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Preparatório para Técnico Legislativo – ALERS – Direito Administrativo

Aula 00 – Atos administrativos


Prof. Fabiano Pereira

AULA DEMONSTRATIVA

Direito Administrativo
Atos Administrativos

Professor Fabiano Pereira

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Preparatório para Técnico Legislativo – ALERS – Direito Administrativo
Aula 00 – Atos administrativos
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Aula 00 – ATOS ADMINISTRATIVOS

Olá!

Seja bem-vindo(a) à AULA DEMONSTRATIVA do curso de Direito


Administrativo (teoria e exercícios) preparatório para o concurso da
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul – ALERS mais precisamente para o
cargo de Técnico Legislativo.
Como a FUNDATEC foi a banca escolhida para realizar o próximo
concurso, nada mais prudente do que conhecer a fundo a forma de abordagem
da banca em relação aos principais tópicos do Direito Administrativo, o lhe
proporcionará a prerrogativa de gabaritar a prova, assegurando todos esses
preciosos pontos!
Em nosso curso será apresentada toda a parte teórica que consta no
último edital, relações de questões comentadas, Resumo de Véspera de
Prova (contendo os pontos cruciais que devem ser recordados pelo candidato)
e diversos exercícios de fixação do conteúdo (apenas com o gabarito), o que
o tornará um verdadeiro especialista em Direito Administrativo!
Desde já, quero deixar claro o seguinte: é imprescindível resolver
o maior número possível de questões aplicadas em concursos
anteriores, pois as bancas têm o hábito de elaborar provas muito
semelhantes. Assim, todas as questões apresentadas durante o curso
devem ser obrigatoriamente resolvidas, preferencialmente duas vezes
(se possível, é claro!).
Lembre-se de que as aulas serão desenvolvidas com base nas
questões aplicadas em concursos anteriores e com fundamento nos
tópicos que possuem maior probabilidade de cobrança na prova de
Direito Administrativo. Ademais, também serão apresentados os
entendimentos do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal
Federal em relação aos tópicos mais controversos.

Vamos então iniciar os estudos?

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A propósito, muito prazer, meu nome é


Fabiano Pereira e atualmente exerço o cargo de
Analista Judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo. Todavia, atualmente
estou na condição de removido para o TRE/MG,
onde exerço as minhas funções. Paralelamente às
atribuições desse cargo público, também ministro
aulas em universidades e cursos preparatórios para
concursos públicos em várias cidades brasileiras.

Aqui no Ponto dos Concursos, ministro cursos teóricos e de exercícios


na área do Direito Administrativo e Direito Eleitoral.
Nesses últimos anos, tive a oportunidade de sentir “na pele” a deliciosa
sensação de ser nomeado em razão da aprovação em vários concursos
públicos.
Entretanto, sou obrigado a confessar que a minha realização profissional
está intimamente atrelada à docência. A convivência virtual ou presencial com
os alunos de todo o país e a possibilidade de abreviar o caminho daqueles que
desejam ingressar no serviço público é o que me inspira no cotidiano.
Assim, tenho procurado reservar um tempinho para uma de minhas
grandes paixões: escrever para candidatos a concursos públicos.
Até o momento, foram publicados pela Editora Método os seguintes livros
de minha autoria:

Esses livros possuem uma linguagem acessível, objetiva e direta,


abordando o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo
Tribunal Federal em relação aos temas mais importantes do Direito
Administrativo e Eleitoral. Vale à pena conferir!

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Use e abuse do nosso fórum de dúvidas, enviando-nos todos os


questionamentos que surgirem durante os seus estudos. Lembre-se de que o
objetivo deste curso é garantir que você consiga uma excelente produtividade
na prova!
Se você possui alguma dificuldade nessa disciplina, eis a grande
oportunidade de superá-la de uma vez por todas, facilitando, assim, a sua
gratificante jornada rumo à aprovação na ALERS.

Caso você ainda tenha alguma dúvida sobre a organização ou


funcionamento das aulas de Direito Administrativo, fique à vontade para
esclarecê-las através do e-mail fabianopereira@pontodosconcursos.com.br.

Ah, inscreva-se no meu canal do Youtube para ter acesso a


dezenas de cursos, gratuitos, de Direito Eleitoral e Direito
Administrativo. O endereço da página é: Professor Fabiano Pereira

https://www.youtube.com/channel/UC1YEcia-RD3icTwWx5ZBjzw

Até a próxima aula!

Fabiano Pereira

"Direcione sua visão para o alto, quanto mais alto, melhor. Espere que as mais
maravilhosas coisas aconteçam, não no futuro, mas imediatamente. Perceba
que nada é bom demais para você. Não permita que absolutamente nada te
impeça ou te atrase, de modo algum."
(Eileen Caddy)

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SUMÁRIO

1. Considerações iniciais ............................................................. 06

2. A distinção entre atos administrativos, fatos da Administração


Pública, atos da Administração Pública e fatos administrativos
2.1. A expressão “atos da Administração” ........................... 08
2.2. A expressão “fatos da Administração” .......................... 08
2.3. A expressão “fatos administrativos” ............................. 09
3. Conceito ................................................................................... 10

4. Elementos ou requisitos do ato administrativo ......................... 12


4.1. Competência ou sujeito ................................................. 12
4.2. Finalidade ..................................................................... 14
4.3. Forma ........................................................................... 15
4.4. Motivo ........................................................................... 16
4.5. Objeto ou conteúdo ....................................................... 19
5. Atributos do ato administrativo ................................................ 20
5.1. Presunção de legitimidade ............................................ 20
5.2. Imperatividade ............................................................. 22
5.3. Autoexecutoriedade ...................................................... 23
5.4. Tipicidade ..................................................................... 24
6. Classificação dos atos administrativos ..................................... 25

7. Espécies de atos administrativos ............................................. 33

8. Extinção dos atos administrativos ............................................ 37

9. Convalidação de atos administrativos ...................................... 45

10. Revisão de véspera de prova – “RVP” .................................... 47

11. Questões comentadas ............................................................ 50

12. Relação de Questões Comentadas........................................... 82

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ATOS ADMINISTRATIVOS

1. Considerações iniciais

Ao exercer a função administrativa com o objetivo de satisfazer as


necessidades coletivas primárias, a Administração Pública utiliza-se de um
mecanismo próprio, que lhe assegura um conjunto de prerrogativas
necessárias ao alcance das finalidades estatais: o denominado regime
jurídico-administrativo.
É o regime jurídico-administrativo que garante à Administração Pública a
possibilidade de relacionar-se com os particulares em condição de
superioridade, podendo impor-lhes decisões administrativas
independentemente da concordância ou da aquiescência, pois são necessárias
ao alcance das finalidades estatais.
Com o intuito de materializar as funções administrativas, ou seja, para
realmente colocar em prática a vontade da lei, a Administração irá editar várias
espécies de atos, cada um com uma finalidade específica, a exemplo de uma
portaria, um decreto de nomeação de servidor, uma ordem de serviço, uma
certidão negativa de débitos previdenciários, uma instrução normativa, uma
circular, entre outros.
Apesar de ser regra geral, é válido esclarecer que nem sempre os atos
editados pela Administração serão regidos pelo direito público, pois,
dependendo do fim visado legalmente, alguns atos podem ser praticados sob o
amparo do direito privado.
Diante disso, é possível concluir que a Administração Pública edita dois
tipos de atos jurídicos:
1º) atos que são regidos pelo direito público e, consequentemente,
denominados de atos administrativos;
2º) atos regidos pelo direito privado.

Os atos administrativos editados pela Administração estão amparados


pelo regime jurídico-administrativo, portanto, expressam a sua
superioridade em face dos administrados. Por outro lado, nos atos regidos
pelo direito privado a Administração apresenta-se em condições isonômicas
frente ao particular, como acontece, por exemplo, na assinatura de um contrato
de aluguel.

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Quando a Administração deseja celebrar um contrato de locação (ato


regido pelo direito privado, mais precisamente pelo Direito Civil) com um
particular (deseja alugar um imóvel para instalar uma unidade administrativa
da Polícia Federal, por exemplo), essa relação bilateral é consequência de um
“acordo de vontades” entre as partes.
No referido contrato, as cláusulas não foram definidas e elaboradas
exclusivamente pela Administração, existiu uma negociação anterior até que
se chegasse a um consenso sobre o que seria melhor para as partes e, somente
depois, o contrato foi assinado.
Pergunta: Professor Fabiano, então é correto afirmar que, nos atos
regidos pelo direito privado, a Administração jamais gozará de qualquer
prerrogativa ou “privilégio”?
Não. Tenha muito cuidado com a expressão “jamais”, “nunca”,
“exclusivamente”, “somente”, entre outras, pois excluem a possibilidade de
exceções, existentes às “milhares” no Direito.
Como regra geral, entenda que, nos atos regidos pelo direito privado
a Administração encontra-se em uma relação horizontal em face do particular,
ou seja, uma relação isonômica, em igualdade de condições. Desse modo, não
irá gozar de prerrogativas.
Todavia, em situações excepcionais, tanto o direito privado como o
Direito Administrativo (direito público) podem estabelecer prerrogativas
(“privilégios”) à Administração, caso seja necessário ao alcance do interesse
público.

Exemplo: Como estudaremos adiante, todos os atos regidos pela


Administração, inclusive os regidos pelo direito privado, gozam do atributo
denominado “presunção de legitimidade”. Sendo assim, da mesma forma que
ocorre em relação aos atos administrativos, os atos regidos pelo direito privado
também são presumivelmente editados em conformidade com o direito.

Pergunta: Professor, quando você afirma que a Administração Pública


pode editar atos regidos pelo direito público e pelo direito privado, você
está incluindo no conceito de Administração também os poderes Legislativo e
Judiciário?
É claro que sim. Lembre-se de que a função administrativa é típica do
Poder Executivo, mas não é exclusiva. Portanto, os poderes Legislativo e
Judiciário também poderão exercê-la atipicamente.

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Atenção: Essas informações sobre os atos regidos pelo direito privado


são muito importantes para responder algumas questões em prova. Contudo, o
nosso foco de estudo neste capítulo são os atos administrativos, ou seja,
aqueles regidos pelo direito público.
Dificilmente você irá encontrar uma prova de Direito Administrativo que
não exija conhecimentos sobre o tema, principalmente sobre os “requisitos” e
“atributos” do ato administrativo. Tente assimilar todos os conceitos que serão
apresentados, bem como todas as questões que serão disponibilizadas ao
término da aula, pois serão essenciais para o seu sucesso no concurso
desejado.

2. A distinção entre atos administrativos, fatos da Administração


Pública, atos da Administração Pública e fatos administrativos

Apesar da FUNDATEC não cobrar esse tema com muita frequência em suas
provas, é necessário que você conheça as diferenças conceituais existentes
entre essas expressões, evitando-se, assim, surpresas na prova!

2.1. A expressão “atos da Administração”


Podemos definir como “atos da Administração” todos os que são editados
pela Administração Pública, sejam eles regidos pelo direito público ou direito
privado. Nesse caso, é suficiente que o ato tenha sido editado pela
Administração Pública para ser considerado “ato da Administração”.
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro informa que podem ser
incluídos como atos da Administração: os atos de direito privado (a exemplo
de uma doação ou locação); atos materiais (que envolvem apenas a execução
de determinada atividade, a exemplo de uma demolição); os atos de
conhecimento, opinião, juízo ou valor (que não expressam uma vontade, e,
portanto, não podem produzir efeitos jurídicos, a exemplo de atestados e
certidões); os atos políticos; os contratos; os atos normativos; e, ainda, os
atos administrativos propriamente ditos.

2.2. A expressão “fatos da Administração”


A expressão “fato da Administração” é utilizada para referir-se a
determinados fatos ocorridos no âmbito da Administração Pública e que não
repercutem no âmbito do Direito Administrativo.

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Se o servidor derramar um copo de café em cima da toalha da mesa do


refeitório do órgão que trabalha, por exemplo, estaremos diante de um fato,
um acontecimento. A princípio, esse fato não produz qualquer efeito no
âmbito do Direito Administrativo, pois é suficiente que o servidor limpe a
toalha, lave o copo e tudo está resolvido. Eis o fato da Administração.
De outro lado, se o café estava muito quente e “derrete” a toalha da
mesa, avaliada em R$ 100,00 (cem reais), esse mesmo fato irá produzir
efeitos no âmbito do Direito Administrativo, pois o servidor estará
obrigado a restituir aos cofres públicos o prejuízo causado.
Nesse caso, não teremos um simples fato da Administração, mas sim um
fato administrativo.

2.3. A expressão “fatos administrativos”


Apesar de o conceito de “fato administrativo” não ser pacífico na doutrina,
penso que é conveniente, para as provas da FUNDATEC, adotar o entendimento
de Maria Sylvia Zanella di Pietro, que conceitua como fato administrativo o
“fato” ocorrido no âmbito da Administração Pública e que gera efeitos jurídicos
no âmbito do Direito Administrativo (a exemplo da obrigação do servidor
restituir aos cofres públicos o valor da toalha que derreteu com o café
derramado).
O fato administrativo também pode ser entendido como uma
consequência do ato administrativo. Primeiro, edita-se o ato administrativo e,
posteriormente, no momento de colocá-lo em prática, de executá-lo, ocorre o
fato administrativo, que também é denominado de “ato material” da
Administração.
Exemplo: Imagine que um servidor, ao se deparar com um
carregamento de produtos impróprios para o consumo (com prazo de validade
expirado), tenha que efetuar a apreensão dos mesmos. Nesse caso, a
apreensão dos produtos é um ato material, ou seja, o servidor irá retirar os
produtos do veículo que os transportava e levá-lo para o depósito do órgão
público. Entretanto, a apreensão somente ocorreu em virtude da lavratura de
um ato administrativo de apreensão.
Ainda podemos citar como exemplos de fatos administrativos a limpeza
de vias públicas, uma cirurgia médica realizada em um Posto de Saúde do
Município, a aula ministrada por um professor de Universidade Pública, a
edificação de uma obra, entre outros.

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2.3.1. Fato administrativo involuntário


É aquele que decorre de um evento natural que produziu consequências
jurídicas no âmbito do Direito. Podemos citar como exemplos a morte de um
servidor, um raio que causou um incêndio em uma repartição pública, ou,
ainda, o nascimento do filho de uma servidora.
Pergunta: Nos exemplos citados, quais as consequências jurídicas
(efeitos jurídicos) que a morte e o nascimento podem produzir na
Administração?
Bem, com o falecimento do servidor, ocorrerá a vacância do cargo e
surgirá o direito de seus dependentes receberem pensão. Por outro lado, como
o nascimento do filho de uma servidora, esta passará a usufruir da famosa
“licença-maternidade”.

2.3.2. Fato administrativo voluntário


Os fatos administrativos voluntários são consequência de atos
administrativos ou de condutas administrativas que refletem os
comportamentos e as ações administrativas que repercutirão no mundo
jurídico.
Segundo o professor José dos Santos Carvalho Filho, os fatos
administrativos voluntários se materializam de duas maneiras distintas:
a) por atos administrativos, que formalizam a providência desejada
pelo administrador através da declaração de vontade do Estado;
b) por condutas administrativas, que refletem os comportamentos e
as ações administrativas, sejam ou não precedidas de ato administrativo
formal.

3. Conceito
São vários os conceitos de ato administrativo formulados pelos
doutrinadores brasileiros, cada um com as suas peculiaridades. Entretanto,
percebe-se nas provas de concursos públicos uma maior inclinação pelo clássico
conceito elaborado pelo professor Hely Lopes Meirelles, que assim declara:
“Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da
Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim
imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar
direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.”

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Analisando-se o conceito do saudoso professor, podemos concluir que o


ato administrativo possui características bastante peculiares e,
consequentemente, muito exigidas em provas:

1ª) É uma manifestação unilateral de vontade da Administração


Pública: nesse caso, é suficiente esclarecer que a Administração não está
obrigada a consultar o particular antes de editar um ato administrativo, ou
seja, a edição do ato depende, em regra, somente da vontade da Administração
(pense no caso da aplicação de uma multa de trânsito, por exemplo).

2ª) É necessário que o ato administrativo tenha sido editado por


quem esteja na condição de Administração Pública: é importante destacar
que, além dos órgãos e entidades que integram a Administração Pública direta
e indireta, também podem editar atos administrativos entidades que estão fora
da Administração, como acontece com as concessionárias e permissionárias de
serviços públicos, desde que investidos em prerrogativas estatais.

3ª) O ato administrativo visa sempre produzir efeitos no mundo


jurídico: segundo o professor, ao editar um ato administrativo, a
Administração visa adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e
declarar direitos, ou, ainda, impor obrigações aos administrados ou a si própria.
Além das características que foram apresentadas acima, lembre-se ainda
de que, ao editar um ato administrativo, a Administração Pública encontra-se
em posição de superioridade em relação ao particular, pois está
amparada pelo regime jurídico-administrativo.

4ª) O ato administrativo está sujeito à exame de legitimidade pelo


Poder Judiciário ou pela própria Administração Pública: conforme
analisaremos posteriormente, a Administração Pública poder exercer o poder
(ou princípio) de autotutela sob os seus próprios atos. No mesmo sentido,
constatado que um ato administrativo foi editado em desconformidade com o
ordenamento jurídico vigente, o Poder Judiciário está autorizado a analisá-lo,
procedendo à respectiva anulação, se for o caso.
No concurso público para o cargo de Técnico Administrativo da
ANVISA, por exemplo, realizado em 2013, a CETRO simplesmente
reproduziu o conceito de Hely Lopes Meirelles. Fique atento (a), pois
são grandes as chances de você encontrar em provas da FUNDATEC
questões semelhantes!

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(CETRO∕Técnico Administrativo – ANVISA∕2013) No que se refere ao Ato


Administrativo, leia o trecho abaixo e assinale a alternativa que
preenche correta e respectivamente as lacunas.
Segundo o Professor Hely Lopes Meirelles:
“O ___________ administrativo é toda manifestação unilateral de
vontade da Administração _________ que, agindo nessa qualidade,
tenha por fim _________ adquirir, resguardar, transferir, modificar,
extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos seus
administrados ou a si própria.”
(A) ato/ pública/ imediato
(B) ato ou fato/ direta/ imediato
(C) ato ou fato/ direta/ mediato
(D) ato ou fato/ pública/ mediato

Gabarito: Letra a.

4. Elementos ou requisitos do ato administrativo

Os elementos ou requisitos do ato administrativo nada mais são que


“componentes” necessários para que o ato seja considerado inicialmente válido,
editado em conformidade com a lei.
Não existe uma unanimidade doutrinária sobre a quantidade e as
características de cada requisito ou elemento do ato administrativo. Entretanto,
como o nosso objetivo é ser aprovado em um concurso público, iremos adotar o
posicionamento do professor Hely Lopes Meirelles, que entende serem cinco os
elementos dos atos administrativos: competência, finalidade, forma,
motivo e objeto.

4.1. Competência ou Sujeito


O ato administrativo não “cai do céu”. É necessário que alguém o edite
para que possa produzir efeitos jurídicos. Esse alguém é o agente público
(também chamado por alguns autores de “sujeito”), que recebe essa
competência expressamente do texto constitucional, através de lei (que é a
regra geral) ou, ainda, segundo o professor José dos Santos Carvalho Filho,
através de normas administrativas.

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Neste último caso, o ilustre professor informa que “em relação aos órgãos
de menor hierarquia, pode a competência derivar de normas expressas de atos
administrativos organizacionais. Nesses casos, serão tais atos editados por
órgãos cuja competência decorre de lei. Em outras palavras, a competência
primária do órgão provem da lei, e a competência dos segmentos internos dele,
de natureza secundária, pode receber definição através dos atos
organizacionais”.
Sobre a competência, além de saber que se trata de um requisito
sempre vinculado do ato, é importante que você entenda ainda quais são as
principais características enumeradas pela doutrina, pois é muito comum
encontrarmos questões em prova sobre o assunto.

1ª) É irrenunciável: já que prevista em lei, a competência é de


exercício obrigatório pelo agente público sempre que o interesse público
assim exigir. Não deve ser exercida ao livre arbítrio do agente, mas nos termos
da lei, que irá definir os seus respectivos limites.
2ª) É inderrogável: os agentes públicos devem sempre exercer a
competência nos termos fixados e estabelecidos pela lei, sendo-lhes vedado
alterar, por vontade própria ou por atos administrativos, o alcance da
competência legal.
3ª) Pode ser considerada improrrogável: quando a agente público
edita um ato que inicialmente não era de sua competência, isso não significa
que, a partir de então, ele se torna o único competente legalmente para
exercê-lo, pois, provavelmente, o ato foi editado em razão de avocação ou
delegação, ambos estudados anteriormente.
4ª) É intransferível: como a avocação e a delegação estão relacionadas
exclusivamente com o exercício da competência, é válido destacar que a sua
titularidade permanece com a autoridade responsável pela delegação, que
poderá ainda continuar editando o ato delegado, por exemplo.
5ª) É imprescritível: o exercício de determinada competência pelo seu
titular não prescreve em virtude do lapso temporal, independentemente do
tempo transcorrido. A obrigação de exercer a competência subsiste sempre que
forem preenchidos os requisitos previstos em lei.

Além das características apresentadas, atente-se ainda para as regras


básicas previstas na Lei 9.784/99 (Lei do processo administrativo federal),
objeto frequente nas provas de concursos.

