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Módulo I

Conteudista : Zuleide Ferreira Filgueiras

Zuleide Filgueiras é Graduada em Letras pela UFMG, Mestre e Doutora em Estudos Linguísticos pela UFMG. Atuou como docente das disciplinas presenciais Morfologia do Português, História da Língua Portuguesa e Lexicologia, na graduação e pós- graduação da Faculdade de Letras da UFMG. Atuou como tutora, na modalidade de

educação a distância, nas disciplinas Redação Ofi cial, Produção de Texto em Língua

Portuguesa e Fundamentos de Libras na Faculdade de Letras da UFMG.

 

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Módulo I

Sumário

Apresentação do curso

 

7

1. Aspectos gerais da Redação Ofi cial

 

7

1.1 Elementos da comunicação nos domínios da Redação Ofi cial

8

1.2 Características fundamentais do texto ofi cial

10

1.2.1

Impessoalidade

10

1.2.2

Uniformidade

11

1.2.3

Formalidade e padronização

 

12

1.2.4

Clareza e objetividade

13

1.2.5

Coesão

15

1.2.6

Concisão

19

1.2.7

Correção gramatical e uso da norma culta

 

21

1.3 A produção textual

 

28

1.3.1

Estilo

29

1.3.2

Polidez

29

1.3.3

Harmonia

30

1.3.4

Aspectos gramaticais da produção textual

 

30

  • 1.3.4.1 Pronomes oblíquos

30

  • 1.3.4.2 Uso da crase

................................................................................................................

31

  • 1.3.4.3 Vícios de linguagem

.................................................................................................

 

35

  • 1.3.4.4 Uso indevido do sujeito como complemento

 

40

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ÍCONES ORGANIZADORES

Saiba mais (síntetico)

Apresenta informações complementares acerca de um

determinado tema ou conteúdo. Esse texto fi cará oculto,

sendo necessário que o aluno clique em um ícone para que seja disponibilizado. É importante destacar que o texto tem

um caráter complementar, ou seja, caso o aluno não leia, não

Saiba Saiba mais! mais!
Saiba
Saiba mais!
mais!

comprometerá sua aprendizagem em relação ao conteúdo do

curso

Saiba mais (estendido)

Saiba mais! Conheça o Decreto-Lei nº 200: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei
Saiba mais!
Conheça o Decreto-Lei nº 200:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei

Praticar

Utilizado para consolidar um exercício de fi xação ao fi nal de seção.

Exercício 2*: Estabeleça a relação entre as colunas, numerando a segunda de ac
Exercício 2*:
Estabeleça a relação entre as
colunas, numerando a segunda de ac
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Revelar Resposta

É apresentada uma pergunta ao participante, que remeta à sua realidade de trabalho, que incentive

uma refl exão preparatória para o conteúdo que será

apresentado em seguida ou que foi anteriormente apresentado.

Texto em destaque Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Pel- lentesque ac consectetur nulla. Proin sit amet ?

Resposta

 

6. Obedecer às regras de pontuação.

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ÍCONES ORGANIZADORES

Importante

Trata-se de um fragmento do texto considerado fun-

damental, relevante ou essencial para a compreensão

daquele determinado conteúdo.

Importante
Importante

Legislação

Trata-se de uma maneira de destacar a legislação

(padronização) de forma que, em todos os cursos, ela

seja rapidamente identifi cada.

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Dica

Breve conselho ou recomendação sugerida.

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Síntese / Observação

Utilizado para consolidar um raciocínio ou ao fi nal

de seção para sintetizar o tema.

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Sanfona

Apresentação de tópicos verticais de forma interativa.

Ao se clicar nos títulos, o conteúdo escolhido é

apresentado.

  • 6. Obedecer às regras de pontuação.

 
  • 7. Evitar o uso de abreviaturas e siglas obscuras.

  • 8. Manter a uniformidade do tempo verbal.

Destaque

Tem como objetivo colocar alguma parte do texto em

evidência.

Texto em destaque.

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Apresentação do curso

Bem-vindo ao curso Redação Ofi cial, com ênfase na prática da DPU!

Este livro está dividido em 5 módulos, que serão trabalhados um a um, a medida que você for

avançando no curso. Trata-se de um material que reúne orientações e modelos que norteiam a elaboração dos textos ofi ciais, consoante a norma culta da língua portuguesa, baseando-se, sobretudo, nas diretrizes do Manual de Redação da Presidência da República.

Este primeiro módulo tem como objetivo introduzir os conceitos básicos e os aspectos gerais da

Redação Ofi cial, apresentando o seu espaço de circulação, as suas fi nalidades e os elementos

essenciais da comunicação no âmbito da Administração Pública.

Nesse contexto, você conhecerá as características fundamentais dos documentos redigidos

pelo Poder Público, como a impessoalidade, a uniformidade, a formalidade, a padronização,

a clareza, a objetividade, a coesão e a concisão.

Mais adiante serão apresentados os aspectos elementares da produção textual, como estilo,

harmonia e polidez, bem como da correção gramatical, qualidade primordial em qualquer tipo de

correspondência. Logo depois, serão identifi cados os contextos nos quais os pronomes oblíquos

podem substituir, sem prejuízos linguísticos, os possessivos, e, na sequência, serão apontados os casos em que se aplica ou não a crase.

Com o intuito de deixa-lo mais preparado a produzir textos que valorizem suas ideias, transmitindo

mensagens mais adequadas aos fi ns a que se propõem, você aprenderá como evitar os principais

vícios de linguagem, bem como abster-se de fazer o uso indevido do sujeito como complemento.

Dessa forma, ao fi nal do módulo 1, você estará apto(a) a:

  • 1. Reconhecer os aspectos gerais da Redação Ofi cial;

  • 2. Identifi car os fundamentos que norteiam a redação dos documentos produzidos pela

Administração Pública;

  • 3. Detectar textos que estejam em consonância com as regras da norma culta da língua

portuguesa;

  • 4. Evitar os principais vícios de linguagem.

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1. Aspectos gerais da Redação Ofi cial

Redação Ofi cial é o conjunto de regras e práticas que orientam a forma pela qual a Administração Pública redige os atos normativos e comunicações, seguindo preceitos de objetividade,

concisão, impessoalidade, padronização, clareza, formalidade e correção gramatical.

Fundamentalmente, esses preceitos derivam-se da Constituição Federal, que estabelece, no caput do artigo 37: “A administração
Fundamentalmente, esses preceitos derivam-se da Constituição Federal, que estabelece, no caput
do artigo 37:
“A administração pública direta e indireta de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e efi ciência (
...
)”.

Nesse contexto, é importante frisar que o poder público é o único emissor das comunicações e atos

ofi ciais, ao passo que os receptores podem ser o próprio poder público, os cidadãos e as entidades

do setor privado, conforme ilustra o diagrama a seguir:

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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I É possível identificar se um
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É possível identificar se um texto é oficial, verificando quem é
o seu emissor.
Se o emissor for o poder público, o texto é oficial.

