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CAPÍTULO 7

^

^

^

ANÁLISE, PROJETO E EXECUÇÃO DE FUNDAÇÕES RASAS

ALBERTO HENRIQUES TEIXEIRA NELSON SILVEIRA DE GODOY

7.1 - INTRODUÇÃO

As fundações rasas ou diretas são assim denomina- das por sc apoiarem sobre o solo a uma pequena profundidade, em relação ao solo circundantc. De acordo com essa definição, uma fundação direta para um prédio com dois subsolos será considerada rasa, mesmo se apoiando a 7m abaixo do nível da rua.

01

RUNOAÇÃO

I

RASA

B2

o

<

1

Fig. 7.1 - Definição de fundação direta rasa

No presente capítulo serão apresentados os ti- pos de fundações rasas e seu dimensionamento em planta a partir de uma tensão admissível a a do solo de apoio. Será discutida a estimativa de a a como resultante da aplicação simultânea dos crité- rios dc segurança à ruptura e dc deslocamentos (recalques) compatíveis com a superestrutura.

Pela sua importância prática, serão fornecidos os fundamentos teóricos necessários para o cál- culo dc recalques de fundações diretas, bem como elemento s para estimativa de parâmetros geotécnicos necessários nesses cálculos.

problema

de estabelecimento de um rccalque-limitc

vel em um dado

Finalizando o capítulo se discutirá o

problema.

aceitá-

7. 2 - TIPOS DE FUNDAÇÕES RASAS OU DIRETAS

Do ponto de vista estrutural as fundações dire- tas dividem-se em blocos, sapatas e radier.

7.2.1 - Blocos de Fundação

São elementos de apoio construídos de concreto simples e caracterizados por uma altura relativa- mente grande, necessária para que trabalhem es- sencialmente à compressão.

Normalmente, os blocos assumem a forma de

um bloco escalonado, ou pedestal, ou de um tron-

co de cone (Fig. 7.2).

Fig.

a) BLOCO TRONCOCÔMCO

7. 2 - Blocos d c

fundaçã o

I

I

w

L

L

-

~ J j -

J

B) BLOCO ESCAIOSAOO

Os blocos em tronco de cone, aindí. que não reco-

nhecidos como tais, são muito usados, constituindo-

se na realidade em tubulões a céu aberto curtos.

A altura 11 de um bloco é calculada de tal forma

que as tensões de tração atuantes no concreto, pos- sam ser absorvidas pelo mesmo, sem necessidade

dc armar o piso da base.

7.2.2 - Sapatas de fundação

As sapatas são elementos de apoio dc concreto armado, de menor altura que os blocos, que re- sistem principalmente por flexão.

As sapatas podem assumir praticamente qual- quer forma em planta (Fig. 7.3), sendo as mais freqüentes as sapatas quadradas (B=L), retangu- lares e corridas (L»B) . Para efeito de cálculos

geotécnicos, considera-se como retangular uma sa- pata em que L £ 5B.

Além dos tipos fundamentais acima, deve-se tam- bém reconhecer as sapatas associadas, as quais são empregadas nos casos em que, devido à pro- ximidade dos pilares, não é possível projetar-se uma sapata isolada para cada pilar. Nestes casos, uma única sapata serve de fundação para dois ou mais pilares (Fig. 7.4).

Fig

U-.- J

7.3 • Sapatas

•)*í TAV.511AX

(«9*

isoladas

-Xa.

"7"

A

A

A \

A

Fig.7.4 - Sapatas

associadas

.VTTA MA-WSÉ.

l

l

l-lwu

1/

1/

/

\

i

|

< r

> - rirvicae

U J"*

U

|

L

< - CSOUCU» CST4T1C0 M M>U*»

Fig.7.5 - Sapata de divisa com viga alavanca.

No caso de pilares encostados em divisas, ou junto ao alinhamento de uma calçada, nào c pos- sível projetar-se uma sapata centrada no pilar, rc- correndo-se então a uma viga dc equilíbrio (viga alavanca) a fim de corrigir a excentricidade exis- tente, conforme ilustrado na Figura 7.5.

7.2.3 - Fundação em Radier

Quando todos os pilares de uma estrutura trans- mitirem as cargas ao solo através de uma única sapata, tem-se o que se denomina uma fundação em radier (Fig. 7.6).

Dadas as suas proporções, envolvendo grandes volumes de concreto armado, o radier é uma so- lução relativamente onerosa e de difícil execução em terrenos urbanos confinados, ocorrendo por isso com pouca freqüência. Um exemplo de radier flexível é dado por Vargas (1953), ao apresentar as características da fundação do edifício do Ban- c o do Brasil no centro da cidade de São Paulo.

'

il<>0(« H.£XIV£L

Fig.7.6 - Fundação em

radier

.

I

'

"

rwar—

*

I

I

~1

-TPW—

5!S»CIE« MOiCO

7.3 - DIMENSIONAMENTO DE FUNDAÇÕES DIRETAS

7.3.1 - Introdução

O dimensionamento geométrico dc fundações

diretas e seu posicionamento em planta é a pri- meira etapa de um projeto, a ser feito para uma tensão admissível G v previamente estimada.

o

solo nào sào escolhidas arbitrariamente, mas, sim, procurando-se proporções que conduzam a um dimensionamento estrutural econômico. No caso particular dc um radier para um edifício, será fundamental a participação do engenheiro es- trutural, a fim de se conseguir proporções adequa- das tanto sob o ponto de vista de fundação como do estrutural.

As dimensões da superfície em contato com

7.3.2 -

Sapatas Isoladas

Considere-se o pilar retangular da Figura 7.7, de

dimensões

t

x

b

e carga

P.

A área

necessária da

sapata será:

 

A

-

P/ G (J

-

B

. L

O

dimensionamento econômico será aquele que

conduz a momentos aproximadamente iguais nas

duas abas, em relação à mesa da sapata. Para tan-

to, os balanços

iguais nas duas direções, ou seja:

deverão ser aproximadamente

d

+

Subtraindo-se: L - B =£ - b

B

• b

+

2d

5 cm;

L -

(

+ 2d

+

5

cm

(7.3.2)

Resolvendo-se simultaneamente (7.3.1) c (7.3-2) obtêm-se as dimensões procuradas, que sào nor- malmente arredondadas para variar de 5 em 5 cm (v. exemplo Fig. 7.7).

Fig.

7. 7 - Dimensionament o

DIMS*SK>*AM£WTI> :

Alf

.0.1

G.

t

- 6

il-b

* A /O

L

EXEMPLO

P

JlKlO

KN

P

i

Af t

: IIO

a

« »

t f t

JSw KN/». 2

G-fr : 110

I ' »1 C

SvAl/CLv •

L

» 3.7S

d c sapat a

isolada

No caso dc pilares dc edifícios, a dimensão mínima é da ordem de 80 cm. Para sapatas corridas, adota-sc um mínimo dc 60 cm dc largura.

No cas o d e pilares em I., a sapata será centrada no centro de gravidade do pilar, sendo que os balanços iguais serão procurados em relação à mesa retangular do topo da sapata (Fig. 7.8). Nes- ta figura sào mostrados outros exemplos de sapa- tas para pilares nào retangulares.

\

/

:

F 1

/

/

\

\

/

Cl

/I

I

\

Fig. 7.8 - Exemplos de sapatas isoladas

7.3. 3

- Sapata s

Associadas

Quando as cargas estruturais forem muito altas em relação à tensão admissível, poderá ocorrer o caso de nào ser possível projetar-se sapatas isoladas para cada pilar, tornando necessário o emprego de uma sapata

única para dois ou mais pilares (Fig. 7.9-a). Neste caso a sapata será centrada no centro de cargas das pila- res, procedendo-se entào à escolha das dimensões, de maneira a obter um equilíbrio entre as proporções da viga de rigidez c os Ixilanços da laje (Fig. 7.9-b).

t ~ F ,

I

«I

WAT A

A.

ASSOCIADA

1

B

SAPATA MUITO LAAG 4

LAJE

CM0CBA0A

UPA' A MUITO COMPRiOA V«SA C*A<V£«AO*

A P1»P ?

j.fUL L

C l .

P /

i»'»'» ACCtWAOAS OI OiMtNSOCS

b) ESCOLHA DAS 0IMENS0ES OA SAPATA

Fig.

7.9 - Sapata

associada

A sapata associada será evitada, sempre que for

possível uma solução com sapatas isoladas, mes- mo a custo dc se distorcer o formato lógico das sapatas (Fig. 7.10). Via de regra, duas sapatas iso- ladas serão mais econômicas e mais fáceis de exe- cutar do que uma sapata associada.

 

/

'

w

i

>

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Sp/

 

m

 

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L

J

 

V

tut^-sci c

W

SAMTA*

f ".

• i UXvlAOt v S»P*TA AMCCAOi

(I '.«utijí» }ÂT*T»

•S».*:AMISAOCA

Fig 7. 10 - Sapatas isoladas distorcidas no lugar de uma sapata associada

A medida que a concentração de cargas aumen-

ta, a liberdade de escolha do tipo e dimensões das sapatas diminui. O problema de projeto torna-se então o de se encontrar sapatas de qualquer for- ma, que caibam dentro da área disponível para a fundação. Sapatas associando três ou mais pilares poderão, entào, tornar-se necessárias, respeitan- do-se sempre a coincidência do CG da sapata com o centro dc cargas dos pilares envo.vidos.

7.3. 4 -

Sapatas de Divisa

No caso de pilares junto aos limites do lote (divi- sas e alinhamento da rua; nào 6 possível projetar-

se uma sapata centrada, tornando-se necessário o

emprego de uma viga de equilíbrio (viga alavanca)

para absorver o momento gerado pela excentrici- dade da sapata (Fig 7.5-a). A sapata de divisa, pilar P A , será dimensionada

para a reação R a , a qual, por sua vez, nào é conhe- cida de início, pois depende da largura da sapata.

O problema é resolvido por tentativas, conside-

rando-se a sugestão adicional dc que a sapata de divisa tenha uma relação L/B em torno de 2.

