Você está na página 1de 10

AVALIAÇÃO SÍSMICA DE ESTRUTURAS DE EDIFÍCIOS COM BASE

EM ANÁLISES ESTÁTICAS NÃO LINEARES

Rita BENTO Sebastião FALCÃO Filipe RODRIGUES


Professora Auxiliar Bolseiro ICIST Aluno Mestrado
IST, ICIST IST IST
Lisboa Lisboa Lisboa

SUMÁRIO

Neste artigo descreve-se a avaliação sísmica de estruturas de edifícios de betão armado com base
em análises estáticas não lineares. É apresentado o método N2, proposto na versão final do
Eurocódigo 8 e aplicado inicialmente a um edifício de betão armado de 4 pisos. Os resultados
obtidos são comparados com os que se obteriam recorrendo aos métodos propostos em outros
regulamentos (ATC-40 e o FEMA-356). O método N2 é ainda aplicado a uma estrutura pórtico
de 8 pisos. Neste estudo é dada particular importância às vantagens e desvantagens da utilização
deste método na avaliação do comportamento sísmico de estruturas referindo-se ao seu campo de
aplicação, em particular à sua utilização como método de dimensionamento.

1. INTRODUÇÃO

A avaliação adequada do desempenho sísmico estrutural exige que se recorra a uma modelação
correcta do comportamento. Preferencialmente a avaliação adequada do desempenho de sistemas
estruturais sujeitos à acção sísmica devia-se basear em análises dinâmicas não lineares que
recorressem a um conjunto de acelerogramas cuidadosamente escolhidos. No entanto, este tipo de
análise está associada a algumas dificuldadas, dificilmente ultrapassáveis ao nível do
dimensionamento corrente.
866 SÍSMICA 2004 - 6º Congresso Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica

Sabe-se que para garantir com sucesso um bom desempenho sísmico é essencial controlar o nível
de deslocamentos das estruturas, tanto local como globalmente. Assim, nos últimos anos
começaram a surgir novos processos de avaliação e dimensionamento sísmico de estruturas, em
particular as análises estáticas não lineares, na forma de carregamento imposto e com controle de
deslocamentos (“Pushover Analysis”). Estas análises recorrem a três fases distintas: a) definição
da capacidade resistente estrutural, aplicando incrementalmente cargas ou deslocamentos
horizontais; b) definição da acção sísmica e da resposta final atendendo ao comportamento não
linear, permitindo a obtenção do ponto de desempenho sísmico (“performance point”) ou do
deslocamento objectivo (“target displacement”) e c) avaliação do desempenho da estrutura
quando se atinge o ponto de desempenho sísmico ou o deslocamento objectivo.

Neste trabalho dá-se ênfase ao método N2 [1] que, nas versões mais recentes, apresenta-se no
formato aceleração –deslocamento. Este método combina a vantagem da representação gráfica do
método das capacidades resistentes proposto no ATC 40 [2] com o conceito de espectro de
resposta inelástico, definido a partir de um espectro de resposta elástico modelado típico. O
método N2 é também bastante semelhante ao método correspondente do FEMA 273 [3]. Os
métodos propostos nos regulamentos ATC-40 e no FEMA-356 estão apresentados em pormenor
na referência [4], pelo que apenas se descreve neste artigo o método N2.

2. DESCRIÇÃO DO MÉTODO N2

Descreve-se em seguida, os passos necessários para a aplicação do método N2 [1], proposto no


Eurocódigo 8 (EC8) [5].

Passo 1 - Dados
Modelação Estrutural: Os elementos estruturais são modelados atendendo ao carregamento
fisicamente não linear. Adequadas relações constitutivas são definidas para os diferentes
elementos estruturais (Figura 1-a).
Acção sísmica: Recorre-se a um espectro de resposta elástico, para um valor de coeficiente de
amortecimento (de 0,05 para estruturas de betão armado) e considerando um determinado valor
de aceleração de pico de solo.

