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Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe PJe - Processo Judicial Eletrônico

Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe PJe - Processo Judicial Eletrônico

07/09/2018

Número: 0600659-28.2018.6.25.0000

Classe: REGISTRO DE CANDIDATURA Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral Órgão julgador: JUIZ TITULAR JOSÉ DANTAS DE SANTANA Última distribuição : 15/08/2018 Valor da causa: R$ 0,00 Processo referência: 06006471420186250000 Assuntos: Registro de Candidatura - RRC - Candidato, Cargo - Governador Objeto do processo: Registro de Candidatura - RRC - Candidato. BELIVALDO CHAGAS SILVA - AIRC - IMPUGNAÇÃO Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? NÃO Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO

 

Partes

Procurador/Terceiro vinculado

BELIVALDO CHAGAS SILVA (REQUERENTE(S))

PAULO ERNANI DE MENEZES (ADVOGADO(S)) JAIRO HENRIQUE CORDEIRO DE MENEZES (ADVOGADO(S))

PRA SERGIPE AVANÇAR 11-PP / 15-MDB / 27-DC / 65-PC do B / 55-PSD / 13-PT / 31-PHS (REQUERENTE(S))

 

UM NOVO GOVERNO PARA NOSSA GENTE 40-PSB / 12- PDT / 54-PPL / 14-PTB / 90-PROS / 44-PRP (IMPUGNANTE(S))

CARLOS ENRIQUE ARRAIS CAPUTO BASTOS (ADVOGADO(S)) SERGIO ANTONIO FERREIRA VICTOR (ADVOGADO(S)) MARCOS ANTONIO CORREA LIMA (ADVOGADO(S)) JOSE LAURO SEIXAS LIMA (ADVOGADO(S)) HANS WEBERLING SOARES (ADVOGADO(S)) LEO PERES KRAFT (ADVOGADO(S)) FRED D AVILA LEVITA (ADVOGADO(S)) LUIS GUSTAVO MOTTA SEVERO DA SILVA (ADVOGADO(S)) ARTHUR CEZAR AZEVEDO BORBA (ADVOGADO(S))

BELIVALDO CHAGAS SILVA (IMPUGNADO(S))

 

PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL EM SERGIPE (FISCAL DA LEI)

 
 

Documentos

 

Id.

Data da

Documento

Tipo

Assinatura

73035

07/09/2018 13:19

Recurso Ordinário

Recurso Ordinário

PR-SE-MANIFESTAÇÃO-12563/2018

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL EM SERGIPE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO ESTADO DE SERGIPE

ESPÉCIE: REQUERIMENTO DE REGISTRO DE CANDIDATURA

PROCESSO Nº 06006592820186250000

RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

RECORRIDO(A):BELIVALDO CHAGAS SILVA

RELATOR(A): JOSÉ DANTAS DE SANTANA

O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, pela Procuradora Regional Eleitoral signatária, não se conformando com a decisão proferida pelo egrégio TRE/SE nos presentes autos, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência interpor RECURSO ORDINÁRIO, com fulcro no art. 121, § 4º, III, da Constituição Federal, e no art. 57 da Resolução TSE n.º 23.548/2017, pelos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos nas razões em anexo.

Isto posto, requer o recebimento da presente insurgência, juntamente com as razões que a acompanham, e, colhida a resposta da parte recorrida, sejam

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remetidos os autos ao E. Tribunal Superior Eleitoral, onde o caso deverá ser reapreciado.

Aguarda deferimento.

Aracaju/SE, 7 de setembro de 2018

EUNICE DANTAS PROCURADORA REGIONAL ELEITORAL

RAZÕES DO RECURSO ORDINÁRIO

ESPÉCIE: REQUERIMENTO DE REGISTRO DE CANDIDATURA

PROCESSO Nº 06006592820186250000

RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

RECORRIDO(A):BELIVALDO CHAGAS SILVA

RELATOR(A): JOSÉ DANTAS DE SANTANA

COLENDO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL,

PRECLARO MINISTRO-RELATOR,

DOUTO PROCURADOR-GERAL ELEITORAL.

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1)

PRESENTE INSURGÊNCIA.