Seqüência de cálculo:

a. Na Fig. 7.5-c , tomando-se momentos em re-

lação a B:

R v U-e ) = P A .1 => R a -

P A [t/lC-e ))

b.

pois

Adota-se

um valor

para

R A =R'

W(é-e)] será sempre maior que i

>

P A

,

c. Para o valor de R' t adotam-se as dimensões

-

a ex-

centricidade e a reação R A1

R'

do-se a mesma largura da sapata para nào alterar a

adotada, refaz-sc o cálculo manten-

da sapata: A = R' /O a

B,.L,

d. Para o valor de B, adotado calcula-se

e.

Se R v

*

excentricidade e, conseqüentemente, a reação R A|

f.

Para A = R A1 /O ír

B = B. adotado

I. - A/B, adotado

forem

aceitáveis ( L/B em torno d e 2 ), as dimensõe s

sào aceitas.

g. Se os valores

de

B

e

I. encontrados

Uma vez dimensionada a sapata de divisa, proce-

de-se ao dimensionamento da sapata

interna.

Da figura 7.5-c, verifica-se que a viga alavanca tenderá a levantar o pilar P u , reduzindo a carga

aplicada ao solo de um valor DP -

Na prática, esse alívio na carga tio pilar não é adotado integralmente no dimensionamento da sapata ir terna, sendo comum a adoção da meta- de do alívio. Assim, a sapata interna será dimensionada para:

R A - P A .

R„ -

P„ -

DP

/ 2

A redução no valor do alivio é atribuída ao fato

de a alavanca

nào ser rígida (alavancas

longas),

além de as cargas de projeto incorporarem sobre-

cargas, que nem sempre atuam integralmente, o

que causaria um alívio

No caso de a alavanca nào ser ligada a um pilar interno, mas sim a um contrapeso ou um elemento trabalhando a tração (estaca ou tubulào), o alívio é aplicado integralmente, a favor da segurança.

Freqüentemente, pela sua própria natureza, sa- patas de divisa estão associadas a escavações pro-

hipotético.

fundas junto a construções vizinhas. Nestes casos, pode ser preferível uma sapata mais próxima de um quadrado qu e uma retangular co m L/B = 2. O projeto sacrificaria a viga alavanca, na busca de uma solução mais exeqüível.

Usando-se os dados da Figura 7.5-a, apresenta-se a seguir um exemplo de cálculo de sapata de divisa:

P A -

100x22 cm, carga HOOkN

P,. =

70x7 0 cm, carga

1900kN

1

-

5,50m

G

a

-

250 kN/m 2

Sapata dc divisa:

adotando

A

adotando B, - l,80m => L, - 6,0/1,80 = 3,33m

e = 0,90

R A1 = l iOO.15,50/(5.50 - 0,79)1 - 1.635 kN

R.,*R' redimensionar mantendo-se

R" -

1500 kN

6,0m 2

0.79m

-

1500/250 -

- 0,11

-

AL

B =

A = 1.635/250 = 6,54m 2

I. = 6,5 í/1,80 = 3,63m (L/B=2) OK adotar

1,80 m

3,65m.

1.80 x

Sapata interna:

AP =

R„ - 1900 - 235/2 - 1783 kN

1635 -

1400 = 235 kN

A =

1783/250 = 7,13m- => L -

adotar 2,70 x 2,70m.

B = 2,67m

7.3.5 - Sapatas Sujeitas a Carga Vertical e Momento

Em muitos casos práticos, além tia carga verti- cal, atua também um momento na fundação. Esse momento pode ser causado por cargas aplicadas excentricamente ao eixo da sapata, por efeito de pórtico em estruturas hiperestáticas, por cargas horizontais aplicadas à estrutura (empuxo de ter- ra em muros tle arrimo, vento, frenagem etc).

Na Figura 7 11, ilustra-se o cas o de uma sapata carregada excentricamente com uma carga Q. \'es- se caso, as tensões aplicadas ao solo nào sento uniformes, variando ao longo tia base da sapata. No caso de a carga Q estar dentro do núcleo central da base, as tensões serão obtidas consi- derando-se a superposição dos efeitos tle uma carga centrada mais um momento, conforme ilus- trado na Fig. 7.11. A tensào máxima deverá ser inferior à tensão admissível adotada para o solo.

No caso tle dupla excentricidade, com a carga ain- da dentro do núcleo central da sapata, o momento resultante será decomposto em relação aos dois ei- xos da sapata e seus efeitos somados (Fig.7.12).

Quando a carga excêntrica estiver fora do nú- cleo central, apenas parte da sapata estará compri- mida, nào se admitindo que exista resistência a tra- ção no contato sapata-solo (Figura 7.13). A área da sapata que é efetivamente comprimida pode ser obtida fazendo-se c nüx - C t e verificando-se o equi- líbrio de forças na vertical (Fig. 7.13).

O

caso

de

dupla

grande

excentricidade

pode

ser resolvido superpondo-se

os efeitos dos

dois

momentos, conforme caso anterior.

O ábaco da Figura 7.14 facilita a solução de pro- blemas de sapatas retangulares carregadas excen- tricamente.

Na Figura 7.15 apresenta-se uma tabela que fa- cilita o cálculo de sapatas circulares carregadas ex- centricamente.

Fig.

COMBINANDO O • M ;

(Tv . S -SL-íí -

mm

A

W

rrn s _üi

w

M 1 Q . O

M

r

7.11 - Sapata carregada

excentricamente

7.3.6 - Fundações diretas sujeitas a cargas acidentais

Nos parágrafos anteriores discutiu-se o dimen- sionamento de fundações diretas, sem nenhuma refe- rência à natureza do carregamento.

U "

A

 

y

+

.4.

ÜJL

"

W X

"

W y

M x :Q.e y

X

M w

:0.fi -

VÃuOA P/PEOUENA EXCENTRICIOAOE

e

x

-CL/ç

e

y

^B/ o

Fig. 7.12 • Sapata sujeita a dupla

excentricidade

8 ~

Q

t-

X \

L

-

 

B/C

 

8/6

 

+

 

ARC A

 

COMPRIMIDA

 

A

s

8 .

L

&

mo>

Ü"

" o

o =4-0:

Lie

L * -

J_9 .

" ir b"

o

Fig. 7.13 - Sapata carregada excentricamente

grande

excentricidadej

(caso

de

Em inúmeros casos de interesse prático, além da carga morta e de sobrecargas efetivas, atuam também esforços acidentais de pequena duração

VALORES OE

e L

-

TENSÃO

MÁXNA lT mox s

K.x-Q/BL

-

UNHAS CHEIAS FORNECEM

VALORES OE K

-

Q

CARGA

CONCENTRADA

ATUANTE

NA

SAAttA

Fig. 7.14 -

Cálculo d c tensões no caso de sapatas com dupla excentricidade

(apud Teng

1969 )

/ L

0, 25

K 2,00

%

K

0,60

O, 30

2,20

0,65

S . oo

0,35

2.«3

0.70

7 .

Z O

PCOUENA EXCEMTRICIOAOE

e <: R

cr

A

:

A sTT R

JL

PAR A

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:

(Tm 'mox :

K FORNECIOO A8AIXO

K

"A"

0,«0

0,45

0,50

0,55

2,7 0

3,10

3,55

4,22

0,75

0,60

0,90

9.2 0

13. O

eo.o

bustíveis e os silos.

No caso dos tanques, o peso próprio é despre- zível diante da carga útil, a qual pode ser total-

R mente aplicada em questão dc horas. O primeiro enchimento é na realidade uma prova dc carga,

sendo normalmente feito controladamente com observação dos recalques resultantes. Face à grande área carregada, as tensões aplicadas ao solo alcançam grandes profundidades, podendo causar recalques decimétricos.

Da mesma forma nos silos, além de a carga

poder ser aplicada rapidamente, existe também

o problema de carregamentos diferenciados nas

várias células que podem compor o silo. Burland

et al. (1977) descrevem o caso de uma bateria de

silos que sofreu danos estruturais severos, ape-

sar de os recalques medidos estarem na faixa de

valores normalmente aceitáveis em outros tipos

de estrutura.

Fig. 7.1 5 - Sapata circular carrcgada excentricamente

(apud Teng

1969)

e/ou pequena probabilidade de ocorrência simul- tânea. Nesses casos, a tensão admissível costuma ser majorada quando da veriftcaçào das tensões decorrentes da somatória das cargas acidentais. A NBR 6122/94, parágrafo 5.5.3 estipula a este pro- pósito: "Quando forem levados em consideração todas as combinações possíveis entre os diversos tipos de carregamento previstos pelas normas es- truturais, inclusive ação do vento, pode-se, na com- binação mais desfavorável, majorar 30% os valo- res admissíveis das tensões no terreno, e das car- gas admissíveis em estacas e tubulõcs. Entretan- to, esses valores admissíveis não podem ser ultra- passados quando consideradas as cargas perma- nentes e acidentais".

dc sapatas sujeitas a cargas

Exemplos de casos acidentais:

• painéis publicitários de grande altura e peque- no peso próprio

• caixas-d'água altas e esbeltas, chaminés

• galpões industriais em estrutura metálica com fechamentos leves (pequeno peso próprio, gran- de efeito dc vento)

mais

• idem

com

pontes

rolantes

a

gerarem

momentos acidentais na

fundação.

• pontes rodoferroviárias (esforços longitudinais

temperatu-

ra. multidão etc.; Cabe aqui também uma menção a estruturas mui- to particulares em que a carga viva supera a carga mona, exigindo um cuidado extremo no estudo de suas fundações. Como exemplo dessas estruturas pode-se citar as tanques dc armazenamento de com-

e transversais de vento, frenagem,

7.4 - MÉTODOS PARA A ESTIMATIVA DE

TENSÕES ADMISSÍVEIS

7.4.1 - Introdução

Neste parágrafo, serão apresentados os principais métodos de que dispõe o engenheirc para resolver

o problema de projetar uma fundação por sapatas.