Passo 2 – Espectro de resposta no formato Aceleração-Deslocamento


Neste método o espectro é representado graficamente no formato ADRS (Acceleration
Displacement Response Spectrum), onde os valores espectrais da aceleração são definidos em
função dos valores espectrais do deslocamento (Figura 1-b). Para um sistema de um grau de
liberdade de periodo T e com comportamento elástico é válida a equação (1), onde Sae e Sde
representam, respectivamente, o espectro de resposta elástico de aceleração e de deslocamento.

4π 2
S ae = S de
T2 (1)

A determinação dos espectros de resposta inelásticos (Sa e Sd) para valores constantes de
ductilidade µ, é feita de acordo com a equação (2), onde qu - equação (3) - representa o factor de
Rita BENTO, Sebastião FALCÃO, Filipe RODRIGUES 867

redução devido à dissipação de energia histerética, presente nas estruturas dúcteis. Nesta equação
Tc representa um periodo característico do movimento do solo [5].

Sae µ
Sa = Sd = S de
qu qu
(2)
 T
(µ − 1) + 1 T < Tc
qu =  Tc
µ T ≥ Tc
 (3)
3.0
a) Sa b)
M4 2.5

M3 2.0
Momento
El á s ti co
M2 1.5
µ =1,5
M1 1.0 µ =2

µ =3
0.5

Curvatura
0.0
0.000 0.005 0.010 0.015
Figura 1: a) Modelação estrutural; b) Espectro de Resposta (Formato ADRS)

Passo 3 – Definição da curva de capacidade resistente


A curva de capacidade resistente é definida a partir do valor do esforço transverso na base da
estrutura (Corte basal – V) em função do deslocamento de topo (∆topo), recorrendo a uma análise
não linear e aplicando progressivamente uma distribuição de cargas laterais (Figura 2-a), até
atingir um determinado estado limite (associado a um valor máximo do deslocamento do topo
∆max
topo
). É necessário definir a direcção de aplicação do carregamento lateral e a sua distribuição.
O N2 propõe a distribuição de forças definida na equação (4), onde a intensidade do
carregamento é controlada pelo factor p e onde Pi, mi e φi representam, respectivamente, a força
lateral a aplicar no piso i, a massa do piso i e a componente i do modo condicionante.

Pi = p m i φ i (4)

Passo 4 – Sistema de 1 grau de liberdade equivalente


Transformação: Como a acção sísmica é quantificada a partir de espectros de resposta, a estrutura
deve ser modelada a partir de um sistema de um grau de liberdade equivalente. No método N2, a
transformação da estrutura (sistema de N graus de liberdade) para um sistema de um grau de
liberdade (1 GL) equivalente é feita a partir do factor de transformação Γ [1] - equação (5).
Assim, a força e o deslocamento do sistema de 1 GL são obtidos a partir das expressões
apresentadas na equação (6). Com esta transformação é possível obter a curva de capacidade
resistente para o sistema de 1 GL (Figura 2-b), onde o valor espectral de aceleração do sistema de
1 GL equivalente é dado pela equação (7).
868 SÍSMICA 2004 - 6º Congresso Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica

∑ miφi m*
i
Γ= = (5)
∑ m i φ i2 ∑ m i φ i2
i i

V ∆ topo
F* = d* = (6)
Γ Γ
F*
Sa = (7)
m*

P ∆topo
a) b)

V F*
m* d*
Curva de Fy*
Capacidade

∆max
topo ∆topo dy* dm* d*
V F*
Figura 2: Definição da curva de capacidade na: a) Estrutura; b) Sistema 1 GL equivalente

