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Capı́tulo 1

Sucessões

1.1 Noções Iniciais


Definição 1.1. Chama-se sucessão toda aplicação (função) U de N (ou N∗ para alguns autores) em
R.

A definição a cima afirma que a cada número natural i (1 ≤ i ≤ n) está associado um número real
ai . Designa-se por Un .
Aos valores imagens da sucessão chamam-se termos da sucessão e designam-se por u1 , u2 , . . . , un , . . .,
isto é, 1◦ termo, 2◦ termo, . . . , n−ésimo termo ou termo de ordem n. À expressão un chama-se
Termo Geral da sucessão.
Toda aplicação f de N∗ em U é finita, e a cada i ∈ N∗ está associado um ai ∈ R.
Na Matemática interessam a sucessões em que os termos se sucedem obedecendo uma certa regra,
isto é, aquelas que têm uma lei de formação que podem ser:

i) Forma recursiva ou de recorrência


São dados os primeiros termos (a1 , a2 , . . . , ai ); e para cada termo (an ) calcula-se a partir do
antecedentes (a1 , a2 . . . an−1 ).

Exemplo 1.1. 1. Escreva a sucessão Un cujos termos obedecen a seguinte fórmula de re-
corrência: 
u1 = 3
un = un−1 + 3; ∀n ∈ {2, 3, 4, 5, 6}

Temos:
n=2 ⇒ u2 = u1 + 3 = 2 + 3 = 5
n=3 ⇒ u3 = u2 + 3 = 5 + 3 = 8
n=4 ⇒ u4 = u3 + 3 = 8 + 3 = 11
n=5 ⇒ u5 = u4 + 3 = 11 + 3 = 14
n=6 ⇒ u6 = u5 + 3 = 14 + 3 = 17

então Un = {2, 5, 8, 11, 14, 17}

1
2

2. Escreva a sucessão de Fibonacci1 até ao sétimo termo, sabendo que ela obedece a seguinte
fórmula de recorrência.

 u1 = 1
u2 = 1 
un = un−1 + un−2

ii) Forma de termo geral(em função de sua posição)


É dada uma fórmula que expressa an em função de n.
Exemplo 1.2. 1. Escreva a sucessão que obedece à lei an = 2n , para os primeiros 4 termos.
a1 = 21 = 2


u2 = 22 = 4


Temos:
u = 23 = 8
 3


a4 = 24 = 16
2. Escreva os cinco primeiros termos iniciais da sucessão bn = 3n + 1;
1 − (−1)n
3. Escreva os primeiros 4 termos da sucessão dada por cn = . 
2
ii) Por propriedade dos termos
É dada uma propriedade que os termos da sucessão devem apresentar.
Exemplo 1.3. Escreva os cinco primeiros termos da sucessão dos números primos positivos
colocados em ordem crescente.

1.2 Monotonia
Definição 1.2. Diremos que uma sucessão é crescente (estritamente crescente) se e só se, para todo
o ı́ndice n, un for inferior ou igual (inferior) a un+1 . Ou seja, os termos de un crescem com os
ı́ndices. Simbolicamente
un+1
un ≤ un+1 ⇒ un+1 − un ≥ 0 ou ≥1 (un < un+1 ) ∀n ∈ N (1.1)
un
Definição 1.3. Diremos que uma sucessão é decrescente (estritamente decrescente) se e só se, para
todo o ı́ndice n, un for inferior ou igual (inferior) a un+1 . Ou seja, os termos de un decrescem com
os ı́ndices. Simbolicamente
un+1
un ≥ un+1 ⇒ un+1 − un ≤ 0 ou ≤1 (un > un+1 ) ∀n ∈ N. (1.2)
un
3n
Exemplo 1.4. Estudemos a monotonia da sucessão an = . Achemos
n+2
3(n + 1) 3n (3n + 3)(n + 2) − 3n(n + 3) 6
an+1 − an = − = = >0
n+1+2 n+2 (n + 3)(n + 2) (n + 3)(n + 2)
Logo, an é estritamente crescente. 
1
Leonardo Fibonacci (1170—1250) — matemático Italinano.
3

Observação 1.1. Uma sucessão crescente é limitada inferiormente, isto é, minorada. Pode ser, ou
não, limitada superiormente (majorada). Analogamente, qualquer sucessão decrescente é majorada,
podendo ser, ou não, minorada.

Antes de estudarmos os limites de sucessões estudemos antes algumas sucessões especiais.

1.3 Progressões
1.3.1 Progressão Aritmética
Definição 1.4. Diremos que uma sucessão é uma Progressão aritmética (PA) se é dada pelo
termo geral.
an = a1 + (n − 1)r ∀n ∈ N, n ≥ 2 (1.3)
onde r = un+1 − un e a1 são a razão e o primeiro termo da PA, respectivamente.

Nota 1.1. Se r > 0 a PA é crescente, e se r < 0 é decrescente.

Exemplo 1.5. Calcular o 17◦ termo da PA cujo o primeiro termo é 3 e cujo razão é 5. Escreva o
termo geral.
Solução:
Notando que a1 = 3 e r = 5, aplicando a fórmula da equação (1.3) temos:

a17 = a1 + (17 − 1)r = 3 + 16 · 5 = 83

Seu termo geral será

an = a1 + (n − 1)r = 3 + (n − 1)5 = 5n − 2 

Definição 1.5. A soma dos primeiros n termos de uma PA é dada por


n(n − 1) n(a1 + an )
Sn = na1 + r ⇒ Sn = . (1.4)
2 2
Exemplo 1.6. Calcular a soma dos 25 termos iniciais da PA (1, 7, 13, . . . ).
Solução
Sendo a1 = 1 e r = 6, temos:
a25 = a1 + 24r = 1 + 24 · 6 = 146

25(a1 + a25 ) 25(1 + 145)


S25 = = = 1825. 
2 2

1.3.2 Progressão Geométrica


Definição 1.6. Chama-se Progressão Geométrica (PG) uma sucessão dada pelo seguinte termo
geral:
un = u1 · q n−1 (1.5)
un+1
onde q = un e q são a razão e o primeiro termo da PG, respectivamente.
4

Nota 1.2. Se q > 1 diremos que a PG é crescente, enquanto que se q < 1 diremos que é decrescente.

Exemplo 1.7. Indique a razão e obtenha o 10◦ e 15◦ termos da PG (1, 2, 4, 8,. . . ). Escreva o termo
geral.
Solução
un+1 u2 u4 u3
q= = = = u2 =2
un u1 u3
u10 = u1 210−1 = 1 · 29 = 512

u15 = u1 510−1 = 1 · 214 = 4096

un = u1 · q n−1 = 2n−1 . 

Definição 1.7. A soma dos primeiros n termos de uma PG é dada por

a1 (q n − 1)
Sn = se a PG for crescente, i.e, q > 1 (1.6)
q−1

e/ou
a1 (1 − q n )
Sn = se a PG for decrescente, i.e, q < 1 (1.7)
1−q
Exemplo 1.8. Calcule a soma doa 10 primeiros termos da PG (1, 3, 9, 27, . . . ).
Solução
u2 u3 u3
q= = = = 3; a1 = 1
u1 u4 u2
a1 (q 10 − 1) 310 − 1
S10 = = = 29524
q−1 3−1

1.4 Exercı́cios
1. Dê a definição de sucessão

2. Quando diremos que a sucessão é crescente e\ou decrescente?

3. Determine as sucessões geradas pelas pelos seguintes termos:


n
a) Un = ;
2n − 1
b) Un = 1 − n2 ;
3n − 1
c) Un = ;
2n + 1
1
d) Un = √ .
n
5

4. Considere as sucessões dadas no Exercı́cio anterior. Aplicando a definição diga quais são cres-
centes e\ou decrescentes?

5. Considere as sucessões dadas e determine os respectivos termos gerais;

a) 3, 7, 11, 15 . . .;
1 1 1
b) , , , . . .;
2 2 3
c) 0, 3, 8, 15, . . .;
5 8 11
d) 2, , , , . . ..
2 3 4
n−2
6. Seja a sucessão Un = .
2n − 1
7 1
a) Mostre que e são termos de Un ;
17 3
3
b) Mostre que não é termo de Un .
5
1 1
7. Seja a sucessão −1, − , 0, , . . ..
4 8
a) Ache o termo geral da sucessão;
b) Encontre os termos de sétima e nona ordem respectivamente.

8. Determine se as sucessões dadas são P.A? Caso sejam ache a sua respectiva razão e o termo geral

a) 3, 6, 8, 11, . . .
b) 3, 7, 11, 15, . . .
c) 2, 4, 8, 16, . . .
d) 1, −3, 5, −7, . . .
e) 3, 3, 3, 3, . . .
f) 2, 4, 6, 8, . . .

9. Seja dada uma P.A em que o primeiro termo é 20 e a razão é -3. Qual a ordem dos termos:

a) 8;
b) −1;
c) −4.

10. Numa P.A o quinto termo é 18 e o oitavo é 30. Determine a razão e a expressão do termo geral;

11. Dada uma P.A com r = 4 U8 = 31 ache:

a) U1 ;
b) Achar o termo geral;
6

12. Dada asucessão 1,3,5,7,...

a) Escreva o termo geral da sucessão;


b) Calcule o sexto e o décimo-primeiro termo da sucessão;
c) Verifique se 51 é termo da sucessão dada;
d) Calcule a soma dos primeiros 10 termos consecutivos.

13. A soma dos 10 primeiros termos consecutivos duma P.A é iqual a 100 (S10 = 100). Sabendo
que U1 = 1 determine:

a) U10
b) Ache a razão da sucessão;
c) O termo geral da sucessão;
d) Verifique se 20 é termo dessa sucessão.

14. Sabe-se que a razão de uma P.A é igual a 3 (r = 3) e o quinto termo é igual a 12 (U5 = 12).
Ache:

a) O termo geral da P.A;


b) A soma dos primeiros 8 termos consecutivos.

15. A soma do quarto e quinto termo duma P.A é igual a -1 (U4 + U5 = −1). A soma do segundo e
sexto da P.A é igual a -2 (U2 + U6 = −2). Determine:

a) A razão;
b) O termo geral;
c) A soma dos 15 primeiros termos da P.A.

16. Um Camponês tem uma machamba de um formato rectangular com uma área de 100m2 . Em
cada dia ele sacha uma área com 2m2 mais do que a área do dia anterior. sabendo que no primeiro
dia ele sacha uma área de 1m2 determine o dia em que o Camponês completa a machamba toda.