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1ª) Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver


impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou
titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente
subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de
índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial;
2ª) Não pode ser objeto de delegação a edição de atos de caráter
normativo; a decisão de recursos administrativos; e as matérias de
competência exclusiva do órgão ou autoridade;
3ª) O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio
oficial;
4ª) O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade
delegante;
5ª) As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente
esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo delegado;
6ª) Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes
devidamente justificados, a avocação temporária de competência
atribuída a órgão hierarquicamente inferior.

4.2. Finalidade
Trata-se de requisito sempre vinculado (previsto em lei) que impõe a
necessidade de respeito ao interesse público no momento da edição do ato
administrativo.
Tenho certeza de que você se recorda de que a finalidade do ato
administrativo deve ser atingida tanto em sentido amplo quanto em sentido
estrito para que este seja considerado válido.
Em sentido amplo, significa que todos os atos praticados pela
Administração devem atender ao interesse público. Em sentido estrito,
significa que todo ato praticado pela Administração possui uma finalidade
específica, prevista em lei.
Apesar de a Administração ter por objetivo a satisfação do interesse
público, é válido ressaltar que, em alguns casos, poderão ser editados atos com
o objetivo de satisfazer o interesse particular, como acontece, por exemplo,
na permissão de uso de certo bem público (quando o Município, por exemplo,
permite ao particular a possibilidade de utilizar uma loja do Mercado municipal
para montar o seu estabelecimento comercial).

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Nesse caso, o interesse público também será atendido, mesmo que


secundariamente. O que não se admite é que um ato administrativo seja
editado exclusivamente para satisfazer o interesse particular.
Dentre todos os requisitos do ato administrativo, o da finalidade é o que
mais condiz com a necessidade de observância ao princípio da
impessoalidade, pois, se o agente público está praticando o ato com o
objetivo de satisfazer o interesse coletivo, não beneficiará ou prejudicará
determinados grupos ou pessoas em razão de características ou condições
pessoais.
Em suma, lembre-se de que o requisito denominado “finalidade” tem
que responder à seguinte pergunta: para que foi editado o ato?

Lembre-se sempre de que a finalidade é o efeito jurídico mediato


(secundário) que o ato administrativo produz.

4.3. Forma
A forma, que também é um requisito vinculado do ato administrativo, a
exemplo dos requisitos da competência e finalidade, também pode ser
compreendida em sentido estrito e em sentido amplo.
Em sentido estrito, a forma pode ser entendida como a exteriorização
do ato administrativo, o “modelo” do ato, o modo pelo qual ele se apresenta ao
mundo jurídico.
Em regra, o ato administrativo apresenta-se ao mundo jurídico por
escrito. Entretanto, existe a possibilidade de determinados atos surgirem
verbal, gestual, ou, ainda, virtualmente.
Exemplo: Quando o guarda de trânsito emite “dois silvos breves” com o
seu apito, ocorre a edição de um ato administrativo informal, pois ele está
determinando que você pare o veículo para que seja fiscalizado. Da mesma
forma, quando o semáforo de trânsito apresenta a cor vermelha, está sendo
editado um ato administrativo informal determinando que você também pare o
veículo.

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Ao contrário do princípio da liberdade das formas, que vigora no


direito privado, segundo o qual os atos podem ser praticados por qualquer
forma idônea para atingir o seu fim, vigora no Direito Administrativo, em regra,
o princípio da solenidade das formas, segundo o qual, para a edição de um
ato administrativo, devem ser respeitados procedimentos especiais e forma
prevista em lei.
O princípio da solenidade das formas está consagrado no § 1º, artigo
22, da Lei Federal 9.784/99, ao estabelecer que “os atos do processo devem
ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua
realização e a assinatura da autoridade responsável”.
Sendo assim, em âmbito federal existe norma expressa que impõe a
regra da forma escrita para o exercício das competências públicas, o que nos
leva a entender que, em regra, os atos administrativos devem ser formais.
Em sentido amplo, a forma pode ser entendida como a formalidade ou
procedimento a ser observado para a produção do ato administrativo. Em
outras palavras, entenda que a lei pode determinar expressamente outras
exigências formais que não fazem parte do próprio ato administrativo, mas
que lhe são anteriores ou posteriores (exigência de várias publicações do
mesmo ato no Diário Oficial, por exemplo, para que possa produzir efeitos).
Ao contrário do que ocorre em relação ao princípio da solenidade das
formas, que impõe a necessidade da vontade administrativa se exteriorizar
por escrito, em relação à formalidade ou procedimento, somente será
exigida uma dada formalidade se a lei expressamente determinar. Inexistindo
lei impondo uma exigência formal além da exteriorização escrita, não há que
ser requerer qualquer procedimento complementar.
Esse é o teor do caput do artigo 22 da Lei 9.784/99, ao declarar que “os
atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão
quando a lei expressamente a exigir”.

4.4. Motivo
O motivo, que também é chamado de “causa”, é o pressuposto de fato
e de direito que serve de fundamento para a edição do ato administrativo.
O motivo se manifesta através de ações ou omissões dos agentes
públicos, dos administrados ou, ainda, de necessidades da própria
Administração, que justificam ou impõem a edição de um ato administrativo.
Para que um ato administrativo seja validamente editado, faz-se
necessário que esteja presente o pressuposto de fato e de direito que
autoriza ou determina a sua edição.

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a) Pressuposto de fato: É o acontecimento real, uma circunstância


fática concreta, externa ao agente público e que ensejou a edição do ato.

Exemplos: a circunstância fática concreta que enseja a edição de um


ato administrativo de desapropriação para fins de reforma agrária é a
improdutividade de um latifúndio rural; a circunstância fática concreta que
enseja a edição do ato que concede a licença-maternidade a uma servidora é o
nascimento do filho; a circunstância fática concreta que enseja a edição do
ato concessivo da aposentadoria compulsória é o implemento da idade de
setenta anos, etc.

b) Pressuposto de direito: é o dispositivo legal em que se baseia a


edição do ato. Em outras palavras, são os requisitos materiais estabelecidos
na lei e que autorizam (nos atos discricionários) ou determinam (nos atos
vinculados) a edição do ato.

Exemplos:
1º) No ato de desapropriação para fins de reforma agrária, o
pressuposto de direito para a edição do ato está no artigo 184 da CF/88, que
assim declara: “Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de
reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social”[...]
. Foi o artigo 184 da CF/88 que fundamentou juridicamente a edição do ato.
2º) No ato concessivo de licença-maternidade, em âmbito federal, o
pressuposto de direito que autoriza a edição do ato é o artigo 207 da lei
8.112/90, ao declarar que “será concedida licença à servidora gestante por 120
(cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo da remuneração”.
3º) No ato concessivo da aposentadoria compulsória, o pressuposto de
direito, em âmbito federal, é o artigo 186 da Lei 8.112/90, ao afirmar que “o
servidor será aposentado compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com
proventos proporcionais ao tempo de serviço”.

Fique atento ao responder às questões da FUNDATEC, pois a banca pode


“misturar” as definições de “pressuposto de fato” e “pressuposto de direito”
com a finalidade de confundir o candidato.

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4.4.1. Motivo e motivação

É necessário que você tenha muita atenção ao responder às questões de


prova para não confundir motivo e motivação, que possuem significados
diferentes.
O motivo, conforme acabei de expor, pode ser entendido como o
pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento para a edição do
ato administrativo. Por outro lado, a motivação nada mais é que exposição dos
motivos, por escrito, no corpo do ato administrativo.
Exemplo: Na concessão de licença à servidora gestante por 120 (cento e
vinte) dias consecutivos, já sabemos que o nascimento do filho corresponderá
ao pressuposto de fato e o artigo 186 da Lei 8.112/90 corresponderá ao
pressuposto de direito (ambos formando o motivo).
Entretanto, a motivação somente passará a existir a partir do momento
que o agente público do setor de recursos humanos declarar expressamente,
por escrito, o pressuposto de fato e de direito que justificará a edição do ato.

4.4.2. Teoria dos motivos determinantes

Segundo a teoria dos motivos determinantes, o motivo alegado pelo


agente público, no momento da edição do ato, deve corresponder à realidade,
tem que ser verdadeiro. Caso contrário, comprovando o interessado que o
motivo informado não guarda qualquer relação com a edição do ato ou que
sequer existiu, o ato deverá ser anulado pela própria Administração ou pelo
Poder Judiciário.
O professor Celso Antônio Bandeira de Mello, ao explicar a teoria dos
motivos determinantes, afirma que “os motivos que determinam a vontade do
agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a
validade do ato. Sendo assim, a invocação de ‘motivos de fato’ falsos,
inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando,
conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos
que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos
em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a
obrigação de enunciá-los, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o
justificavam”.

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Exemplo: Suponhamos que o Prefeito de um determinado Município


tenha decidido exonerar o Secretário Municipal de Turismo, ocupante de cargo
em comissão. Entretanto, por ser colega do Secretário e temer inimizades
políticas, decidiu motivar o ato alegando a necessidade de reduzir a despesa
com pessoal ativo (motivo) em virtude da queda no montante de recursos
recebidos do Fundo de Participação dos Municípios.
Porém, três meses após a exoneração do ex-Secretário de Turismo,
imaginemos que o Prefeito tenha decidido nomear a sua irmã para ocupar o
mesmo cargo, mas sem motivar o ato.
Pergunta: No referido exemplo, ocorreu algum vício (irregularidade) na
exoneração do Secretário Municipal de Turismo, já que o Prefeito sequer era
obrigado a motivar o ato de exoneração?
Sim. Realmente o Prefeito não era obrigado a motivar o ato de
exoneração, pois se trata de cargo de confiança (em comissão), de livre
nomeação e exoneração. Contudo, já que decidiu motivar o ato, a motivação
deveria corresponder à realidade, ser verdadeira e real, o que não aconteceu
no caso.
Como o motivo alegado (redução de despesas) foi determinante para a
edição do ato de exoneração, mas, posteriormente, ficou provado que ele não
existia, deverá ser anulado o ato por manifesta ilegalidade, seja pela própria
Administração ou pelo Poder Judiciário.

A teoria dos motivos determinantes se aplica tanto aos atos administrativos


vinculados quanto aos atos administrativos discricionários. Fique atento (a)!

4.5. Objeto ou conteúdo


O quinto requisito do ato administrativo, que pode ser discricionário ou
vinculado, é o objeto (também denominado de conteúdo por alguns
autores), entendido como a coisa ou a relação jurídica sobre a qual recai o
ato. Trata-se do efeito jurídico imediato (primário) que o ato administrativo
produz.
Segundo a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, o objeto é o efeito
jurídico que o ato produz. O que o ato faz? Ele cria um direito? Ele extingue um
direito? Ele transforma? Quer dizer, o objeto vem descrito na norma, ele
corresponde ao próprio enunciado do ato.

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Para os professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, o objeto do ato


administrativo identifica-se com o seu próprio conteúdo, por meio do qual a
Administração manifesta sua vontade, ou atesta simplesmente situações pré-
existentes.
Assim, continuam os professores, é objeto do ato de concessão de alvará
a própria concessão do alvará; é objeto do ato de exoneração a própria
exoneração; é objeto do ato de suspensão do servidor a própria suspensão
(neste caso há liberdade de escolha do conteúdo específico – número de dias de
suspensão – dentro dos limites legais de até noventa dias, conforme a
valoração da gravidade da falta cometida); etc.

5. Atributos do ato administrativo


Como consequência do regime jurídico-administrativo, que concede à
Administração Pública um conjunto de prerrogativas necessárias ao alcance
do interesse coletivo, os atos administrativos editados pelo Poder Público
gozarão de determinadas qualidades (atributos) não existentes no âmbito do
direito privado.
Não existe um consenso doutrinário sobre a quantidade de atributos
inerentes aos atos administrativos, mas, para responder às questões de provas,
é necessário que estudemos a presunção de legitimidade ou veracidade, a
imperatividade, a autoexecutoriedade e a tipicidade.

5.1. Presunção de legitimidade e veracidade


Todo e qualquer ato administrativo é presumivelmente legítimo, ou
seja, considera-se editado em conformidade com o direito (leis e princípios).
Essa presunção é consequência da confiança depositada no agente público,
pois se deve partir do pressuposto de que todos os parâmetros e requisitos
legais foram respeitados pelo agente no momento da edição do ato.
A presunção de legitimidade dos atos administrativos tem o objetivo de
evitar que terceiros (em regra, particulares) criem obstáculos insensatos ou
desprovidos de quaisquer fundamentos, que possam inviabilizar o exercício da
atividade administrativa.

A presunção de legitimidade alcança todos os atos administrativos editados


pela Administração, independentemente da espécie ou classificação.

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Não é correto afirmar que a presunção de legitimidade dos atos


administrativos seja juris et de jure (absoluta), pois o terceiro que se sentir
prejudicado pode provar a ilegalidade do ato para que não seja obrigado a
cumpri-lo. Desse modo, deve ficar claro que a presunção de legitimidade será
sempre juris tantum (relativa), pois é assegurado ao interessado recorrer à
Administração, ou mesmo ao Poder Judiciário, para que não seja obrigado a
submeter-se aos efeitos do ato (que considera ilegítimo ou ilegal).
Enquanto o Poder Judiciário ou a própria Administração não reconhecerem
a ilegitimidade do ato administrativo, todos os seus efeitos continuam sendo
produzidos normalmente, e o interessado deverá cumpri-lo integralmente.

O atributo da presunção de legitimidade também tem sido cobrado em


provas como “presunção de legalidade”, apesar de alguns autores
discordarem desse entendimento.

Quando se afirma que o ato administrativo é presumivelmente legitimo,


está se afirmando que foi editado em conformidade com o direito, ou seja,
respeitando-se as leis e princípios vigentes. Por outro lado, ao se afirmar que
o ato administrativo é presumivelmente legal, restringe-se a presunção ao
respeito à lei.

Atenção: A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro ainda afirma que,


além de serem presumivelmente legítimos, os atos administrativos também são
presumivelmente verdadeiros. Segundo a professora, a presunção de
veracidade assegura que os fatos alegados pela Administração são
presumivelmente verdadeiros, assim como ocorre em relação a certidões,
atestados, declarações ou informações fornecidas, todos dotados de fé pública.
Fique atento ao responder às questões elaboradas pela
FUNDATEC, pois é muito comum as bancas formularem questões
“misturando” as definições de “presunção de legitimidade” e
“presunção de veracidade”.
No concurso público para o cargo de Especialista em Políticas
Públicas do MPOG, por exemplo, realizado em 2009, a ESAF considerou
incorreta a seguinte assertiva: “Entre os atributos do ato
administrativo, encontra-se a presunção de veracidade a qual diz
respeito à conformidade do ato com a lei; em decorrência desse
atributo, presume-se, até prova em contrário, que os atos
administrativos foram emitidos com observância da lei”.

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Por último, lembre-se sempre de que é do particular a obrigação de


demonstrar e provar a ilegalidade ou possível violação ao ordenamento
jurídico causada pela edição do ato. Enquanto isso não ocorrer, o ato continua
produzindo todos os seus efeitos.
Esse é o posicionamento do professor Hely Lopes Meirelles, ao afirmar
que essa presunção “autoriza a imediata execução ou a operatividade dos atos
administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à
invalidade. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade, os
atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a
Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus
efeitos”.

5.2. Imperatividade
A imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se
impõem a terceiros, independentemente de sua concordância ou
aquiescência.
Ao contrário do que ocorre na presunção de legitimidade, que não
necessita de expressa previsão em lei, a imperatividade exige autorização legal
e, portanto, não incide em relação a todos os atos administrativos.
É o atributo da imperatividade que permite à Administração, por exemplo,
aplicar multas de trânsito, constituir obrigação tributária que vincule o
particular ao pagamento de imposto de renda, entre outros.

O professor José dos Santos Carvalho Filho considera os termos coercibilidade e


imperatividade expressões sinônimas, ao declarar que “significa que os atos
administrativos são cogentes, obrigando a todos quantos se encontrem em seu círculo
de incidência (ainda que o objetivo a ser por ele alcançado contrarie interesses
privados), na verdade, o único alvo da Administração Pública é o interesse público”.

Em virtude da unilateralidade, a Administração Pública não precisa


consultar o particular, antes da edição do ato administrativo, para solicitar a
sua concordância ou aquiescência, mesmo que o ato lhe cause prejuízos.
A doutrina majoritária entende que a imperatividade decorre do poder
extroverso do Estado, que pode ser definido como o poder que o Estado tem
de constituir, unilateralmente, obrigações para terceiros, com extravasamento
dos seus próprios limites.

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O poder extroverso pode ser encontrado, por exemplo, na cobrança e


fiscalização dos impostos, no exercício do poder de polícia, na fiscalização do
cumprimento de normas sanitárias, no controle do meio ambiente, entre outros.

5.3. Autoexecutoriedade
A autoexecutoriedade é o atributo que garante ao Poder Público a
possibilidade de obrigar terceiros ao cumprimento dos atos administrativos
editados, sem a necessidade de recorrer ao Poder Judiciário.
O referido atributo garante à Administração Pública a possibilidade de ir
além do que simplesmente impor um dever ao particular (consequência da
imperatividade), mas também utilizar força direta e material no sentido de
garantir que o ato administrativo seja executado.
A autoexecutoriedade não está presente em todos os atos administrativos
(atos negociais e enunciativos, por exemplo), ocorrendo somente em duas
hipóteses:
1ª) Quando existir expressa previsão legal;

2ª) Em situações emergenciais em que apenas se garantirá a satisfação


do interesse público com a utilização da força estatal.

No concurso público para o cargo de Procurador do CREA∕PR, realizado


em 2010, a FUNDATEC considerou correta a seguinte assertiva: “O
atributo da autoexecutoriedade somente poderá ocorrer se houver autorização
legal ou se a segurança pública o exigir.”

Exemplo: Imagine que a Administração Pública se depare com a


existência de um imóvel particular em péssimas condições, prestes a desabar e
que ainda é habitado por uma família de cinco pessoas.
Nesse caso, a Administração não precisará recorrer ao Poder
Judiciário para retirar obrigatoriamente as pessoas do local, utilizando a força
se preciso for, pois está diante de uma situação emergencial, na qual a
integridade física de várias pessoas está em risco.
Também podem ser citados como exemplos de manifestação da
autoexecutoriedade a destruição de medicamentos com prazo de validade
vencido e que foram recolhidos em farmácias e a demolição de obras
construídas em áreas de risco (zonas proibidas).

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Atenção: Conforme já informei, nem sempre os atos administrativos irão


gozar de autoexecutoriedade e, para fins de concursos públicos, a multa (ato
administrativo) é o exemplo mais cobrado em relação à ausência de
autoexecutoriedade.

Nesse caso, apesar de a aplicação da multa ser decorrente do atributo da


imperatividade, se o particular não efetuar o seu pagamento a Administração
somente poderá recebê-la se recorrer ao Poder Judiciário.
Conforme nos informam os professores Marcelo Alexandrino e Vicente
Paulo, a única exceção ocorre na hipótese de multa administrativa aplicada por
adimplemento irregular, pelo particular, de contrato administrativo em que
tenha havido prestação de garantia. Nessa hipótese, a Administração pode
executar diretamente a penalidade, independentemente do consentimento do
contratado, subtraindo da garantia o valor da multa (Lei nº 8666/1993, artigo
80, inciso III).
Por último, é necessário deixar bem claro que os atos praticados sob o
amparo do atributo da autoexecutoriedade podem posteriormente ser revistos
pelo Poder Judiciário, sempre que provocado pelos interessados. Para tanto,
basta que os interessados demonstrem que tais atos foram praticados de forma
arbitrária, desproporcional, desarrazoada ou abusiva, por exemplo, para
que o Poder Judiciário possa anulá-los retroativamente.

5.4. Tipicidade

Não existe consenso doutrinário sobre a possibilidade de incluir a


tipicidade como um dos atributos do ato administrativo. Todavia, como a
FUNDATEC também utiliza o livro da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro
como base para a elaboração de questões, é bom que o conheçamos.
Segundo a ilustre professora, podemos entender a tipicidade como “o
atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas
previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados”.
Como é possível observar, o princípio da tipicidade decorre da aplicação
do princípio da legalidade. Segundo o entendimento da professora di Pietro,
para cada finalidade que a administração pretende alcançar existe um ato
definido em lei, logo, o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas
previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados.

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Resumidamente falando, a professora entende que, para cada finalidade


que a Administração deseja alcançar, existe uma espécie distinta de ato
administrativo e, portanto, é inadmissível que sejam editados atos
administrativos inominados.

A tipicidade só existe com relação aos atos unilaterais; não existe nos contratos
porque, com relação a eles, não há imposição de vontade da Administração, que
depende sempre da aceitação do particular; nada impede que as partes convencionem
um contrato inominado, desde que atenda melhor ao interesse público e particular
(Maria Sylvia Zanella di Pietro).

6. Classificação dos atos administrativos


Não existe uma uniformização doutrinária sobre a classificação dos atos
administrativos, pois cada autor possui uma classificação própria, segundo os
critérios adotados para estudo.
Entretanto, para fins de concursos públicos, penso que o mais sensato é
focarmos a classificação do professor Hely Lopes Meirelles, que tem sido
adotada pelas principais bancas examinadoras do país, inclusive pela
FUNDATEC.

