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HIDRÁULICA DOS SOLOS

ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA GEOTÉCNICA,


FUNDAÇÕES E OBRAS DE TERRA

M.Sc. Alexandre R Schuler


alexandre.schuler@terratek.com.br
REBAIXAMENTO DE LENÇOL FREÁTICO
NECESSIDADE DO CONTROLE DA ÁGUA
SUBTERRÂNEA

• Intercepta a percolação da água em escavações;

• Aumenta a estabilidade dos taludes;

• Reduz a carga lateral nas estruturas (empuxos);

• Melhora as condições de escavação e reaterro.


MÉTODOS DE CONTROLE DA ÁGUA SUBTERRÂNEA

• Através de bombeamento

• Mediante a colocação de uma barreira física (“cut-off”)


• Estacas prancha metálicas e de concreto

• Estacas secantes

• Cortinas de injeção de cimento

• Etc.
SISTEMAS PARA REBAIXAMENTO

Independente do tipo de sistema de rebaixamento,


é bom lembrar que, consequentemente haverá o
aumento das tensões efetivas. Este acréscimo pode
causar recalques indesejáveis no raio de influência
do rebaixamento.
(ALONSO, URBANO – 2007)
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ESCOLHA
DO SISTEMA DE REBAIXAMENTO

• Tipo da obra;
• Condições de subsuperfície;
• Altura do rebaixamento x quantidade de água a
ser bombeada;
• Efeito do rebaixamento em estruturas adjacentes;
• Natureza do aquífero e fontes de percolação.
TIPO DA OBRA

• Para escavações rasas (5 a 6m) usar sistema de


ponteiras filtrantes;

• Para escavações maiores usar sistema de poços


profundos.
CONDIÇÕES DE SUBSUPERFÍCIE

• De acordo com a granulometria do solo, o tipo de


sistema deve ser dimensionado:

• Solos mais grossos (exclusão a drenagem por


gravidade);

• Solos mais finos (ponteiras a vácuo, eletrosmose).


CONDIÇÕES DE SUBSUPERFÍCIE
ALTURA DE REBAIXAMENTO X
QUANTIDADE DE ÁGUA A BOMBEAR

• A medida que se aumenta a altura do rebaixamento,


caminha-se da captação superficial à necessidade de
ponteiras e daí para poços profundos.
EFEITO ESTRUTURAL DO REBAIXAMENTO

• O rebaixamento do lençol acarreta uma


diminuição da pressões de água e, em
consequência, o aumento das tensões efetivas no
solo;

• Para edificações de pequeno porte assente em


solos argilosos poderão ocorrer recalques
elevados.
REBAIXAMENTO TEMPORÁRIO E PERMANENTE

• Na maioria dos casos de rebaixamento o sistema é


utilizado de forma temporária
• Em situações onde se compense a utilização de um
sistema permanente de alívio de pressões de água
nas estruturas, tais como subsolos
• Existem situações intermediárias: sistema ligado
muito antes da escavação e desligado muito
tempo após o término da estrutura
MÉTODOS PARA REBAIXAMENTO DO LENÇOL

• Poços superficiais, valas e trincheiras drenantes;


• Sistema de ponteiras filtrantes;
• Sistema de poços profundos com emprego de
injetores;
• Drenos verticais de conexão;
• Bombas submersas.
POÇOS SUPERFICIAIS, VALAS E TRINCHEIRAS
DRENANTES
• Em rebaixamentos de 1 a 2m com processo
artesanal
• A água é canalizada por valas e extraída por
bombeamento
SISTEMA DE BOMBEAMENTO

• Bombeamento direto (ou esgotamento de vala)


• Consiste na coleta de água em valas, onde a água
acumulada é recalcada em para fora da área de
trabalho. A escolha da bomba é, geralmente, feita de
maneira empírica.
SISTEMA DE BOMBEAMENTO

• Bombeamento direto (ou esgotamento de vala)


• CUIDADOS:
• Carreamento de partículas finas do solo, ocasionando
recalques acentuadosutilização de filtros. Em casos
extremos, utilizar DHPs e trincheiras drenantes
SISTEMA DE BOMBEAMENTO

• Bombeamento direto (ou esgotamento de vala)


