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Aula 03

Legislação Tributária p/ AFRFB - 2017/2018 (Com videoaulas)


Professor: Fábio Dutra
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA – AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL
Curso de Teoria e Questões Comentadas
Aula 03 - Prof. Fábio Dutra

AULA 03: Imposto sobre Produtos Industrializados


(Parte IV)

SUMÁRIO PÁGINA
Observações sobre a Aula 01
Tópicos do Edital a serem Abordados na Aula 02
Bens de Capital 03
Lançamento do IPI 06
Suspensão do IPI 16
Isenção do IPI 26
Regimes Fiscais 37
Obrigações Acessórias 54
Cigarros 73
Bebidas 81
Lista das Questões Comentadas em Aula 93
Gabarito das Questões Comentadas em Aula 100

Observações sobre a Aula

Olá, amigo(a), mais uma vez!

E aí, pronto para finalizar o estudo do IPI?

Não se assuste com a quantidade de páginas, pois você verá que eu


preparei vários esquemas, para facilitar o seu aprendizado. Além disso, você
verá que as questões da ESAF não são tão difíceis assim! Dá pra se sair muito
bem na prova, se você estudar com bastante atenção e fazer as revisões
periódicas.

Na próxima aula, daremos início ao estudo do Imposto de Renda.


Portanto, se você já está ficando cansado de estudar IPI, saiba que vêm
muitas novidades por aí!

A propósito... vamos começar nossa aula?

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Tópicos do Edital a serem Abordados na Aula

Na aula de hoje, abordaremos os seguintes tópicos do edital:

2.1. Bens de capital. 2.22. Regimes fiscais. 2.23. Lançamento. 2.25.


Rotulagem e marcação de produtos. 2.26. Selos de controle. 2.27. Obrigações
dos transportadores, adquirentes e depositários de produtos. 2.28. Registro
Especial. 2.29. Cigarros. 2.30. Bebidas.

O que já foi visto sobre o IPI:

2. Imposto sobre Produtos Industrializados. 2.2. Incidência. 2.3.


Industrialização. Conceito. 2.4. Características e modalidades de
industrialização. 2.5. Exclusões. 2.6. Contribuintes. 2.7. Responsáveis. 2.8.
Estabelecimentos Industriais e equiparados. 2.9. Domicílio. 2.10. Base de
cálculo. 2.11. Valor tributável. 2.12. Créditos. 2.13. Não Tributados. 2.14.
Suspensão. 2.15. Isenção. 2.16. Redução e majoração do imposto. 2.17.
Período de apuração. 2.18. Apuração do imposto. 2.19. IPI na importação.
2.20. Crédito presumido. 2.21. Classificação de produtos. 2.24. Recolhimento.
2.31. Produtos industrializados por encomenda.

E então, pronto para começar? Vamos lá!

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1 – BENS DE CAPITAL

O art. 153, § 3º, IV, da CF/88, traz consigo uma importante diretriz ao
legislador do ordinário, no sentido de que o IPI terá reduzido o seu
impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do
imposto, na forma da lei.

Primeiramente, deve-se entender que bens de capital são aqueles


utilizados na produção de outros bens. São exemplos de bens de capital as
máquinas, as ferramentas, os computadores e equipamentos.

A norma constitucional tem por objetivo estimular o


crescimento da indústria no país.

Em segundo lugar, é importante saber que o dispositivo


constitucional não é autoaplicável. Ou seja, a simples previsão na CF/88
não faz com que os bens de capital tenham menor incidência de IPI,
automaticamente.

Não se despreza, contudo, a eficácia negativa imediata dessa norma


constitucional, ou seja, embora não seja autoaplicável, não é possível que
determinada lei venha dispor em sentido contrário ao que foi previsto
na CF/88, sob pena de inconstitucionalidade.

No que se refere ao benefício “redução do impacto do IPI”, muito se


discute as formas em que pode ser concretizado. Basicamente, pode ocorrer
mediante redução de alíquotas incidentes sobre tais produtos.

Vejamos abaixo alguns exemplos constantes no próprio RIPI:

Art. 73. As empresas industriais e agropecuárias nacionais que foram


habilitadas em Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial -
PDTI ou Programas de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário -
PDTA, nas aquisições de equipamentos, máquinas, aparelhos e
instrumentos, assim como acessórios sobressalentes e
ferramentas que acompanhem esses bens, destinados à pesquisa e
ao desenvolvimento tecnológico, fazem jus à redução de cinquenta
por cento da alíquota do imposto, prevista na TIPI.

(...)

Art. 151. As alíquotas do imposto incidente na saída do


estabelecimento industrial ou equiparado ou na importação de
máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos ficam
reduzidas a zero, até 22 de janeiro de 2022, quando a aquisição no

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mercado interno ou a importação for efetuada por pessoa jurídica


beneficiária do PADIS, para incorporação ao ativo imobilizado da pessoa
jurídica adquirente no mercado interno ou importadora, destinados às
atividades de que tratam os incisos I e II do § 1º do art. 150.

Observação: PADIS é o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico


da Indústria de Semicondutores.

(...)

Art. 159. As alíquotas do imposto incidente na saída do


estabelecimento industrial ou equiparado ou na importação de
máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, ficam
reduzidas a zero, até 22 de janeiro de 2017, quando a aquisição no
mercado interno ou a importação for efetuada por pessoa jurídica
beneficiária do PATVD, para incorporação ao ativo imobilizado da pessoa
jurídica adquirente no mercado interno ou importadora, destinados às
atividades de que trata o § 1º do art. 158.

Os benefícios que foram vistos acima se referem a programas


específicos. Ou seja, só há redução nas alíquotas do IPI se os bens de capital
estiverem destinados a alguma finalidade a que se quer estimular. Nada
impede que a redução do IPI seja feita mediante alteração direta na
própria TIPI, hipótese que beneficia qualquer adquirente de tais
produtos.

Outra forma de reduzir o impacto do IPI sobre a aquisição de bens de


capital seria permitir o creditamento do imposto incidente na aquisição
de tais bens. Como se sabe, atualmente não se permite o registro desses
créditos (RIPI, art. 226, I). Todavia, a alteração dessa regra constitui mais um
meio de concretização do art. 153, § 3º, IV, da CF/88.

Fique ligado, pois a ESAF já cobrou essa


possibilidade.

Não se deve confundir a redução do impacto do IPI na aquisição


de bens de capital com a imunidade desse imposto. Não foi essa a
intenção do legislador constituinte. O objetivo é apenas fazer incidir o IPI de
uma forma menos gravosa.

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Questão 01 – ESAF/ACE-MDIC/2012

Ao dispor sobre o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, a Constituição


Federal previu que ele terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de
capital pelo seu contribuinte na forma da lei. Sobre o tema, é incorreto afirmar
que:
a) caberá à lei ordinária federal estabelecer os critérios para a diminuição do
impacto do IPI na aquisição de bens de capital.
b) tal diminuição poderá se dar mediante autorização para apropriação de
crédito relativo ao IPI incidente na operação e sua utilização na compensação
com o devido pela empresa adquirente em outras operações ou seu
ressarcimento em dinheiro.
c) tal diminuição poderá se dar mediante o estabelecimento de critérios a
serem observados pelo Executivo na redução das alíquotas relativas a
operações com tais bens.
d) referido dispositivo constitucional é autoaplicável, no sentido de que tem a
eficácia imediata de impedir a validade de lei ou ato normativo que atue em
sentido contrário, aumentando o impacto do IPI na aquisição de bens de
capital.
e) referido dispositivo não ampara o reconhecimento do direito à imunidade de
tais operações ao IPI.

Comentário:

Alternativa A: O art. 153, § 3º, IV, da CF/88 determina que a lei disporá
sobre a redução do impacto do IPI sobre a aquisição de bens de capital pelo
contribuinte do imposto. Item correto.

Alternativa B: Embora isso não seja permitido atualmente, nada impede que
a norma vigente seja revogada e que seja instituído esse benefício, como
redução do impacto do IPI. Item correto.

Alternativa C: De fato, a redução do impacto do IPI também pode ser


assegurada pela redução de alíquotas, referente à classificação na TIPI de tais
bens. Item correto.

Alternativa D: O único erro da assertiva é a sua primeira parte, em que se diz


que o referido dispositivo constitucional é autoaplicável, possuindo apenas
eficácia negativa imediata. Item errado.

Alternativa E: Não se confunde a redução do impacto do imposto com


imunidade, que é hipótese de não incidência tributária. Item correto.

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Gabarito: Letra D

Questão 02 – INÉDITA/2017

O IPI terá reduzido o seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo
contribuinte do imposto, na forma de ato do Poder Executivo.

Comentário: O art. 153, § 3º, IV, da CF/88 determina que a lei – e não o ato
do Poder Exectivo - disporá sobre a redução do impacto do IPI sobre a
aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto. Portanto, a questão
está errada.

2 – LANÇAMENTO DO IPI

No Direito Tributário, você aprende que a obrigação tributária surge com


a ocorrência do fato gerador. Contudo, a dívida só passa a ser exigível do
contribuinte após o lançamento. O lançamento tem, portanto, a função de
constituir o crédito tributário.

O RIPI definiu o conceito de lançamento da seguinte forma:

Art. 181. Lançamento é o procedimento destinado à constituição do


crédito tributário, que se opera de ofício ou por homologação
mediante atos de iniciativa do sujeito passivo da obrigação
tributária, com o pagamento antecipado do imposto e a devida
comunicação à Secretaria da Receita Federal do Brasil,
observando-se que tais atos:

I - compreendem a descrição da operação que lhe dá origem, a


identificação do sujeito passivo, a descrição e classificação do produto, o
cálculo do imposto, com a declaração do seu valor e, sendo o caso, a
penalidade prevista; e

II - reportam-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e


regem-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou
revogada.

Inicialmente, entenda o seguinte: a regra é que o IPI seja lançado


por homologação. Trata-se de modalidade de lançamento em que cabe ao
sujeito passivo antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa. Cabe a autoridade, posteriormente, homologar a
atividade do sujeito passivo. (CTN, art. 150, caput).

Embora essa seja a regra, é possível que o lançamento do IPI seja


efetuado de ofício, pela autoridade fiscal. Na realidade, qualquer tributo

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pode ser lançado de ofício, nas hipóteses genéricas previstas no art. 149, do
CTN.

O RIPI estabelece algumas regras para cada modalidade de lançamento,


as quais estudaremos a partir de agora!

INÉDITA/2017
O IPI, assim como qualquer outro tributo, pode, em
determinadas circunstâncias ser lançado de ofício pela
autoridade fiscal competente.

Gabarito: Correta

2.1 – Lançamento por Homologação

Pela redação do art. 181, o RIPI estabelece que o lançamento por


homologação pressupõe a prática de atos de iniciativa do sujeito
passivo, o pagamento do imposto e a devida comunicação à RFB.

Lançamento por homologação:

 Atos de iniciativa do sujeito passivo;


 Pagamento do IPI;
 Comunicação à RFB.

Os atos de iniciativa se referem basicamente à descrição da operação


que deu origem ao lançamento, à classificação fiscal e o respectivo
cálculo do IPI devido, bem como ao destaque do imposto na nota fiscal
ou a indicação do seu valor na declaração de importação, caso se trate
de desembaraço aduaneiro.

É importante ressaltar, ainda, que tais atos de iniciativa do sujeito


passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam-se com o
pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art.
268 do RIPI e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da
autoridade administrativa (RIPI, art. 183).

O pagamento – ou a compensação -, portanto, tem o condão de


aperfeiçoar os atos de iniciativa do contribuinte. Sendo assim, torna-se
essencial conhecer o conceito de pagamento no RIPI:

Art. 183 – (...)

Parágrafo único. Considera-se pagamento:

I - o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos


admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto;

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II - o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja


ou não créditos a deduzir; ou

III - a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos


créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.

A princípio, você poderia ter achado estranho eu dizer que nós vamos ver
o conceito de pagamento, já que é bastante lógico. Mas observe que o inciso
III, do art. 183, do RIPI, estabelece como pagamento a simples dedução dos
débitos, quando o saldo de créditos for superior, de forma que nada é
recolhido ao Fisco.

Para o RIPI, pagamento não se confunde com


recolhimento. Podemos ter o pagamento do IPI apenas
com a dedução de débitos.

2.1.1 – Momento e Formalização da Prática dos Atos de Iniciativa do


Contribuinte

O RIPI estabelece o momento e a forma como os atos de iniciativa do co


sujeito passivo devem ser praticados.

No que se refere ao momento, o art. 182, do RIPI prescreve que os atos


de iniciativa do sujeito passivo serão efetuados, sob a sua exclusiva
responsabilidade nos momentos e na forma nele determinados.

Como são muitos dispositivos para memorizar, nós iremos dividir tais
momentos em dois grandes grupos. O primeiro diz respeito àqueles que
coincidem com o momento em que se considera ocorrido o fato
gerador. O segundo, por seu turno, são momentos específicos, determinados
pelo legislador.

Na saída do produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial.


(RIPI, art. 182, I, b)

Na saída do produto de armazém-geral ou outro depositário, diretamente


para outro estabelecimento, quando vendido pelo próprio depositante. (RIPI,
art. 182, I, c)

Na entrega ao comprador, quanto aos produtos vendidos por intermédio de


ambulantes. (RIPI, art. 182, I, d)

Na saída da repartição onde ocorreu o desembaraço, quanto aos produtos


que, por ordem do importador, forem remetidos diretamente a terceiros.
(RIPI, art. 182, I, e)

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No momento em que ficar concluída a operação industrial, quando a


industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização, fora do
estabelecimento industrial. (RIPI, art. 182, I, f)

No início do consumo ou da utilização do papel destinado à impressão de


livros, jornais e periódicos, em finalidade diferente da que lhe é prevista na
imunidade de que trata o inciso I do art. 18, ou na saída do fabricante, do
importador, ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que
não sejam empresas jornalísticas ou editoras. (RIPI, art. 182, I, g)

Na aquisição ou, se a venda tiver sido feita antes de concluída a operação


industrial, na conclusão desta, quanto aos produtos que, antes de sair do
estabelecimento que os tenha industrializado por encomenda, sejam por este
adquiridos. (RIPI, art. 182, I, h)

Na transferência simbólica da produção de álcool das usinas produtoras às


suas cooperativas, equiparadas, por opção, a estabelecimento industrial.
(RIPI, art. 182, I, l)

Na venda do produto que for consumido ou utilizado dentro do


estabelecimento industrial. (RIPI, art. 182, I, s)

Na saída de bens de produção dos associados para as suas cooperativas,


equiparadas, por opção, a estabelecimento industrial. (RIPI, art. 182, I, t)

Veja que são momentos em que o fato gerador considera-se ocorrido. O


que isso significa? Ora, no momento em que o fato gerador ocorrer, o
sujeito passivo deve promover os atos de iniciativa, relativos ao
lançamento do IPI.

Vamos, então, ver os demais momentos estabelecidos no RIPI:

No registro da declaração de importação no Sistema Integrado de Comércio


Exterior - SISCOMEX, quando do despacho aduaneiro de importação. (RIPI,
art. 182, I, a)

No depósito para fins comerciais, na venda ou na exposição à venda, quanto


aos produtos trazidos do exterior e desembaraçados com a qualificação de
bagagem, com isenção ou com pagamento de tributos. (RIPI, art. 182, I, i)

Na venda, efetuada em feiras de amostras e promoções semelhantes, do


produto que tenha sido remetido pelo estabelecimento industrial, ou
equiparado a industrial, com suspensão do imposto. (RIPI, art. 182, I, j)

No reajustamento do preço do produto, em virtude do acréscimo de valor


decorrente de contrato escrito. (RIPI, art. 182, I, m)

Na apuração, pelo usuário, de diferença no estoque dos selos de controle

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fornecidos para aplicação em seus produtos. (RIPI, art. 182, I, n)

Na apuração, pelo contribuinte, de falta no seu estoque de produtos. (RIPI,


art. 182, I, o)

Na apuração, pelo contribuinte, de diferença de preços de produtos saídos do


seu estabelecimento. (RIPI, art. 182, I, p)

Na apuração, pelo contribuinte, de diferença do imposto em virtude do


aumento da alíquota, ocorrido após emissão da primeira nota fiscal. (RIPI,
art. 182, I, q)

Quando desatendidas as condições da imunidade, da isenção ou da suspensão


do imposto. (RIPI, art. 182, I, r)

Na ocorrência dos demais casos não especificados neste artigo, em que


couber a exigência do imposto. (RIPI, art. 182, I, u)

Como são várias situações específicas, o meu conselho é que você não
fique se esforçando para decorar tudo. O mais importante é se lembrar das
hipóteses em que se considera ocorrido o fato gerador (primeiro grupo), pois
você já “mata” as questões sobre fato gerador e quase todas sobre
lançamento.

Observação: O examinador costuma ser “preguiçoso”. Quando elabora uma


questão literal, geralmente seleciona as primeiras hipóteses, que coincidem,
no nosso caso, com aquelas que você já iria decorar.

No que se refere à forma como o resultado dos atos de iniciativa do


sujeito passivo deve ficar registrado, o RIPI estatuiu o seguinte:

Art. 182. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, de que trata o art.


181, serão efetuados, sob a sua exclusiva responsabilidade:

II - quanto ao documento:

a) no registro da declaração de importação no SISCOMEX, quando


se tratar de desembaraço aduaneiro de produto de procedência
estrangeira;

b) no documento de arrecadação, para outras operações, realizadas


por firmas ou pessoas não sujeitas habitualmente ao pagamento do
imposto; ou

c) na nota fiscal, quanto aos demais casos.

Sendo, assim, o que você deve levar para a prova é que os atos do
sujeito passivo serão registrados na declaração de importação no

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SISCOMEX (em relação ao desembaraço aduaneiro) ou na nota fiscal, nos


demais casos.

Caso se refiram a firmas ou pessoas não sujeitas habitualmente ao


pagamento do IPI, o registro é efetuado no próprio documento de
arrecadação (DARF).

2.1.2 – Homologação do Lançamento

Seguindo à risca as regras do CTN, o RIPI dispôs sobre a homologação


do lançamento, etapa em que o lançamento se torna definitivo:

Art. 185. Antecipado o recolhimento do imposto, o lançamento tornar-


se-á definitivo com a sua expressa homologação pela autoridade
administrativa.

Parágrafo único. Ressalvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação,


ter-se-á como homologado o lançamento efetuado nos termos do art.
183 quando sobre ele, após cinco anos da data da ocorrência do
fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa
não se tenha pronunciado.

A que se refere esse prazo de 5 anos? Você se lembra da decadência?


Esse é o prazo decadencial para o fisco verificar o que foi pago e, sendo o
caso, lançar de ofício eventuais diferenças.

Sendo assim, se decorrer o prazo quinqüenal, o lançamento é


considerado homologado tacitamente, não havendo possibilidade de se
constituir as diferenças porventura cabíveis.

2.1.3 – Presunção de Lançamento Não Efetuado

Em relação ao lançamento do IPI por homologação, são considerados


como não efetuados os atos de iniciativa do sujeito passivo descritos a seguir:

Art. 184. Considerar-se-ão não efetuados os atos de iniciativa do sujeito


passivo, para o lançamento:

I - quando o documento for reputado sem valor por lei ou por este
Regulamento;

II - quando o produto tributado não se identificar com o descrito


no documento; ou

III - quando estiver em desacordo com as normas deste Capítulo.

Mas qual a importância de saber tais hipóteses? Qual seria a


consequência para os atos de iniciativa do sujeito passivo considerados como
não efetuados? Lançamento de ofício do IPI.

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Vamos estudar melhor isso? Acompanhe o tópico a seguir!

2.2 – Lançamento de Ofício

O Regulamento do IPI estabeleceu que o lançamento torna-se devido nas


seguintes situações:

Art. 186. Se o sujeito passivo não tomar as iniciativas para o


lançamento ou as tomar nas condições do art. 184 (hipótese em que
os atos de iniciativa do sujeito passivo são considerados como
não efetuados), o imposto será lançado de ofício.

LANÇAMENTO DE OFÍCIO

Quando o sujeito passivo não toma as iniciativas para o lançamento.

Quanto os atos do sujeito passivo são considerados como não efetuados.

Observação: Repare que a segunda situação que justifica o lançamento de


ofício é exatamente aquilo que estudamos no tópico anterior (2.1.3).

No § 1º, do art. 186, do RIPI, o legislador estabelece que naqueles casos


em que os produtos são adquiridos por empresa comercial exportadora, com o
fim específico de exportação, mas que não foram efetivamente exportados
(RIPI art. 25, VII), o IPI não recolhido espontaneamente será exigido
em procedimento de ofício, pela Secretaria da Receita Federal do
Brasil, com os acréscimos aplicáveis à espécie.

A Empresa Comercial Exportadora também é


denominada trading company.

No que se refere ao documento em que será realizado o lançamento de


ofício, podemos ter o auto de infração ou a notificação de lançamento, a
depender se a infração tiver sido constatada no serviço externo ou interno da
repartição, respectivamente.

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É importante que você memorize o seguinte esquema:

SERVIÇO EXTERNO Auto de Infração

SERVIÇO INTERNO Notificação de Lançamento

Por fim, uma informação extremamente relevante sobre o lançamento


de ofício é que tal lançamento é atribuição privativa do Auditor-Fiscal
da Receita Federal do Brasil, conforme estabelece o § 3º, do art. 186, do
RIPI.

2.3 – Lançamento Antecipado

Nós vimos em tópico anterior o momento em que o sujeito passivo deve


praticar os atos de sua iniciativa, correto? Naquele momento, estudamos que
em várias situações, o momento se confunde com o de ocorrência do próprio
fato gerador do IPI.

Contudo, a legislação faculta ao sujeito passivo antecipar os atos de sua


iniciativa, para momento anterior ao que foi estabelecido no art. 182, I, do
RIPI.

Vamos ver como ficou definido:

Art. 187. Será facultado ao sujeito passivo da obrigação tributária


antecipar os atos de sua iniciativa, para o momento:

I - da venda, quando esta for à ordem ou para entrega futura do


produto; ou

II - do faturamento, pelo valor integral, no caso de produto cuja


unidade não possa ser transportada de uma só vez.

Observação: Venda à ordem é aquela em que o vendedor acerta a


negociação e aguarda a ordem do comprador para entregar o produto no local
por este indicado.

Portanto, em se tratando de venda à ordem ou para entrega futura do


produto, faculta-se ao sujeito passivo antecipar os atos de sua iniciativa para o
momento da própria venda. Caso se trate de produto cuja unidade não possa
ser transportada de uma só vez, a data de antecipação será a do faturamento
pelo valor integral.

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INÉDITA/2017
O sujeito passivo deve antecipar os atos de sua
iniciativa para o momento da venda, quando esta for
à ordem ou para entrega futura do produto.
Comentário: Ao sujeito passivo é facultado antecipar
os atos de sua iniciativa, e não um dever, como foi
afirmado na questão.
Gabarito: Errada

2.4 - Decadência

Em relação à decadência, o RIPI segue as regras estatuídas no CTN,


conforme transcrevemos abaixo:

Art. 188. O direito de constituir o crédito tributário extingue-se após


cinco anos, contados:

I - da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo


antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa
não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou
simulação (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º);

II - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito


passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento (Lei nº
5.172, de 1966, art. 173, inciso I); ou

III - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver


anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (Lei nº
5.172, de 1966, art. 173, inciso II).

Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se


definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data
em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário
pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória
indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo
único).

Não vamos nos aprofundar no estudo desse tema, pois já é


massivamente explicado em nosso curso de Direito Tributário. Para facilitar a
memorização, segue o esquema abaixo:

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DECADÊNCIA – Lançamento do IPI

Contribuinte antecipa o Conta-se da data do fato gerador


pagamento

Contribuinte não toma


Conta-se do 1º dia do ano seguinte
qualquer iniciativa

Se houver Dolo, fraude ou


Conta-se do 1º dia do ano seguinte
simulação

Anulação de Lançamento Conta-se da data da decisão definitiva que anulou


por Vício Formal

Nós vimos que, em alguns casos, o prazo decadencial é contado a partir


do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já
poderia ter tomado a iniciativa do lançamento, correto? Como vimos,
essa data normalmente se confunde com o momento de ocorrência do fato
gerador.

O que o par. único, do art. 188, do RIPI, quer dizer é que se nesse
intervalo (entre a data do fato gerador e o primeiro dia do exercício seguinte)
a autoridade fiscal notificar o sujeito passivo de alguma medida
indispensável ao lançamento, como o início de um procedimento de
fiscalização, por exemplo, haverá antecipação da contagem do prazo
decadencial para a data em que o sujeito passivo toma ciência do
termo de início de fiscalização.

Questão 03 – INÉDITA/2017

De acordo com a legislação tributária relativa ao IPI, há pagamento do imposto


apenas mediante efetivo recolhimento ao erário.

Comentário: Como vimos, o pagamento também pode ser efetuado, pela


dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos
admitidos, sem resultar saldo a recolher. Questão errada.

Questão 04 – INÉDITA/2017

Em regra, o IPI é lançado de ofício.

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Comentário: O IPI, via de regra, é lançado por homologação, modalidade em


que o sujeito passivo deve efetuar o pagamento antecipado, sem prévio exame
da autoridade administrativa. Questão errada.

Questão 05 – INÉDITA/2017

Relativamente ao lançamento do IPI, os atos de iniciativa do sujeito passivo,


serão efetuados, sob a sua exclusiva responsabilidade.

Comentário: É isso o que consta no caput do art. 182, do RIPI. Questão


correta.

3 – SUSPENSÃO DO IPI

Em primeiro lugar, é importante sabermos o conceito de suspensão, de


acordo com o RIPI, já que não se confunde com a suspensão do crédito
tributário, prevista no CTN.

No Código Tributário Nacional, a suspensão da exigibilidade do crédito


tributário tem o condão de impedir a Fazenda de cobrar o tributo. Sendo
assim, estando o crédito suspenso, não pode o Fisco ajuizar ação de execução
fiscal, com o objetivo de ver satisfeito o seu direito de receber o tributo devido.

Em se tratando do RIPI, quando se diz “suspensão do IPI”, não se quer


suspender a exigibilidade do crédito tributário, até porque este nem mesmo
chega a ser constituído pelo lançamento.

Deve-se deixar bastante claro que a suspensão do IPI não impede a


ocorrência do fato gerador, dispensando apenas o sujeito passivo da
obrigatoriedade de destacar o imposto na nota fiscal e pagá-lo.

Vamos ver melhor como tudo isso funciona:

Art. 41. O implemento da condição a que está subordinada a suspensão


resolve a obrigação tributária suspensa.

O produto sai do estabelecimento industrial, por exemplo, com a


suspensão do imposto, estando esta subordinada a uma condição que, sendo
cumprida, resolve a obrigação tributária suspensa.

Observação: Resolver significa extinguir ou desfazer os efeitos. Assim, o


implemento da condição a que está subordinada a suspensão faz com que o
IPI relativo à operação realizada não possa mais ser exigido.

Assim, em regra, temos duas consequências lógicas da suspensão do IPI,


quando há o implemento da referida condição:

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1. O IPI suspenso não é exigido;


2. Como não há recolhimento na etapa anterior, o adquirente desses
produtos não pode registrar crédito, relativo à entrada deles em seu
estabelecimento.

INÉDITA/2017
O implemento da condição a que está subordinada a
suspensão faz surgir a obrigação tributária.

Comentário: O implemento da condição tem o


condão de fazer resolver a suspensão, e não fazer
ocorrer o fato gerador e, por consequência, surgir a
obrigação tributária.
Gabarito: Errada

Contudo, quando não forem satisfeitos os requisitos que


condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente
exigível, como se a suspensão não existisse (RIPI, art. 42, caput).

Infere-se, pois, diante das hipóteses de suspensão previstas no RIPI, as


quais estudaremos adiante, o fato gerador ocorre, mas o imposto fica
suspenso, até o cumprimento da condição a que está subordinado, hipótese
em que a obrigação tributária se desfaz. Caso a condição não seja cumprida, o
imposto torna-se imediatamente exigível, como se não tivesse existido
qualquer suspensão.

A título de exemplo, o art. 43, XIV, a, do RIPI, estabelece que podem


sair com suspensão de IPI os insumos (MP, PI e ME) de fabricação nacional
vendidos a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos
destinados à exportação.

Portanto, se a empresa que adquiriu os insumos exportar o produto final,


podemos dizer que se cumpriu a condição da suspensão, resolvendo a
obrigação tributária suspensa.

O que isso quer dizer? Vamos fazer algumas considerações!

Se a empresa exportadora não adquirisse com suspensão, haveria


recolhimento de IPI na etapa anterior (por parte do fornecedor), concedendo
direito ao crédito do IPI, na entrada dos insumos no estabelecimento do
exportador. Contudo, como a saída seria imune de IPI, poderia haver
acúmulo de créditos.

Assim, os créditos que, a princípio seriam compensados, acabariam por


prejudicar a empresa. A saída, em tais casos, é optar pela suspensão, hipótese
em que nada é pago, e nada é creditado.

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O mais importante é saber que, no fim das contas, a suspensão não


gerou qualquer vantagem adicional para o exportador, apenas se tornou
um meio indireto de recuperar os créditos que ele teria, caso adquirisse em
condições normais.

Retornando ao nosso estudo, se a empresa objeto do nosso exemplo


vender no mercado interno o produto em cuja industrialização foram utilizados
os insumos que saíram com suspensão do IPI, fica evidente o descumprimento
da condição da suspensão. O IPI torna-se imediatamente exigível, como
se a suspensão não existisse.

Com base nesse raciocínio, vejamos o que o RIPI estabeleceu sobre o


assunto:

Art. 42 – (...)

§ 1o Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto


e a este for dado destino diverso do previsto, estará o
responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da
penalidade cabível, como se a suspensão não existisse.

§ 2o Cumprirá a exigência:

I - o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação


diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou

II - o remetente do produto, nos demais casos.

Por conta de tudo o que vimos, o art. 40 do RIPI determina que somente
será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do
imposto quando observadas as normas do RIPI e as medidas de
controle expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

Enfim, a partir deste momento, vamos iniciar o estudo das hipóteses de


suspensão previstas no RIPI. Se você tiver alguma dúvida sobre o
funcionamento da suspensão do IPI, não deixe de ler o tópico que criamos
após o estudo da isenção, nesta aula, que faz um comparativo entre a
isenção e a suspensão.

3.1 – Hipóteses de Suspensão do IPI

Os arts. 40 a 48 englobam o tema “Suspensão do IPI”. As características


gerais sobre tal assunto já foram estudadas no tópico anterior. De agora em
diante, veremos as hipóteses de suspensão do imposto.

Como são muitas as situações em que se permite a suspensão do IPI,


estudaremos as principais delas, algumas das quais já foram objeto de provas
da ESAF. Portanto, preste bastante atenção no que será visto a seguir.

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É importante saber que as hipóteses de suspensão


tratadas no art. 43 são facultativas. No entanto, existem
outras hipóteses em que a lei exige a suspensão do
imposto.

Observação: Recomendamos a leitura de todos os dispositivos do RIPI,


relativos à suspensão do IPI (arts. 40 a 48). Repare que há situações em que
o legislador diz que “podem sair com suspensão”, e outras em que é dito
“sairão com suspensão”. A partir dessa distinção, podemos diferenciar as
situações em que a suspensão é obrigatória ou facultativa.

Pode sair com suspensão do imposto o óleo de menta em bruto, produzido


por lavradores, com emprego do produto
d de sua própria lavoura, quando
remetido a estabelecimentos industriais, diretamente ou por intermédio de
postos de compra. (RIPI, art. 43, I)

Essa hipótese não demanda esforço interpretativo, pois é um caso


específico. O que você necessita é apenas decorá-la. Isso mesmo! A ESAF já
cobrou e pode voltar a cobrar novamente!

Poderão sair com suspensão do imposto os produtos remetidos pelo


estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, diretamente a
exposição em feiras de amostras e promoções semelhantes. (RIPI, art. 43,
II)

Para sair com a suspensão do IPI, os produtos devem ser remetidos com
a única finalidade de expor ao público. A condição dessa suspensão é o retorno
ao estabelecimento de origem.

No retorno do produto da feira de amostra para o estabelecimento


industrial ou equiparado, deverá ser emitida nota fiscal para acompanhar
o produto.

Poderão sair com suspensão do imposto os produtos remetidos pelo


estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a depósitos fechados
ou armazéns-gerais, bem como aqueles devolvidos ao remetente. (RIPI, art.
43, III)

De acordo com Zomer1, depósito fechado é aquele em que não se


realizam vendas, mas apenas entregas por ordem do depositante dos
produtos.

1
ZOMER, Antônio. Regulamento do IPI : imposto sobre produtos industrializados. 2008. Pág. 131.

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Poderão sair com suspensão do imposto os produtos industrializados, que


contiverem matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem
importados submetidos ao regime aduaneiro especial de que tratam os incisos
II e III do art. 78 do Decreto-Lei nº 37, de 1966 (drawback - suspensão,
isenção), remetidos diretamente a empresas industriais exportadoras para
emprego na produção de mercadorias destinadas à exportação direta ou por
intermédio de empresa comercial exportadora, atendidas as condições
estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (RIPI, art. 43,
IV)

Observação: O drawback é um regime aduaneiro especial, tal como a


admissão temporária, mas que tem como finalidade importar insumos com
suspensão ou isenção de IPI, a fim de que tais insumos sejam aplicados na
industrialização de produtos que serão exportados.
8
A situação retratada é a seguinte: determinado estabelecimento importa
insumos (MP, PI e ME), submetidos ao regime de drawback, industrializa tais
insumos e encaminha os produtos resultantes com suspensão de IPI a
uma empresa industrial exportadora, para emprego na produção de
mercadorias destinadas à exportação, lembrando que esta exportação pode ser
feita diretamente ou por intermédio de empresa comercial exportadora (ECE).

Poderão sair com suspensão do imposto os produtos, destinados à


exportação, que saiam do estabelecimento industrial para:

a) empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação nos


termos do § 1o;

b) recintos alfandegados; ou

c) outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação.


(RIPI, art. 43, V)

Em todos os três casos, há suspensão do IPI, já que os produtos são


destinados à exportação. No entanto, o que mais nos chama atenção é o
primeiro, tendo em vista que a responsabilidade que a ECE assume de
exportá-los no prazo de 180 dias da data da emissão da nota fiscal pelo
estabelecimento industrial (RIPI, art. 25, VII, a). A ECE também assume a
responsabilidade pelo IPI se os produtos forem revendidos no mercado interno,
ou se ocorrer a destruição, o furto ou roubo de tais produtos.

Observação: De acordo com o § 1º, do art. 43, no caso da alínea “a” do


inciso V, consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os
produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para
embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e
ordem da empresa comercial exportadora.

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Poderão sair com suspensão do imposto as matérias-primas, os produtos


intermediários e os materiais de embalagem destinados à industrialização,
desde que os produtos industrializados sejam enviados ao
estabelecimento remetente daqueles insumos. (RIPI, art. 43, VI)

Trata-se de industrialização por encomenda. A legislação permite que


o estabelecimento encomendante envie insumos ao executor da
encomenda com suspensão de IPI, a fim de que haja a operação de
industrialização e que, ao final desta, os produtos sejam encaminhados ao
encomendante (remetente dos insumos).

Repare que só haverá suspensão nesse caso se os


produtos industrializados forem remetidos ao
3
encomendante.

Poderão sair com suspensão do imposto os produtos que, industrializados na


forma do inciso VI e em cuja operação o executor da encomenda não tenha
utilizado produtos de sua industrialização ou importação, forem remetidos ao
estabelecimento de origem e desde que sejam por este destinados:

a) a comércio; ou

b) a emprego, como matéria-prima, produto intermediário e material de


embalagem, em nova industrialização que dê origem a saída de produto
tributado. (RIPI, art. 43, VII)

Esta hipótese se trata da remessa dos produtos encomendados ao


estabelecimento encomendante. Esse envio só será com suspensão de IPI se o
encomendante promover outro fato gerador do IPI, comercializando os
produtos ou utilizando-os em nova industrialização.

Você até poderia alegar que, se houver apenas comércio por parte do
encomendante, não incidiria IPI. Contudo, precavendo-se dessa “brecha”, o
legislador definiu, conforme já estudamos, o seguinte:

Art. 9º - Equiparam-se a estabelecimento industrial:

IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização


tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de
terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas,
produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou
modelos;

A lógica é que haja pelo menos uma operação tributada, ou melhor,


como se não tivesse havido movimentação entre o encomendante e o

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executor da encomenda. Portanto, se os insumos foram remetidos com


suspensão (inciso VI) e os produtos industrializados também (retorno ao
estabelecimento encomendante), deve haver alguma operação tributada,
a fim de que não haja prejuízo ao Fisco.

INÉDITA/2017
Poderão sair com suspensão do imposto a remessa ao
encomendante dos produtos que tenham sido
industrializados por encomenda e em cuja operação o
executor da encomenda não tenha utilizado produtos
de sua industrialização ou importação, desde que este
destine tais produtos ao comércio ou os utilize como
insumo em nova industrialização que dê origem a
saída de produto tributado.
4
Gabarito: Correta

Poderão sair com suspensão do imposto as matérias-primas ou os produtos


intermediários remetidos por estabelecimento industrial, para emprego em
operação industrial realizada fora desse estabelecimento, quando o executor
da industrialização for o próprio contribuinte remetente daqueles insumos.
(RIPI, art. 43, VIII)

Trata-se de remessa por estabelecimento industrial para emprego em


industrialização realizada por ele mesmo, fora desse estabelecimento.

Nessa operação, confundem-se o remetente e o recebedor,


resolvendo-se a suspensão com a industrialização. A obrigação suspensa
torna-se exigível com a não chegada dos insumos no destino ou posterior saída
destes do local de industrialização, bem com a sua não aplicação (utilização)
na operação industrial.

Poderão sair com suspensão do imposto o veículo, aeronave ou embarcação


dos Capítulos 87, 88 e 89 da TIPI, que deixar o estabelecimento industrial
exclusivamente para emprego em provas de engenharia pelo próprio
fabricante, desde que a ele tenha de voltar, não excedido o prazo de
permanência fora da fábrica, que será de trinta dias, salvo motivos de ordem
técnica devidamente justificados, e constará da nota fiscal expedida para esse
fim. (RIPI, art. 43, IX)

Poderão sair com suspensão do imposto os produtos remetidos, para


industrialização ou comércio, de um estabelecimento industrial ou equiparado
a industrial para outro da mesma firma. (RIPI, art. 43, X)

Da mesma forma como vimos no art. 43, VII, do RIPI, a lógica é que a
movimentação não altere o montante a ser recolhido, como se não
houvesse essa transição para o outro estabelecimento da mesma
firma. Assim, a legislação permite que os produtos saiam de um

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estabelecimento para outro estabelecimento industrial ou equiparado a


industrial da mesma firma, desde que este industrialize os produtos ou os
comercialize.

Poderão sair com suspensão do imposto os bens do ativo permanente


(máquinas e equipamentos, aparelhos, instrumentos, utensílios, ferramentas,
gabaritos, moldes, matrizes e semelhantes) remetidos pelo estabelecimento
industrial a outro estabelecimento da mesma firma, para serem utilizados no
processo industrial do recebedor. (RIPI, art. 43, XI)

Esta situação diz respeito à remessa de bens integrantes do ativo


permanente do estabelecimento industrial para outro estabelecimento da
mesma firma, a fim de que sejam utilizados na industrialização de produtos
nas dependências deste.
8
INÉDITA/2017
A legislação tributária não permite a saída com
suspensão de IPI de bens do ativo permanente
remetidos pelo estabelecimento industrial a outro
estabelecimento da mesma firma, para serem
utilizados no processo industrial do recebedor.
Gabarito: Errada
Comentário: Trata-se de situação em que se admite
a saída com suspensão do IPI.

Poderão sair com suspensão do imposto os bens do ativo permanente


remetidos pelo estabelecimento industrial a outro estabelecimento, para
serem utilizados no processo industrial de produtos encomendados pelo
remetente, desde que devam retornar ao estabelecimento encomendante,
após o prazo fixado para a fabricação dos produtos. (RIPI, art. 43, XII)

Imagine que determinado estabelecimento industrial decida encomendar


a industrialização de alguns produtos a outro estabelecimento, e decida
fornecer os equipamentos necessários a essa operação. É a isso que se refere
o art. 43, XII, do RIPI.

É evidente que se os equipamentos saíram com suspensão, devem


retornar ao estabelecimento encomendante (que foi quem “emprestou” os
equipamentos), após a fabricação dos produtos.

Poderão sair com suspensão do imposto as partes e peças destinadas a


reparo de produtos com defeito de fabricação, quando a operação for
executada gratuitamente por concessionários ou representantes, em virtude
de garantia dada pelo fabricante. (RIPI, art. 43, XIII)

Para compreender essa hipótese de suspensão, vejamos o que o RIPI


estabeleceu em seu art. 5º:

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Art. 5º - Não se considera industrialização:

XII - o reparo de produtos com defeito de fabricação, inclusive mediante


substituição de partes e peças, quando a operação for executada
gratuitamente, ainda que por concessionários ou representantes, em
virtude de garantia dada pelo fabricante;

Poderão sair com suspensão do imposto as matérias-primas, os produtos


intermediários e os materiais de embalagem, de fabricação nacional, vendidos
a:

a) estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à


exportação; ou

b) estabelecimento comercial, para industrialização em outro estabelecimento


da mesma firma ou de terceiro, de produto destinado à exportação. (RIPI,
art. 43, XIV)

Repare que, ainda que a venda de MP, PI e ME seja feita a


estabelecimento comercial, com o fim de industrializar em outro
estabelecimento, seja da mesma firma ou até mesmo de terceiro, é possível se
beneficiar da suspensão do IPI, desde que o produto seja destinado à
exportação.

 A aplicação desta regra depende de prévia


aprovação, pelo Secretário da RFB, do plano de
exportação elaborado pela empresa exportadora.
 A exportação deve ocorrer no prazo de 01 ano, a
contar da aprovação do plano de exportação, admitida
01 prorrogação por igual período, ou várias (no
máximo 05 anos), quando se tratar de exportação de
bens de capital de longo ciclo de produção.

Poderão sair com suspensão do imposto produtos para emprego ou consumo


na industrialização ou elaboração de produto a ser exportado, adquiridos no
mercado interno ou importados. (RIPI, art. 43, XV)

Embora não tenha sido dito expressamente, a hipótese se trata de um


caso específico de drawback, denominado drawback integrado suspensão,
cujas características estão descritas no art. 67, da Portaria SECEX 23/2011:

Art. 67. O regime aduaneiro especial de drawback pode ser aplicado


nas seguintes modalidades, no âmbito da SECEX:

I - drawback integrado suspensão – a aquisição no mercado


interno ou a importação, de forma combinada ou não, de
mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de

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produto a ser exportado, com suspensão dos tributos exigíveis na


importação e na aquisição no mercado interno na forma do art. 12 da Lei
nº 11.945, de 4 de junho de 2009 e do art. 17 da Lei nº 12.058, de 13
de outubro de 2009, e da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467, de
25 de março de 2010.

Seguindo à risca tal raciocínio, o § 4º, do art. 43, do RIPI, estabeleceu o


seguinte:

§ 4o No caso do inciso XV do caput:

I - as aquisições no mercado interno podem ser combinadas, ou não, com


as importações;

(...)

III - a suspensão beneficia apenas a pessoa jurídica habilitada pela


Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e

IV - a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio


Exterior disciplinarão o benefício em ato conjunto (Portaria Conjunta
RFB/SECEX 467/2010).

Questão 06 – ESAF/AFRFB/2012

A empresa comercial exportadora, que adquirir produtos industrializados com


fim específico de exportação, é obrigada ao pagamento do IPI suspenso na
saída dos produtos do estabelecimento industrial, caso referidos produtos
venham a ser destruídos, furtados ou roubados.

Comentário: De acordo com o art. 25, VII, c, do RIPI, a empresa comercial


exportadora fica obrigado ao pagamento do IPI suspenso na saída dos
produtos do estabelecimento industrial, se ocorrer a destruição, o furto ou
roubo dos produtos. Questão correta.

Questão 07 – INÉDITA/2017

O adquirente de produtos industrializados que saíram com suspensão de IPI do


estabelecimento que os industrializou não pode se creditar do imposto
suspenso.

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Comentário: Deveras, se o IPI saiu com suspensão, o adquirente não pode


registrar o crédito. Trata-se da essência da suspensão do IPI. Questão correta.
Questão 08 – INÉDITA/2017

Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado


destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao
pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não
existisse.

Comentário: É isso o que determina o § 1º, do art. 42, do RIPI. Questão


correta.

4 – ISENÇÃO DO IPI

A isenção constitui hipótese de exclusão do crédito tributário, conforme


preceitua o art. 175, I, do CTN. Sendo assim, o crédito tributário nem mesmo
a chega se constituir, por meio do lançamento. Trata-se de dispensa legal
do pagamento de tributo.

Observação: Você não pode se esquecer de que a aquisição de produtos


isentos de IPI não concede direito ao crédito do imposto, por não ter sido
recolhido qualquer importância ao Fisco. Esse é o entendimento do STF.

A isenção possui natureza de benefício fiscal.

Destaque-se que, via de regra, as isenções do IPI são objetivas, isto


é, referem-se ao produto e não ao contribuinte ou adquirente. Isso significa
que se determinado estabelecimento industrializa produtos isentos, o
benefício não se estende a todo o estabelecimento. Dessa forma, os
demais produtos são tributados normalmente (RIPI, art. 50).

Ademais, o art. 51, do RIPI, estabelece que a isenção de caráter


subjetivo só exclui o crédito tributário quando o seu titular estiver na
situação de contribuinte ou de responsável. Isso significa que a isenção
subjetiva não se estende a outra pessoa que não seja o sujeito passivo da
obrigação tributária.

