LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Nós vamos continuar a Lei de Drogas

e eu já havia analisado com vocês algumas questões. Eu falei um pouco do histórico da Lei de Drogas. Eu falei qual foi a lei embrionária, a lei de transição e a lei atual, a 11.343/06. Eu coloquei as principais características da lei nova em comparação com a antiga. Depois expliquei o art. 28, ou seja, o crime de porte de droga para uso próprio. Fizemos uma tabela gigante, explicando se é crime, se é infração sui generis ou se não é mais crime. Falei que o STF entende que é crime. Depois eu expliquei rapidamente o art. 28, sujeitos, tipo objetivo, subjetivo, consumação, tentativa e, pronto, acabou o art. 28. Depois eu comecei o art. 33, crime de tráfico propriamente dito. Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. Esse é o crime de tráfico propriamente dito. Eu comecei analisando com vocês o objeto jurídico. Temos dois bens jurídicos: um mediato, principal e um secundário. Já vimos esses dois. Depois, estudamos os sujeitos. Vimos que o sujeito ativo é comum, o crime pode ser praticado por qualquer pessoa, porém, num verbo nuclear ele é próprio, qual? “Prescrever.” o verbo prescrever só pode ser praticado por médico ou dentista. Neste núcleo, o sujeito é próprio. Aí nós comentamos sobre o sujeito passivo. Falamos que a vítima primária é a coletividade e a vítima secundária, eventual inimputável, por exemplo, sujeito à ação do agente. Aí eu lembro que eu fiz uma pergunta: que crime pratica aquele que vende drogas para criança ou adolescente? É o art. 33, da Lei de Drogas, ou o art. 243, do ECA? E eu falei o quê?

 Que se a substância vendida estiver na Portaria da Secretaria de
Vigilância Sanitária 344/98 é tráfico.  Se for uma substância geradora de dependência, mas não estiver na Portaria, art. 243, do ECA. O art. 33, que nós vamos estudar agora, tem 18 núcleos, inclusive eu falei o que caiu pra Polícia Civil aqui em SP na fase oral. Foi aqui que eu acabei a aula. Vamos prosseguir deste ponto. Vamos voltar ao art. 33 caput. Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.

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LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Dos 18 núcleos, um chama a nossa atenção. Os núcleos são: Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas. Eu não vou, na aula de hoje, ficar explicando o que é importar, exportar, remeter, produzir, não vou! Isso qualquer um pega o dicionário e vê o que significa. Vou tratar do núcleo mais importante: fornecer drogas, ainda que gratuitamente. Cessão gratuita de drogas. Esse é o núcleo mais importante.

a)

Cessão gratuita de drogas

A doutrina discute o seguinte: como fica a cessão gratuita para juntos consumirem? Fornecedor e consumidor? Aqui temos que analisar sob a ótica antes e e depois da Lei 11.343/06:

LEI 11.343/06 ANTES 1ª Corrente – art. 12, da Lei 2ª Corrente – art. 12, da Lei 6.368/76 3ªCorrente – art. 16, da Lei 6.368/76 (prevalecia) DEPOIS Art. 33, da Lei 11.343/86 caput (habitualmente ou objetivo de lucro ou pessoa fora do relacionamento) ou Art. 33, § 3º da Lei 11.343/86 (oferecer droga e eventualmente

Antes da lei, a cessão gratuita para juntos consumirem, para uma primeira corrente, configurava o art. 12, da Lei 6.368/76. Essa corrente falava: “o que importa é que você cedeu droga para alguém! Se você fez isso, você é traficante, deve responder nas penas do art. 12. pouco importa se era para consumir com essa pessoa ou não. Ponto e acabou.” Uma segunda corrente dizia: “tudo bem, é o art. 12, da lei, porém, não equiparado a hediondo porque não havia finalidade de lucro, não havia mercancia.” E a terceira corrente dizia: “não, se você entregou droga para junto consumir, você não é traficante. Você deve ser considerado usuário, apenas e tão-somente.” E esta terceira corrente era a que prevalecia. Hoje, com a Lei 11.343/06, a questão está resolvida. Por quê? Cessão gratuita de drogas para juntos consumirem pode configurar, ou o art. 33, caput, ou o art. 33, § 3º. Vamos ver o que diz o art. 33, § 3º: § 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e

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LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28. Olha a pena: 6 meses a 1 ano! Então, cuidado! Hoje, oferecer drogas, eventualmente, para alguém de seu relacionamento, para juntos consumirem, vale o art. 33, § 3º. Se faltar algum requisito do art. 33, § 3º, como nós já vamos ver, aí cai no caput. O § 3º diz: oferecer droga e diz eventualmente. Isso significa que se você oferecer droga habitualmente, você cai no art. 33, caput. O crime é oferecer droga eventualmente! Sem objetivo de lucro! Se houver objetivo de lucro, você cai no 33, caput. E além de oferecer droga + eventualmente + sem objetivo de lucro, tem que ser a pessoa de seu relacionamento. Se você ofereceu droga a pessoa que não é do seu relacionamento, art. 33, caput. Cuidado! Se te perguntarem, hoje, como punir a cessão gratuita de drogas para juntos consumirem, você vai dizer: ou é o art. 33, caput, ou é o 33, §3º. Quantos são os verbos do art. 33, caput? 18! Nós estamos diante de um crime de ação múltipla, ou conteúdo variado. Por que é importante saber que estamos diante de um crime de ação múltipla ou conteúdo variado? Crime de ação múltipla ou crime de conteúdo variado também é conhecido como crime plurinuclear, com vários comportamentos descritos no tipo. O art. 33, da Lei de Drogas é um crime de ação múltipla genuíno. São 18 núcleos. 18 verbos. É importante saber que ele é crime plurinuclear de ação múltipla? Sim. Por quê? Porque se o sujeito ativo praticar mais de um núcleo no mesmo contexto fático, o crime continua sendo único. O juiz é que vai considerar a pluralidade de núcleos na fixação da pena. Então, se ele importar, guardar, conduzir e entregar a droga, ele praticou quatro verbos. Não significa que ele praticou quatro tráficos. Os verbos foram praticados no mesmo contexto fático. O crime continua único. Vamos anotar isso? “Sendo um crime de ação múltipla, na hipótese de o agente praticar mais de um verbo no mesmo contexto fático, não desnatura a unidade do crime.” Significa o quê? Que o crime continua único. Continuando: olha o que vai cair: “Todavia, faltando proximidade comportamental entre as várias condutas, haverá concurso de crimes.” Eu falei que o crime é único, se os crimes são praticados no mesmo contexto fático. Aquilo que eu importei eu guardo, aquilo que eu guardei eu transportei, aquilo que eu transportei, eu vendi. Faltando proximidade comportamental, aí estaremos diante de um concurso de delitos. Voltando ao art. 33, é imprescindível a presença da elementar indicativa da ilicitude do comportamento. É imprescindível que o agente pratique esses núcleos: “sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar” (art. 33). Eis aqui o elemento indicativo da ilicitude do comportamento. O promotor, quando denuncia, tem que colocar na denúncia que o agente agiu em desacordo com determinação legal ou regulamentar, ou sem autorização. O juiz, quando condena, tem que deixar claro que o réu agia assim. Pessoal, é elemento indicativo da ilicitude do comportamento. Então, quer dizer que tem

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trazem hipóteses de autorização especial. prestem atenção. o local e as condições em que se desenvolveu a ação criminosa. “Sem querer eu importei droga”. moralmente reprovável e socialmente perigoso. Findos os prazos a que se refere o art. remetendo os autos do inquérito ao juízo: I . trazem hipóteses em que. a conduta. 33. ou O art. prestem atenção: vocês acham que é um argumento convincente na Lei de Drogas o estado de necessidade? Saibam que não é incomum! Não raras vezes eu denunciei traficantes que. Idem o juiz na sentença. 52. não consigo colocar dinheiro dentro de casa e minha família morre de fome. O crime de tráfico do art.” Eu alertei na aula passada uma coisa que vou falar agora: a quantidade da droga não é indicação suficiente para definir se o crime é de tráfico ou porte para uso próprio. você não vai se prender somente à quantidade. Eu vou até colocar uma passagem de jurisprudência que achei interessante: “Dificuldade de subsistência por meios lícitos não justifica apelo a recurso ilícito. ainda que regularmente concedido. Art. as circunstâncias da prisão. Então.” É argumento convincente? Não há argumento convincente! A jurisprudência não reconhece o estado de necessidade no tráfico. não é isso? Cuidado! Equivale à não autorização. Vamos anotar isso: “Equivale à ausência de autorização o desvio de autorização.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS pessoas que podem. Mas é claro que se você prendeu numa rodovia alguém transportando 500 quilos. Agora. O promotor. pessoas podem manejar drogas. I diz que um rol de circunstâncias que deve ser considerado pelo delegado no momento do indiciamento. pode ser o mais primário dos primários. eu tinha que traficar porque eu não tenho dinheiro para sustentar a minha família. e essas circunstâncias têm que ser consideradas pelo promotor no momento da denúncia. é claro. ter autorização legal? Tem: os arts. deve considerar. justificando as razões que a levaram à classificação do delito.” Agora. 51 desta Lei. o armazenamento de drogas. indicando a quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido. não pode se prender somente à quantidade.relatará sumariamente as circunstâncias do fato. 2º e 31. vejam. a qualificação e os antecedentes do agente. da Lei de Drogas diz que você. O art. a autoridade de polícia judiciária. Uma questão importante é a seguinte: eu falei que o agente tem que praticar esses núcleos sem autorização legal. da Lei de Drogas. e pelo juiz. É imprescindível que ele 55 . excepcionalmente. no momento da sentença. eu tenho quatro filhos e se não traficar. Não! O crime é punido a título de dolo. outras circunstâncias. eventualmente. em sua defesa dizem: “juiz. mais do que a quantidade. em algumas situações. é punido a título de dolo. delegado. quando vai denunciar. 52. Cuidado que esses dispositivos permitem a algumas pessoas. o desvio da finalidade da autorização que tem. 52. por um ou outro crime. não adianta ele falar que era para uso próprio.