1.1 Elementos da comunicação nos domínios da Redação Ofi cial

Com o propósito de identifi car os elementos da comunicação, nos domínios da Redação Ofi cial, alguns conceitos importantes, seguidos de exemplifi cações, estão apresentados no quadro a seguir:

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO NOS DOMÍNIOS DA REDAÇÃO OFICIAL Emissor: Poder Público. O que é poder público?
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO NOS DOMÍNIOS DA REDAÇÃO OFICIAL
Emissor: Poder Público.
O que é poder público? É o conjunto de órgãos (ministérios, secretarias, departamentos,
divisões, serviços e seções) que realizam as atividades do Estado, no âmbito dos Três Poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário) e nas esferas três esferas de governo (federal, estadual e
municipal).
Exemplos de órgãos do poder público: Congresso Nacional, Superior Tribunal de Justiça,
Defensoria Pública da União, Ministério do Planejamento, Secretaria Estadual de Educação,
Secretaria Municipal de Saúde, etc.
De que tratam os documentos ofi ciais?
O universo temático das comunicações ofi ciais se restringe a questões que dizem
respeito à Administração Pública, a tudo que é relativo ao serviço público.
O que se transmite é sempre algum assunto que corresponde às atribui-
ções do órgão público emissor.

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Receptores:

1. O próprio poder público, quando o documento é dirigido de um órgão a outro.

Ex.: Ofício, encaminhado pela Defensoria Pública da União ao Ministério da Justiça, requisitando informações sobre a atual situação do pedido de refúgio de um assistido.

2. Os cidadãos, quando o expediente é direcionado aos cidadãos.

Ex.: Carta, enviada pela Defensoria Pública da União a um assistido, solicitando cópias

de documentos para instrução de pedido de assistência jurídica.

3. Entidades do setor privado, quando o destinatário do documento ofi cial é uma organização ou empresa pertencente a particular.

Ex.: Termo de rescisão contratual,

redigido pela Defensoria Pública da União,

determinando a rescisão de contrato com uma empresa prestadora de serviços de segurança.

Vamos praticar !

Exercício 1*: Redação Ofi cial é a maneira como o Poder Público elabora seus atos e
Exercício 1*:
Redação Ofi cial é a maneira como o Poder Público
elabora seus atos e comunicações. Logo, são características
e preceitos da Redação Ofi cial, exceto:
a)
Ter como único emissor o Poder Público e como receptores o próprio
Poder Público, os cidadãos e as entidades do setor privado.
b)
Abordar temas restritos a questões relativas à Administração Pública.
c)
O que se transmite é sempre algum assunto que corresponde às
atribuições do órgão público emissor.
d)
Transmitir as comunicações ofi ciais por meio de modelos fl exíveis,
que variam conforme critérios pessoais e impressões subjetivas do agente
público.
e)
Textos objetivos, concisos, impessoais e com correção gramatical.
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Exercício 2*: Estabeleça a relação entre as colunas, numerando a segunda de acordo com os elementos
Exercício 2*:
Estabeleça a relação entre as colunas, numerando a
segunda de acordo com os elementos da comunicação nos
domínios da Redação Ofi cial expressos na primeira:
( 1 ) Emissor
( 2 ) Receptores
( ) Normas do padrão culto da língua portuguesa.
( ) Diário Ofi cial, expedientes e publicações.
( 3 ) Código
( 4 ) Canal
( 5 ) Assunto
( 6 ) Documentos
ofi ciais
( ) Órgãos públicos, cidadãos e entidades do setor
privado.
( ) Ofício, carta e termo de rescisão.
( ) Órgão público.
( ) O teor corresponde às atribuições do órgão
público emissor.
Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Exercício 2*: Estabeleça a relação

* Veja as respostas ao fi nal do módulo, na página 49.

1.2 Características fundamentais do texto ofi cial

As comunicações e atos normativos, redigidos pela Administração Pública, têm um caráter formal e,

com o fi to de comunicar com a máxima clareza e objetividade, obedecem a alguns preceitos, que

serão caracterizados, a seguir.

1.2.1 Impessoalidade

Partindo do princípio de que o documento ofi cial tem fi nalidade pública, seu conteúdo deve estar isento de opiniões pessoais e de expressões que refl itam favoritismo, predisposição ou

preconceito, em relação ao destinatário.

Considerando que o universo temático das correspondências e atos ofi ciais se limitam a matérias pertinentes ao interesse público, o caráter impessoal, evidenciado pelo uso do verbo na terceira

pessoa do singular ou do plural (o denominado plural de modéstia), deve prevalecer, não havendo

espaço para manifestações subjetivas, uma vez que o emissor da mensagem se comunica em nome

de um órgão público e não em nome pessoal.

Nessa perspectiva, o agente público, responsável pela elaboração do expediente, deve abordar o

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assunto de forma neutra e imparcial, dispensando ao destinatário um tratamento impessoal, objetivo e respeitoso, assegurando que:

  • a) A comunicação seja feita em nome da Administração Pública;

  • b) O destinatário seja sempre considerado de forma homogênea, garantindo um tratamento

isonômico a todos;

  • c) O assunto se mantenha restrito a questões referentes ao interesse público, sem qualquer viés

particular ou pessoal.

Assista no livro digital o vídeo “Redação Ofi cial e Impessoalidade”, que explica este conteúdo!

O destinatário de um expediente oficial sempre deve ser tratado de forma impessoal e de maneira
O destinatário de um expediente oficial sempre deve
ser tratado de forma impessoal e de maneira formal,
independentemente de ele ser conhecido do agente
público responsável pela redação do documento.

1.2.2 Uniformidade

A uniformidade, nas comunicações ofi ciais, refere-se à regularidade dos três elementos do ato

comunicativo, isto é:

  • Sempre haverá um único emissor, que é o poder público;

  • O assunto transmitido sempre será relativo às atribuições do órgão emissor e de interesse público;

  • Os receptores sempre serão: ou o próprio poder público ou os cidadãos ou as entidades do setor privado.

Ressalta-se que o Manual de Redação da Presidência da República inclui, como aspectos da uniformidade das
Ressalta-se que o Manual de Redação da Presidência da República
inclui, como aspectos da uniformidade das comunicações, a
padronização da apresentação dos textos, ou
seja,
a
clareza
tipográfi ca, o uso de papéis uniformes para o texto defi nitivo e a
correta diagramação.
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1.2.3 Formalidade e padronização

Se uma instituição é una, é natural que todos os seus atos normativos e comunicações ofi ciais sigam

um mesmo padrão, incluindo o aspecto físico, isto é, o uso de papéis uniformes para a apresentação

do texto fi nal, contendo a tipografi a-padrão da marca institucional, independentemente de qual

de suas divisões os redijam.

No âmbito da Defensoria Pública da União, por exemplo, há um manual de identidade visual que

padroniza a marca e a aplicação da logo nos materiais utilizados pela instituição.