6.1. ATOS GERAIS E INDIVIDUAIS


Os atos administrativos gerais ou regulamentares são aqueles que
possuem destinatários indeterminados, com finalidade normativa, tais como
os decretos regulamentares, as instruções normativas, etc.
Caracterizam-se por serem de comando abstrato e impessoal
(destinados a sucessivas aplicações, sempre quando ocorrer a hipótese neles
prevista), muito parecidos com os das leis, e, portanto, revogáveis a qualquer
tempo pela Administração. Geralmente são editados com o objetivo de explicar
o texto legal a fim de garantir a sua fiel execução.
Podemos citar como principais características dos atos gerais:
1ª) Devem prevalecer sobre o ato administrativo individual;
2ª) Para que produzam efeitos em relação aos particulares, necessitam de
publicação na imprensa oficial;
3ª) Podem ser revogados a qualquer momento, respeitados os efeitos
já produzidos;

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4ª) Os administrados não podem impugná-los diretamente perante a


própria Administração ou Poder Judiciário.
Ao contrário dos atos gerais, atos administrativos individuais são
aqueles que possuem destinatários determinados ou determináveis,
podendo alcançar um ou vários sujeitos, sendo possível citar como exemplos
os decretos de desapropriação, a nomeação de servidores, uma autorização ou
permissão, etc.
Atenção: Para que um ato administrativo seja classificado como
individual, não interessa a quantidade de destinatários, mas sim a
possibilidade de quantificá-los (definir a quantidade e conhecer os
destinatários).
Exemplo: Nesses termos, poderá ser considerado ato administrativo
individual tanto aquele responsável pela nomeação de um candidato para o
cargo “X”, quanto aquele responsável pela nomeação de 20 (vinte) servidores,
simultaneamente, pois, nesse caso, é possível definir e conhecer quais
candidatos estão sendo atingidos pelo ato.
Outra característica importante dos atos individuais é a possibilidade de
serem impugnados diretamente pelos administrados, seja através de uma
ação de rito ordinário (ação judicial comum), mandado de segurança ou, ainda,
ação popular, sempre que forem praticados contrariamente à lei.
Nos termos da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, “a
administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos,
e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.
Sendo assim, caso o ato individual tenha gerado direito adquirido para o
seu destinatário, torna-se irrevogável.

6.2. ATOS INTERNOS E EXTERNOS


Atos administrativos internos são aqueles que produzem efeitos
somente no interior da Administração Pública, e, portanto, não têm o objetivo
de atingir os administrados, sendo possível citar como exemplos uma ordem de
serviço, uma portaria de remoção de servidor, etc.
Como não possuem o objetivo de alcançar os administrados, não exigem
publicação no Diário Oficial, sendo suficiente a comunicação aos seus
destinatários internos pelos instrumentos de comunicação disponíveis.

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Por outro lado, atos administrativos externos ou de efeitos externos


são aqueles que afetam os administrados, produzindo efeitos fora da
Administração, e, por isso, necessitam de publicação no diário oficial. Como
exemplos, podemos citar um decreto, um regulamento, uma portaria de
nomeação de candidato aprovado em concurso público, etc.
Apesar de não possuírem o objetivo de alcançar diretamente os
administrados, é válido destacar que os atos que onerem os cofres públicos
e todos aqueles que visem produzir efeitos fora da Administração são
considerados externos, e, portanto, devem ser publicados.

6.3. ATOS DE IMPÉRIO, DE GESTÃO E DE EXPEDIENTE


Atos de império ou de autoridade são aqueles praticados pela
Administração no gozo de sua supremacia sobre o administrado. São aqueles
através dos quais a Administração cria deveres aos particulares
independentemente de concordância ou aquiescência, tal como acontece na
aplicação de uma multa de trânsito, na edição de um decreto de
desapropriação, na apreensão de mercadorias etc.
Atos de gestão são aqueles editados pela Administração sem fazer uso
de sua supremacia sobre o administrado, estabelecendo-se uma relação
horizontal (igualdade) e assemelhando-se aos atos de Direito privado, sendo
possível citar como exemplo a aquisição de bens pela Administração, o aluguel
de equipamentos etc.
Atos de expediente são os atos rotineiros praticados pelos agentes
administrativos no interior da Administração, sem caráter vinculante e sem
forma especial, que têm por objetivo organizar e operacionalizar as
atividades exercidas pelos órgãos e pelas entidades públicas. Para exemplificar,
podemos citar o preenchimento de um documento, a expedição de um ofício a
um particular, a rubrica nas páginas de um processo administrativo etc.
6.4. ATOS VINCULADOS E DISCRICIONÁRIOS
Nas palavras do professor Hely Lopes Meirelles, “atos vinculados ou
regrados são aqueles para os quais a lei estabelece os requisitos e condições
de sua realização”, ao passo que “discricionários são os que a Administração
pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário,
de sua conveniência, de sua oportunidade e de seu modo de realização”.

Em outro tópico da aula, afirmei que o ato administrativo possui cinco


elementos ou requisitos básicos: competência, forma, finalidade, motivo e
objeto. Sendo assim, sempre que a lei estabelecer e detalhar esses cinco

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elementos, não deixando margem para que o agente público possa defini-los
no momento da edição do ato, este será vinculado.
Lembre-se sempre de que no ato vinculado o agente público não possui
alternativas ou opções no momento de editar o ato, pois a própria lei já definiu
o único comportamento possível. Portanto, caso o agente público desrespeite
quaisquer dos requisitos ou elementos previstos pela lei, o ato deverá ser
anulado pela Administração ou pelo Poder Judiciário.
Exemplo: Suponhamos que determinada lei municipal estabeleça todos
os requisitos que devem ser cumpridos pelo particular que tenha a intenção de
construir um edifício. Nesse caso, se o particular apresentar toda a
documentação necessária e cumprir todos os requisitos legais, a Administração
não possui outra alternativa a não ser conceder a licença para o particular
construir, por ser um direito subjetivo deste.
Como a Administração não possui alternativas ou opções (conceder ou
não a licença), já que a lei estabeleceu todos os requisitos necessários à edição
do ato, este é denominado vinculado.
Por outro lado, no ato discricionário a lei apenas estabelece e detalha
os requisitos da competência, forma e finalidade, deixando ao critério da
Administração decidir sobre o motivo e o objeto. Sendo assim, é válido
ressaltar que os requisitos competência, forma e finalidade serão sempre
vinculados (definidos em lei), independentemente de o ato ser discricionário ou
vinculado, o que leva alguns autores a afirmar que a discricionariedade
administrativa nunca será total.
No ato discricionário a Administração possui alternativas ou opções, e,
dentre elas, irá escolher a que seja mais oportuna e conveniente ao interesse
público.

Exemplo: Suponhamos que o servidor público federal “X” tenha


procurado o Departamento de Recursos Humanos do órgão em que trabalha
para solicitar o parcelamento do seu período de férias, pois deseja usufruir 15
dias em julho e 15 dias em janeiro.
Pergunta: Nesse caso, poderá a Administração Pública recusar-se a
deferir o pedido de parcelamento das férias efetuado pelo servidor?
Sim. O § 3º do artigo 77 da lei 8.112/90 estabelece expressamente que
“as férias poderão ser parceladas em até três etapas, desde que assim
requeridas pelo servidor e no interesse da administração pública”.
Desse modo, como a Administração pode deferir, ou não, o pedido
efetuado pelo servidor, o ato será discricionário.

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No concurso público para o cargo de Advogado da CEEE, realizado em


2010, a FUNDATEC considerou correta a seguinte assertiva: “São os
requisitos motivo e objeto que revelam a diferença que existe entre os atos
administrativos vinculados e os atos administrativos discricionários.”

6.5. ATO SIMPLES, COMPLEXO E COMPOSTO


Ato administrativo simples é aquele que resulta da manifestação de
vontade de um único órgão, unipessoal ou colegiado, sendo irrelevante o
número de agentes que participarão da edição do ato. A edição do ato simples
depende da vontade de um único órgão e independe de aprovações ou
homologações posteriores.
Como exemplos, podemos citar a edição de um parecer sob a
responsabilidade de uma determinada autoridade administrativa, o despacho de
um servidor ou uma decisão proferida por um conselho de contribuintes (neste
caso, apesar de ser composto de vários membros, a decisão é uma só,
representando a vontade da maioria).
Ato administrativo complexo é aquele que depende da manifestação
de vontade de dois ou mais órgãos para que seja editado. Apesar de ser um
único ato, é necessário que exista um consenso entre diferentes órgãos para
que possa produzir os efeitos desejados.
É possível citar como exemplos os atos normativos editados
conjuntamente, por dois ou mais órgãos, tais como as Portarias Conjuntas
editadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal
do Brasil (a exemplo da Portaria Conjunta nº 01, de 10 de março de 2009, que
dispõe sobre parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional); editadas
pelos órgãos do Poder Judiciário (a exemplo da Portaria Conjunta 01, de 07
de março de 2007, que regulamenta adicionais e gratificações no âmbito do
Judiciário), entre outras.
Nesse caso, deve ficar bem claro que existe uma manifestação
conjunta de vontade de todos os órgãos envolvidos antes de o ato ser
editado.
Por outro lado, ato administrativo composto é aquele em que apenas
um órgão manifesta a sua vontade, todavia, para que se torne exequível, é
necessário que outro órgão também se manifeste com o objetivo de ratificar,
aprovar, autorizar ou homologar o ato.

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Atenção: Lembre-se de que, no ato composto, o seu conteúdo é definido


por apenas um órgão, mas, para que o ato produza os seus efeitos, é
necessária a manifestação de outro ou outros órgãos.
Como exemplo de ato composto, podemos citar a nomeação dos Ministros
do Supremo Tribunal Federal. Nesse caso, nas palavras da professora Maria
Sylvia Zanela Di Pietro, teríamos um ato principal (nomeação efetuada pelo
Presidente da República) e outro ato acessório ou secundário (aprovação do
Senado Federal).
Ao responder às questões de prova, tenha muito cuidado para não
confundir ato complexo e ato composto. Lembre-se sempre de que o ato
complexo depende da manifestação de vontade de dois ou mais órgãos para
que seja editado. Apesar de ser um único ato, é necessário que exista um
consenso entre diferentes órgãos para que possa produzir os efeitos
desejados, a exemplo do que ocorre em relação ao ato de aposentadoria, que é
editado por vários órgãos e entidades da Administração, mas somente se
aperfeiçoa com o registro no Tribunal de Contas da União - TCU.
De outro lado, ato composto é aquele em que apenas um órgão
manifesta a sua vontade, todavia, para que se torne exequível, é necessário
que outro órgão também se manifeste com o objetivo de ratificar, aprovar,
autorizar ou homologar o ato.
A professora Maria Sylvia Zanela Di Pietro cita como exemplo de ato
composto a nomeação do Procurador-Geral da República, que depende de
prévia aprovação do Senado Federal. Nesse caso, teríamos um ato principal
(nomeação efetuada pelo Presidente da República) e outro ato acessório ou
secundário (aprovação do Senado Federal).
De outro lado, o professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que o
exemplo de ato composto apresentado pela professora Di Pietro “parece situar-
se entre os atos complexos”.
Para o citado professor, atos complexos são aqueles cuja vontade final
da Administração exige a intervenção de agentes ou órgãos diversos, havendo
certa autonomia, ou conteúdo próprio, em cada uma das manifestações.
Exemplo: a investidura do Ministro do STF se inicia pela escolha do Presidente
da República; passa, após, pela aferição do Senado Federal; e culmina com a
nomeação.
Bem, perceba que o exemplo utilizado pelo professor para demonstrar o
ato complexo realmente é semelhante ao utilizado pela professora Di Pietro
para demonstrar o ato composto.

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Desse modo, atente-se para os dois conceitos ao responder às eventuais


questões de prova, pois, até o momento, ainda não me deparei com questões
da FUNDATEC abordando essa distinção conceitual.

6.6. ATO VÁLIDO, NULO E INEXISTENTE


O ato válido é aquele editado em conformidade com a lei, respeitando-se
todos os requisitos necessários para a sua edição: competência, finalidade,
forma, motivo e objeto.
É importante que você entenda que nem todo ato válido é
necessariamente eficaz. Pode ocorrer de o ato ter sido editado nos termos da
lei, porém, para que possa produzir efeitos, às vezes depende da ocorrência de
um evento futuro e certo (termo) ou futuro e incerto (condição).
Por outro lado, ato nulo é aquele editado com vício insanável em algum
de seus requisitos de validade. Entretanto, apesar de ser nulo, é válido
destacar que o ato produzirá seus efeitos até que o Poder Judiciário ou a
própria Administração Pública estabeleça o contrário. Essa possibilidade decorre
da presunção de legitimidade ou legalidade, um dos atributos do ato
administrativo.
Ato inexistente é aquele que não existe para o direito administrativo,
pois não foi editado por um agente público, mas por alguém que se fez passar
por tal condição.
Exemplo: Imagine que um indivíduo qualquer (que não possui nada para
fazer na vida) esteja “fiscalizando” o comércio na cidade de Caxias/RS
apresentando-se como auditor da Secretaria do Estado de Fazenda do Rio
Grande do Sul. Imagine agora que o suposto “servidor” aplique uma multa a
um determinado comerciante, preenchida em um pedaço de guardanapo.
Ora, nesse caso, está claro e evidente que o falso servidor não atua em
nome da Administração e, portanto, não pode editar atos administrativos.
Sendo assim, a Administração não pode ser responsabilizada por eventuais
prejuízos causados a terceiros por esse falso servidor.
Atenção: O professor Hely Lopes Meirelles não concorda com a existência
de atos anuláveis no âmbito do Direito Administrativo, pois entende que, se
os atos foram ilegais, são necessariamente nulos.

6.7. ATO PERFEITO, IMPERFEITO, PENDENTE OU CONSUMADO


Ato administrativo perfeito é aquele que já completou todo o seu ciclo
de formação, superando todas as fases necessárias para a sua produção. A

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perfeição do ato refere-se ao processo de elaboração, ao passo que a


validade refere-se à conformidade do ato com a lei.
Sendo assim, caso o ato administrativo já tenha sido escrito, motivado,
assinado e publicado no Diário Oficial, por exemplo, pode ser considerado
perfeito, pois cumpriu todas as etapas necessárias para a sua formação.
Entretanto, apesar de ser perfeito, o ato pode ser inválido, pois, apesar de ter
concluído as etapas para a sua edição, o ato violou o texto legal.
Em contrapartida, ato administrativo imperfeito é aquele que ainda
não ultrapassou todas suas fases de produção e que, portanto, não pode
produzir efeitos. Trata-se de um ato administrativo incompleto, que ainda
necessita superar alguma formalidade para que possa produzir efeitos.
Ato administrativo pendente é aquele que, embora perfeito (pois já
cumpriu todas as etapas necessárias para a sua edição), ainda não pode
produzir todos os seus efeitos porque está aguardando a ocorrência de um
evento futuro e certo (termo) ou futuro e incerto (condição).
É válido destacar que todo ato pendente é perfeito, pois já encerrou seu
ciclo de produção, mesmo que ainda não possa produzir os efeitos pretendidos.
Contudo, não é correto afirmar que todo ato perfeito é pendente, pois às vezes
o ato já cumpriu todo o seu ciclo de formação e não está aguardando qualquer
termo ou condição.
Ato consumado ou exaurido é aquele que já produziu todos os seus
efeitos, tornando-se definitivo e imodificável, seja no âmbito judicial ou perante
a própria Administração Pública.
Como exemplo de ato consumado, podemos citar uma autorização de
fechamento da rua “Y”, concedida pela Administração municipal, para a
realização de uma festa junina, em 22 de junho. Nesse caso, no dia 23 de
junho, poderá a Administração revogar a autorização?
É claro que não, pois o ato estará consumado, tendo produzido todos os
efeitos inicialmente desejados.

7. Espécies de atos administrativos


7.1. Atos normativos
Os atos normativos são aqueles editados com o objetivo de facilitar a
fiel execução das leis, possuindo comandos gerais e abstratos, tais como os
decretos, regulamentos, as instruções normativas, os regimentos, entre outros.

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Apesar de possuírem comandos gerais e abstratos (assim como acontece


com as leis), os atos normativos não podem inovar na ordem jurídica,
possuindo como limite o texto da lei que regulamentam.
7.2. Atos ordinatórios
Os atos ordinatórios decorrem do poder hierárquico e têm o objetivo
de disciplinar o funcionamento da Administração, orientando os agentes
públicos subordinados no exercício das funções que desempenham. Os atos
ordinatórios restringem-se ao interior da Administração e somente alcançam
os servidores que estão subordinados à chefia que os expediu.
Como exemplos de atos ordinatórios, podemos citar as ordens de
serviço (que são determinações especiais dirigidas aos responsáveis por obras
ou serviços públicos, contendo imposições de caráter administrativo ou
especificações técnicas sobre o modo e a forma de sua realização); as
instruções (que são ordens escritas e gerais a respeito do modo e da forma de
execução de determinada atividade ou serviço público, expedidas pelo superior
hierárquico com o objetivo de orientar os seus subordinados), as circulares
(que visam à uniformização do desempenho de determinada atividade perante
os agentes administrativos), entre outros.
7.3. Atos negociais
Atos administrativos negociais são aqueles pelos quais a
Administração faculta aos particulares o exercício de determinada atividade,
desde que atendidas as condições estabelecidas pelo próprio Poder Público.
Os atos negociais possuem um conteúdo tipicamente negocial, pois
representam o interesse convergente da Administração e do administrado,
porém, não podem ser caracterizados como contratos administrativos (já
que os atos negociais são unilaterais) e não gozam dos atributos da
imperatividade e autoexecutoriedade.
Para exemplificar, podemos citar as licenças, as autorizações, as
permissões, as aprovações, as dispensas, etc.
Os atos negociais, nas palavras dos professores Marcelo Alexandrino e
Vicente Paulo, podem ser vinculados ou discricionários e definitivos ou
precários.
Os atos negociais vinculados são aqueles em que existe um direito do
particular à sua obtenção. Uma vez atendidos pelo particular os requisitos
previstos em lei para a obtenção do ato, não cabe à Administração escolha: o
ato terá que ser praticado conforme o requerimento do particular, em que faça
prova do atendimento dos requisitos legais.

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Os atos negociais discricionários são aqueles que podem, ou não, ser


praticados pela Administração, conforme seu juízo de oportunidade e
conveniência. Assim, mesmo que o particular tenha atendido às exigências da
lei necessárias ao requerimento da prática do ato, essa poderá ser negada pela
Administração. Não existe um direito do administrado à prática do ato negocial
discricionário; esta depende sempre do juízo de oportunidade e conveniência,
privativo da Administração.
Os atos ditos precários são atos em que predomina o interesse do
particular. Já sabemos que a Administração somente pode agir em prol do
interesse público e que este é a finalidade de qualquer ato administrativo,
requisito sem o qual o ato é nulo. Ocorre que há atos nos quais, ao lado do
interesse público tutelado, existe interesse do particular, o qual, normalmente,
é quem provoca a Administração para a obtenção do ato.
Os atos precários resultam de uma liberdade da Administração e, por isso,
não geram direito adquirido para o particular e podem ser revogados a qualquer
tempo, pela Administração, inexistindo, de regra, direito à indenização para o
particular.
Os atos definitivos embasam-se num direito individual do requerente.
São atos em que visivelmente predomina o interesse da Administração. Tal não
significa que não possam ser revogados. Embora a revogação desses atos não
seja inteiramente livre, a ocorrência de interesse público superveniente autoriza
sua revogação por haver ele se tornado inoportuno ou inconveniente, salvo na
hipótese de o ato haver gerado direito adquirido para seu destinatário. Poderá
surgir direito de indenização ao particular que tenha sofrido prejuízo com a
revogação do ato.
Nas questões de concursos públicos, as três espécies de atos negociais
mais cobradas são a licença, a autorização e a permissão.
1ª) Licença: trata-se de um ato vinculado e que será editado em
caráter definitivo, pois, enquanto o destinatário estiver cumprindo as condições
estabelecidas na lei, o ato deverá ser mantido. Após cumpridos os requisitos
legais, o particular possui direito subjetivo à sua edição.
Como exemplos, podemos citar a licença para o exercício de uma
determinada profissão, a licença para construir, a licença para dirigir, etc.
2ª) Autorização: trata-se de ato discricionário e precário, em que,
quase sempre, prevalece o interesse do particular. Podem ser revogados pela
Administração a qualquer tempo, sem que, em regra, exista a necessidade de
indenização ao administrado.

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A professora Maria Silvia Zanella di Pietro entende que, no direito


brasileiro, a autorização administrativa pode ser estudada em várias acepções:
a) Como ato unilateral e discricionário pelo qual a Administração faculta
ao particular o desempenho de atividade que, sem esse consentimento, seria
ilegal, tal como acontece na autorização para porte de arma de fogo (artigo 6º
da Lei 9.437/97);
b) Como ato unilateral e discricionário pelo qual o Poder Público faculta ao
particular o uso privativo de bem público, a título precário, a exemplo da
autorização concedida para o bloqueio de uma rua para a realização de festa
junina;
c) Como ato unilateral e discricionário pelo qual o Poder Público delega ao
particular a exploração de serviço público, a título precário, como acontece na
autorização para a exploração do serviço de táxi.

