Você está na página 1de 9

QUÍMICA E SOCIEDADE

O Tênis Nosso de Cada Dia

Alexandre Silvestre dos Santos e Glaura Goulart Silva

Neste trabalho, são apresentados alguns textos elaborados com o objetivo de discutir aspectos fundamentais
sobre polímeros e sua relação com os materiais utilizados em um tênis. São apresentadas também atividades
experimentais de manipulação e caracterização de solado de tênis. Esse contexto pode permitir uma discussão
relevante de temas químicos que são parte dos conteúdos de Ensino Médio, tais como: nomenclatura de políme-
ros, interações intermoleculares, reações de polimerização e propriedades de materiais. Ao mesmo tempo, o
caráter fortemente interdisciplinar e a possibilidade de uma análise crítica de valores de consumo da sociedade
moderna igualmente justificam a abordagem do tema.

polímeros, experimentação, valores de consumo

67
Recebido em 25/02/08, aceito em 13/12/08

O
ser humano utiliza variados mais bem fundamentadas em cam- te, as propriedades dos materiais que
tipos de materiais para exe- pos diversos da vida moderna, desde compõem o tênis.
cutar tarefas no sentido de a aquisição de vestuário pessoal até O tênis é um objeto de consu-
garantir sua sobrevivência e propiciar posicionamento perante políticas na- mo muito popular entre jovens e
seu próprio conforto (Pitombo e Lis- cionais para o setor adultos. Geralmente é
boa, 2001). Nas últimas décadas, de industrial. Nas últimas décadas, de composto por várias
acordo com necessidades de nossa Como monogra- acordo com necessidades partes de diferentes
moderna e complexa sociedade, fia de final de curso de nossa moderna e materiais, divididos
constata-se o intenso aprimora- de Licenciatura em complexa sociedade, entre solado, corpo,
mento de materiais tradicionais e o Química, foi produzi- constata-se o intenso contraforte (reforço do
desenvolvimento de novos como, da uma proposta de aprimoramento de calcanhar), bico e aca-
por exemplo, os polímeros. Plásticos, estudo de conceitos materiais tradicionais e o bamento (Gooutside,
borrachas, fibras, filmes e adesivos básicos de políme- desenvolvimento de novos 2007). Algumas impor-
são alguns exemplos de materiais ros, contextualizada como, por exemplo, os tantes propriedades
poliméricos que têm sido propostos por meio do artefato polímeros. são solicitadas de um
para os mais variados fins (Bianchi e calçado, mais espe- tênis de qualidade,
cols., 2005; Callister Jr., 1997). cificamente o tênis. Essa monografia tais como: flexibilidade, resistência
Para a formação de um cidadão, é foi transformada no presente artigo ao impacto, resistência ao desgaste,
considerado relevante o discernimen- com o objetivo de contribuir para a transpirabilidade, entre outras.
to entre diferentes tipos de materiais comunidade brasileira de educado- A discussão relevante para a
(Santos e Schnetzler, 1996), suas pro- res em química com um exemplo formação de cidadãos no contexto
priedades principais, sua relação cus- de problema na interface artefato imediato dos alunos de Ensino Médio
to/benefício nos bens de consumo, de consumo/materiais/química de diz respeito à questão da aquisição
além do impacto ambiental destes. O materiais. Serão discutidos aspectos de artigos de qualidade e durabili-
acesso a uma formação sobre esses históricos, definições, composição, dade, que evitem um consumismo
aspectos pode possibilitar escolhas processos de síntese e, principalmen- desenfreado, em contraposição ao
custo excessivo de artigos de “mar-
A seção “Química e sociedade” apresenta artigos que focalizam diferentes inter-relações entre Ciência e sociedade, ca”, não associado necessariamente
procurando analisar o potencial e as limitações da Ciência na tentativa de compreender e solucionar problemas sociais. às características de qualidade.

