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METODOLOGIA

CIENTÍFICA
UNIDADE 1
METODOLOGIA
CIENTÍFICA

UNIDADE 1
Sumário
APRESENTAÇÃO 04
INTRODUÇÃO 05
APRESENTAÇÃO DA UNIDADE 07
UM POUCO DE HISTÓRIA 08
CONCEITO DA PESQUISA CIENTÍFICA 12
CAMPO DA APLICAÇÃO CIENTÍFICA 20
MODALIDADES DE PESQUISA 24
MÉTODOS 32
TÉCNICAS 33
QUESTÕES DE FIXAÇÃO 44
BIBLIOGRAFIA 46
04 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Apresentação

A Pesquisa Científica faz parte do processo de for-


mação acadêmica de todo aluno. Independentemen-
te do curso escolhido, no final da sua graduação,
você terá de passar por essa etapa que é extrema-
mente desafiadora, mas também serve para que seu
conhecimento adquirido durante os anos de estudo
seja colocado em prática.

Isto posto, cabe à nossa instituição preparar todos


os futuros diplomados para realizarem esta etapa de
maneira produtiva e rica. O objetivo desta disciplina
é justamente ajudá-lo a investir seu tempo de ma-
neira objetiva para que o resultado seja o mais satis-
fatório tanto para o aluno quanto para a instituição.

Bons estudos!
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 05 • 48

Introdução
A Metodologia Científica é um discurso sobre o ca-
minho que alguém deve percorrer se pretende fazer
ciência. Ou seja, a Metodologia Científica é uma dis-
ciplina que capacita alguém a avaliar métodos, identi-
ficando limitações e implicações que dizem respeito
às suas utilizações.

O método é uma série de preceitos abstratos que


regulam a ação; a metodologia é um conjunto de
procedimentos utilizados, uma técnica e sua teoria
geral. A metodologia avalia a aplicação do método
por meio de procedimentos e técnicas que garan-
tem a legitimidade do conhecimento obtido.

Assim, a metodologia se relaciona com a epistemo-


logia, um estudo que tem por objeto a própria ciên-
cia, os discursos e as técnicas específicas de cada
ciência em particular. Ela tem interesse pela descri-
ção e análise dos métodos, esclarece seus objetivos,
utilidade e consequências, compreendendo todo o
processo de pesquisa científica.

Não há uma visão linear, estática e homogênea da


investigação científica. Ou seja, não há um método
científico geral em que todas as ciências venham en-
contrar o seu lugar comum. Daí a importância e a
extensão da Metodologia Científica.
A Metodologia Científica é importante como disci-
plina porque ela desenvolve a capacidade do aluno
de observar, selecionar e organizar cientificamente
os fatos. Nesse sentido, seu conteúdo programático
deve pautar-se na compreensão da ciência enquanto
um trabalho de construção do conhecimento.
A palavra metodologia tem origem grega: meta signi-
fica ‘em direção a’; odos, ‘caminho’; logos, ‘discurso’.
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Os objetivos específicos da Metodologia Científica


segundo os autores Barros e Lehfeld (2007) são:

Análise das características essenciais, que permitem distinguir ciência de ou-


tras formas de conhecer, enfatizando o método científico e não o resultado;

Análise das condições nas quais o conhecimento é cientificamente cons-


truído, abordando os significados de postulados e atitudes da ciência hoje;

Criação de oportunidades especiais para o aluno comportar-se cientifica-


mente, levantando e formulando problemas, coletando dados para responder
aos questionamentos, analisando, interpretando e comunicando resultados;

Capacitação do aluno para que ele leia criticamente a realidade e produza


conhecimentos;

Criação de vetor de informações e referenciais para a montagem for-


mal e substantiva de trabalhos científicos: resenhas, monografias, artigos
científicos, etc.

Fornecimento de processos facilitadores à adaptação do aluno, integran-


do-o à universidade e colaborando para que ele consiga estudar da me-
lhor maneira possível.

A Metodologia Científica tem como finalidade a


formação do espírito científico. Isto quer dizer:
a leitura crítica do cotidiano, o uso sistemático
de técnicas de pesquisa, a documentação e, funda-
mentalmente, a tentativa constante de relação en-
tre a teoria metodológica e a prática da pesquisa.

A disciplina orienta o aluno no processo de in-


vestigação para que ele possa tomar decisões e
ser agente de seu aprendizado no processo de
investigação científica. É vital que o aluno saia da
faculdade com a habilidade essencial para fazer
da atitude investigativa uma prática não só aca-
dêmica como também cotidiana.
1
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 07 • 48

Apresentação
da unidade

Seja bem-vindo à primeira unidade da Disciplina


Metodologia da Pesquisa Científica. Nesta primeira
unidade você vai aprender qual era o contexto his-
tórico quando o tema começou a se desenvolver
pelo mundo. Quais foram suas influências para que
se tornasse algo tão importante para os estudos
atuais?

Na sequência, introduziremos a metodologia da


pesquisa e seus conceitos, assim como métodos e
técnicas para facilitar o desenvolvimento do seu Tra-
balho de Conclusão de Curso.

Bons estudos!
08 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Um pouco
de história
Antes de entrarmos de cabeça em todos os deta-
lhes que giram em torno da Metodologia da Pesqui-
sa Científica, vale a pena introduzirmos o assunto
com um breve histórico. Por que, afinal, este tema
merece uma disciplina só pra ele?

Para estudar as origens dos métodos científicos


basta se aprofundar na história da ciência. Desde o
Egito Antigo já era possível observar métodos de
diagnósticos médicos, por exemplo. Assim como a
cultura da Grécia Antiga ou mesmo a filosofia Islâ-
mica já flertavam com o tema.

Mas foi no Século XVII que a metodologia cien-


tífica teve seu real desenvolvimento, com o pen-
samento do francês René Descartes e, poste-
riormente, com a participação empírica do físico

‘‘
inglês Isaac Newton.

Descartes propôs chegar à verdade através da CHEGAR À


dúvida sistemática e da decomposição do pro- VERDADE ATRAVÉS
blema em pequenas partes, características que DA DÚVIDA
definiram a base da pesquisa científica. (colocar SISTEMÁTICA E DA
essa frase em destaque)

Já o século XIX testemunhou o triunfo da ciência.


DECOMPOSIÇÃO
DO PROBLEMA
No domínio das ciências da natureza, o ritmo e o EM PEQUENAS
‘‘
número das descobertas foram enormes, saindo PARTES
dos laboratórios para as aplicações práticas: foi exa-
tamente quando aconteceu o encontro da ciência
com a tecnologia.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 09 • 48

Apoiado nos postulados do positivismo, o método


experimental (ou científico) assumiu o mesmo mé-
todo das ciências da natureza, tido como exemplar
na construção de conhecimentos rigorosamente
verificados e cientificamente comprovados.

O método experimental consiste em submeter um


fato à experimentação em condições de controle
e apreciá-lo coerentemente, com critérios de rigor,
mensurando a constância das incidências e suas
exceções. É importante admitir como científicos
somente os conhecimentos passíveis de apreensão
em condições de controle, legitimados pela experi-
mentação e comprovados pela mensuração.

Foi dessa forma que o homem começou a pro-


duzir conhecimento, tendo como modelo de
acesso à realidade o procedimento do experi-
mento científico. Este estipula critérios para jul-
gar quando o acesso é realmente alcançado e
quando não. Chegamos ao pensamento positivis-
ta, que tem como características principais:

EMPIRISMO

O conhecimento positivo parte da realidade como os sentidos a percebem e


ajusta-se a ela. Qualquer conhecimento que tem origem em crenças, valores ou
que resulte de ideias inatas parece suspeito.

OBJETIVIDADE

O conhecimento positivo deve respeitar integralmente o objeto do qual trata


o estudo, devendo reconhecê-lo tal como é. O pesquisador não deve, de modo
algum, influenciar esse objeto; deve intervir o menos possível e dotar-se de
procedimentos que eliminem ou reduzam os efeitos não controlados dessas
intervenções.
10 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

EXPERIMENTAÇÃO

O conhecimento positivo repousa na experimentação. A observação de um fe-


nômeno leva o pesquisador a supor algo: a hipótese. Somente o teste dos fatos,
a experimentação, pode demonstrar sua precisão.

