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OHTVAYV) ANOTMVN ZINT [istig 0 WeIepNMT o werepse anb sasaW o,ULA SQ a IY | : i 4 ILNINLILSNOD “S8OT * mama sass Hansa opal GE dog ‘o0 op amped o rand eum ose ome yi s0anyp409 6 9pooes ‘edoziaynt“euor3sanb “epu9} eu opap 0 9 wit juauadxo 0° zoay,oqouny ¥ done ‘up suoenosiod eivdiouud so moo syoadsonaa mia ede opm sep F008 ‘oss so aqua aeseyeesie os yeIvouap up spe oan _gngzzo9 ‘opluyep 9 epneqap 6 eueram 109 04x63 om soue BIUIs) DBA aS Cy CIP-BRASIL. CATALOGACAO NA PUBLICAGAO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ‘Carvalho, Luiz Maklouf (325m. 1988; segredos da Constituinte. Os vinte meses que agitaram © smudaram o Brasil / Luiz Maldouf Carvalho. — 1* ed. - Rio de Janeiro: Record, 2017 i Incl bibliografia e indice ISBN:$78-85-01-10911-8, 1. Brasil Assembleta Nacional Constitute (1987-1988). 2 Histéria consttucional ~Brasil~Entrevisas. 3. Brasil = Politica e {governo ~ 1964-1985 ~ Entrevisas.1. Titulo. ‘cpp: 320.81 1740039 (CDU:94(81)'1964/1985° (Copyright © Luiz Maklouf Carvalho, 2017 ‘Todos cis direitos reservados, Proibida a reprodugio, armazenamento ox transmissio de partes dest livro, através de quaisquer melos, sem prévia autorizacio por escrito, ‘Texto evisado segundo o novo Acordo Ortogrfico da Lingua Poreuguesa Direitos exclosivos desta edigao reservados pela EDITORA RECORD LTDA. Rua Argentina, 17 Impretso no Brasil ISBN 978-85-01-10911-8 f 1 Sejaum letor preferencil Record, a CCadistre-se em warwrecord.com.br ereceba featintes {nformagGes sobre nossos langamentos ¢ nossas promogoes. ‘Atendimento e venda direta a0 letor ‘malireto@record.com.br ou (21) 2585-2002, Para Xuts (Mary Elizabeth Maklouf Carvalho Barros). Apresentacao A melhor forma de contar uma historia intimeras vezes jé contada —e tio -Poucas.o foram como a do Congresso Constituinte de 1987-1988; 14 se vio trinta anos — é descobrir o que dela restou, por inédito ou mal contado. Restou, por exemplo, que 0 ex-presidente José Sarney resolveu abrir Jogo sobre os vinte meses em que tergou armas com a Constituinte — jade do tempo acossado, a outra metade acossando. O ex-presidente mnando Henrique Cardoso, constituinte de escol, também falou sem as na lingua — “Quem me escolheu relator do regimento foi o dr. Ulys- autoritariamente” —, sem nenhuma condescendéncia com o amigo jé ‘cido Mario Covas, lider do PMDB na Constituinte. Se 0s leitores quiserem escolher o cristo do livro, Covas € um forte lidato. E citado muitas vezes, entre outros motivos, por sua pinimba ‘0 constituinte maior, o deputado e “tripresidente” (do Congresso, da ituinte e do PMDB) Ulysses Guimaraes. Ou, muito mais grave, por s¢ recusado a concordar com uma proposta que mudaria o rumo da da Constituinte: 0 parlamentarismo, com cinco anos de man- } que Sarney autorizou 0 senador José Richa (PMDB-PR) a levar a0 Ulysses. Até aqui era uma histéria incompleta. Com o depoimento dos cipals protagonistas vivos ~ Sarney, Fernando Henrique, José Serra, +s Scaleo, Nelson Jobim —, ela fica inteira, Os quatro dltimos cul- 1m Covas ~ sem pledade, Poderiam ter culpado asi préprios — afinal, ritirlos, Sarney ficou experando a resposta “até hoje”, como disse, 16 19818; Segredos da Constituinte O tri-ex-ministro (da Justiga, do Supremo e da Defesa) Nelson Jobim, qualificado amanuense do agitado e problemético conclave, contou até que precisava de um codinome — “dr. Ricardo” — paraatender o dr. Ulysses na frente de Mario Covas, que morria de ciimes. Jobim reconheceu, quase trinta anos depois, baseado em sua implacavel logica matemitica, que a rebelio de centro-direita do Centrao ndo sé tinha justes motivos, como foi decisiva para que a Carta finalmente viesse & luz. Centro muito mais do atraso do que da diteita, ird o hoje ministro José Serra, outro.ex-expoente daquela assembleia. Oatual vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, abriu um segredo que guardou por quase trinta anos: apanhou, literalmente, do ministro das Comunicagées, Antonio Carlos Magalhies, por se recusar a votar no mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Na presséo, junto com ACM, estava o presidente das organizagées Globo, Roberto ‘Marinho. Nem de madrugada o dr. Roberto deixou Dornelles em paz. 0 jornalista-empresério também nao gostava de Mario Covas, “Esse & cormu- nista’, disse a Fernando Henrique Cardoso, vetando qualquer possibilidade de vir a eventualmente apoié-lo em uma disputa presidencial. ‘AGlobo também esteve presente na Constituinte — no s6na cobertura de sets diversos veiculos de midia —, mas como corporagdo empresarial. B 0 que conta 0 advogado Fernando Ernesto Corréa, que atuou naquele ‘momento como um dos lobistas da Associagio Brasileira de Emissoras de Ridio e Televisto (ABERT). Segundo Corréa, parte do capitulo constitu- ional dedicado a Comunicagio fot ele mesmo quem escreveu, em parceria ~ com outro gaticho que também pesou na balanga,o entao deputado e hoje empresério Antonio Britto, constituinte pela popularidade que lhe deu ser porta-voz do presidente Tancredo Neves naquelas semanas de agonia. Volta ¢ meia um ou outro entrevistado o lembrard. Comesando pelo neto, o hoje senador Aécio Neves. Na época, parla- mentar de primeira 4gua, ouviu estupefato a Constituinte esquecer de citar seu av6 na sessio solene de abertura dos trabalhos, em I° de fevereiro de 1987, Protestou no dia seguinte, pedindo um minuto de siléncio em homenagem ao “mértir da Constituinte”. Revelou, também, num étimo Apresentacao ” de maldade, que a encalagio do entdo deputado Luiz Indcio Lula da Silva ‘para.ojogo de futebol dependia dele, écnico do time, que as vezes deixava @ lider, sindical entrar 86 no finalzinho do segundo tempo, ¢ somente se ¢stivesse ganhando, “porque ele era muito ruim” [gargalhadas]. Como 0 expresidente Lula recusou-se a falar, fique-The a pecha de perna de pau. At aqui (junho de 2016), Lula foi o quarto constituinte que chegou a ‘presidente da Repiblica, O primeito foi Itamar Franco, depois Fernando “Henrique Cardoso, Lula ¢ Michel Temes, outro a aqui prestar seu depoi- ‘mento.’ Uma das hist6rias que contou foia sugestio, aceita, de acrescentar ~ partigo 2° que os trés poderes da Replica deveriam ser independentese harménicos entre si.? Na confuséo que reinou na segunda fase, o detalhe, fucial em um regime presidencialista, fora esquecido. Ha novidades, também, em outra recorrente historia da Constituinte: derrama das concessdes de radios e televis6es, pilotada pelo ministro inio Carlos Magalhaes, em troca de votos que interessavam ao govern Sarney. Alguns deputados contario que receberam concessées. Outros, que _ judaram o governo a dé-las. O “€ dando que se recebe”, frase histérica do _ constituinte Roberto Cardoso Alves, o Roberto, carimbou para semprea _briga de foice no escuro daqueles tensos ¢ intermingveis meses. Quatro ou cinco anos de mandato devem ser as palavras mais repe- _tidas deste livro. A discussio dominou a Constituinte — do comeco ao fim, Ou aviltou-a, como preferiu dizer 0 ex-senador Jorge Bornhausen. " Opresidente Sarney ganhou a fama de querer mais um ano. A verdade é ‘que tinha direitoa seis, garantidos pela Constituigao da ditadura. Um belo ia, resolveu propor um a menos, em pomposo pronunciamento na TV. Nunca explicou publicamente o porqué da generosidade — até a longa e ‘eveladora entrevista que abre est livzo, Até o general Ernesto Geisel entra ta hist6ria. Como se sabe, ele foi o pentiltimo presidente do regime que a Aissidéncia (ou traigdo) de Sarney ajudou a derrubar. ‘Também abriu a arca o relator da Constituinte — ou da Comissio de Sistematizagao da Constituinte —, oadvogado Bernardo Cabral. Esclareceu ‘¢ revelou — sem se furtar de dar 0 troco ao seu amigo e depois desafeto ‘maior, o advogado Saulo Ramos, amigo e consultor-geral da Repiblica de 8 " Segredos da Constituinte Sarney. E quase undinime, no calhamago que segue, que sem a flexibilidade de Cabral teria sido muito mais dificil parir Mateus. Flexibilidade, no caso, no bom eno mau sentido. Cabral era um velho amigo do general Lednidas Pires Gongalves, ministro do Exército de Sarney. O general contou que pesou na balanga para que o amigo fosse o relator da importante e longa confusdo que jogou a pé de cal na ditadura. Contou, também, que foi de firme inflexibilidade quando Cabral balangou para o lado errado (na visio do general, que ha pouco partiu). Ainda o ougo, enérgico, em seu apartamento do Leblon: “O senhor é de esquerda?” “"Nao se preocupe com isso, general, falemos da Constituinte.” Acentrevista é gravemente curta, como cabe a um homem de armas. Marcelo Cordeiro (PMDB-BA), primeiro-secretério da mesa da Cons- tituinte e responsivel por todo o aparato de divulgacéo — TY, rédios e jornais —, resolveu contar que suas cimeras flagraram dois deputados fraudando votos, motivo, até, paraa cassacao dos mandatos. Com oassen- timento do dr. Ulysses, resolveu abafar o caso e sumir com as gravagdes, “para preservar a Constituinte”, como argumentou. Ja disse, ai por cima, que o Congreso Constituinte comegou com seus 559 integrantes no primeiro dia de fevereiro de 1987 — um domingo —, em sessiio solene presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, José Carlos Moreira Alves. Estavam na mesa, entre outros, o presidente da Constituinte, deputado Ulysses Guimaraes, e o da Repiblica, José Sarney (nessa ordem de importncia, naquele momento). As manchetes dos quatro principais jornais trazem a historia de volta: “Brasil escreve sua nova Constituigao” (O Estado de S. Paulo), “Crise marca abertura da Constituinte” (Folha de S.Paulo), “Constituinte se instala em clima de po- lemica” (O Globo), “Sarney se diz traido e PMDB recua” (Jornal do Brasil)? Dos 559, eram 487 deputados*e 72 senadores.® Desses, 23 haviam sido cleitos em 1982 — ainda tinham, portanto, quatro anos de mandato, PMDB —lotado de ex-arenistas elou pedessistas — feza maior bancada, de 298 deputados (53,36), numa eleigao em que o partido ganhou de lavada, no tiltimo suspiro do Plano Cruzado, elegendo 26 de 27 governadores. A * Apresentagio 19 segunda bancada, com 133 parlamentares, era a do PEL — o aliado da Alianga Democritica que levara & eleigdo indireta de Tancredo e Sarney, em 15-de janeiro de 1985. © PDS vinha em terceiro, com 38, seguido de: PDT, 26; PTB, 19; PT, 16; PL, 7 PDC, 6; PSB, 2; PCB, 7; e PCdoB, 7. Do total, 274 eram calouros, apenas 26 eram mulheres, e 217 tinham [passagem pela Arena e/ou PDS, partidos de apoio & ditadura (1964-1985). A lidade média era 48 anos, ¢ 486 (86,9%) tinham curso superior, a maioria * bacharéis em Direito (243) e médicos (49). Dois Ievantamentos dao ideia aproximada do perfil ideol6gico do Con- {gres50 Constituinte. No da Folha de S.Paulo: 32% eram de centro 24%, centro-direita; 23%, centro-esquerda; 12%, direita; 9%, esquerda. No da assessoria Semprel:35% eram do campo liberal-conservador;25%, direitas 21%, liberal-reformista e 12%, esquerda. Contando-se apenas PT, PSB, PCB € PCdoB, a esquerda somava 32 constituintes. O primeiro movimento do jogo — de xadrez, com abertura do peio da rainha — foi o questionamento sobre a participagao com direito a voto dos 23 senadores de 1982, que obviamente nao foram eleitos para nenhuma Constituinte. ‘A questao jé estava resolvida, a rigor, desde 27 de novembro de 1985, dia em que o Congreso aprovou, com poucas modificagées, e por mi: tia, a convocacio limitada proposta pelo presidente José Sarney, que absurdamente ungia 0s senadores de 1982 como constituintes de pleno direito,* Houve contrariedades acirradas, mas foi aprovada, assim como 0 formato proposto — nao uma Constituinte exclusiva, mas um Congresso Constituinte, em que a Camara e 0 Senado continuariam funcionando normalmente, Perdidaa parada em 1985 —contada em detalhes inéditos na entrevista do jurista Flavio Bierrenbach, primeiro relator da proposta de Sarney —, a esquerda tentou reeditar a discussio, no comeso da festa. Foi a primeira votacao a ser realizada, no dia da abertura solene. Uma coesa maioria soterrou o protesto e convalidou a participasao dos 23” Vale contar, logo, pela exceléncia do exemplo, um caso tinico entre esses 23 —odosenado: Fabio Lucena, do PMDB do Amazonas. Eleito em 1982, 20 i Segredos da Constitulnte com 186.448 votos, Lucena nio quis ser constituinte idnico — econcorreu ‘novamente ao cargo na eleicdo de 1986. Foi ainda mais votado: 239.048, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral, e chegou a Assembleia