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MANUAL DE HISTÓRIA DOS REINOS DE ÁFRICA—UNILAB

21/02/2017

Volume 1, edição 1

O REINO DE AXUM
HISTÓRIA DE AXUM
Sobre a origem do reino meira dinastia real, o sé- tornando um importante
Nesta edição:
Axum pouco se sabe de culo seguinte foi marcado reino para compreender-
HISTÓRIA DE AXUM 1
concreto, de acordo com pela construção do pri- mos a história antiga do
os historiadores os primei- meiro porto de Adulis fun- continente africano, uma
CIVILIZAÇÃO 2
ros habitantes de Axum, dado por Ptolomeu Fila- vez que nesse período
hoje conhecida como Etió- delfo que posteriormente houveram alguns aconte- POLÍTICA 2
pia setentrional, datam da foi ampliado pelo seu su- cimentos e situações de
Pré-história, por volta do cesso, como mostraremos extrema importância para RELIGIÃO E CRENÇAS 3

século V antes de Cristo. a seguir a sua localização a compreensão da história


FATORES ECONÔMICOS 3
A região ficou conhecida no mapa por volta do sé- como, as três intervenções
como “o Chifre da África” culo VI d.C. armadas na Arábia do Sul
CURIOSIDADES 4
também chamado de Nor- Segundo pesquisadores a no decorrer dos séculos
deste Africano e algumas III, IV e VI, uma LIVROS ANALISADOS 4
vezes como península expedição a Me-
Somali. É a região mais roe no século IV REFERÊNCIAS 4
oriental do continente e, e posterior-
africano, formada por qua- mente introdução
tro países: Etiópia, Eri- do cristianismo, vam ao trono. Os mais famo-

treia, Somália e Djibuti. que depois dei- sos foram Ezana e Caleb, o rei

Segundo geógrafo Clau- xaria sua marca mais antigo de que se tem

dio Ptolomeu, a cidade de profunda no pro- registro e Zoscales, mencio-

Axum foi fundada no sécu- história desse reino durou cesso histórico de Axum, nado num texto grego do fim

lo II antes de cristo, não se cerca de um milênio, mais isso podemos observa que do século I. Dentre os poucos

sabe especificamente o foi somente por volta do em alguns textos históri- registros escritos de estados

ano de fundação, mais no século I depois de Cristo cos Axum é denominado africanos, Axum tem desta-

mesmo século houve o que começa a ter visibili- de “Axum o Reino Cris- que. As fontes sobre suas ori-

estabelecimento da pri- dade para o mundo se tão”, isso por a forte de gens são variadas e comple-

influência da religião. mentares e junto com os es-

Ao Vinte reis passaram treitos de Gibraltar e Málaca,

A região ficou conhecida como “o Chifre por Axum, onde em sua o de Bab el-Mandeb é citado

maioria ficaram conheci- como um dos mais importan-


da África” também chamado de
dos pelas moedas que tes.
Nordeste Africano e algumas vezes como
emitiram, quando chega-
península Somali.
Página 2 O REINO DE AXUM

CIVILIZAÇÃO
De acordo com relatos e fatos históri- va presente nas relações comercias, tava a vida sedentária. Os axumi-
cos mencionada no livro, a civilização e o consumo também das moedas tas conservavam alguns santuá-
do império de Axum desenvolveu-se estrangeiras era bem forte e durou rios e vários monumentos que
no mesmo período da era cristão, por logos períodos. Por fim, a civili- hoje em dia foram transformados
alguns indícios demostra que essa zação Axumita não rompeu com em igreja. Cada escultura repre-
civilização teve suas raízes no perío- toda estrutura cultural e tradicional senta um significado dos valores
do mais antigo da história dos povos do período pré-Axumita, tentando éticos, morais, políticos, filosófi-
axumitas. As pesquisas arqueológicas conservar alguns elementos simbó- cos e da ancestralidade em dife-
e escavações demostram que fator licos escritos nas moedas e nas pe- rentes contextos históricos do
econômico criação de animais agri- dras, conservando também e alguns país.
cultura e relações comercias com lugares históricos os nomes de al-
diferentes povos do mundo como os guns monarcas como Enza e Galéd.
povos da Arábia na Ásia e alguns paí- Segundo as afirmações de
ses na África contribui fortemente (MOKHTAR Apud F. Anfray, Cap.14,
para o desenvolvimento civilizatório p-375-397).
do Axum. Podemos dizer que a escri-
ta e linguístico tradicional como tam- CULTURA
bém estrangeira teve sua maior in- A cultura pré axumita é milenar da
fluência para o desenvolvimento da idade da pedra antes de Cristo, e
civilização de Axum em determina- teve sua representação nas pinturas
dos períodos das história do país. rupestres nas pedras, criação de
Além da língua estrangeiras que esta- animais e agricultura que represen-

