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PROCESSO CIVIL

Os Procedimentos
17 Especiais II

17.1 – Os Procedimentos Especiais de Jurisdição


Contenciosa

Inventário e Partilha
Noções Iniciais:
O inventário é o procedimento especial de jurisdição contenciosa, cuja finalidade é declarar a
transmissão da herança e a atribuição dos quinhões dos sucessores. O inventário judicial sempre será
observado quando houver testamento ou interessado capaz. Se todos forem capazes e concordes, o
inventário e a partilha poderão ser feitos por escritura pública, a qual constituirá título hábil para o
registro imobiliário (CPC, art. 982).

O tabelião somente lavrará a escritura pública se todas as partes interessadas estiverem


assistidas por advogado comum ou advogados de cada uma delas, cuja qualificação e
assinatura constarão do ato notarial (CPC, art. 982, parágrafo único).

Prazo:
O processo de inventário e partilha deve ser aberto dentro de 60 dias a contar da abertura da
sucessão, terminando nos 12 meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar tais prazos, de ofício ou a
requerimento de parte (CPC, art. 983).

Até que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio na posse do administrador


provisório que representará ativa e passivamente o espólio, respondendo pelo dano a que, por
dolo ou culpa, der causa. Ele é obrigado a trazer ao acervo os frutos que desde a abertura da
sucessão percebeu e tem direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fizer.

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O inventário será sempre judicial?
Sim, deverá sempre ser judicial, ainda que todas as partes sejam capazes e não exista conflito
de interesses entre elas. A justificativa é que, para caracterizar um procedimento contencioso,
basta existir a possibilidade de lide (lide hipotética), não sendo necessária a existência de lide,
a priori. A única exceção é uma forma anômala de sucessão, aplicável a valores tais como
salários e rendimentos, FTGS, etc., dentro de determinados limites.

Inventário Negativo:
Inventário negativo é aquele em que o de cujus não deixou bens, ou ainda, quando os sucessores
devam cumprir, necessariamente, obrigações assumidas pelo falecido, ou ainda, se necessário que se
produzam documentos que acarretam efeitos jurídicos (ex: novo casamento do cônjuge supérstite,
que só poderá convolar núpcias, tendo tido filhos com o primeiro marido, após fazer o inventário dos
bens do casal e der partilha aos herdeiros).

Legitimidade para Requerer o Inventário:


Tem legitimidade para requerer o inventário aquele que estiver na posse e administração do espólio
(CPC, art. 987). Tem, contudo, conforme o art. 988 do Código de Processo Civil, legitimidade
concorrente para requerer o inventário:
ƒ o cônjuge supérstite;
ƒ o herdeiro;
ƒ o legatário;
ƒ o testamenteiro;
ƒ o cessionário do herdeiro ou do legatário;
ƒ o credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança;
ƒ o síndico da falência do herdeiro, do legatário, do autor da herança ou do cônjuge supérstite;
ƒ o Ministério Público, havendo herdeiros incapazes;
ƒ a Fazenda Pública, quando tiver interesse.

A quem estiver na posse e administração do espólio incumbe, no prazo estabelecido,


requerer o inventário e a partilha. O requerimento será instruído com a certidão de
óbito do autor da herança.

O juiz determinará, de ofício, que se inicie o inventário, se nenhuma das pessoas mencionadas
o requerer no prazo legal (CPC, art. 989).

O Inventariante:
O art. 990 do Código de Processo Civil dispõe sobre a relação de pessoas que o juiz poderá nomear
como inventariante:
ƒ o cônjuge sobrevivente casado sob o regime de comunhão, desde que estivesse convivendo
com o outro ao tempo da morte deste;
ƒ o herdeiro que se achar na posse e administração do espólio, se não houver cônjuge supérstite
ou este não puder ser nomeado;
ƒ qualquer herdeiro, nenhum estando na posse e administração do espólio;

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ƒ o testamenteiro, se lhe foi confiada a administração do espólio ou toda a herança estiver
distribuída em legados;
ƒ o inventariante judicial, se houver;
ƒ pessoa estranha idônea, onde não houver inventariante judicial.