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , MAIO 2009
Um pouco de história sentar vários tipos diferentes de polí- a transpiração, podem causar frieiras
Os primeiros calçados, desenvol- meros no mesmo modelo. Materiais, e doenças de pele em geral, além
vidos pelos homens das cavernas, design, funções, tudo é levado em de provocar o aparecimento de odor
eram obtidos das peles de animais, consideração pelos seus projetistas. desagradável, o famoso “chulé”.
cortadas, raspadas, secadas e, A criatividade é muito solicitada no A qualidade de um produto pode
depois, amarradas em seus pés. As desenvolvimento dos modelos da ser entendida como a capacidade
primeiras evidências de curtimento e “moda”. A divulgação do tênis está deste de satisfazer as necessidades
beneficiamento de peles provêm do frequentemente associada ao esporte e/ou expectativas do consumidor,
Egito. Há pinturas, com cerca de seis e aos atletas campeões. logo, em linhas gerais, a qualidade
a sete mil anos, que representavam Por outro lado, é importante notar relacionada a um tênis baseia-se
os diversos estados de preparo do que a possibilidade de uso de mate- em cinco características: Aspecto –
couro para confecção de calçados. riais poliméricos de mais baixo custo Conforto – Durabilidade – Segurança
Na Idade Média, tanto homens permitiu a produção de tênis acessí- – Saúde, que serão discutidas com
quanto mulheres usavam calçados de veis às camadas de mais baixa renda. mais detalhes neste trabalho.
couro abertos que tinham uma forma Portanto, esse é o calçado de escolha Basicamente um tênis é composto
semelhante ao das sapatilhas. Desde de estudantes e trabalhadores. O de uma parte superior, o cabedal, e
então, até recentemente, os calçados tênis transcende a divisão de classes de uma parte inferior, o solado, como
são confeccionados principalmente sociais e é usado por todos. mostrado na Figura 1. Essas duas
em couro, com solas também de partes se dividem em algumas outras
couro, palhas e fibras, como as de Tênis: produção e anatomia partes com características e funções
palmeira. No entanto, esse quadro A produção de um tênis, assim com bem específicas (Gooutside, 2007).
mudou com o desenvolvimento da a dos mais variados tipos de calçados,
vulcanização da borracha natural, é um processo complexo que deman-
da petroquímica e da criação de da conhecimento de várias áreas do
numerosos materiais sintéticos com conhecimento (Mylius, 1993):
68 propriedades variadas, inclusive Medicina e Física: devido à bio-
aquelas úteis ao desenvolvimento de mecânica do pé, que é extremamente
novos tipos de calçados para os mais importante para a proteção e o con-
diversos fins (World Tennis, 2007). forto não apenas do pé, mas do corpo
Aliado à necessidade de se ter como um todo.
calçados especiais para prática de Desenho e Informática: desenvol-
esportes, o desenvolvimento de novos vimento de modelos.
materiais de alto desempenho levou Engenharia e Informática: logística
ao nascimento do tênis. Em 1920, de produção.
surgiu o primeiro calçado de corrida Química e Engenharia: desenvol-
do mundo: mais leve vimento de materiais
e confortável, criado para aplicação em
por Adolph Dassler, O tênis é um objeto de calçados.
o qual proporcionou consumo muito popular A aplicação dos Figura 1: Partes constituintes do tênis.
aos atletas maior entre jovens e adultos. conhecimentos cita-
conforto nas práticas Geralmente é composto dos acima visa resol- - Cabedal: Destina-se a cobrir e
esportivas, pois até por várias partes de ver problemas como proteger a parte de cima do pé
então as pessoas cor- diferentes materiais, os descritos abaixo: e divide-se em uma parte fron-
riam, jogavam futebol divididos entre solado, Tênis muito aper- tal, uma traseira e outra lateral.
ou outros esportes corpo, contraforte (reforço tados comprimem Normalmente, é constituído
com seus sapatos de do calcanhar), bico e os vasos sanguíneos de várias peças e reforços,
uso diário: pesados e acabamento. e podem ocasionar usados para dar mais firmeza
desconfortáveis. problemas circula- e proteção à parte superior do
Na década de 1950, o tênis se tórios. Por outro lado, tênis folgados pé ou, então, por questão de
tornou popular entre os jovens e produzem atritos múltiplos, ocasio- design. Entre os elementos de
passou a calçar pés dos ícones da nando aparecimento de bolhas. reforço, estão o contraforte e a
juventude rebelde como o pop star Tênis com solas muito flexíveis po- couraça.
Elvis Presley. O tênis sofreu milhares dem favorecer torções do pé, e solas - Contraforte: É um reforço colo-
de modificações e pode ser conside- excessivamente duras não conseguem cado entre o cabedal e o forro
rado um artefato que marca o século amortecer os choques sofridos pelo pé de acabamento interno (Figura
XX (World Tennis, 2007). ao caminhar. 2), na região do calcanhar,
O que antes era um calçado de Tênis confeccionados com mate- destinado a dar forma a essa
borracha e tecido, hoje pode apre- riais impermeáveis, que não permitem parte do calçado e manter o