POLÍTICA
Axum passará de um principado a primeira província de um reino feudal. O principal objetivo de um rei era impor sua
liderança e hegemonia em relação aos demais principados e/ou províncias. Fazendo para isto, uso da força militar para
alcançar seus objetivos. Foi através dessas forças, que Axum
conquistara novos territórios, dentre eles, as regiões que esta-
vam entre o Planalto do Tigre e o vale do Nilo. Como também,
terras ao norte da Etiópia, do Sudão e a Arábia meridional. O
Reino de Axum era assim dividido: Axum e os povos conquista-
dos, em que o rei axumita mandava nos "reinos vassalos". Rei-
nos estes que tinham a obrigação de pagar impostos anualmen-
te ao rei dos axumitas. Quando não era o rei que estava à frente
de uma expedição militar, era um parente
(geralmente um ir- mão). De acordo com fontes
históricas, A estrutura política de Axum passará de um
processo de aprisiona- mento de rebeldes (isto no sécu-
lo IV quando Axum tinha por rei Azana) à nomeação de Reis e
instalação de tropas militares nesses reinos para melhor mantê-
los sob o controle de Axum (por volta do século VI). Axum foi
crescendo politicamente à medida que incorporava novos terri-
tórios ao seu reino. Ao longo dos séculos III e IV, Axum conquis-
tou territórios da Península Arábica, a Etiópia do Norte e parte
da antiga Pérsia, transformando-se, assim, em um dos mais po- Mapa da expansão axumita. Fonte: História Geral da África, volu-
derosos impérios da transição da Idade Antiga para a Idade Mé- me II, África Antiga.
dia. No século IV, os axumitas aniquilaram a cidade de Meroé,
então capital do império Kush, fragmentando assim, este antigo centro político do sul do Egito. Da derrota de Kush
emergiram três reinos distintos, o Nobatia, o Makuria e o Alodia, que permaneceram todos sobre a influência de Axum.
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RELIGIÃO E CRENÇAS
Um dos acontecimentos mais impor- religião própria que tinha nos ele-
Igreja de Nossa Senhora
tantes da história do reino de Axum mentos da natureza o alvo de seu Axum, Etiópia
foi a conversão do Rei Ezana ao cris- culto (o símbolo desta religião apa-
tianismo, no século IV, através de um rece nas moedas do reino, uma lua
monge cristão de origem fenícia, crescente, com as pontas para cima).
chamado Frumêncio (que depois foi Uma porcentagem considerável dos
bispo de Axum e considerado santo). súditos de Axum cultuava ainda o
Após a conversão do rei Ezana, toda judaísmo, praticado na Etiópia atual
a região da Etiópia e grande parte da por menos de 1% da população total.
região da Núbia receberam forte Uma das características desta fase de
influência do cristianismo e a maior conversão ao cristianismo é a cons-
parte da população também se con- trução das famosas onze Igrejas, que
verteu, tornando Axum um império foram esculpidas em rochas, no solo.
eminentemente cristão. Apesar dis- Essas Igrejas são consideradas patri-
so, a igreja ortodoxa etíope ficaria mônio histórico da humanidade e
subordinada à igreja copta egípcia fazem parte da tradição da Igreja Ortodoxa Etíope. Além das Igrejas, várias
desde o início até 1959, quando final- outras construções do reino de Axum são notáveis, tais como obelisco, imen-
mente estes dois ramos do cristianis- sas torres de pedra, tumbas e outros templos na época anterior à conversão
mo com seus ritos particulares se ao cristianismo. O reino de Axum continuou imponente até o século XI d.C.,
separaram. Antes de sua conversão época em que o islamismo já havia se expandido pela Península Arábica e
ao cristianismo, o povo adotava uma conquistado boa parte do território que os axumitas dominavam.

FATORES ECONÔMICOS
Durante o período Axumita, a base de ção de moedas de ouro, constituía uma
vida econômica era constituída da medida tanto econômica quanto política.
agricultura e a criação de animais. Vale também mencionar, que o proces-
Contudo, é importante salientar que so de comercialização também foi um
Axum no mundo comercial da época grande aliado para a prosperidade de
foi o primeiro Reino Africano a evi- Axum, o Marfim, por exemplo, era con-
denciar-se pela cunhagem de própria siderado indispensável ao luxo romano
moeda, em um período em que não e estava em primeiro lugar na lista de
existia em nenhum dos países vassa- importação. Porém, além do Marfim ou- Fonte:
los. Assim, por meio desse progresso, tras mercadorias também eram objetos http://reinoseimperiosafricanos.blogspot.
Axum proclamou ao mundo sua inde- com.br/2013/08/reino-de-axum.html
de comercialização como: chifres de
pendência e prosperidade, conside- rinocerontes, carapaças de tartarugas,
rando-se que, a cunhagem – fabrica- escravos, e etc.