O inventariante, intimado da nomeação, prestará, dentro de 5 dias o compromisso de bem e


fielmente desempenhar o cargo (CPC, art. 990, parágrafo único).

Funções do Inventariante:
É incumbência do inventariante:
ƒ representar o espólio ativa e passivamente, em juízo ou fora dele;
ƒ administrar o espólio, velando-lhe os bens com a mesma diligência como se fossem seus;
ƒ prestar as primeiras e últimas declarações pessoalmente ou por procurador com poderes
especiais;
ƒ exibir em cartório, a qualquer tempo, para exame das partes, os documentos relativos ao
espólio;
ƒ juntar aos autos certidão do testamento, se houver;
ƒ trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente, renunciante ou excluído;
ƒ prestar contas de sua gestão ao deixar o cargo ou sempre que o juiz lhe determinar;
ƒ requerer a declaração de insolvência (art. 748).

Cabe ainda ao inventariante, ouvidos os interessados e com autorização do juiz (CPC, art.
992):
ƒ alienar bens de qualquer espécie;
ƒ transigir em juízo ou fora dele;
ƒ pagar dívidas do espólio;
ƒ fazer as despesas necessárias com a conservação e o melhoramento dos bens do espólio.

Primeiras Declarações:
Dentro de 20 dias, contados da data em que prestou o compromisso, fará o inventariante as primeiras
declarações, das quais se lavrará termo circunstanciado. No termo, assinado pelo juiz, escrivão e
inventariante, serão exarados:
ƒ o nome, estado, idade e domicílio do autor da herança, dia e lugar em que faleceu e bem ainda
se deixou testamento;
ƒ o nome, estado, idade e residência dos herdeiros e, havendo cônjuge supérstite, o regime de
bens do casamento;
ƒ a qualidade dos herdeiros e o grau de seu parentesco com o inventariado;
ƒ a relação completa e individuada de todos os bens do espólio e dos alheios que nele forem
encontrados, descrevendo-se:
a) os imóveis, com as suas especificações, nomeadamente local em que se encontram,
extensão da área, limites, confrontações, benfeitorias, origem dos títulos, números das
transcrições aquisitivas e ônus que os gravam;
b) os móveis, com os sinais característicos;
c) os semoventes, seu número, espécies, marcas e sinais distintivos;

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d) o dinheiro, as jóias, os objetos de ouro e prata, e as pedras preciosas, declarando-se-lhes
especificadamente a qualidade, o peso e a importância;
e) os títulos da dívida pública, bem como as ações, cotas e títulos de sociedade,
mencionando-se-lhes o número, o valor e a data;
f) as dívidas ativas e passivas, indicando-se-lhes as datas, títulos, origem da obrigação, bem
como os nomes dos credores e dos devedores;
g) direitos e ações;
h) o valor corrente de cada um dos bens do espólio.

O juiz determinará que se proceda:


ƒ ao balanço do estabelecimento, se o autor da herança era comerciante em nome
individual;
ƒ a apuração de haveres, se o autor da herança era sócio de sociedade que não anônima.

Sonegação:
Sonegação é a ocultação dolosa de bens do espólio. Ocorre se os bens não são descritos pelo
inventariante e também se não forem trazidos à colação pelo donatário. Só se pode arguir de
sonegação ao inventariante depois de encerrada a descrição dos bens, com a declaração, por ele feita,
de não existirem outros por inventariar (CPC, art. 984).

