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Amplificadores de Grandes sinais

Power Amplifiers

1 INTRODUÇÃO
Um amplificador recebe um sinal de algum transdutor ou de outra fonte de
entrada e fornece uma versão maior desse sinal para um dispositivo de saída ou para
outro estágio amplificador. Um sinal de um transdutor na entrada em geral é pequeno
(alguns milivolts de um tape-deck ou CD, ou alguns microvolts de uma antena) e
precisa ser suficientemente amplificado para acionar um dispositivo de saída (alto-
falante ou qualquer outro dispositivo de potência). Em amplificadores de pequenos
sinais, os fatores principais geralmente são a linearidade na amplificação e a amplitude
de ganho. Uma vez que os sinais de tensão e corrente são pequenos em um amplificador
de pequenos sinais, a capacidade de fornecimento de potência e a eficácia têm pouca
importância. Um amplificador de tensão fornece amplificação principalmente para
aumentar a tensão do sinal de entrada. Por outro lado, amplificadores de grandes sinais
ou de potência fornecem principalmente potência suficiente para uma carga de saída
para acionar um alto-falante ou outro dispositivo de potência, normalmente na faixa de
alguns watts a dezenas de watts.
Um método utilizado para classificar amplificadores é o de “classes”.
Classes de amplificadores basicamente indicam quanto o sinal de saída varia, sobre um
ciclo de operação, para um ciclo completo do sinal de entrada. Os amplificadores de
potência de um modo geral podem ser divididos em cinco classes:
 Classe A;
 Classe B;
 Classe AB;
 Classe C;
 Classe D.
No amplificador Classe A, o sinal de saída varia por um ciclo completo de
360º. A Figura 01 mostra que para isso é necessário que o ponto Q seja polarizado em
um nível que permita que o sinal varie para cima e para baixo sem atingir uma tensão
suficiente para ser restringida pelo valor da fonte de tensão ou desça a um ponto
suficientemente baixo para atingir o valor inferior da fonte, ou 0 V.

Figura 01 – Amplificador Classe A

Nos amplificadores Classe B, um circuito fornece um sinal de saída que


varia sobre metade do ciclo de entrada, ou por 180º de sinal, Figura 02. Portanto, o
ponto de polarização DC está em 0 V, e a saída varia, então, a partir desse ponto,
durante meio ciclo, obviamente, a saída não é uma reprodução fiel da entrada se apenas
meio ciclo está presente. São necessários dois amplificadores Classe B – um para
fornecer saída durante o semiciclo positivo e outro para operar no semiciclo de saída
negativo. A combinação dos semiciclos fornece então uma saída para os 360º completos
de operação. Esse tipo de conexão realiza a operação chamada de push-pull. A
operação Classe B por si só gera um sinal de saída muito distorcido, pois o sinal de
entrada é reproduzido na saída somente para 180º da oscilação do sinal de saída.

Figura 02 – Amplificador Classe B


Na Classe AB, um amplificador pode ser polarizado em um valor DC acima
do valor correspondente à corrente zero de base da Classe B e acima da metade do valor
da fonte de tensão da Classe A. Essa condição de polarização é empregada em
amplificadores Classe AB. A operação Classe AB requer ainda uma conexão push-pull
para atingir um ciclo de saída completo, porém o valor e polarização DC geralmente
estão muito próximos do valor zero de corrente de base para uma melhor eficácia de
potência. Para a operação Classe AB, a oscilação do sinal de saída ocorre entre 180º e
360º e não é uma operação Classe A nem Classe B.
A saída de um amplificador Classe C é polarizada para uma operação em
menos de 180º do ciclo e opera apenas com circuitos sintonizados (ressonantes), os
quais fornecem um ciclo completo de operação para a freqüência sintonizada ou
ressonante. Portanto, essa classe de operação é utilizada em amplificações especiais de
circuitos sintonizados, como os de rádio ou de comunicações.
Amplificadores Classe D é uma forma de amplificação para sinais pulsados
(digitais), que permanecem ligados por um curto intervalo de tempo e desligados
durante um longo intervalo. A utilização de técnicas digitais possibilita a obtenção de
um sinal que varia sobre um ciclo completo (utilizando circuitos de amostragem e
retenção) para recriar a saída a partir de vários trechos do sinal de entrada. A principal
vantagem da operação Classe D é que o amplificador está ligado durante curtos
intervalos, e a eficiência global pode, na prática, ser muito alta.
Muitos parâmetros foram definidos para caracterização dos amplificadores,
cujos principais são: o ganho de tensão (ou corrente); a freqüência de corte; a potência
de saída, o slew-rate; a distorção harmônica total (THD); a distorção por
intermodulação e a eficiência. O parâmetro mais utilizado para compreender melhor as
diferenças entre os amplificadores é comparar o grau de eficiência de potência entre as
várias classes. A eficiência de potência, definida como a razão entre a potência de saída
e a de entrada, melhora da Classe A para a Classe D. Em termos gerais, o amplificador
Classe A, com polarização DC na metade do valor da fonte de tensão, utiliza muita
potência para manter a polarização mesmo sem nenhum sinal de entrada aplicado. O
resultado é uma baixa eficiência, principalmente com sinais pequenos de entrada,
quando pouca potência CA é liberada para a carga. Na verdade, a eficiência máxima de
um circuito Classe A, que ocorre para a maior oscilação de tensão e corrente de saída, é
de somente 25% para uma conexão de carga direta ou realimentada em série, e 50%
para uma conexão utilizando indutores e capacitores. É possível mostrar que a operação
Classe B, sem nenhuma potência de polarização DC para o caso de ausência de sinal de
entrada, fornece uma eficiência máxima que chega a 78,5%. A operação Classe D pode
obter uma eficiência de potência maior que 90% e fornece a operação mais eficiente de
todas as classes de operação. A Classe C geralmente não é utilizada para transferir
grandes quantidades de potência, portanto não foi possível medir a sua eficiência.
Como a Classe AB situa-se entre a Classe A e B, em termos de polarização ela mantém
sua eficiência entre 25% (ou 50%) e 78,5%. A Tabela 01 fornece uma comparação
relativa da operação do ciclo de saída e eficiência de potência para os diversos tipos de
classes.

COMPARAÇÃO DE CLASSES DE AMPLIFICADORES


Classes A AB B C D
Ciclo de Operação por
360º 180 a 360º 180º Menor que 180º
Operação pulso
Eficiência Entre 25% (50%) e Normalmente
25% a 50% 78,5% ––
de Potência 78,5% acima de 90%

Tabela 01
2 CARACTERÍSTICAS E OPERAÇÃO

2.1 Amplificador Classe A

Tomando como exemplo o circuito da Figura 03, onde Vin(t) é uma fonte
senoidal. A classe de operação depende da região de trabalho do transistor.

Figura 03 – Amplificador de Tensão


Quando o transistor está sempre na região ativa, o amplificador opera em
Classe A e a corrente de coletor comporta-se como na Figura 04.

Figura 04 – Operação em Classe A


2.1.1 Eficiência do Amplificador em Classe A

Sabemos que:
VO (t )  VCC  I C (t ) RL  VCC  I Cq RL  I m sin(t ) * RL (Eq.01)

e podendo considerar que a tensão de saída é, de forma geral, dada por:


VO (t )  VCC  I C (t ) RL  VCq  vO (t )  VCq  Vm sin(t ) (Eq. 02)

A corrente que circula pela fonte de tensão é a mesma do coletor, e pode ser calculada
por:
VCC  VO (t ) VCC  I Cq  Vm sin(t )
I VCC (t )   (Eq. 03)
RL RL
e a potência instantânea entregue pela fonte é:
2
VCC  VCCVCq  VCCVm sin(t )
PVCC (t )  I VCC (t )VCC  (Eq. 04)
RL

Podemos calcular a potência média P VCC pelo valor médio da Equação 04, ou seja:

1 VCC  VCCVCq  VCCVm sin(t )  VCCVCq


T 2 2
VCC
P VCC   dt  (Eq. 05)
T0 RL RL

A potência instantânea entregue à carga RL é dada por:


(VCC  VO (t )) 2 VCC  2VCCVO (t )  VO2 (t )
PL (t )   (Eq. 06)
RL RL
e cujo valor médio é
T 2
1 VCC  2VCCVO (t )  VO2 (T )
2
VCC  2VCCVCq  VCq2  Vm2 2
PL   dt  (Eq. 07)
T0 RL RL

Da Equação 07, nota-se que a parcela de potência relacionada ao sinal de


entrada (por exemplo, o som) é Vm2 2 RL e, portanto, podemos considerar que
efetivamente a potência média útil na carga é:
Vm2
PL  (Eq. 08)
2 RL
Considerando também que o circuito opera com excursão de saída simétrica
e máxima amplitude de sinal. Desta forma, temos que a tensão máxima de saída é VCC e

a mínima é VCEsat , ou seja:


VCC  VOmáx (t )  VCq  Vm
(Eq. 09)
VCEsat  VO min (t )  VCq  Vm

Pela solução do sistema de Equações 09, obtêm-se


VCC  VCEsat
VCq 
2 (Eq. 10)
VCC  VCEsat
Vm 
2
Substituindo a Equação 10 nas Equações 05 e 08, obtêm-se:
2
VCC  VCCVCEsat
P Vvv 
2 RL
(Eq. 11)
2
VCC  2VCCVCEsat  VCEsat
2
PL 
8 RL
Finalmente, temos para a eficiência máxima teórica do amplificador Classe
A a expressão:
2
VCC  2VCCVCEsat  VCEsat
2
 (Eq. 12)
2
4(VCC  VCC *VCEsat )

Quando VCEsat é suficientemente pequeno para ser desprezado, a Equação

12 reduz-se a   1 4 . Isto significa que somente 25% da potência entregue pela fonte é
considerada útil. Se fossemos projetar um amplificador de áudio para 100 W de saída,
desperdiçaríamos 300 W sob forma de calor no transistor. Uma forma alternativa de
implementação de um amplificador Classe A com eficiência superior pode ser vista na
Figura 05. O indutor L1 e o capacitor C1 são suficientemente elevados para que nas
freqüências de trabalho L1 seja um circuito aberto e C1 um curto-circuito. A tensão DC
armazenada no capacitor é VCC, pois o indutor não oferece resistência à passagem da
corrente contínua. Temos então que a tensão de saída no coletor VC(t) está deslocada de
VCC em relação Vo(t). Assumindo que VCEsat seja zero, VC(t) pode ser no mínimo zero,
obrigando uma excursão de sinal negativo igual a VCC. Portanto, para excursão de sinal
simétrica, devemos ter:
VO (t )  Vm sin(t )  VCC sin(t ) (Eq.13)

Com o máximo de tensão na saída, o transistor está cortado e toda corrente


que passa pelo indutor é direcionada para a carga. Sabemos que o indutor, neste caso,
funciona como fonte de corrente, e sua corrente é a própria VCq. Portanto, temos que:
V CC
I Cq  (Eq. 14)
RL
Utilizando as Equações 13 e 14, podemos calcular as potências médias
entregue pela fonte e a consumida pela carga, ou seja:
2
VCC
P VCC  VCC I Cq  (Eq. 15)
RL
2
VCC
PL  (Eq. 16)
2 RL
A eficiência é obtida das Equações 15 e 16, ou seja:
PL
  0,5 (Eq. 17)
PVCC

Este valor é consideravelmente melhor que o anterior, mas a implementação


do indutor não é prática. Este circuito dificilmente é usado para grandes potências de
saída.

