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Introdução

INTRODUÇÃO
Patologia
Terapia
Diagnóstico
Sintoma
Mecanismo
Origem
Causa
Conseqüências e oportunidade da intervenção
Terapia
Procedimento
PROJETO OU ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA DA INTERVENÇÃO
1. Introdução
2. Serviços
3. Materiais para Reparo e Sistemas de Proteção
4. Equipamentos
5. Mão de obra
6. Licitação
CONTEÚDO DESTE MANUAL
Introdução
Autores
Paulo Helene
Enio Pazini Figueiredo

O
concreto de cimento Portland tem provado ser o material de construção
mais adequado para estruturas, supe-rando com larga vantagem outras
alternativas viáveis, como madeira, aço ou alvenaria.

Desde o início do emprego do concreto armado, em meados do século XIX, as


edificações, obras de arte, rodovias, canais, barragens e tantas outras construções
civis em concreto simples, armado ou protendido têm resistido às mais variadas
sobrecargas e ações do meio ambiente.

Embora o concreto possa ser considerado um mate-rial praticamente eterno - desde


que receba manutenção sistemática e programada - há construções que apresentam
manifestações patológicas em in-tensidade e incidência significativas, acarretando
elevados custos para sua correção. Sempre há comprometimento dos aspec-tos
estéticos e, na maioria das vezes, redução da capacidade resistente, podendo chegar,
em certas situações, ao colapso parcial ou total da estrutura.

Frente a essas manifestações patológicas observa-se, em geral, um descaso


inconseqüente, que leva a simples reparos superficiais ou, inversamente, a demolições
ou reforços injustificados. Os dois extremos são desaconselháveis, uma vez que há,
hoje em dia, conhecimento tecnológico e uma elevada gama de técnicas e produtos
desenvolvidos especificamente para solucionar problemas patológicos, conforme
alguns exemplos apresentados nas fotos 1, 2, 3 e 4.

Tendo em vista o conhecimento atual dos processos e mecanismos destrutivos que


atuam sobre as estruturas e considerando a grande evolução tecnológica dos últimos
anos – com o desenvolvimento de equipamentos e técnicas de observação de
estruturas – é perfeitamente possível diagnosticar com êxito a maioria dos problemas
patológicos.

Este Manual de Recuperação de Estruturas de Concreto foi elaborado pelos maiores


especialistas ibero-americanos1 no assunto para servir de guia técnico que oferece a
solução da maioria dos problemas enfrentados pelos arquitetos e engenheiros
trabalhando em projetar, construir, diagnosticar, supervisar e conservar as nossas
obras civis, em suma, trabalhando em manter o patrimônio construído em nossos
países.

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Contudo, o Manual não dispensa o especialista em patologia, que é quem formula o
diag-nóstico correto do problema - chave do sucesso da correção - nem prescinde
do controle de qualidade da execução propriamente dita, que deve ser efetuado por
equipes multidisciplinares de laboratórios de ensaios e controle.

Isto significa dizer que este Manual deve ser utilizado e consultado por profissionais
responsáveis que conheçam o assunto ou sejam assessorados por especialistas, de
modo a efetivamente obter o melhor resultado em suas intervenções em estruturas
de concreto que necessitem manutenção, correções, reforços ou proteção no começo
ou ao longo de sua vida útil.

Foto 1. Ruptura de pilar de ponte rodoviária por cisalhamento devido a empuxo


ocasionado por deslizamento de terra
(Curitiba, Paraná)

Para padronizar a linguagem, vale a pena recordar que a Patologia pode ser
entendida como a parte da Engenharia que estuda os sintomas, os mecanismos, as
causas e as origens dos defeitos das construções civis, ou seja, é o estudo das
partes que compõem o diagnóstico do problema.À Terapia cabe estudar a correção
e a solução desses problemas patológicos, inclusive aqueles devidos ao
envelhecimento natural. Para obter êxito nas medidas terapêuticas de correção,
reparo, reforço ou proteção, é necessário que não apenas o estudo precedente, o
diagnóstico da questão, tenha sido bem conduzido, mas principalmente que se

1
N.T.: Os especialistas referidos são representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia,
Cuba, Espanha, México, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela. A MBT/Degussa
atua diretamente ou via operações vizinhas em todos esses países.

