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INSTITUTO

EDIÇÃO Nº 01 | ANO 1 | JAN 2018 | MMXVIII


JOÃO CALVINO

MASCULINIDADE
BIBLICAMENTE
QUALIFICADA

revistadiakonia.org
E X P E D I E N T E
EDITORES Adriano Gama
Elienai B. Batista

REVISÃO Ester Conceição dos Santos


Fábio Galvão

PROJETO Thiago A. Nunes


GRÁFICO
EDITORAÇÃO Thiago A. Nunes

WEBSITE Israel F. B. Batista

FALE contato@revistadiakonia.org
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S U M Á R I O
JIM EDITORIAL
WITTEVEEN 04

IRALDO
06
PRECISAMOS DE HOMENS
LUNA QUALIFICADOS PARA OS
OFÍCIOS

JIM O QUE É MASCULINIDADE


WITTEVEEN BIBLICAMENTE QUALIFICADA?
11

ALAN COMO ORGANIZAR ESTUDOS


KLEBER E OUTRAS ATIVIDADES COM O
OBJETIVO DE PROMOVER
15
UMA MASCULINIDADE BÍBLICA
NA IGREJA

FLÁVIO COMO É O PROCESSO PARA


JOSÉ SILVA A ESCOLHA DE OFICIAIS NAS
IGREJAS REFORMADAS
19
EDITORIAL
Jim Witteveen

Bem-vindos à primeira edição da Revista Bíblia e aos ensinos dos pais da igreja antiga.
Diakonia! É com grande prazer que apresen- Eles redescobriram o papel fundamental dos
tamos esta nova revista e website dedicada a ofícios eclesiásticos e a importância destes
fornecer recursos para ajudar os diáconos, ofícios na vida do rebanho do Bom Pastor.
presbíteros e pastores a realizarem seus pa-
peis vitais dentro do corpo de Cristo. Eles trabalhavam com a Escritura, bus-
cando os princípios que poderiam ser encon-
Esta revista é uma apresentação do Ins- trados na Palavra, e como esses princípios po-
tituto João Calvino, o seminário das Igrejas deriam ser aplicados em termos práticos. Eles
Reformadas do Brasil. O Instituto João Cal- também fizeram este trabalho no contexto da
vino, tem como propósito o treinamento de Igreja - “a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte
homens para assumir a liderança na Igre- da verdade” (1 Tm 3.15).
ja de Cristo. Fazemos nosso trabalho com
base na Escritura, a fonte de toda sabedo- Então o contexto da aliança significa que
ria, subscrevendo aos padrões das Igrejas aprendemos com alegria dos nossos antepas-
Reformadas (a Confissão Belga, o Catecis- sados na fé, na Igreja Reformada, e que nos es-
mo de Heidelberg, e os Cânones de Dort), forcemos a fazer o nosso trabalho da mesma
no contexto da Aliança. Este contexto é sig- maneira. Prezamos a história e a sabedoria
nificativo em termos dos pressupostos que que encontramos na comunidade da aliança,
guiam a nossa abordagem às questões de li- ou seja, na Igreja universal que inclui a Igreja
derança na Igreja, e também quanto ao con- dos séculos passados, e a Igreja em toda parte
teúdo dos artigos que publicamos. do mundo.

Primeiramente, nós fazemos o nosso tra- Mas o contexto da Aliança também nos
balho dentro de um contexto histórico. Não lembra que temos nesta publicação um gran-
precisamos “reinventar a roda” quando pen- de privilégio e uma grande responsabilida-
samos em como devemos tratar os vários as- de. Porque a vida na aliança é governada por
pectos de liderança na Igreja, porque estamos oficiais, homens apontados por Jesus Cristo,
construindo em um fundamento já construí- para liderar as ovelhas para quem Jesus mor-
do desde a época da Reforma Protestante. Os reu. Os líderes da Igreja lidam com questões:
próprios Reformadores não começaram este de vida e morte, e vida e morte eterna. Esta ta-
trabalho do zero, mas voltaram “ad fontes”, à refa é séria, e exige treinamento e aprendiza-

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gem. Portanto, quando escolhemos os temas Nossa oração, é que Deus use a Revista
e os artigos que publicamos, fazemos isso Diakonia para fortalecer e habilitar homens a
cientes da importância de nosso trabalho. fazer seu trabalho no rebanho efetivamente,
sabiamente, humildemente, e piedosamente.
Sabemos que poucos recursos práticos Nestas páginas iremos encontrar “teologia
são disponíveis na Língua Portuguesa quan- prática,” que é na verdade, o que toda teologia
to aos papeis dos oficiais na Igreja, e estamos deve ser. Que Deus abençoe sua leitura desta
aqui para preencher este vazio. Mas esta falta primeira edição, e ajude todos nós a aplicar
de recursos não significa que vamos publicar o que aprendemos no nosso próprio ministé-
qualquer escrito, não importa a qualidade, rio seja como diácono, presbítero, pastor, ou
simplesmente para preencher as páginas vir- membro da Igreja de Deus.
tuais desta revista. Não, queremos providen-
ciar os melhores recursos que podemos para
ajudar aos homens da Igreja a “guardar o bom O Pr. JIM WITTEVEEN é Ministro da Pa-
depósito” (2 Tm 1.14), e “atender por todo o re- lavra e dos Sacramentos servindo como Mis-
banho sobre o qual o Espírito Santo se consti- sionário da Igreja Reformada em Aldergrove
tuiu bispos, para pastorear a igreja de Deus, a (Canadá) em cooperação com as Igrejas Re-
qual ele comprou com o seu próprio sangue” formadas do Brasil. Ele é professor e um dos
(At 20.28). diretores do Instituto João Calvino.