! Em qual núcleo? Tentar adquirir. Prescrição só começa a correr depois de cessada a permanência Superveniência de lei mais grave incide no caso (Súmula 711. Tem uma minoria que admite a tentativa sim.A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS saiba que a substancia que ele mantém em depósito é droga. mantém em depósito e traz consigo. esta lei será aplicada ao crime (Súmula 711. STF) São núcleos que admitem flagrante a qualquer tempo. Eu falei que é unânime? Não. 33 se consuma com a prática de qualquer um dos núcleos. Alguns núcleos. Resumindo e concluindo: para a maioria não admite tentativa porque os núcleos inviabilizaram o conatus e para uma minoria é possível tentativa no “tentar adquirir”. 56 . independentemente de obtenção de lucro. é imprescindível que ele saiba que é substancia proibida.DJ de 13/10/2003 . Parece claro que é uma modalidade tentada. Cuidado! Caiu na Polícia Federal essa questão e a resposta foi que admite tentativa! Tem uma doutrina que admite tentativa. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. E quais são as hipóteses de crime permanente na Lei de Drogas? Exemplos:  Guardar. Prevalece que os 18 núcleos inviabilizaram a tentativa. não corre a prescrição.  Manter em depósito.  Trazer consigo São núcleos permanentes. Pergunta da Polícia Federal: Quando que este crime se consuma? O crime do art. Esse crime admite tentativa? O crime de tráfico admite tentativa? Prevalece que a quantidade de núcleos tornou inviável a tentativa. durante todo o tempo em que você trazia consigo a droga. do trazer consigo admite flagrante. Conclusões (olha que importante!): α) β) χ) Nessas hipóteses. Eu disse que prevalece! Esses 18 núcleos tornaram inviável a tentativa. A consumação se protrai durante todo o tempo em que você guardava. durante todo o tempo em que você mantinha em depósito. do manter em depósito. em alguns núcleos o crime é permanente. Cuidado! Tem núcleos que a consumação se protrai no tempo. a consumação se prolonga no tempo. Aquilo que poderia ser considerado tentativa foi elevado à categoria de consumação. Se durante o guardar sobrevier lei mais grave. Enquanto você guarda. A qualquer tempo do guardar. admite flagrante a qualquer tempo. principalmente na modalidade tentar adquirir. STF): STF Súmula nº 711 .

Dá para dizer que o Supremo tem posição firmada? Não dá! No Estatuto do Desarmamento está muito claro: o 57 . sob a ótica do STF. STF Antes de 2005 Entre 2005 e 2008 Depois de 2008 Admitia crime de perigo Passa a repudiar crime de Admite. Num julgado recente. como o Supremo. passa a repudiar crime de perigo abstrato e. Se prevalece que o tráfico é crime de perigo abstrato. O que eu quero analisar? Quero analisar essa questão. porque está um samba maluco no Supremo. observação importante. Isto é. vá lá. A partir de 2005. o perigo advindo desse comportamento é absolutamente presumido em lei. em casos excepcionais. Então. A partir de 2008. em 3 anos.” E a Lei de Drogas. o crime de o Princípio da Lesividade perigo abstrato. Vamos dividir o Supremo em 3 etapas: Até 2005 (mais ou menos). b) Crimes de perigo concreto – O perigo precisa ser comprovado. principalmente no estatuto do desarmamento. ninguém dúvida. Até 2005 o Supremo admitia tranquilamente crime de perigo abstrato. o STF admitia crime de perigo abstrato. em casos abstrato perigo abstrato – Ofende excepcionais. Olha só. até 2005. ofende o princípio da lesividade. por conta dessa decisão. o perigo é a) Crimes de perigo absolutamente presumido por lei. eu quero saber de vocês o seguinte: o crime de tráfico é de perigo abstrato ou de perigo concreto? Que é de perigo. esse assunto é o mais delicado de todos. vejam. estaria nas exceções. você está falando que drogas é crime de perigo concreto? Tem que comprovar que aquela quantidade de drogas apreendida pelo traficante colocou em sério risco a sociedade? Aí o Supremo agora vem dizendo o seguinte: O STF admite. o perigo advindo desse comportamento é absolutamente presumido em lei. Pergunto: o tráfico é crime de perigo abstrato ou crime de perigo concreto? Prevalece que o tráfico é crime de perigo abstrato. Supremo. o crime de perigo abstrato.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Agora. Prestem atenção! Agora. Mas qual perigo? Abstrato ou concreto? b) Crimes de perigo: abstrato – Nesses crimes. até o Ministro Gilmar Mendes falou: “em casos excepcionalíssimos. se você está falando que não existe crime de perigo abstrato. o STF passa a repudiar crime de perigo abstrato. E a Lei de Drogas é um caso excepcional. está oscilando. tráfico. o Supremo vinha admitindo crime de perigo abstrato. Antes de 2005. E por quê? Porque de acordo com o STF. É o que prevalece! Mas eu quero analisar essa questão sob a ótica do Supremo. de 2005 a 2008. Tudo por que? Porque nesse período nós trocamos praticamente todos os ministros do Supremo e cada ministro tem suas idéias. o Supremo começou a ser cutucado no seguinte sentido: “Ô. A partir de 2005. Resolvi fazer uma análise minuciosa dos julgados do Supremo e eu conseguir apurar esses divisores de água. 2005-2008 e depois de 2008 (mais ou menos). o Supremo diz que arma desmuniciada não é crime.

J. Eu acho isso. Não está. que vinha resistindo! Eu trabalho com 56 juízes (atuo em 56 municípios) e nenhum discorda que arma desmuniciada não é crime. 58 . B não trazia. A tem que ser preso por qual crime? Vamos às hipóteses: 1. tunga! Mas você recorre. E ganhou por 3 a 2. e mais. Havia mais detalhes. B. A maioria fica com essa jurisprudência. E isso não é errado. não trazia. Vamos imaginar que eu tenha A e A traz consigo drogas. permanente! O trazer consigo está certo. Na Lei de Drogas. mesmo. eu não posso afirmar isso. Está tudo muito apertado. 2.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Supremo nega o crime de perigo abstrato. E. G. a experiência que estamos tendo em prova. Nenhum! Agora. Era um comportamento espontâneo. Dá para denunciar A e B pela venda? NÃO. este mês. auxiliado por B. em agosto/2009. e por aí vai. Se o MP denuncia A e B pela venda. em agosto de 2009 decidiu nesse sentido! Agora. E ele está junto com B. O policial C simula ser consumidor e simula a compra. Apenas auxiliava. H. para que você tenha como concordar ou discordar da posição. 3. Pessoal. o STJ. eu faço o quê?” Olha. trazia consigo. Era um partícipe. I. F. Ele era um partícipe. pois inepta. Então. Eu mostrei que estamos em um período de transição. exigia de vocês esse raciocínio. Por isso não dá para cair esse tipo de pergunta em primeira fase. mas nenhum dos dois diz que o Supremo está definido. Está denunciando um fato atípico. que resistia a isso. Era impossível de ser realizada. Está errado é você dizer que B trazia consigo. Essa foi a pergunta da minha segunda fase do MP. mas o Silvio acha que o Supremo está batendo na tecla do crime de perigo abstrato. B auxiliava A. a maioria está acompanhando que arma sem munição é crime impossível. Crime impossível! Pode a denúncia falar que A e B traziam consigo? O trazer consigo é o verbo correto porque o trazer consigo não foi provocado por ninguém. então. ora fala que é de perigo abstrato. Por que não? Porque a venda foi provocada. A venda era crime impossível. A polícia foi avisada deste esquema criminoso. essa denúncia é rejeitada. ora fala que é de perigo concreto. Agora. O STJ. O STJ. Presos os dois. se você for nos mais recentes julgados do STF. “Na minha prova. Um monte de gente colocou que os dois venderam. prestem atenção! Olha que questão boa para cair em concurso. Agora. eu não posso afirmar isso. que vigia se algum policial aparece. outros que ambos traziam consigo. você promotor falou que ‘A trazia consigo”. se você pega um examinador que resolve adotar o mais recente posicionamento do Supremo. mas o problema. No momento em que A vende para C. se ferrou junto! E com isso vêm junto D. o crime é de perigo concreto. Tem um julgado recente que é de perigo abstrato? Tem. Agora está correto. Mas o mais recente de todos diz que é de perigo concreto. corretíssimo porque o ‘trazer consigo’ é um comportamento espontâneo e permanente. essa segunda hipótese também não está correta porque B. mas na Lei de Drogas. Não foi espontânea. não foi provocado e B não trazia nada. quando é preso diz? “Eu não estou sozinho”. julgou que arma desmuniciada não é crime. A denúncia correta tem que dizer o seguinte: que A. o que acontece? Casa caiu! Prende em flagrante! A. Comentários após o 2º intervalo: O Supremo. concurso é f*. basicamente.

33. podemos ser processados por sonegação fiscal. aplicar esse princípio no direito penal. produzir. 33. oferecer. 28. 33. ministrar. em pagamento. entregar a consumo ou fornecer drogas. é obrigar o réu a produzir prova contra si mesmo. estamos diante de uma lei nova em prejuízo do réu. O que significa isso? “Dinheiro não tem cheiro”. O Supremo já admitiu o princípio da insignificância na Lei de Drogas. Outro exemplo: o traficante vende a droga e. trazer consigo. guardar. recebe um relógio que sabe ser produto de crime. é possível tráfico em concurso com outros delitos? Perfeitamente possível! Por exemplo: tráfico e furto em concurso. o FBM foi denunciado por tráfico + sonegação de IR porque não declarou a sua renda anual. prescrever. ainda que gratuitamente. Eles. Eu posso aplicar o princípio da insignificância no art. O declarante não declarou no IR o lucro auferido com sua atividade ilícita. 33? Sim ou não? Cuidado! O STF só admitiu o princípio da insignificância no art. mas para o usuário! Terminamos o art. remeter. caput.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS É possível tráfico em concurso de crimes? Quer dizer. Mas esse é um princípio de direito tributário. cometeu tráfico. transportar. Quem subtraiu a droga do traficante vai responder por tráfico e furto. Importar. vender. sonega. praticou receptação. No art. caput: Art. que estão praticando atividade ilícita. que trabalha direitinho. A pessoa que subtraiu a droga do traficante vai responder por furto (subtraiu coisa alheia). não. Para a maioria. para você ver! Vamos ver a sanção penal do art. exportar. Prevalece que a maioria não admite o non olet no direito penal. ter em depósito. Recebendo coisa que sabe ser produto de crime. fabricar. não. Vendendo a droga. preparar. Pouco importa se vem de atividade lícita ou ilícita.500 (mil e quinhentos) dias-multa. a sanção era de 3 a 15 anos. 33. eu quero saber se é possível concurso de tráfico com sonegação fiscal. Se vocês sabem que é possível concurso de crime no tráfico. Você. Então. 59 . Então. Olha que importante! Muitos negam a aplicação do non olet no direito penal porque estaríamos obrigando o réu a produzir prova contra si mesmo. Vocês sabiam que o Fernandinho Beira-Mar tem várias denúncias no Brasil inteiro? Alguns processos. adquirir. Está correto isso? Existe um princípio do direito tributário que é o Princípio do Non Olet. Na lei anterior. Sua renda não tem cheiro. mais tráfico (manter em depósito substância proibida).reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1. nós que trabalhamos. É perfeitamente possível tráfico e receptação. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . expor à venda. você tem que declarar. ainda que advinda da atividade ilícita.