de carteirinha nova. Ex-bancério e ex-jornalista, algumas vezes processado durante a ditadura, comegou na politica como vereador, no ainda MDB. ‘Nas primeiras semanas da Constituinte, Lucena dedicou-seaimplicar com a checagem do quérum, em quesiées de ordem sempre introduzidas por alguma citagao bem-humorada, historica ou literdria. Conhecido por gostar de dlcool (além da conta), Lucena foi o primeiro morto da Constituinte:” suicidou-se, no meio de uma crise depressiva, em IM de junho de 1987. O entio senador Fernando Henrique Cardoso, que carregou o caixio, dir algumas palavras sobre o colega, de quem gostava. Ficou, no folclore de Lucena, o “causo” de uma pergunta que lhe fizeram, algum dia, a bordo de um voo Brasilia—Manaus: “Sabe quantas horas vai demorar2” “Horas nao. Mas sei que séo cinco doses de uisque.” ‘A chamada “Comissio dos Notiveis” fi outro questionamento prelimi nar do Congresso Constituinte — e também teve a ver com uma iniciativa do presidente José Samey (que sobre ela falaré). Em 18 de julho de 1985, antes mesmo de mandar a convocatéria para o Congreso, Sarney criou, ‘como pretendia Tancredo Neves, a Comissio Proviséria de Estudos Consti- tucionais,” encarregada de elaborar um anteprojeto para anova Carta, Teve cinquenta integrantes — dois deles aqui entrevistados —, entre juristas ¢ especialistas nas diversas areas, e foi presidida pelo medalhao Affonso ‘Arinos de Mello Franco, entéo com seus 84 anos. Egresso dos tempos de Gettilio Vargas, 0 do segundo mandato, agulou a crise que levaria 0 pre- sidente ao suicidio, em agosto de 1954. Dez anos depois, apoiaria o golpe que derrubou Joao Goulart (como de resto o dr. Ulysses, para ficar apenas nos dois decanos). A Comissao Affonso Arinos, como também ficou conhecida, trabalhou até setembro de 1986. Sarney recebeu oanteprojeto — que institua figura do “defensor do povo” — em ceriménia solene no Palacio do Planalto e mandou publicé-lo no Didrio Oficial da Unido. Quatro meses depois, Aprosentacio a quando a Constituinte chegasse, o ponto de partida jé estaria pronto. Mas quall © dr. Ulysses ¢ todos os que pesavam na balanga resolveram partir do zero, Para dizer com as palavras do deputado Gastone Righi (PTB-SP) na reuniio de partida: “{Somos] a figura do navio que zarpa de um porto sem ter plotada.asua rota, sem rumo estabelecido e sequer destino escolhido.”* ‘Ou, como o préprio Affonso Arinos, ento com seus 85.anos, senador eleito elo PFL do Rio de Janeiro, e presidente da comissao mais importante do conclave, disse, nessa mesma reuniao, usando metéfora semelhante: “Nos estamos navegando na bruma, estamos criando nosso proprio caminho ‘no meio da névoa. Nao temos aqueles aparelhos que indicam que a névoa ‘esta para se dissipar ou que ela pode ser vencida, como tém os aeronautas. Estamos sendo aeronautas a pé” Complementou, com impar sinceridade: “Nao tenho planos para o futuro, nao tenho planos para o trabalho da nossa comisséo.” E pediu, humildemente, que os constituintes pelo menos “namorassem escondido” com o anteprojeto da comissio que presidira meses antes — o que de fato aconteceu, para gaudio do professor e consti- tucionalista José Afonso da Silva, um de seus maiores formuladores. ‘Majestosamente sem planos, nossa sexta Constituinte republicana'® foi, ‘nos nada menos dos vinte meses que durou, um rodeio de fortes emogées. Comecou pela discussio do regimento. A primeira proposta apresentada pelo relator Fernando Henrique Cardoso — relator pelo voto tinico do dr. Ulysses — teve, para se ter uma ideia, 949 emendas. A deputada Sandra Cavalcanti (PFL-RJ) lembraré, em sua entrevista, que comparou occontetido da proposta com 0 Ato Institucional n° 5. FHC e sua entourage — onde se destacava o deputado estreante Nelson Jobim (PMDB-RS) — apresen- ‘taram um substitutivo que acalmasse os animos. Ele ainda provocou 693 emendas. © regimento s6 foi aprovado em 24 de margo de 1987; quase dois meses depois de iniciada a discussio. Ficou decidido, entéo, pelo regimento, que a Constituicao seria feta, za primeira etapa, por oito comissdes tematicas,” cada qual com trés sub- comissées,"* nas quais os 559 constituintes se dividiriam, por indicagao dos lideres partidarios, Na segunda etapa, as propostas decididas nas 24 2 1008; Segredos da Constituinte comissdes seguiriam para a Comissio de Sistematizagio, composta por 93 parlamentares. O projeto aprovado iria a plendrio, em dois turnos de vvotagao. Respeitados os prazos do regimento, a Constituigao estaria pronta 1 para novembro de 1987. ‘Osenador Mério Covas ganhou muito espago na formatagio desse comeco. Primeiro por ter vencido, na disputa peemedebista para lider da Consti- tuinte, o deputado Luiz Henrique da Silveira, ungido pelo todo-poderaso Ulysses Guimaraes. Disputa emocionante — como alguns dos entrevista- dos irdo assinalar, entre eles o ex:presidente José Sarney, admitindo, pela primeira vez, que mandou sua turma votar em Covas, para enfraquecer © dr. Ulysses. Depois, jd como lider, Covas dew as cartas na escolha dos relatores das diversas comiss6es, a maioria com viés & esquerda. Na comissio mais importante — a de Sistematizagao —, 0 vetusto Affonso Arinos foi escolhido presidente por aclamagao. Assim deveria ter sido com o relator, como contava e almejava o senador Fernando Henrique. Ocorreu, entretanto, em mais uma rodada imprevista, que o senador Bernardo Cabral (PMDB-AM) se apresentasse & refrega, como contard. Primeiro derrotou Fernando Henrique; depois, o deputado Pimenta da ‘Veiga (PMDB-MG). Tornou-se relator. Em sua primeira fase, a Constituinte foi uma festa civica. As comissoes tematicas ouviram, em audiéncias piblicas, perto de mil depoentes: de ministros a indios (muitos indios); de governadores a representantes de minorias organizadas (dezenas deles); de sindicalistas a intelectuais da academia. Algumas das subcomissdes mandaram comitivas a diversas regides do Brasil. E todas elas, de muitos rincdes socialmente organizados, encheram a Constituinte de povo — cada segmento levando e querendo garantir a inclusdo de suas reivindicagbes. A novidade, introduzida no regimento, é que a Constituinte podia receber emendas populares, desde que subscritas por no minimo 30 mil eleitores, em listas