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Aula 01

Legislação Tributária p/ AFRFB - 2017/2018 (Com videoaulas)


Professor: Fábio Dutra
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA – AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL
Curso de Teoria e Questões Comentadas
Aula 01 - Prof. Fábio Dutra

AULA 01: Imposto sobre Produtos Industrializados


(Parte II)

SUMÁRIO PÁGINA
Observações sobre a Aula 01
Tópicos do Edital a serem Abordados na Aula 02
Contribuintes 03
Responsabilidade Tributária 25
Domicílio Tributário 44
Lista das Questões Comentadas em Aula 49
Gabarito das Questões Comentadas em Aula 55

Observações sobre a Aula

Olá, amigo concurseiro! Tudo bem?

Hoje, daremos continuidade ao nosso estudo sobre o IPI. Há muitos


detalhes a serem decorados, e isso se torna um grande desafio tanto para
você quanto para mim!

Eu assumo o compromisso de facilitar ao máximo a sua compreensão e


memorização, e você mantém o foco total, fazendo revisões e resolvendo
questões! No final, tudo dará certo!

Um detalhe que eu gostaria de alertá-lo diz respeito ao número de


questões das nossas aulas. No curso de Direito Tributário, se você é meu
aluno, sabe que comentamos muitas questões, girando em torno de 70-90 por
aula!

No entanto, esta situação não se repete aqui. O motivo é que a


Legislação Tributária Federal somente é cobrada nos concursos da Receita
Federal e, além disso, a disciplina só retornou aos editais dos concursos da
RFB no ano de 2012. Isso torna muito escasso o número de questões a serem
comentadas.

A saída que encontramos é focar em questões inéditas. Em todas as


aulas, creio eu, teremos algumas questões inéditas, no mesmo estilo como a
ESAF gosta de abordar em suas provas. Tudo bem?

Chega de papo! Abra o seu RIPI, concentre-se, e vamos começar!

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Tópicos do Edital a serem Abordados na Aula

Na aula de hoje, abordaremos, por meio de questões, os seguintes tópicos do


edital:

2.6. Contribuintes. 2.7. Responsáveis. 2.8. Estabelecimentos Industriais e


equiparados. 2.9. Domicílio.

O que já foi visto neste curso sobre o IPI:

2. Imposto sobre Produtos Industrializados. 2.2. Incidência. 2.3.


Industrialização. Conceito. 2.4. Características e modalidades de
industrialização. 2.5. Exclusões. 2.16. Redução e majoração do imposto. 2.21.
Classificação de produtos.

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1 - CONTRIBUINTES

O contribuinte é também denominado sujeito passivo direto, ou seja,


a pessoa que tem relação pessoa e direta com a situação que constitua o
respectivo fato gerador da obrigação tributária.

No caso do IPI, o RIPI previu como contribuintes as seguintes pessoas:

Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte:

I - o importador, em relação ao fato gerador decorrente do


desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira;

II - o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída


de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem como
quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que
praticar;

III - o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato


gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem como quanto
aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar; e

IV - os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou


remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou
editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e
periódicos, quando alcançado pela imunidade prevista no inciso I
do art. 18.

Imagino que muitas dúvidas tenham surgido neste momento. Estou


certo? Vamos estudar cada contribuinte separadamente!

Entretanto, não podemos nos aprofundar sem, antes, conhecer o


princípio da autonomia dos estabelecimentos:

Art. 24 - (...):

Parágrafo único. Considera-se contribuinte autônomo qualquer


estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a
cada fato gerador que decorra de ato que praticar.

Isso significa que os diversos estabelecimentos de uma mesma pessoa


jurídica são autônomos, possuindo domicílio fiscal próprio, e devendo cumprir
obrigações acessórias – como escrituração de livros fiscais, por exemplo –
independentemente dos demais.

Nessa esteira, quando uma fábrica remete seus produtos para


beneficiamento em outro estabelecimento, ainda que pertencente à mesma
pessoa jurídica, ocorre o fato gerador do IPI, tendo em vista o princípio da
autonomia dos estabelecimentos.

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Observação: No caso citado, embora ocorra o fato gerador, na prática não


há pagamento de imposto, pois o contribuinte pode se valer do instituto da
suspensão, a ser estudado em momento específico.

1.1 - Importador

O importador é tanto a pessoa física como a pessoa jurídica que


promove a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional. É quem
registra a Declaração de Importação (DI), promovendo o desembaraço
aduaneiro, sendo este o fato gerador do IPI, como se verá em momento
apropriado.

Não há necessidade de haver operação de


industrialização neste caso, bastando que os produtos
importados sejam industrializados.

A respeito da incidência do IPI na importação, havia muita discussão


judicial a respeito da importação de veículos por pessoa física, quando
destinado a seu uso próprio. Sobre esta situação, o STJ já chegou a se
posicionar no sentido de que não haveria incidência do imposto, haja vista que
o fato gerador do IPI constitui operação de natureza mercantil ou
assemelhada, o que não ocorreria neste caso.

Contudo, em fevereiro de 2016 o STF encerrou o julgamento do RE


723.651/RS, decidindo que é legítima a incidência do IPI na importação
de automóveis por pessoas físicas para uso próprio. A decisão foi
tomada com repercussão geral e é muito relevante para fins de
concurso público, já que, como vimos, o STJ e até mesmo o próprio STF, já
decidiu em sentido contrário.

O raciocínio da decisão leva em consideração que a cobrança do IPI na


importação dos veículos não afronta o princípio da não cumulatividade nem
implica bitributação. A manutenção de sua incidência, por outro lado, preserva
o princípio da isonomia, uma vez que promove igualdade de condições
tributárias entre o fabricante nacional, já sujeito ao imposto em território
nacional, e o fornecedor estrangeiro.

Na ocasião, o STF teve a oportunidade de julgar a modulação dos efeitos


dessa decisão para apenas alcançar casos futuros. Contudo, a modulação foi
rejeitada e isso significa que a decisão tomada pelos Ministros da Suprema
Corte alcançará as operações de importação de veículos pelas pessoas físicas
realizadas antes da decisão do STF.

Um detalhe bastante interessante é o fato de o importador praticar dois


fatos geradores. O primeiro ocorre com o desembaraço aduaneiro, ao
promover a entrada dos produtos industrializados estrangeiros no território

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nacional. O segundo fato gerador ocorre quando esses produtos saírem do


estabelecimento do importador, que, neste caso, será um estabelecimento
equiparado a industrial.

Observação: Guarde a sua dúvida para as próximas páginas, pois tudo isso
será explicado de forma mais detalhada, quando estudarmos os
estabelecimentos equiparados a industriais. Ok? Por ora, apenas tenha em
mente que o importador pratica dois fatos geradores.

INÉDITA/2017
Somente o importador pessoa jurídica contribui com o
IPI, ao promover o desembaraço aduaneiro.
Comentário: Seja pessoa física ou jurídica, o
desembaraço aduaneiro constitui fato gerador do IPI,
sendo o importador o contribuinte.
Gabarito: Errada

1.2 – Pessoas que descumprem a condição de utilização do papel


imune

Nós aprendemos na aula anterior que a imunidade dos livros, por


exemplo, é absoluta, ou seja, sendo livro, há imunidade do IPI. No entanto, no
que se refere ao papel, este só estará imune se for utilizado na impressão dos
livros, jornais ou periódicos. Há, portanto, uma condição.

Nessa linha, se o papel é utilizado na impressão dos livros, jornais ou


periódicos, não há qualquer incidência de IPI sobre ele. Contudo, se houver
descumprimento da referida condição, incide o IPI. Havendo incidência, deve
existir um sujeito passivo, na condição de contribuinte, para arcar com o
tributo. São eles:

 A empresa que tinha por finalidade a impressão de livro, jornal ou


periódico, mas que acabou utilizando o papel para outros fins;
 A empresa fabricante, importadora ou distribuidora do papel imune
quando o remete a outra empresa que não seja jornalística ou
editora.

Observe que, se a empresa fabricante, importadora ou distribuidora do


papel o encaminha para uma empresa jornalística, por exemplo, com a
finalidade de que seja utilizado para impressão de livro, jornal ou
periódico, ela cumpriu o seu papel. Portanto, se posteriormente o papel
tiver outra finalidade, quem se torna contribuinte é o adquirente.

Diferentemente, caso a fabricante, importadora ou distribuidora remeta


o papel imune para uma empresa que não seja jornalística ou editora,
é aquela (quem fez a remessa) que se torna contribuinte do IPI.

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1.3 – Estabelecimentos Industriais

O que vem a ser um estabelecimento industrial, colega concurseiro? Ora,


estabelecimento industrial é quem executa alguma operação de
industrialização.

Nesse sentido, o art. 8º do RIPI dispõe o seguinte:

Art. 8º - Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das


operações referidas no art. 4º (operações de industrialização), de que
resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento.

Lembre-se de que estão dentro do campo de


incidência do IPI os produtos tributados, ainda que de
alíquota zero ou isentos.

Portanto, fazendo uma associação aos conceitos vistos na aula passada,


podemos dizer que é estabelecimento industrial aquele que executa operação
que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a
apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para
consumo, tal como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o
acondicionamento ou reacondicionamento e a renovação ou recondicionamento
(RIPI, art. 4º).

Ademais, podemos dizer que também é considerado


estabelecimento industrial o que execute operações de
industrialização, ainda que estas sejam incompletas, parciais ou
intermediárias (RIPI, art. 3º).

Para fins de prova, é importante que nos cerquemos de todos os


conceitos e definições estabelecidos pelo RIPI, dado o apego da ESAF à
literalidade da legislação tributária. Nesse rumo, o RIPI estabeleceu que as
expressões “fábrica” e “fabricante” são equivalentes a estabelecimento
industrial. Mas o que vem a ser “estabelecimento”?

A expressão “estabelecimento”, em sua delimitação, diz respeito ao


prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele
compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas
contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam,
normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra
natureza.

1.3 – Conceitos essenciais para o estudo dos estabelecimentos


equiparados a industrial

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Antes de iniciarmos o estudo dos estabelecimentos equiparados a


industrial, um dos temas mais importantes e detalhados da aula de hoje,
vamos nos preparar para isso, ou seja, aprender alguns conceitos básicos.

Faz-se necessário conhecer as definições dadas pelo RIPI dos


estabelecimentos atacadistas e varejistas:

São atacadistas os estabelecimentos que efetuarem vendas:

 De bens de produção, exceto a particulares em quantidade que não


exceda a normalmente destinada ao seu próprio uso;
 De bens de consumo, em quantidade superior àquela normalmente
destinada a uso próprio do adquirente; e
 A revendedores;

São varejistas os estabelecimentos que efetuarem vendas:

 Diretas a consumidor, ainda que realize vendas por atacado


esporadicamente, considerando-se esporádicas as vendas por atacado
quando, no mesmo semestre civil, o seu valor não exceder a vinte por cento
do total das vendas realizadas.

Vamos entender melhor tudo isso!

Nem sempre quem comercializa bens de produção é considerado


atacadista. É o caso do estabelecimento que comercializa tais bens a
particulares em quantidade que não exceda a normalmente destinada ao uso
próprio.

Semelhantemente, nem sempre quem comercializa bens de


consumo é considerado varejista, pois se a comercialização for feita em
quantidade superior àquela normalmente destinada ao uso próprio do
adquirente, configura-se típica operação de estabelecimento atacadista.

Observação: Se você ficou em dúvida do que vem a ser “bens de produção”,


saiba que o RIPI trouxe a definição.
Além disso, consideram-se bens de produção (RIPI, art. 610):
 As matérias-primas;
 Os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o
produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial;
 Os produtos destinados a embalagem e acondicionamento;
 As ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e
 As máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas
peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no
processo industrial.

Dando continuidade, se o estabelecimento varejista realizar vendas por


atacado, isso não o descaracteriza da condição de varejista, desde que as

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vendas sejam feitas esporadicamente. E o que isso quer dizer? Do total de


vendas realizadas no semestre, no máximo 20% pode ser feito por
atacado. Se as vendas por atacado excederem tal limite, configura-se
estabelecimento atacadista.

O mais importante desse tópico é saber que tanto o atacadista como o


varejista podem figurar como estabelecimento equiparado a industrial!

