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Avaliação psicológica

Questão discursiva

Os métodos projetivos foram assim designados por Frank (1939, 1965), quando este
autor reuniu sob o mesmo termo uma diversidade de testes então utilizados. O
fundamento teórico da hipótese projetiva, explicada por Frank (1939), deve ser
creditado ao conceito de projeção, que teve um longo percurso na obra de Freud.
Nessa perspectiva, caracterize os testes projetivos diferenciando-os dos testes
psicométricos.

RESPOSTA
A discussão que envolve a importância dos testes em psicologia remente
sempre a dicotomia entre objetividade e subjetividade, pois, enquanto a psicometria
(testes psicológicos objetivos) ajuda a compreender melhor aquilo que se deseja
observar e traz um caráter científico aos testes, os métodos (ou técnicas) projetivos
trazem uma investigação ampla em se tratando do resgate do inconsciente, apesar
do questionamento sobre sua cientificidade pelo fato de não demonstrar provas
empíricas dos seus resultados.
Em princípio, com o surgimento dos testes de inteligência geral e de aptidões
específicas, a utilização dos mesmos foi voltada para a seleção e o planejamento
escolar, posteriormente ao serviço militar afim de determinar e analisar aptidões ou
dimensões intelectuais dos indivíduos. No campo da psicologia clínica, os testes foram
utilizados para fins de diagnóstico como instrumentos de ampliação do conhecimento
mais completo do paciente. Por fim, nas organizações os testes auxiliaram no
processo de seleção de pessoal e classificação para determinadas funções com o
objetivo de ajustar melhor o indivíduo ao ambiente de trabalho.
Considerando o desenvolvimento dos testes psicológicos, observa-se a
influência das concepções mecânicas e empíricas sobre a sua construção, bastante
influenciada pelo positivismo de Comte enquanto busca mensurar fatos observáveis
e indiscutíveis. Ainda pode-se identificar também a influência do materialismo, com
explicações sobre como os fenômenos podem descritos de acordo com as suas
propriedades físicas. Sendo assim, os testes psicológicos (psicométricos) apresentam
características de abordagem experimental para os problemas da mente com a
valorização da exatidão na medida dos constructos da estrutura psíquica dos ser
humano.
Em termos gerais, os testes psicométricos se baseiam em uma teoria para
descrever e mensurar fenômenos psicológicos utilizando de dados concretos, como,
por exemplo, estatística. Faz parte dos resultados destes testes apresentar dimensões
expressas por números com características de precisão e padronização de tarefas e
de interpretação para que sempre que forem aplicados, possam chegar aos mesmos
resultados.
O que se busca com os testes psicométricos é estruturar o máximo de
respostas possíveis, com determinado número de alternativas onde as tarefas são
padronizadas e a correção e apuração dos resultados se baseiam em perfis de
números e regras de interpretação obtidas por meio de pesquisas anteriores com
outros sujeitos, ou seja, em sua maioria, são produzido um índice ou perfil de índices
que podem ser tratados estatisticamente. Por se tratar de testes que exigem
determinados tipos de resposta, são considerados menos ricos do que os testes
projetivos em virtude de ter como princípio a objetividade.
A expressão Métodos Projetivos foi criada por L. K. Frank no ano de 1939 em
um artigo no Journal of Psychology que em tradução livre seria intitulado "Os métodos
projetivos para o estudo da personalidade". Partindo do princípio da relação entre o
teste de associação de palavras de Jung, o exame Rorschach e o Teste de
Apercepção Temática de Murray, Frank aborda a dinâmica da personalidade como
uma estrutura evolutiva onde os elementos se interagem e a pessoa se expressa em
uma atividade construtiva e evolutiva da fantasia anterior.
Diferente dos testes psicométricos, os métodos projetivos buscam analisar uma
dimensão mais ampla e em nível simbólico do psiquismo. Baseados especificamente
nos preceitos do inconsciente, considera-se para fins de abordagem, as expressões
da fantasia e dos estímulos não estruturados demonstrados através de uma resposta
sempre projetiva onde o sujeito revela uma maneira particular de ver cada situação
exposta, de senti-la e interpreta-la em termos subjetivos.
Considera-se a projeção advinda do inconsciente e direcionada ou atribuída a
outras pessoas ou coisas, portanto, o uso de técnicas projetivas permite ao indivíduo
liberar sua criatividade dentro das condições em que haja a revelação do seu mundo
psíquico e sua realidade pessoal. Pode-se dizer, portanto, que nos métodos
projetivos, há uma valorização do simbólico, permitindo ao indivíduo uma elaboração
de significado e interpretação da própria realidade que não está acessível em todos
os momentos, mas que, durante avaliação específica vem à tona permeada pela
dinâmica do simbolismo difícil de ser expressado verbalmente.
Os testes projetivos se diferem dos psicométricos especialmente por não se
fundamentar na teoria da medida, ou seja, da objetividade. Apesar de que possam,
em alguns testes utiliza número, não fazem uso de estatística e buscam caracterizar
atributos dos indivíduos. Normalmente apresentam tarefas pouco estruturadas e as
respostas são abertas e livres, e todas as alternativas são possíveis e consideradas,
o que torna a apuração mais complexa e sujeita ao viés de interpretação de quem os
aplica. Por trabalhar muito com a subjetividade, a decodificação das respostas bem
como sua interpretação, dependem quase que totalmente do aplicador, no entanto,
são considerados mais ricos quando comparados aos testes psicométricos.

REFERÊNCIAS
FORMIGA, Nilton Soares; MELLO, Ivana. Testes psicológicos e técnicas projetivas:
uma integração para um desenvolvimento da interação interpretativa indivíduo-
psicólogo. Psicol. cienc. prof., Brasília , v. 20, n. 2, p. 12-19, Junho 2000 .

PINTO, Elza Rocha. Conceitos fundamentais dos métodos projetivos. Ágora (Rio
J.), Rio de Janeiro , v. 17, n. 1, p. 135-153, Junho 2014 .