadas por
diferentes tipos de feições, tais como as apresentadas na Tabela 2.

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76 © Hidrogeografia

Tabela 2 Feições características de bacias oceânicas.


São as feições mais planas de todo o planeta e possuem
essa morfologia plana devido à sedimentação que foi
Planície abissal transportada ao longo do tempo por correntes de turbidez
ou por correntes do fundo para a planície, desfazendo a
irregularidade e a rugosidade da bacia.
São domos que não ultrapassam 1.000 metros, compostos
Colinas abissais por rochas vulcânicas e cobertos por uma fina camada de
sedimento.
É um tipo de colina abissal, porém, ultrapassa os 1.000
metros de altura. A maior parte dos montes submarinos
Montes submarinos
é de vulcões ativos ou extintos. Eles podem ocorrer tanto
isoladamente quanto em grupos.
São depressões longas e estreitas que têm, geralmente,
Fossas de mar profundo de três a cinco quilômetros a mais de profundidade que o
assoalho oceânico adjacente.
Fonte: acervo pessoal do autor.

Dentre as feições descritas na Tabela 2, a formação das coli-


nas abissais e dos montes submarinos acontece de uma maneira
curiosa. Existem pontos quentes fixos no manto (abaixo da placa
litosférica) que são conhecidos como hot spots. Por meio deles,
há a penetração de material vulcânico do interior da Terra para a
superfície da placa e, consequentemente, a formação das colinas
abissais e dos montes submarinos. Conforme a placa se movimen-
ta em determinado sentido, cadeias de colinas ou de montes sub-
marinos são formadas, e, por esses cinturões, a idade dos domos
cresce gradativamente, conforme se afasta do local do hot spot.
Assim, quando algum desses domos aflora na superfície do mar,
surge o que chamamos de ilha vulcânica.

Montes Submarinos ––––––––––––––––––––––––––––––––––


Os montes submarinos, cujos topos ocorrem a profundidades médias de 2.000
metros abaixo da superfície da água, são conhecidos como guyots. Conforme
esses montes entram em subsidência, os recifes de coral dispostos ao redor
do guyot crescem, dando origem aos atóis, que são recifes de coral em formato
aproximadamente circular. Essa é a hipótese mais aceita da formação de atóis,
proposta por Charles Darwin.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Na bacia oceânica do Oceano Pacífico, por exemplo, há uma


maior densidade de colinas abissais e montes submarinos em rela-
© U3 - Oceanos e Mares 77

ção à do Oceano Atlântico, já que a sedimentação proveniente do


continente fica aprisionada nas fossas marginais, e não consegue
ultrapassar essa barreira de forma eficiente.

10. DORSAL OCEÂNICA OU CORDILHEIRA MESOCEÂͳ


NICA
A dorsal oceânica, também conhecida como cordilheira me-
soceânica, representa a mais longa e contínua cordilheira do pla-
neta, estendendo-se por mais de 60.000 quilômetros, geralmente,
pelo centro dos oceanos. Ela ocupa, aproximadamente, um terço
do assoalho oceânico e possui entre 1.000 e 3.000 metros de al-
tura.
As cordilheiras apresentam um relevo bastante irregular e
duas feições distintas, a crista da cordilheira e os flancos. Enquanto
a morfologia das cristas é continuamente perturbada pela ação do
meio ambiente, os flancos são estruturas mais suaves por causa da
sedimentação que os recobre.
Seguindo o alinhamento das cristas, desenvolve-se um sis-
tema de vale de rifte central, ou seja, um vale de grande extensão
formado a partir dos movimentos distensivos da costa. Nele, os
planos são inclinados para o interior da depressão, que é o local
em que ocorre a formação da nova placa oceânica durante o pro-
cesso de expansão do fundo oceânico.

11. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


1) Lembre-se de locais que visitou ou soube que continuamente estão ocor-
rendo casos de erosão ou deposição. Quais são as causas de um ambiente
predominantemente erosional se transformar em deposicional ao longo do
tempo?

2) Imagine que toda a água do planeta secasse e você fosse fazer uma longa
caminhada do Brasil até o continente africano, atravessando o oceano Atlân-
tico. Pense nas feições que observaria em cada etapa de sua jornada. Quais
são as feições que não esperaria encontrar?

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78 © Hidrogeografia

3) Você é capaz de entender qual o processo que formou determinada feição


marinha? Imagine cada uma delas e tente descobrir qual é seu processo de
formação.

12. CONSIDERAÇÕES
A partir do estudo desta unidade, foi possível conhecer as
características das águas salgadas distribuídas pelos oceanos e pe-
los mares do planeta.
Na próxima unidade, teremos contato com a movimentação
dessa água no compartimento marinho e com suas relações com a
morfologia oceânica.
Até lá!

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BLIJ, H. J. de; PETER, O. M. Physical geography of the global environment. New York: John
Wiley & Sons, 1996.
KENNETT, J. P. Marine geology. New Jersey: Prentice-Hall/Englewood Cliffs, 1982.
PARKER, H. S. Exploring the oceans. New Jersey: Prentice-Hall, 1985.
PICKARD, G. L. Oceanografia física descritiva. Rio de Janeiro: Fundação de Estudos do
Mar, 1974.
PINET, P. R. Invitation to Oceanography. Sudbury: Jones and Bartlett Publishers, 1999.
ROSS, D. A. Introduction to Oceanography. New Jersey: Prentice-Hall, 1982.
EAD
Movimento das Águas
Oceânicas
4
1. OBJETIVOS
• Compreender a evolução histórica do conhecimento da
movimentação das águas oceânicas.
• Conhecer e compreender a circulação oceânica global e
as suas variáveis: a superficial e a profunda.
• Identificar os fatores naturais geradores das marés.
• Compreender os processos ligados à geração e à propa-
gação das ondas.

2. CONTEÚDOS
• Evolução histórica do conhecimento da dinâmica dos
oceanos.
• Circulação oceânica global.
• Ondas.
• Marés.
80 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÃO PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Ao estudar esta unidade, tente compreender qual é o
papel do movimento das águas oceânicas para os fenô-
menos de ressurgência na região de Cabo Frio e na costa
oeste do continente africano.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Na Unidade 3, vimos as principais províncias do fundo dos
oceanos. Com esse conhecimento, poderemos, agora, compreen-
der a dinâmica das águas marinhas realizada por esses ambientes.
Para tanto, essa unidade abordará, inicialmente, a circulação
das massas d’água superficiais e profundas pelos oceanos e, mais
adiante, os outros processos de movimentação das águas oceâni-
cas: as ondas e as marés.

5. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONHECIMENTO DA


DINÂMICA DOS OCEANOS
As primeiras descobertas sobre a dinâmica das águas oceâ-
nicas no planeta datam de alguns séculos antes de Cristo, muito
tempo depois das primeiras explorações que polinésios e fenícios
fizeram das terras desconhecidas além-mar.
Foi o grego Pytheas, no século 4º a.C., quem propôs a pri-
meira hipótese a respeito da influência das fases da lua sobre a
maré. Entretanto, essa teoria só foi desenvolvida após dez séculos,
em torno do ano 700 d.C., pelo monge inglês Bede, em sua publi-
cação De Temporum Ratione. No entanto, somente em 1740, Leo-
nhard Euler conseguiu calcular a magnitude das forças que geram
as marés oceânicas e relacionou-as à força atrativa com a lua.
Leonardo da Vinci (1452-1519) foi um dos primeiros cientis-
tas a investigar os oceanos, fornecendo detalhes sobre correntes
e ondas e sugerindo, a partir de fósseis encontrados nas montanhas
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 81

da Itália, dados fundamentais das oscilações do nível do mar num


passado antigo. Após três séculos, Matthew Fontaine Maury com-
pilou um grande volume de dados e informações sobre as correntes
e os ventos registrados a bordo do U.S. Navy, publicando-os em um
livro intitulado The Physical Geography of the Sea.

6. CIRCULAÇÃO OCEÂNICA GLOBAL


Antes de descrever a circulação das águas pelos oceanos, é
necessário conhecer os processos de circulação atmosféricos. Para
isso, é importante compreender, inicialmente, a composição do ar e
a formação de sua pressão.
O ar é uma mistura de gases. Nele, encontramos cerca de 20%
de oxigênio, aproximadamente 78% de nitrogênio e 2% de outros
gases com menores concentrações. Em geral, possui certa quantida-
de de vapor d’água, que influencia sua densidade, a qual será menor
quanto maior a porcentagem de vapor d’água presente, consideran-
do a temperatura e a pressão como fatores constantes. A tempe-
ratura também influencia a densidade, visto que o ar é mais denso
quanto menor a temperatura e vice-versa.
Já a pressão do ar é definida como uma força por unidade de
área composta pela densidade, pela aceleração gravitacional e pela
altura da massa de ar. Portanto, com o aumento ou com a diminui-
ção da pressão, que ocorre pela modificação de seus componentes,
existirão zonas de diferentes pressões na superfície da Terra. Esse
gradiente de pressão é o impulso da circulação dos ventos, pois o
fluxo das massas de ar se desloca das zonas de alta pressão para as
de baixa pressão. Um alto gradiente de pressão resulta fortes ven-
tos, enquanto um baixo gradiente resulta ventos mais amenos.

Você sabia que, no nível do mar, a coluna de ar exerce uma pres-


são conhecida como pressão atmosférica padrão, equivalente a 1
atm (atmosfera)?

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82 © Hidrogeografia

Levando em conta a temperatura, quando a massa de ar é


resfriada, fica mais densa e desce em direção a Terra e, quando
aquecida, fica menos densa, elevando-se em direção à atmosfera.
Se pensarmos na atuação das zonas de baixa e alta pressão
no planeta Terra, conforme a descrição anterior, podemos notar
que o ar que se aquece na região do Equador se eleva e se movi-
menta em direção aos polos, enquanto o ar que se resfria nos po-
los desce em direção à superfície e se movimenta para o Equador,
estabelecendo duas grandes células em toda a Terra.
Todavia, o movimento de rotação do planeta, a presença de
massas continentais e a diferença de radiação solar entre eles for-
mam um sistema mais complexo. Em outras palavras, o ar quente
que se eleva no Equador desce em direção à superfície, nos tró-
picos, devido ao grande gradiente de pressão entre eles, geran-
do uma zona de alta pressão na região tropical. Esse gradiente de
pressão origina os ventos alísios, que sopram de sudeste para no-
roeste no Hemisfério Sul e de nordeste para sudoeste no Hemis-
fério Norte. O ponto em que esses ventos se convergem é deno-
minado Zona de Convergência Intertropical (BROWN et al., 1991).
Os ventos que desceram em direção à superfície, nos tró-
picos, deslocam-se para as latitudes de 60 graus e, em seguida,
ascendem por causa do gradiente de pressão, movimentando-se
em direção aos polos. Esse padrão de circulação fará que o planeta
contenha, de forma geral, três células por hemisfério como padrão
de circulação, como podemos observar na Figura 1. Em virtude da
Força de Coriolis, esses movimentos apresentam rotações volta-
das, geralmente, de leste para oeste no Hemisfério Sul e de oeste
para leste no Hemisfério Norte.