DA

TEMPESTIVIDADE

E

DO

CABIMENTO

DA

A Lei Complementar n.º 64/90 estabelece, em seu art. 11, § 2º, que nos

processos de registros de candidatura, o prazo de recurso do TRE para o TSE será de 3

(três) dias, contados da publicação do acórdão, verbis:

“Art. 11. ( )

§ 2º. Terminada a sessão, far-se-á a leitura e publicação do acórdão,

passando a correr desta data o prazo de três dias, para a interposição

de recurso para o Tribunal Superior Eleitoral, em petição fundamentada.”

Já o art. 121, §4º, III, da Constituição Federal dispõe:

“Art.

competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas

eleitorais.

) (

§ 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso quando:

) (

e

121.

Lei

complementar

disporá

sobre

a

organização

III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais;”

A regra foi repetida no art. 57 da Resolução TSE n.º 23.548/2017:

“Art. 57. Cabem os seguintes recursos para o Tribunal Superior Eleitoral, no prazo de 3 (três) dias, em petição fundamentada (Lei

2º):

I

III);

II – recurso especial, quando versar sobre condições de elegibilidade

(Constituição Federal, art. 121, § 4º, I e II)".

(Constituição

Complementar

recurso

64/1990,

quando

art.

sobre

121,

11,

§

ordinário,

versar

inelegibilidade

§

4º,

Federal,

art.

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O Tribunal Superior Eleitoral, por seu turno, já assentou, com arrimo no

art. 121, § 4º, III da Constituição Federal, que, versando sobre inelegibilidade – como

no presente caso – é cabível o recurso ordinário, inclusive em caso de improcedência do pedido pelo TRE. Nesse sentido, exemplificativamente, transcreve-se:

“AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO. ELEIÇÕES 2014. REGISTRO DE CANDIDATURA INDEFERIDO. DEPUTADO ESTADUAL. FILIAÇÃO PARTIDÁRIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. 1. O recurso ordinário é cabível quando em jogo causa de inelegibilidade, nos termos do art. 121, § 4º, inciso III, da

Constituição Federal e do art. 276, inciso II, alínea a, do Código

E l e i t o r a l .

2. Não é possível a aplicação do princípio da fungibilidade para

P r e c e d e n t e s .

receber o recurso ordinário como especial, por não estarem

preenchidos os requisitos de admissibilidade desta espécie recursal.

3. Agravo regimental desprovido". (TSE - Recurso Ordinário nº

69114, Acórdão, Relator(a) Min. Gilmar Ferreira Mendes, Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 11/11/2014)

Portanto, o acórdão recorrido foi publicado em sessão realizada no dia 04 de setembro do corrente ano, razão pela qual o Recurso Ordinário interposto até 07 de setembro será tempestivo.

2. DA SÍNTESE DO PROCESSO.

Cuida-se de recurso ordinário em requerimento de registro de candidatura – RRC - interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL em face da decisão do TRE/SE que deferiu o pedido de registro de candidatura de BELIVALDO CHAGAS SILVA.

O MPE manifestou-se pelo indeferimento do RRC, tendo em vista que

BELIVALDO CHAGAS SILVA tendo em vista que os fatos que ensejaram a rejeição das contas do candidato pelo TCE configuram vício insanável e ato doloso de improbidade administrativa (arts. 10 e 11 da Lei n. 8.429/92).

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No entanto, o TRE/SE deferiu o presente RRC, por entender que a "contratação de funcionários sem a observação das normas de regência dos concursos públicos caracteriza improbidade administrativa", contudo, o caso em análise trata-se de uma excepcionalidade, amparada em legislação estadual, especificamente a Lei nº 6.691/2009, alterada pela Lei nº 7.379/2011".

Portanto, a irresignação do Ministério Público Eleitoral diz respeito ao entendimento verberado no r. acórdão de que a contratação de servidor público não configura ato doloso de improbidade administrativa.

3. DO MÉRITO.

Com efeito, analisando a impugnação (ID 33.369), verifica-se que, dentre uma das causas pela desaprovação, está a contratação de professor sem concurso público (essa não havia sido percebida pelo MPE, razão pela qual não ingressou com a AIRC), situação que, na visão do Parquet Eleitoral, gera a inelegibilidade pretendida pelo impugnante, pelas razões seguintes.