Já a formalidade consiste na observância das normas de tratamento usuais na correspondência

ofi cial. Não se trata somente das dúvidas quanto ao correto emprego deste ou daquele pronome de

tratamento; mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez e à civilidade no tratamento do

assunto do qual cuida a comunicação.

A polidez refere-se ao tratamento respeitoso, digno e apropriado aos superiores, iguais e inferiores. É o ajustamento da expressão às normas da cortesia. Compreende, também, a sobriedade e discrição,

qualidades imprescindíveis a todos quantos lidam com assuntos ofi ciais, muitas vezes restritos e sigilosos.

Deve-se, entretanto, considerar a polidez como uma manifestação da integralidade do texto, e não de aspectos isolados, como, por exemplo, de uma introdução repetitiva e prolongada ou de um fecho estereotipado, com expressões de amabilidades irreais e, não raras vezes, insinceras.

Igualmente, a civilidade diz respeito à elaboração de textos que prezem pelo respeito ao destinatário,

visto ser inadmissível, nos expedientes ofi ciais, utilizar palavras ofensivas e de baixo calão, com o

propósito de submeter o receptor ao vexame ou à humilhação.

Sendo assim, observa-se que a formalidade, no que diz respeito à polidez e à civilidade, se manifesta no cuidado de evitar o emprego de frases agressivas ou ásperas, escolhendo palavras amenizadoras ou atenuantes, que favoreçam a criação de uma atmosfera de cordialidade e empatia, evitando os atos de ameaça à face.

Como exemplo do emprego de recursos ou expressões que denotam cordialidade na comunicação, a seguir estão duas construções textuais que visam transmitir a mesma informação ao receptor, a primeira de modo ofensivo e a segunda de forma polida.

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Prezado Senhor, não foi possível compreender a solicitação encaminhada por

  • V. S.ª a este gabinete, no último dia 12 de julho.

Por se tratar de texto manuscrito,

com grafi a ilegível, nossa

equipe não

foi capaz de decifrar o que nela está escrito, não sendo possível nem mesmo

identifi car o assunto ou a fi nalidade do envio de sua correspondência.

Dessa forma, solicitamos que reenvie a este gabinete a correspondência em questão, em papel branco datilografada ou digitada, em texto nítido e inteligível.

Atenciosamente,

Prezado Senhor, este gabinete confi rma o recebimento da solicitação encaminhada por V. S.ª, no último dia 12 de julho.

Entretanto, para melhor compreender o teor e abrangência do seu pedido, entraremos em contato com V. S.ª nos próximos dias.

Atenciosamente,

Assista no livro digital o vídeo “Formalidade”, que explica este conteúdo!

1.2.4 Clareza e objetividade

O propósito dos atos de escrita é estabelecer comunicação e para que ela aconteça, de forma efetiva, é importante que o texto seja elaborado de modo compreensível.

Redigir com clareza e objetividade é fazer-se facilmente entendido pelo leitor, apresentando o assunto principal de forma direta e inequívoca, com as ideias ordenadas de forma lógica, com

precisão vocabular, correção ortográfi ca e pontuação adequada.

Nessa perspectiva, a clareza deve ser tomada como característica basilar das comunicações ofi ciais,

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visto ser inadmissível, aos expedientes emanados do poder público, apresentar linguagem excludente

e incompreensível aos cidadãos.

É fundamental combater a cultura, sedimentada ao longo dos séculos, do uso de expressões arcaicas, palavras rebuscadas e latinismos, com o propósito de impressionar os leitores.

A clareza facilita a percepção rápida das ideias apresentadas no texto e a objetividade evita

difi culdades de entendimento por parte do receptor, já que se traduz pelo uso da linguagem direta,

sem rodeios ou preciosismos.

 
10 dicas para escrever com clareza

10 dicas para escrever com clareza

10 dicas para escrever com clareza
  • 1. Escrever muito pode confundir o receptor.

 

No processo comunicacional, o mais importante é se fazer entender. A transparência do sentido dos atos normativos e a precisão no trato do assunto são primícias do próprio Estado de Direito.

  • 2. Evitar o preciosismo, a linguagem prolixa e empolada.

 

Os documentos ofi ciais não devem ser utilizados, pelo agente público, como palco de demonstração

de habilidades linguísticas e nem como espaço para divagações e digressões brilhantes. Rebuscamentos e contorcionismos sintáticos devem ser evitados, pois comprometem a clareza das comunicações.

  • 3. Focalizar a redação dos textos nos receptores.

 

Redigir de forma objetiva, com a intenção de ser compreendido pelos receptores.

  • 4. Utilizar frases curtas.

 

Escrever muito pode confundir o receptor.

 
  • 5. Preferir a ordem direta ou lógica das orações.

 

Sujeito, verbo, complemento e adjunto.

 
  • 6. Obedecer às regras de pontuação.

 

Textos mal pontuados podem gerar ambiguidades.

 
  • 7. Evitar o uso de abreviaturas e siglas obscuras, sem , primeiramente, redigir a forma

por extenso.

Nem todas as siglas e abreviaturas estão dicionarizadas

e

o

leitor pode não conhecer os

signifi cados.

  • 8. Manter a uniformidade do tempo verbal.

 

Dar preferência ao tempo presente ou ao futuro do presente (simples).

 

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9. Evitar o uso de jargão técnico, neologismos, gírias e regionalismos.

 

O uso de palavras pouco conhecidas difi culta a comunicação e torna o texto pedante.

 

10. Evitar palavras de língua estrangeira, dando preferência, quando houver, a formas aportuguesadas dos termos ou equivalentes na língua portuguesa.

É preferível utilizar, por exemplo:

  • a) fac-símile ou, apenas, fax, a facsimile;

  • b) leiaute a layout e

  • c) lêiser a laser.

1.2.5 Coesão

Coesão é a capacidade de escrever com palavras, orações, períodos e parágrafos articulados e

coerentemente dispostos, mantendo, do início ao fi m, o eixo temático do texto.

Os mecanismos de conexão, utilizados para interligar as ideias de um texto, podem ser partículas ou expressões de transição, conforme demonstram alguns exemplos dispostos no quadro a seguir.

Contexto Temático

Exemplos de conectivos

Dúvida

Quem sabe, talvez, possivelmente, provavelmente, quiçá, etc.

 

Certeza ou ênfase

Certamente, indubitavelmente, por certo, inegavelmente,

sem dúvida, etc.

Resumo ou conclusão

Em síntese, dessa forma, assim, sendo assim, isso posto, logo, destarte, em suma, etc.

Oposição ou ressalva

Pelo contrário, salvo engano, mas, contudo, entretanto, no entanto, exceto, menos, embora, apesar de, posto que, se bem que, ao passo que, ainda que, etc.

 

Propósito ou fi nalidade

Com o fi to de, com o propósito de, com o fi m de, com a fi nalidade de, com o intuito de, a fi m de que, para que,

para, etc.