Será interessante, no entanto, que inicialmente seja apresentada uma síntese da realidade do dia- a- dia do engenheiro, o qual é chamado a apre- sentar soluções para problemas de fundação, quase sempre sem dispor do tempo necessário para um estudo completo do problema. Este estudo seria iniciado pela programação da investigação do subsolo, sua execução e eventual comple- mentaçâo, interpretação de seus resultados, seguida das conclusões, que deveriam incluir um projeto de fundação e uma estimativa de grande-

za dos recalques esperados. A realidade é dife-

rente, sendo o engenheiro muitas vezes levado a

tomar decisões cm cima de parcos resultados de sondagens de percussão (SPT ), muitas vezes exe- cutadas por firmas desconhecidas e até mesmo

dc

idoneidade

duvidosa.

A experiência relatada refere-se principalmente

ao

projeto de fundações de estruturas correntes,

edifícios de apartamentos e escritórios de até 15-20

andares, constniídos na Grande Sào Paulo e princi- pais cidades do Estado de Sào Paulo, envolvendo solos de origem sedimentar e solos residuais prove- nientes de decomposição de rochas metamórficas,

em geral gnaisses, resultando em solos siltosos com

características variáveis vertical e horizontalmente (As

publicações da ABMS e ABEF sobre os solos da ci- dade e do Estado de Sào Paulo apresentam dados minuciosos sobre as características geológico- geotécnicas dos principais solos envolvidos).

7.4.2 - Rotina de Solução de um Problema Típico de Fundação de um Edifício

O caminhamento a seguir na solução dc um pro- blema de fundação de um edifício serve para ilus- trar procedimentos aplicáveis também a outros ti- pos de estrutura.

Partindo-se dos resultados de sondagens dc per- cussão, em muitos casos a opção por fundação por sapatas é claramente definida:

• aplicável: solos densos (SPT > 15) serão acessí-

veis

após escavação para implantação da

obra.

• nào aplicável: solos fracos (SPT < 6) se esten- dem além das cotas de escavação.

As dúvidas surgem nos casos intermediários (maioria), em que o solo nào é nitidamente bom ou ruim, ou quando abaixo da camada de apoio prevista ocorrem solos mais fracos. Esses casos exigem uma investigação adicional.

Uma investigação complementar deve sempre que possível começar por um poço exploratório, a ser criteriosamente inspecionado pelo engenhei- ro. Vantagens do poco:

• é rápido (poceiros existem em qualquer cida- de) e de baixo custo;

• verifica a profundidade do nível d'água. prin- cipal condicionante na escolha do tipo de fun- dação, freqüentemente indicado errado nas sondagens;

sempre

• permite inspeção dos tipos de solo,

nem

classificados corretamente na inspeção táctil-visu-

al, base da classificação apresentada nas sonda-

gens (argila silto-arenosa, silte argilo-arenoso, areia aigilo-siltosa e outras combinações que nào defi- nem o tipo dc solo para o engenheiro).

• permite

'penetrômetro" manual (barra de aço de 0 12,5 mm);

• permite coleta de amostra indeformada em blo-

aferir

"firmeza"

dos

solos,

usando

co. para

ensaio de laboratório (solos coesivos);

• permite avaliar a viabilidade da execução

de

um bloco tronco-cônico (tubulào a céu aberto curto), mais econômico e de mais fácil execu- ção que uma sapata.

Juntamente com o poço exploratório, pode-se também executar algumas sondagens com SPT a cada 0.5 m, que define melhor as transições entre camadas, oferecendo também maior número de da- dos para eventual emprego de correlações com outras propriedades dos solos. Essas sondagens po- derão também investigar níveis d'água empoleirados e artesianismos, mediante uso correto do tubo de revestimento do furo dc sondagem.

O expediente seguinte é o ensaio de penetra-

ção estática de conc. CPT. Vantagens:

• rapidez:

resultados

saem

na

hora,

seja

com

equipamento manual ou automatizado monta- do em caminhão:

• investiga

bem

nível d'água

as areias

acima

ou

abaixo

do

• define bem as transições;

• ao lado de sondagens, ajuda a conferir seus resultados

• ótimo para avaliar variabilidade

horizontal,

executando-se ensaios

próximos;

• quase única opção rápida para emprego em so- los residuais.

Fnsaios de laboratório ocupam um espaço pe- queno na rotina do engenheiro de fundações. Em geral sào limitados a solos coesivos, facilmente amostráveis por meio dc blocos retirados de poços ou valas. A dificuldade aumenta, mas ainda será contornávcl, quando as amostras tiverem que ser obtidas através de furos de sondagens, retirando-se então amostras de 2" a 4" de diâmetro. Praticamente nào se aplicam a solos nào coesivos e a solos res.duais estniturados, onde os traumas de amostragem acabam levando ao corte de corpos-de-prova das partes mais coesivas tia amostra, pouco representativas do bloco e menos ainda do maciço tenoso.

Provas de carga cm placa sào pouco usadas, ain- da que se apresentem como uma alternativa impor- tante para estudo da compressibilidadc de areias,

argilas fissurndas e, principalmente, de solos residu- ais. As maiores dificuldades práticas ao seu empre- go residem no tempo necessário para sua execução

e na dificuldade dc acesso à camada de interesse, numa época em que os edifícios rotineiramente têm dois subsolos de garagem (apoio de sapatas

a 7-8 m de profundidade, freqüentemente abaixo do nível dágua.).

Ensaios "in situ" mais moderno s com o o pressiômetro Menard, o dilatômetro Marchetti e outros ainda nào estão incorporados à prática tle fundações brasileira.

7.4.3 - Critérios de Segurança à Ruptura e de Recalques Admissíveis

A tensão admissível O a será sempre fixacia le-

vando-se em conta dois critérios que norteiam um projeto de fundação, o de segurança à ruptura e o de recalques admissíveis.

O critério de segurança à ruptura visa pro:cger

a fundação de uma ruptura catastrófica, sendo

normalmente satisfeito mediante a aplicação de

um coeficiente de segurança

adequado à tensão

que

causa a ruptura do solo. a t .

o critério dc recalques admissíveis implicará a

adoção dc uma tensão tal, que conduza a fundação

a recalques que a superestrutura possa suporta:. É o

critério que governa a maioria dos problemas práti- cos, sendo também o mais difícil de ser avaliado, em virtude da dificuldade na estimativa dos recalques a que estará sujeita a fundação projetada.

Neste parágrafo, a referência a recalques estará sempre dirigida àqueles provenientes da deforma- ção do próprio solo dc apoio das sapatas. A esti-

mativa destes recalques e daqueles provenientes de camadas compressíveis profundas (Figüra 7.16) será discutida com maior detalhe no parágrafo 7.6.

No parágrafo 7.7 serão apresentadas recomenda- ções a serem levadas cm consideração na fixação dos recalques admissíveis, os quais serão função, dentre outros fatores, do tipo e função da superestrutura.

7.4.4 - Métodos para Estimativa de Tensões Admissíveis.

De acordo com a NBR 6122/94 - Projeto e Exe- cução de Fundações, a tensão admissível pode ser estimada segundo métodos teóricos, semi- empíricos, provas dc carga sobre placa e empíricos.

a - Métodos Teóricos

Consistem na aplicação de uma fórmula de ca- pacidade de carga para estimativa da tensào de ruptura do solo de apoio, a,, à qual se aplicaria um coeficiente de segurança. F, para obtenção da tensào admissível:

F seria variável de acordo com o problema, mas em geral nào inferior a 3.

resistência ao cisalhamento dos solas envolvidos, bastando citar como exemplos os casos de sapatas apoiadas em areias ou solos residuais submersos ou não.

b - Métodos

Seriam aqueles em que as propriedades dos solos seriam estimadas com base em correlações,

para em seguida serem aplicadas fórmulas teóri-

cas, adaptadas ou

e

compressibilidade) seria feita com base na resis- tência à penetração medida em sondagem, N (SPT), ou na resistência de ponta do ensaio de penetra- ção estática de cone, q

No caso de fundações diretas, torna-se preferí- vel estimar <J (] diretamente de N ou dc q., sem

necessidade cie intercalar-se uma correlação en- tre esses índices e as propriedades dos solos. É fácil verificar-se que o engenheiro, especialista ou não, entende melhor o significado de uma argila de N = 15, do que uma argila de resistência nào drenada cu = 0,15 MPa, estimada admitindo-se

cu

Semi-Empiricos

não.

dc

A estimativa

parâmetros

(resistência

= 0,01

N (MPa).

c - Prova de Carga Sobre Placa

A prova de carga sobre placa se constitui na realidade cm ensaio em modelo reduzido de uma sapata. Ela nasceu antes das conccituaçõcs da Mecânica dos Solos, aplicada empiricamente na tentativa de obtenção de informações sobre o com- portamento tensào-deformaçào dc um determina- do solo de fundação.

 

CAU«O A

POHTANT C

'

*

É oportuno que se saliente desde já que , por sua pequena dimensão, apenas o solo situado ime- diatamente abaixo da placa é solicitado durante uma prova de carga. No caso ilustrado na Figura 7.16, por exemplo, uma prova dc carga superficial nos daria informações sobre a camada de areia de apoio das sapatas, nada dizendo sobre o compor- tamento do edifício que aplicará tensões que al- cançarão a camada compressivel profunda.

'

/

C

AM AO A

CO " P ACS5IVÍ L

/

/

Metodologia

de Execução

da Prova de

Carga

Fig. 7.16

- Fundaçã o direta co m camad a

compressivel

profunda

A seguir, com base na tensão G a estimada, se

procederia a uma análise de recalques para saber se esse critério estaria satisfeito ou nào. Caso ne- gativo, o processo seria reiniciado para outros va- lores de G (l . Além da imprecisão inerente às fórmulas de capaci- dade de carga, a aplicação dessa metodologia esbarra em dificuldades de ordem prática na avaliação da

A execução de uma prova de carga é regula- mentada pela NBR-6489 Prova de Carga Direta Sobre Terreno de Fundação. Uma placa dc aço rígida de 80 cm de diâmetro é carregada em está- gios por um macaco hidráulico reagindo contra uma cargueira. Um estágio de carga somente é aplicado após terem praticamente cessado os recalques do estágio anterior. As cargas sào apli- cadas até a ruptura do solo e, caso isto nào acon- teça, até que sc atinja o dobro da tensào admissível presumida para o solo, ou um recalque julgado excessivo.