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
Os polímeros: aspectos gerais excelente fibra, ela é empregada
Alguns líquidos, como o estireno, na fabricação de diversos tecidos
ao serem aquecidos a 200o C, em para roupas e calçados. A celulose
vez de passarem para a fase gasosa, é uma das substâncias orgânicas
como normalmente acontece com os mais abundantes no mundo, sen-
outros compostos, tornam-se gela- do que bilhões de toneladas dela
tinosos ou sólidos. O aquecimento, são produzidos anualmente pela
Figura 2: Contraforte do tênis.
nesses casos, dá origem a novas fotossíntese. A unidade repetitiva
substâncias: os polímeros (Bianchi da celulose é um carboidrato como
calcanhar firme dentro do tênis. e cols., 2005). Um polímero é uma mostrado na Figura 4.
É um elemento importante no substância formada por vários seg- São considerados polímeros as
calçamento e no conforto. mentos idênticos ou unidades de re- moléculas de massa molar na faixa de
- Couraça ou biqueira: É um re- petição e, por esse motivo, podemos 1.000 a 1.000.000 g/mol. Ao contrário
forço colocado no bico do tênis, reconhecê-los facilmente a partir de das substâncias químicas comuns, os
também entre o cabedal e o forro, sua estrutura, bastando, para isso, polímeros contêm massas moleculares
destinado a proteger os dedos e, observar se sua representação mos- variadas, apresentando o fenômeno
ao mesmo tempo, dar firmeza e tra várias repetições de uma mesma chamado de polimolecularidade. A
boa apresentação ao bico, man- unidade, ou seja, de pequenos seg- elevada massa molecular aliada à
tendo inalterada, mesmo durante mentos idênticos (Santos e Mól, 2005; natureza química dos átomos, que
o uso, a sua forma original. Canevarolo Jr., 2003). constituem as moléculas, faz com que
- Forro interno: É a parte interna Toda vez que moléculas sofrem polímeros diferentes tenham proprie-
do cabedal que entrará em reações químicas que fazem com dades variadas, permitindo diversas
contato direto com o pé e tem que elas se liguem repetidas vezes aplicações desses materiais nos bens
a função de acabamento interno por meio de ligações de consumo disponí-
e de proporcionar conforto. covalentes, geran- veis na atualidade.
- Entressola: Localizada entre o do macromoléculas, Os primeiros calçados, Os polímeros 69
cabedal e o solado, essa peça é temos a formação desenvolvidos pelos apresentam proprie-
de extrema importância em cal- de um polímero e a homens das cavernas, dades químicas mui-
çados esportivos, pois atua na reação em questão eram obtidos das peles de tas vezes originadas
dispersão de forças causadas é de polimerização, animais, cortadas, raspadas, de interações entre
pelo ciclo mecânico, e é vital como mostrado na secadas e, depois, uma mesma cadeia
em quase todas as categorias Figura 3. amarradas em seus pés. polimérica (intramo-
de sapatos esportivos. Os polímeros po- lecular) ou desta com
- Solado: É a parte inferior do dem ser sintéticos, ou seja, elabo- outras cadeias (intermolecular). Nas
tênis que se interpõem entre o rados em laboratórios e/ou indús- macromoléculas, as ligações de hidro-
pé e o solo. Na parte do solado, trias, e também naturais. Polímeros gênio, interações dipolo-dipolo e dipolo
podemos também fazer referên- naturais são moléculas de grande induzido podem causar efeito muito
cia à palmilha de montagem, massa molecular encontradas na mais significativo que em moléculas
na qual é montado o cabedal natureza. A celulose é um polímero de cadeia curta, em função do grande
e é fixada a sola externa, e a natural encontrado, por exemplo, número de interações presentes (Bar-
palmilha interna, destinada a na madeira (Santos e cols., 2001), ros, 2000; Curi, 1996).
proporcionar conforto. no algodão e em vários outros O tipo de interação intermolecular
vegetais. Em virtude de ser uma (ou intramolecular) também define
algumas das propriedades físicas dos
polímeros, tais como solubilidade,
permeabilidade a gases, cristalini-
dade, ponto de fusão, entre outras
(Canevarolo, 2003).
As interações (intra)intermole-
culares podem ser (Barros, 2000;
Figura 3: Reação de polimerização do monômero etileno produzindo o polietileno. Curi, 1996):

- Dipolo induzido: quando duas


moléculas se aproximam, as
atrações e repulsões entre seus
núcleos e elétrons provocam
distorções entre suas nuvens
Figura 4: Estrutura molecular do monômero e do polímero celulose. eletrônicas, ou seja, podem sur-

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
gir, momentaneamente, dipolos zada negativamente na molécula associado a materiais poliméricos que
instantâneos, capazes de indu- vizinha (=O), efetivando a ligação são maleáveis apenas no momento da
zir outros dipolos em átomos ou de hidrogênio. fabricação e, por isso, podem ser mol-
moléculas adjacentes. dados somente nesse momento. Após
- Dipolo-dipolo ou dipolo perma- Muitas vezes, um polímero apre- essa etapa, não há como remodelá-
nente: quando duas moléculas senta duas ou mais unidades repeti- los. Os polímeros termorrígidos são
que apresentam grupos polares tivas. Esses polímeros são chamados infusíveis e insolúveis em solventes
interagem, os dipolos tendem a de copolímeros que diferem dos ho- orgânicos comuns. Suas moléculas
orientarem-se uns aos outros, mopolímeros, que são formados pela podem estar ligadas entre si, forman-
de forma a maximizar as inte- repetição de somente uma unidade do uma rede tridimensional chamada
rações eletrostáticas atrativas monomérica. A Figura 7 apresenta de reticulado como mostrado na
causadas pela diferença de a estrutura de dois monômeros e, Figura 8 (Canevarolo, 2003; Mano e
polaridade entre os dipolos. Um após a reação de polimerização, a Mendes, 2000; Wan e cols., 2001).
exemplo desse tipo de interação formação de um copolímero. O fato de os termoplásticos serem
entre cadeias poliméricas é Para diferentes aplicações, é moldáveis por aquecimento, mesmo
mostrado na Figura 5. possível produzir polímeros com di- após terem sido utilizados em pro-
ferentes propriedades, simplesmente duto específico, é uma vantagem
alterando suas estruturas e compo- com respeito à questão ambiental.
sições. Por isso, o conhecimento Garrafas PET [poli(tereftalato de
desses materiais é de fundamental etileno)], por exemplo, podem ser
importância para a indústria e para os remoldadas várias vezes (Pereira e
consumidores (Santos e Mol, 2005). cols., 2002; Franchetti e Marconato,
Os polímeros podem receber di- 2003; Mateus e Moreira, 2005). Já os
ferentes tipos de classificação. Uma termorrígidos podem ser reciclados
Figura 5: Interação entre dois dipolos delas é feita a partir da análise da mecanicamente por pulverização e
70 permanentes da poliacrilonitrila (PAN). solubilidade e fusibilidade dos mate- adição a produtos alternativos. Outras
riais. Nessa classificação, temos os soluções para os termorrígidos são:
- Ligações de hidrogênio: funda- termoplásticos e os termorrígidos. a reciclagem química, que envolve
mentalmente também uma inte- A família dos plásticos representa a despolimerização, e a incineração
ração eletrostática, é considerada uma classe de materiais poliméricos com o aproveitamento da energia.
a interação intermolecular mais que apresentam em comum o fato Nesse último caso, as emissões
forte. É causada pelo alinhamento de serem facilmente moldáveis. gasosas precisam ser rigorosamen-
de dipolos positivos e negativos, Eles podem, por meio de métodos te controladas (Scuracchio e cols.,
como exemplificado na Figura 6. adequados, assumir uma variedade 2006).
Quando um átomo de hidrogênio de formas como garrafas, vasos, sa-
está ligado a um elemento muito colas e fios. A maioria dos plásticos Materiais tipicamente utilizados para
eletronegativo (usualmente N, é facilmente remodelável quando se confecção de tênis
O ou F), a nuvem eletrônica da eleva a temperatura. Materiais desse Com o desenvolvimento de novos
ligação (N-H ou O-H) é bem tipo são chamados de termoplás- materiais sintéticos com proprieda-
mais densa na região próxima ticos. Os polímeros termoplásticos des aprimoradas para utilização em
ao átomo eletronegativo. Dessa são constituídos por macromolé- calçados, a fabricação desse artefato
forma, no hidrogênio, é gerado culas lineares que podem conter se diversificou, tornando-se bastante
um dipolo positivo, que encontra, ou não ramificações, e são fusíveis complexa. Em decorrência, a confec-
nas proximidades, a região polari- e solúveis em solventes orgânicos ção de calçados de alto desempenho
comuns (Canevarolo, 2003; Mano e e adaptados para usos específicos
Mendes, 2000). tornou-se possível.
O termo termorrígido ou termofixo é Abaixo serão apresentados breve-

