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Ano 1 #0 Distribuição gratuita Novembro de 2006

Filtragem natural em água doce


Ampulárias
Ficha de peixes:
Naso vlamingii

Bombas e
circulação
de água

d e
i ç ã o o:
Ed ment
n ç a d e
la vist lia
a
re r iofi
qu a
a

A Biodiversidade
e a sua importância em
ecossistemas «fechados»
editorial
A
aquariofilia já atingiu ou mesmo por situações de me- perando poder contar com todo
no nosso país um pa- nor credibilidade. o vosso apoio e colaboração
tamar de relevância, O mercado actual, em profun- para garantir o sucesso deste
quer ao nível quantitativo, ou da expansão, exige um apoio ri- projecto que, como poderão
seja, o número elevado de goroso e de confiança, traduzido observar, tem a qualidade ne-
aficionados, quer qualitativo, por uma maior e melhor difusão cessária. Nesta edição de lan-
revelando alguma maturidade de informação que sirva os inte- çamento, a publicidade encon-
e qualidade de aquários e co- resses dos leitores, fabricantes, tra-se completamente ausente.
nhecimentos de muitos aqua- importadores, distribuidores, lo- De futuro, para que a revista
riofilistas. jistas e amantes deste maravi- progrida e permaneça no mer-
Nos últimos anos temos as- lhoso hobby. cado, contamos com a publici-
sistido a um desenvolvimento A bioaquaria surge neste con- dade de todas as entidades e
muito significativo da aqua- texto com o objectivo de res- empresas do sector.
riofilia, quer seja nos próprios ponder a esta lacuna na aqua- Lançaremos a edição n.º 1,
conhecimentos dos aficio- riofilia nacional. Trata-se de um em papel, no primeiro trimes-
nados, quer seja no próprio projecto que pretende o envolvi- tre do ano. Apesar de parecer
sector que explora produtos mento de toda a cadeia de valor, algum tempo, é preciso com-
específicos para o hobby e os que parte de aquariofilistas para preender que é necessário ul-
próprios seres vivos. As tecno- aquariofilistas e que conta ainda trapassar algumas questões
logias da informação foram o com a participação de biólogos logísticas para que de futuro a
principal veículo impulsionador e de todos os que demonstrem revista não falhe a sua perio-
dos conhecimentos que exis- paixão pelo ambiente aquático. dicidade bimestral, e seja tam-
tem sobre a manutenção de Pretendemos reunir os me- bém capaz de cumprir prazos,
seres aquáticos em cativeiro lhores especialistas nacionais e garantindo ao mesmo tempo
através de fóruns na Internet, alguns internacionais neste pro- qualidade e isenção.
sites e revistas online. Contu- jecto. Estamos a estabelecer par-
do, é importante não esquecer A revista englobará a aqua- cerias com clubes, associações
as publicações em papel, que riofilia de água doce, salgada, e fóruns e a garantir também
representaram e continuam terá uma pequena componente conteúdos de alguns autores
a representar um importante relacionada com a problemática estrangeiros.
veículo de comunicação que ambiental marinha, a biologia, a Não podemos deixar de
não substitui nem se torna ob- aquacultura e o mergulho, todos agradecer a todos os nossos
soleto perante as novas tecno- os eventos realizados, notícias, colaboradores que têm sido
logias, tal como o mercado da aquários de sucesso, biofichas de fantásticos, nomeadamente to-
literatura em papel não sofreu peixes, plantas e invertebrados, dos os que contribuíram com
com o advento da Internet. aquariofilia na net e também conteúdos e, especialmente, os
No nosso país existe actu- será um espaço onde poderá dar que perderam muitas horas de
almente um vazio no que res- opiniões, tirar certas dúvidas e forma altruísta para a concreti-
peita a publicações periódicas certamente, se o desejar, de co- zação deste projecto.
dedicadas à aquariofilia. Assis- laborar.
timos no passado a algumas Assim, é com imenso prazer
tentativas falhadas, quer seja que lançamos esta edição n.º 0,
por falta de interesse, gestão, totalmente gratuita e online, es-

 Novembro 2006 bioaquaria


índice
4 Um filtro vivo Editores
Filtragem natural em água doc�
e João Cotter
Paulo Torres
8 Acumulação de matéria dissolvida e
Revisão
mudas de água Catarina Fonseca
Método analítico para determinar uma solução ade- Sandra Campaniço
quada
Fotografia
10 As ampulárias Diogo Lopes; Duarte Concei-
Grandes caracóis de água doce da família Ampulla- ção; Filipe Oliveira; João Ri-
ridae beiro; Pedro Conceição; Vasco
Gomes
12 BioFicha de peixes
Tetra neon - Paracheirodon innesi Colaboradores
Alexandre Augusto; André
Nóbrega; APC - Associação
14 BioFicha de peixes Portuguesa de Ciclídeos; APK
Rufia - Naso vlamingii - Associação Portuguesa de
Killifilia; Brian Schaff; Diogo
16 BioFicha de invertebrados Lopes; Domingos Leitão; Du-
Lysmata amboinensis arte Conceição; Eduardo Tel-
les Santos; Eric Borneman;
Fórum Aquariofilia; Hugo Gan-
18 Bombas e circulação de água te; João Monteiro; João Soa-
Tipos de bombas de água, suas funções e a impor- res; Luís Simões; Machado de
tância do hidrodinamismo em aquários de água sal- Sousa; Marco Madeira; Miguel
gada Figueiredo; Nuno Prazeres;
ReefForum; Ricardo Calado;
25 Aquariofilia na net Ricardo Cyrne; Ricardo Rodri-
Um site utilitário sobre química de água salgada e gues; Rui Ferreira de Almeida;
outro sobre crustáceos Rui Gaspar; Sandra Campa-
niço; Sérgio Veterano; Tomás
Mendes; Vanda Franco; Vitor
26 Sustentabilidade do mercado de mari- Melo
nhos ornamentais
Visão geral do apanhador ao aquariófilo Design e paginação
João Cotter
29 A Biodiversidade e a sua importância em Paulo Torres
ecossistemas «fechados» - Parte 1 email
Definição e problemática do conceito de biodiversi-
bioaquaria@gmail.com
dade e suas implicações em aquários
Endereço electrónico
37 Eventos http://bioaquaria.planetaclix.pt
PetFil 2006; 2º Aniversário ReefForum
Contactos telefónicos
+351 96 501 75 63
40 Aquário do mês +351 91 618 87 14
Aquário de recife de Ricardo Pinto
Foto da capa: Naso vlamingii
© João Ribeiro

bioaquaria Novembro 2006 


água doce

O lago de jardim do autor

Um filtro vivo
Texto e fotografias:
Miguel Figueiredo
Aquariofilista que mantém peixes há
mais de 30 anos, tendo-se especiali-
zado em espécies africanas de água
Filtragem natural em água doce doce. O seu interesse pelos peixes
leva-o com frequência aos biótipos
de origem, estudando as espécies

A
final que filtragem a natu- tanto espaço como a Natureza... no seu meio natural. Segundo o Mi-
guel, o seu ideal de paraíso é estar
reza usa em lagos e rios? e certamente não queremos dentro de água, num longínquo rio
montar uma ETAR em nossa de uma floresta virgem qualquer,
Entre outras coisas, recorre a casa. observando tranquilamente os pei-
xes e segurando um camaroeiro,
muitas plantas. A ideia é atraente, usar as para poder colectar as espécies mais
As algas, as plantas aquáticas próprias plantas aquáticas para invulgares...
superiores e a grande quantida- filtrar o aquário, mas será que
de de plantas marginais, sugam E se fosse mesmo possivel...
funciona?
avidamente amónia, nitritos, ni- porque é que os outros aquario-
Em recife é possivel atingir
tratos, fosfatos e metais pesa- filistas não o faziam?
esse equilíbrio, através de uma
dos. Há vários anos atrás, em
grande proporção de rocha viva,
Hoje em dia, as ETAR’s mais 2000, eu tinha muito mais tem-
movimentação de água e luz,
avançadas usam enormes plan- po para me dedicar à aquariofilia
mas em água doce eu tinha dú-
tações de plantas palustres no e fiz uma experiência:
vidas, suspeitava que a quanti-
tratamento dos esgotos das ci- Instalei um aquário para ciclí-
dade necessária de plantas fosse
dades. deos com 120 cm e 240 litros.
enorme, tornando estes filtros
Porém, nós não dispomos de Um terço do aquário estava se-
impraticáveis.

 Novembro 2006 bioaquaria


água doce
parado por rede e era totalmen-
te ocupado por duas espécies de
plantas de crescimento rápido:
Ceratophyllum demersum e Elo-
dea densa.
Nos restantes dois terços foi
colocado um povoamento com-
pleto de peixes:
1 jack dempsey macho com
18 cm, 1 jack dempsey fêmea
com 14 cm, 5 chanchitos com 5
- 8 cm, 1 tilápia moçambicana
macho com 18 cm, 1 tilápia mo-
çambicana fêmea com 16 cm, 3
peixes-jóia com 6-8 cm, 3 pei-
xes arco-íris de 7 cm. Grupo de
9 espadas pequenos, com cerca
de 1 cm.
Os peixes foram bem alimen-
tados com comida fresca (mistu- O filtro de plantas
ra de espinafres e marisco).
Luz: uma power-glo de 40 W e
va bem povoado logo de início e
uma Daylight (luz branca nor-
que os peixes eram bem alimen-
mal) de 36 W.
tados.
Movimentação da água: po-
A acumulação de nitratos foi
werhead com caudal de cerca
de 10 ppm por semana. Isto é
de 700 L/hora e válvula ventu-
consistente com uma mudança
ri para oxigenação.
de 1/3 de água quinzenal, con-
Parâmetros da água: tempe-
seguindo-se então baixar os ni-
ratura 23ºC, pH: 7,5, GDH: 9
tratos para valores médios.
KH: 7
As plantas apresentaram uma O aquário da experiência
Medições dos compostos
elevadissíma taxa de crescimen-
amoniacais ao longo de 4 sema-
to - cerca de 17 cm a cada 7 dias Três peixes arco-íris, inicial-
nas:
mente introduzidos foram de-
Amónia (NH3) Nitritos (NO2-) Nitratos (NO3-) saparecendo misteriosamente,
Inicial 0 0 < 1 ppm provavelmente comidos. Curio-
samente, estes peixes já tinham
Semana 1 0 3-4 ppm 80 ppm
vivido anos em aquários de afri-
Semana 2 0 < 0,5 ppm 90 ppm
canos.
Semana 3 0 < 0,5 ppm 100 ppm
Os 9 espadas pequenos intro-
Semana 4 0 < 0,5 ppm 110 ppm duzidos na área de plantas foram
desaparecendo até não restar
Inicialmente, os nitritos estoi- - o que dá uma média superior nenhum. Os responsáveis terão
raram: atenção que mesmo os a 2 cm/dia. sido os chanchitos que patrulha-
aquários de plantas irão precisar Um casal de peixes-jóia teve vam sistematicamente a divisó-
de um período de ciclo. uma ninhada, outros peixes, ria. Penso que cada vez que um
O ciclo fez-se em apenas 15 como jack dempseys e tilápias, desses peixinhos passava para o
dias, menos de metade do tem- apresentavam comportamentos outro lado era comido.
po de um aquário tradicional reprodutivos e acabaram por se É muito moroso, talvez por
- de realçar que o aquário esta- reproduzir após as 4 semanas. falta de prática, podar todos os