In casu, a rejeição das contas do recorrido ocorreu, conforme detalhado nos relatórios e decisões da Corte Estadual de Contas, por irregularidades insanáveis que configuram ato doloso de improbidade administrativa, em decisão definitiva do TCE (órgão competente para tanto, conforme já analisado), nos termos do art. 14, § 9º, da Constituição Federal c/c art. 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar nº 64/90 (redação da LC 135/2010).

No Processo nº 001370 a Corte de Contas julgou irregular a contratação de professores através de cargo em comissão, ao invés de concurso público, ante a inobservância ao art. 37 da CF e aos princípios norteadores da administração pública, sob os seguintes fundamentos:

" Considerando as irregularidades constatadas no que se refere à merenda escolar; ausência de espaço apropriado para as crianças lancharem, falta de merendeiras em algumas escolas, ausência de

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acompanhamento de Nutricionista e falta de executor de serviços gerais, em algumas unidades escolares, para realizar a limpeza após a merenda;

- Considerando que a merenda escolar é parte importante para a saúde, para o desenvolvimento e para aprendizagem infantil;

- Considerando que a educação infantil, como direito fundamental,

encontra-se duplamente protegida pela Constituição Federal, em seus

arts. 6º e 205;

- Considerando a necessidade de reparos físicos em algumas das

escolas visitadas, quais sejam: Escola Berenice Barreto Alves/Capela, Escola Rural Alagadiço/Frei Paulo e Escola Estadual

Antônio Fontes Freitas/Riachão dos Dantas;

-Considerando que a Constituição Federal, em seu art. 37, inciso II, exige a realização de concurso público para a investidura em cargos, empregos ou funções públicas;

- Considerando que este deveria ser o meio utilizado para a efetivação dos professores;

- Considerando, porém, que muitos professores tem sido contratados

por tempo determinado, o que gera uma rotatividade dos mesmos nas

salas de aula;

- Considerando que essa mudança de mestres no decorrer do ano

letivo prejudica os alunos uma vez que estes demandam tempo para

se readequarem aos novos métodos de aprendizagem adotados;

-Considerando que tais contratações temporárias devem ser realizadas somente em situações excepcionais;(

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O TRE/SE, mesmo observando que a "'contratação de funcionários sem a observação das normas de regência dos concursos públicos caracteriza improbidade administrativa1', por ser uma afronta aos ditames constitucionais mais comezinhos do direito público", deferiu o RRC por entender que se trata de uma excepcionalidade, amparada em legislação estadual, especificamente a Lei nº 6.691, de 23/09/2009, alterada, posteriormente, pela Lei nº 7.379/2011.

Ora, primeiramente não comprovou o recorrido que valeu-se da Lei 6.691/2009 para realizar a contratação, especialmente se fez o processo seletivo simplificado de que trata o art. 1º da mencionada Lei:

"Art.1º, A Administração Pública Direta e Indireta do Estado de Sergipe, fica autorizada a contratar servidores, por tempo determinado, para atender necessidade temporária do serviço, em casos de excepcional interesse público.

§1º A contratação a que se refere o “caput” deste artigo será feita independentemente de concurso público e dependerá de processo seletivo simplificado, devidamente publicado no Diário Oficial do Estado, através de edital, que se iniciará com a proposta e justificação expressa do titular ou dirigente do órgão ou entidade interessada, e será feita depois de devidamente autorizada por despacho fundamentado do Governador do Estado,em que declarará a necessidade do serviço e o interesse público, ouvida a Secretaria de Estado da Administração – SEAD, para prestação de eventuais esclarecimentos".

Aliás, a matéria foi bem tratada no voto do MM. Desembargador RICARDO MÚCIO SANTANA DE ABREU LIMA:

"Muito bem colocado no voto divergente, “pretender usar seleção simplificada para contratar professores é violar a regra do artigo 37, inciso II, da CF/88 e deliberadamente malbaratar a carreira do Magistério, pois é matematicamente injustificável que um administrador não saiba quantos professores há na rede pública de ensino, quantos se aposentam anualmente, quantos falecem, quantos pedem demissão, enfim, qual a quantidade média de

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cargos não providos haverá em determinado período, de modo a programar os concursos públicos. Simples atividade administrativa de gestão de pessoas acessível a quem exerce a Alta Administração Pública.

