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Arquitetura Grécia helenística

Até a fase clássica, os arquitetos gregos encaravam cada construção como


uma unidade completa em si mesma e, como tal, destacada das demais. No
período helenístico (entre os anos 300 e 100 a.C.), tal tendência
desapareceu e os arquitetos, acostumados a projetar novas cidades,
buscaram o complexo arquitetônico, que realizaram em sítios como Cós,
Pérgamo, Antioquia, Selêucia e Magnésia. Foi a época do desenvolvimento
do urbanismo: os pórticos multiplicaram-se e as ruas cruzaram-se em
ângulo reto, freqüentemente flanqueadas por colunatas. O plano das ágoras
(praças) tornou-se regular, com construções consagradas às reuniões
populares. Também nessa época o conjunto passou a ofuscar o detalhe,
como se observa nos templos elaborados por Cossúcio (o de Zeus, em
Atenas) e Hermógenes (o de Ártemis, na Magnésia), ou no grande altar de
Pérgamo.

O interesse deslocou-se para os edifícios seculares ou semi-seculares, como


deambulatórios (colunatas de Priene, Pérgamo e Atenas), assembléias
(Mileto) ou bibliotecas (Pérgamo), sem falar nos palácios, vilas e
residências. As residências do período helenístico são de proporções
modestas, mas a partir do século III a.C. tornaram-se luxuosas. As peças são
dispostas em torno de um pátio central com peristilo dórico, e decoração
em pintura, estuque e mosaico. A construção dos teatros modificou-se:
desapareceu o coro e o proscênio aumentou com uma parede de fundo
decorada.

O contato com as arquiteturas não-helênicas (do Egito, Síria, Mesopotâmia)


levou à produção de novos tipos arquitetônicos, com o que se enriqueceu o
repertório ornamental. As ordens gregas atingiram a Pérsia e mesmo a
Índia, fundindo-se em muitas ocasiões aos estilos locais. À ornamentação de
cunho vegetal juntou-se, por necessidade rítmica, a de base animal, e não
raro os ornamentos foram concebidos como réplicas realistas de objetos do
culto (guirlandas, peças rituais). Na era cristã, a basílica helenística foi a
mais usada até o século V. No início do século VI surgiu a igreja de cúpula e
planta grega. Antes livre, a planta cruciforme passou a ser inserida em
paredes retangulares, com muros externos octogonais. Seu apogeu
verificou-se nos séculos XI e XII, com o uso de quatro cúpulas, uma em cada
braço da cruz.

Na época da hegemonia helenística (século III a.C.), a construção, que


conservou as formas básicas do período clássico, alcançou o ponto máximo
de suntuosidade. As colunas de capitéis ricamente decorados sustentavam
frisos trabalhados em relevo, exibindo uma elegância e um trabalho
dificilmente superáveis.

Pérgamo, na Ásia Menor, apresenta uma sucessão de edifícios grandiosos


destinados aos serviços públicos, como os palácios reais, biblioteca, teatro,
pórticos, templos e altares. O altar de Zeus, famoso pelo seu friso
esculturado, encontra-se no museu de Berlim.
Nessas regiões, a arquitetura grega aceitou as técnicas do arco e da
abóbada (influência mesopotâmica) convivendo com a antiga solução da
platibanda. A dualidade do espírito clássico e da reação contra ele,
modificou as formas arquitetônicas, agora ampliadas, nervosas, confusas e
movimentadas.
Aos edifícios característicos da fase anterior, acrescentaram-se os palácios
reais, as sedes administrativas das municipalidades (beleutérios), altares
gigantescos, túmulos monumentais, banhos públicos, museus (casa das
musas) e as bibliotecas – todos, produtos de novas necessidades coletivas.
Nas obras deste terceiro período reconhecemos a busca do suntuoso e do
monumental, que no período clássico inexistia.

Pérgamo
1) Cidade traçada segundo uma quadrícula regular. 2) Pórticos. 3) Templo de
Dionísio. 4) Teatro.
5) Altar de Zeus. 6) Templo de Atena. 7)Biblioteca. 8)Arsenais 9) Palácio real.

Pérgamo,( atual Bergama, na Turquia) é uma antiga cidade grega que


situava-se na Mísia, no noroeste da Anatólia, a uma distância de mais de 20
km do Mar Egeu, numa colina isolada do vale do Rio Caicos (atual Bakırçay).

Existiu desde o século V a.C., mas apenas no período helenístico tornou-se


importante, por ter sido sede da dinastia atálida.
Possuía uma biblioteca de prestígio que perdia em importância apenas para
a Biblioteca de Alexandria; sua tradição era tamanha que o nome de
Pérgamo batizou o pergaminho.

Biblioteca de Pérgamo
A Biblioteca de Pérgamo, construída pelo rei Átalo I (-241/197) ou por seu
sucessor, Eumenes II (reinou entre -197 e -159), chegou a ter quase
200.000 volumes (Plu. Ant. 58). O declínio da Biblioteca começou em -133,
quando Pérgamo passou para o domínio romano.Fisicamente, a biblioteca
compreendia uma grande sala de leitura, com cerca de 180 m2, muito bem
ventilada, com prateleiras em todos os lados e uma estátua de Atena no
centro. Calcula-se que uma sala desse tamanho abrigaria, no máximo, cerca
de 17.000 rolos. Os textos, escritos em papiro e em pergaminho — a
palavra "pergaminho", aliás, deriva de "Pérgamo" — a partir do século -II,
ficavam enrolados nas prateleiras.

História • A biblioteca de Pérgamo foi uma das mais célebres da


Antiguidade, competindo em importância com a de Alexandría. Da mesma
forma que outras dinastias do período helenístico, os reis de Pérgamo foram
grandes protetores da cultura e da arte.
Grandes colecionadores de arte, brilharam especialmente pelo seu carácter
bibliófilo, rivalizando com os Ptolomeus no Egito. A sua grande ambição foi
transformar a sua capital, Pérgamo, numa cidade como Atenas na época de
Péricles.
O rei de Pérgamo, Atalo I Soter, foi o fundador da biblioteca e o seu filho
Eumenes II foi quem a engrandeceu e fomentou; chegou a reunir até
200.000 volumes (outras fontes falam em 300.000).
Ali se estabeleceu uma escola de estudos gramaticais, como tinha sucedido
em Alexandria, mas com uma corrente diferente. Enquanto que em
Alexandria se especializaram em edições de textos literários e crítica
gramatical, em Pérgamo inclinaram-se mais para a filosofia, sobretudo a
filosofia estóica, em busca da lógica em vez de fazerem análise filológica.
Invenção do Pergaminho
Os volumes de Pérgamo eram copiados num material chamado pergaminho,
inventado e ensaiado precisamente nesta cidade.
Inicialmente os livros eram de papiro mas, segundo a lenda, Alexandria
deixou de abastecer Pérgamo desta matéria prima, para evitar que a
biblioteca pudesse chegar a fazer sombra à de Alexandria quanto ao
número de volumes.
Os historiadores asseguram que a escolha do pergaminho foi
completamente voluntária e tal ficou a dever-se ao facto de este ser um
material mais fácil de guardar e de maior durabilidade.