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Hygino H.

Domingues
Gelson lezzi

ÁLGEBRA
MODERNA
4! edição
reformulada
~) t tyglnO H. UOITllngues
(jelMln leai

CO".'TiXht de,'1a",Iiçá,,"
SARAIVA S.A. Livreiros Editores. São P3ulo, 20m,
Av. Mar'lui', de SJo Vicente, 1697 - Barra Funda
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{Câmara Brasileira do Livro, SP.llrasil)

Oomingu",;. Hygino H., 1934-


Álg~br~ moderna: volume úuico z Higino H. Domingues, GcI';OIl
1~lJi_ - 4. ed. reform. - SJo Paulo : Atual. ZOO].

Rihliograli~.
ISRK 85-357-0401-9

I. Álgebra 1. Iezze, Gelson, 1939-. II, 'rnuio.

03-4930 COO-512

Índicl'S para catálogo sistemático:


I, AIgehra moderna 512

Álgebra moderna
Gn'''>llfeduonal: \Vilson Roberto Gambcta
F.dirom: T"I''''~ Christina \"... P. de M~1I0 Dia,
Assisrellle editorial: Teresa Cristina Duarte
Ana Maria Alvares
Preparação de texto: Ana Maria Alvares
Revuao de texto: Pedro Cunha Jr. (coord.j/Marcclo Zrrnon

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Central de at<'ndirn~nt" ao professor: tüxx llI 3613 3030
1I\l&t~~§T:ail
APRESENTAÇÃO
o presente trabalho é uma nova versão, bastante reformulada e com algumas am-
pliações, de Álgebra moderna, dos mesmos autores. Dois motivos principalmente levaram
a essas mudanças: de um lado a constatação de um certo desgaste da versão anterior, no
que se refere à redação e à abordagem, inevitável quando se considera o tempo há que a
obra está em circulação - cerca de duas décadas e meia - e que ela foi escrita ainda sob
alguma influência da corrente da matemática modema; de outro, o fato de ter alcançado e
mantido, ao longo desse tempo, uma boa aceitação por parte de estudantes e professores
de cu rsos de matemática, comprovada pelas várias edições e reimpressões alcançadas durante
esses anos.
Levando em conta o primeiro desses motivos, o livro foi totalmente reescrito, numa
linguagem muito menos permeada de simbolismos que a das edições anteriores, com vis-
tas a tornar a leitura mais leve e agradável, e com muito mais exemplos e ilustrações.
Procurou-se também, na medida do possível, evitar a iniciação a um dado assunto sem
algum comentário ou observação inicial que pudesse servir de motivação para seu estudo.
Também a titulo de motivação, todos os capitulos apresentam notas e/ou observações históri-
cas referentes às origens de alguns dos tópicos tratados, importantes, ao nosso ver, em face
do caráter abstrato da álgebra moderna. Não se tratando de obra que prioriza as aplicações,
até pelo seu caráter introdutório, busca-se, com essas notas e/ou observações, mostrar de
onde vem a álgebra moderna, o que pode constituir uma pista importante para o leitor
vislumbrar a origem e o alcance de alguns dos métodos desse campo da matemática.
Efetivamente, apenas um dos tópicos focalizados na presente edição não figurava, de
alguma maneira, nas anteriores: aquele contemplado no capítulo Icom o título Noções sobre
conjuntos e demonstrações. Talvez desnecessário quando da primeira redação, esse tópico
nos parece muito importante na presente conjuntura das licenciaturas em matemática, área
para a qual se destina principalmente a obra. De fato, apesar de ser bastante moderado no
uso do formalismo matemático, o livro faz um estudo sistemático do assunto alvo e, portan-
to, compreende um número considerável de teoremas e respectivas demonstrações. Ora, é
bem sabido que hoje poucos alunos chegam à universidade com alguma experiência em de-
monstrações e que essa lacuna às vezes não é preenchida antes de iniciarem um curso de
álgebra. Mas não se vai no assunto, nesse capitulo, além do mínimo necessário como pré-
requisito para um entendimento suficiente do método matemático e a abordagem é proposita-
damente despretensiosa e informal.
O capítulo II, Introdução à aritmética dos números inteiros, sofreu dois tipos de altera-
ções em relação às edições anteriores: além de ter sido ampliado com um estudo das
equações diofantinas lineares de primeiro grau, em duas incógnitas, e do problema chinês
do resto, recebeu na presente versão uma abordagem mais pormenorizada e mais rica em
exemplos e aplicações. Sem falar no seu papel como pré-requisito para os capitulas que o
seguem, a ênfase maior dada a esse tópico deriva de duas razões que se integram: (i) a
irnportáncia crescente de suas aplicações - na criptografia, por exemplo; (ii) o fato de o
assunto muitas vezes ser ignorado nos cursos de matemática, com prejuizo considerável
para a formação dos futuros professores e pesquisadores.
Como nas edições anteriores, o capitulo III, Relações, aplicações, operações, é muito es-
miuçado, abundante em detalhes, talvez mais do que nenhum dos outros, porque, além de
também ser um dos pré-requisitos básicos para os capítulos centrais do livro,envolve assun-
tos que fazem parte do ensino de matemática no ciclo básico que cumpre valorizar por si
mesmos e ajustar às necessidades do desenvolvimento da matéria.
Os capítulos IV e V focalizam, respectivamente, a teoria básica das estruturas algébricas
de grupo e anel (com seus subcasos mais importantes). O capítulo IV, Grupos, além das mu-
danças de carater geral já mencionadas no que se refere à linguagem e abordagem, com ên-
fase maior nos exemplos, apresenta como novidade um estudo mais abrangente e sis-
temático dos grupos de permutações. Quanto ao capitulo V, Anéis e corpos, houve a incorpo-
ração do tópico destinado ao estudo da compatibilidade de uma relação de ordem com a
estrutura de anel, que na versão anterior constituía um capítulo à parte.
O capítulo VI, Anéis de polinómios, foi totalmente reformulado. Nas edições anteriores,
introduzia-se o conceito de polinómio sobre um anel como uma seqüência quase-nula de ele-
mentos desse anel. Essa definição, se tem a vantagem da generalidade, e até de proporcionar
uma certa facilidade algébrica para desenvolver a teoria que segue, tem o inconveniente,
para quem está iniciando o estudo do assunto, de ser muito artificiosa. Preferimos, conside-
rando o objetivo da obra, definir polinómio sobre um anel de integridade infinito como
uma aplicação (função polinomial) e depois, considerando a hipótese feita sobre o anel, provar
e explorar o princípio de identidade de polinómios.
Entre as propostas da obra, uma era a de incluir um tópico final que, digamos assim,
fugisse um pouco ao "básico". Inúmeras escolhas poderiam ser feitas. Mas optamos por Anéis
principais e fatoriais, título do capítulo vu.constderando tratar-se de uma generalização natu-
ral da teoria da divisibilidade no anel dos inteiros, que, por isso mesmo, não exige muito
em termos de conceitos novos mas, não obstante, dá uma boa Idéia inicial do alcance dos
métodos da álgebra moderna.
No que se refere à redaçáo do livro,o trabalho foi dividido entre os autores da seguinte
maneira:
Professor Hygino H. Domingues
• Toda a teoria e exemplos dos capítulos I, II, IV, V, VI e VII.
• Os exercicios, propostos e resolvidos, dos capítulos I e II, Inclusive respostas.
• Todas as notas históricas.
Professor Gelson lezzi
• Toda a teoria e exemplos do capítulo III, em parceria com o professor Hygino.
• Os exercícios, propostos e resolvidos, dos capítulos lll, IV, V, VI e VII, inclusive respostas.
Finalmente, nossos agradecimentos a todos os colegas que usaram a obra em suas edi-
ções anteriores, especialmente os da pue-SP e Unesp de São José do Rio Preto, com os quais
compartilhamos o uso desse material por certo tempo e que, com seus comentários even-
tuais, nos deram algumas pistas para as mudanças presentes.

Os autores

SUMARIO
CAPiTULO I - NOÇÕESSOBRE CONJUNTOSE DEMONSTRAÇÓES . . 7
1-1 Sobre conjuntos . . 7
1 Nota histórica ...... 7
2. Conjunto> ..... 8
1-2 Sobre demonstrações. te
3.Nota histórica te
4. Demonstrações .. 17
CAPiTULO II -INTRODUÇÃO À ARITMl:nCA DOS NOMEROS INTEIROS ...... 29
1 Introdução.
2. Indução
."ao
3. Divisibilidade em d as
4. Máximo divisor comum
5.Números primos
6. Equações diofantinas linea,es
'"
. .45
........ 49
7.Congruências .;;
8.Problema chinês do resto .;;
CAPíTULO III - RELAÇÓES, APLICAÇÕES, OPERAÇÓES 63
111-1 Relações binárias. es
LConceitos básicos
2. Relaçôes de equivalência
3. Relaçôes de ordem
"za
111-2 Aplicações "
."
4. Nota histórica (a formação do conceito de função) .
s.Aclkaçac - Função.
."
."
6.lmagem dlreta -Imagem inversa .00
7.Aplicações injetoras - Aplicações sobrejetoras se
a.Aplicação inversa
9.Composição de aplicações '"
"3
1O.Aplicaçao idêntica "6
11. Restrição e prolongamento de uma aplicação
12.Aplicações monótonal
".".
111-3 Operações -lei. de compo$içiio internal
13. Exemplos preliminares
14. Conceituaçào
""
""
15. Propriedades das ope'ações
16. Parte fechada para uma operação
'"
... 111
.. 121
17.Tábua de uma operaçâo
18.0pe'açÕes em Em. '"
. 135
CAPíTULO IV- GRUPOS .. 137
IV·' Grupos e subgrupos. m
I. Nota histórica m
2. Grupos e lubgrupos . B6
IV-2 Homomorfi$mos .. iwmorfismos de grupos
3. Introdução
4. Homomorfismos de grupos.
'"
.. 161

5. Proposições sobre homomorfismos de grupos '"


.... 164
6. Núcleo de um homomorfismo
7. Isomorfismos de grupo> . '"
. 167
8. O teorema de Cayley
IV·3 Grupos ciclicos .
9. Potências e múltiplos
'"
'"
1O.Grupos cíclicos
11.Cla"ificaçào dos grupos cíclicos.
'"
.. 177
.179
12.Grupo> de tipo finito .. 182
IV-4 Classes laterais _ Teorema de Lagrange ........................................... 186
13.Cla"eslõterais .................. 186
14.0 teorema de Lagrange. . 189
lV-SSubgrupos nonnais - Grupos quo<ientes ...... 192
t Sitntroduçáo . . 192
16. Multiplic"ç~o de subconjuntos m
17.Subg,upos normais m
18.Grupos quocientes
19.0 teorema do homomorfismo. ..196'"
IV-ó Permutações ............................................. 200
20.Ciclos e notação cíclica ........................................ 200
21.Assinatura de uma permutação ........................................ 204
CAPiTULO v - ANttS E CORPOS. .. 210
V-l Anéis. . 210
1 Nota histórico. .. 210
2. Anéis e subanéi, .................. 211
3.Tipos de anéis. . 218
Y-2 Homomorfismos e isomorfismos de anéis .................... 232
4. Introdução. .. 232
5. Homomorfismos de anéis. .. .233
6. Proposições sobre homomorfismos de anéis ............. 234
7. Nucleo de um homomorfimo de anéis. . 235
R Isomorfismo de anéi, . . 236
Y·3 Corpo de fraçõe. de Um anel de integridade. .. 243
9. Quocientes em um corpo. . 243
10. Corpo de frações de Um anel de integridade ............... 244
Y·4 Característica de um anel .................... 247
11.lntrodução. .. 247
12. Múltiplos de um elemento de um anel. .. 248
13. Característico de um anel ............. 249
14. Característica de um corpo. ..252
Y-5 IdeaiS em um anel comutativo .. 255
15. Nota histórica. ____ 255
16. Ideais em um anel comutativo .......... 255
17. Ideais gerados por um número finito de elementos 257
18. Operações com ideais ............................................................ 259
19. Ideais primos e maximais ............................................................ 260
Y-6 Anéis quociente. . 265
Y-7 Ordem em um anel de integridade .. 270
20. Anéis de integridade ordenados .. 270
21. Propriedades imediatas de um anel de integridade ordenado .. 271
22. Anéis de integridade bem ordenados . ..275
23. Corpos ordenados.
CAPiTULO VI- ANtlS DE POLlNOMIOS
'"
... 281
1. Nota histórica. . 281
2. Const,ução do anel de polinómios .... 282
3. Polinómios idênticos .... 28S
4. Divisibilidade em A[xJ .. 291
5. Sobre raizes. ..297
6. Polinómios irredutíveis .. 312
CAPiTULO VII - ANtlS PRINCIPAIS E FATORIAIS .................................................. 321
1. Nota histórica. ..321
2. Divisibilidade em um anel de integridade. ..322
3. Anéis principais, fatoriai, e euclidianos. ..330
4. Polinómios sobre anéis fatoriais .. 340
RESPOSTAS. . 347
INDICE REMISSIYO ..................... 362
BIBLIOGRAFIA ............................................. 368
CAPíTULO I

NOÇÕES SOBRE CONJUNTOS


E DEMONSTRAÇÕES
1-1 SOBRE CONJUNTOS
t. NOTA HISTÓRICA
A teoria dos conjuntos foi criada por G. Cantor (1845-1918), com uma série de
artigos publicados a partir de 1874. Embora russo de nascimento, Cantor fez carrei-
ra na Alemanha, para onde sua família se mudara quando ele era criança. Depois
de doutorar-se na Universidade de Berlim, em 1867, com uma tese sobre teoria dos
números, passou a trabalhar na Universidade de Halle, onde ficaria até o fim de sua
carreira acadêmica.
Por volta de 1870, quando estudava o problema da representação das funções
reais por meio de séries trigonométricas, sua atenção se voltou para uma questão
com a qual seu espírito tinha uma afinidade natural muito grande: a natureza do
infinito. Esse foi o ponto de partida da criação da teoria dos conjuntos.
Além de tudo.os trabalhos de Cantor sobre teoria dos conjuntos exigiram uma
boa dose de coragem cientifica. De fato, ao estender a idéia de "cardinal" para con-
juntos infinitos', Cantor estava considerando a infinitude destes como algo efetlva-
mente atual e não apenas potencial, como se aceitava até então.
, Diz-se que doi> conjuntos tem o mesmo "cardinal"ouame>ma'c,rdinaliditde"se seus elementos podem ser poltos em correl(lOlldênda biunivoc<l
o grande mérito de Cantor foi perceber a existência de uma hierarquia para os
cardinais transfinitos. Assim, todos os conjuntos cujos elementos podem ser postos
em correspondência biunívoca com os elementos do conjunto dos números natu-
rais têm o mesmo e o "menor" cardinal transfinito. Trata-se dos conjuntos enumerá-
veis. Entre estes encontram-se, por exemplo, o conjunto dos números inteiros e,
surpreendentemente, o conjunto dos números racionais.Cantor, mostrou ainda que
o conjunto dos números reais tem cardinal "maior" que o dos conjuntos enumerá-
veis e que essecardinal é "igual" ao do conjunto dos irracionais, algo que contrariava
a velha idéia de que o todo tinha de ser maior que a parte. E mostrou que a escala
dos cardinais transfinitos não tem limite: sempre há cardinais "maiores" e "maiores".
Tão surpreendentes eram alguns dos resultados encontrados por Cantor que
ele chegou a dizer sobre um deles: "Vejo, mas não acredito", Assim, não é de espan-
tar o fato de que grandes matemáticos tenham rejeitado seustrabalhos. L. Kronecker
(1823-1891) chegou a chamar Cantor de charlatão da ciência. E até havia razão para
algumas dessas críticas, pois construída inicialmente sem preocupações com seusfun-
damentos lógicos, a teoria dos conjuntos, antes de ser satisfatoriamente axiomatizada
no século XX, gerou paradoxos que chegaram a confundir e inquietar os matemá-
ticos, até mesmo os "cantortstas".
Mas, para o progresso da matemática, prevaleceram opiniões como a de B. Russel
(1872-1970), que considerava a teoria dos conjuntos como "provavelmente a mais im-
portante [descoberta] que a época pode ostentar" ou a de D. Hilbert (1862-1943),
que disse: "Do paraíso criado por Cantor ninguém nos tirará".

2. CONJUNTOS
2.1 Introdução
O conceito de conjunto é certamente um dos mais importantes da matemática
contemporânea. Como sinônimo de conjunto, no sentido aqui considerado, podere-
mos usar sem distinção os termos "classe" e "coleçào". Um conjunto é fonnado por ob-
jetos, de modo genérico chamados de elementos, que, por um motivo ou outro, con-
vém considerar globalmente. Não há restrições quanto à escolha dos elementos de
um conjunto, salvo que excluiremos a possibilidade de um conjunto ser elemento
dele mesmo. Assim, não há nenhum inconveniente em considerar, por exemplo, um
conjunto formado por um número real, uma bola de futebol e um automóvel.
Costuma-se indicar os conjuntos por letras maiúsculas e seus elementos por
letras minúsculas de nosso alfabeto. Se um objeto Q é elemento de um conjunto U,
dizemos que "a pertence a U" e denotamos essa relação por a E U. Caso contrá-
rio, dizemos que "a não pertence a U" e escrevemos a fi U.
2.2 Descrição de um conjunto
Comumente usam-se três procedimentos para definir um conjunto.
• Descrever seus elementos por uma sentença. Por exemplo:
- conjunto dos números reais;
_ conjunto dos planetas do sistema solar.
• listar seus elementos entre chaves. Por exemplo:
{2,4,6,8, io}
{O, 1, 2, 3, ...}
(No segundo exemplo,como se vê, só os três primeiros elementos foram listados,
mas mesmo assim não há dúvida de que se trata do conjunto dos números naturais.)
• Dar uma "propriedade" que identifica seus elementos. Por exemplo:
{x I x é inteiro e x > 2}
{x I x é real e 2 < x < 10}
{x 1 x goza da propriedade p}
A propósito do último procedimento, vale ressaltar que um dos pontos impor-
tantes do uso de conjuntos na matemática reside no fato de estes poderem substi-
tuir as propriedades com grande vantagem no que se refere à precisão de linguagem.
Por exemplo, a propriedade "Todos os números racionais são também números
reais'; na linguagem de conjuntos, pode ser escrita assim:"Se x E 0, então x E IR".
(Ver notação abaixo.)
Certos conjuntos, por sua importância e pela frequência com que se repetem,
são indicados por notações especiais:
N = {O, 1, 2, 3, ...} (conjunto dos números naturais);
Z = { ..., - 2, -1,0, + 1, + 2, ...} (conjunto dos números inteiros);
il) = conjunto dos números racionais;
IR. = conjunto dos números reais.
Se A indica um dos três últimos conjuntos, indistintamente, então:
A' = A - {O}
A+ = {x E A I X;? O} (conjunto dos números positivos de A)
A. = {x E A I x % O} (conjunto dos números negativos de AJ
A+* = {x E A I x > O} (conjunto dos números estritamente positivos de A)
A. * = {x E A I x < O} (conjunto dos números estritamente negativos de A)
C = conjunto dos números complexos
C'=l:-{O}

2.3 Subconjuntos
Se A e a são conjuntos e todo elemento de A também é elemento de a, dize-
mos que A é um subconjunto de a ou uma parte de B e denotamos essa relação por
A c B (lê-se "A está contido em BUlou B ~ A (lê-se"B contém A"J. Dois conjuntos,
A e B, dizem-se iguais se A C B e B C A (evidentemente isso significa que os dois
conjuntos constam exatamente dos mesmos elementos). A igualdade de conjuntos é
denotada pelo símbolo usual de igualdade. Por exemplo, se A = {x E 7L 11 < x < 5}
e B = {2, 3, 4}, então A = B.
A relação definida por X C Y, chamada inclusão, goza das seguintes propriedades:

• reflexiva'. X C X;
• anti-simétrica: se X C Y e Y C X, então X = Y;
• transitiva; se X C Y e Y C Z, então X C Z.
A demonstração da primeira dessaspropriedades é imediata.A segunda proprie-
dade é decorrência da própria definição de igualdade de conjuntos. Para provar a
terceira, temos de mostrar que todo elemento de X também é elemento de Z. Ora,
se a E X, então a E Y, por hipótese; mas, pertencendo a Y, a também pertence a Z,
pela segunda parte da hipótese; isso prova a propriedade.
O exemplo seguinte ilustra o uso da transitividade na linguagem de conjuntos.
Indiquemos por M, N e 5, respectivamente, o conjunto dos quadriláteros, dos retên-
gulas e dos quadrados de um dado plano. Como 5 C N (todo quadrado é um re-
tânqulc) e NeM (todo retângulo é um quadrilátero), então 5 C M.
Convém ressaltar que são equivalentes as três aflrrnaçóes que seguem;
•A C B
• SexEA,entãox E B.
• Se x e:
ê.então x A. e:
Se A e B indicam conjuntos tais que A C S e A * S, diz-se que A está contido
propriamente em B ou que B contém propriamente A. As notações usadas para indi-
car essas relações são, respectivamente, A iE S e B ~ A.
Por exemplo, o conjunto dos números naturais está contido propriamente no
conjunto dos números inteiros, ou seja, N ~ J:. Ou, dito da outra forma: o conjunto
dos números inteiros contém propriamente o conjunto dos números naturais, ou
seja, 7L ~ N.

2.4 Conjunto vazio


Com vistas a poder lidar com a linguagem de conjuntos mais uniformemente,
aceita-se a existência de um "conjunto sem elementos": o conjunto vazio, que pode
ser definido por qualquer propriedade contraditória e que é denotado pelo símbo-
lo 0. Por exemplo; 0 = {x E Q I x fi IR}. Uma decorrência lógica (mas estranha) da
aceitação da existência de conjunto vazio é que 0 C A, qualquer que seja o conjun-
to A.De fato, supor 0 rt. A, para algum A, significaria admitir o seguinte: existe um ob-
jeto x tal que x E 0 e x fi A. Como não pode ocorrer x E 0, então deve-se aceitar

G- 10-E)
que 0 C A.Convém notar ainda que 0 "*
{0}, pois o segundo desses conjuntos
possui um elemento (o conjunto vazio), ao passo que o primeiro não possui nenhum.

2.5 Diagramas de Venn


Para ilustrar e visualizar relações entre conjuntos e operações com conjuntos,
um instrumento bastante útil são os chamados diagramas de Venn. A idéia é a se-
guinte: primeiro traça-se um retângulo de dimensões arbitrárias para representar o
conjunto de todos os elementos considerados. Depois, para representar cada subcon-
junto próprio do universo com que se esteja lidando, traça-se um círculo no interior
do retângulo. Por exemplo, a relação A C B entre dois subconjuntos de U é represen-
tada pelo diagrama a seguir.

2.6 Interseção e união


A interseção de dois conjuntos, A e B, é o conjunto indicado por A n B e definido
pela propriedade "x E A e x E B". Portanto:
A n B = {x I x E A e x E B}

A operação que consiste em associar a cada dois conjuntos, dados numa certa
ordem. sua interseção, goza das seguintes propriedades:
o An (B n C) = (A n B) n
C (associatividade)
o AnB = B n A (comutatividade)
• Se A c B, então A n B = A.
oAnO=0

G- 11 -E)
Provemos a tercei ra dessas propriedades. Para ta nto, consideremos inicia Imente
um elemento x E A n B; entáo x E A e x E B (definiçáo de interseçáo), o que ga-
rante que A n B C A. Seja, agora, x E A; como A C B, então x E B; logo, x E A nB
e, portanto, A C A n B. As duas inclusões demonstradas garantem que, efetiva-
mente, A nB= A sempre que A C B.
A união de dois conjuntos, A e B, é o conjunto indicado por A U B e definido
pela propriedade "x E A ou x E B'~ Portanto:
A U B = {x I x E A ou x E B}
Convém notar que o nau" usado na definiçáo não dá idéia de exclusividade:
um elemento da união pode pertencer a ambos os conjuntos se a interseção não
for vazia.
A

A operação que consiste em associar a cada dois conjuntos, dados numa certa
ordem, sua união, cumpre as seguintes propriedades:
• A U (B U O = (A U B) U C
·AUB=BUA
• Se A C B, então A U B = B.
·Au0=A

2.7 Complementar
Dados um conjunto Ve um subconjunto A C V, chama-se complementar de A
em relação a Ve denota-se por (AC)u a parte de V formada pelos elementos de U
que não pertencem a A. Ou seja:
(N) u = {x E U I x ri A}

V . .- - - - -....- -. . .
o conjunto U, cuja fixação é pressuposta na definição de complementar, é cha-
mado universo do discurso ou conjunto universo. No desenvolvimento da matemática,
trabalha-se, em cada situação, com um conjunto universo específico. Por exemplo,
numa primeira abordagem do cálculo, o universo é o conjunto dos números reais e,
na mesma situação,na teoria dos números (aritmética teórica), o universo é o conjun-
to dos números inteiros. Quando não houver dúvidas sobre qual ° universo em que
se está trabalhando, para simplificar a notação indicaremos o complementar de uma
parte A desse universo apenas por A'.
Da definição de complementar decorrem as propriedades que seguem para um
dado conjunto U (universo) e para partes quaisquer, A e B, de U:
• U' =0 e 0( =U
• (AcjC == A
oAÍlA'=0eAUN==U
• (A n B)C == N U Sc e (A U B)' = N n Be
As duas últimas propriedades são conhecidas como leis de De Morgan ou leis de
dualidade. A título de exercício, demonstremos que (A U B)' == N n W. Seja x um
elemento de U. Se x E (A U B)C, então x I$. A U B e, portanto, x I$. A e x I$. B. Lo-
go, x E N e x E SC, ou seja, x EN n B e fica provado que (A U B)e C A' n BC•
C
,

Agora, se x E N ÍI SC, então x I$. A e x I$. B e, portanto, x I$. A U B (se pertencesse


a esse conjunto teria de pertencer a A ou a Bl. De onde, x E (A U ev, o que prova a
inclusão contrária.

r[ Exercícios
1• Consideremos os seguintes subconjuntos de ~-R (aqui considerado como conjunto
universo): A == {x E IR I x 2 < 4}, B == {x E IR I x2 - x?- 2}, C == {l/2, 1/3, 1/4, ...} e
O == {x E IR I -2 < x -: -1}. Classifique cada relação seguinte como verdadeira
ou falsa e justifique.
a) Nc S d) B U A ~ C
b} A n B == O e) C n O i=- 0
c) C C Be

(.3- 13 -E)
2. Construa um exemplo envolvendo dois conjuntos, B e C, para os quais se veri-
fiquem as seguintes relações: 0 E C, B E C, B C C.

3. a) Descubra conjuntos, A, B e C, tais que B =1= C e A U B = A U C.


b) Com um exemplo, mostre que pode ocorrer o seguinte: B =1= C e A n B=
= A n c.

4. Se A, B e C são conjuntos tais que A U B = A U C e A n B= A n C, prove que


B = C.

~
Seja x E B. Então x E A U B = A U C. Temos, aqui, duas possibilidades: x E A ou x E C.
Mas, se x E A, então x E A n B = A n C e, portanto, x E C. Assim, todo elemento de B
é também elemento de C. De maneira enalcqa, prova-se que todo elemento de Cé ele-
mento de B. De onde, B = C. •

5. Sejam A e B conjuntos tais que A U B = A n B. Prove que A = B.

6. SeA e B são conjuntos arbitrários,demonstre as seguintes propriedades (conhe-


cidas como leis de absorção):
a) A n (A U B) = A
bl A U IA n B) ~ A

7. Dado um conjunto A, chama-se conjunto das partes de A e indica-se por ''!f' (A)
o conjunto de todos os subconjuntos de A. Por exemplo, se A = [t. 2}, então
1PIAI ~{0,{1}.{2},{1,2}}.
a) Deterrrúne w(A) quando A = {0, 1, {l}}.
b) Prove que, se um conjunto A tem n elementos, então/P(A) tem elementos. r
c) Se o número de subconjuntos binários (formados de dois elementos) de um
conjunto dado é 15, quantos subconjuntos tem esse conjunto?
It'it,i~
b} Como nos ensina a análise combinatória, o número de subconjuntos de A com um
elemento é (~), o número de subconjuntos com dois elementos é (~), etc. Como
(~) = 1 e (~) = 1 podem ser usados para contar o conjunto vazio e o próprio A
então o total de subconjuntos de A é (~) + (~) + (~ ) + ... ~- (~). Mas essa soma,
como nos ensina também a combinatória, é 2 n• •

G- 14-E)
8. Para indicar o número de elementos de um conjunto finito X, adotemos a no-
tação n(X). Mostre então que, se A e B são conjuntos finitos, verifica-se a impor-
tante relação: n(A U B) = n(A) + n(B) - n(A n B).

lm:l!llD
De fato, se indicarmos por A' e B', respectivamente,as partes de A e B formadas pelos
elementos que não estão em A n B, então n(A U B) = n(A'} + n(A n B) + n{B'). Mas
n(A') = n(A)- n(A n B} e n{B') = n(B) - n(A n B). Substituindo estas duas últimas
igualdades na anterior, obtemos a igualdade proposta. •

9. Numa pesquisa a respeito da assinatura das revistas A e B, foram entrevistadas


500 pessoas. Verificou-se que 20 delas assinavam a revista A, 14 a revista B e
4 as duas revistas. QUantas das pessoas entrevistadas não assinavam nenhuma
das revistas?

10. Se A, B e C são conjuntos finitos, mostre que:


n(AUBUC} = n(A) + n(B) + n(C) - n(An B) - n(An C} - n(BnC) + n(An8nC}

11. Define-se a diferença entre dois conjuntos, A e B, da seguinte maneira:A - B =


= {x I x E A e x fi. B}. Ache a diferença A - 8 nos seguintes casos:
a) A = Q e B = IR
b) A = IR e 8 = Q
c) A = {x E ~ I 2 < x < 5} e B = {x E n< Ix > 2}

di A ={-"-I n= 1,2,3, ...}eB={--"'--1 n = 1,2.3, ...}


n+l 2n+l
e} A = {x E IR 11 < x < 3} e B = {x E IR I x 2 - 3 x - 4 > O}

12. Sejam A e B conjuntos finitos tais que n(A U B) = 40, n(An 8) = 1Oe n{A - B) = 26.
Determine n(8-A).

13. Denomina-se diferença simétrica entre dois conjuntos A e B e denota-se por Ail8
o seguinte conjunto: A Ó. 8 = (A - 8) U (8 - A). Isso posto:
a) ache a diferença simétrica entre os pares de conjuntos do exercício 11;
b) mostre que, qualquer que seja o conjunto A, valem A Ó. 0 = A e A ó. A = 0 ;
c) mostre que, para quaisquer conjuntos A e B, vale A ó. 8 = 8 ó. A.

14. Sejam A e 8 subconjuntos de um conjunto U. Prove as seguintes propriedades:


a) Se A n B = 0 e A U 8 = U, então B = N e A = 8'.
b) Se A n B = 0, então B C N e A C 8'.
c} B C A se, e somente se, A' C BC•

G- 15-E)
1S. Prove as seguintes propriedades, envolvendo o conceito de diferença de conjuntos:

ai (A - 81 n (A - CI = A - (8 U CI
bl (A - CI n (8 - CI = (A n 81 - C
c) (A U B) - 8 =A se, e somente se, A n B = 0.

lIil:lilmDI
b) Sex E (A - C) n {B - C),entãoxEA,xÉ C,x E Bex É COai x E A n Be,xÉ C
e, portanto, x E (A n B) - C Isso prova que (A- C) n (B - C) C (A n B) - C
Para provar a inclusão contrária, tomemos x E (A n B) - C. Então, x E (A n B) e
x É C Daí x E A, x E B e x É C e, portanto, x E (A - C) e x E (B - C), ou seja,
x E (A - B) n (A - C), como queríamos provar. •

16. Encontre um exemplo para mostrar que pode ocorrer a desigualdade seguinte:
A U IB - CI + (A U 81 - IA U CI

1-2 SOBRE DEMONSTRAÇÕES

3. NOTA HISTÓRICA
A lógica, como ciência, foi criada por Aristóteles (384-322 a.C). Mas,embora Aris-
tóteles considerasse sua criação uma ciência independente da matemática e ante-
rior a esta, as bases para a estruturação e ststematlzação da lógica empreendidas por
ele já haviam sido lançadas antes pelos matemáticos gregos, ao criarem e desenvol-
verem o método dedutivo. De fato, esse método pressupõe, antes de tudo, leis cor-
retas para o raooclnlo, e isso se insere nos domínios da lógica. Entre essas leis, há
que se destacar a leido não contradição, que estatui que uma proposição não pode
ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, e a lei do terceiro excluído, que estatut que
uma proposição só pode ser verdadetra ou falsa.ambas introduzidas por Aristóteles.
A lógica de Aristóteles, cujas fórmulas (por exemplo, silogismos) se expressavam
em palavras da linguagem comum, sujeitas a regras slntétlcas comuns, reinou sobe-
ranamente até o século XIX - quando foi criada a lógica matemática -, a despeito
do significativo papel desempenhado pela lógica escolástica da Idade Média.
Mas há que registrar, no século XVI!, o trabalho desenvolvido por G.W. Leibniz
(1646-1716) no sentido de criar uma álgebra simbólica formal para a lógica. A moti-
vação para Leibniz foi a forte impressão que lhe causava o poder enorme da álgebra
simbólica em campos diversos, e o objetlvo de sua álgebra da lógica seria o de con-
duzir o raciocínio mecanicamente e sem esforços demasiados em todos os campos
do conhecimento. Mas Leibniz deixou apenas escritos fragmentados sobre o assun-
to, escritos que, ademais, só se tornaram conhecidos em 1901.
Entre os matemáticos que contribuíram para a criação da lógica matemática no sé-

C~ 16 €)
culo XIX, aquele cuja obra teve peso e repercussão maiores foi G. Boole (1815-1864),
graças sobretudo a The laws of thought ("As Leis do Pensamento"), de 1854. Uma li-
geira idéia da obra de Boole pode ser dada por este fato: ele usava letras minúsculas,
x, y, Z, .••, para indicar partes de um conjunto tomado como universo e representado
pelo símbolo 1. Se x,y representavam duas dessas partes, ele denotava o que hoje
chamamos de interseção e união dessas partes respectivamente por xy e x + y.
O complementar de uma parte x era indicado por 1 - x. Na verdade, as uniões const-
deradas por Boolepressupunham partes disjuntas;a generalização, para o conceito atual,
é devida a W. S.Jevons (1835-1882). Assim, sendo evidente que xy = yx, x + Y = Y + x,
xy = yx, (xy)z = x(yz), essas leis foram tomadas como axiomas em sua álgebra. Mas a
nova álgebra apresenta diferenças fundamentais em relação à clássica: haja vista as
leis Xl = X e x + x = x, para qualquer parte x do universo.
Como exemplo do uso da álgebra de Boole, vejamos como se poderia colocar
em sim bolos a lei do terceiro excluido. Suponhamos que 1 indique o conjunto de
todos os seres humanos vivos e x o conjunto dos brasileiros vivos. Então, 1 - x
indica o conjunto dos seres humanos vivos que não são brasileiros, e a equação
x + (1 - x) = 1 expressa a idéia de que todo ser humano vivo ou é brasileiro ou
não é brasileiro.
Não passou despercebida a Boole a correspondência entre a álgebra dos conjun-
tos e a das proposições. Se p indica uma proposição, a equação p = O indica que
p é falsa, e a equação p = 1, que p é verdadeira. Nesse contexto, dadas duas pro-
posições, p e q ,ele indicava por pq e p + q, respectivamente, a conjunção e a dis-
junção das duas. Mas Boole não se alongou muito nessa questão.
Tão importante e inovadora foi a obra científica de Boole,queo grande matemáti-
co e filósofo galês B. Russel (1872-1970) via nele o verdadeiro descobridor da mate-
mática pura. Mas talvez nada ateste mais fielmente a importância dessa obra do que
as muitas pesquisas que nela se inspiraram e que levariam a uma axiomatização da
álgebra do pensamento no século XX.

4. DEMONSTRAÇÕES
4.1 Proposições e funções proposicionais
A matemática é uma ciência dedutiva. Isso significa, entre outras coisas, que a
validade de um resultado matemático exige uma demonstração. Não é fácil definir o
que é uma demonstração matemática. Basicamente, é uma sucessão articulada de ra-
ciocínios lógicos que permite mostrar que um resultado proposto é conseqüência de
princípios previamente fixados e de proposições já estabelecidas. Nesse processo, é
preciso lidar e operar constantemente com proposições (sentenças declarativas às
quais se pode atribuir um valor lógico - verdadeiro ou falso, exclusivamente) e
funções proposicionais (sentenças declarativas envolvendo variáveis).

G- 17-E)
"P'"'' rlNI~p
Consideremos as sentenças "2 é um número primo":\': 2 é um numero racio-
nai" e "x é um número real maior que 1", Como se vê, são sentenças declarativas.
Mas, embora se possa dizer que a primeira é verdadeira e a segunda falsa, nenhum
valor lógico se pode atribuir à terceira.já que ela envolve uma variável em IR. As duas
primeiras são,pois, proposições, ao passo que a terceira é uma funçào proposicional
(na variável x).
As variáveis de uma função proposicional sempre representam elementos de um
conjunto previamente fixado - seu domínio de validade ou universo. As funções pro-
posicionais na variável x são indicadas em geral por p(x),q(x), ...Toda função proposi-
cional pode ser transformada numa proposição, bastando para isso substituir a
variável por um elemento do universo. Se a é um elemento do universo de p(x),
a proposição obtida com a substituição da variável por a é indicada por p(a). Por
exemplo, se p(x) é a função proposicional "x 2 3 4" no universo dos números
racionais, então p(3) é "32 3 4" (verdadeira) e p( -1) é "( _1)2 3 4" (falsa). Assim,
uma maneira de transformar uma função proposicional em proposição é substituir
a variável (ou variáveis) por um elemento (ou elementos) arbitrário(s) do universo.
Outra maneira de transformar uma função proposicional em proposição consis-
te em quantificar a variável (ou variáveis), o que pode ser feito de duas maneiras:
através do quantificador existencial "existe um pelo menos" ou do quantificador uni-
versal" qualquer que seja"(ou "qualquer" ou "todo"). No cálculo proposicional usam-
se os símbolos 3 e 'ri para indicar os quantificadores existencial e universal, respectiva-
mente.
Por exemplo, a função proposicional "x >1 ", em que x é uma variável em IR, po-
de ser quantificada das maneiras que seguem:
"Existe um número real maior que 1" (verdadeira).
ou
"Todo número real é maior que 1" (falsa).
Se p(x) é uma função proposicional cujo conjunto universo é U, então os elemen-
tos de U que tornam verdadeira p{x) constituem o que se chama conjunto verdade da
proposição dada. Por exemplo, o conjunto verdade de "x é um quadrado perfeito': em
que x é uma variável em N, é {O, 1, 4, 9, ...}.

4.2 Conectivos
Na linguagem matemática, a negaçào de proposições ou funções proposicionais
e a combinação de proposições ou funções proposicionais através dos conectivos "e"
(conjunção), "ou" (disjunção), "se...então..." (condicional) e "se,e somente se" (bicon-
dicional) são operações que têm interesse fundamental.
A respeito dos conectivos, convém esclarecer o seguinte:
• O ou usado na matemática não tem sentido exclusivo. Assim, numa proposição

G- 18-E)
disjuntiva, "p ou q'; ambas as proposições (p e q) podem ser verdadeiras (ou falsas).
por exemplo, em "2 é primo ou 2 é par", ambas são verdadeiras.
• As proposições do tipo "se p então q" serão entendidas aqui como "~[p e
(~q)]". Assim, por exemplo, é o mesmo dizer que "Se uma pessoa é paulista, en-
tão essa pessoa é brasileira" ou "Não pode ocorrer de uma pessoa ser paulista e
não ser brasileira". É o mesmo dizer também que "Se x 2 é um número par, então
x é um número par" ou "Não pode acontecer de x 2 ser um número par e x não ser um
número par".
• Uma proposição do tipo "p se, e somente se, q" será entendida como "se p,
então q, e se q, então p",
No que segue, indicaremos por ~p a negação de uma proposição p.
Por exemplo, se p indica a proposição "2 é primo" e q a proposição "2 é par",
então:
• "~p" (negação de p) é "2 não é primo";
-.» ~q" (negação de q) é "2 não é par" ou "2 é impar" (pois só há duas alterna-

tivas para um inteiro: par ou ímpar);


-rp e q"é"2 é primo e 2 é par";
• "o ou o" é "2 é primo ou 2 é par";
• "se p, então q" é "se 2 é primo, então 2 é par";
• "p se, e somente se, q" é "2 é primo se, e somente se, 2 é par".
Nesse contexto, é importante saber determinar o valor lógico das proposições
obtidas através da negação ou dos conectivos, em função do valor lógico das pro-
posições dadas.
• Uma proposição" ~p" é verdadeira se p é falsa, e vice-versa.
• As proposições do tipo "p e q" só são verdadeiras quando p e q são verdadeiras.
• As do tipo "p ou c" só são falsas quando p e q são falsas.
• Para o estudo do valor lógico das condicionais "se p, então q" é melhor con-
siderá-Ias na forma" ~[p e (~q)J". No caso em que p e q são verdadeiras,"p e (~q)"
é falsa (pois -so é falsa) e, então, a negação dessa última, ou seja "se p, então c" é
verdadeira; segue então que, quando p e q são verdadeiras, "se p. então q" é verda-
deira. Aplicando-se esse raciocínio para os demais casos, conclui-se que uma pro-
posição do tipo "se p, então q" só é falsa no caso em que p é verdadeira e q é falsa.
Como exemplo, consideremos as proposições "O menor número primo positivo
é 2';que indicaremos por p, e "O menor número irracional positivo é \' 2 ", que in-
dicaremos por q. Obviamente a primeira é verdadeira, e a segunda, falsa. Então:
• "~p" é falsa;
v » ~q" é verdadeira;

• "p e q" é falsa;


• "p ou c" é verdadeira;

G- 19-E)
• "se p, então c" é falsa;
• "se q, então p" é verdadeira;
• "o se, e somente se, c" é falsa (por quê?).

4.3 Implicação e equivalência


Se p e q são proposições tais que a condicional "se p, então q" é verdadeira,
diz-se que p implica ou acarreta q. Para indicar que p implica q, usa-se a notação
"p -= o", Por exemplo:
> 2 -= 4 é primo
uma vez que a proposição "se 1 > 2, então 4 é primo" é verdadeira (pois "1 > 2"
é falsa). Por outro lado, não procederia escrever

2 >1 -= 4 é primo
já que a primeira dessas proposições é verdadeira e a segunda falsa (único caso em
que uma proposição do tipo "se...então ..." é falsa, como vimos).
Sejam p(x} e q(x) funções proposicionais com o mesmo universo U. Se para
todo a E U tal que pia) é verdadeira e a proposição q(a) também for verdadeira,
então se diz que p{x) acarreta (ou implica) q(x). A notação é a mesma:p(x) -= q(x).
Por exemplo, se U = IR, então:

uma vez que todos os valores de x que tornam verdadeira a primeira função pro-
posicional também tornam verdadeira a segunda. Mas não procederia escrever

x 2 > 4 acarreta x > 2


visto que há números reais que tornam verdadeira a primeira proposição e falsa a
segunda (todos os números reais menores que - 2).
Vale observar que, se no exemplo anterior o universo fosse o conjunto dos nú-
meros reais positivos, então:
x 2>4-=x>2
Uma importante propriedade de que goza a relação ==> é a transitividade. Ou
seja, se p ==> q e q ==> r, então p -= r. De fato, a proposição "se p, então r" só não
seria verdadeira no caso de p ser verdadeira e r falsa. Mas, como "se p, então q" é
verdadeira,então q teria de ser verdadeira,e como "se q, então r" é verdadeira,então
q teria de ser falsa. Impossível, pois isso contraria o princípio da não-contradição.
Então "se p, então r" é verdadeira e, portanto, p ==> r.
Duas proposições, p e q, dizem-se logicamente equivalentes se p ==> q e q ==> p.
Notação: p -= q. A definição de funções proposicionais equivalentes é análoga. Por
exemplo:
x2 - 4 = O -= x = 2 ou x= -2
De fato, os números reais que tornam verdadeira a primeira proposição (2 e -2)
também tornam verdadeira a segunda, e vlce-versa.
Consideremos uma implicação p ~ q (poderia ser também uma implicação en-
volvendo funções proposicionais). Outra maneira de ler essa relação é:

"p é uma condição suficiente para q".

A explicação para isso é que a veracidade de p basta (é suficiente) para garan-


tir a veracidade de q, uma vez que estamos supondo "se p, então q" verdadeira.
Outra maneira ainda é:

"q é uma condição necessária para p",

A explicação, no caso, é que é necessária a veracidade de q para que se possa


ter a veracidade de p.
Consideremos, por exemplo, a implicação "x = 2 ~ = 4",em que x é uma va-
Xl

riável em IR. Essa relação poderia, portanto, ser formulada de uma das seguintes ma-
neiras: "x ser igual a 2 é suficiente para que Xl seja igual a 4" ou "Xl = 4 é condição
necessária para x= 2".
Issojustifica por que uma equivalência p ~ q é comumente expressa nos seguin-
tes termos:
"q é uma condição necessária e suficiente para p"

ou

"p é uma condição necessária e suficiente para q".

Por exemplo, a equivalência "x é par ~ Xl é par", em que x representa um nú-


mero inteiro, poderia ser formulada da seguinte maneira: "uma condição necessária
e suficiente para que Xl seja par é que x seja par".

4.4 Recíproca de uma proposição ou função proposicional


A proposição "se q, então p.. é chamada recíproca de'·se p, então q". (Para funções
proposicionais a definição é análoga.) Éfácil ver que a recíproca de uma proposição
verdadeira pode não ser verdadeira, e vlce-versa. Ou seja, se p e q são proposições
tais que "p =- q" pode não valer a implicação contrária. O mesmo acontece com as
funções proposicionais. Por exemplo, a recíproca de "Se X é um quadrado, então X é
um losango" é "Se X é um losango, então X é um quadrado" .Obviamente a primeira
é verdadeira, mas a segunda não (nem todo losango é quadrado). Também pode
acontecer de uma proposição e sua recíproca serem ambas verdadeiras ou falsas. Por
exemplo, "Se Xl é impar, então x é ímpar" e sua recíproca "Se x é ímpar, então Xl é
ímpar" são ambas verdadeiras.
4.5 Demonstração indireta - negação de funções proposicionais
Nos raciocínios matemáticos muitas vezes é preciso negar uma proposição. Isso
acontece, especialmente, nas demonstrações indiretas ou demonstrações por redução ao
absurdo de teoremas. Um teorema é basicamente uma proposição que, para ser ad-
mitida, precisa ser demonstrada. O enunciado de um teorema sempre explicita algu-
mas hipóteses e pressupõe toda a teoria pertinente que o precede. O resultado a ser
provado é a tese. Se a negação da tese levar a alguma contradição com as hipóteses
ou com outros pressupostos da teoria, o teorema estará provado. Uma explicação for-
mai rigorosa para esse fato requer um desenvolvimento do assunto fora dos objetl-
vos deste texto e, por isso, nos ateremos a um exemplo.
Suponhamos que se deseja provar que "Se m 2 é ímpar, então m também é ím-
par" (m número inteiro). Negando a tese, suponhamos que m fosse par, ou seja, que
pudesse ser escrito na forma m = 2r, em que t é inteiro. Então m2 = 4t 2 = 2 . (2t 2 )
também seria par, contra a hipótese. De onde, m necessariamente é ímpar.
A seguir relacionaremos os procedimentos para as negações habitualmente ne-
cessárias na argumentação matemática.
• Sep(x} indica uma função proposlclonal.a negação de"( 'v'x)(p(x))"é"(3x)( ~p(x})".
Por exemplo, a negação de "Qualquer que seja o número real x, x 2 é positivo" é
"Existe um número real x tal que x2 é estritamente negativo". (Lembremos que, por nos-
sa convenção, positivos são os números? Oe estritamente negativos os números < Ol.
• Sep(x) indica umafunção proposicional, a negação de"(3x)(p(x)}"é "('v'xl(~p(x))".
Por exemplo, a negação de "Existe um número real x tal que x2 - 4 = O"é "Qual-
quer que seja o número real x, vale x2 - 4 -=f- O':
• Se p e q indicam proposições {ou funções proposicionais}, a negação de "p e
q" é "(~p) ou (~q)".

Por exemplo, a negação de "2 é par e 2 é primo" (ou "2 é par e primo", como se-
ria mais comum dizer) é "2 não é par ou 2 não é primo':
• Se p e q indicam proposições (ou funções proposicionais), a neçação de
"p ou q" é "(~p) e (~q)",

Por exemplo, a negação de "Qualquer que seja o número real x,x < O ou x > O"
é "Existe um número real x tal que x ? O e x < O",
• A neqação da negação de uma proposição (ou função proposicional) p é p.
Por exemplo, a neqação de "3 não é ímpar" é "3 é ímpar".
• Se p e q indicam proposições (ou funções proposicionais), então a neqação
de "se p, então q" é "p e (~q)".
A explicação para isso vem do fato de que "Se p, então q" tem formalmente o

G- 22-E)
mesmo sentido de n ~[p e (~q)]" e de que, se 5 é uma proposição, então -[~(5)]

é como vimos anteriormente.


5,
Como exemplo, consideremos a proposição "Se um número é racional, então
também é um número real", que tem o mesmo sentido de "Todo número racional
é real". Sua negação é "Existe um número que é racional e não é real".

4.6 Demonstração de existência


Na matemática são comuns os teoremas de existência. Nesse caso, a demons-
tração muitas vezes é feita simplesmente exibindo-se um objeto que cumpre ais)
condição(ões) desejada(s). Como exemplo, mostremos que dados dois números ra-
cionais, o e b, com o < b, então existe um número irracional Cl' tal que o < Cl' < b.
De fato, o número
c e u t- b-Q (1)
d
cumpre as condições desejadas. Observemos primeiro que, pela própria maneira co-
mo foi definido, o número a é maior que Q e menor que b. Por outro lado, de (1) se-
gue que:
b-a
\2=--
a-a
Assim.supondo que ex fosse racíonaf.entào o segundo membro da última igual-
dede tambérn seria um número racional e teríamos o seguinte absurdo: \' 2 racional.
Logo, a é irracional.
É claro que exibir um objeto que cumpre uma determinada condição, em geral
não é fácil, pois isso pode depender bastante de imight e bagagem matemática.
Mas persistência e traquejo ajudam muito.

4.7 Demonstração por contra-exemplo


Há situações, também, em que se tem de demonstrar que uma proposição ou
propriedade é falsa. Nesse caso, basta evidentemente dar um contra-exemplo. A título
de llustreçêo.conslderemos a seguinte proposição, no conjunto dos números inteiros:
"Se a é um divisor de b e de c, então a é um divisor de b + c'.' Como é bem conhe-
cido. trata-se de uma proposição verdadeira. Mostremos que sua recíproca não é ver-
dadeira. Essa recíproca pode ser enunciada asslmSe Q é um divisor de b + c, então
Q é um divisor de b e c". Para mostrar a falsidade dessa última proposição, basta um

contra-exemplo. E isso é fácil: 5 é um divisor de 3 + 7, mas não é divisor de nenhuma


das parcelas dessa soma.
Para a descoberta de um contra-exemplo vale, com as devidas mudanças, a
mesma observação feita ao final de 4.6.

G- 23 oE)
4.8 Contra positiva de uma proposição ou função proposicional
Através do raciocínio por redução ao absurdo podemos mostrar que toda con-
dicionai "se p, então o" é logicamente equivalente à condicional "se <q, então p",
-r

chamada contrapositiva da condicional dada. Mostremos, usando o raciocínio men-


cionado, que a primeira dessas condicionais implica a segunda. Para isso tomamos
como hipótese "~[p e (~q)]"(a maneira formal de escrever"se p,então q"). Observemos,
porém, que a segunda condicional (no caso, a tese) pode ser substituída por
"~{(~q) e [~(~p)J}", ou seja, por "-[(-q) e pl", cuja negação é "(~q) e p", propo-
sição nitidamente contraditória com a hipótese. Essa contradição garante a validade
da implicação considerada. Analogamente se demonstra a implicação contrária.
Como exemplo, consideremos a proposição "Se a soma de um número inteiro
com seu quadrado é um número ímpar, então o número dado é ímpar". A contrapo-
sltlva dessa proposição é: "Se um número inteiro é par, então a soma desse número
com seu quadrado é um número par". Pelo que vimos, demonstrar esse último re-
sultado equivale a demonstrar o primeiro. E a vantagem, como em muitos casos, é
que é mais fácil demonstrar essa última versão do teorema: basta representar um nú-
mero par genericamente por 2t e fazer os cálculos algébricos indicados no enunciado:
(2t) + (2t)2 = 2t + 4t 2 = 2(t + 2( 2), que é par.

4.9 Funções proposicionais e diagramas de Venn


Muitas vezes, no estudo de questões envolvendo funções proposicionais, é inte-
ressante representar ou imaginar o conjunto universo e os conjuntos verdade respec-
tivos por meio de um diagrama de Venn, pois isso pode ajudar bastante o raciocínio.
Afigura a seguir mostra a representação do conjunto verdade Ade uma proposição
p(x) cujo conjunto universo é U.

u.... ------""I

Para utilizar esse expediente. é preciso, primeiro, estabelecer uma correspondên-


cia entre as funções proposicionais derivadas de uma ou duas funções proposicionais
através da negação e dos conectivos e as partes correspondentes de U. Se A e B
são. respectivamente, os conjuntos verdade de duas funções proposicionais p(x)
e q(x), com o mesmo universo U, a tabela a seguir mostra essa correspondência:

C3- 24-E)
se p(x}, então q(x) (no caso: p(x) =- q(x)) AcB
p(x) se, e somente se, q(x) (no caso: p(x) =- q(x)) A-B
-[Plx)] A'
p(x) e q(x) AnB
p(x) ou q(x} AUB

Como exemplo, vejamos como se mostra a seguinte equivalência:


--[p(x) e q(x)] =- [~p(x} ou -q(x)]

/
'"
B~
\... A

ACU BC=(A
.J
" n Bf

Para isso, indiquemos por A e B, respectivamente, os conjuntos verdade de p(x)


e q(x).
Então os pontos que tornam verdadeira" ~(p(x) e q(x)]" são os de (A n B)c =
= NU BC • Mas esseconjunto, por sua vez.é o conjunto verdade da função proposicio-
nal "~p(x) ou ~q(x)", o que completa nossa justificação.

['0"",1 Exercícios
17. Qual é o valor lógico das seguintes proposições?
a) 2 +5 = 1 ou 3 > 1.
bl 2 é primo e 2 é par.
e} Sel >2, então 1 =2.
d) Todo número primo é um número real.
e) Qualquer que seja o número real x, vale x 2 > x.
f) Existe um número real x tal que x 3 == -2.
g} Para que um triãngulo seja retângulo, é necessário e suficiente que o quadrado
de um de seus lados seja igual à soma dos quadrados dos outros dois.
h) Sef é uma função real de variável real, então f é uma função par ou uma fun-
ção ímpar.
i) Se x é um número inteiro e x 3 é ímpar, então x é impar.
j) Duas matrizes quadradas de mesmo ordem sêo iquais se, e somente se, seus
determinantes são iguais.

G- 25-E)
18. Considere que numa universidade setenha a seguinte situação: há pesquisadores
que não são professores e professores que não são pesquisadores; mas alguns
pesquisadores são professores. Isso posto, quais das seguintes afirmações relati-
vas a essa universidade são verdadeiras?
a} Existem professores que são pesquisadores.
b) Se P indica o conjunto dos professores e Q o conjunto dos pesquisadores,
entâopnO-=t-0.
c) Todo pesquisador é professor.
d) O conjunto dos professores não está contido no conjunto dos pesquisadores.
e) Existem pesquisadores que não são professores.
f) O conjunto dos pesquisadores está contido no conjunto dos professores.

19. Escreva na forma "se... então ...":


a) Qualquer lado de um triãngulo é menor que a soma dos outros dois lados.
b) Todo número primo diferente de 2 é ímpar.
c) Para um número real x tal que -2 < x < 2, vale xl < 4.
d} Duas retas quaisquer, paralelas entre si e não paralelas ao eixo das ordenadas,
têm o mesmo coeficiente angular.
e) Sempre que uma função real de variável real é diferenciável num ponto, ela é
continua nesse ponto.
f) Um determinante é nulo quando uma de suas filas é formada de zeros.

20. Sejam p, q e r proposições, as duas primeiras verdadeiras e a terceira falsa.Indique


o valor lógico de:
a) p e (~q);

b) (-r) ou (~p);

c) se (p e r), então q;
d} P se, e somente se, r.

21. Negue as seguintes proposições:


a) Se x E IFR e x > 2, então x 2 ~ 4.
b) Nenhum triángulo retângulo é eqüilátero.
c) Qualquer que seja o número real x, existe um número inteiro n tal que n > x.
d) Existe um número complexo z tal que Z5 = -2.
e) Todo retângulo é um paralelogramo.
f) Se dois planos são paralelos, então toda reta de um deles é paralela ao outro
plano.

G- 26-EJ
22. Quantifique as funções proposicionais que seguem de modo a torná-Ias verda-
deiras (para todas o universo é conjunto dos números reais):
a}x 2 - 5 x + 6 = D
b) x 2 - 16 = (x - 4)(x + 4)
c) sen"> + cos-x> 1
d) serr'x - senx=O
e) x 2 - 3x + 3 > 1
3
f) x2 > 2x

23. Se urna função proposicional envolve n variáveis, então é preciso quantificá-Ia n


vezes a fim de que ela se torne uma proposição. Quanto a isso, é importante
observar que os quantificadores existencial e universal nem sempre comutam
entre si, como se pode verificar pelas proposições que seguem, a primeira ver-
dadeira e a segunda falsa (em ambas o dominio da variável é [R); "Qualquer
que seja x, existe y tal que x +y = 1" e "Existe x tal que, qualquer que seja y,
x + y = 1".
Isso posto, quantifique as seguintes funções proposicionais de modo a torná-Ias
verdadeiras (em todas, o universo das duas variáveis é o conjunto dos números
reais);
a) y> x
b) (x + y)2 = x2 + 2xy + y2
2
c) x =y
d) sen (x + y) = sen x + sen y
e) x 2
+l ?- O

24. Determine o valor lógico das proposições seguintes, nas quais x e y são variáveis
em {1, 2, 3),
a) Existe x tal que, qualquer que seja y, x < y2 + 1.
b) Para todo x existe y tal que x 2 + y2 = 4.
c) Existem x e y tais que x2 + y2 = x3 •

25. Em quais das condicionais seguintes é correto dizer que a primeira proposição
(função proposicional na variável real x) acarreta a segunda?
a) Se 2 = O, então 4 é um número primo.
b) Se x 2 + x - 2 = O, então x = - 2.
c) Se x é um número real, então x é um número complexo.
d) Se x 2 - 4 < O, então x < 2.
e) Se tgx > 1, então x> TI/4.

G- 27-E)
26. Para quais das bicondicionais seguintes seria correto dizer que a primeira pro-
posição (função proposicional) é equivalente à segunda?
a) 2x - 5 ~ 5 se, e somente se, x > 5.
b) x 2 + 3x +2< O se..e somente se, -2 < x < -1.
c) sen x = sen (lx) se, e somente se, x = O.
d) Uma matriz quadrada A é inversível se, e somente se,det(A) *- o.
e} As retas y = 2x e y =mx+ n são perpendiculares se,e somente se, 2m + 1 =O.
27. Enuncie as reciprocas e as contra positivas das seguintes proposições:
a) Se dois números inteiros são ímpares, então a soma deles é um número par.
b) Se uma função real de variável real é contínua num ponto, então ela é dife-
rencíavel nesse ponto.
c) Se uma matriz quadrada é inversfvel. então seu determinante é diferente de
zero.
d) Se o grau de um polinômio real é 2, então esse polinómio tem duas e apenas
duas raízes complexas.
e) Se dois planos são perpendiculares, então toda reta de um deles é perpendi-
cular ao outro.

28. Classifique como verdadeiras ou falsas as reciprocas e as contra positivas das


proposições do exercício 27.

29. Enuncie a contra positiva da propriedade transitiva da relação "maior que" em


IR., ou seja, da propriedade: "Se a > b e b > c, então a > c".

30. Enuncie a contra positiva da seguinte proposição: "Sejam A, B e Cpontos distin-


tos de um plano. Se esses pontos não são colíneares. então AB < BC + Ac".

31. Ache um contra-exemplo para cada uma das seguintes afirmações:


a) Para todo x E IR, Xl - 1 > 60.
b) Para todo x E IR, x 3 - 4x 2 < 20.
c) Para todo x E IR, cos x > + 1).
cos (x
d) Para todo x E IR:, vale I0910X > IOglOX2.

32. Justifique a propriedade seguinte de duas maneiras, a primeira através de sua


contrapositiva e a segunda por redução ao absurdo: "Se m é um inteiro tal que
m 3 + 2 é ímpar, então m é ímpar".

33. Prove, por meio de um contra-exemplo, que n 2 + n + 41 (em que n é um inteiro


estritamente positivo) nem sempre é um número primo.

C3- 28 -E)
CAPíTULO 1\

INTRODUÇAO A ARITMETICA
-. ,

DOS NÚMEROS INTEIROS


1. INTRODUÇÃO
No conjunto dos números naturais.que.sequnoo o matemático Leopold Kronecker
(1823-1891), foi criado por Deus (o resto foi criado pelo homem, complementava ele),
a diferença entre Q e b só está definida se a ~ b. Mas há questões envolvendo a
idéia de subtraçao de números naturais em que o minuendo é menor que o sub-
traendo - por exemplo, gastar mais do que se tem. Para enfrentar essas questões,
foi preciso ampliar o conjunto dos números naturais, com a adjunção de novos nú-
meros,os números negativos, introduzidos a princípio para possibilitar uma resposta a
uma subtração qualquer de dois elementos de N. Esse passo gerou naturalmente
a necessidade de estender as operações e a relação de ordem de N ao novo con-
junto, formado pelos números naturais e os números negativos.
Historicamente os inteiros negativos não foram os primeiros números a surgir
dos naturais - as frações positivas vieram antes. Nem foram introduzidos de manei-
ra bem estruturada e com bom acabamento matemático. Muito pelo contrário. Sim-
plesmente surgiram, e de maneira bastante informal, em decorrência de questões pré-
ucas.Intcalmente na China,provavelmente bem antes do século III a.C,.e mais tarde
na índia, em torno do século VI d.e. Mas na Europa ocidental do século XVII ainda

G- 29-E)
havia matemáticos de alto gabarito que não aceitavam bem (ou nem sequer aceitavam)
os números negativos.
A idéia intuitiva é que, por exemplo, todas as "diferenças" O - 1,1 - 2,2 - 3,
3 - 4, ...de alguma maneira sáo "equivalentes" e representam o mesmo "número; um
novo número que veio a ser indicado com o tempo por -1. De maneira análoga
se introduzem os números -2, -3, .... É claro que, sob o ponto de vista do rigor,
esse procedimento deixa a desejar (o que são essas 'dlterençasj afinalê), mas os pri-
meiros matemáticos a usá-lo não estavam preocupados com isso e foram em frente.
Obtidos esses novos números, é preciso ainda incorporá-los consistentemente
ao conjunto dos números naturais (por uma questão de uniformidade, os números
1, 2, 3, ... são representados respectivamente por + L + 2, + 3, ...), o que exige:
(i) Estender para o novo conjunto numérico,ou seja, l' "" {... - 3, - 2, -1,0, + 1, + 2,
+ 3, ...}, as operações adição e multiplicação de números naturais. Isso signifi-
ca, por exemplo, dar uma definição de adição no novo conjunto que, quando
aplicada ao subconjunto dos números naturais (parte do novo conjunto), leve aos
mesmos resultados que a adição de números naturais.Por exemplo, como 2 + 3 ""
""(3-1)+{4-l}""{3+4}-(1 +1)",,7-2 =5, é razoável esperar que
(-2) + (-3) = (1 - 3) + (l - 4) = (1 + 1) - (3 + 4) = 2 - 7 = -5 (notar
que 2 - 7 é uma das "diferenças" que definem - 5).
(ii) Estender para l' a idéia de "menor" evmaior" a partir das (e coerentemente com
as) idéias correspondentes em N. Feito isso, podemos por fim nos referir a l' como
o sistema (ou campo) dos números inteiros.
Obviamente essas considerações visam apenas dar uma idéia despretensiosa da
construção dos números inteiros. Esse desenvolvimento, que, quando feito com rigor
e formalismo, é bastante trabalhoso e até tedioso, foge ao plano traçado para este tra-
balho e, por isso, não será feito aqui. Começaremos considerando toda essa constru-
ção já feita, bem como conhecidas as propriedades básicas das operações e da re-
lação de ordem em 1'.

2. INDUÇÃO
2.1 Princípio do menor número inteiro
Seja L um subconjunto não vazio de 1'. Dizemos que L é limitado inferiormente
se existe um número a E l' tal que a e; x, qualquer que seja o elemento x E L. Ou
seja, a menor que ou igual a qualquer elemento de L.Todo elemento a E l' que
cumpre essa condição chama-se limite inferior de L. Obviamente, se um inteiro a é li-
mite inferior de L, então todo inteiro menor que a também o é. Um limite inferior
de L que pertença a esse conjunto chama-se mínimo de L. Pode-se provar que um
subconjunto não vazio de l' não pode possuir mais do que um minimo.

G- 30-E)
Exemplo 1: O conjunto L = {-2, -1, 0,1,2,3, ...} é limitado inferiormente e seus
limites inferiores são - 2, - 3, -4..... E L tem mínimo: o número - 2.
Exemplo 2: O conjunto 5 = { ..., -6, -4, - 2, O} dos múltiplos negativos de 2 não é
limitado inferiormente. Obviamente não há nenhum inteiro que seja menor que todo
elemento de S.
O resultado a seguir é um teorema quando se desenvolve a teoria dos números
inteiros sistematicamente a partir dos números naturais.A palavra princípio que figura
em sua designação deriva de razões históricas.
Princípio do menor número inteiro: Se L é um subconjunto de 1L, não vazio
e limitado inferiormente, então L possui mínimo.
Por exemplo, o conjunto dos números inteiros positivos é limitado inferiormente
e seu mínimo é o número O.

2.2 Indução
Usando o princípio do menor número inteiro podem-se deduzir duas proposições
bastante úteis para provar a veracidade de funções proposicionais definidas numa
parte de Z limitada inferiormente.
Primeiro princípio de indução: Sejap(n) uma função proposicional cujo univer-
so é o conjunto dos inteiros maiores que ou iguais a um inteiro dado c. Suponhamos
que se consiga provar o seguinte:
(i) pro) é verdadeira.
(ii) Se r ~ o e p(r) é verdadeira, então p(r + 1) também é verdadeira.
Então p(n) é verdadeira para todo n ~ o.
Demonstração: Seja L = {x E Z I x ~ a e p(x) é falsa}. Se mostrarmos que L = 0,
o princípio estará justificado. Para isso vamos raciocinar por redução ao absurdo. Su-
ponhamos L -+ 0. Então, uma vez que L é limitado inferiormente (o é um limite
inferior), L possui mínimo lo. Como pra) é verdadeira, é claro que lo > a e, então,
lo - 1 ~ a. Por outro lado, p(/o - 1) é verdadeira, já que lo - 1 está fora de L. Então,
levando em conta a hipótese (ii),p((/o - 1) + 1) = p(lo) é verdadeira.Mas isso é absur-
do, pois 'o está em L #
Como imagem para ilustrar o primeiro princípio de indução, costuma-se usar o
efeito dominó. Suponhamos uma fileira infinita de pedrinhas de dominó. Se a primei-
ra pedra tomba para a frente, e o fato de uma pedra tombar faz com que a da frente
também tombe, então todas as pedrinhas tombarão.

Exemplo 3: Mostremos que 12 + 22 + ... + n 2 = n(n + l){2n + 1) ,sempre que


6
n :~" 1. (No caso, a função proposicional p(n) é a igualdade do enunciado.)

G- 31-E)
Para n = 1, o primeiro membro dessa igualdade é 12 = 1 e o segundo
1(1 + 1) (2·1 + 1) = ~ = 1. Portanto, a função proposicional é verdadeira para n = 1.
6 6
Suponhamos que seja verdadeira para algum r ~ 1, isto é, suponhamos que
r(r+1)(2r+1)
12 + 2 2 + ... + ,2 = seja verdadeira.
6
Então, para n = r + 1, o primeiro membro da igualdade a ser provada é
12+l+ o •• + /+(r+1)2= r(r+l)(2'+1) + ('+1)2= r(r+l)(2r+l)2 + 6(r+l)2 =
6 6
('+1)(2r 2+r+6r+6)
(r+1}(2r 2 + 7r+6)
= =
6 6

ao passo que o segundo é


{r+ 1 )(r+ 2)(2(r+ 1) + 1)
(,+ l)(r+ 2){2r+ 3) {,+ 1 )(2r2+ 7r+6)
= =~~~-"
6 6 6
e, portanto, a função proposicional também é verdadeira para n = r + 1.lsso prova
que a igualdade efetivamente vale para todo inteiro n ~ 1.

Segundo princípio de indução: Seja p(n) uma função proposicional cujo uni-
verso é o conjunto dos inteiros maiores que ou iguais a um inteiro dado a.Suponhamos
que se consiga provar o seguinte:
(i) p(a) é verdadeira.
(ii) Se r > a e p(k) é verdadeira e para todo k tal que a c; k < r, então p(r) também
é verdadeira.
Então p(n) é verdadeira para todo n ~ a.
A demonstração desse princípio é análoga à do primeiro e não será feita aqui
(ver exercício 2).
Exemplo 4: Provemos, usando o segundo princípio de indução, que n 2 ~ 2n para
todo inteiro n ~ 2.
Para n = 2 o primeiro membro da desigualdade vale 22 = 4 e o segundo 2 ·2 = 4.
Portanto, a função proposicional é verdadeira para n = 2.
Seja r>2 e suponhamos que se tenha k2~2k para todo inteiro k tal que
2~k<r.

Façamos r - k = r. do que segue r = k + r, em que t >0. Dai:


r2 = (k + t)2 = k 2 + 2kt + t 2 ;3 2k + 2kt + t 2 > 2k + 2kt
Mas, como k ~ 2 e t > 0, então 2k > 2 e, portanto, 2kt > 2t. De onde:
r 2 > 2k + 2t= 2(k + t) = 2r

G- 32-E)
0j',[ Exercícios
1. Demonstre por indução:
n (n + 1)
a}l+2+ ... +n= (n~"'l)
2
b) 1 + 3 +5+ ... + (2n --1)=n 2 (n~ 1)
+ n3 =
c) 13 -+- 2 3 -+- ..• (1 -+ 2 + ... -l- n)2 (n ~ 1)
n{n -+- l)(n -+- 2)
d) 1 . 2 + 2 - 3 -+- ... -l- n . (n -+- 1) = ="--'-""--'-""- (n ~ 1)
3
e) n 2 > n -+- 1 (n? 2)

2. Demonstre o segundo princípio de indução.

3. DIVISIBILIDADE EM ;Z
3.1 Divisão exata
Diz-se que o número inteiro o é divisor do número inteiro b ou que o número
b é divisível por o se é possível encontrar c E lL tal que b = ac. Nesse caso, pode-
se dizer também que b é múltiplo de o. Para indicar que o divide b, usaremos a
notação o I b.
Por exemplo, - 2 divide 6 porque 6 = (- 2)(- 3).Também se pode afirmar que O
divide O uma vez que, para todo inteiro c, O = O • c.
Se o I b e o -=f- O, o número inteiro c tal que b = ac será indicado por ota e
chamado quociente de b por o.
A relação entre elementos de lL, definida por x I y, que acabamos de introduzir,
goza das seguintes propriedades:
(i) a I o (reflexividade)
De fato, a = o -1.
(ii) Se a, b ~ O, o I b e b I a, então a = b.
Por hipótese, b = o - c1 e o = bC2' Se o =O{b = O),então b = 0(0 = O). Suponhamos,
pois, a, b > O. Como o = OC1C2' segue que c,c2 = 1. Mas c, e c2 são positivos e, por-
tanto, essa igualdade só é possível para c1 = c2 = 1. De onde a = b.
(iii) Se o I b e b I c, então o I c (transitividade)
(iv) Se a I b e o I c, então a I (bx + cy), quaisquer que sejam os inteiros x e y.
Por hipótese, b = ad1 e c = od2 . Daí, bx = a(xd,) e cy = 0(yd2 ). Somando membro
a membro essas igualdades, obtemos;
bx -+- cy = a(xd,) -+- a{yd2 ) = a(xd, -+- yd21
Então, devido à definição dada, a I (bx -+- cy).
Dessa propriedade, segue em particular que:
• Se a Ib e a [c.enrão a I{b + c) e a I (b - c).
o Se a I b, então a I bx, qualquer que seja o inteiro x.

(yl Se a I b e c Id,então aelbd.


Por hipótese, b = ar e d = cs para convenientes inteiros r e s. Multiplicando-se
membro a membro essas igualdades, obtém-se bd = (ac)(rs). De onde ae I bd.
Exemplo 5: Vamos provar que h(n) = 22n + 15n - 1 é divisível por 9, qualquer
que seja o inteiro n ~ 1. A demonstração será feita por indução sobre n.
Como h{l) = 22 . 1 + 15 . 1 - 1 = 18 = 2 ·9, então a afirmação é verdadeira
para n = L
Seja r ~1 e suponhamos h(r) divisível por 9. Então h(r) = 22 ' + 15r - 1 = 9 • q
para algum inteiro q. Segue daí que 22 ' = 9q - 15r + 1.
Logo, h(r+ l} = 22 (, , 1) + 15(r+ 1)-1 = 22'.2 2+ 15r+ 15-1 = 4· 22 r+ 15r+ 14 =
= 4(9q-15r+ 1)+ 15r+ 14 =9(4q)-60r+ 15r+ 18 =9{4q)-9(5r)+9'2 = 9(4q-5r + 2),
o que mostra que h(r + 1) é multipio de 9.
Pelo primeiro principio de indução, a propriedade está demonstrada.