17. Quais das seguintes sucessões são progressões geométricas (P.G)? Caso sejam ache a respectiva
razão;

a) 3, 12, 48, 192, . . .


b) 1, 3, 9, 18, 27, . . .
c) 3, 7, 11, 15, . . .
d) 81, −27, 9, −3, . . .
e) Un = n2 − 1

18. Considere a P.G 2, 4, . . ..

a) Ache a razão da P.G;


7

b) Ache o termo geral da P.G;


c) Ache o quinto termo(U5 ) da P.G;

19. Seja dada uma P.G tal que U4 = 128 e q = 4. Ache:

a) O primeiro termo (U1 ) da P.G;


b) O termo geral da P.G;
c) Verifique se 32 é terma de Un .
1 1
20. Considere a P.G 1, , , . . ..
3 9
a) O quinto termo da Progressão;
b) Tendo em conta que a progressão é decrescente calcule soma dos termos da P.G
1
21. Considere uma P.G em que o primeiro termo é igual a e a razão é igual a 2 Ache:
16
a) O termo geral da P.G;
b) O sexto termo (U6 ) da P.G;
c) A soma dos 6 primeiros termos consecutivos da P.G

22. A soma dos 6 primeiros termos consecutivos de uma P.G é igual a 63 (S6 = 63). Sabendo que
a razão da P.G é 2, ache o termo geral da P.G

23. Um ciclista viajante sai de Maputo com destino a Pemba. Em cada dia percorria uma distância
3 vezes maior do que a distância percorrida no dia anterior. Sabendo que no primeiro dia ele
percorreu uma distância de 3km, que distância o Ciclista percorerá no décimo dia? A que
distância de Maputo ele se encontra?
8

1.5 Limite de sucessões


Definição 1.8. Uma sucessão un diz-se limitada se o conjunto dos seus termos for um conjunto
limitado. Isto é, se existirem números reais A e B tais que
A ≤ un ≤ B, ∀n ∈ N.
A definição a cima, em outras palavras, significa que uma sucessão é limitada se
∃L > 0 : |un | ≤ L, ∀n ∈ N (1.8)
Definição 1.9 (Vizinhança). Seja x0 ∈ R. Chama-se vizinhança de x0 de raio ε > 0, e denota-se
por Bε (a) ao conjunto
Bε (x0 ) = {xR : |x − x0 | < ε}
=]x − ε, x + ε[.
Ou eja, é o conjunto de todos os valores aproximados de a com erro inferior a ε.
Definição 1.10. Dizemos que uma sucessão,un de números reais converge (ou tende) para um número
real x0 (que se diz limite da sucessão) e se e só se qualquer que seja o número real , existir uma
ordem N depois da qual a distância entre qualquer termo da sucessão e x0 é menor do que ε, isto é,
∀ε ∈ R+ , ∃N ∈ N : ∀n > N, |un − x0 | < ε (1.9)
A definição a cima garante que o número real x0 é limite da sucessão un se os termos da sucessão
forem aproximando de x0 tanto quanto se arbitrar previamente, ou ainda, se para todo o número real
previamente escolhido ε existir uma altura na sucessão (uma ordem N ) a partir da qual todos os
termos un estão próximos de x0 a menos de ε. ou seja existe uma ordem N , onde a partir da qual
todos termos da sucessão un caem na vizinhança de x0 de raio ε.
É fácil ver que uma sucessão cujo termo geral seja constante é convergente e o limite é a própria
constante.
n−1
Exemplo 1.9. Seja a sucessão dada por un = n . Analisemos se ela é ou não limitada.
n−1 1
un = =1−
n n
1
Como a parcela n decresce quando n cresce. Logo, aplicando a definição de sucessão limitada, 1.8,
temos
0 ≤ un < 1
Se aplicarmos o conceito da definição de sucessão convergente, 1.10, podemos escolher qualquer valor
de  e achar o valor de N ∈ N. Sabendo que x0 = 1, seja ε = 1/4
 
1 − 1 − 1 < 1 ⇔ 1 < 1 ⇔ n > 4

n 4 n 4
Então n = 4. Isto é, se ε = 1/4 então para qualquer n > 4, un cai na vizinhança de x0 = 1 de raio
ε = 1/4. 
Uma sucessão que não é convergente chama-se divergente. Uma sucessão que é convergente para
zero chama-se um infinitésimo.
9

Interpretação Geométrica
Como se pode ver a convergência geometricamente? Temos que un − x0 < ε é equivalente a x0 − ε <
un < x0 +ε, pelo que, a partir da ordem N , todos os termos estão entre as rectas y = x0 −εey = x0 +ε.
No caso da sucessão do exemplo anterior (1.9), un = n−1n teremos:

1
x−ε

Intuitivamente, para que dois números reais x0 e x1 pudessem ser limites da sucessão un era
preciso que os termos da sucessão se fossem aproximando tanto de x0 como de x1 tanto quanto se
arbitrasse previamente; ora se se arbitrasse uma quantidade inferior a metade da distância de x0 a
x1 , nunca os termos da sucessão poderiam estar a uma distância tanto de x0 como de x0 inferior a
x0 +x1
2 . Logo sx1 . Temos assim provado o teorema:

Teorema 1.1 (Da unicidade do limite). O limite de uma sucessão convergente é único.

Nota 1.3. Note que uma sucessão ser limitada não significa que tenha limite (seja convergente). Um
exemplo é a sucessão un (−1)n .

Uma sucessão que tem uma infinidade de termos que se aproxima de dois ou mais valores diz-se
oscilante. Contudo:

Teorema 1.2. Toda a sucessão convergente é limitada.

De modo análogo a definição 1.10 defini-se limite de uma sucessão.


2n
Exemplo 1.10. Seja xn = n+1 . Mostre que lim xn = 2 e preencha a tabela:

ε 0.001 0.0001
N
Solução
Pegamos um ε > 0 qualquer e vejamos o módulo da diferença entre o n−ésimo termo e dois, isto é,

2n 2
|xn − 2| =
− 2 = .
n+1 n+1
10

De acordo com a definição temos que determinar um número natural N tal, que ∀n > N terá lugar a
2
desigualdade n+1 < ε. Resolvendo esta desigualdade em ordem a n temos n > 2ε − 1. Na qualidade
de N podemos tomar a parte inteira de n > 2ε − 1, isto é, N = 2ε − 1 .
 

Vamos, agora, completar a tabela:


ε 0.001 0.0001
N 1999 19999

Operações com ±∞
Seja 0 6= a ∈ R.
a + (+∞) = +∞ a + (−∞) = −∞ +∞ + (+∞) = +∞ −∞ + (−∞) = −∞;

a
a · (+∞) = +∞ a · (−∞) = −∞ =0 ∀a > 0
±∞
a
a · (+∞) = −∞ a · (−∞) = +∞ =0 ∀a < 0
±∞

+∞ · (+∞) = +∞ +∞ · (−∞) = −∞ −∞ · (−∞) = −∞

  
0 se 0 ≤ a < 1 +∞ se 0 ≤ a < 1 +∞ se b > 0
a+∞ = a−∞ = +∞b =
+∞ se a > 1 0 se a > 1 0 se b < 0

Indeterminações
Indeterminações Não são Indeterminações
∞−∞ 0+∞ = 0
∞ 1
0 · ∞; ; 0−∞ = +∞
∞ ∞
1 ∞ (+∞)+∞ = +∞
∞0 ; 00 (+∞)−∞ = 0

Propriedades
Sejam vn e un sucessões e a, b ∈ R tai que lim un = a e lim vn = b. Então, salvo o caso em que se
obtêm indeterinações, temos:
1. lim(un ± vn ) = lim un ± lim vn = a ± b;
2. lim(un · vn ) = lim un · lim vn = a · b;
 
un lim un a
3. Se b 6= 0 e vn 6= 0 para todo n ∈ N então lim =
vn lim vn b

4. Se un é uma sucessão de termos positivos teremos lim (uvnn ) = ab


11

Levantamento de indeterminações
1. A indeterminação do tipo ∞ − ∞pode, normalmente, ser levantada pondo em evidência o termo
de maior grau,ou, no caso que envolvem raı́zes, multiplicando e dividindo pelo conjugado.
∞ 1
2. As indeterminações do tipo 0 · ∞, , , podem ser levantada pondo em evidencia o termo
∞ ∞
de maior grau.
√ √ 
Exemplo 1.11. Calculemos primeiro o limite lim n + 1 − n .
É fácil notar que √ √ 
lim n + 1 − n = [∞ − ∞]
multiplicando e dividindo pelo seu conjugado teremos:
√ √  √ √  √ 2 √ 2
√ √  n+1− n n+1+ n n + 1 − ( n)
lim n + 1 − n = lim √ √  = lim √ √
n+1+ n n+1+ n
a
Como os termos ∞ → 0 quando n → ∞ segundo as propriedades dadas a cima, teremos:
√ 2 √ 2
n + 1 − ( n) n+1−n 1
lim √ √ = lim √ √ = lim √ √ =0 
n+1+ n n+1+ n n+1+ n
3n2 + 1 − 2n
Exemplo 1.12. Agora vejamos o seguinte limite lim √ .
4n4 + 2n
Como podemos observar
3n2 + 1 − 2n h ∞ i
lim √ =
4n4 + 2n ∞
Evidenciando o termo de maior grau teremos:
n2 3 + n12 − n2

3n2 + 1 − 2n
lim √ = lim q
4n4 + 2n n2 4 + n24

De modo análogo ao exemplo anterior temos:


n2 3 + n12 − n2 3 + 12 − n2

3 3
lim q = lim q n =√ = 
n2 4 + n24 4 + n24 4 2

2n+1 + 3n
Exemplo 1.13. Vejamos a seguinte sucessão exponencial lim ; nesse caso evidencia-
2n + 3n+1
mos o expoente com a maior base, ora vejamos
n n
3n 2 32 + 1 2 32 + 1

2n+1 + 3n
lim n = lim n 2 n  = lim 2 n
2 + 3n+1 3 3 +3 3 +3
Como os termos a∞ → 0 quando 0 < a < 1 segundo as propriedades dadas a cima, teremos:
n
2 23 + 1 1
lim 2 n = 
3 +3 3
12

Limites notáveis

Para indeterminações do tipo 1∞ temos de introduzir um limite notável.

