Você está na página 1de 31

o

0DSXWRGH0DUoRGH‡$12;;,,,‡1o‡3UHoR0W‡0RoDPELTXH

log
Actores na construção do Complexo Desportivo
vo do Zimpeto fogem com o rabo à seringa

ció
so
um
de
io

Pág. 2
ár

Pág. 2 e 3

Oito anos de um percurso inglório

Adeus Khalau!
Di

Pág. 4
2 Savana 04-03-2016
TEMA DA SEMANA

Comissão desvenda mistério em torno das obras do Complexo Desportivo do Zimpeto

0iÀDGHVWDPSDGD

o
Por Abílio Maolela

C
om quatro dias de atraso
em relação ao prazo que

log
estava inicialmente previs-
to, que era 26 de Fevereiro,
a Comissão de Inquérito criada
para averiguar as causas do desaba-
mento da parede da fachada frontal
da Piscina Olímpica do Zimpeto
veio, esta terça-feira, apresentar os
resultados do seu trabalho. Como
se esperava, a Comissão concluiu

ció
que o desabamento parcial da pa-
rede resultou de “um conjunto de
acções que fragilizaram a mesma,
na qual, devido à actuação de uma
acção importante do vento, foram
ultrapassados os limites de resis-
tência dos materiais que a consti-
tui”.

so
O que não deixa de ser curioso nes-
ta telenovela é a divergência entre
os actores envolvidos na construção
do empreendimento que, no fim
de Fevereiro, matou e destruiu. O
governo, através da Comissão de
Inquérito, atira todas as culpas ao
empreiteiro e ao fiscal. Só que estes,
Parede que destapou a vergonha herdada nos Jogos Africanos
por seu turno, não dão a cara para
um
assumir as conclusões da equipa
governamental. É caso para dizer a betão armado à cota de 6.20 me- construída num alinhamento afas- fissuras nos mesmos locais (junto ção, porque a pessoa indicada não
procissão ainda vai ao adro. tros. tado do alinhamento dos pilares. aos alinhamentos dos pilares e na se encontrava no seu gabinete de
O vento, que é apontado como res- A mesma era constituída por três base) tendo a Fiscalização alertado trabalho.
ponsável pelo incidente daquele sá- painéis, sendo o inferior com 2,80 (PSUHLWHLURHÀVFDO da sua existência e solicitado a de- “A pessoa que pode falar acerca
bado, que vitimou o seleccionador metros, o intermédio com 2,60 me- responsabilizados vida reparação. desse assunto não se encontra no
nacional de natação, Frederico dos tros e o superior (o desabado) com Neste sentido, a Comissão de In- Entretanto, apesar de ter alertado escritório. Só pode ligar amanhã”,
Santos, soprava com uma velocida- 4,60 metros e com 46 metros de quérito responsabiliza o empreitei- o consórcio sobre alguns erros de disse uma recepcionista da empre-
de média de 26 km/h com rajadas comprimento. ro, constituído pelo consórcio Mo- construção, a Técnica-Engenheiros sa, contactada na tarde de quarta-
de 46 km/h e a temperatura tinha Visitada a piscina e analisada a ta-Engil e Soares da Costa, “por e Construções não foi ilibada do -feira.
atingido 44,9º C, segundo dados parede desabada, verificou-se que negligência ao não ter em conta a processo. Enquanto isso, a nossa equipa de
fornecidos pelo Instituto Nacional alteração da solução inicial da pare-
de

havia insuficiência de aderência Segundo a Comissão de Inquérito, reportagem procurou, a todo o


de Meteorologia à Comissão. da argamassa de assentamento à de frontal do complexo das piscinas a fiscalização é responsável “por não custo, ouvir o Director do Fundo
Entretanto, estes factores, que são superfície
fície dos blocos, que reduziu que carecia de uma reavaliação da ter exigido a documentação justi- de Promoção Desportiva, Adamo
naturais, tiveram apoio da acção a capacidade de mobilização da segurança estrutural”. ficativa das alterações feitas pelo Bacar, que, entretanto, nos remeteu
humana, que não observou alguns resistência à tracção; a ausência de O facto, segundo estes, é que o pro- Empreiteiro” e por “ter sido omissa ao relatório.
princípios de construção civil, du- juntas de dilatação e de elementos jectista da especialidade de estru- na aprovação” das mesmas. O mesmo acontece com os dirigen-
rante o período de edificação da de contraventamento ao longo de turas previa a construção de uma Aliás, aquele grupo de peritos con- tes do COJA, nomeadamente, So-
obra. todo o comprimento da parede; a parede parcialmente vazada para o cluiu que a validade do contrato de lomone Cossa e Penalva César, que
Segundo constatou a Comissão de ausência de aberturas na parede que alívio das pressões do vento, refor- empreitada ainda não deveria ter na altura assinaram os contratos
Inquérito, liderada pelo Inspector çada com varões de aço embutidos expirado pelo facto de a obra ainda para a construção das piscinas, mas
permitiriam o alívio de eventuais
io

das Obras Públicas, Alberto An- e com uma estrutura metálica so- não ter sido recepcionada definiti- neste caso vertente não foi possível
pressões devidas à acção do vento;
dissene, o pano da parede desabado lidariamente ligada aos elementos vamente. ouvi-los.
a ausência de amarração da parede
apoiava-se, ao longo do seu desen- estruturais horizontais, conferindo Quem sai ilibado do caso é o dono Embora a Comissão de Inquérito
no topo, funcionando esta em con-
volvimento, sobre uma viga rasa de à parede uma maior resistência à da obra, neste sentido o Comité tenha concluído que houve ne-
sola; e o facto de a parede ter sido
acção do vento. Organizador dos X Jogos Africa- gligência durante a construção, o
Porém, por achar que era uma so- nos (COJA), que na altura assinou Ministro das Obras Públicas, Ha-
ár

lução morosa para o cumprimento os contratos para a construção do bitação e Recursos Hídricos, Car-
do prazo de execução da obra, o empreendimento. los Bonete Martinho, disse que o
Empreiteiro optou, unilateralmen- Contactado pelo SAVANA, na consórcio “será responsabilizado
te, por alterar a solução para uma tarde de quarta-feira para se pro- criminalmente, caso se conclua que
parede impermeável ao vento e a nunciar em relação às conclusões houve negligência”.
mesma foi feita sem nenhuma base do Inquérito, o Empreiteiro negou A queda da parede da Piscina sus-
Di

documental. de o fazer, alegando que ainda não citou dúvidas em torno do estado
Esta revelação veio contrariar o estava na posse do Relatório. actual do Estádio Nacional do
posicionamento do consórcio que, “Colaboramos com a Comissão Zimpeto, que também apresenta
ao longo da semana, garantiu que de Inquérito durante o período alguns sinais de degradação. Mas,
cumpriu escrupulosamente com o de investigação, mas não fomos Bonete garantiu que a sua institui-
projecto concebido. informados, oficialmente, sobre ção está a trabalhar para avaliar o
Aliás, o projecto de construção da as conclusões da mesma. Temos ponto de situação.
Piscina do Zimpeto foi concebi- acompanhado pela imprensa, mas Como é comum no nosso país,
do pelo consórcio e o Estado de- não podemos comentar sem ter o estas verdades só foram conheci-
sembolsou cerca de 16 milhões de documento base, porque estão em das, porque uma parede desabou e
euros para a construção do empre- causa algumas questões técnicas”, matou um dos ícones de natação,
endimento e tinha a garantia de 15 explicou José Peçanha, do Gabine- que estava a centésimos dos Jogos
anos. te de Comunicação do Consórcio. Olímpicos.
A Comissão de Inquérito sublinha Quanto ao Fiscal, a Técnica-En- Durante todo este tempo, a Ins-
que durante a construção e pós- genheiros Consultores, não foi pecção das Obras Públicas estava
Carlos Bonete, Ministro das Obras -obra surgiram, recorrentemente, possível colhermos alguma reac- no silêncio e acerca desse assunto,
Savana 04-03-2016 3
TEMA DA SEMANA

suras nas paredes de toda a infra- para efeitos de provação dos certi-
-estrutura; a falta de enchimento ficados de qualidade do fabricante;
no apoio das vigas; a corrosão dos o projecto de estrutura não teve
órgãos de drenagem e dos elemen- em consideração a importância da
tos de fixação da viga de cobertura; acção do vento sobre a parede em
e o gerador desmontado. causa, considerando-a apenas como
parede divisória; e que os técnicos
)UDFRSRGHUGHGHFLVmRGRV

o
sentir
moçambicanos sentiram restrições
PRoDPELFDQRV
em relação ao seu poder de decisão
A Comissão de Inquérito concluiu
(do sistema unitário de drenagem
que houve deficiência no con-
trolo de qualidade da obra; a não das águas residuais proposto para

log
existência de especificações dos o separativo em vigor no país, hou-
materiais aplicados na obra (por ve também insistência em se fazer
exemplo, traço das argamassas, ca- aprovar o ante-projecto como sen-
tegoria dos blocos); a insuficiente do o projecto executivo).
assistência técnica à obra durante Recor
Recordar que a parede da piscina
o período de garantia; deficiências do Zimpeto desabou no dia 20 de
de Fiscalização; insuficiência de Fevereiro, vitimando nove pessoas,
ensaios de controlo da qualidade das quais uma acabou ficando sem
dos materiais fornecidos em obra vida.

ció
Imagens que ilustram o avançado estado de degradação da infra-estrutura

o titular da pasta das obras explicou o tipo de tecnologia de construção como permitiu que se construísse
que “o papel da inspecção existe implementada na execução da obra; uma infra-estrutura cujo projecto
e é permanente. Os media que se o projecto aprovado pelas entidades não foi aprovado e sem nenhuma
aproximem à Inspecção para saber administrativas (MJD, CMCM); o licença de construção, mas sem su-
da situação, porque muita coisa tem plano de controlo de qualidade; o cesso.
sido feita, mas não passamos os re- livro de obra; o manual de utiliza-

so
latórios à imprensa”, disse. ção e o plano de manutenção das 3LVFLQDHPDYDQoDGRHVWD
3LVFLQDHPDYDQoDGRHVWD-
instalações; o dossier com informa- GRGHGHJUDGDomR
Obra de natureza duvidosa ção dos equipamentos instalados; Além destas revelações, a parede
O desabamento daquela parede a indicação do responsável técnico que vitimou Frederico dos Santos
trouxe novas revelações. Durante o da obra; o termo de responsabili- e deixou mais oito pessoas feridas
seu trabalho, a Comissão de Inqué- dade dos projectistas; a licença de e destruiu três viaturas ligeiras,
rito constatou a ausência de uma construção; as fichas de controlo de permitiu aos moçambicanos co-
série de documentos importantes qualidade das alvenarias e dos seus nhecerem a triste realidade daquele
que detalham o processo de con- componentes; a informação dos empreendimento,
eendimento,, construído para
um
cepção e construção do empreen- trabalhos realizados antes da entra- servir o desporto moçambicano, no
dimento. da em funções da Fiscalização, no- geral, e a natação, em particular.
Dentre os documentos em falta, meadamente a zona de tratamento As imagens que constam do re-
destacam-se o caderno de encargos da fundação. latório
io de inquérito revelam um
com as devidas especificações dos O SAVANA procurou o Conselho avançado estado de degradação do
materiais; o documento que detalha Alberto Andissene apresentando o relatório
Municipal de Maputo para saber empreendimento, apresentando fis-
de
io
ár
Di
4 Savana 04-03-2016
TEMA
TEMADA
DASEMANA
SEMANA

&RPDQGRJHUDOGD3ROtFLD

5HLQDGRGH.KDODXFKHJDDRÀPVHPGHL[DUVDXGDGHV
Por Raul Senda

o
O
ito anos depois de assumir política, o académico entende que
a direcção do Comando- como Comandante-geral agiu como
-geral da Polícia da Re- um dirigente da Polícia que não per-
pública de Moçambique cebeu qual era o verdadeiro papel da

log
(PRM), o mandato de Jorge Khalau Polícia na medida em que a tensão
chegou ao fim nesta quarta-feira, político-militar extravasa o campo
sem deixar saudades. de actuação da corporação.
O reinado de Khalau termina de- Para Iveth Mafundza, advogada e
pois de ter cumprido dois mandatos activista dos Direitos Humanos, o
de quatro anos e que de acordo com mandato de Jorge Khalau não só foi
o estatuto da Polícia não podia ser marcado por questões negativas, mas
reconduzido ao terceiro. também positivas.
Mafundza referiu que no reinado de

ció
Khalau chegou à direcção do Co- Khalau foi visível o esforço na for-
mando-geral em Dezembro de 2008 mação de agentes da Polícia através
depois de substituir Custódio Pinto,
da Academia das Ciências Policiais e
que ficou no trono apenas dois anos,
dos centros de formação.
e reconduzido em finais de 2012,
pelo então Presidente da República, Também houve um enorme esforço
Armando Guebuza. na formação e na potenciação dos
O actual Comandante-geral da Po- porta-vozes ao nível nacional e por
lícia deixa o posto numa altura em várias vezes Jorge Khalau apareceu
que avolumam-se as inquietações publicamente para responder certas

so
sobre o seu desempenho. inquietações da população.
As dificuldades que Jorge Khalau, No entanto, Jorge Khalau não con-
um dos mais controversos coman- seguiu ao longo do seu mandato
dantes-gerais que o país já conheceu, acabar com os tratamentos cruéis
denotou-se em lidar com o sindicato Depois de oito anos, Jorge Khalau deixa Comando-geral da Polícia sem boas recordações protagonizados por alguns agentes
mafioso que se instalou na Polícia da Polícia para obter confissões dos
e que atingiu o ponto mais alto na Gilberto Correia, jurista e antigo “Pessoalmente, acho que foram dois Jorge Khalau teve comportamen- detidos.
onda de sequestros que varre, sobre- bastonário da Ordem dos Advoga- mandatos maus e o País ressentiu- tos anti-democráticos que até certo Por várias vezes foram reportados
tudo, as principais cidades. dos, é da opinião de que o reinado de -se disso em termos de instabilidade
instabilidade, ponto afectaram a ordem pública casos de execuções sumárias e mui-
Jorge Khalau foi um período onde  falta de segurança e elevada crimina- que a Polícia diz que tanto preserva.
um
Aliás, quando a onda dos raptos as- tos crimes por esclarecer.
solava fortemente o país, espalhando aumentou a brutalidade policial, lidade”, sentencia. Diz que as investidas draconianas Salomão Muchanga, presidente
um sentimento de terror e insegu- em situações claras de violação dos Continua a sua explanação referin- do então Comandante-geral até Parlamento Juvenil (PJ), é da opi-
direitos, liberdades e garantias  dos do que o actual Comandante-geral criaram mal-estar no seio da própria
cidadãos constitucionalmente pre- nunca revelou capacidade para diri- corporação e que até certo ponto
vistos. gir uma Polícia num verdadeiro Es- afectou as actividades operativas da
Entende o causídico que foi um pe- democrático
tado de Direito  democrático. Polícia.
ríodo em que a partir do seu exem- Correia finaliza seus comentários Nhampossa diz que muitas vezes
plo de ordenar publicamente a de- sublinhando que espera que o pró- Jorge Khalau falhava na comunica-
sobediência a uma  ordem  judicial, ximo Comandante-geral seja uma ção com a sociedade e os seus dis-
seguido da manifestação pública pessoa capaz de convencer o poder cursos explosivos e ditatoriais pouco
dessa desobediência, massificaram- político a promover as inadiáveis re- contribuíram para conter a crimi-
de

-se os conflitos entre a Polícia e os formas de que a Polícia carece para nalidade violenta como é o caso de
Juízes, com acusações públicas cons- se alinhar com o seu dever constitu- grandes assaltos à mão armada e se-
tantes daqueles contra estes. cional e, ainda, ter a capacidade de questros.
“Os raptos e sequestros “nasceram”, liderar a aplicação de tais reformas Quanto ao papel do Jorge Khalau
cresceram e tornaram-se parte inte- na instituição com vista a garantir na gestão da tensão político-militar,
grante da criminalidade quotidiana o jurista entende que o comandante
em Moçambique; não obstante as tentou ser razoável num assunto que
Gilberto Correia vãs e consecutivas promessas de aca- estava muito acima das suas capaci- José Jaime Macuane
bar com este tipo de crimes. A cor- dades, facto que culminou com a sua
rança, vários sectores da sociedade rupção na Polícia e o envolvimento ridicularização. nião que foi nos mandatos de Jorge
civil e algumas chancelarias pediram Khalau que a Polícia ficou despresti-
io

de polícias com criminosos, se não O jurista entende que o próximo co-


a cabeça de Jorge Khalau, mas quer aumentaram, pelo menos não di- mandante deve ser uma pessoa com giada de tal forma que precisa, com
Armando Guebuza bem como Fili- minuíram. As reclamações de “par- uma escolarização de facto, que con- extrema urgência, de uma chama
pe Nyusi resistiram. tidarização” e falta de parcialidade siga devolver a dignidade e o respei- purificante.
No decurso controverso do seu man- Muchanga diz que foi nestes man-
da nossa Polícia também cresceram to à Polícia.
dato, Khalau destacou-se quando, datos de Jorge Khalau que aumen-
de tom e temos agora uma nova Para o académico José Macuane,
ár

há alguns anos, instigou a PRM a tou o envolvimento de polícias em


realidade caracterizada por ataques Jorge Khalau sai sem ter sido capaz
desrespeitar os tribunais e orientou crimes violentos.
armados a dirigentes políticos da de apresentar resultados que vão de
a Polícia para, sob seu comando, so- “Temos uma Polícia de criminosos
oposição sem que o País perceba acordo com os desafios que a PRM
brepor as suas decisões internas às de aquário e, por outro lado, temos
quem são os seus autores e a Polícia teve nos últimos anos.
decisões dos tribunais. uma Polícia de pistas e suspeitas so-
não nos tem conseguido dar alguma Macuane aponta a questão dos rap-
8PFRPDQGDQWHTXHQmR Salomão Muchanga
bretudo para crimes que envolvem
deixa saudades pista sobre quem são os seus autores. tos e de assassinatos sem rosto para
graúdos”, disse.
Di

Enquanto  isso, o clima de receio de o surgimento dos almejados resul- além de atentados contra políticos
eclosão de uma guerra alastra-se pe- tados. ligados à oposição.
los cidadãos”, lamentou Correia. “Precisamos de um Comandante- Segundo o professor José Jaime Ma-
Gilberto Correia continua a sua ex- -geral capaz de transformar a Polí- cuane, durante o mandato de Jorge
planação referindo que, durante o cia numa polícia moderna, eficiente, Khalau, a intervenção da Polícia em
consulado de Jorge Khalau, a crimi- credível, respeitada e que produza processos eleitorais sempre foi polé-
nalidade violenta aumentou, assim resultados encorajadores num con- mica e caracterizada por uso excessi-
como aumentaram as situações fla- texto de Estado de Direito demo- vo da força e discriminatória na sua
grantes de violação da Constituição crático que pretendemos vir a ser”. forma de actuação.
da República, bem como a ineficiên- João Nhampossa, advogado e activis- Também foi notável a limitação das
cia policial. ta dos Direitos Humanos, entende liberdades fundamentais através da
Diz que a actuação da Polícia resu- que Jorge Khalau foi um comandan- limitação do direito à manifestação
me-se apenas nas palavras dos seus te bastante contestado pela forma e Jorge Khalau não conseguiu pôr
porta-vozes com a célebre frase de como tratou a questão dos Direitos a Polícia como uma instituição de
que “estamos a trabalhar”, mas que, Humanos bem como o respeito pela segurança numa realidade democrá-
em regra, não se segue nenhum re- Constituição da República. tica.
sultado palpável. Sublinha que, nestes dois mandatos, No que concerne à gestão da tensão Iveth Mafundza
João Nhampossa
Savana 04-03-2016 5
TEMA
SOCIEDADE
DA SEMANA
6 Savana 04-03-2016
SOCIEDADE

Calamidades no País

Seca já afecta mais de 222 mil pessoas


- de acordo com o governo, do total dos afectados, 200 mil pessoas estão neste momento a ser assistidas. Enquanto isso, mais de 31 mil pessoas

o
estão a braços com chuvas intensas no norte do país

U
m total de 222 857 pes- fortes. Igualmente, 109 escolas fi- nas províncias mais afectadas vai moderada onde se estima que cerca até ao final da presente época chu-
soas estão afectadas pela caram afectadas por esta calamida- depender do seguinte: Caso exis- de 396 855 pessoas sejam afectadas vosa, em que as previsões apontam
seca severa que vem asso- de, o que resultou na destruição de tam chuvas até finais do presente nas províncias de Maputo, Gaza, para mais de 1.7 milhão de pessoas

log
lando o sul do país desde pouco mais de três mil (3.000) salas mês de Março, que venham permi- Inhambane,, Tete e Sofala. afectadas, distribuídas pelas cinco
meados do ano passado. Contudo, de aulas. tir alguma colheita, se estará numa Porém, a situação poderá ser mais províncias acima mencionadas.
neste momento, pouco mais de 200 De acordo com o governo, como situação de insegurança alimentar grave em caso de escassez de chuva (B. Luís)
mil pessoas já estão a ser assistidas forma de mitigar os efeitos destas
tendo em vista minimizar a situ- calamidades, já foram distribuídas
ação de fome a que estavam mer- oito toneladas de farinha, 1.6 to-
gulhadas em resultado desta cala- neladas de feijão, 640 litros de óleo
midade natural. Ainda por assistir alimentar, para além de 1 280 latas
estão mais de 19 mil pessoas. de conservas.

ció
Para além desta acção de ajuda,
A situação da seca afecta grande- Armindo Ngunga disse que, recen-
mente as províncias de Maputo, temente, foi realizada uma mesa
Gaza e Inhambane, isto no sul do redonda na província de Maputo,
país, e alguns distritos nas provín- juntando empresários nacionais
cias de Sofala e Tete, no centro. tendo em vista a angariação de aju-
da para as vítimas das calamidades
Reunido na sua 6ª sessão ordiná-
naturais.
ria de Conselho de Ministros, na
E como um mal nunca vem só, no
passada terça-feira em Maputo, o

so
mês passado, a província de Mapu-
governo apreciou a informação so-
to foi fustigada por ventos fortes
bre a situação actual de gestão de que resultaram na morte de sete
calamidades naturais. No final da pessoas e ferimentos graves em ou-
reunião, Armindo Ngunga, vice- tras 18. O vendaval destruiu com-
-ministro da Educação e Desenvol- pletamente 795 casas e de forma
vimento Humano e porta-voz do parcial outras 963 casas. Pelo me-
governo no Conselho de Ministros, nos 966 pessoas foram afectadas e
anunciou que até ao momento cer- cerca de 424 estão na situação de
ca de 31 mil pessoas, o equivalente vulneráveis.
um
a cerca de seis mil famílias, estão Entretanto, o primeiro-ministro,
afectadas por chuvas que vêm fusti- Carlos Agostinho do Rosário,
gando o norte de Moçambique. disse, durante os trabalhos da III
O governante apontou ainda que Sessão da VIII legislatura da As-
4937 casas  ficaram destruídas em sembleia da República, que a real
consequência das chuvas e outros dimensão do impacto da seca na
factores combinados, como ventos segurança alimentar e nutricional

Encontrados na costa moçambicana


de

Destroços podem ser


do voo MH370
O
Ministro dos Transpor- descobriram uma peça de uma
tes da Malásia, Liow das asas do avião ao largo da cos-
io