Deixar que faltem professores para depois se valer de seleção simplificada e com contratos precários para preencher as vagas existentes é óbvia conduta inadequada e violadora dos deveres básicos do administrador.”

A desproporção é realmente gritante e injustificada.

Em casos tais, impõe-se não a contratação de professores por tempo determinado, como fez o então gestor Belivaldo Chagas, mas a realização de concurso público, meio constitucional estabelecido à administração pública para provimento de cargos, diante da necessidade imposta em razão do número insuficiente de servidores para o regular e bom andamento dos serviços públicos.

Acerca do excesso de cargos em comissão no Poder Público, o STF pronunciou:

(

)

Apesar de a lei dispensar a realização do concurso público em determinadas situações,não se concebe a quantidade de professores contratados a indicar uma pretensão de usar seleção simplificada em lugar do concurso público. Deixar que faltem professores para depois se valer de seleção simplificada e com contratos precários para preencher as vagas existentes é óbvia conduta inadequada e violadora dos deveres básicos do administrador.

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Torna-se fácil, pois, verificar que o Secretário de Estado desrespeitou frontalmente os princípios norteadores da administração pública, elencados no artigo 37, da CF/88, mantendo, em seu quadro de pessoal, diversos contratados em detrimento da realização de concurso público.

Embora seja certo que o administrador pode e deve realizar atos discricionários, também é certo que a motivação é um dos princípios

da administração pública. Os atos devem ser motivados. Assim, se

houve motivação para admissão de número tão elevado de servidores contratados, mostrou-se a necessidade fundamentada para realização de concurso público. A discricionariedade só existe se vinculada aos demais princípios da administração pública, portanto, revela-se regrada. Sob esse aspecto, a realização de concurso público deve atender à necessidade pública e não ao interesse do administrador.

Assim, a falha aqui destacada revela-se de natureza gravíssima, insanável, além de se reportar, em tese, em ato de improbidade administrativa. A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral aponta nesse sentido, senão vejamos:

(

)

A

gravidade da conduta realizada induz ao reconhecimento, e

confirmação, do especial e deliberado fim de agir do agente público

que, utilizando-se do feixe de responsabilidades conferidos em razão

da

titularidade na gestão daquela Secretaria, desvalorizou a carreira

do

Magistério, utilizando-se de seleção simplificada para contratar

professores, em violação à regra do artigo 37, inciso II, da

Constituição da República.

Imperioso registrar que a aferição do elemento subjetivo, em situações desse jaez, parte de análise extraída do teor da decisão do Tribunal de Contas do Estado, de modo a aflorar, a partir das

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irregularidades listadas pelo órgão competente, qual o elemento subjetivo presente. Até porque, nesta fase de registro de candidatura, repita-se, o exame se dá no âmbito estreito da competência da Justiça Eleitoral. Estreito âmbito de competência que deve se dar, de um lado, a partir da presunção de veracidade e legalidade do qualificado ato administrativo que é a decisão do TCE, ato administrativo de fortes contornos constitucionais derivados do desenho dos sistemas de controle da administração pública, e, de outra banda, sem esquecer da competência da Justiça Comum para eventual decisão definitiva sobre a existência ou não de ato doloso de improbidade administrativa.

Nessa ambiência delimitada da competência eleitoral, entendo presente o dolo, porquanto o impugnado, conforme já dito, concorreu de forma direta para a prática das irregularidades apontadas. Até por que, nos termos da jurisprudência do STJ, o dolo que se exige para a configuração de improbidade "é a simples vontade consciente de aderir à conduta, produzindo os resultados vedados pela norma jurídica - ou, ainda, a simples anuência aos resultados contrários ao direito quando o agente público ou privado deveria saber que a conduta praticada a eles levaria -, sendo despiciendo perquirir acerca de finalidades especificas" (ED-Al n° 1.092.100/RS, rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJE 31.5.2010).