3.2 Algoritmo euclidiano


Evidentemente, há infinitos casos de pares de inteiros tais que nenhum dos dois
é divisor do outro. Por exemplo, nem 2 é divisor de 3, nem více-versa.O algoritmo
euclidiano, de que trataremos aqui, estabelece uma 'divisão com resto"e é a base da
aritmética teórica (teoria dos numeras). Seu nome deriva do fato de Euclides o haver
°
usado em seus Elementos (e. 300 a.C) para determinar máximo divisor comum de
dois números positivos. Nesse ponto nada mudou de lá para cá, como veremos. Di-
ga-sede passagem,porém,que Euclidessó considerava números inteiros estritamen-
te positivos. Nosso contexto, aqui, é mais amplo.
Seja a um número inteiro estritamente positivo. Tomando-se algum inteiro b, há
duas possibilidades:
(i) b é múltiplo de a e, portanto, b = aq para um conveniente inteiro q.
(ii) b está situado entre dois múltiplos consecutivos de a, isto é, existe um ln-
teiro c tal que aq < b < a(q + l}.Dai,O < b - aq < a. Então,fazendo b - qa v s,
obtemos b = aq + r,em que O < r < a.
Juntando as duas possibilidades, podemos garantir o seguinte: dados dois intei-
ros, a e b, com a > O, então sempre se pode encontrar dois inteiros q e r tais que:
b = aq + r, em que O -s r < a
Evidentemente, r = O corresponde ao caso em que b é múltiplo de a.
Vamos imaginar, por outro lado, que se pudesse determinar outro par de in-
teiros, q, e r], tais que b = aq] + r], com O c; '] < a. Então, aq + r = ao, + '] e,

G- 34-E)
ortanto, a(q - q,) == " - ,. Suponhamos que, "* '"
digamos r > ',. Dai, o se-
~undo membro da última igualdade seria estritamente negativo e, como a > O,
então q - q, também seria estritamente negativo e, portanto, ql - q > O .ou seja,
q, _ q ~ 1. Mas de a(q - ql) == '1 - r segue que:
r == r, + a(ql - q)

Levando-se em conta que a> 0, r, .> Oe ql - q? 1, da última igualdade se-


guiria que r ~ a, o que é absurdo.
Da mesma forma, prova-se que a desigualdade r, > r também é impossível.
De onde r == r1 e, conseqüentemente, q == ql'
O resultado acima, conhecido como algoritmo euclidiano ou algoritmoda divi-
são em rZ, garante a possibilidade de uma "divisão aproximada em Zt: Um enun-
ciadogeral para ele o sequmte.'Dados um inteiro b qualquer e um inteíro estritamen-
é

te positivo a, podem-se determinar dois inteiros, q e r, tais que b == aq+r, com


O~=; r<a. Ademals.as condições impostas determinam os inteiros q e r univocamen-
te': Os elementos envolvidos no algoritmo têm nomes especiais: b é o dividendo, a
é o divisor, q é o quociente, e r o resto na divisão euclidiana de b por o. #
°
Na divisão de um inteiro n por 2 há duas possibilidades: o resto ser ou 1. No
primeiro caso, o número é divisível por 2 e é chamado númeropar. Conseqüentemente,
os números pares se apresentam sob a forma 2t, em que t é um inteiro. Se o resto for
1, o número pode ser expresso por n == 2t + 1, para algum inteiro r, e é chamado
número ímpar. No caso da divisão de um inteiro n por 3, os restos possíveis são 0, 1
ou 2 e, portanto, n = 3t, n == 3t + 1 ou n = 3t + 2, exclusivamente. E assim por diante.
Exemplo 6: Vamos determinar, usando o raciocínio da demonstração, o quocien-
te e o resto da divisão de 97 por 6. Os múltiplos estritamente positivos de 6 são:
6, 12, 18,24,30, 36,42,48,54,60,66, 72, 78, 84, 90, 96, 102, ...
o número 97 está entre 96 = 6 . 16 e 102 == 6 . 17. Isso já nos dá o quociente: 16.
O resto, de acordo com o algoritmo, é r = 97 - 6 . 16 == 1.
Exemplo 7: Na divisão euclidiana de - 345 por a > 0, o resto é 12. Determinar os
possíveis valores de a (divisor) e do quociente.
Se q indica o quociente, então - 345 == a • q + 12 (12 < a). Daí, - 357 == oq, em
que a > 12. Isso só é possível para a == 357 e q == -1, a = 17 e q == - 21, a = 21 e
q == -17, a == 51 e q = - 7, a = 119 e q == - 3.

3.3 Sobre o nosso sistema de numeração


Como é bem conhecido, nosso sistema de numeração,o mesmo usado hoje pra-
ticamente em todo o mundo civilizado, é decimal posicional. Decimal significa, em
resumo, que, para escrever todos os números, bastam dez algarismos ou dígitos, que

G- J5-E)
cada dez unidades de uma dada espécie constituem uma unidade da espécie ime-
diatamente superior, unidade essa que, para efeito de numeração, toma o lugar das
dez que a formaram. Dez unidades simples constituem uma dezena,dez dezenas uma
centena, e assim por diante. Posicional significa,entre outras colsas.que os números
são escritos na forma de seqüênclas finitas dos dez algarismos, cuja grafia moderna-
mente é O, 1, 2, 3,4,5,6,7,8,9, e que o valor de um algarismo na seqüêncla de-
pende de sua posição, conforme ilustra o exemplo que segue. Em 234, o valor de 4
é efetlvamente 4 unidades, o de 3 é 3 ·10= 30 e o de 2 é 2.10 2 = 200. Na ver-
dade,234 = 4 + 3 ·10 + 2.10 2 .
Obviamente, a edcçào desse sistema pressupõe que se possa fazer com qualquer
número positivo o mesmo que se fez com o número do exemplo. Aliás, o objetivo
principal deste tópico é dar uma idéia do porquê disso.Na verdade, como poderemos
observar,ainda que de passagem,é possível construir um sistema de numeração po-
sicionai tomando como base qualquer número natural b ~ 2.
No curso da história, os sistemas posicionais plenos representam o ponto alto de
um longo desenvolvimento. Mas certamente há bem mais de quatro milénios, os ba-
bilônios já tinham introduzido um sistema de numeração posicional,embora incomple-
to. Na verdade esse povo, por razões difi'ceis de explicar, críou um sistema de nume-
ração misto muito avançado para a época. Até o número 59 era deômal aditivo, com
apenas um símbolo para a unidade e um para a dezena. A fim de formar o numeral
desejado, esses símbolos eram "adicionados" convenientemente - por exemplo, o
símbolo do 10 ao lado do símbolo do 1 formava o simbolo do 11. A partir do nú-
mero 60 era sexagesimal (de base 6O) posicional, mas incompleto, uma vez que não
utilizava sessenta símbolos, mas tão somente os mesmos dois já referidos e, num pe-
ríodo final, um simbolo para o zero (mas mesmo assim só no interior de um nume-
rai, não no fim).

y 1

« 10

Por exemplo, o strnbolo C T podia indicar 011 ou 1 + 10·60 = 601, ou mes-


mo outros números, dependendo do contexto ou até da proximidade dos símbolos.
O primeiro sistema de numeração decimal posicional surgiu na China, por volta
do século XV a.C, Ele tinha, porém, características diferentes do nosso e, mesmo tendo
evoluído ao longo do tempo, só há registro do uso de um símbolo para o zero, um
pequeno crrculo.no século XIII. Essa pode ser uma das razões pelas quais ccrnumen-
te se atribuem aos hindus a paternidade de nosso sistema de numeração. De fato, o
mais tardar no século IX,os hindus já tinham desenvolvido um sistema de numeração
posicional decimal completo.essenctalmenre igual ao nosso, pois o persa Muhamed
al-Khowarizmi, um dos grandes sábios da cultura árabe, o descreveu numa obra que
data aproximadamente do ano azs.atrtbutndo-o aos hindus. Embora al-Khowarizrni
só tivesse explicitado os símbolos dos algarismos de 1 a 9, fez uso do zero em seu
trabalho, Um pequeno circulo que figura numa inscrição hindu do ano 878 parece ter
sido o primeiro sinal usado para o zero na história de nosso sistema de numeração.
O fato de este ser chamado comumente de indo-arábico deriva de o povo árabe ser
o responsável por sua disseminação no Ocidente, na esteira da expansão de seus
domínios territoriais, depois de o haver assimilado na índia, uma de suas primeiras
conquistas.
Na verdade, o que dá sustentação matemática ao uso de um sistema de numera-
ção posicional é um teorema que enunciaremos a seguir para a base lO, mas que
pode ser estendido, como se perceberá, para qualquer base (naturalmente ?o 2).
Diga-se de passagem,porém, que os hindus não tinham um conhecimento da teoria
envolvendo o sistema de numeração que criaram e que, se deram esse grande passo
no desenvolvimento da matemática, foi unicamente com base no empirismo e na
engenhosidade de seus matemáticos.
"Qualquer que seja o número natural N, é possível encontrar uma única se-
qüêncta ao, a 1 , •••, ar de números naturais, com a ~ ai -s, 9 (i = 1,2, ..., r), tal que
N = ao + a 1' 10 + a2,10 2 + ... + ar·10'"
Esse resultado é uma decorrência do algoritmo euclidiano, e vamos fazer um es-
boço de justificação supondo N a-l O (o caso N < 1a é imediato). De fato, aplicando
esse algoritmo para o número N como dividendo e 1a como divisor, obtemos:
N = 1a ' q +" em que a -s r -s; 9 (11
Se a ~ q 'S 9, justificação encerrada, pois a igualdade

N='+q·lO
está de acordo com o enunciado, uma vez que a -s q, , -s 9,
Se q > 9, aplica-se novamente o algoritmo, agora com q como dividendo e 10
como divisor:
q = 10 ' ql + r1, em que O -s; '1 -c 9
Desta última igualdade e de (1). segue que
N = 10(lOq, + (1) +,=, + r1 -tu + ql·102.
Se O ,,,; ql c, 9, justificação encerrada, pois O e; r '1' ql -s; 9, Caso contrário,
Usa-se o algoritmo para ql e 10. Prosseguindo nesse raciocínio, chegamos a uma

G- 37 -E:)
expressão do tipo da que foi dada para N no enunciado. A questão da unicidade,
embora também essencial, não será focalizada aqui.
O fato de um número N poder ser expresso, univocamente, por uma expressão
polinomial
N=oo + 0,·10 + 02.102 + ... + 0,'10'
permite que se represente esse número pela seqüêncla
o,or_1···0201
naturalmente subentendida a base dez.Por exemplo,o númeroN= 5,' 03 + 3 .10 2+9
(nove unidades, três centenas e cinco milhares) é representado por
5309
em que o O indica a ausência de dezenas.

III Exercícios
3. Sejam m e n inteiros ímpares. Prove que:
a) 4 I (2m - 2n)
b) B I (m 2 - n 1)
c) 8 I (m 2 + n 1 - 2)

4. Mostre que entre dois números pares consecutivos um é divisível por 4.

S. Mostre que a diferença entre os quadrados de dois inteiros consecutivos é sem-


pre um número ímpar. Ea diferença entre os cubos de dois inteiros consecutivos?

6. Demonstre por indução que:


a) 71(23n - 1) (n~O)
b) 8 I (3'" + 71 ln ~ 01
c) 11 I (2 2n , . S" I 2 + 1) (n ~ 1)
d) 7 I +, + 2n~2) (n » 1)
(3 1n
e) 171(34nll+2.43n+l) (n~O)

7. Prove que:
a} Um dos inteiros 0, a + 2, °+ 4 é divisível por 3.
b) Um dos inteiros a, a + 1, 0+ 2, 0+ 3 é divisível por 4.

8. Prove que o produto de dois números inteiros é ímpar se.e somente se,ambos
os números são ímpares.

9. Prove que, quaisquer que sejam os inteiros a e b, a expressão a + b + 0 1 + b2


representa um número par.

CB- 38 -EJ
10. Na divisão euclidiana de 802 por a,o quociente é 14. Determine os valores pos-
síveis de a e do resto.

11. É possível encontrar dois inteiros múltiplos de 5 tais que o resto da divisão eu-
clidiana de um pelo outro seja 13? Justifique a resposta.

12. Quantos números naturais entre 1 e 1 000 são divisíveis por 9? Justifique a
resposta.

13. Seja m um inteiro cujo resto da divisão por 6 é 5. Mostre que o resto da divisão
dempor3é2.

~
Por hipótese, m = 6q + 5. Seja r o resto da divisão de m por 3 (portanto m = 3q' + r). En-
ráo r = 0, 1 ou 2. Basta mostrar que as duas primeiras alternativas são impossíveis. De
fato, se r = 0, teríamos m = 6q + 5 = 3q~ Daí, 3· (q'- 2q) = S, igualdade essa que teria
como conseqüência o seguinte absurdo: 3 I S. Logo, o resto não pode ser O. Analogamente
se demonstra que não pode ser 1. Portanto, r = 2. •

14. Se o resto na divisão euclidiana de um inteiro m por 8 é 5, qual é o resto da di-


visão de m por 4?

1S. Se m é um inteiro ímpar, mostre que o resto da divisão de m 2 por 4 é 1.

4. MÁXIMO DIVISOR COMUM


4.1 Consideremos, a título de ilustração, os inteiros 4 e 6. Os divisores de 4 são os
elementos do conjunto 0(4) = {±1, +2, ±4}, e os de 6 os do conjunto 0(6) = {±1,
-.2, +3, .:!:6}.Os divisores comuns são os elementos da Inrerseção desses dois con-
juntos:
0(4) n 0(6) ~ {±l, =2)
o maior elemento dessa Interseçào, ou seja, o número 2, é o máximo divisor
comum de 4 e 6.
Essa forma de introduzir o máximo divisor comum, embora muito interessante
sob o ponto de vista didático, principalmente nos níveis elementares, não é a mais
conveniente para os objetivos deste trabalho. Por isso, a definição que segue (equiva-
lente, é óbvio, à que foi esboçada acima em termos de conjuntos de divisores).
Definição 1: Sejam a e b dois números inteiros. Um elemento d E 7L se diz má-
ximo divisor comum de a e b se cumpre as seguintes condições:
(i)d~"o

(ii) d I a e d I b

C3- 39·-8
(iii) Se d' é um inteiro tal que d' I a e d'l b, então d' I d (ou seja, todo divisor co-
mum a a e b também é divisor de d).
A definição de máximo divisor comum pode ser estendida de maneira natural
para n números inteiros a" a 2 , •••, an (n > 2).
Exemplo 8: Efácil comprovar que, no caso em que a := 4 e b := 6, o número 2 é
o único inteiro que passa pelo crivo das condições da definição dada. No caso de (iii),
por exemplo, os divisores comuns a 4 e 6 são 1:1, ::1::.2, todos divisores de 2.
Seguem algumas propriedades imediatas do conceito de máximo divisor comum.
• Se d e d, são máximos divisores comuns de a e b, então d := d..
De fato, devido à definição, d 1 dI e d, I d. Como se trata de números positi-
vos, isso só é possível se d:= â-, Fica garantido, então, que um dado par de inteiros
não pode ter mais de um máximo divisor comum.
• O número O é o máximo divisor comum de a := Oe b := o. E só lembrar da
definição.
• Qualquer que seja a O, lal é o máximo divisor comum de a e O.
=I=-

De fato. Primeiro, [c] é positivo. Depois, [c] divide O, porque todo inteiro e di-
visor de O, como já vimos, e lal divide a, pois a == laIU-1). Finalmente, se c divide
[c] e c I 0, então c I a, pois a:= lal(-I:1).
• Se d e máximo divisor comum de a e b, então d também é máximo divisor co-
mum de -a e b, a e -b e -a e -b. Basta lembrar que todo divisor de x e divisor de
-:x, e vtce-versa.

4.2 Obviamente, a definição de máximo divisor comum de dois números inteiros não
garante por si só sua existência. A intuição nos diz que isso é verdade, mas, a rigor, é
preciso demonstrar que e, o que faremos a seguir. A demonstração que daremos se
justifica principalmente porque garante a possibilidade de exprimir de maneira aritmé-
tica o máximo divisor comum de o e b como uma soma envolvendo esses elementos.
Proposição 1: Para quaisquer inteiros a e b, existem inteiros Xo e Yo tais que
d:= axo + byo é o máximo divisor comum de a e b.
Demonstração: Levando em conta a última propriedade imediata relacionada
acima, podemos nos ater ao caso em a > O e b > O.
Consideremos o conjunto L := {ax + by 1 x, Y E 2}. L possui elementos estrita-
mente positivos, por exemplo, a + b, obtido ao se fazer x:= y:= 1. Seja d o menor
entre todos os elementos estritamente positivos de L.Portanto, d = oXo + byo, para
convenientes elementos xo,Yo E 2. Mostremos que d é o máximo divisor comum
de a e b.
De fato:
(i) Obviamente d ?- O.

G- 40-E)
(ii) ApliquemoS o algoritmo euclidiano a o e d, o que é possível, pois d > O:
a '" dq + r (O oS r < d). Mas,como já vimos, d "" axo + byo e, então.
a = (axo + bYo)q + r
Daí, por transposições algébricas convenientes,
r= 0(1 - qxo) + b(-qyo)
o q ue mostra que r é um elemento de L Entáo, r não pode ser estritamente positivo,
pois é menor que d (= mínimo de L). Logo, ("" O e, portanto, a = dq. Ou seja: dia.
De maneira análoga se demonstra que d I b.
(iii) Se d I a e d' I b, então d' I d, uma vez que d = axo + byo· #
Nesta altura já mostramos que todo par de inteiros tem um máximo divisor co-
mum e que este é único. A notação que usaremos para exprimir o máximo divisor
comum d de a e b é d = mdc(a, b). Vale salientar ainda que esse máximo divisor co-
mum pode ser expresso por uma íguaidade envolvendo Q e b: d "" axo + byo, em que
xc eYo são convenientes inteiros.como vimos. Na verdade, sempre há uma infinidade
de pares de inteiros x, y E 7L para os quais d = ax + by. Cada uma dessas relações
será chamada de identidade de Bezout para Q, b e d.

4.3 A proposição anterior tem muitas vantagens, mas a desvantagem de não ser
construtiva. Entretanto, esse problema pode ser superado, e a chave para isso é o
algoritmo euclídíano. O método de divisões sucessivos para a determínação do máxí-
mo divisor comum de dois inteiros, que explicaremos a seguir, é o mesmo usado por
Euclides há mais de dois milêmos e ainda ensinado no ensino básico.Para tanto, pre-
cisaremos de dois lemas fáceis de provar.Sem prejuízo da generalidade, podemos nos
ater a números inteiros estritamente positivos.
Lema 1: Se Q I b, então mdc(o, b) = Q.

Demonstração: Primeiro Q é estritamente positivo por hipótese. Depois o I a e


a I b (hipótese). E se d' I o e d' I b, é claro que d' I a. #
Lema 2: Se a = bq + r, então d = mdc(o, b) se, e somente se, d = mdc(b, ().
Demonstração: Suponhamos d = mdc(a, b) e provemos que d = mdc(b, r). Pri-
meiro, d ? 0, por hipótese. Depois, como d I a e d I b, então d I b e d I (a - bq). Ou
seja,d I b e d I r. Por último, se d' I b ed'l r.então d'l b e d' I (bq + r), ou seja,d'I b
e d' I a; mas,como d = mdc(a, b), então d' I d. A demonstração da recíproca segue a
mesma linha de raciocúuo. #
Método das divisões sucessivas: O objetivo é encontrar o máximo divisor
COmum de dois inteiros, a e b (que podemos supor estritamente positivos), por
meio de aplicações sucessivas do algoritmo euclidiano. Primeiro, aplica-se para Q

e b, depois para b e o primeiro resto parcial, e assim por diante. Ou seja:

G- 41 -E)
a = bq1 + '1 (0""", < b)
b = '1q2 + '2 ('2 < (1)
'1 = '2Q3 + '3 ('3 < (2)

É claro que, se acontecer de t ser nulo, então b = mdc(a, b), devido ao lema 1, e
o processo termina na primeira etapa. Se r1 *- 0, passa-se à segunda e raciocina-se
da mesma maneira com relação a '2' Se'2 = O, então r, = mdc{b, r,), devido ao lema 1;
mas, devido ao lema 2, mdc(b"I) = mdc(a,b); das duas conclusões obtidas, segue que
r1 = mdc(a, b). E assim por diante.
Ocorre que, como b > '1 > r 2 > ... ~
O, então para algum índice n teremos com
certeza 'n + 1= O. De fato, se todos os elementos de {r1' r2, "s....} fossem não nulos,
então esse conjunto, que é limitado inferiormente, não teria mínimo, o que é impos-
sível. Assim, para o índice n referido:
'n-2 = 'n- 1 ·qn+'n
rn _ , ='n'Qn+l

Portanto, em virtude dos lemas demonstrados:


rn = mdc{rn _" rn} = mdctr, _ 2' rn _ 1) = ...= mdc(b, r,} = mdc(a, b)
Exemplo 9: Determinar, pelo processo das divisões sucessivas, mdc(41, 12).Devido
ao papel especial que têm, sublinharemos o dividendo, o divisor e o resto em cada
etapa do processo.
41=12·3+5
- - -
12=5·2
- -
+ 2
-
5=2·2+1
- - -
2 = 1 ·2 (2)
Portanto, mdc{41,12} = 1.
Usualmente, porém, procede-se da seguinte maneira:

3 2 2 2

41 12 5 2 1

5 2 1 O

Exemplo 10:O processo das divisões sucessivas também serve para determinar
os inteiros xo, Yo tais que ax o + byo = d, em que d = mdc(a, b). Vamos ilustrar o
procedimento para a = 41 e b == 12. Para isso, aproveitaremos as divisões sucessi-
vas já feitas em (2). Começaremos peta penúltima igualdade, aquela em que o
máximo divisor comum figura como resto, pondo 1 em função de .:i e b por meio
de transposições algébricas. Na igualdade obtida, substituímos l; em função de 12

G- 42-E)
e 5 e continuamos com o processo até obter o máximo divisor comum, 1, em
- 'o de 41
_ e 12.
- Vejamos como:
f unç..
, = 5 - ; .2= ~ - (12 - ~ .2) ·2 = ~ ·5 + '2 . (- 2) =
: (41 - 12 ·3) . 5 + )1' (- 2) = 41 ·5 + '2 . (-, 7)

EntãO um par de valores para Xo e Yo tal que 41x o + 12yo = 1 é (5, -17).

4.4 Doisinteiros Q e b dizem-se primos entre sise mdc(a,b) = 1.Porexemplo.os núme-


ros 41 e 12 sãoprimos entre si, uma vezque.corno já vimosem 4.3,mdc(41, 12}= 1.
Proposição 2: Para que os inteiros a e b sejam primos entre si, é necessário
e suficiente que se possam encontrar Xo ,Yo E 7L tais que ax o + byo = 1.
Demonstraçáo: Se a e b são primos entre si,então a proposição 1 garante a exis-
tência do par de elementos xo, Yo conforme o enunciado.
Reciprocamente, suponhamos que se possam encontrar xo, Yo E 7L tais que
ax o -t- byo == 1. Então, qualquer divisor de a e b é também divisor de 1. logo, os
únicos divisores comuns aos elementos a e b são +1 e -1. De onde o máximo di-
visor comum de ae b é 1. #
Exemplo 11:Mostremos que dois números inteiros consecutivos são primos en-
tre si. Sejam n e n + 1 os números. Se a I n e a In + 1, então a I [(n+l) -n], ou
seja, a 11. Logo, a == 1..1, quer dizer, os únicos divisores comuns a n e n+ 1 são 1 e
-1. De onde mdc(n, n+l) == 1.
Outra maneira de chegar a essa conclusão é observar que vale a seguinte iden-
tidade de Bezout para os números considerados: (n + 1) ·1 + n(-l) == 1.

Corolário: Se a e b são inteiros não simultaneamente nulos e se d == mdc(a, b),


então mdc{a/d, b/dl == 1.
Demonstração: É só trabalhar com uma identidade de Bezout para a e b. Como
d == mdc(a, b), então existem inteiros Xo e Yo tais que axo + byo == d. Daí (dividindo
ambos os membros por d):
(ald)x o + (bld)yo == 1
Então, por causa da proposição, ald e bld são primos entre si. #

Proposição 3: Se a e b são inteiros primos entre si e o I bc, então o I c


Demonstração: Devido à proposição anterior, oXo + byo == 1, para convenientes
inteiros X o e Yo. Multiplicando-se os dois membros dessa igualdade por c:
(oe)xo + (be}yo = e
Como o divide o, então a divide (oe)xo; e, como a divide bc (por hipótese), en-
tão divide (bc}yo.logo, a divide a soma (ac)xo + (bc)yo' Ou seja, a divide c,como que-
ríamos provar. #

G- 43-E)
Proposição 4: Sejam a e b inteiros primos entre si. Se a I c e b I c, então ab I c.
Demonstroçào: Consideremos uma identidade de Bezout para a e b:

ax o + byo = 1
Multiplicando-se ambos os membros dessa igualdade por c:
(ac)x o + (bc)yo = c

Como a I a e b I c, então ab I oe e, portanto, ob I (ac)x~ de maneira análoga, de-


monstra-se que ab I (bc)yo' logo, ab I [(oc)x o + (bc)yo], ou seja,ob I c. #

III Exercícios
16. Encontre o máximo divisor dos pares de números que seguem e, para cada caso,
dê uma identidade de Bezout.
a) 20 e 74 b)68e120 c)42e-96

17. O máximo divisor comum de dois números é 48 e o maior deles é 384. Encontre o
outro número.

18. O máximo divisor comum de dois números é 20. Para se chegar a esse resultado
pelo processo das divisões sucessivas, os quocientes encontrados foram, pela
ordem, 2, 1,3 e 2. Encontre os dois números.

19. a) Prove que mdc(a, mdc(b, c)) = mdc(a, b, c).


b) Use esse fato para encontrar o máximo divisor comum de 46, 64 e 124.

I:i!!:ll!llm
a) Seja d '" mdc(a, b, c) e provemos que d = mdc(a, mdc(b, c)). (i) d ~ 0, pela defi-
nição de máximo divisor comum. (ii) Como d I a, d I b e d I c, por hipótese, então
d I a e d I mdc(b, c), visto que todo divisor de b e c é divisor do máximo divisor
comum desses números. (iii) Seja d' um divisor de a e de mdc(b, c); então d'l a,
d' I b e d'l c e, portanto, divide o máximo divisor comum desses números, ou seja, ;
divide d.
b) Fica proposto. •

20. Prove que mdc(n, 2n + 1) = 1, qualquer que seja o inteiro n.

21. Sejam a e b números inteiros tais que mdc(a, a+b) == 1. Prove que mdc(a, b) = 1.
O recíproco desse resultado também é verdadeiro. Enuncie-o e demonstre-o.
Sugestão: Para a primeira parte, tome um divisor de c de a e b e mostre que
ele também é divisor de a e a + b.
22. Demonstre que, se a I c, b I c e mdc(a, b) = d, então ab I cd.
Sugestão: Use a identidade de Bezout para a, b e d.

23. Se a e b são inteiros primos entre si,demonstre que mdc(la + b, a + lb) = 1 ou 3.

5. NÚMEROS PRIMOS
5.1 Um número inteiro a -=I=- O, ±l tem pelo menos quatro divisores: 1:.1 e ia. Es-
ses são os divisores triviais de a. Alguns números diferentes de O e ± 1 só têm os divi-
sores triviais - são os chamados números primos. Por exemplo, o número 1 é primo,
pois seus únicos divisores são ±- 1 e ±l. Um número inteiro diferente de O e ±l e que
tem divisores não triviais é chamado número composto. O 6, por exemplo, cujos divi-
sores são ±1, J:l, ±3 e -1::6.
Definição 2: Um número inteiro p é chamado número primo se as seguintes
condições se verificam:
(i}pTO
(ii) P -=I=- +1
(Iii) Os únicos divisores de p são i 1, ip.
Um número inteiro o "*- O, ± 1 é chamado número composto se tem outros divi-
sores, além dos triviais.
lema 3 (lema de Euclides): Sejam o, o. p E ?L. Se p é primo e p I ao, então p Io
ou pib.
Demonstração: Suponhamos que p não seja um divisor de o. Logo, -p também
não é divisor de a. Como os divisores de p são apenas + 1 e ip, então os divisores
comuns a p e a são apenas ±1. Daí, mdc{p, a) = 1 e, portanto, existem xo, Yo E li
tais que
pXo + ove = 1
Multiplicando-se ambos os membros dessa igualdade por b, obtém-se:
p(bxo) + (ab)yo = b
Como p I p e p I ob (hipótese), então pl[p(bx o) + (ab)Yol, ou seja, pib. Analo-
gamente se mostra que, se p não divide b, então divide o. #
Por indução, pode-se demonstrar sem dificuldades maiores que, se p é primo
e divide 0lQ2 ... on (n~l), então p divide um dos fatores ai'
lema 4: Seja a -=I=- O, +1 um inteiro. Então, o conjunto
L = [x E 7L I x > 1 e x é divisor de a}
possui um mínimo e esse minimo é um número primo.
Demonstração: O conjunto L não é vazio, pois o e --o sêo divisores de a e um
desses números é necessariamente maior que t. Então, pelo princípio do menor
número inteiro, L possui minimo, o qual será denotado por p. SeP não fosse primo,
então seria composto (já que é maior que 1), teria um divisor não trivial q e, portanto,
também -q seria divisor de p. Resumindo:p teria um divisor ql tal que 1 < ql <P
I
(ql == q OU ql == -q). Juntando as conclusões: p a e ql I p, do que segue que q, I a
e, portanto, ql E L. Absurdo, já que p é o mínimo de 5 e 1 < ql <p. #
Proposição 5 (teorema fundamental da aritmética): Seja a > 1 um número
inteiro. Então é possível expressar a como um produto a == P,P2".pp em que r;3 1 e os
inteiros Pl' P2' ..., p, são números primos positivos. Além disso, se a == qlq2...qs' em
que ql' ql' ..., qs são também números primos positivos, então s == r e cada Pi é igual
a um dos qj'

Demonzuoção:
(i) Para demonstrar a possibilidade da decomposição,a rigor se deveria raciocinar
por indução. Mas nossa explicação será meio informal. Devido ao lema 4, a tem um
divisor primo positivo PI' logo, a == Plql' para um conveniente ql E 71. Como a e Pl
são estritamente positivos, o mesmo acontece com ql' que, ademais, é menor que a
(é um fator positivo de a). Se ql == 1,demonstração concluída: a == Pl é primo positivo.
Se q 1 > 1, repete-se o raciocínio com esse número: toma-se um divisor primo P2 de
ql' o que é garantido pelo lema 4, e, portanto, ql == P2q2' para um conveniente in-
teiro positivo q2 (q2 < ql)' Nesta altura: a == P1P2q2,em que Pl e P2 são primos e q2 ~ 1.
Agora repete-se o raciocínio com q2' e assim por diante. Como a > ql> q2 > ... ~ 1,
em alguma etapa desse procedimento se terá qr == 1 e, então, a == P1P2'''Pr, como que-
ríamos provar.
OilTambém aqui não nos preocuparemos com o rigor formal.Suponhamos
P1P2"P, == qlql..·qs' nas condições enunciadas. Então Pl' por exemplo, divide o
segundo membro e, portanto, devido ao lema 3, divide um dos fatores. Digamos
que Pll ql' Como ql é primo e seu único divisor primo positivo é ele mesmo, então
Pl ::o ql' Então, pode-se cancelar Pl na igualdade da hipótese, obtendo-se P1P3'"Pr ==
= qlq3···q,. Repete-se o raciocínio, o que permitirá cancelar um fator do primeiro
membro com um igual a ele do segundo. E assim por diante. Como, evidentemente,
não se pode ter uma situação do tipo P,+l PS +2,,,P r == 1 (pois isso significaria que os
números primos do primeiro membro seriam divisores de 1, o que é impossível),
então r = s e cada fator do primeiro membro é igual a um do segundo. #
Convém frisar que a demonstração da possibilidade da decomposição é cons-
trutiva, como se pôde observar. Mais: a idéia dessa demonstração é usada no al-
goritmo prático com o qual normalmente se aprende na escola a decomposição em
fatores primos. De fato, suponhamos que se queira decompor em fatores primos o
número 60. O algoritmo usado começa,como ocorre na demonstração, considerando-
se o menor divisor primo de 60, que no caso é 2. Depois se considera, também

~46 -E)
como na demonstração, o menor divisor primo do quociente, que no caso novamen-
te é 2, e assim por diante. O algoritmo prático costuma ser ensinado da maneira que
segue:
60 2
30 2
15 3
5 5
1

Portanto, 60 = 2 • 2 . 3 . 5 = 2 2 • 3 • 5.

5.2 Sobre a decomposição em fatores primos


A proposição anterior, dada sua importância, merece alguns comentários e especi-
ficações. Na decomposição de um inteiro estritamente positivo a em fatores primos po-
sitivos, conforme o teorema, pode ocorrer de um fator se repetir algumas vezes. Nesse
caso podem-se reunir esses fatores repetidos numa só potência, mediante a nota-
ção exponencial. Supondo que os fatores primos distintos sejam P, < P2<'" < pm
(m ~ 1) e que eles apareçam respectivamente 0'1' U2' .•., Um vezes (Uj ~ 1, i = 1,
2, ..., m), a decomposição poderá ser escrita assim:
a = p,lX 1P2lX2 ...Pm lX m
Essa decomposição, com os fatores primos em ordem crescente, será tratada co-
mo decomposição canónica de a em fatores primos.
Mas muitas vezes lida-se numa mesma questão com dois ou mais inteiros es-
tritamente positivos. Quando isso acontece, pode ser conveniente ampliar a idéia de
decomposição canónica para que em todas figurem os mesmo fatores primos. Isso é
sempre possível recorrendo-se ao uso do expoente nulo. Assim, se um fator primo
aparece na primeira decomposição com expoente não nulo e não aparece explicita-
mente na segunda, nós o inserimos nesta com expoente igual a O. Com essa conven-
ção, supondo que os inteiros sejam a e b, podemos escrevê-los assim:
a-
- p, ", p"'
2 ' " p"'
r e a -- p 1~, p~'
2 •.. p~'
, (a i' QI-'i >
~
O) (3)

Por exemplo,os números 28 e 300 podem ser representados da seguinte forma:


28 = 2 2 . 3° . 5° . 7 e 300 = 2 2 . 3 • 52 . 7°
Através desse expediente pode-se construir o máximo divisor comum de dois
elementos estritamente positivos (e, por conseqüência, de qualquer par de inteiros -=f-
.::0. ± 1l. De fato, supondo-se que esses elementos sejam a e b e que sejam dados
por (3), então o elemento
d ~ P, ", p"'
2 ' " p"
r

em que "Ii =: min [o.. , ~;}. é o máximo divisor comum de a e b.

(3-47 -E)
De fato, obviamente d é positivo; além disso,como "/i % aje "/i -s; iJi' então d I Q
e d I b; por último, se d' E II e d' I Q e d' I b, então
d'=p,Y, P2Y2... PrY'

com "/i es; ai e "/i -S 13;· Portanto, "/i -s min{aj, I3J De onde d' I d.
Por exemplo, se a = 28 e b = 300, como
28'" 2 2 • 3° • 5° . 7 e 300'" 22 • 3 . s- . 7°
então

Exemplo 12: Através da decomposição cenónlca


a=Pl ", P2 "2 -»;"m
pode-se obter uma fórmula para o número de divisores de a. De fato, um número
positivo é divisor de a se, e somente se,
b ~ p , ~, p~'
2 ••• pm ~m

em que O -s l3i '% aj (i = O, 1, 2, ..., m). Como para cada expoente na decomposlçáo
de b há aj +, possibilidades a fim de que b divida a, então o número de diviso-
res positivos de aé
(a, + l){a 2 + 1) ... ((t m + 1)
Por exemplo, o número de divisores positivos de 300 = 2 2 • 3 ' 52 é 3 ·2· 3 = 18.

III Exercícios
24. Decomponha em fatores primos 234, 456 e 780.

25. Ache o máximo divisor comum dos seguintes pares de números através da de-
composição desses números em fatores primos;
a) 234 e 456
b) 456 e 780
c) 200 e 480

26. Determine todos os números primos que podem ser expressos na forma n 2 - 1.
Sugestão: Suponha P = «-1 um número primo e fatore o segundo membro
dessa igualdade.

27. Se n é um inteiro e n3 - 1 é primo, prove que n = 2 ou n = ~l.

28. Em' 742,0 russo Christian Goldbach formulou a seguinte conjectura (conhecida
como conjectura de Goldbach): "Todo inteiro par maior que 2 é igual à soma de

G- 48-E)
dois números primos positivos': Por exemplo: 4 = 2 + 2, 6 = 3 + 3,8 = 3 + 5.
10 == 3 + 7, etc. Até hoje continua em aberto a questão de saber se essa propo-
sição é falsa ou verdadeira.
Admitindo a conjectura de Goldbach, prove que todo inteiro maior que 5 é soma
de três números primos.Por exemplo: 6 =2 + 2 + 2, 7 =2 + 2 + 3, 8 =2 + 3 + 3,etc.
Sugestão: Devido à conjectura, se n ~ 3,2n - 2 == P + q (p e q primos). Por-
tanto, 2n = P + q +2 (soma de três números primos).

29. Ache o menor número inteiro positivo n para o qual a expressão h(n) = n 2 + n + 17
é um número composto.

30. Se n 2 +2 é um número primo, prove que n é múltiplo de 3 ou n = 1.


Sugestão: Há três possibilidades de expressar um número inteiro n: n = 3q,
n = 3q + 1, n = 3q + 2, conforme o resto da divisão de n por 3 seja 0, 1 ou
2. Mostre que as duas últimas são impossíveis, no caso.

31. Qual é o menor número inteiro positivo que tem15 divisores?


Sugestão: Se a = p,O'., P2{l2 •••Pm l imé a decomposição do número procurado em
fatores primos, então 15 = (0'1 + 1ltca + 1)...{O'm + 1).Observe que só há duas
maneiras (salvo quanto à ordem) de decompor 15 em fatores inteiros positivos.

32. Demonstre que o conjunto dos números primos positivos é infinito.


A primeira demonstração conhecida desse resultado, aliás a mesma que esbo-
çaremos a seguir, foi dada por Euclides em seus Elementos.
Esboço da demonstração: Suponha que esse conjunto fosse finito: digamos que
seus elementos fossem PJ' P2' ..., Pn• Construa o número P == P1P2,..Pn + 1. Esse
número não é nenhum dos Pi (por quê?). Logo, é composto (por quê?). Então
é divisível por um dos Pi (1 -c i e; n) (por quê?). Segue, então, que P 11 (por
quê?).Esse absurdo (por quê?) garante a infinitude do conjunto dos primos.

6. EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES


6.1 Diofanto de Alexandria viveu provavelmente no século III d.e. De sua produção
matemática conhecem-se apenas os fragmentos de uma obra que trata de números
poligonais e a extremamente original e criativa Arithmetica, graças à qual ele é às
vezes considerado o pai da álgebra. Da Arithmetica restam seislivros em grego e qua-
tro em árabe.estes últimos descobertos recentemente (segundo o prefácio da obra,
o numero total de livros seria treze). Trata-se de uma coletánea de problemas, para
resolução dos quais Diofanto usava, em vez de métodos gerais,engenhosos artifícios
algébricos. Com isso a obra se distingue radicalmente da matemática grega clássica

(3-49 -E)
(de Euclides, por exemplo), cujas raízes estavam fincadas na geometria e no método
dedutivo.
Devido à Arithmetica, hoje são chamadas equações diofantinas todas as equações
polinomiais (não importa o número de incógnitas) com coeficientes inteiros, sempre
que seu estudo seja feito tomando como universo das variáveis o conjunto dos nú-
meros inteiros. Isso não obstante Díofanro só ter trabalhado com alguns poucos casos
particulares dessas equações e seu universo numérico ter sido o dos números racio-
nais estritamente positivos.
Aqui só estudaremos as equações diofantinas lineares em duas incógnitas. Ou se-
ja, equações do tipo
ax+by=c (4)

em que a e b são inteiros não nulos. Uma solução de (4) é, nesse contexto, um par
(xo, Yo) de inteiros tais que a sentença
ax o + byo = c
é verdadeira.Inicialmente deduziremos uma condição para que (4) tenha uma solução.

Proposição 6: Uma equação diofantina linear ax + by = c tem solução se, e


somente se, d = mdc(a, b) é um divisor de c.
Demonstração:
(-) Se (x o' Yo) é uma solução, vale a igualdade
ax o + byo = c
Como d I a e d I b, então d I c, devido à propriedade (iv, 3.1).
(-) Como d = mdc(a, b), então, devido à proposição 1, podem-se determinar
X o ,Yo E Z tais que ax o + byo = d. Mas,por hipótese, d I c e, portanto, c = dq para al-
gum inteiro q. De onde,
c = dq = (ax o + bYo)q :: a(xoq) + b(Yoq)
o que mostra que o par (xoq, yoq) é solução da equação considerada. #
É importante observar que, se (xo,YO> é uma solução de ax+ by= c,com a.o > 0,
então (-xo<Yo), (xo< -YO> e (-xo, -Yo) são soluções respectivamente de (-a)x + by= c,
ax + (-b)y = c e (-a)x + (-b)y = c.
Exemplo 13: Encontrar uma solução da equação diofantina 26x + 31y = 2. Como
mdc(26, 31) = 1, então a equação tem solução. Usaremos o método das divisões su- :
cessfvas para exprimir o máximo divisor de 26 e 31 por meio de uma identidade
de Bezout.

-31 = -26 • 1 + -S
-26=5·5+1
- -
5= 1 ,5

G- 50-E)
Assim:
! = 26 - ~. 5 = 26 - {31 - 26 ·1}· 5 = 26,6 + 31 . (-5)
Então, (xo, Yo) = (6, - 5) e, portanto, o par (2 . 6,2 • (-5)) = (12, -10) é uma so-
tução da equação dada.
Conseqüentemente (-12, -10), (12, 10) e (-12, 10) são soluções, respectiva-
mente, de (-26)x + 31y = 2, 26x - 31y = 2 e (-26)x + (-31y) = 2.
Proposição 7: Se a equação diofantina ax + by = c tem uma solução (XO' Yo),
então tem infinitas soluções e o conjunto destas é
5 = {Ix, + (bld)t, y, - lald)t) I tEZ}
em que d = mdc(a, b).
Demonstração: Mostremos primeiro que todo par (xo + (bld)t, Yo - (ald)t) é
solução da equação considerada. De fato,
a(xo + (bld)t) + b(yo - (ald)t) = ax o + byo + [(ab - ba)ld]t = ax o + byo = c
pois (xo' Yo) é solução, por hipótese.
De outra parte, seja (x; y) uma solução genérica da equação. Então:
ax' + by'= c= axo + byo
Daí:
a(x' ~ xo) = b(yo - y)
Mas, como d é divisor de a e de b, então a = dr e b = ds, para convenientes
inteiros r e 5, primos entre si. logo,
dr(x' - xo) = ds(yo - y)
e, portanto:
r(x' - xo) = s(Yo - y)
Essa igualdade mostra que r divide s(yo - y'}, Mas,como re s são primos entre
si, então r divide Yo - Y (proposição 3). logo:
Yo - y'=rt
para algum tE :lo levando-se em conta que r = ald, então
y = Yo - (ald)t
Observando-se agora que, em conseqüência,
r(x' - xo) = s{Yo - y) = srt
obtém-se:
x' = Xo + {bld)t #
É interessante e talvez surpreendente observar que o fato de uma equação dto-
fantina ax + by = c ter infinitas soluções (quando tem uma) significa, geometrica-
mente, que a reta de equação ax + by = c possui uma infinidade de pontos de coor-
denadas inteiras do plano cartesiano.

G- 51 -E)
I
Exemplo 14:Determinar todas as soluções da equação diofantina 43x + 5y = 250.1
Como mdc(43, 5) = 1, que obviamente divide 250, a equação tem soluções. t ·1

importante lembrar que, se (xo,Yo) é uma solução de 43x + sy = 1, então (250XO '!
250yo) é solução da equação dada, como já vimos. _
Mas já vimos também como achar uma solução de 43x + Sy = 1 por divisões su- .
cesslvas. Da sucessão
43 = 5 ·8 + 3
- - -
5=3,1+2
3=2·1+1
segue que
~ = ª -~·1=ª-(~-ª·1)·1=ª·2+~·(-l)=(43-~·8)·2+~·(-1)=43·2+
+ ~ . (-17) e, portanto, uma solução de 43x + 5y = , é (2, -17), Logo, uma solução
de 43x+Sy=2S0 é (500, -4 250). De onde a solução geral da equação pode ser
expressa por
(SOO + St, -4250 - 430
em que t é uma variável no conjunto dos inteiros.
Conforme observação ao fim da demonstração da proposição l,a reta de equa-
ção 43x + Sy> 250 possui uma infinidade de pontos de coordenadas inteiras do pIa-
no cartesiano.

III Exercícios I
33. Resolva as seguintes equações diofantinas lineares:
a)3x+4y=20 c) 18x - 20y=-8
b) Sx - 2y;= 2 d) 24x + 138y;= 18

34. Decomponha o número 100 em duas parcelas positivas tais que uma é múltiplo
de 7 e a outra de 11. (Problema do matemático L. Euler [1707-1783J.)

35. Ache todos os números inteiros estritamente positivos com a seguinte proprie-
dade: dão resto 6 quando divididos por 11 e resto 3 quando divididos por 7.

36. O valor da entrada de um cinema é RS 8,00 e da meia entrada RS 5,00. Qual é


o menor número de pessoas que pode assistir a uma sessão de maneira que a
bilheteria seja de RS SOO/OO? (Em tempo: a capacidade desse cinema é suficiente
para esse número de pessoas.)

37. Ao entrar num bosque, alguns viajantes avistam 37 montes de maçã. Após serem
retiradas 17 frutas, o restante foi dividido igualmente entre 79 pessoas. Qual a
parte de cada pessoa? (Problema de Mahaviracarya, matemático hindu.)

G- 52-E)
7. CONGRUÊNCIAS
1.10 conceito de congruência, bem como a notação através da qual essa noção se
tornou um dos instrumentos mais poderosos da teoria dos números, foi introduzido
por Karl Friedrich Gauss (l 777-1855), em sua obra Disquisitiones arithmeticae (1801).
Para dar uma idéia da noção de congruência,consideremos a seguinte questão,
talvez ingénua mas ilustrativa: se hoje é sexta-feira, que dia da semana será daqui a
1520 dias?
Para organizar o raciocínio, indiquemos por O o dia de hoje (sexta-feira), por 1 o
dia de amanhã (sábado), e assim por diante. A partir dessa escolha, pode-se construir
o seguinte quadro:

sexta sábado domingO segunda terça quarta quinta


O 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
... .. ... ... ... ... ...
Nossa questão agora se resume em saber em que coluna da tabela se encontra o
número 1520. Para isso basta observar que dois números da seqüênoa O, 1, 2, ... estão
na mesma coluna se, e somente se, sua diferença é divisível por 7. Suponhamos que
o número 1520 se encontre na coluna encabeçada pelo número a (O -s; a e 6). Então,
1520 - a = 7q
para algum inteiro positivo q. Daí:
1 520 = 7q +a (O ~ Q -c 6)
Ora. pela unicidade do resto na divisão euclidiana, segue dessa igualdade que Q

é o resto da divisão de 1520 por 7. Observando que

1 520 ,--,-7:c:--
12 217
50
1
conclui-se que esse resto é 1 e que, portanto, 1 520 está na segunda coluna. logo,
daqui a 1520 dias será um sábado.
Questões como essa, envolvendo periodicidade, exigem uma aritmética diferente.
O conceito de congruência, a ser dado a seguir, é a chave dessa aritmética.
Definição 3: Sejam a, b números inteiros quaisquer e m um inteiro estritamente
positivo. Diz-se que a é côngruo a b módulo m se m I (a - b), isto é, se Q - b = mq
para um conveniente inteiro q. Para indicar que a é côngruo a b, módulo m, usa-se
a notação
a == b {mod m}
G- 53-E)
A relação assim definida sobre o conjunto !Z chama-se congruência módulo m.
Porexemplo, na tabela construída na abertura deste tópico, dois elementos quais-
quer de uma mesma coluna são côngruos módulo 7.
Para indicar que a - b não é divisivel por m, ou seja,que a não é côngruo a
b módulo m, escreve-se
a õf= b (mod m)
Seguem as propriedades básicas da congruência de inteiros:
(,) a == a (mod m) (reflexividade)
De fato, a - a = O é divisível por m.
(2) Se a == b (mod m), então b "" a (mod m). (simetria)
Se a == b (mod m), então m 1 (a - b), ou seja, a - b = mq para algum q. Daí
b - a = m(-q) e, portanto, mi (b - a). De onde b "" a (mod m).
(3) Se Q = b (mod m) e b = e (mod m), então a == e (mod m). (transitividade)
Por hipótese, m I (b - a) e m I (e - b). Logo, m I [(b - Q) + (c - b)], ou seja,
m I (e - a). Daí, m I (a - e) e, portanto, a == e (mod m).
(4) Se a == b (mod m) e O % b < m. então b é o resto da divisão euclidiana de
a por m. Reciprocamente, se r é o resto da divisão de a por m, então a == r (mod m).
De fato. Por hipótese, a - b = mq para algum inteiro q. Daí a = mq + b (O %
se b < m). A conclusão decorre da unicidade do quociente e do resto no algoritmo
euclidiano.
A demonstração da recíproca é imediata.
(s) a == b (mod m) se, e somente se, Q e b dão o mesmo resto na divisão eu-
clidiana por m.
(--) Por hipótese, Q - b = mq, para algum inteiro q. Portanto:
Q=b + mq
Sejam ql e r o quociente e o resto da divisão euclidiana de a por m:
a = mql +r (O se r < m)
Das duas últimas igualdades segue que
b+mq=mq,+r
e, então:
b = m{ql - q) + r (O % r < m)
Portanto, r é o resto da divisão de b por m.
(0<-) Por hipótese, Q e b dão o mesmo resto na divisão euclidiana por m:
Q = mq, + r e b = mqz + r (O -s r < m)
Subtraindo-se membro a membro essas igualdades:
Q - b = m(ql - qz)
De onde, a == b (mod m).
Todo conjunto formado por um e um só elemento de cada classe de equiva-

G- 54-E)
Iêncta módulo m é chamado sistema completo de restos módulo m. Obviamente,
cerno o representante mais natural da classe r é o elemento r, então o conjunto
{O, li 2, ..0'm - t} é o sistema completo de restos módulo m mais natural. Mas nem
sempre é o mais conveniente. São também sistemas completos de restos módu-
lo m, às vezes mais convenientes:

. "_ , ... , +- m-l}


! ""1,
°10, _,_ ,se m e..nnpar.

. {ai ±1, -<::2, o •• , ±(; -1)' ~}, se m é par.

Para mostrar, por exemplo, que a congruência x 2 + 1 "'" O (moo 8) não tem so-
lução, o uso deste último sistema facilita. De fato, como
x"'" O, :1-:1, "!2, ±3, 4 (mod 8)
então x2 == O, 1, 4, 9, 16 (mod 8). Mas 9 "'" 1 (mod 8) e 16 == O (mod 8). Portanto,
Xl == O, 1,4 (mod 8). De onde, x 2 + 1 == 1,2,5 (mod 8).
(6) a "" b (mod ml se, e somente se, a ± c == b ± c (mod m).
Por hipótese, o - b = mq, para algum inteiro q. Daí (o ± c) - (b i c) = mq e,
portanto, o + C == b ± c (mod m). Para demonstrar a recíproca, é só inverter a ordem
do raciocínio.
( 7) o == b (mod m) e c == d (mod m), então o + c == b + d (mod m).
De fato, como o == b (mod m), então o + c == b + c (mod m), devido à pro-
priedade anterior. Pelo mesmo motivo, da hipótese c == d (mod m) segue que
c + b == d + b (mod mi. Devido à transitividade: o + c == b + d (mod m).
Essa propriedade pode ser estendida, por indução, para r congruências: se
aI == b 1 (mod m), O2 == b2 (mod m), n., o. == b, (mod m), então:
o, + 02 + + 0r == b, + b2 + ... + b r (mod m)
Em particular, se 0 1 = O2 = = 0, = o e b 1 = b 2 = ... = o, = b:
rc == rb (mod m)
Cal Se o == b (mod m), então ac == be (mod m).
Por hipótese, Q - b = mq. Daí, multiplicando-se ambos os membros dessa igual-
dade por c: oc - bc = m(qc). De onde oc == bc (mod m).
(9) == b (mod m) e c == d (mod m), então ac == bd (mod m).
Se o
Como o == b (mod m), então, devido à propriedade anterior, ac == be (mod m).
Analogamente, de c == d (mod m) segue que bc == bd (mod m). Então, devido à
transitividade, oe == be (mod m).
Essa propriedade pode ser generalizada, por indução, para r congruências: se
o, "'" b, (mod m), 02 == b1 (mod m), ..., 0r == b, (mod m), então:

G- 55 -E:)
a1 • a1 •...• ar =- b 1 • b 2 ••••• b, (mod m)
Em particular, se a) = a 1 = ... = ar = a e b 1 = b2 = ... = br = b:
a' == b' (mod m)

Exempla 15: Mostrar que 10200 - 1 é divisível por 11.


Como 10=- -1 (mod 11), então, devido à propriedade anterior, 1&-00 =- (-1 )200
(mod 11).Ou seja, 10200 = 1 (mod 11). Daí, pela definição de congruéncia, 1020°_1
é divisível por 11.
Exemplo 16:Mostrar que, qualquer que seja o inteiro ímpar a, o resto da divisão
de c- por a é 1.
Os restos possíveis da divisão de a por 8 são 1,3,5 ou 7. (Se, por exemplo, o resto
fosse 2, então o = 8q + 2 = 2(4q+1) seria par, o que não é possrvel.)
Portanto:
o=- 1,3,5 ou 7 (mod 8)
Então:
a2 =- 1,9,25 ou 49 {mod 8}
Mas 9 =- 1 (mod 8), 25 =- 1 (mod 8) e 49 =- 1 (mod 8). Daí:
2
0 =- 1, 1, 1, ou 1 (mod 8)
1
Ou seja, a =- 1 (mod 8) qualquer que seja o inteíro ímpar a e, portanto, devido
à propriedade C4 , o resto da divisão de a1 por 8 é 1.
CIO) Se ca =- cb (mod m) e mdc(c, m) = d > 0, então a =- b (mod mld).
Por hipótese, ca - cb = mq, ou c(a - b) = mq, para algum inteiro q. Daí, divi-
dindo-se os dois membros dessa igualdade por d, o que é possível em 7L, pois d é
divisor de c e m,
(c/dila - bl = {m/dlq
o que mostra que mld é divisor de (c/d){a - b). Mas, por propriedade já vista, cid
e mtd são primos entre si. logo, mld divide o - b. Isso significa que
a =- b (mod mld)
como queríamos provar.
Por exemplo, como 14 =- 2 (mod 4) e mdc(2, 4) = 2, pode-se cancelar o 2 em
cada um dos números que figuram na conqruêncla. daí resultando que 7 =1
(mod 2). Convém observar, porém, que o cancelamento puro e simples do primei-
ro e do segundo membros não vale de um modo geral, pois, voltando-se ao exem-
plo considerado, 14/2 = 7 não é côngruo a 2/2 = 1 módulo 4.Mas há uma importan-
te situação particular, expressa no corolário a seguir, em que vale.
Corolário: Se ca =- cb (mod m) e mdc(c, m) = 1, então a =- b (mod m).
A demonstração é imediata.
7.2 Critérios de divisibilidade
Entre outras coisas, pode-se utilizar a congruência de inteiros para estabelecer
critériosde divisibilidade. Para isso é preciso usar o fato (ver 3. 3, deste capítulo) de que
todo número N pode ser representado de uma única maneira como um pollnõmlo
N =: ao + a," 10 + 02.102 + ... + a," lO' (5)
em que os coeficientes das potências de 10 estão sujeitos à seguinte limitação:
O~ 0 0,0,,° 2, ...,0, ~ 9
Issodá origem à seguinte notação sequencial para indicara número: 0non_l···a2alaO·
A idéia, quando se quer estabelecer um critério de divisibilidade para o número m,
é "reduzir a expressão (5) módulo m': Isto é, descobrir uma expressão mais simples,
em termos dos dígitos 0 1, a2, •••, a" à qual o polinômio de (5) é côngruo, módulo m,
e depois usar a propriedade (s. Vejamos alguns casos.
(i) Critério de divisibilidade por 2
Como 101 "'" O (mod 2), para todo t ze 1, então N "'" 00 (mod 2). Logo, N e ao
têm o mesmo resto na divisão por 2 e, em conseqüência, N é divisivel por 2 se, e so-
mente se, ao é divisível por 2. Ou seja, se ao é par.
(ii) Critério de divisibilidade por 3
Como lO "'" 1 (mod 3), então 10 2 "'" 1 (mod 3), 10 3 -= 1 (mod 3), ... ,10' "'" 1
(mod 3). Então, 01 " 10 = o, (mod 3), O 2 " 102 "'" a2 (mod 3),0 3 ' 103 == a3 (mod 3),
..., o, ·10' == a, (mod 3).
Logo, devido às propriedades (1 e (7:
N= 00 + ·10 + O 2 . 102 + ... + a, ·10' == ao + a, + a2 + ... + ar (mod 3)
01

Portanto, N e ao + 01 + a 2 + ... + ar têm o mesmo resto na divisão por 3. De


onde N é divisivel por 3 se, e somente se, 00 + o, + a2 + ... + a, é divisível por 3.
Por exemplo, o resto da divisão de 34567 por 3 é o mesmo da divisão de
3 + 4 + 5 + 6 + 7 = 25 por 3, ou seja, é 1. E 34566 é divisível por 3, uma vez
que 3 + 4 + 5 + 6 + 6 = 24 o é.
(iii) Critério de divisibilidade por 4
Para esse caso cumpre observar que t&- == O (mod 4), 103 == O (mod 4), ..., 10' == O
(mod 4). Portanto, 0 21 0 2 -= O(mod 4),0 3 . 103 "'" O (mod 4), ..., ar" 10' == O (mod 4). De
onde:
N == ao + 100 1 (mod 4)
Mas ao + 100, = 0 10 0 é o número formado pelos dois últimos algarismos de N.
Então, N e 0 10 0 têm o mesmo resto na divisão por 4 e, em particular, N é divisfvel
por 4 se, e somente se, 0,0 0 o é.
Por exemplo, o número 15424 é divisível por 4 porque 24 é divisível por 4.

G- 57 -E:)
(iv) Critério de divisibilidade por 5
Um número é divisível por 5 se, e somente se, seu algarismo das unidades é
O ou S.
A justificação fica como exercício.
(v) Critério de divisibilidade por 6
Um número é divisível por 6 se, e somente se, é divisível por 2 e 3. Se é divisível
por 6 obviamente é divisível por 2 e por 3. Quanto à recíproca, é só levar em conta a
proposição 4, uma vez que 2 e 3 são primos entre si.
Exemplo 17: Provar que h(n) = n(n + l)(n + 2) é divisível por 6, qualquer que
seja o inteiro n.
Provaremos que é divisível por 2 e por 3, o que é suficiente. Como n ou n +,
é par, então um desses números é divisível por 2 e, portanto, h(n) é divisível por 2.
Por outro lado, há três possibilidades com relação ao 3:
n == O (mod 3), n == 1 (mod 3) ou n == 2 (mod 3)
No primeiro caso, n é divisível por 3 e, portanto, h(n) também o é; no segundo ca-
so, somando-se 2 a ambos os membros da congruência, obtém-se n + 2 == 3 == O
(mod 3), o que mostra que n + 2 é divisível por 3 e, portanto, que h(n) também é
divisível por 3; e, no último caso, somando-se 1 a ambos os membros da congruên-
cia, obtém-se n + 1 == 3 == O (mod 3), o que mostra que n + 1 é divisível por 3 e,
portanto, o mesmo se pode dizer de h(n). Em resumo, qualquer que seja n, um dos
fatores de h(n) é divisível por 3 e, por conseqüência, h(n) também é divisível por 3.

8. PROBLEMA CHINÊS DO RESTO


Nosso objetivo aqui é mostrar que um sistema de congruências simultâneas
do tipo
X ~ a, (mod m,i
x == a2 (mod m 2 )
{
.................................
x == ar (mod m,)

em que mdc(m j , m) = 1,sempre que i -=f- j, é possível (tem soluções) e determinar sua
solução geral. Obviamente uma solução do sistema é um número inteiro que é so-
lução de cada uma das congruências que o formam.
Os sistemas de congruência lineares foram introduzidos na China, em épocas re-
motas - talvez já fossem utilizados no século I,em questões ligadas ao calendário.
Mas eles aparecem também em obras matemáticas chinesas,em versões mais sim-
ples.a mais antiga das quais é o Manual de matemática de SunTsu, escrita provavelmen-
te do final do século III,e cujo conteúdo veio a se tornar parte do curso exigido para
os servidores públicos civis. Embora consistindo basicamente em métodos para

C3- 58 -E)
operaçóes aritméticas, a obra inclui o seguinte problema, talvez o espécime mais
antigo do que modernamente se chama problema chinês do resto:
"Temos uma certa quantidade de coisas cujo número desconhecemos. Esse nú-
mero, quando dividido por 3, dá resto 2; quando dividido por 5, dá resto 3; e, quan-
do dividido por 7, dá resto 2. Qual o número de coisas?"
Segue uma solução "por substituição" do problema. Se N indica o número de
coisas, então
N = 3x + 2
N = 5y +3
N = 7z +2
em que x,y,z são números inteiros. A primeira dessas equações é equivalente à equa-
ção diofantina linear N - 3x = 2, cuja solução geral é
N = 8 - 3t, x= 2 - t (t E 1')

Substituindo-se N por 8 - 3t na segunda equação do sistema, obtém-se


5y + 3t = 5
A solução geral desta última equação diofantina é
y = -5 + 3s, t = 10 - Ss (s E 2)
Portanto:
N = 8 - 3t = 8 - 3(10 - ss) = -22 +155
Substituindo-se N por - 22 + 15s na terceira equação do sistema, obtém-se
7z-1ss=-24
cuja solução geral é
z = 48 - 1Sr, s = 24 - 7r (r E 2)
De onde,
N = -22 + 1Ss = -22 + 15(24 - 7r) = 338 - 10Sr (r E 2)
que é a solução geral do problema.
SUn Tsu. que provavelmente desconhecia um método geral para resolver esse
problema e, portanto, devia ignorar que ele tem uma infinidade de soluções, só en-
controu a solução 23, número correspondente a r = 3 na solução geral.
Proposição 8 (teorema chinês do resto): Sejam m" m2, ... , m, números inteiros
maiores que 1 e tais que mdc(mi' mjl = 1, sempre que i *- j.Assim sendo, se aI' a2, ..., an
são números inteiros arbitrários. então o sistema de congruências

:~~:~=~:.=:;
1 x == ar (mod m,)

é Possível. Ademais,duas soluções quaisquer do sistema são cônqruas módulo m,m 2 .. .m,...
Demonstração: As características do sistema sugerem que um número que pos-'
sa ser escrito como
Y]O] + YP2 + ... + Yror
em que Y] "" 1 (mod m 1), Y] == O(moei mj)U"" 1); Y2 == 1 (mod m 2)'Y2 == O(mod mj)(i "" 2),!
e assim por diante, é uma solução do sistema. Mostremos, por exemplo,j
que ele é solução da segunda congruência. Como Y1' Y3' ... , Y, == O (mod m 2),'
então Y101 + Y303 + '" + Yror == O (mod m 2). Como Y2 == 1 (mod m 2), então
Y2 Q2 == O2 (mod m 2 ) . Portanto, Y101 + Y202 + ... + Y,o, = O2 (mod m 2 ) ·
Para encontrar um sistema de números que cumpra o papel dos YI (i = 1, 2, ..~ rl'
façamos m]m 2...m, = m. Então mdc(m1, mlm 1) = 1, pois um divisor primo de m] e mlm 1;
teria também de ser divisor de algum mj , com j "" 1, o que é impossível, pela hipótese,,
Portanto, a congruência linear
(mlm 1)y == 1 (mod mi)
tem solução. Se b] é uma de suas soluções, então:
(mlm1)b 1 == 1 (mod mi)
Mas, como m 2, m 3 , ... , m, são divisores de mlm 1, então rn/rn, == O (mod m2)~
mlm l == O (mod m 3 ), .•., m/rn, "" O (mod m,) e, portanto, (mlm1)b 1 "'" O (mod m2)J
(mlm])b] == O (mod m 3), •••, (mlm]}b 1 == O (mod m,). Analogamente, se b2 é solução dei
(mlm 2)y == 1 (moo m2), então (mlm 2}b2 == 1 (mod m 2) e (mlm 2}b2 == O {mod m 1lJ
(mlm 2)b2 == O (mod m 3), ... , (mlm,)b 2 == O (mod m,). E assim por diante. Portanto
(mlm 1)b1, (mlm 2)b2, ..., (mlm,)b r cumprem o papel exigido para os números Y1' Y2 •
..., Y" conforme colocação inicial, e
b = {mlm1)b]01 + (mlm 2)b202 + ... + (mlmrlb,.a,
é uma solução do sistema.
Se c é uma outra solução, então c == b (mod mi) (i = 1,2, ..., r). Portanto m1,
m2 , •.., m, são divisores de c - b. Mas, como m1, m 2,•.., m, são primos entre si, dois a
dots.então m]m 2 ..•m r também é um divisor de c - b. De onde c == b {mod mlm2...mrl~
Portanto, a solução geral do sistema é
x == b (mod m1m2...m,) #
Exemplo 18:O teorema anterior é construtivo, como se nota pela demonstração
Vejamos como utilizá-Ia na resolução do sistema
X ~ 1 (mod 2)
x == 2 (mod 3)
{
X"" 3 (mod 5)

Nesse caso, m = 30 e as congruências lineares a resolver são 15y == 1 (mod 2)


10y"" 1 (mod 3) e ôy w 1 (mod 5).Como o número 1 é solução particular de cadê
uma delas, então uma solução do sistema é 15 . 1 -1 + 10 ·1 ·2 + 6 -1 . 3 = 53. Logo
a solução geral do sistema é dada por
x "" 53 == 23 (mod 30)
-= Exercícios
38. Ache os restos das seguintes divisões:
10 5 8
a) 24 5 por 7 c) 3 • 42 + 6 por 5
b) 11 100 por 100 d) 52. 4841 + 28 5 por 3

lif'Ntrf3
c) Como] '=" -2 (mod 5). então F == 4 (mod 5},]3 == -8 == 2 (mod 5). 3 4 == 16 == 1
(mod 5); daí para a frente os resultados se repetem ciclicamente de quatro em quatro.
Como 10 == 2 (mod 4), então ]10 := 4 (mod 5). Por outro lado.como 42 == 2 (moei 5),
então 42 2 "" 4 == -1 (mod 5),42 3 == - 2 (mod 5),42 4 == (-1? == , (mod 5). e daí pa-
ra a frente os resultados se repetem também de quatro em quatro. Observando-se
que 5 == 1 (mod 4). deduz-se 42' == 2 Imod 5). Por último, como 6 == 1 (mod 5),
então 6 3 == 1 (mod 5). Juntando a, conclusões parcíals:
]10. 42 5 j_ 68 == 4.2 + 1 == 4 (mod 5)

Portanto, o resto é 4.

39. Mostre que o número 220 - 1 é divisível por 4'.

40. Qual é o resto da divisão euclidiana de t' + 25 + 35 + ... + 99 5 + 100 5 por 4?


Justifique.
Sugestão: Dividir a soma dada em 25 grupos de 4 parcelas.

41. a) Mostre que o resto da divisão de um número por 10 é seu algarismo das uni-
dades e que o resto da divisão por 100 é o número formado pelo dois úl-
timos algarismos do número dado.
b) Ache o algarismo das unidades de 7(7'00),
9
c) Ache os dois últimos algarismos de 9(9 ) .

II
~i n tei ro positivo.Como já vimos, pode-se representar N pela expressão
N'= ao + 0,·10 + O2.10 2 + ... + 0,·10' (O -s 0 0.°1....,0, -s; 9)
% Daí seguem duas possibilidades de escrever o número N:N 00 + 10· q (quando se põe
0=

.: 10em evidência nas r últimas parcelasdo segundo membro)e N == 00 + 01 • 10 -j 100· q'


(qUa.ndo. sepõe 100 em evidência nas r -1 últimas parcelas do segundo membro).
»i A primeira Igualdade mostra que o resto da divisão de N por 10 é 00 - algarismo
I das unidades de N. Ea segunda que o resto da divisão de N por 100 é ao + 0 1"10. nú-
fif;; mero formado pelos dois Últimos algarismos de N (por quê?).
As partes b) e c) ficam apenas propostas. II
42. Se p e p + 2 são números primos, então eles se denominam primos gêmeos. É
o caso, por exemplo, de 3 e 5.
Sep > 3 e os númerosp e p+ 2 são primos gêmeos, prove que a somap + (p + 2) =
= 2p + 2 é múltiplo de 12.
Sugestão: Sendo a soma um número par, então a princípio essa soma poderia
ser cônqrua a 0,2,4,6,8,10 módulo 12. Mostrar que todas essas possibilidades,
exceto a primeira, levam a uma contradição.

43. Prove que se o == b (mod m) e n é um divisor de m, maior que 1, então a == b


(mod n).

44. Demonstre:
3
a) 0 == o (mod 6)
3
b} 0 == 0, 1 ou 8 (mod 9)
c) Se a é um inteiro que não é divisível por 2 nem por 3, então 0 2 == 1 (mod 24).
d) Se a é um cubo perfeito, então a == O, 1 ou -1 (mod 9).

~
d) Por hipótese, a == b3 para algum inteiro b. Mas b = O, ::'::1, ±2, =3, lA (mod 9).Por-
tanto b3 == O, ::'::1, ±8, ±27, +64 (mod 9).Como 8 == -1 (mod 9), -8 == 1 (mod 9),
27::= °
O (mod 9), -27 == (mod 9), 64 = 1 (mod 9) e -64 == -1 (mod 9), então
a = b3 == O, 1 ou 1 (mod 9).Isso significa que o resto da divisão de um cubo perfei-
to por 9 é O, 1 ou 8 (que corresponde a -1). •

45. a) Encontre um inteiro x tal que x == 3 (mod 10), x == 11 (mod 13) e x = 15


(mod 17) (Regiomantanus, século XVI).
b) Encontre um inteiro x tal que x == 3 (mod 11), x == 5 (mod 19) e x == 10
(mod 29) (Euler, século XVIII).

46. Resolva, mediante o teorema chinês do resto, os seguintes sistemas:


a) x== 1 (mod 10),x== 4 (mod 11),x= 6 (mod 13)
b) x == 5 (mod 7), x == -1 (mod 9), x == 6 (mod 10)

47. Um bando de 17 piratas, ao tentar dividir igualmente entre si as moedas de uma


arca, verificou que haveria uma sobra de 3 moedas. Seguiu-se uma discussão,
na qual um pirata foi morto. Na nova tentativa de divisão, já com um pirata a
menos, verificou-se que haveria uma sobra de 10 moedas. Nova confusão, e mais
um pirata foi morto. Então, por fim, eles conseguiram dividir igualmente as moe-
das entre si. Qual o menor número de moedas que a arca poderia conter?
CAPiTULO III

RELAÇÕES, APLICAÇÕES, OPERAÇÕES


111-1 RELAÇÓES BINÁRIAS

1. CONCEITOS BAslCOS
1.1 Produto cartesiano
Definição 1: Dados dois conjuntos, E e F, não vaalos.chama-se produto cartesia-
no de E por F o conjunto formado por todos os pares ordenados (x, y), com x em E
e y em r.
O conceito de par ordenado é tomado aqui como primitivo, postulando-se que
(x, y) == lu, v) se, e somente se, x "" u e y = v.
Costuma-se indicar o produto cartesiano de E por F com a notação E x F üê-se
uE cartesiano F"j. Assim, temos:

ExF= {(x,y) Ix E Ee y E F}

1.2 Relação binária


Na matemática, e até no dia-a-dia. temos de tida r freqüentemente com "relações"
entre elementos de um conjunto E ou entre elementos de dois conjuntos distintos,
E e F.
Por exemplo, se E indica os membros de uma família (pais e filhos, apenas),;
são relações entre elementos de E:
• "x é irmão de y";
·"x é pai de y".
No terreno da matemática, se E = F = IR (conjunto dos números reais), são "rela-j
ções" entre elementos de IR: I
• a igualdade (x = y);
!
• a desigualdade (x -=f- y); i
• "x é menor que y" (x < y); .
·x+y=10. l
Para outro exemplo, consideremos E = {O, 1,2,3, ... } e F = { ..., - 3, - 2, - t}. Entáo.]
é uma relação entre elementos de E e F: 1
I
•x + y = 0, em que x representa um elemento de E e y um elemento de F.
De situações como essa, decorre naturalmente uma idéia informal de "relação";'
é um sistema R constituído de: !

1) um conjunto E (chamado conjunto de partida);


2) um conjunto F (chamado conjunto de chegada);
3) uma sentença aberta p(x, y), em que x é uma variável em E e y uma variá-
vel em F, sentença essa tal que, para todo par ordenado (a, b) E E x F,a proposição
pra, b) é verdadeira ou falsa.
Quando pia, b) é verdadeira, diz-se que "a esrd relacionado com b mediante (ou
crrcvés de) R"e escreve-se
aRb
Se pia, b) é falsa, diz-se que "a não está relacionado com b mediante (ou arrcvés
de) R"e escreve-se
al/b
Por exemplo, se R indica a relação em que o conjunto de partida e o conjunto
de chegada são iguais a IR e a função proposicional é x 2 + Y = O, então
1R(-1}, (-3)R(-9) e ORO
ao passo que
01/1, (-1)1/(-4) e 31/6
o conjunto dos elementos a E E tais que aRb, para pelo menos um elemento
b E F, é chamado domínio da relação e é denotado por D{R). E o conjunto dos ele-
mentos b E F tais que, para pelo menos um elemento a E E, verifica-se aRb, é cha-
mado conjunto imagem da relação e é denotado por 1m (R).
Por exemplo, considere a relação"ser pai de" numa família constituída de 5 mem-
bros: o pai é Q, a mãe é b, e os filhos m, n e r. Nesse caso, podemos considerar o

G- 64-E)
conjunto de partida e o conjunto de chegada iguais a {a, b, m, n, r}. Obviamente o
domínio da relação considerada é {a} e o conjunto imagem é {m, n, r}.
Outro exemplo: se indicarmos por R a relação que tem como conjunto de par-
tida {o, 1, 2, 3, ...}, conjunto de chegada {..., -3, -2, -1} e função proposicional
dada por y e -lx,então D(R) =={1,2,3, ...},ao passo que Im(R) == {-2, -4, -6, ...}.
Segue uma definição mais precisa da relação, usando-se apenas a linguagem
de conjuntos.
Definição 2: Chama-se relaçãobinária de E em F todo subconjunto R de E x F.
Logo:
(R é relação de E em F) se, e somente se, R C E x F
Conforme essa definição, R é um conjunto de pares ordenados (a, b) pertencentes
a ExF.
Para indicar que (a, b) E R. usaremos algumas vezes a notação
aRb
(lê-se "o erre b" ou "a relaciona-se com b segundo R").
Se (a, b) fi- R, escreveremos af( b.
Os conjuntos E e F são denominados, respectivamente, conjunto de partida e
conjunto de chegada da relação R.
Vale notar que essa definição pode ser considerada equivalente à idéia de rela-
ção dada no início, desde que admitamos a existência, para cada parte R de E x F,
de uma função proposicional p(x, y), com x é variável em E e y é variável em F, função
essa que tem como conjunto verdade R.
No que segue, até por simplicidade, ao considerar ou ao nos referirmos a uma
relação R, estaremos pressupondo a definição 2.
Exemplos 1:
n Se E== {O, 1,2,3} e F= {4,S,6},então:
h F ~ {(O, 4i, (O, 5), (O, 6), (1, 4), (1, 5), n. 6), (2, 4), (2, 5), (2, 6), (3, 4), (3, 5), (3, 6))
Qualquer subconjunto de E x F é uma relação de E em F. São exemplos de
relações:
13
R, ~ {(O, 4), (0, 5), (0,6)}
R, ~ {(O, 4), (1, 4), (1, 5), (2, 61)
R, ~ {(2, Si, (3, 6)}
2~) Se E = F = 2, então E x F é o conjunto formado por todos os pares ordena-
dos de números inteiros. Um exemplo de relação de 2 em 2 é:
R~{(X,y)EZx 2Ix~-y}~
~ {..., (-n, n), ..., (-2, 2), (-1,1), (O, O), (1, -1), .... (n, -n), ...}

C3- 65 -E)
3~) Se E := F = IR., então E x F é o conjunto formado por todos os pares orde-
nados de números reais. Um exemplo de relação de IP: em IR é:

R = [tx, y) E IP: x IP: I x 2" Oe y 2" O}

1.3 Domínio e imagem


Seja R uma relação de E em F.

