Você está na página 1de 17

Mestrado Universidadedabiblia.com.

br

1
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Apresentação

Você está começando o estudo da disciplina Didática. Mas o que é, afinal de contas,
“Didática”? São “receitas”, ou um conjunto de técnicas para ensinar? Por que o
conhecimento dessa disciplina é importante para a formação de professores? De
que forma ela pode contribuir para o ensino das Ciências Naturais e da Matemática?

Pretendemos que este curso lhe dê subsídios para responder a essas e outras
questões. Para tanto, caracterizaremos o pensamento didático, situando-o no terreno
mais amplo da Pedagogia e abordando aspectos de sua evolução histórica. A seguir,
trataremos de temas e assuntos relacionados às recentes reformas educacionais e aos
resultados das pesquisas das áreas de ensino de Ciências e Matemática. Por fim,
discutiremos aspectos da organização do trabalho dos professores.

Esperamos que a Didática possa contribuir significativamente em sua


formação, ajudando a promover uma reflexão constante sobre o fazer docente.
Além da leitura das aulas e da realização das atividades presentes em cada
uma delas, você também deverá executar certas “Práticas” (assim identificadas
ao longo das aulas) previstas na carga horária total da disciplina.

Objetivos
O principal objeto desta aula é oferecer a você uma
visão preliminar e abrangente sobre a Didática enquanto
disciplina pedagógica, com objeto e temas de estudo
próprios. Esperamos, ainda, que você conheça aspectos
da origem histórica do pensamento didático e seja capaz
de perceber a importância dessa disciplina
para a sua formação como
professor.

2
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Caracterizando a Didática

Atividade 1
Leia os dois pequenos diálogos (fictícios) abaixo. O primeiro, entre dois
estudantes de graduação em História.

− Ei, você já “pagou” a disciplina de “História Moderna e Contemporânea I”?


 Não, ainda não... Vai ser oferecida este semestre?
 Vai, sim. Por aquele professor do departamento... não lembro o nome!
Acho que é Manoel.
Ih... então não vou “pagar” este semestre, não. Dizem que ele é um ótimo historiador, mas não tem
didática.
E o segundo, entre um pesquisador e um aluno do Ensino Médio:
 Estamos fazendo uma pesquisa sobre a qualidade das aulas do Ensino Médio.
Você pode responder a algumas perguntas?
 Claro...
 Quais as matérias de que você mais gosta, e por quê?
 História, Geografia e Ciências. Acho que gosto de ler, saber do passado, do que aconteceu...
Geografia também é legal, a gente aprende sobre os diferentes lugares, as regiões...
Ciências eu gosto porque o professor é legal! Ele ensina bem...
 O que tem que ter um professor pra “ensinar bem”?
 Sei lá... acho que tem que entender a matéria, ser legal com os alunos, ter paciência. E tem que ter
didática, né? Tem gente que não tem “jeito” pra dar aula, não...

E agora, procure responder às questões abaixo.

Que visão sobre a “didática” é passada pelos diálogos? O que parece

 significar, para os personagens, “ter didática”?

Você já presenciou diálogos como esses? Em que situações?

Você concorda com a visão apresentada nos diálogos? Qual


a sua visão pessoal sobre a didática?

3
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Prática
Faça uma breve entrevista informal (munido apenas de um bloco de notas e
uma caneta), com três pessoas diferentes, acerca do significado da palavra
‘didática’. Sugestão: escolha pessoas com vivências e idades diferenciadas,
como, por exemplo, alguém mais velho da família (pai, mãe etc.), um
professor de uma escola pública da sua região e um aluno do Ensino Médio.

Como produto, produza um texto comparando as visões entre si,


estabelecendo semelhanças e diferenças entre elas.