Força de Coriolis –––––––––––––––––––––––––––––––––––––


Um corpo em movimento, situado em um referencial em rotação, está sujeito a
dois tipos de força: uma, que o direciona para fora da curva, e outra, que tende
a desviar lateralmente o movimento do corpo. Na prática, o referencial em rota-
ção é o planeta Terra, e o corpo em movimento pode ser a massa de água em
movimento ou qualquer outro corpo na Terra. A essa força que desvia o corpo
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 83

lateralmente dá-se o nome de Força de Coriolis, em homenagem ao engenheiro


francês Gustave Coriolis (1792-1843), que, no ano de 1935, descreveu as leis da
dinâmica para um corpo em movimento em um sistema em rotação.
Como o planeta é esférico, observa-se que o corpo se movimenta de maneira
diferente em cada um dos hemisférios: sentido anti-horário no Hemisfério Norte
e sentido horário no Hemisfério Sul. É nesse sentido que são influenciadas as
massas de ar e as de água pelo planeta.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Figura 1 Representação esquemática apresentando a circulação atmosférica.

Após entendermos o processo de circulação atmosférica, va-


mos estudar o processo de circulação das águas oceânicas.
A circulação oceânica global envolve dois componentes, am-
bos controlados pela energia do sol. São eles: circulação superficial
e circulação termoalina. Vejamos, a seguir, mais detalhes sobre eles.

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84 © Hidrogeografia

Circulação superficial
Essa circulação é controlada pela força dos ventos e ocorre
nas primeiras centenas de metros abaixo da superfície oceânica.
São vários os fatores que a influenciam, tais como: a fricção dos
ventos na superfície da água, o gradiente de pressão, a geometria
do fundo oceânico, a Força de Coriolis e as massas continentais
(INGMANSON; WALLACE, 1975).
O impulso inicial ocorre com a força dos ventos sobre a super-
fície, que transfere energia para as camadas superficiais. Segundo
o modelo conhecido como Espiral de Ekman, em consequência da
Força de Coriolis, a corrente superficial move-se em um ângulo de
45º à esquerda da direção do vento predominante no Hemisfério
Sul, e, no Hemisfério Norte, à direita (Figura 2).
A energia do vento é conduzida para as camadas mais pro-
fundas, com cada camada sucessiva movendo-se em velocidade li-
geiramente menor e cada vez mais defletida à esquerda ou à direta
em relação à superfície até cessar em determinada profundidade,
que é, geralmente, em torno de 100 metros. Dessa forma, temos
como resultado que o movimento da coluna d’água será sempre
90º à esquerda em relação à direção do vento para o Hemisfério
Sul, e 90º à direita para o Hemisfério Norte.
Conforme podemos observar na Figura 3, os ventos alísios,
comentados anteriormente, movimentam as massas d'água da re-
gião equatorial do Oceano Atlântico de leste para oeste e são de-
nominados Corrente Sul Equatorial. No Hemisfério Sul, ao atingi-
rem o continente sul-americano, esses ventos são defletidos para
o sul, e recebem o nome de Corrente do Brasil e, ao chegarem
ao extremo sul do continente, defletem para leste pela Deriva de
Corrente para Oeste. Por fim, no continente africano, as massas
d'água movem-se em direção ao Equador sob o nome Corrente de
Benguela (INGMANSON; WALLACE, 1975).
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 85

Figura 2 Influência da Espiral de Ekman nas massas d'água para o Hemisfério Sul.

Fonte: (BROWN et al., 1991). Adaptado pelo autor.


Figura 3 Circulação superficial do Atlântico Sul.

Condições particulares de vento em algumas margens con-


tinentais ocasionam a movimentação das águas superficiais cos-
teiras em direção ao oceano por meio do transporte de Ekman,

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86 © Hidrogeografia

fazendo que as águas mais frias do fundo ascendam e tragam nu-


trientes. O resultado dessa movimentação é o enriquecimento dos
nutrientes das águas, a alta na produtividade primária e, por con-
sequência, a explosão de vida marinha no local. Esse fenômeno é
conhecido como ressurgência.

Você sabia que, no litoral de Cabo Frio, no estado do Rio de Janei-


ro, ocorre uma ressurgência de menores proporções em determi-
nadas condições de vento durante a primavera e o verão?

Circulação termoalina
Como estudamos, a propulsão das correntes superficiais
ocorre pela força dos ventos. Entretanto, a certa profundidade, os
ventos não são capazes de agir. Em águas profundas, as águas cir-
culam a partir do gradiente de densidade, originado por variações
de temperatura e salinidade entre as massas d'água. A essa circu-
lação chamamos de termoalina.
Em geral, nas regiões de altas latitudes, determinadas condi-
ções de temperatura e salinidade geram uma massa d'água de alta
densidade que desce verticalmente e permanece isolada por um
longo período. Conforme as massas d'água se aproximam da região
equatorial, elas recebem energia térmica tanto por radiação solar
direta quanto por condução e, ao aquecerem, ficam menos densas,
dominando as águas superficiais. Ao atingirem latitudes maiores
que 30º graus, as correntes superficiais perdem energia térmica por
diversos motivos, inclusive pelo aquecimento da atmosfera adjacen-
te. Essas águas se resfriam e aumentam sua densidade o suficiente
para submergir e atingir grandes profundidades. Esse movimento
cíclico promove a remoção do calor dos trópicos para maiores lati-
tudes e atua como um regulador do clima da Terra.
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 87

Interação da circulação superficial e a termoalina


A conjugação do padrão de circulação superficial dos ocea-
nos com a circulação termoalina originada em regiões específicas
do planeta resulta um modelo de circulação global das massas
d'água, como podemos observar na Figura 4.
IA
FR

TE
EN

OCEANO
QU

ATLÂNTICO
OCEANO PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO

NTE
QUE

FRIA

Figura 4 Circulação oceânica global formada pela interação da corrente superficial e


profunda.

Resumindo, as massas d'água densas, formadas no norte do


Oceano Atlântico e na Antártica, deslocam-se em profundidade
para o Oceano Índico e para o Oceano Pacífico. Próximas às re-
giões equatoriais desses oceanos, as águas aquecem-se, reduzem
a densidade e afloram à superfície, movimentando-se em direção
ao Oceano Atlântico novamente. Assim, fecha-se um ciclo.

El Niño –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
O El Niño é o principal fenômeno ocasionado por uma anormalidade nos pa-
drões de circulação atmosférica e oceânica. Foi reconhecido, inicialmente, por
pescadores da costa oeste da América do Sul, que o notaram e associaram-no
ao menino Jesus: El Niño.
Nas proximidades do Equador, há, normalmente, a incidência dos ventos alísios,
que sopram no sentido leste-oeste e que permitem a ocorrência da ressurgência

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88 © Hidrogeografia

na costa oeste da América do Sul. Nos anos em que o El Niño ocorre, os ventos
alísios sopram com uma intensidade sensivelmente menor que a normal, fazen-
do que as águas quentes fiquem acumuladas na costa sul-americana do Oceano
Pacífico. Como aumenta o gradiente de temperatura entre o Equador e os polos,
há uma intensificação nos ventos de grande altitude, que provocam, então, alte-
rações climáticas no mundo todo.
Nos anos em que o El Niño ocorre, há muita chuva na costa oeste da América do
Sul e grandes secas na Austrália e na África. Já nas regiões Norte e Nordeste do
Brasil, há redução de precipitação, a qual aumenta na região Sul do país.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
No próximo tópico, estudaremos as ondas e as suas princi-
pais características. Acompanhe.

7. ONDAS
Como podemos definir as ondas? Por que são de diversos
tamanhos?
As ondas são perturbações na superfície de um fluido, pelo
qual a energia é transferida de um lugar a outro. Por isso, ocorrem
com uma grande variedade de tamanhos e são consequência de
diversos fenômenos, como ventos, atração gravitacional, atração
dos satélites, tempestades, entre outros (BROWN et al., 1991). As
ondas estão entre os processos mais dinâmicos da linha de costa
e são as grandes responsáveis pelas modificações nas paisagens
costeiras.
Alguns tipos de ondas são causados por forças periódicas,
como as marés, que são formadas por meio de sua atração com
o sol e a lua em períodos coincidentes com a ação de suas forças.
Outras, entretanto, são resultado de uma perturbação não perió-
dica da água. As partículas de água encontram-se em estado de
equilíbrio e, para restabelecer esse equilíbrio que foi perturbado
pela onda, são necessárias forças de restauração. A alternância
desses períodos de perturbação e restauração estabelece caracte-
rísticas oscilatórias, conhecidas como movimentação harmônica.
Nas ondas que ocorrem no meio aquático, existem duas for-
ças restauradoras que alimentam o ciclo: a força gravitacional e a
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 89

tensão superficial (BROWN et al., 1991). Nas ondas gravitacionais,


que são maiores que 1,7 cm de comprimento, a principal força
atuante é a gravitacional, e, nas ondas capilares, que são menores
que 1,7 cm, a principal é a tensão superficial. Existe, ainda, um tipo
de onda de macroescala, a qual pode ocorrer tanto nas ondas su-
perficiais quanto nas internas, gerada como força restauradora da
deflecção das correntes oceânicas pelo efeito da Força de Coriolis.
Ela é conhecida como onda de Rossby.
A seguir, apresentamos as terminologias comumente usadas
para descrever as ondas e a sua movimentação:
1) Comprimento da onda: distância entre duas cristas ou
duas cavas sucessivas.
2) Crista: ponto mais alto da onda.
3) Cava: ponto mais baixo da onda.
4) Altura: distância vertical entre a crista e a cava da onda.
5) Amplitude: metade da altura da onda.
6) Período: tempo decorrido entre a passagem de duas
cristas ou cavas por um determinado ponto fixo.
7) Frequência: quantidade de cristas ou cavas que passam
por um determinado ponto em um intervalo de tempo
fixo (BLIJ; PETER, 1998).
Acompanhe, a seguir, pela Figura 5, os parâmetros de carac-
terização das ondas:

Fonte: (BROWN et al., 1991). Adaptado pelo autor.


Figura 5 Principais parâmetros de caracterização de uma onda.

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90 © Hidrogeografia

A transferência de energia do vento para a superfície do mar


ainda não é muito bem compreendida, porém, sabe-se que a altu-
ra da onda resultante dessa transferência se dá pela combinação
de três fatores: a superfície de contato, a velocidade do vento e o
tempo em que houve contato entre a atmosfera e o mar.
Uma partícula de água, durante a passagem de uma onda em
águas profundas, desenvolve movimentos orbitais circulares, cujos
raios diminuem gradativamente ao longo da coluna d'água até de-
saparecerem antes de atingirem o fundo submarino. Em profundi-
dades menores que a metade do comprimento da onda, a partícula
de água desenvolve movimentos elípticos próximo à superfície, os
quais ficam cada vez mais achatados em profundidade e chegam,
inclusive, a apresentar movimentação horizontal no fundo, sendo
efetivos na movimentação de sedimentos do substrato. Para que
você possa compreender melhor, observe a Figura 6:

a direção das ondas de propagação


média

Águas particula
profundas

comprimento de onda

b direção das ondas de propagação


média

Águas rasas

FUNDO OCEÂNICO
comprimento de onda
Fonte: (TESSLER; MAHIQUES, 2001). Adaptado pelo autor.
Figura 6 Movimentação da onda em águas profundas e rasas.
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 91

Como as ondas são geradas por muitos fatores, o tipo e o


intervalo entre as que chegam a um determinado ponto da costa é
muito variável e irregular. Um tipo que possui mais regularidade é
a onda de maré, que será estudada no próximo tópico.

