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ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA JUNTA

ADMINISTRATIVA DE RECURSO DE INFRAÇÃO DO


DETRAN

RECURSO AO DETRAN/PR
AUTO Nº 275350-E002222521

RENAVAM 00123238447

PLACA ARV-5809

RENATA PEREIRA THOMAZ, CPF nº 94836787904, RG


nº 13281116-04 brasileira, casada, analista de projetos,
residente e domiciliada na Rua Pedro Scherer Sobrinho 260,
apto 405, Cristo Rei, município de Curitiba (PR). Não
conformada com a Imposição de Penalidade cadastrada em
seu desfavor, vem propor o presente:
RECURSO AO DETRAN/PR (AUTO DE INFRAÇÃO
INCONSISTENTE) COM PEDIDO DE EFEITO
SUSPENSIVO
em face do auto de infração nº 275350-E002222521 lavrado
contra o veículo HONDA FIT, placa ARV5809, emplacado em
Curitiba (PR), mediante fatos e fundamentos adiante
expostos:

1. Dos fatos
A requerente acima qualificada teve o veículo de sua
propriedade autuado sem abordagem na data de 19/06/2018,
quando em tese teria cometido uma infração de trânsito “Em
movimento, deixar de manter a placa traseira iluminada a
noite, ART 250, III do CBT” conforme notificação em anexo.
2. Dos direitos
De direito, requer o cancelamento da presente Penalidade.
Desta forma, a decisão imposta pela autoridade de trânsito
deve ser arquivada. Eis que desprovida de fundamentos
válidos.
O agente fiscalizador no uso de suas atribuições legais, ao
lavrar o auto de infração deverá descrevê-la de forma
pormenorizada no campo de observações, o detalhamento da
infração. Ao contrário disso, torna o auto de infração
irregular.

O artigo 393 do Código Civil dispõe sobre o caso fortuito ou


de força maior.
No caso de pane de uma lâmpada ou fusível e considerando o
intervalo de tempo dentro de limite mínimo mensurável,
temos a inevitabilidade do fato e a sua imprevisibilidade.
Sendo admissível o enquadramento de tal pane em "caso
fortuito".
Considerando a hipótese de pane (queima de lâmpada ou
fusível) durante a circulação de veículo e a peremptória
imposição do artigo 250, III do CTB, é evidente a injustiça
imposta pela Autoridade de Trânsito em caso de registro de
infração.

O verbo "deixar" no sentido aplicado no artigo 250, III do


CTB tem sentido de permissão. E, neste caso existe uma
condicional de intenção de fazer algo ou permitir que algo
não seja feito.
Na forma aplicada pelo artigo 250, III do CTB é válida a
seguinte frase: "Permitir o proprietário que o veículo circule à
noite sem a iluminação da placa de identificação traseira".
Infração - média; Penalidade - multa.
No sentido que a Lei dá ao fato, deve haver conhecimento da
falha e intenção de cometer a infração.
Logo, inadmissível e injusta a imposição de infração e
penalidade, posto tratar-se de caso fortuito. Como já dito.
Comprovada a impossibilidade de previsão e constatação de
pane no sistema de iluminação durante circulação de veículo,
inaplicável o dispositivo legal ao caso concreto, impondo-se a
nulidade de eventual autuação, nos termos do artigo 281,
parágrafo único, inciso I da Lei 9503/1997 (CTB), por
inconstitucionalidade - Art. 3º, I CF88.
REITERO AINDA QUE, a simples e corriqueira descrição no
AIT de que “Em movimento deixar de Manter a placa traseira
iluminada a noite”, não faz prova contra ninguém muito
menos faz parte dos tipos infracionais.

3. Da nulidade da infração
Planos e Manuais de revisão e troca de equipamentos devem
ser seguidos rigorosamente. No entanto, o risco de pane
enquanto trafegando não poderá ser evitado, inobstante a
rigorosa manutenção possa diminuir a probabilidade do fato
(pane) vir a acontecer.
Comprovada a impossibilidade de previsão e constatação de
pane no sistema de iluminação durante circulação de veículo,
inaplicável o dispositivo legal ao caso concreto, impondo-se a
nulidade de autuação, nos termos do artigo 281, parágrafo
único, inciso I da Lei 9503/1997 (CTB), por
inconstitucionalidade - Art. 3º, I CF88.

Em razão de todo o descrito acima, venho solicitar a atenção


especial desta autoridade para que se possa arquivar o auto
em questão.

a) Da lâmpada queimada
De início, veremos agora os tipos descritos no Código de
Trânsito Brasileiro:
O artigo 393 do Código Civil dispõe sobre o caso fortuito ou
de força maior.
No caso de pane de uma lâmpada ou fusível e considerando o
intervalo de tempo dentro de limite mínimo mensurável,
temos a inevitabilidade do fato e a sua imprevisibilidade.
Sendo admissível o enquadramento de tal pane em "caso
fortuito".
Considerando a hipótese de pane (queima de lâmpada ou
fusível) durante a circulação de veículo e a peremptória
imposição do artigo 250, III do CTB, é evidente a injustiça
imposta pela Autoridade de Trânsito em caso de registro de
infração.
Isso significa que, segundo os ditames legais de regência, a
materialidade dos ilícitos das infrações dos artigos acima, não
há como prever quando uma pane pode resultar em uma
lâmpada queimada, podendo queimar inclusive durante o
trajeto, o que torna impossivel do conductor ter
conhecimento.

Partindo dessa premissa é fácil concluir que, sem abordar o


condutor cujo placa não estava iluminada fica impossível do
mesmo saber sobre sobre o caso até que chegue no destino
por conta do defeito no sistema de iluminação.

4. Dos pedidos
Em face ao exposto, respeitosamente requer:

a) Seja julgado totalmente procedente os pedidos da


requerente;
b) Seja anulada a multa em questão em razão da pane,
conforme enquadrada no 676-91, art 230, xxii
c) Que o auto em questão seja arquivado em razão da
ausência de fundamentação na peça acusatória contra a
requerente;
d) Comprovada a impossibilidade de previsão e constatação
de pane no sistema de iluminação durante circulação de
veículo, inaplicável o dispositivo legal ao caso concreto,
impondo-se a nulidade autuação, nos termos do artigo 281,
parágrafo único, inciso I da Lei 9503/1997 (CTB), por
inconstitucionalidade - Art. 3º, I CF88.

Assim, requer a análise e a decretação do arquivamento, caso


cabível, nos termos do art. 281, Parágrafo único, I do CTB.
Nestes Termos, Pede Deferimento.

Curitiba (PR), 13 de Agosto de 2018