Remoção do Inventariante:
O inventariante poderá ser removido durante o processo. Requerida a remoção, o inventariante será
intimado para defender-se e produzir provas no prazo de 5 dias, após o que o juiz decidirá se remove
o inventariante, indicando outro para o lugar. São causas para a remoção do inventariante:
ƒ se não prestar, no prazo legal, as primeiras e as últimas declarações;
ƒ se não der ao inventário andamento regular, suscitando dúvidas infundadas ou praticando atos
meramente protelatórios;
ƒ se, por culpa sua, se deteriorarem, forem dilapidados ou sofrerem dano bens do espólio;
ƒ se não defender o espólio nas ações em que for citado, deixar de cobrar dívidas ativas ou não
promover as medidas necessárias para evitar o perecimento de direitos;
ƒ se não prestar contas ou as que prestar não forem julgadas boas;
ƒ se sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio.

O inventariante removido entregará imediatamente ao substituto os bens do espólio; deixando


de fazê-lo, será compelido mediante mandado de busca e apreensão, ou de emissão na posse,
conforme se tratar de bem móvel ou imóvel (art. 998).

Citação:
Feitas as primeiras declarações, o juiz mandará citar, para os termos do inventário e partilha, o
cônjuge, os herdeiros, os legatários, a Fazenda Pública, o Ministério Público, se houver herdeiro
incapaz ou ausente, e o testamenteiro, se o finado deixou testamento (CPC, art. 999).

Impugnações:
Concluídas as citações, será aberta vista às partes, em cartório e pelo prazo comum de 10 dias, para
dizerem sobre as primeiras declarações. Cabe à parte:
ƒ arguir erros e omissões;
ƒ reclamar contra a nomeação do inventariante;

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ƒ contestar a qualidade de quem foi incluído no título de herdeiro.

A Avaliação:
Depois das manifestações sobre as declarações, o juiz nomeará um perito para avaliar os bens do
espólio, se não houver na comarca avaliador judicial. Entregue o laudo de avaliação, o juiz mandará
que sobre ele se manifestem as partes no prazo de 10 dias, que correrá em cartório.

O juiz mandará repetir a avaliação:


ƒ quando viciada por erro ou dolo do perito;
ƒ quando se verificar, posteriormente à avaliação, que os bens apresentam defeito que lhes
diminui o valor.

Cálculo do Imposto:
Aceito o laudo ou resolvidas as impugnações suscitadas a seu respeito será lavrado em seguida o
termo de últimas declarações, no qual o inventariante poderá emendar, aditar ou completar as
primeiras (CPC, art. 1.011). Ouvidas as partes sobre as últimas declarações no prazo comum de 10
dias, proceder-se-á ao cálculo do imposto (CPC, art. 1.012). Feito o cálculo, sobre ele serão ouvidas
todas as partes no prazo comum de 5 dias, que correrá em cartório e, em seguida, a Fazenda Pública.
Se houver impugnação julgada procedente, ordenará o juiz novamente a remessa dos autos ao
contador, determinando as alterações que devam ser feitas no cálculo. Cumprido o despacho, o juiz
julgará o cálculo do imposto.

As Colações:
A colação tem por objetivo igualar as legítimas dos herdeiros. Trazer à colação significa reconstituir-
se do acervo hereditário, em caso de aditamento da legítima, para permitir a justa divisão dos bens
entre os herdeiros.

O Pagamento das Dívidas:


Antes da partilha, poderão os credores do espólio requerer ao juízo do inventário o pagamento das
dívidas vencidas e exigíveis (CPC, art. 1.017).

A Partilha:
Após o pagamento de todas as dívidas, o juiz facultará às partes que, no prazo comum de 10 dias,
formulem o pedido de quinhão; em seguida proferirá, no prazo de 10 dias, o despacho de deliberação
da partilha, resolvendo os pedidos das partes e designando os bens que devam constituir quinhão de
cada herdeiro e legatário.

Esboço da Partilha:
O partidor organizará o esboço da partilha de acordo com a decisão. Feito o esboço, dirão sobre ele
as partes no prazo comum de 5 dias. Resolvidas as reclamações, será a partilha lançada nos autos. O
esboço da partilha deverá observar os pagamentos na seguinte ordem:
ƒ dívidas atendidas;
ƒ meação do cônjuge;
ƒ meação disponível;
ƒ quinhões hereditários, a começar pelo co-herdeiro mais velho.