VALIDADE

A experimentação é rigorosamente controlada para afastar os elementos que


poderiam nela interferir, e seus resultados são mensurados com precisão, per-
mitindo que se chegue às mesmas medidas pela reprodução da experiência nas
mesmas condições.

DETERMINISMO

As leis e previsões estão inscritas na natureza, portanto, os seres humanos


estão, inevitavelmente, submetidos a elas. O conhecimento dessas leis permite
prever os comportamentos sociais e geri-los cientificamente.

No domínio do saber sobre o homem e a socie-


dade, desejava-se que conhecimentos tão confiá-
veis e práticos quanto os desenvolvidos para se
conhecer a natureza física fossem aplicados com
sucesso ao ser humano. Mas de qual conhecimen-
to estamos falando?

Sabemos que conhecer é estabelecer uma relação


entre aquele que quer saber, que se procura co-
nhecer. Quando alimentamos nosso conhecimento,
penetramos em novas realidades. Passamos a cons-
truir as várias dimensões do conhecimento quan-
do as atrelamos à nossa curiosidade. Temos então
diferentes tipos de conhecimento e cada um versa
especificamente sobre determinado ponto de vista:
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 11 • 48

CONHECIMENTO SENSÍVEL
É todo aquele que é perceptível pelos órgãos do sentido, é comum ao
homem e aos outros animais em função de sua presença concreta.

CONHECIMENTO COMUM
Também conhecido como senso comum ou conhecimento empírico, é
transmitido de geração em geração. É aquela sabedoria corriqueira, que
faz parte da tradição cultural de um povo.

CONHECIMENTO FILOSÓFICO
Nele, não há apresentação de soluções definitivas, mas é um modelo que
habilita o homem a fazer uso das suas faculdades para entender o sentido
da vida. O uso da razão e da reflexão são muito bem vindos.

CONHECIMENTO TEOLÓGICO
É oposto ao filosófico, pois trata de verdades e princípios, muitas vezes
sem comprovação, que se transformam em dogmas. Eles são aceitos sem
questionamento, já que é uma aceitação movida pela fé.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO
É extremamente objetivo. Explica os motivos de sua certeza, descreve os
fatos comprovados por meio de experiências ou observações.

Durante a revolução da ciência houve acumulação


de saberes, que formavam um conjunto de conheci-
mentos que precisava de ordem para não ser des-
perdiçado, surgindo assim o primeiro passo para o
nascimento do método cientifico.

Após tratar das dimensões do conhecimento, precisa-


mos entender qual é a metodologia que vai definir o
tipo de pesquisa que atende aos nossos objetivos. En-
tende-se por pesquisa: um conjunto de atividades inte-
lectuais que leva à descoberta de novos conhecimentos.
12 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

TODA E QUALQUER PESQUISA POSSUI A FINALIDADE


DE DESCOBRIR RESPOSTAS PARA AS QUESTÕES QUE
INTRIGAM A CIENTISTAS E ESTUDIOSOS NA ÁREA

E é exatamente por esse motivo, para que você seja um grande estu-
dioso na área específica que escolheu para desenvolver seu projeto,
que essa disciplina foi criada. Nosso intuito é colaborar e facilitar
seu sucesso da melhor maneira possível. Vamos nos aprofundar no
assunto?

Conceito da
pesquisa científica
A pesquisa científica é uma atividade desenvolvida
pelos investigadores para novas descobertas, melho-
ria da qualidade da vida intelectual e da vida material.
As atividades de pesquisa requerem do investigador
o planejamento, o conhecimento e a adequação às
normas científicas. O estudo e a pesquisa estão pre-
sentes em toda a vida do acadêmico e, por isso, é
tão importante que o estudante compreenda algu-
mas questões a eles relacionadas. O desenvolvimen-
to de estudos científicos se torna uma experiência
prática e teórica do pesquisador e da comunidade
científica em que se insere, pois, assim, é possível re-
fletir sobre acontecimentos ocorridos na sociedade
da qual faz parte.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 13 • 48

A pesquisa tem por objetivo a produção de novos


conhecimentos através da utilização de procedi-
mentos científicos. Contribui para o trato dos pro-
blemas e processos do dia a dia nas mais diversas
atividades humanas, no ambiente de trabalho, nas
ações comunitárias, no processo de formação e ou-
tros. Diversos autores já publicaram suas percep-
ções e conceitos sobre pesquisa e muitos salientam
que é um processo de perguntas e investigação; é
sistemática e metódica; e que aumenta o conheci-
mento humano.

Sendo assim, é necessário compreender que a ciên-


cia, desenvolvida por meio da pesquisa, é um con-
junto de procedimentos sistemáticos, baseados no
raciocínio lógico, com o objetivo de encontrar solu-
ções para os problemas propostos mediante o em-
prego de métodos científicos e definição de tipos
de pesquisa.

O conhecimento torna-se uma premissa para o de-


senvolvimento do ser humano e a pesquisa como a
consolidação da ciência.

“A pesquisa, tanto para efeito científico como profissional, en-


volve a abertura de horizontes e a apresentação de diretrizes
fundamentais, que podem contribuir para o desenvolvimento do
conhecimento.” (OLIVEIRA, 2002, p. 62).
14 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Portanto, existe a possibilidade de o aluno-pesquisa-


dor desenvolver estudos científicos para construir
e gerar novos conhecimentos, mas, principalmente,
para contribuir com a evolução de informações em
uma determinada área de atuação profissional.

O pesquisador utiliza conhecimentos teóricos e práti-


cos. Para que isso ocorra, é necessário ter habilidades
para a utilização de técnicas de análise, entender os mé-
todos científicos e os procedimentos com o objetivo de
encontrar respostas para as perguntas formuladas.

Collis e Hussey (2005, p. 16) ressaltam que o objeti-


vo da pesquisa pode ser:

Revisar e Investigar
Fornecer
sintetizar o alguma situação
soluções para
conhecimento ou problema
um problema.
existente. existente.

Construir ou
Explorar e
criar um novo Explicar um
analisar questões
procedimento novo fenômeno.
mais gerais.
ou sistema.

Uma combinação
Gerar novo
de quaisquer
conhecimento.
dos itens acima.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

O aluno pesquisador necessita de métodos e pro-

e credibilidade tanto aos envolvidos no processo


quanto no resultado do trabalho.

O método da pesquisa e outras questões relaciona-


das ao seu estudo serão de acordo com o tipo de
trabalho que desenvolve, já que os resultados das in-
vestigações podem ser encontrados sob a forma de

Superior.

É preciso compreender que a pesquisa consolida a


ciência de determinada área, divulgando, por meio
-
duação e pós-graduação, os conhecimentos práticos
e teóricos descobertos por pesquisadores através

crescimento humano.

O pesquisador deve se preocupar então em estabe-


lecer um planejamento e execução da pesquisa, pois
essas duas características fazem parte de um pro-
cedimento sistematizado que compreende etapas
-
CONI, 2001; BARROS; LEHFELD, 2000; CERVO;
BERVIAN, 2002):

Formulação Determinação Fundamentação


A B C D E
do tema do problema de objetivos teórica

PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO

Análise e Redação e
Coleta Conclusão
F Metodologia G H I discussão dos J apresentação
de dados dos resultados
resultados da pesquisa
16 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Inicialmente, o investigador deve se preocupar com


as três primeiras etapas (tema, problema e objeti-
vos) que são fundamentais para começar a pesquisa
e compõem o projeto de trabalho que será abor-
dado mais adiante. As demais etapas também serão
comentadas ao longo deste estudo.

Portanto, para o desenvolvimento adequado do es-


tudo científico, é necessário o planejamento cuida-
doso e a investigação de acordo com as normas da
metodologia científica, tanto aquela referente à for-
ma como a referente ao conteúdo.

