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PMTO

SOLDADO

Língua Portuguesa
Raciocínio Lógico
Direito Constitucional
Direito Penal
Direitos Humanos
Direito Penal Militar
Noções de Informática
Normas Pertinentes à PMTO

O conteúdo deste e-book é licenciado para Jonh Roson Nunes Peraira - , vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
02/2016 – Editora Gran Cursos
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Bruno Pilastre
Roberto Vasconcelos
Ivan Lucas
Rodrigo Larizzatti
Wellington Antunes
Hêlbert Borges / Wilson Garcia
Henrique Sodré

PRESIDÊNCIA: Gabriel Granjeiro

DIRETORIA EXECUTIVA: Rodrigo Teles Calado

CONSELHO EDITORIAL: Bruno Pilastre e João Dino

DIRETORIA COMERCIAL: Ana Camila Oliveira

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: Marilene Otaviano

DIAGRAMAÇÃO: Charles Maia, Oziel Candido da Rosa e Washington Nunes Chaves

REVISÃO: Carolina Fernandes, Emanuelle Alves Melo, Hudson Maciel, Luciana Silva e Sabrina Soares

CAPA: Pedro Wgilson

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AUTORES

BRUNO PILASTRE mação e pós-graduando em Gestão Pública. Ministra aulas


de informática para concursos desde 2003. Leciona nos prin-
Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. cipais cursos preparatórios do Distrito Federal. Autor do livro
Professor de Redação Discursiva e Interpretação de Noções de Informática pela editora Gran Cursos.
Textos.
Autor dos livros Guia Prático de Língua Portuguesa e IVAN LUCAS
Guia de Redação Discursiva para Concursos pela editora
Gran Cursos. Pós-graduando em Direito de Estado pela Universidade
Católica de Brasília, Ivan Lucas leciona Lei 8.112/90, Direito
HÊLBERT BORGES Administrativo e Direito do Trabalho. Ex-servidor do Superior
Tribunal de Justiça, o professor atualmente é analista do Tri-
Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela AEUDF, Gra- bunal Regional do Trabalho da 10ª Região.
duado e Pós-graduado em Segurança Pública pela Academia Possui grande experiência na preparação de candidatos
de Polícia Militar de Brasília e Pós-graduado em Segurança a concursos públicos.
Pública e Cidadania pela Universidade de Brasília/UnB. Pos- É autor, pela Editora Gran Cursos, das obras: Direito do
suidor do Curso de Altos Estudos Estratégicos em Segurança Trabalho para concursos – Teoria e Exercícios; Lei n. 8.112/90
Pública e Cidadania pela Academia de Polícia Militar de Brasília. comentada – 850 exercícios com gabarito comentado; Lei n.
É professor há mais de 18 anos, lecionando na Acade- 8.666/1993 – Teoria e Exercícios com gabarito comentado;
mia de Polícia Militar de Brasília, no Centro de Formação e Atos Administrativos – Teoria e Exercícios com gabarito
Aperfeiçoamento de Praças da PMDF, e em cursos prepa- comentado; 1.500 Exercícios de Direito Administrativo; 1.000
ratórios para concursos, nas áreas de Direito Penal, Direito Exercícios de Direito Constitucional; Legislação Administra-
Processual Penal, Direito Penal Militar, Direitos Humanos, tiva Compilada, dentre outras.
Legislação Penal Extravagante, Técnicas de Ensino, Técni-
cas Policiais, Técnicas de Segurança, Teoria e Normas de ROBERTO VASCONCELOS
Segurança, Relações Públicas, Assessoria de Imprensa,
Comunicação Social, Legislação, Regulamento e Regime Engenheiro Civil formado pela Universidade Fede-
Jurídico (Estatutos) da PMDF e do CBMDF, sendo um dos ral de Goiás, pós-graduado em Matemática Financeira e
responsáveis pela formação, habilitação, aperfeiçoamento e Estatística. Leciona exclusivamente para concursos há 18
especialização do efetivo da Polícia Militar do Distrito Fede- anos, minis­trando: Matemática, Raciocínio Lógico e Estatís-
tica. Autor dos livros Matemática Definitiva para Concursos
ral. Atualmente é Oficial Superior no posto de Tenente Coro-
e Raciocínio Lógico Definitivo para Concursos pela editora
nel do quadro de oficiais policiais militares combatentes. Foi
GranCursos.
subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar no Guará,
juiz militar pela Auditoria Militar do TJDF, chefe do Centro de
RODRIGO LARIZZATTI
Comunicação Social da PMDF. Atualmente é chefe da Seção
de Legislação do Estado Maior da Polícia Militar do DF e
Bacharel em Direito e Ciências Sociais pela Universi­
encontra-se realizando o Curso Superior de Política e Estra-
dade Paulista/SP (1996). Pós-graduado em MBA/Metodolo­
tégia pela Escola Superior de Guerra das Forças Armadas.
gia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Brasí­
É autor, pela Editora Gran Cursos, do livro Comentários
lia – UCB (2001) e MBA/Gestão de Polícia Judiciária pelas
ao Estatuto da Polícia Militar do Distrito Federal.
Faculdades Fortium (2008). É Delegado de Polícia Civil
do Distrito Federal, professor de cursos preparatórios com
HENRIQUE SODRÉ larga experiência e ex-professor universitário, lecionando
as dis­ciplinas de Direito Penal, Legislação Penal Extra-
Servidor efetivo do Governo do Distrito Federal desde vagante e Direito Processual Penal. Ingressou na Polícia
2005. Atualmente, é Gerente de Tecnologias de Transportes Civil do Estado de São Paulo no ano de 1991, no cargo
da Secretaria de Estado de Transportes do Distrito Federal. de Agente Policial, tendo em 1992 sido novamente apro-
Atuou como Diretor de Tecnologia da Informação no perí­odo vado em cer­tame para a função de Investigador de Polícia,
de 2012 a 2013. Graduado em Gestão da Tecnologia da Infor- que exer­ceu até 1996. Aprovado em 1997 para o cargo de

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Agente de Polícia Federal, optou pela carreira jurídica de
Delegado de Polícia Civil do Distrito Federal, ingressando
nos quadros da PCDF em 1999, onde permanece até hoje.
Atuou na advo­cacia, nas áreas Criminal, Administrativa e
Constitucional. Autor do livro Compêndio de Direito Penal
pela editora Gran Cursos.

WILSON GARCIA

Bacharel em Direito pela UCDB, Pós-Graduado em


Direito Público pela UCDB, Curso da Escola Superior do
Ministério Públicos/MS.
Ministra aulas de Direito Administrativo, LODF e Código
de Defesa do Consumidor, das Leis 8.112/90, 8.429/92,
8.666/93, 9.784/99, 8.987/95, LC 840/11-DF, e outras legis-
lações.
Professor em diversos cursos preparatórios para con-
cursos e preparatório para a OAB.
Diretor do site: sites.google.com/site/professorwilson-
garcia;
Grupo do facebook: Alunos do Prof. Wilson Garcia.
Autor das obras: Série – A Prova – LODF pela Editora
Gran Cursos, Direito Civil e Processual Civil. Volume 13, da
Apostila Digital: “Resumão do Wilsão” - Direito Administra-
tivo, do Artigo “Prescrição e Decadência no Direito Civil” -
Revista Síntese,
Autor dos livros digitais, pela Editora Saraiva, Principais
Pontos – Volume I – Lei 8.429/92 – Improbidade Administrativa
– 2º edição; Principais Pontos – Volume II – LODF –2º edição;
Principais Pontos – Volume IV – LC 840 em Exercícios;

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Í N D I CE G E RAL

LÍNGUA PORTUGUESA...................................................................................................................................7

RACIOCÍNIO LÓGICO...................................................................................................................................71

DIREITO CONSTITUCIONAL..........................................................................................................................97

DIREITO PENAL............................................................................................................................................247

DIREITOS HUMANOS..................................................................................................................................347

DIREITO PENAL MILITAR..............................................................................................................................399

NOÇÕES DE INFORMÁTICA........................................................................................................................459

NORMAS PERTINENTES À PMTO.................................................................................................................529

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LÍNGUA PORTUGUESA
MATÉRIA

S U M ÁRI O

LEITURA, COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS...................................................................... 39


ESTRUTURAÇÃO DO TEXTO E DOS PARÁGRAFOS.................................................................................. 48
ARTICULAÇÃO DO TEXTO....................................................................................................................... 48
SIGNIFICAÇÃO CONTEXTUAL DE PALAVRAS E EXPRESSÕES................................................................... 15
SINTAXE: PROCESSOS DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO............................................................. 25
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS.............................................................................................. 23
PONTUAÇÃO, ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS....................................................................... 37
FUNÇÕES DAS CLASSES DE PALAVRAS.................................................................................................... 23
FLEXÃO NOMINAL E VERBAL................................................................................................................... 26
PRONOMES: EMPREGO, FORMAS DE TRATAMENTO E COLOCAÇÃO..................................................... 23
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL.............................................................................................. 26/32
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL............................................................................................................... 28
OCORRÊNCIA DE CRASE.......................................................................................................................... 30
ACENTUAÇÃO GRÁFICA.......................................................................................................................... 11
ORTOGRAFIA OFICIAL............................................................................................................................... 8

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PARTE 1 – GRAMÁTICA DICA PARA A PROVA!

CAPÍTULO 1 – FONOLOGIA Os certames costumam avaliar esse conteúdo da se-


guinte forma:
ORTOGRAFIA OFICIAL
1. O vocábulo cujo número de letras é igual ao de fone-
mas está em:
Iniciamos nossos trabalhos com o tema Ortografia a. casa.
BRUNO PILASTRE

Oficial. Sabemos que a correção ortográfica é requisito ele- b. hotel.


mentar de qualquer texto. Muitas vezes, uma simples troca c. achar.
de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de d. senha.
toda uma frase. Em sede de concurso público, temos de e. grande.
estar atentos para evitar descuidos.
Resposta: item (a)
Nesta seção, procuraremos sanar principalmente um
tipo de erro de grafia: o que decorre do emprego inade-
Palavras-chave!
quado de determinada letra por desconhecimento da grafia
da palavra. Fonema: unidade mínima das línguas naturais no nível fonê-
Antes, porém, vejamos a distinção entre o plano mico, com valor distintivo (distingue morfemas ou palavras com
significados diferentes, como faca e vaca).
sonoro da língua (seus sons, fonemas e sílabas) e a
Sílaba: vogal ou grupo de fonemas que se pronunciam numa só
representação gráfica (escrita/grafia), a qual inclui sinais emissão de voz, e que, sós ou reunidos a outros, formam pala-
gráficos diversos, como letras e diacríticos. vras. Unidade fonética fundamental, acima do som. Toda sílaba
É importante não confundir o plano sonoro da língua é constituída por uma vogal.
Escrita: representação da linguagem falada por meio de signos
com sua representação escrita. Você deve observar que
gráficos.
a representação gráfica das palavras é realizada pelo sis- Grafia: (i) representação escrita de uma palavra; escrita, trans-
tema ortográfico, o qual apresenta características especí- crição; (ii) cada uma das possíveis maneiras de representar por
ficas. Essas peculiaridades do sistema ortográfico são res- escrito uma palavra (inclusive as consideradas incorretas); por
exemplo, Ivan e Ivã; atrás (grafia correta) e atraz (grafia incor-
ponsáveis por frequentes divergências entre a forma oral reta); farmácia (grafia atual) e pharmacia (grafia antiga); (iii)
(sonora) e a forma escrita (gráfica) da língua. Vejamos três transcrição fonética da fala, por meio de um alfabeto fonético
casos importantes: ('sistema convencional').
Letra: cada um dos sinais gráficos que representam, na transcri-
I – Os dígrafos: são combinações de letras que repre-
ção de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas.
sentam um só fonema. Diacrítico: sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para
II – Letras diferentes para representar o mesmo fone- conferir-lhe novo valor fonético e/ou fonológico. Na ortografia do
ma. português, são diacríticos os acentos gráficos, a cedilha, o trema
e o til.
III – Mesma letra para representar fonemas distintos.

EMPREGO DAS LETRAS


Para ilustrar, selecionamos uma lista de palavras para
representar cada um dos casos. O quadro a seguir apre- EMPREGO DE VOGAIS
senta, na coluna da esquerda, a lista de palavras; na coluna
da direita, a explicação do caso. As vogais na língua portuguesa admitem certa varie-
dade de pronúncia, dependendo de sua intensidade (isto é,
Exemplos Explicação do caso se são tônicas ou átonas), de sua posição na sílaba etc. Por
haver essa variação na pronúncia, nem sempre a memó-
Temos, nessa lista de palavras, exemplos de dígra-
Achar ria, baseada na oralidade, retém a forma correta da grafia, a
fos. Em achar, as duas letras (ch) representam um
Quilo qual pode ser divergente do som.
único som (fricativa pós-alveolar surda). O mesmo
Carro Como podemos solucionar esses equívocos? Temos
vale para a palavra quilo, em que o as duas letras
Santo de decorar todas as palavras (e sua grafia)? Não. A leitura e
(qu) representam o som (oclusiva velar surda).
a prática da escrita são atividades fundamentais para evitar
Exato Nessa lista de palavras, encontramos três letras
erros.
Rezar diferentes (x, z e s) para representar o mesmo
Pesar fonema (som): fricativa alveolar sonora.
Encontros consonantais
Mesma letra para representar fonemas distintos. A
Xadrez
letra x pode representar cinco sons distintos: (i) con-
Fixo Por encontro consonantal consideramos o agrupa-
soante fricativa palatal surda; (ii) grupo consonantal
Hexacanto mento de consoantes numa palavra. O encontro consonan-
[cs]; (iii) grupo consonantal [gz]; (iv) consoante frica-
Exame
tiva linguodental sonora [z]; e consoante fricativa
tal pode ocorrer na mesma sílaba (denominado encontro
Próximo consonantal real) ou em sílabas diferentes (denominado
côncava dental surda.
encontro consonantal puro e simples).
Vejamos exemplos de encontros consonantais:
Há, também, letras que não representam nenhum
br – braço
fonema, como nas palavras hoje, humilde, hotel. bm – submeter

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cr – escravo su-bo-cu-lar
bj – objeto su-pe-rá-ci-do
gn – digno
pt – réptil (ii) ou à estruturação morfológica da palavra:
in-fe-liz-men-te
Dígrafos

LÍNGUA PORTUGUESA
Denominamos dígrafos o grupo de duas letras usadas A separação silábica ocorre quando se tem de
para representar um único fonema. No português, são dígra- fazer, em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a
fos: ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc; incluem-se também am, partição de uma palavra. Vejamos alguns preceitos par-
an, em, en, im, in, om, on, um, un (que representam vogais ticulares em relação à separação (segundo a Base XX
nasais), gu e qu antes de e e de i, e também ha, he, hi, ho, do Acordo Ortográfico de 1990): 
hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc.
É importante observar a distinção entre encontro con-
sonantal e dígrafo: 1º. São indivisíveis no interior da palavra, tal como ini-
(i) o encontro consonantal equivale a dois fonemas; o cialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as
dígrafo equivale a um só fonema. sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos
(ii) o encontro consonantal é formado sempre por duas grupos, ou seja, aquelas sucessões em que a primeira
consoantes; o dígrafo não precisa ser formado necessaria- consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma
mente por duas consoantes. labiodental e a segunda um l ou um r: a-blução, cele-brar,
du-plicação, re-primir, a-clamar, de-creto, de-glutição, re-
-grado; a-tlético, cáte-dra, períme-tro; a-fluir, a-fricano,
Palavra-chave! ne-vrose.
Com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos
Consoante: som da fala que só é pronunciável se forma sílaba terminam em b, ou d:
com vogal (tirante certas onomatopeias, à margem do sistema
→ ab- legação
fonológico de nossa língua: brrr!, cht!, pst!). Esta definição fun-
→ ad- ligar
cional é válida para o português, mas não para outras línguas,
→ sub- lunar
em que há sons passíveis de pertencer à categoria das conso-
antes ou à das vogais. Diz-se de ou letra que representa fonema
→ em vez de
dessa classe. Do ponto de vista articulatório, há consoante → a-blegação
quando a corrente de ar encontra, na cavidade bucal, algum tipo → a-dligar
de empecilho, seja total (oclusão), seja parcial (estreitamento). → su-blunar

Separação silábica 2º. São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas


consoantes  que não constituem propriamente grupos e igual-
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa afirma que mente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e
a Separação Silábica (Base XX – Da divisão silábica) faz- uma consoante:
se, em regra, pela soletração, como nos exemplos a seguir:
→ ab-dicar → ét-nico
abade: a-ba-de → Ed-gardo → rit-mo
bruma: bru-ma → op-tar → sub-meter
cacho: ca-cho → sub-por → am-nésico
malha: ma-lha → ab-soluto → interam-nense
manha: ma-nha → ad-jetivo → bir-reme
máximo: má-xi-mo → af-ta → cor-roer
óxido: ó-xi-do → bet-samita → pror-rogar
roxo: ro-xo → íp-silon → as-segurar
tmese: tme-se → ob-viar → bis-secular
→ des-cer → sos-segar
Assim, a separação não tem de atender: → dis-ciplina → bissex-to
(i) aos elementos constitutivos dos vocábulos → flores-cer → contex-to
segundo a etimologia: → nas-cer → ex-citar
a-ba-li-e-nar → res-cisão → atroz-mente
bi-sa-vô → ac-ne → capaz-mente
de-sa-pa-re-cer → ad-mirável → infeliz-mente
di-sú-ri-co → Daf-ne → am-bição
e-xâ-ni-me → diafrag-ma → desen-ganar
hi-pe-ra-cú-sti-co → drac-ma → en-xame
i-ná-bil → man-chu → Mân-lio
o-bo-val

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3º. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou 6º. Na translineação de uma palavra composta ou de uma
n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se
são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um a partição coincide com o final de um dos elementos ou
dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no
(1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a con- início da linha imediata:
soante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba → ex- -alferes
anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a → serená- -los-emos ou serená-los- -emos
BRUNO PILASTRE

→ vice- -almirante
divisão dá-se sempre antes da última consoante. Exem-
plos dos dois casos:
→ cam-braia Apesar de relativamente complexas, as regras enume-
→ ec-tlipse radas na Base XX do Novo Acordo Ortográfico possuem um
→ em-blema elemento em comum, a saber:
→ ex-plicar
→ in-cluir → Toda sílaba é nucleada por uma vogal.
→ ins-crição
→ subs-crever Tradicionalmente, observamos essas regras, as quais
→ trans-gredir são simplificadas:
→ abs-tenção
→ disp-neia Regra Exemplo
→ inters-telar Não se separam os ditongos e tri- foi-ce, a-ve-ri-guou.
→ lamb-dacismo tongos. 
→ sols-ticial Não se separam os dígrafos ch, lh, cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha,
→ Terp-sícore nh, gu, qu. fre-guês, quei-xa
→ tungs-tênio Não se separam os encontros con- psi-có-lo-go, re-fres-co
sonantais que iniciam sílaba. 
Separam-se as vogais dos hiatos.  ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de
4º. As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos Separam-se as letras dos dígra- car-ro, pas-sa-re-la, des-
decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo fos rr, ss, sc, sç e xc. -cer, nas-ço, ex-ce-len-te
nunca se separam: ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção, Separam-se os encontros con- ap-to, bis-ne-to, con-vic-
sacris-tães, traves-sões) podem, se a primeira delas sonantais das sílabas internas, -ção, a-brir, a-pli-car
não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, excetuando-se aqueles em que a
separar-se na escrita: segunda consoante é l ou r.

→ ala-úde PROSÓDIA (BOA PRONÚNCIA)


→ áre-as
→ ca-apeba A prosódia é a parte da gramática tradicional que se
→ co-ordenar dedica às características da emissão dos sons da fala, como
→ do-er o acento e a entonação.
→ flu-idez Observe algumas orientações em relação à posição da
→ perdo-as sílaba tônica:
→ vo-os
(i) São oxítonas (última sílaba tônica):
O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de diton- → cateter
gos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais: → faz-se mister (= necessário)
→ cai-ais → Nobel
→ cai-eis → ruim
→ ensai-os → ureter
→ flu-iu
(ii) São paroxítonas (penúltima sílaba tônica):
→ âmbar
5º. Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, → caracteres
nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne-gue, → recorde
ne-guei; pe-que, pe-quei), do mesmo modo que as com- → filantropo
→ gratuito (ui ditongo)
binações gu e qu em que o u se pronuncia:
→ misantropo
→ á-gua
→ ambí-guo (iii) São palavras que admitem dupla prosódia:
→ averi-gueis → acróbata ou acrobata
→ longín-quos → Oceânia ou Oceania
→ lo-quaz → ortoépia ou ortoepia
→ quais-quer → projétil ou projetil
→ réptil ou reptil

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USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL → bacharel Mário Abrantes
→ o cardeal Bembo
(i) nos antropônimos, reais ou fictícios: → santa Filomena (ou Santa Filomena)
→ Pedro Marques
→ Branca de Neve (vii) nos nomes que designam domínios do saber, cursos
e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula):
(ii) nos topônimos, reais ou fictícios: → português (ou Português).

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Lisboa
→ Atlântida COMO ABREVIAR

(iii) nos nomes de seres antropomorfizados ou mitoló- (i) Comumente, as abreviaturas são encerradas por
gicos: consoante seguida de ponto final:
→ Adamastor → Dr. (Doutor)
→ Netuno → Prof. (Professor)

(iv) nos nomes que designam instituições: (ii) Mas os símbolos científicos e as medidas são abre-
→ Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previ- viados sem ponto; no plural, não há s final:
dência Social → m (metro ou metros)
→ h (8h = oito horas. Quando houver minutos: 8h30min
(v) nos nomes de festas e festividades: ou 8h30)
→ Natal → P (Fósforo – símbolo químico)
→ Páscoa
→ Ramadão (iii) São mantidos os acentos gráficos, quando existirem:
→ pág. (página)
(vi) nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: → séc. (século)
→ O Estado de São Paulo
(iv) É aconselhável não abreviar nomes geográficos:
(vii) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais
→ Santa Catarina (e não S. Catarina)
ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou
mediais ou finais ou o todo em maiúscula: → São Paulo (e não S. Paulo)
→ FAO → Porto Alegre (e não P. Alegre)
→ ONU
→ Sr. ACENTUAÇÃO GRÁFICA
→ V. Exª.
Quatro diacríticos (sinal gráfico que se acrescenta a
USO DA LETRA MINÚSCULA INICIAL uma letra para conferir-lhe novo valor fonético e/ou fono-
lógico) compõem a acentuação gráfica: o acento agudo, o
(i) ordinariamente, em todos os vocábulos da língua acento grave, o acento circunflexo e, acessoriamente, o til.
nos usos correntes; Vejamos, em síntese, as características de cada um.

(ii) nos nomes dos dias, meses, estações do ano: (i) o agudo (´), para marcar a tonicidade das vogais
→ segunda-feira a (paráfrase, táxi, já), i (xícara, cível, aí) e u (cúpula, júri,
→ outubro
miúdo); e a tonicidade das vogais abertas e (exército, série,
→ primavera
fé) e o (incólume, dólar, só);
(iii) nos bibliônimos (nome, título designativo ou intitula-
tivo de livro impresso ou obra que lhe seja equiparada) (após (ii) o grave (`), utilizada sobretudo para indicar a ocor-
o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocá- rência de crase, isto é, a ocorrência da preposição a com
bulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes o artigo feminino a ou os demonstrativos a, aquele(s),
próprios nele contidos, tudo em grifo): aquela(s), aquilo;
→ O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço
de Ninães. (iii) o circunflexo (^), para marcar a tonicidade da vogal
→ Menino de Engenho ou Menino de engenho. a nasal ou nasalada (lâmpada, câncer, espontâneo), e das
vogais fechadas e (gênero, tênue, português) e o (trôpego,
(iv) nos usos de fulano, sicrano, beltrano. bônus, robô);
(v) nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas):
(iv) e acessoriamente o til (~), para indicar a nasalidade
→ norte, sul (mas SW = sudoeste)
(e em geral a simultânea tonicidade) em a e o (cristã, cristão,
(vi) nos axiônimos (nome ou locução com que se presta pães, cãibra; corações, põe(s), põem).
reverência a determinada pessoa do discurso) e hagiônimos
(designação comum às palavras ligadas à religião) (opcio- A seguir há as principais regras apresentadas pelo
nalmente, nesse caso, também com maiúscula): Novo Acordo de 1990. É uma tabela muito importante, a qual
→ senhor doutor Joaquim da Silva deve ser estudada cuidadosamente.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Assunto O acordo de 1990
Alfabeto O alfabeto é formado por vinte e seis (26) letras:
→ a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z
Sequências con- O acordo de 1990 afirma que, nos países de língua portuguesa oficial, a ortografia de palavras com consoantes
sonânticas “mudas” passa a respeitar as diferentes pronúncias cultas da língua, ocasionando um aumento da quantidade de
palavras com dupla grafia. Pode-se grafar:
→ fato e facto (em que há dupla grafia e dupla pronúncia)
→ aspecto e aspeto (dupla pronúncia e dupla grafia)
BRUNO PILASTRE

Acentuação grá- Primeiramente, observa-se que as regras de acentuação dos monossílabos tônicos são as mesmas das oxíto-
fica – Oxítonas nas.
São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam nas vogais tônicas abertas a, e, o, e com
acento circunflexo as que acabam nas vogais tônicas fechadas e, o, seguidas ou não de s:
→ fubá
→ cafés
→ bobó
→ mercês
→ babalaô
As palavras oxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ó, ô) admitem
dupla grafia:
→ matinê ou matiné
→ cocô ou cocó

São assinaladas com acento gráfico as formas verbais que se tornam oxítonas terminadas em a, e, o, em virtude
da conjugação com os pronomes lo(s):
→ dá-la
→ amá-la-ás
→ sabê-lo
→ dispô-lo

É assinalado com acento agudo o e das terminações em, ens das palavras oxítonas com mais de uma sílaba
(exceto as formas da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são
marcadas com acento circunflexo):
→ também
→ parabéns
→ (eles) contêm
→ (elas) vêm
Acentuação grá- São assinalados com acento agudo os ditongos tônicos éi, éu, ói, sendo os dois últimos (éu, ói) seguidos ou não
fica – Paroxítonas de s:
→ fiéis
→ réus
→ heróis

Não se usa acento gráfico para distinguir oxítonas homógrafas:


→ colher (verbo)
→ colher (substantivo)

A exceção é a distinção entre pôr (verbo) e por (preposição)

São assinaladas com acento gráfico as paroxítonas terminadas em:


a) l, n, r, x, ps (e seus plurais, alguns dos quais passam a proparoxítonas):
→ lavável
→ plânctons
→ açúcar
→ ônix
→ bíceps

As exceções são as formas terminadas em ens (hifens e liquens), as quais não são acentuadas graficamente.

b) ã(s), ão(s), ei(s), i(s) um, uns, us:


→ órfã(s)
→ sótão(s)
→ jóquei(s)
→ fórum
→ álbum
→ vírus
→ bílis

O acento será agudo se na sílaba tônica houver as vogais abertas a, e, o, ou ainda i, u e será circunflexo se houver
as vogais fechadas a, e, o.

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Observa-se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ô,
ó) admitem dupla grafia:
→ fêmur ou fémur
→ ônix ou ónix
→ pônei ou pónei
→ Vênus ou Vénus

LÍNGUA PORTUGUESA
Não são assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras paroxítonas:
→ estreia
→ ideia
→ paranoico
→ jiboia

Não são assinaladas com acento gráfico as formas verbais creem, deem, leem, veem e seus derivados: des-
creem, desdeem, releem, reveem etc.

Não é assinalado com acento gráfico o penúltimo o do hiato oo(s):


→ voo
→ enjoos

Não são assinaladas com acento gráfico as palavras homógrafas:


→ para (verbo) para (preposição)
→ pela(s) (substantivo) pela (verbo) pela (per + la(s))
→ pelo(s) (substantivo) pelo (verbo) pelo (per + lo(s))
→ polo(s) substantivo polo (por + lo(s))

A exceção é a distinção entre as formas pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) e pode
(3ª pessoa do singular do presente do indicativo).

Observação 1: assinalam-se com acento circunflexo, facultativamente, as formas:


→ dêmos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo)
→ demos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
→ fôrma (substantivo)
→ forma (substantivo; verbo)

Observação 2: assinalam-se com acento agudo, facultativamente, as formas verbais do tipo:


→ amámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ amamos (presente do indicativo)
→ louvámos (pretérito perfeito do indicativo)
→ louvamos (presente do indicativo)
Oxítonas e Paroxí- São assinaladas com acento agudo as vogais tônicas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas que constituem
tonas o 2º elemento de um hiato e não são seguidas de l, m, n, nh, r, z:
→ país
→ ruins
→ saúde
→ rainha

Observações:
1) Incluem-se nessa regra as formas oxítonas dos verbos em air e uir em virtude de sua conjugação com os
pronomes lo(s), la(s):
→ atraí-las
→ possuí-lo-ás

2) Não são assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de
ditongo crescente:
→ baiuca
→ boiuna
→ feiura

3) São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo
crescente:
→ Piauí
→ tuiuiús

4) Não são assinalados com acento agudo os ditongos tônicos iu, ui precedidos de vogal:
→ distraiu
→ pauis

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Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas rizotônicas de arguir e redarguir:
→ arguis
→ argui
→ redarguam

Observações:
1) Verbos como aguar, apaziguar, apropinquar, delinquir possuem dois paradigmas:
a) com o u tônico em formas rizotônicas sem acento gráfico:
BRUNO PILASTRE

→ averiguo
→ ague

b) com o a ou o i dos radicais tônicos acentuados graficamente:


→ averíguo
→ águe

2) Verbos terminados em -ingir e -inguir cujo u não é pronunciado possuem grafias regulares.
→ atingir; distinguir
→ atinjo; distinguimos
Acentuação grá- Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas com acento gráfico:
fica – Proparoxí- → rápido
tonas → cênico
→ místico
→ meândrico
→ cômodo
Trema O trema (¨) é totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas:
→ delinquir
→ cinquenta
→ tranquilo
→ linguiça

O trema é usado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema:


→ mülleriano, de Müller
Hífen O hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

O Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que o falante contemporâneo perdeu a
noção de composição:
→ paraquedas
→ mandachuva

Emprega-se o hífen nos seguintes topônimos:


- iniciados por grã e grão: Grão-Pará
- iniciados por verbo: Passa-Quatro
- cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de todos-os-Santos

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo Verde. As exceções são: Guiné-
-Bissau e Timor-Leste.

Emprega-se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas:


→ couve-flor
→ bem-te-vi

Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando encadeamen-
tos vocabulares:
→ ponte Rio-Niterói
Hífen – síntese das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos
Primeiro elemento Segundo elemento
aero di ili/ilio mono psico a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento
agro eletro infra morfo retro b) iniciado por h
(‘terra’) entre intra multi semi
alfa extra iso nefro sobre
ante foto lacto neo supra
anti gama lipo neuro lete
arqui geo macro paleo tetra
auto giga maxi peri tri
beta hetero mega pluri ultra
bi hidro meso poli
bio hipo micro proto
contra homo mini pseudo

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ab ob sob sub iniciado por b, h, r
co (‘com’) iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra, passando-se a grafar,
assim, coerdar, coerdeiro, coipônimo etc.)
ciber iniciado por h, r
inter
super
nuper

LÍNGUA PORTUGUESA
hiper
ad iniciado por d, h, r
pan a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [diante de b e p passa a pam]
circum a) iniciado por vogal
b) iniciado por h, m, n [aceita formas aglutinadas como circu e circum]
além sem qualquer (sempre)
aquém sota
ex (“cessamento ou “estado anterior”) soto
recém vice
pós sempre que conservem autonomia vocabular
pré
pró

DISTINÇÕES Ela reclama porque é carente.


[conjunção causal]
Distinção entre a, à, há e á Ela devia estar com fome, porque estava branca.
[conjunção explicativa – equivale a pois]
(I) a. A palavra a pode ser: O preso fugiu porque dopou o guarda?
(i) artigo feminino singular: [pergunta que propõe uma causa possível, limitando a
Eu comprei a roupa ontem. resposta a sim ou não]
A menina mais bonita da rua.
(II) porquê: a forma porquê é substantivo e equivale
(ii) pronome: (é sinônimo) a causa, motivo, razão. É acentuada por ser
Mara é muito próxima da família, mas não a vejo há uma palavra tônica:
meses. Não sabemos o porquê da demissão de José.
[equivale a: Não sabemos o motivo/a causa/a razão
(iii) preposição:
da demissão de José]
Andar a cavalo é sempre prazeroso.
(III) por que: a forma por que (com duas palavras) é
(II) à. A palavra à (com o acento grave) é utilizada
utilizada quando:
quando ocorre a contração da preposição a com o artigo
(i) significa pelo qual (e flexões pela qual, pelas quais,
feminino a:
João assistiu à cena estarrecido. pelos quais). Nesse significado, a palavra que é pronome
[assistir a (preposição) + a cena (artigo feminino)]. relativo.
Não revelou o motivo por que não compareceu à aula.
(III) há. A palavra há é uma forma do verbo haver: [Não revelou o motivo pelo qual não compareceu à
Há três meses não chove no interior do Pará. aula]
[Há = faz]
Não há mais violência no centro da cidade. (ii) equivale a por qual, por quais. Nessas formas, a
[Há = existe] forma que é pronome indefinido.
Na BR040 há muitos acidentes fatais. Ela sempre quis saber por que motivo raspei o cabelo.
[Há = acontecem]
(iii) a forma por que é advérbio interrogativo. Nessa
(IV) á. A palavra á é um substantivo e designa a letra a: estrutura, é possível subentender uma das palavras motivo,
Está provado por á mais bê que o vereador estava causa, razão.
errado. Por que [motivo] faltou à aula?

Distinção entre porque, porquê, por que e por quê (iv) a forma por que faz parte de um título.
Por que o ser humano chora.
Estes são os usos das formas porque, porquê, por
que e por quê: (IV) por quê: a forma por quê (com duas palavras e
acentuada) é usada após pausa acentuada ou em final de
(I) porque: a forma porque pode ser uma conjunção
frase.
(causal ou explicativa) ou uma pergunta que propõe uma
causa possível, limitando a resposta a sim ou não: Estavam no meio daquela bagunça sem saber por quê.

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Distinção entre acerca de e cerca de A torre eminente é a mais fotografada.

(I) A locução acerca de equivale a a respeito de, (ii) que se destaca por sua qualidade ou importância;
sobre. Por exemplo: excelente, superior:
Nós, linguistas, pouco conhecemos acerca da origem O mestre eminente era seguido por todos.
da linguagem.
[= sobre a origem da linguagem – a respeito da (II) O adjetivo iminente, por sua vez, tem o seguinte
origem da linguagem] significado:
BRUNO PILASTRE

(II) A locução cerca de tem valor de aproximada- Iminente: o que ameaça se concretizar, que está a
mente, quase: ponto de acontecer; próximo, imediato:
Cerca de duas horas depois da missa o pároco faleceu. O desabamento iminente é o que mais preocupa as
[= aproximadamente duas horas depois – quase autoridades.
duas horas depois]. O edital iminente deixa os candidatos ansiosos.

Distinção entre ao encontro de e de encontro a Distinção entre mas e mais

(I) A locução ao encontro de possui o significado equi- Na escrita, é muito comum haver a troca da forma mas
valente às expressões em direção a, a favor de. Veja os pela forma mais. Os estudantes produzem frases como:
exemplos: O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente.
Os vândalos saíram ao encontro dos policiais, que
fechavam a avenida. Na oralidade, o fenômeno é comum em formas seme-
[= em direção a] lhantes à palavra mas:
Com a decisão da Presidente Dilma, o governo vai ao faz/fa(i)z;
encontro das reivindicações da população. paz/pa(i)z;
[= a favor de] nós/nó(i)s.

(II) A locução de encontro a é antônima à locução ao É preciso, porém, distinguir as duas formas, pois na
encontro de. De encontro a significa choque, oposição, frase O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente há
sendo equivalente à forma contra. Observe a frase a seguir: inadequação, uma vez que se deve utilizar a forma mas: O
O caminhão perdeu os freios e foi de encontro ao país é rico, mas a gestão pública é ineficiente.
carro do deputado. A distinção das duas formas é a seguinte:
[= contra]
A decisão do governo foi de encontro aos desejos do (I) A palavra mas é conjunção que exprime principal-
Movimento Passe Livre. mente oposição, ressalva, restrição:
[= contrariou] O carro não é meu, mas de um amigo.

Distinção entre aonde e onde (II) A palavra mais é advérbio e traduz a ideia de
aumento, superioridade, intensidade:
(I) A forma aonde é a contração da preposição a com do Ele sempre pensa em ganhar mais dinheiro.
advérbio onde. Emprega-se com verbos que denotam movi- Ele queria ser mais alto que os outros.
mento e regem a preposição a (verbos ir, chegar, levar):
Aonde os manifestantes querem chegar? Distinção entre se não e senão
[verbo chegar].
Os investigadores descobriram aonde as crianças (I) A forma se não (separado) é usada quando o se
eram levadas. pode ser substituído por caso ou na hipótese de que:
[verbo levar]. Se não perdoar, não será perdoado.
[se não = caso não. É conjunção condicional]
(II) O advérbio onde é utilizado com verbos que não Se não chover, viajarei amanhã.
denotam movimento e não regem a preposição a: [se não = na hipótese de que não]
Onde mora o presidente da Colômbia?
[verbo morar] Também há o uso da forma se não como conjunção
Os investigadores descobriram onde o dinheiro era condicional, equivalendo a quando não:
lavado. A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de
[verbo lavar] trabalho, ocorre com operários sem equipamentos de segu-
rança.
Distinção entre eminente e iminente [se não = quando não]
(II) A palavra senão (uma única palavra) possui as
Os adjetivos eminente e iminente são parônimos (são seguintes realizações:
quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na grafia
e na pronúncia). (i) É conjunção e significa:
(I) O adjetivo eminente tem os seguintes significados: (a) de outro modo; do contrário:
(i) muito acima do que o que está em volta; proemi- Coma, senão ficará de castigo.
nente, alto, elevado: (b) mas, mas sim, porém:

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Não obteve aplausos, senão vaias. O adiamento de três anos abre brechas para que novas
mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jor-
(ii) É preposição quando equivale a com exceção de, nais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham ado-
salvo, exceto: tado o novo acordo, novas alterações podem ser implemen-
Todos, senão você, gostam de bolo. tadas ou até mesmo suspensas.

(iii) É substantivo masculino e significa pequena imper- Diplomacia

LÍNGUA PORTUGUESA
feição; falha, defeito, mácula:
Não há qualquer senão em sua prova. A decisão é encarada como um movimento diplomático,
uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as
Para concluir nossos estudos sobre Fonologia, vamos mudanças com Portugal.
ler uma reportagem sobre o Acordo Ortográfico, a qual foi O país europeu concordou oficialmente com a reforma
publicada no dia 28 de dezembro de 2012, no jornal Folha ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o
de São Paulo. Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um
período de transição maior.
GOVERNO ADIA PARA 2016 INÍCIO DO ACORDO ORTO- Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é,
GRÁFICO na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no
Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor-Leste.
O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no
do uso do novo acordo ortográfico. A decisão foi publicada idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do
nesta sexta-feira no "Diário Oficial da União". idioma em organismos internacionais.
A implantação das novas regras, adotadas pelos seto- "É muito difícil querer que o português seja língua oficial
res público e privado desde 2009, estavam previstas para o nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que
próximo dia 1º de janeiro. vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, represen-
A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% tante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua
das palavras em português. Até a data da obrigatoriedade, Portuguesa).
tanto a nova norma como a atual poderão ser usadas.

(Folha de São Paulo)

(Folha de São Paulo)

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BRUNO PILASTRE

(Folha de São Paulo)

CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA Em morfologia, dois processos são importantes: a


flexão e a derivação.
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Flexão: processo morfológico que consiste no emprego
Neste capítulo estudaremos, de modo esquemático, o de diferentes afixos acrescentados aos radicais ou aos
assunto morfologia/morfossintaxe. É um assunto importante, temas (nominais, verbais etc.) das palavras variáveis para
o qual é recorrentemente cobrado em concursos. Observamos exprimir as categorias gramaticais (número, gênero, pessoa,
que a abordagem a seguir é predominantemente linguística. caso, tempo etc.).
Iniciamos a exposição com a noção de morfema. Nas
línguas humanas, um morfema é a menor unidade linguís- Derivação: processo pelo qual se originam vocábulos
tica que possui significado, abarcando raízes e afixos, formas uns de outros, mediante a inserção ou extração de afixos.
livres (por exemplo: mar) e formas presas (por exemplo:
sapat-, -o-, -s) e vocábulos gramaticais (preposições, conjun- Kehdi (1993) classifica os seguintes tipos de morfemas
ções). Observe que, em algumas palavras, pode-se identificar em português:
duas posições de realização dos sufixos:
Classificação de caráter formal Classificação de base funcio-
Prefixo (antes da raiz) Raiz Sufixo (depois da raiz) (destaque para o significante) nal (destaque para a função
in- feliz -mente dos morfemas)
infelizmente aditivo: fazer – refazer. radical
subtrativo: órfão – órfã. afixos
Há técnicas para identificação da estrutura mórfica das alternativo: ovo – ovos. desinências
palavras. Vejamos duas: reduplicativo: pai – papai. vogais temáticas
de posição: grande homem – vogais e consoantes de liga-
Teste de comutação: método comparativo buscando a homem grande. ção
detecção das unidades significativas que compõem a estru- zero: casa – casas.
tura das palavras. cumulativo: amamos (-mos =
desinência número-pessoa).
música – músicas
vazio: cafeZal.
amavam – amaram

Segmentação mórfica: possibilidade ou não de divisão A fórmula geral da estrutura do vocábulo verbal portu-
de palavras em unidades menores significativas. guês é a seguinte (Camara Jr., 1977):
Sol
Mar T (R + VT) + SF (SMT + SNP)
deslealdade → des- leal -dade [em que T (tema), R (radical), VT (vogal temática), SF
(sufixo flexional ou desinência), SMT (sufixo modo-tempo-
Palavras-chave! ral), SNP (sufixo número-pessoal)]

Morfema: a menor parte significativa que compõe as palavras. A flexão verbal caracteriza-se na língua portuguesa
É um signo mínimo. pelas desinências indicadoras das seguintes categorias gra-
Radical e afixos: o radical é o morfema básico que constitui
maticais: (a) modo, (b) tempo – em um morfema cumulativo
uma palavra de categoria lexical (substantivo, adjetivo, verbo e
advérbio); os afixos são morfemas presos anexados a um radical
–, (c) número, (d) pessoa – em um morfema cumulativo.
(prefixos e sufixos).

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Modo: refere-se a um julgamento implícito do falante a
passo que o particípio é de aspecto concluso ou perfeito. O valor
respeito da natureza, subjetiva ou não, da comunicação que do pretérito ou de voz passiva (com verbos transitivos) que às
faz. Indicativo, subjuntivo e imperativo. vezes assume, não é mais que um subproduto do seu valor de
Tempo: refere-se ao momento da ocorrência do pro- aspecto perfeito ou concluso.
cesso, visto do momento da comunicação. Presente, preté- Entretanto, o particípio foge até certo ponto, do ponto de vista
rito (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito), futuro (do pre- mórfico, da natureza verbal. É no fundo um adjetivo com as
marcas nominais de feminino e de número plural em /S/. Ou

LÍNGUA PORTUGUESA
sente, do pretérito). Tempos compostos: auxiliar (ter e haver)
+ particípio. em outros termos: é um nome adjetivo, que semanticamente
expressa, em vez da qualidade de um ser, um processo que
nele se passa. O estudo morfológico do sistema verbal portu-
As formas nominais do verbo são: infinitivo (-r), gerún- guês pode deixá-lo de lado, porque morfologicamente ele per-
dio (-ndo) e particípio (-do). tence aos adjetivos, embora tenha valor verbal no âmbito semân-
Sobre as formas nominais, Camara Jr. (1977) pronun- tico e sintático.
cia-se da seguinte maneira: O gerúndio, ao contrário, é morfologicamente uma forma verbal.

Resta uma apreciação semântica, nas mesmas linhas, das cha- Depreensão morfológica (como identificar morfemas)
madas formas nominais, cujos nomes tradicionais são – infinitivo,
gerúndio e particípio. Aqui a oposição é aspectual e não tempo- A técnica de depreensão é simples: se tivermos uma
ral. O infinitivo é a forma mais indefinida do verbo. A tal ponto, forma verbal a ser analisada, procedemos à comutação ao
que costuma ser citado como o nome do verbo, a forma que de mesmo tempo com o infinitivo impessoal e com a primeira
maneira mais ampla e mais vaga resume a sua significação, sem pessoa do plural do tempo em que se encontra o verbo. O
implicações das noções gramaticais de tempo, aspecto ou modo. infinitivo sem o /r/ apresenta o radical e a vogal temática. A
Entre o gerúndio e o particípio há essencialmente uma oposição primeira pessoa do plural exibe a desinência [-mos] (SNP
de aspecto: o gerúndio é <imperfeito> (processo inconcluso), ao
ou DNP). O que sobrar será a desinência modo-temporal.

Exercício: indique nos quadros em branco a VT, os SMT e os SNP.

Indicativo VT SMT SNP Pretérito VT SMT SNP Subjuntivo VT SMT SNP


Presente imperfeito Presente
Amo Amava Cante
Amas Amavas Cantes
Ama Amava Cante
Amamos Amávamos Cantemos
Amais Amáveis Canteis
Amam Amavam Cantem

As categorias verbais Verbos notáveis

A categoria de tempo Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua por-


tuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de
A categoria de tempo constitui uma relação entre dois duas características dos verbos: ser rizotônico ou arrizotônico.
momentos: momento da comunicação e momento do pro- Rizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
cesso. tônica dentro do radical.
Em português: passado x presente x futuro. Arrizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba
tônica fora do radical.
Tempos simples:
I – Presente: simultaneidade entre momento da comu- Arrear
nicação e momento de ocorrência do processo.
II – Passado ou pretérito: anterioridade entre o mo- Verbo irregular da 1ª conjugação. Significa pôr arreio.
mento da ocorrência do processo e o momento da Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -ear.
comunicação (o processo que se está enunciando Variam no radical, que recebe um i nas formas rizotônicas.
ocorreu antes do momento da fala). Presente do Indicativo: arreio, arreias, arreia, arrea-
III – Futuro: indica relação de posterioridade. O proces- mos, arreais, arreiam.
so ainda vai ocorrer, é posterior à fala. Presente do Subjuntivo: arreie, arreies, arreie, arree-
mos, arreeis, arreiem.
Tempos complexos: ocorrem quando há dois proces- Imperativo Afirmativo: arreia, arreie, arreemos, arreai,
sos. Além de estabelecer relação entre os dois processos e arreiem.
o momento da comunicação, deve-se estabelecer relação Imperativo Negativo: não arreies, não arreie, não arree-
entre os dois processos entre si. mos, não arreeis, não arreiem.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei, arreaste, Imperativo Negativo: não anseies, não anseie, não
arreou, arreamos, arreastes, arrearam. ansiemos, não ansieis, não anseiem.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arreara, arre- Pretérito Perfeito do Indicativo: ansiei, ansiaste,
aras, arreara, arreáramos, arreáreis, arrearam. ansiou, ansiamos, ansiastes, ansiaram.
Futuro do Subjuntivo: arrear, arreares, arrear, arrear- Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: ansiara,
mos, arreardes, arrearem. ansiaras, ansiara, ansiáramos, ansiáreis, ansiaram.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arreasse, arreas- Futuro do Subjuntivo: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
BRUNO PILASTRE

ses, arreasse, arreássemos, arreásseis, arreassem. mos, ansiardes, ansiarem.


Futuro do Presente: arrearei, arrearás, arreará, arrea- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: ansiasse, ansias-
remos, arreareis, arrearão. ses, ansiasse, ansiássemos, ansiásseis, ansiassem.
Futuro do Pretérito: arrearia, arrearias, arrearia, arre- Futuro do Presente: ansiarei, ansiarás, ansiará,
aríamos, arrearíeis, arreariam. ansiaremos, ansiareis, ansiarão.
Infinitivo Pessoal: arrear, arreares, arrear, arrearmos, Futuro do Pretérito: ansiaria, ansiarias, ansiaria,
arreardes, arrearem. ansiaríamos, ansiaríeis, ansiariam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arreava, arreavas, Infinitivo Pessoal: ansiar, ansiares, ansiar, ansiar-
arreava, arreávamos, arreáveis, arreavam. mos, ansiardes, ansiarem.
Formas Nominais: arrear, arreando, arreado. Pretérito Imperfeito do Indicativo: ansiava, ansiavas,
  ansiava, ansiávamos, ansiáveis, ansiavam.
Arriar Formas Nominais: ansiar, ansiando, ansiado.
 
Verbo regular da 1ª conjugação. Significa fazer descer. Haver
Como ele, conjugam-se todos os verbos terminados em -iar,
menos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar. Verbo irregular da 2ª conjugação. Varia no radical e nas
Presente do Indicativo: arrio, arrias, arria, arriamos, desinências.
arriais, arriam. Presente do Indicativo: hei, hás, há, havemos, haveis,
Presente do Subjuntivo: arrie, arries, arrie, arriemos, hão.
arrieis, arriem. Presente do Subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos,
Imperativo Afirmativo: arria, arrie, arriemos, arriai, hajais, hajam.
arriem. Imperativo Afirmativo: há, haja, hajamos, havei,
Imperativo Negativo: não arries, não arrie, não arrie- hajam.
mos, não arrieis, não arriem. Imperativo Negativo: não hajas, não haja, não haja-
Pretérito Perfeito do Indicativo: arriei, arriaste, arriou, mos, não hajais, não hajam.
arriamos, arriastes, arriaram. Pretérito Perfeito do Indicativo: houve, houveste,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: arriara, arria- houve, houvemos, houvestes, houveram.
ras, arriara, arriáramos, arriáreis, arriaram. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: houvera,
Futuro do Subjuntivo: arriar, arriares, arriar, arriar- houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram.
mos, arriardes, arriarem. Futuro do Subjuntivo: houver, houveres, houver, hou-
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arriasse, arriasses, vermos, houverdes, houverem.
arriasse, arriássemos, arriásseis, arriassem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: houvesse, houves-
Futuro do Presente: arriarei, arriarás, arriará, arriare- ses, houvesse, houvéssemos, houvésseis, houvessem.
mos, arriareis, arriarão. Futuro do Presente: haverei, haverás, haverá, have-
Futuro do Pretérito: arriaria, arriarias, arriaria, arriarí- remos, havereis, haverão.
amos, arriaríeis, arriariam. Futuro do Pretérito: haveria, haverias, haveria, have-
Infinitivo Pessoal: arriar, arriares, arriar, arriarmos, ríamos, haveríeis, haveriam.
arriardes, arriarem. Infinitivo Pessoal: haver, haveres, haver, havermos,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: arriava, arriavas, haverdes, haverem.
arriava, arriávamos, arriáveis, arriavam. Pretérito Imperfeito do Indicativo: havia, havias, havia,
Formas Nominais: arriar, arriando, arriado. havíamos, havíeis, haviam.
  Formas Nominais: haver, havendo, havido.
Ansiar  
Reaver
Verbo irregular da 1ª conjugação. Como ele, conjugam-
-se mediar, remediar, incendiar e odiar. Variam no radical, Verbo defectivo da 2ª conjugação. Faltam-lhe as formas
que recebe um e nas formas rizotônicas. rizotônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser
Presente do Indicativo: anseio, anseias, anseia, substituídas pelas do verbo recuperar.
ansiamos, ansiais, anseiam. Presente do Indicativo: ///, ///, ///, reavemos, reaveis,
Presente do Subjuntivo: anseie, anseies, anseie, ///.
ansiemos, ansieis, anseiem. Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
Imperativo Afirmativo: anseia, anseie, ansiemos, Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, reavei vós, ///.
ansiai, anseiem. Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///.

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Pretérito Perfeito do Indicativo: reouve, reouveste, restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja, segue
reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram. a conjugação de qualquer verbo regular terminado em -er,
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: reouvera, como escrever.
reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, reouve- Presente do Indicativo: provejo, provês, provê, pro-
ram. vemos, provedes, provêem.
Futuro do Subjuntivo: reouver, reouveres, reouver, Presente do Subjuntivo: proveja, provejas, proveja,

LÍNGUA PORTUGUESA
reouvermos, reouverdes, reouverem. provejamos, provejais, provejam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: reouvesse, reou- Imperativo Afirmativo: provê, proveja, provejamos,
vesses, reouvesse, reouvéssemos, reouvésseis, reou- provede, provejam.
vessem. Imperativo Negativo: não provejas, não proveja,
Futuro do Presente: reaverei, reaverás, reaverá, rea- não provejamos, não provejais, não provejam.
veremos, reavereis, reaverão. Pretérito Perfeito do Indicativo: provi, proveste,
Futuro do Pretérito: reaveria, reaverias, reaveria, rea- proveu, provemos, provestes, proveram.
veríamos, reaveríeis, reaveriam. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: provera,
Infinitivo Pessoal: reaver, reaveres, reaver, reaver-
proveras, provera, provêramos, provêreis, proveram.
mos, reaverdes, reaverem.
Futuro do Subjuntivo: prover, proveres, prover,
Pretérito Imperfeito do Indicativo: reavia, reavias,
provermos, proverdes, proverem.
reavia, reavíamos, reavíeis, reaviam.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: provesse, pro-
Formas Nominais: reaver, reavendo, reavido.
vesses, provesse, provêssemos, provêsseis, proves-
sem.
Precaver
Futuro do Presente: proverei, proverás, proverá,
Verbo defectivo da 2ª conjugação, quase sempre usado proveremos, provereis, proverão.
pronominalmente (precaver-se). Faltam-lhe as formas rizo- Futuro do Pretérito: proveria, proverias, proveria,
tônicas e derivadas. As formas não existentes devem ser proveríamos, proveríeis, proveriam.
substituídas pelas dos verbos acautelar-se, prevenir-se. Infinitivo Pessoal: prover, proveres, prover, prover-
As formas existentes são conjugadas regularmente, ou seja, mos, proverdes, proverem.
seguem a conjugação de qualquer verbo regular terminado Pretérito Imperfeito do Indicativo: provia, provias,
em -er, como escrever. provia, províamos, províeis, proviam.
Presente do Indicativo: ///, ///, ///, precavemos, preca- Formas Nominais: prover, provendo, provido.
veis, ///.  
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Requerer
Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, prevavei vós, ///.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///. Verbo irregular da 2ª conjugação que significa pedir,
Pretérito Perfeito do Indicativo: precavi, precaveste, solicitar, por meio de requerimento. Varia no radical.
precaveu, precavemos, precavestes, precaveram. No presente do indicativo, no presente do subjuntivo, no
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: precavera, imperativo afirmativo e no imperativo negativo tem con-
precavera, precavera, precavêramos, precavêreis, pre- jugação idêntica à do verbo querer, com exceção da 1ª
caveram. pessoa do singular do presente do indicativo (eu requeiro);
Futuro do Subjuntivo: precaver, precaveres, preca- no restante dos tempos, tem conjugação regular, ou seja,
ver, precavermos, precaverdes, precaverem. segue a conjugação de qualquer verbo regular terminado
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: precavesse, preca- em -er, como escrever.
vesses, precavesse, precavêssemos, precavêsseis, pre- Presente do Indicativo: requeiro, requeres, requer,
cavessem. requeremos, requereis, requerem.
Futuro do Presente: precaverei, precaverás, preca-
Presente do Subjuntivo: requeira, requeiras,
verá, precaveremos, precavereis, precaverão.
requeira, requeiramos, requeirais, requeiram.
Futuro do Pretérito: precaveria, precaverias, precave-
Imperativo Afirmativo: requere, requeira, requeira-
ria, precaveríamos, precaveríeis, precaveriam.
mos, requerei, requeiram.
Infinitivo Pessoal: precaver, precaveres, precaver,
Imperativo Negativo: não requeiras, não requeira,
precavermos, precaverdes, precaverem.
não requeiramos, não requeirais, não requeiram.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: precavia, precavias,
Pretérito Perfeito do Indicativo: requeri, requereste,
precavia, precavíamos, precavíeis, precaviam.
Formas Nominais: precaver, precavendo, precavido. requereu, requeremos, requerestes, requereram.
  Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: requerera,
Prover requereras, requerera, requerêramos, requerêreis,
requereram.
Verbo irregular da 2ª conjugação que significa abas- Futuro do Subjuntivo: requerer, requereres, reque-
tecer. Varia nas desinências. No presente do indicativo, no rer, requerermos, requererdes, requererem.
presente do subjuntivo, no imperativo afirmativo e no impe-
rativo negativo tem conjugação idêntica à do verbo ver; no

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Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: requeresse, Futuro do Subjuntivo: colorir, colorires, colorir,
requeresses, requeresse, requerêssemos, requerês- colorirmos, colorirdes, colorirem.
seis, requeressem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: colorisse, colo-
Futuro do Presente: requererei, requererás, reque- risses, colorisse, coloríssemos, colorísseis, coloris-
rerá, requereremos, requerereis, requererão. sem.
Futuro do Pretérito: requereria, requererias, reque- Futuro do Presente: colorirei, colorirás, colorirá,
reria, requereríamos, requereríeis, requereriam. coloriremos, colorireis, colorirão.
BRUNO PILASTRE

Infinitivo Pessoal: requerer, requereres, requerer, Futuro do Pretérito: coloriria, coloririas, coloriria,
requerermos, requererdes, requererem. coloriríamos, coloriríeis, coloririam.
Pretérito Imperfeito do Indicativo: requeria, reque- Infinitivo Pessoal: colorir, colorires, colorir, colo-
rias, requeria, requeríamos, requeríeis, requeriam. rirmos, colorirdes, colorirem.
Formas Nominais: requerer, requerendo, reque- Pretérito Imperfeito do Indicativo: coloria, colorias,
rido. coloria, coloríamos, coloríeis, coloriam.
Formas Nominais: colorir, colorindo, colorido.
Verbos defectivos 1  
Falir
Colorir
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe as
Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe a 1ª formas rizotônicas do Presente do Indicativo e as formas
pessoa do singular do Presente do Indicativo e as formas delas derivadas. Como ele, conjugam-se:
derivadas dela. Como ele, conjugam-se os verbos: aguerrir (tornar valoroso)
abolir adequar
aturdir (atordoar) combalir (tornar debilitado)
brandir (acenar, agitar a mão) embair (enganar)
banir empedernir (petrificar, endurecer)
carpir esbaforir-se
delir (apagar) espavorir
demolir foragir-se
exaurir (esgotar, ressecar) remir (adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar,
explodir recuperar-se de uma falha), renhir (disputar)
fremir (gemer) transir (trespassar, penetrar)
haurir (beber, sorver)
delinquir Falir
extorquir
puir (desgastar, polir) Presente do Indicativo: ///, ///, ///, falimos, falis, ///.
ruir Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
retorquir (replicar, contrapor) Imperativo Afirmativo: ///, ///, ///, fali, ///.
latir Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///.
urgir (ser urgente) Pretérito Perfeito do Indicativo: fali, faliste, faliu,
tinir (soar) falimos, falistes, faliram.
pascer (pastar) Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: falira, fali-
ras, falira, falíramos, falíreis, faliram.
Colorir Futuro do Subjuntivo: falir, falires, falir, falirmos,
falirdes, falirem.
Presente do Indicativo: ///, colores, colore, colori- Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: falisse, falisses,
mos, coloris, colorem. falisse, falíssemos, falísseis, falissem.
Presente do Subjuntivo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Presente: falirei, falirás, falirá, faliremos,
Imperativo Afirmativo: colore, ///, ///, colori, ///. falireis, falirão.
Imperativo Negativo: ///, ///, ///, ///, ///, ///. Futuro do Pretérito: faliria, falirias, faliria, faliría-
Pretérito Perfeito do Indicativo: colori, coloriste, mos, faliríeis, faliriam.
coloriu, colorimos, coloris, coloriram. Infinitivo Pessoal: falir, falires, falir, falirmos, falir-
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo: colorira, des, falirem.
coloriras, colorira, coloríramos, coloríreis, coloriram. Pretérito Imperfeito do Indicativo: falia, falias, falia,
falíamos, falíeis, faliam.
1
Diz-se do verbo que não apresenta todas as formas do paradigma a que Formas Nominais: falir, falindo, falido.
pertence.

