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A VIDA FINANCEIRA DO CRISTÃO

Princípios Bíblicos sobre Finanças

Tanto em Tempo De Crise como de Fartura

TESE:

Este estudo bíblico com seus princípios, exemplos e


perguntas, tem por finalidade ajudar a três tipos de cristãos
em situações diferentes:

O crente endividado que precisa de ajuda para sair do


buraco em que caiu;

Aquele que ainda não está, mas se continuar passando por


cima dos princípios bíblicos, mas cedo ou mais tarde vai ser
arrastado para o desastre financeiro.

E aquele que não está endividado, para que tome cuidado e


permaneça fiel aos princípios bíblicos;

Cada fim de mês A ajuda só acontecerá realmente se cada crente:

Se deixar examinar e confrontar pela Palavra de Deus, de modo, que em


arrependimento sincero, se aperceba das razões porque está se afogando em
dívidas, perdendo sua paz, seu testemunho, e muitas bênçãos, vindo a partir de
então, a ser fiel, obediente e auto-disciplinado pela Palavra de Deus;

E para o que não está endividado, que descubra como permanecer sem
dívidas, não necessariamente para ser abençoado, mas, principalmente para
que o nome de Deus seja glorificado através de suas finanças.

INTRODUÇÃO - A ILUSÃO DAS RIQUEZAS E DO DINHEIRO

Somente os pobres têm a ilusão de que os ricos são felizes por que são ricos. "A
vida de um homem não consiste na abundância dos bens que tem"- Lc 12.15

Cristo era feliz e não tinha onde reclinar a cabeça - Mt 8.20

O homem espiritual sabe que o dinheiro não pode comprar e nem jamais pode dá:

Verdadeira alegria (Pv 15:16-17)

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Espiritualidade genuína (At 8:18-20)

Estabilidade permanente, pois ele mesmo não é permanente (Pv 23:4-5)

A resposta final e o propósito real para viver (Pv 28:22)

Um paradoxo: Tanto amar o dinheiro quanto desprezá-lo significa igualmente negar


a fé.

Paulo disse:

Que o dinheiro mal usado fatalmente faz o crente: "cair em tentação e cilada...
"muitas concupiscência insensatas [loucas] e perniciosas [difíceis de se livrar], as quais
afogam os homens na ruína e perdição."Assim não só destruindo sua vida, naufragando sua
fé, mas conduzindo-o a perdição" (I Tm 6:9). Por isso, solenemente Paulo adverte: "o amor
ao dinheiro é raiz de todos os males - I Tm 6.10

Que, aqueles que não dão o valor e uso correto [Bíblico] ao dinheiro, acabarão
negando a fé e prejudicando a muita gente, em vez, de ser uma bênção e ajuda para elas. -
"Ora, se alguém não tem cuidados seus e especialmente aos da sua própria casa, tem
negado a fé e é pior que o incrédulo" - I Tm 5.8

O que ama o dinheiro passa por cima da justiça, de tudo e de todos para conseguí-lo,
multiplicá-lo e conservá-lo;

Muitos caem em penúria, dívidas e às vezes em desonestidade, porque desprezam


ou não valorizam o dinheiro ganho com o próprio suor, no sentido de:

Ter cuidado de trabalhar com perseverança e conseguir o necessário para o sustento


pessoal;

Ter um gasto racional: Gastar sempre menos do que ganha, para que haja sobras;
Uma das condenações do filho pródigo [esbanjador], além de deixar a casa do Pai, foi
gastar alem do podia gastar de um modo louco e imprevidente, mais do que podia e devia
gastar. (Lc 15:13-14)

Reservar dessas sobras para ajudar pessoas carentes, (Ef 4:28)

E fazer dentro do possível alguma previdência ou poupança, para os imprevistos e


surpresas da vida - Gn 41:34-36

Evitar decididamente quaisquer dívidas, prestações, empréstimos, soltar cheques,


uso de cartões de créditos que:

Tenham a menor possibilidade de estourar o orçamento mensal;

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Que, através de um imprevisto, tal dívida tenha a possibilidade de não ser honrada

Casos que podem ser classificados como USO DE MÁ FÉ [desonestidade]:

Fazer qualquer dívida, seja a quem for crente, descrente, parente, igreja,
departamento da igreja, mocidade, senhoras, senhores, encontros de casais, piquiniques,
retiros, etc.., mesmo que se tenha a intenção de pagar, mas que de antemão já se sabe que
não vai ter o dinheiro para pagar ou faz a dívida comprometendo-se a pagá-la em
determinado prazo que não pode ser cumprido, mas já faz isso contando com a tolerância e
paciência do credor, pelo fato dele ser um parente, amigo, irmão de fé, ou a igreja;

Ainda, há o engano, de achar porque a dívida é de valor muito pequeno [irrisório]


não é má fé e desonestidade deixar de pagá-la, ou fazê-lo no prazo acertado. à Para Deus é
infiel [usou de má fé] o que faz isso em quantias pequenas ou grandes - (Mt 16:10)

E finalmente, alguns de antemão já se viciaram a viver fazendo dívida para pagar


dívida, de modo que acabam se tornando caloteiros profissionais inveterados, que nem
percebem que saíram daquele campo dos que por uma infelicidade caíram em dívidas, para
o campo daqueles que de má fé, vivem às custas de sucessivos calotes e negócios
enrolados. Para esses só há uma esperança: UM ARREPENDIMENTO RADICAL,
SINCERO E TRANSFORMADOR.

Para que lidemos com o dinheiro sem amá-lo e ao mesmo tempo usá-lo de modo
correto é necessário seguir vários princípios bíblicos simples, mas vitais, cuja transgressão
ou obediência poderão ser avaliados através das perguntas do segundo ponto:

I - PRINCÍPIOS BÁSICOS E CONSEQÜENTES PROMESSAS

1O) DETERMINE QUEM É O SEU SENHOR - Mt 6:24

Se escolher Deus - a riqueza perde a primazia e o brilho diante da glória


resplandecente de Deus.

Se escolher as riquezas? - revelará incredulidade e que o dinheiro é o seu ídolo, o


deus por quem você viverá e comprometerá a sua alma.

2o) SIGA A LÓGICA DAS PRIORIDADES DE DEUS - Mt 6:33

O Reino de Deus sempre em primeiro lugar

Aqueles que agradam [priorizam] a Deus têm a promessa d’Ele de lhes dá os


desejos certos que no tempo certo serão satisfeitos. (Sl 37:4,5)

Aqueles que se tornam servos obedientes deste Reino, com certeza usufruirão as
bênçãos deste reino nesta vida e no porvir (Mt 19:29)

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As outras coisas são de prioridade secundárias. Podemos passar sem coisas, mas
não sem as Pessoas (principalmente Deus e em segundo lugar as pessoas).

3o) ENTENDA O QUE DEUS VALORIZA - Mt 6:26

Deus valoriza pessoas - Ele amou ao mundo [pessoas] a tal ponto, acima de todas as
coisas, que deu pelas pessoas o seu próprio Filho (Jo 3:16)

Coisas devem vir sempre em segundo plano

- Colocar coisas em primeiro plano significa:

Egocentrismo - manipulação das pessoas para se obter o que se deseja;

Orgulho - é valorizar tanto a si mesmo que as pessoas passam a ser apenas "meios"
manipulados para se atingir os fins egocêntricos ou para se sair de ciladas.

Deus ama pessoas e usa coisas - Por isso, Deus está mais interessado no que nós
somos, do que temos e fazemos;

Nós também devemos amar pessoas [Deus e o próximo] e usar coisas.

Não devemos nunca fazer acepção de pessoas baseados em possessões materiais ou


em tirar possível vantagem financeira daquela amizade (Tg 2:1-9);

Paulo avaliou as melhores coisas que este mundo pode oferecer como esterco,
quando comparadas às coisas espirituais (Fp 3:8)

4o) DEUS É QUE REALMENTE SUPRE AS NOSSAS NECESSIDADES - Mt.


6:31,32

Deus supre a necessidade de todos - Mt 5:45

Supre especialmente a necessidade dos fiéis (Sl 37:25

Não há nenhuma razão para os fiéis andarem ansiosos - Mt 6:31,32

Todavia os preguiçosos e infiéis devem sempre esperar tempo ruim (Pv 20:4)

- Passemos agora a uma avaliação da nossa vida financeira, numa confrontação com a
Palavra de Deus e perguntas que nos ajudarão a ver se estamos sendo fiéis e sábios com
nossas finanças ou se estamos sendo infiéis e carnais.

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II - AUTO-AVALIAÇÃO DA VIDA FINANCEIRA PELA BÍBLIA

PERGUNTAS PARA QUEM:

Está endividado e não tem como pagar as dívidas;

Está deslizando rapidamente para a inadimplência;

Está equilibrado em suas finanças e quer continuar assim.

1a) VOCÊ CUMPRIU A SUA RESPONSABILIDADE? - TRABALHOU PARA


GANHAR DINHEIRO?- Mt 17:24-27) - Note algumas coisas neste texto:

Deus fez provisão milagrosa para quem estava TRABALHANDO;

Cristo não fará aquilo que é da nossa responsabilidade fazer. Antes que Pedro
falasse da sua necessidade, Cristo se antecipou a ele, mostrou quem entendia o problema e
que tinha uma solução dupla:

Vá trabalhar: "vá ao mar, lance o anzol, tira o primeiro peixe, abrindo-lhe a boca,
encontras."(v.27)

Siga fielmente as minhas orientações, embora no momento pareçam esquisitas.

Quando obedecemos fielmente à responsabilidade que ele nos confiou, Ele age
sobrenaturalmente em nosso favor; (Mt 27b)

Esta era a provisão sobrenatural de Cristo - "abrindo-lhe a boca, encontrarás um


estáter,"

O resultado foi bênção para Pedro e para o próprio Cristo - " toma-o e dá-o por
mim e por ti."

2a) VOCÊ OROU ? "Nada tendes, porque não Pedis?- (Tg 4:2)

Você gosta dos cultos de oração?

Pedidos de oração diante da igreja são uma fonte de poder e de alegria, pois Deus se
alegra em glorificar o seu nome;

3a) VOCÊ BUSCOU AJUDA E ORIENTAÇÃO DO CORPO DE CRISTO? (Cl 3:16;


Hb 10:24)

Você recebe bem as exortações e sugestões dos irmãos?

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Deus também é glorificado, quando deixamos o corpo de Cristo [irmãos e liderança
da igreja] nos ministrar aconselhamento e ajuda dentro dos princípios bíblicos.

Há pessoas que nem oram pedindo ajuda e orientação a Deus e nem aos irmãos,
fazendo assim um grande mau a si mesmos e ao corpo de Cristo.

4a) VOCÊ SABE A DIFERENÇA ENTRE NECESSIDADE E COBIÇA? "- (Tg 4:3)

"Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres."

Lembra-se do filho pródigo? (Lc 15:13-14)

- OS PRAZERES vieram em primeiro lugar.

- AS DÍVIDAS vieram por último.

O mundo e até a igreja moderna se tornaram HEDONISTAS [a filosofia do prazer a


qualquer custo ou até sem poder pagá-lo]

Outra filosofia do mundo e da igreja moderna é o IMEDIATISMO CARNAL (Total


impaciência em esperar o tempo certo para que aconteça ou se possa ter alguma coisa)

- O imediatismo é condenado em Ec 3:1 -"Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo


para todo o propósito debaixo do céu".

- conseqüências desse imediatismo carnal:

O CRÉDITO FÁCIL passa a ser a tentação irresistível

Ninguém quer mais juntar


dinheiro para comprar alguma
coisa, tem de ser comprada já, mesmo
que o preço triplique, quadruplique e
se fique com uma montanha de
prestações e juros sobre juros;

O empresário impaciente com


o crescimento de sua empresa, para vê-
la crescer, se afoga em empréstimos e
negociatas das quais é quase
impossível sair.

O empregado compromete o seu salário, às vezes muitos anos na frente, vivendo


em constante aflição e ansiedade, o que com certeza não é a vontade de Deus;

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Inicia-se um ciclo vicioso de fazer dívida para pagar dívida, arrastando a pessoa
para baixo num redemoinho de prestações, duplicatas, contas a pagar, cheques e cartões de
crédito para cobrir, que o puxam implacavelmente para o fundo do poço da angustia,
depressão, medo e às vezes desespero, e em muitos casos de descrentes o pânico e
desespero são tão grandes para a alma, que sem forças alguns apelam para o suicídio;

A IMPACIÊNCIA e incapacidade de esperar em Deus cobram juros altíssimos.

Ficam as sérias e importantes lições:

Muitas coisas que estamos querendo [cobiçando mesmo], não são de fato uma real
necessidade para cumprir o meu ministério e bem cuidar da minha família.

Muitas das dívidas que tiram o sono e a paz de muitos crentes hoje em dia, não
existiriam se tivessem feito a diferença entre necessidade e cobiça.

Que em vez de HEDONISMO e IMEDIATISMOS devemos cultivar a PACIÊNCIA


em esperar a PROVISÃO DE DEUS.

Que em vez de se AFUNDAR EM PRESTAÇÕES devemos aprender juntar


[poupar] pacientemente para comprar aquilo que precisamos;

5a) VOCÊ AGIU EGOCENTRICAMENTE? - SEMEOU PARA A CARNE?

"...ceifará corrupção"- (Gl 6:7,8)

O ter dinheiro no bolso não significa que AQUI e AGORA seja o momento certo
para gastá-lo? (Lc 15:13-14)

Comprei porque sei que essa compra foi da vontade de Deus e meus motivos eram
para a glória de Deus? Ou quis mostrar pra pessoas que quando eu quero eu consigo?

Tudo que não provém de fé, embora seja, honesto e feito da maneira certa, com
certeza é pecado (Rm 14:23).

Exemplo 1: Comprar legalmente uma chácara para descansar com a família em dias de
lazer, o que não tem nada de errado em si mesmo, mas que, eu me conhecendo, já sei que
será uma irresistível tentação ficar todo o domingo nela, em vez de vir a igreja adorar e
desempenhar meu ministério.

Exemplo 2: Assumir compromisso ou fazer determinado negócio legalmente, mas que


para cumprir terá de forçar a vontade própria egoísta sobre a família, a igreja, ou outras
pessoas que de uma maneira direta ou indireta serão prejudicadas.

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6a) VOCÊ COMPRA A PRAZO?

"...Vós não sabeis o que sucederá amanhã."- (Tg 4:14)

- Lições vitais ensinados por Tg 4:13-17 e Mt 4:7

Comprar a prazo ou fazer negócios ou dívidas para um período prolongado futuro é


pelo menos três coisas:

JACTÂNCIA MALIGNA (v. 16)- Pois está baseada em segurança carnal quanto
ao futuro

- Seria o equivalente à atitude do ímpio de gabar-se do amanhã.

PECADO (v. 17) - Se quando os prazos se findarem não houver os recursos


disponíveis, com o quais possa quitar o débito?

TENTAR A DEUS (Mt 4:7) - Pular do pináculo e comprar a prazo sãos iguais!

Isso é chantagem espiritual. Você compra a prazo, sem levar em conta os riscos,
baseando-se em falsa confiança (carnal) do tipo:

- Deus quando me ver em apertos e me ouvir gritar por socorro acabará vindo me
socorrer, sem se importar muito, como foi que eu me enrosquei nessa confusão.

- A conduta esperada do cristão fiel é: Esperar Deus providenciar o recurso para


poder comprar a vista e mais barata, ou pelo menos, em condições de pagamento sensatos e
a curto prazo.

7a) VOCÊ É HONESTO COM OS HOMENS? - TEM SIDO FIEL COM O QUE
NÃO É SEU?

"...Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é
vosso?."- (Lc 16:12)

- Lições vitais sobre a Fidelidade do crente:

Deus, a igreja e o mundo observam aquele que é fiel no uso daquilo que lhe foi
confiado, seja dinheiro, tempo, talentos e reputação;

Paulo disse: "pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só


perante o Senhor, como também diante dos homens". (II Co 8:21)

O apóstolo João elogia a Gaio com as seguintes palavras: " Amado, procedes
fielmente naquilo que praticas para com os irmãos... " (III Jo 1:5)

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O Egito (símbolo do mundo) ficou impressionado com a fidelidade e honestidade de
José e Daniel - daí terem recebido elevados cargos de confiança, além de terem trazido
grande glória para o nome de Deus (Gn 41:41-44; Dn 6:3-5,28)

Igualmente o mundo fica escandalizado e o nome de Deus é blasfemado, quando um


crente deixa de honrar os seus compromissos (Rm 2:21-24)

O cidadão do céu [o crente] é o único indivíduo que tem a promessa de jamais ser
abalado, por que uma das facetas do seu caráter é cumprir a palavra dada mesmo que
tenha prejuízo.

- "o que jura com dano próprio e não se retrata... Quem deste modo procede não
será jamais abalado. (Sl 15:4,5)

8a) VOCÊ É HONESTO COM DEUS? - VOCÊ ROUBOU A DEUS?

Roubará o homem a Deus?... Com maldição sois amaldiçoados, porque a


mim me roubais Trazei todos os dízimos... provai-me nisto, diz o Senhor dos
Exércitos, se eu não vos abrir as janelas dos céus, e não derramar sobre vós
bênção sem medida " - (Ml 3:8-10

- Lições vitais sobre o texto de Malaquias:

Que o não é dizimista é ladrão [desonesto, que se apropria


indebitamente do que não é dele, no caso, do bem que é de Deus];

Que o crente não dizimista é amaldiçoado mesmo, ou seja, não tem


jeito, de evitar que ele se dê mal na sua vida financeira

- Quem não crer nisso, não crer no que claramente a Bíblia diz: "sois
amaldiçoados".

Não adianta usar erradamente a doutrina da graça para anular os princípios da Lei
(que é a expressão da santidade de Deus):

O mandamento e o princípio do dízimo e a maldição [castigo] para os transgressores


nunca foram suspenso.

Foi praticado antes da lei (Lv 27:30-33);

Reforçado pela Lei (Lv 27:30-33);

Aprovado por Cristo (Mt 23:23; Lc 11:42);

Incluídos nos ensinos do Novo Testamento

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- "Conforme a prosperidade", mas nunca inferior à décima parte,

- isto seria viver uma santidade e justiça abaixo da lei,

- e foi exatamente isso que Cristo condenou, uma justiça inferior a dos escribas e
fariseus (Mt 5:20; I Co 16:2; Hb 7:2-9)

A maldição da lei, da qual Cristo nos resgatou, foi a condenação eterna - "Cristo nos
resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3:13) o
contexto mostra claramente, que trava-se da maldição para a perdição eterna, quando em Gl
3:11 é dito: " pela lei, ninguém é justificado diante de Deus", ou seja, a salvação pela graça,
não nos livra dos castigos da lei, quando ela é transgredida.

Logo adiante Paulo adverte aos transgressores da lei: "Não vos enganeis: de Deus
não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6:7)

O próprio Cristo disse que não tinha vindo acabar com a lei, mas cumpri-la, ou seja,
o crente não é salvo pela lei, porém não está sem lei, pois a lei de Cristo não é menos santa
que a Lei de Moisés, na realidade é a mesma Lei vista depois do Calvário:

Há aspectos da lei [cerimonial] que foram cumpridos tipologicamente em Cristo


[findando-se a sua validade a partir da vida, mistério e sacrifício vicário de Cristo] e que
foram claramente listados no Novo Testamento como não sendo mais da obrigação dos
cristãos. Por exemplo: os sacrifícios cruentos, os sábados e festas judaicas.

Todavia, aqueles mandamentos que não tinham um caráter tipológico que exigia um
cumprimento final no ministério de Cristo, e que foram reafirmados no Novo Testamento,
como no caso do dízimo, as conseqüências da sua desobediência serão as mesmas que para
os crentes do Velho Testamento, ou seja, maldição para os não dizimistas.

Mt 5:17-20 - "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para
revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem,
nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que
violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será
considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse
será considerado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não
exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus."

I Co 9:21 - "Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com
Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei."

Gl 6:2 - "Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.

- Por isso, o crente não dizimista não deve se admirar, ou estranhar se sua vida
financeira é um desastre contínuo.

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9a) VOCÊ PROCUROU E SEGUIU O CONSELHO DOS SEUS PAIS, DO SEU
CÔNJUGE, E DOS IRMÃOS ANTES DE COMPRAR?

"Na multidão de conselhos a segurança, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos...


Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom
êxito... na multidão de conselheiros está a vitória. " - (Pv 11:14; 12:15; 15:22; 24:6 )

- Lições vitais sobres esses textos:

Estes textos podem ser resumidos com o que alguém disse com muita sabedoria: "A
obra de Deus feita segundo as regras de Deus nunca faltará o recurso de Deus"

Outra pessoa disse: "Se faltar recurso, dinheiro, verifique se esta obra é realmente
de Deus ou se as regras estão sendo violadas.

10a) VOCÊ ESCOLHEU UM ESTILO DE VIDA BASEADO NA SIMPLICIDADE


OU NA SOFISTICAÇÃO?

"O SENHOR vela pelos simples" (Sl 116:6) "Mas receio que, assim como a
serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e
se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo." (II Co 11:3) "Eis que eu vos envio
como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e
símplices como as pombas." (Mt 10:16)

- Lições vitais sobres esses textos ou razões porque somente a vida baseada em
simplicidade é verdadeiramente abençoada:

Deus cuida de modo especial dos simples (Sl 116:6)

Torna-se uma vítima fácil de Satanás, o crente que abandona a vida de


simplicidade, (II Co 11:3)

Duas virtudes básicas são necessárias para a vitória nas várias áreas da vida cristã
em meio a toda sorte de perigos espirituais, especialmente na vida financeira do cristão,
para que se torne um enganador e nem seja enganado. (Veja Mt 10:16):

SIMPLICIDADE - Sem maldade - Sl 19:7 Mt 10:16.

PRUDÊNCIA - Qualidade de encarar situações com cuidado e MODERAÇÃO -


Pv 16:16 Ef 1:8.

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11a) VOCÊ TEM INVESTIDO EM MISSÕES?

"O
fruto do
justo é
árvore de
vida, e o que
ganha
almas é

sábio... Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra... mas ajuntai para vós
outros tesouros no céu...; Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no
Senhor... Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os
acompanham. " - (Pv 11:30; Mt 6:19,20; Ap 14:13)

- Lições vitais sobres esses textos:

Há mais sabedoria em juntar almas no céu, do que ouro e prata na terra;

O dinheiro e bens daqueles crentes que evidenciam falta de dependência de Deus,


que só se sentem seguros [carnalmente] quando estão investindo em coisas da terra, com
certeza verão seu investimento acabar em nada, porém os bens investidos nas coisas de
Deus terão duração eterna;

Muitas almas crentes sairão deste mundo de mãos vazias, quase nada as acompanha,
hão de chorar sua falta de compromisso e de amor para com as coisas de Deus, hão de
chorar pelo tempo e os recursos mal investidos e lamentarão envergonhados pelo fato de
não terem nenhum galardão a receber. (I Co 3:12-15)

Ganhar almas é uma das muitas evidências que comprovam a salvação de um


crente. O verdadeiro salvo não pode se calar, pois o amor de Cristo o constrange a falar e o
comove a promover, inclusive através de seus recursos, as glorias de Cristo e de seu
evangelho - (II Co 5:14-15; At 20:23,24; Rm 9:1-3; II Tm 2:9,20)

Muitos de fato, hão de chorar tardiamente a sua falta de conversão, comprovada


pelo seu HEDONISMO de só se preocupar com as coisas terrenas. (Hb 12:17; Fp 3:18, 19)

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A mentalidade do verdadeiro crente é voltada para as coisas do céu - Mesmo quando
está a ganhar dinheiro, está a pensar como pode investi-lo de modo prudente nas coisas
daquele Reino Eterno. (Cl 3:1-4)

Muitos crentes sem muita visão espiritual não percebem porque trabalham muito,
ganham muito, mas parece que colocam este dinheiro em um saco furado, tudo acaba em
nada e muitas vezes em muitas dívidas. Eles não aprenderam ainda a lição de Ageu 1:6-1

"Tendes semeado muito e recolhido pouco... o que recebe salário, recebe-o para
pô-lo num saquitel furado. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso
passado... Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e esse pouco, quando o
trouxestes para casa, eu com um assopro o dissipei. Por quê? --diz o SENHOR dos
Exércitos; por causa da minha casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de
vós corre por causa de sua própria casa"

12a) VOCÊ PLANEJA BEM AS SUAS DESPESAS?