INTERESSES E MOTIVAÇÕES DE PESQUISA

Como dito anteriormente, a pesquisa foca no estu-


do e na descoberta de novos conhecimentos e as-
suntos que são importantes para o avanço da huma-
nidade. Entretanto, a temática a ser estudada deve
ser também importante para o pesquisador, para
que ele tenha real interesse em seu desenvolvimen-
to e que se sinta motivado a ler, analisar, testar, rela-
tar e publicar seus estudos. Quanto mais interesse o
pesquisador tiver em determinado assunto e quan-
to mais ele quiser saber sobre algo, mais prazeroso
será seu desenvolvimento.

A produção do artigo é uma etapa importante na


vida acadêmica. Portanto, o estudante não deve en-
cará-la como uma obrigação. Para que a escrita não
se transforme num fardo, basta analisar com aten-
ção alguns fatores antes de começar. É fundamental
lembrar que a escolha deve fazer com que se sinta
realizado ao escrever sobre o assunto.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 17 • 48

Quando o autor da pesquisa não se motiva com o


assunto e não se sente instigado em estudar o tema,
possivelmente mais ninguém terá interesse. É preci-
so encarar este momento como uma oportunidade
de estudar e aprender mais sobre um tema que é
relevante para o pesquisador e/ou para a sociedade.

É possível selecionar um assunto a partir da análise


de alguns aspectos:

A) RELEVÂNCIA DO ASSUNTO:

Cervo e Bervian (2002, p. 74) apresentam que “o assunto de uma pesquisa é


qualquer tema que necessita melhores definições, melhor precisão e clareza do
que já existe sobre o mesmo”.

Deve-se pensar em uma justificativa para a realização do trabalho dentro da-


quele tema escolhido. Para isso, é preciso questionar se o tema é importante; se
é um novo método ou uma nova forma criada em algum mercado, se apresen-
tará soluções mais específicas e que tem relevância para uma determinada co-
munidade. É necessário apresentar ao leitor as contribuições práticas e teóricas
geradas por meio das formas sugeridas.

Apresente argumentos que convençam o leitor sobre a importância do seu


tema de pesquisa.

O assunto pesquisado deve ser atual, pois dificilmente alguém terá interesse
em ler, estudar, analisar e discutir sobre algo ultrapassado e que não irá ajudar
na construção do conhecimento. Por isto, o pesquisador deve se manter sem-
pre atualizado sobre o que está sendo estudado em sua área profissional e de
pesquisa.

Azevedo (1998) salienta alguns questionamentos importantes para se pensar


durante a escolha do tema: o que esta pesquisa pode acrescentar à ciência onde
se inscreve? (Relevância Científica); que benefício poderá trazer à comunidade
com a divulgação do trabalho? (Relevância Social); o que levou o pesquisador a
se iniciar e, por fim, escolher por este tema? (Interesse); em termos gerais, quais
são as possibilidades concretas de esta pesquisa vir a se realizar? (Viabilidade).
18 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

B) INCLINAÇÕES E POSSIBILIDADES DA PESQUISA

As possibilidades de pesquisa podem ser consideradas quando se tem envolvimen-


to com o tema. Isso porque o grau de dificuldade para discuti-lo se torna menor
e, assim, o pesquisador conseguirá elaborar algumas etapas do trabalho com mais
rapidez. Ele deve estar ciente de que se escolher um tema com o qual não tem vín-
culo anterior algum, mesmo sendo desafiador e enriquecedor, pode proporcionar
frustração, em virtude do tempo e dos prazos que devem ser cumpridos.

É importante refletir sobre o conteúdo apresentado nas dis-


ciplinas cursadas, sejam elas na graduação ou pós-gra-
duação. Possivelmente o pesquisador encontrará algum Escolha
assunto interessante a ser discutido e que pode se do Tema

transformar em um artigo.

Pode-se buscar também um tema em seu ambiente


profissional, pois, muitas vezes, dessa realidade é pos-
sível extrair um tópico interessante de estudo. No
dia a dia é possível, por exemplo, perceber que al-
guns alunos da turma x têm dificuldades de apren-
dizagem. Então dá para pesquisar a dificuldade de
aprendizagem de um determinado grupo de alunos,
verificando os aspectos familiares, emocionais ou outros.

Outro exemplo: o pesquisador percebe que, em um determi-


nado setor da empresa onde atua, muitos funcionários desistem
do emprego e pedem demissão. Então, ele pode pesquisar sobre as
causas da alta rotatividade de funcionários no setor Y da empresa B.

Lembre-se de que quando se propõe a produzir conhecimento, deve-se fazê-lo


com dedicação, rigor científico, seriedade e comprometimento.

Aliás, a leitura de publicações da área de estudo em questão (revistas, livros,


dissertações, teses) pode despertar a curiosidade em aprofundar algum tema.

A escolha do tema da pesquisa geralmente é um momento de angústia para o


pesquisador. Este deve considerar alguns critérios, segundo Silva (2006) e Gil
(1996), apresentados a seguir:
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Conhecimento prévio de autores, temas, assuntos, matérias

Disponibilidade de tempo e de recursos para a pesquisa

Existência de bibliografia disponível sobre o assunto

Possibilidade de orientação e supervisão adequada dentro do assunto

Relevância e fecundidade do assunto


A definição do tema deverá ser guiada não apenas por razões intelectuais, mas por
questões como a instituição, o nível de conhecimento e a perspectiva profissional.

DELIMITAÇÃO DO TEMA

Após a escolha do assunto/temática a ser pesquisado(a), uma das tarefas iniciais


na elaboração do artigo deve ser a delimitação do tema. Nesse processo, é
preciso levar em conta alguns fatores. Caso o pesquisador não lhes dê atenção,
correrá o risco de descobrir, no meio do caminho, que a escolha foi equivocada.

Para a realização dessa etapa, não existem regras fixas. Porém, alguns encami-
nhamentos podem guiar o pesquisador nesse momento:

Identificar as publicações mais recentes sobre o tema;

Verificar os temas mais importantes para não ficar com muitos temas, mas
focar em um subtítulo;

Conversar com orientadores para concentrar-se nas informações mais relevantes.

Cervo e Bervian (2002) descrevem outras técnicas que podem ajudar no pro-
cesso de delimitação. Entretanto, elas podem não funcionar para alguns assuntos.

A primeira é a divisão do assunto em suas partes constitutivas. A segunda é a


definição da compreensão dos termos, que implica a enumeração dos elemen-
tos constitutivos ou explicativos que os conceitos envolvem. Fixar circunstân-
cias de tempo (quadro histórico, cronológico) e de espaço (quadro geográfico)
também contribui para indicar os limites do assunto.
20 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Por exemplo, o tema de qualidade total é muito amplo e deve ser delimitado.

A ideia da delimitação é segmentar o tema, como se fosse passa-lo em um funil.

A seguir, mostram-se alguns desdobramentos possíveis desse tema:

EXEMPLOS DE DELIMITAÇÃO DO TEMA: QUALIDADE TOTAL

- Aplicabilidade da - Implantação da - Análise da


Qualidade Total nas Qualidade Total nas implantação da
empresas têxteis de empresas metalúrgicas Qualidade Total na
Brusque de São Bernardo do hotelaria de Salvador
Campo

Ao se especificarem as informações (onde – em que região, cidade, estado?); em


que nível (no Ensino Fundamental, Médio ou Superior?) e qual o enfoque (esta-
tístico, filosófico, histórico, psicológico, sociológico?), indicam-se as circunstân-
cias para pesquisa e discussão. Ou seja, definem-se a extensão e a profundidade
do artigo.

Campo da
aplicação científica
Agora chegou a hora da investigação. O trabalho de
campo se apresenta como uma possibilidade de conse-
guirmos não só uma aproximação com aquilo que dese-
jamos conhecer e estudar, mas também de criar um co-
nhecimento, partindo da realidade presente no campo.