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Processo de criação de palavras (derivação) Vejamos a definição de cada uma delas:

A derivação é o processo pelo qual se originam vocá- Substantivo


bulos uns de outros, mediante a inserção ou extração de Classe de palavras com que se denominam os seres,
afixos. Pode ocorrer por: animados ou inanimados, concretos ou abstratos, os estados,
Processo Exemplificação
as qualidades, as ações.

LÍNGUA PORTUGUESA
Qualquer morfema susceptível de ser antecedido por
Prefixação ou sufixação: Infeliz (prefixação: in- + feliz)
outro da classe dos determinantes, compondo com ele um
Felizmente (sufixação: feliz +
-mente)
sintagma nominal.

Prefixação e sufixação: Infelizmente (prefixação e sufi-


Adjetivo
xação).
Que serve para modificar um substantivo, acrescentando
Derivação imprópria: forma- Passagem do substantivo pró-
uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que
ção de palavras por meio da prio para o comum (barnabé,
ele nomeia (diz-se de palavra, locução, oração, pronome).
mudança da categoria gra- benjamim, cristo), de substan-
matical sem a modificação da tivo comum a próprio (Oliveira, Palavra que se junta ao substantivo para modificar o seu
forma. Leão), de adjetivo a substan- significado, acrescentando-lhe noções de qualidade, natu-
tivo (barroco, tônica), de subs- reza, estado etc.
tantivo a adjetivo ou apositivo
(burro, rosa, padrão, D. João Verbo
V), de verbo a substantivo (o Classe de palavras que, do ponto de vista semântico,
fazer, o dizer).
contêm as noções de ação, processo ou estado, e, do ponto
Derivação parassintética: for- aclarar < claro de vista sintático, exercem a função de núcleo do predicado
mação de palavras em que se entardecer < tarde das sentenças.
verifica prefixação e sufixação
Nas línguas flexionais e aglutinantes, palavra perten-
simultaneamente.
cente a um paradigma cujas flexões indicam algumas cate-
gorias, como o tempo (que localiza ação, processo ou estado
Derivação regressiva: criação abalo, de abalar
em relação ao momento da fala), a pessoa (indica o emis-
de um substantivo pela elimi- saque, de sacar
sor, o destinatário ou o ser sobre o qual se fala), o número
nação de sufixo da palavra
derivante, e acréscimo de uma (indica se o sujeito gramatical é singular ou plural), o modo
vogal temática. (indica a atitude do emissor quanto ao fato por ele enunciado,
que pode ser de certeza, dúvida, temor, desejo, ordem etc.),
Derivação própria: forma- livraria, livreiro < livro
ção de palavras por meio da infeliz < feliz a voz (indica se o sujeito gramatical é agente, paciente ou, ao
adição de sufixos derivacio- mesmo tempo, agente e paciente da ação), o aspecto (for-
nais a um radical. nece detalhes a respeito do modo de ser da ação, se é unitá-
Aglutinação: reunião em um aguardente por água + ardente ria, momentânea, prolongada, habitual etc.).
só vocábulo, com significado pernalta por perna + alta
independente, de dois ou mais Advérbio
vocábulos distintos; ocorre Palavra invariável que funciona como um modificador
perda de fonemas e especial- de um verbo (dormir pouco), um adjetivo (muito bom), um
mente de acento de um dos outro advérbio (deveras astuciosamente), uma frase (feliz-
vocábulos aglutinados.
mente ele chegou), exprimindo circunstância de tempo,
Justaposição: reunião, em laranja-pera modo, lugar, qualidade, causa, intensidade, oposição, afirma-
uma só palavra com signifi- porta-malas ção, negação, dúvida, aprovação etc.
cado independente, de pala- madrepérola
vras distintas que conservam, cantochão
Pronome
cada uma, sua integridade
fonética. Palavra que representa um nome, um termo usado com
a função de um nome, um adjetivo ou toda uma oração que a
As classes de palavras segue ou antecede.

Há dez classes de palavras em português:
Preposição
1) Substantivo Palavra gramatical, invariável, que liga dois elementos
2) Adjetivo de uma frase, estabelecendo uma relação entre eles.
3) Verbo
4) Advérbio Artigo
5) Pronome Subcategoria de determinantes do nome. Em português,
6) Preposição é sempre anteposto ao substantivo.
7) Artigo
8) Numeral Numeral
9) Conjunção Diz-se de ou classe de palavras que indica quantidade
10) Interjeição numérica.

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Conjunção
Vocábulo ou sintagma invariável, usado para ligar uma
oração subordinada à sua principal, ou para coordenar perí-
odos ou sintagmas do mesmo tipo ou função.

Interjeição
Palavra invariável ou sintagma que formam, por si sós,
BRUNO PILASTRE

frases que exprimem uma emoção, uma sensação, uma


ordem, um apelo ou descrevem um ruído (por exemplo:
psiu!, oh!, coragem!, meu Deus!).

A seção a seguir tem por objetivo proporcionar a você,


estudante, uma técnica eficaz de identificação das classes
A definição semântica não é suficientemente adequada
gramaticais mais importantes.
para definir substantivo, adjetivo e verbo.

Identificação das classes gramaticais


Caminho teórico mais coerente: explicações de cará-
ter formal e sintático (e morfossintático).
Iniciemos pela forma como as palavras são classifica-
das morfologicamente:
Os critérios mórfico (ou formal) e sintático para
Forma: define-se segundo os elementos estruturais
classificação morfológica
que vierem a compor ou a decompor paradigmaticamente
as palavras.
Tais ocorrências envolvem “cortes verticais” no eixo
Função: conforme a posição ocupada no eixo sintag-
paradigmático? Envolve elementos estruturais das palavras
mático.
(gramemas dependentes, como desinências, afixos etc.)?
Sentido: depreende-se da relação entre ambas as
coisas, associado quase sempre a fatores de ordem extra-
Explicação mórfica: flexão e derivação.
linguística.
→ Substantivo
→ gato/gata
→ Adjetivo
→ moral/imoral/amoral
→ Verbo
→ Explicação sintática:
→ Advérbio
→ Personagem esquisita – um bonito personagem
→ Este pires – muitos pires.
Palavra-chave!
Quais palavras (independentemente de serem seres
Sintagmático: diz-se da relação entre unidades da língua que se
ou não) se deixam anteceder pelos determinantes?
encontram contíguas na cadeia da fala e não podem se substituir
mutuamente, pois têm funções diferentes (por exemplo, em céu Não é função popular impedir reajustes de preço na
azul e eles chegaram, a relação entre céu e azul, e entre eles e próxima temporada.
chegaram).
Paradigmático: relativo a ou que pertence a uma série de unida- → função
des que possuem traço(s) em comum e que podem se substituir → (os) reajustes
mutuamente num determinado ponto da cadeia da fala; asso- → (o) preço
ciativo.
→ temporada

IMPORTANTE: A força substantivadora dos determinantes é tão grande


que pode transformar qualquer palavra de qualquer outra
A língua não funciona em relação a um único eixo (paradigmático
categoria em substantivos.
ou sintagmático).
Adjetivo
Fator sintático (posição horizontal) Somente as palavras que são adjetivos aceitam o
sufixo –mente (originando, dessa forma, um advérbio).
→ homem grande/grande homem
→ funcionário novo/novo funcionário IMPORTANTE:
Todo adjetivo é palavra variável em gênero e/ou número e
Mudança no eixo paradigmático também altera a cons-
deixa-se articular (ou modificar) por outra que seja advérbio.
trução de sentido, ainda que a classificação permaneça inal- ou
terada. É adjetivo toda palavra variável em gênero e/ou número que
se deixar anteceder por “tão” (ou por qualquer intensificador
→ Este é o romance mais bonito de Jorge Amado. como bem ou muito, dependendo do contexto).
→ Este é o barco mais bonito de Jorge Amado.

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Como exercício, encontre os adjetivos nestas sentenças: Oração é uma frase, ou membro de frase, que contém
um verbo (ou locução verbal 2). A oração pode ser coorde-
→ Não é função _____ popular___ impedir reajustes de nada ou subordinada:
preço na _____ próxima___ temporada. O João chegou e já se sentou.
→ Ele não é _____ homem para isso. O governo afirmou que as políticas públicas serão mais
eficazes.
A resolução está organizada a seguir:

LÍNGUA PORTUGUESA
O período é uma frase que contém uma ou mais ora-
Não é função (tão) popular(es) impedir reajustes de ções. Inicia-se por letra maiúscula e encerra-se por ponto final
preço na (tão) próxima(s) temporada. (ou equivalente).
Ele não é (tão) homem para isso.
A ordem dos termos
IMPORTANTE:
Em português, as sentenças são organizadas na ordem
Constatar a flexão e a articulação com o substantivo são
(direta):
procedimentos fundamentais para distinguir o adjetivo do
advérbio.
Sujeito – Verbo – Objeto (complemento) – Adjuntos

Verbo O governo investiu R$ 100 milhões em educação no ano


O verbo, na língua portuguesa, constitui a classe de passado.
maior riqueza formal e, por esse critério, torna-se facilmente
identificável. Vozes do verbo
Apenas os verbos articulam-se com os pronomes pes-
soais do caso reto (Eu, Tu, Ele/Ela, Nós, Vós, Eles/Elas). Vozes são a forma em que se apresenta o verbo para
indicar a relação que há entre ele e o seu sujeito. Em língua
Advérbio portuguesa, há três tipos de voz: ativa, passiva e reflexiva.
No eixo sintagmático: articula-se com verbos, adjetivos Vejamos a definição de cada uma:
e advérbios.
1. Voz ativa
→ Ela fala bem. Voz do verbo em que o sujeito pratica a ação (por exem-
→ Ela parece extremamente cansada. plo, João cortou a árvore)
→ Ela fala muito bem.
2. Voz passiva
Voz do verbo na qual o sujeito da oração recebe a inter-
IMPORTANTE:
pretação de paciente, em lugar da de agente da ação verbal
É advérbio toda palavra invariável em gênero e/ou número (por exemplo, Pedro foi demitido)
que se deixa anteceder por TÃO (ou por bem, ou por muito,
dependendo do contexto). 2.1. Voz passiva analítica
Voz passiva com o verbo principal na forma de particípio
e com verbo auxiliar (ser, estar, andar etc.) recebendo as
CAPÍTULO 3 – SINTAXE
indicações de tempo, modo e concordância.
O sujeito equivale ao objeto direto da ativa correspon-
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
dente, e o sintagma agentivo, opcional, vem precedido de por:
O cocheiro foi mordido (pelo cavalo).
Frase, período e oração
2.2. Voz passiva sintética
Frase é a construção que encerra um sentido com-
Voz passiva com o verbo na terceira pessoa construído
pleto, podendo ser formada por uma ou mais palavras, com
com o pronome apassivador se, sem indicação do agente.
ou sem verbo, ou por uma ou mais orações; pode ser afirma-
Por exemplo:
tiva, negativa, interrogativa, exclamativa ou imperativa.
Não se encontrou nenhum vestígio de vinho no copo.
Vejamos alguns exemplos:
Vendem-se livros usados.
→ Pare!
→ Fogo!
3. Voz reflexiva
→ Parada de ônibus.
Voz com verbo na forma ativa tendo como complemento
→ Vendem-se casas.
um pronome reflexivo, indicando a identidade entre quem pro-
→ A Maria disse que o João voltará amanhã.
voca e quem sofre a ação verbal:
→ O governo não dará continuidade à política de sane-
amento básico.
→ Os dirigentes chegaram? 2 Conjunto de palavras que equivalem a um só vocá-
→ Isso é um absurdo! bulo, por terem significado, conjunto próprio e função grama-
→ Adicione duas xícaras de leite. tical única. O João vai chegar cedo.

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Feri-me. Este é um carro que tem muita força e que pode
Eles se prejudicaram. alcançar grande velocidade.

O sujeito Nessa última frase, coordenamos dois sintagmas adje-


Sujeito é termo da oração sobre o qual recai a predi- tivais derivados.
cação da oração e com o qual o verbo concorda. Pode ser: Por fim, é também importante destacar que ambas as
formas são perfeitamente aceitáveis, pois nenhuma das
BRUNO PILASTRE

I – Indeterminado: frases fere a integridade sintática do sistema linguístico. A


→ Pedro, disseram-me que você falou mal de mim. escolha entre ambas é uma questão estilística.
→ Precisa-se de empregados (índice de indetermina-
ção do sujeito). CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Vive-se bem aqui (índice de indeterminação do sujeito).
A exposição dos conteúdos a seguir (Concordância
II – Impessoal: Nominal e Verbal, Regência Verbal e Nominal e Relações
Há bons livros na livraria. Faz frio. Chove. de Coordenação e Subordinação entre orações e entre
termos da oração) será baseada nas orientações do Manual
III – Explicitado lexicalmente: de Redação da Presidência República. Optamos por essa
→ O sol é um astro luminoso. abordagem pelo fato de a obra de referência (Manual da
Presidência) ser objetiva, sintética e completa.
IV – Explicitado pronominalmente:
→ Eu estudo no colégio Dom Pedro II. Concordância

V – Desinencial: Concordância é o processo sintático segundo o qual


→ Brincamos todos os dias na praça. certas palavras se flexionam, na sua forma, às palavras de
que dependem.
As formas pronominais retas (as quais ocupam a posi- Veremos que essa flexão ocorre quanto a gênero e
ção de sujeito) são as seguintes: número (nos adjetivos – nomes ou pronomes), números e
→ 1ª pessoa (singular ou plural): eu – nós. pessoa (nos verbos). Iniciemos pela Concordância Verbal,
→ 2ª pessoa (singular ou plural): tu – vós. mais extensa.
→ 3ª pessoa (singular ou plural): ele – eles.
Concordância Verbal
Paralelismo sintático
A regra geral para a concordância é a seguinte: o verbo
Paralelismo sintático é a identidade de estrutura numa concorda com seu sujeito em pessoa e número.
sucessão de frases. Vejamos a frase a seguir: Se o sujeito for simples, isto é, se tiver apenas um
O esforço é grande e o homem é pequeno. núcleo, com ele concorda o verbo em pessoa e número.
Vejamos os exemplos:
Nessa frase, há uma simetria estrutural entre as duas → O Chefe da Seção pediu maior assiduidade.
orações. Ambas são estruturadas por um verbo de ligação e → A inflação deve ser combatida por todos.
um predicativo do sujeito. → Os servidores do Ministério concordaram com a
Segundo Azeredo (2008), paralelismo sintático é a proposta.
perfeita correlação na estrutura sintática da frase. Como a
coordenação é um processo que encadeia valores sintáticos Quando o sujeito for composto, ou seja, possuir mais
idênticos, presume-se que os elementos sintáticos coorde- de um núcleo, o verbo vai para o plural e para a pessoa que
nados entre si devam apresentar, em princípio, estruturas tiver primazia, na seguinte ordem: a 1ª pessoa tem priori-
gramaticais similares. Portanto, a coordenação sintática dade sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª sobre a 3ª; na ausência de uma
deve comportar constituintes do mesmo tipo. e outra, o verbo vai para a 3ª pessoa.
É muito importante observar que o paralelismo sintático → Eu e Maria queremos viajar em maio.
não se enquadra em uma norma gramatical rígida. É possí- → Eu, tu e João somos amigos.
vel construir sentenças na língua que não seguem o princí- → O Presidente e os Ministros chegaram logo.
pio do paralelismo:
Este é um carro possante e que alcança grande velo- Em concursos públicos, há certas estruturas recorren-
cidade. temente cobradas. Vejamos, a seguir, algumas questões
que costumam suscitar dúvidas quanto à correta concordân-
Veja que nessa frase coordenamos termos de nature- cia verbal.
zas distintas: um sintagma adjetival básico (possante) e um
sintagma adjetival derivado (que alcança grande veloci- a) Há três casos de sujeito inexistente:
dade). Respeitar-se-ia o princípio do paralelismo se a frase 1. com verbos de fenômenos meteorológicos:
tivesse a seguinte estrutura: Choveu (geou, ventou...) ontem.

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2. em que o verbo haver é empregado no sentido de d) O substantivo que se segue à expressão um e
existir ou de tempo transcorrido: outro fica no singular, mas o verbo pode empregar-se no
Haverá descontentes no governo e na oposição. singular ou no plural:
Havia cinco anos não ia a Brasília. → Um e outro decreto trata da mesma questão jurí-
dica.
Para certificar-se de que esse haver é impessoal, Ou:

LÍNGUA PORTUGUESA
basta recorrer ao singular do indicativo: Se há ( e nunca: → Um e outro decreto tratam da mesma questão jurí-
*hão) dúvidas... Há (e jamais: * Hão) descontentes... dica.

3. em que o verbo fazer é empregado no sentido de e) As locuções um ou outro, ou nem um, nem outro,
tempo transcorrido: seguidas ou não de substantivo, exigem o verbo no singu-
Faz dez dias que não durmo. lar:
Semana passada fez dois meses que iniciou a apura-
ção das irregularidades. → Uma ou outra opção acabará por prevalecer.
→ Nem uma, nem outra medida resolverá o pro-
blema.
IMPORTANTE:
→ Fazem cinco anos que não vou a Brasília. (Inadequado) f) No emprego da locução um dos que, admite-se
→ Faz cinco anos que não vou a Brasília. (Adequado) dupla sintaxe, verbo no singular ou verbo no plural (preva-
lece este no uso atual):
São muito frequentes os erros de pessoalização dos verbos → Um dos fatores que influenciaram (ou influen-
haver e fazer em locuções verbais (ou seja, quando acompanha- ciou) a decisão foi a urgência de obter resultados concre-
dos de verbo auxiliar). Nestes casos, os verbos haver e fazer tos.
transmitem sua impessoalidade ao verbo auxiliar: → A adoção da trégua de preços foi uma das medidas
→ Vão fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
que geraram (ou gerou) mais impacto na opinião pública.
(Inadequado)
→ Vai fazer cinco anos que ingressei no Serviço Público.
(Adequado)
g) O verbo que tiver como sujeito o pronome relativo
quem tanto pode ficar na terceira pessoa do singular, como
→ Depois das últimas chuvas, podem haver centenas de concordar com a pessoa gramatical do antecedente a que
desabrigados. (Inadequado) se refere o pronome:
→ Depois das últimas chuvas, pode haver centenas de desa- → Fui eu quem resolveu a questão.
brigados. (Adequado) – ou:
→ Fui eu quem resolvi a questão.
→ Devem haver soluções urgentes para estes problemas.
(Inadequado) h) Verbo apassivado pelo pronome se deve concordar
→ Deve haver soluções urgentes para estes problemas.
com o sujeito que, no caso está sempre expresso e vem
(Adequado)
a ser o paciente da ação ou o objeto direto na forma ativa
correspondente:
→ Vendem-se apartamentos funcionais e residências
b) Concordância facultativa com sujeito mais próximo:
oficiais.
quando o sujeito composto figurar após o verbo, pode este
→ Para obterem-se resultados são necessários sacri-
flexionar-se no plural ou concordar com o elemento mais
fícios.
próximo.
→ Venceremos eu e você.
Compare:
Ou:
apartamentos são vendidos vendem apartamentos
→ Vencerei eu e você.
resultados são obtidos obtiveram resultados
Ou, ainda:
→ Vencerá você e eu. Verbo transitivo indireto (isto é, que rege preposição)
fica na terceira pessoa do singular; o se, no caso, não é
c) Quando o sujeito composto for constituído de pala- apassivador pois verbo transitivo indireto não é apassivá-
vras sinônimas (ou quase), formando um todo indiviso, ou vel:
de elementos que simplesmente se reforçam, a concordân- → *O prédio é carecido de reformas.
cia é facultativa, ou com o elemento mais próximo ou com a → *É tratado de questões preliminares. Assim, o
ideia plural contida nos dois ou mais elementos: adequado é:
→ A sociedade, o povo une-se para construir um país → Assiste-se a mudanças radicais no País. (E não
mais justo. *Assistem-se a...)
Ou então: → Precisa-se de homens corajosos para mudar o
→ A sociedade, o povo unem-se para construir um País. (E não *Precisam-se de...)
país mais justo. → Trata-se de questões preliminares ao debate. (E
não *Tratam-se de...)

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i) Expressões de sentido quantitativo (grande número CONCORDÂNCIA NOMINAL
de, grande quantidade de, parte de, grande parte de, a
maioria de, a maior parte de, etc.) acompanhadas de com- A regra geral de concordância nominal é a seguinte:
plemento no plural admitem concordância verbal no singular adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais con-
ou no plural. Nesta última hipótese, temos “concordância cordam em gênero e número com os substantivos de que
ideológica”, por oposição à concordância lógica, que se faz dependem:
com o núcleo sintático do sintagma (ou locução) nominal (a → Todos os outros duzentos processos examinados...
BRUNO PILASTRE

maioria + de...): → Todas as outras duzentas causas examinadas...


→ A maioria dos condenados acabou (ou acabaram)
por confessar sua culpa. Vejamos, a seguir, alguns casos que suscitam dúvida:
→ Um grande número de Estados aprovaram (ou
aprovou) a Resolução da ONU. a) anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam
→ Metade dos Deputados repudiou (ou repudiaram) com o substantivo em gênero e número:
as medidas. → Anexa à presente Exposição de Motivos, segue
minuta de Decreto.
j) Concordância do verbo ser: segue a regra geral → Vão anexos os pareceres da Consultoria Jurídica.
(concordância com o sujeito em pessoa e número), mas nos → Remeto inclusa fotocópia do Decreto.
seguintes casos é feita com o predicativo: Silenciar nesta circunstância seria crime de lesa-pátria
(ou de leso-patriotismo).
1. quando inexiste sujeito:
→ Hoje são dez de julho. b) a olhos vistos é locução com função adverbial, inva-
→ Agora são seis horas. riável, portanto:
→ Do Planalto ao Congresso são duzentos metros. → Lúcia envelhecia a olhos vistos.
→ Hoje é dia quinze. → A situação daquele setor vem melhorando a olhos
vistos.
2. quando o sujeito refere-se a coisa e está no singular
e o predicativo é substantivo no plural: c) possível: em expressões superlativas, este adjetivo
→ Minha preocupação são os despossuídos. ora aparece invariável, ora flexionado (embora no portu-
→ O principal erro foram as manifestações extempo- guês, moderno se prefira empregá-lo no plural):
râneas. → As características do solo são as mais variadas pos-
síveis.
3. quando os demonstrativos tudo, isto, isso, aquilo → As características do solo são as mais variadas pos-
ocupam a função de sujeito: sível.
→ Tudo são comemorações no aniversário do muni-
cípio. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
→ Isto são as possibilidades concretas de solucionar
o problema. Em gramática, regência sinônimo de dependência,
→ Aquilo foram gastos inúteis. subordinação. Desse modo, a sintaxe de regência trata das
relações de dependência que as palavras mantêm na frase.
4. quando a função de sujeito é exercida por palavra ou Dizemos que um termo rege o outro que o complementa.
locução de sentido coletivo: a maioria, grande número, a Numa frase, os termos regentes ou subordinantes
maior parte, etc. (substantivos, adjetivos, verbos) regem os termos regidos
→ A maioria eram servidores de repartições extintas. ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que
→ Grande número (de candidatos) foram reprovados lhes completam o sentido.
no exame de redação.
→ A maior parte são pequenos investidores. Termos Regentes Termos Regidos
amar, amor a Deus.
5. quando um pronome pessoal desempenhar a função insistiu, insistência em falar.
persuadiu o Senador a que votasse.
de predicativo:
obediente, obediência à lei.
→ Naquele ano, o assessor especial fui eu.
cuidado, cuidadoso com a revisão do texto.
→ O encarregado da supervisão és tu. ouvir música
→ O autor do projeto somos nós.
Como se vê pelos exemplos acima, os termos regentes
Nos casos de frases em que são empregadas expres- podem ser substantivos e adjetivos (regência nominal) ou
sões é muito, é pouco, é mais de, é menos de o verbo ser verbos (regência verbal), e podem reger outros substanti-
fica no singular: vos e adjetivos ou preposições.
→ Três semanas é muito. Em concursos públicos, sabemos que as dúvidas mais
→ Duas horas é pouco. frequentes quanto à regência estão relacionadas à necessi-
→ Trezentos mil é mais do que eu preciso. dade de determinada palavra reger preposição, e qual deve
ser essa preposição.

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Vejamos, a seguir, alguns casos de regência verbal Comparecer
que costumam criar dificuldades na língua escrita – e, (Comparecer a (ou em) algum lugar ou evento):
claro, são constantemente cobradas em provas. → Compareci ao(ou no) local indicado nas instruções.
→ A maioria dos delegados compareceu à (ou na)
Regência de alguns verbos de uso frequente reunião.

LÍNGUA PORTUGUESA
Anuir Compartilhar
(Concordar, condescender: transitivo indireto com a (Compartilhar alguma (ou de alguma) coisa):
preposição a): → O povo brasileiro compartilha os (ou dos) ideais
→ Todos anuíram àquela proposta. de preservação ambiental do Governo.
→ O Governo anuiu de boa vontade ao pedido do sin-
dicato. Consistir
(Consistir em alguma coisa (consistir de é angli-
Aproveitar cismo)):
(Aproveitar alguma coisa ou aproveitar-se de alguma → O plano consiste em promover uma trégua de
coisa): preços por tempo indeterminado.
→ Aproveito a oportunidade para manifestar repúdio
ao tratamento dado a esta matéria. Custar
→ O relator aproveitou-se da oportunidade para emitir (No sentido usual de ter valor, valer):
sua opinião sobre o assunto. → A casa custou um milhão de cruzeiros.
(No sentido de ser difícil, este verbo se usa na 3ª
Aspirar pessoa do sing., em linguagem culta formal):
(No sentido de respirar, é transitivo direto): → Custa-me entender esse problema.
→ Aspiramos o ar puro da montanha. Aspirá-lo. (Eu) custo a entender esse problema.
(No sentido de desejar ardentemente, de pretender, [é linguagem oral, escrita informal, etc.]
é transitivo indireto, regendo a preposição a): → Custou-lhe aceitar a argumentação da oposição.
→ O projeto aspira à estabilidade econômica da [Como sinônimo de demorar, tardar – Ele custou a
sociedade. Aspira a ela. aceitar a argumentação da oposição – também é lingua-
→ Aspirar a um cargo. Aspirar a ele. gem oral, vulgar, informal.]

Assistir Declinar
(No sentido de auxiliar, ajudar, socorrer, é transitivo (Declinar de alguma coisa (no sentido de rejeitar)):
direto): → Declinou das homenagens que lhe eram devidas.
→ Procuraremos assistir os atingidos pela seca
(assisti-los). Implicar
→ O direito que assiste ao autor de rever sua posi- (No sentido de acarretar, produzir como consequ-
ção. O direito que lhe assiste... ência, é transitivo direto):
(No sentido de estar presente, comparecer, ver é → O Convênio implica a aceitação dos novos preços
transitivo indireto, regendo a preposição a): para a mercadoria.
→ Não assisti à reunião ontem. Não assisti a ela. [O Convênio implica na aceitação... – é inovação sin-
→ Assisti a um documentário muito interessante. tática bastante frequente no Brasil. Mesmo assim, aconse-
Assisti a ele. lha se manter a sintaxe originária: implica isso]
(Nesta acepção, o verbo não pode ser apassivado;
assim, em linguagem culta formal, é incorreta a frase): Incumbir
→ A reunião foi assistida por dez pessoas. (Incumbir alguém (incumbi-lo) de alguma coisa):
→ Incumbi o Secretário de providenciar a reserva
Atender das dependências.
→ O Prefeito atendeu ao pedido do vereador. (Ou incumbir a alguém (incumbir-lhe) alguma coisa):
→ O Presidente atendeu o Ministro (atendeu-o) em → O Presidente incumbiu ao Chefe do Cerimonial
sua reivindicação. preparar a visita do dignitário estrangeiro.
Ou
→ O Presidente atendeu ao Ministro (atendeu a ele) Informar
em sua reivindicação. (Informar alguém (informá-lo) de alguma coisa):
→ Informo Vossa Senhoria de que as providências
Avisar solicitadas já foram adotadas.
(Avisar alguém (avisá-lo) de alguma coisa): (Informar a alguém (informar-lhe) alguma coisa):
→ O Tribunal Eleitoral avisou os eleitores da neces- → Muito agradeceria informar à autoridade interes-
sidade do recadastramento. sada o teor da nova proposta.

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Obedecer Por regra, a crase somente ocorre antes de palavras
(Obedecer a alguém ou a alguma coisa (obedecer- femininas determinadas pelo artigo a(s) e subordinadas a
-lhe)): termos que requerem a preposição a. Portanto, dois fatores
→ As reformas obedeceram à lógica do programa de são determinantes. Vejamos:
governo.
→ É necessário que as autoridades constituídas obe- (i) Deve haver um termo que requer a preposição a.
deçam aos preceitos da Constituição. → Ele assistiu à cena.
BRUNO PILASTRE

→ Todos lhe obedecem. [verbo assistir rege a preposição a (assistir a)]


→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
Pedir à liberdade de expressão.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) alguma coisa): [o nome direito exige a preposição a]
→ Pediu ao assessor o relatório da reunião.
(Pedir a alguém (pedir-lhe) que faça alguma coisa): (ii) A crase ocorrerá antes de palavras femininas deter-
[“Pedir a alguém para fazer alguma coisa” é lingua- minadas. Há, aqui, duas exigências:
gem oral, vulgar, informal.]
→ Ele assistiu à cena.
→ Pediu aos interessados (pediu-lhes) que (e não
*para que) procurassem a repartição do Ministério da Saúde.
Nessa frase, percebemos que cena é palavra feminina
(exigência (i)) e é determinada (ou seja: dentre um grande
Preferir
universo de cenas, alguém assistiu a uma cena específica,
(Preferir uma coisa (preferi-la) a outra (evite: “preferir
determinada) (exigência (ii)).
uma coisa do que outra”):
→ Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito
→ Prefiro a democracia ao totalitarismo.
à liberdade de expressão.
Vale para a forma nominal preferível:
Isto é preferível àquilo (e não preferível do que...). Nessa frase, liberdade é palavra feminina e está
determinada (ou seja: dentre todas as formas de liberdade,
Propor-se fala-se da liberdade de expressão).
(Propor-se (fazer) alguma coisa ou a (fazer) alguma
coisa): RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO ENTRE
→ O decreto propõe-se disciplinar (ou a disciplinar) o ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO
regime jurídico das importações.
Tipos de Orações e Emprego de Conjunções
Referir
(No sentido de ‘relatar’ é transitivo direto): As conjunções são palavras invariáveis que ligam ora-
→ Referiu as informações (referiu-as) ao encarregado. ções, termos da oração ou palavras. Estabelecem relações
entre orações e entre os termos sintáticos, que podem ser
Visar de dois tipos:
(Com o sentido de ter por finalidade, a regência origi-
nária é transitiva indireta, com a preposição a. Tem-se admi- a) de coordenação de ideias de mesmo nível, e de
tido, contudo, seu emprego com o transitivo direto com essa elementos de idêntica função sintática;
mesma acepção): b) de subordinação, para estabelecer hierarquia entre
→ O projeto visa ao estabelecimento de uma nova ética as ideias, e permitir que uma oração complemente o sentido
social (visa a ele). Ou: visa o estabelecimento (visa-o). da outra.
→ As providências visavam ao interesse (ou o inte-
resse) das classes desfavorecidas.
Por esta razão, o uso apropriado das conjunções é de
grande importância: seu emprego indevido gera imprecisão
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE
ou combinações errôneas de ideias. Esse é o ponto mais
avaliado em concursos públicos, uma vez que a substitui-
Crase designa, em termos de gramática normativa, a
ção de uma conjunção por outra pode ocasionar mudança
contração da preposição a com o artigo a(s), ou com os pro-
de sentido e incorreções.
nomes demonstrativos a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo.
Observe as frases abaixo:
→ Ele foi à padaria. Períodos Coordenados e Conjunções Coordenativas
[Ele foi a (preposição) + a (artigo) padaria]
→ Ninguém chegou àquele nível de compreensão. De acordo com a tradição gramatical, as conjunções
[Ninguém chegou a (preposição) + aquele (pronome coordenativas unem elementos de mesma natureza (subs-
demonstrativo) nível (...)] tantivo + substantivo; adjetivo + adjetivo; advérbio + advér-
bio; e oração + oração). Em períodos, as orações por elas
É muito importante observar que o acento grave ( ` ) introduzidas recebem a mesma classificação. Vejamos, nos
indica o fato linguístico crase. quadros a seguir, cada uma delas:

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Aditivas: relacionam pensamentos similares. São (iii) objetivas indiretas:
duas: e e nem. A primeira une duas afirmações; a segunda, → A liberação dos recursos depende de que o Minis-
duas negações: tro a autorize.
→ O Embaixador compareceu à reunião e manifestou o
interesse do seu governo no assunto. (iv) predicativas:
→ O Embaixador não compareceu à reunião, nem → O problema do projeto foi que ninguém previu
manifestou o interesse de seu governo no assunto. todas as suas consequências.

LÍNGUA PORTUGUESA
Adversativas: relacionam pensamentos que se opõem As orações subordinadas adjetivas desempenham a
ou contrastam. A conjunção adversativa por excelência é função de adjetivo, restringindo o sentido do substantivo a
mas. Outras palavras também têm força adversativa na rela- que se referem, ou simplesmente lhe acrescentando outra
ção entre ideias: porém, todavia, contudo, entretanto, no característica. São introduzidas pelos pronomes relativos
entanto. que, o (a) qual, quem, quanto, cujo, como, onde, quando.
→ O piloto gosta de automóveis, mas prefere deslocar- Podem ser, portanto:
-se em aviões.
→ O piloto gosta de automóveis; prefere, porém, des- a) restritivas:
locar-se em aviões. → Só poderão inscrever-se os candidatos que preen-
cheram todos os requisitos para o concurso.
Alternativas: relacionam pensamentos que se
excluem. As conjunções alternativas mais utilizadas são: ou, b) não restritivas (ou explicativas):
quer...quer, ora...ora, já...já. → O Presidente da República, que tem competência
→ O Presidente irá ao encontro (ou) de automóvel, ou exclusiva nessa matéria, decidiu encaminhar o projeto.
de avião.
IMPORTANTE!
Conclusivas: relacionam pensamentos tais que o
Observe que o fato de a oração adjetiva restringir, ou não, o
segundo contém a conclusão do enunciado no primeiro.
substantivo (nome ou pronome) a que se refere repercute na
São: logo, pois, portanto, consequentemente, por con- pontuação. Na frases de (a), acima, a oração adjetiva especifica
seguinte, etc. que não são todos os candidatos que poderão inscrever-se, mas
→ A inflação é o maior inimigo da Nação; logo, é meta somente aqueles que preencherem todos os requisitos para o
prioritária do governo eliminá-la. concurso. Como se verifica pelo exemplo, as orações adjetivas
restritivas não são pontuadas com vírgula em seu início. Já
Explicativas: relacionam pensamentos em sequência em (b), acima, temos o exemplo contrário: como só há um
justificativa, de tal modo que a segunda oração explica a Presidente da República, a oração adjetiva não pode especificá-
razão de ser da primeira. São: que, pois, porque, portanto. lo, mas apenas agregar alguma característica ou atributo dele.
→ Aceite os fatos, pois eles são o espelho da realidade. Este segundo tipo de oração vem, obrigatoriamente, precedido
por vírgula anteposta ao prenome relativo que a introduz.
Períodos Subordinados e Conjunções Subordinativas

As conjunções subordinativas unem duas orações As orações subordinadas adverbiais cumprem a


de natureza diversa: a que é introduzida pela conjunção função de advérbios. As conjunções que com mais frequ-
completa o sentido da oração principal ou lhe acrescenta ência conectam essas orações vêm listadas, em quadros,
uma determinação. ao lado da denominação de cada modalidade. As orações
Vejamos, a seguir, as orações subordinadas desenvol- adverbiais são classificadas de acordo com a ideia expressa
vidas (isto é, aquelas que apresentam verbo em uma das por sua função adverbial:
formas finitas, indicativo ou subjuntivo) e as conjunções
empregadas em cada modalidade de subordinação: (i) Causais: porque; como, desde que, já que, visto,
As orações subordinadas substantivas desempenham uma vez que (antepostos).
funções de substantivo, ou seja, sujeito, objeto direto, → O Coronel assumiu o comando porque o General
objeto indireto, predicativo. Podem ser introduzidas pelas havia falecido.
conjunções integrantes que, se, como; pelos pronomes → Como o General havia falecido, o Coronel assumiu
relativos, que, quem, quantos; e pelos pronomes interroga- o comando.
tivos quem, (o) que, quanto(a)(s), qual (is), como, onde,
quando. De acordo com a função que exercem, as orações (ii) Concessivas: embora, conquanto, ainda que,
são classificadas em: posto que, se bem que, etc.
→ O orçamento foi aprovado, embora os preços esti-
(i) subjetivas: vessem altos.
→ É surpreendente que as transformações ainda
não tenham sido assimiladas. (iii) Condicionais: se, caso, contanto que, sem que,
→ Quem não tem competência não se estabelece. uma vez que, dado que, desde que, etc.
→ O Presidente baixará uma medida provisória se
(ii) objetivas diretas: houver necessidade.
→ O Ministro anunciou que os recursos serão libe- → Informarei o Secretário sobre a evolução dos acon-
rados. tecimentos contanto que ele guarde sigilo daquilo que ouvir.

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(iv) Conformativas: como, conforme, consoante, (vii) Advérbios (não seguidos de vírgula)
segundo, etc. → Aqui me sinto bem.
→ Despachei o processo conforme determinava a
praxe em vigor. (viii) Gerúndio precedido da preposição em
→ Em se tratando de política...
(v) Comparativas: que, do que (relacionados a mais,
menos, maior, menor, melhor, pior); qual (relacionado a (ix) Frases interrogativas iniciadas por um vocábulo
BRUNO PILASTRE

tal); como ou quanto (relacionados a tal, tanto, tão); como interrogativo


se; etc. → Quem te falou isso?
→ Nada é tão importante como (ou quanto) o respeito
aos direitos humanos. Mesóclise

(vi) Consecutivas: que (relacionado com tal, tão, A mesóclise é a colocação do pronome oblíquo átono
tanto, tamanho); de modo que, de maneira que; etc. entre o radical e a desinência das formas verbais do futuro
→ O descontrole monetário era tal que não restou outra do presente e do futuro do pretérito.
solução senão o congelamento. Veja, como exemplo, as duas ocorrências de mesó-
clise:
(vii) Finais: para que ou por que, a fim de que, que, etc. → Amar-te-ei para sempre.
→ O pai trabalha muito para (ou a fim de ) que nada → Procurar-te-ei por toda a minha vida.
falte aos filhos.
O uso da mesóclise está, também, condicionado a
(viii) Proporcionais: à medida ou proporção que, ao duas condições:
passo que, etc. (i) quando a próclise não for obrigatória (mesóclise
→ As taxas de juros aumentavam à proporção (ou proibida); e
medida) que a inflação crescia. (ii) não houver sujeito expresso, anteposto ao verbo
(mesóclise facultativa).
Como exemplo:
(ix) Temporais: quando, apenas, mal, até que, assim
→ Não se aplaudirão vandalismos.
que, antes ou depois que, logo que, tanto que, etc.
[mesóclise proibida]
→ O acordo será celebrado quando alcançar-se um
entendimento mínimo.
→ A corrida te animará.
→ Apenas iniciado o mandato, o governador decretou
Ou:
a moratória da dívida pública do Estado.
→ A corrida animar-te-á.
[mesóclise facultativa]
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Ênclise
Próclise
A ênclise é a colocação do pronome pessoal átono
Na próclise o pronome pessoal oblíquo átono ocorre
depois do verbo. Ocorre nos seguintes contextos:
antes do verbo. Usa-se a próclise quando há (principais
casos):
(i) No imperativo afirmativo
→ Levanta-te agora!
(i) Palavras e sentido negativo (jamais, não etc.)
→ Jamais te enganei.
(ii) No infinitivo impessoal
→ Não me esqueças.
→ Aguardar-te é sempre cansativo!

(ii) Pronomes indefinidos (iii) No gerúndio


→ Alguém te ligou ontem. → Conhecendo-nos, desfez a cara de desgosto.

(iii) Pronomes relativos (iv) Em orações que vêm após uma vírgula
→ O guarda que me chamou atenção foi aquele. → Por ser diretor da escola, ofereceu-nos duas vagas
para nossos filhos.
(iv) Pronomes demonstrativos
→ Aquilo me incomoda. (v) Em início de frase
Mostrei-lhe todos os meus bolsos.
(v) O numeral ambos
→ Ambos o recusaram. Vejamos, por fim, alguns tópicos importantes em sin-
taxe. Observamos, mais uma vez, que esses conteúdos são
(vi) Conjunções subordinativas recorrentemente solicitados em provas de concurso público.
→ Era tarde quando me avisaram.

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O verbo HAVER e o verbo TER Nessa frase, os dois substantivos (atriz e beleza)
estão relacionados pelo pronome relativo cujo. O substan-
O uso de ter em vez de haver não é condenado na lin- tivo atriz é possuidor de algo (qualidade) designado pelo
guagem popular, na comunicação informal. Assim, é comum substantivo beleza.
ouvirmos frases como: O mesmo raciocínio se aplica às frases seguintes:
→ Hoje não tem feira. → Os alimentos a cujos benefícios todos os espor-

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Tinha sujeira em toda parte. tistas recorrem.
→ Tinha uma pedra no caminho.
→ A terra cujas riquezas haviam extraído.

Na linguagem culta formal, é preferível:


Observe que na frase Os alimentos a cujos bene-
→ Hoje não há feira.
→ Havia sujeira em toda parte. fícios todos os esportistas recorrem o pronome cujo
→ Havia uma pedra no caminho. é precedido de preposição pelo fato de o verbo recorrer
exigir tal forma (recorrer A).
Uso da conjunção CONQUANTO É importante observar que não há artigo entre o pro-
nome relativo cujo e seu consequente. Deve-se evitar,
A conjunção conquanto introduz uma oração subordi- portanto, a forma abaixo:
nada que contém a afirmação de um fato contrário ao da → Era uma atriz cuja a beleza todos admiravam.
afirmação contida na oração principal, mas que não é sufi-
ciente para anular este último. Equivale às formas embora, Usos da palavra QUE
se bem que, não obstante. Exemplos:
→ Não concorreu ao prêmio, conquanto pudesse fazê-lo. (i) A conjunção que: tem a função de enlaçar as ora-
→ Conquanto a bibliografia camoniana encha uma ções de um período composto:
biblioteca, pouco sabemos ao certo acerca da bibliografia → A população saiu às ruas depois que o escândalo
do imortal poeta. foi noticiado.

Apesar de não ser uma conjunção usual, essa forma é


(ii) O expletivo que: diz-se que são expletivas as pala-
muito cobrada em concursos públicos. Também vale a pena
vras ou expressões que, embora não necessárias ao sentido
utilizá-la em sua produção textual.
da frase, lhe dão realce, lhe transmitem ênfase. O que é uti-
lizado em frases como as seguintes:
Uso de PARA EU – PARA MIM
→ Desde muito que Rui de Nelas meditava em casar
É comum ouvirmos frases como a seguinte: a filha.
→ Meu pai comprou o a cartolina para mim fazer o → Deus que nos proteja e retempere as nossas
cartaz. forças.
→ Imprevidente que fui, isto sim.
Essa frase, porém, é considerada inadequada pela
norma culta, uma vez que a forma mim (forma oblíqua (iii) O pronome relativo que: é precedido de preposi-
tônica do pronome pessoal reto da 1ª pessoa do singular ção quando esta é exigida pelo verbo da oração iniciada por
eu) é sempre regida de preposição. esse pronome:
Desse modo, em frases como Meu pai comprou o a → Era magnífica a mata a que chegamos.
cartolina para mim fazer o cartaz deve-se utilizar a forma → A criança escolheu a fruta de que mais gostava.
pronominal eu: Meu pai comprou a cartolina para eu fazer
o cartaz. Nessa frase, o pronome eu é sujeito do infinitivo Usos da palavra SE
que o acompanha.
A forma mim deve ser usada como complemento: (i) O pronome apassivador se: o pronome se é usado
→ Ele entregou a bola para mim. na construção passiva formada com verbo transitivo. Nessa
construção, o verbo concorda normalmente com o sujeito.
Nessa frase, mim é complemento da preposição para
Observe os exemplos:
(e não é sujeito de alguma forma infinitiva).
→ Alugou-se a casa.
→ Alugaram-se as casas.
Uso do pronome relativo CUJO

O pronome relativo cujo relaciona dois substantivos, (ii) O índice de indeterminação do sujeito se: o pronome
um antecedente e outro consequente, sendo este último se pode tornar o agente da ação verbal indefinido. Na cons-
possuidor de algo (qualidade, condição, sentimento, ser trução em que há o índice de indeterminação se, o verbo
etc.) designado pelo primeiro. Pode equivaler às formas de concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Veja
que, de quem, do/da qual, dos/das quais. Vejamos os os exemplos:
exemplos a seguir: → Trata-se de fenômenos desconhecidos
→ Era uma atriz cuja beleza admiravam. → Precisa-se de marceneiros.

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CAPÍTULO 4 – SEMÂNTICA E ESTILÍSTICA É, por exemplo, um sentido figurado o de vapor ou de
vela como equivalentes de navio; mas ninguém entenderá o
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO sentido próprio de corpo gasoso numa asserção como – “o
vapor encalhou”, da mesma sorte que – “uma frota de cem
Discutiremos, agora, um aspecto relevante: a distinção velas” é logo interpretada como de cem navios de vela e não
entre denotação e conotação. cem velas literalmente ditas nos cem respectivos mastros, o
Antes de diferenciarmos denotação e conotação, cite- que implicaria num número muito menor de embarcações.
BRUNO PILASTRE

mos, com nossas próprias palavras, a definição do linguista Analogamente, um viajante pode comunicar que – “já vai
F. Saussure para signo linguístico: entrar no vapor”, sem a menor possibilidade de sobressaltar
seus amigos pelo temor de vê-lo morrer sufocado.
Palavra-chave!
Signo linguístico é a unidade linguística constituída pela união Tipos de linguagem figurada
de um significante e um significado.

A linguagem figurada pode ser essencialmente de dois


Quando ouvimos ou lemos a palavra cachorro, reuni-
tipos:
mos, em um nível mental, o significante (imagem acústica)
ao significado (a noção “mamífero carnívoro da família dos
1. Emprego de uma palavra para designar um conceito
canídeos”):
com que o seu conceito próprio tem relação:
a) da parte para o todo, como cabeça em vez de rês;
/k/ /a/ /x/ /o/ /r/ /o/ (som) b) do princípio ativo para a coisa acionada, como va-
Cachorro (grafia) por em vez de navio;
→ c) de continente para conteúdo, como copo para uma
determinada porção de água;
d) de símbolo para coisa simbolizada, como bandeira
indicando partido político ou a pátria;
e) de instrumento para seu agente, como pena na
↓ ↓ acepção do escritor;
SIGNIFICANTE SIGNIFICADO f) de substância para objeto fabricado, como ferro cor-
respondente a espada ou punhal;
Nessa relação entre significante e significado, per- g) de elemento primordial em lugar de todo um conjun-
cebemos que a semântica da palavra cachorro corresponde to, como vela resumindo o navio de vela; etc.
aos semas específicos e genéricos, isto é, aos traços semân-
ticos mais constantes e estáveis. Estamos diante da denota- A todos estes empregos dá-se o nome de metonímia.
ção:
2. Emprego de uma palavra com a significação de outra,
Palavra-chave! sem que entre uma e outra coisa designada haja uma
Denotação é a relação significativa objetiva entre marca, ícone, relação real, mas apenas em virtude da circunstância
sinal, símbolo etc., e o conceito que eles representam. A deno- de que o nosso espírito as associa e depreende entre
tação é o elemento estável da significação da palavra, elemento
elas certas semelhanças.
não subjetivo e analisável fora do discurso (contexto).

Se, ao exprimirmos nosso pensamento, tornamos explí-


Quando há semas virtuais, isto é, só atualizados em
determinado contexto, estamos diante da conotação. Por cita a associação, temos o que se chama uma comparação
exemplo, podemos afirmar que “o namorado de Fulana é em gramática. Diremos, então, que – A é como B, A parece
muito cachorro”. É claro que não caracterizaremos este B, A faz lembrar B.
homem como um “mamífero carnívoro da família dos caní- Podemos, porém, na base de uma semelhança, taci-
deos”. Na verdade, nesse contexto, em que há elementos tamente depreendida, substituir no momento da formulação
subjetivos, queremos dizer que o namorado de Fulana porta- verbal, uma palavra pela outra, e empregar B para designar
-se como um cachorro, que desconsidera os sentimentos de A. É o que se chama a metáfora.
sua parceira (ou das mulheres) e age por instinto. Percebe- Assim, porque assimilamos mentalmente a ação de
mos, então, que há inserções de informações semânticas à governar à de dirigir a marcha de um navio, construímos a
palavra cachorro, a qual está situada em um contexto dis- frase metafórica – “Franklin Roosevelt foi um magnífico piloto
cursivo. da nação norte-americana” – substituindo por piloto (B) uma
palavra A que realmente corresponderia às suas funções.
FIGURAS DE LINGUAGEM
Funções da linguagem
Figuras de linguagem e linguagem figurada
Função referencial (ou denotativa ou cognitiva):
Desviar uma palavra da sua significação própria, o que Aponta para o sentido real das coisas dos seres. É
tem em gramática o nome de linguagem figurada, é um fenô- quando a intenção é dar destaque ao referente, assunto, ou
meno normal na comunicação linguística. contexto.

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Função conativa (ou apelativa ou imperativa): Formas Variantes
Centra-se no sujeito receptor e é eminentemente per- Admitem mais de uma forma de grafia.
suasória. É quando a intenção é dar destaque ao receptor → Catorze – quatorze
da mensagem. → Cociente – quociente

Função emotiva (ou expressiva): Hiperonímia


Centra-se no sujeito emissor e tenta suscitar a impres-

LÍNGUA PORTUGUESA
Entre vocábulos de uma língua, relação que se esta-
são de um sentimento verdadeiro ou simulado. É quando a belece com base na menor especificidade do significado de
intenção é dar destaque ao próprio emissor.
um deles.
Em suma, é qualquer palavra que transmite a ideia de
Função fática (ou de contato):
um todo. Ela funciona como uma matriz, á qual estão vincu-
Visa a estabelecer, prolongar ou interromper a comuni-
ladas as filiais.
cação e serve para testar a eficiência do canal. É quando a
intenção é dar destaque ao canal.
Hiponímia
Função metalinguística: Designa a palavra que indica cada parte ou cada item
Consiste numa recodificação e passa a existir quando a de um todo.
linguagem fala dela mesma. Serve para verificar se emissor
e receptor estão usando o mesmo repertório. É quando o Sinonímia
código é posto em destaque, quando a mensagem se des- É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
tina a esclarecer ou fazer uma reflexão. Portanto, quando mais que apresentam significados iguais ou semelhantes.
um poema fala do ato de criar poemas, um filme tematiza o
próprio cinema, observa-se a função metalinguística. Antonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou
Função poética: mais que apresentam significados diferentes, contrários.
Centra-se na mensagem, que aqui é mais fim do que
meio. Opõe-se à função referencial porque nela predomi- Polissemia
nam a conotação e o subjetivismo. É quando a intenção é É a propriedade que uma mesma palavra tem de apre-
dar destaque à própria mensagem, para o modo como o sentar vários significados. Veja os exemplos:
texto é organizado.
→ Ponto
Palavras homônimas e parônimas
1. ponto de parada (1):
Costuma tomar o ônibus naquele ponto.
Homônimas
2. Livro, cartão, folha, onde se registra a entrada e
São palavras que têm a mesma pronúncia e, às vezes,
a mesma grafia, mas significação diferente. Podem ser saída diária do trabalho:
homófonas heterográficas, homógrafas heterofônicas e Esqueceu-se de assinar o ponto; Bateu o ponto na hora
homógrafas homófonas (homônimas perfeitas). Veja: exata.
3. Unidade que, nas bolsas de valores, exprime a varia-
(i) Homófonas heterográficas (homo = semelhante, ção dos índices:
igual; fono = som, fonema; gráfica = escrita, grafia; hetero: Estes papéis subiram cinco pontos em um mês.
diferente): mesmo som (pronúncia), mas com grafia dife­
rente. → Linha
→ Concerto (sessão musical) – conserto (reparo) 1. Fio de fibras de linho torcidas usado para coser,
→ Cerrar (fechar) – serrar (cortar) bordar, fazer renda etc.
2. Sinal elétrico que porta as mensagens enviadas por
(ii) Homógrafas heterofônicas: mesma grafia, mas meio de tal sistema de fios ou cabos, ou contato ou conexão
pronúncia diferente. entre aparelhos ligados a tal sistema:
→ Colher (substantivo) – colher (verbo) A linha está ocupada; O telefone não está dando linha.
→ Começo (substantivo) – começo (verbo) 3. Serviço regular de transporte entre dois pontos; car-
reira: linha férrea;
(iii) Homógrafas homófonas: são iguais na escrita e O fim da linha dos ônibus interestaduais fica próximo do
na pronúncia. centro da cidade.
→ Livre (adjetivo) – livre (verbo livrar)
4. Fut. os cinco jogadores atacantes; linha de ataque.
→ São (adjetivo) – são (verbo ser) – são (santo)
Ambiguidade
Parônimas
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas
São as palavras parecidas na escrita e na pronúncia,
mas com significação diferentes. unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções, frases)
→ Cumprimento (saudação) – comprimento (extensão) de significar coisas diferentes, de admitir mais de uma lei-
→ Ratificar (confirmar) – retificar (corrigir) tura. A ambiguidade é um fenômeno muito frequente, mas,

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na maioria dos casos, os contextos linguístico e situacio- Ambíguo:
nal indicam qual a interpretação correta. Estilisticamente, é → Depois de examinar o paciente, uma senhora
indesejável em texto científico ou informativo, mas é muito chamou o médico.
usado na linguagem poética e no humorismo.
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de iden- Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
tificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais → Depois que o médico examinou o paciente, foi cha-
de um antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer com: mado por uma senhora.
BRUNO PILASTRE

a) pronomes pessoais: Léxico-semântica: Neologismos, Estrangeirismos e


Ambíguo: Empréstimos
→ O Ministro comunicou a seu secretariado que ele
seria exonerado.
Palavras-chave!
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ O Ministro comunicou exoneração dele a seu secre- Neologismo: emprego de palavras novas, derivadas ou forma-
tariado. das de outras já existentes, na mesma língua ou não. Atribuição
de novos sentidos a palavras já existentes na língua. Unidade
Ou então, caso o entendimento seja outro: léxica criada por esses processos.
→ O Ministro comunicou a seu secretariado a exonera-
ção deste. Estrangeirismo: palavra ou expressão estrangeira us. num
texto em vernáculo, tomada como tal e não incorporada ao léxico
da língua receptora; peregrinismo, xenismo.
b) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Ambíguo: Empréstimo: incorporação ao léxico de uma língua de um termo
→ O Deputado saudou o Presidente da República, em pertencente a outra língua. Dá-se por diferentes processos, tais
seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Estado, como a reprodução do termo sem alteração de pronúncia e/ou
mas isso não o surpreendeu. grafia (know-how), ou com adaptação fonológica e ortográfica
(garçom, futebol).
Observe-se a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
acima, as quais tornam virtualmente inapreensível o sentido Neologismo
da frase.
Vejamos como essa frase pode se tornar clara: Desenvolveremos este assunto com base em Azeredo
→ Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente da (2008). Segundo o autor, qualquer língua em uso se modi-
República. No pronunciamento, solicitou a intervenção fede- fica constantemente. Um aspecto ilustrativo dessa proprie-
ral em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente da dade é a criação de novas formas lexicais ou acréscimos de
República. novas acepções a formas lexicais já existentes. Ao conjunto
de processos de renovação lexical de uma língua se dá o
c) pronome relativo: nome de neologia, e às formas e acepções criadas ou absor-
Ambíguo: vidas pelo seu léxico, neologismos. O autor observa que a
→ Roubaram a mesa do gabinete em que eu costu- introdução, assimilação e circulação de neologismos estão
mava trabalhar. sujeitas a fatores históricos e socioculturais. Vejamos alguns
exemplos:
Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração
a) criações vernáculas formais (neologismos morfológi-
se refere a mesa ou a gabinete, essa ambiguidade se deve
cos): bafômetro, sem-terra, sem-teto, debiloide, demonizar.
ao pronome relativo que, sem marca de gênero. A solução é
b) criações vernáculas semânticas (neologismos
recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que
semânticos): secar (causar má sorte, azarar), torpedo (men-
marcam gênero e número.
sagem curta por meio de celular).
Vejamos como essa frase pode se tornar clara:
→ Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava
Estrangeirismo
trabalhar.

Se o entendimento é outro, então: A neologia compreende também criações vernáculas


→ Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava e empréstimos de outras línguas, os estrangeirismos. Veja-
trabalhar. mos os tipos de estrangeirismos:
a) xenismos: o estrangeirismo conserva a forma grá-
d) oração reduzida: fica de origem, como em mouse, carpaccio, rack, drive-in,
Ambíguo: personal trainer.
Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o funcionário. b) adaptações: o estrangeirismo se submete à morfo-
logia do português, como em checar, randômico, banda.
Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, c) decalques: há tradução literal do estrangeirismo,
deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida. como em alta costura (do francês haute couture), centro-
→ O Chefe admoestou o funcionário por ser este indis- avante (termo do futebol, equivalente ao termo inglês cen-
ciplinado. ter-forward).

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
d) siglas/acrônimos: emprego das iniciais das palavras na separação entre orações coordenadas não unidas por
constitutivas da expressão estrangeira, como em PC (per- conjunção coordenativa e para indicar suspensão maior que
sonal computer), CD (compact disc). a da vírgula no interior de uma oração.