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Julgamento da Partilha:
Pago o imposto de transmissão a título de morte, e junta aos autos certidão ou informação negativa de
dívida para com a Fazenda Pública, o juiz julgará por sentença a partilha (CPC, art. 1.026). Passada
em julgado a sentença, receberá o herdeiro os bens que lhe tocarem e um formal de partilha, do qual
constarão as seguintes peças:
ƒ termo de inventariante e título de herdeiros;
ƒ avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro;
ƒ pagamento do quinhão hereditário;
ƒ quitação dos impostos;
ƒ sentença.

O formal de partilha poderá ser substituído por certidão do pagamento do quinhão hereditário,
quando este não exceder 5 (cinco) vezes o salário mínimo vigente na sede do juízo; caso em
que se transcreverá nela a sentença de partilha transitada em julgado.

Emendas:
A partilha, ainda depois de passar em julgado a sentença, pode ser emendada nos mesmos autos do
inventário, convindo todas as partes, quando tenha havido erro de fato na descrição dos bens; o juiz,
de ofício ou a requerimento da parte, poderá, a qualquer tempo, corrigir-lhe as inexatidões materiais
(CPC, art. 1.028).

Anulação:
A partilha amigável, lavrada em instrumento público, reduzida a termo nos autos do inventário ou
constante de escrito particular homologado pelo juiz, pode ser anulada, por dolo, coação, erro
essencial ou intervenção de incapaz (CPC, art. 1.029). O direito de propor ação anulatória de partilha
amigável prescreve em 1 ano, contado este prazo:
ƒ no caso de coação, do dia em que ela cessou;
ƒ no de erro ou dolo, do dia em que se realizou o ato;
ƒ quanto ao incapaz, do dia em que cessar a incapacidade.

É rescindível a partilha julgada por sentença:


ƒ nos casos mencionados para a anulação;
ƒ se feita com preterição de formalidades legais;
ƒ se preteriu herdeiro ou incluiu quem não o seja.

O Arrolamento:
O arrolamento é um processo judicial simplificado de declaração de transmissão de bens, cabível
quando as partes requeiram partilha amigável. São modalidades de arrolamento:
ƒ sumário: quando a partilha for entre maiores e capazes;
ƒ pelo valor: quando os bens do espólio não ultrapassarem o valor legal, sejam ou não os
herdeiros capazes.

Sobrepartilha:
Sobrepartilha é a nova partilha, realizada após a amigável ou a judicial. Ficam sujeitos à
sobrepartilha os bens sonegados, da herança que se descobrirem depois da partilha, litigiosos (assim

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como os de liquidação difícil ou morosa) e os situados em lugar remoto da sede do juízo onde se
processa o inventário. Será observada na sobrepartilha dos bens o processo de inventário e partilha. A
sobrepartilha correrá nos autos do inventário do autor da herança.

Embargos de Terceiros
Noções Iniciais:
Cabem os embargos de terceiros sempre que bens pertencentes ou em poder de terceiro, estranhos a
um processo de execução forçada, estejam ameaçados de serem por ele atingidos. É um processo
cognitivo autônomo e incidente, destinado à proteção da propriedade ou da posse de bens de terceiro,
passíveis de sofrerem violação (turbação ou esbulho em sua posse), em virtude de ato de apreensão
judicial.

Art. 1.046 - Quem, não sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho na posse de seus bens
CÓDIGO DE por ato de apreensão judicial, em casos como o de penhora, depósito, arresto, sequestro, alienação
PROCESSO judicial, arrecadação, arrolamento, inventário, partilha, poderá requerer lhe sejam manutenidos ou
CIVIL
restituídos por meio de embargos.

§ 1º - Os embargos podem ser de terceiro senhor e possuidor, ou apenas possuidor.

