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A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra

Auto dos Físicos


de Gil Vicente

SESSÕES PARA O PÚBLICO ESCOLAR


Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo
23 e 24 de Outubro de 2018
terça e quarta-feira, 11h00 ou 15h00

Auto chamado dos físicos,


no qual se tratam uns graciosos amores de um Clérigo

Escrito e representado pela primeira vez entre 1519 e 1524, o Auto dos Físicos encerra o livro das farsas na
“Copilaçam” de 1562 mas viria a ser excluído, pela censura da Inquisição, na edição de 1586.
Acredita-se, pelo tom chocarreiro e pelo burlesco que a caracterizam, que foi representada em época de Carnaval.
Um padre “morre” de um amor não correspondido e quatro médicos (os “físicos”) visitam-no à vez, sugerindo
estapafúrdios remédios. Brásia Dias, a comadre que primeiro o tenta ajudar, um moço transformado em (fraco)
alcoviteiro e um padre confessor que compreende “bem demais” o sofrimento do seu colega completam o leque de
personagens desta divertida farsa, rematada por uma “ensalada” vicentina, com referências a outras peças do autor e a
elementos do cancioneiro tradicional.
A peça apresenta caricaturas de pessoas concretas – os quatro físicos correspondem a pessoas que realmente
existiam e que o público facilmente reconhecia – mas é também, como quase toda a obra de Vicente, um retrato da
corte, da Igreja e da sociedade portuguesas do século XVI em Portugal.

[Uma] bufonada de franca


imoralidade de carnaval.
Carolina Michaelis de Vasconcellos,
“Notas vicentinas. Preliminares de uma
edição crítica das Obras de Gil Vicente.
Coimbra: Imprensa da Universidade, 1912.

Físicos foi teatro sem encomenda. Fez-


se pelo prazer de pôr em acto,
assumir desvarios, jogar com os
desdobramentos.
Maria Jorge,
“Físicos”, in Osório Mateus (dir.), Cadernos
Vicentinos. Lisboa: Quimera, 1991.

Nesta obra descobrimos o palpite verdadeiro da sociedade portuguesa de Quinhentos. Como acontece
sempre nos autos vicentinos, por trás do disfarce da sátira e do exagero, assomam os rostos verdadeiros
das pessoas que viveram naquele tempo, com os seus vícios e as suas virtudes, com a sua ignorância e
com a sua ciência, com os seus amores e os seus ódios... É o seu sentido de humor que nos faz rir, é o
seu sofrimento que nos dói, e é por isso que os compreendemos e os amamos como se estivessem vivos.
Juan M. Carrasco González,
“A Farsa dos Físicos”, Ensaios Vicentinos. Coimbra: A Escola da Noite, 2013; pp. 115-127.
Gil Vicente e A Escola da Noite
Gil Vicente ocupa no reportório da companhia um papel central – 13 dos 66 espectáculos que estreámos desde a fundação, em
1992, foram construídos a partir dos seus textos, no âmbito de um contínuo trabalho de pesquisa e experimentação dramatúrgica
em torno do universo vicentino.
Mas ele é bem mais do que o autor que mais vezes visitámos. Assumimo-lo como matriz estruturante para o desenvolvimento do
nosso próprio processo criativo, mesmo quando trabalhamos outros autores, mesmo quando funcionamos em laboratório interno.
A experimentação e a inovação, a introdução de novas fórmulas, o despojamento cenográfico, bem como a poesia, a musicalidade e
fisicalidade mais ou menos explícitas nos seus textos e a forma como estes permitem valorizar a expressividade e a
comunicabilidade dos actores perante o público fazem de Gil Vicente um autor profundamente contemporâneo no qual nos
revemos e com o qual nos identificamos. Mais até do que na também presente e importante sátira social, inevitavelmente datada,
que tantas vezes é sobrevalorizada ou abusivamente transposta para os nossos dias, como se não tivessem passado 500 anos.
Mantemos com a obra vicentina uma relação de profunda mas dessacralizada admiração – o respeito incondicional pelo texto
original não é, por isso, incompatível com uma desassombrada transposição cénica, onde, de forma clara e consciente, assumimos
riscos e opções estéticas e introduzimos elementos de contemporaneidade, evitando quer a tentativa de fazer reconstituições
históricas, quer a “actualização” das obras.
Ao longo de 26 anos, construímos o que podemos chamar o nosso próprio corpus vicentino (que continua a ser alargado),
constituído pelos 14 textos que trabalhámos mais aprofundadamente até ao momento, mesmo que nem todos tenham sido levados
à cena na íntegra: “Auto da Índia”, “Comédia sobre a divisa da cidade de Coimbra”, “Farsa de Inês Pereira”, “Auto da visitação”, “O
velho da horta”, “Floresta de enganos”, “Auto da Lusitânia”, “Auto dos Físicos”, “Pranto de Maria Parda”, “O juiz da Beira”, “Farsa
dos almocreves”, “Tragicomédia pastoril da Serra da Estrela”, “Quem tem farelos?” e “Auto da Barca do Inferno”.