Figura 7: Reação de polimerização dos monômeros estireno e 1,3-butadieno para


Figura 6: Ligação de hidrogênio formada obtenção do copolímero poli(estireno-co-butadieno), também conhecido pela sigla
entre a carbonila e o grupo NH de uma po- SBR oriunda dos nomes das unidades de repetição em inglês seguida da sigla para
liamida (também conhecida como náilon). borracha (rubber).

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
aos seus movimentos como choques. É também um polímero ter-
uma segunda pele. moplástico, leve, de maior custo que o
PVC, entretanto de melhor desempe-
PVC: O PVC, poli(cloreto de vinila), nho quanto a acabamento e resistência
é bem conhecido na indústria de cal- a desgaste. A Figura 10 mostra um
Figura 8: Representação simplificada de çados, sendo um dos materiais mais esquema reacional de produção de
cadeias poliméricas reticuladas. utilizados na produção de solados e poliuretano a partir de um diisocianato e
laminados sintéticos (filmes de PVC um diálcool (diol). Poliuretano constitui
mente os principais materiais utiliza- que são aplicados a um tecido ou ma- uma família de polímeros com vários
dos no tênis, em que parte e/ou com- lha para dar acabamento) aplicados tipos diferentes de isocianatos e dióis
ponentes são empregados, quais as no cabedal. A Figura 9 mostra a rea- ou polióis, podendo ser utilizado para
suas características básicas e como ção de polimerização. Erroneamente diferentes produtos.
elas influenciam no desempenho do o PVC é chamado de couro sintético, TR: O TR é um composto termo-
calçado e conforto do consumidor. pois pode ser produzido com aspecto plástico a base do copolímero SBS
Couro: O couro é formado por um parecido ao couro. Por ser um polí- – estireno-butadieno-estireno – que
tecido fibroso constituído de uma pro- mero do tipo termoplástico, de baixo é uma borracha. TR significa da sigla
teína chamada colágeno. O colágeno custo, fácil processamento e 100% inglesa borracha termoplástica (ter-
é constituído por uma cadeia de três reciclável, o PVC é amplamente utili- moplastic rubber). A Figura 11 mostra
peptídeos (Answers.com, 2007) que zado em solados injetados, ou seja, o esquema reacional de síntese do
interagem entre si por meio de liga- produzidos industrialmente com o copolímero SBS. É um material bas-
ções de hidrogênio, formando uma polímero fundido e sendo injetado tante versátil utilizado, sobretudo, na
estrutura tridimensional conhecida em um molde. O PVC é impermeável fabricação de solados, entressolas
como tripla-hélice, sendo considerado e apresenta boa resistência ao des- e amortecedores. TR é amplamente
um polímero natural. É obtido da pele gaste (abrasão), mas possui baixa utilizado na indústria de calçados
de animais – geralmente boi, cabra, aderência ao solo. devido a suas propriedades, sua
porco etc. – que, após um tratamento Poliuretano (PU): Trata-se de um praticidade e seu baixo custo. Apre- 71
chamado de curtimento, o transforma material sintético, extremamente versá- senta boa aderência ao solo e boa
num material apto a ser costurado, til, disponível sob várias formas e em- flexibilidade inclusive em baixas tem-
colado, ou seja, manipulado indus- pregado em solas, entressolas, lamina- peraturas. Sua principal desvantagem
trialmente. O couro, considerado um dos e forros sintéticos. Caracteriza-se é um comportamento de resistência
material nobre, pode ser adicionado por ser durável, flexível e leve, sendo ao desgaste relativamente inferior ao
em várias partes do calçado, mas é altamente indicado para confecção de PU (Mylius, 1993).
particularmente aconselhável no ca- tênis para a prática de esportes, sobre- Borracha Natural Vulcanizada:
bedal, no forro e em alguns modelos tudo por sua capacidade de absorver Esta foi o primeiro material a ser
de sola. As razões para isso são suas usado para substituir o couro na
propriedades especiais (Mylius, 1993; fabricação de solados. Após o pro-
Answers.com, 2007): cesso de vulcanização (Figura 12),
são encontradas “pontes de enxofre”
- plasticidade e elasticidade: o entre as cadeias da borracha, ou seja,
couro tem a capacidade de são produzidas ligações covalentes
conformar-se, amoldar-se a Figura 9: Reação de polimerização do entre as cadeias, e o enxofre trans-
uma determinada forma que cloreto de vinila com a produção do forma a borracha em um polímero
lhe é dada e de mantê-la, o que poli(cloreto de vinila) (PVC).
garante que o calçado não se
deformará mesmo com o passar
do tempo.
- resistência ao atrito, ao rasgamen-
to, à flexão, o que assegura uma Figura 10: Reação de polimerização entre o diisocianato de parafenileno e o etilenoglicol
maior vida útil para o calçado. para obtenção de um poliuretano.
- permeabilidade: absorve a umi-
dade natural (suor) do pé e per-
mite a transpiração, propiciando
um “ambiente” agradável dentro
do calçado.
- distensibilidade: pode distender-
se, amoldando-se, assim, às va- Figura 11: Reação de polimerização dos monômeros de estireno e 1,3-butadieno na
riações de volume dos diversos estequiometria de (2:1) para obtenção do copolímero de SBS, comercialmente conhecido
tipos de pés e adaptando-se como TR, outro tipo de borracha sintética.