 
 

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Contexto Temático

Exemplos de conectivos

Prioridade

Antes de mais nada, primeiramente, antes de tudo, preci- puamente, sobretudo, a priori, em princípio, acima de tudo, principalmente, etc.

Tempo

Enfi m, logo, então, a princípio, pouco antes, pouco depois,

nesse ínterim, nesse hiato, cada vez que, nem bem, simul-

(anterioridade, duração, frequência, ordem, pos- terioridade, etc.)

taneamente, raramente, hoje, atualmente, às vezes, ante- riormente, posteriormente, etc.

Exemplifi cação ou

Por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, a saber,

esclarecimento

aliás, ou seja, etc.

Adição ou continuação

Outrossim, além disso, ademais, por outro lado, bem como, como também, não apenas, etc.

Surpresa, imprevisto

Subitamente, imprevistamente, inopinadamente, inespera- damente, surpreendentemente, etc.

Lugar ou distância

Além, mais adiante, perto de, dentro, fora, ali, lá, acolá, ante, etc.

Comparação ou conformidade

Do mesmo modo, analogamente, tanto quanto, de confor- midade com, semelhantemente, assim como, igualmente, etc.

Causa, consequência ou explicação

Como resultado, por causa de, de tal sorte que, haja vista, com efeito, por conseguinte, em virtude de, portanto, uma vez que, visto que, etc.

Conforme exposto, a coesão textual se refere aos mecanismos linguísticos que permitem uma sequência lógico-semântica entre as partes de um texto, sejam elas palavras, frases, parágrafos, conceitos ou ideias.

Há outros elementos, além das partículas ou expressões de transição, relacionadas no quadro anterior, que também garantem a coesão de um texto. Vejamos, a seguir, alguns desses elementos:

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Elementos Defi nições e exemplos
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Elementos
Defi nições e exemplos
de coesão
Este tipo de coesão ocorre quando um termo faz referência a outro dentro
do texto, quando reitera algo que já foi abordado antes ou quando uma
palavra é substituída por outra com a qual mantém alguma relação se-
mântica.
Exemplos:
a)
O Sr. Antônio relatou que teve o benefício negado pelo
INSS. Ele se mostrou inconformado com essa decisão, pois,
Referências
e reiterações
se declara uma pessoa inválida para qualquer atividade
laborativa.
Nesse exemplo, o termo referente é Sr. Antônio. Todas as vezes que o re-
ferente precisa ser retomado no texto, outras palavras (como ele e pessoa)
podem ser utilizadas.
b)
“É preciso ser cego, surdo e anósmico para achar que
o Brasil não tem um problema de racismo. E é um tipo de
racismo especialmente perverso, que não se manifesta
muito abertamente
...”
(Cotas e Justiça – Hélio Schwartsman,
Folha.com)
Nesse exemplo, a coesão se dá por meio da reiteração, pela repetição do
termo racismo.
Este tipo de coesão acontece quando um termo é substituído por outro
dentro do texto, estabelecendo com ele uma relação de sinonímia, antoní-
mia, hiponímia ou hiperonímia.
Substituição lexical por sinonímia: ocorre quando uma palavra ou ex-
pressão é substituída por sinônimos.
Exemplo:
Substituições
A Constituição de 1988 institui uma vastidão de preceitos
lexicais
progressistas, como a igualdade de gêneros, a criminaliza-
ção do racismo e a proibição da tortura. A Constituição Ci-
dadã institui também, em seu art. 134, a Defensoria Pública.
Substituição lexical por antonímia: ocorre quando há substituição de pala-
vras ou expressões por antônimos.
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Elementos

Defi nições e exemplos

 

de coesão

 

Exemplo:

 

A testemunha falou a verdade? Ou terá optado pela men- tira?

 

Substituição lexical por hiperonímia: ocorre quando se emprega um ele- mento lexical mais geral (palavra ou expressão que traz o conceito do

todo) no lugar de outros mais específi cos (palavras ou expressões que

representam partes de um todo).

 

Exemplo:

Substituições

As comunidades tradicionais, que têm a vida ligada ao rio

o pedido da Defensoria Pública da União, dando a elas o

direito de voltar a viver no território ancestral.

lexicais

(continuação)

São Francisco, estão ansiosas para que a sentença acolha

 

Substituição lexical por hiponímia: ocorre quando se empregam elemen-

tos específi cos (palavras ou expressões que representam partes de um

todo) no lugar de um elemento mais geral (palavra ou expressão que traz o conceito do todo do qual se originam as partes).

Exemplo:

 

A Defensoria Pública da União alegou que os vazantei-

ros, barranqueiros e ribeirinhos foram expulsos, de modo

violento e sob ameaças, por fazendeiros que se declaram

proprietários das terras. Entretanto, fi cou comprovado

que o território ocupado se sobrepõe às áreas alagáveis da União.

 

No caso da substituição lexical por hiperonímia ou hiponímia, a escolha

entre usar primeiro o elemento mais amplo ou o mais específi co é uma

opção na estratégia do texto.

 

Correlação

Consiste na correta utilização dos tempos verbais, ordenando os aconteci-

dos verbos

mentos de uma forma temporal lógica e linear.

Assim, se a pretensão é representar uma situação passada que se sobrepõe temporalmente a uma outra, que também pertence ao pretérito, é necessá- rio recorrer a uma forma de pretérito perfeito simples e a outra de pretérito imperfeito do indicativo.

 

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Módulo I

 

Elementos

Defi nições e exemplos

 

de coesão

Correlação

Exemplo:

 

dos verbos

(continuação)

Em 1897, quando Bias Fortes inaugurou Belo Horizonte, a Comunidade Quilombola dos Luízes já ocupava, há alguns

anos, o território conhecido atualmente como bairro Grajaú.

Seria inaceitável, portanto, o fragmento anterior ser redigido da seguinte forma:

Em 1897, quando Bias Fortes inaugurou Belo Horizonte, a Comunidade Quilombola dos Luízes já ocupou, há alguns

anos, o território conhecido atualmente como bairro Grajaú.

Um texto pode ter COESÃO, mas estar, ao mesmo tempo, incoerente.

Ao abordarmos a COERÊNCIA textual, estamos nos referindo à signifi cação textual, ou seja, ao

sentido e ao signifi cado do texto, conceitos essenciais para dois campos dos estudos linguísticos: a

semântica e a pragmática.

Após a leitura cuidadosa deste tópico, complemente seus conhecimentos acessando o vídeo de apoio que aborda
Após a leitura cuidadosa deste tópico, complemente
seus conhecimentos acessando o vídeo de apoio que
aborda de maneira bem lúdica os aspectos da coerência.
“Coerência - contexto e coesão”
Dados do vídeo: Trecho do Programa “Conexão e cia.”
da Série Palavra Puxa Palavra da MultiRio.Educopédia -
SME/RJ.
(https://www.youtube.com/watch?v=dz6-QI5ActQ)
Acessado
em 09/10/2017.

1.2.6 Concisão

Um texto conciso é o que consegue transmitir um máximo de conteúdo com um mínimo de palavras, de forma direta e efi ciente.