organizadas por pelo menos trés entidades. A mobilizacao popular levou 122 delas a Constituinte, com 12 milhdes de assinaturas estimadas. As dezenove consideradas regulares chegaram Aprosentaci 23 ' Comissdo de Sistematizagdo, foram defendidas por representantes € parte de algumas delas foi absorvida pela Constituigao. As.primeiras batalhas — algumas com sentido literal — ocorreram, entre abril e 26 de juno, nas comissdes e subcomissées. Até com revél- ‘Yer na mio, para quem quiser acreditar no que conta o ex-deputado José Lourenco, entdo lider do PFL. Nas que discutiram direito de propriedade, jornada de trabalho, direito de greve, regime de governo, tempo de man- dato presidencial, reforma agréria, estabilidade no emprego, fundamentos ‘econémicos,o clima foi de guerra. Uma das comissées,a de Familia, Edu- aso, Cultura, Esportes, da Ciéncia e Tecnologia e da Comunicagio, nem ‘ao menos conseguit concluir uma proposta, tal o impasse. ‘Com tudo na mio, ¢ ajambrando a proposta néo entregue, Bernardo Cabral apresentou & Comissio de Sistematizacio o primeiro anteprojeto, ‘com 501 artigos. Ganhou o apelido de “Frankenstein”. A arena, agora, era 4 Sistematizacdo, com seus 93 integrantes, incluidos os relatores de todas as comiss6es e subcomissbes (0 que fazia a balanga pender para a esquer- da), Para dar conta da tarefa, que inclufa afluxo continuo de milhares de emendas, Cabral designou sub-relatores, para ele e para a prépria co- missio, a fim de acelerar o ritmo devagar quase parando com que Arinos administrava o barulho. Dois projetos e muita confusao depois, e sob os holofotes de toda a midia, a Comissao de Sistematizagdo encerrou as votagées em 18 de novembro. Muito além do que previa o regimento, com um anteprojeto consideravelmente mais & esquerda do que a média da Constituinte ¢, talvez principalmente, com a aprovacao do parlamentarismo e de quatro anos de mandato para os presidentes da Repiblica, incluido Sarney. O descontentamento, que jé vinha engordando, desembocou no chamado Centrao. © alvo central da revolta foi o regimento — aquele mesmo que quase todos tinham aprovado no come¢o do processo, havia quase um ano. Ficou claro, entdo, como Nelson Jobim explicard didaticamente, que as regras. estabelecidas 4 atrés dificultavam sobremaneira, matematicamente falan- do, mudangas que quisessem fazer, em plendrio, no projeto aprovado pela =" 24 1988: Segredos da Constituinte Sistematizagdo. O regimento dizia que era necesséria maioria absoluta (280 votos) para rejeitar 0 que a Comissio de Sistematizagao havia aprovado com no maximo 93 votos. Em uma fantéstica historia de virada de mesa — tema de grande parte das entrevistas deste livro —, a articulagao conservaciora do Centrao apre- sentou, no dia 10 de novembro, 314 assinaturas; mais do que suficientes para reivindicar a mudanca do regimento, decididaem 3 de dezembro, com a inversdo do 6nus do quérum. No mesmo dia em que o Centro apresen- touas assinaturas, oentdo presidente da OAB, Marcio Thomaz Bastos, um ddos mais ativos nao Constituintes, alertou para o “golpismo de direita’. O maior mimero de descontentes estava entre os constituintes que ficaram a margem do processo — durante os quase quatro meses de atua- ‘fo da Comissdo de Sistematizagao. Muitos foram incentivados pela forte intervengao do presidente Sarney e de seus ministros, entre eles Antonio Carlos Magalhaes, das Comunicagées, as vezes 4 custa do “é dando que se recebe", para repetir a frase famosa. Em sua entrevista, Sarney atribuird tudo isso a forga dos muitos amigos que tinha no Congreso. A partir da mudanga do regimento, decidida em 3 de dezembro, 0 pro- jeto prioritario para ira plenério passoua ser o do Centro — elaborado & parte. Para alteré-1o, com acréscimos, substituicbes ou cortes, 56 a maioria absoluta — invertendo, portanto, o énus do quérum. ‘Com novas regras, em pleno andamento do jogo, o segundo tempo da partida — a votagao, em plenario — comecou em 27 de janeiro de 1988.0. Centro manteve a maioria em questdes do interesse do governo — como 0s cinco anos de mandato e o presidencialismo, e em algumas outras na rea econémica — mas nao muito mais do que isso. O que prevaleceu, na maioria das 1.020 votagdes, foi empate em cima de empate, os chamados “buracos negros”. Foram resolvidos & custa de conchavos e negociagdes, principalmente pelo colégio de lideres, em busca da maioria possfvel, que fizesse o processo andar. Aprovada finalmente em 2 de setembro de 1988, ainda passou pela Comissio de Redacio, acusada de fazer alteragdes de contetido. Em 5 de outubro foi finalmente promulgada, com 245 artigos e mais setenta do “Ato das disposicdes constitucionais transitérias”. * Apresentagho a ‘A pequena contribuiglo deste ivro, como claro jé'ficou, é contar essa histéria pela vor de seus proprios participantes diretos — constituintes ou ‘no —.um pouco na linha documental da histéria oral, consolidada por pesquisadores da Fundagio Getulio Vargas, sem nenhuma pretensio de ‘comparagio. Meu trabalho de repérter que nunca botou os pés na Cons- Aituinte consistiu em pesquisa demorada sobre aqueles vinte meses — na Iiteratura a respeito (citada na bibliografia), nos anais da Constituinte * (isponiveis on-line), na imprensa do periodo e em dezenas de entrevistas. Esse conjunto de informag6es possibilitou perguntascircunstanciadas —e ajudoua vitaminar a meméria dos entrevistados sobre episédios que jé vio Jonge. Muitas perguntas sero parecidas — pela recorréncia dos temas —, ‘mas, por Sbvio, e felizmente, nenhuma resposta seré igual. Sio 44entrevistas— a maioria com constituintes. Dois ministros da Fa- zenda de Sarney —Bresser-Pereira e Mailson da Nébrega — falaram sobre ‘outro lado do balcao e sobre o esforgo que fizeram para conter excessos. Dois graduados funcionérios da Camara — Adelmar Sabino e Mozart ‘Vianna — contaram detalhes sobre o apoio logistico que a Constituinte recebeu. Em uma tarde calorenta de sabado, Vianna feza gentileza de me apresentar a Constituinte propriamente dita, inteira e de corpo presente, em 2.710 caixas que ocupam seis alas, cada qual com dez estantes, no piso Inferior do Arquivo e Centro de Documentacao da Camara dos Deputados. ‘Tomavam conta do tesouro, & época da visita, os