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PRECISAMOS
DE HOMENS

QUALIFICADOS
PARA OS OFÍCIOS
Iraldo Luna

Ai de ti, ó terra cujo rei é criança e cujos príncipes se banqueteiam já de manhã. Ditosa, tu, ó
terra cujo rei é filho de nobres e cujos príncipes se sentam à mesa a seu tempo para refazerem as
forças e não para bebedice.
(Ec 10.16-17)

Sem dúvida, um dos temas que mais pre- teros e diáconos; ou melhor, eles estão na
cisa de nossa atenção dentro do mundo ecle- maioria das igrejas. Como podemos falar de
siástico é o da liderança da igreja: os ofícios. necessidade urgente de líderes para o reba-
Em geral, as igrejas têm enfrentado alguns nho? A resposta está no tipo de igreja que
problemas, seja pela falta dos ofícios, ou pela temos visto crescer em nossos dias; igrejas
presença deficiente deles. fracas, desprotegidas e, pior, muitas delas
sem Cristo, sem o Evangelho.
Esse tem sido um verdadeiro desafio
para a igreja de nossos dias. A carência de A relação que isso tem com os ofícios
homens para os ofícios é notória diante na igreja nem sempre se dá pela falta de ho-
da urgente necessidade de alimentar o mens, e sim pela ausência de homens quali-
rebanho de Deus e de protegê-lo dos lobos. ficados para ser a presença de Cristo, o Su-
O rebanho está sofrendo, as ovelhas estão premo pastor, em sua igreja. Sendo assim, o
sendo atacadas e a comida está escassa. objetivo deste artigo é mostrar a importância
Onde estão os líderes para nos proteger e de termos homens qualificados para os ofí-
alimentar? Clamam as ovelhas. cios, bem como oferecer aos pastores e líde-
res uma pequena reflexão sobre como eles
Lendo isso, alguém pode estar se per- podem ajudar a sua congregação a escolhe-
guntando: Mas em minha igreja há presbí- rem seus próprios líderes.

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A maturidade (ou a falta dela) nos ofícios afe- bancos, e apenas isso. Isso certamente pode
ta a vida da igreja ser um indicativo de um problema: ou falta
maturidade na igreja para enxergar os seus
Quando falo da dificuldade em ter homens líderes, ou nos próprios homens, que não
para o ofício, não me refiro a quantidade de conseguem ser líderes.
homens na igreja, e sim, a qualidade deles.
Soa meio ofensivo dizer que não há homens A igreja sofre com isso, mas, por outro
na igreja quando os mesmos estão sentados lado, não é penalizada por ter homens no ofí-
nos bancos, participando das atividades, espe- cio sem ter a menor qualificação para tal. Isso
cialmente dos cultos públicos. sim pode ser um inimigo mortal para igreja.
No mesmo capítulo, em Efésios 4, nos versos
De fato, é ofensivo! Mas a questão é: a 11-15, Paulo escreve:
quem é ofensivo? Certamente não aos ho-
mens, mas a Deus. Ele deu homens à sua igre- “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos,
outros para profetas, outros para evangelistas
ja para que a governem e liderem o povo dEle
e outros para pastores e mestres, com vistas ao
como homens cristãos. O apóstolo Paulo, em aperfeiçoamento dos santos para o desempe-
Efésios 4.7-8, revela que esses homens são da- nho do seu serviço, para a edificação do corpo
dos à igreja como dom de Cristo: “E a graça de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da
foi concedida a cada um de nós segundo a pro- fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à
porção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando perfeita varonilidade, à medida da estatura da
ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e plenitude de Cristo, para que não mais sejamos
como meninos, agitados de um lado para outro e
concedeu dons aos homens.” Ou seja, esses ho-
levados ao redor por todo vento de doutrina, pela
mens trazem da parte de Cristo graça¹. Com artimanha dos homens, pela astúcia com que in-
isso, não é difícil concluir que a falta deles no duzem ao erro.”
ofício traz sérios problemas à igreja. É como
privar a igreja de receber graça. O que se espera dos que entram em um
ofício na igreja, é que trabalhem “com vistas
Isso se torna perceptível quando vemos ao aperfeiçoamento dos santos para o desempe-
uma igreja com vários homens e poucos ofi- nho do seu serviço, para a edificação do corpo
ciais. A igreja caminha a passos lentos, como de Cristo.” O objetivo é claro: aperfeiçoamen-
um homem que tem sérios problemas no co- to e edificação. Não foi para menos do que isto
ração e que, por isso não pode caminhar como que Cristo deu os ofícios a Sua igreja, e ela não
normalmente faria porque está com seu siste- deve se contentar em permanecer estagnada,
ma respiratório comprometido. sem crescimento. E os ofícios participam des-
se crescimento de modo vital, pois represen-
É no mínimo embaraçoso, para não di- tam o próprio Cristo trabalhando para o cres-
zer vergonhoso, ver uma igreja repleta de cimento do Seu corpo.
famílias, com mulheres e crianças, o que
pressupõe que haja homens também, e a Mas, o crescimento da igreja por meio dos
maioria desses líderes do lar sentados nos ofícios não é um fim em si mesmo. Ele deve

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chegar a algum lugar. Isso nos é dito na passa- Os oficiais devem promover a maturida-
gem citada de Efésios, pois o fim está delimi- de cristã em nós de forma que sejamos ca-
tado: “Até que todos cheguemos à unidade da pazes de suportar a força do vento que ten-
fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à ta nos arrastar, e as investidas malignas para
perfeita varonilidade, à medida da estatura da nos destruir. Estes homens, quando exercem
plenitude de Cristo”. seus ofícios desprovidos das qualidades dadas
por Cristo, servirão a igreja, como um “prato
Ora, se o trabalho de edificação tem como pronto” aos lobos.
finalidade a maturidade e conhecimento na
pessoa de Jesus Cristo, como um líder que Sem maturidade em Cristo, eles dão do-
não tem nem mesmo os ingredientes básicos cinhos em vez de alimento consistente; eles
para guiar o povo nisto, poderá levar a igreja permitirão que mentiras entrem na igreja
a essa maturidade em Cristo? Não demoraria como verdade, pois não saberão dizer não à
muito para concluirmos que, se depender do mentira. Muitas destas modinhas evangéli-
ofício de líderes imaturos e desqualificados, cas, como por exemplo, tirar o caráter solene
isso não vai acontecer. do culto e transformá-lo numa reunião de um
grupo de autoajuda, ou de expressões musi-
Sem o conhecimento de Cristo e a matu- cais e corporais, são consequências de líderes
ridade nEle a igreja não será apenas manca, imaturos que veem a igreja apenas como uma
na verdade, ela perderá suas forças vitais. organização em que deve haver certa ordem,
Ninguém ousa discordar que sem Ele não e não como o corpo de Cristo e o baluarte da
há igreja. Se o cérebro não estiver vívido, o verdade.
corpo terá morte certa, não há mais volta.
Quando os médicos declaram morte cere- Ministros ajudando a igreja
bral, só um milagre pode salvar. Exija dos Pastores são guias, e isso quer dizer que, a
oficiais em sua igreja nada menos do que igreja precisa deles para ajudá-la a escolher os
Cristo, caso contrário, você morrerá. Isto seus líderes segundo a vontade do Senhor. Mas,
deixa claro que, a escolha de oficiais para a como os ministros podem fazer isso? Para res-
igreja não apenas é necessário, mas é tam- ponder a essa pergunta de modo claro e prático,
bém um passo vital. vou dividir esse tópico em duas partes.

