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STANDARD PENETRATION TEST – Ensaio SPT

O reconhecimento das condições do subsolo constitui-se em pré-


requisito para projetos de fundações seguros e econômicos.

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EQUIPAMENTODESONDAGEMAPERCUSSÃODOTIPOSPT

No Brasil o custo envolvido na execução de sondagens de


reconhecimento varia entre 0,2 e 0,5% do custo total da obra
SPT (Standard Penetration Test)

O Standard Penetration Test (SPT) é reconhecidamente a mais popular, rotineira e


econômica ferramenta de investigação em praticamente todo o mundo, servindo como
indicativo da densidade de solos granulares e sendo também aplicado à identificação da
consistência de solos coesivos e mesmo de rochas brandas. Métodos rotineiros de projeto de
fundações diretas e profundas usam largamente os resultados de SPT, sobretudo no Brasil.
O ensaio SPT constitui-se em uma medida de resistência dinâmica conjugada a uma
sondagem de simples reconhecimento. A perfuração é obtida por tradagem e circulação de
água utilizando-se um trépano de lavagem como ferramenta de escavação. Amostras
representativas do solo são coletadas a cada metro de profundidade por meio de amostrador
padrão, dee diâmetro externo de 50 mm. O ensaio consiste na cravação deste amos
amostrador no
fundo de uma escavação (revestida ou não), usando a queda de peso de 65 kg, caindo
caind de uma
altura de 750 mm (ver ilustração nas Figuras 2.1 e 2.2). O valor NSPT é o número de golpes
necessário
o para fazer o amostrador penetrar 300 mm, após cravação inicial de 150 m
mm.

Figura 2.1 Ilustração do ensaio SPT


As vantagens deste ensaio com relação aos demais são: simplicidade do equipamento,
baixo custo e obtenção de um valor numérico de ensaio que pode ser relacionado através de
propostas não sofisticadas, mas diretas, com regras empíricas de projeto. Apesar das críticas
válidas que são continuamente feitas à diversidade de procedimentos utilizados para a
execução do ensaio e à pouca racionalidade de alguns dos métodos de uso e interpretação,
este é o processo dominante ainda usado na prática de Engenharia de Fundações.
O objetivo deste capítulo consiste na apresentação de aspectos relevantes à análise do
ensaio e suas limitações, à luz dos conhecimentos recentes, com o objetivo de esclarecer os
usuários dos cuidados envolvidos no uso e interpretação dos resultados do ensaio, e aumentar
o conhecimento sobre técnicas modernas, considerando a prática brasileira.

(a) Ilustração com dimensões

(b) Foto
F t do
d amostrador
t d bi bipartido
tid
Figura 2.2 Amostrador padrão "Raymond" (NBR 6484/80)
2.1 – Padrões de Ensaios
A normalização do ensaio SPT foi realizada em 1958 pela ASTM (American Society
for Testing and Materials), sendo comum em todo o mundo o uso de procedimentos não
padronizados e equipamentos diferentes do padrão internacional. Atualmente existem diversas
normas nacionais com características distintas e um padrão internacional considerado como
referência (International Reference Test Procedure - IRTP / ISSMFE). Na América do Sul a
normalização Norte Americana ASTM D 1586-67 é utilizada com freqüência, tendo o Brasil
Normalização Específica NBR-6484/1980.
Em abordagem recente, Ranzini (1988) sugeriu procedimentos adicionais ao ensaio,
com a medição de torque após a execução do SPT. A introdução deste procedimento em
serviços de sondagem e o estabelecimento de regras básicas de interpretação vem sendo
objeto de estudos em São Paulo (e.g. Decourt e Quaresma Filho, 1994).