insumo ou produto químico destinado à preparação da droga. éter sulfúrico. § 1º. vende. produto químico (éter sulfúrico) Exemplo: éter sulfúrico. adquire. matéria-prima. tem em depósito. por exemplo. o objeto material já não é droga. ainda que gratuitamente. mas é uma substância apta a preparar drogas. insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas. o objeto material nada mais é do que drogas. oferece.” O que eu quero que vocês saibam? Que esse crime. expõe à venda.2. mas.importa. matériaprima. produz. tem em depósito. 33. Olha o que está escrito! Nas mesmas penas incorre quem: I . vende. remete. I OBJETO MATERIAL: SVS/MS) Drogas (Portaria 344/98 insumo. fornece. a diferença de um para o outro reside no objeto material do delito. TRÁFICOS POR EQUIPARAÇÃO (art. ainda que gratuitamente. 33. se prestem a essa finalidade (exemplo: acetona). insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas. Então. fabrica.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS 5. também é indispensável agir sem autorização ou em desacordo com determinação legal. OBJETO MATERIAL: Matéria-prima.importa. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Já no art. Ele diz: “nas mesmas penas incorre quem:” § 1º Nas mesmas penas incorre quem: I . fabrica. caput. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Art. exporta. traz consigo ou guarda. I. transporta. mas abrange também as que. 33. 60 . O objeto material é matéria-prima. da Portaria da SVS/MS. não droga. transporta. de manter em depósito. 33. 33. Qual é a diferença do art. expõe à venda. 33. que traz os tráficos por equiparação. § 1º. I? No art. Façam a seguinte observação importantíssima: “Não só as substâncias destinadas exclusivamente à preparação da droga. § 1º) Vamos para o art. Esta substancia não está na Portaria do Ministério da Saúde. produz. para o art. § 1º. oferece. caput. 33. caput Art. eventualmente. §1º. adquire. remete. Aquilo assim considerado na Portaria 344/98. fornece. traz consigo ou guarda. 33. exporta.

a perícia para saber se a substancia era capaz de preparar droga. § 1º. 33. Entenderam a diferença? Uma coisa é você manter em depósito para preparar a droga. II: 61 . § 1º. o elemento indicativo da ilicitude. Foi o primeiro tratado aprovado com status de emenda constitucional. Não precisa ter a finalidade de empregá-la nesse fim. lembrando que alguns são permanentes. praticar qualquer dos núcleos do tipo. os efeitos farmacológicos.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Eis. Olha como eu não preciso explicar mais: e se a pessoa que tinha autorização. sendo estes produtos destinados à preparação de drogas. Obs. o desvio daquela autorização. I.” Se consuma com a prática de qualquer um dos núcleos. Outra coisa é você manter em depósito sabendo que pode servir para preparar. a doutrina admite a tentativa! Agora. aqui. Mas vamos fazer uma observação. “O crime é punido a título de dolo. transportar. O dolo está em manter em depósito. vamos para o art. O dolo consiste no seguinte: consiste em praticar qualquer dos núcleos ali referidos (oferecer. E prestem atenção no que consiste o dolo. E aí vocês já sabem a consequência de um crime permanente. foi aprovado aquele tratado de pessoas portadoras de deficiência. Em nenhum momento estou dizendo que o dolo consiste em manter em depósito o produto para preparar drogas. né? Com status de emenda constitucional.: Vocês viram que. é punido a título de dolo. finalmente. Vocês já sabem. O Brasil ratificou esse tratado e aprovou com quorum de emenda constitucional. Você tem que agir contrariando determinação legal ou regulamentar.” A substância não precisa. anotem a observação importante: “Não há necessidade de que as matérias-primas tenham. Já está aprovado e vai cair em concurso. por si só. sabendo que pode servir a tal preparação. A doutrina e a jurisprudência. sempre entenderam imprescindível. Eu falei que essa substância tem que ter o efeito psicotrópico? Não! Então. desviou? Equivale à ausência de autorização. sabendo que o éter sulfúrico pode preparar drogas. fornecer. dar barato! Basta que ela sirva para preparar drogas. com consciência e vontade. ter em depósito. ciente de que o objeto material pode servir à preparação de droga (dispensa a vontade de querer empregar o produto na preparação da droga). já de per si. Eu falei que é imprescindível que a perícia indique que a substância seja capaz de preparar drogas. O que estou querendo dizer para vocês? Prestem atenção: eu estou dizendo que o dolo consiste em você manter em depósito éter sulfúrico. O dolo não é manter em depósito visando preparar drogas. Esse crime do inciso I. a exemplo do caput. Aqui. guardar consigo) sabendo que não tem autorização. também aqui no § 1º. Não. então você tem que ter a finalidade da preparação. devendo o agente. novamente.

§ 1º. Vejam que aqui não estou mais falando em drogas. pode ser acrescentado à planta o princípio ativo.343/06 1ª Corrente: Art. Ele responde por um só crime. 33. II fica absorvido. não importando sua finalidade 2ª Corrente: Art. Estou falando de plantas que se constituem em matéria-prima.343/06 ANTES da LEI 11. da Lei de Drogas. para uma primeira corrente. O art. O produto final absorve o cultivo. configurava o art.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS § 1º Nas mesmas penas (5 a 15 anos) incorre quem: II . não estou mais falando em produtos que sirvam a preparação de drogas. de plantas que se constituam em matériaprima para a preparação de drogas. então. Vejam! Ele não vai responder pelos dois crimes: cultivar e manter em depósito a droga. § 1º. Vamos supor que ele plantou um pé de maconha. com uma pena de 3 a 15 anos. Reparem que esse crime também exige o elemento indicativo da ilicitude: vejam que fala em “sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”. Então. Eu quero saber de vocês. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. reparem que é imprescindível agir sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Que crime pratica aquela pessoa que cultiva. 12. 33. II. Essa 62 . cultiva ou faz a colheita. § 1º. A planta não precisa apresentar o princípio ativo. I (Pena: 3 a 15 anos) O art. 16 não pune cultivar plantas Antes da Lei 11.343/06. I ou O art. Vamos analisar com calma isso aqui.semeia. § 1º. plantar para uso próprio. colhe. aí colhe e prepara a droga em casa? Ele responde pelos dois crimes? Cultivar + manter em depósito drogas? Não. Temos que analisar antes e depois da Lei 11. A lei diz que essa planta é matéria-prima. 12. que crime pratica uma pessoa que planta para uso próprio. 28. Não precisa a semente já fazer brotar uma planta com princípio ativo. §1º. PLANTAR PARA USO PRÓPRIO DEPOIS da LEI 11.343/06. 16  Analogia in bonam partem 3ª Corrente: Fato atípico  Não há finalidade de comércio  O art. Aí o cultivo fica absorvido.  Dependendo das circunstâncias  A lei incrimina o cultivo ilegal. guarda a maconha e mantém em depósito.

essa analogia que você está fazendo é em malam partem. art. todo mundo poderia ter o seu pezinho em casa. §4º: § 4º As glebas cultivadas com plantações ilícitas serão expropriadas. A doutrina admite a tentativa. que é manter a plantação. Então. Vejam que jogava quem plantava para si ou quem plantava para terceiro nas mesmas penas de 3 a 15 anos. Vamos ver o que diz o art. § 1º. para uso próprio. 28. Para essa primeira corrente. é o art. Portanto. é o art. para seu consumo pessoal. 243. 28. não importando sua finalidade. §1º. Então. 33. não! Ele vai responder pelo art. § 1º. 16 não pune cultivar plantas. da CF. 243 da Constituição Federal. 32. 33. de acordo com a legislação em vigor. o quê? Se for uma pequena quantidade. §1º. O art. Se não pequena quantidade. cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. o fato era atípico. está prevendo para as pessoas que plantam drogas na sua propriedade? A conhecida expropriação-sanção. Uma terceira corrente falava que o fato era atípico.As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS primeira corrente dizia o quê? Cultivar plantas. tecnicamente. Vamos ao art. 33. II ou se será a do art. para o cultivo de produtos alimentícios e 63 .” Na modalidade ‘cultivar’. art. 28. a corrente mais correta. §1º. 12. 32. conforme o disposto no art. Se não há finalidade de comércio. § 1º. 16. não pode ser o art. não pode ser o art. mesmo que para uso próprio. § 4º. o fato é atípico. 28. “O crime também é punido a título de dolo e se consuma com a prática de qualquer uma das condutas. Não tem previsão legal. 33. Mas não era a que prevalecia. é a quantidade que vai determinar se a incidência será do art. Se não for pequena quantidade. fazendo uma analogia in bonam partem. 243 . I ou o art. Pessoal. Ela dizia o seguinte: não há finalidade de comércio. na verdade. Hoje. §1º: § 1º Às mesmas medidas submete-se quem. § 1º. diz o seguinte: Art.a lei discrimina o cultivo ilegal. § 1º. O que o art. Prevalecia a segunda. para essa corrente. 16. o crime é permanente. dá perceber então. essa última era. aí dizia ainda que o art. dependendo das circunstâncias. II. a questão está tranquila porque hoje pode configurar o art. semeia. Cuidou dele. Uma segunda corrente dizia. 28. Então. Se você plantou pequena quantidade. Vou repetir: Se você plantou para uso próprio. II.