Um detalhe interessante sobre o assunto diz respeito à possibilidade


de o titular da isenção poder renunciar ao benefício, hipótese em que
deve comunicar tal renúncia à unidade da Receita Federal de sua jurisdição
(RIPI, art. 51, par. único).

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Ressalte-se também que, da mesma forma como ocorre com a


imunidade, a isenção também pode estar subordinadas ao cumprimento
de alguma condição prevista em lei.

Se, porventura, a isenção estiver condicionada, ficam responsáveis ao


pagamento do IPI os que desatenderem a tais normas ou requisitos,
como dispõe o já estudado art. 25, VI, do RIPI.

O Regulamento do IPI foi além e ainda previu o seguinte:

Art. 52. Se a isenção estiver condicionada à destinação do produto e a


este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo
fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível,
como se a isenção não existisse.

§ 1o Salvo comprovado intuito de fraude, o imposto será devido,


sem multa, se recolhido espontaneamente, antes do fato
modificador da destinação, se esta se der após um ano da ocorrência
do fato gerador, não sendo exigível após o decurso de três anos.

Vamos esquematizar o dispositivo do RIPI, a fim de que você entenda e


guarde melhor a regra:

Desvio da destinação
ocorre em até 01 ano da
Deve recolher o imposto, com multa
ocorrência do fato
gerador

Desvio da destinação
ocorre após 01 ano da Deve recolher imposto, sem multa
ocorrência do fato
gerador

Desvio da destinação
ocorre após 03 anos da
Fica dispensado do imposto e da multa
ocorrência do fato
gerador

Observação: Na segunda hipótese (após 01 ano), para ficar dispensado da


multa, é necessário que o sujeito passivo recolha o IPI devido
espontaneamente, antes do fato modificador da destinação.

Além disso, esse benefício não se aplica, quando se comprovar intuito


fraudulento.

O mesmo raciocínio acima se aplica aos produtos desembaraçados


como bagagem, os quais não poderão ser depositados para fins

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comerciais ou expostos à venda, nem vendidos, senão com o


pagamento do IPI e dos acréscimos exigíveis (RIPI, art. 53).

A terceira hipótese no esquema acima se altera, quando se trata de


automóvel adquirido diretamente de fabricante nacional pelas missões
diplomáticas, repartições consulares de caráter permanente, ou seus
integrantes, bem assim pelas representações internacionais ou regionais de
que o Brasil seja membro. Em tais casos, o imposto deixa de ser cobrado,
após um ano da ocorrência do fato gerador, e não 03, como vimos (RIPI,
art. 52, § 2º).

Observação: Nós iremos estudar as isenções a que fazem jus tais entidades
no tópico seguinte.

INÉDITA/2017
Em se tratando de isenção de IPI, e salvo
comprovado intuito de fraude, o imposto será devido,
sem multa, se recolhido espontaneamente, antes do
fato modificador da destinação, se esta se der após
três anos da ocorrência do fato gerador.
Gabarito: Errada
Comentário: Após três anos não será exigido nem
mesmo o IPI.

4.1 – Hipóteses de Isenção do IPI

A partir deste momento, vamos dar início ao estudo das hipóteses de


isenção do IPI. Como são muitas, vamos citar apenas as mais relevantes,
deixando as demais como “leitura obrigatória” para você, após finalizar esta
aula. As isenções são tratadas no arts. 54 a 68, do RIPI.

Vejamos as principais:

Observação: O ideal é que o alune tente memorizar pelo menos as principais


hipóteses que citaremos a seguir. Você irá perceber que eu alterei a ordem de
alguns dispositivos, para que a memorização se torne mais fácil. Quando for
necessário, explicaremos algumas delas.

São isentos do imposto os produtos industrializados por instituições de


educação ou de assistência social, quando se destinarem, exclusivamente, a
uso próprio ou a distribuição gratuita a seus educandos ou assistidos, no
cumprimento de suas finalidades. (RIPI, art. 54, I)

São isentos do imposto os produtos industrializados por estabelecimentos


públicos e autárquicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, que não se destinarem a comércio. (RIPI, art. 54, II)

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São isentas do imposto as amostras de produtos para distribuição gratuita,


de diminuto ou nenhum valor comercial, assim considerados os
fragmentos ou partes de qualquer mercadoria, em quantidade
estritamente necessária a dar a conhecer a sua natureza, espécie e
qualidade, atendidas as seguintes:

a) indicação no produto e no seu envoltório da expressão “Amostra Grátis”,


em caracteres com destaque;

b) quantidade não excedente de vinte por cento do conteúdo ou do número


de unidades da menor embalagem da apresentação comercial do mesmo
produto, para venda ao consumidor; e

c) distribuição exclusivamente a médicos, veterinários e dentistas, bem como


a estabelecimentos hospitalares, quando se tratar de produtos da indústria
farmacêutica. (RIPI, art. 54, III)

São isentos do imposto os pés isolados de calçados, conduzidos por viajante


do estabelecimento industrial, desde que tenham gravada, no solado, a
expressão “Amostra para Viajante”. (RIPI, art. 54, V)

São isentas do imposto as aeronaves de uso militar e suas partes e peças,


vendidas à União. (RIPI, art. 54, VI)

São isentos do imposto o material bélico, de uso privativo das Forças


Armadas, vendido à União, na forma das instruções expedidas pelo
Secretário da Receita Federal do Brasil. (RIPI, art. 54, XI)

São isentos do imposto os caixões funerários. (RIPI, art. 54, VII)

Veja, então, que a fábrica de urnas funerárias não arca com IPI, na saída
dos produtos do seu estabelecimento, com destino às funerárias.

São isentos do imposto o papel destinado à impressão de músicas. (RIPI,


art. 54, VIII)

É interessante se lembrar que o papel destinado à impressão de


livros, jornais ou periódicos é imune do IPI, enquanto o que for
destinado à impressão de músicas é isento de IPI. Trata-se, pois, de uma
excelente “pegadinha” para a prova!

São isentos do imposto o automóvel adquirido diretamente de


fabricante nacional, pelas missões diplomáticas e pelas repartições
consulares de caráter permanente, ou pelos seus integrantes, bem como
pelas representações de órgãos internacionais ou regionais de que o Brasil
seja membro, e pelos seus funcionários, peritos, técnicos e consultores, de

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nacionalidade estrangeira, que exerçam funções de caráter permanente,


quando a aquisição se fizer em substituição da faculdade de importar o
produto com idêntico favor. (RIPI, art. 54, XII)

São isentos do imposto o veículo de fabricação nacional adquirido por


funcionário das missões diplomáticas acreditadas junto ao Governo brasileiro,
ao qual seja reconhecida a qualidade diplomática, que não seja de
nacionalidade brasileira e nem tenha residência permanente no País,
sem prejuízo dos direitos que lhe são assegurados no inciso XII, ressalvado o
princípio da reciprocidade de tratamento. (RIPI, art. 54, XIII)

São isentos do imposto os produtos importados diretamente por missões


diplomáticas e repartições consulares de caráter permanente e pelos
respectivos integrantes, e por representações, no País, de organismos
internacionais de caráter permanente, inclusive os de âmbito regional, dos
quais o Brasil seja membro, e pelos respectivos integrantes. (RIPI, art. 54,
XVI)

São isentos do imposto os produtos nacionais saídos do estabelecimento


industrial, ou equiparado a industrial, diretamente para lojas francas, nos
termos e condições estabelecidos pelo art. 15 do Decreto-Lei nº 1.455, de
1976. (RIPI, art. 54, XIV)

As lojas francas são os famosos free shops – ou duty free -, nos quais
você sempre faz compras, quando retorna de uma viagem internacional.
Portanto, os produtos industrializados no País e destinados às lojas francas
gozam de isenção de IPI.

É isenta do imposto a bagagem de passageiros desembaraçada com isenção


do Imposto de Importação na forma da legislação pertinente. (RIPI, art. 54,
XVII)

São isentos do imposto os bens de passageiros procedentes do exterior,


desembaraçados com a qualificação de bagagem tributada, com o pagamento
do Imposto de Importação, na forma da legislação pertinente. (RIPI, art.
54, XVIII)

Quando os bens de passageiros procedentes do exterior são


desembaraçados com a qualificação de bagagem, há uma quota abaixo da qual
não há tributação pelo Imposto de Importação.

Acima dessa quota, ainda que haja tributação pelo II, os bens
estão isentos do IPI. Trata-se do Regime de Tributação Especial.

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De acordo com o art. 101, do Regulamento Aduaneiro, o


Regime de Tributação Especial é o que permite o
despacho de bens integrantes de bagagem, mediante a
exigência tão somente do Imposto de Importação.

São isentos do imposto os bens contidos em remessas postais internacionais


sujeitas ao regime de tributação simplificada para a cobrança do Imposto de
Importação. (RIPI, art. 54, XIX)

De acordo com o art. 99, do Regulamento Aduaneiro, o Regime de


Tributação Simplificada é tributado da seguinte forma:

Art. 99. O regime de tributação simplificada é o que permite a


classificação genérica, para fins de despacho de importação, de bens
integrantes de remessa postal internacional, mediante a aplicação
de alíquotas diferenciadas do imposto de importação, e isenção do
imposto sobre produtos industrializados, da contribuição para o
PIS/PASEP-Importação e da COFINS-Importação.

São isentos do imposto os bens de informática destinados à coleta


eletrônica de votos, fornecidos diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral,
bem como:

a) as matérias-primas e os produtos intermediários importados para serem


utilizados na industrialização desses bens e dos produtos classificados sob os
Códigos 8471.60.52, 8471.60.61, 8473.30.49, 8504.40.21 e 8534.00.00 da
TIPI a eles destinados; e

b) as matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de


embalagem, de fabricação nacional, para serem utilizados na industrialização
desses bens. (RIPI, art. 54, XXV)

Os Códigos da TIPI mencionados dizem respeitos a partes e peças de


produtos eletrônicos, que são normalmente utilizados na industrialização
das urnas eletrônicas.

São isentos do imposto os aparelhos transmissores e receptores de


radiotelefonia e radiotelegrafia, os veículos para patrulhamento policial, as
armas e munições, quando adquiridos pelos órgãos de segurança
pública da União, dos Estados e do Distrito Federal. (RIPI, art. 54,
XXVIII)

São isentos do imposto, até 31 de dezembro de 2014, os automóveis de


passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não
superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas, inclusive
a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou

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sistema reversível de combustão, quando adquiridos por:

I - motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de


sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na
condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e
que destinem o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi);

II - motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou


concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros
(táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de
destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo
adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi);

III - cooperativas de trabalho que sejam permissionárias ou concessionárias


==d8348==

de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), desde


que tais veículos se destinem à utilização nessa atividade; e

IV - pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou


profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante
legal. (RIPI, art. 55, caput)

Observação: A vigência do dispositivo foi prorrogada até 31 de dezembro


de 2021, pelo art. 126, da Lei 13.146/2015.

Guarde apenas que os taxistas e os portadores de


deficiência física, visual, mental severa ou profunda
e autistas possuem isenção de IPI, na aquisição de
automóveis de fabricação nacional.

Em relação a essa isenção, faz-se necessário também saber o seguinte:

Art. 59. A alienação do veículo adquirido nos termos desta Seção, antes
de dois anos contados da data da sua aquisição, a pessoas que não
satisfaçam às condições e aos requisitos estabelecidos nos referidos
diplomas legais acarretará o pagamento pelo alienante do tributo
dispensado, atualizado na forma da legislação tributária.

Parágrafo único. A inobservância do disposto neste artigo sujeita ainda


o alienante ao pagamento de multa e juros moratórios previstos
na legislação em vigor para a hipótese de fraude ou falta de
pagamento do imposto devido.

A pessoa que adquire o veículo com isenção de IPI deve permanecer


no mínimo 02 anos com o veículo, antes de aliená-lo a outra pessoa que
não satisfaça as condições vistas acima. Isso significa que a isenção só
pode ser gozada uma vez a cada 02 anos.

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Se a alienação ocorrer antes do prazo, fica o alienante obrigado a pagar


o imposto dispensado. Em relação aos portadores de deficiência, são
solidariamente responsáveis os seus curadores quanto ao IPI que deixar de ser
pago, nos termos do art. 29. Isso já foi estudado no tópico relativo aos
“Responsáveis Solidários”, em aula anterior.

As entidades beneficentes de assistência social, certificadas na forma do


inciso IV do art. 18 da Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993, reconhecidas
como de utilidade pública, na forma da Lei no 91, de 28 de agosto de 1935,
ficam autorizadas a vender em feiras, bazares e eventos semelhantes, com
isenção do imposto incidente na importação, produtos estrangeiros
recebidos em doação de representações diplomáticas estrangeiras sediadas
no País, nos termos e condições estabelecidos pelo Ministro de Estado da
Fazenda. (RIPI, art. 67, caput)

Essa isenção possui uma condição: o produto líquido da venda a que se


refere este artigo terá como destinação exclusiva o desenvolvimento de
atividades beneficentes no País (RIPI, art. 67, par. único).

4.2 – Comparativo entre Suspensão e Isenção de IPI

É muito importante que você, candidato, não confunda os conceitos de


suspensão e isenção do IPI. Embora em ambos os casos não haja recolhimento
do imposto, as diferenças entre elas são notórias.

Comecemos, portanto, pelas semelhanças.

Tanto a suspensão como a isenção, quando estiverem condicionadas à


destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o
responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade
cabível, como se a suspensão e a isenção não existissem.

Ademais, o art. 25, VI, do RIPI, prescreve que são obrigados ao


pagamento do IPI como responsáveis os que desatenderem as normas e
requisitos a que estiver condicionada a imunidade, a isenção ou a
suspensão do imposto.

Cabe ainda ressaltarmos o seguinte:

Art. 37. Na hipótese de venda, exposição à venda, ou consumo no


território nacional, de produtos destinados ao exterior, ou na hipótese
de descumprimento das condições estabelecidas para a isenção
ou a suspensão do imposto, considerar-se-á ocorrido o fato
gerador na data da saída dos produtos do estabelecimento
industrial ou equiparado a industrial.

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Sendo assim, ao descumprir as condições, o fato gerador considera-se


ocorrido na data em que os produtos saíram do estabelecimento
industrial ou equiparado a industrial.

O fato gerador não é a data do descumprimento das


condições, mas sim a data de saída dos produtos do
estabelecimento industrial ou equiparado a industrial.

Um detalhe bastante interessante é que o descumprimento das


condições relativas à isenção ou suspensão é que isso impacta diretamente no
direito de registro de crédito do adquirente. Se o IPI torna-se devido, nada
mais justo do que permitir o registro do IPI por parte do adquirente.

Sobre o tema, vamos ver o que diz o RIPI:

Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados


poderão creditar-se:

IX - do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade,


isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em
operação que dê direito ao crédito;

Observação: O candidato não pode se esquecer que, diante da eficácia da


isenção ou suspensão, o adquirente de tais mercadorias não possui o
direito de registrar o crédito, já que nada foi pago a título de IPI pelo
fornecedor.

Há que se destacar também que a isenção e a suspensão exigem


observação expressa na nota fiscal dos produtos a que se refere:

Art. 415. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste


Regulamento, da nota fiscal constará, conforme ocorra, cada um dos
seguintes casos:

I - “Isento do IPI”, nos casos de isenção do tributo, seguida da


declaração do dispositivo legal ou regulamentar que autoriza a
concessão;

(...)

III - “Saído com Suspensão do IPI”, nos casos de suspensão do


tributo, declarado, do mesmo modo, o dispositivo legal ou regulamentar
concessivo;

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No que se refere às distinções entre a isenção e a suspensão, cabe


salientar que a isenção se trata de um típico benefício fiscal, algo que a
suspensão não é.

A suspensão, como regra, é uma medida que visa racionalizar a


incidência do imposto, evitando acúmulos de créditos, e muitas vezes
beneficiando o contribuinte do IPI. Contudo, o montante arrecadado, no fim
das contas, é o mesmo daquele que o seria, caso não houvesse a suspensão.

Por fim, deve-se ter em mente que a suspensão é, em alguns casos,


facultativa, e, em outros, obrigatória. A isenção, por sua vez, é facultativa, já
que o legislador afirma que o seu titular pode renunciar o benefício.

Questão 09 – ESAF/ATRFB/2012

As isenções do Imposto sobre Produtos Industrializados, salvo disposição


expressa de lei, referem-se ao produto e não ao contribuinte ou adquirente.

Comentário: De acordo com o art. 50, do RIPI, as isenções, via de regra,


referem-se ao produto e não ao contribuinte, sendo, portanto, objetivas.
Questão correta.

Questão 10 – ESAF/ATRFB/2012

A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando possuir caráter


subjetivo, só exclui o crédito tributário quando o seu titular estiver na situação
de contribuinte ou responsável.

Comentário: Conforme prevê o art. 51, do RIPI, a isenção de caráter


subjetivo só exclui o crédito tributário quando o seu titular estiver na situação
de contribuinte ou de responsável. Questão correta.

Questão 11 – ESAF/ATRFB/2012

Se a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados estiver condicionada


à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o
responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade
cabível.

Comentário: Trata-se da literalidade do art. 52, do RIPI, que estabelece que,


se a isenção estiver condicionada à destinação do produto, e a este for dado
destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao

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pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a isenção não


existisse. Questão correta.

Questão 12 – ESAF/ATRFB/2012

Os produtos desembaraçados como bagagem só poderão ser depositados para


fins comerciais ou expostos à venda após comunicação obrigatória à Receita
Federal para fins de controle do pagamento posterior do Imposto sobre
Produtos Industrializados.

Comentário: O art. 53, do RIPI, prescreve que os produtos desembaraçados


como bagagem não poderão ser depositados para fins comerciais ou expostos
à venda, nem vendidos, senão com o pagamento do imposto e dos acréscimos
exigíveis. Não há, portanto, previsão de pagamento posterior. Questão errada.

Questão 13 – ESAF/ATRFB/2012

O titular da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados poderá


renunciar ao benefício, devendo comunicar o fato à unidade da Receita Federal
de sua jurisdição.

Comentário: O art. 51, par. único, do RIPI, prevê a possibilidade de o titular


da isenção poder renunciar ao benefício, hipótese em que deve comunicar tal
renúncia à unidade da Receita Federal de sua jurisdição. Questão correta.

Questão 14 – ESAF/AFRFB/2012

Os automóveis de passageiros de fabricação nacional que obedeçam às


especificações previstas em Lei são isentos de IPI, quando adquiridos por
pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas,
desde que atendidos os requisitos previstos na legislação tributária.

Comentário: Trata-se de mais uma hipótese de isenção do IPI, prevista no


art. 55, IV, do RIPI. Questão correta.

Questão 15 – ESAF/AFRFB/2012

Os bens de informática destinados à coleta eletrônica de votos, fornecidos


diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral, assim como os caixões funerários,
são objeto de suspensão de IPI.

Comentário: De acordo com o art. 54, XXV, os bens de informática


destinados à coleta eletrônica de votos, fornecidos diretamente ao Tribunal
Superior Eleitoral são isentos de IPI. Da mesma forma, os caixões funerários
também são isentos de IPI, conforme preceitua o art. 54, VII, do RIPI.
Questão errada.

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5 – REGIMES FISCAIS

Inicialmente, cumpre-nos elucidar a principal dúvida: o que é um regime


fiscal? Regime fiscal é o mesmo que incentivo fiscal, ou seja, é o
tratamento tributário diferenciado, a depender da região do país (Amazônia
Ocidental, por exemplo) ou setor da economia (setor automotivo, por
exemplo). Assim, o RIPI dividiu o tema “Regimes Fiscais” em dois capítulos:
Regimes Fiscais Regionais e Regimes Fiscais Setoriais.

Observação: Os regimes fiscais regionais foram disciplinados nos arts. 81 a


132, e os regimes fiscais setoriais, no arts. 133 a 175. Pela quantidade de
dispositivos, você deve imaginar o imenso conteúdo que vem pela frente.
Contudo, vamos simplificar ao máximo, para trazer apenas o que
realmente é relevante para fins de prova!

5.1 – Regimes Fiscais Regionais

Os regimes fiscais regionais se referem à Zona Franca de Manaus (ZFM),


à Amazônia Ocidental, às Áreas de Livre Comércio e às Zonas de
Processamento de Exportação.

Vamos estudar cada um dos referidos regimes, na ordem acima, que é


como está disposto no RIPI.

Vamos lá!

5.1.1 – Zona Franca de Manaus (ZFM)

A Zona Franca de Manaus foi criada em 1967 (antes mesmo da CF/88),


para estimular o desenvolvimento econômico da região amazônica, para
incentivar a proteção ambiental e de fronteiras, e para melhorar a qualidade
de vida dos moradores da região.

Em 1988, foi previsto nos Atos das Disposições Constitucionais


Transitórias (ADCT), da Constituição Federal, a manutenção da ZFM,
esclarecendo sua característica básica como área de livre comércio, de
exportação e importação, e de incentivos fiscais:

Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de


área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos
fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da
Constituição.

Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os


critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos
projetos na Zona Franca de Manaus.

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O prazo de 25 anos iria se extinguir em 2013, motivo que levou o


Congresso Nacional a acrescentar, na EC 42/03, 10 anos. Com isso, o fim
desse regime fiscal seria em 2023.

Com base nisso, ao ser editado, o RIPI (art. 94) estabeleceu que os
benefícios relativos à ZFM ficariam extintos a partir de 1º de janeiro de 2024.

Ocorre que recentemente a EC 83/2014 prorrogou por nada menos do


que 50 anos ao prazo que já havia sido prorrogado. Isso significa que a ZFM
existirá até 2073.

Por se tratar de alteração constitucional recente, não se


surpreenda se na sua prova for cobrado a prorrogação do
prazo da ZFM: 2073.

Observação: Tenha muito cuidado, pois o RIPI já está desatualizado neste


assunto.

Vamos entender, então, quais são os benefícios fiscais previstos para a


ZFM. Inicialmente, guarde o básico:

1. Há benefícios fiscais para a industrialização de produtos na ZFM, seja


para consumo interno, para outro ponto do País ou até mesmo para
exportação;
2. Há benefícios fiscais para a importação de produtos de procedência
estrangeira para dentro da ZFM;
3. Há benefícios fiscais para os produtos nacionais que são remetidos para a
ZFM.

Vejamos como funciona cada um deles!

5.1.1.1 – Benefícios Fiscais Relativos aos Produtos Industrializados na


ZFM

Em relação aos benefícios fiscais do IPI, é importante ter em mente que


são isentos de IPI os produtos industrializados na ZFM que forem
destinados ao seu consumo interno.

Contudo, nem todos os produtos são isentos, havendo algumas


exceções. São elas: armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e
automóveis de passageiros.

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Mnemônico para decorar tais exceções: AMA FUBEB


(Armas e Munições, Automóveis de passageiros, FUmo e
BEBidas alcoólicas).

“Mas e se os produtos forem industrializados na ZFM e, em vez de serem


consumidos internamente, sejam destinados a outro ponto do País?”