- Faz séria pesquisa de preço? Avalia os custos?

" ...sede, portanto, prudentes como as serpentes... Pois qual de vós, pretendendo
construir uma torre, não se assenta primeiro para CALCULAR a despesa e verificar se
tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a
podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a
construir e não pôde acabar... Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E
mais excelente, adquirir a prudência do que a prata! ... no qual [Cristo] temos ... a riqueza
da sua graça, ...em toda a sabedoria e prudência, " - (Mt 10:16; Pv 16:16; Ef 1:7,8

- Lições vitais sobres esses textos:

- A prudência no crente é uma das bênçãos da riqueza da graça de Cristo, que o faz
encarar todas as situações da vida SEM PRECIPITAÇÃO ou ansiedade, porém com
cuidado, avaliação e MODERAÇÃO. Evita se comprometer levianamente e
desavisadamente.

Em se tratando de finanças, toda prudência e cuidados são poucos. A carnalidade e


a ambição cega de agir precipitadamente sem avaliar preços e custos nas compras e
compromissos financeiros têm custado muitíssimo caro a muitos cristãos pouco espirituais,
que acabam em situações de penúria, zombaria e escárnio da parte dos próprios ímpios;

A vida financeira má administrada acabará em escravidão para o mau gestor. A


lei mosaica mostra que Israel estava cheia de casos de pessoas que imprudentemente caíam
em dívidas e se tornavam escravos dos seus credores.

A própria criação do Ano Jubileu visava aliviar a escravidão de muitas pessoas que
caíram em dívidas as quais não podiam saldar, ao ponto que tinham de se vender a si

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mesmos, a esposa e os próprios filhos aos seus credores até saldar a dívida. (Lv 25:39-
41,48)

13a) CRISTO É SUFICIENTE PARA VOCÊ? VOCÊ É CONTENTE EM


QUALQUER SITUAÇÃO?

- Ou você sofre do câncer da sórdida ganância?

- Ou você está sendo aniquilado pela AIDS da soberba da vida [tanto tenha,
tanto valha nada tenha nada valha]?

- Que é mais importante para você SER ou TER?

" é necessário que sejam... não cobiçosos de sórdida ganância... Digo isto, não por
causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação
...portanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade....Também nele estais
aperfeiçoados... Visto como, pelo seu [de Cristo] divino poder, nos têm sido doadas todas
as cousas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos
chamou para a sua própria glória e virtude " - (I Tm 3:8; Fp 4:11; Cl. 2:9-10a; II Pe 1:3

- Lições vitais sobres esses textos:

- A infeliz e trágica atitude do personagem de Walt Disney chamado Tio Patinhas, é


a atitude condenada na Bíblia como "sórdida ganância" [fazer do alvo da vida inteira
juntar dinheiro, mesmo que tenha de sacrificar os mais elevados valores espirituais,
familiares e até morais]

- O Tio Patinhas é um infeliz-miserável, que quanto mais ajunta dinheiro mais se


sente pobre, de fato ele é um eternamente pobre, pois sempre achará insuficiente o que
conseguiu juntar. Essa é a desesperadora realidade de grande multidão neste mundo.

Em todas as circunstâncias, problemas, necessidade, dificuldades da vida, temos em


Cristo todos os recursos que precisamos para agradar a Deus e sermos vitoriosos.

Todo verdadeiro cristão encontra em Cristo e suas provisões plena suficiência para
as suas necessidades. Não existe tal coisa como um cristão, incompleto ou deficiente. No
momento da Salvação, cada cristão recebe tudo quanto precisa; Ele só precisa crescer e
amadurecer, mas nenhum dos recursos necessários falta. O poder Divino do nosso Salvador
já nos outorgou tudo relacionado a vida e as piedade

O QUE TEMOS EM CRISTO - POR SUA OBRA COMPLETA NO CALVÁRIO.

Salvação perfeita e completa. Ele disse: “Está consumado” - Jo 19:30; Hb. 7:25)

NELE somos abençoados como toda sorte de bênção. Ef. 1:3

14
Tudo nos é concedido através do verdadeiro conhecimento de Cristo - II Pe. 1:3

Através de uma única oferta Ele nos aperfeiçoou para sempre. Hb. 10:14

NELE temos sabedoria, justiça e santificação e redenção (I Cor. 1:30)

Somos perfeitos em Cristo. Cl. 2:10

A graça de Jesus é suficiente para cada situação (II Cor. 12:9)

NELE tudo podemos. Fl. 4.13

Em Deus temos tudo - 2 Co. 9:8

Cada crente está em Cristo - 2 Co. 5:17

Cristo está no Crente - 1 Co. 6:19

O crente é santuário do Esp. Santo - Jo 1:16

Cristo é Todo-Suficiente - 2 Co. 11:3

A confiança no conselho dos homens sempre terminará em fracasso

A INVEJA DA PROSPERIDADE DO ÍMPIO tem feito muitos crentes se


desviarem e viverem buscando valorização
pessoal e status social através da
busca desenfreada de bens materiais, caindo
igualmente na mesma situação de todos os
ímpios, uma sensação constante de
insegurança, medo, ansiedade, amargura e
continua insatisfação (Sl 73).

O salmista quase se desviava por


causa dessa inveja, até que se arrependeu e
passou a descansar na suficiência de Deus.
Ele testemunhou: "Quanto a mim,
porém quase me resvalaram os pés,
pouco faltou para que se desviassem os
meus passos. Pois eu invejava... a
prosperidade dos perversos... até que
entrei no santuário de Deus e atinei com o
fim deles. Tu certamente os pões
em lugares escorregadios, e os
fazes cair em destruição... eu
estava embrutecido e ignorante... Todavia,

15
estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu
conselho, e depois [Tu]me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro
em que eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,
Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre".(Sl 73:2,3,17,23-26)

Para Cristo é mais importante para o homem SER seu discípulo, do que TER
muitos bens. Por isso disse: "Assim aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem
não pode ser meu discípulo " (Lc 14:33). Portanto, ser discípulo de Cristo vale mais que
todos os bens deste mundo.

14a) VOCÊ É HONESTO EM SEUS NEGÓCIOS?

- Ou você para levar vantagem usa de engano?

"Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o


peso justo é o seu prazer... Tortuoso é o caminho do homem
carregado de culpa, mas reto, o proceder do honesto... Como a
perdiz que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta
riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias, as deixará
e no seu fim será insensato... pois o que nos preocupa é
procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como
também diante dos homens... a exercer ocupações honestas
para suprir as suas necessidades} para não se tornarem infrutíferos... ao observar o vosso
honesto comportamento cheio de temor" - (Pv 11:1; 21:8; II Co 8:21; Tt 3:14; I Pe 3:2; Jr
17:11)

Lições vitais sobres esses textos:

Uma abominação para Deus é uma coisa contrária a sua natureza santa, algo
profundamente detestável, que de forma nenhuma ele pode abençoar. Assim são os
negócios com usam de má fé, engano, ou que de alguma forma prejudicam o próximo;

Deus condena toda espécie de corrupção, suborno, extorsão, opressão e engano


para usufruir vantagens financeiras. Deus considera este tipo de coisa como esquecer-se
ou desviar-se dele. Quem faz isso está desviado de Deus.

- EXEMPLOS deste tipo de coisa: Passar cheques sem provisão de fundos,


Sonegação de imposto, propina para subornar guarda de transito ou outras autoridades,
mentir para evitar multas ou responsabilidade financeira, sonegação de direitos trabalhistas,
falsificar informações curriculares sobre si mesmo ou por outros para obtenção de
emprego, etc.

- "No meio de ti, aceitam subornos para se derramar sangue; usura e lucros
tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu próximo com extorsão; mas de mim te
esqueceste, diz o SENHOR Deus." (Ez 22:12

16
- Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós
foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos
ouvidos do Senhor dos Exércitos.

15a) VOCÊ É UM BOM MORDOMO CRISTÃO?

Deus é realmente o dono de tudo que você tem?

Deus é realmente o dono do seu negócio?

Você entregou, de verdade, todos os seus direitos a Deus ficando assim


despreocupado?

"Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança,


então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é
minha... O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada... Toda
boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes. " - (Ex 19:5; Jo
3:27; Tg 1:17)

-Lições vitais sobres esses textos:

Certo pastor baseando-se nos princípios bíblicos de mordomia cristã escreveu: "Se
tudo vem do Senhor (veja João 3:27 e Tiago 1:17) e pertence a Ele, então não só o que
damos, mas também o que guardamos e gastamos é d’Ele. É errado pensar que quando
damos uma parte de nosso dinheiro ao Senhor, o restante pertence a nós. Tudo pertence a
Ele. Na verdade, Ele simplesmente nos permite usar o restante para o nosso sustento."
(Lourenço E.k)

A vida de insatisfação tem uma causa: Não querer ouvir ao Senhor, tendo como
resultado certo acabar gastando o dinheiro de modo errado ou anti-bíblico. E se há
desobediência ao Senhor não importa no que ou aonde seja você invista seu dinheiro, você
sempre acabará insatisfeito e frustrados. - Escute o Deus diz em Is 55:2-3:

"Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que
não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos
manjares. Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá;"

CONCLUSÃO: Aqui iremos dar alguns conselhos e dicas de


natureza prática e recapitular todos os princípios já dados.

- DICAS PARA POR EM PRÁTICAS OS PRINCÍPIOS BÍBLICOS QUE O


AJUDARÃO A SAIR DO BURACO DAS DÍVIDAS

Estes mandamentos que enumero a seguir foram e são uma adaptação com
acréscimos da página 75 do livro "COMO NEGOCIAR DÍVIDAS com bancos,
financeiras, cartões de crédito, agiotas, fornecedores, pessoais. O autor do livro é Emanuel

17
Gonçalves da Silva, e embora seja consultor financeiro, especialistas em negociação de
dívidas, com larga experiência, , ele não é crente, por isso tive de fazer várias adaptações do
que ele escreveu a realidade bíblica.

"OS DEZ MANDAMENTOS DO DEVEDOR"

1O) Procurar não dever nunca a ninguém, exceto a Deus, cuja dívida é absolutamente
impagável, e o amor com que devemos amar ao nosso próximo;

- "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos
outro... "( Rm 13:8)

2o) Evitar a todo custo, contrair mais dívidas para pagar outras dívidas;

3o) Não aceitar propostas de credores fora de suas reais possibilidades de pagamento;

4o) Procurar não dever a amigos, irmãos, parentes, familiares em geral e principalmente a
sua mulher (se você não vier a cumprir sua palavra começará a perder o respeito diante
dela)

5o) Não formalizar acordos de dívidas com cheques pré-datados (se você não tiver
dinheiro no dia... sua conta vai encerrar e seu nome vai ficar sujo no mercado)

6o) Não dever a agiotas (Eles emprestam dinheiro a juros tão altos que quem os procura
está querendo se enterrar)

7o) Não fique apavorado e nem aja precipitadamente por causas de ameaças de protestos,
SPC, execuções, etc.. (Só negocie um plano de pagamento racional, ou seja, um plano que
seja possível ser honrado)

8o) Não se deixe envolver por gerentes de bancos: eles só lhe agradam quando você tem
dinheiro;

9o) Se sua situação está preta, não fique desesperado.

SE tiver agido de modo culposo ao contrair estas contas, em sincero arrependimento


confesse seus pecados;

Comprometa-se a voltar a agir biblicamente;

Volte a entregar todos os seus bens e diretos a Deus;

Procure aconselhamentos de pessoas espiritualmente sábias da igreja.

Juntamente com seus conselheiros cristãos tente esboçar um plano em que possa
pagar de maneira realista os seus débitos;

18
Não seja preguiçoso nem relaxado, trabalhe! Trabalhe! e o resto deixe com Deus.

10o) Dê satisfação as pessoas que você deve, garantindo honestamente que está fazendo
tudo a seu alcance para pagar seus débitos;

CONSELHOS PRÁTICOS PARA EVITAR CAIR EM DÍVIDAS

- Aqui aproveitei sugestões do livro: "O manual do conselheiro Cristão" do Pr. Jay
Adams, pg. 406 (também fiz adaptações)

1o) Procure conhecer o seu PERFIL FINANCEIRO

Faça em um caderno comum, uma espécie de caixa ou orçamento onde você


mensalmente registra todas as receitas e despesas do mês. POR EXEMPLO:

- RECEITAS ou ENTRADAS

Salário mensal (quanto você leva para casa..... .R$ 0,00

Renda mensal adicional.(Bicos)........................ .R$ 0,00

TOTAL DAS RECEITAS...................... R$ 0,00

- Dinheiro em conta corrente . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

Dinheiro em poupança . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 0,00

TOTAL DAS RECEITAS Em Bancos...R$ 0,00

DESPESAS ou SAÍDAS

Dívidas maiores aliste-as primeiro...................... R$ 0,00

Aliste em seguida obrigações regulares ou certas:

Igreja.............................................................. . R$ 0,00

Seguros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

Colégio dos filhos ou próprio . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

Gás, eletricidade, água e esgoto . . . . . . . . . R$ 0,00

19
Telefone . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

Alimentos e itens domésticos . . . . . . . . . . . . .R$ 0,00

Recreação da família . . . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

Médico, dentista, medicamentos . .. . . . . . . . R$ 0,00

Vestuário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 0,00

Manutenção do automóvel . . . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

Pagamento ou aluguel da casa. . . . . . . . . . . .R$ 0,00

Despesas eventuais ou imprevistas . . . . . . . R$ 0,00

Outros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . R$ 0,00

TOTAL DAS DESPESAS ................. .R$ 0,00

- RECAPITULAÇÃO DE TODOS OS PRINCÍPIOS JÁ DADOS

1O) DETERMINE QUEM É O SEU SENHOR - Mt 6:24

2o) SIGA A LÓGICA DAS PRIORIDADES DE DEUS - Mt 6:33

3o) ENTENDA O QUE DEUS VALORIZA - Mt 6:26

4o) MANTENHA-SE CONSCIENTE DE DEUS É QUE REALMENTE


SUPRE AS NOSSAS NECESSIDADES - Mt. 6:31,32

5a) CUMPRA A SUA RESPONSABILIDADE. - TRABALHE PARA


GANHAR DINHEIRO - Mt 17:24-27

6a) ORE, ORE, E ORE à "Nada tendes, porque não Pedis ?- (Tg 4:2)

7a) BUSQUE AJUDA E ORIENTAÇÃO DO CORPO DE CRISTO

8a) SAIBA FAZER DIFERENÇA ENTRE NECESSIDADE E COBIÇA


(Tg 4:3)

20
9O) FUJA DO IMEDIATISMO QUE O ARRASTA PARA O
CREDIÁRIO E PARA AS O PRESTAÇÕES - APRENDA A JUNTAR
DINHEIRO - Ec 3:1

10a) NÃO AJA EGOCENTRICAMENTE, - NÃO SEMEI PARA A


CARNE?

"...ceifará corrupção"- (Gl 6:7,8)

11a) FAÇO TUDO PARA EVITAR COMPRAS A PRAZO?

"...Vós não sabeis o que sucederá amanhã."- (Tg 4:14)

12a) SEJA SEMPRE HONESTO COM OS HOMENS? - SEJA FIEL


COM O QUE NÃO É SEU? "...Se não vos tornastes fiéis na aplicação do
alheio, quem vos dará o que é vosso?."- (Lc 16:12)

13a) SEJA SEMPRE HONESTO COM DEUS?? - NÃO ROUBE A DEUS?

"Roubará o homem a Deus?... Com maldição sois amaldiçoados,

14a) PROCURE E SIGA O CONSELHO DOS SEUS PAIS, DO SEU


CÔNJUGE, E DOS IRMÃOS ANTES DE COMPRAR?

15a) DECIDA-SE POR UM ESTILO DE VIDA BASEADO NA


SIMPLICIDADE E NÃO SOFISTICAÇÃO?

16a) INVISTA ABUNDANTEMENTE EM MISSÕES?

17a) PLANEJE BEM AS SUAS DESPESAS. Faça séria pesquisa de preço.


Avalie antes os custos. à " ...sede, portanto, prudentes como as serpentes..."

18a) SEJA CONSCIENTE DA BENDITA REALIDADE DE CRISTO É


SUFICIENTE PARA VOCÊ - SEJA CONTENTE EM QUALQUER
SITUAÇÃO - Evite o câncer da sórdida ganância. - Valorize mais o SER
do que o TER?

19a) NÃO TENTE LEVAR VANTAGEM EM SEUS NEGÓCIOS

20a) SEJA UM BOM MORDOMO CRISTÃO?

Faça de Deus o dono de tudo que você tem.

21
Faça de Deus realmente o dono do seu negócio

Entregue, de verdade, todos os seus direitos a Deus ficando assim


despreocupado.
Pr. José Laérton - Fone: (085) 292-6204
Igreja Batista Regular Emanuel - [Fortaleza-Ce)

SolaScripturaTT / VidaDosCrentes / ComRiquezas

LIÇÕES DE MORDOMIA
22
Por: Walter Kaschel

Lição 1- A Doutrina da Mordomia


Texto Áureo: Salmo 24:1

Leitura Devocional: 1 Pedro 2:18-25

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Gênesis 14:18-25

TERÇA: Salmo 24

QUARTA: Salmo 8

QUINTA: I Coríntios 6:12-20

SEXTA: Gênesis 28:10-20

SÁBADO: II Timóteo 2 14-21

DOMINGO: I Pedro 2:18-25

1. SIGNIFICADO DA PALAVRA

1. Definição

A palavra mordomo tem um significado profundo para a vida cristã. Dizer a um


crente, entretanto, que ele é mordomo de Deus, nem sempre desperta o seu coração para os
incontáveis privilégios e responsabilidades dessa função, por ser pouco conhecido o
significado da palavra.

Mordomo quer dizer, literalmente, aquele que é incumbido da


direção da casa, o administrador. É aquela pessoa a quem é
entregue tudo quanto o senhor possui para ser cuidado e
desenvolvido. É aquele a quem o senhor incumbe o governo
daquilo que lhe é mais precioso. Em linguagem bíblica isto
quer dizer não só terras, dinheiro, jóias e os bens materiais
em geral, mas também o cuidado da esposa e dos filhos, a
reputação do senhor e até sua própria vida. Daí se depreende
o que o Senhor exige de nós quando nos constitui mordomos
seus. É com temor e tremor que devemos assumir nossa responsabilidade, mas, de outro

23
lado, com regozijo em nossos corações, por ele nos ter confiado um lugar de tantas
oportunidades para glorificar seu santo nome.

2. Exemplos

Há dois incidentes bíblicos que nos ajudam a esclarecer os misteres do um


mordomo.

0 primeiro encontramos em Eliezer, servo de Abraão. "E disse


Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo
o que possuía...", Gn. 24:2. No caso presente, Eliezer é incumbido de
procurar uma esposa para Isaque, o que representava um encargo difícil;
sabemos, porém, que ele o desempenhou com grande sabedoria, de modo
a alegrar o coração do seu velho senhor. Poderá o Senhor depender de
nós, como Abraão do seu mordomo? Lembremo-nos de que a qualidade
distintiva de Eliezer era seu espírito de oração. Se soubermos dobrar os
joelhos perante o Senhor, ele nos ensinará essa arte difícil, mas gloriosa
sobre todas, de sermos mordomos seus, para anunciarmos "as virtudes
daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz", I Pe.
2:9.

O segundo exemplo bíblico é José. Em Gênesis 39:4 e 6 lemos que José achou graça
aos olhos de Potifar, assistente do rei, "e ele o pôs sobre a sua casa, e entregou na sua mão
tudo o que tinha. E deixou tudo o que tinha na mão de José, de maneira que de nada sabia
do que estava com ele, a não ser do pão que comia". Tal pessoa devia, portanto, ser alguém
de confiança, capaz de administrar os bens entregues. Não era um lugar insignificante, mas
o serviço de maior relevância na casa. 0 mordomo só era inferior ao seu senhor. Que
responsabilidade a nossa!

2. BASE BÍBLICA DA DOUTRINA

A Bíblia ensina, por preceitos e exemplos, que somos mordomos de Deus. Ele nos
confiou a administração de bens e poderes que lhe pertencem, e a ele tão somente.

Causa-nos estranheza verificar que cristãos, através dos séculos,


passado o período apostólico, tenham aberto o Livro Sagrado milhares de
vezes e tenham procurado viver suas verdades, sem que a doutrina da
mordomia viesse a ocupar em seus escritos e em suas vidas o lugar que
merecia. Só nos últimos decênios é que se vem dando maior ênfase ao
estudo da mordomia.

Daremos, em resumo, o que a Escritura tem a dizer sobre mordomia, na certeza de


que as passagens indicadas hão de merecer um estudo cuidadoso.

24
Vale a pena que o aluno tome tempo para ler cada uma das passagens e meditar em
suas verdades.

1. 0 universo pertence a Deus

Gn. 1:1; 14:22; Dt. 10:14; I Crn. 29:13-16; Sl. 24:1; 50:10-12; 89:11; Jr. 27:5.

De modo mais específico, o solo pertence a Deus, Lv. 25:23; II Crn. 7:20: os
minerais e tesouros que a terra e o mar escondem, Sl. 95:5; 146:6; Ag. 2:8; Os. 2:8; Jl. 3:5;
tudo o que a terra produz, Gn. 2:9; Sl. 104:4; Jr. 5:24; toda vida animal, Gn. 1:24; 9:2-3; Sl.
50:10-11.

Depois de haver completado a obra da criação, Deus colocou Adão num jardim
aprazível e a ele confiou as coisas criadas. "E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no
jardim do Éden para o lavrar e o guardar", Gn. 2:15; Sl. 8:3-9. Deus nunca entregou os
títulos de propriedade a Adão ou a outro qualquer representante da raça, mas conservou-os
para si mesmo como Criador. Adão era simples mordomo.

O homem só poderia ter direito de propriedade sobre aquilo que ele pudesse criar;
entretanto nunca homem algum jamais foi capaz de criar qualquer coisa. Tudo que ele pode
fazer é utilizar-se das coisas criadas, adaptá-las, e combinar as forças e os elementos
criados por Deus.

2. O homem pertence a Deus

1. Por direito de criação, Gn. 1:27; 2:7; Is. 42:5; 43:1-7; Ez. 18:4.

2. Por direito de preservação, At. 14:15-17; 17:22-28; Cl. 1:17; I Pe. 1:5.

Deus não somente nos criou, ele também nos sustenta na sua
providência. Não é ele um Deus que criou o mundo e o abandonou à sua
própria sorte. Pelo contrário, está profundamente interessado em tudo
que se passa entre os homens, acompanhando o desenrolar da história e
orientando-a para atingir seus propósitos eternos. Não fora Deus
sustentador do universo, e este mundo e a vida humana seriam uma
impossibilidade.

3. Por direito de redenção, Êx. 19:5; 1 Cor. 6:19-20; Tt. 2:14: Ap. 5:9.

Fomos criados para glorificar a Deus, Is. 43:7; I Cor. 6:19-20, mas o
pecado desviou o homem desse alvo. Era preciso que Deus o restaurasse,
libertando o do pecado que o separava dele, Is. 59:2. Isso se realizou na
pessoa de Jesus Cristo, que se ofereceu como propiciação pelos nossos
pecados. Escravos que éramos, fomos resgatados pelo sangue de Cristo, o

25
mais alto preço que Deus podia pagar pela redenção humana. Uma vez
remidos, foi reconquistado o alvo com que Deus nos criou, e nosso prazer
constante deve ser buscar sua glória.

Um menino tinha feito, com muito esforço e capricho, um


barquinho a motor. Satisfeito, brincava com ele a beira do rio, quando, de
repente, o barquinho impelido pela correnteza, lhe escapou das mãos.
Triste, o garoto voltou para casa, sem esperanças de tornar a ver o barco,
que tanto trabalho lhe custara. Qual não foi seu espanto ao ver o
barquinho, certo dia, na vitrina de uma das lojas da cidade. Entrou e
insistiu que o barco era seu, mas o negociante disse que só lho daria
mediante o pagamento do preço estipulado. 0 menino voltou ao lar e
narrou o incidente ao pai, que lhe forneceu o dinheiro necessário para a
compra do barquinho. Rápido, dirigiu-se à loja, onde comprou o barco
que, de direito, já lhe pertencia. Ao sair, segurando bem firme em seus
braços o precioso objeto, exclamou: "Agora és duas vezes meu: meu
porque te fiz, e meu porque te comprei." Assim também nos pertencemos
a Deus: por direito de criação e direito de redenção. Quando as
correntezas do pecado nos afastaram das mãos divinas, e nos achávamos
debaixo do domínio de Satanás, Cristo nos comprou pelo preço do seu
sangue.