Definição 1.11 (Numero de Neper (Euler)). Define-se o número de Neper como sendo o
limite finito seguinte:  
1
lim 1 + =e
n→∞ n

Proposição 1.1. Sejam a ∈ R e un uma sucessão tal que lim |un | = +∞, então

a un
 
lim 1 + = ea
n→∞ un

Proposição 1.2.
ln(1 + un )
lim = 1, quando un → 0
un

3. A indeterminação do tipo 1∞ pode, normalmente, ser levantada usando o número de Neper e a


proposição anterior.
 2 n−1
n + 3n − 1
Exemplo 1.14. Calculemos o limite lim . Note que
n2 + 3
n−1
n2 + 3n − 1 3n − 4 n−1
  
3n − 4
lim = lim 1 + 2 = [1∞ ] , pois →0
n2 + 3 n +3 n2 + 3

Apliquemos a propriedade logarı́tmica aloga b = b nesse limite


 !n−1 
3n − 4 3n − 4
!n−1
3n − 4
!!
 n−1 lnlim 1+ lim ln 1+ lim (n−1) ln 1+
3n − 4

n2 + 3 n2 + 3 n2 + 3
lim 1 + =e =e =e
n2 + 3

3n − 4
se, no expoente, multiplicarmos e dividirmos por teremos:
n2 + 3
  
3n−4
 3n − 4 ln 1 + 2
n +3 
3n − 4 lim(n−1) ·
!!  
n2 + 3 3n−4 
lim (n−1) ln 1+
 
n2 +3
e n2 + 3 =e

pela propriedade 2 podemos reescrever o limite anterior da seguinte forma


  
3n−4
ln 1 +
 
 3n − 4 2
n +3  ln 1 + 3n−4
lim(n−1)

· 3n−4
 3n − 4 2
n +3
n2 + 3

  lim(n−1) ·lim 3n−4
n2 +3 n2 + 3 n2 +3
e =e
13

3n−4
Pela Proposição 1.2 e sabendo que n2 +3
→0
 
3n−4
ln 1 + n2 +3
lim 3n−4 =1
n2 +3

logo, ficamos com

3n − 4 3n2 − 7n + 4
lim(n−1) lim
e n2 + 3 = e n2 + 3 = e3 

Entretanto, o mesmo exemplo pode ser resolvido usando facilmente da seguinte forma:
3n − 4 3n2 − 7n + 4
!
n−1
n2 3n − 4 n−1 lim 1+ −1 (n−1)
  
+ 3n − 1 n2 + 3
lim
n2 + 3
lim = lim 1 + 2 =e =e = e3 
n2 + 3 n +3
+
 1.3. Sejam a ∈ R0 ∪ {+∞} e un uma sucessão de termos positivos tal que
Proposição

un+1 √
lim , então lim n un = a
un

4. A indeterminação do tipo (+∞)0 pode, normalmente, ser levantada usando a proposição 1.3.

1.6 Exercı́cios
n
1. Mostre que a sucessão de termo geral un = an (a > 1, n ∈ N) é limitada.
n2 −1
2. Dada a sucessão numérica de termo geral un = n2
verifique se ela é limitada;
3 n2
3. Mostre, aplicando a definição de limite, que, lim n3n+1 = 1; Seja xn = n2 +1
. Mostre que
lim xn = 1 e preencha a tabela:

ε 0.001 0.0001
N

4. Mostre que as sucessões são limitadas:


3n + 10
(a) an =
n
2
(b) bn = 2 − 2
n
1
(c) cn = √
n2 + 3
n≤2
(
3, se
5. Considere a sucessão xn = n+1
, se n>2
n
14

(a) Representa geometricamente a sucessão para n ≤ 5.


(b) A sucessão é monotona? Justifique.
(c) Mostre que é limitada.

6. Determinar o valor de x de modo que (x; 2x + 1; 5x + 7) seja uma PA.



a1 = −5
7. Dada uma sucessão definida pela seguinte fórmula de recorrência
an+1 = an + 3

(a) Mostre que (an ) é uma PA e indique a razão.


(b) Expressar an em função de n.
(c) Calcular a soma a6 + a7 + a8 + · · · + a18 .
(d) Determinar n, sabendo que a6 + a7 + a8 + · · · + an = 913.

8. Obter uma PA em que a soma de n termos é n2 + 2n para todo n natural.

9. Determine a razão e escreva o termo geral de cada uma das seguintes progressões geométricas:

2 2
 
3 1 1
 √ √  
2 3 9

(a) 2, , ,... (b) , , ,... (c) 5, 5, 5 5, . . . (d) , , ,...
25 625 7 7 21 5 5 10

10. A soma de três termos consecutivos de uma PG é 52. Se adicionarmos 8 unidades ao termo in-
termediário os três termos passam a ser termos consecutivos duma PA. Quais são esses números?
x x x
11. Resolver a equação: x + 2 + 4 + 8 + · · · = 5.

Limites

12. Calcule os seguintes limites de sucessões:


3n2 + 2n + 1
(a) lim
5n2 + n + 1
1 − 3n
(b) lim
3n2
 
n+1 n+3
(c) lim −
n 2n
2
 
n 1
(d) lim −
n2 − 6 n
5 · 3n
(e) lim n
3 −5

n + 3n2 + 1
(f) lim
2n
√ √ 
(g) lim n − n + 1
15

√ √ 
(h) lim n2 + n − n2 + 1
3
(i) lim 8n n+2n−1
3 −2

13. Calcule o limite dos seguintes termos de sucess oes


√ p √ √
q p
(a) 3, 3 3, 3 3 3, . . .
√ p √ 3 p √
q
3 3
(b) 3 2, 2 3 2, 2 2 3 2, . . .
(c) 0, 2; 0, 22; 0, 222; . . .
(d) 0, 14; 0, 144; 0, 1444; . . .

14. Calcule os limite das sucessões irracionais


4n+1 + 3n+1 (2n + 3)5
(a) lim (c) lim √ √
4n + 3n (4n4 + 2 n + 1) · 16n2 + n

(6n − 5)2 (n + 2)3 4n6 + 5n2 + 1
(b) lim (d) lim √ √
(n2 + 25)(3n3 + 7) n3 + 2n · 16n5 + 4n2 + 1
Capı́tulo 2

Funções e seus limites

2.1 Funções
2.1.1 Relações
Consideremos dois eixos x e y perpendiculares em 0, os quais determinam o plano α.
Dado um ponto P qualquer, P ∈ α. Conduzamos por ele duas rectas:
rx k x e ry k y
Denominamos por P1 a intersecção de ry com o eixo x e P2 a interseção de rx com o eixo y .

α
y
ry
P2 P rx

0 P1 X

Nestas condições definimos:


(a) abcissa de P é o número real xp representado por P1 ;
(b) ordenada é o número real yp representado por P2 ;
(c) coordenadas de P são os números reais xp e yp , geralmente indicados na forma de par ordenado
(xp , yp ) onde xp é o primeiro termo e yp é o segundo termo;

16
17

(d) eixo das abcissas é o eixo x (ou OX );

(e) eixo da ordenadas é o eixo y (ou OY );

(f) sistema de eixos cartesiano ortogonal (ou ortonormal ou rectangular) é o sistema XOY ;

(g) origem do sistema é o ponto 0;

(h) plano cartesiano é o plano α.

Exemplo 2.1. Vamos localizar os pontos A(2, 0); B(0, −3); C(2, 5); D(−3, 4); E(−7, −3); F (4, −5);
G( 52 , 92 ) e H(− 25 , − 29 ) no plano cartesiano lembrando que, no par ordenado, o primeiro número
representa a abscissa (x) e o segundo a ordenada (y ) do ponto.
y

C
G
D

x
A

E B

H F

Definição 2.1. Sejam A e B dois conjuntos não vazios. Denominamos produto cartesiano de A
por B o conjunto A × B cujos elementos são todos pares ordenados (x, y) onde o primeiro elemento
pertence a A e o segundo elemento pertence a B .

A × B = {(x, y) x ∈ A e y ∈ B}. (2.1)

O sı́mbolo A × B lê-se “Produto cartesiano de A por B ”.

Se A ou B for o conjunto vazio, definimos o produto cartesiano de A por B como sendo o conjunto
vazio.
A×∅=∅ ∅×B =∅ ∅×∅=∅

Exemplo 2.2. 1. Se A = {1, 2, 3} e B = {1, 2} temos:

A × B = {(1, 1); (1, 2); (2, 1); (2, 2); (3, 1); (3, 2)}
18

B × A = {(1, 1); (1, 2); (1, 3); (2, 1); (2, 2); (2, 3)}

e as representações no plano cartesiano são as seguintes:

A×B (1, 3) (2, 3)


3
y
(1, 2) (2, 2) (3, 2) (1, 2) (2, 2)
2 2 B×A

(1, 1) (2, 1) (3, 1) (1, 1) (2, 1)


1 1

x x
1 2 3 1 2


2. Se A = {x ∈ R 1 ≤ x < 3} e B = {2} então temos A × B = {(x, 2) x ∈ A}. A representação
gráfica de A × B dá como resultado o conjunto de pontos do segmento paralelo do eixo x da
figura que se segue

y
2

x
1 3


3. Se A = {x ∈ R 1 ≤ x ≤ 3} e B = {x ∈ R 1 ≤ x ≤ 5} temos A × B = {(x, y) ∈ R2 1 ≤ x ≤
3 ∧ 1 ≤ y ≤ 5} representado graficamente no plano cartesiano pelo conjunto de pontos no
2
rectângulo sombreado a esquerda. Notemos que B × A = {(x, y) ∈ R 1 ≤ x ≤ 5 ∧ 1 ≤ x ≤ 3}
é representado pelo rectângulo distinto do anterior a direita.
19

y A×B
5
B×A

y
3

1 1

x x
1 3 1 5

Consideremos os conjuntos A = {2, 3, 4} e B = {2, 3, 4, 5, 6}. O produto cartesiano de A por B


é o conjunto A × B = {(x, y) x ∈∈ A ∧ y ∈ B} formado por 3 · 5 = 15 elementos representados na
figura ao lado. Se agora considerarmos o conjunto de pares ordenados (x, y) de A × B tais que x|y
(lê-se x é divisor de y ), teremos

R = {(x, y) ∈ A × B x|y} = {(2, 2), (2, 2), (2, 6), (3, 3), (3, 6), (4, 4)}

que é chamada relação entre os elementos de A e de B ou, mais simplesmente, uma relação binária
de A em B .
O conjunto R está contido em A × B e é formado por pares (x, y) em que o elemento d x de A é
“associado” ao elemento y de B mediante um certo critério de “relacionamento” ou “correspondência”.
Será bem útil a representação por meio de flechas, como na figura ao lado.
y

5 B
A 3
R
4
3 5
3
2 2
2

4 6

x
2 3 4 4

Definição 2.2. Dados dois conjuntos A e B , chama-se relação bin’aria de A em B todo sub-
conjunto R de A × B que representa uma relação de A em B . Onde:
20

A é o conjunto de partida da relação R;


B é o conjunto de chegada da relação R;
Quando o par (x, y) pertence a relação R, escrevemos xRy .
Exemplo 2.3. 1. Se A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {1, 2, 3, 4} quais são os elementos da relação R =
{(x, y) x < y} de A em B ?
Resolução
Os elementos de R são todos pares ordenados de A × B nos quais o primeiro elemento é menor
que o segundo, isto é, são os pares formados pela “associaçaão de cada elemento x ∈ A com
cada elemento de y ∈ B tal que x < y ”.
temos então
R = {(1, 2), (1, 3), (1, 4), (2, 3), (2, 4), (3, 4)}

2. Se A = {−1, 0, 1, 2} quais são os elementos da relação R = {(x, y) ∈ A2 x2 = y 2 }
Resolução

R = {(0, 0), (1, 1), (−1, 1), (−1, −1), (1, −1), (2, 2)}

B
A
R
0 0
y
2
1 1
1
−1 −1
x
-1 1 2
-1 2 2

Definição 2.3. Seja R uma relação de A em B .