Empréstimo (ix) Travessão (–)


Empréstimo é a incorporação ao léxico de uma língua É importante não confundir o travessão com o traço de
união ou hífen. O travessão é um sinal constituído de traço

LÍNGUA PORTUGUESA
de um termo pertencente a outra língua. O fenômeno dá-se
por diferentes processos, tais como a reprodução do termo horizontal maior que o hífen. O travessão pode substituir
sem alteração de pronúncia e/ou grafia, como em know- vírgulas, parênteses, colchetes e serve, entre outras coisas,
-how (conhecimento de normas, métodos e procedimentos para indicar mudança de interlocutores num diálogo, separar
em atividades profissionais, especialmente as que exigem título e subtítulo em uma mesma linha e assinalar expressão
formação técnica ou científica), ou com adaptação fonoló- intercalada.
gica e ortográfica (garçom, futebol).
(x) Parênteses ((parênteses))
Os parênteses indicam um isolamento sintático e
PONTUAÇÃO
semântico mais completo dentro do enunciado.
Significado dos principais sinais de pontuação
(xi) Colchetes ([colchetes])
Os colchetes são utilizados para isolar, quando neces-
(i) Ponto parágrafo (§)
sário, palavras ou sequência de palavras elucidativas dentro
O ponto parágrafo indica a divisão de um texto escrito. de uma sequência de unidades entre parênteses. Também é
Essa divisão é verificada pela mudança de linha, cuja função conhecido como parênteses retos.
é mostrar que as frases aí contidas mantêm maior relação
entre si do que com o restante do texto. (xii) Aspas (“aspas”)
É o sinal gráfico, geralmente alceado (colocado no alto),
(ii) Ponto final (.) que delimita uma citação, título etc. Também é usado para
O ponto final é o sinal de pontuação com que se realçar certas palavras ou expressões.
encerra uma frase ou um período.
(xiii) Chave ({chave})
(iii) Ponto de interrogação (?) A chave é usada em obras de caráter científico. Indica,
O ponto de interrogação é utilizado no fim da oração, usualmente, a reunião de itens relacionados entre si for-
a qual é enunciada com entonação interrogativa ou de incer- mando um grupo.
teza.
Emprego dos sinais de pontuação
(iv) Ponto de exclamação (!)
O ponto de exclamação é utilizado no fim da oração A seguir, apresentamos os principais empregos dos
enunciada com entonação exclamativa. Também se usa o sinais de pontuação. Tomamos por base teórica o Manual de
ponto de exclamação depois de interjeição. Redação da Presidência da República.

(v) Reticências (...) (i) Aspas


As reticências denotam interrupção ou incompletude As aspas têm os seguintes empregos:
do pensamento ou hesitação em enunciá-lo.
a) usam-se antes e depois de uma citação textual:
→ A Constituição da República Federativa do Brasil, de
(vi) Vírgula (,)
1988, no parágrafo único de seu artigo 1° afirma: “Todo o
A vírgula indica pausa ligeira e é usada para separar
poder emana do povo, que o exerce por meio de repre-
frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma
sentantes eleitos ou diretamente”.
frase.
b) dão destaque a nomes de publicações, obras de arte,
(vii) Dois-pontos (:)
intitulativos, apelidos, etc.:
O sinal de pontuação dois-pontos correspondente,
→ O artigo sobre o processo de desregulamentação foi
na escrita, a uma pausa breve da linguagem oral e a uma publicado no “Jornal do Brasil”.
entoação geralmente descendente. A sua função é preceder → A Secretaria da Cultura está organizando uma apre-
uma fala direta, uma citação, uma enumeração, um esclare- sentação das “Bachianas”, de Villa Lobos.
cimento ou uma síntese do que foi dito antes.
c) destacam termos estrangeiros:
(viii) Ponto e vírgula (;) → O processo da “détente” teve início com a Crise dos
O sinal de pontuação ponto e vírgula assinala pausa Mísseis em Cuba, em 1962.
mais forte que a da vírgula e menos acentuada que a do → “Mutatis mutandis”, o novo projeto é idêntico ao
ponto. Emprega-se, por exemplo, em enumerações, para anteriormente apresentado.
distinguir frases ou sintagmas de mesma função sintática, d) nas citações de textos legais, as alíneas devem
estar entre aspas:

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
→ O tema é tratado na alínea “a” do artigo 146 da Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintá-
Constituição. tica, têm as seguintes finalidades:
a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a
Atualmente, no entanto, tem sido tolerado o uso de entoação) na leitura;
itálico como forma de dispensar o uso de aspas, exceto b) separar palavras, expressões e orações que,
na hipótese de citação textual. segundo o autor, devem merecer destaque;
c) esclarecer o sentido da frase, eliminando am-
BRUNO PILASTRE

IMPORTANTE! biguidades.
A pontuação do trecho que figura entre aspas seguirá as regras
gramaticais correntes. Caso, por exemplo, o trecho transcrito (i) Vírgula
entre aspas terminar por ponto-final, este deverá figurar antes A vírgula serve para marcar as separações breves
do sinal de aspas que encerra a transcrição. Exemplo: de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as
→ O art. 2º da Constituição Federal – “São Poderes da intercalações, quer na oração, quer no período.
União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, A seguir, indicam-se alguns casos principais de
o Executivo e o Judiciário.” – já figurava na Carta anterior. emprego da vírgula:

a) para separar palavras ou orações paralelas jus-


(ii) Parênteses
Os parênteses são empregados nas orações ou tapostas, isto é, não ligadas por conjunção:
expressões intercaladas. Observe que o ponto-final vem → Chegou a Brasília, visitou o Ministério das Rela-
antes do último parêntese quando a frase inteira se acha ções Exteriores, levou seus documentos ao Palácio do
contida entre parêntese: Buriti, voltou ao Ministério e marcou a entrevista.
→ “Quanto menos a ciência nos consola, mais → Simplicidade, clareza, objetividade, concisão
adquire condições de nos servir.” (José Guilherme Mer- são qualidades a serem observadas na redação oficial.
quior).
→ O Estado de Direito (Constituição Federal, art. 1º) b) as intercalações, por cortarem o que está sinta-
define-se pela submissão de todas as relações ao Direito. ticamente ligado, devem ser colocadas entre vírgulas:
→ O processo, creio eu, deverá ir logo a julga-
(iii) Travessão mento.
O travessão (–) é empregado nos seguintes casos: → A democracia, embora (ou mesmo) imperfeita,
ainda é o melhor sistema de governo.
a) substitui parênteses, vírgulas, dois-pontos:
→ O controle inflacionário – meta prioritária do
c) expressões corretivas, explicativas, escusativas,
Governo – será ainda mais rigoroso.
tais como isto é, ou melhor, quer dizer, data venia,
→ As restrições ao livre mercado – especialmente
o de produtos tecnologicamente avançados – podem ser ou seja, por exemplo, etc., devem ser colocadas entre
muito prejudiciais para a sociedade. vírgulas:
→ O político, a meu ver, deve sempre usar uma lin-
b) indica a introdução de enunciados no diálogo: guagem clara, ou seja, de fácil compreensão.
→ Indagado pela comissão de inquérito sobre a pro- → As Nações Unidas decidiram intervir no conflito,
cedência de suas declarações, o funcionário respondeu: ou por outra, iniciaram as tratativas de paz.
– Nada tenho a declarar a esse respeito.
d) Conjunções coordenativas intercaladas ou
c) indica a substituição de um termo, para evitar pospostas devem ser colocadas entre vírgulas:
repetições: → Dedicava-se ao trabalho com afinco; não obti-
→ O verbo fazer (vide sintaxe do verbo –), no sentido nha, contudo, resultados.
de tempo transcorrido, é utilizado sempre na 3ª pessoa do
→ O ano foi difícil; não me queixo, porém.
singular: faz dois anos que isso aconteceu.
→ Era mister, pois, levar o projeto às últimas con-
sequências.
d) dá ênfase a determinada palavra ou pensamento
que segue:
→ Não há outro meio de resolver o problema – pro- e) Vocativos, apostos, orações adjetivas não-
mova-se o funcionário. -restritivas (explicativas) devem ser separados por
→ Ele reiterou suas ideias e convicções – energica- vírgula:
mente. → Brasileiros, é chegada a hora de buscar o
Pontuação relacionada à estrutura sintática entendimento.
→ Aristóteles, o grande filósofo, foi o criador da
Esta é uma seção muito cobrada em concursos públi- Lógica.
cos. O domínio da pontuação em contexto sintático é funda- → O homem, que é um ser mortal, deve sempre
mental para a resolução de diversas questões. pensar no amanhã.

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f) a vírgula também é empregada para indicar a dia 1º de janeiro de 2013: Objetividade, concisão e come-
elipse (ocultação) de verbo ou outro termo anterior: dimento. No artigo, o autor observa que há em nossa Jus-
→ O decreto regulamenta os casos gerais; a porta- tiça excesso de argumentos desimportantes, de linguagem
ria, os particulares. redundante e com adjetivos demais e de mesuras desmedi-
[A vírgula indica a elipse do verbo regulamenta] das. A leitura do texto se faz importante pelo fato de ressal-
→ Às vezes procura assistência; outras, toma a ini- tar a importância da linguagem em nossa sociedade.

LÍNGUA PORTUGUESA
ciativa.
[A vírgula indica a elipse da palavra vezes] Objetividade, concisão e comedimento

g) nas datas, separam-se os topônimos: Não poderia ter sido mais feliz a receita para o aper-
→ São Paulo, 22 de março de 1991. feiçoamento da Justiça brasileira formulada pelo ministro
→ Brasília, 15 de agosto de 1991. Joaquim Barbosa, em seu objetivo, conciso e comedido
discurso de posse na presidência do Supremo Tribunal
IMPORTANTE! Federal. Para o novo presidente da Corte Suprema, pre-
cisamos de uma Justiça "sem firulas, sem floreios e sem
É importante registrar que constitui inadequação usar a vírgula
rapapés".
entre termos que mantêm entre si estreita ligação sintática – por
Firulas são argumentos artificialmente complexos,
exemplo, entre sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e seus
usados como expediente diversionista, para impedir ou
complementos.
retardar a apreciação da essência das questões em jul-
→ O Presidente da República, indicou, sua posição no
assunto. (Inadequado) gamento (o mérito da causa). Apegos a detalhes formais
→ O Presidente da República indicou sua posição no sem importância é um exemplo de firula.
assunto. (Adequado) Floreios são exageros no uso da linguagem, oral ou
escrita. Expediente empregado em geral no disfarce da
falta de conteúdo do discurso, preenche-o de redundân-
(ii) Ponto e vírgula cias, hipérboles e adjetivações.
O ponto e vírgula, em princípio, separa estruturas E rapapés são mesuras desmedidas que mal escon-
coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também dem um servilismo anacrônico. Todos devemos nos tratar
usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer com respeito e cordialidade, dentro e fora dos ambientes
dizer. Exemplo: judiciários, mas sempre com o virtuoso comedimento.
→ Sem virtude, perece a democracia; o que mantém o Firulas, floreios e rapapés são perniciosos porque
governo despótico é o medo. redundam em inevitável desperdício de tempo, energia e
→ As leis, em qualquer caso, não podem ser infringi- recursos. Combater esses vícios de linguagem, por isso,
das; mesmo em caso de dúvida, portanto, elas devem ser tem todo o sentido no contexto do aprimoramento da Jus-
respeitadas. tiça.
O oposto da firula é a objetividade; o contrário dos
(iii) Dois-pontos floreios é a concisão; a negação dos rapapés é o comedi-
Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir mento. A salutar receita do ministro Barbosa recomenda
citações, marcar enunciados de diálogo e indicar um escla- discursos objetivos, concisos e comedidos. São discursos
recimento, um resumo ou uma consequência do que se afir- que, aliás, costumam primar pela elegância.
mou. Exemplo: É uma recomendação dirigida a todos os profissio-
→ Como afirmou o Marquês de Maricá em suas Máxi- nais jurídicos: magistrados, promotores e advogados.
mas: “Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer Precisam todos escrever e falar menos, para dizerem
reformar.” mais.
Arrazoados jurídicos e decisões longas são relativa-
(iv) Ponto de interrogação mente recentes.
O ponto-de-interrogação, como se depreende de seu Nas primeiras décadas do século passado, elas
nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interro- ainda eram escritas à mão. Isso por si só já estabele-
gativa direta: cia um limite (por assim dizer, físico) aos arroubos. Os
→ Até quando aguardaremos uma solução para o pareceres de Clóvis Beviláqua, o autor do anteprojeto
caso? do Código Civil de 1916, tinham cerca de cinco ou seis
laudas.
(v) Ponto de exclamação Depois, veio a máquina de escrever. Embora tenha
O ponto-de-exclamação é utilizado para indicar sur- tornado a confecção de textos menos cansativa, ela
presa, espanto, admiração, súplica, etc.
também impunha limites físicos à extensão. No tempo
do manuscrito e da datilografia, o tamanho do texto era
COMPREENSÃO (OU INTELECÇÃO) E INTERPRETAÇÃO DE
sempre proporcional ao tempo gasto na produção do
TEXTOS
papel.

Iniciamos nossos trabalhos com o artigo de Fábio


Ulhoa Coelho, publicado no jornal Folha de São Paulo no

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
VIII – Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal,
O computador rompeu decididamente este limite.
deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a
Com o "recorta e cola" dos programas informatizados de
conclusão.
redação, produzem-se textos de extraordinárias dimen-
IX – Se o enunciado mencionar argumentação, deve
sões em alguns poucos segundos. pre­ocupar-se com o desenvolvimento.
Os profissionais do direito não têm conseguido resis- X – Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que
tir à tentação de fabricar alentados escritos abusando remetem a outros vocábulos do texto: pronomes
dos recursos da informática. Clientes incautos ainda são
BRUNO PILASTRE

relativos, pronomes pessoais, pronomes demons­


impressionáveis e ficam orgulhosos com a robustez das trativos etc.).
peças de seu advogado.
Claro, há questões de grande complexidade, que Proponho, como exercício, aplicar os “Dez mandamen-
exigem dos profissionais do direito maiores digressões tos” à leitura do texto de Ulhoa.
e fundamentações, gerando inevitavelmente textos mais Vejamos, agora, como Bechara define compreensão e
extensos. Tamanho exagerado nem sempre, assim, é interpretação de texto:
sinônimo de firula, floreio ou rapapé. Mas é um bom indi-
cativo destes vícios, porque os casos realmente difíceis COMPREENSÃO OU INTELECÇÃO DE TEXTO
correspondem à minoria e são facilmente reconhecidos
pelos profissionais da área. Não se justifica grande gasto Consiste em analisar o que realmente está escrito,
de papel e tinta na significativa maioria dos processos ou seja, coletar dados do texto. O enunciado normalmente
em curso. assim se apresenta:
Pois bem. Se a receita do ministro Barbosa melhora → As considerações do autor se voltam para...
a Justiça, então a questão passa a ser a identificação → Segundo o texto, está correta...
de medidas de incentivo ao discurso objetivo, conciso e → De acordo com o texto, está incorreta...
comedido. A renovação da linguagem jurídica necessita → Tendo em vista o texto, é incorreto...
de vigorosos estímulos. → O autor sugere ainda...
Alegar que estimular maior objetividade fere o → De acordo com o texto, é certo...
direito de acesso ao Judiciário ou à ampla defesa é firula. → O autor afirma que...
Lamentar que a concisão importa perda de certo tempero
literário das peças processuais é floreio. Objurgar que o Interpretação de Texto
comedimento agride a tradição é rapapé.
Se a exortação do ministro Barbosa desencadear, Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está
escrito. O enunciado normalmente é encontrado da seguinte
como se espera, a renovação da linguagem jurídica, a
maneira:
sua posse na presidência do Supremo Tribunal Federal
→ O texto possibilita o entendimento de que...
se tornará ainda mais histórica.
→ Com apoio no texto, infere-se que...
(Fábio Ulhoa Coelho. Objetividade, concisão e comedimento. → O texto encaminha o leitor para...
Folha de São Paulo 1º de janeiro de 2013) → Pretende o texto mostrar que o leitor...
→ O texto possibilita deduzir-se que...
Após a leitura do texto de Fábio Ulhoa Coelho, veja-
mos o que Evanildo Bechara nos diz sobre como analisar Três erros capitais na análise de textos
um texto:
Para o gramático, há três erros capitais na análise de
Os dez mandamentos para a análise de textos: textos: extrapolação, redução e contradição.

I – Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar con­ (i) Extrapolação
tato com o assunto; a segunda para observar como É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se interpreta
o texto está articulado; desenvolvido. o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas
II – Observar que um parágrafo em relação ao outro que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao
pode indicar uma continuação ou uma conclusão que está relatado.
ou, ainda, uma falsa oposição.
III – Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais impor­ (ii) Redução
tante (tópico frasal). É o fato de se valorizar uma parte do contexto, dei-
IV – Ler com muito cuidado os enunciados das questões xando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o
para entender direito a intenção do que foi pedido. texto como um todo para se ater apenas à parte dele.
V – Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto
etc., para não se confundir no momento de respon­ (iii) Contradição
der à questão. É o fato de se entender justamente o contrário do que
VI – Escrever, ao lado de cada parágrafo, ou de cada está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas pala-
estrofe, a ideia mais importante contida neles. vras, como: “pode”; “deve”; “não”; verbo “ser” etc.
VII – Não levar em consideração o que o autor quis dizer,
(Bechara, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa.
mas sim o que ele disse; escreveu.
Rio de Janeiro, 2006). (Com adaptações)

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Assunto, tema, tese, título, ponto de vista, argu­ Elementos da Narrativa
mentação
Os elementos que compõem a narrativa são:
Quando vamos escrever uma redação, precisamos → Foco narrativo (1º e 3º pessoa);
saber qual o assunto que desejamos abordar. Os assuntos → Personagens (protagonista, antagonista e coadju-
são praticamente infindáveis: família, sexo, amor, dinheiro, vante);
estudo, violência, guerra, desemprego, política, senado, cor-

LÍNGUA PORTUGUESA
→ Narrador (narrador-personagem, narrador-observa-
rupção, igreja, fé, ateísmo, enfim.
dor);
O tema e o título são, com muita frequência, empre-
→ Tempo (cronológico e psicológico);
gados como sinônimos. Contudo, apesar de serem partes
de um mesmo tipo de composição, são elementos bem dife- → Espaço.
rentes. O tema é o assunto, já delimitado, a ser abordado;
a ideia que será por você defendida e que deverá aparecer Foco Narrativo
logo no primeiro parágrafo. Já o título é uma expressão, ou
até uma só palavra, centrada no início do trabalho; ele é uma Cada uma das histórias que lemos, ouvimos ou escre-
vaga referência ao assunto (tema). vemos é contada por um narrador.
Tese: assim como todo assunto pode ser limitado a um Nos exercícios de leitura, assim como nas experiências
tema específico, o tema por sua vez também pode e deve de escrita, é fundamental a preocupação com o narrador.
ser restringido a uma tese ou proposição. Grosso modo, podemos distinguir três tipos de narra-
Ponto de vista: é associada à ótica. Pode ser na ótica dor, isto é, três tipos de foco narrativo:
de uma criança, de um adulto, de uma mulher; de uma → narrador-personagem;
pessoa letrada, de um explorado ou do explorador.
→ narrador-observador;
A argumentação é um recurso que tem como propó-
→ narrador-onisciente.
sito convencer alguém, para que esse tenha a opinião ou o
comportamento alterado.
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história
TIPOLOGIA TEXTUAL da qual participa também como personagem.
Ele tem uma relação íntima com os outros elementos
Por tipologia textual (ou tipo textual) entende-se uma da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada
espécie de construção teórica definida pela natureza linguís- por características subjetivas, emocionais. Essa proximi-
tica de sua composição (ou seja, os aspectos lexicais, sintá- dade com o mundo narrado revela fatos e situações que um
ticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo). narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo,
Apresento, a título de caracterização e distinção, quatro essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja par-
tipologias importantes para a produção textual: narração, cial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
descrição, dissertação e argumentação. O narrador-observador conta a história do lado de
Para essa obra, seguirei a classificação de Othon M. fora, na 3ª pessoa, sem participar das ações. Ele conhece
Garcia, o qual distingue a dissertação da argumentação. todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa
Para o autor, como veremos, uma e outra possuem caracte-
neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com
rísticas próprias.
imparcialidade. Não tem conhecimento íntimo dos persona-
Narração gens nem das ações vivenciadas.
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa.
A narração é o ato de contar, relatar fatos, histórias. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo,
Neste ato, involuntariamente, respondemos às perguntas: o sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas
quê, onde, quem, como, quando, por quê. Nas histórias, emoções e pensamentos.
há a presença de personagens que praticam e/ou sofrem
ações, ocorridas em um tempo e espaço físico. A ação é O Enredo
obrigatória. Isso significa que não existe narração sem ação. O enredo é a estrutura da narrativa, o desenrolar dos
O núcleo da narração é o incidente, o episódio, e o que a dis- acontecimentos gera um conflito que por sua vez é o respon-
tingue da descrição é a presença de personagens atuantes. sável pela tensão da narrativa.
Veja-se o trecho abaixo, em que Sahrazad narra uma
história ao rei: Os Personagens
Os personagens são aqueles que participam da narra-
Disse Sahrazad: conta-se, ó rei venturoso, de parecer bem orien- tiva, podem ser reais ou imaginários, ou a personificação de
tado, que certo mercador vivia em próspera condição, com abun- elementos da natureza, ideias, etc.
dantes cabedais, dadivosos, proprietário de escravos e servos,
Dependendo de sua importância na trama os per-
de várias mulheres e filhos; em muitas terras ele investira,
fazendo empréstimos ou contrariando dívidas. Em dada manhã, sonagens podem ser principais ou secundários.
ele viajou para um desses países: montou um de seus animais,
no qual pendurara um alforje com bolinhos e tâmaras que lhe O Espaço
serviriam como farnel, e partiu em viagem por dias e noites, e O espaço onde transcorrem as ações, onde os perso-
Deus já escrevera que ele chegaria bem e incólume à terra para nagens se movimentam auxilia na caracterização dos perso-
onde rumava; [...]. nagens, pois pode interagir com eles ou por eles ser trans-
(Livro das mil e uma noites – volume I – ramo sírio) formado.

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O Tempo Discurso indireto livre: é uma combinação dos dois
A duração das ações apresentadas numa narrativa anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as
caracteriza o tempo (horas, dias, anos, assim como a noção dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâ-
de passado, presente e futuro). mica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.
O tempo pode ser cronológico (fatos apresentados na
ordem dos acontecimentos) ou psicológico (tempo perten- Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse
cente ao mundo interior do personagem). matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!...
BRUNO PILASTRE

Quando lidamos com o tempo psicológico, a técnica do Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu
flash back é bastante explorada, uma vez que a narrativa Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto
de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção
volta no tempo por meio das recordações do narrador.
grande, da pintada... Que raiva!...
O narrador pode se posicionar de diferentes maneiras
Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar
em relação ao tempo dos acontecimentos - pode narrar os atenção, escutando a conversa de boi Brilhante. 
fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar (Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro, José Olympio,
um fato perfeitamente concluído; pode entremear presente e 1976.)
passado, utilizando a técnica de flash back.
Há, também, o tempo psicológico, que reflete angústias Descrição
e ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma
relação com o tempo cronológico, cuja passagem é alheia à A descrição é o ato de enumerar, sequenciar, listar
nossa vontade. Falas como "Ah, o tempo não passa..." ou características de seres, objetos ou espaços com o objetivo
"Esse minuto não acaba!" refletem o tempo psicológico. de formar uma imagem mental no leitor/ouvinte. As carac-
terísticas podem ser físicas e/ou psicológicas (no caso de
A Gramática na Narração seres ou elementos antropomórficos).
Num texto narrativo, predominam os verbos de ação: Descrever é representar verbalmente um objeto, uma
há, em geral, um trabalho com os tempos verbais. Afinal, a pessoal, um lugar, mediante a indicação de aspectos carac-
narração, ou seja, o desenrolar de um fato, de um aconteci- terísticos, de pormenores individualizantes. Requer obser-
mento, pressupõe mudanças; isso significa que se estabele- vação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um
cem relações anteriores, concomitantes e posteriores. modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
Ao optar por um dos tipos de discursos, organizamos o de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
texto de forma diferente. Os verbos de elocução, os conecti- uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
vos, a pontuação, a coordenação ou a subordinação passam muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-
a ter papel relevante na montagem do texto. -se o uso de palavras específicas.
Ao transformar o discurso direto em indireto (ou vice- Veja-se a descrição a seguir, em que Tchekhov des-
-versa), realizamos uma grande alteração na arquitetura do creve uma paisagem:
texto.
Depois das propriedades dos camponeses, começava um bar-
Discurso direto: o narrador apresenta a própria perso- ranco abrupto e escarpado, que terminava no rio; aqui e ali, no
nagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o meio da argila, afloravam pedras enormes. Pelo declive, perto
que acontece em lugar de simplesmente contar. das pedras e das valas escavadas pelos ceramistas, corriam tri-
lhas sinuosas, entre verdadeiras montanhas de cacos de louça,
ora pardos, ora vermelhos, e lá embaixo se estendia um prado
Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, vasto, plano, verde-claro, já ceifado, onde agora vagava o reba-
apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escor- nho de camponeses.
redor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu (Anton Tchekhov. O assassinato e outras histórias)
outro tênis.” 
                (Jornal do Brasil, 29 de maio 1989). Dissertação

Discurso indireto: o narrador interfere na fala da per- A dissertação tem por objetivo principal expor ou
sonagem. Ele conta aos leitores o que a personagem disse, explanar, explicitar ou interpretar ideias, fatos, fenômenos.
mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não Na dissertação, apresentamos o que sabemos ou acredita-
são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador. mos saber a respeito de determinado assunto. Nessa expo-
sição, podemos apresentar, sem combater (argumentar),
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, ideias de que discordamos ou que nos são indiferentes. Ou
assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encos- seja, eu posso discorrer (dissertar) sobre partidos políticos
tando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de
com absoluta isenção, apresentado os diversos partidos
costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descan-
políticos em totalidade, dando deles a ideia exata, fiel, sem
sou no chão o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava tentar convencer o meu leitor das qualidades ou falhas de
se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não partido A ou B. Não procuro, nesse caso, formar a opinião
se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele de meu leitor; ao contrário, deixo-o em inteira liberdade de
devia sofrer de ataque. se decidir por se filiar a determinado partido.
(Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro, Civili- No excerto a seguir, de Gilberto Amado, observamos
zação Brasileira, 1964) que o autor apenas mostra certas características do Brasil.

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Não há, em nenhuma parte do texto, recursos argumentati- Distinção entre Prosa e Poema
vos que visam ao convencimento do leitor (característica da
argumentação). Observe: Por Prosa entende-se a expressão natural da linguagem
escrita ou falada, sem metrificação intencional e não sujeita
No seu aspecto exterior, na sua constituição geográfica, a ritmos regulares. No texto escrito, observamos o texto em
o Brasil é um todo único. Não o separa nenhum lago interior, Prosa quando há organização em linha corrida, ocupando

LÍNGUA PORTUGUESA
nenhum mar mediterrâneo. As montanhas que se erguem dentro toda a extensão da página. Há, também, organização em
dele, em vez de divisão, são fatores de unidade. Os seus rios parágrafos, os quais apresentam certa unidade de sentido.
prendem e aproximam as populações entre si, assim os que
Esta obra é organizada, por exemplo, em prosa.
correm dentro do país como os que marcam fronteiras.
Já o poema é uma composição literária em que há carac-
Por sua produção e por seu comércio, é o Brasil um dos
raros países que se bastam em si mesmos, que podem prover terísticas poéticas cuja temática é diversificada. O poema
ao sustento e assegurar a existência de seus filhos. De norte a apresenta-se sob a forma de versos. O verso é cada uma das
sul e de leste a oeste, os brasileiros falam a mesma língua quase linhas de um poema e caracteriza-se por possuir certa linha
sem variações dialetais. Nenhuma memória de outros idiomas melódica ou efeitos sonoros, além de apresentar unidade de
subjacentes na sua formação perturba a unidade íntima da cons- sentido. O conjunto de versos equivale a uma estrofe. Há
ciência do brasileiro na enunciação e na comunicação do seu diversas maneiras de se dispor graficamente as estrofes (e os
pensamento e do seu sentimento.
versos) – e isso dependerá do período literário a que a obra
(Gilberto Amado. Três livros)
se filia e à criatividade do autor. Veja dois exemplos:
Argumentação

Na argumentação, procuramos formar a opinião do


leitor ou ouvinte, objetivando convencê-lo de que a razão (o
discernimento, o bom senso, o juízo) está conosco, de que
nós é que estamos de posse da verdade.
Caso eu seja filiado a determinado partido político e
produza um texto em que objetivo demonstrar, comprovar
as vantagens, a conveniência, a coerência, a qualidade, a
verdade de meu partido (em oposição aos demais), estou
argumentando. Em suma, argumentar é convencer ou tentar
convencer mediante a apresentação de razões, em face da
evidência de provas e à luz de um raciocínio coerente e con-
sistente.
O texto a seguir, de autoria de Sérgio Buarque de
Holanda, é um exemplar de texto argumentativo. Perceba
que o autor posiciona-se em relação aos fatos e defende (Ronando Azeredo)
uma tese. O autor claramente procura convencer o leitor.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
No mínimo que fazes.
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não
Assim em cada lago a lua toda
existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas
Brilha, porque alta vive.
antes uma descontinuidade e até uma oposição. A indistinção
(Ricardo Reis)
fundamental entre as duas formas é prejuízo romântico que teve

os seus adeptos mais entusiastas durante o século décimo nono.
De acordo com esses doutrinadores, o Estado e as suas insti-
Na seção seguinte apresentaremos os elementos do
tuições descenderiam em linha reta, e por simples evolução da texto argumentativo.
Família. A verdade, bem outra, é que pertencem a ordens dife-
rentes em essência. Só pela transgressão da ordem doméstica Argumentação
e familiar é que nasce o Estado e que o simples indivíduo se faz
cidadão, contribuinte, eleitor, elegível, recrutável e responsável, Condições da argumentação
ante as leis da Cidade. Há nesse fato um triunfo do geral sobre A argumentação deve ser construtiva, cooperativa e
o particular, do intelectual sobre o material, do abstrato sobre
útil. Deve basear-se, antes de tudo, nos princípios da lógica.
o corpóreo e não uma depuração sucessiva, uma espiritualiza-
ção de formas mais naturais e rudimentares, uma procissão das
A argumentação deve lidar com ideias, princípios ou fatos.
hipóstases, para falar como na filosofia alexandrina. A ordem
familiar, em sua forma pura, é abolida por uma transcendência. Consistência dos argumentos – evidências
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil)
A argumentação é fundamentada em dois elementos
Para finalizar esta seção, realizo a distinção entre principais: a consistência do raciocínio e a evidência das
Prosa e Poema. provas. Tratamos, nesta seção, do segundo aspecto: a evi-
dência das provas.

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Há cinco tipos mais comuns de evidência das provas: O testemunho
os fatos, os exemplos, as ilustrações, os dados estatísti-
cos e o testemunho. Vamos conhecer cada um em síntese: A evidência por testemunho é composta por uma afirma-
ção fundamentada, por um depoimento, uma comprovação. É
Os fatos um fato trazido à composição por intermédio de terceiros. O
testemunho por autoridade é um recurso que possui alto valor
Os fatos constituem o elemento mais importante da argu- de prova. Se, em minha produção, defendo que o sistema de
transporte público no Brasil precisa de planejamento estratégico
BRUNO PILASTRE

mentação (bem como da dissertação).


É possível afirmar que só os fatos provam, convencem. (longo prazo), posso trazer a voz (realizações, propostas, ideias)
Porém, é importante lembrar que nem todos os fatos são irrefu- de uma autoridade no assunto. No caso do tema proposto (trans-
táveis. O valor de prova de certos fatos está sujeito à evolução porte público), posso citar as propostas de Jaime Lerner, arqui-
da ciência, da técnica e dos próprios conceitos utilizados. teto e urbanista brasileiro que propôs a abertura de vias exclusi-
É claro que há fatos que são evidentes ou notórios. Esses vas para os ônibus urbanos na cidade de Curitiba-PR, na década
são os que mais provam. Afirmar que no Brasil há desigualdade de 70.
social é um fato, por exemplo.
A proposição
Os exemplos
Por proposição entende-se a expressão linguística de
uma operação mental (o juízo) composta de sujeito, verbo
Os exemplos são caracterizados por revelar fatos típicos
(sempre redutível ao verbo ser) e atributo. Toda proposição
ou representativos de determinada situação. O fato de o moto-
rista Fulano de Tal ter uma jornada de trabalho de 12 horas diá-
é passível de ser verdadeira ou falsa. A frase a seguir é uma
rias é um exemplo típico dos sacrifícios a que estão sujeitos proposição:
esses profissionais, revelando uma das falhas do setor de trans- → O sistema educacional no Brasil é ineficiente.
porte público.
Segundo os critérios de produção textual, a proposi-
As ilustrações
ção deve ser clara, definida, inconfundível quanto ao que
se afirma ou nega. Outro fator indispensável é o fato de que
A ilustração ocorre quando o exemplo se alonga em nar- toda proposição tem de ser argumentável. Isso quer dizer
rativa detalhada e entremeada de descrições. Observe que a que frases como
ilustração é um recurso utilizado pela argumentação. Não deve, → Todo homem é mortal.
portanto, ser o centro da produção. Não são argumentáveis, pois essa afirmação é uma
Imagine um texto argumentativo que procura comprovar, verdade universal, indiscutível, incontestável.
por evidência, a falta de planejamento habitacional em algumas É indicado, também, que a proposição seja afirmativa
cidades serranas. Nessas cidades, há construções irregulares e suficientemente específica para permitir uma tomada de
próximas a encostas. Essas encostas ficam frágeis em épocas posição contra ou a favor. Não é possível argumentar sobre
chuvosas. É possível, assim, ilustrar essa situação com um caso generalidades como:
hipotético ou real. No caso da ilustração hipotética, é necessário → A maioridade penal
que haja verossimilhança e consistência no relato. Registro que → O SUS
o valor de prova da ilustração hipotético é muito relativo.
Um caso real, o qual pode ser citado no texto-exemplo, é Proposições vagas ou inespecíficas não permitem
o da família do lavrador Francisco Edézio Lopes, de 46 anos. tomada de posição. Assim, apenas a dissertação (isto é,
Edézio e seus familiares, moradores do distrito de Jamapará, explanação ou interpretação) cabe a esses temas. Caso se
em Sapucaia, no centro sul-fluminense, procuraram abrigo no
queira realizar uma argumentação, faz-se necessário deli-
carro durante o temporal e acabaram arrastados pela enxurrada.
mitá-las e apresentá-las em termos de tomada de posição,
Todos morreram.
como em:
Observe, mais uma vez, que a ilustração tem a função de
→ Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
ilustrar a tese e deve ser clara, objetiva, sintomática e obvia-
mente relacionada com a proposição.
ventivas à população

Assim, a proposição acima é passível de argumen-


Os dados estatísticos
tação, pois admite divergência de opiniões (O Ministro da
Saúde – José Padilha – terá uma opinião diferente da apre-
Os dados estatísticos também são fatos, mas possuem
uma natureza mais específica e possuem grande valor de con-
sentada por um paciente, o qual escreveu o texto com o
vicção, constituindo quase sempre prova ou evidência incontes- título “Deficiências do SUS na promoção de ações de pre-
tável. Quanto mais específico e completo for o dado, melhor. ventivas à população”).
Ademais, é importante que haja fonte, pois os dados não Observe, por fim, a importância de o autor do texto
surgem naturalmente. Assim, afirmar que o índice de analfabe- definir, logo de início, a sua posição de maneira inequívoca
tismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% para (isto é, de modo que o leitor saiba exatamente o que se pre-
os brancos é diferente de afirmar que a Pesquisa Nacional por tende provar). No caso do título sobre o SUS, sabe-se que o
Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro autor procurará demonstrar as deficiências do SUS no que
de Geografia e Estatística (IBGE) em 2007, revela que índice de concerne à promoção de ações preventivas da população.
analfabetismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% A conclusão
para os brancos. A segunda proposição é mais convincente, pois
há referência explícita à fonte. A conclusão da argumentação “surge” naturalmente das
provas apresentadas, dos argumentos utilizados. A conclusão
é caracterizada por ser um arremate (isto é, o último detalhe

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para finalizar ou concluir algo) – por isso, não é uma simples Carta Pessoal
recapitulação ou mero resumo. A conclusão consiste, desse
modo, em pôr em termos claros a essência da proposição e a Gênero textual pelo qual nos comunicamos com
sua comprovação, realizada por meio dos argumentos. amigos e familiares dando notícias, tratando de assuntos de
interesse comum, de forma mais longa e detalhada. Trata de
GÊNEROS TEXTUAIS assuntos particulares e tem uma estrutura padrão que deve
ser obedecida. Características:

LÍNGUA PORTUGUESA
A palavra gênero sempre foi bastante utilizada pela lite- → comunicação geralmente breve e pessoal, de
ratura com um sentido especificamente literário, identificando assunto livre;
os gêneros clássicos – o lírico, o épico, o dramático – e os → estrutura composta de local e data, vocativo, corpo e
gêneros modernos da literatura, como o romance, a novela, assinatura; às vezes, também de P.S.;
o conto, o drama, etc. → a linguagem varia de acordo com o grau de intimi-
Mikhail Bakhtin, no início do século XX, se dedicou aos dade entre os interlocutores, podendo ser menos ou mais
estudos da linguagem e literatura. Foi o primeiro a empregar formal, culta ou coloquial, e, eventualmente, incluir gírias;
a palavra gêneros com um sentido mais amplo, referindo-se → verbos geralmente no presente do indicativo;
também aos tipos textuais que empregamos nas situações → quando enviada pelo correio, a carta é acondicio-
cotidianas de comunicação. nada em um envelope, preenchido adequadamente com o
Então, os gêneros textuais são os diferentes tipos de nome e o endereço do remetente e do destinatário.
texto que produzimos, orais ou escritos, que trazem um con-
junto de características relativamente estáveis. Pelas carac- Receita
terísticas, identificamos o gênero textual em seus aspectos
básicos coexistentes: o assunto, a estrutura e o estilo. Gênero textual que apresenta duas partes bem defini-
A escolha do gênero não é sempre espontânea, pois das - ingredientes e modo de fazer, que podem ou não vir
deve levar em conta um conjunto de parâmetros essenciais, indicadas por títulos. Algumas receitas apresentam outras
como quem está falando, para quem se está falando, qual é informações, como o grau de dificuldade, o tempo médio
a finalidade e qual é o assunto do texto. de preparo, o rendimento, as calorias ou dicas para decora-
Por exemplo, ao contarmos uma história, fazemos uso ção. Forma ou estrutura mais ou menos padronizada, com o
de um texto narrativo, para instruirmos alguém sobre como objetivo de melhor instruir o leitor. Características:
fazer alguma coisa (fazer um bolo, montar uma mesa, jogar → contém título;
certo tipo de jogo) fazemos uso do texto instrucional; para → normalmente apresenta uma estrutura constituída
convencer alguém de nossas ideias, fazemos uso de textos de: título, ingredientes e modo de preparo ou fazer;
argumentativos; e assim por adiante. → no modo de fazer os verbos são geralmente empre-
Assim, quando falamos em gêneros textual, estaremos gados no imperativo;
fazendo referência também à receita, à carta pessoal, ao bilhete, → pode conter indicação de calorias por porção, rendi-
ao telegrama, ao cartão postal, ao e-mail, ao cartão postal, ao mento, dicas de preparo ou de como decorar e servir;
cartaz, ao relatório, ao manual de instruções, à bula de medica- → a linguagem é direta, clara e objetiva;
mento, ao texto de campanha comunitária, ao convite. → emprega o padrão culto da língua.
Todos esses tipos de texto constituem os gêneros tex-
tuais, usados para interagirmos com outras pessoas. São os O texto de campanha comunitária
chamados gêneros do cotidiano.Eles trazem poucas varia-
ções, muitos se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem Tem o objetivo de informar, conscientizar e instruir a
e na estrutura, mas são de grande valor para a comunicação população de uma comunidade sobre assuntos ou aconte-
oral ou escrita. cimentos do momento. Visa, muitas vezes, convencê-la a
participar de algum evento ou colaborar com donativos, tra-
Qualidades e características dos gêneros textuais balho voluntário, etc. Características:
→ apresenta título chamativo, comumente persuasivo;
do cotidiano
→ geralmente é ilustrado;
→ apresenta estrutura variável, esclarece em que con-
Cartão Postal
siste a campanha, a finalidade, o que fazer para participar;
→ linguagem clara, objetiva e persuasiva, dentro do
Mais conhecido como postal, é utilizado por turistas ou
padrão culto da língua;
pessoas em viagem para dar, por meio da ilustração uma
→ emprega as funções referencial e conativa, con-
ideia do lugar que está visitando e, ainda, enviar a parentes e
forme seu objetivo;
amigos uma mensagem rápida com suas impressões sobre
→ usa verbos no imperativo.
a viagem, os passeios, novos amigos, os lugares. Caracte-
rísticas:
O Cartaz
→ mensagem rápida, geralmente sobre as impressões
de viagens;
Gênero textual normalmente composto por imagem e
→ ilustrado com imagem em um dos lados; do outro,
texto. Tem por objetivo informar e instruir o leitor sobre um
espaço para texto e endereço do destinatário;
assunto que diz respeito à população em geral. Texto e
→ texto curto, assunto livre;
imagem visam persuadir ou convencer o leitor, sensibilizá-lo
→ apresenta vocativo e assinatura;
e conscientizá-lo do que se está divulgando. Características:
→ verbos geralmente no presente do indicativo, lingua-
→ informa, instrui e persuade o leitor sobre algum
gem varia de acordo com os interlocutores, podendo estar
assunto;
entre o coloquial, o casual ou o informal.
→ texto em linguagem verbal curto, para leitura rápida;

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→ presença de título para atrair o leitor e definir o assunto Coerência e coesão textuais
do cartaz;
→ linguagem verbal clara, direta, objetiva e concisa, ade- Quando falamos em Coerência textual, devemos ter
quada aos objetivos da campanha e ao público que se destina; em mente a noção de Integração:
→ emprega, geralmente, o padrão culto formal da língua;
→ identificação simples por meio de logotipo do órgão,
Palavra-chave!
entidade ou empresa responsável pela mensagem veiculada.
BRUNO PILASTRE

Integração: é o conjunto de procedimentos necessários à arti-


Relatório culação significativa das unidades de informação do texto em
função de seu significado global.
Gênero textual que tem por objetivo expor a investigação (Azeredo, 2008)
de um fato estudado, de um acontecimento ou de uma expe-
riência científica. Características: É a partir da integração que as frases que compõem o
→ pode servir-se de descrições, de enumerações, de texto se distribuem e se concatenam a fim de realizar uma
exposições narrativas, de relatos de fatos, de gráficos, de
combinação aceitável (possível, plausível) de conteúdos.
estatísticas etc.;
Quando a articulação significativa depende de algum conhe-
→ pode ou não seguir um roteiro preestabelecido;
cimento externo (por exemplo, a cultura dos interlocutores
→ apresenta, normalmente, introdução, desenvolvi-
mento e conclusão; em alguns casos, pode apresentar outras e a situação comunicativa), a integração recebe o nome de
partes, como folha de rosto, sumário, anexos; Coerência.
→ a linguagem é precisa, objetiva, de acordo com o Isso quer dizer que, em um nível intratextual (nível
padrão culto e formal da língua; admite, no entanto, a pes- interno ao texto), as partes do texto (frases, períodos, pará-
soalidade. grafos etc.) devem ser solidárias entre si (isto é, estar inte-
gradas), para assim se chegar ao significado global do texto.
Bilhete Em um nível externo ao texto (cuja construção de sen-
tido está relacionada aos conhecimentos de mundo do pro-
Gênero textual breve, prático e objetivo que tem a função dutor e receptor do texto), a articulação significativa depende
de transmitir informações pessoais, avisos e mensagens de da “normalidade” consensual do funcionamento das coisas
natureza simples. Características: do mundo (isto é, devem ser coerentes).
→ estrutura formal parecida com a carta: destinatário, Parece-nos claro que as noções de integração e de coe-
texto (mensagem), despedida e remetente e data; rência estão diretamente interligadas: não se atinge a coe-
→ mensagem breve e simples, tanto na forma quanto rência sem haver a integração das partes do texto.
no conteúdo;
Todas as informações contidas em um texto são distri-
→ a finalidade deve ser prática e objetiva, geralmente
buídas e organizadas em seu interior graças ao emprego de
coisas do dia a dia;
→ linguagem informal; certos recursos léxicos e gramaticais (conjunções, preposi-
→ usado, normalmente, entre familiares, amigos e cole- ções, pronomes, pontuação etc.). Esses recursos são utiliza-
gas. dos em benefício da expressão do sentido e de sua compre-
ensão. Vejamos um exemplo:
Tipos de Gêneros escritos e orais Contratei quatro pedreiros; eles vieram esta manhã
para orçar o serviço.
Adivinha Discurso de defesa
Anedota ou caso Editorial Nessa frase, verificamos o uso da forma pronominal
Artigos de opinião Ensaio eles (terceira pessoal do plural) e a flexão verbal vieram. A
Assembleia Ensaio forma eles vieram faz referência a outro elemento, presente
Autobiografia Fábula na primeira oração (Contratei quatro pedreiros). Sabemos
Biografia Histórico que a forma pronominal eles refere-se ao sintagma nominal
Biografia romanceada Lenda quatro pedreiros.
Carta de Leitor Narrativa de aventura A esse processo de sequencialização que assegura (ou
Carta de reclamação Narrativa de enigma torna recuperável) uma ligação linguística significativa entre
Carta de solicitação Narrativa mítica os elementos que ocorrem na superfície textual damos o
Conto Notícia nome de Coesão textual.
Conto de fadas Novela fantástica Ambos os processos (coerência e coesão) são muito,
Conto maravilhoso Piada mas muito importantes mesmo!
Crônica esportiva Relato de uma viagem
Crônica Literária Relato histórico Critérios de textualização
Crônica social Reportagem
Curriculum vitae Resenha crítica Coesão
Debate regrado Testemunho
Deliberação informal Textos de opinião Segundo Koch, o conceito de coesão textual diz res-
Diálogo argumentativo peito a todos os processos de sequencialização que assegu-
Diário íntimo ram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística signifi-
Discurso de acusação cativa entre os elementos que ocorrem na superfície textual.

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Formas de coesão referencial pronominal: → conclusão: logo, assim, portanto
Endófora (correferência resolvida no plano textual) > → adição: e, bem como, também
pode ser > anáfora (retrospectiva) ou catáfora (prospectiva). → disjunção: ou
Exófora (referência a um elemento contextual, externo → exclusão: nem
ao texto). → comparação: mais do que; menos do que

Operadores Organizacionais:

LÍNGUA PORTUGUESA
Capítulo LXXI
I – de espaço e tempo textual:
O Senão do Livro
→ em primeiro lugar
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele
me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns
→ como veremos
magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai → como vimos
um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepul- → neste ponto
cro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás, ínfimo, → aqui na 1ª parte
porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de → no próximo capítulo
envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração directa e II – metalinguísticos:
nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são → por exemplo
como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, → isto é
resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e → ou seja
caem. → quer dizer
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas) → por outro lado
→ repetindo
Catáfora e Anáfora → em outras pala­vras
→ com base nisso
As palavras catáfora e anáfora referem-se a dois recur-
sos coesivos que têm por função conectar os elementos pre- Textos exemplificadores de coesão e coerência: O
sentes em uma frase. Show (1) e (2)
Na catáfora, faz-se uso de um termo ou locução ao final
de uma frase para especificar o sentido de outro termo ou
locução anteriormente expresso. Por exemplo, veja a frase O Show (1)
a seguir: O cartaz
O desejo
A viagem resumiu-se nisto: comer, beber e caminhar.
O pai
O dinheiro
No exemplo acima, a forma nisto antecipa as informa-
O ingresso
ções especificadas após os dois-pontos; e, consequente-
O dia
mente, as informações após os dois-pontos especificam o A preparação
sentido do termo anteriormente expresso (nesse caso, nisto). A ida
Já a anáfora é o processo pelo qual um termo gramati- O estádio
cal (principalmente pronomes) retoma a referência a um sin- A multidão
tagma anteriormente usado na mesma frase. A expectativa
→ Comeram, beberam, caminharam e a viagem ficou A música
nisso. A vibração
[nisso = comer, beber e caminhar] A participação
→ Fui à Avenida Paulista no dia do protesto. Lá, fui alve- O fim
jado nas costas. A volta
[lá = Avenida Paulista] O vazio

Formas de coesão sequencial


O Show (2)

Sequenciação parafrástica Sexta-feira Raul viu um cartaz anunciando um show de


Antonio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. Milton Nascimento para a próxima terça-feira, dia 04.04.1989,
Por ter sido (a obra) avaliada (por ele, Antonio Candido), a às 21h, no ginásio do Uberlândia Tênis Clube na Getúlio Vargas.
obra foi amplamente difundida e estudada. Por ser fã do cantor, ficou com muita vontade de assistir à apre-
sentação. Chegando a casa, falou com seu pai para comprar o
Equivalência ingresso. Na terça-feira, dia do show, Raul preparou-se, esco-
Antônio Candido avaliou a obra de Machado de Assis. lhendo uma roupa com que ficasse mais à vontade durante o
A obra de Machado de Assis foi avaliada por Antônio evento. Foi para o UTC com um grupo de amigos. Lá havia uma
Candido. multidão em grande expectativa aguardando o início do espetá-
culo, que começou com meia hora de atraso. Mas valeu a pena:
Processos de coesão conectiva a música era da melhor qualidade, fazendo todos vibrarem e par-
Operadores Argumentativos: ticiparem do show. Após o final, Raul voltou para casa com um
→ oposição: mas, porém, contudo vazio no peito pela ausência de todo aquele som, de toda aquela
→ causa: porque, pois, já que alegria contagiante.
→ fim: para, com o propósito de
→ condição: se, a menos que, desde que

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Coerência Podemos afirmar que hoje há um consenso quanto ao
fato de se admitir que todos os textos comungam (dialogam)
A coerência é, sobretudo, uma relação de sentido que se com outros textos; quer dizer, não existem textos que não
manifesta entre os enunciados, em geral de maneira global e mantenham algum aspecto intertextual, pois nenhum texto
não localizada. Observe a distinção entre coesão e coerência: se acha isolado.
coesão é caracterizada pela continuidade baseada na Quando produzimos um texto, sempre fazemos refe-
forma; rência a alguma outra forma de texto (um discurso, um docu-
BRUNO PILASTRE

coerência é caracterizada pela continuidade base­ada no mentário, uma reportagem, uma obra literária, uma notícia
sentido. etc.). Em nossa produção ocorre, portanto, a relação de um
texto com outros textos previamente existentes, isto é, efeti-
Textos vamente produzidos.
Vejamos, em síntese, dois tipos de Intertextualidade
Incoerência aparente (Koch, 1991):

Subi a porta e fechei a escada intertextualidade explícita: como no caso de citações,


Tirei minhas orações e recitei meus sapatos.
discursos diretos, referências documentadas com a fonte,
Desliguei a cama e deitei-me na luz
Tudo porque
resumos, resenhas. Esse tipo de intertextualidade é utili-
Ela me deu um beijo de boa noite... zado em textos acadêmicos e não ocorre com frequência em
textos dissertativos/argumentativos (em sede de concurso
Incoerência narrativa público);

Exemplo 1. intertextualidade com textos próprios, alheios ou


genéricos: alguém pode muito bem situar-se numa relação
Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa consigo mesmo e aludir a seus textos, bem como citar textos
esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão fraqui- sem autoria específica, como os provérbios.
nho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os pacoti-
nhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um moto- O parágrafo
rista, que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. O carro
capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas
vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um
Nesta seção, apresentaremos o parágrafo, o qual será
homem corpulento. Carregou-o até a cal­çada, parou um carro e tratado como uma unidade básica de composição. Isso sig-
levou o homem para o hospital. Assim, salvou-lhe a vida. nifica que podemos estruturar e analisar o texto a partir da
medida do parágrafo.
Exemplo 2.
Conceito de parágrafo
Lá dentro havia uma fumaça formada pela maconha e essa
fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois
Segundo Othon M. Garcia, em sua obra Comunicação
ela era muito intensa.
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado
em Prosa Moderna, o parágrafo é uma unidade de compo-
na parede da sala e fiquei observando as pessoas que lá esta- sição constituída por um ou mais de um período, em que se
vam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, desenvolve determinada ideia central, nuclear, à qual se
pretas, amarelas, altas, baixas etc. agregam outras, denominadas secundárias, as quais são
intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decor-
Incoerência argumentativa rentes delas. Vejamos essa lição em uma ilustração:

Se o texto parte da premissa de que todos são iguais


perante a lei, cai na incoerência se defender posteriormente
o privilégio de algumas categorias profissionais não estarem
obrigadas a pagar imposto de renda.
O argumentador pode até defender essas regalias, as não
pode partir da premissa de que todos são iguais perante a lei.

Incoerência descritiva

Vida no Polo Norte: palmeiras, camelos, cactos, estradas


poeirentas e muito calor.

Intertextualidade O parágrafo como unidade de composição

Segundo o Dicionário de análise do discurso, Intertex- Esse conceito de parágrafo aplica-se a um texto padrão,
tualidade é uma propriedade constitutiva de qualquer texto e o regular. Pode haver, a depender do gênero textual, da natu-
conjunto das relações explícitas ou implícitas que um texto ou reza da produção e sua complexidade, diferentes formas de
um grupo de textos determinado mantém com outros textos. organização do parágrafo.

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Estrutura do parágrafo
Forma de produzir o Exemplo
tópico frasal
O parágrafo é materialmente indicado na página pelo
pequeno afastamento da margem esquerda da folha. Essa Declaração inicial: o autor O Estado não é uma ampliação
distinção gráfica do parágrafo é significativa, pois facilita ao afirma ou nega alguma do círculo familiar e, ainda menos,
coisa logo de início. Em uma integração de certos agrupa-
escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente
seguida (no desenvolvi- mentos, de certas vontades par-

LÍNGUA PORTUGUESA
as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor mento), apresenta argu- ticularistas, de que a família é o
acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes mentos para fundamentar a melhor exemplo.
estágios. asserção.
Uma dúvida que surge quando estudamos a composi-
Definição: é método pre- Estilo é a expressão literária de
ção do parágrafo é a sua extensão. Se a produção textual
ferentemente didático e faz ideias ou sentimentos.
trata de um assunto cuja complexidade exige que o desen- uso da linguagem denota-
volvimento de determinada ideia central seja desdobrado tiva.
em mais de um parágrafo, isso é justificado. Do mesmo
modo, essa mesma ideia central (de grande complexidade) Divisão: também é pro- O silogismo divide-se em silo-
cesso didático. Apresenta gismo simples e silogismo com-
pode ser desenvolvida em um único parágrafo, o qual terá
o tópico frasal sob a forma posto.
uma extensão maior em relação à composição com pará- de divisão ou discriminação
grafos desdobrados (divididos). Percebemos, então, que a das ideias a serem desen-
extensão do parágrafo dependerá da natureza de sua ideia volvidas.
central (se complexa ou simples) e do tratamento do escritor
em relação à sua divisão. Em sua redação discursiva, recomendo o uso da decla-
ração inicial, a qual deve ser desenvolvida, preferencial-
O tópico frasal mente, em voz ativa, na ordem direta, na modalidade afir-
mativa e em períodos curtos.
Vejamos, agora, o que caracteriza o tópico frasal e
como o domínio de sua estrutura facilita a análise do pará- 2.5.4. Formas de desenvolvimento do parágrafo
grafo – e, consequentemente, do texto.
O parágrafo organiza-se em introdução, desenvolvi- No desenvolvimento do parágrafo explanamos a ideia
mento e conclusão: principal, apresentada no tópico frasal. Devemos funda-
mentar de maneira clara e convincente as ideias que defen-
a introdução é composta, na maioria dos casos, por demos ou expomos. Apresentamos, a seguir, seis formas
dois períodos curtos iniciais. Nesses períodos, há a expres- de desenvolver o parágrafo. É bom que você, estudante,
são, de maneira sumária e sucinta, da ideia núcleo – é o conheça cada uma, pois isso proporcionará mais autonomia
que chamamos de tópico frasal. Na obra Raízes do Brasil, em sua leitura.
Sérgio Buarque de Holanda nos apresenta o seguinte tópico
frasal:
Forma de desenvolver o Características
parágrafo
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda
Enumeração ou descri- Ocorre quando há a especifica-
menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas von-
ção de detalhes ção da ideia-núcleo por meio da
tades particularistas, de que a família é o melhor exemplo.
apresentação de pormenores,
detalhes.
Nele, observamos a declaração sobre o que (não)
Confronto O confronto é caracterizado
caracteriza o Estado. Ao enunciar logo de saída a ideia- quando há o contraste (baseado
-núcleo, o autor garante, por meio do tópico frasal explícito, nas dessemelhanças) e o paralelo
a objetividade, a coerência e a unidade do parágrafo, defi- (baseado nas semelhanças).
nindo-lhe o propósito e evitando digressões impertinentes; Há, ainda, a antítese (oposição
de ideias isoladas) e a analo-
→ no desenvolvimento há a explanação mesma da gia (semelhança entre ideias ou
cosias, procurando explicar o
ideia-núcleo. Não se pode omitir, no desenvolvimento, algo
desconhecido pelo conhecido, o
que foi apresentado no tópico frasal. Também é pertinente
estranho pelo familiar).
não desenvolver novas ideias (secundárias) sem haver cor-
Analogia e comparação A analogia caracteriza-se por
relação direta com a ideia-núcleo; ser uma semelhança parcial que
sugere uma semelhança oculta,
→ a conclusão, dentro do parágrafo, é mais rara, prin- mais completa.
cipalmente nos parágrafos mais curtos e naqueles em que a Na comparação, as semelhanças
ideia central não apresenta maior complexidade. são reais, sensíveis.
Citação de exemplos Pode ser didática, em que a cita-
Após apresentar a estrutura básica do parágrafo, veja- ção de exemplos assume uma
forma de comprovação ou eluci-
mos esquematicamente as diferentes maneiras de se produ-
dação.
zir o tópico frasal:

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Causação e motivação Pode-se apresentar sob a forma (iv) Adição, continuação: Além das locuções adverbiais
de razões e consequências ou além disso, (a)demais, indicadas na coluna à esquerda,
causa e efeito. outrossim, ainda mais, também as conjunções aditivas,
Definição É um método preferentemente ainda por cima, por outro como o nome indica, “ligam,
didático e faz uso da linguagem lado, também – e as conjun- ajuntando”.
denotativa. A definição é feita ções aditivas (e, nem, não
de acordo com o tópico frasal, só... mas também etc.)
havendo a natural ampliação que (v) Dúvida: O leitor ao chegar até aqui – se
BRUNO PILASTRE

é típica do desenvolvimento. talvez, provavelmente, pos- é que chegou – talvez já tenha


sivelmente, quiçá, quem adquirido uma ideia da relevân-
Coesão entre as ideias do parágrafo e entre parágrafos sabe? é provável, não é cia das partículas de transição.
certo, se é que;
Precisamos, agora, juntar as peças, ou seja, reunir os (vi) Certeza, ênfase: Certamente, o autor destas
de certo, por certo, certa- linhas confia demais na paciên-
períodos dentro do parágrafo (intraparagrafal) e os pará-
mente, indubitavelmente, cia do leitor ou duvida demais do
grafos dentro do texto (interparagrafal). Para interligá-las,
inquestionavelmente, sem seu senso crítico.
faz-se uso das partículas de transição e palavras de referên- dúvida, inegavelmente, com
cia. Adotaremos o quadro proposto por Othon M. Garcia, em toda a certeza;
sua obra Comunicação em Prosa Moderna. (vii) Ilustração, esclareci- Essas partículas, ditas “explica-
mento: tivas”, vêm sempre entre vírgu-
Itens de transição e pala- Exemplo por exemplo, isto é, quer las, ou entre uma vírgula e dois-
vras de referência dizer, em outras palavras, -pontos.
(i) Prioridade, relevância: Em primeiro lugar, é preciso ou por outra, a saber;
em primeiro lugar, antes de deixar bem claro que esta série (viii) Propósito, intenção,
mais nada, primeiramente, de exemplos não é completa, finalidade:
acima de tudo, precipua- principalmente no que diz res- com o fim de, a fim de, com
mente, mormente, princi- peito às locuções adverbiais. o propósito de, proposital-
palmente, primordialmente, mente, de propósito, inten-
sobretudo; cionalmente – e as conjun-
(ii) Tempo (frequência, Finalmente, é preciso acrescen- ções finais;
duração, ordem, suces- tar que alguns desses exemplos (ix) Resumo, recapitula- Em suma, leitor: as partículas de
são, anterioridade, poste- se revelam por vezes um pouco ção, conclusão: transição são indispensáveis à
rioridade, simultaneidade, ingênuos. A princípio, nossa em suma, em síntese, coerência entre as ideias e, por-
eventualidade): intenção era omiti-los para não em conclusão, enfim, em tanto, à unidade do texto.
então, enfim, logo, logo alongar este tópico: mas, por resumo, portanto;
depois, imediatamente, fim, nos convencemos de que as (x) Causa e consequência:
logo após, a princípio, ilustrações são frequentemente daí, por consequência, por
pouco antes, pouco depois, mais úteis do que as regrinhas. conseguinte, como resul-
anteriormente, posterior- tado, por isso, por causa
mente, em seguida, afinal, de, em virtude de, assim, de
por fim, finalmente, agora, fato, com efeito – e as con-
atualmente, hoje, frequen- junções causais, conclusi-
temente, constantemente, vas e explicativas;
às vezes, eventualmente, (xi) Contraste, oposição,
por vezes, ocasionalmente, restrição, ressalva:
sempre, raramente, não pelo contrário, em contraste
raro, ao mesmo tempo, com, salvo, exceto, menos
simultaneamente, nesse – e as conjunções adversa-
ínterim, nesse meio tempo, tivas e concessivas;
enquanto isso – e as con- (xii) Referência em geral: Este caso exige ainda esclareci-
junções temporais; os pronomes demonstrati- mentos. Com referência a tempo
vos “este” (o pais próximo), passado (ano, mês, dia, hora)
(iii) Semelhança, compara- No exemplo anterior (valor ana- “aquele” (o mais distante), não se deve empregar este, mas
ção, conformidade: fórico), o pronome demonstra- “esse” (posição intermedi- “esse” ou “aquele”. “Este ano
igualmente, da mesma tivo “desses” serve igualmente ária; o que está perto da choveu muito. Dizem os jornais
forma, assim também, do como partícula de transição: pessoa com quem se fala); que as tempestades e inunda-
mesmo modo, similarmente, é uma palavra de referência à os pronomes pessoais; ções foram muito violentas em
semelhantemente, analo- ideia anteriormente expressa. repetições da mesma pala- certas regiões do Brasil.” (A tran-
gamente, por analogia, de Da mesma forma, a repetição vra, de um sinônimo, perí- sição neste último exemplo se faz
maneira idêntica, de con- de “exemplos” ajuda a interli- frase ou variante sua; os pelo emprego de sinônimos ou
formidade com, de acordo gar os dois trechos. Também o pronomes adjetivos último, equivalentes de palavras ante-
com, segundo, conforme, adjetivo “anterior” funciona como penúltimo, antepenúltimo, riormente expressas (choveu):
sob o mesmo ponto de vista palavra de referência. “Também” anterior, posterior; os nume- tempestades e inundações.)
– e as conjunções compara- expressa aqui semelhança. No rais ordinais (primeiro,
tivas; exemplo seguinte (valor catafó- segundo etc.).
rico), indica adição.