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
compra do cliente. Geralmente os
acabamentos dos tênis são de lami-
nados sintéticos aplicados no cabe-
dal, que apresentam os mais diversos
efeitos de superfície, desde o brilho
ao fosco, podendo também imitar o
couro. Os solados podem variar de
acordo com a preferência do cliente,
podendo ser coloridos ou não, pois
todos os polímeros descritos prévia-
mente são passíveis de pigmentação
Figura 12: Reação de vulcanização entre a borracha natural e o enxofre para a obtenção
da borracha vulcanizada.
(World Tennis, 2007).
Conforto: Basicamente, o conforto
se deve ao projetista do calçado e seu
termorrígido e elástico. Esse novo quando cadeias poliméricas distintas processo de modelagem. Um tênis
material – borracha vulcanizada – se atraem, interagindo efetivamente. que não nos incomoda, que facilita o
apresenta propriedades mecânicas Os termoplásticos PU, PVC, EVA e andar e nos proporciona bem-estar,
excepcionais, bem melhores que as o TR são amplamente utilizados na deve-se à modelagem correta, ba-
das borrachas sintéticas e/ou não confecção de solados para tênis. seada em uma fôrma que respeite a
vulcanizadas. Apresenta excelente Compare a resistência ao desgaste anatomia, a fisiologia e a mecânica
resistência ao desgaste, adere bem desses polímeros, considerando suas do pé. O tipo do material utilizado no
ao solo e é flexível e leve. Sua prin- estruturas químicas e a interação solado e cabedal também é essencial
cipal desvantagem é o alto custo entre cadeias. Coloque em ordem para o conforto dos pés. A utilização
de processo, pois a vulcanização é crescente de resistência ao desgaste de materiais sintéticos, tais como
considerada demorada e trabalhosa os polímeros mencionados. o PVC e PU, para a confecção de
72 do ponto de vista do produtor de cabedais (forro e acabamento), ape-
calçados. Relação entre os materiais constituintes sar de proporcionarem acabamento
EVA: O EVA – copolímero de etile- de um tênis e suas propriedades excepcional, não permite a transpi-
no e acetato de vinila – é um material De uma maneira objetiva, pode- ração natural dos pés. Portanto, os
amplamente utilizado em entressolas mos afirmar que a qualidade intrín- calçados produzidos com esses ma-
e em, principalmente, palmilhas (Fi- seca de um calçado teriais podem causar
gura 13). Dos materiais relacionados se baseia em cinco Os principais materiais frieiras e doenças de
para solado, é o mais leve e um dos características: utilizados no tênis são: pele em geral, além
mais macios, sendo empregado, Aspecto – Con- couro, PVC [poli(cloreto de é claro de provocar
sobretudo, em sua forma expandida forto – Durabilidade – vinila)], PU (poliuretano), o aparecimento de
(ou seja, como espuma). Possui boa Segurança – Saúde TR (termoplastic rubber), odor desagradável,
resistência a impacto, sendo muito Dessa forma, a borracha natural o famoso “chulé”.
utilizado para tênis esportivos do tipo avaliação dos ma- vulcanizada e EVA (etileno Dos laminados sin-
futsal e alguns tipos de chinelos em teriais utilizados na e acetato de vinila). téticos – PVC e PU
sua forma expandida. produção de um tênis –, o primeiro é o mais
é essencial para a es- crítico, pois torna o
Questão para discussão
colha de um modelo (Mylius, 1993). tênis praticamente impermeável, além
Na produção de solados à base Aspecto: O relevante nesse senti- de dificultar a transpiração do pé,
de polímeros sintéticos, uma pro- do é o acabamento do tênis, seja ele provocando superaquecimento des-
priedade bastante desejável é a para qualquer tipo de uso. O impor- te. Solados à base de PVC também
sua resistência ao desgaste. Essa tante é o tênis ter sido bem acabado são mais “pesados” e podem causar
resistência é maior, principalmente, de acordo com as preferências de desconforto durante caminhadas e
no uso diário. O PU apresenta certo
grau de permeabilidade à umidade e
de absorção da transpiração do pé,
tornando-se uma melhor opção para
forros e laminados de acabamento
em tênis (World Tennis, 2007). Mo-
delos confeccionados com material
sintético perfurado podem melhorar
Figura 13: Reação de polimerização entre o e etileno e o acetato de vinila, para a consideravelmente a capacidade de
obtenção do copolímero poli(etileno-co-acetato de vinila), comercialmente conhecido transpiração. Nesse caso, é preciso
como EVA. avaliar o comportamento em am-

