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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO

ESTADO DE SÃO PAULO


PODER JUDICIÁRIO

RECIBO DO PROTOCOLO
PETICIONAMENTO INICIAL - PRIMEIRO GRAU

Dados Básicos
Foro: Foro Central Criminal Barra
Funda
Processo: 10008652620188260050
Classe do Processo: Crimes de Calúnia, Injúria e
Difamação de Competência
do Juiz Singular
Assunto principal: Difamação
Data/Hora: 09/09/2018 00:59:57

Partes
Autor: Diretório Nacional do Partido
dos Trabalhadores
Réu: Janaina Conceicao Paschoal

Documentos
Petição*: Queixa-Crime - Janaina
Paschoal - 1-6.pdf
Procuração: Procuração PT - 1.pdf
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO CRIMINAL DA COMARCA
DE SÃO PAULO/SP

O PARTIDO DOS TRABALHADORES, através de seu Diretório Nacional, na forma


do artigo 116, inciso XIII, de seu Estatuto Social, inscrito no CNPJ/MF sob o nº:
00.676.262/0001-70, com sede no Setor Comercial Sul – Quadra 02 Bloco C nº 256,
Edifício Toufic, 1º andar, CEP 70302-000 – Brasília/DF, neste ato representado pela sua
Presidenta GLEISI HELENA HOFFMANN, brasileira, casada, Senadora da
República(PT/PR), RG nº 3996866-5 SSP/PR, CPF sob nº 676.770.619-15, endereço
funcional na Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes, Senado Federal, Ala
Teotônio Vilela, gabinete 04, CEP 70.165-900, Brasília/DF, vem, respeitosamente,
1
perante Vossa Excelência, ajuizar a presente

QUEIXA-CRIME
PELO COMETIMENTO DOS CRIMES DE CALÚNIA E DIFAMAÇÃO

em detrimento de JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, inscrita no CPF sob o n.


195.295.878-48, identidade n. 241300551 - SSP/SP, podendo ser citada em Alameda
Franca, 84 apto 202 – Jardim Paulista, São Paulo - SP, CEP: 01422-005, pelos fatos e
argumentos que seguem.

RuaGuajajaras,nº880,sala1208- Centro/BeloHorizonte,MG- CEP:30.180-100 SGAN601,Bl.H,salas2059-2064-AsaNorte/Brasília,DF-CEP:70.830-018


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I – DOS FATOS

1. Em breve síntese, como é de conhecimento público, comum, consubstanciando


fato notório, no último dia 06/09/2018 (quinta-feira), o candidato a Presidente da
República pelo Partido Social Liberal, Jair Messias Bolsonaro, foi alvo de violência, sendo
vítima de ferimento perfurocortante.

2. Todavia, apesar da situação delicada, que deve ser apurada com todo o rigor e
atenção, a querelada, de forma deliberada, concedeu entrevista afirmando que o autor do
crime cometido seria vinculado às pessoas “do lado de lá”.

3. Antes disso, desde o segundo 06 do vídeo anexo1, é possível ouvir a querelada


dizendo que “eles pisaram na gente, eles submeteram, eles perseguiram, eles processam,
eles ameaçam, eles fazem tudo isso e quando percebem que a gente se mantém firme, eles
matam.”.
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4. E, quando questionada quem seriam “eles”, responde serem aqueles que estavam
no poder e que não estão aguentando a realidade que elas perderem o poder e que elas
não vão voltar para o poder”, em clara alusão ao Partido dos Trabalhadores.

5. Ora, para que não restem dúvidas, a querelada continua dizendo, ao responder a
pergunta se ela acreditava, então, que não se tratava de um ato isolado: “não foi. Essa
pessoa é completamente vinculada. A imprensa não tá mostrando ele com camiseta Lula
Livre nas redes sociais. Ele faz parte do grupo, entendeu? Ele faz parte.”

6. Lula, como é de conhecimento comum, trata de Luiz Inácio Lula da Silva,


Presidente de Honra do Partido dos Trabalhadores.

7. Ou seja, afirma a querelada, categoricamente que “aqueles que estavam no Poder”,


em alusão ao Partido dos Trabalhadores, que governou o país de 2003 a 2016, seria
responsável por perseguições, ameaças e até mesmo por mortes. Emenda, a esta fala, a

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https://www.youtube.com/watch?v=hUkozH-DL_0

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afirmação que o autor do atentado sofrido pelo candidato Jair Bolsonaro seria vinculado
ao Partido dos Trabalhadores, uma vez que usaria a camiseta com dizeres de “Lula Livre”.

8. Ou seja, a querelada é assertiva ao atribuir a responsabilidade sobre o atentado


contra a integridade física do candidato Jair Bolsonaro ao Partido dos Trabalhadores.

9. Portanto, tendo em vista que a querelada atribui a autoria do crime previsto no art.
20, parágrafo único da Lei de Segurança Nacional ao Partido dos Trabalhadores, o que é
sabidamente inverídico, ante todas as manifestações das autoridades policiais sobre a
questão, é patente o cometimento do crime de calúnia e difamação, conforme se passará a
expor.

II – DO DIREITO

10. Calúnia, conforme dicção do Código Penal, é imputar falsamente fato definido 3

como crime, sendo que incorre na mesma pena aquele que sabendo falta a imputação, a
propala ou divulga2. Já a difamação ocorre quando há a imputação de fato ofensivo à sua
reputação3.

