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(UFSM 2007) Leia o trecho a seguir.

Por isto são maus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas os de vontades endurecidas ainda são
piores, porque um entendimento agudo pode-se ferir pelos mesmos fios e vencer-se uma agudeza com
outra maior; mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais,
porque quando as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra. Oh! Deus nos livre
de vontades endurecidas, que ainda são piores que as pedras.
(Sermão da Sexagésima, de Pe. Antônio Vieira.)

Pelo trecho reproduzido, pode-se concluir que o Sermão da Sexagésima trata da


a) problemática da pregação religiosa, considerando as figuras dos pregadores e dos fiéis.
b) necessidade do engajamento dos fiéis nas batalhas contra os holandeses.
c) perseguição sofrida pelo pregador em função do apoio que emprestava a índios e negros.
d) exortação que o pregador fazia em favor de seu projeto de criar a Campanha das Índias Ocidentais.
e) condenação aos governantes locais que desobedeciam aos princípios do mercantilismo seiscentista

(UFSM) Leia o seguinte fragmento do “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de
Holanda”, do Padre Antonio Vieira, para responder às questões 128 e 129:
“Enfim, Senhor, despojados os templos e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade
católica; acabar-se-á o culto divino, nascerá erva nas igrejas, como nos campos; não haverá quem entre
nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a
Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas como diz
Jeremias que chorava as de Jerusalém destruída: chorarão as ruas de Sião, porque não há quem venha à
solenidade. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa a devoção dos fiéis, como costumava em
semelhantes dias.”
O texto relaciona-se à invasão holandesa no Brasil, em 1640; nele, o orador:
a) considera os holandeses hereges e violentos com aqueles que não fossem seus compatriotas;
b) dirige-se a Deus e prevê o esvaziamento da religião católica, caso o Brasil fosse entregue aos
holandeses;
c) pede a Deus que evite a invasão de ervas nos templos, a fim de preservar o patrimônio da Igreja;
d) é um profeta e previu o que realmente aconteceria com a religião católica no Brasil, quase três séculos
depois;
e) dirige-se ao rei de Portugal, a fim de salvar o país da invasão holandesa, que já começava a destruir as
igrejas da cidade.

13. (Ufrgs 2014) Leia o trecho do Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda,
do Padre Antônio Vieira, e o soneto de Gregório de Matos Guerra a seguir.

Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda

Pede razão Jó a Deus, e tem muita razão de a pedir – responde por ele o mesmo santo que o arguiu –
porque se é condição de Deus usar de misericórdia, e é grande e não vulgar a glória que adquire em
perdoar pecados, que razão tem, ou pode dar bastante, de os não perdoar? O mesmo Jó tinha já declarado
a força deste seu argumento nas palavras antecedentes, com energia para Deus muito forte: Peccavi, quid
faciam tibi? Como se dissera: Se eu fiz, Senhor, como homem em pecar, que razão tendes vós para não
fazer como Deus em me perdoar? Ainda disse e quis dizer mais: Peccavi, quid faciam tibi? Pequei, que mais
vos posso fazer? E que fizestes vós, Jó, a Deus em pecar? Não lhe fiz pouco, porque lhe dei ocasião a me
perdoar, e, perdoando-me, ganhar muita glória. Eu dever-lhe-ei a ele, como a causa, a graça que me fizer, e
ele dever-me-á a mim, como a ocasião, a glória que alcançar.

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,


Da vossa piedade me despido;
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,


A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada


Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada:


Cobrai-a, e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Assinale a alternativa correta a respeito dos textos.


a) Os autores, ao remeterem aos exemplos bíblicos de Jó e da ovelha perdida, elogiam a autoridade divina
capaz de perdoar os pecados, mesmo que à custa de sua glória e de seu discernimento.
b) Jó, de acordo com Vieira, argumenta que há tanta glória em perdoar como em não perdoar, enquanto,
para Gregório, o perdão concedido ao pecador renitente é a prova da glória de Deus.
c) Os autores, ao remeterem aos exemplos bíblicos de Jó e da ovelha perdida, inibem a autoridade divina
que se vê constrangida a aceitar os argumentos de dois pecadores.
d) Jó, de acordo com Vieira, considera que a ocasião e a sorte impediram que a graça divina se
manifestasse, enquanto para Gregório a graça divina não sofre restrições.
e) Os autores, ao remeterem aos exemplos bíblicos de Jó e da ovelha perdida, reforçam seus argumentos
a favor do perdão como garantia da glória divina.