8. MARÉS
A maré é uma oscilação vertical da superfície do mar ou uma
massa d'água na superfície da Terra, causada, especialmente, pe-
las atrações gravitacionais da lua e do sol (BROWN et al., 1991). As
oscilações são periódicas e podem variar de alguns centímetros a
vários metros, dependendo da localização geográfica, em que a
altura máxima da água é denominada preamar e a menor altura,
baixa-mar. Inicialmente, precisamos compreender as atrações gra-
vitacionais da lua e do sol. Vejamos.
A Lei da Gravitação Universal de Newton estabelece que os
corpos são atraídos na razão direta de suas massas e na razão in-
versa do quadrado da distância que os separa. O sol é um satélite
milhões de vezes maior que a lua, porém localiza-se a uma distân-
cia centenas de vezes maior. Isso faz que as forças de atração entre
a Terra e a lua sejam duas vezes maior que a força entre a Terra e
o sol. Uma vez que é influenciada pela distância, a força de atração
gravitacional é ligeiramente diferente para diferentes pontos loca-
lizados na superfície da Terra.
No momento em que um corpo descreve um movimento
circular uniforme, ele é submetido a uma aceleração centrípeta
perpendicular à sua velocidade. A resultante de forças, também
perpendicular à sua velocidade, é chamada de força centrípeta,
cuja direção é o eixo de rotação. A atração gravitacional é direcio-
nada ao centro de massa da lua, diferente em magnitude e/ou em
direção em relação à força centrípeta. A força resultante dessas
duas forças em um ponto da Terra é denominada força geradora
de maré.

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92 © Hidrogeografia

Quando a Terra, o sol e a lua estão aproximadamente alinha-


dos e a lua, portanto, está nas fases nova e cheia, ocorrem prea-
mares muito altas e baixa-mares muito baixas, conhecidas como
maré de sizígia. Entretanto, no momento em que o sol e a lua estão
em quadratura, as forças geradoras de maré formam um ângulo de
90º entre si e anulam-se parcialmente, fazendo que a variação da
maré seja mínima. Essa situação, que ocorre nas fases quarto min-
guante e quarto crescente, forma as marés de quadratura.
Esse processo pode ser melhor compreendido por meio das
ilustrações apresentadas na Figura 7.
Para a caracterização das marés, foram definidas algumas
terminologias:
1) Estofo: ocorre, entre as marés, um curto período em
que não há nenhuma alteração da altura da maré. Esse
período é denominado estofo ou reponto.
2) Enchente: a maré aumenta. Esse fenômeno ocorre entre
uma baixa-mar e uma preamar.
3) Vazante: a maré diminui. Ocorre entre uma preamar e
uma baixa-mar.
4) Zero hidrográfico: é, normalmente, definido pela média
das marés baixas de sizígia e situa-se, logicamente, abai-
xo do nível médio do mar.
5) Altura da maré: altura do nível da água em relação ao
zero hidrográfico em determinado momento.
É importante ressaltar que, comumente, a bibliografia cita o
termo "onda de maré". De fato é uma onda, na qual a crista corres-
ponde ao período de preamar, e a cava, ao período de baixa-mar.

Quando for à praia, observe, ao longo de algumas horas, como as


ondas escorrem cada vez mais longe ou mais perto de um ponto
fixo na areia. Depois, pesquise, na internet, a tábua de marés para
aquela praia e compare os dados.
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 93

Fonte: (BROWN et al., 1991). Adaptado pelo autor.


Figura 7 Representação esquemática da interação entre as marés solar e lunar.

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94 © Hidrogeografia

9. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
1) Como funcionam os processos de circulação superficial e termoalino e as
suas combinações?

2) Quais são as principais semelhanças e diferenças entre ondas e marés?

3) O que significam maré de sizígia e maré de quadratura? Qual é a relação


delas com a maré lunar e a maré solar?

4) Como o movimento das águas oceânicas interfere no tamanho e na quanti-


dade de ondas das praias?

10. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, foi possível compreender como as caracte-
rísticas da água e as condições ambientais geram efeitos na movi-
mentação das águas pelos oceanos.
Dando continuidade aos nossos estudos, conheceremos, na
próxima unidade, as particularidades das águas continentais su-
perficiais, a sua classificação e a sua movimentação sobre a super-
fície da Terra.

11. EͳREFERÊNCIAS
Lista de figuras
Figura 2 – Influência da Espiral de Ekman nas massas d’água para o Hemisfério Sul:
disponível em: <http://oceanservice.noaa.gov>. Acesso em: 22 maio 2009.
Figura 4 – Circulação oceânica global formada pela interação da corrente superficial e
profunda: disponível em: <http://science.nasa.gov>. Acesso em: 22 maio 2009.

12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BLIJ, H. J. de; PETER, O. M. Physical geography of the global environment. New York: John
Wiley & Sons, 1998.
BROWN, E. et al. Waves, tides and shallow-water processes. Oxford: Open University/
Pergamon Press, 1991.
© U4 - Movimento das Águas Oceânicas 95

______. Ocean circulation. Oxford: Open University/Pergamon Press, 1995.


INGMANSON, D. E.; WALLACE, W. J. Oceanography: an introduction. California:
Wadsworth, 1979.
PINET, P. R. Invitation to Oceanography. Sudbury: Jones and Bartlett Publishers, 1999.
TESSLER, M. G.; MAHIQUES, M. M. de. Processos oceânicos e a fisiografia dos fundos
marinhos. In: TEIXEIRA, W. et al. (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos,
2001.
VIESSMAN, W. Jr. et al. Introduction to hydrology. New York: Harper & Row, 1977.

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EAD
Escoamento em Vertentes
e Rios
5
1. OBJETIVOS
• Compreender e definir a bacia de drenagem e os seus
componentes.
• Identificar e classificar os rios e os seus regimes.
• Conhecer e compreender a ação dos corpos hídricos no
ambiente natural.

2. CONTEÚDOS
• Rios.
• Classificação dos rios.
• Regimes fluviais.
• Geomorfologia fluvial.
• Outras massas-d'água superficiais.
98 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÃO PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, instale em seu com-
putador algum programa de visualização de imagens de satélite
e, no decorrer de seus estudos, explore nosso planeta, classifique
as vertentes e os rios que encontrar nos diferentes continentes e
reflita sobre os seguintes questionamentos: por que eles possuem
diferença na forma, no padrão e no regime? Isto está relacionado
às características daquele determinado país?

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nas duas últimas unidades, tivemos contato com a dinâmica
das águas pelos oceanos a partir da geografia e da geomorfologia
do planeta Terra. Agora, conheceremos um pouco mais sobre a
movimentação das águas superficiais.
Dessa forma, esta unidade abrangerá o conhecimento sobre os
canais fluviais e outros corpos-d'água presentes na superfície do pla-
neta. A partir dessas considerações, será possível classificar os rios e
os seus regimes, além de compreender a sua ação sobre a Terra.
Bom estudo!

5. RIOS
Os rios são cursos de água que deságuam no mar, num lago
ou em outro rio. São considerados os maiores escultores da mor-
fologia dos terrenos pelos quais passam, seja erodindo ou deposi-
tando materiais pelo curso da água.

Bacias de drenagem
Em uma determinada extensão de terreno, as várias nascen-
tes originam córregos, que, por sua vez, juntam-se e formam um
rio, que pode, novamente, receber novos afluentes, aumentando
ainda mais seu volume.
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 99

A extensão territorial que drena um canal ou uma rede de


canais para uma saída comum é conhecida como bacia de drena-
gem. Ela é limitada pelo divisor topográfico e a saída comum de
seus canais é denominada exutório. Observe a Figura 1 para com-
preender sua formação.

Fonte: (KARMANN, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 1 Bacia de drenagem padrão.

Na área da bacia, consideram-se as precipitações como en-


tradas, e a evaporação, a evapotranspiração e a vazão do canal na
desembocadura como saídas.

6. CLASSIFICAÇÃO DOS RIOS


Riccomini et al (2001) afirmam que as classificações dos rios mais
comuns tem como base o padrão de drenagem e o seu comportamen-
to em relação ao substrato, bem como a morfologia dos canais.

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100 © Hidrogeografia

Padrão de drenagem
De acordo com o tipo de rocha e as estruturas geológicas
presentes em determinada bacia hidrográfica, há uma diversifica-
ção no padrão de drenagem, que pode ser:
1) Dendrítico: é o padrão mais comum e assemelha-se aos
galhos de uma árvore.
2) Paralelo: os canais estão dispostos paralelamente entre
si.
3) Radial: a drenagem distribui-se para todas as direções a
partir de um ponto central.
4) Treliça: a drenagem exibe uma planta retangular, mas
com seus tributários paralelos entre si.
A Figura 2 apresenta os principais tipos de drenagem fluvial.
Acompanhe:

DENDRÍTICO PARALELO

RADIAL TRELIÇA

Fonte: (SKINNER; PORTER, 1992). Adaptado pelo autor.


Figura 2 Principais tipos de padrões de drenagem fluvial.
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 101

Comportamento das drenagens em relação ao substrato


Os rios que se encontram em terrenos compostos por rochas
sedimentares são classificados em:
• Consequentes: correm em concordância com o mergulho
das camadas.
• Subsequentes: possuem o curso controlado por falhas no
substrato.
• Obsequentes: possuem fluxo em sentido oposto à decli-
vidade das camadas.
Já os instalados em terrenos compostos por rochas cristali-
nas podem ser:
• Antecedentes: entalham seu curso de maneira rápida
após um processo tectônico.
• Superimpostos: não possuem influência das estruturas
do embasamento do terreno.

Morfologia dos canais fluviais


A morfologia dos canais fluviais dá-se por meio de fatores in-
trínsecos e extrínsecos à bacia de drenagem. Os fatores inerentes à
bacia são, entre outros, a carga de sedimentos transportados, a lar-
gura e a profundidade do canal, a rugosidade do leito e a cobertura
vegetal. Já os não inerentes são os fatores climáticos e os geológicos.
Os rios podem ser classificados de diversas maneiras. A mor-
fométrica é a que leva em conta a forma e a estrutura dos canais.

Parâmetros morfométricos
Há quatro padrões básicos de canais (Figura 3):
1) Retilíneo: possui curso praticamente em linha reta e
ocorre em pequenos segmentos do rio.
2) Meandrante: possui curso sinuoso, geralmente de cli-
ma mais úmido. Com o tempo, os meandros podem ser
abandonados, podendo formar lagoas ou pântanos.

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102 © Hidrogeografia

3) Entrelaçados: são aqueles que apresentam múltiplos ca-


nais rasos interligados entre si e separados por barras de
areia e cascalho.
4) Anastomosado: são sinuosos e dependem fortemente
da ação da vegetação para a fixação de suas margens.