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Tipos de frases Organização tópica

A denominação elegância nos dá a ideia de bom gosto, Veremos, nesta seção, as formas de se organizar o
garbo. A frase bem construída pode passar essa impressão. tópico discursivo.
Mas a sua construção deve ter estilo, algo que individualiza No texto escrito, é necessário um processo enuncia-
a obra criada. Nas palavras de Othon M. Garcia, estilo é a tivo mais calculado, na base de suposições sociocognitivas

LÍNGUA PORTUGUESA
forma pessoal de expressão em que os elementos afetivos e planejamento de maior alcance. Assim, deve haver uma
manipulam e catalisam os elementos lógicos presentes em distribuição calculada (planejada) da informação na frase.
toda atividade do espírito, nesse caso a escritura de frases. Vejamos, então, quais são os componentes informacionais
Na importante obra Comunicação em prosa moderna, da frase:
o autor supracitado enumera algumas estruturas frasais que,
se bem utilizadas, podem ser apresentadas com garbo, ele- → tema: traz a informação sobre a qual é falado, ou
gância. seja, a informação dada;
As principais modalidades estilísticas frasais são as → rema: traz o que se diz sobre o tema, conhecida
seguintes: como informação nova.

a) Frase de arrastão: sequência cronológica de O tema (também chamado tópico ou dado) traz a
co­ordenações, arrastando a ideia, pormenorizando o pensa- informação dada ou relativamente conhecida e o rema traz a
mento. São muito utilizadas na linguagem infantil e empre- informação relativamente nova ou desconhecida, tendo em
gadas por autores contemporâneos para denunciar uma vista o caráter informacional do fluxo comunicativo.
humanidade que perdeu a ca­pacidade de hierarquizar ideias, Apresentaremos, nas subseções seguintes (de 2.6.1.
imitando o homem medieval, que tinha dificuldades em cons- a 2.6.5.), cinco estruturas básicas de progressão (ou seja,
truir perío­dos subordinados. Leia-se o exemplo: a relação entre o tema e o rema na construção textual
→ O julgamento iniciou e juiz deu a palavra ao advo- mediante o fluxo da informação). O domínio desses esque-
gado e este apresentou sua tese com entusiasmo, mas os mas (estruturas) por parte do escritor é fundamental para a
jurados não aceitaram a legítima defesa e condenaram o réu. articulação eficaz das ideias no texto.
Por fim, lembramos que não há predomínio absoluto de
b) Frase de ladainha: é a variante da frase de arras­tão, uma forma de progressão (sequenciação) em um texto. No
sendo construída com excesso de polissíndeto da conjun- geral, as formas de progressão aparecem misturadas com o
ção e, sem, no entanto, dar à frase tom retórico de gradação predomínio (não absoluto) de uma dessas formas.
(crescente ou decrescente). Em síntese, devemos ter em mente que, em relação ao
assunto Organização tópica, os textos progridem em suas
c) Frase entre cortada: também chamada de frase subunidades de maneira ordenada e não caótica.
esportiva, é muito curta. Em excesso, esta cons­trução usada
como recurso estilístico literário para apontar a incapacidade Progressão linear simples
de o homem pensar, torna­-se estilo picadinho, impróprio ao
discurso jurídico. Vejamos:
→ O réu entrou na sala. Estava abatido. Sentou-se.
Colo­cando as mãos na cabeça. Ela estava abaixada. Ele
parecia desanimado. Ele previa o resultado adverso. Ele
esperava a condenação.

d) Frase fragmentária: variante da frase entrecor­tada,


apresentava rupturas na construção frásica, com incomple-
tude sintática.
Exemplo de Progressão linear simples:
→ Condenado o réu, será encaminhado a presídio de
A fonologia estuda os fonemas de uma língua. Os fonemas
segurança máxima. são as unidades componenciais mínimas de qualquer sistema
linguístico. Todo sistema linguístico tem pelo menos entre vinte e
e) Frase labiríntica: é o excesso de subordinações, sessenta sons. Estes sons...
dividindo-se a frase em ideias secundárias que, por sua vez.
Também se partem, afastando-se da ideia nuclear. Vejamos: Progressão com um tema contínuo
→ O Direito é a aplicação da lei que é imperativa, não
convidando seus subordinados a obedecer a ela, por exigir
seu acatamento, sendo a norma jurídica à vontade do orde-
namento jurídico.

f) Frase caótica: também apelidada de fluxo do cons­


ciente, da linha psicanalítica. É a estrutura frásica desorga-
nizada, sem logicidade semântico-sintática, bastante empre-
gada na literatura contemporânea.

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Exemplo de Progressão com um tema contínuo: Resumo de textos
Os seres vivos habitam a Terra há milhares de anos. Seres
vivos ainda não foram encontrados em outros planetas. Eles são Segundo a NBR 6028:2003, resumo é uma “apresenta­
uma forma superior de seres na natureza, mas estão ameaçados ção concisa dos pontos relevantes de um documento”. Uma
de desaparecer com o aumento da poluição humana. apresentação sucinta, compacta, dos pontos mais importan­
tes de um texto.
Progressão com tema derivado (temas que são deri- ou
vados por hipertema)
BRUNO PILASTRE

Resumo é uma apresentação sintética e seletiva das


ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação
delas. Nele devem aparecer as ideias principais do autor
do texto.
O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde
informações de tal modo que pode influenciar e estimular a
consulta do texto completo.
Formalmente, o redator do resumo deve atentar para
alguns procedimentos:
→ ser redigido em linguagem objetiva;
→ evitar a repetição de frases inteiras do original;
Exemplo de Progressão com tema derivado: → respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são
Os animais dividem-se em várias classes. Os animais ver-
apresentados;
tebrados são em geral os maiores fora d’água. Os animais mari-
nhos são os maiores de todos. Já os insetos são os menores
animais que a natureza tem. Finalmente, o resumo:
→ não deve apresentar juízo de valorativo ou crítico
Progressão com um rema dividido (desenvolvimento (que pertence a outro tipo de texto, a resenha);
com um duplo tema ou múltiplo) → deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dis­
pensar a consulta ao original.

Como resumir:
→ Leitura completa do texto;
→ Análise do texto, sublinhando as partes mais impor­
tantes;
→ Elaborar um esquema das ideias principais do texto;
→ Produzir texto com suas próprias palavras. Não
copiar.

Exemplo:
Exemplo de Progressão com um rema dividido: Informação central x Detalhes referentes a ela.
O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.
A cabeça é uma parte muito especial por abrigar o cérebro. O
tronco abriga a maioria dos órgãos vitais. Os membros servem Como ocorre todos os anos, os amigos de Maria, fun­cionária de
para nosso contato com as coisas e manipulação direta dos obje- uma importante firma, fizeram, na sala do gerente de vendas,
tos à nossa volta. uma grande festa durante a tarde de ontem, em comemoração
a seu aniversário.
Progressão com salto temático
Eliminar, quando não for uma informação fundamental:
→ Características de Maria;
→ Referência de lugar;
→ Referência de tempo;
→ Causa do fato;
→ Frequência.

Resultado:
→ Os amigos de Maria fizeram uma grande festa para
ela.
Exemplo de Progressão com salto temático:
A polícia militar nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo Resumo de ideias
foram mostradas em sua verdadeira face nos últimos dias de
junho deste ano. Nesta época, viu-se algo profundamente depri- Ideia central → Encontra-se na Introdução.
mente. Conta-se que há muitos anos atrás, quando ainda havia Argumentos (somente os mais importantes, principais).
escravidão, qualquer coisa que desagradasse ao senhor era tra- → Em cada parágrafo deve haver um argumento. Você
tada com violência e espancamento.
deverá encontrá-lo.
→ Eliminar ideias secundárias e exemplificações.

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Assim, o resumo é uma condensação fiel das ideias Paráfrases e suas modalidades
ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa
reduzi­-lo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista Em linguística, a paráfrase é uma maneira diferente de
três ele­mentos: dizer algo que foi dito; é uma frase sinônima de outra. Quando
→ Cada uma das partes essenciais do texto; parafraseamos, reescrevemos reservando as ideias originais.
→ A progressão em que elas se sucedem; A paráfrase pode ser feita por:
→ A correlação que o texto estabelece entre cada uma

LÍNGUA PORTUGUESA
dessas partes. a) Substituição lexical (relações de sinonímia):
→ Embora dissesse a verdade, ninguém acreditou em
Variação linguística: sistema, norma e uso seu discurso.
→ Conquanto dissesse a verdade, ninguém acreditou
(Baseado na obra de CAMACHO, R. A variação lin- em seu discurso.
guística. In: Subsídios à proposta curricular de língua Portu-
guesa para o ensino fundamental e médio. São Paulo, 1988.
b) Inversão dos termos da oração ou das orações do
(Com adaptações))
período:
→ Grande parte de nossas vidas transcorre em salas
A variação de uma língua é a forma pela qual ela difere
de aula.
de outras formas da linguagem sistemática e coerente-
→ Em salas de aula, grande parte de nossas vidas trans-
mente. Uma nação apresenta diversos traços de identifica-
corre.
ção, e um deles é a língua. Esta pode variar de acordo com
alguns fatores, tais como o tempo, o espaço, o nível cultural → Irei ao México quando me formar.
e a situação em que um indivíduo se manifesta verbalmente. → Quando me formar, irei ao México.

Conceito c) Transposição da voz ativa para a voz passiva e vice-


-versa:
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa → Walter Sousa elogiou a obra de Machado de Assis.
ou estilo de linguagem. Alguns escritores de sociolinguística → A obra de Machado de Assis foi elogiada por Walter
usam o termo leto, aparentemente um processo de criação Sousa.
de palavras para termos específicos, são exemplos dessas
variações: d) Transposição do discurso direto para o discurso indi-
→ Dialetos (variação diatópica), isto é, variações fala- reto e vice-versa:
das por comunidades geograficamente defi­nidas. → O aluno disse:
→ Idioma é um termo intermediário na distinção dia­leto- - Estou com dúvida, professor.
linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo → O aluno disse ao professor que estava com dúvida.
estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou
uma linguagem) quando sua condição em relação a esta dis- e) Substituição da oração adverbial, substantiva ou adje-
tinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo para lin- tiva pelas classes gramaticais correspondentes ou vice-versa:
guagem num sentido mais geral). → A moça escorregou porque ventava. (oração adver-
→ Socioletos, isto é, variações faladas por comu­ bial causal)
nidades socialmente definidas. → A moça escorregou por causa do vento. (locução
→ Linguagem Padrão ou norma padrão, padroni­zada adverbial causal)
em função da comunicação pública e da edu­cação. → Desejo que você silencie. (oração substantiva)
→ Idioletos, isto é, uma variação particular a certa → Desejo o seu silêncio. (substantivo)
pessoa. → Ela é uma pessoa que tem convicções. (oração adje-
→ Registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário espe- tiva)
cializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões.
→ Ela é uma pessoa convicta. (adjetivo)
→ Etnoletos, para um grupo étnico.
d) Substituição de orações desenvolvidas por reduzidas
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem
e vice-versa:
ser distinguidas não apenas por seu vocabulário, mas
→ É importante que o trabalho seja prosseguido.
também por diferenças na gramática, na fonologia e na ver-
(oração desenvolvida)
sificação. Por exemplo, o sotaque de palavras tonais nas lín-
guas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. → É importante prosseguir o trabalho. (oração reduzida)
Outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes
socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia Perífrases e construções perifrásticas (Circunlóquio)
básica da linguagem.
Certos registros profissionais, como o chamado legalês, A perífrase é definida como uma frase ou recurso verbal
mostram uma variação na gramática da linguagem padrão. que exprime aquilo que poderia ser expresso por menor
Por exemplo, jornalistas ou advogados ingleses frequente- número de palavras; circunlóquio. Temos, por exemplo, as
mente usam modos gramaticais, como o modo subjuntivo, seguintes expressões para ilustrar o que é uma perífrase.
que não são mais usados com frequência por outros falan- → “A última flor de Lácio” – Língua Portuguesa.
tes. Muitos registros são simplesmente um conjunto espe- → “O país do Futebol” – Brasil.
cializado de termos. → “A dama do teatro brasileiro” – Fernanda Montenegro.

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→ “Bruxo do Cosme Velho” – Machado de Assis. reflete uma visão de mundo determinada, necessariamente,
vinculada à do(s) seu(s) autor(es) e às sociedade em que
A análise do discurso vive(m).
Texto, por sua vez, é o produto da atividade discur-
Análise do discurso – ou análise de discurso – é uma siva, o objeto empírico de análise do discurso; é a constru-
prática e um campo da linguística e da comunicação espe- ção sobre a qual se debruça o analista para buscar, em sua
cializado em analisar construções ideológicas presentes em superfície, as marcas que guiam a investigação científica. É
BRUNO PILASTRE

um texto. É muito utilizada, por exemplo, para analisar textos necessário salientar, porém, que o objeto da análise do dis-
da mídia e as ideologias que os engendram. A análise do curso é o discurso.
discurso é proposta a partir da filosofia materialista, que põe (CHARAUDEAU, P; MAINGUENEAU, D.
em questão a prática das ciências humanas e a divisão do Dicionário de Análise do Discurso. São Paulo: Contexto, 2004.)
trabalho intelectual, de forma reflexiva.
De acordo uma das leituras possíveis, discurso é a prá- Vícios de linguagem
tica social de produção de textos. Isto significa que todo dis-
curso é uma construção social, não individual, e que só pode Por Vícios de linguagem entende-se: os desvios
ser analisado considerando seu contexto histórico-social, cometidos pelos usuários da língua, às vezes por desconhe-
suas condições de produção; significa, ainda, que o discurso cimento das normas ou por descuido. Entre os vícios de lin-
guagem, cabe menção aos seguintes (cf. Bechara, 2009):

Nome Conceituação Exemplo


O solecismo é um erro de sintaxe. Abrange diversos Eu lhe abracei (por o).
domínios: a concordância, a regência, a colocação e
Solecismo a má estruturação dos termos da oração. Esse erro, A gente vamos (por vai).
comumente, torna a sintaxe incompreensível ou impre-
cisa. Tu fostes (por foste).
Em oposição ao solecismo (que diz respeito à constru- gratuíto por gratuito
ção ou combinação da palavra), o barbarismo é o erro
no emprego de uma palavra. Inclui erro de: pronúncia rúbrica por rubrica
Barbarismo (ortoepia), de prosódia, de ortografia, de flexões, de sig-
nificado, de palavras inexistentes na língua, de forma- cidadões por cidadãos
ção irregular de palavras.
areonáutica por aeronáutica
Caracteriza-se pelo emprego de palavras, expressões doméstico (voo) por nacional
e construções alheias ao idioma que a ele chegam por
empréstimos tomados de outra língua. Para nós, brasi- marketing
Estrangeirismo leiros, os estrangeirismos de maior frequência são os
francesismos ou galicismos, anglicismos, espanho- entretenimento
lismos e italianismos.
adágio

aquarela
Ambiguidade é a propriedade que apresentam diversas O homem bateu na velha com a bengala.
unidades linguísticas (morfemas, palavras, locuções,
frases) de significar coisas diferentes, de admitir mais O guarda conduziu a idosa para sua residência.
de uma leitura. A ambiguidade é um fenômeno muito
frequente, mas, na maioria dos casos, os contextos lin- O cadáver foi encontrado perto do banco.
Ambiguidade ou anfibologia guístico e situacional indicam qual a interpretação cor-
reta.
Estilisticamente, é indesejável em texto científico ou
informativo, mas é muito usado na linguagem poética
e no humorismo.
Eco É a sucessão de palavras que rimam entre si. Não dão explicação para a demissão do João.

A estilística Assim como é variável na abrangência do conceito de


estilo, variável há de ser a própria concepção de Estilística.
Para compreender bem a estilística, recorreremos à mais Há, de fato, uma estilística em sentido amplo e uma estilística
recente obra de José Carlos de Azeredo, Gramática Houaiss em sentido restrito. Em sua acepção ampla, entende-se por
da Língua Portuguesa (PubliFolha, 2008). Estilística o estudo dos diferentes usos – isto é, estilos – da
Segundo o autor, a estilística pode ser considerada uma língua segundo a situação e a finalidade do ato comunicativo;
teoria da construção do sentido, na medida em que se baseia
Assim entendida, trata-se de uma disciplina que consiste em
na premissa de que o que um texto significa é modelado pelas
um método de análise de textos e pode ser considerada uma
escolhas linguísticas – de ordem léxica, gramática, fonética,
variedade de Análise do Discurso.
gráfica e rítmica – feitas por seu enunciador.

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Recursos estilísticos Figuras de sintaxe

Todo texto deve apresentar a forma que convém às O desvio estilístico nas figuras de sintaxe ocorre na
intenções de quem o enuncia. Segundo este postulado, a lin- organização sintática da frase.
guagem de um texto não é uma mera roupagem de um con-
teúdo, mas a única possibilidade de que esse conteúdo ‘se Figuras de pensamento
apresente’ ao leitor. E para tanto contribuem todos os dados

LÍNGUA PORTUGUESA
do evento sociocomunicativo: quem enuncia, a quem o enun- O desvio se dá no sentido geral da frase, no entendi-
ciado interessa, o que é relevante dizer, que efeitos de sen- mento total da mensagem. Essas figuras manifestam seu
tido são pretendidos, que estratégias discursivas e textuais rendimento no desacordo da relação de verdade entre o
podem conduzir a esses efeitos. Isso provoca uma variação que se diz literalmente e a realidade da qual se fala. Assim,
da modalidade da linguagem, em consonância com as fun- é fundamental o conhecimento do referente, para a perfeita
ções que a ela atribuímos no processo de comunicação. apreensão do sentido que se pretende atribuir ao enun-
É necessário compreender que os valores afetivos e ciado.
estéticos da linguagem são realçados em função de certos
procedimentos de organização da matéria verbal que a Figuras fônicas
caracterizam. Esses procedimentos – denominados recur-
sos (ou traços) estilísticos - se observam em todos os O desvio ocorre na organização da camada sonora da
planos e níveis da arquitetura da língua. São recursos fôni- linguagem, explorando o potencial expressivo dos fonemas.
cos, arranjos sintáticos, modulações rítmicas, criações mór- Os sons da linguagem, assim como outros sons,
ficas, combinações insólitas, paralelismos, notações gráfi- podem provocar sensações agradáveis ou desagradáveis.
cas etc. Todos esses, além de outros, recursos de estilo Não é por outra razão que Charles Bally afirma a existência
amplificam o sentido da frase, fazem o ‘modo de dizer’ a de “uma correspondência entre os sentimentos e os efeitos
pedra de toque de todo o processo de interpretação e com- sensoriais produzidos pela linguagem”.
preensão de um texto.
Referências
Figuras de linguagem
Bibliografia
Podemos definir figuras de linguagem como formas ANDRADE, M. & MEDEIROS, J. Comunicação em língua portuguesa.
simbólicas ou elaboradas de exprimir ideias, significados, 2009.
pensamentos etc., de maneira a conferir-lhes maior expres- AZEREDO, J. Escrevendo pela nova ortografia: como usar as regras
sividade, emoção, simbolismo etc., no âmbito da afetividade do novo acordo ortográfico da língua portuguesa. 2008.
ou da estética da linguagem. Portanto, é interessante ter BECHARA, E. Estudo da língua portuguesa: textos de apoio. 2010.
em mente que as figuras de linguagem não valem por si BRASIL. Presidência da República. Manual de redação da Presidên-
mesmas, como elementos autônomos sem qualquer rela- cia da República. Brasília: Imprensa Nacional, 1991.
ção com a semântica do texto. [...] Como as palavras, as CARVALHO, J. Teoria da Linguagem. 1983.
figuras de linguagem não significam isoladas, independen- CEGALLA, D. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. 2007.
tes; sua significação emana das combinações de que elas DUARTE & LIMA. Classes e Categorias em Português. 2000.
participam nos contextos situacional e linguístico de sua ECO, U. A arte perdida da caligrafia. Artigo do New York Times. Revista
ocorrência. Como elas estão inseridas na macrossemântica da Cultura, nº 28.
do texto, sua capacidade de expressar uma significação FERREIRA, A. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 2009.
não depende só delas, o que torna inócuo o seu inventá- FIORIN, J. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa,
rio, o seu mero reconhecimento sem que se tenha a devida espaço e tempo. 1996.
competência linguística para perceber a sua funcionalidade GARCIA, O. Comunicação em prosa moderna. 2007.
no amplo complexo da textualidade. Desse modo, é preciso HOUAISS, A. Dicionário Houaiss: sinônimos e antônimos. 2008.
ver a terminologia que as identifica – e que a muitas pes- KOCH, I. A coesão textual. 1993.
soas causa justificado desconforto, quando não perplexi- KOCH, I. A inter-ação pela linguagem. 1992.
dade ou rejeição – um instrumental para o reconhecimento KOCH, I. A coerência textual. 1990.
técnico do fato estilístico, e não o objetivo da análise. KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. A coerência textual. 2009.
As figuras de linguagem podem atuar a área da KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. Texto e coerência. 1989.
semântica lexical, da construção gramatical, da associação KOCH, I. Argumentação e linguagem. 1984.
cognitiva do pensamento ou da camada fônica da lingua- KOCH, I. O texto e a construção dos sentidos. 2008.
gem. Assim, temos o que tradicionalmente se denomina de LUFT, C. Dicionário prático de regência nominal. 2010.
figuras de palavras, figuras de construção (ou de sintaxe), LUFT, C. Dicionário prático de regência verbal. 2008.
figuras de pensamento e figuras fônicas. Dicionários de arte MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e compreen-
poética e manuais de retórica dão conta da grande varie- são. 2008.
dade dessas figuras, às vezes apartadas por diferenças MARTINS, D. & ZILBERKNOP, L. Português Instrumental. 2009.
sutis. MEDEIROS, J. Redação científica. 2009.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Manual do candidato: português. Fund. Ale-
Figuras de palavras xandre de Gusmão. 2001.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Para entender o texto: leitura e redação.
As figuras de palavras (ou tropos) referem-se à signi- 2009.
ficação das palavras, desviando-se da significação que o Sítios
consenso identifica como normal. BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Caros Amigos: http://carosamigos.terra.com.br/ 3. Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original
Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/ do texto ao se substituir “há” (l.19) por existe.
Folha de São Paulo: http://www.folha.uol.com.br/
Le Monde Diplomatique Brasil: http://www.diplomatique.org.br/ 4. Seria mantida a correção gramatical do período caso
Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
o fragmento “Estação do ano mais aguardada pelos
PCI Concursos – Provas: http://www.pciconcursos.com.br/provas/
brasileiros” (l.1) fosse deslocado e inserido, entre vír-
Rádio CBN: http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
gulas, após “verão” (l.2) feitos os devidos ajustes de
Revista Piauí: http://revistapiaui.estadao.com.br/
BRUNO PILASTRE

VOLP: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23
maiúsculas e minúsculas.

Sítios das bancas examinadoras adotadas nesta obra 5. Infere-se do texto que ainda falta a contribuição de
CESPE: http://www.cespe.unb.br/ muitos países para as pesquisas que associem altas
CONSULPLAN: http://www.consulplan.net/portal/consulplan.php temperaturas a internações por enfermidades relacio-
ESAF: http://www.esaf.fazenda.gov.br/ nadas aos efeitos do calor.
FCC: http://www.concursosfcc.com.br/
CESGRANRIO: http://www.cesgranrio.org.br/inicial.aspx 6. Os acentos gráficos das palavras “bioestatística” e “es-
FUNRIO: http://www.funrio.org.br/ pecíficos” têm a mesma justificativa gramatical.

QUESTÕES COMENTADAS DE GRAMÁTICA 7. O termo "aí" (l.20) tem como referente “Brasil” (l.19).

CESPE/ FUB/ NÍVEL INTERMEDIÁRIO (CARGO 12) 8. O emprego da vírgula após “momento” (l.10) explica-se
por isolar o adjunto adverbial, que está anteposto ao
1 Estação do ano mais aguardada pelos brasileiros, verbo, ou seja, deslocado de sua posição padrão.
o verão não é sinônimo apenas de praia, corpos à
mostra e pele bronzeada. O calor extremo provocado 1 “O preconceito linguístico é um equívoco, e tão
por massas de ar quente ― fenômeno comum nessa nocivo quanto os outros. Segundo Marcos Bagno,
5 época do ano, mas acentuado na última década pelas especialista no assunto, dizer que o brasileiro não sabe
mudanças climáticas ― traz desconfortos e riscos à português é um dos mitos que compõem o preconceito
saúde. Não se trata somente de desidratação e inso- 5 mais presente na cultura brasileira: o linguístico”.
lação. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública de  A redação acima poderia ter sido extraída do edi-
Harvard (EUA), o maior a respeito do tema feito até o torial de uma revista, mas é parte do texto “O oxente e o
10 momento, mostrou que as temperaturas altas aumentam ok”, primeiro lugar na categoria opinião da 4ª Olimpíada
hospitalizações por falência renal, infecções do trato de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, realizada
urinário e até mesmo sepse, entre outras enfermidades. 10 pelo Ministério da Educação em parceria com a Fun-
“Embora tenhamos feito o estudo apenas nos EUA, as dação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas
em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC).
ondas de calor são um fenômeno mundial. Portanto,
 A autora do artigo é estudante do 2º ano do ensino
15 os resultados podem ser considerados universais”, diz
médio em uma escola estadual do Ceará, e foi premiada
Francesca Domininci, professora de bioestatística da
15 ao lado de outros dezenove alunos de escolas públi-
faculdade e principal autora do estudo, publicado no
cas brasileiras, durante um evento em Brasília, no
jornal Jama, da Associação Médica dos Estados Unidos. último mês de dezembro. Como nos três anos ante-
No Brasil, não há estudos específicos que associem as riores, vinte alunos foram vencedores ― cinco em
20 ondas de calor a tipos de internações. “Não é só aí. No cada gênero trabalhado pelo projeto. Além de opinião
mundo todo, há pouquíssimas investigações a respeito 20 (2º e 3º anos do ensino médio), a olimpíada destacou
dessa relação”, afirma Domininci. “Precisamos que produções em crônica (9º ano do ensino fundamental),
os colegas de outras partes do planeta façam pesqui- poema (5º e 6º anos) e memória (7º e 8º anos). Tudo
sas semelhantes para compreendermos melhor essa regido por um só tema: “O lugar em que vivo”.
25 importante questão para a saúde pública”, observa.
Língua Portuguesa, 1/2015. Internet: <www.revistalin-
Internet: <www.correioweb.com.br>(com adaptações) gua.uol.com.br>(com adaptações)

Com relação às ideias e às estruturas do texto acima, No que se refere aos sentidos, à estrutura textual e aos
julgue os itens que se seguem. aspectos gramaticais do texto, julgue os itens a seguir.

1. Os elementos presentes no texto permitem classificá- 9. A inserção de vírgula antes do “que” (l.4) provocaria
-lo como narrativo. alteração de sentido no texto.

10. De acordo com as informações constantes do texto


2. Depreende-se das informações do texto que o calor
acima, a 4ª Olimpíada de Língua Portuguesa “Escre-
causado por massas de ar quente e intensificado por
vendo o Futuro” contou com a participação de alunos
mudanças climáticas transformou o verão em uma es-
da rede pública que trabalharam com cinco gêneros
tação prejudicial à saúde das pessoas, pelo aumento textuais, tendo ficado em primeiro lugar na categoria
de hospitalizações por doenças como falência renal. opinião o texto O oxente e o ok.

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11. Os trechos "especialista no assunto" (l. 3), "o linguís- De acordo com o texto acima, julgue os seguintes
tico" (l.5) e “primeiro lugar na categoria opinião da 4ª itens.
Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futu-
ro” (l. 8 a 9) exercem a mesma função sintática, a de 16. De acordo com o contexto, estaria também correto o
aposto. emprego do sinal indicativo de crase em “quanto a”
(l.35).
12. O elemento coesivo “mas” (l.7) inicia uma oração co-

LÍNGUA PORTUGUESA
ordenada que exprime a ideia de concessão em uma 17. O vocábulo “indumentárias” (l.23) está empregado em
sequência de fatos.
sentido figurado.
13. Na linha 18, caso o travessão fosse substituído por
18. Mantêm-se a correção gramatical e as informações
dois-pontos, não haveria prejuízo para a correção gra-
matical do texto. originais do texto ao se substituir “Trata-se de” (l.23)
por Situações como essas se tratam de.
14. De acordo com o primeiro parágrafo do texto, para o
especialista Marcos Bagno, o preconceito linguístico 19. Conforme o texto, a escola deve ensinar aos alunos
nasce da ideia de que existe uma única língua portu- a norma-padrão da língua portuguesa, mas é preciso,
guesa correta. também, refletir se seria adequado corrigir outras pes-
soas, como, por exemplo, um porteiro que diz O elevador
15. O termo “o brasileiro” (l.3) exerce a função de sujeito tá cum pobrema.
da oração em que se insere.
20. Depreende-se do texto que a língua falada não é uma,
1 A língua que falamos, seja qual for (português, mas são várias porque, a depender da situação, o fa-
inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais lante pode se expressar com maior ou menor formali-
eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, dade.
disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas
5 em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não
21. Segundo o texto, "temos de ser poliglotas em nossa
se deve falar em uma reunião de trabalho como se
falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no própria língua" (l. 4 e 5) significa que a língua assume
mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí variantes adequadas aos contextos em que são pro-
o português medieval, renascentista, do século XIX, duzidas.
10 dos anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português
lusitano, brasileiro e mais: um português carioca, pau- 22. O pronome “outra” (l.27) está empregado em referên-
lista, sulista, nordestino); segundo a escolaridade do cia ao termo “A língua” (l.26).
falante (que resulta em duas variedades de língua: a
escolarizada e a não escolarizada) e finalmente varia
15 segundo a situação de comunicação, isto é, o local
GABARITO
em que estamos, a pessoa com quem falamos e o
motivo da nossa comunicação ― e, nesse caso, há,
pelo menos, duas variedades de fala: formal e informal. 1. E. Trata-se, na verdade, de um texto expositivo.
 A língua é como a roupa que vestimos: há um traje
20 para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje 2. C
social, outras em que o mais adequado é o casual, sem
falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada,
3. E. O verbo “há” (l. 19) deve ser substituído pela forma
quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias
“existem”, a qual passa a concordar com “estudos
que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia
25 de terno, mas não é normal, pois causa estranheza. específicos” (l. 19).
 A língua funciona do mesmo modo: há uma norma
para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra 4. C. A expressão nominal em questão é um aposto, o
para a comunicação em compras no supermercado. qual pode, sim, ser deslocado para a posição poste-
A norma culta é o padrão de linguagem que se deve rior ao nome a que faz referência (verão).
30 usar em situações formais.
 A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta 5. C
em todas as situações? Evidentemente que não, sob
pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em 6. C. Ambas são proparoxítonas.
vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim
35 é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala 7. C. De fato, o referente locativo da forma “aí” é Brasil.
errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos
a se expressar corretamente, e o professor deve cor-
8. E. O termo em destaque faz referência ao nome
rigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir
“estudo” (l. 8). Não se trata, então, de adjunto adver-
o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?
bial.
Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.
com.br>(com adaptações). 9. X

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10. E 2. Na linha 3, a supressão do termo “em” manteria a cor-
reção gramatical e o sentido original do período.
11. C. De fato, os trechos destacados são é expres-
sões de natureza substantiva que se referem a outra 3. Em todas as ocorrências de “têm” no texto (l. 3, 7, 8 e
expressão de natureza substantiva ou pronominal. 10) é exigido o uso do acento circunflexo para marcar
o plural.
12. E. O elemento coesivo “mas” inicia, no texto citado,
BRUNO PILASTRE

uma oração coordenada que exprime ideia adversa- 4. Com o uso do pronome masculino “eles” (l.7), excluem-
tiva. -se da argumentação as mulheres, razão pela qual são
citadas no período final do texto.
13. C. O travessão pode ser substituído por dois-pontos
e por vírgula, inexistindo prejuízo para a correção 1 Neste ano, em especial, alguns cargos que tradi-
gramatical. cionalmente já são valorizados devem ficar ainda mais
requisitados. São promissores cargos ligados à ciência
14. E de dados, em especial ao big data e aos dispositivos
5 móveis, como celulares e tablets. Os novos profissionais
15. C. A oração em questão é “o brasileiro não sabe por- da área de tecnologia ganham relevância pela capacidade
tuguês”, cujo sujeito é “o brasileiro”. O predicado é de aprofundar a análise de informações e pela criação
“não sabe português”. de estratégias dentro de empresas. A tendência é que,
à medida que esse mercado se desenvolva no Brasil,
16. E. A forma verbal “corrigir” é refratária à presença 10 aumentem as oportunidades nos próximos anos. Em
de artigo. Assim, impossibilita-se o emprego do sinal momentos de incerteza econômica, buscar soluções
indicativo de crase (pois não há fusão de dois aa). para aumentar a produtividade é uma escolha certeira
para sobreviver e prosperar: nesse sentido, as empre-
17. C sas brasileiras estão fazendo o dever de casa.
18. E
19. C Veja, 7/1/2015, p. 55(com adaptações)
20. C
21. C Com referência aos sentidos e às estruturas do texto
acima, julgue os itens a seguir.
22. E. Não há referência anafórica à expressão “A língua”.
No trecho em questão, a reconstrução da ideia é a 5. No texto, o uso das formas verbais no modo subjunti-
seguinte: “A língua funciona do mesmo modo: há vo em “desenvolva” e “aumentem”, nas linhas 9 e 10,
uma norma para entrevistas de emprego, audiências reforça a ideia de hipótese conferida ao substantivo
judiciais; e outra (NORMA) para a comunicação em
“tendência” (l.8).
compras no supermercado.”
6. Na linha 12, para a construção de sentidos do texto, a
CESPE/ CEBRASPE – FUB – NÍVEL SUPERIOR
forma verbal “é” está flexionada no singular para con-
(TODOS OS CARGOS)
cordar com o núcleo do sujeito, “produtividade”.

1 O fator mais importante para prever a performance


7. Preservam-se as relações sintáticas e a correção gra-
de um grupo é a igualdade da participação na conversa.
matical entre as orações ao substituir o sinal de dois-
Grupos em que poucas pessoas dominam o diálogo têm
-pontos (l.13) por ponto e vírgula ou vírgula.
desempenho pior do que aqueles em que há mais troca.
5 O segundo fator mais importante é a inteligência social
dos seus membros, medida pela capacidade que eles 8. Depreende-se do texto que o Brasil vive um momen-
têm de ler os sinais emitidos pelos outros membros to de grande incerteza econômica, principalmente por
do grupo. As mulheres têm mais inteligênciasocial que não haver avançado o suficiente no campo da tecno-
os homens, por isso grupos mais diversificados têm logia.
10 desempenho melhor.
1 O eixo norteador da gestão estratégica de recursos
Gustavo Ioschpe. Veja, 31/12/2014, p. 33(com adapta- humanos é a ênfase nas pessoas como variável determi-
ções) nante do sucesso organizacional, visto que a busca pela
competitividade impõe à organização a necessidade de
Julgue os itens seguintes, referentes às ideias e às es- 5 contar com profissionais altamente qualificados, aptos
truturas linguísticas do texto acima. a fazer frente às ameaças e oportunidades do mercado.
 Essa construção competitiva sugere que a ges-
1. Preservam-se o sentido e a correção gramatical do tão estratégica de recursos humanos contribui para
texto ao acrescentar de ideias após “troca” (l.4) e do gerar vantagem competitiva sustentável por promover
que grupos mais homogêneos após “melhor” (l.10).

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10 o desenvolvimento de competências e habilidades, 14. Para a retomada de ideias na organização das ora-
produz e difunde conhecimento, desenvolve as rela- ções do texto, admite-se, após “fatores” (l.3), a substi-
ções sociais na organização. tuição da vírgula por ponto e vírgula.
 A gestão deve ter como objetivo maior a melho-
1 Um estudo da Universidade da Califórnia, em
ria das performances profissional e organizacional,
Davis – EUA, mostra que a curiosidade é importante
15 principalmente por meio do desenvolvimento das pes- no aprendizado. Imagens dos cérebros de universitá-

LÍNGUA PORTUGUESA
soas em um sentido mais amplo. Dessa forma, o conhe- rios revelaram que ela estimula a atividade cerebral
cimento e o desempenho representam, ao mesmo 5 do hormônio dopamina, que parece fortalecer a
tempo, um valor econômico à organização e um valor memória das pessoas. A dopamina está ligada à
social ao indivíduo. sensação de recompensa, o que sugere que a curio-
sidade estimula os mesmos circuitos neurais ativa-
Valdec Romero. Aprendizagem organizacional, gestão dos por uma guloseima ou uma droga. Na média, os
do conhecimento e universidade corporativa: instru- 10 alunos testados deram 35 respostas corretas a 50 per-
mentos de um mesmo construto. guntas acerca de temas que os deixavam curiosos e
Internet: (com adaptações) 27 de 50 questões sobre assuntos que não os atraíam.
Estimular a curiosidade ajuda a aprender.
Julgue os itens subsequentes, relativos às estruturas
Planeta, dez/2014, p. 14 (com adaptações)
linguísticas e às ideias do texto.
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do
9. Na linha 4, a forma verbal “impõe” exige dois comple- texto acima, julgue os itens subsecutivos.
mentos: um, introduzido pela preposição “a” ― por
isso, o acento indicativo de crase em “à organização” 15. A retirada do termo “o” em “o que sugere” (l.7) preserva
―; e outro, sem preposição ― de que decorre o não a relação entre as ideias, bem como a correção grama-
uso da crase em “a necessidade”. tical do texto, com a vantagem de ressaltar o paralelis-
mo com o período sintático anterior.
10. As expressões “eixo norteador” (l.1) e “fazer frente” 16. Os dados apresentados acerca das respostas dos
(l.6) demonstram que o texto se afasta do nível de for- “alunos testados” (l.10) constituem argumentos a favor
malidade da linguagem, aproximando-se do registro da tese do texto, expressa por “a curiosidade é impor-
coloquial ou oral. tante no aprendizado” (l. 2 e 3).

1 Se observarmos as nações desenvolvidas, veri- 17. Em um uso mais formal da língua, as regras de co-
ficaremos que elas se destacam em termos de pro- locação pronominal do padrão culto permitem que o
pronome átono em “que não os atraíam” (l. 12) seja
dutividade total dos fatores, ou seja, são países que
também utilizado depois do verbo, sob a forma de nos,
tornaram as economias mais eficientes e produtivas ligada ao verbo por um hífen.
5 e contam não só com a eficácia das máquinas e dos
equipamentos de seu parque industrial, mas também 18. No desenvolvimento argumentativo do texto, admite-
com o acesso a insumos mais sofisticados e ade- -se a substituição de “no aprendizado” (l. 3) por para
quados, com mão de obra bem educada e formada, o aprendizado.
infraestrutura adequada e custos justos de transação.
GABARITO
Cledorvino Belini. O Brasil depois das eleições. In:
Correio Braziliense, 2/1/2015 (com adaptações).
1. C
Julgue os próximos itens, relacionados às ideias e às
2. E
estruturas linguísticas do texto acima.
3. C. Na primeira ocorrência, a forma “têm” concorda com
11. No desenvolvimento textual, subentende-se que a for-
“Grupos” (l. 3); na segunda, concorda com “eles” (l. 7);
ma verbal “são” (l.3) remete a “elas” (l.2), ou seja, “as
na terceira, concorda com “mulheres” (l. 8); na quarta,
nações desenvolvidas” (l.1).
concorda com “grupos mais diversificados” (ls. 9-10).
12. Mantêm-se a coesão textual e a correção gramatical
4. E. Não há exclusão, uma vez que, no texto, o pro-
caso se substitua o trecho “contam (...) acesso” (l. 5
nome “eles” faz referência a termos como “grupos” e
a 7) por: contam com a eficácia das máquinas e dos
“membros”, os quais incluem as mulheres.
equipamentos de seu parque industrial, bem como
com o acesso.
5. C. De fato, o modo subjuntivo expressa a ação ou
estado denotado pelo verbo como um fato irreal, ou
13. Depreende-se das ideias do texto que, para uma na-
simplesmente possível ou desejado, ou que emite
ção ser considerada desenvolvida, sua economia deve
sobre o fato real um julgamento. Assim, há compatibi-
basear-se na otimização de seu parque industrial, mão
lidade entre a ideia de hipótese conferida ao substan-
de obra gentil e bem formada, infraestrutura apropria-
tivo “tendência” e a forma verbal no modo subjuntivo.
da e justiça do mercado.

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6. E. “produtividade” não é núcleo do sujeito. LEGENDA: SEPARAÇÃO DOS CONTEÚDOS
(PARA BANCA CESPE)
7. C
IT – interpretação
8. E FN – fonologia
MF – morfologia
9. C. O verbo “impor”, na construção em questão, é STX – sintaxe
bitransitivo. O objeto direto é “a necessidade” e o SE – semântica e estilística
BRUNO PILASTRE

objeto indireto é “a organização”: impor a necessi-


dade à organização. CESPE

10. E. Pelo contrário. As formas as expressões em ques- CESPE/ ANS/ SUPERIOR


tão são formais.
1 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
11. C. A cadeia referencial da primeira parte do período divulgou o último relatório de monitoramento das ope-
compartilha o mesmo sujeito semântico. Nações radoras, que, pela primeira vez, inclui os novos crité-
desenvolvidas = elas = sujeito elíptico da forma “são”. rios para suspensão temporária da comercialização
5 de planos de saúde. Além do descumprimento dos
12. C prazos de atendimento para consultas, exames e
cirurgias, previstos na RN 259, passaram a ser con-
13. E siderados todos os itens relacionados à negativa de
cobertura, como o rol de procedimentos, o período
14. C. A substituição é possível, uma vez que o ponto e 10 de carência, a rede de atendimento, o reembolso e o
vírgula assinala pausa mais forte que a da vírgula e mecanismo de autorização para os procedimentos.
menos acentuada que a do ponto – o que é compatí- www.ans.gov.br> (com adaptações)
vel com a construção em questão.
Em relação às informações e estruturas linguísticas do
15. E. Ao se retirar o termo “o”, a expressão adquire valor de texto acima, julgue os itens que se seguem.
oração subordinada adjetiva. Nesse caso, “que sugere...”
fará referência apenas ao nome “recompensa”, o que 1. IT – Depreende-se das informações do texto que, an-
modifica a relação entre as ideias do texto. tes do último relatório, a ANS, no monitoramento das
operadoras, já adotava como um dos critérios para a
16. C suspensão provisória de comercialização de planos de
saúde o descumprimento dos prazos de atendimento
17. E. A partícula negativa “não” é atrativa. para consultas, exames e cirurgias.

18. C. São formas intercambiáveis. 2. STX – Na linha 8, o sinal indicativo de crase em “à nega-
tiva” é empregado porque a regência de “relacionados”
exige complemento regido pela preposição a e o termo
“negativa” vem antecedido de artigo definido feminino.

3. SE – As vírgulas empregadas logo após “procedimen-


tos” (l. 9) e “carência” (l. 10) isolam elementos de mes-
ma função sintática componentes de uma enumeração
de termos.

4. FN – Os acentos gráficos empregados em “Agência” e


em “Saúde” têm a mesma justificativa.

1 A avaliação das operadoras de planos de saúde


em relação às garantias de atendimento, previs-
tas na RN 259, é realizada de acordo com dois cri-
térios: comparativo, cotejando-as entre si, dentro
5 do mesmo segmento e porte; e avaliatório, consi-
derando evolutivamente seus próprios resultados.
 Os planos de saúde recebem notas de zero a
quatro: zero significa que o serviço atendeu às nor-
mas, e quatro é a pior avaliação possível do servi-
10 ço. Os planos com pior avaliação — durante dois
períodos consecutivos — estão sujeitos à suspen-
são temporária da comercialização. Quando isso
ocorre, os clientes que já haviam contratado o ser-
viço continuam no direito de usá-lo, mas a operadora
15 não pode aceitar novos beneficiários nesses planos.
Internet: <www.ans.gov.br>

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Julgue os itens a seguir, relativos às estruturas linguís-
ticas e informações do texto a seguir. GABARITO

5. SE – A substituição dos travessões das linhas 10 e 11 1. C


por vírgulas ou por parênteses preservaria a correção 2. C
gramatical do período. 3. C
E

LÍNGUA PORTUGUESA
4.
6. IT – Em “usá-lo” (l. 14), o pronome “lo” é elemento co-
5. C
esivo que se refere ao antecedente “serviço” (l. 13).
6. C
7. STX – O segmento “que já haviam contratado o servi- 7. C
ço” (l. 13-14) tem natureza restritiva. 8. E
9. C
8. STX – Prejudica-se a correção gramatical do período 10. C
ao se substituir “é realizada” (l. 3) por realiza-se. 11. C
12. E
9. SE – O sinal de dois-pontos logo depois de “critérios” 13. E
(l. 4) está empregado para anunciar uma enumeração 14. E
explicativa. 15. E

1 AANS vai mudar a metodologia de análise de proces- CESPE/ DPRF/ SUPERIOR


sos de consumidores contra as operadoras de planos de
saúde com o objetivo de acelerar os trâmites das ações.
1 Leio que a ciência deu agora mais um passo defi-
 Uma das novas medidas adotadas será a apre-
nitivo. E claro que o definitivo da ciência é transitório, e
5 ciação coletiva de processos abertos a partir de quei-
xas dos usuários. Os processos serão julgados de não por deficiência da ciência (e ciência demais), que se
forma conjunta, reunindo várias queixas, organizadas supera a si mesma a cada dia... Não indaguemos para
e agrupadas por temas e por operadora. 5 que, já que a própria ciência não o faz — o que, aliás, é a
 Segundo a ANS, atualmente, 8.791 processos mais moderna forma de objetividade de que dispomos.
10 de reclamações de consumidores sobre o atendi-  Mas vamos ao definitivo transitório. Os cientistas
mento dos planos de saúde estão em tramitação na afirmam que podem realmente construir agora a bomba
agência. Entre os principais motivos que levaram limpa. Sabemos todos que as bombas atômicas fabrica
às queixas estão a negativa de cobertura, os reajus- 10 das até hoje são sujas (aliás, imundas) porque, depois
tes de mensalidades e a mudança de operadora. que explodem, deixam vagando pela atmosfera o já
15 No Brasil, cerca de 48,6 milhões de pessoas têm famoso e temido estrôncio 90. Ora, isso é desagradável:
planos de saúde com cobertura de assistência médica e pode mesmo acontecer que o próprio país que lançou a
18,4 milhões têm planos exclusivamente odontológicos.
bomba venha a sofrer, a longo prazo, as consequências
Valor Econômico, 22/3/2013 15 mortíferas da proeza. O que é, sem dúvida, uma sujeira.
 Pois bem, essas bombas indisciplinadas, mal-
No que se refere às informações e às estruturas lin- -educadas, serão em breve substituídas pelas
guísticas do texto acima, julgue os itens subsequentes. bombas n, que cumprirão sua missão com lisura:
destruirão o inimigo, sem riscos para o atacante.
10. STX – Prejudica-se a correção gramatical do período
20 Trata-se, portanto, de uma fabulosa conquista, não?
ao se substituir “acelerar” (l. 3) por acelerarem.
Ferreira Gullar. Maravilha. In: A estranha vida banal. Rio de Janeiro:
11. STX – Os vocábulos “organizadas” e “agrupadas”, José Olympio, 1989, p. 109
ambos na linha 7, estão no feminino plural porque con-
cordam com “queixas” (l. 5). No que se refere aos sentidos e as estruturas linguísti-
cas do texto acima, julgue os itens a seguir.
12. SE – Mantém-se a correção gramatical do período ao
se substituir “cerca de” (l. 15) por acerca de. 1. SE – A forma verbal “podem” (l. 8) está empregada no
sentido de têm autorização.
13. IT – Trata-se de texto de natureza subjetiva, em que a
opinião do autor está evidente por meio de adjetivos e
2. STX – A oração introduzida por “porque” (l. 10) expres-
considerações de caráter pessoal.
sa a razão de as bombas serem sujas.
14. IT – De acordo com o texto, no momento em que fo-
ram publicadas, as novas medidas já estavam sendo 3. STX – Mantendo-se a correção gramatical e a coerên-
aplicadas nos processos de consumidores contra as cia do texto, a conjunção “e”, em “e não por deficiência
operadoras de planos de saúde. da ciência” (l. 2-3), poderia ser substituída por mas.

15. IT – Segundo as informações do texto, os processos 4. IT – O objetivo do texto, de caráter predominantemen-


dos consumidores contra as operadoras de planos de te dissertativo, é informar o leitor a respeito do surgi-
saúde serão julgados individualmente. mento da “bomba limpa” (l. 8).

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5. STX – Tendo a oração “que se supera a si mesma a 10. IT – Infere-se do texto que algumas práticas sociais são
cada dia” (l. 3-4) caráter explicativo, o vocábulo “que” absolutamente erradas, ainda que o conceito de certo e
poderia ser corretamente substituído por pois ou por- errado seja variável do ponto de vista social e histórico.
que, sem prejuízo do sentido original do período.
11. STX – Dado o fato de que nem equivale a e não, a
6. IT – A visão do autor do texto a respeito das “bombas supressão da conjunção “e” empregada logo após “in-
n” (l. 18) e positiva, o que e confirmado pelo uso da violável”, na linha 11, manteria a correção gramatical
BRUNO PILASTRE

do texto.
palavra “lisura” (l. 18) para se referir a esse tipo de
bomba, em oposição ao emprego de palavras como
12. STX – Devido à presença do advérbio “apenas” (l. 19),
“indisciplinadas” (l. 16) e “mal-educadas” (l. 16) em re-
o pronome “se” (l. 18) poderia ser deslocado para ime-
ferência às bombas que liberam “estrôncio 90” (l. 12),
diatamente após a forma verbal “coloca” (l. 18), da se-
estas sim consideradas desastrosas por atingirem in- guinte forma: coloca-se.
distintamente países considerados amigos e inimigos.
13. STX – Sem prejuízo para o sentido original do texto, o
7. FN – O emprego do acento nas palavras “ciência” e trecho “esses comportamentos são publicamente con-
“transitório” justifica-se com base na mesma regra de denados na maior parte do mundo” (l. 16-17) poderia
acentuação. ser corretamente reescrito da seguinte forma: publica-
mente, esses comportamentos consideram-se conde-
1 Todos nós, homens e mulheres, adultos e jovens, nados em quase todo o mundo.
passamos boa parte da vida tendo de optar entre o
certo e o errado, entre o bem e o mal. Na realidade, 14. STX – No trecho “o que consideramos bem” (l. 4), o
entre o que consideramos bem e o que consideramos vocábulo “que” classifica-se como pronome e exerce
5 mal. Apesar da longa permanência da questão, o que a função de complemento da forma verbal “conside-
ramos”.
se considera certo e o que se considera errado muda
ao longo da história e ao redor do globo terrestre.
15. IT – Infere-se do período “Mas a opção (...) da mídia”
 Ainda hoje, em certos lugares, a previsão da
(l. 18-20) que nem todos “os temas polêmicos” rece-
pena de morte autoriza o Estado a matar em nome
bem a atenção dos meios de comunicação.
10 da justiça. Em outras sociedades, o direito a vida é
inviolável e nem o Estado nem ninguém tem o direito
de tirar a vida alheia. Tempos atrás era tido como legí-
GABARITO
timo espancarem-se mulheres e crianças, escraviza-
rem-se povos. Hoje em dia, embora ainda se saiba 1. E
15 de casos de espancamento de mulheres e crianças, de 2. C
3. C
trabalho escravo, esses comportamentos são publica-
4. E
mente condenados na maior parte do mundo.
5. E
 Mas a opção entre o certo e o errado não se colo-
6. E
ca apenas na esfera de temas polêmicos que atraem os
7. C
20 holofotes da mídia. Muitas e muitas vezes e na solidão 8. C
da consciência de cada um de nós, homens e mulheres, 9. C
pequenos e grandes, que certo e errado se enfrentam. 10. C
 E a ética é o domínio desse enfrentamento. 11. E
Marisa Lajolo. Entre o bem e o mal. In: Histórias sobre a ética. 5.ª ed. 12. E
São Paulo: Ática, 2008 (com adaptações) 13. E
14. C
A partir das ideias e das estruturas linguísticas do texto 15. C
acima, julgue os itens que se seguem.
CESPE/ MC/ SUPERIOR
8. IT – No texto, a expressão “pequenos e grandes” (l.
1 O direito à privacidade já desapareceu faz tempo
22) não se refere a tamanho, podendo ser interpretada
no mundo em que vivemos. Esse direito foi desmante-
como equivalente a expressão “adultos e jovens” (l. 1),
lado, antes mesmo que pelos espiões, pela imprensa
ou seja, em referência a faixas etárias. marrom e pelas revistas cor-de-rosa, pela ferocidade
5 dos debatedores políticos — que, em sua ânsia de ani-
9. STX – O trecho “Tempos atrás era tido como legítimo quilar o adversário, não hesitam em expor à luz suas
espancarem-se mulheres e crianças, escravizarem-se intimidades mais secretas — e por um público ávido por
povos” (l. 12-14) poderia ser corretamente reescrito da invadir o âmbito do privado a fim de saciar sua curio-
seguinte forma: Há tempos, considerava-se legítimo sidade com segredos de alcova, escândalos de famí-
que se espancassem mulheres e crianças, que se es- 10 -lia, relações perigosas, intrigas, vícios, tudo aquilo que
cravizassem povos. antigamente parecia vedado à exposição pública. Hoje,

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a fronteira entre o privado e o público se eclipsou e,  O cientista político canadense Arthur Kroker já
embora existam leis que na aparência protegem a pri- 15 havia alertado, em 1994, sobre a constituição de uma
vacidade, poucas pessoas apelam para os tribunais a nova classe dirigente composta de administradores,
15 fim de reclamá-la, porque sabem que as possibilidades formuladores e executores da telemática, uma ver-
de que os juízes lhes deem razão são escassas. Desse dadeira classe virtual. Essa nova elite comandaria
modo, embora por inércia continuemos utilizando a uma sociedade partida entre inforricos e infopobres.

LÍNGUA PORTUGUESA
palavra escândalo, a realidade a esvaziou do seu con- 20 Sua hipótese se chocava com as inúmeras promessas
teúdo tradicional e da censura moral que implicava e de que o mundo teria encontrado uma tecnologia intrin-
20 passou a ser sinônimo de entretenimento legítimo. secamente incorporadora e democratizante.
Mário Vargas Llosa. Aposentem os espiões. Internet: <www.observatorio-  Hoje, percebe-se que a tecnologia da informação
daimprensa.com.br> (com adaptações) não está tornando a sociedade mais equânime; ao con-
25 trário, seu rápido espraiamento pelo planeta está cau-
Acerca da organização das ideias e da estruturação sando mais desigualdade e dificuldade de superá-la.
linguística do texto acima, julgue os itens seguintes. BRASIL. Portal Software Livre no Governo do Brasil. Inclusão digital,
software livre e globalização contra-hegemônica. Internet: <www.softwa-
1. STX – Na linha 1, o emprego do sinal indicativo de cra- relivre.gov.br> (com adaptações)
se em “à privacidade” deve-se à presença do substan-
tivo “direito”, cujo complemento deve ser introduzido Julgue os itens a seguir, relativos às estruturas linguís-
pela preposição a e, como o núcleo desse complemen- ticas e à organização das ideias do texto acima.
to é um substantivo feminino determinado pelo artigo
feminino a, este deve receber o acento grave. 7. IT – De acordo com o texto, a maioria da população
brasileira tinha acesso à Internet em 2001.
2. STX – O pronome “a” em “a esvaziou” (l. 18) retoma
a expressão “a palavra escândalo” (l. 18) e exerce a 8. FN – Os vocábulos “Político”, “hipótese” e “rápido” se-
função sintática de objeto. guem a mesma regra de acentuação gráfica.