Tiong, disse que os des- ta das Ilhas Reunião, também no


troços encontrados na Oceano Índico.
terça-feira ao longo da costa mo- De acordo com relatos, o novo
çambicana podem ser do Boeing objecto foi descoberto num banco
777 das Linhas Aéreas da Malásia, de areia na costa de Moçambique.
desaparecido em Março de 2014, A cadeia de televisão NBC, dos
ár

quando fazia a rota Kuala Lum- Estados Unidos, noticiou que o


pur-Beijing. objecto em causa foi descoberto
Através da sua conta do Twitter, por um cidadão americano que
o governante malaio disse: “Com tem estado envolvido nas inves-
base nos relatos preliminares, exis- tigações sobre o desaparecimento
te uma grande possibilidade dos do avião.
Di

destroços serem de um Boeing O governante malaio disse: “Peço


777”. a todos para que evitem especula-
Acrescentou que as autoridades da ções desnecessárias, uma vez que
Malásia estavam a trabalhar com não estamos ainda em condições
a sua contraparte australiana para de confirmar que os destroços
terem acesso aos destroços. pertencem ao MH370”.
O Boeing 777 da Linhas Aére- Não há nenhuma confirmação
as da Malásia, efectuando o voo das autoridades moçambicanas
MH370, com 239 passageiros, sobre o assunto.
desapareceu durante a sua viagem, A Agência Americana para a
e nunca mais voltou a ser encon- Segurança Aérea (NTSB) e o fa-
trado. bricante do avião, a Boeing, não
Caso seja confirmado, o objecto comentaram esta informação.
encontrado na costa moçambica- Com base nos dados de comu-
na será o segundo dos destroços nicações por satélite, acredita-se
do avião. que o MH370 se tenha despe-
No ano passado, as autoridades nhado no Oceano Índico.
Savana 04-03-2016 7
PUBLICIDADE
8 Savana 04-03-2016
SOCIEDADE

Depois da queda no “Doing Business”

Continuamos na trajectória das reformas


– Rita Freitas, do MIC

o
Por Ricardo Mudaukane

N
a sequência da signi- do Governo e ainda a obtenção do apenas num único ponto de

log
ficativa queda de Mo- da declaração de início de activi- atendimento e em pouco tempo
çambique no índice do dade no acto do levantamento da tem a licença pretendida. Volto
Banco Mundial sobre a, que dá direito à empresa
licença, a repisar dependendo do tipo de
ambiente de negócios, o vulgo de poder iniciar a sua actividade. pr
licença pretendida.
“Doing Business”, o Ministério Estas reformas de curto prazo, Qual é a diferença entre os
da Indústria e Comércio assegu- devidamente implementadas e BAUS e os BUAS?
ra que o país intensificou refor- divulgadas, permitirão melhorar A diferença entre BAÚ e BÚA
mas adequadas a um lugar mais a nossa posição neste indicador. é uma pergunta bastante inte-

ció
simpático na geografia dos países ressante que muito poucas pes-
mais amigáveis aos homens de Com as mudanças em curso soas entendem, até mesmo os
negócios. nos últimos anos, que procedi- próprios funcionários dos BAÚ
Em entrevista ao Savana, a dire- mentos são agora exigidos para não conheciam, mas que tenho
tora do Apoio ao Sector Privado iniciar um negócio em Moçam- tido oportunidade de colocar nos
no MIC, Rita Freitas, apontou a bique? vários encontros realizados nos
aprovação da Lei que cria o Sis- Os procedimentos para iniciar- BAÚ ao nível nacional e que hoje
tema de Informação de Crédito -se um negócio em Moçambique fico satisfeito, pois os funcioná-
são: o empresário deve proceder à rios já sabem dar a diferença o

so
de Gestão Privada e o combate
à corrupção como algumas das reserva de nome e registo da em- que é bom sinal.
alterações de vulto no panora- presa e licenciar a empresa junto
ma do investimento privado em do Balcão de Atendimento Úni- Estamos a combater a
Moçambique. co (BAÚ), pagando o valor cor- corrupção nos BAÚ

,OHF9LODQFXORV
respondente em função do tipo Há indicações de situações de
Na última avaliação do Banco de actividade. casos de corrupção nos BAÚ,
Mundial, divulgada em Outu- Com a reforma levada a cabo confirma?
bro de 2015, Moçambique caiu recentemente já é real que o em- Temos sim conhecimento de ac-
um
cinco lugares. O que é que está presário se dirija ao BAÚ e num tos de corrupção nos BAÚ, o que
a ser feito ao nível do Governo único balcão proceda à solicita- nos preocupa imenso, e estamos
e do Ministério da Indústria ´0RoDPELTXHLQWHQVLÀFRXUHIRUPDVDGHTXDGDVDXPOXJDUPDLVVLPSiWLFRQD
´0RoDPELTXHLQWHQVLÀFRXUHIRUPDVDGHTXDGDVDXPOXJDUPDLVVLPSiWLFRQD ção da reserva de nome, registo a trabalhar no sentido de evitar
e Comércio, em particular, de JHRJUDÀDGRVSDtVHVPDLVDPLJiYHLVDRVKRPHQVGHQHJyFLRVµ5LWD)UHLWDV
JHRJUDÀDGRVSDtVHVPDLVDPLJiYHLVDRVKRPHQVGHQHJyFLRVµ5LWD)UHLWDV de empresa, licenciamento de ac- a prevalência destes casos, para
modo a inverter o cenário? tividade económica/alvará, decla- não prejudicar o trabalho levado
exigência da assinatura presen- curto e médio prazos, que permi-
O Ministério da Indústria e Co- ção de início de actividade, horá- a cabo pelo Governo, com a fina-
cial do contrato de sociedade e as tirão catapultar o país neste indi-
mércio, como ponto focal do Go- rio de trabalho e lista nominal lidade de simplificar, reduzindo
condições respeitantes ao capital cador, incluindo, por exemplo, a
verno para os assuntos do sector dos trabalhadores, para efeitos de procedimentos, tempo e custo ao
social; a revisão do Regulamen- implementação de um ponto de
privado, está a trabalhar com as segurança social. cidadão e melhorar o nosso am-
to de Instalações Eléctricas e a acesso único do expediente, quer
várias instituições responsáveis Em quanto tempo se pode cons- biente de negócios.
utilização da EDM como ponto através da Plataforma Electróni-
pelas acções avaliadas pelo Banco tituir uma empresa? Quantas pessoas estiveram en-
de

único de entrada dos processos ca e-BAÚ ou através do preen-


Mundial num plano de acções de Num dia pode-se constituir uma volvidas e quais foram as medi-
com vista à ligação eléctrica, revi- chimento do Formulário Único,
curto prazo, que permita ter im- empresa dependendo da área das tomadas?
são do Código do Registo Predial
Predial; evitando que o cidadão tenha de
pacto na próxima avaliação, que pretendida e tipo de licença. Já tivemos casos concretos nos
regulamentação da Lei 6/2015, percorr vários balcões, preen-
percorrer
já iniciou a 01 de Junho de 2015 No terreno, é essa realidade que BAÚ de Maputo Província, na
de 6 de Outubro, que cria o Siste- chendo vários documentos e per-
e vai até 31 de Maio do presente encontramos? Zambézia, em Angónia, na Pro-
ma de Informação de Crédito de m
dendo muito tempo.
ano. É sim. É só uma questão de se víncia de Tete, em que seis fun-
Gestão Privada e aprovação pela
Em que matérias está o Minis- Para além desta acção, temos dirigir ao BAÚ da Cidade de cionários envolvidos foram
Assembleia da República da pro-
tério da Indústria e Comércio a também a publicação e disponi- Maputo e poder acompanhar o entregues à justiça e foram
posta de Lei que cria a Central de
bilização dos estatutos de empre- processo do licenciamento e vai responsabilizados discipli-
io

trabalhar para melhorar a clas- Registo de Colaterais. Estas são


sificação de Moçambique? sas on-line em 48 horas no portal verificar que está concentra- nar e criminalmente, sendo
algumas das reformas de curto
O MIC, como ponto focal do prazo que poderão levar a que o
Governo para os assuntos do sec- país possa melhor se posicionar
tor privado, está a trabalhar com na próxima avaliação.
ár

as várias instituições responsáveis Importa referir que o Ministério


pelas acções avaliadas pelo Doing da Indústria e Comércio, de uma
Business num plano de acções de forma geral, tem a responsabili-
curto prazo que permitam ter im- dade de monitorar as actividades,
pacto na próxima avaliação que já mas cabendo a cada instituição
iniciou a 1 de Junho de 2015 e fazer com que as acções sejam
Di

vai até 31 de Maio de 2016, para implementadas.


além de acções de médio e longo Em relação ao indicador “Aber-
prazo que contribuiram para a tura de Empresa”, que é da res-
melhoria do ambiente de negó- ponsabilidade do Ministério da
cios nos vários indicadores e nos Indústria e Comércio, o que é
próximos relatórios do DB. Nes- que está a ser feito?
te âmbito, as acções com impacto Importa referir que o MIC é res-
no próximo relatório do Doing ponsável pela implementação e
Business sao: concentracção de melhoria do indicador “Abertura
todos os serviços para início de de Empresa”. Neste indicador,
negócio num único ponto de en- verificou-se que o grande proble-
trada no BAÚ, reduzindo a inte- ma é o número de dias e proce-
ração do cidadão com vários fun- dimentos que se leva para o ci-
cionários; a revisão pontual do dadão abrir uma empresa. Assim,
Código Comercial para remover a foram identificadas reformas de 2VHFWRUGDVDOIkQGHJDVpDSRQWDGRFRPRXPGRVPDLVSURSHQVRVjFRUUXSomR
Savana 04-03-2016 9
SOCIEDADE

que dois foram expulsos, dois fo- que é o calcanhar de Aquiles para tral de Registo de Colaterais de- da em que o leque de informação A publicação dos estatutos da
ram demitidos, um com multa e o sucesso da melhoria dos servi- verão ser submetidas à apreciação coberta de indivíduos e institui- empresa hoje está muito facilita-
um aguarda desfecho da instru- ços dos BAÚ. do Conselho de Ministros no ções com acesso ao crédito ban- da, porque já temos a publicação
ção do processo. Estamos a tra- Quantos BAÚ temos a nível na- decurso de Março deste ano. O cário e comercial será alargado, três vezes por semana, o que há
balhar no sentido de reverter esta cional? primeiro documento já se encon- o que permitirá a melhoria no uns tempos era uma grande dor
situação e contamos com o apoio Hoje neste momento temos 17 tra no Ministério da Economia e indicador de obtenção de crédito. de cabeça para o empresário que
do sector privado denunciando BAÚ, sendo 11 nas capitais Pro-
Finanças depois de o Banco de As deficiências ao nível da pu- tinha de esperar muito tempo,
actos de corrupção.

o
vinciais e 6 nos Distritos nomea-
Moçambique ter dado o parecer. blicação dos estatutos no Bole- para além de hoje poder ter aces-
Quanto custa o processo de li- damente em Angónia, Mutarara
Esta lei é muito importante para tim da República já foram supe- so à publicação ´online` e grátis
cenciamento? e Changara em Tete, Nacala e
Para licenciar uma actividade, o Lumbo em Nampula e por últi- o ambiente de negócios na medi- radas? no Portal do Governo.

log
custo varia de licença para licen- mo em Mocuba, na Zambézia.
ça. A licença simplificada custa Porque só em seis distritos, será
1.576 Mt e é obtida em 1 dia; que não há necessidade de levar
a licença comercial 3.152 Mt e estes serviços a outros distritos?
obtém-se até 5 dias, e a licença Temos neste momento BAÚ em
industrial varia de 1.576 Mt para 6 distritos, porque cada província
micro dimensão a 31.520 Mt está a trabalhar na identificação
para as de grande dimensão e ob- dos distritos com grande poten-
tém-se até 10 dias úteis. Para os cial e que faz sentido a instala-

ció
casos que necessitam de vistoria ção de BAÚ Distritais e noutros
é preciso ainda pagar o valor cor- casos recorre-se aos Municípios
respondente à vistoria que varia e SDAE’s. Hoje com o sistema
de 3.152 a 47.280 Mt. electrónico já não faz muito sen-
Como é que os BAÚ estão orga- tido ter BAÚ em todos os Distri-
nizados? tos e Localidades é só uma ques-
Os BAÚ estão neste momento no tão de equipar e treinar os funcio-
processo de informatização dos nários dos Municípios e SDAE’s

so
serviços para simplificar procedi- para que sejam o Front Office/
mentos, tempo e custos, concen- porta de entrada do expediente,
trando os serviços de atendimen- mantendo os Back Officce nos
to num único ponto de entrada seus respectivos locais, nos BAÚ.
para o utente através do “front Estamos também a trabalhar no
sentido de ver a possibilidade de
officce”, entrada do expediente,
se introduzir os BAÚ móveis le-
e no “back officce”, onde é feita
vando os serviços ao encontro do
a análise do processo, validação e
um
Cidadão, nos Distritos uma vez
aprovação, em que o expediente
por semana ou de 15 em 15 dias
segue para cada etapa através do
conforme o volume de serviços
sistema electrónico sem que haja
solicitados, reduzindo assim o
movimentação de papéis físicos.
custo de instalação e manutenção
Ou seja, com a informatização,
de espaço e funcionamento.
toda a documentação passa para
Onde não temos BAÚ, como é
o sistema via scanner e deixou-se
que as coisas funcionam?
de receber papéis físicos do cida- Para o Licenciamento simpli-
dão para efeitos de licenciamen- ficado é mais facil porque onde
to, passando a ter-se somente um não existe BAÚ os Municípios
de

arquivo electrónico. Apenas são e SDAE´s são competentes para


necessárias plantas para o caso da emitir este tipo de licença.
actividade industrial para facilitar Agora, para os outros tipos de li-
a análise e a vistoria. cenças, como a comercial, indus-
Em termos de recursos humanos trial, turismo, etc. é preciso des-
ainda é preciso muito trabalho, locar-se aos BAÚ para obter este
passando primeiro pelo reforço tipo de licença, o que se torna di-
de pessoal capacitado, treinar de fícil e contribuindo para o grande
forma a que conheçam o novo número de informais. Por isso
io

sistema e agilizar os procedimen- estamos a trabalhar na expansão


tos para que o cidadão dia após de Plataforma e-BAÚ, primei-
dia fique muito menos tempo à ro para todas as Províncias, pois
espera para a obtenção de uma ainda falta Manica, Zambézia e
licença. Niassa e a todos os Munícipios
ár

Há queixas sobre insuficiência e Distritos para que os Licen-


de pessoal nessas estruturas … ciamentos passem a ser tratados
Temos, sim, pouco pessoal, mas nestes locais sem ter de percorrer
também há a questão de pessoal grandes distâncias. Através dos
qualificado,, à altura de assumir BAÚ Móveis também será mais
os grandes desafios e sem vícios. fácil e possível levar os serviços
Di

Cada BAÚ está a trabalhar ao cidadão.


para junto do cida
nível da província e estão a pro- A Assembleia da República
ceder à abertura de concursos aprovou em 2015 a Lei que cria
para admissão de novos técnicos o Sistema de Informação de
para os casos em que não foi ain- Crédito de Gestão Privada e
da preenchido o quadro de pes- esta lei entrou em vigor em Ja-
soal e noutros casos recorrendo neiro, carecendo ainda de uma
às outras instituições do estado, regulamentação. Quando é que
solicitando a transferência de al- o Conselho de Ministros vai re-
guns funcionários para reforçar o gulamentar este instrumento?
quadro dos BAÚ. Tanto a regulamentação da Lei
Contudo, é preciso trabalhar com 6/2015, de 6 de Outubro, que
estes novos funcionários e com os cria o Sistema de Informação de
já existentes e providenciar muita Crédito de Gestão Privada como
formação e gestão de mudança, a proposta de Lei que cria a Cen-
10 Savana 04-03-2016
SOCIEDADE
SOCIEDADE

Propõe Timbane na sua despedida

PIC faz sentido como Polícia Judiciária


Por Argunaldo Nhampossa

o
O
bastonário da Ordem dos mais musculada, especializada e ágil
Advogados, Tomás Timbane, para prevenir e combater a criminali-
manifestou a sua indignação dade.
com os constantes adiamen- Para a PGR, os agentes do crime en-

log
tos da reforma da Polícia de Investi- carnam um comportamento de indife-
gação Criminal (PIC), sendo que, no rença e citou casos como os de cidadãos
seu entender, esta secção policial só faz que, tomados pelo vício das redes so-
sentido como Polícia Judiciária, mas ciais, preferem assistir mortes violentas
bem equipada. Timbane falava esta na via pública para simplesmente tira-
terça-feira, na abertura do ano judicial rem fotografias e alimentá-las sem, no
onde sublinhou que os problemas do entanto, fazerem nada, e nem sequer
sector judicial são conhecidos e apon- colaborar com a investigação. “Os que
tados anualmente, mas o compromisso arrendam um imóvel a um desconheci-
arr
do governo de combatê-los mostra-se do sem preocupação de saber mais so-
insuficiente. Em resposta, o presidente bre o seu inquilino; os que assistem um

ció
da República, Filipe Nyusi, ordenou vizinho a enriquecer espantosamente
que se acelere o processo das reformas em duas ou três semanas e não se ques-
da Polícia. tionam sobre o advento deste milagre”.
A PGR reconheceu que, de modo a
Depois de no ano passado ter dito que a fazer face aos crimes que mais preocu-
polícia era o sector mais fraco da função pação trazem à sociedade, não se pode
pública, este ano, novamente na aber- manter os meios e métodos de actua-
tura do ano judicial, o bastonário da ção iguais aos usados no combate à
Timbane critica inércia na PIC e Nyusi ordena celeridade
Ordem dos Advogados (OAM), Tomás criminalidade comum, ou seja, há que
Timbane, elegeu uma vez mais a polí- o pepino, o PR instruiu os servidores fortalecer as instituições do Estado vo-

so
trações de injustiça já foram feitas. chegada a hora de a área da justiça en-
cia, e concretamente a de Investigação Olhando para o actual cenário político volver-se mais na procura de soluções e da justiça para que iniciem essas acções cacionadas a esta causa. Isto passa por
Criminal (PIC), como seu alvo de des- nacional, apelou ao respeito pelo Esta- deixar de ser espectadora. com coisas simples e legisladas para não uma cooperação internacional, troca de
taque. Não era para menos, tratava-se do de Direito porque se não for a lei a “Apelamos que se acelere o processo de dar a entender que há caça às bruxas e, experiências, reformar a legislação com
do seu terceiro e último discurso naque- conduzir a igualdade será um caos. “O reestruturação da Polícia, em particular paulatinamente, vão crescendo até os destaque para o novo Código Penal que
le tipo de eventos, na qualidade de mais caos é propiciado pela instabilidade, a PIC, que constitui um aliado precioso casos mais quentes. ainda carece de reajustamentos. Levar a
alto dirigente daquela agremiação, que seja ela social, política ou militar. A ins- na prevenção e combate ao crime orga- No entanto, disse ser crucial que o bom porto o processo de revisão do Có-
decorreu sob o lema “Pela prevenção e nizado”. combate à criminalidade e à corrupção digo do Processo Penal ainda em curso,
tabilidade destrói o país, atrasa as con-
combate ao crime organizado e trans- Instou o Ministério da Justiça, Assun- inicie primeiro dentro do sistema judi- a aprovação pelo Conselho de Minis-
quistas que com muito sacrifício fomos
nacional”. tos Constitucionais e Religiosos para ciário, purificando as fileiras e responsa- tros do ante-projecto da lei de criação
fazendo ao longo dos anos”, destacou.
Sabendo que, para o cumprimento do que,, sem prejuízo da independência bilizando os infractores. dos Serviços da Polícia de Investigação
Para a defesa do Estado de Direito, in-
um
lema em alusão, a acção da Polícia de dos poderes,es, lidere o processo rumo à Criminal e respectiva reestruturação da
Investigação Criminal (PIC) mostra- dicou o diálogo e a inclusão de todas as
forças vivas da sociedade na busca dum reestruturação, criando instrumentos Mudar a forma de actuar PIC. Advertiu que, para o sucesso des-
-se incontornável, Timbane começou estruturantes.
uturantes. A Procuradora Geral da República tas acções, é preciso que não se esqueça
por lamentar os constantes adiamen- Moçambique melhor. Disse ainda que
quando um partido político se arma Segundo o chefe de Estado, uma vez (PGR), Beatriz Buchile, centrou o seu que o homem é o elemento central e,
tos das reformas nesta secção policial. que há necessidade de controlo e com- discurso na prevenção e no combate à para tal, também carece de uma prepa-
Nisto, disse que tanto ele bem como o e combate o Estado é sinal de que se
bate à criminalidade, é preciso que haja criminalidade e a investigação criminal. ração técnico-profissional à altura dos
seu antecessor, Gilberto Correia, muito está a falhar no que é essencial, como
integra e concertada
uma actuação integrada No que toca ao combate à criminali- resultados.
falaram da necessidade de se fazer uma é o caso do compromisso com o Esta-
das instituições de administração da dade, disse existirem grandes desafios Destacou que a corrupção é o outro
reforma na PIC, mas nada procede até do de Direito, com o primado na lei e,
justiça, esclarecendo de forma célere os dada a sua capacidade de inserir as suas inimigo por combater nas instituições
ao momento. sobretudo, na forma como se pretende
casos reportados e penalizando de for- teias nas organizações públicas, desde a públicas, sendo que a mesma se faz
Socorrendo-se dos pronunciamentos de construir a moçambicanidade.
ma exemplar os criminosos. polícia, a magistratura, nos advogados, sentir também nas magistraturas, nos
Gilberto Correia, disse: “conhecemos as
Para o PR, os magistrados e os agen- actores políticos, sem deixar de lado as advogados e na polícia. “Trata-se de um
razões dos que querem a reforma da Acelerar a reforma da tes da Lei e Ordem devem assumir as esferas económica e social, factos que facto que encontra eco devido à actua-
PIC, mas desconhecemos a motivação
de

Polícia suas responsabilidades com coragem e colocam em causa a sobrevivência do ção de alguns colegas que compromete
dos que pretendem que ela continue no
Em resposta ao discurso de despedida determinação, pronunciando-se peran- próprio estado. todo o esforço colectivo de estabelecer a
Ministério do Interior.”
do bastonário da OAM, o presidente te violações da lei. E como diz o velho Buchile diz não restar outra alternativa confiança dos cidadãos nas instituições
Queixou-se do facto de a Procuradora
da República,
a, Filipe Nyusi, disse que é ditado que é de pequeno que se torce ao estado senão adoptar uma postura públicas”.
Geral da República não se ter pronun-
ciado até ao momento sobre as refor-
mas que devem ocorrer. Mas uma coisa
que o bastonário tem certeza é que a
PIC tem muitos problemas e isso não
constitui novidade para ninguém e sabe
ainda que não é só tirando-a do Minis-
tério de Interior que esses problemas se
io

resolverão.
Sugere a subordinação da PIC ao Mi-
nistério Público por se mostrar essen-
cial para o exercício do seu papel de
auxiliar e afirmou: “a sua existência faz
mais sentido como Polícia Judiciária
ár

bem equipada, com recursos humanos


capacitados, liderados por magistrados,
valorizada e com agentes regularmente
avaliados”.
De seguida, falou das dificuldades do
sector judicial que anualmente são re-
portados em ocasiões similares, mas,
Di

em contrapartida, o governo mostra-se


parco em acções para atacar os inúme-
ros problemas do sector, que vão desde a
corrupção, cujo combate deve ser muito
mais do que palavras e a deficiente for-
mação dos profissionais da justiça.
Nota preocupante é o sistema de cál-
culo das custas judiciais que classificou
como inconstitucional e injusto, por be-
neficiar exclusivamente os magistrados
e oficiais de justiça, mas nunca o cida-
dão que, com muitas dificuldades, tem
de suportá-las.
O exemplo mais fresco deste tipo de
casos são as recentes actualizações dos
emolumentos dos Registos e Notaria-
do. Aliás, Timbane lamentou o silêncio
das autoridades em torno das custas ju-
dicias, uma vez que inúmeras demons-
Savana 04-03-2016 11
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
12 Savana 04-03-2016
SOCIEDADE