É comum, como vimos nos diálogos da Atividade 1, e como você deve ter
percebido nas entrevistas da Prática, associarmos a palavra ‘didática’ ao ensino, mas
quase sempre como algo (provavelmente, um conjunto de “técnicas”...) que o indivíduo
(professor) deve “possuir”, “ter”. Assim, o bom professor é visto como alguém que “tem
didática”, o que normalmente parece ser uma espécie de “dom natural” ou uma “arte”.
Por outro lado, sabe-se que a disciplina Didática faz parte dos currículos dos
cursos de Pedagogia e das Licenciaturas, sendo, portanto, um conjunto de saberes
aparentemente constituído e sistematizado. Será, então, que ao cursar tal disciplina, o
futuro profissional do ensino passa a “ter didática”, mesmo que não tivesse o “dom”? O
que se estuda em tal disciplina? Qual o seu objeto?
Os pedagogos e teóricos da educação não concordam plenamente entre si
quanto a uma definição de ‘didática’. Mas, isso não é um problema, porque, ao invés
de uma “definição”, busca-se entender a Didática como um corpo de conhecimentos
que evoluiu histórica e socialmente, e que comporta hoje múltiplas compreensões,
embora com importantes pontos em comum.
Vejamos a seguir dois pequenos trechos, de autoria de dois importantes
educadores da área de Didática.

“Didática para nós é uma reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem que
acontece na escola e na aula, buscando alternativas para os problemas da prática
pedagógica.” (MASETTO, 1997, p. 13)

“A Didática é o principal ramo de estudos da Pedagogia. Ela investiga os fundamentos,


condições e modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos
sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em
função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista
o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos.” (LIBâNEO,
1994, p. 25-26)

4
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

É importante que não tomemos esses trechos como definições! Os autores citados
procuram caracterizar a Didática ao longo de suas obras, e não apenas com esses trechos!

Ainda assim, é possível caracterizar o “fenômeno ensino” como o objeto de estudo


da Didática enquanto disciplina. Note que isso abre um leque muito grande de temas,
assuntos e conhecimentos específicos que passam a fazer parte do campo da Didática.

Vejamos o porquê.
O ensino é um fenômeno complexo. Ocorre na escola, mas não apenas nela. É uma
prática social, portanto, condicionada por fatores históricos, políticos e econômicos.
Considerar o ensino como objeto de estudo significa, então, em princípio, trazer para o
debate todos os potenciais e reais fatores que podem influenciá-lo e determiná-lo. Desse
modo, passa a ser relevante para a Didática conhecimentos oriundos da Filosofia, da
Antropologia, da Sociologia, da Política, da Psicologia, entre outras áreas. Mais
especificamente, podemos pensar em “sub-áreas” – como Psicologia da Educação ou
História da Educação – que contemplam saberes de interesse para a Didática. Também
estão aí incluídas as metodologias específicas das disciplinas, por exemplo.

Vemos, assim, que o campo da Didática é muito amplo, no sentido de que essa
disciplina faz uso de uma gama significativamente grande de outros saberes para
tentar constituir sua especificidade. A Didática pode ser vista, nesse sentido, como
uma espécie de “disciplina integradora”, como a Figura 1, a seguir, tenta mostrar.

Psicologia

Sociologia

Psicologia da
Educação
Sociologia da
Educação

DIDÁTICA Metodologia do
Ensino de Ciências

História da
Educação
Filosofia da
Educação

5
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

A Figura 1 é, obviamente, uma aproximação. Além de não esgotar as diversas áreas que
compõem o terreno da Didática, a figura não explicita outros vínculos, como os existentes entre
Sociologia e Psicologia, ou entre essa última e a Filosofia da Educação, por exemplo.

Até aqui vimos que o objeto de estudo da Didática é o ensino, em sua totalidade, e que ela
faz uso de saberes de diversas áreas do conhecimento humano. Poderíamos, então, perguntar:
mais especificamente, o que a Didática vai estudar? Que temas são do seu interesse?

Como “teoria do ensino”, a Didática acaba por preocupar-se com diversos temas e
problemas relacionados ao ensino, por exemplo:
1. o currículo escolar;
2. aspectos psicológicos do processo ensino-aprendizagem;

3. organização do trabalho pedagógico na escola;

4. motivação dos alunos para aprender;

5. ensino em espaços não-formais;

6. objetivos e fins do processo educativo;

7. planejamento do ensino;

8. relacionamento interpessoal na escola;

9. uso de novas tecnologias no ensino;

10. entre outros.