Figura 05 – Amplificador Classe A com Indutor


Um fato interessante que podemos observar é que a tensão no coletor VC(t)
pode ser mais elevada que a da fonte. Isto é possível, pois o indutor atua como fonte de
corrente e acumula energia.

2.2 Amplificador Classe B

Considere o seguidor de emissor da Figura 06. O transistor não possui


polarização DC, estando a base conectada diretamente à fonte. Somente quando Vin(t)
exceder a tensão de junção VBE, haverá corrente de coletor e tensão de saída, conforme a
Figura 07.

Figura 06 – Amplificador Classe B

Figura 07 – Corrente e Tensão na Carga dão Amplificador Classe B

Podemos observar que somente o ciclo positivo do sinal de entrada é


aplicado à carga, e também com desconto de VBE. A queda de VBE pode ser compensada
com o circuito da Figura 08.
Figura 08 – Amplificador Classe B com Compensação para VBE

2.2.1 Eficiência do Amplificador em Classe B

Podemos calcular a potência média da fonte e da carga considerando que a


corrente de coletor é a mesma que circula por RL. Desta forma, temos que:
T
1 2Vm2 sin(t ) 2 Vm2
PL   dt  (Eq. 18)
T 0 RL 4 RL
T T
1 2 1 VCCVm sin(t ) 2
2
V V
PVCC   VCC I C (t )dt  0 dt  CC m (Eq. 19)
T 0 T RL RL

De posse das Equações 18 e 19 obtemos a eficiência:


PL Vm
  (Eq. 20)
PVCC 4VCC

Considerando o caso ideal, onde a tensão de pico na saída pode chegar a


VCC, temos para eficiência máxima teórica do amplificador Classe B:

  78,5% (Eq. 21)
4
Entretanto, devemos considerar a possibilidade de Vm < VCC, devido ao
VCEsat e a outros fatores.
Ao contrário dos amplificadores Classe A, no Classe B a potência dissipada
pela fonte é dependente do nível máximo da saída. É interessante observarmos que a
potência média dissipada PQ no transistor é dada pela Equação 22, e cujo gráfico é o da
Figura 09.
VCCVm Vm2
P Q  PVCC  P L   (Eq. 22)
RL 4 RL
Derivando a Equação 22 em relação a Vm e igualando a zero, concluímos
que a potência máxima dissipada no transistor ocorre para Vm  2Vcc  e com valor
dado pela Equação 23.
2
VCC
PQ  (Eq. 23)
 2 RL

2.3 Amplificador Classe AB

O amplificador Classe B deve ser compensado para queda de VBE. Isto é


feito simplesmente colocando uma fonte DC de valor VBE na base do transistor.
Entretanto, cada transistor possui um VBE ligeiramente diferente e que varia com a
temperatura. Torna-se difícil fazer esta compensação com exatidão. Normalmente,
aplicamos uma fonte de tensão na base, ligeiramente maior que VBE, para estabelecer
uma pequena corrente de polarização no transistor. Esta corrente não é suficiente para
colocá-lo em Classe A, mas garante a compensação de VBE. Este tipo de operação é
chamado Classe AB, ou amplificadores push-pull. Os amplificadores push-pull são
compostos por dois circuitos Classe B em oposição de fase. Enquanto um amplificador
conduz no ciclo positivo, o outro o faz no ciclo negativo. Isto ajuda a reduzir
drasticamente a THD.
A configuração mais empregada atualmente é o estágio de saída com par
complementar, que utiliza transistores NPN e PNP, conforme a Figura 09.
Figura 09 – Estágio de Saída em Push-Pull

A configuração da Figura 09 emprega duas fontes simétricas. Entretanto,


podemos implementar o circuito com fonte unipolar, ao custo de um capacitor de
desacoplamento a mais, conforme a Figura 10. O capacitor C é calculado pela Equação
24, segundo a especificação de freqüência de corte inferior fCI, onde ro é uma estimativa
da resistência de saída dos transistores. Normalmente, ro é desprezado.
1
C (Eq. 24)
2f CI ( RL  ro )

Figura 10 – Estágio de Saída em Push-Pull, com Fonte Unipolar

2.4 Amplificador Classe C

Os amplificadores em Classe C são empregados nos estágios de saída de


potência dos circuitos de rádio freqüência (RF), devido à sua elevada eficiência. A
Figura 11(a) representa um circuito básico, onde podemos observar que a base do
transistor Q está polarizada com uma queda de tensão negativa  VBq . Desta forma, só

haverá corrente no coletor quando a tensão de entrada Vin (t )  VBq ultrapassar VBEq ,

definindo um ângulo de condução menor que 180º, conforme observado na Figura


11(b). Ajustando o nível de  VBq , podemos controlar o ângulo de condução.

É importante observar que a forma de onda de corrente de coletor é


extremamente distorcida, possuindo uma composição harmônica muito extensa. Isso
provoca a repetição do sinal ao longo da freqüência, conforme a Figura 12. Isto não é
conveniente, pois a carga do amplificador em Classe C é sintonizada e adequadamente
projetada para eliminar as imagens do sinal. É importante que a largura de banda do
sinal seja limitada a um valor para o qual não haja sobreposição de espectro.
Esse tipo de amplificador é usado para sinais de banda estreita,
normalmente sinais modulados em amplitude (AM) ou freqüência (FM), onde a energia
encontra-se em torno de uma frequência portadora O .

Figura 11 – Amplificador Classe C: a) Circuito Básico e b) Forma de Onda

Figura 12 – Composição Espectral do Sinal de Saída


2.4.1 Eficiência do Amplificador em Classe C

Para o cálculo de eficiência, considera-se o sinal de entrada senoidal e um


ângulo de condução  para o transistor, de forma que a corrente de coletor se comporta
como o gráfico da Figura 13. Podemos verificar que a corrente, observada em um ciclo
de repetição, é positiva somente no intervalo  t  t  t e zero para  T 2  t  t e

t  t  T 2 . A parte negativa do gráfico serve somente para facilitar a visualização da


forma de onda de corrente. A corrente do coletor é descrita pela Equação:
 (cos( 0t )  cos( 0);t  t  t
I C (t )  (Eq. 25)
0; T 2  t  t e t  t  T 2

Onde:
2
 t (Eq. 26)
T
2
0  (Eq. 27)
T

Figura 13 – Corrente de Coletor no Amplificador Classe C


Representando I C (t ) em série de Fourier, e lembrando que para funções
pares existem somente os termos em cosseno, temos:

I C (t )  I O   Bn cos(n O t  (Eq. 28)
n 1

onde:
t t
1 1
I O
T 
 t
i C ( t ) dt 
T   (cos(
 t
O t )  cos( ) d t

t t (Eq.
2 2 
B n   iC (t ) cos( n Ot ) dt    (cos( O t )  cos( ) cos( n ot ) d t
T  t T  t
29)
Sendo a carga sintonizada em  O , e com seletividade elevada, podemos
considerar que a tensão AC no coletor depende somente da impedância e da
componente de I C (t ) em  O , ou seja:

V C(t )  VCC  B1 Z ( j O ) cos( O t ) (Eq. 30)

Portanto, necessita-se somente dos termos I O e Bn do sistema de Equação


29, ou seja:
 (sin( )   cos( ))
I O (Eq. 31)

e
 (  sin( ) cos( ))
Bn  (Eq. 32)

A Equação 32 obriga que a tensão AC no coletor seja, em primeira análise,
puramente senoidal e com amplitude máxima igual a VCC  VCEsat , conforme a Figura14:
Figura 14 – Excursão Máxima de Sinal no Coletor
A potência média fornecida pela fonte ao circuito é:
 (sin( )   cos( )VCC )
P Vcc  I OVCC  (Eq. 33)

Chamando I C (t ) a componente AC da corrente de coletor, ou seja:

I C (t )  I O  I C (t )  I O  B1 cos( O t ) (Eq. 34)

A potência média que o circuito entrega à carga, na freqüência  O , é:

1 1 N 1 L1
PL  RCeq B12  ( 1 ) 2 RL B12  RL B12 (Eq. 35)
2 2 N2 2 L2

Onde RCeq é a resistência RL refletida para o primário do transformador.

Concluímos facilmente que a amplitude da tensão AC no coletor é dada por:


N1
V C VO  RCeq B1 (Eq. 36)
N2
Aplicando as Equações 36 e 32 em 35, obtemos:
1 N N  (  sin( ) cos( ))VO
P L  ( 1 )VO B1  1 (Eq. 37)
2 N2 N2 2
A eficiência é dada por:
PL (  sin( ) cos( ))VO N1
  (Eq. 38)
P VCC 2(sin( )   cos( ))VCC N 2
Considerando que a amplitude máxima da tensão AC no coletor seja VCC ,
pelas Equações 36 e 38 temos que:
N2
VO  VC (Eq. 39)
N1

PL (  sin( ) cos( ))
  (Eq. 40)
P VCC 2(sin( )   cos( ))
A Figura 15, a seguir, apresenta o gráfico da eficiência para 0     2 .

Figura 15 – Curva de Eficiência do Amplificador Classe C

Observa-se que a eficiência é máxima para   0 . Pode-se mostrar então


que:
lim 0   1  100% (Eq. 41)

Este valor é uma possibilidade teórica, mas para ser alcançado teríamos
picos de corrente tendendo para o infinito, o que é razoável. Na prática, os
amplificadores transistorizados em Classe C para RF são projetados com eficiência em
torno de 60%.
2.5 Amplificador Classe D

Um amplificador Classe D é projetado para operar com sinais digitais ou


pulsados. Uma eficiência além de 90% é obtida utilizando esse tipo de circuito,
tornando-os bastante interessante para amplificação de potência. É necessário,
entretanto, converter qualquer sinal de entrada em uma forma de onda pulsada antes de
utilizá-lo para fornecer uma grande potência à carga e convertê-lo novamente a um tipo
senoidal para recuperar o sinal original. A Figura 16 mostra como um sinal senoidal
pode ser convertido em um sinal pulsado, utilizando uma forma de onda triangular. Os
dois sinais são aplicados a um comparador (amp-op), produzindo na saída o sinal
pulsado desejado. Embora a letra D seja utilizada para descrever a operação seguinte à
classe C, também poderia ser associada à palavra “Digital”, pois é essa a natureza dos
sinais envolvidos na operação desse tipo de amplificador.