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conheça muito bem as vantagens e desvantagens dos materiais, sistemas e cada
um dos procedimentos de recuperação de estruturas de concreto, pois para cada
situação particular existe uma melhor alternativa de intervenção.

Foto 2. Corrosão de armaduras por cloretos em apoio de ponte rodoviária de concreto em zona
marítima (Recife, Pernambuco)

Foto 3. Intervenção inadequada, na face inferior de laje, agravando ainda mais o problema inicial
Coletor de Águas Servidas e Pluviais (Montevidéu, Uruguai)

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Foto 4. Corrosão de cabos galvanizados de protensão em vigas longitudinais da superestrutura
de ponte rodoviária (Maldonado, Uruguai)

O diagnóstico adequado e completo é aquele que esclarece todos os aspectos do


problema, a saber:

Sintomas

Os problemas patológicos, salvo raras exceções, apresentam manifestação externa


característica, a partir da qual pode-se deduzir qual a natureza, a origem e os
mecanismos dos fenômenos envolvidos, assim como pode-se estimar suas
prováveis conseqüências. Esses sintomas, tambem denominados lesões, danos,
defeitos ou manifestações patológicas, podem ser descritos e classificados,
orientando um primeiro diagnóstico, a partir de minuciosas e experientes
observações visuais.

O Capítulo 2 deste manual, que apresenta um guia para diagnóstico e correção


dos problemas, indica a correspondente manifestação típica e apresenta os
possíveis diagnósticos.

Os sintomas mais comuns, de maior incidência nas estruturas de concreto, são


as fissuras, as eflorescências, as flechas excessivas, as manchas no concreto
aparente, a corrosão de armaduras e os ninhos de concretagem (segregação dos
materiais constituintes do concreto).

Conforme apresentado na Figura 1, certas manifestações têm elevada incidência


- como as manchas superficiais - embora, do ponto de vista das conseqüências
quanto ao comprometimento estrutural e quanto ao custo da correção do
problema, uma fissura de flexão ou a corrosão das armaduras sejam mais
significativas e graves.

20 Introdução
Mecanismo

Todo problema patológico, chamado em linguagem jurídica de vício oculto, vício


de construção ou dano oculto, ocorre a partir de um processo, de um mecanismo.
Por exemplo: a corrosão de armaduras no concreto armado é um fenômeno de
natureza eletroquímica, que pode ser acelerado pela

Figura 1. Distribuição relativa da incidência de manifestações patológicas em estruturas de


concreto arquitetônico.

presença de agentes agressivos externos, do ambiente, ou internos, incorporados


ao concreto.

Por exemplo, para que a corrosão se manifeste é necessário que haja oxigênio
(ar), umidade (água) e o estabelecimento de uma célula de corrosão eletroquímica
(heterogeneidade da estrutura), que só ocorre após a despassivação da armadura,
conforme se vê na Figura 2.

Figura 2. Célula de corrosão eletroquímica em concreto armado

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Conhecer o mecanismo do problema é fundamental para uma terapêutica
adequada. É imprescindível, por exemplo, saber que devem ser limitadas as
sobrecargas ou cimbrar a estrutura antes ou durante o reforço das vigas quando
as fissuras são conseqüência, por exemplo, de momento fletor. Neste caso, não
basta a injeção das fissuras, pois estas poderiam reaparecer em posições muito
próximas das iniciais.

Origem

O processo de construção e uso pode ser dividido em cinco grandes etapas:


planejamento, projeto, fabricação de materiais e componentes fora do canteiro,
execução propriamente dita e uso, esta última etapa mais longa, que envolve a
operação e manutenção das obras civis, conforme se vê na Figura 3.