Homens desqualificados para o ofício, Pastores sendo líderes


abrem as portas para os lobos, mesmo sem O ministério pastoral não se resume em
saber, apertando-lhes as mãos. Para esses apenas “fazer”, antes de qualquer coisa, co-
homens há dois caminhos, ou fazem o que meça com “ser”. Se o pastor quiser instruir
acharem melhor, ou fazem o que o povo achar a sua congregação em como escolher líde-
melhor. Entretanto, no governo da igreja não res, primeiro ele precisa ser um.
existe nenhuma destas duas opções. Só há
um caminho para o governo, e este caminho Seja homem! — pastores “apontam” para
é Cristo. si primeiro. Os membros devem olhar para o

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pastor e ver um líder maduro; ele não é um nos esqueçamos de que as ovelhas devem co-
professor, e sim um guia; sua própria vida deve nhecer a voz dos seus pastores (Jo 10.14-16).
ser um exemplo do que ele prega. O apóstolo Quando uma igreja tem um conselheiro em
Paulo fez isso quando disse: “Sede meus imi- vez de um homem de negócios como seu lí-
tadores, como também eu sou de Cristo” (1Co der, ela se sente mais confiante para receber o
11.1). A igreja não apenas precisa de pessoas ensino. Isso vale também para a relação entre
que apontem o caminho, mas de pessoas que o pastor e os homens da igreja. Conhecê-los
a levem pelo caminho. A congregação apren- de perto ajudará o pastor a detectar os pontos
de muito pelo que vê no seu líder, no modo fracos desses homens.
como ele lida com os outros, com a sua esposa
e com a sua família; no modo como ele realiza Pastores sendo pastores
o seu trabalho. A seriedade e o compromisso Só de exercer o seu ofício devidamente,
do pastor para com seu ofício diz muito se ele um pastor já terá feito muito trabalho na ins-
deve estar lá ou não. Assim, a igreja pode real- trução da congregação acerca da escolha de
mente medir, de modo prático, quão abençoa- homens para o ofício. Mas isso não é tudo, é
dor é ter um homem qualificado no ofício; um preciso arregaçar as mangas. O pastor alimen-
homem, não uma peça. ta e protege as ovelhas, e faz isso com o ensi-
no. Os pastores devem ensinar aos membros
Exerça o ministério com seriedade — quan- uma visão bíblica sobre os ofícios, e isso não
do o pastor mostra à congregação amor pelo significa apenas citar 1Timóteo 3 e Tito 1. É
que faz, ele não só instrui sobre liderança com necessário ensinar a congregação sobre como
a sua vida, mas também estimula a igreja a essas qualificações podem ser observadas.
desejar os seus líderes. Um dos maiores desa-
fios para a liderança pode ser ter que mostrar Por exemplo, ele deve ensinar sua congre-
à congregação que vale a pena ter líderes, e lí- gação a observar nos homens alguns pontos
deres qualificados. Normalmente, esse desa- básicos como:
fio surge quando uma igreja está desacredita-
da na sua liderança porque não consegue ver a. seu compromisso com a igreja — um ho-
nela amor e seriedade pelo ministério; se a mem que não tem compromisso com a igreja
igreja não vê isto em seus pastores, ela elege- por não ter um ofício, não terá quando exer-
rá qualquer pessoa para os ofícios. Se a igreja cer algum. A igreja deve escolher homens que
nota que os seus líderes não acreditam no que tenham, além das qualificações bíblicas, envol-
fazem, ela também não acreditará. vimento com as atividades da congregação. Al-
guém que não tem tempo ou comprometimen-
Porem, se um pastor mostra que cumpre to com a vida da igreja não poderá guiar outros
o seu ofício com integridade, o povo verá os para isso. Isso vale principalmente para os ho-
frutos disso e vai desejar uma liderança forte. mens que não estão presentes no culto solene.
b. sua liderança em casa — a Bíblia diz que
Viva com a congregação — a igreja preci- o homem que não governa a sua casa não deve
sa sentir que seu pastor está ao seu lado. Não governar a igreja. A postura do homem para

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com a sua família diz muito sobre que tipo de amor. Um homem que tem dificuldades para
líder ele é. Uma casa onde o homem não diri- demostrar amor deve estar longe de qualquer
ge a sua família a Cristo não é uma casa bem ofício, porque o amor é uma marca básica da
governada, e assim será com a igreja. obra de Cristo. Um homem sem amor pisa-
rá as ovelhas de Cristo e acabará, na verdade,
c. sua vida com e na palavra (maturidade sendo mais orgulhoso ainda; quem tem difi-
cristã) — um homem imaturo deve estar lon- culdades para demonstrar amor é quem se
ge de qualquer ofício. Não podemos ser negli- ama de mais.
gentes ao ponto de colocarmos homens ima-
turos nos ofícios achando que isso fará com Enfim, precisamos de homens para os ofí-
que eles amadureçam. Antes de exercer, ele cios que sejam representantes de Cristo em nos-
já deve ser apto para discernir a verdade, caso so meio. Não precisamos de gerentes ou bons
contrário, sufocará a igreja com regrinhas administradores, e sim, de homens que têm ple-
(leis) humanas. Um homem maduro na Pala- na consciência de que seu ofício é um trabalho
vra correrá disso. espiritual cujo propósito é levar a congregação a
Cristo. Como num círculo vicioso, homens des-
d. sua vida entre os ímpios — o bom teste- qualificados produzirão uma igreja imatura, e
munho pelos de fora é algo muito negligencia- esta produzirá homens desqualificados. Isto só
do nas igrejas. Homens que não sabem con- pode ser quebrado com a verdade de Deus no
versar, se comportar e se expressar de modo coração da congregação.
santo fora da igreja, entre os amigos descren-
tes, os colegas de trabalho e familiares, aca-
bam mostrando quem eles realmente são. É O Pr. IRALDO LUNA é Ministro da Pala-
quando um homem está entre os ímpios que vra e dos Sacramentos, servindo na Igreja Re-
vemos quão santo ele é. formada de Maragogi/AL.

e. seu amor — cada ofício tem suas carac-


terísticas próprias que o diferencia de outro. 1 A palavra grega usada por Paulo em Ef
Mas uma coisa que é comum em todos: o 4.7 para “dom” é charis, quer dizer “graça”.