1.4 – Estabelecimentos Equiparados a Industrial

Nós já vimos o conceito de operação industrial. Também estudamos que


o estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações definidas
como sendo industrialização. E o que equiparado a industrial?

Se o estabelecimento industrial executa operações de industrialização,


obviamente o equiparado a industrial não as executa, pois, nesse caso, seria
industrial e não apenas equiparado a ele.

“Quer dizer que mesmo não executando operação de industrialização o


equiparado a industrial é contribuinte do IPI”? Sim, e isso você deve ter na
“ponta da língua”. Ademais, o fato de se tornar contribuinte faz com que o
estabelecimento fique obrigado ao cumprimento das obrigações
tributárias, sejam elas acessórias ou principais.

Ademais, fique atento, pois a equiparação a industrial não é uma mera


arbitrariedade do legislador, pois essa previsão encontra guarida no texto do
CTN, ao dizer que o contribuinte do IPI é “o industrial ou quem a ele a lei
equiparar”.

Neste momento, é mister que você guarde que a equiparação pode


ocorrer por determinação da lei ou por opção do próprio estabelecimento.

A equiparação a industrial ocorre por determinação


legal ou por opção do próprio industrial.

Observação: Mais adiante será esclarecido o porquê de uma pessoa desejar


se equiparado a industrial e, por consequência, se tornar contribuinte do IPI.

Desse modo, primeiramente vamos tratar dos casos de equiparação por


determinação legal, estudando, posteriormente, os casos em que tal
equiparação ocorre por opção.

1.4.1 – Hipóteses de equiparação a industrial por determinação legal

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De agora em diante, vamos estudar as hipóteses em que ocorre


compulsoriamente a equiparação do estabelecimento a industrial, estando
previstas no art. 9º e 10 do RIPI.

1. Estabelecimentos importadores e suas filiais (RIPI, art. 9º, I e II)

Você se lembra quando eu disse que os importadores praticam dois fatos


geradores? Pois bem, esta é a hora de elucidarmos de uma vez todas dúvidas
que possam ter surgidos a respeito desse assunto.

Primeiramente, ocorre o fato gerador com o desembaraço aduaneiro, ao


promover a entrada dos produtos industrializados estrangeiros no território
nacional. Neste caso, o importador foi eleito contribuinte, pelo simples
fato de ser “importador” (RIPI, art. 24, I).

Além disso, quando os produtos industrializados importados saírem do


estabelecimento do importador, ocorrerá outro fato gerador, fazendo com
que o importador, por ficção legal, seja equiparado a um
estabelecimento industrial (RIPI, art. 24, III).

Grosso modo, você pode memorizar os dois momentos


em que o importador paga IPI da seguinte forma:

 Entrada no País;
 Saída do estabelecimento do importador.

Atente-se para o fato de que nem todo importador é equiparado a


industrial. A título de exemplo, quando uma indústria importa uma nova
máquina do exterior, para integrar o seu ativo, não há equiparação, tendo em
vista que só ocorre um fato gerador: o desembaraço aduaneiro.

Você até poderia questionar o porquê da ocorrência desse fato gerador,


se o importador não executou nenhuma operação de industrialização. Contudo,
lembre-se de que, se ele tivesse industrializado, seria industrial, e não a este
equiparado.

Observação: Veremos posteriormente que o importador não é duplamente


onerado, em função do princípio da não cumulatividade. Sendo assim, o que
foi pago na importação será descontado no montante total devido na saída do
seu estabelecimento. Trata-se do mecanismo dos créditos e débitos.

O que estudamos até o momento neste tópico diz respeito à importação


efetuada pelo estabelecimento importador, sendo este o estabelecimento
receptor dos produtos importados. No entanto, pode ocorrer de o
importador promover a importação, remetendo os produtos
industrializados estrangeiros diretamente à filial da mesma empresa.

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Assim, quando a filial da mesma firma do estabelecimento importador,


seja varejista ou atacadista, recebe os produtos diretamente da repartição
aduaneira que efetuou o desembaraço aduaneiro, equipara-se a industrial e é
contribuinte do IPI em relação à saída dos produtos industrializados do seu
estabelecimento.

2. Importação por encomenda ou por conta e ordem de terceiros


(RIPI, art. 9º, IX)

Dando continuidade aos casos de equiparação ao industrial, relativos à


importação de produtos industrializados, são equiparados os estabelecimentos
comerciantes, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de
procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e
ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.

Isso significa que o estabelecimento atacadista ou varejista que, em


condições normais não seria contribuinte do IPI, torna-se sujeito passivo por
se equiparar ao estabelecimento industrial, já que há uma importação por
encomenda ou por sua conta e ordem.

Ocorre, então, uma importação, havendo incidência de IPI sobre o


desembaraço aduaneiro. Posteriormente, ocorre nova incidência do IPI,
quando os produtos saem do estabelecimento do importador, com destino ao
comerciante. Até este ponto, houve duas incidências do IPI sobre o
importador.

Quando a mercadoria sai do estabelecimento do comerciante, atacadista


ou varejista, como dissemos, ocorre novo fato gerador do IPI, fazendo
com que o comerciante seja equiparado a industrial, ou seja,
contribuinte do IPI.

Ficou difícil de entender? Vamos visualizar:

FATO GERADOR FATO GERADOR FATO GERADOR


1 2 3

Desembaraço Saída do estabelecimento Saída do estabelecimento


Aduaneiro do importador do comerciante

Presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio


exterior realizada (RIPI, art. 9º, § 2º):

 Mediante utilização de recursos de terceiro; ou


 Em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos pela Secretaria
da Receita Federal do Brasil.

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Diferentemente, o conceito de importação por encomenda traduz-se


na importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica
importadora que adquira mercadorias no exterior para revenda a
encomendante predeterminado, participando ou não o encomendante das
operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior (RIPI, art.
9º, § 3º).

Em suma, a diferença básica entre os dois tipos de importação é que, na


importação por conta e ordem de terceiro, este é o importador de fato, sendo
dele os recursos utilizados na importação. Por outro lado, na importação por
encomenda, utilizam-se os recursos próprios da pessoa jurídica importadora.

Para concluir esta modalidade de equiparação, pergunta-se: qual é a


semelhança mais marcante entre a importação por conta e ordem e a realizada
por encomenda? Ora, em ambos os casos, o comerciante atacadista ou
varejista se torna equiparado a industrial.

Por fim, faz-se necessário conhecer as incumbências da Receita


Federal, em relação a essa hipótese de equiparação a industrial (RIPI, art. 9º,
§ 1º):

I - deverá estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa


jurídica importadora:

a) por conta e ordem de terceiro; ou

b) que adquira mercadorias no exterior para revenda a encomendante


predeterminado; e

II - poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de


mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital
social ou o patrimônio líquido do importador ou encomendante predeterminado
ou, no caso de importação por conta e ordem, do adquirente.

3. Encomendantes no mercado interno (RIPI, art. 9º, IV)

Não é somente o encomendante de produtos industrializados importados


que se torna equiparado a industrial. Há também equiparação quando os
estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha
sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de
terceiro, mediante remessa, por eles efetuada, de matérias-primas,
produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou
modelos.

Em termos mais simples, o comerciante atacadista ou varejista remete


os insumos a um estabelecimento industrial, que pode ser tanto da mesma

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firma ou de terceiros, a fim de que este efetue a operação de industrialização


por encomenda. Posteriormente, os produtos industrializados retornam ao
estabelecimento do comerciante, que, ao dar saída a estes, será
equiparado a industrial, havendo incidência de IPI.

Observação: Na saída do estabelecimento industrial, com destino ao


encomendante, também há incidência de IPI. Ou seja, entregou a
encomenda, paga IPI.
Lembre-se sempre de que os estabelecimentos industriais são
contribuintes do IPI.

4. Encomenda de industrialização de bebidas, líquidos alcoólicos e


vinagres (RIPI, art. 9º, V)

Não é necessário se preocupar em decorar esta hipótese de equiparação,


haja vista ser quase a mesma situação comentada no item anterior, com o
detalhe de que, em se tratando de industrialização de bebidas, líquidos
alcoólicos e vinagres (Capítulo 22 da TIPI), não há necessidade de
remessa de insumos, para se caracterizar a equiparação a industrial.

Além disso, no tocante aos produtos previstos no Capítulo 22 da TIPI, a


marca ou o nome fantasia da bebida pode ser de propriedade de qualquer
pessoa, ou seja, do encomendante, de terceiro ou até mesmo do próprio
executor da encomenda.

Se uma questão de prova mencionar a industrialização


por encomenda de bebidas e citar alguma restrição em
relação à marca ou nome fantasia, estará errada.

5. Filial atacadista (RIPI, art. 9º, III)

De acordo com o RIPI, são equiparados ao estabelecimento


industrial as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de
produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por
outro estabelecimento da mesma firma, salvo se aqueles operarem
exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na
hipótese do inciso II, do art. 9º.

O dispositivo determina que aqueles estabelecimentos comerciais de


produtos que foram importados, ou industrializados ou até mesmo
industrializados por encomenda por outro estabelecimento da mesma firma,
ou seja, por uma filial, devem ser equiparados a industrial.

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Se o estabelecimento comerciante for


exclusivamente varejista, não haverá equiparação!
Guarde isso!

O aluno mais atento poderia imaginar: se o varejista não é equiparado,


poderia haver uma fraude na operação entre os estabelecimentos da mesma
firma. Como assim? Exemplo: o estabelecimento Alfa importa notebooks e
encaminha para Beta (outro estabelecimento da mesma firma) revendê-los no
varejo. Como pertencem à mesma firma, poderia haver uma operação entre
eles (Alfa  Beta) por valor simbólico, recolhendo IPI praticamente nulo, já
que Beta não iria recolher IPI nas operações no varejo.

É possível que isso aconteça? Não! Você acha mesmo que o legislador
abriria essa brecha?

Estudaremos na próxima aula que o RIPI criou o denominado valor


tributável mínimo, que determina, em linhas gerais, uma base de cálculo
mínima, sobre a qual irá incidir o IPI, ainda que a operação de fato tenha
ocorrido por valor inferior. No caso em tela, dispõe o art. 195, II, do RIPI, que
o valor tributável (base de cálculo) não poderá ser inferior a 90% do preço
de venda aos consumidores, não inferior ao preço corrente no mercado
atacadista da praça do remetente, quando o produto for remetido a outro
estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere
exclusivamente na venda a varejo. Ficou bem claro, certo?

Por último deve ser destacado que o varejista que se encontre na


situação prevista no art. 9º, II, do RIPI, não está excepcionado da
equiparação. Ora, esse varejista é aquele que recebeu os produtos
diretamente da repartição aduaneira que efetuou o desembaraço aduaneiro,
estudado no primeiro item. Note que ele já é equiparado a industrial, sendo
apenas corroborado no presente item.

INÉDITA/2017
As filiais e demais estabelecimentos que exercerem o
comércio de produtos importados, industrializados ou
mandados industrializar por outro estabelecimento da
mesma firma são, via de regra, equiparadas a
industrial.
Comentário: A questão apresenta a regra geral, que
é a equiparação.
Gabarito: Correta

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6. Atacadista de pérolas, pedras e metais preciosos (RIPI, art. 9º,


VI)

Também são equiparados a industrial os estabelecimentos comerciais


atacadistas dos produtos classificados nas posições 71.01 a 71.16 da TIPI, que
representam, resumidamente, as pérolas, pedras e metais preciosos e
suas obras.

Observe que, nesse caso, não há qualquer previsão de que o atacadista


pertença à mesma firma. Sendo assim, qualquer estabelecimento
comercial atacadista dos produtos supracitados são equiparados a
industrial.

7. Atacadista de bebidas quentes (RIPI, art. 9º, VII)

Foi prevista equiparação a industrial aos estabelecimentos atacadistas


e cooperativas de produtores que derem saída a bebidas alcoólicas e demais
produtos, de produção nacional, classificados nas Posições 22.04, 22.05,
22.06 e 22.08 da TIPI e acondicionados em recipientes de capacidade
superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, com destino
aos seguintes estabelecimentos:

a) industriais que utilizarem os produtos mencionados como matéria-prima ou


produto intermediário na fabricação de bebidas;
b) atacadistas e cooperativas de produtores; ou
c) engarrafadores dos mesmos produtos;

Observação:
Posição 22.04: Vinhos;
Posição 22.05: Vermutes e outros vinhos;
Posição 22.06: Bebidas fermentadas
Posição 22.08: Aguardentes, Uísques, Rum, Vodcas, Licores etc.