Nesse sentido, ainda e como já afirmado, há que se notar que o dolo exigido para a caracterização da situação geradora de inelegibilidade não precisa necessariamente ser o dolo específico, podendo a situação decorrer do dolo genérico do administrador de não se submeter às exigências legais.

Constatado, assim, que além de se tratarem de vícios insanáveis, avistáveis como espécies de atos de improbidade, revestiram-se ainda em atos dolosos, principalmente e nele faço foco, a contratação de professores sem concurso público".

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O MM. Juiz Federal MARCOS ANTÔNIO GARAPA DE CARVALHO também pontuou:

"Especialmente no tocante ao mecanismo de seleção de professores, não socorre ao requerente alegar ter observado norma estadual sobre contratação emergencial e temporária, pois, primeiro, o art. 205, inciso V, da CF/88 determina que o magistério deve ser valorizado, garantido-lhe planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos”.

Ou seja, a regra será sempre a do concurso público de provas e títulos para ingresso na carreira, não uma seleção simplificada qualquer, pois esta última é destinada a situações excepcionais, dentre as quais não se pode enquadrar uma atividade permanente do Estado como a educação fundamental e média.

Pretender usar seleção simplificada para contratar professores é violar a regra do art. 37, inciso II, da CF/88 e deliberadamente malbaratar a carreira do Magistério, pois é matematicamente injustificável que um administrador não saiba quantos professores há na rede pública de ensino, quantos se aposentam anualmente, quantos falecem, quantos pedem demissão, enfim, qual a quantidade média de cargos não providos haverá em determinado período, de modo a programar os concursos públicos.

Simples atividade administrativa de gestão de pessoas acessível a quem exerce a Alta Administração Pública.

Deixar que faltem professores para depois se valer de seleção simplificada e com contratos precários para preencher as vagas existentes é óbvia conduta inadequada e violadora dos deveres básicos do administrador.

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Assim, a conduta do requerente Belivaldo Chagas Silva sancionada no âmbito do Processo n.º 2013/001370 do TCE/SE concretiza a hipótese de incidência do art. 1º, inciso I, alínea “g”, da LC n.º 64/90, especialmente porque não há notícia nos autos de nenhuma decisão judicial suspendendo os efeitos daquelas sanções ou anulando-as, e ainda não transcorreram mais de 8 (oito) anos desde sua publicação".

De fato, a gravidade dos defeitos na contratação de servidor sem concurso público apontada pela equipe técnica do TCE figura-se patente, na medida em que a contratação não se enquadra nos cargos passíveis de serem instituídos sem concurso público, como se vê nos incisos do art. 2º da Lei Federal nº 8.745/93, e mesmo nesses casos, apesar da Lei dispensar a realização do concurso público, exige-se para a contratação, a realização de processo seletivo simplificado, com ampla divulgação e publicação no Diário Oficial (art.3º da Lei Federal nº 8.745/93).

O Tribunal Superior Eleitoral já reconheceu a ocorrência da inelegibilidade, na forma prevista no art. 1º, I, “g”, da Lei Complementar 64/1990 ( rejeição de contas), em casos nos quais o administrador realizou a contratação de pessoal sem o correspondente prévio concurso público, em decorrência de tal conduta caracterizar irregularidade insanável e ato de improbidade administrativa. Neste sentido, os seguintes julgados:

“Eleições 2012. Registro de candidatura. Indeferimento. Rejeição de contas. Inelegibilidade. Art. 1º, I, g, da Lei Complementar nº 64/90. Incidência.

- A contratação de pessoal sem a realização de concurso público, bem como o não recolhimento no prazo legal, a ausência de repasse ou o repasse a menor de verbas previdenciárias configuram, em tese, irregularidades insanáveis e atos dolosos de improbidade administrativa para efeito de incidência da inelegibilidade.

Agravo regimental a que se nega provimento”. (TSE - Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 25454, Acórdão de 02/04/2013, Relator(a) Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 87, Data 10/05/2013, Página 27 )

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"Ação rescisória. Acórdão. Tribunal Superior Eleitoral. Indeferimento. Registro. Candidato. Vereador. Inelegibilidade. Art. 1º, I, g, da Lei Complementar nº 64/90. Contratação de servidores sem concurso público. Irregularidade insanável. Documento novo. Certidão. Tribunal de Contas. Não-caracterização. Precedente. Alegação. Rejeição de contas. Motivo diverso. Irregularidade sanável. Fato delineado no acórdão regional. Questão aventada no acórdão rescindendo. Impossibilidade. Reexame. Causa.