Características do sistema de 1 GL equivalente: A representação bi-linear do espectro da


capacidade resistente do sistema de 1 GL é necessária para determinar o valor do periodo elástico
do sistema equivalente (T*). A resposta bi-linear idealizada deve ser definida de tal forma que: a
rigidez pós-cedência seja zero (uma vez que o factor de redução qu é definido como o quociente
entre a resistência elástica e a resistência de cedência – equação (12)) e a energia de deformação
correspondente seja igual à energia actual. Com a curva bi-linear determinada fica definido a
resistência do sistema de 1 GL equivalente (Fy*) e o deslocamento de cedência do sistema
idealizado (dy*). O periodo T* é então determinado de acordo com a equação seguinte:

m * d *y
T * = 2π (8)
Fy*
Passo 5 – Desempenho sísmico do sistema de 1 grau de liberdade equivalente
A resposta sísmica da estrutura idealizada (que vai ser quantificada em termos de deslocamento
dt*) pode ser obtida recorrendo a um procedimento gráfico. Neste fase dois tipos de curvas podem
ser traçadas no gráfico Aceleração versus Deslocamento Espectral (formato ADRS): 1) a curva
de capacidade resistente correspondente à curva de capacidade de um sistema de 1 GL; e 2) o
espectro de resposta – Figura 3.
Rita BENTO, Sebastião FALCÃO, Filipe RODRIGUES 869

Sa Tc Sa Tc
Sae(T*)
a) T* < Tc Sae(T*) b) T* > Tc

Fy*/m*
Fy*/m*

dy* de* dt* Sd dy* de*=dt* Sd


Figura 3: Determinação do deslocamento objectivo do sistema de 1 GL equivalente para: a)
Periodos baixos; b) Periodos médios ou longos

Para um comportamento elástico, o deslocamento objectivo de* é dado pela equação (9), onde
Sae(T*) representa o valor espectral elástico da aceleração correspondente a T* (Figura 3).
2

( )
T* 
d *e = S ae T *   (9)
 2π 
A determinação do valor do deslocamento objectivo dt* depende das características dinâmicas do
sistema. Assim:
a) Periodos baixos T*<Tc (Figura 3-a)
Se a estrutura apresenta comportamento elástico (Fy*/m*>Sae(T*))

d *t = d *e (10)
Se a estrutura apresenta comportamento inelástico (Fy*/m*<Sae(T*))

d *e  Tc 
d *t = 1 + (q u − 1) *  ≥ d e
*
(11)
qu  T 
Com qu dado pela equação (12) – ver equação (2).

S ae S S m*
qu = = * ae * = ae * (12)
Sa Fy / m Fy
b) Periodos médios e longos T*>Tc (Figura 3-b)

d *t = d *e (13)

Passo 6 – Desempenho sísmico da estrutura


Determina-se o deslocamento de topo da estrutura utilizando a equação (14). Seguidamente
avalia-se o desempenho sísmico estrutural aplicando progressivamente à estrutura uma
distribuição de forças igual à indicada no Passo 3, até a estrutura atingir o ∆topo. Como este valor
corresponde a um valor médio e existe sempre alguma dispersão associada, os regulamentos
sugerem que se aumente o valor do deslocamento de topo obtido; o EC8 propõe que se considere
um valor, no mínimo, igual a 150% do valor determinado. Para este valor de deslocamento de
topo calcula-se, por exemplo, as rotações nas extremidades dos elementos estruturais ou os
deslocamentos inter-pisos. Os resultados obtidos são comparados com os valores resistentes.
∆ topo = Γ d *t (14)
870 SÍSMICA 2004 - 6º Congresso Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica

3. APLICAÇÃO

Pretende-se nesta secção avaliar o desempenho sísmico de estruturas recorrendo a análises


estáticas não lineares (CSM do ATC-40, DCM do FEMA-273 e N2 do Eurocódigo8) e usando
ainda a análises dinâmicas não lineares. Neste artigo é apenas analisado e apresentado o
comportamento das estruturas para uma aacção sísmica de dimensionamento de 0,30g e os
diferentes resultados são, sempre que possível, comparados entre si.

3.1. Descrição das estruturas e acção sísmica

As duas configurações estruturais usadas para aplicar as análises estáticas não lineares estão
representadas na Figura 4, consistindo em edifícios porticados de betão armado de quatro e oito
pisos.