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Evitar a elaboração de textos prolixos, carregados de adjetivos, imagens, pormenores desnecessários ou perífrases, além de diminuir as chances de se cometer erros, economiza tempo e respeita o receptor,

que não precisará se esforçar de forma demasiada para compreender o conteúdo transmitido.

Considerando que o texto ofi cial deve prezar pela clareza e objetividade, tudo o que for além da

informação estritamente necessária acaba prejudicando o seu entendimento.

Importante É importante ter em mente que atos e comunicações ofi ciais não são composições literárias,
Importante
É importante ter em mente que atos e comunicações ofi ciais não são composições
literárias, nas quais os detalhes são fundamentais para qualifi car o texto como obra
de arte.

Excelentíssimo Senhor Secretário de Estado da Saúde do Maranhão,

  • 1. Tendo a honra de cumprimentá-lo amistosamente, a Defensoria Pública

da União, com o mais lídimo respeito, obsecra, de Vossa Excelência, a gentil colaboração no sentindo de autorizar que vossa pasta lhe repasse informações

relativas à saúde do estado.

  • 2. Reconhecendo o extraordinário trabalho desempenhado por Vossa

Excelência, à frente da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão, tão enaltecido

pelos maranhenses e motivo de zelotipia entre gestores inaptos e mandriões,

a Defensoria Pública da União solicita o obséquio de ter acesso às seguintes

informações:

  • 3. a) Número de leitos pediátricos, vinculados ao SUS, da rede hospitalar do

Maranhão, nos anos de 2011, 2012 e 2013.

  • 4. b) Distribuição na rede hospitalar do Maranhão, discriminada mês a mês,

dos pacientes de oncologia pediátrica, nos anos de 2011, 2012 e 2013.

  • 5. Sem mais para o momento, mas sem deixar de manter a inquebrantável

convicção no pleno atendimento da obsecração aqui exteriorizada, a Defensoria

Pública da União renova a Vossa Excelência os mais sinceros votos de apreço e

consideração, colocando-se à disposição, de vossa magnânima pessoa, para os

esclarecimentos que se fi zerem necessários ao atendimento do pleito.

Respeitosamente,

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Senhor Secretário,

  • 1. A Defensoria Pública da União, incumbida da missão constitucional de

prestar assistência jurídica gratuita aos necessitados, com fundamento no art. 44,

X e XI, da LC 80/94, requisita, no prazo de 10 dias, as seguintes informações:

  • 2. a) A quantidade de leitos pediátricos da rede hospitalar do Maranhão,

vinculados ao SUS, nos anos de 2011, 2012 e 2013.

  • 3. b) A distribuição, mês a mês, dos pacientes de oncologia pediátrica, em

toda rede hospitalar do Maranhão, nos anos de 2011, 2012 e 2013.

Atenciosamente,

1.2.7 Correção gramatical e uso da norma culta

Correção gramatical consiste em redigir obedecendo aos princípios e normas do padrão culto da linguagem, com o devido uso da pontuação, da acentuação, da colocação pronominal, da concordância, da regência, entre outros.

Cumpre ressaltar, entretanto, que o emprego da norma culta, na redação dos expedientes ofi ciais,

não desaprova a simplicidade de expressão. Pelo contrário, desde que não se confunda texto simples

com comunicação despojada de informações essenciais ao entendimento, os documentos ofi ciais

devem ser objetivos e evitar o emprego da linguagem rebuscada.

Analogamente, o domínio de um grande número de palavras eruditas, e o conhecimento das normas gramaticais, não signifi ca, necessariamente, que o emissor disponha de aptidão e desenvoltura

para redigir com clareza.

Na verdade, o que indica a competência discursiva é o estilo individual, ou seja, é o modo particular como o emissor organiza a linguagem, expressando ideias em conformidade com os princípios de uso nas diversas situações.

Nessa linha, o emissor que domina a linguagem, habilitado a escrever variados gêneros textuais,

compreende que, no contexto da enunciação das comunicações ofi ciais, cabe apenas o uso

pragmático, técnico e impessoal da língua. Do mesmo modo, sua habilidade discursiva faz com que se abstenha do uso indiscriminado de modelos previamente estabelecidos, como as introduções

prolongadas e fi nalizações tradicionais relacionadas no quadro abaixo.

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Introduções prolongadas

 

Finalizações Tradicionais

É com grata satisfação ...

Ficamos no aguardo ...

Com a mais elevada honra ...

Era o que tínhamos para o momento ...

Cumpre dirigir-me a V. Sª ...

Nada mais havendo a tratar ...

Sirvo-me dessa missiva ...

Colho o ensejo para ...

Chegou aos nossos ouvidos que ...

 

Sem mais para o presente, apresenta- mos ...

Honra-nos, sobremodo, a carta em nos- so poder, em que V. Sª ...

 

Finalizando esta correspondência, envia- mos ...

Vamos praticar* !

* Veja as respostas ao fi nal do módulo, na página 49.