Chama-se domı́nio de R o conjunto DR de todos os primeiros elementos dos pares ordenados
pertencentes a R.
x ∈ DR ⇔ ∃y, y ∈ B (x, y) ∈ R
Chama-se contradomı́nio de R o conjunto D0 R de todos os segundos elementos dos pares orde-
nados pertencentes a R.
y ∈ D0 R ⇔ ∃x, x ∈ B (x, y) ∈ R

Decorre da definição que DR ⊂ A, e D0 R ⊂ B .


Exemplo 2.4. Se A = {0, 2, 3, 4} e B = {1, 2, 3, 4, 5, 6} qual é o domı́nio e o contradomı́nio da relação
R = {(x, y) ∈ A × B y é múltiplo de x}?
Resolução
21

B
A 1
R
0
D0 R
DR 2
2
6
3
3
4
4

Utilizando o esquema das flechas é fácil perceber que DR é o conjunto do elementos de A dos
quais partem flechas e que D0 R é o conjunto dos elementos de B aos quais chegam flechas, portanto:
R = {(2, 2), (2, 4), (2, 6), (3, 3)(3, 6), (4, 4)}

DR = {2, 3, 4} D0 R = {2, 3, 4, 6}

Exemplo 2.5. Se A = {x ∈ R 1 ≤ x ≤ 3} e B = {y ∈ R 1 ≤ y ≤ 4}, qual é o domı́nio e o
contradomı́nio da relação R = {(x, y) ∈ A × B y = 2x}?
Resolução

Utilizando a representação cartesiana


y A×B y
4 4

3 R
D0 R

2 2

1 1

x x
1 2 3 1 DR 2 3

Temos DR = {x ∈ R 1 ≤ x ≤ 2} e D0 R = {y ∈ R 2 ≤ y ≤ 4}

Definição 2.4. Dados dois conjuntos A e B 1 , não vazios, uma relação f de A em B recebe o nome
de aplicação de A em B ou função definida em A com imagens em B se, e somente se, para todo
1
Em todo nosso estudo de funções, fica estabelecido que A e B são conjuntos formados de números reais, isto é,
A, B ⊆ R
22

x ∈ A existe un só y ∈ B tal que (x, y) ∈ f .



f é função de A em B ⇔ ∀x ∈ A, ∃!y ∈ B (x, y) ∈ f (2.2)
Exemplo 2.6. Consideremos
as duas relações f e g definidas de A em R, representadas nas figuras
a baixo, com A = {x ∈ R − 2 ≤ x ≤ 2}
y y

f
g
x
-1 1
x
−1 1

A relação f a esquerda é função, pois toda recta vertical conduzida pelos pontos x ∈ A encontra
sempre o gráfico de f num só ponto.
A relação g a direita não é função, pois há rectas verticais que encontram o gráfico de f num só
ponto.
Toda função é uma relação binária A em B , portanto, toda função é um conjunto de pares
ordenados.
Geralmente, existe uma sentença aberta y = f (x) que expressa a lei mediante a qual, dado x ∈ A,
determina-se y ∈ B tal que (x, y) ∈ f , então f = {(x, y) x ∈ A, y ∈ B ∧ y = f (x)}. Isso significa que,
dados os conjuntos A e B , a função f tem a lei de correspondência y = f (x).
Para indicarmos uma função f , definida em A com imagens em B segundo a lei de correspondência
y = f (x), usamos a notação seguinte.
f
f : A 7−→ B, x −→ f (x) ou A −
→B
Considerando que toda função f de A em B é uma relação binária, então f tem um domı́nio e um
contradomı́nio.
Definição 2.5. Chamaremos de domı́nio o conjunto D dos elementos de x ∈ A para os quais existe
y ∈ B tal que (x, y) ∈ f .
A definição aqui presente nao difere da definição de domı́nio de uma relação. O mesmo é válido
para o caso de contradomı́nio (que aqui pode ser chamado de conjunto Imagem, Im)

2.1.2 Função composta e inversa


Função Composta
Definição 2.6. Seja f uma função de um conjunto A em um conjunto B e seja g uma função de
B em um conjunto C , chama-se função composta de g e f à função h de A em C definida por
h(x) = g(f (x)) (2.3)
para todo x em A.
23

Indicaremos esta aplicação h por g ◦ f (lê-se g composta com f ou g cı́rculo f ou simplesmente


gof ); por tanto
(g ◦ f )(x) = g(f (x)) (2.4)
Podemos representar também a composta g ◦ f pelo diagrama
f
A B

g
g◦f
C

Observação 2.1. (a) A composta g ◦ f só está definida quando o contradomı́nio de f é o domı́nio
de g .

(b) Em geral, f ◦ g 6= g ◦ f , isto é, a composição não é comutativa.


Exemplo 2.7. Sejam as funções reais f e g definidas por f (x) = x + 1 e g(x) = x2 + x + 1. Notemos
que h1 = g ◦ f é definida por:

h1 (x) = (g ◦ f )(x) = g(f (x)) = [f (x)]2 + f (x) + 1 = (x + 1)2 + (x + 1) + 1 = x2 + 3x + 3

Por outro lado, a função h2 = f ◦ g é definida por

h2 (x) = (f ◦ g)(x) = f (g(x)) = g(x) + 1 = x2 + x + 1 + 1 = x2 + x + 2.


f g h
Teorema 2.1. Quaisquer que sejam as funções A −
→B→
− C−
→ D tem-se

(h ◦ g) ◦ f = h ◦ (g ◦ f ). (2.5)

Exemplo 2.8. Sejam as funções reais f e g , definidas por f (x) = x2 + 4x − 5 e g(x) = 2x − 3.


Pede-se:
(a) obter as leis que definem f ◦ g e g ◦ f

(b) Calcular (f ◦ g)(2) e (g ◦ f )(2)

(c) Determinar os valores do domı́nio da função f ◦ g que produzem a imagem 16.


Resolução

(a) A lei que define f ◦ g é obtem-se a partir da lei de f , trocando x por g(x):

(f ◦ g)(x) = f (g(x)) = [g(x)]2 + 4[g(x)] − 5 = (2x − 3)2 + 4(2x − 3) − 5 = 4x2 − 4x − 8

A lei que define g ◦ f é obtem-se a partir da lei de g , trocando x por f (x):

(g ◦ f )(x) = g(f (x)) = 2[f (x)] − 3 = 2(x2 + 4x − 5) − 3 = 2x2 + 8x − 13


24

(b) Calculemos f ◦ g para x = 2

(f ◦ g)(2) = 4 · 22 − 4 · 2 − 8 = 0

podemos, também, calcular pelo seguinte método:

(f ◦g)(2) = f (g(2)) ⇒ calculemos g(2), g(2) = 2·2−3 = 1 ⇒ f (g(2)) = f (1) = 1+4−5 = 0

Calculemos g ◦ f para x = 2

(g ◦ f )(2) = 2 · 22 + 8 · 2 − 13 = 11

de modo análogo podemos fazer

(g◦f )(2) = g(f (2)) ⇒ calculemos f (2), f (2) = 2·22 +4·2−5 = 7 ⇒ g(f (7)) = f (7) = 14−3 = 11

(c) O problema em questaão resume-se e resolver a questão (f ◦ g)(x) = 16, ou seja

4x2 − 4x − 8 = 16 ⇒ 4(x2 − x − 6) = 0 ⇒ x = 3 ∨ x = −2. 

Definição 2.7 (Função Injectiva (injectora)). Uma função f de A em B é injectiva se, e somente
se, quaisquer que sejam x1 e x2 de A, se x1 6= x2 então f (x1 ) 6= f (x2 ). Ou seja

∀x1 , x2 ∈ A, x1 6= x2 ⇒ f (x1 ) = f (x2 ) (2.6)

Notemos que a definção a cima é equivalente a uma função f de A em B é injectora se, e somente
se, quaisquer que sejam x1 e x2 de A, se f (x1 ) = f (x2 ) então x1 = x2 .

Exemplo 2.9. 1. A função de A = N em B = N definida por f (x) = 2x é injectiva, pois, qualquer


que sejam x1 e x2 de N, se x1 6= x2 então 2x1 6= 2x2 .
1
2. A função de A = R\{0} em B = R definida por f (x) = é injectiva, pois, qualquer que sejam
x
1 1
x1 e x2 de R\{0}, se x1 6= x2 então 6= . 
x1 x2
Definição 2.8 (Função Sobrejectiva (sobrejectora)). Uma função f de A em B é sobrejectiva
se, e somente se, para todo y de B , existe x ∈ A tal que f (x) 6= y . Ou seja

∀y ∈ B, ∃x ∈ A f (x) = y (2.7)

Notemos que f : A 7→ B é sobrejectiva se, e somente se, D0 f = B



Exemplo 2.10. A função de A = R em B = {y ∈ R y ≥ 1} definida por f (x) = x2 + 1 é

sobrejectiva, pois, todo y ∈ B existe x ∈ A tal que y = x2 + 1, bastando para isso tomar x = y − 1

ou x = − y − 1. 
25

Definição 2.9 (Função bijectiva(bijectora)). Uma função f de A em B é bijectiva se, e somente


se, f é sobrejectiva e injectiva. Em outras palavras temos: uma função f de A em B é bijectiva se,
e somente se, para qualquer elemento y ∈ B existe um único x ∈ A tal que f (x) = y . ou seja

∀y ∈ B, ∃!x ∈ A f (x) = y (2.8)

Exemplo 2.11. A função f de A = R em B = R definida por f (x) = 3x + 2 é bijectiva, pois:


y−2
i) qualquer que seja y ∈ R, existe x ∈ R tal que y = 3x + 2, basta tomarmos x = . logo d
3
é sobrejectiva.

ii) quaisquer que sejam x1 , x2 ∈ R se x1 6= x2 então 3x1 +2 6= 3x2 +2, isto é, f é injectora.
Observação 2.2. Observemos que existem funções que não são sobrejectivas nem njectivas, por
exemplo, a função f : R 7→ R definida por f (x) = |x| não é injectiva nem sobrejectiva.
A composição de duas funções injectivas é uma função injectiva, assim como a de funções sobre-
jectivas é uma função sobrejectiva.