Tomemos como exemplo os itens 3 e 7, “organização do trabalho
pedagógico na escola” e “planejamento do ensino”.
A escola tem um papel fundamental na sociedade, no que diz respeito à conquista
da cidadania por todos. O acesso dos sujeitos ao conhecimento sistematizado e à
promoção do desenvolvimento individual em diversas áreas (motora, afetiva, social,
cognitiva etc.) são princípios da ação pedagógica. Para que esses princípios
concretizem-se, é necessário organizar o trabalho pedagógico na escola.
Para isso, é preciso, dentre outras coisas, conhecer as leis e normas que regem a
educação nacional, ter clareza dos fins e propósitos do processo educativo,
estabelecer metas e objetivos adequados à realidade local, envolver a comunidade nas
ações da escola, mobilizar recursos materiais e humanos para promover as ações
desejadas. Assim, a “organização do trabalho pedagógico na escola” surge como
condição para o bom andamento do processo de ensino que ocorre no espaço escolar.
É, portanto, um tema (ou assunto) para a Didática, enquanto disciplina pedagógica.
6
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

A organização do trabalho pedagógico implica planejamento. O ato de planejar deve


ser compreendido como uma forma de organizar as ações, e não como uma atividade
burocrática. Precisa envolver todos os atores do processo educativo (diretores, professores,
alunos, comunidade escolar) e ser pensado para diferentes níveis e propósitos (planejamento
da escola como um todo, das diferentes séries, das disciplinas etc.). A qualidade
e eficiência do ensino dependem, portanto, de uma boa organização das ações,
ou seja, de um bom planejamento. Daí que o “planejamento do ensino” seja
também um tema (ou assunto) da disciplina Didática.

Atividade 2
Escolha outro item da nossa breve lista de “temas” da Didática
o o
(excetuando-se o 3 e o 7 ), justificando por que ele deve ser objeto de
preocupação dessa disciplina. Para tanto, use suas palavras, levando em
consideração a caracterização feita até agora sobre a Didática.

Atividade 3
Realize uma pequena pesquisa sobre “didática” em livros da área de
1 educação que tratem do tema. Veja o que dizem os autores sobre
essa disciplina, como (e se) a definem, e que temas associam a ela
(sugestão: vá a uma biblioteca e procure – em “título” ou “assunto”
– pela palavra ‘didática’).
Quais as principais semelhanças e diferenças entre as visões
que você obteve e aquela apresentada aqui? Escreva um
pequeno texto a esse respeito.

Retome o item 1, mas, agora, pesquisando no espaço virtual da


Internet (sugestão: coloque a palavra ‘didática’ num site de busca).

7
Mestrado
A Universidadedabiblia.com.br
t
i maior ou menor grau, nacionalmente;

v
i
b) e aqueles que você considera que sejam
exclusivamente locais.

d
a
Você deve ter percebido, pela nossa caracterização da Didática, que o rol de
d conhecimentos abarcado por essa disciplina pedagógica é muito grande. Isso
é muito importante para ser assinalado, pois é preciso ter consciência que
e o estudo da Didática não pode se esgotar apenas num semestre letivo, no
conjunto de umas poucas aulas. Ao contrário, o profissional da educação deve
estar em contínuo e constante processo de formação, incluídos aí os

Neste curso, especificamente, faremos um recorte particular da


Didática. Iniciando com elementos da história do pensamento didático,
privilegiaremos tópicos relacionados ao ensino na atual conjuntura de
N
reformas educacionais no Brasil. Dada a característica primordial deste
a
curso – de formação inicial de professores de Ciências da Natureza e
Matemática –, abordaremos, também, tópicos particulares das áreas de
a
Ensino de Ciências e Ensino de Matemática (aliás, essas áreas detêm
ç
ã conhecimentos específicos dentro da Didática, a ponto de podermos falar
em Didática das Ciências ou Didática da Matemática como sub-áreas). Mais
conteúdos dessa disciplina.
4 Em função disso, o que privilegiar?
o
adiante, trataremos de alguns aspectos do que se costuma chamar de
“Didática instrumental” ou “técnica”.
p
e
d
a
g
8
Mestrado