Figura 16 – Amostragem de uma Forma de Onda Senoidal para Produzir Forma de Onda Digital

A Figura 17 mostra um diagrama de blocos da unidade necessária para


amplificar o sinal Classe D e então convertê-lo de volta a um sinal senoidal utilizando
um filtro passa-baixa. Como os transistores do amplificador usado para gerar o sinal de
saída estão basicamente ligados ou desligados, eles são percorridos por corrente apenas
quando estão ligados, apresentando uma pequena perda de potência devido à baixa
tensão utilizada. Como a maior parte da potência aplicada ao amplificador é transferida
para a carga, a eficiência do circuito é geralmente muito alta. Dispositivos de potência
MOSFET tornaram-se bastante conhecidos como dispositivos acionadores para
amplificadores Classe D.

Figura 17 – Diagrama de Blocos do Amplificador Classe D

2.6 Distorção do Amplificador

Um sinal senoidal puro de uma única freqüência na qual a tensão varia


positiva e negativamente. Um sinal que varia menos que um ciclo completo de 360º é
considerado como tendo distorção. Um amplificador ideal é capaz de amplificar um
sinal senoidal puro, produzindo uma forma de onda também senoidal. Quando ocorre a
distorção, pode acontecer porque as características do dispositivo são não-lineares,
ocorrendo então distorção não-linear ou de amplitude. Isso é possível com todas as
classes de operação de amplificadores. A distorção pode ocorrer também porque os
elementos do circuito e dispositivos respondem a um sinal de entrada de forma diferente
nas várias freqüências, sendo esse caso chamado de distorção de freqüência.
Uma das técnicas para descrever a distorção utiliza a análise de Fourier.
Esse método descreve qualquer forma de onda periódica em termos dos componentes de
freqüência (fundamental e múltiplo inteiro dela). Esses componentes são chamados de
componentes harmônicos ou apenas harmônicos. Por exemplo, um sinal original de
1.000 Hz poderia resultar, após a distorção, em um sinal com componentes de
freqüência de 1 kHz e componentes harmônicos de 2 kHz (2 x 1 kHz), 3 kHz (1 kHz) e
assim por diante. A freqüência original de 1 kHz é chamada de freqüência fundamental,
cujos múltiplos inteiros são os harmônicos; o componente de 2 kHz é, portanto,
chamado de segundo harmônico, o componente de 3 kHz é o terceiro harmônico e
assim sucessivamente. A freqüência fundamental não é considerada um harmônico. A
análise de Fourier não considera freqüências harmônicas fracionárias, somente
múltiplos inteiros da fundamental.

2.6.1 Distorção Harmônica

Considerando que um sinal possui distorção harmônica quando há


componentes harmônicos de freqüência (e não simplesmente o componente
fundamental). Se a freqüência fundamental tiver uma amplitude A1, o n-ésimo
componente harmônico pode ser definido como:
An
% n  ésima distorção harmônica  % Dn  x100% (Eq. 42)
A1

O componente fundamental é normalmente maior do que qualquer


componente harmônico.

2.6.2 Distorção Harmônica Total

Quando um sinal de saída possui vários componentes de distorção


harmônica, o sinal pode ser uma distorção harmônica total baseada nos elementos
individuais combinados pela relação da seguinte Equação:

% THD  D22  D32  ...Dn2 *100% (Eq. 43)

onde THD é a distorção harmônica total.


Um instrumento como o analisador de espectro permitiria medir os
harmônicos presentes no sinal, fornecendo uma amostra dos componentes individuais
de um sinal e vários de seus harmônicos em uma tela. Da mesma maneira, um
instrumento analisador de onda permite medidas mais exatas dos componentes
harmônicos de um sinal distorcido filtrando cada um deles e fornecendo uma leitura. De
qualquer maneira, a técnica de considerar qualquer sinal distorcido como contendo um
componente fundamental e seus componentes harmônicos é pratica e útil. Para um
amplificador em Classe AB ou Classe B, a distorção deve ocorrer principalmente nos
harmônicos pares, dos quais o componente de segundo harmônico é a maior. Portanto,
embora o sinal distorcido contenha, teoricamente, todos os componentes harmônicos a
partir do segundo harmônico, o mais crítico nas classes apresentadas anteriormente é o
segundo harmônico.

2.6.3 Potência de Sinal com Distorção

Quando ocorre distorção, a potência de saída calculada para o sinal não-


distorcido não é mais correta. Quando há distorção, a potência de saída liberada para o
resistor de carga RL devido ao componente fundamental do sinal distorcido é:
I12 RL
P1  (Eq. 44)
2
A potência total devida a todos os componentes harmônicos do sinal
distorcido pode ser calculada utilizando:
RL
P  ( I12  I 22  .....I n2 ) (Eq. 45)
2
A potência total também pode ser escrita em termos de distorção harmônica
total:
RL
P  (1  D22  D32  .....Dn2 ) I12  (1  THD 2 ) P1 (Eq. 46)
2
2.6.4 Descrição Gráfica de Componentes Harmônicos Distorcidos

Uma forma de onda distorcida, tal como a que ocorre na operação Classe B,
pode ser representada, se utilizarmos a análise de Fourier, por uma fundamental com
componentes harmônicos. A Figura 18(a) mostra um semiciclo positivo resultante da
operação de um amplificador Classe B. Utilizando técnicas de análise de Fourier, o
componente fundamental do sinal distorcido pode ser obtido conforme mostra a Figura
18(b). Da mesma maneira, os componentes de segundo e terceiro harmônicos podem ser
obtidos, e são mostrados nas Figuras 18(c) e 18(d), respectivamente. Utilizando a
técnica de Fourier, a forma de onda distorcida pode ser construída pela adição dos
componentes fundamental e harmônicos, como mostra a Figura 18(e). Em geral,
qualquer forma de onda periódica distorcida pode ser representada pela adição de um
componente fundamental e todos os componentes harmônicos, cada qual com diferentes
amplitudes e ângulos de fase.

Figura 18 – Representação Gráfica de um Sinal Distorcido Através do uso de Componentes Harmônicos

2.6.5 Distorção de Crossover

Tomemos como exemplo o circuito da Figura 19(a). Para uma fonte de


sinal Vin (t )  Vm sin(t ) , haverá condução do transistor NPN quando Vin (t )   VBEn e

no transistor PNP quando Vin (t )   VBEp . Quando o transistor NPN está em condução, o

PNP encontra-se cortado, pois a tensão entre base e emissor é maior que  VBEp . O
mesmo ocorre com o transistor NPN quando o PNP está em condução, pois a tensão
entre base e emissor é menor que VBEn . Portanto, os dois transistores trabalhando em

conjunto permitem ao circuito operar nos ciclos positivo e negativo do sinal, conforme a
Figura 19(b). Podemos observar um desnível no sinal de saída, tanto no ciclo positivo
quanto no negativo, que corresponde a VBEn e VBEp . Isto é chamado de crossover e

provoca distorção harmônica.

Figura 19 – Sinal de Saída do Estágio Push-Pull: a) Com Crossover e b) Sem Crossover

O crossover pode ser eliminado com o uso de fortes realimentações


negativas ou através de pré-polarização do estágio de saída, levando o amplificador a
operar em Classe AB. Com este procedimento obtemos baixíssima THD, conforme a
Figura 19(b).
O circuito da Figura 20 representa a forma esquemática para compensação
do crossover.
Figura 20 – Compensação do Crossover

3 APLICAÇÕES

Os amplificadores de potência são largamente usados em componentes de


áudio-receptores de rádio e televisão, fonógrafos e toca-fitas, sistemas estéreo e de alta
fidelidade, equipamentos de estúdios de gravação, etc. Nessas aplicações, a carga é
geralmente um alto-falante, que requer uma potência considerável para converter os
sinais elétricos em ondas sonoras. Os amplificadores de potência são usados também em
“sistemas de controle” eletromecânico para acionamento de motores elétricos. Podemos
citar como exemplo os acionadores de disco e de fitas (drives), braços de robô, pilotos
automáticos, antenas giratórias, bombas e válvulas elétricas, para todos os tipos de
controles de processos.
4 EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

4.1 Calcule a potência de entrada, de saída e a eficiência do circuito do


amplificador Classe A abaixo, sabendo que o sinal de entrada resulta em uma
corrente de base de 5mA rms.

RESOLUÇÃO:

Cálculo da corrente de pico na base:


I B ( p )  2 * I B (rms )  2 * (5 *10 3 )  7,07 mA
Cálculo da corrente de polarização de base:
Vcc  0 , 7 18  0 , 7
I B (Q )    14 , 4 mA
RB 1, 2 * 10 3
Cálculo da corrente de polarização no coletor:
I C ( Q )   * I B  40 * 0 , 014  0 ,57 A
Encontrando a tensão de polarização entre coletor e emissor:
VCE (Q)  Vcc  Ic * Rc  18  0,57 * 16  8,77V
Definindo a corrente de pico no coletor:
I C ( p )   * I B ( p )  40 * 7,07 * 10 3  0,28 A

a) A potência de entrada cc é então assim definida:


Pi ( cc )  Vcc * I C (Q )  18 * 0 ,57  10 ,38W
b) A potência de saída pode ser definida pela seguinte equação:
I 2 c( p) (0, 28 ) 2
PO (ca )  * Rc  * 16  0,64W
2 2
c) A eficiência de potência do amplificador pode ser calculada pela equação:
PO ( ca ) 0,64
%  * 100   6,16 %
Pi ( cc ) 10 ,38

4.2 Para um amplificador de Classe B que forneça um sinal de 20V de pico para
uma carga de 16Ω (alto falante) e uma fonte de alimentação de Vcc = 30V,
determine a potência de entrada, a potência de saída e a eficiência do circuito.

