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A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO NO AMBIENTE ESCOLAR

Solange Ribeiro da Silva1

RESUMO: Este artigo tem como objetivo compreender a importância da inclusão, e da


diversidade no ambiente escolar, passando a ser compreendida como uma tentativa
de oferecer uma educação de qualidade para todos, criando uma possibilidade de
inovação na área de educação especial, que também é representada como um dos
principais desafios da área da educação. A discriminação e o preconceito são um dos
fatores que dificultam ou impedem o conhecimento e a aprendizagem na escola.
Apesar das inúmeras conquistas e discussões, ainda nos deparamos com grandes
dificuldades, principalmente as que são causadas pelos rótulos, em relação às
diferenças e a inclusão. Concluiu-se que a inclusão de crianças com deficiências
múltiplas nas escolas regulares de ensino, é um processo complexo que envolve a
garantia do sucesso da aprendizagem em um ambiente harmônico e respeitador,
colaborando para a construção da cidadania com justiça e dignidade.

PALAVRAS-CHAVE: inclusão, construção, professor

1
Graduação em Pedagogia e Especialização em Latu Senso em Educação Especial e Inclusiva pela
Faculdade de Educação São Luís de Jaboticabal – SP. E-mail do autor solrib12@gmail.com
Orientadora: Prof.ª Esp. Ana Carolina Caruso Bertonha.
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Abstract This article aims to understand the importance of inclusion and diversity in
the school environment, be understood as an attempt to provide a quality education for
all, creating a possibility of innovation in the area of special education, which is also
represented as one of the main challenges in the area of education. Discrimination and
prejudice is one of the factors that hinder or prevent the knowledge and learning at
school. Despite numerous conquests and discussions, still faced with great difficulties,
especially those that are caused by labels, with regard to the differences and the
inclusion. It was concluded that the inclusion of children with multiple disabilities in
regular schools, education is a complex process that involves the guarantee of success
of learning in an environment harmonious and respectful, contributing to the
construction of citizenship with justice and dignity.

KEY-words: inclusion, construction, teacher

1. INTRODUÇÃO

Esta pesquisa tem a finalidade de contribuir para o desenvolvimento das


interações sociais, afetivas, valores, confiança, autoestima e comunicação de
crianças com deficiências múltiplas, voltados para o aprendizado de cooperação
mútua. A prática da inclusão escolar, segundo Mantoan (2003), pauta-se na
capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e
compartilhar com pessoas diferentes; é acolher todas as pessoas, sem exceção. É
construir formas de interagir com o outro, que uma vez incluídas, poderão ser
atendidas as suas necessidades especiais.
O professor deve compreender que educar tem que ir além de transmitir
conhecimento, sendo necessário transmitir segurança e clareza, por meio de
conteúdos didáticos, planejamentos e métodos diversificados, entendendo que cada
criança é um ser individual. Os caminhos da inclusão para atender a diversidade
costumam sempre beneficiar todos e melhorar a qualidade do ensino.

“Um sistema de educação que reconhece o direito a todas as crianças e


jovens a compartilharem de um meio ambiente educativo comum em que
todos sejam valorizados por igual, com independência das diferenças
percebidas quanto à capacidade, sexo, classe social, etnia ou estilo de
aprendizagem” (Armstrong 1999, p. 76).

2 JUSTIFICATIVA

Justifica-se a escolha desse tema, como forma de entender como se


processa a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar, perante uma
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sociedade que precisa vencer preconceitos, rever valores e buscar novos


paradigmas diante de uma educação para todos.

[...] é uma forma de vida, uma maneira de viver juntos, baseado na crença
de que cada indivíduo é valorizado e pertence ao grupo. Uma escola
inclusiva será aquela em que todos os alunos sintam-se incluídos”
(Patterson 1995, p. V).

O objetivo geral do presente trabalho é reconhecer o direito à diversidade,


inclusão e participação dos portadores de Deficiências Múltiplas.