Também há isenção para os produtos industrializados na ZFM, e que


forem destinados à comercialização em qualquer outro ponto do território
nacional. No que se refere a tais produtos, o RIPI determina que somente
serão isentos se forem industrializados por estabelecimentos com
projetos aprovados pelo Conselho de Administração da
Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA, e que não
sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou
reacondicionamento.

Para essa regra, também existem exceções. Quais são elas: armas e
munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros.
Previu-se também, como exceção, os produtos de perfumaria ou de
toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo se forem
produzidos com utilização de matérias-primas da fauna e flora
regionais, em conformidade com processo produtivo básico (PPB),
hipótese em que restarão isentos do IPI.

Destaque-se a isenção prevista no art. 82 do RIPI que beneficia os bens


do setor de informática industrializados na Zona Franca de Manaus por
estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da
SUFRAMA. Tal isenção alcança tanto os produtos destinados ao
consumo interno quanto aqueles que forem remetidos a qualquer
outro ponto do território nacional.

Observação: Você deve ter se perguntado o motivo de expor a isenção dos


bens de informática produzidos na ZFM, já que tal isenção está contida nas
duas primeiras que estudamos logo acima. A resposta é que a isenção dos
bens de informática possui restrições específicas, como se nota abaixo.

Para fazer jus à isenção de que trata o parágrafo anterior, as empresas


fabricantes de bens de informática deverão investir, anualmente, em
atividades de pesquisa e de desenvolvimento a serem realizadas na
Amazônia, conforme definido em legislação específica.

Ademais, é relevante citar que essa isenção do IPI somente contemplará


os bens de informática relacionados pelo Poder Executivo, produzidos na Zona
Franca de Manaus conforme Processo Produtivo Básico - PPB,
estabelecido em portaria conjunta dos Ministros de Estado do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia.

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Observação: O Processo Produtivo Básico consiste na definição do conjunto


mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva
industrialização de determinado produto. O objetivo é evitar que empresas
mal intencionadas se instalem na ZFM apenas para gozar dos privilégios, sem
cumprir com o seu papel, que é industrializar e promover o desenvolvimento
daquela região.

“Mas e se os produtos forem industrializados na ZFM e, em vez de serem


consumidos internamente ou destinados a outro ponto do País, sejam
exportados?”

Ora, a ZFM está instalada dentro do território nacional. Portanto os


produtos exportados a partir daquele ponto, tal como ocorre nos
demais locais do País, são também imunes do IPI, conforme estabelece o
art. 153, § 3º, III, da CF/88.

Vamos sintetizar o que foi visto até o momento:

1 - P/ consumo interno Isenção, salvo AMAFUBEB

2 - P/ outro ponto do País Idem 1 , + toucador e perfumes


Produtos
Industrializados
na ZFM 3 - Bens de Informática Idem 1 e 2, + restrições

4 - P/ o Exterior Imunidade

5.1.1.2 – Benefícios Fiscais Relativos à Importação de Produtos de


Procedência Estrangeira

De acordo com o art. 86, do RIPI, os produtos de procedência


estrangeira importados pela Zona Franca de Manaus serão desembaraçados
com suspensão do imposto.

Quando os produtos forem ali consumidos ou utilizados na


industrialização de outros produtos, na pesca e na agropecuária, na instalação
e operação de indústrias e serviços de qualquer natureza, ou estocados para
exportação para o exterior, a suspensão se converterá em isenção.

Em relação às exceções, grave aquele conjunto básico que vimos até o


momento: AMAFUBEB (armas e munições, automóveis de passageiros, fumo
e bebidas alcoólicas).

Destacamos que não podem ser desembaraçados com suspensão


do imposto, nem gozam da isenção, os produtos de origem nacional que,

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exportados para o exterior, venham a ser posteriormente importados por


intermédio da Zona Franca de Manaus. Ou seja, o produto é exportado
com imunidade, mas, caso retorne, será tributado.

Merece nossa atenção também o art. 87, do RIPI, que estabelece o


seguinte:

Art. 87. Os produtos estrangeiros importados pela Zona Franca de


Manaus, quando desta saírem para outros pontos do território nacional,
ficam sujeitos ao pagamento do imposto exigível na importação,
salvo se tratar:

I - de bagagem de passageiros;

II - de produtos empregados como matéria-prima, produto intermediário


e material de embalagem, na industrialização de produtos na Zona
Franca de Manaus; e

III - de bens de produção e de consumo, produtos alimentares e


medicamentos, que se destinem à Amazônia Ocidental.

Observação: A bagagem de passageiro que vai até a ZFM fazer compras de


produtos importados é isenta de IPI até determinada quota, que não se
confunde com a quota de bagagem de viajantes no exterior.

5.1.1.3 – Benefícios Fiscais Relativos à Remessa de Produtos Nacionais


para a ZFM

Dispõe o art. 81, III, que são isentos do IPI os produtos nacionais
entrados na Zona Franca de Manaus, para seu consumo interno,
utilização ou industrialização, ou ainda, para serem remetidos, por
intermédio de seus entrepostos, à Amazônia Ocidental, excluídos as armas e
munições, perfumes, fumo, automóveis de passageiros e bebidas
alcoólicas.

Sobre tais exceções, podemos fazer a seguinte observação: note que o


conjunto básico de exceções é ligeiramente alterado, pois, no caso de remessa
de produtos nacionais para a ZFM, também estão excluídos os perfumes e,
quanto às bebidas alcoólicas, a exceção se refere apenas às posições 22.03 a
22.06 e nos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01)
da TIPI. Não vemos necessidade de memorizar todas essas posições!

A segunda diz respeito à extensão do benefício fiscal àqueles


produtos que ingressam na ZFM para, posteriormente, serem
remetidos à Amazônia Ocidental.

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A remessa dos produtos para a Zona Franca de Manaus


far-se-á com suspensão do IPI até a sua entrada
naquela área, quando então se efetivará a isenção
de que trata o inciso III do art. 81 (objeto de estudo
neste tópico).

Além disso, sairão com suspensão de IPI os produtos nacionais que


forem remetidos à Zona Franca de Manaus, especificamente para serem
exportados para o exterior, atendidas as condições estabelecidas pelo
Ministro de Estado da Fazenda.

5.1.2 – Amazônia Ocidental

Em 1967 foi criada a Zona Franca de Manaus. No ano subsequente, o


Governo estendeu os mesmos benefícios às localidades da Amazônia Ocidental,
que compreende os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.

De uma forma geral, a Amazônia Ocidental recebeu a extensão dos


incentivos fiscais concedidos, inicialmente, à ZFM. Com base nisso e
levando sempre em consideração as disposições do RIPI, os benefícios gozados
por essa região consistem nos seguintes:

1. Há benefícios fiscais para a industrialização de produtos na Amazônia


Ocidental;
2. Há benefícios fiscais para a importação de produtos de procedência
estrangeira oriundos da ZFM;
3. Há benefícios fiscais para os produtos nacionais que são remetidos para
a Amazônia Ocidental.

5.1.2.1 – Benefícios Fiscais Relativos aos Produtos Industrializados na


Amazônia Ocidental

Essa isenção está prevista no art. 95, III, do RIPI, o qual estabelece o
seguinte:

Art. 95. São isentos do imposto:

III - os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas


vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por
estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos
projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração
da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas
alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos Códigos 2208.20.00 a
2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI.

Isso significa que apenas os produtos elaborados com matérias-primas


agrícolas e extrativas vegetais de produção regional estão isentos do IPI,
excluindo as matérias primas de origem pecuária.

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As exceções se resumem no fumo e nas bebidas alcoólicas


discriminadas, que seriam as bebidas quentes.

5.1.2.2 – Benefícios Fiscais Relativos à Importação de Produtos de


Procedência Estrangeira Oriundos da ZFM

Conforme prevê o art. 95, II, do RIPI, são isentos de IPI alguns
produtos de procedência estrangeira, oriundos da ZFM, e aos quais for
dada entrada na Amazônia Ocidental para ali serem consumidos ou utilizados.

Tais produtos se resumem nos que foram abaixo transcritos:

a) motores marítimos de centro e de popa, seus acessórios e pertences, bem


como outros utensílios empregados na atividade pesqueira, exceto explosivos e
produtos utilizados em sua fabricação;

b) máquinas, implementos e insumos utilizados na agricultura, pecuária e


atividades afins;

c) máquinas para construção rodoviária;

d) máquinas, motores e acessórios para instalação industrial;

e) materiais de construção;

f) produtos alimentares; e

g) medicamentos; e

5.1.2.3 – Benefícios Fiscais Relativos à Remessa de Produtos Nacionais


para a Amazônia Ocidental

De forma bastante autoexplicativa, o art. 95, I, do RIPI, define a isenção


do IPI sobre os produtos nacionais remetidos à Amazônia Ocidental:

Art. 95. São isentos do imposto:

I - os produtos nacionais consumidos ou utilizados na Amazônia


Ocidental, desde que sejam ali industrializados por
estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de
Administração da SUFRAMA, ou adquiridos por intermédio da Zona
Franca de Manaus ou de seus entrepostos na referida região, excluídos
as armas e munições, perfumes, fumo, automóveis de
passageiros e bebidas alcoólicas, classificados, respectivamente, nos
Capítulos 93, 33 e 24, nas Posições 87.03 e 22.03 a 22.06 e nos Códigos
2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI;

Da mesma forma como ocorre com a ZFM, o conjunto de exceções dos


produtos nacionais remetidos à Amazônia Ocidental que estão isentos do IPI é

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ampliado pelos perfumes, sendo que as bebidas alcoólicas excetuadas


se restringem às bebidas quentes.

5.1.3 – Áreas de Livre Comércio

As áreas de livre comércio são criadas nas fronteiras da região Norte do


país com dois objetivos: promover o desenvolvimento das áreas
fronteiriças e incrementar as relações bilaterais com os países
vizinhos.

Observação: As áreas de livre comércio são administradas pela SUFRAMA.


Tais áreas envolvem os perímetros urbanos dos seguintes municípios:
Tabatinga (AM), Guajará-Mirim (RO), Boa Vista e Bonfim (RR), Macapá e
Santana (AP) e Brasileia, com extensão para o Município de Epitaciolância e
Cruzeiro do Sul (AC).

Sobre as áreas de livre comércio, deve-se ter em mente que a entrada


de produtos estrangeiros dar-se-á, obrigatoriamente, por intermédio de
porto, aeroporto ou posto de fronteira da Área de Livre Comércio,
exigida consignação nominal a importador nela estabelecido.

Além disso, os produtos estrangeiros ou nacionais enviados às Áreas de


Livre Comércio serão, obrigatoriamente, destinados às empresas
autorizadas a operarem nessas áreas.

Outro aspecto relevante é que a bagagem acompanhada de passageiro


procedente de Áreas de Livre Comércio, no que se refere a produtos de
origem estrangeira, será desembaraçada com isenção do IPI,
observados os limites e condições correspondentes ao estabelecido para a
Zona Franca de Manaus.

Os produtos industrializados nas áreas de livre comércio ficam


isentos do IPI, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à
comercialização em qualquer outro ponto do território nacional.

A entrada de produtos estrangeiros nas áreas de livre comércio far-se-á


com suspensão do IPI, que será convertida em isenção, quando forem
destinados aos fins estabelecidos na legislação tributária.

Contudo, se tais produtos saírem para qualquer outro ponto do


território nacional, ficam sujeitos ao pagamento do IPI devido, salvo
nos casos de isenção previstos em legislação específica.

Por último, em se tratando de produtos nacionais ou nacionalizados,


haverá isenção, se tais produtos forem destinados aos fins específicos da
legislação.

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Observação: Não vamos ficar estudando exceções e finalidades de cada área


de livre comércio. Vamos utilizar nosso precioso tempo de estudo em
assuntos mais relevantes para a prova.

5.1.4 – Zonas de Processamento de Exportações

A Lei 11.508/2007 autorizou o Poder Executivo a criar as Zonas de


Processamento de Exportações, nos seguintes termos:

Art. 1º - É o Poder Executivo autorizado a criar, nas regiões menos


desenvolvidas, Zonas de Processamento de Exportação (ZPE), sujeitas
ao regime jurídico instituído por esta Lei, com a finalidade de reduzir
desequilíbrios regionais, bem como fortalecer o balanço de
pagamentos e promover a difusão tecnológica e o
desenvolvimento econômico e social do País.

Nota-se, pois, que os objetivos que nortearam essa norma foram reduzir
desequilíbrios regionais, fortalecer o balanço de pagamentos, incentivando as
exportações e promover a difusão tecnológica e o desenvolvimento econômico
e social do País.

As ZPEs consistem em áreas de áreas de livre comércio de


importação e de exportação, destinadas à instalação de empresas
voltadas para a produção de bens a serem comercializados no exterior,
sendo consideradas, para efeito de controle aduaneiro, como zonas primárias.

Observação: As zonas primárias compreendem os locais por onde entram e


saem as mercadorias, pessoas e veículos do território nacional. Você
estudará isso mais detalhadamente em Legislação Aduaneira, com o ilustre
professor Ricardo Vale.

Além disso, o art. 4º, da Lei 11.508/07 consignou que o início de


funcionamento de uma ZPE depende de prévio alfandegamento da
respectiva área. Nessa linha, o Poder Executivo disporá sobre as instalações
aduaneiras, os equipamentos de segurança e de vigilância e os controles
necessários ao seu funcionamento, bem como sobre as hipóteses de
adoção de controle aduaneiro informatizado da ZPE e de dispensa de
alfandegamento.

As importações ou as aquisições no mercado interno de bens e


serviços por empresa autorizada a operar em ZPE terão suspensão da
exigência do IPI e outros tributos.

O ônus para que determinada empresa venha a se instalar em uma ZPE


é o de assumir o compromisso de auferir e manter, por ano-calendário,
receita bruta decorrente de exportação para o exterior de, no mínimo,
80% (oitenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e
serviços.

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Depois de cumprido o compromisso de exportação, a


suspensão do IPI a que fizemos referência converte-se
em alíquota zero.

5.2 – Regimes Fiscais Setoriais

Os regimes fiscais setoriais têm por objetivo conceder incentivos fiscais


aos setores determinados na legislação. O RIPI prevê incentivos ao setor
automotivo, aos bens de informática, à indústria de semicondutores e à
indústria de equipamentos para a TV Digital.

Foi estabelecido, ainda, o regime tributário para incentivo à


modernização e à ampliação da estrutura portuária – REPORTO, bem como o
Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de
Tecnologia da Informação – REPES.

Vamos ver como funciona cada um deles?

5.2.1 – Benefícios do Setor Automotivo

Primeiramente, é importante resumir os benefícios que foram concedidos


ao setor automotivo. São eles o crédito presumido de IPI e a suspensão do IPI.

No que se refere ao crédito presumido de IPI, o art. 133 do RIPI definiu


que os empreendimentos industriais instalados nas áreas de atuação da
Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM e da
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE e na região
Centro-Oeste, exceto no Distrito Federal, farão jus a crédito presumido, a
ser aproveitado em relação às saídas ocorridas até 31 de dezembro de
2020, para dedução, na apuração do imposto, incidente nas saídas de
produtos classificados nas Posições 87.02 a 87.04 da TIPI, que se
referem, em síntese, aos ônibus, automóveis e caminhões.

Observação: O caput do art. 133 do RIPI prevê que o benefício só pode ser
aproveitado em relação às saídas ocorridas até 31 de dezembro de 2010.
Contudo, o art. 2º, da Lei 12.973/2014, prorrogou o prazo para o final de
2020.

O valor de crédito presumido a ser concedido corresponde a 32% do


valor do IPI incidente nas saídas do estabelecimento industrial, dos produtos
nacionais ou importados diretamente pelo beneficiário. Ou seja, corresponde a
32% do valor do IPI incidente nas saídas, do estabelecimento industrial,
dos produtos nacionais ou importados diretamente pelo beneficiário.

O referido benefício fica condicionado à realização de investimentos


em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região,

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inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no


mínimo, 10% (dez por cento) do valor do crédito presumido apurado.

Devemos destacar também que as empresas do setor automotivo,


instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, poderão apurar
crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para
o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, desde que apresentem
projetos que contemplem novos investimentos e a pesquisa para o
desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos de produtos já
existentes.

O valor do crédito presumido de IPI a que fazem jus tais empresas


consiste no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês,
decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por:

I – 2 , até o 12º mês de fruição do benefício;

II - 1,9, do 13º ao 24º mês de fruição do benefício;

III - 1,8, do 25º ao 36º mês de fruição do benefício;

IV - 1,7, do 37º ao 48º mês de fruição do benefício; e

V - 1,5, do 49º ao 60º mês de fruição do benefício.

Observação: Esse crédito presumido não se confunde com aquele decorrente


da incidência cumulativa de PIS e COFINS incidentes sobre os insumos dos
produtos destinados ao exterior.

De acordo com o art. 11-B, da Lei 9.440/97, incluído pela Lei 12.407/11, o
crédito presumido extingue-se em 31 de dezembro de 2020, mesmo que o
prazo citado acima (até 60 meses) não tenha se encerrado.

Relativamente às hipóteses de suspensão do IPI, destinadas


especialmente as empresas do setor automotivo, o art. 136, do RIPI, dispôs
algumas situações bastante específicas, cuja cobrança em prova parece ser
muito improvável. Faça uma breve leitura no art. 136 para que você tenha
ideia do que estamos tratando.

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Os benefícios do setor automotivo se resumem em:

 Crédito Presumido: 32% do valor do IPI nas


saídas.
 Crédito Presumido: Valor do PIS/PASEP e
COFINS, decorrente das vendas no mercado interno,
multiplicado pelo fator anual.
 Suspensão de IPI para produtos específicos.

5.2.2 – Benefícios das Empresas de Bens de Informática

De acordo com o art. 140, do RIPI, as empresas de desenvolvimento ou


produção de bens e serviços de informática e automação que invistam em
atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação
poderão pleitear isenção ou redução do imposto para bens de
informática e automação.

A isenção ou redução do IPI somente contemplará os bens de


informática e automação relacionados pelo Poder Executivo,
produzidos no País conforme PPB (Processo Produtivo Básico),
estabelecido em portaria conjunta dos Ministros de Estado do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia
(RIPI, art. 144).

Destaque-se que os benefícios (isenção ou redução) são distintos em


relação aos bens produzidos na Região Centro-Oeste e nas regiões da SUDAM
e da SUDENE, se comparados aos benefícios concedidos aos mesmos bens
produzidos em outros pontos do território nacional.

Se a empresa não cumprir as exigências para o gozo dos benefícios, sua


concessão será suspensa, devendo ressarcir os benefícios
anteriormente usufruídos, acrescidos de juros de mora e de multas
pecuniárias.

Além da isenção ou redução do IPI, também há situações em que os


produtos saem do estabelecimento industrial ou são desembaraçados com
suspensão do imposto. Senão, vejamos:

 Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do imposto as


matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem
(MP, PI e ME), quando adquiridos por estabelecimentos industriais
fabricantes, preponderantemente, de bens de informática;
 As matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de
embalagem (MP, PI e ME), importados diretamente por
estabelecimento industrial fabricante de bens de informática serão
desembaraçados com suspensão do imposto.

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Os benefícios das empresas de bens de informática


consistem em:

 Isenção ou redução para os produtos industrializados


por tais empresas;
 Suspensão de IPI na aquisição de MP, PI e ME, no
mercado interno ou por meio de importação.

5.2.3 – Benefícios da Indústria de Semicondutores

O art. 150, do RIPI, prevê que a pessoa jurídica habilitada pela


Secretaria da Receita Federal do Brasil como beneficiária do Programa de
Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de
Semicondutores - PADIS poderá usufruir da redução das alíquotas a
zero.

Tal redução de alíquotas a zero, até 22 de Janeiro de 2022, ocorre


nas seguintes situações:

 Na saída do estabelecimento industrial ou equiparado ou na importação


de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, quando a aquisição
no mercado interno ou a importação for efetuada por pessoa jurídica
beneficiária do PADIS, para incorporação ao ativo imobilizado.
 Na saída de dispositivos eletrônicos semicondutores e dispositivos
mostradores de informações (displays) do estabelecimento industrial de
pessoa jurídica beneficiária do PADIS.

Observação: A redução de alíquotas citada não se aplica


cumulativamente com outras reduções ou benefícios relativos ao IPI.

Os benefícios da indústria de semicondutores,


beneficiária do PADIS, consistem em redução de
alíquotas a zero:

Quando adquirem no mercado interno ou importam


máquinas e equipamentos para incorporação ao ativo
imobilizado;
Quando promovem saída de dispositivos eletrônicos
semicondutores e displays.

5.2.4 – Benefícios da Indústria de Equipamentos para a TV Digital

Semelhante ao caso da indústria de semicondutores, prevê o art. 158, do


RIPI, que a pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal
do Brasil como beneficiária do Programa de Apoio ao Desenvolvimento
Tecnológico da Indústria de Equipamentos para TV Digital - PATVD
poderá usufruir da redução das alíquotas a zero.

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Tal redução de alíquotas a zero, até 22 de Janeiro de 2017, ocorre


nas seguintes situações:

 Na saída do estabelecimento industrial ou equiparado ou na importação


de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, quando a
aquisição no mercado interno ou a importação for efetuada por pessoa
jurídica beneficiária do PATVD, para incorporação ao ativo imobilizado;
 Na saída de equipamentos transmissores de sinais por radiofreqüência
para televisão digital do estabelecimento industrial de pessoa jurídica
beneficiária do PATVD.

Observação: A redução de alíquotas citada não se aplica


cumulativamente com outras reduções ou benefícios relativos ao IPI.

Os benefícios da indústria de semicondutores,


beneficiária do PATVD, consistem em redução de
alíquotas a zero:

Quando adquirem no mercado interno ou importam


máquinas e equipamentos novos para incorporação ao
ativo imobilizado;
Quando promovem saída de de equipamentos
transmissores de sinais por radiofreqüência para
televisão digital.

5.2.5 – Benefícios do REPORTO

O Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da


Estrutura Portuária – REPORTO – consiste basicamente na suspensão do IPI
devido, nas seguintes situações:

 Saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, de


máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens, quando
adquiridos diretamente pelos beneficiários do REPORTO e
destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva em portos
na execução de serviços de carga, descarga e movimentação de
mercadorias, na execução dos serviços de dragagem, e nos Centros de
Treinamento Profissional, na execução do treinamento e formação de
trabalhadores;
 Desembaraço aduaneiro, de máquinas, equipamentos, peças de
reposição e outros bens, quando importados diretamente pelos
beneficiários do REPORTO e destinados ao seu ativo imobilizado
para utilização exclusiva em portos na execução de serviços de carga,
descarga e movimentação de mercadorias, na execução dos serviços de
dragagem, e nos Centros de Treinamento Profissional, na execução do
treinamento e formação de trabalhadores.

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Observação: As hipóteses de suspensão aplicam-se também aos bens


utilizados na execução de serviços de transporte de mercadorias em
ferrovias, classificados nas Posições 86.01, 86.02 e 86.06 da TIPI, e aos
trilhos e demais elementos de vias férreas, classificados na Posição 73.02 da
mesma Tabela, relacionados em regulamento específico.