3. VALOR DA DOUTRINA PARA A VIDA CRISTÃ

Talvez não haja outra doutrina capaz de influenciar mais a vida de um crente do que
a da mordomia, quando devidamente compreendida e praticada.

1. Atitude diferente

Antes de tudo, deixará de existir em nossa vida a diferença artificial


que, em geral, se faz entre atividades religiosas e seculares. A religião não
será mais uma atividade que tome de nós certos dias e horas. Cada
minuto de nossa vida será sagrado, porque pertence a Deus. Nosso
trabalho deixará de ser uma coisa mecânica e material para ser algo
bafejado pela graça dos céus. Estamos cooperando com Deus no
desenvolvimento e progresso de um mundo criado e mantido por ele
mesmo. Quando Jacó fugia de seu irmão, teve a visão maravilhosa de uma
escada, cujo topo tocava os céus, e pode ver o Senhor no seu trono de
glória. Ao despertar do sono, exclamou: "Na verdade o Senhor está neste
lugar e eu não o sabia", Gn. 28:16.

26
0 mordomo fiel, despertado por uma visão nova e mais ampla, verá Deus e sua mão
em lugares e coisas que lhe pareciam despidas de caráter religioso. Não só a igreja, mas o
lar e a oficina de trabalho, participam dessa esfera sagrada, porque Deus está em toda parte
como criador e preservador. Não haverá mais coisas lícitas aqui e ilícitas acolá, porque todo
o lugar que a planta do nosso pé pisar será terra santa. Êx. 3:1-5.

2. Senso de responsabilidade

Ainda, o conceito cristão de mordomo fará crescer o senso de nossa


responsabilidade. Aqui está perante nós um mundo criado por Deus, com tudo quanto nele
há, por cujo desenvolvimento somos responsáveis. Aqui estamos nós mesmos, criados a
imagem de Deus, e tendo de prestar contas da nossa vida, em toda a riqueza de suas
manifestações. Aqui estão almas imortais, sem conhecimento da graça salvadora de Cristo,
às quais nos cabe levar a boa nova. Tremendas são as nossas responsabilidades como
mordomos de Deus!

3 Senso de dependência

Cientes da nossa fragilidade e incapacidade para bem desempenharmos nossa


mordomia, somos levados a depender do Espírito Santo, que Deus faz habitar em nossas
almas para conduzir-nos à vida abundante de despenseiros da sua multiforme graça. I Pe.
4:10.

Temos a promessa preciosa de Jesus, que nos garante a assistência


do Espírito a fim de nos orientar no bom exercício de nossa mordomia.
Ele nos esclarece quanto aos nossos deveres cristãos, fortalece-nos para o
desempenho da tarefa de cada dia, purifica-nos a fim de que sejamos
"vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado
para toda a boa obra'', II Tm. 2:21. Nenhum mordomo poderá servir com
eficiência, se não viver uma vida orientada pelo Espírito divino.

4. O SUPREMO EXEMPLO

Jesus não só ilustra a verdade da mordomia em seus ensinos, mas a ilustra de modo
muito claro e sobremodo inspirador em sua própria vida. Ele se reconhecia mordomo de
Deus, encarregado da tarefa suprema de alcançar a reconciliação da raça humana. Sua vida
toda, viveu-a ele orientado por esse propósito. Seu desejo constante era fazer a vontade
daquele a cujo serviço se encontrava na terra.

Como mordomos de Deus, não estamos palmilhando uma estrada virgem. Ela já foi
pisada por alguém que é o supremo modelo dos que desejam ser fiéis despenseiros. Ele nos
deixou o exemplo, para que sigamos suas pisadas,. I Pe. 2:21.

27
Inspirados na magnífica personalidade de Jesus, caminhemos a passos firmes, como
mordomos que não tem de que se envergonhar, que procuram desempenhar com fidelidade
a tarefa que lhes foi entregue!

"A mordomia bíblica é o reconhecimento da soberania de Deus, a aceitação do


nosso cargo de depositários da vida e das possessões, e a administração das mesmas de
acordo com a vontade de Deus". J. E. Dillard

Perguntas Para Revisão

Lição 1

1. Que significa mordomo?

2. Mencione algumas passagens que demonstram a base bíblica da doutrina da mordomia.

3. Para que fomos nós criados?

4. Mencione as influências que a doutrina da mordomia pode exercer sobre a vida cristã.

5. Quem é o nosso supremo exemplo na prática da mordomia? Por que?

28
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 2 -O Templo do Espírito Santo


Texto Áureo: I Coríntios 6:19

Leitura Devocional: Eclesiastes 11

Leituras diárias:

SEGUNDA: Salmo 139:14-24

TERÇA: I Coríntios 12:12-31

QUARTA: I Coríntios 6:12-20

QUINTA: Efésios 4:26-32

SEXTA: Romanos 12:1-8

SÁBADO: Romanos 12:9-21

DOMINGO: Eclesiastes 12:1-8

Estudaremos hoje uma lição sobre o corpo humano.


Não se trata de um estudo teórico, de como ele é formado, e sim
de um estudo prático, que visa a dar-nos uma consciência mais
esclarecida quanto aos nossos deveres para com ele.

Nossa salvação não só traz bênçãos para a nossa


alma, mas também para nosso corpo.

Como crentes, temos uma nova compreensão da sua finalidade.


Como mordomos, devemos sentir nossa responsabilidade para com Deus
em relação ao nosso corpo.

29
Paulo, cônscio de sua mordomia, exclamava: "Cristo será, tanto
agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela
morte". Fl. 1:20.

1. O CORPO HUMANO FOI CRIADO POR DEUS

Quando Deus criou o homem, fê-lo com um cuidado especial. Ao


criar as demais coisas, simplesmente disse: "Faça-se". Quando, porém,
criou o homem, com carinho preparou a habitação de sua alma,
formando-a do pó da terra. Gn. 1:26-28; 2:7.

1. A maravilha do corpo humano

Não podemos deixar de ficar deslumbrados diante da perfeição do


corpo humano. O salmista, pensando nesse fato, exclamou: "Eu te
louvarei, porque de modo tão admirável e maravilhoso fui formado;
maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem". Sl.
139:14 - Nova Versão IBB.

O mundo antigo celebrizou sete maravilhas, consideradas como


monumentos do gênio humano. Incomparavelmente superior em sua
estrutura, a qualquer delas, é o plano arquitetônico do cérebro. Aí temos
colunas, câmaras, galerias e pilares, velados por cortinas rendilhadas;
admiráveis corredores e um inextricável labirinto de vias misteriosas, que
jamais foram trilhadas por alguém. O cérebro é o quartel-general do
corpo, de onde partem as ordens que são executadas através de um
magnífico sistema de comunicações chamado sistema nervoso.

Com o auxílio do sistema nervoso, podemos ver, ouvir, provar, cheirar, falar,
respirar, digerir e assimilar o alimento.

30
Possuímos, em nosso corpo, o mais extraordinário laboratório químico, em que o
alimento é transformado em ossos, músculos, cabelos, unhas, pele e inúmeros tecidos.
Temos ainda uma bomba poderosíssima, o coração, que faz circular o sangue através do
sistema circulatório. Nosso sistema de ventilação é perfeitamente controlado pelas narinas
pulmões e pele. A única lente perfeita conhecida é a dos olhos; um dos aparelhos mais
sensíveis ao som é o ouvido.

2. Exemplo digno de Imitação

Fomos agraciados por Deus com os dons inestimavelmente valiosos dos cinco
sentidos, janelas pelas quais nós podemos pôr em contacto com o mundo e suas belezas.
Nem sempre sabemos apreciá-los como deveríamos. É preciso que alguém, privado de
algum deles, nos venha despertar a mordomia fiel desses poderes.

Helena Keller, desde tenra idade, ficou privada dos mais ricos privilégios naturais
concedidos a um ser humano. Cega, surda e muda, não julgou que essas deficiências
devessem ser causa de desânimo. Orientada por sua bondosa e paciente professora, Srta.
Sullivan, chegou a falar a custa de mil sacrifícios e é hoje credora da admiração do mundo
inteiro.

Num artigo intitulado "Três dias para ver", ela narra o que faria se lhe fosse
concedido o privilégio inaudito de recobrar, por três dias apenas, o poder da visão. Assim
termina seu magistral artigo: "Eu, que sou cega, posso dar este conselho aos que vêem: usai
os vossos olhos como se soubésseis que amanhã perderíeis a vista. E o mesmo método deve
ser aplicado aos outros sentidos."

Meu irmão, diante desta vida notável que tanto realizou com a falta do mais
precioso, que é a vista, como te sentes? Que estás fazendo com os sentidos que Deus te
deu?

3. O corpo humano, figura da Igreja

Querendo Paulo uma ilustração para uma igreja ideal, vai procurá-
la no corpo humano, cujas partes se completam e em que cada uma

31
exerce sua atividade especial, unificadas todas pelos centros nervosos,
num sistema sem rival. I Cor. 12:12-31.

Se os membros de nossas igrejas repetissem, num trabalho


harmônico, o que se realiza no corpo humano, o reino de Deus receberia
um enorme impulso.

2. O CORPO É A HABITAÇÃO DO ESPÍRlTO SANTO

Foi esse corpo, tão cuidadosamente criado e mantido por Deus, que o Espírito Santo
se dignou tomar por habitação. "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito
Santo, que habita em vós, proveniente de Deus e que não sois de vós mesmos? Porque
fostes comprados por bom preço; glorificai, pois a Deus no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus", I Cor. 6:19-20.

Honra maior não poderia ser dada ao crente do que ter por companheiro constante o
Espírito de Deus. É um privilégio sem paralelo de que nos devemos aproveitar, dando-lhe
um lugar cada vez maior em nossa vida.

3. NOSSOS DEVERES PARA COM O CORPO

Visto que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, devemos


conservá-lo nas melhores condições possíveis. Se cuidamos da casa em
que moramos, procurando mantê-la limpa e bem cuidada, quanto mais
devemos cuidar do nosso corpo, que se tornou habitação do próprio Deus!

Vejamos algumas coisas essenciais ao bom funcionamento do corpo.

1. Devemos manter o corpo limpo

32
O asseio é de valor fundamental para a saúde. Assim como nossas
casas são limpas diariamente, do mesmo modo o nosso corpo o deve ser.

2. Devemos manter o corpo em bom funcionamento

Para isso precisamos, antes de mais nada, de uma alimentação sadia e racional.
Devemos evitar os alimentos prejudiciais à saúde. Há livros que nos orientam numa boa
dieta. Devemos beber mais leite, comer mais verduras, menos carne e comidas gordurosas e
de tempero forte.

Os pais têm grande responsabilidade em orientar os filhos numa dieta equilibrada e


saudável.

É importante também que não pratiquem os excessos prejudiciais


ao corpo. Há os que se excedem, comendo em demasia. Sua saúde
forçosamente sofrerá. Há os que trabalham em demasia. Precisamos ter
um limite para as nossas horas de trabalho. O corpo necessita de
descanso, do contrário sofrerá abalos.

Uma visita ao médico, periodicamente, é dever de todo bom


mordomo do corpo. Não devemos esperar que a enfermidade chegue. É
melhor prevenir do que remediar. Também o dentista deve ser procurado.
Muitos males têm origem em infecções dentárias, que podem causar
graves prejuízos ao organismo.

4. INlMIGOS DO CORPO

Desejamos apresentar dois inimigos do corpo, talvez os maiores.


Houve tempo em que eram desconhecidos, no meio evangélico. Aos
poucos, porém, vão entrando sorrateiramente no ambiente de nossas
igrejas.

33
1. O fumo

Bryan Lee Curtis 29/Março/1999

Bryan Lee Curtis


2 Meses depois no dia de sua morte por
Câncer de Pulmão.

Bryan
Curtis começou a
fumar aos 13
anos e 20 anos
mais tarde
morreu deixando
sua esposa e seu filho. Essas fotos foram publicadas
em todo o mundo porque esse foi seu último desejo.
Arq. Pr. Tenório
Fumar é um vício. Quem fuma, é, pois, escravo. Aquele que já
experimentou a liberdade de Cristo, como viverá escravo de um cigarro?

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Fumar é queimar dinheiro. "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é
pão"? Is. 55:2. Fumar é encurtar a existência. As companhias de seguros
de vida dizem que o fumo reduz a vida uns dez anos, em média. Fumar é
prejudicial a saúde. O fumo irrita a garganta, envenena o pulmão e o
coração, prejudica o aparelho digestivo e afeta os nervos.

São impressionantes estas declarações do Professor Antônio


Prudente, do Serviço Nacional do Câncer: "O câncer, no Brasil, ceifa uma
vida cada dez minutos. O câncer dos lábios, em 90% dos casos, é
provocado pelo fumo". A estatística do grande cirurgião Graham é
alarmante. Em 200 mortes causadas pelo câncer, 191 das vítimas eram
fumantes!

2. A bebida

Já se encontram defensores do uso de bebidas alcoólicas, em nossas igrejas. De


maneira insidiosa, Satanás vai penetrando em nossos arraiais. Há os que procuram na
própria Bíblia defender o uso de bebidas alcoólicas. Esquecem-se tais pessoas das
afirmações fortes e impressionantes da Bíblia quanto aos que bebem.

Afirmam muitos que o uso moderado da bebida não é prejudicial.


O Dr. Araoz Alfaro, ex-presidente da Liga Argentina Contra a
Tuberculose, assim declara: "Tenho procurado chamar a atenção do
público argentino para os perigos do que peço permissão para chamar
"alcoolismo aristocrático", isto é, o hábito cada vez mais difundido em
nossos círculos sociais, de ingerir, várias vezes por dia, e de diversas
formas mais ou menos engenhosas, aperitivos, coquetéis e licores finos,
além dos vinhos "generosos" e variados, consumidos durante as refeições.
É preciso repetir que as bebidas consumidas dessa forma fazem tanto mal
em pequenas porções, como os excessos de embriaguez".

A Liga Brasileira de Higiene Mental publicou uma circular, cujo


resumo é o seguinte: "Não são apenas as bebidas fortes, como a cachaça e
o uísque, que fazem mal à saúde. Não existe nenhum meio prático de
determinar o limite entre a moderação e o abuso do Álcool. Até hoje não

35
se conseguiu debelar o alcoolismo, em parte devido à crença errônea de
que somente os ébrios são as vítimas do álcool.

"É um erro supor que haja conveniência em tomar bebidas


alcoólicas durante o trabalho, seja corporal, seja mental, ou durante o
tempo frio. Outra idéia falsa é acreditar que a bebida possa prevenir as
infecções, a gripe, ou quaisquer outras doenças. Não é certo que haja
vantagem em dar bebidas alcoólicas, tais como a chamada cerveja preta,
à mulheres que estão amamentando. É um verdadeiro crime dar bebidas
alcoólicas às crianças".

CONCLUSÃO

Cuidar de nosso corpo é um dever religioso. O mesmo Deus que fez


o nosso corpo, escolheu fazer dele o seu templo, onde tem prazer de
morar.

Visto que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, cuidar dele e


mantê-lo puro e digno é parte do nosso culto a Deus. "Rogo-vos, pois,
irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos por
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional".
Rm.12:1. Versão Revista e Atualizada - SBB.

Perguntas Para Revisão

Lição 2

1. Discorra sobre a maravilha que é nosso corpo.

2. A que Paulo comparou a igreja? Explique a figura.

3. Que é nosso corpo em relação ao Espírito Santo?

4. Enumere alguns dos nossos deveres para com o nosso corpo.

5. Enumere alguns inimigos de nosso corpo.

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LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 3- A Mordomia da Mente e do Espírito


Texto Áureo: Colossenses 3:1

Leitura Devocional: Salmo 19:7-14

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Colossenses 3:1-13

TERÇA: Filipenses 4:4-9

QUARTA: Romanos 8:1-8

QUINTA: II Pedro 3:10-18

SEXTA: Mateus 16:24-28

SÁBADO: Hebreus 12:1-6

DOMINGO: Salmo 19:7-14

Vimos, na lição passada, que o corpo nos foi entregue como depósito sagrado. Hoje
nos ocuparemos da mordomia da mente e do espírito. Esses três aspectos de nossa vida
estão muito relacionados. Nenhum deles pode existir isoladamente, e cada um afeta
profundamente os outros. É do desenvolvimento harmônico desses poderes que vem a
nossa felicidade.

1. MORDOMIA DA MENTE

1. A mente humana é um tesouro dos mais preciosos


Às vezes nos achamos pobres, sendo
possuidores de um corpo tão maravilhosamente
feito e de uma mente capaz das mais elevadas
realizações! Somos ricos, riquíssimos mesmo, e
devemos usar, como mordomos fiéis, esta
riqueza que não se conta em dinheiro, mesmo
porque ultrapassa tudo o que o dinheiro possa
comprar.

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Tomemos, por exemplo, uma atividade da mente - a memória. Por
ela armazenamos uma multidão de fatos e coisas. Não é algo para render
graças a Deus, esta capacidade que temos de guardar cada dia as
informações e experiências recebidas, para depois de dezenas de anos,
voltarmos a este depósito, abrirmos-lhe a porta e vivermos de novo a
experiência que ali ficou guardada por tanto tempo?

2. Temos o dever de desenvolver nossos poderes mentais

O poder extraordinário da memória, Deus nos entregou, com os múltiplos outros da


mente humana, para nosso uso. É nossa obrigação desenvolvê-los, visto que a mente
humana tem uma capacidade incalculável de expansão. O crente que não procura crescer
mentalmente, adquirir conhecimentos, educar e preparar-se para um serviço maior a Deus e
ao mundo, está pecando contra uma das suas mais gloriosas oportunidades. O trabalho de
Deus exige mentes vigorosas e bem treinadas.

3. Alguns exemplos bíblicos

Consideremos alguns vultos da Palavra de Deus, e vejamos como se prepararam


para o serviço de Deus.

Moisés foi instruído em toda a ciência do Egito, que era a mais adiantada daquele
tempo. Quando Deus o chamou, estava preparado para a sua difícil tarefa.

Isaías podia profetizar no palácio real e escrever seu maravilhoso livro porque tinha
sido equipado espiritualmente e intelectualmente para esse serviço.

Daniel veio a ocupar a posição privilegiada de vice-rei, porque foi educado com os
maiores mestres da Babilônia.

Paulo foi poderoso escritor e pregador, preparado aos pés de Gamaliel, o maior
educador dos seus dias.

Um Moisés, um Isaías, um Daniel e um Paulo são, na verdade,


produtos da graça de Deus, e não podem ser explicados somente do ponto
de vista intelectual. O poder de Deus opera sobre cérebros bem equipados
para os misteres que lhes foram confiados.

Para o crente, o desenvolvimento intelectual não é facultativo e sim


necessário. Trata-se de um talento que Deus lhe deu, que ele não pode
enterrar sem graves prejuízos para si e para o reino de Deus.

Qualquer que seja a tua atividade, meu irmão, mesmo que seja
braçal, tens uma mente que precisa ser exercitada para a glória de Deus.

38
4. Inimigos da mente

Lembra-te dos inimigos da mente que procuram destruí-la e inutilizá-la. A mente


deve dominar o corpo, e não o corpo dominar a mente. O corpo é servo da mente e, não,
senhor. Não permitas que Satanás a domine. Sansão deixou-se dominar por Dalila. Aos
poucos foi cedendo terreno, até que se viu derrotado nas mãos do inimigo. Assim Satanás
investe contra nossas mentes com insinuações malévolas. Expulsemo-las antes que elas nos
vençam.

Um ditado inglês diz que não podemos evitar que um pássaro pouse em nossa
cabeça, mas podemos impedir que ele aí faça seu ninho. Conservemos nossa mente sempre
provida de alimento próprio - pensamentos nobres, atitudes dignas e desejos puros. "Se já
ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima... Pensai nas coisas que são de
cima". Cl. 3:1-2. Este é o melhor antídoto para as investidas do diabo.

Disse alguém que não se pode varrer a escuridão de um quarto, mas


pode-se acender a luz e assim afugentá-la. Paulo nos dá uma lista preciosa
de atitudes que podemos manter, com as quais encheremos nossa mente
de tal forma que não haja nela lugar para qualquer coisa menos digna.

Meditemos nessas atitudes: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é


verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro,
tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se
há algum louvor nisso pensai". Fl. 4:8.

2. A MORDOMIA DO ESPÍRITO

1. A predominância do espírito

As forças mais poderosas dentro de nós são as de natureza


espiritual. Elas é que devem dominar as forças físicas e mentais, e
determinar o caráter de nossas ações. No incrédulo domina o corpo, no
crente, o espírito. "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as
coisas da carne; mas os que são segundo o espírito para as coisas do
espírito". Rm. 8:5.

Alguém comparou o corpo, a mente e a alma, às três divisões do


templo judeu. O corpo corresponde ao átrio dos gentios, à parte externa;
a mente é o lugar santo, onde os sacerdotes ofereciam sacrifícios; a alma é
representada pelo santo dos santos, ou lugar santíssimo, onde o sumo
sacerdote penetrava, uma vez por ano, para interceder pelos pecados do
povo. Aí se encontrava a arca do concerto, símbolo da presença de Deus.

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2. Nosso dever de crescer

Temos o dever de crescer constantemente na graça e no conhecimento de Jesus


Cristo, II Pe. 3:18, assim robustecendo nossa alma com os manjares celestiais que o Senhor
nos providencia.

Não há poderes, quer do corpo, quer da alma, que se desenvolvam sem exercício
continuado e metódico. Se não podemos descurar de nossos poderes físicos e mentais,
muito menos podemos fazê-lo com os poderes espirituais. Seria uma anomalia encontrar
crentes de físico forte e mente bem treinada cujas almas vivessem raquíticas, por falta de
alimento adequado e suficiente. A verdade é, porém, que encontramos crentes cujo
crescimento espiritual está em desproporção flagrante com o crescimento físico e mental.
Todos temos de lutar contra a tentação de negligenciar o alimento que vem do céu, o tônico
fortalecedor da nossa vida espiritual.

3. Recursos à nossa disposição

Deus colocou à nossa disposição recursos abundantes para o nosso


desenvolvimento, dentre os quais salientamos três: o estudo da Bíblia, a prática da oração e
uma vida de serviço na causa do Mestre.

1. A Bíblia - Manancial perene de inspiração e fonte inesgotável de poder para retemperar a


alma do crente, ela deve ser procurada cada dia. Seus ensinos são para o nosso coração
"mais doces do que o mel e o licor dos favos...e em os guardar há grande recompensa:. Sl.
19:10-11.

2. A oração - Que mordomo, desejoso de fazer a vontade de seu senhor, não o procura para
resolver problemas, para traçar planos, para ouvir seus conselhos, para palestrar sobre
interesses comuns? Deixaríamos nós, mordomos do Rei eterno, de confabular com ele
sobre os interesses do seu reino? Deixaríamos de buscar sua orientação sábia e segura para
nos desempenharmos galhardamente na nossa mordomia?

3. O serviço - Em geral costumamos considerar os benefícios que recebemos como


resultado da nossa aceitação de Cristo. Deveríamos antes pensar nos benefícios que
podemos trazer aos outros, pelo fato de sermos crentes. Pedro diz que a nossa vida, antes da
experiência redentora, era uma vida vã, fútil e vazia de significação. II Pe. 1:18.

Cristo transformou-nos e assim nós que, como Onésimo, éramos outrora inúteis, nos
tornamos muito úteis, Fm. 11. Nossa vida agora tem um propósito, um objetivo - vivemos
para servir aquele que nos resgatou pelo preço do seu sangue.

Não há privilégio maior que o de trabalhar na seara divina. Seres imperfeitos, cheios
de limitações, somos convidados a cooperar numa obra de valor eterno, que influencia as
vidas neste mundo e pela eternidade em fora.