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O QUE É
MASCULINIDADE

BIBLICAMENTE
QUALIFICADA?
Jim Witteveen

Vivemos numa época em que a noção de culinidade, e rejeitar suas responsabilidades.


masculinidade é completamente ignorada e Além disso, não temos exemplos para seguir,
terrivelmente distorcida. Não são poucas as principalmente se nossos pais são descrentes.
vezes em que vemos na TV, os homens, espe- Sem contar que somos pressionados a nos
cialmente os pais, como tolos, incompetentes conformar ao padrão do mundo, onde muitas
e fracos, enquanto seus filhos parecem fontes pessoas acreditam que a masculinidade bí-
de sabedoria. Ou então, os homens são vistos blica é antiquada e até perigosa. Existe tam-
como valentões que usam de sua força para bém muita pressão dentro de nós, por parte
ameaçar e intimidar. Na verdade, as estrelas de nossa natureza pecaminosa, para não re-
masculinas de Hollywood no esporte e na mú- alizarmos a nossa tarefa como homens, pois
sica, não são diferentes disso na vida real. A somos naturalmente preguiçosos e egoístas.
maioria destes famosos não parece ter o dese-
jo de cuidar de sua mulher nem de suas pró- Neste contexto histórico, podemos ter di-
prias crianças. São abusivos, imaturos; ado- ficuldades com exortações como esta: “Sede
lescentes presos em corpos de homens-feitos; vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-
são efeminados e fracos – física, psicológica -vos varonilmente, fortalecei-vos” (1 Coríntios
e espiritualmente. Hoje em dia, infelizmente, 16.13). E o nosso problema com esta instru-
modelos de masculinidade são raros na socie- ção não é somente com a raridade da palavra
dade em geral. “varonilmente” e talvez uma dificuldade com
entendimento deste conceito, mas também a
Até mesmo na igreja, muitos de nós, mes- realidade ao redor de nós, e dentro de nós.
mo sendo homens que pertencem a Deus, não
sabemos como nos comportar como homens. Mas temos em nosso Senhor Jesus Cristo
Começando pelo fato de que, nossa tendência o exemplo brilhante de masculinidade perfei-
natural é buscar querer os benefícios da mas- ta. Durante a encarnação, Ele nos mostrou o

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que um homem deve ser, e o que realmente finalmente, ele deve ter bom testemunho dos
significa masculinidade verdadeira. O Rei dos de fora. As características do diácono, ainda
reis e Senhor dos senhores, demonstrava li- no mesmo capítulo, são semelhantes, e o após-
derança e o exercício de autoridade com per- tolo deu uma lista de qualificações semelhan-
feição, ao longo de seu ministério público. E o te em Tito 1, onde ele escreve que o bispo não
exemplo dEle nos surpreende, porque muitas deve ser arrogante, nem irascível, nem dado
vezes nós pensamos em liderança como o uso ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe
de força para realizar as nossas metas. Pensa- ganância, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio,
mos nos líderes como homens carismáticos e justo, e piedoso.
com habilidade de influenciar e comandar ou-
tras pessoas com a força de personalidade ou Os homens estão sempre realizando uma
de armas. O homem com uma arma de fogo função de liderança, na maioria das vezes.
maior, com músculos maiores, maiores habi- Deus nos colocou na posição de liderança no
lidades de persuasão, com o exército mais po- casamento e também na igreja. Desde a queda,
deroso, ou com mais dinheiro é o homem res- é fácil abusar nossas funções. Lord Acton disse
peitado neste mundo. Todavia, não era assim no Século XIX: “O poder corrompe, e o poder ab-
que Jesus liderava, e um homem que o segue soluto corrompe absolutamente.” É fácil utilizar
também não deve ser assim – seja no contexto mal o nosso poder e nos comportar como dita-
familiar ou na igreja. Os atributos de Jesus de- dores na família e na casa de Deus em lugar de
vem ser encontrados em um homem de Deus sermos líderes semelhantes a Cristo. Em vez
– como pai, marido, bispo (pastor ou presbíte- de liderar como Ele, nós lideramos como ge-
ro) ou como diácono. rentes comerciais ou como lideres políticos.

Em 1 Timóteo 3, o apóstolo Paulo fornece Podemos dizer algo como: “Você deve se
uma lista dos atributos dos bispos e diáconos. comportar nesta maneira. Faça isso, e não
E na verdade, estas características não são faça aquilo.” E quando eles fazem a pergun-
apenas dos homens em posições de autorida- ta, “Por quê?” simplesmente respondermos:
de na igreja, como também atributos que todo “Porque eu sou o chefe, e você deve me obe-
homem cristão deve possuir. Esta lista mos- decer.” Porém, o cristão não deve ser assim,
tra que a masculinidade bíblica é bem diferen- pois ao fazer isto é bem possível causarmos
te da masculinidade deste mundo. problemas para o rebanho de Cristo. Em vez
de ensinarmos que a vida cristã é o oposto da
Quais são as características do bispo? En- vida mundana, nós ensinaremos que a igreja
tre outras coisas, ele deve ser irrepreensível, é uma organização como as outras. Em lugar
esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, de ensinarmos a graça de Cristo, ensinaremos
modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não legalismo, e conformidade às normas e aos re-
dado ao vinho, não violento, porém cordato, gulamentos externos.
inimigo de contendas, e não avarento. O bispo
deve governar bem a própria casa, e deve criar Nossa primeira tarefa, de acordo com 1 Ti-
os filhos sob disciplina, com todo o respeito. E móteo 3 e em Tito 1, é a liderança pelo exemplo.