bioaquaria Novembro 2006 


água doce
molhos de plantas do filtro - ta- mesmo em aquários de grandes
refa que deve ser feita, pelo me- peixes e reservando um espaço
nos, uma vez a cada 2 semanas, com apenas um terço do volume
dada a elevada taxa de cresci- total de água.
mento. Para podar as plantas
retiro-as para fora, corto-as a E pergunto eu de novo...
15-20 cm do topo, deito fora a - Então porque é que ninguém
parte de baixo e volto a fixar as usa os filtros de plantas?
extremidades ao lastro (pedras
presas com tiras feitas de meia Talvez porque exijam um pou-
de senhora), isto para todos os co mais de perícia e um pouco
Cichlasoma octofasciata - Jack dempsey
molhos presentes no filtro. De- mais de esforço no planeamen-
morou-me mais de uma hora a to.
fazê-lo. Eu próprio me penitencio, o Por outro lado, considero que
Retirei 1,5 a 2 kg de biomas- aquário descrito esteve cerca a maneira como separei as plan-
sa vegetal bruta. Não sei qual é de ano e meio montado, assis- tas não é estética. Muito melhor
a percentagem de azoto dessa tindo ao nascimento de muitas seria usar um outro aquário por
biomassa, mas através dela, cer- ninhadas de alevins mas, desde trás, ou dividir o aquário longi-
tamente, retirei muito do azoto, então, nunca mais voltei a usar tudinalmente, com um vidro. Na
além de fosfatos, potássio e ou- filtros dedicados de plantas. divisória mais afastada seriam
tras substâncias despejadas so- Penso que me faz pena re- introduzidas as plantas e talvez
bre a forma de comida. servar esses grandes volumes até pequenos peixes, criando
do aquário só para as plantas, um vistoso fundo verde. Uma
Em conclusão: quando afinal o espaço acaba bomba iria garantir a circulação
As plantas podem ser um sempre por faltar para os pei- da água entre os dois espaços.
eficiente sistema de filtragem, xes... Porém, embora actualmen-

Ceratophyllum submersum

 Novembro 2006 bioaquaria


água doce

A filtragem por plantas em lago de jardim

te não use filtros dedicados de os jacintos de água, absorvem


plantas, procuro sempre manter as substâncias amoniacais.
bastantes plantas no aquário, As plantas, além de serem
mesmo em aquários de ciclíde- um dos grandes factores deco-
os. Em certos aquários, mais rativos no aquário de água doce,
densamente plantados e com podem, portanto, também dar
pequenos peixes, nem sequer um grande contributo para a fil-
uso filtros, apenas alguma oxi- tragem do nosso aquário.
genação. Nesta área, se quisermos re-
No maior espaço aquático que almente ser diferentes, podemos
disponho, o meu lago de jardim, mesmo montar aquários para
as plantas são o grande factor grandes peixes, como ciclídeos
de filtragem e não uso quaisquer ou piranhas, enquadrados por
aparelhos eléctricos. Aí, os ma- espantosos fundos verdes, invi-
tagais de vallisnerias, no fundo, sivelmente separados do aquá-
oxigenam abundantemente a rio principal.
água, enquanto um conjunto de
Elodea densa
outras plantas «glutonas», como

Associação Portuguesa de Ciclídeos


Junte-se ao Fascínio!
http://www.apciclideos.org • info@apciclideos.org

bioaquaria Novembro 2006 


manutenção
© Kevin Pelletier

Texto:
Nuno Prazeres Acumulação de
matéria dissolvida
Tem aquários de água doce e sal-
gada desde 1980. Os seus interes-
ses centram-se, essencialmente, na
modelização de biótopos e na ten-
tativa de criação de sistemas tão
auto-sustentados quanto possível.
e mudas de água
Método analítico para determinar uma solução adequada

C
omo sabemos, as mu- e a sua frequência, mais ineficaz temente eficazes?
danças parciais de água é a nossa acção, constituindo-se Em primeiro lugar, há que en-
são a mais directa res- mais como um adiar de um pro- contrar um parâmetro de con-
posta à acumulação de matéria blema inevitável e menos como trolo cujo crescimento represen-
nociva nos aquários. É intuitivo uma solução definitiva. te a degradação do ambiente do
perceber que, quanto mais baixa Como saber então se as nos- aquário. Tipicamente, a concen-
for a proporção da água mudada sas mudas de água são suficien- tração de nitratos será o factor a

 Novembro 2006 bioaquaria


manutenção
controlar na maioria dos casos.

Bastará então utilizar a se-


guinte fórmula:

1
M=Ax --1
p ( )
em que M é o valor máximo
que o parâmetro de controlo
atingirá, A é o aumento do valor
de controlo entre mudas regula-
res e p representa a proporção
em percentagem da água muda-
da.
que, em situações com uma mulação de detritos orgânicos e
Vejamos, então, os seguin-
quantidade razoável de peixes evaporação) sobe 5 µS/cm por
tes exemplos práticos que pres-
frequentemente alimentados que cada quinzena e, como o res-
supõem a resolução da fórmula
vivem em ambientes sem plan- ponsável pelo aquário pretende
em função de qualquer das três
tas, corre o risco de ser atingido. fazer trocas de água de quinze
variáveis:
Consequentemente, temos duas em quinze dias, a proporção mí-
Um aquariofilista faz uma tro- hipóteses: ou redimensionamos nima a utilizar será de cerca de
ca parcial de 10% da água todas o sistema de mudas para diaria- 11%.
as semanas com a concentração mente renovar uma quantidade
de nitratos a aumentar sempre mais apreciável da água ou, en-
5 ppm durante esses sete dias. Nota:
tão, há que limitar o número de
Os três exemplos têm como
Segundo a fórmula, a longo pra- peixes, de modo a que não se pressuposto o uso de água em
zo, com essa estratégia, o aquá- atinja esse valor de concentra- que os valores do parâmetro a
rio vai chegar a uma concentra- ção de nitratos. controlar são nulos, o que, na
ção de 45 ppm de nitratos, o que Noutro caso temos um aquá- maioria dos casos, não introduz
pode ser considerado demasia- um erro excessivo se estamos a
rio no qual se pretende evitar falar de nitratos. A fórmula pode
do para espécies mais sensíveis, que a conductividade aumente, ser ajustada para contemplar
pelo que parece mais prudente face ao valor inicial da água, valores não nulos do parâmetro
usar-se uma metodologia mais mais de 40 µS/cm. Sabendo nós de referência na água de subs-
agressiva – ou o aumento da fre- tituição, mas isso não é objecto
que a conductividade (via acu-
quência das mudas ou aumento deste artigo.
da proporção de água mudada
ou as duas coisas.
© Egmel

Suponhamos agora que te-


mos uma fishroom para discus
com filtragem centralizada na
qual se está a instalar um sis-
tema automático de mudas de
água diárias de 10%. Sabendo
que, devido à sensibilidade da
espécie, tem que se evitar que
a concentração dos nitratos ul-
trapasse os 5 ppm, qual será a
subida diária máxima deste pa-
râmetro que poderemos tolerar?
Aplicando a fórmula chegamos
ao valor de cerca de 0,55 ppm

bioaquaria Novembro 2006 


água doce

As ampulárias
Texto:
Tomás Mendes

Aquariofilista desde 2003. Fez par-


te do projecto da Associação Portu-
guesa do Guppy e é moderador do
Grandes caracóis de água doce fórum aquariofilia.net. Prémios con-
quistados em concursos nacionais
da família Ampullaridae de guppies. Principal responsável da
revista online AQUAZINE.