RESOLUÇÃO:

Um sinal de 20V de pico através de uma carga de 16Ω fornece uma corrente de pico na
carga de:
VL ( p ) 20V
I L ( p)    1,25 A
RL 16
Com a corrente cc da carga podemos encontrar a corrente cc da fonte:
2 2
I CC  * I L ( p )  *1,25 A  0,796 A
 
A potência de entrada liberada pela fonte de tensão é:
Pi (cc)  VCC * I CC ( p )  30 * 0,796  23,9W

A potência de saída liberada para a carga é:


2
VL ( p ) (20) 2
Po (ca)    12,5W
2 * RL 2 *16
Para uma eficiência resultante de:
PO 12,5
%  *100  *100  52,3%
Pi 23,9
4.3 Se a tensão de entrada do amplificador de potência classe B da figura abaixo
for 8 V rms, calcule:
a) Pi (cc);
b) Po (ca);
c) (%);
d) Potência dissipada em cada transistor.

RESOLUÇÃO:

Cálculo da tensão de pico da entrada:


Vi ( p )  2 * Vi (rms)  2 * (8)  11,31V

Considerando que o amplificador tem, idealmente, um ganho de tensão unitário:


VL ( p )  11,31V
Encontrando a corrente de pico da carga:
VL ( p) 11,31
I L ( p)    1,41A
RL 8
Com a corrente cc da carga podemos encontrar a corrente cc da fonte:
2 2
I CC  * I L ( p )  * 1,41  0,90 A
 
a) Acha-se em conseqüência a potência fornecida ao circuito:
Pi (cc)  VCC * I CC ( p )  30 * 0,90  27,0W

b) Cálculo da potência de saída desenvolvida pela carga:


V 2 i ( p ) (11,31) 2
Po (ca)    8W
2 * RL 2 *8
c) A eficiência do circuito com entrada de 8V rms é, então:
PO 8
%  *100  *100  29,62%
Pi 27
d) A potência dissipada por cada transistor de saída é dada por:
V 2 i ( p ) (11,31) 2
Po (ca)    8W
2 * RL 2 *8

4.4 Para o circuito da questão anterior calcule:


a) A máxima potência de entrada, a máxima potência de saída, a tensão de
saída para máxima potência de operação e a potência dissipada pelos
transistores de saída nessa tensão;
b) A máxima potência dissipada pelos transistores de saída e a tensão de
entrada que isso ocorre.

RESOLUÇÃO:

a) A máxima potência de entrada é:


2
2VCC 2(30) 2
Pi (cc)    71,61W
RL 8
A máxima potência de saída é:
2
V (30) 2
Po (ca)  CC   56,25W
2 RL 2 *8
A tensão de saída para máxima potência de operação é:
VL ( p )  VCC  30V

A potência dissipada pelos transistores de saída é, portanto:


P2Q  Pi  Po  71,61  56,25  15,36W

b) A máxima potência dissipada por ambos os transistores de saída é:


2
2VCC 2(30) 2
P2Q    22,79W
 2 RL  28
A dissipação máxima ocorre em:
VL  0,636VL ( p)  0,636(30V )  19,08V

4.5 Calcule a THD e os componentes de distorção harmônica para um sinal de


saída com amplitude da fundamental de 2,1 V, amplitude de segunda harmônica
de 0,3 V, amplitude de terceira harmônica de 0,1 V e amplitude de quarta
harmônica de 0.05 V.

RESOLUÇÃO:

Cálculo da componente de segunda harmônica:


A2 0,3
D2 (%)  * 100  * 100  14,28%
A1 2,1

Cálculo da componente de terceira harmônica:


A3 0,1
D3 (%)  * 100  * 100  4,76%
A1 2,1

Cálculo da componente de quarta harmônica:


A4 0,05
D4 (%)  * 100  * 100  2,38%
A1 2,1

Cálculo da THD:

THD (%)  D22  D32  D42 * 100  0,1428 2  0,0476 2  0,0238 2 * 100  15,24%
5 CONCLUSÃO

Pode-se observar que os amplificadores de potência são dispositivos que


fazem parte do cotidiano da sociedade atual, seja através de um tocador de CD ou um
acionamento de um motor elétrico, eles estão sempre presentes no nosso dia a dia.
Neste estudo, verificou-se que os amplificadores são subdivididos em cinco
classes (A, B, AB, C e D) e estas são caracterizadas de acordo com a variação do sinal
de saída, potência de saída, freqüência de corte, distorções e principalmente por sua
eficiência, onde temos melhores resultados da classe A para a D.
Nas características de funcionamento, buscou-se demonstrar como definir a
eficiência em cada uma das classes, através do equacionamento de todas as grandezas
envolvidas e analisou-se de forma objetiva sobre as principais distorções provocadas
pelos amplificadores (Distorções Harmônicas e Distorções de Crossover).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOGART, Theodore F. Jr. Dispositivos e Circuitos Eletrônicos. 3ª ed. São Paulo:


Editora Makron Books. 2001.

BOYLESTAD, Robert L. NASHELSKY, Louis. Dispositivos Eletrônicos e Teoria de


Circuitos. 8ª ed. São Paulo: Editora Pearson Prentice Hall. 2004.
Amplificadores de potência classe A

Introdução

No amplificador de pequeno sinal, nossa grande preocupação foi com a linearidade na amplificação e a
amplitude do ganho. Isso porque, o sinal de entrada é usualmente pequeno, e portanto, a excursão do sinal
de saída é baixo, assim a potência que ele é capaz de fornecer é de pouco interesse.

A linha de carga AC/DC

Já nos amplificadores de potência ( grandes sinais ), o sinal de entrada será de grande amplitude, o que
provocará uma variação na inclinação da reta de carga, limitando a amplitude máxima do sinal de saída.
Veja ilustração:

Operação classe A

Nos amplificadores de potência classe A, o sinal de saída varia em um ciclo completo de 360º, isto quer que
o ponto Q esteja polarizado em pelo menos metade da oscilação do sinal de saída, sem que seja alto o
suficiente para ser saturado pela fonte ou baixo o bastante para ser cortado pelo 0 V da fonte.

Exemplo:
Saída sem distorção Saída com distorção

Amplificador de potência classe A 1


O amplificador de potência classe A

Encontrando VB :
VB = R1 ÷ (R1+R2).VCC
VB = 4k7 ÷ (4k7+22k).10V
VB = 1,76 V

Encontrando IE = IC quiescente :
IE = ( VB – VBE ) ÷ RE
IE = (1,76 V – 0,7 V ) ÷ 1kΩ
IE = 1,06 mA

Encontrando IC de saturação DC :
Para obter ICsat deve fazer VCE = 0
VCC = ICRC + VCE + IERE

Como IC = IE ( aproximado ) e VCE = 0, então :


IC sat DC = VCC ÷ ( RC + RE )
IC sat DC = 10 V / ( 4k7 + 1kΩ )
IC sat DC = 1,75 mA

Encontrando VCE quiescente:

VCC = ICRC + VCE + IERE


VCEq = VCC - ( IC.RC + IE.RE )
VCEq = 10 V - ( 1,06mA.4k7 + 1,06mA.1kΩ )
VCEq = 3,96 V

Encontrando VCE de corte DC


Para encontrar VCE corte DC devemos fazer IC = 0
VCC = ICRC + VCE + ICRE
VCE corte DC = VCC
VCE corte DC = 10 V

Agora que temos VCEq e ICq e os pontos máximos VCE corte DC e ICsat DC, vejamos a variação da
inclinação da reta DC, para assim, verificarmos a máxima excursão do sinal de saída.

Calculando a corrente de saturação para o sinal AC.

Quando o sinal AC aciona o transistor, os capacitores aparecem como curtos. E a resistência de carga vista
pelo coletor do transistor é RC // RL. Assim a nova a nova corrente de saturação, ICsat , passa a ser:

Icsat AC = Icq + Vceq ÷ ( RC // RL )


Icsat AC = 1,06mA + 3,96V ÷ ( 4k7 // 4k7 )
Icsat AC = 2,74mA

E o novo VCE corte será de :


Amplificador de potência classe A 2
Calculando a tensão de corte para o sinal AC.

Vcecorte AC = Vceq + Icq . ( RC // RL )


Vcecorte AC = 3,96 V + 1,06mA .( 4k7 // 4k7 )
Vcecorte AC = 6,45 V

Verificando a variação graficamente

Pelo gráfico acima podemos calcular a tensão de pico a pico VPP

Tensão de pico na saída


VP = Vcecorte AC – VCEq
VP = 6,45 V – 3,96 V
VP = 2,49 V

Tensão de pico na saída


VPP = 2.VP
VPP = 2. 2,49 V
VPP = 4,98 V

Assim o valor máximo de pico a pico, do sinal de saída sem distorção será de 4,98 V . Com esse novo valor
podemos calcular a máxima potência de saída do sinal. A potência a ser entregue a carga é rms, e a
excursão de saída é de pico a pico, então, faremos algumas adaptações.

VP = Vrms.√2, então:
VPP = 2. √2. Vrms, assim:

Vrms = VPP ÷ 2.√2

Sabemos que P = V . I , então podemos calcular a potência na carga como:

PL = VL² ÷ RL ( VL = Vrms na carga )

PL = ( VPP ÷ 2.√2 )² ÷ RL

Amplificador de potência classe A 3


E a potência máxima de saída, pode ser calculada pela seguinte equação:
PL = VPP² ÷ 8.RL
PL = 4,98 ² ÷ 8.4k7
PL = 0,66mW

Outros pontos que merecem créditos são a potência dissipada no transistor e a potência de entrada ou
fornecida pela fonte, vejamos

A potência dissipada no transistor :


PD = VCEq . ICQ
PD = 3,96 V . 1,06mA
PD = 4,19mW

Para sabermos qual a potência de entrada, devemos calcular primeiramente a corrente drenada ou
fornecida pela fonte, que pode ser calculada por :

IF = (ICq + VCC) ÷ ( R1 + R2 )
IF = 1,06mA + 10V ÷( 22k + 4k7 )
IF = 1,43mA

E finalmente a potência de entrada que será dada pela seguinte equação:

PE = VCC . IF
PE = 10 V . 1,43mA
PE = 14,34mW

O rendimento do amplificador de potência classe A

O amplificador de potência classe A, apresenta a melhor linearidade, mas tem o pior rendimento. Isso se
deve ao fato de que os transistores de saída estão sempre em condução, pois existe uma corrente de
polarização, constante, com valor no mínimo igual a metade da máxima corrente de carga.

O rendimento é a relação entre a potência entregue a carga (PL), e a potência de entrada (PE). Vejamos:

η% = ( PL ÷ PE ). 100
η% = ( 66mW ÷ 14,34mW ) .100
η% = 4,6 %

Não encontre defeitos, encontre soluções. Qualquer um sabe queixar-se.