2.2 - Fatores
ores determinantes na medida de SPT

Existem
xistem diferentes técnicas de perfuração, equipamento e procedimento de eensaio nos
diferentes países, resultantes de fatores locais e grau de desenvolvimento tecnológico do setor.
Isto resulta
lta em desuniformidade de significância dos resultados obtidos. As principais
diferençass se referem ao método de perfuração, fluído estabilizante, diâmetro do furo,
mecanismo
mo de levantamento e liberação de queda do martelo, rigidez das hastes, geo
geometria do
amostrador marcante das
or e método de cravação. Além desses fatores tem-se a influência mar
características
ticas e condições do solo nas medidas de SPT. Uma revisão completa sob
sobre o atual
estado do
o conhecimento pode ser encontrada em Skempton (1986) e Clayton (1993) e
considerações sobre a realidade sul americana em Milititsky & Schnaid (1995).
Na prática de engenharia existe voz corrente sobre as questões relativas a "ensaios
bem ou mal feitos", empresas idôneas (fraudes), má prática, vícios executivos, entre outros.
Os itens à seguir referidos tratam somente dos aspectos que influenciam os resultados de
ensaios realizados segundo recomendações de normas e da boa prática de engenharia. Serão
indicados os fatores que explicam porque no mesmo local, duas sondagens realizadas dentro
da técnica recomendada podem resultar em valores desiguais, considerando-se por exemplo:
técnica de escavação, equipamento e procedimento de ensaio.
Destes fatores certamente os relacionados com a técnica de escavação são os mais
importantes, podendo-se destacar o método de estabilização: [a] perfuração revestida e não
preenchida totalmente com água; [b] uso de bentonita; [c] revestimento cravado além do
limite de cravação; [d] ensaio executado dentro da região revestida. Existem inúmeras
publicações com o registro quantitativo da variação de desempenho do ensaio devido aos
procedimentos utilizados, incluindo técnica de escavação (Sutherland, 1963; Begemann & De
Leuw, 1979; Skempton, 1986; Mallard, 1983), o que reforça a necessidade de utilização de
procedimentos padronizados.
Apresenta-se na Tabela 2.1 uma compilação de todos os fatores conhecidos que
afetam a penetração em solos granulares e seus efeitos.

Fator Influência Referências


Redução do índice aumenta a Terzaghi & Peck (1967); Gibbs &
Índice de Vazios resistência à penetração Holtz (1957); Holubeck et al (1973),
Marcusson et al (1977)
Aumento do tamanho médio Schultze et al (1961); DIN 4094;
Tamanhoo médio aumenta resistência à penetração Clayton et al (1982); S Skempton
da partícula
ula (1986)
Coeficiente
nte de Solos uniformes apresentam menor DIN 4092 – Parte 2
dade
Uniformidade resistência à penetração
Solos finos densos dilatam Terzaghi & Peck (1967); Bazaraa
aumentando a resistência; solos (1960); de Mello (1971); Rodin
R et al
Pressão neutra
finos muito fofos podem liquefazer (1974); Clayton et al (1982)
no ensaio
Angulosidade
dade Aumento da angulosidade aumenta Holubec & D’Appolonia (19(1973); DIN
culas
das partículas resistência à penetração 4094
Cimentação
ção Aumenta a resistência DIN 4094 – Parte 2
Aumento de tensão vertical ou Zolkov et al (1965); de Mell
Mello (1971);
Nível de tensões horizontal aumenta resistência Dikran (1983); Clayton et aal (1985);
Schnaid e Houlsby, (1994)
Aumento da idade do depósito Skempton (1986); Barton et al,
Idade
aumenta resistência (1989); Jamiolkowsky et al, (1988)
Tabela 2.1 Influência das propriedades de solos granulares na resistência à penetração

2.3 Correções de medidas de NSPT

Conhecidas as limitações envolvidas no ensaio, através da interveniência de fatores


