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Nome: Lourenço Kawakami Tristão

Dimensão: Econômica

Por que estudar economia?

Para Daly e Farley o ponto central da economia estaria relacionado aos nossos desejos e o
que estaríamos dispostos a abrir mão por eles. Os autores colocam três questões principais que
embasam esse pensamento:

1. Quais os objetos do nosso desejo?


2. Quais recursos limitados ou escaços são necessários para obter esses objetos?
3. Quais objetos têm prioridade, e até que ponto devemos alocar recursos para eles?

Essas perguntas, entretanto, podem obter respostas diferentes dependendo da visão de quem
pergunta. Os economistas neoclássicos, por acreditarem que o mercado determina os objetos do
nosso desejo, não dão muita importância para os recursos que estão fora do mercado,
desacreditando seus valores de utilidade e bem-estar às pessoas.
Em contraposição aos economistas neoclássicos os economistas ecológicos acreditam que
embora a alocação eficiente seja importante ela não deve ser um fim em si mesma, outros fatores
não mensuráveis também devem ser levados em consideração. Fatores que não estão
necessariamente ligados ao mercado. Outra crítica dos economistas ecológicos ao sistema
econômico atual é a ideia de crescimento contínuo, considerado como o fluxo de recursos da
natureza para o mercado e seu posterior despejo como lixo no meio ambiente. Afirmando a
necessidade de uma mudança qualitativa nesse fluxo.
Os autores também discutem que enquanto os neoclássicos discutem a economia do ponto
de vista microeconômico pela questão da alocação eficiente, e no macroeconômico pela questão do
crescimento contínuo, os ecologistas focam no macroeconômico procurando responder a questão de
qual tamanho da nossa sociedade seria grande demais para o planeta.
Outra questão importante destacada pelos autores diz respeito a desigualdade social, para
eles ao olhar-se a questão de um ponto de vista ético, não parece ser certo que existam 1.2 bilhões
de pessoas em pobreza extrema, enquanto alguns poucos possuem grandes concentrações de
riquezas. Também afirma que se existirem limites para o crescimento, os benefícios sociais que hoje
são desfrutados pelos mais ricos não chegarão aos mais pobres.

A visão fundamental
Daly e Farley apontam que embora o pensamento neoclássico e o ecológico possuam
conceitos em comum, existe uma diferença fundamental entre a forma como enxergam a relação
entre economia e o conjunto de ecossistemas, atmosfera e planeta Terra, enquanto o primeiro vê a
economia englobando todo esse conjunto, o segundo enxerga a economia como uma parte desse
conjunto.
Os autores discutem a falta de um conceito de “escala ótima” para a macroeconomia, ou
seja, não existiria um limite para o crescimento da economia para os neoclássicos. E afirma que esse
problema está relacionado a visão dos neoclássicos da economia como sendo mais abrangente que o
conjunto Terra, atmosfera e ecossistemas. Pois sendo algo maior do que esse conjunto, não estaria
limitado a ele. Os autores afirmam que na visão dos ecologistas o crescimento também não seria um
problema, caso a economia fosse um subsistema pequeno em relação ao conjunto citado.
Os autores também apontam um erro no sistema neoclássico, especificamente por esse
considerar bem-estar sinônimo de consumo, o que geraria um fluxo de consumo de recursos para a
produção e o consumo, resultando em lixo. O erro estaria em que, por bem-estar não ser
efetivamente sinônimo de consumo, estaríamos um sistema eficiente em destruir o meio ambiente,
sem nenhum ganho efetivo no longo prazo, uma vez que com o tempo o consumo de recursos e sua
transformação em lixo, acabariam por diminuir o bem-estar em vez de aumentá-lo. Seria uma
“deseconomia” nos termos dos autores. Nesse sentido os autores propõem a utilização da ideia de
custo marginal versus benefícios marginais para discutir o problema.
Outra questão apontada pelos autores é a necessidade de uma mudança paradigmática de um
pensamento que considera o planeta como um sistema circular considerar que existe uma parte do
sistema que é linear.
Para exemplificar essa questão os autores utilizam diversos exemplos, como a circulação de
dinheiro em uma economia, eles demonstram que se o sistema fosse circularmente perfeito existiria
um fluxo do dinheiro entre pagamentos e ganhos, de forma que ocorreria um fluxo perfeito. Mas na
prática não é o que ocorre, senão não teríamos, por exemplo, inflação. O autor aponta então que os
sistemas não são ciclos perfeitos, e que existem inserções de novos elementos e vazamentos, e que
isso afeta o equilíbrio de um sistema circular.
A economia não seria diferente, ela cria lixos que não são reaproveitados pela economia, e
utiliza recursos que não estavam inseridos na economia anteriormente. Isso significa, portanto, que
a economia, do ponto de vista sistêmico, só pode estar inserida em um sistema maior, o conjunto
Terra, atmosfera e ecossistemas. E dessa forma, precisa considerar a capacidade desse conjunto de
absorver e reciclar as ações do subsistema economia.
Objetivos, meios e políticas

