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Material Institucional para estudo – 22/08/2018

Disponível no Portal do Aluno - FDSM

RESPOSTA DO RÉU
CONTESTAÇÃO
Com a citação o réu passa a integrar a lide e pelo princípio do contraditório ele tem o
direito de se manifestar sobre as alegações apresentadas pelo autor. A contestação é a
peça de defesa do réu, onde ele apresenta toda sua tese de defesa. O prazo para
apresentar contestação será de 15 dias, mas o início da contagem será diferente conforme
algumas circunstâncias. Assim, o prazo será contado:
- I- da audiência de conciliação ou mediação ou da última sessão de conciliação quando não
houver acordo;
- II- do protocolo do pedido de cancelamento da audiência pelo réu quando o autor também
manifestar desinteresse na conciliação; em caso de litisconsórcio passivo o prazo inicia-se a
partir da data de protocolo do respectivo pedido de cancelamento da audiência.
Ressalte-se que, havendo vários réus o prazo será comum, de 15 dias, mas havendo
diferentes procuradores será em dobro, caso não pertençam ao mesmo escritório. Essa
regra só se aplica aos processos físicos e não aos eletrônicos.
Se a audiência preliminar não for designada e o autor desistir da ação em relação a
um réu não citado, o prazo correrá da intimação da decisão que homologar a desistência.

Princípio da Eventualidade ou da Concentração


O princípio da eventualidade ou da concentração preceitua que toda matéria de
defesa deve ser exposta na contestação, de uma só vez, sob pena de preclusão. Ou ele
alega todas as teses de defesas a seu favor, ou não poderá mais alega-las. Por esse motivo,
o réu pode cumular teses de defesas e ainda que haja contradição entre uma e outra, essas
teses são aceitas. - ex. não devo porque não há contrato; caso entenda que haja contrato
ele é nulo; se entender que não é nulo, está prescrito... Essa possibilidade, no entanto,
encontra limites na boa fé processual.
O réu deve impugnar todos os fatos narrados na inicial, ou eles serão presumidos
verdadeiros, exceto:
1) se não for admissível a confissão dos fatos (direitos indisponíveis, como o estado e a
capacidade) ex. ação de interdição, se o interditando ficar inerte, a incapacidade deve ser
comprovada por perícia
2) PI não estiver acompanhada do instrumento público que seja da substância do ato. Ex.
reivindicatória sem título de domínio. A falta de contestação não faz presumir a
propriedade. Outro exemplo: morte, casamento, que se comprovam com as certidões
correspondentes.
3) se os fatos alegados na inicial estiverem em contradição com a defesa em seu conjunto.
Ex. reparação de danos – se o réu afirma que não praticou o fato, os demais fatos alegados
ficam impugnados.
Esse é o ônus da impugnação especificada dos fatos, que não se aplica ao defensor
público, advogado dativo e curador especial, que podem apresentar uma negativa geral
dos fatos.
Depois de apresentada a contestação o réu não pode fazer novas alegações ou aditá-
la, ainda que no prazo. Exceto: relativas a direito superveniente; se o juiz puder conhecer
de ofício (litispendência, incompetência absoluta...); por autorização legal puder ser
formulado em qualquer tempo (prescrição).