2.1.3 Função inversa


Definição 2.10. Se f é uma função bijectora de A em B , a relação inversa de f é uma funcção de
B em A que denominamos função inversa de f e indicamos por f −1 .
Observação 2.3. i) Os pares ordenados de f −1 podem ser obtidos dos pares ordenados de f ,
permutando-se os elementos de cada par, isto é,

(x, y) ∈ f ⇐⇒ (y, x) ∈ f −1

ii) Pela onservação anterior, temos


−1
(x, y) ∈ f ⇔ (y, x) ∈ f −1 ⇔ (x, y) ∈ f −1

isto é, a inversa de f −1 é a própria função f


−1
f −1 =f

iii) O domı́nio de f −1 é B , que é contradomı́nio da função f .


A imagem (contradomı́nio) da função f −1 é A, que é domı́nio da função f .
Dada uma função bijectiva f de A em B , definida pela sentença y = f (x), para obtermos a
sentença aberta f −1 , procedemos do seguinte modo:
(i) Na sentença y = f (x) faemo uma mudança de variável, isto é, trocamos x por y e y por x,
obtendo x = f (y).

(ii) transformamos a expressão x = f (y), (isolamos y ) expressando y em função de x para obtermos


y = f −1 (x).
26

Exemplo 2.12. Qual é a função inversa da bijeção f definida em R por f (x) = x3 ?

Solução
A função dada é f (x) = x3 .

Trocando de variáveis temos: x = y 3 ⇒ y = 3 x

É função f −1 em R definida por f −1 (x) = 3 x. 

Propriedades
Os gráficos de f e f −1 são simétricos em relação a bissetriz dos quadrante I e III do plano cartesiano.
Vejamos os gráficos das funções do exemplo anterior
y
y=x
f

f −1

Teorema 2.2. Seja f uma função bijectiva de A em B. De f −1 é a função inversa de f, então

f −1 ◦ f = IA ∨ f ◦ f −1 = IB (2.9)

Teorema 2.3. Se as funções f de A em B e g de B em C das bijectoras, então

(g ◦ f )−1 = f −1 ◦ g −1 (2.10)

2.1.4 Função par e função impar


Definição 2.11. Uma função f : A 7→ B é par se f (−x) = f (x), ∀x ∈ A

Exemplo 2.13. Seja f : R 7→ R definida pela lei f (x) = 1 − x4 . Temos

f (−x) = 1 − (−x)4 = 1 − x4 = f (x).

Note que a definição de função par pressupõe que o domı́nio A seja simétrico com relação a origem
0: se x pertence a A, então −x também deve pertencer a A. Então, o gráfico da função par é
simétrico em relação ao eixo y .
27

x
x
1 −x 1

−1

Definição 2.12. Uma função f : A 7→ B é ı́mpar se f (−x) = −f (x), ∀x ∈ A


Exemplo 2.14. Seja f : R 7→ R definida pela lei f (x) = x + x5 . Temos

f (−x) = (−x) + (−x)5 = −x − x5 = −(x + x5 ) = −f (x).

O gráfico de uma função ı́mpar é simétrico com relação à origem!

f (x)

x
−x x

f (−x)

2.1.5 Exercı́cios
1. Dados os conjuntos A = {1, 3, 4}, B = {−2, 1}, C{−1, 0, 2}, representar pelos elementos e
pelo gráfico cartesiano os seguintes produtos:

(a) A × B
(b) B × A
(c) A × C
(d) C × A
(e) B × C
28

(f) B 2

2. Dados os conjuntos A = {x ∈ R : 1 ≤ x ≤ 3}, B = {x ∈ R : −2 ≤ x ≤ 2}, C{x ∈ R : −4 <


x ≤ 1}, representar pelos elementos e pelo gráfico cartesiano os seguintes produtos:

(a) A × B
(b) B × A
(c) A × C
(d) C × A
(e) B × C
(f) B 2

3. Pede-se:

i) enumerar pares ordenados


ii) representar por meio de flechas
iii) fazer o gráfico cartesiano

das relações binárias de A = {−2, −1, 0, 1, 2} em B = {−3, −2, −1, 1, 2, 3, 4} definidas por

(a) xRy ⇐⇒ x − y = 2
(b) xT y ⇐⇒ |x| = |y|
(c) xSy ⇐⇒ x2 = y
(d) xVy ⇐⇒ x + y > 2
(e) xWy ⇐⇒ (x − y)2 = 1

4. Dado o conjunto A = {1, 2, 3, 4, 5, 6}. enumerar os pares ordenados e construir o gráfico carte-
siano da relação R em A dada por:

R = {(x, y) ∈ A2 : mdc(x, y) = 2}

5. Dado o conjunto A = {m ∈ Z : −7 ≤ m ≤ 7}. Construir o gráfico cartesiano da relação


bin’aria R em A definida por:
xRy ⇐⇒ x2 + y 2 = 25

6. Se R e L são as relações binárias de A = {x ∈ Z : −2 ≤ x ≤ 5} em B = {y ∈ Z : −2 ≤ y ≤ 3}


definidas por: xRy ⇔ 2 divide (x, y) e xL ⇔ (x − 1)2 = (y − 22 ). Pede-se:

(a) as representações cartesianas de R e L


(b) o domı́nio e a imagem de R e L
(c) R ∩ L.

7. Determinar o domı́nio das seguintes funções:


29

1
(a) f (x) = x−1

(b) f (x) = x2− 4x + 3
√3

(c) f (x) = x + 7 − x + 8
√ √
(d) f (x) = 3 x + 5 − 3 − x
q
x
(e) f (x) = x+1

8. Verifique a paridade das seguintes funções


(a) f (x) = 5x3 − 2x
3
(b) f (x) = xx2−x
+1
(c) f (x) = |x|
(d) f (x) = x−1
x+1
q
x
(e) f (x) = x+1

9. Determine a composição das seguintes funções (g ◦ f )(x) e (f ◦ g)(x) sabendo que:


(a) f (x) = x2 + 1, g(x) = x + 1

(b) f (x) = x + 2, g(x) = x + 2
x
(c) f (x) = 1+x 2, g(x) = x1
(d) f (x) = a + bx, g(x) = x + a
10. Determine a inversa das seguintes funções:
(a) f (x) = 3x + 4
2
(b) f (x) = x−a
x−a
(c) f (x) = x+a

(d) f (x) = x − 1, x ≥ 1
(e) f (x) = x2 − 4, x ≥ −4
x+2
11. Mostre que a função y = f (x) = 2x−1 coincide com a sua inversa.

2.2 Limite de função


Definição 2.13. Chamaremos vizinhança do ponto x0 com raio ε, ao conjunto de pontos que satis-
fazem a dupla desigualdade: x0 − ε < x < x0 + ε ou |x − x0 | < ε. Denota-se U (x0 , ε).
Vamos considerar que a função y = f (x) está definida numa certa vizinhança dum ponto a, com
excessão talvez do próprio a.
Definição 2.14. f(x) tende para b quando x tende para a se qualquer que seja a vizinhança do ponto
a com raio δ , existe uma vizinhança do ponto b com raio ε tal que qualquer que seja x pertencente à
vizinhança reduzida do ponto a temos que f (x) pertence à vizinhança do ponto b.
A denotação usada é: lim f (x) = b.
x→a
30

2.2.1 Limites laterais


Na definição de limite de função lim f (x) = b consideramos que x tende para a de qualquer modo:
x→a
sendo menor que a (a esquerda de a), sendo maior que a (a direita de a) ou oscilando próximo de
a. Existem casos quando o modo de aproximação do argumento x para a tem influência substancial
no valor do limite. Por isso, vamos definir a noção de limite lateral.

Definição 2.15. Diremos que o número b é limite à esquerda do ponto a da função f (x) se:

∀ε > 0, ∃δ(ε) > 0 : ∀x 6= a, a − δ < x < a ⇒ |f (x) − b| < ε.

A denotação usada é: b = lim f (x) = f (a− ).


x→a−

Definição 2.16. Diremos que o número b é limite à esquerda do ponto a da função f (x) se:

∀ε > 0, ∃δ(ε) > 0 : ∀x 6= a, a < x < a + δ ⇒ |f (x) − b| < ε.

A denotação usada é: b = lim f (x) = f (a+ ).


x→a+

Os limites à esquerda ou à direita são comumente chamados limites laterais. Se uma função possui
limite quando x → x, então os limites laterais coincidem.

Exemplo 2.15. Dada a função

 3x2 + 1,

se 0 ≤ x < 1
f (x) =
4x − 2, se x ≥ 1

calcule os limites laterais no ponto x = 1.

Resolução. Temos: lim f (x) = lim (3x2 + 1) = 4, lim f (x) = lim (4x − 2) = 2.
x→1− x→1 x→1+ x→1

|x − 1|
Exemplo 2.16. Dada a função f (x) = calcule os limites laterais no ponto x = 1.
x−1
|x − 1| x−1 |x − 1| x−1
Resolução. Temos: lim = lim = 1, lim = − lim = −1.
x→1+ x − 1 x→1 x − 1 x→1+ x − 1 x→1+ x − 1

As propriedades aritméticas dos limites aprendidas nas sucessões são válidas aqui também.

2.2.2 Limites notáveis


No cálculo de limites de expressões contendo funções trigonométricas, exponenciais ou logarı́tmicas,
frequentemente usamos os limites notáveis, que iremos abordar em seguida.