Se, por um lado as quatro primeiras etapas envolvem um período de tempo


relativamente curto - em geral menos de dois anos - por outro lado, as construções
devem ser utilizadas durante períodos longos - em geral mais de cinqüenta anos
para edificações e mais de duzentos para barragens e obras de arte.

Figura 3. Etapas de produção e uso das obras civis

Os problemas patológicos só se manifestam durante a construção ou após o


início da execução propriamente dita, a última etapa da fase de produção.
Normalmente ocorrem com maior incidência na etapa de uso. Certos problemas,
como por exemplo os resultantes de reações álcali-agregados, só aparecem com
intensidade após mais de seis anos. Há casos de corrosão de armadura em lajes
de forro/piso de apartamentos que se manifestaram intensamente, inclusive com
colapso parcial, depois de apenas treze anos de uso do edifício.

Um diagnóstico adequado do problema deve indicar em que etapa do processo


construtivo teve origem o fenômeno. Por exemplo, uma fissura de momento
fletor em vigas tanto pode ter origem num projeto inadequado, quanto na

22 Introdução
qualidade inferior do aço usado; tanto na má execução com concreto de resistência
inadequada, quanto na má utilização, com a colocação sobre a viga de cargas
superiores às previstas inicialmente. Para cada origem do problema há uma terapia
mais adequada, embora o fenômeno e os sintomas possam ser os mesmos.

Cabe ressaltar que a identificação da origem do problema permite também


identificar, para fins judiciais, quem cometeu a falha. Assim, se o problema teve
origem na fase de projeto, o projetista falhou; quando a origem está na qualidade
do material, o fabricante errou; se na etapa de execução, trata-se de falha na
mão-de-obra e a fiscalização ou a construtora foram omissos; se na etapa de
uso, a falha é da operação e manutenção.

Uma elevada porcentagem das manifestações patológicas têm origem nas etapas
de planejamento e projeto, conforme mostra a Figura 4. As falhas de planejamento
e projeto são, em geral, mais graves que as falhas de qualidade dos materiais ou
de má execução. É sempre preferível investir mais tempo no detalhamento e
estudo da estrutura que, por falta de previsão, tomar decisões apressadas ou
adaptadas durante a execução.

Figura 4. Origem dos problemas patológicos com relação às etapas de


produção e uso das obras civis

Causas

Os agentes causadores dos problemas patológicos podem ser vários: cargas,


variação da umidade, variações térmicas intrínsecas e extrínsecas ao concreto,
agentes biológicos, incompatibilidade de materiais, agentes atmosféricos e otros.

No caso de uma fissura em viga por ação de momento fletor, o agente causador
é a carga - se não houver carga, não haverá fissura - qualquer que seja a origem
do problema. Já fissuras verticais nas vigas podem ter como agentes causadores
tanto a variação da umidade - retração hidráulica por falta de cura - quanto
gradientes térmicos resultantes do calor de hidratação do cimento, ou gradientes
térmicos resultantes de variações diárias e anuais da temperatura ambiente.
Evidentemente, a cada causa corresponderá uma terapia mais adequada e mais
duradoura.

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Conseqüências e oportunidade da intervenção

Um bom diagnóstico se completa com algumas considerações sobre as


conseqüências do problema no comportamento geral da estrutura, ou seja, um
prognóstico da questão. De forma geral, costuma-se separar as considerações
em dois tipos: as que afetam as condições de segurança da estrutura (associadas
ao estado limite último) e as que comprometem as condições de higiene, estética,
etc., ou seja, as denominadas condições de serviço e funcionamento da edificação
(associadas aos estados limites de utilização).

Foto 5. Recuperação de estrutura de concreto danificada por corrosão de armadura


devida a carbonatação (São Paulo, SP)

Em geral os problemas patológicos são evolutivos e tendem a se agravar com o


passar do tempo, além de acarretarem outros problemas associados ao inicial.
Por exemplo: uma fissura de momento fletor pode dar origem à corrosão de
armadura; flechas excessivas em vigas e lajes podem acarretar fissuras em
paredes e deslocamentos em pisos rígidos apoiados sobre os elementos fletidos
(vide fotos 5 e 6).