que influenciam os resultados e não estão relacionados às características do solo, é possível
avaliar criticamente as metodologias empregadas na aplicação de valores de NSPT em
problemas geotécnicos. Para esta finalidade, as abordagens modernas recomendam a correção
do valor medido de NSPT, considerando o efeito da energia de cravação e do nível de tensões.
Em primeiro lugar, deve-se considerar que a energia nominal transferida ao
amostrador, no processo de cravação, não é a energia de queda livre teórica transmitida pelo
martelo (e.g. Schmertmann & Palacios, 1979; Seed e outros, 1985; Skempton, 1986). A
eficiência do sistema é função das perdas por atrito e da própria dinâmica de transmissão de
energia do conjunto. No Brasil é comum o uso de sistemas manuais para a liberação de queda
do martelo, cuja energia aplicada é da ordem de 70% da energia teórica. Em comparação, nos
USA e Europa o sistema é mecanizado e a energia liberada é de aproximadamente 60%.
Modernamente a prática internacional sugere normalizar o número de golpes com base no
padrão americano de N60; assim, previamente ao uso de uma correlação formulada nos USA
deve-se majorar o valor medido de NSPT obtido em uma sondagem brasileira em 10 a 20%
(Velloso e Lopes, 1996).
Embora
mbora a prática brasileira seja pautada pelas recomendações da norma N
NBR 6484,
que estabelece
elece critérios rígidos quanto a procedimentos de perfuração e ensaio, com a adoção
de um único tipo de amostrador, no meio técnico existem variações regionais
reg de
procedimentos
entos de sondagem: (a) uso (ou ausência) de coxim e cabeça de bater;
b (b)
acionamento
nto com corda de sisal ou cabo de aço, com e sem roldana e (c) variação ddo tipo de
martelo utilizado.
tilizado. A influência de alguns destes fatores, relacionados à pratica bras
brasileira, foi
quantificada
da por Belincanta (1998) e Belincanta e outros (1984; 1994). As medidas
m de
eficiência de energia dinâmica referem-se a primeira onda de compressão incidente, para uma
composição
ão tipo de 14 m de comprimento. Valores médios de eficiência na faixa entre
en 65% e
80% da energia teórica foram monitorados com freqüência, reforçando a necessidade
neces de
normalização
ção das medidas de NSPT previamente a aplicação desta medida em correlações
corre de
natureza empírica. As informações produzidas por Belincanta (1998) servem como avaliação
preliminar à estimativa de fatores intervenientes no índice de resistência à penetração.
Medidas locais de energia devem tornar-se rotina na próxima década, aumentando o grau de
confiabilidade do ensaio, melhorando a acurácia de uso de correlações baseadas no SPT e
quantificando a influência de fatores determinantes à interpretação racional do ensaio, como
por exemplo a influência do comprimento da composição.

2.4 Aplicações dos resultados

O ensaio de SPT tem sido usado para inúmeras aplicações, desde amostragem para
identificação de ocorrência dos diferentes horizontes, previsão da tensão admissível de
fundações diretas em solos granulares, até correlações com outras propriedades geotécnicas.
A origem das correlações, de natureza empírica, é obtida em geral em condição particular e
específica, com a expressa limitação por parte dos autores, mas acabam sendo extrapoladas na
prática muitas vezes de forma não apropriada. Alem disto, resultados de ensaios SPT
realizados em um mesmo local podem apresentar dispersão significativa. Um exemplo típico
de ensaios SPT realizados na região Porto Alegre, RS é apresentado na Figura 2.5, onde o
número de golpes NSPT é plotado contra a profundidade.
A variação observada nos perfis é representativa da própria variabilidade das
condições do subsolo, sendo necessário para cada projeto avaliar as implicações da adoção de
perfis mínimos ou médios de resistência.

Figura 2.5 Resultado típico de ensaios SPT em um único local de projeto


A primeira aplicação atribuída ao SPT consiste na simples determinação do perfil de
subsolo e identificação táctil-visual das diferentes camadas a partir do material recolhido no
amostrador padrão. A classificação do material é normalmente obtida combinando a descrição
do testemunho de sondagem com as medidas de resistência à penetração. O sistema de
classificação apresentado na Tabela 2.5, amplamente utilizado no Brasil e recomendado pela
NBR 7250/82, é baseado em medidas de resistência à penetração sem qualquer correção
quanto à energia de cravação e nível de tensões. Alternativamente pode-se utilizar a proposta
de Clayton (1993) apresentada na Tabela 2.6.

Solo Nspt Designação


Areia e <4 Fofa
Silte arenoso 5-8
58 Pouco compacta
9-18 Medianamente compacta
19-40 Compacta
>40 Muito compacta
Argila e <2 Muito mole
Silte argiloso 3-5 Mole
6-10 Média
11-19 Rija
>19 Dura
Tabela 2.5 Classificação de solos (NBR 7250/82)

Material Nspt Designação


Areias (N1)60 0-3 Muito fofa
3-8 Fofa
8-25 Média
25-42 Densa
42-58 Muito densa
Argila N60 0-4 Muito mole
4-8 Mole
8-15 Firme
15-30 Rija
30-60 Muito Rija
>60 Dura
Tabela 2.6 Classificação de solos e rochas (Clayton, 1993)