” (Intervalo) Então. Eu posso emprestar aminha propriedade simplesmente para agradar o amigo que é traficante. o que ele está punindo? Com 5 a 15 anos aquela pessoa que utiliza o seu imóvel para que alguém lá realize o comércio de drogas. Sem indenização e ainda vai responder pelo crime. Vocês viram que pode praticar esse crime o proprietário. Então. Para vocês verem como o concurso quando quer ser cruel. 3º da Lei 8009/90 (traz as hipóteses de penhorabilidade do bem de família). Ele permite que alguém utilize o seu carro para com ele realizar o comércio ilegal de drogas. Perde a propriedade. ainda que gratuitamente. o que faz (já falo nisso!). Os consumidores vão até lá e lá você realiza o comércio ilegal. não poderá ser objeto de expropriação. do § 1º. 33. ou consente que outrem dele se utilize. do art. o administrador ou o gerente do imóvel. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. para o tráfico ilícito de drogas. O inciso III. Caiu em concurso. ainda que gratuitamente. bastando que a sua conduta seja causal em relação ao uso de drogas no local. o possuidor. Ele é importantíssimo.” Agora. sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. E aí? É o único imóvel dele. ambos com a pena de 5 a 15 anos. Vende na minha chácara. Então. III. Mas. posse. Ele tem uma redação extensa. mantendo na sua residência. prestem atenção. administração. expropriação-sanção. I e II. na sua propriedade cultivo de substancias ilegais.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS medicamentosos. nós já vimos os dois incisos inaugurais. posse. do § 1º. Anotem aí: “É irrelevante se o agente tem a posse do imóvel legítima ou ilegitimamente. e se for o único imóvel? Vocês sabem que o único imóvel de uma pessoa é considerado por lei como bem de família e vocês sabem que é impenhorável. em 16/08/09. ele usa o local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade. O que quero saber de vocês: e se for a única casa. Mas eu pergunto: a Constituição excepcionou alguma coisa? Não: “É legítima a expropriação de bem de família pertencente ao traficante. ou consente que outrem dele se utilize. olha que importante: ele precisa ter a finalidade de lucro? Não! O sujeito ativo não precisa visar lucro. guarda ou vigilância. § 1º. do art. incorre no art. Prestem atenção nesse crime. sanção compatível com a CF. e com as exceções previstas no art. Pode ocorrer expropriação-sanção? E se eu falar que ele tem uma esposa e quatro filhos? Vocês vão encontrar doutrinadores dizendo que se é o único imóvel. em apertada síntese.” Quem faz isso. Pronto e a 64 . por exemplo. administração guarda ou vigilância.utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade. Pune aquele que diz: “você quer vender drogas? Fique tranquilo. do MP/RJ. 33. 33 também pune com 5 a 15 anos quem: III . aquela pessoa encontrada. sem autorização legal para o tráfico de drogas.

§ 1º. você só responde nas penas do traficante. Já na segunda hipótese. 5 a 15 anos. Não abrange mais o uso. da Lei de Drogas e a pena é de 1 a 3 anos. com a minha conduta. § 1º. 12. com pena de 1 a 3 anos. § 2º. o art. se você emprestasse a sua chácara para alguém traficar ou se você emprestasse sua chácara para alguém usar drogas. Para tráfico. Dispensa a finaliadde de lucro. Utilizar local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade.Utilizar local ou Art. UTILIZAR LOCAL ou CONSENTIR ANTES da LEI 11. 2. Hoje. E. II . se você utiliza ou consente que alguém utilize a sua chácara para o tráfico. Vamos ver o 33. Mas e se eu emprestar minha chácara para alguém usar drogas.Utilizar local consentir ou consentir α) β) Para o TRÁFICO Para o USO (Pena: 3 a 15 anos) α) β) Para o TRÁFICO (Pena: 5 a 15 anos) Para o USO – incide o art. No consentimento por escrito. só usar. 12. agora 05 a 15 anos. Não preciso. Antes. Quando que o crime se consuma? Temos que diferenciar duas situações. sua pena era de 3 a 15. Vejam que a lei nova não mais pune com pena de tráfico. 33. Temos dois tipos de comportamento punido: 1. 12. Admite tentativa: Sim! As duas hipóteses admitem tentativa. da Lei de Drogas. para lá somente usarem. Com a Lei 11. visando o tráfico. §3º.343/06 esse comportamento estava no art. 33. o que pune: 65 . Consentir que outrem se utilize dele. pune quem utiliza ou consente a utilização por outrem.343/06. § 2º. buscar lucro. o que acontece? Hoje. 33. 33. é o art.§ 2º (Pena: 1 a 3 anos) Antes da Lei 11. vejam. § 2º. você respondia nas penas do art. guará ou vigilância.343/06 DEPOIS da LEI 11. como se traficante fosse. Antes. ambos comportamentos punidos com pena de 3 a 15 anos. II. 03 a 15 anos. emprestar sua chácara para alguém. emprestar a chácara para alguém usar. ainda que gratuitamente. administração. Hoje. § 2º. § 2º. Até na hipótese consentir? Sim. o consentimento. Reparem a mudança. passa a ser o art. III . ou seja. se for para uso. basta a mera permissão. esse dispositivo punia quem utilizava local ou consentia para o tráfico ou para o uso. pose.343/06 Art.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS acabou. III. Na primeira hipótese o crime se consuma com o efetivo proveito do local. 33. II.

§ 2º. “estou pensando a usar drogas. instigar. aí você não tem mais esse crime.detenção. pare de punir o uso”. “O incentivo genérico. dirigido a pessoas incertas e indeterminadas. instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena .343/06 Induzir alguém A USAR DEPOIS da LEI 11. apresenta o usuário ao traficante. No induzir você. por exemplo. Se a conduta dele se direciona a pessoas incertas e indeterminadas. Coisa totalmente diferente. No instigar. mas está dizendo “legislador. empresta o seu imóvel para o usuário usar drogas.343/06 Induzir alguém AO USO  Crime MATERIAL – consuma-se com o efetivo uso  Crime FORMAL – dispensa o efetivo uso. do CP. Os líderes obtém o habeas corpus e a marcha sai normalmente. de 1 (um) a 3 (três) anos. para o uso.” E aí vocês estão entendendo por que o Ministério Público ingressa com ação impedindo marcha para legalização das drogas. leva até o morro. *Prevalece que o delito é MATERIAL 66 .LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS § 2º Induzir. ou seja. empresta dinheiro para o usuário comprar drogas. Por que? Porque na marcha. você tem apologia ao crime. Outra coisa é você desfilar incentivando o legislador a não mais punir. AUXILIAR ANTES da LEI 11. a marcha não está dizendo “usem drogas”. “já experimentou dar uns tapinhas?” Você fez nascer a idéia. Esse crime de induzir. 287. nesse comportamento. é punido a título de dolo. de qualquer forma. Então. mas fomentar o legislador a legalizar. vise pessoa certa e determinada. Você tem que ter consciência de que está colaborando. entende-se que você não está incentivando alguém a usar. e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa. instigando ou auxiliando alguém a usar drogas. Esse dispositivo pune a pessoa que acaba induzindo. INSTIGAR. o que você acha?” Demorou! E no auxiliar. Por isso que essa marcha. olha. você. É que a jurisprudência está questionando se essa marcha é mesmo apologia ao crime. caracteriza o delito do art.  Induzindo – fazendo nascer a idéia  Instigando – reforçando idéia já existente  Auxiliando – prestando assistência material São três as formas de você praticar o art. você empresta o dinheiro sabendo que ele vai comprar a droga. auxiliar. Quando se consuma? Aqui que a coisa pega! INDUZIR. Uma coisa é você desfilar incentivando o uso. 33. em alguns Estados consegue habeas corpus. É imprescindível que o sujeito ativo.

Os envolvidos têm que ser pessoas relacionadas. nós já vimos. cai no 33. 33. cuidado! O oferecimento tem que ser eventual! 2º) A finalidade do agente tem que ser consumo conjunto – Você tem que oferecer. Pessoal. mas não vai consumir com essa pessoa. está no delito de tráfico. esqueça o 33. Rogério. É imprescindível que o sujeito ativo ofereça a droga para alguém especial. vamos enriquecê-la. Tem que ser oferecimento para juntos consumirem. não é uma figura do uso. É possível tentativa? Sim. é tráfico! Cai no 33. é induzir alguém ao uso indevido. traficante! Pena de 5 a 15. A doutrina chama isso de tráfico de menor potencial ofensivo. eu acho que essa mudança repercutiu. enquanto esse alguém não usasse. qualquer oferecimento de droga a pessoa de seu relacionamento configura este crime? Não! Cuidado! O oferecimento tem que ser: 1º) Oferecimento eventual – Se for um oferecimento habitual. Agora. Se ela induzisse alguém a usar. familiar.500 (mil e quinhentos) dias-multa. § 3º. a pessoa de seu relacionamento. eventualmente e sem objetivo de lucro. Particularmente. a lei pune: induzir alguém ao uso. Esse crime exige que o sujeito ativo e o consumidor tenham uma relação especial. caput. § 3º. Não pode estar presente! Se estiver presente o objetivo de lucro. Se não for do seu relacionamento. Exemplo: carta que induz ao uso indevido. E aí? A redação com base na lei anterior fomentava a doutrina a dizer que o crime é material. de amizade. e pagamento de 700 (setecentos) a 1. é um elemento subjetivo positivo do tipo. Vicente Greco Filho. eventualmente. de seu relacionamento. esqueça o 33. o delito permanece material. do usuário.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS A lei anterior punia induzir alguém a usar. para juntos a consumirem: Pena . de 6 (seis) meses a 1 (um) ano. Quem é o sujeito ativo? Esse crime não pode ser praticado por qualquer pessoa. O crime agora é formal. O art. 33. 28. Está caindo em concurso como se fosse uma figura do uso. § 3º. Então. E qual é a conduta punida? É oferecer droga. o que você quer dizer com isso? Ele tem que estar presente! E temos um segundo elemento subjetivo do tipo: 3º) Sem objetivo de lucro – É o elemento objetivo negativo do tipo. vai cair no caput. eventualmente. Esse ‘para juntos consumirem’. não estaria no 33. sem prejuízo das penas previstas no art. 33. Rogério. reiterado. Estaria no 28!! Mas prova do Cespe embaralhou isso daqui. Então. o crime não estava consumado. não é o que permanece. consumando-se com o efetivo uso. Mesmo com essa mudança de redação. na doutrina. mas para consumo conjunto. É um tráfico com consequências. No induzimento por escrito. Agora. §3º. Devem manter um relacionamento de qualquer ordem. Se não houver a elementar ‘para juntos consumirem’. amoroso. Dispensa o efetivo uso. ou seja. caput.detenção. Prevalece que o delito permanece material. O art. 67 . Porém. Se você oferece eventualmente. § 3º Oferecer droga. reparem. Porém. Se fosse caso de uso. Você cai no caput. caput.