(Henry Ford)

RCJ

Referências Bibliográficas
Malvino, A.P. Eletrônica - volume I. São Paulo: McGraw Hill , 1987.
Boylestad, R. e Nashelsky, L. Dispositivos Eletrônicos e Teoria dos Circuitos. Rio de Janeiro: Prentice-
Hall, 1994.
Marcus, O. Circuitos com diodos e Transistores. São Paulo: Érica, 2000
Lalond, D.E. e Ross, J.A. Princípios de dispositivos e circuitos eletrônicos. São Paulo: Makron Books,
1999.

Amplificador de potência classe A 4


Amplificadores de potência classe B

Introdução

O amplificador de potência classe A, apresenta a melhor linearidade, mas tem o pior rendimento. Isso se
deve ao fato de que o transistor de saída esta sempre em condução, pois exige uma corrente de
polarização constante.

A operação classe B

Na operação classe B o ponto quiescente é colocado na região de corte do componente amplificador.


Nessa condição, um semiciclo do sinal é completamente removido da saída.

Quando a transistor estiver operando em corte a corrente será nula, portanto dissipará menos potência e
sua eficiência será maior que a operação classe A. Entretanto, a remoção de um semiciclo na saída
representa uma severa distorção que precisa ser compensada.

O arranjo “push-pull”

No arranjo push-pull, cada dispositivo amplifica metade do ciclo de entrada, entregando um ciclo total a
carga. Veja ilustração:

Distorção por “crossover”

Na prática o ponto quiescente dos transistores não estará no ponto de corte. Isso devido a queda de
tensão de 0,7V o que causa uma distorção na passagem de um transistor para outro. Essa distorção é
chamada de “crossover”.

O amplificador classe B

Amplificador de potência classe B 1


O circuito ao lado é um típico
push-pull polarizado com dois
diodos, que devem ser
compatíveis com as curvas de
base dos transistores e
instalados próximos aos
dissipadores de calor.

Os transistores devem ser


complementares, isto é, curvas
de base e especificações
máximas semelhantes.

O espelho de corrente
O conceito de espelho de corrente consiste em resistor limitador de
corrente e um diodo paralelo com o diodo emissor do transistor. Como
a corrente de base é muito pequena a corrente do resistor e o diodo
polarizador são praticamente iguais. Se as curvas do diodo forem iguais
às curvas de VBE a corrente do diodo será igual a corrente do coletor.

A grande dificuldade em projetar um circuito push-pull é casar


as características do diodo polarizador com a característica de
base - emissor do transistor.

A deriva térmico

A ausência de resistores de
polarização de emissor e de
coletor no transistor representa
um perigo que chamamos de
deriva térmico, isso porque é
praticamente um curto circuito,
o que faz com que a corrente de
saturação seja teoricamente
infinita.

Se as características de base
emissor do transistor não forem
idênticas as do diodo polarizador
o transistor será, sem sombra de
dúvidas, destruído.

Uma técnica comum para limitar a corrente DC do emissor é conectar dois resistores iguais de potência,
de baixo valor em série com o emissor do transistores. Os resistores deverão ser dimensionados de acordo
com a capacidade de corrente da fonte.

Projetando um amplificador classe B


O projetista deverá escolher os resistores para colocar o ponto quiescente na região de corte, ou seja
onde IC é teoricamente “zero”. Na prática o ponto Q deve ser colocado um pouco acima da região de
corte, isso porque, eles somente conduzem após romper a barreira imposta por VBE.

A corrente quiescente do coletor pode ser determinada pela seguinte equação:

Amplificador de potência classe B 2


Para nosso projeto vamos fixar a corrente de polarização em 10 mA. Nossa fonte experimental será de 15
V.

10 mA = ( 15V – 2.0,7V ) ÷ ( RB1 + RB2 )


10mA = ( 15V – 1.4V ) ÷ ( RB1 + RB2 )

RB1 + RB2 = 13,6V ÷ 10mA


RB1 + RB2 = 1360Ω

Devido a simetria exigida pelo circuito, teremos 680 Ω em cada um dos resistores.

A reta de carga AC /DC e o ponto quiescente

Encontrando ICq

Como o transistor está operando na região de corte, idealmente teremos :

ICq = 0

Encontrando VCEq

A tensão da fonte será dividida igualmente sobre os dois transistores, assim :

VCEq = VCC ÷ 2
VCEq = 15 V ÷ 2
VCEq = 7,5 V

Encontrando Icsat DC

Como não há resistores de emissor e coletor, a resistência entre a fonte DC e a referência (terra) tende a
“zero” então, teremos, teoricamente uma corrente infinita, pois:

Icsat DC = VCC ÷ R , como : R → 0


Icsat DC = ∞

Encontrando VCE corte DC

Como o ponto quiescente esta na região de corte então:

Amplificador de potência classe B 3


VCE corte DC = VCEq = VCC ÷ 2
VCE corte DC = VCC ÷ 2
VCE corte DC = 15 V ÷ 2
VCE corte DC = 7,5 V

Encontrando Icsat AC

A linha de carda Ac do seguidor de emissor é dada por:

Icsat AC = VCC ÷ 2.RL


Icsat AC = 15 ÷ 2.8
Icsat AC = 0,9375 A

Encontrando VCE corte AC

VCE corte AC = VCC ÷ 2


VCE corte AC = 15 V ÷ 2
VCE corte AC = 7,5 V

Traçando a reta de carga AC/DC

Encontrando a tensão de pico a pico da saída

A compliance PP ou tensão de pico a pico da saída será de aproximadamente o valor da fonte. Isso porque
cada transistor conduzirá metade do sinal sendo um semiciclo positivo e outro idêntico porém negativo.

VPP = VCC
VPP = 15 V

Encontrando a potência máxima de saída

Agora que temos o valor de pico a pico máximo, podemos calcular a potência máxima.

PL máxima = VPP² ÷ 8 .RL ( veja dedução no amplificador classe A )


PL máxima = 15V² ÷ 8 .8Ω
PL máxima = 15V² ÷ 8 .8Ω
PL máxima = 3,52 W

Encontrando a potência fornecida pela fonte

PL fornecida = VCC . 0,318 . Icsat


PL fornecida = 15V . 0,318 . 0,9375 A
PL fornecida = 4,47W

O rendimento do amplificador classe B

Uma vez que temos a potência de entrada e a potência de saída podemos calcular o rendimento.

Amplificador de potência classe B 4


η = ( PS ÷ PE )
η = ( 3,52 W ÷ 4,47W ). 100
η = 78,74 %

Encontrando a potência máxima dissipada no transistor

Devemos ficar atentos a potencia dissipada nos transistores que deverão ser instalados em dissipadores de
calor.

PL dissipada = VPP² ÷ 40.RL


PL dissipada = 15² ÷ 40.8Ω
PL dissipada = 703 mW

Nota : A potência especificada para o transistor deve ser maior que VPP² ÷ 40.RL

O ganho do amplificador classe B

No amplificador classe B o ganho é teoricamente 1, e o ganho de tensão com carga pode ser calculado por
:

A = RL ÷ RL + r’e

Onde :

r’e = 25,7mV ÷ Icq


r’e = 25,7mV ÷ 10mA
r’e = 2,57Ω

assim, o ganho será :

A = RL ÷ RL + r’e
A = 8Ω ÷ 8Ω + 2,57Ω
A = 0,756

Simulação usando o Electronics workbench

Amplificador de potência classe B 5


O sinal de saída

Nos momentos de crise, só a inspiração é mais importante que o conhecimento.


(Albert Einstein)

RCJ
Referências Bibliográficas
Malvino, A.P. Eletrônica - volume I. São Paulo: McGraw Hill , 1987.
Boylestad, R. e Nashelsky, L. Dispositivos Eletrônicos e Teoria dos Circuitos. Rio de Janeiro:
Prentice-Hall, 1994.
Marcus, O. Circuitos com diodos e Transistores. São Paulo: Érica, 2000
Lalond, D.E. e Ross, J.A. Princípios de dispositivos e circuitos eletrônicos. São Paulo: Makron Books,
1999.

Amplificador de potência classe B 6


Eletrônica Industrial Aplicada COTUCA EE314

AMPLIFICADORES DE POTÊNCIA
Amplificadores de potência, Estágios de saída, Conversores de potência DC para AC,
amplificadores para grandes sinais.

Fig. 1: Conversor DC para AC.

Requisitos:
- Entregar uma quantidade específica de potência para carga com níveis de distorção aceitáveis;
- Alta impedância de entrada e baixa impedância de saída;
- Baixa potência quiescente (Se o sinal de entrada é zero a potência dissipada deve ser baixa);

Na eletrônica direcionada para áudio:


- Pré-amplificadores (amplificadores de pequenos sinais)
- Mesas de som – misturadores (diversos sinais e níveis)
- Equalizadores – Filtros
- Amplificadores de Potência
Amplificadores de pequenos sinais
- Fatores de principal interesse – ganho e linearidade
- Fatores secundários – Capacidade e eficiência com relação a potência, pois tensão e corrente
provenientes do transistor de entrada são pequenas.
Amplificadores de grandes sinais
- Devem ser capazes de amplificar sinais de grande potência (alguns Watts ou centenas de
Watts. Operam com sinais grandes (alguns Volts ou dezenas de Volts)
- Fatores de interesse – Eficiência do circuito
- Capacidade máxima de potência
- Casamento de impedâncias com o dispositivo de saída.

Objetivos
1. Fornecer potência o mais economicamente possível com baixo nível de distorção;
2. Satisfazer limitações de tamanho, peso, fonte de alimentação, distorção, etc.;
3. Minimizar impedâncias de saída para que a carga não afete o ganho de tensão;
4. Deve ter baixo consumo de potência quiescente (rendimento) e não limitar a resposta em
frequência.
5. O elemento ativo (transistor) deve operar no limite de seu funcionamento (cuidados com o
aquecimento)
6. Simulações com o SPICE

Introdução
 Válvula triodo ⇒ 1906
 Primeira transmissão de música via rádio freqüência ⇒ 1907
 Primeiros sistemas de amplificação de voz ⇒ 1915
___________________________________________________________________________________
Necessidade sistemas potentes ⇒ música para grandes públicos.
Grande quantidade de caixas acústicas + baixa eficiência + grande quantidade de potência
requerida ⇒ maior rendimento.
PL
η=
PS
onde PL é a potência na carga RL e PS é a potência fornecida pela fontes de alimentação.
Outra característica importante dos amp. de potência ⇒ pequena distorção

Definições

Fig. 2: Amplificador emissor comum com tensões e correntes definidas.