3ª) Permissão: Segundo o professor Hely Lopes Meirelles, trata-se de


ato discricionário e precário, pelo qual o Poder Público faculta ao particular a
execução de serviços de interesse coletivo, ou o uso especial de bens públicos,
a título gratuito ou remunerado, nas condições estabelecidas pela
Administração.
Como se trata de ato precário, poderá ser revogada sempre que existir
interesse público, ressalvado o direito à indenização ao particular quando a
permissão for onerosa ou concedida a prazo determinado.

Para responder às questões de prova, fique atento às diferenças conceituais


entre “licença” e “autorização”, pois o tema é constantemente exigido em provas.

7.4. Atos enunciativos


Segundo o professor Hely Lopes Meirelles, atos administrativos
enunciativos “são todos aqueles em que a Administração se limita a certificar ou
atestar um fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, sem se
vincular ao seu enunciado. Dentre os atos mais comuns dessa espécie,
merecem atenção as certidões, os atestados e os pareceres administrativos”.

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1º) Certidão: é a declaração por escrito da Administração sobre um fato


ou evento que consta em seus bancos de dados. Como exemplo, podemos citar
a certidão negativa de débitos tributários, que deve ser expedida pela
Administração Fazendária no prazo máximo de 10 dias, contados da data da
entrega do requerimento no órgão.
2º) Atestado: é a declaração da Administração a respeito de um fato ou
acontecimento de que teve conhecimento no exercício da atividade
administrativa, mesmo que não constante em livros, papéis ou documentos
que estejam na sua posse.
Como exemplo, podemos citar um atestado médico editado por uma junta
médica oficial declarando que o servidor não está momentaneamente apto ao
exercício de suas funções.
3º) Pareceres: são manifestações de órgãos técnicos através do quais a
Administração apresenta a sua opinião sobre algum assunto levado à sua
consideração.
Segundo o professor Hely Lopes Meirelles, o parecer pode ser normativo
ou técnico:
a) Parecer normativo: é aquele que, ao ser aprovado pela autoridade
competente, é convertido em norma de procedimento interno, tornando-se
impositivo e vinculante para todos os órgãos hierarquizados à autoridade que o
aprovou. Tal parecer, para o caso que o propiciou, é ato individual e concreto;
para os casos futuros, é ato geral e normativo.
b) Parecer técnico: é o que provém de órgão ou agente especializado
na matéria, não podendo ser contrariado por leigo ou, mesmo, por superior
hierárquico. Nessa modalidade de parecer ou julgamento não prevalece a
hierarquia administrativa, pois não há subordinação no campo da técnica.
Os atos enunciativos são meros atos administrativos, portanto, não
produzem efeitos jurídicos. Sendo assim, alguns autores até afirmam que os
atos enunciativos não seriam atos administrativos, portanto, é necessário ficar
atento ao responder às questões de prova.

7.5. Atos punitivos


Os atos punitivos são aqueles que contêm uma sanção imposta pela
Administração aos seus agentes públicos ou particulares que praticarem
atos ou condutas irregulares, violando os preceitos administrativos.

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Os atos punitivos são consequência do exercício do poder disciplinar


(no caso de sanções aplicadas aos agentes públicos ou particulares que tenham
algum vínculo com o Poder Público) ou do poder de polícia (nos casos de
sanções aplicadas aos particulares, mesmo que não mantenham qualquer
vínculo com a Administração), a exemplo das multas, interdição de
estabelecimentos violadores das normas administrativas, destruição de
produtos apreendidos, etc.

8. Extinção dos atos administrativos


Todo ato administrativo, após ter sido editado, deve necessariamente ser
respeitado e cumprido, pois goza do atributo da presunção de legitimidade,
que lhe assegura a produção de efeitos jurídicos até posterior manifestação da
Administração Pública ou do Poder Judiciário em sentido contrário.
Apesar disso, deve ficar claro que os atos administrativos não são
eternos, já que podem ser extintos após a sua edição em virtude da
constatação de ilegalidade (anulação), em razão de conveniência ou
oportunidade da Administração (revogação) ou, simplesmente, em virtude de
seu destinatário ter deixado de cumprir os requisitos previstos em lei
(cassação).
Professor, as hipóteses citadas são as únicas que podem ensejar a
extinção do ato administrativo?
Não. Cassação, revogação e anulação são as principais para fins de
concursos públicos, mas existem várias outras, conforme estudaremos na
sequência (que, inclusive, já foram cobradas em provas da FUNDATEC).

8.1. Anulação ou invalidação


Quando o ato administrativo é praticado em desacordo com o
ordenamento jurídico vigente, é considerado ilegal. Assim, deve ser anulado
pelo Poder Judiciário (quando provocado) ou pela própria Administração (de
ofício ou mediante provocação).
A anulação de um ato administrativo opera-se com efeitos retroativos
(ex tunc), isto é, o ato perde os seus efeitos desde o momento de sua
edição (como se nunca tivesse existido), pois não origina direitos.
Esse é o teor da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal ao afirmar que
a “Administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos”.

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Sendo assim, é necessário ficar bem claro que os atos ilegais não
originam direitos para os seus destinatários. Entretanto, devem ser
preservados os efeitos já produzidos em face de terceiros de boa-fé (que não
têm nenhuma relação com o ato nulo).
Exemplo: os professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino citam o
caso de um servidor cujo ingresso no serviço público decorre de um ato nulo (a
nomeação ou a posse contém vício insanável). Imagine-se que esse servidor
emita uma certidão negativa de tributos para João e, no dia seguinte, seja ele
exonerado em decorrência da nulidade de seu vínculo com a Administração. Os
efeitos dos atos praticados entre ele e a Administração devem ser desfeitos.
Mas João, que obteve a certidão, é um terceiro, portanto, sua certidão é válida.
Grave bem as informações abaixo sobre a anulação dos atos
administrativos, pois, assim, você jamais errará uma questão da FUNDATEC
sobre o tema:

1ª) A anulação é consequência de uma ilegalidade, de um ato que foi


editado contrariamente ao direito;
2ª) A anulação de um ato administrativo pode ser feita pelo Poder
Judiciário, quando for provocado pelo interessado, ou pela própria
Administração, de ofício ou também mediante provocação do
interessado;
3ª) A anulação possui efeitos retroativos (ex tunc) , ou seja, deixa de
produzir efeitos jurídicos desde o momento de sua edição (como se nunca
tivesse existido);
4ª) A anulação não desfaz os efeitos jurídicos já produzidos perante
terceiros de boa-fé.

Um ato ilegal (contrário ao ordenamento jurídico) deve ser sempre anulado, nunca
revogado.

É importante esclarecer que alguns autores, a exemplo da professora


Maria Sylvia Zanella di Pietro, costumam utilizar a expressão “invalidação” para
se referir às hipóteses de anulação do ato administrativo. De outro lado,

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alguns autores costumam valer-se da expressão “invalidação” como um


gênero, abrangendo tanto as hipóteses de anulação quanto de revogação.

No concurso público para o cargo de Advogado da CEEE, realizado em


2010, a FUNDATEC considerou correta a seguinte assertiva: “Os atos
administrativos arbitrários, como regra, devem ser anulados”.

8.1.1. Prazo decadencial para a anulação


Apesar do dever imposto à Administração Pública de anular os atos
manifestamente ilegais editados pelos seus agentes, destaca-se que a
legislação cuidou-se de fixar um prazo decadencial (que não admite
suspensão ou interrupção) para que isso ocorra, conforme preceitua o art. 54
da Lei 9.784/1999:

Art. 54. O direito da Administração de anular os atos


administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os
destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram
praticados, salvo comprovada má-fé.

Assim, podemos concluir que a partir do momento que o ato ilegal é


praticado, passa a ser contado o prazo de cinco anos para que a
Administração Pública possa promover a sua anulação. Ultrapassado o prazo de
cinco anos sem a respectiva anulação, o ato administrativo será
automaticamente convalidado (não poderá mais ser anulado), desde que o seu
destinatário esteja de boa-fé.

Fique atento ao responder às questões de prova, pois, no julgamento do


recurso especial nº 1.114.938/AL, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes

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Maia Filho, o Superior Tribunal de Justiça ratificou o entendimento de que


antes da publicação da Lei 9.784/1999 (que ocorreu em 01/02/1999), a
Administração Pública não possuía prazo para a anulação de seus próprios
atos. Todavia, com a publicação da Lei 9.784/1999, foi fixado o prazo
decadencial de 5 (cinco) anos para anulá-los.
Em relação aos atos editados antes da vigência da Lei 9.784/1999, o
Superior Tribunal de Justiça entendeu que a Administração Pública tem o
prazo de 5 anos, contados do início de sua vigência (01/02/1999), para
providenciar a anulação. Caso contrário, não poderá mais anulá-los.

8.1.2. Necessidade de processo administrativo


O atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, conforme se
constata na decisão referente ao julgamento do Agravo Regimental em Agravo
de Instrumento nº 710.085/SP, publicado no DJE em 05/03/2009, é no sentido
de que a anulação de ato administrativo não dispensa a instauração de
processo administrativo prévio, com a observância dos princípios da ampla
defesa e contraditório, principalmente quando os efeitos da anulação
repercutirem no campo de interesses individuais (de particulares).

No julgamento do Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº


710.085/SP, publicado no DJE em 05/03/2009, de relatoria do Min. Ricardo
Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal decidiu que “embora a
Administração esteja autorizada a anular seus próprios atos quando eivados
de vícios que os tornem ilegais (Súmula 473 do STF), não prescinde do
processo administrativo, com obediência aos princípios constitucionais da
ampla defesa e do contraditório”.

(FUNDATEC∕Auxiliar Técnico - DETRAN RS∕2013) A invalidação dos atos


administrativos inconvenientes, inoportunos ou ilegítimos constitui
tema de alto interesse para Administração.

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A Administração pode desfazer seus próprios atos por considerações de


mérito e de ilegalidade, ao passo que o Judiciário só pode invalidar
quando ilegais.
A declaração de invalidação de uma licitação ilegítima ou ilegal, feita
pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, denomina-se:
a) Rescisão
b) Revogação
c) Cassação.
d) Evocação
e) Anulação.

Gabarito: Letra e.

8.2. Revogação
A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide
retirar, parcial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo
válido, mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser
mais conveniente ou oportuno.
Ao revogar um ato administrativo a Administração Pública está
declarando que uma situação, até então oportuna e conveniente ao interesse
público, não mais existe, o que justifica a extinção do ato.

Um ato ilegal jamais será revogado, mas sim anulado. Da mesma forma, se a
questão de prova afirmar que um ato inconveniente ou inoportuno deve ser
anulado, certamente estará incorreta, pois conveniência e oportunidade
estão intimamente relacionadas com a revogação.

A revogação de um ato administrativo é consequência direta do juízo de


valor (mérito administrativo) emitido pela Administração Pública, que é a
responsável por definir o que é bom ou ruim para coletividade, naquele
momento. Assim, é vedado ao Poder Judiciário revogar ato administrativo
editado pela Administração.

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No concurso público para o cargo de Procurador do CREA∕PR, realizado


em 2010, a FUNDATEC considerou correta a seguinte assertiva: “A
revogação constitui-se na supressão do ato administrativo, pela Administração,
por motivo de conveniência e/ou oportunidade, em que pese tratar-se de ato
legal e perfeito”.

Atenção: o Poder Judiciário, no exercício de suas funções atípicas,


também pode editar atos administrativos (publicação de um edital de licitação,
por exemplo). Sendo assim, caso interesse público superveniente justifique a
revogação do edital licitatório em momento posterior, o próprio Poder Judiciário
poderá fazê-lo.
Neste caso, o edital estaria sendo revogado pelo próprio Poder Judiciário,
pois ele foi o responsável pela edição do referido ato administrativo. O que não
se admite é que o Poder Judiciário efetue a revogação de atos editados pela
Administração Pública, pois estaria invadindo a seara do mérito
administrativo.
Nos mesmos moldes, quando o Poder Legislativo edita um ato
administrativo no exercício de sua função atípica, também pode efetuar a sua
revogação, sendo proibido ao Poder Judiciário manifestar-se em relação ao
mérito desse ato.
Ao contrário do que ocorre na anulação, que produz efeitos “ex tunc”, na
revogação os efeitos serão sempre “ex nunc” (proativos). Isso significa dizer
que a revogação somente produz efeitos prospectivos, ou seja, para frente,
conservando-se todos os efeitos que já haviam sido produzidos.
Exemplo: imagine que um determinado servidor público federal esteja
em pleno gozo (no terceiro mês) de licença para tratar de interesses
particulares, que foi deferida pela Administração pelo prazo de 02 anos (artigo
91 da Lei 8.112/90). Neste caso, mesmo restando ainda 21 (vinte e um) meses
para o seu término, a Administração poderá revogá-la a qualquer momento,
desde que presente o interesse público.
Da mesma forma que agiu discricionariamente a Administração no
momento de concessão de licença para tratar de assuntos particulares, nos
termos do artigo 91 da Lei 8.112/90, será discricionária também a revogação
da licença, caso assim justifique o interesse público.

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O ato de revogação possuirá efeitos “ex nunc” (para frente), ou seja, o


servidor irá retornar ao trabalho somente após a edição do ato revocatório,
sendo considerado como de efetivo gozo o período de três meses que usufruiu
da licença.
Pergunta: professor, o que preciso saber para não errar nenhuma
questão de prova sobre revogação?
Anote aí:
1º) Que a revogação é consequência da discricionariedade
administrativa (conveniência e oportunidade);
2º) Que os atos inválidos ou ilegais jamais serão revogados, mas sim
anulados;
3º) Que somente a Administração Pública pode revogar os seus próprio
atos administrativos;
4º) Que a revogação produz efeitos ex nunc, enquanto na anulação os
efeitos são ex tunc.
Pergunta: professor Fabiano Pereira, é ilimitado o poder conferido à
Administração para revogar os seus atos administrativos?
Não! Existem alguns atos administrativos que não podem ser revogados,
são eles:
1º) os atos já consumados, que exauriram seus efeitos:
suponhamos que tenha sido editado um ato concessivo de férias a um
servidor e que todo o período já tenha sido gozado. Ora, neste caso, não
há como revogar o ato que concedeu férias ao servidor, pois todos os
efeitos do ato já foram produzidos;
2º) os atos vinculados: se a lei é responsável pela definição de todos os
requisitos do ato administrativo, não é possível que a Administração
efetue a sua revogação com base na conveniência e oportunidade
(condição necessária para a revogação);
3º) os atos que já geraram direitos adquiridos para os
particulares: trata-se de garantia constitucional assegurada
expressamente no inciso XXXVI do artigo 5º da CF/88;
4º) os atos que integram um procedimento, pois, neste caso, a cada
ato praticado surge uma nova etapa, ocorrendo a preclusão de revogação
da anterior.
5º) os denominados meros atos administrativos, pois, neste caso,
os efeitos são estabelecidos diretamente na lei;

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No concurso público para o cargo de Advogado da CEEE, realizado em


2010, a FUNDATEC considerou correta a seguinte assertiva: “Os atos
administrativos vinculados, por característica, não admitem revogação”.

8.3. Cassação
A cassação é o desfazimento de um ato válido em virtude do seu
destinatário ter descumprido os requisitos necessários para a sua
manutenção em vigor. Nesse caso, deve ficar bem claro que o particular,
destinatário do ato, é o único responsável pela sua extinção.

Exemplo: se a Administração concedeu uma licença para o particular


construir um prédio de 03 (três) andares, mas este construiu um prédio com 05
(cinco) andares, desrespeitou os requisitos inicialmente estabelecidos e,
portanto, o ato será cassado.

8.4. Outras formas de extinção do ato administrativo


Além das hipóteses de desfazimento do ato administrativo estudadas até
o momento, que dependem da manifestação expressa da Administração ou do
Poder Judiciário, a doutrina majoritária ainda lista as seguintes:

1ª) extinção subjetiva: ocorre em virtude do desaparecimento do


sujeito destinatário do ato. Por exemplo, se a Administração concedeu ao
servidor uma licença para tratar de assuntos particulares, mas, durante o gozo
da licença, ele faleceu, considera-se extinto o ato, por questões óbvias.
2ª) extinção objetiva: ocorre em virtude do desaparecimento do
próprio objeto do ato. Exemplo: se o particular possuía permissão para instalar
uma banca de revista em uma praça, mas, posteriormente, a praça foi
destruída para a construção de uma escola, o ato de permissão
consequentemente será extinto.
3ª) extinção natural: ocorre após o transcurso normal do prazo
inicialmente fixado para a produção dos efeitos do ato. Exemplo: se foi
concedida licença-paternidade a um servidor, o ato será extinto naturalmente
depois de 05 (cinco) dias (que é o prazo legal de gozo da licença).

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4ª) caducidade: ocorre quando a edição de lei superveniente à edição


do ato administrativo impede a continuidade de seus efeitos jurídicos. A
professora Maria Sylvia Zanella di Pietro cita como exemplo o caso de um
parque de diversões que possuía permissão para funcionar em uma região da
cidade, mas que, em razão de nova lei de zoneamento, tornou-se incompatível.
Neste caso, o ato anterior que permitia o funcionamento do parque
naquela região (hoje proibida por lei) deverá ser extinto, pois ocorrerá a
caducidade.
5ª) contraposição: ocorre porque foi emitido ato com fundamento em
competência diversa que gerou o ato anterior, mas cujos efeitos são
contrapostos aos daqueles. É o caso da exoneração de servidor, que tem efeitos
contrapostos ao da nomeação.
6ª) renúncia: neste caso, os efeitos do ato são extintos porque o
próprio beneficiário abriu mão de uma vantagem de que desfrutava.

9. Convalidação de atos administrativos


Segundo a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, “convalidação é o ato
administrativo através do qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com
efeitos retroativos à data em que este foi praticado”.
Na verdade, a convalidação nada mais é que a “correção” do ato
administrativo portador de defeito sanável de legalidade, com efeitos
retroativos (ex tunc).

A convalidação consiste em instrumento de que se vale a Administração para


aproveitar atos administrativos eivados de vícios sanáveis, confirmando-os no
todo ou em parte.

A lei 9.784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) estabelece


expressamente que:
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse
público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis
poderão ser convalidados pela própria Administração.

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Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que


decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos,
contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
§ 1º. No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-
se-á da percepção do primeiro pagamento.
§ 2º. Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade
administrativa que importe impugnação à validade do ato.

Para responder às questões da FUNDATEC, lembre-se de que a


convalidação de um ato administrativo somente pode ocorrer em relação aos
vícios sanáveis (hipótese em que o ato administrativo será considerado
anulável), isto é, aqueles detectados nos requisitos “competência” e
“forma”.
Se o ato administrativo apresentar vícios insanáveis (a exemplo
daqueles encontrados nos requisitos “finalidade”, “motivo” e “objeto”),
deverá ser necessariamente anulado. Nesse caso, o ato não pode ser
convalidado por ser considerado nulo.
Apesar de não ser entendimento majoritário na doutrina, é importante
destacar que o professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que também é
possível convalidar atos com vício no objeto ou conteúdo, mas apenas quando
se tratar de conteúdo plúrimo.
Nesse caso, como a vontade administrativa se preordena a mais de uma
providencia administrativa no mesmo ato, é viável suprimir ou alterar alguma
providência e aproveitar o ato quanto às demais, não atingidas por vícios.

Em relação ao requisito “forma”, a convalidação é possível se ela não for


essencial à validade do ato administrativo.

O prazo que a Administração possui para anular os atos ilegais é de 05


(cinco) anos. Ultrapassado esse prazo, considera-se que o ato foi tacitamente
(automaticamente) convalidado, salvo comprovada má-fé do beneficiário.