Definição 3: Chama-se domínio de R o subconjunto de E constituído pelos ele-I


mentos x para cada um dos quais existe algum y em F tal que x R y. j

D(RI = {x E E I 3 y E F "Ry} 1
Definição 4: Chama-se imagem de R o subconjunto de F constituído pelos ele-
mentos y para cada um dos quais existe algum x em E tal que x R y.

Em outros termos, D(R) é o conjunto formado pelos primeirostermos dos pares or-
denados que constituem R e Im(R) é formado pelos segundos termos dos paresde R.I
Assim, voltando aos exemplos anteriores, temos: j
lei D(R,I = {o} e Im(R,) = {4, 5, 6} 1
D{R,I={O,1,2} e Im(R,i={4,S,6} I'

DIR,I = {2,3} e Im(R,i = {s. 6}


2~) D(R) := 7L e Im(R):= Z

3~) D(R) = IR+ e Im(R):= IR+

1.4 Representações

aI Gráfico cartesiano
Grande parte das relações estudadas em matemática são relações em que
E (conjunto de partida) e F (conjunto de chegada) são subconjuntos de IP:. Nesses
casos, o gráfico cartesiano da relação é o conjunto dos pontos de um plano
dotado de um sistema de coordenadas cartesianas ortogonais, cujas absctssas
são os primeiros termos e as ordenadas os segundos termos dos pares que cons-
tituem a relação.
Exemplos 2:
le) R, o (lo, 4), te. 5), ro, 6)} R, "{10, 4), 11,4),11,5),12,61}

Y Y

6 6

5 5

4 4

I
2 3 x 1 2 3 x
°
1
°
>'1 E o Z,F d ' e R o [tx, yl E Z x :i' 1 x o -y}

6t-l-+r- '+-l-t-
"i-- 1--1--- -i- --t r- j
5
++-+_.
l- ....+-
t "'---ri+j-j
4_

-t-++- i;-t-H- i t-"l l 1'l


-ti-r +--I-I-t-'
~····_~--t··_-t-+~---_~-·~_I_;:--+;-_--}~
x

G- 67-E)
3~) E= IR,F= IR e R= {(x,y) E IR x IR I x ~ O e y ~ O}

b) Esquema de flechas
Quando E e F são conjuntos finitos com "poucos" elementos, podemos indicar
uma relação de E em F da seguinte forma: representamos E e F por meio de diagra-
mas de Venn e indicamos cada (x,y) E IR por uma flecha com"origem"x e'extreml-
dade" y,
Exemplo 3:

E={O,1,2,3}
F = {4, 5, 6}
R = {iO, 4), n. 4), (1, 5), tz, 6)}

G- 68-E)
1.5 Inversa de uma relação
Definição 5: Seja R uma relação de E em F. Chama-se relação inversa de R, e
indica-se por R- l , a seguinte relação de F em E:
R 'o{ly,xIEFxEllx,Y)ER}
Exemplos 4:
l'i E o {O, 1, 2, 3), F o {4, 5, 6} e R o {10, 4), 10, 5), 10, 6i}, então,
R ' o {(4, O), IS, O), 16, Ol}
2~) E ~ RJ ~ R e R ~ {(x,y) E R 2 1 y ~ 2x}, então:
R" o {(y,x) E u;l' I yo 2x} o (lx,y) E u;l' I xo 2y}
n E = IR, F ~ IR e R ~ {(x, y) E IR 2 I y = Xl}, então:
R-' o {(Y, x) E u;l' I y o x'} o {(x,yl E u;l' I x o y'}
Representação de R- 1
a) Se a relação R admite um gráfico cartesiano, então o mesmo ocorre com R- l .
Notando-se que (x,y) E IR se, e somente se, (y,x) E R-l, então o gráfico de R 1 é
simétrico do gráfico de R relativamente à reta de equação y ~ x. Exemplos:

y y
y=2x /

,/y'= x
,/
/
/
/
/
° :," x
x

b) Dado o diagrama de Euler-Venn de uma relação R, obtemos o diagrama de


R-l simplesmente invertendo o sentido das flechas. Por exemplo, se E = {O, 1,2, s],
F o {4, 5, 6} e R o {10, 4), 11, 4), (1, 5), (2, 6)}, temo"
E,--...

:::t::C.s '-'+-+-5
2_1--4_
isto é, W 1
o
{
(4, O), 14, 1), IS, 1}, (6,2) } ,

G- 69.E)
Propriedades: Decorrem diretamente da definição de relação inversa as pro-
priedades seguintes:
a) D(W 1 ) = Im(R)
b} Im(R '} = D(R)
c) (W'}-l = R

III Exercícios I
1. Sejam E = {1.3. 5. 7, 9) e F = {O, 2.4. 6).
a) Enumere os elementos das seguintes relações de E em F:
R,={ix,y)ly=x-l}
R, = (ix,y) Ix<y}
R, = (ix,y) Iy = 3x}
b) Estabeleça o domínio e a imagem de cada uma.

2. Sabe-se que E é um conjunto com 5 elementos e R = {(a, b), (b,e), (e, d), (d, e)}
é uma relação sobre f. Pede-se obter:
a) os elementos de f;
b) domínio e imagem de R;
c) os elementos, domínio e imagem de R -';
d) esquema de flechas de R.

3. Sendo R = {(x, Y) I 4x 2 + y 2 = 4} uma relação sobre IR. pede-se:


a) o gráfico cartesiano de R;
bl o domínio de R;
c) a imagem de R;
d} descrever R- l ,

4. Seja R a relação sobre o conjunto N* definida pela sentença x + 3y = , Q. Pede-


se determinar:
a) os elementos de R;
b) o dominio de R;
c) a imagem de R;
d) os elementos de W'.

5. Sejam f e F dois conjuntos finitos com m e n elementos, respectivamente.


a} Qual é o número de elementos de f x F?
b) Qual é o número de relações de f em F?

G-70~
6. Seja R uma relação binária sobre o conjunto E e R' a negação de R, isto é,
R' == {tx, y) I x f( y}. O que se pode concluir sobre R n R' e R U R'?

7. Sejam R, e R2 duas relações binárias em E. Que significado têm R, U R2 e R, n R2?


O que significa a inclusão R, C R2?

1.6 Relação sobre um conjunto


Definição 6: Quando E = F e R é uma relação de E em F, diz-se que R é uma
relação sobre E ou, ainda, R é uma relação em E.
As relações sobre E vão merecer um destaque especial neste livro. Veremos
algumas propriedades que as relações sobre E podem apresentar e, em seguida,
estudaremos dois tipos de relações sobre E extremamente importantes:as relações
de equivalência e as relações de ordem.
No estudo das relações sobre E, em que E é conjunto finito com "poucos" ele-
mentos, é muito útil a representação através do esquema de flechas, que pode
ser assim simplificado: representamos os elementos de E por pontos de um retán-
gula e indicamos cada par (a, b) da relação através de uma flecha com "origem"
a e "extremidade" b. No caso de (a, a) estar na relação, usa-se um "laço"envolven-
do a, conforme mostra o exemplo a seguir.
Exemplo 5:0 esquema ao ladorepre- E
senta a relação R = {(a, a), (a, b). (b,c),
(e, a)) sobre E = {a, b, c}.

1.7 Propriedades
Daremos a seguir as principais propriedades que uma relação R sobre E pode
verificar.
a) Reflexiva
Definição 7: Dizemos que R é reflexiva quando todo elemento de E se relacio-
na consigo mesmo. Ou seja, quando, para todo x E E, vale xR x.
Se designarmos por A E o conjunto de todos os pares (x, x], com x E E, então
R é reflexiva quando AE C R.

C3- 71 -E)
Exemplos 6:
l~)A relação R = {(a, a), (b, b), (c, c), (a, b), (b, cl] sobre E = {a, b, c} é reflexiva,
pois aRa, bRb e cRe.
2~) A relação R de igualdade sobre o conjunto ?L dos números inteiros xRy
se, e somente se, x = y é reflexiva pois x = x, para todo x E ?L.
3~) A relação R de paralelismo definida sobre o conjunto Edas retas do espaço
euclidiano xRy se, e somente se, x II y é reflexiva, pois x II x, para toda reta x.
Contra-exemplo 1:
Notemos que uma relação R sobre E não é reflexiva quando existe um efernen-
taxem Etal quexRx.
Assim, por exemplo, a relação
R = {(a, a), (a, b), (b, a), (b, b), (b, c)} sobre E = {a, b, c} não é reflexiva, pois cRe.

bl Simétrica
Definição 8: Dizemos que R é simétrica se vale yRx sempre que vale xRy. Ou
seja, se xRy, então yRx.
Exemplos 7:
1~) A relação R = {(a, a), (a, bj, (b, c}, (c, cj] é uma relação simétrica sobre
E ~ {a, b, c}.
2~) A relação R de perpendicularismo definida sobre o conjunto E das retas do
espaço
x Ry se, e somente se, x 1- y
é simétrica, pois, para duas retas x e y quaisquer, x 1- y ~ Y 1- x.
3~) A relação R sobre o conjunto QI dos números racionais, definida por
x Ry se, e somente se, x2 = l
é simétrica, pois, para dois racionais x e y quaisquer, x 2 = v' ~ y2 = x 2.
Contra-exemplo 2:
Notemos que uma relação R sobre E não é simétrica se existirem x e y em E
tais que xRy e yltx.
Assim, por exemplo, a relação
R = {(a, a), (a, b), (b, b), (c, cl) sobre E = {a, b, c} não é simétrica, pois aRb e bita.
c) Transitiva
Definição 9: Dizemos que R é transitiva se vale xRz sempre que vale xRy e
xRz. Ou seja, se xRy e xRz, então xRz.

Exemplos 8:
,~) A relação R = (la, b), (b, b), (b, c), (a, c), (c, cl] sobre E = {a, b, c} é transitiva.
2~) A relação R de semelhança ('"'-') definida sobre o conjunto E dos triângulos
do espaço
xRy se, e somente se, x '"'-' y
é transitiva, pois, sendo x, y e z triângulos quaisquer, tem-se:
xrvyeyrvz=:>x"-'z
3~) A relação R sobre o conjunto N dos números naturais definida por
xRy se,e somente se, »< y
é transitiva, pois, dados três naturais x, y e z, tem-se:
x",;:yey",;:z=:>x",;:z
Contra-exemplo 3:

Notemos que uma relação R sobre E não é transitiva se existirem x, y e z em E


tais que xRy,yRz e x«z.
Assim, por exemplo, a relação
R =' {(a, a), (o, b), (b, c), (e, e)} sobre E =' {a, b, c}
não é transitiva, pois aRb, bRc e a«e.
Da mesma forma, a relação
5 = {(a, b), (b, a)} sobre E = {a, b, c} não é transitiva, pois aSb, bSa e aja.
d) Anti-simétrica
Definição 10: Dizemos que R é anti-simétrica se x = y, sempre que x R y e y R x.
Ou seja, se xRy e yRx, então x = y.
É importante destacar a contreposlttva da definição' o:se x =I- y, então x« y ou y« x.
Exemplos 9:
1~) A relação R = {la, a), (a, b), (b, e), (c, a)} sobre E = {a, b, e} é antl-slrnétrtce.
2~) A relação R de divisibilidade sobre o conjunto N dos números naturais
I
xR y se, e somente se, x y (lê-se "x é divisor de y")
é antl-slmétrlca, pois, dados dois números naturais, x e y se x I y e y I x,
então x = y.
3~) A relação R sobre o conjunto IR dos números reais dada por
xRy se, e somente se, x -s, y
é antl-símétríca. pois, sendo x e y números reais quaisquer, se x a y e y c; x,
então x = y.
Contra-exemplos 4:
Notemos que uma relação R sobre E ndo é antl-sfrnétrtca se existirem x e y em
E tais que x *- ye xRy e yRx.

R = (la, a), (b, b), (c, e), (b, c), (e, b)} sobre E = {a, b, c}
não é entl-stmétrfca, pois b =I- e, bRc e cRb.

G- 73-E)
Outro contra-exemplo: a relação R de divisibilidade sobre o conjunto !L dos
números inteiros não é antl-stmétrica, pois 2 -:F- - 2,2 I - 2 e -2 I 2.

1.8 Diagrama de flechas e propriedades


Quando E é finito e tem "poucos" elementos, é possível visualizar se uma relação
R sobre E goza ou não das propriedades definidas no item anterior observando-se
o diagrama de flechas de R.
Reflexiva
Em cada ponto do diagrama deve haver um laço.
Exemplo: Contra-exemplo:

CD
I'~.
\!v
/"". • •
c

Simétrica
Toda flecha tem duas "pontas':
Exemplo: Contra-exemplo:

CD
./:..----_..
b c

Transitiva
Para todo par de flechas consecutivas existe uma terceira flecha cuja origem é
a origem da primeira e a extremidade, a da segunda.
Exemplo: Contra-exemplo:

G! ~ a d

l~••
•b c
i/i
•b •c

G- 74-E)
Anti·simétrica
Não há flechas de duas pontas.
Exemplo: Contra-exemplo:

Fl Exercícios
8. Seja R a relação em E == {l, 2, 3,4, 5} tal que xRy se, e somente se, x - y é
múltiplo de 2.
a) Quais são os elementos de R?
b) Faça o diagrama de flechas para R.
c) R é reflexiva? R é simétrica? R é transitiva? R é anti-stmétrlca?

9. R é uma relação sobre E == {a, b, c, d} dada pelo


esquema de flechas ao lado. Que propriedades
R apresenta?

EL- _

10. Que propriedades apresenta a relação 5 dada pelo


esquema ao lado?

EL- _

11. O conjunto E == {a, b, c, d, e} é formado pelos cinco filhos de um mesmo casal


Seja R a relação sobre E assim definida:
xRy se, e somente se, x é irmão de y
Que propriedades R apresenta?
Nota: x é irmão de y quando x -=I=- y e x e y têm os mesmos pais.

12. Seja E o conjunto das retas que contêm os lados de um hexágono regular atxde
a) Quantos elementos tem o conjunto E?

G- 75-E)
b) Indique quais são os pares ordenados que constituem a relação R em Eassim
definida:
xRy =- x é paralela a y
c} Quais são as propriedades que R apresenta?
Nota: x é paralela a y quando x = y ou x n y = 0, com x e y coplanares.

13. Seja E = {t. 2, 3}. Considerem-se as seguintes relações em E:


R, ~(Il, 1),12,2),(3,3)}
R, ~ (Il, 1), (1, 2),il, 3), (2, 2), rz. 3), e. 31}
R, ~ (Il, 2), (1, 3), (2, 1), 12, 3), (3, 1), (3, 2), rs. 31}
R4 = E x E
Rs = 0
Quais são reflexivas? E simétricas? E transitivas? E antí-stmétrtcas?

14. Construa sobre o conjunto E = {t, 2, 3, 4} quatro relações R1, R2 , R3 e R4 de


modo que R1 só tem a propriedade reflexiva, R2 só a simétrica, R3 só a transi-
tiva e R4 só a antl-slmétrka.
Sugestão: Faça os diagramas de flechas.

15. Dê um exemplo de relação R sobre o conjunto E = {a, b, c} que tenha as pro-


priedades simétrica e anti-srmétrtca. Dê um exemplo de relação S sobre Eque
não tenha as propriedades simétrica e antí-stmétrtca.

16. Descreva uma a uma todas as relações binárias sobre o conjunto E = {a, b}.
Em seguida, identifique quais são reflexivas, quais são simétricas, quais são tran-
sitivas e quais são anti-stmétrtcas.

1.9 Gráfico cartesiano e propriedades


Seja R uma relação sobre o conjunto IR dos números reais e seja GR seu gráfico
cartesiano.
Quando R é reflexiva, temos (x, xl E IR para todo x real, ou' seja, a reta blssetrlz do
l~ e 3~ quadrantes do plano cartesiano é parte de GR• Ea reciproca também é válida.

Exemplo la: y :\4-, ,


R = {(x, y) E 1R 2 I y ~ x - l} é reflexiva, i;',
pois x ~ x - 1, 'l;;j x, ou seja, todo par (x, xl está -iJ-f'
, y=x -1
, ,
em R. A btssetrlz está contida no gráfico de
R, que é um sem i-plano. , , (1,0) x

, ,, (0,-1)

G- 76-E)
Quando R é simétrica, se {x, y) E R, então (y, x) E R, ou seja, GR é simétrico re
lativamente à bissetriz do 1~ e 3~ quadrantes do plano cartesiano. E a recrproc.
também é válida.

Exemplo 11:
R ;= {(x, y) E [R2 I x 2 + y2 -s 9} é simétrica, Y 3
pois para todos x e y reais;
X2+y2~9~y2+X2"':;9
-3 3 x
Se o ponto (x, y) E R, seu simétrico relativa-
mente à blssetriz (y, x) E R.
-3
Dispomos, entêo, de mais um recurso para
verificar se R é reflexiva ou simétrica: observar seu gráfico cartesiano Gw

~I Exercícios
17. Esboce os gráficos cartesianos das seguintes relações sobre 1f.R:
R1 = [Ix. Y) I x + y",:; 2} R4 ;= {(x,y) I x 2 + X=y2 + y}
R2 = {(x,y) I x 2 + y2 = i} Rs ;= {(x,y) I x 2 + y2 ~ 16}
R3 = {{x,y) I x + y2",:; 4}
2

18. Das relações do exercício anterior, quais são reflexivas? Quais sêo simétricas

19. Esboce os gráficos cartesianos das seguintes relações sobre [R:


R6 ;= {(x, y) I y;= x"] R» ={(x,y) I x 2 = y2}
R,={(x,y) Ixy= 12} RlO ;= {(x,y) I Y ~ x 3 }
Rg = {(x,y) I x 2 + 4y 2 ",:; 4}

20. Das relações do exercício anterior, quais são reflexivas? Quais são simétricas

IJ Exercícios complementares
Cj • Seja E um conjunto finito com n elementos,
QUantas são as relações binárias sobre E?
Quantas dessas relações são reflexivas?
Sugestão: Use o fato de que uma relação R sobre E é reflexiva se, e somente SI
R=1'.. EUR',em que 1'..[= [Ix. x) [x E E} e R'é um subconjunto de Ex E - 1'..1
QUantas dessas relações são simétricas?
Sugestão: Use o fato de que uma relação R sobre E = {Ol' 02' 03' ... , a n} é stmétr
ca se, e somente se, R = S U S 1, em que S é um subconjunto de E x E constitu
do por pares da forma (ai' ai), com i ~" j.
C2. Prove que, se uma relação R é transitiva, então R- 1 também o é.
Sugestão: Tome (x, y) e (y, z) em R -1 e mostre que (x, z) está em R-I.

C3. Sejam R e 5 relações no mesmo conjunto E. Prove que:


a) R 1 n 5 1 = (R n 5)-1
b) R- 1 U 5- 1 = (R U 5)-1
c) Se R e 5 são transitivas, então R n 5 é transitiva.
d) Se R e 5 são simétricas, então R USe R n 5 são simétricas.
e) R U R 1 é simétrica.

2. RELAÇÕES DE EQUIVALÊNCIA
2.1 Relação de equivalência
Definição 11: Uma relação R sobre um conjunto E não vazio é chamada relação!
de equivalência sobre E se, e somente se, R é reflexiva, simétrica e transitiva. Ou seja,
R deve cumprir, respectivamente, as seguintes propriedades:
(i) se x E E, então xRx;
Oi) se x, y E E e xRy então yRx;
(iii) se x,y,z E EexRyeyRz,entãoxRz.

Exemplo 12:
n A relação R = [te. a), (b, b), (C, c), (a, b), (b, a)}
sobre E = {a, o, c} é uma relação de equivalência.
2?) A relação de igualdade sobre IR é uma relação
de equivalência, pois:
Cvx) (x E IR => X = x)
(V'x,y) (x = Y => Y = xl
('rIx,y,z) (x = ye y = Z => X = Z)

3?) A relação de congruência módulo m (em que m E 7L em> 1) sobre 7L,


definida no item 7 do capítulo 2, é uma relação de equivalência, pois:
(V'x) (x E 7L => X == x (mod m))
('rIx, y) {x "" y (mod m) => y == x (mod m))
('rIx, y, z) (X"" Y(mod m) e y "" z (mod m) => x "" z (mod m))

4?) A relação de paralelismo definida para as retas de um espaço E euclidiano


(ver exercício 12 deste capítulo) é uma relação de equivalência, pois, sendo x, y e z
retas de E, tem-se:
O) (x II x)
(ii) (xl/y=>yl/x)
(iii) (xllyeyllz='>xllz)

G- 78-E)
Ir[Exercícios I
21. Quais das relações abaixo são relações de equivalência sobre E = {a, b, c}?
R, o {Ia, ai, {b, bl, {c, cj]
R2 = [te, a), (b, b), (C, c), (a, b), (b, c), (a, cj}
R, {Ia, ai, (o. bl, la, bl, Ib, cl]
o

R4 Ex E
=
Rs = 0

22. Quais das sentenças abertas abaixo definem uma relação de equivalência em 71?
a)x "'" y (mod 3)
b) x I y
c) x « Y
d} mdc(x, y) = 1
e)x+y=7

23. Seja E o conjunto dos triângulos do espaço geométrico euclidiano. Seja R a re-
lação em E definida por:
xRy se, e somente se, x é semelhante a y
Prove que R é de equivalência.

24. Seja Eo conjunto das retas de um plano sx. Quais das relações abaixo definidas
são relações de equivalência em E?
a} xRy se, e somente se, x II y
b) x5y se, e somente se, x 1- y

25. Considere a relação R sobre N x N definida por:


(a, b}R(e, d) se,e somente se, a + b = c +d
Prove que R é uma relação de equivalência.

26. Pense na relação 5 em 71 x 71* definida por:


(a, b)5 (C, d) se, e somente se, ad = be
Prove que 5 é uma relação de equivalência.

2.2 Classe de equivalência


Definição 12: Seja R uma relação de equivalência sobre E. Dado a, com a E E,
chama-se ctosse de equivalência determinada por a, módulo R, o subconjunto de a
de E constltufdo pelos elementos x tais que xRa. Em símbolos:
a = {x E E I xRa}
2.3 Conjunto-quociente
Definição 13: O conjunto das classes de equivalência módulo R será indicado
por EIR e chamado conjunto-quociente de E por R.

Exemplos 13:
1~) Na relação de equivalência R = (ta, a), (b, b), (C, c), (a, b), {b, aJ} temos:
Q = [a. b}
ii = {a, õ]
c = {c}
E/R = {{a, b], {eH
2~) A relação R de congruência módulo m (m E :1 em> 1) sobre J' é uma
relação de equivalência. Como é o conjunto-quociente :1 IR?
(i) Sendo a E Z, efetuemos a divisão euclidiana de a por m, obtendo o quo-
ciente q e o resto r. Temos
a=mq+r e O~r<m

e daí vem:
a - r = qm
Portanto:
a == r {mod m)
a =r
Concluímos que aé uma classe igual a r, em que r é o resto da divisão de a
por m. Como r E {O, 1, 2, ..., m - 1}, vem:
aE{O,,-,2, ...,m-l}
(ii) Suponhamos que existam duas classes, r e 5, iguais em {Õ, ",2, ..., m - l},
representadas por elementos r e s, digamos r < s. Então:
r=seOsr<s<m
Oe r=:5 segue que r "'" s (mod m) e, portanto,m I s -r; como 0< s - r< m,
isso é impossível.
Concluímos que {O, '-,2, ..., m - 1} é constituído por exatamente m elementos
distintos dois a dois, ou seja:
VR={Õ,1,2, ...,m-l}
Proposição 1: Seja R uma relação de equivalência sobre E e sejam a E E e b E E.
As seguintes proposições são equivalentes:
(I) aRb (II) aE b (11l)bEa (IV) ã = ti
Demonstração: Devemos provar que (I) =;> (II) =;> (III) =;> (IV) =;> (1).
(I) =;> (li): É decorrência de definição de classe de equivalência.
(II) =;> (III): Como a E b, então aRb. Daí, pela simetria de R, bRa e, portanto,
b E a.
G- 80-E)
(III) =;> (IV): Por hipótese, b E a, ou seja, bRa. Logo, a R b. Temos de provar que
â C be bC a.
Para provar a primeira dessas inclusões,tomemos x E a. Então, x R a e, leva~do
em conta q.t:.Je aRb, concluímos, pela transitividade de R, que xRb. Daí x E b e,
então, â C b, _ _
Analogamente se prova que b C a.
(IV) =;> (I): Como aE ae b E 5, os conjuntos ae 5 não são vazios. Tomemos
um x E a = 5. Então,xRa e xRb. Daí,pela simetria de R, valem aRx e xRb. A transi-
tividade de R garante, então, que aR b. #

. - Exercícios
27. Seja E = {x E 7L I -5 -s x e; 5} e seja R a relação sobre E definida por
x Ry se,e somente se, x2 + 2x = y2 + 2y
a) Mostre que R é uma relação de equivalência.
b) Descreva as classes de equivalência Õ, -2, e 4.

28. Sejam E = [x E 7L Ilxl -s 3} e R a relação sobre E definida por


xRy se, e somente se,x + Ixl = y + Iyl
a) Mostre que R é uma relação de equivalência.
b) Descreva o conjunto-quociente EIR.

29. Considere o conjunto E = {x E 7L I O ,,;; x ,,;; lO} e sobre ele a relação R de con-
gruência módulo 4, que é de equivalência.
a) Descreva as classes de equivalência Õ e 1.
b) Descreva o conjunto-quociente EIR.

30. Seja R a relação sobre Q definida da seguinte forma:


xRy se, e somente se, x - y E 7L
a) Prove que R é uma relação de equivalência.
b) Descreva a classe 100.
c) Descreva a classe 0,5.

31. Considere a relação 5 sobre IH definida da seguinte forma:


x5y se, e somente se, x - y E Q
a) Prove que 5 é uma relação de equivalência.

h) Descreva a classe representada por ~.


2
c) Descreva a classe a, quando a E Q.
d) Descreva a classe \ 2 .

G- 81 oE)
32. Pense na relação T sobre C definida por
(x + yi) T(z + ti) se,e somente se, x 2 + y2 = Z2 + t2
com x, y, z e t reais.
a) Prove que T é uma relação de equivalência.
b) Descreva a classe ,----::t:""I.

33. Mostre que a relação R = (ta + bi, c + di) I b = d} é uma relação de equivalên-
cia sobre C e descreva o conjunto-quociente C/R.

34. Mostre que a relação 5 sobre 1R 2 definida por


(x. Yl)5 (x2, Y2) se, e somente se, x,y, = X2Y2
é uma relação de equivalência. A seguir descreva as classes (O, O) e [1;"1). Hnal-
mente descreva [R.2;5.

35. Mostre que a relação T sobre [R.2 definida por

(Xl' y,) T(x 2, Y2) se,e somente se, Xl - Yl = x2 - Y2

é uma relação de equivalência. A seguir descreva (1,'"1), ('-;-3) e [R.2; T.

2.4 Partição de um conjunto


Definição 14: Seja E um conjunto não vazio. Diz-se que uma classe ô de sub-
conjuntos não vazios de E é uma partição de E se,e somente se:
a) dois membros quaisquer de '!} ou são iguais ou são disjuntos;
b) a união dos membros de ']i é igual a E.

Exemplos 14:
1?) .'J = {{ 1}, {2, 3}, {4}} é uma partição do conjunto E = {1, 2, 3, 4}.

2~) Sejam:
E_s=J 2

p = {x E 1L I x é par}
I = {x E 1L I x é ímpar}
então ']i = {p, I} é uma partição de !lo

G- 82-E)
3~) '!F = {]-X>, 0[, [O, 2], ]2, +xO é uma partição de IR

]-00, o/ [0,2] ]2, +oo[

U< '--'-------'--~
Provaremos que, através de uma relação de equivalência sobre o conjunto E,
fica determinada uma partição de E (proposição 2). Em seguida, provaremos a re-
cíproca, ou seja, que a cada partição de E pode ser associada uma relação de equi-
valência sobre E (proposição 3).
Certos conceitos matemáticos, como os de número inteiro, número racional,
número real, vetor. etc., são fixados no plano formal através de relações de equiva-
lência e classes de equivalência cuja construção se baseia nos teoremas a seguir.
Proposição 2: Se R é uma relação de equivalência sobre um conjunto E. então
EIR é uma partição de E.
Demonstração;
a a.
a) Seja E EIR. Como R é reflexiva, aRa e, portanto, a E Assim, i= 0 para a
todo a E EIR.
a a
b) Sejam E EIR e fi E EIR tais que n fi "* 0. Provaremos que = 6. a
a
De fato, seja y E n 6. Então, y E ã e y E b e, portanto, yRa e yRb. Daí, aRy
e yRb e, portanto, aRb. A proposição 1 garante, então, que = 6. a
c) Provemos que uã=E.
oE'

(i) Para cada a E E, temos ac E; portanto, U ã C E.


oE'
(ii) Sendo x um elemento qualquer de E, então xRx. Daí, x E x e, por conse-
guinte, x EUa.
oE<
Assim, E C uã. #
OE'

Proposição 3: Se '/fi é uma partição do conjunto E, então existe uma relação R


de equivalência sobre E tal que EIR = 'Jf.
Demonstração: Seja R a relação sobre E assim definida: xRy se, e somente se,
3A E .'1- tal que x E A e y E A, ou seja, x está relacionado com y quando existe
Um conjunto A da partição 'j' ao qual pertencem x e y. Provaremos que R é relação
de equivalência.
Temos:
O) Para todo x em E existe um subconjunto A C E tal que A E 'Jf e x E A; por-
tanto, xRx.
(ii) Se x e y são elementos quaisquer de E tais que xRy, então x, y E A, para
algum A E :-'-j,. Obviamente, então,y, x E A. Logo yRx. #

G- 83 oE)
(iii) Sejam x, y e z elementos quaisquer de E tais que xRy e yRz. Isso significa
que x, y E A e y, z E B, para convenientes A, B E ?fi. Logo, Y E A e y E B. Como
dois conjuntos quaisquer de :'7' que não são disjuntos são necessariamente iguais,
então A = B. Desse fato decorre que x e z pertencem ao mesmo conjunto da clas-
se 21'. De onde, x R z.

Exemplo 15: Dada a partição ;f = {{a, b, c}, [c, ej} de E = {a, b, c, d, e}, a ela
podemos associar a relação de equivalência R = [Ic, a), (a, b), (b, a), (b, b), (b, c), (c, b),
(c, c), (a, c), (c, a), (d, d), (d, e), (e, d), (e, e)}.
Observar que E/R = {{a, b, c}, {d, ej] = :':.F.

~
/\
c;;' '(0
EL- --' ---'

III Exercícios

36. Qual é a relação de equivalência associada a cada uma das seguintes partições?
,) ê}, ~Ha,b),(c,d))
b) 'Ji, ~ {{a), {o}, {c, di}
c) !F,~{{O,12,l4, ... },{±1,±3,±5, ...)}

37. Quais são as relações de equivalência sobre E = {a, b}?

38. Descreva uma a uma todas as relações de equivalência sobre E = {a, b, c}.

39. Quantas são as relações de equivalência que podem ser estabelecidas sobre um
conjunto de 4 elementos?

fjJ Exercícios complementares

(4. Seja E o conjunto das retas de um plano a e seja P um ponto fixado de a. Con-
sidere a relação R em E assim definida:
xRy se, e somente se, P E x n y
R é uma relação de equivalência?
e5. Seja E um conjunto não vazio. Dados X, Y E V'(E), mostre que as relações
R e 5 abaixo definidas são de equivalência em V'(E}:
a} XRYse,e somente se,Xn A= Yn A
b) XSYse, e somente se,X U A = Y U A
em que A é um subconjunto fixado de E.

e6, Seja R uma relação reflexiva sobre E com as seguintes propriedades:


11 DIR) o E
2) ('tia, b, c E E)(se aRe e bRc, então aRb)
Mostre que R é uma relação de equivalência.

Ct. Seja R a relação sobre 7L assim definida:


xRy se, e somente se, x Iy e y I x
Mostre que R é uma relação de equivalência e descreva o conjunto-quocien-
te DR.

e8. Seja 5 a relação definida em 1R 2 da seguinte forma:


2 2 2 2
(Xl' Yl)S(X 2'Y2) se, e somente se,4xl + 9y, = 4X2 + 9Y2
a} Prove que 5 é uma relação de equivalência.
b} Descreva geometricamente a classe (3, O).
c) Descreva o conjunto-quociente 1R.2 ; S.

3. RELAÇÕES DE ORDEM

3.1 Relação de ordem. Conjuntos ordenados


Definição 15: Uma relação R sobre um conjunto E não vazio é chamada relação
de ordem parcial sobre E se, e somente se, R é reflexiva anti-simétrica e transitiva.
Ou seja, R deve cumprir respectivamente as seguintes propriedades:
(i) Se x E E, então xRx;
(ii) Sex,yEE,xRyeyRx,entãox=y;
(iii) Se x, y, z E E, xRy e yRz, então xRz.
Quando R é uma relação de ordem parcial sobre E, para exprimir que (a, b) E R,
usaremos a notação a -s; b (R), que se lê na precede b na relação R" ou "b segue a
na relação R': Para exprimir que (a, b) E R e a -=I=- b, usaremos a notação a < b (R),
que_ se lê" Q precede estritamente b na relação R" ou nb segue estritamente a na re-
Iaçao R'~

. Outra notaçao que se poderá usar para exprimir que"a precede b"é"a -s; b" Mas
ISSO presSUpõeo entendimento de que, nesse caso:' oS" não significa necessarramen-

C3- 85 -E)
te "menor ou igual a~ no sentido numérico usual. O sentido é aquele definido pelo
contexto da questão em foco. Anafoqamente, a notação "a < b" poderá ser usada
para exprimir que "a precede estritamente b'; com um sentido que não o usual.
Definição 16: Um conjunto parcialmente ordenado é um conjunto sobre o qual
se definiu uma certa relação de ordem parcial.
Definição 17: Seja R uma relação de ordem parcial sobre E. Os elementos a,
b E E se dizem comparáveis mediante R se a se b ou b -s; a.
Definição 18: Se dois elementos quaisquer de Eforem comparáveis mediante
R, então R será chamada relação de ordem total sobre E. Nesse caso, o conjunto E
é dito conjunto totalmente ordenado por R.
Exemplos J 6:
1~) A relação R = {(a, a), {b, b}, (e, e), (a, b),
(b, c), (a, cl) é uma relação de ordem sobre @ .fi)
\/
E = {a, b, c}, conforme se pode notar no dia-
grama ao lado. O conjunto E é totalmente orde-
nado por R, uma vez que não há dois pontos
distintos de E que não estejam ligados por uma
flecha.
cD
2~) A relação R sobre !Pi definida por
x R y se, e somente se, x -s, y ($: "menor ou igual a")
é uma relação de ordem, denominada ordem habitual, pois:
(\Ix) (x E IR ='o> X s, x)
(\lx,y E IR) (x -s y e y -s x ='o>X= y)
(\lx,y,z E IR) (x $y e y -c Z ='o> X $z)
O conjunto IR. é totalmente ordenado pela relação de ordem habitual, pois se,
x, y E IR então x c; y ou Y $ X.
3~) A relação R sobre N definida por

xRy se, e somente se, x I y (I: "é divisor de")


é uma relação de ordem, pois:
(\Ix) (x E N ='o> X I x)
(\lx,y E N) (x I ye y I x ='o>x=y)
(Vx,y,z E N) (x [y e y I Z='o>X I z)
como se pode provar facilmente usando-se o conceito de divisor visto no cap. II. 3.
O conjunto N é parcialmente ordenado por essa relação. Essa ordem não orde-
na totalmente N porque há elementos de N não comparáveis por divisibilidade.
como, por exemplo, o 2 e o 3:
2f3e3f2
4?) A relação de inclusão sobre uma família 'JF de subconjuntos de um dado
conjunto f é uma relação de ordem, pois:
(V'x) (x E 2F =- x C x)
(V'x, y E :~) (x C y e y C x =- x = y)
(V'x, y, z E 21') (x C y e y C z =- x C z)

r[ Exercídos
40. Seja C o conjunto dos números complexos e sejam x ::= a + bi e y ::= C + di
dois elementos de C. Considere a relação R sobre C definida por:
xRyse,e somente se, a -s c e b -s d
a) Mostre que R é uma relação de ordem parcial sobre C.
b) Assinale no plano de Argand-Gauss o conjunto A dos complexos z tais que
zR(l + 2i} e o conjunto B dos complexos z tais que (1 + 2i)Rz.
c) Decida: C é totalmente ordenado por R?

41. Prove que, se R é uma relação de ordem parcial sobre f, então R -1 também é.
Nota: Nesse caso, R-I é denominada ordem oposta de R.

42. Seja C o conjunto dos números complexos e sejam x = a + bi e y = c + di


dois elementos de C. Considere a relação 5 sobre C assim definida:
x5yse,e somente se,o < cou (a = ce b % d)
a) Mostre que 5 é uma relação de ordem parcial sobre C.
b) Assinale no plano de Argand-Gauss o conjunto A dos complexos z tais que
z5(1 ~ 2i} e o conjunto B dos complexos z tais que (1 + 2i)Sz.
c) Decida: C é totalmente ordenado por 5?

43. Prove que a relação 5 sobre N x N tal que (a, b) 5(c, d) se, e somente se, a I c
e b I d é uma relação de ordem. A relação S ordena totalmente N x N?

3.2 Representação gráfica simplificada


Para representar uma relação de ordem sobre um conjunto finito f, podemos
utilizar um esquema simplificado que substitui o esquema de flechas já visto. É
assim:
1?} quando oRb, ligamos o elemento a ao elemento b por meio de um traço
ascendente;
20 ) d .
. erxernos de desenhar os laços em torno de cada elemento de f (não ex-
Pomosap·d .
roprte ade reflexiva]:
3~}
quando existe um traço ligando a com b e um outro traço ligando b com c,
deixamos de desenhar um traço ligando a com c (não expomos a propriedade
transitiva).

Exemplos 17:
l'1 E o {1, 2, 3, 4, 6, 12}
R é a ordem habitual (%).

E é totalmente ordenado por R.


>'1 E o {1, 2, 3,4, 6, 12}
5 é a ordem por divisibilidade.
12

6
4

E é parcialmente ordenado por S.

8L.:='----
Exercícios
;:!
44. Faça o diagrama simplificado das seguintes ordens no conjunto E == {t, 2, ~
5,10,20},
a) ordem habitual;
b} ordem por divisibilidade.

45. Faça o diagrama simplificado da relação de ordem por inclusão em E== Jl({a, b}):

46. Faça o diagrama simplificado da relação de ordem por divisibilidade no conjun-


to E == {2, 3, 5,6, to. 15, 30}.
47. Faça o diagrama simplificado da relação de ordem por inclusão no conjunto
E ~ {{a}, {b}, {a, b, c}, {a, õ. c], {a, o, c, di, {a, o, c, d, ej].

3.3 Limites superiores e inferiores


Seja E um conjunto parcialmente ordenado mediante a relação <. Seja A um
subconjunto de E, com A "* 0.
Definição 19: Um elemento L E E é um limite superior de A se, para todo xEA,
valer x -c. L, isto é, qualquer elemento de A precede L.
Definição 20: Um elemento f E E é um limite inferior de A se, para todo xEA,
valer f ~ x, isto é, f precede qualquer elemento de A.

3.4 Máximo e mínimo


Seja A um subconjunto não vazio do conjunto E parcialmente ordenado pela
relação %.
Definição 21: Um elemento M E A é um máximo de A se, para todo x E A,
valer x -s; M, isto é se M é um limite superior de A e pertence a A
Definição 22: Um elemento m E A é um mínimo de A se, para todo x E A, va-
ler m % x. isto é, se m é um limite inferior de A e pertence a A.
Proposição 4: Se A é um subconjunto do conjunto parcialmente ordenado E
e existe um máximo (ou mínimo) de A, então ele é único.
Demonstração: Admitamos que M, e M2 sejam máximos de A Como M 1 é má-
ximo de A e M 2 E A,então M 2 -s; MI' Por raciocínio análogo, prova-se que M 1 e; M 2 .
logo. M 1 -= M 2•
Para o mínimo, a demonstração é semelhante. #

3.5 Supremo e ínfimo


Definição 23: Seja A um subconjunto não vazio do conjunto parcialmente or-
denado E. Chama-se supremo de A o mínimo, caso exista, do conjunto dos limites
Superiores de A Chama-se infimo de A o máximo, caso exista, do conjunto dos li-
mites inferiores de A.

3.6 Elementos maximais e minimais


Seja A um subconjunto não vazio do conjunto parcialmente ordenado E.
Defi • H

mçeo 24: Um elemento m, E A é um elemento maximal de A se nenhum


elemento d
e A segue estritamente m 1. Em outras palavras: se x E A e mI -s; x,
então mI -= x.
Definição 25: Um elemento mo E A é um elemento minimal de A se nenhum
elemento de A precede estritamente mo. Em outras palavras: se x E A e
x -s; mo,
então mo = x.

Exemplos 18:
l?) Se E = [R,A = {x E IR I O < x"'::; 1} = ]0, 1] e a ordem é a habitual, temos:
a) são limites superiores de A os números reais L ?- 1;
b} são limites inferiores de A os números reais f ~ O;
c) o máximo de A é 1;
d) A não possui mínimo;
e} o supremo de A é 1;
f) o ínfimo de A é O;
g) 1 é o único elemento maximal de A;
h) A não tem elementos minimais.

.
7esupremo

10 .,
limites inferiores limites superiores

2?) Se E = {1, 2, 3, 4, 6, 9, 12, 18, 36}, A = {2, 4, 6} e a ordem é a divisibilidade, o


diagrama simplificado abaixo mostra que:
a) os limites superiores de A são 12 e 36;
b) os limites inferiores de A são 1 e 2;
c) A tem mínimo 2 e não tem máximo;
d) A tem ínfimo 2 e supremo 12;
e) só 2 é elemento minimal de A;
f) os elementos maximais de A são 4 e 6.

G- 90-E)
-= Exercícios I
48. O diagrama abaixo representa uma relação de ordem R sobre E == {ai b, c, a,
e,f,g,h,i,j}.
h

a
Determine os limites superiores.os limites inferiores, °supremo,o ínfimo, °máxi-
mo e o mínimo de A == {di e}.

49. SejaA == {x E d) I O -s x2 ~ 2} um subconjunto de Q, em que se considera a re-


lação de ordem habitual. Determine os limites superiores, os limites inferiores, o
supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo de A.

50. Utilize o resultado do exercício 46 e determine os limites superiores, os limites


inferiores, o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo de A = {6, io}

51. Utilize o resultado do exercício 47 e determine os limites superiores, os limites


inferiores, o supremo, o ínfimo, o máximo e o mínimo de A = {{a, b, C}, {a, b, c],
{a, b", d}}.

52. Considere a relação R definida em N x N da seguinte forma:


(a, b}R(c, d) se, e somente se, a I c e b se d
O) Prove que R é uma relação de ordem parcial.
(ii) Determine os limites superiores, os limites inferiores, o supremo, o ínfimo,
o máximo e o mínimo de A = {(l, 2), (2, ln.
fi! Exercícios complementares
e9. Sejam E e F dois conjuntos totalmente ordenados pela relação <. Sejam
a = (x, y) e f3 = (x: y') elementos de E x F, em que está definida a relação R
da forma seguinte:
aR f3 se, e somente se, {x >:S x' ou (x = x' e y >:S 1'))
Prove que R é uma relação de ordem total em E x F.

e10. Faça um diagrama simplificado da relação de inclusão sobre2P(E) em que


E = {a, b, c}, com a *- b "* c "* a.
111-2 APLICAÇÕES

4. NOTA HISTÓRICA IA FORMAÇÃO DO CONCEITO DE FUNÇÃO)


Só no século XIX,a idéia de função ganharia forma matemática. Mas desde a
Antiguidade ela aparece embrionariamente,como, por exemplo, entre os babilônios.
Efetivamente, os babilônios foram exímios produtores de tábuas matemáticas. Uma
das remanescentes traz os valores de n 3 + n2 , para n = 1,2,3, ..., 20,30,40 e 50.
Obviamente, não seria forçado associá-Ia à função f cujo domínio é {1, 2, 3, ..., 29,
30,40, 50} e que está definida por f(x) = x 3 + x 2 • Mas, como possivelmente essa
tábua foi construída para permitir a resolução de equações do tipo x 3 + x 2 = c, po-
de-sever nela ainda o germe da idéia de função inversa. De fato,ao se resolvera equa-
ção x 3 + x 2 = 80, por exemplo, o que se procura é o número n tal que f(n) = 80,
ou seja, a "imagem" de 80 pela "função inversa" de f.
Em sua obra-prima, O almagesto, Claúdio Ptolomeu (século II d.C) deu um
grande passo nessa matéria. Em seu livro I (são 13 ao todo) há uma tábua com as
cordas dos arcos de 1/2° a 180 0 em intervalos de 1/2°. Essas cordas são, na ver-
dade, os ancestrais mais remotos de nossos senas. Como Ptolomeu usou também
suas tábuas em sentido contrário, para achar, por exemplo, o arco de uma dada
corda, é plausível dizer que a idéia de função inversa também está presente em
sua obra. Mas o grande passo de Ptolomeu consistiu em mostrar como interpolar
linhas em sua tábua, para qualquer valor da "variável independente" (o arco), o que
sugeria um caminho para um estudo computacional de fenômenos contínuos.
No período medieval não se verificaram avanços significativos na formação do
conceito de função. De um lado porque a álgebra literal, fundamental para explo-
rar esse conceito, só seria criada no final do século XVI, De outro, porque a ciência
ainda não elegera a descrição quantitativa dos fenômenos como meta, o que só
aconteceria no Renascimento, graças principalmente a Galileu Galilei (1564-1642).
Portanto, não sem motivos, há historiadores que atribuem a esse sábio a criação
do conceito de função.
Galileu aplicou seu método científico principalmente ao estudo do movimento.
por exemplo, em Diálogos sobreduas novasciências (1638}, encontra-se a seguinte
lei: "Os espaços percorridos por um corpo que sai do repouso em movimento uni-
formemente acelerado estão entre si como os quadrados dos tempos gastos para
percorrê-los·: Ou seja, se para percorrer determinado espaço o tempo gasto é tI

e se para percorrer um espaço s o tempo gasto é t, então.L


SI
,
=.L. Com o desen-
S1 tf
volvi menta e a difusão da simbologia algébrica (ignorada por Galileu), essa lei pas-
saria a se escrever assim:
s = kt 2
em que k = Sl/t12, destacando-se o espaço em termos do tempo.
Mas quem primeiro conseguiu fundir à idéia de variabilidade uma simbolo-
gia algébrica conveniente,ao representar lugares geométricos por meio de equações
algébricas e fazer a correspondência entre as variáveis a fim de poder esboçar o
gráfico correspondente, foi o filósofo e matemático francês René Descartes (1596-
1650), o criador da geometria analítica.
Na segunda metade do século XVII,o matemático alemão G.W. Leibniz (1646-
1716) usaria pela primeira vez a palavra "função: Também se deve a Leibniz a intro-
dução das palavrasvarlével" "constante" e "parâmetro'; hoje corriqueiras na lingua-
gem matemática. Mas a notação f(x) para indicar uma função só seria introduzida
em 1734 pelo matemático suíço L. Euler (1707-1783).

5. APLICAÇÃO - FUNÇÃO
Definição 26: Seja f uma relação de f em F. Dizemos que f é uma aplicação
de f em F se, e somente se:
(i) o domínio de f é f, isto é, OU) = f;
(ii) dado um elemento a E OU}, é único o elemento b E F tal que (a, b) E t,
Se f é uma aplicação de f em F, escrevemos:
b = f(a) (lê-se "b é imagem de a pela 1")
para indicar que (a, b) E i.
Usaremos também a notação
f,E- F
para indicar que f é uma aplicação de f em F.
Às vezes, usaremos a notação
x Hf(x)
para indicar a aplicação f em que f(x) é a imagem do elemento genérico x.
O conjunto F é chamado contradomínio de t,
Igualdade: decorre diretamente da definição de relação (seção 1.2 deste capí-
tulo) a seguinte proposição: se i : E ---i>F e g: E ---i>F, então f = 9 se f{x) = g{x) para
todo x E E,
Função: se f: E -..F e o contradomínio F é um conjunto numérico (portanto,
F é subconjunto de e), é usual chamar f de função. Às vezes, contudo, usa-se a pa-
lavra função para designar uma aplicação qualquer.

sxemotos 19 e contra-exemplos 5:
1~) Se E = {a, b, c, d} e F = {m, n, p, q, r}, consideremos as relações de E em F
seguintes:
R, = {la,al,lb,pI, (c, q)}
R, = {Ia, mi, Ib, aI, (c. ql, Id, 'I}
Rl = {Ia, ai, Ib, ai, (c. q), Id,'I}
R, = {Ia, mi, Ib, ai, Ib,pl, (c, 'I, Id, q}}
Examinemos os diagramas de flechas:

R, R,
a
b

d7--4,.

R,

Temos:
R2 e R3 são aplicações;
R1 não é apticação.pois D(R1) = {a, o, c} "* E, uma vez que d 11- D(R ,);
R4 não é aplicação, pois (b, n) E R4 e (b, p) E R4 , portanto, b tem dois "corres-
pondentes" em F.
2~) Se E = F = IR, consideremos as seguintes relações de IR em IR:
R, = {(x,y) E [R.21 x 2 = y2}
R2 = {(x,y) E [R.21 x2 + y2 = 1}
R 3 = {(x,y) E IR21Y = x"]
Examinemos seus gráficos cartesianos:
R, y
y
1
1
/
1', x o 1 x
/
-1 -1 x

A relação R1 não é aplicação, pois,por exemplo, para a = 1 existem b = 1 e b' = -1


tais que (a, b) e (a, b') estão em Rj .
A relação R2 não é aplicação, pois D(R2 ) = [-1, 1] +- IR: e também porque, por
°
exemplo, para a = existem b = 1 e b' = - 1 tais que (a, b) E R2 e (a, b') E R2 .
A relação R3 é aplicação de IR: em IR:.

liJ Exercícios
53. Se E = {1, 2, 3, 4} e F = {a, b, c}, quais das relações abaixo são aplicações de E
em F?
R, = {(1, ai, (2, bl, (3, o}
R, = {(1, ai, (2, bl, (3, c), (4, cj]
R, = {(1, bl, {1, c). (2, bl, (3, c). (4, ai}
R, = {(1, c}, (2, c), (3, c), (4, cl)

54. Considere a relação R = {(x, y) E IR: x IR: I x 2 +l = 9}. R é uma aplicação?

55. Considere a relação R = [Ix, y) E 7! x 711 mx + ny = 1}, em que m e n são nú-


meros inteiros dados. Quais são as condições sobre m e n para que R seja uma
aplicação?

56. Descreva todas as aplicações de E = {O, 1,2} em F = {3, 4}.

57. Descreva como conjunto de pares ordenados a função f: E-- F dada pela lei:
1,sexEil)
f{x) = { _1, se x fi Q

São dados.ü e {o, 1, t, \2 ,TI, ~}e F=7L

58. Seja i: PJ x PJ __ N tal que f{x, y) = mdc(x, y).


Determine ns, 1), f(12, 8), f(3, 7).1(0,5) e rro. O).
_~95~
59. A aptkaçáo t: IR .-.. IR é dada pela lei:
2X + 5, se x < -1
f(x) =; xl + 2,se -1"; x c 1
{
3x,sex>1

Determine f(O), f (~), f (- ~), f( v 3 ) e f(- 2;).


60. Decida em cada caso se (e 9 são funções iguais ou distintas.

l~) ((x) =; xl - 2x + 1 ,g(x) =; x - 1 e x E IR - {l}


x 1
2~) ((x) =; l,g(x} =;x4ex E {1, -l,i, -.'}
3~) ((x) =;x 3,x E IR eg(y) =;y3,y E [-1, 1]

6. IMAGEM DIRETA - IMAGEM INVERSA


Seja uma eplkaçáo f: E .-.. F.
Definição 27: Dado A C E, chama-se imagem direta de A, segundo i, e ind~
ca-se por f(A), o seguinte subconjunto de F:
fiA) = {flx) I x E A}
isto é, f(A) é o conjunto das imagens por f dos elementos de A.
Definição 28: Dado B C F, chama-se imagem inversa de B, segundo i, e ind~
ca-se por f- 1(B), o seguinte subconjunto de E:
r'IB) = (x E E I flx) E B}
isto é, f- 1(B) é o conjunto dos elementos de E que têm imagem em B através de ~:
Exemplos 20:
l~) Se E=;{ 1,3,5,7, 9},F = {O, 2,4,6,8 ,10, l2} e i: E.-..F é dada por f(x) =; x+t
temos:
fl{3, S, 7)) = (f(3), fIS), fi?)} = {4, 6, 8}
fiE) = (fll ),f13), fIS),f17), f(9)} = {2, 4, 6, 8, io}
f(0) =0 1
r'I{2,4, lO}) = {xE EI flx) E (2,4, lO)) ={1,3,9}
r'l{o, l2})= (x E E I flx) E (O, 12)) = 0
E ~
1- -2 '0
/' 3- -4
A( S' -6 fiA)
'!- ,/ <,
'8

9' '10 -12

G- 96-EJ
2~) Se E =: F = [R e i: [R ---... [R é dada pela lei f(x) = x 2, temos:
fl{1,2,3})"{1,4,9}
fl[0,2]) " {flx) I o -c x e; 2}" {x' 1o" x « 2}" [0,4]
fl]-l, 31)" {x' l-I < x < 3}" [O, 9]
r'I{0,4, 16}) "{x E I! I x' E {O,4, 16}}" {O, ±2, ±4}
F'([l, 9J) = {x E [R 11 -s; Xl -s; 9} = [-3,-lJ U [1,3]
r'IG<') "{x E I! I x' < O}" 0
Y Y

x r'IB) r'IB) x

3~) Seja f: ~ ---... IH tal que:


f(x) = {o, se x E qJ
1,sexE~-qJ

Temos:
fiO) " {flx) I x E Q}" {O}
fiG< -O)"{flx) IxE I! - Q}"{l}
fl[2, 3})" {flx) I x E [2,31}" {O, I}
r'[{D}] "{x E I! I flx) "O}" O
r'([4, s})" {x E I! I flx) E [4,51}" 0

__ Exercícios I
61. O diagrama abaixo representa a aplicação i: E ---... F. Determine:
'I fl{O, I})
b) fl{3"})
c) fl{U,s})
di fiEI
e) f 1({7,8})
fi i '1{10})
62. Considere a função t: IR ---.. IR dada por f(x) = 14
Determine:
ai «n di fll-l, 1]1 g} r'I[O, 311
b) fl-31 elfll-l,2]) h) r'll-l, 311
c} f(l - \" 2 ) f) flRI i) rl(IR~)

63. Seja i: IR ---.. IR, dada pela lei:


°
Determine:
f(x) =
Ix', se x -c
3 -
\x,sex>O

alfl[- 1,811 f(1R.+1


c) e) f 1((-1,16])
b) fIR-I d) r '111,1611 f) r'IR'1

64. Seja f: N* x N ---.. N dada pela lei f(x, y) = xr,


Determine:
ai fiO, 21 di r'I{l6}1 g)f(l,a),a E N
bl f13, O) e) r'I{625}) h)! l{{p}), P primo
c) f13, 4) f) r'I{l}1 ii r'I{o})

7. APLICAÇÕES INJETORAS - APLICAÇÕES SOBREJETORAS


Seja uma aplicação F: E ---.. F.

Definição 29: Dizemos que f é uma aplicação injetora ou injeção se dois ele-
mentos diferentes quaisquer de E têm imagens diferentes. Em outras palavras, se
para quaisquer X I,X2 E E, tais que Xl -=f- x2 ' valer !(x l ) *- !(x2 ).
Notemos que a contrapositiva da definição anterior ése Xl' x2 E Ee !(x 1 ) = !(x2 ),
então Xl »», . Normalmente se usaessa contrapositiva,queéequivalente à definição,
para verificar se ! é lnletora ou não.
Negando-se a definição 29, obtém-se uma condição para que f não seja inje-:!
tora. Logo, f não é injetora se exlstem Xl' x2 E E, tais que Xl *- x2 e f(x l ) = f(x2}~

Definição 30: Dizemos que! é uma aplicação sobrejetora ou sobrejeção quan-


do está verificada a seguinte condição:
Imlf) ~ F
Observando-se que, para toda i: E ---.. F, tem-se Im(f) C F, então basta provar
que F C Im(f) para estabelecer que f é sobrejetora. Ou seja, basta mostrar que
para todo y E F existe X E E tal que f(x) = y.
Portanto, uma aplicação f: E---.. F não é sobrejetora se existe y E F tal que, qual-
quer que seja X E E, f(x) *- y.

G- 98-E)
Definição 31: Dizemos que f é uma aplicação bijetora ou bijeção quando f é
injetora e sobrejetora.
Exemplos 21 e contra-exemplos 6:
l~) Se E == {a, b, c, d} e F == {O, 1, 2, 3, 4},a aplicação f == {(a, 1), (b, 2), (c, 3), (d, 4J)
de E em F é injetora.
NotemOs que no esquema de flechas de uma aplicação injetora não há flechas
que convergem para o mesmo elemento de F.
E F,-"

;---1-2

Podemos notar também que f não é sobrejetora, pois °E F e °tl:. Im(f).


2~) Se E == {a, b, c, d} e F == {O, 1, 2}, a aplicação f == {te, O), (b, 1), (c, 2), (d, 2)} de
E em F é sobrejetora.
Notemos que no esquema de flechas de uma aplicação sobrejetora todo ele-
mento de F serve de extremidade para alguma flecha.
F

Podemos notar também que f não é injetora, pois c -=I=- de f(c) == f(d) == 2.
3?) A aplicação i: IR. ---.. IR dada pela lei f(x) == 3x - 1 é bijetora, pois:
(i) dados x l' x 2 E IR, temos:
f(x,) == f (x 2) =- 3x 1 - 1 == 3x 2 - 1 =- Xl == x2
portanto, f é injetora;
(ii) dado y E IR, provemos que existe x E IR. tal que f(x) == y:
y+1
3x - 1 == Y =- 3x == y + 1 =- x == - - E u;l
3
portanto, f é sobrejetora.
Nota
As aplicações não podem ser divididas em injetoras ou sobrejetoras. Há muitas
e muitas aplicações que não são injetoras nem sobrejetoras. Por exemplo, a apli-
caçao f: IR ---.. IR dada pela lei f(x) == x 2 não é injetora, pois
2 -=I=- - 2 e f(2) == f{ - 2) == 4
e não é sobreietora. pois
III Exercícios
65. Quais das seguintes aplicações de f = {a, b, c, d, e} em F = {O, 1, 2, 3, 4, 5} são
injetoras?
f, ~ {Ia, 1), Ib, 2), Ic. 3), Id, 4), Ie, 5)}
f, ~ {Ia, 5), Ib, 4), (c. 2), Id, 1), (e, O)}
i s ~ {Ia, O), Ib, 1), (c. 2), td. 01. (e, 3)}
f, ~ (Ia, 5), Ib, 51. (c, 5), Id, 5), {e, 5)}

66. Quais das seguintes aplicações de f = {a, b, c, d, e} em F = {1, 2, 3, 4} são sobre-


jetoras?
f, ~ {Ia, 11. Ib, 2), (c, 3), Id, 1), (e. 3Jl
f, ~ {Ia, 2), Ib, 1), (c. 3), Id, 3), (e. 4)}
f, ~ {Ia, 3), Ib, 3), (c. 1), Id, 2), (e. 1)}
f, ~ {Ia, 4), Ib, 4), (c, 2), Id, 3), (e, 1)}

67. Descreva uma a uma todas as aplicações injetoras de E= {a, b} em F= {1, 2, 3}.

68. Descreva uma a uma todas as aplicações sobrejetores de f={a,b,c} em F={1,2}.

69. Determine todas as aplicações bijetoras (ou permutações) de f em f sendo E= {a,


b, c} constituído por três elementos distintos.

70. Seja i: N x N -- N dada pela lei f(x, y) = mdc(x, y).


a) Determine: to, 3), f(O, 5) e f(24, 36).
b) f é injetora?
c) fé sobrejetora?

71. Dê um argumento razoável para justificar que toda aplicação injetora de um


conjunto finito E em si mesmo é também sobrejetora.

72. Dê um argumento razoável para justificar que toda aplicação sobrejetora de


um conjunto finito f em si mesmo é também injetora.

73. Considere as seguintes funções de IR: em IR::


a) y~3 d) y~2' g)y=senx
~y=x+2 ~y=0 y = l se x oF O
h) x'
c) y = Xl - 5x +6 f) y = [x] { y=2,sex=0
Quais são injetoras?
Quais são sobrejetoras?

(3-100-E)
74. Prove que a aplicação I: 1R2 - 1R2 tal que I(x, y} = ax, yS) é sobrejetora.

75. Mostre que a aplicação f: Z - Z dada pela lei f(n) = 2n, n E Z, é injetora
mas não é sobrejetora.

76. Sendo a, b, c, d inteiros, quais são as condições para que a aplicação I: Z x Z-


_ Z x Z tal que itx, y) = (ax + b, cy + d) seja injetora?

77. Prove que I: IR - IR definida por I(x) = ax + b, com a e b constantes reais e


a *- 0, é uma aplicação bijetora.

78. Mostre que i: IR - {%} - IR - {%} dada pela lei y = ~ =: ~ ,em que a, b, c, d
são constantes reais, c *- O e ad - bc 4= 0, é uma aplicação bijetora.

79. Seja I: 1R 2 - IR dada por n». y) = xy.


a} I é injetora?
b) f é sobrejetora?
c) r
Determine 1({0}}.
d) Determine 1([0, 1] x [0,2]}.
e) Determine I({(x, y) I x = y}l.

80. Considere a aplicação I: 7L 2 _ Z2 tal que n». y) = (2x + 3,4y + 5). Prove que
I é injetora. Verifique se I é bijetora.

81. Dois conjuntos, A e B, são eqüipotentes quando A = B = 0 ou existe f:A -B bi-


jetora. Mostre,em cada caso seguinte, que os conjuntos A e B são eqüipotentes.
l~)A=N e B=N*
2~)A=7L e B=N

3~) A = IR. e B = IR+


4~) A = l-l, l[ e B= la,b[,com ae breais ea < b.
Sugestão: Descubra, em cada caso, I: A - B bijetora.

8. APLICAÇÃO INVERSA
Seja a aplicação I: E- F. Por definição, I é uma relação de E em F com certas
particularidades:
U} DIf} ~ E;
(ii) todo x E E tem imagem única I(x) E F.

(3-101-E)
Seja I 1 a relação inversa de I. Pode acontecer que l-I não seja uma aplica-
ção de F em E. Voltando aos exemplos do item anterior, temos:
]e) f ~ {(a, 1), Ib, 2), (c, 3), Id, 4)}
r' ~ (11, a), 12, b), 13, c), 14, di}
r: não é aplicação de F em E, pois DU-') = {t. 2, 3, 4} of- F.
2') f ~ {Ia, O), Ib, 1), (c, 2), td, 2))
r' ~lIO, a), 11, b), 12, c), 12, d))
l-I não é aplicação de Fem E,pois (2,c) E rI e (2,d) E I-l,sendo c of- d.
O teorema seguinte estabelece em que condições r: é uma aplicação.
Proposição 5: Seja I:E - F uma aplicação. Uma condição necessária e suficien-
te para que rI seja uma aplicação de F em E é que f seja bljetora.
Demonstração:
I. Provemos que, se I 1 é aplicação, então I é bijetora.
a) Sejam x., Xl E E, tais que l(x l ) = y = I(x l ) . Então (Xl' y) E I e (Xl' y) E I
e, daí, (y, Xl) E I 1 e (y, Xl) E r : Como r l é aplicação, podemos escrever
XI = rl(y} e Xl = r'(y) e concluir, uma vez que I -I{y) é único, que Xl = Xl' Está
provado que I é injetora.
b) Seja y E F. Como r' é aplicação de F em E, existe X E E tal que rl(y) =x
e, portanto, f(x) = y. Está provado que f é scbrejetora.
II. Provemos que, se f é bijetora, então r l é aplicação.
a) Como I é sobrejetora, dado y E F, existe x E E tal que I{x) = y e, portan-
to, (y,x) E I 1. Está provado que OU-I) = F.
b) Seja y E F e suponhamos (y,x l) E I I e (y,x l ) E r : Então (x"y) E I e
(x 2 , y) E I ou considerando-se que I é aplicação, I(x l ) = y = l(x 2 ) . Como, porém,
fé injetora, conclui-se dessas igualdades que x, = Xl. Isso mostra que, para cada
y E F, há um único elemento x tal que (y, x) E rI. De a) e b) segue que r l é
uma aplicação de F em E. #
Exemplo 22:
Já vimos que a aplicação f:1R _ IR. tal que I(x) = 3x - 1é bijetora.Determinemos
a aplicação I 1, inversa de I.
r' ~ {(p) E ~, I Ix,yl E f} ~ {Iy, x) E ~, I y~ 3x - 1} ~
= {(x,y) E jf;f Ix= 3y - 1} = {{X,y) E IRll y= x ~ 1}
portanto, r' é a aplicação de IR em IR dada pela lei r\x) = x ~ 1.
Nota
Pode ser provado que, se f é bijetora, então r'
também é. Sendo I ' bije-
tora, a relação inversa de r'
também é aplicação. Mas (r'f l = I; então I e r l
são aplicações inversas uma da outra.

G-102-E)
~ Exercícios
82. Determine a aplicação inversa de i: [R -+ IR definida por f(x) = ax + b, com
a e b constantes reais e a "* O.

83. Descreva a aplicação inversa de i: IR -{~}- [Ri -{%}dada pela lei f(x) = ~:.= ~,
em que a, b, c, d são constantes reais, c =I- O e ad - bc 0/= O.

84. Descreva a aplicação inversa de i: 71.2 - 7L 2 dada por f(x, y) = (x + 3,2 - yl.

9. COMPOSIÇAo DE APLlCAÇOES
Definição 32: Sejam i: E - F e g: F - G duas aplicações. Chama-se composta
de f e 9 a aplicação (indicada por 90f) de E em G definida da seguinte maneira:
(gcfl(x) ~ glf(x))
para todo x E E.
Exemplos 23:
1~) Sejam E = {alI 0 21 Q3,a4}' F = {b 11 b2,b3 , b4 , bs } e G = {c l' (2< C3 }. Consideremos
as aplicações:
f = {(alI b j ) , (a21 b1 ), (a31 b4), (041 b3J) de E em F
9 = {(b 1 , c,), {b 21 (1)' (b3 , (2)' (b4> C1), (bs, c 3 l) de F em G
A aplicação composta de f e g, de acordo com a definição, é 9 o i: E --->o G tal
que:
(gof) (a,) = g(f(a,)) = g(b,) = c,
(gof) (a2) = g(f(a 2») = g(b 2) = C 1
(guf) (a 3) = g(f(a 3)) = g(b 4) = C 2
(gof) (a4) = g(f{a 4)) g(b 3)= C2=
isto é, 9 of = {(a], c-). (a 2, c,), (a3' C2), (04' C2H·
gof

(3-103-E)
2~) Sendo i: [R ---'" IR tal que f(x) = 3x e g: [R ---'" IR tal que g(x) = x 2, a aplicação
composta de f e 9 é gof: [R ---'" [R tal que:
(gof) (x) = g(f(x)) = (f(X))2 = (3X)2 = 9x2
Sejam f: [R ---'" IR+ tal que f{x) = 2 x e g: IR+ ---'" [R tal que g{x)
3~) = \ x. A aplica-
ção composta de / e 9 é go/: [R ---'" [R tal que:
(gof)(x) = g(f(x)) = \'f(x) = \'2 x
Notas
I. A composta de / e 9 só está definida quando o contradomínio de / coin-
cide com o dominio de 9 (conjunto F).
II. A composta de f e 9 tem o mesmo domínio de f (conjunto E) e o mesmo
contradomínio de 9 (conjunto G).
III. Quando E = G, ou seja, i: E ---'" F e g: F ---'" E, então é possível definir, além de
9 ,'c/, a composta de 9 e / (indicada por (f o g): é a aplicação de F em F que obe-
dece à lei
(fogllx) ~ f(g(x))
para todo x E F.
Retomando os exemplos anteriores, temos:
2~) A aplicação t oç: IR ---'" IR é tal que:

(f o g}(x) = f(g(x)) = 3 • g(x) = 3x2


3~) A aplicação fCJg: R+ ---'" [R+ é tal que:
(f o g)(x) = f(g(x)) = 2g(x ) = 2' x
IV. Se i: E ---'" F e g: F ---'" E, então existem gef e f8g, mas pode ocorrer de
9cf -=I- / o'g. Sugerimos ao estudante encontrar exemplos disso.

Proposição 6: f: E ---'" F e g: F ---'" G são injetoras, então 9 o f é injetora.

Demonstração: Sejam Xl,X 2 E Etais que (g cf){x j ) = (g ef){x2). Então g(f(x 1)) =
= g(/(x 2}) e, como 9 é injetora, /(x,) = f(x 2 ). Usando-se agora a hipótese de que
fé injetora, conclui-se que x. = x2 •
Logo, 9 o' / é injetora. #
Proposição 7: Se í, E---'" F e g: F ---'" G são sobrejetoras, então 9 c / é sobrejetora.
Demonstração: Seja z E G. Como 9 é sobrejetora, existe um y E F tal que g(y) = z.
Sendo f sobrejetora, existe um x E E tal que !(x) = y. Assim, temos:
z ~ g(y) ~ glf(x)) ~ (gof)(x)
Isso prova que 9 o' f é sobrejetora. #
Nota
Quando compomos duas aplicações tais que uma é injetora e a outra é sobreje-
tora, de maneira geral nada podemos afirmar sobre a composta.

(3-104-E)
Veja o 1~ exemplo, à pagina 103.Temos: I injetora, 9 sobrejetora e 9 o! não
injetora nem sobrejetora.

f'M'[ Exercícios
85. Sejam A = {lo 2. 3}, B = {o, S, 6, 7} e C = {S, 9, a}.
Seja !:A - B dada por f(1) = 4, i(2) = 5 e i(3) = 6.
Seja g: B ...... C dada por g(4) = g{S) = 8, g(6) = 9 e g(7) = O.
Descreva pelos pares ordenados a aplicação 9 01. A aplicação 9 o i é injetora
ou sobrejetora?

86. Considere as aplicações i,g, h, sobre E= {a, b, c, d} dadas nos diagramas abaixo.
Determine as compostas 9 o i, f oq, qo h, h cq, h o f e ho h.

87. Sejam I, g, h funções de IR. em IR definidas pelas leis i(x) =x + 2, g{x) =x 2 - 1


e h(x) = 3x.
a) Determine as compostas fog,foh,gol,gog,goh e heg.
b) Verifique que (f og) eh = I o (g nh).

88. Considere as funções f e 9 de IR em IR definidas pelas regras f(x) = x3 + 1e


2
g(x) = x + 1. Determine as compostas f og, 9 o i, ICJf e 9 o g.

4
89. Sendo f(x) = ax", com n E N*, determine a e n de modo que (I ol)(x) = 3x •

90. Considere as funções i: IR. _ IR dada por I(x) = 2x + 7 e f og : IR ...... IR. dada
por (f;)g)(x) = 4x 2 - 2x + 3. Determine a função g.

91. Sejam f e 9 duas funções de IR em IR assim definidas:

f(x)
- { x+ 1,sex>-0 e g(x) = 3x - 2
-x+ 1,sex<O
Determine as compostas f og e gui.

G-10S-E)
92. Sendo f: [R ~ IR uma função dada pela fórmula:

f{x) = {x + se
1, x -s O
1 - 2x, se x> O
Determine a composta f o i .

93. Determine as compostas f og e 9 ct, sabendo que f e 9 são funções de IR


em [R tais que:

f(x) =
x 2, se x < O
{ zxse x e n e g(X)={~ +- .cx,sex<
se x >

, O. APLICAÇÃO IDÊNTICA
Definição 33: Dado E *- 0, chama-se aplicação idêntica de Ea apltcaçào iE: E-E
dada pela lei iE(x) = X, para todo x E E.
Notemos que para cada E existe uma aplicação idêntica i E e ainda que, se E -=F- F,
então iE -=F- iF• por terem diferentes domínios.
Proposição 8: Se i: E -- Fé bijetora, então:
for' =iF e f l o i = iE
Demonstração: Já vimos que se f é bijetora, então i-I é uma aplicação de F
em E. Ademais, em virtude da definição de imagem de uma relação, são equivalen-
tes as igualdades f(x) = y e f '(Y) = x. Daí,
f(f-l(y)) =y e f- 1(f(x)) =x
ou seja:
(fof ')(Y) = y e (f-1CJf)(x) = x
De onde,fof- 1
= ir e r: of = i E. #
Proposição 9: Se t: E ---.. F e g: F ---.. E, então:
a) t oí, = f,iFof =f,goiF = 9 e iEog = g;
b) se gof = iEefcg = iF,então fe 9 bijetoras e 9 = t :'.
Demomtraçào:
a) Provemos, por exemplo, que! o iE = i,
Como i: E ---.. F e iE: E ---.. E, então D(f o iE) = E = D(f).
Dado qualquer x E E, temos:
(f uiE}(x) = f(iE<X)) = f(x)
logo,! oi E = f.
b) Provemos, por exemplo, que! é bíjetora.
Sejam X 1,X2 E E elementos tais que !(x,) = f(x2 ). Então g(f(x,)) = g{f(x 2)) . Daí
(g c!)(x,) = (g ü!)(x 2 ) ou, levando-se em conta a hipótese. iE(X1) = iE(x2).

(3-106-E)
De onde, Xl =: x 2 , conclusão que garante ser f uma aplicação injetora,
Para mostrar que f é sobrejetora, tomemos y E F. Então y =: iF(y) =: (f og}(y) =:

=: f(g{y)) =: f(x), em que x =: g{y) E E. Portanto, I é sobrejetora.


Provemos que 9 =: fI.
Temos OU-I) =: F =: D{g) e I cg =: iF =: I ui 1; logo, f(g(x)) =: f{rl(x)), para
todo X E F.
Mas,como I é injetora, resulta g(x) =: I 1(x), para todo x E F. #

Ri Exercícios
94. Sendo I: IR* - IR - {1} tal que f(x) =: x: 2 e g: IR - {l} em IR* tal qUE
g(x) =: _2_ ,determine f og e gof. O que se conclui do resultado obtido?
x -1

95. Considere as aplicações de IR em IR:


f(x) =: x + 2 e g(x) =: Xl - x
a) Determine as aplicações I og, lo f e 9 og.
b) Descreva a aplicação h tal que f oh =: h 01 =: i~.

96. Sendo f: N - N dada pela lei I(n) =: n + 1, mostre que há infinitas funções
g; N ..--... N tais que 9 of =: iH. A função f é inversível (1-1 é aplicação)?

97. Sendo g: N ..--... N tal que g{n) =: ~ se n é par e g(n) =: n ; ' se n é ímpar,mos
tre que existem infinitas funções h: N - N tais que 9 o f =: il'J. A função 9 E
inversível?

98. Se I: E - E e g: F - E são tais que 9 () f =: iE, quais das seguintes aârrnaçõe:


são verdadeiras?
a) 9 =: f 1

b) f é sobrejetora
c) f é injetora
d) 9 é injetora
e) 9 é sobrejetora

99. Sejam as aplicações f: E -- F e g: F..--... E.


Prove que:
a) se 9 c: f é lnjetora, então f é injetora;
b) se f c 9 é sobreletora, então 9 é sobrejetora.