AC DC Potência Média
iC = ic (t ) + I C PL – Potência na carga
vO = vo (t ) + VO PS – Potência na fonte
PC – Potência no coletor
iB = ib (t ) + I B

Classificação dos estágios de saída


Uma forma de classificar amplificadores de potência é através das classes de operações
caracterizadas pelo ponto de operação e/ou modo de operação do estágio de saída.
Os amplificadores Classe A são os de menor rendimento, porém são os que apresentam menor
distorção. A maioria das análises são desenvolvidas para cargas resistivas no estágio de potência.
De acordo com a forma de onda da saída:

Fig. 3: Definição do ângulo de condução.

___________________________________________________________________________________
Classe A Classe AB
(78,5% de rendimento)

(25% de rendimento)
(50% com indutor) Conduz entre 180º e 360º.
Transistor conduz 360º. IC << Ip
Todo ciclo do sinal de entrada.
Classe C

Classe B

Conduz menos que 180º.


Conhecido como amplificador
(78,5% de rendimento) IC = 0 Sintonizado
Transistor conduz 180º.

OUTRAS CLASSES DE OPERAÇÃO

Classe S ou D

S ou D – Sistema de modulação PWM seguido por um filtro passa-baixa. Para outros autores o
classe D é o Classe C excitado por uma onda quadrada. Os amplificadores classe D também são
conhecidos como "amplificadores chaveados" e isso se deve ao fato de que os transistores de saída não
operam continuamente, como vimos até agora, e sim como "chaves", comutando a tensão de
alimentação (+ e – Vcc) à carga.

Fig. 4: Princípio do amplificador classe D.


___________________________________________________________________________________
À primeira vista o funcionamento destes amplificadores pode parecer um tanto quanto
complexo, mas o princípio é simples:
O sinal de entrada (áudio, representado pela senóide) é constantemente comparado com uma
referência (portadora, onda triangular) com freqüência muitas vezes maior que a máxima freqüência
contida no sinal de áudio (20 kHz, teórico). O resultado é uma onda quadrada cuja a largura do pulso
varia proporcionalmente à amplitude do sinal de entrada, áudio. Esse sinal (onda quadrada) é aplicado
ao estágio de potência (transistores como "chaves") que por sua vez o envia à carga através de um
filtro passa-baixas, que recuperará a "forma" original do sinal. Esse é o princípio da "Modulação por
Largura de Pulso" – PWM (Pulse Width Modulation.

Fig. 5 – Princípio PWM

Essa classe de operação tem um rendimento bastante alto, que fica na casa dos 90% (típico),
mas não tem a qualidade de baixa distorção, relativa, que um amplificador contínuo (classe A e AB)
tem.

Classe E
Assim como a classe C, serve para aplicação em RF. É basicamente um Classe C com um
capacitor em paralelo no coletor, para proporcionar um aumento do rendimento.

Classe F
Também para aplicação em RF. Classe C com um circuito tanque em série (na saída)
sintonizado no terceiro harmônico, também aumentando o rendimento (Frederik Haab).

Classe G
Essa classe de operação une a "linearidade" inerente aos amplificadores classe A com o maior
rendimento dos amplificadores classe AB. Como?
Sabemos que um amplificador classe A é o que apresenta melhor característica de linearidade
mas também é o que tem menor rendimento, e isso faz com que esta configuração seja praticamente
inviável em grandes potências; já o amplificador classe AB não tem característica de linearidade tão
boa quanto ao amplificador classe A mas, em contra partida, tem maior rendimento.
O amplificador classe G, então, utiliza um estágio classe A para baixos níveis de sinais (baixas
potências) e acrescenta um estágio classe AB quando esses níveis ultrapassam um determinado limiar
___________________________________________________________________________________
(grandes potências), determinado por + e – Vcc1 , aproveitando o que cada uma das classes oferece de
melhor.

Fig. 6: Princípio do amplificador classe G

Amplificadores classe G têm rendimento na casa dos 70% (típico).

Classe H
Essa classe de operação tem um princípio bastante parecido com o da classe G (aumentar o
rendimento em amplificadores contínuos) só que ao invés de ter dois tipos de classes (A e AB)
trabalhando com diferentes potências, o estágio de saída opera em classe AB, mas com diferentes
níveis de tensão de alimentação. Assim, em baixas potências, atua uma fonte de alimentação com
tensão mais baixa do que a fonte que atua em potências mais altas, ou seja, existe um "chaveamento"
da tensão de alimentação do estágio de saída. Esse "chaveamento" ocorre toda vez que o sinal de áudio
ultrapassa um certo limiar, determinado em projeto.

___________________________________________________________________________________
Fig. 7: Princípio do amplificador classe H

Uma deficiência desta classe de operação é o fato de que, em altas freqüências, a velocidade do
"chaveamento" fica comprometida, devida à tecnologia dos componentes (ainda não são
suficientemente rápidos), fazendo com que apareçam maiores níveis de distorção, relativamente aos de
baixa freqüência.
Em contrapartida, amplificadores classe H têm maior rendimento que amplificadores classe A,
B e AB, e se igualam aos amplificadores classe G.

Classe I
Essa classe de operação une a "linearidade" da classe A com a eficiência da classe D.
Já vimos que amplificadores classe A são a melhor opção para boa linearidade e os amplificadores
classe D para alto rendimento; mas uma classe opera em modo contínuo e outra em modo "chaveado"
O sinal de áudio é aplicado simultaneamente ao amplificador classe A e ao classe D; o classe A
fornece potência à carga (alto-falante) e o classe D fornece a alimentação ao classe A. Desta forma, a
tensão (fonte) fornecida ao estágio de saída classe A será sempre só, e somente só, o necessário para
garantir que o sinal de áudio (potência) seja perfeitamente entregue à carga; ainda, é necessário um
"resíduo" de tensão (Voffset) nos transistores para que estes fiquem sempre na região de operação
contínua. Fig. 8.

Fig. 8 – Princípio do amplificador classe I


___________________________________________________________________________________
O rendimento desta classe de operação fica entre 70% e 80% (típico) o que, por analogia, seria
um amplificador classe A com rendimento igual ao classe G ou H.

Parâmetros técnicos
Potência Potência RMS (potência eficaz)
Potência IHF – Foi proposta pelo Institute of High Fidelity onde é levado em
consideração o fato de que o amplificador trabalhará com programas musicais e não
com um sinal senoidal puro, o que é fato.
Potência PMPO – Peak Maximum Power Output (máxima potência de pico) – Potência
criada só para efeitos comerciais.
Resposta em freqüência Magnitude e fase
Distorção Distorção harmônica total (THD)
Distorção por intermodulação – modulação de dois sinais com freqüências diferentes
aplicados ao mesmo tempo no amplificador
Slew Rate
Relação sinal-ruído
Fator de amortecimento Relação entre a impedância da carga e a impedância do amplificador.

Determinação das retas de carga e do ponto quiescente


Para ter máxima potência na carga é necessário ter máxima excursão do sinal sem distorção.
Uma forma de se obter esta máxima excursão é centrando o ponto de operação do transistor no meio
da reta de carga AC (dinâmica).
Para determinação será usado o circuito da Fig. 9.

Fig.9 : Amplificador emissor comum com carga RL.

a) ANÁLISE DC (sem sinal)


Considerando o circuito emissor comum da Fig.9 e a malha de saída onde se tem iCE e vCE do
transistor, pode-se encontrar:
Vcc VCE
IC = − y = a + bx RDC = RC + RE
RDC RDC

___________________________________________________________________________________
Fig. 10: Curvas características do transistor com a reta de carga e o ponto de operação.

b) ANÁLISE CA ic(t) e vce(t) ≠ 0


 V  1
iC =  I C + CE  − vCE R AC = RC // RL
 RAC  RAC

Fig. 11: Curvas características do transistor com as retas de carga AC e DC e o ponto de operação.

O ponto quiescente deve ser colocado no meio da reta de carga AC, assim:
I R + VCE
VCEQ = C AC
2

Só que agora VCE = VCEQ e I C = I CQ pois foi definido o ponto quiescente.

VCEQ
I CQ =
R AC

VCEQ = I C RAC

___________________________________________________________________________________
Vcc VccRAC
I CQ = VCEQ =
R AC + RDC R AC + RDC
Considerando R AC = RDC as retas se coincidem.

Fig. 12: Diferentes localizações do ponto quiescente de um amplificador.


__________________________________________________________________________________
Exercícios:

Determinar as retas de carga e o ponto quiescente para cada um dos circuitos abaixo.

__________________________________________________________________________________

Cálculo das Potências Médias e do Rendimento

A potência média fornecida ou dissipada através de qualquer elemento linear ou não linear é,
simplesmente:
T
1
P = ∫ vC .iC dt (potência média)
T0

Onde vC e iC são a tensão e a corrente total, respectivamente.


vC = vc (t ) + VC iC = ic (t ) + I C
Considerando sinal senoidal
T
1
P = VC I C + ∫ vc ( t ).ic ( t )dt
T 0

___________________________________________________________________________________
Potência DC potência AC
Dissipação de potência no amplificador
V CC

I CC

I1
I CQ
2
P 1 = I1 R 1 R1 RC PC = I 2CQ R C

PT = I 2TQ R T

I EQ
P 2 = I22R 2 R2 RE PE = I 2EQ R E

I2

Ptot = P1 + P2 + PC + PT + PE
Fig. 13: Distribuição das potências no amplificador classe A

A diferença entre a potência fornecida pela fonte de alimentação e esta potência total dissipada
é a potência que realmente vai para a carga, isto é, a potência de saída.
Uma figura de mérito para o amplificador de potência é seu rendimento (η).
O rendimento (η) é definido como a razão da potência AC na saída (potência entregue a carga)
pela potência DC de entrada.
potência AC saída P ( ac )
η= × 100% = L × 100%
potência DC entrada PS ( dc )

Amplificador classe A (Fig. 13)


A forma de onda da saída tem a mesma forma da onde de entrada (com defasamento ou não).
A corrente de coletor não é zero 100% do tempo.
Amplificador ineficiente – mesmo com sinal de entrada igual a zero, a corrente ICQ no
transistor é diferente de zero.
Certamente é a classe que apresenta melhor característica de linearidade entre todas, mas
também, é a que tem menor rendimento, idealmente não passa de 25% (10%, típico). Isso se deve ao
fato de que os transistores de saída estão sempre em condução, pois existe uma corrente de polarização
constante com valor no mínimo igual à máxima corrente de carga.