C
omo é do conhecimen- de ampulária esteja a flutuar, que permite a sua sobrevivência
to de muitos, é bastante ele pode ainda estar vivo? Se em águas pouco oxigenadas e
comum encontrar ampu- pretende ter sucesso com estas também durante períodos de
lárias nas lojas ou a passear nos espécies maravilhosas ou saber seca. Durante estes períodos, en-
aquários domésticos. No entan- mais sobre elas, encontrou o ar- terram-se no areão e entram em
to, muitos são os que se descui- tigo certo. Assim, abordarei as hibernação, selando bem a sua
dam nos cuidados necessários questões mais elementares so- concha. O opérculo é-lhes tam-
para que estes seres vivam sau- bre as ampulárias e espero con- bém útil para os proteger contra
dáveis e felizes. Sabia que es- tribuir para o vosso sucesso com alguns predadores. Deste modo,
tes lindos caracóis amarelos (e as mesmas. devido ao desenvolvimento des-
não só!) podem atingir 15 cen- As ampulárias são, sem dúvi- ta placa óssea, aliado a outras
tímetros de comprimento? Sabia da, espécies bastante resisten- características que contribuíram
que mesmo que um espécime tes. Possuem um opérculo crucial para o seu sucesso evolutivo,

10 Novembro 2006 bioaquaria


água doce
poucos dias. se preocupe com a alimentação
Regra geral, se um peixe dos pequenos gastrópodes, pois
conseguir habitar um estes alimentar-se-ão de peque-
aquário, uma ampulária nas algas e restos de comida.
também conseguirá, Passados poucos dias, iniciarão
mas é preciso pres- uma alimentação semelhante à
tar alguma aten- dos seus pais.
ção aos parâ- Quanto à alimentação, satis-
metros da água. fazem-se com alface, algas, res-
Para que as suas tos de comida, plantas (depen-
conchas não se dendo das espécies) ou matéria
danifiquem, es- orgânica morta. Não deverá ser
tes seres preci- um problema, mas é convenien-
sam duma água
te certificar-se que as suas am-
neutra ou dura (pH
pulárias não estão com falta de
p ra t i c a - 7 ou superior).
alimento.
mente toda a A temperatura é
um factor interessante Para finalizar, resta-me di-
gente consegue man-
nestes seres. O intervalo zer que se vir os seus caracóis
tê-las.
tolerado vai desde os 18 aos 28 a flutuar durante algum tempo,
No entanto, por muito resis-
graus centígrados. O valor ideal não se preocupe pois é um com-
tentes que sejam, há que ter
ronda os 24ºC. Quanto maior a portamento normal. Apenas é
grandes cuidados quando se
temperatura, mais activas serão anormal se reparar que a concha
adquire uma espécie de ampu-
as suas ampulárias. As tempe- está vazia e a perder a cor. Nes-
lária devido aos seus diferentes
raturas altas são também um se caso, por muito que me cus-
hábitos alimentares. As espé-
incentivo à reprodução embora te dizer, penso que a sua linda
cies mais populares nas lojas
diminuam o seu ciclo de vida. ampulária não terá muito mais
da especialidade são: Pomacea
A reprodução é também mui- alegrias para lhe dar.
bridgesii, Pomacea caniculata,
Marisa cornuarietis e Pomacea to interessante nestas espécies.
paludosa. As mais comuns são Os ovos são colocados em super-
as duas primeiras; porém, já fícies secas e assim devem per- Nota:
encontrei as outras à venda e já manecer até eclodirem para que Nem todas as espécies pos-
ouvi relatos de amigos que as os embriões sobrevivam. Essa suem o método de repro-
dução aqui descrito. Porém,
adquiriram. É complicado expli- eclosão acontece duas a quatro
este é o método mais comum.
car como é que se diferenciam semanas após a postura. Não
essas espécies, principalmente
as primeiras duas. Para tal, re-
© Tomás Mendes

corre-se à análise do formato e


dos ângulos das conchas (para
saber mais, o melhor é mesmo
uma pesquisa num motor de
busca). O meu conselho é que
escolha uma loja em que confie e
pergunte que espécie é que está
a ser vendida. Apenas aconselho
a adquirir a Pomacea bridgesii
pois, com essa, não deverá ter
problemas com as plantas. Acre-
dite que apenas uma Pomacea
canaliculata lhe pode desgraçar Pomacea bridgesii (Reeve, 1856)
um aquário plantado inteiro em

bioaquaria Novembro 2006 11


BioFicha de peixes
Tetra Neon Texto:
Tomás Mendes

Q
uem não os conhece? São
criados em grande esca-
la em países da Ásia, como
a Tailândia, e chegam a Portugal e
a outros países a preços bastante
baixos. Tornam-se assim uma pre- Classe: Actinopterygii

sença bastante habitual nos primei- Ordem: Characiformes


Família: Characidae
ros aquários comunitários. Porém, Sub-Família: Incertae sedis
Género: Paracheirodon
não são muito bem tratados e são Espécie: Paracheirodon innesi

dados, muitas vezes, como peixes (Myers, 1936)


Nome comum: Tetra Neon
pouco resistentes. Origem: América do Sul
@ Big-E-Mr-G

12 Novembro 2006 bioaquaria


pH: preferencialmente valores
entre 5,8 e 6,5, embora aceitem
valores até 6,9.
dH: 2,0-10,0 ºdH
Temperatura: 23-28ºC
Comprimento máximo: 4 cm

Hábitos alimentares: come


tudo! Flocos, alimentos congela-
dos, vivos e até alguns vegetais.
É claro que sobreviverá apenas
com flocos mas é altamente re-
comendado fornecer também
alimentos vivos ou congelados
(artémia, dáfnia, etc).

Reprodução: infelizmente a re-


produção é extremamente difícil
sendo que é quase tarefa impos-
sível determinar o sexo de cada
um dos exemplares a olho nu.
Porém, não é impossível e há
quem relate reproduções com
mensão, são geralmente pacífi- e no topo do mesmo.
sucesso. Poderá sempre ser um
cos.
desafio novo… Lembre-se sem- Recomendações: fica muito
pre que estes peixes são repro- Dimensões mínimas do aquá- bem em aquários plantados ou
duzidos em cativeiro na Ásia. rio: um pequeno cardume pode de discus. No entanto, há que
prosperar num aquário com cer- ter cuidado, pois discus ou esca-
Comportamento social: aten-
ca de 10 litros, desde de que se lares podem fazê-los desapare-
ção! Trata-se de um peixe de
respeitem as mudas regulares cer. É de realçar que, como pei-
cardume. Só viverão confortá-
de água. xe de cardume, a sua vitalidade
veis em pequenos grupos. Acon-
e segurança dependem muito do
selho 10 exemplares no mínimo, Disposição do aquário: estes comportamento de grupo exibi-
mas grupos de 6 já é aceitável. cardumes precisarão de espaço do por estes organismos.
De resto, estes pequenos carní- aberto no seu aquário para na-
voros, dada a sua reduzida di- dar e costumam nadar no meio
@ Pedro Conceição

bioaquaria Novembro 2006 13


BioFicha de peixes
Rufia

N
esta edição descobrimos um
Naso, peixe imponente, ter-
ritorial mas, contudo, sociá-
vel, que vagueia pelo seu aquário
de recife.
Classe: Actinopterygii do uma elevação logo na zona
Ordem: Perciformes abaixo do olho; dentes são pe-
Família: Acanthuridae quenos, cónicos, com as pontas

© João Ribeiro
Género: Naso ligeiramente deprimidas; bar-
Espécie: Naso vlamingii (Valen- batana caudal direita até ligei-
ciennes, 1835) ramente arredondada com dois
Nome comum: Rufia longos filamentos, um em cada
Origem: Indo-Pacífico extremidade; dois espinhos ós- relo ao castanho com barras
Comprimento máximo: 60 cm seos em cada lateral da base da azuis irregulares ao longo dos
pH: 8,3 barbatana caudal, à semelhança flancos, e pequenos pontos azuis
Temperatura: 22-28ºC das outras espécies da mesma acima, por debaixo das barras e
família. na cabeça; banda larga azulada
Descrição: corpo alongado, anterior aos olhos; lábios azuis;
oval; rostro curto, revelan- Coloração: coloração do ama- barbatanas anal e dorsal ama-
© João Ribeiro

14 Novembro 2006 bioaquaria


reladas ou acastanhadas com na, sendo que os ovos são pelá- gas que nele se fixam.
margens azuis; cauda escura gicos. À noite, adquirem uma coloração
com filamentos azuis; juvenis críptica e assentam no recife.
Comportamento social: des-
apresentam uma cor acastanha- de que lhe seja fornecido espaço Parâmetros da água: os nasos
da e diversos pequenos pontos suficiente para o seu desenvol- são geralmente tolerantes a va-
negros espalhados pelo corpo. vimento, não se deverão obser- riações das condições da água, o
Habitat: recifes de coral e ro- var comportamentos agressivos que significa que os parâmetros
chosos; juvenis são bentónicos com outros organismos, nomea- standard da água de um aquá-
e adultos vagueiam ao longo do damente peixes. rio serão suficientes. Contudo,
recife até uma profundidade de convém que seja colocado num
Disposição no aquário: es-
50 m. sistema estável para assegurar
tes peixes necessitam de mui-
o crescimento de algumas al-
Hábitos alimentares: prefe- to espaço num aquário. Assim,
gas e reduzir a probabilidade de
rencialmente herbívoro (algas), 1,20 m é o comprimento mínimo
agressões inter-específicas.
mas também se alimenta de necessário para um espécime
pequenos crustáceos como co- pequeno, enquanto que para o Recomendações: este é um
pépodes, camarões e larvas de albergar e manter seria aconse- peixe imponente, cujo único fac-
peixes. lhado um comprimento mínimo tor limitante é o espaço. Sem
de 1,80 m. Estes acanturídeos ele, torna-se potencialmente
Reprodução: fertilização exter-
percorrem o recife colhendo al- agressivo e/ou débil.

© João Ribeiro

bioaquaria Novembro 2006 15


BioFicha de invertebrados
Lysmata amboinensis Texto:
Sandra Campaniço

Um dos camarões mais comuns em

@ Pedro Conceição
aquários marinhos!

P
ara alguns autores, a es- Origem: Indo-Pacífico, Mar Ver-
pécie atlântica Lysmata melho.
grabhami é considerada a Comprimento máximo: 5 cm,
mesma espécie. em aquário 3-4 cm.