Enquanto os tiros soam, deputados da AR limitam-se a trocar acusações

Renamo condiciona paz à governação


das seis províncias

o
Por Argunaldo Nhampossa

log
A
bancada Parlamentar constituição para acomodar a elei-
da Renamo, na Assem- ções dos governadores provinciais
bleia da República (AR), nas eleições de 2019.
precisou que a solução Vamos ao diálogo
para o clima de tensão político- construtivo
-militar que se vive no país passa O primeiro-ministro, Carlos Agos-
pelo reconhecimento do direito à tinho do Rosário, condenou as ati-
governação das zonas onde recla- tudes da Renamo que, segundo o

ció
ma vitória eleitoral. mesmo, se consubstanciam em ata-
ques contra alvos civis e das FDS e
Mas, apesar deste posicionamento, impede o desenvolvimento do país.
não descarta a via do diálogo para a Segundo o PM, o povo não se pode
busca de consensos. Por seu turno, deixar dividir por posições regiona-
o primeiro-ministro, Carlos Agos- listas ou ambições desmedidas para
tinho do Rosário, aponta também alcançar o poder à força.
o diálogo como a melhor via, mas No entanto, convida a Renamo a
diz que o povo não se pode deixar apostar num diálogo construtivo

so
levar pela chantagem das armas e como o verdadeiro caminho para
Renamo condiciona estabilidade do país à governação das seis províncias onde reclama vitória nas eleições
manobras da Renamo para alcan- reconciliação e harmonia da família
çar o poder. sinal da prometida governação da Não deixou de lado as emboscadas e aberto para um diálogo sério, moçambicana.
A equipa do governo chefiada por Renamo nas seis províncias onde que a comitiva do seu presidente responsável, frutífero e que traga Carlos Agostinho do Rosário diz
Carlos Agostinho do Rosário foi reclama vitória eleitoral. sofrera e o cerco quando se prepa- soluções para proporcionar um am- que não faz mais sentido a Renamo
esta semana ao Parlamento para Esta quarta-feira, a antiga chefe da rava para retomar o diálogo com biente de paz e estabilidade. continuar um partido armado sob
a tradicional sessão de perguntas bancada Parlamentar da Renamo, o presidente da República, Filipe No entanto, o Movimento Demo- o pretexto da falta de cumprimento
e respostas com os deputados das Maria Angelina Enoque, subli- Nyusi, e falou das perseguições, crático de Moçambique (MDM) do Acordo Geral de Paz. Esclarece
três bancadas representadas na casa nhou que a retoma à estabilidade raptos, sequestros e assassinatos dos também não isentou a Frelimo das que este documento estabelecia nas
um
do povo. no país passa pelo reconhecimento membros os do seu partido.
partido responsabilidades pela actual crise garantias específicas que a Renamo
As bancadas da Frelimo, MDM e do direito à governação da Renamo Assim, a deputada da Renamo diz política. De acordo com o MDM, podia manter a sua guarda armada
Renamo formularam questões ao nas províncias de Manica, Sofala, que todo o esforço de busca de so- o governo da Frelimo usa as Forças no período que ia do cessar-fogo
governo sobre a gestão das cala- Zambézia, Tete, Nampula e Niassa. luções foi gorado e o país está ingo- de Defesa e Segurança para semear até à realização das primeiras elei-
midades naturais, as insuficiências Angelina Enoque culpa a Frelimo vernável. Sublinhou que ninguém pânico, assassinando e perseguindo ções. Até ao momento, o PM diz
no fornecimento de água potável pelo actual rumo do país, alegando pode parar a força do povo e não membros dos partidos da oposição. que já passaram cinco pleitos elei-
e, como não poderia faltar, a tensão que o mesmo resulta da arrogância, existem homens e nem balas ca- Para o movimento do Galo, não torais e não faz sentido que a Re-
político-militar, respectivamente. prepotência e ganância. Diz que pazes de reter a força popular pelo restam dúvidas que o drama dos re- namo venha sustentar a legalidade
Mas, a troca de acusações sobre as o seu partido fez a sua parte para que o governo da Frelimo deve se fugiados de Kapise foi arquitectado e legitimidade da posse das armas
responsabilidades do clima de ins- evitar este conflito, mas não obteve render e deixar a Renamo governar. pelas tropas governamentais. com base no AGP. Assim, entende
tabilidade e os apelos a um diálogo resposta positiva do governo. Falou A antiga chefe da bancada da Re- No entanto, segundo Armando Ar- que é chegada a altura deste par-
acabaram por dominar mais sessão. dos projectos sobre as autarquias namo diz que, apesar das contrarie- tur, há sempre uma luz no fundo do tido entregar as armas e parar de
de

A onda de instabilidade cresce e a provinciais submetidos por duas dades manifestadas pelo seu adver- túnel para colocar um ponto final perturbar a ordem pública, porque
primeira semana do mês de Março vezes ao parlamento e chumbados sário político,
político o líder do seu partido, a esta situação e isso passa pelo di- as FDS não se vão manter indife-
já está na recta final sem nenhum pela bancada maioritária. Afonso Dhlakama, está disponível álogo e abertura para a revisão da rentes perante esta situação.

Nas seis províncias onde a Renamo ameaça governar à força

FDS reforçam segurança nos palácios dos governadores


io

Por André Catueira, em Manica

O
Governo começou a sugeria uma tranquilidade absoluta cisou Elcidia Filipe. segunda-feira houve muita movi- po, considerada bastião da oposição,
manifestar sinais claros,
ár

apesar do movimento anormal das Contudo, aclarou: “quando há uma mentação de patrulhas policiais nos tinha o ambiente descrito até o fim
com armas e tanques de forças policiais. situação que nos preocupa e que bairros da capital e em Moatize. de quarta-feira como “sereno”, com
assalto mais expostos ao Em Chimoio, o SAVANA teste- pode constituir um atentado con- Sabe-se também que um grosso uma rotina no patrulhamento poli-
público,, para enfrentar a ameaça do munhou o reforço da segurança tra o bom ambiente de civismo, número foi deslocado a Nkondezi cial nas artérias da segunda maior
início da governação da Renamo, no palácio do governador, Alber- tomamos medidas imediatamente. (palco de violentos confrontos en- cidade de Moçambique.
neste mês de Março, nas seis pro- to Mondlane, que começou a ter O palácio do governador está aqui tre as Forças de Defesa e Segurança “O bairro da Munhava, onde geral-
víncias onde supostamente venceu as cancelas encerradas a partir das ao nível da cidade de Chimoio e e homens armados da Renamo)”, mente tudo se organiza, está calmo
Di

as eleições. 18:00 horas, contrariamente à aber- tanto quanto temos conhecimento descreveu um jornalista local. e não me parece com ameaças de
tura por 24:00 horas anteriormente, as informações do terreno não nos Na Zambézia, de Abdul Razak, um agitação”, disse Maneca Madirige,
Através das FDS, o governo iniciou bloqueando parcialmente a circula- remetem a uma situação de alarme”, blindado das Forças de Defesa e Se- um morador local, que relaciona a
o reforço de medidas de seguran- ção na principal avenida da cidade, disse, portanto, sem se referir ao en- gurança roncou nas ruas de Queli- acalmia com os efeitos das enxur-
ça nos palácios dos governadores 25 de Setembro. cerramento das cancelas nas noites. mane, a capital, num dos primeiros radas, que inundaram vários bairros
provinciais e outros edifícios de Em entrevista ao jornal, Elcidia Na cidade de Tete, no palácio de “raider” no primeiro dia de Março, da Beira desde semana passada.
relevância estadual, pelo menos nas Filipe, porta-voz do comando da Paulo Auade, o que está próximo ao que sugere um aviso claro de que a Em declarações ao SAVANA,
capitais provinciais. Polícia de Manica, classificou o am- edifício do Conselho Municipal, as “dentadura nova” está em prontidão Daniel Macuácua, porta-voz do
A exteriorização da força estadual biente de calmo e tranquilo, acres- cancelas não abriram desde o dia 29 para travar possível agitação. Comando da Polícia de Sofala, as-
verifica-se numa altura em que a centando: “uma e outra situação é de Fevereiro, impedido total circu- Apesar da situação, um jornalista segurou que, até então, toda a pro-
própria Polícia anunciou prontidão anormal, mas não passível de pôr lação numa das vias da cidade. do Diário da Zambézia descreveu víncia de Sofala vivia um ambiente
para repelir situações anómalas. em causa o bom ambiente que se Já noutro edifício protocolar pró- ao SAVANA que o ambiente está de calma.
O ambiente nas cidades de Tete, está a viver. ximo à Praça da Independência, há calmo e sem nada de anormal, em- “Vamos ver nos próximos tempos,
Chimoio, Beira e Quelimane, qua- Pelo menos até agora não temos um mais homens à paisana. bora receie episódios no interior da mas como de sempre a Polícia con-
tro das seis capitais contempladas registo preocupante, as actividades “Foi reforçada a segurança por ho- província da Zambézia. tinua em prontidão em todos os
no plano de governação da Renamo, estão a decorrer normalmente”, pre- mens à paisana nos palácios. Desde A cidade da Beira, de Helena Tai- pontos da província”, disse.
Savana 04-03-2016 13
PUBLICIDADE
SOCIEDADE
14 Savana 04-03-2016 Savana 04-03-2016 15
NO CENTRO DO FURACÃO

Um ano de assassinato de Gilles Cistac

7HPSRLQVXÀFLHQWHSDUD´RVGHGHQWURµHGHPDVLDGRSDUD´RVGHIRUDµ
3*5H350GL]HPTXHHVWmRDHQIUHQWDULPHQVDVGLÀFXOGDGHVSDUDHVFODUHFHURFULPH
Por Armando Nhantumbo
três de Março de 2015, com vista ao esclarecimento do caso, pseudo-analistas acorrentados ao Go- cua ao contexto de efervescência políti- nossa realidade. Sei o que as nossas au-
numa manhã para esque- devido ao que chama de “dificuldades” verno, num letal grupo conhecido por ca em que Gilles Cistac foi assassinado, toridades são capazes de fazer. É lamen-
para afirmar: “as pessoas não têm a di- tável. E não falo só do professor Cistac.
cer, era crivado de balas, em na investigação. G40 da “escola frelimista”, cuja missão
´$JXDUGDPRVFRPLPSDFLrQFLDµ
plena zona nobre da capital “São dificuldades normais em crimes é cantar vivas ao executivo e ridicula- mensão do tipo de danos que criaram, Falo de toda a criminalidade que graça
embaixador francês em isso pode ajudar para chegar a um re-
A
moçambicana, um dos melhores
académicos do país. Era o fim trági-
violentos desta natureza”, diz o procu-
rador Marcelino Vilanculo, o porta-
rizar qualquer ideia diferente, sobre-
tudo, vindas da oposição ou que a ela Maputo, Bruno Clerc, sultado sobre a investigação.
não só à dignidade humana no geral,
mas à própria academia”.
no nosso país”, disse Tomás Timbane,
considerando o caso como apenas um
co de um constitucionalista franco- -voz do órgão. considera que um ano in- Uma pergunta de insistência: um ano Salema, que foi estudante e tutorando dentre vários não esclarecidos.
alinhem.
O porta-voz, que até fala da ausência teiro sem esclarecimento inteiro sem que tenha havido algo de de Gilles Cistac, recorda de um pro- Com efeito, Tomas Timbane voltou a
-moçambicano que formou gerações Na entrevista desta semana, pergun-
plausível para esclarecer o caso, não
de juristas e serviu o Estado por
longos anos. Suas posições sempre
de câmaras de vigilância nas vias pú-
blicas moçambicanas, argumenta que
tamos ao porta-voz da procuradoria
da cidade sobre o ponto de situação
O
do caso é tempo demasiado longo.
Mas o diplomata ainda guarda espe-
o acham demasiado longo este tempo?
Não estamos a dizer que o caso já de-
fessor que tinha no prelo cerca de sete
obras de direito.
bater na letra. “O que nós sempre dis-
semos é que é importante que a polícia
desafiadoras ao Governo da Frelimo ninguém, no local do crime, conseguiu da denúncia submetida pessoalmente rança de que um dia o dossier venha “Ele estava a trabalhar numa série de esteja melhor apetrechada. Nós temos
descrever a viatura nem as pessoas que veria ter conhecido um desfecho, mas obras, por exemplo, da área de Direito sempre estado a lutar por uma maior
fizeram de Gilles Cistac uma autên- pelo professor Cistac, naqueles que a ser esclarecido. Siga a entrevista em
o executaram, por isso, “as dificulda- passos concretos para o seu esclareci- Administrativo. Então, só isso foi um autonomização da PIC (Polícia de In-
tica “pedra no sapato”, sobretudo
para aqueles que, um dia, alguém
ousou chamá-los de “regressados de
des” para o esclarecimento do que
chamou de um crime complexo.
foram os seus últimos dias de vida.
Vilanculo respondeu que o processo
está parado por se tratar de um crime
discurso directo.
g
Um dia depois do assassinato do cons-
o mento!
Evidentemente que é longo, penso so-
bretudo na família. É demasiado lon-
grande revés para a academia. Era um
professor devoto, um académico que
se dedicava ao seu ofício quase que em
vestigação Criminal) e acreditamos que
muito do combate à criminalidade, um
combate eficaz, passa por ter uma PIC
Nachingwea”. Quando sustentou, “É um crime à partida praticado por qualificado como particular, no qual o titucionalista franco-moçambicano,
go, especialmente, para a família. Mais exclusivo, o que é cada vez mais raro melhor estruturada e profissionalizada
pessoas desconhecidas, numa cidade em Março de 2015, a embaixada fran-
com fundamentos académicos, que
a proposta da Renamo era constitu-
cionalmente procedente, desde que
que não tem câmaras de vigilância nas
vias públicas. Então, não tendo sido
MP tem um papel subalterno.
“Nos crimes particulares, o Ministério
Público só pode introduzir o processo
cesa em Maputo emitiu
l
iu um comuni-
cado em que condenava o assassinato.
uni-
uma vez, nós estamos prontos a colabo-
rar caso as autoridades moçambicanas
precisem e a nossa expectativa é que a
hoje em Moçambique, mesmo no seio
daqueles que têm contratos que dizem
que estão nas universidades a tempo in-
e enquanto isso não acontecer, vamos
ter estes problemas de crimes não solu-
cionados”, disse.
possível, logo a seguir ao assassinato
ao invés de “Regiões Autónomas” se
adoptasse “Autarquias Provinciais”,
o partido dos libertadores chamou-o
do professor Gilles Cistac, lançar-se
mão sobre os seus assassinos, isso em
em Tribunal para pedir julgamento,
se o próprio ofendido for o primei-
ro a acusar. Neste caso, sucedeu que
ó
Mais do que condenar, vocês exigiam
o esclarecimento do caso. Um ano de-
i
pois, foram ou não esclarecidos?
investigação dê passos significativos
nas próximas semanas ou nos próximos
meses. “É indispensável que a investigação
teiro, mas que na prática não estão lá”
diz.
Sobre o vazio deixado pelo malogrado
Questionado se as suspeitas motivações
políticas não estarão a impedir o escla-
recimento do caso, Timbane reiterou
si traduz-se nalguma dificuldade”, re- Um ano após o assassinato do professor
de ingrato e hipócrita. Numa outra o professor Cistac veio a ser assassi- O embaixador está a insistir muito na avance”, Bruno Clerc, embaixador que o importante é que a polícia se pro-
frente, era o grupo coral G40 que
propalava insultos até com cunho
torque às nossas insistências.
Diz até que houve recolha de invó-
lucros e projécteis das armas usadas
Passa um ano depois da morte de Gilles Cistac

opinião pública não passaram de “po-Não menos importante nesta longa-


nado quando o processo ainda esta-
va numa fase de recolha de provas, e
tendo ele morrido, sendo a parte prin-
c
Cistac, ainda aguardamos que seja feita
a justiça, que seja esclarecido o assassi-
nato. É indispensável que a investiga-
vossa disponibilidade para esclarecer
o caso, mas isso só não basta, é preci-
so que as autoridades moçambicanas
francês