1) Potência na carga (PL)


A Potência útil na carga é a potência AC.
T
1 2
PLAC = ∫ iC .RL dt
T 0
2
Supondo ic ( t ) = I CP cos (ωt ) PLAC =
I CP RL
2
- Ainda não temos a potência máxima na carga.
- Para que isto ocorra deve-se ter máxima excursão do sinal, isto é, I CP = I CQ (meio da reta de carga
AC).
___________________________________________________________________________________
Assim, para este circuito, temos:
Vcc
I CQ =
2.(RL + RL )
Vcc 2
PLACmáx = Para RL >> RE
8 RL

2) Potência fornecida pela fonte de alimentação (PS)


T T
PS = ∫ Vcc.(ic ( t ) + I C )dt
1 1
PS = ∫ Vcc.iC dt
T0 T0
T
Vcc.ic (t )dt o valor médio do sinal é zero, assim
1
T ∫0
PS = Vcc.I CQ +

PS = Vcc.I CQ

Vcc
mas para este circuito I CQ = e para RL >> RE
2( R L + R E )

Vcc
PS =
2.R L

3) Cálculo do rendimento ntação (PS)


P
η = LAC = 0 ,25 η = 25% rendimento máximo
PS

4) Potência dissipada no coletor (PC)

- Junção de coletor é a que mais sofre com a dissipação de potência.


T
1
PC = ∫ vCE .iC dt
T0

PC = ∫ (vce (t ) + VCEQ ).(ic (t ) + I CQ )dt


T
1
T0
T
vce (t ).ic (t )dt
1
T ∫0
PC = VCEQ .I CQ +

Vcc Vcc
Para excursão simétrica máxima: VCEQ = I CQ = para RL >> RE
2 2.R L
2
Vcc 2 I CP .R L
Supondo ic ( t ) = I CP cos (ωt ) PC = −
4 RL 2
Se o sinal de entrada for igual a zero (ICP = 0), temos máxima dissipação no coletor.
Se o sinal de entrada for máximo
Vcc
I CP = I CQ =
2.R L
a potência dissipada no coletor será zero. Observa-se que há uma troca de potência entre o coletor do
transistor e a carga durante a excursão máxima do sinal.

___________________________________________________________________________________
EXEMPLO

Calcule a potência entregue pela fonte de alimentação [PS(dc)], potencia de saída [PL(ac)], e o
rendimento [η] para o amplificador da fig. abaixo com tensão de entrada que resulte em uma corrente
de base de 10mA de pico.

+VCC = 20V

RC
RB IC
20Ω
1kΩ
Vo

β = 25
Vi

Fig. 14:Amplificador classe A e sua característica de saída.


Solução:
VCC − VBE 20V − 0.7V
IBQ = = = 19.3mA
RB 1kΩ
ICQ = βI B = 25( 19.3mA ) = 482.5 mA ≅ 0.48 A
VCEQ = VCC − ICRC = 20V − ( 0.48 A )( 20Ω ) = 10.4V
VCC 20V
I c( sat ) = = = 1000mA = 1 A
RC 20Ω
VCE ( cutoff ) = VCC = 20V
IC ( peak ) = β Ib ( peak ) = 25( 10 mA peak ) = 250 mA peak

Po( ac ) =
I C2 ( peak )
RC =
(250 × 10 A)
−3 2

( 20Ω ) = 0.625W
2 2
Pi( dc ) = VCC I CQ = ( 20V )( 0.48 A ) = 9.6W
Po( ac )
η= × 100% = 6.5%
Pi( dc )
__________________________________________________________________________________
Amplificador classe A acoplado com transformador.
+VCC Fig. 15: Amplificador classe A acoplado com
N1:N2 transformador
N 1 V1 I 2
Z1 RL = =
R1 N 2 V2 I 1
Z2 = RL 2
 N1  Z Z
  = 1 = 1
 N2  Z 2 RL
Input R2
RE N1, N2 = Número de espiras no primário e no secundário
V1, V2 = Tensão no primário e no secundário
I1, I2 = Correntes no primário e no secundário
___________________________________________________________________________________
Z1, Z2 = Impedância no primário e no secundário ( Z2 = RL )
• Uma importante característica do transformador é a capacidade de produzir uma força
eletromotriz contrária (counter emf).
• Quando um indutor experimenta uma variação rápida de tensão ele produz uma tensão com
polaridade contrária a tensão aplicada.
• A força eletromotriz é causada pelo campo eletromagnético que circunda o indutor.
A polarização DC de um amplificador classe A acoplado a transformador é similar a outros classe A
mas com uma exceção importante: o valor de VCEQ é projetado tão próximo quanto possível do valor
de Vcc.
A reta de carga é muito próxima de uma reta vertical indicando que VCEQ será
aproximadamente igual a Vcc para qualquer valor de IC.
A reta de carga na posição vertical é causada pela resistência DC muito baixa do primário do
transformador (curto circuito).
VCEQ = VCC – ICQ(RC + RE)

O valor de RL é ignorado na análise DC. A razão para isto é que o transformador proporciona isolação
DC entre o primário e o secundário.
IC

IC(max) = ??

DC load line

DC load line

IC Q-point

ac load line

IB = 0mA IB = 0mA
VCE

VCE ~ VCEQ ~ VCC ~ 2VCC

Fig. 16: Retas de carga DC e AC do amplificador classe A acoplado com transformador.

1. Determinação da variação máxima possível em VCE


Desde que VCE não possa variar de uma quantidade maior que (VCEQ – 0V), vce = VCEQ.
2. Determinação da variação correspondente em IC
Encontre o valor de Z1 do transformador: Z1 = (N1/N2)2Z2 e ic = vce / Z1
3. Plote a reta que passe através do ponto Q e o valore de IC(max). IC(max) = ICQ + ic
4. Localise os dois pontos onde a reta de carga passe através da ligação representando os valores
máximos e mínimos de IB. Estes dois pontos são então usados para encontrar os valores máximos e
mínimos de IC e VCE
IC

IC(max) = ??

DC load line

ic
ICQ Q-point

Z1 vo
vin vce ac load line

R1//R2 IB = 0mA
VCE

~ VCEQ ~ VCC ~ 2VCC

___________________________________________________________________________________
Fig. 17: Circuito para determinação da reta de carga AC.
Há várias razões para as diferenças entre a eficiência teórica e prática para o amplificador:
1. A obtenção de η = 50% assume que VCEQ = Vcc. Na prática, VCEQ será sempre um
valor menor que Vcc .
2. Perdas no transformador que não foram computadas.

2. Uma das vantagens primárias de usar acoplamento a transformador no classe A é o amento na


eficiência sobre o amplificador com acoplamento capacitivo.
3. Outra vantagem é o fato de que o amplificador com acoplamento a transformador é facilmente
convertido em um tipo de amplificador que é usado extensivamente em comunicações -
amplificador sintonizado.
4. Um amplificador sintonizado é um circuito que é projetado para ter um ganho de potência em
uma faixa específica de freqüência.

___________________________________________________________________________________
Outras formas do amplificador classe A

1- Amplificador polarizado com fonte de corrente.

(Sedra)
Fig. 18: Amplificador classe A polarizado com fonte de corrente.

Transistor Q1 responsável pela condução do sinal e Q2, agindo como fonte de corrente, polariza Q1.

A Fig. abaixo mostra o diagrama de uma etapa de saída (estágio complementar), a qual
constitui a célula básica de amplificadores Classes A, B e AB. (Sidnei Noceti )

Fig. 19: (a) Etapa de saída de amplificadores Classes A, B e AB.


(b) Correntes nos coletores dos transistores Q1 e Q2 e na carga.

A potência média total fornecida pelas duas fontes ( VCC1 e VCC 2 ) de alimentação é:
PS = PS + + PS − = 2 ⋅ VCC ⋅ I Q

___________________________________________________________________________________
onde a corrente de polarização IQ é dada por: I Q = I Cpico + I man e I man (corrente de manutenção)
é a corrente necessária para garantir que o transistor sempre opere na região ativa direta para as
condições extremas de excursão do sinal. Como I L max = 2.I Cpico I CQ =
I L max
+ I man
2
Para que os transistores nunca entrem em saturação é necessário que:
VCC = V L max + VCEsat
 I L max 
então, PS = 2 ⋅ (VL max + VCEsat ) ⋅  + I man  .
 2 
é dada por PL = VL / (2 ⋅ RL ) , sendo VL a tensão de pico na
2
A potência média na carga, PL ,

carga. Definindo-se o fator γ como γ = I man / I L max e considerando que I L max = VL max / RL , pode-
se obter o rendimento η = PL / PS , por:
2
1  V  1 1
η = ⋅  L  ⋅ ⋅ .
2  VL max  1 + (VCEsat / VL max ) 1 + 2γ

A equação (3) nos mostra que o rendimento teórico máximo para operação em Classe A é 50%,
isto considerando VCEsat = 0 , I man = 0 e VL = VL max . Considerando que esta situação ideal não
acontece na prática e que não consideramos o consumo do circuito de polarização, o rendimento
sempre será < 50%.

Fig. 20: Rendimento do classe A.

___________________________________________________________________________________
Amplificador classe B
Utiliza um par complementar (push-pull).
Corrente de polarização igual a zero.
Funcionamento – ver função de transferência abaixo .
Dois seguidores de emissor.

(a) (b)

(c)
Fig. 21: (a) Amplificador classe B, (b) característica de transferência, (c) sinal de saída do classe B.

Fig. 22: Sinais entrada e saída de um amplificador classe B

Para a Classe B tem-se que a potência média total fornecida pelas duas fontes ( VCC 1 e VCC 2 ) de
alimentação é: PS = PS + + PS − = 2 ⋅ VCC I S

___________________________________________________________________________________
onde I S , é a corrente média em Q1 , que conduz apenas um semi-ciclo por período.
VCC = V L max + VCEsat . VCC ≅ VL max
No caso de Classe B, deve-se considerar V BIAS = 0 . Como I S = I L / π e I L = VL / RL , pode-se
mostrar que:
IL
PS = 2 ⋅ VL max ⋅ .
π
Sabendo-se que η = PL / PS , obtém-se:
π VL 1
η= ⋅ ⋅ .
4 VL max 1 + ( VCEsat / VL max )
A equação nos mostra que o rendimento teórico máximo para operação em Classe B é 78,5%, isto
considerando VCEsat = 0 e VL = VLmax .