Assim, veja que os estabelecimentos atacadistas bem como a


cooperativa de produtores recebem a bebida dos seus respectivos produtores,
tornando-se equiparados quanto à saída que promoverem de seus
estabelecimentos.

Mas existe uma condição! Os atacadistas e as cooperativas somente


serão equiparados a industriais, se os referidos produtos estiverem
acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo
permitido para venda a varejo. Isso significa que ainda existirá um
outro processo de industrialização (acondicionamento) antes de as
bebidas serem revendidas ao consumidor final! Concorda?

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O que seria um recipiente com capacidade superior ao limite máximo


permitido para venda a varejo?

De acordo com o art. 339, do RIPI, as bebidas do Capítulo 22


da TIPI somente poderão ser remetidas ao comércio varejista, expostas à
venda ou vendidas no varejo, acondicionadas em recipientes de
capacidade máxima de um litro.

Satisfeitos os requisitos estudados, ocorrerá o fato gerador do IPI, tendo


como contribuinte os estabelecimentos atacadistas. Contudo, o imposto fica
suspenso por conta do art. 44 do RIPI:

Art. 44. As bebidas alcoólicas e demais produtos de produção nacional,


classificados nas Posições 22.04, 22.05, 2206.00 e 22.08 da TIPI,
acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo
permitido para venda a varejo, sairão obrigatoriamente com
suspensão do imposto dos respectivos estabelecimentos
produtores, dos estabelecimentos atacadistas e das cooperativas
de produtores, quando destinados aos seguintes estabelecimentos (Lei
no 9.493, de 1997, arts. 3º e 4º):

I - industriais que utilizem os produtos mencionados no caput como


matéria-prima ou produto intermediário na fabricação de bebidas;

II - atacadistas e cooperativas de produtores; e

III - engarrafadores dos mesmos produtos.

Veja que esta situação

A referida suspensão implica não recolhimento do imposto quando da


saída desses produtos dos estabelecimentos citados acima! Veja que não
foram citados apenas os atacadistas e as cooperativas, mas também os
produtores que remeteram os produtos àqueles.

Ficou difícil de entender? Vamos visualizar:

Suspensão de Suspensão de
IPI IPI

Produtores de Atacadistas e Estabelecimentos citados


Bebidas Cooperativas no art. 44, do RIPI

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Observação: O tema “suspensão de IPI” será estudado em outro momento


do curso. Por ora, memorize que não há recolhimento nas hipóteses de
suspensão de IPI.

Recentemente, a Lei 13.241/2015 promoveu alterações


no regime de tributação das bebidas quentes, o qual será
estudado em momento oportuno.

8. Atacadista de produtos de beleza importados (RIPI, art. 9º, VIII)

O RIPI equiparou a industrial o atacadista de produtos de beleza


(perfumes, produtos de beleza e maquiagens, xampus, produtos de higiene
bucal etc.) importados, adquiridos de estabelecimentos importadores. Veja que
o atacadista não se confunde com o importador, pois este já é equiparado
a industrial, conforme estudamos no primeiro item.

Como decorrência disso, o IPI incide em três momentos distintos:

1 – Por ocasião do desembaraço aduaneiro;

2 – Pela saída dos produtos do estabelecimento do importador;

3 – Pela saída dos produtos do estabelecimento do atacadista.

9. Atacadista de automóveis (RIPI, art. 9º, X)

É equiparado ao estabelecimento industrial o atacadista de


automóveis, aplicando-se, inclusive, ao estabelecimento fabricante de tais
produtos, em relação aos que forem produzidos por outro fabricante, ainda que
domiciliado no exterior, que os revender (RIPI, art. 9º, § 4º).

Em relação às concessionárias, em regra, não são consideradas


atacadistas e, portanto, não são equiparadas a industrial. Contudo, se as
vendas no atacado excederem 20% do total de vendas no semestre civil, a
concessionária passa a se caracterizar como atacadista e, consequentemente,
como equiparada a industrial.

É possível que as concessionárias de automóveis


sejam equiparadas a industrial.

Destaque-se que também se equipara a estabelecimento industrial a


empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas

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Posições 87.01 a 87.05 da TIPI (tratores, automóveis de passageiros etc.),


industrializados por encomenda por conta e ordem de pessoa jurídica
domiciliada no exterior, da qual é controlada direta ou indiretamente

10. Atacadista de produtos específicos, em operação realizada entre


pessoas interligadas (RIPI, art. 10)

São equiparados a estabelecimento industrial os estabelecimentos


atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III da Lei
no 7.798, de 10 de julho de 1989, de estabelecimentos industriais ou
dos estabelecimentos equiparados a industriais de que tratam os incisos
I a V do art. 9º (importador, filial que recebe diretamente da repartição
aduaneira, filial atacadista ou encomendante).

A equiparação que estamos estudando aplica-se nas hipóteses em que o


adquirente e o remetente dos produtos sejam empresas controladoras
ou controladas, coligadas, interligadas ou interdependentes. Ora, é
justamente quando há ligação entre as empresas que surge a possibilidade
de manobras com o objetivo de reduzir a arrecadação tributária.

Da relação de estabelecida no Anexo III da citada lei poderão, mediante


decreto, ser excluídos produtos ou grupo de produtos cuja permanência se
torne irrelevante para arrecadação do imposto, ou incluídos outros cuja
alíquota seja igual ou superior a 15%.

Observação: A lista do Anexo III da Lei 7.798/89 pode ser alterada por
decreto e, de fato, foi alterada pelo Decreto 8.393/2015. Dentre os produtos
incluídos nessa equiparação estão os produtos de beleza. Mas não se
confunde com o art. 9°, VIII, já estudado, pois naquele caso a equiparação é
específica para importação e o rol de produtos é bastante amplo.

Ou seja, é possível excluir os produtos definidos na lista ou acrescentar


outro, desde que a alíquota do IPI seja igual ou superior a 15% para os
produtos que serão incluídos.

11. Industrial que revende bens de produção (RIPI, art. 9º, § 6º)

Imagino que, se você tiver prestado atenção nessa hipótese de


equiparação, deve ter achado no mínimo estranho um estabelecimento
industrial ser equiparado a industrial. Mas é bastante simples de entender!
Vejamos o que estabelece o art. 9º, § 6º:

§ 6º - Os estabelecimentos industriais quando derem saída a matéria-


prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos
de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para
industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos
comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a
estabelecimento industrial em relação a essas operações.

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As palavras-chave desse dispositivo são “adquiridos de terceiros”. Ou


seja, embora o estabelecimento industrial execute operações de
industrialização, ele pode também adquirir bens de produção (já definimos
esse conceito, correto?), sem executar qualquer industrialização, e
revendê-los a outros estabelecimentos.

Note bem que a equiparação a industrial ocorre porque o


estabelecimento industrial, em relação aos bens de produção revendidos, é
considerado estabelecimento comercial de bens de produção, e por esse
motivo fica equiparado a estabelecimento industrial, unicamente em relação
a essas operações.

Quando eu disse “unicamente”, é porque o estabelecimento continua


sendo industrial, em relação às operações de industrialização que ele realiza.
Contudo, no que se refere à revenda de bens de produção, é
considerado estabelecimento equiparado a industrial.

É possível que um estabelecimento seja “industrial” e


“equiparado a industrial”.

Estabelecimento
Industrialização Industrial

Estabelecimento
Industrial

Estabelecimento
Revenda de bens de
Equiparado a
produção de terceiros
Industrial

12. Distribuição de águas, cervejas e refrigerantes (RIPI, art. 9º, XI,


XII, XIII, XIV e XV)

Há diversas hipóteses de equiparação a industrial, relativas às bebidas


frias, como água, cerveja e refrigerante. Elas foram disciplinadas no art. 9º, XI
a XV do RIPI, e serão abordadas em outro momento, pois possuem certas
peculiaridades que não nos convém estudá-las agora.

Observação: O tratamento deste assunto sofreu alterações, em virtude da


publicação da Lei 13.097/2015, regulamentada pelo Decreto 8.442/2015.
Sendo assim, os incisos XI a XV do art. 9° não mais são aplicáveis à

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tributação das bebidas frias. Essas considerações serão vistas em momento


oportuno.

1.4.2 – Hipóteses de equiparação a industrial por opção

Quando determinado estabelecimento é equiparado a industrial, como


vimos, torna-se contribuinte do IPI. Portanto, o mais natural é que a
legislação tributária determine as situações em que os estabelecimentos
obrigatoriamente se sujeitam à equiparação e, consequentemente, ao
pagamento de IPI. Afinal de contas, você de imaginar que ninguém se propõe
a pagar impostos por vontade própria, não é mesmo?

Curiosamente, há previsão de equiparação a industrial por opção.


Ou seja, permite-se que os estabelecimentos tornem-se contribuintes por
d
vontade própria, sem qualquer imposição legal.

Nessa linha, vejamos os estabelecimentos que podem se tornar


equiparados a industrial por opção:

 Os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção,


para estabelecimentos industriais ou revendedores;
 As cooperativas que se dedicarem à venda em comum de bens de
produção, recebidos de seus associados para comercialização.

INÉDITA/2017
A equiparação a estabelecimento industrial somente
ocorre por imposição legal.
Comentário: Existem estabelecimentos que se
tornam equiparados a industrial por opção, nos
termos do art. 11, do RIPI.
Gabarito: Errada

Você deve se lembrar do que aprendemos acerca do princípio da não


cumulatividade que permite que o montante de IPI cobrado em operação
anterior pode ser compensado na operação subsequente.

Pois bem, com base nisso, os citados estabelecimentos podem optar por
sofrer a tributação, a fim de possibilitar que os adquirentes dos seus
produtos se creditem do valor por eles pago. Se tal opção não fosse
possível, os seus clientes poderiam optar por adquirir produtos de outros
fornecedores.

Destaque-se que tal opção é feita mediante alteração dos dados


cadastrais do estabelecimento, no CNPJ, para sua inclusão como contribuinte
do IPI. O mesmo se pode dizer em relação à desistência da
equiparação.

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Permite-se desistir da equiparação, não sendo,


portanto, irretratável.

Por fim, é interessante ressaltar que, ao optar pela equiparação, o


contribuinte não fica obrigado apenas ao cumprimento da obrigação
tributária principal (pagamento do IPI), mas também das obrigações
acessórias, até a formalização da desistência.

Questão 01 – INÉDITA/2017

Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos importadores


de produtos de procedência estrangeira, ainda que não deem saída a esses
produtos.

Comentário: O art. 9º, I, do RIPI, determina a equiparação dos


estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira quando
derem saída a esses produtos. Se tais estabelecimentos não dão saída aos
produtos importados, figuram como contribuinte, na qualidade de importador,
em relação ao fato gerador ocorrido com o desembaraço aduaneiro dos
referido produtos. Questão errada.

Questão 02 – INÉDITA/2017

Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos exclusivamente


varejistas que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que
os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma.

Comentário: O art. 9º, II, do RIPI, determina a equiparação a


estabelecimento industrial dos estabelecimentos, ainda que varejistas, que
receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou,
produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma. Logo, ainda
que o estabelecimento seja exclusivamente varejista, será equiparado a
industrial. Questão correta.

Questão 03 – INÉDITA/2017

Se o estabelecimento comercial “A” encomenda uma industrialização ao


estabelecimento industrial “B”, remetendo a este matérias-primas necessárias

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à fabricação dos produtos, pode-se afirmar que o estabelecimento comercial


“A” é equiparado a industrial.

Comentário: Trata-se do art. 9º, IV, do RIPI, que prevê a equiparação dos
estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha sido
realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante
a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários,
embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. Questão correta.

Questão 04 – INÉDITA/2017

O estabelecimento “Y” importa computadores, sofrendo a incidência do IPI, por


ocasião do desembaraço aduaneiro. Posteriormente, esta empresa remete seus
produtos a outro estabelecimento “Z”, da mesma firma, para revendê-los aos
3
consumidores no varejo. Diante da situação apresentada, o estabelecimento
“Z” não é equiparado a industrial.