Mercantilismo
Doutrina econômica, em
voga no século XVII, que
enfatizava a importância
do comércio exterior
para a economia de um
Origens históricas da Didática
país. Defendia a ação do
Estado em favor da
expansão das exportações
como disciplina
e de seu monopólio
por companhias de
comércio, e da restrição às O ensino e a aprendizagem, como processos sociais, são certamente tão antigos quanto
importações (Dicionário as primeiras sociedades humanas. Na realidade, é possível identificarmos, inclusive, aspectos
Aurélio Eletrônico, versão
desses processos em outras espécies animais, além do Homo sapiens.
3.0, Novembro de 1999,
verbete ‘mercantilismo’). No entanto, desde as épocas mais remotas, a ação pedagógica de “ensinar”
Reforma esteve vinculada às tradições de cada povo ou comunidade, à religião e aos rituais,
Protestante às necessidades práticas, de uma forma mais ou menos espontânea. Desse modo, a
Movimento religioso “didática” como uma atividade planejada e intencional é algo relativamente recente na
do começo do séc. História. Os teóricos da área costumam concordar em situar o “surgimento” da
XVI que rompeu com a
Didática como disciplina no século XVII. Vejamos o que diz, por exemplo, Libâneo:
Igreja Católica Romana,
originando numerosas
igrejas cristãs dissidentes Na chamada Antigüidade Clássica (gregos e romanos) e no período medieval
(Dicionário Aurélio também se desenvolvem formas de ação pedagógica, em escolas, mosteiros,
Eletrônico, versão 3.0, igrejas, universidades. Entretanto, até meados do século XVII não podemos falar
Novembro de 1999,
de Didática como teoria do ensino, que sistematize o pensamento didático e o
verbete ‘reforma’).
estudo científico das formas de ensinar. (LIBâNEO, op.cit., p. 57)
Heliocentrismo
Qual o “marco” dessa época para a Didática?
Sistema cosmológico
proposto por Nicolau
O século XVII representa um período de profundas transformações políticas,
Copérnico, mas que tem sociais, científicas, filosóficas, religiosas e econômicas, no mundo ocidental. O
suas raízes na Antigüidade mercantilismo e a expansão marítima européia, a formação dos Estados Nacionais, a
(com Aristarco de Samos),
reforma protestante, a proposta heliocêntrica são diferentes aspectos dessas
e que postula ser o Sol o
centro do Universo, com transformações. É nessa época que João Amós Comenius (1592-1670) escreveu a
os demais astros (planetas primeira obra clássica sobre Didática: a Didática Magna, publicada em 1657.
e estrelas) girando ao seu
redor.
9
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Comenius era um “homem do século XVII”, sintonizado parcialmente com os


ideais da Modernidade que estavam por surgir. Pastor protestante, natural da
Boêmia (atual República Tcheca), considerava a educação como um caminho para
a salvação, uma formação para a vida eterna. “Ser homem” era, para ele, conhecer
as coisas do mundo, e não apenas uma pequena área do saber. Disso decorre a
importância do processo educativo tanto para a criação da identidade individual Escola Nova e
quanto para a socialização do indivíduo. A educação teria bastante
utilizadas no
como uma de suas finalidades a transformação do indivíduo e da ensino de
sociedade. Ciências.

Em sua Didática Magna, que tinha a pretensão de apresentar a “arte de Na aula


seguinte,
ensinar tudo a todos”, ele propõe uma série de princípios e regras que teremos a
oportunidade
deveriam nortear a educação. Entre outras coisas, Comenius defende uma de analisar
escola para todos, ou seja, a universalização do ensino (princípio da algumas das
principais
igualdade). Além disso, considerava a escola como espaço (locus) correntes do
privilegiado da educação, e a figura do professor como a do profissional pensamento
didático ao
específico e qualificado para a ação de educar. Preocupou-se em longo da
História.
estabelecer princípios para o ensino das ciências e um planejamento Veremos que
escolar com vários “graus” de ensino vinculados aos graus de as teorias do
ensino
desenvolvimento do indivíduo. oscilaram
entre
Para Comenius, o conhecimento vem dos sentidos, é trabalhado pela privilegiar a
razão e iluminado pela fé. Em função disso, considera que o conhecimento atividade do
professor, a
verdadeiro provém de uma “observação correta” das coisas. Daí que o seu atividade do
aluno e o
método de ensino – que ele pretendia “claro e único” – fosse baseado na método de
observação da natureza e dos fenômenos, no olhar das próprias coisas e não ensino.
na consulta aos livros. É por meio dos sentidos que se estabelece o contato
entre a natureza e a mente. Esta, por sua vez, não é uma “tábula rasa”, mas
“moldável”. Vemos, assim, que a epistemologia subjacente à proposta
comeniana apresenta uma forte ênfase empirista e sensorialista (nesse terreno, Comenius
Comenius foi influenciado pelo pensamento de Francis Bacon e pela idéia de
Para falar desse
“indução”). autor,
adotaremos
Ainda que várias de suas idéias tenham sido superadas, principalmente como referência
no que se refere à compreensão psicológica do processo de ensino e principal o
aprendizagem, Comenius foi realmente avançado para a época, podendo trabalho de
Kulesza (1992).
ser considerado o precursor da Didática como disciplina pedagógica. Num
período em que o catolicismo dominava e a educação católica voltava-se à Tábula rasa
formação das classes dirigentes, com privilégio do latim, Comenius propôs a ‘Tábula rasa’ é uma
educação para todos e o uso do vernáculo. expressão muito usada
em Educação que
Apesar da Didática Magna só ter sido traduzida para o português simboliza um estado de

