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CURVAS CARACTERISTICAS DOS DIODOS

Fabiano Aguiar, Karoline Soares, Luan Arruda, Mellyssa Tavares


Alunos do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Pampa
Avenida Tiaraju, 810, Bairro Ibirapuitã - CEP 97546-550 - Alegrete – RS - Brasil
fabiano.aguiaroliveira@hotmail.com, karolineasoares@gmail.com, luanmiguelarruda@gmail.com,
mellyssamarla10@gmail.com

Resumo – Este artigo tem por finalidade a aplicação de


conceitos teóricos sobre os diodos de potência, tão
necessários para a sua aplicação em eletrônica industrial.
Desde a sua fundamentação teórica, o funcionamento
padrão dos diodos e suas características de condução. Por
meio de diodos de modelos conhecidos, será verificado
experimentalmente as respectivas curvas de atuação e de
retenção do dispositivo. Após, realizar-se-á uma análise
prática e possíveis aplicações para os respectivos tipos de
diodos.

Palavras-Chave – Diodo, condução, Zener, corrente. Figura 1: Simbologia e aspecto real de um diodo (junção
PN). [1]
I. INTRODUÇÃO

Cada aula experimental tem por objetivo a união entre o A condução de corrente elétrica da junção PN ou NP
conhecimento adquirido em aula e a prática que é fornecida acontece quando o potencial no lado P for maior que a no
em laboratório. Não sendo diferente em disciplinas aplicadas lado N e a diferença de potencial (d.d.p.) forem acima de 0,6
à Engenharia Elétrica. Assim, com o conhecimento teórico V (por conta da barreira da junção). [3]
dos diodos, pode–se calcular e ver na prática a validade de
conceitos de condução e bloqueio de diodos. A figura 2 mostra a curva característica de um diodo real,
Os conceitos teóricos abordam desde a ativação do diodo, lado esquerdo polarização direta, lado direito polarização
como são compostos esses elementos eletrônicos e seu inversa. A aplicação de uma tensão muito negativa ( )
respectivo funcionamento. Dessa forma, podemos dizer que resulta numa mudança brusca na curva característica, essa
os diodos se comportam como chaves, no entanto, apenas região é chama de avalanche. [2]
conduzem corrente elétrica em um sentido (ânodo – cátodo).
No sentido contrário, não existe a condução de corrente e de
tensão, sendo bloqueado no seu substrato dopado que
compõe a estrutura química do diodo. Dessa forma,
dependendo da polaridade do diodo, entrará ou não em
condução o circuito aplicado.
Por meio de experimento conduzido em aula, diversos
diodos foram submetidos a testes, gerando diferentes curvas
e diferentes respostas a tensão aplicada e frequência com que
atenuam o sinal. Assim, o objetivo é demonstar a praticidade
de operação do diodo, assim como suas características.

II. DESENVOLVIMENTO TEÓRICO

O diodo é um dispositivo eletrônico ativo que possui,


geralmente, composição de silício, um material semicondutor
classificado entre o isolante e o condutor.
O silício possui quatro elétrons na camada de valência.
Quando é acrescentado um elemento pentavalente, de cinco
elétrons na última camada, um elétron deve ficar livre, esse
material é conhecido como tipo N. Quando é acrescentado Figura 2: Curva característica de um diodo real (não
um elemento trivalente, três elétrons na camada de valência ideal). [1]
deve haver uma lacuna que pode receber um elétron, esse
material é conhecido como tipo P. O diodo pode ser III. RESULTADOS EXPERIMENTAIS
composto pela ligação do material tipo N com o material do
tipo P ou vice-versa, como é vista na figura 1. Montou-se o circuito da figura 3 na protoboard
alimentando com a forma de onda da figura 4.
Figura 3: Circuito analisado experimentalmente.
Figura 5: Forma de onda para os parâmetro avaliados (2
kHz).

Figura 6: Forma de onda para uma frequência de 1 k Hz.

Figura 4: Forma de onda de E. [4]

Na tabela 1 observam-se os parâmetros usados neste


experimento.
Tabela I
Materiais Utilizados

Parâmetro Valor
R1 1 kΩ
V1 10 V
T 0,50 ms Figura 7: Forma de onda para uma frequência de 10 kHz.
D 0,25 ms
D1 Diodo Zener
D2 Diodo rápido
D3 Diodo Retificador

A. Resultados no laboratório
Primeiramente ajustou-se o gerador de sinais para que
fornecesse a forma de onda da figura 4 com os parâmetros da
tabela 1. Logo em seguida conectou-se o canal 1 do
osciloscópio ao resistor e o canal 2 ao diodo. A escala
utilizada no osciloscópio foi de 5 V por divisão. Figura 8: Forma de onda para uma frequência de 100
kHz.
Utilizando o diodo zener e variando a frequência de 1 k a
100 kHz, obtiveram-se as seguintes formas de onda, dadas O diodo zener ao contrario dos outros tipos de diodos, ele
pelas figuras 5, 6, 7 e 8. é reversamente polarizado. Pode-se verificar nas figuras
acima que conforme a frequência aumenta a forma de onda
sofre poucas distorções.