3. IT – Das ideias apresentadas no texto, depreende-se 9. MF – No trecho “uma sociedade partida entre inforri-
que, nas sociedades atuais, é tácito o rompimento da cos e infopobres” (l. 19), o prefixo “info-”, em ambas as
fronteira da privacidade, não mais havendo, portanto, ocorrências, poderia ser substituído por tecno- sem que
o direito à impetração de ações na justiça sob a alega- houvesse alteração semântica ou sintática do texto.
ção de invasão de privacidade.
10. MF – No texto, o uso do futuro do subjuntivo em
4. IT – O texto está dividido em três partes — apresenta- “comandaria” (l. 18) indica uma situação factual.
ção de tese, apresentação de argumentos e conclusão
—, demarcadas, respectivamente, assim: “O direito à
11. STX – A forma verbal “navegavam” (l. 5) poderia ser
privacidade já desapareceu faz tempo no mundo em
usada no singular — navegava — sem prejuízo para a
que vivemos” (l. 1-2), “Esse direito (...) são escassas”
correção gramatical do texto.
(l. 2-16) e “Desse modo (...) entretenimento legítimo”
(l. 16-20).
1 Enquanto o Brasil se apressa para tentar aprovar
uma legislação que regule o uso da Internet após denún-
5. STX – As relações semânticas textuais seriam manti-
cias de interceptação de dados no país pelo governo
das caso, na linha 1, o vocábulo “já” fosse deslocado
dos EUA, especialistas divergem sobre a capacidade
para imediatamente antes da expressão “faz tempo”.
5 da Constituição e do Código de Defesa do Consumi-
dor nacionais de proteger a privacidade dos usuários
6. IT – A substituição de “continuemos” (l. 17) por continu-
de redes sociais e de serviços de email e busca. Para
amos não prejudicaria a coesão e a correção textual.
um grupo de especialistas e professores de direito, não
há dúvidas de que é crime, pelas leis brasileiras, a even
1 Uma pesquisa realizada em maio de 2001 pelo
10 tual entrega de informações de cidadãos a um governo
IBOPE nas nove principais regiões metropolitanas
brasileiras indicou que apenas 20% da população estrangeiro sem autorização legal local. Segundo eles,
estava conectada à rede mundial de computadores. nem mesmo a anuência com os termos de adesão de
5 Dos conectados, somente 87% navegavam por banda redes como Facebook e Twitter ou de serviços como
larga, conexão de alta velocidade. Apenas dois países, o Gmail, do Google, que pressupõem armazenagem e
Estados Unidos da América (EUA) e Canadá, concen- 15 processamento de informação nos EUA, tornaria legal
travam quase a metade do acesso mundial à Internet, a transmissão de dados ao governo norte-americano.
precisamente 41%. A sociedade rica usa com intensi  Sobre a suposta espionagem norte-americana,
10 dade as redes informacionais para se comunicar, arma- Ronaldo Lemos, colunista da Folha e fundador do Cen-
zenar e processar informações, enquanto os países tro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio
pobres e em desenvolvimento têm suas populações 20 Vargas, no Rio de Janeiro, afirma que “a questão ultra-
distantes dos benefícios das redes informacionais. passa o campo jurídico e vai para o de política inter-

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nacional” e mostra as complexidades para os Estados 10 e França. A posição levou em conta o produto interno
nacionais legislarem sobre a rede. No Brasil, o tema bruto (PIB), que é a soma de tudo o que um país produz.
envolve não só leis, mas também a infraestrutura de  Outro reconhecimento internacional da solidez
25 comunicações, como centros armazenadores de dados econômica se deu com a conquista, pela primeira vez,
e condições de gerenciar o tráfego de informações. em 2008, do selo de “grau de investimento seguro”, clas
15 sificação dada por agências globais de classificação de
Flávia Marreiro e Isabel Fleck. Falta de legislação brasileira para a Web
risco. Esse status sinaliza a investidores estrangeiros
gera dúvida. Internet: <http://www1.folha.uol.com.br> (com adaptações)
BRUNO PILASTRE

que é seguro aplicar dinheiro no país. Mostra, ainda,


que o Estado tem condições de honrar o pagamento da
Julgue os próximos itens com relação à estrutura lin-
dívida pública, pratica boas políticas fiscais e arrecada
guística e à organização das ideias do texto acima.
20 mais do que gasta, ou seja, o risco de calote é pequeno.
 O grau de investimento seguro ajuda o Brasil a
12. SE – No segundo parágrafo, o emprego das aspas
atrair mais investimentos de países ricos, cujas normas
marca a mudança de discurso do autor do texto.
impedem que se aplique em economias de alto risco.
Só em 2011, o investimento estrangeiro direto no Brasil
13. STX – As formas verbais “afirma” (l. 20) e “mostra” (l. 25 atingiu US$ 69,1 bilhões, ou 2,78% do PIB. Esse volume
22) são núcleos de predicados de orações que man- de investimentos estrangeiros tende a permanecer forte
têm relação de justaposição e contam com o mesmo com a aproximação de eventos internacionais sediados
sujeito: “Ronaldo Lemos” (l. 18). no Brasil — como a Copa do Mundo (2014) e as Olimpí-
adas (2016) — e a exploração do pré-sal, a faixa litorâ-
14. STX – Na linha 1, o pronome “se” é elemento integran- 30 -nea de oitocentos quilômetros entre o Espírito Santo e
te da forma verbal pronominal “apressa” e indica reci- Santa Catarina onde estão depositados petróleo (mais
procidade. fino, de maior valor agregado) e gás a seis mil metros
abaixo de uma camada de sal no Oceano Atlântico.
15. STX – SE – Na linha 9, mantêm-se as relações sin-  A solidez da economia brasileira está ainda re
táticas e semânticas do texto ao se deslocar o termo 35 presentada na adoção de normas mais rígidas que o
“pelas leis brasileiras” para depois de “que” e antes de padrão mundial para o sistema financeiro nacional,
“é crime”, com as devidas adaptações de pontuação. na consolidação do sistema de metas e de controle
da inflação e do câmbio flutuante, na manutenção do
desemprego em um dos mais baixos patamares da
GABARITO
40 história e no aumento do poder de compra da popu-
lação ocupada (alta de 19% entre 2003 e 2010),
1. C garantido pela política de valorização do salário
2. C mínimo nacional, reajustado com base na inflação
3. E dos dois anos anteriores, somado ao percentual do
4. C 45 crescimento do PIB do ano imediatamente anterior.
5. E
Internet: <www.brasil.gov.br> (com adaptações)
6. E
7. E Com base nas ideias contidas no texto, julgue os itens
8. C que se seguem.
9. E
10. E 1. IT – O texto, em seu segundo parágrafo, estabelece
11. E uma relação de causa e consequência em que a ob-
12. E tenção do “grau de investimento seguro” constitui uma
13. E consequência de o Brasil ter alcançado “condições de
14. E honrar o pagamento da dívida pública” e reduzido o
15. C seu “risco de calote”.

CESPE/ MI/ SUPERIOR 2. IT – De acordo com a linha argumentativa do texto,


é correto inferir que, diferentemente de alguns países
Texto para os itens de 1 a 9 europeus, o Brasil não representa, neste século, um
risco econômico iminente.
1 A combinação de políticas sociais inovadoras de
distribuição de renda, estabilidade e transparência 3. IT – Estados Unidos da América, China, Japão, Alema-
financeira e política, crescimento sustentável e respon- nha e França são exemplos de países ricos que, desde
sabilidade fiscal conduziu o Brasil a se firmar entre as 2011, ajudam a fortalecer o PIB brasileiro.
10 maiores economias do planeta no século XXI. O país
chegou à posição de sexta maior economia em 2011, 4. IT – O reajuste do salário mínimo nacional com base
quando ultrapassou o Reino Unido. Com essa colo- na inflação dos dois anos anteriores e no percentual
cação, a economia brasileira ficou atrás apenas de do crescimento do PIB do ano imediatamente anterior
Estados Unidos da América, China, Japão, Alemanha é um fator associado à solidez da economia brasileira.

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5. IT – O poder de compra da população que trabalha 35 guração territorial bastante semelhante à de hoje. Isso
aumentou 19% do ano de 2003 ao ano de 2010. revela que a unidade territorial brasileira foi assegu-
rada por mais de dois séculos sem que até hoje o país
Julgue os próximos itens com base na estrutura lin- tenha realizado uma integração físico-territorial aden-
guística do texto. sada, concreta. De certa forma, essa estabilidade pode
40 também ser interpretada como estagnação no processo
6. STX – Sem prejuízo gramatical ou alteração de sen- evolutivo da organização do Estado. A PNDR em dois

LÍNGUA PORTUGUESA
tido, o pronome “onde” (l. 31) poderia ser substituído tempos: A experiência apreendida e o olhar pós 2010.
por no qual. Brasília, DF. Ministério da Integração Nacional (MI).
Secretaria de Políticas de Desenvolvimento Regional, 2010.
7. STX – O termo “garantido” (l. 42) encontra-se no mas- Internet: <www.integracao.gov.br> (com adaptações)
culino e no singular para concordar com seu referente,
que é o nome “poder” (l. 40). Julgue os itens de 10 a 15, referentes às ideias e às
estruturas linguísticas do texto acima.
8. STX – SE – O primeiro período do texto — “A combina-
ção (...) século XXI” (l. 1-10) — poderia, com manuten- 10. IT – De acordo com o texto, a “questão regional” (l. 24)
ção da correção e do sentido original, ser reescrito da brasileira reflete problemas políticos e econômicos.
seguinte maneira: Políticas sociais inovadoras de dis-
tribuição de renda, de estabilidade e de transparência 11. IT – O texto é constituído de argumentos que defen-
financeira e política, de crescimento sustentável e de dem a ideia de que o Estado brasileiro é omisso quan-
to à necessidade de integração físico-territorial.
responsabilidade fiscal conduziram o Brasil a se firmar
entre as maiores economias do planeta no século XXI.
12. SXT – SE – O trecho “o povo brasileiro (...) nos hábitos
cotidianos” (l. 8-11) poderia ser reescrito, com correção
9. STX – SE – Caso as formas verbais flexionadas “pratica”
gramatical e manutenção das ideias originais, da se-
(l. 19) e “arrecada” (l. 19) fossem substituídas pelas for-
guinte maneira: o povo brasileiro desenvolveu padrões
mas nominais praticar e arrecadar, respectivamente, a
culturais muito diversos, que são notados na música,
correção do texto seria mantida, mas não o seu sentido.
religião, festas folclóricas, culinária, hábitos cotidianos.

1 O Brasil é um território continental com 8,5 13. SXT – SE – As informações originais seriam alteradas
milhões de km². Como consequência dessa vasta caso o último período do texto – “De certa forma (...) do
extensão, o país apresenta expressiva diversidade Estado” (l. 39-41) – fosse reescrito da seguinte forma:
natural, traduzida na variedade de tipos climáticos, De certa forma, essa estabilidade pode também ser
5 de solos, de vegetação, de fauna, de relevo. A diver- interpretada, no processo evolutivo da organização do
sidade cultural também se destaca. Como resultado Estado, como estagnação.
da miscigenação étnica e cultural e de processos dife-
renciados de ocupação e uso do território, o povo bra- 14. SXT – Imediatamente antes do trecho “de hoje” (l. 35),
sileiro desenvolveu padrões culturais bastante varia- está implícita a ideia de “configuração territorial” (l. 34),
10 dos, que são percebidos na música, na religião, nas pelo que se justifica o emprego do sinal indicativo de
festas folclóricas, na culinária, nos hábitos cotidianos. crase na linha 35.
 Essa diversidade decorre de um padrão de dife-
renciação socioespacial típico de países continentais 15. SE – FN – O texto permaneceria correto e com o mes-
como o Brasil, e pode ser considerada uma impor- mo sentido caso, na linha 17, fosse empregado o sinal
15 tante vantagem econômica ainda pouco explo- de dois-pontos no lugar do ponto final, com a devida
rada. Todavia, diferenciação socioespacial e ques- alteração de maiúscula e minúscula.
tão regional não são sinônimas. O que se considera
como a questão regional brasileira não se relaciona GABARITO
a priori com a diferenciação socioespacial interna,
20 mas sim com a maneira pela qual as relações políticas 1. C
e econômicas foram adquirindo contorno ao longo do 2. E
tempo, dado o próprio ambiente de diversidade. 3. E
 Nesse contexto multivariado, é importante as- 4. C
sinalar que a questão regional não é reflexo de um 5. C
25 problema econômico ou de um problema político, 6. E
apenas. Isoladamente, nem os aspectos econômi- 7. E
cos nem os políticos são suficientes para explicá- 8. E
-la ou mitigá-la, sendo essa, ao mesmo tempo, uma 9. C
questão econômica e política. Isso pode ser visto na 10. C
30 maneira pela qual os processos de integração físico- 11. E
-territorial e de integração econômica foram con- 12. E
duzidos no país ao longo de sua história recente. 13. C
 É interessante notar que, em 1750, com a assina- 14. C
tura do Tratado de Madri, o Brasil já tinha uma confi- 15. C

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CESPE/ MJ/ SUPERIOR 3. IT – Os integrantes da sociedade que não são “leva-
dos em conta” (l. 34) devem ser representados pelos
Texto para os itens de 1 a 11 movimentos sociais existentes para que tenham suas
necessidades atendidas e, de fato, sejam tratados com
1 Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, igualdade, segundo o filósofo francês.
para a classe dominante brasileira (os “liberais”), demo-
cracia é o regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no
4. IT – O texto defende a ideia de que a sociedade brasi-
entanto, a democracia é “o único regime político no qual
BRUNO PILASTRE

leira conforma-se com o sistema político vigente e, por


5 os conflitos são considerados o princípio mesmo de
seu funcionamento”: impedir a expressão dos conflitos essa razão, não reivindica mudanças.
sociais seria destruir a democracia. O filósofo francês
Jacques Rancière critica a ideia de democracia que tem Julgue os itens que se seguem, acerca das estruturas
estruturado nossa vida social — regida por uma ordem linguísticas do texto.
10 policial, segundo ele —, devido ao fato de ela se distan-
ciar do que seria sua razão de ser: a instituição da polí- 5. SE – O sentido original do texto seria alterado caso se
tica. Estamos acomodados por acreditar que a política inserisse uma vírgula imediatamente após a palavra
é isso que está aí: variadas formas de acordo social a “policial” (l. 26).
partir das disputas entre interesses, resolvidas por um
15 conjunto de ações e normas institucionais. Essa ideia 6. SE – As formas verbais compostas ‘estão fazendo’ (l.
empobrecida do que seja a política está, para o autor, 24) e “irão construir” (l. 33) poderiam ser substituídas,
mais próxima da ideia de polícia, já que diz respeito ao
respectivamente, pelas formas verbais simples fazem e
controle e à vigilância dos comportamentos humanos
construirão, uma vez que são equivalentes em sentido.
e à sua distribuição nas diferentes porções do territó-
20 rio, cumprindo funções consideradas mais ou menos
adequadas à ordem vigente. Estamos geralmente tão 7. SE – STX – A expressão ‘no qual’ (l. 4) poderia ser
hipnotizados pela “necessidade de um compromisso substituída pelo vocábulo onde, sem prejuízo para a
para se alcançar o bem comum” e pela opinião de que correção e para as ideias do texto.
“as instituições sociais já estão fazendo todo o possí-
25 vel para isso”, que não conseguimos perceber nossa 8. STX – A correção do texto seria mantida caso o pro-
contribuição na legitimação dessa política policial que nome “se” (l. 10), em vez de anteceder, passasse a
administra alguns corpos e torna invisíveis outros. ocupar a posição imediatamente posterior ao verbo:
 O conceito de política trabalhado pelo autor traz devido ao fato de ela distanciar-se.
como princípio a igualdade. Uma igualdade que não
30 está lá como sonho a ser alcançado um dia, mas que
9. STX – SE – No trecho “devido ao fato (...) da política”
é uma potencialidade que “só ganha realidade se é
(l. 10-12), mantendo-se as ideias e a correção do tex-
atualizada no aqui e agora”. E essa atualização se dá
to, a expressão nominal “a instituição da política” po-
por ações que irão construir a possibilidade de os “não
contados” serem levados em conta, serem considerados deria ser transformada em oração, desde que o sinal
35 nesse princípio básico e radical de igualdade. Para além de dois-pontos que a antecede fosse substituído por
dos movimentos sociais, existem os ainda-sem-nome e vírgula, da seguinte forma: por ela se distanciar do que
ainda-sem-movimento. Diz o autor que a política é a rei- seria sua razão de ser, que é a instituição da política.
vindicação da parte daqueles que não têm parte; polí-
tica se faz reivindicando “o que não é nosso” pelo sis 10. STX – O emprego do sinal indicativo de crase na ex-
40 tema de direitos dominantes, criando, assim, um campo pressão “respeito ao controle e à vigilância dos com-
de contestação. Em uma sociedade em que os que não portamentos humanos” (l. 17-18) é facultativo.
têm parte são a maior parte, é preciso fazer política.
11. STX – A oração reduzida “cumprindo funções (...) ordem
Marco Antonio Sampaio Malagodi. Geografias do dis-
vigente” (l. 20-21) poderia ser reescrita, sem alteração
senso: sobre conflitos, justiça ambiental e cartografia
social no Brasil. In: Espaço e economia: Revista Brasi- das ideias ou prejuízo para a correção gramatical do
leira de Geografia Econômica. jan./2012. Internet: <http:// texto, da seguinte forma: de forma a cumprir funções,
espacoeconomia.revues.org/136> (com adaptações) de certa forma, conformadas à sociedade vigente.

Com base nas ideias do texto, julgue os itens de 1 a 4. 1 A Constituição Federal de 1988 prevê que o cida-
dão que comprovar insuficiência de recursos tem direito
1. IT – O emprego da locução “no entanto” (l. 3) evidencia a assistência jurídica integral e gratuita. Em outras
que a ideia de Marilena Chauí acerca do conceito de
palavras, o brasileiro ou o estrangeiro que não tive-
democracia diverge da ideia de democracia que a au-
5 rem condições de pagar honorários de um advogado e
tora atribui à classe dominante brasileira.
os custos de um processo têm à disposição a ajuda do
2. IT – Segundo o filósofo Rancière, para que haja de- Estado brasileiro, por meio da defensoria pública.
mocracia, a política não se deve caracterizar como um  Podem ter acesso ao serviço pessoas com renda
regime “policial”. familiar inferior ao limite de isenção do imposto de renda.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
10 No entanto, se esse patamar for ultrapassado, o indivíduo CESPE/ MME/ SUPERIOR
deve comprovar que tem gastos extraordinários, como
despesas com medicamentos e alimentação especial. Texto para as questões de 1 a 5
 A assistência gratuita inclui orientação e defe-
sa jurídica, divulgação de informações sobre direi- 1 Há quarenta anos, começavam as obras civis da
15 tos e deveres, prevenção da violência e patrocí- usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo, no rio

LÍNGUA PORTUGUESA
nio de causas perante o Poder Judiciário – desde Paraná, construída na divisa entre Brasil e Paraguai
o juiz de primeiro grau até as instâncias superio- por um consórcio das mais importantes empreitei-
res, inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF). 5 ras nacionais. Suas turbinas iniciaram o fornecimento
Com a assistência jurídica gratuita, o indivíduo de energia aos dois países em 1984. Logo, Itaipu
passou a fazer parte da lista universal das sete mara-
20 conhece um pouco mais sobre seus direitos e deveres
vilhas construídas pela mão do homem no século XX.
e tem acesso à justiça para exercer sua cidadania.
 Itaipu, ou pedra que canta, é a denominação em
Internet: <www.brasil.gov.br> (com adaptações) 10 guarani do local onde foi erguida a barragem, poucos
quilômetros acima das cataratas do rio Iguaçu, princi-
Julgue os itens a seguir, referentes à estrutura linguís- pal afluente na margem esquerda. A hidrelétrica, que
tica e às ideias do texto acima. começou a operar dois anos após o término da cons-
trução, é responsável pelo fornecimento de 17,3% da
12. STX –Asupressão do acento gráfico da forma verbal “têm” 15 energia consumida hoje no Brasil e 72,5% do con-
(l. 6) não prejudicaria a correção gramatical do perí- sumo paraguaio. A capacidade instalada de geração
odo, uma vez que o verbo pode apresentar concor- da usina é de 14 GW, com vinte unidades gerado-
dância com a ideia singular de “brasileiro” (l. 4) ou de ras que fornecem, cada uma, 700 MW. Suas turbinas
“estrangeiro” (l. 4) ou com a ideia plural de “o brasileiro produzem entre 90 e 94-95 milhões de MWh, anual-
ou o estrangeiro” (l. 4). 20 mente, uma oferta de energia superior à que vem
conseguindo a hidrelétrica chinesa de Três Gargan-
13. STX – SE –O trecho “A assistência gratuita (...) Poder tas, a maior do mundo em capacidade de geração,
Judiciário” (l. 13-16) pode ser reescrito, mantendo-se mas cujo recorde de fornecimento foi de 79,5 milhões
a correção e as ideias do texto, da seguinte forma: A de MWh em 2009, atrás do recorde da nossa Itaipu,
25 que gerou 94.684.781 MWh em 2008. No ano de
assistência gratuita inclui: orientação, defesa jurídica,
2012, Itaipu produziu 98.287.128 MWh, quebrando
divulgação de informações sobre direitos e deveres,
seu próprio recorde mundial de produção de energia.
prevenção da violência e patrocínio de causas frente
 É interessante notar que uma realização dessa
ao Poder Judiciário.
natureza não desperta entusiasmo (pelo menos algu-
30 ma curiosidade deveria...) nos ativistas de organiza-
14. STX – As duas ocorrências de sinal indicativo de crase
ções que se apresentam como defensores do meio
no texto (l. 6 e 21) são obrigatórias. ambiente e participam, em pleno século XXI, de cam-
panhas financiadas do exterior para impedir a expan-
15. IT – O governo brasileiro oferece o mesmo tipo de assis- são da oferta de energia limpa entre nós. Basta sentir
tência a brasileiros e estrangeiros que residam em ter- 35 o seu desinteresse (fruto da ignorância, talvez) em
ritório nacional e comprovem insuficiência de recursos. comemorar o fato de que a energia limpa conduzida
por milhares de quilômetros a partir da usina de Itaipu
GABARITO corresponde a eliminar a sujeira de 500 mil barris
de petróleo, que teriam de ser consumidos diaria-
40 mente para atender à demanda nas regiões Sudeste,
1. C
Sul e Centro-Oeste do Brasil e no leste paraguaio.
2. C
3. E Antonio Delfim Netto. A pedra que canta. Coluna Sextante. In: Carta
Capital, ano XVIII, n. 733, 30/1/2013, p. 33 (com adaptações)
4. E
5. C
1. IT – Acerca das características e dos argumentos do
6. C
texto, assinale a opção correta.
7. E
a. O texto contém elementos que o inserem no âmbito
8. C
do gênero opinativo.
9. C b. Segundo o autor, a usina de Itaipu iguala-se à hi-
10. E drelétrica de Três Gargantas no quesito capacida-
11. E de de geração de energia.
12. E c. No texto, o autor defende que a usina hidrelétrica
13. E de Itaipu, brasileira, é maior em tamanho e em ca-
14. C pacidade de geração de energia se comparada à
15. E hidrelétrica chinesa de Três Gargantas.

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d. O foco argumentativo do texto recai sobre o acor- d. No texto, o segmento “no século XX” (l. 8) poderia
do entre o governo brasileiro e o paraguaio para a ser deslocado para depois de “Logo” (l. 6), o que
construção da usina hidrelétrica de Itaipu. preservaria a correção gramatical do período.
e. Segundo o autor, a hidrelétrica de Itaipu, embora e. O elemento “onde” (l. 10) poderia ser substituído,
seja a maior do mundo, não consegue suprir as ne- no texto, pela expressão aonde, sem prejuízo gra-
cessidades da matriz energética brasileira. matical.
BRUNO PILASTRE

2. IT – Considerando as informações e os argumentos 5. STX – SE – Assinale a opção correta com relação a


apresentados no texto, assinale a opção correta. aspectos linguísticos e interpretativos do texto.
a. A substituição do segmento “após o término da
a. Infere-se do texto que a usina hidrelétrica de Itaipu
construção” (l. 13) por depois de terminar a cons-
começou a ser construída na década de 70 do sé-
trução manteria a correção gramatical e os senti-
culo passado.
dos originais do texto.
b. As opiniões do autor, que estão, no texto, entre pa-
b. Os vocábulos “hidrelétrica” e “responsável” são
rênteses, indicam que ele é contrário à criação de graficamente acentuados em decorrência da mes-
organizações em defesa do meio ambiente. ma regra ortográfica.
c. A usina de Itaipu é, atualmente, a única responsá- c. Em “superior à que vem conseguindo” (l. 20-21),
vel pela geração da energia que é fornecida aos o elemento “à” está acentuado em razão de sua
consumidores brasileiros e paraguaios. subordinação sintática à forma verbal “vem conse-
d. De acordo com o texto, na usina de Itaipu existem guindo”.
vinte unidades geradoras de energia, que forne- d. Das ideias do texto conclui-se que o “rio Iguaçu” (l.
cem 700 MW cada uma, do que se depreende que 11) é um afluente do “rio Paraná” (l. 2-3).
o total de potência instalada é de 20.000 MW. e. O segmento “que começou a operar dois anos
e. Segundo o texto, há uma disputa acirrada entre a após o término da construção” (l. 12-14) funciona,
usina de Itaipu e a de Três Gargantas, na tentativa no período em que se insere, como complemento
de se bater o recorde mundial como a maior hidre- do elemento “hidrelétrica” (l. 12).
létrica do mundo.
Texto para as questões de 6 a 10
3. IT – No que diz respeito aos aspectos gramaticais e à
1 As hidrelétricas garantem ao Brasil o título de
coerência do texto, assinale a opção correta.
maior gerador de energia limpa do mundo, mas esse
a. O elemento “construídas” (l. 8) refere-se a “obras
modelo, que começou a ser desenhado há mais de
civis” (l. 1).
quarenta anos, tem-se mostrado cada vez mais vul-
b. O elemento “Suas” (l. 5) faz referência, no texto, a 5 nerável às mudanças climáticas. O cenário se repete
“usina de Itaipu” (l. 2). neste início de 2013, com a redução no nível de
c. A palavra “fornecimento” (l. 5) poderia ser substi- água dos reservatórios, obrigando o acionamento de
tuída por comercialização, sem se provocar erro vilãs do meio ambiente: as termelétricas movidas a
sintático-semântico no trecho em que se insere. carvão, dísel e gás natural. A solução para se evitar
d. Na linha 1, a forma “Há” pode ser substituída tanto 10 o racionamento de energia – trauma que os brasilei-
por A quanto por À, sem prejuízo para a correção ros guardam do apagão de 2001 – foi ligar as usinas
gramatical do período. térmicas, gerando um custo extra de até 500 milhões
e. O trecho “Há quarenta anos, começavam as obras de reais na conta de luz por mês de uso das usinas.
civis da usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do  Os ciclos rotineiros de ausência de chuva impõem
mundo, no rio Paraná” (l. 1-3) poderia ser reescri- 15 o desafio de se diversificar o chamado mix de geração
to, com correção gramatical, da seguinte forma: de energia, uma necessidade que começa a desenhar
Começavam há quarenta anos no rio Paraná, as um período de vento favorável para as usinas eólicas,
obras civis da maior hidrelétrica do mundo, a usina que podem investir 98 bilhões de reais nos próximos
deItaipu. anos para ganhar peso no Sistema Integrado Nacional.

4. STX – SE – Com referência às ideias e aos aspectos Nivaldo Souza. Vento a favor. In: Carta Capital, ano XVIII, n. 733,
30/1/2013, p. 46 (com adaptações)
gramaticais do texto, assinale a opção correta.
a. No texto, os termos “barragem” (l. 10) e “usina”
6. IT – No que concerne às ideias e aos argumentos
(l. 2) se confundem, designando o mesmo elemento.
apresentados no texto, assinale a opção correta.
b. Mantendo-se a correção gramatical e a coerência
a. Do texto infere-se que a população brasileira sofre-
textual, a palavra “construídas” (l. 8) poderia ser
rá, em 2013, com um apagão elétrico, como ocor-
flexionada no singular, pois passaria a ter como re- reu em 2001.
ferente “lista universal” (l. 7). b. Depreende-se do texto que uma forma mais barata
c. De acordo com os sentidos do texto, a frase “pe- e eficaz de geração de energia na matriz energé-
dra que canta” (l. 9) constitui o significado do nome tica brasileira seria a utilização da força do vento
“Itaipu”. para gerar energia.

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c. O autor condena a utilização da energia hidrelétrica 10. MF – STX – Assinale a opção correta acerca das estru-
na matriz energética brasileira. turas linguísticas do texto.
d. Defende-se no texto que a energia gerada pelas a. Em “A solução para se evitar o racionamento de
usinas térmicas deve ser racionada para se evitar energia” (l. 9-10), a eliminação do elemento “se”
o apagão elétrico. manteria a correção gramatical do período e os
e. Segundo o texto, um dos grandes problemas atuais sentidos do texto.
da humanidade é a seca, que diminui a quantidade b. Nas linhas 10 e 11, a substituição dos travessões por

LÍNGUA PORTUGUESA
de água que cai na terra. vírgulas preservaria a correção gramatical do texto.
c. Na linha 14, a forma verbal “impõem” poderia ser
7. IT – Assinale a opção correta, a respeito das ideias do flexionada no singular, passando, dessa forma, a
texto. concordar com o segmento “ausência de chuva”,
a. Depreende-se do texto que a matriz energética bra- sem que houvesse prejuízo gramatical para o texto.
sileira, desde 2001, vem sofrendo um colapso em d. Na estrutura “que podem investir 98 bilhões de reais
razão do uso intermitente das usinas termelétricas. nos próximos anos” (l. 18-19), o termo “nos próxi-
b. Conclui-se das ideias do texto que o custo mensal mos anos” poderia ser deslocado para logo depois
do elemento “que”, sem prejuízo para a correção
extra nas contas de luz é rateado entre o governo,
gramatical do texto, da seguinte forma: que, nos
as concessionárias do setor elétrico e os usuários.
próximos anos podem investir 98 bilhões de reais.
c. Infere-se do texto que não há mais possibilidade de
e. A palavra “hidrelétricas” (l. 1) poderia ser correta-
se ter energia limpa no Brasil.
mente grafada como hidro-elétricas.
d. O texto em questão denuncia erros no modelo de
gestão da matriz energética no Brasil.
Texto para as questões de 11 a 14
e. A tese defendida no texto tem como foco a redução
da vulnerabilidade das usinas hidrelétricas brasilei- 1 A ampliação dos direitos fundamentais com
ras por meio de alternativas de geração de energia. o reconhecimento de novos direitos faz surgir, no
panorama jurídico, novas formas de conflito, espe-
8. STX – SE – Com relação aos sentidos e às estruturas cialmente as decorrentes dos direitos de segunda e
linguísticas do texto, assinale a opção correta. 5 terceira geração, que trazem à baila questões relativas
a. A palavra “mas” (l. 2) poderia ser substituída por a relações de emprego, habitação, educação, trans-
assim, mantendo-se a correção gramatical e os porte, consumo, meio ambiente, entre outras, aumen-
sentidos do texto. tando sobremaneira o número de demandas levadas à
b. Nas linhas 3 e 4, a oração “que começou a ser de- apreciação do Poder Judiciário.
senhado há mais de quarenta anos” é de natureza 10 O surgimento desses novos conflitos é indicado
restritiva em relação a “modelo”. por alguns autores como o principal fator respon-
c. A forma verbal “há”, em “há mais de quarenta anos” sável pela chamada explosão da litigiosidade, que
(l. 3-4), poderia ser substituída tanto por houve deflagrou a crise na administração da justiça, apon-
quanto por existiu, sem que houvesse prejuízo gra- tando a necessidade premente de desburocratiza-
matical para o texto. 15 ção do sistema e de simplificação dos procedimentos.
d. A palavra “termelétricas” (l. 8) também poderia ser
grafada corretamente da seguinte forma: termoe- François Ost. O tempo do direito. Trad. Maria Fernanda Oliveira.Lisboa:
létricas. Instituto Piaget, 1999, p. 13-4 (com adaptações)
e. O deslocamento do trecho “ao Brasil” (l. 1) para
logo depois de “mundo” (l. 2) provocaria erro gra- 11. IT – Assinale a opção correta no que se refere às ideias
matical. e às características do texto.
a. Ressalta-se no texto seu caráter eminentemente
9. STX – SE – Assinale a opção correta quanto a aspec- expositivo.
tos gramaticais e à coerência do texto. b. A autora é contrária à ampliação dos direitos fun-
a. A correção gramatical e os sentidos originais do damentais, porque isso resulta em maior demanda
texto seriam preservados se o trecho “obrigando ao Poder Judiciário.
o acionamento de vilãs do meio ambiente” (l. 7-8) c. Ressalta-se no texto que o surgimento de novas
fosse reescrito da seguinte forma: o que força à formas de conflito decorre do reconhecimento de
movimentação de vilãs do ambiente. novos direitos fundamentais.
d. Depreende-se do texto que o governo criou novas
b. Na estrutura “redução no nível de água dos reser-
formas de direito com vistas a aprimorar a atuação
vatórios” (l. 6-7), a alteração da forma “no” por do
dos juízes nos tribunais de justiça.
provocaria erro gramatical.
e. Infere-se do texto que a crise atual no Poder Ju-
c. No trecho “tem-se mostrado cada vez mais vulne-
diciário surgiu com a evolução dos direitos funda-
rável às mudanças” (l. 4-5), a substituição de “às”
mentais.
por a provocaria erro gramatical.
d. Em “se repete” (l. 5), o deslocamento do elemento
12. IT – De acordo com o texto,
“se” para depois da forma verbal — repete-se —
a. os conflitos derivam da insegurança jurídica cau-
preservaria a correção gramatical do trecho.
sada pela proliferação desenfreada de legislações.
e. A substituição da vírgula logo depois de “2013” b. enquanto o Poder Judiciário continuar reconhecen-
(l. 6) por ponto e vírgula manteria a correção gra- do os novos direitos fundamentais, haverá caos na
matical do período. aplicação da justiça.

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c. diante da crescente demanda e da inoperância do dutivo — e não é possível fazê-lo sem cortar tarifas e
sistema judicial para evitar a sobrecarga, o Poder juros, o que atinge diretamente setores acostumados
Judiciário poderá entrar em colapso. com altos lucros, como bancos e concessionárias.
d. a explosão de litigiosidade diz respeito à crescen- Willian Vieira. Dilma no ataque. In: Carta Capital, ano XVIII, n. 733,
te quantidade de pessoas que demandam o Poder 30/1/2013, p. 25 (com adaptações)
Judiciário para a solução de conflitos.
e. os conflitos nas relações com o meio ambiente são 15. IT – A respeito das ideias veiculadas no texto e de sua
os que mais ocupam a atenção do Poder Judiciário.
BRUNO PILASTRE

argumentação, assinale a opção correta.


a. Depreende-se do texto que o autor trata de um
13. STX – MF – SE – No que concerne a aspectos grama- discurso da presidenta a respeito da atual política
ticais do texto, assinale a opção correta. energética implantada pelo governo federal, com
a. O emprego de um par de vírgulas para isolar o vistas ao desenvolvimento do país acoplado à re-
elemento “sobremaneira” (l. 8) provocaria erro dução de custos do setor produtivo.
morfossintático no período em que tal palavra está b. Infere-se do texto que o mencionado corte nas ta-
inserida. rifas de energia e nos juros, propalado pelo gover-
b. Na linha 2, a forma verbal “faz” poderia ser subs- no, atingirá não só bancos e concessionárias, mas
tituída tanto por tem feito como por vem fazendo, também indiretamente o mercado consumidor.
mantendo-se a correção gramatical e a coerência c. O autor do texto mostra-se contrário às mudanças
textual. implementadas pelo atual governo federal.
c. Na linha 2, a retirada da vírgula colocada depois d. No texto, o autor sustenta a política lucrativa dos
do verbo “surgir” manteria a correção gramatical do bancos e concessionárias do setor energético bra-
período, pois o seu emprego é facultativo. sileiro, pondo-se em defesa desse modelo.
d. No trecho “especialmente as decorrentes dos direi- e. Deduz-se do texto que é necessário, urgentemen-
tos” (l. 3-4), a correção gramatical do período seria te, diminuir os lucros do governo no setor energéti-
mantida caso se flexionasse no masculino o vocá- co para proteger o mercado produtor e as distribui-
bulo “as”, que, então, passaria a concordar com doras de energia.
“conflito” (l. 3).
e. A retirada das vírgulas que intercalam o trecho “es- 16. STX – Em relação aos aspectos sintático-semânticos
do texto, assinale a opção correta.
pecialmente (...) geração” (l. 3-5) manteria a corre-
a. O termo “o Leitmotiv” (l. 3) poderia ser substituído
ção gramatical e a coerência textual.
por motivo recorrente ou por preocupação constan-
te, mantendo-se a coerência e a correção grama-
14. STX – SE – Com relação às estruturas gramaticais e
tical do texto.
aos sentidos originais do texto, assinale a opção correta.
b. A conjunção “e” em “(e a marca ansiada por ela é a
a. No contexto, caso a expressão “entre outras” (l. 7)
erradicação da miséria)” (l. 5-6) tem valor adversa-
fosse flexionada na forma genérica masculina – tivo, equivalente a mas.
entre outros – haveria prejuízo gramatical para o c. Na linha 7, a partícula “lo” em “fazê-lo” tem como
texto. referente a expressão “setor produtivo” (l. 6-7).
b. O deslocamento de “por alguns autores” (l. 11) para d. No texto, a expressão “A despeito de” (l. 1) poderia
logo depois da palavra “responsável” (l. 11) mante- ser substituída por No entanto, visto que são ex-
ria a correção morfossintática do período. pressões sintaticamente equivalentes.
c. A oração “apontando a (...) dos procedimentos” (l. e. Em “o que a presidenta enfatizou” (l. 2-3), a substi-
13-15) poderia ser reescrita, sem provocar impro- tuição de “o” por aquilo introduziria incorreção gra-
priedade vocabular ou incorreção gramatical no matical no período.
trecho em questão, da seguinte forma: apontando
para necessidade incessante de simplificar e agili-
zar o sistema e os processos jurídicos. GABARITO
d. O emprego de sinal indicativo de crase no termo
“a”, em “as decorrentes” (l. 4), manteria a correção 1. a
gramatical do texto. 2. a
e. A expressão “trazem à baila” (l. 5) poderia ser 3. b
substituída por implementam, mantendo-se, assim, 4. c
a correção gramatical e os sentidos originais do 5. d
texto. 6. b
7. e
Texto para as questões 15 e 16 8. d
9. d
1 A despeito de ter considerado necessário o aprimo- 10. b
11. c
ramento do sistema energético do país, o que a pre-
12. d
sidenta enfatizou em seu discurso foi o Leitmotiv do
13. b
governo: não se pode falar em crescimento com dis-
14. a
5 tribuição de renda (e a marca ansiada por ela é a erra-
15. a
dicação da miséria) sem reduzir custos do setor pro-
16. a

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RACIOCÍNIO MATÉRIA
LÓGICO

S U M ÁRI O

AVALIAÇÃO DA HABILIDADE DO CANDIDATO EM ENTENDER A ESTRUTURA LÓGICA DE RELAÇÕES


ARBITRÁRIAS ENTRE PESSOAS, LUGARES, COISAS OU EVENTOS FICTÍCIOS; DEDUZIR NOVAS
INFORMAÇÕES DAS RELAÇÕES FORNECIDAS, E AVALIAR AS CONDIÇÕES USADAS PARA ESTABELECER
A ESTRUTURA DAQUELAS RELAÇÕES..........................................................................................................72

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE LÓGICA 2ª) Conectivo lógico é um operador lógico que se liga
a uma ou mais proposições simples, transformando-as em
CONCEITOS INICIAIS proposição composta. Os conectivos são: “e” ; “ou” ; “ou ...
ou”; “se ... então”; “se e somente se”; e “não”.
3ª) O valor lógico de uma proposição composta for-
Proposição
mada por duas ou mais preposições simples depende do
valor lógico dessas proposições bem como do conectivo uti-
É qualquer afirmação que dependendo de um contexto lizado.
pode receber um dos dois valores lógicos: Verdadeiro ou
Falso. Tabelas Veritativas

Exemplos: São utilizadas para valorar as proposições compostas


a partir dos conectivos lógicos anteriormente mencionados.
a) 4 é ímpar.
b) 100 =10 . 1) Conectivo “e” (∧).
c) Brasília é a capital do Brasil.
d) João é médico. p q p∧q
e) Maria é morena.
V V V
P Q
V F F
 Obs.: não são Proposições:
F V F
a) X é ímpar. (Sentença aberta) F F F
ROBERTO VASCONCELOS

b) A cidade “X” é a capital do Brasil. (Sentença aberta)


c) X + 5 = 8. (Sentença aberta) A proposição “p ∧ q” é verdadeira sempre que “p” for
d) Qual é o seu nome? (Sentença interrogativa) verdadeira e “q” também for verdadeira. Nos demais casos a
e) Feche a porta. (Sentença imperativa) proposição “p ∧ q” será falsa.
f) Que dia lindo! (Sentença exclamativa) 2) Conectivo “ou” (∨).

 Obs.: as proposições se dividem em 2 grupos: simples e


p q p∨q
compostas.
V V V
P Q
Proposição Simples V F V
F V V
É aquela que não pode ser subdividida, isto é, não
podemos extrair uma parte dela que seja considerada uma F F F
nova proposição. Também é chamada de proposição atô-
mica.
A proposição “p ∨ q” será falsa quando a proposição “p”
for falsa e a proposição “q” também for falsa. Nos demais
Proposição Composta
casos a proposição “p ∨ q” será sempre verdadeira.

É aquela que pode ser subdividida, isto é, podemos


3) Conectivo “ou...ou” (∨)
extrair uma parte dela que seja considerada uma nova
proposição. Também é chamada de proposição molecular.
p q p∨q
Exemplos:
V V F
P Q
a) 4 é par. (Proposição simples) V F V
b) 7 é ímpar. (Proposição simples) F V V
c) Ou 4 é par ou 7 é ímpar. (Proposição composta)
F F F
d) Se João é médico então Maria é dentista. (Proposi-
ção composta)
A proposição “p ∨ q” é verdadeira sempre que apenas
1ª) Todas as proposições compostas e somente elas uma das duas proposições simples for verdadeira, sendo
apresentam conectivo lógico. falsa nos demais casos.

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4) Conectivo “se...então” (→) III: Se 7 > 5 então 14 > 16.
IV: 9 é par, se somente se, 10 é ímpar.
V: Se 4 > 6 ou 7 < 8 então 9 > 5 e 8 > 1.
p→
p q VI: 92 = 81 e 72 = 49, se somente se, 81 = 9 e 49 = 7.
q
Q VII: Se 7 não é par então ou 4 é par ou 10 não é par.
V V V P VIII: Ou 7 é primo ou 9 é primo.
V F F
Solução:
F V V
I: F ∧ V = F (Falsa)
F F V
II: F ∨ V = V (Verdadeira)
III: V → F = F (Falsa)
A proposição “p → q” é falsa apenas quando a primeira IV: F ↔ F = V (Verdadeira)
“p” for verdadeira e a segunda “q” for falsa, sendo verdadeira V: (F ∨ V) → (V ∧ V) ⇒ V → V = V (Verdadeira)
nos demais casos. VI: (V ∨ V) ↔ (V ∧ V) ⇒ V ↔ V = V (Verdadeira)
VII: V → (V ∨ F) ⇒ V → V = V (Verdadeira)
5) Conectivo “se e somente se” (↔) VIII: V ∨ F = V (Verdadeira)

Tautologia e contradição
p↔
p q
q
Tautologia
V V V
É toda proposição composta que tem o valor lógico de
V F F
verdadeiro, independente do valor lógico das partes meno-
F V F res que a compõem.
F F V
Exemplo:

RACIOCÍNIO LÓGICO
A proposição “p ↔ q” é verdadeira quando ambas, “p” A proposição “A ∨ ¬ A” é uma tautologia.
e “q” apresentarem as mesmas valorações. Isto é, ambas
verdadeiras ou ambas falsas.
A ¬A A∨¬A
6) Conectivo “não” (∼) ou (¬) V F V

p ¬p F V V

V F Contradição

F V É toda proposição composta que tem o valor lógico de


falso, independente do valor lógico das partes menores que
A proposição “¬ p” e a proposição “p” sempre têm valo- a compõem.
rações contrárias.
Exemplo:
Observações:
A proposição “A ∧ ¬ A” é uma contradição.
1ª) O conectivo “não” também é conhecido como modi-
ficador lógico, pois sempre modifica a valoração da afir-
mação. A ¬A A∧¬A
V F F
2ª) Formas sinônimas do “não”:
• É falso que ... F V F
• Não é verdade que ...
• É mentira que ...
Negação das Proposições Compostas (Leis de
Morgan)
EXERCÍCIO RESOLVIDO

R.1. Julgue em “V” ou “F” as seguintes proposições: Afirmação Negação Direta Negação (Leis de Morgan)

I: 4 é ímpar e 7 é inteiro. A∧B ¬ (A ∧ B) ¬A∨¬B


II: 9 = 5 ou 82 = 64.

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2ª) O porquê que a negação de “A ↔ B” é “ [(A ∧ ¬ B)
A∨B ¬ (A ∨ B) ¬A∧¬B
∨ (B ∧ ¬ A)]”
A→B ¬ (A → B) A∧¬B

A↔B ¬ (A ↔ B) [(A ∧ ¬ B) ∨ (B ∧ ¬ A)]

A∨
B

V
F

F
EXERCÍCIO RESOLVIDO

[(A ∧ ¬ B) ∨ (B ∨ ¬ A)]
R.2. Dê a negação de cada uma das proposições
abaixo, em linguagem natural, de acordo com as Leis de

V
F

F
Morgan:

1. João é médico e Maria é dentista.

2. Mário é marceneiro ou Pedro não é pedreiro.

¬A
B∧

V
F

F
3. Se estudo tudo, passo no concurso.

¬B
A∧

V
F

F
4. Fico feliz, se e somente se, passo no concurso.

V
F

F
¬
Solução: A

V
F

F
¬
ROBERTO VASCONCELOS

1. João não é médico ou Maria não é dentista.


A↔
B

V
F

F
2. Mário não é marceneiro e Pedro é pedreiro.

3. Estudo tudo e não passo no concurso.


B

V
F

F
4. Fico feliz e não passo no concurso ou passo no con-
A

F
curso e não fico feliz.

JUSTIFICATIVAS Observe que a proposição “[(A ∧ ¬ B) ∨ (B ∨ ¬ A)]” bem


como a proposição “A ∨ B” possuem valorações contrárias ao
1ª) O porquê que a negação de “A ∧ B” é “¬ A ∨ ¬ B” valor lógico da proposição “A ↔ B”.

QUANTIFICADORES LÓGICOS
A B A ∧ B ¬ A ¬ B ¬ (A ∧ B) ¬ A ∨ ¬ B ¬ A ∧ ¬ B
São expressões que dão ideia de quantidade. Os quan-
tificadores se dividem em universais e particulares.
V V V F F F F F

a) Universais
V F F F V V V F

Todos são... Qualquer um é...


F V F V F V V F ou
Nenhum é... Qualquer um não é...
F F F V V V V V

b) Particulares

Observe que a proposição “¬ A ∧ ¬ B” na segunda e na


terceira linha não é a negação de “A ∧ B”, enquanto a proposi- Algum é... Existe pelo menos um que seja...
ou
ção “¬ A ∨ ¬ B” é a negação da proposição “A ∧ B” em todos
Algum não é... Existe pelo menos um que não seja...
os casos.

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Negação dos Quantificadores P : Todas as bolas são pretas.
Q : Alguma bola não é preta.
T : Nenhuma bola é preta.
Afirmação Negação

Todas são... Algum não é...


Hipóteses:

Nenhum é... Algum é...

Algum não é... Todas são...


“P” é verdadeira
Algum é... Nenhum é...
1ª) “Q” é falsa

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS “T” é falsa

R.3. Dê a negação, em linguagem natural, das proposi-


ções lógicas abaixo:

1) Todos os peixes estão vivos.


Algum peixe não está vivo. “P” é falsa
Algum peixe está morto.
2ª) “Q” é verdadeira
2) Todos os estudantes estão sentados.
Algum estudante não está sentado. “T” é falsa

3) Nenhuma cobra é venenosa.

RACIOCÍNIO LÓGICO
Alguma cobra é venenosa.

4) Algum número inteiro não é par.


Todos os números inteiros são pares. “P” é falsa
Nenhum número inteiro é ímpar.
3ª) “Q” é verdadeira
5) Algum triângulo é isósceles.
“T” é verdadeira
Nenhum triângulo é isósceles.

R.4. A negação de “todos os homens são bons moto-


ristas” é:
a. Nenhum homem é bom motorista.
b. Todas as mulheres são boas motoristas. IMPORTANTE
c. Algumas mulheres são boas motoristas. 1ª) A proposição “Q” teve valoração contrária a proposição
d. Ao menos um homem não é bom motorista. “P” em todas as hipóteses, enquanto a proposição “T” só
apresentou valoração contrária a proposição “P” na primeira e
Solução: na terceira hipótese. Portanto, a proposição “Q” é a negação da
proposição “P”.
P: Todos os homens são bons motoristas. 2ª) Os demais casos de negação dos quantificadores lógicos
¬ P: Algum homem não é bom motorista. podem ser justificados de maneira análoga a ideia apresentada
anteriormente.
Portanto, letra “D”.

JUSTIFICATIVA ARGUMENTO LÓGICO

O porquê que a negação de “todos são ...” é “algum É um conjunto formado por algumas premissas segui-
não é...”. das de uma conclusão. Quanto à validade um argumento se
divide em:
Considere o exemplo: a) Válido: quando as premissas garantem a conclusão.
b) Inválido: quando as premissas não garantem a con-
Sejam as proposições: clusão.

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Esquema:
Premissa Diagrama
B
A
P1 : ---------------------- Todo A é B
P2 : ---------------------- Proposições consideradas
P3 : ---------------------- verdadeiras para
julgarmos a conclusão.
a b
Pn : ----------------------
Algum A é B

Conc.:-------------------
a b
Algum A não é B
Exemplos:

1º) P1: Todos os peixes voam;


a b
P2: Sardinha é um peixe; Nenhum A é B
Conclusão: Sardinha voa.

Considerando as premissas verdadeiras, a conclusão EXERCÍCIOS RESOLVIDOS


é obrigatoriamente verdadeira! Portanto, trata-se de argu-
mento válido. R.5. Se é verdade que “alguns A são R” e que “nenhum
ROBERTO VASCONCELOS

G é R”, então é necessariamente verdadeiro que:


2º) P1: Todo atleta é forte; a) algum A não é G.
b) algum A é G.
P2: João é atleta;
c) nenhum A é G.
Conclusão: João é atleta.
d) algum G é A.
e) nenhum G é A.
Considerando as premissas verdadeiras, a conclusão
não é obrigatoriamente verdadeira. Portanto, trata-se de
argumento inválido. Solução:

Fazendo os diagramas lógicos referentes às duas pre-


PROPOSIÇÃO CATEGÓRICA
missas, temos:

É toda premissa de um argumento que apresenta uma


das seguintes estruturas: a b
• Todo A é B.
• Algum A é B.
g
• Algum A não é B.
• Nenhum A é B.

a b
Exemplos:

• Todo político é desonesto.


• Algum atleta é intelectual. g

• Algum músico não é alto.


• Nenhum estudante é atleta. a b
g
DIAGRAMAS LÓGICOS

São as representações das proposições categóricas


por meio de diagrama de conjuntos.

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A alternativa correta deverá ser verdadeira em todos a. Carlos é filho de Pedro ou Breno é neto de Beto.
os diagramas construídos. Nesse caso teremos a letra “a”. b. Breno é neto de Beto e Ana é prima de Bia.
c. Ana não é prima de Bia e Carlos é filho de Pedro.
R.6. Todas as plantas verdes têm clorofila. Algumas d. Jorge é irmão de Maria e Breno é neto de Beto.
plantas que têm clorofila são comestíveis. Logo: e. Ana é prima de Bia e Carlos não é filho de Pedro.
a) algumas plantas verdes são comestíveis.
b) algumas plantas verdes não são comestíveis. Solução:
c) algumas plantas comestíveis têm clorofila.
d) todas as plantas que têm clorofila são comestíveis. P1 : Ana é prima de Bia ou Carlos é filho de Pedro.
e) todas as plantas verdes são comestíveis.
Vp Fo
Solução: P2 : Se Jorge é irmão de Maria, então, Breno não é neto de Beto.

Vk Vl
Fazendo os diagramas lógicos referentes às duas pre-
missas, temos: P3 : Se Carlos é filho de Pedro, então, Breno é neto de Beto.
Fn Fm

P4 : Jorge é irmão de Maria.


clor

pv Vj

com
 Obs.: os números dentro dos círculos indicam a ordem
em que ocorreram as valorações. É bom lembrar
que as premissas de um argumento devem ser con-
sideradas sempre verdadeiras. (Consultar as tabe-
clor las veritativas).
pv

RACIOCÍNIO LÓGICO
Logo, analisando as alternativas, temos:
com
a. F ou F = F
b. F e V  = F
c. F e F  = F
d. V e F  = F
clor e. V e V  = V Gabarito “e”

com R.8. Ou Celso compra um carro, ou Ana vai à África, ou


pv Rui vai a Roma. Se Ana vai à África, então Luís compra um
livro. Se Luís compra um livro, então Rui vai a Roma. Ora,
Rui não vai a Roma, logo:
a. Celso compra um carro e Ana não vai à África.
b. Celso não compra um carro e Luís não compra o
A alternativa correta deverá ser verdadeira em todos livro.
os diagramas construídos. Nesse caso teremos a letra “c”. c. Ana não vai à África e Luís compra um livro.
d. Ana vai à África ou Luís compra um livro.
2ª FAMÍLIA DE ARGUMENTO LÓGICO e. Ana vai à África e Rui não vai à Roma.

A 1ª família era constituída de argumentos que apre- Solução:


sentavam proposições categóricas. Essa 2ª família é consti-
tuída de argumentos que não apresentam proposições cate- P : Ou Celso compra um carro, ou Ana vai à África ou Rui vai a Roma.
1
góricas. A ferramenta de trabalho nesse caso não será os Vq Fp Fk
diagramas lógicos. Recorreremos às tabelas veritativas.
P : Se Ana vai à África, então, Luis compra um livro.
2
Fo Fn
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
P3 : Se Luis compra um livro, então, Rui vai a Roma.
R.7. Ana é prima de Bia, ou Carlos é filho de Pedro. Se
Fm Fl
Jorge é irmão de Maria, então Breno não é neto de Beto. Se
P4 : Ora Rui não vai a Roma.
Carlos é filho de Pedro, então Breno é neto de Beto. Ora,

Jorge é irmão de Maria. Logo: Vj

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Logo, analisando as alternativas temos: 3º) Como apenas Ana tem vestido e sapato da mesma
cor teremos que ter Júlia e Marisa com vestido azul e preto,
a. VeV=V respectivamente.
b. FeV=F
c. VeF=F
Vestido branco azul preto
d. FeF=F
e. F e V = F Gabarito “a” Nome Ana Júlia Marisa

Sapato branco preto azul


LÓGICA DA ARGUMENTAÇÃO

São os problemas que apresentam uma situação hipo- Logo, a alternativa correta é a letra “c”.
tética em que são fornecidos alguns dados, “pistas”, e que
devemos matar uma charada (decifrar um certo enigma).
R.10. Em torno de uma mesa quadrada, encontram-se
sentados quatro sindicalistas. Oliveira, o mais antigo entre
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS eles, é mineiro. Há também um paulista, um carioca e um
baiano. Paulo está sentado à direita de Oliveira. Norton, à
R.9. Três amigas encontram-se em uma festa. O ves- direita do paulista. Por sua vez, Vasconcelos, que não é
tido de uma delas é azul, o de outra é preto, e o da outra carioca, encontra-se à frente de Paulo. Assim,
é branco. Elas calçam pares de sapatos dessas mesmas a. Paulo é paulista e Vasconcelos é baiano.
três cores, mas somente Ana está com vestido e sapatos
b. Paulo é carioca e Vasconcelos é baiano.
de mesma cor. Nem o vestido nem os sapatos de Júlia são
brancos. Marisa está com sapatos azuis. Desse modo, c. Norton é baiano e Vasconcelos é paulista.
a. o vestido de Júlia é azul e o de Ana é preto. d. Norton é carioca e Vasconcelos é paulista.
b. o vestido de Júlia é branco e seus sapatos são e. Paulo é baiano e Vasconcelos é paulista.
ROBERTO VASCONCELOS

pretos.
c. os sapatos de Júlia são pretos e os de Ana são Solução:
brancos.
d. os sapatos de Ana são pretos e o vestido de Marisa 1º) Sabemos que Paulo está sentado à direita de Oli-
é branco. veira e que Oliveira é mineiro. Logo temos:
e. o vestido de Ana é preto e os sapatos de Marisa são
azuis. ?

Solução:

? P
Vamos criar uma tabela e preencher as células de
acordo com as informações que dispomos.

O
1º) Sabemos que o sapato de Marisa é azul e o de Júlia
não é branco. Logo, o sapato de Júlia só pode ser preto.
Restando para Ana estar com o sapato branco. Oliveira (O) Paulo (P) Vasconcelos (V) Norton (N)
mineiro ? ? ?
Vestido ? ? ?

Nome Ana Júlia Marisa 2º) Vasconcelos está sentado à frente de Paulo.

Sapato branco preto azul ?

2º) Como o vestido de Ana é da mesma cor do seu


V P
sapato, temos que o vestido de Ana deverá ser branco.

Vestido branco ? ? O
Nome Ana Júlia Marisa
3º) Norton só pode estar sentado à frente do Oliveira e,
Sapato branco preto azul portanto, à direita do Paulo. Daí Paulo é o paulista.

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N 2. (CESPE) Denomina-se contradição uma proposição
que é sempre falsa. Uma forma de argumentação
lógica considerada válida é embasada na regra da
contradição, ou seja, no caso de uma proposição ¬R
V P verdadeira (ou R verdadeira), caso se obtenha uma
contradição, então se conclui que R é verdadeira (ou
¬R é verdadeira). Considerando essas informações e
O o texto de referência, e sabendo que duas proposições
são equivalentes quando possuem as mesmas valora-
ções, julgue os itens que se seguem.
Oliveira (O) Paulo (P) Vasconcelos (V) Norton (N) 1) De acordo com a regra da contradição, P → Q é
verdadeira quando ao supor P ∧ ~Q verdadeira,
mineiro paulista ? ? obtém-se uma contradição.
2) Considere que, em um pequeno grupo de pessoas,
G, envolvidas em um acidente, haja apenas dois
4º) Como Vasconcelos não é carioca, ele só pode ser
tipos de indivíduos: aqueles que sempre falam a
o baiano.
verdade e os que sempre mentem. Se, do conjunto
G, o indivíduo P afirmar que o indivíduo Q fala a
Oliveira (O) Paulo (P) Vasconcelos (V) Norton (N) verdade, e Q afirmar que P e ele são tipos opostos
de indivíduos, então, nesse caso, é correto concluir
mineiro paulista baiano ? que P e Q mentem.