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Nossa família, nosso relacionamento com as os fariseus, inimigos do Evangelho, usando a
nossas esposas e com nossas crianças, devem expressão “raça de víboras” e chamava-os ao
ensinar o estilo de vida cristão. Nossa conduta arrependimento. Mas, ao mesmo tempo, Ele
no lar e na igreja deve espelhar Cristo, que la- comia com os pecadores, era paciente, longâ-
vou os pés dos discípulos, que se humilhou, ao nimo e amoroso com aqueles que admitiam
longo da sua vida terrestre; que entregou sua precisar de Sua graça. Por outro lado, pode-
própria vida por causa do seu povo; que exer- mos cometer este erro quando queremos viver
ceu seu poder no contexto de auto-sacrifício. em humildade. Ter medo de ofender alguém
não é liderança, e sim, covardia; ter medo do
O poder que temos nesta vida foi dado a que os outros vão pensar, medo de sermos
nós por Cristo, e deve ser exercido como Ele rejeitados, de não sermos respeitados se não
o exerceu. “Tende em vós o mesmo sentimen- mostrarmos que nosso poder e masculinidade
to que houve também em Cristo Jesus, pois ele, são parecidos com o deles.
subsistindo em forma de Deus, não julgou como
usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo Para sermos homens de Deus, no lar ou
se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornan- na igreja, como pais ou pastores, presbíteros
do-se em semelhança de homens; e, reconhecido ou diáconos, precisamos de coragem e força,
em figura humana, a si mesmo se humilhou, tor- que vêm somente da raiz da verdadeira humil-
nando-se obediente até à morte e morte de cruz.” dade. E esta, nós só conhecemos por meio do
(Fp 2. 5-8) Senhor. Força e coragem são frutos da fé e não
de poder pessoal. Muitas vezes, a covardia é
Como Cristo, devemos ser “não violento, disfarçada em uma expressão de masculinida-
porém cordato”; devemos ser “inimigos de de. Quanto mais inseguros e assustados, mais
contendas,” e devemos governar as nossas valentões. Precisamos das características ver-
próprias casas desta maneira também. Como dadeiras, pois as falsificações nos levarão ao
Cristo, devemos liderar humildemente, não desastre. Somente a fé de verdade poderá nos
com uma atitude arrogante. Ao fazermos isto, manter firmes e corajosos, sabendo que não
a comunidade verá nosso estilo de vida e tere- devemos lutar por nossos próprios interesses,
mos “bom testemunho dos de fora.” Não por- pelo contrario, devemos nos colocar em se-
que buscamos elogios dos outros, ou porque gundo lugar, priorizando sempre os outros e
queremos o respeito dos homens. Mas quando seus direitos.
vivemos como Cristo, eles verão que não so-
mos como o mundo – somos bem diferentes. Precisamos de Cristo e do Seu Espírito
Somos seguidores de Cristo, o Rei que serve. Santo, para realizarmos nossa tarefa nos ofí-
cios da igreja. Cristo se comportava com mas-
Isto não significa covardia e fraqueza, nem culinidade verdadeira. Ele enfrentou Seus acu-
que seremos sempre agradáveis sem nunca sadores em silêncio, Ele não fugiu do destino
abrir a boca para corrigir alguém. Pelo contrá- horrível que Ele sabia que teria de enfrentar;
rio, devemos falar a verdade em amor como Ele era verdadeiramente forte e corajoso, con-
Cristo fez. Ele nunca hesitou em confrontar fiando que seu Pai estaria com Ele.

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Para realizarmos nosso chamado em ofí- Mesmo parecendo extremamente anticul-
cios na família ou na igreja precisamos de fé. É tural, é esse tipo de liderança que a Igreja de
nossa obrigação passar muito tempo com a Pa- Cristo precisa. E quando homens vivem como
lavra de Deus, em oração, em comunhão com Cristo, eles são o exemplo que o mundo preci-
a família de Deus, a comunidade da Aliança. A sa também. É para isto que fomos chamados,
menos que o Espírito Santo esteja operando, e esse é o exercício da masculinidade verda-
será impossível viver a masculinidade verda- deira e bíblica.
deira que Cristo ensina. Não conseguiríamos
manter o equilíbrio entre mostrar amor e paci-
ência aos pecadores fracos e manter justiça e O Pr. JIM WITTEVEEN é ministro da Pa-
disciplina na Igreja. Sem o Espírito, podemos lavra e dos Sacramentos servindo como mis-
tentar realizar, mas, com certeza, falharemos. sionário da Igreja Reformada em Aldergrove
Todavia, em Cristo e no poder do Espírito San- (Canadá) em cooperação com as Igrejas Refor-
to podemos lutar pela unidade da igreja; pode- madas do Brasil.
mos encorajar uns aos outros, podemos ensi-
nar, exortar e amar o nosso próximo como a
nós mesmos. Podemos oferecer uma lideran-
ça que serve, assim como nosso Salvador.

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COMO ORGANIZAR ESTUDOS E OUTRAS ATIVIDADES

COM O OBJETIVO DE PROMOVER UMA

MASCULINIDADE
BÍBLICA NA IGREJA

Alan Kleber

A rapidez com que o processo de efemina- recorrer a fonte de autoridade onde podemos
ção tem descaracterizado os homens do nosso aprender acerca da verdadeira varonilidade. A
tempo demonstra que a masculinidade é um Bíblia é o único livro que pode tornar o meni-
dos temas mais urgentes para a igreja brasilei- no em um futuro homem. Por meio dela, os
ra. A razão de enfrentarmos hoje uma verda- filhos do pacto tornam-se sábios para a salva-
deira crise no tocante a liderança masculina ção pela fé em Cristo Jesus, e todo o homem
nos lares, sociedade e igrejas cristãs, reside de Deus se beneficia de seu ensino, repreen-
no fato de que muitos pastores e presbíteros são, correção e educação para a justiça, sendo
não tem ideia para onde estão indo, quando o aperfeiçoado e habilitado para toda boa obra
assunto diz respeito ao significado de ser ho- (2 Tm 3.15-17).
mem. Uma prova disso é o grande número de
livros publicados sobre feminilidade bíblica Por onde começar?
e pouquíssimos no campo da masculinidade. Primeiramente, através de um esforço
Definitivamente, nós homens, somos muito para conscientização dos oficiais da igreja.
autossuficientes! Presbíteros e diáconos, precisam crer acima
de tudo, que masculinidade bíblica é um tema
Então, surge sempre a mesma pergunta: pastoral. Como vivemos em uma cultura fe-
de que maneira podemos promover uma mas- minista e efeminada, os líderes da igreja pre-
culinidade bíblica na igreja? Douglas Wilson cisam ser os principais interessados em pro-
afirma que “para os cristãos que buscam ser bí- mover programações para tratar de todos os
blicos, é importante que essa definição de mas- temas relacionados ao homem, seu chamado
culinidade baseie-se no que é ensinado na Es- e vocação. Caso contrário, continuaremos a
critura” (Futuros Homens, Cap. 1). De acordo ver nossos filhos cada vez mais femininos e
com Wilson, para se promover uma masculi- os homens sentando nos últimos bancos das
nidade biblicamente sadia na igreja é preciso nossas igrejas.