Pode-se afirmar que as correções serão mais duráveis, mais efetivas, mais fáceis
de executar e muito mais econômicas quanto mais cedo forem ejecutadas. A
demostração mais expressiva desta afirmação é a chamada «lei de Sitter» que
mostra os custos crescendo segundo uma progressão geométrica.

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Foto 6. Corrosão de armaduras por ação de cloretos em ponte rodoviária (Mongaguá, Brasil)

Dividindo as etapas construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes


ao projeto, à execução propriamente dita, à manutenção preventiva efetuada
antes dos cinco primeiros anos e à manutenção corretiva efetuada após o
surgimento dos problemas, a cada uma corresponderá um custo que segue uma
progressão geométrica de razão cinco, conforme indicado na Figura 5.

Figura 5. Lei de evolução de custos, lei de Sitter (Sitter, 1984 CEB RILEM)

Uma interpretação adequada de cada um desses períodos ou etapas de obra


pode ser a seguinte:

Projeto: toda medida tomada a nível de projeto com o objetivo de aumentar a


proteção e a durabilidade da estrutura, como por exemplo, aumentar o cobrimento
da armadura, reduzir a relação água/cimento do concreto, especificar tratamentos
protetores superficiais, escolher detalhes construtivos adequados, especificar
cimentos, aditivos e adições com características especiais e outras, implica um

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custo que pode ser associado ao número 1 (um) do eixo Custo Relativo no gráfico
da Figura 5.

Execução: toda medida extraprojeto, tomada durante a execução propriamente


dita, incluindo nesse período a obra recém-construída, implica um custo 5 (cinco)
vezes superior ao custo que teria sido acarretado se esta medida tivesse sido
tomada a nível de projeto, para obter-se o mesmo «grau» de proteção e
durabilidade da estrutura. Um exemplo típico é a decisão em obra de reduzir a
relação água/cimento do concreto para aumentar sua durabilidade e a proteção
à armadura. A mesma medida tomada durante o projeto permitiria o
redimensionamento automático da estrutura, considerando um concreto de
resistencia à compressão mais elevada, de menor módulo de deformação, de
menor deformação lenta e de maiores resistências a baixas idades. Essas novas
características do concreto acarretariam a redução das dimensões dos
componentes estruturais, economia de fôrmas, redução de taxa de armadura,
redução de volumes e peso próprio, etc. Esta medida tomada em obra, apesar de
eficaz e oportuna do ponto de vista da durabilidade, não mais pode proporcionar
alteração para melhor dos componentes estruturais que já foram definidos
anteriormente no projeto estrutural e portanto pode representar um custo 5
vezes maior.

Manutenção preventiva: toda medida tomada com antecedência e previsão,


durante o período de uso e manutenção da estrutura, pode ser associada a um
custo 5 (cinco) vezes menor que aquele necessário para a correção dos problemas
gerados a partir de uma intervenção não prevista tomada diante de uma
manifestação explícita e irreversível de uma patologia qualquer. Ao mesmo tempo
estará associada a um custo 25 (vinte e cinco) vezes superior àquele que teria
acarretado uma decisão de projeto para obtenção do mesmo «grau» de proteção
e durabilidade da estrutura. Como exemplo pode-se citar a remoção de fuligem
ácida e a limpeza das fachadas, estucamento e/ou reestucamento das superfícies
aparentes, pinturas com vernizes e hidrofugantes, renovação ou construcción de
rufos, pingadeiras, beirais, «brise soleils» e outras medidas de proteção.

Manutenção corretiva: corresponde aos trabalhos de diagnóstico, pronóstico,


reparo e proteção das estruturas que já apresentam manifestações patológicas,
ou seja, correção de problemas evidentes. A estas atividades pode-se associar
um custo 125 (cento e vinte e cinco) vezes superior ao custo das medidas que
poderiam ter sido tomadas a nível de projeto e que implicariam um mesmo
«grau» de proteção e durabilidade que se estime da obra a partir da correção.