As relações entre Moçambique e Fran-


no debate académico e democrático do
país, o nosso entrevistado não esconde
saudades por Gilles Cistac.
nuncie, pois o crime teve um impacto
muito grande.
racial contra o professor catedrático. no crime, mas em sede da perícia, no bres inocentes”, presos simplesmente-metragem é a reacção, um ano de- ça continuam a ser boas e vão continuar “Para além de deixar saudades, em parte “Não porque os outros não sejam rele-
ção avance e que se alcance a verdade. também estejam no mesmo espírito.
Ao rubro de uma efervescência polí- para justificar “algum trabalho”. pois, do MP em relação às promessas cipal, o Ministério Público não pode e este assunto é um elemento do diálo- pode haver outro tipo de efeitos. Pode vantes, mas nestes casos de grande im-
laboratório de criminalística, esses A França aguarda com impaciência os
“Não posso dar detalhes porque aindado ministro Basílio Monteiro, do In- fazer nada”, explica o procurador que Então, sente que há alguma preocu- go que mantemos. Última pergunta… ser que alguns indivíduos, não só aca- pacto a polícia podia ter um outro tipo
tica que enervava alguns, Cistac foi vestígios também não ofereceram re- resultados dessa investigação.
eliminado à saída de um café numa
terça-feira. À passagem de um ano, o
SAVANA foi atrás do dossier e cons-
sultados que permitissem determinar
os antecedentes das armas.
“E não havendo registo dessas ar-
estamos a condensar os elementos. O
que é certo é que não há ainda pro-
gressos assinaláveis”, insiste.
terior.
Nisto, o magistrado Marcelino Vilan-
culo põe em causa, sem vírgulas, as de-
acrescenta, contudo, que com a mor-
te a procuradoria solicitou a família
do malogrado para assumir a posição
so
Como foi um ano de espera? Terão in-
sistido no pedido de esc
esclarecimentos?
pação, algum esforço, algum compro-
misso das autoridades moçambicanas
em esclarecer o assassinato do profes-
No vosso comunicado, consideravam
tratar-se de um crime hediondo que
configurava um atentado à liberdade
démicos, mas cidadãos em geral, que
tenham opiniões sobre o que está a
acontecer no país, o que acham sobre
de atitude e, aliás, não me lembro de a
própria Procuradoria-geral da Repúbli-
ca se ter pronunciado sobre esta ques-
Foi aberta uma investigação na França sor Cistac? tão. Vamos ver agora no informe o que
tatou que o mesmo está a um fio de mas, fica mais difícil dizer de quem é clarações de Basílio Monteiro. “O que processual que Gilles Cistac detinha que está a seguir outros trâmites. Nesta de expressão e de opinião. Um ano a arquitectura constitucional do nosso
no processo. Não tenho dúvida no desejo das autori- a procuradora (Beatriz Buchili) geral
parir um rato. Até porque as autori- a arma e quem usou a arma na data $ÀQDO %DVtOLR 0RQWHLUR QHP posso dizer é que em Moçambique, fase não tenho outras informações so- depois, acham que a liberdade de ex- país, estejam a preferir o silêncio, por
HVWiQRSURFHVVR dades moçambicanas, especialmente as vai dizer relativamente a isso”.
do crime. A única certeza é que foi em matéria penal, o titular da acção Prossegue o entrevistado, afirmando: pressão e de opinião em Moçambique estarem a temer alguma consequência
dades admitem que não há avanços e
evocam “dificuldades” na investiga-
ção. Para esses, um ano é tempo in-
usada uma arma de fogo com calibre
determinado”, diz o magistrado do
m
Logo depois do assassinato de 2013, encarregue pelo Estado para defender
o ministro Basílio Monteiro, do In- a sociedade é o Ministério Público.
“o que nós sabíamos é que tinha uma
família em Maputo, mas com a sua
bre o processo. Da parte moçambicana,
as informações que tenho é que o pro-
cesso segue seus trâmites e, como acabo
da justiça, em esclarecer o assassinato
do Doutor Cistac e, uma vez mais, nós
ficamos nessa expectativa da obtenção
estremeceu com o assassinato de Gil-
les Cistac?
Parece claro que o assassinato do pro-
porque o assassinato igual àquele do
professor Cistac é apenas o extremo,
porquanto há tantas outras formas
Do ponto de vista de debate democráti-
co e académico, Timbane considera que
em um ano foi visível a ausência de um
Ministério Público (MP), para quem terior, não tardou em convocar a im- Então, só o Ministério Público é que morte, passou a viver na França” por
suficiente para encerrar um dossier
que chamam de complexo. Mas essa
morosidade não surpreende “os de
o dossier “Cistac” requer uma investi-
gação ousada. que ecoavam de todos os cantos.
u
prensa para “acalmar” as vozes críticas se pode comprometer perante a socie-
dade sobre aquilo que são as hipóteses
isso, “expedimos uma carta rogatória
dirigida ao Governo francês para que
de dizer, estamos à espera de resultados.
Dias depois do assassinato, o minis-
tro moçambicano dos Negócios Es-
de resultados das investigações que es-
tão a ser levadas a cabo neste processo.
O assassinato do Professor Cistac
fessor Cistac foi uma acção manifesta
com objectivo de impedir que declara-
ções posteriores dele pudessem aconte-
neste país de coarctação e perseguição
daqueles que pensam diferentes”, disse,
professor que deixa saudades.
“Ficou claro desde aquela altura, e nós
o dissemos de forma muito clara, que
A dado passo, Marcelino Vilanculo Disse, na altura, o controverso minis- que podem rodear o decurso de um possa loc
localizar os seus familiares e ins- trangeiros e Cooperação reuniu em considerando o que apelidou de certo o país ficou pobre, o país ficou sem um
fora” tais como Ericino de Salema e desde logo foi associado a motivações cer.
recorda que, ano passado, dois cida- tro de Filipe Nyusi que havia pistas processo. Portanto, o que foi dito pelo tá-los da possibilidade deles assumir Maputo com o corpo diplomático desfalecimento da intervenção da aca- dos seus mais brilhantes académicos,
Tomás Timbane, ouvidos pelo nosso
jornal. Por seu turno, a França, atra-
vés do seu embaixador em Moçam-
dãos, todos moçambicanos, haviam
sido detidos acusados de envolvimen-
e
para o esclarecimento breve do caso. ministro do Interior é da responsabili-
Chegou a prometer prestar informa- dade dele e nós, como Ministério Pú-
to no crime, mas tiveram de ser soltos
a posição que o malogrado detinha
no processo que é para dessa maneira
activar a legitimidade de o Ministério
para falar do assunto e, pouco depois,
viajou para a França, onde também se
de natureza política. Até porque ele
foi morto depois de defender o en-
quadramento constitucional de uma
´$VSHVVRDVQmRWrPD
GLPHQVmRGRVGDQRVTXH
demia que, mesmo reconhecendo que
no geral é pobre, em momentos como
o que Moçambique atravessa actual-
sem uma pessoa de quem podíamos
discordar e discordamos muitas vezes,
mas tinha o cuidado de estudar e estu-
ções progressivamente, mas o minis- blico, não nos vinculamos às posições reuniu com o seu homólogo, Laurent
bique, diz que aguarda com impaci-
ência o desfecho e considera um ano
como tempo demasiado longo.
dada a precariedade das suspeitas que
sobre eles recaiam.
d
tro que até disse que tinha dado ins- que um membro do Governo toma,
truções pontuais à polícia no sentido embora sejamos todos parte do mes-
Público poder fazer o acompanha-
mento”.
Fabius, com quem abordou o caso.
Que avanços produziram os dois en-
proposta da Renamo que a Frelimo
nunca quis saber, nomeadamente,
a criação de províncias autárquicas.
FULDUDPµ(ULFLQRGH6DOHPD
“Lamentável” é simplesmente assim
como o jornalista e jurista Ericino de
mente, era suposto ser um pouco mais
ousada a contribuição de académicos.
Perguntamo-lo ainda qual seria, na
dava muito e o país ficou evidentemen-
te mais pobre”.
Entende que, um ano depois, a melhor
Vilanculo não vai aos detalhes, alega-
de  esclarecer   rapidamente o assunto, mo Estado”, diz, vincando que Basílio Diz que ainda não há resposta alguma contros? Para muitos sectores, é essa ligação Salema caracteriza a falta de esclareci-
damente, para não perturbar as inves-jamais disse uma única palavra sobre Monteiro nem está no processo. vinda do governo de François Hollan- Conforme disse, há uma investigação sua opinião, a melhor homenagem ao homenagem é continuar com o legado
que está a impedir qualquer tentativa mento do assassinato, um ano depois.
Procuradoria evoca tigações. É peremptório, por exemplo, que está a decorrer em Moçambique, professor catedrático, um ano depois que “ele nos plantou como colegas e es-
o dossier, lá vai um ano. Aliás, agora “Quem está no processo somos nós, de. de esclarecimento do caso. Concor- Um silêncio que, entretanto, não sur-
há uma investigação judicial que está a do seu assassinato. Respondeu que a tudantes dele. Creio que o maior legado
´GLÀFXOGDGHVµ em negar referir-se aos indícios muito
evita falar dele. Alega falta de tempo. por isso não sei com base em que ele- Por outro lado, lembre-se, dias depois dam? preende o jovem jurista.
melhor deveria ser feita pelo próprio que podemos fazer é continuar a fazer
A procuradoria da cidade de Maputo menos às circunstâncias que levaram àNa quarta-feira, quando o governo es- mentos o ministro emitiu essa posição, do homicídio, o MP francês anunciou decorrer na França e os dois processos Esperamos pelos resultados da inves- “Digo sem surpresa porque já são tan-
admite não haver “grandes avanços” detenção de dois cidadãos, que para a
ir o
tava no parlamento para responder às e eu não queria entrar nesses detalhes” que ia investigar o caso e, questiona- seguem o seu curso. E nesses contactos tigação e contamos que essa investi- tos casos de assassinatos neste país que
Estado. aquilo que o professor Cistac fazia, que
“Aquele é um crime público, por exce- é trabalhar, que é estudar, que é investi-
perguntas dos deputados, o SAVANA sentencia a ffonte. do sobre a eventual colaboração entre que foram efectuados em relação à vi- gação nos possa esclarecer todos esses não têm esclarecimento” diz, deploran-
lência. Então, o próprio Estado deveria gar e mostrar que é possível termos um
chegou à fala com Basílio Monteiro. Maputo e París nesse sentido, o porta- sita dos ministros, nós manifestamos o elementos, mas não lhe posso esconder do que, passado um ano, não existam
iá Perguntamos então a ele até quando o
Quando abordamo-lo pela primeira caso será esclarecido, mas o entrevis-
vez, ao intervalo, disse para esperar- tado recorreu à metáfora para afastar
-voz disse: “não tenho conhecimento
de nos ter sido solicitada essa coopera-
nosso desejo e a nossa intenção de que a
verdade venha à tona sobre este assunto.
que, tendo em conta o envolvimento do
domínio público nas questões políticas
sinais evidentes de que algo esteja a ser
feito com vista ao esclarecimento.
tudo fazer para esclarecê-lo. No sentido
contrário, tinha de dar uma explanação
pública de tudo o que foi feito, com to-
país melhor, debatendo as várias ques-
tões do nosso país”, recomendou.
Entretanto, na entrevista com o porta-
mos para o fim da sessão. Dito e fei- qualquer previsão. “Não posso prever ção por via do Estado francês. Pode ser Estão satisfeitos com o ritmo das in- do professor Cistac, tenho alguma difi- Salema ainda não se esqueceu das -voz do MP, questionamos a Marceli-
vestigações? dos os meios possíveis e necessários e
to, continuamos de platão. Chegado até quando será esclarecido porque in- que ainda estejam a fazer a tramitação, culdade em acreditar que se tratou de promessas do ministro do Interior e no Vilanculo se a procuradoria estava
Sempre poderíamos desejar que as coi- mostrar que o resultado é zero, do que
D
o momento que ele próprio sugeriu, vestigação não é como uma casa que
voltamos a contactá-lo, mas o minis- é possível planificar na base do orça-
tro não aceitou pronunciar-se, no dia mento disponível. Investigar signifi-
mas oficialmente ainda não recebemos
o pedido da França em relação ao as-
sassinato do professor Cistac”.
sas andem mais rapidamente. Digamos
que eu interpreto este tempo que passa
uma simples morte por delinquentes.
Se não se tratou de uma simples delin-
quência, então o que acha que tenha
do Comandante Geral da Polícia em
esclarecer com celeridade o caso, mas
não estranha que, tratando-se de um
a actual situação que temos de ausência
de explicação, de mutismo total, mesmo
em face de promessas de fórum político
atenta à onda de críticas sobre a mo-
rosidade no esclarecimento deste caso
e se isso não lhes incomoda, ao que o
Mais ainda, o SAVANA soube que de- como o tempo que se dá para se obter sido? crime que parece ter motivações políti- magistrado deu mão à palmatória.
em que fechávamos a presente edição. ca vasculhar”, responde em nome do e operacional”, recomenda.
informações sérias. A investigação assim há-de concluir. cas, haja este não esclarecimento, tendo “Estamos atentos e também incomoda-
Quem se pronunciou foi o seu su- mesmo Estado que ano passado pro- pois da morte, jornalistas e juristas afi- Mas entende que outra homenagem é
O histórico de Moçambique mostra Mais uma vez esperamos pelos resulta- em conta sobretudo que as chefias da -nos porque sempre que há um crime a
bordinado, Inácio Dina, na qualidade meteu esclarecer o caso, brevemente. lhados ao G40 teriam sido chamados continuar-se com a obra do professor,
que assassinatos como os de Gilles dos desta investigação e esperamos que polícia e do ministério em geral são in- nossa missão é efectivamente determi-
de porta-voz do Comando Geral da a prestar declarações na procuradoria nomeadamante, continuar-se a contri-
Cistac nunca são devidamente escla- seja uma investigação séria. dicadas politicamente para esses cargos. nar os agentes do crime e apurar a sua
Polícia da República de Moçambi- Queixa morta sobre os “ataques” por si infringidos buir de forma isenta, séria e transparen-
recidos. Donde vem esse vosso op- Como ficaram as relações entre Paris Lembra também que, antes do assassi- responsabilidade”, admitiu, vincando
que (PRM), corporação sob tutela do Dias antes do seu baleamento, recor- contra a personalidade do professor. timismo sobre o esclarecimento do te para o desenvolvimento da ciência que nem sempre se afigura tarefa fácil
e Maputo depois do assassinato de nato de três de Março de 2015, Gilles
ministério chefiado por Basílio Mon- de-se, Gilles Cistac disse em exclusivo Sobre o assunto, o porta-voz também caso? no geral e para o desenvolvimento do esclarecer crimes desta natureza, por-
Cistac? Cistac foi vítima de outro tipo de assas-
teiro. Mas Inácio não trouxe nada de ao SAVANA, naquela que foi a sua não dá detalhes, reconhecendo apenas A qualidade das relações entre Moçam- Em termos gerais as relações entre Mo- sinato, neste caso, de carácter por parte Direito, em particular. quanto os executores tudo fazem para
novo. Basicamente também evocou última entrevista na vida, que ia avan- que “foram várias pessoas abordadas bique e França é um argumento para çambique e França são boas. Mais uma da “equipa G40”. Por isso, reitera Sale- ´2SDtVÀFRXSREUHµ7RPiV escapar das linhas investigativas.
dificuldades. çar com uma queixa sobre aqueles que, dentro do processo, mas neste mo- nos fazer crer que o inquérito vai pros- vez, sobre este acontecimento trágico, a ma, o acontecimento daquela fatídica 7LPEDQH “Preocupados estamos, estamos inco-
“É por causa da natureza do crime que ao invés de discutir suas ideias, assas- mento não posso entrar em detalhes seguir de forma séria e com resultados nossa expectativa é de que com o tempo manhã foi apenas o culminar de uma A falta de esclarecimento do assassina- modados e estamos interessados em
estamos a ter dificuldades de encon- sinavam a sua personalidade na opi- para dizer que fulano e sicrano foram conclusivos e que a realidade há-de aca- que está a passar seja uma investigação série de assassinatos na esfera pública, to do professor Gilles Cistac, um ano que realmente algum dia possamos di-
trar pistas”, disse, acrescentando: “ou- nião pública, chegando ao extremo de as pessoas chamadas para prestar de- bar por manifestar-se. Evidentemente serena, séria e que seja justa, sobretudo incluindo de pelo menos um (ex) porta- depois, também não surpreende o bas- zer ao país que quem matou o Doutor
tro aspecto é que o crime foi cometido apelar ao ódio de base racista contra o clarações. Houve de facto algumas que nós estamos prontos a colaborar nas suas conclusões. -voz de um partido (Damião José, da tonário da Ordem dos Advogados de Cistac é fulano de tal e as medidas con-
por pessoas com alguma inteligência e professor franco-moçambicano. pessoas que foram interpeladas e com as autoridades moçambicanas, em As relações entre os dois países não Frelimo, diga-se). Moçambique (OAM). cretas aplicadas a tais pessoas são estas”,
Marcelino Vilanculo admite falta de avanços isso desafia a Polícia”. Os mestres dessa empreitada foram abordadas sobre o assunto”. particular as autoridades judiciais, se ficaram afectadas? Mesmo sem apontar nomes, Salema re- “Não olho com surpresa. Conheço a reiterou.
16 Savana 04-03-2016
INTERNACIONAL
PUBLICIDADE
Savana 04-03-2016 17
PUBLICIDADE
SOCIEDADE

INSTITUTO SUPERIOR DE ARTES E CULTURA


SERVIÇOS CENTRAIS DE RECURSOS HUMANOS *5832*(5$'25
$YLVR &$7(53,//$5.9$

o
Em virtude de ter se constatado a existência de Vende-se pela licitação mínima

log
XPDOLVWDGHFODVVLÀFDomRGHÀQLWLYDGHYLGDPHQ-
te publicada no Boletim da República, resultan- GH 86'  HP ERP HV
HV-
WHGHXPFRQFXUVRGHLQJUHVVRDEHUWRHP tado de funcionamento. O mes-
válido e ainda em vigor nos termos do artigo
ž GR 5HJXODPHQWR GH &RQFXUVR GH ,QJUHVVR mo poderá ser visto no prédio 33
nas carreiras de Regime Geral e Especial, foi andares entre as 8h e 16 horas.

ció
cancelado o concurso de ingresso aberto para
D FDUUHLUD GH 7pFQLFR 6XSHULRU GH &XOWXUD 1 Os interessados deverão contac-
SXEOLFDGRQRMRUQDOVDYDQDHGLomRGHGH-D- tar pelo seguinte números:
QHLURGHSRUGHVSDFKRGHGH)HYHUHLUR
GHGR([PR6HQKRU'LUHFWRU*HUDO

2'LUHFWRUGRV6HUYLoRV&HQWUDLV

Ilegível so
)L[R
0yYHO
um

Introdução à economia da Fábrica de Gás Natural Liquefeito (GNL) do Rovuma


:RUNVKRSSDUD-RUQDOLVWDV2ÀFLDLVGH&RPXQLFDomRH$GYRFDFLDG
:RUNVKRSSDUD-RUQDOLVWDV2ÀFLDLVGH&RPXQLFDomRH$GYRFDFLDGH2UJDQL]Do}HVGD
6RFLHGDGH&LYLOH-RYHQV,QWHUHVVDGRV
de

Introdução Para responder a esta necessidade, SEKELEKANI, com


o apoio da OXFAM/NOVIB, organiza um workshop de
A extracção de recursos naturais não-renováveis numa dois dias, de introdução à economia da GNL do Rovuma.
base de larga escala pode ser uma importante fonte de
impactos directos junto das sociedades onde os projec- Objectivo do workshop
tos extractivos se encontram localizados. Estes impactos
io

podem ocorrer ao nível local, regional e nacional, ma- &RQVWLWXHP REMHFWLYRV GR ZRUNVKRS GRWDU RV SDUWLFL-
nifestando-se na forma de postos de trabalho, salários, pantes de uma base de conhecimentos essenciais, sobre a
aquisição de bens e serviços, “procurement” local, taxas, economia da GNL do Rovuma, desde a fase da mobiliza-
pagamento de impostos e investimentos em infra-estru- ção dos investimentos, prospecção do mercado, explora-
ár

turas locais, entre outros efeitos económicos. ção do gás, até às receitas e seu potencial impacto sobre a
No caso da Fábrica de Gás Natural Liquefeito (GNL) a economia nacional de um modo geral. O evento, a decor-
ser construída na bacia do rio Rovuma, mais precisa- rer nos dias 16 e 17 de Março próximo, vai ser orientado
mente no distrito de Palma, o quadro de potencialidades por Don Hubert, um especialista com larga experiencia
Di

acima descrito ocorre seguindo fases diferentes do de- sobre esta temática, e Presidente da Resources for Deve-
senvolvimento do próprio projecto, que iniciam com os ORSPHQW&RQVXOWLQJ
investimentos, sua recuperação e impacto das receitas na Assim, são convidados todos os editores e outros jorna-
economia nacional e junto das comunidades locais. OLVWDVLQWHUHVVDGRVEHPFRPRRÀFLDLVGH&RPXQLFDomRH
Editores e outros jornalistas seniores ou interessados, RXGHDGYRFDFLDGH26&VDLQVFUHYHUHPVHDWpDRGLD
EHPFRPRRÀFLDLVGH&RPXQLFDomRHRXGHDGYRFDFLDGH GH 0DUoR LGHQWLÀFDQGRVH H LQGLFDGR R QRPH GDV UHV-
2UJDQL]Do}HVGD6RFLHGDGH&LYLOQHFHVVLWDPGHSRVVXLU pectivas instituições, através dos seguintes endereços
conhecimento de base sobre a economia da GNL do Ro- electrónicos:
vuma, como ferramenta de base para seguir e entender
as fases que se vão seguir em torno do projecto, proxi- info@Sekelekani.org.mz ou natercia.cumbe@sekelekani.org.mz
mamente.
18 Savana 04-03-2016
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon
Paz passa por dar garantias
de segurança à Renamo

o
N
o meio da tensão política e militar, acoplada à actual si-
tuação de emergência causada pelas chuvas intensas no
centro e norte e uma seca há muito nunca vista no sul, o
debate político nacional pode se polarizar entre os que

log
entendem que a Renamo está justificada nas suas acções mili-
tares e aqueles que entendem que o governo deveria ter uma
resposta ainda mais radical perante aquilo que é uma verdadeira
ameaça à estabilidade nacional.
Nesse processo, toda a racionalidade se perde no horizonte. In-
felizmente, durante os últimos 24 anos ninguém ou poucos se
aperceberam das dificuldades que o segundo maior partido po-
lítico no país estava a ter em conseguir transformar-se de uma
força guerrilha para uma formação política com uma estrutura

ció
bem definida e políticas nacionais devidamente traçadas. Ou se
se aperceberam, alguns devem ter visto nisso uma oportunida-
de que deveria ser explorada em seu benefício, mas certamente Abertura do ano judicial como uma das formas de
ninguém acreditou no perigo que isso poderia significar para a
segurança nacional e estabilidade do país.
prestação de contas e de divulgação de informação
A incapacidade da Renamo de fazer uma transformação política
positiva para se constituir numa formidável força alternativa à
sobre a administração da justiça em Moçambique
Frelimo explica na essência o seu método operacional, que se Por João Nhampossa*

S
so
resume na ameaça do uso da força sempre que não consegue im-
egundo a Lei da Organização apenas é prestada informação sobre os ao sistema de justiça. Geralmente, o
por a sua visão política. A ausência de uma argumentação estru- Judiciária, Lei 24/2007 de 20 de tribunais judiciais. Bastonário informa a sociedade que o
turada e assente no respeito pelo poder legalmente instituído é Agosto,, “a abertura do ano judi- No entanto, importa notar que é mani- grande desafio da OAM é contribuir
substituída pela ameaça do uso das armas. E isto explica a razão cial é assinalado pela realização festamente positivo o facto de actual- para uma democracia forte e estável
porque, passado todo este tempo, a Renamo ainda acredita que de uma sessãoo solene, no primeiro dia mente hav
haver sessões paralelas e contí- comprometida com o Estado de Direi-
útil do mês de Março de cada ano, onde nuas a nível das províncias e bem como to, com a Justiça, direitos e liberdades
perderia o seu poder de persuasão política se aceitasse desarmar- usam da palavra, de pleno direito, o Pre- a nível da sociedade civil, nesta última
-se completamente. fundamentais para uma boa administra-
sidente do Tribunal Supremo, o Procu- por via da Sessão paralela da abertura ção da justiça e credível.
E apesar de culpar o governo pela não incorporação dos seus rador Geral da República e o Bastonário do ano judicial, cuja prática data do ano
A intervenção do Bastonário tem sido
homens no exército em cumprimento do Acordo Geral de Paz, da Ordem dos Advogados.” 1De acordo 2011, com debates activos e relevantes,
com esta norma, o ano judicial coincide frontal, de denúncia, de demonstração
mas que já não acontece desde o ano
um
torna-se claro agora que a Renamo quis manter o status quo, com o ano civil. 2014. de indignação no que tange às fragili-
mantendo uma força de reserva que lhe viesse a ser útil no fu- As entidades referidas nesta disposição dades do sistema de justiça, particular-
turo. supra têm pleno direito de usar da pala- Discurso do Venerando Presidente do mente naqueles aspectos que têm sido
A Renamo sempre insistiu que nunca perdeu nenhuma das cin- vra aquando da sessão solene de abertura Tribunal Supremo recorrentes, como é o caso da morosida-
do ano judicial. É um dever legal destas Geralmente, o Presidente do Tribunal de processual de que padece o judiciário,
co eleições gerais realizadas em Moçambique desde a introdu- a corrupção e as fragilidades e arbitra-
entidades de dirigirem-se à sociedade Supremo faz um breve resumo do que
ção do multipartidarismo nos princípios da década de noventa, e para informar e dar a conhecer a visão, foi o desempenho dos tribunais judi- riedades da Polícia de Investigação Cri-
que as sucessivas vitórias da Frelimo foram resultado de esque- desafios e demais aspectos relevantes do ciais durante o ano que antecedeu ao minal (PIC).
mas de fraude montados pelo partido no poder. estágio da administração da justiça, so- da abertura do ano judicial em causa.
Contudo, não deixa de ser verdade que nas duas últimas eleições bretudo do judiciário, sob pena de viola- Normalmente é o discurso mais espera- Notas conclusivas
ção da lei no caso de furtarem-se a esse do pela informação sobre a tramitação Nos termos em que até ao presente é
a Renamo fez muito pouco para merecer vitória, talvez conven- dever legal. processual a nível do Tribunal Supremo, levada a cabo a abertura solene do ano
cida de que estando armada poderia sempre impor a sua vontade Grosso dos presentes nestas sessões é dos Tribunais Superiores de Recurso, judicial é difícil o cidadão acompanhar
e conseguir uma acomodação na forma de uma coligação ão com constituída por juristas, incluindo advo- dos Tribunais Judiciais de Província e
de

e conhecer a real actuação e situação


a Frelimo. Depois de ter conseguido governar cinco municípios gados, juízes e procuradores, oficiais de dos Tribunais Judiciais de Distrito. do sistema de justiça pelo conteúdo
justiça, demais profissionais da justiça e
na sequência das eleições autárquicas de 2003, a Renamo perdeu a imprensa. E é através da imprensa que Intervenção da Procuradora-Geral da
da informação prestada. Por isso, urge
todos os municípios em 2008, vindo depois a boicotar as últimas a maior parte dos cidadãos é informada transformar esta sessão num mecanismo
República
autárquicas em 2013, como o fizera nas primeiras, em 1998. e tem conhecimento dos chamados dis- Fundamentalmente, a intervenção da eficaz e mais concreto de prestação de
cursos de abertura do ano judicial, que PGR cinge-se, em grande medida, nas contas e de exercício do direito à infor-
A sua pretensão de governar em seis províncias que afirma ter mação pelo cidadão.
geralmente incluem o discurso do chefe questões de justiça criminal de forma
obtido a maioria, através de uma revisão pontual da Constitui- do Estado como convidado de honra resumida e genérica e em detrimento A abertura do ano judicial é uma oca-
ção que tornaria tais territórios em regiões autónomas, entra em nesta cerimónia. de questões de atropelo à lei não de na- sião privilegiada para proceder a uma
contradição directa com a atitude que o partido tem em relação Tais discursos constituem um meca- tureza criminal. A PGR normalmente reflexão serena, abrangente e envolvente
ao poder local, o qual lhe permitiria estar cada vez mais próximo nismo público e de carácter oficioso de presta contas e dá esta informação à so- sobre o estado da Justiça no País. Con-
io

prestação de contas e de divulgação de ciedade em forma de queixa ou denún- tudo, a abertura do ano judicial não in-
das populações que agora pretende
etende governar.
informação aos cidadãos sobre a situa- cia à semelhança de qualquer cidadão. tegra a participação da sociedade civil e
É óbvio que uma revisão da Constituição nos termos sugeridos ção e perspectivas da justiça, sobretudo A PGR faz, frequentemente, promessas outros tribunais não judiciais, os quais
pela Renamo constituiria um gravee atentado contra a Constitui- no que tange ao judiciário. Todavia, esta à sociedade no sentido de que não vai nunca lhes foi dado o direito à palavra
ção e a própria democracia para a obtenção da qual o partido diz sessão não é sujeita a debates ou comen- deixar impunes os crimes, sobretudo os para se pronunciar sobre a justiça. É
ter lutado durante 16 anos. tários directos, embora seja uma sessão casos de corrupção, de desvio dos fun- fundamental institucionalizar-se e re-
de natureza pública. dos e bens do Estado, dos raptos, tráfico
ár

Mas a falta de clareza nos objectivos que a Renamo pretende conhecer efectivamente a importância
É curioso o facto de os Presidentes de de pessoas, do crime organizado, etc. A do direito à palavra à sociedade civil na
alcançar não nos deve desviar do facto de que uma revisão da outras espécies de tribunais existen- intervenção da PGR mostra-se excessi-
abertura solene do ano judicial.
Constituição, tal como já foi aceite pelo parlamento, deveria in- tes no País, como é o caso do Tribunal vamente genérica e política, não dando
Os desafios apresentados na abertura do
troduzir uma nova fórmula de administração do Estado, per- Administrativo e do Conselho Consti- a conhecer aos cidadãos os detalhes da
tucional, não terem direito à palavra na real intervenção PGR para garantir o ano judicial carecem de monitoria e ava-
mitindo que a governação das províncias tivesse como base os abertura do ano judicial. Até parece que respeito pela legalidade e justiça. liação da sua implementação. Normal-
resultados eleitorais obtidos em cada província. todos os tipos de tribunais existentes mente não se justifica o cumprimento
Di

No intermédio, urge tomar iniciativas de aproximação que se- no País são representados pelo Tribu- Discurso do Bastonário da dos compromissos feitos na sessão de
jam capazes de dar garantias de segurança à Renamo e aos seus nal Supremo, o que não pode ser aceite Ordem dos Advogados (OAM) abertura solene do ano anterior.
atendendo que se trata de jurisdições de O Bastonário da OAM, nas suas inter- *Advogado e defensor de direitos humanos
dirigentes. natureza e organização diversa. Aliás, venções, tem demonstrado uma tendên- 1
Vide o disposto no nº 2 do artigo 26 da Lei
na sessão da abertura do ano judicial cia de crítica contundente e construtiva 24/2007 de 20 de Agosto.