Proposição 2.1.
sin x
lim =1
x→0 x
31

Exemplo 2.17. Calcule


sin 5x
lim
x→0 x
t
Resolução. Fazendo t = 5x temos quee x = 5 e t → 0. Assim,
sin 5x 5 sin t sin t
lim = lim = 5 lim =5
x→0 x t→0 t t→0 t

sin t
pois lim = 1 é limite notável. 
t→0 t

Nas aplicações da análise matemática, um grande papel joga a função exponencial de base e.
Proposição 2.2.
ex − 1
lim =1
x→0 x
Exemplo 2.18. Calcule
ax − 1
lim , a > 0;
x→0 x
Resolução. Fazendo ax = ex ln a temos
ax − 1 xx ln a − 1
lim = ln a lim
x→0 x x→0 x ln a
xx ln a − 1
pois lim = 1. 
x→0 x ln a
Proposição 2.3.
ln(1 + x)
lim =1
x→0 x
Exemplo 2.19. Calcule
ln x − ln a
lim
x−a
x→a
Resolução. Fazendo a substituição x − a = t temos
t

ln x − ln a ln(t + a) − ln a ln 1 + a 1 ln(1 + θ) 1
lim = lim = lim = lim = .
x→a x−a t→0 t t→0 t a t→θ θ a
t
Aqui fizemos a substituição a = θ → 0. 
Proposição 2.4.
1
lim (1 + x) x = e
x→0

Exemplo 2.20. Calcule


2x
lim (1 + x2 )ctg
x→0
Resolução. Temos uma indeterminação do tipo 1∞ . Calculamos o limite:
cos2 x 2)
x2 ln(1 + x2 )
lim ln(1+x lim ·
ctg2 x
lim (1 + x2 ) = ex→0 sin2 x = ex→0 sin2 x x2 = e1 = e
x→0
32

2.3 Continuidade de funções


Rudimentarmente falando, uma funçõ é contı́nua se uma variação pequena na variável independente
causa uma variação pequena no valor da função. Geometricamente, uma função é contı́nua num
intervalo se o seu gráfico está ligado, isto é, não tem quebras. Popularmente falando, diz-se que uma
função é contı́nua se o seu gráfico pode ser esboçado sem que se levante a caneta do papel.

Definição 2.17. Diremos que a função f (x) é contı́nua no ponto x = a se:

1) A função f (x) está definida no ponto x = a;

2) O limite de f (x) quando x tende para a existe;

3)v Este limite é igual a f (a).

Definição 2.18. A função f (x) é contı́nua à direita do ponto a se lim f (x) = f (a). A notação
x→a+
usada é:
lim f (x) = f (a+ ).
x→a+

Definição 2.19. A função f (x) é contı́nua à esquerda do ponto a se lim f (x) = f (a). A notação
x→a−
usada é:
lim f (x) = f (a− ).
x→a−

Exemplo 2.21. Investigue a continuidade da função f (x) = |x|. Resolução. Por definição

 x, se x > 0
|x| = 0, se x = 0
−x, se x < 0

O ponto que suscita dúvidas, sobre a continuidade da função f (x) = |x|, é x = 0. Vamos verificar se
f (x) é contı́nua nesse ponto:
lim f (x) = lim f (x) = f (0) = 0
x→0+ x→0−

portanto a função f (x) = |x| é contı́nua em todo o seu domı́nio de definição. 

Exemplo 2.22. Calcule o valor de A de modo que a função


sin 2x


 se x = 6 0
f (x) = x


A se x = 0

seja contı́nua no ponto x = 0.

Resolução. Se f (x) é cont’inua no ponto x = 0 , então:


sin 2x sin 2x
A = f (0) = lim f (x) = lim = 2 lim =2 
x→0 x→0 x x→0 2x
33

A função f (x) é contı́nua em D ⊂ R se ela é contı́nua em cada ponto de D . A função f (x) é


contı́nua no segmento [a, b] se ela é contı́nua em cada ponto de (a, b) , contı́nua à direita do ponto a
e contı́nua à esquerda do ponto b.
f (x)
Se f (x) e g(x) são contı́nuas no ponto a, então f (x) + g(x), f (x)g(x) e se g(a) 6= 0, são
g(x)
contı́nuas no ponto a.
Teorema 2.4. Se a função f(x) é contı́nua num intervalo fechado, então ela é limitada nesse intervalo
fechado.
Teorema 2.5. Se a função f(x) é contı́nua num intervalo fechado, então ela atinge os seus valores
máximo e mı́nimo nesse intervalo fechado.

2.3.1 Classificação dos pontos de descontinuidade


Se uma das três condições dadas na definição de função contı́nua não é satisfeita dizemos que f (x) ’e
descontı́nua em a.
Definição 2.20. Diremos que a é ponto de descontinuidade da função f(x) se lim 6= f (a).
x→a

Definição 2.21. Se lim f (x) = lim f (x) as não existe f(a), então a é ponto de descontinuidade
x→a+ x→a−
evitável.
Definição 2.22. Se os limites laterais em a são finitos, mas lim f (x) 6= lim f (x), então a é ponto
x→a+ x→a−
de descontinuidade do tipo salto.
Os pontos de descontinuidade evitável e descontinuidade do tipo salto são chamados pontos de
descontinuidade de primeira espécie.
Quando um ou ambos limites laterais numa vizinhança do ponto a não existem ou são iguais a
infinito, diremos que a é ponto de descontinuidade de segunda espécie.
Exemplo 2.23. Dada a função


 10.5, se 0 ≤ x < 10,
x + 1, se 10 ≤ x < 14,

f (x) =

 x − 1, se 14 ≤ x < 30,
29 se 30 ≤ x < 42,

determine os valores de x para os quais f (x) é descontı́nua e classifique esses pontos de descontinui-
dade.

Resolução. Nos pontos x = 10 e x = 14 a função está definida, mas não tem limite nesses pontos.
A função possui descontinuidade tipo salto nos pontos x = 10 e x = 14. 
Exemplo 2.24. Dada a função

3x2 + 1,

se 0 ≤ x < 1,
f (x) =
4x − 1, se x ≥ 1,
34

determine o seu ponto de descontinuidade e com ajuda de limites laterais classifique o ponto de des-
continuidade.

Resolução. lim f (x) = lim (3x2 + 1) = 4, lim f (x) = lim (4x − 2) = 2. O ponto x = 1
x→1− x→1− x→1− x→1−
é ponto de descontinuidade tipo salto. 

2.3.2 Exercı́cios
1. Calcule os seguintes limites de funções
x2 + 5x + 6
(a) lim
x→∞ x+1

3x − 3−x
(b) lim
x→−∞ 3x + 3−x


x−3
(c) lim √
x→9 x+7−4

 
3 4
(d) lim − x2 −1
x→−1 x+1

x3 − 27
(e) lim
x→3 x − 3

√ √
x+h− x
(f) lim
h→0 h

(x − 20)70 (2x + 3)30


(g) lim
x→∞ (4x − 1)25 (5 − x)75

 
1 1
(h) lim − x2 −7x+12
x→3 x−3

(x + a)3 − a3
(i) lim
x→0 x
2. Calcule os limites notáveis:
sin 5x
(a) lim
x→0 x
35

tan x
(b) lim
x→0 x

sin 5x − sin 3x
(c) lim
x→0 sinx

tan x − sin x
(d) lim
x→0 sin3 x

1 − cos x
(e) lim
x→0 x2

sin πx
(f) lim
x→0 sin 3πx

x2 − sin x
(g) lim
x→0 x

 a x+3
(h) lim 1+
x→+∞ x

x
x2 + 2x + 1

(i) lim
x→∞ x2 − 6x + 9

 2x+1
3x + 4
(j) lim
x→0 3x + 2

1
(k) lim (1 + sin x) x
x→0

ax − xa
(l) lim , a>0
x→0 x − a

3. Calcule os seguintes limites laterais


| sin x|
(a) lim x
x→0−
36

x
(b) lim x−2
x→2−

x−1
(c) lim |x−1|
x→1−

1
(d) lim 1
x→0+ 1+e x

1
(e) lim 1
x→0− 1+e x

ln(1+ex )
(f) lim x
x→+∞


x
(g) lim 1 − 2x
x→0
1
(h) lim 1
x→0− 1 + ex
√ 
(i) lim x2 + x − x
x→−∞

√ 
(j) lim x2 + x − x
x→+∞

4. Para que valores de p, a função f (x) é contı́nua em x = 1?



x+1 se x≤1
f (x) =
3 − px2 se x>3

5. Considere a função real de variável real definida por m(x). Determine o parâmetro real k de
 2
x − 3x + 2
se x 6= 2


x2 − 4

m(x) =


3k + 2 se x=2

modo que a função seja contı́nua para x = 2.

1
1 − 2x
6. Mostre que f (x) = 1 tem descontı́nuidade em x0 = 0.
1 + 2x
1
7. Mostre que a funçõ f (x) = 1 tem, em x0 = 1 uma descontinuidade evitável (eliminável),
1 + 3 x−1
uma descontinuidade não evitável, ou ambas.
37

8. Esboce o gráfico de cada uma das seguintes funções, encontre as descontinuidades, explica por
que a função deixa de ser contı́nua nestes pontos e classifique-os:
x2 − 3x + 10
(a) f (x) =
x+2


x+3 se x≥2
(b) f (x) =
x2 + 1 se x<2

 4−x se x≥3
(c) f (x) = x−2 se 0<x<3
x−1 se x≤0

9. Verifique se as seguintes funções são contı́nuas nos pontos considerados:



ax2 − a3
para x 6= a


ax2 − 2a2 x + a3

(a) f (x) = no ponto x = a, a ∈ R


ax para x=a

x ≤ 12

2x + 1 para 1
(b) f (x) = 2 1 no ponto
x −4 para x>0 2
 1
 2 − |x − 2| para x 6= 2


(c) f (x) = no ponto x = 2

 1
 x− para x=2
3
Capı́tulo 3

Derivada e Cálculo Diferencial

3.1 Derivada
A derivada é uma das noções fundamentais da Matemática. A derivada tem a sua aplicação na
resolução de inúmeros problemas da matemática, fı́sica e outras ciências, em particular no estudo da
velocidade de diferentes processos.
É já conhecido que, por definição, a taxa média de variação de uma função f no intervalo [a, b]
é o quociente entre a variação da função neste intervalo, f (b) − f (a) , e a amplitude do mesmo, b − a,
ou seja
f (b) − f (a)
tvm[a,b] =
b−a
Se considerarmos a taxa média de variação em intervalos [x0 , x0 + ∆x], para o caso ∆x > 0, obtemos

f (x0 + ∆x) − f (x0 )


∆x
Definimos taxa de variação da função f no ponto x = x0 como sendo o valor para que tende a
taxa média de variação quando a amplitude do intervalo de extremidades a e x0 + ∆x, com ∆x de
sinal qualquer, tende para zero, isto é, o limite da taxa média de variação quando ∆x tende para zero.
Este valor é também chamado derivada da função f no ponto de abcissa a e designa-se por f 0 (x0 ).