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RESUMO DE VÉSPERA DE PROVA - RVP

1. A Administração Pública edita dois tipos de atos jurídicos: a) atos que são
regidos pelo Direito Público e, consequentemente, denominados de atos
administrativos e b) atos regidos pelo Direito Privado;
2. Fique atento ao conceito de ato administrativo formulado pelo professor
Hely Lopes Meirelles, pois ele é muito cobrado em questões de concursos:
“ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração
Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir,
resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor
obrigações aos administrados ou a si própria.”
3. São elementos ou requisitos do ato administrativo a competência, a
finalidade, a forma, o motivo e o objeto. Os três primeiros são sempre
vinculados e os dois últimos podem ser vinculados ou discricionários;
4. O motivo, que também é chamado de “causa”, é o pressuposto de fato e
de direito que serve de fundamento para a edição do ato administrativo. O
motivo se manifesta através de ações ou omissões dos agentes públicos, dos
administrados ou, ainda, de necessidades da própria Administração, que
justificam ou impõem a edição de um ato administrativo;
5º. Cuidado para não confundir as expressões “motivo” e “motivação”. O
motivo pode ser entendido como o pressuposto de fato e de direito que
serve de fundamento para a edição do ato administrativo. Por outro lado, a
motivação nada mais é que exposição dos motivos, por escrito, no corpo do
ato administrativo;
6. Segundo a teoria dos motivos determinantes, o motivo alegado pelo
agente público no momento da edição do ato deve corresponder à realidade,
tem que ser verdadeiro, pois, caso contrário, comprovando o interessado que o
motivo informado não guarda qualquer relação com a edição do ato ou que
simplesmente não existe, o ato deverá ser anulado pela própria
Administração ou pelo Poder Judiciário;
7. Não existe um consenso doutrinário sobre a quantidade de atributos
inerentes aos atos administrativos, mas, para responder às questões de provas,
lembre-se da presunção de legitimidade e veracidade, a imperatividade,
a autoexecutoriedade e a tipicidade;

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8. Todo e qualquer ato administrativo é presumivelmente legítimo, ou seja,


considera-se editado em conformidade com a lei, alcançando todos os atos
administrativos editados pela Administração, independentemente da espécie ou
classificação;
9. A presunção de legitimidade será sempre juris tantum (relativa), pois é
assegurado ao interessado recorrer à Administração, ou mesmo ao Poder
Judiciário, para que não seja obrigado a submeter-se aos efeitos do ato,
quando for manifestamente ilegal;
10. A imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem
a terceiros, independentemente de sua concordância ou aquiescência. Ao
contrário do que ocorre na presunção de legitimidade, que não necessita de
previsão em lei, a imperatividade exige expressa autorização legal e não pode
ser aplicada a todos os atos administrativos;
11. A autoexecutoriedade é o atributo que garante ao Poder Público a
possibilidade de obrigar terceiros ao cumprimento dos atos administrativos
editados, sem a necessidade de recorrer ao Poder Judiciário;
12. Nem sempre os atos administrativos irão gozar de autoexecutoriedade e o
exemplo mais comum em provas é o das multas. Nesse caso, apesar da
aplicação de a multa ser decorrente do atributo da imperatividade, se o
particular não efetuar o seu pagamento, a Administração somente poderá
recebê-la se recorrer ao Poder Judiciário, não sendo possível gozar da
autoexecutoriedade;
13. Não existe um consenso doutrinário sobre a possibilidade de incluir a
tipicidade como um dos atributos do ato administrativo, mas, como as
bancas examinadoras gostam muito de utilizar o livro da professora Maria
Sylvia Zanella di Pietro como base para a elaboração de questões, é bom que
você o conheça. Segundo a ilustre professora, podemos entender a tipicidade
como “o atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras
definidas previamente pela lei como aptas a produzir determinados resultados”.
14. Para que você possa responder às questões de concursos públicos sem
medo de ser feliz, lembre-se sempre de que um ato ilegal (contrário ao
ordenamento jurídico) deve ser sempre anulado, nunca revogado. Além
disso, lembre-se ainda de que a anulação desse ato ilegal pode ser efetuada
pelo Poder Judiciário (quando provocado) ou pela própria Administração (de
ofício ou mediante provocação);
15. A anulação de um ato administrativo opera-se com efeitos retroativos (ex
tunc), ou seja, o ato perde os seus efeitos desde o momento de sua edição
(como se nunca tivesse existido), pois não origina direitos;

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16. A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide retirar,


parcial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo válido
e legal, mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser
mais conveniente ou oportuno.
17. O Poder Judiciário, no exercício de suas funções atípicas, também pode
editar atos administrativos (publicação de um edital de licitação, por exemplo).
Sendo assim, posteriormente, caso interesse público superveniente justifique a
revogação do edital licitatório, o próprio Poder Judiciário poderá fazê-lo;
18. Ao contrário do que ocorre na anulação, que produz efeitos “ex tunc”, na
revogação os efeitos serão sempre “ex nunc” (proativos). Isso significa dizer
que a revogação somente produz efeitos prospectivos, ou seja, para frente,
conservando-se todos os efeitos que já haviam sido produzidos;
19. Não podem ser revogados os atos já consumados, que exauriram seus
efeitos; os atos vinculados; os atos que já geraram direitos adquiridos
para os particulares; os atos que integram um procedimento e os
denominados meros atos administrativos;
20. A cassação é o desfazimento de um ato válido em virtude do seu
destinatário ter descumprido os requisitos necessários para a sua
manutenção em vigor. Sendo assim, deve ficar bem claro que o particular,
destinatário do ato, é o único responsável pela sua extinção;
21. A convalidação (correção) de um ato administrativo somente pode ocorrer
em relação aos vícios sanáveis, pois, caso o ato apresente vícios insanáveis,
deverá ser necessariamente anulado.
22. O vício de incompetência admite convalidação, que nesse caso recebe o
nome de ratificação, desde que não se trate de competência outorgada com
exclusividade;
23. Em relação ao requisito “forma”, a convalidação é possível se ela não for
essencial à validade do ato administrativo;
25. O prazo que a Administração possui para anular os atos ilegais é de 05
(cinco) anos. Ultrapassado esse prazo, considera-se que o ato foi tacitamente
(automaticamente) convalidado, salvo comprovada má-fé do beneficiário.

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QUESTÕES COMENTADAS

01. (FUNDATEC/IGP-RS/Perito Criminal - Engenharia Civil/2017)


Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o atributo pelo qual o ato
administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração
Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário, é o da:
a) Presunção de legalidade.
b) Tipicidade.
c) Imperatividade.
d) Autoexecutoriedade.
e) Presunção de legitimidade.

Comentários
A autoexecutoriedade é o atributo que garante ao Poder Público a
possibilidade de obrigar terceiros ao cumprimento dos atos administrativos
editados, sem a necessidade de recorrer ao Poder Judiciário.
O referido atributo garante à Administração Pública a possibilidade de ir
além do que simplesmente impor um dever ao particular (consequência da
imperatividade), mas também utilizar força direta e material no sentido de
garantir que o ato administrativo seja executado.
Gabarito: Letra d.

02. (FUNDATEC/Prefeitura de Porto Alegre-RS/Procurador Municipal -


Bloco I/2016) Respeitando eventual divergência doutrinária, a Lei da
Ação Popular discrimina os elementos que integram, com patamares
diferentes de importância, os atos administrativos: a competência (ou
sujeito), a finalidade, a forma, o motivo e o objeto (ou conteúdo). A
respeito desses elementos (ou requisitos), é INCORRETO afirmar que:
a) A competência atribuída por lei a uma autoridade é irrenunciável, o
que não impede a delegação e a avocação, atos discricionários que
exigem a explicitação dos seus motivos.
b) A finalidade, elemento basilar de todo ato administrativo, é a
consecução do interesse público primário e também pode ser
considerada como exemplo de princípio administrativo.

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c) A forma é o meio pelo qual o ato administrativo se exterioriza,


permitindo que a vontade pública se concretize na realidade
administrativa.
d) O motivo é um requisito presente em todos os atos administrativos,
enquanto a motivação, que não surge como dado necessário em todas
as decisões administrativas, é também considerada um princípio.
e) O objeto (ou conteúdo) de um ato administrativo sempre decorrerá
de uma decisão discricionária do administrador, mesmo que
comprimido pelos limites de escolhas que envolvem critérios técnicos
ou científicos.

Comentários
a) Uma vez que a competência é descrita pela lei, essa será de exercício
obrigatório pelo agente público sempre que o interesse público assim exigir.
Não deve ser exercida ao livre arbítrio do agente, mas nos termos da lei, que
irá definir os seus respectivos limites, inclusive permitindo a sua delegação e/ou
avocação. Além do mais, é importante frisar que o ato administrativo pressupõe
uma causa que fundamente sua edição, também conhecidos como pressupostos
de fato ou de direito. Assertiva correta.
b) A finalidade trata-se de requisito sempre vinculado (previsto em lei) que
impõe a necessidade de respeito ao interesse público no momento da edição
do ato administrativo. Além disso, também é considerado um dos princípios da
administração pública, uma vez que essa tem por objetivo sempre a satisfação
do interesse público. Assertiva correta.
c) A forma, que também é um requisito vinculado do ato administrativo, a
exemplo dos requisitos da competência e finalidade, pode ser entendida como a
exteriorização do ato administrativo, o “modelo” do ato, o modo pelo qual ele
se apresenta ao mundo jurídico. Assertiva correta.
d) O motivo, que também é chamado de “causa”, é o pressuposto de fato e
de direito que serve de fundamento para a edição do ato administrativo. Para
que um ato administrativo seja validamente editado, faz-se necessário que
esteja presente o pressuposto de fato e de direito que autoriza ou
determina a sua edição, portanto, podemos concluir que todo ato administrativo
pressupõe um motivo.
O motivo, conforme acabei de expor, pode ser entendido como o
pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento para a edição do
ato administrativo. Por outro lado, a motivação nada mais é que exposição dos
motivos, por escrito, no corpo do ato administrativo. Dessa forma, nem

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sempre a motivação será necessária nas decisões administrativas, como por


exemplo no ato de exoneração de servidores ocupantes de cargos de confiança
(ou em comissão), que são de livre nomeação e exoneração. Além disso, a
motivação consiste em princípio implícito da administração pública. Assertiva
correta.
e) O Objeto ou conteúdo do ato é entendido como a coisa ou a relação
jurídica sobre a qual recai o ato. Trata-se do efeito jurídico imediato
(primário) que o ato administrativo produz. Este poderá ser vinculado ou
discricionário. Quando o ato for discricionário (a critérios do administrador), seu
objeto também será. Será vinculado, quando o ato assim for. Assertiva
incorreta.
Gabarito: Letra e.

03. (FUNDATEC/Prefeitura de Porto Alegre-RS/Procurador Municipal -


Bloco I) Diferentes são as hipóteses de extinção de um ato
administrativo, para além do mero cumprimento dos seus efeitos, a
forma mais natural. Circunstâncias diversas, atos vinculados ou
discricionários da autoridade pública podem também produzir essa
realidade. Sendo assim, a revogação, a anulação, a caducidade e a
cassação surgem com exemplos consolidados de extinção dos atos
administrativos. A respeito desses institutos do Direito Administrativo,
NÃO é adequado afirmar que:
a) A revogação é um ato discricionário que incide apenas sobre atos
discricionários.
b) A anulação implica na extinção de ato insanável com efeitos
retroativos.
c) A caducidade decorre da superveniência de norma jurídica que
tornou inadmissível situação jurídico-administrativa anteriormente
permitida, tendo significado totalmente distinto da caducidade aplicada
para os contratos de concessão de serviços públicos.
d) A cassação é um exemplo de ato vinculado e sancionatório praticado
em virtude do destinatário do ato ter desatendido condições que
garantiam a sua continuidade.
e) A revogação pode ser utilizada para atingir ato administrativo
viciado, pois o seu motivo é a inconveniência à luz do juízo da
discricionariedade.
Comentários

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a) A revogação é consequência da discricionariedade administrativa


(conveniência e oportunidade), sendo assim, os atos vinculados não
poderão ser revogados. Quando a lei for responsável pela definição de todos
os requisitos do ato administrativo (ato vinculado), não é possível que a
Administração efetue a sua revogação com base na conveniência e
oportunidade (condição necessária para a revogação). Assertiva correta.
b) Quando o ato administrativo é praticado em desacordo com o ordenamento
jurídico vigente, é considerado ilegal. Assim, deve ser anulado pelo Poder
Judiciário (quando provocado) ou pela própria Administração (de ofício ou
mediante provocação).
Vale destacar que a anulação de um ato administrativo opera-se com
efeitos retroativos (ex tunc), isto é, o ato perde os seus efeitos desde o
momento de sua edição (como se nunca tivesse existido), pois não origina
direitos. Assertiva correta.
c) A caducidade ocorre quando a edição de lei superveniente à edição do ato
administrativo impede a continuidade de seus efeitos jurídicos. A professora
Maria Sylvia Zanella di Pietro cita como exemplo o caso de um parque de
diversões que possuía permissão para funcionar em uma região da cidade, mas
que, em razão de nova lei de zoneamento, tornou-se incompatível.
Neste caso, o ato anterior que permitia o funcionamento do parque
naquela região (hoje proibida por lei) deverá ser extinto, pois ocorrerá a
caducidade.
Quanto a caducidade aplicada aos contratos de prestação de serviço
público, ocorrerá mediante inadimplemento ou adimplemento defeituoso
por parte da concessionária e pode ensejar a extinção da concessão antes do
termo final estabelecido no contrato. A essa causa de extinção, a lei 8.987/1995
denomina caducidade. Assertiva correta.
d) A cassação é o desfazimento de um ato válido em virtude do seu
destinatário ter descumprido os requisitos necessários para a sua
manutenção em vigor. Nesse caso, deve ficar bem claro que o particular,
destinatário do ato, é o único responsável pela sua extinção.
e) A Revogação, conforme apontado no comentário da alternativa de letra ‘a’,
consiste em ato proveniente da discricionariedade e ocorrerá por conveniência e
oportunidade. Quando ato apresentar vício, este será anulado em razão da
ilegalidade apresentada. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra e.

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04. (FUNDATEC/SEFAZ-RS/Auditor Fiscal da Receita Estadual - Bloco


2/2014) Os atos administrativos estão sujeitos a um regime jurídico
especial, que se traduz pela conjugação de certos atributos, dentre os
quais se incluem a presunção de legitimidade, imperatividade e
autoexecutoriedade. Analise as seguintes assertivas sobre tais
atributos dos atos administrativos:
I. A presunção de legitimidade indica que o ato administrativo usufrui
de presunção de que foi praticado de acordo com a ordem jurídica e que
o seu conteúdo fático traduz-se como verdadeiro. Este atributo
acompanha todos os atos administrativos.
II. A imperatividade indica que os atos administrativos podem ser
praticados independentemente da vontade dos destinatários. Este
atributo está presente em todos os atos administrativos.
III. A autoexecutoriedade dos atos administrativos impede que os
cidadãos provoquem o controle judicial preventivo sobre os atos
administrativos, ressalvados os casos expressamente autorizados em
lei.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.
Comentários
Item I - Todo e qualquer ato administrativo é presumivelmente legítimo, ou
seja, considera-se editado em conformidade com o direito (leis e princípios).
Essa presunção é consequência da confiança depositada no agente público,
pois se deve partir do pressuposto de que todos os parâmetros e requisitos
legais foram respeitados pelo agente no momento da edição do ato. Assertiva
correta.
Item II - A imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se
impõem a terceiros, independentemente de sua concordância ou
aquiescência.
Ao contrário do que ocorre na presunção de legitimidade, que não necessita
de expressa previsão em lei, a imperatividade exige autorização legal e,
portanto, não incide em relação a todos os atos administrativos. Assertiva
incorreta.

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Item III – Os atos praticados sob o amparo do atributo da autoexecutoriedade


podem ser revistos pelo Poder Judiciário, sempre que provocado pelos
interessados. Para tanto, basta que os interessados demonstrem que tais atos
foram praticados de forma arbitrária, desproporcional, desarrazoada ou
abusiva, por exemplo, para que o Poder Judiciário possa anulá-los
retroativamente.
Gabarito: Letra a.

05. (FUNDATEC/SEFAZ-RS/Técnico Tributário da Receita Estadual -


Prova 2 – 2014) A Administração Pública, no exercício de suas funções,
desempenha uma série de atos administrativos. Sobre esse tema,
analise as seguintes assertivas:
I. Todo ato administrativo, salvo previsão legal em contrário, possui,
dentre os seus atributos, a presunção absoluta de legitimidade.
II. A ‘fé pública’ dos atos administrativos está correlacionada ao
atributo da presunção de validade dos atos administrativos.
III. A presunção de validade dos atos administrativos proporciona a
regra geral de ausência de efeito suspensivo aos recursos interpostos
em relação às decisões administrativas, embora possa o sistema
normativo atribuir efeito suspensivo a certos recursos administrativos.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.
Comentários
Item I – Em que pese todos os atos administrativos sejam dotados de
presunção de legitimidade, esta não é absoluta. O terceiro que se sentir
prejudicado pode provar a ilegalidade do ato para que não seja obrigado a
cumpri-lo. Desse modo, deve ficar claro que a presunção de legitimidade será
sempre juris tantum (relativa), pois é assegurado ao interessado recorrer à
Administração, ou mesmo ao Poder Judiciário, para que não seja obrigado a
submeter-se aos efeitos do ato (que considera ilegítimo ou ilegal). Assertiva
incorreta.

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Item II – A presunção de legitimidade dos atos administrativos é consequência


da confiança depositada no agente público, também conhecida como fé
pública, pois se deve partir do pressuposto de que todos os parâmetros e
requisitos legais foram respeitados pelo agente no momento da edição do ato.
Assertiva correta.
Item III – Por serem presumidamente legítimos, os atos administrativos
produzem efeitos imediatamente após a sua edição, dessa forma, a REGRA
vigente em nosso ordenamento é de que os recursos administrativos não
possuem efeito suspensivo.
Entretanto, havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta
reparação decorrente da decisão que fora proferida, a autoridade poderá, de
ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. Assertiva correta.
Gabarito: Letra e.

06. (FUNDATEC∕Advogado – CEEE RS∕2010) Em relação aos atos


administrativos, marque a alternativa incorreta.
a) Os atos administrativos vinculados, por característica, não admitem
revogação.
b) Como orientação geral, não é tolerável o ato de revogação de uma
revogação.
c) São os requisitos motivo e objeto que revelam a diferença que existe
entre os atos administrativos vinculados e os atos administrativos
discricionários.
d) A presunção de legalidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade
são exemplos de atributos presentes em todos os atos administrativos.
e) Os atos administrativos arbitrários, como regra, devem ser anulados.
Comentários
a) Existem alguns atos administrativos que não podem ser revogados, são eles:
os atos já consumados, que exauriram seus efeitos; os atos vinculados; os atos
que já geraram direitos adquiridos para os particulares; os atos que integram
um procedimento; e os denominados meros atos administrativos, pois, neste
caso, os efeitos são estabelecidos diretamente na lei. Assertiva correta.
b) Não há qualquer impedimento legal ao ato de revogação de uma revogação
anterior. Se o ato B revoga o ato A, por exemplo, este deixa de produzir efeitos.
Todavia, se o ato C posteriormente revoga o ato B, o ato A não será
repristinado automaticamente, salvo se assim dispuser o conteúdo do ato
revogador (ato C). Assertiva correta.

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c) A doutrina majoritária afirma que são cinco os requisitos ou elementos de


validade do ato administrativo: competência, forma, finalidade, motivo e
objeto. Os três primeiros são sempre vinculados, isto é, previamente
estabelecidos e detalhados pela lei. Por outro lado, o “motivo” e o “objeto”
podem ser vinculados ou discricionários. No ato discricionário a lei apenas
estabelece e detalha os requisitos da competência, forma e finalidade, deixando
ao critério da Administração decidir sobre o motivo e o objeto. Assertiva
correta.
d) A presunção de legalidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade
realmente são atributos dos atos administrativos. Todavia, não estão presentes
em todos os atos administrativos. A multa, por exemplo, não goza do atributo
do autoexecutoriedade. Assertiva incorreta.
e) Se o ato administrativo é arbitrário, significa que foi editado em
desconformidade com a lei, portanto, não restam dúvidas de que deve ser
anulado. Assertiva correta.
Gabarito: Letra d

07. (FUNDATEC∕Programador – TJ RS∕2010) Considere as assertivas


abaixo referentes ao ato administrativo.
I - O ato administrativo nulo opera ex nunc.
II - Por ato administrativo discriminatório entende-se aquele praticado
com inteira liberdade pela Administração, podendo ser caracterizado
também como ato arbitrário.
III - Ato jurídico alienatório é aquele que opera transferência de bens
ou direitos de um titular para outro.
Quais são corretas?
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas III
d) Apenas I e III
e) I, II e III

Comentários
Item I – A declaração de nulidade do ato administrativo opera efeitos ex tunc,
isto é, retroage à data de sua edição. Assertiva incorreta.

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Item II – Ato administrativo discricionário é aquele no qual a Administração


Pública possui alternativas ou opções, e, dentre elas, irá escolher a que seja
mais oportuna e conveniente ao interesse público. Assertiva incorreta.
Item III – Alienação é um fato jurídico que indica a transferência da
propriedade de determinado bem móvel, imóvel ou direito de uma pessoa para
outra. Tais bens ou direitos podem ser alienados por força de contratos de
compra e venda, de doação, de permuta e de dação em pagamento através de
ato jurídico alienatório. Assertiva correta.
Gabarito: Letra c.

08. (FUNDATEC∕Procurador – CREA PR/2010) Considere as afirmativas


abaixo, a respeito de atos administrativos.
I. A imperatividade é um atributo existente em todos os atos jurídicos
realizados pela administração pública.
II. O atributo da imperatividade não ocorre nos atos solicitados.
III. O atributo da autoexecutoriedade somente poderá ocorrer se
houver autorização legal ou se a segurança pública o exigir.
IV. Em caso de ilegalidade do ato administrativo, a administração
deverá revogá-lo ou anulá-lo.
Quais estão corretas?
a) Apenas III.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e IV.
d) Apenas II, III e IV.
e) I, II, III e IV.

Comentários

Item I - A imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se


impõem a terceiros, independentemente de sua concordância ou
aquiescência. Ao contrário do que ocorre na presunção de legitimidade, que
não necessita de expressa previsão em lei, a imperatividade exige autorização
legal e, portanto, não incide em relação a todos os atos administrativos, a
exemplo dos pareceres. Assertiva incorreta.

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Item II – É incorreto afirmar que o atributo da imperatividade não está


presente nos atos solicitados, a exemplo daqueles decorrentes de pleitos
particulares. Se um administrado qualquer solicitar a fiscalização em
determinado estabelecimento comercial, por exemplo, não há qualquer
impedimento à aplicação de sanções no exercício do poder disciplinar, que, por
óbvio, gozarão do atributo da imperatividade. Assertiva incorreta.
Item III – A autoexecutoriedade não está presente em todos os atos
administrativos (atos negociais e enunciativos, por exemplo), ocorrendo
somente em duas hipóteses: 1ª) Quando existir expressa previsão legal; e
2ª) em situações emergenciais em que apenas se garantirá a satisfação do
interesse público com a utilização da força estatal. Assertiva correta.
Item IV – A ilegalidade do ato administrativo ensejará a declaração de sua
nulidade (e não revogação), seja pela Administração Pública ou pelo Poder
Judiciário. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra a.