Segundo SITTER, colaborador do CEB-FIP (Comité Euro-Internacional du Béton),


formulador dessa lei de custos amplamente citada em bibliografias específicas
da área, adiar uma intervenção significa aumentar os custos diretos em progressão
geométrica de razão 5 (cinco), o que torna ainda mais atual o conhecido ditado
popular: «não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje», por cinco a cento
e vinte cinco vezes menos.

Terapia

As medidas terapêuticas de correção dos problemas tanto podem incluir

26 Introdução
pequenos reparos localizados, como uma recuperação generalizada da estrutura,
ou reforços de fundações, pilares, vigas e lajes. É sempre recomendável que,
após uma das intervenções citadas, sejam tomadas medidas de proteção da
estrutura, com implantação de um programa de manutenção periódica. Esse
programa de manutenção deve levar em conta a vida útil prevista, a agressividade
das condições ambientes de exposição e a natureza dos materiais e medidas
protetoras adotadas.

Procedimento

A escolha dos materiais e da técnica de correção a ser empregada depende do


diagnóstico do problema, das características da região a ser corrigida e das
exigências de funcionamento do elemento que vai ser objeto da correção. Por
exemplo: nos casos de elementos estruturais que necessitam serem colocados
em carga após algumas horas da execução do reparo, pode ser necessário e
conveniente utilizar sistemas de base epóxi ou poliéster. Nos casos de prazos um
pouco mais dilatados (dias), pode ser conveniente utilizar argamassas e grautes
de base mineral e, em condições normais de solicitação (após vinte e oito dias),
os materiais podem ser argamassas e concretos adequadamente dosados (vide
fotos 7 e 8).

Foto 7. Reparo localizado em viga de fachada Foto 8. Reparo localizado em base de pilar
danificada por corrosão de armadura devida a danificado por corrosão de armadura devida
carbonatação (Mérida, México) a cloretos (Havana, Cuba)

PROJETO OU ESPECIFICAÇÃO TÉCNICA DA INTERVENÇÃO

Considera-se que o projeto ou especificação técnica de uma intervenção é a


chave do sucesso de uma recuperação estrutural de concreto.

A título de exemplo, um bom projeto de recuperação deverá considerar as


seguintes etapas:

1 INTRODUÇÃO

2 SERVIÇOS

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2.1 Reparos localizados
• Localização e definição das áreas para inspeção
• Retirada das armaduras de pele
• Escarificação do concreto e delimitação com disco de corte
• Limpeza das armaduras
• Reconstituição da seção da estrutura
2.2 Reparo superficial
• Preparo do substrato
• Reconstituição da seção
• Cura
2.3 Reparo profundo
• Fôrmas
• Saturação do substrato
• Reconstituição da seção
• Retirada de fôrmas e acabamento do reparo
• Cura
3 MATERIAIS DE REPARO E SISTEMAS DE PROTEÇÃO SUPERFICIAL

3.1 Argamassa de Reparo


• Especificação técnica
• Controle de recepção
• Armazenagem
• Cuidados no manuseio, mistura e preparo
3.2 Graute
• Especificação técnica
• Controle de recepção
• Armazenagem
• Cuidados no manuseio, mistura e preparo
4 EQUIPAMENTOS

4.1 Disco de corte para concreto


4.2 Rompedor mecânico
4.3 Jateamento de agua
4.4 Jateamento abrasivo (com areia) úmido
4.5 Jateamento de ar
4.6 Pulverizador (de água)
4.7 Misturador de argamassa

28 Introdução
4.8 Misturador de graute
4.9 Pulverizador para hidrofugante
5 MÃO-DE-OBRA

5.1 Distribuição das etapas do serviço


5.2 Responsabilidades, cargo e qualificação dos profissionais
• Engenheiro
• Encarregado Geral
• Encarregado dos serviços
• Encarregado da escarificação e preparo do substrato
• Encarregado do acabamento do reparo
• Encarregado do tratamento superficial
• Encarregado da aplicação do sistema de proteção
• Encarregado dos procedimentos especiais
• Técnico
• Demais profissionais
6 LICITAÇÃO

6.1 Planilha de quantitativos dos serviços


6.2 Elementos para a licitação
Serviços

Nesta seção são apresentados os tipos e as especificações para a realização dos


serviços de reparo localizado, tratamento de fissuras, regularização de juntas e
proteção do concreto.