KOk NAM Editor Executivo: Paulo Mubalo (Desporto). (824576190 / 840135281)


Franscisco Carmona Colaboradores: (miguel.bila@mediacoop.co.mz)
Director Emérito André Catueira (Manica)
Conselho de Administração: (francisco.carmona@mediacoop.co.mz) (incluindo via e-mail e PDF)
Aunício Silva (Nampula)
Fernando B. de Lima (presidente) Eugénio Arão (Inhambane) Fax: +258 21302402 (Redacção)
Redacção: António Munaíta (Zambézia) 82 3051790 (Publicidade/Directo)
e Naita Ussene
Fernando Manuel, Raúl Senda, Abdul Maquetização: Delegação da Beira
Direcção, Redacção e Administração: Auscêncio Machavane e
Sulemane e Argunaldo Nhampossa
AV. Amílcar Cabral nr.1049 cp 73 Hermenegildo Timana. Prédio Aruanga, nº 32 – 1º andar, A
)RWRJUDÀD
Telefones: Revisão Telefone: (+258) 825 847050821
Naita Ussene (editor)
(+258)21301737,823171100, Gervásio Nhalicale savana@mediacoop.co.mz
e Ilec Vilanculos Publicidade
Registado sob número 007/RRA/DNI/93 Propriedade da 843171100 Colaboradores Permanentes: Benvinda Tamele (823282870)
Redacção
NUIT: 400109001 Editor: Machado da Graça, Fernando Lima, (benvinda.tamele@mediacoop.co.mz)
admc@mediacoop.co.mz
Fernando Gonçalves António Cabrita, Carlos Serra, Distribuição: Administração
Maputo-República de Moçambique editorsav@mediacoop.co.mz Ivone Soares, Luis Guevane, João Mosca, Miguel Bila www.savana.co.mz
Savana 04-03-2016 19
OPINIÃO

RELATIVIZANDO
Por Ericino de Salema

Nyusi e Frelimo
H
á algumas semanas, mani- ou não, o certo é que alguns dias de- turas nalguns pontos da EN 1, temos controla o Estado nos parece ter res-

o
festámos, aqui neste espaço, pois de Calavete ter-se pronunciado estado a assistir a marchas promovi- ponsabilidades mais do que óbvias sentido, cobrindo este
est e outros assun-
o nosso profundo desacordo naqueles moldes de absoluta irres- das por organizações pertencentes ao nisso, o que, infelizmente, tem até tos, tendo como horizonte as eleições
com as atitudes irrespon- ponsabilidade reeclodiram os ataques partido Frelimo ou a ela próximas, implicações económicas: empresários de 2019, seria uma notícia muito boa
sáveis da Renamo, com referência a viaturas nalguns troços na Estrada supostamente de repúdio à guer- há que simplesmente faliram am meses para a democracia moçambicana e

log
ao facto de, naquela semana, Horá- Nacional número um (EN 1). Não ra. Entretanto, parece haver muitos depois de se terem declarado como sinal inequívoco do partido no po-
cio Calavete, chefe de mobilização temos, referímo-lo há semanas, igual- equívocos no conteúdo dessas acções: sendo da oposição, por exemplo, por der no sentido de ver corrigidas as
e propaganda do maior partido da mente neste espaço, ciência dos que aos dirigentes da Renamo, a quem terem deixado de ter acesso aos negó- atipicidades do nosso ordenamento
oposição ao nível da província de So- estão a engendrar acções tais, a não se pede que primem pelo diálogo, cios públicos. jurídico-político-constitucional.
fala, ter afirmado, em conferência de ser o que têm sido dito pelos media, são dirigidos impropérios, alguns até Por outro lado, em sede da última A bancada parlamentar da Renamo,
imprensa por si convocada na cidade muitas vezes com recurso a fontes inimagináveis, que, a nosso ver, têm o sessão da Assembleia da República depois de tê-lo feito duas vezes em
da Beira, que a Renamo iria montar com interesse directo na matéria, sem potencial de funcionar como gasolina (AR) em 2015, vimos a bancada par- 2015, mas sem o mínimo de sucesso,
postos de controlo em vários pontos quase nada de adicional para efeitos sobre fogo; e, ainda, tudo é ecoado lamentar da Frelimo, a maioritária, a talvez esteja num expectável desgaste,
da região centro do país, com o ob- reprovar liminarmente a proposta de sobretudo neste contexto de ausên-
de consubstanciação independente. como se apenas a Renamo, e somente
jectivo de se efectuar a verificação de revisão pontual da Constituição da cia total de confiança entre as partes.

ció
Na mesma esteira das declarações a Renamo, tivesse responsabilidades
carros que fossem suspeitos, em face República de Moçambique (CRM) Quanto ao que julgamos serem res-
calavetianas, se enquadra a promessa no reestabelecimento da paz efectiva
da onda de assassinatos e raptos de que a Renamo propusera, mas ma- ponsabilidades específicas da bancada
da Renamo em governar as seis pro- em Moçambique. Algumas das coisas
que os seus correligionários estavam nifestando o seu pleno acordo com a da Frelimo, sendo ela maioritária – a
víncias nas quais reivindica ter ganho que a Renamo coloca, ou colocara, à
a vítimas. necessidade de se partir rapidamente do MDM não tem condições consti-
nas eleições de 2014, isso a partir mesa das negociações, por exemplo,
De facto, o nosso desacordo não era para um processo de revisão da lei tucionais de fazê-lo isoladamente –,
do mês que iniciou esta terça-feira como é o caso da partidarização do ao que se acresce o facto de a Frelimo
com o facto de a Renamo julgar que fundamental, em parte já desajustada
deveria fazer algo para que se acabas- (Março). Em boa verdade, só quem Estado, não são apenas reclamações da realidade sócio-política actual. O estar no poder, julgamos que o pró-
se com situações tais – que, até prova acompanha apaixonadamente a polí- da Renamo,, mas de muitos quadran- âmago do desacordo da Frelimo em prio Presidente da República (PR),
em contrário, tinham como vítimas tica doméstica é que pode interpretar tes da sociedade. Aliás, antes mesmo 2015, que até possui razoabilidade, enquanto órgão estadual e enquanto

so
tanto elementos da Renamo como essa promessa do maior partido da das reclamações da Renamo, o re- é o facto de a Renamo ter proposto presidente da Frelimo, possui respon-
os da Frelimo, com aparente desta- oposição como pretendendo signi- latório do Mecanismo Africano de uma alteração com efeitos retroac- sabilidades na transmissão desse tipo
que para os do primeiro (Renamo) ficar o que literalmente se capta do Revisão de Pares referente a Moçam- tivos, nomeadamente no que tivesse de sinal inequívoco de alteração do
–, mas com o facto de o partido de sentido das palavras. Mas esse é as- bique, cuja produção foi auspiciada que ver com a indicação de governa- actual status quo, conforme se extrai
Afonso Dhlakama estar a arquitectar sunto para elaborações outras! pelo insuspeito Instituto Superior dores provinciais propostos pelo par- da norma contida no artigo 291 da
acções contrárias ao quadro legal em Nas últimas semanas, sobretudo des- de Relações Internacionais (ISRI), já tido que tiv
tivesse ganho as eleições de CRM, que a seguir a transcrevemos
vigor em Moçambique. Coincidência de que reeclodiram os ataques a via- colocara o mesmo problema. Quem 2014 em cada província. E a Renamo, na íntegra:
o dissemos na altura, cometeu o erro As propostas de alteração da Consti-
de ter colocado os três eventos elei- tuição são da iniciativa do Presidente

As onze mulheres de Firmino torais que decorreram em simultâneo da República ou de um terço, pelo
um
no mesmo diapasão (presidenciais, menos, dos deputados da Assembleia
legislativas e para as Assembleias da República;
Provinciais), o que nos parece proble- As propostas de alteração devem ser
Aurélio Furdela mático, daí a “tese” de “vitória em seis depositadas na Assembleia da Repú-
províncias”. blica até noventa dias antes do início

N
uma das aldeias da longín- quem querem ficar?!... latura e zás, conseguiu seduzir seis Entretanto, esse acordo da Frelimo, do debate.
qua Phatarata vivia um velho – Sim! das esposas de madala Firmino. Mas com referência ao futuro, e não ao Um eventual acordo de pacifica-
madoda chamado Firmino, – Isso é mesmo coisa do outro mun- a regra era bastante clara, só ganharia passado, por tal ser contrário às re- ção, a ser, digamos, rubricado pelo
assaz invejado por causa da do. - Firmino levou as mãos à cabeça quem conquistasse as onze mulheres gras estabelecidas para as eleições PR e pelo líder da Renamo, sem se
enorme fortuna de que dispunha, na - Dormirem comigo hoje, amanhã até certo clímax. Na disputa, Madala de 2014, parece se ter esvaziado por atacarem as questões de fundo, não
verdade dez esposas e uma aman- contigo como se fossem umas… Firmino valeu-se da experiência que demais por o partido no poder nada será sustentável. O risco de depois
te. Mais do que o resto da comuni- - Eu não disse isso. - cortou Renato estar a fazer no sentido de mostrar o de algum tempo voltarmos à mes-
só a idade pode, deixando o seu irmão
de

dade, Firmino vivia às turras com o - Elas terão de escolher de cinco em seu comprometimento com esse ob- ma situação será maior. E, voltamos
Renato atónito. Não entendeu como
seu irmão Renato, que de tempo em cinco anos com quem querem ficar! jectivo. Ter Assembleias Provinciais a denunciá-lo, é constitucionalmente
algumas das mulheres preferiram fi-
tempo, se ia revoltando, baralhando o Convencido do amor que as onze eleitas e governadores nomeados é, problemático criar-se uma ‘Comis-
cenário todo, movido pelo já indis- mulheres nutriam por sim e cansado car no velho leito marital, só pode ter
tomado Gona Dzololo esse velho. julgamos, um anacronismo político- são para a Revisão da Constituição’
farçável desejo de lhe arrancar as dez de as ver sofrer de fome e cansadas da -constitucional problemático. No ac- sem que exista uma proposta nesse
lascivas esposas, incluindo a amante guerraa que ia matando os seus filhos, - Não aceito, usar Gona Dzololo é
tual contexto de crescentes diferendos sentido, que tenha sido formalmente
que Firmino conquistara depois do Firmino aceitou assinar o acordo com batota!
entre a Renamo e o Governo, acha- depositada na AR, por tal ser absolu-
casamento poligâmica. Inconfor- Renato que esfregava o êmbolo por À medida que Firmino recolhia as tamente estranho ao estatuto jurídico
mos nós que um avanço da bancada
mado com a sorte do irmão, desde a debaixo da mesa das negociações, 11 esposas para o recesso do seu lar, da Frelimo com uma proposta nesse do Estado moçambicano (a CRM).
nascença Renato se bateu para tirar como que a dizer, será desta que vou Renato iam subindo de tom na sua
io

as mulheres do irmão do harém, onde afogar o ganso. reclamação


ele as via como estando em cativeiro, Dois anos passariam até que as onze – Então eu vou ficar com as seis mu-
sem liberdades de escolha e sexo que mulheres puderam, enfim, escolher lheres que me escolheram.
lhes baste. Num belo dia, cansados o novo marido. De todos lados de - Mas a regra não diz isso, Renato!
de andar à pancadaria, os dois irmãos Phatarata foram surgindo novos can- – Porque eu não sabia que você havia
fumaram finalmente o cachimbo da didatos para arrancar as onze amadas
de usar Gona Dzololo! - Por isso, eu
ár

paz, amainados pela simples regra de de Firmino. Renato começou a ficar


vou ficar com as seis mulheres que me Email: carlosserra_maputo@yahoo.com
que de cinco em cinco anos as espo- nervoso, à medida que lhe iam fugin-
do as certezas de que as mulheres ha- escolheram. Dá-mas, ou arranco-as, Portal: http://oficinadesociologia.blogspot.com
sas do Firmino deviam ter a liberdade
de escolher com quem ficar. viam de escolher a si para as desposar. pacificamente é claro 466
- Mas, que brincadeira é essa, onde - Escolham a mim, mulheres. Olhem – Mas aí, há-de haver porrada, meu
já se viu uma esposa a escolher com
quem deve ficar?
só para a desgraça das vossas capula-
nas rotas!
irmão!
A fúria de Renato foi tanta que re- Qualidade do ensino
Di

- Se não sabes mano, eu vou te dizer. - Cuidado mulheres, não troquem solveu partir, para as incertezas dos

U
ma baixa quantidade de Entre os factores marginalizados
– Correu logo Renato a responder, o pão por rebuçados, vejam bem a locais, de onde reclama a sua vez de nutrientes atrasa ou impe- na aferição da qualidade do en-
face à indignação de Firmino - Isso quem vão escolher amanhã! procriar com as onze mulheres, ou de o rendimento escolar. sino estão, também, as condições
chama-se Demoniocracia! Vários ciclos de cinco anos foram no mínimo com as seis, tendo jura- Crianças  com dificuldade de alojamento e repouso. Essas
Encurralado nas circunstâncias, antes passando, com Renato a ficar na do lhes oferecer uma vida diferente, de concentração ou  de coordena- condições variam consoante es-
de aceitar a proposta do irmão para a vontade de possuir as onze mulheres. a partir do mês da mulher africana. ção motora são regra geral aquelas tamos perante crianças urbanas e
paz, madala Firmino viajou no tem- Mas, enquanto Firmino ia envelhe- Mas, de forma inesperada, os dois que possuem alimentação insu- crianças rurais, perante crianças
po, pensando nos dez anos que se viu cendo, as esperanças de Renato iam ficiente e/ou inadequada. Valeria das classes  “altas”  e crianças das
homens ficaram mais tristes ainda,
obrigado a ficar no mato, sacrifican- em crescendo, pois nenhuma mulher a pena fazer-se uma pesquisa em classes “baixas”. Condições de ven-
mergulhados na impossibilidade
do-se para libertar as onze mulheres fogosa, ao calor dos quarenta, conti- profundidade no país, avaliando o tilação, iluminação, tipo de mobi-
de nem um, nem outro, poder fazer
do jugo dos tempos do outro senho- nua fiel a um marido que já se lhe adi- impacto das deficiências nutricio- liário,  tipo de cama,  espaço para
vinha alguma frouxidão da máquina sexo com nenhuma das mulheres,
rio, que as obrigava a sorrir na dança nais sobre o rendimento escolar. privacidade, armazenamento dos
governativa. Como todos os jovens que do nada começaram a menstruar
um triste fado. Regra geral, falamos dos alunos materiais escolares, guarda-roupa,
– Demoniocraquê?! que vivem gastando energias míni- sem parar, de mês a mês, trinta dias
como se fossem independentes de etc., são alguns dos factores a ter
– …cia! mas na masturbação da longa espera consecutivos de sangue a jorrar-lhes
situações e de relações sociais con- em conta na multifactorialidade
- Já logo vi de onde vinhas Minhas pela mulher amada, desta vez Renato entre as pernas bambas e cansadas de
cretas. do rendimento escolar.
mulheres escolherem sempre com apostou no charme, exibiu a muscu- tanta guerra.
20 Savana 04-03-2016
OPINIÃO

Há mais negociadores de blindados


A TALHE DE FOICE
Por
P Machado da Graça
que construtores da Paz
Por Ivone Soares*

O
cemitério é o nosso passado, presente e futuro. Lá alguns seus camaradas julgam ser a via modelo a seguir - o
encontramos história de várias famílias, de povos, de da guerra. 
nações, do mundo. Lá jazem grandes homens e mu- De Fevereiro para aqui, muitos horrores foram os moçam-

o
lheres...lá recordamos quem amamos, quem nos deu bicanos testemunhando:
unhando: várias crises desde a falta de água,
alegrias e perdoamos os maus momentos. luz, dinheiro para comprar comida, medicamentos, apanhar

Informação pública Os bens materiais que em vida tanto orgulho nos dão, para
lá não podemos levar. Por isso, temos de saber viver para na
my love, pagar matrículas dos educandos... Enfim... Os mo-
çambicanos foram empurrados para sair das suas áreas de

log
hora do adeus algumas das tantas lágrimas que forem jorra- habitação habitual porque há má gestão da coisa pública, má

O
que se passa com os órgãos tamente o oposto. Ainda há poucos das serem verdadeiras.  planificação para se sair de situações de crise, calamidades. 
de informação do sector dias, ao tomar posse do cargo de Alguns irão questionar o porquê de começar pelo fim da vida. Agora, há de novo o troar de BTRs, das AK47, o país está
público continua a ser um Director de Informação da Rá- Começo pelo fim da vida porque é preciso não ter medo de sendo militarizado, há mais blindados que construtores da
mistério para mim. dio Moçambique, Abdul Naguibo qualquer fim. Eu, crente que sou, acredito que tudo tem um Paz efectiva. Quem ganha com essa guerra que está a tornar
Cada vez que fala sobre o assunto, afirmou: “Nós temos de ser aqueles propósito de ser.  pequenos os cemitérios públicos e familiares e grandes as va-
Filipe Nyusi dá orientações concre- que mobilizam as pessoas a com- No ano passado quando testemunhamos a assinatura do las comuns? 
tas sobre a forma como esses órgãos preenderem melhor aquilo que são entendimento que culminou com vários meses de agonia, o Aprendamos a segurar o momentum e a tirar maior proveito
de informação devem encarar a sua os objectivos do Governo”. E isto é Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, pela primei- dele sempre com os olhos postos no que será benéfico para
principal tarefa. E são orientações uma trágica confusão entre o que é ra vez estivemos muito perto do sonho de actuarmos Todos o povo. 

ció
correctas, de acordo com a Consti- o jornalismo e a propaganda. por Um Moçambique. Depois de emboscado duas vezes, Dhlakama quis dar opor-
tuição e a Lei de Imprensa. Mas o Esta definição cabe a uma agência Não obstante as diferenças ideológicas, pela primeira vez a tunidade a Nyusi para de homem para homem falarem do fu-
que é publicado, diariamente, con- de promoção de imagem, não a um Presidência da República contou com a presença de Homens turo do país. Estavam praticamente criadas as condições para
traria frontalmente essas orienta- órgão de informação. Mas este tipo que fizeram e fazem história neste país. Guebuza e Dhlaka- um terceiro frente-a-frente. Afinal de contas: quem mandou
ções. E não acontece nada. de confusão vem de cima. Não há ma, os protagonistas do 5 de Setembro de 2015, disseram sim cercar a casa do Líder? 
cer
Ainda agora, na festa de aniversário muitos meses a actual Directora de à paz, sim ao futuro de um país onde todos podemos ser um.  A intenção era de criar oportunidade de diálogo entre os dois
da TVM, Nyusi disse coisas como Informação junto do gabinete do Fomos às eleições e depois delas todos ouvimos: “arrancamos protagonistas para se tirar o país do actual clima de incerteza
estas: Primeiro Ministro defendeu posi- a vitória à oposição para garantir a sobrevivência da Frelimo”.  com relação ao futuro, ou nunca houve nenhuma vontade ge-
. Não podemos encorajar a tele- ções muito similares. Guebuza não foi o primeiro a fazer de tudo para garantir a nuína de dialogar? Se depois dos atentados os níveis de con-
visão, que pertence a todos nós, São pessoas que não percebem que sobrevivência da Frelimo.  fiança caíram, com essas emboscadas, baleamentos, seques-
a que levante muros sociais e os órgãos de informação públicos

so
Mas a sobrevivência da Frelimo está acima da sobrevivência tros e assassinatos os níveis de confiança estão abaixo de zero. 
políticos. Em vez disso ela deve não estão ao serviço do Governo
dos moçambicanos? A Igreja Católica e Jacob Zuma foram oficialmente convida-
construir pontes pelas quais do dia, mas sim do país no seu todo.
Hoje,, quando olho para os meses sucessivos à proclamação dos, pela Renamo, para mediarem a crise. 
passarão todos os moçambica- Cabe-lhes informar sobre a reali-
dos resultados eleitorais, verifico que outro momentum sur- A Frelimo tem alguma coisa contra a Igreja? A Frelimo tem
nos: dade dos acontecimentos quer eles
giu para estarmos todos do lado de Moçambique.  alguma coisa contra Zuma? Porque será que insiste na ca-
. A TVM deve ser uma janela agradem ao Governo, quer não.
de vidro transparente que trans- Como muito bem defende, nos seus Em Fevereiro 2016, Dhlakama apertou a mão de Nyusi! pacidade interna de se ultrapassar a crise política quando de
mite a certeza dos factos narra- discursos, Filipe Nyusi. Só que nada Dhlakama, o altruísta, sabendo que em termos de populari- antemão todos sabem que o entendimento entre nós (mo-
dos e uma porta através da qual faz para que essas orientações sejam dade ninguém lhe chega aos pés, exigia e exige governadores çambicanos apenas) está difícil? 
entram as denúncias do que não seguidas e o resultado é elas serem nas províncias onde a própria Frelimo reconhece que ela per- A mediação estrangeira que no passado ajudou com sucesso,
está correcto e se salientam as completamente ignoradas. deu as eleições a favor da Renamo
Renamo. hoje não é considerada pique se pretende alastrar a crise? 
um
boas práticas, contribuindo para E, continuando as coisas assim, Dhlakama nunca lutou pelo poder, mas pela democracia ge- Iremos, como país, pedir socorro a mediadores estrangeiros
o desenvolvimento de Moçam- nunca iremos ter uma democracia nuína. Se ele quisesse o poder para ele, alguém em sã consci- quando as valas comuns também se tornarem pequenas para
bique; efectiva e, muito menos, a Paz... ência duvida que ele já o poderia ter tomado décadas atrás?  tantos mortos “produzidos” por uma guerra desnecessária? 
. A TVM não pode servir fac- Finalmente uma boa notícia: A RM Portanto, perdeu-se mais uma oportunidade de ouro quando Já temos políticos, académicos, jornalistas, juízes, economis-
ções políticas. Pelo contrário retomou a transmissão em directo a Bancada Parlamentar da Frelimo reprovou, sem apresentar tas baleados, mortos sem que justiça seja feita.
deve promover a imparcialida- da Assembleia da República, pelo nunca nenhuma contraproposta para se sair da crise política Já temos milhares de refugiados no Malawi, situações de di-
de, o rigor e a objectividade nos menos para a sessão de perguntas em que o país mergulhou. Para a Frelimo, a sua sobrevivência reitos humanos violados onde as forças governamentais são
conteúdos que são transmiti- ao Governo. está acima de qualquer agenda nacional.  por aqueles acusadas das piores atrocidades. 
dos; Apesar da decepção que o povo teve com a reprovação do O que nos falta acontecer para se apostar em soluções pací-
. Não podemos encorajar a te- PS – O governador de Tete, Paulo projecto das Autarquias Provinciais e do projecto de Revisão ficas para os problemas provocados pela arrogância de uns
levisão de todos nós a servir Auade, afirmou que as mais de 6000 Pontual da Constituição, a política doméstica não parou e poucos?
de arma política ou ideológica pessoas refugiadas no Malawi são Afonso Dhlakama foi explicando ao povo a sua visão para se Tolo era aquele mestre que, desejando a paz, ensinou a arte
contra os seguidores de qual- mulheres e filhos dos homens armados sair da crise. Enquanto ele, como líder da Renamo, explicava da guerra? 
de

quer partido; da Renamo, o que pode ser verdade se o que poderia ser feito para mais uma vez serem engolidos os Sua lição: É melhor um guerreiro num jardim do que um
. A TVM deve promover e es- ele o diz. sapos resultantes de sucessivas eleições sem transparência, do jardineiro na guerra. 
timular um debate organizado Mas, tendo uma família moçambi- lado da Frelimo víamos quadros de topo e os de base minimi- Minha mensagem: para a guerra das palavras temos o Parla-
para ajudar a criar uma opinião cana média cerca de seis pessoas, isso zando o novel presidente  da Frelimo, Filipe Nyusi.  mento que produz feridos de orgulho, sim. 
pública informada, séria, crítica significa que, só naquela zona da pro- Foi graças a várias pressões, inclusive feitas por nós, que o Se vamos investir em algo, que seja na Paz, bem de valor
e patriótica. víncia de Tete, a Renamo tem mais de bicefalismo que se pretendia criar na Frelimo foi  combatido inestimável que se nos levar ao cemitério que seja de outras
(Estas citações foram traduzidas da 1000 homens armados? e vencido. Portanto, Nyusi hoje está em condições de ser o mazelas e não ‘morte morrida’ a tiro.
notícia da AIM em inglês). E isso não preocupa o digno governa- todo poderoso da Frelimo e decidir o caminho que ela (Freli-
Ora, o que está a acontecer é exac- dor? mo) irá seguir: o da paz, ou continuar nesse investimento que *Comunicóloga, Poetisa, Política
io