O cientista, em sua tarefa de descobrir e criar, ne-


cessita, em um primeiro momento, questionar. Esse
questionamento é que nos permite ultrapassar a sim-
ples descoberta para, através da criatividade, produzir
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 21 • 48

conhecimentos. Quando definimos bem o campo de


interesse é possível partir para um rico diálogo com a
realidade. Assim, o trabalho de campo deve estar liga-
Conceito “A”
do a uma vontade e a uma identificação com o tema
a ser estudado, permitindo uma melhor realização da
pesquisa proposta.

A relação do pesquisador com os sujeitos a serem estu-


dados também é de extrema importância. Isso não signi-
fica que as diferentes formas de investigação não sejam
fundamentais e necessárias. Para muitos pesquisadores,
o trabalho de campo fica circunscrito ao levantamento Conceito “B”
e à discussão da produção bibliográfica existente sobre
o tema de seu interesse. Esse esforço de criar conheci-
mento não desenvolve o que originalmente considera-
mos como um trabalho de campo propriamente dito.

Essa forma de investigar, além de ser indispensável para a


pesquisa básica, nos permite articular conceitos e siste-
matizar a produção de uma determinada área de conhe- Conceito “C”
cimento. Ela visa criar novas questões num processo de
incorporação. Além dessas considerações, podemos di-
zer que a pesquisa bibliográfica coloca frente a frente os
desejos do pesquisador e os autores envolvidos em seu
horizonte de interesse. Esse esforço em discutir ideias
e pressupostos tem como lugar privilegiado de levanta-
mento as bibliotecas, os centros especializados e arqui- Ideia
vos. Nesse caso, trata-se de um confronto de natureza formulada
a partir da
teórica que não ocorre diretamente entre pesquisador bibliografia
e atores sociais que estão vivenciando uma realidade pe-
culiar dentro de um contexto histórico-social.

Após essas observações, é hora de nos aproximarmos mais da ideia


de campo que pretendemos explicitar. Para Minayo (1992), campo
de pesquisa é o recorte que o pesquisador faz em termos de espaço,
representando uma realidade empírica a ser estudada a partir das
concepções teóricas que fundamentam o objeto da investigação.
22 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

A título de exemplo, podemos citar o seguinte


recorte: o estudo da percepção das condições
de vida dos moradores de uma comunidade. Para
esse estudo, a comunidade corresponde a um
campo empiricamente determinado. Além do re-
corte espacial, em se tratando de pesquisa social,
o lugar primordial é o ocupado pelas pessoas
e grupos convivendo numa dinâmica de intera-
ção social. Essas pessoas e grupos são sujeitos
de uma determinada história a ser investigada,
sendo necessária uma construção teórica para
transformá-los em objetos de estudo. Partindo
da construção teórica do objeto de estudo, o
campo torna-se um palco de manifestações de
intersubjetividades e interações entre pesquisa-
dor e grupos estudados, propiciando a criação
de novos conhecimentos.

Definido o objeto com uma devida fundamentação


teórica, construído instrumentos de pesquisa e deli-
mitado o espaço a ser investigado, faz-se necessário
concebermos a fase exploratória do campo para que
possamos entrar no trabalho propriamente dito. Se-
guindo esses passos, devemos observar alguns cui-
dados relativos à entrada no trabalho de campo.

A ENTRADA NO CAMPO

Vários são os obstáculos que podem dificultar ou até mesmo inviabilizar essa
etapa da pesquisa. Portanto, cabem algumas considerações:

1 Buscar aproximação com as pessoas da área selecionada para o estudo


Essa aproximação pode ser facilitada através do conhecimento de moradores
ou daqueles que mantêm sólidos laços de intercâmbio com os sujeitos a serem
estudados. De preferência deve ser uma aproximação gradual, onde cada dia
de trabalho seja refletido e avaliado, com base nos objetivos preestabelecidos.
É fundamental consolidarmos uma relação de respeito efetivo pelas pessoas e
pelas suas manifestações no interior da comunidade pesquisada.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

2 Apresentar proposta de estudo aos grupos envolvidos


É importante estabelecer uma situação de troca. Os grupos devem ser escla-
recidos sobre aquilo que pretendemos investigar e as possíveis repercussões
favoráveis advindas do processo investigativo. É preciso termos em mente que
a busca das informações que pretendemos obter está inserida num jogo coo-
perativo, onde cada momento é uma conquista baseada no diálogo e que foge
à obrigatoriedade. Ou seja, os grupos envolvidos não são obrigados a uma co-
laboração sob pressão, até porque isso caracterizaria um processo de coerção,
que inviabilizaria a efetiva interação.

3 Dar atenção à postura em relação ao problema a ser estudado


Às vezes o pesquisador entra em campo considerando que tudo o que vai
invés
compreender o campo como possibilidade de novas revelações. Esse compor-

além de poder gerar constrangimentos entre pesquisador e grupos envolvidos


e poder implicar no surgimento de falsos depoimentos.

4 Ter cuidado teórico-metodológico com a temática a ser explorada

dinâmico daquilo que


ocorre e que buscamos captar no espaço em estudo. Para conseguirmos um
-
nida de suas fases exploratórias e de trabalho de campo propriamente dito. É
no processo desse trabalho que são criados e fortalecidos os laços de amizade,
-
vestigada, propiciando o retomo dos resultados alcançados para essa população
e a viabilidade de futuras pesquisas.
24 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Modalidades
de pesquisa
A pesquisa é uma atividade direcionada para a
elucidação de problemas por meio da utilização
de procedimentos científicos. Dessa forma, ao de-
senvolver uma pesquisa, é necessária a compreen-
são das modalidades da pesquisa, bem como das
formas de coleta e análise de dados.

Um documento científico se inicia com uma intro-


dução, seguida pelo desenvolvimento (delimitação
do tema, a definição dos objetivos de estudo, pro-
cedimentos metodológicos, fundamentação teóri-
ca, análise e interpretação das informações cole-
tadas), considerações finais e referências.

Assim, é comum que o aluno-pesquisador questio-


ne: quais as características do meu estudo? Que
tipo de pesquisa pretendo desenvolver? Qual a
necessidade de aplicação de questionários ou en-
trevistas para este tema? Como devo coletar e
apresentar os dados? É necessário fundamentar
meu trabalho com literaturas?

A elaboração de pesquisas pode ser, para o aca-


dêmico ou pesquisador, uma experiência prática,
para que busquem refletir, sistematizar e testar os
conhecimentos teóricos e instrumentais aprendi-
dos durante o ensino formal e de pesquisa.

Portanto, a pesquisa propõe uma reflexão de fatos


e dados, estimulando o estudante a analisar e jul-
gar, quando oportuno, de forma ética e profissional,
ampliando seus conhecimentos. Seu espírito crítico
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 25 • 48

e ético lhe possibilitará que se destaque na procura


de soluções para os problemas da sociedade em
que vive e aceite suas responsabilidades sociais.

Muitos autores já publicaram suas percepções e


conceitos sobre pesquisa e vários salientam que
essa é um processo de perguntas e investigação; é
sistemática e metódica; e aumenta o conhecimen-
to humano (COLLIS; HUSSEY, 2005).

“A pesquisa parte [...] de uma dúvida ou problema e, com o uso


do método científico, busca uma reposta ou solução.” (CERVO;
BERVIAN, 2002, p. 63).

Assim, o pesquisador utilizará seus conhecimen- Introdução


tos teóricos e práticos. Para tal, é necessário que
tenha habilidades para a utilização de técnicas de Delimitação
do Tema
análise, que entenda os métodos científicos e os
procedimentos para que possa atingir o objeti- Definição
vo de encontrar respostas para as perguntas for- dos Objetivos
de Estudo
muladas no estudo. É importante lembrar que a
pesquisa científica é uma atividade que se volta Procedimentos
Metodológicos
ao esclarecimento de situações-problema ou no-
vas descobertas. Dessa forma, é indispensável que Fundamentação
se use processos científicos que, por sua vez, são Teórica
bem diversos, dependendo do campo de conhe- Análise e
cimento. Interpretação
das Informações
Coletadas
O artigo científico também deve apresentar os
caminhos e formas utilizados no estudo. Assim, é Considerações
importante citar as modalidades ou tipos da pes- Finais
quisa e características do trabalho. Referências

Conforme Gil (1999), as pesquisas podem ser


classificadas quanto:
26 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

às bases lógicas da investigação (métodos de-


dutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético ou
fenomenológico)

à natureza da pesquisa (básica ou aplicada);

à abordagem do problema (qualitativa ou quan-


titativa, ou ambas combinadas);

à realização dos objetivos (descritiva, explora-


tória ou explicativa);

ao propósito da pesquisa (aplicada, avaliação de


resultados, avaliação formativa, proposição de
planos ou pesquisa-diagnóstico)

aos procedimentos técnicos (bibliográfica, docu-


mental, levantamento, estudo de caso, participante,
pesquisa ação, experimental e ex-post-facto).