Fonte: (RICCOMINI, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 3 Padrões morfométricos de canais fluviais.

Regimes de transporte de carga


Em climas mais úmidos e com cobertura vegetal mais abun-
dante, o nível freático é menos profundo e há transporte mais efe-
tivo das partículas mais finas, já que as mais grosseiras ficaram
retidas. Entretanto, em climas mais secos, o nível freático é mais
profundo e, portanto, há maior infiltração de água no fundo. Por
isso, os rios tendem a perder rapidamente a energia de transporte,
pois há deposição de sedimento próximo à cabeceira.
Os rios podem, também, ser classificados de acordo com a
constância do escoamento:
• Perene: possui curso permanente, recorrente.
• Intermitente: possui o fluxo interrompido por alguns pe-
ríodos de tempo.
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 103

• Efêmero: é aquele que ocorre somente por alguns dias,


geralmente por causa de algum fator como a precipitação
ou o degelo.
Vejamos, a seguir, outras terminologias utilizadas:
1) Jusante: denominada pela área mais próxima da foz em
relação à outra.
2) Montante: denominada pela área mais próxima da nas-
cente em relação à outra.
3) Rio efluente: é o rio que aumenta de volume conforme há
entrada de água subterrânea. Ocorre com mais frequência
em regiões mais úmidas, e é constatado quando a superfí-
cie do curso de água situa-se abaixo do nível freático.
4) Rio influente: é o rio cujas águas escoam para o subsolo.
Ocorre, geralmente, em regiões mais secas e é verificado
quando a superfície do curso de água situa-se acima do
nível freático.
A Figura 4 ilustra o rio fluente e o rio influente. Vejamos.

Fonte: (KARMANN, 2001). Adaptado pelo autor.


Figura 4 Rios efluentes e influentes conforme características regionais climáticas e
hidrológicas.

7. REGIMES FLUVIAIS
O regime fluvial varia de acordo com determinadas condi-
ções e em determinados ritmos, sofrendo influência dos fatores
climáticos e dos físicos.
Quanto aos fatores climáticos, sabemos que estes influenciam nos
períodos de cheia e nos de seca. Já os fatores físicos compreendem:

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104 © Hidrogeografia

1) Natureza das rochas.


2) Cobertura vegetal.
3) Declividade da superfície do solo.
4) Presença ou ausência de glaciações.
5) Aporte de precipitação: chuva, neve ou granizo.
Os rios podem ser subdivididos em quatro categorias básicas:
1) Pluvial: são alimentados pela água da chuva.
2) Nival: originados pelo derretimento da neve.
3) Glaciários: originados pelo derretimento do gelo de al-
tas latitudes.
4) Mistos: originam-se pelo efeito combinado de duas ou
mais modalidades de regime.
Nas bacias de drenagem de regime pluvial, as enchentes coinci-
dem com a estação chuvosa, e a estiagem, com a época das secas. Já
nas bacias em que o regime predominante é o nival ou o glaciário, as
cheias dependem da fusão da neve ou do gelo. Por isso, o período de
seca coincide com o inverno, e a época das cheias, com a primavera
no nival e com o verão nos glaciários, já que a neve passa do estado
sólido para o líquido com uma menor elevação da temperatura.

8. GEOMORFOLOGIA FLUVIAL: OS RIOS COMO AGENͳ


TES MODIFICADORES DE PAISAGEM
Antes de abordarmos os modos de ação dos rios como modi-
ficadores de paisagem, é importante apresentar os fatores físicos
que influenciam o escoamento de um curso d'água. São eles:
1) O uso do solo: regiões desérticas, cobertura vegetal etc.
2) O tipo de solo: textura e estrutura dos grãos.
3) A área e a forma da bacia.
4) A declividade e a elevação da bacia.
5) O tipo da rede de drenagem: grau de ramificação e bi-
furcação da bacia.
6) A densidade da drenagem: relação de número de cursos
d'água pela área da bacia.
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 105

Erosão fluvial
Blij e Muller (1996) classificam a erosão causada pelos rios
de três modos:
• Ação hidráulica ou corrasão: dá-se pelo impacto do fluxo
da água sobre o material, que o desloca no sentido da
corrente.
• Abrasão ou cavitação: refere-se ao intemperismo físico,
no qual a erosão é feita mecanicamente pela corrente flu-
vial, ocasionando o desgaste do leito.
• Corrosão: é a forma de erosão menos comum, na qual os
minerais que compõem a rocha são solubilizados e trans-
portados pela água.
Dependendo do gradiente do terreno em que o rio está loca-
lizado, há maior ação de um ou outro tipo de erosão. É importante
ressaltar que até em um mesmo rio, a erosão pode processar-se de
maneiras diferentes.

Transporte fluvial
O material que sofreu algum dos tipos de erosão é transporta-
do no curso do rio por diferentes maneiras, como tração, suspensão
e solução. A seguir, conheceremos cada uma delas (Figura 5).

Tração
Geralmente, a tração ocorre com partículas de granulome-
tria maior, as quais são transportadas no fundo do rio ou próximo
a ele. O transporte por tração ocorre mais lentamente que o fluxo
de água, podendo ser por rolamento, saltação ou escorregamento.

Suspensão
Esse transporte ocorre quando a turbulência e a velocidade
de transporte são maiores que a velocidade de decantação das par-

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106 © Hidrogeografia

tículas. Em geral, as partículas menores, menos densas e menos es-


féricas são as mais suscetíveis a serem transportadas por suspensão.
Os sedimentos são carregados na mesma velocidade em
que a água caminha enquanto houver turbulência suficiente para
mantê-los suspensos na coluna-d´água. Quando as relações entre
o tamanho, a densidade e a esfericidade das partículas atingem
determinada condição, diz-se que atingem o limite crítico, após o
qual as partículas irão se precipitar. Esse limite geralmente é atin-
gido em trechos de água mais calma, como em lagos.

Solução
Os elementos das rochas que foram solubilizados na água do
rio são transportados por solução. A carga dissolvida é transporta-
da na mesma velocidade da água, e só será depositada se houver
saturação.

Fonte: (BLIJ, 1998). Adaptado pelo autor.


Figura 5 Tipos de transporte fluvial.

Nesse contexto, a título de curiosidade, vale destacar que,


todos os anos, os rios transportam para o Pantanal 50 milhões de
toneladas de sedimento aproximadamente. Apenas um terço des-
sa quantidade é transportada para fora da região, fazendo que a
área alagada seja modificada constantemente.
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 107

Deposição fluvial
A deposição de sedimentos em um rio ocorre conforme é re-
duzida a capacidade (ou energia) fluvial. Essa diminuição pode ser
causada pela redução da declividade do rio ou pelo aumento do
tamanho da carga de sedimento transportado. Por isso, é natural
que a granulometria das partículas depositadas no fundo dos rios
diminua em direção à jusante.
Entre as várias formações originadas pela deposição fluvial,
destacam-se as planícies de inundação, os deltas e os terraços flu-
viais. Vejamos.

Planícies de inundação
São as áreas que bordejam o curso d’água, sendo periodica-
mente inundadas pelas águas de transbordamento do rio. Conheci-
das como várzea, são as formas mais comuns de sedimentação fluvial.
Há algumas formações que são desenvolvidas nesse tipo de
planície, tais como:
• Diques marginais: são saliências alongadas que bordejam
os canais fluviais. Ocorrem quando o fluxo do rio ultrapas-
sa as margens do canal.
• Bacias de inundação: são as partes mais baixas da pla-
nície. São pobremente drenadas e atuam como áreas de
decantação do sedimento mais fino, visto que os mais
grosseiros foram depositados nos diques marginais.

Deltas
São protuberâncias na linha de costa formadas pelo excesso de
sedimentação em relação à erosão, formando locais onde os rios aden-
tram outros corpos-d'água sem perderem sua forma. Com a prograda-
ção do delta em direção ao corpo-d'água, diminui a declividade do curso
do rio, e distributários sucessivos, que, em vista aérea, assemelham-se
a um "pé de galinha", são formados em áreas adjacentes.

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108 © Hidrogeografia

Terraços fluviais
Os terraços fluviais são as planícies de inundação abando-
nadas com o tempo. Esse abandono pode ser consequência de
vários fatores, como, por exemplo, aprofundamento do leito do
rio por movimentação tectônica ou variação climática. Quando se
compõem de material relacionado à antiga planície de inundação,
são denominados terraços aluviais, e, quando são esculpidos por
rochas, recebem o nome de terraços rochosos.
Você conhece locais que foram fortemente esculpidos por
rios? Caso conheça, tente imaginar como esse ambiente era antes
da ação do rio e como ele foi sendo modificado ao longo do tempo.

9. OUTRAS MASSASͳD’ÁGUA SUPERFICIAIS


Além dos rios e das vertentes, grandes porções de água po-
dem estar acumuladas em determinadas regiões do planeta. De
acordo com a sua origem, o seu tamanho, o seu estado e outras
características, essas porções podem ser classificadas em diversos
tipos de massas-d’água superficiais, como veremos a seguir.

Lagos
São massas-d'água estagnadas de origem natural e com vo-
lume variável. Situados em depressões da superfície da Terra, pos-
suem uma área que varia de alguns metros a centenas de quilôme-
tros quadrados. A flutuação do nível dos lagos dá-se em função do
balanço hídrico, que compreende a ação combinada da precipita-
ção e da evaporação.
A classificação mais usual dos lagos baseia-se em sua origem
e, assim, eles podem ser:
1) Tectônicos: acumulação de água por causa de deforma-
ções nas camadas geológicas.
2) Vulcânicos: as águas acumulam-se em crateras de vul-
cões extintos.
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 109

3) Residuais: correspondem a antigos mares.


4) Depressivos: acumulação da água nas depressões de um
terreno.
5) Artificiais: acúmulo de água em decorrência da ação hu-
mana.
6) Misto: dá-se pela combinação de dois ou mais fatores
(Figura 6).
Além disso, os lagos podem ter origem:
• Pluvial: é o lago tradicional, originado pela água da chuva.
• Fluvial: é o lago formado no leito de um rio. Suas águas
não são completamente paradas e, assim, podem apre-
sentar fracas correntes.

Figura 6 Lago Baikal, Rússia, um exemplo de lago pluvial misto.

Lagoas
Em geral, as lagoas (Figura 7) são lagos de menores dimen-
sões ou menor profundidade. Para elencá-los, pode-se adotar a
mesma classificação e origem dos lagos.

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110 © Hidrogeografia

Figura 7 Lagoa Azul, Brasil.

Lagunas
As lagunas (Figura 8) são massas de água alongadas que se
localizam paralelamente ao litoral e possuem comunicação com o
mar por um pequeno canal.
As correntes costeiras não chegam a influenciar, significati-
vamente, a dinâmica dentro da laguna. Em seu interior, a circula-
ção ocorre por meio de correntes induzidas pelo vento, que escul-
pem flechas nas bordas da laguna. Se essas flechas forem oblíquas
em relação ao desenvolvimento da laguna, serão formadas bacias
arredondadas, orientadas de acordo com a laguna original.