3. (ESAF) Você está a frente de duas portas. Uma delas


5º) Sobra para Norton, então, apenas ser o carioca.
conduz a um tesouro; a outra, a uma sala vazia. Cos-
Assim temos:
me guarda uma das portas, enquanto Damião guarda
a outra. Cada um dos guardas sempre diz a verdade
ou sempre mente, ou seja, ambos os guardas podem

RACIOCÍNIO LÓGICO
Oliveira (O) Paulo (P) Vasconcelos (V) Norton (N)
sempre mentir, ambos podem sempre dizer a verdade,
mineiro paulista baiano carioca ou um sempre dizer a verdade e o outro sempre mentir.
Você não sabe se ambos são mentirosos, se ambos
são verazes. Ou se um é veraz e o outro é mentiroso.
Logo, a alternativa correta é a letra “a”. Mas, para descobrir qual das portas conduz ao tesou-
ro, você pode fazer três (e apenas três) perguntas aos
EXERCÍCIOS guardas, escolhendo-as da seguinte relação:
• P1: O outro guarda é da mesma natureza que você
(isto é, se você é mentiroso ele também o é, e se
1. Sejam P e Q variáveis proposicionais que podem ter você é veraz ele também o é)?
valorações, ou serem julgadas verdadeiras (V) ou fal- • P2: Você é o guarda da porta que leva ao tesouro?
sas (F). A partir dessas variáveis, podem ser obtidas • P3: O outro guarda é mentiroso?
novas proposições, tais como: a proposição condicio- • P4: Você é veraz?
nal, denotada por P → Q, que será F quando P for V
e Q for F, e V nos outros casos; a disjunção de P e Q, Então uma possível sequência de três perguntas que
denotada por P ∨ Q, que será F somente quando P e é logicamente suficiente para assegurar, seja qual for
Q forem F, e V nas outras situações; a conjunção de P a natureza dos guardas, que você identifique correta-
e Q, denotada por P ∧ Q, que será V somente quando mente a porta que leva ao tesouro é:
P e Q forem V, e, em outros casos, será F; e a negação a. P2 a Cosme, P2 a Damião, P3 a Damião.
de P, denotada por ¬P, que será F, se P for V e será V, b. P3 a Damião, P2 a Cosme, P3 a Cosme.
se P for F. Uma tabela de valorações para uma dada c. P3 a Cosme, P2 a Damião, P4 a Cosme.
proposição é um conjunto de possibilidades V ou F as- d. P1 a Cosme, P1 a Damião, P2 a Cosme.
sociadas a essa proposição. e. P4 a Cosme, P1 a Cosme, P2 a Damião.
A partir das informações do texto acima, julgue os itens
subsequentes. 4. (CESPE) As sentenças S1, S2 e S3 a seguir são no-
1) As tabelas de valorações das proposições P ∨ Q tícias acerca da bacia de Campos – RJ, extraídas e
e Q → ¬P são iguais. adaptadas da revista comemorativa dos 50 anos da
2) As proposições (P ∨ Q) → S e (P → S) ∨ (Q → S) PETROBRAS.
possuem tabelas de valorações iguais. • S1: Foi descoberto óleo no campo de Garoupa, em
1974.
3) O número de tabelas de valorações distintas que
• S2: Foi batido o recorde mundial em perfuração
podem ser obtidas para proposições com exata-
horizontal, em profundidade de 905m, no campo de
mente duas variáveis proposicionais é igual a 24.
Marlim, em 1995.

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• S3: Foi iniciada a produção em Moreia e foi iniciado 8. (ESAF) Três amigas, Tânia, Janete e Angélica, estão
o Programa de Desenvolvimento Tecnológico em sentadas lado a lado em um teatro. Tânia sempre fala
Águas Profundas (PROCAP), em 1986. a verdade, Janete às vezes fala a verdade e Angélica
nunca fala a verdade. A que está sentada à esquerda
Quanto às informações das sentenças acima, julgue diz: “Tânia é quem está sentada no meio”. A que está
os itens subsequentes. sentada no meio diz: “Eu sou Janete”. Finalmente a
1) A negação da união de S1 e S2 pode ser expres- que está sentada à direita diz: “Angélica é quem está
sa por: Se não foi descoberto óleo no campo de sentada no meio”. A que está sentada à esquerda, a
Garoupa, em 1974, então não foi batido o recorde que está sentada no meio e a que está sentada à direi-
mundial em perfuração horizontal, em profundida- ta é, respectivamente:
de de 905m, no campo de Marlim, em 1995. a. Janete, Tânia e Angélica.
2) A negação de S3 pode ser expressa por: ou não foi b. Janete, Angélica e Tânia.
iniciada a produção em Moreia ou não foi iniciado c. Angélica, Janete e Tânia.
o Programa de Desenvolvimento Tecnológico em d. Angélica, Tânia e Janete.
Águas Profundas (PROCAP), em 1986. e. Tânia, Angélica e Janete.

5. (ESAF) A negação da afirmação condicional “Se estiver 9. (ESAF) Três irmãs – Ana, Maria e Cláudia – foram a
chovendo, eu levo o guarda-chuva” é: uma festa com vestidos de cores diferentes. Uma ves-
a. Se não estiver chovendo, eu levo o guarda-chuva. tiu azul, a outra branco, e a terceira preto. Chegando à
b. Não está chovendo e eu levo o guarda-chuva. festa, o anfitrião perguntou quem era cada uma delas.
c. Não está chovendo e eu não levo o guarda-chuva. A de azul respondeu: “Ana é a que está de branco”.
d. Se estiver chovendo, eu não levo o guarda-chuva. A de branco falou: “Eu sou Maria”. E a de preto dis-
e. Está chovendo e eu não levo o guarda-chuva. se: “Cláudia é quem está de branco”. Como o anfitrião
sabia que Ana sempre diz a verdade, que Maria às ve-
6. (ESAF) Dizer que não é verdade que “Pedro é pobre zes diz a verdade, e que Cláudia nunca diz a verdade,
ROBERTO VASCONCELOS

e Alberto é alto”, é logicamente equivalente dizer que ele foi capaz de identificar corretamente que era cada
é verdade que: pessoa. As cores dos vestidos de Ana, Maria e Cláudia
a. Pedro não é pobre ou Alberto não é alto. eram. respectivamente:
b. Pedro não é pobre e Alberto não é alto. a. preto, branco, azul.
c. Pedro é pobre ou Alberto não é alto. b. preto, azul, branco.
d. Se Pedro não é pobre, então Alberto é alto. c. azul, preto, branco.
e. Se Pedro não é pobre, então Alberto não é alto. d. azul, branco, preto.
e. branco, azul, preto.
7. (ESAF) Três homens são levados à presença de um
jovem lógico. Sabe-se que um deles é um homem ho- 10. Assinale a alternativa que apresenta uma contradição.
nesto marceneiro, que sempre diz a verdade. Sabe-se, a. Todo espião não é vegetariano e algum vegeta-
também, que um outro é um pedreiro, igualmente ho- riano é espião.
nesto e trabalhador, mas que tem o estranho costume
b. Todo espião é vegetariano e algum vegetariano
de sempre mentir, de jamais dizer a verdade. Sabe-se
não é espião.
ainda, que o restante é um vulgar ladrão que ora men-
c. Nenhum espião é vegetariano e algum espião
te, ora diz a verdade. O problema é que não se sabe
não é vegetariano.
quem, entre eles, é quem. À frente do jovem lógico, es-
ses três homens fazem, ordenadamente, as seguintes d. Algum espião é vegetariano e algum espião não é
declarações: vegetariano.
e. Todo vegetariano é espião e algum espião não é
vegetariano.
• O primeiro diz: “Eu sou o ladrão”.
• O segundo diz: “É verdade; ele, o que acabou de
falar, é o ladrão”. 11. (ESAF) Três suspeitos de haver roubado o colar da
• O terceiro diz: “Eu sou o ladrão”. rainha foram levados à presença de um velho e sábio
professor de Lógica. Um dos suspeitos estava de ca-
misa azul, outro de camisa branca e o outro de camisa
Com base nestas informações, o jovem lógico pode,
preta. Sabe-se que um e apenas um dos suspeitos é
então, concluir corretamente que:
culpado e que o culpado às vezes fala a verdade e às
a. O ladrão é o primeiro e o marceneiro é o terceiro.
vezes mente. Sabe-se, também, que dos outros dois
b. O ladrão é o primeiro e o marceneiro é o segundo.
(isto é, dos suspeitos que são inocentes), um sempre
c. O pedreiro é o primeiro e o ladrão é o segundo. diz a verdade e o outro sempre mente. O velho e sábio
d. O pedreiro é o primeiro e o ladrão é o terceiro. professor perguntou, a cada um dos suspeitos, qual
e. O marceneiro é o primeiro e o ladrão é o segundo. entre eles era o culpado. Disse o de camisa azul: “Eu

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sou o culpado”. Disse o de camisa branca, apontando 14. (ESAF) Cinco aldeões foram trazidos à presença de
para o de camisa azul: “Sim, ele é o culpado”. Disse, um velho rei, acusados de haver roubado laranjas do
por fim, o de camisa preta: “Eu roubei o colar da rai- pomar real. Abelim, o primeiro a falar, falou tão baixo
nha; o culpado sou eu”. O velho e sábio professor de que o rei, que era um pouco surdo, não ouviu o que ele
Lógica, então, sorriu e concluiu corretamente que: disse. Os outros quatro acusados disseram:
a. o culpado é o de camisa azul e o de camisa preta • Bebelim: “Cebelim é inocente’’.
sempre mente. • Cebelim: “Dedelim é inocente”.
b. o culpado é o de camisa branca e o de camisa pre- • Dedelim: “Ebelim é culpado”.
ta sempre mente. • Ebelim: “Abelim é culpado”.
c. o culpado é o de camisa preta e o de camisa azul
sempre mente. O mago Merlim, que vira o roubo das laranjas e ouvira
d. o culpado é o de camisa preta e o de camisa azul as declarações dos cincos acusados, disse então ao
sempre diz a verdade. rei: ’’ Majestade, apenas um dos cinco acusados é cul-
e. o culpado é o de camisa azul e o de camisa azul pado, e ele disse a verdade; os outros quatro são ino-
sempre diz a verdade. centes e todos os quatro mentiram’’. O velho rei, que
embora um pouco surdo era muito sábio, logo concluiu
12. (ESAF) Uma empresa produz androides de dois tipos: corretamente que o culpado era:
os de tipo V, que sempre dizem a verdade, e os de a. Aberlim.
tipo M, que sempre mentem. Dr. Turing, um especialis- b. Bebelim.
ta em Inteligência Artificial, está examinando um grupo c. Cebelim.
de cinco androides – rotulados de Alfa, Beta, Gama, d. Dedelim.
Delta e Épsilon –, fabricados por essa empresa, para e. Ebelim.
determinar quantos entre os cinco são do tipo V. Ele
pergunta a Alfa: “Você é do tipo M?” Alfa responde, 15. (ESAF) A negação da sentença “Nenhuma pessoa len-
mas Dr. Turing, distraído, não ouve a resposta. Os an- ta em aprender frequenta a escola” é
a. “Todas as pessoas lentas em aprender frequentam
droides restantes fazem, então, as seguintes declara-
esta escola”.
ções:

RACIOCÍNIO LÓGICO
b. “Todas as pessoas lentas em aprender não fre-
• Beta: “Alfa respondeu que sim”.
quentam esta escola”.
• Gama: “Beta está mentindo”.
c. “Algumas pessoas lentas em aprender frequentam
• Delta: “Gama está mentindo”.
esta escola”.
• Épsilon: “Alfa é do tipo M”.
d. “Algumas pessoas lentas em aprender não fre-
quentam esta escola”.
Mesmo sem ter prestado atenção à resposta de Alfa,
e. “Nenhuma pessoa lenta em aprender frequenta
Dr. Turing pôde, então, concluir corretamente que o
esta escola”.
número de androides do tipo V, naquele grupo, era
igual a:
16. (ESAF) A negação da proposição “Todos os homens
a. 1.
são bons motoristas” é:
b. 2.
a. “Todas as mulheres são boas motoristas”.
c. 3.
b. “Algumas mulheres são boas motoristas”.
d. 4.
c. “Nenhum homem é bom motorista”.
e. 5. d. “Todos os homens são maus motoristas”.
e. “Ao menos um homem é mau motorista”.
13. (ESAF) Um crime foi cometido por uma e apenas uma
pessoa de um grupo de cinco suspeitos: Armando, 17. (ESAF) Se é verdade que “Alguns escritores são poe-
Celso, Edu, Juarez e Tarso. Perguntados sobre quem tas” e que “Nenhum músico é poeta”, então, também é
era o culpado, cada um deles respondeu: necessariamente verdade que:
• Armando: “Sou inocente”. a. nenhum músico é escritor.
• Celso: “Edu é o culpado”. b. algum escritor é músico.
• Edu: “Tarso é o culpado”. c. algum músico é escritor.
• Juarez: “Armando disse a verdade”. d. algum escritor não é músico.
• Tarso: “Celso mentiu”. e. nenhum escritor é músico.

Sabendo-se que apenas um dos suspeitos mentiu e 18. (ESAF) Sabe-se que existe pelo menos um A que é B.
que todos os outros disseram a verdade, pode-se con- Sabe-se, também, que todo B é C. Segue-se, portanto,
cluir que o culpado é: necessariamente que:
a. Armando. a. Todo C é B.
b. Celso. b. Todo C é A.
c. Edu. c. Algum A é C.
d. Juarez. d. Nada que não seja C é A.
e. Tarso. e. Algum A não é C.

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19. (ESAF) Em uma pequena comunidade sabe-se que: 24. (MPU/2004) Se Pedro é pintor ou Carlos é cantor, Má-
“Nenhum filósofo é rico” e que “alguns professores são rio não é médico e Sílvio não é sociólogo. Dessa pre-
ricos”. Assim pode-se afirmar, corretamente, que nesta missa pode-se corretamente concluir que,
comunidade: a. Se Pedro é pintor e Carlos não é cantor, Mário é
a. alguns filósofos são professores. médico ou Sílvio é sociólogo.
b. alguns professores são filósofos. b. Se Pedro é pintor e Carlos não é cantor, Mário é
c. nenhum filósofo é professor. médico ou Sílvio não é sociólogo.
d. alguns professores não são filósofos. c. Se Pedro é pintor e Carlos é cantor, Mário é médico
e. nenhum professor é filósofo. e Sílvio não é sociólogo.
d. Se Pedro é pintor e Carlos é cantor, Mário é médico
20. (ESAF) Em uma comunidade todo trabalhador é res- ou Sílvio é sociólogo.
ponsável. Todo artista, se não for filósofo, ou é traba- e. Se Pedro não é pintor ou Carlos é cantor, Mário
lhador ou é poeta. Ora, não há filósofo e não há poeta não é médico e Sílvio é sociólogo.
que não seja responsável. Portanto, tem-se que, ne-
cessariamente: 25. (ESAF) Na formatura de Hélcio, todos os que foram
a. todo responsável é artista. à solenidade de colação de grau estiverem, antes, no
b. todo responsável é filósofo ou poeta. casamento de Hélio. Como nem todos os amigos de
c. todo artista é responsável. Hélcio estiveram no casamento de Hélio, conclui-se
d. algum filósofo é poeta. que, dos amigos de Hélcio:
e. algum trabalhador é filósofo. a. Todos foram à solenidade de colação de grau de
Hélcio e alguns não foram ao casamento de Hélio.
21. (ESAF) Os dois círculos abaixo representam, respecti- b. Pelo menos um não foi à solenidade de colação de
vamente, o conjunto S dos amigos de Sara e o conjun- grau de Hélcio.
to P dos amigos de Paula. c. Alguns foram à solenidade de colação de grau de
Hélcio, mas não foram ao casamento de Hélio.
d. Alguns foram à solenidade de colação de grau de
ROBERTO VASCONCELOS

p s
Hélcio e nenhum foi ao casamento de Hélio.
e. Todos foram à solenidade de colação de grau de
Hélcio e nenhum foi ao casamento de Hélio.

26. (ESAF) Todos os alunos de matemática são, também,


alunos de inglês, mas nenhum aluno de inglês é aluno
de história. Todos os alunos de português são também
alunos de informática, e alguns alunos de informática
Sabendo que a parte sombreada do diagrama não são também alunos de história. Como nenhum aluno
possui elemento algum, então: de informática é aluno de inglês, e como nenhum aluno
a. Todo amigo de Paula é também amigo de Sara. de português é aluno de história, então:
b. Todo amigo de Sara é também amigo de Paula. a. Pelo menos um aluno de português é aluno de in-
c. Algum amigo de Paula não é amigo de Sara. glês.
d. Nenhuma amiga de Sara é amigo de Paula. b. Pelo menos um aluno de matemática é aluno de
e. Nenhum amigo de Paula é amigo de Sara. história.
c. Nenhum aluno de português é aluno de matemá-
22. (ESAF) Dizer que “André é artista ou Bernardo não é tica.
engenheiro” é logicamente equivalente a dizer que: d. Todos os alunos de informática são alunos de ma-
a. André é artista se e somente se Bernardo não é temática.
engenheiro. e. Todos os alunos de informática são alunos de por-
b. Se André é artista, então Bernardo não é engenheiro. tuguês.
c. Se André não é artista, então Bernardo é engenheiro.
d. Se Bernardo é engenheiro, então André é artista. 27. (ESAF) Todas as amigas de Aninha que foram à sua
e. André não é artista e Bernardo é engenheiro. festa de aniversário estiveram, antes, na festa de ani-
versário de Betinha. Como nem todas amigas de Ani-
23. (ESAF) Dizer que “Pedro não é pedreiro ou Paulo é nha estiveram na festa de Betinha, conclui-se que, das
paulista” é do ponto de vista lógico, o mesmo que dizer amigas de Aninha:
que: a. todas foram à festa de Aninha e algumas não foram
a. Se Pedro é pedreiro, então Paulo é paulista. à festa de Betinha.
b. Se Paulo é paulista, então Pedro é pedreiro. b. pelo menos uma não foi à festa de Aninha.
c. Se Pedro não é pedreiro, então Paulo é paulista. c. todas foram à festa de Aninha, mas não foram à
d. Se Pedro é pedreiro, então Paulo não é paulista. festa de Betinha.
e. Se Pedro não é pedreiro, então Paulo não é pau- d. algumas foram à festa de Aninha, mas não foram à
lista. festa de Betinha.

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e. algumas foram à festa de Aninha e nenhuma foi à
festa de Betinha. GABARITO

28. (ESAF) Uma escola de arte oferece aulas de canto, 1. EEC 11. a 21. a
dança, teatro, violão e piano. Todos os professores de 2. CC 12. b 22. d
canto são, também, professores de dança, mas ne- 3. d 13. e 23. a
nhum professor de dança é professor de teatro. Todos 4. EC 14. c 24. b
os professores de violão são, também, professores de 5. e 15. c 25. b
piano, e alguns professores de piano são, também, 6. a 16. e 26. c
professores de teatro. Sabe-se que nenhum professor 7. b 17. d 27. b
de piano é professor de dança, e como as aulas de 8. b 18. c 28. a
piano, violão e teatro não têm nenhum professor em 9. b 19. d 29. e
comum, então: 10. a 20. c 30. ECEC
a. Nenhum professor de violão é professor de canto.
b. Pelo menos um professor de violão é professor de SEQUÊNCIAS LÓGICAS
teatro.
c. Pelo menos um professor de canto é professor de Uma sequência lógica funciona como um teste psico-
teatro. técnico para uma pessoa.
d. Todos os professores de piano são professores de Devemos estar atentos ao padrão que foi utilizado na
canto. construção inicial para complementar o que se deseja.
e. Todos os professores de piano são professores de
violão. Vejamos alguns exemplos:

29. (ESAF) Em um grupo de amigas, todas as meninas a) Na sequência “1; 3; 5; 7; x”, temos que o número que
loiras são, também, altas e magras, mas nenhuma me- completa será “9”, pois percebemos que trata-se dos primei-
nina alta e magra tem olhos azuis. Todas as meninas ros números ímpares.

RACIOCÍNIO LÓGICO
alegres possuem cabelos crespos, e algumas meninas b) Na sequência “a; e; i; o; ?” temos que a letra que
de cabelos crespos têm também olhos azuis. Como completa será “u”, pois trata-se das vogais escritas ordena-
nenhuma menina de cabelos crespos é alta e magra, damente.
e como neste grupo de amigas não existe nenhuma
menina que tenha cabelos crespos, olhos azuis e seja
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
alegre, então:
a. Pelo menos uma menina alegre tem olhos azuis.
R.1. Qual o número que completa a sequência (2; 3; 5;
b. Pelo menos uma menina loira tem olhos azuis.
7; 11; x)?
c. Todas as meninas que possuem cabelos crespos
são loiras.
Solução:
d. Todas as meninas de cabelos crespos são alegres.
e. Nenhuma menina alegre é loira.
Observando os valores dados, percebemos que trata-
-se dos primeiros números primos.
30. (CESPE) Pedro, candidato ao cargo de Escrivão de
Logo, o próximo número será 13.
Polícia Federal, necessitando adquirir livros para se
preparar para o concurso, utilizou um site de busca da
R.2. Qual o número que completa a sequência (4; 9;
Internet e pesquisou em uma livraria virtual, especiali-
25; 49; 121; x)?
zada nas áreas de direito, administração e economia,
que vende livros nacionais e importados. Nessa livra-
ria, alguns livros de direito e todos os de administração Solução:
fazem parte dos produtos nacionais. Além disso, não
há livro nacional disponível de capa dura. Observando a sequência dada, percebemos que trata-se
dos quadrados dos primeiros números primos.
Com base nas informações acima, é possível que Pe- Logo, o próximo será 13² = 169.
dro, em sua pesquisa, tenha: R.3. Qual o número que completa a sequência (2; 10;
1) encontrado um livro de administração de capa 12; 16; 17; 18; 19; x)?
dura.
2) adquirido dessa livraria um livro de economia de Solução:
capa flexível.
3) selecionado para compra um livro nacional de direi- Embora trata-se de números, o padrão dessa sequência
to de capa dura. está associado à pronúncia (ou escrita) dos números dados.
4) comprado um livro importado de direito de capa Dos números inteiros em ordem crescente, são os que come-
flexível. çam com a letra “d”.

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Logo, o próximo é o número 200 (duzentos). R.6. Qual o número que completa a sequência (1; 2; 4;
7; 11; 16; x)?
R.4. Na sequência de quadriculados abaixo, as célu-
las pretas foram colocadas obedecendo a um determinado Solução:
padrão.
Observe que:

1; 2; 4; 7; 11; 16; x
+1 +2 +3 +4 +5 +6

Logo, o número será 16 + 6 = 22.

Figura I Figura II Figura III Figura IV R.7. Quais os números que completam a sequência (1; 3;
4; 9; 7; 27; x; y)?
Mantendo esse padrão, o número de células brancas
na Figura V será: Solução:
a. 101
b. 99 Observe que:
c. 97
d. 83 1°) (1; 3; 4; 9; 7; 27; x; y)
e. 81 +3 +3 +3

Solução: Nas posições ímpares temos uma P.A. de razão 3.


Logo, x = 7 + 3 = 10.
1°) Observe que temos da 1ª para a 4ª figura quadra-
2°) (1; 3; 4; 9; 7; 27; x; y)
dos formados de 3×3; 5×5; 7×7; e 9×9 células, totalizando 9;
.3 .3 .3
ROBERTO VASCONCELOS

25; 49 e 81 células respectivamente. Logo, a próxima figura


será um quadrado com 11×11 = 121 células.
2°) Contando-se as células pretas teremos: 4; 8; 12; Nas posições pares temos uma P.G. de razão 3.
16 e x. Logo, y = 27 . 3 = 81.
Dá para concluirmos que na figura V, o número de célu-
las pretas será 16 + 4 = 20. (x = 20). R.8. Na sucessão de figuras seguintes, as letras do
Portanto, teremos 121 – 20 = 101 células brancas. alfabeto oficial foram dispostas segundo um determinado
padrão.
R.5. Os números no interior do círculo representado na
figura abaixo foram colocados a partir do número 2 e no sen- A C E ? I L N
tido horário, obedecendo a um determinado critério.
Z V T ? P N L

? 2
Considerando que o alfabeto oficial exclui as letras K,
Y e W, então, para que o padrão seja mantido, a figura que
30 6
deve substituir aquela que tem os pontos de interrogação é:
20 12
G
a.
Segundo o critério estabelecido, o número que deverá R
substituir o ponto de interrogação é:
a. 42 G
b.
b. 44 R
c. 46
d. 50 G
e. 52 c.
R
Solução:
G
d.
Começando do número 2 e no sentido horário temos: R

+4 +6 +8 +10 +12
G
2; 6; 12; 20; 30; x e.
R
Portanto, x = 30 + 12 = 42

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Solução: 3) Nessa situação, a empresa dispõe de até 107 códi-
gos distintos para catalogar seus bens.
Escrevendo-se as letras do alfabeto oficial (sem as
letras K; Y e W) temos que a parte superior de cada figura é 2. (CESPE) Um líder criminoso foi morto por um de seus
constituída pelas letras desse alfabeto começando pelo “A” quatro asseclas: A, B, C e D. Durante o interrogatório,
e saltando-se uma de cada vez, da direita para esquerda. esses indivíduos fizeram as seguintes declarações.
(A; C; E; ?; I; L; N). Logo a letra incognitiva é “G”. Já a parte • A afirmou que C matou o líder.
inferior de cada figura, começando do “L”, da direita para • B afirmou que D não matou o líder.
esquerda e saltando-se uma de cada vez temos (L; N; P; ?; • C disse que D estava jogando dardos com A quando
T; V; Z). o líder foi morto e, por isso, não tiveram participação
Logo teremos que ? = R. no crime.
Portanto, a figura em que falta as letras será: • D disse que C não matou o líder.
Considerando a situação hipotética apresentada acima
e sabendo que três dos comparsas mentiram em suas
G
declarações, enquanto um deles falou a verdade, julgue
R os itens seguintes.
1) A declaração de C não pode ser verdadeira.
Gabarito: Letra “e”. 2) D matou o líder.

3. (CESPE) Sejam P e Q variáveis proposicionais que


podem ter valorações, ou serem julgadas verdadeiras
EXERCÍCIOS (V) ou falsas (F). A partir dessas variáveis, podem ser
obtidas novas proposições, tais como: a proposição
condicional, denotada por P → Q, que será F quando P
CADERNO DE PROVAS for V e Q for F, ou V, nos outros casos; a disjunção de
(CESPE/ UNB) P e Q, denotada por P ∧ Q , que será F somente quando
P e Q forem F, ou V nas outras situações; a conjunção

RACIOCÍNIO LÓGICO
1. (CESPE) A respeito de contagem, que constitui um dos de P e Q, denotada por P ∨ Q , que será V somente
principais fundamentos da matemática, julgue os itens quando P e Q forem V, e, em outros casos, será F; e a
negação de P, denotada por ¬P, que será F se P for V e
que se seguem.
será V se P for F. Uma tabela de valorações para uma
1) Considere que, na disputa entre duas equipes, a dada proposição é um conjunto de possibilidades V ou
primeira que vencer 4 jogos será considerada ven- F associadas a essa proposição.
cedora. Se uma das equipes — A — tiver vencido
A partir das informações do texto, julgue os itens sub-
os 3 primeiros confrontos, então o gráfico a seguir
sequentes.
é capaz de representar todas as possibilidades de
1) As tabelas de valorações das proposições P ∨ Q e
A vencer a disputa. Q → ¬ P são iguais.
2) As proposições (P ∨ Q) → S e (P → S) ∨ (Q → S)
4º jogo 5º jogo 6º jogo 7º jogo possuem tabelas de valorações iguais.
A perde A perde A perde A perde 3) O número de tabelas de valorações distintas que
podem ser obtidas para proposições com exata-
A

A
ve

ve

ve

ve

mente duas variáveis proposicionais é igual a 24.


nc

nc

nc

nc
e

4. (CESPE) Denomina-se contradição uma proposição


que é sempre falsa. Uma forma de argumentação
2) O número de cadeias distintas de 14 caracteres
lógica considerada válida é embasada na regra da
que podem ser formadas apenas com as letras da contradição, ou seja, no caso de uma proposição ¬R
palavra Papiloscopista é inferior a 108. verdadeira (ou R verdadeira), caso se obtenha uma
contradição, então conclui-se que R é verdadeira (ou
Considere a seguinte situação hipotética. ¬R é verdadeira). Considerando essas informações e
o texto de referência, e sabendo que duas proposições
são equivalentes quando possuem as mesmas valora-
Uma grande empresa cataloga seus bens patrimoniais
ções, julgue os itens que se seguem.
usando códigos formados por uma cadeia de 6 carac- 1) De acordo com a regra da contradição, P → Q é ver-
teres, sendo três letras iniciais, escolhidas em um alfa- dadeira quando ao supor P ∧ ¬ Q verdadeira, ob-
beto de 26 letras, seguidas de 3 dígitos, cada um esco- tém-se uma contradição.
lhido no intervalo de 0 a 9, não se permitindo códigos 2) Considere que, em um pequeno grupo de pessoas
– G – envolvidas em um acidente, haja apenas dois
com 3 letras iguais e (ou) 3 dígitos iguais.
tipos de indivíduos: aqueles que sempre falam a

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verdade e os que sempre mentem. Se, do conjunto Suponha que P represente a proposição Hoje choveu, Q
G, o indivíduo P afirmar que o indivíduo Q fala a represente a proposição José foi à praia e R represente
verdade, e Q afirmar que P e ele são tipos opostos a proposição Maria foi ao comércio. Com base nessas
de indivíduos, então, nesse caso, é correto concluir informações e no texto, julgue os itens seguintes.
que P e Q mentem. 1) A sentença Hoje não choveu então Maria não foi
ao comércio e José não foi à praia pode ser cor-
5. (CESPE) Considere as quatro sentenças enumeradas retamente representada por ­~ P → (~­R ∧ ~ Q).
a seguir. 2) A sentença Hoje choveu e José não foi à praia
I – Para cada y, existe algum x, tal que x < y. pode ser corretamente representada por P ∧ ~­Q.
II – Para cada x e para cada y, se x < y então existe 3) Se a proposição Hoje não choveu for valorada
algum z, tal que x < z e z < y. como F e a proposição José foi à praia for valorada
III – Para cada x, se 0 < x, então existe algum y tal que como V, então a sentença representada por ~ P →
x = y x z. Q é falsa.
IV – Existe algum x tal que, para cada y, x < y. 4) O número de valorações possíveis para
(Q ∧ � R) → P é inferior a 9.
Suponha que, nessas sentenças, x, y e z sejam variá-
veis que podem assumir valores no conjunto dos números 7. (CESPE)
naturais (N), no dos números inteiros (Z), no dos números
racionais (Q) ou no conjunto dos números reais (R)
P∨Q P∨Q P→Q P→Q
Em cada linha da tabela a seguir, são atribuídas valora-
~P ~Q P ~Q
ções V e F, para cada uma das quatro sentenças enumera-
das acima, de acordo com o conjunto no qual as variáveis x, Q P Q ~P
y e z assumem valores.
I II III IV

sentença N Z Q R As letras P, Q e R representam proposições, e os es-


ROBERTO VASCONCELOS

I F V F V quemas acima representam quatro formas de dedu-


ção, nas quais, a partir das duas premissas (proposi-
II F F V V ções acima da linha tracejada), deduz-se a conclusão
III V F F V (proposição abaixo da linha tracejada). Os símbolos ~
, → e ∨ são operadores lógicos que significam, respec-
IV F F F F tivamente, não, então e ou.
Considerando as informações acima e as do texto, jul-
Julgue os itens subsequentes, a respeito dessas sen- gue os itens que se seguem, quanto à forma de de-
tenças. dução.
1) As avaliações dadas para as sentenças I e III estão 1) Considere a seguinte argumentação.
corretas. Se juízes fossem deuses, então juízes não comete-
2) As avaliações dadas para as sentenças II e IV es- riam erros. Juízes cometem erros. Portanto, juízes
tão corretas. não são deuses.
2) Considere a seguinte dedução.
TCU/ TÉCNICO/ 2004 De acordo com a acusação, o réu roubou um carro
ou roubou uma motocicleta. O réu roubou um carro.
6. (CESPE) Considere que as letras P, Q e R represen- Portanto, o réu não roubou uma motocicleta.
tam proposições e os símbolos ~, ∧ e → são opera- Essa é uma dedução da forma II.
dores lógicos que constroem novas proposições e 3) Dadas as premissas P → Q; ~Q; R → P, é possível
significam não, e e então, respectivamente. Na lógica fazer uma dedução de ~­R usando-se a forma de de-
proposicional que trata da expressão do raciocínio por dução IV.
meio de proposições que são avaliadas (valoradas) 4) Na forma de dedução I, tem-se que a conclusão
como verdadeiras (V) ou falsas (F), mas nunca ambos, será verdadeira sempre que as duas premissas fo-
esses operadores estão definidos, para cada valoração rem verdadeiras.
atribuída às letras proposicionais, na tabela abaixo.
8. (CESPE) A seguinte forma de argumentação é consi-
P Q ~P P∧Q P→Q derada válida. Para cada x, se P(x) é verdade, então
Q(x) é verdade e, para x = c, se P(c) é verdade, então
V V F V V conclui-se que Q(c) é verdade. Com base nessas infor-
V F F F mações, julgue os itens a seguir.
1) Considere o argumento seguinte.
F V V F V Toda prestação de contas submetida ao TCU que
expresse, de forma clara e objetiva, a exatidão dos
F F F V
demonstrativos contábeis, a legalidade, a legiti-

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midade e a economicidade dos atos de gestão dades de apoio estratégico: Secretaria de Planejamen-
do responsável é julgada regular. A prestação de to e Gestão (SEPLAN), Secretaria de Tecnologia da In-
contas da Presidência da República expressou, formação (SETEC) e Instituto Serzedello Corrêa (ISC).
de forma clara e objetiva, a exatidão dos demons-
trativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a A SEGECEX tem por finalidade gerenciar a área téc-
economicidade dos atos de gestão do responsável. nico-executiva de controle externo visando prestar apoio e
Conclui-se que a prestação de contas da Presidên- assessoramento às deliberações do Tribunal. Integram a
cia da República foi julgada regular. estrutura da SEGECEX: Secretaria Adjunta de Fiscalização
Nesse caso, o argumento não é válido. de Pessoal (SEFIP), Secretaria de Fiscalização de Obras e
2) Considere o seguinte argumento. Patrimônio da União (SECOB), Secretaria de Fiscalização
Cada prestação de contas submetida ao TCU que de Desestatização (SEFID), Secretaria de Fiscalização e
apresentar ato antieconômico é considerada irre- Avaliação de Programas de Governo (SEPROG), Secretaria
gular. A prestação de contas da prefeitura de uma de Macroavaliação Governamental (SEMAG), Secretaria de
cidade foi considerada irregular. Conclui-se que a Recursos (SERUR) e trinta e duas Secretarias de Controle
prestação de contas da prefeitura dessa cidade Externo (SECEX), sendo seis localizadas em Brasília, sede
apresentou ato antieconômico. do TCU, e vinte e seis nas capitais dos estados da Federa-
Nessa situação, esse argumento é válido. ção.
A SGS tem por finalidade prestar apoio e assistência
9. (CESPE) Em geral, empresas públicas ou privadas ao funcionamento do Plenário e das Câmaras e gerenciar as
utilizam códigos para protocolar a entrada e a saída bases de informação sobre normas, jurisprudência e delibe-
de documentos e processos. Considere que se deseja ração do Tribunal.
gerar códigos cujos caracteres pertencem ao conjun- A SEGEDAM tem por finalidade planejar, organizar, diri-
to das 26 letras de um alfabeto, que possui apenas 5 gir, controlar, coordenar, executar e supervisionar as ativi-
vogais. Com base nessas informações, julgue os itens dades administrativas necessárias ao funcionamento do Tri-
que se seguem. bunal, contando, para tanto, com a Secretaria de Recursos
1) Se os protocolos de uma empresa devem conter 4 Humanos (SEREC), a Secretaria de Material, Patrimônio
letras, sendo permitida a repetição de caracteres,

RACIOCÍNIO LÓGICO
e Comunicação Administrativa (SEMAT) e a Secretaria de
então podem ser gerados menos de 400.000 pro- Engenharia e Serviços Gerais (SESEG).
tocolos distintos.
2) Se uma empresa decide não usar as 5 vogais em Considere que A seja o conjunto dos órgãos que in-
seus códigos, que poderão ter 1, 2 ou 3 letras, tegram a SEGECEX e B, o conjunto dos órgãos que
sendo permitida a repetição de caracteres, então integram a SEGEDAM. Com base nas informações do
é possível obter mais de 11.000 códigos distintos. texto acima, julgue os itens a seguir.
3) O número total de códigos diferentes formados por 1) A ∩ B ≠ ∅
3 letras distintas é superior a 15.000. 2) O número de secretarias de A ∪ B é menor que o
somatório do número de secretarias de A e B.
10. (CESPE) Um baralho comum contém 52 cartas de 4 3) A SERUR é um subconjunto da SEGECEX.
tipos (naipes) diferentes: paus (♣), espadas (♠), copas 4) A SESEG é um elemento do conjunto B.
(♥) e ouros (♦). Em cada naipe, que consiste de 13
cartas, 3 dessas cartas contêm as figuras do rei, da 12. (CESPE) Conta-se na mitologia grega que Hércules,
dama e do valete, respectivamente. Com base nessas em um acesso de loucura, matou sua família. Para
informações, julgue os itens subsequentes. expiar seu crime, foi enviado à presença do rei Euristeu,
1) A probabilidade de se extrair aleatoriamente uma que lhe apresentou uma série de provas a serem
carta de um baralho e ela conter uma das figuras cumpridas por ele, conhecidas como Os doze trabalhos
3 de Hércules. Entre esses trabalhos, encontram-se: matar
citadas no texto é igual a .
13 o leão de Neméia, capturar a corça de Cerinéia e
2) Sabendo que há 4 ases em um baralho comum, capturar o javali de Erimanto. Considere que a Hércules
sendo um de cada naipe, conclui-se que a probabi- seja dada a escolha de preparar uma lista colocando
lidade de se extrair uma carta e ela não ser um ás em ordem os doze trabalhos a serem executados, e
1 que a escolha dessa ordem seja totalmente aleatória.
de ouros é igual a . Além disso, considere que somente um trabalho seja
52
executado de cada vez. Com relação ao número de
3) A probabilidade de se extrair uma carta e ela conter
possíveis listas que Hércules poderia preparar, julgue
11
uma figura ou ser uma carta de paus é igual a . os itens subsequentes.
26
1) O número máximo de possíveis listas que Hércules
11. (CESPE) O Tribunal de Contas da União (TCU) conta poderia preparar é superior a 12 x 10!.
com um organograma com a seguinte estrutura. Uni- 2) O número máximo de possíveis listas contendo o
dades básicas: Secretaria-Geral de Controle Externo trabalho “matar o leão de Neméia” na primeira po-
(SEGECEX), Secretaria-Geral das Sessões (SGS), sição é inferior a 240 x 990 x 56 x 30.
Secretaria-Geral de Administração (SEGEDAM). Uni-

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3) O número máximo de possíveis listas contendo os 17. (CESPE) Seis astronautas devem ser divididos em
trabalhos “capturar a corça de Cerinéia” na primei- dois grupos de 3 homens cada: um grupo para ir à Lua,
ra posição e “capturar o javali de Erimanto” na ter- outro para ficar na base espacial. Calcule o número
ceira posição é inferior a 72 x 42 x 20 x 6. total de situações resultantes possíveis.
4) O número máximo de possíveis listas contendo os
trabalhos “capturar a corça de Cerinéia” e “capturar
o javali de Erimanto” nas últimas duas posições, 18. (CESPE) Em um condomínio foram construídas duas
em qualquer ordem, é inferior a 6! x 8!. fileiras paralelas de casas, com a mesma planta,
cada fileira contendo 7 casas. Decidiu-se utilizar 4
13. (CESPE) Em um tabuleiro quadrado, de 5x5, mostrado cores para a pintura externa das casas, sendo que
na figura a seguir, deseja-se ir do quadrado esquerdo cada casa deveria ser pintada de uma só cor e ca-
superior (ES) ao quadrado direito inferior (DI). sas vizinhas não poderiam ser pintadas com a mes-
ma cor. Sendo n o número de maneiras diferentes

ES de pintar esse conjunto de casas, calcular 3n.


(Obs.: casas vizinhas são os subconjuntos de 4 casas
próximas formando um retângulo)

19. (CESPE) Determine quantos números de 5 algaris-


mos, que não sejam maiores que 47193, podem-se
DI obter permutando os algarismos 1, 3, 4, 7 e 9.

Somente são permitidos os movimentos horizontal (H), 20. (CESPE) Em uma empresa existem 9 diretores, sendo
vertical (V) e diagonal (D), conforme ilustrado nas re- 3 desses de uma mesma família. Quantas comissões
presentações seguintes. de 3 diretores podem ser formadas contendo cada
ROBERTO VASCONCELOS

uma, no máximo, 2 diretores da mesma família?


21. (CESPE) Sete pessoas trabalham num setor de uma
fábrica que funciona em três turnos diários. No primei-
ro turno trabalham 2 pessoas, no segundo trabalham 2
e no terceiro 3. Calcule de quantas maneiras pode-se
(H) (V) (D) fazer a escala do dia, sabendo-se que as duas únicas
mulheres da equipe não podem trabalhar no terceiro
Com base nessa situação e com o auxílio dos princí- turno.
pios de análise combinatória, julgue os itens que se
seguem.
1) Se forem utilizados somente movimentos horizon- 22. (CESPE) Ao final de uma festa, ocorrem 28 apertos
tais e verticais, então o número de percursos pos- de mão para as despedidas. Considere que cada par-
síveis será igual a 70. ticipante despediu-se de todos os demais. Calcule o
2) Se forem utilizados movimentos horizontais, verti- número de pessoas que estavam presentes.
cais e apenas um movimento diagonal, o número
de percursos possíveis será igual a 140.
23. (CESPE) A figura a seguir ilustra um jogo que tem as
3) Utilizando movimentos horizontais, verticais e três
seguintes regras:
movimentos diagonais, o número de percursos
possíveis é 10. • uma ficha é posicionada pelo jogador sobre o cír-
culo preto;
14. (CESPE) Com 2 goleiros e 7 jogadores que não jogam • a ficha é movida para as demais posições de acordo
no gol, calcular o número de times de futebol de salão com os resultados dos lançamentos de um dado,
que podem ser formados. seguindo as setas;
• se o resultado de um lançamento for 1, 2, 3 ou 4, a
15. (CESPE) Determinar o número máximo de quadrilá-
ficha será deslocada para a posição imediatamente
teros que conseguimos formar com 8 pontos distintos
inferior à esquerda;
no plano, sendo que quaisquer três deles não são co-
lineares. • se o resultado do lançamento for 5 ou 6, a ficha será
deslocada para a posição imediatamente inferior à
16. (CESPE) Uma pessoa faz uma relação de nomes de direita;
9 pessoas amigas. De quantas maneiras distintas ela • vence o jogo aquele competidor que, após 4 lan-
poderá convidar 5 dessas pessoas, sabendo que na çamentos do dado, colocar a sua ficha na posição
relação há um único casal inseparável? mais à direita.

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2) A probabilidade de a criança apertar o botão corres-
ESQUERDA DIREITA
pondente ao número 5 ou o botão correspondente
1
ao número 2 é igual a .
6
3) A probabilidade de a criança apertar o botão cor-

respondente ao número 0 é menor que


1 .
10

A B C D E 25. (CESPE) Um levantamento estatístico efetuado em


uma videolocadora permitiu estabelecer a seguinte
Julgue os itens a seguir. distribuição dos filmes alugados, disponíveis apenas
1) Em um lançamento do dado, a probabilidade de a nos formatos VHS e DVD.
2
ficha ser deslocada para a esquerda é de . • 60% dos filmes são produzidos nos Estados Unidos
3
2) Uma vez que a probabilidade de cada percurso 1
da América (EUA), sendo desses está em for-
depende de quantos avanços são feitos à direita e 4
de quantos avanços são feitos à esquerda, então, mato DVD;
para se chegar a D partindo da posição inicial, a
1
3 • 25% são filmes nacionais, sendo que desses
 1 2 5
probabilidade de cada percurso é igual a   . .
3 3 está em formato DVD;
3) A probabilidade de que a ficha alcance a posição C
2 2 • os demais são filmes de origem europeia, sendo
2  1 2
após 4 jogadas é igual a 4  3  .  .
que deles estão no formato VHS.
  3

RACIOCÍNIO LÓGICO
3
24. (CESPE) Uma criança entra em um elevador de um Caso se escolha um filme ao acaso, entre os mencio-
edifício no andar térreo. Os botões do painel do eleva- nados no texto acima,
dor estão dispostos como ilustrado na figura a seguir, 1) a probabilidade de esse filme ser um DVD de ori-
em que o número zero representa o andar térreo e os gem europeia será igual a 0,1.
números negativos representam os três subsolos do 2) a probabilidade de esse filme não ser originário dos
edifício. A criança aperta um botão ao acaso, mas, por EUA será igual a 0,6.
ser ainda muito pequena, a probabilidade de ela aper- 3) a probabilidade de esse filme ter sido produzido
tar qualquer botão correspondente a um dos números nos EUA ou estar em formato VHS será igual a
do conjunto {–3, –2, –1, 0, 1, 2} é o triplo da probabili- 0,75.
dade de ela apertar qualquer botão correspondente a 4) se esse filme for de origem europeia, a probabilida-
um dos números do conjunto {3, 4, 5, 6, 7, 8}, a qual, de de ele estar em formato DVD será inferior a 0,3.
por sua vez, é o dobro da probabilidade de ela apertar
qualquer botão correspondente a um dos números do 26. (CESPE) Em um bosque, um caçador prepara diaria-
conjunto {9, 10, 11, 12}. mente 10 armadilhas para capturar lebres. Contando
com muitos anos de experiência, o caçador sabe que
12 11
a probabilidade diária de apanhar uma lebre em qual-
quer uma das armadilhas é de 0,4, sendo que cada
10 9
armadilha captura, no máximo, uma lebre por dia. Ad-
8 7
mitindo que o bosque seja suficientemente grande, de
6 5
tal forma que uma armadilha não interfira na atuação
4 3 das demais, calcule, em porcentagem, a chance de o
2 1 caçador capturar exatamente 5 lebres em um mesmo
0 –1 dia. Despreze a parte fracionária de seu resultado,
–2 –3 caso exista.

27. (CESPE) Um baralho comum de 52 cartas, das quais


Nessas condições, julgue os itens que se seguem. 12 são figuras (valete, dama e rei), é subdividido alea-
toriamente em 3 partes. As partes são colocadas sobre
1) A probabilidade de a criança apertar um dos botões uma mesa com as faces das cartas viradas para baixo.
correspondentes a um dos números do conjunto: A carta de cima de cada uma das três partes é desvi-
rada. Com base na situação descrita, julgue os itens.
1
{–1, –2, –3} é igual a . a. A chance de que as três cartas desviradas sejam
3

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figuras é maior que 1%. lidade de ele escolher cada uma das outras rotas que
b. A probabilidade de que exatamente duas das car- partem daquele ponto. Sabe-se, ainda, que o turista
tas desviradas sejam figuras está entre 0,08 e 0,13. deseja chegar em um os pontos turísticos indicados
c. A probabilidade de que pelo menos uma das três no mapa sem passar mais de uma vez pelo mesmo
cartas desviradas seja uma figura é maior que 0,5.
caminho. Além disso, os únicos lugares em que ele
pode atracar e deixar o barco são os correspondentes
28. (CESPE) A tabela abaixo mostra os diferentes tipos
sanguíneos, com os correspondentes antígenos, e sua aos pontos a, c, f, g.
distribuição em uma população de 10.000 indivíduos.

Antígenos presentes Tipo Número de


A B Rh sanguíneo indivíduos

Não Não Não O- 660

Não Não Sim O+ 3.740

Sim Não Não A- 630

Sim Não Sim A+ 3.570

Não Sim Não B- 150

Não Sim Sim B+ 850

Sim Sim Não AB- 60


ROBERTO VASCONCELOS

Sim Sim Sim AB+ 340

Legenda:
No processo de doação de sangue, é preciso que seja
observada a seguinte restrição: se um dos antígenos a. Ponte do Bragueto
não está presente no sangue de um indivíduo, esse b. Setor de Mansões do Lago
não pode receber sangue que contenha aquele antíge- c. Concha Acústica
no. Com base nessas informações, julgue os seguin- d. Ermida Dom Bosco
tes itens, relativos à população estudada. e. Barragem do Paranoá
1) Se um indivíduo for escolhido aleatoriamente na f. Pontão Sul
população, a chance de ele possuir pelo menos um g. Mansões Dom Bosco
dos três antígenos será inferior a 90%.
2) Se um indivíduo for escolhido aleatoriamente na Nessas condições, a probabilidade de o turista:
população, a chance de ele possuir pelo menos 1) ir até a Ponte do Bragueto é a 0,5;
dois dos antígenos será superior a 50%. 2) Chegar à Ermida Dom Bosco é maior que a de ele
3) Se um indivíduo tiver sanguíneo O+, a chance de optar por visitar as Mansões Dom Bosco ou o Pon-
alguém, escolhido aleatoriamente, poder doar san- tão Sul;
gue para esse indivíduo será superior a 50%. 3) Chegar à Barragem do Paranoá é inferior a 0,04;
4) Visitar um dos pontos turísticos onde é permitido
4) Se um indivíduo tiver tipo sanguíneo O+, a chance
atracar e deixar o barco é superior a 0,7.
de alguém, escolhido aleatoriamente, poder rece-
ber sangue desse indivíduo será superior a 80%.
30. (CESPE) Uma pilha de melancias tinha 500 kg de mas-
29. (CESPE) O mapa abaixo representa o Plano Piloto e o sa, dos quais 99% eram água e 1% era matéria sólida.
Lago Paranoá, em Brasília. Um turista parte do Centro Em um dia muito quente, as melancias sofreram perda
de água por evaporação, de forma que a porcentagem
Olímpico (CO) da UnB para um passeio de barco no
de água da massa total passou para 98%.
Lago Paranoá, seguindo as opções de rotas ilustra-
das no mapa, em que estão também indicados alguns Com base nessa situação, responda o que se pede:
pontos turísticos, de acordo com a legenda apresen- a. Calcule a massa, em kg, correspondente à água
tada. Por ser a primeira vez que ele navega no Lago da pilha de melancias antes da evaporação.
Paranoá, quando chega em qualquer um dos pontos b. Calcule a massa da matéria sólida da pilha de me-
indicados no mapa pelos números de I a V, a probabi- lancias, em kg, após a evaporação.
lidade de ele escolher uma das rotas é igual à probabi- c. Calcule a massa total da pilha de melancias, em

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kg, após a evaporação. seguintes.
31. (CESPE) Considere as sentenças abaixo. 1) A sentença “Hoje não choveu então Maria não foi
I – Fumar deve ser proibido, mas muitos europeus fu- ao comércio e José não foi à praia” pode ser cor-
mam. retamente representada por ¬P → ( ¬R ∧ ¬Q) .
II – Fumar não deve ser proibido e fumar faz bem à
2) A sentença “Hoje choveu e José não foi à praia”
saúde.
III – Se fumar não faz bem à saúde, deve ser proibido. pode ser corretamente representada por P ∧ ¬Q .
IV – Se fumar não faz bem à saúde e não é verdade 3) Se a proposição “Hoje não choveu” for valorada
que muitos europeus fumam, então fumar deve ser como F e a proposição “José foi à praia” for valo-
proibido. rada como V, então a sentença representada por
V – Tanto é falso que fumar não faz bem à saúde como ¬P → Q é falsa.
é falso que fumar deve ser proibido; consequente-
mente, muitos europeus fumam. 33. (CESPE) Uma mulher convidou cinco pessoas para
um chá. Os nomes das seis mulheres que sentaram ao
Considere também que P, R e T representem as sen- redor de uma mesa circular eram Alice, Bruna, Célia,
Denise, Elisa e Flávia. Uma delas era médica, outra era
tenças listadas na tabela a seguir.
dentista, outra advogada, outra detestava a Denise,
P Fumar deve ser proibido.
outra jornalista e a outra era dona de casa.
R Fumar não faz bem à saúde. A mulher que detestava a Denise sentou-se em frente
T Muitos europeus fumam. à Bruna. A médica sentou-se em frente à Célia que,
por sua vez estava entre a jornalista e a mulher que
detestava a Denise. A advogada sentou-se em frente a
Com base nas informações acima e considerando a Alice, ao lado da médica e à esquerda da que odiava
notação introduzida no texto, julgue os itens seguintes. a Denise. A jornalista sentou-se entre Célia e a mulher
que estava sentada em frente à mulher que detestava a
1) A sentença I pode ser corretamente representada
Denise. A Flávia, que era boa amiga de todas, sentou-se
por P ∧ ( ¬T ) . ao lado da advogada e em frente à dona de casa.

RACIOCÍNIO LÓGICO
2) A sentença II pode ser corretamente representada
Com base no texto, julgue os itens seguintes.
por ( ¬P ) ∧ ( ¬R ) .
1) Bruna era a médica.
3) A sentença III pode ser corretamente representada 2) Alice detestava a Denise.
por . 3) Célia era a dona de casa.
4) A sentença IV pode ser corretamente representada 4) A advogada não é Flávia e nem Elisa
por .
5) A sentença V pode ser corretamente representada 34. (CESPE) Um jantar reúne 13 pessoas de uma mesma
família. Das afirmações a seguir, referente às pessoas
por .
reunidas, a única necessariamente verdadeira é:
a. pelo menos uma delas tem altura superior a 1,90 m.
32. (CESPE) Considere que as letras P, Q e R representam b. pelo menos duas delas são do sexo feminino.
proposições e os símbolos ¬, ∧ e → são operadores c. pelo menos duas delas fazem aniversário no mes-
lógicos que constroem novas proposições e significam mo mês.
não, e e então, respectivamente. Na lógica proposicio- d. pelo menos uma delas nasceu em um dia par.
nal que trata da expressão do raciocínio por meio de e. pelo menos uma delas nasceu em janeiro ou fe-
proposições que são avaliadas (valoradas) como ver- vereiro.
dadeiras (V) ou falsas (F), mas nunca ambos, esses
operadores estão definidos, para cada valoração atri- 35. (CESPE) A figura abaixo mostra um trecho de uma
buída às letras proposicionais, na tabela abaixo. malha rodoviária de mão única. Dos veículos que pas-
sam por A, 40% viram à esquerda. Dos veículos que
passam por B, 35% viram à esquerda. Daqueles que
P Q ¬P P∧Q P→Q
trafegam por C, 30% dobram à esquerda.
V V F V V
V F F F D
B
F V V F V
A
F F F V E

Suponha que P represente a proposição “Hoje cho-


C
veu”, Q represente a proposição “José foi à praia” e R F
represente a proposição “Maria foi ao comércio”. Com
base nessas informações e no texto, julgue os itens
Determine o percentual dos veículos que, passando

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por A, entram em E. cidade foi considerada irregular. Conclui-se que a
36. (CESPE) Cada um dos cinco cartões abaixo tem um nú- prestação de contas da prefeitura dessa cidade
mero em uma face e uma figura na outra. apresentou ato antieconômico.
Nessa situação, esse argumento é válido.
1 2
PROVA/ SOLDADO/ PM/ 2009
Alguém afirmou que “atrás de um número par tem
sempre um triângulo”. Para saber se a afirmação é Texto para os itens de 40 a 42
verdadeira:
1) é suficiente virar o 2o e o 3o cartões; Uma proposição é uma sentença declarativa que pode
2) é necessário virar pelo menos 3 cartões; ser julgada como verdadeira ou falsa, mas não como
3) é preciso virar todos os cartões. verdadeira e falsa simultaneamente. As proposições
são denotadas por letras maiúsculas A, B, C etc. A par-
37. (CESPE) Sabendo que x e y são grandezas que tor- tir de proposições dadas, podem-se construir novas
nam verdadeira a afirmação “Se x = 2, então y < 0”. proposições mediante o emprego de símbolos lógicos:
1) Se x ≠ 2, então y ≥ 4. A ∧ B (lê-se: A e B), A ∨ B (lê-se: A ou B) e A → B (lê-se:
2) Se y = –1, então x = 2. se A, então B). A proposição ¬ A denota a negação da
3) Se y = 1000, então x ≠ 2. proposição A.
4) Se x = 2, então y ≠ 0.
5) Se y = 5, então x = 4. Considerando que os 3 filhos de um casal têm idades
que, expressas em anos, são números inteiros positi-
38. (CESPE) Em uma cidade, há 10.000 pessoas aptas vos cuja soma é igual a 13 e sabendo também que 2
para o mercado de trabalho. No momento, apenas filhos são gêmeos e que todos têm menos de 7 anos
7.000 estão empregadas. A cada ano, 10% das que de idade, julgue os itens seguintes.
estão empregadas perdem o emprego, enquanto 60%
das desempregadas conseguem se empregar. Con- 40. A proposição “As informações acima são suficientes
ROBERTO VASCONCELOS

siderando que o número de pessoas aptas para o para determinar-se completamente as idades dos fi-
mercado de trabalho permaneça o mesmo, calcule o lhos” é falsa.
percentual de pessoas empregadas daqui a 2 anos.
Despreze a parte fracionária de seu resultado, caso 41. A proposição “Se um dos filhos tem 5 anos de idade,
exista. então ele não é um dos gêmeos” é verdadeira.
a. 70%
b. 78% 42. A proposição “Se o produto das 3 idades for inferior a
c. 80% 50, então o filho não gêmeo será o mais velho dos 3”
d. 82% é falsa.
e. 84% Julgue os itens que se seguem, acerca de proposições
e seus valores lógicos.
39. (CESPE) A seguinte forma de argumentação é consi-
derada válida. Para cada x, se P(x) é verdade, então 43. A negação da proposição “O concurso será regido por
Q(x) é verdade e, para x = c, se P(c) é verdade, então este edital e executado pelo CESPE/UnB” estará cor-
conclui-se que Q(c) é verdade. Com base nessas infor- retamente simbolizada na forma (¬A) ∧ (¬B), isto é,
mações, julgue os itens a seguir. “O concurso não será regido por este edital nem será
1) Considere o argumento seguinte. executado pelo CESPE/UnB”.
Toda prestação de contas submetida ao TCU que
expresse, de forma clara e objetiva, a exatidão dos 44. A proposição (A ∧ B) → (A ∨ B) é uma tautologia.
demonstrativos contábeis, a legalidade, a legiti-
midade e a economicidade dos atos de gestão Considerando que Ana e Carlos candidataram-se a em-
do responsável é julgada regular. A prestação de pregos em uma empresa e sabendo que a probabilidade
contas da Presidência da República expressou, 2
de Ana ser contratada é igual a
e que a probabilidade
de forma clara e objetiva, a exatidão dos demons- 3
trativos contábeis, a legalidade, a legitimidade e a 1
economicidade dos atos de gestão do responsável. de ambos serem contratados é , julgue os itens sub-
6
Conclui-se que a prestação de contas da Presidên-
sequentes.
cia da República foi julgada regular.
Nesse caso, o argumento não é válido.
2) Considere o seguinte argumento.
Cada prestação de contas submetida ao TCU que 45. A probabilidade de Ana ser contratada e de Carlos não
apresentar ato antieconômico é considerada irre- 1
gular. A prestação de contas da prefeitura de uma ser contratado é igual a .
2

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46. Se um dos dois for contratado, a probabilidade de que 52. Se o avião D decolar antes dos aviões B ou de C, en-
1 tão ele deverá ser o primeiro dos cinco a decolar.
seja Carlos será igual a .
2
Paulo, Mauro e Arnaldo estão embarcando em um voo
Por meio de convênios com um plano de saúde e com para Londres. Sabe-se que:
escolas de nível fundamental e médio, uma empresa
• os números de suas poltronas são C2, C3 e C4;
oferece a seus 3.000 empregados a possibilidade de
• a idade de um deles é 35 anos e a de outro, 22
adesão. Sabe-se que 300 empregados aderiram aos
anos;
dois convênios, 1.700 aderiram ao convênio com as
• Paulo é o mais velho dos três e sua poltrona não
escolas e 500 não aderiram a nenhum desses convê-
é C4;
nios.
• a poltrona C3 pertence ao de idade intermediária;
• a idade de Arnaldo não é 22 anos.
Em relação a essa situação, julgue os itens seguintes
de 47 a 49.
Com base nessas informações, julgue os itens seguin-
tes.
47. Escolhendo-se ao acaso um dos empregados dessa
53. Se a soma das idades dos três passageiros for 75
empresa, a probabilidade de ele ter aderido a algum
anos, então as idades de Paulo, Mauro e Arnaldo se-
2
dos convênios é igual a . rão, respectivamente, 35, 22 e 18 anos.
3
54. Se a soma das idades dos três passageiros for igual a
48. A probabilidade de que um empregado escolhido ao aca- 100 anos, então a poltrona de número C4 pertencerá a
Mauro, que terá 35 anos.
so tenha aderido apenas ao convênio do plano de saúde
1 Com relação a análise combinatória, julgue os itens
é igual a .
4 que se seguem.