§ 2º - Equipara-se a terceiro a parte que, posto figure no processo, defende bens que, pelo título de
sua aquisição ou pela qualidade em que os possuir, não podem ser atingidos pela apreensão judicial.

§ 3º - Considera-se também terceiro o cônjuge quando defende a posse de bens dotais, próprios,
reservados ou de sua meação.

Qual a finalidade dos embargos de terceiro?


Visam a exclusão de bens, da constrição judicial de um processo de execução, em que o
senhor ou possuidor não integrou a lide. Completam a sistemática dos limites subjetivos da
coisa julgada, já que esta não pode beneficiar nem prejudicar terceiros.

Admitem-se ainda embargos de terceiro:


ƒ para a defesa da posse, quando, nas ações de divisão ou de demarcação, for o imóvel
sujeito a atos materiais, preparatórios ou definitivos, da partilha ou da fixação de rumos;
ƒ para o credor com garantia real obstar alienação judicial do objeto da hipoteca, penhor ou
anticrese.

Procedimento:
Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não
transitada em julgado a sentença, e, no processo de execução, até 5 dias depois da arrematação,
adjudicação ou remição, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta (CPC, art. 1.048). Os
embargos serão distribuídos por dependência e correrão em autos distintos perante o mesmo juiz que
ordenou a apreensão (CPC, art. 1.049). O embargante, em petição elaborada com observância do
disposto no art. 282, fará a prova sumária de sua posse e a qualidade de terceiro, oferecendo
documentos e rol de testemunhas (CPC, art. 1.050). É facultada a prova da posse em audiência
preliminar designada pelo juiz. O possuidor direto pode alegar, com a sua posse, domínio alheio.

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Julgamento:
Julgando suficientemente provada a posse, o juiz deferirá liminarmente os embargos e ordenará a
expedição de mandado de manutenção ou de restituição em favor do embargante, que só receberá os
bens depois de prestar caução de os devolver com seus rendimentos, caso sejam afinal declarados
improcedentes. Quando os embargos versarem sobre todos os bens, determinará o juiz a suspensão
do curso do processo principal; versando sobre alguns deles, prosseguirá o processo principal
somente quanto aos bens não embargados.

Contestação dos Embargos:


Os embargos poderão ser contestados no prazo de 10 dias (CPC, art. 1.053) Contra os embargos do
credor com garantia real, somente poderá o embargado alegar que:
ƒ o devedor comum é insolvente;
ƒ o título é nulo ou não obriga a terceiro;
ƒ outra é a coisa dada em garantia.

Habilitação
Noções Iniciais:
A morte de qualquer das partes ocasiona a suspensão do processo (CPC, art. 265, I), porque é
necessário que os sucessores do falecido venham integrar a relação jurídica processual, para que esta
possa continuar seu desenvolvimento regular. A habilitação é o procedimento especial que visa a
trazer os sucessores da parte falecida para o processo, de modo a viabilizar seu prosseguimento. Ela
tem lugar quando, por falecimento de qualquer das partes, os interessados houverem de suceder-lhe
no processo (CPC, art. 1.055).

Na hipótese de ser a ação intransmissível, ocorrerá a extinção do processo (CPC, art. 267, IX).

Procedimento:
A habilitação pode ser requerida pela parte (em relação aos sucessores do falecido) ou pelos
sucessores do falecido (em relação à parte) (CPC, art. 1.056). Recebida a petição inicial, ordenará o
juiz a citação dos requeridos para contestar a ação no prazo de 5 dias (CPC, art. 1.057). Não havendo
contestação, o juiz decidirá em 5 dias. Achando-se a causa no tribunal, a habilitação será processada
perante o relator e será julgada conforme o disposto no regimento interno (CPC, art. 1.059). Passada
em julgado a sentença de habilitação, ou admitida a habilitação nos casos em que independer de
sentença, a causa principal retomará o seu curso (CPC, art. 1.062).