1. Hipótese em que a certidão do Tribunal de Contas que instrui a

ação rescisória não pode ser caracterizada como documento novo, na medida em que poderia perfeitamente ter sido obtida pelo candidato durante o processamento de seu registro de candidatura e utilizada em sua defesa. Nesse sentido: Acórdão nº 156, Ação Rescisória nº 156, relª Ministra Ellen Gracie, de 21.10.2003.

2. O autor pretende simplesmente rediscutir a causa de indeferimento

de seu registro, o que não é possível por meio da via excepcional da

ação rescisória.

Agravo regimental a que se nega provimento”. (TSE - AAR 209-Jucurutu/RN, Rel. Min. Carlos Eduardo Caputo Bastos, unânime, j. Em 31/03/2005, pub. DJ 20/5/2005, p. 113)

“AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO. REGISTRO DE CANDIDATURA. ELEIÇÕES 2010. DEPUTADO FEDERAL. INELEGIBILIDADE. ART. 1º, I, G, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 64/90. IRREGULARIDADES INSANÁVEIS. ATOS DOLOSOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. NÃO PROVIMENTO.

1. O Tribunal Superior Eleitoral firmou o entendimento de que a Lei

Complementar nº 135/2010 é constitucional e se aplica às eleições de

2010.

2. A inelegibilidade do art. 1º, I, g, da Lei Complementar nº 64/90

constitui uma consequência do fato objetivo da rejeição de contas públicas, não implicando retroatividade da lei ou violação à coisa julgada. Precedente.

3. As irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas do

Estado do Paraná - despesas com subsídios de vereadores em percentual superior ao disposto no art. 29-A, I, da Constituição Federal e contratação de pessoal sem concurso público - são insanáveis e caracterizam, em tese, atos de improbidade administrativa (arts. 10, XI e 11, V, da Lei nº 8.429/92).

4. No caso, a decisão que rejeitou as contas do então Presidente da

Câmara Municipal de Sapopema/PR, ora agravante, relativa ao exercício de 2001, foi julgada em 2004 e confirmada, em sede de recurso de revista, em 2008.

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5. Agravo regimental não provido. (TSE - AgR-RO 161441-Curitiba/PR, Rel. Min. Aldir Passarinho, unânime, j. em 16/11/2010, pub. em sessão)

“RECURSO ESPECIAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. INDEFERIMENTO. INELEGIBILIDADE. REJEIÇÃO DE CONTAS. CONTRATAÇÃO DE CONTADOR SEM CONCURSO PÚBLICO. IRREGULARIDADE INSANÁVEL. LIMINAR. TCE. MOMENTO. POSTERIORIDADE . DECISÃO. RECURSO. TRE. INEFICÁCIA. SUSPENSÃO. INELEGIBILIDADE. DESPROVIMENTO.

1. A partir da interpretação dada à ressalva da alínea g do inciso I do

art. 1º da LC nº 64/90, firmada no Verbete nº 1 da Súmula do Tribunal Superior Eleitoral, é necessário que, para afastar a cláusula de inelegibilidade, se obtenha, anteriormente ao pedido de registro de candidatura, provimento judicial ou administrativo que suspenda os efeitos da decisão de rejeição de contas.

2. Não sendo possível determinar se a propositura ocorreu até o

pedido de registro, como exige o Enunciado nº 1 da Súmula desta Corte Superior, o efeito suspensivo atribuído pelo TCE à decisão que rejeitou as contas não tem o condão de afastar a inelegibilidade prevista na alínea g do inciso I do art. 1º da LC nº 64/90.

3. Recurso especial a que se nega provimento”. (TSE - RespE

29520-Esperança Nova/PR, Rel. Min. Marcelo Ribeiro, unânime, j. em 2/10/2008, pub. em sessão).