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
biente úmido, ou seja, em dias de responsáveis pela boa resistência ao Questões para discussão
chuva, pois um calçado que deixa desgaste desse material. A borracha Em um dia chuvoso, qual/quais os
entrar água torna-se desconfortável natural ou sintética vulcanizada apre- tipos de solados são mais recomen-
e prejudicial à saúde. O material mais senta boas propriedades para aplica- dados para o uso? Por quê?
indicado para aplicação de acaba- ção em solados, pois possui excelente Qual é a finalidade daqueles bu-
mento é o couro, pois possui poros resistência ao desgaste, aumentando raquinhos presentes nos cabedais
que absorvem a umidade natural do em muito a vida útil do calçado, o que de alguns tênis esportivos? Por que
pé, propiciando um ambiente agra- está associado a ligações covalentes nos sapatos sociais eles não estão
dável dentro do tênis. entre as cadeias poliméricas devido presentes?
As vantagens dos laminados sin- às “pontes de enxofre”. No entanto, A escolha de um tênis por um ado-
téticos sobre o couro são: apesar do bom desempenho do PU e lescente típico é baseada principal-
da borracha vulcanizada em solados, mente em fatores tais como conforto
- menor custo; o custo desses materiais é mais alto: e durabilidade? Discuta.
- superfície mais regular, homo- o PU por se tratar de um material mais
gênea e sem defeitos; nobre, e a borracha vulcanizada pelo Conclusão
- espessura uniforme; processo de vulcanização. No caso de A presente proposta objetiva a con-
- maior aproveitamento. tênis para passeio textualização de temas
ou trabalho, uma relacionados aos ma-
Durabilidade: Qualquer tênis deve boa opção é o TR, Os polímeros apresentam teriais poliméricos com
ter padrões mínimos de resistência pois gera solados propriedades químicas o estudo do produto:
de acordo com a sua aplicação, ou leves, flexíveis e muitas vezes originadas tênis. Por meio de textos,
seja, um tênis de corrida deve apre- antiderrapantes, de interações entre uma questões para discus-
sentar maior resistência a impactos e além de ter cus- mesma cadeia polimérica são e experiências em
desgaste que um de passeio. Nesse to mais acessível (intramolecular) ou desta laboratório, busca-se a
sentido, a maior ou menor durabili- que os outros ma- com outras cadeias apresentação das rea-
dade está relacionada aos materiais teriais descritos. (intermolecular). ções de polimerização, 73
que são aplicados em sua estrutura Sua desvantagem estruturas poliméricas,
e suas propriedades. Para calçados está no desgaste, pois é um material interações (intra)intermoleculares e
esportivos, que demandam maior que apresenta limitada resistência ao propriedades dos materiais e do arte-
resistência ao desgaste devido ao desgaste. Tal propriedade também fato tênis. Além de tratar de conteúdos
atrito com quadras e pistas de corri- está associada ao tipo de interações típicos de química no Ensino Médio,
da, faz-se necessário a utilização de intermoleculares existentes entre ca- o foco é proporcionar ao aluno uma
materiais com melhores propriedades deias, que são do tipo dipolo induzido visão crítica sobre os produtos que
mecânicas. O PU e a borracha vulca- – dipolo induzido, ou seja, mais fracas o rodeiam que são constituídos de
nizada são boas opções para solados que as ligações de hidrogênio (PU) e materiais poliméricos. Critérios que
em calçados esportivos. Analisando covalentes (Borracha Vulcanizada) baseiam opções de consumo são fre-
a estrutura química desses compos- Segurança: A segurança de um quentemente manipulados pela mídia
tos, é fácil verificar a razão das boas tênis está associada à proteção e uma análise consistente de aspectos
propriedades mecânicas que eles dos pés e do nosso corpo. O ponto tais como durabilidade, conforto e
apresentam. O PU apresenta ligações crucial desse item é a estabilidade saúde podem contribuir para um po-
intermoleculares do tipo “ligações de que o tênis deve proporcionar, pois é sicionamento mais maduro dos jovens
hidrogênio”, como mostrado na Figura essencial que este tenha um solado em relação a problemas imediatos de
14, que é umas das características com propriedades antiderrapantes, sua vida em sociedade.
que evitará quedas em dias de chuva
ou trajetos escorregadios. Agradecimentos
Saúde: A saúde está relacionada, Os autores agradecem a leitura
sobretudo, ao processo de produção crítica do trabalho realizada pela
do calçado, ou seja, se sua modela- Professora Nilma Soares da Silva -
gem foi feita corretamente. Outro fator Doutoranda do Cecimig-UFMG.
importante são os materiais utilizados
no cabedal (forro e laminados de
Alexandre Silvestre dos Santos, técnico em Química
acabamento): se forem sintéticos, Industrial pelo Centro Federal de Educação Tec-
dependendo do projeto, podem ser nológica de Minas Gerais (CEFET-MG), é licenciado
impermeáveis, provocando superaque- em Química pela Universidade Federal de Minas
cimento dos pés e não permitindo sua Gerais (UFMG). Glaura Goulart Silva (glaurasilva@ya-
hoo.com), licenciada, bacharel e mestre em Química
Figura 14: Ligações de hidrogênio forma- transpiração natural, o que pode gerar pela UFMG, doutora em Eletroquímica pelo Institut
das entre a carbonila (C=O) e o grupo frieiras e doenças de pele em geral. National Polytechnique de Grenoble (França), é pro-
N-H entre cadeias de poliuretano. fessora do Departamento de Química da UFMG.