40
Os psicólogos modernos têm verificado que a grande necessidade de
homens e mulheres, com problemas de toda sorte é lançarem-se de corpo
e alma ao serviço de uma causa nobre. Para os problemas da
personalidade, Jesus já tinha a solução que os psicólogos hoje procuram,
quando disse: "Aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem
perder a sua vida por amor de mim, acha-la-á", Mt. 16:25.

O homem que quiser uma vida normal e feliz, tem de vivê-la com a
mente voltada para fora, e não para dentro de si mesmo. Toda a espécie
de infelicidade é causada pelo egoísmo. Quando o homem coloca Deus e o
próximo como objetos de sua atenção, quando se dispõe a "perder" a sua
vida num serviço alegre e desinteressado, há de descobrir a chave que
abre as portas de uma vida feliz. Crentes-problemas se transformarão em
crentes-bênçãos no dia em que lançarem mão do arado, conservando os
olhos fitos em Jesus, autor e consumador da fé, Hb. 12:2.

4. Saúde espiritual

Existem certos elementos essenciais à saúde do corpo, chamados vitaminas. A


ciência descobriu que a falta dessas vitaminas no organismo, produz certas deficiências,
que podem ocasionar graves males ao corpo humano. Por isso, quando o médico verifica
certos sintomas no doente, receita vitaminas para corrigir o mal.

Da mesma forma existem enfermidades da alma, que são provocadas pela falta de
certos elementos na vida do crente. O crente deve orar ao Médico divino, que o ajudará a
descobrir a causa da sua fraqueza espiritual, e como corrigi-la.

Na medicina, as vitaminas são conhecidas pelas primeiras letras do alfabeto. Na


medicina da alma, as vitaminas vão até à ultima letra.

Examine a lista abaixo, veja qual a sua carência, e tome diariamente as vitaminas
que Deus lhe indicar, quando de suas orações a ele:

A mor - Rm. 13:8

B ondade - Rm. 12:20

C onsagração - Rm. 12:1

D iligência - Pv. 22:29

E ntusiasmo – Is. 41:6

F é – Mc. 11:22

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G ratidão - Sl. 116:12

H umildade - I Pe. 5:6

I ntegridade - Dn. 1:8

J ovialidade – Fl. 4:4

L ealdade - I Cor. 4:2

M ansidão – Sl. 37:11

N obreza – At. 17:11

O bediência - I Sm. 15:2

P ureza – Pv. 22:11

R etidão – Sl. 119:1

S antidade – Hb. 12:1, 12-14

T rabalho – Mt. 21:28

U nião – Cl. 2:2

V isão – Jl. 2:28

Z elo - II Cor. 9:2

Perguntas Para Revisão

Lição 3

1. Qual é o dever do crente em relação aos seus poderes mentais?

2. Discorra sobre os inimigos da nossa mente.

3. Mencione alguns recursos à nossa disposição para nos desonvolvermos espiritualmente.

4. Tente recordar-se dos elementos necessárias à nossa saúde mental e espiritual. Se


possível, mencione as passagens.

42
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 4 -A Mordomia da Influência


Texto Áureo: Romanos 14:7

Leitura Devociona1: I Coríntios 10:22-23

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Romanos 14:1-7

TERÇA: Mateus 5:13-16

QUARTA: II Coríntios 2:14-17

QUINTA: II Coríntios 3:1-6

SEXTA: I Pedro 4:7-11

SÁBADO: Mateus 13:31-35

DOMINGO: I Coríntios 10:22-23

1. CARACTERÍSTlCAS DA INFLUÊNClA

O homem é um ser social. Se deseja desenvolver sua personalidade, precisa viver


em agrupamentos para o bem dos quais contribui e dos quais recebe benefícios para a vida.

Nesse contacto social constante, os indivíduos exercem uns sobre os outros uma
certa força, que denominamos influência. No mais das vezes é um poder inconsciente, o
que vem aumentar a responsabilidade daqueles cuja preocupação é exercer uma influência
nobre e elevada no ambiente em que vivem.

1. Inevitabilidade

Podemos comparar a influência com as ondas do rádio. Cada


pessoa possui, por assim dizer, um aparelho, ao mesmo tempo transmissor
e receptor de influência. Essas ondas de influência, invisíveis e

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imperceptíveis, cruzam a atmosfera social em que nos movemos, e, a cada
momento, indivíduos vários estarão captando as ondas de nossa influência
e irradiando ondas de influência salutares ou prejudiciais, desde que
iniciamos nossas atividades diárias até que as terminamos.

Paulo fala sobre a potencialidade da influência. Diz ele que ninguém pode eximir-se
de exercê-la ou sofrê-la. Rm. 14:7. Jesus falou da influência cristã como poder incoercível
para o bem das almas e a glória de Deus: "Não se pode esconder uma cidade edificada
sobre um monte... Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens". Mt 5:14-16.

2. Durabilidade

Nossa vida é limitada a um número reduzido de anos na terra. Devemos, porém,


vivê-la de tal maneira que essa influência se prolongue pelas gerações futuras, como
perfumo suave. O homem não deve deixar de viver quando morre, e sim, continuar vivendo
ainda mais intensamente nas vidas abençoadas pela sua influência.

Como Abel, alcancemos a verdadeira imortalidade pela fé. Dele se


diz que pela fé, "depois de morto, ainda fala". Hb. 11:4. Por gerações
ininterruptas a vida de Abel tem sido, e continuará sendo, um sermão
eloqüente. Quão diferente foi aquele rei de Israel, Jorão, ao qual, quando
morreu, seu povo não queimou aromas, como queimou a seu pai. Diz de
Jorão a Bíblia: "E foi-se sem deixar de si saudades algumas". II Cr. 21:20.

Sejamos mordomos tais de nossa influência, que ao descansarmos


de nossos trabalhos, as nossas obras nos sigam, Ap 14: 13. Que, como no
caso de Dorcas, At. 9:36-39, haja aqueles que possam testificar do valor de
nossa influência cristã sobre suas vidas.

2. RETRATOS DE JESUS

Não sabemos da fisionomia de Jesus. Ele nunca posou para que um


artista o imortalizasse na tela. Também não precisava fazê-lo, pois seria
imortalizado através dos milhões que haviam de crer nele e seguir seus
preceitos. Esses seriam retratos do Mestre, reproduzindo no viver diário a

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imagem daquele que receberam pela fé. Por isso, Paulo diz que somos a
carta de Cristo, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo.
II Cor. 3:3. Só há um Cristo que reproduzimos através de nossas vidas: só
há um evangelho capaz de convencer os homens do poder de Jesus para
salvar, e esse evangelho somos nós, cartas conhecidas e lidas por todos os
homens. II Cor. 3:2. "Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo,
nos que se salvam e nos que se perdem". II Cor. 2:15.

Sadu Sundar Singh, o grande cristão da Índia, foi visitar certo


pastor em Londres. A criadinha perguntou a quem devia anunciar. ''Sadu
Sundar Singh", disse ele. A menina não conseguiu guardar o nome, e
dirigindo-se ao escritório do pastor disse: "Está aí um senhor que deseja
vê-lo." "Como se chama?" indagou o pastor. "Desculpe-me", disse a
criadinha, "não consigo recordar o seu nome, mas é um cavalheiro muito
parecido com Cristo."

Um missionário, nas selvas africanas, estava contando a uma tribo como Jesus
ensinava e curava os enfermos. Os aborígenes ouviam silenciosos e reverentes a narrativa.
Ao terminar o culto, dirigiram-se ao missionário e disseram: "Esse Jesus já esteve aqui e
morou conosco." O missionário pediu que o descrevessem, e pela descrição compreendeu
tratar-se de um missionário médico que ali estivera há anos passados. De tal forma imitara
o seu Mestre, que os silvícolas o confundiram com ele. Quem nos dera que assim nos
tornássemos imitadores de Cristo!

Um jovem professor americano, numa escola do governo, no Japão,


assumiu o compromisso de não falar de Cristo aos seus alunos. Cumpriu a
palavra; tal era o seu testemunho, porém, que os alunos começaram a
investigar o segredo de seu viver.

Depois de alguns meses, grande número desses rapazes se


entregaram a Cristo, a quem sabiam que o professor seguia. Foi o poder
silencioso, mas conquistador, da influência.

45
3. ÁREAS DE INFLUÊNCIA

Todos nos exercemos influência, uns mais, outros menos, de acordo com o círculo
de nossas relações.

Quanto maior a esfera de nossa influência, tanto maior a nossa


responsabilidade. Quanto mais largo o âmbito de nossas relações, tanto
maior a nossa oportunidade de servir a Deus e ao próximo. O crente, que
deve ser luz do mundo e sal da terra, deve procurar alargar o círculo de
sua vida, para que assim possa exercer sua influência iluminadora e
preservadora sobre o maior número possível de indivíduos.

Desejamos considerar aqui algumas esferas de influência.

1. A Influência no lar

O menor círculo de nossa influência, pelo número dos indivíduos


que o compõem, porém um dos maiores, na sua importância, é o lar.
Diariamente estamos exercendo influência sobre aqueles com quem
vivemos. É no lar que vivemos nossa vida mais real, sem a preocupação de
escondermos a nossa personalidade, sem podermos ocultar aquilo que
realmente somos e pensamos. Por isso mesmo verifica-se, muita vez, que a
vida do indivíduo no lar está em conflito com a vida fora dele. Vendo-o no
lar e depois fora, nem parece tratar-se da mesma pessoa.

A vida do crente deve ser tal que não haja


discrepância entre sua vida em família e a vida na
sociedade. Ele não pode ser irritadiço, maledicente e profano
no lar, para depois se apresentar na igreja com aparências de
piedade e pruridos de puritanismo. Religião para o
mordomo fiel não é capote para vestir quando vai à
igreja e para dependurar no cabide ao voltar para
casa. O mordomo reconhece que a esfera do lar é tão sagrada
quanto a da igreja.

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2. A influência na escola

A escola é outro lugar em que a nossa influência se faz exercer


poderosamente. Temos já um grande número de crentes nas escolas
secundárias e um número considerável deles nas escolas superiores. Que
oportunidade magnífica tem cada crente para exercer sua influência
evangélica sobre os companheiros de estudos!

Há tempos "O Jornal Batista" publicava a notícia da conversão de


um médico. Em seu testemunho dizia o médico ter sido influenciado por
um jovem colega de faculdade, com quem não travara amizade pessoal,
cuja vida íntegra, todavia, lhe despertara a atenção. Descobriu que o
jovem acadêmico era crente e portador de uma vida pautada pela Bíblia
Sagrada. Mais tarde, um crente se apresentou em seu consultório e lhe
falou do amor de Cristo.

A lembrança do colega lhe aguçou o interesse pela leitura das


Escrituras.

Em pouco tempo ele entregava a vida a Jesus. Esse estudante de


medicina, que assim influenciara o companheiro era o Dr. Jaime de
Andrade, cuja vida é até hoje um testemunho vivo entre seus colegas de
profissão.

3. A influência nos negócios

A influência do crente nos seus negócios, no cumprimento de suas


obrigações diárias, é, talvez, a mais poderosa, e aquela em que ele tem
melhor oportunidade de exercer sua mordomia. "Negócio é negócio,

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religião à parte"', diz o povo querendo expressar que as duas coisas não
tem relação nenhuma.

O cristão verdadeiro não tem a religião e os negócios em


compartimentos separados. Tanto na oficina de trabalho, como na igreja,
tem como Senhor supremo aquele que não faz distinções artificiais dessa
natureza. O de que precisamos é a transformação da mentalidade do
nosso povo, pelo nosso exemplo.

Deve-se poder respirar tal atmosfera em nossas transações


comerciais, que a qualquer momento possamos intercalar nelas uma
oração. Sabemos de negociantes que iniciam o novo dia de trabalho,
reunindo os empregados para um culto em que se lê a Escritura e no qual
se pede a orientação de Deus para os negócios do dia. Todo indivíduo
realmente cônscio de sua mordomia, não poderá deixar de convidar o
Sócio divino para orientar seus negócios e deles participar.

Não há para o mordomo de Cristo distinção entre sagrado e secular.


Tudo é sagrado, porque tudo pertence a Deus, e tudo deve ser usado para
sua glória e para a extensão do seu reino.

4. A influência na igreja

A igreja é outro campo de influência. Nossas atitudes no culto estão


influenciando a outros. Nosso espírito de cooperação não poderá deixar
de influenciar outros a colaborar também no trabalho.

A liberalidade com que contribuímos levará alguém a imitar-nos. Se


servirmos no espírito de quem quer ser útil, e não no de vanglória,
seremos uma inspiração para os nossos irmãos.

48
Se mostrarmos uma atitude humilde, um
coração pronto a compreender as faltas
alheias e a perdoar, se amarmos os fracos e
procurarmos em tudo o bem das almas que
se perdem e a honra da igreja que Cristo
quer ver imaculada e preciosa, se tudo isso
fizermos, estaremos administrando nossos
dons "como bons despenseiros da multiforme graça de Deus". I Pd. 4: 10.

5. A influência na sociedade

A área mais ampla da influência do cristão é a sociedade. Nosso ideal constante


deve ser introduzir mais e mais do fermento do evangelho na massa da sociedade, para que
ela seja levedada a ponto de se confundir com o próprio reino dos céus.

Como crentes, não devemos ser ascetas ou isolacionistas, que se


segregam do mundo. Cristo mesmo pediu isso ao Pai. "Não peço que os
tires do mundo'', orou ele, ''mas que os livres do mal''. João 17:15. Somos
como o barco que está dentro d’água, sem deixar que ela nele penetre.
"Não são do mundo, assim como eu não sou do mundo". João 17:14.

Jesus viveu isento de pecado, apesar de ter vivido no meio dos


pecadores. Assim, devemos procurar, como nosso Mestre, todo o contacto
com a sociedade, que nos permita influenciá-la com o evangelho, sem
permitir que a sociedade nos influencie no que tem de mau e corrupto.

O escafandrista vai ao fundo do mar para buscar as riquezas que


este tragou e conserva avaramente. Ainda que rodeado de imenso volume
de água, ele se encontra isolado dela pelo escafandro. O crente penetra na
sociedade em busca de almas preciosas, mas, alcançando o seu objetivo,
volta à tona, onde pode respirar o ar puro de um ambiente saturado do
evangelho.

49
Perguntas Para Revisão

Lição 4

1. Fale sobre a inevitabilidade de nossa influência sobre os outros.

2. Quais são as áreas da vida em que exercemos influência?

3. Discuta nossa responsabilidade no tocante à influência que exercemos sobre os outros.

50
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 5 -A Mordomia das Oportunidades


Texto Áureo: I Coríntios 4:2

Leitura Devocional: Salmo 101

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Mateus 25:14-30

TERÇA: Lucas 19:11-27

QUARTA: I Coríntios 4:1-5

QUINTA: II Reis 6:8-17

SEXTA: Êxodo 2:1-10

SÁBADO: Mateus 20:20-28

DOMINGO: Salmo 101

A oportunidade tem sido representada muito apropriadamente


como uma entidade alada, com um topete, e tendo toda a parte traseira
da cabeça, calva. Ela voa célere, de modo que os homens devem andar
bem avisados, e agarrá-la pela frente, a fim de não acontecer que, ao
procurarem alcançá-la depois de haver passado, tenham a desilusão de
seus dedos deslizarem por sobre a sua calva fria.

1. O ENSINO DE JESUS

A parábola dos talentos, narrada em Mateus 25:14-30, e a das minas, em Lucas


19:11-27, encerram lições preciosas sobre a maneira sábia e inteligente com que nos
devemos conduzir como mordomos de nossas oportunidades.

Um talento representava, nos dias de Jesus, uma quantia considerável. Ele, porém,
não limitou a aplicação dessa parábola ao uso do dinheiro. O servo, a quem foram
entregues cinco talentos era o tipo daqueles que tem grande capacidade, dons abundantes, e
são capazes de desenvolver seus poderes pessoais acima da média dos indivíduos. O que
recebera dois talentos é o homem de habilidade menor, enquanto o de um talento representa

51
a média dos indivíduos, com possibilidades limitadas e colocados nas posições comuns da
vida, para ali prestar sua colaboração também valiosa, ainda que pequena, para o bem geral.

Podemos perfeitamente ler a palavra talentos com o sentido de oportunidades, nesta


parábola, visto que esse sentido mais amplo está de acordo com o espírito do ensino de
Cristo. Leiamos, pois, as parábolas dos talentos e das minas, e nelas encontraremos, entre
outros, estes ensinamentos preciosos:

1. Talentos

Cada um de nós tem talentos, ou dons, que nos foram entregues como oportunidades
para realizar algo pela extensão do reino de Deus. Ninguém poderá dizer que não tem
oportunidades, pois estaria assim acusando a Deus de injusto e parcial.

2. Oportunidades

É verdade que nem todos têm oportunidades iguais em número e em qualidade. Essa
diversidade, entretanto, está baseada na capacidade dos indivíduos. Deus, em sua sabedoria,
nos criou com diferentes dons, com o fim de nos tornar a todos úteis, cada qual no seu
lugar. I Cor. 12:4-11.

3. Desenvolvimento

Nosso dever é mais do que conservar os talentos a nós confiados; é


desenvolvê-los de acordo com a nossa possibilidade. Lc. 19:13. Deus não
nos dá mais talentos do que aqueles que podemos desenvolver; ele não
pede mais do que somos capazes de fazer. Só uma coisa se exige de um
mordomo: ''Requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel". I Cor.
4:2.

4. Prestação de contas

O Senhor vai chamar à conta os seus servos, "Muito tempo depois


veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles". Mt. 25:19. Isso não
era mero capricho do senhor, e sim direito que tinha como proprietário de
todos aqueles bens. Quando o dia do ajuste final vier, que contas daremos
da nossa mordomia?

5. Recompensa

O senhor elogiou e recompensou os servos fieis. Mt. 25:20-23. A


maior recompensa, porém, não foi a que o senhor lhes deu, e sim a
satisfação íntima de terem cumprido o dever.

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6. 0 servo infiel

O servo infiel não foi o que mais capacidade tinha, e sim aquele a quem somente um
talento fora entregue. Mt. 25:24-25. 0 pecado do servo infiel foi negligenciar sua
oportunidade, talvez por lhe parecer pequena demais. O cristianismo tem sofrido mais pela
negligência dos muitos que se julgam pouco aquinhoados, do que pela infidelidade dos
poucos a quem o Senhor tem entregado talentos em número maior.

7. Maiores responsabilidades

Um dos princípios básicos da mordomia, expressos por Cristo, se encontra


exemplificado no acréscimo recebido pelo servo dos dez talentos. A ele, que já tinha dez,
foi entregue aquele talento que o mordomo infiel não desenvolvera, "porque a qualquer que
tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado".
Mt. 25:29.

O mordomo fiel recebe maiores responsabilidades, que são maiores oportunidades


para servir; o infiel perde até aquele pouco que não soube usar. Esse princípio tem sido
ilustrado na vida de milhões de crentes através dos séculos.

2. ESPÉCIES DE OPORTUNIDADES

Existem duas espécies de oportunidades: as que aparecem diante de nós sem que
nada tenhamos feito para produzi-las, e as que temos de criar pelo nosso esforço e
diligência.

1. Oportunidades espontâneas

As oportunidades espontâneas são mais comuns do que pensamos. Estão ao nosso


redor, à espera de que delas nos utilizemos, e constituem um desafio constante para o bom
uso de nossas possibilidades latentes.

Uma razão por que não vemos as oportunidades ao redor é a nossa miopia espiritual.
Acontece conosco o mesmo que se deu com o servo de Eliseu que, ao ver Samaria cercada,
deixou-se tomar de pânico. O profeta orou então ao Senhor, para que abrisse os olhos do
moço, e este pode ver o monte "cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu". II
Rs. 6:17. As oportunidades pululam à volta de todo crente possuidor de santas e elevadas
ambições.

A miopia espiritual faz com que não vejamos, nas coisas pequenas da vida,
oportunidades preciosas para o desenvolvimento de nossos dons. Não devemos, de modo
nenhum, desprezar o dia das coisas pequenas, porque ele é a véspera dos grandes dias.
Façamos das coisas pequeninas e aparentemente insignificantes da vida os degraus pelos
quais cheguemos às realizações de maior vulto. Enriqueçamos nossas vidas, dando valor às
insignificâncias que antes passavam despercebidas diante dos nossos olhos.

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"Nos arredores de Edware, na Inglaterra, havia um ferreiro que
costumava assobiar melodias, enquanto trabalhava, marcando-lhes o
compasso pelas marteladas que ia desferindo sobre o ferro em brasa.
Muita gente via aquele espetáculo e ouvia as melodias, repetidas vezes.
Mas via e ouvia sem saber ver nem ouvir. Um dia, forte temporal obrigou
um senhor a ocultar-se na humilde oficina. Era o famoso Handel. Mal
ouviu a música, dizem alguns escritores, impressionou-se com ela a tal
ponto que resolveu escrevê-la com variações e com o acompanhamento
extremamente original do ruído do martelo sobre a bigorna. Originou-se,
dessa maneira, o célebre trecho musical conhecido pelo nome de
"Harmonioso Ferreiro". (M. Rizzo).

O dom de ver as oportunidades da vida e, sem dúvida, um dos fatores necessários


para se usufruir as possibilidades que ela encerra.

2. Oportunidades criadas

Quem quiser realizar alguma coisa na vida tem de multiplicar as ocasiões pelo seu
trabalho diligente, tem de transformar as coisas vulgares em coisas notáveis pelo seu
engenho e iniciativa. Somente os que sabem criar oportunidades poderão esperar êxito na
vida. A oportunidade nem sempre se apresenta de modo atraente e convidativo. Freqüentes
vezes ela vem coberta pelo manto da dificuldade. Quem desejar possuí-la precisa de
coragem e perseverança, oração e esforço, para transformar essas mesmas dificuldades em
oportunidades.

As Escrituras nos oferece um exemplo encorajador na pessoa de Miriã. Incumbida


pela mãe de depositar o cesto betumado, que continha o irmãozinho, em lugar seguro, essa
jovem cheia de sagacidade soube transformar o problema sério e grave de procurar um
recanto em que o escondesse, em uma oportunidade feliz. Sabedora do sítio em que a
princesa se banhava diariamente, para lá se dirigiu e deitou a margem do rio o cestinho. Ao
aproximar-se a princesa, descobriu o menino judeu e o apanhou carinhosamente.

Percebendo a situação favorável, Miriã deixou seu esconderijo, para oferecer a


princesa seus préstimos na procura de uma ama judia para o menino. Assim conseguiu que
Moisés, seu irmão e futuro libertador da Israel, ficasse livre de ser vítima de um soldado de
Faraó, para se tornar filho adotivo da princesa, e poder receber durante os primeiros anos de
vida uma instrução bem retribuída, no próprio lar paterno.

Em certa cidade havia uma senhora, conhecida como muito má. Ouvindo, porém o
evangelho, aceitou a Cristo.

Estava uma vez dando o testemunho de sua conversão, em uma pregação ao ar livre,
quando foi alvejada por uma batata, que um malvado lhe atirou ao rosto. Em vez de se
alterar, como certamente faria se não fosse crente, ela, ao contrário, apanhou a batata e a
pôs na bolsa.

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Não se falou mais no caso, até que em uma reunião de senhoras ela veio com um
saco de batatas para oferecer ao Senhor, explicando que a batata que lhe atiraram ela
cortara e plantara, e agora fazia essa oferta de gratidão a Deus.

3. A VOCAÇÃO COMO OPORTUNIDADE

A vida é a mais preciosa oportunidade que Deus deu ao homem. Conforme o uso
que dela fazemos, podemos torná-la uma bênção ou um fracasso.

O crente está interessado em tornar a sua vida num elemento de


valor para o reino de Deus e para a sociedade em que vive. Para isso
precisa resolver com sabedoria o que irá fazer dos anos preciosos que tem
para gastar na terra e no que irá se ocupar, a fim de melhor realizar seus
ideais.

Consciente de que sua vida é um depósito sagrado, o crente


certamente deseja usá-la da melhor maneira possível. Por isso tem de
encarar com seriedade o problema fundamental da sua vocação, e
resolvê-lo de acordo com aquele que é o doador da vida, e diante de quem
somos responsáveis pelo uso dos nossos dons.

Há um sentido especial em que Deus chama aqueles que hão de


dedicar suas vidas inteiramente ao seu serviço como pastores,
missionários, obreiros, etc. Sem essa chamada especial para o ministério
das coisas sagradas, nenhum moço ou moça deverá aventurar-se a essas
carreiras gloriosas, mas espinhosas.