DO PONTO DE VISTA DAS BASES LÓGICAS DA INVESTIGAÇÃO,


PODE SER:

Método dedutivo: parte de um conhecimento geral para entender algo es-


pecífico. Nesse caso, a verdade da premissa (conhecimento geral) é suficiente
para garantir a verdade da conclusão (conhecimento específico).

Método indutivo: parte do pressuposto de que o conhecimento deve ser cons-


truído com base na experiência, sem levar em conta princípios preexistentes. Desse
ponto de vista, criamos generalizações quando fazemos observações e experimentos
concretos. Ao contrário do dedutivo, o método indutivo parte do específico para o
geral, tirando conclusões abrangentes com base em casos particulares. Como o con-
teúdo da conclusão geral é maior que o conteúdo das premissas, não se pode dizer
que a verdade das premissas garanta a verdade da conclusão.

Método hipotético-dedutivo: toda vez que não temos resposta para uma
pergunta, estamos diante de um problema. Para solucioná-lo, devemos for-
mular hipóteses. Mas será que as hipóteses bastam para acabar com a dúvida?
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 27 • 48

Não. Elas precisam ser testadas ou falseadas. Segundo Popper, o cientista deve
olhar com suspeita para todas as afirmações que escuta por aí. Elas só devem
ser consideradas verdadeiras depois de aprovadas no teste de falseabilidade.

Método dialético: parte do princípio que não existe uma verdade absoluta,
esperando que algum cientista possa desvendá-la. De acordo com a dialética, as
teses devem ser sempre colocadas em uma espécie de ringue. A finalidade é fazer
com que ideias opostas “lutem” uma contra a outra até que tenhamos uma nova
solução para o problema em estudo. Depois de chegarmos à nova solução (sínte-
se), devemos fazer com que ela “brigue” com sua antítese, e assim por diante. Na
ótica do método dialético, a construção do conhecimento nunca chega ao fim: o
importante é manter acesa a chama da reflexão e sempre colocar à prova nossas
conclusões. É um método bastante útil em pesquisas qualitativas.

Método fenomenológico: busca descrever o fenômeno do jeito que ele é.


Isso não é feito por meio da indução nem por meio da dedução, mas com a aju-
da da interpretação. A ideia não é descobrir uma verdade ou revelar o que an-
tes era um mistério para a ciência: o importante é interpretar o mundo à nossa
volta, refletindo sobre ele. Essa reflexão é um processo bastante subjetivo,
que varia de pessoa para pessoa. Portanto, não devemos esperar que estudos
diferentes cheguem sempre à mesma conclusão. O método fenomenológico é
frequentemente utilizado na pesquisa qualitativa.

DO PONTO DE VISTA DA SUA NATUREZA, PODE SER:

Pesquisa Básica: objetiva produzir conhecimentos no-


vos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação
prática prevista. Envolve verdades e interesses
universais. Assim, o pesquisador busca satisfa-
zer uma necessidade intelectual pelo conheci-
mento e sua meta é o saber.

Pesquisa Aplicada: gera conhecimen-


tos para aplicação prática, dirigidos à so-
lução de problemas específicos. Envolve
interesses locais. A pesquisa visa à apli-
cação de suas descobertas na solução de
um problema.
28 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

DO PONTO DE VISTA DA FORMA DE ABORDAGEM DO PROBLEMA


PODE SER:

Pesquisa Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que


significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e ana-
lisá-los. Requer o uso de técnicas estatísticas e de recursos (percentagem, mé-
dia, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, e outros). Assim,
a pesquisa quantitativa é focada na mensuração de fenômenos, envolvendo a
coleta e análise de dados numéricos e aplicação de testes estatísticos.

Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mun-


do real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e
a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A inter-
pretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo
de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas.
O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o
instrumento chave. A pesquisa qualitativa utiliza técnicas de dados como a ob-
servação participante, história ou relato de vida, entrevista e outros.

DO PONTO DE VISTA DE SEUS OBJETIVOS, PODE SER:

Pesquisa Exploratória: proporciona maior proximidade com o problema,


visando torná-lo explícito ou definir hipóteses. Procura aprimorar ideias ou des-
cobrir intuições. Possui um planejamento flexível, envolvendo, em geral, levanta-
mento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas
com o problema pesquisado e análise de exemplos similares. Assume as formas
de pesquisas bibliográficas e estudos de caso. Esse tipo de pesquisa é voltado
para pesquisadores que possuem pouco conhecimento sobre o assunto pesqui-
sado, pois, geralmente, há pouco ou nenhum estudo publicado sobre o tema.

Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada população


ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. A forma mais comum
de apresentação é o levantamento, em geral realizado mediante questionário ou ob-
servação sistemática, que oferece uma descrição da situação no momento da pesqui-
sa. Metodologia indicada para orientar a forma de coleta de dados quando se preten-
de descrever determinados acontecimentos. É direcionada a pesquisadores que têm
conhecimento aprofundado a respeito dos fenômenos e problemas estudados.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 29 • 48

Pesquisa Explicativa: aprofunda o conhecimento da realidade porque


explica a razão, o porquê das coisas e, por isto, é o tipo mais complexo e
delicado, já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente. Visa
identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência
dos acontecimentos. Caracteriza-se pela utilização do método experimen-
tal (nas ciências físicas ou naturais) e observacional (nas ciências sociais).
Geralmente, utiliza as formas de Pesquisa Experimental e Ex-post-facto.
Método adequado para pesquisas que procuram estudar a influência de de-
terminados fatores na determinação de ocorrência de fatos ou situações.

DO PONTO DE VISTA DO PROPÓSITO DA PESQUISA, PODE SER:

Pesquisa aplicada: é usada para estudar o problema em um contexto,


buscando soluções para os desafios enfrentados nesse ambiente específico.
Esse tipo de pesquisa é bem ligado à prática, mas nem por isso pode deixar
de incluir uma reflexão teórica.

Avaliação de resultados: avaliar nada mais é do que atribuir valor. Para


isso, é preciso escolher critérios para avaliação. Dependendo do caso, a
avaliação pode incluir uma comparação. O mais indicado é fazer uma avalia-
ção de resultados para comparar o antes e o depois de cada etapa.

Avaliação formativa: o objetivo é aperfeiçoar um processo ou um siste-


ma. Isso só é possível quando o pesquisador está familiarizado com o objeto
de estudo e tem condições de mudá-lo. Em primeiro lugar, é necessário
fazer um diagnóstico do sistema, identificando os problemas e as oportu-
nidades que não são aproveitadas. Depois, é hora de traçar um plano para
eliminar os pontos fracos e melhorar o sistema como um todo.

Proposição de planos: serve para solucionar os problemas de uma or-


ganização e planejar o que vai ser feito daquele momento em diante. Os
planejamentos financeiros e de marketing são exemplos disso.