Restauração de Autos
Noções Iniciais:
Os autos são a documentação do processo. Os autos provam a prática dos atos processuais,
demonstram a sua prática e seu conteúdo. Desaparecidos estes, o processo se interrompe, não sendo
possível seu prosseguimento. A ação de restauração de autos desaparecidos tem por finalidade
recompor os autos de processo ainda em curso, na hipótese de não haver autos suplementares. Pouco
importa a causa do desaparecimento: perda, com ou sem culpa do responsável, destruição por fato da

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natureza ou por outro ato de alguém, ou qualquer outra causa. Sempre será cabível a restauração, se
os autos originais não existem mais, pois o objetivo não é a apuração de responsabilidades, o que será
verificado em outra ação (civil ou criminal), mas a recuperação dos autos. Todos os elementos
disponíveis poderão ser utilizados para a restauração. Não apenas os documentos, como também a
memória. Tudo de quanto se recordarem os sujeitos processuais poderá ser útil para a recomposição
dos autos desaparecidos. Verificado o desaparecimento dos autos, pode qualquer das partes
promover-lhes a restauração.

Procedimento:
Na petição inicial declarará a parte o estado da causa ao tempo do desaparecimento dos autos,
oferecendo certidões dos atos constantes do protocolo de audiências do cartório por onde haja corrido
o processo, cópia dos requerimentos que dirigiu ao juiz e quaisquer outros documentos que facilitem
a restauração (CPC, art. 1.064). A parte contrária será citada para contestar o pedido no prazo de 5
dias, cabendo-lhe exibir as cópias, contrafés e mais reproduções dos atos e documentos que estiverem
em seu poder (CPC, art. 1.065). Se a parte concordar com a restauração, será lavrado o respectivo
auto que, assinado pelas partes e homologado pelo juiz, suprirá o processo desaparecido. Se o
desaparecimento dos autos tiver ocorrido depois da produção das provas em audiência, o juiz
mandará repeti-las (CPC, art. 1.066). Julgada a restauração, seguirá o processo os seus termos (CPC,
art. 1.067).

Quem houver dado causa ao desaparecimento dos autos responderá pelas custas da
restauração e honorários de advogado, sem prejuízo da responsabilidade civil ou penal em que
incorrer (CPC, art. 1.069).

Vendas a Crédito com Reserva de Domínio


Denomina-se venda a crédito com reserva de domínio o contrato pelo qual o comprador recebe a
posse da coisa, mas a transmissão do domínio fica sujeita a cláusula suspensiva, qual seja, o
pagamento das prestações pactuadas. Somente com pagamento integral do preço é que ocorre a
transferência da propriedade. Ou seja, o vendedor reserva, para si, o domínio, até o pagamento
integral do preço. Só é cabível para bens móveis.

Ação Monitória
Noções Iniciais:
A ação monitória compete a quem pretender, com base em prova escrita sem eficácia de título
executivo, pagamento de soma em dinheiro, entrega de coisa fungível ou de determinado bem móvel
(CPC, art. 1.102-A). A tutela monitória foi criada para aquelas situações em que, embora não exista
título executivo, há concretamente forte aparência de que aquele que se afirma credor tenha razão.
Através do procedimento monitório, busca-se a rápida formação do título executivo – um atalho para
o processo de execução -, naqueles casos em que cumulativamente há concreta e marcante
possibilidade de existência de crédito e o réu, regularmente citado, não apresenta defesa nenhuma.

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A prova escrita é qualquer documento isolado ou grupo de documentos conjugados de que
seja possível o juiz extrair razoável convicção acerca da plausibilidade da existência do
crédito pretendido. A prova escrita não pode já ter força de título executivo, pois sendo a
finalidade do processo monitório a geração de um título executivo rapidamente, seu emprego
é inútil por aqueles que já detêm tal título.