Agora utilizando o diodo rápido se faz os mesmos passos


anteriores, dada pelas figuras 9, 10, 11 e 12.
Figura 9: Forma de onda para os parâmetros analisados (2 Figura 13: Forma de onda para os parâmetros analisados
kHz). (2 kHZ).

Figura 10: Forma de onda para uma frequência de 1 kHz. Figura 14: Forma de onda para uma frequência de 1 kHz.

Figura 11: Forma de onda para uma frequência de 10 Figura 15: Forma de onda para uma frequência de 10
kHz. kHz.

Figura 12: Forma de onda para uma frequência de 100 Figura 16: Forma de onda para uma frequência de 100
kHz. kHz.

Como mostra as figuras, o diodo retificador sofre mais Para os diodos rápidos as distorções com o aumento da
distorções, que o diodo anterior, com o aumento da frequência é mais aparente, apesar do seu tempo de
frequência devido a sua retificação lenta. retificação e a tensão de pico da entrada ser menor, o mesmo
pode causar problemas ao circuito que não foram previstas
Finalmente utilizando o diodo retificador se fez os no momento.
mesmos passos anteriores vista nas figuras 13, 14, 15 e 16.
B. Simulações no GNU Octave
As simulações foram feitas através do software GNU
Octave. Dispondo dos dados obtidos com o osciloscópio, foi
possível construir o gráfico do comportamento da tensão e
corrente em cada um dos diodos usados.
Para calcular a corrente que passa pelo diodo usamos os
valores da tensão no resistor (canal 2 do osciloscópio) e
dividimos pela resistência R = 1k ohm do componente
resistivo. Como os componentes estão dispostos em série no
circuito as correntes do diodo e do resistor são ambas
indiferentes.
A escala vertical usada para as medições das grandezas foi
de 5 para os dois canais. Multiplicamos os valores da tensão
e corrente por e , onde:
Figura 18: Forma de onda para o Diodo Retificador para
uma frequência de 1 kHz.

Quando o potencial elétrico nos seus terminais passa a ser


A figura 1 mostra o comportamento do diodo Zener maior no anodo e menor no cátodo tem-se uma diferença de
utilizado em laboratório. No gráfico podemos destacar o potencial positiva, portanto uma polarização direta. Neste
típico funcionamento do componente em operar na sua caso o diodo permite a passagem de corrente a partir da sua
região de ruptura, como mostra a figura 17 abaixo. tensão de funcionamento próxima aos 0,2V.
No diodo rápido MUR, quando polarizado de maneira
direta, apresenta o comportamento que pode se verificar na
figura 19.

Figura 17: Forma de onda para o Diodo Zener para uma


frequência de 1 kHz.

É fácil observar que nessa região a tensão de ruptura se


torna praticamente constante, desse modo, o diodo Zener Figura 19: Forma de onda para o Diodo Rápido para uma
também é conhecido como regulador de tensão ou frequência de 1 kHz.
simplesmente como regulador Zener para o circuito. Na
região direta, o diodo Zener se comporta como um diodo Neste caso, através dos dados conseguimos destacar o
comum operando a partir de aproximadamente 0,2 V. pequeno tempo de recuperação que o diodo possui.

Para o diodo retificador 1N4007 foi obtido o gráfico IV. CONCLUSÃO


correspondente à sua tensão e corrente como mostra a figura
18. Como visto anteriormente, o dispositivo se comporta Neste experimento era necessário ter o conhecimento e
como um circuito aberto impedindo a passagem de corrente saber o funcionamento de um diodo, considerando quando o
se polarizado de forma reversa. mesmo irá conduzir e o seu tipo. Utilizando os três tipos de
diodos para diferentes frequências pode-se ver cada
comportamento. O resultado que mais diferiu no experimento
dentre eles foi o diodo rápido, apresentando maiores
distorções no aumento da frequência. Sendo um resultado
apropriado devido à aplicação deste destinado às altas
frequências. Já os outros dois diodos não são aconselhados
para frequências altas devido ao tempo de retificação ser
muito maior. O diodo zener utilizado para regular tensão é
mais aparente na simulação, já que a tensão ruptura se torna
constante. No caso do diodo retificador, sendo este utilizado
para a passagem de corrente em uma direção, não difere
muito nos resultados na sua condução, entretanto é previsto
as mudanças quando este age de forma reversa, visto na
simulação.
Por fim, os alunos puderam observar o comportamento de
cada diodo com essas frequências e associa-los as suas
aplicações. Os resultados foram mais que satisfatórios já que
puderam ser usados para interpretar os usos apropriados para
cada aplicação desses. Não houve a necessidade de cálculos
para o experimento, portanto este foi de fim teórico e
interpretativo do comportamento das formas de onda e dos
gráficos gerados nas simulações no software.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] WIKIPEDIA. Diodo Semicondutor. Disponível em:


<https://pt.wikipedia.org/wiki/Diodo_semicondutor>
Acesso em: 4 de setembro de 2018

[2] BOYLESTAD, Robert L.. Introdução à análise de


circuitos. 12.ed. SÃO PAULO: Pearson Prentice Hall,
2012.

[3] AHMED, A. Eletrônica de Potência. SÃO PAULO:


Prentice-Hall, 2000

[4] Roteiro do Experimento