Por Luís Guevane


SACO AZUL

Convicção na Paz
ár

P
ronto: já estamos no mês de Março. das partes a falar do cansaço do povo moçambi- encontro entre o Presidente da República e o cedor. Quer isto dizer que a lógica da guerra
Mês dedicado à (des)materialização cano, a falar do actual quadro de matança pro- Presidente da Renamo no sentido de se pôr ter- é a que prevalece neste momento. A demora
daquilo que é o braço de ferro entre o tagonizado pelo adversário, a dizer que o povo mo às confrontações militares e avançar-se para em mobilizar a Igreja Católica e o Presidente
Governo/Frelimo e a Renamo. Mês moçambicano quer a paz, que estão dispostos a tão desejada paz. Porém, consta que, seguida- sul-africano, J. Zuma, parece ser um forte in-
Di

antecipado por um esticar da corda caracte- a conversar e que a contraparte é que se recusa mente, no mesmo dia, a Comissão Política, em dicativo dessa lógica. Há alternativas a essas
rizado por confrontos militares entre as for- a isso. Um disco bem conhecido e que de tan- reunião também presidida por F. Nyusi, olhou escolhas/propostas feitas pela Renamo? Que
ças governamentais e da Renamo. Mês em to estar riscado tem como novidade um novo para a figura de A. Dhlakama de forma nada se dê a conhecer.
que uma das principais questões é: será que risco. Uma das partes a reafirmar que o diálogo reconciliadora optando por uma linha de ma- Cá entre nós: a SADC e a UA parece terem
a Renamo vai mesmo concretizar a sua pre- só terá lugar depois de já estar a governar nas adoptado a atitude de um pai que prefere ver
nutenção e aprofundamento de desconfianças,
tensão de governar nas seis províncias por si “suas províncias” e, a outra, a dizer que isso em dois rapazes a lutar do que em separá-los, por
afastando assim, por hipótese, a sua contrapar-
nenhum momento ocorrerá pois as forças go- defender que, no fim da luta, independente-
“reclamadas”? te. Porque não se avança para uma atitude mais
vernamentais estão em prontidão para defender mente do resultado, os dois passarão a respeitar-
Nesta primeira semana de Março, as inter- reconciliadora, de aproximação, de redução
a soberania e integridade territorial. -se mutuamente. Isto contraria a lógica da paz
venções feitas na Assembleia da República, de desconfianças? Quem não está interessado
Numa situação como esta, em que nenhuma das naquilo que é o entendimento da maioria dos
sobretudo pelos deputados das bancadas da partes dá o braço a torcer, resta-lhes, simples- numa solução definitiva e duradoura? moçambicanos. Os confrontos militares entre o
Frelimo e da Renamo, foram reveladoras mente, repensarem se essas atitudes de exibição A lógica da paz é defendida por todos, tendo o Governo/Frelimo e a Renamo aprofundam as
de um clima bastante tenso entre as partes de ódio resolvem ou aprofundam o problema. Governo uma responsabilidade acrescida. Mas, desconfianças e põem paulatinamente de lado
em conflito. Intervenções que tiveram como Há mesmo interesse em que se resolva o proble- ao que parece, os principais envolvidos acredi- as possibilidades de um diálogo franco e aberto.
denominador comum acusações mútuas re- ma? Na segunda-feira (desta semana) reuniu-se tam piamente que a solução advirá do confron- Pregar a paz e fazer a guerra pode estar a falhar
lativamente ao principal culpado pela pre- o Conselho Nacional de Defesa e Segurança to que já está a criar cada vez mais e mais óbitos, como estratégia de promoção de confiança ou de
sente situação político-militar. Cada uma (CNDS) que deliberou favoravelmente sobre o refugiados, empobrecidos, etc. Daí sairá o ven- aproximação.
Savana 04-03-2016 21
OPINIÃO
22 Savana 04-03-2016
DESPORTO

Caiu a máscara

Dr. Cazé obcecado pelo poder


Por Paulo Mubalo

o
A
s eleições para a presi- patins e continuar a elevar a ima-
dência da Federação Mo- gem da selecção nacional de hóquei
çambicana de Patinagem em patins.
(FMP), que deveriam Um nome a ter em conta

log
ter acontecido sábado último, no Nicalau Manjate é, seguramente, o
Complexo do Estádio Nacional do mais sério candidato à sua própria
Zimpeto, acabaram sendo adiadas sucessão na Federação Moçam-
para permitir que os fazedores da bicana de Patinagem pelas razões
modalidade possam votar, o que acima apresentadas.
implicará alterações dos estatutos Com efeito, depois de ter segurado
daquele organismo. o barco num momento difícil, re-
núncia de Cândido Coelho, foi me-
Na verdade, com essas alterações já lhorando a imagem da modalidade,

ció
anunciadas, a Associação de Pati- aproximando cada vez mais os ho-
nagem da Cidade de Maputo e os quistas em geral e atacando as ca-
núcleos de Quelimane e Nampula madas de formação como ponto de
terão direito a voto. partida para a massificação da mo-
Lucas Chachine, presidente da Nicolau Manjate Carlos de Sousa (Dr. Cazé) dalidade. Igualmente, goza de mui-
Assembleia-Geral, mostrou-se sembleia Geral. porque estava ciente de que conti- estão numa fase inicial. “Quero me to prestígio junto de organizações
satisfeito com as alterações em nuava com as mãos limpas, não se recandidatar a presidente da Fede- internacionais ligadas à modalida-
perspectiva, tendo em conta que deixou perturbar pelas más línguas, ração Moçambicana de Patinagem, de, caso do Comité Internacional
Entretanto... de Hóquei em Patins (CIRH) para
vão permitir que os fazedores do

so
As eleições na Federação Moçam- antes pelo contrário, continuou a pois entendo que fizemos um tra-
hóquei decidam sobre o futuro da realizar o seu trabalho normalmen- o desenvolvimento da modalidade
bicana de Patinagem tinham sido balho muito positivo nos primeiros
modalidade. te. em África, onde chegou e ocupou
marcadas, inicialmente, para De- quatro anos (2011-2015), e é preci-
Aliás, quando questionado pelo o lugar de vice-presidente. Com
zembro de 2015, quase no mesmo so dar continuidade. Não podemos
Ponto prévio SAVANA, na altura, ele declinou esta nomeação, Manjate passou
A entrada à última da hora, em período em que aconteceram as da abandonar o barco neste momento.
dar qualquer tipo de esclarecimen-
larecimen- a ser membro do próprio Comité
cena de Carlos de Sousa, ou sim- Associação de Patinagem da Cida- Eu, em conjunto com o meu elen-
tos, tendo deixado claro que estava Internacional, facto que representa
plesmente Dr. Cazé, uma figura de de Maputo (APCM), que aca- co, temos metas a cumprir”, disse, à
mais preocupado em trabalhar para uma enorme responsabilidade para
emblemática no dirigismo ao alto baram legitimando Nelson Mon- comunicação social. o nosso país, que é uma das grandes
dlane, como novo presidente, mas o bem da modalidade do que aten- As áreas prioritárias que pretende
nível, foi vice-ministro da Juventu- der guerrinhas
inhas internas próprias de frentes de desenvolvimento do hó-
um
de e Desportos, por muitos anos, já não chegaram a acontecer. atacar incluem a continuidade ao quei patinado no continente.
Esta situação provocou algum mal pessoas que não trabalham. trabalho na formação, a massifi-
esteve ligado ao Clube Estrela Ver- Na verdade, Nicolau Manjate cum- De referir que, com o adiamento
melha, onde realizou um trabalho estar entre alguns aficionados pela cação da modalidade, o que passa das eleições, a modalidade será di-
priu o seu primeiro mandato de por estender os escalões inferiores
brilhante na área de medicina des- modalidade. E foi nessa altura que rigida nos próximos três meses por
2011 a 2015, aparentemente sem para outros pontos do país e criar
portiva e como médico de algumas o SAVANA foi recebendo algu- uma Comissão de Gestão.
muitos problemas, excepto no re-
selecções nacionais, não deixou de mas cartas anónimas e chamadas condições para a realização de cam- Quanto ao Dr. Cazé pouco há a di-
tromencionado mês de Dezembro,
surpreender meio-mundo. de pessoas não identificadas, que peonato nacional da modalidade, e zer do seu programa, pois como fi-
quando algumas pessoas que não
É que, pela sua experiência e idade, procuravam passar a ideia de haver, ainda, a reactivação da modalidade, zemos referência, apresentou a sua
quiseram dar a cara começaram a
era suposto que se empenhasse por na FMP, dirigida na altura por Ni- criando núcleos em Tete e Nam- candidatura à última da hora.
atacá-lo.
realizar outras tarefas, emprestando colau Manjate, uma gestão pouco pula, à semelhança de Quelimane, Na verdade, a sua aparição como
a sua larga experiência aos mais no- criteriosa e fraco trabalho deste, Programa de Nicolau Man- onde há um número considerável candidato à presidência da FMP
vos, com mais força e dinamismo comparativamente com o das di- jate de praticantes. Outrossim, preten- não foi bem recebida em muitos
de

para que possam continuar com as recções anteriores. Para o segundo mandato, Nicolau de implementar, de forma oficial, a círculos ligados à modalidade que
acções iniciadas pelos antigos pre- Porém, como a mentira tem pernas Manjate pretende dar continui- prática de outros estilos de patina- ameaçam parar com o movimento
sidentes da FMP. curtas, Nicolau Manjate, sobretudo dade a alguns projectos que ainda gem, como é o caso da corrida de desportivo caso ele venha ser eleito.
E ao aceitar entrar na corrida, Car-
los de Sousa sabe, perfeitamente,
que em caso de mais uma derrota,
como aconteceu quando se candi-
datou para a presidência da Liga
E.Vermelha pronto para Kachamila em
Moçambicana de Futebol, LMF,

enfrentar desafios
io

não vai escapar a vários epítetos


e, certamente, a sua imagem mais
uma vez ficará beliscada. Como no
passado, não faltarão os que dirão
“xeque mate”
O
Estrela Vermelha de gens aos jogadores para que dig-

D
que as federações não são lugares Maputo, uma das co-
Maputo nifiquem o nome e o emblema do ezenas de xadrezistas Sabe-se que John Kachamila
paraa acomodar os reformados, para lutam pela conquista da foi ministro da Coordenação da
ár

lectividades da capital Estrela Vermelha. Aliás, Manhi-


além de que se poderá ficar com a do país, que vai parti- que sempre exigiu mais entrega, Taça John Kachamila, Acção Ambiental no quinqué-
triste sensação de que está à procu- cipar no campeonato nacional responsabilidade e sacrifício aos evento que conta com nio 2000-2004; ministro dos
ra de poder a qualquer preço. futebol deste ano, está a afi-
de futeb seus jogadores, até porque vão en- o apoio da Academia de Xadrez Recursos Minerais, entre 1987-
Na verdade, era de esperar que as nar a pontaria na perspectiva contrar pela frente adversários de da Matola, uma instituição que 1994, sendo que actualmente
eleições paraa a presidência da Liga de ombr
ombrear em pé de igualdade grande nível. está empenhada pela massifica- dirige a Companhia Moçambi-
Moçambicana de Futebol tivessem com as restantes equipas que “Estamos prontos para enfrentar ção da modalidade por todo o cana de Hidrocarbonetos.
Di

servido de lição para o Dr. Cazé, irão tomar no cer


certame. os desafios, o trabalho está sen- país. Kachamila já foi condecorado
porque as pessoas que o empurra- do feito e o técnico, mais do que Este é o primeiro certame or- com o prémio brasileiro “Gran-
ram para esta travessia pelo deserto ninguém, sabe como a equipa está ganizado para homenagear esta de Cruz do Sul”, como reco-
Apesar de a prestação da equi-
devem ter razões que só elas conhe- a reagir. Pessoalmente julgo que figura que, desde cedo, abraçou nhecimento da sua contribuição
pa não ser das melhores neste
cem. existe mais entrosamento entre o xadrez, tendo se destacado pelo desenvolvimento do país.
início da época, salvo os resul-
É que no mínimo não deixa de ser os jogadores, embora nesses pri- não apenas como pra-
tados conseguidos no torneio
estranho que um candidato à pre- meiros jogos a equipa não esteja a ticante, mas igualmen-
quadrangular organizado pelo
sidência de um organismo desta ganhar. O melhor momento para te como aficionado por
Ferroviário de Maputo, Luís
envergadura se apresente à última aferirmos a capacidade da equipa este desporto.
Manhique, presidente dos ala-
da hora. O povo, os desportistas no será quando começar o Moçam- Aliás, mesmo quando
ranjados, está optimista quanto
geral e os hoquistas, em particular, bola”, explicou Manhique. foi membro do gover-
ao futuro.
precisam de conhecer antecipada- Ajuntou que, apesar das adversi- no, Kachamila apoiou
Neste sábado, o clube vai fazer
mente o programa dos candidatos dades de vária ordem, o Estrela grandemente o xadrez,
uma apresentação oficial do
porque não votam as pessoas mas Vermelha está preparado para en- quer em material des-
plantel e, seguramente, serão
os programas, os manifestos. Mas a frentar os desafios. A.Maolela portivo, como financei- Tal com a Academia de Xadrez da Matola, John
transmitidas algumas mensa-
sentença será feita na próxima As- ramente. Kachamila tem apoiado o xadrez
Savana 04-03-2016 23
DESPORTO

De homem dos sorteios na UEFA a presidente inesperado da FIFA


Um caso de estudo
chamado Carlos de Sousa Gianni Infantino: o triunfo de
Por Abílio Maolela um suplente de luxo

o
P
ara quem não navega no mentel, que apoia a recandidatura de

G
mundo desportivo, pode Nicolau Manjte. Este advertiu ao ex- ianni Infantino endedor, mas também um advoga- contra os 88 obtidos por Sal-
pensar que alguns eventos -coordenador da pasta da Juventude tornou-se no segun- do do jogo limpo e da transparência man Bin Ibrahim Al-Kha-

log
são mentirosos ou que são de e Desportos que, caso seja eleito, os do suíço a presidir à na gestão dos muitos milhões que lifa. Prince Ali Al Hussein
invenção do mundo jornalístico. De atletas não vão competir. FIFA, a maior de to- a Liga dos Campeões fazia entrar conseguiu quatro votos, ao
facto, alguns deles até surpreendem Segundo as más-línguas, Carlos de das as confederações despor- nos cofres da instituição (e das 53 passo que Jérôme Champag-
os próprios protagonistas. Souza procura a todo o custo ser nú- tivas mundiais. Mas há cinco federações e dos clubes participan- ne não teve qualquer voto a
mero um de qualquer organização meses ninguém apostaria um tes). seu favor.
fav
É o caso do ex-vice-ministro da desportiva, visto que durante a sua euro no seu nome, já que se Advogado de 45 anos, casado e pai Depois de ter obtido 88 vo-
Juventude e Desportos, Carlos de passagem pelo MJD não conseguiu
esperava que o sucessor de de quatro filhas, Infantino surge na tos na primeira volta - contra
Souza. O facto é que o antigo gover- esse feito.
Joseph Blatter fosse Michel linha da tradição dos suíços que os 85 de Ebrahim al-Khalifa
nante surpreendeu o país, na última Porém, parece que os cálculos saíram
sexta-feira, ao ser anunciado como errados. De humilde, acarinhado e
Platini. Mas, a antiga estrela vem uma série de organismos
servem -, o antigo Secretário-geral

ció
candidato à presidência da Federação ilustre candidato à presidência da francesa também caiu em des- desportivos mundiais com sede no da UEFA voltou a vencer
Moçambicana de Patinagem. LMF, Dr. Cazé, que é médico de pro- graça e a UEFA teve de en- seu país. Não é um homem caris- na segunda volta, mas agora
É isso mesmo! Três meses depois de fissão, tornou-se num tema de debate. contrar um outro candidato. mático, como foram Blatter ou capturando votos essencial-
perder as eleições na Liga Moçam- Nas duas candidaturas afirmou que Havelange, nem de famílias reais, mente a Ali bin al Hussein e
bicana de Futebol (LMF), por 6-8 a sofreu pressão. Primeiro dos clubes Apareceu assim o nome de In- como os concorrentes Al Khali- Jérôme Champagne.
favor de Ananias Couane, Dr. Cazé, para chegar ao cadeirão da LMF e fantino, até ontem secretário- fa ou Ali Hussein, muito menos Recorde-se que Infantino é
como é conhecido, virou os olhos agora de alguns atletas que, entretan- -geral do organismo europeu, um multimilenário como Sexwale. o sucessor de Joseph Blatter,
para o Hóquei em Patins. to, não querem dar a cara. para onde entrara em 2000, Gianni Infantino é, acima de tudo, que, após 17 anos no cargo,
Esta candidatura, que não caiu bem Aliás, com estas atitudes, Cazé co- depois de uma experiência na um suplente de luxo que ganhou a deixou a liderança no segui-

so
nesta família, é, segundo o candidato, meça a ser mau exemplo para a nossa liga… espanhola. Em 2009 corrida onde nunca pensou alinhar. mento de um escândalo de
fruto de uma pressão de um grupo de sociedade, embora encarne o espírito O ítalo-suíço, de 45 anos, triunfou, corrupção, acabando mesmo
io-geral da
tornou-se secretário-geral
jogadores daquela modalidade que o africano, em que só a morte separa o na segunda volta, com 115 votos - por ser suspenso por seis
UEFA e confirmou-se como
acham a pessoa ideal para dirigir os líder do poder. precisava de 104 para ser eleito - , anos. Record.pt
destinos da modalidade. Portanto, gostávamos que neste perí-
um gestor dinâmico e empre-
Cazé afirma que a modalidade che- odo que separa a Assembleia-Geral
fiada por Nicolau Manjate, nos últi- do último sábado e a das eleições,
mos anos, caracteriza-se pela exclu- Carlos de Souza se retratasse. Que
são, algo que deseja combater caso retirasse a sua candidatura para o
seja eleito. bem, não só da modalidade, mas tam-
um
Entretanto, a sua eleição não se ad- bém para o seu bem pessoal.
vinha fácil, para não dizer que será Se não for ele a reflectir dessa ma-
impossível, a avaliar pelo nível de neira, rogamos a quem o conhece e
reacções de alguns atletas renomados quem o acompanha para lhe alerte
da praça, como é o caso de Bruno Pi- sobre o mau caminho que percorre.
de
io
ár
Di
24 Savana 04-03-2016
CULTURA

Fotógrafo treinado 84

em Genebra Por Luís Carlos Patraquim

Bula Bula com

o
O jovem fotógrafo Mário Macilau participa comum, mas no momento em que se toma
numa capacitação e treinamento fotográfi- primeiro passo, o primeiro movimento, se
co, em Genebra, na Suíça. A participação de aprende novas coisas, novas formas e isso não
Macilau neste encontro surge a convite ofi- quer dizer que temos de aceitar tudo, mas sim
Leão Tolstoi

log
cial da Missão Permanente dos Países Baixos, aprendemos a respeitar as nossas diferenças
Nações Unidas em Genebra e World Press e formas. Como jovem, sinto-me privilegia-
Photo Holanda. do por ter a força que tenho, mas é preciso

C
ombinámos encontro no Jardim dos Professores. Uma conversa ao fim da tarde,
Mário Macilau é o único fotógrafo africano realçar que não cai simplesmente do céu, é quando a brisa esparge os calores que o velho russo tem alguma dificuldade em
a participar nesta capacitação e a selecção preciso ir atrás e passar por muitas coisas, mas suportar.
dos envolvidos tem como base a qualida- todos nós temos sempre uma opção e várias - Foram uns dias terríveis, desabafou. Parecia o Verão na Ucrânia, para pior e mais
de do trabalho, responsabilidade e ética dos possibilidades”, frisou. húmido. Até pensei em cortar as barbas mas a Sónia ficaria furiosa. É uma mulher admirável
seleccionados. Os organizadores do evento A fonte acrescentou que mesmo havendo mas não imagina os desaguisados entre nós. Passa-me os manuscritos todos a limpo.
encontraram no trabalho do jovem artista muitas possibilidades para trabalho para os - Se já houvesse net acha que a sua obra seria maior?

ció
moçambicano a demonstração clara de cora- poucos fotógrafos, no país, “verifica-se um - Não me faça perguntas estúpidas!
gem e compromisso na luta contra a violação movimento muito forte da nova geração de O embaraço foi grande.
dos direitos humanos, injustiça ou ataque à fotógrafos, mas também os mesmos têm tra- E murmurou, numa lengalenga quase imperceptível, para que não começasse a entrevista,
dignidade humana. balhado pouco e facilmente desistido. A foto- quando a publicasse, a descrever os crepúsculos sanguinolentos e a noite súbita que cai, ao
No encontro pretende-se discutir funda- grafia não é uma actividade tão fácil, é preciso longe, na cordilheira dos Limbombos.
mentalmente questões ligadas aos direitos antes ser forte e determinado”, destaca. o, Mestre, balbuciei.
- Claro,
humanos, como forma de incentivar a pro- Em relação à profissionalização do ramo da - Já conhece os nomes da terra?
dução artística e cultural por meio de registos fotografia em Moçambique, tendo em conta - Estive no Cáucaso, meu caro, observou o madoda. A guerra por lá é um nunca mais acabar
fotográficos, esperando que o mesmo resulte as exigências do mercado nacional e estran- de aventuras. Leu a Morte de Ivan Ilitch?