Exercício 3: Com base no que estabelece o “Manual de Redação da Presidência da República”, analise
Exercício 3:
Com base
no
que estabelece
o “Manual
de Redação da
Presidência da República”, analise as afi rmativas a seguir, sobre
correção gramatical e uso da norma culta na redação dos
expedientes ofi ciais.
I. O padrão culto é aquele orientado pelas regras da gramática formal.
II. O padrão culto é aquele em que se observam as regras do padrão culto
falado e coloquial.
III. O padrão culto é aquele em que se observam idiossincrasias linguísticas
e regionalismos.
IV. O padrão culto é o modelo utilizado na escrita, que segue
rigidamente as regras codifi cadas na gramática normativa que, salvo por
alguma divergência pontual entre os gramáticos, tende a ser consensual e
homogênea.
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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Assinale a alternativa que apresenta
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Assinale a alternativa que apresenta apenas estruturas
corretas:
a) (
) I e II
d) (
) II e IV
b) (
) I e IV
e) (
) III e IV
c) (
) II e III
Exercício 4:
Ao produzirmos um texto, sempre temos em mente o nosso leitor. Por isso,
nosso objetivo é facilitar seu processo de construção do sentido para aquilo
que ele lê. Se fi zermos conexões malfeitas, certamente difi cultaremos sua tarefa
de compreender o nosso texto, pois estaremos comprometendo também a
articulação das ideias apresentadas.
Sautchuk (2011:181) apresenta os textos a seguir que se destacam pela
conexão malfeita, com relações ilógicas.
Escreva abaixo dos textos 1 e 2 sua proposta de correção, substituindo os
conectivos em destaque por outros que estabeleçam adequadamente o sentido
das mensagens:
Texto 1:
É mais fácil mostrar o Brasil como um país modernizado, sendo que grande
parte da população vive em estado de miséria.
Deixe, abaixo, sua proposta de correção para o texto 1:
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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I A Internet é uma tecnologia
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A Internet é uma tecnologia desgastante, pois, além de oferecer
aos jovens momentos de distração, reduz o tempo que poderiam
dedicar ao cinema ou ao esporte.
Deixe, abaixo, sua proposta de correção para o texto 2:
Exercício 5:
Compare os textos (1) e (2) abaixo, citados em Sautchuk (2011) e, depois,
analise as afi rmativas que seguem após eles:
Texto 1
“De acordo com o que foi decidido na última reunião da diretoria, a entrada
e a permanência em qualquer setor desta empresa de pessoas estranhas
a todo tipo de atividade administrativa ou técnica são terminantemente
proibidas. No caso de necessidade extrema, deverão ser previamente
autorizadas pelo chefe da segurança, permanecendo no local o tempo
mínimo necessário.” (Sautchuk, 2011, p. 81)
Texto 2
“É proibida a entrada de pessoas não autorizadas.” (Sautchuk, 2011, p. 82)
I. O texto 2, por ser mais objetivo, exige menos esforço do leitor para
compreensão do conteúdo.
II. Todas as informações desnecessárias, apresentadas no texto 1, foram
eliminadas de modo a favorecer a clareza e a objetividade da mensagem,
economizando tempo e esforço do leitor no momento da leitura.
III. Podemos concluir que “escrever bem” é escrever de modo claro e
objetivo, evitando informações desnecessárias e facilitando o trabalho do
nosso leitor.
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III. Podemos concluir que “escrever bem” é escrever de modo claro e objetivo, evitando informações desnecessárias
III. Podemos concluir que “escrever bem” é escrever de modo claro e objetivo,
evitando informações desnecessárias e facilitando o trabalho do nosso leitor.
Assinale a alternativa que apresenta apenas estruturas corretas em relação ao
aspecto da objetividade:
a)
(
) Apenas a alternativa I está correta.
b)
(
) As alternativas I e II estão corretas.
c)
(
) As alternativas I e III estão corretas.
d)
(
) Apenas a alternativa II está correta.
e)
(
) As alternativa I, II e III estão corretas.
Exercício 6:
Durante a produção do texto é necessário fi car atento à repetição
de
palavras
para
evitar
contextos
redundantes.
Entretanto,
casos
em
que
a
repetição
pode
cumprir
um determinado efeito expressivo.
Observe o diálogo 1 e as frases A e B, a seguir:
Diálogo 1:
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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Frases A: A decisão em
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Frases A:
A decisão em procurar assistência jurídica na Defensoria Pública
da União fi ca a seu critério pessoal.
Frase B:
A assistida esclareceu que a fi lha é um elo de ligação com ex-marido.
Considerando o diálogo 1 e as frases A e B analise as afi rmativas abaixo e, logo
abaixo, assinale a alternativa que corresponde às afi rmativas corretas:
I. No diálogo 1, a repetição da palavra “ajuda” e “ajudou” ocorreu
inconscientemente. Já a repetição da palavra “rápido” contribuiu para passar o
sentido de agilidade que a emissora desejava transmitir.
II. Nos textos escritos também podemos produzir contextos redundantes sem
perceber, ao repetirmos, desnecessariamente, uma mesma ideia, com palavras
diferentes.
III. As frases A e B são exemplos de contextos redundantes produzidos pelo
mau emprego de “seu” e “pessoal” e de “elo” e “ligação”.
IV. A revisão do texto contribui para que problemas de repetição inconsciente
e contextos redundantes sejam evitados.
a)
(
) As alternativas I e III estão corretas.
b)
(
) As alternativas II e III estão corretas.
c)
(
) Todas as alternativas estão corretas.
d)
(
) Apenas a alternativa III está correta.
e)
(
) As alternativa I, III e IV estão corretas.
Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Exercício 7: Preencha as lacunas
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Exercício 7:
Preencha as lacunas do texto abaixo, com as palavras ou
expressões em destaque, de modo a garantir a sua coesão.
essa mistura de hidrogênio e de oxigênio -ele – dela – água-ser humano -
A vida é feita de
__________________. __________________
estrelas, como nuvens de moléculas. A evolução do
existiu até na formação das
dependeu
da agua e
__________________
precisa
__________________
__________________
para sobreviver em qualquer
lugar do mundo. (SAUTCHUK, 2011.)
Exercício 8:
Leia o texto abaixo e escreva sua resposta:
O IBAMA anunciou ontem a descoberta de uma nova ave, o bicudinho-do-
brejo-paulista.
O Stymphalornissp.nov (a terminação indica que o animal não recebeu a
denominação defi nitiva da espécie) foi encontrado pelo professor Luís Fábio
Silveira, do Departamento de Zoologia da USP, em áreas de brejo nos municípios
de Paraitinga e Biritiba-Mirim, na Grande São Paulo, em fevereiro.
O pássaro tem pouco mais de 10 centímetros de comprimento, capacidade
pequena de voo e penugem escura.
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO, 6 de maio de 2005., p. A 18 apud KOCH, I. V.; ELIAS, W. M.
Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo, Contexto, 2007.
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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I a) Relacione os modos como
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a) Relacione os modos como o referente “uma nova
ave” foi retomado ao longo do texto:
b) As retomadas do referente, ao longo do texto, possibilitam que o leitor adquira
novos conhecimentos sobre a espécie de ave descoberta?

Assista no livro digital o vídeo “Características da Redação Ofi cial”, que explica este conteúdo!

1.3 A produção textual

A produção textual sinaliza, de certa forma, o conhecimento subjetivo e a fl exibilidade gramatical por

parte de quem escreve. Quanto mais saber e prática linguística, mais abrangente será a produção textual.

Nunca é demais ressaltar que a produção de um texto ofi cial deverá obedecer a parâmetros e formalidades, tanto institucionais quanto gramaticais, a fi m de não

se exceder na expressão nem cometer exageros no uso da língua.

Na linguagem a ser usada por entes do poder público, não se deve utilizar uma linguagem exótica, mais própria a textos literários e, provavelmente, um pouco inútil a quem interessa o seu conteúdo: o cidadão.

Não há como separar – a não ser para fi ns didáticos – a produção textual da clareza, da objetividade

e do estilo de quem escreve, uma vez que o ato de escrever acaba consignando essas premissas e aferindo a qualidade do próprio texto e de seu respectivo autor.

Mais do que uma mínima e obrigatória destreza gramatical, na produção de um texto é necessário um certo domínio instrumental das palavras e vocábulos a serem utilizados pelo emissor, levando-se em conta a sintaxe e certos vocábulos predominantes na produção textual concernente ao poder

público.

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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I a) Relacione os modos como

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Dessa forma, apresentam-se, a seguir, alguns elementos, parâmetros e formalidades que pretendem dar consistência e maior propriedade à sua argumentação textual, agregando maior valor ao texto que será produzido.

1.3.1 Estilo

O estilo pode ser visto como a síntese relativa à capacidade de uso instrumental da língua com

a dimensão psicológica de quem escreve. Todo estilo obedece a uma idiossincrasia, ao caráter

comportamental e ao temperamento peculiar a cada um.