Defesa Processual
A defesa pode ser processual (indireta) ou de mérito (direta). A defesa processual
tem conteúdo apenas formal, pretendendo a inutilização do processo, do instrumento, sem
apreciação do mérito pelo juiz.
A defesa processual/ indireta pode ser dilatória quando o seu acolhimento pelo juiz
não atinge a relação processual, mas prorroga o seu término (nulidade da citação,
incompetência absoluta). O processo paralisa temporariamente e depois continua o seu
curso, não havendo a extinção.
Ou pode ser peremptória, quando o seu acolhimento pelo juiz extingue
imediatamente a relação processual. Ocorre, por exemplo, quando se reconhece a
litispendência, a coisa julgada.
O artigo 337 traz um rol de defesas indiretas (processuais), que deverão ser alegadas
em preliminares.
- inexistência ou nulidade de citação; (defesa dilatória) concede-se novamente o
prazo para contestar;
- incompetência absoluta e relativa; nesse caso a contestação pode ser protocolada
no foro de domicílio do réu (diferente de onde tramita o processo). Assim, a Audiência
Preliminar deve ser cancelada e após definido qual o juízo competente será designada uma
nova data.
- incorreção do valor da causa; quando o valor da causa atribuído pelo autor estiver
em desconformidade ao artigo 292 NCPC, ou se, não havendo previsão de valor pelo art.
292, o valor atribuído pelo autor for irrazoável. A não impugnação gera preclusão.
- inépcia da petição inicial;
- perempção (autor der causa por 3x à extinção do processo por abandonar a causa
por mais de 30 dias)
- litispendência (causa idêntica a outra – mesmas partes, causa de pedir e pedido)
- coisa julgada (ação que já foi decidida por sentença de que não caiba mais recurso.
- conexão – embora não preveja expressamente, aplica-se também à continência;
- incapacidade da parte, defeito de representação (falta de procuração) ou falta de
autorização (falta de outorga uxória em ações de direito real imobiliário);
- convenção de arbitragem – as partes, negocialmente, decidem pela arbitragem,
através da cláusula compromissória ou do compromisso arbitral. Se uma delas desobedece
e entra na justiça, cabe a outra parte alegar. Não cabe ao juiz decidir de ofício, pois se o réu
não alegou é porque também abriu mão da convenção de arbitragem.
- ausência de legitimidade ou de interesse processual; havendo alegação de
ilegitimidade pelo réu o autor terá o prazo de 15 dias para alterar o polo passivo. O autor
pagará despesas e honorários ao advogado do réu excluído, no valor de 3 a 5% do valor
pretendido ou do valor da causa. O réu, quando souber, deve indicar quem deverá figurar
no polo passivo.
- falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; ex. não
pagamento de custas processuais, não pagamento de honorários advocatícios de processo
extinto sem resolução do mérito; não pagamento de caução prevista no artigo 83 NCPC
- indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça; caso a gratuidade de
justiça seja concedida em momento posterior, o pedido de revogação poderá ser feito por
petição simples, no prazo de 15 dias.

Defesa de Mérito
A defesa de mérito dirige-se contra a pretensão do autor, buscando a improcedência
do pedido. Poderá ser direta (quando o réu negar o fato constitutivo do direito do autor, ou
reconhecer o fato, mas negar as conseqüências). Ex. autor entra com rescisão contratual e
perdas e danos dizendo que o réu está inadimplente. O réu nega a existência do contrato
ou a reconhece, mas contesta o inadimplemento.
Ou indireta, quando o réu sem negar o fato constitutivo do direito do autor invoca
outro, impeditivo (incapacidade do contratante; vícios do consentimento), modificativo
(novação, caso fortuito) ou extintivo (prescrição, pagamento).