09. (FUNDATEC∕Procurador – CREA PR/2010) Em relação à revogação


do ato administrativo pela Administração Pública, considere as
assertivas abaixo.
I - Constitui-se na supressão do ato administrativo, pela Administração,
por motivo de conveniência e/ou oportunidade, em que pese tratar-se
de ato legal e perfeito.
II - Gera efeitos ex nunc.
III - Somente pode operar-se por decisão judicial.
Quais são corretas?
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas III
d) Apenas I e II
e) I, II e III
Comentários
Item I - A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide
retirar, parcial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo
válido, mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser
mais conveniente ou oportuno. Assertiva correta.

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Item II – A revogação sempre gera efeitos ex nunc, isto é, a partir de sua


declaração no caso em concreto, sem caráter retroativo. Assertiva correta.
Item III – Somente a própria administração pública está autorizada a revogar
ato administrativo que editou. Ao Poder Judiciário incumbe apenas a declaração
de nulidade do ato, se for o caso. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra d.

10. (FUNDATEC∕Procurador – CREA PR/2010) Com relação ao tema atos


administrativos, é incorreto afirmar que:
a) Os atos administrativos discricionários admitem a revogação.
b) A revogação é exemplo de ato administrativo discricionário.
c) Como regra geral, a anulação é um exemplo de ato administrativo
vinculado.
d) Não se admite a revogação de ato administrativo vinculado.
e) A competência, a finalidade e a presunção de legitimidade são
requisitos dos atos administrativos.

Comentários
a) Os atos administrativos discricionários realmente admitem revogação, pois
são editados em conformidade com a conveniência e oportunidade
administrativa. De outro lado, deve ficar bem claro que os atos vinculados não
podem ser revogados, apenas anulados. Assertiva correta.
b) A revogação é exemplo de ato discricionário, pois compete à Administração
Pública decidir sobre o momento mais oportuno e conveniente de fazer cessar
os seus efeitos. Assertiva correta.
c) A Administração Pública está obrigada a anular os atos administrativos
considerados ilegais por vícios insanáveis. Por isso se diz tratar de atividade
vinculada. Assertiva correta.
d) Existem alguns atos administrativos que não podem ser revogados, são eles:
os atos já consumados, que exauriram seus efeitos; os atos vinculados; os atos
que já geraram direitos adquiridos para os particulares; os atos que integram
um procedimento; e os denominados meros atos administrativos, pois, neste
caso, os efeitos são estabelecidos diretamente na lei. Assertiva correta.

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e) São requisitos do ato administrativo a competência, forma, finalidade,


motivo e objeto. De outro lado, são atributos a presunção de legitimidade e
veracidade, imperatividade e autoexecutoriedade. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra e.

11. (FUNDATEC∕Auxiliar Técnico - DETRAN RS∕2013) A invalidação dos


atos administrativos inconvenientes, inoportunos ou ilegítimos
constitui tema de alto interesse para Administração.
A Administração pode desfazer seus próprios atos por considerações de
mérito e de ilegalidade, ao passo que o Judiciário só pode invalidar
quando ilegais.
A declaração de invalidação de uma licitação ilegítima ou ilegal, feita
pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, denomina-se:
a) Rescisão
b) Revogação
c) Cassação.
d) Evocação
e) Anulação.

Comentários
Quando o procedimento licitatório é praticado em desacordo com o
ordenamento jurídico vigente, é considerado ilegal. Assim, deve ser anulado
pelo Poder Judiciário (quando provocado) ou pela própria Administração (de
ofício ou mediante provocação). A anulação opera-se com efeitos retroativos
(ex tunc), isto é, o ato perde os seus efeitos desde o momento de sua
edição (como se nunca tivesse existido), pois não origina direitos.
Gabarito: Letra e.

12. (FUNDATEC∕Procurador – Pref. Flores da Cunha RS∕2012) Maria


Sylvia Di Pietro, em sua obra Direito Administrativo (2011), ao tratar
da atuação administrativa, apresenta a seguinte definição: “Ato
administrativo unilateral, discricionário e precário pelo qual a
Administração faculta ao particular o uso de bem público, ou o
desempenho de atividade material, ou a prática de ato que, sem esse
consentimento, seria legalmente proibido”. Esta definição se refere à

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a) Autorização.
b) Licença.
c) Requisição.
d) Permissão.
e) Concessão.

Comentários
Não restam dúvidas de que o conceito apresentado no enunciado da
questão se refere ao ato administrativo denominado “autorização”.
Trata-se de ato discricionário e precário no qual, quase sempre,
prevalece o interesse do particular. Podem ser revogados pela Administração a
qualquer tempo, sem que, em regra, exista a necessidade de indenização ao
administrado.
Gabarito: Letra a.

13. (FUNDATEC∕Procurador – Pref. Charqueada RS∕2011) A


doutrinadora Maria Sylvia Di Pietro, em sua obra Direito Administrativo
(2011), leciona que o ato administrativo é espécie de ato jurídico que
apresenta atributos que os distinguem dos atos de direito privado.
Indique, dentre as alternativas que seguem, aquela que NÃO
corresponde a atributo dos atos administrativos.
a) Sujeição a regime jurídico de direito público.
b) Presunção de legitimidade e veracidade.
c) Imperatividade.
d) Auto-executoriedade.
e) Atipicidade.

Comentários
Como consequência do regime jurídico-administrativo, que concede à
Administração Pública um conjunto de prerrogativas necessárias ao alcance
do interesse coletivo, os atos administrativos editados pelo Poder Público
gozarão de determinadas qualidades (atributos) não existentes no âmbito do
direito privado.

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Não existe um consenso doutrinário sobre a quantidade de atributos


inerentes aos atos administrativos, mas, para responder às questões da
FUNDATEC, aconselho que você guarde os seguintes: presunção de legitimidade
e veracidade, imperatividade, autoexecutoriedade e tipicidade.
Analisando-se o enunciado da questão, constata-se que a banca referiu-se
a “atributos” em sentido amplo, como sinônimo de “características” do ato
administrativo. Assim, não restam dúvidas de que a sujeição ao regime jurídico
de direito público também pode ser considerada como um de seus atributos.
Gabarito: Letra e.

14. (FUNDATEC∕Auxiliar Técnico – DETRAN RS∕2009) Meirelles, (2009)


define Ato Administrativo como "toda a manifestação unilateral de
vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha
por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e
declarar direitos; ou impor obrigações aos administrados ou a si
própria. " De acordo com esse autor, os atos administrativos estão
agrupados em cinco espécies, a saber:

I - normativos.
II- ordinatórios.
III- negociais.
IV - enunciativos.
V - punitivos.
Qual dos Atos Administrativos, abaixo relacionados, segundo Meirelles,
não é Normativo?
a) Decretos.
b) Regulamentos
c) Instruções Normativas
d) Multas Administrativas.
e) Regimentos
Comentários
Atos normativos são aqueles editados com o objetivo de facilitar a fiel
execução das leis, possuindo comandos gerais e abstratos, tais como os
decretos, regulamentos, as instruções normativas, os regimentos, entre outros.

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Apesar de possuírem comandos gerais e abstratos (assim como acontece


com as leis), os atos normativos não podem inovar na ordem jurídica,
possuindo como limite o texto da lei que regulamentam.
Dentre as alternativas apresentadas pela questão, somente a multa não
pode ser classificada como ato normativo, pois se trata de ato de efeito
concreto, decorrente de violação à legislação vigente.
Gabarito: Letra d.

15. (CETRO∕Advogado – Prefeitura de Manaus∕2012) Correlacione a


característica com a respectiva forma de invalidação dos atos
administrativos e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a
sequência correta.
1. Anulação. ( ) Ato administrativo eivado de
vício de legalidade.
2. Revogação. ( ) Ato administrativo que
apresenta defeito sanável.
3. Convalidação. ( ) Ato administrativo
inconveniente ou inoportuno.
a) 1/ 2/ 3
b) 2/ 3/ 1
c) 3/ 2/ 1
d) 1/ 3/ 2
e) 2/ 1/ 3

Comentários
Item I– Se o ato administrativo está eivado (contaminado) de ilegalidade,
não restam dúvidas de que deverá ser anulado pela própria Administração
Pública ou pelo Poder Judiciário, mediante provocação do interessado.
Item II – Se o ato administrativo apresenta vício sanável (corrigível ou
superável), poderá ser convalidado (corrigido) pela própria Administração
Pública. A propósito, Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que “convalidação é o
ato administrativo através do qual é suprido o vício existente em um ato ilegal,
com efeitos retroativos à data em que este foi praticado”. Nada mais é do que a
“correção” de outro ato administrativo portador de defeito sanável de
legalidade, com efeitos retroativos (ex tunc).

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Item III - A revogação realmente possui fundamento na conveniência e


oportunidade administrativa, podendo ser realizada apenas pela própria
Administração.
Gabarito: Letra d.

16. (CETRO∕Advogado – Prefeitura de Pinheiral RJ∕2008) Assinale,


respectivamente, a denominação da forma de desfazimento de um ato
administrativo, por motivo de conveniência e oportunidade, seguido do
efeito que acompanha esta mesma forma e do agente legitimado para a
prática deste mesmo modelo de desfazimento.
a) Anulação / Efeito “ex tunc” / Juiz de Direito.
b) Revogação / Efeito “ex nunc” / Administrador Público.
c) Anulação / Efeito “ex nunc” / Administrador Público.
d) Revogação / Efeito “ex tunc” / Juiz de Direito.
e) Tredestinação / Efeito “ex tunc” / tanto o Administrador Público
como o Juiz de Direito.

Comentários
A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide
retirar, parcial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo
válido, mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser
mais conveniente ou oportuno.
Deve ficar claro que os efeitos da revogação são ex nunc, isto é, o ato
administrativo revogado produz efeito até a data de publicação do ato
revogador. Ademais, destaca-se que somente o administrador público pode
revogar ato editado no âmbito da própria Administração Pública, sendo possível
ao Poder Judiciário apenas anulá-lo, caso ilegal.
Gabarito: Letra b.

17. (CETRO∕Advogado – LIQUIGÁS∕2007) O ato administrativo se


sujeita a exame de legitimidade por órgão jurisdicional, podendo-se
dizer que “o ato administrativo não faz coisa julgada, podendo aquele
que se julgar prejudicado recorrer ao Poder Judiciário, para garantia de
seus direitos”. Em face dessa característica do ato administrativo,
assinale a alternativa correta.

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a) A invalidação de atos administrativos, portadores de vício de


legalidade, deve ser objeto apenas do exame do Poder Judiciário, que o
anulará.
b) Certos atos administrativos nulos não podem ser objetos de
conversão.
c) Atos administrativos ilegais devem ser retirados do mundo jurídico
só pela Administração Pública.
d) Tendo em vista o princípio da legalidade, aplicado aos atos
praticados no exercício de uma função administrativa, é dever do Poder
Judiciário e da Administração Publica retirar do mundo jurídico atos
administrativos portadores de vício de legalidade.
e) A convalidação, medida de saneamento de atos portadores de vício,
deve sempre ser adotada pela Administração Pública.

Comentários
a) A anulação de ato administrativo, em virtude de vício de legalidade, poderá
ser promovida tanto pela Administração Pública quanto pelo Poder Judiciário
(neste último caso, mediante provocação do interessado). Assertiva incorreta.
b) Maria Sylvia Zanela di Pietro define a conversão como “o ato administrativo
pelo qual a Administração converte um ato inválido em um de outra categoria,
com efeitos retroativos à data original”. Nesse caso, a finalidade da conversão é
permitir que os efeitos do administrativo considerado nulo continuem válidos e
vigentes. Assertiva incorreta.
c) Atos administrativos ilegais podem ser retirados do mundo jurídico pelo
Poder Judiciário ou pela própria Administração Pública, no exercício do poder de
autotutela. Assertiva incorreta.
d) Quando o ato administrativo é praticado em desacordo com o ordenamento
jurídico vigente, é considerado ilegal. Assim, deve ser anulado pelo Poder
Judiciário (quando provocado) ou pela própria Administração (de ofício ou
mediante provocação). Assertiva correta.
e) O art. 55 da lei 9.784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) estabelece
expressamente que “em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao
interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos
sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. Nesse caso,
constata-se que a convalidação não é um dever imposto à Administração
Pública, mas sim uma faculdade.
Gabarito: Letra d.

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18. (CETRO∕Analista Judiciário – TRT SC∕2007) Apresentam-se como


modalidades de desfazimento dos atos administrativos,
respectivamente, por afronta à legalidade e por conveniência ou
oportunidade:
a) desconsideração e representação.
b) anulação e revogação.
c) declaração de inidoneidade e nulificação.
d) revogação e reexame necessário.
e) declaração de inexistência e nulidade.

Comentários
Perceba que as bancas adoram elaborar questões abordando as
diferenças entre revogação e anulação, portanto, fique atento (a) a todos os
detalhes!
Para responder às questões de prova, lembre-se sempre das seguintes
informações:
1º) Que a revogação é consequência da discricionariedade
administrativa (conveniência e oportunidade);
2º) Que os atos inválidos ou ilegais jamais serão revogados, mas sim
anulados;
3º) Que somente a Administração Pública pode revogar os seus próprios
atos administrativos (se o ato foi editado pelo Poder Judiciário, no
exercício da função administrativa, compete ao próprio Judiciário revogá-
lo, se for o caso);
4º) Que a revogação produz efeitos ex nunc, enquanto na anulação os
efeitos são ex tunc.
Gabarito: Letra b.

19. (FCC/ Técnico Judiciário - TRT - 11ª Região/2017) Rodrigo é


servidor público federal e chefe de determinada repartição pública.
Rodrigo indeferiu as férias pleiteadas por um de seus subordinados, o
servidor José, alegando escassez de pessoal na repartição. No entanto,
José comprovou, que há excesso de servidores na repartição pública.
No caso narrado,
a) há vício de motivo no ato administrativo.

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b) o ato deve, obrigatoriamente, permanecer no mundo jurídico, vez


que sequer exigia fundamentação.
c) inexiste vício no ato administrativo, no entanto, o ato comporta
revogação.
d) o ato praticado por Rodrigo encontra-se viciado, no entanto, não
admite anulação, haja vista a discricionariedade administrativa na
hipótese.
e) o objeto do ato administrativo encontra-se viciado.
Comentários
Segundo a teoria dos motivos determinantes, o motivo alegado pelo
agente público, no momento da edição do ato, deve corresponder à realidade,
tem que ser verdadeiro. Caso contrário, comprovando o interessado que o
motivo informado não guarda qualquer relação com a edição do ato ou que
sequer existiu, o ato deverá ser anulado pela própria Administração ou pelo
Poder Judiciário.
O professor Celso Antônio Bandeira de Mello, ao explicar a teoria dos
motivos determinantes, afirma que “os motivos que determinam a vontade do
agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a
validade do ato. Sendo assim, a invocação de ‘motivos de fato’ falsos,
inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando,
conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos
que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos
em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a
obrigação de enunciá-los, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o
justificavam”.
O motivo utilizado por Rodrigo para indeferir as férias pleiteadas por José
foi falso, com isso o ato administrativo apresenta vício de motivo.
GABARITO: LETRA A

20. (FCC/Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador - TRT - 11ª


Região/2017) Considere a seguinte situação hipotética: o Prefeito de
determinado Município de Roraima concedeu autorização para atividade
de extração de areia de importante lago situado no Município. Cumpre
salientar que o ato administrativo preencheu todos os requisitos legais,
bem como foi praticado quando estavam presentes condições fáticas
que não violavam o interesse público. Ocorre que, posteriormente, a
atividade consentida veio a criar malefícios à natureza. No caso
narrado, o ato administrativo emanado pelo Prefeito poderá ser

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a) mantido incólume no mundo jurídico, haja vista que a nova


circunstância fática não gera consequências ao ato já praticado.
b) anulado pela Administração pública ou pelo Judiciário, com efeitos
ex tunc.
c) anulado apenas pelo Poder Judiciário e com efeitos ex nunc.
d) convalidado, com efeitos ex tunc.
e) revogado, com efeitos ex nunc.

Comentários
A questão informa que o ato administrativo, autorização, preencheu todos
os requisitos legais, estando também de acordo como interesse público.
Entretanto, posteriormente o interesse público foi violado em razão de danos a
natureza. A situação retratada remete à prerrogativa que a Administração
Pública tem de rever os seus próprios atos, por meio da anulação para atos
ilegais e da revogação, mediante conveniência ou oportunidade.
Como não houve ilegalidade do ato no caso mostrado, mas houve
posterior ofensa ao interesse público, cabe possível aplicação por parte da
Administração da revogação.
A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide retirar,
parcial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo válido,
mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser mais
conveniente ou oportuno.
Ao revogar um ato administrativo a Administração Pública está declarando
que uma situação, até então oportuna e conveniente ao interesse público, não
mais existe, o que justifica a extinção do ato.
Na revogação os efeitos serão sempre “ex nunc” (proativos). Isso
significa dizer que a revogação somente produz efeitos prospectivos, ou seja,
para frente, conservando-se todos os efeitos que já haviam sido produzidos.
Diante do exposto, afirma-se que o ato administrativo emanado
pelo Prefeito poderá ser revogado, com efeitos ex nunc.
GABARITO: LETRA E

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21. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-SP/2017) A publicação de edital para


realização de concurso público de provas e títulos para provimento de
cargos em órgão público municipal motivou número de inscritos muito
superior ao dimensionado pela Administração pública. Considerando a
ausência de planejamento da Administração para aplicação das provas
para número tão grande de candidatos, bem como que a recente
divulgação da arrecadação municipal mostrou sensível decréscimo
diante da estimativa de receitas, colocando em dúvida a concretude das
nomeações dos eventuais aprovados, a Administração municipal
a) pode anular o certame, em razão dos vícios de legalidade
identificados.
b) deve republicar o edital do concurso público para reduzir os cargos
disponíveis, sob pena de nulidade do certame.
c) pode revogar o certame, em razão das supervenientes razões de
interesse público demonstradas para tanto.
d) pode revogar o certame municipal somente se tiver restado
demonstrada a inexistência de recursos para fazer frente às novas
despesas com as aprovações decorrentes do concurso.
e) deve prosseguir com o certame, republicando o edital para
adiamento da realização da primeira prova, a fim de reorganizar a
aplicação para o novo número de candidatos, sendo vedado revogar o
certame em razão da redução de receitas.

Comentários
a) A questão não apresenta nenhuma situação de ilegalidade no caso narrado,
o que impossibilita prática de anulação do certame. Esse é o teor da súmula
473 do Supremo Tribunal Federal ao afirmar que a “Administração pode anular
os seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais”.
Assertiva incorreta.
b) Não existe o dever da Administração Pública republicar o edital do
concurso, bem como a não redução de cargos disponíveis não acarreta pena de
nulidade, que só ocorre diante de ilegalidade. Republicar o edital, reduzir ou
manter os cargos disponíveis, são atos discricionários da Administração Pública,
decorrentes do interesse público. Assertiva incorreta.
c) A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide retirar,
parcial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo válido,
mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser mais
conveniente ou oportuno.