CURIOSIDADES
A Etiópia pertence ao hemisfério me- passou por longa instabilidade política Abriha. O reino de Axum foi o pri-
ridional do continente africano situado econômica e social, além das guerra em meiro estado africano a cunhar a
na linha do equador e faz fronteiras 1993 provocando mortes, fome, dificulda- sua própria moeda, aparentemente
com Eritreia e outros países. Antiga- des financeiras, problema de saúde e mais. começando no reinado de Endubis
mente o império era tão grande que A intervenção das Nações Unidas nesse (cerca de 270) até ao de Armah
incorporava território da Eritreia por país é muito forte em diferentes programas (aproximadamente 610). Este esta-
longos séculos na história do império, de saúde com o objetivo de ajudar o estado do criou igualmente, também no
mais com a revolta para independên- a superar grandes crises sociais, políticas século III o seu próprio alfabeto,
cia de Eritreia em 1961 começou a econômicas, também para um bom melho- denominado ge'ez (que correspon-
gerar vários problemas sociais dentro ramento sanitário. No século IV, o rei Ezana de igualmente a uma língua ainda
do país até nos dias de hoje. O país adotou o cristianismo e foi batizado como falada na região.
LIVROS ANALISADOS SOBRE O ASSUNTO
O primeiro, “História – volume úni- possui uma produção gráfica dife-
co”, Editora Ática, 1ª edição de 2005 renciada, buscando uma conexão do
do Programa Nacional do Livro Didá- passado com o presente, com links
tico para o Ensino Médio – PNLEM. de pesquisa e abordando um maior
O segundo, “História”, volume 1, conteúdo sobre África e seus reinos.
Editora Saraiva, 2ª edição de 2013, do Em relação à História antiga, são
Programa Nacional do Livro Didático destinados ao assunto 3 Unidades (II
– PNLD, e o terceiro da coleção – A Urbanização, III – Direito e de-
“História em debate”, volume 1, mocracia e IV – Diversidade religio-
Editora do Brasil, 2013. Destes livros sa) com destaque para a unidade IV
citados, o Reino de Axum é mencio- que traz um mapa com seis reinos
nado no primeiro e no último, no en- africanos: Axum, Mali, Gana, Kush,
tanto, ainda de forma superficial e Manicongo, Zimbábue, e destes,
eurocêntrica, com efeitos que se pro- uma descrição em especial para os
longam no pouco conhecimento so- Reinos de Mali, Sahel, Gana e Axum.
bre a África e seus reinos antigos.
Destaque para o Livro PNLEM que

REFERÊNCIAS
Fatores econômicos. Disponível em:http://ahistoriapresente.blogspot.com.br/2011/10/axum.html Acesso em:
13/02/2017;
ERNANDES, Cláudio. "O reino de Axum". Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-
reino-axum.htm>. Acesso em: 14 de fevereiro de 2017.
M’BOKOLO, Elikia. África Negra: História e civilizações até o Século XVIII. Tomo I. Lisboa: Edições Colibri, 2012, p. 73-
106.
MOKHTAR, G. (ed.). História Geral da África, II. África Antiga. 2 ed. Brasília: UNESCO, 2010. Disponível em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015105.pdf>. Acesso em: 14 de fevereiro de 2017.
SILVEIRA, Renato. “Axum”. Blog História Presente. Disponível em:
<http://ahistoriapresente.blogspot.com.br/2011/10/axum.html>. Acesso em: 14 de fevereiro de 2017.
http://infoescola.com/africa/imperio-de-axum
http://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-reino-axum.htm;
https://terradahistoria.blogspot.com.br/2016/09/o-antigo-reino-de-axum-e-situacao-atual.html
DIOP, Cheikh Anta. Capítulo 1: Origem dos antigos egípcios. In: MOKHTAR GAMAL. (Org.) História Geral da África II.
África Antiga. São Paulo: Editora Cotez, 2011;
Curiosidades. Disponível em: http://ethiopianhistoria.blogspot.com.br/2012/10/reino-de-axum.html Acesso
em 15/02/2017.

O manual apresentando foi realizado pela turma do 1º Semestre


do curso de Licenciatura em História da UNILAB, a partir da pro-
UNIVERSIDADE DA INTEGRAÇÃO
INTERNACIONAL DA LUSOFONIA AFRO- posta da disciplina Antiguidade Africana, Médio-oriental e Medi-
BRASILEIRA—UNILAB
Alunos da Licenciatura em História terrânea, ministrada pelo Professor Dr. Sérgio Krieger Barreira.
Tendo por objetivo enriquecer o conteúdo da disciplina História,
Organização
em especial, História da África, na Escola Pe Saraiva Leão, loca-
FRANCISCO FELIPE PEIXOTO lizada em Redenção-CE.
FRANCISCO GEOVANE DO NASCIMENTO
PEREIRA
FRANCICO WALLISON BATISTA DE LIMA
JANNIEIRY CARDOSO MACIEL ARAÚJO
JIM THOMAS SILVA
MARLI DE OLIVEIRA UNIVERSIDADE E ESCOLA
RITA DE CÁSSIA LIMA DO NASCIMENTO
ROSIANE ARRUDA PEREIRA UMA PARCERIA QUE DEU CERTO!
SENE COTE