Comentário: A questão aborda a regra contida no art. 9º, III, do RIPI,


prevendo o caso de equiparação das filiais e demais estabelecimentos que
exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados
industrializar por outro estabelecimento da mesma firma, salvo se aqueles
operarem exclusivamente na venda a varejo. Como neste caso o
estabelecimento “Z” é varejista e não recebeu os produtos importados
diretamente da repartição que os liberou (RIPI, art. 9º, II), não há que se falar
em equiparação. Questão correta.

Questão 05 – INÉDITA/2017

De acordo com o Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI), considera-se


sujeito passivo do IPI, na qualidade de contribuinte os seguintes, exceto:
a) O importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço
aduaneiro de produto de procedência estrangeira;
b) O industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que
industrializar em seu estabelecimento, bem como quanto aos demais fatos
geradores decorrentes de atos que praticar;
c) O estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo
aos produtos que dele saírem, bem como quanto aos demais fatos geradores
decorrentes de atos que praticar;
d) O transportador, em relação aos produtos tributados que transportar,
desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência;
e) Os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a
pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à
impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade
prevista no inciso I do art. 18 do RIPI.

Comentário:

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Alternativa A: Trata-se de contribuinte, conforme previsão no art. 24, I, do


RIPI. Item correto.

Alternativa B: Trata-se de contribuinte, conforme previsão no art. 24, II, do


RIPI. Item correto.

Alternativa C: Trata-se de contribuinte, conforme previsão no art. 24, III, do


RIPI. Item correto.

Alternativa D: O transportador, no caso apresentado, é obrigado ao


pagamento do IPI como responsável, de acordo com o art. 25, I, do RIPI. Item
errado.

Alternativa E: Trata-se de contribuinte, conforme previsão no art. 24, IV, do


RIPI. Item correto. 4

Gabarito: Letra D

Questão 06 – ESAF/TRF/2003

Para ser caracterizado como tal, o estabelecimento industrial deve


a) estar estabelecido em local apropriado, ou seja, na área industrial do
município.
b) exercer uma, ou mais, das operações a seguir: transformação,
beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento e
renovação ou restauração, e que destas operações resulte produto tributado,
ainda que de alíquota zero.
c) revender produtos industrializados por terceiros, na condição de
estabelecimento atacadista.
d) somente elaborar produtos com alíquota do IPI superior a 0% (zero por
cento).
e) importar produtos industrializados diretamente do exterior e dê saída a tais
produtos.

Comentário:

Alternativa A: Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das


operações de industrialização. Como a localização das instalações é irrelevante
para caracterizar certa operação como industrialização (art. 4º, parágrafo
único), não é necessário que o estabelecimento esteja localizado em local
apropriado. Item errado.

Alternativa B: É exatamente o que diz o art. 8º do RIPI. Item correto.

Alternativa C: Essa alternativa não se caracteriza como estabelecimento


industrial, nem como equiparado. Item errado.

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Alternativa D: Segundo o disposto no art. 8º, estabelecimento industrial é


que realiza operação de industrialização, da qual resulte produto tributado,
ainda que de alíquota zero ou isento. Item errado.

Alternativa E: Na realidade, quem importa produtos industrializados e dá


saída a tais produtos é considerado estabelecimento equiparado a industrial.
Item errado.

Gabarito: Letra B

Questão 07 – ESAF/TRF/2000

Não se considera estabelecimento industrial o que executa operações de que


resulte produto tributado, quando a alíquota for zero.
8
Comentário: O único erro da questão foi inserir o “não” em seu início. Na
verdade, considera-se estabelecimento industrial o que executa operações de
que resulte produto tributado, quando a alíquota for zero. Questão errada.

Questão 08 – ESAF/TRF/2000

Não se equiparam a estabelecimento industrial os estabelecimentos


importadores de produtos de procedência estrangeira, que dêem saída a esses
produtos, se não realizam qualquer operação que modifique a natureza, o
funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou
o aperfeiçoe para consumo.

Comentário: Não seria nem mesmo necessário decorar essa hipótese de


estabelecimento equiparado a industrial. Observe que no final da assertiva, há
uma condição de que, se os estabelecimentos não realizam qualquer operação
de industrialização, não podem ser equiparados a industrial. Ora, se
realizassem industrialização seriam estabelecimentos industriais, e não
equiparados a eles. Questão errada.

Questão 09 – ESAF/TRF/2000

Não se considera industrialização o preparo de produtos alimentares, não


acondicionados em embalagem de apresentação.

Comentário: O preparo de produtos alimentares, não acondicionados em


embalagem de apresentação, é uma das operações excluídas do conceito de
industrialização. Questão correta.

Questão 10 - ESAF/TRF/2002-1

Relativamente às cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16


de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum dos bens de

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produção, recebidos de seus associados para comercialização, a legislação


sobre produtos industrializados as considera estabelecimentos:
a) equiparados à Industrial.
b) Industriais
c) Equiparados a importadores.
d) Equiparados à Industrial, por opção.
e) Comerciais.

Comentário: Há estabelecimentos que são equiparados a industriais por força


do disposto no RIPI. Há também aqueles que não são contribuintes do IPI, mas
podem optar por se tornarem equiparados a industriais, como é o caso das
cooperativas que se dedicarem a venda em comum dos bens de produção,
recebidos de seus associados para comercialização. A resposta, portanto, é a
Letra D.

Questão 11 - ESAF/ATRFB/2012

São equiparados aos estabelecimentos industriais para fins de incidência do


Imposto sobre Produtos Industrializados os estabelecimentos que
comercializam produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro
estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles
efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens,
recipientes, moldes, matrizes ou modelos.

Comentário: Conforme prevê o art. 9º, IV, do RIPI, são equiparados aos
estabelecimentos industriais os estabelecimentos comerciais de produtos cuja
industrialização tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma
firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-
primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou
modelos. Questão correta.

Questão 12 - ESAF/ATRFB/2012

São equiparados aos estabelecimentos industriais para fins de incidência do


Imposto sobre Produtos Industrializados os estabelecimentos, ainda que
varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição
que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma
firma.

Comentário: De acordo com o art. 9º, II, do RIPI, os estabelecimentos, ainda


que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da
repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da
mesma firma, são equiparados aos estabelecimentos industriais. Questão
correta.

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Questão 13 - ESAF/ATRFB/2012

São equiparados aos estabelecimentos industriais para fins de incidência do


Imposto sobre Produtos Industrializados os estabelecimentos atacadistas e
cooperativas de produtores que derem saída a bebidas alcoólicas.

Comentário: Segundo o disposto no art. 9º, VII, os estabelecimentos


atacadistas e cooperativas de produtores que derem saída a bebidas alcoólicas
são equiparados aos estabelecimentos industriais. Esta questão, na realidade,
está incompleta, já que o referido dispositivo estabelece algumas
condicionantes para o enquadramento desses estabelecimentos como
equiparados a industrial. Mesmo assim, a banca considerou correta.

Questão 14 - INÉDITA/2017

Em função do princípio da autonomia dos estabelecimentos, pode-se dizer que


é considerado contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador,
industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato
que praticar.
Comentário: De acordo com o art. 24, par. único, do RIPI, considera-se
contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial ou
comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar.
Trata-se do princípio da autonomia dos estabelecimentos. Questão correta.

2 – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

Dispõe o art. 121, II, do CTN, que o sujeito passivo da obrigação


principal é responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua
obrigação decorra de disposição expressa em lei. É, também, denominado
sujeito passivo indireto.

Corroborando esse conceito, o art. 128 do CTN, ao disciplinar as


disposições gerais sobre a responsabilidade tributária, assevera que a lei pode
atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira
pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação.

Mas por que eu estou recordando os conceitos estudados no Direito


Tributário, se o nosso curso é exclusivo de Legislação Tributária? Nunca se
esqueça de que a legislação específica do IPI deve respeitar as normas
gerais de Direito Tributário, estampadas no CTN.

Colega concurseiro(a), esse assunto é mais um dos que, aparentemente,


seriam de mera “decoreba”. Vou tentar desmistificar isso e tornar sua
memorização mais fácil possível. Tudo bem?

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O tema responsabilidade tributária compreende os arts. 25 a 30 do RIPI.


Para tornar o curso mais didático, faremos algumas subdivisões tal como está
no RIPI:

 Responsáveis;
 Responsável como contribuinte substituto;
 Responsáveis solidários;
 Responsáveis por infração;

2.1 - Responsáveis

Antes de iniciarmos o estudo dos responsáveis pelo pagamento do


Imposto sobre os Produtos Industrializados, é importante ensinar a você o
seguinte macete: todos os casos de responsabilidade tributária deste
tópico se referem a algum descumprimento de condições ou de
obrigações acessórias. Fique ligado nisso, e a memorização se tornará bem
mais simples.

Tudo o que vamos ver aqui se refere ao art. 25 do RIPI. Para não tornar
a aula cansativa, vou citar um responsável e explicá-lo, e assim
sucessivamente, até que tenhamos abordado tudo o que for necessário!
Fechado?

Vamos lá!

É responsável o transportador, em relação aos produtos tributados que


transportar, desacompanhados da documentação comprobatória de sua
procedência (RIPI, art. 25, I).

Os transportadores só podem realizar o transporte de produtos


devidamente acompanhados dos documentos fiscais exigidos pelo RIPI. Caso
contrário, tornam-se responsáveis pelo pagamento do IPI, apenas em
relação aos produtos tributados que transportar, o que nos parece
bastante óbvio, não é mesmo? Se os produtos não forem tributados, não
há que se falar em responsabilidade pelo IPI devido.

Tal responsabilidade decorre da seguinte proibição prevista no art. 323


do RIPI:

Art. 323. Os transportadores não podem aceitar despachos ou efetuar


transporte de produtos que não estejam acompanhados dos
documentos exigidos neste Regulamento.

Destaque-se que a proibição se estende aos casos de manifesto


desacordo dos volumes com sua discriminação nos documentos, de falta de
discriminação ou de descrição incompleta dos volumes que impossibilite ou
dificulte a sua identificação, e de falta de indicação do nome e endereço do
remetente e do destinatário (RIPI, art. 323, par. único).

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Há, também, previsão de responsabilidade pessoal do transportador


pelo extravio de documentos que lhes tenham sido entregues pelos
remetentes dos produtos (RIPI, art. 324).

Responsabilidade do Transportador

 Responsável, se os produtos estiverem


desacompanhados de documentação.
 Responsável pessoal pelo extravio dos documentos
entregues pelo remetente.

É responsável o possuidor ou detentor, em relação aos produtos tributados


que possuir ou mantiver para fins de venda ou industrialização, quando
desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência
(RIPI, art. 25, II).

É obrigação do possuidor ou detentor (fabricantes, comerciantes e


depositários) de produtos tributados examinar se eles estão acompanhados
dos documentos exigidos e se estes satisfazem todos os ditames do
RIPI, conforme prevê o art. 327 deste Regulamento:

Art. 327. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou


adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego
ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou
isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou
marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle,
bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se
estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento.

Observação: A rotulagem e a marcação de produtos, bem como a aplicação


dos selos de controles são obrigações acessórias a serem estudadas em outra
aula.

Reforçando o disposto no art. 25, II, do RIPI, o § 3º, do art. 327,


assevera que na falta de documento fiscal que comprove a procedência do
produto, entre outras exigências estabelecidas no RIPI, não poderá o
destinatário recebê-lo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do
imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis.

Antes de continuarmos, é importante dizer que, nos


casos previstos no art. 25, I e II, do RIPI, não fica
excluída a responsabilidade por infração do
contribuinte quando este for identificado.

É responsável o estabelecimento comercial atacadista de produtos sujeitos ao


regime de que trata a Lei no 7.798, de 1989 (bebidas quentes), que possuir

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ou mantiver produtos desacompanhados da documentação comprobatória de


sua procedência, ou que deles der saída. (RIPI, art. 25, IX).

Trata-se do caso caso análogo ao anterior, contudo, é aplicável ao


atacadista dos produtos listados nos anexos da Lei 7.798/89, que são,
basicamente, as bebidas quentes.

Quanto a este ponto, é relevante citarmos a edição da Lei 13.241/2015,


que, em seu art. 5º estabelece regra semelhante:

Art. 5º Sujeita-se ao pagamento do IPI, na condição de responsável, o


estabelecimento comercial atacadista que possuir ou mantiver produtos
de que trata o art. 1º desacompanhados da documentação
comprobatória de sua procedência ou que a eles der saída.