Nota: N1 valor de NSPT corrigido para uma tensão de referência de 100 kPa ; N60 valor de
NSPT corrigido para 60% da energia teórica de queda livre
(N1)60 valor de NSPT corrigido para energia e nível de tensões
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As principais implicações decorrentes do uso e interpretação do SPT são listadas a seguir:
1) O ensaio de SPT constitui-se no mais utilizado na prática corrente da geotecnia,
especialmente em fundações e a tendência observada deve ser mantida no futuro próximo,
devido à simplicidade, economia e experiência acumulada.
2) O avanço do conhecimento já atingido deve ser necessariamente incorporado à prática de
engenharia. Para tanto é mandatório o uso de metodologia e equipamento padronizados, com
a avaliação da energia transmitida ao amostrador.
3) O treinamento de pessoal e a supervisão na realização do ensaio constitui-se em desafio,
mesmo com acréscimo de custo, para que os resultados sejam representativos e confiáveis.
4) Uma vez atendidas as recomendações anteriores, pode-se aplicar as metodologias
apresentadas
das no presente trabalho para estimativa de parâmetros de comportamento dos solos
e previsão
o de desempenho de fundações, resguardando as limitações apresentadas.
5) Do ponto
nto de vista da prática de engenharia de fundações, os valores médios de penetração
p
podem servir
rvir de indicação qualitativa à previsão de problemas; por exemplo, NSPT ssuperiores
a 30 indicam
cam em geral solos resistentes e estáveis sem necessidade de estudos geotécnicos
ge
mais elaborados
borados para a solução de casos correntes. Solos com
m NSPT inferiores a 5 são
compressíveis
íveis e poucos resistentes, e não devem ter a solução produzida com bbase única
nestes ensaios.
aios. Nspt entre (0-5) não são representativos.
Laboratório de Geologia – Professor Douglas Constancio

Relatório – Sondagem a Percussão

1ª Questão:
Dado os valores referentes ao número de golpes para a cravação de um
barrilete amostrador padrão de metro a metro em uma sondagem a percussão,
como mostra a tabela abaixo. Calcular os valores de SPT – Standard Penetration
Test e posteriormente construir o gráfico de resistência à penetração, conforme
estabelecido por norma.

Prof. Nº de Golpes SPT. Gráfico de SPT


-m- 1º 15cm 2º 15cm 3º 15cm 10 20 30 40 50
1,00 1 1 1
2,00 1 1 2
3,00 2 2 2
4,00 2 2 1
5,00 2 3 4
6,00 3 2 5
1,00 cm = 1,00 m

7,00 4 7 8
8,00 4 6 9
9,00 8 10 12
10,00 8 12 15
11,00 9 16 22
12,00 10 18 25
13,00 10 28 16
14,00 18 25 26
15,00 10 29 35/05
16,00 18 26 40/02
17,00 20 38/01 -
2ª Questão:
Classificar o solo de acordo com a com a sua consistência e a sua
compacidade para a sondagem abaixo:

Prof.
-m- SPT. Descrição do Material N.A.
1,00 2 Argila Silto Arenosa, Vermelha Clara,

- Não foi encontrado em 05/10/99 -


2,00 4
3,00 4 Silte Areno Argiloso, Variegado, Amarelo Claro,
4,00 8 Vermelho Claro,
5,00 12
6,00 19 Areia Fina Silto Argilosa, Cinza Clara,
7,00 30
8,00 32 Argila Pouco Siltosa, Plástica, Variegada,
9,00 45 Vermelha Clara/Escura, Roxa, Amarela Escura,
10,00 40/02
11,00 42/01
Limite da Sondagem

Utilizar: Tabela – Segundo Vitor F.B. Mello – Mecânica dos Solos – USP –
São Carlos

Argilas: Consistência Areias e Siltes: Compacidade


Muito mole <2 Fofa 0–4
Mole 2–5 Pouco Compacta 5–8
Média 6 – 10 Medianamente Compacta 9 – 18
Rija 11 – 19 Compacta 19 – 40
Dura > 19 Muito Compacta > 40
3ª Questão:
Dos equipamentos abaixo descriminados, estabelecer a sua finalidade,
quando utilizados para execução de uma sondagem a percussão:

(A) Peso de 65 Kg:

(B) Trépano ou Broca de lavagem:

(C) Tubo de revestimento:

(D) Barrilete amostrador padrão:

4ª Questão:
O que significa o termo: SPT – Standard Penetration Test ?
Laboratório de Geologia – Professor Douglas Constancio

Relatório – Sondagem Rotativa

1ª Questão:
Qual a finalidade da sondagem rotativa?

2ª Questão:
Qual o objetivo da sondagem rotativa?
3ª Questão:
Dada a manobra de sondagem rotativa abaixo, pede-se calcular a
porcentagem de recuperação R.Q.D. e classificar a qualidade da perfuração e do
maciço rochoso.
Obs: - medidas em cm
- situação sem escala

25
2,00 m = L = comprimento da manobra

12
15
6
5
11

45

22

21