Os resultados de uma prova de carga são apresen- tados na forma de um gráfico Tensão x Recalque juntamente com outros dados relativos à montagem da prova, sua localização em planta e elevação, re-

 

0,2

IC

£

13

£

</>

ui

Z>

20

O

-I

<

o

U1

x

23

30

S

10

W.

.V '/,'.' '-

-

K

GRAFICO

0, 3

0, 4

TENSÃO

0,5

"1

I

x

RECALQUE

Q6

0, 7

"

I

'

t—i

TENSÃO

0,d »| V

n

TEMPOEM MORAS E

MINUTOS 00 INICIO

OA PROVA OE CARGA

-V^-V-vA 1

.

.y .'

••.'MVA

\W

V

ARGILA SlLtOSA \ \ VERMELHA

\

ARENOSA MOLE

ARGILA SiLTOSA FRtAVEL MEOIA

A RIJA ROXA

\

ARGILA

p££>

VARIE6A0A

\

\ '•

'

ARENOSA

MEOIA

ARGILA PÇO ARENOSA FRIAVEL /RIJA ,VARIfGAOA

Fig. 7.17 • Prova dc carga sobre placa

( MPo

0. 9

)

1,0

151:26

1,1

saltados dc sondagem próximos etc. A Figura 7.17 exemplifica a apresentação dos resultados de uma prova de carga executada sobre uma camada de atgila, típica dos espigòes da cidade de Sào Paulo.

Na prova dc carga padrão, apenas uma placa de

80 cm de diâmetro é empregada. No entanto, no estudo da relação modelo-protótipo, quando os resultados da prova de carga terão que ser extrapolados para placas maiores (sapatas), pode- rá ser conveniente empregar-se placas de tamanho diferentes, por exemplo 30.60 c 80 cm de diâmetro, ou mesmo uma sapata de concreto armado (veja- se, por exemplo, Nápoles Neto 195i, Barata 1966, Garga e Quinn 1974, Cudmani ct.al. 1994).

Outra modificação no procedimento padrão seria o de medir o deslocamento do solo cm um ou mais pontos dentro do bulbo de tensões da placa, a fim de estimar um módulo de deformabilidade do solo. Um exemplo desse procedimento é encontrado em Vai e Osóri o (1987 ) e Mello c Cepollina (1976; .

Inteipretaçào uma Prova de

Convencional

Carga

dos Resultados

de

Na interpretação dos resultados de uma prova

de carga se deverá atender sempre aos critérios

de ruptura e recalques que norteiam qualquer projeto de fundação. Assim, teríamos:

• Critério de ruptura : o

Critério de recalque : o

<

c %

< C/F

onde:

G x é a tensào que corresponde a um recalque x

julgado

admissível;

G", tensão que corresponderá a um dos seguin- tes valores:

C - a, quando a ruptura for alcançada na prova

de carga (caracterizada pelo aumento incessante dos recalques sob tensào aplicada constante).

, tensào que corresponde a um recalque

y. julgado excessivo (ruptura técnica).

o ' • o , x , tensão máxima aplicada na prova de carga, quando nào se alcançar nenhum dos casos anteriores.

C

= a

F - Coeficiente de segurança, em geral

2.

A seção de solos do IPT de Sào Paulo, respon- sável pela introdução no Brasil das primeiras téc- nicas de investigação sistemática do subsolo, exe- cutou também as primeiras provas de carga sobre placa, as quais foram interpretadas de acordo com os critérios do código de obras da cidade de Boston, USA, o qual estipulava (Vargas 1955 ).

x

-

3/8". adotado 10 mm

y

-

r

. adotado 25 mm

F

-

2

Tome-se com o exemplo a prova de carga da Fi- gura 7.17. Traçando-se uma curva contínua pelos pontos de estabilização dos recalques, tem-se a

curva Tensào x Recalques resultante da prova de carga. A partir dessa curva obtém-se:

s=

10 mm —> o i 0 = 0,76 MPa (critério de recalque)

s=

25 mm —> o ^

-

1,08 MPa

(critério de niptura)

a^/2 = 0,54 MPa

 

e

a tensào admissível seria

c t

<

0,54 MPa

 

Os critérios do Código de Bostcn

haviam

sido

estabelecidos para

de r

cm relação a uma

34,4 cm de diâmetro:

provas de carga sobre

placas

x 1', representando os seguintes percentuais,

placa circular equivalente

de

x = 3/8" = 0.95 cm -> 0.95/34.4 x

y =

cm ->

100 = 2,8%

1"

= 2,54

2.54/34.4 x 100 = 7,4%

Para a placa de 80 cm e os critérios citados aci-

ma, esses percentuais seriam:

x 1 cm

=

1/80x100=

1.3%

y 2,5 cm -> 2,5/80 x 100 = 3,1%

-

Verifica-se que o "critério de ruptura", represen- tado por um recalque da placa de 3,1%, é na realidade um segundo critério de recalques, pois

está muito distante de um recalque corresponden-

te a 10% do diâmetro da placa, aceito por muitos como definidor de ruptura, quando esta nào se manifesta nitidamente. Este fato já havia sido apon- tado por Leme (1953) e Teixeira (1966), que inter- pretando resultados de provas tle carga sobre argi- las de Sào Paulo haviam constatado que o critério de a, s /2 era sempre mais rigoroso que o, ; .

Ainda que criticávcis nas suas origens, os crité-

rios acima mostraram-se adequados, quando apli-

cados no projeto de fundações de edifícios dc grande porte construídos na cidade de Sào Paulo

a partir do final da década de 30.

Extrapolação

dos Resultados

Carga sobre

Placa

de uma

Prova

de

Os resultados de uma prova de ca:ga sobre placa (modelo) podem ser usados para estimar os recalques de uma sapata de fundação (protótipo). Na Figura 7.18. duas sapatas circulares rígidas, modelo e pro- tótipo, sào representadas lado a lado apoiadas à su- perfície de um solo linearmente elástico:

Para esse caso, o recalque, s, será dado por:

s »

0,79 (

l-|i- )

. a

.

B

/ E

(7.4.1)

o

recalque será função da tensão aplicada e da di-

mensão B. Casos com diferentes condições de contorno são discutidos no parágrafo 7.6.2

Conhecidas

as

constantes

elásticas

e

E,

• Prova dc carga cm argilas

Considere-se agora o caso de o solo de apoio ser uma camada sobreadensada de argila, para a qual se poderá admitir que E é constante com a profundidade, assim como o valor de u.

Fig. 7.18 - Bulbo de tensões de placas modelo c protótipo

A

expicssão (7.4.1) poderá ser recscrita:

s

= const. O.B

(7.4.2)

Aplicando-se (7.4.2) às placas da figura 7.18 tem-se

resultando:

V S

S

,

W

/

(

W

(a.E^/íaj n

o u

(7.4.3)

expressão que permitirá calcular o recalque da sa-

pata circular, a partir dos dados da prova de carga.

A expressão (7.4.3) pode ser reescrita

s,

-

-

[

(s p /a.)a r (B,./B | i )

/ s,) )

1 / (

a

a„. (

-

B,, / B |r )

Chi mando-se

a/s ,

=

k N = módulo

de

reação

(MPa/m). tem-se:

s,„ -

(a , /k)(B,, / B (r )

 

(7.4.4)

As expressões (7.4.3 ) e (7.4.4 ) são aquelas procura-

das. que pennitem estimar o recalque da sapata s,, em função das dados oficias na prova dc carga.

No caso dc sapatas quadradas ou retangulares, a di- mensão 13, seria aquela dc uma sapata circular equiva-

lente ( mesma área ). Logicamente, quanto mais o pro- tótipo se afastar do modelo, maiores serão :LS impreci- sões introduzidas.

• Prova de caiga cm aieias

No caso de areias, o módulo de defonnabilidade não é constante com a profundidade, variando, entre outros latoiv>, com a pressão confinante, linearmente crescen- te com a profundidade.

'Ier/aglli e PCC K (19-Í8 ) foram os primeiros a estimar os recalques dc sapatas apoiadas cm areias, extrapolando os resultados de provas dc caiga executadas sobre pla- cas quadradas de 1'xl' (-0,3 x 0,3 m):

s 1 ./s |> -í2B,/(B,, + 03)P

ou

s, =[2B | /(B 1 .+0,3)Ps )

(7.4.5)

Siil>stitiiindo-se valores para B, , verifica-se qiiL* ex- pressão (7.4.5) conduz a um valor limite de s ( = -i.s., para a mesma tensào aplicada pela placa e pela sapata. Traballios pcxstaioivsíBjemim e Eggestad 1963 ctc. )mos- traram que a expressão (7.4.5) nào é confiável e que a relação s, vs s não varia apenas com B, dependendo taml)ém da compacidade da areia.

O estabelecimento da relação modelo-protótipo

deverá então ser pesquisado cm cada caso, em- pregí.ndo-se placas de diferentes tamanhos e mo-

delos teóricos com módulo crescente com a pro- fundidade (v. parágrafo 7.6.2).

• Provas de carga sobre solos residuais

No caso de solos residuais, o tratamento a ser dado dependerá do tempo de estabilização dos recalques durante os estágios da prova de caiga. Uma estabili- zação rápida indicaria um comportamento "areno- so" e a prova de carga seria interpretada como se o solo fosse uma areia. Ao contrário, um longo tempo de estabilização indicaria um comportamento argi- loso", e o solo seria tratado como uma argila.

d - Métodos Empíricos

Tabelas de Tensões Admissíveis

As primeiras recomendações para estimativa da

tensào admissível apareceram na fonna de tabe- las, cm geral constantes de códigos de obras de

T<lbe|a 7.1 I Valores de tensões admissíveis limites, a serem adotados cm anteprojetos (apud Vargas 1955) (De acordo com a experiência da Seção de Solos do IPT do São Paulo)

Tipo dc

Solo

Tensão admissível

(MPa}

Rocha, conforme sua natureza geotô- gica. sua textura e seu estado

Alteração de rocha de qualquer espó- cie {mantendo ainda a estrutura da rocha-mãe necessitando martelete pncumático ou pequenas cargas dc dinamite para desmontej.