A razão desse novo dispositivo é que o regime de tributação das bebidas


quentes sofreu alteração por esta norma. Anteriormente, tais produtos eram
tributados com base em alíquotas específicas. A partir da Lei 13.241/2015, a
tributação passou a ocorrer de forma semelhante aos demais produtos, isto é,
com base na alíquota ad valorem.

De qualquer modo, segundo tal regra, torna-se responsável o atacadista


desses produtos que os possuir ou mantiver, sem documentação
comprobatória de sua procedência, ou, ainda, que deles der saída.

É responsável o estabelecimento adquirente de produtos usados cuja origem


não possa ser comprovada pela falta de marcação, se exigível, de documento
fiscal próprio ou do documento a que se refere o art. 372 (RIPI, art. 25,
III).

O estabelecimento adquirente de produtos usados também deve tomar


algumas cautelas, para que não venha se tornar responsável pelo IPI devido.
Desse modo, cabe a ele exigir o documento fiscal próprio ou o recibo do
vendedor ou transmitente, conforme preceitua o art. 372 do RIPI:

Art. 372. Os estabelecimentos que adquirirem, de particulares, produtos


usados, assim compreendidos também os recebidos em troca ou como
parte de pagamento de outros, exigirão recibo do vendedor ou
transmitente, de que constem o seu nome e endereço, número de
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF, do Ministério da Fazenda,
o número e nome da repartição expedidora de sua carteira de
identidade, bem como a descrição minuciosa e o preço ou valor de
cada objeto.

É responsável o proprietário, o possuidor, o transportador ou qualquer outro


detentor de produtos nacionais, do Capítulo 22 (bebidas) e do Código
2402.20.00 (cigarros) da TIPI, saídos do estabelecimento industrial com

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imunidade ou suspensão do imposto, para exportação, encontrados no País


em situação diversa, salvo se em trânsito, quando:
a) destinados a uso ou consumo de bordo, em embarcações ou aeronaves de
tráfego internacional, com pagamento em moeda conversível;
b) destinados a lojas francas, em operação de venda direta;
c) adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de
exportação, e remetidos diretamente do estabelecimento industrial para
embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem
da adquirente; ou
d) remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o
despacho aduaneiro de exportação; (RIPI, art. 25, IV).

Veja que o proprietário, o possuidor, o transportador ou qualquer outro


detentor tornam-se responsáveis pelas bebidas e cigarros nacionais que
saíram com imunidade ou suspensão de IPI, destinados à exportação,
mas que foram encontrados no País em situação diversa.

É importante memorizar as quatro exceções previstas nas alíneas “a” a


“d”. Não é difícil, já que todos eles estão relacionados a operações
internacionais: consumo de bordo, lojas francas, empresa comercial
exportadora (ECE) e recintos alfandegados. Guarde essa palavras-
chave!

São responsáveis os estabelecimentos que possuírem produtos tributados ou


isentos, sujeitos a serem rotulados ou marcados, ou, ainda, ao selo de
controle, quando não estiverem rotulados, marcados ou selados (RIPI, art.
25, V).

Havíamos dito que os casos de responsabilidade deste tópico se referem


ao descumprimento de condições ou de obrigações acessórias. No que se
refere a este dispositivo, trata-se de descumprimento de obrigações
acessórias, estabelecidas pela legislação tributária para alguns produtos.

Há produtos que estão sujeitos a serem rotulados, marcados ou


selados. Se não o forem, os estabelecimentos que os possuírem
tornam-se responsáveis pelo IPI devido.

Frisemos, pois, a redação do art. 327 do RIPI:

Art. 327. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou


adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego
ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou
isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente
rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos
ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos
documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste
Regulamento.

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São responsáveis os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver


condicionada a imunidade, a isenção ou a suspensão do imposto. (RIPI, art.
25, VI).

A imunidade, a isenção ou a suspensão do imposto são espécies de


benefícios fiscais que podem estar condicionados a certas normas, requisitos
ou finalidades. Aquele que, porventura, desatender às condições
prescritas torna-se responsável pelo IPI que deixaria de ser pago.

É responsável a empresa comercial exportadora, em relação ao imposto que


deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos
produtos por ela adquiridos com o fim específico de exportação, nas hipóteses
em que:
a) tenha transcorrido 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda
pelo estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação;
b) os produtos forem revendidos no mercado interno; ou
c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos; (RIPI, art. 25, VII)

Observação: Imagino que você deve estar “curioso” para saber o que vem a
ser uma empresa comercial exportadora. Trata-se de empresa que
adquire mercadorias no mercado interno com o fim específico de exportá-las.
As vendas efetuadas para tais empresas gozam do mesmo benefício fiscal
aplicável às exportações efetivas, já que há um compromisso de posterior
exportação.

Com base na observação feita acima, não fica difícil de entender a


responsabilidade que as empresas comerciais exportadoras possuem em
relação aos produtos de sua propriedade, adquiridos com o fim específico
de exportação.

Se tais empresas gozam do benefício fiscal relativo à exportação desde a


aquisição das mercadorias no mercado interno, é natural que tenham certo
prazo para exportá-las. Se transcorrer o prazo de 180 dias, sem efetivar a
exportação, tornam-se responsáveis pelo pagamento do IPI.

São responsáveis igualmente pelo IPI relativo aos produtos que seriam
destinados a exportação, mas que foram revendidos no mercado interno, ou
mesmo na hipótese de haver destruição, furto ou roubo de tais produtos.

Pelo visto, o mais difícil aqui seria gravar o prazo de 180 dias, pois as
demais regras são consequência do modelo de negócios e da fruição
do benefício fiscal a que tais empresas fazem jus.

É responsável a pessoa física ou jurídica que não seja empresa jornalística ou


editora, em cuja posse for encontrado o papel, destinado à impressão de
livros, jornais e periódicos. (RIPI, art. 25, VIII).

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Nós aprendemos que a imunidade do papel é condicionada. Assim, se o


papel for utilizado na impressão dos livros, jornais ou periódicos, não haverá
qualquer incidência de IPI sobre ele. Contudo, se houver descumprimento da
referida condição, incide o IPI.

Vimos também que o contribuinte, neste caso, são as seguintes pessoas:

 A empresa que tinha por finalidade a impressão de livro, jornal ou


periódico, mas que acabou utilizando o papel para outros fins;
 A empresa fabricante, importadora ou distribuidora do papel imune
quando o remete a outra empresa que não seja jornalística ou
editora.

Uma das hipóteses de contribuinte é a empresa que utiliza o papel imune


para outros fins. A outra hipótese é a empresa que remete o papel imune a
outra empresa que não seja jornalística.

Em relação a essa última hipótese, o dispositivo objeto de nossa análise


neste momento (art. 25, VIII) afirma que é responsável a pessoa física ou
jurídica que não seja empresa jornalística ou editora, em cuja posse
for encontrado o papel imune.

Sendo assim, quem remete o papel imune a outra empresa que não seja
jornalística ou editora é contribuinte do IPI, ao passo que aquele em cuja
posse for encontrado o papel imune é responsável pelo referido imposto.

Fazendo uma ligeira alusão aos conceitos de contribuinte e responsável,


sabemos que o primeiro é a pessoa que possui relação pessoa e direta com o
fato gerador da obrigação tributária.

Relativamente ao caso em análise, dispõe o art. 36, VIII, do RIPI, que se


considera ocorrido o fato gerador na “saída do fabricante, do importador
ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que não
sejam empresas jornalísticas ou editoras”.

Ora, é evidente, portanto, que quem pratica o fato gerador é o


contribuinte, ou seja, o remetente do papel imune para outra empresa
que não seja jornalística ou editora. Por outro lado, tais empresas que
mantém a posse do papel são consideradas responsáveis, por terem
sido eleitas pela lei como tal.

Professor, quem efetivamente vai pagar o imposto, o contribuinte


(remetente) ou o responsável (destinatários)?

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Embora o RIPI não tenha sido expresso, a sua base legal, o art. 40, par.
Único, da Lei 9.532/97, prevê que há responsabilidade solidária entre ambos.
Vejamos a redação do dispositivo:

Art. 40:
(...)
Parágrafo único. Responde solidariamente pelo imposto e
acréscimos legais a pessoa física ou jurídica que não seja
empresa jornalística ou editora, em cuja posse for encontrado o
papel a que se refere este artigo.

Por fim, no que se refere aos responsáveis citados no art. 25, X, XI e XII,
do RIPI, trata-se de situações relativas aos estabelecimentos equiparados a
industrial, cujo estudo adiaremos para um momento específico, por se tratar
de regime específico para as bebidas frias, como água, cerveja e refrigerante.
Portanto, por ora, ficamos com o que foi estudado.

2.2 - Responsável como contribuinte substituto

O responsável tributário, como foi visto, é a pessoa a quem a lei atribui a


responsabilidade pelo pagamento do IPI. Sabe-se também que tal pessoa deve
estar de algum modo vinculada ao fato gerador da obrigação tributária.

No que se refere à responsabilidade por substituição, o art. 26 do RIPI


estabelece que é responsável por substituição o industrial ou equiparado a
industrial, mediante requerimento, em relação às operações anteriores,
concomitantes ou posteriores às saídas que promover, respeitado o que
for estabelecido pela Receita Federal.

INÉDITA/2017
De acordo com o RIPI, é responsável por substituição
o industrial ou equiparado a industrial, mediante
requerimento, em relação às operações anteriores,
concomitantes ou posteriores às saídas que
promover.
Gabarito: Correta

Vamos entender melhor: a pessoa que queira se tornar responsável deve


formular requerimento à RFB, para assumir o imposto devido em operações
anteriores, concomitantes ou que ainda hão de ocorrer.

Quando o responsável arca com imposto devido em relação a operação


anterior, ocorre a denominada substituição tributária regressiva ou para
trás, está ocorrendo o diferimento do pagamento do IPI. Veja que é bem
lógico: se uma pessoa se responsabiliza pelo imposto que deveria ter sido pago
em operação anterior, ocorre a postergação do pagamento do tributo.

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Observação: Na sistemática da substituição progressiva ou para frente,


ocorre exatamente o oposto: uma pessoa assume a responsabilidade de
pagar o IPI que será devido em operação posterior. Não vem ao caso
estudarmos tal modalidade, pelos motivos expostos a seguir.

Não obstante o RIPI tenha permitido tanto a substituição progressiva


como a regressiva, apenas esta foi regulamentada pela RFB, nos termos
da Instrução Normativa RFB 1.081/2010.

Art. 2 º Para efeito desta Instrução Normativa, considera-se:

I - contribuinte substituto, o estabelecimento industrial ou equiparado


a industrial que recebe produtos saídos do estabelecimento substituído
com suspensão do IPI; e

II - contribuinte substituído, o estabelecimento industrial ou


equiparado a industrial que dá saída a produtos, com suspensão do IPI,
para o contribuinte substituto.

Observação: Antes de qualquer explicação, uma informação deve ficar


bastante clara: substituto é quem vai pagar o IPI, e substituído é aquele que
deixa de pagar o IPI.

Nós já aprendemos que o conceito de contribuinte não se confunde com


o de responsável. No entanto, o RIPI e a própria IN RFB 1.081/2010
denominaram impropriamente o responsável de “responsável como
contribuinte substituto”. Bastante estranho, não? Bom, o que importa é
entendermos o que vem a seguir.

O art. 2º da referida instrução normativa estabelece que o responsável


(contribuinte substituto) é o estabelecimento industrial ou equiparado a
industrial que recebe os produtos saídos do estabelecido substituído com
suspensão de IPI.

Ora, se o responsável é aquele que recebe, está assumindo imposto


devido em operação anterior (que foi amparada por suspensão do IPI),
ocorrendo, portanto, a substituição tributária regressiva, ou melhor, a
postergação do pagamento do IPI.

Da redação desse dispositivo, podemos inferir que a Receita Federal


somente adotou a substituição regressiva, pois conceituou o responsável
apenas como sendo aquele que se posiciona em etapa posterior na
cadeia de produção e distribuição.

Com base nesse regime, o que ocorre é a saída dos produtos do


estabelecimento do contribuinte substituído, com destino ao
estabelecimento do contribuinte substituto (o responsável), com
suspensão do IPI devido.

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Sendo assim, se por um lado o substituído deixa de pagar o IPI, por


outro lado, o substituto não pode creditar de qualquer valor, quando da
entrada dos produto em seu estabelecimento, já que nada foi pago na
etapa anterior.