• CUIDADOS:
• A força de percolação d’água pode causar perda de suporte
quando o gradiente hidráulico for elevado, podendo, em alguns
casos, inviabilizar a execução de fundações diretas e ocasionar
a ruptura de fundo.
SISTEMA DE PONTEIRAS FILTRANTES
• Ponteiras conectadas por coletores e bombas
centrífugas ou de vácuo.
• Os furos para colocação das ponteiras pode ser
realizado por percussão com circulação de água
• Após colocação da ponteira coloca-se em volta do
furo areia ou pedrisco fino que é um material
drenante
SISTEMA DE PONTEIRAS FILTRANTES

• Rebaixamento com ponteiras filtrantes (well-points)


• Consiste na disposição de tubos coletores ao longo da
periferia da obra (tubos de aço ou de PVC, geralmente
com 4” de diâmetro), com tomadas de água espaçadas
com cerca de 1,5m.
SISTEMA DE PONTEIRAS FILTRANTES

• Rebaixamento com ponteiras filtrantes (well-points)



SISTEMA DE PONTEIRAS FILTRANTES
SISTEMA DE PONTEIRAS FILTRANTES

• Rebaixamento com ponteiras filtrantes (well-points)


• A vazão d’água das ponteiras pode variar de 0,5 a 1m³/h.
As bombas utilizadas geralmente são com capacidade de
30m³/h a 40m³/h, sendo cada conjunto podendo conter
cerca de 60 ponteiras.
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
Condições de contorno:
Carga hidráulica total = +3,00m.
Face potencial de saída da linha freática.
Carga hidráulica total = -12,90m.
Carga piezométrica = 0m.
Fronteira impermeável.

5m 5m
1ª linha de
ponteiras +3,00m
43,5m 20m -1,00m
-5,00m
-9,00m
-12,90m 2,5 AREIA FINA
1 SILTOSA
Raio de influência do
rebaixamento = 114m
3ª linha de
ponteiras
2ª linha de
ponteiras
ARENITO

-60,00m
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
Estaleiro Paraguaçu
Dique seco - Análise 3c
Construção - 3ª etapa

kh / kv = 1
Largura da escavação (dique seco): 85m
Cota externa do terreno: +3,0m
Cota do fundo da escavação: -12,9m
Largura das bermas: 5m
Inclinação dos taludes: 1V : 2,5H
Cota do N.A. externo: +3,0m
Cota do N.A. no interior da escavação: -12,9m
Cota da 1ª linha de ponteiras: -9,0m Name: Areia fina siltosa
Model: Saturated / Unsaturated
K-Function: Silty Sand, Ksat = 1.0e-5 m/s
Vol. WC. Function: Silty Sand
K-Ratio: 1
K-Direction: 0 °

Name: Arenito
Model: Saturated / Unsaturated
K-Function: Sandy Silt (Coarse Tailings), Ksat = 2.0e-06 m/s
Vol. WC. Function: Sandy Silt (Coarse Tailings)
K-Ratio: 1
K-Direction: 0 °

15
10
5
0
-5
-10
-15
cota (m)

-20
9.4246e-006 m³/sec

-25
1.565e-005 m³/sec
9.4246e-006 m³/sec

-30
-35 -12
-40
-45
-50
-55
-10

2
-8

-2
-6

-4

-60
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300

distância (m)
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
escavação
Eixo da

2ª linha de
3ª linha de

1ª linha de
ponteiras

ponteiras

ponteiras
5

0
AREIA FINA SILTOSA
-5

-10

-15

-20 Linha final de escavação ARENITO


Cota (m)

-25

-30 t= 0 - Liga a 1ª linha de ponteiras com N.A. na cota -1,0m.


t= 30 dias - Liga a 2ª linha de ponteiras com N.A. na cota -3,5m.
-35
t= 34 dias - Desliga a 1ª linha de ponteiras e aprofunda a 2ª linha de
-40 ponteiras para N.A. na cota -5,0m.
t= 70 dias - Liga a 3ª linha de ponteiras com N.A. na cota -6,0m.
-45
t = 100 dias - Aprofunda a 3ª linha de ponteiras para N.A. na cota -9,0m.
-50 t = 160 dias - Desliga a 2ª linha de ponteiras.
t = 250 dias
-55

-60
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240
Distância (m)
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
RECARGA DE AQUÍFERO

Alonso (2017)
SISTEMA DE POÇOS PROFUNDOS COM EMPREGO
DE INJETORES

• Consiste em injetar água


por uma tubulação de
distribuição geral na
qual se ligam os tubos
injetores que possuem
na extremidade inferior
um bico Venturi;
SISTEMA DE POÇOS PROFUNDOS COM EMPREGO
DE INJETORES
SISTEMA DE POÇOS PROFUNDOS COM EMPREGO
DE INJETORES