Considerando o diagnóstico e o prognóstico das manifestações patológicas e as


recomendações dadas na primeira fase dos trabalhos, define-se que:

• os reparos devidos a armaduras corroídas, ninhos de concretagem e


desníveis deverão ser feitos localizadamente;
• as juntas de concretagem serão desbastadas e reparadas, caso
necessário;
• o tratamento e proteção de toda a superfície aparente do concreto será
especificado com o objetivo de impedir o acesso do dióxido de carbono,
oxigênio e água, detendo o avanço da frente de carbonatação e demais
fatores responsáveis pelo início e propagação da corrosão da armadura
e pela lixiviação da superfície;
• o tratamento superficial e a proteção do concreto aparente não deve
alterar o aspecto visual da edificação.
Materiais para reparo e sistema de proteção

Nesta seção são apresentadas as características e propriedades básicas dos

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materiais que deverão ser empregados nos serviços de reparo e proteção. Poderá
ser empregado qualquer material dentre os disponíveis no mercado, considerando
que as características dos materiais especificadas no projeto têm que corresponder
a produtos já consagrados pelo meio técnico e com eficácia comprovada em
condições semelhantes de aplicação e exposição. A qualidade dos materiais e
sistemas é de responsabilidade dos fabricantes e fornecedores que deverão
garanti-la formalmente.

Para cada material e sistema são abordados os seguintes tópicos principais:

• Especificações técnicas: É feita uma descrição sucinta do material,


presentando-se a composição básica e estabelecendo-se requisitos
mínimos de caracterização e desempenho do mesmo.
• Controle de recepção: São definidos os parâmetros e ensaios para
o controle de recepção dos materiais, estabelecendo-se os critérios
de aceitação/rejeição, tamanho dos lotes e critérios de amostragem.
• Acopio: São indicados os cuidados que deverão ser tomados no acopio
dos materiais.
• Cuidados no manuseio, mistura e preparo: São descritos os procedimentos
que deverão ser tomados durante o manuseio, mistura e preparo dos
materiais, visando a obtenção das suas características ótimas pela
obediência aos aspectos funcionais e de segurança.
equipamentos

Nesta seção são apresentados os equipamentos básicos necessários para a


execução dos serviços de reparo e proteção de concreto armado. São indicados
o uso e as principais características técnicas requeridas para o emprego adequado
dos equipamentos.

mão-de-obra

Nesta seção é apresentada uma «orientação» para a distribuição dos equipamentos


e qualificação da mão-de-obra para a execução dos serviços de reparo e proteção
das estruturas de concreto armado, tendo como principais objetivos facilitar o
controle de execução e garantir uma maior qualidade dos serviços, assim como
as responsabilidades do pessoal, incluindo a Fiscalização.

licitação

Nesta seção são apresentados subsídios básicos para a elaboração do Edital de


Licitação pelo Interessado, sendo detalhadas as planilhas com as estimativas
dos quantitativos dos serviços de recuperação da estrutura.

CONTEÚDO DESTE MANUAL

No Capítulo 1 são apresentados de forma ampla, incluindo os conceitos de durabilidade


e vida útil, as ações que atuam sobre as estruturas de concreto durante sua existência,

30 Introdução
considerando cargas e ações ambientais.

O Capítulo 2 foi organizado de forma tal que ajude na elaboração do diagnóstico


frente as manifestações pato-lógicas usuais, indicando também as alternativas mais
adequadas para a correção dos problemas. Por tratar-se de uma orientação geral,
evidentemente não foi possível analisar aspectos específicos de um determinado
problema ou obra, que deverão ser tratados em suas particularidades pelo especialista
responsável.