Definição 3.1. A expressão


f (x0 + ∆x) − f (x0 )
lim
∆x→0 ∆x
chamaremos, caso exista, derivada da função f (x) no ponto x0 . A denotação usada é f 0 (x0 ) ou
df (x)
dx x=x0 .

Teorema 3.1. Para que a função f(x) seja diferenciável no ponto x0 é necessário e suficiente que
exista a derivada f 0 (x0 ).

Neste caso o acréscimo é ∆f = f 0 (x0 )∆x + α∆x. Onde α é uma função dependente de ∆x,
infinitamente pequena e contı́nua no ponto ∆x = 0.

38
39

A função linear homogénea de argumento ∆x definida por df = f 0 (x0 )∆x (f 0 (x0 ) 6= 0) chama-
remos diferencial da função f (x) no ponto x0 . Para valores de ∆x muito pequenos temos ∆f ≈ df ,
isto é,
f (x0 + ∆x) − f (x0 ) ≈ f 0 (x0 )∆x
Relacionemos o conceito de derivada com o de continuidade. Vamos usar o seguinte teorema

Teorema 3.2 (Derivabilidade e continuidade). Uma função que seja derivável num ponto é contı́nua
nesse ponto.

Isto significa que se f 0 (x0 ) existe (é um número real), então lim f (x) = f (x0 ). Porém, o reciproco
x→x0
não é verdade, pois, uma função pode ser contı́nua num ponto x0 mas não ser diferenciável naquele
ponto. Por exemplo, f (x) = |x| é contı́nua em todo R mas não é diferenciável no ponto x0 = 0, pois
as derivadas laterais nesse ponto são diferentes (f 0 (0− ) = −1 ∧ f 0 (0+ ) = 1).

3.2 Interpretação Geométrica e Mecânica


Se a função f (x) possui derivada no ponto x0 igual a f 0 (x0 ), então o gráfico desta função tem no
ponto M (x0 , f (x0 )) uma tangente, sendo o seu coeficiente angular igual a f 0 (x0 ). Isto é, a equação
da tangente ao gráfico de f (x) no ponto M é y(x) = f 0 (x0 )(x − x0 ) + f (x0 ).
A equação da normal, isto é, a recta que passa pelo ponto tangencial M (x0 , f (x0 )) e perpendicular
à tangente é y 0 (x) = − f 0 (x
1
0)
(x − x0 ) + f (x0 ).
Esta é a interpretação geométrica da derivada.
Sejam x(t), y(t) as coordenadas dum ponto N , no plano, no momento t e sejam i e j dois
vectores unitários perpendiculares. O vector r = ON ~ podemos escrever

r(t) = x(t)i + y(t)j

e sua derivada
r0 (t) = x0 (t)i + y 0 (t)j.
Esta derivada r0 (t) expressa o vector velocidade instântanea do ponto N no momento t e está orientado
segundo a tangente a trajectória.
Esta é a interpretação mecânica (fı́sica) da derivada.

Exemplo 3.1. A lei de movimento dum ponto no eixo OX dá-se pela fórmula x(t) = 10t + 5t2 ,
onde t é o tempo (em segundos) e x é a distância (em metros). Determine a velocidade média do
movimento, no intervalo de tempo 20 ≤ t ≤ 20 + ∆t, e calcule essa velocidade se ∆t = 1, t0 = 20.
Resolução. A velocidade média é igual ao quociente do espaço percorrido sobre o tempo que o ponto
levou a percorrer esse espaço. Assim,

x(t0 + ∆t) − x(t0 ) 10(t0 + ∆t) + 5(t0 + ∆t)2 − 10t0 − 5t20


vm (t0 ) = = = 10 + 10t0 + 5∆t
∆t ∆t
A velocidade média, no intervalo de tempo 20 ≤ t ≤ 20 + ∆t, ∆t = 1 é

10 + 10 · 20 + 5 · 1 = 215 m/s
40

3.3 Propriedades da derivada


• Derivada da soma
(f (x) + g(x))0 = f 0 (x) + g 0 (x) (3.1)

• Derivada do produto de duas funções

(f (x) × g(x))0 = f 0 (x) × g(x) + f (x) × g 0 (x) (3.2)

• Derivada do quociente de duas funções


0
f 0 (x) × g(x) − f (x) × g 0 (x)

f (x)
= (3.3)
g(x) (g(x))2

• Derivada da potência de uma função

(f α )0 = α × (f (x))α−1 × f 0 (x) α∈Q (3.4)

3.3.1 Derivação por tabela


Encontrem em Anexo

3.4 Regras de derivação


3.4.1 Derivação de funções compostas
Dadas duas funçẽs f e g e um ponto a do domı́nio da função composta f ◦ g , se f e g são deriváveis
em D , então a derivada da função composta f ◦ g em D é dada por:

(f ◦ g)0 (x) = [f (g(x))]0 = f 0 (g(x)) × g 0 (x) (3.5)

3.4.2 Derivação de funções dadas na forma paramétrica


Se a dependência entre a função y e o argumento x é dada através do parâmetro t

x = ϕ(x),
y = ψ(x);

então,
yt0
yx0 = . (3.6)
x0t
41

3.4.3 Derivação de funções dadas na forma implı́cita


Se a dependência entre x e a função diferenciável y é dada na forma ı́mplicita
F (x, y) = 0, (3.7)
para encontrar-se a derivada yx0 = y 0 , nos casos mais simples, é suficiente:
1) calcular a derivada em relação a x do primeiro membro da equação (3.7), considerando y função
de x;
2) Igualar essa derivada a zero, isto é, supor que
d
F (x, y) = 0
dx
3) Resolver a equação obtida em relação a y 0 .
Para o caso menos simples, sempre que Fy0 (x, y) 6= 0, a derivada yx0 pode ser encontrada pela fórmula
Fx0 (x, y)
yx0 = − . (3.8)
Fy0 (x, y)

Exemplo 3.2. Achemos a derivada yx0 , se x3 + y 3 − 3axy = 0.


Resolução. Calculando a derivada de F (x, y) = x3 + y 3 − 3axy e igualando a zero, teremos:
3x2 + 3y 2 y 0 − 3ay − 3axy 0 = 0
donde
x3 − ay
y0 = .
ax − y 2
Aplicando a fórmula da equação (3.8) teremos:
Fx0 = 3x2 − 3ay, Fy0 = 3y 2 − 3ax

Fx0 3x2 − 3ay x3 − ay


yx0 = − = − =
Fy0 3y 2 − 3ax ax − y 2

3.4.4 Derivadas logarı́tmicas


Definição 3.2. Chama-se derivada logarı́tmica a função y = f (x) a derivada do logarı́tmo desta
função, isto é,
y0 f 0 (x)
(ln y)0 = = . (3.9)
y f (x)
A logaritmização prévia da função facilita, em alguns casos, o cálculo de suas derivadas
Exemplo 3.3. Achar y 0 , se y = (sin x)x
y0
Resolução. ln y = x ln x =⇒ = ln sin x + xcotanx;
y
y 0 = (sin x)x (ln sin x + xcotanx)
42

3.4.5 Derivada da função inversa


Se a derivada da função y = f (x) é yx0 6= 0, então, a derivada da função inversa x = f −1 (y) será:

1
x0y = (3.10)
yx0

Exemplo 3.4. Achar a derivada x0y , se y = x + ln x


Resolução. Temos y 0 = 1 + x1 = x+1
x , portanto,

x
x0y =
x+1

3.5 Exercı́cios
1. Aplicando as regras de derivação, ache as derivadas das funções:

(a) f (x) = 78 + 48x − 11x2 + 23 x3


(b) f (x) = (x2 − 4)2
(c) f (x) = 3(x4 − 2x)3
1
(d) f (x) = 2
(x + 1)3
 5
x
(e) f (x) =
1+x
(f) f (x) = (x − 4)4 (x + 3)3
p
(g) f (x) = 5 (15 − 10x)6
√ √
(h) f (x) = x + 3 − x

2. Calcule as derivadas das seguintes funções trigonométricas:

(a) y = sin2 x
x
(b) y = 4 cos
2
(c) y = sin 3x + sin 2x
(d) y = sin x cos x
r
3 sin x − 2 cos x
(e) y =
5
3. Calcule as derivadas num ponto gà nerico
c da função:

x = 2t − 1
(a)
y = t3
x = 2 cos3 t

(b)
y = 3 sin3 t
43

( √
x= t2 + 1
(c) √t−1
y= t2 +1

x = e−t

(d)
y = e2t

x = et cos t

dy π
4. Achar dx , quando t = 4, se
y = et sin t

x = 2t + 3t2

5. Demonstrar que a função y, dada pelas equações paramétricas
y = t2 + 2t3

6. Calcule as derivadas das funções exponenciais e logarı́tmicas:

(a) y = x7 ex
ex
(b) y =
x2
(c) y = x2 ln x
(d) y = ln x2
1+x
(e) y = ln
1−x

7. Calcule as derivadas das funções dadas na forma implı́cita:

(a) xy + x − 2y − 1 = 0
(b) x3 + x2 y + y 2 = 0
(c) ey = x + y
(d) sin y + cos x = y
(e) xy + x3 y 2 + y 3 − x = 0
(f) cos(xy) = x
1 1 1
(g) x 2 + y 2 = 2 2

8. Escreva as equações da tangente e da normal:

(a) à curva y = 2x2 − 7 no ponto A(2, 1).


(b) à curva y = x3 − 6x + 2 sabendo que a tangente é paralela à recta y = 6x − 2.
(c) à curva y = 2x2 − x sabendo que a tangente é paralela à recta 3x − y = 4.
(d) à curva y = −x3 + 9x − 5 sabendo que a tangente é perpendicular à recta 2x − 6y + 1 = 0.
44

3.6 Derivadas de ordem superior. Diferencial e suas aplicações


Definição 3.3. Derivada de segunda ordem ou segunda derivada da função y = f (x) chama-se
derivada de sua derivada, isto é,
(y 0 )0 .
Designa-se assim a segunda derivada:
d2 y
y 00 , , f 00 (x)
dx2
d2 x
Se x = f (t) é a lei do movimento rectilineo de um ponto , então, é a aceleração deste
dt2
movimento.
Em geral, a derivada de n−ésima ordem da função y = f (x) é a derivada da derivada de
ordem (n − 1). A derivada n−ésima designa-se assim:
dn y
y (n) , , f n (x)
dxn
Exemplo 3.5. Achar a derivada de segunda ordem da função y = ln(1 − x).
Resolução.
(1 − x)0 −1 0 (−1)0 (1 − x) − (−1)(1 − x)0
 
−1 1
y0 = = ; y 00 = = =−
1−x 1−x 1−x (1 − x)2 (1 − x)2

3.6.1 Diferencial de uma função


Definição 3.4. Chama-se diferencia (da primeira ordem)da função y = f (x) no ponto x à
parte principal do seu acréscimo ∆y = f (x+∆x)−f (x), quando ∆x → 0, linear quanto ao acréscimo
∆x = dx da variável independente x. A diferencial de uma função é igual ao produto de sua derivada
pela diferencial de variável independente:

dy = y 0 dx.