Cabe ressaltar que os veículos adquiridos com o benefício do REPORTO


deverão receber identificação visual externa a ser definida pela Secretaria
de Portos da Presidência da República.

É muito relevante informar que a suspensão do IPI converte-se em


isenção após o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da
ocorrência do fato gerador.

Por fim, vamos verificar o que a legislação diz sobre quem são os
beneficiários do REPORTO:

Art. 170. São beneficiários do REPORTO:

I - o operador portuário, o concessionário de porto organizado, o


arrendatário de instalação portuária de uso público e a empresa
autorizada a explorar instalação portuária de uso privativo misto;

II - as empresas de dragagem, definidas na Lei no 11.610, de 12 de


dezembro de 2007, os recintos alfandegados de zona secundária e os
Centros de Treinamento Profissional, conceituados no art. 32 da Lei no
8.630, de 25 de fevereiro de 1993; e

III - o concessionário de transporte ferroviário.

Os benefícios do REPORTO se resumem basicamente


nos seguintes:

Suspensão de IPI na aquisição no mercado interno ou


na importação de máquinas, equipamentos e peças de
reposição, destinados ao ativo imobilizado, sendo
convertida em isenção após 05 anos.

A utilização de tais bens deve ser em portos para carga,


descarga, movimentação etc. Aplica-se também aos bens
utilizados na execução de serviços de transporte de
mercadorias em ferrovias.

5.2.5 – Benefícios do REPES

O Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de


Serviços de Tecnologia da Informação – REPES – consiste basicamente no
seguinte (RIPI, art. 171):

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Serão desembaraçados com suspensão do IPI os bens, sem similar


nacional, importados diretamente pelo beneficiário do REPES, para a
incorporação ao seu ativo imobilizado. Essa suspensão se aplica aos bens
novos, destinados ao desenvolvimento de software e de serviços de
tecnologia de informação.

O beneficiário do REPES é a pessoa jurídica, previamente habilitada pela


Secretaria da Receita Federal do Brasil, que:

I - exerça preponderantemente as atividades de desenvolvimento de software


ou de prestação de serviços de tecnologia da informação; e

II - assuma compromisso de exportação igual ou superior a 50% de sua


receita bruta anual decorrente da venda dos bens e serviços de que trata o
inciso I, por ocasião da sua opção pelo REPES.

O objetivo do legislador foi criar um regime de benefícios fiscais que


busque o incremento da inovação tecnológica, sendo aplicável a empresas que
exerçam o desenvolvimento de software ou a prestação de serviços de
tecnologia da informação. Além disso, como foi dito, só se beneficiam do
REPES aquelas empresas que assumam compromisso de exportação igual
ou superior a 50% da sua receita bruta anual.

Chamo a sua atenção para o percentual de 50%, pois o Regulamento do


IPI está desatualizado, mencionando 60%! Atualmente, vale o que consta no
art. 2°, da Lei 11.196/2005, com redação dada pela Lei 12.715/2012, ou seja
50%! Grave isso, pois a ESAF pode armar uma pegadinha!

Observação: Depois de cumprido o compromisso de exportação, a


suspensão do IPI relativo ao desembaraço dos bens sem simulares nacionais
converte-se em isenção.

Os benefícios do REPES se resumem basicamente nos


seguintes:

Suspensão de IPI no desembaraço de bens, sem


similar nacional, para incorporação ao ativo imobilizado,
destinados ao desenvolvimento de software e de serviços
de tecnologia de informação.

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Questão 16 – ESAF/AFRFB/2012

As bebidas alcoólicas, os produtos de perfumaria ou toucador e as preparações


cosméticas industrializadas na Zona Franca de Manaus, com utilização de
matérias-primas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo
produtivo básico, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho
de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA,
são isentos de IPI, quando destinados à comercialização em qualquer outro
ponto do território nacional.

Comentário: De fato, há isenção de IPI quanto aos produtos os produtos de


perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, se forem
produzidos com utilização de matérias-primas da fauna e flora regionais.
Contudo, isso não se aplica às bebidas alcoólicas, como foi afirmado. Questão
errada.

Questão 17 – ESAF/AFRFB/2012

Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, destinados ao seu


consumo interno, não são isentos de IPI.

Comentário: São isentos de IPI os produtos industrializados na ZFM que


forem destinados ao seu consumo interno. Questão errada.

Questão 18 – INÉDITA/2017

Os benefícios relativos à Zona Franca de Manaus existirão até o ano de 2073.

Comentário: Por ter havido alteração nos ADCTs, a EC 83/2014 prorrogou o


prazo do regime fiscal da ZFM para 2073. Questão correta.

Questão 19 – INÉDITA/2017

Os produtos de procedência estrangeira importados pela Zona Franca de


Manaus serão desembaraçados com isenção do imposto sobre produtos
industrializados.

Comentário: De acordo com o art. 86, do RIPI, os produtos de procedência


estrangeira importados pela Zona Franca de Manaus serão desembaraçados
com suspensão do imposto. Questão errada.

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Questão 20 – INÉDITA/2017

São isentos do IPI os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e


extrativas vegetais de produção regional, inclusive de origem pecuária, por
estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos
tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, salvo
exceções previstas no Regulamento do IPI.
Comentário: De acordo com o art. 95, III, do RIPI, são isentos do IPI os
produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de
produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos
industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido
aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo
do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos
Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI.
Questão errada.

6 – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS

Você deve se lembrar do conceito de obrigações acessórias, estudados lá


no Direito Tributário, correto? Pode-se definir obrigações acessórias como sendo
as prestações positivas ou negativas com o objetivo de auxiliar a
arrecadação e fiscalização tributária, que não se confundem com a obrigação
de pagar tributos Assim, por exemplo, o particular pode ser obrigado a escriturar
livros fiscais ou a emitir notas fiscais (obrigação de fazer algo).

Com base nesse objetivo, podemos inferir que, quanto mais complexo for
o mecanismo de incidência e arrecadação de determinado tributo, mais
obrigações acessórias devem ser instituídas, para garantir o controle
do Fisco sobre o imposto que deve ser exigido ou deixará de ser pago (em
decorrência suspensão ou isenção, por exemplo).

Diante de tudo o que já estudamos sobre o IPI, você deve ter percebido
que a Receita Federal possui uma tarefa nada fácil de garantir o cumprimento
das obrigações relativas ao IPI. Para tanto, foram instituídas obrigações
acessórias específicas para controlar não apenas os produtos industrializados,
mas também os estabelecimentos que importam, industrializam ou
comercializam esses produtos.

Portanto, as obrigações acessórias consistem basicamente nas seguintes:

 Rotulagem, marcação e numeração dos produtos


 Aplicação de selos de controle sobre os produtos
 Obrigações específicas para os transportadores, adquirentes e
depositários de produtos
 Registro especial para determinadas pessoas jurídicas

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Observe que as medidas de controle não se resumem aos produtos, mas


são extensivas a determinados estabelecimentos. Além disso, dada a
autonomia das obrigações acessórias, o art. 271, do RIPI, determina que o
cumprimento de tais obrigações não dispensa o das demais previstas
neste Regulamento, salvo se houver disposição em contrário,
incompatibilidade manifesta ou duplicidade de exigência.

6.1 – Rotulagem, Marcação e Numeração de Produtos

Para iniciarmos o estudo das obrigações acessórias, relativas à rotulagem


e marcação de produtos industrializados, vejamos o que ficou consignado no
art. 273, do RIPI:

Art. 273. Os fabricantes e os estabelecimentos referidos no inciso IV do


art. 9º (estabelecimentos encomendantes de produtos
industrializados) são obrigados a rotular ou marcar seus produtos
e os volumes que os acondicionarem, antes de sua saída do
estabelecimento, indicando:

I - a firma;

II - o número de inscrição, do estabelecimento, no CNPJ;

III - a situação do estabelecimento (localidade, rua e número);

IV - a expressão “Indústria Brasileira”; e

V - outros elementos que, de acordo com as normas deste Regulamento


e das instruções complementares expedidas pela Secretaria da Receita
Federal do Brasil, forem considerados necessários à perfeita classificação
e controle dos produtos.

Observação: “outros elementos” é uma expressão bastante abrangente,


podendo se tratar de peso, graduação alcoólica etc.

Da redação desse dispositivo, deve-se guardar as seguintes informações:

 Não são apenas os estabelecimentos fabricantes que devem rotular ou


marcar os seus produtos, mas também os estabelecimentos encomendantes;
 Tanto os produtos como os seus volumes (caixas de sabonetes, por
exemplo) devem estar rotulados ou marcados;
 A rotulagem ou marcação deve ocorrer antes da saída dos produtos do
estabelecimento.

Observação: Embora o RIPI mencione “numeração” no Capítulo II, nada


regulamenta sobre o assunto. Na realidade, a única exigência nesse sentido
consta no art. 413, IV, b, do RIPI, quando se trata da descrição dos produtos
na nota fiscal. Entende-se que “a indicação do número de fabricação, ou de

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série, na nota fiscal é obrigatória somente quando a aposição do mesmo no


produto for exigida por disposição legal específica”. (ADN COSIT n. 9/95)

Nada se diz em relação à rotulagem ou marcação antes


do desembaraço aduaneiro. Portanto, os produtos
importados podem sair da repartição aduaneira sem
que se realize tal procedimento.

Em relação à industrialização por encomenda, o § 5º, do art. 273, do


RIPI, permitiu que o estabelecimento executor, desde que mencione, na
rotulagem ou marcação, essa circunstância, poderá acrescentar as
indicações referentes ao encomendante, independentemente daquelas
relativas a ele próprio.

No que se refere ao procedimento de rotulagem ou marcação


propriamente dito, o § 1º, do art. 273, do RIPI, estabelece o seguinte:

§ 1º - A rotulagem ou marcação será feita no produto e no seu


recipiente, envoltório ou embalagem, antes da saída do estabelecimento,
em cada unidade, em lugar visível, por processo de gravação,
estampagem ou impressão com tinta indelével, ou por meio de
etiquetas coladas, costuradas ou apensadas, conforme for mais
apropriado à natureza do produto, com firmeza e que não se
desprenda do produto, podendo a Secretaria da Receita Federal do
Brasil expedir as instruções complementares que julgar convenientes.

Observação: Nos tecidos, far-se-á a rotulagem ou marcação nas


extremidades de cada peça, com indicação de sua composição, vedado
cortar as indicações constantes da parte final da peça.

Deve-se ressaltar que, havendo impossibilidade ou impropriedade,


reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, da prática da
rotulagem ou marcação no produto, estas serão feitas apenas no
recipiente, envoltório ou embalagem.

Ainda sobre a rotulagem e marcação de produtos, vamos ver mais


algumas informações importantes:

Os produtos isentos conterão, em caracteres visíveis, a expressão “Isento


do IPI”. (RIPI, art. 273, § 8º)

Das amostras grátis isentas do imposto e das que, embora destinadas a


distribuição gratuita, sejam tributadas, constarão, respectivamente, as
expressões “Amostra Grátis Isenta de IPI” e “Amostra Grátis
Tributada”. (RIPI, art. 273, § 9º)

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A expressão “Indústria Brasileira” será inscrita com destaque e em caracteres


bem visíveis. (RIPI, art. 274, caput)

Essa exigência poderá ser dispensada da rotulagem ou marcação das


bebidas alcoólicas do Capítulo 22 da TIPI, importadas em recipientes de
capacidade superior a um litro e que sejam reacondicionadas no Brasil,
no mesmo estado ou após redução do seu teor alcoólico, bem como de outros
produtos importados a granel e reacondicionados no País, atendidas às
condições estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda (RIPI, art. 274,
par. único).

Na marcação dos produtos e dos volumes que os contenham, destinados à


exportação, serão declarados a origem brasileira e o nome do
industrial ou exportador. (RIPI, art. 275, caput)

A rotulagem ou marcação dos produtos industrializados no País será feita no


idioma nacional, excetuados os nomes dos produtos e outras
expressões que não tenham correspondência em português, e a
respectiva marca, se estiver registrada no Instituto Nacional da Propriedade
Industrial. (RIPI, art. 276, caput)

É importante mencionar que tal regra não se aplica aos produtos


especificamente destinados à exportação para o exterior, cuja rotulagem ou
marcação poderá ser adaptada às exigências do mercado estrangeiro
importador (RIPI, art. 276, par. único).

É também importante citar o Decreto 7.882/2012, que, ao regulamentar


o art. 2º, da Lei 12.649/2012, estabelece que as embalagens de papel
imune também deverão ser rotuladas, com a expressão “PAPEL
IMUNE”, para identificação e controle fiscal do produto.

Destaque-se que há um procedimento específico, referente aos metais


preciosos das posições 71.13 a 71.15, e dos relógios classificados nas Posições
91.01 e 91.03, e dos produtos de metais preciosos ou de metais folheados ou
chapeados de metais preciosos, classificados nos Códigos 9111.10.00,
9112.20.00 e 9113.10.00 da TIPI.

Em relação a tais produtos, os fabricantes, os licitantes e os


importadores marcarão cada unidade, mesmo quando eles se destinem a
reunião a outros produtos, tributados ou não, por meio de punção,
gravação ou processo semelhante, com as letras indicativas da unidade
federada onde estejam situados, os 03 últimos algarismos de seu número de
inscrição no CNPJ, e o teor, em milésimos, do metal precioso empregado ou da
espessura, em mícrons, do respectivo folheado, conforme o caso (RIPI, art.
277, caput).

Observação: Quem é o licitante? É aquele que adquire produtos em hasta

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pública. Embora não haja incidência sobre a arrematação em leilão, como já


vimos em aula anterior, o licitante deve respeitar as regras sobre marcação e
rotulagem.

 Letras indicativas da unidade federada onde estejam


situados;
 03 últimos algarismos de seu CNPJ;
 Teor de metal precioso empregado ou espessura do
folheado.

De acordo com o art. 277, § 1º, do RIPI, as letras e os algarismos


poderão ser substituídos pela marca fabril registrada do fabricante ou
marca registrada de comércio do importador, respeitadas as regras do
RIPI.

Além disso, a punção deve ser feita antes de ocorrido o fato gerador do
imposto, se de produto nacional, e dentro de oito dias, a partir da entrada no
estabelecimento do importador ou licitante, nos casos de produto importado ou
licitado.

PRODUTO NACIONAL Antes do Fato Gerador

PRODUTO IMPORTADO 08 dias, a partir da entrada no


OU LICITADO estabelecimento Importador ou licitante

Observação: Especificamente sobre os importadores, eles devem puncionar


os produtos recebidos do exterior, mesmo que estes já tenham sido
marcados no país de origem.

6.1.1 – Falta de Rotulagem

Conforme preceitua o art. 280, do RIPI, a falta de rotulagem, marcação


ou numeração, quando exigidas, importará em considerar-se o produto
como não identificado com o descrito nos documentos fiscais.

Serão considerados não rotulados ou não marcados os


produtos com rótulos ou marcas que apresentem
indicações falsas.

Você deve se lembrar do que diz o art. 184, II, do RIPI, quando se refere
aos atos de iniciativa do sujeito passivo. Vamos relembrar:

Art. 184. Considerar-se-ão não efetuados os atos de iniciativa do sujeito


passivo, para o lançamento:

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II - quando o produto tributado não se identificar com o descrito no


documento;

A consequência disso é que o art. 186 deste Regulamento impõe que,


diante da situação acima, o IPI deve ser lançado de ofício. Portanto, a falta de
rotulagem implica lançamento de ofício!

6.1.2 – Dispensa de Rotulagem ou Marcação

No que se refere aos casos em que a legislação tributária dispensou a


rotulagem ou marcação, não há outra saída senão decorá-las:

Art. 282. Ficam dispensados de rotulagem ou marcação:

I - as peças e acessórios de veículos automotores, adquiridos para


emprego pelo próprio estabelecimento adquirente, na industrialização
desses veículos;

II - as peças e acessórios empregados, no próprio estabelecimento


industrial, na industrialização de outros produtos;

III - as antiguidades, assim consideradas as de mais de cem anos;

IV - as jóias e objetos de platina ou de ouro, de peso individual


inferior a um grama;

V - as jóias e objetos de prata de peso individual inferior a três


gramas; e

VI - as jóias e objetos sem superfície livre que comporte algarismos e


letras de, pelo menos, cinco décimos de milímetro de altura.

A dispensa de rotulagem ou marcação é mais rígida com


os produtos de platina ou de ouro do que as jóias e
objetos de prata. Bastante óbvio!

6.1.3 – Proibições

Art. 283. É proibido:

I - importar, fabricar, possuir, aplicar, vender ou expor à venda rótulos,


etiquetas, cápsulas ou invólucros que se prestem a indicar, como
estrangeiro, produto nacional, ou vice-versa;

II - importar produto estrangeiro com rótulo escrito, no todo ou em


parte, na língua portuguesa, sem indicação do país de origem;

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III - empregar rótulo que declare falsa procedência ou falsa


qualidade do produto;

IV - adquirir, possuir, vender ou expor à venda produto rotulado,


marcado, etiquetado ou embalado nas condições dos incisos I a III; e

V - mudar ou alterar os nomes dos produtos importados,


constantes dos documentos de importação, ressalvadas as hipóteses
em que eles tenham sido submetidos a processo de
industrialização no País.

6.2 – Selos de Controle

Você já ouvir falar dos selos de controle? Vamos ver o que é um selo:

A legislação tributária determina que sejam afixados


selos de controle em alguns produtos específicos, com o
objetivo de otimizar o controle fiscalizatório sobre a
produção e circulação desses produtos.
Obs.: A imagem mostra o selo de controle sendo retirado
de um maço de cigarro.

Em relação aos selos de controle, o RIPI inicia a regulamentação do


assunto do seguinte modo:

Art. 284. Estão sujeitos ao selo de controle previsto no art. 46 da Lei


nº 4.502, de 1964, segundo as normas constantes deste Regulamento e
de atos complementares, os produtos relacionados em ato da
Secretaria da Receita Federal do Brasil, que poderá restringir a
exigência a casos específicos, bem como dispensar ou vedar o
uso do selo.

Parágrafo único. As obras fonográficas sujeitar-se-ão a selos e sinais de


controle, sem ônus para o consumidor, com o fim de identificar a
legítima origem e reprimir a produção e importação ilegais e a
comercialização de contrafações, sob qualquer pretexto,
observado para esse efeito o disposto em ato da Secretaria da Receita
Federal do Brasil.

Observe que a RFB possui autonomia para exigir selo de alguns


produtos, e dispensar outros. Portanto, a regra geral é não haver
obrigatoriedade de emprego do selo de controle, salvo quando houver
determinação expressa. Assim, os produtos sujeitos a selos são a minoria,
como cigarros (visto na foto), bebidas alcoólicas, relógios etc.

Veja que, ao contrário da rotulagem e marcação, que são a regra em


quase todos os produtos, os selos de controle somente são obrigatórios em
casos específicos.

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Por falar em rotulagem e marcação, o art. 286, do RIPI, prevê que o


emprego do selo não dispensa a rotulagem ou marcação dos produtos,
de acordo com as normas previstas no próprio RIPI.

6.2.1 – Confecção e Distribuição de Selos de Controle

O selo de controle é confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil,


que se encarregará também de sua distribuição às repartições da Secretaria da
Receita Federal do Brasil.

Observação: A confecção do selo atenderá ao formato, cores, dizeres e


outras características que a Secretaria da Receita Federal do Brasil
estabelecer. Ou seja, quem define tudo é a RFB; a Casa da Moeda
apenas executa e entrega à RFB!

Depois que o selo é confeccionado e entregue pela Casa da Moeda,


compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a supervisão da
distribuição, a guarda e o fornecimento do selo.

Ressaltamos que poderão ser adotadas características distintas,


inclusive numeração, para o selo de cada produto, ou classe de preços de
produtos, que assegurem o perfeito controle quantitativo.

No caso específico dos cigarros (Código 2402.20.00), o selo de controle


confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil conterá dispositivos de segurança
aprovados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que possibilitem a
verificação de sua autenticidade no momento da aplicação no estabelecimento
industrial fabricante de cigarros ou de cigarrilhas.

6.2.2 – Depósito dos Selos e da sua Distribuição aos Usuários

Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil que receberem o


selo de controle manterão depósito que atenda às exigências de
segurança e conservação necessárias à sua boa guarda. Ademais, os
órgãos da RFB que receberem o selo de controle para redistribuição a outras
repartições ou para fornecimento aos usuários, devem manter registro das
entradas e saídas.

Os fornecimento dos selos é feito aos fabricantes, importadores e


adquirentes em licitação dos produtos sujeitos ao seu uso. Também é
possível o fornecimento a comerciantes, nas hipóteses previstas pela RFB.

Ressalte-se que o fornecimento de selos deve respeitar os limites


estabelecidos no art. 294, do RIPI:

I - para produtos nacionais, em quantidade não superior às necessidades


de consumo do fabricante para período fixado pela Secretaria da Receita
Federal do Brasil;

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II - para cigarros (Código 2402.20.00) de origem estrangeira, em


quantidade igual ao número das unidades a importar, previamente informadas,
nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do
Brasil;

III - para os demais produtos importados, em quantidade coincidente com


o número de unidades tributadas consignadas no registro da declaração de
importação no SISCOMEX; e

IV - para produtos adquiridos em licitação, na quantidade de unidades


constantes da guia de licitação.

Relativamente ao modo como o fornecimento é feito, devemos saber


duas informações importantes:

Fornecimento de selos para produtos nacionais  será feito mediante


comprovação de recolhimento do imposto relativo ao período ou períodos de
apuração cujo prazo de recolhimento tenha vencido após a última aquisição,
ou da existência de saldo credor.

Fornecimento de selos para cigarros de origem estrangeira  será feito


mediante apresentação do respectivo documento de arrecadação, referente ao
pagamento dos selos.

Os usuários têm a obrigação de informar a previsão


de suas necessidades de consumo.

Outro aspecto relevante é que há cobrança pelo fornecimento dos


selos de controle, ou seja, não é gratuito. Fique atento, pois isso já foi
objeto de cobrança pela ESAF.

O RIPI facultou a cobrança, mas, na prática, ela ocorre:

Art. 298. O Ministro de Estado da Fazenda poderá determinar que o


fornecimento do selo de controle aos usuários seja feito mediante
ressarcimento de custos e demais encargos, em relação aos
produtos ou espécies de produtos que indicar e segundo os critérios e
condições que estabelecer.

De acordo com o art. 13, I, da Lei 12.995/2014, a


utilização dos selos de controle está sujeita à
incidência de taxa.

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6.2.3 - Registro, Controle e Marcação dos Selos Fornecidos

O movimento de entrada e saída do selo de controle, inclusive das


quantidades inutilizadas ou devolvidas, será registrado pelo usuário no
livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle.

Se, por um acaso, na verificação física do estoque, forem apuradas diferenças


no estoque do selo, a conclusão que se faz é a seguinte:

Se faltar selos no estoque  Houve saída de produtos selados sem emissão


de nota fiscal; ou

Se houver excesso de selos no estoque  Houve saída de produtos sem


aplicação do selo.