Alteração dc rocha cruptiva ou metamõrfica (necessitando, quando muito, picareta para escavação)

Pedregulho ou areia grossa compacta (necessitando picareta para escavação), argila dura (que não pode ser mokJada nos dedos)

Argila de consistência nja (dificilmente moldada nos dedos)

Areia grossa de compacidade média,

areia fina compacta. Areias fofas, aroía mole fest^açã o a n^] < 1

20-10 0

4-2 0

< 4

4

2

2

- 6

- 4

- 3

grandes cidades (Terzaghi e Peck 1948), ou nor- mas como a DIN, por exemplo. No Brasil, um exemplo é dado por Vargas (1955), reproduzido na Tabela 7.1, sintetizando uma expe- riência na construção de edifícios cm Sào Paulo. A aplicação dos valores da tabela estaria sujeita

a uma série de limitações envolvendo profundi- dade de apoio, tipo de solo, existência ou não de camadas comprcssíveis etc. Com o advento das normas brasileiras para pro- jeto de fundações, tabelas de tensões admissíveis

passaram a fazer parte das recomendações para projeto. A Tabela 7.2, reproduz a tabela constante da última revisão da NBR 6122/94 De acordo com a norma, as tensões básicas da Tabela 7.2 "servem para uma orientação inicial". O emprego dos valores básicos, válidos para sapatas de 2m de largura, apoiadas a lm de profundidade dentro da camada dc suporte, ficam condicionados

a uma série de recomendações contidas nos pará- grafos da norma de números 6.2.1.4 - Métodos

Empíricos e 6.2.2 Considerações Gerais, aos quais

o leitor deverá recorrer para maiores detalhes. Por seu caráter de norma brasileira, para ser adotada e

Tabela 7.2

| Tensões básicas segundo NBR

6122/94

Classe

Descrição

Valores (MPa)

1 Rocha sã. maciça, sem laminações ou sinal de decomposição

3.0

2 Rochas laminadas, com pe- quenas fissuras, estratificadas

1.5

3 Rochas alteradas ou em decomposição

4 Solos granularcs concrecio- nados, conglomerados 1.0

5 Solos pedregurhosos compac- tos a muito compactos 0.6

ver nota (cj

6 Solos pedregulhosos fofos

0.3

7 Areias muito compactas

0.5

8 Areias compactas

0.4

9 Areias medianamente compactas

0.2

10 Argilas duras

0.3

11 Argilas rijas

0.2

12 Argilas mídias

0.1

13 Siltes duros (muito com- pactos)

0.3

14 Siltes rijos (compactosj

0.2

15 Siltes médios (medianamente compactos)

0,1

Notas: a) P3rn a descrição dos diferentes tipos de solo, deve-se seguir as definições da NBR 6502

b) No caso de calcário ou qualquer outra rocha cárstica, devem ser feitos estudos especiais.

c ) Para rochas alteradas, ou em decomposição, tem que se levar em conta a natureza da rocha matriz e o grau de decomposição ou alteração.

usada em todo o país, as recomendações têm

necessariamente que ser conservadoras, para ten- tar cobrir toda a gama de variação de solos que ocorrem num país de dimensões continentais como

o Brasil. Valores mais adequados poderão ser obti-

dos em cada região, mediante investigações de cam-

po e laboratório acopladas ao acompanhamento do desempenho da fundação.

Resistência

à penetração

em

sondagens

É o método mais usado na prática. As primeiras recomendações surgiram com a publicação do livro de Terzaghi e Peck (1948) , sendo depois adaptadas

por outros autores para se ajustar às condições exis- tentes na localidade ou região em que atuavam. Entre nós, a primeira sugestão foi feita por Leme (1953), correlacionando resultados de provas de car- ga sobre placa com a resistência à penctraçào medida com o amostrador e técnica de sondagem do IPT de Sào Paulo. Tentativa do mesmo gênero foi feita por Teixeira (1966) correlacionando provas de carga com

a resistência à penetração medida com o amostrador

Mohr-Geotécnica. Em ambos os casos, as provas de carga foram realizadas sobre argilas do terciário da cidade de Sào Paulo. Infelizmente, esses trabalhos foram referidos à resistência à penetração medida com amostradores diferentes do amostrador Raymond- 'Iérzaghi, adotado como padrão pela NBR 648<i e hoje

de uso geral em todo país.

Chamando-se de N, o valor da resistência à pe- netração (SPT) média medida com o amostrador

Raymond-Terzaghi, pode-se estimar a tensào admissível como sendo:

O;- 0,02 N (MPa)

(7.4.6)

válida para

N <

20.

qualquer solo natural no intervalo 5 ^

Fig . 7.19 - Estimativa de N médio

O intervalo de validade procura:

• nào permitir o emprego de fundação direta quando o solo for mole ou fofo (N<5);

• limitar a tensão admissível máxima a 0,4 MPa; va- lores mais elevados somente com ensaios com- plementares e/ou assistência de especialista de fun- dações.

A recomendação acima pressupõe que as son-

dagens sejam confiáveis, ou seja . executadas por

firma idônea seguindo critérios de lx>a técnica de sondagens (a este respeito, veja-se, por exemplo Teixeira 1974).

O valor da resistência à penetração a entrar na

expressão (7.4.6) será o valor médio representati- vo da camada de apoio, estimado dentro da pro- fundidade do bulbo de tensões das sapatas (~ 1,5B), conforme ilustrado na Fig 7.19 A expressão (7.4.6) nào leva em conta o efeito do comprimento das hastes na medida da resis- tência à penetração. É sabido, no entanto, que este efeito é mais sensível nos primeiros metros de sondagem, tornando mais errático o valor de N medido, afetando diretamente o estudo de fun- dações rasas. Muito freqüentemente a inspeção do solo através de um poço (v. parágrafo 7.3-2)

-i-Á-4 -

y

v

'

>

L///2Z7

Fig. 7.2 0 - Simplificação para cálculo

propagadas cm

profundidade

V'

'

-

de tensões

7Z2

revela características geotécnicas superiores àque- las avaliadas apenas pelo N medido (este efeito tem sido observado principalmente em areias). Conforme salientado no parágrafo 7.6.7, nào se adorará uma solução de fundação por sapatas no caso de solos porosos e/ou colapsíveis, cuja que- bra de estrutura poderá levara recalques conside- ráveis da fundação. Da mesma forma, a fundação direta nào será apoiada sobre aterros em geral, os quais, freqüentemente, contêm matéria estranha como restos orgânicos, entulho, lixo etc.

O emprego da expressão (7.4.6) pressupõe que

abaixo da cota de apoio das sapatas, nào ocorram solos de características inferiores às da camada de suporte. Na hipótese de ocorrer uma camada me- nos resistente, será necessário verificar se as tensões propagadas pelas sapatas ao topo da camada são compatíveis com a mesma. Nesta verificação pode- se empregar a simplificação sugerida pelo código de Boston, admitindo-se que as tensões se esprai- em segundo um angulo de 30° com a vertical (Fig. 7.20). Na verificação acima se levará em conta a pro- ximidade ou nào das sapatas, que poderá levar a uma superposição de bulbos de tensões (Fig. 7.21).

pro-

recor-

pagadas em profundidade,

rer a fórmulas baseadas na Teoria da de (v. parágrafo 7.5).

Para um cálculo mais preciso das tensões

haverá que se

Elasticida-

Ensaio de Penetração

Estática

do

Cone

A tensão admissível para projeto de sapatas pode

ser estimada com base nos valores de resistência de ponta o (MPa) , medidos no ensaio de pene- tração estática dc cone:

Fig .

«•cu riu*

7.2 2 • Estimativ a do

RESSTCNCI A

2

3

0 £

<

PONTA

5

SC

(T 0 -

2,3/10 :

0,23 MPc

valor

médio

de

q c

6

(MPO

)

 

a.

Sapatas apoiadas sobre argilas:

 

a

-

q c / 10

(MPa)

(7.4.7)

b.

Sapatas apoiadas sobre areias:

Fig.

7.2 1 - Superposição d c bulbos de tensã o

a

=

q

./1 5

(MPa)

(7.4.8)

As expressões acima são recomendadas para so- los com q > 1,5 MPa. O valor da tensão admissível estimada deverá ser limitada a 0,4 MPa, a não ser que se disponha da assistência de especialista de fundações.

O valor di! q ( . a entrar nas expressões (7.4.7) e 17.4.8) será o médio estimado dentro da profun- didade do bulbo de tensões da sapata, conforme ilustrado na Figura 7.22.

Valem para este caso as mesmas recomendações

feitas no paragráfo anterior, relativas à presença

de camadas

ou colapsíveis. aterros etc.

menos resistentes, solos porosos c/

7 . 5 - DISTRIBUIÇÃO DE TENSÕES

7.5.1-Introdução

A aplicação dc uma carga à superfície horizontal de um sólido desperta na sua massa um campo de tensões (verticais, radiais, tangenciais e cisalhantcs) cujas intensidades, intuitivamente, diminuem à me- dida que se afasta do ponto de aplicação da carga. Essas tensões são calculadas a partir de equa- ções da Teoria da Elasticidade, nas quais a hipóte- se fundamental é a existência de uma relação cons- tante entre as tensões e as deformações decorren- tes. Outras hipóteses consideradas são: o meio é homogêneo (ou seja. suas proporiedades sào cons- tantes de ponto para ponto) e isotrópico (ou seja, suas propriedades são as mesmas em cada dire- ção que passa pelo ponto considerado).

As fórmulas da Teoria da Elasticidade sào apli- cáveis a problemas de solos e fundações desde que as tensões cisalhantcs induzidas pela aplicação de cargas externas sejam de intensidade reduzida e estejam longe das tensões de rutura admitindo-se, portanto, com esta condição, a proporcionalidade entre tensões e deformações nos solos.