Classe: Malacostraca Habitat: habita, normalmente,


Ordem: Decapoda na porção exterior de recife ou
Família: Hippolytidae em baías. Pode ser encontrado
Género: Lysmata em fundos rochosos e grutas.
Espécie: Lysmata amboinensis
(De Man, 1888) Hábitos alimentares: camarão ton e de parasitas existentes na
pH: 8,2–8,4 omnívoro que se alimenta de pele, dentição e brânquias de
Temperatura: 22-26ºC detritos, fitoplâncton, zooplânc- peixes. Em cativeiro pode ali-
@ Lucas Thompson

16 Novembro 2006 bioaquaria


mentar-se de alimentos frescos, no seu meio natural. Deve ter- comummente encontrada em
secos, congelados ou em flocos. se o cuidado de não incluir es- aquários de água salgada.
pécies de peixes em cuja dieta Parâmetros da água: espécie
Reprodução: hermafrodita si- se incluam invertebrados (ex.: sensível a variações de salini-
multâneo, ou seja, possui os Pterois volitans). Muito pacato e dade. Para este camarão deve
dois sexos. É provavelmente caracterizado pela sua capacida- ser produzida água sintética,
devido a esta característica que de de limpar parasitas de peixes guardada durante um período
se trata de uma espécie fácil de e a zona que o rodeia. Muito pa- de uma semana. Deve ter-se
criar em cativeiro. cífico e tranquilo, é adequado a cuidado com medicação com co-
aquários com peixes de peque- bre e com os níveis extremos de
Comportamento social: es- no tamanho e aquários de reci- nitratos. Para uma muda conve-
pécie geralmente sociável. Na fe com outros invertebrados por niente, o teor em iodo deve ser
natureza, caracteriza-se por ser não apresentar qualquer com- tido em conta.
uma espécie tímida com hábi- portamento adverso contra póli-
tos noctívagos, alimentando-se, pos e outros invertebrados. Está Recomendações: para que
durante o dia de parasitas de normalmente associado a peixes apresente um comportamento
peixes. Pode existir em casais sedentários como as moreias. social mais interessante, deve
ou em grupos de cerca de uma ser mantido em grupo. É neces-
centena de indivíduos. Também Disposição no aquário: reef sária uma aclimatação cuidado-
é sociável com outros residentes safe, perfeito para um aquário sa, dado que se trata de uma
do aquário, tendendo a apresen- de recife com esconderijos sufi- espécie sensível a variações de
tar uma menor timidez do que cientes. Uma das espécies mais pH e salinidade.

@ Pedro Conceição

bioaquaria Novembro 2006 17


equipamentos

Bombas e
circulação
de água

Tipos de bombas de água, suas Texto e fotos:


Diogo Lopes
funções e a importância do Aquariofilista toda a sua vida. Com
18 anos tinha 8 aquários em casa.
hidrodinamismo em aquários de Dedicou-se à criação de peixes
(quase todos os vivíparos, alguns
água salgada anabantídeos e muitos ciclídeos, in-
cluindo discus). Com 20 anos voltou-
se para a água salgada e voluntari-

A
zou-se no Aquário Vasco da Gama.
s bombas, de uma forma grande capacidade de movimen- Criou peixes-palhaço (Amphiprion
geral, podem ser divididas tação de água. ocellaris). Desde então tem-se dedi-
em 2 tipos – as bombas A maioria das bombas de cado à aquariofilia de recife. Escre-
ve e colabora regularmente com as
de centrifugação e as bombas centrifugação pode ser comple- revistas da especialidade e faz algu-
de diafragma e peristálticas. Nas tamente submersa, o que é a mas palestras em eventos públicos.
primeiras, a água é movimenta- causa de uma das suas poucas
da através de um movimento contrariedades, o facto de se- rada pode ser passada para a
de centrifugação de um propul- rem responsáveis pelo aqueci- água, permitindo, assim, que o
sor instalado na zona central da mento da água do aquário. Por seu “corpo” possa ser significa-
bomba. Estas são normalmente poderem estar submersas, são tivamente reduzido. Ora, a tem-
utilizadas como bombas de cir- também mais pequenas, isto peratura é um dos grandes pro-
culação e de retorno pela sua porque a temperatura que é ge- blemas dos aquários de recife e

18 Novembro 2006 bioaquaria


equipamentos
do diafragma comece a reduzir um pequeno tubo que envolve

Eric Weaver
o seu tamanho e o líquido se um pequeno rotor. Este rotor, ao
comece a deslocar. Estes mo- fazer movimentos circulares, vai
vimentos são normalmente se- criando diferenças de pressão
quenciais, fazendo com que os dentro do tubo que, por sua vez,
fluxos possam ser controlados vão provocando o deslocamento
de uma forma muito eficaz. Por do líquido no seu interior.
esta razão, este tipo de bombas Existem no mercado diversos
é usado normalmente em siste- tipos de bombas que podem fun-
mas de reposição de água e em cionar como bombas de retorno,
sistemas de doseamento, como mas só faz sentido falarmos des-
por exemplo, doseamento de tas se estivermos a pensar mon-
kalkwasser com a água de repo- tar um aquário com uma sump.
sição. Quando adquirimos uma
As bombas peristálticas fun- bomba, ela normalmente é de-
cionam praticamente da mesma finida pela sua capacidade de
forma que as de diafragma, mas débito. Este é normalmente me-
em vez de um diafragma têm dido em litros/hora (litros por

as bombas são uma das causas.


De facto é bem mais fácil aque-
cer um aquário de recife do que
arrefecê-lo, sendo por vezes ne-
cessário usar refrigeradores para
esse efeito.
As bombas de diafragma e as
peristálticas têm o mesmo tipo
de funcionamento, que na sua
génese, é muito semelhante ao
coração humano. Basicamente,
o seu funcionamento assenta
nas diferentes pressões causa-
das pela movimentação de um
diafragma. Quando o diafragma
se estende totalmente, começa
a fazer o movimento em senti-
do contrário, fazendo com que a
câmara criada pelo movimento Bomba centrifugadora submersa (exemplo: Eheim)

bioaquaria Novembro 2006 19


equipamentos

Bomba de centrifugação externa (exemplo: Iwaki ou Deltec)

hora) e a medida apresentada tipo de tubo que usamos – mais ções em termos de colocação e
é sempre a medida do débito ou menos rugoso, a quantidade acondicionamento, deverão ser
caso tenhamos que transportar de curvas, etc. Assim, devemos factores a ter em conta. A fia-
água para uma zona que esteja tentar criar um percurso para bilidade de uma bomba é sem
à mesma altura que a bomba. água o mais directo possível evi- dúvida um dos factores mais
Assim, à medida que elevamos tando curvas muito acentuadas. importantes e, como tal, antes
a zona de descarga, mais baixo Neste caso, devemos evitar os de comprar qualquer modelo,
será o débito da bomba até, no ângulos rectos que criarão um convém que consigamos obter o
limite, deixar de conseguir fazer aumento de pressão nos tubos máximo de informação possível
o seu papel. É, assim, de fulcral e, consequentemente, um débi- sobre o equipamento em cau-
importância verificar o gráfico to mais reduzido. sa. Depois de nos certificarmos
que normalmente acompanha a Na escolha das nossas bom- da fiabilidade do equipamento,
bomba, para nos certificarmos bas temos que ter em atenção, devemos conseguir criar um sis-
se serve os nossos propósitos. além dos factores mencionados tema redundante. Assim, se um
Este gráfico mostra a diminui- atrás, outros que podem afectar dos equipamentos falhar, temos
ção de débito da bomba com- a nossa decisão. Assim, o con- sempre outro que permite que
parando-o com a elevação do sumo de energia, a resistência à tudo continue a funcionar, mes-
tubo de descarga. É importante água salgada, a fiabilidade e o mo que com um débito mais
frisar que não é só a altura que barulho que produzem, a tem- baixo. A paragem de uma bom-
diminui o débito de uma bomba. peratura que transferem para ba, principalmente se se tratar
Existem outros factores, como o a água, o tamanho e as restri- de uma bomba de retorno, pode

20 Novembro 2006 bioaquaria


equipamentos
uma boa ideia forma a poder garantir uma refri-
elevar um pou- geração mais eficaz. No entanto,
co a bomba. não irão promover o aquecimen-
Esta elevação to da água do aquário, pelo que
pode ser feita poderão ser uma boa opção para
com um pedaço bombas de retorno. São, no en-
de borracha ou tanto, mais difíceis de acoplar a
com os supor- um sistema, pois necessitam de
tes que normal- uma instalação mais complicada.
mente são for- Existem dois sistemas possíveis
necidos com os – o uso de um sifão ou um furo
equipamentos. na sump para alimentar a bom-
O retorno da ba de água. O sifão é pouco fiá-
água ao aquário vel e difícil de ferrar na maioria
principal pode dos casos, pois o nível de água
ser feito de di- numa sump é mais baixo do que
versas formas. o seu limite (permitindo que, em
Uma delas, e a caso de falha da corrente eléc-
que mais reco- trica, toda a água que cai para a
mendamos, é sump, possa ficar nela contida).
que seja feita A perfuração de uma sump, caso
junto à superfí- desejemos colocar uma bomba
cie, proporcio- externa, deverá ser feita numa
Bomba peristáltica (exemplo: Prominent)
nando com o parte inferior, garantindo as-
fluxo do retorno sim o funcionamento da bomba
resultar num desastre para todo uma movimentação à superfície mesmo que o nível de água seja
o sistema. que pode causar um efeito de baixo. A colocação de um furo
A colocação de uma ou mais contra-corrente, por exemplo, bastante abaixo do nível máxi-
bombas de retorno é também com algumas powerheads, colo- mo da sump facilita também a
um tema que deve ser aborda- cadas no lado oposto. ferragem da bomba pois, na sua
do. Assim, como já vimos ante- Uma outra solução é fazer
riormente as bombas fazem por com que o retorno passe numa
natureza algum barulho (princi- zona inferior do aquário. Neste
palmente porque estamos a falar caso, devemos ter em conta que,
de bombas de centrifugação). A se por alguma razão, a corrente
sua colocação e principalmente for interrompida, todo o aquário
o seu acondicionamento, po- vazará, pois o retorno funciona-
dem ser factores importantes rá como um sifão. Esta situação
para minimizar esta situação. As é facilmente resolvida com um
bombas de retorno devem ser pequeno furo feito no tubo de
colocadas de forma a não fica- retorno junto à superfície. Este
rem em contacto com os vidros fará, em caso da água inverter
laterais da sump. Este contacto o sentido, com que entre ar no
causaria muita vibração que se- sistema, provocando o desferrar
ria amplificada por soalhos e su- do tubo.
portes. O contacto com o vidro As bombas de centrifugação
de fundo da sump é também um podem-se também colocar fora
dos factores que aumenta signi- de água, mas estas são sempre
ficativamente o barulho provo- maiores. Pelo que vimos acima,
cado pelas bombas. Será, então, Bomba de fole (exemplo: Iwaki)
necessitam de um corpo maior de