Os objetivos específicos são:


 Verificar a possibilidade para uma ação docente mais adequada,
possibilitando aos alunos com deficiência para terem o direito a educação de
qualidade.
 Compreender a importância da inclusão de pessoas com deficiência, respeito
às diferenças, normas e valores que comportam uma dimensão social.

3 .Um breve histórico da inclusão nas escolas

Figura 1
Buscando na história da educação, constata-se que até o
século XVIII, grande parte das noções a respeito da deficiência
eram basicamente ligadas ao misticismo e ocultismo, havendo
pouca base científica para o desenvolvimento de noções
realísticas. (MAZZOTA 2005, p.16), “A falta de conhecimento
sobre as deficiências fazia com que essas pessoas fossem mar-
ginalizadas, ignoradas”. A própria religião, ao afirmar ser o homem feito à “imagem e
semelhança de Deus”, sendo assim um ser perfeito, levava à crença de que as
pessoas com deficiência por não se adequarem a essa “perfeição” eram postas à
margem da condição humana.
Por outro lado, o consenso social pessimista que acreditava ser a condição de
“incapacitado”, “deficiente”, “inválido”, da pessoa com deficiência como algo
imutável, levava à omissão da sociedade em relação à organização de serviços para
atender as necessidades individuais dessa população. Assim, somente quando em
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um determinado momento histórico (século XIX), a sociedade apresentou condições


materiais mais favoráveis a determinadas pessoas, leigos ou profissionais, com
deficiência ou não, despontarem como líderes da sociedade em que viviam, para
sensibilizar, e organizar medidas para o atendimento a seus pares também com
deficiências.
Para (MAZZOTA, 2005, p.27)

Essas pessoas, como representantes dos interesses e necessidades das


pessoas com deficiência, ou com elas identificadas, abriam espaço nas
mais variadas áreas para a construção de conhecimentos e de alternativas
para uma melhor condição de vida de tais pessoas.

Inspirados em experiências concretizadas na Europa e Estados Unidos,


alguns brasileiros iniciaram, já no século XIX, a organização de serviços para
atendimento a cegos, surdos, pessoas com deficiências mentais e físicas. Durante
muito tempo tais atendimentos caracterizavam-se como iniciativas oficiais e
particulares isoladas, refletindo o interesse de alguns educadores pelo atendimento
educacional dessas pessoas com deficiência. (MAZOTTA, 2005, p.27) “Somente no
final dos anos 50 e início da década de 60 do século XX, é que ocorre a inclusão da
Educação Especial na política educacional brasileira (Id, p.27) ”.
A partir dos anos 60-80 do século XX, tem-se a proposta de um novo modelo
de convivência social, tendo como princípios a individualização, a normalização e a
integração. Trabalhado o aluno com deficiência fora do contexto social, depois
busca-se integrá-lo à sociedade que não se modifica para receber esse indivíduo da
forma como ele é, respeitando-se sua individualidade, suas peculiaridades. Ele é
quem deve se adaptar à sociedade. Vive-se sob o princípio da integração.
Segundo Mazzota (2005, p. 15)

A defesa da cidadania e do direito á educação das pessoas com deficiência


é atitude muito recente em nossa sociedade. Manifestando-se através de
medidas isoladas, de indivíduos ou grupos, a conquista e o reconhecimento
de alguns direitos dos portadores de deficiência podem ser identificados
como elementos integrantes de políticas sociais, a partir de meados deste
século.

Os anos 90 trazem novas mudanças na estrutura da sociedade e da


educação escolar. Chega ao Brasil a nova terminologia denominada Inclusão, que já
vinha sendo discutida e implementada nos países nórdicos e nos EUA – Estados
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Unidos da América. Surge, então, a chamada Escola Inclusiva a considerar as


necessidades de todos os alunos, estruturando-se em função dessas necessidades,
sendo que tal estrutura deve ser eficiente para atender a todos os alunos, nos seus
diferentes níveis de ensino. As escolas e os sistemas educacionais buscam apoio
para trabalhar as diferenças, sem tirar essas crianças do convívio social.
Chauí (1981, apud PATTO, 2008, p.34) diz:

A escola de fato inclusiva é a escola que esclarece, a partir da própria


experiência dos dominados. Numa sociedade dividida, essa consciência é
dividida, nem inteiramente lúcida, nem inteiramente alienada, ela é
contraditória, o que deixa espaço para a reflexão que se nutre da própria
contradição.