Pesquisa-diagnóstico: é indicada quando queremos avaliar a situação


interna ou externa de uma organização. Você pode fazer um diagnóstico in-
terno sobre o desempenho econômico da empresa ou levantar informações
sobre os mercados onde ela pode entrar no futuro (diagnóstico externo).
30 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

DO PONTO DE VISTA DOS PROCEDIMENTOS TÉCNICOS, PODE


SER:

Pesquisa Bibliográfica: utiliza material já publicado, constituído basicamente de


livros, artigos de periódicos e, atualmente, com informações disponibilizadas na in-
ternet. Quase todos os estudos fazem uso do levantamento bibliográfico e algumas
pesquisas são desenvolvidas exclusivamente por fontes bibliográficas. Sua principal
vantagem é possibilitar ao investigador a cobertura de uma gama de acontecimen-
tos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

• Pesquisa Documental: elaborada a partir de materiais que não receberam


tratamento analítico, documentos de primeira mão, como documentos oficiais,
reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc.,
ou, ainda, documentos de segunda mão que, de alguma forma, já foram analisados,
tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.

• Levantamento: envolve a interrogação direta de pessoas cujo comporta-


mento em relação ao problema estudado se deseja conhecer para, em seguida,
mediante análise quantitativa, identificar as conclusões correspondentes aos
dados coletados. O levantamento feito com informações de todos os integran-
tes do universo da pesquisa origina um censo. O levantamento usa técnicas
estatísticas, análise quantitativa, permite a generalização das conclusões para o
total da população e, assim, para o universo pesquisado, permitindo o cálculo
da margem de erro. Os dados são mais descritivos que explicativos.

• Estudo de Caso: envolve o estudo profundo e exaustivo de um


ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e
detalhado conhecimento. O estudo de caso pode abran-
ger análise de exame de registros, observação de acon-
tecimentos, entrevistas estruturadas e não estruturadas
ou qualquer outra técnica de pesquisa. Seu objeto pode
ser um indivíduo, um grupo, uma organização, um
conjunto de organizações ou, até mesmo, uma si-
tuação. A maior utilidade do estudo de caso é ve-
rificada nas pesquisas exploratórias. Por sua flexi-
bilidade, é sugerido nas fases iniciais da pesquisa
de temas complexos para a construção de hipóteses
ou reformulação do problema.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 31 • 48

Pesquisa-Ação: concebida e realizada em estreita associação com uma ação


ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo coope-
rativo ou participativo. Implica o contato direto com o campo de estudo, en-
volvendo o reconhecimento visual do local, a consulta a documentos diversos
e, sobretudo, a discussão com representantes das categorias sociais envolvidas
na pesquisa. É delimitado o universo da pesquisa e recomenda-se a seleção de
uma amostra. É importante a elaboração de um plano de ação envolvendo os
objetivos que se pretende atingir, a população a ser beneficiada, a definição de
medidas, procedimentos e formas de controle do processo e de avaliação de
seus resultados.

Pesquisa Participante: realizada através da integração do investigador, que


assume uma função no grupo a ser pesquisado, mas sem seguir a uma proposta
pré-definida de ação. A intenção é adquirir conhecimento mais profundo do
grupo. O grupo investigado tem ciência da finalidade, dos objetivos da pesquisa
e da identidade do pesquisador. Permite a observação das ações no próprio
momento em que ocorrem. Esta pesquisa necessita de dados objetivos sobre a
situação da população. Isso envolve a coleta de informações socioeconômicas
e tecnológicas que são de natureza idêntica aos adquiridos nos tradicionais es-
tudos de comunidades. Estes dados podem ser agrupados por categorias como:
geográficos, econômicos, educacionais e outros.

Pesquisa Experimental: quando se determina um objeto de estudo, selecio-


nam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. A pes-
quisa experimental necessita de previsão de relações entre as variáveis a serem
estudadas e o seu controle. Desta forma, na maioria das situações, é inviável
quando se trata de objetos sociais. É geralmente utilizada nas ciências naturais.

Pesquisa Ex-Post-Facto: quando o “experimento” se realiza depois dos


fatos. O pesquisador não tem controle sobre as variáveis. É um tipo de pesquisa
experimental, diferindo apenas pelo fato do fenômeno ocorrer naturalmente
sem que o investigador tenha controle sobre ele. Ou seja, o pesquisador é um
mero observador do acontecimento. Assim, o pesquisador deve citar e explicar
os tipos de pesquisa que o estudo trata, justificando cada item de classificação
e a relação com o tema e objetivos da pesquisa. Deve-se fazer uso de citações
para enriquecer a argumentação. Toda e qualquer fonte deve ser referenciada,
precisando data e página, quando tratar-se de citação direta.
32 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Métodos
“Métodos são técnicas suficientemente gerais para se tornarem
comuns a todas as ciências ou a uma significativa parte delas.”
Robert Kaplan (1969)

A pesquisa científica exige uma organização para


que realmente saia do papel e atinja seu objetivo
final. Para isso é preciso que o aluno conheça e saiba
executar os métodos de procedimento. Os méto-
dos mais utilizados nos projetos acadêmicos, e suas
respectivas características, são:

MÉTODO HISTÓRICO Investiga eventos do passado a fim de compreender


os modos de vida do presente, que só podem ser explicados a partir da recons-
trução da cultura e da observação das mudanças ocorridas ao longo do tempo.

MÉTODO ESTATÍSTICO No campo biológico, verifica as variabilidades das


populações; no campo cultural, levanta diversificações dos aspectos culturais.
Os dados, depois de coletados, são reduzidos a termos quantitativos, demons-
trados em tabelas, gráficos, quadros, etc.

MÉTODO ETNOGRÁFICO Refere-se à análise descritiva das sociedades


humanas e grupos sociais (de pequena escala). Mesmo o estudo descritivo re-
quer alguma generalização e comparação, implícita ou explícita. Refere-se a
aspectos culturais e consiste no levantamento e na descrição de todos os dados
possíveis sobre as sociedades e grupos, com a finalidade de conhecer melhor
seus estilos de vida e cultura específica.

MÉTODO COMPARATIVO OU ETNOLÓGICO Método Comparativo ou


Etnológico – Permite verificar diferenças e semelhanças apresentadas pelo material
coletado. Compara padrões, costumes, estilos de vida, culturas. Verifica diferenças
e semelhanças a fim de obter melhor compreensão dos grupos sociais pesquisados.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 33 • 48

MÉTODO MONOGRÁFICO OU ESTUDO DE CASO Estudo em profun-


didade de determinado caso ou grupo humano, sob todos os seus aspectos.
Permite a análise de instituições, de processos culturais e de todos os setores
da cultura.

MÉTODO GENEALÓGICO Estudo do parentesco com todas as suas im-


plicações sociais: estrutura familiar, relacionamento de marido e mulher, pais
e filhos e demais parentes; informações sobre o cotidiano, a vida cerimonial
(nascimento, casamento, morte), etc.

Técnicas
“Técnica é um conjunto de preceitos ou processos de que se serve
uma ciência ou arte; é a habilidade para usar esses preceitos ou
normas, a parte prática. Toda ciência utiliza inúmeras técnicas na
obtenção de seus propósitos.” Eva Maria Lakatos e Marina de An-
drade Marconi (1990)

A técnica identifica-se com a parte prática da pes-


quisa. É comum haver confusão entre os métodos
e as práticas da pesquisa. Mas é possível definir da
seguinte maneira: enquanto o método é constituí-
do de procedimentos gerais, extensivos às diversas
áreas do conhecimento, a técnica abrange proce-
dimentos mais específicos, em determinada área
do conhecimento. Vários são os itens fundamentais
nas técnicas de pesquisa:

COLETA DE DADOS:

Neste item, é necessário que o aluno pesquisador


apresente como foi organizada e operacionalizada
a coleta dos dados relativos ao processo de pes-
quisa. Todas as formas que usou de coleta devem
34 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

ser mencionadas (leituras, entrevistas, questionários,


documentos, observação), assim como quais fontes
foram utilizadas na coleta dos dados (identificando o
ambiente, a população e a amostra para a pesquisa).

Os modelos de coleta mais comuns são:



A Coletas bibliográficas: o aluno precisa apresentar o tema proposto, fun-
damentando-o com uma revisão crítica de fontes de pesquisa relacionadas ao
tema macro (área de estudo/tema/delimitação do tema) e micro (referente aos
objetivos). Para tal, deve relacionar sua visão sobre o tema fundamentado aos
acontecimentos atuais e trabalhos já realizados na área, bem como a opiniões
de autores.