Procedimento:
São características do procedimento monitório:
ƒ A petição inicial devidamente instruída com a prova escrita. A narrativa e a prova escrita
deverão conter (ainda que indiretamente) a constituição (evento gerador) e a exigibilidade
(ocorrência do termo ou condição) do crédito.
ƒ Havendo defeito na inicial, o juiz dará oportunidade para o autor apresentar novos documentos
ou emendar a inicial. Havendo defeito insanável ou não se dispondo o autor a emendar a
inicial, o juiz proferirá sentença extinguindo o processo monitório. Contra ela caberá apelação.
ƒ Estando a inicial em ordem, o juiz deferirá de plano a expedição do mandado de pagamento ou
de entrega da coisa no prazo de quinze dias (CPC, art. 1.102-B). Não caberá recurso contra essa
decisão.
ƒ Cumprindo o réu o mandado, ficará isento de custas e honorários advocatícios (CPC, art.
1.102-C, § 1º).
ƒ Neste prazo de quinze dias, o réu poderá oferecer embargos, que suspenderão a eficácia do
mandado inicial (CPC, art. 1.102-C).
ƒ Os embargos independem de prévia segurança do juízo e serão processados nos próprios autos,
pelo procedimento ordinário (CPC, art. 1.102-C, § 2º).
ƒ Se os embargos não forem opostos, será constituído, de pleno direito, o título executivo
judicial, convertendo-se o mandado inicial em mandado executivo (CPC, art. 1.102-C).
ƒ Da mesma forma, se os embargos forem rejeitados, também será constituído, de pleno direito,
o título executivo judicial, intimando-se o devedor (CPC, art. 1.102-C, § 3º).
ƒ O recurso cabível contra a sentença de acolhimento ou rejeição de embargos é o de apelação
(CPC, art. 513), a ser recebida no duplo efeito.

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Questões de Concursos

Nas questões a seguir, assinale a alternativa que julgue correta.

01 - (Magistratura/MG – 2005) Opostos os embargos de terceiro, o juiz:


( ) a) determinará, em qualquer hipótese, a suspensão do curso do processo principal.
( ) b) determinará o prosseguimento do processo principal mediante prestação de caução.
( ) c) determinará o prosseguimento do processo principal até a eventual alienação dos bens
apreendidos.
( ) d) somente determinará a suspensão do curso do processo principal se os embargos
versarem sobre todos os bens apreendidos.

02 - (Magistratura/MG – 2005) A partilha amigável celebrada entre partes capazes, mediante a prova
da quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas, será homologada
pelo juiz:
( ) a) de plano.
( ) b) após a audiência do fisco.
( ) c) após a juntada das certidões negativas.
( ) d) após a audiência do fisco e, eventualmente, do Ministério Público.

03 - (Magistratura/MG – 2005)
No procedimento monitório, não opostos os embargos, e não
cumprindo o réu o mandado, constituir-se-á:
( ) a) de pleno direito, o título executivo extrajudicial.
( ) b) de pleno direito, o título executivo judicial.
( ) c) após decisão do juiz, o título executivo judicial.
( ) d) após decisão do juiz, o título executivo extrajudicial.

04 - (Magistratura/SP – 173) Para recepção da petição inicial de ação monitória e expedição do


mandado injuntivo, é indispensável prova escrita. Qual alternativa satisfaz a exigência
legal?
( ) a) Duplicata mercantil sem aceite, com comprovante da entrega da mercadoria e
protestada.
( ) b) Nota fiscal do produtor pela compra e venda de gado.
( ) c) Cheques dados em garantia de contrato mútuo.
( ) d) Cobrança por serviços de conservação e manutenção de lote de terreno, segundo
previsão no contrato padrão do loteamento.