bioaquaria Novembro 2006 21


equipamentos
grande maioria, estas não têm importantes. Quanto mais oxi- a probabilidade de danificarmos
a capacidade de puxar a água génio, maior será a eficiência alguns equipamentos que pos-
para o seu interior. Se optarmos das bactérias responsáveis pela sam rodear o aquário. Este sal
por colocar uma bomba exter- redução dos elementos nocivos não é mais do que um conjun-
na, devemos também colocar e tóxicos produzidos diariamen- to de diferentes elementos que
uma válvula anti-retorno entre a te nos nossos aquários. Quanto constituem a água, alguns dos
saída da sump e a bomba para maior a oxigenação maior a ca- quais essenciais. Assim, quando
garantir a manutenção da bom- pacidade que as bactérias terão temos muitas bolhas no nosso
ba sem termos necessidade de de aumentar significativamente aquário, além de termos uma
retirar toda a água da sump ou a sua população. maior tendência para as quedas
mesmo parar o sistema, caso É muito comum as pessoas na densidade, temos também
estejamos a usar uma solução associarem a presença de bolhas uma perda significativa de al-
combinada de uma bomba ex- à oxigenação e, na realidade, há guns sais e elementos importan-
terna e uma interna. alguma verdade neste pensa- tes.
A circulação de água é, sem mento, pois as bolhas ao subirem As bolhas na água salgada são
dúvida, a forma mais eficiente de e rebentarem na superfície pro- muito finas e demoram a atingir
oxigenar os nossos aquários e, vocam alguma movimentação, a superfície, ficando muito tem-
por isso, devemos dar uma aten- permitindo a mistura do ar. No po em suspensão pelo aquário,
ção especial a este tema quando entanto, devemos evitar a todo o que impede a sua perfeita vi-
montamos os nossos aquários. custo as bolhas nos aquários sualização.
Se pudéssemos ordenar a im- de recife. Estas, quando reben- Por fim, e não menos impor-
portância de cada componente, tam na superfície de aquários de tante, as bolhas irritam o teci-
poderíamos dizer que este tema água salgada, fazem com que o do de alguns corais e inverte-
estaria talvez, entre os três mais sal seja projectado, aumentando brados, impedindo que estes se

Dispersor

22 Novembro 2006 bioaquaria


equipamentos

Vista geral - circulação de 50X o volume do aquário sem bombas visíveis

abram completamente para re- rio por hora. Não basta, no en- ostensivas quando olhamos para
ceber luz nos seus corpos, que tanto, dizer que temos 20x o vo- o layout como um todo. Como é
é, como já vimos anteriormente, lume em movimentação e achar óbvio, neste campo temos que
fundamental para a sua sobre- que temos um sistema perfeito. ter alguns cuidados. Entre eles
vivência. É necessário que as correntes está o facto de não devermos
Quando falamos de circulação sejam bem pensadas e que a colocar as bombas em locais
de água, temos também de pen- água, ou parte dela, seja dirigi- onde o seu manuseamento seja
sar nos organismos que temos da para a superfície de forma a dificultado, pois estas necessita-
no nosso aquário e nas suas ne- criar um efeito de onda que vai rão, ao longo do tempo, de ma-
cessidades. Existem corais que permitir melhores trocas com o nutenções periódicas. Assim, a
gostam de muita movimentação exterior e, consequentemente, colocação de bombas por baixo
e outros pura e simplesmente aumentar o Potencial Redox. da rocha viva é, de facto, uma
não gostam de movimentação. Bombas mais pequenas pode- má ideia. A melhor colocação,
Além de uma eficiente oxige- rão ser dirigidas para certas zo- neste caso, será perto da super-
nação, uma forte circulação de nas do aquário, especificamente fície e perto das laterais, pois
água no nosso aquário exerce para algum tipo ou tipos de co- não só estarão menos visíveis,
também outras funções: ral. É também muito importan- como também, como vimos an-
• exercita os peixes, evitando te, caso queiramos colocar uma teriormente, irão promover uma
que se tornem sedentários, au- parede de rocha viva, garantir melhor oxigenação da água e
xiliando o seu metabolismo; que existe circulação de água uma mais acentuada evapora-
• alimenta invertebrados e por trás desta parede, evitando ção da água. Esta evaporação
corais que retiram da água ele- assim, a estagnação de água ou é muito importante porque não
mentos importantes para a sua a acumulação de detritos. Estas só provoca o arrefecimento da
nutrição, promovendo a circula- bombas são normalmente cha- água, como possibilita a adição
ção dos organismos de que se madas de powerheads e não são de água de reposição, onde nor-
alimentam; mais do que bombas de circula- malmente adicionamos alguns
• permite que a mucosa pro- ção, normalmente com débitos suplementos (como veremos
tectora dos peixes seja constan- mais reduzidos. mais à frente).
temente renovada e limpa, evi- Um desafio grande que en- Quando colocamos bombas
tando assim problemas de pele; frentamos é conseguir colocar dentro do nosso aquário há um
• ajuda na redução do stress. as bombas dentro do aquário factor que nunca devemos des-
Como regra, podemos seguir (caso seja essa a nossa opção), curar, que é o facto de termos
a teoria de que o volume de água garantindo uma circulação eficaz que proteger a entrada da bom-
a movimentar poderá andar à e, ao mesmo tempo, conseguir ba. Muitos são os relatos de
volta de 20x o volume do aquá- que estas não sejam demasiado anémonas, corais e peixes que

bioaquaria Novembro 2006 23


equipamentos
morrem presos à entrada de nismos que permitem a criação sistema deste género, devemos
uma bomba. Um caso destes, de correntes artificiais dentro ter a certeza que as bombas a
não só pode matar o animal que do aquário e a sua utilização adquirir permitem este tipo de
fica preso, como também pode apenas depende da sua dispo- funcionamento.
destruir um sistema inteiro, caso nibilidade financeira. Devemos, Investir numa ou mais bom-
o animal em causa se decom- no entanto, ter em conta que bas de retorno com uma alta
ponha ou liberte alguma toxina uma grande parte das bombas fiabilidade e num conjunto de
para a água do aquário. Assim, existentes no mercado ficam bombas de circulação é algo in-
existem no mercado algumas danificadas com o constante li- dispensável na montagem de
soluções para evitar estas situa- gar e desligar provocado pelos um aquário de recife. A questão
ções. A maior parte das bombas chamados wavemakers, porque deverá ser colocada da seguinte
trazem nos seus componentes estes, para que possam ser cria- forma – a economia neste tipo
uma protecção. Estas podem, das correntes, ligam e desligam de equipamentos levará o aqua-
no entanto, ser demasiado pe- diversas bombas de uma forma riofilista a gastar dinheiro futu-
quenas e, ainda assim, não con- alternada. Existem no mercado ramente para a solução de pro-
seguirem proteger a entrada de vários kits que vêm já prepara- blemas que podem ser evitados
água na bomba, pelo que, neste dos para este tipo de actuação com uma circulação eficaz?
caso, aconselhamos a colocação mas, infelizmente, o seu custo
de protecções extra. está ainda longe de ser baixo.
Hoje em dia, existem meca- Assim, antes de montarmos um

Dissimulação de bomba de circulação interior através de rocha falsa

24 Novembro 2006 bioaquaria


internet

A bioaquaria traz-lhe, em todas


lia as edições, alguns sítios na In-
aquariofi
na
ternet relacionados com a aqua-
riofilia e as ciências aquáticas,
net os quais vale a pena espreitar
e navegar um pouco.

Nesta edição começamos com um


site utilitário sobre química de água
salgada e outro sobre crustáceos.

Reef Chemistry Calculator


http://jdieck1.home.comcast.net/chemcalc.html

Se tem um aquário de água salgada e anda às


voltas com as dosagens de aditivos de cálcio, du-
reza carbonatada e magnésio, este é o site ideal
para visitar.
Trata-se de um calculador muito simples e útil
que permite indicar dosagens de aditivos adequa-
das, de acordo com as concentrações que preten-
de atingir em relação aos elementos químicos da
água já identificados.
Imaginemos que pretende elevar o cálcio: in-
dica a capacidade do aquário, escolhe o aditivo a Crustikon - Crustacean photographic website
utilizar (entre vários disponíveis), indica a concen-
tração que pretende atingir de cálcio e a actual e o http://www.imv.uit.no/crustikon/Index.htm
calculador fornece a dosagem e os efeitos secun- Se gosta particularmente de crustáceos, inde-
dários noutros parâmetros da água. pendentemente do seu tipo de aquário, este é o
site que procura. Aqui poderá encontrar fotogra-
fias de qualidade e caracterizações taxonómicas
de muitas das espécies utilizadas hoje em aqua-
riofilia, assim como referências bibliográficas e
links sobre as mais variadas temáticas relaciona-
das com estes organismos.
Este site encontra-se integrado na página do
Museu de Tromsø, pertencente à Universidade de
Tromsø, localizada na Noruega. O autor, Dr. Cédric
d’Udekem d’Acoz, é um conceituado especialista
em crustáceos, responsável por muitas publica-
ções e investigações nesta área.