ESPECTÁCULOS
Auto da Índia, enc. Rogério de Carvalho (1993); Comédia Sobre a Divisa da Cidade de Coimbra, enc. Nuno Carinhas (1993); Farsa de Inês
Pereira, enc. Sílvia Brito (1994); Uma Visitação, enc. António Augusto Barros e José Vaz Simão (1995); Pranto, enc. António Augusto Barros (1998);
Auto da Visitação e outras cousas que por cá se fizeram, enc. António Augusto Barros (2002); Almocreves e outras cousas que em Coimbra
se fizeram em 1527, enc. Sílvia Brito (2003); O Juiz da Beira: aula prática, enc. António Augusto Barros (2003); Ensalada, enc. António Augusto
Barros (2005); Auto da Índia: aula prática, direcção artística de António Augusto Barros, António Jorge, Sílvia Brito e Sofia Lobo (2007); Bonecos &
Farelos, enc. António Jorge (2008); Auto dos Físicos, enc. António Augusto Barros (2014); Embarcação do Inferno, enc. António Augusto Barros e
José Russo, co-produção com Cendrev (2016)

ACÇÕES DE FORMAÇÃO oficina “Uma Aula Vicentina” (três edições); oficina “Embarcação do Inferno” (sete edições), destinadas a professores do
ensino básico e do ensino secundário
EDIÇÕES “Ensaios Vicentinos”. Coimbra: A Escola da Noite, 2003.
OUTRAS ciclo de conferências-espectáculo “Ensaios Vicentinos” (Coimbra, Oficina Municipal do Teatro, 2003); ciclo de conferências “Gil Vicente no
seu tempo e no nosso tempo”, com José Augusto Cardoso Bernardes (2016-2018, 10 localidades portuguesas)

Auto dos Físicos


de Gil Vicente

encenação António Augusto Barros elemento cénico João Mendes Ribeiro figurinos e adereços Ana Rosa Assunção interpretação Filipe
Eusébio, Igor Lebreaud, Maria João Robalo, Miguel Magalhães, Sofia Lobo luz Rui Valente som Zé Diogo vídeo Eduardo Pinto apoio vocal
Sofia Portugal co-produção A Escola da Noite / Ordem dos Médicos
M/12 > 50' (aprox.)

Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo

sessões para o público escolar (mediante reserva prévia)


23 e 24 de Outubro de 2018
terça e quarta-feira, 11h00 ou 15h00
condições de acesso
– € 3,00 por aluno; entrada gratuita para professores acompanhantes e alunos abrangidos pelo escalão A da ASE;
–  A Escola da Noite disponibiliza materiais de apoio sobre o autor e/ou a própria peça aos professores que o
solicitem;
– No final de cada sessão, a equipa criativa do espectáculo está disponível para realizar conversas informais com os
alunos e/ou visitas guiadas ao Teatro da Cerca de São Bernardo.

informações e reservas
A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo, 3000-097 COIMBRA
geral@aescoladanoite.pt, telef. 239 718 238 / 966 302 488, www.aescoladanoite.pt / weblog.aescoladanoite.pt