Se a gramaticalidade de um texto obedece a regras e algumas restrições no uso da língua, na

produção textual de um ente do poder público, o estilo confere ao autor do texto um grau de liberdade

sintática e verbal que derivam da forma peculiar de expressão de cada um. Aqui, no contexto dos

atos ofi ciais, não se trata de liberdade literária, mas de desempenho cognitivo e capacidade técnica de expressar o conteúdo de um ato ofi cial com a forma peculiar ou o talento pertinente a cada um.

1.3.2 Polidez

A polidez, em um texto ofi cial, incorpora o procedimento respeitoso e cordial entre emissor e

receptor, levando-se em conta que a linguagem, nesse contexto, deve ser apropriada ao tratamento junto aos superiores hierárquicos, aos iguais e aos subordinados na hierarquia institucional.

A linguagem de um texto ofi cial deve conter discrição, característica indispensável a documentos e assuntos ofi ciais que, muitas vezes, exigem sigilo.

Mesmo os textos de redação ofi cial que admitem publicidade devem ser redigidos sob a égide da educação e da cortesia, o que não signifi ca construir um texto com expressões artifi ciais e redundantes,

nem tampouco utilizar fechos carregados de estereótipos e bajulação que não agregam informações ao leitor.

A polidez diz respeito à sinceridade da comunicação, ao respeito pelo princípio da

dignidade humana e ao papel do emissor (no caso o poder público) de zelar pela

harmonia nas relações sociais.

Assista no livro digital o vídeo “Fechos - educação e cortesia” , que explica este conteúdo.

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1.3.3 Harmonia

A harmonia, na produção de um texto ofi cial, obedece aos mesmos princípios de clareza e

objetividade no exercício da escrita. Não há orquestra que execute bem uma sinfonia, se não houver coesão musical entre os instrumentos e seus executores.

Em um texto de cunho ofi cial, emitido pelo poder público, há que se orquestrar a ordem sintática

das palavras (sujeito, verbo e complemento, de preferência em ordem direta), para que a ideia

expressa pelo texto e o entendimento do seu conteúdo estejam acessíveis a todos.

A harmonia de um texto ofi cial tem uma relação direta com a capacidade de acesso cognitivo e

apreensão textual por parte do receptor. Palavras e frases devem ser dispostas de forma harmônica,

de modo que a leitura do texto ofi cial seja compreensível e facilmente decodifi cada.

1.3.4 Aspectos gramaticais da produção textual

1.3.4.1 Pronomes oblíquos

Os pronomes oblíquos (me, lhe, nos) podem substituir, sem prejuízo linguístico, os pronomes

possessivos (minha, sua, nossa). É preferível o uso dos oblíquos ao uso dos possessivos, conferindo

mais elegância ao texto ofi cial.

Exemplos:

A saudade aguça a minha recordação. A saudade aguça-me a recordação.

O trabalhador reclamou que ninguém atendeu a sua solicitação. O trabalhador reclamou que ninguém lhe atendeu a solicitação.

A crise econômica atingiu o nosso cotidiano. A crise econômica atingiu-nos o cotidiano.

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1.3.4.2 Uso da crase

Crase é sempre a contração ou junção de uma preposição “a” com um artigo defi nido “a” ou “as”. Ocorre também quando temos a junção da mesma preposição “a” com os pronomes demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)” “aquilo” ou com o pronome relativo “a qual” ou “as quais”.

Exemplos:

Fui sozinho à praça. (preposição + artigo)

Em janeiro, faremos uma viagem à João Pessoa. (preposição + artigo)

Fui à feira de artesanato comprar um doce caseiro. (preposição + artigo)

Entreguei a versão impressa do documento eletrônico do SEI àquela servidora. (preposição + pronome demonstrativo)

Cada assistido tem uma história de vida semelhante às que ouvimos em cada contexto de exclusão social. (àquelas que ouvimos em cada contexto de exclusão social) (preposição + pronome demonstrativo)

Refi ro-me àquilo que ocorreu no feriado. (preposição + pronome demonstrativo)

Assisti àquele fi lme mais de uma vez. (preposição + pronome demonstrativo)

A crase será obrigatória:

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I 1.3.4.2 Uso da crase Crase

Na indicação do número de horas:

Exemplo:

Às treze horas começou a sessão de julgamento.

(a + as)

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Para comprovar o uso da crase no exemplo acima, basta substituir a expressão feminina por uma
Para
comprovar
o
uso
da
crase
no
exemplo
acima,
basta
substituir a expressão feminina por uma expressão masculina
e obser var se há a presença de um artigo em junção com
outro, formando uma preposição.
Exemplo:
Ao meio-dia começou a sessão de julgamento
(a + o)
  • Nas expressões à moda de e à maneira de:

Exemplos:

Fui ao botequim experimentar a vaca atolada à moda da casa.

A Cantina do Ângelo vendia um macarrão à moda italiana.

Há pessoas tão autoritárias que vivem à maneira de lunáticos, sem perceber.

Muitas vezes, a expressão à moda de aparece subentendida, mas a crase continua obrigatória.

Exemplos:

Sempre fazia bife à milanesa , cantarolando.

Garçom, uma porção de bife à parmegiana , por favor!

  • Nas expressões adverbiais femininas:

Exemplos:

Diógenes, com sua lanterna, andava à procura de um homem honesto.

A gestante foi levada às pressas para a maternidade.

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Importante Não se usa crase
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Módulo I
Importante
Não se usa crase diante:
de palavras masculinas:
Esse controle remoto pertence a Pedro.
antes de verbos:
Começou a chover de repente.
de pronomes pessoais:
Darei a ela minha única riqueza: meu afeto.
de nomes de cidade ou lugar que não admitem o artigo feminino “a”:
Vou a Brasília no mês que vem.
(Vim de Brasília/Estou em Brasília)
Cheguei a São Paulo.
(Vim de São Paulo/Estou em São Paulo)
Voltarei a Alagoas.
(Vim de Alagoas/Estou em Alagoas)
da palavra casa no sentido de lar, residência:
Cheguei a casa cedo.
da palavra terra no sentido de solo, chão:
Os pescadores chegaram a terra, já tarde da noite.
de pronomes de tratamento:
Dirijo-me a Vossa Excelência.
diante de numerais:
Daqui a duas semanas, estarei de férias.
da locução adverbial a distância:
O curso de redação é autoinstrucional, no modelo de educação a
distância.
de expressões com palavras repetidas:
Explicou ponto a ponto a lição gramatical.
Ficou frente a frente com o seu adversário político.
Foi pouco a pouco se acalmando até adormecer.

No entanto, toda regra gramatical acaba comportando exceções.

Vejamos:

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  • Diante de nomes de cidade ou lugar, ocorrerá crase sempre que o substantivo

vier especifi cado:

Exemplos:

Vou à Brasília da fl or do cerrado.

Cheguei à São Paulo da desigualdade urbana e do povo trabalhador.