(3-107-E)
100. Sejam as aplicações f: E ---... F, g: E ---... F e h: F ---... G.
Prove que se h é injetora e hcg = h ot, então 9 = f.

11. RESTRiÇÃO E PROLONGAMENTO DE UMA APLICAÇÃO


Definição 34: Seja i: E - F e seja A C E, com A =1= 0. Chama-se restrição de
f ao subconjunto A a aplicação f I A:A ---... F assim definida:
li I Allx) = flx)
para todo x E A.
Definição 35: Seja f: E ....... F e sejam B::J E e C ::J F. Chama-se prolongamento
de f ao conjunto B toda aplicação g: B ---... C tal que g(x) = f(x), para todo x E E.

Exemplos 24:
1~) Consideremos f: IR'" ....... IR dada por f (x) = ±.
Se A ={2, 4, 6, . .}, então f I A ={(2,~}( 4'-l} . -}
(6,~), é a restrição de f ao con-
junto A.
A função g: IR ....... IR dada por g(O) = 1 e g(x) = f(x), \:Ix E IR"', é um prolonga-
mento de f ao conjunto IR.
2~) Consideremos t: C ---... IR+ dada por f(x + yi) = v'x2 +V.
Note que f associa cada número complexo ao seu módulo.
Seja g: IR ---... iR+ dada por g(x) = IxI-
Então 9 é a restrição de f ao conjunto IH, pois, para todo x E IH, temos:
2
f(x) = f(x + Di) = \'X + 0 2 = ,'x 2 = [x] = g(x).

12. APLICAÇÕES MONÓTONAS


Definição 36: Sejam Ee F dois conjuntos parcialmente ordenados e seja i-E ---...F.
Por comodidade, indicamos com o mesmo símbolo ('S:) as relações de ordem sobre
E e sobre F, mas pode não se tratar da mesma relação.
Dizemosque f é uma ap/icaçãocrescente em E se f{x) ~f{x') sempre que x e x',
Ou seja, f é crescente se para quaisquer x, x' E E, com x ~ x', valer f(x) 'S: flx').
Dizemos que f é uma aplicação decrescente em E se f(x') 'S: f(x} sempre que
x 'S: x', Em outras palavras, f é decrescente se para quaisquer x, x' E E, com x 'S: x',
valer f(x') 'S: f{x).
Uma aplicação crescente ou decrescente em Eserá chamada aplicaçãomonóto-
na em E.

Definição 37: Uma aplicação i: E ....... F é dita aplicação estritamente monótona


em E quando satisfaz a uma das seguintes proposições:

(3-108-E)
a) f é estritamente crescente, isto é:
se x c; x', então f(x) < f(x')
quaisquer que sejam x, x' E E.
b) f é estritamente decrescente, isto é:
se x < x', então f(x'} < f(x)
quaisquer que sejam x, x' E E.

Exemplos 25:
1?) A aplicação f: IR -- IR. dada por f(x) '" 2 x é estritamente crescente, pois:
x < x'~ y< y', \:Ix, x' E IR
2?) A aplicação g: IR. ---i> IR. dada por g(x) = 1 - x é estritamente decrescente,
pois:
x < x' ~ -x' < -x ~ 1 - x' < , - x ~ g(x') < g(x)
para todos x, x' E IR.

~:~ Exercícios
101. Quais das funções abaixo são restrições de i: IR. ---i> IR. tal que f(x) = x 2 ?
a) 9 ~ {(O, O), (1, 1), (2, 4)j de {O, 1, 2J em {O, 1, 4J
b) h{x) =x 2 de C em C
c) i{o, 1) (aplicação idêntica de {O, 1})

102. Considere a função f: iR~ -- iR+ dada pela lei f{x) = \ X • Descreva a restrição
de f ao conjunto A = {O, 1,4,9, 16,2S}.

103. Quais das funções abaixo são prolongamentos de i,z?


a) t: IR ---i> 7L tal que f(x) = [x] = maior inteiro menor ou igual a x
b) ilr.
c) g: IR ---i> IR tal que g(x) = lxl

104. Considere a função f = {(O, 1), (1, 2), (2, 4), (3, 8), (4, 16J) de E = {O, 1,2,3, 4}
em F = {1, 2, 4, 8, 16}. Dê uma função experimental que prolongue f ao
conjunto IR.

li Exercícios complementares

(11. Se E e F são conjuntos finitos que têm m e n elementos, respectivamente,


quantas são as aplicações de E em F?

G-l09-E)
C12. Seja I: E - F e sejam A C E e B C E.
Prove que:
a) se A C B, então I(A) C I(B)
b) fiA U B) ~ fiA) U f(B)
c) fiA n B) C fiA) n f(B)
d) A C f '(fiA)) e flr'(B» C B
e) 1 é bijetora se, e somente se,/(A c) = (f(A})c para todo A C E
Lembrete: Se L C Y, o símbolo Lc representa o complemento de L em relação a Y.

C13. Prove que, se uma função f: IR - IR é inversivel e seu gráfico é uma curva
simétrica em relação à reta y = x, então 1 = r:
Dê exemplos de funções 1 tais que 1 = 1-'.

x
C14. Prove que i : ]-1, 1[ - IR definida pela lei f(x) = 1-l l é bijetora, ou seja,
x
]-1, 1[ e IR são conjuntos equipotentes.

C15. Sejami: E - F e g: F - G. Supondo 9 bijetora, prove que f é injetora se, e


somente se, 9 01 é injetora.

C16. Seja f: E ...... F e sejam A C F e B C F. Prove que:


a) A C B => 1 l(A} C r 1
(B)
b) r'IA U B) ~ r'(A) U f -'(B)
c) r 1
(A n B) = r 1
(A ) n r'(B}
d) r 1
(A c } = (f-'(A))c
e) fé sobrejetora se, e somente se, r'(A) -=I=- 0 para todo A C F

C17. Seja E = {a, o], com a -=I=- b. Calcule:


a) o número de relações sobre E;
b) o número de relações de equivalência sobre E;
c) o número de relações de ordem sobre E;
d) o número de aplicações de E em E;
e) o número de bijeçôes de E em E.

111-3 OPERAÇÕES - LEIS DE COMPOSiÇÃO INTERNAS

13. EXEMPLOS PRELIMINARES


1?} Consideremos a aplicação f: N x N - N tal que I(x, y) = x + y, ou seja,
f associa a cada par (x, y) de números naturais a sua soma x + y. A aplicação f é
conhecida como operação de adição sobre N.

G-l1o-E)
2~} Pensemos na aplicação g: IR x IR - IR tal que g{x,y) = x . y. Ela associa a
cada par (x, y) de números reais o seu produto x • y. A aplicação 9 é conhecida
como operação de multiplicação sobre IR.
3~) Consideremos a aplicação h: 9i'(E) x QP(E) - QP{E), em que ':J>(E} indica o
conjunto das partes de E, tal que h(X, Y) = X n Y, ou seja, h associa a cada par de con-
juntos (X, Y) a sua tnterseção X n Y. Essa aplicação é conhecida pelo nome opera-
ção de interseção sobre QP(E).

14. CONCEITUAÇÃO
Definição 37: Sendo E um conjunto não vazio, toda a aplicação t: E x E- E recebe
o nome operação sobre E (ou em E) ou lei de composição interna sobre E (ou em E).
Nas considerações de carárer geral que faremos a seguir neste parágrafo, uma
operação f sobre E associa a cada par (x, y) de E x E um elemento de E que será
simbolizado por x* y (lê-se "x estrela y"). Assim x* y é uma forma de indicar f(x, y).
Diremos também que E é um conjunto munido da operação *.
O elemento x« y é chamado composto de x e y pela operação *. Os elemen-
tos x e y do composto xe y são chamados termos do composto x* y. Os termos x
e y do composto x* y são chamados, respectivamente, primeiro e segundo termos
ou, então, termo da esquerda e terma da direita.
Outras notações poderão ser usadas para indicar uma operação sobre E.
a) Notação aditiva
Nesse caso, o símbolo da operação é -t. a operação é chamada adição, o com-
posto x + Y é chamado soma, e os termos x e y são as parcelas.
b) Notação multiplicativa
Nesse caso, o símbolo da operação é . ou a simples justaposição, a opera-
ção é chamada multiplicação, o composto X· Y ou xy é chamado produto, e os ter-
mos x e y são os fatores.
c) Outros símbolos utilizados para operações genéricas são: 6, T,.1, x, 0, (f), etc.
Mais exemplos 25:
n A aplicação f: I\J* x 1\)* -- 1\)* tal que f{x, y) = xY é operação de potencia-
ção sobre N*.
Nota
Quaisquer que sejam os naturais não nulos x e y, o símbolo x Y representa um
natural não nulo; portanto, f está bem definida.
Podemos notar que essa operação não pode ser estendida a ?L*, porque, por
exemplo, a imagem do par (2, -1) seria rI tl?L*.
2~) A aplicação [: 0* x Q* _ 0* tal que f(x, y) = ~ é a operação de divisão
sobre 0*.

G-lll-E)
A operação de divisão pode ser estendida também a IR" e C*.
Deixamos como exercício ao leitor encontrar exemplos que mostrem que a
divisão não é uma operação em N* ou em lL*.
3~) A aplicação f: lL x lL - lL tal que f(x, y) = x - Y é a operação de subtra-
ção sobre lL.
A operação de subtração pode ser estendida a 0, IR e C.
4~) A aplicação f: E x E - E, em que E = Mm • n (IR) representa o conjunto das
matrizes do tipo m x n com elementos reais,tal que f(x, y) = x + Y é a operação
de adição sobre Mm • n (IR).
5~) A aplicação f: E x E - E, em que E = Mn (IR) representa o conjunto das
matrizes quadradas de ordem n com elementos reais, tal que f(x, y) = x . Y é a
operação de multiplicação sobre M n (R).
6~) A aplicação 'P: E x E - E, em que E = IRIR: representa o conjunto das fun-
ções de IR em IR., tal que 'P (f, g) = f og é a operação de composição sobre IRA..

15. PROPRIEDADES DAS OPERAÇOES


Seja* uma lei de composição interna em E. Vejamos algumas propriedades
que * pode apresentar.
15.1 Propriedade associativa
Definição 38: Dizemos que * goza da propriedade associativa se
x*(y*z) = (x*y)*z,
quaisquer que sejam x, y, z E E.

Exemplos 26:
1~) As adições em N, 71, Q, R ou C são operações que gozam da propriedade
associativa. (Costuma-se dizer que "são operações assoclatlvas")
(x + y) + z = x + (y + z), Vx, y, z
2~) As multiplicações em N, lL, Q, IR ou C são operações associativas
(x . y) . z = x . (y . z), 'r/x, y, z
3~)A adição em Mm • n (IR),conjunto das matrizes do tipo m x n com elemen-
tos reais, é operação associativa.
(X+Y)+Z=X+{Y+Z), VX,Y,Z
4~) A multiplicação em Mn (IR) é operação associativa.
(X Y) Z = X {YZ}, v», Y, Z
5~) A composição de funções de IR em IR é operação associativa.
(fug)uh=fo(goh), 'r/f,g,h

(3-112 -E)
Contra-exemplos 7:
1~) A potenciação em N* não é operação associativa, pois:
4
2*(3*4) = 2(3 ) = 2 8 1
{2*3}*4 = (2 3 t = 2 12
2~)A divisão em IR.* não é operação associativa, pois:
24*(4*2} = 24 :(4 :2) = 24:2 = 12
(24*4)*2 = (24 :4):2 = 6:2 = 3
Observação
O fato de uma operação ser associativa possibilita indicar o composto de mais de
dois elementos sem necessidade de usar os parênteses, uma vez que qualquer as-
sociação entre os elementos presentes conduz ao mesmo resultado. Por exemplo:
2 + 4 + 6 + 7 = (2 + 4) + (6 + 7) = 2 + (4 + 6) + 7 = 2 + (4 + 6 + 7) =,9
Se uma operação não é associativa, temos a obrigação de usar parênteses
para indicar como deve ser calculado um composto de três ou mais elementos,
pois, caso contrário, deixamos o composto sem significado. Por exemplo, em IR.*,
48 : 6 : 2 : 4 não tem significado, pois:
(48'6) '(2 ,4) ~ 8, 21 ~ 16

((48 , 6) '2) A ~ (8 , 2) ,4 ~ 4 ,4 ~ 1

48 , ((6 , 2) ,4) ~ 48 , (3 A) ~ 48, ~ ~ 64

15.2 Propriedade comutativa


Definição 39: Dizemos que * goza da propriedade comutativa se
x*y=y*x,
quaisquer que sejam x, y E E.
Exemplos 27:
1~} As adições em N, 7L, Q, IR. ou C são operações que gozam da propriedade
comutativa. (Costuma-se dizer que "são operações comutativas".)
x+y=y+x, Irfx,y
2~) As multiplicações em N, 7L, Q, IR. ou C são operações comutativas.
x-y=y·x, Irfx,y
3~) A adição em Mm ~ n (IR.) é operação comutativa.
X + Y = Y + X, vx, Y
Contra-exemplos 8:
1~) A potenciação em N* não é comutativa, pois, por exemplo, 23 = 8 e 32 = 9.

2~) A divisão em IR.* não é comutativa, pois, por exemplo, 3 : 6 = ~ e 6 : 3 = 2.

G-11l-E)
3~) Asubtraçao em 7L não é comutativa, pois, por exemplo,3- 7= -4 e 7- 3=4.
4~) A multiplicação em M1 (~) não é comutativa, pois, por exemplo:

(, ').(5
3 4 7
6)~('9
8 43
22)
50
e

4 (; ~)(: ') ~ (23 34)


31 46
R
5?) A composição de funções em IR não é comutativa, pois, por exemplo, se
f{xl = 3x e g(x) = Xl + 1, temos:
(f o g) (xl = !(g(x)) = 3(x 2 + 1) = 3x 1 + 3
e
(g o f) (xl = g{f(x)) = (3X}2 + 1 = 9x 1 + 1

_ Exercícios
105. Em cada caso a seguir, verifique se a operação * sobre E é associativa.
x+y
a) E=IR. e x*Y=-2-
b) f=[J;I:e x*y=x
c} E = R, e xe y = "X 2+y2
d) E=H e x*y=Z"X 3+y3
e) E= IH.* e x e y e ~
y
x+y
f}E=IR.t-e x * y = - -
, +xy
g) E = If e x* y = xy + 2x
h) E = Q e x* y = x + xy
i) E= IR e xe y > x + y - 2x 1'l
j) E=IR. e x*y=x 2 + y2 + 2xy

106. Em cada caso a seguir está definida uma operação sobre 71 x Z. Verifique se
ela é associativa:
a) (a, b) * (e, d) = (cc, O)
b) (o,b}.6{c,d) = (o + c.b + d)
c) (o, b) 1- (C, d) = Iac, ad + be)
d) (o, õjotc. d) = (o + e, bd)
e) (o, b) x (C, d) = (oe - bd, ad + be)

107. Consideremos a operação * em R definida pela regra:


x*y= ox + by + cxy
em que a, b, e são números reais dados.
Determine as condições sobre a, b, e de modo que * seja associativa.
108. Examine novamente as operações do exercício 105 e verifique quais são co-
mutativas.

109. Examine novamente as operações do exercício 106 e verifique quais são comu-
tativas.

110. Retome a operação definida no exercício 107 e estabeleça as condições sobre


0, b, c de modo que * seja comutativa.
15.3 Elemento neutro
Definição 40: Se existe e E E tal que e * x = x para todo x E E, dizemos que
e é um elemento neutro à esquerda para *.
Se existe e E E tal que x* e = x para todo x E E, dizemos que e é um elemento
neutro à direita para *.
Se e é elemento neutro à direita e à esquerda para a operação *, dizemos
simplesmente que e é elemento neutro para essa operação.

Exemplo 28:
1~) O elemento neutro das adições em N, 7L, iQ, IR ou C é o número O, pois
O+ x = x = x + O para qualquer número x.
2~) O elemento neutro das multiplicações em N, 7L, Ql, IR ou C é o número 1,
pois 1 . x = x = x ·1 para qualquer número x.
3~) O elemento neutro da adição em Mm x n(lR) é 0m x n (matriz nula do tipo
m x n), pois 0m. n + X = X = X + 0m. n' qualquer que seja X E Mm x n (IR).
4~) O elemento neutro da multiplicação em Mn(lR) é 'n (matriz identidade do
tipo n x n), pois InX = X = Xln, qualquer que seja X E Mn(1l\I:).
S~) O elemento neutro da composição em 1R[J;l é a função i'l< (função idêntica
em :R:), pois i[J;l of = f = f o 'n. qualquer que seja f E 1R[J;l.

Contra-exemplos 9:
,~) A subtração em 7L admite Ocomo elemento neutro à direita pois x - O = x

para todo x E 7L, mas não admite neutro à esquerda, pois não existe e (fixo) tal
que e - x = x para todo x E 7L.
2~) A divisão em IR* admite 1 como elemento neutro à direita, pois x: 1 = x
para todo x E IR*, mas não admite neutro à esquerda, pois não existe e (fixo) tal
que e : x = x para todo x E IR*.
3~) Todos os elementos de IRsão elementos neutros à esquerda da operação de-
finida por x* y = y sobre esse conjunto. De fato, se e E IR, então e« y = y, qualquer
que seja y E IR. Mas nenhum número real é elemento neutro à direita para essa ope-
ração. De fato, se e E IR e a é um número real diferente de e, então a * e = e.
Proposição 10: Se a operação * sobre E tem um elemento neutro e, então
ele é único.
Demonstração: Suponhamos que e e e' sejam elementos neutros da operação *.
*
Como e é elemento neutro e e' E E, então e e' = e'. Por raciocínio análogo,
*
chega-se à conclusão de que e e' = e.
De onde, e' = e. #

_ Exercícios

111. Examine novamente as operações do exercício 105 e determine quais têm


elemento neutro.

112. Examine novamente as operações do exercício 106 e determine quais têm


elemento neutro.

113. Determine todos os elementos neutros à esquerda para a operação de multi-

plicação em E ={(~ ~) I a, b ElR}.


114. Estabeleça as condições sobre m, n E 7L de modo que a operação * sobre 7L
*
dada pela lei x y = mx + ny:
a) seja associativa;
b} seja comutativa;
c} admita elemento neutro.

115. Examine novamente a operação definida no exercício 107 e estabeleça as


condições sobre a, b. c de modo que a operação tenha elemento neutro.

15.4 Elementos simetrizáveis


*
Definição 41: Seja uma operação sobre E que tem elemento neutro e. Dize-
mos que x E E é um elemento simetrizável para essa operação se existir x' E Etal que

o elemento x' é chamado simétrico de x para a operação *.


Quando a operação é uma adição, o simétrico de x também é chamado oposto
de x e indicado por -x.
Quando a operação é uma multiplicação,o simétrico de x também é chamado
inverso de x e indicado por x 1.

(3-116 oE:)
Exemplos 29 e contra-exemplos la:
1~) 3é um elemento strnetrlzével para a adição em ?L, e seu simétrico (ou
oposto) é - 3, pois:
(- 3) + 3 = O = 3 + (-3)
2?) 3 é um elemento slmetrízével para a multiplicação em Q, e seu simétrico
(ou inverso) é 1. , pois:
3
l.3=1=3.1
3 3
o não é slmetrizável para a mesma operação, pois não há elemento x' E OJ
tal que:
x'·O=l=O·x'
3~) Existem apenas dois elementos simetrizáveis para a multiplicação em ?L: o
1 e o -1, que são iguais aos seus respectivos inversos.
Já o 3 não é simetrizável para a multiplicação em ?L, uma vez que não existe
x' E E tal que x'· 3 = 1 = 3 . x'.

4~) (~ ~) é simetrizável para a adição em M2 (1R),e seu simétrico é (::::~ =~),


pois:
2) + (-1- 3 --2)
6 6

5~) (~ ~) não é stmetnzável para a multiplicação em M2 (IR.), pois, supondo

. d
que sua Inversa pu esse ser c d ' tenamos:
(ab). t a + 3b = ,

(. ae db).(3' 26)=(0' 0)=(a+3b 2a+6b·)=(' O)~ 2a+6b=O


1 c+ 3d 2c+ 3d O, c+3d=O
e esse sistema não tem solução. 2c + 6d = ,

6~) (~ ~) é sunetnzável para a multiplicação em M 2(IRL e seu inverso é

-1
2) , POIS:.

7~) A função de IR em IR dada pela lei f(x) = 3x - 1 é bfietora e, consequente-


mente, é inversível. Sua inversa é /-'(x) = x ~ , . Temos:
/ '0/ = i[H = /0/-' (lembre-se de que i[R é o neutro)
portanto, / é um elemento de 1Rlf,1, strnetrfzével para a composição de funções.

(3-117-E:)
Já qualquer tunçêo de lFR em lFR que não seja bijetora não é inversível e,portan-
to, não é elemento de lFRli< stmetrizével para a mesma operação.

Proposição 11: Seja * uma operação sobre E que é associativa e tem elemen-
to neutro e.
a) Se um elemento x E E é slrnetrlzével. então o simétrico de x é único.
b) Se x E E é simetrizável, então seu simétrico x' também é e (x')' 0= x.
c) Se x,y E E são simetrizáveis, então x* y é strnetrfzavel e (x* y)' 0= y' * x',
Demonstração:
a) Suponhamos que x' e x" sejam simétricos de x. Temos:

b) Sendo x' o simétrico de x, temos:


x'e x 0= e 0= x*x'
e, pela definição 41,x é o simétrico de x', ou seja, x == (x')'.
c) Para provarmos que y'* x' é o simétrico de x* y, devemos mostrar que:
(1) (y'* x') * (x* y) e 0=

(2) (x* y) * (y'* XI == e


De fato, temos:
(1) (y'*x') * (xey) 0= *
[(y'* x)*x] y == (y'* (x'*x)] *y = (y'* e)* y == y'* Y 0= e
(2) Analogamente. #
Por indução, pode-se generalizar a propriedade c): se a" al , ... , an são ele-
mentos de E, então (a, * Ql *... * anl' = a'n*a'n _ , *... a'l* a'l'
Notação: conjunto dos simetrizáveis
*
Se é uma operação sobre E com elemento neutro e, indica-se por U*(E) o
conjunto dos elementos simetrizáveis de E para a operação *.

Vo(E} ={x E E I 3x'E E:x'* x > e = x*x,}


Exemplos 30:
U, lN) = {O}
U,iI) = I
U.iZ)={l.-l}
u. (U'l) = a-
U, (Mo i~)) = Mo (U'l)
U. (Mo (U'l)) = {X E Mo (U'l) I de! X + O}
Uo(lR II1) = {j E 1R'hI1 f é bfietora}
Podemos notar que U*(E) -=1= 0, pois necessariamente e E U*(E), uma vez que
e*e=e.

(3-118-E)
m= Exercícios
116. Examine novamente as operações do exercício 105 que têm elemento neutro
para determinar os elementos simetrizáveis.

117. Examine novamente as operações do exercício 106 que têm elemento neu-
tro para determinar os elementos simetrizáveis.

* *
118. Sendo a operação sobre E 3 dada por (a, a, c) (d, e, f) = tad. be, ctí, determi-
ne seu elemento neutro e o conjunto dos elementos simetrizáveis de 7 3 para *.

119. Sejam E e F dois conjuntos em que estão definidas as operações *


e 6.,
respectivamente, as quais são associativas e têm neutros. Sobre o conjunto
E x F, consideremos uma operação o assim definida:
(a, b)o (c, d) = (a* c, b6. d)
a) Mostre que c é associativa e possui elemento neutro.
b) Determine os elementos tnversfvels de E x F para essa operação.

15.5 Elementos regulares


Definição 42: Seja * uma operação sobre E. Dizemos que um elemento a E E
é regular (ou simplificável ou que cumpre a lei do cancelamento) à esquerda em re-
lação à operação * se, para quaisquer x, y E E tais que a * x = a * y, vale x = y.
Dizemos que um elemento a E E é regular (ou simplificável) à direita relativa-
*
mente à operação se, para quaisquer x, y E E tais que x* a = y* a, vale x = y.
Se a E E é um elemento regular à esquerda e à direita para a operação *,
dizemos simplesmente que a é regular para essa operação.

Exemplos 31 e contra-exemplos 11:


1~) 3 é regular para a adição em N, pois:
3+x=3+y~x=y

quaisquer que sejam x, y E N.


2~) 3 é regular para a multiplicação em E, pois:
3·x=3·y=-x=y
quaisquer que sejam x, y E 7L.
3?) O não é regular para a multiplicação em 71-, pois:
0·2=0·3e2*3
4°)
. ('3 ~) é regular para a adição em M2(1R), pois:

G-"'-E)
se ('3 ')
4
(a' d'b'),entao,('+a
+ c' 2+b)_('+a'
3+c 4+d - 3+c'
2+b')
4+d'

e,daí, (a = a', b = b', c = c'e d = d'j. De onde (~ ~)= (~: ~:).


5~) (~ ~) não é regular para a multiplicação em M 2 (IR.), pois:

Proposição 12: Se a operação * sobre E é associativa, tem elemento neutro e


e um elemento a E E é simetrizável, então a é regular.

Demonstração: Sejam x e y elementos quaisquer de E tais que a x = a * *y e


x*a=y*o.
Da primeira dessas hipóteses, segue que a'* (o * x) = a'* (o * y). Daí, conside-
rando-se a associatividade, (a' * a) *x = (a' * a) *y, ou seja, e *x = e *y. De onde,
x = y.
Analogamente se prova que, se x *a = y *a, então x = y. Portanto, a é regular. #
Notação: conjunto dos regulares
Sendo * uma operação sobre E, indica-se com R..(E) o conjunto dos elementos
regulares de E para a operação e .

Exemplos 32.-
R+{N) = N
R.IZ) ~ Z'
R. (M,I~II ~ M,I~)
Podemos notar que, se * tem elemento neutro e, então e E R~(E) e, portanto,
R.IE) * 0.
*
Podemos notar também que, se é associativa e tem elemento neutro e, en-
tão U~(E) C R*(E), conforme mostrou a proposição 12.

~ Exercícios
120. Determine o conjunto dos elementos regulares para cada operação definida
no exercício 105.

121. Determine os elementos regulares de? x lL para cada operação definida no


exercício 106.

122. Mostre que nenhum elemento de IH. é regular para a operação * assim definida:
xe y = x 2 + .; - xy

(3-llo-E)
123. Determine os elementos regulares de IR. relativamente à operação * assim
definida: x * y = Sx + 3y - 7XY.

124. Mostre que se *


é uma operação associativa sobre E, então R{E) = 0 ou
[FL(E} é subconjunto de E fechado para a operação *.

15.6 Propriedade distributiva


*
Definição 43: Sejam e 6. duas operações sobre E. Dizemos que 6. é distri-
butiva à esquerda relativamente a * se:
x 6. (y*z) = (x 6y)*(x 6. z)
quaisquer que sejam x, y, z E E.
Dizemos que 6. é distributiva à direita relativamente a * se:
(y *z) 6. x = (y 6 x) * (z 6. x)
quaisquer que sejam x, y, z E E.
Quando 6. é distributiva à esquerda e à direita de », dizemos simplesmente
que 6. é distributiva relativamente a *.
Exemplos 33:
n A multiplicação em Z é distributiva em relação à adição em 7l, pois:
x . (y + z) = (x· y) + (x . z)
quaisquer que sejam x, y, z E 7l.
2~) A multiplicação em Mn(lH) é distributiva em relação à adição em Mn(lH),

pois:
X· IY + Z) ~ IX· Y) + IX· Z)
IY + Z) . X ~ IY· X) + IZ, Xl
quaisquer que sejam X, Y, Z E Mn(IH).
3~) Em N*, a potenciação é distributiva à direita em relação à multiplicação,
pois:

quaisquer que sejam x, y, z E N*.


Entretanto, a potenciação em N* não é distributiva à esquerda em relação à
multiplicação, pois, por exemplo:

16. PARTE FECHADA PARA UMA OPERAÇÃO


*
Definição 44: Sejam uma operação sobre E e A um subconjunto não vazio
de E. Dizemos que A é uma parte fechada de E para a operação se, e somente *
se, para quaisquer x, y E A verificar-se x e y E A.

(3-121-E)
Exemplos 34:
1~) O conjunto N é uma parte fechada para a adição e a multiplicação em Z,

pois:

e
xENeyEN~x+yEN
xENeyEN~x.yEN

quaisquer que sejam x,y EN.


2~) O conjunto Q) é uma parte fechada para a adição e a multiplicação em IR.
pois:
o * 0, o C R
e
xEQ)eyEQ)~x+yEQ

xEQ)eyEQ)~x·yEQ)

quaisquer que sejam x, y E Q),


3~l
O conjunto iR+ é uma parte fechada de iR para a operação de multiplica-
ção em iR, pois:
iR i =1= o.n. C IR e (x E IR+ eyE lR+l ~ x . Y E IR+
quaisquer que sejam x, y E IR+.
4~) O conjunto D2(1R) das matrizes diagonais do tipo 2 x 2 é uma parte fecha-
da de M2(lRl para a adição e a multiplicação em M2(1R), pois:

(~ a'O) + (bO O)
b'
= (a+b
O
O) ED(R)
a'+b' 2

(~ ~,) . (~ O) _(ob O) R
b' - . O a'b' E D l 2(

quaisquer que sejam a, a', b, b' E IR..


5~)O conjunto A das funções bijetoras de IR. em IR é um subconjunto fecha-
do para a composição de funções em IR IR, pois:
I E Ae 9 EA~/ug EA
quaisquer que sejam I, 9 E A.
Contra-exemplos 12:
,~} O conjunto 71_ é uma parte fechada para a adição em IR, mas não é parte
fechada para a multiplicação, pois, por exemplo:
-2 E Z_, -3 E Z e (-2)(-3) fi Z_
2~) O conjunto IR - Q) (dos números irracionais) não é parte fechada para a
adição em IR. e para a multiplicação em IR, pois, por exemplo:

,:2 E IR - Q),-\-2 E IR. - Q)eC:2) + (-\'2) fi IR. - O

e(,ilh-,) <t" - éI

G-122-E)
3~) o conjunto GL 2 (1R: ) das matrizes lnversfvets não é fechado para a adição
em M2{1R), pois, por exemplo:

(~ ,0) E GL (IR ), (-1O -1.0) E GL


2 2{1R} ('
e O

m: Exercícios
125. Em Z x 7L estão definidas duas operações * e Do da seguinte forma:
(a, bl*(c, d) =(0 + c,b + d)
(o, b)6 (e, d) = (ae, ad + bel
Verifique se 6. é distributiva em relação a *.

126. Determine m E IR. de modo que a operação 6. seja distributiva em relação


à operação e, sendo 6. e * definidas em IR: por:
x6y= my
x*y=x+ y+xy

127. Decida: quais dos conjuntos abaixo são partes fechadas de 7L para a operação
de adição usual?
a) E.
b) P o {x E Z I x é par}
c) I = {x E 7L I x é ímpar}
d) J = {x E 7L I x é primo}
e) K o (x E Z I mdc(x, 10) o 1}
fi Lo{xEZlxo3q+ 1,qEZ}

128. Repita o exercído anterior substituindo a adição pela multiplicação usual.

129. Mostre que A = {(~ Z) I a, b E IR} é parte fechada de M 2(1R) para a opera-
çêo de adiçáo.

130. Mostre que A =f(1 -sen


cos a
a
sen
cos a
a) I aE lR)é subconjunto de M (lR) fechado
2

para a multiplicação.

131. Mostre que A = {z E C IZ = cos O + t , sen El} é subconjunto de C fechado


para a multiplicaçáo.
17. TÃBUA DE UMA OPERAÇÃO
Como se constrói
Seja E::= {ali Q2' onL com n > 1, um conjunto com n elementos. Toda opera-
... ,

ção sobre E é uma aplicação i: IE x IE -- IE que associa a cada par (a;, ajl o elemen-
to Qi*"t " 0ij'
Podemos representar o elemento Gij,correspondente ao par (ai'a), numa tabe-
la de dupla entrada construída como segue.
1~) Marcamos na linha fundamental e na coluna fundamental os elementos
do conjunto E. Chamamos de i-ésima linha aquela que começa com ai e dej-ésima
coluna a que é encabeçada por Qi"

-~ "l:,,~ :'" ·111. - linha fundamental


'iiil
".

u!ijJ
,;tE1
~
L coluna fundamental

2~) Dado um elemento aj na coluna fundamental e um elemento aj na linha


fundamental, na interseção da r-éslma linha com a j-ésima coluna, marcamos o
composto aij'

r j - éstma coluna

a, a, ... a, ... l"t ... a"


a, composto Qi}
a,
... /
j - éstma linha - aJ I f}a
...
ai
...
a"

G-1l4-E)
Exemplos 35:
1~) Tábua da multiplicação em E = {-l, 0, 1}.

-1 O 1

-1 1 O -1

O O O O

1 -1 O 1

2~) Tábuas das operações de reunião e de interseção sobre E = {A, B, C, D}, em


que A, B, C, D são conjuntos tais que A C B C C CD.

U A B C O n A B C O

A A B C O A A A A A

B B B C O B A B B B
C C C C O C A B C C

O O O O O O A B C O

3~) Tábua operação * sobre E = {l, 3, 5, is} tal que x* y = mdc(x, y).
1 3 5 15
*
1 1 1 1 1

3 1 3 1 3

5 1 1 5 5

15 1 3 5 15

4?) Tábua da operação de composição sobre E = {iI' i 2 , 13}, em que 1 1, h i 3


são funções assim descritas:
f, o (Ia, ai, Ib, bl, (c, c)}
f, o (Ia, bl, Ib, c), (c, ail
f, o {Ia, c). Ib, ai, (C, bl)

c f, f, f,
f, f, f, f,
f, f, f, f,
f, f, f, f,
r Exercícios I
132. Em cada caso a seguir está definida uma operação * sobre E. Faça a tábua
da operação.
a) E == {1,2,3,6} e x*y = mdc(x,y)
b) E=={l,3,9,27}ex*y== mmc{x,y)

c) E=={"\'2.,~} eX*y==min(x,y)

d) E=={3\';2'11",~}ex*y==max(x,y}
e) E=={l,i,-l,-i}ex*y=x.y

133. Em cada caso a seguir está definida uma operação * sobre E == {0, {a}, {c],
{a, b}}. Construa a tábua da operação.
a) x*y==xUy
b) x*y==xny
c) x* y == (x U y) - (x n y)

*
134. Construa as tábuas das operações e 6. sobre E== {a, 1,2, 3} assim definidas:
*
a) x y == resto da divisão em 7L de x + y por 4
b) x yã » resto da divisão em 7L de x . y por 4

135. Construa as tábuas das operações ffi e O sobre E == [o.t. 2,3,4} assim definidas:
a) xffi y == resto da divisão em 7L de x + y por 5
b) x O Y == resto da divisão em 7L de x • y por 5

136. Construa a tábua da operação de reunião sobre a família de conjuntos 'í\' ==


{A,B,CD,E} sabendo que A U B==A,CU D == B,D U E== De E U C== c.

137. Descreva pelas tábuas todas as operações sobre o conjunto E == {a, b}.

138. A partir da tábua ao lado, da operação 6. sobre E == {l, 2, 3, 4},calcule os se-


guintes compostos:
a) (3 6. 4) 6. 2 1 2 3 4

bl 3 '" (4 '" 21
'"
1 1 1 1 1
c) [4 6. (3 A. 3)) to. 4
2 1 2 3 4
d) (4 '" 3) '" (3 '" 4)
3 1 3 4 2
e) [(4 to. 3) 6. 3] to. 4
4 1 4 2 3

<:3-116-E)
139. Complete a tábua da operação o (composição) definida sobre o conjunto de
funções reais E = {!" 1 2, 1 3 , 14 } , em que:

1 1 {x ) = x1 o I, I, I, I,
12(x ) = -x I,
1
13 (x} = -)i
I,
14 (x ) = X
I,
Depois responda:
a) Qual é o elemento neutro? I,
b) Que elementos têm simétrico?
. - I d I' 1-' a 1 2 -, 3,
C} Q uats sao os va ores os compostos l' 2 ,h e 1012 eh·

140. Construa a tábua da operação de composição sobre o conjunto de funções


E = {!1' 1 2 , 1 3 , 1 4 }, sabendo que essas funções são de 1R. 2 em 1R. 2 , dadas por:
1,(x,Y) = (x,y) 13 (x, y ) = (x, -y)
12 (x, y ) = (-x,y) 14 {x, y ) = (-x, -y)

141. Seja E = {o, 1}. Seja EE o conjunto das aplicações de E em E. Construa a tábua
da operação de composição em EE.

142. Construa a tábua da operação de composição de funções em E= {I" 1 2, 1 3, 14 },


em que:
II = (ta, a), (b, b), (c, c), (d, d)} = e: ~:)
d :)
I, o {Ia, b), Ib,c), (r, di, Id, ail o (~ c
b c

C
13 = {(a, C), (b, d), (C, a), {d, bJ} = ( C
a db a bd)

14 = {(a, d ), (b, a), (c, b), (d, C)} = ( ; : ~ :)


Em seguida, calcule:
a) 12:'J/30/4 d) (/ 3 ° / 4) - '
b) I~ e} I~'
c) (ho/4)3 f) 1~'o/3-1

b
Observação: A notação (a d c
c a
~),. por exemplo, indica que a imagem de
aé~debé~decéaededéb.

G-127-E)
143. Construa a tábua da operação de composição de funções em E = Ul' f 2 , f 3,
f 4 , f s, f d , em que:

f 1=C ~ ~) f3 =G ~ ~) fs=G ~ ~)
f2=(~ ~ ~) f4 =(; ~ ~) /6 =G ~ ~)
Sugestão: Observe no exercício 142 o significado dessa notação matricial.

Como checar propriedades


Vejamos agora como se pode checar uma a uma as propriedades de uma
* *
operação sobre E = {01' 02' ... ,on} quando é dada por meio de uma tábua.
a) Propriedade associativa
É aquela cuja verificação exige maior trabalho. A verificação pode ser feita de
dois modos:
1~ modo: Calculam-se todos os compostos do tipo 0.* (Oj* 0k)' com i, j, k E
*
{1, 2, ..., n}; calculam-se todos os compostos do tipo (Oi* o) 0k' com i, j, k E {1, 2,
..., n}; comparam-se os compostos que têm os mesmos i, j e k. Como podemos
notar, esse método requer o cálculo de 2n 3 compostos.
2~ modo: Encontra-se um conjunto F dotado de uma operação 6. que se sabe
ser associativa de tal forma que exista uma aplicação t. E-- F com as seguintes
propriedades:
a) / é bijetora:
b) f(x*y) = f(x)6./(y) para todos x,y E f.
*
Se isso ocorrer, a lei também é associativa, pois, para quaisquer x, y, z E E,
temos:
fllx*y)*z) = flx*y) /', fiz) = Ulx) /', fly)) /', fiz) =
= flx) /', Ifly) /', fiz)) = flx) /', fly*z) = flx*ly*z))
*
e, como f é bijetora, vem: (x* y) z = x* (y* z)
Você, estudante, poderá ter uma compreensão maior desse assunto quando
estudar os isomorfismos (ver capítulo IV, seção IV.2).
b) Propriedade comutativa
*
Sabemos que uma operação é comutativa se 0i* 0j = 0)* ai' ou seja'Oi) = 0ji
para quaisquer i,j E {t, 2, 3, ..., n}.
*
Chamando de diagonal principal da tábua da operação o conjunto formado
pelos compostos 011' 022'033' ... ,onn' podemos notar que os compostos 0ij e 0ji ocu-
pam posições simétricas relativamente à diagonal principal. Assim, uma operação é *
comutativa desde que sua tábua seja simétrica em relação à diagonal principal, isto
é. compostos colocados simetricamente em relação à diagonal são iguais dois a dois.

G-128-E:)
a, a, ... a, ... ai ... ao
a,
a,
...
"" a"
... V iguais

a, Ou Q~
.
.,' V
ai !§ ali
-
ao f'M
'dOraqonaIpnnopa
" I
Observe os quatro exemplos da página 125. Neles, as operações são comuta-
tivas.
Observe agora a tabela abaixo. É um exemplo de operação não comutativa.
Note, por exemplo, que b*c = a e ce b = b.

a b c
*
a b a c
b a b a

c a b b

c} Elemento neutro
Sabemos que um elemento e é neutro para a operação * quando:
(I) ee ai = o., "Ia; E E
(II) Q;* e = ai e 'Vai E E
Da condição (I) decorre que a linha de e é igual à linha fundamental. Da con-
dição (II) decorre que a coluna de e é igual à coluna fundamental.

l
linhas iguais

J
Lcolunas iguais J
Assim, uma operação * tem neutro desde que exista um elemento cuja linha e
coluna são respectivamente iguais à linha e coluna fundamentais.

(3-129-E)
Observe novamente os exemplos da página 125.Todos apresentam elemento
neutro. Confira os neutros:
1~) 1; 2~) A e O, respectivamente; 3~) 15; 4~) f 1 •

Um exemplo de operação sem neutro é dado pela tábua abaixo. Notemos que
Q é neutro só à esquerda (a linha de Q é igual à fundamental).

a b c
a a b c
b c a b

c b a c

d) Elementos simetrizáveis
Sabemos que um elemento ai E E é simetrizável para a operação * que tem
neutro e quando existe um aj E E tal que:
(I) al*aj = e
e
(II) aj* aj = e
Da condição (I) decorre que a linha de ai na tábua deve apresentar ao menos
um composto igual a e.
Da condição (II) decorre que a coluna de a, deve apresentar ao menos um
composto igual a e.
Como alj = Qji = e, decorre que o neutro deve figurar em posições simétricas
relativamente à diagonal principal.

a, a, ... a, ... a] ... ao


a,
a,
...
a, e
posições simétricas
... em relação à diagonal
a] e ~ ----
...
a"

(3-llo-E)
Assim, um elemento a, é stmetrtzévet quando o neutro figura ao menos uma
vez na linha i e na coluna i da tábua, ocupando posições simétricas em relação à
diagonal principal.

Exemplos 36:
1~) Neutro: e e a b é
Elementos simetrizáveis: e, o, b, c
e e a b é

a a b é e
b b é e a
é é e a b

2~) Neutro: e a b é d e
Elementos simetrizáveis: e, c, b
a a a a a a
b a d b
I" é

é a e b d é

d a d d d d
e a b é d e

e) Elementos regulares
Sabemos que um elemento a E E é regular em relação à operação * quan-
do:
{I} o * ai -=I=- a * aj' sempre que ai -=f- aj
e
(II) ai * a -=f- Oj * o, sempre que ai "* aj'
Isso significa que a é regular quando, composto com elementos distintos de E,
tanto à esquerda deles como à direita, produz resultados distintos.
Assim, um elemento aé regular quando na linha e na coluna de a não há ele-
mentos iguais.
Exemplos 37:
Os elementos regulares são e, a, d. e a b é d
Note que na linha e coluna de b ocorrem repeti-
e e a b é d
ções. Nas de c, também.
a a b é d e
b b é b é a
é é d é a b
d d e a b é

(3-131-E)
I Exercícios]
144. A partir das tábuas construídas no exercício 132, responda:
a) Que operações são comutativas?
b) Que operações apresentam elemento neutro?
c) Quais são os elementos simetrizáveis?
d} Quais são os elementos regulares?

145. A tábua abaixo descreve a operação nãoassociativa /:" sobre o conjunto E "= {a,
b, c, d}. Calcule de cinco formas diferentes o composto a /:,. b 6. c 6. d, ou seja:
a} (o 6. b) /::,. (c /:" d) a b c d
b) [a'" (b '" cl] '" d
cl [(a'" bl '" cl '" d
'a" b b c d
b c d d a
di a '" [(b '" c) '" di
e) o 6. [b 6. (c 6. d)] c d d a b
d a b b c

146. Construa a tábua da operação de tnterseção sobre a família de conjuntos


s "= {A, B, C, O}, sabendo que:
A n B"= B, B n C = C e C no = O
Em seguida, estabeleça:
a) qual é o elemento neutro;
b) que elementos são simetrizáveis;
c) que elementos são regulares.

147. A partir de cada tábua abaixo, decida:


i} A operação é comutativa? iii) Que elementos são simetrizáveis?
ii} Existe elemento neutro? iv) Que elementos são regulares?
I c) a b c d e
a b c d f 9 h
a c d a b a a b c d e f 9 h
b d c b a b b c d a f 9 h e
c a b c d c c d a b 9 h e f
d b a d c d d a b c h e f 9
e e f 9 h a b c d
bI a b c d f f 9 h e b c d a
a c a d b d a b
9 9 h e f c
b a b c d
h h e f 9 d a b c
c b c d a
d d d a c
148. Complete a tábua da operação * sobre o conjunto E = {a, b, c,c}, sabendo que:
(I) b é o elemento neutro
a b c d
(II) o simétrico de a é a *
(III) o simétrico de c é d a
(IV) a*c = d b
(V) todos os elementos de E
são regulares c
d

149. Construa a tábua de uma operação * sobre E = {e, a, b, c} de modo a satisfa-


zer às seguintes condições:
(I) * seja comutativa
(II) e seja o elemento neutro
(III) x*a = a, "Ix
(IV) RAE) = E -{a}

150. Construa a tábua de uma operação * sobre o conjunto E = {a, b, c, c] de mo-


do que satisfaça às condições seguintes:
(I) seja comutativa
(li) a seja o elemento neutro
(IIII U. (E) = E
(IV) R.{EI = E
(V)b*c=a

151. Complete a tábua da operação * sobre o conjunto E = {a, b, c, a, e}, sabendo


que:
a b c d e
(I) e e x = x = x e e, "Ix *
(II) c e x = a = x*a, "Ix a
(l1I)x*x=e,Vx-=l=-a
b
(IV) bw d = c
(V) b, c, d são regulares c
d

152. Seja * *
a operação sobre E = {t. 2, 3, 4, 6, 12} dada pela lei x y = mmc(x, y}.
Determine os subconjuntos de E que têm três elementos e são fechados em
relação a essa operação.

(3-1JJ-E)
153. Seja E == 7!' {a, b, e}. Qual é a condição sobre X e Y, sendo X E E e Y E E, para
que {X, Y} seja fechado em relação à operação de interseção sobre E?

154. Dê um exemplo de operação não associativa nem comutativa, mas que tem
elemento neutro.

155. Dê um exemplo de operação sobre E (finito) em que todo elemento de E é


regular, existe elemento neutro e só ele é slmetrízávet

156. Dê um exemplo de operação em que o composto de dois elementos sime-


trizáveis não é slmetrlzével.

157. Dê um exemplo de operação sobre E (finito) em que existe elemento neutro


e todos os elementos de E, com exceçêo do neutro, têm dois simétricos.

Exercícios complementares

(18. a) Prove que o número de operações, duas a duas distintas, sobre um conjun-
z
to finito e não vazio com n elementos é nln) .
b) Prove que o número de operações comutatlvas.duas a duas distintas, sobre um
-
conjunto fi- - vazio
mito e nao - com _(n 2+n)
n eIementos e --2- expoente de n.

(19. Seja E um conjunto munido de uma operação * que apresenta um elemento


neutro e. Prove que * é associativa e comutativa se, e somente se, a * (b * e) ==
== (a * c) * b, quaiquer que sejam a, b, e E E.

(20. Uma operação * sobre um conjunto E é dita totalmente não associativa se


(a*b)*c *- a*(b*c)
quaisquer que sejam a, b, e E E.
a) Mostre que tal operação não é comutativa.
b) Mostre que a operação de potenciação (x e y == xY ) sobre E == {3,4, ... } é
totalmente não associativa.

(21. Seja * uma operação sobre E que é associativa e tem neutro. Sendo A um
subconjunto não vazio de E, indiquemos com C(A) o conjunto dos elemen-
tos x E E tais que c e x == x*a para todo a E A
Prove que:
a} C(A) é fechado para a operação *.
b) Se 8 c A, então C(B) :,) C(A).
c) ((C(C(A))) == C(A)

(3-134-E)
18. OPERAÇÕES EM r;
Vamos definir aqui as operações de adição e multiplicação num conjunto lf.m
(m > 1) de classes de restos. Em seguida mostraremos algumas propriedades des-
sas operações.
Definição 45: Dadas duas classes a, li E :Em' chama-se soma ã + b a classe
a + b.
Definição 46: Dadas duas classes a, li E Em' chama-se produto ã . b a classe
~.
Observação
Se ã =ã'E lL m € b= b'E Zm' então o === a'(mod m) e b == b'(mod m);portan-
to, a + b "'" 0'+ b'(mod ml e a , b == a', b'(mod ml e, conseqüentemente, a + b=
== 0'+ b' e a . b = a'· b'.lsso mostra que a soma e o produto de classes, conforme
as definições 45 e 46, não dependem dos representantes das classes. Dessa forma
fica garantido que a + b é única e a . b também é única, ou seja, as aplicações
(a, b) H a + b e (a, b) H Q • b são operações sobre Em' denominadas adição e
multiplicação, respectivamente.
Propriedades da adição
n Associativa
Para quaisquer a, 1), c E Em' temos:
a + (I) + c) = ã + b + c = a + (b + c) =
= (a+ b) + c = a + b + c = (a + 1)) + c
2) Comutativa
Para quaisquer a, I) E :i m, temos:
a+l)=a+b=b+a=l)+a
3) Elemento neutro
Para qualquer a E Em' temos:

Portanto, O é o neutro da adição em 7L m "


4)Elementos simetrizáveis
a
Dado E r.; procuremos seu simétrico 0'.
Devemos ter a + 0'= a+a'= Oe,portanto,a + a'"" O (mod m) ou a'"" ~a
Imod m). De onde, O' = m - a .
Isso mostra que todo elemento aE ;Em é simetrizável para a adição e seu
simétrico é m - a .
Propriedades da multiplicação
Analogamente, pode-se provar a associativa e a comutativa.
Para qualquer ã E Y m' temos:
- - -
0·1=0·1=0
Portanto, 1 é o neutro da multiplicação em I m.
Provaremos que ã E !L m é stmetrlzáve! para a multiplicação se, e somente se,
mdc{a, m) = 1.
(_) Seja ã E I m um elemento ínversfvel. Existe, então, (tE I m tal que ã· 0'=
= o . a' =1. Daí, 00' == 1 (mod m) ou cc' - 1 = mq, para algum q E 71. A proposição 2,
do capítulo II, garante então que mdc{o, m) = 1.
(_) Se mdc(o, m) = 1, então, devido à mencionada proposição, existem xo,Yo E I
tais que oXo + myo = 1. Dessa igualdade segue que OXo - 1 = m{-yo) e, portanto,
que ax o == 1 (mod m). De onde, oXo = 1 ou a. X;; = 1, igualdade que mostra que a
é inversível e X o é seu inverso.

(3-1J6-E:)
CAPíTULO IV
GRUPOS
IV-1 GRUPOS E SUBGRUPOS

1. NOTA HISTÓRICA
Entre 1SOO e 151 S, o matemático italiano Scipione dei Ferro (1456-1526)desco-
briu um procedimento para resolver a equação cúbica x 3 + px = q (p, q > O) (em
notação atual). Esse procedimento se traduz, modernamente, na seguinte fórmula:

Dei Ferro mostrou, com isso, que é possível expressar as raízes da cúbica consi-
derada em termos de seus coeficientes, usando apenas adições, subtrações, multi-
plicações. divisões e radicações. Ou, como se diz modernamente, que a equação dada
é resolúvel por radicais.
Como já se sabia há muitos séculos que as equações de grau um e dois também são
resolúveis por radicais (no caso destas últimas, lembrara chamada fórmula de Bbaskaral
a solução de dei Ferro colocou o seguinte desafio para os algebristas: será que toda equa-
ção algébrica é resolúvel por radicais? As pesquisas visando responder a essa questão se
arrastaram por mais de dois séculos e meio, frustraram alguns dos grandes matemáticos
desse período e contribuíram decisivamente para a criação do conceito de "grupo':

(3-137-E)
Na verdade a questão da resolubilidade das equações algébricas só começou a
ser esclarecida genericamente na segunda metade do século XVIII. Na obra Réflexions
sur Jo résolutiona/gébrique des éauotions (Reflexões sobre a resolução algébrica de
equações) (1770~ 1771),0 Italo-frencês Joseph-t.outs Lagrange (1736-181 Sj.posslvel-
mente o primeiro matemático a perceber com lucidez maior o caminho a ser segui-
do para abordar o problema, observou que a "teoria das permutações" era de grande
importância para a resolução de equaçães.lagrange referia-se a permutações envol-
vendo as raízes da equação.
Em 1824,o matemático norueguês Niels Henrtk Abel (1802-1829) provaria aqui-
lo de que Lagrange suspeitara fortemente: que não há nenhuma fórmula geral por
radicais para resolver as equações de grau 3 S.
Ainda assim uma questão permanecia em pé:já que as equações de grau 3 5
não são,de modo geral, resolúveis por radicais, mas alguns tipos o são, como já se
sabia bem antes de Abel, o que caracteriza matematicamente estas últimas? A res-
posta a essa pergunta seria dada pelo matemático francês Evariste Galois (1811-
1832), em cuja obra aparece delineado pela primeira vez o conceito de grupo, in-
clusive com esse nome. Resumidamente, a idéia de Galais para responder a essa
pergunta foi associar a cada equação um grupo formado por permutações de suas
raizes e condicionar a resolubilidade por radicais a uma propriedade desse grupo.
E, como para toda equação de grau -s; 4 o grupo de permutações que lhe é associa-
do goza dessa propriedade e para n > 4 sempre há equações cujo grupo não se
sujeita a essa propriedade, a questão da resolubilidade por radicais estava por fim
esclarecida.
Com o tempo, verificou-se que a idéia de grupo era um instrumento da mais
alta importãncia para a organização e o estudo de muitas partes da matemática.
Em nível mais elementar, um exemplo é a teoria das simetrias, muito importante
para a cristalografia e a química, por exemplo. Essencialmente, os grupos podem
ser usados para retratar simetrias geométricas: a cada figura associa-se um grupo,
grupo esse que caracteriza e retrata a simetria da figura. Em 2.4 (xiii-a e xiii-h) dis-
correremos um pouco sobre isso.

2. GRUPOS E SUBGRUPOS
2.1 Conceito de grupo
Definição 1: Um sistema matemático constituído de um conjunto não vazio G
e uma operação (x, y) f-7 x* y sobre G é chamado grupo se essa operação se su-
jeita aos seguintes axiomas:
associatividade
(o * b) * c = 0* (b * c), quaisquer que sejam a, b, c E G;

(3-138-E)
existência de elemento neutro
*
existe um elemento e E G tal que a e = e e a = a, qualquer que seja a E G;
existência de simétricos
para todo a E G existe um elemento a' E G tal que a a' = a'* a * = e.
Se, além disso, ainda se cumprir o axioma da
comutatividade
* *
a b = b a, quaisquer que sejam a, b E G,
o grupo recebe o nome de grupo comutativo ou abeliano.
Mantidas as notações da definição, um grupo poderá ser indicado apenas por
(6, *), em que, para facilitar, o símbolo * indica a operação sobre G.E, quando não
houver possibilidade de confusão, até esse símbolo poderá ser omitido. Assim,será
comum usarmos expressões como, por exemplo, "Seja G um grupo"ou "Consideremos
um grupo G", o que naturalmente pressupõe a operação subentendida. Outra ma-
neira ainda de nos referirmos a um grupo (G, *) é dizer que "G tem uma estrutura
de grupo em relação à operação * li.

2.2 Propriedades imediatas de um grupo


Seja (G, *) um grupo. As propriedades já demonstradas para uma operação soo
bre um conjunto (capítulo III) nos asseguram:
• a unicidade do elemento neutro de (G, *);
• a unicidade do simétrico de cada elemento de G;
• que, se e é o elemento neutro, então e' = e;
• que (a')' = a, qualquer que seja a E G;
*
• que (a b)' = b'* a' e, portanto (raciocinando por indução), que
(a1*a2* .. ·*an l ' = an'*a n _ ]'* ...*a 1' (n ;? 1);
• que todo elemento de G é regular para a operação *. Ou seja:
se c e x = c e y (ou x*a = y*a),entãox = y.
Além disso, pode-se demonstrar também que
*
• no grupo G, a equação a x = b (x* a = b) tem conjunto solução unitário,
constituído do elemento a'* b (respectivamente, b a'). *
Consideremos a * x = b. Substituindo-se x por a' * b no primeiro membro da
equação, obtém-se
a*(a'*b) = (a*a')*b = e*b = b
o que garante que efetívamente a'* b é solução da equação. Por outro lado, se Xo
é uma solução, então a *xo = b. Daí:
a'*(a*xol = a'w b
Como a'* (a*xol = (0'* a) * Xo = xo' então Xo = 0'* b.

G-139-E)
Nesta altura, cabem algumas observações no que diz respeito à linguagem a
ser empregada daqui para a frente:
(i) Um grupo cuja operação é uma "adição" será chamado de grupo aditivo, ao
passo que, se a operação é uma "multiplicação'; de grupo multiplicativo. No caso de
grupo aditivo, o simétrico de um elemento o é chamado oposto de o e indicado por
-o; e, no caso de um grupo multiplicativo, inverso de o e denotado por a '.
(ii) Na maior parte da teoria sobre grupos a ser desenvolvida aqui usaremos a no--
tação multiplicativa para indicar a operação. Motivo: é mais prática e, é claro, os resul-
tados obtidos valem em qualquer caso, bastando mudar convenientemente a notação.

2.3 Grupos finitos


Um grupo (G, *) em que o conjunto G é finito, chama-se grupo finito. Nesse ca-
so, o número de elementos de G é chamado ordem do grupo (notação o(G)) e a tá-
bua da operação * se denomina tábua do grupo. Diga-se de passagem que o pri-
meiro matemático a usar tábuas para representar grupos foi o inglês Arthur Cayley
(1821-1899). Cayley, que valorizava sobremodo os aspectos formais da matemática,
foi provavelmente o precursor do estudo abstrato da teoria dos grupos. Outra rea-
lização importante desse matemático foi a introdução das matrizes na matemática.

Exemplo 1: Éfácil verificar que G = {-1, + t} é um grupo multiplicativo. Suaordem


obviamente é 2 e sua tábua:
.
, , -,-,1

-, -, 1

2.4 Alguns grupos importantes


(i) Grupo aditivo dos inteiros (comutativo)
Sistema formado pelo conjunto dos inteiros e a adição usual sobre esseconjun-
to. Motivo: a adição usual é uma operação sobre 2, associativa e comutativa. Mais: há
um elemento neutro para ela (o número O), e o oposto -a de um elemento a E 7L
também pertence a esse conjunto. Obviamente essas propriedades são pré-requisitos
para este trabalho.
(ii) Grupo aditivo dos racionais (comutativo)
Sistema formado por Ql e a adição usual sobre esseconjunto. O porquê é o mes-
mo do exemplo anterior.
(iii) Grupo aditivo dos reais (comutativo)
Sistema formado por IR. e a adição usual sobre esse conjunto. O porquê é o
mesmo do primeiro exemplo.

(3-'40-E)
(iv) Grupo aditivo dos complexos (comutativo)
A soma de dois números complexos z= 0+ bi e w= c + di é definida por
z + W = (a + b) + d)i. É fácil verificar que essa operação é associativa. Mais
+ {c
ainda verificar que O = + ° °.
i é elemento neutro dessa operação. Por fim, para
todo complexo z = a + bi, o número complexo -z = (-a) + (-b)i é seu oposto, o
que pode ser verificado diretamente sem nenhuma dificuldade.

(v) Grupo multiplicativo dos racionais (comutativo)


Sistema formado pelo conjunto dos racionais não nulos e a multiplicação usual
sobre esse conjunto. O conjunto []l* é fechado em relação à multiplicação, ou seja,
o produto de dois números racionais não nulos também é diferente de zero. A mul-
tiplicação usual é associativa em 1jJl* porque o é em []l; o número 1, elemento neutro
da multiplicação, obviamente é diferente de O; e se a -=F- 0, o mesmo acontece com
seu inverso a -'. Também neste caso admitimos como pré-requisito o conhecimento
das propriedades da multiplicação de números racionais.

Contra-exemplo 1: O sistema formado pelo conjunto ?L* e a multiplicação de


números inteiros não é um grupo, embora o produto de dois inteiros não nulos
seja sempre um inteiro não nulo. Ocorre que nenhum inteiro a, salvo 1 e -1, tem
inverso em ?L.

(vi) Grupo multiplicativo dos reais (comutativo)


Sistema formado por IR* e a multiplicação usual sobre esse conjunto. O porquê
é o mesmo do exemplo anterior.

(vii) Grupo multiplicativo dos complexos (comutativo)


Sistema formado pelo conjunto C* e a multiplicação usual de números com-
plexos. O produto de dois números complexos z = a + bi e w = c + di é definido
por zw = (ac - bd) + (ad + bc)i. Se os números dados são diferentes de 0, o mes-
mo acontece com o produto, como se pode verificar. Essa operação é associativa e
comutativa, e a verificação disso é apenas uma questão de cálculos algébricos; o
elemento neutro é 1 = 1 + Oi, e o inverso de um elemento z = a + bi, não nulo, é
z 2 a 2 + 2 -b 2 i, também um número complexo não nulo, considerando-
-t =
a +b a +b
se que a *
O ou b o. *
(viii) Grupo aditivo de matrizes m x n (comutativo)
Nas considerações a serem feitas aqui indicaremos por K, indistintamente, um
dos seguintes conjuntos, ?L, []l, IR ou C. e por Mm x n(K) O conjunto das matrizes sobre
K com m linhas e n colunas. Isso posto mostraremos que Mm x n{K) é um grupo adi-
tivo. Para isso, lembremos primeiro que a adição de matrizes em Mm x n(K) é definida
da seguinte maneira:

(3-141 -E:)
Se

então:

A + B(::';+~b;:;:~;:::;)
=

e, portanto, trata-se de uma operação sobre o conjunto Mm ~ n{K).


Essa adição cumpre os axiomas exigidos pela definição 1,o que é fácil de provar:
Associatividade: A + (B + C) = (A + B) + C
Comutatividade: A + B = B + A
Existência de elemento neutro: é a matriz

o, '" = (~m.a.)
O "." O
Existência de opostos: qualquer que seja a matriz

A= ( :~~,:~; )

tomando-se

que obviamente também é uma matriz de Mm x n(K), então:

A + (-A) = (~.~.1. .~. .~~.~. . .: : ~:.~. =.~.~~. ) = o,


0ml - 0ml 0mn - Qmn
x fi

Portanto, (Mm x n(K), +} é um grupo aditivo abeliano quando K = ?L, Qt, IR. ou C.
(ix) Grupos lineares de grau n (multiplicativo, não comutativo se n > 1)
Indicaremos agora por K, indistintamente, um dos conjuntos 1lJ, IR ou C e por
Mn(K) o conjunto das matrizes de ordem n sobre K. Tratando-se de um caso particu-
lar do exemplo anterior, Mn(K) é um grupo aditivo. No que se refere à multiplicação
de matrizes, porém, a situação é diferente. Lembremos que a multiplicação de matrizes
(linhas por colunas) é definida da seguinte maneira: se A = (Oij) e B = (bi) , então:
AB = (cijl, em que Cij "
= 2Akbi<j (i, j = 1,2, ... , n)
k~l

Para essa operação vale a associatividade, como é bem conhecido. Mais: ela con-
ta com um elemento neutro que é(~ m;t':' ;~é)ntica de ordem n:

I - O , O
n- .
O O 1

(3-142-E)
Mas sempre há matrizes para as quais não há a matriz inversa: por exemplo,
a matriz nula

0-
O ° 0)
0 0 0
n-
(O O
.
O

cujo produto por uma matriz qualquer é ela mesma, portanto diferente de ln'
Para saber quais matrizes de ordem n têm inversa, recorremos ao seguinte teore-
ma da teoria dos determinantes: "Uma matriz A E Mn(l<) é inversível se, e somente se,
det(A) i=- O': Como o conjunto das matrizes tnverslvels, que indicaremos por GLn(l<),
inclui a matriz idêntica ln' cujo determinante é igual a 1 e det{AB) = det(A)det(B) i=-
i=- O, VA, B E GLn(K), então (GLn(K),·) é um grupo. Esse grupo não é comutativo
quando n > 1, pois, por exemplo, se

A~(~;.;) B~(:~ . ~)
00 ... 1
e
11 ... 1
então:

o grupo (GL n(K), .) é chamado, respectivamente, grupo linear racional, real ou


complexo, de grau n, conforme K = Q, IR. ou C.
classes de restos (comutativo)
(x) Grupos aditivos de
Lembremos que, para qualquer inteiro m > 1, o conjunto das classes de resto
módulo m, ou seja, Zm = {O, 1, 2, ..., m -1} é o conjunto quociente de 7L pela re-
lação de congruência, módulo m. Portanto, Oé formado por todos os inteiros côn-
gruas a O, módulo m, ., por todos os inteiros côngruos a 1, módulo m, e assim por
diante. No capítulo anterior vimos que a adição módulo m, definida por
a+b=a+b
é uma operação sobre Zm para a qual vale a associatividade e a comutatividade.
E que, além disso:
- - -
a + O=a+O=o
e, portanto, Oé o elemento neutro dessa operação. Mais, que a classe m - o é o
oposto de aE Zm na adição módulo m, pois
a+m-a=a+(m Q)=m=O
uma vez que m "" O (mod m). Então -o = m- Q.

De onde (Zm' +) é um grupo comutativo, para todo inteiro m > 1,chamado gru-
po aditivo das classes de resto módulo rn. Vale notar que a ordem desse grupo é m.

G-143-8
Exemplo 2: Construir a tábua do grupo (1'3' +).

+ O 1 2
O O 1 2
1 1 2 O
2 2 O 1

(xi) Grupos multiplicativos de classes de restos


No capitulo anterior, vimos também como se introduz a multiplicação módulo
m em 1'm:
se a, i) E J' m' então a·i) = ab.
Naquela oportunidade mostramos que essa operação está bem definida e
goza das propriedades associativa e comutativa; além disso, a classe 1 é o elemento
- - - -
neutro, uma vez que a·1 = a·1= a.
Mas ocorre que, mesmo excluindo-se o elemento Õ de 1'm' que obviamente
não tem inverso para a multiplicação módulo m, nem sempre o conjunto restante
é um grupo multiplicativo. De fato, a restrição da multiplicação módulo 4 aos ele-
mentos de 1'4 - {a}, por exemplo, nem sequer é uma operação sobre esse con-
- - -
junto, uma vez que 2· 2 = O.
Provaremos agora que a restrição da multiplicação módulo m aos elementos
de 1': = 1'm - {a} é uma operação sobre esse conjunto se,e somente se, m é um
número primo.
(---...) Suponhamos que m não fosse primo. Como m > 1, podem ser encontra-
dos dois inteiros a, b > 1 tais que ab = m. Dessa igualdade resulta que ab = m.
Como a.i) = ab e m= a, então a· b = a, o que é impossível em face da hipótese.
{..-} A única possibilidade de a multiplicação módulo m, quando restrita aos ele-
mentos de 1':, não ser uma operação sobre esse conjunto é acontecer de a ·b = Õ
para algum par de elementos desse conjunto. Mas isso implicaria ab = Õ e, portanto,
ab == O (mod m). Daí, m Iab e, como m é primo por hipótese, então m I a ou m Ib.
Considerando-se, por exemplo, a primeira hipótese, a = mq, para algum inteiro q,
e, portanto:
- -
a=mq=m·q=O·q=O
o que é um absurdo, visto que, por hipótese, aE 1':.
Mostraremos agora que, se m é primo, a multiplicação módulo m, quando res-
trita aos elementos de 1':, faz desse conjunto um grupo. Para isso basta mostrar
que, qualquer que seja o elemento a E J:, pode-se encontrar b E 1': tal que
a·ti = 1.

G-144-E)
De fato, se ã E Z;;', então a não é múltiplo de m. E, como m é primo, então
mdc(m, a) = 1. Daí, mxo + ayo = 1, para convenientes inteiros Xo e Yo (identidade
de Bezout). Reduzindo-se essa igualdade, módulo m:
mxo + ayo = m . Xo + a • Yo = a • Yo = ,

o que mostra que Yo (que pertence a Z;;') é o inverso de ã.


As considerações anteriores permitem concluir que Z;;' é um grupo multipli-
cativo se, e somente se, m é primo.

Exemplo 3: Determinemos o inverso de .4 em Z~, usando o raciocinio da últi-


ma demonstração. Ora,uma solução de 5x o + 4yo = " que pode ser determinada por
simples observação, é (1, -1). Logo, Yo = -1 e, portanto, o inverso de 4 é -1 = 4,
pois 4 "'" -1 (moo 5).
(xii) Grupos de permutações
(xii-a) Permutação é o termo especifico usado na teoria dos grupos para desig-
nar uma bijeção de um conjunto nele mesmo. Se E indica um conjunto não vazio,
denotaremos por S(E) o conjunto das permutações dos elementos de E. A compo-
sição de aplicações é, neste caso, uma operação sobre S(E), pois, se f e 9 são per-
mutações de E, ou seja, se t: E --40 E e g: E --40 E são bfieçôes, então a composta
g(d: E --40 E também é uma bijeção, como vimos no capítulo anterior.
Vimos também que vale a associatividade para essa operação e que iE: E --40 E
(aplicação idêntica de E), que obviamente é uma bljeção. é o elemento neutro
nesse caso, posto que: UE of)(x) = i E (f(x)) = f(x), para todo x E E, o que garante
a igualdade iEoj = f. Analogamente se prova que foi E = i. Finalmente, se f é
uma permutação de E, então o mesmo acontece com r :' (aplicação inversa de 1),
que, como também foi visto no capítulo anterior, é uma bijeçào e é o elemento
inverso de f para a composição de aplicações, pois fo/- 1 = j-1(Jf = i E.
Portanto, (S(E), c) é um grupo - o grupo das permutaçõessobre E.Esse grupo
é comutativo se, e somente se, sua ordem é 1 ou 2. De fato, se a ordem é 1, S(E) só
possui um elemento, a aplicação idêntica que,naturalmente,comuta consigo mesma.
Se a ordem é 2 e os elementos de E forem indicados por a e b, então S(E) também
só tem dois elementos: a aplicação idêntica e a aplicação que leva a em b. e vice-
versa. Como, obviamente, esta última aplicação comuta consigo mesma e com i E , en-
tão (S(E), :J) também é comutativo nesse caso.
Suponhamos agora que o(S(E)) > 2 e que, portanto, E tenha mais do que 2
elementos. Designando por a, b e c três elementos distintos de E, consideremos
as permutações f e 9 de S(E) definidas da seguinte maneira:
f(a) = b, f(b) = a e f(x) = x qualquer que seja x "*- a, b
e
9(0) = c, g(c} = a e g(x) = x qualquer que seja x"*- a, c.