Fig. 7.2 3 - Tensões no semi-espaço infinito devido à

carga

puntiforme

Nas deduções das fórmulas da Teoria da Elasti- cidade assume-se que o peso específico (g) do meio é zero, de modo que para a obtenção das tensões totais no meio elástico dever-se-á adicio- nar as tensões verticais e horizontais devidas ao peso de solo, a saber:

-Y'Z

*

=

•a„

=

K 0 'Y'Z

onde K, é o coeficiente de pressão lateral em repouso.

7.5.2

Cargas

Puntiformes

As equações deduzidas por Boussinesq (1885) e apresentadas por Terzaghi (1943) permitem o cálculo das tensões em um ponto situado a uma profundidade z no interior dc um maciço semi- infinito e horizontal quando este é carregado por uma força pontual e vertical, conforme nomen- clatura ilustrada na Figura 7.23. As equações de Boussinesq sào as seguintes:

<r. = 3Qz y

2kR s

o

=

-

Q

2 KR 2

3r 1 z + R>

(\-2n)R

R + z

(7.5.1)

(7.5.2)

a.

-

- (1- 2 n)Q

2nR J

li— U

L*

R +

z]

(7.5.3)

= 3 Qrj
T.

2nR"

(7.5.4)

onde:

tensões

horizontal e horizontal

tangencial

a.,

a r

,

a ;

"

T r .- tensão

normais

vertical,

radial

circunferercial.

nas direções de r c z.

|i

-

coeficiente de Poisson

(7.5.5)

O

conhecimento das tensões verticais é funda-

mental no cálculo tle recalques de fundações e,

doravante, somente elas serão

No caso de solos laminados (por exemplo, ar- gilas scdimentares com delgadas lentes de areia), o meio deixa de ser isotrópico e as deformações horizontais sào restringidas. Para esta condição Weslergaard (1938) apresentou a seguinte equa- ção para o cálculo da tensão normal vertical devi- da a caiga pontual Q - vide Taylor (1948):

consideradas.

onüc:

-

m

1.2(1- /o.

(7.5.6)

(7.5.7)

Neste caso o material elástico é reforçado horizon- talmente por inúmeras e muito próximas membranas delgadas , porém infinitamente rígidas, as quais im- pedem qualquer deformação no sentido horizontal. Na Figura 7.24 são comparadas as tensões verti- cais calculadas pelas equações de Boussinesq e de Westergaard para \i - 0.

Fig. 7.2 4 - Comparaçã o das tensõe s calculadas pelas equações (7.5. JJ e (7.5.6J

As tensões verticais devidas a uma força verti- cal atuando num ponto dentro cio semi-espaço infinito, conforme representado na Figura 7.25, sào calculadas pela fórmula de Mindlin (1936), e que pode ser expressa por (vide Martins, 1945):

<7. =

K

(7.5.8 )

para o caso de |i « 0.5 e sendo K um fator de influên- cia tle tensões dependente das parâmetros m e n:

m = — D

n = — D

(7.5.9)

W

Martins (1945) apresentou os fatores de influên- cia para os seguintes casos:

a) Carga Q puntiforme aplicada à profundidade

D, e que corresponderia à carga transmitida pela

ponta de uma estaca:

b) Carga Q uniformemente transmitida ao solo

ao longo do comprimento D, e que corresponderia ao caso de tensões de atrito lateral uniformes ao

longo do fuste de uma estaca: K = K

K

-

K _

Os fatores de influência K

e K_ sào apresenta-

dos na Figura 7.26 para m - 0,5.

Fig. 7.2 5 - Tensões no semi-espaço infinito devidas a carga puntiforme aplicada cm profundidade dentro maciço

do

Fig. 7.2 6 - Curvas de influência das tensões verticais

para o caso da estaca

por atrito uniforme ao longo do fuste (a) c pela sua ponta fbj

transmitindo a carga ao

terreno

7.5.3 - Cargas Distribuidas Uniformemente em Placas Flexíveis Apoiadas à Superfície do Semi-espaço Infinito

Admitindo-se que a área uniformemente car- regada com uma pressão q seja infinitamente fle- xível, é possível pela integração da equação de Boussinesq (ou de Westergaard) obter-se a ten- sào vertical transmitida a um ponto no meio elás- tico decorrente de placas carregadas dc formas específicas.

a» Placa

flexível

corrida (comprimento

infinito)

d e largura

213 - Gra y <1930) :

o

-

<7 ^ \u +scna-cos(a

+25)]

(7.5.10)

Os parâmetros desta equação constam da Figura 7.27.

n

\

X

28

X

\

X

&

vsw?

\

\

V

X

Fig. 7.27 - Tensão no semi-espaço infinito devido a placa flexível corrida

i.

8

2

-23

-A

A

/ \

\ \

III UI IIIIKÍlí *

k

1

TOA

\

-

0.9

^

-A

Y/

\\

\ \

1

Fig. 7.28 - Bulbo de tensões para placa

corrida

A Figura 7.28 mostra o que se denomina de bul- bo de tensões, ou seja, o conjunto de linhas

isobáricas ao longo das quais é transmitida uma mesma fração da tensão q aplicada na sapata corri-

da. Para fins práticos considera-se o bulbo de ten-

sões limitado pela isobárica de C / = O.lq.

O conceito do bulbo de pressões é muito im- portante quando se programa a profundidade das sondagens preliminares de reconhecimento

geotécnico, bem como quando se interpretam os resultados de provas de carga sobre placa e a sua aplicabilidade para um protótipo, pois a profundi- dade do bulbo é função da dimensão da fundação.

b) Carga uniformemente distribuída sobre meta-

de da superfície infinita - Gray (1930):

(7.5.11>

Os parâmetros da equação sào apresentados na Figura 7.29.

0

V//W/?.

/

\

\

\

f V

r

i

íWiwii

f

r

Fig 7.29 - Tensão no semi-espaço infinito devida ao carregamento uniforme de metade da superfície infinita

c) Placa retangular de dimensões Le B uniforme-

mente carregada - Newmark (1935)

A tensão vertical é calculada para as pontos situados

na vertical, passando por um vértice do retângulo.

^

n~n~

;

Tzshssi

n

Fig. 7.3 0 - Tensão no semi-espaço infinito

placa

retangular

devida a

a. = 211

Tt

onde:

'

te

Ui

zR y

+

R

i =(B i +z 2 ) u2

R

i =(L 2 +B 2 +z 2 ) U2

LBz( |

R> [r;

—— 1 + 1 > r[)\

r

(7.5.12.»

(7.5.13)

(7.5.14)

(7.5.15)

A fórmula

reduzida:

G z

=

4'c

(7.5.12)

pode ser escrita

na

forma

onde

pelo ábaco à Figura 7.31, onde:

I o (fator dc influencia dc tensões) £ obtido

m = B

n =

L

(7.5.17)

didade z é calculada pela fórmula de Love (1928)

- vide Terzaghi

(1943):

+

1

Os parâmetros dessa equação são na Figura 7.33.

Foster e Ahlvin (1954) apresentaram as curvas da Figura 7.34 que permitem o cálculo das ten- sões em qualquer ponto do semi-espaço carrega- do por uma placa circular. A curva (0,0) represen- ta a fórmula de Love.

apresentados

m^r.

n

H

i

« « * •)••••

I

> « I • r*»a

Fig. 7.3 1 - Fatores de influência para placa

retangular.

Fig. 7.33 - Tensào no semi-espaço infinito devida a placa circular uniformemente carregada

Apuc? Fadum

f1948 J

e) Outras formas de carregamento menos usuais (linear corrida, triangular corrida, cônica , área elíptica etc.) podem ser encontradas em Poulos & Davis (1974).

7.5.4 - Pressões de Contato em Placas Rígidas

Para o caso do cálculo da tensão num ponto que não sc situa sob um dos vértices da área carregada, procede-se utilizando-se o princípio da sobreposição, determinando-se os fatores dc influência das ten- sões de retângulos cujos vértices se situam sobre o ponto considerado e fazendo-se a sua somatória al- gébrica conforme o exemplo da Figura 7.32.

Pressões de contato são as pressões normais que agem na superfície cie contato da base cie uma sa-

1 pata com o solo de apoio. A distribuição das pres- sões de contato dependem das propriedades elás- ticas do meio de suporte, da rigidez à flexào da sapata , da distribuição das cargas sobre a sapata e da profundidade de apoio.

'ABDE

^ACÜO " ^BCIIO " 'l>IOO + 'EFIIO

Fig. 7.32 - Princípio da sobreposição de

r

(7.5.18)

retângulos

d) Área circular de raio R Para os pontos situados na vertical passando pelo centro da área circular, a tensào vertical à profun-

aj Placa

Flexível

Para uma placa perfeitamente flexível apoiada à superfície do solo, a distribuição das pressões de contato é uniforme, tanto no caso das areias como nas argilas, conforme mostrado na Figura 7.35. Nas areias o bordo da sapata sofre maiores recalques do que o centro, pois a areia situada adjacente ao bordo é apenas parcialmente confinada e, portan- to, é mais compressível.

forma

de sela, com o maior recalque ocorrendo no cen-

tro da placa.

Nas argilas a sapata tem um recalque em

Fig. 7.34 - Fatores de influência para placa circular

(o >

(b)

Fig 7.3 5 - Pressões de contato cm placa flexível (a)

areia,

(b)

argila

b) Placa

Rígida

A distribuição da pressão de contato dc uma

fundação rígida depende do solo de apoio. A Fi- gura 7.36 apresenta formas típicas da distribuição das pressões dc contato nos casos de areia e de argila, quando, então, os recalques sào uniformes por se tratar de placa rígida.

 

1

m

i

( O )

Fig.

7.3 6 - Pressões de contato em placa

[ajareia,

(b)

argila

1

rígida,

O cálculo das pressões de contato é feito pela

Teoria da Elasticidade. Borowicka (1939) — vide Terzaghi (19-13) — obteve soluções para os casos de placa circular de raio R c de placa corrida de

semi-Iargura B submetidas a uma pressão uniforme q, e admitindo nulas as tensões cisalhantes na su- perfície de contato das placas com o meio elástico. Os resultados sào apresentados na Figura 7.37 , para diferentes graus de rigidez K das placas.