§3º? É possível. É possível tentativa no 33. 28. Por isso. vedada a conversão em penas restritivas de direitos. Se fosse dia 07. ilícito. que valia só 5 pontos (de 100). ela não praticou crime algum. Agora.§ 4º traz o que a doutrina está chamando de tráfico privilegiado. Por isso que eu defendo que o art. então. na condição de autor mediato. mas vem dizendo: “esta lei entra em vigor na data da sua publicação” e foi publicada dia 07. A lei é o dia 06. ela teria praticado um crime. não tem vacatio. uma mulher. desde que o agente seja primário. 28 não tem pena porque se tivesse pena. porque é direito subjetivo do réu. eu estaria diante de um bis in idem. levou para esse marido um celular e foi surpreendida entrando com o celular no estabelecimento prisional. E o marido teria praticado. elemento subjetivo positivo. o fato ocorreu dia 06. vejam. de bons antecedentes. Presta atenção como é concurso público! O MP/RJ. E é de menor potencial ofensivo. Prevalece que o art. na primeira questão. Está errada a prova que chama o 33 de 28. Traz uma causa especial de diminuição de pena. pois sob coação moral irresistível. Sem objetivo de lucro. eu defendo que o art. as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços. coagida pelo marido que estava preso. § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo. como também tortura para fins de atividade criminosa. sem prejuízo das penas previstas no art. deixa eu falar o que caiu no MP/RJ. não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. 33. é imprescindível que o agente: o o o o Seja primário Seja de bons antecedentes Não se dedique a atividades criminosas Nem integre organização criminosa Estes requisitos são cumulativos! Faltando um deles. elemento subjetivo negativo. Olha que interessante! O art. Ela teria praticado um fato típico. Mas também tem um outro detalhe: presentes todos. olha a pena! É de menor potencial ofensivo. Se fosse 28. 28 é medida extrapenal.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS para juntos consumirem. Era fato atípico até então. não só esse crime. Quando que este crime se consuma? Com o efetivo uso? Não! Ele se consuma com o oferecimento. mas não culpável. Mas tudo bem. não é o que prevalece. no oferecimento por escrito. pena de 6 meses a 1 ano. 28 é pena. acabou! Não tem direito a redução. vejam. 28 e vejam que ele tem pena diferente. Para que ocorra essa causa especial de diminuição de pena. Que crime ela praticou? Pois é! A lei é do dia 06/08/09. ele teria as penas do art. 68 . Estaria respondendo por duas penas em face do mesmo crime. Olha que interessante. Posso aplicar o crime novo para ela? Não! É que a lei só foi publicada no dia 07! Sacanagem! Então. falou o seguinte: no dia 06/08/09 (olha a data!). antes de ir para o próximo parágrafo. o juiz tem que reduzir a pena. E o fato ocorreu no dia 06/08/09.

essa pena chega a 1 ano e 8 meses. né? A questão que pega é a seguinte. o STJ está discutindo se essa vedação é constitucional. E você estuda aquele informativo como se fosse absoluto. Se reduzido de 2/3. de bons antecedentes. porque é obrigatório ser primário. O STJ está discutindo se a vedação à restritiva de direitos no tráfico é constitucional. o que é absurdo. Não pode! Se. E aqui eu tenho dó. quiser colocar uma questão que traga divergência. Pessoal. Crimes mais graves têm direito a restritiva de direitos. falou que é de perigo abstrato!” O STF ou uma turma do STF num julgado que está destoando dos demais??? Você tem novos ministros que tentam impor o seu entendimento e.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Eu quero saber o seguinte: o juiz pode reduzir a pena de quanto? 1/6 a 2/3. no último informativo. mas o STJ não pode analisar a inconstitucionalidade!” Incidenter tantum. Se os outros dois ministros estivessem presentes virava 3 a 2. A tendência hoje.) vedada a conversão em penas restritivas de direitos. do CP. notadamente nas provas do Cespe é STF e STJ. pode. Pronto e acabou. Cada concurso se preocupava com a posição do seu tribunal. Tanto que o Conselho Nacional do MP tem uma resolução rascunhada dizendo que na primeira fase de concurso não pode colocar divergência doutrinária e jurisprudencial. Cuidado quem estuda com informativo! Tem gente que só estuda com informativo. Qual é o critério? Tipo da Droga Quantidade da Droga o Demais circunstâncias judiciais do art. cabe restritiva de direitos. 69 . eventualmente. do Código Penal o o O juiz varia a diminuição de 1/6 a 2/3 considerando o tipo e a quantidade da droga e as demais circunstâncias judiciais do art. prevalece. de bons antecedentes. Pessoal.. não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. a resposta tem que estar de acordo com a posição dos tribunais superiores. “Rogério. mas o que o legislador já está falando? § 4º (. Por que vedar para esse traficante privilegiado? O STJ submeteu ao seu órgão colegiado máximo. Parece inconstitucional. Cuidado para quem estuda por informativo. Eu prestei concurso numa época em que concurso não dava bola para STF e STJ. por ausência de um ou outro ministro no dia da votação. o juiz vai ter que reduzir no máximo. no STF que o porte de arma (porte de arma só! Ninguém está falando de porte de arma de uso proibido ou de porte de arma raspada. Pergunto: ele varia de 1/6 a 2/3 com base no quê? Se o juiz for ficar olhando se ele é primário. como aconteceu com um candidato na magistratura/SP. E eu vou mostrar isso claramente para vocês agora. 59. desde que o agente seja primário. Eu acho legal porque evita. ficou 2 a 1. Se chegar a isso. O problema é que os tribunais mudam constantemente seu entendimento. 59. Cuidado! O aluno já me mandou: “Rogério. aí é outra história) exige perigo concreto. com toda sinceridade do mundo. que o candidato defenda a posição do STF e erre a posição do examinador. Qual é a pena mínima do tráfico? 5 anos.. você falou que porte de arma é crime de perigo concreto? O STF.

Então. 3ª Corrente: “Não se admite a retroatividade. 2ª Corrente: “A diminuição retroage.343/06. E agora? Será que essa redução que está no § 4º é retroativa. a Ministra Laurita Vaz deu uma decisão em que ela fala o seguinte: “eu não concordo com nenhuma dessas correntes. juiz? Peça para o réu escolher. CP DEPOIS da LEI 11. admite-se (art. sendo que o Supremo ainda nem se decidiu. 2. de 1 ano e 8 meses. mesmo dentro do STJ você vai encontrar ministros que adotam a 1ª e a 3ª. pois essa operação implica combinação de leis. o tráfico estava no art. aquele traficante então condenado a três anos sem direito a redução. Olha que interessante: a primeira corrente. Daí eu dizer que o STF está dividido. Aliás. Esse semestre está mais fácil explicar isso aqui de acordo com o STF. ele tem direito a uma redução da pena que varia de 1/6 a 2/3. 12 – Pena: 3 a 15 anos  Criminoso PRIMÁRIO + BONS ANTECEDENTES: Art. E no caso de um criminoso primário e de bons antecedentes. 33.343/06 Art. com a Lei 11. não tem? Mas a decisão da 1ª Turma é a mais recente.” . 59. eu permito uma retroatividade sobre três anos. de 1 ano e 8 meses. O STJ inaugurou a 2ª corrente.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS TRÁFICO do primário e de bons antecedentes ANTES da LEI 11. tendo que estudar com base em entendimento do Supremo. – 2ª Turma do STF. com pena de 3 a 15. 33 – Pena: 5 a 15 anos  Criminoso PRIMÁRIO + BONS ANTECEDENTES: Pena reduzida de 1/6 a 2/3 (§ 4º) Antes. 12. A sua pena é de 5 a 15 anos. mas deve respeitar o saldo mínimo de 1 ano e 8 meses.343/06 Art. desde que fique um saldo mínimo idêntico. Por que eu falo em “inaugurou” porque. E eu não posso dizer que essa é a posição do STF.1ª Turma do STF. Agora. Então. mas deve respeitar o mesmo saldo.” Essa segunda corrente fez o seguinte: a redução de 2/3 em cima de 5 anos vai dar 1 ano e 8 meses. atingindo os tráficos pretéritos? Então. O que o juiz fazia com ele? Ele considerava essas características na fixação da pena-base.º. Pergunto: e o criminoso primário e de bons antecedentes. Sabe o que você tem que fazer. Daí eu me condôo de vocês. o tráfico está no art. mas a posição mais recente. Você tem o STF absolutamente dividido. nada mais é do que a 2ª Turma do STF. vai poder reduzir a pena? 1ª Corrente: “Tratando-se de retroatividade benéfica. § único. Ele quer ser condenado com 5 a 15 anos com redução ou ele quer ser 70 . Repetindo: por que ela quer um saldo mínimo de 1 ano e 8 meses? Reduzir 5 anos de 2/3 dá 1 ano e 8 meses. Acabou. do Código Penal). ela pode reduzir 1/6 a 2/3 da pena aplicada anterior.

tudo. Vamos ao art. se com os maquinários você produziu drogas. O legislador conhece muito bem o princípio da proporcionalidade. sua pena é de 1 a 3. o objeto material é plantas. Ele diminui a privativa de liberdade. aparelho. ainda que gratuitamente. adquirir. 33. e pagamento de 1. você paga com cesta básica. distribuir. Tudo o que vocês anotaram sobre o art. vocês vão ver que é mais grave chamar o idoso de velho babão. 34. vocês viram que o objeto material. II. a pena é de 3 a 10. No art. Ponto. 33. Você só responde pelo 34 se não praticou o 33. Ou seja. foi dissertação do MP/SP.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS condenado com 3 a 15 anos sem redução?” Você já imaginou isso? A Ministra Laurita Vaz trouxe ainda uma quarta opção. caput Pena: 5 a 15 Art. Detalhe: o art.200 (mil e duzentos) a 2. I Art. oferecer. Chamou de velho babão. instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação. 34 traz o tráfico de maquinários. possuir. produção ou transformação de drogas. 33. configura o 33. 6 meses a 2 anos. ficando o 34 absorvido. Vejam que a quantidade de dias-multa aqui é pior do que para o tráfico. 34: Art. I. o 34 fica absorvido. DISPOSITIVO Art. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . Se você participar de uma rixa e matar o idoso. nada mais é do que drogas. 33. o Quem é o sujeito ativo? Crime comum. de 3 (três) a 10 (dez) anos.§ 1º. entregar a qualquer título. o objeto material é matéria-prima. maquinários. Olha o detalhe: No art. a conduta de manter em depósito as drogas. tem como objeto material. caput. brilhante! No Brasil. § 1º. E agora. guardar ou fornecer. transportar. nós mudamos o objeto material do delito.reclusão. 71 . No último concurso do MP/SP a dissertação foi: tráfico. 31. Você ta com raiva do velho? Não xinga! Faz uma rixa e espeta! É o nosso legislador! O art. o art. Sabe por que? Porque a matéria é nova! Eu estou falando sério. 33. É pra falar tudo. A ministra diz que tem que chamar o traficante e perguntar pra ele qual das leis ele quer ver aplicada no seu caso. O 33. O art. II Art. 34 Pena: 3 a 10 OBJETO MATERIAL Drogas Matéria-prima Plantas Maquinários Então. utilizar. Nós mudamos o objeto material do delito. maquinário. Se praticou o 33.000 (dois mil) dias-multa. No art. É um delito subsidiário. Fabricar. mas carca na pena de multa. do que fazer uma rixa e matar esse idoso. 33. vender. pode ser praticado por qualquer pessoa. 34. § 1º. 34 é um delito subsidiário. § 1º. O que significa isso? Que nós mudamos o objeto material. 34. preparação. a pena é de 5 a 15.