(3-145-E)
É claro que I e 9 sêo permutações de E, pela maneira como foram construídas.
Além disso,
(I og)(a) = !(g(a)) = !(c) = c
e
Ig o fila) = glfla)) = g(b) = o,
o que mostra que go! i=- I og e, portanto, que 5(E) não é comutativo.
(xii-b) Um caso particular importante de grupo de permutações, aliás relacio-
nado com a origem da teoria dos grupos (ver Nota Históricadeste capítulo), é aque-
le em que f = {l, 2, ..., n}, em que n ~ 1. Neste caso, em vez da notação genérica
S(f}, usa-se Sn para indicar o conjunto das permutações sobre f. Eo próprio grupo
(Sn' c) tem um nome especial:grupo simétricode grau n. A análise combinatória nos
ensina que esse grupo tem ordem n!, número de permutações que se podem cons-
truir com n elementos, permutações essas que podem naturalmente ser colocadas
em correspondência biunívoca com os elementos de Sn'
Para o estudo dos grupos simétricos costuma-se usar a seguinte notação: se
1 E 5n e 1(1) = i" 1(2) = i2, ... , f(n) = i n , então:

f=
' 2 .... n)
( i, i2 .... in

Por exemplo, a permutação idêntica é denotada por

' 2 .. n)
(, 2 .... n

Nessa notação, a ordem das colunas não importa, embora em geral se usem os
elementos da primeira linha em ordem crescente. Por exemplo, em 53'

(~ 2 :)=(~ : ~)
pois ambas têm o mesmo efeito sobre os elementos de f.
Com essa notação, a composição de duas permutações

f = ('
2
;2
n) e g=('11 2
. . n)
in h ... jn
"
se faz da seguinte maneira:

gcf =
1 ...
.
( 11 ...
;,
h
I
n) = ( ... I ...)

ln . lr,"
pois (go/)(r) = g(J{r)) = g(ir1 =h.,
(3-146 -E)
Por exemplo, em 54:

(2 4
, 2
, 4),,(, 2 3 4)=(' 2 :)
3
3314212
3
3
Notar que, por exemplo, a imagem de 3 pela composta se obtém da seguinte
maneira: 3 H 4 H 3.
Ainda de acordo com essa notação, se

f=( ... ,
a r b
t, ... n ... )
então:
;,...
r'=G r ... :)
~or exemplo, em S4 a permutação inversa de

f = (: ~ ~ ~)
é:

r' = (, 2
3 4
3
2 ~)
Exemplo 4: Tábuas de 52 e 53'
Obviamente a construção dessas tábuas envolve muitos cálculos. Por brevidade,
então, até porque o raciocínio é sempre o mesmo, nos ateremos, em cada casa, a efe-
tua r uma cornposlção apenas. Sugerimos ao leitor verificar os demais resultados.
Tábua de 52
Fazendo

então fl~'fl = (~ ~) =fo·Logo:


o f, .f,
f, f, f,
f, f, f,
Tábua de 53
Façamos

s;+=(~ ~ ~)f'=(; ~ ~). f'=(~ ~ ~)g,=(~ 23) ('23) ('2 ~)} 3 2 ,92= 32 1 ,93= 2 1

(3-147-E)
Obsecvemosi~::~ :tt ~rr~'e~F(~ ~ ~) ~ g,

De maneira análoga se obtêm os demais "produtos': Feito isso e colocando-se


esses "produtos" numa tábua, o resultado será o seguinte, como o leitor poderá checar:
o i, i, i, g, g, g,
i, i, i, i, g, g, g,
i, i, i, io g, g, g,
f, i, lo i, g, g, g,
g, g, g, g, i, i, i,
g, g, g, g, f, i o i,
g, g, g, i,g, i, i o
Vale observar tambem que - ,
esse grupo nao e abeliano. uma vez que sua tábua
não é simétrica em relação à diagonal principal. Por exemplo,ho93 = 91 ao passo
que 93,:;,j2 == 92' Como se verá no desenvolvimento da matéria, todo grupo de or-
dem menor que 6 é comutativo. Outra coisa importante mostrada pela tábua é
que o conjunto C3 == {lo, 11, h} também é um grupo quando considerado com
a composição de permutações. De fato, além de ser fechado para a composição,
como se vê na tábua, vale a associatividade porque vale em 53' o elemento neu-
tro f o está no conjunto, e f o-1 = fo, f,-l == f 2 e h 1 = f,.
Ftnalmente.é importante observar ainda na tábua que f 12= f 1o f 1 = h,91 of, == 92
e 9, o f 12 = 9, c(flo f,) = 93 e que, portanto:
S3 == {t, o, f" f,2, 9" 91 uf" 9, Of/}'
Se em vez de f 2 tomarmos f 1 e em vez de 9, tomarmos 92 ou 93' obteremos
uma alternativa equivalente de escrever os elementos do grupo S3. Essa observação
é importante porque mostra que é possível escrever ("gerar") todos os elementos
do grupo usando-se apenas dois deles.
Mostraremos agora como fica a tábua do grupo S3 com essa forma de escrever
2
seus elementos. Evidentemente é só trocar, na tábua já construída, h por f 1 , 92
por 91 ;'f, e 93 por 91 r; f/'
o i,' i, i,' g, 91 0 f1 91 0 f/
i,' i, o i, i, ' g, 91 Of , 9,of,2

i, i, i,' i,' 91 0 f / g, 9,oh


i,' i,' i, o i, 91 0 f , 9,Df/ g,
g, g, 91 0 f , 91';d/ i, o i, i,'
91°11 9,°1, 9, C1,2 g, i,' i," i,
91°// 91,)1/ g, 91° 1, i, i,' i,"
1 SeQ e elemento de umgrupo(UJO eleme"to O"ut'o e e,define-se rf _ e.Portanto, nogrupoem estudo, f," _ f"_

(3-148 -E)
Notar, por último, que C3 = {fo, i 1, i 2 } = {i, o, i], i/} e, portanto, é possível es-
crever todos os seus elementos usando-se um deles apenas. Ou seja, i] gera C 3"
(xiii) Grupos de simetrias
(xiii-a) Simetrias do triânguloequilátero
Denomina-se simetria de um triângulo equilátero T qualquer aplicação bijeto-
ra' i: T ---'> T que preserva distâncias. Preservar distâncias significa que, se a e b são
pontos arbitrários do triângulo, então a distância de ira) a i(b) é igual à distância de
a a b. Uma isometria pode ser imaginada como uma transformação geométrica que
leva uma cópia do triângulo a coincidir com ele próprio.
Para caracterizar geometricamente as simetrias do triângulo, indiquemos seus
vértices consecutivamente por ',2,3 e consideremos as seguintes retas pelo ba-
ricentro O do triângulo: x, pelo vértice " y, pelo vértice 2, e Z, pelo vértice 3. De-
notando-se por Ro' R1 e R2 as rotações de O, {2n)/3 e (4n)/3 radianos em torno de O
no sentido antl-horér!o e por X, Ye Z, respectivamente, as reflexões espaciais de
J'[ radianos em torno das retas x, y e z, prova-se que o conjunto das simetrias do

triângulo é exatamente {Ro, R1, R2 , X, Y,Z} (uma demonstração desse fato foge ao
alcance deste texto).Mostraremos a seguir, por meio da construção de uma tábua,
que esse conjunto,com a composição de transforrnações.é um grupo não abeliano.
Para isso,vejamos primeiro {verfigura a seguir} como se obtém geometricamente
R10 Y e YoR], por exemplo.
,3 ,
2

y R,

,
z
" - 3
,
x
"
- ,
y 3
,

R1cY=X

3 , ,
2 ,
2

R, Y

,
y
Y C RI =X

2 Na verdade, pode-se provar que,'" f e sobr"~10ra e pre,.",a distância~ emdO f e umabije<;io.

(3-149 oE)
êtetuando-se todas as composições possíveis, obtém-se a seguinte tábua:
o Ro R, R, X y Z
Ro Ro R, R, X y Z
R, R, R, Ro Z X Y
R, R, Ro R, y Z X
X X Z y Ro R, R,
y y X Z R, Ro R,
Z Z Y X R, R, Ro
Por meio dela se verifica o fechamento, que Ro é o elemento neutro e que
Ro ' = Ro,R, , = Rz,R z- I =R1,X- l = X, y-' = YeZ- 1 e Zvalendo a associativi-
dade, por se tratar de composição de transformações, então efetlvarnente se trata de
um grupo. Denotaremos esse grupo por 0 3 = {Ro, R1,R z' X, Y,Z}. Como a tábua não
é simétrica em relação à diagonal principal, então ele não é abeliano.
Por outro lado, observando-se que R1z=R, oR, =R z' XaR, =Z e XoR 1Z = Y, então:
03 = {R,O, Rl , R,z, X, XaR" X aR,z}
Ou seja, 03 é gerado por RI e X.
Vale observar ainda que a "partição" mostrada na tábua põe em relevo o se-
guinte: que a composta de duas rotações é uma rotação; que a composta de duas
reflexões é uma rotação; que a composta de uma reflexão com uma rotação ou de
uma rotação com uma reflexão é uma reflexão.
(xiil-b] Simetrias do quadrado
Uma simetria de um quadrado Q é, como se pode induzir do caso do triângulo,
uma aplicação bijetora i: Q - Q que preserva distâncias. E tal como no caso do
triângulo, uma isometria pode ser imaginada como uma transformação geométrica
que leva uma cópia do quadrado a coincidir com ele próprio.
Para caracterizar geometricamente as simetrias do quadrado, cujo conjunto
será indicado por 04' indiquemos seus vértices consecutivamente por 1,2,3,4 e
consideremos as retas x e y respectivamente pelas diagonais 13 e 24 do quadrado,
e as retas z e w a primeira perpendicular aos lados 12 e 34 pelo ponto médio de
ambos e a segunda perpendicular aos lados 23 e 14 também pelo ponto médio
de ambos. O centro do quadrado, que é interseção dessas retas, será indicado por O.
Então, denotando-se por Ro, RI' Rz, R3 as rotações de n n/2, 11" e 311"/2 em torno do
ponto 0, no sentido anti-horário, por X e Y as reflexões de 11" radianos em torno
das retas x e y e por Z e W as reflexões de 'JT radianos em torno das retas z e w,
respectivamente, demonstra-se (aqui apenas mencionamos esse fato) que 04 = {R o,
R" Rz, R3 , X, Y, Z, W}. Por meio da construção de uma tábua, mostraremos agora
que esse conjunto, com a composição de transformações, é um grupo. A titulo de
ilustração vejamos (figura a seguir) como se obtém, por exemplo, ZOR z e RzoZ.

(3-150-8
,, , ',',...._+__'í'Y
,, , ,, ,
w- :b_ - -
R, z
," -x -w

,, , , ,
.. " I "' ...

• 1 , ,
Z Z

r--+--i 4
.. ,
X,,',...._+__,"Y
, ,
....
" " ,, , ,,
..
.. ..
I ..
z ..
.. ..
I ..
___ _":k:__
w- - - - f.', - - -x -"-_. w- - - - ;t, - - -x ," -w

.. ..
.. " I
I
",
..
.. . ..
.." I
I
",
..
. ,,
.'
, ,,
I ....

x- 1 2 'Y y. 2 , 1 'X 3 'X


z

Efetuando-se as demais composições, a tabela obtida é a seguinte (sugerimos


ao leitor checar os resultados):
o R, R, R, R, X Y Z W
R, R, R, R, R, X Y Z W
R, B1 R, R3 Rt} Z W Y X
R, R, R, Ro R1 y X W Z
R, R, R, R, R, W Z X y
X X Z Y W Ro R, .Bt R,
y y W X Z R, Ro R, R,
Z Z Y W X R, B1 Ro R,
W W X Z y R, R, R, R,
Essatábua mostra imediatamente que a composição de simetrias é uma opera-
ção em 04.A associatividade da operação vale por se tratar de particular composição
de aplicações. Como, ademais, Ro é o elemento neutro e Ro 1 = Ro, R1 1 = R3 , R2 1 =
= R2< R3 -1 = R1 , X- 1 = X, y-l = Y,Z-l = Z, W- 1 = W então (04' o) é um grupo: o
grupo das simetrias do quadrado. 04 não é comutativo, pois, por exemplo,
X:~,Z = R1 e ZoX = R3 •
Observando-se que R/ = R1 , R13 = R120R 1 = R2cR, = R3, Xc-R, = Z, XoR/ =
= Xc',R 2 = Ye XCJR,3 = XcR 3 = W, então:
04 = {RIO, R" R,L, R/, X, Xo R" XCR,2, XCR,3}
isto é, 04 é gerado por RI e X.

(3-151-E)
Convém notar que a partição mostrada na tábua põe em destaque o seguinte:
a composta de duas rotações é uma rotação; a composta de duas reflexões é uma ro-
tação; e a composta de uma rotação com uma reflexão, ou vice-versa, é uma reflexão.
Em particular o conjunto R4 das rotações do quadrado também é um grupo.
{xiv} Grupos diedrais
O conceito de simetria de um triângulo e de um quadrado, que acabamos de
focalizar, pode ser estendido naturalmente para um poligono regular qualquer de n
lados.Tal como nos casos particulares focalizados,o número das simetrias de um po-
lígono regular de n lados é o dobro do número de lados, portanto 2n no caso geral.
Paradescrever essas simetrias, denotemos os vérticesdo polígono consecutivamen-
te por 1,2, ..., n e o conjunto das simetrias por Dno Duas simetrias bastam para gerar
Dn : a rotação R de 2TI/n radtanos em torno do centro O do polígono (figura a seguir)

n l 1 n-
--
2 2

O n
R

n+ 3 n+1
2 2

e a reflexâo X de TI radlanos em torno da reta x pelo vértice 1 e pelo centro do po-


lígono (figura a seguir), (Em ambas as figuras consideramos n ímpar.)

n + 1
2

x
n -'- 3
2

Isso posto, pode-se demonstrar que o conjunto das simetrias do polígono é


Dn -- {R"" R R' , •.., RO - X X -R
' ,,'~, X-R'
'-, , ... , Xc-R
..,
H }

e que esse conjunto é um grupo com a composição de transformações. Ou seja,


que Dn é um grupo gerado por dois de seus elementos, isto é, a rotação R e a re-
flexão X, resultado que constitui uma generalização do que foi visto para o triângulo
e o quadrado.
o grupo On é chamado grupo diedral de grau n. Em particular 0 3 e 0 4 são os
grupos dtedra!s de grau 3 e 4, respectivamente.
Outro fato importante envolvendo o grupo diedral 0n é que o conjunto Rn =:: {RO,
R, R , ..•, Rn -- 1} das rotações do polígono é também um grupo em relação à com-
2

posição de transformações.
(xv) Sejam G e L grupos que, para facilitar, suporemos multiplicativos (para o
caso aditivo, por exemplo, bastaria mudar o símbolo da operação). Vejamos como
transformar G x L em um grupo da maneira mais natural passivei a partir das ope-
rações de G e L.
A "multiplicação"
((a, b), (c, d)) H (a, b)(c, d) =:: (cc, bd)
definida para pares quaisquer (a, o}, (c, d) E G x L certamente é uma operação so-
bre G x L, a mais natural possível no caso. E com essa operação G x L ganha uma
estrutura de grupo. De fato:
• lia, b)(c, d)](e, II ~ (oe, bd)(e, fi ~ ((ac)e, (bdlfl ~ (a(ce), b(dl)) ~ (a, b){ce, dll ~
~ (a, bl [Ic, d){e, I)];
• se e G e eL são os elementos neutros de G e L, respectivamente, então ele-
mento neutro da "multiplicação de pares" é o par (eG' e t );
• se (a, b) E G x L e se indicarmos os inversos de a e b em G e L respectiva-
mente por a' e b; então:
(a, b){o', b') =:: (ao', bb') =:: (eG, eL ) =:: elemento neutro da "multiplicação" em G x L.
O grupo Gx L assim introduzido será chamado produto direto (externo) dos gru-
pos G e L dados. Esse novo grupo é comutativo se, e somente se, ambos os grupos
fatores o forem.

2.5 Subgrupos
Consideremos o grupo (IR., +). Observemos que 71., por exemplo, é um subcon-
junto de IR para o qual valem as seguintes propriedades: (a) Z é fechado para a adi-
ção; (b) (Z, +), em que + indica a adição de 1Ft restrita aos elementos de Z, também
é um grupo. Por isso se diz que Z é um subgrupo de [R. Considerações análogas po-
deriam ser feitas com iQ, por exemplo. Portanto, iQ também é um subgrupo de IR.
Vejamos agora um exemplo menos corriqueiro. Mantida a notação de 2.4,
consideremos o grupo 53 =:: {fo,f1,f2' 91' 92' 93} das permutações sobre o conjun-
to {l, 2, 3}. A tábua desse grupo nos mostra que o subconjunto (3 =:: {to' f" fJ é
fechado para a composição de permutações. Mais: C3 , com a composição de per-
mutações, tem uma estrutura de grupo, como já destacamos. Por essa razão, (3 é
um subgrupo de 53. A definição geral de subgrupo, a ser dada agora, inspira-se em
casos como esse.
Definição 2: Seja (G, *) um grupo. Diz-se que um subconjunto não vazio H C G
é um subgrupo de G se:
• H é fechado para a operação* (isto é, se a, b E H então a * b E H);
• (H, *) também é um grupo (aqui o símbolo * indica a restrição da operação
de G aos elementos de H).
Se e indica o elemento neutro de G, então obviamente {e} é um subgrupo de
G. E imediato, também, que o próprio G é um subgrupo de si mesmo. Esses dois
subgrupos, ou seja, {e} e G, são chamados subgrupos triviais de G.
Proposição 1: Seja (G, *) um grupo. Para que uma parte não vazia H C G seja
um subgrupo de G, é necessário e suficiente que a* b' seja um elemento de H
sempre que a e b pertencerem a esse conjunto.
Demonstração:
(-} Indiquemos por e e eh' respectivamente, os elementos neutros de G e H.
Como
eh* eh = eh = eh* e
e todo elemento do grupo é regular em relação a *, então e = eh.
Tomemos agora um elemento b E H e indiquemos por b' e bh ' seus simétricos
em G e H, respectivamente. Como, porém,
bh'*b = eh= e = b'*b
então bh ' = b' (novamente pelo fato de todos os elementos do grupo serem regu-
lares para sua operação). Por fim, se a, b E H, então a* bh ' E H, uma vez que, por
hipótese, (H, *) é um grupo. Mas bh ' = b' e, portanto, a * b' E H.
(.......) Como, por hipótese, H não é vazio, podemos considerar um elemento X o EH.
Juntando esse fato à hipótese: xo* xo' = e E H. Considerando agora um elemen-
to b E H, da hipótese e da conclusão anterior segue que:
e*b'=b'EH
Mostremos agora que H é fechado para a operação *. De fato, se a, b E H, en-
tão, levando em conta a conclusão anterior, a, b' E H. De onde (novamente usando
a hipótese):
a*(b')'=a*bEH
Falta mostrar a associatividade em H, mas isso é trivial, pois, se a, b, c E H, então
*
a, b, c E G e, portanto, a (b * c) = (a * b) * c (já que essa propriedade vale em G). #
Convém observar que, se o grupo é aditivo, então a condição de subgrupo dada
pela proposição apresenta-se assim:
• Se a, b E H, então a + (-b) EH.
E no caso de um grupo multiplicativo:
• Se a, b E H, então ab- 1 EH.

(3-154-E)
Exemplo 5: O conjunto H = {x E [R"" I x> O} é um subgrupo do grupo multi-
plicativo dos números reais ([R"", .). De fato, se a, b E H, então a, b E IR, Q > e °
b > O. Mas, se b > 0, então b- 1 > O. Logo, ab- 1 > 0, pois o produto de dois
números reais estritamente positivos também é estritamente positivo. De onde,
Qb- l EH.

Exemplo 6: Consideremos o grupo aditivo M2(1R). Vamos mostrar, usando a pro-


posição anterior, que

é um subgrupo de M2(1R). Obviamente trata-se de um conjunto não vazio. Notar pri-


meiro que as matrizes de H se caracterizam pelo fato de os elementos da diagonal
principal serem opostos um do outro. Observado isso,tomemos duas matrizes de H:

Então:
A = (; _:) e 8= (~ -n
A + (-8) = (o-r
c-'
b -,)
-Q +r
Como as entradas dessa matriz obviamente são números reais e -a + r = -(a - r),
então A + (-8) E H.

Exemplo 7: Consideremos dois grupos, Ge t.supostos multiplicativos, por simplici-


dade. Ainda para facilitar, indiquemos os elementos neutros de G e L por 1. Então
{1} x L = {(x, y) E G x L I x = 1} e G x {l} = {(x, y) E G x L I y = 1} são subgrupos
do produto direto G x L. Faremos a verificação apenas para o segundo caso.
Sejam u, 13 E G x {1}. Então u = (a, 1) e 13 = (b, 1),para convenientes elementos
a, b E G. Portanto:
al3-1 = (a, l)(b, 1)-1 = (a, l)(b 1,1) = (ab- 1, 1)
Como ab- l E G, então al3 1 E G x {1}.

0"'[ Exercícios
1. Quais dos conjuntos abaixo são grupos em relação à operação indicada?
a) fL; adição
b) 7L I; multiplicação
c) A = {x E 7L I x é par}; adição
d) B = {x E 7L I x é ímpar}; multiplicação
e) C = {-2, -1,0,1, 2}; adição
f) D = {1, -l}; multiplicação

(3-155-E)
2. Mostre que IR dotado da operação * tal que x * y;= ~"X3 + y3 é um grupo
abeliano.

3. Mostre que IR munido da operação à tal que x à y > x +y- 3 é um grupo co-
mutativo.

4. Mostre que O [",' 2-]{o + b\.:' 2-10, b E O} é um grupo aditivo abeliano. Es-
;=

tabelecer as condições sobre o e b para que 0[,:-2 ] seja também um grupo


multiplicativo.

5. Mostre que IR x IR - {(O, O)} munido da operação à definida por (a, b) à (e, d) ;=
;= (ae - bd.oa + be) é um grupo abeliano.

6. No conjunto C* está definida uma operação à tal que a 11 b ;= \al . b. Mostre


que a operação A não define uma estrutura de grupo sobre C*.

7. Verifiquese 7L x 7L é grupo em relação a cada uma das seguintes leis de composição:


a) (a, b) * (C, d) ;= (a + e, b + d)
b) la, b)'lc, di ~ (n . c, b· di

8. Mostre que 0* x O munido da operação 1- definida da seguinte forma:


(a, b) 1- (e, d) ;= (cc, be + d)
é um grupo.

9. Sejam {G, *} e (H, à) grupos quaisquer. Mostre que G x H tem estrutura de gru-
po em relação à operação 1- assim definida: (x, y) 1- (x', y') ;= (x *x', y 11 y'),
quaisquer que sejam (x, y) e (x', y1 em G x H.

*
10. Seja G um grupo multiplicativo e seja uma operação sobre G assim definida:
a* b;= b· o. Demonstre que (G, *) é um grupo.

11. Sejam A um conjunto não vazio e IRA o conjunto das aplicações de A em IR.
Definimos uma "adição" e uma "multiplicação" em IRA como segue: sendo f e 9
funções de A em IR, temos:
(f + 9) (x) ;= f{x) + 9(x), "Ix E A
(f . g) (x) ;= f(x) • g(x), "Ix E A
Mostre que IRA é grupo aditivo.
Mostre que, em geral, IRA não é grupo multiplicativo.

(3-156-E)
12. Mostre que o conjunto das funções polinomiais de grau 1 (ou funções afins)
de IR em IR é um grupo para a composição de funções.
Nota: i: IR --- IR é uma função afim se, e somente se, f(x) =; ax + b, com a "*- O.

13. Sejam 5 um conjunto, G um grupo e f: 5 --- G uma aplicação bijetora. Para ca-
da x,y E 5 defina o produto xy =; r 1(f(x)f(y)). Mostre que essa multiplicação
define uma estrutura de grupo sobre S.

14. Construa a tábua da operação * sobre G {e, a}, sabendo que (G, *) é um grupo.
=;

15. Construa a tábua da operação * sobre G {e, a, b}, sabendo que (G, *) é
=; um
grupo.

16. Mostre que cada uma das tábuas abaixo define uma operação que confere
ao conjunto G =; {e, a, b. c} uma estrutura de grupo.

e a b c e a b c
e e a b c e e a b c
a a e c b a a e c b
b b c e a b b c a e
c c b a e c c b e a

17. Complete a tabela abaixo, sabendo que G =; {e, a, b, c} é um grupo em relação


a essa operação.
e a b c
e e a b c
a a
b b c
c c e a

18. Sejam FI' F2, F3, F4 aplicações de 1R2 em 1F~2 definidas da seguinte maneira:
F, (x,y) = (X,y),F2(X,y) = (-x,y),F3(X,y) =; (x, -y) e F4(x,y} =; (-x, -y). Se G = {F"
F2 , F3, F4 } , mostre que (G, o) é um grupo. Obter F E G tal que F2oFoF3 =; F4 .

19. Construa a tábua de um grupo G =; {e, a, o, c, d, f}, de ordem 6, sabendo que:


(I) Géabeliano. (IV) a*c=;b*b=;d
(II) Oneutroée. o a
(V) ae t e e » e
(1II)a*d=;b*c=f {Vl)c*d=;a
20. Sejam a, b, c elementos de um grupo multiplicativo G. Prove que (abc)-l =
= c- 1 b- 1 a- 1• Obtenha x E G tal que abcxb = c.

21. Se a. b e c são três elementos quaisquer de um grupo multiplicativo G, demons-


tre que existe um único x E G tal que axbcx = abx.

22. G é um grupo multiplicativo e a e b são elementos de G.Determine x E G tal


que xax = bba 1.

23. Mostre que, se x é elemento de um grupo multiplicativo e xx = x, então x é o


elemento neutro.

24. Mostre que, se G é um grupo multiplicativo e xx=l, \Ix E G,então G é abeliano


(1 == elemento neutro).

25. Seja G um grupo finito. Mostre que, dado x E G, existe um inteiro n 3" 1 tal
que x" = e.

26. Sejam G um grupo e x E G.Suponhamos que exista um inteiro n 3" 1 tal que
x" = e. Mostre que existe um inteiro m 3" 1 tal que x 1 = x".

*
27. Seja G um conjunto finito e munido de uma operação que é associativa. Mostre
*
que.se a operação satisfaz asduas leis do cancelamento, então (G, *) é um grupo.

28. Verifique se A ou B é subgrupo do grupo multiplicativo Q*.


A = {x E II I x > O}
B=Jl+ 2m l m,nElL)
11 + 2n
29. Verifique se A ou B é subgrupo do grupo multiplicativo IF!:*.
A = {a + h> E R' I a, b E ll}
B == {a + bt 2 E W I a, b E Q}

30. Verifique se A ou B é subgrupo do grupo multiplicativo C*.


A = {cose + i . senü I H E IR}
B = [z E C Ilzl = 2)

31. Verifique se A ou B é subgrupo do grupo aditivo IF!:, supondo p E N um número


primo dado:
A={a+b,pla,bEll}
B = {a + b t p I a, b E Q}

(3-158-E)
32. Sabendo que Il) - {l} é um grupo relativamente à operação * tal que x* y '=

=x + y - xy, verifique se A = {O, ±2, ±4, ...} é ou não um subgrupo desse grupo.

33. Mostre o conjunto G das matrizes do tipo (


-b
Q b), com a, b E IR e a e b não
Q

nulos simultaneamente, constitui um subgrupo do grupo GL2 (1R ).


(GL 2{1R) indica o grupo multiplicativo das matrizes reais inversíveis 2 x 2.)

34. Mostre que o conjunto H das matrizes do tipo ( cos a sen a), com a E IR,
-sen a cos a
constitui um subgrupo do grupo multiplicativo GL 2(1R) das matrizes reais e inver-
srve!s do tipo 2 x 2.

3S. Para todo n E N*, o conjunto IR n é definido da seguinte forma:


n
IR '= {(al' a21 ... , anl I ai E IR}
Sabendo que IR n é um grupo em relação à adição assim definida:
(a" a2, ... , an) + (b" b2, ... , bnl '= (a, +
b l , a2 + b2, ..., an + bnl
verifique se H1, H2 e H3 são subgrupos de IR n.

H, = {(al' a2, , an) E IR n I a, + a2 + ... + an '= O}


H2 '= {(a l, a2, , an) E IR n I a 1 E E}
H3 = {(a l, a2' , an) E IR n I a1 :;. a2 :;. ... :;. an}

36. Quais dos seguintes subconjuntos de En são grupos em relação à multiplicação?


ai {i, 12}
b) {U,3,4,6,;;, 10, 12}
cl {l,S,;;,12}

37. Determine todos os subgrupos do grupo aditivo E4 .

38. Seja E '= {e, a, b, r, d, f} munido da operação ~ dada pela seguinte tábua:

1\ e Q b c d f
e e Q b c d f
Q Q b e f c d
b b e Q d f c
c c d f e Q b
d d f c b e Q

f f c d Q b e

(3-159 oE:)
a) Admitindo a propriedade associativa, prove que (E, il) é um grupo não co-
mutativo.
b} Obtenha os subgrupos de E com ordem 2 ou 3.

39. Seja E = {e, a, b, c, d, f} munido da operação O dada pela seguinte tábua


o e a b c d f
e e a b c d f
a a b c d f e
b b e d f e a
c c d f e a b
d d f e a b c
f f e a b c d
a) Admitindo a propriedade associativa, prove que (E, O) é um grupo comu-
tativo.
b) Obtenha os subgrupos de E com ordem 2 ou 3.

40. Mostre que H C 7L é um subgrupo do grupo aditivo 7L se, e somente se, existe
um m E H de modo que H = {km I k E 7L}.
Nota: Se m E 7L, então o subgrupo {km I k E 7L} costuma ser denotado por m7L.

41. Prove que, se H1 e H2 são subgrupos do grupo G, então H1 n H2 também é sub-


grupo de G.

42. Prove que, se H1 e H2 são subgrupos de um grupo G, então H1 U Hz é subgrupo


de G se, e somente se, H, C H2 ou Hz C H,.

43. Seja G um grupo multiplicativo e seja a um elemento de G. Prove que N(a) =


= {x E G I ax = xa} é um subgrupo de G.

44. Construa a tábua do grupo G = {O, 'l 2,3,4, S} com a operação (-8 assim definida:
x EB y = resto da divisão em If de x + y por 6
Quais são os subgrupos de G?

45. Seja 5 um subgrupo de um grupo G e defina T = {x E G I 5x = x5}. Mostre que


T é um subgrupo de G. (5x = {sx I s E 5}; x5 = {xs I s E 5}.)

46. Seja G um grupo multiplicativo e seja H uma parte não vazia e finita de G tal
que HH C H; demonstre que H é subgrupo de G. (H • H = {h, h 2 I h" h z E H}).

(3-160 -E:)
47. Sejam A e B dois subgrupos de um grupo G.Demonstre que AB = {ab I a E A
e b E B} é um subgrupo de G se..e somente se,AB = BA.

!II Exercícios complementares


e1. Mostre que, se G é um grupo multiplicativo finito com número par de elementos,
então existe um elemento x i= 1 (1 = elemento neutro) em G tal que x = X-lo
Sugestão: Faça G = A U B em que A = {x E G I x -=/=- x- l } e B = [x e G I x = [l}.

cz. Sejam G um grupo e H um subgrupo. Seja x E G. Seja ainda xHx- 1 o subconjun-


to de G formado por todos os elementos xyx- l com y e H. Mostre que xHx- 1 é
um subgrupo de G.

e3. Sejam G um grupo e a um elemento de G. Seja (Ta; G -- G a aplicação tal que


Mostre que o conjunto de todas as aplicações {Ta' com a E G, é
lfa(X) = axa 1.
um grupo com a composição de aplicações.

IV-2 HOMOMORFISMOS E ISOMORFISMOS DE GRUPOS

3. INTRODUÇÃO
o objetivo principal deste tópico é introduzir o conceito de "isomorfismo" de
grupos e estudar suas propriedades básicas. A idéia por trás desse conceito é a de
separar os grupos em classes disjuntas tais que as propriedades deduzidas para um
particular grupo de uma dada classe possam ser transferidas para todos os grupos
dessa classe, e apenas para estes, com uma mudança adequada das notações. Es-
sencialmente, dois grupos de uma mesma classe são indistinguíveis em tudo que é
pertinente à teoria dos grupos (e apenas quanto a isso). E para que dois grupos, G
e H, pertençam à mesma classe, exige-se que se possa definir uma bijeção i: G -- H
que "preserve as operações: A bijeção garante a necessidade óbvia de que G e H
tenham a mesma cardinalidade, ao passo que "preservar as operações" significa, qros-
so modo, a possibilidade de poder transferir os "cálculos" de um para o outro. No
próximo item, formalizaremos essa idéia.
Embora essa formalização esteja associada ao desenvolvimento da álgebra mo-
derna e, portanto, seja relativamente recente na história da matemática, sua utili-
zação informal e despercebida em outras áreas é muito antiga. Como exemplo, con-
sideremos a congruência de triângulos, já estudada por Euclidesem seus Elementos
(c. 300 a.C}. O objetivo da congruência é separar os triângulos em classes disjuntas
segundo o critério métrico. Assim, ao se achar, por exemplo, a área de um dado triân-
qulo.na verdade está se achando a área de todos os triângulos que lhe são congruen-
tes, ou seja, de todos os triângulos da mesma classe.

(3-161-E)
Um exemplo mais específico do uso informal e despercebido dessa idéia ocor-
reu no começo do século XVII, com a criação dos logaritmos. Estes foram introdu-
zidos na matemática com uma finalidade que perdeu totalmente o sentido mais ou
menos a partir dos anos 1960,com o advento dos computadores e calculadoras: so-
correr os matemáticos, e especialmente os astrónomos, em seus longos e penosos
cálculos aritméticos. A idéia era transformar uma multiplicação, uma divisão ou uma
radiciação respectivamente numa adição, subtração ou divisão por um número ln-
refro.certarnente operações bem mais fáceis de efetuar de modo geral.Notavelmente
os logaritmos criados por John Napier (1550-1617) com essa finalidade cumpriam
plenamente o papel esperado. Para isso Napler construiu uma tábua de logaritmos,
publicada em 1614. Assim, para calcular, por exemplo, o produto de dois números
estritamente posttivos.achavam-se. por meio da tábua, seus"logaritmos" no campo
dos números reais;a seguir somavam-se esses logaritmos;finalmente,ainda por meio
da tábua, mas voltando atrás, procurava-se o número positivo cujo logaritmo fosse
a soma encontrada. Esse número era o produto desejado. Evidentemente sem per-
ceber, Napíer estava procedendo a uma forma de identificação do grupo (IR.*+, .)
(ver exemplo 5) com o grupo (IR., +). O procedimento de Napler era diferente, mas
hoje essa identificação formalmente se faz por meio de uma aplicação bijetora
log: IR: -- IR.
que transforma produtos em somas mediante a propriedade
log(ab) = log(a) + log(b).

4. HOMOMORFISMOS DE GRUPOS
Definição 3: Dá-se o nome de homomorfismo de um grupo (G, *) num grupo
(J, .) a toda aplicação I: G _ J tal que, quaisquer que sejam x, y E G:

f(x* yl = f(x) . f(Y)


Nessas condições, para simplificar a linguagem, nos referiremos a I: G -- J como
um homomorfismo de grupos. Quando se tratar do mesmo grupo, o que pressupõe
J = G e a mesma operação, então f será chamada de homomorfismo de G.
Seum homomorfismo é uma aplicação injetora, então é chamado de homomor-
fismo injetor. E se for uma aplicação sobrejetora, de homomorfismo sobrejetor. O
caso em que 1 é bijetora corresponde ao conceito de isomorfismo e será estudado
separadamente.
G J

• f(x)
• f(y)
• f(x)' I(y)

(3-161-E:)
Exemplo 8: A aplicação I: 7L ....... C* definida por I(m) = í'" é um homomorfismo
de grupos. É preciso notar, primeiro, que em casos como esses as operações são
as usuais e devem ser pressupostas. Portanto, 7L é um grupo aditivo e C* um grupo
multiplicativo. Como
itm + n) = i'" + n = i m • i'" = I(m} . I(n)
fica provado que se trata de homomorfismo.
Esse homomorfismo não é injetor. Para mostrar isso basta um contra-exemplo.
De fato, 1(4) = j4 = 1 e 1(0) = ;0 = 1. Também não é sobrejetor, pois Im(!) = {1, i,
-1, -i} *- C*.

Exemplo 9: A aplicação I: C" ....... IR':.- definida por I(z) = Izl é um homomorfis-
mo sobrejetor. Lembrar primeiro que se trata de dois grupos multiplicativos. Então,
como
flzw) = [zw] = Izllwl = f(z)flw)
fica provado que 1 é homomorfismo. Por outro lado, se a é um número real estrita-
mente positivo,então o próprio a tem imagem igual a a pela aplicação I, pois I(a) =
= lal = a e, portanto, 1 é sobrejetora. Na verdade, todos os números complexos que
têm afixos na circunferência de centro na origem e raio a têm módulo a e, portan-
to, imagem a pela aplicação I. O fato de os infinitos números complexos com afixos
na circunferência terem a mesma imagem basta para mostrar que I não é um
homomorfismo injetor.

Exemplo 10: Seja a um número inteiro dado. A aplicação I: 7/-7L definida por
I(m) = am é um homomorfismo de 7/. Esse homomorfismo só não é lnjetor quan-
°
do a = e só é sobrejetor quando a = 1.
Quanto à primeira afirmação, basta observar que
I{m + n) = a(m + n) = am + an = I(m) + I(n)

Se a = 0, então I{m) = 0, para todo m E 7/, e, portanto, 1 não é injetora nem


sobrejetora. Suponhamos a -:F- Oe I{m) = I(n), isto é, am = an; cancelando-se a (o que
é possível, pois a #- O), obtém-se m = n; isso mostra que I é injetora neste caso.
Se a = " então I é a aplicação idêntica de 7L e, portanto, é sobrejetora. Se a #- 1,
então 1 não é sobrejetora, porque Im(!) = {O, la, ±2a, -I::3a, ...} #- ?..

Exemplo 11: Dado um inteiro m > 1, consideremos Pm: E - Em definida por


Pm(a) = ã. Então Pm é um homomorfismo sobrejetor de grupos, pois: (i) Pm(a + b) =
= a+ b = ã + b = Pm{a) + Pm(b); (ii) se y E 7L m, então y = ã, para algum a E {O, 1,
2, .... m - l}, e, portanto, Pm(a) = ã = y.

(3-163-E)
5. PROPOSiÇÕES SOBRE HOMOMORFISMOS DE GRUPOS
Nas proposições a serem focalizadas neste item, usaremos, por simplicidade, a
notação multiplicativa para indicar as operações dos grupos considerados. Como ob-
servamos em 2.2, isso não acarreta nenhuma perda de generalidade e a passagem
dos resultados obtidos mediante essa notação para qualquer outro caso é simples-
mente uma questão de mudança de símbolos.
Isso posto, sejam G e J grupos multiplicativos cujos elementos neutros indica-
remos sempre por e e u, respectivamente, e i: G ----1> J um homomorfismo de grupos.
Proposição 2: f(e) = u.
Demonstração: Obviamente ee = e (pois e é o elemento neutro de G) e uf(e) =
= f(e) (pois f(e) E J e u é o elemento neutro de )). Levando-se em conta isso e a
hipótese de que f é um homomorfismo:
f{e)f(e} = f(ee) = f(e) = uf(e}
T T
fie) = u
I
(pois todo elemento de um grupo é regular). #

-
G f J

eo-+_---t--
Proposição 3: Se a é um elemento qualquer de G, então f{a '} = [f(a}] 1

Demonstração: Usaremos aqui a proposição anterior:


f{a)f(a-') = f(aa- 1) = f(e) = u = f{a)[f(a)] ,

~ I -----r-
f{a-') = [f(0)]-1

(mesmo motivo da demonstração anterior). #


G
f
ao • f(a)

• (f(a))-l

Corolário: f(ab 1) = f(a)[f(b)] "

(3-164-E)
Proposição 4: Se H é um subgrupo de G, então i(H) é um subgrupo de J.
Demonstração: Lembremos primeiro que f(H) = {f(x) Ix E H}.
(i) Como e E H, porque H é um subgrupo de G,então fIe) = u E f(H) e, portan-
to, f(H) of- 0.
(ii) Sejam c, d E f(H). Então c = f(o) e d = f(b), para convenientes elementos
a, b E H. Logo, cd- 1 = f(o)[f(b)] 1 = f(0)f(b- 1 ) = f(ob 1). Como ob- 1 E H, pois,
por hipótese, H é um subgrupo de G, então cd- 1 E f(H). #

- f J

Em outros termos,a proposição anterior garante que um homomorfismo de gru-


pos f: G -r l transforma subgrupos de G em subgrupos de J. Em particular, lm(f)
é um subrupo de J.
Proposição 5: Sejam G, J e L grupos. Se f: G ---.. J e g: J -.. L são homomorfis-
mos de grupos, então o mesmo se pode dizer de 9 o t: G - L.
Demonstração: Se o, b E G, então:
(g) fliab} ~ glf(ab)) ~ glfla)f(b)) ~ glf(a))g(flb)) ~ (g" fila) (g" flib). #
Corolário: Se f e 9 são homomorfismos injetores (sobrejetores), então 9 o f tam-
bém é um homomorfismo injetor (sobrejetor).
Demonstração: Imediata. É só lembrar que a composta de duas funções lnje-
toras (sobrejetoras) também é injetora (sobrejetora).

6. NÚCLEO DE UM HOMOMORFISMO
Definição 4: Seja i: G ---.. J um homomorfismo de grupos. Seu indica o elemen-
to neutro de J, o seguinte subconjunto de G será chamado núcleo de f e denotado
por N(f} (na literatura é comum também a notação Ker(f))':

NIf) ~ {x E G I flx) ~ c]
Vale observar que, como fIe) = u (proposição 2), então e E N(f). Assim, pelo
menos o elemento neutro de G pertence ao núcleo de i,

Exemplo 12: Procuremos o núcleo do homomorfismo de grupos f:?L -.. C* defi-


nido por f(m) = r: (ver exemplo 8).Como o elemento neutro de C* é o número 1,en-

3 C, kernel do i091;;,. q"" sigoio," "(",oço" ou\emente" e,em "'ntido figurado, hrne'.'

CB-165 -F)
tão basta resolver a equação i m = 1.Mas, como é bem conhecido do estudo dos nú-
meros complexos, o conjunto das soluções dessa equação, ou seja, o núcleo de i, é:
NIi) = {O. ±4. ±8•...}
Exemplo 13:Consideremos o homomorfismo i. C* -- IR". definido por f(z) = [z]
(ver exemplo 9).Como o elemento neutro de IR"':.- é o número 1,então temos de en-
contrar as soluções de Izl = 1;ou seja,o núcleo é formado por todos os números com-
plexos de módulo igual a 1. Como também é sabido, são infinitos esses números
complexos: todos aqueles cujos afixos se situam na circunferência de centro na ori-
gem e raio 1.
y
",Nlf)
r
1 x
\... ../
Exemplo 14:Consideremosagora o homomorftsmo J: 7L --7L definido por f(m)=am,
em que a é um número inteiro dado (ver exemplo 10).Como o elemento neutro de
7L é o número O, temos de resolver a equação am = O. Mas é claro que o conjunto
das soluções depende de a. Se a = O, então o núcleo é 7L, pois, para todo inteiro m,
vale a igualdade m . O = O. Mas, se a *- O, então a única solução de am = Oé o nú-
mero O, e, portanto, neste caso, NU) = {O}.
Proposição 6: Seja i: G - J um homomorfismo de grupos. Então: (i) NU) é
um subgrupo de G; (ii) f é um homomorfismo lnjetcr se, e somente se, NU) = {e}.
Demonstração:
(i) Como f(e) = u (proposição 2), então e E N(f} e, portanto, N(f} *- 0. Por
outro lado, se a, b E N(f}, então f(o) = f(b) = u e, portanto:
f(ob- 1) = !(0)f(b- 1) = !(a)[f(bW' = uu-' = u
Isso mostra que ab- 1 E N(f).
(ii) (..-) Por hipótese, fé injetor e temos de mostrar que o único elemento de
NU} é e (elemento neutro de G). Para isso, vamos tomar a E NU) e demonstrar que
necessariamente a = e. De fato, como a E NU}' então f(a) = u. Mas,devido à pro-
posição 2, f(e) = u. Portanto, f(a) = !(e). Como, porém, f é injetora, por hipótese,
então a = e.
(0<-) Sejam x"x2 E G elementos tais que f(x 1) = f(x 2). Multiplicando-se cada
membro dessa igualdade por [f(x2 )]- 1,obtém-se f(X,)[f(X2W1 = u. Mas, devido ao
corolário da proposição 3, f{x,Hf(x l ) ] - ' = f(X 1X2-1). Portanto, f(x,x l -1) = U, o que
mostra que X1X2-, E N(f} = {e}. Então x,x2-, = e e, portanto, x, = Xl' De onde, f é
injetor, como queríamos provar. #

(3-166 -E)
Exemplo 15: Dos homomorfismos focalizados nos exemplos 12,13 e 14, só é
injetor o último, quando a O. "*
7. ISOMORFISMOS DE GRUPOS
A idéia de isomorfismo já foi esboçada no inicio desta seçêo. Mas, dada a sua
importância, convém mais uma vez chamar a atenção para seus elementos básicos
através de um exemplo simples.
Consideremos o grupo multiplicativo G = {1, -1} e o grupo 52 das permutações
sobre o conjunto {1, 2}. Lembrar que

e a operação, neste caso, é a composição de permutações.


Observando as tábuas desses grupos:
G

5,
o fo f,
fo fo t,
f, t, fo

verificamos que, salvo quanto ao "nome" dos elementos e das operações, elas são
idênticas. Mais precisamente, se na segunda tábua substituirmos opor " i o por 1 e
f, por -1, obteremos a tábua de G.
Formalmente, isso poderia ser traduzido pelo fato de que a aplicação (1: G - 52'
definida por rrll ] = f o e (r( ~ 1) = f" que obviamente é bijetora, "preserva" as opera-
ções, no sentido de que:
1 . 1 =1 1--7 f o = ioofo = (J{l){J(l)
1 • (-1) = -1 H fI = f OC!1 = (1(1)(1(-1)
(-1)· (-1) = 1 1--7 i o = f 10f, = a(-l){J(-1)
Visto que a aplicação bijetora a, apesar de trocar os nomes dos elementos en-
volvidos,"preserva" as operações, os grupos podem ser considerados indistintos na
medida em que forem vistos apenas como grupos. Dai ser possível até substituir um
pelo outro se isso for conveniente.
A definição que segue deriva de situações como essa.

G-167-E)
Definição 5: Seja I: G ---'" J um homomorfismo de grupos. Se f for também
uma bíjeçáo, então será chamado de isomorfismo do grupo G no grupo J. Neste caso,
diz-se que 1 é um isomorfismo de grupos. Se G = J e a operação é a mesma, 1 é um
isomorfismo de G.

Exemplo 16: A função logarítmica (não importa a base) log: lR é um R: -


isomorfismo de grupos porque, devido a pré-requisitos para este trabalho:
• log (xy) = log(x) + log(y), isto é, 109 preserva as operações envolvidas (a
multiplicação de IR':- e a adição de IR);
• log é uma bijeção.

Exemplo 17: Consideremos o produto direto G x L dos grupos G e L. Como já


vimos (exemplo 7), {1} x L e G x {1} são subgrupos desse grupo. Portanto, ambos
são grupos para a operação de G x L restrita a seus elementos. Isso posto, pode-se
mostrar que o primeiro deles é isomorfo a L e o segundo a G. A demonstração é aná-
loga nos dois casos e, portanto, vamos nos limitar a fazê-Ia para o primeiro. Numa
questão como esta é preciso, inclusive, descobrir o isomorfismo. Mas isso não é di-
fícil, observando-se como são os elementos genéricos de um e outro grupos. Se um
elemento genérico de L é a, então um elemento genérico de {1} x L é (1, a). Assim,
é razoável experimentar a aplicação I:L ---'>o {1}x Ldefinida por I{a) = (1,0). Vejamos.
• Se 1(0) = I(b) então (1, a) = (1, b) e, portanto, a = b. De onde, 1 é injetora.
t
• Se y E {1 x L então y = (l,x), para algum x E L. Como f(x) = (l,x) = y, fica
provado que f também é sobrejetora.
• I(ab) = (1, ab) = (1, a}(l, b) = I(a)f(b) e, portanto, 1 é um homomorfismo de
grupos.
Proposição 7: Se t: G - J é um isomorfismo de grupos, então f-1:J - G tam-
bém é um isomorfismo de grupos.
Demonstração: Lembremos primeiro que, como foi provado no capítulo III, o
fato de f ser uma bijeção garante que r'
também é uma aplicação bijetora. só
que obviamente de J em G.
Assim, falta demonstrar que 1- 1 conserva as operações (mais uma vez aqui
indicadas multiplicativamente). Para isso, tomemos Y1' Y2 E 1. Como 1 é sobrejetora,
y, = l(x 1) e Y2 = f(x 2), para convenientes elementos Xl' X2 E G. Daí, r 1(Yl) =
= r 1
U (Xl )} = Xl e, analogamente, f- 1(Y 2) = x 2. Então:

f 1(Y1Y2) =1 1(f(X1)f(X2)) =r 1(f(X1X2)) = X1X2 = f l(Yl)f I(Y2)' #


Em face do resultado anterior, se I: G - J é um isomorfismo de grupos, então
pode-se dizer que os grupos G e J são isomorfos. Por exemplo, os grupos ([R*+,.)
e (lR, +) são isomorfos, via uma função logarítmica.

(3-168-8
8. O TEOREMA DE CAYLEY
Como já vimos, a natureza dos grupos varia amplamente: por exemplo, há gru-
pos de números, grupos de permutações e grupos de matrizes, entre outros. O ob-
jetivO central desta seçáo é dar uma demonstração de que, a despeito disso, há um
certo elo entre todos eles. Ocorre que, como mostraremos, todo grupo é isomorfo
a um conveniente grupo de permutações. O teorema de Cayley,que garante esse
fato, é um exemplo do que se chama em matemática de teorema de representação.
O fato de todo grupo poder ser representado por um grupo de permutações tem a
vantagem de dar um certo caréter de concretude ao grupo em estudo, por mais abs-
trato que este seja.
Definição 6: Seja G um grupo (continuaremos, para facilitar, com a notação
multiplicativa). Para cada a E G, a epticação
{la: G - G
tal que 0a(x) para qualquer x E G, será chamada translação à esquerda defi-
= ax,
nida por a. De maneira análoga se definiria translação à direita.
No caso de G ser um grupo aditivo, a translação à esquerda definida por um
elemento a E G é assim definida: 0a(x) = a + x.
Nas considerações a seguir, é indiferente usar translações à esquerda ou à di-
reita. mas usaremos as primeiras.
Proposição 8: Toda translação é uma bijeção, ou seja, é uma permutação dos
elementos de G.
Demonstração: Seja {la uma translação de G e suponhamos 0o(x) = ?la(y}. Então
ax = ay e, portanto,x =y, uma vez que todo elemento de um grupo é regular. Isso
mostra que 00 é injetora. Para mostrar que é sobrejetora, dado um elemento qual-
quer y E G, deve ser possível encontrar x E G tal que ax = y. Mas, como já vimos, essa
equação tem solução no grupo: o elemento a- 1y E G. Então ô a é sobrejetora.
Adorando-se a notação T(G) para indicar o conjunto das translações em G e
lembrando que 5(G) foi a notação adorada para o conjunto das permutações dos
elementos de G, então a proposição anterior nos diz que T(G) C 5(G). #
Proposição 9: (i) A composição de translações é uma operação sobre T(G};
(ii) a inversa da translação 00 é a translação Ôo 1; (iii) T(G) é um subgrupo do gru-
po (5(G), u) das permutações dos elementos de G.
Demonstração:
(i) Sejam Ôo e 0b translações de G. Então:
(Ôo,JÔb){x) = 0o{?lb(X)) = 0o(bx) = a(bx} = (ab)x = 0ob(x)
o que mostra que 0aoob = 50 b '

(3-169-E:)
(ii) Como 00 é bijetora (proposição anterior), procede falar em aplicação inversa
neste caso. E o enunciado já aponta a "candidata": a translação 00- 1. Daqui para a
frente é apenas uma questão de verificação:
• Como (oo,)Oo-l}(X) = 0oloo l(X)) = 0olO-l X} = O(O-l X) = (OQ-l)X =x = iG(x),

então 00':;'00 1 = i G·
• Da mesma forma se prova que 0o-l'~JOo = iG •
°
Portanto, efetivamente, °0-1 é a inversa de 0, isto é, (° 0) 1 °0= - 1-

°
(iii) Sejam 0 e 0b E T(G). Então:
í\C(Úb)-l = 0oCJ(ob-1) = 0ob-1
De onde,ooo{ob)-l E T(G) e, portanto, T(G) é um subgrupo de S(G). #
Proposição 10 (teorema de Cayley): Se G é um grupo, a aplicação I: G --->- T(G)
que associa a cada elemento o a translação 0 0 (isto é, 1(0) = °
0 ) é um isomorfismo
de grupos.
Demonstração:
• Se Q, b E G e 1(0) = I(b), então 00 = 0b. Portanto, 0o(x) = 0b(X), qualquer que
seja x E G.Lembrando a definição de translação, temos que ex = bx, qualquer que
seja x E G. Em particular, para o elemento neutro e, ae = be, ou seja, Q = b. Isso
mostra que 1 é injetora.
• Como uma translação é sempre do tipo õo,com o E G, então necessariamente
1 é sobrejetora.
• Para quaisquer G, b E G:
I(ob) = õob = 0000b = Ilo)u/(b)
e, portanto, 1 é um homomorfismo de grupos. #
O teorema mostra que o grupo T(G) é uma representação do grupo G.Como
os elementos de T(G) são particulares permutações dos elementos de G, então efe-
tivamente todo grupo pode ser representado por um grupo de permutações dos
elementos de G.

Exemplo 18: Consideremos o grupo aditivo 1'.3 das classes de resto módulo 3.
Para facilitar a notação, deixaremos de colocar traços sobre os elemento de 1'.3' Por-
tanto, 1'.3 = {O, 1, 2} e a operação considerada é a adição módulo 3 (por exemplo,
2 + 2 = 1). A tábua do grupo, sem os traços, fica assim:

+ O 1 2
O O 1 2
1 1 2 O
2 2 O 1

G:r 170-E:)
Para encontrar o modelo fornecido pelo teorema de Cayley para esse grupo
indicaremos as permutações como em 2.4 [xii-h]. Assim, a translação à esquerda
definida por a, ou seja, a aplicação Õo que associa a cada x do grupo o elemento
a + x (lembrar que Z3 é aditivo), será denotada por:

s, = C~ O a ~ 1 a ~ 2)
Portanto, as translações são:

O~2)=(~ ~)
Õ _ ( O 1
0- O+ O 0+1

o1-_ (,1 1~2)=(~ ~)


1
O
+O +1 2

Õ _ (
2 - 2+O O 2 +1 1 2~2)=(~ 1
O ~)
De onde:

T(Z,J=l(~ ~W
1
2 ~W
1
O
é o grupo de permutações que representa Z3' conforme o teorema de Cayley.
m
[TI Exercícios
48. Verifique em cada caso se f é um homomorfismo:
a} i: Z ---.. Z dada por f(x) = kx, sendo 7L o grupo aditivo dos inteiros e k um
inteiro dado.
b} f: R* --- IR* dada por f(x) = 14 sendo IR.* o grupo multiplicativo dos reais.
c) i: IR. ---.. IR. dada por f(x} = x + 1, sendo IR. o grupo aditivo dos reais.
d) f: J' --- Z x ? dada por f(x} = (x, O) em que? e Z x Z denotam grupos
aditivos.
e) f:;Z x 7L ---.. Z dada por f(x,y) = x em que 7L e Z x ,2 denotam grupos aditivos.
f) f: Z ...... IR: dada por f(x) = r. em que 7L é grupo aditivo e IR*, é grupo
multiplicativo.

49. Determine os homomorfismos injetores e sobrejetores do exercício 48.

50. Determine o núcleo de cada homomorfismo do exercício 48.

51. Seja i: Z x Z ...... E x J' dada pela lei f(x, y) = (x - y, O). Prove que f é um homo-
morfismo do grupo aditivo 7L x 7L em si próprio. Obtenha N(il.

52. Das aplicações a seguir, algumas são homomorfismos do grupo multiplicativo C*.
Descubra quais e determine o núcleo de cada uma.
1
a) fiz) = Z2 e} f(z) = - -
z
b) fiz) = [z] f) fiz) = -r z
c)f(z)=z g) fiz) = Z3
1
d} f(z) =2

53. Prove que a aplicação t, J' - C* dada por f(n} = jn é um homomorfismo do


grupo aditivo 7L no grupo multiplicação C*. Determine NU).

54. Sejam G e J grupos multiplicativos, 1 um homomorfismo de G em J e H um


subgrupo de J. Mostre que 1 l(H) = {x E G I f(x) E H} é um subgrupo de G.

55. Sejam G um grupo multiplicativo comutativo e n um número inteiro positivo.


Mostre que a aplicação I(x) = x" é um homomorfismo de G.

56. Prove que um grupo G é abeliano se, e somente se, I: G - G definida por f(xl =
= x- 1 é um homomorfismo.

57. Seja fH* o grupo multiplicativo dos números reais não nulos. Descreva explicita-
mente o núcleo do homomorfismo"valor absoluto"x H [x] de IR*em si mesmo.
Qual é a imagem desse homomorfismo?

58. Sejam os grupos (G,·) e (j,,) e seja G x J o produto dtreto de G por J.Estabeleça
quais das aplicações abaixo são homomorfismos e determine seus núcleos.
a) 11 : G x J - G d a d a p o r ! , ( x , y } = x
b) f 2; G x J - J dada por f 2 (x, y ) =y
c) 13 : G - G x J dada por f 3 (x ) = (x, 1)
d) ! 4: G x J - J x G dada por 14(X, y} = (y, x)
e) f s: J - G x J dada por Is(Y) = (1, y)

59. Construa a tábua de um grupo G = {e, a, b, e} que seja isoformo ao grupo mul-
tiplicativo H = {l,i, -1, -i}.

60. Construa a tábua do grupo multiplicativo G = {e, a, b, e} de modo que G seja


isomorfo do grupo (7L~, .). Em seguida, resolva em G a equação axb ' = c".

61. Mostre que G = ':J'({a, b}) com a operação diferença simétrica e o grupo H = {1,
3,5, "7} com a operação de multiplicação módulo 8 são isomorfos.

G-17l-E)
62. Mostre que se G = {e, a, b, c} é um grupo, de ordem 4, com elemento neutro e,
então só há duas possibilidades essencialmente distintas para a tábua de G.
Sugestão: Notar que a*b = e ou ow a = c.
Observação: Um grupo G = {e, a, b,c}, de ordem 4, em que 0 2 = b2 = c2 = e (ele-
mento neutro), chama-se grupo de Klein.

63. Mostre que o grupo de Klein, G = {e, a, b, C}, e o grupo aditivo 2 4 não são iso-
morfos.
Suqestào: Tomar um possível homomorfismo i: 2 4 - G e mostrar que f não
é bijetora.

64. Sabendo que G = {e, a, b, c, d, f} é um grupo multiplicativo isomorfo do grupo


aditivo 2 6 , faça o que se pede:
a} Construa uma tábua para G.
b) Calcule 0 2, b- 2 e c- 3 •
1
c) Obtenha x E G tal que bxc = 0--

65. Mostre que f: 71 -- 211 dada por f(n) = 2n, \ln E 11, é um isomorfismo do gru-
po aditivo 11 no grupo aditivo 211.

66. Seja a E IR':.. e a -=f- 1.


a) Mostre que G = [c" I n E .P} é um subgrupo de (IR"'., -I.
b) Mostre que i: 11 -- G tal que f(n) = c" é um isomorfismo de (11, +) em (G, ·l.

67. Prove que a função exponencial f(x) = a', com O < a -=f- 1, é um isomorfismo
do grupo aditivo IR no grupo multiplicativo IR':...
Qual é o isomorfismo inverso?

68. Mostre que G = {2 m3 n I m, n E li} e J = {m + ni I m, n E 2} são subgrupos de


{IR"',.} e (C, +l, respectivamente, e que são isomorfos.

69. Seja Aut(G) o conjunto de todos os automorfismos de um grupo G (isomorfis-


mos de G em G). Mostre que (Aut{G), c) é um grupo.

70. Prove que se G é um grupo não comutativo, então Aut(G) também é não co-
mutativo.

71. Determine todos os automorfismos do grupo de Klein.


72. Seja o um elemento fixo do grupo G (multiplicativo). Prove que f: G ---... G defini-
da por f(x) = OXO I é um isomorfismo.

73. Mostre que há pelo menos dois homomorfismos e ao menos um isomorfismo


de um grupo nele próprio.

Exercicio complementar
(4. Mostre que f é um isomorfismo do grupo aditivo dos racionais se,e somente
se, existir c E 0* de modo que f(x) = ex, 'fIx E O.

IV-3 GRUPOS cíCLICOS

9. POTÊNCIAS E MÚLTIPLOS
Os conceitos de potência e múltiplo a serem introduzidos neste item são simi-
lares no que se refere a grupos. A diferença é apenas de notação. Enquanto o pri-
meiro desses conceitos se refere a grupos multiplicativos, o segundo se refere a
grupos aditivos. Por essa razão, basta desenvolver o assunto com uma das notações
e o faremos com a multiplicativa, por ser mais simples e de uso mais frequente na
teoria dos grupos. Ao final, enunciaremos a definição e as propriedades para o ca-
so aditivo.

Definição 7: Seja G um grupo multiplicativo. Se o E G e m é um número in-


teiro, a potência m-ésimo de o, ou potência de o de expoente m, é o elemento de G
denotado por om e definido da seguinte maneira:
• se m ? 0, por recorrência, da seguinte forma
a° = e (elemento neutro de G)
c'" = amo-la, se m ? 1

a" = (o-m)-l

A definição por recorrência no caso m ? °


deve ser interpretada assim: o I =
= 01-1 a = 000 ==ea == o; 0 2 == 0 2- 10 == ala = aa;a 3 = 0 3- 10 = 0 20 = (00)0, etc.
Uma conseqüência imediata dessa definição é que, para todo inteiro m, vale
em = e.
Exemplo 19: No grupo multiplicativo GL 2(1R) das matrizes reais 2 x 2 inversíveis,
seja A = (; ~). Então:
O)A'OAA'o('2 '3)(2' ')3=811.''''
AOo('01." (34)
A 1 = [l/det(A)]. adj(A) =.1. (
1
3
-2
-1)1 ~ (-23
-,
A-'~(A'J'~(3
8
4)
l'
~l("
1 -8
-4)~("
3.. -8
Exemplo 20: No grupo multiplicativo ;Z~ das classes de resto módulo 5, seja
a := 2. Então:
2° = 1,:2 1 = 2,2 2 =.2 . .2 = 4,2: 3 =.4 . .2 = 3, ...
2: -1 = 3,2" 2 = (lh- 1 = (4)-1 = 4, ...
Exemplo 21: No grupo 53 das permutações dos elementos de {i, 2, 3}, seja a =

=(::~ ~ ~).Então:
2 2 2 2 3)_ 03 =
2 3 3 1 2, '

=a2a=(~ ~ ~)nG ~ n=c ~ ~)=e; ... (êtmportante observar que,


neste caso, as potências de expoente positivo se repetem ciclicamente a partir des-
ta última; ou seja, 0 4 = 0 300 = eoa = 0;0 5 = Q4 U Q = Oi)Q = 0 2; 0 6 = 0 3; etc);

~r ~G
2 2 2
1 1 3

Proposição 11: Seja G um grupo multiplicativo. Se m e n são números inteiros


e a E G, então:
(i) ama n = am+ n;
(ii) a- m = (Om) 1;
(iii) (c")" = a mn.
Demonstração:
(i)
• Demonstraremos primeiro para o seguinte caso particular: n ~ ° em +n ~
;o~ O. O raciocínio será por indução sobre n.
Se n = O, então amao = amaO = ame = c'" = a m+ o = c'" ln. Portanto, a pro-
priedade é verdadeira quando n = O. Seja r ~ O e suponhamos que, para qualquer
inteiro m tal que m + r ~ 0, se tenha c" I r = ama'. Então a ma r+ 1 ~ am(a'a) =
= (amarla **
= o" +'a =* a Im+rJ +'. (Chamamosa atenção para o seguinte: nas passagens
*
assinaladas com usamos a definição de potência, o que é possível porque r + 1 ~ 1
em + r + 1 ~ l;e na passagem assinalada com ** usamos a hipótese de lnduçêo.l
• Para o caso geral, sejam m e n inteiros quaisquer. Tomemos um número in-
teiro p > °tal que p +n> Oe p + m + n > 0, o que obviamente sempre é pos-
srvel.tsso posto, observemos primeiro que, devido à definição, aPa- P = aP(aP) , = e.

G-175-E)
Então:
o" +n = c'" + n(aPa-P) = (am +naP}a-p;';;dm+n)+Pa P = o" +In~p)a-p;';;(aman+P)a- P;';;
= = =
;';; [am(anaP)]a - P [(aman)aP]a-P = (aman)(aPa-P) (aman)e ama n

(Notar que nas passagens assinaladas com * usamos a conclusão anterior.)


= = =
(ii) Observemos que, devido a (i), a-ma m ai m)fm aO e; analogamente,
=
ama- m e. Portanto, cada uma dessas potências é inversa da outra. Logo, a -m =
= (am)-l.
(iii) O caso em que n ~ O se demonstra por indução sobre n e deixamos como
exercício. Suponhamos n < O. Então:
(am}n ~ [(am)-nrl = (a-mn)-l ~ a mn

{Na passagem assinalada com * usamos a definição; na assinalada com ** usa-


mos (ii).) #
Um corolário imediato dessa proposição é que duas potências quaisquer de
um mesmo elemento do grupo comutam entre si. Isto é, se a E G e m, n E 7/.,
então ama n = a'ra",
Definição 8: Seja G um grupo aditivo. Se a E G e m é um número inteiro, o
múltiplo m-ésimo de a é o elemento de G denotado por m . a e definido da se-
guinte maneira:
• se m ~ O, por recorrência, da seguinte forma
O.a = e (elemento neutro de G)
m· a = (m - 1) . a + a, se m ~ 1
• se m < O
m· a = -[(-m) . a]
Exemplo 22: No grupo aditivo M2 (1ffi) das matrizes reais 2 x 2, seja A = G
Então:
O•A= (~ 0);,.('
O
2)=('3 2)'2'('
3 4 4,' _3 ~)=,.(~ ~)+(~

=(~ 2) =2. (' 2) + ('3 4.2) (26 ;) + (; ~)=(~


4,3 4
= 6 ).
12 ,.

=~);(-2)'G ~)=+(~ ~)]=


= -(~
Proposição 12: Seja G um grupo aditivo. Se m e n são números inteiros e a E G,
então:
(i) m . a + n . a = (m + n) • a;
(ii) (-m). 0= -(m· a);
(iii) n . (m . a) = (nm) • a. #

(3-176-E)
10. GRUPOS cíCLICOS
Se a é elemento de um grupo multiplicativo G,denotaremos por [a] o subcon-
junto de G formado pelas potências inteiras de a, ou seja, [ol == {am I m E .:r}. Esse
subconjunto de G nunca é vazio, pois e, o elemento neutro de G, pertence a ele,
uma vez que e == aO,
Proposição 13: (i) O subconjunto [ol é um subgrupo de G; (ii) se H é um sub-
grupo de G ao qual a pertence, então lcl C H.
Demonstroçõo:
(i) Como já observamos, [a] *
0. Sejam pois u e v elementos de [a}. Então u ==
==c" e v == c", para convenientes inteiros m e n. Dai, uv- 1 == Qm(a n) 1 == ama- n ==
am-n.lsso mostra que uv- 1 E [01. De onde, lcl é um subgrupo de G.
(ii) Se a E H, então toda potência de a também pertence a H e, portanto,
la] C H.#
A segunda parte dessa proposição nos diz, em outras palavras, que [o] é o
"menor" subgrupo de G que inclui o elemento o.
Definição 9: Um grupo multiplicativo G será chamado grupo cíclico se, para
algum elemento a E G,se verificar a igualdade G = [o]. Nessas condições.o elemen-
to a é chamado gerador do grupo G.
Então, dizer que um grupo multiplicativo G é cíclico significa dizer que G =
m
={a I m E 2}, para algum a E G.E no caso aditivo siqnitica.ajeitando-se a notação,
que G inclui um elemento atai que e jm- a 1m E?} = { ...,(-2)' o, -o,e= O, a,
ô

a,2 . o, ...}. O fato de m ser variável no conjunto 2, que é infinito, não quer dizer
que lcl seja infinito, como será visto. Como veremos, também, um grupo cíclico
pode ter mais do que um gerador.
Exemplo 23: No grupo multiplicativo C*, encontrar o subgrupo gerado por i. Por
definição, [i] = {im Im E 2}. Mas, como se vê no estudo dos números complexos,
esse conjunto só tem 4 elementos, 1, i, -1, -i, obtidos respectivamente quando
m = 4q,m = 4q + 1,m = 4q + 2em = 4q + 3. Portanto, [i] = {l,-l,i, -i}. É opor-
tuno, nesta altura, mostrar a tábua desse grupo:

. , -, ; -;
, , -, ; -;
-, -, , -; ;
; ; -; -, ,
-; -; ; t -,
Exemplo 24: Seja n > 1 um número inteiro. O conjunto das raizes n-ésimas da
unidade é um subgrupo do grupo multiplicativo C* e é cíclico. De fato:
• Sejam 0, 13 raízes n-ésimas da unidade. Então c" = 1 e I3 n = , e, daí, (0:[3 -')n =
= a: n(l3 n) - l = , . 1-- 1 = 1. Portanto, trata-se de um subgrupo de (:*.

• O conjunto das raízes n-ésimas da unidade é:


{cos[(2k1r)ln] + isen[(2brl/nll k = O, 1,2, o •• , n - 1}

T
Observe-se que n = COS[(21T)Jn] + isen[(21T)ln] gera todas as raízes, pois T/ =
== cos[(2k'TT)/n] + isen[(2br)/n]. Uma raiz, como Tnl geradora do grupo multiplica-
tivo das raízes da unidade, chama-se raiz primitiva n-ésima da unidade.

Exemplo 25: No grupo 53' encontrar o subgrupo gerado por /, = (2' 32 ,3).
observemosQuef1o=(12 3)=fo(elementoneutro),f11=f1,f/=(' 23,)0
1 2 3 ,2 3

(2' 32 1._3)~('3 12 23)~f'f'~('3 23)0('


1 2
2 3)~('_1 22 3)~
2 3 1
2 1 3,

= fOI 1,4 = 1,,1,5 = h, /1


6
= f o, o ••• (Notar que as permutações f o' ! , e 1 2 se repetem
ciclicamente.)
Por outro lado:
I -, =
,
(13 2
1
3) = I
2 2'
I
1
-2 = (f
1
2)-' = / -, = ('
2 2
2
3
3) = i " i 1
1
-3 = (f 3)-1
1
=

= ia 1 = ia, !1- 4 = !2' !1- s = !" .... (Notar que também aqui há repetição ciclica
de 10,1, e /2')
Portanto, [/,1 = {ia, !" I 2 } ·
Mais à frente, com a teoria a ser desenvolvida, teremos condições, em casos
como esse, de determinar os elementos do grupo ciclico sem precisar fazer tantos
"cálculos':Convém observar ainda que, repetindo esse raciocínio para os demais ele-
mentos do grupo (exercicio que recomendamos aos estudantes), encontrariamos o
seguinte: [!01 = {!o}; [f21 = {!o, !" !2}; [9,] = {ia, 9,}; [92J = {Ia, 92}; [93] = {ia, 93}'
Isso mostra que S3 não é gerado por nenhum de seus elementos e, portanto, que
não é um grupo cíclico.
Exemplo 26: O grupo aditivo 7L é ciclico, pois todos os seus elementos são múlti-
plos de 1 ou de -l.Defato,7L= {m ·11 m E 7L} ou 7L «{m . (-1) I m E 7L}.Por-
tanto, 7L = [1] = [-1 J. OS números 1 e -1 são, na verdade, os únicos geradores de 7L.
Proposição 14: Todo subgrupo de um grupo cíclico é também ciclico.
Demonstração: A demonstração será feita, mais uma vez, com a notação mul-
tiplicativa, e o elemento neutro do grupo será denotado por e. Assim, se H é um
subgrupo do grupo cíclico G = [a], então todo elemento de H é do tipo c", para
algum inteiro m, pois também é um elemento de G.
Suponhamos que H = {aO} = {e}. Nesse caso, H é ciclico gerado por 00 = e, pois
qualquer potencia de e é igual ao próprio e.

(3-'78-E)
Caso contrário, H inclui um elemento o" cujo expoente é diferente de zero.
Mas, como (am)-l = a:" E H, então pode-se dizer que, neste caso, H possui um
elemento de expoente estritamente positivo. Seja h o menor inteiro estritamente
positivo para o qual a h E H. Mostraremos que b = a h gera H, ou seja, que H = lcl.
Para isso,tomemos um elemento genérico x = c" E H. O algoritmo euclidiano usa-
do com n como dividendo e h como divisor garante que se podem encontrar dois
inteiros q e r tais que
n = hq + r (O -s; r < h)
Portanto:

Daí;
ar = (ah)-qx = b-qx

Como, porém, (b) q E H (porque b E H) e x E H (por hipótese), então ar E H


(por ser o produto de dois elementos de H). Portanto, não se pode ter r > 0, pois
isso implicaria a existência de um elemento em H de expoente estritamente posi-
tivo e menor que h, o que não é possível. Então r = e °
x = c" = a hq = (ah)q = b q
e, portanto, x E lol = [ah]. Esse raciocínio mostra que H C [b]. Mas também vale a
inclusão contrária, pois, se b E H, o mesmo se pode dizer de qualquer potência de b.
De onde, H = [b]. #
Exemplo 27; Devido à proposição anterior, pode-se garantir que um subcon-
junto não vazio H C 7L é um subgrupo de (7L, +) se, e somente se, H = [m], para
algum inteiro m E H. Portanto, os subgrupos de 7L são:
[OJ ~ {D}. [1] ~ [-lJ ~ 1', [2] ~ [-2] ~ (O, ±2, ±4,...), [3] ~ [-3] ~ {O, l3, ±6, ...}.. etc.

11. CLASSIFICAÇÃO DOS GRUPOS cícucos


Seja G = [a] um grupo cíclico. Dois casos podem ocorrer;
Caso1: ar i= a' sempre que r *- s.
Um exemplo que se enquadra nessa exigência é o subgrupo G gerado pelo nú-
mero 2 no grupo multiplicativo 0''', ou seja, G = [2] = {..., r 2 , rl, 2° = 1, i, 22, ...}.
Nesse exemplo, chama a atenção a seguinte aplicação de 7L em [2]:
-2, -1, 0, 1, 2,
I I I I
2 " 2 ', 2', 2',
No caso geral de um grupo cíclico G = [a], ela é definida por r H ar e tem, como
veremos, um papel fundamental no que se refere à representação dos grupos enqua-
drados neste caso.Com vistas a estudar esse papel, denotaremos essa aplicação por i.

G-179-E)
Portanto, í, 7L -.. G =' [a] é a aplicação assim definida: f(r) = ar.
o Devido à própria definição dos grupos cíclicos do caso em estudo, ou seja,

ar -=1= aS sempre que r -=I=- 5, a aplicação f é injetora.


o Ela também é sobrejetora, porque todo elemento de y E G pode ser escrito

como y = ar, para algum inteiro r, e, para esse elemento, f(r) = ar = y.


o E é um homomorfismo do grupo aditivo 7L no grupo G. De fato:

f(m + n) = a m + n = aman = f(m)f{n)

Portanto, acabamos de demonstrar a seguinte proposição.


Proposição 15: Se G = (a] é um grupo cíclico que cumpre a condição do caso
1, então a aplicação i: 7L -.. G definida por f{r) = ar é um isomorfismo de grupos.
O fato de a aplicação f ser uma biieção tem como conseqüência que os conjun-
tos 7L e G =' lcl têm a mesma cardinalidade e, portanto, G é infinito. Por essa razão,
os grupos que se enquadram no caso' são chamados grupos cíclicos infinitos. No
aspecto algébrico, o fato de f ser um isomorfismo leva à conclusão de que todos
os grupos cíclicos infinitos são cópias do grupo aditivo 1L.
Caso 2: ar = aS para algum par de inteiros distintos, r e 5.
Suponhamos r> s. Então a'(a')-' = a 5(a') , = e e, daí, ar s = e, em que r-s > O.
Isso mostra que há potências de a, com expoentes estritamente positivos, iguais
ao elemento neutro e. Portanto, é possfve! fazer a seguinte escolha: seja h o menor
número inteiro estritamente positivo e tal que a h == e.
Então c" = e,a h+' = aha = ea = a,a h+ 2 = ah+'a = aa = a 2, .... Ou seja, a partir
do expoente h as potências de a se repetem ciclicamente. Uma primeira pergun-
ta que surge é se na seqüêncla de potências aO = e, a 1 = a, 0 2, "" Oh , há elemen-
tos repetidos. A resposta é negativa. De fato, suponhamos e' = ai, com O -s; i < j < h.
Então O < j - i < h e a j - i = al(a i ) 1 = aj(a j ) - ' = e. Mas isso é absurdo, porque,
dada a escolha de h, não se pode ter simultaneamente O < j - i < h e a j - i = e.
A segunda pergunta é se há outros elementos no grupo além de e, a,a2, ..., ah '.
A resposta também é negativa. De fato, seja x um elemento de G = [alo Então,x = am
para algum inteiro m. Usando-se o algoritmo euclidiano com m como dividendo e
h como divisor:
m = hq + r (O -s; r < h)
Então:
a m == a hq I r == (ah)qar = eqa' = ea' = ar

Como os valores passiveisde r são 0, 1,2, ..., h - 1,então as possibilidadespara c'"


. ao -_ e, a1 -_ a, a 2, ..., ah -, . Isso mostra que [J
sao a C {Oa = e, a , = a, a2, ..., ah - '} .
Obviamente, porém, devido à definição de [a], vale a inclusão contrária. De onde,
[a] = {aO = e, 01 := a, 0 2, ..., a h - I} e a ordem desse grupo é h.
Demonstramos, pois, a seguinte proposição.

(3-180 -E:)
Proposição 16: Seja G o=; lel um grupo cíclico que cumpre as condições do ca-
so 2. Então existe um inteiro h >0 tal que: (i) aho=; e; (ii) a' -# e sempre que O< r < h.
Neste caso, a ordem do grupo é h e
G o=; [alo=; {e, a, 0 2, ..., a h -'}
Como não poderia deixar de ser, o grupo, neste caso, é chamado grupo cíclico
finito, e o expoente h, com o significado das considerações anteriores, período ou or-
dem de a. Em suma, o período de um elemento a de um grupo é um inteiro h > O
se: (i) Oh o=; e; (ii) ar =1= e, qualquer que seja o inteiro r sujeito às restrições O < r < h.
É claro que, neste caso, a gera um grupo de ordem h.
Se, para qualquer inteiro r =1= O, ar #- e, então se diz que a ordem ou período de
o é zero. Sea ordem de um elemento de um grupo é zero,então ele gera um subgru-
po cíclico infinito. De fato, neste caso não se pode ter m =1= n e o" = a", pois, supon-
do, por exemplo, m > n, então c'" -n o=; e, o que é impossível, devido à suposição
feita.
De modo geral, o período de um elemento a de um grupo é denotado por o(a).
Exemplo 28: O período de 1 no grupo multiplicativo dos números complexos é
1, uma vez que l' = 1, o período de -1 é 2, porque (_1)1 = -1 e (_1)2 o=; 1, e o
período de ié4,poís iO o=; 1,i 1 o=; i,? o=; -1,j3 o=; -ie i 4 o=; 1. Nesse mesmo grupo,
o período do número -i também é 4, como é fácil ver.
Os números 1, -1, i, -i considerados são as raízes quárticas da unidade. Como
vimos, duas delas, i e -i, as raízes primitivas, têm período 4 e, portanto, cada uma
delas gera o grupo das raízes quárticas. De modo geral, como já vimos (exemplo 24),
o conjunto das raízes n-ésimas da unidade é um subgrupo de C* e é cíclico. Qual-
quer dos seus geradores, ou seja,qualquer raiz primitiva n-ésima da unidade, como
ln = cos(brln) + isen(2Jrln), por exemplo, tem período n.
Ainda no grupo multiplicativo C*, o elemento 2i, por exemplo, tem ordem zero,
uma vez que (2J)n = rr = 2 n, _2 n, 2nj ou -rt e nenhum número desse tipo é
igual a 1.
Proposição 17: Seja a um elemento de período h > O de um grupo G. Então
c'" = e se, e somente se, h I m,
Demonstração:
(--) A idéia aqui é usar o algoritmo euclidiano com m como dividendo e h co-
mo divisor:
m o=; hq + r (O -s r < h)
Então:

Ou seja, ar = e. Como não se pode ter r > O, pois isso contraria a hipótese de
que o período de a é h, então r o=; O e, portanto, m = hq. De onde, h I m.