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Em segundo lugar, os oficiais podem pro- 1 - Qual o perfil da masculinidade bíblica?
mover estudos, reuniões de oração, palestras, Este é um tema fundamental. Com ele po-
seminários e conferências sobre o assunto. demos problematizar a questão da ausência da
Eles devem envolver os homens e futuros ho- verdadeira masculinidade nos dias atuais. O
mens da igreja, pais e filhos, velhos e crianças, que é masculinidade? O que estamos buscan-
em uma atmosfera onde a sabedoria coletiva do quando descrevemos o que é ser homem de
das gerações com seus estereótipos, de ma- acordo com a Bíblia?
neira biblicamente orientada, possa ajudá-los
a desfrutar de uma sabedoria baseada na tra- 2 - Sólida alimentação doutrinária no lar
dição e compartilhada por gerações. Aqui a responsabilidade do homem como
guia e pastor espiritual de um lar pactual pode
Na igreja onde sou pastor, por exemplo, ser explorada. Como estabelecer o culto no lar?
desde 2012 iniciamos um acampamento de-
nominado “Homens do Futuro”. A ideia sur- 3 - A igreja é um lugar para meninas?
giu de uma preocupação pastoral com os Por que ao invés de liderar os homens estão
rumos dos garotos da nossa congregação e se sentando no último banco? O que acontece
dos homens mais velhos também! Enquan- quando as mulheres tomam a frente? Cânticos
to entre os mais velhos muitos caminhavam femininos, etc. Como os homens podem pre-
omissos no tocante aos seus deveres como parar sua família para o culto público no Dia
maridos e pais, entre os moços preocupava- do Senhor?
-me a forma como falavam, gesticulavam e
se vestiam. Comecei a perceber a necessida- 4 - Estudando, trabalhando duro, e adminis-
de de promover uma atividade que pudesse trando dinheiro
unir todas as gerações para estudar o que a Como o garoto deve se disciplinar nos es-
Palavra de Deus ensina sobre masculinida- tudos? Como os homens devem trabalhar dei-
de em um ambiente onde os mais novos pu- xando a preguiça de lado? Sabedoria e riqueza;
dessem aprender e tomar como modelo os Ética e teologia da riqueza em contraste com
mais velhos. Apresentei o projeto ao Conse- as armadilhas do dinheiro.
lho de presbíteros e eles apoiaram a iniciati-
va e passaram a investir nessa área vital da 5 - Lutas, esportes e competição
igreja de Cristo. Quando e por quais razões um homem deve
ou não entrar numa briga? Como devemos tratar a
Quais temas podem ser tratados? questão dos esportes e das competições?
Os assuntos envolvendo o tema da mas-
culinidade na igreja e suas implicações para 6 - Como o ferro afia o ferro: fortalecendo-se
a vida são diversos. Tomarei como exemplo com amizades bíblicas
os temas abordados nas primeiras edições do Como se dá a dinâmica da verdadeira amizade
acampamento “Homens do Futuro” como mo- entre homens cristãos? Como lidar com a questão
delo de sugestão. da amizade com mulheres?

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7 - O que um homem deve pensar sobre na- Traçar uma linha entre os limites bíblicos e
moro, casamento e sexo questões culturais.
A prática do respeito pelas mulheres; corte-
jo e casamento bíblico. Aprendendo a lidar com Organizando um calendário para tratar da
pecados secretos. A visão bíblica sobre o sexo. masculinidade na igreja
Finalizo este artigo propondo ao leitor algu-
8 – Masculinidade e liberdade cristã mas dicas de como organizar em seu calendário
Questões sobre bebidas, drogas, sexo, uma programação para 2018-2019
amizades com o mundo, shows, etc.
1. Invista no preparo e formação de seus ofi-
9 – O que significa ser um marido pactual? ciais com respeito ao tema da masculinidade
Traçar o panorama da atual crise de mascu- bíblica. Como disse acima, esse deve ser nosso
linidade; lançar a base conceitual a partir de Gê- primeiro foco: envolver nossos presbíteros e di-
nesis: liderança e pacto. Por onde começar de- áconos nesse trabalho, mostrando-lhes a neces-
pois de descobrir que não se está no lugar certo? sidade de oferecermos uma sólida alimentação
doutrinária para a formação da varonilidade dos
10 – O amor do marido no lar homens pactuais. Alguns livros como “Futuros
O principal dever bíblico do marido: amando Homens” e “Reformando o Casamento” (CLI-
a esposa como Cristo ama a igreja (Ef 5); amor RE), “O Homem Bíblico” (NUTRA) e “Homens
bíblico versus amor romântico; como cuidar de Fortes” e “Homens Sábios” (FIEL), são excelen-
sua mulher, tratando-a como vaso mais frágil? tes para o estudo do tema.

11 – Eu e a minha casa 2. Inclua na agenda de sua igreja uma reu-


O pai pactual: liderança e proteção espiritu- nião de oração semanal ou quinzenal para os
ais do lar. Implementar, manter e perseverar na homens e seus filhos. Certamente, essa será
prática do culto doméstico; guiando os filhos em a tarefa mais difícil, uma vez que nós, refor-
suas escolhas futuras (trabalho, esposa, etc). mados brasileiros, somos mais conhecidos por
nosso apego ao estudo das Escrituras e não ao
12 – O uso da disciplina bíblica na criação dos compromisso com as reuniões de oração. Nes-
filhos ta reunião, inclua o canto dos Salmos (não há
Como aplicar o ensino bíblico sobre dis- maior expressão de masculinidade nos cânticos
ciplina no contexto brasileiro? O exercício de do que neles). Utilize os catecismos reformados
amor por parte do pai; Quando e como discipli- (Heidelberg ou Westminster) para estudo e me-
nar? Considerações quanto à idade; frutos da ditação das Escrituras.
disciplina piedosa.
3. Pregue sobre o Livro de Provérbios. Deus
13 – Sinais externos de masculinidade nos deu um manual para ensinar masculinidade
O que os homens cristãos devem pensar bíblica aos nossos filhos. Não se esqueça de que
sobre roupas, cabelo, barba, tatuagem e adere- Salomão escreveu Provérbios para os meninos
ços, e como os pais devem orientar seus filhos? do pacto. Pregar e ensinar a sabedoria divina