Daly e Farley seguem discutindo a relação entre a economia e o conjunto Terra, atmosfera e
ecossistemas, utilizando como analogia a Segunda Lei da Termodinâmica, que fala sobre a entropia,
a perda irreversível que ocorre em um sistema aberto.
Os autores iniciam o capítulo discutindo a relação entre os meios e os fins.
Em relação aos meios, procuram discutir o que seriam os recursos mais básicos do nosso
planeta, recursos de baixa entropia, e que servem para os processos mais elevados. Nesse percurso
de discussão, criticam a visão da informação como um recurso de baixa entropia, demonstrando que
ao contrário é um recurso de alta entropia. Também criticam a visão de que somente nos falta o
conhecimento para transformar todo o lixo que produzimos novamente em recursos reutilizáveis,
embora os autores não descartem que o conhecimento é importante, como o de tratar da reciclagem
dos materiais, eles afirmam que não se pode negar o mundo físico, e que embora seja possível
reciclar lixo, sempre existe perda e consumo de energia nesse processo, ou seja, existe um limite do
quanto é possível se extrair dos recursos e a entropia não pode ser evitada totalmente.
Em relação aos objetivos, os autores realizam um mesmo tipo de questionamento,
procurando debater sobre um objetivo último. Entretanto, os autores deixam claro que em um
mundo de pluralismo é necessário pensar que podem existir múltiplos “objetivos finais” e que na
prática pode ser que não seja possível conhecer-se o que seria esse objetivo, de forma que só
poderíamos nos aproximar desse entendimento. Para eles isso não significaria que não devemos
procurar nos aproximar desse entendimento, de forma verdadeira e não dogmática, pois sem essa
busca as relações perderiam um sentido maior, e se tornariam somente uma forma de alcançarmos
objetivos efêmeros.
Os autores discutem então a importância das políticas para a ecologia, e critérios necessários
para que políticas tenham valor.
Em primeiro lugar, afirmam que é necessário que existam alternativas reais de escolhas, pois
se não existirem alternativas relevantes, então tudo já estaria determinado e não existiria nada que
pudéssemos fazer. Em segundo lugar, existindo opções, é necessário que também existam critérios
concretos para fazer as escolhas, é necessário que seja possível escolher entre algo melhor ou pior.
Os autores afirma que embora esses critérios pareçam óbvios, é necessários reafirmá-los antes de
discutir a questão de políticas, pois muitas vezes pessoas tentam criar políticas acreditando em um
pré-determinismo e/ou niilismo.
Os autores então afirmam que entre os polos de um objetivo último e um recurso último,
existem diversos elementos que devem participar de uma discussão, questões como religião, ética,
economia e políticas, técnicas e o mundo material, assim como os objetivos intermediários e os
recursos intermediários devem ser discutidos.
Três estratégias são apresentadas então para discutir a integração entre ecologia e economia,
imperialismo econômico, reducionismo ecológico, subsistema estabilizado.
Imperialismo econômico: Nessa visão a economia se expandiria para todo o planeta,
incluindo também questões como o aquecimento global, a natureza, etc., e quantificando esses
elementos em termos econômicos.
Reducionismo ecológico: Adota uma visão de que a economia não é nada mais do que uma
parte da própria natureza, seguindo suas regras e efeitos de forma determinística.
Subsistema estabilizado: É a estratégia defendida pelos autores, que acreditam que não
devemos procurar acabar com as fronteiras entre a economia e o meio ambiente, e sim procurar
encontrar um equilíbrio, de forma que o planeta possa manter-se.

A natureza dos recursos e os recursos da natureza

Daly e Farley iniciam o quarto capítulo posicionando sua visão como a da economia sendo
um subsistema de um sistema global, que possuiria um ponto ótimo na relação crescimento
econômico e sistema global, a partir do qual a economia começaria a prejudicar o sistema global.
Os autores também destacam que o mercado seria um dos elementos centrais que precisariam ser
discutidos para se encontrar uma solução adequada.
Os autores apontam que o planeta é um sistema finito, e que isso precisa ser considerado
para a utilização desses recursos. Um ponto discutido pelos autores é a de que o bem-estar não está
necessariamente relacionado ao consumo, e portanto, é necessário repensar essa questão em maior
profundidade. Essa questão é fundamental para discutir o ponto em que o crescimento econômico
alcançaria um limite, se já não tiver alcançado esse limite. Dessa forma, não significaria parar de
desenvolver-se, mas sim, desenvolver-se de uma forma diferente, focando em bem-estar que não
dependa especificamente do consumo.
Os autores também realizam a diferenciação entre recursos estocáveis e de fomento,
enquanto os primeiros poderiam ser acumulados e utilizados posteriormente os segundos se não
utilizados se perderiam.
Outro conceito apontado pelos autores diz respeito aos recursos excludentes e rivais, no
primeiro caso são aqueles que a posse por uma pessoa pode impedir outros de utilizá-lo, e o
segundo é aquele que seria consumido (ou gasto) durante o seu uso. Em contrapartida, recursos não
excludentes e não rivais, seriam recursos cujo uso não pode ser impedido ou não se desgastaria com
a utilização.
Os autores então apresentam oito tipos de bens e serviços oferecidos pela natureza,
combustíveis fósseis, minerais, água, terra, energia solar, recursos renováveis, serviços do
ecossistema, e absorção de águas, sobre os quais iniciaram uma discussão envolvendo os conceitos
apresentados como entropia, recursos de fomento e de estocáveis, e recursos excludentes e rivais.