(3-181-E)
(__) Se h I m, então m =" hq,para algum q E E. Então, o" = ahq =" (ah)q =" eq =" e. #
Proposição 18: Seja G =" [al um grupo cíclico finito de ordem h. Então: (i) a cor-
respondência 5 I-W' é uma aplicação de J'h em G; (ii) essa aplicação é um isomor-
fismo do grupo (Eh' +) no grupo (G, .).
Demonstração:
O) Nesta parte temos de demonstrar que nenhum elemento de "Eh tem dois
associados em G, ou seja, que a duas representações de um mesmo elemento de Z;
está associado, pela correspondência definida, o mesmo elemento de G. De fato,
r
suponhamos = t. Então, r - r =" hq para um conveniente inteiro q. Daí:
a' = d + hq =" da hq =" a!(ah}q =" de q = de =d
Portanto, se r = t, então ar = ar.
(ii) Seja 1:?L h G definida por f(
----"" = a'. r)
o Se ar = a ', então ar-, = e e entào, devido à proposição anteríor, r - 5 = hq, pa-
r
ra algum inteiro q. Dai r == s (mod h) e, portanto, = 5. Isso mostra que 1 é injetora.
o Seja y E G. Então, y = ar para algum inteiro r, sujeito às restrições O -c r < h.

De onde, r EEhe
I(r)=a'=y
Fíca provado, pois, que 1 também é scbrejetora.
o Por fim, sejam r, 5 E Eh' Então:
1 (r + s) = l(r+5) = ar~' = ara' = I(r) + I(s)
e, portanto, 1 é um homomorfismo de grupos. Juntando tudo, conclui-se que 1 é
um isomorfismo de grupos, como queríamos provar. #
Essa proposição nos dá conta de que o grupo aditivo Eh é uma cópia aditiva de
todos os grupos cíclicos finitos de ordem h.lgualmente, o grupo das raizes h-ésimas
da unidade é uma cópia multiplicativa.

12. GRUPOS DE TIPO FINITO


Seja (G,') um grupo e L = [c.. a2, ..., a n} um subconjunto de G. Considerando
que a coleção dos subgrupos de G que contém L náo é vazia (pelo menos G perten-
ce a elal a questão que nos propomos é a sequinte: qual o menor subgrupo de G
que contém L?
Para responder a essa pergunta, procuraremos generalízar o que foí feíto para
subgrupos cíclicos. Denotemos por [L] o conjunto de todos os elementos de G que
se podem expressar da seguinte maneira: X 1ml, X 2m2 ... X rm r, em que Xl' X2' ..., X, E L
e os expoentes são tntetros. Provemos primeiro que [L] é um subgrupo de G.
De fato, se u, v E [Ll, então u = Xtl, X 2m2 ... X rmr e v = ytl'Y2n2 ... Ytt, para conve-
nientes elementos Xl' X 2' ..., X r,Y " Y 2' ..., Yr E L e expoentes inteiros. Dai:

(3-182-E)
-1 _ m m m -n -n -n
UV -Xl lX 2 2 ... X, 'Yr rYr-l r-L.y, ,
l
expressão que nos autoriza a afirmar que uv- E [L], pois nas potências do segun-
do membro as bases são elementos de L e os expoentes são inteiros.
Por outro lado, seja H um subgrupo de G que contém L. Mostraremos que
H :J [Ll, o que completará nossa resposta à questão inicial. Para isso, tomemos
u E: [í.]. Então u = x l m, X 2m2 ..• x,mr, com x"x 2 ' •.. , x, E L e expoentes inteiros. Como
pertencem a L, os elementos Xl' X 2' ... , x, também pertencem a H. E, como H é um
subgrupo de G, então xt" X 2m2, ..., x,mr E H. Pelo mesmo motivo, também pertence
a H o produto desses elementos, ou seja, u E L. Se todo elemento de [L] é também
elemento de H, então efetlvamente, nas condições enunciadas, [L] C H.
O subgrupo [L] assim definido é chamado subgrupo de tipo finito gerado por
L. Um grupo G se diz de tipo finito se existe L C G, L finito, e tal que [L] = G.

Exempio 29: Um grupo cíclico G = tal obviamente é de tipo finito. Neste caso,
mantida a notação das considerações anteriores, L = {a}.
Exemplo 30: O produto direto de dois grupos crcllcos G = tal e H = [bl é de ti-
po finito. De fato, se L = {te, 1), (1, b)}, em que, por simplicidade, o símbolo 1 indi-
ca tanto o elemento neutro de G como o de H, então G x H = [L]. Para mostrar isso,
basta observar que, para todo elemento (c'", o") E G x H, vale a igualdade
(c". b n) = (a, 1)m(l, b)n

Exemplo 31: O grupo 53 das permutações dos elementos de {1, 2, 3} é de tipo


finito. De fato, como já vimos em 2.4 (xil-b), se
2
3
e 9, = C 2.3) 2
3
então 53 = {fl0, f" f 1 , 9" s.t, 9,f/}, em que se adotou a notação multiplicativa
2

em lugar da usada normalmente para a composição de aplicações. Essa maneira


de escrever os elementos de S3 mostra que, se L = {/l' 9l}' então 53 = [L].

-~ Exercícios
74. Construa os seguintes subgrupos:
a) [-ll+em (IQ,+)
b) [3J, em (2, +)
c) [3] em (QJl*,.)
d) ti] em (C*,')

7S. Mostre que todo grupo de ordem 2 ou 3 é cíclico.

76. Ache um grupo de ordem 4 cíclico e um não cíclico.

(3-183-E)
77. Mostre que os elementos não nulos de 7 13 formam um grupo multiplicativo
cíclico isomorfo ao grupo aditivo 2'2'

78. Mostre que (2 m , +) é cíclico, "1m> 1.

79. Mostre que todo grupo cíclico infinito tem dois, e somente dois, geradores.

80. Mostre que todo subgrupo H "* {e} de um grupo cíclico infinito é também
infinito.

81. A tábua ao lado define uma operação- que confere ao conjunto E = {e, Q, b, c,
d, f} uma estrutura de grupo.
Pede-se determinar:
,
e a b c d f
e e a b c d f
a) o subgrupo gerado por b; a a b c d f e
b) o período de d; b b c d f e a
c) os geradores de G; c c d f e a b
d d f e a b c
d) x E G tal que bxc = d-'.
f f e a b c d
Eml!!'.!m
a) bO = e, bl = b,b 2 = d,b 3 = b2b= db = e
[b] = {e.b.o}
b) d O= e,d l = d,d 2 =b,d 3 = e
Então. o(d) = 3.
c) Já sabemos que e, b, d não são geradores de G. Por outro lado:
[a] = {e, a, b, c, â, f} = [f]
[e] = {e, c}
Portanto,os geradores de G são a e f.
d) bxc = d-'= b- 1bxcc- 1 = b-'d l C 1 = x = b- 1d- 1c I então x = dbc = ec = c. •

82. Seja G = {e, Q, b, c, d, f, g, h} um grupo cuja tábua é mostrada abaixo.


Pede-se determinar: . e a b c d f 9 h
a) o subgrupo gerado por b; e e a b c d f h
9
b) o período de d;
a a d c 9 f e h b
c) os geradores de G;
d) x E G tal que a . x . b- 1 = d.
b b h d a 9 c e f
c c b f d h 9 a e
d d f 9 h e a b c
f f e h b Q d c 9
9 9 c e f b h d Q

h h 9 Q e c b f d

(3-184-E)
83. Sejam m E 7L,m > 1.lndicando por Gm o conjunto das raízes m-ésimas comple-
xas de 1, mostre que (Gm , ' ) é um subgrupo cíclico de (C*, ').

84. Sejam a e b elementos de um grupo multiplicativo G. Supondo o(ab) = h > O,


mostre que o{ba) = h.

~
Se o(a, b} = h > O. temos:
(ab)h == e e (ab)'-t e.í E {1, 2, ... ,h - 1}
Temos. por outro lado:
lq (ba)h = b(ab)h -'a = b(ab)-'a == bb- 1a-'a == e
2~) Se i E {t. 2, ..., h - 1} e (ba)' = e, decorre:
b(ab)' - la = e ... (ab) , - 1 == b-'a-1 ... (ab) i - 1 == (ab)
Isto é, (ab)i = e, e isso é absurdo.

8S. Mostre que o único elemento de um grupo de ordem 1 é o elemento neutro.

86. Seja a +- e um elemento do grupo G.Prove que ola) =2 se,e somente se,a =a-I.

87. Seja G um grupo finito de ordem par.Mostre que o número de elementos de G


de ordem 2 é ímpar.

88. Seja G um grupo multiplicativo e xE G. Mostre que, se existe um inteiro n,


n ~ 1, tal que x" = e, então existe um inteiro m 3" 1 tal que x 1 = x'",

89. Se a, b e ab do grupo multiplicativo G têm ordem 2, então ab == ba. Prove.

1)
90. Seja G um grupo multiplicativo e suponha a E G. Mostre que 0(0) == 0(0- ==
= o(xa[l), "Ix E G.

91. Seja G um grupo finito. Se x E G, mostre que 3n E 7L de modo que x" == e


(elemento neutro).

92. Seja G == [a] um grupo cíclico de ordem h. Mostre que ar E G é um gerador de


G se, e somente se, mdc(h, t) == 1.

~~"dO'
I 3r E N
de G, como a E G,"mo"
I (a t ) ' == O:. a" = Q:. tr == 1 (mod h):. tr = 1 I kh:. 1 = tr kh
'I Seja d = mdc(h, O, Então:

(3-185 -E:)
dlt=d,trl ==>dltr-kh==>dll ==> d=l
dlh=dlkh
(=)
Se 1 = mdc(h, t), então existem dois inteiros ( e 5 tais que 1 = rt + ns e, daí, rt == 1
(mod h); portanto, a'! = a.
Dado x E G, temos:
x = ai = (a rl ) ; = (a')';
o que prova que ai é gerador de G.

93. Mostre que todo subgrupo de um grupo cíclico é também cíclico.

94. Se G = [o] é um grupo cíclico de ordem h > a e se d é um divisor positivo de h,


mostre que, sendo t = h : d, então lc'l é um subgrupo cíclico de G de ordem d.

95. a) Defina subgrupo gerado por um subconjunto de elementos de um grupo


aditivo.
b) Mostre que (r, +) é de tipo finito 'ln ~ 1.
{I n = {(Ol' .", a n) I ai E I} é grupo aditivo.)

96. Mostre que (1lJ, +) não é de tipo finito.

97. Seja 5 uma parte não vazia de um grupo multiplicativo G. Mostre que todo
subgrupo de G que contém 5 também contém [5}.

98. Seja G = [o] um grupo cíclico de ordem s e seja G'= [bl um grupo cíclico de or-
dem t. Demonstre que existe um homomorfismo 'P, de Gem G', tal que t.p{o) = bk
se, e somente se, sk é um múltiplo de t.

IV-4 CLASSES LATERAIS - TEOREMA DE LAGRANGE

13. CLASSES LATERAIS


Consideremos, a título de motivação para o conceito a ser introduzido aqui, um
subgrupo não trivial H do grupo aditivo I. Como já vimos, H necessariamente é
cíclico, ou seja, H possui um elemento n > 1 tal que H = [n] = {a, ±n, .tzn, ...}.Obser-
vemos então que, quaisquer que sejam o, b E I:
0== b (mod n) se, e somente se, 0 - b E H
fato esse que estabelece uma correspondência entre subgrupos de I e as relações
de congruência, módulo n, sobre I.

G-186-8
Essa observação pode ser generalizada, como veremos a seguir, para Um grupo
arbitrário (G, *) e para um subgrupo arbitrário H de G.Para a demonstração desse
fato usaremos mais uma vez, por simplicidade,a notação multiplicativa para indicar
a operação do grupo G.
Proposição 19: (i) A relação = sobre G definida por "a = b se, e somente se,
a- lb E H"é uma relação de equivalência. (ii) Se a E G, então a classe de equiva-
lência determinada por a é o conjunto aH =: {ah I h E H}.
Demonstração:
li}
• Como e =: 0- la E H, então a = o e, portanto, vale a reflexividade para a
relação em estudo.
• Se o = b, então a lb E H; mas, sendo H um subgrupo de G, então {a-lb)-l =:
=: b-1o E H.lsso mostra que b = a e, portanto, que a simetria também se verifi-

ca para =.
• Suponhamos a = b e b = c; então a lb, b-Ic E H; daí, (o 'b)(b-lc) =: a-lc
E H e, portanto, a = c, de onde a transitividade também vale neste caso.
(ii)
a
• Seja a classe de equivalência do elemento a. Se x E a,
então x = a, ou
seja, x-Ia E H. Portanto, x-la =: h, para um conveniente elemento h E H. Daí,
x =: ah I e, portanto, x E aH, uma vez que h I E H.
• Por outro lado, se x E oH, então x =: oh, para algum h E H. Daí, x la =: h-I E
E H e, portanto, x = a. De onde, x E a.
Dessas conclusões, segue que a =: oH. #
Definição 10: Para cada o E G, a classe de equivalência oH definida pela re-
lação = introduzida na proposição 19 é chamada classe lateral à direita, módulo H,
determinada por o.
Uma decorrência imediata da proposição anterior é que o conjunto das classes
laterais à direita, módulo H, determina uma partição em G, ou seja:
a} se a E G,então oH '!- 0;
b} se o, b E G,então oH =: bH ou aH n bH =: 0;
c) a união de todas as classes laterais é igual a G.
O conjunto quociente de G por essa relação,denotado por G/H, é o conjunto das
classes laterais oH(o E G). Um dos elementos desse conjunto é o próprio H, pois H =: eH.
De maneira análoga se demonstra que a relação se definida por "o as b se, e
Somente se, ob- I E H" também é uma relação de equivalência sobre o grupo G.
Só que, neste caso, a classe de equivalência de um elemento a E G é o subconjunto
Ha =: {ha I h E H}, chamado classe lateral à esquerda, módulo H, determinada por a.
É claro que, se G for comutativo, então oH =: Ha, para qualquer a E G.

(3-187 -E)
Na teoria que segue é indiferente usar classes laterais à esquerda (com as quais
trabalharemos) ou à direita. Um dos motivos é que os conjuntos quocientes têm a
mesma cardinalidade nos dois casos. De fato, pode-se demonstrar que a correspon-
dência aH -- Ha- 1 é uma bljeção (propomos esse resultado como exercício).

Exemplo 32: No grupo multiplicativo G = {1, -1, i, -i} das raízes quérticas da
unidade, consideremos o subgrupo H = {1, -1}. As classes laterais neste caso são:
IH~{I .1, I, 1-lil~{I,-I}
HIH={I-II .1,(-1), (-I)}~{-I.I}
iH = {i " 1, j " (-l)} = {i, -i}
H)H ~ (HI' I,HIH)} =H ,i}
Portanto, G/H = {lH, iH}.
Nesta altura convém registrar que, se H é um subgrupo de um grupo aditivo G,
então as classes laterais à direita, módulo H, são os conjuntos a + H, com a E G.

Exemplo 33: Seja G o grupo aditivo I 6' Para facilitar,escreveremos os elementos


de I ó sem os traços. Ou seja, 71 ó = {a, 1, 2, 3, 4, 5}. Considerando o subgrupo H =
= {a, 3}, temos:
O+H=H={O,3}, I +H={1,4} e 2+H~{2,5}
Como a reunião dessas 3 classes é igual a G, podemos interromper nossos cál-
culos nesta altura, com a certeza de que não há mais classes distintas das que já
foram obtidas. Portanto, GIH = {H, 1 + H,2 + H}.
Exemplo 34: Considere o grupo multiplicativo R'" dos números reais e H o sub-
grupo formado pelos números reais estritamente positivos. Ou seja, H := {x E R'" I
x > a}. Como
aH=H,sea>a
aH = {x E IR'" I x < a}, se a < a
então R.../H é formado de duas classes apenas: a dos números reais maiores que
zero e a dos números reais menores que zero.

Exemplo 35: Consideremos agora o grupo simétrico G = 53" Para facilitar, adote-

n
mos a notação

a= G~ e b= C~ ~)
Isso posto, 53 = {e, a, a 2 , b, ba, ba2 } (ver 2.4, xii-b). Considerando-se o subgrupo
H = (3 = {e, a, a 2 } , então:
eH = H = {e, a, a 2 }
aH = {ae, an, aa 2 } = {a, a 2 , e}
a2 H = {c-e, o'o. a2a2 } = {a2 , e, a}
bH = {b, ba, ba2 }

(3-188-EJ
Também aqui já não é preciso prosseguir (mesma explicação do exemplo 33).
Portanto, 5 3/ ( 3 = {H, bH}.
Proposição 20: Seja H um subgrupo de G.Então duas classes laterais quaisquer
módulo H são subconjuntos de G que têm a mesma cardinalidade.
Demonstração: Dadas duas classes laterais oH e bH, temos de mostrar que é pos-
sível construir uma aplicação bijetora f: oií-» bH. Lembrando a forma geral dos ele-
mentos dessas classes, é natural definir f da seguinte maneira: f(oh)= bh, para qual-
quer h E: H. Sem maiores dificuldades, prova-se que f é injetora e sobrejetora. De fato:
• (injetora) Se h, h, E: H e f(ah) = f{oh 1) , então bh = bh 1 ; como, porém, todo
elemento de G é regular, então h = h, .
• (sobrejetora) Seja y E: bH. Então y = bh, para algum h E: bH. Tomando-se
x = ah E: aH, então f(x) = f(ah} = bh = y. #
Em particular, todas as classes têm a mesma cardinalidade de H = eH (e = ele-
mento neutro).
Obviamente, se G é um grupo finito, então o conjunto GIH também é finito. O
número de elementos distintos de GIH é chamado índice de H em G e é denotado
por (G : H). Então, no exemplo 32, (G : H) = 2, no exemplo 33, (G ; H) = 3, no exemplo
34, (G : H) = 2 e no exemplo 35, (G ; H) = 2.
Devido ao fato de que oH - Ho- 1 é uma aplicação bijetora, como já obser-
vamos, então o índice de H em G é o mesmo, quer se considerem classes laterais à
direita ou à esquerda, módulo H.

14. O TEOREMA DE LAGRANGE


Proposição 21 (teorema de Lagrange): Seja H um subgrupo de um grupo fini-
to G. Então o(G} = o(H)(G ; H) e, portanto, o(H) I o(G).
Demonstração: Suponhamos (G: H) = r e seja GIH = {OlH, a 2H, ..., arH}. Então,
devido à proposição 19, G = a,H U a 2H U ... U 0rH e a;H n ajH = 0, sempre que
i ~ j. Mas,devido à proposição 20, o número de elementos de cada uma das classes
laterais é igual ao número de elementos de H, ou seja, é igual a olH)o Portanto:
o(G) = o(H) + o(H} + ... + o(H)

em que o número de parcelas é r = (G : H). De onde;


o(G) = (G ,H)o(H)
e o(H) I o(G). #
Diga-se de passagem que, apesar do nome, não é de Lagrange, matemático do
qual já falamos na abertura deste capítulo, a demonstração geral que acabamos de
fazer desse teorema. Na época de Lagrange,o conceito geral de grupo ainda não ha-
via sido formulado. Na verdade, Lagrange apenas usou o teorema numa situação

(3-189-E)
muito particular mas extremamente importante, em pesquisa que visava encontrar
uma ligação entre a solução algébrica das equações e as permutações das raízes des-
sas equações.
Corolário 1: Seja G um grupo finito. Então a ordem (período) de um elemento
a E G divide a ordem de G e o quociente é (G : H), em que H = [a].
Demonstração: Basta lembrar que a ordem de a é igual à ordem de lcl e que,
devido ao teorema de Lagrange:
o(G} = (G , Hlolloll. #
Corolário 2: Se a é um elemento de um grupo finito G, então aO(GJ = e (elemen-
to neutro do grupo).
Demonstraçõo: Seja h a ordem de a. Portanto, h é o menor inteiro estritamente
positivo tal que c" = e (elemento neutro do grupo). Mas, devido ao corolário anterior:
olG) = (G , H)h
em que H = [a]. Portanto:
aOIGJ = dG'H)h = (ah)IG'H) = el G . H) = e. #

Corolário 3: Seja G um grupo finito cuja ordem é um número primo. Então G


é cíclico e os únicos subgrupos de G são os triviais, ou seja, {e} e o próprio G.
Demonstração: Seja p = o(G). Como p > 1, o grupo G possui um elemento a
diferente do elemento neutro. Assim,se H = [a], o teorema de Lagrange garante que
o(H) I p. Logo, o(H) = 1 ou p e, portanto, H = {e} ou H = G. Como a primeira dessas
hipóteses é impossível,então G = H e, portanto, G é cíclico. Por outro lado, se J é um
subgrupo de G, então, ainda devido ao teorema de Lagrange,0(J) I 0{G). Daí,o(J) = 1
ou p e, portanto, J = {e} ou J = G. #
Comra-exemptoê: Considere o seguinte subconjunto do grupo 54: L =J(l,11 22 33 44),
(~ ~ ~ ~)}. Embora o número de elementos de L, que é 2, divida a ordem do

grupo 54' que é 24, L não é um subrupo de 54' uma vez que (1 2 3 4)-1 =
\1 3 4 2
= (~ ~ ~ ~) fi;. L.Isso mostra que não vale a recíproca do teorema de Lagrange.

Exemplo 36: O teorema de Lagrange pode ajudar bastante na determinação


dos subgrupos de um grupo finito. Para exemplificar, consideremos o grupo 53,cuja
ordem é 6, como já vimos. Os subgrupos possíveis de 53 têm, portanto, ordem 1,2,
3 ou 6. Os de ordem 1 e 6 são triviais: respectivamente, o subgrupo formado só
pelo elemento neutro e o próprio 53' Os de ordem 2 e 3 são necessariamente cícli-
cos, como vimos (corolário 3). Logo (ver exemplo 25), S3 tem três subgrupos de or-
dem 2, a saber, [91]' [92] e [93] e um único de ordem três: [fI] = (f21.

(3-190-E)
t claro que o exemplo dado é muito favorável na aplicação do teorema de La-
grange. No caso do grupo 54' o teorema de Lagrange também é suficiente, embo-
ra o trabalho seja muito maior. Vale ressaltar, porém, que há outros recursos teóricos
capazes de favorecer uma pesquisa mais abrangente dos subgrupos de um grupo
finito, mas eles se situam além dos objetivos deste livro.

L Exercícios
99. Determine todas as classes laterais de H = {õ, 3, 6, 9} no grupo aditivo 7 12 ,

100. Determine todas as classes laterais de 4!f no grupo adttlvo Z.

101. Seja 53 o grupo das permutações de E = {i. 2, 3}. Determine todas as classes
laterais de H = {io, i 1} subgrupo de S3 em que:

io=C ~ ~) e f1 =G ~ ~)
102. Sendo H = {a, ±m, +2m, ... }, m E!f, um subgrupo do grupo aditivo !f, mostre
que {a, 1, ..., m - 1 } =!f m é o conjunto das classes laterais de H. (Logo,
(2 ,H) orn.)

103. t finito ou infinito o número de classes de Z x 2!f em Z x !f? Por quê?

104. Dado o qrupo Z x !f 2 (produto direto),ache todas as classes laterais, à esquer-


da, do subgrupo H = {O} X ;[2.

105. Mostre que o número de classes laterais de IA. em C é infinito.

106. Considerando 7L como subgrupo do grupo aditivo 0, descreva as classes !f +


(-1)e!f+.:!..
2

107. Mostre que, sendo a + !f uma classe lateral de 7! em IA. (a E IR), então existe
b E IA. tal que a se b < , e b + !f = a + !f.

108. Mostre que, dado ata E C*), então existe b E C* tal que IbI = 1 e b IR: = a IR~ .

109. a) Mostre que H = {(~ ~) I c E 1A.*}é um subgrupo do grupo GL 2(1H).

b) Mostre que existem infinitas classes de H em G.

(3-191 -E)
110. Mostre que são equtpotentes os conjuntos das classes laterais à esquerda e o
das classes laterais à direita para todo subgrupo de um grupo G, ou seja,
têm o mesmo cardinal.
Sugestão: Considerar lp(aH) == Ha '.

111. Seja H um subgrupo de um grupo (G,')


a) Mostre que "x ~ y -= x-Iy E H" define uma relação de equivalência em G.
b) Mostre que, 'fia E G, a == aH.

112. Seja G um grupo de ordem pn, em que p é primo e n > 1. Mostre que a or-
dem de um elemento qualquer de G é uma potência de p.

113. Seja i, G ---'>- J um homomorfismo de grupos. Sendo S um subgrupo de J, pro-


ve que r 1(S ) é subgrupo de G tal que N(fl C r 1(5).
IJ Exercícios complementares

(5. Sejam H e K subgrupos de um grupo finito. Se o(H) == p e o(K) == q (p =F q


primos), então H n K == {e}. Prove.

(6. Demonstre que todo subgrupo próprio do grupo aditivo dos números racionais
tem índice infinito.

IV-S SUBGRUPOS NORMAIS - GRUPOS QUOCIENTES


15. INTRODUÇÃO
Como já vimos na nota histórica que abre este capítulo, a noção de grupo e a
própria palavra "grupo'; ainda que com um significado não muito claro, ocorreram
primeiramente ao matemático Evariste Galois. A questão que levou Galois a essa
noção era a da resolubilidade das equações por meios algébricos (por radicais).
Galeis associou a cada equação um grupo de permutações de suas raízes e con-
seguiu vincular a resolubilidade a uma propriedade desse grupo. Os grupos com
essa propriedade são chamados modernamente de grupos solúveis.
Ocorre que o conceito de grupo solúvel envolve um conceito preliminar, o de
subgrupo normal, que Galais também teve de criar. De fato, na linguagem algébrica
moderna, um grupo G se diz solúvel se é possível encontrar uma sucessão finita de
subgrupos Go, G1, G 2 , ..., Gn tais que: (i) G == Go :J G, :J G2 :J ... :J Gn == {e} (e == ele-
mento neutro de G); (ii) G; + 1 é "subgrupo normal" de Gi (i == 0, 1, ..., n - 1); (iii) o
"grupo quociente" G;JG; I , é abeliano.

(3-192 -E)
Pois bem, são justamente os conceitos de"subgrupo normal" e"grupo quocien-
te" que introduziremos nesta seção. Deixamos claro, porém, que o conceito de gru-
po solúvel e seus desdobramentos na teoria das equações não serão explorados aqui,
devido ao carater introdutório deste trabalho.
Também nesta seçêo.e pelas mesmas razões de sempre.adotaremos a notação
multiplicativa para as operações dos grupos no desenvolvimento da teoria.

16. MULTIPLICAÇÃO DE SUBCONJUNTOS


Sejam (G,·) um grupo e A e B subconjuntos de G.lndicaremos por AB e chama-
remos de produto de A por B o seguinte subconjunto de G:
AB = 0, se A = 0 ou B = 0
AB = {xy I x E A e y E B}, se A i= 0 e B i= 0
Portanto, a "lei" que associa a cada par (A, B) de subconjuntos de G seu produto
AB é uma operação sobre o conjunto }P(G) das partes de G, chamada multiplicaçáo
de subconjuntos de G. Essa operação goza da propriedade associativa (pelo fato de
a multiplicação de G gozar dessa propriedade). Vale notar, ainda, que, se o grupo G
é comutativo, então a multiplicação de subconjuntos de G goza da propriedade co-
mutativa.
Exemplo 37:Seja G={e, a, o.c} um grupo de Klein. Lembremosa tábua desse grupo:
. e a b c
e e a b c
a a e c b
b b c e a
c c b a e
Se A = {e, a} e B = {b, c}, então AB = {eb, ec, ab, ac} = {b, c, c, b} = {b, c}.
Exemplo 38: Consideremos o grupo multiplicativo dos números reais. Se
Ao [x E W I x > o} e B o {x E u;l' I x < a}
então:
AB o {x E u;l'1 x < ajo B
pois o produto de um número estritamente positivo por um estritamente negativo
é estritamente negativo e, por outro lado, todo número estritamente negativo a po-
de ser escrito como a = (-1)( -a), em que o primeiro fator é estritamente negativo e
o segundo estritamente positivo.

17. SUBGRUPOS NORMAIS


Definição 11: Um subgrupo N de um grupo Gé chamado subgruponormal (ou
invariante) se, para todo x E G, se verifica a igualdade
xN = Nx.

G-19l-E)
Ou seja, a classe lateral a direita, módulo N, determinada por x, é igual à classe
lateral à esquerda, módulo N, determinada por x, para qualquer x E G.
Exemplo 39: Se G é abeliano, então obviamente todo subgrupo de G é normal.

Exemplo 40:Consideremos o grupo simétrico 53' Lembremos que,se lo == (' 2


, 2 3
3}
/, == (~ ~ ~) e 91 = C ~ ~} então S3 = {to' t, 1/, 9" 9,f" 91f12}.

Embora esse grupo não seja comutativo, o subgrupo H = C3 = {io, 11, f/} é
normal, pois, como se pode ver, conferindo em sua tábua (ver 2.4 xü.b):
2
foH = {io. /" t 1 } = Hfo 91H = {91' 91/1' g,f/} = Hg,
2
f,H = {f l , 11 , to} = Hf, (glfl)H = {g,f" 9d/, g,} = H(gdl)
f]2H = U]2, to' f 1} = Hill (glf/}H = {glf,2,g],91fl} = H(91f12)

Portanto, só há duas classes laterais distintas: foH e 9,H. Sugerimos ao leitor


verificar os "cálculos" na tábua.
Exemplo 41: Seja H um subgrupo de G tal que (G :H) = 2. Então H é um subgru-
po normal de G.De fato, neste caso, as classes laterais à direita, módulo H, são duas:
H e oH, em que a é um elemento qualquer do grupo que não pertence a H, e,
portanto, oH = (H'lc" pois as duas classes formam uma partição de G. As classes la-
terais à esquerda, módulo H, também são duas: H e Ha, em que a é um elemento
qualquer do grupo que não pertence a H,e, portanto, Ha = (HC)G' Logo,xH = Hx, qual-
quer que seja x E G.
Proposição 22: Seja N um subgrupo normal do grupo G. Então, para quais-
quer a, b E G, vale a igualdade (aN)(bN) = (ab)N.
Demonstração: A demonstração será feita por dupla inclusão.
• Seja x E (aN)(bN). Então,devido à definição de produto de subconjuntos,x = uv,
em que u E aN e v E bN. Portanto, u = an 1 e v = bn 2, para convenientes n l' n 2 E N;
daí,x = (an 1)(bn 2) = a(n lb)n 2 • Como, porém, por hipótese, Nb = bN e n 1b E Nb, en-
tão n 1b = bn 3 , para algum n 3 E N.De onde,x = a(n lb}n2 = a(bn 3)n2 = (ab)(n 3n 2 ).
Observando-se que n3n 2 E N, conclui-se que x E (ablN. Fica provado, pois, que
(aNllbN) C (ab)N.
• Seja x E (ab)N. Então,x = (ab)n, para algum n E N. Mas nessa igualdade é possí-
vel introduzir o elemento neutro e da seguinte maneira: x = (ae)(bn). Como e E N,
então ae E aNo Por outro lado, é imediato que bn E bN. De onde.x> (ab)n = (ae)(bn) E
E (aN)(bN). Ficou demonstrado, assim, que (ab)N C (aN)(bN).
Das conclusões parciais, segue a tese: (ab)N = (aN}(bN). #
A proposição anterior nos diz, basicamente, que o conjunto das classes laterais
à direita, módulo N, que é uma parte de Q/'(G) denotada por G/N, é fechado em
relação à multiplicação de subconjuntos de G. A associatividade da multiplicação de

(3-194-E:)
classes laterais é uma conseqüência desse fechamento e da associatividade da mul-
tiplicação de subconjuntos, mas poderia ser demonstrada diretamente assim:
[(aNI(bNI](cNI = [(abIN](cN) = [(ab)c)N = [a(bcIlN = (aN]((bcIN] = (aNI[(bN](cNIl

18. GRUPOS QUOCIENTES


Seja N um subgrupo normal de G.Asseguintes propriedades, envolvendo a mul-
tiplicação de subconjuntos de G, restrita a GIN, já foram destacadas nesta seção:
• (aN](bN) = (abIN;
• [(aN](bN)](cN) = (aN]((bN](cNIl.
Além dessas, valem também:
• (aN)(eN) = (ae)N = aN = (ea)N = (eN){aN);
• (aNHa-1N) = (aa- 1)N = eN = (a la)N = (a- 1N)(aN).
Portanto, o conjunto quociente GIN, com a multiplicação de subconjuntos,
restrita a seus elementos, é um grupo cujo elemento neutro é eN = N e no qual
(aN)-l = a lN.

Definição 12: Sejam G um grupo e N um subgrupo normal de G. Nessas con-


dições, o grupo quoôente de G por N é o par formado pelo conjunto quociente GlN
e a restrição aos elementos desse conjunto da multiplicação de subconjuntos de G.
Exemplo 42: Sejam G = {1, ~ 1, i, -i} o grupo multiplicativo das raízes quérttcas
da unidade e N = {1, -1}. N é um subgrupo normal de G pelo fato mesmo de que
G é comutativo. As classes laterais neste caso são duas apenas: lN = N = [t, -1}
e lN = {i, -i}. (O próprio fato de a união das duas ser igual a G é suficiente para
mostrar que não há outras.) A tábua do grupo quociente GIN é:
. N lN
N N iN
iN iN N

Exemplo 43: Sejam G = 71 6 = {O,1,2,3,4, S} e H = {O, 3}. As classes laterais


neste caso são: O + H = H, 1 + H = {1,4},2 + H = {2,S},já que essas três englobam
todos os elementos de 71 6 , A tábua do grupo quociente GIH neste caso é:
+ H l+H 2+H
H H l+H 2 +H
l+H 1 +H 2+H H
2+H 2+H H 1 +H

Notar que usamos o fato de que 3 + H = H, pois 3 ~ ° = 3 E H.

(3-195 -E:)
Exemplo 44: No grupo 53 consideremos o subgrupo H == (3 == {fo, i" i/}. No
exemplo 40 verificou-se que H é um subgrupo normal 53' Outra maneira de chegar a
essa conclusão seria por intermédio do exemplo 41. A tábua do grupo quociente
S31H é a seguinte:
o H g,H
H H g,H
g,H g,H H

Proposição 23: Seja i: G - L um homomorfismo de grupos. Se N é um subgru-


po normal de G, então a apücação p; G - G/N definida por ,.,.,(a) == aN é um homo-
morfismo sobrejetor de grupos cujo núcleo é N.
Demonstração: De fato:
• /L(ab) ~ (ab)N ~ (aN)(bN) = /L{a)/L(b).
• Se y E: GIN, então y == aN, para algum a E: G. Como, então, ,.,.,(a} == aN == y,
conclui-se que u é uma aplicação sobrejetora.
• Lembremos, primeiro, que o elemento neutro do grupo quociente é a classe N.
Isso posto, se a E Ker(,.,.,), então ,.,.,(a) == aN == N. Como, porém, a E aN, pois a == ae
e e E N, então a E: N.lsso mostra que Ker(,.,.,) C N. Por outro lado, se a E N, então
aN:= N e, portanto, ,.,.,(a) == aN:= N (elemento neutro de GIN) e,portanto.c E: Ker(,.,.,).
As duas inclusões demonstradas garantem que Ker(,.,.,) == N. #

Definição 13: Seja i: G -


L um homomorfismo de grupos. Se N é um subgru-
po normal de G, então o homomorfismo W G - GI N definido por ,.,.,(a) == aN é cha-
mado homomorfismo canônico de G sobre G/N.

19. O TEOREMA DO HOMOMORFISMO


Lema 1: Se f: G - L é um homomorfismo de grupos, então N == Ker(f) é um
subgrupo normal de G e, portanto, GIN tem uma estrutura de grupo.
Demonstração; Que N == Ker(f) é um subgrupo de G já foi demonstrado (pro-
posição 6). Falta provar que é normal, ou seja, que oN == Na, para qualquer o E G, o
que será feito por dupla inclusão.
• Se x E oN, então x := oh, para algum h E N. Mas oh == (aho ')0. Ocorre, porém,
que i(aha-') == i{o)f(h)i(a- 1) == i(a)e[J(a)] , == f(a}[i(an-' == u (elemento neutro de
L). Portanto, aha -1 E N == Ker(f) e, como x:= ah == (oha 'Ic. então x E Na. Fica pro-
vado, pois, que aN c Na.
• De maneira análoga se demonstra que Na C aN.
Das duas conclusões, segue que Na == aN, como queríamos provar. #

(3-196-E)
Proposição 24 (teorema do homomorfismo para grupos): Seja f: G ---... L um
homomorfismo sobrejetor de grupos. Se N = Ker(f), então o grupo quociente GI N
é isomorfo ao grupo L.
Demonstração: O primeiro passo é descobrir um isomorfismo, digamos, de GI N
em L. E, para isso, uma boa pista é ver como se representam os elementos de GIN e
L. Os do grupo quociente são classes laterais oN, com o E G, e os de L imagens
f(a), com a E G.Portanto, é natural investigar se a correspondência aN - f(o) é um
isomorfismo. Mas primeiro é preciso ver se se trata de uma aplicação, já que uma
mesma classe lateral à direita, módulo N, pode ser representada em geral de mais
de uma maneira.
• Vamos supor oN= bN.Então b-lo E N e, portanto,f(b-lo) = u (elemento neu-
tro de L). Mas f(b-lo) = f(b- 1)f(0) = [f(b)]-lf(o). Logo, [f(b)]-lf(o) = u e f(a) =
= f(blu = f(b). De onde, a correspondência oN - fia) é de fato uma aplicação.
• Seja (J: G/ N - L a aplicação definida por (J(oM = f(o). Para mostrar que o é lnie-
tora, suponhamos f(o) = f(b), em que o, b E G. Então [f(blrlf(a) = [f(b)rlf(b) = u.
Usando-se a hipótese de que f é um homomorfismo de grupos, da igualdade
[f(b}]-lf(a) = u segue que f(b-la) = u. Mas isso significa que b la E N e, portan-
to, aN = bN, como queríamos provar.
• Que (J é sobrejetora é praticamente imediato. De fato, se y E L, então y = f(o),
com o E G. Então, tomando x = aN E GIN, (J{x) = rr(oN) = f(a) = y.
• Mostremos por último que {J é um homomorfismo de grupos. De fato:
,,[(aNJlbNJI ~ u[(abINI ~ f(abJ ~ f(aJf(bl. #
Seja i: G -- L um homomorfismo sobrejetor de grupos e denotemos por N o
núcleo de f. Consideremos ainda o grupo quociente G IN, o homomorfismo canõnf-
co f-l: G -- GIN e o homomorfismo (r: GIN-.. L, introduzido na proposição anterior.
a diagrama de grupos e homomorfismos

sugere a possibilidade de uma fatoração de f através de GIN. Efetivamente isso


ocorre, pois, para qualquer a E G:
(u0I-L)(a) = (J(I-L(o)) = (J(oN) = f(o)
e, portanto:
!=(JCfl.
Exemplo 45: Dado um inteiro m '> 1,consideremos o homomorfismo Pm: 2 - 2m
a
definido por Pm{o) = (exemplo 11). Esse homomorfismo é sobrejetor, como já vi-
mos,e seu núcleo é o conjunto dos inteiros a tais que ã = a,
ou seja, o conjunto dos
inteiros a tais que a"" O(mod m). Portanto, Ker(f) = [m] = {a, ±m, .tZm, ...}. o teo-
rema do homomorfismo nos garante que os grupos Z / [m] e "Em são isomorfos.

_ Exercícios
114. Seja G um grupo multiplicativo. Se A C G e A *- 0, seja A 1 = {x- 1 I X E A}.
Mostre que:
a) (A- 1 ) - 1 =A
b) 'riA, 8 C G, A*- 0,8-=1=- 0, tem-se (AB)-1 = 8- 1 • A-I

115. Seja G um grupo multiplicativo e H -=I=- 0 um subconjunto de G. Mostre que


H é subgrupo de G se, e somente se, H·H C H e H 1 C H.

116. Mostre que, se N é subgrupo normal de G, a E G e n E N, então existe um


elemento n' E N tal que an = n'a.

117. Sejam M e N subgrupos normais de G. Mostre que M n N e MNtambém o são.


Resolu o
Façamos M n N= He MN = K.
Sugerimos ao estudante mostrar que H e K são subgrupos de G.
Provemos que xH = Hx, V E G:
yExH =y=xh 1 ,.
hEMnNJ=y=mx=nx

E, então, m' = n' = h', isto é, y = h'x E Hx.


Analogamente, y E Hx = Y E xH.
Provemos que xK = Kx, V E G:
y E xK = Y = xk '" x(mn) = (xm)n = (m'x)n = m'(xn) = m'(n'x} = (m'nlx = k'x = y E Kx
E. analogamente, y E Kx = Y E xK. •

118. Sejam G um grupo, N um subgrupo normal e H um subgrupo de G. Mostre que


H n N é normal em H.

119. Mostre que um subgrupo N do grupo G é normal se, e somente se, x -I Nx = N,


para todo x E G. (Nota: x lNx = { [ I nx I n E N}.l

120. Sejam G um grupo e H um subgrupo. Seja NH o conjunto de todos os x E G


tais que xHx -1 = H. Mostre que NH é um grupo que contém H e que H é nor-
mal em NH •

121. Mostre que, se M e N são subgrupos normais do grupo G e M n N = {e},


então mn = nm, para todos m E Me n E N.

(3-198-E)
Sugestão: Prove que (mn)(nm) 1 = e. (e = elemento neutro)

122. Seja N um subgrupo de G tal que (G : N) = 2. Mostre que N é normal em G.

123. Demonstre que, se um grupo finito G tem um único subgrupo N de uma dada
ordem, então N é normal em G.

124. Seja G um grupo multiplicativo. Mostre que H = {x E G I xa = ax, Va E G} é um


subgrupo normal de G.

1~) Sendo e o elemento neutrode G, temos ea == oe, 'ria E G; portanto. e E H e H"* 0.


2~) Sejam x,y E H. Então x e y comutam com qualquer elemento de G.lnteressa par-
ticularmente observar que. se a E G, então xa == ax e ya I == a I y.
Provemos que xy"" E H:
(xy-')a == X(y-l a) == x{a 1y )- ' == x(ya-Ir 1 == x(ay I) == (xrrly"" == (ax)y-I = a(xy-')
3~) Provemos, finalmente. que aH = Ha, 'ria E G:
li E aH= a ==ah= a =ha =a E Ha
C
Então. aH ::J Ha. •

125. Sejam G um grupo, H um subgrupo de G e N um subgrupo normal de G. Mos-


tre que NH é um subgrupo de G e NH = HN.

126. Seja i: G - J um homomorfismo sobrejetor de grupos. Se H é um subgrupo


normal de G, mostre que f(H) é um subgrupo normal de J.

127. Seja f: G _ G' um homomorfismo com núcleo H. Suponha que G é finito.


Mostre que ordem de G == (ordem da imagem de f)(ordem de H).

128. Sabe-seque o conjunto dos automorfismos de G, denotado por Aut(G), é um


grupo para a composição de aplicações. Para cada a E G, seja Fo : G - G dada
por Fo{x) = axa-1, V x E G. Mostre que I(G) == {Fa I a E G} é um subgrupo
normal de Aut(G).

129. Seja T um subgrupo cíclico e normal de G. Mostre que todo subgrupo de T


é subgrupo normal de G.

130. Seja G = [a] um grupo cíclico de ordem 6. Sendo H = [a 2 ], construa a tábua


do grupo GIH.

(3-199-E)
at!.l~
h'", [0 2] == {e, a 1, a4 }
As classes laterais à esquerda de H são:
eH == H e oH == {a, a J , c"]
H oH
Notemos que eH = a 2H == Q4H e oH = a'H = a"H.
H H oH
Observemos também que xH = Hx, 'ri E G, pois G é abeliano.
Podemos, então, construir a tábua de G/H:
oH oH H

131. Determine todos os subgrupos não triviais do grupo aditivo !L ó Para cada sub-
<

grupo H encontrado, construa a tábua do grupo quociente Z6/H.

132. Construa as tábuas dos seguintes grupos quocientes:


a) Is/H, em que H = {O,.4}
b) 7/22
c) (2 x 2:')/(32 x 22), em que 7L x 7L é o produto direto

133. Considere 11 como um subgrupo do grupo aditivo Q dos númerosracionais. Mos-


x
tre que, dado um elemento E Q 17L, existe um inteiro n?1 tal que nx = o.

134. Demonstre que, se H é um subgrupo normal de G e o índice de H em G é


um número primo, então GIH é cíclico.

IV-6 PERMUTAÇÕES

20. CICLOS E NOTAÇÃO CíCLICA


Entre os grupos importantes que relacionamos em 2.4, merece ser estudado
um pouco mais profundamente, pela sua importância em vários campos, o grupo Sn
das permutações sobre o conjunto ln = {l, 2, ..., n}, n ?c 2. Na nota histórica que abre
este capítulo (seção 1), já nos referimos ao papel dos grupos de permutações na
história das equações algébricas. Outro assunto em que os grupos de permutações
desempenham um papel chave é na teoria dos determinantes.
Para o estudo que segue, precisaremos introduzir um novo tipo de permutação
e uma nova notação.
Definição 14: Sejam a 1, a 2, ..., ar E 'n inteíros distintos. Se {J E Sn é uma per-
mutação tal que (T(a 1) = a 2, lT(a 2) = (J2 (a,) = a 3, ..., etc, _ ,) = ar , (a,) = a, e cr{a,) =
= (J'(a,) = a, e (J(X) = x, para todo x E 'n - [c.. Q2' "0' ar}, então se diz que {J é um
cicto decomprimento r e que {a" a 2, ..., a,} é o conjunto suporte de (T. Para designar
a permutação assim definida, usaremos a notação (a 1, a 2 , ••., a,). Se r = 2, então IT
é chamado de transposição.

(3-200 -E:)
Exemplo 46: Consideremos em 55 a permutação
2 3 4
IT = ('
4 1 3 2
Como <r(1) = 4. rr(4) = 2 e cr(2) =: 1, a(3) = 3 e u(5) =: 5, então o é um ciclo de
comprimento 3 cujo conjunto suporte é {t, 2. 4}. Portanto, podemos escrever:
<r=(142)

A notação cíclica merece um comentário. Primeiro, ela não indica em que grupo
Sn se está. Por exemplo, se escrevemos (T =: (1 4 2), simplesmente, pode se tratar
tanto da permutação do exemplo 46 como de

(~ ~)
2 3 4 5
a = 1 3 2 5
De que permutação se trata realmente é determinado pelo contexto. Outro
aspecto dessa notação é que o mesmo ciclo pode ser descrito de mais de uma
maneira, pois cada um dos elementos do suporte pode ocupar a primeira posição,
desde que não se mude a seqüéncta em que eles aparecem. Em 55' por exemplo:
(1 4 2) =: (4 2 1) = (2 1 4)
Em qualquer dessas três notações, 1 1--74,4 1--72, 2 1--71, 3 1--73, 5 1--75 e, portan-
to, efetivamente elas indicam a mesma permutação de 55'
Proposição 25: Se o- = (a 1a2 ... a,) E 5n é um ciclo de comprimento r > 1,
então ola) = r e, portanto, se E: indicar a permutação idêntica de 5n, lo l =: {e,o, a 2,
r - 1\
.... (r [.

Demonstraçào: Da definição de ciclo decorre diretamente que ai 1(0,) =: ai


8 sempre que 1 -s i < r,e, portanto, r -s; ola}.
(i = 1,2, ..., r) e crr(o,) = 01' Então cri i=
j
Por outro lado, se i é um índice tal que 1 -s; i -s r, então a'(oi} =: cr'(cr \a,)) =:
=: <ri - 1((T'{OI)) = ui - 1(0 ) =: ai' Considerando-se que a(x) = x sempre que x -=I=- ai
1
(i = 1.2, ..., r), então o" = 8 e, por conseguinte, o(a) ~ r. De onde, o(u) =: r. #
Dois ciclos, como (1 2 4) e (3 5),em 55' cujos suportes são conjuntos disjuntos,
são chamados dclos disjuntos.
Proposição 26: Dois ciclos disjuntos comutam.

Demonstração:Sejam <p e rr ciclos de 5n disjuntos, com suportes iguais respecti-


vamente a A e B. Se x é um elemento de 'n' há três hipóteses possíveis:
o x E A.
Então, (<p:Ju)(x) =: <p(u{x)) = <p(x), ao passo que (ao<p}(x) = cr(<p(x)) =: <p(x).
Portanto, ç oo- e rr~j<p coincidem em A.
o x E B (raciocínio análogo).
·xtlAextlB.

(3-201-E)
Neste caso, (.pU (J)(X) = i.p((J(X)) = o;p(x) = x. ao passo que ((Joo;p}(x) = (J{o;p(x)) =
= <p(x) = x. Portanto, tpc u e o ctp também coincidem fora de A e B. #
Proposição 27: Toda permutaçáo a E 5n, exceçáo feita à permutação idêntica,
pode ser escrita univocamente (salvo quanto à ordem dos fatores) como um produ-
to de ciclos disjuntos.

Demonstraçáo: Supondo, para facilitar, que a{1) -=f- 1, consideremos a seqüên-


cia de imagens de 1 pelas potências sucessivas de tr:
(J0(1) = 1, cü), a 2(1) = (aoa)(l), (J3(1), ....
Como 'n é finito, os elementos dessa seqüência não podem ser todos distintos.
Isso nos permite fazer a seguinte escolha:seja r o menor expoente estritamente p0-
sttlvo tal que a°(1) = 1,(JO), a 2(1), a 3(1),..., o ' - ,(1) sejam distintos mas ur(l) = a j(1),
para algum inteiro j tal que O -s; j < r. Dai segue que rr" - j(l) = 1 = a°(1), o que só é
possfvel, dada nossa escolha de r, se j = O. Portanto, (,-'(1) = 1.Obtém-se assim o ciclo:
a 1 = (l,a(l), (,-2(1), ...,u f - \1))
que coincide com a restrição de tr a seu conjunto suporte.
Indiquemos por a o menor inteiro de 'n que não aparece no suporte de U1 e
tal que a(a) -=f- a. (Se nenhum a de 'n cumprisse essa desigualdade, a demonstração
já se encerraria.) Repetindo-se o argumento anterior com a seqüência
aO(a) = a, ata), (J2{a) = (uou)(a), (J3(a), ...

chega-se a um ciclo CT2' que também coincide com a restrição de o- a seu conjunto
suporte.
Mostremos que (J, e a 2 são disjuntos. De fato, suponhamos que b fosse um
elemento comum aos suportes desses dois ciclos.Então b = u f (1) = (J5(a), com, diga-
mos, O c; S c; t. Daí, a t -, (1) = a, o que coloca a no suporte de a" contrariamente a
nossa escolha.
Esse processo certamente termina num número finito m de passos. E, como
(J",ou2o ...o(Jm tem sobre os elementos de 'n o mesmo efeito que a, então:

Exemplo 47: Vamos decompor em ciclos disjuntos a seguinte permutação de 58:


234 5 6 7
6 8 3 7 5 2
Como a(1) = 1, vamos começar o processo descrito na demonstração com o
elemento 2:
2, u(2) = 6, (J"2{2) = (J(a(2)) = a(6) = 5, CT(5) = 7, u(7) = 2
Portanto:
Ul = (2 6 5 7)

(3-202-E)
Repetindo-se o processo a partir do 3:
3, CT(3) = 8, rr(8) = 4, CT(4) = 3
Então:
CT2 = (3 8 4)
Portanto:
CT=(2 6 5 7}c(3 8 4)

Proposição 28: Se n > 1, então toda permutação de Sn pode ser expressa


como um produto de transposições.
Demonstração: Uma verificação simples mostra que para todo ciclo de compri-
mento r em 5n vale a identidade
(a 1 a 2 a 3 ••• a, _, ar) = (a, ar)u{a, ar ,)o ...o(a, a 2 )
Portanto,dada uma permutação de Sn' é só decompô-Ia em ciclos, de acordo com
a proposição anterior, e depois aplicar a identidade acima para cada um dos ciclos. #

Exemplo 48: Justificar, com detalhes, a seguinte igualdade em 54: (1 2 3 4) =


=: (1 4}cj(l 3)0(1 2). Mostraremos que o efeito do produto de transposições do
segundo membro sobre '4 é igual ao do ciclo do primeiro membro. Para isso, faça-
mos (1 2) = 0", (1 3) = (fl e (1 4) = u.. Então:

a ~ fL
1 2 2 2
2 1 3 3
3 3 1 4
4 4 4 • 1
o que mostra que (f.L0(ÇlOCT)(l) 2, (f.L0lpoCT)(2) = 3, (f.L0'f()CT)(3) 4 e
(I-LC'(ÇlOIT)(4) = 1 e, portanto, que p.c qiorr = (1 2 3 4).

Exemplo 49: Vejamos como decompor em transposições a seguinte permu-


tação de 58:
2 3 4 5 6 7
6 8 3 7 5 2

Como já vimos (exemplo 47):0" = (2 6 5 7)0(3 8 4). Mas,devido à iden-


tidade exibida no corolário:
(2 6 5 7) = (2 7)0(2 5)c.(2 6) e (3 8 4) = (3 4)0(3 8)

Portanto:
CT = (2 7)0(2 5)0(2 6)0(3 4)o{3 8)

(3-203 -E)
21. ASSINATURA DE UMA PERMUTAÇÃO
A decomposição de um ciclo em transposições, garantida pela proposição 28,
não é única. De fato, como (a b)u (b a) é a aplicação idêntica de 'n' que é o ele-
mento neutro de Sn' então num produto de transposições podem-se inserir tantas ex-
pressões desse tipo quanto desejemos, sem afetar o resultado. Em 57' por exemplo:
(2 6 5 7) = (2 71"{2 5)0(2 6) = (1 2),,(2 1)0{2 7)0{2 5)c(2 6)
Pode-se demonstrar, porém, que todas as decomposições de um mesmo ciclo
em transposições têm em comum a paridade. Ou seja, se numa delas o número de
transposições é par (ímpar), então o mesmo acontece em todas as outras. Mas, para
provar esse importante resultado, é preciso introduzir antes o conceito de assinatura
de uma permutação.
a,
Definição 15: A assinatura de uma permutação (T =
( b,
número real,aqui denotado por sgn CT, e definido por:
ai - aj
sgnu= II b,__ b,
em que o produto é estendido a todos os pares (i,j) de índices tais que i > j.
Da definição decorre diretamente que a assinatura da permutação idêntica é L
Convém observar que o produto que define sgn rr não depende da ordem das
a-- a-
colunas na expressão de o- e que cada quociente _'_ _1 é uma função do par (i,j).
b i - bj
Exemplo 50: A assinatura da permutação
2
3
é:
2-13-1 3-2
sgn((T)= - - . - - . - - =(1)(-2)(-1/2)=1
3-21-21-3

Proposição 29: A assinatura de uma transposição é -,.


Demonstração: Seja 'r E Sn uma transposição.
Evidentemente podemos representar 't da seguinte maneira:
T = (a, a, a, ao)
a2 a, Q3 bn
Se (r, 5) é um par de índices da primeira linha da transposição 't e 1 -s r < s -e; n,
então as situações possíveis são as seguintes:

(3-204-E)
O2 - 01
a) (r,5) = (1,2) cujo fator correspondente em sqnr é = -1.
a, - O2
as - a 1
b) r = 1 e 5 > 2,caso em que o fator correspondente de (r,5) em sqrrr é - - - .
as - O 2
as - a2
c) r = 2 e 5 > 2, caso em que o fator correspondente de (r, 5) em sçnr é - - - .
as - 01

o, - ar
d) r> 2 e, neste caso, o fator correspondente de (r, 5) em sçnr é - - = 1,
a, - ar
Como os fatores de b) e c) aparecem em pares cujo produto é 1, então:
O2 - 01
sgwr = - - - = -1. #
01 - a2

Proposição30: Para quaisquer permutações o, 'P E Sm sgn('P o c) = (sgn tp)(sgn u),

Demonstração: Permutando convenientemente as colunas de tp, podemos escre-


ver:
a, a, . . ao) (b, b, bo )
u=
(b, b b 2 ... n
e 'P=
c, c2 c;
Portanto:
ai-aj bj-bj ai-aj
(sgntp)(sgn(T) = (sgntY)(sgntp) = Il-_-
b b
II-_-
i< c
~II-_- = sgn(tp
c, Cj
C) u), #
j j

Corolário 1: Se {J E Sn,então sqn o- = ±1.


Demonstração: Como já vimos (proposição 28), toda permutação pode ser ex-
pressa como um produto de transposições. Portanto:

para convenientes transposições "1' '2' ..., T, E Sn' Então, usando-se a generalização
natural da proposição 30 para r fatores e considerando-se que a assinatura de uma
transposição é igual a -1:
sgna = Sgn(L10L2() ....'JLr} = (sgn L1)(sgn "2)'" (sgn T,) =
~ (-1)(-1)...(-1) ~ (-l)' ~ ±1. #

Corolário 2: Qualquer que seja a permutação a E Sn' sgn rr -1 = (sgn rr)-l.


Demonstração: Como (1 2)c(1 2) indica a identidade de Sn' então rr- 1c a =
== (l 2)0(1 2). Portanto:
[o5gn [rr 1)](sgn (J) = sgn (a l()u) = sgn[{l 2)0(1 2)] =
= [sgn (1 2)J[sgn (1 2}1 = (-1)(-1) = 1
De onde, sqn a 1 = (sqn U)-I, #

(3-205 -E:)
Proposição 31: Seja dada uma permutação rr E Sn e consideremos duas de-
composições de (T em transposições;

Então os inteiros r e s têm a mesma paridade.


Demonstração: Devido ao corolário 1, sgn a = (-1)' = (_l)s. Se r for par, então
(-1)' = 1; daí (-1)' = 1 e, portanto,s também é par. O raciocínio é análogo no ca-
so em que r é ímpar. #
Definição 16: Uma permutação a E Sn é chamada par ou ímpar conforme pos-
sa ser expressa como um produto de um número par ou ímpar de transposições.
Em outras palavras.conforme sua assinatura seja + 1 ou -1.0 conjunto das permu-
tações pares de Sn será indicado por AwA n -=I=- 0 pois F; = (12){21) é par.
Proposição 32: Para todo n > 1,o conjunto An é um subgrupo, de ordem n!l2
e índice 2, de Sw
O subgrupo An será chamado grupo alternado de grau n.
Demonstração: Sejam 0-, 'P E Aw Então sgn (a) = 1 e sgn 'P = 1. Como, porém,
sgn (fTU'P-1) = (sgn (T)(sgn l.p)-l = 1 .1- 1 = 1, então CfO'P-1 E Aw Fica provado,
pois, que An é um subgrupo de Sn'
Sejam r as permutações pares e 5 as permutações ímpares de Sn' que denota-
remos respectivamente por Cf 1' (J2' ..., a, e 'PI' 'P2' ..., 'Ps' Multiplicando as permu-
tações pares por uma transposição T, obtemos as permutações:

Como todo elemento de um grupo é regular, o número desses produtos tam-


bém é r. Mas,como o produto de uma permutação ímpar (a transposição T) por uma
par, todos esses produtos são ímpares. Logo, r ~ s.
Analogamente, se multiplicarmos as permutações ímpares por r, obteremos as
5 permutações pares:

n!
s ~ r. De onde, r = s, e como r + 5 = n!, então otAn) =
~ortanto, 2 e, por con-
seguinte, (Sn : An) = 2. #

Corolário: An é um subgrupo normal de Sn' (Ver exemplo 41.)

Exemplo 51: Achar todas as permutações pares de 53' Lembremos que

5, +o=C 2
2 ~)'fl=G 3 ~),f2=C
2 2
1
~), 91 = C 3 23) '
2

C
92 =
2
2 ~)'93 = G 1
2
m
(3-206-8
Então, ia é par, i, = (1 2 3) = (1 3)0(1 2) é par,h = (1 3 2) = (l 2)0(1 3)
é par, 91 = (2 3) é ímpar, 92 = (1 3) é ímpar e 93 = (1 2) é ímpar. Logo, o grupo
alternado neste caso é:

Exemplo 52: Construir a tábua do grupo 5n/An-


Como vimos, otAn} = (5n : A n) = 2 e, então, 5nlAn = {A n, <pA n}, em que 'P é uma
permutação ímpar qualquer. Uma maneira de construir a tábua pedida é lembrar
que todos os grupos de ordem 2 são isomorfos. Então:
. A, ~A,
A, A, ~A,

~A, ~A, A,

1m! Exercícios
135. Dê um exemplo de duas permutações do grupo 53 que não comutam.

136. Expresse cada uma das seguintes permutações de 58 como produto de ciclos
disjuntos e, depois, como produto de transposições:

a) G 2
2
3
6
4
3
5
7
6
4
7
5 ~)
~)
2 3 4 5 6 7
b) (;
6 4 1 8 2 5

c) C 2
1
3
4
4
7
5
2
6
5
7
8 :)
137. Qual é a inversa da permutação (J" = (1 2113 5117 8 9) no grupo 51O?

138. Determine as assinaturas das seguintes permutações:

ai (;
2
3
3
1 1) c) G 2
1
3
3
4
4 ;)
~) ~)
2 3 2 3 4
b) (;
2 4
di (; 1 2 5

139. Responda às seguintes perguntas referentes ao grupo 58:


a) Qual a ordem do ciclo (l 4 5 7)?
b) Qual a ordem de (4 5)0(2 3 7)7

C!7lO7 oE)
140. Decomponha cada uma das seguintes permutações num produto de ciclos
disjuntos dois a dois e determine suas ordens e assinaturas.

~)
2 3 4 5 6 7 8
ai ('
7 5 8 6 3 4 9 1

~)
2 3 4 5
b} (~ 5 4 3 2

141. Encontre a ordem de cada um dos elementos de S4:


a) (1 2 3)
b) (1 4 3 2)
c) (l 2)(3 4)

142. Determine todas as permutações de SIO que são permutáveis com (1 2 3


4 5) (6 1 8 9 10).

143. Construa uma tábua do grupo alternado A 4 .

144. Se a E Sn é um ciclo de comprimento r, mostre que o{lr) = r.

145. Sejam a, l.p E Sn ciclos disjuntos. Mostre que o(aC'l.p) = mmctcto), O{l.p)).

Sejam r, 5 e i, respectivamente, as ordens de a, l.p e o-c l.p e m = mmc (r,5). Lembremos


as propriedades que caracterizam m: (i) m :;" O; (ii) r Im e 5 I m; (iii) se m' é um inteiro
tal que r I m' e 5 I m', então mim'.
Como m é múltiplo de r e 5 e a e l.p comutam entre si, então (a'~;l.p)m = (Jm';''F m ==
= e.:e = e e, então, devido à proposição 17, t I m.
Por outro lado, ((J,}tp)' == a'..-rp' = t:, pois a ordem de crc''P é t.Agora, se a é um ele-
mento do suporte de o , então <p(a) = a e, portanto, <pl(a) = a. Então crl(a} = (cr"''';'P~(a) =

= e(a) == a edaí segue, devido à proposição citada, que r I t. Analogamente se demons-


tra que s I t. Portanto, m I t. Como já provamos que t I rn. então m = r. •

146. Mostre que o número de permutações ímpares de {1, ..., n}, para n ;? 2, é
igual ao número de permutações pares.

147. Mostre que a assinatura do r-ciclo (a 1 a 2 •.• ar) é (-1)' + 1.


Sugestão: Use o método da indução finita.

(3-2OB-€)
148. Seja o- um ciclo de comprimento r. Se r é ímpar, mostre que l.fl também é
um ciclo.

149. Justifique as seguintes identidades:


a) (1 2 k)=(l 2 ... j)o(j j+l k) (l < j < k)
b) (1 2 k) = (l k)o(l 2 ... k -1) (k> 1)
c) {l 2 k)o(k-l ... 2 1)=(1 k)

151. Sejam Ir, 'P E Sn ciclos disjuntos tais que a0'P = B. Prove que a = 'P = 8.
, ,bsoluçia
Seja lp == (a, a 1 .•. a,). Portantoc (a,) = a 2• Mas, sendo disjuntos os ciclos oados.c, não
pertence ao suporte de IT e, portanto, a(02) == alo Como, porém, ITCJlp = 8, então (fC''P){Ol) ==
= a]. Mas (a,-,'o:p)(a]l == (f)(O:P(o,)) = rr(o) == O 2, Logo, 02 == ai' Esse raciocínio, estendido a
todos os elementos do suporte de !.p, levará à conclusão de que ai == Q2 = ... = ar e,
portanto, de que l.p é a permutação idêntica. Como,por hipótese, {no:p = c e l.p == 8, pe-
lo que acabamos de provar, então {r = B. •

152. Sejam o. <p E Sn- Prove que sgn cr = sgn (<p()(TC;<p-').

1 53. Mostre que em Sn' se o- comuta com a permutação circular T = (1 2 .,. n),
então (T = Ticom i E 71*.

(3-209-E)
CAPíTULO V
ANÉIS E CORPOS
V-l ANÉIS

1. NOTA HISTÓRICA
Um aspecto que chama a atenção na história da álgebra é seu desenvolvimento
tardio no que se refere à organização lógica e axiomatização. Considerando-se que
a geometria já recebera uma axiomatização nos Elementos de Euclides (e. 300 a.C), o
fato de datar do século XIX a primeira tentativa feita nesse sentido para a álgebra
põe em relevo dificuldades teóricas de grande porte. Além do mais, a obra em que
aparece a primeira tentativa de axiomatização da álgebra,do inglês Benjamin Peacock
(1791-1858), publicada em 1830, em pouco tempo foi totalmente superada.
Pouco depois disso, o irlandês William R. Hamilton (1805-1865) engajou-se na
tarefa de criar um sistema numérico que desempenhasse no espaço tridimensional
o mesmo papel, algebricamente falando, que o sistema dos números complexos
desempenha no espaço bidimensional (o plano). Inicialmente o matemático imagi-
nou que esses novos números seriam do tipo a + bi + cj (com jl = / = -1). Mas
em 1843, depois de mais de dez anos de pesquisas, descobriu que eles tinham de
ser do tipo a + bi + cj + dk (com i1 = / = k1 = -1) e que teria de abrir mão da
comutatividade da multiplicação. A criação desses novos números, os quaternions,

(3-210-E)
mostrou que as leis clássicas da álgebra (como a comutatividade) podem não ser
aplicáveis em certos casos.Otrabalho de Hamilton e outros matemáticos colaborou,
já no século XIX,para a criação de inúmeras "estruturas algébricas" novas, entre as
quais as de "corpo" e de "anel"
Na verdade, o embrião da idéia de corpo já aparecera nos anos 182D, nos tra-
balhos sobre equações algébricas do norueguês N. H.Abel (18D2-1829).Abel enten-
dia por corpo uma coleção de números fechada para a adição, subtração. multipli-
cação e divisão (salvo no caso de divisor igual a zero). Mas a idéia de corpo só se
tornaria explícita quando o alemão R. Dedekind (1831-1916) introduziu os corpos de
números de grau finito como base para o estudo dos números algébricos.
Um número complexo se diz algébrico se é raiz de um polinómio com coeficien-
tes racionais. Por exemplo, \2/2 é algébrico, pois é raiz de p(x) = 2x 2 - 1. Um nú-
mero complexo que não é algébrico diz-se transcendente. Osexemplos mais notáveis
de números transcendentes são TI e e. Demonstra-se que, se ct e 13 são algébricos,
também o são a ± 13, af3 e a/f3 (se f3 =F O) e, portanto, o sistema dos números al-
gébricos é um corpo, segundo a idéia de Abel. Porém, o primeiro matemático a dar
uma definição abstrata de corpo foi H. Weber (1842-1913), num artigo de 1893.
Essas pesquisas levaram naturalmente à idéia de inteiro algébrico. Um número
complexo se diz inteiro algébrico se é raiz de um polinómio cujo coeficiente do ter-
mo de maior grau é 1 e os demais são números inteiros. Por exemplo, o número i
é um inteiro algébrico, pois é raiz de p(x} = x 2 + 1. Demonstra-se que, se ct e 13 são
inteiros algébricos, então O'. ± 13 e 0'.13 também o são.Mas 0'./13 não é necessariamen-
te inteiro algébrico, mesmo quando 13 =F O. Nessas propriedades, compartilhadas
pelo sistema dos números inteiros, inspira-se a definição de anel. Mas a primeira
definição abstrata de anel (ver 2.1) só seria dada em 1914 pelo alemão A. Praenkel
(1891-1965), embora o nome anel já tivesse sido introduzido por D. Hilbert (1852-
1943) perto do final do século XIX.

2. AN~IS E SUBAN~IS
2.1 Conceito de anel
Definição 1: Um sistema matemático constituído de um conjunto não vazio
A e um par de operações sobre A, respectivamente uma adição (x, y) H X+Ye
uma multiplicação (x, y) H xy (ou X • y), é chamado anel se:
O) (A, +) é um grupo abeliano, ou seja:
(a) se a, b, c E A, então a + (b + c) = (a + b) + c (associatividade);
(b) se a, b E A. então a +b = b +a (comutatividade);
tcl exlste um elemento DA E A tal que, qualquer que seja aE A, a + DA = a
(existência de elemento neutro);
(d) qualquer que seja o E A, existe um elemento em A, indicado generica-
mente por -o, tal que a + (-o) = 0A (existência de opostos).
(ii) A multiplicação goza da propriedade associativa, isto é:
se o, b, c E A, então a(bc) = (ab)c.
(iii) A multiplicação é distributiva em relação à adição, vale dizer:
se a, b, c E A, então a(b + c) = ob + oc e (a + b)c = ac + bc.
Por uma questão de simplicidade de linguagem, poderemos identificar a adição
do anel com o símbolo + e a multiplicação com um ponto. E, quando não houver pos-
sibilidade de confusão,até esses símbolos poderão ser omitidos. Por exemplo, será co-
mum usarmos expressões como "Seja (A, +, -l um anel" ou mesmo "Seja A um anel"
ou "Consideremos um anel A". Naturalmente as duas últimas alternativas pressupõem
que não haja confusão possível quanto às operações subentendidas. Outra maneira
simplificada de nos referirmos a um anel A será dizendo que "A tem uma estrutura
de anel", o que naturalmente também pressupõe as operações já subentendidas.

2.2 Propriedades imediatas de um anel


Seja (A, +,-) um anel.
(a) As propriedades aqui reunidas são conseqüências do fato de que a adição é
uma operação sobre A e de que (A, +) é um grupo aditivo abeliano:
• O elemento neutro 0A é único. Esse elemento é chamado zero do anel e.quan-
do não houver possibilidade de confusão, poderá ser indicado apenas pelo sim-
bolo O.
• O oposto -a de um elemento A do anel é único.
• Se 0"a 2 , ...,on E A,então -(a 1 + O 2 + ... + an) = (-a 1) + (-a 2 ) + ... + (-a n).
(Observar que a comutatividade da adição foi usada.)
• Se o E A, então -(-a) = o.
• Se o + x = o + y, então x = y. Ou seja, todo elemento de A é regular para a
adição, Ou, dito em outros termos, vale a lei do cancelamento da adição.
• A equação a + x = b tem uma e uma só solução: o elemento b + (-a).
(b) Se a E A, então o . O = O • o = O.
Justificação:

o + a . O =o . O=a .
T (cancelando a· O)

I
(O

=r-
+ O) = a· O + a . O

O= a· O
Analogamente se demonstra que O • 0= O. #
(c1 Se a, b E A, então a(-b) = (-a)b = -(abl.

Justificação:
ob

~
+ [-(ob)] = O = o· O = o[b + (-bll =
(cancelando ab)

I
=r-
ob + o(-b1

-(abl = a(-bl
Analogamente se demonstra que -(ob1 = (-olb. #
(d) Se a, b E A. então {-a1( -b} = ob.
Justificação: Devido à propriedade anterior, (-0)( -b) = -[o( -b)]. Pelo mesmo
motivo, a(-b1 = -(ob). Portanto:
(-all-bl = -[-(ab)] = ab #
Definição2 (diferenças em um anel): Sejam a, b E A. Chama-se diferença entre
a e b e indica-se por a - b o elemento a+ (-b) E A. Portanto, a - b = o + (-b).
(e) Se a, b E A, então o(b - e} = ob - ae e (a - b)c = oe - bc.
Justificação: a(b - c) = a[b + (-e1] = ab + o(-e).Como, porém, a(-e) = -ae,
então:
a(b - e) = ob + (-ae) = ob - oe
Deixamos como exercício a dernonstraçêo de que (a - b)c = oe - bc. #

2.3 Alguns anéis importantes


(i) Anéis numéricos
São os mais importantes. As operações são as usuais.cujas propriedades, como
é bem eonhecído, cumprem os axiomas da definição;
anel dos números inteiros: (1:',+, .);
anel dos números racionais: (Qi, +, .);
anel dos números reais: (IR., +, .);
anel dos números complexos: (C, +, .).
(ii) Anel das classes de resto módulo m
Para todo inteiro m > 1, é o conjunto 1:'m = {Õ, 1. 2, ..., m - 1} em relação às
operações assim definidas:
ã+b=a+b e ã·b=ab
As propriedades dessas operações, estudadas no capítulo III,garantem que real-
mente se trata de anéis. Apenas lembramos que o zero desse anel é a classe Õ e que
o oposto de um elemento ã E 1:'m é a classe m - o.
Para simplificar,poderemos trabalhar eventualmente com um conjunto 1:'m sem
usar os traços sobre seus elementos. Ou seja, poderemos escrever simplesmente: '1
Zm = {o, 1,2, ... ,m - 1}
Mas, quando isso acontecer, deve-se lembrar que:
a +b = resto da divisão de a +b por m
e
ab = resto da divisão de ab por m.
Por exemplo, no anel Zn:
9+11=8 e 9·11=3
(iii) Anéis de matrizes
Entre os exemplos de grupos aditivos dados no capitulo precedente, figuravam
os das matrizes m x n sobre Z, Q, ~ e C, todos comutativos. E, entre os grupos mul-
tiplicativos,os grupos lineares de grau n,cujos elementos são as matrizes quadradas
racionais, reais ou complexas inversíveis (determinante não nulo), nenhum deles
comutativo. salvo no caso em que n = 1.
Como se trata agora de introduzir os anéis de matrizes, a partir desses grupos,
e, portanto, as duas operações devem ser consideradas simultaneamente, então só in-
teressam as matrizes quadradas. Lembrando as propriedades da adição e da multi-
plicação de matrizes quadradas e que da definição de anel não faz parte o axioma da
existência de inversos, podemos concluir que, para qualquer inteiro n > o.são anéis:
(Mo(~I, +, '1, (Mo(O)' +, '1, (Mo(~I, +, '1, (Mo(C), +,.)
respectivamente anel das matrizes inteiras, racionais, reais e complexas, de ordem n.
Pode-se ir mais longe, porém. Se A é um anel. não importa qual a natureza de
seus elementos, então pode-se construir o conjunto (Mn(A), +,.) das matrizes n x n
sobre A para todo n ~ 1, de maneira análoga ao que é feito nos casos numéri-
cos. E estender para essas matrizes a adição e a multiplicação do anel. No caso de
(M 2(Z3), +, -), por exemplo, se

B~G ~) e C~G ~)
n
então:

B+C~G D e BC~G
Não é difícil provar que, nessas condições, (Mn(Al. -,-,.) também é um anel:o anel
das matrizes sobre A de ordem n.
(Lv) Anéis de funções
Seja A = Zi'. = {t I i: Z ---')o Z}. Se i, 9 E A define-se a somo f + 9 e o produto
de fg dessas funções da seguinte maneira:
f + 9: Z Z e (f + g)(x) = f(x) + g(x), para todo x E Z;
---')o

fg: Z ---... Z e (fg}(x) = f(x)g(x), para todo x E ?.