33 (tráfico de drogas).” Esse é o objeto material.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS o Quem é a vítima? A coletividade! Nós temos 11 núcleos no art. E aí? Sabe o que acontece? A doutrina já está pregando analogia in bonam partem. Se no caput do art.” Então. produção ou transformação das drogas. § 4º. responde só pelo 33. Aliás. Os objetos apreendidos têm que ser submetidos à perícia. por exemplo. O crime é punido a título de dolo e quando que se consuma? Com a prática de qualquer um dos núcleos. o que vocês acham? Está certo isso? Se você é primário. a balança de precisão não tem a finalidade só de produzir drogas. Olha só que interessante! Presta atenção nesse detalhe: o art. Eu estou batendo nessa tecla. 33. 33. é punido com 5 a 15 anos. Então. Qualquer instrumento ordinariamente usado em laboratório químico. caput que traz tráfico de drogas. já o art. Sabe o que vai cair na sua prova? Lâmina de barbear. o 34 fica só absorvido. E se é primário no 33 (tráfico de drogas). sendo perfeitamente possível a tentativa. ou seja. tem que agir sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. 34 (tráfico de maquinários)? Não tem! E agora? Quer dizer. Para quê? Para atestar a capacidade do instrumento na produção de drogas. separar droga. Qual é a pena? 3 a 10 anos. instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação. Configura o crime? A polícia entra na casa e encontra uma lâmina de barbear com restos de cocaína. não vou ficar explicando cada um deles. mas o sujeito ativo. que pune o tráfico de maquinários. ele é primário + portador de bons antecedentes. se ele é primário + bons antecedentes no art. o crime fica absorvido. ele tem direito a quê? Redução de 1/6 a 2/3. se produzir droga. acabou. Dispensa a produzir da droga! Se produzir droga. E nem todos os doutrinadores comentam isso. 72 . Eu acho justa essa diferença de pena porque lá ele está trabalhando com a droga pronta (mais perigoso) e aqui. Já está estendendo o privilégio do 33 para o 34. 34. Concordam que a primeira conduta é mais perigosa? Mas olha o detalhe. elemento indicativo da ilicitude. para quê ficar com a balança? Já fica com a droga! No art. e sim. 34. A doutrina entende imprescindível o exame pericial. aparelho. 34. não se destina a essa finalidade. porque você. quando for oferecer uma denúncia. preparação. Isso é doutrina! Na prática não há jurisprudência sobre o tema. é punido com 3 a 10 anos. desde que aplicado pelo traficante a esse fim. ainda com os maquinários. Configura o crime. E você tem que praticar esses núcleos sobre “maquinário. tem que constar isso da denúncia. a pena dele é de 1 ano e 8 meses. Quer dizer que a pena mínima dele pode ser de 1 ano e 8 meses. 34. a esse destino? O que você acha? “Não existem aparelhos de destinação exclusivamente a essa finalidade. pode vir a ser utilizado na produção de drogas. 59. a pena não pode ficar menor do que o mínimo. a pena dele é 3 anos. Pergunto: quem me dá um exemplo? Tem que ser um instrumento criado com a finalidade exclusiva de preparar drogas ou pode ser qualquer instrumento. cuidado! Lâmina de barbear não configura esse crime. Tem essa redução no art. A lâmina de barbear serve para produzir droga ou para separar droga já produzida? Separar droga já produzida. no art. mas se destacada a esse fim. configura o crime? É só você raciocinar. Já está aplicando o art.

35. 25. 35 se a finalidade é o tráfico de drogas e maquinários. 288 é um crime autônomo. Já no art. ou seja. 35 não é quadrilha porque quadrilha exige 4. duas pessoas. 288. e pagamento de 700 (setecentos) a 1. crimes em geral. no art. caput e § 1º. existe. do CP e exige. e 34 desta Lei: Pena . do art. Vejam as finalidades como são diferentes! Lá. o 35 é associação. 35. que despenca em concurso: Art. Então. associação + tráfico. exige igualzinho a quadrilha ou bando. 288. a exemplo do art.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Agora nós vamos para o art. 288. da Lei de Drogas exige. existe independentemente do cometimento dos crimes-fins. estamos diante de crime autônomo. não contravenções! Detalhe importante é que o art. de forma estável e duradoura. qualquer dos crimes previstos nos arts. de 3 (três) a 10 (dez) anos. independentemente. vai responder pelos dois crimes em concurso material. traficou. a finalidade da quadrilha é cometer crimes. Não existe quadrilha do jogo do bicho! Quadrilha tem que visar crimes. da prática do tráfico. aqui. vejam. Lei de Drogas Mínimo: 2 Pessoas Reunidas de Forma: Estável Duradoura Finalidade: cometer tráfico de drogas ou maquinários “Rogério. 35. efetivamente. 35.reclusão. a finalidade da associação é cometer tráfico de drogas ou maquinários. quatro e o 35 de associação?” Muito bem! Mas não é todo mundo que percebe isso. no mínimo. permanente e duradoura. 33. 288. Art. concurso material de delitos. tráfico de drogas ou maquinários. A quadrilha ou bando está no art.a única diferença do art. 73 . para o 25 está no número de integrantes. já configurou o art. Vocês já perceberam que não há quadrilha para cometer contravenção? Vocês já não ouviram. de forma permanente e duradoura. ocorrendo o tráfico. 4 pessoas reunidas. “é uma quadrilha do jogo do bicho”? Só se for o Ratinho falando isso. 25 é um crime autônomo. concurso material de delitos. independe do tráfico. Você se associou com alguém. Esse artigo cai bastante em concurso. “quadrilha do 35”. No mais. Se ele. Quantas vezes já ouvi e li. reiteradamente ou não. Ele traz uma modalidade especial de quadrilha ou bando. independentemente do tráfico. O art. estável. CP Mínimo: 4 Pessoas Reunidas de forma:  Permanente  Duradoura Finalidade: cometer crimes em geral Art. porque se contenta com 2!! Agora.200 (mil e duzentos) dias-multa. Ocorrendo tráfico. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar. Então. reunidas de forma estável. é por isso que o 288 chama de quadrilha. 35. 288. a exemplo. Cuidado! O art. no mínimo.

a associação quer financiar o tráfico. eu vou fazer um gráfico aqui. § único. O crime se consuma com a reunião. se houver o tráfico. Art. 35. a associação quer traficar drogas e maquinários. efetivamente financia o traficante. caput e § 1º. 37 e já vou para os arts. Quando que este crime se consuma? Com a mera reunião. do art. Parágrafo único. § único. de forma estável e permanente a alguém. do art. E o que pune o art. não tem como errar! Prestem atenção! Não tem como confundir. Nas mesmas penas (de 3 a 10 anos) do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. No 35. 25 é punido a titulo de dolo e esse dolo é resumido pelo seguinte: animus associativo. me confundi!” Então. O art. caput. LEI DE DROGAS Mínimo: 2 pessoas Exige: união estável + permanente Finalidade: financiar o tráfico (que configura o crime do art. Mandou uma cartinha convidando uma pessoa para se associar. duas pessoas se reúnem de forma estável e permanente para financiar o tráfico. responderá também pelo 36. 35. 35. a mais nova modalidade de associação criminosa na lei de drogas! (Intervalo) Eu deixei para falar com vocês agora do art. Pronto. financiar um traficante. § único. caput. CP Mínimo: 4 pessoas Exige: união estável + permanente Finalidade: cometer crimes 35. haja ou não o tráfico. LEI DE DROGAS Mínimo: 2 pessoas Exige: união estável + permanente Finalidade: cometer tráfico (drogas e maquinários) 35. não precisa nem explicar o art. vontade de se associar. para acabar a aula. além do 35. Lembrando. 36. do art. 36. aqui. principal. 33. rapidamente. 35. Outro detalhe importante é que a associação para o tráfico é delito permanente. 40 e 44. Ato preparatório. § único. Agora. 36 desta Lei. 35. duas pessoas se reúnem de forma estável e permanente para traficar drogas e maquinários. no 35. Vamos ao parágrafo único. caput? A finalidade. § único. A maioria da doutrina não admite tentativa. qual é a diferença básica. 288. para o art.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS O crime do art. “Rogério. Lá. olha a sanção penal: de 3 a 10 anos. Eu vou falar dele. continua sendo um crime autônomo. 36) Ou seja. você tem concurso material. Sabendo esse quadro. 35. § único. 74 . Ele é punido independentemente do art. 36? “Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. dispensando as práticas dos crimes-fim. é punido independentemente do efetivo financiamento. Se essa associação. e 34 desta Lei”. A consumação se protrai durante todo o período da associação.