Diante de tal complexidade quanto às questões que envolvem a escola e a


educação ditas “inclusivas”, há que se refletir para se compreender a sociedade, o
sujeito e a educação que se tem e qual a educação que se quer. As mudanças são
absolutamente necessárias, mas a reestruturação das instituições não deve ser
apenas uma tarefa técnica, pois depende, acima de tudo de mudanças, atitudes,
compromisso e disposição.
Para Paulo Freire (2005, p.41)

Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as


condições em que os educandos, nas relações uns com os outros e todos
com o professor ou a professora, ensaiam a experiência profunda de
assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico como ser pensante,
comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos capaz de ter raiva
porque é capaz de amar. A assunção de nós mesmos não significa a
exclusão dos outros.

Para garantir a inclusão nas escolas foi criada a declaração de Salamanca no


ano de 1994. O documento é uma resolução da Organização das Nações Unidas
(ONU) e foi concebido na Conferência Mundial de Educação Especial, em
Salamanca. O texto trata de princípios, políticas e práticas das necessidades
educativas especiais, e dá orientações para ações em níveis regionais, nacionais e
internacionais sobre a estrutura de ação em Educação Especial. No que tange à
escola, o documento aborda a administração, o recrutamento de educadores e o
envolvimento comunitário, entre outros pontos.
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3.1 A importância da formação do professor na educação inclusiva

Figura 2
Prieto (2006, p. 56) destaca como
fundamental uma reflexão sobre a formação de
docentes no contexto da educação inclusiva, para a
autora (id., p.57) “a formação continuada de
docentes é um compromisso dos sistemas de
ensino que estejam comprometidos com a sua
qualidade”. Estes devem assegurar que os
professores estejam aptos a elaborar e implantar
novas propostas e práticas de ensino para
responder às características de seus alunos, inclusive àqueles com necessidades
educacionais especiais.
Pressupõe que os professores estejam capacitados, para:

(...) analisar os domínios de conhecimentos atuais dos alunos, as diferentes


necessidades demandadas nos seus processos de aprendizagem, bem
como (...) elaborar atividades, criar ou adaptar materiais, além de prever
formas de avaliar os alunos para que as informações sirvam para
retroalimentar seus planejamento e aprimorar o atendimento aos alunos
(Ibid., p. 58)

Ao se abordar a questão da instrumentalização é preciso que não se


considere apenas a formação técnica, o domínio dos conhecimentos científicos, mas
principalmente a formação pessoal, que possibilite a retomada de suas histórias e de
suas próprias necessidades. A formação de um posicionamento crítico em relação à
inclusão, a diferença, a deficiência, as limitações, as políticas públicas de educação
e de uma disposição para conhecer, respeitar, educar, cuidar e acolher os alunos em
suas necessidades, o que é um direito e não um privilégio.
No caso da docência, podemos levantar questões sobre quais conhecimentos
são mobilizados para facilitar a aprendizagem do aluno ou para o planejamento de
um ensino eficaz, tais conhecimentos extrapolam a padronização de técnicas e
estão associados a aspectos de improvisação, adaptação, reflexão, discernimento,
organização e outros que favoreçam alcançar os objetivos almejados.
A promoção da formação continuada de professores da educação básica se
efetiva por meio do apoio do MEC/SEESP aos cursos específicos da área de
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educação especial, na ótica da educação inclusiva, dando ênfase ao atendimento às


necessidades educacionais especiais dos alunos nos sistemas educacionais.
Não basta apenas fornecer conhecimentos sobre necessidades especiais
para docentes em formação ou já formados, é preciso garantir que o conjunto de
professores se aproprie desses conhecimentos e se transforme, transformando sua
práxis pedagógica, o que só acontecerá se estes tiverem “consciência de suas
razões e benefícios, tanto para os alunos, para a escola e para o sistema
educacional, quanto para seu desenvolvimento profissional e pessoal”, destaca
Prieto (Id.)