Daı́
dy
y0 =
.
dx
A função que tem diferencial denomina-se função diferencial.
Se N M é o arco do gráfico da função y = f (x) (Como mostra a figura abaixo), M T , a tangente
no ponto M (x, y) e
P Q = ∆x = dx,
teremos, que o acrescimo da ordenada da tangente

AT = dy

e o segmento AN = ∆y .
45

y
N

T ∆y
dy
M (x, y)

dx

x
P Q

Exemplo 3.6. Achar o acréscimo e a diferencial da função y = 2x2 − x.


Resolução. ! ◦ método

∆y = f (x + ∆x) − f (x) = 2(x + ∆x)2 − (x + ∆x) − (2x2 − x) = (4x − 1)∆x + 2(∆x)2 .

portanto,
dy = (4x − 1)∆x = (4x − 1)dx

2 ◦ método.
y 0 = 4x − 1; dy = y 0 dx = (4x − 1)dx

Exemplo 3.7. Calcular ∆y e dx da função y = 2x2 − x se x = 1 e ∆x = 0.001.


Resolução.

∆y = (4x − 1)∆x + 2(∆x)2 = 3 × 0.001 + 2 × (0.001)2 = 0.003001

dy = (4x − 1)∆x = 3 × 0.001 = 0.003

Propriedades das diferenciais

(i) dc = 0, ode c =const.

(ii) dx = ∆x, onde x é variável independente.

(iii) d(cu) = cdu

(iv) d(u ± v) = du ± dv

(v) d(uv) = udv + vdu

u
 vdu − udv
(vi) d v = v 6= 0
v2
(vii) df (u) = f 0 (u)du
46

3.6.2 Aplicação da diferencial para cálculos aproximados


Se o acréscimo ∆x, do argumento x, é pequeno por sua grandeza absoluta, então, a diferencial dy da
função y = f (x) e o acréscimo ∆y da função são iguais, aproximadamente, entre sı́,

∆y ≈ dy,

isto é,
f (x + ∆x) − f (x) ≈ f 0 (x)∆x
donde:
f (x + ∆x) ≈ f (x) + f 0 (x)∆x. (3.11)
Exemplo 3.8. Em quanto aumentará, aproximadamente, o lado do quadrado, se sua área aumenta
de 9 m2 a 9, 1 m2 ?
Resolução. Se x é a área do quadrado e y seu lado, então:

y= x

Pelas condições dadas: x = 9; ∆x = 0.1


Calculamos, aproximadamente, o acréscimo ∆y do lado do quadrado:
1 1
∆y ≈ dy = y 0 ∆x = √ ∆x = √ × 0.1 = 0.016 m
2 x 2 9
Exemplo 3.9. Com ajuda do diferencial calcule o valor, aproximado, de e0.2
Resolução. Consideremos a função y = ex e x = 0; ∆x = 0.2. Então

e0.2 = f (x + ∆x)

y 0 = (ex )0 = ex
usando a equação (3.11) teremos
e0.2 = e0 + e0 × 0, 2 = 1.2

3.6.3 Diferenciais de ordens superiores


Definição 3.5. Chama-se diferencial de segunda ordem quando o acréscimo fixo da variável
independente ∆x = dx, a diferencial da diferencial de primeira ordem:

d2 y = d(dy)

De forma análoga determina-se as diferenciais de terceira e ordens sucessivas.


Se y = f (x) e x é variável independente, então:

d2 y = y 00 (dx)2
d3 y = y 000 (dx)3
..
.
dy = y (n) (dx)n .
47

3.7 Aplicação da derivada no cálculo do limite (Regra de L’Hôspital)


Sejam as funções uniformes f (x) e g(x)deriváveis para 0 < |x − a| < h, contanto que a derivada
g 0 (x)ne0.
Se f (x) e g(x) são infinitamente pequenas ( lim f (x) = 0), ou infinitamente grandes ( lim f (x) =
x→a x→a
f (x)
∞), quando x → a,isto é, se a razão representa no ponto x = a uma expressão indeterminada
  g(x)
0 ∞
das formas ou teremos,
0 ∞
f (x) f 0 (x)
lim = lim 0
x→a g(x) x→a g (x)

Com a condição de que exista o limite desta razão das derivadas. Esta regra é também válida no caso,
em que a = ∞.
f 0 (x)
Se a razão 0 torna a dar uma expressão indeterminada no ponto x = a, de uma das duas
g (x)
formas a cima citadas e f 0 (x) e g 0 (x) satisfazem a todas as condições que se formularam para f (x)
e g(x), aplica-se, novamente, a mesma regra, o que resulta na razão das segundas derivadas e assim
sucessivamente.
Para calcular os limites de expressões indeterminadas da forma 0×∞, vamos transformar o produto
correspondente f1 (x) × f2 (x), onde lim f1 (x) = 0 e lim f2 (x) = ∞ na razão
x→a x→a
 
f1 (x) 0 f2 (x)  ∞
1 forma ou 1 forma
f (x)
0 f (x)

2 2

As expressões indeterminadas das formas 1∞ , 00 e ∞0 são calculadas, po=rocurando-se, previamente,


seus logarı́tmos e encontrando-se o limite do logarı́tmo de grau correspondente [f1 (x)]f2 (X) (para que
é necessário calcular as expressões indeterminadas da forma 0 × ∞).
Em certos casos é útil combinar a regra de L’Hôspital com o cálculo de limites por meios elemen-
tares.
Exemplo 3.10. Calcule
ln x  ∞
lim forma indeterminada
x→0 cotanx ∞
Resolução. Aplicando a regra de L’Hôspital, teremos
ln x (ln x)0 sin2 x
lim = lim = − lim
x→0 cotanx x→0 (cotanx)0 x→0 x
0
Obtemos uma expressão indeterminada da forma , porém podemos calcular usando o limite notável,
0
(mas també podemos aplicar de novo a regra – fica como TPC).
sin2 x sin x
lim = lim × sin x = 1 × 0 = 0
x→0 x x→0 x
logo,
ln x
lim =0
x→0 cotanx
48

Exemplo 3.11. Calcule


 
1 1
lim − (forma indeterminada ∞ − ∞)
x→0 sin x x2
Reduzindo a fração a um denominador comum, teremos:

x2 − sin2 x
   
1 1 0
lim − 2 = lim 2 2 forma indeterminada
x→0 sin x x x→0 x sin x 0

sin2 x
Antes de aplicarmos a fórmula de L’Hôspital, notemos que como lim = 1 então sin2 x ∼
x→0 x2
x2 (assim como sin x ∼ x) logo o denominador x2 sin2 x ∼ x4 . Agora teremos

(x2 − sin2 x)0


 
1 1 2x − 2 sin x cos x 2x − sin 2x 2(1 − cos x)
lim − 2 = lim 4 0
= lim 3
= lim 3
= lim
x→0 sin x x x→0 (x ) x→0 4x x→0 4x x→0 12x2
Aplicando algumas identidades trigonométricas elementares, teremos

2 sin2 x
 
1 1 2(1 − cos x) 1
lim − 2 = lim 2
= lim 2
=
x→0 sin x x x→0 12x x→0 6x 3
Exemplo 3.12. Calcular
3
lim (cos 2x) x2 (forma indeterminada 1∞ )
x→0

Achando o logarı́tmo e aplicando a regra de L’Hôspital, teremos


3 3 ln cos 2x tan 2x
lim (cos 2x) x2 = lim 2
= −6 lim = −6.
x→0 x→0 x x→0 2x

Portanto,
3
lim (cos 2x) x2 = e−6 .
x→0

3.8 Exercı́cios
1. Calcule a derivada até a terceira ordem

(a) y = 4x3 − 6x2 + 6x + 4


(b) y = sin 3x + cos 2x
(c) y = ex cos x
(d) y = ln(sin x)

2. Achar a diferencial da função:

(a) f (x) = 2x2 − 2x + 5


(b) g(t) = e2t−5
49

3. Use diferenciais para estimar:



(a) 17

(b) 3 28
(c) cos 44◦
(d) e1,2
(e) ln 1, 02
(f) sin 32◦

4. Aplicando a regra de L’Hôspital, determine os seguintes limites:


x3 −2x2 −x+2
(a) lim x3 −7x+6
x→1
ex
(b) lim x 5
x→+∞
e2x −1
(c) lim 2
x→0 3x
e−x +ex −2
(d) lim
x→0 1−cos x

(e) lim √x+1−2
x→3 x−2−1

5. Ache os máximos e mı́nimos locais das seguintes funções:

(a) f (x) = x3 + 2x2 − 4x − 8


(b) f (x) = x3 − 6x2 + 9x − 8
9
(c) f (x) = x4 − x2
4
48
(d) f (x) = x3 +
x
1 1
(e) f (x) = (x − 1) 2 (x + 2) 2

6. Considere os triângulos rectângulos inscritos numa circunferência de raio igual a 2 cm.



(a) Mostre que a área é dada por A(x) = 21 x 16 − x2 , onde x é medida de um dos catetos.
(b) prove que o triângulo que área máxima é isósceles.

7. De todos os rectângulos com 5 cm2 de área, qual o que tem perı́metro mı́nimo.

8. Mostre que a função y = x5 + 20x − 6 é sempre crescente em todo seu domı́nio.

9. O custo de produção de algodão de uma empresa é dado pela seguinte fórmula:

16 3x2
 
C(x) = 103 +
x3 4

onde x é o número de anos necessário para o fabrico e algodão.


50

(a) Determinar o número de anos necessário para que o custo seja mı́nimo;
(b) Determinar e verificar se o custo obtido é mı́nimo.

10. Determine as equações das assimptotas das seguintes funções:


x2 +1
(a) y = x+1
x2 +2x+1
(b) y = x

3
(c) y = 2ax2 − x3
(d) y = x + ex