Fig. 23: Rendimento do amplificador classe B

Potência dissipada
- A dissipação no estado quiescente é zero
- Quando um sinal for aplicado a potência média dissipada no estágio classe B será:
PC = PS − PL
2.VCC .VL VL2
PC = −
π .RL 2.RL
- Pela simetria, metade da potência é dissipada em QN e metade em QP. Logo QN e QP devem
dissiar PC/2 (W). Derivando a equação de PC em função de VL e igualando a zero
∂PD
=0
∂VL
2.V
VL PCmáx = CC
π
Substituindo este valor na equação de de PC
2 2
2.VCC VCC
PCmáx = 2 PCmáx _ N = 2
π .RL π .RL

___________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________
Amplificador classe AB
PS = PS + + PS − = 2 ⋅ VCC ⋅ I S (θ Q )
Para a Classe AB, IC é a corrente média I S (θQ ) , função da corrente de polarização, IQ , e da
corrente fornecida à carga, iL .
No caso de Classe AB, deve-se considerar VBIAS maior do que zero, porém menor do que a
necessária tensão para operação em Classe A (Fig. 1). Na Fig. 3, estão representadas as correntes de
polarização, I Q , e a fornecida à carga, iL , e as correntes nos coletores, iC1 e iC 2 , função do ângulo θ .
Baseando-se nesta figura, a corrente média I S (θ Q ) é dada por:
θQ π − θQ
 
∫ (I L senθ)dθ +
1 I 1
I S (θ Q ) =
2π ∫  I Q + L senθ dθ +
 2  2π
0 θQ
π + θQ 2π
1  I  1  I 
+
2π ∫  I Q + L senθ dθ +
 2  2π ∫  I Q + L senθ dθ
 2 
π − θQ 2π − θQ
Resolvendo a equação acima obtem-se:
2 IL
I S (θ Q ) = I Q ⋅ θ Q ⋅ + ⋅ cos θQ ,
π π

Fig. 24 - Correntes nos coletores dos transistores e na carga.

onde I Q < I L max 2 e θQ é o ângulo de transição entre a operação em Classe A e Classe AB. Esse ângulo
pode ser expresso em função dos parâmetros de projeto como é mostrado a seguir. Com base na Fig.
24, pode-se obter
I Q = ( I L max / 2) ⋅ sen θQ
Substituindo essa última expressão na expressão de I S (θ Q ) , obtem-se I S (θ Q ) em função apenas de θQ e
IL .

I L max I
I S (θ Q ) = ⋅ θQ ⋅ sen θQ + L ⋅ cos θQ .
π π

Para θ Q = 0 , I S (θQ ) = I L π , opera-se em Classe B. Para θ Q = π 2 , I S (θ Q ) = I L max 2 , opera-se


em Classe A (com I man = 0 ). Caso 0 < θQ < π / 2 , tem-se a polarização Classe AB. Assim, pode-se
mostrar que:

___________________________________________________________________________________
PS =
2VL max
πRL
 V
⋅ 1 + CEsat

(
 ⋅ VL max θQ sen θQ + VL cos θQ , )
 VL max 
e o rendimento ( η = PL / PS ):
VL
π VL 1 VL max
η= ⋅ ⋅ ⋅ .
4 VL max VCEsat V
1+ θQ ⋅ sen θQ + L ⋅ cos θQ
VL max VL max

A Fig. 25 mostra, para VCEsat = 0 , o rendimento em função da potência de saída, parametrizada


pelo o fator λ , dado por λ = 2 ⋅ I Q / I L max . Com isso, obtém-se a transição entre a Classe B ( I Q = 0 ) e
a Classe A ( I Q = I L max / 2 ), para I man = 0 .
100

90 λ=0,00
(Classe B)
80

70
λ=0,10
Rendimento - %

60 λ=0,30
50
λ=0,50
40

30 λ=1,00
20
(Classe A)

10

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1
PL/PLmax
Fig. 25 - Rendimentos dos amplificadores Classe AB.

Na prática, o dimensionamento de uma etapa de potência é comumente realizado considerando-


se apenas carga resistiva; é atribuída uma margem de segurança e testa-se o circuito. Desta forma, não
há qualquer garantia de que a etapa de potência seja bem dimensionada, podendo tornar o projeto
tecnicamente ou comercialmente inviável.
resultados.

Conclusões
Amplificadores de áudio são dispositivos utilizados nos mais diferentes e diversos tipos de
aplicações. Dimensioná-los é uma tarefa árdua devido às diversas variáveis envolvidas no projeto:
condições climáticas (umidade, temperatura, etc.), tipos de aplicações (instalações fixas, móveis, etc.),
tipos transistores (diferentes propriedades, tolerância nas características elétricas, etc.) e,
principalmente, as estruturas de caixas acústicas utilizadas.
A importância de se considerar cargas reativas, e não apenas cargas resistivas, pelo fato de as
potências dissipadas para cargas reativas (caso real) poderem atingir valores bem maiores do que as
potências dissipadas para cargas resistivas estão apresentadas na referência [1].

Fig. 26: Rendimento no amplificador classe AB.


___________________________________________________________________________________
3.5.2 – PROCESSOS DE REMOÇÃO DO CALOR

• Condução Térmica: desde a junção até o invólucro (junção tem normalmente contato direto com a
base de montagem em semicondutores de potência).
• Convecção: transmissão de calor para o ar que adquire movimento ascendente nas vizinhanças do
invólucro.
• Radiação: propagação de energia térmica, calor. Depende da emissividade do corpo (por exemplo,
alumínio brilhante ou alumínio opaco.

3.5.3 – CIRCUITOS TÉRMICOS


Tj

P : potência dissipada [W]


θT θ T : resistência térmica total [ o C/W]
P
T j : temperatura da junção [ oC]
T : temperatura ambiente [ oC]
A

TA
Relativamente ao circuito mostrado na Fig, acima pode-se escrever a Lei de Ohm Térmica
T j − T A = Pθ T

Como existe uma temperatura máxima para as junções dos semicondutores, isto é, T j ≤ T j max
( T j max é cerca de 200oC para o silício) então,
T j max − T A
θT ≤
P
Essa equação permite calcular a mínima resistência térmica que deve existir entre a junção (ou
onde está sendo gerado o calor) e o ambiente.
A resistência térmica total θT é obtida da associação de várias resistências térmicas como pode
ser visto na Fig. abaixo.

J θjC C θCS S
J: junção
θC A θSA C: invólucro (case)
S: dissipador (sink)
A A A: ambiente

θT = θ jC + θ CA //(θ CS + θ SA )
3.5.4 – DETERMINAÇÃO DAS RESISTÊNCIAS TÉRMICAS

A) RESISTÊNCIA TÉRMICA ENTRE A JUNÇÃO E O INVÓLUCRO θ jC


Esta resistência o fabricante do semicondutor fornece ou dá condições para o seu cálculo.
Pmax[W] 2N6330
250 TC - Temperatura do invólucro em [ o
C]
225
200 J θjC C
175
150 A
θJ C ≤ 0,875 0 C/W
125
100 TC ≡ T A eqüivale a se ter um dissipador infinito
75
50 T j − TC = θjC P
25
0 0
0 25 50 75 100 125 150 175 200 TC ( C)

___________________________________________________________________________________
175 0
200 − 25 = θjC 200 ⇒ θjC = C / W ⇒ θjC = 0,875 0 C / W
200

B) RESISTÊNCIA TÉRMICA ENTRE O INVÓLUCRO E O AMBIENTE θCA


Esta resistência o fabricante do semicondutor fornece ou dá condições de se calcular.
Pmax[W] 2N6330
6 Sem o ramo que inclui θCS e θ SA ,corresponde a
usar o transistor sem dissipador
5
J θJC C
4
θ jA ≤ 35 0C/W θC A
3

A
2
T j − TA = θJA P
1
θ JA = θJC + θ CA
0 0
0 25 50 75 100 125 150 175 200 TA ( C) ∴ θ CA = θJA − θ JC

175
200 − 25 = θJ A 5 ⇒ θJA = o
C/W ⇒ θJ A = 35 o C/W
5
θ CA = θ JA − θ JC = 34,125o C / W

C) RESISTÊNCIA TÉRMICA ENTRE O INVÓLUCRO E O DISSIPADOR θCS


O valor desta resistência depende do uso ou não de pasta térmica e também do uso ou não de
isolante elétrico. Seu valor pode ser obtido da tabela abaixo.
TABELA 1 - Valor de θ CS [ 0 C/W ]
Isolante Térmico A Seco Untado com
graxa de
silicone
Nenhum 0,20 0,10
Mica 30 um 0,80 0,40
Mica 50 um 1,25 0,85
Mica 100 um 1,50 1,10
Alumínio 0,40 0,35
anodizado
Mica e arruela de 0,50 -------
chumbo a 1 mm

D) RESISTÊNCIA TÉRMICA ENTRE O DISSIPADOR E O AMBIENTE θ SA .

Após a determinação do θ SA desejado, devemos saber determinar o dissipador cujo tamanho


dependerá, entre outras coisas, do valor de θ SA .
θ CA (θ CS + θ SA )
θT = θ JC + θCA //(θCS + θ SA ) θT = θ JC +
θ CA + θ CS + θ SA
(θT − θ JC )(θ CA + θ CS + θ SA ) = θ CA (θ CS + θ SA ) (θT − θ JC )(θ CA + θ CS ) + (θT − θ JC )θ SA = θ CA θ CS + θ CA θ SA

(θ T − θ JC )(θ CA + θ CS ) − θ CA θ CS
θ SA =
θ CA − θT + θ jC

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Exemplo:
a) Calcular a resistência térmica que deve ter um dissipador para o transistor 2N6330 sabendo que a
potência que ele deve dissipar é P = 6,958W , T j max = 200 0C e temperatura ambiente de 50oC. Adote
θCS = 1,5 0 C/W .
R: O transistor 2N6330 possui θ CA = θ JA − θ JC = 34,125 o C / W

T j max − T A 200 − 50
θT ≤ θT ≤ = 21,558 oC / W
P 6,958
θ SA = 51,007 0 C/W

E) DETERMINAÇÃO DE DISSIPADORES

Uma vez calculada θ SA , determina-se dissipador através de uma das 3 formas mostradas a seguir:

• Tabelas (normalmente para poucos casos)


• Manual dos fabricantes de dissipador
• Equação empírica

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PROTEÇÃO CONTRA CURTO CIRCUITO E INTERRUPÇÃO TÉRMICA

A figura abaixo mostra um estágio classe AB equipado com proteção contra os efeitos de curto circuito
na saída enquanto o estágio é alimentado por corrente.

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Fig. 23: Estágio de saída classe AB com proteção de curto
circuito. O circuito de proteção mostrado opera em eventos de curto circuito na saída enquanto vo é
positivo.

Em adição a proteção térmica a maioria dos amplificadores de potência em IC´s são equipados com
um circuito que interrompe o funcionamento se é excedida uma temperatura de segurança.

Fig. 24: Circuito de interrupção térmica.

Amplificadores Comerciais
• TPA 3001
• STK405-090
• TDA1510
• LM386
• TPA1517NE

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