(3-114-€)
Isso posto, pode-se mostrar que o terno constituído pelo conjunto A e as ope-
rações (f,9) E A x A H f +9 E A (adição) e (f, g) E A x A H f9 E A (multipli-
cação) é um anel: o anel das funções de Z em Z. Por brevidade, e até porque a difi-
culdade envolvida é pequena, nos deteremos na justificação de apenas dois dos
axiomas da definição de anel.
• O zero do anel,como seriade esperar, é a função 0A: Z - Z definida por 0A(X) =
°
= (número zero). De fato, (f + 0A)(X) = f(x) + 0A(X) = f(x) + °
= f(x), qualquer
que seja x E Z. Portanto, se f E A então f + 0A = i,
• Provemos a propriedade distributiva da multiplicação em relação à adição.
Se i, g, h E A, então, qualquer que seja x E E:
+ h)J(x) = flx)[(g + h)(x)] = f(x)[g(x) + h(x)] =
[fig
+ f(x)h(x) = (fg)(x) + Ifh)(x) = (fg + fh)(x)
= f(x)g(x)
Portanto,f(g + h) = fg + fh.Analogamente se demonstra que (f + 9)h = Ih+gh.
(Isso, aliás, seria desnecessário, observando-se que a multiplicação é comutativa.)
Da mesma forma introduzem-se os anéis ()lO', [R1Il: e Cc. De modo geral, se A é
um anel e X é um conjunto não vazio, então pode-se transformar AX em anel, defi-
nindo-se adição e multiplicação de funções de X em A de maneira análoga ao que
foi feito em Zil.
Por exemplo, se X = {a, b} e A = Z2 = {O, 1}, então o anel A das aplicações de X
em Z2 é constituído de 4 elementos, as funções t, 9, h, u, definidas respectivamente
pelas seguintes relações:
1(0) = °e !(b) = O; g(a) = 1 e g(b) = 1; h(o) = °e h(b} = 1; u(a) = 1 e u(b) = °
A titulo de ilustração, ressaltemos o seguinte:
• o zero desse anel é a aplicação f;
• -g = g, pois (9 + g)(x) = g{x) + g(x) = 1 + 1= °
e, portanto, 9 + 9 =! (ze-
ro do anel);
• -h = h (raciocínio análogo);
• -u = u (raciocínio análogo).
(v) Produtos diretos
Sejam A e 8 anéis e consideremos o produto cartesiano A x 8. Há uma maneira,
por assim dizer, natural de transformar esse produto em um anel, que é definindo-
se a adição e a multiplicação componente a componente. Ou seja:
(01' bl) + (a 2 , b 2 ) = (a, + O2 , b, + b2 )
e
(a" b l ) + (0 2, b 2 ) = (0,02, b,b 2 )
A verificação de que efetivamente (A x 8, -l-s -} é um anel é rotineira. Por exem-
plo, o zero do anel A x 8 é o par (OA' 08), em que OA é o zero de A e 08 é o zero de B,
pois (a, b) + (OA' 08) = (a + 0A' b + 08) = (a, b). Segue, como exemplo, a demons-
tração da associatividade da multiplicação:
=
[(01' b 1)(02' b 2)](03' b 3) (0 1°2' b,b 2)(03, b 3) =((0 1°2)°3, (b,b 2, b 3) ~
~ (0,(0 203), b 1{b2b3)) = (0 1, b,)(0203' b 2b 3) = (01' b 1)[(02' b 2)(03, b 3)]·
Notar que na passagem * usou-se a associatividade em A e B; nas demais, a
definição de produto.

2.4 Anéis finitos


Um anel (A, +,.) em que o conjunto A é finito chama-se anel finito. Os anéis
jl m(m > 1) são exemplos importantes de anéis finitos.Também são finitos os anéis
AM, sempre que A é um anel finito e M um conjunto finito. Neste caso, se a indica
o número de elementos de A e m o número de elementos de M, então AM tem c"
elementos.
Se A é um anel finito, as tábuas da adição e da multiplicação podem ser ins-
trumentos úteis para visualizar algumas de suas ceracterrstkas. Como exemplo, va-
mos construir as tábuas do anel 1"4 = {O, 1, 2, 3}:

+ O 1 í 3 . O 1 2 3
O O 1 2 3 O O O O O
1 1 2 3 O 1 O 1 2 3
2 2 3 O 1 2 O 2 O 2
3 3 O 1 2 3 O 3 2 1

Atábua da multiplicação revela que esse anel não segue totalmente as leis clás-
sicas da álgebra. Notemos, por exemplo, o seguinte:
°
2 . 2 = (zero do anel) sem que os fatores sejam iguais a O;
2 . 1 = 2 . 3 e não é possível cancelar o 2, mesmo se tratando de um elemento
diferente do zero do anel.

2.S Subanéis
Definição 3: Sejam (A, +, -) um anel e L um subconjunto não vazio de A. Diz-se
que L é um subanel de A se:
O) L é fechado para as operações que dotam o conjunto A da estrutura de anel;
(ii) {L, +, .} também é um anel. (Naturalmente a adição e a multiplicação con-
sideradas são as mesmas de A, porém restritas aos elementos de L.)
Exemplo 1: Considerando-se as operações usuais sobre os conjuntos numéricos:
;Z é subanel de O, lR e iC; 10 é subanet de IH: e C: IH: é subanel de iC.
Exemplo 2: Mn(,Z) é subanel de Mn(rJJ),Mn(lH:) e Mn(iC};Mn(O) é subane! de Mn(lH:)
e Mn(iC); Mn(lR} é subanel de Mn(iC}.

G-216-E)
Proposição 1: Sejam A um anel e L um subconjunto não vazio de A. Então L
é um subene! de A se, e somente, se a - b, ab E L, sempre que a, b E L.
Demonstração:
(.....) Seja L um subane! de A. Da definição decorre que L é um subgrupo do
grupo abeliano A. Portanto, a ~ b E L sempre que a, b E L. Completando,a própria
definição impõe que ab E L sempre que a, b E L.
(.......) Por hipótese, se a, b E L, então a - b E L. Isso prova que L é um subgru-
po do grupo aditivo A (proposição 1, capitulo IV). Por outro lado, considerando-se
que, por hipótese, L é fechado para a multiplicação:
- se a, b, e E L, então a, b, e E A e, portanto, a(bc} = (able, o que demonstra
a associatividade da multiplicação em L;
- se a, b,e E L,então a, b,e E A e,portanto,a(b + c) = ab + oc e (a + b)c = oc +be,
o que demonstra que, em L, a multiplicação é distributiva em relação à adição. #
Lembremos o seguinte: (i) se A é um anel, então A é um grupo aditivo; (ii) um
subconjunto não vazio de um grupo aditivo é um subgrupo desse grupo se, e so-
mente se,é fechado para a subtração. Então a proposição anterior pode ser formu-
lada nos seguintes termos:
"Sejam A um anel e L um subconjunto não vazio de A. Então L é um subane! de
A se, e somente se,L é um subrupo do grupo aditivo (A, +) e ab E L, quaisquer que
sejam os elementos a, bEL."

Exemplo 3: L = {a + b\ 2 I a, b E E}. L é um subanel de IR, pois, se a + b\ 2,


c + d\ 2 E L, então:
(o + b\2 ) - (e + d \2 ) = (o - el + (e - di \2 E L
(a + b<2)(c + d . .. ;l) = (ae + 2bd) + (ad + bc}..,'2 E L
Esse subanel de IR costuma ser denotado por E[\ 21
Exemplo 4: Consideremos o anel A = [RIR: das funções reais de uma variável
real. Seja L = {f E A I /(1) = O}. L é um subanel de A, porque não é um conjunto
vazio (a função h: IR - IR, definida por f(x) = x - 1, por exemplo, pertence a L) e,
se i, 9 E L, então:
(f - g)(l) = f(1) - g(1) = O - O = O
e
(fg)(ll = f(llg(l) = O· O = O
o que significa que f - g, f9 E L.

Exemplo 5: Seja L um subconjunto não vazio de lL Então L é subanel de ?L (ope-


rações usuais) se, e somente se, L é um subgrupo do grupo aditivo E.
A própria definição de subanel garante, como já ressaltamos na demonstração
da Proposição 1, que, se L é um subanel de ?L, entêo L é um subgrupo de ?L.
Reciprocamente, seja L um subgrupo do grupo aditivo Z. Mas, como já vimos, L
é cíclico,pelo fato de Z ser um grupo aditivo cíclico.Então L = [a] = {a, ±a, ±2a, ...},
para algum a E L. Isso posto, se x, y E L, então x = se e y = ta, para convenientes
inteiros 5 e t e, portanto, x - y = (5 - no E L e xy = (sta)a E L. A proposição 1
nos garante, então, que L é subanel de Z.
Esse resultado, visto por outro ângulo, diz o seguinte: L é subanel de Z se, e
somente se, existe n E L tal que L = {a, ±n, ±2n, ...}. Na teoria dos anéis, o conjunto
dos múltiplos inteiros de um elemento n E 1L às vezes é indicado por nlL.

3. TIPOS DE ANÉIS
A definição de anel é bastante aberta no que se refere à multiplicação. Porexem-
pio, há anéis que possuem elemento neutro para a multiplicação e outros que não.
O anel lL, por exemplo, possui elemento neutro para a multiplicação: o número 1. Já
o anel 21L = {a, ±2, ±4, ...} (que é um subanel de d'), não.
Da mesma forma, há anéis cuja multiplicação é comutativa e outros em que isso
não acontece. Por exemplo, a multiplicação do anel dos inteiros goza da proprie-
dade comutativa. Mas, no anel Mn(IR), por exemplo, isso não acontece, salvo quando
n = 1. E há outros aspectos em relação aos quais os anéis podem ser subdivididos.
Um dos objetivos em vista agora é explorar toda essa abertura propiciada pelos axio-
mas referentes à multiplicação.

3.1 Anéis comutativos


Definição 4: Seja A um anel. Se a multiplicação de A goza da propriedade
comutativa, isto é, se
ab = ba
para quaisquer a, b E A, então se diz que A é um anel comutativo.

Exemplo 6: Os anéis l, 0'), IR e C cuja multiplicação é sabidamente comutativa.

Exemplo 7: Os anéis lLm das classes de resto, módulo m. De fato, se a, b E lLm •


então ab = ba (multiplicação módulo m), pois o resto da divisão de ab por m é
igual ao resto da divisão de ba por m.

Exemplo 8: Os anéis de funções AX, sempre que A é um anel comutativo.


Realmente, se i, 9 E A X e se x é um elemento genérico de X, então:
(fg)(x) ~ I{x)g(x) ~ g(x)f(x) ~ (g/)(x)
Portanto, fg = gl.
Notar que nas passagens assinaladas com *
usamos a definição de produto
de funções e na passagem assinalada com **
a comutatividade da multiplicação
em A. #

(3-218-E:>
Contra-exemplo 1: Não são comutativos os anéis Mn(A), em que A indica 2,0, IR.
ou C, se n > 1. De fato, como já vimos (exemplo ix, 2.4, capítulo IV), se n > 1 e

A= (~ ~... . . ' . ~) e B= (:~H~)


00 ... 1 11.1
então AB -=f- BA.

3.2 Anéis com unidade


Definição 5: Seja A um anel. Se A conta com elemento neutro para a multipli-
cação, isto é, se existe um elemento lA E A, lA -=f- DA' tal que
a·1 A=l A,a=a
qualquer que seja a E A, então se diz que lA é a unidade de A e que A é um anel
com unidade. Quando não houver possibilidade de confusão, poderemos indicar a
unidade simplesmente pelo símbolo 1.
Exemplo 9: Os anéis Z, 0, IR e C cuja unidade é o número 1.
Exemplo 10: Os anéis 2 m das classes de resto módulo m. A unidade é a classe 1,
- - - -
pois a ·1 = a·1 = a e 2 m é comutativo.
Exemplo 11:Os anéis Mn(A), em que A é um dos anéis 7L, 0, IR. ou C. A unidade
é a matriz

Exemplo 12:Se A é um anel com unidade, então a aplicação constante u:X -- A,


X
u(x) = 1A' é a unidade do anel A • De fato, para qualquer f E A X e qualquer
x E X: (f. u){x) = f(x)u(x) = f{x) 'lA = f{x). Portanto, f ' u = t. Analogamente se
demonstra que u . f = i. Isso mostra que, se A é um anel com unidade, o mesmo
ocorre com AX•
Contra-exemplo 2: Os anéis nlZ não possuem unidade quando n *- .í t.
Consideremos, por exemplo, o caso em que n = 2, ou seja, consideremos o anel 27 =
= {O. .±2, ::4, ...}. A unidade, se existisse, seria um número par 2xo tal que a . (2xo) =
"= a, para todo a E 27L. Mas isso implica 2x o = 1, igualdade impossível em 27L.

Definição 6 (potências num anel): Seja A um anel com unidade. Se a E A e n


é um número natural, define-se a" (potência n-ésima de A) por recorrência da se-
guinte maneira:

G-219 -E:)
Proposição 2: Seja A um anel com unidade. Se a E A e m, n são números
naturais, então: (i) ama n = o" !- ": (ii) (am)n = a mn.

Demonstração:
(i) (Por indução sobre n)
Se n = O, então amao = c" • 1A = o" = c'" - 0. Portanto, a propriedade vale
para n == O.
Seja r ~ O um número natural e suponhamos ama' = c'" + ',
Entêoc'vc"" 1 ~ am(a'a) ~ (ama')a*:;*(a m + ')a:; dm+ r)+'.
Portanto, se a propriedade vale para r ~ O, vale também para r + 1. De onde,
pelo primeiro princípio de indução, vale para todo n ~ O.
Observar que nas passagens assinaladas com * usamos a definição; na pas-
sagem assinalada com **, a associatividade da rnultlpllcação: e na passagem assi-
nalada com ***, a hipótese de indução.
(ii) (Por indução sobre n)
Se n = O, então (d")o = lA = aO = o" . 0. Portanto, a propriedade vale para n = O.
Seja ( ~ O um número natural e suponhamos (d")' = a'",
Então: (am)' . 1 ~ (d")'c" ~ a mrd" *;* a mr + m = am(r I 1).
Portanto, se a propriedade vale para r ~ O, vale também para (+ 1. De onde,
pelo primeiro princípio de indução, vale para todo n ~ O.
Observar que na passagem * usamos a definição; na ** a hipótese de indu-
ção; e na ***
a propriedade anterior. #
Seja A um anel com unidade e L um subanel de A. As seguintes possibilidades
podem ocorrer:
• L possui unidade e essa unidade é a mesma de A. É o que ocorre, por exem-
plo, com o anel 2 dos inteiros como subanel do anel aJ dos números racionais. O
número 1 é a unidade de ambos.
• L não possui unidade, mesmo A sendo um anel com unidade. Por exemplo, 271.
como subanel de 2.
• L e A são anéis com unidade, mas as unidades são diferentes. Deixamos como
exercício a verificação de que isso acontece, por exemplo, com o anel M1(1Pl) e o
subanel L constituído pelas matrizes do tipo

Enquanto a unidade de M1(1R) é G ~) (verificar).


• Nem L nem A possuem unidade. Isso ocorre, por exemplo, com 42
= {O, =4, 18, ...} como subanel de 22 = {O, ±2, ±4, ...}.

(3-220-E)
• A não é um anel com unidade, mas L possui unidade. E ° caso, por exemplo,
do anel A = 27L x 7L (produto direto), que não possui unidade, e de L = {O} x 7L, que
é subanel de A e cuja unidade é o par (O, 1). (Sugerimos, como exercício, a verifica-
ção desses fatos.)
Definição 7: Sejam A um anel e L um subanel de A, ambos com unidade. Se
lA = 18 , diz-se que L é um subanel unitário de A.
Exemplo 13:Se L é um subanel do anel IR dos número reais e L possui unidade,
então essa unidade é a mesma de IR, ou seja, é o número real 1.
Seja l L a unidade de L Então:
. ..
l L • 1L = 'L = 1 . 1L
Cancelando-se l L na igualdade 1L • 1L = , "L' obtém-se 1L -= 1.
*
Notar que na passagem assinalada com usamos o fato de que t, E L e que
t, é a unidade de L e na passagem assinalada com **, que 'L E IR (pois L C IR)
e 1 é a unidade de IR. O estudante deverá notar que o raciocínio usado neste caso
para IR pode ser empregado para 7L, qJl ou C.

3.3 Anéis comutativos com unidade


Definição 8: Um anel cuja multiplicação é comutativa e que possui unidade
chama-se anel comutativo com unidade.
Exemplo 14:Os anéis numéricos 7L, qJl, IR e C.
Exemplo 15: Se A é um anel comutativo com unidade, o mesmo se pode dizer
de A X, qualquer que seja o conjunto X =1= 0. (Ver exemplos 8 e 12.)

3.4 Anéis de integridade


Consideremos o anel dos inteiros 7L e o anel 7L"J das funções de 7L em E. Em-
bora ambos, como já vimos, sejam anéis comutativos com unidade, eles diferem
num ponto muito importante. Isso porque, enquanto no primeiro vale a lei do anu-
lamento do produto, ou seja:
"Se a,b E 7L e ab = O,então a = O ou b = O",
no segundo isso não acontece. De fato, consideremos as funções i, g: 7L - 7L de-
finidas da seguinte maneira:
1(0) = 1 e 1(x) = O, sempre que x =1= O;

g(O) = O e g(x) = 1, sempre que x *- O.


Pela própria maneira como foram definidas, 1 e 9 são diferentes do zero do anel
(que é a função constante O). Não obstante, 19 é o zero do anel, pois:
Ifg)(O) = fIO)g(O) = 1 • O = O
e, se x -!= O:
(fg}(x) = 1(x)g(x} = O • 1 = O
Portanto, no anel 7!J'· não se verifica a lei do anulamento do produto.
Essas duas possibilidades abrem espaço para a definição que segue.

Definição 9: Seja A um anel comutativo com unidade. Se para esse anel vale
a lei do anulamento do produto, ou seja, se uma igualdade do tipo
ab = 0A
em que a, b E A, só for possivel para
a = 0A ou b == 0A
então se diz que A é um anel de integridade ou domínio. A forma contra positiva
dessa condição é a seguinte: Se a -=I=- Oe b -=I=- O, então ab -=I=- O.

Exemplo 16: Todos os anéis numéricos, 71., Q, IR. e C, são anéis de integridade.

Exemplo 17: Consideremos o anel de integridade 71. e um conjunto unitário X = {a}


e mostremos que A = 71. x é um anel de integridade. Que se trata de um anel comu-
tativo com unidade, já vimos. Ademais, como os elementos de A são as aplicações
in: X -- 71., definidas por fn(a} = n (n E 71.), então o zero desse anel é a aplicação fo.
Como (Ir • /,)(a) = fr(a)fs(a) = rs = frs(a), então ir • f s = f w Assim, se f r -=I=- f o e f s -=I=- f o'
ou seja, r -=I=- O, então i rs -=I=- O, uma vez que rs -=I=- O.
Oe s -=I=-

No entanto, se X possuir mais do que um elemento, então A = 71. x não é um


anel de integridade. Sugerimos ao estudante provar esse fato. Para mostrar que não
vale a lei do anulamento do produto em A, o raciocínio é o mesmo usado para o
anel 71.?
Consideremos um anel comutativo A em que não se verifica a lei do anulamen-
to do produto. Isso significa que no anel há pelo menos um par de elementos a,
b -=I=- OA (eventualmente esses elementos são iguais) tais que ab = 0A- Quando isso se
verifica, diz-se que a e b são divisores próprios do zero do anel. Portanto, um anel de
integridade pode ser definido como um anel comutativo com unidade que não pos-
sui divisores próprios do zero.Ou, ainda, como um anel comutativo com unidade cu-
jo conjunto dos elementos diferentes do zero é fechado para a multiplicação.

Exemplo 18:Sem > , é um inteiro composto, então sempre há divisores próprios


do zero no anel Em. De fato, neste caso podem-se encontrar inteiros a e b tais que
O < a, b < m e m = ab. Portanto, a, b E 2 m , a, b -=I=- ae a. b = ab = m= a. No anel
;[4' por exemplo, o único divisor próprio do zero é o 2. (observar que 2. . 2. = -4 = a).
Proposição 3: Um anel de classes de restos F m é anel de integridade se, e
somente se, m é um número primo.
(--) Sem fosse composto, então lLm possuiria divisores próprios do zero, como
já se mostrou no exemplo 18. Mas isso contraria a hipótese.
(00-) Como já sabemos, F m é um anel comutativo com unidade, qualquer que
seja m > 1. Suponhamos, com a hipótese feita, que b = ab = para algum par a. a,
de elementos ã, b E mq (com q E tl) e, portanto, m I ab. Mas,como m
tl m • Dai, ob =
é primo, por hipótese, então m I a ou m I b. Mas essas relações, em termos de classes
de equivalência, se traduzem por ã = Õ ou b = Õ. OU seja,se m é primo, então tl m não
possui divisores próprios do zero e conseqüentemente é um anel de integridade. #
Proposição 4: Seja A um anel comutativo com unidade A. Então A é um anel
de integridade se, e somente se, todo elemento não nulo de A é regular para a mul-
tiplicação. (Lembremos que ser regular significa obedecer à lei do cancelamento.)
Demonstração:
(--) Sejam a, b, c E A, a "* O, e suponhamos ab = ae. Daí, ab - ac = Oe, portan-
to, o(b - c) = O. Como A, por ser um anel de integridade, não possui divisores pró-
prios do zero, então b - c = O, e, portanto, b = c. Isso mostra que o é regular para a
multiplicação.
(...... ) Temos de provar apenas que não há divisores próprios do zero em A. Para
isso, indiquemos por a um suposto divisor próprio do zero de A. Então a "* Oe
ao = °para algum b E A, b "* O. Mas, como O = a . O, então ob = a . O. A hipótese
de que a é regular, e que, portanto, pode ser cancelado nessa igualdade, nos obriga
a concluir que b = O, o que não é possível. De onde, efetivamente não há divisores
próprios do zero em A. #

3.5 Corpos
Lembremos primeiro que a unidade e o zero de um anel com unidade são
elementos diferentes (definição 5). Portanto, num anel com unidade, as equações
O . x = 1 e x . O = 1 não têm solução. Ou seja,o zero de um anel com unidade, qual-
quer que seja ele, não tem simétrico multiplicativo (inverso). Por outro lado, como
1.1 = 1 e (-1)(- 1) = 1, a unidade de um anel com unidade e seu oposto sempre
têm simétrico multiplicativo. No que segue,adotaremos a notação U(A} para indicar
os elementos de um anel que têm inverso, elementos esses que serão chamados de
inversíveis. Como vimos, U(A) nunca é vazio, mas também nunca inclui o zero.
Ocorre que há certos anéis comutativos com unidade em que só o zero não é
inversfvel. É o caso, por exemplo, dos anéis 0, IR. e II:::. E anéis em que, além do zero,
há outros elementos não lnversfvels, como, por exemplo, o anel 7L dos números in-
teiros. Na verdade, U(tl) = {-1, + i}. A definição que segue diz respeito à primeira
dessas possibilidades.
Definição 10: Seja K um anel comutativo com unidade. Se U(K) = K* = K - {O},
então K recebe o nome de corpo.
Exemplo 79: Os anéis numéricos, a), IR. e C. são corpos.
Contra-exemplo 3: O anel A = IR II< das funções reais de uma variável real não é
Um Corpo. Para provar esse fato, lembremos que a unidade desse anel é a função

(3-m-E)
u: IR -7' IR, definida por u(x) = 1, qualquer que seja x E IR. Isso posto, consideremos
a função f: IR ---.,. IR assim definida: f(O) = O e f(x) = 5, sempre que x -=I=- o. Por não
ser a função constante O, f não é o zero do anel [}R1f!:. E como, qualquer que seja a
função g: IR -7' IR:
IfgIlO) "f(O)g(O) "O· g(O) "O
então f9 -=I=- u. Ou seja, f não é lnversrvel.
Proposição 5: Todo corpo é um anel de integridade.
Demonstração:Temos de provar apenas que num corpo vale a leido anulamen-
to do produto. Para Isso.sejam K um corpo e a.o E K tais que ab = O. Suponhamos,
por exemplo, que a -=I=- O e que, portanto, a é inversível. Multiplicando-se os dois
membros da igualdade ab = O por a-':
a- 1(ab)= a-' . O = O
Porém, como a-'(ab) = b, então b = O.
Analogamente se demonstra que, se b i= O, então a = O. Então um produto
de dois fatores de K não pode ser nulo sem que um deles o seja, o que demonstra
que K é um anel de integridade. #
A recíproca dessa proposição não é verdadeira. De fato, o anel 71, por exemplo,
é um anel de integridade mas não é um corpo, pois U(Z) = {r t. +1}. Mas numa
situação muito especial essa recíproca vale, como veremos a seguir: quando o anel
de integridade é finito. Para a demonstração desse fato usaremos o seguinte resul-
tado da teoria dos conjuntos: se um conjunto A é finito e f: A ...... A é uma aplicação
Injetora, então f é sobrejetora e, portanto, Im(f) = A. Diga-se de passagem que, em-
bora esse resultado seja bastante intuitivo, sua demonstração não é nada imediata.
Proposição 6: Todo anel de integridade finito é um corpo.
Demonstração: Seja A um anel de integridade formado de n elementos, diga-
mos,A ::= {aI' a 2, ..., a n}. O artifício da demonstração, como já adiantamos, é desco-
brir uma conveniente aplicação injetora de A em A. E, para isso, usaremos o fato de
que todo elemento de A - {O} é regular para a multiplicação. Seja a um desses
elementos e consideremos f: A ...... A assim definida: f(a;) = aa;U = 1,2, ..., n).
Se f(a;l = f(a), então aa; = aaj e daí, cancelando-se a (o que é passivei, pois
a -=I=- Oe A é um anel de integridade), ai = ajO Isso mostra que f é injetora e, portan-
to, como já observamos, que f é uma bijeção. Portanto:
Im(f) = {aa" aa2 , ... , aa n} = A
Assim,a unidade do anel, que é um dos elementos ai' pode ser escrita como
1 = aa,
para algum r, 1 -s r ~ n. Ou seja, a é inversíveL Se todo elemento de A, diferente
do zero, é tnverstvef. então A é um corpo, como queríamos demonstrar. #

G-224 -E::>
Exemplo 20: Se p é um número primo positivo, então 7L p é um corpo. Oe fato,
como já foi demonstrado (proposição 3), neste caso J'.p é um anel de integridade.
E, como é finito, a proposição 6 nos assegura que J'.p é um corpo.
Segue uma maneira equivalente, às vezes mais conveniente, de definir corpo.
Definição 10': Um objeto matemático constituído de um conjunto não vazio K,
uma adição e uma multiplicação sobre K recebe o nome de corpo: (i) se K é um gru-
po abeliano no que se refere à adição; (ii) se Oindica o elemento neutro da adição,
K*::= K - {O} é um grupo abeliano no que se refere à multiplicação; (iii) se a multi-
plicação é distributiva em relação à adição.
Na sequência. segue a justificação da equivalência entre as definições 10 e to;
(Definição 10) -- (Definição la')
Por hipótese, K é um corpo, conforme a definição 10. Por conseguinte, (K, +) é
um grupo abeliano. Por outro lado, como K é um anel de integridade (proposição 5),
então K* = K - {OK} é fechado para a multiplicação. Além disso, l K -=f- 0K (definição)
e, portanto, 1K E 1\". E também, se a E 1\",então a- 1 E 1\", pois aa- 1 ::= l K • Quanto à
associatividade e à comutatividade da multiplicação,como valem em K valem também
em qualquer parte fechada de K, em particular em 1\". Portanto, (K*,·) é um grupo
abeliano. A distributividade da multiplicação em relação à adição vale por hipótese.
(Definição la') -- (Definição 10)
Neste caso, cumpre mostrar que a associatividade e a comutatividade da multi-
plkação.que. por hipótese, valem em 1\", podem ser estendidas para K.Acontece que
a demonstração da propriedade 2.2 (b), desta seção, poderia ser reproduzida aqui,
textualmente, com as hipóteses com que contamos. Ou seja, com essas hipóteses
demonstra-se que a . 0K = 0K • a = 0K' qualquer que seja a E K. Assim,por exemplo,
dados a, b E K, se um dos fatores é igual a 0K' então ab = OK = ba e, portanto, a comu-
tatividade da multiplicação, que vale em K*, por hipótese, vale também em K. Coisa
análoga acontece com a associatividade da multiplicação:o fato de valer em I\" implica
que vale em K. Quanto à unidade, é o elemento neutro do grupo I\" (por quê?). #
Definição 11 (subcorpo): Seja (K, +, .) um corpo. Um subconjunto não vazio
L c K é chamado subcorpo de K se é fechado para a adição e a multiplicação de K
e se L também tem uma estrutura de corpo {claro, para as operações de K, restritas
aos elementos de L}.
Exemplo 21: O é subcorpo de IR que, por sua vez, é subcorpo de C.
Proposição 7: Sejam K um corpo e L um subconjunto não vazio de K. Para que
L seja um subcorpo de K é necessário e suficiente que: (i) O, 1 E L; (ii) se x, y E L,
então x - y E L; (iii) se x, y E L e y -=I- 0, então xy-1 E L
Demonstração: Por brevidade, demonstraremos apenas a condição suficiente.
Prunerro. observemos que da hipótese decorre dtretemente que L é um subgrupo do

(3-225-E)
grupo aditivo K. Além disso, se x, y E LO', então x, y E L e y =1= O e, daí, xy-l E L,
por hipótese. Mas, como x, y 1 =1= O, e estamos num corpo, então xy-l ELO'. Logo,
LO' é um subgrupo do grupo multiplicativo K*. Que a adição e a multiplicação de K,
quando restritas a L, são operações sobre esse conjunto decorre dessas conclusões
e de que x . O = O • x = O, qualquer que seja x E L. Ademais, como a distributividade
da multiplicação em relação ii adição, por valer em K, vale também em L, a definição
10' garante que L tem estrutura de corpo para as restrições das operações de K a
seus elementos. De onde, L é subcorpo de K. #
Exemplo 22: Provar que L = {a + b\' 2 I a, b E Q} é um subcorpo do corpo IR
dos números reais.
(i) O = O + O • v 2 e 1 = 1 + O . \ 2; logo, O, 1 E L.
(ií) Se x, y E L, então esses elementos podem ser postos assim: x = a + b,:'].
ey= e + d-; 2 ía.b.c.o E Q).Logo,x - y= (a - c) + (b - dh 2.Como (a - c),
(b - d) E a, então x - y E L.
(iii) Se x.y E L e y =1= O, então esses elementos podem ser representados assim:
x= a +b\2 e y > c+ d\2 (a,b,c,dE O,C -=I=- O ou d =1= O). Então:

lac - 2bd) + (be - adh 2


=

ae - 2bd
+

Como e 2 2d 2 =1= O, pois, caso contrário, cId = \' 2, o que é impossível,já que c,
-

ae-2bd be-ad
dE ilJ, então e são números racionais e, portanto.xy" ' E L.
c 2 - 2d 2 c 2 - 2d 2

II Exercícios
1. Prove que o conjunto E dotado da lei usual de adição e da mulpllcação defini-
da por a . b = O, para quaisquer a e b em E, é um anel.

2. Mostre que o conjunto O dotado das leis de composição 8-) e O abaixo definidas
é um anel.
a(flb=a+b-l
aOb=a+b-ab

3. Consideramos as operações * e ó em a definidas por:


xy
x*y=x+y-3 e Xóy=x+ Y-
3
Mostre que (ilJ, *, ó) é um anel comutativo com elemento unidade.

G-226-E)
4. Seja A um anel. Em A x A estão definidas as duas operações seguintes:
(a, b) T (c, d) = (a + c, b + d)
(a, b) * (C, d) = (ac, O)
Prove que A x A é um anel.

5. Demonstre que 7L x 7L munido das operações * e A abaixo definidas é um anel.


(a, b) * {C, dl = (a + c, b + d)
(a, b) A (c, d) = (ac, ad + bc)

6. Consideremos em 7L x 7L as operações + e . definidas por:


(a, bl + (c, dl = (a + c, b + d) e (a, b) • (c, d) = (ac - bd, ad + bcl
Mostre que (7L x 7L, +,.) é um anel comutativo com unidade.

7. Seja p um número primo. Seja A o subconjunto de (ll formado pelos números


!!!
n
tais que n =I=- O e p 4 n. Mostre que A é um anel.

8. Sejam S, um conjunto, A um anel e i: S ...... A uma aplicação bijetora. Para cada


par x, y E S, definimos:
x +y= r\f(x) + f(y}) e xy = r1(f(x}f(y))
Mostre que essa soma e esse produto definem uma estrutura de anel sobre S.

9. Seja E um conjunto não vazio. Em g]J(E) considere as operações:


x A y = (x U y) - (x n y) e x . y = x n y
Admitindo conhecidas as propriedades da reunião e da lnterseção de conjun-
tos, prove que (ZP(E), A,') é um anel comutativo com unidade.

10. Consideremos as operações * e A em E definidas por:


x * y = x + ay - 2 e x A y = xy + bx + cy + d
em que a, b, c, d são números inteiros dados.
Determine a, b, c, d de modo que (7L, *, A) seja um anel. Para os valores obti-
dos de a, b, c, d, (7L, *, A) é um anel comutativo com unidade?

11. Seja A um anel cujas duas leis de composição são iguais, isto é, a +b = ab,
'ria, b E A. Mostre que A = {O}.

12. Seja A um anel. Mostre que a(b - c) = ob - oc e (a - b)c = oc - bc, quaisquer


que sejam a, b, c E A.

13. Seja A um anel em que x 2 = x, para todo x E A. Mostre que -x = x, 'ri x E A e


A é comutativo.

(3-227-E)
Sugestão: Considere os produtos (x + X)2 e {x + y)2.

14. Seja (A,+, -) um anel com unidade. Mostre que a comutatividade da adição é
consequência dos demais axiomas que compõem a definição de anel.
Sugestão: Prove que (o + b) - (b + a) = O

15. Sendo a e b elementos de um anel comutativo A, mostre que


(a + bt = a" + (~)an -'b + ... + G)ab n-1 + b", "ln ~ 0, nE lL
16. Construa as tábuas da adição e da multiplicação no anel A = {a, b} com dois
elementos distintos.

17. Construa as tábuas da adição e da multiplicação no anel A = {a, b, c} com três


elementos, todos distintos.

18. Sabe-se que A = {a, b, c, d} e (A, +, .) é um anel em que os elementos neutros


das operações + e • são, respectivamente, a e b. Conhecendo-se os compostos
b + b = a, c + c = a, cd = a, construa as tábuas das duas operações.

19. Verifique se existe um anel A = {a, b, c, d} tal que (A, +) é isomorfo como
2
grupo ao 2 4 e x = x, "Ix E A.

20. Determine quais dos seguintes subconjuntos de Q são subanéls:

a) 2 c) C = {~ E Q Ia E 2, bE 2,2 I b}
bl B ~ {x E Q I x " Z} di O ~ {;, E Q I a E 2' e n E Z}

21. Verique se são subanéts:


a) L = {a +b\' 2 I a.b E Q} do anel IR;
b) 2 do anel do exercício 2;
c) 22 x 22 do exercicio 5.

22. Quais dos conjuntos abaixo são subanéis de M2(1R)?

L, ~{(: ~)la,bE~} L;~{(~ ~)la,bE~}


L, ~{(~ :) I o.b.c E~} L, ~ {(~ :)la,b'CEIT<}
23. Mostre que 0° (conjunto das funções de O em O) é um subanel de IR" (anel
em relação à adição e à multiplicação de funções).

24. Se B e C são subané!s de A, então B n C é subanel de A. Prove.

25. Ache todos os subanéis do anell 6 •


Sugestão: Determine todos os subgrupos de (l6' +) e verifique quais são fecha-
dos para a multiplicação.

26. Resolva a equação 3x + 2 = 6x + 7 no anel E 8•

27. Determine x em ls tal que 3x + 1 = 2.

.
. eso Iva o sistema
2SR d e equaçoes:
. !3X+2Y=1 no ane I~
lL 7
4x + 6y = 2

29. Detemine x, y E E 12 , satisfazendo o sistema de equações:


f6x+Sy=7
bx+y=2

30. Chama-se comutador de dois elementos x e y de um anel A ao elemento


f(x,y) = xy - yx. Mostre que:
a) x e y comutam se, e somente se, f(x, y) = O;
b) f{x,x) =0, Vx E A;
c) f{x,y) = -f(y,x), Vx,y E A;
d) f{x,l(y, z)) + f(Y,l(z, x)) + f(z,l(x, y)) = O (Identidade de Jacobi),

31. Determine o conjunto dos elementos regulares para a multiplicação e o conjun-


to dos elementos inversiveis de cada um dos seguintes anéis:
a) Z e) E 4
b) II f) z.,
c) 1L x 1L (produto direto) g) M,(U'l)
d) l3 h) 1L 2 X 1L 3

32. Que anéis do exercício 31 são de integridade? E que anéis são corpos?

33. Determine todos os divisores próprios de zero, todos os elementos regulares


para a multiplicação e todos os elementos inversiveis do anel §' 24'
34. Ache os elementos inversíveis dos seguintes anéis:
a) ({], CD, O), em que a ffi b = a + b ~ 1 e aO b= a + b ~ ab
(O, C+\ O) é um corpo?
b) (.7 x 2, +, -j.em que (a,b) + (c,d) = {a +c,b +d} e (a,b)· (c,d) = (ac,ad + bc)

35. Determine os divisores próprios de zero do anel (;{ x 2, +, .) do exercício anterior.

36. Dê exemplo de um anel com unidade em que só a unidade é inversível.

37. a) Quais são os elementos inversíveis do anel 2 18 ?


b) Resolva em ]1 18 o sistema:

{ X+l1y=7
SX + 2Y = ~

38. Quais dos conjuntos abaixo são anéis de integridade? Suponha que a adição
e a multiplicação são as usuais.
ai A o {2x + 1 I x E 2) di O = {x + y,-, I x,y E Z}
b) B o {2x I x E Z} e) E = {x + Y'i I x,y E ll}_
c) C o { " 2 I x E o} f) F={a + b\ 2 + CI 5 + d\'lO I a.b.c.d E 2}

39. Mostre que A = {tz l' Z2' ~Z2' Zj) I z l' Z2 E C}, com adição e a multiplicação
definidas por
(a, o, c, d) + (e, f, 9, h) = (a+ e, b + t, c + g, d + h)
(a, b, c, d) . (e, t, 9, h) = (ce + bg, at + bh, ce + dq, ct + dh)
é um anel comutativo com unidade.

40. Mostre que A = {Ic. b, ~b, a) I a, b E O}, com adição e a multiplicação defi-
nidas por
(a, b, c, d) + (e, t, g, h) = (a + e, b + f, c + 9, d + h)
(a, b, c, d) . (e, t, g, h) = (ae + bg, of + bh, ce + dg, ct + dh)
é um corpo.

41. Considere A = {(01' O2, 03' a 4 ) I ai E IR},com adição e a multiplicação definidas


respectivamente por:
,°2, a 3 , 04)
(0 1 + (b 1, b 2 , b 3 , b4 ) = (01 + b 1, O 2 + b1 , 0 3 + b 3 ' 0 4 + b4 )
(a 1, a 2 , os. 0 4) (b 1, b 2 , b 3 , b4 ) = (0 1 • b 1, 02 • b 2 , 0 3 • b 3 , a 4 • b4 )
Sabendo que A é um anel comutativo com unidade, mostre que A não é anel
de integridade.

(3-lJo-E)
42. Um elemento a de um anel A se diz idempotente se a2 = a e nüpotente se
existe n E !\j*, de modo que c" = O. Mostre que o único elemento não nulo e
idempotente de um anel de integridade é a unidade e que o zero é o único
elemento nüpotente de um anel de integridade.

43. Se E é um conjunto não vazio, mostre que no anel A o:: '2í'(E) todos os elemen-
tos são idempotentes. (Ver exercício 9.)

44. Ache o conjunto dos elementos nllpotentes dos seguintes anéis: /L, 71 6, 71 8,
2 2 x 71 4 e IR: •"
45. Mostre que o conjunto dos elementos nilpotentes de um anel comutativo A
é um subane! de A.

46. Prove detalhadamente o seguinte: se a E A (anel de integridade) e ri = 1,então


a=loua=-l.

47. Mostre que se A é um anel de integridade, x E A e x 2 = x, então x = Oou x = 1.

48. Seja A um anel com unidade tal que x 2 = x, 'ri x E A. Mostre que A é um anel
de integridade se, e somente se, A = {O, 1}.

49. Verdadeiro ou falso: se A é um anel de integridade e L é um subanel de Ao


então 1A o:: 1L' Justifique.

50. Seja A um anel que possui um elemento e tal que r? = e, e não é um divisor
próprio de zero de A. Mostre que e é a unidade de A.

51. Sejam A e S anéis com unidade. Ache os divisores próprios de zero de A x S,


bem como os elementos inversiveis desseanel. Pode A x S (produto direto) ser
um corpo?

52. Seja K o conjunto dos números do tipo a + bi. em que a e b são racionais e i
é a unidade imaginária. Mostre que K é um corpo.
5ugestáo: Prove que K é um subcorpo de C.

53. Determine quais dos seguintes subconjuntos de IR: são subcorpos:


a) A={a+b\2IaEOJ e bEOJ} c) C={a\':2+bdlaEQ e bEOJ}
b) B={a+bZ2-laEilJ e bEiQ} d) D={a+bv'2IaEZ e bEJ'}

(3-131-E)
54. O subconjunto M = {D, 1} de um corpo K qualquer é subcorpo de K?

55. Se B e C são subcorpos de um corpo A. então B n C é um subcorpo de A.

56. Verdadeiro ou falso: existem infinitos subcorpos de [R?


Dê uma justificativa razoável para a resposta.

57. Prove que o único subcorpo de O é o próprio O.

58. Mostre que (a + b)P = aP + b P, quaisquer que sejam a e b em ?Lp, com p


número primo.

Exercícios complementares

(1. Seja M um subconjunto não vazio de um anel A e seja C(M) o conjunto dos
elementos de A que comutam com todos os elementos de M. Mostre que C(M)
é um subanel de A.

(2. Seja K = {D, 1, a, o} um corpo. Construa as tábuas da adição e da multiplicação


desse corpo.
Sugestão: Comece com a tábua da multlpllcaçêo: depois mostre que a +b= 1,
1 + a= b, etc.

(3. Prove que Q é o "menor" subcorpo de IR.


Sugestão: Prove que, se K é subcorpo de IR, então O C K.

V-2 HOMOMORFISMOS E ISOMORFISMOS DE ANÉIS

4. INTRODUÇÃO
Tal como no caso dos grupos, o papel dos tsomorflsmos de anéis, conceito cen-
trai desta seçào, é em essência o de separar os anéis em classes disjuntas, de manei-
ra tal que as propriedades pertinentes estrutura de anel deduzidas para um dos
à

representantes de uma das classes possam ser estendidas para todos os outros anéis
da mesma classe, apenas mudando-se convenientemente as notações (dos elemen-
tos e das operações). Ou, dito de outro modo, que um anel de uma dada classe possa
substituir eventualmente, em tudo o que diga respeito estrutura de anel, outro qual-
à

quer dessa classe, sempre que isso possa ser conveniente. Reflete bem essa situação
imaginar os anéis de uma mesma classe como "cópias" uns dos outros.

G-232 -E:)
Essa idéia pressupõe, de um lado, uma correspondência biunívoca entre todos
os anéis da mesma classe.E, de outro, que essacorrespondência preserve as opera-
ções envolvidas, no sentido da definição 12.

5. HOMOMORFISMOS DE ANÉIS
Definição 12: Dá-se o nome de homomorfismo de um anel (A, +,.) num anel
(B, +, .) a toda aplicação f: A ---.. B tal que, quaisquer que sejam x, y E A:
flx + y) ~ flxl + fly)
e
flxyl ~ f(xlf(YI.
Nessas condições, para simplificar a linguagem, nos referiremos a f: A ---.. B co-
mo um homomorfismo de anéis. Quando se tratar do mesmo anel, o que pressupõe
A = 8, a mesma adição e a mesma multiplicação em A, tanto como domínio como
contradomínio, então f será chamada de homomorfismo de A.
Se um homomorfismo é uma função injetora, então é chamado de homomor-
fismo injetor. E, se for uma função sobrejetora, de homomorfismo sobrejetor. O caso
em que f é bijetora corresponde ao conceito de isomorfismo e será estudado sepa-
radamente.
Convém observar ainda que, se A e B são anéis, então (A, +) e (B, +) são grupos
e, portanto, um homomorfismo de anéis f:A - B também é um homomorfismo
do grupo aditivo A no grupo aditivo B.

• f(x)
y • _ _-=~..- ---?~----_.f(y)
x + y .--\------~to;;;:_-_. f(x) + f{Y)
~:;:::::::::.,'-------:\:.
xy.
f lxlflyl

Exemplo 23: Quaisquer que sejam os anéis A e B, a aplicação f:A ---.. B, f(x) = 08
(x E A) é um homomorfismo de anéis, já que:
• f(a + b) = 08 = 08 + 0 8 = f(a) + f(b);
• f(ab) = 08 = 08.08 = f(a)f(b).
Exemplo 24: Consideremos os anéis A =? e 8 = 7L x 7L (produto direto) e a aplica-
ção f: A - B assim definida: f(n) = (n, O). A aplicação f é um homomorfismo, pois:
f(m + n) = (m + n, O) = (m, O) + (n, O) = f(m) + f(n);
f(mn) = (mn, O) = (m, O)(n, O) = f(m)f(n).

(3-2JJ-E)
Exemplo 25: Para cada inteiro m > 1, há um homomorfismo natural do anellL
no anellL m das classes de resto módulo m: a aplicação Pm: lL -- lLm definida por
Pm(r) = r,
para cada r E ?.. De fato, para quaisquer r, s E lL:
• Pm(r + s) = r + s = r + 5' = Pm{r) + Pm{s);
• Pm(rs) == iS = r5 = Pm{r)Pm(s)

Pm é um homomorfismo sobrejetor, porque todo y E lLm é uma classe y = r,


que obviamente provém de r E lL através de Pm .
L2] = {m + n-, 2 I m, n E lL} e consideremos f:A -- A
Exemplo 26: Seja A == lL
assim definida:f(m + nv 2) == m - n\ 2· f é um homomorfismo de anéis, pois:
• f((m+ n,2) + ('+h2))=f((m +,) + ln + 'h2) =(m+'1 - (n+ ,lh-
e também
f(m + n)2) + f('+h2)= (m - n)-i) + (,-,5) =(m + 'I - ln + '1[2
• f((m + n\,2) (r + 5\2)) == f({mr + 2ns) + (ms + nrh:'l) = (mr + 2n5) -
(ms + nr)\ 2
e também
f(m + n\ 2)f(r+ S\,'"2) = (m - n\'2 )(r- S\2) == (mr + 2m) - (ms + nr)v:2 .

6. PROPOSiÇÕES SOBRE HOMOMORFISMOS DE ANÉIS


Proposição 8: Se i: A - B é um homomorfismo de anéis, então: (i) f{DA ) = 0 8 ;
(ii) fi-a) == -fia); (iii) f(a - b) == f(a) - f(b).
Essas propriedades decorrem do fato de que f é um homomorfismo do grupo
aditivo A no grupo aditivo B. #
Proposição 9: Seja i: A -- B um homomorfismo sobrejetor de anéis e suponha-
mos que A possua unidade. Então: (i) f(1A) é a unidade de B e, portanto, B também é
um anel com unidade;(ii) sea E A é inversível,entãofia) também o é e [f (a)]-1 == f(a- 1).
Demonstraçào:
(i) Seja b um elemento arbitrário de B. Como f é sobrejetora, então b = f(a),
para algum a E A. Portanto;
b . f(lA) == f(a)fO A) == fia -lA)':= fia) = b
Analogamente se mostra que filA) - b = b. Logo, filA) é a unidade de B.
(ii) Observemos que:
f(a)f(a- 1) == f(aa- 1) = f(lA) = 18
De modo análogo:

Portanto:
fia 1} = [f(a)]-1 #

(3-214-E:)
Contra-exemplo 4: O homomorfismo f: 7L - 7L x 71 do exemplo 24 não é so-
"* "*
I n E 7l} 7L x 7L. Neste caso, f(l) = (1,O) (1, 1), ou seja,
brejetor,pois Im(f) = {(n, O)
a imagem da unidade de 7L (o número 1) não é a unidade de 7L x 7L, que é o par (1, 1).

Proposição 10: (i) Se i: A -B é um homomorfismo de anéis e L é um su-


banel de A. então f(L) é um subanel de B; (ii) se f: M - N é um homomorfismo
de corpos, f(lml "* 0n e K é um subcorpo de M, então f(K) é um subcorpo de N.
Demonstração:
Demonstraremos apenas (ii). A demonstração de (i) é análoga e fica proposta
como exercício.
Sejam c, d E f(K). Então c = fia} ed = f(b), para convenientes elementos a,
b E K. Logo:
c- d ~ fia) - f(b) ~ fia - b)
Como a - b E K, pois K é um subgrupo do grupo aditivo M, então c - d E f(K).
Além disso, se d "* 0, então b "* °e, portanto:
cd- 1 = !(a)[!(bl]-l = f(alf(b- 1) = f(ab 1)

1 1
Como ab- E K, porque K é subcorpo de M, então cd- E !(K). #
Em particular, com as condições da proposição, Im(f) é um subanel (subcorpo)
do contradomínio - naturalmente o próprio B (ou N) se f for sobrejetora.

Exemplo 27: Se f: 7L - 7L x 7L é o homomorfismo do exemplo 24, então Im(fl =


= {(n, O) In E 7L} é um subanel de 7L x 7L.

Proposição 11: Sejam f: A - B e g: B - C homomorfismos de anéis. Então


9 c f: A - C também é um homomorfismo de anéis.
Deixamos a demonstração como exercício. Sugerimos ao estudante que tiver
dúvidas reler a demonstração da proposição 5, capitulo IV. A argumentação é a
mesma da demonstração citada - só que, obviamente, deverá ser usada para a
adição e a multiplicação. #

7. NÚCLEO DE UM HOMOMORFISMO DE ANtlS


Definição 13: Seja I: A _ B um homomorfismo de anéis. Damos o nome de
núcleo de f e denotamos por N(f) (usa-se também a notação Ker(f)), ao seguinte
subconjunto de A:
NIf) ~ {x E A I flx) ~ O,}
Vale observar que, como I(OA) = 0B (proposição 8), então 0A E N(f).logo, pelo
menos o zero de A pertence ao núcleo de t.
Exemplo 28: O núcleo do homomorfismo do exemplo 23 é A, já que, devido à
definição de i, todos os elementos de A têm imagem igual a 0B.

(3-2l5-E)
Exemplo 29: Determinemos o núcleo do homomorfismo Pm : 7L - 7L m do exem-
plo 25. Lembremos que Pm é definido assim: Pm(r) = (r E 7L). r
Um inteiro r E N(Pm) se, e somente se, = Õ; r
se,e somente se,r == O (mod m);
se,e somente se, r é múltiplo de m.
Portanto, N(Pm) = {O , ±m, ±2m, ...}.

Exemplo 30: Determinemos o núcleo do homomorfismo i: 7L -- 7L x 7L do exem-


plo 24. Como o zero do anel 7L x 7L é o par (O, O), então um inteiro n pertence a
NU) se, e somente se, i(n) = (n, O) = (O, O). Ou seja, se,e somente se, n = O. Logo,
NlfI = {O}.

Exemplo 3J: Vamos encontrar agora o núcleo do homomorfismo i do exemplo


26. Neste caso os anéis são A = B = 71 [,/"2J e o zero de B é o número O. Então um
número a + b\,2" pertence a NU) se,e somente se, i(a + b,:'2") = a - b\;2" = O.
Mas isso implica que a = b = O e, portanto, 0+ b\,:2 = O. Logo, NU) = {O}.
Exemplo 32: Consideremos f: Z x Z --.. Z definida por f(a, b) = o. t fácil provar
que i é um homomorfismo de anéis (deixamos como exercício a verificação desse
fato). Então um par (a, b) E 7L x 7L pertence a N(f) se,e somente se, ira, b) = a =
= O. Portanto:
NIf) = {Ia, bJ E E x E I fia, bJ = a = O} = {lO, b) I b E Z'}
Note-se que, neste caso, N(f) é um conjunto infinito.

Proposição 12: Seja i: A -- B um homomorfismo de anéis. Então: (i) NU) é


um subanel de A; (ii) f é injetor se, e somente se, NU) = {OA}'

Demonstraçõo:
(i) Se a, b E NU), então /(0) = f(b) = 08 , Daí, f(o - b) = i(a) - i(b) = 08 e
f(ab) = i(a)/(b) = 08 • 08 = 08 , Portanto, 0- b,ab E NU), o que prova que o nú-
cleo de i é um subanel de A.
(ii) Considerando-se que A e 8 são grupos aditivos e que i é, em particular,
um homomorfismo de grupos aditivos, então (devido à proposição 6, capítulo IV)
t é injetor se, e somente se, N(f) = {OA}' #

8. ISOMORFISMO DE ANÉIS
Consideremos os anéis 7L ó e 7L 2 x 7L 3 (produto direto), ambos constituídos de
6 elementos. À primeira vista, é difícil perceber algo em comum entre eles além
da cardinalidade: aflnel.os elementos e as operações de um e de outro têm nature-
za diferente. Na verdade, porém, pode-se mostrar que, enquanto anéis, eles "têm
tudo" em comum.

(3-236-E:)
Para mostrar isso,o primeiro passo é estabelecer uma correspondência biunívo-
ca conveniente entre seus elementos. Essa tarefa não é fácil, mas uma boa saída é
começar pela correspondência "mais natural" entre os elementos de um e de outro.
Para isso, adotaremos a seguinte notação:
e
a, = classe de restos módulo 6 determinada por a;

a, = classe de restos módulo 2 determinada por a;


a= classe de restos módulo 3 determinada por a.
Convenhamos que a correspondência "mais natural" de &'.6 para &'.2 x &'.3 é a
"aplicação" f (no exemplo 35 mostraremos que, de fato, f é uma aplicação) assim
definida:
.§. f .? ~
0-(0,0)
Numa tabela, mas, por simplicidade, sem o uso de traços sobre os elementos:
f
,IIr,' Z;_Z,:
O 10,01
1 11, 1I
2 10,2)
3 (1, O)
4 (O, 1)
5 (1, 2)

Observe-se que, por exemplo, o correspondente do 5 é o par (1, 2), porque o


resto da divisão de 5 por 2 é 1 e por 3 é 2.
As tábuas do anel &'.6 são fáceis de construir:

+ O 1 2 3 4 s . O 1 2 3 4 5
O O 1 2 3 4 5 o. O O O O O O
1 1 2 3 4 5 O ,1 O 1 2 3 4 5
2 2 3 4 5 O 1 2 O 2 4 O 2 4
3 3 4 5 O 1 2 3 O 3 O 3 O 3
4 4 5 O 1 2 3 4 O 4 2 O 4 2
5 5 O 1 2 3 4 5 O 5 4 3 2 1

É uma questão de cálculos mostrar que, se substituirmos as entradas dessas


tábuas pelos correspondentes elementos de &'.2 x &'.3' obtêm-se como resultado
exatarnente as tábuas deste último anel. Ou seja, que a correspondência escolhida
cumpre o esperado. No exemplo 35 provaremos formalmente essa afirmação. Aqui,

G-2J7-E)
como ilustração, nos limitaremos a fazer duas verificações desse fato, uma para a
tábua da adição e uma para a tábua da multiplicação.
Em 2 6, por exemplo, 3 + 4 = 1. Os correspondentes de 3 e 4 em Z 2 X Z 3 são res-
pectivamente (1, O), (0,1), cuja soma é (1, 1), que é exatamente o correspondente de 1.
Também em Z6: 3·4 = O. Multiplicando-se os correspondentes de 3 e 4, obtém-se:
(1, DilO, 1) = (0,0)
que é o correspondente de O.
De modo geral, se a + b = c e ab = d (em Z6)' então 1(a) + f(b) = 1(c} e
f(a)f{b) = f(d) (em Z2 x Z3)' Ou seja, f preserva as Operações, ou, falando mais
formalmente, 1 é um homomorfismo de anéis. Como é obviamente uma bfieção, en-
tão se trata de um exemplo de isomorfismo de anéis, conceito a ser definido a seguir.
Definição 14: Seja i: A ----.. 8 um homomorfismo de anéis. Se f for também
uma uma bljeçáo, então será chamado de isomorfismo do anel A no anel 8. Neste
caso, diz-se que f é um isomorfismo de anéis.
Convém observar que um isomorfismo do anel A no anel 8 é, em particular,
um isomorfismo do grupo aditivo (A, +) no grupo aditivo (8, +).

Exemplo 33: Se A é um anel, então a aplicação idêntica iA: A ---+ A, iA{x) = x é um


isomorfismo de anéis, pois, além de ser bijetora, é também um homomorfismo,
uma vez que:
• iA(a + b) = a + b = iA (a) + iA(b);
• iA(ab) = ab = iA(a)iA(b}.

Exemplo 34: O homomorfismo I:Z[\ 2 ] ---+ Z[\,2J,do exemplo 26,é um isomor-


fismo, pois é injetor, uma vez que N(f) = {O}, como mostramos no exemplo 31, e so-
brejetor. De fato, dado y = m + n\ 2 E zL:21 basta tomar x = m - n\:2 E
E Z[, 2 ] que,
f(x) =f(m - nv2) = m + n\'2 =y , z
Exemplo 35: A aplicação I: Z6 ---+ J' 2 X Z3 definida por f(a) = (a, a), com a
notação introduzida no início deste item, é um isomorfismo de anéis.
Mostraremos primeiro, e simultaneamente, que 1 é, efetlvamente, uma aplicação
e que é injetora.
, ,
a= b se, e somente se, 61 (a - b);
se, e somente se, 2 I (a - b) e 3 1(a - b);
2 2 3 3
se, e somente se, a=b e a=b;
2 3 2 3
se, e somente se, (a, a) = (b, b).
O fato de f ser injetora e o dominio e o contra-domínio de f terem a mesma
cardinalidade (= 6) garantem que f é sobrejetora.

G-238-E)
Falta mostrar que f preserva as operações, o que faremos apenas no que se
refere à multiplicação:
666232233232366
f{a· /i) = f(ab) = (ab, ab) = (aE a /i) = (a, a)IE /i) = fia) • f{/il
Proposição 13: Seja t: A ---'" B um isomorfismo de anéis. Então f -': B........ A tam-
bém é um isomorfismo de anéis.

Demonstração: Sendo f um isomorfismo do grupo aditivo A no grupo aditivo


B, então f- 1 é um isomorfismo do grupo aditivo B no grupo aditivo A (proposição
7, capítulo IV). Resta-nos provar que f- 1 preserva as multiplicações.
Sejam (, d E B. Como f é sobrejetora, c = f(a) e d = f(b), para convenientes
elementos a, b E A. Vale observar, de passagem, que essas igualdades equivalem
respectivamente a a = f-'(c) e b = f- 1(d }. lsso posto:
1{cd}
r = r ' (f(a)f(b)) = r ' (f(ab)) = ab = r'(c)r'(d) #
Uma decorrência dessa proposlção em termos de terminologia é que se f: A ---'" B
é um isomorfismo de anéis, então pode-se dizer que os anéis A e B são isomorfos.
A relação estabelecida por um isomorfismo t: A"""" B será indicada por A = B ou
B ~ A. Dois anéis isomorfos diferem apenas pelos nomes de seus elementos e ope-
rações. Essencialmente são o mesmo anel e cada um deles pode ser considerado
uma "cópia" do outro. Por exemplo, os anéts Z, e #'..2 x E 3 são isomorfos, como já mos-
trarnos.O anel Z6 pode ser considerado uma cópia mais favorável do anel 71 2 x Z3'
Porém os anéis 1'4 e?L 2 x 71 2 não são isomorfos, como mostraremos a seguir.

Contro-exemplo 5: Mostraremos que nenhuma aplicação de E 4 em 2 2 x E 2 é


um isomorfismo. Qualquer aplicação f:?L 4 ........ ?L 2 x ?L 2 "candidata" a isomorfismo
necessariamente levaria o zero no zero e a unidade na unidade. Isto é, f(O) = (O, O)
e f(l) = (1, 1). Então:
f(2) = f{l + 1) = f(1) + f(1) = (1, 1) + (1, 1) = (1 + 1,1 + 1) = (O, O)
e
f(3) = f(l + 21 = f(1) + fl21 = (1, 1) + (O, DI = (1, 1)
Isso mostra que f não é lnletora. pois f{O} = f(2) e f(l) = f(3), nem sobreje-
tora, pois Im(f) = {(O, O), (1, 1)}. Portanto, realmente não há nenhum isomorfismo
de 1'4 em ?L 2 x ?L 2 .
Seja f: A ........ B um homomorfismo lnjetor de anéis (corpos). Se L é um subanel
(subcorpo) de A, então f(L) é um subanel (subcorpo) de B, como já vimos (proposição
10). Então a aplicação g: L ........ f(L) definida por g(x) = f(x}, para qualquer x E L, é um
isomorfismo de anéis (corpos). De fato, 9 é lnjetora, porque f é injetora, é sobrejeto-
ra,porque Im(g) = g(L) = f(L), e homomorfismo de anéis (corpos), porque f o é. Por-
tanto, se i :A ---'" B é um homomorfismo injetor, todo subanel (subcorpo) L de A es-
tá retratado em B por um subanel (subcorpo) que lhe é isomorfo: sua "cópia" f(L).

G-2l9-E)
Exemplo 36: Consideremos o homomorfismo i: Z ---')o Z x Z introduzido no exem-
plo 24 e assim definido.Hn) "" (n, O). Como vimos (exemplo 30 e proposição 12), f é
um homomorfismo injetor. Lembremos que os subanéts de Z (todos) são os subcon-
juntos nZ (n = O, 1, 2, ...), As "cópias" desses subanéis em Z x Z são os subanéis
nZ x Z (n = O, 1,2, ...).
Mais; pode-se mostrar que os subconjuntos nl' x Z são os únicos subanéts de
Z x 2. De fato, sejam M um subanel de Z x Z e L o subconjunto de Z formado pe-
los primeiros termos dos elementos de M. Se a], a2 E L, então (a" b]), (a2, b2) E M,
para convenientes b" b 2 E Z. Daí, (a 1, b,) - (a2, b2) = (a, - a 2, b] - b 2) E M e,
portanto, a] - a 2 E L. Então L é um subgrupo do grupo aditivo Z e, por isso,
L = nZ, para um conveniente n E Z. De onde M = nZ x Z.

_ Exercícios
59. Verifique se a função f:A ---')o B é ou não é um homomorfismo do anel A no anel
B nos seguintes casos;
a) A = Z, B = Z, f(x) = x + 1
b) A ~ Z', B ~ Z',f(x) ~ 2x

c) A = :f, B = Z x Z, f(x) == (O, x)


d) A =Zx Z,B = Z,f(x,y) =x
e) A = Jlx 7l = B,f(x,y) = (y,x)
f) A = Z, B = Zn- f(x) = x
g) A = B = C (corpo dos complexos) e f{a + bi) = a - bi

60. Determine os núcleos dos homomorfismos do exercício anterior.

61. Considere os anéis Z e #' x 7! (produto direto). Verifique se são homomorfismos


e determine o núcleo.
a) t, Zx Z ---')o Z x Z dado por f(x,y) = (O,y)
b) f:7..x Z ---')o Zoado por f(x,y) =y
c} i: Z ---')o 7! x 7! dado por f{x) = (2x, O)
d) f:ifxZ ---')o ZxZdado por f{x,y) = (-y, -x)
e) i: Z ---')o Z x 7L dado por f(x) = (O, x)

62. Sabendo que Z x Z munido das operações de adição e multiplicação assim


definidas:
(a, b) + (e, d) = (a + e, b + d)
(a, b) . (C, d) = (ae, O)
é um anel, mostre que a aplicação i : Z x Z ---')o 7! tal que f{a, b) = a é um homo-
morfismo sobrejetor.
63. Sabe-se que 7L x 7L munido dasoperações de adiçãoe multiplicação assim definidas:
(a, b) + (C, d) '" (a + e, b + d)
(a, b) • (e, d) '" (oe, ad + be)
é um anel. Mostre que a aplicação i: 7L x 7L - -;r tal que f (a, b) '" a é um homo-
morfismo de anéis.

64. Sabe-se que (Z x 7L, +,.) é um anel quando a adição e a multiplicação são
assim definidas:
(a, b) + (e, d) '" (a + e, b + d)
(a, b) • (e, d) '" (oe - bd, od + be)
Mostre que a aplicação t, 7L ---.. Z x 7L tal que f{a) '" (a, O) é um homomorfismo
deZem7Lx7L.

65. Dê um exemplo de anéis A e B e um homomorfismo f:A -8 tal que IOA) -=I=- '8'
66. Mostre que i: iC ---.. M 2(1R) dada por f(a . '" (a -b)a ,"rIa,b E lR,é um
+ bI} b

homomorfismo injetor de anéis.

Tomerncs z, == a + bie Zl == e + di em C.

:~~:S~2) == f(a+c}+(b+d)i) == (ab+d


t e -(b -t d)) = (a + c
a+e b+d
==(: -:)+(: -:)==f(Z,) +f(Z2)
ae - bd -(ad + bel)
f(ZI • Z2) = f«ae - bd) + (ad + be)l) = ( =
ad+bc ac-bd

= (a, - bd
ad+bc
ad - b') (a -b) (' -d)e
ac-bd
=
b a d
= fiz,) . fiz,)

Observemos que f é injetora, pois:

~ -:)=(; -:) => { : : :



f(Zl)=f(Z2) (: =ó> Z,=Z2

67. Sejam os anéis A", {a + õ v -2 I a, b E QJl} e 8 '" M 2 (Q ).

a) Mostre que f:A ---.. B dada por 1(0 + bv ~


-2) '" (ab -2b)
a é um homo-
morfismo.
b} f é um isomorfismo?

68. Considere os seguintes anéis: (IR, +,.) e (IR, (±-), O), sendo Q 8-} b '" Q +b + 1
e Q O b '" a + b + ab. Mostre que i : IR ---.. IR dado por f{x) '" x - 1, "rIx E IR
é um isomorfismo de (IR, +,.) em (IR, ffi, O). Defina o isomorfismo inverso.

(3-241-E)
69. Seja A um anel com unidade. Para cada elemento inversível a E A,seja f a: A ---.. A
a aplicação dada pela lei fa(x) = axa--'. Mostre que ia é um isomorfismo e
dê uma fórmula para f a c f b .

70. Seja f: A ---.. B um isomorfismo de anéis. Mostre que:


a) Se a E A é um elemento idempotente, então f(a) também o é.
b) Se a E A é ntlpotente. então ira) E B também o é.
c) SeA possuiunidade,a E A e 3 b,c E A (b,c fi:. ViA)) tais quea = b . c.então f(a) E
E B pode também serdecomposto em dois fatores de B, ambos não inversíveis.

71. Mostre que nenhuma aplicação i: A ---.. B em que A = {x + Y\ 2 1 x, Y E Q},


B = {x + 1\ 31 x,y E O} e fV< + y\ 2) = x + y-,3 é um isomorfismo.
Sugestão: Observe que, se i fosse um isomorfismo de A em B, então fC 2) =
a+ b\' 3. Calcule a seguir f(2) = 2 a partir de f(\' 2) = a + b\: 3.

72. Mostre que, se i: ?L ---..?L é um isomorfismo de anéis,então i é a aplicação idên-


tica de ?L.
Sugestão: Observe que f(± 1) = --'-- 1 e que 'r:I m E ?L* vale m = (±1) + ...+ (Lt).

73. Mostre que. se f é um isomorfismo do anel A = {a + b,v' 2 1 a, b E O} nele


próprio, então fe 2) = +\2ou fCl) = -\ 2.
74. Mostre que, se i: O ---.. iJJ é um isomorfismo de anéis, então f é a aplicação

(* + *+ ... + *),
idêntica de O.
Sugestão: Observe que fO) = 1 = n vezes, 'r:In E N*. A

partir disso calcule i(*).


75. Determine todos os homomorfismos de ?L em ?L.

llml!D
Seja f: 11 -- L um homomorfismo tal que f(1) = k.
Provemos que f{x) '" kx para todo x E 1'.:
l~)f(O)=O=k·O.

2~)Se f(n} = kn, com n E N, então:


f(n + 1) = f(n) + f(1) == kn + k = k(n + 1)
Portanto, por indução, a tese está provada para todo x E N.
3~)Se x E ;:z ,então x = -Ixl e Ixl E 11_, então:
f(x) = f(-Ixl) = -f(lxl) '" -klxl = k(-Ixl) '" kx
Tendo provado que f é uma função linear de x, determinemos agora o valor de k.

(3-241-E)
Como f(x . y) == f (x) . f(y), para todo x. y E 7L, temos:
k(xy) == (kx) • (ky) 'rix, y E L
E, daí:
k==k 2 k==O ou k== 1
Conclusão: Há apenas dois homomorfismos do anel 7L nele próprío: f(x) == x e
f(x) == o. •
76. Seja i: 7L x 7L ---')o 7L x 7L dada por por f(x, y} o;; (mx + ny, px + qy).
a) Calcular m, n, p, q de modo que f seja um homomorfismo do anel 7L x 7L
nele mesmo.
b) Em quais desses casos f é um isomorfismo de 7L x 7L?

77. Ache todos os homomorfismo de 7L em 7L 4 .


Sugestão: Considere asimagenspossíveis de 1 E 7L por um homomorfismo f ;?I---')o 2 4 ,

78. Ache todos os homomorfismos de ;}' em 7L 6 ,

79. Determine todos os homomorfismos do anel 7L no anel 7L x ?I.

80. Determine todos os homomorfismos de 7L x 7L em 7.


Sugestão: Faça f (1, O) o;; P e f (O, ') o;; q; em seguida, note que f(x, y) o;; f (x(', O) +
+ y(O, 1)).

rjJ Exercícios complementares

(4. Mostre que P o;; [Io, b, -b,a);a, b E !R}, com a adição e a multlpllcação definidas por
(a, b, -b, a) + (c, d, -d, c) == (a + e, b + d, -b - d, a + c)
(a, b, -b, a) (c, d, -d, e) (ac - bd, ad + bc, -ad - be, ae - bd)
o;;

é um corpo. Mostre que P é isomorfo a C, o corpo dos números complexos.

(5. Mostre que um homomorfismo de um corpo K nele mesmo ou é a aplicação


nula ou é um isomorfismo.
Sugestão: Faça f(l) == a e analise as duas possibilidades, a o;; O ou Q "* O.
V-3CORPO DE FRAÇÕES DE UM ANEL DE INTEGRIDADE

9. QUOCIENTES EM UM CORPO
Num corpo K, a equação ax o;; b, em que Q =1= 0, tem uma única solução, que é
o elemento a- 1b == ba 1. Um elemento de K escrito na forma a-1b o;; ba- 1 é chama-

(3-243 -E:)
do quociente de a por b e denotado por ~ . É fácil ver, por outro lado, que todo
elemento a E K é um quociente: por exemplo, se b *- O é um elemento de K, então
o > {ab)b-' =: ab.
b
Adotada a notação de quociente, as operações com elementos de um corpo se
fazem segundo certas regras que facilitam os cálculos algébricos e que, num certo
momento, nortearão nossos passos na construção do corpo de frações de um anel
de integridade, nosso objetivo principal nesta seção. Vejamos como.
Proposição 14: Sejam a, b, c, d elementos de um corpo K. Se b -=I=- Oe d *- O,
então:
(i) ~ =: ~ se, e somente se, ad =: bc;

ad + bc
bd
a c ac
(iii) t; . d - bi
o -o
(iv) - - =: - .
b b'

(v) se a *- O (além de b), então (~r=: ;.


Demonstração:
(i) Se ~ =: ~,então ab-' =: cá '. Daí, ad =: a(b-, b)d =: (ab-l)(bd) =: (cd ')(bd) =: cb.

Suponhamos, reciprocamente, que ad =: bc. Então ~ = ab-' = a(dd-1)b- 1 =

= (ad)(d-'b-')= (bc)(d-'b-') = cd- 1 = ~.


a c
(ii) t; ± d = ab ' + c d ' = a(dd ')b ' ± c(bb-')d- 1 = (ad)(bd)-l ± (bc)(bd)-'=

= (od ± bc)(bdJ-1 = ad + bc
bd .
(iii) Fica como exercício.
a -a ab+ a(-b) O -a a
(iv) t;+b= bb = b2=O'(b2J-'=O,Portanto'b éoopostode

(v) Fica como exercício. #

10, CORPO DE FRAÇÕES DE UM ANEL DE INTEGRIDADE


A questão que temos pela frente agora é a seguinte: dado um anel de integri-
dade A,construir um corpo K do qual A seja um subane! unitário, A construção que
faremos é a mesma, no plano formal, pela qual se obtém o corpo dos números ra-
cionais a partir do anel dos inteiros.

(3-144-E)
Seja A um anel de integridade. No conjunto A x A* consideremos a relação ~
definida da seguinte maneira:
(a, b) - (e, d) se, e somente se, ad =' bc.
Não é dificil provar que - é uma relação de equivalência sobre A x A*. Por bre-
vidade, mostraremos apenas que ~ goza da propriedade transitiva.
De fato, consideremos (a, b), (e, d), (e, fl E A x A*. Se (a, b) - (e, d) e (e, d) ~
(e, fl, então ad =' be e cf =' de. Multiplicando os dois membros da primeira igualda-
de por f e os dois da segunda por b, obtemos adf =' bcf e bcf =' bde. Segue daí que
adf =' bde e, portanto, cancelando-se d. o que é possível, pois d "* O e A é um anel
de integridade, af =' be. De onde, (a, b) ~ (e, f).
Tratando-se de uma relação de equivalência muito especial, preferiremos usar a
a
b
notação para representar a classe de equivalência determinada pelo par (a, b), em

vez da notação genérica (a, b).Os elementos do conjunto quociente K =' (A x A*)/~,

com a notação adotada. são as frações ba (a E A, b E A*). Então:


a c
b d =' se, e somente se, (a, b) ~ (c, d), se, e somente se, ad =' bc.