Em qualquer das hipóteses acima, será cobrado o IPI sobre as diferenças


apuradas, sem prejuízo das sanções e outros encargos exigíveis. Isso é o que
estabelece o caput do art. 301, do RIPI. No caso de produto de diferentes
preços, desde que não seja possível identificar o preço do produto, o
imposto será calculado com base no de valor mais elevado.

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Em relação ao controle de entrada e saída de selos de
controle, caso seja constatado excesso de selos no
estoque, conclui-se que houve saída de produtos
selados sem emissão de nota fiscal.
Comentário: Na realidade, é a falta de selos que nos
leva a essa conclusão. Caro candidato, você deve
entender bem isso para não errar na prova!
Gabarito: Errada

6.2.4 - Aplicação do Selo nos Produtos

Você deve estar se perguntando se há alguma regra para a colagem dos


selos nos produtos. Realmente, há uma regra no RIPI sobre o assunto. Foi
determinado que o selo de controle será colado em cada unidade do
produto, empregando-se cola especial que impossibilite a sua retirada,
atendidas, em sua aplicação, as normas estabelecidas pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil. Ademais, a aplicação do selo, quando numerado,
obedecerá à ordem crescente da numeração.

“Tudo bem, professor! Mas quem fica responsável pela selagem?”

Art. 304. A aplicação do selo de controle nos produtos será feita:

I - pelo industrial, antes da saída do produto do estabelecimento


industrial; ou

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II - pelo importador ou licitante, antes da saída do produto da


repartição que o desembaraçar ou licitar.

Antes da saída do produto do estabelecimento industrial ou da repartição


que o desembaraçar ou licitar... Vamos esclarecer isso melhor, meu
amigo(a)?

O art. 285, do RIPI, assevera que os produtos sujeitos ao selo não


podem ser liberados pelas repartições fiscais, sair dos estabelecimentos
industriais, ou equiparados a industrial, nem ser expostos à venda, vendidos
ou mantidos em depósitos fora dos mesmos estabelecimentos, ainda que em
armazéns-gerais, sem que, antes, sejam selados.

Contudo, o próprio Regulamento, no art. 305, permite que a Secretaria


da Receita Federal do Brasil edite normas com os termos e condições para que
a aplicação do selo de controle nos produtos possa ser feita, mediante
informação à repartição jurisdicionante, no estabelecimento do importador
ou licitante ou em local por eles indicado.

A regra geral é selar antes da saída dos produtos,


mas há exceções.

A título de exemplo, a IN SRF 030/1999 permite, no art. 3º, § 1º, que a


aplicação do selo de controle nos relógios de pulso e de bolso (apenas quando
estiverem sujeitos ao selo) pode ser feita no estabelecimento do
importador ou licitante, desde que autorizada pelo chefe da unidade da RFB
encarregada do desembaraço aduaneiro ou da liberação dos produtos.

Além disso, o art. 306 do RIPI que, na importação de bebidas alcoólicas


(Capítulo 22 da TIPI), quando estas estiverem sujeitas ao selo de
controle, a Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá estabelecer
hipóteses, condições e requisitos para sua aplicação, no desembaraço
aduaneiro ou sua remessa pelo importador, para selagem pelo fabricante.

Ora, quem é o fabricante de produtos importados? O industrial,


localizado no exterior. Portanto, permite-se a selagem até mesmo no
exterior, antes dos produtos serem remetidos ao Brasil.

Com base nisso, a RFB regulamentou o assunto na IN RFB 1.432/2013,


permitindo que uísques importados sejam selados no exterior. É possível,
portanto, que os uísques sejam selados lá na Escócia! Interessante, não é
mesmo?

O mesmo ocorre com os cigarros, cujos selos, conforme prevê a IN RFB


770/2007 (art. 51, § 3º), serão remetidos pelo importador ao fabricante

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no exterior, devendo ser aplicado em cada carteira, embalagem maço ou


rígida, que contenha vinte unidades do produto, na mesma forma estabelecida
para os produtos de fabricação nacional.

Sendo assim, caso você se depare com uma assertiva do tipo “o selo de
controle será aplicado, em alguns casos, pelo fabricante de bebidas no
exterior”, pode marcar CORRETA, sem pestanejar! Ok?

Antes de encerrarmos, é preciso frisar a diferença nas regras de selagem


dos produtos nacionais e importados. Os produtos nacionais devem ser selados
antes da saída do respectivo estabelecimento industrial. Por outro lado, os
produtos importados devem ser selados antes de saírem das repartições
fiscais. Portanto, ao menos em regra, os produtos importados não
podem ser selados no estabelecimento do importador ou licitante.

6.2.5 – Devolução e Emprego Indevido de Selos de Controle

De maneira bastante lógica, o legislador permitiu a devolução dos selos


de controle à unidade fornecedora da RFB, sendo necessária a emissão da
Guia de Devolução do Selo de Controle! Grave isso!

As hipóteses constam a seguir:

Art. 310. O selo de controle será devolvido à unidade fornecedora da


Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante a “Guia de Devolução
do Selo de Controle” e observado o disposto no inciso II do art. 316,
nos seguintes casos:

I - encerramento da fabricação do produto sujeito ao selo;

II - dispensa, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, do uso do


selo;

III - defeito de origem nas folhas dos selos; ou

IV - quebra, avaria, furto ou roubo de produtos importados, quando


tenha sido autorizada a aplicação do selo no estabelecimento do
contribuinte.

Observação: Veja que não há qualquer segredo em memorizar essas 04


hipóteses, e elas podem ser cobradas pela ESAF, justamente pelo fato de
uma questão possuir 05 assertivas, sendo que a quinta estaria incorreta.

Destaque-se o fato de que, em alguns casos, os produtos serão


considerados como não selados, conforme preceitua o art. 320 do RIPI:

Art. 320. Consideram-se os produtos como não selados,


equiparando-se a infração à falta de pagamento do imposto, que

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será exigível, acrescido da multa prevista no inciso III do art. 585, nos
seguintes casos:

I - emprego do selo destinado a produto nacional em produto estrangeiro


e vice-versa;

II - emprego do selo em produtos diversos daquele a que é destinado;

III - emprego do selo não marcado ou não aplicado como previsto neste
Regulamento ou nos atos administrativos pertinentes; e

IV - emprego de selo que não estiver em circulação.

Observação: Sendo assim, em tais hipóteses, será exigido o valor do


imposto, já que se equipara à falta de pagamento, sendo acrescida a multa
de 75% sobre o valor do imposto devido. Não se preocupe em decorar os
percentuais!

6.3 – Obrigações dos Transportadores, Adquirentes e Depositários de


Produtos Industrializados

6.3.1 – Obrigações dos Transportadores

O art. 323 do RIPI assevera que os transportadores não podem aceitar


despachos ou efetuar transporte de produtos que não estejam
acompanhados da documentação prevista no próprio RIPI.

Observação: O transportador pode até aceitar, mas vai ficar sendo


responsável pelo pagamento do IPI em relação aos produtos tributados
que transportar, desacompanhados da documentação comprobatória de sua
procedência (RIPI, art. 25, I).

Aliás, os transportadores têm a obrigação de conferir se os volumes que


irão transportar. Assim, não podem aceitar despachos em que há desacordo
dos volumes com sua discriminação nos documentos, falta de discriminação ou
de descrição incompleta dos volumes que impossibilite ou dificulte a sua
identificação, ou até mesmo falta de indicação do nome e endereço do
remetente e do destinatário.

Ademais, dispõe o art. 324, do RIPI, que os transportadores são


pessoalmente responsáveis pelo extravio dos documentos que lhes
tenham sido entregues pelos remetentes dos produtos.

No caso de suspeita de existência de irregularidade quanto a


mercadorias a serem transportadas, a empresa transportadora deverá:

I - tomar as medidas necessárias à sua retenção no local de destino;

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II - comunicar o fato à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil do


destino; e

III - aguardar, durante cinco dias, as providências da referida unidade.

O mesmo procedimento deve ser adotado pelo transportador se essa


suspeita vier a ocorrer apenas na descarga das mercadorias. Isso significa que,
mesmo que não tenha percebido no carregamento, no momento da
descarga, ainda há tempo de tomar as medidas cabíveis.

Destaque-se, por fim, mais uma obrigação dos transportadores, em


relação aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil:

Art. 517. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar aos


Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil todas as informações de
que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades
de terceiros:

III - as empresas transportadoras e os transportadores


autônomos;

Obviamente, a obrigação acima não abrange a prestação de


informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja
legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício,
função, ministério, atividade ou profissão.

6.3.2 – Obrigações dos Adquirentes e Depositários

No tocante às obrigações dos adquirentes e depositários, o art. 327 do


RIPI estabelece que devem examinar o seguinte:

 Se os produtos encontram-se devidamente rotulados ou marcados;


 Se os produtos se acham selados, caso estejam sujeitos ao selo de cotrole;
 Se estão acompanhados dos documentos exigidos no RIPI, e se satisfazem
as demais prescrições deste Regulamento.

Se for verificada qualquer irregularidade, devem comunicar por


escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias,
contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se
o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo cópia do
documento com prova de seu recebimento.

Observação: A comunicação feita com as formalidades previstas no §


1o exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria
pela irregularidade verificada.

No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do


produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que

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não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de


controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebê-lo,
sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível,
e sujeito às sanções cabíveis.

Observação: Tal como ocorre com os transportadores, os estabelecimentos


que possuírem produtos tributados ou isentos, sujeitos a serem rotulados ou
marcados, ou, ainda, ao selo de controle, quando não estiverem rotulados,
marcados ou selados, ficam responsáveis pelo pagamento do IPI devido
(RIPI, art. 25, V).

6.4 – Registro Especial

O Registro Especial é uma medida de controle sobre os


estabelecimentos, e não sobre os produtos. O objetivo é aumentar o rigor
do controle sobre as pessoas jurídicas que importam, fabricam ou
comercializam papel imune, cigarros e bebidas alcoólicas.

Em relação ao papel imune, o art. 328 relacionou as pessoas jurídicas


que devem manter Registro Especial na RFB:

Art. 328. Deve manter Registro Especial na Secretaria da Receita


Federal do Brasil a pessoa jurídica que:

I - exercer as atividades de comercialização e importação de


papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos; e

II - adquirir o papel imune para a utilização na impressão de


livros, jornais e periódicos.

Em se tratando de fabricação de cigarros (Código 2402.20.00) e


cigarrilhas (Código 2402.10.00), o art. 330 do RIPI determina que ela será
exercida exclusivamente pelas empresas constituídas sob a forma de
sociedade e com o capital mínimo estabelecido pelo Secretário da Receita
Federal do Brasil que, dispondo de instalações industriais adequadas,
mantiverem registro especial na Secretaria da Receita Federal do
Brasil.

Observação: O capital mínimo é de R$ 2.500.000,00 para fabricantes de


cigarros, e R$ 500.000,00 para fabricantes de cigarrilhas, conforme prevê o
art. 3º, II, “a” e “b”, da IN RFB 770/2007, cuja redação foi alterada pela IN
1.421/2013.

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A IN RFB 770/07 esclarece que tanto os fabricantes de


cigarros como os importadores estão obrigados à
inscrição no registro especial.

A situação é a mesma, no que se refere aos estabelecimentos industriais


e equiparados a industriais, em relação aos produtos definidos no Capítulo 22
da TIPI (bebidas alcoólicas): devem possuir registro especial na RFB.
Também estão sujeitos ao Registro Especial os importadores de tais predutos,
quando relacionados em ato da RFB e quando estiverem sujeitos ao selo de
controle.

A RFB dispensou alguns estabelecimentos industriais, equiparados a


industriais ou importadores das bebidas alcoólicas da obrigatoriedade de se
inscrever no Registro Especial. São elas (IN RFB 1.432/2013, art. 2º, § 5º):

§ 5º A inscrição no registro especial é dispensada para:

I - as lojas francas que efetuarem a importação de bebidas destinadas


exclusivamente à venda em suas dependências;

II - os estabelecimentos obrigados à utilização do Sistema de


Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) que estejam operando
em normal funcionamento e desde que todos os produtos sejam
controlados pelo sistema;

III - os estabelecimentos que comercializem exclusivamente bebidas, de


fabricação nacional ou importadas, enquadradas nos critérios de
dispensa da exigência de aplicação do selo de controle nos termos
do art. 16;

IV - os Parceiros Comerciais da Fédération Internationale de Football


Association (Fifa) nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.313,
de 28 de dezembro de 2012.

Questão 21 – ESAF/ATRFB/2012

Quanto à obrigatoriedade de rotulação ou marcação de produtos, exigida na


legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, pode-se afirmar,
exceto:

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a) a rotulagem ou marcação será feita no produto e no seu recipiente,


envoltório ou embalagem.
b) a rotulagem ou marcação será feita antes da saída do estabelecimento, em
cada unidade, em lugar visível, por processo de gravação, estampagem ou
impressão.
c) nos tecidos a rotulagem ou marcação será feita nas extremidades de cada
peça, com indicação de sua composição, vedado cortar as indicações
constantes da parte final da peça.
d) no caso de impossibilidade ou impropriedade de rotulagem ou marcação no
produto, o fato será comunicado à Receita Federal do Brasil para fins de
dispensa.
e) das amostras grátis isentas do imposto e das que, embora destinadas a
distribuição gratuita, sejam tributadas, constarão, respectivamente, as
expressões “Amostra Grátis Isenta de IPI” e “Amostra Grátis Tributada”.

Comentário:

Alternativa A: A rotulagem ou marcação é feita tanto no produto quanto nos


volumes que o acondicionam. Item correto.

Alternativa B: De acordo com o art. 273, § 1º, do RIPI, a rotulagem ou


marcação será feita no produto e no seu recipiente, envoltório ou embalagem,
antes da saída do estabelecimento, em cada unidade, em lugar visível, por
processo de gravação, estampagem ou impressão. Item correto.

Alternativa C: Deveras, nos tecidos, a rotulagem ou marcação será nas


extremidades de cada peça, com indicação de sua composição, vedado cortar
as indicações constantes da parte final da peça. Item correto.

Alternativa D: No caso de impossibilidade ou impropriedade de rotulagem ou


marcação no produto, reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,
estas serão feitas apenas no recipiente, envoltório ou embalagem. Item
errado.

Alternativa E: É o que estabelece o § 9º, do art. 273, do RIPI. Item correto.

Gabarito: Letra D

Questão 22 – ESAF/AFRFB/2012

Para fins de controle do quantitativo de produtos industrializados tributados


pelo IPI, a legislação tributária pode instituir obrigação acessória consistente
na aplicação de selo especial, confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e
distribuído aos contribuintes pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,
proibida cobrança de valores pela distribuição, exceto no caso de inutilização
ou desperdício ocasionado pelo contribuinte, hipótese em que será cobrado
ressarcimento pela redistribuição dos selos.

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Comentário: A assertiva envolve bastante conhecido sobre os selos de


controle, mas o erro dela é muito claro: diferentemente do que foi dito, há
cobrança pelos selos de controle. Questão errada.

Questão 23 – ESAF/AFRFB/2014

Segundo entendimento recente do Supremo Tribunal Federal, o valor cobrado


a título de ressarcimento de custos para utilização do selo especial de emissão
oficial para controle do Imposto sobre Produtos Industrializados detém
natureza jurídica tributária de contribuição de intervenção no domínio
econômico, motivo pelo qual está reservado a lei em sentido estrito.

Comentário: De acordo com o STF, o valor cobrado é tributo da espécie taxa,


e não CIDE, como afirma a ESAF. Questão errada.

Questão 24 – ESAF/AFRFB/2014

A legislação tributária impõe obrigação acessória consistente na aplicação de


selo especial de emissão oficial para controle de determinados produtos
sujeitos ao Imposto sobre Produtos Industrializados.

Comentário: De fato, a legislação tributária impõe a aplicação de selo


especial, confeccionados pela Casa da Moeda do Brasil, para controle de
determinados produtos. Questão correta.

Questão 25 – ESAF/AFRFB/2014

A exigência legal de utilização de selos para o controle da produção de


algumas mercadorias sujeitas ao Imposto sobre Produtos Industrializados foi
recentemente revogada por lei que instituiu, em substituição ao selo, a
obrigatoriedade de utilização da nuvem digital para controle de mercadorias,
que capta imagens da produção e transporte das mercadorias em tempo real.

Comentário: Redação totalmente equivocada, pois ainda é obrigatório o uso


dos selos de controle para determinados produtos. Questão errada.

Questão 26 – INÉDITA/2017

O movimento de entrada e saída do selo de controle será registrado pelo


usuário no livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle. Se for
apurada falta de selos no estoque, presume-se que houve saída de produtos
selados sem emissão da nota fiscal.

Comentário: De acordo com o art. 299 do RIPI, o movimento de entrada e


saída do selo de controle será registrado pelo usuário no livro Registro de
Entrada e Saída do Selo de Controle. Além disso, conforme prevê o art. 300, I,

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se for apurada falta de selos no estoque, presume-se que houve saída de


produtos selados sem emissão da nota fiscal. Questão correta.

Questão 27 – ESAF/AFRFB/2014

A legislação tributária impõe obrigação acessória consistente na instalação de


equipamentos contadores de produção, que possibilitem a identificação do tipo
de produto, de embalagem e de sua marca comercial, ficando os contribuintes
obrigados ao ressarcimento pelo custo necessário à instalação desses
equipamentos na linha de produção.

Comentário: Existe, em alguns casos, a obrigação acessória relativa à


instalação dos equipamentos contadores de produção. Além disso, os
estabelecimentos industriais (contribuintes do IPI) devem ressarcir o custo
necessário à instalação desses equipamentos na linha de produção. Questão
correta.

Questão 28 – ESAF/AFRFB/2012

Mediante intimação escrita, as empresas transportadoras e os transportadores


autônomos são obrigados a prestar aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do
Brasil todas as informações de que disponham com relação aos produtos,
negócios ou atividades de terceiros, exceto quanto a fatos sobre os quais
estejam legalmente obrigados a observar segredo em razão de cargo, ofício,
função, ministério, atividade ou profissão.

Comentário: É exatamente o que estabelece o art. 517, III, c/c par. único do
mesmo artigo. Questão correta.

Questão 29 – INÉDITA/2017

Estão dispensados do registro especial os estabelecimentos obrigados à


utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) que
estejam operando em normal funcionamento e desde que todos os produtos
sejam controlados pelo sistema.

Comentário: De acordo com a IN RFB 1.432/2013, art. 2º, § 5º, alguns


estabelecimentos industriais, equiparados a industriais ou importadores das
bebidas alcoólicas da obrigatoriedade de se inscrever no Registro Especial.
Dentre eles, estão os estabelecimentos obrigados à utilização do Sistema de
Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) que estejam operando em normal
funcionamento e desde que todos os produtos sejam controlados pelo sistema.
Questão correta.

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Questão 30 – INÉDITA/2017

Deve manter Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a


pessoa jurídica que exercer as atividades de comercialização e importação de
papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos.

Comentário: É isso o que estabelece o art. 328, I, do RIPI. Questão correta.

7 - CIGARROS

Além da exigência do Registro Especial, os cigarros, tal como as bebidas,


receberam alguns tratamentos específicos, nos arts. 342 a 368, cuja leitura se
recomenda aos candidatos do concurso da RFB!

Observação: O que iremos estudar neste tópico já foi atualizado com a mais
recente legislação vigente até a data de publicação da aula.

Inicialmente, cumpre-nos ressaltar que o IPI incidente sobre os


cigarros é apurado e recolhido uma única vez pelo estabelecimento
industrial (para cigarros nacionais) ou pelo importador (para cigarros
estrangeiros).

Em relação a esse aspecto da incidência do IPI sobre os cigarros, é


relevante citar que as disposições sobre equiparações a estabelecimentos
industriais não se aplicam a esses produtos. Isso quer dizer que não existe
a figura do estabelecimento equiparado a industrial, no caso dos
cigarros e cigarrilhas.

Assim, quem não industrializa e não importa cigarros, não paga IPI. Isso
deve estar fixado na sua memória! É nesse sentido que o § 3º, do art. 43, do
RIPI prevê que a remessa de cigarros de um estabelecimento para outro
da mesma firma não faz jus à suspensão do IPI. Se isso fosse possível,
com base no raciocínio que acabamos de expor, não haveria tributação sobre
os cigarros.

Observação: O RIPI, em seu art. 43, X, permite que saiam com suspensão
do imposto os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um
estabelecimento industrial ou equiparado a industrial para outro da mesma
firma. Isso não ocorre no caso dos cigarros e cigarrilhas.

7.1 – Regimes de Tributação dos Cigarros

Existem dois regimes de tributação disponíveis aos sujeitos passivos: o


regime geral e o regime especial. A opção pelo regime geral é a regra,
podendo o estabelecimento optar pelo regime especial, até o último

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dia útil do mês de dezembro de cada ano-calendário, produzindo efeitos


a partir do primeiro dia do ano-calendário subsequente ao da opção.

O regime de tributação dos cigarros é definido por


opção do próprio sujeito passivo!

Mas, como é feita a tributação em cada um desses regimes? Vamos ver!

No regime geral, o IPI é apurado mediante a aplicação da alíquota de


300% sobre o valor tributável. Este, por sua vez, não consiste no valor total da
operação, mas apenas 15% sobre o preço de venda no varejo dos cigarros.

REGIME GERAL = 300% x [15% x PREÇO DE VENDA NO VAREJO]

Observação: O valor tributável (ou base de cálculo) será obtido mediante a


aplicação de uma percentagem, fixada pelo Poder Executivo, sobre o preço de
venda no varejo. O art. 15, da Lei 12.546/2011, estabelece que esse
percentual não pode ser inferior a 15%. Na prática, foi fixado o
mínimo.

Por outro lado, quando o sujeito passivo opta pelo regime especial, fica
sujeito ao imposto calculado pela soma da alíquota ad valorem e específica.
Isso significa que a alíquota ad valorem será calculada tal como no regime
geral (multiplicação por 15% do preço de venda), e a esta soma-se a
alíquota específica, para encontrar o valor do IPI devido, por maço de cigarro.

Senão, vejamos:

ALÍQUOTAS
VIGÊNCIA ESPECÍFICA
AD VALOREM
MAÇO BOX
01/12/2011 a 30/04/2012 0% R$ 0,80 R$ 1,15
01/05/2012 a 31/12/2012 40,0% R$ 0,90 R$ 1,20
01/01/2013 a 31/12/2013 47,0% R$ 1,05 R$ 1,25
01/01/2014 a 31/12/2014 54,0% R$ 1,20 R$ 1,30
01/01/2015 a 30/04/2016 60,0% R$ 1,30 R$ 1,30
01/05/2016 a 30/11/2016 63,3% R$ 1,40 R$ 1,40
A partir de 01/12/2016 66,7% R$ 1,50 R$ 1,50
(Tabela atualizada conforme Decreto 8.656/2016)

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Soma-se a regra de que os cigarros receberam pela legislação


tributária a fixação dos preços mínimos, válidos em todo o território
nacional, abaixo do qual fica proibida a sua comercialização:

VIGÊNCIA VALOR POR VINTENA


01/05/2012 a 31/12/2012 R$ 3,00
01/01/2013 a 31/12/2013 R$ 3,50
01/01/2014 a 31/12/2014 R$ 4,00
01/01/2015 a 30/04/2016 R$ 4,50
A partir de 01/05/2016 R$ 5,00
(Tabela atualizada conforme Decreto 8.656/2016)

Assim, a título de exemplo, digamos que no mês de maio de 2015 seja


vendido um maço (e não box) de cigarro pelo preço mínimo permitido: R$
5,00. Acompanhe as simulações de tributação, segundo os dois regimes
disponíveis:

Regime Geral  300% x 15% x R$ 5,00 = R$ 2,25

Regime Especial  63,3% x 15% x R$ 5,00 + R$ 1,40 = R$ 1,87

Destaque-se que, na hipótese de adoção de preços diferenciados para a


mesma marca comercial de cigarro, prevalecerá, para fins de apuração e
recolhimento do IPI, o maior preço de venda no varejo praticado em cada
Estado ou no Distrito Federal.