As equações finais de Borowicka. que nào são apresentadas neste texto, contêm o fator K que é a rigidez relativa entre a placa c o solo:

a) placa

circular:

b) placa

corrida:

K

=

1(1-/r)

'"6( 1 -nl)

E.

E

f

r

U,

(7.5.20)

(7.5.21)

sà o o s parâmetros elástico s d o

material da placa e do solo, respectivamente, e t é a espessura da placa. O valor K - 0 indica uma placa infinitamente flexível e K ( = ©o uma placa infinita- mente rígida. Para fins práticos, uma placa circu- lar com K < 0,1 pode ser considerada flexível c K >5 como sendo rígida. No caso de placa corrida os va- lores práticos sào 0,05 e 10, respectivamente.

ond e E , J I e F.,

Para K

- <*>, as pressões de contato são calcula-

das pelas

equações:

I\

=

2(1 -(x/rf r

Pc =

K[\-(x/B) 2 ) in

(7.5.22)

(7.5.23>

Fig. 7.37 - Pressões de contato dc placa com diferentes graus dc rigidez, (a) placa circular, (b) placa corrida

Feio exame da Figura 7.37 vê-se que a distribui- ção das pressões de contato aumenta desde 0,5q ou 0,6<íq no centro da placa até o valor infinito no bordo. Na realidade, a intensidade das pressões no bordo da placa é finita, pois aí o solo sofre uma plastificaçào resultando uma distribuição como mostrada na Figura 7.36 (b). Deste modo, a pres- sào de contato no bordo nào pode ser maior do que a capacidade de carga do solo, o que causa ainda uma redistribuirão das pressões ao longo da

base da sapata. À medida que aumenta a profundi- dade de apoio da sapata, maior será a resistência ao cisalhamento e, nestes casos, a distribuição das pressões de contato tende a ser mais uniforme.

A introdução dc tensões cisaihantes na superfí- cie de contato entre a sapata e o maciço ('base rugosa" i tende também a uma distribuição dc pres- sões mais uniforme.

Nas sapatas rígidas, devido às diferentes formas de distribuição das pressões dc contato, as tensões verticais despertadas no maciço diferem daquelas decorrentes do carregamento de placas flexíveis de mesma forma. Na Figura 7.58 sào comparados os Inilbos dc tensões verticais, para o caso dc placas circulares flexível e rígida carregadas com a mesma pressào q. Note-se que para profundidades z < R as inteasidades das tensões induzidas no maciço sào muito diferentes.

Fig.7.38 - Bulbos dc tensão para placas circulares flexível (aj e rígida (b)

7.5.5 - Coeficiente de Reação Vertical do Solo

Sob o efeito de uma carga Q aplicada em uma viga apoiada sobre um meio elástico, a viga fletirá produzindo no meio elástico uma reação de in- tensidade p. Pela hipótese de Winkler, a intensi- dade de p, cm qualquer ponto da viga, é propor- cional à flcxa y da viga nesse ponto conforme mostrado na Figura 7.39. Fssa constante é denomi- nada de coeficiente de reação vertical do solo:

(7.5.24)

determinado experimentalmente por meio de um carregamento de placa de dimensões 1 pé x 1 pé (3<»,x m x 30,5cm).

Fig. 7.39 - Hipótese de Winkler

O coeficiente de reação dos solos, às vezes cha-

mado erroneamente de coeficiente de mola, de-

pende tias propriedades do meio e das dimen- sões e forma da placa.

A Figura 7.-»0 pode ser utilizada para estimar o

coeficiente de reação vertical para placas tle 30,5cm x 30, Sem, em função do índice de resistência à pe-

netração (SPT), tanto para areias como para argilas.

NAVFA C

(1982 )

TERZAOH I

(1955)

SPT (AROIUAS )

i

10

SPT

J

) •

(AREIAS )

I

4 0

AREIAS

ARGILA S

AREIA S

SECA S

E

ÚMIDA S

AREIA S

SUBMERSA S

ARGILA S

Fig. 7.40 - Estimativa do coeficiente de reação vertical em função do SPT

Para uma viga corrida de largura B apoiada em argila, Terzaghi (1955) propôs a seguinte equação empírica para o cálculo do coeficiente de reação vertical k :

li

(7.5.25)

sendo k, o coeficiente medido com a placa de dimensões dc B. = 1 pé = 30,5cm. Para a mesma fundação corrida apoiada em areia tem-se:

No

( 0

caso

+ 30.5^

2B

de

)

uma

(

B em

cm)

(7.5.26)

sapata

retangular

de

dimen-

sões B x L (sendo L » wB) apoiada em

areia:

k,

0 5

«*, m +

l.5m

Nesta equação, à medida que m cresce, se ao valor limite de:

k f

=0.67 k,

(7.5.27)

chega-

(7.5.28)

lar-

gura B, comprimento L, momento de inércia J e de

módulo de elasticidade do material I-

Define-se rigidez característica

X da viga de

pela relação:

A-i-^ r

4

E t J)

(7.5.29)

po r parâmetro d e rigidez o produto XL. D e acor- do com o parâmetro de rigidez, as vigas sào assim

e

classificadas:

a viga é considerada como sendo rí-

gida (vigas curtas) 0,8 < XI < 3 a viga é de rigidez intermediária (vi- gas médias)

>wL > 3

XL < 0,8

a viga é

flexível

(vigas

longas)

Para a determinação dos fatores de influência (para rotação, reação do apoio elástico, momento fletor e força cortante) necessários ao dimensionamento de vigas de comprimento finito sob ação de esforços solicitantes externos recomenda-se o uso das tabe- las de Soares e Teramoto < 1981 >.

7.5.6 - Tensões Despertadas por Uma

Fundação

Como a fundação de um edifício é composta por um conjunto de sapatas ou por grupos de estacas, os bulbos de tensões das sapatas ou do grupo de estacas se sobrepõe sendo, portanto, necessário o cálculo das resultantes dessas ten- sões na camada de interesse, para então poder-se calcular os recalques do edifício.

No caso de fundações por sapatas as tensões resultantes num ponto podem ser calculadas pelo ábaco de setores do anel desenvolvido por Newmark (1940) com base na fórmula de Love (equação 7.5.19). O ábaco é obtido pela divisão de um anel, carregado uniformemente por uma

tensão <|, o qual é dividido em pequenos setores de anel. A tensão final é calculada por:

(T. -

r • A/,

(7.5.30)

sendo ti o número de setores de anel abrangidos pelas várias sapatas e A/ o "passo" do ábaco. A construção do ábaco pode ser obtida em Mello e Teixeira (1960). Quando a camada compressível se situar em profundidades superiores a três vezes a dimensão da maior sapata pode-se calcular a resultante das tensões tomando a carga do pilar como pontual e aplicando-se a fórmula de Boussinesq (equação 7.5.1) ou de Westergaard (equação 7.5.6).

7.6 - RECALQUES DE FUNDAÇÕES RASAS

7.6.1

- Introdução

Neste parágrafo serão analisados os métodos dis- poníveis para a estimativa de recalques de funda- ções rasas. Em muitos problemas práticos, quando sc aplicam tensões no maciço ocorrem deformações cisalliantcs ou de distorção que causam deslocamentos verticais da fundação. Se as tensões cisalhantcs induzidas são pequenas quando comparadas com a resistência ao cisalhamento do solo, as tensões cisalhantcs sento apro- ximadamente proporcionais ãs deformações cisalhantcs ocorrendo, então, deformações com mudança de for- ma sem diminuição de volume do solo. Esse recalque que OCOITC quase que simultaneamente com a aplica- ção da carga é denominado de recalque imediato, ou inicial, ou elástico, uma vez que a sua grande- za é estimada com base na Teoria da Elasticidade.

Outra parcela dc recalque decorre de deforma- ções volumétricas ou por adensamento, com di- minuição do índice de vazios do solo, e é deno- minado de recalque primário. No caso das argilas saturadas esse adensamento decorre da dissipaçào gradual das sobrepressões neutras induzidas pelo carregamento da fundação. Após decorrido um tempo suficiente para que as sobrepressões neutras se aproximem de zero, a argila continua a diminuir de volume, fenômeno este deno- minado de compressão secundária ou secular, o qual se processa linearmente com o logarítmo do tempo. A evolaçãc dos recalques de uma sapata de fun- dação com o tempo é ilustrada qualitativamente na Figun: 7.-11 - O recalque total da fundação será a soma dos recalques ir.icial, por adensamento e secular:

S = S. + s. + s.

(7.6.1)

Nos casos onde as sapatas se apoiam diretamente em solos densos e resistentes predominam as defor- mações imediatas. No caso da existência de argilas moles profundas em relação â cota de apoio da fun-

'IO O

TEMP O

Fig. 7.41 - Evolução do recalque com o tempo

daçào, ou no caso dc aterros lançados sobre solos compressíveis, há predominância dos recalques por adensamento. A parcela de recalque secular 6 im- portante no caso dos solos orgânicos e turfosos.

7.6.2 - Recalques Imediatos ou Elásticos

Na estimativa dos recalques imediatos devem ser levadas em consideração os seguintes fatores: rigi- dez, forma e profundidade dc apoio de sapata e a espessura da camada deformável. A consideração de semi-espaço infinito deformável, que nào ocorre na prática, leva a estimativas exageradas do recalque.

A seguir sào apresentadas formulações para o cál-

culo de recalques considerando as fatores menc.ona- dos acima e em função do módulo de deformabilidade do solo (E), o qual será comentado adiante.

conforme

mostrado na Figura 7.42:

Será

adotada

a seguinte simbologia,

I. -

lado maior da placa retangular unifomxtnen- te carregada com a pregão q

B

idem , lado menor

D

2R diâmetro da placa circular uniforme- mente carregada com a pressão q

c

- profundidade de apoio da sapata

h

» espessura do solo deformável

fi

I - fator de influência dependente da forma, da rigidez c da profundidade dc apoio da

sapata e da espessura do solo deformável coeficiente de Foisson do solo

»

B

ou

D

Fig. 7.42- Nomenclatura para as fórmulas de cálcu.o de recalques imediatos

a) Placas flexíveis

• Recalque de placa retangular apoiada à super- fície de um semi-espaço infinito, Giroud (1968)

(7.6.2)

O fator de influência I é apresentado em gráfico na

Figura 7.43 (a) para os recalques dos pontos indicados.