Nosso objetivo é transformar K num corpo. Inspirados nas considerações da seção


anterior,definiremos "soma"e "produto" de duas fraçôes. ~, ~ E K da seguinte maneira:
a e ad+be ae ae
- +- =' e
bd bd bdbd
Isso posto, pode-se provar que as definições dadas independem dos particula-
res pares escolhidos para representar as frações. Por exemplo, no caso da multipli-
cação, suponhamos (a, b) ~ (m, n) e (e, d) ~ (r, s). Então an = bm e cs =' dr. Mul-
tiplicando membro a membro essas igualdades, obtemos (an)(es) =' (bm)(dr) e daí
(ae)(ns) = (bd)(mr). Isso significa, no presente contexto, que toe, bd) ~ (mr, ns) e,
a e m r
portanto, que - • - = - • - .
b d n s
Rotineiramente se demonstra que (K, +,.) é um corpo. Destaquemos apenas
alguns pontos dessa demonstração.
Associatividade da adição:
~+(~ + ~)= ~ +
bdlb
ef+de
di
= adf+ bcf+ bde
bdl
Também:

(~b
+~) + ~=' ad+ be +!
dlbdl
=' adf+bcf+ bde
bdl
Portanto:

G-245-E)
o zero do corpo é a fração
o (O == zero de A; 1 =
~ unidade de Al, pois:
1
a O o·1+b·Q a
-+-=
b 1 b., b
o oposto de uma fração ~ é a fração -o .
b b
A unidade do corpo é a fração~.
I

O ·Inverso d e uma fraçao


- °--. ,. t
. --e°
a 'raçao
f·b .
-, POIS:
b I a
a b ab ,
= uma vez que (ab) • , = 1 . (ba)
r ,

baba 1
O corpo K assim obtido é chamado corpo das {rações do anel de integridade A.
A seguir mostraremos de que maneira se pode considerar A como um subanel
unitário de K. Naturalmente, como os elementos e operações de A e de K têm natu-
reza distinta, o sentido dessa afirmação é que há um subanel de K que pode ser lden-
tificado com A através de um isomorfismo conveniente. E, examinando o formato dos
elementos de K, é lícito admitir que esse subanel possa ter como suporte o conjunto:

L={~ laEK}
a b
Efetivamente, L é um subanel de K, pois, tomando-se -, - E L:
1 1

~_~= ~+(_~)=~+ ~b =a+~-b) EL

e
a b ab
= - E L.
I 1
Para completar nossa argumentação, falta mostrar que a aplicação f:A --- L que
.
assocra a ca d a elemento a E A a fração -a é um isomorfismo de anéis. De fato:
1
a+b a b
fia + b) ~ - - ~ - + - ~ fia) + flbl;
1 1 1
ab a b
flab) ~ -, ~ , . , ~ fla)flb};

. a b
• se f(a) = f(b), entao - = - e, portanto, a . , = , . a, ou seja, a = b, o que
.. .
mostra que e mjetora: "
a
• se y E L, então y = -, para um conveniente elemento a E A cuja imagem
1
obviamente é y, pois f(a) = ~ = y, e isso prova que f também é sobrejetora.
1

(3-246-E)
Assim, identificando A com sua cópia L = { ~ I a E K} em K, através do Isomor-
morfismo t, podemos dizer que A é um subanel de K e, inclusive, anotar A C K.
Aliás, no plano formal, como já adiantamos de início, é com todos esses suben-
tendidos que se considera lL C O.

111 Exercícios
81, SendoA um corpo, define-se em A x A* a relação de equivalência (a, b) R (c, d) _
= ad = bc. Determine o corpo de frações de A.
82. Seja A um subanel unitário de O. Determine o corpo de f-ações de A.

83. Sejam A e B dois anéis de integridade isomorfos e seja f: A ....... B um isomorfis-


mo. Mostre que existe um único isomorfismo g: K ....... Cem que K e L são respec-
tivamente os corpos de frações de A e B, e 9 um prolongamento de i,

84. Seja p um número primo positivo. Seja A= {~ E O I p {' b}. Mostre que A é
um subanel unitário de Q e determine o corpo de frações de A.

V-4 CARACTERfsTICA DE UM ANEL

11. INTRODUÇÃO
Consideremos o anel lLm das classes de resto módulo m. Observemos que,
qualquer que seja ã E lLm :
- - -
m·a =a+a+ ... +a= a+a+ ... + a =ma=O
I (m parcelas) I
uma vez que ma == O (mod m).

G-147-E)
Essa propriedade do anel Em não é compartilhada pelos anéis numéricos Z, IQ,
Pi e C. por exemplo. De fato, considerando a unidade desses anéis, que é o número
1, então, qualquer que seja o inteiro estritamente positivo m:
m·1=1+1+ ... +1=m*0
E essa diferença entre os anéis Zm e os anéis numéricos não decorre apenas
do fato de os primeiros serem finitos e estes infinitos. Mesmo num anel infinito A,
pode ocorrer o seguinte:
m • a = a + a + ... + a = O (zero do anel)
para algum inteiro estritamente positivo m e para todo elemento a do anel, como
teremos ocasião de mostrar (exemplo 39). Diga-se de passagem que, se m • a = O,
então (2m) • a = (3m) .a =... = O.
Nosso objetivo nesta seçêo é explorar as possibilidades levantadas por essas
observações para a teoria dos anéis. Mas para isso precisaremos explorar antes o
conceito de múltiplo de um elemento de um anel.

12. MÚLTIPLOS DE UM ELEMENTO DE UM ANEL


Seja (A, +,.) um anel. Então (A, +) é um grupo aditivo abeliano e, portanto,
pode-se usar para seus elementos o conceito de múltiplo introduzido no capítulo IV
(seção 9). Lembremos como, adaptando a notação ao presente caso:se m é um in-
teiro e a um elemento de A, então m • a é assim definido:
se m :? 0, por recorrência, da seguinte forma:
O • a = 0A (zero de A)
m . a = (m - 1) • a + a, se m "3 1

• sem<O
m· a = (-m) . (-a)

O elemento ma é chamado múltiplo m-ésimo de a.


Com base nessadefinição, demonstram-se asseguintes propriedades (ver propo-
sição 12, capítulo IV), válidas para qualquer a E A e quaisquer m. n E Z:
(i) m· a + n· a = (m + n) . a;
(ii) (-m)· a = -(m • a);
(iii) n· (m • a) = (nm) . a.
Além dessas propriedades, há outra, de que precisaremos nesta seçêo, específi-
ca dos anéis com unidade.
Proposição 15: Seja A um anel com unidade. Se lA indica a unidade e m, n E ?L,
então (mn) . lA = (m .1 A)(n . lA)'
Demonstração: Inicialmente suporemos n ~ Q. Para este caso, a demonstração
será feita por indução sobre n.

(3-248-E)
Se n e o.então (mn). lA =O, lA =0A,aopasso que (m ·lA) (n ·lA) = (m ·l A)(O "A)=
= {m ·l A)OA = 0A' Portanto, a igualdade vale quando n = O.
°
Seja r um inteiro maior que ou igual a e suponhamos (mr) . 1A= (m • 1A)(r • 1A)'
Entâc [m(r + 1)] "A = (mr + m) ·lA = (mr) "A + m "A = (m "A)(r "A) +
- m ·l A = (m "A)(r "A) + (m "A)'A = (m ·l A)(r .1 A + lA) = (m ·l A)[(r + 1) ·'Al.
Com isso a propriedade está demonstrada para n ~ O.
Suponhamos n < O. Então:
(mn) .1 A= [(-ml(-nll"A= [(-ml· lAl[(-n) "Al = [-(m "A}][-(n ·lAl] = Irn- lA)(n "A) #
Corolário: Seja A um anel com unidade. Então o conjunto B = lL "A =
= {m. lA I m E lL} é um subanel unitário de A.
Demonstração: Como 'A = 1 'l A , então 'A E B que, portanto, não é vazio.Sejam
m ·l A , n 'l A E B.Então:
• m·' A - n . 1A = m ., A + [- (n . 1Al] = m . 1A + [( -n) . 1Al = [m + (- n)] . lA =
= (m - n) • lA' o que mostra que B é fechado para a subtração;
• (m ·l A)(n "Al = (mn) . lA'O que mostra que B é fechado para a multiplicação.
Então B = ii . , A é um subanel de A. unitário, porque' AE B, como já observamos. #

13. CARACTERíSTICA DE UM ANEL


Definição 15: Seja A um anel. Suponhamos que, para algum inteiro n > O e
°
para qualquer a E A. verifica-se a igualdade n . a = (zero do anel). Então existe um
menor inteiro estritamente positivo r tal que r . a = 0, qualquer que seja a E A. Esse
inteiro r é chamado característica do anel A e indicado por c(A). Se,ao contrário, o
anel A possui pelo menos um elemento a tal que n . a '* 0, qualquer que seja o in-
teiro estritamente positivo n. então se diz que a característica do anel é O.

Exemplo 37: Os anéis ii, Q, ~ e C têm característica O, pois, se m'* O, então


m-f e m e.portanto.m-j -=I=- O.

Proposição 16: Seja A um anel com unidade. Então a característica de A é um


inteiro h > Ose, e somente se, h é o menor inteiro estritamente positivo tal que
h . lA = OA- Ou seja, se, e somente se, h é a ordem de lA no grupo aditivo (A, + l.

Demonstração:
(---..) Por hipótese, c(A) = h. Portanto, h . a = 0A' qualquer que seja a E A. Em
particular, h "A = 0A- Suponhamos que, para algum inteiro m, 0< m < h, se pu-
desse ter m ·l A = 0A- Então, qualquer que seja a E A:
m· a = a + a+ ... + a = alA + alA + ... + alA =
= a(l A + lA + ... + lA) = a(m ·l A) = aOA = OA
o que é absurdo, uma vez que c(A) = h.
(__) Por hipótese. h é o menor inteiro estritamente positivo tal que h .lA o:: DA'
Então, qualquer que seja a E A:
h • a == a + a + ... + a == alA + alA + ... + alA o:: a(lA + lA + ... + lA) o::

= a(h • lA) == aDA = 0A-


Se houvesse algum inteiro m tal que °< m < hem .a = DA' para qualquer
° E A, então, em particular, m -lA o:: 0, o que é contrário à hipótese. #

Exemplo 38: Observemos primeiro que, em "Em' m -, + ., + ... + ., = mo:: Õ. o:: ,

Suponhamos, por outro lado, que para algum inteiro r, O < r < m, se tivesse r ., = Õ.
r, r
Como r ., == então o:: 0, ou seja, r == O (mod m). Então m I r, o que é impossível,
uma vez que O < r < m. Logo, c(I m) = m.

Proposição 17: Se a característica de um anel de integridade A não é zero,en-


tão é um número primo.

Demonstração: Seja c (A) o:: h > O. Se h não fosse um número primo, então h =o rs.
para um par conveniente de inteiros r e s tais que 1 < r.s < h. Como c(A) = h, en-
tão r ·lA -=I=- 0A e s -lA -=I=- 0A-Mas DA = h .1A = (rs) -lA o:: (r ·lA)(S .1A)·
Da igualdade (r -lA)(S ·lA) == 0A obtida, segue que os elementos r -lA e 5 'lA
são divisores próprios do zero em A, o que contraria a hipótese de que A é um anel
de integridade. Portanto, h é primo. #

Exemplo 39:Vamos dar agora um exemplo de um anel comutativo com unidade


e infinito cuja característica é 2. Esse anel é formado por todas as seqüêndas infinitas
de elementos de I 2 com a adição e a multiplicação definidas componente a compo-
nente. Se indicarmos por A esse anel, então:
A {(a,. a2 , ..., ... ) I 0,,02< ... E I 2}
o::

(0,,02, ) + (b" b 2, ...) = (a, + b 1, 02 + b 2, ...)


(a,. a 2, )(b 1, b 2, ...) = (01b" a 2b 2, ...)

Deixamos para o leitor a verificação de que realmente se trata de um anel co-


mutativo com unidade. Apenas destacamos que o zero desse anel é a seqüêncla
(O, 0, ...,O....) e a unidade a seqüência (1, 1, , l, ). Como
2 . (1, 1, "" 1, ...) = (1, 1. .... 1, ...) + 11,1, , 1, } = 12,2, ..., 2, ...} = (ã, ó. ... , 0, ...1
e, obviamente,
1. 11. 1. "" 1. ...) = 11, 1. .... 1, ...} + 10,0, ...,0, ...J
então c(A) = 2.
Exemplo 40: A característica de um anel com unidade finito é maior que zero.
Indiquemos por A esse anel e consideremos a seqüência
lA,2' lA' 3 .1A ....

(3-250 -E)
o fato de A ser finito assegura que há dois elementos nessa sequência, digamos,
r .1A es ·lA tais que r>s e r·1 A == s ·lA e,portanto, (r - s) ·lA = 0A,com r - s > O.
O menor inteiro estritamente positivo h tal que h 'l A == OA é a característica de A.
Proposição 18: Dois anéis isomorfos têm a mesma característica.
Demonstração: Sejam A e B os anéis e indiquemos por f: A --->o B o isomorfismo.
Suponhamos primeiro que dA) == h e tomemos b E R Como i é sobrejetora, então
b = i(o}, para algum a E A. Então:

h .b = h . i(a) = f(a) + f(o) + ... + f(a) = f(a + a + ... + a) = f{h· a) = f(OA} = 08


Suponhamos que para algum inteiro °
s, < s < h, pudesse ocorrer a igualdade
s . b = Os' qualquer que fosse o elemento b E R Isso posto, seja o um elemento ar-
bitrário de A. Como a = 1
r-
(f (a)), em que i -, é o isomorfismo inverso de t, então:
s . o == s . [f-l(f{a))] = r 1(1(0)) + '-'(1(0)) + ... + f- 1(f {0)) =
= f- 1[f(a) + f(a) + ... + f(a)] = f- 1{s • f(a)1 =r 1(08) = OA

o que é impossível, pois elA) = h. Das duas conclusões, segue que e(B) = h. #
Deixamos como exercício a demonstração no caso em que c(A) = O.
O corolário da proposição 15 nos diz que, se A é um anel com unidade, então
E . 1A = {m • 1A I m E E} é um subanel unitário de A. Se a característica de A é h > 0,
°
então h 'l A = 0A e os elementos ·lA = 0A' 1 ·lA' ..., (h - 1) ·lA são distintos
entre si. De fato, a suposição r .1A = 5 .1A ,com O -s; 5 < r < h, levaria à igualda-
de (r - 5) ·lA = 0A' em que O < r - s < h, o que é impossível, considerando-se
que dA) = h. Mais: não há nenhum outro elemento em 7J • 1A> além daqueles
relacionados. Para provar essa afirmação, que equivale a dizer que E . lA =
= {O . lA = 0A' 1 ·lA' ..., (h - 1) . lA}, seja m ' l A E E ·lA'Aplicando-se o algoritmo
euclidiano de 7L com m como dividendo e h como divisor:
m = hq + r (O ~ r < h)
Então:
m ·lA =(hq +
r) 'l A = (hq) ·lA + r.1 A = (h ·lA}(q ·l A) + r·lA =
==OA(q·1A)+r·1A=OA+r·1A = r·1A{0~r<h)

Ou seja,m 'l A é um dos elementos da sucessão O 'l A = 0A' 1 ·lA' ..., (h - 1) 'l A ,
como queríamos demonstrar.Portanto,neste caso, E . lA tem o mesmo cardinal de Eh'
E se erA) = 0, então não há elementos repetidos em E ·lA' De fato, a suposição
r ·lA =5 "A,com 5< r,levaria à igualdade (r- s) ·lA = 0A,em quer- 5 >O.Fa-
zendo-se r - 5 = t, então, qualquer que seja o E A:
t'a =a+a + ... + o=a'A + alA + ... + a1A=a(lA + lA + ... + lA) =a(t·1 A}=aDA = OA
o que é impossível, pois c (A) = O. Portanto, neste caso,
E ·lA = {DA' (:!::l) ·lA' (:!::2) "A' ..., (±n) .1A' ...}
tem o mesmo cardinal de IL

(3-251-E)
Essas considerações e propriedades já vistas para os múltiplos de um elemento
de um anel,particularmente os múltiplos da unidade, indicam a possibilidade de um
isomorfismo entre Zh e Z -lA (via r.. . . r -lA), no caso em que c(A) = h > O, e entre
7- e Z "A (via r ....... r . 'A),no caso em que c(A) = O.E,de fato, e isso o que aconte-
ce, como se mostrará a seguir.

Proposição 19: Seja A um anel com unidade. (i) Se c(A) = h > O, então a cor-
r
respondência que associa a cada E Zh o elemento r-lA E 7L "A é um isomorfis-
mo de anéis. (ii) E se c(A} = O, então é um isomorfismo de anéis a aplicação i : Z --..
....... Z "A definida por f(r) = r -lA'
Demonstração:
(i) Observemos que r= 5 se, e somente se, h I (r - 5);
se, e somente se, r - 5 = ht (t E Z).
Logo, (r- 5) "A = (ht) -'A= (h -'A)(t"A) =OA(t ·lA) = OA'Como (r- 5) -'A=
= r .1A - 5 -lA' então r "A = 5 • lA' Portanto, a correspondência r ....... r -lA é uma
aplicação de Zh em Z -'A' Dando a ela o nome de g, mostremos que se trata de
um isomorfismo.
Nas considerações que antecedem essa proposição está desenvolvido o racio-
cínio que mostra que 9 é uma bijeção. Por último:
• g(r + s) = g(r + s) = (r + 5) -lA = r . lA + 5 ·lA = g(r) + g{s);
- - -
• g(r5) = (r5) ·lA = (r ·lA)(5 .1A) = g{r)g(s}.

(ii) Fica como exercícío. O raciocínio é essencialmente o mesmo. #


Essa proposição nos autoriza a considerar Zh como subanel de todo anel A com
unidade de característica h > O, o que naturalmente pressupõe a identificação de
Zh com Z 'lA,justificada pelo isomorfismo g.E também a considerar Z como sub-
anel de todo anel com unidade de característica zero, através da identificação de
Z com Z - 1A' justificada neste caso pelo isomorfismo i,

14. CARACTERíSTICA DE UM CORPO


Se K é um corpo, então c(K) = P (primo) ou c(K) = 0, uma vez que todo corpo
é um anel de integridade. No primeiro caso, como acabamos de ver, o corpo K
contém Zp. que, pelo fato de p ser primo, também é um corpo. Ou seja, 7L p é um
subcorpo de K. Mas, como a unldade L (ou 1, pela identificação feita) pertence a to-
do subcorpo L de K, então m -'K E L, qualquer que seja o inteiro m, e, portanto.Z;
está contido em todo subcorpo de K. Ou seja, Z p é o "menor" subcorpo de K.
No caso de c(K) = O, pode-se demonstrar que o "menor" subcorpo de K é Q.

Para justificar essa afirmação, seja f: Q ....... K assim definida: f("')n = mn . 'k .lk. Então:
se, e somente se, (m "k)(S "k) = (n .1 k)( r · 1k);

se, e somente se, (ms) . 1k = (nr) • 'k;


se, e somente se, (ms - nr) . 1K = 0K;
se, e somente se, ms - nr = O (pois c(K) = O);
se, e somente se, ms = nr;
se, e somente se, !!!. = -.r.
n s
Isso prova que f é injetora. Ademais:
. f(~ +~) ~ f(ms +nr) = (ms + nr) '1 k (m .1 k}(s ·l k) + (n "k)(r • 'k)
n s ns (ns}'1 k (n . 'k)(S' 1k)

~~ + é.:.2!. ~ f(rn) + f('"-).


n"k S"k n s

• De maneira análoga se demonstra que f preserva a multiplicação.


Sendo f um homomorfismo injetor,então Im(!) = f m .1k I ~ E olé um sub-
1n 'l k n
corpo de K, como já vimos (seçâo 8). Portanto, podemos considerar 0, (identificado
com Im(f)) como um subcorpo de K. E é o menor subcorpo de K pela razão seguinte:
se L é um subcorpo de K, então 'k E L; daí, m "k' n "k E L, quaisquer que sejam
m 'l k
m, n E Z, com n =F O; portanto, (m "k)(n .1 k)- 1 = - - E L.
n "k
Os corpos Zp e a, pilares fundamentais sobre os quais assentam todos os cor-
pos, os de característica maior que Ono primeiro caso e os de característica zero no
segundo, são chamados corpos primos.

_~ Exercícios
85. Determine as características dos seguintes anéis:
a) Z3 c) Z x Z
b) Z d) Z2 X Z

86. Determine a característica do anel das matrizes reais do tipo n x n sobre IR e sobre Zs'

87. Sejam A e B dois anéis comutativos com elementos unidades. Demonstre que a
característica do anel produto direto A x B é igual ao mmc das característica de
AedeB.

88. Ache um anel de característica zero e um elemento a não nulo desse anel de
forma que n . Q = O para um certo n E 1\1*.
Sugestão: Tome, por exemplo, A = Z2 X Z.
89. Pode um anel finito ter caractertstlca zero? Prove ou contra-exemplifique.

90. Dê um exemplo de um anel infinito cuja característica seja diferente de zero.

91. Pode um anel com unidade ter característica 1? Por quê?

92. Mostre que um anel de integridade com quatro elementos tem característica 2.
Sugestão: Raciocine em termos do período da unidade, no que se refere à
adição.

93. Seja A um anel cuja característica é um número natural n > O não primo.
Mostre que A possui divisores próprios do zero.

94. Seja A um anel com unidade tal que x 2 = x, '<I x E A.


Mostre que c (A) = 2 e A é comutativo.

95. Seja A um anel e L um subanel de A. Mostre que c (L) -s; c(A).


Dê um exemplo de um anel A e um subanel L de A para os quais c{L) < c(A).

96. Seja f:A --->o B um homomorfismo scbrejetor de anéis.Mostre que C(B):;O c(A).

97. Seja K um corpo finito de característica p > O. Mostre que a aplicação i: K --->o K
definída por f(x) == x P é um isomorfismo de K.

98. a) Mostre que os subconjuntos 5 = {5,5, iô} e T == {5, 3, 6, 9, U} do anel z.,


são anéis de integridade relativamente às operações em ,z1S' induzidas
sobre eles.
b) Mostre que S é isomorfo a 1'.3' Qual é a característica de S?
c) Mostre que T é um corpo de característica S.

fjJ Exercicios complementares

(6. Mostre que o número de elementos de um corpo de característica p é uma


potência de p.

(7. Mostre que, se K é um corpo de característica p > O, então (x + y)P == x P + yP


para todos x, y E K.

(3-254-E)
v-s IDEAIS EM UM ANEL COMUTATIVO

15. NOTA HISTÓRICA


o "último teorema de Fermat" ',desde sua formulação.feita na primeira metade
do século XVII, até sua demonstração, realizada finalmente em 1994 pelo inglês
Andrew Wiles, sempre foi um desafio intrigante, até para leigos. No século XIX,
muitos matemáticos deram contribuições para a resolução desse problema, porém
talvez nenhum mais do que o alemão Ernst Kummer (1810-1893).
Em 1843, Kummer chegou a submeter uma pretensa demonstração do teorema
ao seu conterrâneo P. G. L. Dirichlet (1805-1859). Mas este enxergou um erro na de-
monstração: sem fundamento, o matemático utilizara uma generalização do teore-
ma fundamental da aritmética para um certo tipo de "inteiros" envolvidos na de-
monstração. Kummer retornou ao problema com mais empenho ainda e acabou
encontrando uma resposta para a questão da "fato ração única" levantada por suas
pesquisas. Para isso,introduziu um "outro tipo de números", a que chamou números
ideais e que não chegou a definir genericamente, e com esses novos números con-
seguiu restabelecer a fatoração única. Acrescente-se que Kummer deu uma demons-
tração parcial, mas muito ampla, do teorema de Fermat, para uma categoria infinita
de expoentes primos.
Em 1871, R. Dedekind mostrou que os fatores ideais de Kummer poderiam ser
substituídos por classes de números alqébrkos.as quais.ern consideração a Kummer,
chamou de ideais. Dedekind, definiu ideal em um corpo de números algébricos K
como um subconjunto A C K que goza da seguinte propriedade;
Se a, b E A e m, n E 2, então ma + nb E A.
Com isso, ele transferiu o problema da fatoração única para o conjunto dos ideais
e, com o conceito de ideal primo (definição 18,desta seçâo), também conseguiu, por
um caminho matematicamente muito mais produtivo, restabelecer a fatoração única.
O conceito de ideal, generalizado para anéis quaisquer, é um dos instrumentos
mais poderosos para o desenvolvimento da teoria dos anéis, como poderá ser ob-
servado na seqüêncla deste trabalho. E suas aplicações em áreas diversas, como, por
exemplo, no estudo das curvas algébricas, fazem dele um dos mais importantes da
matemática moderna.

16. IDEAIS EM UM ANEL COMUTATIVO


o conceito de ideal pode ser introduzido em relação a um anel qualquer, porém

E''7,ncialmeme, o teorema afinnaque não h;ínenhumtemo de numerosinteiros estmamenle positivos que sejasolClÇão de x" + yO ~
o· z quando n 2.Vale lembrarque. quando n = 1 ou n = 2.e"a equação tem infinita, 50IuçÕE'l. constituídasde componente'
estritamente po,itivo>.

(3-255-E)
nos ateremos aos anéis comutativos, dada sua importância maior neste caso e as li-
mitações que os objetivos deste trabalho impõem.
Definição 16: Seja A um anel comutativo. Um subconjunto I C A, I -:F 0, será
chamado de ideal em A se, para quaisquer x, y E J e para qualquer a E A, verifi-
carem-se as relações seguintes: (i) x - Y E I; (ii) ox E I.
Exemplo 41: Se A indica um anel comutativo, então {DA} e o próprio A são ideais
em A. São os ideais triviais do anel.
Exemplo 42: No anelZ, os subconjuntos nlf = {O, ln, +2n, ...}, qualquer que seja
o inteiro n. De fato:
• se x, y E nZ, então x = rn e y = sn, para convenientes inteiros r e s. Logo,x - Y=
= rn - sn = (r - s)n, em que r - s é inteiro. De onde, x - y E nZ;
• sejam a E Z e x E nZ; então x = nq (q E 2) e, portanto, ox = a(nq) = (oq)n,
em que aq é inteiro, o que mostra que ox En#:.
Pode-se provar reciprocamente que, se J é um ideal em Z, então I possui um
elemento n tal que J = nZ. Esse resultado é o objeto do exemplo 45.
Exemplo 43: O núcleo de um homomorfismo de anéis f:A - B é um ideal em A.
Lembremos que N(f) = {a E A I f(o) = 0B}'
• Como f(OA) = 0 8, então DA E A e, portanto, NU) -:F 0.
o Se x,y E NU)' então f(x) = f(y) = 0 8; logo, f(x - y) = f{x) - f(y) = OB - 0 8:;
:; 0 8 e, portanto, x - y E N(f).
• Se x E N(f), então f{X)=OB e, portanto, qualquer que seja a E A, f(ax) =
o que mostra que ex E NU).
= f(o)f(xl = f(0)08 = 0 8 ,

Exemplo 44: No anel A = [RIR: é um ideal o subconjunto I = {f: [R -- [R I f(1) = O}.


Considerando-se que obviamente J é diferente do vazio, sejam t, 9 E J. Então:
li - g)(l) = .f ll } - gll) =O - O=O
e, portanto, f - 9 E J. Agora, se h E A e f E I, então:
(hi)(l) = h(l}g(l) = hll} . O =O
o que garante que hf E 1e, portanto, completa a demonstração de que 1é um
ideal em A = [Rfi.
Um ideal 1 num anel A certamente é um subanel de A. De fato, se x, y E I,en-
tão x - Y E J, devido à definição de ideal,e xy E J, também devido à definição, uma
vez que, se x E J, então, x E A. Mas não vale a reciproca dessa propriedade. De fato,
Z é um subanel de Q, como já vimos, mas não é um ideal em 11), uma vez que, por
1 1 1
exemplo, 1 E 71, 2" E Q mas 2" . 1 = 2" ~ z.

(3-256-E)
Proposição 20: Seja J um ideal em um anel comutativo A. Então:
(i) O E J (O = zero do anel).
(ii) Se a E J, então -o E J.
(iii) Se o.b E J,então o + b E J.
Ov) Se o anel possui unidade e se algum elemento inversível do anel pertence
a J, então J = A.
Demonstração:
O) Seja oE J (lembrar que J -=f- 0, por definição). Logo, a - a EJ, ou seja, OE J.
(ii) Como O E J (devido a O») e a é um elemento do ideal,então O - o = -o E J.
(iii) Por hipótese, a, b E J, Mas, se b E J, então -b E J, como acabamos de
ver. Logo,devido à definição, 0 - (-b) = a + b E J.
(iv) Como J C A, basta mostrar que A C J. Para isso tomemos um elemento ge-
nérico a do anel. Obviamente o = a ·1 (1 = unidade do anel). Tomando-se um ele-
mento inversível u E J, o que é garantido pela hipótese, então, para algum v E A,
uv = 1 (unidade do anel). Portanto:
o =a ,1 = o(uv) = (ov)u
Observando-se que ov E A e u E J, então a = (ov}u E J. Se todo elemento de A
pertence a J então A C J, como queríamos demonstrar. #

, 7. IDEAIS GERADOS POR UM NÚMERO FINITO DE ELEMENTOS


°
Para quaisquer n elementos o" 2 , •.•, 0n (n ;" 1) de um anel comutativo A,
indicaremos por (o" 02' ..., anl o seguinte subconjunto de A:
(aI' O 2, ..., 0n) = {X10, + X 20 2 + ... + XnO n I Xl' X 2, ."'Xn E A}
Provemos que (0 1,°2, ..., 0n) é um ideal em A. De fato:
• D = 00, + 002 + ... + Dan E e, portanto, esse conjunto não é vazio.
(01'02' ..., 0nl
• Se b, c E (0 1, ° 2, ,.., 0nl' então b = X10 1 + ... + xna n e c = Y10 l + ... + Ynon'
em que os x, e os Yi {l c; i $ n) são convenientes elementos de A; observando
que (Xi - Yi) E A, (i = 1,2, ..., n) e que b - c = (Xl - y,}a l + .., + (x n - Yn)a n,
concluímos que b - c E (a" a 2 , .,., 0nl.
• Se b é um elemento de (aI' a 2 , ..., 0nl, digamos, b = x 1a l + .., + xno n' e se
c E A, então:
cb = (cX,)ol + ... + (exn)on E (0,,° 2 , ..., 0nl
pois cada um dos produtos cx, pertence a A.
Definição 17: Se A é um anel comutativo e 5 = {c.. 02' ..., 0n} C A, então o ideal
(a" O 2, •..• introduzido nas considerações anteriores, é chamado ideal gerado
0n),
por S (ou pelos elementos de S). O ideal gerado por um conjunto unitário {o} é
chamado ideal principal gerado por a. Se todos os ideais de um anel comutativo
são principais, então esse anel recebe o nome de anel principol.
Exemplo 45: O anel 7L é principal. Seja I um ideal em ?L. Se 1 == {O}, então é ime-
diato que 1é principal, pois (O) == [x . O I x E z} == {O}. Se '"*
{O}, então 1 possui um
elemento não nulo a e, portanto, a E A. Como um desses dois elementos (a ou -a)
r

é estritamente positivo, então A possui elementos estritamente positivos, o menor


dos quais indicaremos por b. Nosso propósito agora é provar que 1 == (b>, o que
concluirá a justificação.
Como b E I, então (b) C I. Para demonstrar a inclusão contrária, tomemos um
elemento genérico m E Ie apliquemos o algoritmo euclidiano ao par formado por es-
se elemento, como dividendo, e b, como divisor. Se q é o quociente e r o resto:
m == bq + r (O -c r < b)
Segue dessa igualdade que:
r==m-bq
e, portanto, que r E I, uma vez que m, b E / e I é um ideal. Mas, como b é o menor
inteiro estritamente positivo que pertence a I e r < b, não se pode ter r > O. Logo,
r == O e, portanto, m == bq, o que mostra que m E (b). Portanto, I C (b).
As duas inclusões demonstradas garantem que 1 == (b).
Exemplo 46: Vamos mostrar que o conjunto 1 == {x E tz 1 9 divide 21 x} é um
ideal em tz e encontrar seu gerador.
a número O, por exemplo, pertence a pois 9 1 O.
í,

Se x,y E I,então 9121x e 9121 ye, portanto, 9 é divisor de 21 x- 21 Y== 21 (x - y),


igualdade que mostra que (x - y) E I.
Se x E I, então 9 I 21x e daí segue que 9 I 21 (ax), qualquer que seja a E lL, ou
seja, ax E I.
Sendo um ideal em tz, então / é gerado pelo menor de seus elementos estrita-
mente positivos. Uma verificação drreta mostra que esse elemento é o número 3.
Portanto, 1 == (3).
Proposição 21: Seja A um anel comutativo com unidade. Então A é um corpo
se, e somente se, os únicos ideais de A são os triviais ({O} e A).

Demonstração:
"*
(---...) Seja J {O} um ideal em A. Com essa suposição, resta-nos demonstrar que
"*
J == A. Para isso tomemos a E J, a O, que é ínversrvel, por A ser um corpo. A igual-
dade desejada, J == A, é então uma conseqüência da proposição 20, parte Ilv).
(-) Temos de provar apenas que todo elemento de A, não nulo, é ínversível.
Para tanto, seja a E A, a *- O, e consideremos o ideal J == (a). Como J "*
{O}, pois
a E J, então J == A e, portanto, 1 E J. Dessa relação segue que 1 == axo, para um
conveniente Xo E A. De onde, a é inversível. #

(3-258-E)
18. OPERAÇÕES COM IDEAIS
18.1 Interseção
Se / e J são ideais em A, então I n J também é um ideal em A. De fato:
• ComoOEleOEJ,entãoOE/nJ.
• Se x,y E I n J,entãox,yE lex,y EJ,Segue daí que (x - y) E te (x - y) E J
e, portanto, (x - y) E I n J.
• Sejam x E ln) e a E A. Então x E I, x E J e, portanto, ax E I e ax E l. De
onde,ax E I n J.
Proposição 22: Se I e J são ideais em A, então / n J é o "maior" ideal contido
em f e em J. (No enunciado, "maior" significa que todo ideal contido em I e em J
também está contido em I n J.)
Demonstração: Seja L um ideal em A contido em f e em J. Portanto, se x E L,
então x E I e x E J e, por conseguinte, x E I n l. Se todo elemento de L pertence
também a I n J,entáo L C I n J. #

18.2 Adição
Sejam I e J ideais em um anel comutativo A. A soma desses ideais é o subcon-
junto de A. indicado por I + J, e assim definido:
I + J = {x + Y Ix E / e y E J}
Vamos mostrar que I + J também é um ideal em A e, portanto, que a lei que
associa a cada par de ideais de um anel sua soma é uma operação no conjunto
de todos os ideais desse anel.
• Como O E / e O E J, então O = O + O E I + J.
• Se r, sE/ + J, então r = x, + y, e s = x 2 + Y2' para elementos convenientes
x"x 2 E I e Y1'Y2 E J. Então r - 5 = (x, - x 2)+(y, - Y2) E I + J, uma vez que
(X 1 - x 2) E l e (Y' - Y2) E J.
• Sejam t E I + J e a E A. Então t = X + Y (x E I, Y E J) e at = ax + ay. Como
ax c: /e ay E J,então a t E / + J.
Proposição 23: Se I e J são ideais em um anel comutativo A, então: (i) I +J
contém I e J; (ii) / + J é o "menor" ideal em A com essa propriedade. (No caso, "menor"
significa que todo ideal em A que contém I e contém J também contém / + J.)
Demonstração:
x E I. Como x = x + O e O E J, então x E / + J. Esse raciocínio mostra
(i) Seja
que I + J :::> t. De maneira análoga se prova que I + J :::> J.
(ii) Seja L um ideal em A tal que L ::J / e L :::J J. Devemos provar que todo elemen-
to de I + J também é elemento de L. De fato. se r E I + J, então r = x + y (x E l,
Y EJ). Como L:::J t, então x E L; e como L:::J J, então y E L. Logo, x + Y = rE L. #

(3-259-E)
Exemplo 47: Nosso objetivo aqui é determinar a soma de dois ideais em 7L. Co-
mo todo ideal em 7L é principal, então devemos determinar d na igualdade:
(o) + (b) = (d)
dados a, b E 7L. Observemos primeiro que, como a = 1 . a + O • b, então a E (a) +
+ (bi = (d). Logo, a = td. para algum inteiro r, e, portanto, dia. Analogamente se
demonstra que d I b.
Como, por outro lado, d E (a) + (b), então pode-se representar d assim: d =
= ra + sb, em que r,s E 7L. Dessa igualdade decorre que todo divisor de a e b tam-
bém é divisor de d.
Então o inteiro d goza das seguintes propriedades: (a) é divisor de a e b; (b) todo
divisor de a e b é também seu divisor. De onde, d = mdc(a, b) ou d = -mdc(a, b}.
Por exemplo:

pois mdc(2, 3) = 1.

19. IDEAIS PRIMOS E MAXIMAIS


Definição 18: Seja P um ideal em um anel comutativo A. Diz-se que P é um
idealprimo se P =I- A e se qualquer relação do tipo ab E P, em que a, b E A, tiver co-
mo conseqüência que a E P ou b E P.
Exemplo 48: No anel 7L o ideal I = {O} é primo, pois, se ab E I, isto é, se ab = O,
então a = O ou b = O,ou seja, o E I ou b E I. Obviamente o mesmo ocorre com um
anel de integridade qualquer.
Exemplo 49: O ideal 27' é primo em 7'.. De fato, se ab E 27L, então 2 I ab e,
portanto, como 2 é primo, 2 I a ou 2 I b. De onde, a E 27L ou b E 27L.
Exemplo 50: No anel produto dtreto 7L x íl o ideal I = {O} x 7L é primo. De fato,
se (a, b), (C, d) são elementos de 7L x 7L tais que (a, b)(c, d) = (oe, bd) E {O} x L en-
tão oc = Oe, portanto, o = Oou c = O. De onde, {a, b} E {O} x íl ou (c, d) E {O} x 71..
Definição 19: Seja P um ideal num anel comutativo A. Diz-se que M é um ideal
maximal se M -=I=- A e se os únicos ideais em A que contêm M são o próprio M e A.
Exemplo 5 J: 27L é um ideal maximal em 7L. De fato, se I é um ideal em J! que con-
tém 27L propriamente, então I possui um número impar 2t + 1. Mas, como 2t E I,
pois 2t pertence a 27L e I::J 27L, então (2t + 1) - (2t) = 1 E I. De onde, I = 7L.
Exemplo 52: No anel produto direto A = 7L x 7L é maximal o ideal 27L x 7L. Para pra-
var essa afirmação, seja 1 um ideal em A que contém propriamente 27L x 1L Então I
possui um elemento do tipo (2r + 1, s), em que r, s E 7L. Mas, como (2r, s - 1) E /,
porque pertence a 27L x 7L. que é uma parte de I, então (2r + 1, s) - (2r,s - 1) =
= (1, 1) E I. Como a unidade do anel pertence a I, então I = 7L x d.

(3-260-E)
Proposição 24: Todo ideal maximal em um anel comutativo é necessariamen-
te um ideal primo.

Demonstração; Seja M um ideal maximal em um anel comutativo A. Da definição


de ideal maximal decorre diretamente que M -=I=- A. Basta provar que, se a, b são
elementos de A tais que ab E M, então a E M ou bEM. Suponhamos que a fi- M
e consideremos o ideal 1= (a) + M. Observemos que, devido à proposição 23, I :-J M.
Como, porém, a E I, pois a = 1 • a + Oe O E M, e estamos supondo que a fi- M,
então 1contém propriamente M e, portanto, I = A. Isso implica que a unidade de
A pode ser escrita assim:
1=ra+m
em que re m são convenientes elementos de A e M, respectivamente. Multiplicando-
se os dois membros dessa igualdade por b:
b = r(ab) + bm
igualdade que mostra que bEM, posto que tanto ab como m são elementos de M. #

Contra-exemplo 6: O ideal {O} x E é primo em E x E, como já mostramos


(exemplo 50), mas não é maximal. De fato, é só observar que 2E x E é também
um ideal em E x E, que 2E x E contém propriamente {O} x E e que, obviamente,
UxE-=I=-7!x1L.
Esse contra-exemplo mostra que a recíproca da proposição 24 não é verdadeira.

_, Exercícios

99. Verifique se são ideais:


a) {õ, 2, 4} no anel E 6 ;
b) mE no anel1L;
c) mt2. x nE no anel "1L x E;
d) {x E"1L mdc{x, 5) = 1} no anel E;
1

e) {x E E 125 divide 35x} no anel Z:


f) {x E E I x divide 24} no anel E;
g) {x E E I 6 divide x e 24 divide x 2 } no anel E;
h) 1L no anel (1Ql,'ffi, O) em que a eib = a +b- 1 ea O b = a + b - ab, para
todo a, b E Q;
i) 27L no anel (E, +,.) em que a adição é a usual e c- b = O, para todo a, b E?;
j) {f:[R - IR: I f(O) = O} no anellRif!:.

, 00. Sendo A um anel (eventualmente não comutativo), dizemos que I C A e / i= 0


é um ideal à esquerda em A se,e somente se:
(V'x,y)(x E J ey E I~ x -- Y E I) e (v'x,z)(x E A ezE I~xz E I)

~261-E)
Verifique se são ideais à esquerda em Mz(R):

ai " ~ {(~ ~)la,bE R} c) l,~ {r: ~)la,bER}


bl
" ~ {(~ :)la,b'CE R} d)l,~{(~ ~)la,bE R}
101. Mostre que é um ideal em A (anel comutativo) o conjunto dos seus elementos
nilpotentes.5ugestão:Para mostrar que esse conjunto é fechado para a subtra-
ção, tomando x e y nilpotentes e tais que x' = yl = O, considere (x _ y)' + '.

102. Descreva os seguintes ideais principais:


a} (2) em T6 e} (3) em 2 8
b) (-5) em I fi (2) em U
c) (~) em Q g) H)emR
d}(\2IemiR h) (1 - i) em C

103. Determine todos os ideais de 1:: 8 ,

104. Mostre que todos os ideais de um anel 1:: m são principais.

105. a) Seja I um ideal do anel comutativo A. Prove que


J = {x E A I x . i = O, V i E I} é um ideal de A.
b) Determine J no caso A = 7 16 e I = (21.

106. Sejam A um anel e J um ideal à esquerda. Seja M o conjunto de todos os


x E A tais que xJ = {O}. Mostre que M é um ideal em A. (xJ = {xj Ij E J}.l

107. Seja A um anel comutativo. Dados o E A e b E A, dizemos que "o é associado


de o" quando o I b e b I o.
a} Prove que "o é associado de b" equivale a "os ideais (o) e (b) são iquais"
b) Quais sào os elementos associados de 5 no anel Z?

108. Sejam o, b, c elementos do anel de integridade 2. Mostre que, se o = bc e


b --1= =0, então (o) C (b).
*
109. Sejam I = (ai e J = «»ideais em um anel A. Mostre que J. J = {xy I x E I e
y E J} é um ideal em A e I . J = (ob).

(3-162-E)
110. Sejam I e J dois ideais do anel A. Mostre que, se I nJ = {a}, então xy = O,
para todo x E I e y E J.

111. Se (Ir) é uma família de ideais, mostre que Q 'ré um ideal.

112. a) Dê um exemplo de dois ideais' e J em um anel A de modo que / U J não


é ideal de A.
b) Se '1 C '2 C /3'" é uma seqüêncla de ideais em A, mostre que Ur Ir é um
ideal de A.

113. Seja A um anel com as operações +e "


Mostre que:
a) A x ?L é um anel em relação às operações ffi e 8 assim definidas:
{a,m} 83 (b,n) = (a + b,m + n)
(a, m) 8 (b, n) = (ab + mb + na, mn)
b) A x {O} é um ideal em A x 11.
c) A aplicação i: A ----.. A x {O} tal que f(x) = (x, O) é um isomorfismo.

114. Sejam I = (x) e J = (y) dois ideais de ?L. Mostre que / + J = (mdc(x, y) e que
/ n J= (mmc(x,y);em seguida determine (12) + (21) e (12) n (21).
Ruotuçio
1~) Lembremos que m é mmc(a, b} se, e somente se,a Im,bl m;oIm' e b Im'=m 1m'; m a-o.
Provemos que (o> n (b) = (m). Sendo x um elemento qualquer de I, temos:
X E (a) = a Ix
x E (a> n (b> = =- m I x = x E (m)
{ x E (b) = b Ix
Portanto, (a) n (b) § {m,.
2~) Lembremos que d é um mdc(o,b) se.e somente se,d ?!'O:d I o.a I b;d'l a e d'l b =-
~ d' I d. Provemos que (a) + (b> == (d). Para qualquer inteiro x, temos:
x E (o) + (b) -=> x = ra + .'ibl
dia =-dlx=-XE(d)
dlb
Portanto, (a) + (b) C (d),
Sendo (a) + (b> um ideal em ?L, (a) + (b) é um ideal principal. Seja d' um gerador
de <a>
I
-l- (b). Temos:
a= a + O =- a E (a) + (b) = d' I a ~
__ d' I d -=> (d) C (d')
b = O -l- b =- b E (a) f- (b) =- d' I a (d> C (o) + (b)
3") Em conseqüência do exposto:
(12) n (21)==(mmc(12,21}) = (84)
(12) I (21)= (mdc(12,21}) =(3) •

(9-26l-E)
115. Sejam a, b e c elementos fixados de um anel A Proveque (a, b, c) = {ax + by+
+ cz I X, y, z E A} é um ideal em A Em seguida, determine m E 71 tal que
(12,20,28) = (m) no anel 1.

116. Seja I um homomorfismo do anel A no anel A'. Mostre que, se I e J são ideais
em A então 1(1 + J) = IW + I(J).

117. Seja I um ideal no anel A e a um elemento fixo de A Mostre que o conjunto


(I, a) = {i + ra I i E I e r E A} é ideal em A
Determine, no caso A = 71, o ideal «4),6).

118. No anel? considere o ideal I = (3). Mostre que o único ideal em J'. que con-
tém I é o próprio 71; generalize esse resultado.

119. Sejam a l , a 2 , ••• , Qm E ASupondo A um anel comutativo com unidade.mostre


que (a l , a 2 , ••• , a m) é o menor ideal em A que contém [c., o» ... , a m}.

120. Seja a um elemento idempotente de um anel A comutativo com unidade.


Mostre que A = (a) + (1 - a) e que (a) n (1 - a) = {O}.

121. Mostre que um anel comutativo com unidade A é anel de integridade se, e
somente se, (O) é primo.

122. Dê exemplos de ideais primos e não maximais.

123. Seja a +- Oum número inteiro.Prove que (a) é primo se, e somente se, a é primo.

124. Se f é um ideal no anel A e se P é um ideal primo em I, então P é um ideal


em A. Prove.

125. Mostre que todo ideal primo P +- (O) em 7L é maximal.

126. Mostre que é maximal em A = IR M o ideal M = {I E A I I(l} = O}.

fi) Exercicio complementar


e8. Seja A o subanel de IR Fi formado pelas funções infinitamente deriváveis. Seja
Jn o subconjunto de A constituído pelas funções f tais que todas as suas
derivadas, até a de ordem n, se anulam em O, ou seja:
Jn = {fE A I Okf(O) = O, \/k,O < k es; n}
Mostre que Jn é um ideal de A

(3-164-E)
V-6 ANÉIS QUOCIENTES

Seja I um ideal em um anel comutativo A. Conforme já vimos (seçêo 16), I é


um subanel de A e, portanto, um subgrupo do grupo aditivo A. E como essegrupo
é comutativo, então I é um subgrupo normal de (A, +). Logo, tem sentido conside-
rar o grupo quociente A/I cujos elementos são as classes laterais a + I (a E A) e
cuja adição é definida por (o + I) + (b + J) = (o + b) + I (a, b E Aj. Lembremos
que o elemento neutro de Ali é a classe O + I = I e que o elemento oposto de
uma classe a + I é a classe (-o) + A proposição que segue mostra que o grupo
í,

A/I pode se converter em um anel de uma maneira muito natural.

Proposição 25: Seja I um ideal em um anel comutativo A. Considerando-se I


como subgrupo normal de A,então o grupo quociente A/ltorna-se um anel comu-
tativo definindo-se a multiplicação em AlI assim:
(a + I) (b + I) = (ab) +I
Demonstração: Primeiro é preciso demonstrar que essa multiplicação está bem
definida, ou seja, que não depende dos elementos de A usados na representação das
classes. Para isso, suponhamos a 1 + I = a2 + I e b 1 + / = b2 + I e mostremos que
a 1b 1 + / = a 2 b 2 + /
De c. + 1= a 2 + / segue que c. ~- a 2 E I e, analogamente, de c, + 1= b2 + I
segue que b 1 - b 2 E t, Portanto, levando-se em conta que / é um ideal em A:
b j (a 1 - a 2) E / e a 2 (b j - b2 ) E /
Logo:
[b 1( a 1 - a
2)
+ a
2
(b 1 - b 2 )] = (a 1b1 - a 2 b 2) E I.
Isso significa que a, b 1 + / = a2b2 + I, como queríamos mostrar.
Falta provar as propriedades da multiplicação necessárias para completar a es-
trutura de anel comutativo em Ali. Dado que o raciocínio é o mesmo sempre, nos
ateremos a demonstrar a distributividade da multiplicação em relação à adição.
Para isso, sejam a, b, e E A. Então:
(a + I) [(b + I) + (c + I)] = (a + I)[(b + e) + I] = [a(b + e)] + I = (ab + ae) + / =
= (ab + J) + (ae + I) = (a + /)(b + I) + (a + I){e + I) #
Contra-exemplo 7:Se A possui unidade e J é um ideal em A, então o anel quocten-
te Ali também possui: é a classe 1 + J (1 = unidade de A). De fato, (a + J)(1 + J) =
= a . 1 + J = a + J.
Mas AI} não é necessariamente um anel de integridade quando A é um anel
de integridade. Para mostrar isso, consideremos o anel de integridade 7l e o ideal
J = <6> nesse anel. As classes 2 + J e 3 + J são diferentes do zero do anel quo-
ciente, que é a classe O + J = J. De fato, se, por exemplo. 2 + J = J, então 2 E J,

(3-265-E)
o que não ocorre. No entanto, {2 + ))(3 + )) = 6 + ) = l, uma vez que 6 E L Ou
seja, 2 + ) e 3 + ) são divisores próprios do zero em 7L IJ.
Proposição 26: Sejam A um anel de comutativo com unidade e ) um ideal
em A. Então: (i) ) é um ideal primo se,e somente se, AIJ é um anel de integridade;
(ii)) é um ideal maximal se, e somente se, AI) é um corpo.

Demonstração;
(i)
(-) Basta provar que AI) não possui divisores próprios do zero. Para isso, sejam
a +) E AI). Se (a + ))(b +)) = ab +) =) (zero do anel quociente), então
-v I, b
ab E ) e, como) é primo, então a E) ou b E I, Mas isso significa que a + ) = )
ou b +) =) (zero do anel quociente AI)). Portanto, AI) não possui divisores pró-
prios do zero, como queríamos demonstrar.
(oE-) Sejam a, b E A tais que ab E J. Então ab + ) = (a + ))(b + )} =) (zero de
AI). Mas, como AI) é, por hipótese, um anel de integridade e, portanto, não possui
divisores próprios do zero, então o + ) =) ou b + J =), ou seja, a E ) ou b E l. Por-
tanto.,' é um ideal primo.
(ii)
(-) Basta provar que todo elemento a + ) =t- ) é Inversfvel. Dessa desigualdade
segue que a fi.) e, portanto, <o) + ) = A. Então a unidade de A pode ser escrita as-
sim: 1 = ab + m, para algum b E A e algum mE). Daí,1 - ab = mE) e, portanto:
1 + ) = (ab) + ) = (a + )}(b + ))
o que mostra que b -r l
é o inverso de a +) no anel quociente AIJ.
(oE-) Sendo AI) um corpo, então ,' =t- A. De fato, se) = A, então AI) = {)}, e isso é
incompatível com a hipótese de AI) ser um corpo. Falta provar que o único ideal que
contém) propriamente é A. Para tanto, denotemos por K um ideal em A tal que K ~ )
e K =t- ) e consideremos um elemento a E K - l, Como a fi. I, então a + ) =t- I, ou
seja, 0+ J é um elemento não nulo de AI) e, portanto, tem um inverso b + J no anel
Daí, (a + ))(b + )) = 1 +), igualdade que tem como conseqüência que ab - 1 E J.
logo, ab - 1 E K e, como a E K, então 1 E K. Dessa relação segue que K = A. Ou se-
ja, o único ideal que contém) propriamente é A e, pottento..' é maximal. #
Proposição 27: Seja I um ideal em um anel comutativo A e consideremos a
aplicação f.1:A -+ A/I assim definida: l-1{a) = a + I, para cada a E A. Então 1-1 é um
homomorfismo sobrejetor de anéis cujo núcleo é I.
Demonstração:
Se a, b E A, então:
• f.1(a + b) = (a + b) + I = (a + I) + (b + I) = l-1{a) + f.1(b);
• f.1(ab) = (ab) + I = (a + I)(b + I) = ,.da) f.1{b).
o que demonstra que f.1 é um homomorfismo.

(3-166-8
Ademais, se y E Ali então y = a + I, para algum a E A. Tomando-se x = a,
então l1-(x) = l1-{a) = a + 1= y. Com isso fica demonstrado que f.l é sobrejetora.
Por outro lado, se a E A, então:
a E Ker(f) se, e somente se, l1-(a) = a +I= I;
se, e somente se, a E I.
De onde, Ker(f) = I, como queríamos provar. #

Definição 20: Seja I um ideal em um anel comutativo A. Então o homomorfis-


mo 11-: A ---.. Ali introduzido na proposição anterior e definido por l1-(a) = a + I, para
cada a E A, é chamado homomorfismo canónico de A sobre Ali.
Proposição 28 (teorema do homomorfismo para anéis): Seja !:A ---.. B um ho-
momorfismo sobrejetor de anéis. Se I = Ker(f), então o anel quociente Ali é iso-
morfo a B.
Demonstração: O primeiro passo é descobrir um isomorfismo, digamos, de Ali
em B. Como um elemento genérico de A/I é do tipo a + I (a E A) e um elemen-
to genérico de B do tipo I(a)(a E A), pois I é sobrejetor, o bom senso recomen-
da que se experimente a correspondência
a +I- I{a).
E trata-se efetivamente de uma aplicação, inclusive injetora, pois:
a + I = b + I se, e somente se, a - b E I;
se, e somente se, I(a - b) = O (zero de B);
se, e somente se, I{a) - f(b) = O;
se,e somente se, I(a) = I(b).
Chamando-se essa aplicação de a, então, para qualquer a E A, (J(a + I) = I(a).
Mostremos agora que a é um homomorfismo de anéis.
• a((a + I) + (b + I)) = a((a + b) + I) = f{a + b) = I(a) + I(b) = (J(a + I) +
..L lJ(b + 1);
• u((a + I)(b + I)) = u((ab} + I) = f(ab) = l(a)/(b) = (r(a + Il(j(b + n.
Deixamos como exercício a demonstração de que a é sobrejetora. #
Seja I: A ---.. B um homomorfismo sobrejetor de anéis e denotemos por I o nú-
cleo de t. Consideremos ainda o anel quociente A/I, o homomorfismo canónico
u.: A ---.. A/I e o homomorfismo rr: A/I ---.. B, introduzido na proposição anterior. O
diagrama de anéis e homomorfismos

Ali

(B-167-E)
sugere a possibilidade de uma fatoraçâo de f através de Ali. Efetlvemente isso
ocorre, pois, para qualquer a E A:
(O" c ~)(a) = o"{~(a)) = O"{a + I) = fia)
e, portanto:
f=o"o~

Exemplo 53: Consideremos um inteiro m > 1. Como já vimos (exemplo 25), a


aplicação Pm: 7L -- 1'.m definida por Pm(r} = r,
para cada r E 1'., é um homomofismo
sobrejetor de anéis.Vimos também (exemplo 29) que N(Pm) = {O, ±m, ±2m, ...} = (m).
Portanto, Z/(m) = l'm'

.
Exemplo 54: Consideremos a correspondência 1'.12
"a e a são, respectivamente, as classes de restos módulo 12 e 4, determi-
-- 1'.4 definida como:
.
"a- a,
em que
nada por aE 1'.. Essa correspondência pode ser assim visualizada:

"O -O• tz • • tz
- •• ,•
, ,
4 - 4 =0 8 8=0
rz •
-
tz
"5 -
1 -1
"2 _2 . rz
6
5= 1
• =2
-- 6"
, ,
, 9
12
10-10=2
9 = 1
4

, ,
4

i
3
z •
~3
tz
7 ~7 ~3
tz
11 - 11 = 3
Mostraremos que essa correspondência, na verdade, é um homomorfismo so-
tz
brejetor de anéis,que seu núcleo é f = (4) e que, portanto, ?L 12 /1 é isomorfo a 7L 4 •
Primeiramente mostremos que a correspondência dada é uma aplicação. De
12 12 4 4
fato, se a = ti, então 121 (a - b) e, portanto, 41 (a - b); logo, a = ti. Seja f o no-
me dessa aplicação. Então:
12 12 12 4 4 4 12 12
f(a + ti) = fia + b) = a + b = a + ti = f(a) + f(ti);
1212 12 4 4 4 12 12
• fia E) ~ flGb) ~ ab ~ a E~ fia) fiE);
f é sobrejetora pela própria maneira como é definida.
Então f é um homomorfismo sobrejetor de anéis.
12 4 4
Por outro lado, aE Ker(f} se, e somente se, a = o;
se, e somente se,4 I a.
12 12 12 12
Portanto, I = Ker(f) = {a, 4, a} = (4). De onde, 1'.12/1 = 1'.4' como queríamos
mostrar.

G-268-E)
II Exercícios

127. Construa as tábuas do anel quociente A/I nos seguintes casos:


ai A=?le/=(2)
b) A = ?l e / = (4)
c) A = "Z e I = (m)
d) A é um anel qualquer e I = (O)
e) A é um anel qualquer e I = A
f) A=7!2x"Zel="Z2x2"Z
gl A = ?lo e / = (2)
h) A = "ZS e I = N(A) = conjuntos dos elementos ntlpotentes de A

128. Construa as tábuas dos seguintes anéis quocientes: "Z6/(3) e ("Z2 x "Z3)/(1, Õ).

129. Prove que 21' x 3"Z é um ideal em "Z x "Z. Determine: ("Z x "Z)/(2"Z x 3"Z).

130. Quais são os possíveis anéis quocientes no corpo lhI: dos números reais?
Sugestão: Lembrar da proposição 21.

131. Mostre que, se A possui unidade, então Ali também possui.

132. Mostre que a + I E A/I é tnversfvel (supondo A com unidade) se,e somente
se, 3 r E A de modo que a . r - 1 E I.
Resolução
(---...) Suponhamos que ° inverso de a + I seja r + I. Então, (a + I) (r + I) = 1 + /; daí,
ar + 1= 1+ /e,portanto,ar - , E /.
(<--) SeexisterEA tal que ar - 1 E I,entãoar -t /= (a + I)(r + Q= 1 + /e a + /
é inversível.

133. Dê um exemplo de anel de integridade A e de ideal I em A tal que AlI não
é de integridade.
Resolva o mesmo exercício quando A é um corpo.

134. Sendo I o ideal constituído pelos elementos nilpotentes de um anel A, mostre


que I é o único elemento nilpotente de A/I.

I
Resoluçio
a
Seja = a + / um elemento nilpotente de A/I. Temos:
3 n E N I (a}n = õ ~ a n = Õ = c" E/=- 3 m E N I (anl m = O =- o"!" = O =-
=-aE/=-a=a+/=1 •

G-269-8
1135. Dado o homomorfismo t, 7L --->o 71 4 definido por f(m) := m:
a) construa o núcleo de f;
b) determine o homomorfismo canónico de 7L em 7L /N(f).

136. Seja A um anel comutativo e n, n > 0, um número natural dado.


a) Prove Kn ={n -a I a E A}é um ideal em A.
b) Prove que a característica de AIKn divide n.

137. Seja 5 um conjunto não vazio e A um anel comutativo.


a) Mostre que AS := {j I f: 5 - A} é um anel comutativo para as operações
definidas por (f + g)(x):= f{x) + g(x) e (fg)(x):= f(x)g(x), \;/j,g E AS e
'r/x E S.
b} Para um elemento 5 E 5, seja /5 := {I E AS I /(5) a}, mostre
:= que Is é um
ideal maximal em AS,
Nota: O anel A5 é chamado anel das funções de 5 em A.

138. Seja / um ideal em um anel comutativo A. Mostre que AlI tem unidade se, e
somente se, existe e E A tal que ae - Q E I, qualquer que seja Q E A.

U Exercício complementar
e9. Seja A um anel. Sejam I e J ideais em A tais que J C I. Mostre que existe um
homomorfismo de anéis i: AIJ - AlI que leva o +J em o + I, o E A.

V-7 ORDEM EM UM ANEL DE INTEGRIDADE

20. ANÉIS DE INTEGRIDADE ORDENADOS


A relação de ordem usual no conjunto ]i dos inteiros é "compatível" com as
operações de 7! no sentido de que são verdadeiras as propriedades "se o os: b,
então o + e % b + c" e "se a os: b e e ~ 0, então oc os: bc: Essa compatibilidade
não ocorre, por exemplo, quando se considera Z ordenado pela relação de di-
visibilidade. De fato, embora se verifique no que se refere à multiplicação, o mesmo
não acontece quanto à adição, pois, por exemplo, 3 divide 6, mas 3 + 2 = 5 não
divide 6 + 2 = B. A definição que segue tem por objetivo postular as condições
que devem caracterizar a "compatibilidade" de uma relação de ordem com as ope-
rações de um anel.

(3-270-E)
Definição 21: Consideremos um par ordenado constituído de um anel de
integridade (A, +,.) e uma relação de ordem total -s sobre A. Nessas condições,
diz-se que (A, +, " %) é um anel de integridade ordenado quando os seguintes
axiomas se cumprem:
(0 1) Quaisquer que sejam a, b, c E A, se a -s b, então a + c -s b + c.
(0 2 ) Quaisquer que sejam a, b, c E A, se a -s b e O -s c, então oc e: bc
• Em várias proposições a serem demonstradas, a hipótese de que A é um
anel de integridade poderia ser substituída por uma mais geral (anel comutativo
com unidade, por exemplo). Mas, visando às situações mais importantes, e para
não picar muito o raciocínio, as proposições serão sempre enunciadas para anéis
de integridade.
• Os axiomas 01 e O 2 caracterizam, respectivamente, o que se entende por
compatibilidade da relação de ordem com a adição e com a multiplicação.
• Vale observar ainda que, embora, pela definição dada, um anel de integri-
dade ordenado seja um sistema (A, +,', %),que obedece às imposições da definição
21, muitas vezes, subentendidas as operações e a relação de ordem, e para simpli-
ficar a linguagem, usaremos expressões como "o anel de integridade ordenado A';
"seja A um anel de integridade ordenado" ou mesmo, apenas,"anel ordenado" para
designar esse novo obieto matemático.
Exemplo 55: Os anéis de integridade 7L, (ll e IR. são anéis de integridade ordena-
dos no que se refere à ordem usual ec.

21. PROPRIEDADES IMEDIATAS DE UM ANEL DE INTEGRIDADE


ORDENADO
Nasconsiderações que seguem usaremos.corno é praxe, as seguintes notações:
a ;'3 b para indicar que b < a;
a < b para indicar que a -c b e a -=I=- b;
a > b para indicar que b < a.
Proposição 29: Em um anel ordenado (ou seja,anel de integridade ordenado),
são equivalentes as afirmações: (i) a -s b; (ii) a - b -s; O; (iii) -b -s -a.

Demonstração:
(i) --'" (ii) Devido a (O,),dea",; bseguequea + (-b) -c b + (-b), Portanto,a - b -s o.
(ii) --'" (iii) Por hipótese a - b",,; O.Dessa relação seçue.devldo a {G 1),que (a - b) +
(--a)",; O + (-a). De onde, -b -s; -a.
(iii) --'" O) Para a demonstração, neste caso, é só somar (a + b) a cada um dos
membros de -b -s -a, o que é permitido, mais uma vez, por (O,). #

Proposição 30: Seja A um anel ordenado. Então, para quaisquer a, b, c E A:


O) Se a + c e; b + c, então a '% b.
(ii) a < b se, e somente se, a + c < b + c.
Demonstração:
(i) Da hipótese, a + c -s b + c, segue, devido a (O,), que (a + c) + (-c) -s; (b +
+ c) + (-c). Então a + [c + (-eH -s b + [c + (-cl] e, portanto, a + 0'% b + o.
De onde, a '% b.
(ii)
(--) Por hipótese, a < b, ou seja, a -s; b e a -=I=- b. Então, devido ao axioma {O,},
a + c -s b + c. Como não se pode ter a + c = b + c, pois isso acarretaria a = b,
então a + c < b + c.
(or-) Por hipótese, a + c< b + c.Então c a-.c ss b + cea+c -=I=- b + c. Mas de
a + c -s, b + c decorre, como vimos em (il, que a -s, b. Como não se pode ter a = b,
pois essa igualdade acarretaria a + c = b + c,o que contraria a hipótese, então a < b. #
Corolário: Num anel ordenado, são equivalentes as afirmações: (i) a < b;
(ii) a - b < O; (iii) -b < -a. Em particular são equivalentes as condições: (a) O < a;
(b)-a < O.
A demonstração será deixada como exercício. O raciocínio é o mesmo usado
na demonstração da proposição 29, o que é lícito fazer devido à parte (ii) da pro-
posição anterior. #
Proposição 31: Sejam a, b, c elementos de um anel ordenado. Então: a < c sem-
pre que (i) a es; b e b < c, (ii) a < b e b -s, c ou {iiil a < b e b < c.
Demonstração: Demonstraremos essa proposição apenas no caso da hipótese
(iii). Nos demais casos, a demonstração é análoga.
Por hipótese, a c, b, a -=I=- b e b -s; c, b -=I=- c. Então, devido à transitividade da re-
lação de ordem: a 'S c. Suponhamos que se pudesse ter a = c. Então c 'S b e b 'S C
e, portanto, como a relação de ordem goza da propriedade antl-slmétrica, b = c, o
que é absurdo. Logo, a 'S c e a -=I=- c, ou seja, a < c. #
Exemplo 56: Mostrar que em um anel ordenado A não pode ocorrer nenhuma
das seguintes situações: (a) a, 'S b, e b 1 < aI; (b) a, < b 1 e b 1 'S a,.
De fato, tanto no primeiro caso como no segundo teríamos, como conseqüên-
cia, que a, < a" o que é impossível.
Proposição 32: ("adição de desigualdades"): Seja A um anel ordenado. Se a"
a2, .•., an , b" b 2 , ••., b n E A e ai 'S b i (i = 1,2, ..., n; n ~ t}, então:
a, + a 2 + ... + a.; 'S b 1+ b 2 + ... + b n
Se, ademais, ar < br, para algum índice r (1 'S r es n), então:
a1 + Q2 + ... + a n < b, + b2 + ... + bn
Em particular,se c es b (a < b) e n é um lntelro e l,então n . c « n . b (n . a <
< n· b).
Demonstração: Faremos a demonstração para n :;;o 2. No caso geral, procede-
se por indução sobre n, estendendo-se o raciocínio que será feito aqui.
Por hipótese, a 1 -s b1 e a 2,.,; b2. Somando-se a2 aos dois membros de a] -c b]
e b 1 aos dois membros de a 2 -s; b 2, o que é permitido por (O,), obtêm-se as
desigualdades a, + a 2 -s; b] + a 2 e a 2 + b, ,.,; b 1 + b2. Então, devido à transi-
tividade da relação de ordem: a 1 + a 2 .s; b] + b 2 •
Suponhamos que, por exemplo, a] -s b, e 02 < b 2• Então, devido ao resultado
que acabamos de demonstrar, válido neste caso, pois a2 -s; b 2 e a 2 i= b 2: a] + 02 se
"'; b] + b 2. Mas de a 2 < b2 decorre que a 1 + 02 < a 1 + b 2. Assim, se c. + a2 =
= b] + b2< então b 1 + b 2 < a] + b 2 e, portanto, b, < a], o que não é possível,
pois, por hipótese, a] -c b,. Logo, c. + 02 i= b] + b 2 e, por conseqüência, a, + 02 <
< b 1 + b 2• #
Proposição 33: Se a < b e O c; c, então ac ~ bc. Mais: ac = bc se, e somente
se, c = O e, portanto, ac < bc, sempre que c > O.
Demonstração: Como a < b,então c c b.Oaxioma (0 2) garante então que ac "" bc.
Suponhamos ac = bc. Então ac - bc = O e, portanto, (a - b)c = O. Como estamos
num anel de integridade e a i= b, então c = O. Por outro lado, é imediato que, se
c = O, então, ac = bc. #

Corolário: Se a < b e c -s O, então bc -s ae. Mais: ac = bc se, e somente se, c = O


e, portanto, bc < ac sempre que c < O.

Demonstração: Como c -s; 0, então O -s; -e. A proposição anterior garante en-
tão que a(-c) -s; b(-c), ou seja, que -(ac) os: -(bc). Mas então, em virtude da pro-
posição 29, bc os: ae. Para justificar a segunda parte, o raciocínio é análogo ao usado
na demonstração anterior. #

Proposição 34 (regra de sinais): Num anel ordenado, ab > °se,e somente se,
c > Oe b > ° ou ° < O e b < O. (Isto é, ab > O se, e somente se, a e b têm o
"mesmo sinal".)

Demonstração:
(-) Da hipótese, cb > 0, decorre que ab i= O e, portanto, a i= O e b i= O. Su-
ponhamos, por redução ao absurdo, que a > °eb < 0, ou seja, que a e b tives-
sem "sinais contrários". Então -b °
> e, portanto, a(-b) > O • (-b). Mas dessa
desigualdade decorre que -(ab) > O. Adicionando-se essa última desigualdade
Com ab > O (hipótese), obtém-se ab + [-(ab)] > O ou O > 0, o que é impossível.
De maneira análoga se mostra a impossibilidade de a < °
e b > O. Então a e b
têm o mesmo sinal sempre que ab > 0, como queríamos provar.
(...-) Faremos a demonstração apenas para o caso em que a < Oe b < o. Des-
sa hipótese segue que O < -a e O < -b. Então, devido à proposição 33, (-b) . O <
< (-a}(-b), ou seja, 0< ab ou ab > O. #
Proposição 3S: a 2 ;3 O e a 2 == O se, e somente se, a == O. (Portanto, a 2 > O se
a =I=- O.)
Demonstração: Como A é totalmente ordenado, então O -s a ou a -c O. No pri-
meiro caso, multiplicando-se ambos os membros da primeira dessas desigualdades
por a, o que é permitido por (02), obtém-se O· a -c ao, ou seja, O e; a2. De onde,
a2 ;3 O. No segundo caso, os dois membros da segunda desigualdade podem ser
multiplicados por - a ~ O, com o seguinte resultado: a(-a) -s O . (- a). Daí, _a 2 s, O
e, portanto, a2 ;3 O.
Se a 2 == aa == O, então a = O, porque estamos num anel de integridade. Por
outro lado, é óbvio que, se a == O, então a2 == O. #

Corolário 1: Se 1 indica a unidade de um anel ordenado A e O o zero desse


anel, então 1 > O.
Demonstração: Como 1 == 1 . 1 = ,2, então 1 ~ O. Mas, como 1 =I=- O, então 1 > O. #
Corolário 2: Seja A um anel ordenado. Se a1, a2 , .,,' o., E A, então a,2 + al + ...
+ an ~ O. E se ar
2 =I=- O, para algum índice r (1 -s r -s, n), então a 1
2
+ al + ... +
+a n2 > 0.
A proposição 3S garante que: a,2 ~ O, al ~ O, ..., a/ ~ O.lsso posto, a pro-
posição 32 garante que a,2 + a/ + ... + an2 ~ O. Se ar =F O, então a/ > O, devido
à proposição anterior. Mas, neste caso, ainda devido à proposição 32,0,2 + a/ +
+ ... + a/ > 0.#
Exemplo 57; O conjunto dos elementos de um anel de integridade ordenado A
não tem mínimo. Suponhamos que A possuísse mlnimo e o indiquemos por mo' Lem-
bremos que esse elemento teria de gozar da seguinte propriedade: mo E A e mo e; x,
qualquer que seja x E A. Como, porém, 0< 1, então, somando-se mo - , a ambos
os membros dessa desigualdade:
mo - 1 < (mo - 1) +,
Logo, mo - 1 < mo' o que é contraditório, pois (mo - 1) E A.
Proposição 36: A característica de um anel de integridade ordenado é zero.
Demonstração: Seja A o anel. Então, como já vimos, 1A > 0A' A proposição 32
aplicada a essa desigualdade, considerada duas vezes, leva a
'A + lA > 0A + 0A
ou 2 ·lA > 0A' A aplicação de novo da proposição citada, agora para esta última
desigualdade e para 'A > 0A' leva a
3·1 A>OA
E assim por diante. Portanto, qualquer que seja o inteiro n > O:
n'l A>OA
Então n ·lA *- OA .se n > 0, o que tem como conseqüência que c(A) = 0, como
queríamos provar. #
Corolário: Se (A, +, -l é um anel de integridade finito, então nenhuma relação
de ordem sobre A é compatível com as operações do anel. Em outras palavras, não
há como ordenar o anel A.
A demonstração é imediata. É só lembrar que a característica de um anel fini-
to é maior que zero. #

22. ANÉIS DE INTEGRIDADE BEM ORDENADOS


Definição 22: Seja A um anel de integridade ordenado. Então os elementos
de P = {x E A I x ~ O} são chamados elementos positivos do anel. Se todo sub-
conjunto de P (com a relação de ordem induzida pela de A) possui mínimo, então
se diz que A é um anel de integridade bem ordenado ou, para simplificar, anel bem
ordenado.
Exemplo 58: O anel 7L dos números inteiros é bem ordenado como nos asse-
gura o princípio do menor número inteiro.
Contra-exemplo 8: O anel dos números reais, com a ordem usual, não é bem
ordenado. De fato, qualquer que seja a E I = ]0, 1], 0/2 E I e 0/2 < a.
Proposição 37: Seja A um anel bem ordenado. Então A não possui nenhum
elemento x tal que O < x < 1.
Demonstração: Se o conjunto L = {x E A I O < x < 1} não fosse vazio, então
possuiria mínimo, pois L C P. Se o indica esse mínimo, então O < o < 1. Multipli-
cando-se os termos dessas desigualdades por o:
0<02<a
Como a < 1, então:
0<a 2<a<1
2
Essas relações mostram que 0
2
E L e 0 < a, o que é absurdo. #
Definição 23: Um anel de integridade ordenado A se diz arquimediono se,
qualquer que seja oE A, existe um número natural n > O tal que n 'l A > o.
Proposição 38: Todo anel de integridade bem ordenado é arquimediano.
Demonstração: Suponhamos que um anel bem ordenado A não fosse arqui-
mediano. Então, para algum Q E A, n .1A -s; Q, não importa qual o número natural

n :::-- O. Seja L = {a - n .1 A I n E N*}. Devido à suposição feita, todo elemento de L


é positivo, e como A é bem ordenado, L possui um mínimo. Seja a - r -lA esse

(3-275 -E:)
mínimo e observemos o elemento o - (r + ') ., A' que também pertence a L. Co-
mo t; > 0A,entãor"A+ lA> r"A + 0A,OU seja.Ir + 1) ·lA > r "A"Daí,-{r +
+ 1) .lA < -r "A e.portanto.c + [-(r + 1) "A] < o + [-(r ·l All.Transformando-
se as adições em subtrações. chega-