caput e § 1º. 36 é punido a título de dolo. Acho que está claro que para uma pena dessa. Financiar (sustentar os gastos) ou custear (prover as despesas) a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. Significa o quê? É imprescindível a relevância do sustento.” Você entregou 75 . consumando-se com o efetivo sustento. além do 288. 36 agora. animus injuriandi = vontade de injuriar. 35. eu pago o aluguel deste lugar. Aqui tem que ter a relevância do sustento.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Você é punido pelo art. efetivamente. de 8 (oito) a 20 (vinte) anos. Se você traficar. 33. Acabou! Não tem erro! Vamos olhar o art. eu quero saber o seguinte: o financiamento para o tráfico é um crime instantâneo ou crime habitual? Não habitual ou habitual? Exige reiteração de sustento ou não? Basta você dar um dinheiro e por maior que seja já houve o crime? Temos duas correntes: 1ª Corrente: “O crime não é habitual. e pagamento de 1. tráfico equiparado ou tráfico de maquinário. ninguém encontra. Na verdade. independentemente dos roubos. o seu sustento tem que ser conditio sine qua non para o sustento do tráfico. independentemente do financiamento. Se você.reclusão. responderá pelos dois crimes em concurso material. A pena é de 8 a 20 anos. ainda que realizado através de uma só conduta. Quando que se consuma? Esse é o detalhe importante. dizendo que não precisava ter colocado financiar ou custear. o o Quem pode praticar o crime do art. eu dei 10 reais para ajudar o traficante. Tudo seria sustentar o tráfico. A doutrina critica isso. Financiar o tráfico. financiar um traficante. Crime comum. “Ah. 288 (formação de quadrilha). Falou em furandi o cara pensa logo em estupro! O crime do art.500 (mil e quinhentos) a 4. 35. independentemente do tráfico. responderá por roubo. Não escreva latim na prova! Não precisa! (animus ledendi = vontade de ferir. E. “Fica tranquilo que eu banco o lugar para você armazenar as máquinas. A pena do art. § único. animus necandi = vontade de matar. Quem poderia ter entrado nesse crime hoje? O Belo. aí você responde pelos dois em concurso material. caput. e 34 desta Lei: Pena . animus furandi = é vontade de furtar! Não é estupro!) Por isso eu falo. Sabe quem é? O Belo já traficava droga. no que consiste o crime? São duas as maneiras de praticar o crime: o o Financiar = sustentar os gastos. 36? Sujeito ativo: qualquer pessoa.” Custear = prover as despesas. Você é punido pelo art. Esse eu costumo brincar que é o Wally. Art. não escrevam latim. Vamos olhar esse 36 com calma. Sujeito passivo: a coletividade. Se você roubar.000 (quatro mil) dias-multa. 36. Respondo por esse crime?” Não! Você é otário. 36 é de 8 a 20 anos. Esse é o mega-thunder. já vendia muito disco. Você é punido pelo art.

se: VII . 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços. § único. caput. como é que eu posso ter o aumento do inciso VII para o agente que financiar ou custear a prática do crime? O art. 40. reiteradamente ou não. Ou seja. Se o financiamento for esporádico. neste caso. 35. Vamos comparar o 35.o agente financiar ou custear a prática do crime. VII. reiterado ou não. 2ª Corrente: “O crime é habitual. 36 não fosse habitual.” Para quem quer Polícia Federal. Parágrafo único. Eu. O art. Aqui estou trazendo um argumento (tem mais) de que o art. quando essa lei ainda era um projeto. com 8 a 20 anos. aumenta a pena se o agente financiar ou custear a prática do crime. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. VII. Se o 36 não fosse habitual. 36. bis in idem. exigindo comportamento reiterado para caracterização do delito. Crime habitual – fundamentos: 1º Argumento – o primeiro argumento está no art. pouco importando se essa associação visa à prática reiterada ou não dos crimes dos arts. 2º Argumento – Esse fundamento nasce quando você lê o art. 35. 33 e 34. estaria escrito aqui. Se o art.343/06: Art. sim. E vou tentar demonstrar porque eu acho isso. Prestem atenção: esse é o argumento principal.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS uma quantia relevante para um traficante para que ele possa desenvolver a sua atividade criminosa. Aliás. 35. 40. com o art. 40. Por quê? Porque os crimes desses artigos são não-habituais. O art. § único. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar. concordo com a segunda. Vocês vão concordar comigo. 35. Por que exige prática reiterada? Porque o 36 é habitual. Art. aí é o tráfico acrescido desta causa de aumento. eu já tinha feito o livro e falado ‘o crime é habitual’. você já praticou o delito do art. pune com as mesmas penas quem se associa para prática reiterada do 36. 35. 33. particularmente. da Lei 11. 36 desta Lei. já o art. 36 exige habitualidade (crime punido com 8 a 20 anos). VII trata da não habitualidade (é esse que emprega um dinheiro esporádico) e. é causa de aumento de pena. caput. Estão me perseguindo de bobeira. e 34 desta Lei: Art. na prova-teste está prevalecendo a primeira corrente. pune a associação para o tráfico. 40. E como é que você escapa do bis in idem? Assim: o art. Como você evita o bis in idem? Simples: se houver um financiamento habitual. sua pena é de 8 a 20 anos. 76 . você correria o risco de um bis in idem. 36 pune com 8 a 20 anos financiar ou custear o crime. 35. 36 é habitual. Se a lei pune com 8 a 20 anos quem financia ou sustenta. é o art. 36. As penas previstas nos arts. qualquer dos crimes previstos nos arts. caput e § 1º. § único. Já o art.

poder familiar. a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito. pratica o art. O que ele faz? Ele avisa que o caveirão está vindo.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Quando você tem duas pessoas visando praticar o tráfico. O art. quando você tem duas pessoas visando praticar o sustento do tráfico. colabora com essa associação). com isso. só pratica associação quem visar à prática reiterada. A doutrina. cuidado! O informante é aquele colaborador eventual porque se. Ele vai responder pelo 35.reclusão. se: I . III . 40. sabendo que esse tráfico não é habitual. Senão não teria sentido. minha missão era só avisar que a polícia estava chegando”. e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) diasmulta. Prevalece a primeira corrente. 33. todos os presos vão querer dizer: “não. no art. e 34 desta Lei: Pena . Isso é interpretação doutrinária. Caso contrário.a natureza. Se fosse uma vez só. As penas previstas nos arts. ele fala reiteradamente? Porque o 36 é crime habitual. 36 admite a tentativa. 37. caput e § 1º. prestem atenção! Eu vou falar rapidamente do art. gritando. Vamos a ele: Art. você seria partícipe do tráfico com uma causa de aumento. § único. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Você participou de qualquer modo no tráfico. estamos punindo aquele que a polícia chama de papagaio. existe o crime. Já no § único. ele fala reiteradamente ou não? Porque o crime-fim não é habitual? E por que no 35. logo. é instantâneo.” Então. 37. com grupo. Colaborar. 35 da lei). II . seja o prático praticado reiteradamente ou não. sabendo que o sustento é um crime habitual. ele tem como missão na associação só avisar quando a polícia vem. Ele tem uma missão e faz parte da associação. Cuidado! Eu vou fazer uma observação e não vou mais precisar explicar esse crime porque ele é claro por si só (soltando foguete. como informante. na verdade. correndo e avisando que a polícia está vindo e você.o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação. 40 traz causas de aumento de pena. guarda ou vigilância. Pronto. ele não é um colaborador eventual. entende a doutrina que a conduta do informante colaborador necessariamente precisa ser eventual (se houver vínculo associativo. Aqui no art. Não está na lei.a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos 77 . A expressão ‘colaborador’ diz tudo. Por que no 35 caput. Agora. Só uma observação aqui: “Apesar de não expresso no dispositivo legal. 37: Art. organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços. com a causa de aumento do inciso VII.

diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação. Então. Ou entrando. de locais de trabalho coletivo. não incidem essas majorantes no art. IV . 33 ao art.” – Quando se falava em tráfico internacional. emprego de arma de fogo.o crime tiver sido praticado com violência. ou saindo. Não se aplica ao crime culposo do art. Detalhe importante: essa causa de aumento dispensa habitualidade. o tráfico transnacional. grave ameaça. de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social. ou beneficentes. Qual é a diferença? Vamos colocar o que era conceituado como tráfico internacional e o que é tráfico transnacional. de sedes de entidades estudantis.o agente financiar ou custear a prática do crime. de unidades militares ou policiais ou em transportes públicos. VII . não incidem no art. O tráfico transnacional seguiu uma recomendação da Convenção de Palermo. E estudamos todos do 33 ao 37. Ela tinha que se “destinar para”. 78 . VI . esportivas. 38. Agora. Caput – Essas causas de aumento só se aplicam do art. ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva. eu exigia dois países envolvidos. 39 (que fala da condução de embarcação ou aeronave sob o efeito de drogas). Quando se falava em tráfico internacional. o que significa isso?  Tráfico transnacional – “Situação ou ação além das fronteiras. 38 e ele cai pouco. Eu não estou dizendo que para configurar o tráfico internacional a droga saísse de um país e entrasse em outro. Acabou! Ainda que o comércio seja realizado em alto-mar. de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza. para vocês verem a diferença:  Tráfico Internacional – “Situação ou ação concernente a duas ou mais nações. 33 a 37. a lei fala em tráfico transnacional. Agora. mesmo que seja para o alto-mar. A transnacionalidade do delito. Basta levar a droga para fora do nosso país. Antes a lei falava em tráfico internacional. um navio em alto-mar. de ensino ou hospitalares. eu não preciso mais levar a droga de um país para o outro. nos crimes que já estudamos. o tráfico é transnacional. Elas só vão incidir dos arts. Agora. V .caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal. Não estou dizendo que a droga precisava sair. A droga tem que extrapolar nossas fronteiras. Bastava a finalidade! Mas a finalidade de pegar a droga de um país e levar para outro país. 37. Isso era tráfico internacional. A Convenção de Palermo já falava: “vamos falar em transnacionalidade”. recreativas. por qualquer motivo.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS prisionais. sociais. Inciso I – Traz a primeira majorante.sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha. culturais. você exigia o tráfico ocorrendo entre duas nações. não.” Então. ou visar levar a droga de um país para o outro.