Há, porém, um sentido mais geral em que Deus orienta os crentes em geral nas
carreiras que devem seguir, se estes procurarem saber a sua vontade. Ele sabe qual é a
melhor maneira de ganharmos nossa vida, pois conhece nossos dons e talentos melhor do
que nós mesmos e antes que tenhamos verificado nossos pendores. Ele, portanto, poderá
guiar-nos na escolha da nossa carreira e, depois da escolha feita e da preparação completa,
tornar-nos uma bênção para o mundo na carreira por ele indicada.

Deus se utiliza de muitas maneiras para revelar-nos a sua vontade. Ora é a palavra
de pessoas mais experimentadas ou o conselho de um amigo, ora uma enfermidade ou uma
experiência alegre. No espírito de oração seremos capazes de descobrir seu desejo, e ouvir
sua voz.

Na escolha da nossa vocação, dois fatores, portanto, devem ser tomados em


consideração, se quisermos fazer da nossa vida um sucesso: procurar a vontade de Deus, e
abraçar a nossa vocação num espírito de serviço, e não no desejo de glórias terrenas e
vantagens materiais.

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Os pais podem fazer muito no sentido de orientar os filhos na escolha sábia da sua
vocação. Além da sua experiência, poderão recomendar-lhes livros, bem como encaminhá-
los ao pastor ou a outras pessoas capazes de ajudá-los.

Perguntas Para Revisão

Lição 5

1. Que representam os talentos na parábola dos talentos?

2. Qual é o nosso dever com relação a esses talentos?

3. Fale sobre oportunidades espontâneas e criadas.

4. Quais são os fatores que devem ser observados no tocante às nossas vocações?

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LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 6 -A Mordomia do Tempo


Texto Áureo: Efésios 5:15-16

Leitura Devocional: Salmo 90:1-12

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Mateus 6:25-34

TERÇA: Efésios 5:11-21

QUARTA: Gálatas 6:7-10

QUINTA: Colossenses 4:2-6

SEXTA: Tiago 4:13-17

SÁBADO: Lucas 12:13-21

DOMINGO: Salmo 90:1-12

1. O QUE É O TEMPO

Felizmente não temos que definir uma coisa para podermos usá-la. Se
tivéssemos que definir tempo para podermos viver, a humanidade toda
deixaria de existir, pois ainda não se encontrou uma definição
satisfatória para essa idéia. Os filósofos se debatem na exposição
de suas teorias em relação ao tempo e ao espaço, o que para o
povo em geral nada mais é do que "perder tempo". O
melhor que temos a fazer é nos utilizarmos, da melhor
maneira, disso que todos conhecem pelo nome de tempo e
que ninguém sabe explicar bem o que é.

Costumamos dividir o tempo em períodos uns


mais, outros menos longos que chamamos segundos,
minutos, horas, dias, meses, anos e séculos. Assim é que para descrever a
parte da existência que alguém passa neste mundo, dizemos, por exemplo,
que fulano viveu tantos anos. Ainda que todos tomemos por base estas
divisões do tempo, a vida de alguém dificilmente pode ser expressa em

57
dias e anos. A vida é mais do que respirar, comer, beber e exercer as
funções do corpo. Entretanto, há muitos para quem a vida nada mais é do
que isso, Jesus mesmo deixou essa verdade clara, quando indagou: "Não é
a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?" Mt.
6:25.

O tempo vale pela intensidade com que vivemos nossos dias e pela sabedoria com
que os aproveitamos. Por isso alguém que existiu somente vinte e cinco anos pode ter
vivido muito mais do que outro que chegou aos setenta.

2. PRECIOSIDADE DO TEMPO

Para o crente, o que convém lembrar a cada momento é que sua vida é sumamente
preciosa, e que ele deve ser um mordomo cuidadoso no dispêndio do seu tempo. Paulo
recomendava aos efésios: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios,
mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus". Ef. 5:15-16.

Um dia, atravessando o deserto, um viajante inglês viu um árabe, pensativo, ao pé


de uma palmeira. A pequena distância descansavam seus camelos, pesadamente carregados,
revelando tratar-se de um mercador de objetos de alto preço, que ia vender suas jóias,
perfumes e tapetes em alguma cidade próxima. Aproximou-se o inglês do negociante, com
uma saudação jovial:

Bom amigo, saúde! O senhor me parece muito preocupado. Posso ajudá-lo em


alguma coisa?

Estou muito aflito, disse o árabe com tristeza, porque acabo de perder a mais
preciosa de minhas jóias!

Ora! respondeu o inglês, a perda de uma jóia não devia ser grande coisa para quem,
como o senhor, leva sobre os seus camelos tão grandes riquezas. Não será difícil substituí-
la.

Substituí-la! exclamou o mercador, bem se vê que o senhor não sabe o valor do que
eu perdi!

Mas que jóia era essa? perguntou o viajante, curioso.

Era uma jóia, respondeu-lhe o seu interlocutor, como não se fará outra. Estava
encravada num pedaço de pedra da vida, e havia sido feita na ourivesaria do tempo.
Adornavam-na vinte e quatro brilhantes, ao redor dos quais e agrupavam sessenta menores.
Por aí o senhor vê que tenho razão de dizer que outra igual ninguém fará.

Realmente, disse o inglês, devia ser de grande preço. Não acredita o senhor,
entretanto, ser possível adquirir uma outra análoga com muito dinheiro?

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A jóia perdida, respondeu o árabe, quedando a cabeça pensativo, a jóia perdida é um
dia, e um dia que se perde não se encontra mais.

Foi pensando, talvez, como o mercador árabe, que Horace Mann, apóstolo da
instrução nos Estados Unidos, fez publicar este anúncio original:

"Perderam-se duas horas cravejadas de sessenta brilhantes cada uma. Não se dá


recompensa a quem as entregar, porque essas jóias não se tornam a encontrar jamais."

Possuidores que somos de uma enorme riqueza, que são os minutos, dias e anos que
temos para viver, saibamos aproveitá-los de modo a não termos de chorar, no futuro, dias
mal gastos e horas perdidas. Transformemos cada minuto em jóia de valor real no serviço
do nosso Mestre!

3. NOSSO TEMPO PERTENCE A DEUS

Já dissemos antes, e repetimos, que nossa vida pertence a Deus. Visto que o tempo,
isto é, o período da existência que passamos neste mundo, é parte da nossa vida, ele
também lhe pertence.

Deus, em sua bondade, nos permite usar o tempo para ganharmos o


nosso sustento, para nosso descanso, para recreio e todas as demais
atividades da vida. Tão acostumados estamos a usar desse tempo, que
com facilidade nos esquecemos de que ele não é nosso e, sim, um depósito
sagrado.

Um mínimo de nosso tempo Deus exige de nós para o seu serviço, e


esse mínimo é um dia em sete. A guarda do domingo não é coisa
facultativa. O homem que não observa o sábado do Senhor seu Deus está
usando um tempo que não lhe pertence. Precisamos criar no meio dos
nossos irmãos uma consciência mais esclarecida quanto a mordomia do
domingo. Em Israel a quebra do sábado sempre vinha acompanhada de
outros pecados e prenunciava um período de decadência na vida nacional.
Nenhuma igreja, cujos membros sejam relaxados na observância do dia
do Senhor, prosperará.

Lembremo-nos, todavia, de que esse sétimo do tempo é um mínimo.


Devemos organizar nossa vida de tal maneira que possamos dar o
máximo possível do nosso tempo às coisas espirituais e de valor
permanente, e o mínimo indispensável às coisas materiais e de valor
transitório. Façamos de cada minuto disponível uma oportunidade para
glorificar a Deus.

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4. O TEMPO DESPERDIÇADO

É deveras lamentável ver-se como a maioria das pessoas emprega mal o seu tempo.

O tempo é diferente do dinheiro em que este se pode guardar, e aquele não. Tem de
ser usado à medida que nos é entregue por Deus, hora por hora, minuto por minuto.

Quem desperdiça o tempo, prejudica-se a si mesmo. Não só a si, mas também à


sociedade, no meio da qual vive, e a qual deve a sua colaboração. Prejudica o seu próximo
cujo tempo precioso rouba. A esse temos desejo de dizer como o filósofo antigo: "Não me
tires aquilo que não me podes dar."

Como podemos esbanjar o tempo precioso que Deus nos entrega?

1. Em conversas fúteis e inúteis

É muito agradável conversar. Nossas palestras devem, entretanto, ter um conteúdo e


um propósito. Conversas frívolas degeneram em mexericos destruidores.

2. Em leituras sem proveito

Nosso tempo é escasso e extremamente valioso. Procuremos selecionar


cuidadosamente o que lemos.

3. Em atividades não essenciais

Há pessoas que gastam tempo demasiado em passeios, brinquedos, jogos e outras


atividades sociais.

Precisamos de momentos para relaxamento do nosso organismo, mas não devemos


permitir que eles se tornem a parte mais importante de nossa vida.

4. Matando o tempo

Muitas pessoas passam grande parte do tempo sem fazer nada de útil e produtivo.
Essas pessoas lembram-me a senhora a quem perguntaram o que fazia do seu tempo.

"Às vezes estou sentada, pensando, e outras vezes simplesmente sentada",


respondeu ela.

A maior dificuldade em relação ao desperdício de tempo está em que ele é feito, em


geral, com coisas perfeitamente legítimas, se praticadas dentro de certos limites.

5. ALGUMAS RECOMENDAÇÕES PARA O BOM USO DO TEMPO

1. Ser metódico

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Procuremos ser metódicos. Um indivíduo que tem método na vida vive, no mesmo
período de tempo, duas vezes mais. Aprendamos a organizar nossas atividades de tal
maneira que cada minuto valha seus sessenta segundos. Tenhamos planejada com
antecedência a nossa vida rotineira, já que não podemos fazer planos para os imprevistos.
Um indivíduo que sabe o que vai fazer, quando inicia o seu trabalho, já tem metade do
trabalho feito.

2. Ser pontual

A pontualidade faz parte da mordomia do tempo. Ser pontual não é ser escravo do
relógio, e sim não querer roubar aos outros aquilo que não lhes podemos dar. Se eu tiver de
falar a um grupo de sessenta pessoas, e me atrasar um minuto, terei lesado aquele grupo em
sessenta minutos. Se esse atraso não foi por motivo de força maior, sou responsável perante
Deus pelo mau emprego daqueles minutos. Poderá alguém dizer-me que um minuto não
tem importância, mas é de minutos que a vida é feita. Formemos o hábito da pontualidade.

3. Ser equilibrado

Devemos ser equilibrados no uso do nosso tempo, isto é, dar tempo


às coisas na proporção do seu valor. Indivíduos há que dão tempo
demasiado aos divertimentos, outros ao trabalho e outros ainda ao
descanso. Devemos sabiamente distribuir nosso tempo, com o objetivo de
desenvolver uma personalidade em que cada coisa seja feita e usada,
considerando-se o seu valor em relação à vida e à eternidade.

4. Servir

O tempo mais bem empregado é aquele que gastamos em favor do outrem. Cada
minuto usado em socorrer um necessitado, em apontar o caminho da vida eterno ao viajante
desanimado, em levantar alguém caído, é uma jóia inestimável. Tais minutos são muito
bem contados no relógio divino.

O Tempo

Por: Laurindo Rabello da Silva

Deus pede estrita conta do meu tempo,

É forçoso do tempo já dar conta,

Mas, como dar em tempo tanta conta,

Eu, que gastei sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,

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Dado me foi bom tempo e não fiz conta;

Não quis, sobrando tempo, fazer conta,

Quero hoje fazer conta e falta tempo.

Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis vosso tempo em passatempo;

Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.

Mas, oh! se os que contam com seu tempo

fizessem desse tempo alguma conta,

Não choravam sem conta o não ter tempo.

Perguntas Para Revisão

Lição 6

1. Narre a história que ilustra o valor do tempo.

2. Mencione maneiras pelas quais pode o tempo do crente estar sendo desperdiçado.

3. Comente as sugestões para o bom uso do tempo.

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LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 7 -O Domingo Não É Meu


Texto Áureo: Êxodo 31:15

Leitura Devocional: Neemias 13:15-22

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Marcos 2:23-28

TERÇA: Gênesis 1:27-2:3

QUARTA: Êxodo 20:1-11

QUINTA: Êxodo 31:12-18

SEXTA: Ezequiel 20:11-20

SÁBADO: Êxodo 16:22-30

DOMINGO: Neemias 13:15-22

Não temos direito de usar o que não é nosso. De modo particular,


isto é verdade em relação ao que pertence a Deus. O Senhor é zeloso
daquilo que Lhe pertence.

Já vimos que o tempo de que dispomos nos foi doado por Deus. Em
sua bondade ele nos entregou a maior parte dele para as nossas
necessidades materiais. Só exige de nós uma sétima parte. Não temos
direito de usá-la para nós.

Notemos a ênfase bíblica dada à verdade de que o dia do descanso


não nos pertence. "O santo sábado do Senhor", Êx. 16:23. "Certamente
guardareis meus sábados". Êx. 31:13; Lv. 19:3; Mc. 2:28.

Estudaremos esta lição, procurando primeiramente demonstrar a


nossa posição, como cristãos, na guarda do domingo, para depois vermos
nossos deveres para com esse dia.

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1. O DIA DO DESCANSO NO VELHO TESTAMENTO

A palavra sábado quer dizer descanso. Esta é a idéia fundamental da palavra, e não o
fato de ser o sétimo dia.

Deus, em sua sabedoria e bondade, providenciou um dia para que o


homem repousasse de suas atividades.

Todas as tentativas de modificar o dia de descanso têm redundado


em fracasso. Têm sido experimentadas semanas maiores e menores do
que a que Deus estabeleceu, mas sempre com prejuízo para o homem.

Nosso corpo foi feito por Deus de tal maneira que precisa, de sete
em sete dias, de um para descansar.

A insistência de Deus na necessidade de guardar um dia em sete


pode ser verificada em que este é o mais longo e o mais explícito dos dez
mandamentos. Êx. 20:8-11.

Talvez Deus tivesse demorado nessas admoestações por saber da


tendência do homem de fugir à guarda do seu dia.

Não só no Decálogo, mas em outras partes, Deus deu ordens minuciosas quanto à
observância do sábado. Êx. 16:22-30; 35:3.

Em todas essas instruções Deus visa o bem-estar do homem sobre a face da terra:
bem-estar físico, pelo descanso; bem-estar espiritual, pela santificação.

2. POR OUE GUARDAMOS O DOMINGO?

1. O domingo comemora a ressurreição

Guardamos o domingo porque ele comemora a ressurreição de Jesus, o maior fato


da história da humanidade. João 20:19-26. Jesus apareceu no primeiro dia da semana, aos
seus discípulos reunidos, mais de uma vez.

2. Os discípulos começaram a guardar o domingo

Os discípulos guardavam o primeiro dia da semana. Reuniam-se no sábado com os


judeus para ganhá-los. At. 14:14, 44; 18:4. Quando se reuniam como cristãos, para o seu
próprio culto, faziam-no no primeiro dia da semana. At. 29:7; I Cor. 16:2; Ap. 1:10.

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Os cristãos se emanciparam gradualmente do judaísmo. Por isso, a princípio se
reuniam com os judeus no sábado e em seus próprios cultos no domingo. Mais tarde, a
distinção se tornou completa e o domingo ficou como único dia de guarda.

3. O Novo Testamento reinterprete o sábado

O Novo Testamento não estabelece o sábado como dia de guarda.

O sábado, como sétimo dia da semana, era um sinal entre o povo de Israel e Deus.
Era, portanto, de obrigação restrita dos judeus. Êx. 31:13-17; Ez. 20:12. Não estamos, por
conseguinte, na obrigação de guardar o sétimo dia.

Os mandamentos são todos reafirmados no Novo Testamento, menos o que se refere


ao sábado. O pastor Ricardo Pitrowsky, em seu excelente livro "O Sabatismo à Luz da
Palavra de Deus", apresenta uma relação dos dez mandamentos, e quantas vezes cada um é
repetido no Novo Testamento. Mais de cem referências são feitas aos outros nove, e
nenhuma ao sábado.

4. O domingo cristão transpôs os séculos

A história prova que os cristãos de todos os séculos observaram o domingo. Inácio,


que escreveu no ano 100, dizia: "Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a
uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o
dia do Senhor."

Clemente de Alexandria no ano 168 diz: "O crente esclarecido... guarda o dia do
Senhor."

Poderíamos multiplicar as citações, se o espaço no-lo permitisse.

3. COMO OBSERVAR O DIA DE DESCANSO

1. Busca da presença de Deus

A assistência aos trabalhos da igreja, no domingo, oferece-nos


excelentes oportunidades para crescermos espiritualmente. Alguns
assistem só à escola dominical ou ao culto da noite. Acham que isso lhes
basta. Mas o dia não é nosso, é do Senhor, e devemos aproveitar todos os
ensejos de estar em sua casa.

2. Leitura da Palavra de Deus

Fora do horário das reuniões na igreja, devemos aproveitar o domingo para ler a
Palavra de Deus, estudá-la e meditar nela. Outros livros de edificação espiritual podem
ocupar nossas horas de lazer.

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3. Testemunho

Os trabalhos de evangelização e beneficência devem ter nossa cooperação. O


domingo é o dia por excelência para promover o reino de Deus. Nas escolas dominicais dos
bairros, nos pontos de pregação, nas visitas a hospitais e casas de beneficência em geral,
encontraremos inúmeras oportunidades de testemunhar do nosso Salvador.

4. Descanso

Sem dúvida que o dia é também para descanso, e devemos dedicá-lo à renovação de
nossas energias para uma nova semana de atividades. Não esqueçamos, entretanto, que o
melhor descanso é a mudança de atividade.

Devemos evitar, na guarda do domingo, os extremos do legalismo e da frouxidão.


Sejamos sensatos em guardá-lo de modo agradável a Deus.

4. A PROFANAÇÃO DO DIA DO SENHOR

Infelizmente vai-se acentuando a tendência, entre os crentes, de profanar o domingo.


Ocupando-se com atividades terrenas, buscando prazeres mundanos, em viagens e passeios,
e de mil outras formas, foge-se de dedicar a Deus o dia que Lhe pertence.

1. Castigo

Deus sempre castigou severamente Israel quando transgredia o quarto mandamento.


Êx. 31:14-18; Nm. 15:32-36; Jr. 17:19-27. Leia com cuidado estas passagens.

2. Primeiro passo para outros pecados

A profanação do sábado vinha freqüentemente associada a outros pecados. Por


vezes a idolatria vinha ligada com a quebra do sábado, outras vezes com o casamento
misto. Ez. 20:16; Nem. 13:23.

Quando um crente deixa de observar o dia do Senhor, ele deu o primeiro passo para
uma porção de outros pecados, com que Satanás procura arruinar sua vida espiritual.

3. Profanação

Como podemos profanar o dia do Senhor?

Nos dias de Neemias o sábado era profanado com atividades comerciais. Foi preciso
que ele agisse com firmeza para acabar com essa transgressão. Nem. 13:15-21.

Vivemos num país católico em que muitas atividades comerciais e sociais são mais
intensas no domingo. Precisamos exercer severa vigilância para que não nos conformemos
com o padrão dos não-crentes.

66
Qualquer atividade que não seja de natureza puramente espiritual ou beneficente
foge do espírito do quarto mandamento e é pecaminosa diante de Deus.

5. CONSEQUÊNCIAS DA PPOFANAÇÃO

1. Prejuízo espiritual

A profanação do domingo traz prejuízo à nossa vida espiritual.

Se virmos um crente, outrora ativo e fiel, mas agora negligente e relapso,


poderemos saber que ele não está observando, como deve, o dia do Senhor.

Quem despreza o dia santo do Senhor está no caminho certo para a derrota
espiritual.

2. Privação de privilégios

A profanação do domingo priva os crentes dos privilégios que esse


dia oferece. Quantas bênçãos na assistência aos cultos, quanta alegria em
estudar a Palavra de Deus, quanta felicidade em falar do amor de Cristo!
Tudo isso perde aquele que foge dos seus deveres dominicais.

Tomé não foi ao culto no domingo da ressurreição, e o que


aconteceu com ele? No domingo seguinte apareceu cheio de dúvidas a
Jesus e foi por ele repreendido. É sempre assim quando deixamos nosso
lugar vazio na igreja.

3. Escândalo

A profanação do domingo traz escândalo para o evangelho.

Imaginemos o membro da igreja que está no jogo de futebol ou no cinema, e a seu


lado está alguém que o conhece como crente. Que péssimo testemunho está dando! Aquilo
que outros estão procurando fazer, com tanto zelo, ele destrói em um minuto, pela sua
profanação do dia do Senhor.

4. Condenação divina

A profanação do domingo coloca-nos debaixo da condenação divina.

Neemias disse ao povo de Israel, quando este transgredia o sábado: "É vós ainda
mais acrescentais o ardor de sua ira sobre Israel, profanando o sábado". Nem. 13:18.

A lei previa a penalidade de morte para o que profanasse o sábado. Êx. 31:14. Deus
é zeloso do seu dia, e aquele que o quebra está incorrendo na condenação de Deus.

67
"Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo". Hb. 10:31.

O domingo não é meu. Pertence todo a Deus, e só a Deus. Farei dele, então, um dia
de alegria, de bênçãos e de serviço na causa do Senhor, que me remiu.

Perguntas Para Revisão

Lição 7

1. Que quer dizer a palavra "sábado"?

2. Com que finalidade Deus instituiu o dia de descanso?

3. Por que os cristãos guardam o domingo?

4. Dê sugestões sobre como devemos observar o domingo de modo agradável a Deus.

5. Como pode o dia do Senhor ser profanado?

6. Mencione conseqüências da profanação do domingo para a vida do povo de Deus.

68
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 8 -A Mordomia dos Bens


Texto Áureo: I Timóteo 6:10

Leitura Devocional: Salmo 49:1 e 17

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Deuteronômio 8:11-18

TERÇA: Mateus 7:1-12

QUARTA: I Timóteo 6:7-12

QUINTA: I Timóteo 6:17-21

SEXTA: João 6: 1-13

SÁBADO: Mateus 17: 24-27

DOMINGO: Salmo 49: 10-17

É ensino claro da Palavra de Deus que toda riqueza


a ele pertence, enquanto nós somos simples despenseiros
dela. Só Deus tem o direito de propriedade, e o cristão o
direito de posse, isto é, o direito de usar os bens materiais
enquanto estiver neste mundo.
O cristão verdadeiro reconhece que Deus é quem lhe dá forças para adquirir fortuna. Dt.
8:18. "Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, pelo meu grande poder,
e com meu braço estendido, e a dou àquele que me agrada em meus olhos". Jr. 27:5.

Visto que esses bens são dados ao homem como usufruto, não por
qualquer merecimento especial, e sim pela bondade de Deus e seu desejo
de tornar a existência do homem agradável sobre a face da terra, o
mordomo procura usar as riquezas que Deus lhe confia para o bem da
raça humana e para a extensão do reino de Deus na terra.

O mordomo considera um privilégio

69
PROPÓSITO DO DIZÍMO NA IGREJA

Qual propósito de Deus, ter o dízimo na Igreja?


Pastor Calvin G. Gardner

I. Reconhecimento do fato que Deus Soberano é dono de tudo. I Cor. 6:19-20; Deut.
8:18 (v.11-20); Tiago 1:17.

II. Gratidão da Graça Salvadora. Mat. 5:47, "...que fazeis de mais?"

A. Nós saudamos e presenteamos os que fazem favores para nós

B. Porque não a ELE que nos deu a salvação?

III. Consagração de vida e talentos. Rom. 12:1-2.

A. Não é que Deus necessita de alguma coisa. Ageu 2:8. É culto racional.

B. Deus quer controlar você, e tudo que você pode produzir é DELE.

1. Seja fiel no mínimo (dízimo) e a vida será santificada. Luc. 16:10-11.

2. O dízimo é uma maneira de apresentar "os vossos corpos."

IV. Expressão de fé.

Mal. 3:10 – As promessas de Deus aos que dão o dízimo. Luc. 17:10 (5-10), o fiel
entendendo a Palavra e percebendo a instrução de Deus, com fé obedece ao que diz a
Palavra.

V. Prosperidade aqui na terra.

Prov. 11:25; 3:9-10; Luc. 6:38; Mal. 3:10-11.