• Os poços atingem profundidades não alcançadas


pelas ponteiras (profundidades de até 30m);
• A água é impulsionada por uma bomba centrífuga
ligada a um tubo no interior do furo;
SISTEMA DE POÇOS PROFUNDOS COM EMPREGO
DE INJETORES
DRENOS VERTICAIS DE CONEXÃO
• Quando o subsolo estratificado pouco permeável
está intercalada com estratos permeáveis
SISTEMA DE BOMBAS SUBMERSAS
• Consiste na utilização
de bombas que
possuem elevada
capacidade de
bombeamento, que
ficam submersas na
água.
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
• O dimensionamento de um sistema de rebaixamento se
inicia com o cálculo da vazão necessário a retirar do
subsolo. Esta estimativa é feita a partir da Lei de Darcy.

𝑄 = 𝑘. 𝑖. 𝐴 onde:

𝑘 → de permeabilidade (cm/s ou m/s); coeficiente


𝑖 = → 𝑔𝑟𝑎𝑑𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒 ℎ𝑖𝑑𝑟á𝑢𝑙𝑖𝑐𝑜;
𝐿

𝐴 = á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑒â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 (m² ou cm²)


DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
• A estimativa da vazão pela Lei de Darcy deverá ser
verificada, e o sistema ser ajustado com uso de
instrumentação.

• Deve-se identificar também se o aquífero é freático ou


artesiano.

• Deve-se realizar, preferencialmente ensaios de campo


para determinação da permeabilidade (ensaios de
infiltração, e se possível bombeamento em diversos
níveis do subsolo)
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
• Caso penetrante
• Onde o poço é instalado até o impermeável.
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
a) Aquífero gravitacional

Onde L pode ser


𝑘×𝑎 2 estimado por:
𝑄𝑤 = 𝐻 − ℎ𝐷 ² Onde Qw é a vazão do poço
2𝐿 𝐿 = 3.000 𝐻 − ℎ𝐷 𝑘
𝑄𝑤 𝑎
∆ℎ𝐷 = ln hD é o batimento da freática
𝑘 × 𝜋 2 × 𝜋 × 𝑟𝑤
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
b) Aquífero artesiano

Onde L pode ser


estimado por:
𝑘×𝑎 𝐿 = 3.000 𝐻 − ℎ𝐷 𝑘
𝑄𝑤 = 𝐻 − ℎ𝐷 Onde Qw é a vazão do poço
𝐿
𝑄𝑤 𝑎
2 × 𝑘 × 𝜋 × 𝐷 2 × 𝜋 × 𝑟𝑤 hD é o batimento da freática
∆ℎ𝐷 = ln
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
c) Aquífero misto (artesiano – gravitacional)

Onde LG (medida a partir


da saída d´água ) pode
ser obtido por:
𝐿 𝐷2 − ℎ𝐷 ²
𝐿𝐺 =
2𝐷𝐻 − 𝐷2 − ℎ𝐷 ²

𝑘 × 𝑎 2𝐷𝐻 − 𝐷2 − ℎ𝐷 ²
𝑄𝑤 =
2𝐿
Onde Qw é a vazão do poço

Onde o fluxo muda do artesiano para o gravitacional,


considera-se depois que o fluxo é gravitacional
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
• Quando a vala é parcialmente penetrante (onde as
investigações não identificaram a camada
“impermeável), adota-se H como a profundidade
entre o nível freático e o fundo do poço,
majorando-se em 25% a vazão teórica.
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
No caso de de uma escavação, conforme a figura abaixo,
calcula-se as vazões (gravitacional, artesiano ou mista) e
multiplica-se por 2.
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
Comprimento filtrante dos poços
• O comprimento filtrante hf é calculado pela vazão
máxima que o poço deverá extrair.
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE
REBAIXAMENTO
Comprimento filtrante dos poços
2𝜋 × 𝑟𝑤 × ℎ𝑓 𝑘 Vazão máxima que o poço deverá extrair
𝑄𝑤 =
15

𝑄𝑤
𝑣= Onde v deverá variar de 5 a 8cm/s, para evitar
2𝜋 × 𝑟𝑤 × ℎ𝑓
colmatação do filtro
EXERCICIOS
PROPOSTOS