3.2 Educação inclusiva: desafios da formação e da atuação em sala de aula

Figura 3
As práticas educacionais desenvolvidas nesse
período promovem a inclusão na escola regular dos
alunos com deficiência física, intelectual, visual, auditiva,
deficiências múltiplas, com transtorno global do
desenvolvimento e com altas habilidades, revelam a
mudança de paradigma incorporada pelas equipes
pedagógicas. Essas ações evidenciam os esforços dos
educadores em ensinar a turma toda e representam um conjunto valioso de
experiências.
Conforme assinala Freire (1995 apud ROSA, 2008, p.278 grifo do autor):

precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marca, que
não tem medo de risco, por isso recusa o imobilismo. A escola em que se
pensa, em que se atua, em que se fala, em que se ama, se adivinha, a
escola que apaixonadamente diz sim à vida”.

A educação especial como modalidade de ensino ainda está se difundindo no


contexto escolar. Para que se torne efetiva, precisarão dispor de redes de apoio que
complementem o trabalho do professor. Atualmente, as redes de apoio existentes
são compostas pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) e pelos
profissionais da educação especial (intérprete, professor de Braille, etc.) da saúde e
da família. O apoio, que emerge então como primeira medida propriamente
pedagógica, expressa ao menos uma tomada de consciência fundamental:
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“percebe-se que, em última instancia, a luta contra a desigualdade deve ser levada
ao nível do próprio ensino” (PERRENOUD 200, p. 34-35)
As escolas e professores devem mostrar que são capacitados para entender
como conviver com o diferente, a educação tem que acolher a todos sem exceção, é
na escola que o individuo adquire a experiência para toda vida.
Perrenoud explica que há alunos que se vê a olho nu, que progridem normalmente,
estes o professor pode apenas acompanhar de longe, ao passo que existem alunos
com grandes dificuldades e com estes o professor precisa acompanhar de perto, e
reservar tempo para estabelecer os diagnósticos precisos e individualizados que
serão indispensáveis para intervir com eles.
Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas
organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais
especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade
para todos. (MEC/SEESP, 2001).
Para que realmente exista uma educação inclusiva não basta somente
espaços com rampas e banheiros adaptados, o projeto pedagógico e as práticas de
ensino precisa ser revistas para que todos aprendam. Existem várias escolas
especiais que fornecem condições de adaptações curriculares adaptados, mas o
melhor é que toda criança com necessidades especiais frequentem a rede regular
de ensino, pois o aluno com necessidades precisa de profissionais que demonstre
atenção a este educando junto com outras crianças, assim todos aprendem juntos
com linguagens e outros meios, isso ajuda muito na interação dentro e fora da
escola.
Rosseto nos diz que:
a inclusão é um programa a ser instalado no estabelecimento de ensino a
longo prazo. Não corresponde a simples transferência de alunos de uma
escola especial para uma escola regular, de um professor especializado
para um professor de ensino regular. O programa de inclusão vai
impulsionar a escola para uma reorganização. A escola necessitará ser
diversificada o suficiente para que possa maximizar as oportunidades de
aprendizagem dos alunos com necessidades educativas especiais (2005, p.
42).

O aluno por sua vez, não só vai continuar aprendendo aquilo que aprenderia,
mas vai ter melhores ocasiões de apreender, ou seja, de reter aquilo que lhe foi
ensinado, ainda mais se puder trabalhar em grupo e compartilhar o aprendizado
ensinado com seus colegas de turma.
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Nesse sentido, a Educação Inclusiva requer uma abordagem diferente da


educação tradicional, que deve ser pautada na heterogeneidade e não na
homogeneidade, levando em consideração que cada aluno tem características,
interesses, motivações e experiências pessoais únicas.