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
Referências GOOUTSIDE. Aprenda a escolher. se fabrica? Química Nova na Escola, n.
Disponível em <http://gooutside.terra. 14, p. 3-7, 2001.
ANSWERS.COM. Collagen. Disponível em
com.br/Edicoes/16/artigo27572-1.asp>. SANTOS, W.L.P. e MÓL, G.S. Química e
<http://www.answers.com/topic/collagen?
Acesso em 10 nov. 2007. sociedade: volume único, ensino médio.
cat=health>. Acesso em 04 nov. 2007.
MANO, E.B. e MENDES, L.C. Identifica- São Paulo: Nova Geração, 2005.
BARROS, H.L.C. Forças intermole-
culares, sólidos e soluções. 2. ed. Belo ção de plásticos, borrachas e fibras. São SANTOS, W.L.P. e SCHNETZLER, R.P.
Horizonte: UFMG, 2000. Paulo: Edgard Blücher, 2000. Função social – o que significa o ensino de
BIANCHI, J.C.A; ALBRECHT, C.H e MATEUS, A.L. e MOREIRA, M.G. Cons- química para formar o cidadão? Química
MAIA, D.J. Universo da Química. São truindo com PET. Belo Horizonte: Funda-
Nova na Escola, n. 4, p. 28-35, 1996.
Paulo: FTD, 2005. Coleção Delta. ção Ciência Jovem, 2005.
SCURACCHIO, C.H., WAKI, D.A. e
CALLISTER Jr., W.D. Materials science MYLIUS, M. S. O sapato: conhecer bem
BRETAS, R.E.S. Caracterização térmica
and engineering: an introduction. New para vender melhor – um manual para o
e reológica de borracha de pneu desvul-
York: John Wiley & Sons, 1997. lojista. Novo Hamburgo: CTCCA, 1993.
canizada por microondas. Polímero, v. 16,
CANEVAROLO Jr., S.V. Ciência dos polí- PEREIRA, R.C.C.; MACHADO, A.H. e
p. 46-52, 2006.
meros: um texto básico para tecnólogos e SILVA, G.G. (Re)conhecendo o PET. Quí-
mica Nova na Escola, n. 15, p. 3-5, 2002. WAN, E.; GALEMBECK, E. e GALEM-
engenheiros. São Paulo: Artliber, 2003.
PITOMBO, L.R.M. e LISBOA, J.C. So- BECK, F. Polímeros sintéticos. Cadernos
CURI, D. Polímeros e interações mole-
culares. Química Nova na Escola, n. 23, brevivência humana – um caminho para Temáticos de Química Nova na Escola, n.
p. 19-22, 1996. o desenvolvimento do conteúdo químico 2, Edição Especial – maio 2001.
FRANCHETTI, S.M. e MARCONATO, no ensino médio. Química Nova na Escola, WORLD TENNIS. A história do tênis. Dis-
J.C. A importância das propriedades físi- n. 14, p. 31-35, 2001. ponível em <http://www.wtennis.com.br/
cas dos polímeros na reciclagem. Química SANTOS, C.P.; REIS, I.N.; MOREIRA, html/historia_tenis/historiadotenis.htm>.
Nova na Escola, n. 18, p. 42-44, 2003. J.E.B. e BRASILEIRO, L.B. Papel: como Acesso em: 11 nov. 2007

Abstract: The everyday tennis. Fundamental aspects about polymers and trainer’s materials have been presented in this work. Moreover, experimental activities concerning tennis’s bases char-
acterization were proposed. This context may allow an interesting discussion of chemical topics such as polymer nomenclature, intermolecular interactions, polymerization reactions and material
74 properties. Furthermore, the subject may support a critical approach about consumption values of the modern society.
Keywords: polymers, experiments, consumption values.