Figura 4: Definição das estruturas de 4 e 8 pisos (dimensões em metro)

Ambas as estruturas foram dimensionadas de acordo com o EC8 e enquanto a estrutura de 4 pisos
foi definida no âmbito de um programa de cooperação entre os membros da Associação Europeia
de Laboratórios de Mecânica Estrutural [6] a estrutura de 8 pisos foi dimensionada e
pormenorizada na Universidade de Patras [7].

Neste estudo paramétrico recorre-se ao programa IDARC versão 5.0 [8] - nomeadamente à
análise por carregamento imposto segundo ATC40 e FEMA-273 e à análise dinâmica não linear
no domínio do tempo para o edifício de 4 pisos – e ao programa SAP2000 versão 8 [9] quando se
Rita BENTO, Sebastião FALCÃO, Filipe RODRIGUES 871

utiliza o método N2, em particular para o edifício de 8 pisos. Neste artigo é apenas apresentado o
comportamento da estrutura na direcção indicada na Figura 4. Para as vigas, uma largura efectiva
de laje é utilizada na definição da rigidez.

Para as análises estáticas recorreu-se ao espectro de resposta do EC8 para um solo tipo B, para
um coeficiente de amortecimento de 5% e uma aceleração de pico de 0,30g (Figura 5). A partir
deste espectro foram gerados artificialmente séries de acelerogramas e escolhidos 5,
representando-se na Figura 5 o espectro de resposta médio correspondente e um acelerograma
tipo normalizado.
10
Espectro de Aceleração (m/s2 )

Acel
8 (m/s 2 )
Espectro de Resposta Elástico
1
6 Espectro de Resposta (Média de 5 Acel.)

4 0
2
-1
0
0 2 4 6 8 10
0 1 2 Periodo (s) 3 Tempo (s)
Figura 5: Espectros de Resposta para ξ = 5% e acelerograma normalizado

3.2. Resultados obtidos

Nesta secção apresenta-se um sumário dos resultados obtidos para as duas estruturas estudadas e
para o edifício de 4 pisos os valores registados nas diferentes análises desenvolvidas.

A análise estática não linear permite a definição da curva de capacidade resistente da estrutura
(Figura 2-a), que fornece propriedades importantes da resposta estrutural: a rigidez incial da
estrutura, a resistência total, o deslocamento de cedência e o comportamento estrutural em regime
não linear. A curva de capacidade resistente da estrutura vai depender da modelação do
comportamento não linear de todos os elementos estruturais e ainda da distribuição adoptada para
o carregamento lateral. Na figura 6 estão representadas as curvas de capacidade resistente do
edifício de 4 pisos para uma distribuição de cargas uniforme, modal e modal adaptativa (neste
caso a distribuição de forças vai-se redistribuindo de acordo com as propriedades modais em cada
passo).

1500
Corte basal (kN)

1000

Uniforme
500 Modal
Modal Adaptativa

0 Deslocamento (mm)
0 50 100 150
Figura 6: Curva capacidade resistente edifício 4 pisos para várias distribuições laterais de forças
872 SÍSMICA 2004 - 6º Congresso Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica

No Quadro 1 indica-se os valores máximos em termos de deslocamento de topo, deslocamento


relativo interpisos (o valor máximo ocorre sempre ao nível do segundo piso) e esforço de corte
basal para todos os métodos utilizados. Os resultados são, na sua maioria, semelhantes
constantando-se consistentemente que o método N2 conduz a resultados mais próximos daos
obtidos com a análise dinâmica não linear (ADNL).
A Figura 7 representa graficamente a evolução em altura dos deslocamentos dos pisos, dos
deslocamentos relativos interpisos e do esforço transverso. Verifica-se que, independentemente
do tipo de método utilizado, o valor máximo dos deslocamentos relativos interpisos ocorre
sempre ao nível do segundo piso. Isto deve-se ao facto da capacidade resistente das secções dos
pilares se reduzir significativamente do piso 1 para o 2 (a armadura longitudinal varia nestes pisos
[8]), mostrando como a resistência e a rigidez dependem da quantidade de armadura longitudinal
utilizada. O valor máximo do deslocamento relativo máximo interpisos verifica-se com a análise
dinâmica não linear e é igual a 1,29%, valor próximo do valor máximo definido no ATC40. O
valor da força de corte basal máximo é obtido com o método DCM para uma distribuição
uniforme do carregament0 lateral – neste caso o valor é aproximadamente 10% superior ao valor
obtido com ADNL.