7.2 – Exportação e Importação de Cigarros

Sobre a exportação de cigarros, uma informação é bastante relevante


para a nossa prova de Legislação Tributária: os cigarros destinados à
exportação não poderão ser vendidos nem expostos à venda no País.

As embalagens de apresentação dos cigarros destinados a países da


América do Sul e América Central, inclusive Caribe, deverão conter, sem
prejuízo da exigência de que trata o caput, a expressão “Somente para
exportação - proibida a venda no Brasil”, admitida sua substituição por
dizeres com exata correspondência em outro idioma.

Isso também se aplica às embalagens destinadas a venda, para consumo


ou revenda, em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, inclusive
por meio de ship´s chandler.

Observação: Você se lembra do que é ship´s chandler, correto? Trata-se do


fornecedor de mercadorias para consumo de bordo.

Além disso, a exportação de cigarros será precedida de verificação fiscal,


segundo normas expedidas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil.

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“Mas por que há tanta burocracia na exportação de cigarros?”

Ora, o art. 346, do RIPI, estabelece que são considerados como


produtos estrangeiros introduzidos clandestinamente no território
nacional, para todos os efeitos legais, os cigarros nacionais destinados à
exportação que forem encontrados no País, salvo se em trânsito,
diretamente entre o estabelecimento industrial e os destinos referidos no art.
343, desde que observadas as formalidades previstas para cada operação

O art. 343, citado acima, refere-se ao seguinte:

Art. 343. A exportação dos produtos do Código 2402.20.00 da TIPI


deverá ser feita pelo respectivo estabelecimento industrial, diretamente
para o importador no exterior, admitindo-se, ainda:

I - a saída dos produtos para uso ou consumo de bordo em


embarcações ou aeronaves de tráfego internacional, quando o
pagamento for efetuado em moeda conversível;

II - a saída, em operação de venda, diretamente para as lojas


francas; e

III - a saída, em operação de venda a empresa comercial


exportadora, com o fim específico de exportação, diretamente para
embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e
ordem da empresa comercial exportadora.

O cigarro deve ser exportado diretamente para o


importador no exterior, admitida:
 Saída para consumo de bordo;
 Saída para venda em lojas francas;
 Saída para venda a ECE.

Observação: Excetuadas as três hipóteses acima, bem como os cigarros em


trânsito, remetidos aos recintos alfandegados ou a outros locais onde se
processo o despacho de exportação, são obrigados ao pagamento do
imposto como responsáveis o proprietário, o possuidor, o transportador
ou qualquer outro detentor de produtos nacionais, saídos do
estabelecimento industrial com imunidade ou suspensão do imposto,
para exportação, encontrados no País em situação diversa. (RIPI art.
25, IV)

No que se refere à importação de cigarros do exterior, é importante


relembrar o fato de que eles serão selados no exterior, por meio de remessa
dos selos de controle ao país exportador.

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Para tanto, o importador deverá requerer, à unidade da Secretaria


da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, o fornecimento dos selos
de controle, no requerimento, prestar as seguintes informações:

I - nome e endereço do fabricante no exterior;

II - quantidade, marca comercial e características físicas do produto a ser


importado;

III - preço de venda a varejo pelo qual será feita a comercialização do produto
no Brasil.

Promovida a exportação para o Brasil, no desembaraço aduaneiro dos


cigarros e cigarrilhas importados do exterior, deverão ser observados:

I - se os produtos importados correspondem à marca comercial divulgada e se


estão devidamente selados;

II - se a quantidade de produtos importada corresponde à quantidade


autorizada;

III - se na embalagem dos produtos constam, em língua portuguesa, todas as


informações exigidas para os produtos de fabricação nacional.

Por fim, é muito importante que você saiba que é vedada a importação
de cigarros de marca que não seja comercializada no país de origem.

7.3 – Outras Regras Relativas aos Cigarros

Neste tópico, iremos enumerar algumas características importantes


sobre os cigarros:

 A comercialização de cigarros no País, inclusive a sua exposição à venda,


será feita exclusivamente em maços, carteiras ou em outro recipiente, que
contenham vinte unidades. (RIPI, art. 355)
 Os estabelecimentos industriais de cigarros, cigarrilhas e charutos
mencionarão, nos rótulos desses produtos, a quantidade contida em cada
maço, carteira, lata ou caixa. (RIPI, art. 356)
 É proibida a fabricação, em estabelecimento de terceiros, dos
produtos do Código 2402.20.00 da TIPI. (RIPI, art. 365, caput)
 É vedada aos fabricantes dos cigarros do Código 2402.20.00 da TIPI a
coleta, para qualquer fim, de carteiras de cigarros vazias ou selos de
controle já utilizados. (RIPI, art. 366)
 O papel para cigarros, em bobinas, somente poderá ser vendido, no
mercado interno, a estabelecimento industrial fabricante de cigarros
classificados no Código 2402.20.00 da TIPI, ou mortalhas. (RIPI, art. 367,
caput)

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 Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros e cigarrilhas dos


Códigos 2402.20.00, excetuados os classificados no Ex 01, e 2402.10.00 da
TIPI, respectivamente, estão obrigados à instalação de contadores de
produção e de aparelhos para o controle, registro, gravação e
transmissão dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos
estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (RIPI, art. 378,
caput)
 Os estabelecimentos que importam ou fabricam cigarros devem ter
registro especial na Receita Federal. (RIPI, art. 330)
 O prazo de recolhimento do IPI incidente sobre os cigarros é
diferenciado, devendo ser pago até o dia 10 do mês subsquente ao de
ocorrência dos fatos geradores.
 São solidariamente responsáveis o estabelecimento industrial
cigarros, com a empresa comercial exportadora, na hipótese de
operação de venda com o fim específico de exportação, pelo pagamento do
imposto e dos respectivos acréscimos legais, devidos em decorrência da
não efetivação da exportação. (RIPI, art. 27, V)

Especificamente sobre os contadores de produção, algumas informações


já foram utilizadas pelas ESAF em suas provas:

 Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros devem instalar


equipamentos contadores de produção. Além disso, os equipamentos
devem possibilitar o controle e o rastreamento dos produtos em todo
o território nacional;
 Os equipamentos contadores de produção deverão ser instalados em
todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais
fabricantes de cigarros e cigarrilhas, em local correspondente ao da
aplicação do selo de controle;
 Tais equipamentos deverão permanecer inacessíveis para ações de
configuração ou para interação manual direta com o fabricante, mediante
utilização de lacre de segurança;
 A Casa da Moeda é a responsável pela instalação dos contadores de
produção;
 O estabelecimento industrial deve ressarcir o custo necessário á instalação
desses equipamentos;
 No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste
artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência no prazo de vinte
e quatro horas, devendo manter o controle do volume de produção,
enquanto perdurar a interrupção.

Por fim, semelhantemente ao que ocorre com o controle do estoque dos


selos de controle, também há o controle de estoque do tabaco em folha.

Sendo assim, ressalvadas as quebras apuradas pelo Auditor-Fiscal da


Receita Federal do Brasil e as faltas comprovadamente resultantes de furto,
roubo, incêndio ou avaria, a diferença de estoque do tabaco em folha,

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verificada à vista dos livros e documentos fiscais do estabelecimento do


beneficiador, será considerada, nas quantidades correspondentes:

Se faltar no estoque  Houve saída de produto beneficiado pelo


estabelecimento sem emissão de nota fiscal; ou

Se sobrar no estoque (excesso)  Houve aquisição do tabaco em folha ao


produtor sem comprovação da origem. (RIPI, art. 368, I e II)

Questão 31 – ESAF/AFRFB/2012

A Lei n. 12.546, de 14 de dezembro de 2011, prevê incidência específica do


Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre certos tipos de cigarros
(Cigarros que contenham tabaco - classificados no código 2402.20.00 da TIPI,
com exceção do EX 01). A respeito desta incidência, assinale a opção
incorreta.
a) O IPI em questão será apurado e recolhido, uma única vez, pelo
estabelecimento industrial, em relação às saídas dos cigarros destinados ao
mercado interno, ou pelo importador, no desembaraço aduaneiro dos cigarros
de procedência estrangeira.
b) O valor a ser pago a título desse IPI é calculado mediante a aplicação da
alíquota do tributo sobre a sua base de cálculo, a qual é obtida mediante
aplicação de uma porcentagem, cujo mínimo está previsto em lei, incidente
sobre o preço de venda a varejo do produto.
c) O Poder Executivo poderá fixar preço mínimo de venda no varejo dos
cigarros de que trata o caput, válido em todo o território nacional, abaixo do
qual fica proibida a sua comercialização.
d) O fabricante dos cigarros em questão é obrigado a Registro Especial junto à
Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja concessão dar-se-á por
estabelecimento industrial e estará, também, na hipótese de produção,
condicionada à instalação de contadores automáticos da quantidade produzida,
sendo a ausência de regularidade fiscal uma das hipóteses que pode resultar o
cancelamento deste Registro Especial.
e) A pessoa jurídica industrial ou importadora dos cigarros referidos poderá
optar por regime favorecido de apuração e recolhimento do IPI, caso em que,
atendidos certos requisitos, a base de cálculo do tributo será o menor preço de
venda a varejo do produto, praticado em cada Estado ou no Distrito Federal.

Comentário:

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Alternativa A: Realmente, o IPI incidente sobre os cigarros é apurado e


recolhido uma única vez pelo estabelecimento industrial (para cigarros
nacionais) ou pelo importador (para cigarros estrangeiros). Item correto.

Alternativa B: Como vimos, o valor pago a título desse IPI é calculado


mediante a aplicação da alíquota de 300% sobre 15% do preço de venda no
varejo. Item correto.

Alternativa C: Tais produtos estão sujeitos a fixação de preço mínimo de


venda, conforme vimos em aula. Item correto.

Alternativa D: Além do registro especial, o fabricante deve ter ainda instalado


em sua linha de produção os equipamentos contadores de produção. Item
correto.

Alternativa E: Não existe tal previsão no RIPI. Item errado.

Gabarito: Letra E

Questão 32 – ESAF/ATRFB/2012

Quanto aos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, segundo a


legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, assinale a opção
correta.
a) Tais estabelecimentos estão obrigados à instalação de contadores de
produção, exceto no caso da instalação de equipamento que permita o controle
e o rastreamento dos produtos em todo território nacional.
b) Os equipamentos contadores de produção deverão ser instalados em todas
as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes
de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle.
c) No caso de avaria dos contadores de produção, o contribuinte terá o prazo
de trinta dias para conserto, sendo obrigado a utilizar o selo de controle
enquanto perdurar a interrupção.
d) Os equipamentos contadores de produção, em condições normais de
operação, deverão permanecer acessíveis para ações de configuração ou para
interação manual direta com o fabricante.
e) Nem todos os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros estão
obrigados à instalação de contadores de produção, somente aqueles que não
tenham aparelhos que façam o controle, registro, gravação e transmissão dos
quantitativos produzidos.

Comentário:

Alternativa A: Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros devem


instalar equipamentos contadores de produção. Além disso, os equipamentos

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devem possibilitar o controle e o rastreamento dos produtos em todo o


território nacional. Item errado.

Alternativa B: Os equipamentos contadores de produção deverão ser


instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos
industriais fabricantes de cigarros e cigarrilhas, em local correspondente ao da
aplicação do selo de controle. Item correto.

Alternativa C: No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos


previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência no prazo
de vinte e quatro horas, devendo manter o controle do volume de produção,
enquanto perdurar a interrupção. Item errado.

Alternativa D: Tais equipamentos deverão permanecer inacessíveis para


ações de configuração ou para interação manual direta com o fabricante,
mediante utilização de lacre de segurança. Item errado.

Alternativa E: Todos os fabricantes devem possuir os equipamentos


contadores de produção. Item errado.

Gabarito: Letra B

8 - BEBIDAS

Em relação à incidência do IPI sobre as bebidas, há que se destacar que


a tributação das bebidas frias, hoje, é semelhante à tributação das bebidas
quentes, porém faremos uma abordagem separada, haja vista serem normas
distintas.

8.1 – Bebidas Frias

8.1.1 - Conceito

Primeiramente, importa-nos saber que, com a publicação do Decreto


8.442/2015, regulamentando a Lei 13.097/2015, houve a revogação do
Decreto 6.707/2008. Como consequência, foram extintos os regimes geral e
especial, previstos no decreto revogado, sobre a tributação das bebidas frias.
Mas o que são as bebidas frias? Senão, vejamos:

Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados


ou sabores concentrados), para elaboração de bebida
2106.90.10
refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 partes da
bebida para cada parte do concentrado.
22.01 Águas minerais e águas gaseificadas.
22.02 Águas, incluindo as águas minerais e as águas gaseificadas,

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adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou


aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas.
22.03 Cervejas de malte.

Observação: Não estamos levando em consideração os detalhes acerca da


classificação fiscal, já que esse não é o foco do curso. O objetivo é entender
apenas quais produtos podem ser considerados como bebidas frias.

Algumas considerações importantes foram previstas no Decreto


8.442/2015:

1ª - Em relação às posições 22.01 e 22.02 da TIPI, a tributação estabelecida


neste Decreto alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, refrescos,
cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos, bebidas energéticas e
compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente
principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína.

2ª - Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:

I - cerveja especial  A cerveja que possuir 75% ou mais de malte de


cevada, em peso, sobre o extrato primitivo, como fonte de açúcares;

II - chope especial  A cerveja especial não submetida a processo de


pasteurização para o envase; e

III - varejista  A pessoa jurídica cuja receita decorrente da venda de


bens e serviços a consumidor final no ano-calendário imediatamente anterior
ao da operação houver sido igual ou superior a 75% de sua receita total
de venda de bens e serviços no mesmo período, depois de excluídos os
impostos e contribuições incidentes sobre a venda.

Observação: Pode ser considerada varejista a pessoa jurídica em início de


atividade, desde que a receita estimada decorrente da venda de bens e
serviços a consumidor final, no ano-calendário do início de atividade, seja
igual ou superior a 75% de sua receita total de venda de bens e
serviços no mesmo período, depois de excluídos os impostos e
contribuições incidentes sobre a venda.

Se essa estimativa não se confirmar, deve-se recolher a diferença devida a


título de IPI, PIS/Pasep e Cofins, com os acréscimos cabíveis, de acordo com
legislação aplicável.

8.1.2 – Estabelecimentos Equiparados a Industrial

O RIPI prevê, em seu art. 9°, incisos XI a XV, diversas hipóteses de


estabelecimentos equiparados a industrial. Contudo, tais disposições se

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referem a dispositivos já revogados da Lei 10.833/2003 e do Decreto


6.707/2008. Portanto, não devemos estudá-las para nossa prova!

Com o advento da Lei 13.097/2015, e sua regulamentação pelo Decreto


8.442/2015, são estabelecimentos equiparados a industrial os seguintes
estabelecimentos de pessoa jurídica, quando derem saída às bebidas frias
definidas no art. 1° deste Decreto:

I - caracterizado como controlador, controlado ou coligado de pessoa jurídica


que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 1º (bebidas frias),
na forma definida no art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976;

II - caracterizado como filial de pessoa jurídica que industrializa ou importa os


produtos de que trata o art. 1º (bebidas frias);

III - que, juntamente com pessoa jurídica que industrializa ou importa os


produtos de que trata o art. 1º (bebidas frias), estiver sob controle societário
ou administrativo comum;

IV - que apresente sócio ou acionista controlador, em participação direta ou


indireta, que seja cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em
linha reta ou colateral, até o terceiro grau, de sócio ou acionista controlador de
pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 1º
(bebidas frias);

V - que tenha participação no capital social de pessoa jurídica que industrializa


ou importa os produtos de que trata o art. 1º (bebidas frias), exceto nos casos
de participação inferior a um por cento em pessoa jurídica com registro de
companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários;

VI - que possuir, em comum com pessoa jurídica que industrializa ou importa


os produtos de que trata o art. 1º (bebidas frias), diretor ou sócio que exerçam
funções de gerência, ainda que essas funções sejam exercidas sob outra
denominação; ou

VII - que tiver adquirido ou recebido em consignação, no ano anterior, mais


de 20% do volume de saída da pessoa jurídica que industrializa ou importa os
produtos de que trata o art. 1º (bebidas frias).

Observa-se que várias situações foram previstas na legislação tributária,


como meio de prevenir que as empresas realizem conluio entre si, com o
objetivo de suprimir ou reduzir o pagamento do IPI, nas operações com
bebidas frias.

Desse modo, os estabelecimentos de pessoa jurídica que possua


relação com o importador ou fabricante de bebidas frias foram
equiparados a industrial, apenas em relação às saídas de bebidas frias
daqueles estabelecimentos, obviamente.

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Observação: Faça uma leitura atenta em cada uma das situações de


equiparação previstas acima, pois é isso que pode vir a cair em prova de
Legislação Tributária a partir da publicação do Decreto 8.442/2015.

8.1.3 – Base de Cálculo e Alíquotas

Em relação ao cálculo do IPI devido na saída das bebidas frias de


estabelecimento de pessoa jurídica industrial ou equiparada que mantenha
com a pessoa jurídica transportadora quaisquer das relações
mencionadas nos incisos do caput do art. 4º (equiparações a industrial), o
valor do frete integrará a base de cálculo do IPI (Decreto 8.442/2015,
art. 6°, caput).

No que se refere às alíquotas do IPI, incidentes no desembaraço


aduaneiro e na saída das bebidas frias dos estabelecimentos importadores,
industriais ou equiparados, são as constantes da Tabela de Incidência do IPI.
Ou seja, trata-se de regra básica, que é a aplicação das alíquotas
previstas na TIPI.

Para os estabelecimentos de pessoas jurídicas optantes


pelo Simples Nacional, aplicam-se as alíquotas básicas
do IPI para indústria nesse regime diferenciado (Anexo II
da LC 123/2006).

Além da regra básica, os arts. 7° e 8°, do Decreto 8.442/2015,


disciplinaram algumas situações e momentos em que as alíquotas do IPI
são reduzidas. São as seguintes reduções:

Art. 7º - Na hipótese de saída dos produtos de que trata o art. 1º do


estabelecimento importador, industrial ou equiparado para pessoa
jurídica varejista ou consumidor final, as alíquotas de que tratam o caput
e o § 1º do art. 6º ficam reduzidas em:

I - 22% para os fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2015; e

II - 25% para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de


2016.

Veja que as reduções ocorrem apenas nos casos em que há saída


das bebidas frias do estabelecimento importador, industrial ou
equiparado para pessoa jurídica varejista ou consumidor final.

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O Decreto 8.442/2015 estabeleceu valores mínimos para o IPI sobre


as bebidas frias!

Você já sabe que atualmente as bebidas frias são tributadas por meio da
aplicação de alíquotas ad valorem, previstas na TIPI. Sabe também que
existe a possibilidade de haver redução dessas alíquotas, como acabamos de
estudar acima!

Porém, é necessário ter conhecimento sobre o art. 30, do Decreto


8.442/2015, que estabeleceu valores mínimos para o IPI (e demais
tributos tratados no referido decreto), em função da classificação fiscal do
produto na TIPI, do tipo de produto e da capacidade do recipiente.

Por exemplo, as cervejas de malte (NCM 2203.00.00) são tributadas à


alíquota de 6% na TIPI, mas o Anexo I do Decreto 8.442/2015, previu um
valor mínimo do IPI sobre essas cervejas: R$ 0,0900 para embalagens
retornáveis e R$ 0,0960 para embalagens descartáveis.

Assim, mesmo após a redução que você viu acima (art. 7º), não é
possível que a aplicação da alíquota de 6% sobre a cerveja resulte em um
valor de IPI abaixo dos descritos acima! 

Entretanto, tais reduções não se aplicam nas seguintes hipóteses:

I - Sendo de instalação obrigatória, nos termos definidos pela Secretaria da


Receita Federal do Brasil - RFB, os equipamentos contadores de produção
(SICOBE) não estejam instalados ou em normal funcionamento; ou

II - de saída das bebidas frias de estabelecimentos importadores, industriais


ou equiparados de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional.

No primeiro caso, a redução não se aplica porque o contribuinte está


descumprindo uma obrigação acessória estabelecida pela Receita Federal. No
segundo, não há redução, pois, como vimos, os optantes pelo Simples Nacional
não são tributados pela TIPI, mas pelas alíquotas previstas no próprio regime
tributário diferenciado do Simples Nacional.

8.1.4 – Industrialização por Encomenda

Em se tratando de industrialização por encomenda das bebidas frias, o


IPI é devido em dois momentos, quais sejam:

I – Na saída do produto do estabelecimento que o industrializar; e

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II – Na saída do produto do estabelecimento encomendante, que poderá


creditar-se do IPI cobrado conforme o inciso I.

8.1.5 – Responsabilidade Tributária

Sabe-se que contribuinte é o sujeito passivo que possua relação pessoal


e direta com a situação que deu origem ao fato gerador do IPI, correto?
Responsável, por sua vez, é a pessoa, vinculada ao fato gerador da obrigação
tributária, a quem a lei expressamente definiu a obrigação de pagar o tributo.

No que se refere à tributação pelo IPI das bebidas frias, o art. 11, do
Decreto 8.442/2015 definiu o seguinte:

Art. 11. Na hipótese de inobservância das condições estabelecidas para


aplicação da redução prevista no art. 7º, a pessoa jurídica adquirente
dos produtos de que trata o art. 1º fica solidariamente responsável com
o estabelecimento importador, industrial ou equiparado pelo
recolhimento do imposto que deixou de ser pago em decorrência das
reduções de alíquotas previstas no art. 7º, com os acréscimos cabíveis,
de acordo com legislação aplicável.

Isso significa, portanto, que se as bebidas frias não forem destinadas a


pessoa jurídica varejista ou consumidor final, o adquirente torna-se
responsável solidário com o remetente das bebidas pela diferença que
deixou de ser paga, já que não haveria redução de alíquotas neste caso. Isso
ocorre, por exemplo, se as bebidas forem vendidas com redução de alíquota
para uma distribuidora de bebidas (não é varejista).

Não se esqueça do conceito de varejista definido no início


do estudo do regime de tributação das bebidas frias!