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05 - (Ministério Público/SP – 82) Na ação monitória, em sendo deferida a inicial, determinando o Juiz
a expedição de mandado de pagamento ou de entrega da coisa, essa decisão
( ) a) comporta impugnação através do recurso de apelação recebida nos efeitos suspensivos
e devolutivo.
( ) b) comporta impugnação através do recursos de apelação recebida somente no efeito
devolutivo.
( ) c) comporta impugnação através do recurso de agravo de instrumento.
( ) d) comporta impugnação através do recurso de agravo retido.
( ) e) é irrecorrível.

06 - (Procurador/GO – 8) Quanto à ação monitória é correto afirmar:


( ) a) que o réu deve oferecer embargos, no prazo de dez dias, sob pena de revelia;
( ) b) que rejeitados os embargos, fica constituído o título executivo judicial;
( ) c) que os embargos ao pedido inicial não produzem efeito suspensivo;
( ) d) que não é cabível contra pessoa jurídica.

07 - No curso de inventário, um dos herdeiros, em notória insolvência, transfere a terceiros


todos os seus direitos hereditários. O juiz, de ofício, declara a ineficácia dessa cessão de
direitos, sob o fundamento de existência de fraude contra credores. A iniciativa do juiz está
( ) a) correta, por atender aos fins sociais da lei, resguardando os direitos dos credores.
( ) b) incorreta, por depender de iniciativa do credor e anuência do inventariante, como
representante do espólio.
( ) c) correta, porque a fraude, pela cessão, não constitui questão de alta indagação, podendo
ser reconhecida, de plano, pelo juiz.
( ) d) incorreta, por depender de iniciativa do credor mediante o exercício de ação pauliana.

08 - Relativamente ao processo de inventário, assinale a alternativa incorreta.


( ) a) O requerimento de inventário e de partilha incumbe a quem esteja na posse e
administração do espólio.
( ) b) O inventário e a partilha devem ser requeridos dentro de 30 (trinta) dias, a contar da
abertura da sucessão, e o requerimento feito após esse prazo implica o seu
indeferimento pelo juiz.
( ) c) Apresentadas as primeiras declarações, o juiz mandará citar, para os termos do
inventário e partilha, o cônjuge, os herdeiros, os legatários, a Fazenda Pública, o
Ministério Público, se houver herdeiro incapaz ou ausente, e o testamento, se o
falecido deixou testamento.
( ) d) Feitas as citações, o juiz abrirá vistas às partes interessadas, em cartório e pelo prazo
comum de 10 (dez) dias, para se manifestarem sobre as primeiras declarações cabendo
às partes interessadas arguir erros e omissões, reclamar contra a nomeação do
inventariante, contestar a qualidade de quem foi incluído no título de herdeiro.

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09 - Os embargos de terceiro são conceituados como medida de natureza:
( ) a) declaratória visando a afastar ato de constrição praticado por particular;
( ) b) condenatória contra ameaça, esbulho ou turbação decorrente de ato administrativo;
( ) c) declaratória contra ameaça, esbulho ou turbação decorrente de ato judicial ilegal;
( ) d) constitutiva negativa contra ameaça, esbulho ou turbação proveniente de ato judicial
abusivo.

10 - Aquele que, não sendo parte no processo, sofre turbação na posse de determinado bem de
sua propriedade, por ato judicial, poderá requerer seja mantido na posse de tal bem, por
meio de:
( ) a) ação de manutenção de posse;
( ) b) ação de interdito proibitório;
( ) c) embargos de terceiro;
( ) d) oposição.

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Gabarito

01.D 02.A 03.B 04.C 05.E 06.B 07.D 08.B 09.D 10.C

Bibliografia

„ Curso Avançado de Processo Civil „ Direito Processual Civil Brasileiro


Luiz Rodrigues Wambier e outros Vicente Greco
Revista dos Tribunais Saraiva

„ Primeiras Linhas de Direito Processual Civil „ 1.000 Perguntas e Respostas de Processo Civil
Moacyr Amaral dos Santos José Cretella Júnior / José Cretella Neto
Saraiva Editora Forense

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Processo Civil
17 – Os Procedimentos Especiais II

Atualizada em 10.12.2011

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