Quadro 1: Sumário de resultados – edifício de 4 pisos


ADNL ATC40 FEMA-273 N2
Uniforme Modal
Deslocamento máximo [mm] 119,43 95,58 97,00 87,74 100,69
Deslocamento relativo máximo (Drift) 1,29 1,05 1,11 0,96 1,11
Força de Corte na Base [kN] 1190,2 854,8 1316,3 1075,1 1167,9

Piso 4

Piso 3

Piso 2

Piso 1

Piso 0
0 100 200 0 1 Drift 2 0 500 1000 1500
Deslocamentos Piso (mm) Esforço Transverso (kN)
di )
ADN [média] ATC 40 [ [a.m.]
ATC-40 ] FEMA-273 [uniforme]
FEMA-273 [modal] N2

Figura 7: Resultados obtidos para o edifício de 4 pisos, usando vários métodos

As curvas de capacidade resistente do edifício de 8 pisos para uma distribuição de cargas


uniforme, triangular e modais (para só o primeiro modo ou considerando os três primeiros) estão
respresentadas na Figura 8. É evidente, à semelhança do que se tinha obtido com o edifício de 4
pisos (Figura 6), que a resposta da estrutura é sensível à forma da distribuição de cargas laterais.
Rita BENTO, Sebastião FALCÃO, Filipe RODRIGUES 873

Verifica-se que as diferenças entre a distribuição triangular e a distribuição definida a partir da


configuração do primeiro modo são mínimas uma vez que a configuração do primeiro modo
aproxima-se de uma distribuição triangular. A Figura 9 representa graficamente a evolução em
altura dos deslocamentos dos pisos, dos deslocamentos relativos interpisos e do esforço
transverso, considerando a distribuição modal (1 modo). Os valores máximos de deslocamento e
corte basal são de 115mm e 5000 kN, respectivamente. Os deslocamentos relativos interpisos
máximos são elevados (2,11%) e ocorrem no terceiro e quarto piso (maiores valores do ATC40).
Corte Basal (kN)

6000
5000
4000
3000 Uniforme
2000 Triângular
Modo 1
1000 Modo 1+2 +3
0
Deslocamento (mm)
0 100 200 300 400 500
Figura 8: Curva capacidade resistente edifício 8 pisos para várias distribuições laterais de forças

24
21
18
15
12
9
6
3
0
0 50 100 150 0% 1% 2% Drift 3% 0 1000 2000 3000 4000 5000
Deslocamento (mm) Corte Basal (kN)
Figura 9: Resultados obtidos para o edifício de 8 pisos, considerando distribuição modal

4. COMENTÁRIOS FINAIS

Os métodos utilizados neste trabalho, que recorrem a análises estáticas não lineares, apresentam
como principais vantagens o facto de a avaliação e o dimensionamento sísmicos da estrutura se
basearem no controlo de deslocamentos, global e local, de fornecer informação acerca da
resistência e ductilidade da estrutura e ainda de permitir identificar as zonas da estrutura com
dimensionamento deficiente, que seriam impossível de localizar se se usasse análises lineares.
Pode afirmar-se que são uma ferramenta adequada e racional para dimensionamento de estruturas
e para avaliar a resposta sísmica para diferentes Objectivos de Desempenho (Performance
Objectives). Existem no entanto limitações associadas em qualquer um destes métodos, como
acontece em qualquer método simplificado. Estas técnicas são utilizadas mais frequentemente em
análises planas e, para este tipo de análises, apresentam limitações associadas à própria análise
estática não linear e ainda à própria determinação do deslocamento objectivo.
Relativamente à análise estática não linear a maior aproximação está associada à distribuição de
cargas laterais utilizada que é, na grande maioria dos casos, independente do tempo. Esta
874 SÍSMICA 2004 - 6º Congresso Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica

aproximação é, em geral, inadequada, principalmente em estruturas onde os modos de vibração


mais elevados ainda contribuem significativamente para a resposta sísmica, não permitindo
atender às modificações das suas características dinâmicas que ocorrem após a formação de
determinado mecanismo local. A solução prática para ultrapassar esta limitação consiste em
assumir duas distribuições de cargas laterais e utilizar os resultados envolventes (como é aliás
proposto no EC8) que, para além da distribuição modal (como indicado no passo 3 da secção 2)
propõe a utilização da distribuição uniforme.

Foram, no entanto, mais recentemente propostos métodos que sugerem a utilização de uma
distribuição lateral modal adaptativa [10] onde, em cada passo, se considera a rigidez e as
propriedades dinâmicas correntes, actualizando passo a passo a distribuição de cargas laterais. Outra
fonte de imprecisão está relacionada com a definição do deslocamento objectivo para o sistema de
um grau de liberdade equivalente. Este deslocamento vai depender, por um lado, da definição do
espectro não linear e por outro da idealização bilinear da curva esforço transverso-deslocamento do
sistema de 1GL. Todas estas limitações se mantêm em análises tridimensionais, adicionando-se
ainda algumas dificuldades relacionadas com a consideração adequada dos efeitos de torção.

5. AGRADECIMENTOS

Este trabalho faz parte da actividade de investigação do Instituto de Engenharia de Estruturas,


Território e Construção (ICIST) e foi parcialmente suportado pelo plurianual da FCT.

6. REFERÊNCIAS

[1] Fajfar, P – “A Nonlinear Analysis Method for Performance-Based Seismic Design”,


Earthquake Spectra, Vol. 16, EERI, 2000, p. 573-592.
[2] ATC-40, Seismic Evaluation and Retrofit of Concrete Buildings, Vol. 1 & 2, Applied
Technology Council, CA 94065, 1996.
[3] FEMA-273, NEHRP - Guidelines for the Seismic Rehabilitation of Buildings, Building
Seismic Safety Council, Washington, D.C., October 1997.
[4] Bento, R., Falcão, S. - “Avaliação Sísmica de Estruturas com base em Análises Estáticas
Não Lineares - Metodologia”, Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas, Vol. 51,
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 2002, p. 3-11.
[5] prEN 1998-1, “Eurocode 8: Design of structures for earthquake resistance – Part 1: General
Rules, seismic actions and rules for buildings”, Draft Nº 6, Commission of the European
Communities (CEN), Brussels, Belgium, 2003.
[6] LNEC, “Investigação no Âmbito da Resposta Sísmica de Estruturas de Betão Armado
Estudo em Cooperação”, Lisboa, 1996.
[7] Fardis M.N., “Analysis and Design of reinforced concrete buildings according to Eurocodes
2 and 8 – Configuration 2”, Reports on Prenormative Research in Support of EC8, 1994.
[8] Valles, R., Reinhorn, A., Kunnath, S., Li, C., and Madan, A., IDARC 2D Version 5.0: A
Program for the Inelastic Damage Analysis of Buildings, Technical Report NCEER-96-
0010, NCEER, State University of New York at Buffalo, Buffalo, NY 14261, 1996.
[9] SAP2000, SAP2000 Version 8: Integrated Software for Structural Analysis & Design,
CSI, Computers & Structures, Inc., Structural and Earthquake Engineering Software,
Berkeley, California, USA, 2003.
[10] Antoniou, S., Rovithakis, A., Pinho, R. “Development and Verification of a Fully Adaptive
Pushover Procedure”. The 12th ECEE, European Association for Earthquake Engineering
& Society for Earthquake and Civil Engineering Dynamics, Elsevier, London, 2002.