so
- Li muitas
uitas mortes, meu caro Tolstoi.
em exposições individuais da autoria dos par- geiro, Mário Macilau acha que fotografia está
Ficámos em silêncio. Intrigava-me o que raio trazia o velho a Moçambique.
ticipantes. em crise, mas também num bom momento.
-Está a gostar? A pergunta soube-me a um amargo imbecil nas têmporas mais do que na
Sobre a sua participação no encontro de Ge- “Em crise porque as máquinas fotográficas boca. Será porque o autor de Ana Karenina gostava de guerras?
nebra, Mário Macilau disse que o mesmo estão quase em todos os dispositivos desde os O Leão cofiava as longas barbarbas brancas. Apesar de estarmos em Março, passaram uns miú-
representa “uma transformação artística e in- telemóveis, tablets, relógios e também as me- dos que começaram a bater palmas e a diz dizer que o Pai Natal tinha chegado.
dividual enquanto pessoa, sendo que o mais lhores máquinas fotográficas estão nas mãos - Batem palmas por quê?...
importante do envolvimento neste evento é dos que não usam”, finaliza. A.S -SSão garotos… Aqui respeitam-se os mais velhos…
também a integração social e as contribuições - Não seja ingénuo, observou secamente.
de cada um dos participantes no curso. É im- - Eu bem os vi, tão desamparados como os meus mujiques. A propósito, já os libertaram?
um
portante aceitar a possibilidade de aprender A pergunta deixou-me encalacrado.
um com outro e saber respeitar as diferenças, - Acho que sim…
sejam elas culturais ou pessoais”, disse Mário E voltei à carga. De cargas de cavalaria contra os cossacos percebe o velho mas a minha insis-
Macilau. tência era outra. E ele pareceu adivinhar.
O jovem fotógrafo acrescenta: “tendo em - Como sabe, escrevi o Guerra e Paz…. Já leu?
conta tratar-se de um programa original e - Claro, claro! Um grande livro. Descreve muito bem o incêndio de Moscovo, o Napoleão,
único que nem sempre acontece, a vantagem tantas coisas…
deste evento não está simplesmente na sua - A literatura não é só para descrever!…
própria capacitação, mas sim na possibilidade - Evidentemente, Mestre!..., gaguejei.
E desbobinou. Que a obra tem mais de mil personagens, a Sónia, um anjo, é que apontava
de juntar fotógrafos ou fazedores de imagens
tudo num quadro e lhe ia dizendo quando ele se esquecia, seis anos nisto, nos Invernos e
juntamente com órgãos que lutam pelos di-
Verões de Iasnaia Poliana ou em Moscovo, mas que tinha chegado à conclusão de ainda
reitos humanos, activistas e intelectuais, para
de

faltavam mais uns nomes.


encontrar saídas ou mecanismos adequados - Vai reescrever a obra!?
que estimulam o respeito pela igualdade e li- Se Tolstoi me dissesse que sim… imaginem a cacha jornalística! Vendia logo a entrevista à
berdade. Todos nós, ou quase que a maioria, New York of Books, oferecia à Gazeta de Artes e Letras e obrigava os sitos dos partidos a
sabe que os direitos humanos são fundamen- reproduzirem.
tais, principalmente as básicas de todo o ser - Não, não diga nada aos Partidos…
humano, sejam eles políticos ou civis, o di- Fiquei perplexo. O ancião parecia um vidente, adivinhando-me os pensamentos.
reito à vida, a liberdade de expressão e\ou de - Vai escrever partidos com P maiúsculo?, e a pergunta trazia um sorriso sardónico.
pensamento, de crença, o direito à cidadania - Estava a pensar nisso. É a tradição…
ou a nacionalidade e participação do governo - Deixe-se disso!
io

local ou nacional entre votar e ser votado”. - Então, Mestre, que fazer?
Sobre o impacto das experiências interna- - Boa pergunta!... Sabe? Ainda fui contemporâneo do Lenine…
cionais na sua vida artística e, acima de tudo, - E os nomes? As personagens? Acha que faltam mesmo?
como jovem, Macilau disse: “as experiências Tolstoi suspirou fundo.
internacionais são uma possibilidade de abrir - Faltar, faltam… sempre.
a minha mente, de aprender e aplicar. Quan- - E isso diminui a sua obra?
ár

- Diminui, mas não no sentido em que está a pensar.


do se vive num único espaço o mais conven-
E levantou-se, quiçá a pensar no Inverno e na sua última viagem de comboio.
cional e credibilizado é o que localmente é Mário Macilau

Casas de Cultura apetrechadas


Di

A
s Casas de Cultura são por excelên- músicas, o Ministério da Cultura Turismo, na procura de respostas aos desafios
cia um espaço de convivência social, e Turismo procedeu, recentemen- que se impõem ao sector.
de produção e consumo de produtos te, à entrega de quites de equipa- A alocação do material em causa tem como
artístico-culturais
ais em benefício das mento de estúdios de gravação objectivos potenciar as Casas de Cultura em
comunidades locais e não só. Assim, impõe- das Casas Distritais de Cultura de equipamento de estúdios de gravação para
-se ao Sector da Cultura e Turismo o desafio Morrumbala e de Alto-Molócuè, melhor servir as comunidades, tornar as
de melhorar cada vez mais os métodos de na província da Zambézia. Casas de Cultura centros de atracção turís-
organização e de funcionamento das Casas Esta acção enquadra-se nos ob- tica por excelência, criar oportunidade para
de Cultura. jectivos do Plano Quinquenal do os músicos gravar as suas produções no seu
Governo da República de Mo- distrito, em particular, e na sua província, no
Neste contexto, e havendo a necessidade de çambique e do Plano Estratégico geral, criar mais uma fonte de captação de re-
estimular a produção musical no país e de re- da área da Cultura 2012-2022, ceitas para o melhor funcionamento da Casa
duzir as dificuldades e distâncias que os músi- marcos gerais de orientação das de Cultura e criar oportunidades de geração
cos percorrem ao pretenderem gravar as suas Silva Dunduro, Ministro da Cultura e Turismo acções do Ministério da Cultura e de autoempregos. A.S
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 1156 ‡ DE MARÇO DE 2016

go
ólo
c i
s o
um
de
ir o

D
2 Savana 04-03-2016 Savana 04-03-2016 3
SUPLEMENTO
Savana 04-03-2016 27
OPINIÃO

Abdul Sulemane (Texto)


Ilec Vilanculo (Fotos)

o
log
Momentos sombrios
A
situação político-militar que o país atravessa continua deveras preocu-
pante. São várias as vozes que não se têm calado para mostrar o descon-
tentamento perante a situação.

Desta vez as opiniões estão focalizadas para que o Presidente da República, Filipe

ció
Nyusi, crie condições com vista a encontrar-se com o líder da Renamo, Afonso
Dhlakama, para pôr fim a este imbróglio.
Na escolinha do barulho, as acusações não param entre os partidos Frelimo e
Renamo. Foi mais uma vez assim na sessão reservada às informações do governo,
esta semana.
Este momento de crise político-militar insta os dirigentes deste país a concentra-
rem mais as suas atenções apenas para este assunto. Mas existem outras questões
preocupantes que o país vive actualmente. Por exemplo, a seca na zona sul e as

so
inundações na zona norte são questões que merecem também atenção de quem
é de direito.
Contudo, parece que a situação político-militar tem ofuscado as outras questões
candentes.
Nas conversas é visível o ar de preocupação. O mês de Março, como o líder da
Renamo, Afonso Dhlakama, anunciou, marcará o início da governação nas pro-
víncias onde reclama vitória nas últimas eleições.
A inquietação sobre o que vai acontecer é visível, aliada às notícias de ataques nas
estradas do país, deslocações de populações e outras situações menos agradáveis
que os moçambicanos estão a viver.
um
O ambiente vivido é sombrio. Vejam como é o diálogo entre o empresário da
comunicação social, Leandro Paul, e o PCA do Standard Bank e Cervejas de
Moçambique, Tomaz Salomão, o homem que considera que em Moçambique
consome-se pouca cerveja comparativamente com outros países da região.

Mesmo aquelas figuras que sempre se mostraram simpatizantes do partido Fre-


limo, embora líderes de partidos da oposição, desta vez mostram um ar de preo-
cupação.
Referimo-nos ao líder do PIMO, Yacubi Sibindy, e do Partido Trabalhista, João
Massango, bajuladores do partido dos camaradas. Enquanto isso, o coordenador
do Instituto Holandês para a Democracia, Hermenegildo Mulhovo, escuta aten-
de

tamente a conversa.
Outro que não perdeu a oportunidade de dar os seus conselhos sobre a situação
política actual do país foi o dono do Partido Nacional de Moçambique, PA-
NAMO, Marcos Juma, ao Presidente do Município de Quelimane, Manuel de
Araújo, do MDM.
A situação vivida no país é mesmo incómoda. Como também vemos na conversa
entre o primeiro Secretário da Frelimo da cidade de Maputo, Francisco Mabjaia,
que ocupa também o cargo de Presidente da Federação Moçambicana de Bas-
quetebol, e o Director Nacional dos Recursos Humanos do Ministério da Defesa,
Edgar Cossa. Afinal num cenário de guerra, os recursos humanos também não
io

escapam.
As inundações são a outra guerra travada no país. Por isso os jornalistas Daniel
Maposse, José Chissano, Ericino de Salema e Cláudio Saúte entraram num barco
a remo para ir reportar a realidade vivida pelos nossos compatriotas assolados
pelas inundações. São cenas de momentos sombrios.
ár
Di
À HORA DO FECHO
www.savana.co.mz EF.BSÎPEFt"/099***t/o 1156
se
Diz-
IMAGEM DA SEMANA Foto Naíta Ussene
Diz-
s e. . .

t0SFMBUØSJPTPCSFPEFTBCBNFOUPEBQBSFEFEBQJTDJOBGPJBQS
t0SFMBUØSJPTPCSFPEFTBCBNFOUPEBQBSFEFEBQJTDJOBGPJBQSFTFO-
UBEPFBWFSEBEF KÈDPOIFDJEB GPJPmDJBMJ[BEBIPVWFCPMBEB
UBEPFBWFSEBEF KÈDPOIFDJEB GPJPmDJBMJ[BEBIPVWFCPMBEB"HPSB
PNJOJTUSPEB,BMBTIJOJLPWKÈOÍPTFRVFSQSPOVODJBSFNUPSOPE
PNJOJTUSPEB,BMBTIJOJLPWKÈOÍPTFRVFSQSPOVODJBSFNUPSOPEP
DBTP/ÍPTBCFNPTTFÏQFMBUBNBOIBWFSHPOIBPVGPJTJMFODJBEP

o
t"QØTEF[BOPTBTBCPSFBSPDPOGPSUPEBDBEFJSBEBDBTBEPTGVUFCØJT
t"QØTEF[BOPTBTBCPSFBSPDPOGPSUPEBDBEFJSBEBDBTBEPTG
FEPTKPWFOT PNÏEJDPRVFWJSPVEJSJHFOUFQBSFDFFTUBSIJQOPUJ
FEPTKPWFOT PNÏEJDPRVFWJSPVEJSJHFOUFQBSFDFFTUBSIJQOPUJ[B-
EPQFMPQPEFS%FQPJTEFQFSEFSDPOmBOÎBEBBCFMIBOBOPWBWBHB
EPQFMPQPEFS%FQPJTEFQFSEFSDPOmBOÎBEBBCFMIBOBOPWBWBHB
HPWFSOBNFOUBM PIPNFNMVUPV BUPEPPDVTUP QBSBTFSQSFTJEFO
HPWFSOBNFOUBM PIPNFNMVUPV BUPEPPDVTUP QBSBTFSQSFTJEFOUF

log
OVNBPSHBOJ[BÎÍPEFTQPSUJWBMJHBEBBPGVUFCPM"HPSBOPIØRVFJ
OVNBPSHBOJ[BÎÍPEFTQPSUJWBMJHBEBBPGVUFCPM"HPSBOPIØRVFJF
BTNÈTMÓOHVBTEJ[FNRVFTØGBMUBDPODPSSFSQBSBQSFTJEJSVNB'
BTNÈTMÓOHVBTEJ[FNRVFTØGBMUBDPODPSSFSQBSBQSFTJEJSVNB'F-
EFSBÎÍPEF/UYVWB DBTPFTUBTFKBDSJBEB)BKBNVJUBHBOÉODJBQ
EFSBÎÍPEF/UYVWB DBTPFTUBTFKBDSJBEB)BKBNVJUBHBOÉODJBQFMP
QPEFS

t&ORVBOUPJTTP PPVUSPRVFOBEBFNÈHVBTUVSWBTÏPMPJSJOIPEPIP-
t&ORVBOUPJTTP PPVUSPRVFOBEBFNÈHVBTUVSWBTÏPMPJSJOIP
NFNEB$BTBEP'VUFCPM%FQPJTEFTFSDSJUJDBEPBOUFTEFDIFHBS
NFNEB$BTBEP'VUFCPM%FQPJTEFTFSDSJUJDBEPBOUFTEFDIFHBSB
.BQVUP BHPSBGPSBNPTTBCPUBEPSFTEFHFNBRVFTFFWJEFODJBSBN
.BQVUP BHPSBGPSBNPTTBCPUBEPSFTEFHFNBRVFTFFWJEFODJBSBN
OFTUBUFSÎBGFJSB OJOHVÏNRVJTPVWJSBTFTUSBUÏHJBTQBSBVNBT
OFTUBUFSÎBGFJSB OJOHVÏNRVJTPVWJSBTFTUSBUÏHJBTQBSBVNBTFMFD-

ció
ÎÍPHBOIBEPSB1BSFDFRVFWFJPB.BQVUPQBSBUSFJOBSFHBOIBSB
ÎÍPHBOIBEPSB1BSFDFRVFWFJPB.BQVUPQBSBUSFJOBSFHBOIBSB
EPS EFGBDUP

t0HPWFSOBEPSWJ[JOIPEPTNBMBXJBOPTBOEBBEBSUJSPTOPTQSØ
t0HPWFSOBEPSWJ[JOIPEPTNBMBXJBOPTBOEBBEBSUJSPTOPTQSØQSJPT
QÏT%FQPJTEFVNQSJNFJSPWØNJUPFN BDBCBEFWJSBQÞCMJ
QÏT%FQPJTEFVNQSJNFJSPWØNJUPFN BDBCBEFWJSBQÞCMJDP
DPNNBJTVNBCBCPTFJSBEFBSSFQJBSPTDBCFMPT0RVFÏFTUSBOIP
DPNNBJTVNBCBCPTFJSBEFBSSFQJBSPTDBCFMPT0RVFÏFTUSBOIP
BRVJOÍPÏNBJTPTIPXPĊRVFPHPWFSOBOUFFYJCF HSBUVJUBNFOUF
BRVJOÍPÏNBJTPTIPXPĊRVFPHPWFSOBOUFFYJCF HSBUVJUBNFOUF
² B DVNQMJDJEBEF EP TFV DIFGF )È RVFN TVHFSF RVF P CPN EP
HPWFSOBEPSSFHSFTTFBTVBUFSSBOBUBM BMHVSFTOP/JBTTB QBSB
HPWFSOBEPSSFHSFTTFBTVBUFSSBOBUBM BMHVSFTOP/JBTTB QBSBUPNBS
DPOUBEPTTFVTIFDUBSFTEFUFSSBPOEFIÈPJUPBOPTOFNFTQJ
DPOUBEPTTFVTIFDUBSFTEFUFSSBPOEFIÈPJUPBOPTOFNFTQJOIB

so
QMBOUPV

Depois de Temane e Pande t0SB  RVBOEP VN EFQVUBEP UFN B DPSBHFN EF TBJS FN EFGFTB EF
RVFNJOTVMUPVDPNQBUSJPUBTRVFFTUÍPBWJWFSNPNFOUPTESBNÈUJ
RVFNJOTVMUPVDPNQBUSJPUBTRVFFTUÍPBWJWFSNPNFOUPTESBNÈUJ-
DPT BMFHBEBNFOUFQPSRVFOÍPÏPHPWFSOBEPSPDFSOFEPQSPCMFNB
DPT BMFHBEBNFOUFQPSRVFOÍPÏPHPWFSOBEPSPDFSOFEPQSPCMFNB 

Gás do Rovuma será bombeado TØOPTQPEFNPTDPOGPSNBSRVFFTUBNPTFOUSFHVFTBVNCBOEPEF


JSSFTQPOTÈWFJT $POTJEFSBS BDFJUÈWFM P WJMJQÐOEJP EPT NPÎBNCJDB
NPÎBNCJDB-
OPTSFGVHJBEPTOP.BMBXJ NFTNPTFGPTTFNmMIPTFNVMIFSFTEF
IPNFOTEB3FOBNP ÏQPMÓUJDBJSSFTQPOTÈWFM

para África do Sul


um
t"JOEBOBFTDPMJOIBEPCBSVMIP mDBNPTJODSÏEVMPTDPNBTBUJUVEFT
EFEVBTDSJBOÎBTEBRVFMBDBTBRVFEFDJEJSBNGVHJSEPDJSDPFJOJ-
DJBSBNPEFCBUFTPCSFBEJTUSJCVJÎÍPEBTNFTBEBTHBOIBTËTDVTUBT

A
SacOil Holdings, uma ÎÍP EF HBTPEVUPT RVF WBJ USB[FS  RVFQPTTVJVNEFQØTJUPEFHÈT
EPT OPTTPT JNQPTUPT *NBHJOBN RVBM GPJ P TFOUJNFOUP EP QBDBUP
companhia sul-afri- PT TFVT SJDPT DPOIFDJNFOUPT OBUVSBM FTUJNBEP FN  USJMJÜFT USBCBMIBEPSRVFHBOIBTBMÈSJPNÓOJNPFRVFNFTNPDPNBSFWJTÍP
cana, anunciou, esta UÏDOJDPT QBSB P QSPKFDUP EP HB- EFQÏTDÞCJDPT OÍPWBJDIFHBSBPTTFVTDBMDBOIBSFT 4FSÍPFTUFTSFQSFTFOUBOUFTPV
semana, a assinatura TPEVUPx "4BD0JMBmSNBRVFBBTTJOBUV-
"4BD0JMBmSNBRVFBBTTJOBUV IVNJMIBEPSFTEPQPWP
de um acordo que abre caminho 4FHVOEPPEJSFDUPSFYFDVUJWPEB SBEPBDPSEPEFDPPQFSBÎÍPjFTUÈ
para a construção de um gaso- 4BD0JM ɩBCP ,HPHP  P BDPSEP FN MJOIB DPN B FTUSBUÏHJB EB t/PUÓDJBTTPCSFGFTUFKPTDIFHBNEF*OIBNCBOF/ÍPÏQBSBNFOPT
duto, orçado em seis biliões de jDPOmSNB PT DPNQSPNJTTPT EF "QPQVMBÎÍPEBDIBNBEBiUFSSBEFCPBHFOUFwKÈSFTQJSBEFBMÓWJP
4BD0JM QBSB TF UPSOBS VNB FN-
FN
%FQPJTEPDPODMBWFEFVNmNEFTFNBOBRVFEFTNBNPVVNUJ-
dólares e com uma extensão de 2 mOBODJBNFOUP OFDFTTÈSJPT QBSB QSFTB MÓEFS 1BO "GSJDBOB EF HÈT
de

NPOFJSPRVFOÍPEFJYBTBVEBEFT FTUBTFNBOBBCPBOPWBGPJBTVB
600 quilómetros, ligando a Ba- BT GBTFT EF QSÏJOWFTUJNFOUP F FQFUSØMFPw FYPOFSBÎÍPMBWSBEBOB+VMJVT/ZFSFSF"HPSBBQPQVMBÎÍPEBQSPWÓO-
cia do Rovuma, à província de FTUVEPT EF FOHFOIBSJB EP QSP-
QSP 0 QSPKFDUP  TFHVOEP B 4BD0JM  DJB RVFPOUFNGPJBTTPMBEBQFMBHVFSSBFIPKFQFMBTFDB BHVBSEBQPS
Gauteng. KFDUP FBCSFDBNJOIPQBSBBTVB jFTUÈTFOEPDPODFCJEPQBSBUPS-
jFTUÈTFOEPDPODFCJEPQBSBUPS VNUJNPOFJSPDPNPTTFVTOPMVHBS
DPOTUSVÎÍPFJNQMFNFOUBÎÍPSÈ-
DPOTUSVÎÍPFJNQMFNFOUBÎÍPSÈ OBSBFOFSHJBBDFTTÓWFMQBSBVNB
0HBTPEVUP EFTJHOBEPQPS"GSJ- QJEBFFmDB[x t²QPSUPEPTTBCJEPRVFPNØCJMEPDPODMBWFEPTDBNBSBEBTGPJBSF-
NBJPS QSPQPSÎÍP EB QPQVMBÎÍP  FTUSVUVSBÎÍPEPTFDSFUBSJBEP FNDPOTFRVÐODJBEBBQSPWBÎÍPEVNB
DBO 3FOBJTTBODF USBEVÎÍP FN 0 $11 WBJ mOBODJBS F SFBMJ[BS
QSPNPWFS B FOFSHJB MJNQB  SF-SF EJSFDUJWB RVF FTUBCFMFDJB JODPNQBUJCJMJEBEF EF TFS NFNCSP EFTUF
QPSUVHVÐT  3FOBTDJNFOUP "GSJ- PT FTUVEPT EF QSÏJOWFTUJNFOUP
EV[JS B GBDUVSB EF JNQPSUBÎÍP FBPNFTNPUFNQPFTUBSOBFTDPMJOIBEPCBSVMIP.BTNVJUPTEF
DBOP
 UBNCÏN EFWFSÈ GPSOFDFS &TUB FNQSFTB UBNCÏN JSÈ HB- HB
EFQFUSØMFPFSFEV[JSBQFHBEBF OØTOÍPTBCFNQPSRVFÏRVFBUÏBPNPNFOUPPTJMVTUSFTBJOEBOÍP
HÈT ËT DJEBEFT NPÎBNCJDBOBT SBOUJS B NPCJMJ[BÎÍP EF  QPS
io

JNQPTUPEFDBSCPOPx DFTTBSBNGVOÎÜFT
MPDBMJ[BEBTBPMPOHPEPTFVQFS- DFOUPEPPSÎBNFOUPEPQSPKFDUP
DVSTP BQBSUJSEFJOTUJUVJÎÜFTmOBODFJ-
BQBSUJSEFJOTUJUVJÎÜFTmOBODFJ " 4BD0JM BmSNB RVF Ï jVNB
t-VGBEBEFBSGSFTDPÏPRVFTFWJWFUBNCÏNOBTIPTUFTEBQPMÓDJBEB
"TTJOBSBN P BDPSEP B &NQSFTB SBTDIJOFTBT0VUSPJOWFTUJNFOUP DPNQBOIJB BGSJDBOB JOEFQFO- 3FQÞCMJDBEF.PÎBNCJRVFDPNPmNEPSFJOBEPEFVNDPNBO-
/BDJPOBMEF)JESPDBSCPOFUPTEF WJSÈEF.PÎBNCJRVFFEB«GSJDB EFOUFEFHÈTFQFUSØMFPCBTFBEB EBOUFRVFUBNCÏNOÍPEFJYBTBVEBEFT%FNPSPV NBTBDPOUFDFV
.PÎBNCJRVF &/)
 4BD0JM  EP4VM OB«GSJDBEP4VM MJTUBEBOB#PMTB 0YBMÈRVFPDPNBOEBOUFRVFEPSNJBFNQMFOPTFWFOUPTQÞCMJDPT
ár

EF+PBOFTCVSHPFOP.FSDBEPEF BHPSBFTUFKBBEFTDBOTBSBWPOUBEFFNDBTB
1SPmO$POTVMUJOHFB$IJOB1F-
1SPmO$POTVMUJOHFB$IJOB1F " $11 Ï VNB FNQSFTB mMJBEB
USPMFVN1JQFMJOF#VSFBV $11
 Ë $IJOB /BUJPOBM 1FUSPMFVN *OWFTUJNFOUP "MUFSOBUJWP "M- Em voz baixa
"1SPmOÏVNDPOTØSDJPQSJWBEP $PNQBOZ  RVF EFUÏN VNB QBS- QBS UFSOBUJWF *OWFTUNFOU .BSLFU
 t4FGPJPVOÍPNBJTVNEJTDVSTPEFPDBTJÍPEBBCFMIBPUFNQPEJSÈ
NPÎBNCJDBOP DVKPT BDDJPOJTUBT UJDJQBÎÍP EF WJOUF QPS DFOUP OB RVF Ï VN TVCNFSDBEP EB #PM- "WFSEBEFÏRVF OBJOUFSWFOÎÍPEVSBOUFBHBMBEBUFMFWJTÍPQBHB
OÍPGPSBNSFWFMBEPT0$11 EF «SFBEB#BDJBEP3PWVNB BP TBEF7BMPSFTEF-POESFT0TFV QFMPTOPTTPTJNQPTUPT P13EJTTFFNBMUPFCPNUPNRVFBNFTNB
QSFTJEFOUFÏPBOUJHPHPWFSOBEPS OÍPEFWFMFWBOUBSNVSPTQPMÓUJDPTPDJBJT NBTTJNGB[FSQPOUFTPOEF
Di

BDPSEP DPN VN DPNVOJDBEP EB MBSHP EB DPTUB EB QSPWÓODJB EF
UPEPTQBTTBSÍP"QSJNFJSBTFGPJFOBEBEFOPWPWJNPT DÈDPOUJOV-
4BD0JM ÏjVNBFNQSFTBDIJOFTB $BCP %FMHBEP " FNQSFTB JUB- JUB EP #BODP $FOUSBM EB «GSJDB EP BNPTQBSBmTDBMJ[BS
FJOUFSOBDJPOBMMÓEFSOBDPOTUSV-
FJOUFSOBDJPOBMMÓEFSOBDPOTUSV MJBOB&/*ÏBPQFSBEPSBEB«SFB 4VM 5JUP.CPXFOJ
Savana 04-03-2016 1
EVENTOS

EVENTOS
0DSXWRGH0DUoRGH‡$12;;,,,‡1o 1156

o
Samora Machel por Kok Nam em livro

log
É
lançado nesta sexta-feira, no salão nobre
do Município de Maputo, o livro de fo-
tografias de Samora Machel ilustradas
por Kok Nam, director emérito do se-
manário 6$9$1$
6$9$1$.

ció
Trata-se duma obra de elevada qualidade a
preto e branco, com perto de setenta foto-
grafias de Samora Machel captadas por Kok
Nam, um ícone da fotografia que faleceu em
2012 e que deixou um acervo fotográfico do
qual fazem parte conjuntos de fotos que do-
cumentam importantes fazes do início da his-
tória de Moçambique Independente que vão

so
desde a fase de nacionalizações, passando pela
guerra de libertação da Rodésia do Sul (hoje
Zimbabwe), criação de cooperativas agrícolas
e aldeias comunais, até à guerra civil que dila-
cerou o país durante 16 anos.
O Livro SAMORA MACHEL por Kok Nam
é prefaciado por Alves Gomes e tem textos es-
critos por diferentes personalidades nacionais.
um
A obra contou com o importante apoio da
Sociedade de Águas de Moçambique (SAM),
proprietária da Marca Água da Namaacha,
Universidade Pedagógica e o Estúdio KOK
NAM.