O valor de I m corresponde ao recalque médio da

placa

flexível.

• Recalque de placa retangular apoiada à pro- fundidade c de um semi-espaço infinito, Groth e Chapman (1969)

s

=3l i

(7-6.3)

Fig . 7.4 3 - Fatore s d e influênci a par a o cálcul o d e recalque s d e plac a flexível. Plac a retangula r (a), (b), |c) - plac a circular (dj. |ej e (fj

O fator de influência I é apresentado em gráfico

na Figura 7.43 (b), corresponde ao recalque de um dos vértices do retângulo.

• Recalque de placa retangular apoiada à superfí- cie de camada de espessura finita, Sovinc (1961)

= 5* /

E

(7.6.4)

O fator de influência I é apresentado em gráfico

na Figura 7.43 (c) e é correspondente ao centro e

ao vértice do

retângulo.

 

Recalque

de

placa

circular flexível

apoiada

à

superfície

de

semi-espaço

infinito-Alilvin

e

Ulery

'

E

(1962)

(7.6.5)

Os fatores de influência I sào apresentados na Figura 7.43 (d) correspondentes aos pontos situa- dos ao longo do raio do círculo

• Recalque de placa circular flexível apoiada à pro- fundidade c de semi-espaço infinito, Nishida (1966)

J

.

=

/

(7.6.6)

Os fatores de influência I para o centro e para o l>ordo da placa circular sào apresentados na Figura 7.43 (e)

• Recalque de placa circular flexível apoiada à su-

perfície de camada de espessura

finita,

Milovic

 

(1970)

'

E

(7.6.7)

Os fatores de

influência

I sào apresentados

na

Figura 7.43 ( 0

relativos ao centro e ao bordo

de

plac a circula r e para |i= 0, 3 e

0,45 .

b) - Placas Rígidas

Nas placas

rígidas

o recalque é

uniforme.

• Recalque de placa retangular apoiada à superfície

de semi-espaço infinito, Whitman e Richart (1967)

s. =

E

g(LB)

/

i/:

(7.6.8)

O fator de influência é apresentado no gráfico à

Figura 7.44(g), em funçào da relação L/B.

Recalque cie placa retangular apoiada à pro-

fundidade

c

de

semi-espaço

Buttcrfield

í

Banerjee

(1971)

semi-infinito

-

v

=

2(1 -f fi) qL

E

l

(7.6.9)

O fator de influência, para H=0,3 e 0,5, é

sentado no gráfico da Figura 7.44

(h).

apre-

• Recalque de placa retangular apoiada à superfí- cie de camada de espessura finita, Sovinc (1969)

I.S

. 0 ,s

f/L. »

/d

( 9 )

(M

*

• 0,5

4

Tí/í

i

A

8

»

O

"O

~~

0

/

o. a

l.o

(1)

N

1,a

2.0

O «254S6T8

1.2

0.8

O

, 2

/

/ /

S

. 4

, e

, 8

( I )

\

. 8

/

O.

'a

/

j

/ /

>5

. 6

. 4

. 2

o

9

Fig. 7.44 - Fatores de influência para o cálculo dc recalques de placa rígida. Placa retangular (gj. (hj. (i). Placa circular (j) e l(]

' E

(7.6.10)

Os fatores de influência I sào apresentados na Figura 7.44 (i), correspondente a ^1=0,5. • Recalque de placa circular rígida apoiada à pro- fundidade c de scmi-cspaço infinito, Butterfield e Banerjee (1971)

_

Jt(\ + [L)qR E

l

Os fatores de influência,

(7.6.12)

para m=0,3 e 0,5,

sào

apresentados cm gráfico na Figura 7.44 (j)

• Recalque de placa circular apoiada à super-

fície de camada de espessura finita, Poulos (1968)

' E

7.6.13)

Os

fatores

de

influência

sào

apresentados

gráfico na Figura 7.44 (1), para n -

0,4 e 0,5.

em

7.6.2.1 - Avaliação dos Parâmetros

Deformabilidade

de

Por serem os solos materiais cuja massa nào c con- tínua e sim formado por partículas, serem heterogê- neos e nào isotrópicos, c com módulo de defor- mabilidade podendo crescer com a profundidade, é necessário muito discernimento para estimar a gran- deza do recalque por meio das fórmulas desenvol- vidas em função da Teoria da Elasticidade.

Apesar disso, as equações sào utilizadas para obte- rem-se estimativas razoáveis dos recalques, desde que as constantes "elásticas" E e fl sejam adequada- mente escolhidas e sempre que as tensões transmiti- das ao solo estejam muito aquém da sua tensão de niptura. Para estimativas dos recalques imediatos de- verão ser empregados os módulos dc deformabilidade determinados por ensaios (de campo ou de lal>ora- tório) do tipo nào drenado, enquanto para a estima- tiva dos recalques totais os módulos devcrào ser de- terminados por ensaios drenados. O critério em- pregado na escolha do módulo é, portanto, funda- mental na obtenção dc resultados rcalisticos.

Um fator importante que afeta a precisão da es- timativa dos recalques utilizando as fórmulas ba- seadas na Teoria da Elasticidade é a espessura do material deformável a considerar num dado pro- blema, conforme ilustrado na Figura 7.45, Terzaghi (1943), onde o fator de influência I tem o valor:

/ = qR

Na mesma figura pode-se ver a mesma

cia do coeficiente de

Poisson.

(7.6.14)

influên-

M

0)

Ot

.

|

1- J

Fig. 7.45 • Influência da espessura da camada compressivel e do coeficiente de Poisson no recalque de placa circular flexível - Apud Terzaghi ft 943J

'S

z

 

q

L

A

^

n

/A

/\

 

\

/

1

1

«1

DEFORMAÇÃO

ESPECIFICA

PRESSÕES

£

O?)

Fíg. 7.46 - Influência do nível de tensào/dcformações na determinação do módulo de deformabilidade Ensaio de placa (a) - Ensaio triaxial fb)

Na prática as parâmetros de deformabilidade são de-

terminados sol) três condições dc confinamento do solo:

a) Solo não confinado - ensaio de compressão

simples realizado em laboratório.

b) Solo parcialmente confinado - ensaio de com-

pressão triaxial realizado em laboratório, ensaio de placa e ensaio de penetração de cone, ambos realizados no campo. c) Solo totalmente confinado lateralmente - ensaio de adensamento de laboratório. O objetivo de se avaliar os parâmetros de com- pressibilidade pelos métodos acima é de sc obter aquele valor, que levado nas equações teóricas con- duza à melhor estimativa do recalque. A priori pode- se dizer que os ensaios realizados em solos parcial- mente confinados levam âs melhores estimativas para os recalques imediatos ou elásticos, e os ensaios em amostras confinadas para a obtenção dos parâmetros de deformação volumétrica, notada mente quando as camadas compressíveis são profundas. Dcs métodos acima, os ensaios de placa têm mai- or credibilidade dada a sua semelhança com uma fundação direta. A avaliação do parâmetro dc compressibilidade a partir d e correlações empíricas e m função cia resistência d e ponta dc cone holandês é muito útil pois pennite co- nhecer-se a sua variação com a profundidade.

Tabela 7.3 | Módulos de deformabilidade (MPa)

com

indefor-

mada, notadamente em solos pouco coesivos e em solos sensíveis.

Em todos os processos os parâmetros de defor-

mabilidade variam em função do nível e da velocidade

dc aplicação das tensões ou das deformações

correspondentes, e da história de tensões do ma-

ciço. Na Figura 7.46 dá-se uma indicação da va- riação dos módulos de deformabilidade, se de- terminados no ensaio de placa ou no ensaio de compressão triaxial, em função do nível de ten- sões/deformações considerado.

as conhecidas dificuldades de amostragem

As determinações laboritoriais defrontam-se

aj Módulo de Deformabilidade Obtido nos

Ensaios de Placa Executado um ensaio de placa, determina-se o módulo utilizando-se a equação teórica (vide item 7.6.2.b) que melhor sc assemelhar às condições

do ensaio (tipos de placa, profundidade do en-

saio e semi-espaço finito ou infinito).

Como a placa de ensaio é rígida c tem normal- mente a forma circular de diâmetro de 80cm, o módulo determinado refere-se ao solo situado até a profundidade de 2 x 80 = 160 cm, ou seja, cor- respondente aproximadamente à isobárica deO.lq

do

bulbo de

pressões.

SOLO

CONSISTÊNCIA

BOWLES

SHERIF

KÉD2I

VALORES

OU

E KONIG

SUGERIDOS

COMPACIDADE

(1977)

(1975)

(1975)

muito mole

0.3- 3

0.35 - 3

1

mole

2 - 4

1 -2.5

2 - 5

2

média

4,5- 9

4 - 8

5

Argila

rija

2.5- 5

7

muito rija

 

5 -

10

8

 

_

dura

7-2 0

7 - 18

15

fofa

 

5

_

_

_

pouco compacta

10-25

20-5 0

10-25

20

Areia

medianam. compacta

50-100

50

_

_

compacta

50 - 100

50-8 0

70

 

_

muito compacta

90

Areia com

pouco compacta

50 - 140

 

50

_

pedregulhes

compacta

80 - 200

100-20 0

120

Argila arenosa

_

30-42.5

_

30-4 0

Silte

2-2 0

3 -

10

 

_

_

_

Aieiti Siltosci

7 - 20

 

_

_

_

_

Tabela 7.41 Relação módulo de deformabilidade/resistència não drenada - Massad [I981J

SOL O

SPT

Argilas porosas vermelhas

2 a 8

E / C u

E / C U

600