Nessa linha é a redação do art. 13, § 2º, da IN RFB 1.081/2010, segundo


a qual “o valor do IPI suspenso não poderá ser utilizado como crédito
do imposto”.

Imagino que, após entender os conceitos, você esteja interessado em


conhecer a aplicação prática dessa sistemática, não é mesmo? Vamos
relembrar do nosso exemplo da indústria de motos da aula passada!

A indústria de peças venda seus produtos pelo preço de R$ 1.500,00 à


indústria de motos, que, por sua vez, revende a moto à concessionária por R$
2.500,00. Em ambas operações, a incidência do IPI ocorre com base na
alíquota de 10%.

Não havendo a sistemática da substituição tributária, a incidência


ocorreria da seguinte maneira:

REGRA GERAL DE TRIBUTAÇÃO


INCIDÊNCIA ALÍQUOTA PREÇO DE VENDA IMPOSTO DEVIDO
Incidência 1 10% R$ 1.500,00 R$ 150,00 (PAGO)
R$ 250,00 – R$ 150,00
Incidência 2 10% R$ 2.500,00
= R$ 100,00 (PAGO)
TOTAL: R$ 250,00

Observação: A Incidência 1 se refere à saída da indústria de peças com


destino à indústria de motos. A Incidência 2, por seu turno, refere-se à saída
da indústria de motos, com destino à concessionária.
Repare que a indústria de motos pôde creditar o IPI pago na
operação anterior.

Diferentemente do que ocorreu na tabela acima, se a opção tivesse sido


pela substituição tributária, o pagamento do IPI sobre tais operações ocorreria
da seguinte maneira:

SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA REGRESSIVA


INCIDÊNCIA ALÍQUOTA PREÇO DE VENDA IMPOSTO DEVIDO
Incidência 1 10% R$ 1.500,00 R$ 150,00 (SUSPENSO)
Incidência 2 10% R$ 2.500,00 R$ 250,00 (PAGO)
TOTAL: R$ 250,00

Observação: Somente na regra geral de tributação a indústria de motos


teria direito ao crédito de IPI, por ter havido pagamento do referido imposto
na etapa anterior. No regime de substituição tributária, por ter havido
suspensão, não há possibilidade de se creditar do IPI devido, mas não pago.

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Ora, se o IPI é um tributo indireto, sendo o seu ônus repassado ao elo


posterior da cadeia de industrialização e comercialização dos produtos, a
indústria de motos não se creditou do IPI, mas também não sofreu o ônus
quando da aquisição. Na prática, o valor pago não se altera.

O que eu quero que você entenda é que, independentemente da


aplicação ou não do regime da substituição tributária, o valor recolhido aos
cofres públicos a título de IPI foi de R$ 250,00. Do mesmo modo, a indústria
de moto, na substituição tributária, não é prejudicada, porque o valor a maior
pago (R$ 250,00) será incluído no preço ao consumidor, de forma que, quem
efetivamente arca com este valor, é o consumidor final do produto.

Feitas tais considerações, observe que a substituição tributária não reduz


o valor a ser pago de imposto, não podendo ser considerada um benefício
fiscal.

Imagine agora que a indústria de motos, em vez de vender seus


produtos para as concessionárias, promove a exportação deles. Como
sabemos, o art. 153, § 3º, III, imunizou as operações de exportação do IPI.

Se não houvesse previsão de substituição tributária, a indústria de motos


iria acumular altos volumes de créditos de IPI. No entanto, estando amparada
pelo referido regime, ao adquirir as mercadorias da indústria de peças, não irá
registrar crédito de IPI. Posteriormente, ao exportar as motos, não haverá
saldo de créditos, nem de débitos (em decorrência da imunidade).

Agora que você já entendeu a essência da responsabilidade por


substituição, relativa ao IPI, vamos incrementar o estudo desse tema,
abordando alguns detalhes previstos na IN RFB 1.081/2010, que podem ser
objeto de provas da ESAF!

Art. 3 º A concessão, a alteração, o cancelamento e a cassação de


regime especial de substituição tributária competem ao Superintendente
Regional da Receita Federal do Brasil da jurisdição do contribuinte
substituto.

Como havíamos dito, a concessão do regime especial de substituição


tributária ocorre mediante requerimento, sendo que a concessão, a alteração,
o cancelamento e a cassação do referido regime competem ao
Superintendente da Receita Federal do Brasil da jurisdição do
contribuinte substituto (o responsável).

Ademais, embora a concessão do regime seja sempre mediante


requerimento, isto é, a pedido, a alteração pode ser feita de ofício ou a
pedido. O cancelamento, por sua vez, sempre é promovido a pedido.
Ademais, a cassação, obviamente, ocorre de ofício (IN RFB 1.081/2010,
arts. 9º e 10).

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Por fim, uma informação de extrema relevância é a não aplicação do


referido regime ao IPI incidente sobre o desembaraço aduaneiro dos produtos
industrializados de procedência aduaneira, como se observa no art. 17 da
supracitada instrução normativa:

Art. 17. O regime especial de substituição tributária não se aplica ao


IPI devido no desembaraço aduaneiro de produtos de
procedência estrangeira.

2.3 – Responsáveis Solidários

Inicialmente, devemos nos lembrar do conceito de solidariedade no


Direito Tributário, que nada mais é do que a existência de mais de um
devedor em uma mesma obrigação tributária.

Uma característica marcante na solidariedade é que não há benefício


de ordem (CTN, art. 124, par. único). Isso significa que o fisco pode exigir
a dívida integralmente de qualquer um dos devedores solidários, sem
seguir qualquer ordem.

Consoante o disposto no art. 124 do CTN, a solidariedade pode decorrer


do interesse comum das pessoas na situação que constitua o fato gerador da
obrigação tributária ou da expressa disposição legal.

Nessa esteira, o RIPI consolidou algumas leis que estabeleceram a


responsabilidade solidária de determinadas pessoas em relação ao IPI. Vamos
ver cada uma das hipóteses previstas neste Regulamento:

É solidariamente responsável o contribuinte substituído, na hipótese do art.


26, pelo pagamento do imposto em relação ao qual estiver sendo substituído,
no caso de inadimplência do contribuinte substituto (RIPI, art. 27, I).

Trata-se da responsabilidade por substituição tributária, estudada no


tópico anterior. O que o art. 27, I, do RIPI, estabelece é que o substituído
(aquele que deixou de pagar) torna-se solidariamente responsável com o
substituto (aquele que deveria pagar), em caso de inadimplência deste.

“Mas professor, o substituído só será responsável se o substituto não


pagar. Você havia dito que a solidariedade não comporta benefício de ordem.”

De fato, não há benefício de ordem. Vamos entender melhor! Caso o


substituto não pague o tributo, cabe à União cobrar do substituto ou do
substituído, sem qualquer benefício de ordem, conforme a essência da
solidariedade.

É solidariamente responsável o adquirente ou cessionário de mercadoria


importada beneficiada com isenção ou redução do imposto pelo seu
pagamento e dos acréscimos legais (RIPI, art. 27, II).

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Na legislação aduaneira, há situações em que a isenção ou redução do


IPI pode estar relacionada à qualidade do importador. Sendo assim, se este
decide transferir a propriedade ou ceder os produtos importados a outra
pessoa que não goze do benefício fiscal, pode ocorrer de ter de pagar o IPI,
hipótese em que o adquirente ou cessionário responderá
solidariamente com o importador.

É solidariamente responsável o adquirente de mercadoria de procedência


estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por
intermédio de pessoa jurídica importadora, pelo pagamento do imposto e
acréscimos legais (RIPI, art. 27, III).

Nós já estudamos que o estabelecimento comerciante, seja atacadista ou


varejista, que adquirir produtos de procedência estrangeira, importados por
sua conta e ordem, torna-se equiparado a estabelecimento industrial. Portanto,
ao promover a saída de tais produtos do seu estabelecimento, haverá
incidência do IPI.

Não custa dizer que, em relação a essa incidência, o estabelecimento


equiparado a industrial, como previsto no art. 24, III, do RIPI, é contribuinte
do IPI, possuindo relação pessoa e direta com o fato gerador.

Além disso, foi estabelecido no art. 27, III, do RIPI, que tal
estabelecimento é solidariamente responsável pelo IPI devido na
importação. Como já estudamos, neste caso, o contribuinte é o
importador.

É solidariamente responsável o encomendante predeterminado que adquire


mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora, na
operação a que se refere o § 3º do art. 9º, pelo pagamento do imposto e
acréscimos legais (RIPI, art. 27, IV).

Semelhantemente ao que foi visto na hipótese anterior, o que foi


estabelecido no art. 27, IV, do RIPI, é que o estabelecimento
encomendante, tal como aquele que importa por sua conta e ordem, é
solidariamente responsável pelo IPI devido na importação. Como já
estudamos, neste caso, o contribuinte é o importador.

É solidariamente responsável o estabelecimento industrial de produtos


classificados no Código 2402.20.00 da TIPI (cigarros), com a empresa
comercial exportadora, na hipótese de operação de venda com o fim
específico de exportação, pelo pagamento do imposto e dos respectivos
acréscimos legais, devidos em decorrência da não efetivação da exportação
(RIPI, art. 27, V).

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Nós estudamos que a empresa comercial exportadora (ECE) é


responsável pelo imposto devido, em relação aos produtos cuja exportação não
foi efetivada.

A fim de fortalecer a garantia do recebimento do imposto devido, no caso


específico dos cigarros, o legislador responsabilizou solidariamente o
estabelecimento industrial, isto é, quem fabricou os cigarros que iriam
ser exportados.

Conforme prevê o § 2º, do art. 27, do RIPI, o dispositivo que acabamos


de explicar é também aplicável aos produtos destinados a uso ou
consumo de bordo, em embarcações ou aeronaves em tráfego
internacional, inclusive por meio de ship's Chandler.

Assim, se ao cigarro que seria destinado a uso ou consumo de bordo, em


embarcações em tráfego internacional, lhe for dado destino diverso, o ship´s
chander é solidariamente responsável com o estabelecimento que
fabricou os cigarros.

Observação: Ship´s chandler é a empresa especializada em provisões de


bordo.

É solidariamente responsável o encomendante de produtos sujeitos ao regime


de que trata a Lei 7.798, de 1989 (bebidas quentes), com o
estabelecimento industrial executor da encomenda, pelo cumprimento da
obrigação principal e acréscimos legais (RIPI, art. 27, VI).

A ideia aqui é garantir o cumprimento da obrigação tributária, tendo em


vista a aplicação de alíquotas mais elevadas a esses produtos. Dessa forma, o
encomendante é solidariamente responsável com o executor da encomenda
(estabelecimento industrial).

É solidariamente responsável o encomendante dos produtos sujeitos ao


imposto conforme os regimes de tributação de que tratam os arts. 222 e 223
(águas, cervejas e refrigerantes) com o estabelecimento industrial
executor da encomenda, pelo imposto devido nas formas estabelecidas nos
mesmos artigos (RIPI, art. 27, VIII).

Trata-se da mesma lógica do dispositivo anterior (art. 27, VI), sendo


aplicável a produtos, como águas, cervejas e refrigerantes. A tributação desses
produtos será estudada em momento oportuno.

É solidariamente responsável o beneficiário de regime aduaneiro suspensivo


do imposto, destinado à industrialização para exportação, pelas obrigações
tributárias decorrentes da admissão de mercadoria no regime por outro
beneficiário, mediante sua anuência, com vistas na execução de etapa da
cadeia industrial do produto a ser exportado (RIPI, art. 27, VII).

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A redação desse inciso é um pouco complexa. Trata-se de situação em


que há dois estabelecimento beneficiários de regime aduaneiro especial, sendo
que um deles realizada uma admissão de mercadoria estrangeira, com
objetivo de ser aplicada em processo industrial de produto a ser
posteriormente exportado.

São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua


administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os
diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado,
pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no
prazo legal (RIPI, art. 28).

Dispõe o art. 28 do RIPI que os acionistas controladores e os


diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito
privado são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo da obrigação
tributária relativa ao IPI, pelos créditos decorrentes do não recolhimento
do IPI dentro do prazo.

O STJ entendeu, no julgamento do AgRg no Ag 710.747/RS, que a


responsabilidade do sócio pelo não recolhimento do IPI só é cabível se ficar
demonstrado que este agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou
ao contrato social.