11. Além disso, cabe destacar que o bem jurídico tutelado pelos tipos penais de calúnia
e difamação, a honra objetiva, também é atribuída às pessoas jurídicas, de modo que estas
são legítimas para ajuizar ações de danos morais, bem como apresentar Queixa-Crime em
razão do cometimento dos crimes de calúnia e difamação. Neste sentido:

CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. PESSOA JURÍDICA.


CALÚNIA E INJÚRIA.HONRA OBJETIVA. OFENSA NÃO
DEMONSTRADA. RECURSO DESACOLHIDO.
I - A evolução do pensamento jurídico, no qual convergiram
jurisprudência e doutrina, veio a afirmar, inclusive nesta Corte,

2
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga
3
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

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onde o entendimento tem sido unânime, que a pessoa jurídica pode
ser vítima também de danos morais, considerados estes como
violadores da sua honra objetiva, isto é, sua reputação junto a
terceiros.
[...]
(REsp 223.494/DF, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO
TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 14/09/1999, DJ
25/10/1999, p. 94)

12. Sendo assim, considerando que o ato praticado por terceiro em detrimento do
candidato Jair Bolsonaro claramente não possui qualquer relação com o Partido dos
Trabalhadores, ou seja, com a ação de quaisquer de seus dirigentes e responsáveis, torna-
se deveras leviano imputar ato de elevadíssima gravidade como sendo de sua
responsabilidade.

13. Inclusive, a gravidade da imputação advém do próprio crime a que foi indiciado o
autor da lesão, tipificado no art. 20 da Lei de Segurança Nacional, que traz a previsão,
4
dentre outros, do crime de terrorismo.

14. Ora, reputar esta Agremiação Partidária, de tradicional militância pelos direitos
humanos e sociais, o cometimento de crime que pode ser equiparado a atos de terrorismo,
ou mesmo afirmar que se tentou, deliberadamente, por razões políticas, atentar contra a
integridade física de um Deputado Federal, ora candidato a Presidente da República,
constitui ato de grave violação a honra objetivo do Partido dos Trabalhadores.

15. Portanto, considerando a existência de prova material de que fora a querelada,


pessoalmente, a autora dos dizeres aqui reputados como caluniosos, não há dúvidas acerca
da autoria do suposto ato criminoso.

16. A materialidade, por sua vez, abstrai-se de os próprios dizeres acima mencionados
e que podem ser vistos em sua integralidade no vídeo acima mencionado, posto como
anexo nesta demanda.

17. Isso porque, ao cumular os dizeres que os responsáveis seriam aqueles que
“estavam no poder e que não estão aguentando a realidade que elas perderem o poder e

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que elas não vão voltar para o poder”, é clara a busca por atribuição da responsabilidade
de tal gesto violento ao mando e desmandos do Partido dos Trabalhadores, o que viola a
sua honra objetiva.

18. Por fim, no que tange o animus caluniandi e difamandi da querelada, basta
mencionar que as expressões foram livre e desembaraçadamente proferidas por esta frente
a diversos veículos de comunicação, deixando clara a intenção de proferir tais dizeres e
de propaga-los. Ou seja, houve a plena intenção e consciência do que estaria realizando.

19. Ademais, vale mencionar que querelada é Professora Doutora em Direito por uma
das Universidades mais renomadas do país, de modo que não se poder a se eximir de sua
responsabilidade afirmando desconhecer a tipicidade da conduta, ou acreditar que tais
dizeres não configurariam imputação de crime sabidamente falso ao Partido dos
Trabalhadores.

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20. Além disso, é de conhecimento público o desafeto da querelada com o querelado,
sendo este natural da disputa política democrática, só não podendo confundir tais
desavenças com subterfúgio para, deliberadamente e infundadamente atribuir a autoria de
crimes ao Partido dos Trabalhadores, sob pena de responder ao rigor da lei.

III – DOS PEDIDOS

21. Por todo o exposto, o querelante requer, liminarmente, a concessão de ordem


cautelar que faça cessar, imediatamente, toda e qualquer pronunciamento da querelada
acerca da falaciosa alegação de envolvimento do Partido dos Trabalhadores com o
atentado sofrido pelo candidato Jair Messias Bolsonaro.

22. E, no mérito, pela condenação da querelada pelo cometimento dos crimes de


Difamação, conforme dispõe o art. 139 do Código Penal e Calúnia, nos termos do art. 138
do Código Penal ou, subsidiariamente, por ter propalado e divulgado tal fato mesmo
sabendo ser inverídico pelo art. 138, §1º do Código Penal.

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23. Ao fim, informa que promoverá a juntada da guia de recolhimento de custas no
dia útil subsequente e se atribui a causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais).

Nestes termos, pede deferimento.

Brasília, 09 de setembro de 2018.

Eugênio José Guilherme de Aragão Angelo Longo Ferraro


OAB/DF 4.935 OAB/DF 37.922

Marcelo Winch Schmidt Rachel Luzardo de Aragão


OAB/DF 53.599 OAB/DF 56.668

Miguel Filipi Pimentel Novaes


OAB/DF 57.469

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