Figura 8 Laguna Verde, Bolívia.


© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 111

Estuário
É a porção do rio que se encontra em contato com o mar e
que, dessa forma, sofre influência da maré e da corrente fluvial. A
corrente fluvial, que depende da velocidade em que se movimen-
ta, é contraposta pela força da maré enchente; por isso, é comum
a penetração das águas marinhas ao longo do canal fluvial. Como
a água do mar é mais densa, a tendência é que a água doce se
localize sobre a água salgada. Pode, também, ocorrer a mistura
nessa interface.
Observe um exemplo de estuário na Figura 9.

Figura 9 Estuário de Cubatão, Brasil.

Geleira
A geleira é uma grande massa de gelo que se acumula em
camadas compactadas de neve. Uma vez que se origina em locais
com temperaturas muito baixas, existe nas regiões polares ou no
topo de algumas montanhas das regiões tropicais. As geleiras são
o maior reservatório de água doce do planeta (veja Figura 10).

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112 © Hidrogeografia

Fonte: acervo pessoal do autor.


Figura 10 Geleiras Stenhouse (a esquerda) e Ajax (a direita).

10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


1) Pesquise na internet o mapa hidrográfico do Brasil e ob-
serve a malha de cursos d’ água superficial. Em seguida,
analise, atentamente, sua relação com a topografia do
terreno. É possível deduzir como estão distribuídas as
bacias de drenagem?
2) Reflita sobre o modo que a declividade do terreno e a
quantidade de sedimento presente no rio podem gerar
um ou outro padrão de drenagem. Qual é o fator que
você considera mais relevante na formação morfométri-
ca do canal?
3) Procure em um atlas geográfico um mapa da topografia
brasileira e outro com as bacias de drenagem. Você con-
segue observar a relação entre os limites de uma bacia e
a topografia do local?
4) Qual é a relação existente entre os padrões de classifica-
ção e a geomorfologia dos rios com os períodos de alta
e baixa precipitação? Em outras palavras, como os pa-
drões, a morfologia e o comportamento das drenagens,
bem como os processos de erosão, transporte e depo-
sição são influenciados de acordo com a quantidade de
precipitação?
© U5 - Escoamento em Vertentes e Rios 113

11. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, conhecemos as características dos cursos d’
água pelos continentes e os seus meios de modificação das paisa-
gens.
Já a próxima unidade, nos auxiliará na identificação dos cor-
pos hídricos brasileiros superficiais, subterrâneos ou oceânicos.
Até lá!

12. EͳREFERÊNCIAS
Lista de figuras
Figura 6 – Lago Baikal, Rússia: disponível em: <http://meumundosustentavel.com>.
Acesso em: 25 maio 2009.
Figura 7 – Lagoa Azul, Brasil: disponível em: <http://www.bonitobrazil.com.br>. Acesso
em: 25 maio 2009.
Figura 8 – Laguna Verde, Bolívia: disponível em: <http://www.tecepe.com.br>. Acesso
em: 25 maio 2009.
Figura 9 – Estuário de Cubatão, Brasil: disponível em: <http://www.ceo.org.br>. Acesso
em: 25 maio 2009.

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BLIJ, H. J. de; PETER, O. M. Physical geography of the global environment. New York: John
Wiley & Sons, 1998.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE ÁGUAS E ENERGIA ELÉTRICA (DNAEE). Plano Nacional de
Recursos Hídricos. Brasil, 1985.
ESTEVES, F. A. Fundamentos de Limnologia. Rio de Janeiro: Interciência/FINEP, 1988.
KARMANN, I. Ciclo da água: água subterrânea e sua ação geológica. In: TEIXEIRA, W. et al.
(Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2001.
POPP, J. H. Geologia geral. Rio de Janeiro: EDITOR, 1987.
REBOUÇAS, A. C. Panorama da água doce no Brasil, Rio 92: cinco anos depois. São Paulo:
USP/Acad. Bras. Ci., 1997.
REBOUÇAS, A. C.; BRAGA, B.; TUNDISI, J. G. (Orgs.). Águas doces no Brasil. São Paulo:
Escrituras, 1999.
RICCOMINI, C.; GIANNINI, P. C. F.; MANCINI, F. Rios e processos aluviais. In: TEIXEIRA, W.
et al. (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2001.

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114 © Hidrogeografia

SKINNER, B. J.; PORTER, S. C. The dynamic Earth: an introduction to physical geography.


New York: John Wiley & Sons, 1992.
SUGUIO, K.; BIGARELLA, J. J. Ambientes fluviais. Florianópolis: UFSC/UFPR, 1990.
EAD
Hidrologia do Brasil

1. OBJETIVOS
• Conhecer e enumerar os reservatórios hídricos brasilei-
ros.
• Distinguir as diferentes massas de água brasileiras.
• Compreender os principais aspectos sobre os reservató-
rios subterrâneos.

2. CONTEÚDOS
• Bacias hidrográficas brasileiras.
• Outras águas superficiais.
• Águas subterrâneas.
116 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) É importante que você, no decorrer desta unidade, apro-
funde seus estudos acerca das bacias brasileiras pesqui-
sando quais são as importantes cidades que dependem
delas, como é feito o abastecimento e como é a preo-
cupação e a importância da preservação da bacia pela
população dessas localidades.
2) Pesquise outros tipos de corpos aquáticos que ocorrem na
superfície do nosso país e que não são expostos nesta uni-
dade e constate a importância destes para a sociedade.
3) Para saber mais sobre o Rio São Francisco, acesse o site do
Ministério da Integração Nacional, disponível em: <http://
www.integracao.gov.br/saofrancisco/rio/index.asp>

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Após estudarmos, nas unidades anteriores, as características
e a dinâmica da água pelos compartimentos do meio ambiente,
vamos, agora, conhecer os corpos de água presentes em território
brasileiro.
Além disso, vamos identificar e classificar os estoques de
água presentes na superfície ou no subsolo do Brasil.
Desejamos a você bons estudos!

5. BACIAS HIDROGRÁFICAS BRASILEIRAS


O Brasil está localizado na zona tropical e apresenta, por cau-
sa de sua extensão latitudinal, uma grande diversidade de ecossis-
temas. Possui, também, diversificação climática, com cerca de 90%
do seu território localizado em áreas úmidas, as quais recebem
entre 1.000 e 3.000 milímetros de água ao ano, e menos de 10%
da sua área em zona semiárida. A interação desse padrão climáti-
co com as condições morfológicas e geológicas do país resulta em
uma das mais extensas redes de rios permanentes do mundo.
© U6 - Hidrologia do Brasil 117

Segundo a classificação da disponibilidade de recursos hí-


dricos, delineada pelas Nações Unidas no ano de 1977, o Brasil é
um país considerado rico em disponibilidade de água, já que conta
com 34.000 metros cúbicos desse recurso natural por habitante
ao ano.
Apesar de as demandas hídricas do país estarem longe das
áreas de grande disponibilidade, a população que sempre viveu
em suas margens fundamentou sua economia na exploração do
potencial hídrico na agricultura e na pecuária. Na contempora-
neidade, entretanto, a ocupação do meio rural tem ocasionado
o desmatamento das bacias hidrográficas, causando erosão das
margens, redução das reservas de água do solo e queda da sua
produtividade natural. Essa escassez de recursos em determinadas
áreas potencializou o êxodo rural e, consequentemente, ocasio-
nou a degradação dos recursos naturais em meios urbanos, como,
por exemplo, o lançamento de lixo, esgoto não tratado nos corpos
d’água utilizados para abastecimento, entre outros.
Cerca de 80% de toda a produção hídrica nacional é prove-
niente de três unidades fisiográficas, que cobrem mais de 70% do
território nacional: a Bacia do Amazonas, a do São Francisco e a do
Paraná.
Em se tratando dos divisores topográficos que limitam as
bacias hidrográficas brasileiras, podemos citar os três mais impor-
tantes:
• A Cordilheira dos Andes, a mais extensa cadeia de mon-
tanhas, localizada na costa ocidental da América do Sul.
• O Planalto das Guianas, uma formação geológica localiza-
da ao norte da Bacia Amazônica.
• O Planalto Brasileiro, que ocupa a maior parte do territó-
rio nacional.
De acordo com a classificação da Agência Nacional de Ener-
gia Elétrica (ANEEL), há oito principais bacias hidrográficas no Bra-

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118 © Hidrogeografia

sil: Bacia Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Norte e Nor-


deste, São Francisco, Paraná e Paraguai, Atlântico Leste, Atlântico
Sul e Sudeste e Uruguai.
Acompanhe pela Figura 1 o mapa com a disposição dessas
bacias.

Figura 1 Bacias hidrográficas brasileiras.

6. BACIA AMAZÔNICA
A Bacia Amazônica é a maior bacia de drenagem do mundo,
cuja área de 6,1 milhões de km2 corresponde a cerca de 47% do ter-
ritório nacional. Envolve, além do Brasil, outros seis países vizinhos:
Bolívia, Peru, Colômbia, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.
Durante o período de baixo nível da água, a região da várzea
é seca, com apenas alguns lagos remanescentes. Já nos períodos
© U6 - Hidrologia do Brasil 119

de cheia, todo o sistema sofre inundação, influenciando no alto


transporte e na deposição de sedimentos, bem como na sucessão
da vegetação terrestre. Em geral, apresentam grande potencial hi-
drelétrico, visto que apresentam uma grande energia ao longo do
seu curso.
Além disso, os rios que fazem parte da Bacia Amazônica são
muito importantes como hidrovias para o transporte dos produtos
a serem comercializados e das populações que vivem em suas ad-
jacências.

Rio Amazonas
O rio Amazonas nasce em território peruano, a cerca de
5.000 metros de altitude, na cordilheira de Santa Ana, e entra no
Brasil na confluência com o rio Javari. Depois, é chamado de Soli-
mões, e somente após a confluência com o rio Negro é denomina-
do rio Amazonas.
É o principal curso-d’água da Bacia Amazônica e apresenta
uma largura média que varia entre 4 e 5 km, podendo chegar, in-
clusive, a 50 km. Possui uma extensão de 6.450 km e, dessa forma,
é o rio mais extenso do mundo. Por se localizar em região de pouca
declividade, a velocidade das suas águas é pequena.
Como seu curso ocorre praticamente paralelo ao Equador,
seu regime é tido por dois máximos de pluviosidade.

Rio Negro
O rio Negro é o principal tributário do rio Solimões-Amazo-
nas, com uma extensão de 1.500 km e uma área de bacia que ocu-
pa 10% da Bacia Amazônica.
Suas águas de coloração preta apresentam pH ligeiramente
ácido e baixa produtividade primária. Uma de suas principais ca-
racterísticas é a floresta inundada, adaptada para sobreviver gran-
des períodos com parte das raízes e dos troncos submersos.

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120 © Hidrogeografia

7. BACIA DO SÃO FRANCISCO


A Bacia do São Francisco localiza-se inteiramente em terras
brasileiras, estendendo-se por uma área de 630.000 km2. Possui
um total de cem afluentes e atravessa os estados de Alagoas, Per-
nambuco, Bahia e Minas Gerais.