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despertará na alma dos nossos jovens o verda- Por fim, gostaria de encorajá-lo a orar, arregaçar
deiro temor do Senhor. Invista tempo, ore e es- as mangas e colocar a mão na massa. Se traba-
tude se prepare para incluir no programa anual lharmos duro, pela graça de Deus veremos os
de sua igreja as instruções desse precioso livro frutos. Nós precisamos redescobrir a verdadei-
da Bíblia. ra masculinidade bíblica, pois ela não tem nada
a ver com a efeminação e nem a macheza deste
4. Organize um encontro anual (se possível um mundo caído em que vivemos. Cristo é o nos-
acampamento) só para homens e futuros ho- so paradigma da perfeita varonilidade, logo, sua
mens. Tenho provado os efeitos benéficos desse mansidão e força devem ser o maior exemplo
trabalho aqui na igreja em que pastoreio. Vivemos para todos os homens, do mais velho ao mais
dias tão corridos, e por muitas vezes pensamos moço. “Garotos são futuros homens. Jovens
que estamos oferecendo o melhor para nossos ga- homens são futuros homens. Isso significa que
rotos. Porém, para criá-los ensinando o que de fato são futuros maridos e futuros guerreiros. Quan-
significa ser um homem bíblico, é preciso investir do chegarem a esse ponto, as responsabilidades
tempo naquilo que mais importa. Meninos que que encontrarão não devem surpreendê-los”
tem o privilégio de conviver com pais e oficiais pie- (Douglas Wilson, Futuros Homens, CLIRE).
dosos encontrarão um padrão seguro para seguir.
Escolha um bom tema (você pode utilizar qualquer
um dos que foram apresentados acima) e não se O Pr. ALAN KLEBER é Ministro da Pa-
esqueça de também oferecer instrução adequada lavra e dos Sacramentos, servindo na Igreja
para os mais novos. Presbiteriana de Aracaju.

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COMO É O PROCESSO
PARA A ESCOLHA DE

OFICIAIS
NAS IGREJAS REFORMADAS
Flávio José Silva

Como alguém se torna um oficial na igre- pelos evangelistas. Mas, logo depois da época
ja? Nós mesmos podemos decidir sobre a inicial e extraordinária, as igrejas receberam
maneira da igreja ser governada ou é a Bíblia uma organização mais fixa. Os apóstolos no-
quem dá a resposta determinante? mearam presbíteros, com a cooperação das
congregações, para cada Igreja. O que chama
Na época do Antigo Testamento, o povo a atenção aqui é a congregação envolvida no
de Deus se beneficiou da supervisão de anci- processo. O corpo de Cristo, como uma con-
ãos. O próprio Senhor Deus mandou Moisés gregação local, estava envolvido na eleição de
reunir os anciãos de Israel para anunciar a homens para o ofício. Apóstolos e presbíteros
libertação da escravidão do Egito. Já em sua se reuniam para tomarem decisões às quais
peregrinação pelo deserto, o SENHOR falou as Igrejas estavam subordinadas.
a Moisés para escolher setenta homens para
carregar o peso do povo juntamente com ele. O apóstolo Paulo, em suas cartas a Timó-
Moisés e os anciãos tinham autoridade para teo e a Tito, dá instruções a respeito dessa for-
governar o povo. Já no final de seu ministé- ma de governo fixa. Nestas duas cartas clas-
rio, Moisés deu a todos os anciãos a Lei para sificadas como pastorais, sob a inspiração do
governar o povo de Deus. Na terra prometida, Espírito Santo, ele escreve sobre uma organi-
aqueles anciãos cumpriam seus ofícios nas ci- zação que regeria a igreja daquele século em
dades onde moravam. (Podemos verificar isso diante. Ele mandou Tito nomear presbíteros
em textos como: Êx 3.16; 17.5; Nm 11.16; Dt em cada cidade. O Novo Testamento chama
27.1; 31.9; Js 20.4 e Jz 8.16). estes oficiais não somente de presbíteros ou
anciãos, mas também de bispos ou superviso-
No Novo Testamento, vemos um certo de- res, pastores e sentinelas (1Tm 1.1; 3.1-13; Tt
senvolvimento no governo da igreja. Primei- 1.5-9). Paulo encarregou os bispos ou supervi-
ramente havia os apóstolos, eram auxiliados sores de atenderem pelo rebanho sobre o qual

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o Espírito Santo os havia constituído pastores. O povo de Deus, no Antigo Testamento, ti-
Mas não foi só o apóstolo Paulo quem deu essa nha a obrigação de mostrar misericórdia para
tarefa, Pedro tambem advertiu aos Presbíteros com os necessitados. O estrangeiro, o órfão e a
para que pastoreassem o rebanho de Deus que viúva tinham que ser assistidos. Os necessita-
havia entre eles (1 Pe 5.2) dos e os oprimidos eram protegidos e providos
pelo amor paternal de Deus. A primeira Igreja
“Presbítero” é um ofício cuja autoridade cristã cuidava para que ninguém em seu meio
foi dada por Cristo. Eles são os pastores das estivesse sofrendo. Distribuía-se a todos à me-
ovelhas de Cristo e devem cumprir suas ta- dida que alguém tinha necessidade (At 2.45;
refas, sempre lembrando o povo de Deus das 4.32-37).
ordenanças dEle, exercendo disciplina sobre
os desobedientes, cuidando do rebanho e de- Para o cuidado da obra de caridade e mise-
fendendo as ovelhas contra os perigos que as ricórdia, Cristo deu diáconos à sua Igreja. Os
ameaçam. apóstolos perceberam que, de algum modo,
estavam abandonando a pregação da Palavra
Conforme 1 Timóteo 5.17, haviam presbíte- dedicando tanto tempo à assistência aos ne-
ros que governavam, e outros que ensinavam e cessitados. Por esta razão, entregaram este
pregavam, o que chamamos hoje de Ministros serviço a sete irmãos, eleitos pela congregação
da Palavra. Eles receberam o ministério da re- (At 6.1-7; Gl 6.10; Fp 1.1; 1Ts 3.12; 2Pe 1.7)
conciliação, do qual o apóstolo Paulo diz em 2
Coríntios 5.18-20: “Ora, tudo provém de Deus, A grande questão é: Como alguém se torna
que nos reconciliou consigo mesmo por meio de oficial na igreja de Cristo? A Confissão de Fé das
Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a IRB (Confissão Belga), no artigo XXXI diz: “Cre-
saber, que Deus estava em Cristo reconciliando mos que os ministros da palavra de Deus, os pres-
consigo o mundo, não imputando aos homens as bíteros e os diáconos devem ser escolhidos para
suas transgressões, e nos confiou a palavra da seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja,
reconciliação. De sorte que somos embaixadores sob invocação do nome de Deus e em boa ordem,
em nome de Cristo, como se Deus exortasse por conforme a palavra de Deus ensina. Por isso, cada
nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, ro- membro deve cuidar para não se apoderar do ofício
gamos que vos reconcilieis com Deus”. por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que
é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza
Como encarregado da casa de Deus, jun- de que sua vocação vem do Senhor.”
tamente com os presbiteros, ele deve cuidar
para que tudo seja feito com decência e ordem. É necessário que uma pessoa chegue ao
Para isso, ele supervisiona a doutrina e a vida ofício “mediante eleição legítima pela igre-
dos membros da Igreja e cuida do rebanho. ja...” Qual o fundamento para tal considera-
Conforme o mandamento de Cristo, ele admi- ção? A própria Escritura Sagrada. Na escolha
nistra a chave da disciplina cristã, por meio da de uma pessoa para ocupar o lugar de Judas
qual ele abre o reino dos céus para aqueles que Iscariotes, a igreja propôs dois nomes “En-
creem, e o fecha para os incrédulos. tão propuseram dois: José chamado Barsabás,