VI. Liberta o crente de avareza.

Luc. 12:15 (Col. 3:5). Dinheiro não dado em obediência vira um ídolo. Avareza é idolatria.
Col. 3:5.

VII. Poupa no céu. Mat. 6:19-21.

Quer que o seu coração cresça.

70
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 9 -O Dízimo no Velho Testamento


Texto Áureo: Gênesis 28:22

Leitura Devocional: Malaquias 3:7-12

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Malaquias 3:7-12

TERÇA: Gênesis 14:18-24

QUARTA: Gênesis 28:18-22

QUlNTA: Levítico 27:28-32

SEXTA: Deuteronômio 14:22-29

SÁBADO: Números 18:20-26

DOMINGO: Deuteronômio 26:12-15

Para tudo Deus tem um plano. Ele teve um


plano para a criação, teve um plano para a
construção da arca, teve um plano para o
tabernáculo e, depois, para o templo, teve um
plano; enfim, para tudo que realizou.

Deus tem também um plano financeiro para o


sustento da sua obra. Esse plano encontramos
claro na sua Palavra. Vamos, pois, examiná-lo
cuidadosamonte, a fim de nos orientarmos na
parte que nos cabe nesse plano.

71
Há 36 passagens na Bíblia em que se emprega a palavra dízimo, e
várias outras que indicam a prática de dizimar. Vamos analisar somente
as mais importantes.

1. O DÍZIMO DE ABRAÃO Gênesis 14:18-24

1. Costume

Gênesis 14:18-24 é a primeira referência bíblica ao dízimo. A naturalidade da


narrativa nos leva a crer que era esse um costume já estabelecido.

De onde e de quem teria Abraão aprendido a dar o dízimo? Não


temos qualquer resposta na Bíblia. Todavia, parece-nos evidente que ele o
fizesse instruído por Deus, assim como agiu em relação aos sacrifícios e
demais atos do culto por ele praticados.

A prática do dízimo é muito antiga. Podemos afirmar que é tão


antiga quanto a raça humana. Babilônios, gregos, romanos e árabes
pagavam o dízimo.

Grôcio, historiador sagrado, diz que o dízimo era reconhecido como


uma porção devida a Deus desde as eras mais remotas. Os cartagineses
trouxeram de Tiro esse costume e pagavam os dízimos regularmente.
Dídimo, do Alexandria, diz que os gregos tinham por costume consagrar o
dízimo.

Creso levou Ciro a baixar um decreto, pelo qual daria o dízimo a Júpiter.

O sábio Montacúcio diz: "Exemplos há na história, de algumas nações que não


ofereciam sacrifícios, umas não há nos anais de todos os tempos nenhuma que não pagasse
os dízimos". (Leavell, Treinamento na Mordomia)

2. Características do dízimo de Abraão

1. Foi voluntário. Não foi pedido por Melquisedeque, mas oferecido espontaneamente por
Abraão. Não foi exigido pela lei, porque Abraão viveu 400 anos antes de ela ser dada por
Moisés.

2. Foi dado em reconhecimento da mordomia. "Abraão, porém, disse ao rei de Sodoma:


Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra". Gn.
14:22. Foi o fato de Abraão reconhecer a propriedade divina sobre os seus bens que o levou
a entregar o dízimo.

72
Enquanto o crente não se compenetrar dessa verdade, terá sempre dificuldades para
ser fiel nas coisas de Deus.

3. O dízimo de Abraão foi um tributo de gratidão pela sua vitória. Gn. 18:20.

Dado como prova de reconhecimento das bênçãos divinas, o dízimo traz alegria ao
coração do servo do Senhor.

4. Esse dízimo foi um ato de adoração. Foi entregue ao sacerdote do Deus Altíssimo, àquele
que representava o próprio Deus.

Quando o dízimo é entregue em espírito de culto e adoração a Deus, ganha um


profundo significado para a nossa alma. Como os sacrifícios de cheiro suave, no culto
antigo, constitui-se motivo de bênção espiritual ao nosso coração.

5. Notemos ainda que Abraão foi muito abençoado por Deus, tanto material como
espiritualmente. Essa é a experiência, através dos séculos, dos que tem sido fiéis a Deus no
dízimo.

2. O DÍZIMO DE JACÓ Gênesis 28:18-22

1. O dízimo e a adoração

O dízimo de Jacó apresenta as mesmas características do dízimo de Abraão: foi


voluntário, foi dado como expressão do reconhecimento de sua mordomia, foi ofertado por
gratidão a Deus e como ato de adoração.

O fato de o dízimo de Jacó se revestir das mesmas características do de Abraão,


demonstra claramente que ele havia recebido no lar instruções cuidadosas sobre o assunto.

Feliz o lar em que os pais instruem seus filhos nos deveres religiosos. Os que
aprendem desde a infância a contribuir liberalmente para a propagação do evangelho não
terão dificuldades em fazê-lo quando grandes.

2. O dízimo e a experiência religiosa

Notemos que o voto de dar o dízimo foi feito por Jacó logo depois de uma profunda
experiência religiosa.

O despertamento na vida religiosa traz sempre uma nova disposição de cooperar


materialmente na extensão do reino de Deus.

Uma piedade que afeta somente o coração e não atinge também o bolso é superficial
e efêmera.

3. O dízimo e a bênção de Deus

73
Convém salientar ainda que Jacó foi grandemente abençoado por Deus. Como seu
pai, recebeu bênçãos materiais e espirituais.

Confirma-se assim a verdade de que Deus não falha em relação aos que lhe são
fiéis.

Os dois exemplos que temos do dízimo oferecido antes da lei, primeiro por Abraão e
depois por Jacó, servem para demonstrar que essa prática era comum entre os servos de
Deus desde os primórdios da raça.

3. O DÍZIMO INCORPORADO À LEI

Examinemos rapidamente três das principais referências:

1. Levítico 27:30-32 - O dever de dizimar

Na lei foram incorporadas várias práticas, já estabelecida pelo


costume entre o povo de Deus. Essa lei sancionou com a autoridade divina
o costume antigo do dízimo, como já vimos.

Os judeus deviam dar o dízimo de tudo que a lavoura produzisse.


Há pessoas que alegam dificuldade em calcular o seu dízimo, mas o judeu
escrupulosamente separava a décima parte do produto da terra.

Quando realmente se deseja dar dízimo, reconhecendo que é ordem


divina, não há dificuldade em cumpri-lo.

Notemos que do dízimo foi dito que é santo ao Senhor. Santo ao


Senhor quer dizer separado para Deus. Usar aquilo que é santo sempre
foi condenado e castigado por Deus.

2. Números 18:20-32 - A finalidade do dízimo

Aqui se esclarece a finalidade do dízimo - o sustento do sacerdócio.

A tribo de Levi não recebeu qualquer porção da terra, quando esta foi dividida.
Deveriam ser sustentados pelas demais tribos, para que se dedicassem, inteiramente, aos
misteres sagrados.

3. Deuteronômio 14:22-29 - Beneficência

Aqui se acrescenta a idéia de que o dízimo era também para o amparo aos
necessitados: estrangeiros, órfãos e viúvas.

74
A promessa da bênção de Deus sobre os dizimistas fiéis vem clara no último
versículo: "...para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos, que
fizeres".

Assim o povo de Deus aprendeu a dar sempre o melhor para o culto divino e a dar
as primícias de tudo que tivesse.

Deus merece o melhor, merece ser lembrado antes das nossas próprias necessidades
materiais. Não as sobras, mas as primícias, Deus deseja ainda hoje.

Leia com cuidado a oração que se encontra em Deuteronômio 26:12-15.

4. O DÍZIMO NA HlSTÓRlA DE ISRAEL

1. O termômetro espiritual

O dízimo era uma espécie de termômetro da vida espiritual do povo de Deus. Nos
tempos em que se mantinham fiéis a Deus, os judeus davam também o dízimo. Quando,
porém, vinham períodos de pecado e desobediência, negligenciavam o pagamento do
dízimo.

Ainda hoje a fidelidade na contribuição é um termômetro bastante exato na vida do


crente. Quando ele começa a se afastar de Deus, seu dízimo é uma das primeiras coisas a
sofrer.

2. Amparo à casa de Deus

As grandes reformas do Velho Testamento, quando o povo se voltava para Deus em


arrependimento de pecados, traziam consigo também um retorno à contribuição do dízimo.
Na reforma de Ezequias, por exemplo, isso se deu.

Os levitas, como era natural, tiveram que abandonar os misteres sagrados para
ganharem seu próprio sustento.

Ezequias reorganizou as turmas de sacerdotes e levitas e convidou o povo a trazer os


dízimos.

Com liberdade trouxeram, de modo que, diz o texto, "se fizeram muitos montões".
II Cr. 31:2-6.

Na reforma de Neemias, Nem. 10:35-38; 13:10-13, o povo fez um pacto com Deus
de que traria as primícias das novidades da terra, do seu gado e dos seus filhos.

Neemias exclama com energia e desassombro: "Por que se desamparou a casa de


Deus"? E o povo se despertou da sua negligência e trouxe a parte consagrada ao Senhor.

75
3. Dízimo e bênçãos abundantes

O Velho Testamento termina com uma página dolorosa, na qual Malaquias condena
diversos pecados em que o povo havia incorrido, entre eles a negligência no pagamento do
dízimo. Adverte-os a que provem a Deus nessa parte, para experimentarem suas bênçãos
abundantes. Ml. 3:7-12.

Notemos neste passo bíblico os seguintes fatos salientes:

1. O povo, ao invés de reconhecer as suas faltas, procura desculpar-se. "Vós dizeis" é a


expressão chave do Livro.

2. Temos uma ordem: "Trazei". É para todos os servos do Senhor trazerem todo o dízimo.
Ninguém fica de fora nem mesmo o mais pobre.

A ordem é para trazer "os dízimos" à casa do tesouro, que é a casa de Deus.
Ninguém tem direito de dispor do dízimo. Ele é de Deus e deve ser entregue à igreja de
Deus.

3. Temos aqui motivo: "...para que haja mantimento na minha casa ".

Para que a igreja realize a sua obra como deve, precisa dos dízimos de todos os seus
membros. Só assim poderá sustentar integral e condignamente o ministério, e realizar a
obra missionária.

4. Temos aqui uma promessa: "...abrir as janelas do céu".

Deus nunca falhou em suas promessas. Faça uma experiência com Deus em relação
ao dízimo, e verá a realidade das suas promessas em sua vida.

Perguntas Para Revisão

Lição 9

1. Onde Abraão aprendeu a dar o dízimo?

2. Mencione algumas características do dízimo de Abraão.

3. Fale sobre o dízimo de Jacó.

4. Mencione algumas referências bíblicas ao dízimo incorporado à Lei.

5. Analise a ordem contida em Malaquias 3:7-12: "Trazei todos os dízimos à casa do


tesouro..."

76
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 10 -O Dízimo no Novo Testamento


Texto Áureo: Mateus 5:17

Leitura Devocional: Lucas 19:1-10

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Mateus 5:17-20

TERÇA: Mateus 23:23-28

QUARTA: Hebreus 7:1-10

QUINTA: I Coríntios 9:9-14

SEXTA: Gálatas 3:1-9

SÁBADO: Atos 4:32-37

DOMINGO: Lucas 19:1-10

Alguns crentes há que não apreciam muito o fato de os pastores às vezes falarem em
dinheiro. Esquecem-se eles de que este era um assunto freqüentemente mencionado por
Jesus. A Bíblia refere-se mais vezes a dinheiro do que mesmo à oração ou a fé.

Jesus falou sobre o dinheiro 90 vezes. Dos 107 versículos do Sermão do Monte, 22
referem-se a dinheiro, e 24 das 49 parábolas de Jesus mencionam dinheiro.

1. O DÍZIMO EM VIGOR NO NOVO TESTAMENTO

Há os que afirmam que o dízimo pertence ao Velho Testamento, à lei, que não temos
nenhuma obrigação de pagá-lo.

Já vimos que o dízimo é anterior à lei de Moisés, e que foi depois incorporado a ela.
Veremos hoje que o dízimo permanece na dispensação da graça.

1. Jesus não veio ab-rogar o dízimo.

Jesus declarou, no Sermão do Monte, "Tendo aparência de piedade, mas negando a


eficácia dela. Destes afasta-te". 2 Timóteo 3:5.

77
Talvez, pela sua religião tenha aprendido que todos nós somos pecadores. Tudo
bem. Mas se não recebermos a instrução da Palavra de Deus é capaz de pensar assim: Todas
as pessoas são pecadoras, então, a minha condição não é pior do que a do meu próximo, e
se uma pessoa fosse salva, então todas também seriam. Mas somente um pouquinho da
instrução da Bíblia esclarecerá os seus pensamentos. Romanos 3:23: "Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Ser "destituídos" da glória de Deus é estar
fora (longe) de Deus; é ser um necessitado. Somos pecadores e condenados em flagrante
diante de Deus. Porque pelos nossos pecados temos ofendido o Deus Santo e Vivo.

Dizer que todos nós estamos no mesmo barco é não saber como é sério ser achado
culpado diante do Juiz Divino. E é um problema pessoal. Jesus Cristo disse para todos nós
pessoalmente, "Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que Se havia perdido",
Lucas 19:10.

VOCÊ ESTÁ PERDIDO/PERDIDA?

Agora, vem uma pergunta: por que, em todo o nosso treinamento religioso, tem sido
dado às Escrituras um lugar tão insignificante, e até você tem lido muito pouco da Palavra
de Deus, a Bíblia?!

É sempre mais fácil acreditar em alguns dogmas, ou leis, ou tradições, do que


procurar por si mesmo a verdade.

As Escrituras revelam uma pessoa chamada Jesus Cristo. Você acredita que este
Jesus Cristo é o Filho de Deus? Sua resposta é provavelmente "sim". Abra a sua Bíblia no
livro de Tiago, capítulo 2 e versículo 19: "Tu crês que há um só Deus; fazes bem; também
os demônios o crêem, e estremecem". Quase todas as pessoas acreditam que Satanás e os
seus demônios não são salvos. Meu caro amigo, deixe-me perguntar: Você na sua vida
inteira já sentiu que estava perdido/perdida, indo para o inferno, condenado, sem ajuda, e
sem esperança?!

O pecador está perdido e é um inimigo de Deus. Se a morte caísse sobre uma pessoa
assim, seria lançada no fogo de inferno; separada de Deus para sempre.

Qual é a sua resposta? Muitos não podem se lembrar de um dia ou uma época na sua
vida quando se sentiram culpados e perdidos diante de Deus. Se este for o seu caso, então, o
problema é sério. "Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: não necessitam de médico os sãos,
mas sim os doentes. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao
arrependimento". O arrependimento é necessário para a salvação. Mas muitas pessoas
acham que são tão boas que não precisam do arrependimento. O caso delas é triste, porque
Jesus salva somente aqueles que são pecadores. Não os que não querem admitir a sua
condição pecaminosa.

A falsidade do batismo infantil é que esta doutrina tem dado uma segurança falsa a
milhares que dizem que nunca foram perdidos. Eles se sentem seguros por causa do seu
batismo e confirmação da sua religião. Não dão o valor da chamada de Jesus Cristo aos
pecadores perdidos.

78
Aqueles que confiam que a sua religião, ou as doutrinas da sua religião, há alguns
que podem citá-las de cor, ou as boas obras, são bastante para livrar a sua alma, terão a
angústia de ver estas coisas virarem cinzas no dia do julgamento, diante do grande trono
branco. O treinamento religioso servirá para levar o crente a uma vida de fidelidade

O PECADOR PRECISA SE ARREPENDER DE CORAÇÃO DOS SEUS PECADOS

Porque precisamos nos arrepender?

Deus nos diz que temos quebrado as suas leis voluntariamente, pela nossa própria
escolha temos praticado, nos pensamentos e nos atos, o pecado. E, portanto, temos nos
alienado do nosso bom Deus como se fosse um inimigo.

O mandamento é dado no livro de Marcos 1:15, "O tempo está cumprido, e o reino
de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no Evangelho". É um mandamento direto do
Senhor do Céu para arrepender-se! Mas alguém ainda pode dizer assim: "Eu fico confiando
na minha religião, sou bom, não faço mal a ninguém, não maltrato a minha esposa, meu
marido, etc. "Assim o homem se sente mais ou menos seguro, mas falta o arrependimento,
e é claro que sendo honestos diante de Deus temos que admitir que pecamos. "Arrependei-
vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados", Atos 3:19.
Também, Lucas 13:3-5, que diz: "E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e
os matou, cuidas que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em
Jerusalém? Não, vos digo: antes, se vos não arrependestes, todos de igual modo perecereis.

O que o Deus Vivo diz na Sagrada Bíblia tem muito mais valor do que os nossos
pensamentos e desculpas que vem duma mente já corrupta pelo pecado. A nossa
consciência também não é um guia em quem podemos confiar, porque a nossa consciência
pode ser treinada para desculpar qualquer ofensa contra Deus. O que Deus fala para nós é
mais importante do que as nossas crenças dadas a nós por tradição. Não importa o que
pensamos ou achamos sobre a salvação. O mais importante é o que Deus tem revelado a
nós através da sua Bíblia. Ainda mais, a sinceridade e dedicação são qualidades que todos
admiram, mas ser sinceramente dedicado ao erro é uma desilusão. Os moradores desta terra
são e serão julgados pelo que está escrito na Palavra de Deus.

Os pecados do coração e as ofensas contra Deus podem ser apagados


somente pelo sangue de Jesus Cristo. Somente o sacrifício de Jesus Cristo, o
inocente, pode satisfazer a lei justa e santa. Não pode ser o batismo, nem a
hóstia, nem o vinho, nem a confirmação, nem o seu nome no rol dos membros
duma igreja; mas Jesus ofereceu-Se, uma vez, a Si mesmo. Este é o sacrifício
aceitável a Deus. E este sacrifício sendo perfeito não precisa ser repetido.

79
A cena do Calvário não será repetida. O sangue precioso de
Jesus Cristo, que Ele derramou voluntariamente na cruz do
Calvário, é suficiente para apagar todos os pecados de todos
aqueles que crêem. Deus não aceita outra coisa para perdoar você e eu.
Hebreus 5:9, "E sendo Ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação
para todos os que lhe obedecem".

Precisamos nos lembrar que desde a queda de Adão (veja Gênesis capítulo
3) a nossa natureza (herança do nosso Pai Adão) é pecaminosa. Por isto, é
necessário que nos arrependamos do pecado que temos praticado, não somente por
causa da herança do Pai Adão, mas porque nós também, escolhemos pecar. Então,
já somos pecadores e necessitados diante de Deus.

Pense bem nesta frase: O arrependimento é o que o pecador tem


que fazer para poder ser salvo. O Evangelho é o que Cristo fez para nos salvar. Veja
como é muito importante virar as costas ao pecado e olhar bem, em fé, para Jesus, o
Salvador. João 5:28: "Não vos maravilheis disto porque vem a hora em que
todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua
voz".

Nem o sepulcro pode impedir o seu encontro com o Juiz Divino. Você, meu amigo, um dia
estará ou no céu ou no inferno para sempre. Arrepender-se e mudar a sua mente acerca de Jesus
Cristo, reconhecendo o seu próprio estado desesperado sem Jesus. Salvação é uma coisa pessoal. É
humilhar-se diante de Deus e pedir perdão. Sem arrependimento não há salvação para você e sem
um conhecimento no coração da sua condição, é impossível se arrepender. "E, como aos homens
está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo", Hebreus 9:27.

"Mas Deus não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens,
e em todo o lugar, que se arrependem: Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de
julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos
mortos.

Ö mandamento é que todos os homens, isto também inclui as mulheres, moços e moças, em
todo o lugar se arrependam!

CREIA NO EVANGELHO

O que é o Evangelho?

Muitas pessoas vão fielmente ao seu pastor ou ao seu padre para


ouvir as mensagens do Evangelho, mas nunca chegam a saber o que é o
Evangelho.

Se eu perguntar a você: O que é o Evangelho? Como responderia?


Muitas pessoas já disseram a mim que não sabem, ou não sabem com
certeza o que é o Evangelho.

80
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 11 -O Dízimo na Experiência Cristã


Texto Áureo: Provérbios 3:9-10

Leitura Devocional: Salmo 24

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Ageu 1:1-7

TERÇA: I Coríntios 16:1-4

QUARTA: Provérbios 3:5-10

QUINTA: I Crônicas 29:10-17

SEXTA: Marcos 12:41-44

SÁBADO: Atos 2:41-47

DOMINGO: Salmo 24

1. RAZÕES POR QUE O CRENTE DEVE DAR O DÍZlMO

Há razões inúmeras para que o crente contribua com o dízimo como um mínimo,
para o sustento da causa. Mencionemos rapidamente algumas.

1. O cristão deve dar o dízimo porque os pagãos o faziam, e não quereríamos que eles
fossem mais liberais para os seus deuses de barro, do que nós para com o Deus infinito,
Criador dos céus e da terra.

2. O cristão deve dar o dízimo porque os judeus o faziam. Se eles, obrigados pela lei,
dizimavam e faziam ofertas alçadas, eu, constrangido pelo amor de Cristo, devo fazê-lo
também.

O dízimo cristão deve, todavia, ser diferente daquele que o judeu dava. O judeu
dava um dízimo obrigatório, movido pelas exigências da lei; o crente dá um dízimo
espontâneo, movido pelo seu amor a Deus e sua causa.

Os cristãos substituíram a guarda cerimonial e exterior do sábado pela observância


alegre e espiritual do primeiro dia da semana. O sábado judeu "nasceu de novo", por assim
dizer, e a instituição resultante desse novo nascimento foi o domingo cristão. Assim

81
também o dízimo deve ser "convertido", deve "nascer de novo" para que possa ser uma
bênção no cristianismo. A força externa da lei deve vir substituída pelo dinamismo interno
do amor. II Cor. 9:7.

3. O crente deve dar o dízimo porque esta é uma boa norma de contribuição. Todo membro
de igreja deve ser sistemático e proporcional na sua contribuição. Se ele for adotar algum
outro plano, fará melhor aceitando o plano que o Senhor adotou para o povo de Israel.

O dízimo deve ser, todavia, considerado como um mínimo


recomendável de contribuição, e não como o limite máximo da
responsabilidade do cristão. O cristão não se sentirá satisfeito em parar
onde o judeu parou, mas quererá ir mais adiante. Visto que o cristianismo
é superior ao judaísmo, deve produzir resultados superiores na vida dos
seus servos. O dízimo deve ser o primeiro degrau da escada, o ponto de
partida para uma contribuição liberal que atinja as raias do sacrifício.

William
Colgate, o
famoso
perfumista,
começou
dando um
décimo, mas
cresceu a
ponto de dar
nove décimos
para o
trabalho do Senhor. O crescimento espiritual do crente deve evidenciar-se
não só nas graças intangíveis que movem o coração, mas também na
graça tangível que move o bolso - a contribuição. A contribuição é, em
regra geral, um bom termômetro do grau de espiritualidade e
consagração do crente.

4. O crente deve dar o dízimo como expressão do seu reconhecimento da propriedade


divina.

O solo, que o lavrador cultiva, pertence a Deus: "A terra é minha; pois vós sois
estrangeiros e peregrinos comigo", Lv. 25:23; os minerais e os tesouros da terra e do mar
são dele: "Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o Senhor dos Exércitos", Ag. 2:8, Os. 2:8;
tudo que a terra produz é propriedade sua: "Faz crescer a erva para os animais, e a verdura
para o serviço do homem, para que tire da terra o alimento", Sl. 104:141; toda a vida animal
é de Deus: "Porque meu é todo o animal da selva, e as alimárias sobre milhares de

82
montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e minhas são todas as feras do campo", Sl.
50:10-11, Gn.9:2-3.

Ao entregar, pois, o crente sua contribuição a igreja, está dando prova de que, como
Abraão, reconhece que o Deus Altíssimo é possuidor dos céus e da terra. Gn. 14:19. Essa
lembrança constante da mordomia de sua vida, provocada pela entrega dessa parte para o
trabalho de Deus, conserva-lo-á sempre humilde e grato àquele que lhe tem providenciado
o necessário para a vida.