Reconvenção
A reconvenção pode ser considerada um contra-ataque, uma verdadeira ação
proposta pelo réu (que passa a ser chamado de reconvinte) contra o autor (reconvindo),
nos mesmos autos. É uma demanda nova em processo já existente.
Com a reconvenção passa a existir um acúmulo de lides e as partes atuam
reciprocamente como autores e réus.
É uma mera faculdade, sendo que da sua omissão não decorre nenhum prejuízo ao
réu, pois mesmo tendo deixado de formular sua resposta reconvencional, pode ajuizar ação
paralela contra o autor para formular o pedido que seria objeto da reconvenção.
A reconvenção será apresentada na contestação. O prazo para resposta (contestação
da reconvenção) é de 15 dias e a intimação do autor – reconvindo – é feita pelo seu
advogado.
As duas lides são julgadas na mesma sentença, embora sejam autônomas. O autor
pode desistir da ação principal e a reconvenção continuar em curso.
A reconvenção pode ser proposta pelo réu contra o autor (reconvindo) e um terceiro.
Nesse caso, o litisconsórcio que se forma pode ser necessário. Ex. autor ajuíza ação
reivindicatória e réu, alegando usucapião em sua defesa, faz reconvenção contra o autor e
terceiros (confinantes do imóvel). Pode, ainda, ser facultativo se o reconvindo e o terceiro
forem colegitimados (solidariedade passiva), conforme exemplo de Fredie Didier Jr.
“Imagine-se um contrato firmado entre A, B e C. A entra com ação contra B, formulando
pedido de revisão de cláusulas contratuais a eles relativas, caso em que B poderia reconvir
em face de A e C, com pedido de que sejam condenados no cumprimento das respectivas
obrigações emanadas do mesmo contrato”.
A reconvenção pode ser, também, proposta pelo réu e um terceiro em litisconsórcio,
contra o autor- reconvindo. Será litisconsórcio facultativo, pois não existe litisconsórcio
ativo necessário. Mas será, na maioria das vezes, litisconsórcio unitário, pois litisconsórcio
simples entre terceiro e réu significa que o terceiro estaria formulando demanda própria,
causando tumulto desnecessário no processo. No entanto, quando se tratar de demandas
conexas, ainda que seja simples o litisconsórcio, ele se justifica. Pode-se utilizar do mesmo
exemplo acima: A entra contra B com pedido de revisão de cláusulas contratuais. B e C
podem reconvir contra A pedindo a condenação no cumprimento das respectivas
obrigações emanadas do mesmo contrato.
Em suma, os requisitos da reconvenção são:
- causa pendente;
- prazo da contestação, na mesma peça. ( Lembrando que o réu pode reconvir mesmo sem
contestar, em peça autônoma);
- o juízo da causa principal deve ser competente também para julgar a reconvenção;
- compatibilidade entre procedimentos;
- conexão;
- quanto às despesas processuais, lei estadual deve definir se há ou não pagamento de
despesas processuais na reconvenção; na justiça federal não há.
Em relação à substituição processual, se a ação tiver sido ajuizada pelo substituto
processual, o réu somente poderá reconvir se seu pedido fundar-se em pretensão que
tenha em face do substituído, desde que para tal ação subsista a legitimação extraordinária
passiva do substituto.

REVELIA
A revelia é a não apresentação tempestiva da contestação. Ainda que o réu
compareça em juízo, será revel se não apresentar a contestação no prazo devido. A revelia
gera importantes efeitos e consequências:
- 1- efeito material: presunção de veracidade das alegações de fato feitas pelo autor;
- 2- os prazos contra o réu revel que não tem advogado fluem a partir da publicação da
decisão;
- 3- preclusão contra o réu de poder alegar algumas matérias de defesa;
- 4- possibilidade de julgamento antecipado do mérito da causa, caso se produza o efeito
material.
O efeito material de presunção de veracidade dos fatos não é efeito absoluto.
Algumas situações não produzem a presunção de veracidade:
1) se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação. O efeito somente é
afastado em relação ao fato comum contestado; em relação aos fatos exclusivos do
litisconsorte revel, a presunção de veracidade se aplica normalmente;
2) se o direito material em discussão é indisponível;
3) se a inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere da substância
do ato;
4) a revelia não pode tornar verossímil o absurdo. Se a postulação do autor não vier
acompanhada do mínimo de prova, não se poderá dispensar o autor de provar o que alega
pelo simples fato da revelia.
A revelia não implica vitória automática do autor, podendo o processo se estender,
inclusive, para a fase de produção de provas. Ressalte-se que o autor, mesmo diante da
revelia, não pode alterar o pedido ou a causa de pedir, salvo promovendo nova citação do
réu.
O réu revel pode intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em
que se encontrar, passando, a partir daí, a ser intimado dos atos que forem praticados no
processo. Pode até mesmo produzir provas. O réu revel que tenha patrono nos autos deve
ser intimado, normalmente, de todos os atos processuais.

Bibliografia
DIDIER JR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil, v. I, 17 ed. Salvador: Jus Podivm,
2015.
NERY JÚNIOR, Nelson, ANDRADE NERY, Rosa Maria. Comentários ao Código de
Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 8 ed. Bahia:
Editora Juspodivm, 2016.
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. v. I. 56 ed. Rio de
Janeiro: Forense. 2015.