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cognominado Justo, e Matias.” (At 1.23). Em so na escolha de Matias: “Tu, Senhor, que co-
Atos 6, o denominado “colégio dos sete”, a nheces o coração e todos, revela-nos qual destes
congregação escolheu. Na indicação de Pau- dois tens escolhido” (At 1.24).
lo e Barnabé como missionários, Deus usou
a congregação em Antioquia para a escolha Mas a igreja invoca o nome do Senhor pe-
e consagração: “E servindo eles ao Senhor, e dindo sabedoria também para o irmão escolhi-
jejuando, disse o Espírito Santo: separai ago- do. O regulamento local aprovado e adotado
ra a Barnabé e a Saulo para a obra a que os pela Igreja Reformada em Maceió, onde sirvo
tenho chamado. Então, jejuando e orando, e como Ministro da Palavra e dos Sacramentos,
impondo as mãos, os despediram.” (At 13.2- mostra uma boa prática, “A eleição acontece-
3). A igreja deve participar da escolha de rá no Domingo agendado pelo Conselho. Essa
oficiais para a congregação. eleição será feita depois do culto da manhã,
observando os seguintes parâmetros: a) No
O artigo 3 do Regimento das IRB tra- Domingo em que houver as eleições também
ta especificamente sobre como, quando e haverá Santa Ceia; b) Na semana que ante-
quem deve exercer um oficio: São elegíveis cede a eleição haverá uma noite de oração;
para os três ofícios somente membros mas- (...) d) A reunião deve iniciar com uma oração
culinos que tenham feito pública profissão direcionada a Deus para que Ele purifique os
de fé, satisfaçam as qualificações bíblicas corações de todos os membros e candidatos
conforme 1 Tm 3.6 e Tt 1.6-9, e forem legi- e para guiá-los por meio da sua Palavra e do
timamente chamados. O chamado legítimo Seu Espírito Santo; (...).”
é realizado pelo conselho com os diáconos
que nomeiam os irmãos após a eleição pela Outro elemento importante na escolha
congregação, realizada com orações, e de de oficiais é que tudo deve ocorrer em boa
acordo com o regulamento local adotado ordem. Nós não temos na Bíblia um regula-
para este fim. Antes da ordenação ou ins- mento detalhado de como se dá a participação
talação pelo conselho, os nomes dos irmãos da congregação na escolha de oficiais. É res-
devem ser anunciados publicamente para ponsabilidade de cada igreja local organizar
assegurar que não haja alguma objeção le- a participação dos membros na eleição dos
gítima contra as nomeações. A ordenação oficiais da igreja, bem como, de todo proces-
de oficiais somente será realizada usando so que começa com a indicação de nomes por
as formas adotadas para este fim. parte da igreja, depois a eleição, nomeação e
ordenação de oficiais. Normalmente, o regu-
A eleição deve seguir os meios legítimos lamento de uma igreja local para eleição de
e deve acontecer sob invocação do nome de oficiais contém pontos como: a definição de
Deus. Ao fazer isto, a igreja está reconhecen- candidatos (seguindo a regra de 1 Tm 3.6 e Tt
do que pode errar ao escolher seus oficiais e, 1.6-9); a eleição; a nomeação; a ordenação; o
por isso roga a Deus para que, por meio dela, tempo de mandato (art. 18 do Regimento das
Ele faça a Sua vontade, que é sempre boa, diz IRB); e como resolver situações não previstas
João Calvino. Vemos um modelo positivo dis- no regulamento.

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Infelizmente, a história da igreja tem pode levantar a sua própria candidatura ou
mostrado que quando a igreja adota uma fazer campanha para si mesmo com a finali-
forma de governo mundano, facilmente se dade de angariar votos. A grande questão é,
vê um povo escravizado. Pense no poder de onde vem o ofício? Do Senhor ou de um
que tem o “papa”, agindo como um rei, um desejo pessoal dele?Os oficiais devem ter a
soberano, ou na forma que a igreja de Roma certeza de que foi o próprio Deus quem os
castigava e penitenciava os hereges. É de chamou. “Ninguém, pois, toma esta honra
suma importância, que a igreja siga a dire- para si mesmo, senão quando chamado por
ção que o Senhor dela ensinou em sua Pa- Deus” (Hb 5.4). O membro deve esperar a
lavra para ter seus oficiais. Efésios 4.11,12, hora em que Deus o chama, para que este-
diz: “E ele mesmo concedeu uns para apósto- ja certo de que sua vocação vem do Senhor.
los, outros para profetas, outros para evange- Deus chama para o ofício usando a Igreja.
listas, e outros para pastores e mestres, com
vista ao aperfeiçoamento dos santos para o Em boa parte das denominações e seitas,
desempenho do seu serviço, para a edificação os oficiais não são eleitos pela igreja. Os ofi-
do corpo de Cristo, ...” Nossa Confissão de ciais “superiores” escolhem e ordenam (con-
Fé diz: “Por isso, cada membro deve cuidar sagram) os oficiais “inferiores”. Isto aconte-
para não se apoderar do ofício por meios ilí- cem porque acreditam em uma hierarquia
citos, mas deve esperar a hora em que é cha- entre oficiais. Sejam os “papas”, “apóstolos”,
mado por Deus, a fim de ter, assim, a certe- “cardiais” romanistas ou gospel, cada escolha
za de que sua vocação vem do Senhor.” Isto e nomeação é uma “transação” realizada en-
significa que existe uma maneira correta de tre oficiais. Porem, isso não condiz com cha-
tornar-se presbítero ou diácono. mado legítimo dado por Deus.

Desejar ser um oficial na igreja de Cris-


to é uma coisa excelente. O apóstolo Paulo O Pr. FLÁVIO JOSÉ SILVA é ministro da
escrevendo a Timóteo, em sua primeira car- Palavra e dos Sacramentos na Igreja Reforma-
ta diz: “Se alguém espira ao episcopado, ex- da em Maceió/AL.
celente obra almeja.”(1Tm 3.1). Mas ele não

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