Rio São Francisco


O rio São Francisco é o mais importante dessa bacia. Possui
nascente a 1.600 km de altitude, na Serra da Canastra, em Minas
Gerais, e, em sua extensão de 2.700 km, apresenta grande poten-
cial hidrelétrico, alimentando as usinas de Três Marias, Paulo Afon-
so e Sobradinho.
Ele é um dos rios brasileiros mais importantes do ponto de
vista social, econômico e ecológico, pois desloca-se por grande
parte do semiárido nordestino. Assim, é uma grande alternativa
de desenvolvimento regional pelo aproveitamento hidrelétrico e
pelo suprimento de água, pesca, irrigação e navegação.

Transposição do Rio São Francisco –––––––––––––––––––––


No rio São Francisco, cogitava-se, há muito tempo, a possibilidade de se cons-
truir canais para que parte de seu curso fosse desviado para estados brasileiros
atingidos pela escassez de água, como Ceará, Pernambuco e Paraíba. Grandes
debates foram travados entre órgãos públicos e ambientalistas, que questiona-
vam a possibilidade de ocorrer sérios problemas no rio caso a transposição fosse
feita. Entretanto, no ano de 2007, foram iniciadas as obras de transposição do rio
São Francisco, mesmo com toda a polêmica que envolve o assunto.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

8. OUTRAS BACIAS
A seguir, apresentaremos brevemente outras importantes
bacias hidrográficas.

Bacia do Tocantins-Araguaia
Os dois principais rios dessa bacia hidrográfica, o Tocantins e
o Araguaia, unem-se, formando o baixo Tocantins, que desemboca
© U6 - Hidrologia do Brasil 121

no rio Pará, pertencente à Bacia Amazônica. A Bacia do rio Tocantins


possui uma área de drenagem de 770.000 km2 e mais de 90% desta
está localizada nos estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Pará.

Bacia do Atlântico Norte e Nordeste


Essa bacia possui uma área de drenagem de 995.000 km2
que abrange os estados do Amapá, do Maranhão, do Rio Grande
do Norte e do Ceará, além de parte da Paraíba, Pernambuco, Pará
e Alagoas. O trecho norte compreende os rios que deságuam na
Bacia Amazônica, e o trecho nordeste, aqueles que deságuam no
Oceano Atlântico.

Bacia do Atlântico Leste


A Bacia do Atlântico Leste possui uma área de drenagem de
570.000 km2, e abrange os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio
de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe.

Bacia dos Rios Paraná e Paraguai


A porção do Paraná, que possui 2 milhões de km2, é mais
extensa que a do Paraguai. Uma de suas maiores características
é a sua abundância de água; por isso, é muito explorada pelos re-
servatórios para a produção de hidroeletricidade, bem como pela
recreação, pelo turismo, pela pesca e pela aquacultura, servindo
como hidrovia no transporte de carga e beneficiando a agricultura,
feita em suas margens.
O rio Paraná flui no sentido norte-sul por mais de 4.000 km
e, ao longo de seu curso, apresenta grandes planícies de inunda-
ção com lagos, canais e ilhas fluviais. Já o rio Paraguai conta com
mais de 2.000 km de extensão, dos quais metade da porção para-
guaia da bacia se encontra no território nacional. Por ser um rio de
planície, é bastante navegável.
É uma bacia muito importante para a América do Sul, visto
que se localiza na parte mais populosa desse território, especial-

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122 © Hidrogeografia

mente sua porção superior, que envolve a capital de São Paulo e a


bacia do rio Tietê.

Bacia do Uruguai
Essa bacia tem 390.000 km2, dos quais 180.000 km2 estão
localizados em território nacional, nos estados de Santa Catarina e
Rio Grande do Sul. Os rios Canoas e Pelotas, que possuem cerca de
1.500 km de extensão, marcam as divisas entre Brasil, Argentina
e Uruguai, sendo pouco utilizados para navegação e geração de
energia.

Bacia do Atlântico Sul e Sudeste


Essa bacia possui uma área de drenagem de 225.000 km2 e
ocupa os estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Pa-
raná e de São Paulo.

9. OUTRAS ÁGUAS SUPERFICIAIS


O Brasil conta com muitos rios e os mais importantes já fo-
ram descritos anteriormente nesta unidade. Em geral, são rios
perenes com drenagem exorreica, ou seja, nascem no continente
e deságuam no oceano, como é o caso dos rios Amazonas e São
Francisco. Dessa forma, poucos apresentam drenagem endorreica,
que são aqueles que se dirigem para o interior do país, como o rio
Tietê e o rio Paraná.
No país, há predomínio dos rios com foz do tipo estuário,
com exceção do rio Amazonas, que tem foz do tipo misto, e de
outros rios, como o Paraíba do Sul, que possui foz do tipo delta.

Lagos
O Brasil apresenta poucos lagos, os quais são de apenas dois
tipos:
© U6 - Hidrologia do Brasil 123

• Lagos de barragem: são comuns na Amazônia e no Panta-


nal Mato-grossense.
• Lagos de erosão: ocorrem, em geral, no Planalto Brasileiro.

Áreas úmidas, pântanos e mangues


A América do Sul possui muitas áreas de transição entre água
e terra, como lagos rasos permanentes ou temporários, brejos,
pântanos, manguezais, restingas e regiões de várzea. Essas áreas
têm 1.000.000 km2 de extensão somente no Brasil.
As áreas úmidas são sistemas complexos que abrigam uma
grande variedade de espécies e, por isso, contribuem para a bio-
diversidade ambiental. São essenciais ao ciclo hidrológico, pois
ampliam a capacidade de retenção de água regionalmente e pro-
movem a homogeneização da distribuição de águas pelos conti-
nentes.
Margalef (1997) ressalta as importantes funções dos siste-
mas de transição:
• Possuem alta capacidade de denitrificação e, portanto,
funcionam como sistemas de redução da concentração
de nitrogênio.
• São regiões de maior biodiversidade.
• São núcleos ou centros ativos de evolução.
O conceito de áreas úmidas surgiu na Convenção de Ram-
sar, um tratado intergovernamental celebrado no Irã em 1971, no
qual o Brasil é signatário. São consideradas áreas úmidas segundo
a Convenção: áreas de pântanos, charcos e turfas, além dos corpos
de águas naturais ou artificiais, permanentes ou temporárias, com
água estagnada ou corrente e do tipo doce, salobra ou salgada,
incluindo os estuários, as planícies costeiras inundáveis, as ilhas e
as áreas marinhas costeiras com menos de seis metros de profun-
didade na maré baixa.

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124 © Hidrogeografia

Segundo essa definição, o Brasil possui oito áreas, classifica-


das como Sítios Ramsar. São elas:
1) Pantanal Mato-grossense, no Mato Grosso.
2) Estação Ecológica Mamirauá, no Amazonas.
3) Parque Nacional do Araguaia, em Tocantins.
4) Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Mara-
nhenses, no Maranhão.
5) Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense, no
Maranhão.
6) Parque Estadual Marinho do Parcel de Manoel Luz, no
Maranhão.
7) Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul.
8) Reserva Particular do Patrimônio Natural SESC Pantanal,
no Mato Grosso.

Pantanal ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
O Pantanal é uma grande área alagadiça localizada no centro da América do
Sul, na cabeceira da Bacia do Paraná, composta por um complexo de 150.000
km2 de lagos rasos, temporários e permanentes, depressões inundadas e muitos
canais, rios e sistemas alagados. Boa parte das áreas inundadas permanece
seca durante o período de águas baixas. O material que se decompõe no solo
nos períodos de seca contribui maciçamente para o enriquecimento da água de
inundação durante o período de cheias.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

10. ÁGUAS SUBTERRÂNEAS


De acordo com Hirata (2001), existe, pelos 8,5 milhões de
km2 do território nacional, um volume superior a 110.000 km3 de
água no subsolo. A província hidrogeológica do Paraná é a que
apresenta o maior volume de água do Brasil, com mais de 50.000
km3 de água, seguida pelas províncias do Amazonas, da Paraíba e
do Centro Oeste, com 32.500 km3, 17.500 km3 e 10.000 km3 res-
pectivamente.
No Brasil, cerca de 40% da população faz uso dos recursos hí-
dricos subterrâneos, pois eles possuem qualidade adequada para
consumo e sua extração é de baixo custo. No entanto, esse núme-
© U6 - Hidrologia do Brasil 125

ro ainda não é expressivo se considerarmos que, na Europa, 70%


da população são abastecidos por águas subterrâneas.

Aquífero Guarani –––––––––––––––––––––––––––––––––––––


O aquífero Guarani (Figura 2) é a denominação do maior reservatório subter-
râneo de água doce do mundo. Possui estimados 45.000 km3 e estende-se por
uma área de 1,2 milhão de km2 no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai.
Cerca de 70% de sua extensão está em território brasileiro e, por isso, é conside-
rado um precioso reservatório para o abastecimento nacional de água.

Figura 2 Sistema Aquífero Guarani.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Antes da vigência da Constituição Federal de 1988, a lei que


regulamentava a extração de água subterrânea era o Código de

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126 © Hidrogeografia

Águas de 1934, que dispunha que o dono de qualquer terreno po-


deria se apropriar da água existente no subsolo de sua proprieda-
de desde que isso não acarretasse no desvio do seu curso natural
ou prejudicasse os aproveitamentos existentes. Após a aprovação
da Constituição, a água passou a ser um bem de domínio dos esta-
dos, possibilitando a correta gestão dessas reservas.

11. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


1) O que você acha da transposição do Rio São Francisco? Quais são os prós e
os contras dessa obra? Como isto pode afetar o rio?

2) Associe a qualidade de vida da população de cada região brasileira (Norte,


Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul) à abundância de recursos hídricos
presentes nesses locais. Preliminarmente, quais considerações pode fazer?

3) Em sua opinião, qual seria a melhor maneira para cobrar pelo uso da água?

12. CONSIDERAÇÕES
Ao terminar esta unidade, temos condições de conhecer,
enumerar e classificar os reservatórios de água brasileiros e, com
os conhecimentos adquiridos ao longo das seis unidades, pode-
mos, também, explicar e interpretar os processos das águas pelo
território brasileiro.
Até a próxima!

13. EͳREFERÊNCIAS
Lista de figuras
Figura 1 – Bacias hidrográficas brasileiras: disponível em: <http://www.aneel.gov.br/
area.cfm?id_area=104>. Acesso em: 23 jan. 2009.
Figura 2 – Sistema Aquífero Guarani: disponível em: <http://www.ana.gov.br>. Acesso em:
25 maio 2009.
© U6 - Hidrologia do Brasil 127

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRASIL. Províncias hidrogeológicas do Brasil. Brasília, DNPM/CPRM, 1983.
HIRATA, R. Recursos Hídricos. In: TEIXEIRA, W. et al. (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo:
Oficina de Textos, 2001.
MARGALEF, R. Our biosphere ecology institute. Germany: Oldendorf/Luke, 1997.

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EAD
Proteção Legal dos
Recursos Hídricos
7

1. OBJETIVOS
• Conhecer as principais formas de proteção dos recursos
hídricos.
• Distinguir os diferentes processos de tutela do meio am-
biente.