chefes Manoel Carneiro da Fontoura e Jacinta Luiza dos Santos Diz Y Alvarez. Entre juristas € assessores esto Carlos Ari Sundfeld, Flavio Bierren- bach, Joao Gilberto Lucas Coelho, Joaquim Falcao, Miguel Reale Jiinior e Sérgio Ferraz. Um lobista de 6tima meméria, Fernando Ernesto Corréa, fez reyelacdes sobre a atuagio das empresas de comunica¢ao, principalmente a TV Globo. Outro, o presidente da CUT, Jair Meneguelli, relembrou os cartazes com os “traidores do povo”, que assustavam ou aterrorizavam 0s deputados, como o constituinte Roberto Jefferson (PTB-RJ) igualmente lembraré, ainda com indignagao. Os ainda nao citados sao os constituintes Benito Gama (PTB-BA), Carlos Mosconi (PMDG-MG), Delfim Netto (PDS-SP), Eduardo Jorge 26 1988: Segredos da Constituinte —— (PT-SP), Francisco Rossi (PTB-SP), Herdclito Fortes (PMDB-P1), Ibsen. Pinheiro (PMDB-RS), Jorge Bornhausen (PFL-SC), Jorge Hage (PMDB- -BA), José Fogaga (PMDB-RS), Luiz Alfredo Salomio (PDT-RJ), Maria Abadia (PFL-DE), Raquel Candido (PFL-RO), Sandra Cavalcanti (PFL-RJ)e ‘Theodoro Mendes (PMDB-SP). A eles eaos demais entrevistados, s6 tenho agradecer. Se consegui tirar mais do que pretendiam contar — e assim estimo — foi mais pela generosidade de cada um. Me esforcei para evitar ojuridiqués, a chatice ea minudéncia de quest6es muito especificas, como a tramitacdo das propostas e das emendas ou mesmo o detalhamento das secbes ot artigos. Acrescentei, antes da sequéncia de entrevistas, subsfdios necessarios para entender o contexto. Prevaleceram as historias dos basti- lores — que ajudam a acender mais umaluzem uma historia que ja solar. ‘Todosos entrevistados dirdo, cada qual a seu modo, a par dascriticas, ‘que a Constituigao de 1988 melhorou o Brasil — seja por ter sepultado a ditadura sob sete palmos, vade retro, seja por ter acolhido, como cliusulas pétreas, conquistas democraticas e direitos sociais que apontam para um futuro melhor. O mais ¢ avangar, como se diria naqueles tempos. Cronologia “Antecedentes (Fonte: Camara dos Deputados)! 41971: Carta Politica pela Constituinte, documento langado no Encontro ‘Nacional do MDB. 41977; Manifesto do MDB pedindo convocagio da Constituinte. 1980: A VIII Conferéncia Nacional da OAB pede convocagao de uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC). 1984: 0 “Compromisso coma Nagao”, manifesto da Alianca Democritica, estipula a convocasao da Constituinte. 7e8 de dezembro de 1985; Plendrias do Movimento Pr6-Constituinte. 28 de junho de 1985: Na Mensagem n° 330, de 28 de junho de 1985, 0 presidente José Sarney encaminha ao Congresso a proposta de convocacéo dda Assembleia Nacional Constituinte. 18 de julho de 1985: Criacao da Comissao Proviséria de Estudos Cons- titucionais para elaborar anteprojeto de Constituigao. 27 de novembro de 1985: Emenda Constitucional n° 26, de 27 de novembro de 1985, determina que os membros da Camara dos Deputados e do Senado Federal reunir-se-do, unicameralmente,em Assembleia Nacional Constituinte, livree soberana, no dia 1° de fevereiro de 1987, na sede do Congreso Nacional. Fevereiro de 1986: Lancamento do Plano Cruzado e declaragio de mo- rat6ria dos juros da divida externa. Ia 14 de marco de 1986: Caravana a Brasilia para entrega de abaixo- -assinado com 19.214 assinaturas pela Constituinte. — 28 1988: Segredos da Constituinte 26 de setembro de 1986: Publicagio do Anteprojeto Constitucional da Co- missio Provis6ria de Estudos Constitucionais, presidida por Affonso Arinos. 15 de novembro de 1986: Bleigdo dos deputados federais e de dois tercas dos senadores que compordo a Assembleia Constituinte, Primeira eleico do Congresso Nacional em que 0 direito de suiragio se estende aos anal- fabetos, garantido pela Emenda Constitucional n° 25, de 1985. 1987 (Fonte: Camara dos Deputados?? 1° de fevereiro: Instalacio da Assembleta Constituinte. 2de fevereiro: Eleigao do presidente da Assembleia Constituinte. Ao longo do més de fevereiro: Decide-se que nao haveria anteprojeto. 0 texto seré construfdo a partir dos trabalhos das 24 subcomiss6es. Sugestoes populares jé somam mais de 40 mil. 3 de fevereiro: Delegacdo do Movimento Pré-Participagio Popular na Constituinte entrega proposta de inclusao da “iniciativa popular”. 19 €20 de fevereiro: Reunido, em Brasilia, de plendrios, comités e movi- ‘mentos pré-participacdo popular na Constituinte. 10 de marco: Aprovacio do Regimento Interno da Assembleia. 27 de marco: Eleigio da Mesa Diretora da ANC. 27 de margoa 6 de maio: Recebimento de 11.989 sugestées apresentadas or constituintes e entidades da sociedade civil. 1° de abril: Instalagdo das oito comissdes teméticas, divididas em 24 subcomissées. 7 deabril: Instalagio das subcomissbes eeleicdo desens presidentes erelatores. 7 de abril a25 de maio: Subcomissdes teméticas realizam 192 audiéncias piiblicas, com os mais variados grupos sociais. 9 de abril: Instalagdo da Comissio de Sistematizacao, Eleigio da presidéncia € relatoria Senador Afonso Arinos:presidente: deputado Bernartio Cabral: relator. 25 de maio: Conclusio dos trabalhos das subcomissées com aprovagio dos primeiros 24 relat6rios parciais. 28 demaio: Inicio das discusses dos 24 relat6rios das subcomissdes plas, ‘ito comissoes tematicas. 12dejunho: Final dos trabalhos das comissdes teméticas com aaprovagao dos relatérios e dos anteprojetos de cada titulo da Carta, Cronotogia 2 15 de junho: Encaminhamento dos relatérios das comissdes tematicas part a Comissto de Sistematizacio. junho: Langamento da campanha nacional de apoio as emendas populare 26 de junho: O relator entrega 0 primeiro anteprojeto de Constituicao, com 501 artigos distribuidos em cerca de 2.600 dispositivos. H.dejulho: Marcha sobre o Congreso, organizada pela UDR. 15 dejulho a 13 de agosto: Apresentacio de 20.791 emendas 20 antepro- jeto de Constituicao, entre as quais 122 populares. Inicio da discussio do projeto em Plenario. 17 dejulho: Dia nacional de mobilizacéo para a coleta de assinaturas das ‘emendas populares, coordenedo pela Articulacio Nacional de Entidades para a Mobilizacao Popular na Constituinte. 12deagosto: Ato pablico,em Brasilia, paraaentrega dasemendas populares. 