Não obstante, se o tema for cobrado na prova de Legislação Tributária, é


mais sensato seguir o dispositivo, salvo se a banca solicitar a jurisprudência
do STJ.

São solidariamente responsáveis os curadores quanto ao imposto que deixar


de ser pago, em razão da isenção de que trata o inciso IV do art. 55 (RIPI,
art. 29).

Trata-se da isenção sobre os automóveis de passageiros de fabricação


nacional, na hipótese de aquisição por pessoas portadoras de deficiência física
visual, mental severa, ou autistas.

A princípio, soa estranho responsabilizar os curadores pelo imposto que


deixou de ser pago, tendo em vista se tratar de caso de isenção. Contudo, o
dispositivo é aplicável aos casos em que o veículo é alienado a outras pessoas
que não fazem jus à isenção. Se isso ocorrer, o IPI deve ser pago pelo
portador de deficiência, respondendo solidariamente os curadores.

A fim de tornar mais clara a compreensão dessa hipótese de


responsabilidade solidária, transcrevo a seguir a literalidade do art. 59 do RIPI:

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Art. 59 - A alienação do veículo adquirido nos termos desta Seção, antes


de dois anos contados da data da sua aquisição, a pessoas que
não satisfaçam às condições e aos requisitos estabelecidos nos
referidos diplomas legais acarretará o pagamento pelo alienante do
tributo dispensado, atualizado na forma da legislação tributária.

Parágrafo único - A inobservância do disposto neste artigo sujeita ainda o


alienante ao pagamento de multa e juros moratórios previstos na
legislação em vigor para a hipótese de fraude ou falta de pagamento do
imposto devido.

2.4 – Responsável por Infrações

No tocante à responsabilidade por infrações, o RIPI dispôs o seguinte:

Art. 30. Na hipótese dos incisos III e IV do art. 27, o adquirente de


mercadoria de procedência estrangeira responde conjunta ou
isoladamente pela infração.

Observação: Os incisos III e IV, do art. 27, do RIPI, tratam da


responsabilidade solidária do o adquirente de mercadoria de procedência
estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem e do
encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência
estrangeira de pessoa jurídica importadora.

A pergunta que se faz neste momento é: a que infrações o RIPI está se


referindo? Como os responsáveis são pessoas que possuem relação com
operações de importação de produtos estrangeiros, não restam dúvidas de que
as infrações mencionadas no art. 30 do RIPI são aquelas previstas na
legislação aduaneira.

O Decreto-Lei 37/1966 conceitua infração:

Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou


involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou
jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento
ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los.

A título de complementação, de acordo com o Decreto 6.759/2009


(Regulamento Aduaneiro), as infrações à legislação aduaneira são punidas com
as seguintes espécies de penalidades:

Art. 675. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis


separada ou cumulativamente:

I - perdimento do veículo;

II - perdimento da mercadoria;

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III - perdimento de moeda;

IV - multa; e

V - sanção administrativa.

Diante do exposto, fica fácil perceber as infrações a que o adquirente e o


encomendante estão sujeitos, nos termos do art. 30, do RIPI.

Questão 15 – ESAF/AFRFB/2012

A empresa comercial exportadora, que adquirir produtos industrializados com


fim específico de exportação, é obrigada ao pagamento do IPI suspenso na
saída dos produtos do estabelecimento industrial, caso referidos produtos
venham a ser destruídos, furtados ou roubados.

Comentário: O art. 25, a, do RIPI estabelece que a empresa comercial


exportadora é responsável pelo IPI que deixou de ser pago na saída do
estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela adquiridos com o fim
específico de exportação, caso venha ocorrer a destruição, o furto ou roubo de
tais produtos. Questão correta.

Questão 16 – ESAF/TRF/2000

Segundo o vigente Regulamento do IPI, é o obrigado ao pagamento do


imposto como responsável:
a) o transportador, em relação aos produtos tributados que transportar
desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência.
b) o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço
aduaneiro de produto de procedência estrangeira.
c) o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que
industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos
geradores decorrentes de atos que praticar.
d) o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo
aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores
decorrentes de atos que praticar.
e) quem consumir ou utilizar em outra finalidade, ou remeter a pessoas que
não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão
de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade.

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Comentário: É difícil memorizar todos os responsáveis elencados no art. 25


do RIPI. No entanto, nem sempre isso é necessário, como é o caso desta
questão.

Analisando as alternativas, podemos verificar que apenas a letra A não se


refere a uma modalidade de contribuinte do IPI. Nesse caso, quem é o
responsável? Só pode ser esta alternativa. Acompanhe os comentários abaixo.

Alternativa A: Conforme o art. 25, I, do RIPI, trata-se de responsável pelo


IPI. Item correto.

Alternativa B: Embora também seja sujeito passivo do IPI, o importador, na


condição determinada por essa alternativa, é contribuinte do IPI (RIPI, art. 24,
I). Item errado.

Alternativa C: Da mesma forma que a alternativa B, o industrial também é


considerado contribuinte do IPI, conforme prevê o art. 24, II, do RIPI. Item
errado.

Alternativa D: Da mesma forma que a alternativa B e C, o estabelecimento


equiparado a industrial também é considerado contribuinte do IPI, nos termos
do art. 24, III, do RIPI. Item errado.

Alternativa E: quem consumir ou utilizar em outra finalidade, ou remeter a


pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à
impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade, é
contribuinte do IPI, conforme preceitua o art. 24, IV, do RIPI. Item errado.

Gabarito: A

Questão 17 – INÉDITA/2017

Os transportadores são pessoalmente responsáveis pelo extravio dos


documentos que lhes tenham sido entregues pelos remetentes dos produtos.

Comentário: Conforme prevê o art. 324 do RIPI, os transportadores são


pessoalmente responsáveis pelo extravio de documentos. Questão correta.

Questão 18 – INÉDITA/2017

São responsáveis os estabelecimentos que possuírem produtos tributados ou


isentos, sujeitos a serem rotulados ou marcados, ou, ainda, ao selo de
controle, quando não estiverem rotulados, marcados ou selados.

Comentário: Trata-se da literalidade do art. 25, V, do RIPI. Questão correta.

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Questão 19 – ESAF/ATRFB/2012

São responsáveis solidários pelo pagamento do Imposto sobre Produtos


Industrializados
a) os possuidores ou detentores, em relação os produtos tributados que
possuírem ou mantiverem para fins de venda ou industrialização,
acompanhados ou não de documentação comprobatória de sua procedência.
b) os adquirentes de mercadorias de procedência estrangeira, no caso de
importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica
importadora.
c) os transportadores em relação aos produtos tributados que transportarem,
acompanhados ou não de documentação comprobatória de sua procedência.
d) os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a
pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à
impressão de livros, mesmo que não alcançado pela imunidade prevista no art.
150 da Constituição Federal.
e) os estabelecimentos equiparados a industrial, quanto aos fatos geradores
relativos aos produtos que deles saírem, bem como quanto aos demais fatos
geradores decorrente de atos que sejam por eles praticados.

Comentário:

Alternativa A: Os possuidores e detentores, na situação apresentada, seriam


apenas responsáveis (não são responsáveis solidários), caso os produtos
estivessem desacompanhados de documentação comprobatória de sua
procedência. Pode-se dizer, então, que a questão contém dois erros. Item
errado.

Alternativa B: O adquirente de mercadorias de procedência estrangeira, no


caso de importação realizada por sua conta e ordem, é responsável solidário
pelo pagamento do imposto e acréscimos legais, segundo dispõe o art. 27, III,
do RIPI. Item correto.

Alternativa C: Semelhantemente ao que comentamos na Alternativa A, os


transportadores, na situação apresentada, seriam apenas responsáveis (não
são responsáveis solidários), caso os produtos estivessem desacompanhados
de documentação comprobatória de sua procedência. Pode-se dizer, então,
que a questão contém dois erros. Item errado.

Alternativa D: De acordo com o art. 24, IV, são contribuintes (não são
responsáveis solidários) do IPI os que consumirem ou utilizarem em outra
finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou
editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, quando
alcançado pela imunidade. Item errado.

Alternativa E: Os estabelecimentos equiparados a industrial são contribuintes


(não são responsáveis solidários), conforme determina o art. 24, III. Item
errado.

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Gabarito: Letra B

Questão 20 – INÉDITA/2017

É responsável a empresa comercial exportadora, em relação ao imposto que


deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos
produtos por ela adquiridos com o fim específico de exportação, desde que
tenha transcorrido o prazo de 360 dias da data da emissão da nota fiscal de
venda pelo estabelecimento industrial, sem que tenha sido efetivada a
exportação.

Comentário: O candidato deveria se lembrar do prazo que as empresas


comerciais exportadoras possuem para promover a exportação dos produtos
por ela adquiridos com o fim específico de exportação. O prazo é de 180 dias,
e não 360, como afirmado. Questão errada.

Questão 21 – INÉDITA/2017

É responsável pelo IPI a empresa fabricante, importadora ou distribuidora do


papel imune quando o remete a outra empresa que não seja jornalística ou
editora.

Comentário: De acordo com o art. 24, IV, os que remetem o papel imune a
outra empresa que não seja jornalística ou editora são considerados
contribuintes do IPI, e não responsáveis. Questão errada.

3 – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO

Provavelmente, você já deve ter estudado o tema “domicílio tributário”,


no Direito Tributário. Caso ainda não o tenha feito, não se preocupe, pois
veremos cada detalhe necessário para “sacar” tudo desse assunto. Tudo bem?

Inicialmente, devemos entender que o domicílio tributário é o local


onde as obrigações tributárias devem ser cumpridas. Isso significa que,
quando a autoridade administrativa lavra um auto de infração contra
determinado contribuinte, o seu domicílio tributário é o lugar onde ela irá
encontrá-lo, a fim de que tome ciência da autuação.

O mesmo raciocínio é aplicável no processo de execução fiscal. Ou seja,


quando o IPI, por exemplo, não é pago dentro do prazo legal, o Fisco promove
uma execução judicial, com o intuito de satisfazer coercitivamente o crédito
tributário. Nesse caso, o domicílio tributário será o lugar onde o contribuinte
será citado, para integrar o processo de execução.

Um aspecto relevante sobre o domicílio tributário é que não se confunde


com residência. O domicílio tributário é a sede jurídica, para fins de

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cumprimento de obrigações perante o Fisco. Já a residência diz respeito a


uma situação de fato, isto é, é o local onde determinada pessoa “mora”.

Domicílio tributário  Local estabelecido para


cumprimento de obrigações tributárias.

Residência  Local de moradia.

Vamos verificar, então, o que foi definido pelo RIPI como sendo o
domicílio tributário, no que se refere ao IPI. O local se distinguirá, conforme
vemos a seguir (RIPI, art. 32):

 Se for pessoa jurídica de direito privado, ou firma individual, o lugar do


estabelecimento responsável pelo cumprimento da obrigação tributária;
 Se for pessoa jurídica de direito público, o lugar da situação da
repartição responsável pelo cumprimento da obrigação tributária;
 Se for comerciante ambulante, a sede de seus negócios ou, na
impossibilidade de determinação dela, o local de sua residência habitual, ou
qualquer dos lugares em que exerça a sua atividade, quando não tenha
residência certa ou conhecida; ou
 Se for pessoa natural, mas não for comerciante ambulante, o local
de sua residência habitual ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro
habitual de sua atividade.

Observação 1: Quando não couber a aplicação das regras fixadas


acima, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou
responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou
fatos que deram origem à obrigação.

Observação 2: A autoridade administrativa pode recusar o domicílio


eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização
do tributo, aplicando-se então a regra do § 1º (lugar da situação dos
bens ou da ocorrência dos atos ou fatos).

Assim, percebe-se que, diante da impossibilidade de se aplicar as regras


acima definidas (para pessoas jurídicas de direito privado ou público ou para
pessoas naturais), o domicílio tributário do contribuinte ou responsável
é o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que
deram origem à obrigação.

Destaque-se também a possibilidade de a autoridade administrativa


recusar o domicílio eleito, desde que impossibilite ou dificulte a arrecadação ou
a fiscalização do IPI, sendo que o domicílio, neste caso, será o lugar da
situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram
origem à obrigação.