Em I Crônicas 29 temos um salmo de louvor, em que Davi expressa a alegria do


povo em poder contribuir para a construção do templo. Nessa sublime oração devem
impressionar-nos estas palavras: "Porque, quem sou eu, e quem é o meu povo, que
tivéssemos poder para tão voluntariamente dar semelhantes coisas? Porque tudo vem de ti,
o da tua mão to damos". I Cr. 29:14.

5. O crente deve dar o dízimo porque esse sistema de contribuição, como um mínimo, é o
único capaz de resolver o problema financeiro do reino de Deus. Se cada membro da igreja
fosse dizimista, o trabalho do Senhor não estaria sofrendo, nem os campos missionários
clamando por retorço. Haveria bastante para todas as causas, e o evangelho se espalharia
rapidamente pelos quatro cantos da terra.

2. TRES FATOS IMPORTANTES COM RELAÇÃO AO DÍZIMO

Ao contribuir com esse mínimo, um décimo, devemos ter diante de nós três
perguntas:

1. Como foi que ganhei esse dinheiro do qual vou dar o dízimo?

É essencial que o dinheiro tenha sido ganho honestamente, como resultado do


trabalho e esforço do contribuinte, para que traga bênção ao seu coração. Dinheiro ganho
por vias escusas, misturado com o fermento do mundo, é um ácido a queimar
constantemente as mãos e a consciência do seu possuidor.

2. Depois de ter dado o dízimo, quanto me resta?

Para alguns, dar o dízimo é um ato de fé, por causa do salário


minguado que recebem e da família numerosa
que tem. Para outros é uma parcela
relativamente insignificante da sua
entrada mensal. Suponhamos uma
família com doze filhos, vivendo numa cidade
grande e recebendo um ordenado ridículo, e
de outro lado um casal sem filhos, na mesma
cidade, com ordenado folgado. Depois de
dar o dízimo, uma tem justamente o

83
essencial para viver, enquanto que a outra tem mais do que precisa para
sua manutenção. Nesse caso, tendo ambos dado o dízimo, o primeiro deu
muito mais que o segundo, porque num caso houve esforço maior do que
no outro. A proporção da contribuição do crente deveria subir na razão
direta do dinheiro que tem, isto é, quanto maior seu ordenado e quanto
menor sua despesa forçada, tanto maior deveria ser, em proporção, sua
contribuição.

3. Depois de ter dado o dízimo, como irei gastar os outros nove décimos?

É errôneo o ensino de que um décimo é de Deus e os outros nove são nossos. Todos
os dez décimos pertencem a Deus, mas ele bondosamente permite que usemos parte para
nossa manutenção e bem material, confiante em que daremos para manutenção da sua santa
causa tudo que pudermos dar. O dízimo é o mínimo razoável que poderemos dar com uma
consciência cristã esclarecida. Depois de entregar à igreja o nosso dízimo, devemos pedir a
direção divina para gastarmos sabiamente os nove décimos restantes. Eles são tão sagrados
como o décimo que demos para o trabalho do Senhor.

3. OS RESULTADOS DA CONTRIBUIÇÃO DO DÍZIMO NA VIDA DO CRENTE

1. O dízimo traz bênçãos à vida

Muita ênfase tem sido dada às bênçãos materiais provenientes da prática do dízimo.
Não duvido de que elas sejam reais na maioria dos casos; não devem, porém ocupar o
primeiro lugar nas nossas cogitações. As maiores bênçãos advindas de dar o dízimo são de
natureza espiritual. Aquele que der o dízimo pode não receber bênçãos materiais; as
espirituais, entretanto, nunca irão falhar.

2. O dízimo torna o crente mais interessado e ativo no trabalho

Em geral, os membros mais ativos da igreja são os que contribuem.


Isso é natural. Jesus mesmo disse que, onde estiver o vosso tesouro, aí
estará o vosso coração. Quando alguém está dando do seu dinheiro para
uma causa qualquer, está interessado no progresso e desenvolvimento
dessa mesma causa. Alistar um crente como contribuinte regular é alistá-
lo para as atividades da igreja. Quanto mais fiel der, tanto mais
cooperará.

3. O dízimo desperta o zelo missionário

Se contribuo para a igreja, naturalmente quero saber os fins a que se


destina meu dinheiro. Sabedor de que esse dinheiro vai para missões, para
educação ministerial e beneficência, procurarei saber do desenvolvimento das

84
diferentes obras que promovem esses trabalhos. Através da propaganda das
várias igrejas, fico a par do trabalho missionário, seus problemas e suas
possibilidades. Destarte, meu desejo de contribuir para a obra missionária e
educativa no Brasil e no estrangeiro, aumenta.

4. O contentamento da igreja em Jerusalém era evidente

Os crentes comiam juntos, com alegria e singeleza de coração. At.


2:46. Não só comiam com alegria, mas com alegria repartiam seus
haveres, segundo a necessidade de cada um.

O fato de poderem depositar aos pés dos apóstolos seus bens, trazia-
lhes gozo profundo ao coração. A oferta feita no verdadeiro espírito de
culto, movida pelo amor, não poderá deixar de trazer grande alegria ao
coração do ofertante. "Deus ama ao que dá com alegria", e aquele que se
priva de dar, priva-se de um dos maiores prazeres da vida cristã. Sem
dúvida é por isso que Paulo chama a contribuição de "graça excelente" e
termina sua magistral exposição do assunto dizendo: "Graças a Deus pois
pelo seu dom inefável". II Cor. 9:15.

4. "FAZEl PROVA DE MIM"

Os que tem experimentado a prática do dízimo tem verificado que Deus não falha
em suas promessas.

Um crente, nos Estados Unidos estivera desempregado por algum tempo. No


momento da oferta, no domingo, deu cinqüenta centavos do seu último dólar.

No dia seguinte soube de um emprego numa cidade vizinha. A passagem de trem


custava um dólar. Parecia que ele deveria ter guardado os cinqüenta centavos, que dera de
oferta a igreja. Entretanto, com os cinqüenta centavos que lhe restavam comprou um
bilhete, que o levaria até a metade do caminho. 0 restante faria a pé.

Antes de andar uma quadra, soube de uma fábrica que precisava de um empregado.
Dentro de meia hora estava empregado. Qual o ordenado? Exatamente cinco dólares mais,
por semana, do que ganharia se tivesse um dólar e viajasse até o lugar onde soubera haver
uma vaga.

O pagamento da primeira semana lhe trouxe de volta os cinqüenta


centavos dez vezes.

Esse homem tornou-se mais tarde um grande fabricante de


calçados.

85
O Dr. J. Howard Williams, ex-presidente do Seminário Batista do
Sudoeste dos Estados Unidos, dá seu testemunho sobre o dízimo nestes
termos:

Meu pai e minha mãe eram dizimistas. Quando eu era ainda


adolescente, eles passaram por terríveis privações, mas sempre
permaneceram fiéis a Deus na sua mordomia.

"As duas influências que me levaram a ser dizimistas foram:


primeiro, o exemplo de meus pais, e segundo, a profunda experiência
cristã que tive por ocasião da minha entrega a obra do ministério.
Baseado em minha própria experiência eu diria, sem hesitar, a todo
crente, qualquer que seja sua situação financeira: Confia em Deus e dá-
lhe o dízimo."

Perguntas Para Revisão

Lição 11

1. Por que razões deve o crente ser dizimista?

2. Pelo fato de dar o dízimo, pode o crente gastar o restante do dinheiro à vontade?

3. Discuta os resultados da contribuição do dízimo na vida do contribuinte.

4. Reproduza a historieta que ilustra que os crentes podem confiadamente fazer prova de
Deus, no tocante à contribuição do dízimo.

86
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 12- A Graça da Liberalidade


Texto Áureo: II Coríntios 9:7

Leitura Devocional: Salmo 1:12

Leituras Diárias:

SEGUNDA: II Coríntios 8:1-9

TERÇA: II Coríntios 8:9-15

QUARTA: II Coríntios 8:16-24

QUINTA: II Coríntios 9:1-9

SEXTA: II Coríntios 9:10-15

SÁBADO: Filipenses 4:10-20

DOMINGO: Salmo 112

São os motivos que governam a vida, e não as ações isoladas.

Para Cristo, o que importava eram os motivos que impulsionavam o homem a uma
ação qualquer. Isso ele deixou claro no Sermão do Monte. Mt. 5:27-48. Por isso considerou
que a viúva pobre deu mais do que os fariseus, mesmo que do ponto de vista exterior sua
oferta fosse uma insignificância. O valor da oferta, para Jesus, estava, portanto, na
proporção em que ela fosse expressão de verdadeiro amor a Deus.

1. O AMOR SE EXPRESSA EM DAR

O crente deve contribuir, não porque é membro de igreja, nem


porque o pastor pregou sobre o assunto, nem tampouco porque se acanha
de não contribuir, mas porque ama a causa de Deus, ama o seu Senhor, e
quer ajudar na propagação do evangelho. O motivo supremo nos atos do
crente, inclusive o de contribuir, deve ser o amor. Paulo disse que ainda
que alguém distribuísse toda a fortuna para o sustento dos pobres e ainda
que entregasse o corpo para ser queimado, e não fosse impelido pelo
amor, isso de nada aproveitaria. I Cor. 13:3.

87
Se o motivo verdadeiro existir no coração do crente, ele contribuirá liberalmente. O
amor se expressa em dar. Quanto maior o amor, tanto maior a dádiva. Quando Deus amou
ao mundo, não enviou um anjo ao mundo para consolar a raça decaída, porém deu seu
próprio Filho, seu Unigênito, o máximo que poderia ter dado, para remir a humanidade.
Aquele que era supremamente rico, se fez pobre, para que pela sua pobreza fôssemos nós
enriquecidos. II Cor. 8:9. Tal é o amor. Ele se despoja de tudo por amor da pessoa amada,
ele se entrega sem reservas ao serviço do amado em necessidade. Amar e dar formam uma
seqüência inevitável. Quem muito ama, muito dá. A mordomia da contribuição é, por
conseguinte, a mordornia do amor. Nossa contribuição está na razão direta do amor que
temos ao Salvador, e é uma prova de nossa devoção e lealdade à causa.

2. O SEGREDO DA LIBERALIDADE II Coríntios 8:1-5

Concluindo nossas lições deste trimestre, tomaremos o exemplo de um grupo de


igrejas, cuja liberalidade atingiu as raias do sacrifício.

O apóstolo Paulo gasta dois capítulos inteiros a comentar a atitude das igrejas da
Macedônia, em relação às necessidades das igrejas irmãs da Judéia.

Vale a pena lermos com cuidado os capítulos 8 e 9 de II Coríntios, para que assim
possamos descobrir o segredo da generosidade daquelas nobres igrejas.

Paulo está apresentando aos coríntios as igrejas da Macedônia como um modelo


digno de imitação. Servem-nos elas hoje ainda como exemplo encorajador na consagração
dos nossos recursos à causa do Mestre.

1. A graça da liberalidade

Notemos a freqüência com que aparece aqui a palavra graça. II Cor. 8:1, 4, 6, 7, 9,
19; 9:14.

Não se refere à graça salvadora de Deus, e sim à graça especial da liberalidade em


contribuir. Há crentes que já foram alcançados pela graça de Deus, que os salvou em Cristo,
mas não alcançaram ainda a graça de partilhar os seus bens liberal e alegremente para o
sustento da obra do evangelho.

2. As circunstâncias

Vejamos também as circunstâncias em que os irmãos macedônios demonstraram sua


generosidade. II Cor. 8:2. No meio de provas e tribulações, fizeram sua contribuição.
Passavam eles por um período de agitações políticas, perseguições e necessidades
materiais. Não julgavam, entretanto, que isso os deveria escusar de ajudar os irmãos mais
pobres da Judéia. Com profunda alegria, diz Paulo, eles deram dos seus poucos recursos.

David Morken conta de refugiados na Coréia, vivendo num inverno inclemente,


tendo apenas alguns velhos trapos para cobrir-lhes os corpos, e frágeis coberturas para

88
protegê-los da neve. Quando foi necessário tirar uma oferta para a reconstrução de uma
igreja bombardeada, que fizeram esses refugiados? Afundaram as mãos nos bolsos e deram,
em dinheiro coreano, uma quantia equivalente a oito mil dólares. A explicação dessa oferta,
aparentemente milagrosa, foi a seguinte: começamos há um ano sem nada. O Senhor
cuidou de nós e deu-nos alguma coisinha. Decidimos que se o Senhor pôde cuidar de nós
durante um ano inteiro, quando iniciamos sem nada, poderíamos começar novamente sem
nada e confiar nele por mais um ano.

Assim, deram os refugiados tudo quanto tinham para começar de novo sem nada.

Onde está o segredo da liberalidade, tanto desses coreanos, como dos macedônios
nos dias de Paulo?

II Coríntios 8:5 no-lo apresenta: "...a si mesmos se deram primeiramente ao


Senhor". Era a convicção da mordomia de suas vidas que os levava a tais rasgos de
generosidade.

Quando um crente realmente se convence de que tudo quanto é e tem penence a


Deus, não acha dificuldade em dar com profunda liberalidade.

Em geral, os que mais contribuem não são os que mais têm. Os que mais dão são os
que mais amam a Deus e mais confiam em Deus.

Dar não depende de poder. Os macedônios deram, diz o apóstolo, "ainda acima do
seu poder". O seu querer era maior do que o seu poder. De um coração generoso sempre
parte uma oferta sacrificial.

Sirvam-nos de exemplo as igrejas da Macedônia nessa graça da liberalidade, de


modo que, mesmo em profunda pobreza, como eles, se evidenciem as riquezas da nossa
generosidade.

3. O PADRÃO DA LIBERALIDADE II Coríntios 9:6- 7

Temos neste trecho uma das mais preciosas passagens sobre a bênção da
contribuição. Um modelo assaz elevado que deve servir da norma aos cristãos e que
ultrapassa os limites estreitos da obrigação judaica do dízimo.

1. Generosidade. Devemos contribuir com generosidade, v. 6.

Paulo apresenta a lei da natureza física como aplicável ao dever espiritual da


contribuição. O homem colhe na proporção do que semeia. Os mesquinhos têm uma
colheita mirrada, os generosos uma colheita farta. Os exemplos pululam quanto à verdade
desta declaração apostólica.

89
Continua sendo verdadeira a promessa de Malaquias, de que, para os que levam a
casa do tesouro recursos generosos, as janelas do céu se abrem de tal forma que seus
corações recebem da graça divina em pródiga abundância.

Ainda que aqui se tenha em mente a lei natural aplicada à contribuição, ela é
verdadeira e pode ser aplicada a todas as relações da vida. Quanto mais o homem dá, tanto
mais ele recebe. Jesus Cristo expressou de várias formas esse princípio, que se tornou
básico no seu reino.

2. Discernimento e amor. Devemos contribuir com discernimento amoroso: "...segundo


propôs no seu coração", v. 7.

A contribuição é um ato de vontade esclarecida. Não deve ser feita


impensadamente, sem o senso da responsabilidade de quem dá e sem o
senso da importância da obra a que se destina. Sobretudo, a questão de
dar deve ser um ato do coração. A dificuldade com muitos, é que dão só
com a bolsa, e não com o coração. A oferta não deve ser um ato frio e
calculado, mas praticado com viva emoção e como expressão da nossa
responsabilidade.

Quando o crente dá com o coração cessam as dúvidas e as tentações


para a mesquinhez. Não há pretexto para não dar o dízimo, por ser da lei
ou por qualquer outra razão. O coração, impulsionado por profundo
amor à causa e às almas perdidas, dá com aquela espontaneidade que não
mede nem calcula.

3. Alegria. Devemos contribuir com alegria, v. 7.

Nenhum ato de culto deve ser por constrangimento, especialmente o da


contribuição. Se há tristeza e vacilação, ele perde todo o valor para o ofertante.

Temos pensado no amor de Deus manifestado a nós de muitas maneiras. Convém


lembrar que ele também se dirige no sentido das nossas ofertas. "Deus ama ao que dá com
alegria". Cada vez que contribuímos, somos objeto do amor de Deus.

A alegria de dar é uma das maiores alegrias da vida. Deus não precisa de nós, e,
entretanto, para fazer com que nos sintamos felizes na participação do seu plano de
redenção do mundo, ele nos oferece o ensejo de dar. Se pensarmos em nossas dádivas, com
esse elevado sentido espiritual, só poderemos sentir imensa alegria em dar dos nossos
recursos para a promoção do seu reino.

4. OS BENEFÍCIOS DA LIBERALIDADE II Coríntios 9:8-15

1. Os próprios contribuintes são beneficiados, 9:8-12.

90
Paulo começa por lembrar que a liberalidade na graça de contribuir gera, por sua
vez, abundância em outras graças com que Deus há de beneficiar os contribuintes. O texto
do versículo 9 é de Salmo 112:9. Deve ser lido em conexão com Provérbios 11:24-25:
"Alguns há que espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; e outros que
retém mais do que é justo, mas é para sua perda. A alma generosa
engordará, e o que regar também será regado".

Jesus estabeleceu esta regra para os seus seguidores, que deverá ser
lida com meditação: "Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada,
sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a
mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo". Lc.
6:38.

O irmão já experimentou a realidade dessa promessa? Se não, é talvez porque ainda


não alcançou a bênção de dar no espírito generoso e franco que traz como resultado essa
experiência.

2. Os recipientes da oferta seriam beneficiados, 9:13-15.

Os cristãos na Judéia compreenderam que Deus usou os gentios


para trazer-lhes socorro, e louvaram a Deus por isso. Eles agradeceram a
Deus por ter aberto a porta da fé aos gentios, para que eles tivessem
ensejo de revelar agora seu amor por seus irmãos judeus? Através dessa
oferta, eles se sentiram mais unidos na fé comum em Jesus Cristo, o qual
pelo seu sangue "de ambos os povos fez um; e, derribando a parede da
separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei
dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo
dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos
com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades". Ef. 2:14-16.

Após a segunda guerra, tivemos oportunidade de verificar como nos


países aliados movimentos diversos foram organizados para suprir as
necessidades dos povos do Eixo. Isso se deve ao espírito cristão de
cooperação mútua, gerado no coração de homens de sentimentos
evangélicos.

91
Os crentes da Judéia retribuíram a tão grande generosidade dos
irmãos macedônios com suas orações, v. 14, com as quais demonstraram
ardente afeto, por causa da transbordante graça de Deus que estava neles.

Só podemos terminar com as próprias palavras do apóstolo: "Graças a Deus, pois,


pelo seu dom inefável", que infunde nos corações de seus filhos sentimentos tão profundos
de generosidade e solidariedade humana.

Perguntas Para Revisão

Lição 12

1. Explique a afirmação: "O amor se expressa em dar."

2. Qual foi o segredo da liberalidade dos macedônicos na campanha que Paulo realizou
para levantar contribuições para os pobres da Judéia?

3. Analise II Coríntios 9:6-7, enumerando as normas pelas quais devemos orientar nossas
contribuições.

4. Mencione alguns benefícios da liberalidade na vida cristã.

92
LIÇÕES DE MORDOMIA
Por: Walter Kaschel

Lição 13 -A Mordomia e a Igreja


Texto Áureo: Gálatas 6:6

Leitura Devocional: Hebreus 13:1-7

Leituras Diárias:

SEGUNDA: Atos 4:32-37

TERÇA: Efésios 5:22-32

QUARTA: Lucas 10:1-9

QUINTA: I Timóteo 5:17-22

SEXTA: Gálatas 6:1-6

SÁBADO: I Coríntios 9:1-14

DOMINGO: Hebreus 13:1-7

1. A MORDOMIA MISSIONÁRIA DA IGREJA

Em tempos relativamente recentes tem sido as igrejas do Senhor


reanimadas em seu dever missionário. Por muitos séculos ficaram
adormecidas, satisfeitas consigo mesmas, em lhes importar a sorte dos
milhões sem Cristo. Com a ida de Carey a India, os cristãos evangélicos
foram sacudidos da sua indiferença, e as igrejas começaram a sentir um
impulso novo, provindo do fervor missionário dos seus membros

Carey

93
1. A Missão da Igreja.
Uma das missões de uma igreja é evangelizar. Quando ela perde isso de vista, perde sua razão de ser.
Nenhuma igreja poderá manter-se forte e vigorosa, firme e fiel aos princípios do Novo Testamento, se não
colocar no lugar de importância a necessidade de buscar os perdidos e entregá-los o Evangelho de Cristo.

2. A visão dos campos.


Mordomia e missões são inseparáveis.

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94
O DINHEIRO NO LAR
Todos os males da sociedade, sejam financeiros, políticos, trabalhistas, escolares ou
religiosos têm a sua origem no coração do homem. Sabemos como é o coração do homem
(Jer. 17:9; Rom 3:10-23).

A instituição que Deus estabeleceu, ainda no jardim do Éden, que


ajuntou duas pessoas em maneiras especificas para ser uma unidade é o
que chamamos de família. O ambiente que é formado pelo amor
exercitado entre todos da família cria o que chamamos de “o lar”. O lar
tem suma importância na vida humana, pois é o berço de costumes,
hábitos, caráter, crenças e morais de cada ser humano, seja no contexto
mundial, nacional, municipal ou familiar. Então, podemos dizer, como vai
o lar vai o mundo, e também, o que é bom para a família é bom para o
mundo.

Tal lar, tal mundo


Reconhecendo a existência e influência do pecado, sabemos que todos os lares não
estão operando com as mesmas regras e propósitos com os quais um lar cristão opera.
Aprender o que a Bíblia ensina sobre o assunto do lar é uma garantia que atingiremos o
alvo o que Deus tem para nós na relação de família.

I. O DINHEIRO NA BÍBLIA

O Dinheiro foi usado por Abraão (Gên 23:2,6), Jesus (Mat. 17:24-27), reis, os
discípulos e pelos apóstolos. O dinheiro é mencionado tanto no contexto de bênção quanto
de perigo. Para entender a atitude que devemos ter sobre o dinheiro no lar convém um
estudo do que diz a Bíblia sobre o assunto.

A. As Bênçãos

Quando se fala de dinheiro na igreja ou a atitude é “coleta para a igreja” ou “a torpe


ganância”. Como dizem uns sábios ‘há uma valeta nos dois lados da rua’ podemos ver que
quando se fala de dinheiro há exageros tanto de um lado quanto o outro. Muitas vezes nos
exageros é esquecido os fatos da realidade e da verdade. Dinheiro é uma bênção de Deus e
entre os justos na terra onde houve muitos ricos (Abraão, Gên 13:6; Jó, Jó 1:1-3; Rei Davi e
Rei Salomão; José de Arimatéia, Mat. 27:57). De onde vem o dinheiro que é abençoado por
Deus? Dinheiro e trabalho andam juntos.

“E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com
vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; Para que andeis honestamente para
com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma.” I Tessalonicenses 4:11,12

95
1. Trabalho abençoado

“Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva a pobreza.” Provérbios
14:23

Desde a criação do homem houve trabalho para fazer. Antes do pecado o trabalho
não era uma obrigação (Gên 1:28; 2:7), mas depois do pecado, o trabalho se tornou
obrigatório para sobreviver (Gên 3:17-19). Por causa da natureza pecaminosa do homem,
este quer se rebelar contra as realidades da necessidade de trabalhar para sobreviver.

O homem sempre está procurando ganhar sem trabalhar ou como a Bíblia diz,
comer sem trabalhar (II Tess 3:10). Mas, mesmo que o trabalho é obrigação, não significa
que o trabalho tem que ser desgostoso. Quando o trabalho agrada Deus, até um servo pode
em muito servir o Senhor (Fil. 2:7). Muitas vezes é a atitude que determina se um trabalho
é abençoado ou não. Atividade em si nem sempre traz bênçãos de Deus. Seria bom lembrar
a parábola dos talentos para entender que o esforço mínimo e uma atitude errada não tem
nenhuma virtude (Mat. 25:14-30). O fruto do trabalho abençoado é doce, mas o trabalho
alheio traz ganho só para colocar num bolso furado (Ageu 1:6).

“Digno é o obreiro do seu salário.” I Timóteo 5:18

Que tipo de incentivo para trabalhar é aceito como Bíblico para o trabalho ser
abençoado? A reposta é: Quando é um trabalho cujos frutos honram e louvam a Deus e tem
por fim suprir as necessidades pessoais, as necessidades da família ou de apoiar a obra de
Deus.