bioaquaria Novembro 2006 25


água salgada

Sustentabilidade do mercado
de marinhos ornamentais

Visão geral do apanhador Texto:

ao aquariófilo Ricardo Cyrne

Tem uma licenciatura em Biologia

E
doce), com cerca de 90% das Marinha e Pescas na Universidade
stima-se que entre 1,5 a
do Algarve, fez um estágio de 6 me-
2 milhões de pessoas de espécies comercializadas oriun- ses em produção de ornamentais
todo o mundo possuam das de ambientes naturais. São marinhos na Lusoreef Lda. e um es-
espécies tipicamente de recifes tágio de aprendizagem na Univ. do
um aquário marinho. Os Esta-
Algarve em 2004 em aquacultura de
do Unidos da América surgem de coral e têm como principais copépodes e cadeia trófica.
como o maior mercado, seguido fornecedores os países da zona
da Europa, com particular inci- do Indo-Pacífico, nomeadamen- toda a cadeia trófica. Estas áre-
dência na Grã-Bretanha, França te a Indonésia e as Filipinas. as encontram-se sobre grande
e Alemanha, seguidos do Japão. As zonas de recife apresen- pressão antropogénica: turismo
Apesar de bem difundida, a tam uma grande biodiversidade excessivo (devido à sua beleza
aquariofilia marinha represen- e uma enorme dinâmica ecoló- e variedade de espécies); sobre-
ta apenas 10% do mercado or- gica com elevada produtividade exploração dos recursos, com
namental (a restante de água primária, que serve de base a técnicas de pesca muito destru-

26 Novembro 2006 bioaquaria


água salgada
exploração, também o mercado como altamente exi-
método como esta é gente, revelando-se como pou-
feita afecta profunda- co sustentável, com uma taxa
mente o ecossistema. reduzida de aproveitamento dos
Por outro lado, a ex- recursos disponíveis.
tracção de rocha viva Deste modo, é imperativo
apresenta, de igual agir sobre a actividade para se
modo, impactos signi- tornar sustentável, minimizando
ficativos, uma vez que o seu impacto ambiental. Algu-
são removidos habitats mas restrições locais estão já
para além do facto de implementadas, como a interdi-
aumentar a erosão. ção sazonal, quotas de apanha,
A técnica de pesca malhagem e tipo de rede. A nível
mais comum baseia- internacional, com o objectivo
se no uso do cianeto, o de regular o mercado, surgem
que permite atordoar organizações como o Marine
os animais e apanhá- Aquarium Council, que zela para
los vivos com alguma atribuir certificados à cadeia do
facilidade. É uma téc- mercado (desde a apanha ao
nica altamente des- retalho). Em 1973, foi também
trutiva que, para além assinado um tratado na Con-
de potencialmente vention of International Trade
prejudicial para o or- in Endangered Species of Flora
ganismo alvo, afecta and Fauna (CITES), que promo-
toda a área em redor, ve a protecção da vida selvagem
© www.picture-newsletter.com

podendo matar peixes ao assegurar que o mercado in-


e corais envolventes. ternacional é baseado num uso
Cerca de 75% dos pei- sustentável que não põe em ris-
xes capturados morre co a sobrevivência das espécies
após a captura e ou- descritas. Estas são medidas
tros 60% durante o que permitem um maior con-
trajecto até ao consu- trolo no registo de transacções
midor final, revelando e na regulamentação. Por outro
tivas e não selectivas em rela- muitas deficiências no proces- lado, permitem ao consumidor
ção à espécie alvo; poluição; su- samento, desde a captura ao e todos os elementos da cadeia
bida da temperatura do oceano, lojista. Na realidade, em deter- de mercado, exigir qualidade e
responsável pela lixiviação dos minadas espécies, apenas 1 em contribuir positivamente para a
corais, a base do ecossistema. cada 100 chega ao aquário do continuidade da actividade, re-
Devido à sua dependência de cliente final em boas condições. duzindo o impacto ambiental.
animais selvagens, o mercado O transporte é, de facto, um Este género de medidas inter-
ornamental marinho exerce al- problema, mas, no entanto, este nacionais é muito interessante e
guma pressão sobre este ecos- é, normalmente, acusado sem entusiasmante e, do qual, já se
sistema. justa causa. Existe uma elevada conseguem ver alguns resulta-
Estima-se que são comercia- falta de capacidade das empre- dos na qualidade dos produtos.
lizados entre 20 a 24 milhões de sas que apanham os animais e Infelizmente, a certificação MAC,
peixes de 1.471 espécies, 11 a mesmo das que importam para e outras semelhantes, carecem
12 milhões de corais (140 es- manter os animais nas melhores de uma vigia contínua que asse-
pécies) e 9 milhões de outros condições, revelando-se como gure a manutenção dos parâme-
invertebrados (500 espécies). um dos principais problemas tros de qualidade, embora, por
No entanto, para além da sobre- camuflados. Assim, define-se o vezes, este certificado seja utili-

bioaquaria Novembro 2006 27


água salgada
apanha, transportes inadequa-
dos e a chegada ao distribuidor
ou lojista que resultam em mor-
talidades muito elevadas e ani-
mais em más condições e que,
quando chegam ao aquariofilis-
ta, geram descontentamento e
desinteresse.
Uma vez que o mercado exis-
te em grande parte devido ao
interesse dos aquariófilos, es-
pera-se dos mesmos um inte-
resse em procurar espécies que
estejam em conformidade com
Amphiprion spp. - Peixe-palhaço
a conservação da natureza, fa-
vorecendo meios de distribuição
zado por motivos de marketing, contudo auto-sustentável, em-
que respeitam e implementam
em vez de melhoria de serviços. bora já surja como alternativa
este conceito. O sucesso do nos-
Estas medidas de conserva- à apanha em ambientes selva-
so mercado depende dos nossos
ção, ao restringirem as apanhas, gens.
hábitos de consumo. Um consu-
diminuem a oferta, mas a procu- Além de aumentar o stock
midor consciente não deve ad-
ra mantém-se, razão pela qual para a indústria, o cultivo per-
quirir espécies que são já conhe-
são necessários outros meios mite o repovoamento de certas
cidas por serem muito difíceis de
que permitam manter o stock áreas com reduzido efectivo po-
manter em aquário, corais ina-
das espécies procuradas. Assim, pulacional, através da libertação
dequados para serem mantidos
neste contexto, a aquacultura de juvenis criados em cativeiro.
em cativeiro, peixes que não são
surge como uma fonte alterna- Permite, igualmente, diminuir o
compatíveis uns com os outros,
tiva de fornecimento de peixes esforço sobre espécies selvagens
animais mal aclimatizados e em
e invertebrados ornamentais, e, assim, permitir a continuação
bastante citada hoje em dia. A do mercado de ornamentais de quarente-
produção actual está limitada a forma sustentada. na, entre
poucas espécies, caso dos pei- Seja através de aquários outros
xes Amphiprion spp, algumas públicos ou privados, a aqua- proble-
espécies de Hippocampus spp, riofilia é uma ferramenta mui- mas. Este
entre outros. Nos invertebra- to importante na divulgação e tipo de
dos do género Lysmata já existe aprendizagem de assuntos rela- a c ç ã o
produção de L. wurdemani e L. cionados com o meio marinho e permite
seticaudata. Nos corais existem permite o contacto com animais reduzir a
as chamadas quintas de corais, que, na maioria das vezes, se- mortali-
que utilizam a propagação como ria impossibilitada pela distância Hippocampus spp. dade des-
meio de reprodução, não sendo geográfica. É importante uma necessária directa e indirecta,
consciencialização de todos os uma vez que, para conseguir es-
intervenientes na procura de um sas espécies, muitas vezes ou-
mercado que proporcione o me- tras são sacrificadas.
lhor para o hobby e para o meio
ambiente. Poderá ser encontrada mais in-
É importante ultrapassarem- formação em:
se os problemas reais, de más www.aquariumcouncil.org
www.cites.org
condições de apanha, aclimati-
Lysmata seticaudata (Risso, 1816) www.ofish.org
zações e manuseio errados pós- www.icn.pt

28 Novembro 2006 bioaquaria


A Biodiversidade
e a sua importância em
ecossistemas «fechados»
parte I
© Dan Barbus

bioaquaria Novembro 2006 29


BioCiência
© Pedro Conceição

A
biodiversidade é um conceito que, em-
Texto:
bora o leitor decerto conhece e identifi- João Cotter & Paulo Torres

ca, não é fácil de definir e muito menos O primeiro autor tem um Mestrado
em Biologia e Gestão dos Recursos
de compreender toda a sua amplitude e impor- Marinhos. Foi Director Editorial da
revista Aquário Magazine. Tem de-
tância em qualquer sistema de suporte de vida. zenas de artigos de aquariofilia pu-
blicados e apresentadas algumas
Este artigo pretende ajudar o leitor a apreen- palestras em eventos públicos. É in-
vestigador no Instituto de Oceano-
der melhor este vasto e dinâmico conceito e a grafia da Faculdade de Ciências da
Universidade de Lisboa. É aquario-
sua importância, relacionando-o com um mun- filista desde a infância e dedica-se
do que todos nós conhecemos – a aquariofi- a aquários de recife (água salgada)
desde 1992. É moderador do fórum:
lia. Neste contexto, é fundamental perceber o www.aquariofilia.net.

papel que a biodiversidade existente em cada O segundo autor tem uma Licen-
ciatura em Biologia Marinha e um
aquário desempenha, garantindo a existência Mestrado em Biologia e Gestão de
Recursos Marinhos. É investigador
e continuidade de um «mini» ecossistema fun- no Laboratório Marítimo da Guia da
Faculdade de Ciências da Univer-
cional e saudável, essencial para o sucesso de sidade de Lisboa e é aquariofilista
desde 2000.
qualquer aquário.
Parte 1 mos, os genes que eles contêm conceito engloba várias escalas
e os intricados ecossistemas que do micro ao macrocosmo, consi-
A biodiversidade eles ajudam a construir no meio derando três níveis bem defini-
A biodiversidade ou diversi- ambiente». Vamos tentar per- dos de diversidade. O primeiro,
dade biológica, de acordo com o ceber melhor este conceito, as mais específico, está relaciona-
Fundo Mundial para a Natureza suas implicações, a sua exten- do com toda a variação genéti-
(1989), consiste na «…riqueza são e toda a sua importância. ca que existe, tanto intra como
da vida na terra, os milhões de Numa primeira abordagem, inter espécie e/ou população, e
plantas, animais e microorganis- denota-se, à partida, que este por isso é denominada diversida-