A fundamentação teórica, revisão da literatura ou revisão bibliográfica apresen-


ta os conceitos teórico-empíricos que nortearam o trabalho. Pode-se pontuar
através das referências utilizadas as ideias com as quais o aluno compactua ou
não, entretanto, deve-se utilizar outro(s) autor(es) para estabelecer o confron-
to, se houver. O texto deve ser construído expressando as leituras e diálogos
teóricos com os autores pesquisados.

O aluno pode construir seu texto preocupando-se em:

Produzi-lo a partir do maior número possível de material bibliográfico publicado.

Usar material e informações de primeira mão, evitando o uso do apud. (Sig-


nifica citado por material de segunda mão. É uma informação de um autor e
citado pelo autor em que você está pesquisando.)

Contemplar, apenas, os trabalhos pertinentes e relacionados ao tema, sem


desviar do foco de pesquisa.

Restringir-se não apenas às ideias veiculadas nos livros técnico-científicos.

Apresentar as publicações de periódicos especializados.

B Coletas documentais: é comum, em algumas áreas de conhecimento, a co-


leta de dados em prefeituras, organizações governamentais ou, então, em seto-
res específicos de empresas privadas. Estas informações devem ser comentadas
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 35 • 48

no texto com as mesmas regras metodológicas das literaturas, já que possuem


autoria. Muitas vezes, a pesquisa envolve a utilização de materiais que estão lo-
calizados internamente em instituições públicas ou privadas.

Exemplo1 Exemplo2

As informações documentais Os dados foram coletados no


foram coletadas no Projeto Pe- programa de desenvolvimento
dagógico da escola e nos regis- da empresa, no banco de dados
tros dos alunos, arquivados na do RH e nos relatórios dos se-
secretaria da escola. tores.

C Questionário: com esta técnica de investigação, composta por questões


apresentadas por escrito às pessoas, o aluno pode identificar o conhecimento
de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivencia-
das e outras (GIL, 1996).

Para elaborar um questionário deve-se refletir sobre os objetivos da pesquisa


e passá-los para questões específicas. São as respostas que apresentarão as
informações necessárias para testar as hipóteses ou esclarecer o problema da
pesquisa.

Segundo Labes (1998), as etapas do questionário podem ser:

Pesquisa (análise dos objetivos e problema)

Elaboração do questionário

Testagem ou pré-teste

Distribuição e aplicação

Tabulação dos dados

Análise e interpretação dos dados


36 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Gil (1999) cita três tipos de questões em relação à forma: questões fechadas,
questões abertas e questões relacionadas.

Dencker (2000) acrescenta perguntas com escala nas questões fechadas.

No questionário do tipo questões fechadas, apresenta-se ao respondente um


conjunto de alternativas de resposta para que seja escolhida a que melhor re-
presenta sua situação ou ponto de vista.

Exemplos de questões fechadas:

Qual seu time de futebol?

( ) Flamengo ( ) Vasco ( ) Fluminense ( ) Botafogo ( ) Sem Time


( ) Outro _______________________________

A pergunta com escala visa medir o grau, e não a qualidade. Apresenta uma
gradação nas respostas. A escala pode ser apresentada pela atribuição de nota,
de preferência, de atitude.

Exemplo:

Em que medida você concorda com a portabilidade nos serviços de tele-


fonia celular?

( ) Concordo plenamente ( ) Concordo ( ) Não tenho opinião


( ) Discordo ( ) Discordo plenamente.

OBSERVAÇÕES:
- Não ofereça um número muito grande de alter-
nativas, pois isso poderá confundir o entrevistado e
prejudicar a escolha.
- Nas questões com diversas alternativas, deve-se
sempre colocar a opção “outras” para não ter que
listar todas as possíveis opções.
- Ter apenas uma resposta para o entrevistado assinalar.
Quando houver necessidade de mais de uma res-
posta (Exemplo: Quais as atividades de lazer você
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 37 • 48

OBSERVAÇÕES: prefere?), deve-se deixar claro que pode ser assina-


lada mais de uma opção na pergunta e ter cuidado
na tabulação.

Nas questões abertas, apresenta-se a pergunta e


se deixa um espaço em branco para que a pessoa
escreva sua resposta sem qualquer restrição.
Exemplo: Como você considera a atual gestão do
presidente da república?

Entretanto, questionários com muitas questões abertas retornam com muitas


delas não respondidas. Também é conveniente lembrar que, nesse caso, a tabu-
lação das respostas torna-se mais complexa.

As questões relacionadas são aquelas dependentes da resposta dada a outra


questão anterior.

Exemplo:

Você pratica algum esporte?

( ) Sim (responda à questão seguinte)


( ) Não (responda à questão número 11)

Qual o seu esporte preferido?

( ) Natação ( ) Corrida ( ) Futebol ( ) Outro_________________

A pergunta não deve sugerir respostas.

A questão deve referir-se a uma única ideia de cada vez.

O questionário não deve ultrapassar o número de 30 questões.

Iniciar pelas questões que definem o perfil do entrevistado (sexo, faixa etá-
ria, renda etc.).
38 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Na sequência, começar pelas questões mais gerais e, depois, apresentar as


de maior especificidade.

As perguntas devem ser ordenadas em uma sequência lógica.

Incluir apenas perguntas que realmente tenham relação com o problema.

Iniciar com as questões mais fáceis e impessoais, deixando as mais difíceis e


íntimas para o fim.

Evitar perguntar o nome, pois as respostas são mais livres e sinceras.

Não obrigar o entrevistado a fazer cálculos.

Ter uma boa apresentação gráfica (caracteres, diagramação, espaçamento,


entrelinhas).

Apresentar as instruções de preenchimento adequado ao questionário.

Citar, na apresentação do questionário, o objetivo da pesquisa e os envolvi-


dos (entidade).

Antes de iniciar a aplicação definitiva do questionário, o pesquisador deve


realizar um pré-teste. Ele serve para evidenciar possíveis falhas na redação
do questionário, como: complexidade das questões, imprecisão na redação,
questões desnecessárias, constrangimentos aos informantes, exaustão etc. O
pré-teste deve ser aplicado de 10 a 20 provas, a elementos pertencentes à
população pesquisada. (GIL, 1999; DENCKER, 2000).

Para a distribuição do questionário, após a adequação do pré-teste, o pesqui-


sador pode utilizar os seguintes meios: correio, e-mail, telefone, pessoalmente
(individual ou em grupo) ou on-line.

Para todos os meios, é necessário ter precauções para a aplicação, o preenchi-


mento e o retorno dos questionários. (LABES, 1998; GIL, 1999).

Para a delimitação da população/amostra e o tratamento estatístico, o aluno


deve atender a dois momentos: seleção e definição do universo e organiza-
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 39 • 48

ção do questionário – tabulação. (LABES, 1998). “O universo ou população é o


conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma
característica em comum [...] dependem do assunto a ser investigado.” (OLI-
VEIRA, 2002, p. 72).

O aluno deve compreender que a amostra de uma pesquisa pode ser concei-
tuada como “subconjunto finito de uma população” (LABES, 1998) e dividida
em quatro tipos:

Amostragem Causal ou Aleatória Simples: sorteio/ seleção espontânea da


amostra.

Amostragem Sistemática: quando a população encontra-se ordenada como,


por exemplo, em subgrupos. Quando se conhece a proporção e a dispersão
geográfica.

Amostragem Proporcional Estratificada: definida por variáveis (sexo, idade, etc.).

Amostragem Probabilística: possibilidade de todos os elementos serem pes-


quisados – aleatoriedade da amostra. Conhecer a probabilidade de ocorrên-
cia de um evento.

O estudante deve proceder à tabulação de questionários e se voltar à ampli-


tude das variáveis/categorias, ao cruzamento de variáveis, a tabulação manual e
o processamento eletrônico. Na utilização de gráficos, deve-se preocupar com:
proporcionalidade, título, grandezas numéricas, relações e outros.