Ademais, vale ressaltar que o art. 12, do Decreto 8.442/2015, também


definiu como responsáveis solidários o estabelecimento encomendante
e o estabelecimento industrial, na hipótese de a industrialização ter
ocorrido por encomenda.

Por fim, dispõe ainda o art. 13 do mesmo Decreto que está sujeito ao
pagamento do IPI, na condição de responsável, o estabelecimento
comercial atacadista que possuir ou mantiver bebidas frias desacompanhadas
da documentação comprobatória de sua procedência ou que deles der saída.

8.1.6 – Obrigações Acessórias

No tocante às obrigações acessórias a serem cumpridas no interesse do


Fisco, ficou definido o seguinte:

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 Deverão constar nas notas fiscais de comercialização dos produtos de


que trata o art. 1º emitidas pelo estabelecimento importador, industrial ou
equiparado, exceto os estabelecimentos de pessoa jurídica optante
pelo Simples Nacional a expressão “Saída para pessoa jurídica
varejista ou consumidor final com redução da alíquota do IPI; e

 Deverão constar nas notas fiscais de comercialização dos produtos de


que trata o art. 1º emitidas pelo estabelecimento importador, industrial ou
equiparado, exceto os estabelecimentos de pessoa jurídica optante
pelo Simples Nacional a descrição da marca comercial, tipo de
embalagem e volume dos produtos, para perfeita identificação
destes e cálculo do imposto devido.

Observação: Se a segunda obrigação acessória acima descrita não for


cumprida, as notas fiscais serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor
legal, e servirão de prova apenas em favor do fisco (Lei 4.502/1964, art. 53).

8.2 – Bebidas Quentes

A tributação das bebidas quentes (vinhos, vermutes, sidras,


aguardentes, uísques, rum, licores, vodcas, entre outras) é tema objeto
de recente alteração pela Lei 13.241, de 30 de dezembro de 2015 (Conversão
da MP 690/2015). Antes da edição desta norma, vigorava os regramentos da
Lei 7.798/89, que estabelecia um regime especial para a tributação das
bebidas quentes (Posições 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da TIPI). Tal regime
consistia na incidência de IPI por meio de alíquotas específicas (ad rem), por
unidade ou por determinada quantidade do produto, conforme tabela de
classes, considerando o tipo de bebida e capacidade do recipiente.

Dessa forma, por exemplo, o vinho de mesa comum, considerando a


classe mais elevada de tributação para essa bebida, estaria sujeito à alíquota
de R$ 0,73 por garrafa de 750 ml, independentemente do preço de venda pela
indústria ou importador. Como você já deve saber, essa é a lógica da
tributação por alíquotas específicas, e é assim que funcionava até a referida
alteração normativa.

“Mas e agora, professor, como ficou estabelecida a tributação das


bebidas quentes?”

Vamos lá!

Após a MP 690/2015, e com a respectiva conversão na Lei 13.241/2015,


foi determinado que o IPI incidente sobre as bebidas quentes será
calculado da mesma forma como ocorre com a maioria dos produtos,
ou seja, pela aplicação de alíquotas ad valorem, tendo como base o valor
do produto, e não a unidade de medida ou a capacidade do seu recipiente.
Nesse sentido, foi publicado o Decreto 8.512/2015 (atualmente revogado pelo
Decreto 8.950/2016, na mesma linha), definindo as novas alíquotas ad

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valorem para os produtos considerados bebidas quentes. Por exemplo, os


vinhos terão alíquotas variando entre 10% e 20%.

Vale lembrar que, semelhantemente ao que foi previsto em relação


às bebidas frias, o art. 7º, Lei 13.241/2015, permitiu ao Poder Executivo
estabelecer valores mínimos do IPI em função da classificação fiscal
na TIPI, do tipo de produto e da capacidade do recipiente. Assim sendo,
pode ser definido um patamar mínimo de imposto para o resultado da
multiplicação do valor do produto pelo percentual de alíquota.

Estabelecer valores mínimos não se confunde com a


tributação por alíquotas específicas. O objetivo é apenas
evitar que a aplicação da alíquota ad valorem não resulte
em imposto inferior ao que o Poder Executivo estabeleça
como mínimo devido.

8.2.1 – Industrialização por Encomenda

Quando a industrialização das bebidas quentes se der por encomenda, o


caput do art. 3º, da Lei 13.241/2015, estabelece que haverá a ocorrência de
dois fatos geradores, a saber:

I – na saída do produto do estabelecimento que o industrializar; e

II – na saída do produto do estabelecimento encomendante.

Com o objetivo de cumprir com o princípio da não cumulatividade,


obrigatório ao IPI, o legislador teve o cuidado de permitir que o
estabelecimento encomendante pode se creditar do IPI cobrado do
estabelecimento industrial executor da encomenda.

Destaque-se também que, em relação às duas operações previstas no


caput do art. 3º, o parágrafo único, do mesmo artigo definiu que tanto o
estabelecimento encomendante como o estabelecimento executor da
encomenda são solidariamente responsáveis pelo IPI devido.

8.2.2 – Estabelecimentos Equiparados a Industrial

A Lei 13.241/2015 estabeleceu também em seu art. 4º algumas


hipóteses em que os estabelecimentos se tornam equiparados a industrial,
quando promoverem a saída de bebidas quentes. Vamos ver quais são
elas:

Observação: Vamos transcrever literalmente os incisos do art. 4º. É


importante saber que, sempre que o dispositivo fizer menção aos “produtos
de que trata o art. 1º”, está sendo feita referência às bebidas quentes. Ok? 

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I - caracterizada como controladora, controlada ou coligada de pessoa jurídica


que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 1º, na forma
definida no art. 243 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976;

II - caracterizada como filial de pessoa jurídica que industrializa ou importa os


produtos de que trata o art. 1º;

III - que, juntamente com pessoa jurídica que industrializa ou importa os


produtos de que trata o art. 1º, estiver sob controle societário ou
administrativo comum;

IV - que apresente sócio ou acionista controlador, em participação direta ou


indireta, que seja cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo ou afim, em
linha reta ou colateral, até o terceiro grau, de sócio ou acionista controlador de
pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 1º;

V - que tenha participação no capital social de pessoa jurídica que industrializa


ou importa os produtos de que trata o art. 1º, exceto nos casos de
participação inferior a um por cento em pessoa jurídica com registro de
companhia aberta junto à Comissão de Valores Mobiliários;

VI - que possuir, em comum com pessoa jurídica que industrializa ou importa


os produtos de que trata o art. 1º, diretor ou sócio que exerçam funções de
gerência, ainda que essas funções sejam exercidas sob outra denominação; ou

VII - que tiver adquirido ou recebido em consignação, no ano anterior, mais


de vinte por cento do volume de saída da pessoa jurídica que industrializa ou
importa os produtos de que trata o art. 1º.

Veja que, se há alguma relação entre a pessoa jurídica que industrializa


ou importa bebidas quentes e outra pessoa jurídica, esta se torna
equiparada a industrial, em relação às operações de saída desses
produtos.

Existe, ainda, uma outra equiparação, que já constava no RIPI, antes


mesmo da publicação da Lei 13.241/2015, que entendemos continuar vigente
com a alteração legislativa. Trata-se de assunto já abordado, quando do
estudo dos estabelecimentos equiparados a industrial, mas que, para fins de
memorização, recomendo nova leitura:

O art. 9º, VII, do RIPI, previu a equiparação a industrial aos


estabelecimentos atacadistas e cooperativas de produtores que derem saída a
bebidas alcoólicas e demais produtos, de produção nacional, classificados
nas Posições 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da TIPI e acondicionados em
recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para
venda a varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos:

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a) industriais que utilizarem os produtos mencionados como matéria-prima ou


produto intermediário na fabricação de bebidas;
b) atacadistas e cooperativas de produtores; ou
c) engarrafadores dos mesmos produtos;

Observação:
Posição 22.04: Vinhos;
Posição 22.05: Vermutes e outros vinhos;
Posição 22.06: Bebidas fermentadas
Posição 22.08: Aguardentes, Uísques, Rum, Vodcas, Licores etc.

Assim, veja que os estabelecimentos atacadistas bem como a


cooperativa de produtores recebem a bebida dos seus respectivos produtores,
tornando-se equiparados quanto à saída que promoverem de seus
estabelecimentos.

Mas existe uma condição! Os atacadistas e as cooperativas somente


serão equiparados a industriais, se os referidos produtos estiverem
acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo
permitido para venda a varejo. Isso significa que ainda existirá um
outro processo de industrialização (acondicionamento) antes de as
bebidas serem revendidas ao consumidor final! Concorda?

O que seria um recipiente com capacidade superior ao limite máximo


permitido para venda a varejo?

De acordo com o art. 339, do RIPI, as bebidas do Capítulo 22


da TIPI somente poderão ser remetidas ao comércio varejista, expostas à
venda ou vendidas no varejo, acondicionadas em recipientes de
capacidade máxima de um litro.

Satisfeitos os requisitos estudados, ocorrerá o fato gerador do IPI, tendo


como contribuinte os estabelecimentos atacadistas. Contudo, o imposto fica
suspenso por conta do art. 44 do RIPI:

Art. 44. As bebidas alcoólicas e demais produtos de produção nacional,


classificados nas Posições 22.04, 22.05, 2206.00 e 22.08 da TIPI,
acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo
permitido para venda a varejo, sairão obrigatoriamente com
suspensão do imposto dos respectivos estabelecimentos
produtores, dos estabelecimentos atacadistas e das cooperativas
de produtores, quando destinados aos seguintes estabelecimentos (Lei
no 9.493, de 1997, arts. 3º e 4º):

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I - industriais que utilizem os produtos mencionados no caput como


matéria-prima ou produto intermediário na fabricação de bebidas;

II - atacadistas e cooperativas de produtores; e

III - engarrafadores dos mesmos produtos.

Veja que esta situação

A referida suspensão implica não recolhimento do imposto quando da


saída desses produtos dos estabelecimentos citados acima! Veja que não
foram citados apenas os atacadistas e as cooperativas, mas também os
produtores que remeteram os produtos àqueles.

Ficou difícil de entender? Vamos visualizar:

Suspensão de Suspensão de
IPI IPI

Produtores de Atacadistas e Estabelecimentos citados


Bebidas Cooperativas no art. 44, do RIPI

8.2.3 – Observações Complementares sobre a Lei 13.241/2015

O art. 5º da Lei 13.241/2015 ainda estabelece como responsável o


estabelecimento comercial atacadista que possuir ou mantiver tais produtos
desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência ou que
a eles der saída. Portanto, são duas situações que ensejam responsabilidade
para o estabelecimento comercial atacadista:

 Possuir bebidas quentes desacompanhadas da documentação comprobatória


de sua procedência.
 Dar saída a bebidas quentes desacompanhadas da documentação
comprobatória de sua procedência.

Foi definido também pelo art. 6º que as notas fiscais de comercialização


das bebidas quentes emitidas pelo estabelecimento industrial ou equiparado,
sem prejuízo do modelo padrão estabelecido no art. 48, da Lei 4.502/64,
deverão conter a descrição da marca comercial, tipo de embalagem e
volume dos produtos, para perfeita identificação destes e cálculo do imposto
devido. Caso contrário, tais notas serão consideradas sem valor legal,
servindo de prova apenas em favor do fisco.

Por hoje, é só! Até a próxima aula.

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9 – LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA

Questão 01 – ESAF/ACE-MDIC/2012

Ao dispor sobre o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, a Constituição


Federal previu que ele terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de
capital pelo seu contribuinte na forma da lei. Sobre o tema, é incorreto afirmar
que:
a) caberá à lei ordinária federal estabelecer os critérios para a diminuição do
impacto do IPI na aquisição de bens de capital.
b) tal diminuição poderá se dar mediante autorização para apropriação de
crédito relativo ao IPI incidente na operação e sua utilização na compensação
com o devido pela empresa adquirente em outras operações ou seu
ressarcimento em dinheiro.
c) tal diminuição poderá se dar mediante o estabelecimento de critérios a
serem observados pelo Executivo na redução das alíquotas relativas a
operações com tais bens.
d) referido dispositivo constitucional é autoaplicável, no sentido de que tem a
eficácia imediata de impedir a validade de lei ou ato normativo que atue em
sentido contrário, aumentando o impacto do IPI na aquisição de bens de
capital.
e) referido dispositivo não ampara o reconhecimento do direito à imunidade de
tais operações ao IPI.

Questão 02 – INÉDITA/2017

O IPI terá reduzido o seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo
contribuinte do imposto, na forma de ato do Poder Executivo.

Questão 03 – INÉDITA/2017

De acordo com a legislação tributária relativa ao IPI, há pagamento do imposto


apenas mediante efetivo recolhimento ao erário.

Questão 04 – INÉDITA/2017

Em regra, o IPI é lançado de ofício.

Questão 05 – INÉDITA/2017

Relativamente ao lançamento do IPI, os atos de iniciativa do sujeito passivo,


serão efetuados, sob a sua exclusiva responsabilidade.

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Questão 06 – ESAF/AFRFB/2012

A empresa comercial exportadora, que adquirir produtos industrializados com


fim específico de exportação, é obrigada ao pagamento do IPI suspenso na
saída dos produtos do estabelecimento industrial, caso referidos produtos
venham a ser destruídos, furtados ou roubados.

Questão 07 – INÉDITA/2017

O adquirente de produtos industrializados que saíram com suspensão de IPI do


estabelecimento que os industrializou não pode se creditar do imposto
suspenso.

Questão 08 – INÉDITA/2017

Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado


destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao
pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não
existisse.

Questão 09 – ESAF/ATRFB/2012

As isenções do Imposto sobre Produtos Industrializados, salvo disposição


expressa de lei, referem-se ao produto e não ao contribuinte ou adquirente.

Questão 10 – ESAF/ATRFB/2012

A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando possuir caráter


subjetivo, só exclui o crédito tributário quando o seu titular estiver na situação
de contribuinte ou responsável.

Questão 11 – ESAF/ATRFB/2012

Se a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados estiver condicionada


à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o
responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade
cabível.

Questão 12 – ESAF/ATRFB/2012

Os produtos desembaraçados como bagagem só poderão ser depositados para


fins comerciais ou expostos à venda após comunicação obrigatória à Receita
Federal para fins de controle do pagamento posterior do Imposto sobre
Produtos Industrializados.

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Questão 13 – ESAF/ATRFB/2012

O titular da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados poderá


renunciar ao benefício, devendo comunicar o fato à unidade da Receita Federal
de sua jurisdição.

Questão 14 – ESAF/AFRFB/2012

Os automóveis de passageiros de fabricação nacional que obedeçam às


especificações previstas em Lei são isentos de IPI, quando adquiridos por
pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas,
desde que atendidos os requisitos previstos na legislação tributária.

Questão 15 – ESAF/AFRFB/2012

Os bens de informática destinados à coleta eletrônica de votos, fornecidos


diretamente ao Tribunal Superior Eleitoral, assim como os caixões funerários,
são objeto de suspensão de IPI.

Questão 16 – ESAF/AFRFB/2012

As bebidas alcoólicas, os produtos de perfumaria ou toucador e as preparações


cosméticas industrializadas na Zona Franca de Manaus, com utilização de
matérias-primas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo
produtivo básico, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho
de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA,
são isentos de IPI, quando destinados à comercialização em qualquer outro
ponto do território nacional.

Questão 17 – ESAF/AFRFB/2012

Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, destinados ao seu


consumo interno, não são isentos de IPI.

Questão 18 – INÉDITA/2017

Os benefícios relativos à Zona Franca de Manaus existirão até o ano de 2073.

Questão 19 – INÉDITA/2017

Os produtos de procedência estrangeira importados pela Zona Franca de


Manaus serão desembaraçados com isenção do imposto sobre produtos
industrializados.

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Questão 20 – INÉDITA/2017

São isentos do IPI os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e


extrativas vegetais de produção regional, inclusive de origem pecuária, por
estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos
tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, salvo
exceções previstas no Regulamento do IPI.

Questão 21 – ESAF/ATRFB/2012

Quanto à obrigatoriedade de rotulação ou marcação de produtos, exigida na


legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, pode-se afirmar,
exceto:
a) a rotulagem ou marcação será feita no produto e no seu recipiente,
envoltório ou embalagem.
b) a rotulagem ou marcação será feita antes da saída do estabelecimento, em
cada unidade, em lugar visível, por processo de gravação, estampagem ou
impressão.
c) nos tecidos a rotulagem ou marcação será feita nas extremidades de cada
peça, com indicação de sua composição, vedado cortar as indicações
constantes da parte final da peça.
d) no caso de impossibilidade ou impropriedade de rotulagem ou marcação no
produto, o fato será comunicado à Receita Federal do Brasil para fins de
dispensa.
e) das amostras grátis isentas do imposto e das que, embora destinadas a
distribuição gratuita, sejam tributadas, constarão, respectivamente, as
expressões “Amostra Grátis Isenta de IPI” e “Amostra Grátis Tributada”.

Questão 22 – ESAF/AFRFB/2012

Para fins de controle do quantitativo de produtos industrializados tributados


pelo IPI, a legislação tributária pode instituir obrigação acessória consistente
na aplicação de selo especial, confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e
distribuído aos contribuintes pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,
proibida cobrança de valores pela distribuição, exceto no caso de inutilização
ou desperdício ocasionado pelo contribuinte, hipótese em que será cobrado
ressarcimento pela redistribuição dos selos.

Questão 23 – ESAF/AFRFB/2014

Segundo entendimento recente do Supremo Tribunal Federal, o valor cobrado


a título de ressarcimento de custos para utilização do selo especial de emissão
oficial para controle do Imposto sobre Produtos Industrializados detém
natureza jurídica tributária de contribuição de intervenção no domínio
econômico, motivo pelo qual está reservado a lei em sentido estrito.

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Questão 24 – ESAF/AFRFB/2014

A legislação tributária impõe obrigação acessória consistente na aplicação de


selo especial de emissão oficial para controle de determinados produtos
sujeitos ao Imposto sobre Produtos Industrializados.

Questão 25 – ESAF/AFRFB/2014

A exigência legal de utilização de selos para o controle da produção de


algumas mercadorias sujeitas ao Imposto sobre Produtos Industrializados foi
recentemente revogada por lei que instituiu, em substituição ao selo, a
obrigatoriedade de utilização da nuvem digital para controle de mercadorias,
que capta imagens da produção e transporte das mercadorias em tempo real.

Questão 26 – INÉDITA/2017

O movimento de entrada e saída do selo de controle será registrado pelo


usuário no livro Registro de Entrada e Saída do Selo de Controle. Se for
apurada falta de selos no estoque, presume-se que houve saída de produtos
selados sem emissão da nota fiscal.

Questão 27 – ESAF/AFRFB/2014

A legislação tributária impõe obrigação acessória consistente na instalação de


equipamentos contadores de produção, que possibilitem a identificação do tipo
de produto, de embalagem e de sua marca comercial, ficando os contribuintes
obrigados ao ressarcimento pelo custo necessário à instalação desses
equipamentos na linha de produção.

Questão 28 – ESAF/AFRFB/2012

Mediante intimação escrita, as empresas transportadoras e os transportadores


autônomos são obrigados a prestar aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do
Brasil todas as informações de que disponham com relação aos produtos,
negócios ou atividades de terceiros, exceto quanto a fatos sobre os quais
estejam legalmente obrigados a observar segredo em razão de cargo, ofício,
função, ministério, atividade ou profissão.

Questão 29 – INÉDITA/2017

Estão dispensados do registro especial os estabelecimentos obrigados à


utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) que
estejam operando em normal funcionamento e desde que todos os produtos
sejam controlados pelo sistema.

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Questão 30 – INÉDITA/2017

Deve manter Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a


pessoa jurídica que exercer as atividades de comercialização e importação de
papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos.

Questão 31 – ESAF/AFRFB/2012

A Lei n. 12.546, de 14 de dezembro de 2011, prevê incidência específica do


Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre certos tipos de cigarros
(Cigarros que contenham tabaco - classificados no código 2402.20.00 da TIPI,
com exceção do EX 01). A respeito desta incidência, assinale a opção
incorreta.
a) O IPI em questão será apurado e recolhido, uma única vez, pelo
estabelecimento industrial, em relação às saídas dos cigarros destinados ao
mercado interno, ou pelo importador, no desembaraço aduaneiro dos cigarros
de procedência estrangeira.
b) O valor a ser pago a título desse IPI é calculado mediante a aplicação da
alíquota do tributo sobre a sua base de cálculo, a qual é obtida mediante
aplicação de uma porcentagem, cujo mínimo está previsto em lei, incidente
sobre o preço de venda a varejo do produto.
c) O Poder Executivo poderá fixar preço mínimo de venda no varejo dos
cigarros de que trata o caput, válido em todo o território nacional, abaixo do
qual fica proibida a sua comercialização.
d) O fabricante dos cigarros em questão é obrigado a Registro Especial junto à
Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja concessão dar-se-á por
estabelecimento industrial e estará, também, na hipótese de produção,
condicionada à instalação de contadores automáticos da quantidade produzida,
sendo a ausência de regularidade fiscal uma das hipóteses que pode resultar o
cancelamento deste Registro Especial.
e) A pessoa jurídica industrial ou importadora dos cigarros referidos poderá
optar por regime favorecido de apuração e recolhimento do IPI, caso em que,
atendidos certos requisitos, a base de cálculo do tributo será o menor preço de
venda a varejo do produto, praticado em cada Estado ou no Distrito Federal.

Questão 32 – ESAF/ATRFB/2012

Quanto aos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, segundo a


legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, assinale a opção
correta.
a) Tais estabelecimentos estão obrigados à instalação de contadores de
produção, exceto no caso da instalação de equipamento que permita o controle
e o rastreamento dos produtos em todo território nacional.
b) Os equipamentos contadores de produção deverão ser instalados em todas
as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes
de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle.

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c) No caso de avaria dos contadores de produção, o contribuinte terá o prazo


de trinta dias para conserto, sendo obrigado a utilizar o selo de controle
enquanto perdurar a interrupção.
d) Os equipamentos contadores de produção, em condições normais de
operação, deverão permanecer acessíveis para ações de configuração ou para
interação manual direta com o fabricante.
e) Nem todos os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros estão
obrigados à instalação de contadores de produção, somente aqueles que não
tenham aparelhos que façam o controle, registro, gravação e transmissão dos
quantitativos produzidos.

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10 – GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS EM AULA

01 LETRA D 12 ERRADA 23 ERRADA


02 ERRADA 13 CORRETA 24 CORRETA
03 ERRADA 14 CORRETA 25 ERRADA
04 ERRADA 15 ERRADA 26 CORRETA
05 CORRETA 16 ERRADA 27 CORRETA
06 CORRETA 17 ERRADA 28 CORRETA
07 CORRETA 18 CORRETA 29 CORRETA
08 CORRETA 19 ERRADA 30 CORRETA
09 CORRETA 20 ERRADA 31 LETRA E
10 CORRETA 21 LETRA D 32 LETRA B
11 CORRETA 22 ERRADA - -

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