2. CONTEÚDOS
• Conceitos e princípios norteadores.
• Tutela dos recursos aquáticos.
• Processo de tutela.
• Política Nacional de Recursos Hídricos.
130 © Hidrogeografia

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Para o estudo desta unidade, tenha em mãos um dicio-
nário de termos jurídicos para consulta.
2) Você conhece algum meio eficaz de proteção para um
recurso hídrico que saiba que está sendo degradado?
Nesta unidade, você conhecerá os meios de proteção do
meio ambiente e verá quais as atitudes que pode tomar
para protegê-lo efetivamente. Certamente, você preci-
sará dessa informação em algum momento de sua vida.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, veremos uma breve introdução aos meios de
proteção dos recursos hídricos. Trata-se de um assunto relativamen-
te esquecido das fontes de estudo da Hidrologia, mas de grande im-
portância, pois é o instrumento de defesa dos recursos naturais que
estudamos ao longo deste Caderno de Referência de Conteúdo.
No decorrer desta unidade, você poderá notar que, na maior
parte das vezes, em vez do termo específico "recursos hídricos",
serão adotados termos mais abrangentes, como “meio ambiente”
e/ou “recursos naturais”. Isto foi feito propositalmente, já que tais
tutelas aqui abordadas se referem à grande abrangência do "meio
ambiente" e não apenas à proteção dos "recursos hídricos”.
Inicialmente, estudaremos alguns conceitos que servirão de
alicerce ao processo de proteção do meio ambiente e, posterior-
mente, conheceremos as principais formas do processo de tutela.
Vamos lá?

5. CONCEITOS E PRINCÍPIOS NORTEADORES


O termo "meio ambiente" abrange todas as suas formas: na-
tural, artificial, cultural e do trabalho, e não apenas o natural (como
rios, florestas, animais etc.), como comumente imaginamos.
© U7 - Proteção Legal dos Recursos Hídricos 131

Os recursos hídricos fazem parte do meio ambiente natural,


cuja definição legal é encontrada no artigo 3º da Lei 6938/81: "É
o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem
física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
todas as suas formas".
Por ser integrante do meio ambiente, o recurso hídrico é con-
siderado um direito difuso. Isto quer dizer que esse recurso pos-
sui como titulares, de uso ou gozo, sujeitos indeterminados. Por
exemplo, todos têm o direito a respirar um ar puro. Isto acarreta
que a disponibilidade e a qualidade dos recursos hídricos do nosso
planeta devem ser preservadas, independentemente de barreiras
de espaço e tempo: os sujeitos que usufruirão desse recurso po-
dem ser de qualquer lugar do planeta e de qualquer época.
A preservação da qualidade das águas é muito importante,
pois, como vimos anteriormente, o homem a utiliza em todos os
processos e em todas as fases de sua vida. Quanto à degradação
desse recurso, surgem dois princípios fundamentais do direito do
meio ambiente: poluidor-pagador e precaução-prevenção. A se-
guir, vejamos cada um destes.
O princípio do poluidor-pagador determina que o sujeito que
poluir deve arcar com os custos de reparação do dano gerado, além
da possibilidade de sofrer punições criminais e administrativas.
Já o princípio da precaução-prevenção significa que se deve
evitar a ocorrência do dano ambiental, uma vez que é difícil resta-
belecer o ambiente como era antes de sua degradação.
Nesse contexto, vale destacar que prevenção e precaução
têm significados diferentes. Prevenção é quando se tem certeza
científica sobre o dano ambiental, e precaução é quando ainda
não se tem a certeza científica sobre a possibilidade do dano.
Podemos citar, também, como importante princípio da pro-
teção das águas, a cooperação entre os povos. Como as agressões
ambientais não ficam restritas ao limite territorial (seja ele qual for),
esse princípio objetiva uma maior composição das forças sociais.

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132 © Hidrogeografia

Agora que você já conheceu o conceito e os princípios da


proteção dos recursos hídricos, vamos estudar as diferentes for-
mas de tutela elencadas na legislação brasileira.

6. TUTELA DOS RECURSOS AQUÁTICOS


Segundo o parágrafo 3º do artigo 225, há três esferas de pro-
teção do meio ambiente: civil, administrativa e penal. Vejamos, a
seguir, do que trata cada uma delas. Acompanhe.

Tutela Civil
A responsabilidade civil está relacionada ao dever de repa-
rar, economicamente, o dano causado ao recurso ambiental ou a
terceiros, independentemente da existência de culpa por parte do
agente causador. Qualquer agente que, de alguma maneira, con-
tribuir para sua ocorrência, poderá ser penalizado.
O dano ambiental é de difícil valoração na medida em que há
dificuldade em se estabelecer parâmetros econômicos que corres-
pondam ao dano. Por isso, nem sempre é possível fazer o cálculo
do dano causado.

Tutela Penal
A tutela ambiental tem extrema relevância sob o aspecto pe-
nal, pois o meio ambiente é bem indisponível e essencial à sadia
qualidade de vida.
Os crimes contra a flora, a fauna, o ordenamento urba-
no, o patrimônio cultural, dentre outros, são dispostos na Lei nº
9605/98, conhecida como “Lei de Crimes Ambientais”, e a punição
que essa lei determina pode ser não somente sobre a ação, mas
também sobre a omissão.
© U7 - Proteção Legal dos Recursos Hídricos 133

Omissão de Crimes Ambientais –––––––––––––––––––––––––


A omissão é o ato de se conhecer a conduta criminosa e não prover meios para
que sua prática não tivesse ocorrido. Por exemplo: um agente tem conhecimento
da prática de determinado crime ambiental e não denuncia ao Ministério Público.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
As penas para o agente causador do dano ambiental, quando
este se tratar de pessoa física, são a multa, a pena restritiva de direi-
tos e a pena privativa de liberdade. Já quando o agente for pessoa
jurídica, como não é possível ter sua liberdade restringida, este po-
derá ser punido com prestação de serviços à comunidade, custeio
de projetos ambientais, manutenção de espaços públicos etc.

Tutela Administrativa
Os órgãos públicos detêm o poder de polícia administrativa,
que consiste na possibilidade de exercer fiscalização sobre todas as
atividades e sobre todos os bens que afetam ou que possam afetar
a coletividade. A responsabilidade administrativa fundamenta-se
na capacidade que o Poder Público tem de impor condutas aos
administrados que porventura causem algum dano.
A tutela administrativa está estabelecida nos artigos 70 a
76 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98), atualmente regu-
lamentada pelo Decreto 6514/08. O caput do artigo 70 define a
infração administrativa ambiental como: "Toda ação ou omissão
que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e
recuperação do meio ambiente".
Por um lado, sanções civis e penais são aplicáveis no Poder
Judiciário; por outro, as penalidades administrativas são impostas
pelos próprios órgãos da Administração Direta e Indireta da União,
pelos estados e municípios.

7. PROCESSO DE TUTELA
Neste tópico, conheceremos, especificamente, cada ação
que poderá ser impetrada para a efetivação da tutela jurídica de
um recurso hídrico. Acompanhe.

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134 © Hidrogeografia

Tutela Pré-processual
O parágrafo 6º do artigo 5º da Lei 7347/85 dispõe a com-
posição extrajudicial do caso a ser analisado, formalizado em um
documento conhecido como “Termo de Ajustamento de Conduta”
– TAC, o seguinte: “[...] órgãos públicos legitimados poderão tomar
dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às
exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de título
executivo extrajudicial".
O TAC é formalizado entre o órgão público legitimado e o
infrator, no qual este se submete às imposições contidas no do-
cumento. Tais obrigações devem ser bem determinadas, e, caso o
infrator não aceite se ajustar ou cumprir o TAC, a via judicial deve
ser buscada.

Tutela Processual
O ordenamento jurídico brasileiro dispõe que o Ministério
Público da União e o dos Estados são os órgãos legítimos para pro-
por a ação de responsabilidade civil e criminal por danos causados
ao meio ambiente.
A tutela processual pode ser buscada pelos seguintes instru-
mentos:
1) Ação civil pública.
2) Ação popular.
3) Mandado de segurança.
4) Mandado de injunção.
Para que você possa compreender melhor, veja, a seguir,
com maiores detalhes, cada um desses instrumentos.

Ação civil pública


A ação civil pública é o instrumento judicial do qual pode se
valer a defesa de interesses difusos, coletivos e individuais homo-
gêneos, os quais incluem o meio ambiente. Tem natureza conde-
© U7 - Proteção Legal dos Recursos Hídricos 135

natória, podendo ser condenação em dinheiro ou obrigação de fa-


zer ou não fazer, e a sentença nela proferida gera efeitos em todos
os casos que tratam do mesmo assunto.
Está disciplinada pela Lei 7347/85 e é o principal instrumen-
to da tutela ambiental.
Além disso, a ação civil pública pode ser proposta por diver-
sas entidades, tais como:
1) Ministério Público.
2) Defensoria Pública.
3) União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
4) Autarquias, empresas públicas, fundações e sociedades
de economia mista.
5) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
6) Associações constituídas a menos de um ano nos termos
da lei civil, cujo objetivo seja a proteção do meio ambiente.

Ação popular
A ação popular é o meio pelo qual o próprio cidadão pode
comparecer perante o Poder Judiciário para denunciar o ato lesivo
ao meio ambiente.
Portanto, é legítimo, para propor essa ação, o cidadão, que é
a pessoa física no gozo dos direitos políticos.

Mandado de segurança
O mandado de segurança está disposto na Constituição Fe-
deral, no inciso LXIX do artigo 5º, que dispõe que ele poderá ser
concedido para proteger um direito que esteja sofrendo (ou na
iminência de sofrer) uma lesão por ilegalidade ou por abuso de
poder por parte de uma autoridade pública ou agente de pessoa
jurídica no exercício de atribuições públicas.
Por exemplo, a prefeitura de determinada cidade expede
autorização para que uma empresa lance efluentes com níveis de

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136 © Hidrogeografia

contaminantes fora dos padrões legais no principal corpo d´água


do município. O mandado de segurança é o remédio legal para
evitar que tal autorização sofra efeitos, já que tal lançamento acar-
retaria uma lesão ambiental irremediável.

Mandado de injunção
Segundo o inciso LXXI do artigo 5º da Constituição Federal, o
mandado de injunção em matéria ambiental poderá ser proposto
quando a falta de regulamentação de determinado fato ou ato pos-
sibilite um exercício que possa afetar o meio ambiente ecologica-
mente equilibrado, previsto no artigo 225 da Constituição Federal.
Isto porque não é possível imaginar que a sociedade possa fi-
car à mercê da boa vontade dos legisladores para regular certo direi-
to, cuja inércia esteja inviabilizando seu exercício no caso concreto.
No entanto, apesar de ser um recurso possível, o mandado
de injunção praticamente não é utilizado para a matéria ambiental.

8. POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS


ΈPNRHΉ
A principal lei de nosso país, a Constituição Federal de 1988,
é considerada um marco significativo na mudança da concepção
das questões ambientais. Ela possibilitou a criação da Lei nº 9.433,
de 8 de janeiro de 1997. Vejamos, a seguir, maiores detalhes sobre
essa lei.