4.No que se refere à inclusão escolar, e quais avanços obtidos

Figura 4
Observa-se que professores e gestores
estão redimensionando a visão tradicional de
sistemas paralelos de educação especial e ensino
regular, que a formação continuada de professores
tem sido ampliada e que os currículos dos cursos
de formação de professores estão sendo
reestruturados para contemplar a diversidade
presente na escola e conhecimentos acerca da
necessidades educacionais especiais dos alunos.
O acesso das pessoas com deficiência à educação vem se ampliando
significativamente, em consequência do desenvolvimento inclusivo da educação
básica. Essa mudança pode ser acompanhada por meio dos indicadores do Censo
da Educação Básica e Superior, que apontam crescimento constante do número de
matrícula desta parcela da população.
O Censo da Educação Básica – MEC/INEP registrou, em 1998, 337.326
matrículas de estudantes com deficiência, dentre as quais, 13% em classes comuns
do ensino regular. Em 2012, este número subiu para 820.433 matrículas, dentre as
quais, 76% em classes comuns do ensino regular, representando crescimento de
143%. Na educação superior, observa-se que as matrículas passaram de 5.078 em
2003 para 23.250 em 2011, indicando crescimento de 358%. Vale lembrar que 72%
das matrículas de estudantes com deficiência estão em Instituições Privadas de
Educação Superior conforme demonstram os gráficos a seguir.
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Evolução das matrículas de estudantes público alvo da educação especial na


educação básica

Evolução das matrículas de estudantes com deficiência na educação superior

Este é um sinal irrefutável de que a educação brasileira vive um intenso


processo de transformação, motivado pela concepção da educação inclusiva,
compreendido muito além do acesso efetivado por meio da matrícula. Em um
passado recente, a principal pauta em debate, focava-se no direito à matrícula,
muitas vezes negada com naturalidade. Hoje, há base legal solidamente construída,
que garante o acesso e desnaturaliza a exclusão, onde se consolida políticas
institucionais de acessibilidade, assegurando o direito de todos à educação.
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4.1 A inclusão de pessoas com deficiências múltiplas na sociedade

Figura 4

A sociedade atual não aceita conviver


com as “diferenças” entre os indivíduos, e
tem o que podemos chamar de, “péssimo
hábito” de discriminar aqueles que não
apresentam um padrão pré-determinado de
conduta, as pessoas que não se enquadram
certamente neste “padrão” preestabelecido, são portanto rejeitadas sem muitos
argumentos. Isso é conhecido como “pré” conceito, ou seja, a rejeição antes mesmo
da tentativa de inclusão.
Uma sociedade inclusiva vai bem além de garantir apenas espaços
adequados para todos. Ela fortalece as atitudes de aceitação das diferenças
individuais e de valorização da diversidade humana e enfatiza a importância
do pertencer, da convivência, da cooperação e da contribuição que todas as
pessoas podem dar para construírem vidas comunitárias mais justas, mais
saudáveis e mais satisfatórias (SASSAKI, 2010, p. 172).

Ainda que essas acepções da inclusão apresentem suas próprias


peculiaridades, seus pontos em comuns se estabelecem no que se refere ao seu
compromisso pela criação de uma sociedade mais justa, e pelo desejo de criar um
sistema educativo mais justo. A importância da inclusão escolar é garantir
o convívio entre crianças e adolescentes com ou sem deficiência tendo ou não
dificuldades de aprendizagem, voltado à um aprendizado de respeito e da tolerância
às diferenças como força transformadora, a educação inclusiva apontada para uma
sociedade também inclusiva.
Vygotsky (1989) afirma que:

As crianças com deficiências precisam compartilhar o processo educacional


nos mesmos espaços sociais que as demais. Nessa premissa reside a
possibilidade de que sejam minimizados os efeitos sociais que incidem
sobre a deficiência (p.61).

