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RECUPERAÇÃO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO

PERMANENTE FLUVIAL E INDICAÇÃO


DE ESPÉCIES ARBÓREAS

Alexandre Uhlmann
Pesquisador da Embrapa Florestas
O SÃO APPS FLUVIAIS?

 Faixas marginais aos rios perenes ou intermitentes.


 Margens das veredas.
 No entorno de nascentes (perenes) e olhos d´água (perenes ou
intermitentes).
 Também constituem APP, neste caso, não fluviais: restingas,
manguezais, bordas de tabuleiros e chapadas, topos de morro,
encostas declivosas.
QUAIS SÃO AS OPÇÕES PREVISTAS EM
LEGISLAÇÃO PARA A RECUPERAÇÃO DE APPS
EM ÁREAS CONSOLIDADAS?
 Regeneração natural.

 Recomposição.
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?

Área de APP isolada através


de cercamento
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
Sementes
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?

Fonte de sementes
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
10 km
COMO OCORRE A REGENERAÇÃO NATURAL?
10 km
QUEM TRANSPORTA OS DIÁSPOROS
(FRUTOS E/OU SEMENTES)?

Foto: Mauricio Pozzobon


 Aves (alimentam-se e
depois defecam as
sementes).
 Mamíferos (fazem o
mesmo que as aves ou
então transportam sobre

Foto: Annete Bonnet


Foto: Cintia Grüner
os pelos) – morcegos são
particularmente
importantes.
QUEM TRANSPORTA OS DIÁSPOROS
(FRUTOS E/OU SEMENTES)?
 Frutos coloridos
atraem aves.
 Sementes aladas
voam a grandes
distâncias.
O QUE PODE DAR ERRADO?
Alta densidade de
gramíneas usadas
para formação de
pastagem.
O QUE PODE DAR ERRADO?
Alta densidade de
gramíneas usadas
para formação de
pastagem.
As sementes
simplesmente não
germinam ou as
mudas se deparam
com forte competição.
PLANTAR É UMA OPÇÃO?
Envolve custos:
 Roçada prévia ao plantio.
 Abertura de covas.
 Aquisição de mudas.
 Eventualmente, a
adubação será necessária.
 Manutenção (roçada) para
evitar morte das mudas
por competição.
PLANTAR É UMA OPÇÃO?
Modelos e a escolha
adequadas das espécies
tende a aliviar a maior
parte dos custos.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?
A água tende a drenar em
subsuperfície de tal forma que os
terços inferiores tendem a ser, no
mínimo, mais úmidos.
É muito comum a presença de
solos hidromórficos em planícies
ou mesmo nos terços inferiores
das encostas, principalmente
quando superfícies concavadas
determinam maior convergência
hídrica.
COMO RECONHECER A PRESENÇA DE
HIDROMORFIA NOS SOLOS?

Aumenta a hidromorfia
A água excessiva tende a

Diminui a hidromorfia
remover o óxido de ferro que dá
ao solo cores avermelhadas ou
amarelecidas.
Sem óxidos de ferro, os solos
possuem cores neutras,
próximas do cinza.
COMO RECONHECER A PRESENÇA DE
HIDROMORFIA NOS SOLOS?

3%
16 3%
% 8%
28
% 3%

Figura 1 Figura 2
COMO RECONHECER A PRESENÇA DE
HIDROMORFIA NOS SOLOS?
Não há hidromorfia na rampa Há hidromorfia no terço final da rampa
(padrão típico de margens fluviais com (padrão típico de cabeceiras)
taludes elevados)

Figura 1 Figura 2
EM MARGENS DE RIOS PODE OCORRER
HIDROMORFIA?
Não há hidromorfia na margem Há hidromorfia na margem
(taludes elevados) (presença de planície)

Figura 1 Figura 2
QUAL O PROBLEMA DA HIDROMORFIA?
O oxigênio, necessário à
respiração da raiz, dilui-se
lentamente na água.
Algumas proteínas
responsáveis pelo transporte
de água nas células da raiz
ficam inativas – a planta morre
seca, apesar da grande
quantidade de água no solo.
TODAS SÃO ASSIM?
Não, algumas espécies
possuem adaptações a este
meio.
Mas, em geral, a
diversidade baixa nas
florestas que ocupam estes
espaços, dá ideia de quão
restritivo é o ambiente e de
quão poucas são estas
espécies.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

Algumas plantas não


toleram alta
luminosidade ou
crescem muito
lentamente sob tais
condições.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

Algumas outras
demandam associações
com fungos e bactérias
nas suas raízes.
As mudas já devem ser
preparadas com
inoculação destes
organismos.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

Isto significa que


demandarão mais
tempo para recobrir o
solo.
AUMENTO NOS CUSTOS
DE MANUTENÇÃO E
PERDA DE MUDAS.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

Geralmente, espécies ditas pioneiras crescem somente sob o sol e


necessitam de fungos e bactérias associados às suas raízes para seu
desenvolvimento.
Mas há que se considerar que seu ciclo de vida é curto e há a
necessidade de se contar com o enriquecimento (plantio feito com
espécies tolerantes à sombra) ou então com a regeneração natural.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?
Arquitetura da árvore
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?
Combinações de espécies que permitam o rápido fechamento da superfície do solo.
Arquitetura da árvore Mais sombra significa a eliminação da braquiária.
Espécies de folhas caducas permitem a entrada de luz e a regeneração natural.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?
Redução do custo por baixa mortalidade, baixo custo de manutenção e
Arquitetura da árvore possibilidade de incremento da diversidade por regeneração natural.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?
Arquitetura da árvore
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

Espaçamento:
Plantios adensados tem a vantagem de recobrir rapidamente o
solo, mas provavelmente necessitarão desbaste.
Plantios com amplos espaçamento necessitarão de manutenção
durante longo período.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

Adubação:
Solos muito empobrecidos, particularmente aqueles
possuidores de condições físicas restritivas (pequena
profundidade e compactados) podem exigir adubação.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?

O ideal:
Usar espécies de rápido crescimento, que desenvolvam copas
amplas e densas, sejam pouco exigentes quanto a fertilidade dos
solos e ainda incorporem matéria orgânica ao solo.
O QUE CONSIDERAR NA ESCOLHA DAS ESPÉCIES?
OBRIGADO!
Alexandre Uhlmann