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Vamos esquematizar:

O domicílio impediu ou PJ de direito privado: lugar do estabelecimento


dificultou a fiscalização e responsável pelo cumprimento da obrigação.
arrecadação
PJ de direito público: lugar da situação da repartição
responsável pelo cumprimento da obrigação.
Ambulante: sede dos seus negócios ou local de sua
residência habitual ou, ainda, qualquer dos lugares onde
exerça sua atividade.
Autoridade Outras pessoas naturais: local de sua residência
administrativa recusa habitual, ou, centro habitual de sua atividade.
o domicílio eleito

Se for impossível

O domicílio será o local dos bens ou da ocorrência dos


atos ou fatos que deram origem à obrigação

Questão 22 – INÉDITA/2017

No que se refere ao cumprimento das obrigações tributárias referentes ao IPI,


o Decreto 7.212/2010 estabelece acerca do domicílio tributário do sujeito
passivo o seguinte, exceto:
a) Se comerciante ambulante, o domicílio deverá ser o local de sua residência
habitual, ou qualquer dos lugares em que exerça a sua atividade, quando não
tenha residência certa ou conhecida;
b) se pessoa jurídica de direito privado, ou firma individual, o domicílio será o
lugar do estabelecimento responsável pelo cumprimento da obrigação
tributária;
c) Se pessoa jurídica de direito público, o domicílio será o lugar da situação da
repartição responsável pelo cumprimento da obrigação tributária;
d) Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos
do art. 32 do RIPI, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou
responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos
que deram origem à obrigação.
e) A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando
impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-
se então a regra de que será considerado como domicílio tributário do
contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos
atos ou fatos que deram origem à obrigação.

Comentário: Embora se trate de uma questão um pouco extensa, perceba


que houve apenas cópia do texto da lei, sendo que, na Letra A, o erro está em

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mencionar, em primeiro lugar, que o domicílio do comerciante ambulante


deverá ser o local de sua residência habitual.

O correto seria dizer que o domicílio seria a sede dos seus negócios, ou o local
de sua residência habitual, ou qualquer dos lugares em que exerça a sua
atividade. Perceba que há uma ordem a ser seguida, e que somente se passa à
segunda ou terceira possibilidade caso as anteriores sejam impossíveis. Todas
as demais alternativas estão corretas. A alternativa errada é a Letra A.

Questão 23 – INÉDITA/2017

O domicílio tributário do contribuinte ou responsável se confunde com a sua


residência, ou seja, o local de moradia do sujeito passivo é necessariamente o
seu domicílio tributário.

Comentário: O domicílio tributário do contribuinte é o local estabelecido para


fins de cumprimento de obrigações perante o Fisco. Já a residência diz respeito
ao local de moradia da pessoa. Questão errada.

Questão 24 – INÉDITA/2017

A autoridade administrativa, sempre que julgar necessário, pode recusar o


domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo.

Comentário: Somente é permitido recusar o domicílio eleito pelo sujeito


passivo quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do
tributo. Questão errada.

Questão 25 – INÉDITA/2017

O domicílio tributário do sujeito passivo, para efeito de cumprimento das


obrigações tributárias relativas ao IPI, em nenhuma hipótese pode ser o lugar
da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à
obrigação.

Comentário: Quando não for possível a aplicação das regras previstas nos
incisos I a IV, do art. 32, do RIPI, considerar-se-á como domicílio tributário do
contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos
atos ou fatos que deram origem à obrigação. Questão errada.

Ficamos por aqui!

Um abraço e até o nosso próximo encontro.

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4 – LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA

Questão 01 – INÉDITA/2017

Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos importadores


de produtos de procedência estrangeira, ainda que não deem saída a esses
produtos.

Questão 02 – INÉDITA/2017

Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos exclusivamente


varejistas que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que
os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma.
==d8348==

Questão 03 – INÉDITA/2017

Se o estabelecimento comercial “A” encomenda uma industrialização ao


estabelecimento industrial “B”, remetendo a este matérias-primas necessárias
à fabricação dos produtos, pode-se afirmar que o estabelecimento comercial
“A” é equiparado a industrial.

Questão 04 – INÉDITA/2017

O estabelecimento “Y” importa computadores, sofrendo a incidência do IPI, por


ocasião do desembaraço aduaneiro. Posteriormente, esta empresa remete seus
produtos a outro estabelecimento “Z”, da mesma firma, para revendê-los aos
consumidores no varejo. Diante da situação apresentada, o estabelecimento
“Z” não é equiparado a industrial.

Questão 05 – INÉDITA/2017

De acordo com o Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI), considera-se


sujeito passivo do IPI, na qualidade de contribuinte os seguintes, exceto:
a) O importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço
aduaneiro de produto de procedência estrangeira;
b) O industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que
industrializar em seu estabelecimento, bem como quanto aos demais fatos
geradores decorrentes de atos que praticar;
c) O estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo
aos produtos que dele saírem, bem como quanto aos demais fatos geradores
decorrentes de atos que praticar;
d) O transportador, em relação aos produtos tributados que transportar,
desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência;
e) Os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a
pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à
impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade
prevista no inciso I do art. 18 do RIPI.

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Questão 06 – ESAF/TRF/2003

Para ser caracterizado como tal, o estabelecimento industrial deve


a) estar estabelecido em local apropriado, ou seja, na área industrial do
município.
b) exercer uma, ou mais, das operações a seguir: transformação,
beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento e
renovação ou restauração, e que destas operações resulte produto tributado,
ainda que de alíquota zero.
c) revender produtos industrializados por terceiros, na condição de
estabelecimento atacadista.
d) somente elaborar produtos com alíquota do IPI superior a 0% (zero por
cento).
e) importar produtos industrializados diretamente do exterior e dê saída a tais
produtos.

Questão 07 – ESAF/TRF/2000

Não se considera estabelecimento industrial o que executa operações de que


resulte produto tributado, quando a alíquota for zero.

Questão 08 – ESAF/TRF/2000

Não se equiparam a estabelecimento industrial os estabelecimentos


importadores de produtos de procedência estrangeira, que dêem saída a esses
produtos, se não realizam qualquer operação que modifique a natureza, o
funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou
o aperfeiçoe para consumo.

Questão 09 – ESAF/TRF/2000

Não se considera industrialização o preparo de produtos alimentares, não


acondicionados em embalagem de apresentação.

Questão 10 - ESAF/TRF/2002-1

Relativamente às cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16


de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum dos bens de
produção, recebidos de seus associados para comercialização, a legislação
sobre produtos industrializados as considera estabelecimentos:
a) equiparados à Industrial.
b) Industriais
c) Equiparados a importadores.
d) Equiparados à Industrial, por opção.
e) Comerciais.

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Questão 11 - ESAF/ATRFB/2012

São equiparados aos estabelecimentos industriais para fins de incidência do


Imposto sobre Produtos Industrializados os estabelecimentos que
comercializam produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro
estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles
efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens,
recipientes, moldes, matrizes ou modelos.

Questão 12 - ESAF/ATRFB/2012

São equiparados aos estabelecimentos industriais para fins de incidência do


Imposto sobre Produtos Industrializados os estabelecimentos, ainda que
varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição
que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma
firma.

Questão 13 - ESAF/ATRFB/2012

São equiparados aos estabelecimentos industriais para fins de incidência do


Imposto sobre Produtos Industrializados os estabelecimentos atacadistas e
cooperativas de produtores que derem saída a bebidas alcoólicas.

Questão 14 - INÉDITA/2017

Em função do princípio da autonomia dos estabelecimentos, pode-se dizer que


é considerado contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador,
industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato
que praticar.

Questão 15 – ESAF/AFRFB/2012

A empresa comercial exportadora, que adquirir produtos industrializados com


fim específico de exportação, é obrigada ao pagamento do IPI suspenso na
saída dos produtos do estabelecimento industrial, caso referidos produtos
venham a ser destruídos, furtados ou roubados.

Questão 16 – ESAF/TRF/2000

Segundo o vigente Regulamento do IPI, é o obrigado ao pagamento do


imposto como responsável:
a) o transportador, em relação aos produtos tributados que transportar
desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência.
b) o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço
aduaneiro de produto de procedência estrangeira.

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c) o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que


industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos
geradores decorrentes de atos que praticar.
d) o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo
aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores
decorrentes de atos que praticar.
e) quem consumir ou utilizar em outra finalidade, ou remeter a pessoas que
não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão
de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade.

Questão 17 – INÉDITA/2017

Os transportadores são pessoalmente responsáveis pelo extravio dos


documentos que lhes tenham sido entregues pelos remetentes dos produtos.

Questão 18 – INÉDITA/2017

São responsáveis os estabelecimentos que possuírem produtos tributados ou


isentos, sujeitos a serem rotulados ou marcados, ou, ainda, ao selo de
controle, quando não estiverem rotulados, marcados ou selados.

Questão 19 – ESAF/ATRFB/2012

São responsáveis solidários pelo pagamento do Imposto sobre Produtos


Industrializados
a) os possuidores ou detentores, em relação os produtos tributados que
possuírem ou mantiverem para fins de venda ou industrialização,
acompanhados ou não de documentação comprobatória de sua procedência.
b) os adquirentes de mercadorias de procedência estrangeira, no caso de
importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica
importadora.
c) os transportadores em relação aos produtos tributados que transportarem,
acompanhados ou não de documentação comprobatória de sua procedência.
d) os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a
pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à
impressão de livros, mesmo que não alcançado pela imunidade prevista no art.
150 da Constituição Federal.
e) os estabelecimentos equiparados a industrial, quanto aos fatos geradores
relativos aos produtos que deles saírem, bem como quanto aos demais fatos
geradores decorrente de atos que sejam por eles praticados.

Questão 20 – INÉDITA/2017

É responsável a empresa comercial exportadora, em relação ao imposto que


deixou de ser pago, na saída do estabelecimento industrial, referente aos
produtos por ela adquiridos com o fim específico de exportação, se tiver

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Curso de Teoria e Questões Comentadas
Aula 01 - Prof. Fábio Dutra

transcorrido o prazo de 360 dias da data da emissão da nota fiscal de venda


pelo estabelecimento industrial, sem que tenha sido efetivada a exportação.

Questão 21 – INÉDITA/2017

É responsável pelo IPI a empresa fabricante, importadora ou distribuidora do


papel imune quando o remete a outra empresa que não seja jornalística ou
editora.

Questão 22 – INÉDITA/2017

No que se refere ao cumprimento das obrigações tributárias referentes ao IPI,


o Decreto 7.212/2010 estabelece acerca do domicílio tributário do sujeito
passivo o seguinte, exceto:
a) Se comerciante ambulante, o domicílio deverá ser o local de sua residência
habitual, ou qualquer dos lugares em que exerça a sua atividade, quando não
tenha residência certa ou conhecida;
b) se pessoa jurídica de direito privado, ou firma individual, o domicílio será o
lugar do estabelecimento responsável pelo cumprimento da obrigação
tributária;
c) Se pessoa jurídica de direito público, o domicílio será o lugar da situação da
repartição responsável pelo cumprimento da obrigação tributária;
d) Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos
do art. 32 do RIPI, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou
responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos
que deram origem à obrigação.
e) A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando
impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-
se então a regra de que será considerado como domicílio tributário do
contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos
atos ou fatos que deram origem à obrigação.

Questão 23 – INÉDITA/2017

O domicílio tributário do contribuinte ou responsável se confunde com a sua


residência, ou seja, o local de moradia do sujeito passivo é necessariamente o
seu domicílio tributário.

Questão 24 – INÉDITA/2017

A autoridade administrativa, sempre que julgar necessário, pode recusar o


domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo.

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Questão 25 – INÉDITA/2017

O domicílio tributário do sujeito passivo, para efeito de cumprimento das


obrigações tributárias relativas ao IPI, em nenhuma hipótese pode ser o lugar
da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à
obrigação.

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5 – GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA

01 ERRADA 10 Letra D 19 Letra B


02 CORRETA 11 CORRETA 20 ERRADA
03 CORRETA 12 CORRETA 21 ERRADA
04 CORRETA 13 CORRETA 22 Letra A
05 Letra D 14 CORRETA 23 ERRADA
06 Letra B 15 CORRETA 24 ERRADA
07 ERRADA 16 Letra A 25 ERRADA
08 ERRADA 17 CORRETA - -
09 CORRETA 18 CORRETA - -

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