O tema do Capítulo 3 é a orientação para a seleção da intervenção que fornece as


diretrizes mais importantes que deverão ser levadas em conta para a escolha de
uma solução.

No Capítulo 4 é apresentada uma descrição geral da natureza dos principais materiais


e sistemas utilizados em repa-ros, reforços e proteção de estruturas de concreto.
Por fim, são resumidos os produtos existentes, descrevendo-se suas características
principais e usos recomendados, com o objetivo de auxi-liar os profissionais na
seleção do produto ou sistema mais adequado para uma determinada situação.
Cabe recordar que, para um mesmo problema pato-lógico, pode haver mais de uma
solução.

Os procedimentos para reparo e limpeza do subs-trato são apresentados no Capítulo


5. Considera-se convenien-te destacar a importância destes procedimentos, não
apenas porque influem no processo da recuperação, mas também porque muitas
vezes não são do conhecimento dos profissionais. Neste capítulo são descritos os
proce-dimentos para a eliminação de graxa, descontaminação do substrato, limpeza
de chapas metálicas ou queima controlada da superfície do concreto.

No Capítulo 6 são apresentados os procedimentos usuais para reparar estruturas de


concreto. Por razões didáticas, as correções foram apresentadas considerando-se
apenas um problema patológico. Na prática, a recuperação de uma estrutura
dete-riorada pode abarcar um número elevado de problemas e alternativas de
soluções, e portanto para encontrar a solução adequada será necessário consultar
vários pontos, conciliando de maneira planejada e inteligente cada um dos
proce-dimentos indicados.

No Capítulo 7 são apresentadas as alternativas possíveis de intervenção em estruturas


danificadas por corrosão de armaduras, discutindo-se as vantagens e desvantagens
de cada uma delas.

O Capítulo 8 foi totalmente dedicado à apresentação de soluções de reforço de


estruturas de concreto, discutindo em separado os reforços mais comuns para pilares,
lajes, vigas e paredes de concreto.

O Capítulo 9 descreve os mecanismos de degradação da superfície do concreto, a


natureza e característica dos principais produtos utilizados para a proteção de tais
superfícies, assim como as técnicas de aplicação e os parâmetros para a manutenção
preventiva e corre-tiva das fachadas, pisos e demais superfícies expostas de concreto,
o denominado concreto aparente. É também apresentada uma discussão teórico-
prá-tica de como pode ser planejada uma correção dos problemas patológicos
derivados da corrosão das armaduras, que por sua vez é atualmente, a manifestação

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de maior incidência nas obras e, sem dúvida, uma das intervenções mais caras em
obras acabadas.

No Capítulo 10 o especialista poderá consultar a lista mais completa de composição


de preços unitários dos 80 principais procedimentos de recuperação de estruturas.
Com esta contribuição, a Red Rehabilitar espera estar contribuindo para valorizar e
uniformizar os trabalhos de recuperação de estruturas, auxiliando os profissionais a
ter uma idéia razoável do orçamento de uma obra de recuperação de estrutura de
concreto.

No Capítulo 11 são apresentados os conceitos e a prática com exemplos de como


implantar um sistema confiável de controle de qualidade em um serviço de
recuperação de estrutura de concreto. Considerando a pouca quantidade e qualidade
de documentos normativos a respeito do assunto, são também apresentados os
critérios adequados para a recepção de materiais, sistemas, serviços e trabalhos de
recuperação de estruturas.

O Capítulo 12 apresenta um primeiro esforço de construção de um glossário na


área de diagnóstico e recuperação estrutural de concreto.

O Manual termina reafirmando a importância de que em todas as intervenções haja


um projeto ou especificação técnica da solução e apresentando a bibliografia básica
recomendável para estudos de recuperação estrutural de concreto.

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