RACIOCÍNIO LÓGICO
49. Considerando que a empresa queira formar uma co- 55. O número de rotas aéreas possíveis partindo de Porto
missão de 20 empregados para discutir assuntos Alegre, Florianópolis ou Curitiba com destino a For-
relacionados aos dois convênios e que, para isso, taleza, Salvador, Natal, João Pessoa, Maceió, Recife
ela escolha 10 empregados que aderiram apenas ao ou Aracaju, fazendo uma escala em Belo Horizonte,
plano de saúde e outros 10 que aderiram apenas ao Brasília, Rio de Janeiro ou São Paulo é múltiplo de 12.
convênio com as escolas, então, a quantidade de ma-
neiras distintas de se formar essa comissão estará 56. Considerando que: um anagrama de uma palavra é
800! 1400! uma permutação das letras dessa palavra, tendo ou
corretamente expressa por ⋅ . não significado na linguagem comum, “seja a quan-
790! ⋅10! 1390! ⋅10!
tidade de anagramas possíveis de se formar com a
palavra AEROPORTO, β seja a quantidade de ana-
gramas começando por consoante e terminando por
ANAC/ ANALISTA/ 2009
vogal possíveis de se formar com a palavra TURBINA;
e sabendo que 9! = 362.880 e 5! = 120, então α = 21 β.
Em determinado dia, em um aeroporto, os aviões A,
B, C, D e E estavam esperando o momento da decolagem, 57. Considere a seguinte situação hipotética.
que, por más condições de tempo, iria começar às 10 horas Há 6 estradas distintas ligando as cidades A e B, 3 li-
daquele dia. Ficou determinado que cada voo ocorreria gando B e C; e 2 ligando A e C diretamente. Cada es-
trada pode ser utilizada nos dois sentidos.
cinco minutos após o anterior, que A decolaria após C e que
E decolaria 5 minutos antes de B.
Nessa situação, o número de rotas possíveis com ori-
gem e destino em A e escala em C é igual a 400.
Com base nessas informações, julgue os itens a se-
guir. 58. O número de comissões constituídas por 4 pessoas
que é possível obter de um grupo de 5 pilotos e 6 co-
50. Se B decolar antes de A e após C, então C decolará pilotos, incluindo, pelo menos, 2 pilotos, é superior a
antes de E. 210.

51. Se, às 10h12min, os aviões A e D já estiverem vo- 59. Em um voo em que haja 8 lugares disponíveis e 12
ando, então a próxima decolagem, marcada para as pessoas que desejem embarcar, o número de manei-
10h15min, será do avião C. ras distintas de ocupação dos assentos para o voo sair
lotado será superior a 500.

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ANAC/ TÉCNICO/ 2009 69. Caso essas 5 pessoas queiram assistir a um concerto
musical, mas só existam 3 ingressos disponíveis e não
As equipes A, B e C disputaram as finais de um torneio haja prioridade na escolha das pessoas que irão assis-
de futebol, jogando cada equipe contra as outras duas uma tir ao espetáculo, essa escolha poderá ser feita de 20
vez. Sabe-se que a equipe B ganhou da equipe A por 2×1; maneiras distintas.
a equipe A marcou 3 gols; e cada equipe ficou com saldo de
gols zero. As regras do torneio para a classificação final são, PROVA PARA AGENTE DA POLÍCIA FEDERAL/ 2009
nessa ordem:
• maior número de vitórias; De acordo com o jornal espanhol El País, em 2009
• maior número de gols feitos;
o contrabando de armas disparou nos países da América
• se as três equipes ficarem empatadas segundo
Latina, tendo crescido 16% nos últimos 12 anos. O crime
os critérios anteriores, as três serão consideradas
é apontado como o principal problema desses países, pro-
campeãs. Se uma equipe for campeã ou 3ª colo-
vocando uma grande quantidade de mortes. O índice de
cada e as outras duas equipes ficarem empatadas
homicídios por 100.000 habitantes na América Latina é alar-
segundo os critérios anteriores, será considerada
mais bem colocada a equipe vencedora do con- mante, sendo, por exemplo, 28 no Brasil, 45 em El Salvador,
fronto direto entre as duas. 65 na Colômbia, 50 na Guatemala.
Internet: <www.noticias.uol.com.br>.

A respeito dessa situação hipotética e considerando


que os três critérios listados foram suficientes para defi- Tendo como referência as informações apresentados
nir a classificação final das três equipes, julgue os itens no texto acima, julgue o item que se segue.
seguintes quanto aos valores lógicos das proposições
apresentadas. 70. Se, em cada grupo de 100.000 habitantes da Europa,
a probabilidade de que um cidadão desse grupo seja
60. Se a equipe B fez 3 gols, então a equipe C foi campeã assassinado é 30 vezes menor que essa mesma pro-
é uma proposição falsa. babilidade para habitantes de El Salvador ou da Gua-
temala, então, em cada 100.000 habitantes da Europa,
ROBERTO VASCONCELOS

61. A equipe B foi campeã e a equipe A ficou em último a probabilidade referida é inferior a 10-5.
lugar é uma proposição falsa.
A Polícia Federal brasileira identificou pelo menos 17
62. O número de gols marcados pelas equipes nas finais cidades de fronteira como locais de entrada ilegal de armas;
foi maior que 6 é uma proposição verdadeira. 6 dessas cidades estão na fronteira do Mato Grosso do Sul
(MS) com o Paraguai.
63. Se a equipe A foi campeã então a equipe C foi campeã Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações).
ou 2ª colocada é uma proposição falsa.
Considerando as informações do texto acima, julgue o
64. A equipe A foi campeã ou a equipe C foi campeã é uma próximo item.
proposição verdadeira.
71. Se uma organização criminosa escolher 6 das 17 cida-
Considerando que, para ocupar os dois cargos que com-
des citadas no texto, com exceção daquelas da fron-
põem a diretoria de uma empresa, diretor e vice-diretor,
teira do MS com o Paraguai, para a entrada ilegal de
existam 5 candidatos, julgue os itens subsequentes.
armas no Brasil, então essa organização terá mais de
65. Se cada um dos candidatos for capaz de ocupar qual- 500 maneiras diferentes de fazer essa escolha.
quer um dos dois cargos, o número possível de esco-
lhas para a diretoria da empresa será igual a 10. Uma proposição é uma declaração que pode ser julgada
como verdadeira – V –, ou falsa – F –, mas não como V e
66. Se, dos 5 candidatos, 2 concorrem apenas ao cargo de F simultaneamente. As proposições são, frequentemen-
diretor e os demais, apenas ao cargo de vice-diretor, o te, simbolizadas por letras maiúsculas: A, B, C, D etc.
número possível de escolhas para a diretoria da em-
presa será igual a 5. As proposições compostas são expressões construídas
Considerando um grupo formado por 5 pessoas, julgue a partir de outras proposições, usando-se símbolos lógi-
os itens a seguir. cos, como nos casos a seguir.
• A → B, lida como “se A, então B”, tem valor lógico F
67. Há 24 modos de essas 5 pessoas se posicionarem em quando A for V e B for F; nos demais casos, será V;
torno de uma mesa redonda. • A ∨ B, lida como “A ou B”, tem valor lógico F quando
A e B forem F; nos demais casos, será V;
68. Se, nesse grupo, existirem 2 crianças e 3 adultos e • A ∧ B, lida como “A e B”, tem valor lógico V quando
essas pessoas se sentarem em 5 cadeiras postadas A e B forem V; nos demais casos, será F;
em fila, com cada uma das crianças sentada entre 2 • ¬A é a negação de A: tem valor lógico F quando A
adultos, então, haverá 12 modos distintos de essas for V, e V, quando A for F.
pessoas se posicionarem.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
Uma sequência de proposições A1, A2, ..., Ak é uma dedu- pes sejam completamente vermelhos, de 3 sejam
ção correta se a última proposição, Ak, denominada conclusão, completamente azuis e de 4 equipes os uniformes
é uma consequência das anteriores, consideradas V e denomi- tenham as cores azul e vermelho, então a probabili-
nadas premissas. dade de se escolher aleatoriamente um jogador cujo
Duas proposições são equivalentes quando têm os uniforme seja somente vermelho ou somente azul será
mesmos valores lógicos para todos os possíveis valores lógi- inferior a 30%.
cos das proposições que as compõem.
A regra da contradição estabelece que, se, ao supor
verdadeira uma proposição P, for obtido que a proposição GABARITO
P∧(¬P) é verdadeira, então P não pode ser verdadeira; P
tem de ser falsa. CADERNO DE PROVAS

A partir dessas informações, julgue os itens os itens


CADERNO DE PROVA/ CESPE
subsequentes.

72. Considere as proposições A, B e C a seguir. 1. CEE


A: Se Jane é policial federal ou procuradora de justiça, 2. CC
então Jane foi aprovada em concurso público. 3. EEC
B: Jane foi aprovada em concurso público. 4. CC
C: Jane é policial federal ou procuradora de justiça. 5. EC
Nesse caso, se A e B forem V, então C também será V.
TCU/ TÉCNICO/ 2004
73. As proposições “Se o delegado não prender o chefe
da quadrilha, então a operação agarra não será bem- 6. CCEC
-sucedida” e “Se o delegado prender o chefe da qua- 7. CECC
drilha, então a operação agarra será bem-sucedida” 8. EE
são equivalentes.

RACIOCÍNIO LÓGICO
9. CEC
10. CEC
74. Considere que um delegado, quando foi interrogar 11. EEEC
Carlos e José, já sabia que, na quadrilha à qual estes 12. CCEC
pertenciam, os comparsas ou falavam sempre a ver- 13. CCE
dade ou sempre mentiam. Considere, ainda, que, no 14. 42
interrogatório, Carlos disse: José só fala a verdade, e 15. 70
José disse: Carlos e eu somos de tipos opostos. Nesse 16. 56
caso, com base nessas declarações e na regra da con- 17. 20
tradição, seria correto o delegado concluir que Carlos 18. 48
e José mentiram. 19. 62
20. 83
75. Se A for a proposição “Todos os policiais são hones- 21. 60
tos”, então a proposição ¬A estará enunciada correta- 22. 8
mente por “Nenhum policial é honesto”. 23. CCE
24. EEE
76. A sequência de proposições a seguir constitui uma de- 25. EEEE
dução correta. 26. 20
Se Carlos não estudou, então ele fracassou na prova 27. ECC
de Física. 28. EEEC
Se Carlos jogou futebol, então ele não estudou. 29. CEEE
Carlos não fracassou na prova de Física. 30. a. 495 kg
Carlos não jogou futebol.
b. 5 kg

Considerando que, em um torneio de basquete, as 11


c. 250 kg
31. ECCCE
equipes inscritas serão divididas nos grupos A e B, e
32. CCE
que, para formar o grupo A, serão sorteadas 5 equipes,
33. EECC
julgue os itens que se seguem.
34. c
35. 44
77. A quantidade de maneiras distintas de se escolher as
36. ECE
5 equipes que formarão o grupo A será inferior a 400.
37. EECCE
38. e
78. Considerando que cada equipe tenha 10 jogadores,
39. EE
entre titulares e reservas, que os uniformes de 4 equi-

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PROVA/ SOLDADO/ PM/ 2009

40. C
41. E
42. C
43. E
44. C
45. C
46. C
47. E
48. E
49. C

ANAC/ ANALISTA/ 2009

50. E
51. E
52. E
53. C
54. E
55. C
56. C
57. C
58. C
59. E
ROBERTO VASCONCELOS

ANAC/ TÉCNICO/ 2009

60. E
61. C
62. C
63. E
64. C
65. E
66. E
67. C
68. C
69. E

PROVA PARA AGENTE DA PF/ 2009

70. E
71. E
72. E
73. E
74. C
75. E
76. C
77. E
78. C

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
MATÉRIA

S U M ÁRI O

DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS................................................................................................................98


DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS,
NACIONALIDADE)........................................................................................................................................106
DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO (ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA, UNIÃO, ESTADOS
FEDERADOS, MUNICÍPIOS, DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS, MILITARES DOS ESTADOS, DISTRITO
FEDERAL E TERRITÓRIOS)............................................................................................................................145
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...................................................................................................................154
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES: PODER EXECUTIVO, PODER LEGISLATIVO, E PODER
JUDICIÁRIO....................................................................................................................................195/175/200
DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS (ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE
SÍTIO, FORÇAS ARMADAS, SEGURANÇA PÚBLICA)....................................................................................230

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DIREITO CONSTITUCIONAL PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada
Conceito de Direito Constitucional pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático
O Direito Constitucional é um ramo do Direito Público de Direito e tem como fundamentos:
Interno, que tem como função precípua organizar o funcio- I – a soberania;
namento do Estado, no que tange à distribuição das esferas II – a cidadania;
de competência do poder político, bem como no tocante aos III – a dignidade da pessoa humana;
direitos fundamentais dos indivíduos para com o Estado, ou IV – os valores sociais do trabalho e da livre ini-
como membros da comunidade política. ciativa;
V – o pluralismo político.
Conceito de Constituição Parágrafo único. Todo o poder emana do povo,
que o exerce por meio de representantes eleitos ou
Nas palavras do ilustre doutrinador Alexandre de diretamente, nos termos desta Constituição.
Moraes, Constituição latu sensu, é o ato de constituir, de
estabelecer, de firmar; ou, ainda, o modo pelo qual se cons-
titui uma coisa, um ser vivo, um grupo de pessoas; organiza- O art. 1º da Constituição coloca, em seu caput, as
ção, formação. Juridicamente, porém, Constituição deve ser principais características do Estado brasileiro: forma de
entendida como a lei fundamental e suprema de um Estado, Estado: Federação; forma de Governo: República; Sistema
que contém normas referentes à estruturação do Estado, à de Governo: Presidencialista; característica do Estado brasi-
formação dos poderes públicos, forma de governo e aqui- leiro: Estado democrático de direito; e os entes que compõe
sição do poder de governar, distribuição de competências, a Federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
direitos, garantias e deveres dos cidadãos. Além disso, é a
Constituição que individualiza os órgãos competentes para Forma de Estado:
a edição de normas jurídicas, legislativas ou administrativas. – Estado Federal
– Estado Unitário
Conceito de Estado
A forma de Estado que se adota no Brasil é a federa-
A moderna acepção de Estado que conhecemos tem ção, ou seja, existem em um mesmo território unidades que
suas origens na famosa obra de Nicolau Maquiavel, intitu- são dotadas de autonomia política e que possuem compe-
lada, “O Príncipe”. tências próprias. O art. 1º da Constituição, em seu caput,
Nesse sentido, podemos definir o Estado como uma aponta que a República Federativa do Brasil é formada
organização jurídica, social e política de um povo em um pela união indissolúvel, que significa que não pode haver
determinado território, dirigido por um governo soberano. separação ou secessão, dos Estados, Municípios e Distrito
Portanto, esses 3 elementos reunidos formam o Estado: Federal.
povo, território e soberania. Ressalte-se que no art. 18, a Carta Maior estabelece,
Ressalte-se que o Estado é um ente personalizado que de forma complementar, que “a organização político-admi-
se apresenta, tanto nas relações internacionais, no conví- nistrativa da República Federativa do Brasil compreende a
vio com outros Estados, quanto internamente, como sujeito União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos
capaz de adquirir direitos e contrair obrigações. autônomos, nos termos desta Constituição”.
Não obstante, a vontade do Estado é manifesta pelo Cabe observar que a forma federativa de Estado, no
exercício de seus Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciá- Brasil, é cláusula pétrea, não podendo ser objeto de deli-
rio. Esses poderes são independentes e harmônicos entre beração propostas de emendas constitucionais tendentes a
si. A função típica do Poder Executivo é a aplicação das leis aboli-la.
BRUNO

ao caso concreto – função administrativa; o Legislativo tem A Federação brasileira constitui-se de um poder central
IVAN PILASTRE

as funções de legislar e fiscalizar – função normativa; e o (União), poderes regionais (estados), e locais (municípios),
Judiciário tem as funções de aplicar a lei a situações concre- além de possuir um ente híbrido (DF), que acumula os pode-
LUCAS

tas e litigiosas, e proteger as Constituições Federal e Esta- res regionais e locais. Por isso, afirma-se que o Brasil possui
duais e a Lei Orgânica do DF no julgamento de controle de o federalismo tríade (ou de 3º grau), qual seja:
constitucionalidade – função judicial aplicando a lei de forma • União: entidade de 1º Grau;
coativa. • Estados: entidades de 2º Grau;
• Municípios: entidades de 3º Grau; e por fim o Dis-
ELEMENTOS PODERES trito Federal, que é considerado entidade de grau
misto ou sui generis (2º e 3º grau).
Povo Legislativo
Importante mencionar também que Existe a forma
Território Executivo de Estado Unitário, onde o poder político é centralizado,
Governo Soberano Judiciário havendo apenas uma esfera de poder. Ex.: Portugal.

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Estado Unitário: somente um poder político central Primeiro-Ministro depende do apoio parlamentar para esta-
exerce sua competência por todo o território nacional e bilidade de seu governo, causando certa supremacia do Par-
sobre toda a população, e, ainda, controla todas as cole- lamento.
tividades regionais e locais. Nesta forma de Estado é que Importante destacar que no presidencialismo a funções
ocorre a centralização política. de chefia de Estado e Chefia de Governo se referem a uma
mesma pessoa, enquanto que no parlamentarismo trata-se
Brasil → Federação de pessoas distintas.

Forma de Governo:  Obs.: A República pode ser tanto presidencialista quanto


• República parlamentarista; a Monarquia também pode adotar
• Monarquia um dos dois sistemas de governo.

A forma de governo representa o modo como os gover- Brasil → Presidencialista


nantes são escolhidos. Hoje prevalece a classificação de
Maquiavel, onde os Estados ou são principados (monarquias)
Característica do Estado Brasileiro: Estado Demo-
ou repúblicas. Temos, portanto, a Monarquia e a República.
crático de Direito
A monarquia é caracterizada pelos princípios da
hereditariedade e vitaliciedade. O Chefe de Estado, que no
O “Estado Democrático de Direito” traz a ideia de impé-
caso será o rei ou monarca, é escolhido pelo princípio da
rio da lei e do Direito, ou seja, todos, indivíduos e poderes,
hereditariedade e irá deter o poder de forma vitalícia.
estão sujeitos a esse império. O poder do Estado fica limi-
Já a República é caracterizada pela alternância entre
tado a estas leis e ao Direito, ou seja, ninguém está acima
os poderes, pela eletividade e temporariedade dos manda-
da lei, das normas jurídicas e da Constituição.
tos. Por eletividade podemos entender que a escolha dos
governantes se dará por meio de eleição, em que quaisquer
Regime Político
cidadãos que preencham os requisitos legais poderão con-
correr a um mandato, e tais mandatos terão prazos prede-
terminados. A palavra República vem do latim, res publicae, O regime político traduz a forma com que o poder é
e significa coisa pública, ou seja, o governante deve buscar exercido. Têm-se duas formas, a ditadura, em que não temos
o bem público, e não os interesses próprios. a participação do povo; ou democracia, em que o poder é
O Brasil adota a República como forma de governo e tal exercido pelo povo. Esta, por sua vez, divide-se em Demo-
forma de governo não é cláusula pétrea. cracia Direta, Democracia Indireta e Democracia Semidireta.

Obs.: Consequências decorrentes da forma republi- O povo participa diretamente do


cana de governo: obrigação de prestação de contas por Democracia Direta processo de tomada de deci-
sões.
parte dos administradores; alternância entre os poderes;
O povo elege seus representan-
igualdade de todos perante a lei. Democracia Indireta (ou
tes, os quais tomarão decisões
Representativa)
em seu nome.
Brasil → República É uma mistura da democracia
direta e indireta, na qual além
Sistema de Governo: dos representantes eleitos pelo
• Presidencialista povo, temos também a parti-
• Parlamentarista Democracia Semidireta cipação do povo nas decisões
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

políticas do Estado, por meio


dos institutos da democracia
O sistema de governo representa a maneira com que
direta (plebiscito, referendo e
os poderes estão relacionados, como eles se interagem. iniciativa popular).
No sistema presidencialista os poderes de chefia de Estado
(representação internacional do Estado) e chefia de Governo
O art. 1º da Constituição permite concluir que o Brasil
(gerenciar e administrar assuntos internos) se concentram no
adota a democracia semidireta, ou participativa, ou seja, no
Presidente da República, ou seja, em uma mesma pessoa.
Brasil o povo exerce o poder por meio de seus representan-
Nesse caso, o Chefe do Executivo pode governar de forma
diferente das concepções adotadas pelos membros do legis- tes eleitos ou diretamente.
lativo, o que implica em um equilíbrio maior entre os pode- Vale destacar que no parágrafo único do art. 1º da
res, não existindo dependência entre eles, como no caso do Constituição temos que “todo o poder emana do povo, que
parlamentarismo. o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
Já no sistema parlamentarista as funções de chefia de nos termos desta Constituição”, o povo tem, portanto, a titu-
Estado e chefia de Governo são de pessoas distintas, ao laridade do poder.
Rei ou Presidente é atribuída à chefia de Estado e ao Pri-
meiro Ministro a chefia de Governo. No parlamentarismo, o Brasil → Democracia Semidireta

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fruímos a tranquilidade que advém da segurança de sabermos que,
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL se um irmão, amigo ou parente próximo vier a ser acusado de ter
Forma de cometido algo ilícito, não será arrebatado de nós e submetido a
Federado Descentralização política
Estado: ferros sem antes se valer de todos os meios de defesa em qualquer
circunstância à disposição de todos. [...] O que caracteriza a socie-
Eletividade, temporariedade
Forma de dade moderna, permitindo o aparecimento do Estado moderno, é,
Republicano de mandato e responsabilização
Governo: por um lado, a divisão do trabalho; por outro, a monopolização da
do governante
tributação e da violência física. Em nenhuma sociedade na qual
Sistema Presidente da República:
a desordem tenha sido superada, admite-se que todos cumpram
de Presidencialismo Chefe de Estado e Chefe de
as mesmas funções. O combate à criminalidade é missão típica e
Governo: Governo
privativa da administração (não do Judiciário), através da polícia,
como se lê nos incisos do art. 144 da Constituição, e do Ministério
Fundamentos da República Federativa do Brasil: Público, a quem compete, privativamente, promover a ação penal
pública (art. 129, I).” (HC 95.009, Rel. Min. Eros Grau, julgamento
Soberania em 06.11.2008, Plenário, DJE de 19.12.2008)
“Inexistente atribuição de competência exclusiva à União, não
Significa que o poder do Estado brasileiro não é supe- ofende a CB norma constitucional estadual que dispõe sobre apli-
rado por nenhuma outra forma de poder, e no âmbito inter- cação, interpretação e integração de textos normativos estaduais,
nacional, o Estado brasileiro encontra-se em igualdade com em conformidade com a Lei de Introdução ao Código Civil. Não há
os demais Estados. falar-se em quebra do pacto federativo e do princípio da interde-
pendência e harmonia entre os Poderes em razão da aplicação de
princípios jurídicos ditos ‘federais’ na interpretação de textos norma-
Cidadania
tivos estaduais. Princípios são normas jurídicas de um determinado
direito, no caso, do direito brasileiro. Não há princípios jurídicos apli-
Essa expressão foi utilizada de forma abrangente. Não cáveis no território de um, mas não de outro ente federativo, sendo
expressa apenas os direitos políticos ativos e passivos do descabida a classificação dos princípios em ‘federais’ e ‘estaduais’.”
indivíduo, votando, sendo votado, e interferindo na vida polí- (ADI 246, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 16.12.2004, Plenário,
tica do Estado. Temos cidadania como forma de integração DJ de 29.04.2005)
do indivíduo na vida estatal, fazendo valer seus direitos e “Se é certo que a nova Carta Política contempla um elenco menos
cobrando-os de seus representantes. abrangente de princípios constitucionais sensíveis, a denotar, com
isso, a expansão de poderes jurídicos na esfera das coletividades
Dignidade da pessoa humana autônomas locais, o mesmo não se pode afirmar quanto aos princí-
pios federais extensíveis e aos princípios constitucionais estabeleci-
dos, os quais, embora disseminados pelo texto constitucional, posto
A razão de ser do Estado brasileiro consagra-se na
que não é tópica a sua localização, configuram acervo expressivo
pessoa humana. Conforme nos ensina Alexandre de Moraes,
de limitações dessa autonomia local, cuja identificação – até mesmo
“esse fundamento afasta a ideia de predomínio das concep- pelos efeitos restritivos que deles decorrem – impõe-se realizar. A
ções transpessoalistas de Estado e Nação, em detrimento questão da necessária observância, ou não, pelos Estados-mem-
da liberdade individual”. Reconhece-se que o ser humano bros, das normas e princípios inerentes ao processo legislativo,
detém um mínimo de direitos que são invioláveis. Diversos provoca a discussão sobre o alcance do poder jurídico da União
direitos decorrem deste fundamento, como direito à vida, à Federal de impor, ou não, às demais pessoas estatais que integram
imagem, à intimidade etc. a estrutura da Federação, o respeito incondicional a padrões hete-
rônomos por ela própria instituídos como fatores de compulsória
aplicação. [...] Da resolução dessa questão central, emergirá a defi-
Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa
nição do modelo de Federação a ser efetivamente observado nas
práticas institucionais.” (ADI 216-MC, Rel. p/ o ac. Min. Celso de
Esse inciso compatibiliza a livre iniciativa com a valori- Mello, julgamento em 23.05.1990, Plenário, DJ de 07.05.1993)
zação do trabalho humano. O trabalho é entendido como um
“As ‘terras indígenas’ versadas pela CF de 1988 fazem parte de um
instrumento da dignidade humana e a livre iniciativa carac- território estatal-brasileiro sobre o qual incide, com exclusividade,
teriza o direito de propriedade, a existência do mercado e o o Direito nacional. E como tudo o mais que faz parte do domínio
regime capitalista. Esse capitalismo, porém, não se refere a de qualquer das pessoas federadas brasileiras, são terras que se
sua forma mais liberal, mas sim na forma socialdemocrata. submetem unicamente ao primeiro dos princípios regentes das
BRUNO

relações internacionais da República Federativa do Brasil: a sobe-


IVAN PILASTRE

Pluralismo político rania ou ‘independência nacional’ (inciso I do art. 1º da CF). [...]


Há compatibilidade entre o usufruto de terras indígenas e faixa de
LUCAS

fronteira. Longe de se pôr como um ponto de fragilidade estrutu-


Esse fundamento não se resume apenas ao pluripar-
ral das faixas de fronteira, a permanente alocação indígena nesses
tidarismo, ele visa reconhecer e garantir que as diversas
estratégicos espaços em muito facilita e até obriga que as institui-
formas de pensamento, grupos que representem interesses ções de Estado (Forças Armadas e Polícia Federal, principalmente)
e ideologias políticas sejam tidas como legítimas para demo- se façam também presentes com seus postos de vigilância, equi-
cracia, à exceção das que contrariem a Carta Magna. pamentos, batalhões, companhias e agentes. Sem precisar de
licença de quem quer que seja para fazê-lo. Mecanismos, esses,
Jurisprudência: “O Estado de Direito viabiliza a preservação das a serem aproveitados como oportunidade ímpar para conscientizar
práticas democráticas e, especialmente, o direito de defesa. Direito ainda mais os nossos indígenas, instruí-los (a partir dos conscri-
a, salvo circunstâncias excepcionais, não sermos presos senão tos), alertá-los contra a influência eventualmente malsã de certas
após a efetiva comprovação da prática de um crime. Por isso, usu- organizações não governamentais estrangeiras, mobilizá-los em

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defesa da soberania nacional e reforçar neles o inato sentimento de assegurar, à pessoa, acesso efetivo ao direito geral de liberdade e,
brasilidade. Missão favorecida pelo fato de serem os nossos índios também, a prestações positivas originárias do Estado, viabilizado-
as primeiras pessoas a revelar devoção pelo nosso país (eles, os ras da plena fruição de direitos sociais básicos, tais como o direito à
índios, que em toda nossa história contribuíram decisivamente para educação, o direito à proteção integral da criança e do adolescente,
a defesa e integridade do território nacional) e até hoje dar mostras o direito à saúde, o direito à assistência social, o direito à moradia,
de conhecerem o seu interior e as suas bordas mais que ninguém.” o direito à alimentação e o direito à segurança. Declaração Univer-
(Pet 3.388, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 19.03.2009, Ple- sal dos Direitos da Pessoa Humana, de 1948 (Artigo XXV).” (ARE
nário, DJE de 1º.07.2010) 639.337-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 23.08.2011,
“A pesquisa científica com células-tronco embrionárias, autorizada Segunda Turma, DJE de 15.09.2011)
pela Lei 11.105/2005, objetiva o enfrentamento e cura de patologias “Reconhecimento e qualificação da união homoafetiva como enti-
e traumatismos que severamente limitam, atormentam, infelicitam, dade familiar. O STF – apoiando-se em valiosa hermenêutica cons-
desesperam e não raras vezes degradam a vida de expressivo con- trutiva e invocando princípios essenciais (como os da dignidade da
tingente populacional (ilustrativamente, atrofias espinhais progres- pessoa humana, da liberdade, da autodeterminação, da igualdade,
sivas, distrofias musculares, a esclerose múltipla e a lateral amio- do pluralismo, da intimidade, da não discriminação e da busca da
trófica, as neuropatias e as doenças do neurônio motor). A escolha felicidade) – reconhece assistir, a qualquer pessoa, o direito funda-
feita pela Lei de Biossegurança não significou um desprezo ou mental à orientação sexual, havendo proclamado, por isso mesmo,
desapreço pelo embrião in vitro, porém uma mais firme disposição a plena legitimidade ético-jurídica da união homoafetiva como enti-
para encurtar caminhos que possam levar à superação do infortúnio dade familiar, atribuindo-lhe, em consequência, verdadeiro esta-
alheio. Isto, no âmbito de um ordenamento constitucional que desde tuto de cidadania, em ordem a permitir que se extraiam, em favor
o seu preâmbulo qualifica ‘a liberdade, a segurança, o bem-estar, de parceiros homossexuais, relevantes consequências no plano
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça’ como valores supre- do Direito, notadamente no campo previdenciário, e, também, na
mos de uma sociedade mais que tudo ‘fraterna’. O que já significa esfera das relações sociais e familiares. A extensão, às uniões
incorporar o advento do constitucionalismo fraternal às relações homoafetivas, do mesmo regime jurídico aplicável à união estável
humanas, a traduzir verdadeira comunhão de vida ou vida social entre pessoas de gênero distinto justifica-se e legitima-se pela direta
em clima de transbordante solidariedade em benefício da saúde e incidência, entre outros, dos princípios constitucionais da igualdade,
contra eventuais tramas do acaso e até dos golpes da própria natu- da liberdade, da dignidade, da segurança jurídica e do postulado
reza. Contexto de solidária, compassiva ou fraternal legalidade que, constitucional implícito que consagra o direito à busca da felicidade,
longe de traduzir desprezo ou desrespeito aos congelados embri- os quais configuram, numa estrita dimensão que privilegia o sen-
ões in vitro, significa apreço e reverência a criaturas humanas que tido de inclusão decorrente da própria CR (art. 1º, III, e art. 3º, IV),
sofrem e se desesperam. Inexistência de ofensas ao direito à vida fundamentos autônomos e suficientes aptos a conferir suporte legi-
e da dignidade da pessoa humana, pois a pesquisa com células- timador à qualificação das conjugalidades entre pessoas do mesmo
-tronco embrionárias (inviáveis biologicamente ou para os fins a que sexo como espécie do gênero entidade familiar. [...] O postulado
se destinam) significa a celebração solidária da vida e alento aos da dignidade da pessoa humana, que representa – considerada a
que se acham à margem do exercício concreto e inalienável dos centralidade desse princípio essencial (CF, art. 1º, III) – significativo
direitos à felicidade e do viver com dignidade (Min. Celso de Mello). vetor interpretativo, verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira
[...] A Lei de Biossegurança caracteriza-se como regração legal a todo o ordenamento constitucional vigente em nosso País, traduz,
salvo da mácula do açodamento, da insuficiência protetiva ou do de modo expressivo, um dos fundamentos em que se assenta, entre
vício da arbitrariedade em matéria tão religiosa, filosófica e etica- nós, a ordem republicana e democrática consagrada pelo sistema
mente sensível como a da biotecnologia na área da medicina e da de Direito Constitucional positivo. [...] O princípio constitucional da
genética humana. Trata-se de um conjunto normativo que parte do busca da felicidade, que decorre, por implicitude, do núcleo de que
pressuposto da intrínseca dignidade de toda forma de vida humana, se irradia o postulado da dignidade da pessoa humana, assume
ou que tenha potencialidade para tanto. A Lei de Biossegurança não papel de extremo relevo no processo de afirmação, gozo e expan-
conceitua as categorias mentais ou entidades biomédicas a que são dos direitos fundamentais, qualificando-se, em função de sua
se refere, mas nem por isso impede a facilitada exegese dos seus própria teleologia, como fator de neutralização de práticas ou de
textos, pois é de se presumir que recepcionou tais categorias e as omissões lesivas cuja ocorrência possa comprometer, afetar ou, até
que lhe são correlatas com o significado que elas portam no âmbito mesmo, esterilizar direitos e franquias individuais. Assiste, por isso
das ciências médicas e biológicas.” (ADI 3.510, Rel. Min. Ayres mesmo, a todos, sem qualquer exclusão, o direito à busca da feli-
Britto, julgamento em 29.05.2008, Plenário, DJE de 28.05.2010) cidade, verdadeiro postulado constitucional implícito, que se qua-
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

“Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado lifica como expressão de uma ideia-força que deriva do princípio
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, da essencial dignidade da pessoa humana.” (RE 477.554-AgR, Rel.
por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade Min. Celso de Mello, julgamento em 16.08.2011, Segunda Turma,
por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal DJE de 26.08.2011). No mesmo sentido: (ADI 4.277 e ADPF 132,
do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato pro- Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 05.05.2011, Plenário, DJE de
cessual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do 14.10.2011)
Estado.” (Súmula Vinculante 11) “O direito ao nome insere-se no conceito de dignidade da pessoa
“A cláusula da reserva do possível – que não pode ser invocada, humana, princípio alçado a fundamento da República Federativa
pelo Poder Público, com o propósito de fraudar, de frustrar e de do Brasil (CF, art. 1º, III).” (RE 248.869, voto do Rel. Min. Maurício
inviabilizar a implementação de políticas públicas definidas na Corrêa, julgamento em 07.08.2003, Plenário, DJ de 12.03.2004)
própria Constituição – encontra insuperável limitação na garantia “É certo que a ordem econômica na Constituição de 1988 define
constitucional do mínimo existencial, que representa, no contexto opção por um sistema no qual joga um papel primordial à livre ini-
de nosso ordenamento positivo, emanação direta do postulado da ciativa. Essa circunstância não legitima, no entanto, a assertiva de
essencial dignidade da pessoa humana. [...] A noção de ‘mínimo que o Estado só intervirá na economia em situações excepcionais.
existencial’, que resulta, por implicitude, de determinados precei- Mais do que simples instrumento de governo, a nossa Constituição
tos constitucionais (CF, art. 1º, III, e art. 3º, III), compreende um enuncia diretrizes, programas e fins a serem realizados pelo Estado
complexo de prerrogativas cuja concretização revela-se capaz de e pela sociedade. Postula um plano de ação global normativo para
garantir condições adequadas de existência digna, em ordem a o Estado e para a sociedade, informado pelos preceitos veiculados

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pelos seus arts. 1º, 3º e 170. A livre iniciativa é expressão de liber- A partir de Montesquieu, com adaptações, tivemos a
dade titulada não apenas pela empresa, mas também pelo trabalho. consolidação do conceito da Teoria da Separação de Pode-
Por isso, a Constituição, ao contemplá-la, cogita também da ‘ini- res do modo como conhecemos hoje. Assim, a separação
ciativa do Estado’; não a privilegia, portanto, como bem pertinente dos poderes consiste em discriminar as três funções esta-
apenas à empresa. Se de um lado a Constituição assegura a livre tais, quais sejam: a função Legislativa, a Executiva e a
iniciativa, de outro determina ao Estado a adoção de todas as provi- Judiciária. Tais funções devem ser atribuídas a três órgãos
dências tendentes a garantir o efetivo exercício do direito à educa- autônomos e independentes entre si. Tais poderes visam
ção, à cultura e ao desporto (arts. 23, V, 205, 208, 215 e 217, §3º, precipuamente evitar o arbítrio e garantir os direitos funda-
da Constituição). Na composição entre esses princípios e regras há mentais do homem.
de ser preservado o interesse da coletividade, interesse público pri- Montesquieu afirmava também que deveria haver um
mário. O direito ao acesso à cultura, ao esporte e ao lazer são meios equilíbrio entre os Poderes. Nessa esteira, contribuiu o
de complementar a formação dos estudantes.” (ADI 1.950, Rel. Min. ilustre autor com o denominado sistema de freios e con-
Eros Grau, julgamento em 03.11.2005, Plenário, DJ de 02.06.2006.) trapesos. Montesquieu afirmava que “precisa-se combinar
No mesmo sentido: (ADI 3.512, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em os Poderes, regrá-los, temperá-los, fazê-los agir; dar a um
15-2-2006, Plenário, DJ de 23.06.2006) Poder, por assim dizer, um lastro, para pô-lo em condições
de resistir a um outro”.
QUESTÕES DE CONCURSO
Sistema de freios e contrapesos (checks and balances)
(CESPE/ STJ/ Técnico Judiciário/ Telecomunicações
e Eletricidade/ Conhecimentos Básicos/ 2012) O povo O sistema de freios e contrapesos possibilita que cada
exerce o poder por meio de representantes eleitos ou poder controle outros poderes e que sejam pelos outros con-
de forma direta, como nos casos de plebiscito e refe- trolados. Sendo assim, além de suas funções típicas, deve-
rendo. riam possuir também funções atípicas.
O Poder executivo tem como função típica administrar,
Resposta: CERTO mas também as funções legislativa e jurisdicional como fun-
ções atípicas. Da mesma forma, o Poder Legislativo legisla
(FCC/ 2012/ TRT 6ª Região (PE)/ Analista Judiciário/ como função típica, e administra e julga como funções atí-
Execução de Mandados/ 2012) O voto é uma das prin- picas. Por fim, ao Poder Judiciário cabe julgar como função
cipais armas da Democracia, pois permite ao povo es- principal, e legislar e administrar em sua função atípica.
colher os responsáveis pela condução das decisões Por isso, a ideia de independência e harmonia entre
políticas de um Estado. Quem faz mau uso do voto os poderes, visto que eles não estão subordinados uns aos
deixa de zelar pela boa condução da política e põe em outros, mas apenas se fiscalizam.
risco seus próprios direitos e deveres, o que afeta a
essência do Estado Democrático de Direito. Entre os Poder Poder Poder
fundamentos da República Federativa do Brasil, ex- Executivo Judiciário Legislativo
pressamente previstos na Constituição, aquele que Funções
Administrar Julgar Legislar/Fiscalizar
mais adequadamente se relaciona à ideia acima ex- típicas
posta é a: Funções Julgar/ Legislar Administrar/ Julgar/ Adminis-
soberania. atípicas Ex.: Legisla- Legislar trar
tiva: quando o Ex. Legislativa: Ex.: Judicante:
a. prevalência dos direitos humanos.
Presidente da Quando elabora quando julga o
b. cidadania.
República edita seus regimentos Senado, julga o
c. independência nacional. medida provisó- internos; Presidente da
d. dignidade da pessoa humana. ria; Judicante: o Administrativa: República nos
Executivo julga, concede licença crimes de res-
Resposta: c apreciando e férias aos ponsabilidade;
defesas e recur- seus servidores. Administrativa:
sos administra- quando concede
Art. 2º São Poderes da União, independentes tivos. férias aos seus
BRUNO

servidores.
e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
IVAN PILASTRE

Judiciário.
 Obs.: A separação entre os poderes tem status de cláu-
LUCAS

sula pétrea. Dispõe o art. 60, §4º, que “Não será


Inicialmente, o pensador Aristóteles vislumbrava uma objeto de deliberação a proposta de Emenda ten-
dente a abolir: [...] III – a separação dos Poderes”.
divisão das funções estatais onde haveria uma Assembleia,
que ficaria responsável por elaborar as leis, um Corpo de
Jurisprudência: “O princípio constitucional da reserva de admi-
Magistrados e um Corpo Judicial. nistração impede a ingerência normativa do Poder Legislativo em
No Século XVII, John Locke esboçou a separação dos matérias sujeitas à exclusiva competência administrativa do Poder
poderes, ao propor a classificação entre funções legislativa, Executivo. É que, em tais matérias, o Legislativo não se qualifica
executiva, judicial e confederativa. Porém, caberia a Mon- como instância de revisão dos atos administrativos emanados do
Poder Executivo. [...] Não cabe, desse modo, ao Poder Legislativo,
tesquieu consagrar esta teoria.
sob pena de grave desrespeito ao postulado da separação de pode-

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res, desconstituir, por lei, atos de caráter administrativo que tenham Os objetivos fundamentais visam à igualdade entre os
sido editados pelo Poder Executivo, no estrito desempenho de suas brasileiros, no sentido de possibilitar oportunidades iguais a
privativas atribuições institucionais. Essa prática legislativa, quando todos e diminuir as desigualdades sociais. Não se confundem
efetivada, subverte a função primária da lei, transgride o princípio da
com os fundamentos, observe que os fundamentos são ine-
divisão funcional do poder, representa comportamento heterodoxo
da instituição parlamentar e importa em atuação ultra vires do Poder
rentes ao Estado, já os objetivos fundamentais são metas que
Legislativo, que não pode, em sua atuação político-jurídica, exorbi- o Estado pretende alcançar, é algo que deve ser perseguido.
tar dos limites que definem o exercício de suas prerrogativas institu- São normas programáticas, ou seja, o legislador traça
cionais.” (RE 427.574-ED, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em metas que devem ser alcançadas pelo Estado.
13.12.2011, Segunda Turma, DJE de 13.02.2012.)
“Separação dos Poderes. Possibilidade de análise de ato do Jurisprudência: “Ao Poder Público de todas as dimensões fede-
Poder Executivo pelo Poder Judiciário. [...] Cabe ao Poder Judi- rativas o que incumbe não é subestimar, e muito menos hostilizar
ciário a análise da legalidade e constitucionalidade dos atos dos comunidades indígenas brasileiras, mas tirar proveito delas para
três Poderes constitucionais, e, em vislumbrando mácula no ato diversificar o potencial econômico-cultural dos seus territórios (dos
impugnado, afastar a sua aplicação.” (AI 640.272-AgR, Rel. Min. entes federativos). O desenvolvimento que se fizer sem ou contra
Ricardo Lewandowski, julgamento em 02.10.2007, Primeira Turma, os índios, ali onde eles se encontrarem instalados por modo tradi-
DJ de 31.10.2007) No mesmo sentido: (AI 746.260-AgR, Rel. Min. cional, à data da Constituição de 1988, desrespeita o objetivo fun-
Cármen Lúcia, julgamento em 09.06.2009, Primeira Turma, DJE de damental do inciso II do art. 3º da CF, assecuratório de um tipo de
07.08.2009) ‘desenvolvimento nacional’ tão ecologicamente equilibrado quanto
humanizado e culturalmente diversificado, de modo a incorporar a
“Direito de greve dos servidores públicos civis. Hipótese de omissão
realidade indígena.” (Pet 3.388, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento
legislativa inconstitucional. Mora judicial, por diversas vezes, decla-
em 19.03.2009, Plenário, DJE de 1º.07.2010)
rada pelo Plenário do STF. Riscos de consolidação de típica omis-
são judicial quanto à matéria. A experiência do direito comparado. “A questão do desenvolvimento nacional (CF, art. 3º, II) e a necessi-
Legitimidade de adoção de alternativas normativas e institucionais dade de preservação da integridade do meio ambiente (CF, art. 225):
de superação da situação de omissão. [...] Apesar das modificações O princípio do desenvolvimento sustentável como fator de obtenção
implementadas pela EC 19/1998 quanto à modificação da reserva do justo equilíbrio entre as exigências da economia e as da ecologia.
legal de lei complementar para a de lei ordinária específica (CF, art. O princípio do desenvolvimento sustentável, além de impregnado de
37, VII), observa-se que o direito de greve dos servidores públi- caráter eminentemente constitucional, encontra suporte legitimador
em compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro e
cos civis continua sem receber tratamento legislativo minimamente
representa fator de obtenção do justo equilíbrio entre as exigências
satisfatório para garantir o exercício dessa prerrogativa em conso-
da economia e as da ecologia, subordinada, no entanto, a invocação
nância com imperativos constitucionais. Tendo em vista as impe-
desse postulado, quando ocorrente situação de conflito entre valores
riosas balizas jurídico-políticas que demandam a concretização do
constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, cuja obser-
direito de greve a todos os trabalhadores, o STF não pode se abster
vância não comprometa nem esvazie o conteúdo essencial de um
de reconhecer que, assim como o controle judicial deve incidir sobre
dos mais significativos direitos fundamentais: o direito à preservação
a atividade do legislador, é possível que a Corte Constitucional
do meio ambiente, que traduz bem de uso comum da generalidade
atue também nos casos de inatividade ou omissão do Legislativo.
das pessoas, a ser resguardado em favor das presentes e futuras
A mora legislativa em questão já foi, por diversas vezes, declarada
gerações.” (ADI 3.540-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em
na ordem constitucional brasileira. Por esse motivo, a permanência 1º.09.2005, Plenário, DJ de 03.02.2006)
dessa situação de ausência de regulamentação do direito de greve
dos servidores públicos civis passa a invocar, para si, os riscos de “Proibição de discriminação das pessoas em razão do sexo, seja
no plano da dicotomia homem/mulher (gênero), seja no plano da
consolidação de uma típica omissão judicial. Na experiência do
orientação sexual de cada qual deles. A proibição do preconceito
direito comparado (em especial, na Alemanha e na Itália), admite-
como capítulo do constitucionalismo fraternal. Homenagem ao plu-
-se que o Poder Judiciário adote medidas normativas como alter-
ralismo como valor sócio-político-cultural. Liberdade para dispor da
nativa legítima de superação de omissões inconstitucionais, sem
própria sexualidade, inserida na categoria dos direitos fundamentais
que a proteção judicial efetiva a direitos fundamentais se configure
do indivíduo, expressão que é da autonomia de vontade. Direito à
como ofensa ao modelo de separação de poderes (CF, art. 2º).” (MI
intimidade e à vida privada. Cláusula pétrea. O sexo das pessoas,
708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 25.10.2007, Plená-
salvo disposição constitucional expressa ou implícita em sentido
rio, DJE de 31.10.2008.) No mesmo sentido: MI 3.322, Rel. Min.
contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. Proi-
Celso de Mello, decisão monocrática, julgamento em 1º.06.2011,
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
bição de preconceito, à luz do inciso IV do art. 3º da CF, por colidir
DJE de 06.06.2011; MI 1.967, Rel. Min. Celso de Mello, decisão frontalmente com o objetivo constitucional de ‘promover o bem de
monocrática, julgamento em 24.05.2011, DJE de 27.05.2011. Vide: todos’. Silêncio normativo da Carta Magna a respeito do concreto
MS 22.690, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 17.04.1997, uso do sexo dos indivíduos como saque da kelseniana ‘norma geral
Plenário, DJ de 07.12.2006) negativa’, segundo a qual ‘o que não estiver juridicamente proibido,
ou obrigado, está juridicamente permitido’. Reconhecimento do
direito à preferência sexual como direta emanação do princípio da
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da ‘dignidade da pessoa humana’: direito a autoestima no mais elevado
República Federativa do Brasil: ponto da consciência do indivíduo. Direito à busca da felicidade.
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; Salto normativo da proibição do preconceito para a proclamação
do direito à liberdade sexual. O concreto uso da sexualidade faz
II – garantir o desenvolvimento nacional;
parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. Empírico uso
III – erradicar a pobreza e a marginalização e da sexualidade nos planos da intimidade e da privacidade constitu-
reduzir as desigualdades sociais e regionais; cionalmente tuteladas. Autonomia da vontade. Cláusula pétrea. [...]
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos Ante a possibilidade de interpretação em sentido preconceituoso ou
de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras discriminatório do art. 1.723 do CC, não resolúvel à luz dele próprio,
formas de discriminação. faz-se necessária a utilização da técnica de ‘interpretação conforme
à Constituição’. Isso para excluir do dispositivo em causa qualquer
significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública

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e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como família. Reconhe- Jurisprudência: “Negativa, pelo presidente da República, de
cimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as entrega do extraditando ao país requerente. [...] O Tratado de Extra-
mesmas consequências da união estável heteroafetiva.” (ADI 4.277 dição entre a República Federativa do Brasil e a República italiana,
e ADPF 132, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 05.05.2011, Ple- no seu art. III, 1°, f, permite a não entrega do cidadão da parte reque-
nário, DJE de 14.10.2011.) No mesmo sentido: (RE 477.554-AgR,
rente quando ‘a parte requerida tiver razões ponderáveis para supor
Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 16.08.2011, Segunda
que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição’.
Turma, DJE de 26.08.2011)
[...] Deveras, antes de deliberar sobre a existência de poderes dis-
QUESTÃO DE CONCURSO cricionários do presidente da República em matéria de extradição,
ou mesmo se essa autoridade se manteve nos lindes da decisão
(FUNCA/ MPE-RO/ Técnico em Contabilidade/ 2012) proferida pelo Colegiado anteriormente, é necessário definir se o ato
Segundo a Constituição Federal, constitui objetivo fun- do chefe de Estado é sindicável pelo Judiciário, em abstrato. O art.
1º da Constituição assenta como um dos fundamentos do Estado
damental da República Federativa do Brasil:
brasileiro a sua soberania – que significa o poder político supremo
a. a cidadania.
dentro do território, e, no plano internacional, no tocante às relações
b. a dignidade da pessoa humana.
da República Federativa do Brasil com outros Estados soberanos,
c. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. nos termos do art. 4º, I, da Carta Magna. A soberania nacional no
d. garantir o desenvolvimento nacional. plano transnacional funda-se no princípio da independência nacio-
e. a soberania. nal, efetivada pelo presidente da República, consoante suas atribui-
ções previstas no art. 84, VII e VIII, da Lei Maior. A soberania, dico-
Resposta: d tomizada em interna e externa, tem na primeira a exteriorização da
vontade popular (art. 14 da CRFB) por meio dos representantes do
Princípios orientadores das relações do Brasil na povo no parlamento e no governo; na segunda, a sua expressão no
ordem internacional plano internacional, por meio do presidente da República. No campo
da soberania, relativamente à extradição, é assente que o ato de
O art. 4º enumera os princípios norteadores da relação entrega do extraditando é exclusivo, da competência indeclinável
do Brasil na ordem internacional. Esse artigo reforça a ideia do presidente da República, conforme consagrado na Constituição,
de soberania no plano internacional, ou seja, é um elemento nas Leis, nos Tratados e na própria decisão do Egrégio STF na Ext
que visa igualar os Estados, consagrando a não subordi- 1.085. O descumprimento do Tratado, em tese, gera uma lide entre
nação na ordem internacional. Trata também dos direitos Estados soberanos, cuja resolução não compete ao STF, que não
humanos, isso reforça a ideia do Brasil não só garantir direi- exerce soberania internacional, máxime para impor a vontade da
tos fundamentais aos brasileiros, mas também batalhar para República italiana ao chefe de Estado brasileiro, cogitando-se de
que outros países façam o mesmo. A concessão de asilo mediação da Corte Internacional de Haia, nos termos do art. 92 da
político (que ocorrerá em território brasileiro) é uma forma Carta das Nações Unidas de 1945.” (Rcl 11.243, Rel. p/ o ac. Min.
de combate aos regimes ditatoriais, concedendo asilo aos Luiz Fux, julgamento em 08.06.2011, Plenário, DJE de 05.10.2011)
perseguidos. “No Estado de Direito Democrático, devem ser intransigentemente
O parágrafo único traz que o Brasil buscará integrar-se respeitados os princípios que garantem a prevalência dos direitos
com outras nações da América latina, apesar de ser um humanos. [...] A ausência de prescrição nos crimes de racismo jus-
Estado soberano, por meio de uma comunidade latino-ame- tifica-se como alerta grave para as gerações de hoje e de amanhã,
ricana (Mercosul). para que se impeça a reinstauração de velhos e ultrapassados con-
ceitos que a consciência jurídica e histórica não mais admitem.” (HC
82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se em 17.09.2003, Plenário, DJ de 19.03.2004)
nas suas relações internacionais pelos seguintes prin- “O repúdio ao terrorismo: um compromisso ético-jurídico assumido
cípios: pelo Brasil, quer em face de sua própria Constituição, quer perante a
I – independência nacional; comunidade internacional. Os atos delituosos de natureza terrorista,
II – prevalência dos direitos humanos; considerados os parâmetros consagrados pela vigente CF, não se
III – autodeterminação dos povos; subsumem à noção de criminalidade política, pois a Lei Fundamental
IV – não intervenção; proclamou o repúdio ao terrorismo como um dos princípios essenciais
V – igualdade entre os Estados; que devem reger o Estado brasileiro em suas relações internacionais
VI – defesa da paz; (CF, art. 4º, VIII), além de haver qualificado o terrorismo, para efeito
BRUNO

de repressão interna, como crime equiparável aos delitos hediondos,


VII – solução pacífica dos conflitos;
IVAN PILASTRE

o que o expõe, sob tal perspectiva, a tratamento jurídico impregnado


VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;
de máximo rigor, tornando-o inafiançável e insuscetível da clemência
LUCAS

IX – cooperação entre os povos para o progresso


soberana do Estado e reduzindo-o, ainda, à dimensão ordinária dos
da humanidade; crimes meramente comuns (CF, art. 5º, XLIII). A CF, presentes tais
X – concessão de asilo político. vetores interpretativos (CF, art. 4º, VIII, e art. 5º, XLIII), não auto-
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil riza que se outorgue, às práticas delituosas de caráter terrorista, o
buscará a integração econômica, política, social e cul- mesmo tratamento benigno dispensado ao autor de crimes políticos
tural dos povos da América Latina, visando à formação ou de opinião, impedindo, desse modo, que se venha a estabelecer,
de uma comunidade latino-americana de nações. em torno do terrorista, um inadmissível círculo de proteção que o
faça imune ao poder extradicional do Estado brasileiro, notadamente
se tiver em consideração a relevantíssima circunstância de que a
Assembleia Nacional Constituinte formulou um claro e inequívoco
juízo de desvalor em relação a quaisquer atos delituosos revestidos

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de índole terrorista, a estes não reconhecendo a dignidade de que mentadora para completar seu alcance, são autoaplicáveis.
muitas vezes se acha impregnada a prática da criminalidade polí- Se vier, porém, lei regulamentadora posterior, será possível
tica.” (Ext 855, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 26.08.2004, restringir o alcance de sua eficácia. São de aplicabilidade
Plenário, DJ de 1º.07.2005) direta, imediata, mas não integral.
Ex.: “Art. 5º, XIII – é livre o exercício de qualquer tra-
QUESTÃO DE CONCURSO balho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações pro-
fissionais que a lei estabelecer”; Trata-se de uma norma de
(FCC/ TRE-PR/ Técnico Judiciário/ Área Administrati- eficácia contida, podendo a lei limitar seu alcance. Desta
va/ 2012) A Carta Africana dos Direitos do Homem e forma, quando as qualificações profissionais forem estabe-
dos Povos, assinada por Estados do continente africa- lecidas pelo legislador, apenas quem atender tais qualifica-
no em 1981, enuncia, em seu art. 20, que todo povo ções poderá exercer a profissão.
tem um direito imprescritível e inalienável, pelo qual
determina livremente seu estatuto político e garante Normas de eficácia limitada
seu desenvolvimento econômico e social pelo caminho
que livremente escolheu. As normas de eficácia limitada não são autoaplicáveis,
Na Constituição da República Federativa do Brasil, o não produzem todos os seus efeitos somente pelo fato de
teor de referido enunciado encontra equivalência no entrarem em vigor. Necessitam, assim, de lei regulamen-
princípio de regência das relações internacionais de: tadora para que estejam aptas a produzir todos os seus
a. repúdio ao terrorismo e ao racismo. efeitos, ou seja, após a edição de tal lei poderão produzir
b. construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
os efeitos em sua totalidade. Tem aplicabilidade indireta,
c. erradicação da pobreza e da marginalização.
d. autodeterminação dos povos. mediata e reduzida.
e. concessão de asilo político. Ex: “Art. 37, VII - o direito de greve será exercido nos
termos e nos limites definidos em lei específica”.
Resposta: d O Professor José Afonso da Silva divide as normas de
eficácia limitada em dois grupos:
APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
a) Normas de princípio institutivo
As normas constitucionais possuem diferentes graus
de aplicabilidade e eficácia, que variam de acordo com a São as que visam organizar e regular a estrutura e
normatividade concedida pelo constituinte. As normas se atribuições de órgãos e entidades. Sua principal função é
diferenciam, portanto, pelo grau de sua eficácia e por sua esquematizar a organização, criação ou instituição dessas
aplicabilidade. entidades. Ex.: “A lei disporá sobre a constituição, inves-
Temos uma classificação das normas constitucionais, tidura, jurisdição, competência, garantias e condições de
feita pelo ilustre Professor José Afonso da Silva, que predo- exercício dos órgãos da Justiça do Trabalho” (CF, art. 113).
mina na doutrina e na jurisprudência atual, qual seja: São divididas em normas de princípio institutivo imposi-
a) Normas de eficácia plena; tivas e normas de princípio institutivo facultativas. As impo-
b) Normas de eficácia contida; sitivas são aquelas que impõem ao legislador a emissão de
c) Normas de eficácia limitada. uma legislação integrativa. Ex.: “Lei federal disporá sobre a
utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias civil
Normas de eficácia plena e militar e do corpo de bombeiros militar” (CF, art. 32, §4º).
As normas de princípio institutivo facultativas não impõem
São ditas normas de eficácia plena as que estão aptas nenhuma obrigação ao legislador, simplesmente dão a pos-
a produzir todos os seus efeitos desde a entrada em vigor da sibilidade de instituir ou regular a situação delineada na
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Constituição. Assim, elas não necessitam de norma poste- norma. Ex.: “Lei complementar poderá autorizar os Estados
rior para completar seu alcance ou sentido, são autoaplicá- a legislar sobre questões específicas das matérias relacio-
veis. Se vier lei regulamentadora posterior, não será possí- nadas neste artigo” (CF, art. 22, parágrafo único).
vel que tal lei restrinja sua eficácia. Possuem aplicabilidade
direta, imediata e integral. b) Normas programáticas
Ex.: “Art. 2º São Poderes da União, independentes e
harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judici- As normas de eficácia programática são princípios,
ário”; “Art. 14, §2º Não podem alistar-se como eleitores os diretrizes e metas, traçados pelo legislador constituinte, a
estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigató- serem alcançados. Traçam programas com fins sociais que
rio, os conscritos”. devem ser perseguidos pelo Poder Público, por meio de sua
atuação nesse sentido.
Normas de eficácia contida Ex.: “Art. 7.º, XX - proteção do mercado de trabalho
da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da
São normas de eficácia contida as que, como as lei”; “Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República
normas de eficácia plena, estão aptas a produzir desde já Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa
todos os seus efeitos. Também não precisam de lei regula- e solidária”.