A essas decisões se somam os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça, todos a confirmar que a contratação sem a prévia realização de concurso público configura ato de improbidade administrativa:

ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONTRATAÇÃO ILEGAL DE SERVIDORES, SEM CONCURSO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE E DE OUTROS INTEGRANTES DA CÂMARA DE VEREADORES. LEGITIMIDADE PASSIVA. CAUSA PETENDI NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ENQUADRAMENTO LEGAL EQUIVOCADO NA PETIÇÃO INICIAL. NATUREZA E EXTENSÃO DA INDISPONIBILIDADE DE BENS.

1. Cuida-se, originariamente, de Ação Civil Pública ajuizada pelo

Ministério Público do Estado do Espírito Santo, em razão da contratação de funcionários, no âmbito do Poder Legislativo

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Municipal de Afonso Cláudio, para ocupar cargos efetivos sem a realização de concurso público.

2. Hipótese em que o recorrente, como Presidente da Câmara

Municipal, foi o responsável pela promulgação e publicação da Resolução que dispôs sobre a contratação irregular. Legitimidade passiva ad causam configurada.

3. A contratação de funcionários sem a observação das normas de regência dos concursos públicos caracteriza improbidade administrativa.

4. No âmbito da Lei da Improbidade Administrativa, o

Presidente da Câmara de Vereadores – sem prejuízo da responsabilidade de outros edis que, por ação ou omissão, contribuam para a ilegalidade, sobretudo ao não destacarem, aberta e expressamente, sua oposição à medida impugnada – responde pela contratação de servidores, sem concurso público, para o Legislativo municipal.

(…)

13. Recurso Especial não provido. (REsp 817557/ES, 2ª T., Rel. Min.

Herman Benjamin, unânime, j. em 2/12/2008, pub. DJe 10/2/2010)

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E ENRIQUECIMENTO ILÍCITO.

(…)

3.6. Nos termos do inciso V, do artigo 11, da Lei 8.429/92, constitui ato de improbidade que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, notadamente a prática de ato que visa frustrar a licitude de concurso público. Nesse sentido, a "contratação de funcionários sem a observação das normas de regência dos concursos públicos caracteriza improbidade administrativa" (REsp 817.557/ES, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 10.02.10).

(…)

6. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp

1140315/SP, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, unânime, j. em

10/8/2010, pub. DJe 19/8/2010)

Dessa forma, encontram-se presentes os requisitos para a incidência do art. 1º, “g”, da Lei Complementar nº 64/1990, com a redação conferida pela LC nº

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135/2010: a) a decisão partiu do órgão competente (Tribunal de Contas do Estado de Sergipe), segundo já argumentado, e é irrecorrível; b) o TCE, detectou-se graves violações, que, segundo jurisprudência do TSE, são insanáveis e configuram ato doloso de improbidade administrativa.

O enquadramento das condutas praticadas pelo recorrido como atos de improbidade administrativa pode ser facilmente visualizado com leitura dos artigos, 10, incisos I, IX e XI, bem como o art. 11, I, ambos da Lei nº 8.429/92, verbis:

“Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

(…)

V - frustrar a licitude de concurso público;”

Portanto, tendo em vista que os fatos que ensejaram a rejeição das contas do recorrente pelo TCE configuram vício insanável e ato doloso de improbidade administrativa (arts. 10 e 11 da Lei n. 8.429/92), conclui-se que BELIVALDO CHAGAS SILVAencontra-se inelegível, devendo seu registro de candidatura ser indeferido, nos termos do art. 14, § 9º, da Constituição Federal c/c art. 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar nº 64/90 (redação da LC 135/2010).

4. DOS PEDIDOS.

Ante o exposto, requer o MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL o conhecimento e provimento do presente recurso ordinário, para o fim de indeferir o registro de candidatura de BELIVALDO CHAGAS SILVA, eis que encontra-se inelegível.

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Aracaju/SE, 7 de setembro de 2018

EUNICE DANTAS PROCURADORA REGIONAL ELEITORAL

MPF – Procuradoria da República em Sergipe

Ed. Aracaju Boulevard, Rua José Carvalho Pinto, 280, Bairro Jardins - CEP 49.026-150

PABX (0xx79)3301-3700 - FAX: (0xx79)3301-3702

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