Anexo: Atividade 1 – Manipulando o solado de dois tipos de tênis e fazendo uma pesquisa de mercado.
Observação: Para o desenvolvimento das atividades a seguir, será necessária a utilização de um tênis do tipo All Star® e outro do tipo
jogging (podem ser das marcas: Nike®, Olympikus®, Puma® etc., pode também ser utilizado qualquer sapatênis convencional). Sugere-
se que as experiências sejam expositivas devido ao risco de acidentes. Não é necessário o uso de tênis novos nos experimentos.
Material
- Tênis tipo All Star (Figura i) e tênis tipo
jogging (Figura ii);
- Faca ou estilete.
Procedimento
- Observar e manipular ambos os tênis,
anotar as observações com relação a
variedade ou tipos de materiais polimé- Figura i: Tênis tipo All Star®. Figura ii: Exemplos de tênis tipo jogging.
ricos que o compõem em suas diversas
partes.
- Com uma das mãos, flexionar o tênis
de modo a dobrá-lo para que seu solado
fique exposto. Com o auxílio de uma faca,
cortar pequenos fragmentos do solado, de
ambos os tênis, de acordo com a Figura
iii. Não é necessário cortar todo o solado,
pois são necessários somente pequenos
fragmentos do solado. Figura iii: Visão dos tênis flexionados e área sugerida para corte dos fragmentos (retirar
- Identificar e guardar os fragmentos apenas pequenos fragmentos do desenho em alto relevo): a) Tênis tipo All Star® b)
cortados. Tênis tipo jogging.
Pesquisa de mercado – análise comparativa
Como complementação à Atividade 1, sugere-se que seja realizada uma pesquisa sobre marcas disponíveis, qualidade e custo de
tênis em lojas acessíveis aos estudantes. A organização das informações pode ser colocada numa tabela, indicando por marca,
dados como custo, aspecto, conforto (os tênis devem ser experimentados com cuidado), durabilidade (com base na experiência dos
estudantes, familiares, amigos etc.), segurança e saúde. Após consolidação da tabela de informações, por meio de discussão entre
diferentes grupos de alunos, pode ser realizado um debate amplo sobre os critérios de consumo atualmente utilizados pelos alunos
e em que estes podem ser aprimorados.

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009
Atividade 2 - Distinguindo polímeros termoplásticos e termorrígidos

Material
- Bico de Bunsen ou lamparina;
- Tubos de ensaio;
- Vidros de relógio;
- Fragmentos dos solados previamen-
te cortados.
Ensaio de fusão
- Selecionar previamente os fragmen-
tos a serem testados a partir daqueles
coletados na Atividade 1. Vide exem- Figura iv: Fragmentos pré-selecionados para ensaio de fusão. a) Tênis All Star®
plo na Figura iv. b) Tênis tipo jogging.

- Colocar separadamente alguns frag- presentado na Figura v. Se, no entanto,


mentos de todos os componentes o material permanecer solto no fundo
dos solados dos tênis em tubos de do tubo como um resíduo carboni-
ensaio e rotulá-los. zado, sólido, negro, o ensaio indica
- Levar os tubos à chama de um bico infusibilidade, como representado na
de Bunsen e observar se a amostra é Figura vi (Mano e Mendes, 2000).
fusível. Se o material amolecer, ade- Observação: - Atenção a normas de
rindo à parede do tubo, o ensaio é segurança dentro de um laboratório.
positivo para material fusível, como re- - É recomendável realizar os experi-
Figura vi: Fragmentos do tênis tipo All
mentos dentro de uma capela ou em
Star® após o ensaio de fusão e retirada
ambiente bem arejado. dos fragmentos de dentro do tubo. O tubo
de ensaio foi omitido devido à formação 75
Questões para discussão – Atividade 2 de fuligem de carbono nas suas pare-
Tendo por base a Atividade 2, faça des, que não permitiu a visualização do
uma discussão sobre a presença de resíduo carbonizado.
polímeros termorrígidos e termoplás-
ticos no solado dos tênis. Discuta sobre as propriedades
Qual dos solados foi mais difícil dos termoplásticos e termorrígidos
Figura v: Fragmentos do tênis tipo jogging de ser cortado durante a retirada das com respeito ao impacto no meio
após ensaio de fusão. amostras? Por quê? ambiente após descarte.

III Encontro Iberoamericano sobre Investigação em Ensino de Ciências


O Encontro Iberoamericano sobre Investigação em • Comemoração dos dez anos do Programa Interna-
Ensino de Ciências (EIBIEC) faz parte das atividades pro- cional de Doutorado em Ensino de Ciências.
movidas, conjuntamente, pelo Programa Internacional de As atividades serão realizadas em torno de apresen-
Doutorado em Ensino de Ciências (PIDEC) da Universidade tação e debate de trabalhos de investigação em Ensino
de Burgos, Espanha, e pela Revista Investigações em En- de Ciências, conferências, mesas-redondas e grupos de
sino de Ciências (IENCI) da Universidade Federal do Rio discussão sobre temas e linhas de investigação em Edu-
Grande do Sul (UFRGS). cação em Ciências.
O III EIBIEC será realizado na Universidade de Burgos, As submissões de trabalhos, nas formas de comunica-
Espanha, no período de 14 a 18 de setembro de 2009. ção oral e pôster, poderão ser realizadas até 30 de maio
Os principais objetivos do encontro são: de 2009.
• Apresentação e discussão de trabalhos e linhas de Contato pelo endereço-e: concesa@ubu.es
investigação em Ensino de Ciências; Informações adicionais: http://sites.google.com/site/
• Criação de um mecanismo articulador de investigado- ubugiec
res e grupos de investigação em Ensino de Ciências
no âmbito Iberoamericano; Luciana Caixeta Barboza (editoria QNEsc)

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA ­­O Tênis Nosso de Cada Dia Vol. 31, N° 2 , maio 2009