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FATECIE – Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do


Paraná

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KARINA SOARES DA SILVA - 5592

ORGANIZAÇÃO SOCIAL DO TRABALHO

PARANAVAÍ
2018

KARINA SOARES DA SILVA

ORGANIZAÇÃO SOCIAL DO TRABALHO


Análise Crítica da Música de Trabalho – Legião Urbana

Trabalho apresentado como requisito parcial


para obtenção de nota junto a disciplina de
Organização Social do Trabalho do curso de
Psicologia ministrada pela professora Ana
Flávia C. Conde da Faculdade de Tecnologia e
Ciências do Norte do Paraná.

PARANAVAÍ
2018
Análise Crítica
A seguir apresentamos a transcrição da letra da Música de Trabalho:
Música de Trabalho – Legião Urbana

Sem trabalho eu não E voltar pra casa pros Mas isso eu não aceito
sou nada teus braços Eu sei o que acontece
Não tenho dignidade Quem sabe esquecer E quando chega o fim
Não sinto o meu valor um pouco do dia
Não tenho identidade De todo o meu cansaço Eu só penso em
Mas o que eu tenho Nossa vida não é boa descansar
É só um emprego E nem podemos E voltar pra casa pros
E um salário miserável reclamar teus braços
Eu tenho o meu ofício Sei que existe injustiça Quem sabe esquecer
Que me cansa de Eu sei o que acontece um pouco
verdade Tenho medo da polícia Do pouco que não
Tem gente que não tem Eu sei o que acontece temos
nada Se você não segue as Quem sabe esquecer
E outros que tem mais ordens um pouco
do que precisam Se você não obedece De tudo que não
Tem gente que não E não suporta o sabemos
quer saber de trabalhar sofrimento Compositores: Dado
Mas quando chega o Está destinado a Villa-Lobos / Marcelo
fim do dia miséria Bonfa / Renato Russo
Eu só penso em Mas isso eu não aceito
descansar Eu sei o que acontece
O autor critica nossa atual sociedade, mostrando que o trabalho é essencial
para o andamento e desenvolvimento do país. O valor do trabalho é reconhecido na
narrativa, sendo o grande elo que liga a ideia de vida com dignidade e identidade, ou
seja, o trabalho seria o meio de reconhecimento social. O autor aparentemente na
letra tenta convencer o ouvinte de que o trabalho é importante como uma fonte de
satisfação, significação e realização uma vez que ele se torna um modo de ser e
expressar-se individual e socialmente. Porém, quando esse ciclo é quebrado o
resultado é sofrimento.
Inspirado em princípios econômicos capitalistas neoliberais, o trabalho é
associado à idéia de emprego, remuneração, fadiga e ao sofrimento como se pode
observar no seguinte trecho (“só um emprego”, “um salário miserável”, “eu tenho o
meu ofício” e “que me cansa de verdade”), trazendo uma valoração negativa pois
reconhece o trabalho como algo obrigatório e necessário a sobrevivência tornando-o
alienado, apenas um produtor e consumidor de capital.
No capitalismo o ser humano é excluído dos meios e dos instrumentos de
trabalho, é obrigado a vender sua força laboral embora sendo livre, o autor se coloca
no salário miserável pois assim evita um mal maior como a miséria, como pode ser
visto nos trechos (“está destinado a miséria”, “mas isso eu não aceito”). Ele tem que
se submeter para evitar a miséria com a qual não poderia conviver.
A partir dos trechos (“tem gente que não tem nada” e “e outros que tem mais
do que precisam”), (“sei que existe injustiça” e “eu sei o que acontece”) fica evidente
que o autor ele não é uma pessoa alienada, ele tem conhecimento sobre a
desigualdade social e a distribuição de renda. E retrata a realidade cotidiana nos
trechos (“eu sei o que acontece”, “se você não segue as ordens”, “se você não
obedece”, “e não suporta o sofrimento”), o trabalho deveria ser humanizador, porém
sob o modelo econômico capitalista ocorre o contrário, na forma de mercadoria ele
se torna alienante, explorador, humilhante e discriminante.
Na concepção marxiana, o trabalho não deveria ser alienado, mas digno e
que garantisse a satisfação de suas necessidades, racional e que se constituísse a
principal força na vida dos indivíduos.
Por fim, fica claro a crítica de duas formações ideológicas: a voltada para o
trabalho como fonte de dignidade e identidade social e a outra como meio de
sobrevivência e sofrimento humano. No final é dito que o autor não aceita essa
situação de monotonia, porem ele sabe que é algo necessário nos dias de hoje para
a sobrevivência, e deixar um trabalho estável pode ser um risco, já que as chances
de encontrar ou se manter em um trabalho bom, ou até mesmo retornar ao emprego
anterior pode não ser viável devido a grande concorrência. Então, tudo volta a ser
como era antes, todos os dias do mesmo jeito que o anterior.
A música nos passa basicamente isso, muito trabalho para pouco ganho, e a
reclamação do autor que não aceita isso tudo, mas não pode reclamar.
Esse personagem representa uma classe, que faz parte de uma das
minorias sociais e que,é a que mais prevalece em nosso país que são os pobres, os
que trabalham arduamente e cumprem uma fornada de 8 horas diárias, para
conseguirem se manterem, que no final do mês não é nada em meio a tantas
despesas e impostos altíssimos que são pagos.