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Ao revogar um ato administrativo a Administração Pública está declarando


que uma situação, até então oportuna e conveniente ao interesse público, não
mais existe, o que justifica a extinção do ato.
Na situação demonstrada pela questão a Administração Pública pode
entender que razões supervenientes tornaram o certame contrário ao
interesse público, sendo possível a revogação. Assertiva correta.
d) Não é somente a inexistência de recursos para fazer frente às novas
despesas do concurso que pode fundamentar a aplicação da revogação, outros
pontos podem fazer com que o certame deixe de atender ao interesse público,
sendo possível a Administração agir por conveniência ou oportunidade.
Assertiva incorreta.
e) Não existe o dever da Administração Pública prosseguir com o certame,
republicando o edital. Trata-se de ato discricionário da Administração,
decorrentes do interesse público. A revogação é possível por análise de
conveniência ou oportunidade da Administração Pública. Assertiva incorreta.
GABARITO: LETRA C

22. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-SP/2017) Os atos administrativos


são dotados de atributos que lhe conferem peculiaridades em relação
aos atos praticados pela iniciativa privada. Quando dotados do atributo
da autoexecutoriedade
a) não podem ser objeto de controle pelo judiciário, tendo em vista que
podem ser executados diretamente pela própria Administração pública.
b) submetem-se ao controle de legalidade e de mérito realizado pelo
Judiciário, tendo em vista que se trata de medida de exceção, em que a
Administração pública adota medidas materiais para fazer cumprir suas
decisões, ainda que não haja previsão legal.
c) dependem apenas de homologação do Judiciário para serem
executados diretamente pela Administração pública.
d) admitem somente controle judicial posterior, ou seja, após a
execução da decisão pela Administração pública, mas a análise abrange
todos os aspectos do ato administrativo.
e) implicam na prerrogativa da própria Administração executar, por
meios diretos, suas próprias decisões, sendo possível ao Judiciário
analisar a legalidade do ato.
Comentários

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a) Os atos praticados sob o amparo do atributo da autoexecutoriedade podem


ser revistos pelo Poder Judiciário, sempre que provocado pelos
interessados. Para tanto, basta que os interessados demonstrem que tais atos
foram praticados de forma arbitrária, desproporcional, desarrazoada ou
abusiva, por exemplo, para que o Poder Judiciário possa anulá-los
retroativamente. Dessa forma, cabe controle pelo judiciário. Assertiva
incorreta.
b) Não cabe ao Judiciário o controle de mérito quanto a atos praticados sob o
amparo do atributo da autoexecutoriedade, apenas o controle de legalidade. O
mérito decorre da discricionariedade garantida a Administração Pública.
Assertiva incorreta.
c) A autoexecutoriedade é o atributo que garante ao Poder Público a
possibilidade de obrigar terceiros ao cumprimento dos atos administrativos
editados, sem a necessidade de recorrer ao Poder Judiciário. Não é
exigido que o Judiciário homologue ou autorize a autoexecutoriedade
exercida diretamente pela Administração Pública. Assertiva incorreta.
d) A análise feita pelo controle judicial não abrange todos os aspectos do ato
administrativo, apenas o aspecto da legalidade. Assertiva incorreta.
e) Na definição de Hely Lopes Meirelles, "a autoexecutoriedade consiste na
possibilidade que certos atos administrativos ensejam de imediata e direta
execução pela própria Administração, independentemente de ordem judicial".
Ao Judiciário cabe o controle quanto a legalidade do ato. Assertiva correta.
GABARITO: LETRA E

23. (FCC/Analista - Psicólogo - PGE-MT/2016) Agente público produziu


ato administrativo com vício de legalidade. O ato deve ser
a) revogado pela Administração pública, produzindo a revogação
efeitos para o futuro, isto é, a partir da data em que publicado o ato de
revogação.
b) convalidado pela Administração pública, se o vício em questão for
sanável, produzindo a convalidação efeitos apenas para o futuro, a
partir da data de publicação do ato de convalidação.
c) revogado pela Administração pública, produzindo a revogação
efeitos retroativos à data na qual foi publicado.
d) anulado pela Administração pública, produzindo a anulação efeitos
retroativos à data na qual foi publicado.

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e) anulado pela Administração pública, produzindo a anulação efeitos


apenas para o futuro, a partir da data de publicação do ato de anulação.

Comentários
Quando o ato administrativo é praticado em desacordo com o
ordenamento jurídico vigente, é considerado ilegal. Assim, deve ser anulado
pelo Poder Judiciário (quando provocado) ou pela própria Administração (de
ofício ou mediante provocação).
A anulação de um ato administrativo opera-se com efeitos retroativos
(ex tunc), isto é, o ato perde os seus efeitos desde o momento de sua
edição (como se nunca tivesse existido), pois não origina direitos.
Esse é o teor da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal ao afirmar que
a “Administração pode anular os seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos”.
Se agente público produz ato administrativo com vício de legalidade, o ato
deve ser anulado, com efeitos retroativos à data na qual foi publicado.
GABARITO: LETRA D

24. (FCC/Engenheiro Mecânico - COPERGÁS - PE/2016) Cláudio,


servidor público estadual, praticou ato administrativo viciado.
Determinado administrado, ao notar o ocorrido, comunicou ao servidor
o vício, no entanto, houve a convalidação do ato administrativo. A
propósito do tema, é correto afirmar que
a) a Administração pública não tem a opção de retirar ou não o ato
viciado do mundo jurídico; o que ela pode é extirpar o ato viciado
através do instituto da revogação.
b) todo ato administrativo viciado deve ser anulado pela Administração
pública, não importando o vício nele contido.
c) nem sempre é possível a convalidação do ato administrativo;
depende do tipo de vício que atinge o ato.
d) a Administração pública pode, por razões de conveniência e
oportunidade, manter hígido ato administrativo viciado, não
importando o vício nele contido.
e) se o vício existente no ato encontra-se no motivo do ato
administrativo, agiu corretamente a Administração pública.

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Comentários
Segundo a professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, “convalidação é o ato
administrativo através do qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com
efeitos retroativos à data em que este foi praticado”.
Na verdade, a convalidação nada mais é que a “correção” do ato
administrativo portador de defeito sanável de legalidade, com efeitos
retroativos (ex tunc).
A convalidação de um ato administrativo somente pode ocorrer em
relação aos vícios sanáveis (hipótese em que o ato administrativo será
considerado anulável), isto é, aqueles detectados nos requisitos
“competência” e “forma”.
Se o ato administrativo apresentar vícios insanáveis (a exemplo
daqueles encontrados nos requisitos “finalidade”, “motivo” e “objeto”),
deverá ser necessariamente anulado. Nesse caso, o ato não pode ser
convalidado por ser considerado nulo.
É cabível afirmar que nem sempre a convalidação do ato
administrativo é possível, depende do tipo de vício que atinge o ato, com a
necessária análise sobre o vício ser sanável ou insanável.
GABARITO: LETRA C

25. (FCC/ Administrador-DPE-RR/2015) Os atos administrativos podem


ser vinculados ou discricionários, residindo o cerne da diferenciação
entre ambos
a) no controle judicial de mérito aplicável apenas aos segundos.
b) na obrigatoriedade da motivação existente apenas nos primeiros.
c) no controle de legalidade aplicável apenas aos primeiros.
d) no juízo de conveniência e oportunidade próprio dos segundos, que
constituem o seu mérito.
e) na faculdade de revogação atribuída à Administração apenas em
relação aos primeiros.
Comentários
a) O controle dos atos administrativos, exercido pelo Poder Judiciário, não
abrange o respectivo mérito, pois se trata de campo de atuação reservado ao
administrador público. Assertiva incorreta.

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b) Em regra, tanto os atos administrativos vinculados quanto os discricionários


devem ser motivados. Uma das raras exceções de dispensa de motivação é a
nomeação e exoneração para cargos de confiança. Assertiva incorreta.
c) Todos os atos administrativos estão sujeitos ao controle de legalidade, sejam
eles discricionários ou vinculados. Assertiva incorreta.
d) No ato discricionário a Administração possui alternativas ou opções, e,
dentre elas, irá escolher a que seja mais oportuna e conveniente ao interesse
público. Assertiva correta.
e) A prerrogativa assegurada à Administração Pública de revogar os seus
próprios atos administrativos somente alcança os discricionários, pois os atos
vinculados possuem todos os seus requisitos previstos expressamente no texto
legal. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra d.

26. (FCC/ Auxiliar da Fiscalização Financeira II /TCE-SP/2015)


Considere que o responsável pela consultoria jurídica da Secretaria de
Estado do Meio Ambiente tenha proferido parecer, em resposta à
consulta formulada por órgão técnico encarregado de licenciamento
ambiental, acerca dos requisitos jurídicos aplicáveis à situação narrada,
correspondente a obras de transposição de águas entre reservatórios
que abastecem a região metropolitana. Referido parecer jurídico
a) constitui um ato da Administração, porém não corresponde a um ato
administrativo, eis que este somente se caracteriza quando possua
efeito enunciativo.
b) constitui uma manifestação da função administrativa atípica do
órgão jurisdicional, não podendo, portanto, ser considerado ato
administrativo em sentido formal.
c) é, formalmente, um ato administrativo de natureza enunciativa, que
produz efeitos jurídicos apenas no âmbito interno.
d) não é, materialmente, um ato administrativo em sentido estrito,
dado que encerra uma opinião e não uma manifestação de vontade da
Administração que produza efeitos concretos.
e) é, materialmente, um ato administrativo eis que emanado de órgão
integrante do Poder Executivo, independentemente de produzir efeitos
concretos em face de terceiros.

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Comentários
José dos Santos Carvalho Filho afirma que os pareceres consubstanciam
opiniões, pontos de vista de alguns agentes administrativos sobre matéria
submetida à sua apreciação. Em alguns casos, a Administração não está
obrigada a formalizá-los para a prática de determinado ato; diz-se, então, que
o parecer é facultativo. Quando é emitido "por solicitação de órgão ativo ou de
controle, em virtude de preceito normativo que prescreve a sua solicitação,
como preliminar à emanação do ato que lhe é próprio", dir-se-á obrigatório.
Nessa hipótese, o parecer integra o processo de formação do ato, de modo que
sua ausência ofende o elemento formal, inquinando-o, assim, de vício de
legalidade.
No julgamento do mandado de segurança nº 24.073/DF, o Supremo
Tribunal Federal decidiu que o parecer não é, materialmente, ato
administrativo em sentido estrito, sendo, quando muito, ato de
administração consultiva, que visa a informar, elucidar, sugerir providências
administrativas a serem estabelecidas nos atos de administração ativa.
Gabarito: Letra d.

27. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-PB/2015) A imperatividade que


reveste os atos administrativos
a) independe da presença dos elementos ou requisitos, visto que se
trata de mera exteriorização da vontade da Administração pública, que
sempre se impõe ao administrado independentemente de sua vontade.
b) substitui a decisão judicial quanto à possibilidade de se fazer válido,
dependendo apenas da concordância do destinatário.
c) impõe aos destinatários dos mesmos sua obrigatoriedade, como
atributo destinado a garantir o interesse público, que é a finalidade de
toda a atuação da Administração pública.
d) se vincula diretamente à eficácia, esta que enseja auto-
executoriedade a todos os atos que predica.
e) se relaciona com a eficácia, na medida em que é a exteriorização dos
efeitos do ato, mas distingue-se da exequibilidade, que depende de
intervenção judicial.

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Comentários
a) Ao contrário do que ocorre na presunção de legitimidade, que não
necessita de expressa previsão em lei, a imperatividade exige autorização legal
e, portanto, não incide em relação a todos os atos administrativos. Assertiva
incorreta.
b) A imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a
terceiros, independentemente de sua concordância ou aquiescência. Assertiva
incorreta.
c) É o atributo da imperatividade que permite à Administração, por exemplo,
aplicar multas de trânsito, constituir obrigação tributária que vincule o
particular ao pagamento de imposto de renda, entre outros. Assertiva correta.
d) A imperatividade é atributo que não alcança todos os atos administrativos,
já que os atos meramente enunciativos ou os que conferem direitos solicitados
pelos administrados não ostentam referido atributo. Assertiva incorreta.
e) A imperatividade realmente se relaciona com a eficácia do ato, pois permite
à sua imposição a terceiros independentemente da concordância. Todavia, da
mesma forma que ocorre em relação à autoexecutoriedade, não necessidade de
autorização judicial. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra c.

28. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-PB/2015) A extinção do ato


administrativo pode se dar por diversos fundamentos, sendo que a
extinção dos atos discricionários
a) pode se dar somente por meio de revogação, pois desconstrói
elementos de conveniência e oportunidade.
b) pode se dar pela própria Administração, em razão do poder de
revisão de seus próprios atos, por meio de anulação dos atos ilegais e
dos atos inconvenientes e inoportunos.
c) depende de decisão judicial, por motivo de ilegalidade, tendo em
vista que impacta na esfera jurídica dos administrados e de terceiros.
d) pode se dar por vício de legalidade, caso de anulação, ou por
conveniência e oportunidade fundada em motivos de interesse público,
caso de revogação.
e) depende de decisão judicial, tendo em vista que o administrador não
pode rever os motivos de conveniência e oportunidade que o levaram à
prática do ato.

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Comentários
a) A extinção dos atos administrativos discricionários não ocorre apenas por
meio da revogação, pois, caso sejam ilegais, também estão sujeitos à anulação.
Assertiva incorreta.
b) Se o ato é ilegal, jamais pode ser revogado. Nesse caso, deve ser anulado
pela própria Administração Pública ou pelo Poder Judiciário. Assertiva incorreta.
c) Nos termos da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, “a administração
pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”. Assertiva incorreta.
d) A anulação de um ato administrativo, por razões de ilegalidade, pode ser
realizada pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, produzindo
efeitos ex tunc (retroativos). Por outro lado, a revogação (que ocorre com
fundamento na conveniência e oportunidade administrativa) somente pode
ser realizada pela própria Administração, produzindo efeitos ex nunc (não
retroativos). Assertiva correta.
e) Se o ato administrativo discricionário não é mais conveniente ou oportuno
para o interesse público a própria Administração Pública possui a prerrogativa
de revogá-lo, independentemente de intervenção judicial. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra d.

29. (FCC/ Técnico Judiciário - TRT 9ª REGIÃO (PR)/2015) O atributo


do ato administrativo que permite que ele seja “posto em execução
pela própria Administração pública, sem necessidade de intervenção do
Poder Judiciário" (PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di. Direito
Administrativo. 28. ed., São Paulo:Atlas, p. 243), é a:
a) imperatividade, porque cria obrigações e se impõe
independentemente da concordância do destinatário do ato ou de
terceiros.
b) autoexecutoriedade, que deve estar prevista em lei, como a
autorização para apreensão de mercadorias e interdição de
estabelecimentos.
c) autoexecutoriedade, sempre que a discricionariedade administrativa
entender mais útil ou pertinente agir desde logo, sem aguardar a
conclusão das diligências em curso.

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d) imperatividade, que autoriza o emprego de meios próprios de


execução dos próprios atos, indiretamente, como a imposição de
multas, ou diretamente, com a demolição de construções.
e) exigibilidade, que trata apenas de meios diretos de coercibilidade,
inclusive materiais, como interdição de estabelecimentos, apreensão de
mercadorias e demolição de construções.

Comentários
A autoexecutoriedade é o atributo que garante ao Poder Público a possibilidade
de obrigar terceiros ao cumprimento dos atos administrativos editados, sem
a necessidade de recorrer ao Poder Judiciário.
O referido atributo garante à Administração Pública a possibilidade de ir além
do que simplesmente impor um dever ao particular (consequência da
imperatividade), mas também utilizar força direta e material no sentido de
garantir que o ato administrativo seja executado.
A autoexecutoriedade não está presente em todos os atos administrativos (atos
negociais e enunciativos, por exemplo), ocorrendo somente em duas hipóteses:
1ª) Quando existir expressa previsão legal; 2ª) Em situações emergenciais
em que apenas se garantirá a satisfação do interesse público com a utilização
da força estatal.
Gabarito: Letra b.

30. (FCC/ Analista Judiciário - TRT - 9ª REGIÃO (PR)/2015) Não


obstante a presunção de veracidade e de legitimidade de que são
predicados os atos administrativos, há vícios que podem eivá-los e,
diante deles, as consequências podem ser diversas.
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, ao tratar dos vícios relativos aos
atos administrativos, nos traz a seguinte lição: Assim, haverá vício em
relação (...) quando qualquer desses requisitos deixar de ser
observado, o que ocorrerá quando for: 1. Proibido pela lei; por
exemplo: um Município que desaproprie bem imóvel da União; 2.
Diverso do previsto na lei para o caso sobre o qual incide; por exemplo:
a autoridade aplica a pena de suspensão, quando cabível a de
repreensão 3. Impossível, porque os efeitos pretendidos são
irrealizáveis, de fato ou de direito; por exemplo: a nomeação para um
cargo inexistente; (...) (Direito Administrativo, 28ª edição. São Paulo,
Atlas, p. 287).

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Adequada relação de identificação entre o vício tratado pela autora e a


consequência por ele imposta ao ato administrativo é aquela que trata
de vício quanto
a) ao objeto, que eiva de nulidade o ato, pois são atos insanáveis, na
medida em que eventual correção do objeto para hipótese legalmente
prevista enseja a prática de ato distinto, não de convalidação.
b) à finalidade, que pode ser sanado, com a indicação de uma finalidade
válida, ainda que não seja aquela pretendida pela Administração.
c) à competência, que, em regra, não pode ser sanado, tendo em vista
que a divisão de atribuições e competências não admite delegação,
salvo expressa disposição em contrário.
d) à forma, que não pode ser sanado em razão do princípio da
formalidade que impera no processo administrativo e que se presta a
tutelar os direitos e garantias fundamentais dos administrados.
e) aos motivos, que podem ser sanados, desde que o resultado obtido
seja legalmente previsto, pois é possível conformar a motivação da
prática do ato para atingimento daquela finalidade.
Comentários
a) Para Maria Sylvia Zanella di Pietro, o vício no objeto realmente torna o ato
nulo, insuscetível de convalidação. Todavia, deve ficar claro que José dos
Carvalho Filho tem posicionamento um pouco diferente (e que também já foi
cobrado em provas da FCC). Para o autor, também é possível convalidar atos
com vício no objeto ou conteúdo, mas apenas quando se tratar de conteúdo
plúrimo. Nesse caso, como a vontade administrativa se preordena a mais de
uma providencia administrativa no mesmo ato, é viável suprimir ou alterar
alguma providência e aproveitar o ato quanto às demais, não atingidas por
qualquer vício. Assertiva correta.
b) Em relação à finalidade, se o ato foi praticado contra o interesse público ou
com finalidade diversa da que decorre da lei, também não é possível a sua
correção; não se pode corrigir um resultado que estava na intenção do agente
que praticou o ato. Assertiva incorreta.
c) O vício de competência no ato administrativo pode ser convalidado
(corrigido), desde que não se trate de competência atribuída com
exclusividade. Se um Ministro de Estado editou ato cuja competência
originária era do Presidente da República, por exemplo, basta que este edite
novo ato ratificando o ato anterior editado por aquele. Todavia, se o Ministro de
Estado tiver editado um decreto regulamentar, por exemplo, o ato
administrativo não poderá ser convalidado, pois se trata de competência

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exclusiva do Presidente da República, que não permite delegação. Assertiva


incorreta.
d) Em relação à forma, admite-se a convalidação, desde que não seja essencial
à validade do ato. Assertiva incorreta.
e) Quanto ao motivo, nunca é possível a convalidação. No que se refere ao
motivo, isto ocorre porque ele corresponde a situação de fato que ou ocorreu ou
não ocorreu; não há corno alterar, com efeito retroativo, urna situação de fato.
Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra a.

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RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO

01. (FUNDATEC/IGP-RS/Perito Criminal - Engenharia Civil/2017)


Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o atributo pelo qual o ato
administrativo pode ser posto em execução pela própria Administração
Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário, é o da:
a) Presunção de legalidade.
b) Tipicidade.
c) Imperatividade.
d) Autoexecutoriedade.
e) Presunção de legitimidade.

02. (FUNDATEC/Prefeitura de Porto Alegre-RS/Procurador Municipal -


Bloco I/2016) Respeitando eventual divergência doutrinária, a Lei da
Ação Popular discrimina os elementos que integram, com patamares
diferentes de importância, os atos administrativos: a competência (ou
sujeito), a finalidade, a forma, o motivo e o objeto (ou conteúdo). A
respeito desses elementos (ou requisitos), é INCORRETO afirmar que:
a) A competência atribuída por lei a uma autoridade é irrenunciável, o
que não impede a delegação e a avocação, atos discricionários que
exigem a explicitação dos seus motivos.
b) A finalidade, elemento basilar de todo ato administrativo, é a
consecução do interesse público primário e também pode ser
considerada como exemplo de princípio administrativo.
c) A forma é o meio pelo qual o ato administrativo se exterioriza,
permitindo que a vontade pública se concretize na realidade
administrativa.
d) O motivo é um requisito presente em todos os atos administrativos,
enquanto a motivação, que não surge como dado necessário em todas
as decisões administrativas, é também considerada um princípio.
e) O objeto (ou conteúdo) de um ato administrativo sempre decorrerá
de uma decisão discricionária do administrador, mesmo que
comprimido pelos limites de escolhas que envolvem critérios técnicos
ou científicos.

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03. (FUNDATEC/Prefeitura de Porto Alegre-RS/Procurador Municipal -


Bloco I) Diferentes são as hipóteses de extinção de um ato
administrativo, para além do mero cumprimento dos seus efeitos, a
forma mais natural. Circunstâncias diversas, atos vinculados ou
discricionários da autoridade pública podem também produzir essa
realidade. Sendo assim, a revogação, a anulação, a caducidade e a
cassação surgem com exemplos consolidados de extinção dos atos
administrativos. A respeito desses institutos do Direito Administrativo,
NÃO é adequado afirmar que:
a) A revogação é um ato discricionário que incide apenas sobre atos
discricionários.
b) A anulação implica na extinção de ato insanável com efeitos
retroativos.
c) A caducidade decorre da superveniência de norma jurídica que
tornou inadmissível situação jurídico-administrativa anteriormente
permitida, tendo significado totalmente distinto da caducidade aplicada
para os contratos de concessão de serviços públicos.
d) A cassação é um exemplo de ato vinculado e sancionatório praticado
em virtude do destinatário do ato ter desatendido condições que
garantiam a sua continuidade.
e) A revogação pode ser utilizada para atingir ato administrativo
viciado, pois o seu motivo é a inconveniência à luz do juízo da
discricionariedade.

04. (FUNDATEC/SEFAZ-RS/Auditor Fiscal da Receita Estadual - Bloco


2/2014) Os atos administrativos estão sujeitos a um regime jurídico
especial, que se traduz pela conjugação de certos atributos, dentre os
quais se incluem a presunção de legitimidade, imperatividade e
autoexecutoriedade. Analise as seguintes assertivas sobre tais
atributos dos atos administrativos:
I. A presunção de legitimidade indica que o ato administrativo usufrui
de presunção de que foi praticado de acordo com a ordem jurídica e que
o seu conteúdo fático traduz-se como verdadeiro. Este atributo
acompanha todos os atos administrativos.
II. A imperatividade indica que os atos administrativos podem ser
praticados independentemente da vontade dos destinatários. Este
atributo está presente em todos os atos administrativos.