em 1954, a obra de Comenius chegou a exercer certa influência no vazio completo da


mente. Para Comenius,
Brasil, ainda no início da República. Autores como Rui Barbosa e a mente não estaria
Fernando de Azevedo interessaram-se por suas idéias que, identificadas nesse estado de vazio

com o “método ativo e intuitivo”, foram em parte adotadas pela chamada absoluto antes de
qualquer experiência, mas teria a potencialidade de moldar-se, ajustar-se às experiências sensíveis. iria da experiência
para
a racionalização, e
do particular para o
geral.

Indução
Francis Bacon (1561-1626) procurou, no alvorecer da ciência moderna, estabelecer um método de investigação
da natureza baseado na indução experimental. Para ele, deveria se partir da experimentação para se chegar às
hipóteses que, testadas, levariam à formulação de leis e princípios gerais. Sinteticamente, o método baconiano

10
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Atividade 5
A partir do que foi apresentado sobre Comenius, tente apontar alguma de suas
idéias e propostas que permanecem atuais, e outras que pareçam superadas.
Justifique sua resposta.

sua
respo
sta

11
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Leituras Complementares
Para que você possa aprofundar seus conhecimentos sobre o tema
apresentado nesta aula, indicamos as referências a seguir.

CANDAU, V. M. (org.). A didática em questão. Petrópolis:


Vozes, 1986.
Esse conjunto de textos, organizados por Vera Candau, é um marco na história
recente da Didática no Brasil. Resultado de um seminário realizado na PUC-SP em
1982, no qual se discutiu e se refletiu sobre os novos rumos da Didática a partir do
processo de redemocratização do país, essa publicação contém artigos dos principais
autores nacionais do campo da Didática, e tornou-se um dos trabalhos mais citados
nos anos que se seguiram. Ganhou, recentemente, uma nova edição.

LIBâNEO, J. C. Educação: pedagogia e didática – o campo investigativo da pedagogia


e da didática no Brasil: esboço histórico e buscas de identidade epistemológia e
profissional. In: PIMENTA, S. G. (org.). Didática e formação de professores:
percursos e perspectivas no Brasil e em Portugal. São Paulo: Cortez, 1997.
O autor inicia abordando a problemática da identidade no campo do conhecimento
pedagógico, defendendo que a Pedagogia seja uma das “ciências da educação” que busca
integrar e dar coerência a todas elas, sendo o seu objeto o fenômeno educativo em seu
conjunto. A seguir, Libâneo faz uma retrospectiva histórica dos estudos teóricos da
Pedagogia no Brasil, dos jesuítas à década de noventa do século passado. Aponta a
necessidade de se buscar uma identidade epistemológica para esse campo e procura
diferenciar o “pedagógico” do “didático”, caracterizando-os.

OLIVEIRA, M. R. N. S. Elementos teórico-metodológicos no processo de


construção e reconstrução da didática (por uma nova teoria da prática
pedagógica escolar). In: OLIVEIRA, M. R. N. S. (org.). Didática: ruptura,
compromisso e pesquisa. Campinas: Papirus, 1995.
Partindo de uma concepção dialético-materialista do ensino, Maria Rita
Oliveira defende que a Didática rompa com o tecnicismo e volte-se a uma prática
educativa transformadora da realidade social. A autora pensa o ensino na
perspectiva da prática social, como uma “totalidade concreta”. As diversas
dimensões do fenômeno ensino (histórica, ideológica, antropológica e
epistemológica) delineariam os elementos teórico- metodológicos do campo da
Didática.

o
PENIN, S. T. S. O Ensino como “Acontecimento”. Cadernos de Pesquisa, n
98, pp. 14-23, 1996.
Nesse artigo, Sônia Penin analisa o “objeto” da Didática, defendendo que ele
12
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

seja o “acontecimento ensino”, em toda a sua extensão e profundidade. Discute


as características da Didática como área do conhecimento em processo de
epistemologização. Nessa direção, defende um rompimento com a epistemologia
dominante (oriunda das Ciências Naturais), pois os parâmetros clássicos da
investigação científica não esgotariam o estudo dos eventos presentes no ensino.