13 de agosto: Fim do prazo para a apresentacio de emendas, 23 de agosto: Fim da primeira discussao do anteprojeto em Plenério, - Yoltando a Comissao de Sistematizagio. "26 deagosto: ( relator apresenta o segundo anteprojeto de Consttuigo,um ‘Substitutivo com 305 artigos. Nesse momento, a Constituicao registrava 380 discursosem 214 horas e 30 minutos de gravaclo, 37961 emendas nos periodos das comiss6es temdticas e 20.791 emendas na fase de emendas de plenario. 26 de agosto: Inicio da defesa das emendas populares, em Plenirio, da ‘Comissao de Sistematizagao, por representantes da sociedade civil. 28 de agosto a 5 de setembro: Prazo de apresentagdo de emendas ao ‘substitutivo, com o recebimento de 14.320 emendas. ‘19desetembro: Conclusdo do segundo substitutivo, o terceiro anteprojeto da Comissao de Sistematizacao. 25 de setembro: Inicio da votacao do anteprojeto na Comissao de Sis- tematizagao, dos substitutivos do relator e das emendas parlamentares, 27 de outubro: Reunido da Mesa da Constituinte e das liderangas de varios partidos altera calendario da Constituinte, concedendo o prazo de 30 de novembro para votacao na Comissio de Sistematizacao. 4de novembro: Inicio das sessbes da Assembleia Nacional Constituinte para votacao em Plendrio do substitutivo do relator. Primeiras manifesta- ‘ges do Centro, com langamento do documento do grupo. 30 1988: Segredos do Consttuinte 18denovembro: Término da votagio na Comissio de Sistematizaglo, que realizou 509 votagées e apreciou 2.612 pedidos de destaque para emendas. 19 de novembro: Inicio das discussoes sobre mudanga do regimento interno da Assembleia Nacional Constituinte. 24 de novembro: Entrega do projeto aprovado na Comissao de Sistema- tizacio, com 335 artigos, em ato solene. 26 de novembro: Inicio da discussio, em Plendrio, do projeto aprovado. 3 de dezembro: Mudanga no regimento interno da ANC garante pos- sibilidade de se oferecer emendas a todos os dispositivos do projeto de Constituigo votado pela Comissio de Sistematizagio. 1988 (Fonte: Camara dos Deputados)’ 5 de janeiro: Aprovacao da Resolugdo n° 03/88, que consagra a reforma regimental do Centrao. 7a 13 de janeiro: Prazo para apresentacio de emendas ao projeto de Constituigio. Foram recebidas 2.045 emendas, entre as quais 29 coletivas (apoiadas por 280 assinaturas). O Centro apresenta substitutivo por meio de dez emendas coletivas. 21 de janeiro: Apresentagio do parecer do relator sobre as emendas. 23. a25 de janeiro: Prazo para apresentagao de emendas. 27 de janeiro: Inicio de votacao em primeiro turno em Plendtio. 4 de fevereiro: Protesto contra as modificagdes do Centréo abraga 0 Congreso Nacional. Fevereiro: O governo anuncia novo plano para redugao do deficit piblico econtengao de gastos. A inflagdo chega a 300% por ano. 23 de fevereiro: Inicio da votacéo dos Direitos Sociais com a aprovagao de pagamento de hora extra, férias rermuneradas, igualdade de direitos entre trabalhadores rurais e urbanos; proibigao de discriminagao contra portadores de deficitncia; definigao da jornada de trabalho em 44 horas; licenca-maternidade de 120 dias; licenca-paternidade, entre outros. 7a 13 de margo: Aprovacio do voto aos 16 anos e do direito de greve. 22 de marco: Aprovagio do presidencialismo. Abril: Massacre dos indios Tikuna, com repercuss6es no Congreso € criagdo da Frente Parlamentar do Indio. Cronologla n Abril: Instalagtio da Comissio de Redagio, composta por dezenove ibros. 128 deabril: Votagio da ordem econdmica, com temas polémicos como finigiio de empresa nacional, a exploragao do subsolo e o monopélio ‘maio: Inicio da votacao dos dispositivos sobre a reforma agréria. ‘maio: Votacao da proibigao da comercializagao de sangue. Junho: Fim da votagao em primeiro turno ¢ inicio da votacao das osigbes transitérias. Junho: Aprovagio do mandato de cinco anos para o presidente da iblica, Junho: Fundagio do PSDB. Je junho: Fim da votagdo em primero turno, resultando em projeto Gonstituigéo com 322 artigos. de julho: Inicio do prazo para recebimento de emendas a0 projeto de ituigao. julho: Inicio da votag4o em segundo turno no Plenério. Julho: Pronunciamento do presidente José Sarney em cadeia na- de TV. jjulho: Resposta de Ulysses Guimaraes ao presidente da Repiblica, h cadeia nacional de TV. julho: Aprovagao do projeto de Constituigao, ressalvados os destaques. agosto: Vota¢ao da reforma agraria. agosto: Votagao do fim da censura. Jsetembro: Fim da votagao em segundo turno do projeto de Constitui- sna madrugada deste dia. A Constituigao esta praticamente concluida, 313 artigos. le setembro: Publicado e ido 0 projeto de Constituigéo com a de setembro: © Plenério aprova, em turno tinico, em votagao global, dagao final, transformada em Constituicio, com 315 artigos (245 dis- permanentes e setenta transit6rias). Promulgada a Constituicao da Repiblica Federativa do Brasil. \ — 7s "? ! ‘Organograma de reconstrugio histérica da Constituinte P Mh Will Plendrio da Assembleia Constituinte (1987/1988) i | im = aa i “Comissao de Sistematizagio L-4 Emendas Populares 4 (art 24RIda ANC) | | ead . | Subcomissio dos Dretos |_! it iil ‘eGarantias individuals | —t i iI Seema ayDae |_| Conia da Serine ' Wi Bos dog ire 1 Diretos¢ Garantias do Beepesiso {| Subcomiso dos Municpios i] GoletvoseGarantiss_| | Homer eda Mer 1 Regis Al [Subeamieto da Nacionalicade] | 1 Subeomi | a Nason eto da Unis | eee Ht 4) Dist Fedente Hi] ! ' Mi Subcomissio do Poder |_} | [Sabgomisto do Sema HN} agitate + vale fosila | t Coniato ds Organi rps ' = ; =e omisto anizagio imissio de I Subcomissio do Poder |_| dos Poderese sitema Partdariae 1) ae inna de Souace eed ive }-—+——_}] onda Sociedade | | ! Governo Tstiuigdes T [Oe desua Seguranga Subcomissio do Poder | 4 | [ Subcomissio de G } Judicirioe do Ministerio }-7}— |__| ubsoissode Garena Publico ' " cEmendas { | Sabeomisso de Pri Seis L ' cepted Pa Kipgelpeibuedo | 1H] asec ' ominito do Sistema | aa ‘Subcomissio de Orgamento |_{ «la Ordem ! a Or eae r Suibcomissio da Questio cfisaluagio maces | t fo, Oramento Bisice 1 “Uibane eTranpore ' ' Subcomissio do Sistema |_| 1 | Sabospnin da lcs i feo © diana "inanceiro t TLS Retina Agra ! t - { QTE | [Subcomissto de Educaséo, } ; TY Cultura e Esporte, i TabcombtodeSande, | 1 sibeomisio Seguriaadeedo Melo’ }y Comissio. L Ceo egurizade edo r }da Ordem T [Tendo ds Conan ' tL L Subcomissio da Familia, 1 “do Menor edo Idoco i i demas s "Fonte: Organograma organizado por Monat Vina Paiva ecedido 20 au. Comissées e subcomissdes tematicas (com presidentes e relatores)* itor: JOSE PAULO BISOL "a ~ Subcomissio da Nacionalidade, da Soberania e das Relagoes Internacionais: ‘Presidente: ROBERTO D'AVILA (or: JOAO HERMANN NETO \composigdo integral de cada uma com titulares esuplentes assim como as discussbes es esto disponiveis em: . 