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Norma Produz todos Necessita de Lei regulamen- ção, que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos
seus efeitos lei regulamen- tadora pode genericamente a todas as formações sociais, consagram o princí-
imediata- tadora? restringir sua pio da solidariedade e constituem um momento importante no pro-
mente? eficácia? cesso de desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos
E fi c á ci a humanos, caracterizados, enquanto valores fundamentais indispo-
Sim Não Não níveis, pela nota de uma essencial inexauribilidade.” (MS 22.164,
Plena
E fi c á ci a Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 30.10.1995, Plenário, DJ
Sim Não Sim de 17.11.1995.)
Contida
E fi c á ci a
Não Sim - QUESTÃO DE CONCURSO
Limitada

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (FCC/ PGE-SP/ Procurador) Considere as seguintes


afirmações:
A Constituição dividiu o gênero “direitos e garantias fun-
damentais” em grupos, quais sejam: I – Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ideais da
– direitos e deveres individuais e coletivos; Revolução Francesa, podem ser relacionados,
respectivamente, com os direitos humanos de pri-
– direitos sociais;
meira, segunda e terceira gerações.
– direitos de nacionalidade;
II – O direito à paz inclui-se entre os direitos humanos
– direitos políticos e partidos políticos.
de segunda geração.
III – Os direitos humanos de primeira geração foram
Gerações dos direitos fundamentais
construídos, em oposição ao absolutismo, como
liberdades negativas; os de segunda geração exi-
A doutrina classificou os direitos fundamentais em gera- gem ações destinadas a dar efetividade à auto-
ções, baseando-se na forma como eles foram sendo con- nomia dos indivíduos, o que autoriza relacioná-los
quistados ao longo do tempo, sendo divididos da seguinte com o conceito de liberdade positiva e com a igual-
forma: dade.
a) Direitos de primeira geração (individuais ou nega- IV – A indivisibilidade dos direitos humanos significa
tivos): são direitos civis e políticos que traduzem que, ao apreciar uma violação a direito fundamen-
a ideia da liberdade, não podendo o Estado des- tal, o juiz deverá apreciar todas as violações cone-
respeitar tal liberdade (de crença, manifestação xas a ela.
de pensamento, etc.). Foram os primeiros a serem V – A positivação da dignidade humana nas Constitui-
conquistados e estão relacionados às pessoas, in- ções do pós-guerra foi uma reação às atrocidades
dividualmente. cometidas pelo regime nazista e uma das fontes
b) Direitos de segunda geração (ou positivos): são di- do conceito pode ser encontrada na filosofia moral
reitos sociais, culturais e econômicos que traduzem de Kant.
os direitos de igualdade. De nada adianta possuir a
liberdade e não possuir as condições mínimas que Estão corretas SOMENTE as afirmações
possibilitem exercê-la. São considerados direitos a. I, II e III.
positivos, impondo ao Estado uma obrigação de b. I, II e IV.
fazer. c. I, III e V.
c) Direitos de terceira geração (difusos, coletivos): são d. II, III e V.
direitos que pertencem a todos, não sendo consi- e. I, II, III e V.
derados individualmente de ninguém. São direitos
Resposta: c
que traduzem as mudanças ocorridas na sociedade
por conta de questões ambientais, etc. Ex.: direito
ao meio ambiente preservado, ao desenvolvimento CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
sustentável, à paz etc.
d) Direitos de quarta geração: alguns doutrinadores Historicidade
BRUNO
IVAN PILASTRE

defendem a ideia de que já existem os direitos de


quarta geração. Para alguns, eles constituem o di- Possuem caráter histórico, evoluindo de época para
LUCAS

reito à democracia, à informação e ao pluralismo época e chegando aos dias atuais. O fato de um direito ser
político. Outros defendem que a quarta geração se considerado ou não fundamental muda de lugar para lugar,
refere aos avanços da engenharia genética (não há por exemplo, na Revolução Francesa eles podiam ser resu-
um consenso sobre o tema). midos em liberdade, igualdade e fraternidade.

Jurisprudência: “Enquanto os direitos de primeira geração (direi- Relatividade


tos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas,
negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direi-
Nenhum direito fundamental é considerado abso-
tos de segunda geração (direitos econômicos, sociais e culturais)
– que se identifica com as liberdades positivas, reais ou concretas luto, nem mesmo o direito à vida, que pode ser relativizado
– acentuam o princípio da igualdade, os direitos de terceira gera- quando se admite a pena de morta no caso de guerra decla-

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rada. Há muitas vezes confronto entre os direitos funda- Efetividade
mentais, e as soluções destes conflitos ou estão discrimi-
nadas na própria Constituição ou caberá decidir de acordo O Poder Público deve atuar para garantir a efetivação
com cada caso concreto. Também cabe observar que não dos Direitos e Garantias Fundamentais, usando, quando
se pode utilizar um direito fundamental como motivo para necessário, meios coercitivos.
prática de algum ato ilícito.
Universalidade
Jurisprudência: “Os direitos e garantias individuais não têm cará-
ter absoluto. Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos Os Direitos Fundamentais são dirigidos a todo ser
ou garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque humano em geral, sem restrições, independente de sua
razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do raça, credo, nacionalidade ou convicção política.
princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excep-
cionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas
IMPORTANTE
restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que
respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. O Podem ser titulares dos direitos fundamentais:
estatuto constitucional das liberdades públicas, ao delinear o regime a) Pessoas Físicas: brasileiros natos; brasileiros
jurídico a que estas estão sujeitas – e considerado o substrato naturalizados; estrangeiros que residam no território nacional;
ético que as informa – permite que sobre elas incidam limitações estrangeiros em trânsito pelo Brasil; e qualquer pessoa que o
de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade
ordenamento jurídico alcance.
do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência harmo-
b) Pessoas jurídicas: inclusive as de direito público, desde
niosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser
que compatíveis com sua natureza.
exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos
direitos e garantias de terceiros.” (MS 23.452, Rel. Min. Celso de
Mello, julgamento em 16.9.1999, Plenário, DJ de 12.5.2000.) (Vide:
HC 103.236, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 14.06.2010, Jurisprudência: “O súdito estrangeiro, mesmo aquele sem domi-
Segunda Turma, DJE de 03.09.2010). cílio no Brasil, tem direito a todas as prerrogativas básicas que lhe
assegurem a preservação do status libertatis e a observância, pelo
Poder Público, da cláusula constitucional do due process. O súdito
Imprescritibilidade estrangeiro, mesmo o não domiciliado no Brasil, tem plena legitimi-
dade para impetrar o remédio constitucional do habeas corpus, em
Os direitos fundamentais não se perdem por falta de ordem a tornar efetivo, nas hipóteses de persecução penal, o direito
uso, ou seja, são imprescritíveis. Não é uma regra abso- subjetivo, de que também é titular, à observância e ao integral res-
luta, visto que alguns direitos são considerados prescritíveis. peito, por parte do Estado, das prerrogativas que compõem e dão
significado à cláusula do devido processo legal. A condição jurídica
Ex.: Perda da propriedade pelo instituto da usucapião.
de não nacional do Brasil e a circunstância de o réu estrangeiro não
possuir domicílio em nosso país não legitimam a adoção, contra tal
Inalienabilidade acusado, de qualquer tratamento arbitrário ou discriminatório. Pre-
cedentes. Impõe-se, ao Judiciário, o dever de assegurar, mesmo
Não podem ser alienados, ou seja, não podem ser ven- ao réu estrangeiro sem domicílio no Brasil, os direitos básicos que
didos, doados, emprestados etc. São conferidos a todos, resultam do postulado do devido processo legal, notadamente as
prerrogativas inerentes à garantia da ampla defesa, à garantia do
sendo assim indisponíveis. Exceções: direito à propriedade.
contraditório, à igualdade entre as partes perante o juiz natural e à
garantia de imparcialidade do magistrado processante.” (HC 94.016,
Indisponiblidade (irrenunciabilidade) Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 16.09.2008, Segunda
Turma, DJE de 27.2.2009). No mesmo sentido: HC 102.041, Rel.
Os direitos fundamentais são, via de regra, indisponí- Min. Celso de Mello, julgamento em 20.04.2010, Segunda Turma,
veis, não podendo fazer com eles o que se quer, pois se DJE de 20.08.2010; HC 94.404, Rel. Min. Celso de Mello, julga- NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL
mento em 18.11.2008, Segunda Turma, DJE de 18.06.2010. Vide:
tratam de interesses de toda coletividade, não apenas do
HC 94.477, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 06.09.2011,
indivíduo. É importante frisar que não é permitida a renúncia Segunda Turma, Informativo 639; HC 72.391-QO, Rel. Min. Celso
a esses direitos, mas apenas o seu não exercício. Exceções: de Mello, julgamento em 08.03.1995, Plenário, DJ de 17.03.1995.
intimidade, privacidade, etc. “Eficácia dos direitos fundamentais nas relações privadas. As viola-
ções a direitos fundamentais não ocorrem somente no âmbito das
Indivisibilidade relações entre o cidadão e o Estado, mas igualmente nas relações
travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim,
Os direitos fundamentais devem ser considerados em os direitos fundamentais assegurados pela Constituição vinculam
diretamente não apenas os poderes públicos, estando direcionados
conjunto, e não isoladamente.
também à proteção dos particulares em face dos poderes privados.
Os princípios constitucionais como limites à autonomia privada das
 Obs.: Muitas vezes podem ocorrer conflitos entre direi- associações. A ordem jurídico-constitucional brasileira não confe-
tos fundamentais, onde em um caso concreto, uma riu a qualquer associação civil a possibilidade de agir à revelia dos
das partes pode estar amparada por um direito e princípios inscritos nas leis e, em especial, dos postulados que têm
a outra por outro direito. Nesse caso, o intérprete por fundamento direto o próprio texto da Constituição da República,
notadamente em tema de proteção às liberdades e garantias fun-
deverá agir com ponderação ao julgar o que melhor
damentais. O espaço de autonomia privada garantido pela Cons-
se adéqua naquele dado momento. tituição às associações não está imune à incidência dos princípios

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constitucionais que asseguram o respeito aos direitos fundamentais direito a uma vida digna, ou seja, a garantia das condições
de seus associados. A autonomia privada, que encontra claras limi- materiais e espirituais mínimas necessárias. Lembrando que
tações de ordem jurídica, não pode ser exercida em detrimento ou nem mesmo o direito à vida é um direito absoluto, podendo
com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros, especialmente
ser relativizado, como no caso de guerra declarada, onde é
aqueles positivados em sede constitucional, pois a autonomia da
admitida a pena de morte.
vontade não confere aos particulares, no domínio de sua incidência
e atuação, o poder de transgredir ou de ignorar as restrições postas Ressalte-se que o direito à vida é considerado o mais
e definidas pela própria Constituição, cuja eficácia e força normativa fundamental de todos os direitos, uma vez que é pré-requi-
também se impõem, aos particulares, no âmbito de suas relações sito para a existência dos demais direitos.
privadas, em tema de liberdades fundamentais.” (RE 201.819, Rel.
p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 11.10.2005, Segunda
Jurisprudência: Nota: O Plenário do STF, no julgamento da ADI
Turma, DJ de 27.10.2006)
3.510, declarou a constitucionalidade do art. 5º da Lei de Biossegu-
“O direito à saúde – além de qualificar-se como direito fundamental rança (Lei 11.105/2005), por entender que as pesquisas com célu-
que assiste a todas as pessoas – representa consequência constitu- las-tronco embrionárias não violam o direito à vida ou o princípio da
cional indissociável do direito à vida. O Poder Público, qualquer que dignidade da pessoa humana.
seja a esfera institucional de sua atuação no plano da organização
federativa brasileira, não pode mostrar-se indiferente ao problema “O Magno Texto Federal não dispõe sobre o início da vida humana
da saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por cen- ou o preciso instante em que ela começa. Não faz de todo e qual-
surável omissão, em grave comportamento inconstitucional. [...] O quer estádio da vida humana um autonomizado bem jurídico, mas
reconhecimento judicial da validade jurídica de programas de dis- da vida que já é própria de uma concreta pessoa, porque nativiva
tribuição gratuita de medicamentos a pessoas carentes, inclusive (teoria ‘natalista’, em contraposição às teorias ‘concepcionista’ ou
àquelas portadoras do vírus HIV/aids, dá efetividade a preceitos da ‘personalidade condicional’). E, quando se reporta a ‘direitos da
fundamentais da Constituição da República (arts. 5º, caput, e 196) pessoa humana’ e até a ‘direitos e garantias individuais’ como cláu-
e representa, na concreção do seu alcance, um gesto reverente e sula pétrea, está falando de direitos e garantias do indivíduo-pessoa,
solidário de apreço à vida e à saúde das pessoas, especialmente que se faz destinatário dos direitos fundamentais ‘à vida, à liber-
daquelas que nada têm e nada possuem, a não ser a consciên- dade, à igualdade, à segurança e à propriedade’, entre outros direi-
cia de sua própria humanidade e de sua essencial dignidade.” (RE tos e garantias igualmente distinguidos com o timbre da fundamen-
271.286-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 12.09.2000, talidade (como direito à saúde e ao planejamento familiar). Mutismo
Segunda Turma, Plenário, DJ de 24.11.2000). No mesmo sen- constitucional hermeneuticamente significante de transpasse de
tido: RE 368.564, Rel. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgamento em poder normativo para a legislação ordinária. A potencialidade de
13.04.2011, Primeira Turma, DJE de 10.8.2011; STA 175-AgR, Rel. algo para se tornar pessoa humana já é meritória o bastante para
Min. Presidente Gilmar Mendes, julgamento em 17.03.2010, Plená- acobertá-la, infraconstitucionalmente, contra tentativas levianas ou
rio, DJE de 30.04.2010. frívolas de obstar sua natural continuidade fisiológica. Mas as três
realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o feto é o feto
QUESTÃO DE CONCURSO e a pessoa humana é a pessoa humana. Donde não existir pessoa
humana embrionária, mas embrião de pessoa humana. O embrião
(FCC/ DPE-SP/ Agente de Defensoria/ Administrador/ referido na Lei de Biossegurança (in vitro apenas) não é uma vida a
2010) A característica central dos direitos fundamen- caminho de outra vida virginalmente nova, porquanto lhe faltam pos-
tais que justifica a garantia de assistência jurídica inte- sibilidades de ganhar as primeiras terminações nervosas, sem as
quais o ser humano não tem factibilidade como projeto de vida autô-
gral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de
noma e irrepetível. O Direito infraconstitucional protege por modo
recursos (artigo 5º inciso LXXIV da CF) é a:
variado cada etapa do desenvolvimento biológico do ser humano.
a. Imprescritibilidade. Os momentos da vida humana anteriores ao nascimento devem ser
b. Irrenunciabilidade. objeto de proteção pelo direito comum. O embrião pré-implanto é
c. Efetividade. um bem a ser protegido, mas não uma pessoa no sentido biográfico
d. Historicidade. a que se refere a Constituição.” (ADI 3.510, Rel. Min. Ayres Britto,
e. Inviolabilidade. julgamento em 29.5.2008, Plenário, DJE de 28.5.2010.)

Resposta: c Direito à liberdade

Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (Art. 5º) O direito à liberdade é outro direito que deve ser enten-
BRUNO

dido de forma ampla. Refere-se ao direito de locomoção,


IVAN PILASTRE

onde temos a liberdade física, o direito de ir e vir, e também


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distin-
a liberdade de expressão, de crença, de religião, e outras
ção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros
LUCAS

mais que a Constituição faz referência.


e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
Liberdade de expressão (art. 5º, IV, V, IX, XIV)
e à propriedade, nos termos seguintes:

A Constituição, em seu inciso IV do art. 5º, garante a


liberdade de manifestação do pensamento. Assim, a princí-
Direito à vida pio, o ser humano pode manifestar o que pensa, desde que
não seja de forma anônima ou abusiva, pois a Carta Magna
O direito à vida que se refere o caput do art. 5º não se veda expressamente o anonimato. A vedação ao anonimato
resume apenas ao direito de estar vivo. Abrange também o abrange todos os meios de comunicação e visa responsabili-

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zar quem cause danos a terceiros, por utilizar esse direito de jornalistas são aquelas pessoas que se dedicam profissionalmente
forma errônea. Se durante a manifestação do pensamento ao exercício pleno da liberdade de expressão. O jornalismo e a liber-
eventuais danos morais, materiais ou à imagem sejam cau- dade de expressão, portanto, são atividades que estão imbricadas
por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de
sados, é assegurado o direito de resposta, proporcional ao
forma separada. Isso implica, logicamente, que a interpretação do
agravo, além de indenização. (art. 5º, V). art. 5º, XIII, da Constituição, na hipótese da profissão de jornalista,
Temos também a liberdade de expressão das ativida- se faça, impreterivelmente, em conjunto com os preceitos do art. 5º,
des artísticas, científicas e literárias, independentemente de IV, IX, XIV, e do art. 220, da Constituição, que asseguram as liber-
censura ou licença (art. 5º, IX). Importante observar que a dades de expressão, de informação e de comunicação em geral. [...]
Constituição proíbe a censura, porém, temos o controle de No campo da profissão de jornalista, não há espaço para a regula-
horário e etário da programação de TV e acesso a determi- ção estatal quanto às qualificações profissionais. O art. 5º, IV, IX,
XIV, e o art. 220 não autorizam o controle, por parte do Estado,
nados lugares, respectivamente.
quanto ao acesso e exercício da profissão de jornalista. Qualquer
É garantido também o sigilo da fonte, sempre que
tipo de controle desse tipo, que interfira na liberdade profissional
necessário ao exercício profissional (art.5º, XIV). no momento do próprio acesso à atividade jornalística, configura,
ao fim e ao cabo, controle prévio que, em verdade, caracteriza cen-
Jurisprudência: “A liberdade de imprensa, enquanto projeção das sura prévia das liberdades de expressão e de informação, expressa-
liberdades de comunicação e de manifestação do pensamento, mente vedada pelo art. 5º, IX, da Constituição. A impossibilidade do
reveste-se de conteúdo abrangente, por compreender, entre outras estabelecimento de controles estatais sobre a profissão jornalística
prerrogativas relevantes que lhe são inerentes, o direito de informar, leva à conclusão de que não pode o Estado criar uma ordem ou um
o direito de buscar a informação, o direito de opinar, e o direito de conselho profissional (autarquia) para a fiscalização desse tipo de
criticar. A crítica jornalística, desse modo, traduz direito impregnado profissão. O exercício do poder de polícia do Estado é vedado nesse
de qualificação constitucional, plenamente oponível aos que exer- campo em que imperam as liberdades de expressão e de informa-
cem qualquer atividade de interesse da coletividade em geral, pois ção. Jurisprudência do STF: Representação 930, Rel. p/ o ac. Min.
o interesse social, que legitima o direito de criticar, sobrepõe-se a Rodrigues Alckmin, DJ de 2.9.1977.” (RE 511.961, Rel. Min. Gilmar
eventuais suscetibilidades que possam revelar as pessoas públi- Mendes, julgamento em 17.06.2009, Plenário, DJE de 13.11.2009)
cas ou as figuras notórias, exercentes, ou não, de cargos oficiais. “[...] (a) os escritos anônimos não podem justificar, só por si, desde
A crítica que os meios de comunicação social dirigem às pessoas que isoladamente considerados, a imediata instauração da perse-
públicas, por mais dura e veemente que possa ser, deixa de sofrer, cutio criminis, eis que peças apócrifas não podem ser incorporadas,
quanto ao seu concreto exercício, as limitações externas que ordi- formalmente, ao processo, salvo quando tais documentos forem
nariamente resultam dos direitos de personalidade. Não induz res- produzidos pelo acusado, ou, ainda, quando constituírem, eles pró-
ponsabilidade civil a publicação de matéria jornalística cujo conte- prios, o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no
údo divulgue observações em caráter mordaz ou irônico ou, então, delito de extorsão mediante sequestro, ou como ocorre com cartas
veicule opiniões em tom de crítica severa, dura ou, até, impiedosa, que evidenciem a prática de crimes contra a honra, ou que corpo-
ainda mais se a pessoa a quem tais observações forem dirigidas rifiquem o delito de ameaça ou que materializem o crimen falsi, p.
ostentar a condição de figura pública, investida, ou não, de auto- ex.); (b) nada impede, contudo, que o Poder Público provocado por
ridade governamental, pois, em tal contexto, a liberdade de crítica delação anônima (‘disque-denúncia’, p. ex.), adote medidas infor-
qualifica-se como verdadeira excludente anímica, apta a afastar mais destinadas a apurar, previamente, em averiguação sumária,
o intuito doloso de ofender. Jurisprudência. Doutrina. O STF tem ‘com prudência e discrição’, a possível ocorrência de eventual situa-
destacado, de modo singular, em seu magistério jurisprudencial, a ção de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a
necessidade de preservar-se a prática da liberdade de informação, verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover,
resguardando-se, inclusive, o exercício do direito de crítica que dela então, em caso positivo, a formal instauração da persecutio criminis,
emana, por tratar-se de prerrogativa essencial que se qualifica como mantendo-se, assim, completa desvinculação desse procedimento
um dos suportes axiológicos que conferem legitimação material à estatal em relação às peças apócrifas; e (c) o Ministério Público,
própria concepção do regime democrático. Mostra-se incompatível de outro lado, independentemente da prévia instauração de inqué-
com o pluralismo de ideias, que legitima a divergência de opiniões, rito policial, também pode formar a sua opinio delicti com apoio em
a visão daqueles que pretendem negar, aos meios de comunicação outros elementos de convicção que evidenciem a materialidade do
social (e aos seus profissionais), o direito de buscar e de interpretar fato delituoso e a existência de indícios suficientes de sua auto-
as informações, bem assim a prerrogativa de expender as críticas ria, desde que os dados informativos que dão suporte à acusação
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

pertinentes. Arbitrária, desse modo, e inconciliável com a proteção penal não tenham, como único fundamento causal, documentos ou
constitucional da informação, a repressão à crítica jornalística, pois escritos anônimos.” (Inq 1.957, Rel. Min. Carlos Velloso, voto do
o Estado – inclusive seus juízes e tribunais – não dispõe de poder Min. Celso de Mello, julgamento em 11.05.2005, Plenário, DJ de
algum sobre a palavra, sobre as ideias e sobre as convicções mani- 11.11.2005.) No mesmo sentido: HC 106.664-MC, Rel. Min. Celso
festadas pelos profissionais da imprensa.” (AI 705.630-AgR, Rel. de Mello, decisão monocrática, julgamento em 19.05.2011, DJE de
Min. Celso de Mello, julgamento em 22.03.2011, Segunda Turma, 23.05.2011; HC 99.490, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em
DJE de 06.04.2011). No mesmo sentido: AI 690.841-AgR, Rel. Min. 23.11.2010, Segunda Turma, DJE de 1º.02.2011; HC 95.244, Rel.
Celso de Mello, julgamento em 21.6.2011, Segunda Turma, DJE de Min. Dias Toffoli, julgamento em 23.3.2010, Primeira Turma, DJE
05.08.2011; AI 505.595, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrá- de 30.4.2010; HC 84.827, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em
tica, julgamento em 11.11.2009, DJE de 23.11.2000. 07.08.2007, Primeira Turma, DJ de 23.11.2007. Vide: HC 90.178,
Nota: O Plenário do STF, no julgamento do RE 511.961, declarou Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 02.02.2010, Segunda
como não recepcionado pela Constituição de 1988 o art. 4º, V, do Turma, DJE de 26.03.2010.
DL 972/1969, que exigia diploma de curso superior para o exercício “Liberdade de expressão. Garantia constitucional que não se tem
da profissão de jornalista. como absoluta. Limites morais e jurídicos. O direito à livre expres-
“O jornalismo é uma profissão diferenciada por sua estreita vincula- são não pode abrigar, em sua abrangência, manifestações de con-
ção ao pleno exercício das liberdades de expressão e de informa- teúdo imoral que implicam ilicitude penal. As liberdades públicas
ção. O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira
e da informação de forma contínua, profissional e remunerada. Os harmônica, observados os limites definidos na própria CF (CF, art.

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5º, § 2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de irregulamentáveis os bens de personalidade que se põem como o
expressão não consagra o ‘direito à incitação ao racismo’, dado que próprio conteúdo ou substrato da liberdade de informação jornalís-
um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de con- tica, por se tratar de bens jurídicos que têm na própria interdição da
dutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra. Prevalên- prévia interferência do Estado o seu modo natural, cabal e ininter-
cia dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade rupto de incidir. Vontade normativa que, em tema elementarmente
jurídica.” (HC 82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa, de imprensa, surge e se exaure no próprio texto da Lei Suprema.”
julgamento em 17.09.2003, Plenário, DJ de 19.3.2004) (ADPF 130, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 30.04.2009, Ple-
nário, DJE de 06.11.2009). No mesmo sentido: Rcl 11.305, Rel.
“Programas humorísticos, charges e modo caricatural de pôr em cir- Min. Gilmar Mendes, julgamento em 20.10.2011, Plenário, DJE de
culação ideias, opiniões, frases e quadros espirituosos compõem 08.11.2011; AI 684.535-AgR-ED, Rel. Min. Eros Grau, julgamento
as atividades de ‘imprensa’, sinônimo perfeito de ‘informação jor- em 20.4.2010, Segunda Turma, DJE de 14.05.2010. Vide: ADI
nalística’ (§1º do art. 220). Nessa medida, gozam da plenitude de 4.451-MC-REF, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 02.09.2010,
liberdade que é assegurada pela Constituição à imprensa. Dando- Plenário, DJE de 1º.07.2011.
-se que o exercício concreto dessa liberdade em plenitude assegura
ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, ainda QUESTÃO DE CONCURSO
que em tom áspero, contundente, sarcástico, irônico ou irreverente,
especialmente contra as autoridades e aparelhos de Estado. Res- (CESPE/ INSS/ Engenheiro Civil/ 2010) Não é possível
pondendo, penal e civilmente, pelos abusos que cometer, e sujei-
a instauração de inquérito policial baseado unicamente
tando-se ao direito de resposta a que se refere a Constituição em
no conteúdo de denúncia anônima.
seu art. 5º, V. A crítica jornalística em geral, pela sua relação de ine-
rência com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível
Resposta: CERTO
de censura. Isso porque é da essência das atividades de imprensa
operar como formadora de opinião pública, lócus do pensamento
crítico e necessário contraponto à versão oficial das coisas, con- Liberdade de crença religiosa e convicção política e
forme decisão majoritária do STF na ADPF 130. Decisão a que se filosófica (art. 5º VI, VII, VIII)
pode agregar a ideia de que a locução ‘humor jornalístico’ enlaça
pensamento crítico, informação e criação artística.” (ADI 4.451-MC- A inviolabilidade de consciência e de crença religiosa
REF, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 02.09.2010, Plenário, é assegurada, garantindo ainda o livre exercício dos cultos
DJE de 1º.07.2011.) religiosos e a proteção a estes locais de culto e a suas litur-
“O pensamento crítico é parte integrante da informação plena e gias. Percebe-se que mesmo sendo o Brasil um Estado
fidedigna. O possível conteúdo socialmente útil da obra compensa laico, onde não há uma religião oficial, preocupou-se o cons-
eventuais excessos de estilo e da própria verve do autor. O exercício tituinte de permitir a assistência religiosa nas unidades civis
concreto da liberdade de imprensa assegura ao jornalista o direito e militares de internação coletiva. (art. 5º, VI e VII)
de expender críticas a qualquer pessoa, ainda que em tom áspero Ressalte-se que ninguém poderá ser privado de seus
ou contundente, especialmente contra as autoridades e os agentes direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filo-
do Estado. A crítica jornalística, pela sua relação de inerência com sófica ou política, salvo quando as invocar para eximir-se de
o interesse público, não é aprioristicamente suscetível de censura, obrigação legal que seja imposta a todos. Aqui temos consa-
mesmo que legislativa ou judicialmente intentada. O próprio das ati- grado o direito à escusa de consciência, que possibilita ao
vidades de imprensa é operar como formadora de opinião pública, indivíduo recusar o cumprimento de determinadas obrigações
espaço natural do pensamento crítico e ‘real alternativa à versão ofi-
que entrem em conflito com suas convicções religiosas. Claro
cial dos fatos’ [...]. Tirante, unicamente, as restrições que a Lei Fun-
que não é permitido ao indivíduo simplesmente não cumprir
damental de 1988 prevê para o ‘estado de sítio’ (art. 139), o Poder
tal obrigação e nada fazer a respeito. Nesses casos, o Estado
Público somente pode dispor sobre matérias lateral ou reflexamente
de imprensa, respeitada sempre a ideia-força de que ‘quem quer impõe uma prestação alternativa, fixada em lei (art. 5º, VIII).
que seja tem o direito de dizer o que quer que seja’. Logo, não
cabe ao Estado, por qualquer dos seus órgãos, definir previamente QUESTÃO DE CONCURSO
o que pode ou o que não pode ser dito por indivíduos e jornalis-
tas. As matérias reflexamente de imprensa, suscetíveis, portanto, (ESAF/ MPOG/ Especialista em Políticas Públicas e
de conformação legislativa, são as indicadas pela própria Consti- Gestão Governamental/ Provas 1 e 2/ 2008) Ninguém
tuição [...] Regulações estatais que, sobretudo incidindo no plano será privado de direitos por motivo de crença religiosa
das consequências ou responsabilizações, repercutem sobre as ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invo-
BRUNO

causas de ofensas pessoais para inibir o cometimento dos abusos car para eximir-se de obrigação legal a todos imposta
IVAN PILASTRE

de imprensa. Peculiar fórmula constitucional de proteção de interes- e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada
ses privados em face de eventuais descomedimentos da imprensa
em lei. Assinale a opção que indica com exatidão a
LUCAS

(justa preocupação do Min. Gilmar Mendes), mas sem prejuízo da


objeção que legitimamente pode ser oposta ao Estado
ordem de precedência a esta conferida, segundo a lógica elemen-
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta.
tar de que não é pelo temor do abuso que se vai coibir o uso. Ou,
nas palavras do Ministro Celso de Mello, ‘a censura governamental,
a. Escusa de obrigação legal.
emanada de qualquer um dos três Poderes, é a expressão odiosa b. Escusa de direitos.
da face autoritária do poder público’. [...] Não recepção em bloco c. Escusa de consciência.
da Lei n. 5.250 pela nova ordem constitucional. Óbice lógico à con- d. Escusa de prestação alternativa.
fecção de uma lei de imprensa que se torne de compleição estatu- e. Escusa de liberdade.
tária ou orgânica. A própria Constituição, quando o quis, convocou
o legislador de segundo escalão para o aporte regratório da parte Resposta: c
restante de seus dispositivos (art. 29; art. 93; e § 5º do art. 128). São

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Liberdade de atividade profissional (art. 5º, XIII)  Obs.: O direito de reunião será garantido por meio da
impetração de Mandado de Segurança e não de
Determina o texto constitucional que “é livre o exercício Habeas corpus. Isso porque a finalidade do cerce-
de qualquer trabalho, ofício, ou profissão, atendidas as qua- amento da eventual liberdade de locomoção, neste
lificações profissionais que a lei estabelecer” (art. 5º, XII). caso, será atingir o direito de reunião.
Ressalte-se que ofício se refere a trabalhos manuais,
enquanto que profissão significa a atividade laborativa que
Jurisprudência: “Por entender que o exercício dos direitos funda-
seja regulamentada. Já trabalho é qualquer atividade eco-
mentais de reunião e de livre manifestação do pensamento deve
nômica. ser garantido a todas as pessoas, o Plenário julgou procedente
Tal inciso trata-se de uma norma de eficácia contida, pedido formulado em ação de descumprimento de preceito fun-
podendo a lei limitar seu alcance. Dessa forma, quando as damental para dar, ao art. 287 do CP, com efeito vinculante, inter-
qualificações profissionais forem estabelecidas pelo legisla- pretação conforme a Constituição, de forma a excluir qualquer
dor, apenas quem atender tais qualificações poderá exercer exegese que possa ensejar a criminalização da defesa da legali-
a profissão. zação das drogas, ou de qualquer substância entorpecente espe-
cífica, inclusive através de manifestações e eventos públicos. [...]
Jurisprudência: “Nem todos os ofícios ou profissões podem ser Destacou-se estar em jogo a proteção às liberdades individuais de
condicionadas ao cumprimento de condições legais para o seu reunião e de manifestação do pensamento. Em passo seguinte,
exercício. A regra é a liberdade. Apenas quando houver potencial assinalou-se que a liberdade de reunião, enquanto direito-meio,
lesivo na atividade é que pode ser exigida inscrição em conselho seria instrumento viabilizador da liberdade de expressão e qua-
de fiscalização profissional. A atividade de músico prescinde de lificar-se-ia como elemento apto a propiciar a ativa participação
controle. Constitui, ademais, manifestação artística protegida pela da sociedade civil na vida política do Estado. A praça pública,
garantia da liberdade de expressão.” (RE 414.426, Rel. Min. Ellen desse modo, desde que respeitado o direto de reunião, passaria
Gracie, julgamento em 1º.08.2011, Plenário, DJE de 10.10.2011.)
a ser o espaço, por excelência, para o debate. E, nesse sentido,
No mesmo sentido: RE 635.023-ED, Rel. Min. Celso de Mello, jul-
salientou-se que esta Corte, há muito, firmara compromisso com
gamento em 13.12.2011, Segunda Turma, DJE de 13.02.2012; RE
a preservação da integridade das liberdades fundamentais contra
509.409, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática, julgamento
o arbítrio do Estado. Realçou-se que a reunião, para merecer a
em 31.08.2011, DJE de 08.09.2011.
proteção constitucional, deveria ser pacífica, ou seja, sem armas,
NOVO: “Alcança-se a qualificação de bacharel em direito mediante
violência ou incitação ao ódio ou à discriminação. Ademais, essa
conclusão do curso respectivo e colação de grau. [...] O Exame de
liberdade seria constituída por cinco elementos: pessoal, tempo-
Ordem [...] mostra-se consentâneo com a CF, que remete às qualifi-
ral, intencional, espacial e formal. Ponderou-se que, embora esse
cações previstas em lei.” (RE 603.583, Rel. Min. Marco Aurélio, jul-
gamento em 26.10.2011, Plenário, DJE de 25.05.2012, com reper- direito possa ser restringido em períodos de crise institucional,
cussão geral) ao Estado não seria permitido, em período de normalidade, inibir
essa garantia, frustrar-lhe os objetivos ou inviabilizá-la com medi-
Liberdade de reunião (art. 5.º, XVI) das restritivas. Apontou-se, ademais, que as minorias também
titularizariam o direito de reunião. Observou-se que isso eviden-
ciaria a função contramajoritária do STF no Estado Democrático
Dispõe a Constituição que “todos podem reunir-se paci-
de Direito. Frisou-se, nessa contextura, que os grupos majoritá-
ficamente, sem armas, em locais abertos ao público, inde-
rios não poderiam submeter à hegemonia de sua vontade a eficá-
pendentemente de autorização, desde que não frustrem
cia de direitos fundamentais, especialmente tendo em conta uma
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local,
concepção material de democracia constitucional. [...] Concluiu-se
sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente” que a defesa, em espaços públicos, da legalização das drogas
(art. 5º, XVI). Observe que reunião nesse caso significa algo ou de proposta abolicionista a outro tipo penal não significaria ilí-
passageiro, momentâneo. cito penal, mas, ao contrário, representaria o exercício legítimo do
Garante-se o direito de reunião com algumas observa- direito à livre manifestação do pensamento, propiciada pelo exer-
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

ções: cício do direito de reunião.” (ADPF 187, Rel. Min. Celso de Mello,
• que seja de forma pacífica; julgamento em 15.6.2011, Plenário, Informativo 631.) Vide: ADI
• os participantes não poderão portar armas. Entre- 4.274, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 23.11.2011, Plenário,
tanto, caso algum dos manifestantes, isoladamente, DJE de 2.5.2012.
estiver portando algum tipo de arma, isso não auto-
riza o Poder Público dissolver a reunião, pois esse QUESTÃO DE CONCURSO
fato por si só não caracteriza uma reunião armada;
• deve ser exercido em lugares que sejam acessíveis (CESPE/ SEJUS-ES/ Agente Penitenciário/ 2009) In-
ao público; dependentemente de aviso prévio ou autorização do
• não podem atrapalhar reunião convocada por poder público, todos podem reunir-se pacificamente,
outros indivíduos para o mesmo local, que tenha sem armas, em locais abertos ao público, desde que
sido avisada a autoridade competente; não frustrem outra reunião anteriormente convocada
• o direito de se reunir não depende de autorização para o mesmo local.
do poder público;
• exige-se apenas prévio aviso a autoridade competente, Resposta: ERRADO
para que esta adote as providências necessárias.

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Liberdade de associação (art. 5.º, XVII, XVIII, XIX, Liberdade de locomoção (art. 5.º, XV)
XX, XXI)
Dispõe o texto constitucional que “é livre a locomoção
É plena a liberdade de associação para fins lícitos, no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer
vedada a de caráter paramilitar. Ninguém é obrigado a asso- pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele
ciar-se, e quando associado será livre para decidir se per- sair com seus bens” (art. 5º, XV). É a liberdade de ir, vir, ficar
manece associado ou não. e permanecer, sendo o remédio constitucional do habeas
A criação de associações (não tem fim lucrativo) e, corpus a principal forma de garantia dessa liberdade.
na forma da lei, a de cooperativas (com fim lucrativo), não
depende de autorização do Poder Público e, em tese, o
Estado não pode intervir em seu funcionamento. Poderá IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo
haver intervenção do Estado quando a associação busque vedado o anonimato;
fins ilícitos, suspendendo-lhe o funcionamento ou dissol- V – é assegurado o direito de resposta, proporcio-
vendo-a. A suspensão se dará por decisão judicial, não nal ao agravo, além da indenização por dano material,
sendo necessário o trânsito em julgado, já a dissolução com- moral ou à imagem;
pulsória só pode ocorrer mediante decisão judicial transitada IX – é livre a expressão da atividade intelectual,
em julgado. artística, científica e de comunicação, independente-
As entidades associativas têm legitimidade para repre- mente de censura ou licença;
sentar seus filiados judicial ou extrajudicialmente, quando XIV – é assegurado a todos o acesso à informa-
expressamente autorizadas. Trata-se aqui de representação ção e resguardado o sigilo da fonte, quando necessá-
processual, pois é necessária a autorização expressa dos rio ao exercício profissional;
associados para que se possa entrar com ações judiciais VI – é inviolável a liberdade de consciência e de
em defesa destes. crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
 Obs.: No caso de mandado de segurança coletivo tere- locais de culto e a suas liturgias;
mos a chamada substituição processual, ou seja, VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação
não é necessária a autorização expressa dos asso- de assistência religiosa nas entidades civis e militares
ciados para que se possa entrar com a ação. de internação coletiva;
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo
de crença religiosa ou de convicção filosófica ou polí-
Representação Judicial Substituição Processual tica, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
Necessita de autorização Não necessita de autorização alternativa, fixada em lei;
expressa dos associados expressa dos associados XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho,
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profis-
sionais que a lei estabelecer;
Jurisprudência: “A primeira Constituição política do Brasil a dispor
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem
sobre a liberdade de associação foi, precisamente, a Constituição
republicana de 1891, e, desde então, essa prerrogativa essencial armas, em locais abertos ao público, independente-
tem sido contemplada nos sucessivos documentos constitucionais mente de autorização, desde que não frustrem outra
brasileiros, com a ressalva de que, somente a partir da Constitui- reunião anteriormente convocada para o mesmo local,
ção de 1934, a liberdade de associação ganhou contornos próprios, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade com-
dissociando-se do direito fundamental de reunião, consoante se petente;
depreende do art. 113, §12, daquela Carta Política. Com efeito, a XVII – é plena a liberdade de associação para fins
liberdade de associação não se confunde com o direito de reunião, lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
possuindo, em relação a este, plena autonomia jurídica [...]. Diria, XVIII – a criação de associações e, na forma da
até, que, sob a égide da vigente Carta Política, intensificou-se o
lei, a de cooperativas independem de autorização,
grau de proteção jurídica em torno da liberdade de associação, na
sendo vedada a interferência estatal em seu funcio-
medida em que, ao contrário do que dispunha a Carta anterior, nem
mesmo durante a vigência do estado de sítio se torna lícito suspen- namento;
BRUNO

der o exercício concreto dessa prerrogativa. [...] Revela-se impor- XIX – as associações só poderão ser compulso-
IVAN PILASTRE

tante assinalar, neste ponto, que a liberdade de associação tem riamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas
uma dimensão positiva, pois assegura a qualquer pessoa (física ou por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o
LUCAS

jurídica) o direito de associar-se e de formar associações. Também trânsito em julgado;


possui uma dimensão negativa, pois garante a qualquer pessoa o XX – ninguém poderá ser compelido a associar-
direito de não se associar, nem de ser compelida a filiar-se ou a -se ou a permanecer associado;
desfiliar-se de determinada entidade. Essa importante prerroga- XXI – as entidades associativas, quando expres-
tiva constitucional também possui função inibitória, projetando-se
samente autorizadas, têm legitimidade para represen-
sobre o próprio Estado, na medida em que se veda, claramente, ao
tar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
Poder Público, a possibilidade de interferir na intimidade das asso-
ciações e, até mesmo, de dissolvê-las, compulsoriamente, a não
XV – é livre a locomoção no território nacional em
ser mediante regular processo judicial.” (ADI 3.045, voto do Rel. tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da
Min. Celso de Mello, julgamento em 10.08.2005, Plenário, DJ de lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
1º.06.2007)

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Princípio da legalidade na autoridade da Constituição, impõe à administração e à jurisdi-
ção a necessária submissão aos comandos estatais emanados,
O art. 5º, inciso II da Constituição Federal estabe- exclusivamente, do legislador. Não cabe ao Poder Executivo em
tema regido pelo postulado da reserva de lei, atuar na anômala (e
lece que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
inconstitucional) condição de legislador, para, em assim agindo,
alguma coisa senão em virtude de lei. Tal inciso refere-se ao proceder à imposição de seus próprios critérios, afastando, desse
princípio da legalidade, trazendo em seu bojo o postulado modo, os fatores que, no âmbito de nosso sistema constitucional,
básico do estado de direito, que nada mais é do que um só podem ser legitimamente definidos pelo Parlamento. É que,
Estado onde predomina um governo de leis, a despeito do se tal fosse possível, o Poder Executivo passaria a desempenhar
poder arbitrário do Estado. atribuição que lhe é institucionalmente estranha (a de legislador),
usurpando, desse modo, no contexto de um sistema de poderes
Assim, no que tange aos particulares, somente a lei
essencialmente limitados, competência que não lhe pertence, com
poderá criar obrigações. Sendo assim, não havendo lei em evidente transgressão ao princípio constitucional da separação de
sentido contrário, poderá o particular fazer ou deixar de fazer poderes.” (ADI 2.075-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em
o que lhe convém. 07.02.2001, Plenário, DJ de 27.06.2003)
Importante mencionar que, em relação à Administração
Pública, o princípio da legalidade é mais restrito, uma vez QUESTÃO DE CONCURSO
que o Estado só poderá fazer o que determina a lei. Assim, o
Poder Público não pode atuar nem contrariamente, nem na (CESPE/ TRE-ES/ Técnico Judiciário/ Área Admi-
ausência de lei, só podendo agir conforme a lei. nistrativa/ Específicos/ 2011) O princípio da legali-
dade não se confunde com o da reserva legal: o
Princípio da legalidade e da Reserva legal primeiro pressupõe a submissão e o respeito à lei;
o segundo se traduz pela necessidade de a regu-
Imperioso diferenciar tais princípios, porquanto o prin- lamentação de determinadas matérias ser feita ne-
cípio da legalidade é mais abrangente do que o princípio da cessariamente por lei formal.
reserva legal.
José Afonso da Silva distingue ambos os princípios da Resposta: CERTO
seguinte forma:
Princípio da legalidade: significa submissão e respeito
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de
à lei, ou a atuação dentro da esfera estabelecida pelo legis-
fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
lador.
Reserva legal: consiste em estatuir que a regulamen-
tação de determinadas matérias há de se fazer necessaria- Direito à igualdade
mente por lei formal. Encontra-se tal princípio nos comandos
constitucionais que reservam conteúdo específico a determi- Esse direito consagra a ideia de que todos são iguais
nada lei. Ex.: XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, perante a lei. O princípio da igualdade determina que os
ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais iguais sejam tratados de forma igual e os desiguais de forma
que a lei estabelecer (art. 5o, inciso XIII da CF/1988). desigual, na medida de sua desigualdade. Temos igualdade
na lei (para o legislador) e igualdade perante a lei (para o
Jurisprudência: “O princípio da reserva de lei atua como expres- aplicador da lei). A igualdade na lei assegura que o legis-
siva limitação constitucional ao poder do Estado, cuja competên- lador ao elaborar a lei, vise reduzir as desigualdades. Já a
cia regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente idonei- igualdade perante a lei é a garantia da não discriminação na
dade jurídica que lhe permita restringir direitos ou criar obrigações. hora de aplicação das leis, de não haver perseguições ou
Nenhum ato regulamentar pode criar obrigações ou restringir direi- preferências.
tos, sob pena de incidir em domínio constitucionalmente reservado Cabe observar que esse direito não exclui a possibi-
ao âmbito de atuação material da lei em sentido formal. O abuso
lidade de ter tratamento diferenciado para alguns grupos,
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

de poder regulamentar, especialmente nos casos em que o Estado


desde que haja uma razoabilidade para essa discriminação.
atua contra legem ou praeter legem, não só expõe o ato transgres-
sor ao controle jurisdicional, mas viabiliza, até mesmo, tal a gravi- Ex.: Vagas em concurso público somente para determinado
dade desse comportamento governamental, o exercício, pelo Con- sexo, desde as atribuições do cargo justifiquem.
gresso Nacional, da competência extraordinária que lhe confere o
art. 49, inciso V, da CF, e que lhe permite ‘sustar os atos normativos Jurisprudência: “O Plenário julgou improcedente pedido formulado
do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar [...]’. Dou- em arguição de descumprimento de preceito fundamental ajuizada
trina. Precedentes (RE 318.873-AgR/SC, Rel. Min. Celso de Mello, pelo Partido Democratas (DEM) contra atos da Universidade de
v.g.).” (AC 1.033-AgR-QO, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em Brasília (UnB), do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da
25.05.2006, Plenário, DJ de 16.06.2006.) Universidade de Brasília (CEPE) e do Centro de Promoção de
“O princípio constitucional da reserva de lei formal traduz limita- Eventos da Universidade de Brasília (CESPE), os quais instituíram
ção ao exercício das atividades administrativas e jurisdicionais do sistema de reserva de 20% de vagas no processo de seleção para
ingresso de estudantes, com base em critério étnico-racial. [...] No
Estado. A reserva de lei – analisada sob tal perspectiva – consti-
mérito, explicitou-se a abrangência da matéria. Nesse sentido,
tui postulado revestido de função excludente, de caráter negativo,
comentou-se, inicialmente, sobre o princípio constitucional da igual-
pois veda, nas matérias a ela sujeitas, quaisquer intervenções nor-
dade, examinado em seu duplo aspecto: formal e material. Reme-
mativas, a título primário, de órgãos estatais não legislativos. Essa
morou-se o art. 5º, caput, da CF, segundo o qual ao Estado não
cláusula constitucional, por sua vez, projeta-se em uma dimensão
seria dado fazer qualquer distinção entre aqueles que se encontra-
positiva, eis que a sua incidência reforça o princípio, que, fundado
riam sob seu abrigo. Frisou-se, entretanto, que o legislador consti-

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tuinte não se restringira apenas a proclamar solenemente a igual- social. Como resultado desse quadro, registrou-se o surgimento de
dade de todos diante da lei. Ele teria buscado emprestar a máxima programas de reconhecimento e valorização de grupos étnicos e
concreção a esse importante postulado, para assegurar a igualdade culturais. Ressaiu-se que, hodiernamente, justiça social significaria
material a todos os brasileiros e estrangeiros que viveriam no país, distinguir, reconhecer e incorporar à sociedade valores culturais
consideradas as diferenças existentes por motivos naturais, cultu- diversificados. Esse modo de pensar revelaria a insuficiência da uti-
rais, econômicos, sociais ou até mesmo acidentais. Além disso, lização exclusiva do critério social ou de baixa renda para promover
atentaria especialmente para a desequiparação entre os distintos a integração de grupos marginalizados, e impenderia incorporar-se
grupos sociais. Asseverou-se que, para efetivar a igualdade mate- nas ações afirmativas considerações de ordem étnica e racial.
rial, o Estado poderia lançar mão de políticas de cunho universalista Salientou-se o seu papel simbólico e psicológico, em contrapartida
– a abranger número indeterminado de indivíduos – mediante ações à histórica discriminação de negros e pardos, que teria gerado, ao
de natureza estrutural; ou de ações afirmativas – a atingir grupos longo do tempo, a perpetuação de consciência de inferioridade e de
sociais determinados – por meio da atribuição de certas vantagens, conformidade com a falta de perspectiva, tanto sobre os segregados
por tempo limitado, para permitir a suplantação de desigualdades quanto para os que contribuiriam para sua exclusão. Discorreu-se
ocasionadas por situações históricas particulares. Certificou-se que sobre o papel integrador da universidade e os benefícios das ações
a adoção de políticas que levariam ao afastamento de perspectiva afirmativas, que atingiriam não apenas o estudante que ingressara
meramente formal do princípio da isonomia integraria o cerne do no sistema por intermédio das reservas de vagas, como também
conceito de democracia. Anotou-se a superação de concepção todo o meio acadêmico, dada a oportunidade de conviver com o
estratificada da igualdade, outrora definida apenas como direito, diferente. Acrescentou-se que esse ambiente seria ideal para a des-
sem que se cogitasse convertê-lo em possibilidade. [...] Reputou-se, mistificação dos preconceitos sociais e para a construção de cons-
entretanto, que esse desiderato somente seria alcançado por meio ciência coletiva plural e culturalmente heterogênea. A corroborar
da denominada ‘justiça distributiva’, que permitiria a superação das essas assertivas, assinalaram-se diversas ações afirmativas desen-
desigualdades no mundo dos fatos, por meio de intervenção estatal volvidas a respeito do tema nos EUA. Examinou-se, também, a ade-
que realocasse bens e oportunidades existentes na sociedade em quação dos instrumentos utilizados para a efetivação das políticas
benefício de todos. Lembrou-se de que o modelo constitucional de ação afirmativa com a Constituição. Reconheceu-se que as uni-
pátrio incorporara diversos mecanismos institucionais para corrigir versidades adotariam duas formas distintas de identificação do
distorções resultantes da incidência meramente formal do princípio componente étnico-racial: autoidentificação e heteroidentificação.
da igualdade. Sinalizou-se que, na espécie, a aplicação desse pre- Declarou-se que ambos os sistemas, separados ou combinados,
ceito consistiria em técnica de distribuição de justiça, com o objetivo desde que jamais deixassem de respeitar a dignidade pessoal dos
de promover a inclusão social de grupos excluídos, especialmente candidatos, seriam aceitáveis pelo texto constitucional. Por sua vez,
daqueles que, historicamente, teriam sido compelidos a viver na no que toca à reserva de vagas ou ao estabelecimento de cotas,
periferia da sociedade. Em seguida, elucidou-se o conceito de entendeu-se que a primeira não seria estranha à Constituição, nos
ações afirmativas, que seriam medidas especiais e concretas para termos do art. 37, VIII. Afirmou-se, de igual maneira, que as políticas
assegurar o desenvolvimento ou a proteção de certos grupos, com de ação afirmativa não configurariam meras concessões do Estado,
o fito de garantir-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício mas deveres extraídos dos princípios constitucionais. Assim, as
dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. Explanaram- cotas encontrariam amparo na Constituição. Ressaltou-se a natu-
-se as diversas modalidades de ações afirmativas empregadas em reza transitória dos programas de ação afirmativa, já que as desi-
vários países [...]. Ademais, expôs-se a origem histórica dessas polí- gualdades entre brancos e negros decorreriam de séculos de domi-
ticas. Sublinhou-se que a Corte admitira, em outras oportunidades, nação econômica, política e social dos primeiros sobre os segundos.
a constitucionalidade delas. [...] Confrontou-se a inexistência, cienti- Dessa forma, na medida em que essas distorções históricas fossem
ficamente comprovada, do conceito biológico ou genético de raça, corrigidas, não haveria razão para a subsistência dos programas de
com a utilização do critério étnico-racial para fins de qualquer espé- ingresso nas universidades públicas. Se eles ainda assim permane-
cie de seleção de pessoas. Sublinhou-se que a Corte, nos autos do cessem, poderiam converter-se em benesses permanentes, em
HC 82.424-QO/RS (DJ de 19.03.2004), debatera o significado jurí- detrimento da coletividade e da democracia. Consignou-se que, no
dico do termo ‘racismo’ (CF, art. 5º, XLII) e afastara o conceito bioló- caso da UnB, o critério da temporariedade fora cumprido, pois o
gico, porquanto histórico-cultural, artificialmente construído para programa de ações afirmativas lá instituído estabelecera a necessi-
justificar a discriminação ou a dominação exercida por alguns indiví- dade de sua reavaliação após o transcurso de dez anos. Por fim, no
duos sobre certos grupos, maliciosamente reputados inferiores. que concerne à proporcionalidade entre os meios e os fins colima-
Ressurtiu-se que, se o constituinte de 1988 qualificara de inafiançá- dos nessas políticas, considerou-se que a reserva de 20% das
vel o crime de racismo, com o escopo de impedir a discriminação vagas, na UnB, para estudantes negros, e de um pequeno número
negativa de determinados grupos, seria possível empregar a mesma delas para índios, pelo prazo citado, constituiria providência ade-
lógica para autorizar a utilização estatal da discriminação positiva, quada e proporcional a atingir os mencionados desideratos. (ADPF
com vistas a estimular a inclusão social de grupos excluídos. Expli- 186, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 26.04.2012,
cou-se que, para as sociedades contemporâneas que passaram Plenário, Informativo 663). No mesmo sentido: (RE 597.285, Rel.
BRUNO

pela experiência da escravidão, repressão e preconceito, enseja- Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 09.05.2012, Plenário,
IVAN PILASTRE

dora de percepção depreciativa de raça com relação aos grupos Informativo 665, com repercussão geral).
tradicionalmente subjugados, a garantia jurídica de igualdade formal “O Plenário julgou procedente ação declaratória, ajuizada pelo
LUCAS

sublimaria as diferenças entre as pessoas, de modo a perpetrar as presidente da República, para assentar a constitucionalidade dos
desigualdades de fato existentes. Reportou-se que o reduzido arts. 1º, 33 e 41 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). [...] No
número de negros e pardos detentores de cargos ou funções de mérito, rememorou-se posicionamento da Corte que, ao julgar o HC
relevo na sociedade resultaria da discriminação histórica que as 106.212/MS (DJE de 13.06.2011), declarara a constitucionalidade
sucessivas gerações dos pertencentes a esses grupos teriam do art. 41 da Lei Maria da Penha [...]. Reiterou-se a ideia de que a
sofrido, ainda que de forma implícita. Os programas de ação afirma- aludida lei viera à balha para conferir efetividade ao art. 226, §8º, da
tiva seriam, então, forma de compensar essa discriminação cultural- CF. Consignou-se que o dispositivo legal em comento coadunar-se-
mente arraigada. Nessa linha de raciocínio, destacou-se outro resul- -ia com o princípio da igualdade e atenderia à ordem jurídico-cons-
tado importante dessas políticas: a criação de lideranças entre os titucional, no que concerne ao necessário combate ao desprezo às
grupos discriminados, capazes de lutar pela defesa de seus direitos, famílias, considerada a mulher como sua célula básica. Aplicou-se
além de servirem como paradigmas de integração e ascensão o mesmo raciocínio ao afirmar-se a constitucionalidade do art. 1º

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
da aludida lei [...]. Asseverou-se que, ao criar mecanismos especí- brasileiros. Nessa situação, configurar-se-á ofensa ao
ficos para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher e princípio da igualdade, pois a diferenciação, no caso,
estabelecer medidas especiais de proteção, assistência e punição, baseia-se no atributo da nacionalidade.
tomando como base o gênero da vítima, o legislador teria utilizado
meio adequado e necessário para fomentar o fim traçado pelo refe-
Resposta: CERTO
rido preceito constitucional. Aduziu-se não ser desproporcional ou
ilegítimo o uso do sexo como critério de diferenciação, visto que
a mulher seria eminentemente vulnerável no tocante a constrangi-
mentos físicos, morais e psicológicos sofridos em âmbito privado.
I – homens e mulheres são iguais em direitos e
Frisou-se que, na seara internacional, a Lei Maria da Penha seria obrigações, nos termos desta Constituição;
harmônica com o que disposto no art. 7º, item c, da Convenção de
Belém do Pará [...] e com outros tratados ratificados pelo país. Sob
o enfoque constitucional, consignou-se que a norma seria corolário Claro que não se trata aqui de uma igualdade absoluta,
da incidência do princípio da proibição de proteção insuficiente dos
visto que homens e mulheres têm características diferen-
direitos fundamentais. Sublinhou-se que a lei em comento represen-
ciadas por sua própria natureza. É proibida a discriminação
taria movimento legislativo claro no sentido de assegurar às mulhe-
res agredidas o acesso efetivo à reparação, à proteção e à justiça. que tenha como razão o gênero. A Constituição traz diver-
Discorreu-se que, com o objetivo de proteger direitos fundamentais, sas vezes tratamento desigual de homens e mulheres como,
à luz do princípio da igualdade, o legislador editara microssistemas por exemplo, quando anuncia que a licença maternidade é
próprios, a fim de conferir tratamento distinto e proteção especial a superior, em se tratando de período, à licença paternidade
outros sujeitos de direito em situação de hipossuficiência, como o (120 dias e 5 dias, respectivamente).
Estatuto do Idoso e o da Criança e do Adolescente (ECA).” (ADC
19, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 09.02.2012, Plenário,
Informativo 654) Jurisprudência: “O inciso I do art. 100 do CPC, com redação dada
pela Lei N. 6.515/1977, foi recepcionado pela CF de 1988. O foro
“A igualdade, desde Platão e Aristóteles, consiste em tratar-se de
especial para a mulher nas ações de separação judicial e de con-
modo desigual os desiguais. Prestigia-se a igualdade, no sentido
versão da separação judicial em divórcio não ofende o princípio da
mencionado, quando, no exame de prévia atividade jurídica em con-
curso público para ingresso no MPF, dá-se tratamento distinto àque- isonomia entre homens e mulheres ou da igualdade entre os côn-
les que já integram o Ministério Público. Segurança concedida.” (MS juges.” (RE 227.114, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em
26.690, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 03.09.2008, Plenário, 14.12.2011, Segunda Turma, DJE de 22.11.2012.)
DJE de 19.12.2008)
“Tratamento igualitário de brasileiros e estrangeiros residentes no
Brasil. O alcance do disposto na cabeça do art. 5º da CF há de ser Direito à propriedade (art. 5.º, XXII a XXXI)
estabelecido levando-se em conta a remessa aos diversos incisos.
A cláusula de tratamento igualitário não obstaculiza o deferimento Como consagrado pela Constituição que o Brasil é um
de extradição de estrangeiro.” (Ext 1.028, Rel. Min. Marco Aurélio,
Estado capitalista, temos como corolário o direito à proprie-
julgamento em 10.08.2006, Plenário, DJ de 08.09.2006)
dade, que dá ao titular o direito de usar, fruir e dispor da
“O princípio da isonomia, que se reveste de autoaplicabilidade, não
coisa. A Constituição determina também que “a propriedade
é – enquanto postulado fundamental de nossa ordem político-jurí-
dica – suscetível de regulamentação ou de complementação norma-