(ENEM)
A preocupação com o exercício da pregação, com a sua clareza para levar o público à conversão, é o tema
do “Sermão da Sexagésima”, de Padre Antônio Vieira. Para elucidar como deve ser a elaboração de uma
prédica, o sermonista, em determinado momento, faz a seguinte consideração:

“Aprendamos do Céu o estilo da disposição e também


das palavras. Como hão de ser as palavras? Como as
estrelas. As estrelas são muito distintas e muito claras.
Assim há de ser o estilo da pregação – muito distinto
e muito claro. E nem por isso temais que pareça o estilo
baixo; as estrelas são muito distintas e muito claras
e altíssimas. O estilo pode ser muito claro e muito
alto; tão claro que o entendam os que não sabem e tão
alto que tenham muito que entender os que sabem.
O rústico acha documentos nas estrelas para sua lavoura
e o matemático para as suas observações. De maneira
que o rústico que não sabe ler nem escrever entende
as estrelas, e o matemático, que tem lido quantos
escreveram, não alcança a entender quanto nelas há. Tal
pode ser o sermão – estrelas, que todos vêem e muito
poucos as medem.”
Tendo em vista esse excerto, é possível reconhecer que,
para Vieira,
A) fazer analogias é uma forma de o pregador elucidar para o interlocutor os conceitos apresentados, o que
faz com que os sermãos sejam como as estrelas: fáceis, claros e desvendados completamente por todos
os homens.
B) a comparação do estilo do sermão à disposição das estrelas no Céu é um exemplo de como as imagens
podem ser utilizadas para facilitar o entendimento, e não para servir à afetação e à pompa.
C) o gênero da oratória exige uma preocupação especial com o receptor, na medida em que o objetivo da
pregação é persuadir e convencer o ouvinte. Por isso, o pregador deve estilizar ao máximo a sua linguagem
com o intuito de impressionar o público.
D) ao associar as palavras às estrelas, Vieira procura demonstrar como a pregação deve ser marcada por
uma linguagem lírica, poetizada, pois, ainda que o discurso seja litúrgico, cabe ao pregador se esmerar
nas metáforas para fazer do sermão uma “arte” – o que comprova como até hoje os discursos dele têm
uma grande recepção pelos leitores.
E) uma boa pregação deve ser como um Céu de estrelas, porque é perceptível tanto para os leigos (o
“rústico”, o “mareante”) quanto para os eruditos, os de grande conhecimento técnico (o “matemático”),
sendo que estes conhecem completamente o sermão graças à sabedoria que possuem, em contrapartida
aos primeiros que apenas o compreendem superficialmente.

(UEM/2013) Assinale o que for correto sobre os sermões “Da sexagésima”, “Pelo bom sucesso das armas
de Portugal contra as de Holanda” e “Do bom ladrão”, bem como sobre seu autor, o Padre Antônio Vieira.
01) O Padre Vieira, por meio de seus sermões, representou um dos aspectos mais emblemáticos do
Barroco na literatura: a tentativa, a partir da doutrina católica, de colocar o homem no centro de todas as
coisas, defendendo o antropocentrismo em consonância com o pensamento do século XIV.
02) No “Sermão do bom ladrão”, no qual se encontra a célebre passagem do encontro de Alexandre
Magno
com um pirata, Vieira leva a cabo uma contundente crítica àqueles que tiram proveito de uma posição de
influência para enriquecer de maneira desonesta, como no caso do roubo.
04) O “Sermão da sexagésima”, cujo título faz referência à sexagésima capela fundada no Brasil (local onde
o sermão foi pregado pela primeira vez), constitui um dos raros momentos de euforia na produção de
Vieira, uma vez que destaca o caráter promissor da Igreja na colônia, tendo em vista sua disseminação no
território brasileiro.
08) No “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”, obra da maturidade de
Vieira, percebe-se, pelo tom ameno e conciliatório que se traduz no tom harmonioso do sermão (no qual
qualquer impulso belicoso surge atenuado por uma defesa do diálogo entre as nações), uma antecipação
das tendências do Arcadismo.
16) A meticulosa construção dos sermões de Vieira, com um raciocínio cuidadosamente desenvolvido por
meio de figuras de linguagem como metáforas, analogias ou hipérboles, capaz de seduzir por meio
de sua elaboração intelectual e de seu conteúdo, representa uma das principais correntes do Barroco: o
conceptismo.

A literatura brasileira nasceu sob o signo do Barroco, caracterizado nas letras pelo virtuosismo de ideias e
pelo rebuscamento formal. Essa arte exige raciocínio agudo, como se nota na retórica do padre Antônio
Vieira, portanto um "cérebro sarado".

Diz Vieira no seu ‘‘Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda’’:

[...] "Se eu [Jó] fiz, Senhor, como homem em pecar, que razão tendes vós para não fazer, como Deus, em
me perdoar?"
[...] E que fizestes vós, Jó, a Deus, em pecar? - Não lhe fiz pouco; porque lhe dei ocasião a me perdoar, e
perdoandome, ganhar muita glória. Eu dever-lhe-ei a ele, como a causa, a graça que me fizer; e ele dever-
me-á a mim, como a ocasião, a glória que alcançar.
E se é assim, Senhor, [...] que em perdoar pecados se aumenta a vossa glória, que é o fim de todas as
vossas ações,
não digais que nos não perdoais, porque são muitos e grandes os nossos pecados, que antes porque são
muitos e grandes, deveis dar essa grande glória à grandeza e multidão de vossa misericórdia.

Com respeito ao texto, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO


A. O orador parafraseia uma passagem das sagradas escrituras.
B. O perdão é objeto de uma negociação em que a moeda é o prestígio divino.
C. Fica desequilibrada a hierarquia entre Deus e o pecador, diante do trunfo (do argumento, da
vantagem) de cada um.
D. Quanto maior for o pecado, maior deverá ser o perdão.
E. A função fática da linguagem impõe-se na argumentação