PIMENTA, S. G. Para uma re-significação da didática – ciências da educação,


pedagogia e didática (uma revisão conceitual e síntese provisória). In: PIMENTA,
S. G. (org.). Didática e formação de professores: percursos e perspectivas no
Brasil e em Portugal. São Paulo: Cortez, 1997.
A autora propõe re-significar a Didática partindo da própria prática docente, rompendo com o
triângulo professor-aluno-conhecimento. Aponta a importância da discussão epistemológica
para a realização dessa tarefa, mas pensada a partir da prática, e não do ponto de vista
teórico. Discute o objeto e o campo de atuação da Pedagogia e da Didática. No caso da
última, defende que sua tarefa seja a de tomar o ensino como prática social e compreender o
seu funcionamento enquanto tal, sua função social e suas implicações estruturais.

Resumo
Nesta aula, você percebeu que a Didática, enquanto disciplina pedagógica,
tem como objeto de estudo o “fenômeno ensino”. Ela não é – como se
costuma pensar – um “conjunto de técnicas para ensinar”, mas constitui-se
em um corpo de conhecimentos amplo e complexo, que abraça saberes de
diversas outras áreas. Por isso, os temas e assuntos que lhe dizem respeito
são também variados e em grande número. Embora o ensino seja algo tão
antigo quanto as primeiras sociedades humanas, a Didática configura-se
como disciplina no século XVII, a partir da obra de João Amós Comenius.

13
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

Auto-avaliação
Com base na leitura do texto e nas atividades desenvolvidas por você,
faça uma reflexão sobre o que aprendeu e analise os principais
aspectos mencionados nesta aula, considerando os seguintes itens:

n a visão adquirida sobre a Didática enquanto disciplina pedagógica;

n a origem e as características do pensamento didático;

n a importância dessa disciplina para a sua formação como professor.

Referências
CANDAU, V. M. (Org.). A Didática em Questão.
Petrópolis: Vozes, 1986.

KULESZA, W. A. Comenius – a persistência da utopia em educação.


Campinas: Editora da
UNICAMP,
1992.

LIBâNEO, J. C. Didática. São Paulo:


Cortez, 1994.

LIBâNEO, J. C. Educação: pedagogia e didática – o campo investigativo da


pedagogia e da didática no Brasil: esboço histórico e buscas de identidade
epistemológia e profissional. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Didática e
Formação de Professores: percursos e perspectivas no Brasil e em
Portugal. São Paulo: Cortez, 1997.

MASETTO, M. T. Didática – a aula como centro. São Paulo:


FTD, 4.ed.,1997.

OLIVEIRA, M. R. N. S. Elementos teórico-metodológicos no processo de


construção e reconstrução da didática (por uma nova teoria da prática pedagógica
escolar). In: OLIVEIRA, M. R. N. S. (Org.). Didática: ruptura, compromisso e
pesquisa. Campinas: Papirus, 1995.

14
Mestrado Universidadedabiblia.com.br

o
PENIN, S. T. S. O Ensino como “Acontecimento”. Cadernos de Pesquisa, n 98, p. 14-23,

1996. PIMENTA, S. G. Para uma re-significação da didática – ciências da educação,

pedagogia e
didática (uma revisão conceitual e síntese provisória). In: PIMENTA, S. G (Org.).
Didática
e Formação de Professores: percursos e perspectivas no Brasil e em
Portugal. São Paulo: Cortez, 1997.

UNIVERSIDADE DA BÍBLIA ®

- Todos os Direitos Reservados -

"Feliz é o Homem que acha Sabedoria, e o Homem que adquire


Entendimento" (Provérbios 3.13)

www.universidadedabiblia.com.br
15
www.universidadegospel.com