Tráfico doméstico. grave ameaça ou violência. Detalhe: competência da Justiça Estadual.” É o que a doutrina diz. começaram graças ao pai. Tem que saber que é criança. Polícia. Inciso II – O inciso II é muito simples. toque de recolher do morro ou ele impõe a ajuda do morro. incide o aumento. Não vou perder tempo. que é pessoa sem capacidade de entendimento. Ele tem que saber que pratica o tráfico nesses locais ou nas suas imediações. Se quem trafica exerce função pública. num morro. não para a Federal. Aqui. ou em local de passagem obrigatória das pessoas que saem do estabelecimento. 79 . É que a PF tem que remeter esse inquérito para a Justiça Estadual. O tráfico. Imaginem só. quando domina o morro. responde com essa causa de aumento. Vamos anotar o que significa imediações (a doutrina deu um nome): Imediações – “Abrangem a área em que poderia facilmente o traficante atingir o ponto protegido. eu pergunto: o que são imediações? Quanto de proximidade? Tem doutrina falando que é aquela que fica na distância de um braço. etc. incide o inciso II. se ela foi alcançada pelo dolo do agente. Se você tem por função a guarda ou vigilância do depósito e. se aquele que comercializou a matéria-prima é quem cuida da farmácia ou almoxarifado de hospital. a gente analisa o caso concreto. O traficante quando trafica. Inciso V – Existe o aumento quando o tráfico é caracterizado entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal. É imprescindível que esses locais façam parte do dolo do agente. está aqui. eu não preciso perder tempo. em razão dela. nada mais é do que o tráfico interno. Aqui. “No desempenho de missão de educação”. Agora. ou seja. (“ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva”). Só alerto para o seguinte: o traficante tem que saber que pratica o crime em face dessas pessoas.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Outra observação quanto a esse inciso I – a competência será da Justiça Federal. por exemplo. Outra majorante: poder familiar: pai entregando droga para o filho. que é adolescente. que ofereceu. em alguns segundos. Né? Só incide essa causa de aumento. Ou de depósito de hospital. Esse rol é taxativo. Mas quem pode investigar também é a Polícia Federal. não é o tráfico transnacional. valendo-se da lei do silêncio do morro. professor traficando. Não existe mais a delegação que existia na lei anterior. Inciso VI – O artigo e claro por si só. por exemplo. Teve uma reportagem na Veja dizendo que 34% dos jovens que vão ao psiquiatra tratar com remédio a dependência química. Guarda ou vigilância: por exemplo. interestadual. com alguns passos. A Justiça Estadual não tem mais delegação para tráfico transnacional. No entanto. começa a comercializar éter sulfúrico você responde pela causa de aumento. O traficante vai responder pelo inciso IV. Inciso III – Faltou alguma coisa no mundo? Só espaçonave! Olha que interessante! Vocês perceberam que pode ser no local ou nas imediações. não impede a investigação da Polícia Federal. E onde não houver Justiça Federal? Tem que ser encaminhado para a Justiça Federal mais próxima. diz a doutrina! Inciso IV – Arma de fogo. toque de recolher. praticando tráfico. ele tenha consciência de que ali funciona uma dessas localidades referidas no inciso III. Na prática. onde os traficantes impõem lei do silêncio.

5º. o papagaio. Então. Vocês concordam? Eu. XLIII: CF. 33. equiparado a hediondo? Vamos começar por essa pergunta e vamos para a Constituição Federal. graça. 33. Parágrafo único. Não adianta perguntar o que pensa o Supremo porque o Supremo ainda não decidiu isso aqui. equiparou o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. A doutrina está aplaudindo Vicente Greco. o art. Nos crimes previstos no caput deste artigo. então. vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos. 33. eu. art. Ele e uma autoridade no assunto e diz que equipara-se a tráfico. 2ª Corrente: Diz: não! É o art. particularmente. Ele acha que o art. 33. § 1º (tráfico de matérias-primas). indulto. se omitirem. vejam para Vicente Greco. Isso é o que diz a CF! A CF. Os crimes previstos nos arts. 33. Rogério. equiparando esses artigos a hediondos. efetivamente. §1º. o art. os executores e os que. todos esses artigos. O rol dele foi exaustivo. 44. qual crime da lei de drogas é. podendo evitá-los. 33. da Lei de Drogas. dar-se-á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da pena.343/06? 1ª Corrente: O art.a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. § 1º. é equiparado a hediondo aquele fogueteiro. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. Vicente Greco. e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis. o art. XLIII . o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. 33. 33.072/90 LEI 11. indiretamente. caput. caput e o art. particularmente discordo porque a equiparação tem origem constitucional e o rol do constituinte não foi exemplificativo.343/06 80 . 34 (tráfico de maquinários). 35. 34. Ele diz o seguinte: todos os crimes referidos no art. É o último artigo e o mais importante. acabou. 33. equipara-se a hediondo. caput e § 1º. 44.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Inciso VII – Não vou falar dele porque já falei (financiar ou custear o tráfico). Então. 44. §1º e 34. 5º. Vamos agora para o artigo mais importante: Art. vedada sua concessão ao reincidente específico. por eles respondendo os mandantes. 36 e 37. caput. E o que é equiparado a hediondo pela Lei 11. 35 (associação para o tráfico). e o art. caput (tráfico de drogas). 3ª Corrente: Diz: art. LEI 8. anistia e liberdade provisória. só acho que é equiparado a hediondo. o que pode ser uma dica para vocês.

Ambas vedam fiança – aqui estão em total sintonia com a Lei dos Crimes Hediondos. As últimas decisões (final de julho. Então. Por quê? Porque você veda sursis para tráfico ou tráfico e equiparado e não veda para os demais crimes hediondos e equiparados? É um tratamento desproporcional. Agora. O juiz tem que analisar o caso concreto. se reincidente. há outro ministros que adotam. desigual. se primário e 3/5. agosto) 81 . graça e indulto Veda anistia. sem razão. Não veda liberdade provisória. A Lei de Drogas veda sursis. há decisões de Celso de Mello não admitindo a vedação expressa na lei de drogas e nem a vedação implícita nos crimes hediondos. Não veda sursis.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Veda fiança Veda fiança Veda sursis XXXXX (Constitucionalidade questionada) Veda anistia. Veda restritiva de direitos (Constitucionalidade questionada) Livramento Condicional Qualificado Progressão: 2/5. Agora. O Ministro Celso de Mello diz que jamais a liberdade provisória pode ser vedada em abstrato. se reincidente Livramento Condicional Qualificado Progressão: 2/5. Isso aqui está extremamente controvertido no STF. E a Lei dos Crimes Hediondos? 1ª Corrente: 2ª Corrente: Veda implicitamente ao tolerar inafiançável. graça e indulto 1ª Corrente: veda implicitamente ao tolerar inafiançável 2ª Corrente: não veda liberdade provisória Veda liberdade provisória. se primário Lei 11. Vou repetir: Ele discorda da vedação expressa da Lei de Drogas e discorda da vedação implícita na Lei dos Crimes Hediondos? Por quê? Porque Celso de Mello é contra qualquer vedação em abstrato.469/07 3/5. graça e indulto. Essa é a questão mais difícil para cair em concurso porque até agora o STF não decidiu com certeza. Ambas vedam anistia. olha o detalhe: a lei de drogas veda liberdade provisória. Ele acha que o juiz tem que olhar o caso concreto. Por isso é que a vedação do sursis já tem questionada a sua constitucionalidade. exatamente a tese oposta: está expressamente vedada na lei de drogas e implicitamente vedada na Lei dos Crimes Hediondos. A lei de Crimes Hediondos veda sursis? Vocês estudaram isso! Não.

intensivo II e Delegado. se reincidente. A certeza é que a Lei de Drogas expressamente veda. Como é que pode ser equiparado a hediondo e vedar o sursis. ela diz: essa progressão é para qualquer crime hediondo ou equiparado. não. E na Lei de Drogas? A lei que introduziu a progressão diferenciada é a lei 11. Mas. A Lei dos Crimes hediondos veda? Não.  A Lei dos crimes hediondos não veda sursis. não adianta querer aplicar o princípio da especialidade. a Lei de drogas também veda. mas submeteu ao Pleno para decidir a questão. Discute-se somente se isto é constitucional. Eu vou rever tudo e falar o ponto mais importante:  A Lei dos Crimes Hediondos veda fiança. tem questionada a sua constitucionalidade. Pergunta do final da aula: 82 . A Lei 11. do art. Apesar de ela estar na Lei dos Crimes Hediondos. sendo que um crime genuinamente hediondo não veda? Então. sim. inclusive o tráfico. por que só a Lei de Drogas veda? O que o STJ faz? Está questionando a constitucionalidade. vamos voltar com Execução Penal e Lei Maria da Penha. a Lei de Drogas é equiparada a hediondo! O tráfico é equiparado a hediondo. Cuidado! A Lei 11. a Lei de Drogas.464 é de 2007 e ela faz abranger todos os crimes hediondos ou equiparados. Eu queria ter falado do art. abrangendo o tráfico.  Tanto a Lei dos Crimes Hediondos veda anistia graça e indulto. Rogério.464/07.343 veda restritiva de direitos. 39. Então. O quê? Progressão de regimes.464/07 é posterior à Lei de Drogas e sendo posterior. veda. ela se aplica a todos os crimes hediondos ou equiparados. Na Lei dos Crimes Hediondos. Não pode cair isso aqui. tem uma que a Lei dos Crimes Hediondos prevê e a Lei de Drogas. Isso significa o quê? Que o tráfico segue a progressão de 2/5 ou 3/5. Se cair na primeira fase.  Agora. Vocês perceberam a data? A Lei de Drogas é de 2006. se primário ou 3/5. Mas não é o que reflete a unanimidade. A Lei de Drogas prevê um livramento condicional qualificado e a Lei de Crimes Hediondos também.  Discute-se se a Lei dos Crimes Hediondos veda ou não a liberdade provisória. Vocês. Ela é posterior à Lei de Drogas e faz menção ao tráfico. inconstitucional. progressão com 2/5.LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS têm sido no sentido de que a liberdade provisória pode ser vedada sim. 38. Então. Celso de Mello ia errar. a lei 11.  Tanto uma quanto outra prevêem livramento condicional qualificado. hein? Aqui é o princípio da posterioridade. Não deu tempo! Mas eu concluí o programa tráfico. Um dos últimos informativos do STJ traz um acórdão que julgou.

LFG – LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL – Rogério Sanches – Intensivo II – 29/08/2009 LEI DE DROGAS Polícia Civil. ofereceu droga a Z.” Gabarito: dado como certo. ES. Está ERRADO o gabarito! A questão trata do tráfico equiparado de menor potencial ofensivo. imputável. 28. Pessoal. Cespe: “Se Y. mas isso. eles estão jogando como se fosse uso. hein? O 33 de menor importância. 33. Se fosse a figura do uso não estaria no art. Janeiro/09. Uso não é! 83 . para juntos consumirem. a posição topográfica diz muito! Estaria no art. eu falei para vocês: direto está acontecendo. a conduta de Y se enquadrará na figura do uso e não da traficância. sem objetivo de lucro. imputável.

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