36 1988: Segredos da Constituinte _ b - Subcomissio dos Direitos Politicos, dos Direitos Coletivos ¢ Garantias Presidente: MAURILIO FERREIRA LIMA Relator: LISANEAS MACIEL ~ Subcomissdo dos Direitos e Garantias Individuais Presidente: ANTONIO MARIZ Relator: DARCY POZZA Il - Comissio da Organizagao do Estado Presidente: THOMAZ NONO Relator: JOSE RICHA ~ Subcomissao da Unido, Distrito Federal e Territérios Presidente: JOFRAN FREJAT Relator: SIGMARINGA SEIXAS 'b ~ Subcomisséo dos Estados Presidente: CHAGAS RODRIGUES Relator: SIQUEIRA CAMPOS ~ Subcomissao dos Municipios e Regides Presidente: LUIZ ALBERTO RODRIGUES Relator: ALUIZIO CHAVES III - Comissio da Orgenizagio dos Poderes e Sistema de Governo Presidente: OSCAR CORREA Relator: EGIDIO PEREIRA LIMA a ee a Cami subcomisdestemaieas ” ‘4 Subcomissio do Poder Legislative Presidente: BOCAIUVA CUNHA Relitor: Jost JORGE 'b~ Subcomissio do Poder Executivo Presidente: ALBERICO FILHO Relator: JOsi FOGAGA ‘¢~ Subcomissio do Poder Judiciério e do Ministério Pablico Presidente: JOSE COSTA Relator: PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO 1V ~Comissioda Organizagao Eleitoral, Partdaria e Garantia das Instituigdes Presidente: JARBAS PASSARINHO Relator: PRISCO VIANA ‘a~ Subcomissao do Sistema Eleitoral e Partidos Politicos Presidente: ISRABL PINHEIRO FILHO Relator: FRANCISCO ROSSI b ~ Subcomissio de Defesa do Estado, da Sociedade e de sua Seguranga Presidente: JOSE TAVARES DA SILVA NETO Relator: RICARDO FIUZA ‘c~Subcomissio de Garantia da Constituigio, Reformas e Emendas Presidente: FAUSTO FERNANDES Relator: NELTON FRIEDRICH 38 1988: Segredos da Constituinte V~ Comissio do Sistema Tributirio, Orgamento e Finangas Presidente: FRANCISCO DORNELLES Relator: JOsE SERRA a Subcomissio de Tributos, Participagio e Distribuigao das Receitas Presidente: BENITO GAMA Relator: FERNANDO BEZERRA COELHO b— Subcomissio de Orgamento e Fiscalizagdo Financeira Presidente: JOAO ALVES: Relator: JOS LUIZ MALA c-Subcomissao do Sistema Financeiro Presidente: CID SABOLA. Relator: FERNANDO GASPARIAN ‘VI - Comissio da Ordem Econémica Presidente: JOSE LINS Relator: SEVERO GOMES: a ~ Subcomissao de Principios Gerais, Intervencao do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Economica Presidente: DELFIM NETTO Relator: VIRGILDASIO DE SENA. 'b~ Subcomissio da Questdo Urbana e Transporie Presidente: DIRCEU CARNEIRO Relator: JOS# ULISSES DE OLIVEIRA ‘¢~ Subcomissioda Politica Agricola e Fundidria eda Reforma Agraria Presidente: EDSON LOBAO Relator: OSWALDO LIMA FILHO ‘VII ~ Comissio da Ordem Social Presidente: EDME TAVARES Relator: ALMIK GABRIEL 4 Subcomissd0 dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Publicos Presidente: GERALDO CAMPOS Relator: MARIO LIMA b- Subcomissao de Satide, Seguridade e do Meio Ambiente Presidente: JOS ELIAS MURAD Relator: CARLOS MOSCONI ¢ ~ Subcomissdo dos Negros, Populagées Indigenas, Pessoas Deficientes e Minorias Presidente: 1VO LECH Relator: ALCENI GUERRA 1 - Comissdo da Familia, da Educagdo, Cultura e Esportes, da Cigncia Tecnologia e da Comunicacao ‘Presidente: MARCONDES GADELHA Relator: ARTUR DA TAVOLA a~ Subcomissao da Educagio, Cultura e Esportes Presidente: HERMES ZANETTI Relator: JOAO CALMON ’ 1988: Segredos da Constituinte b ~ Subcomisso da Cigncia e Tecnologia ¢ da Comunicagio Presidente: AROLDE DE OLIVEIRA Relator: CRISTINA TAVARES ‘¢~ Subcomisséo da Familia, do Menor e do Idoso Presidente: NELSON AGUIAR Relator: ERALDO TINOCO Entrevistas ‘IVUANAD OF ALNACISTUY O JOSE SARNEY Presidente da Repiiblica (1985-1989) “Se nao fosse a minha intervencio, a Constituicao néo teria sido! tinha seis anos de mandato. E resolveu abrir mao de um — ‘cinco — em pronunciamento na televisio.' Por qué? — Eles desencadearam uma campanha querendo reduzir para anos. Essa campanha era do grande interesse dos candidatos & nncia da Repiiblica, que eram muitos, e, quanto mais cedo, melhor cles. Eu achei que devia cortar essa campanha, reduzindo para cinco 1 ¢estabelecendo uma formula na qual eu demonstrava certo espirito -0, nio desejando jamais que a Constituinte derivasse para uma so secundétia, sobre o tempo de mandato. Me baseei no general Gaspar] Dutra (presidente da Repiiblica entre janeiro de 1946 & de 1951], que tinha um mandato de seis anos pela Constituigao do Novo. E foi a Constituinte [de 1946] e disse: “Eu quero reduzir para anos”? Eu conhecia isso. A Constituinte de 1946 achou que era um .gesto e marchou sem essa discussdo, Foi certa ingenuidade minha, podia ter tido, como um politico coma experiéncia que jé eu tinha. que o senhor teve essa ideia que tanta confusdo provocou? Com conversou ou se aconselhoua respeito? — Eu achei que a Constituinte teria a compreensio de que era um_ ‘razoavel para o mandato. Mas aconteceu justamente 0 contratio. No 7 46 © presidente e 0 general fundo, o que esse grupo grande desejava era me tirar do poder. Logo de saida, saiu que eu nao ficaria dois meses, que a eleigao direta era inevitivel, varias declaragoes de alguns muito responsiveise grandes lideres. Eu, entio, disse “Olha, acho que devo fazer como 0 Dutra fez". $6 que no deu certo. ‘Quem apoiou o senhor, nessa decisio, entre os seus auxiliares diretos? Sarney — Quem mais me apoiou foi o Zé Hugo [José Hugo Castelo Bran- co, ministro da Indiistria e Comércio]. Ele disse: “Vocé, como presidente, vai A televisio e diz & nagdo que abdica de um ano do seu mandato e esta resolvida a questo, acaba essa discussao.” ‘Como é que o senhor vé essa decisio, quase trinta anos depois? Sarney — Eu mearrependo de nao ter seguido o conselho do Geisel [gene- ral Emnesto Geisel, presidente da Repiblica de 1974 a 1979]. Eu nao tinha intimidade com o Geisel, mas ele tinha uma boa relagdo com o Ivan [de Souza Mendes, chef