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III. A autoexecutoriedade dos atos administrativos impede que os


cidadãos provoquem o controle judicial preventivo sobre os atos
administrativos, ressalvados os casos expressamente autorizados em
lei.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.

05. (FUNDATEC/SEFAZ-RS/Técnico Tributário da Receita Estadual -


Prova 2 – 2014) A Administração Pública, no exercício de suas funções,
desempenha uma série de atos administrativos. Sobre esse tema,
analise as seguintes assertivas:
I. Todo ato administrativo, salvo previsão legal em contrário, possui,
dentre os seus atributos, a presunção absoluta de legitimidade.
II. A ‘fé pública’ dos atos administrativos está correlacionada ao
atributo da presunção de validade dos atos administrativos.
III. A presunção de validade dos atos administrativos proporciona a
regra geral de ausência de efeito suspensivo aos recursos interpostos
em relação às decisões administrativas, embora possa o sistema
normativo atribuir efeito suspensivo a certos recursos administrativos.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.

06. (FUNDATEC∕Advogado – CEEE RS∕2010) Em relação aos atos


administrativos, marque a alternativa incorreta.
a) Os atos administrativos vinculados, por característica, não admitem
revogação.

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b) Como orientação geral, não é tolerável o ato de revogação de uma


revogação.
c) São os requisitos motivo e objeto que revelam a diferença que existe
entre os atos administrativos vinculados e os atos administrativos
discricionários.
d) A presunção de legalidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade
são exemplos de atributos presentes em todos os atos administrativos.
e) Os atos administrativos arbitrários, como regra, devem ser anulados.

07. (FUNDATEC∕Programador – TJ RS∕2010) Considere as assertivas


abaixo referentes ao ato administrativo.
I - O ato administrativo nulo opera ex nunc.
II - Por ato administrativo discriminatório entende-se aquele praticado
com inteira liberdade pela Administração, podendo ser caracterizado
também como ato arbitrário.
III - Ato jurídico alienatório é aquele que opera transferência de bens
ou direitos de um titular para outro.
Quais são corretas?
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas III
d) Apenas I e III
e) I, II e III

08. (FUNDATEC∕Procurador – CREA PR/2010) Considere as afirmativas


abaixo, a respeito de atos administrativos.
I. A imperatividade é um atributo existente em todos os atos jurídicos
realizados pela administração pública.
II. O atributo da imperatividade não ocorre nos atos solicitados.
III. O atributo da autoexecutoriedade somente poderá ocorrer se
houver autorização legal ou se a segurança pública o exigir.
IV. Em caso de ilegalidade do ato administrativo, a administração
deverá revogá-lo ou anulá-lo.
Quais estão corretas?

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a) Apenas III.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e IV.
d) Apenas II, III e IV.
e) I, II, III e IV.

09. (FUNDATEC∕Procurador – CREA PR/2010) Em relação à revogação


do ato administrativo pela Administração Pública, considere as
assertivas abaixo.
I - Constitui-se na supressão do ato administrativo, pela Administração,
por motivo de conveniência e/ou oportunidade, em que pese tratar-se
de ato legal e perfeito.
II - Gera efeitos ex nunc.
III - Somente pode operar-se por decisão judicial.
Quais são corretas?
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas III
d) Apenas I e II
e) I, II e III

10. (FUNDATEC∕Procurador – CREA PR/2010) Com relação ao tema atos


administrativos, é incorreto afirmar que:
a) Os atos administrativos discricionários admitem a revogação.
b) A revogação é exemplo de ato administrativo discricionário.
c) Como regra geral, a anulação é um exemplo de ato administrativo
vinculado.
d) Não se admite a revogação de ato administrativo vinculado.
e) A competência, a finalidade e a presunção de legitimidade são
requisitos dos atos administrativos.

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11. (FUNDATEC∕Auxiliar Técnico - DETRAN RS∕2013) A invalidação dos


atos administrativos inconvenientes, inoportunos ou ilegítimos
constitui tema de alto interesse para Administração.
A Administração pode desfazer seus próprios atos por considerações de
mérito e de ilegalidade, ao passo que o Judiciário só pode invalidar
quando ilegais.
A declaração de invalidação de uma licitação ilegítima ou ilegal, feita
pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, denomina-se:
a) Rescisão
b) Revogação
c) Cassação.
d) Evocação
e) Anulação.

12. (FUNDATEC∕Procurador – Pref. Flores da Cunha RS∕2012) Maria


Sylvia Di Pietro, em sua obra Direito Administrativo (2011), ao tratar
da atuação administrativa, apresenta a seguinte definição: “Ato
administrativo unilateral, discricionário e precário pelo qual a
Administração faculta ao particular o uso de bem público, ou o
desempenho de atividade material, ou a prática de ato que, sem esse
consentimento, seria legalmente proibido”. Esta definição se refere à
a) Autorização.
b) Licença.
c) Requisição.
d) Permissão.
e) Concessão.

13. (FUNDATEC∕Procurador – Pref. Charqueada RS∕2011) A


doutrinadora Maria Sylvia Di Pietro, em sua obra Direito Administrativo
(2011), leciona que o ato administrativo é espécie de ato jurídico que
apresenta atributos que os distinguem dos atos de direito privado.
Indique, dentre as alternativas que seguem, aquela que NÃO
corresponde a atributo dos atos administrativos.
a) Sujeição a regime jurídico de direito público.
b) Presunção de legitimidade e veracidade.
c) Imperatividade.

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d) Auto-executoriedade.
e) Atipicidade.

14. (FUNDATEC∕Auxiliar Técnico – DETRAN RS∕2009) Meirelles, (2009)


define Ato Administrativo como "toda a manifestação unilateral de
vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha
por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e
declarar direitos; ou impor obrigações aos administrados ou a si
própria. " De acordo com esse autor, os atos administrativos estão
agrupados em cinco espécies, a saber:
I - normativos.
II- ordinatórios.
III- negociais.
IV - enunciativos.
V - punitivos.
Qual dos Atos Administrativos, abaixo relacionados, segundo Meirelles,
não é Normativo?
a) Decretos.
b) Regulamentos
c) Instruções Normativas
d) Multas Administrativas.
e) Regimentos

15. (CETRO∕Advogado – Prefeitura de Manaus∕2012) Correlacione a


característica com a respectiva forma de invalidação dos atos
administrativos e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a
sequência correta.
1. Anulação. ( ) Ato administrativo eivado de
vício de legalidade.
2. Revogação. ( ) Ato administrativo que
apresenta defeito sanável.
3. Convalidação. ( ) Ato administrativo
inconveniente ou inoportuno.

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a) 1/ 2/ 3
b) 2/ 3/ 1
c) 3/ 2/ 1
d) 1/ 3/ 2
e) 2/ 1/ 3

16. (CETRO∕Advogado – Prefeitura de Pinheiral RJ∕2008) Assinale,


respectivamente, a denominação da forma de desfazimento de um ato
administrativo, por motivo de conveniência e oportunidade, seguido do
efeito que acompanha esta mesma forma e do agente legitimado para a
prática deste mesmo modelo de desfazimento.
a) Anulação / Efeito “ex tunc” / Juiz de Direito.
b) Revogação / Efeito “ex nunc” / Administrador Público.
c) Anulação / Efeito “ex nunc” / Administrador Público.
d) Revogação / Efeito “ex tunc” / Juiz de Direito.
e) Tredestinação / Efeito “ex tunc” / tanto o Administrador Público
como o Juiz de Direito.

17. (CETRO∕Advogado – LIQUIGÁS∕2007) O ato administrativo se


sujeita a exame de legitimidade por órgão jurisdicional, podendo-se
dizer que “o ato administrativo não faz coisa julgada, podendo aquele
que se julgar prejudicado recorrer ao Poder Judiciário, para garantia de
seus direitos”. Em face dessa característica do ato administrativo,
assinale a alternativa correta.
a) A invalidação de atos administrativos, portadores de vício de
legalidade, deve ser objeto apenas do exame do Poder Judiciário, que o
anulará.
b) Certos atos administrativos nulos não podem ser objetos de
conversão.
c) Atos administrativos ilegais devem ser retirados do mundo jurídico
só pela Administração Pública.
d) Tendo em vista o princípio da legalidade, aplicado aos atos
praticados no exercício de uma função administrativa, é dever do Poder
Judiciário e da Administração Publica retirar do mundo jurídico atos
administrativos portadores de vício de legalidade.
e) A convalidação, medida de saneamento de atos portadores de vício,
deve sempre ser adotada pela Administração Pública.

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18. (CETRO∕Analista Judiciário – TRT SC∕2007) Apresentam-se como


modalidades de desfazimento dos atos administrativos,
respectivamente, por afronta à legalidade e por conveniência ou
oportunidade:
a) desconsideração e representação.
b) anulação e revogação.
c) declaração de inidoneidade e nulificação.
d) revogação e reexame necessário.
e) declaração de inexistência e nulidade.

19. (FCC/ Técnico Judiciário - TRT - 11ª Região/2017) Rodrigo é


servidor público federal e chefe de determinada repartição pública.
Rodrigo indeferiu as férias pleiteadas por um de seus subordinados, o
servidor José, alegando escassez de pessoal na repartição. No entanto,
José comprovou, que há excesso de servidores na repartição pública.
No caso narrado,
a) há vício de motivo no ato administrativo.
b) o ato deve, obrigatoriamente, permanecer no mundo jurídico, vez
que sequer exigia fundamentação.
c) inexiste vício no ato administrativo, no entanto, o ato comporta
revogação.
d) o ato praticado por Rodrigo encontra-se viciado, no entanto, não
admite anulação, haja vista a discricionariedade administrativa na
hipótese.
e) o objeto do ato administrativo encontra-se viciado.

20. (FCC/Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador - TRT - 11ª


Região/2017) Considere a seguinte situação hipotética: o Prefeito de
determinado Município de Roraima concedeu autorização para atividade
de extração de areia de importante lago situado no Município. Cumpre
salientar que o ato administrativo preencheu todos os requisitos legais,
bem como foi praticado quando estavam presentes condições fáticas
que não violavam o interesse público. Ocorre que, posteriormente, a
atividade consentida veio a criar malefícios à natureza. No caso
narrado, o ato administrativo emanado pelo Prefeito poderá ser

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a) mantido incólume no mundo jurídico, haja vista que a nova


circunstância fática não gera consequências ao ato já praticado.
b) anulado pela Administração pública ou pelo Judiciário, com efeitos
ex tunc.
c) anulado apenas pelo Poder Judiciário e com efeitos ex nunc.
d) convalidado, com efeitos ex tunc.
e) revogado, com efeitos ex nunc.

21. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-SP/2017) A publicação de edital para


realização de concurso público de provas e títulos para provimento de
cargos em órgão público municipal motivou número de inscritos muito
superior ao dimensionado pela Administração pública. Considerando a
ausência de planejamento da Administração para aplicação das provas
para número tão grande de candidatos, bem como que a recente
divulgação da arrecadação municipal mostrou sensível decréscimo
diante da estimativa de receitas, colocando em dúvida a concretude das
nomeações dos eventuais aprovados, a Administração municipal
a) pode anular o certame, em razão dos vícios de legalidade
identificados.
b) deve republicar o edital do concurso público para reduzir os cargos
disponíveis, sob pena de nulidade do certame.
c) pode revogar o certame, em razão das supervenientes razões de
interesse público demonstradas para tanto.
d) pode revogar o certame municipal somente se tiver restado
demonstrada a inexistência de recursos para fazer frente às novas
despesas com as aprovações decorrentes do concurso.
e) deve prosseguir com o certame, republicando o edital para
adiamento da realização da primeira prova, a fim de reorganizar a
aplicação para o novo número de candidatos, sendo vedado revogar o
certame em razão da redução de receitas.

22. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-SP/2017) Os atos administrativos


são dotados de atributos que lhe conferem peculiaridades em relação
aos atos praticados pela iniciativa privada. Quando dotados do atributo
da autoexecutoriedade

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a) não podem ser objeto de controle pelo judiciário, tendo em vista que
podem ser executados diretamente pela própria Administração pública.
b) submetem-se ao controle de legalidade e de mérito realizado pelo
Judiciário, tendo em vista que se trata de medida de exceção, em que a
Administração pública adota medidas materiais para fazer cumprir suas
decisões, ainda que não haja previsão legal.
c) dependem apenas de homologação do Judiciário para serem
executados diretamente pela Administração pública.
d) admitem somente controle judicial posterior, ou seja, após a
execução da decisão pela Administração pública, mas a análise abrange
todos os aspectos do ato administrativo.
e) implicam na prerrogativa da própria Administração executar, por
meios diretos, suas próprias decisões, sendo possível ao Judiciário
analisar a legalidade do ato.

23. (FCC/Analista - Psicólogo - PGE-MT/2016) Agente público produziu


ato administrativo com vício de legalidade. O ato deve ser
a) revogado pela Administração pública, produzindo a revogação
efeitos para o futuro, isto é, a partir da data em que publicado o ato de
revogação.
b) convalidado pela Administração pública, se o vício em questão for
sanável, produzindo a convalidação efeitos apenas para o futuro, a
partir da data de publicação do ato de convalidação.
c) revogado pela Administração pública, produzindo a revogação
efeitos retroativos à data na qual foi publicado.
d) anulado pela Administração pública, produzindo a anulação efeitos
retroativos à data na qual foi publicado.
e) anulado pela Administração pública, produzindo a anulação efeitos
apenas para o futuro, a partir da data de publicação do ato de anulação.

24. (FCC/Engenheiro Mecânico - COPERGÁS - PE/2016) Cláudio,


servidor público estadual, praticou ato administrativo viciado.
Determinado administrado, ao notar o ocorrido, comunicou ao servidor
o vício, no entanto, houve a convalidação do ato administrativo. A
propósito do tema, é correto afirmar que

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a) a Administração pública não tem a opção de retirar ou não o ato


viciado do mundo jurídico; o que ela pode é extirpar o ato viciado
através do instituto da revogação.
b) todo ato administrativo viciado deve ser anulado pela Administração
pública, não importando o vício nele contido.
c) nem sempre é possível a convalidação do ato administrativo;
depende do tipo de vício que atinge o ato.
d) a Administração pública pode, por razões de conveniência e
oportunidade, manter hígido ato administrativo viciado, não
importando o vício nele contido.
e) se o vício existente no ato encontra-se no motivo do ato
administrativo, agiu corretamente a Administração pública.

25. (FCC/ Administrador-DPE-RR/2015) Os atos administrativos podem


ser vinculados ou discricionários, residindo o cerne da diferenciação
entre ambos
a) no controle judicial de mérito aplicável apenas aos segundos.
b) na obrigatoriedade da motivação existente apenas nos primeiros.
c) no controle de legalidade aplicável apenas aos primeiros.
d) no juízo de conveniência e oportunidade próprio dos segundos, que
constituem o seu mérito.
e) na faculdade de revogação atribuída à Administração apenas em
relação aos primeiros.

26. (FCC/ Auxiliar da Fiscalização Financeira II /TCE-SP/2015)


Considere que o responsável pela consultoria jurídica da Secretaria de
Estado do Meio Ambiente tenha proferido parecer, em resposta à
consulta formulada por órgão técnico encarregado de licenciamento
ambiental, acerca dos requisitos jurídicos aplicáveis à situação narrada,
correspondente a obras de transposição de águas entre reservatórios
que abastecem a região metropolitana. Referido parecer jurídico
a) constitui um ato da Administração, porém não corresponde a um ato
administrativo, eis que este somente se caracteriza quando possua
efeito enunciativo.

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b) constitui uma manifestação da função administrativa atípica do


órgão jurisdicional, não podendo, portanto, ser considerado ato
administrativo em sentido formal.
c) é, formalmente, um ato administrativo de natureza enunciativa, que
produz efeitos jurídicos apenas no âmbito interno.
d) não é, materialmente, um ato administrativo em sentido estrito,
dado que encerra uma opinião e não uma manifestação de vontade da
Administração que produza efeitos concretos.
e) é, materialmente, um ato administrativo eis que emanado de órgão
integrante do Poder Executivo, independentemente de produzir efeitos
concretos em face de terceiros.

27. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-PB/2015) A imperatividade que


reveste os atos administrativos
a) independe da presença dos elementos ou requisitos, visto que se
trata de mera exteriorização da vontade da Administração pública, que
sempre se impõe ao administrado independentemente de sua vontade.
b) substitui a decisão judicial quanto à possibilidade de se fazer válido,
dependendo apenas da concordância do destinatário.
c) impõe aos destinatários dos mesmos sua obrigatoriedade, como
atributo destinado a garantir o interesse público, que é a finalidade de
toda a atuação da Administração pública.
d) se vincula diretamente à eficácia, esta que enseja auto-
executoriedade a todos os atos que predica.
e) se relaciona com a eficácia, na medida em que é a exteriorização dos
efeitos do ato, mas distingue-se da exequibilidade, que depende de
intervenção judicial.

28. (FCC/Técnico Judiciário - TRE-PB/2015) A extinção do ato


administrativo pode se dar por diversos fundamentos, sendo que a
extinção dos atos discricionários
a) pode se dar somente por meio de revogação, pois desconstrói
elementos de conveniência e oportunidade.
b) pode se dar pela própria Administração, em razão do poder de
revisão de seus próprios atos, por meio de anulação dos atos ilegais e
dos atos inconvenientes e inoportunos.

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c) depende de decisão judicial, por motivo de ilegalidade, tendo em


vista que impacta na esfera jurídica dos administrados e de terceiros.
d) pode se dar por vício de legalidade, caso de anulação, ou por
conveniência e oportunidade fundada em motivos de interesse público,
caso de revogação.
e) depende de decisão judicial, tendo em vista que o administrador não
pode rever os motivos de conveniência e oportunidade que o levaram à
prática do ato.

29. (FCC/ Técnico Judiciário - TRT 9ª REGIÃO (PR)/2015) O atributo


do ato administrativo que permite que ele seja “posto em execução
pela própria Administração pública, sem necessidade de intervenção do
Poder Judiciário" (PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di. Direito
Administrativo. 28. ed., São Paulo:Atlas, p. 243), é a:
a) imperatividade, porque cria obrigações e se impõe
independentemente da concordância do destinatário do ato ou de
terceiros.
b) autoexecutoriedade, que deve estar prevista em lei, como a
autorização para apreensão de mercadorias e interdição de
estabelecimentos.
c) autoexecutoriedade, sempre que a discricionariedade administrativa
entender mais útil ou pertinente agir desde logo, sem aguardar a
conclusão das diligências em curso.
d) imperatividade, que autoriza o emprego de meios próprios de
execução dos próprios atos, indiretamente, como a imposição de
multas, ou diretamente, com a demolição de construções.
e) exigibilidade, que trata apenas de meios diretos de coercibilidade,
inclusive materiais, como interdição de estabelecimentos, apreensão de
mercadorias e demolição de construções.

30. (FCC/ Analista Judiciário - TRT - 9ª REGIÃO (PR)/2015) Não


obstante a presunção de veracidade e de legitimidade de que são
predicados os atos administrativos, há vícios que podem eivá-los e,
diante deles, as consequências podem ser diversas.
MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO, ao tratar dos vícios relativos aos
atos administrativos, nos traz a seguinte lição: Assim, haverá vício em
relação (...) quando qualquer desses requisitos deixar de ser

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observado, o que ocorrerá quando for: 1. Proibido pela lei; por


exemplo: um Município que desaproprie bem imóvel da União; 2.
Diverso do previsto na lei para o caso sobre o qual incide; por exemplo:
a autoridade aplica a pena de suspensão, quando cabível a de
repreensão 3. Impossível, porque os efeitos pretendidos são
irrealizáveis, de fato ou de direito; por exemplo: a nomeação para um
cargo inexistente; (...) (Direito Administrativo, 28ª edição. São Paulo,
Atlas, p. 287).
Adequada relação de identificação entre o vício tratado pela autora e a
consequência por ele imposta ao ato administrativo é aquela que trata
de vício quanto
a) ao objeto, que eiva de nulidade o ato, pois são atos insanáveis, na
medida em que eventual correção do objeto para hipótese legalmente
prevista enseja a prática de ato distinto, não de convalidação.
b) à finalidade, que pode ser sanado, com a indicação de uma finalidade
válida, ainda que não seja aquela pretendida pela Administração.
c) à competência, que, em regra, não pode ser sanado, tendo em vista
que a divisão de atribuições e competências não admite delegação,
salvo expressa disposição em contrário.
d) à forma, que não pode ser sanado em razão do princípio da
formalidade que impera no processo administrativo e que se presta a
tutelar os direitos e garantias fundamentais dos administrados.
e) aos motivos, que podem ser sanados, desde que o resultado obtido
seja legalmente previsto, pois é possível conformar a motivação da
prática do ato para atingimento daquela finalidade.

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GABARITO

01.D 02.E 03.E 04.A 05.E 06.D 07.C 08.A

09.D 10.E 11.E 12.A 13.E 14.D 15.D 16.B

17.D 18.B 19.A 20.E 21.C 22.E 23.D 24.C

25.D 26.D 27.C 28.D 29.B 30.A

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