Princípios da PNRH
O primeiro artigo da lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997,
estabelece os princípios gerais, cujos principais são:
I. a água é um bem de domínio público;
II. a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III. em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídri-
cos é o consumo humano e a dessedentação de animais;
© U7 - Proteção Legal dos Recursos Hídricos 137

IV. a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e con-


tar com a participação do Poder Público, dos usuários e das
comunidades (BRASIL, 1997, s.n.).

Em suma, a água é um bem público valioso, cujo maior obje-


tivo é atender às necessidades humanas em detrimento das apro-
priações privadas. Além disso, a gestão dos recursos hídricos é um
elemento de interesse a todas as pessoas de um território, as quais
em conjunto são capazes de conquistar resultados favoráveis ao
meio ambiente.

Objetivos e Instrumentos da PNRH


A Política Nacional dos Recursos Hídricos tem como objetivo
assegurar a utilização racional e sustentável da água, permitindo a
mais ampla variedade de uso sem que isto comprometa sua qualida-
de e quantidade, seja para a presente, seja para as futuras gerações.
Para conquistar esses objetivos, a lei nº 9.433, de 8 de janei-
ro de 1997, estabelece alguns instrumentos, que serão resumida-
mente expostos a seguir.

Planos de recursos hídricos


São planos diretores que têm por objetivo guiar a implanta-
ção da Política Nacional dos Recursos Hídricos, que irão estabele-
cer a situação dos recursos hídricos e avaliar o aumento da deman-
da pela água no território, bem como as metas de racionalização
de uso, as prioridades de uso e as propostas para a manutenção
sustentável dos recursos.

Enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos


preponderantes do recurso
O enquadramento atual dos corpos de água em classes é de-
finido na Resolução CONAMA nº 357/2005, a qual estudamos na
Unidade 1. Ele permite uma racionalização das prioridades de uso
compatível com a qualidade exigida para cada caso.

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138 © Hidrogeografia

Outorga de direitos de uso dos recursos hídricos


Está entre os principais instrumentos previstos na lei.
Por meio da outorga, o Estado controla a captação e o lança-
mento de efluentes nos corpos de água. Isto impede a apropriação
privada da água, gerando lucro aos seus usuários e transferindo o
ônus da manutenção de sua qualidade para a sociedade.

Cobrança pelo uso dos recursos hídricos


A cobrança pelo uso da água não tem natureza de tributação
pelo poder público, mas, sim, tem o objetivo de reconhecer a água
como um bem econômico, dotado de valor.

Sistema de informação sobre os recursos hídricos


Trata-se da disponibilização de informações sobre os recur-
sos hídricos à sociedade, principal beneficiária de seu uso.
A administração dos recursos hídricos é feita em três níveis
pelo Conselho Nacional dos Recursos Hídricos, pelos Comitês de
Bacias Hidrográficas e pelas Agências de Água, conforme definido
pela lei da PNRH.

9. TEXTO COMPLEMENTAR
A seguir, sugerimos que você faça a leitura de um texto, que
ilustra o panorama do problema da água na cidade de São Paulo.
No decorrer da leitura, é importante que você se atente para
o fato de como a falta de planejamento e o descaso são os primei-
ros passos para o agravamento de problemas sociais nas cidades
em que vivemos.

Consumo e Perda de Água na Cidade de São Paulo ––––––––


Água em São Paulo
A garantia de água nas cidades, onde vive mais da metade da população mun-
dial, é um dos maiores desafios do nosso tempo. Atualmente, 1 bilhão de pessoas
© U7 - Proteção Legal dos Recursos Hídricos 139

não têm acesso a água potável, e nos próximos 25 anos a situação tende a se
agravar, principalmente nas cidades nos chamados países em desenvolvimento.
No Brasil, um dos casos mais graves é o de São Paulo que, apesar de ser a maior
e mais rica cidade do País, já sofre com problemas de falta de água. A região tem
um nível de disponibilidade hídrica por habitante considerado crítico pela ONU.
Para agravar a situação, suas fontes de água – os mananciais – encontram-se
cada vez mais poluídas e os índices de desperdício ainda são muito altos.
Apesar desse quadro, o consumo médio de água na cidade de São Paulo é alto.
Os seus mais de 10 milhões de habitantes consomem em media 221 litros por
dia. Ao mesmo tempo, as redes públicas de abastecimento desperdiçam 30% da
água retirada dos mananciais.

Consumo e perda de água na cidade de São Paulo em 2007


As informações apresentadas a seguir tiveram como base a consulta Série Histó-
rica do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – Ministério
das Cidades), ano de referência 2004. As informações constantes no SNIS são
resultado de consulta e informações cedidas pelas companhias de saneamento
de todo o Brasil.
Para aferição da informação, foi consultada a Sabesp, que auxiliou na elabora-
ção dos cálculos, atualização para o ano de 2007 e aprimoramento das informa-
ções apresentadas.

Produção de água para abastecimento do município de São Paulo


Para abastecer a população residente na cidade de São Paulo, são produzidos
aproximadamente 3,4 bilhões de litros de água por dia (equivalentes a 3,4 mi-
lhões de caixas d’água ou 40 metros cúbicos por segundo).
O cálculo desse volume considera os volumes de água que saem das Estações
de Tratamento de Água que abastecem a cidade. A água é proveniente dos Sis-
temas Cantareira, Guarapiranga/Billings, Rio Claro e Alto Tietê.

Perda de água no município de São Paulo


Conforme dados fornecidos pela Sabesp, a perda de água média no município
de São Paulo é de 30,8% em relação ao volume produzido. A perda equivale a
um volume de água de aproximadamente 1 bilhão de litros de água por dia (1
milhão de caixas d’água por dia ou 12,3 metros cúbicos por segundo).
Esta perda compreende os vazamentos, mas também problemas relacionados a
medição e fraudes.
O que deve ser feito: reduzir perdas.
O que a população pode fazer: informar rapidamente a Sabesp sobre vazamen-
tos na rede, cobrar rapidez no atendimento.

Consumo de água na cidade de São Paulo


O volume de água consumido na cidade de São Paulo é de aproximadamente
2,4 bilhões de litros por dia, incluindo a água que é medida pela empresa e a
água que é retirada de forma clandestina das redes.
Em São Paulo, a população abastecida é de aproximadamente 10,8 milhões de
pessoas, o que resulta em uma média de consumo 221 litros/habitante/dia.
Considerações sobre consumo de água:

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140 © Hidrogeografia

• O consumo de água em São Paulo é alto (o dobro do considerado pelo ONU


como ideal).
• Segundo a ONU, o consumo médio ideal para suprir as necessidades hu-
manas é em torno de 110 litros/habitante/dia. As normas para cálculo de sis-
temas de abastecimento de água, estipulam médias em torno de 150 litros/
habitante/dia.
• A cidade de São Paulo localiza-se na Bacia do Alto Tietê, região de cabecei-
ras e com pouca água. Para suprir a demanda de água é necessário importar
água de outros locais, como é o caso do Sistema Cantareira, que traz água
da Bacia do Rio Piracicaba e tem suas cabeceiras no estado de MG.
• Os pequenos vazamentos resultam em uma perda grande de água. Uma
torneira pingando uma gota a cada 5 segundos, chega a desperdiçar mais
de 20 litros de água por dia. São 600 litros de água por mês. Uma descarga
vazando pode resultar em perda de 500 litros de água por dia, ou 15 mil litros
de água por mês.
• É comum ver cenas de desperdício de água na cidade, como o uso de man-
gueiras para “varrer” calçadas, regar plantas de jardins em horários inade-
quados, e até mesmo “molhar” paredes para diminuir o calor dentro de casa.
O que deve ser feito: evitar o desperdício, cuidar de pequenos vazamentos. O
ganho é duplo: economia de água e diminuição da conta.

Consumo desigual
Importante ressaltar que o consumo é muito desigual nas diversas regiões da
cidade. Alguns bairros, como, por exemplo, Higienópolis, apresentam consumo
por habitante de aproximadamente 500 litros/dia, enquanto bairros periféricos da
Zonal Leste apresentam consumos diários de pouco mais de 100/litros dia.

“Usos sociais”
Na cidade de São Paulo, existem aproximadamente 386 mil famílias vivendo de
forma precária e irregular, em loteamentos e favelas. Considerando uma média
de 3 pessoas por família, essa população ultrapassa 1 milhão de pessoas, e
equivale a 10% da população total do município.
O acesso à água é um dos vários problemas enfrentados por esta população.
Como a ocupação é irregular, a instalação de serviços de água, esgoto e energia
elétrica não pode ser realizada. Em muitos locais, é comum a ligação “clandesti-
na” aos serviços de água e energia elétrica. São os chamados “gatos”.
O consumo de água por este tipo de ligação, denominado “usos sociais”, cor-
responde a aproximadamente 14% do total de água consumida (cerca de 337
milhões litros de água por dia, ou 337 mil caixas d’água por dia).
As ligações clandestinas de água acontecem, na maioria das vezes, de forma
precária, com materiais de pouca durabilidade e segurança, e representam gran-
de risco à saúde da população. Isto porque, a canalização fica exposta à fontes
de contaminação. Na maioria desses locais, o esgoto corre a céu aberto, e pró-
ximo aos canos de água.
Fonte: MERGULHE nessa. Indicadores e dados do Sistema Nacional de Informações sobre
Saneamento (ano referência 2004) e Sabesp (ano referência 2007). Campanha de olho nos
mananciais. Pela preservação das fontes de água de São Paulo. disponível em: <http://www.
mananciais.org.br/upload_/saopauloconsperdassp.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2010.
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© U7 - Proteção Legal dos Recursos Hídricos 141

10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


1) Em sua opinião, qual é a importância de se conhecer as formas de proteção
dos recursos hídricos, considerando que o acesso à justiça geralmente é ine-
ficaz, dada sua lentidão e seus frequentes casos de falta de decoro?

2) Em suas férias, imagine que você vá, guiado por pescadores artesanais lo-
cais, conhecer um manguezal na Baixada Santista. Em determinado ponto,
os pescadores observam que os vegetais estão impregnados de uma pasta
de coloração amarela, que sai de um ponto de descarte de uma grande in-
dústria química ao lado. Eles relatam que isto ocorreu durante aquela sema-
na, pois isto não tinha sido observado antes. Então, eles pedem que você,
que é um ambientalista, tome as providências cabíveis. O que você faria?

11. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, você teve acesso a uma breve introdução às
formas de proteção dos recursos hídricos, de acordo com a legis-
lação brasileira.
Agora é importante que você pesquise mais sobre o assunto,
pois, além de futuro educador, também é responsável por tutelar um
patrimônio que é nosso: o meio ambiente ecologicamente equilibrado.

12. EͳREFERÊNCIAS
Sites pesquisados
BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997: disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/Leis/L9433.htm>. Acesso em: 16 jun. 2010.

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


FIGUEIREDO, G. J. P. Curso de direito ambiental. 3. ed. Curitiba: Letra da Lei, 2009.

Claretiano - Centro Universitário


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