30 Novembro 2006 bioaquaria


BioCiência
de genética. Em seguida, surge dade de biomas, ecossistemas, seja preferível dar um exemplo
uma outra vertente: a diversida- comunidades, nichos e habitats, para facilitar ao leitor a identi-
de das espécies, ou seja, toda a resultado de uma resposta con- ficação de cada nível de diver-
sucessão de espécies existentes junta das espécies de acordo com sidade, utilizando para isso um
na Terra, desde os humildes or- as condições ambientais, origi- mundo fácil de aceder: o seu
ganismos unicelulares até aos nando muitas das zonas mais próprio aquário. Assim, toda a
mais complexos reinos multice- produtivas e essenciais para a variedade de plantas, peixes,
lulares dos chamados animais sobrevivência do planeta. corais, moluscos, crustáceos ou
superiores. Finalmente, há que Todas estas vertentes são equinodermes, toda a gama de
ter em consideração uma outra importantes para a sobrevivên- espécies que o seu aquário possa
vertente mais geral e abran- cia das espécies e ecossistemas possuir, representam a vertente
gente: a diversidade ecológica, envolventes e, por isso mesmo, das espécies. Contudo, cada or-
representada pela imensa varie- cruciais para o Homem. Talvez ganismo vale também pela sua

bioaquaria Novembro 2006 31


BioCiência
individualidade e singularidade ciando o ambiente em seu redor, Diversidade funcional
fornecida pelo seu código gené- originando ecossistemas dife- Em última análise, parece evi-
tico, o que define a diversidade rentes. Deste modo, cada aquá- dente a existência de uma imen-
genética do seu aquário. Se ain- rio em si representa uma varia- sa diversidade funcional que en-
da assim este nível for difícil de ção deste nível mais amplo de quadra esta definição, na medida
distinguir do anterior, podemos diversidade. em que cada espécie é responsá-
pensar, por exemplo, em vários É necessário ter em conside- vel por uma determinada função
organismos de uma mesma es- ração uma outra particularidade que, directa ou indirectamente,
pécie de peixe, certamente tão em relação ao conceito de biodi- de acordo com o seu nível de di-
diferentes como qualquer um de versidade. As populações de que versidade, é essencial para a so-
nós em relação à restante popu- trata estão sujeitas a uma evo- brevivência do mundo natural e
lação humana, que valem pela lução constante e permanente, o importante para o Homem. Nes-
sua particularidade, cada qual que significa que é um conceito te sentido, os ecossistemas são
possuindo um diferente conjun- dinâmico, o que é essencial para responsáveis pelo fornecimento
to de genes que o representam melhor apreender este conceito de serviços de uso directo, tais
e definem. Todo o conjunto de e perceber alguma da sua pro- como recursos alimentares, me-
organismos existentes no seu blemática. dicina e saúde, material indus-
aquário interage como uma co- trial, controlo biológico de pra-
munidade, alterando e influen- gas e ecoturismo (ex.: parques

32 Novembro 2006 bioaquaria


BioCiência

© Michael Scaduto
As florestas de mangal são ecossistemas extremamente importantes para a manutenção da biodiversidade
nos recifes de coral

marinhos), e de uso indirecto, contribuído de muitas formas


© Kynne A.T.

muitas vezes mais cruciais, tais para o desenvolvimento da cul-


como a regulação atmosférica, tura humana. Porém, o Homem
climática e hidrológica, ciclagem tem retribuído alterando signi-
de nutrientes, controlo de pes- ficativamente e, em certos ca-
tes e pragas, filtragem de ar e sos, permanentemente, toda a
água, protecção e estabilização diversidade do mundo natural.
dos solos, polinização, entre ou- Durante o último século, tem-
tros. se assistido a uma quebra da
A partir da compreensão da biodiversidade. É verdade que
extrema importância que estas sempre existiu uma certa conti-
funções representam, é logica- nuidade e equilíbrio entre o apa-
mente natural que um ecossis- recimento de novas espécies e a
tema mais diversificado possua extinção de outras. Contudo, o
uma maior capacidade de resis- que é preocupante, e que se tem
tência ao stress e, consequente- vindo a agravar, é a taxa de ex-
mente, seja mais produtivo, ou tinção a que se assiste, estima-
seja, quanto maior a biodiversi- da em cerca de 80 espécies por
dade de um ecossistema maior dia, ou seja, aproximadamente
será a sua estabilidade. Deste 3 por hora, o que significa que
modo, a perda de espécies irá se o leitor demorar uma hora a
resultar numa perda de funções ler esta revista, no final ter-se-
por parte do ecossistema, di- ão extinguido 3 espécies, o que
minuindo a sua capacidade de dá que pensar!
renovação, restabelecimento e A grande redução da biodiver-
regeneração. sidade ocorre a todos os níveis
com a degradação/destruição
As ameaças à biodiversidade de ecossistemas, comunidades
A biodiversidade tem, assim, e espécies, sendo estas condu-

bioaquaria Novembro 2006 33


BioCiência

zidas à extinção. Esta redução


deve-se à alteração e destrui-
ção de habitats naturais para
satisfação das necessidades
humanas. Assim, as principais
ameaças à biodiversidade, no-
meadamente do meio aquático,
são: a pressão sobre as zonas
costeiras (destruição de habitats
costeiros, como as florestas de
mangal), a produção de energia
(barragens), a extracção/explo-
ração de recursos vivos e não
vivos, a poluição atmosférica e
aquática, a introdução de espé-
cies exóticas e o aquecimento
global. Apesar de se assistir a
uma cada vez maior sensibiliza-
ção por parte de alguns gover-
nantes, a verdade é que ainda
há muito a fazer antes que seja
© Duarte Conceição

tarde. Ironicamente, estamos


a destruir o que é responsável
pela nossa própria sobrevivên-
cia e um dos problemas é que
aquilo que não é macroscopica-
mente visível ou quantificável a
curto prazo não conta para mui- em ambiente terrestre; 21 Filos ovos e larvas pelas correntes
ta gente, que nem se apercebe exclusivamente marinhos). através do vasto espaço multidi-
que muitas vezes esses são os A ausência de barreiras físicas mensional oceânico. Perante es-
processos mais importantes e entre os diversos habitats per- sas migrações, a sobrevivência
essenciais ao sucesso da popu- mite o transporte activo dos se- vai depender da adaptabilidade
lação humana. A verdade é que res marinhos e passivo dos seus das diferentes espécies às varia-
se não formos nós a cuidar do
planeta e, automaticamente,
do nosso meio de subsistência,
quem o fará?

O meio marinho como um


sistema aberto
O oceano aberto e os siste-
mas costeiros são fontes ines-
gotáveis de biodiversidade. Das
mais de 1,5 milhões de espé-
cies descritas, apenas 250.000
são marinhas, porém estas en-
contram-se distribuídas por um
maior número de Filos e Classes Cadeia trófica simplificada (constituída 84% por peixes) num recife de
(32 Filos no oceano e apenas 12 coral das Caraíbas

34 Novembro 2006 bioaquaria


BioCiência
lados e cianobactérias), as compensam, obtendo-se trocas
macroalgas (ex.: laminárias energéticas que beneficiam o
e caulerpa) e mesmo as plan- ecossistema global, o que não
tas adaptadas ao meio mari- ocorreria em sistemas fechados
nho (ex.: fanerogâmicas ma- ou isolados.
rinhas e mangais) constituem
o início das cadeias tróficas O aquário – sistema aberto
marinhas, pois alimentarão ou fechado?
zooplâncton, peixes, crustá- Garantir o equilíbrio autó-
ceos e outros seres que, por nomo de produtividade num
sua vez, irão alimentar ou- aquário de recife é algo extre-
tras espécies, originando-se mamente complicado, diríamos
um entrelaçado de relações mesmo impossível. Um sistema
mais ou menos complexo. em cativeiro requer um conjun-
Nos habitats marinhos, to de intervenções artificiais ou
os seres primários circulam humanas para garantir o seu
e abundam o suficiente para funcionamento. Meios artificiais
garantir a sobrevivência dos para garantir a iluminação, a
seres dos níveis tróficos se- propulsão da água, a manuten-
guintes. Temos, desta for- ção da temperatura, a salinida-
ma, um sistema aberto na de, o cálcio e dureza carbona-
medida em que se dispõe de tada, etc., são utilizados para
um fluxo energético contínuo simular as condições do habitat
(ainda que em determinadas natural no meio marinho. Para
regiões geográficas possa efeitos desta análise, vamos ig-
ter características de varia- norar o facto de que estas condi-
ção de intensidade sazonal) ções são manipuladas artificial-
ções das condições oceanográ- que o alimenta e, por outro mente e consideremo-las como
ficas ao longo do meio marinho lado, a diversidade é de tal se de um ecossistema natural se
(hidrodinamismo, temperatura, ordem que se pode falar em tratasse. Deste ponto de vista,
luminosidade, salinidade, pro- multi-sistemas mais ou me- de que é que diferem os nossos
fundidade, disponibilidade de nos interligados e que se aquários de recife de um recife
nutrientes, etc.). Apesar destes
constrangimentos, o meio mari-
nho não apresenta verdadeiras
barreiras físicas (exceptuando
plataformas continentais, ilhas e
arquipélagos).
A base das cadeias tróficas
inicia-se com o input energético
proveniente do sol (salvo excep-
ções como é o caso das fontes
hidrotermais, em que a energia
é obtida de sulfureto de hidrogé-
© Consuelo Puchades

nio). Esta energia permite o de-


senvolvimento de algas e plan-
tas, que constituem a produção
primária marinha. O fitoplâncton
(ex.: diatomáceas, dinoflage- Fanerogâmicas marinhas