Sabe-se que quanto mais desconhecidas e supostamente distantes forem as


condições individuais e sociais das pessoas com deficiência, maiores serão as
possibilidades de instauração do medo nos relacionamentos interpessoais. A
proximidade de uns com os outros, e a sua interação viabilizam a afirmação do outro
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como sujeito, e é esse o ponto fundamental da necessidade e importância da


inclusão social para todos.

5. Considerações Finais

Figura 5

Incluir significa ver além da deficiência e das


diferenças consideradas peculiaridades, que a
escola precisa se dispor a acolher, aceitar e
valorizar a diversidade das classes sociais,
culturais, estilos individuais de aprender, de altas
habilidades, de línguas, religiões e etc. É o primeiro
passo para a criação de uma escola de qualidade
para todos. Também é importante lembrar que as
diferenças se fazem iguais quando essas pessoas são colocadas em um grupo que
as aceite, pois nos acrescentam valores morais e de respeito ao próximo, com todos
tendo os mesmos direitos e recebendo as mesmas oportunidades diante da vida.

Educando todos os alunos juntos, as pessoas com deficiências têm


oportunidade de preparar-se para a vida na comunidade, os professores
melhoram suas habilidades profissionais e a sociedade toma a decisão
consciente de funcionar de acordo com o valor social da igualdade para
todas as pessoas, com os consequentes resultados de melhoria da paz
social (STAINBACK; STAINBACK, 1999, p. 21).

Para obter resultados significativos na inclusão de alunos com deficiência na


escola regular decorre portanto, das possibilidades de se conseguir progressos
desses alunos na escolaridade, por meio da adequação das práticas pedagógicas
as diversidades dos aprendizes. Quando a escola regular assume que as
dificuldades de alguns alunos não são apenas deles, mas resultam em grande parte
do modo como o ensino é ministrado, é preciso levar em conta que se os alunos
com necessidades especiais participarem da aprendizagem com os demais alunos
da escola de forma inclusiva, com isso eles terão melhores oportunidades.
Para a melhoria de qualidade da educação, e o avanço do processo de
inclusão educacional, o MEC/SEESP tem encaminhado aos sistemas educacionais
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orientações e materiais de formação docente com estratégias inclusivas voltadas


para a atenção às especificidades das crianças. A orientação da educação inclusiva
está expressa nas Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica
CNE/2001, definindo que “o atendimento educacional aos alunos com necessidades
educacionais especiais terá início na educação infantil, nas creches e nas pré-
escolas, assegurando-lhes o atendimento educacional especializado”.
Contemplada também nas Diretrizes da Política Nacional de Educação
MEC/2004, orientando que “a educação de crianças com necessidades
educacionais especiais deve ser realizada em conjunto com as demais crianças,
assegurando-lhes o atendimento educacional especializado, mediante a avaliação e
interação com a família e comunidade”.
Na visão de (Daniels y Garner, 1999, Stainback & Stainback y Moravec,
1999).
Para que as escolas sejam verdadeiramente inclusivas, ou seja, abertas à
diversidade, há que se reverter o modo de pensar, e de fazer educação nas
salas de aula, de planejar e de avaliar o ensino e de formar e aperfeiçoar o
professor, especialmente os que atuam no ensino fundamental. Entre outras
inovações, a inclusão implica também em uma outra fusão, a do ensino
regular com o especial e em opções alternativas/aumentativas da qualidade
de ensino para os aprendizes em geral (BELISÁRIO, 2005, p. 130).

O ensino para todos desafia o sistema educacional, a comunidade escolar e


toda uma rede de pessoas, que se incluem, num movimento vivo e dinâmico de
fazer uma Educação que assume o presente, como tempo que concretiza a
mudança do alguns em todos, da discriminação e preconceito em reconhecimento e
respeito às diferenças. É um ensino que coloca o aluno como foco de toda a ação
educativa e possibilita a todos os envolvidos a descoberta continua de si e do outro,
enchendo de significado o saber educar.

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