Vamos ver o que diz a Bíblia sobre cada um destes.

a) Suprir necessidades pessoais

 Gên 23:16, Terreno - sepultar família (planejamento para o futuro)


 Mt 17:24-27, "não escandalizemos" - pagar tributos
 Atos 18:3; 20:34; 28:30 (I Tess 2:9; II Tess 3:8) - Paulo - “para não ser pesados a
nenhum de vós”
 I Tess 4:11,12, "não necessiteis"

b) Suprir necessidades familiares

 Gên 42:2,25 - irmãos de José, com dinheiro para comprar mantimentos, “para que
vivamos e não morramos.”
 Rute 2;17,18 - Rute - trabalho para ter o que era necessário para sustentar ela e
Noemi
 II Reis 4:1-7 - viúva com botija de azeite - “Vai, vende o azeite, e paga a tua
dívida;”
 Prov. 31:13,14,19,24,31, "Faz panos . vende-os."; Mulher trabalha em casa (v.13,15)
 I Tim 5:4, "recompensar seus pais"

96
 I Tim 5:8, "Cuidado...sua família"

c) Apoiar a Obra de Deus. Gên 14:20, "dízimo"

Pelo versículo chave desta seção (Gên 14:20), podemos ver a atitude
Bíblica deste assunto. O dízimo nada mais e nada menos era dado em
louvor a Deus pelas bênçãos recebidas. Antes da lei existiu o dízimo e era
para louvar e bendizer o Senhor Deus. Dar o dízimo é mostrar o senhorio
de Deus sobre tudo o que temos. É de reconhecer o fato de que os bens
que temos, vieram d’Ele (Heb 7:1-9). É colocar Deus em primeiro lugar
(Prov. 3:9).

Dar o dízimo não é para ser uma ação forçada, mas espontânea em
amor e louvor a Ele pelas bênçãos de poder trabalhar ou ganhar, lucrar e
aumentar a nossa fazenda. Quando os dízimos não estão dados Deus já
interpreta a falta dessa ação como uma amostra do estado de um coração
egoístico (Mal 3:8-10). Realmente podemos ver a sabedoria do fato,
“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí está também o vosso coração”
(Mat. 6:21).

Há dízimos e há ofertas. O dízimo é uma obrigação moral e as ofertas são ações


extras que queremos mostrar além de um amor básico. É uma oportunidade de nos
sacrificar mais pela obra de Deus além do normal e comum. As ofertas também mostram o
nosso amor e Deus recebe tais ofertas como mostras do nosso amor por Ele. Ele vê também
a falta de ofertas como uma falta de amor por Ele (Mal 3:8). Ofertas podem ser dadas
sistematicamente e por causas definidas (I Cor 16:1,2).

A ação de dar dízimos e ofertas à obra de Deus deve ser “segundo as possibilidades”
(I Cor 16:1; Deut 16:17; Mat. 5:42) , sistemático (I Cor 16:1), e com alegria (II Cor 9:7).

O trabalho abençoado por Deus é aquele trabalho cujos frutos honram e O louvam. Os
exemplos do dinheiro sendo empregado na obra de Deus nos dão os parâmetros de quanto é
necessário os dízimos e as ofertas na igreja, como também onde deve ser empregado o
dinheiro recolhido pela igreja através dos dízimos e das ofertas.

 Ao homem de Deus. II Cor 8:9

“Digno é o operário do seu alimento” Mat. 10:10

Num 18:26 (lei), “levitas ... receberdes os dízimos dos filhos de Israel” (Deut 12:19)

I Reis 17:9, “eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente.” V. 13, “faze
dele primeiro para mim um bolo pequeno”

97
I Cor 9:7-14, v. 13, “os que administram o que é sagrado comem do que é do templo
... e os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar”, v. 14, "aos que anunciam o
evangelho, que vivam do evangelho"

Gal 6:6, "reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.” I Tim 5:17,18, "os
presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra”

 À Obra Local. Efés 5:23, “Cristo é a cabeça da igreja, sendo Ele próprio o salvador
do corpo.”

“Daí, pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”


Mat. 22:21

Não é vergonhoso, contra a ética, em oposição a Bíblia, nem


invenção humana, receber ofertas na igreja. O espírito de dar dinheiro na
adoração a Deus não é em nada ofendido quando a igreja recolhe as
ofertas dos membros da igreja. Na verdade, a igreja está praticando o que
é digno para com Deus. A igreja é o corpo de Cristo e em Cristo Deus está
sempre glorificado (Efés 5:23: João 12:28). Dando oferta na igreja em
adoração a Deus é uma prática consistente com a razão principal em dar
ofertas a Deus que é de reconhecer a Seu senhorio e mostrar gratidão
pelas bênçãos recebidas (Gên 14:20).

Dando os dízimos e as ofertas na igreja, estamos seguindo o exemplo da igreja que


Cristo estabeleceu aqui na terra enquanto estava aqui. Ainda antes da crucificação, o
ajuntamento de Cristo tinha tesoureiro para cuidar do dinheiro para as necessidades daquele
ajuntamento (Jo 13:29).

Êx 25:1-8 - para fazer o tabernáculo as ofertas eram várias (Êx 35:29).

II Reis 12:1-16, dinheiro foi dado pelo povo para a casa do Senhor.

I Cron. 29:1-9, para construir o templo, o povo contribuiu voluntariamente.

Mal 3:10, "para que haja mantimento na minha casa"

Mar 12:41-44, Jesus estava observando o que foi colocado na arca do tesouro. Ele
não condenou a coleta no tabernáculo, mas o espírito mesquinho que foi dado. Por isso a
ação generosa da viúva foi apontada como exemplo do espírito certo de ofertar ao Senhor.

Atos 4:32-37, dinheiro do povo foi trazido à igreja para suprir as necessidades do
povo na igreja.

É uma bênção participar na obra de Deus e Deus aceita essa atividade como adoração
verdadeira quando é dado no espírito certo. Quando todos os membros de uma família

98
participam juntos, há uma alegria geral. É importante os pais ensinaram os filhos as
bênçãos desta atividade.

 Às Obras Missionárias

“Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição” Fil. 4:14

A obra missionária é custosa, mas não aparte da obra local. A igreja é missionária
pela natureza dela (Mat. 28:19,20). O que é da igreja é para missões também. Temos o
exemplo também no Novo Testamento que ofertas especiais eram recebidas e enviadas aos
missionários nos seus respectivos campos e essas ofertas eram além das ofertas recebidas
nas coletas normais da igreja.

Rom 15:26, “uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém.”

Fil. 4:15-20, “Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a


Tessalônica.”

II Cor 8:4,7,8, 10-12,19, “nesta graça que por nós é ministrada”

Obs. Há várias maneiras que uma igreja pode empregar para recolher ofertas
missionárias. Essas maneiras diferentes estão citadas para que todos conheçam essas
maneiras e se for conveniente empregar uma para o uso na igreja.

Há igrejas que
separam uma
porcentagem de todas
as ofertas recebidas no
mês e essa quantia
separada seria para o
emprego de missões.
Com o passar de
tempo e com o
crescimento nessa
graça, a porcentagem
poderia ser
aumentada assim tornando uma igreja missionária mais e mais. Há
igrejas que passam uma cesta enfeitada especialmente para missões para
os membros participarem além dos dízimos com uma oferta para missões.
Essa cesta seria passada num determinado culto todo domingo. Um
domingo de cada mês poderia ser fixado para que tudo que é recebido
como dízimos e ofertas naquele domingo seja direcionado para as obras
missionárias.

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Há também um sistema chamado de ‘promessa pela fé’ que funciona assim: no
começo do ano os membros que querem participar deixam a diretoria da igreja saber que
eles se propõem dar uma quantia especificada extra todo mês para o uso de missões além
das ofertas normais. Essa quantia então é recolhida mensalmente em envelopes marcados
especialmente para missões. Nessa maneira a diretoria da igreja pode saber antemão o valor
que vai receber por mês e podem planejar o envio mensal de ofertas aos missionários no
campo. Com o passar do tempo os membros, crescendo nesta graça de ser generosos,
aumentam as ofertas dadas e a igreja aumenta os valores enviados para as obras
missionárias.

2. Como Ser Abençoado

Como a Bíblia é a nossa única regra de fé e ordem, ela cuida de


tudo que é necessário para que o homem agrade a Deus. Sobre o assunto
de dinheiro, ela não é diferente.

A Bíblia mostra como ser abençoado, ou melhor, como usar o


dinheiro na maneira sábia para sermos abençoados. Deve ficar claro que
a Bíblia não mostra ao homem como ser rico ou abençoado com bens.
Quando falamos de ser abençoados no assunto de dinheiro falamos de
como usar o dinheiro para agradar Deus. Deus sendo agradado há
bênçãos. Estas bênçãos podem ser virtudes, sabedoria, ou até bens. O alvo
para o justo é agradar Deus, não ter qualquer benção. Segue abaixo umas
regras para usar o dinheiro numa maneira sensata e assim obedecer a
Deus no assunto do dinheiro.

 Seja fiel. Mal 3:10 (Luc 19;17; II Cor 8:12)


 Seja generoso. Fil. 4:18,19; Luc 6:38 (II Cor 8:2-5)
 Seja honesto. II Cor 8:20,21
 Seja sábio. Prov. 21:20

O assunto sobre como ser abençoado pode ser dito em resumo com o seguinte
versículo:

“Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os


teus ganhos; E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus
lagares.” Provérbios 3:9,10

B. Os Perigos

A maneira de obter o dinheiro pode determinar se o dinheiro é uma


benção ou um perigo. Como é uma verdade que “em todo trabalho há

100
proveito” (Prov. 14:23) também é verdade que “os tesouros da impiedade
de nada aproveitam” (Prov. 10:2). Há um equilíbrio necessário quando se
pensa do assunto de dinheiro.

1. Amor ao Dinheiro/ Avareza/ Cobiça

Deus quer ser amado acima de tudo (Mar 12:30). Qualquer coisa que vem entre o
amor de Deus já é pecado. O amor ao dinheiro está tratado com palavras distintas na Bíblia
e necessita uma atenção especial. Podemos ver a atitude de Deus diante desse amor que o
homem freqüentemente coloca entre ele e Deus estudando o resultado de amar o dinheiro.
O fim do homem que ama o dinheiro ensinará o homem sábio:

“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas


concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e
ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa
cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas
dores.”
I Tim 6:9, 10

 Prov. 1:17-19 "perder a alma"


 Ecl. 5:10 - o dinheiro em si é impossível para satisfazer a alma. Isso só pode ser
feito por Deus.
 Lucas 19:1-10 - Zaqueu. Resultou em uma vida desonesta e de má fama
 Mat. 28:11-15 - Soldados na cruz de Cristo amaram mais o dinheiro do que a
verdade, levou para uma vida mentirosa
 Gên 13:7-11- Ló desejou ter o melhor para si. Levou Ló para uma vida
comprometida.

2. Torpe Ganância

Dinheiro não é, em si, torpe ganância. Como já estudamos, dinheiro


obtido em maneira honrosa e para usos de responsabilidade, já é uma
bênção.

101
OBS:. O torpe ganância não é o dinheiro mas a atitude do homem que
tem em relação ao dinheiro; é ganhar dinheiro de um modo vergonhoso.
Quando o alvo principal é ganhar dinheiro, apesar das maneiras usadas, a
existência da característica que a Bíblia chama torpe ganância é evidente.
O que diz a Bíblia sobre este assunto e quais são os casos mencionados
por ela?

 Usura ou suborno - Salmos 15:1-5


 Mercadores no templo - Mat. 21:12, 13
 Judas Iscariotes - Mat. 26:14-16
 Ananias e Safira - Atos 5:1-10

As qualificações de pastores incluem a qualificação, “não cobiçoso


de torpe ganância” (I Tim 3:3; Tito 1:7), pois Deus quer que os crentes
tenham exemplos em vida como devem viver. Pastores tem uma
responsabilidade maior diante de Deus e do povo de viver segundo as
Escrituras (Mar 12:38-40).

3. Falta de usar certo

Há um perigo não só na atitude para com o dinheiro, mas também pelo uso dele.
Considere os casos seguintes para ter uma instrução em como não usar o dinheiro.

 Ter só para si - Luc 12:13-21; Prov. 11:24


 Deixa de ser inativo ou não usar com sabedoria - Luc 19:11-27
 Ter propósitos errados - Atos 8:17-20

4. Esperança Errada Mt 19:16-24

Sempre colocamos esperança em algo que não virar acontecer teremos tristeza. É o
caso com dinheiro também. Não podemos esperar do dinheiro o que ele não foi feito para
ser.

Gozo vem de Deus, é fruto do Espírito Santo (Gal 5:22). Há uma


tendência do homem de procurar um atalho para ter gozo sem passar por

102
Deus. Freqüentemente o homem procura alegria no dinheiro. Salomão
tinha mais dinheiro que o maior parte de nós, procurou também o sentido
da vida nas possessões que o dinheiro pôde fornecer. O resultado era
nenhum proveito debaixo do sol (Ecl. 2:4-11).

O amor ao dinheiro leva para o desvio da fé, e traz muitas dores (I


Tim 6:9, 10). Não adianta buscar de homem as coisas que só vem de Deus.
Se tiver uma dúvida do assunto busque o conselho de Acã (Josué 7),
Ananias e Safira (Atos 5), e de Judas Iscariotes (Mat. 27:3-5).

O homem procura também segurança no dinheiro. O dinheiro, para


muitos, torna uma cidade forte ou “como uma muralha na sua
imaginação” (Prov 18:11; Luc 12:18-21). Mas espere no dinheiro ser o que
não foi desenvolvido para ser traz muita decepção para os que pensam
assim.

O perigo é de ter esperança falsa no dinheiro. Por isso o apóstolo


Paulo instrui Timóteo a avisar os ricos deste mundo não serem “altivos,
nem ponham a esperança na incerteza das riquezas” pois a verdade é que
a segurança vem de Deus “que abundantemente nos dá todas as coisas
para delas gozarmos” (I Tim 6:17; Heb 13:9; Tiago 1:11).

II. O DINHEIRO NO LAR

Temos estudado até aqui sobre o que diz a Bíblia sobre as bênçãos e os perigos do
dinheiro. Queremos agora dirigir a nossa atenção sobre o que diz a Bíblia sobre o dinheiro
no contexto do lar.

A. O Direito do Dinheiro no lar

Quem é que tem direito de ter dinheiro no lar? Pode alguém pensar que por estar
num lar tem direito de ter parte do dinheiro no lar? Os princípios do dinheiro abençoado
não mudam quando pensamos do dinheiro no contexto do lar. Ainda é a verdade que “digno
é o operário do seu alimento” (Mat. 10:10) até no lar. Isso sendo a verdade Paulo ensina os
Tessalonicenses “se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (I Cor 3:10).

103
Há o pensamento que os pais são obrigados a darem mesadas aos
filhos. Há um princípio atrás deste pensamento que os filhos devem
aprender controlar o dinheiro e quanto mais cedo melhor. Se o princípio é
ensinar os filhos respeitar o dinheiro, então nada melhor para eles
ganharem o dinheiro trabalhando por ele.

Há sempre tarefas extras no lar que qualificam para ser uma fonte
que forneça um dinheiro. Se o filho trabalha para obter o dinheiro, ele o
respeitará muito mais e quanto mais cedo melhor. Se o filho recusa
trabalhar para obter o que ele quer, ele pode já desde cedo aprender o
resultado de tal atitude: ficar sem. Isso não é crueldade, é equipar o filho
para a vida real.

B. A Distribuição do dinheiro no lar

O homem é o principal trabalhador no lar e usualmente é dele que vem a maior parte
da renda do lar. Ele sendo a cabeça do lar, e o que fornece a renda, ele deve ter a
responsabilidade de decidir como tal renda é usada. Todavia, ele não é o único no lar que
trabalha. A esposa fiel e responsável para o marido e para a família trabalha muito também.
Ela pode ser confiada parte da renda para cuidar do lar como ela achar necessário. Isso é de
dar a ela “do fruto das suas mãos” (Prov 31:11,12,31).

C. A Provisão de dinheiro no lar

Quem é que deve gerar a maior parte da renda no lar? O princípio


do homem ser a cabeça do lar não pára quando o assunto é dinheiro. É ele
quem tem essa responsabilidade e geralmente a maior capacidade física e
disposição para enfrentar os desafios da vida fora do lar. Há os casos que
a mulher gera mais renda que o marido, mas esses casos são exceções e
não a regra. A ordem que a Bíblia mostra para que o lar seja sustentado
é:

 Da cabeça do lar - a maior parte (I Cor 11:3)


 Da mulher do lar - a menor parte
 Dos filhos do lar - recompensar seus pais (I Tim 5:4)

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D. O Orçamento de dinheiro no lar

I Cor 14:40, “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.” II Cor 8:21, “Pois
zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.”

Alvo: Viver Dentro de Suas Possibilidades

THE FINANCIAL PLANNING WORKBOOK, Larry Burkett; Moody Press, Chicago,


EUA1990

O alvo de ter um orçamento é de viver dentro de suas possibilidades financeiras. O


orçamento foi desenvolvido para dar uma visão de mês em mês a sua maneira de viver em
comparação das suas capacidades financeiras.

Para ter um orçamento funcional é necessário um equilíbrio entre necessidades,


preferências e desejos. Necessidades são aquelas despesas indispensáveis para o
funcionamento normal do lar (alimentação, vestimenta, moradia, atenção medica,
escolaridade, etc.). Preferências são as decisões que podemos fazer sobre a qualidade dos
bens que sentimos necessário (vestimenta social em vez de vestimenta escolar, filé mignon
em vez de hambúrguer, um carro novo em vez de um carro usado, etc. Considere I Ped
3:3,4). Desejos são aquelas coisas que podem esperar até que as necessidades sejam
cuidadas (uma segunda casa, moveis novos na casa inteira, forno microondas, etc.
Considere I João 2:15,16).

Sempre há barreiras para atingir qualquer alvo. Há aquela pressão


social de adquirir mais e mais bens e também existe a atitude de que só o
melhor de tudo é melhor. Essas duas idéias são barreiras para ter um
orçamento bem ordenado. Crédito para adiar decisões importantes e
difíceis pode também ser uma barreira para atingir o alvo de qualquer
orçamento. Se estamos precisando crédito constantemente é uma
indicação que estamos vivendo fora das nossas possibilidades. Por último
não tendo um fundo para emergências pode ser uma barreira também
para cuidar das necessidades de uma família e viver dentro das
possibilidades financeiras.

Se não somos cientes das barreiras e se não temos um equilíbrio preciso entre as
necessidades, preferências e os desejos, seremos levados para o ponto onde a renda quase
nem cuida das despesas. Se isso é o seu caso há uma decisão necessária: ou inventa um
meio de ter mais renda, ou corta as despesas. Não há outra fórmula mágica ou segredo.

105
Quando se pensa em fazer um orçamento, pode ser que
pensamentos exagerados invadam seu raciocínio que podem destruir os
princípios fundamentais dele. Devemos sempre lembrar que nunca um
orçamento deve ser enquadrado como uma camisa de força, nem uma
arma para ferir um ou outro membro da família. O orçamento não foi
desenvolvido para desanimar ninguém na família, mas contrariamente,
foi formulado para estimular consistência para atingir alvos reais e dar
flexibilidade no manejo da renda no lar. Se o orçamento é entendido de
outra forma, um entendimento melhor do que é um orçamento é preciso.

Se vamos fazer algo decentemente e com ordem como a Bíblia nos pede, devemos
ter um plano. Todavia, um plano bom sempre requer ação, auto controle e pode até requerer
sacrifícios.

2. Reconhecendo as Divisões do Orçamento

O orçamento ideal deve ser divido em três partes: Primeiramente será a divisão de
Deus e o governo. Em segundo lugar deve ser a família e as dívidas. Por último há
expansão. Vejamos estas três:

a) Deus e o Governo. Devemos colocar Deus em primeiro lugar onde Ele


merece e deseja estar. Até no assunto do planejamento do nosso dinheiro
podemos servir o Senhor. (Mat. 6:33; Malaquias 3:8). O governo merece a
sua parte também. Mal ou bem, o governo é um instrumento que Deus
estabeleceu para cuidar de nós (Rom 13:1-7; Mat. 22:21).

b) Família e Dívidas. Depois de Deus e o governo vem a família (I Tim


5:8) e o cumprimento da nossa palavra (dívidas, Sal 37:21)

c) Expansão. Esta só vem depois de cuidar dos primeiros dois pontos e


inclui os investimentos, poupança, multiplicação dos bens e ajuda extra
aos outros (II Cor 8:14).

3. Começando o Orçamento

Antes de colocar o plano em andamento, um levantamento de dados sobre o nível


presente de renda e gastos é necessário. Um mês de anotar cada gasto talvez seja necessário
para perceber com exatidão onde a renda está sendo utilizada. Depois que já sabe em quais
ralos estão indo o dinheiro no lar todos os meses e necessário determinar quais são os alvos
e as ações que vamos implementar para atingir os alvos.

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4. Planejando o Orçamento

a:) Deus e o Governo

1) Dízimo - Dando Deus o primeiro parte (no mínimo 10%).

2) Imposto - Dando às potestades a devida parte .

b.) Família e Dívidas

1) Moradia - não deve ultrapassar 35% do total que tem para gastar. Inclui tudo
relacionado com a moradia: gás, água, IPTU, manutenção, prestação/aluguel.

2) Alimentação - usualmente consome uns 15% do total para gastar. Inclui tudo
usado usualmente na cozinha e banheiro. Não inclui marmitas ou despesas no
restaurante.

3) Transporte - 15% do total para gastar. Despesas com carro, seguro do carro,
gasolina, manutenção, poupança para trocar o carro. Ônibus e táxi incluído aqui.

4) Seguro - com 5% do total para gastar. Seguro medico, hospitalar. Não inclui
seguro de carro ou de casa neste item.

5) Dívidas - usando 5% do total para gastar, quita as dívidas de mês em mês com a
quantia que der para satisfazer as contas e o seu orçamento. Se tiver grandes
dívidas, quita primeiro as pequenas e depois vai parcelando as maiores. Esse item
não inclui as dívidas de carro ou de moradia.

6) Lazer - 5% do total para gastar em restaurante, hobby, clubes, equipamento para


esportes, poupança para as férias. Se o seu orçamento não permite muito lazer, corte
este item um pouco mas não elimine-o. Lazer é necessário para todos na família
para manter um equilíbrio saudável.

7) Vestimenta - com um nível de 5% de tudo que tem para gastar. Um mínimo de


R$10.00 por pessoa por mês deve ser programado.

8) Poupança - 5% do total deve ser poupado para emergências.

9) Médico - 5% do total para gastar deve ser estipulado para gastos médicos tais
como medicamento, dentista, ótica, e gastos com médicos.

10) Outros - Geral - este item inclui gastos com limite de 5% de tudo que tem para
gastar para despesas que não cabem em outros itens tais como despesas com
cabeleireiro, presentes, miscelânea, etc.

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11) Escola - nem todos têm despesas extra todo mês com mensalidades de escolas
pagas, mas todos que tem crianças tem despesas com material escolar. Dependendo
da sua situação estipule o necessário para cuidar das despesas de mês em mês.

12) Investimento - aposentaria, e outros desejos (bens, terras, casas). Deve ser
programado depois que os outros itens estiverem supridos.

C.) Expansão

1) Extra - se sobrar dinheiro: ofertas extras à igreja, projetos mais ambiciosos, mais
investimentos. Se não tiver planos para qualquer extra, coloque numa poupança.

As despesas maiores são de moradia, alimentação, dívidas,


vestimenta e médico. Se tiver mais gastos do que renda, será necessário
repassar o orçamento cortando o que precisa para que tudo saia bem. Se
a renda não for suficiente é necessário fazer uma decisão: trabalhar numa
outra atividade a mais ou gastar menos. Usando crédito, consolando as
dívidas, ou tomando empréstimos não são maneiras aceitáveis para
resolver a situação. Ou ganha mais ou gasta menos. Não tem outra
solução.

É necessário lembrar que qualquer orçamento nunca pode ser perfeito. Mas ele
sempre pode nos guiar para perfeição.

"Mas faça-se tudo decentemente e com ordem."


I Coríntios 14:40

Preparado pelo:

Pastor Calvin G. Gardner


Rua Santa Cruz das Palmeiras, 333
15.800-000 Catanduva, São Paulo
Fone (017) 523-2675
http://www.geocities.com/Athens/Olympus/1563

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