bioaquaria Novembro 2006 35


BioCiência
tricional por parte do aquariofi-

© Paul J. Thompson
lista.
Determinados seres planc-
tónicos e planctonívoros sim-
plesmente não sobrevivem num
aquário porque, ou não encon-
tram a diversidade de alimento
de que necessitam, ou o am-
biente é demasiado adverso
para a sua sobrevivência (bom-
bas de água, demasiados preda-
dores por volume de água, etc.).
O equilíbrio é de tal ordem frágil
que os elos da cadeia trófica es-
tão e são facilmente quebrados.
Assim, estes sistemas requerem
inputs energéticos externos adi-
cionais.
O aquariofilista adiciona fre-
quentemente alimento a peixes,
corais e outros invertebrados.
Por outro lado, ocasionalmente
repõe biodiversidade através da
adição de seres marinhos cujas
populações decrescem com o
tempo (ex.: detritívoros). Al-
Produção de fitoplâncton para a aquariofilia
guns aquariofilistas simulam
ainda aumentos de produtivida-
natural num ambiente tropical? Num recife doméstico a pro- de primária, recorrendo à adição
Num aquário, ao contrário dutividade primária é escassa de concentrados de células fito-
do recife natural, temos verda- (quem é que pretende ver o de- planctónicas.
deiras barreiras físicas relativa- senvolvimento de microalgas no Se, por um lado, os sistemas
mente ao exterior. Não temos seu aquário?) e, mesmo quando domésticos são fechados peran-
trocas energéticas com outros não o é, dificilmente consegui- te habitats e biodiversidade ex-
habitats e não há, portanto, re- mos ter presente todos os ní- terna, por outro são nitidamente
posição autónoma de vida atra- veis tróficos que permitam, por abertos, já que beneficiam de
vés de movimentos migratórios. exemplo, que todos os nossos constantes inputs energéticos e
Estamos então perante um sis- peixes se alimentem autono- de diversidade através de uma
tema verdadeiramente fechado? mamente e que não requeiram «mãozinha» humana vinda do
Vejamos... qualquer tipo de intervenção nu- exterior.
Na próxima edição
analisaremos com maior
detalhe a biodiversidade
marinha e sua relevância
dentro de um aquário de
recife, nomeadamente as
relações ecológicas fun-
cionais.

36 Novembro 2006 bioaquaria


eventos

PetFil 2006
3º salão dos animais de
estimação realizado nos
dias 22 a 24 de Setembro
em Lisboa.

R
ealizou-se no passado mês de Setembro na
FIL – Feira Internacional de Lisboa – a PetFil,
uma das maiores exposições do país de ani-
mais de companhia, seus produtos e acessórios. A
PetFil, com cerca de 15.000 m2, contou com cerca de

© Miguel Marques
300 expositores nas mais variadas áreas ligadas aos
animais de companhia, nomeadamente cães, gatos,
aves, animais exóticos, equinos e, como não podia
deixar de ser, a aquariofilia.
A aquariofilia fez-se representar por várias em-
presas nacionais de distribuição e representação de
marcas, lojas, associações, clubes e um fórum de
discussão online. Foi uma oportunidade de divulga-
ção de produtos, serviços e marcas, assim como de
estabelecimento de negócios. Para muitos visitantes

© Pedro Conceição
aquariofilistas foram também momentos de convívio,
© Miguel Marques

© Pedro Conceição

troca de impressões e aprendizagem através


de várias iniciativas que ocorreram (palestras
e workshops).
© Miguel Marques

O número de visitantes rondou os 30.000,


sendo que o domingo (dia 24) apresentou um
afluxo de visitantes bastante elevado.

bioaquaria Novembro 2006 37


eventos

Evento do aniversário
do ReefForum

No passado dia 9 de Setembro comemorou-se o 2º aniversário do ReefForum, um


fórum de aquariofilia nacional na Internet inteiramente dedicado à água salgada.
O evento foi realizado no Centro Cultural de Belém e contou com a presença de
três mestres da aquariofilia mundial: Eric Borneman, Anthony Calfo e Gustavo Duarte.

E
ntre outros aspectos, coral como zonas de elevada
Gustavo Duarte abordou produtividade e biodiversidade.
a importância e papéis da Anthony Calfo abordou a sus-
pigmentação nos corais como tentabilidade económica da pro-
factor protector dos mesmos, pagação de corais em cativeiro.
relacionando o estado de saúde Relatou algumas das suas expe-
dos mesmos com a fluorescência riências de aquacultura de corais
emitida, recorrendo-se à medi- e salientou a importância da pro-
ção através de um fluorómetro. pagação de corais como forma
Referiu também a gravida- de aliviar a pressão da captura
de da situação dos oceanos em nos recifes.

Anthony Calfo

termos de alterações climáticas


e seus impactos nos recifes de
coral, nomeadamente a acidi-
ficação dos oceanos devido ao
aumento de CO2 atmosférico,
diluindo-se nos oceanos e con-
tribuindo para uma menor con-
centração de carbonatos.
Salientou também a impor-
Gustavo Duarte tância ambiental dos recifes de Um dos expositores presentes

38 Novembro 2006 bioaquaria


eventos
Referiu que muitas das es-
pécies de coral mais simples de
manter e com taxas de cresci-
mento elevadas apresentam
rentabilidades elevadas em
aquacultura, pois a maior parte
da procura concentra-se em ini-
ciantes que adquirem essas es-
pécies em grandes quantidades.
Essa rentabilidade pode até ser
significativa em simples aquá-
rios domésticos.
A sua boa disposição foi uma No workshop a boa disposição foi uma constante

Eric Borneman O material utilizado no workshop

constante ao longo de todo o fundamentais na alimentação de foram utilizadas variadíssimas


evento. corais. ferramentas, algumas delas in-
Eric Borneman realçou a im- Eric resumiu ainda o projecto sólitas. Foram fragmentados
portância da alimentação de co- Catalaphyllia e toda a investiga- vários corais e reveladas vá-
rais. Colocou a alimentação de ção que está a ser feita no sen- rias técnicas de corte e fixação.
corais como factor ainda mais tido de determinar a origem da A boa disposição acompanhou
importante que a própria ilu- doença que tem dizimado este todo o workshop.
minação. Para tal revelou vá- coral. Muito ainda há para ser Estiveram ainda presentes al-
rias experiências e fez menção feito! guns expositores de empresas
a estudos e artigos científicos O evento culminou com um nacionais do sector da aquario-
que mostram a necessidade workshop sobre fragmentação filia.
da alimentação de corais para de corais,
a manutenção da sua saúde e em que os http://www.reefforum.net
favorecimento do crescimento, três convi-
nomeadamente em muitas es- dados brin-
pécies de Scleractinia, incluindo daram o
as espécies com pólipos mais público com
pequenos. O plâncton, as bac- uma sessão
térias, os detritos e a matéria de «brico-
orgânica constituem elementos lagem» e

bioaquaria Novembro 2006 39


A quário do mê
S
Aquário no início

Nesta nossa primeira edição fomos visitar um


pequeno aquário de recife, comprovando que até nos
aquários mais pequenos o sucesso pode ser atingido.

Aquariofilista: Ricardo Pinto


Dimensões do aquário: 85 x 55 x 60 cm
Capacidade bruta do aquário: 280 l
Dimensões da sump: 70 x 40 x 50 cm.
Tipo de aquário: Recife.
Centropyge loriculus
Data de montagem: 30 de Outubro de 2005.
Circulação: Bombas Eheim 1262 e OR 3500.
Iluminação: Calha SOHAL 8 x 39 W T5’s (4 actínicas) com ventoi-
nha de pc incorporada dentro da calha.
Escumador: Deltec APF 600.

Euphyllia sp.

Aquário actualmente Fungia sp.

40 Novembro 2006 bioaquaria


Acanthastrea sp.

Adição de cálcio: Reactor de kalkwasser com bomba peristáltica


Aquamedic SP 3000 ligado durante a noite.
Aditivos: Kalk Kent Marine; Turbo Calcium; Tropical Marine Centre:
Pro – Coral Phyton para alimentar a Tridacna.
Peixes: Centropyge loriculus; Cirrhilabrus cyanopleura; Chromis di-
midiata; Siganus virgatus.
Corais: Acropora efflorescens; Fungia sp.; Euphyllia sp.; Acanthas-
trea sp.; Acropora valida; Montipora sp.; etc.
Outros invertebrados: Lysmata amboinensis; Lysmata seticauda-
ta; Thor amboinensis; Tridacna crocea; Nassarius sp.

Fotos: Ricardo Pinto e João Soares Acropora sp.

Acropora efflorescens

bioaquaria Novembro 2006 41


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No início do próximo ano a bioaquaria vai ser distribuída
pelas lojas de todo o país. Se tem um negócio ou empresa
ligada à aquariofilia ou a qualquer área de negócio cujo pú-
blico-alvo seja comum com o da bioaquaria, então não perca
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© Duarte Conceição

Contactos telefónicos
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42 Novembro 2006 bioaquaria
Não perca a Próxima
edição...
A Biodiversidade e a sua
importância em sistemas
«fechados» - 2ª Parte
Depois dos conceitos, não perca o desen-
volvimento deste emocionante tema e
descubra a importância que cada organis-
mo pode ter directa ou indirectamente no

© Duane Moody
seu aquário.

Mitos do Aquário
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unte-se a Eric Borneman e desvende alguns dos pre-
© Manuel M. Almeida

conceitos e mistérios que assombram os nossos aquá-


rios.

Nudibrânquios
Belos, exóticos, misteriosos... e perigo-
sos. Conheça estes fascinantes seres que,
embora não muito desejados, são, sem

© António Guerra
sombra de dúvida, inigualáveis.

Leitos de folhas
Conheça um dos habitats e refúgios mais fantásti-
cos que se podem ter num aquário de água doce. Entrevista
Não perca a en-
trevista a Gustavo
Duarte, o Biólogo
Marinho e especia-
lista em corais que
esteve presente
no 2º Aniversário
do ReefForum.
© Nuno Prazeres

... e muito mais!


bioaquaria Novembro 2006 43