ANEMO com nova casa


de

A
Associação Nacional de “Os enfermeiros jogam um papel
Enfermeiros de Moçam- fulcral na equipa de saúde, na qual
bique (ANEMO) inau- lado a lado com outros profissionais
gurou oficialmente, nesta buscam a recuperação do estado de
segunda-feira, a sua sede nacional, saúde dos pacientes, educam as fa-
localizada no centro de Saúde 1º de mílias para a prevenção das doenças
Maio, no bairro da Maxaquene, na infecciosas e das crónicas evitáveis,
Cidade de Maputo. A cerimónia ao mesmo tempo que trabalham
contou com a presença da Ministra para a reabilitação física, psicológica
io

da Saúde, Nazira Abula, da Presi- e social dos enfermeiros”, disse.


dente da ANEMO, Maria Olga Por seu turno, Maria Olga Matavel
Matavel, entre outros interessados, agradeceu ao MISAU pelo tempo
que testemunharam o acto inaugu- em que a associação esteve hospeda-
ral desta nova casa dos enfermeiros, da no HCM e também engradeceu
o gesto do patrocinador das novas
ár

que contou com o apoio da família


instalações ora inauguradas, tendo
Sidat.
reiterado: “a nova casa será uma
mais-valia para o desenvolvimento
Falando na cerimónia inaugural, a da associação e para a melhoria da
ministra da Saúde referiu-se à im- qualidade das suas aactividades”.
portância daquela classe de profis- Refira-se que a ANEMO foi fun-
Di

sionais nas unidades sanitárias, no dada em 1989 e, durante 27 anos


que concerne à prestação e dedica- de existência, ficou hospedada no
ção aos mais variados e complexos Hospital Central de Maputo.
cuidados da saúde. (Elisa Comé)
2 Savana 04-03-2016
EVENTOS

UX vence prémio BTM oferece bolsas e livros à UEM


internacional de
D
ecorreu, na quinta- superior e melhoramento das con- Direito Bancário, Agrário ou
-feira última, em dições de trabalho dos estudantes ainda a melhor dissertação de
Maputo, a entrega do curso de Direito da mais antiga licenciatura na área bancária.
oficial de bolsas de universidade pública do país. Na A parceria tem, entre outros

tecnologia

o
estudo e livros à Faculdade mesma ocasião, o BTM e a Facul- objectivos, a disponibilização
de Direito da Universida- dade de Direito da Universidade de recursos humanos e finan-
de Eduardo Mondlane. A Eduardo Mondlane lançaram,aram, o ceiros, a investigação conjunta
acção foi promovida pelo Prémio BTM. e a cooperação nas áreas de in-

A
Global Innovation Com- pelos diversos actores (autoridade

log
petition consagrou re- municipais, colectores privados de Banco Terra Moçambique O prémio, na ordem de 1500 USD teresse comum e, ainda, identi-
centemente a UX, star- lixo e o cidadão). O Mopa foi de- (BTM) e teve como objec- (mil e quinhentos dólares ameri- ficar estudantes com potencia-
tup moçambicana, como senvolvido pela UX para o Banco tivo contribuir para a eleva- canos), irá galardoar, anualmente, lidades comprovadas.
ção da qualidade do ensino o melhor estudante da cadeira de (Elisa Comé)
vencedora na área de tecnologias. Mundial, tendo como parceiros o
O anúncio foi feito durante um Conselho Municipal de Maputo e
encontro que teve lugar na capital a organização Livaningo.
do Gana, Accra, cujo objectivo era Foram mais de 300 candidaturas,
identificar as melhores tecnolo-
gias que se focam na participação
que apresentaram os seus projec-
tos, a um júri e uma assistência e “Big Brother” Angola &

ció
pública e no engajamento cidadão somente foram seleccionadas 15,
em África e Ásia. sendo que nove foram vencedoras,

A UX participou no evento com o


projecto MOPA, uma plataforma
avaliadas pelo mérito de expansão
para outros mercados.
Frederico Silva, Director Executi-
Moçambique inicia este mês
vo da UX, considera este prémio

E
de monitoria participativa na ges- streia
eia no dia 22 do mês num mesmo recinto e comparti- procuramos identificarmo-nos
“de elevada importância para os
tão de resíduos sólidos na cidade de corrente na DStv o lham as suas dif
diferenças. com os nossos subscritores.
planos de expansão e, sobretudo, o
Maputo, cuja fase piloto foi lança- “Big Brother” Angola Os candidatos, todos maiores de Não existe nada de melhor que
reconhecimento de que as tecnolo-

so
da em seis bairros de Maputo, em & Moçambique. De- 18 anos, terão de ficar confinados ver um programa televisivo em
gias podem dar o seu contributo na
Maio do ano passado. Com recur- pois de duas edições em An- durante 64 dias numa residência na que sentimo-nos identificados
mitigação dos problemas da urba-
so a telemóveis, o MOPA permite gola, a produção decidiu unir vizinha África do Sul (por ser um com a personagem”, explicou.
nidade, como é o caso do MOPA”.
dois países da língua portu- país neutro) sem qualquer contacto A condução das galas de ex-
identificar e reportar problemas A Global Innovation Competition guesa, sendo que esta edição, com a família. Além disso, terão de pulsão estará a cargo dos apre-
relacionados com a gestão de lixo, premiou os vencedores com um segundo os organizadores, saber criar audiência e saber ser e sentadores Emerson Miranda
tornando possível a intervenção valor total de 600 mil libras. (E.B) promete trazer bastante dra- estar. e Dicla Burity, de Moçambi-
ma, amor, lutas e jogos pesa- Pedro Langa, representante da mul- que e Angola respectivamente.
ante três meses.
dos durante tichoice Moçambique, disse que o O premio único para o vence-

CTA capacita operadores


um
Big Brother Moçambique e An- dor é de 100 mil dólares norte
O Big Brother é um reality gola “surge como um planeamento americanos que serão pagos ao
show que decorre em tempo estratégico da multichoice África câmbio oficial da moeda local
real dentro de uma casa, em que pretende mudar para os nos- (kwanza ou metical em função

A
Confederação das Asso-
ciações Económicas de que participantes de realida- sos subscritores porque abarcamos da nacionalidade do vencedor).
Moçambique (CTA) e des diferentes encontram-se canais internacionais, mas também (Elisa Comé)
a Autoridade Tributária
de Moçambique (AT), através da
Direcção Geral das Alfândegas
(DGA), realizaram, nos dias 2 e 3
de Março, na cidade de Maputo,
workshops de capacitação sobre UEM com 4000 vagas para 2016
de

a figura do Operador Económico


Autorizado (OEA). Por Jeque de Sousa

A
O seminário contou com a parti- Universidade Eduar-
cipação de quadros da DGA, da do Mondlane anun-
Câmara dos Despachantes Adua- ciou cerca de 4000
neiros, de Operadores Económi- vagas disponíveis
cos Autorizados, entre outros, e foi para o ano lectivo de 2016.
orientado pelo consultor interna- Joaquim António Macuácua, Director de Normação A informação foi divulgada
io

e Procedimentos Aduaneiros da Direcção Geral das


cional Tom Hempenstal, que, na Alfândegas sexta-feira passada, 26 de Fe-
ocasião, falou de alguns benefícios por objectivo compreender a nossa vereiro, pelo Reitor daquela
desta plataforma, tendo destacado actual situação e o que devemos fa- instituição de ensino superior,
“o desalfandegamento electróni- zer para melhorar estes índices, por Orlando Quilambo, durante a
co acelerado; a facilidade de obter forma a que os agentes económicos cerimónia de abertura do ano
académico, na Cidade de Ma-
ár

simplificações aduaneiras; os níveis no País tenham mais uma possibili-


reduzidos de controlo por parte das dade de melhorar o processo de de- puto.
alfândegas e o melhor relaciona- sembaraço aduaneiro, através desta
mento com as alfândegas e as auto- figura prevista, não só no nosso O evento que contou com a
ridades governamentais”. quadro legal, mas também a nível presença de membros do Go-
Em representação da CTA, o presi- internacional”. verno, corpo diplomático, de
elouro da Política Fiscal,
dente do Pelouro Para o director de Normação e Pro-
Di

estudantes de vários níveis de cursos, nomeadamente literatura em produção e investigação


Aduaneira e Comércio Interna- cedimentos Aduaneiros da DGA, ensino daquela universidade e chinesa e língua alemã e a aber- científica, porque o governo
cional, Kekobad Patel, referiu que, Joaquim Macuácua, é igualmente do Professor Titular da Uni- tura do Centro Cultural China- apostou nas bibliotecas e no
para a obtenção do certificado de objectiv
objectivo deste seminário a “har- versidade de Brasília, Emir -Moçambique, foram as principais acesso à informação, sobretudo
OEA, “é necessário que o agente monização de procedimentos no José Suaiden, que proferiu a novidades trazidas pelo Reitor. para a camada jovem. Contu-
económico obedeça a uma série de que tange à elegibilidade do OEA oração de sapiência, foi mar- Já o orador da aula sapiência abor- do, Emir Suaiden exortou aos
requisitos, por forma a que tenha para que, de uma forma harmoni- cado pelo discurso do Rei- dou a informação como o principal gestores das universidades a
uma preferência e uma forma de zada com a legislação, sejam licen- tor, Orlando Quilambo, que instrumento para aquisição e pro- apostarem no investimento em
tratamento privilegiado no desem- ciados os operadores económicos”. anunciou inúmeras mudanças dução do conhecimento. Num dis- infra-estruturas, relação com o
baraço aduaneiro”. Num outro desenvolvimento, Joa- na gestão da maior universida- curso de mais de uma hora, Emir mercado de trabalho e investi-
No entanto, apesar da figura do quim Macuácua revelou, durante o de pública do país. A aplicação Suaiden falou da importância da gação científica, para deixar de
OEA estar prevista na legislação evento, que quanto maior for o nú- de mecanismos de detenção e informação nos dias de hoje, ten- depender da ajuda externa.
nacional desde 2012, em Moçam- mero de OEA, o País sai a ganhar, controlo de plágio em traba- do destacado a biblioteca, como o De referir que a UEM possui
bique existem poucos operadores na medida em que, além de reduzir lhos científicos, revisão curri- principal centro de produção cien- actualmente 1730 docentes e
económicos inscritos, conforme su- riscos, há benefícios atractivos para cular do nível de pós-gradua- tífica. O orador referiu que o Brasil contará com 4136 estudantes
blinhou Kekobad Patel, explicando, estes operadores comparativamente ção, introdução de dois novos é décimo terceiro país do mundo para este ano.
em seguida: “este workshop tem aos que não estão autorizados.
Savana 04-03-2016 3
EVENTOS

Next Level Agency marca presença no continente


A
Next Level Agency, uma Com o objectivo de quebrar fron- artistas desde Toto Cutugno, Jen- português, sueco e Suaíli.
agência de entretenimen- teiras, com o passar dos anos, a nifer Lopez, Bobby McFerrin and A Next Level, que pretende ser
to em rápido crescimento Next Level continua e pretende Gloria Gaynor to Goran Bregović, única e com um serviço de exce-
no mundo, com a pro- contribuir para os concertos e festi- Samantha Fox, Dennis Rodman lência, comprometendo-se com

o
moção de talentos e celebridades vais de larga escala em todo o mun- and Richard Clayderman. o cliente e responsabilizar-se da
em todo o mundo, anunciou re- do, estando ao dispor de diferentes Os seus agentes estão preparados ausência de muitos artistas inter-
centemente que está comprome- promotores de eventos. O seu seg- para receber e responder às neces- nacionais em concertos e festivais
tida a mudar o cenário do entre- mento corporate e privado inclui sidades do cliente falante das lín- agendados no continente africano,

log
tenimento mundial. Formada em o booking de um leque diverso de guas inglesa, russo, alemão, francês, sem aviso prévio.
2008, no início a operar em alguns
territórios do sul e norte da Euro-
pa, em 2009 expande-se para Ásia,
seguindo-se pelo Médio Oriente,
Austrália, África, América Latina
em 2016.

A agencia é reconhecida além

ció
fronteiras com a realização de vá-
rios de concertos e turnês de ar-
tistas conhecidos com Lil Jon, Ja
Rule, T-Pain, Jeremih, Eve, Vanilla
Ice, Chingy e mais tarde Naughty
by Nature, Chris Brown, Robin
Thicke, 2 Chainz, Nelly, e B.o.B.

Em Chibuto

mCel promove
corrida pela paz
so
um
C
om o objectivo de promo- “Corrida Pela Paz”, já foi realiza-
ver o diálogo e a crescen- da, no ano passado, na vila sede de
te envolvência popular no Morrumbala, província da Zam-
grito pela paz em Mo- bézia, no distrito de Gondola, pro-
çambique, através do desporto, o víncia de Manica, e em Homoíne,
distrito de Chibuto, província de província de Inhambane.
Gaza, acolheu, no sábado, dia 27 de O próximo evento está previsto
Fevereiro, a 4ª edição da “Corrida para o dia 4 de Março, sexta-feira,
Pela Paz”, uma iniciativa da Fede- na vila fronteiriça de Namaacha.
ração Moçambicana de Atletismo No dia 8 de Março, terça-feira, o
de

(FMA), com o alto patrocínio da mesmo deverá escalar a província


mcel-Moçambique Celular. de Manica, com a realização de
uma maratona no distrito de Van-
A corrida pedestre de Chibuto, que duzi.
teve um percurso de 10 quilóme- A FMA, em parceria com a mcel,
tros, contou com a participação de tem como objectivo organizar um
aproximadamente 800 atletas de total de 22 maratonas da “Corrida
ambos os sexos, sem nenhuma dis- Pela Paz”, sendo duas por cada uma
tinção de categorias. das províncias do País.
io

Estiveram igualmente
presentes nesta 4ª edição
da “Corrida Pela Paz”,
diversas individualidades
locais da arena política e
ár

desportiva, com destaque


para o secretário perma-
nente, Adolfo Manuel
Agostinho Macie, o re-
presentante do presiden-
te do Conselho Munici-
Di

pal, Cremildo Macuacua


e o director do Serviço de
Educação, Naldo Tiago
Muchanga.
O vencedor desta mara-
tona recebeu um prémio
monetário de 10 mil
meticais, enquanto o se-
gundo e o terceiro classi-
ficados amealharam 7 mil
e 5 mil meticais, respec-
tivamente. Os restantes
participantes receberam
material escolar diverso,
entre vários outros brin-
des oferecidos pela mcel.
Importa destacar que a
4 Savana 04-03-2016
EVENTOS

Maior Feira do livro flutuante MICULT e Fundação


do mundo em Moçambique Couto assinam
acordo de cooperação

o
Por Jeque de Sousa

A
maior feira flutuante do blioteca flutuante oferece, a preços uma organização internacional de Por Jeque de Sousa
mundo visita pela primeira acessíveis, uma selecção de mais de caridade registada na Alemanha, a

O
vez o nosso país, de 24 de 5000 títulos diferentes, cobrindo Logos Hope é a segunda bibliote- Ministério da Cultura e este acordo só é a formalização

log
Fevereiro a 14 de Março, uma gama de assuntos, incluin- ca flutuante a escalar o nosso país, Turismo e a Fundação daquilo que a fundação já está
do ciência, desporto, passatempos, depois do seu predecessor, Dou- Fernando Leite Couto a fazer, só agora com mais con-
enquadrado numa excursão que o
culinária, artes, medicina, línguas e los em 2005, que recebeu cerca de assinaram esta quarta- forto”, disse Mia Couto.
navio Logos Hope está a realizar Por seu turno, o Ministro da
filosofia. A biblioteca oferece ainda 21.500 visitantes. -feira, 24 de Fevereiro, na Cida-
pelo continente africano, com pa- de de Maputo, um Memorando Cultura e Turismo disse que
um espaço maior para os visitantes; De referir que, desde 1970, a orga-
ragem única em Maputo. de Cooperação na área das artes o acordo ora assinado visa a
com espaço para navegação, feira nização tem recebido mais de 45
e cultura. disponibilização de livros à so-
do livro e Café Internacional. milhões de visitantes, em mais de ciedade, sobretudo no que diz
Com mais de 400 voluntários, a bi- Operado por Navios GBA e.V., 160 países e todo o mundo. O acordo assinado pelo repre- respeito ao incentivo de leitura
sentante da Fundação Fernando para a aquisição do conheci-

ció
Leite Couto, Mia Couto, e o mento.
Ministro da Cultura e Turismo, “Este protocolo visa necessaria-

Livaningo defende políticas de Silva Dunduro, é a formalização


do trabalho que já vem sendo re-
alizado pela fundação, mas que
mente fazer com que haja mais
livros, não só editados em Mo-
çambique, como fora dele e que
necessitava de ser feito com al- mais livros cheguem às pessoas

luta pela saúde ambiental gum conforto, segundo o escritor.


“Este acordo formaliza a cola-
boração nas áreas em que a fun-
que possam consumir para a
socialização das nossas comu-
nidades, portanto queremos

so
dação tem alguma intervenção, incentivar a leitura a diferentes

A
Livaningo, uma Organiza- cloroetano, um pesticida moderno entidades de controlo de movimen-
enquanto pequena entidade da camadas da sociedade e só po-
ção da Sociedade Civil que usado para o combate aos mosqui- to dos produtos nas fronteiras”, su-
sociedade, nós agora contamos demos fazer com esse tipo de
luta pela saúde ambiental, tos). geriu Marla Abigail Chamusse, em
com um apoio mais formal por parcerias”, disse Silva Dunduro.
defendeu num seminário Moçambique, representado pela representação a Moçambique.
parte do ministério, particular- O acordo irá ainda facilitar a
em Lisboa a criação de políticas Livaningo e Ministérios de Agri- Chamusse acrescentou ainda que o
mente naquilo que é a edição de importação de bens de carácter
rigorosas em Moçambique para o cultura e Segurança Alimentar e país tem muitos desafios pela fren-
textos para jovens, o trabalho de literário técnico e artístico. À
controlo de pesticidas e produtos da Saúde, apresentou na ocasião as te por isso “esperamos que possa-
preparação dos próprios jovens luz do acordo, o ministério da
perigosos. O evento teve lugar em dificuldades na gestão de pestici- mos atingir bons resultados nos
próximos anos com relação a este para serem eventualmente escri- Cultura poderá também se pro-
Dezembro último e era exclusivo das, dificuldades estas que começam tores e poetas, nas oficinas lite- nunciar sobre as propostas dos
um
para os países da CPLP – Comuni- desde aquisição, manuseamento, dilema. Em relação a outros paí-
ses que participaram, Moçambique rárias e de escrita criativa. Este projectos a serem levados a cabo
dade dos Países Língua Portuguesa. armazenamento, distribuição e con- trabalho já estava a ser feito e pela fundação.
encontra-se
ntra-se em melhores condições
Organizado pelo FAO – Organi- trolo geral. “O governo deve ter en-
em termos de pesticidas obsoletos.
zação das Nações Unidas para Ali- contros regulares com os países da Esperamos estar como Cabo verde
mentação, o seminário contou com região no sentido de desenhar estra- onde o uso de pesticidas tem sido
Moçambique e tinha como um dos tégias do movimento de pesticidas bastante reduzido”, finalizou.
objectivos promover a responsabi- e traçar estratégias de remoção do Recorde-se que este foi o primei-
lidade compartilhada e os esforços DDT do mercado informal. Deve
cooperativos entre as partes no co-
mércio internacional de certas subs-
ainda resolver os problemas de im-
portação ilegal de Methamidophos
ro seminário organizado pela FAO
Portugal e participaram cinco países Osga Marta Towo
da CPLP, nomeadamente Brasil,
tâncias químicas perigosas, visando nas fronteiras, responsabilização Angola, Moçambique e Cabo verde, Agradecimentos
a protecção da saúde humana e do dos comerciantes de pesticidas e Guiné Bissau e São Tome e prínci-
de

meio ambiente contra danos po- contribuir no fortalecimento


talecimento das pe.(R.R)
pe. (R.R) Seu irmão Serôdio Towo,
tenciais. Por outro lado, pretendia- sua cunhada Helena Salva-
-se contribuir para o uso ambien- GRU VHXV ÀOKRV VREULQKRV H
talmente correcto desses produtos, a família Towo em geral, vem
facilitando o intercâmbio de infor- por meio desta, endereçar
mações sobre as suas características, palavras de agradecimento
estabelecendo um processo decisó- a todos os amigos, vizinhos
rio nacional para importação e ex- e aos demais pelo apoio in-
portação. condicional prestado duran-
Vários pontos foram discutidos, mas te o período em que, Osga
io

principalmente a questão da identi- Marta Towo, esteve doente


ficação de problemas de importação EHP FRPR GHSRLV GR VHX ID-
de pesticidas, acções chaves levados lecimento. Osga Marta Towo,
a cabo para diminuição das impor- perdeu a vida no passado dia dia 25 do mesmo mês no ce-
tações e alternativas e implicações 23 de Fevereiro 2016, no HCM mitério de Michafutene. Paz
ár

do Uso de DDT (Diclorodifeniltri- e o seu funeral realizou-se no à sua Alma.


Di