do Servigo Nacional de Informacées, SNI].O Iwan estabeleceu essa ponte, eeu recebo um telefonema do Geisel. Oque é que ele disse? Sarney —°O Sarney, eu quero the dar um conselho: ndo discuta o tempo do seu mandato. Entregue ao Supremo Tribunal, que ele decide com a Constituinte. Nao se meta nessa discussdo.” Quer dizer: ele tinha muito mais sensatez e conhecia muito mais a Constituinte. ‘O que o senhor disse pra ele? Sarney — Eu disse: “Othe, general, eu ja estou resolvido a estabelecer um mandato de cinco anos e fazer 0 que o Dutra fez, 0 que deu muito certo” Ele disse: “Voce est equivocado. Isso nao vai acontecer. Eles véo querer um nico objetivo, que é he tirar do governo.” Ele viu muito mais. Mas eu achei que era uma formula democratica e que eles haviam de compreender uum gesto de grandeza de minha parte. Por outro lado, se pudesse, eu teria a eleigho muito antes, com dois anos, Mas, com a agitagao que o PT fazendo, as greves que en vinha enfrentando — 12 mil greves —, a Idncia da politica fizeram [com] que eundo tivesse condigbes de fazer eleigio}. Inclusive consultei os chefes militares e eles acharam que era temeridade encurtarmos 0 mandato do presidente para dois anos no daquela coisa toda, fazer eleig6es no meio de uma transigao, na qual la nfo t{nhamos nem consolidados os grupos que tinham posigdes, ive nas forgas armadas. ) Geisel estava fora. Mas o general Leénidas era o seu ministro do © que disse ele sobre essa proposta de abdicagao de um ano? — Eu nao o consultei. Achei que era uma decisao politica e comu- uel ao Ulysses [Guimaraes]. le disse? — Que grande parte do partido, etodo mundo, queria quatro anos. ele no aderiu a essa campanha dos quatro anos. declaragdes do dr. Ulysses, no comeso,claramente pelos quatros anos, — Sim. No comego ele falou, porque o Tancredo [Neves] tinha uma declaragéo dizendo que eram quatro anos. senhor também prometeu quatro anos no seu discurso de posse. f s6 © Covas, por exemplo, batia muito nessa tecla. \ey — Eu disse isso, Porque eu queria seguir o que o Tancredo ti- prometido. A minha preocupagao era fazer tudo o que o Tancredo prometido, no divergir de nenhuma maneira, com a consciéncia sque 0 mandato nao era meu, era do PMDB e, portanto, do Tancredo. A. do Affonso Arinos é muito boa: “Muitos deram a vida pelo Brasil, 0 incredo deu a morte”. Entdo eu achei que devia ter lealdade, que tive até fim e até hoje com a meméria do Tancredo. Por 0 eu tinha realmente a 48 © presidente e o generat rometido quatro anos. O meu desejoera antecipar para doisanos, eal teria leicao. Nao fiz porque nao pude, e a conjuntura mudou. Nao era mais a conjuntura do Tancredo candidato, ea uma conjuntura do governo. E por isso nés tivemos que enfrentar. A politica, como dizia Bismarck, €a arte da ealidade, e vivemos com a realidade. Entio, diante da impossibilidade isso, eu marchei para os cinco anos. © fato é que essa discussio sobre 0 mandato dominou a Constituinte inteira. Sarney — Essa discussio atrapalhou de todo a Constituinte. Ela jé vinha voltada para o interesse dos candidatos que queriam eleigbes para presi- dente da Republica — [Leonel] Brizola fex-governador do Rio], Fernando Henrique, Covas, dr. Ulysses, Lula, Aureliano (Chaves, ex-vice-presidente a Repiiblica, presidente nacional do PFLJ. Bra uma Constituinte que tinha uns oito candidatos. E todos eles achavam que iam conseguir os quatro anos. Isso dominou a Constituinte e fez com que {a} Constituigao festivesse] cheia de contradicoes. E uma Constituicao hibrida. Ora achavam que era parlamentarista, ora presidenci lista, entao ficou dessa maneira. ‘O senhor instalou a chamada Comissao dos Notéveis, com cinquenta integrantes, presidida por Affonso Arinos, que fez um projeto para ser discutido na Constituinte... ‘Sarney — Era uma ideia do Tancredo, por isso eu criei. Escolhi os nomes, ‘com absoluta isencio e nenhuma intengao politica, para fazer uma grande Constituigdo, que era o meu sonho. Elesfizeram um projeto. Maso Ulysses io aceitou. O senhor recebeu esse projeto, das maos de Affonso Arinos, numa sole- nidade com pompa e honra,’ em 18 de setembro de 1986. Sarney — Dei parao Affonso Arinos a medatha do mérito brasileiro, que 6a maior medalha que tem no pais, pelo trabalho que ele tinha feito. — oe 4086 Sarney 49 ‘O veto, entao, foi do dr. Ulysses? Sarney — © Ulysses me disse que no aceitava nem esse, nem nenhum projeto de Constituigao. Se eu mandasse pra ele, ele devolveria. No fundo era porque o Ulysses queria fazer, com a Constitui¢ao, como realmente ele tentou fazer e fez, uma campanha jé da sua candidatura. Recebia delega- (gbes [.] ea Constituigéo passou a ser uma caixa de pressio, haja lobby, € -transformou-se numa bacia dasalmas. Todo mundo queria buscara raga fakangada. Tanto que, quando terminoua Constituigdo,o Ulysses me disse: *Sarney, olhe, passaram 12 milhdes de pessoas aqui durante a Constituinte, Isso mostra a participacdo.” Eu disse: “Ulysses, voce esté me preocupando ‘mais ainda com a Constituigéo. Porque. tinica que sobreviveu até nds, até “hoje, €a Constituigdo americana, que foi feita por 32 pessoas.” Achei logo {que a Constituigao era péssima, Mal redigida, nao tinha uma estrutura, jo tinha uma unidade. A verdade & que eu fui pra televiséo dizer isso... “1 que aquele projeto tornaria o pais ingoverndvel. Ali o senhor pegou pesado. “Sarney — Peguei. E disse isso na televisdo. E realmente tornou-se. O que nds estamos vendo agora € o resultado da Constituigao de 1988. Tanto que hoje nés jé temos noventa emendas constitucionais e mais 1,5 mil em _tramitac&o no Congreso. Sé isso mostra 0 quanto a Constituigio deixou “adesejar. A correcao que est sendo feita, que tentaram fazer, ndo era uma ‘correo como se fez em Portugal, para tirar os erros. Aqui ela foi submetida acedera grupos de interesse. Passou a ser mais facil fazer-se uma emenda constitucional do que fazer-se uma lei. ‘Como é que o senhor acompanhou a discussao do regimento da Consti- tuinte — que um ano depois gerou um grande impasse? Sarney —Eles izeram um regimento com o qual acreditavam que iam fazer ‘aConstituigéo s6 com aquela Comissio de Sistematizagdo, que consagrava uma minoria, ¢ 0 plendrio nao ia tera decisdo final. Isso deve ter alimen-