A análise dos dados consiste em relacionar, comparar, medir, identificar, agrupar,


classificar, concluir, deduzir. Os procedimentos de análise são: definição de variá-
veis e tabulação (adotando uma ou mais variáveis como referência).

É necessário buscar nos trabalhos publicados em revistas científicas, anais de


eventos ou sites da área de estudo em questão, e verificar se há explicação
sobre a técnica de questionário e como aconteceu a pesquisa e a análise dos
dados. Geralmente a estrutura da entrevista é colocada em apêndice no final
do trabalho.
40 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

D Entrevista: o pesquisador pode utilizar uma técnica de


coleta de dados que se volte diretamente para as pessoas,
tendo um contato mais direto, buscando saber a opi-
nião delas sobre algo: a entrevista.

A entrevista é uma comunicação verbal entre duas


ou mais pessoas com um nível de estruturação pre-
viamente determinado, com a intenção de obter in-
formações de pesquisa. É uma das técnicas de coleta de
dados mais usada nas ciências sociais. (DENCKER, 2000;
GIL, 1999).

Se o aluno utilizar a entrevista em seu estudo, deve saber que é uma técnica
que também exige planejamento, pois precisa delinear o objetivo a ser alcan-
çado e cuidar de sua elaboração, desenvolvimento e aplicação.

As entrevistas poderão ser estruturadas (com perguntas definidas) ou semiestru-


turadas (permite maior liberdade ao pesquisador) segundo DENCKER (2000).

Para Gil (1999), nos estudos exploratórios a entrevista informal visa abordar realida-
des pouco conhecidas pelo pesquisador. Então, se este for o caso, o estudante pode
usar o tipo de entrevista menos estruturada possível, que só se distingue da simples
conversação porque tem como objetivo básico a coleta de dados. Dessa forma, uti-
lizam-se informantes-chave que podem ser especialistas no tema em estudo, líderes
formais ou informais, personalidades e outros.

Em situações experimentais, com o objetivo de explorar a fundo alguma experiência


vivenciada, é interessante que o pesquisador utilize a entrevista focalizada. Esse tipo
de entrevista é utilizada com grupos de pessoas que passaram por uma experiência
específica, como assistir a um filme, presenciar um acidente etc.

A entrevista por pauta apresenta certo nível de estruturação, pois se guia por uma
relação de pontos de interesse do entrevistador, ordenadas e relacionadas entre si.
São feitas poucas perguntas diretas e o entrevistado pode falar livremente.

O desenvolvimento de uma relação fixa de perguntas feitas para entrevistar alguém,


cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todos os entrevistados (que
geralmente são em grande número) é a entrevista estruturada.
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

DICAS (ICPG, 2008):


- A data da entrevista deverá ser marcada com antecedência e a situação em
que se realiza deve ser discreta.
- Registrar os dados imediatamente (anotando-os ou utilizando gravador).

utilizá-los na pesquisa.

- Deixar o entrevistado à vontade.


- Dispor-se mais a ouvir do que a falar.
- Manter o controle da entrevista (temas).
- Iniciar pelas perguntas que tenham menos possibilidade de provocar recusa.
- Não emitir opinião.

E Técnica de Observação: esta técnica é muito comum em várias áreas de


pesquisa e é importante compreender um pouco mais como funciona.

A observação pode ser estruturada ou não-estruturada. De acordo com o nível


de participação do observador, pode ser participante ou não-participante. Gil
-
-
rados: observação simples, observação participante e observação sistemática.

Na observação simples o pesquisador permanece alheio à comunidade, grupo


ou situação que pretende estudar e observa de maneira espontânea os fatos
que ocorrem. Nesse caso, ele assume o papel de espectador.

A observação participante ocorre por meio do contato direto do investigador


com o fenômeno observado para recolher as ações dos atores em seu contex-
to natural, considerando sua perspectiva e seus pontos de vista. (CHIZZOTTI,
2001). Sendo assim, ele assume o papel de ator, desenvolvendo um papel no
grupo que está estudando. (GIL, 1999).

Nas pesquisas cujo objetivo é a descrição precisa dos fenômenos ou teste de


hipóteses, é frequentemente utilizada a observação sistemática. Pode ocorrer
em situações de campo ou laboratório. Antes da coleta de dados, é necessária a
-
42 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

ções. Para tal, é preciso estabelecer antecipadamente as categorias necessárias


à análise da situação.

A observação se constitui elemento fundamental para a pesquisa. É utilizada de


forma exclusiva ou conjugada a outras técnicas. Pode-se definir a observação
como o uso dos sentidos com vistas a adquirir conhecimentos do cotidiano.
(GIL, 1999).

ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS

Após definir as formas de coletar informações e


dados para o estudo, é necessário refletir sobre as
formas de analisar e interpretá-los.

O objetivo da análise é reunir as informações de


forma coerente e organizada, visando responder o
problema de pesquisa. A interpretação proporciona
um sentido mais amplo aos dados coletados, fazendo
a relação entre eles. Esta etapa pode ser de caráter
quantitativo ou qualitativo e várias técnicas poderão
ser utilizadas para o tratamento dos dados. É conve-
niente que se realize uma análise descritiva, apresen-
tando uma visão geral dos resultados, e, na sequência,
analise os dados cruzados, que possibilitam perceber
as relações entre as categorias de informação, e da
análise interpretativa. (DENCKER, 2000).

A estatística na análise e interpretação de dados


pode ser classificada como: Estatística descritiva
(descrição e análise sem inferências e conclusões) e
Estatística indutiva (inferências, conclusões, toma-
das de decisão e previsões) LABES (1998)

A pesquisa deve prezar pela necessidade de apre-


sentação, formal e oficial, dos resultados do estudo;
explicitação dos objetivos, da metodologia e dos re-
sultados e prioridade à fidedignidade na transmissão
das descobertas feitas LABES (1998). Todas as infor-
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 43 • 48

mações importantes constatadas na pesquisa são


apresentadas em forma de texto ou de elementos
de apoio ao texto, se for necessário, como figuras,
quadros, gráficos e tabelas. Pode-se apresentar um
quadro compreendendo o período em que se reali-
zaram as atividades da pesquisa.

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

O pesquisador deve apresentar os resultados da


pesquisa conforme os preceitos da ciência, com
redação técnico-científica e as exigências da área
de conhecimento. Assim, os resultados expõem o
tema proposto, fundamentando-o com uma revi-
são crítica de fontes de pesquisa relacionadas ao
tema de forma ampla para depois especificá-la. É
necessário que o investigador relacione sua visão
sobre o tema fundamentado aos acontecimentos
atuais e trabalhos já realizados na área, bem como
as opiniões de autores.

Para tal, é necessário o cumprimento das nor-


mas ABNT NBR 10520 (2002).

As informações podem ser apresentadas por


meio de elementos de apoio ao texto como figu-
ras, gráficos, quadros, tabelas e outros, conforme
as regras metodológicas.

O modelo de apresentação do documento deverá


seguir as regras definidas para sua tipologia (mo-
nografia, artigo científico e outros) e a instituição
solicitante (universidade, revista científica, evento
e outros).
44 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

Questões
de fixação
1
Cite as principais características do Positivismo e
como esse pensamento colaborou para o desen-
volvimento da metodologia da pesquisa científica.

2
O que é o método experimental?

3
Defina o que é pesquisa de maneira sucinta:

4
Quais são os cinco tipos diferentes de conheci-
mento e suas definições?

5
Quais fatores você deve levar em conta ao deli-
mitar o tema da pesquisa?
UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA 45 • 48

6
Explique as diferenças entre os métodos de pes-
quisa dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo,
dialético e fenomenológico.

7
Qual a diferença entre pesquisa quantitativa e
qualitativa?

8
Explique as diferenças entre as pesquisas descriti-
va, exploratória e explicativa:

9
Cite os métodos mais utilizados nos projetos aca-
dêmicos e quais as diferenças entre eles.

10
Quais os modelos de coletas de dados mais utili-
zados e suas definições?
46 • 48 UNIDADE 1 • METODOLOGIA CIENTÍFICA

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