Voltarei à Alagoas de Graciliano Ramos.

Vou à Belo Horizonte do feijão tropeiro e do Mercado Central.

  • Diante da palavra casa no sentido de lar, residência, haverá o acento diferencial da crase toda vez que o vocábulo vier acompanhado de um adjunto adnominal:

Exemplos:

 

Chegando à casa dos seus pais, pensou na sua alegre meninice.

Pedro chegou à casa da vovó perguntando pelo Xodó, seu gato de estimação.

Na locução adverbial a distância , quando o termo vier determinado, haverá

Na locução adverbial a distância, quando o termo vier determinado, haverá

crase:

Exemplos:

 

Na cobrança do pênalti, a bola foi chutada à distância de vinte centímetros do gol.

Os manifestantes se posicionaram à distância de trinta metros da sede do governo.

Quando o numeral indicar horas, confi gurando uma locução adverbial, a crase

Quando o numeral indicar horas, confi gurando uma locução adverbial, a crase

estará presente:

Exemplos:

O ônibus sairá do terminal às vinte horas e trinta minutos.

 

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A audiência começará às quatorze horas.

E também diante de numerais ordinais femininos, ocorrerá crase:

E também diante de numerais ordinais femininos, ocorrerá crase:

 

Exemplos:

 

Houve uma homenagem à primeira aluna da escola.

 

O último voto foi dado à segunda colocada nas pesquisas de boca de urna.

A crase será necessária quando o pronome de tratamento aceitar um artigo

A

crase

será necessária quando o pronome de tratamento aceitar um artigo

anteposto a ele:

Exemplos:

Dirigiu-se à senhora, com um pouco de timidez.

Disseram à Dona Celina que seu neto é muito lindo.

1.3.4.3 Vícios de linguagem

Os vícios de linguagem revelam, por

parte do

emissor,

um certo

descuido

com

a

língua

escrita ou, mais frequentemente, um grau de desconhecimento das regras gramaticais. Esses desvios gramaticais são tão corriqueiros no uso da língua que são rotulados como vícios, ou seja, hábitos repetitivos no dia a dia dos falantes que ocorrem, quase sempre, por falta de atenção ou pouco conhecimento dos signifi cados das palavras.

Assim, com o propósito de conhecer alguns deles e, sobretudo, para evitar sua ocorrência nos

documentos ofi ciais, estudaremos a seguir os seguintes vícios de linguagem: barbarismo,

estrangeirismo, ambiguidade, cacófato, queísmo, chavão ou clichê e pleonasmos.

i. Barbarismo

É quando ocorre um desvio de pronúncia, de grafi a, morfológico ou semântico no uso da norma

culta.

Alguns exemplos de barbarismo com relação a:

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a)

Pronúncia:

 

Forma com vício:

 

O certo seria:

 

O advogado apôs sua rúbrica no documento.

 

O advogado apôs sua rubrica no documento

 

(rubrica não leva acento agudo, pois não é

uma palavra proparoxítona).

 

Uma pessoa púdica não aceita suborno.

 

Uma pessoa pudica não aceita suborno.

b)

Grafi a:

Forma com vício:

 

O certo seria:

 

Preciso consultar um dicionário de etmologia.

 

Preciso consultar um dicionário de etimologia.

c)

Morfologia:

 

Forma com vício:

 

O certo seria:

 

Quando eu pôr o documento do assistido no

 

Quando

eu

puser

o

documento do

PAJ, tramitarei para o defensor responsável.

assistido no PAJ, tramitarei para o defensor

 

responsável.

 

Se

ele

manter

a

proposta,

fecharemos

 

Se

ele mantiver a proposta, fecharemos

negócio.

negócio.

d)

Semântica:

 

Forma

d) Semântica:

com

vício:

 

O certo seria:

 

O suspeito deve responder por tráfego de

 

O suspeito deve responder por tráfi co de

drogas.

drogas.

ii. Estrangeirismo

É o uso indiscriminado de palavra, expressão ou construção em língua estrangeira que tenha ou

não equivalente na língua portuguesa.

 

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Módulo I

 

Forma com vício:

O certo seria:

Um dos assistidos da DPU relatou que

Um dos assistidos da DPU relatou que

perdeu a certidão na entrada do teatro onde

perdeu a certidão na entrada do teatro onde

acontecia o show.

acontecia o espetáculo.

 

O representante da comunidade quilombola

O representante da comunidade quilombola

deixou cair o documento no hall da

deixou cair o documento no saguão da

Defensoria.

Defensoria.

Não se esqueça, em documentos oficiais, é recomendável evitar o uso de palavras estrangeiras.
Não se esqueça, em documentos oficiais, é recomendável evitar o
uso de palavras estrangeiras.

iii. Queísmo

É um problema de estilo muito comum na linguagem escrita. Consiste, às vezes, na omissão do uso

da preposição de antes da conjunção que, o que compromete o uso correto da regência do verbo

na oração e, outras vezes, no uso exagerado e repetitivo da palavra que no corpo da oração.

Forma com vício:

O certo seria:

 

Defender o direito social à saúde é o papel

Defender o direito social à saúde é o papel

que ele mais gosta de exercer como defensor

de que

ele mais

gosta de exercer como

público.

defensor público.

 

O povo gostaria muito que houvesse mais

O povo gostaria muito de que houvesse

defensores públicos em cada região do

mais defensores públicos em cada região do

Estado.

Estado.

Todos os defensores públicos disseram que

Todos os defensores públicos disseram

conheciam a matéria que constava dos autos

conhecer a matéria constante dos autos

que foram enviados pelo Tribunal minutos

enviados pelo Tribunal minutos antes da

antes da oitiva das testemunhas.

oitiva das testemunhas.

 
 
 

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iv. Ambiguidade

É o fenômeno linguístico que confere duplicidade na interpretação do sentido de um texto ou de

uma palavra. Em um texto ofi cial, deve ser sempre evitado, pois pode resultar em interpretação

errônea pelo receptor.

Exemplos:

O defensor público conversou com o assistido sobre seu trabalho

(de quem é o trabalho: do defensor ou do assistido?)

O servidor da DPU abordou o aposentado sentado na portaria

(quem estava sentado: o servidor ou o aposentado?)

 
Importante

Importante

   

Às vezes, uma única vírgula mal posta pode comprometer a leitura e o sentido de

 

um enunciado.

 

O

juiz

mandou

anexar

no

laudo

do processo

trabalhista:

“Não,

falta

o

comprovante

de

fornecimento

do

vale-transporte.”

 

Se a vírgula for retirada, o sentido da sentença é invertido:

 
 

O juiz mandou anexar no laudo do processo trabalhista:

“Não falta o comprovante de fornecimento do vale-transporte.”

 

v. Chavão ou clichê

É um vício de linguagem que frequentemente empobrece o discurso. Por trás de um chavão

ou clichê, pode-se demonstrar uma ideia preconceituosa, leviana ou mesmo vazia de sentido.

Exemplos:

O senhor José, assistido pela Defensoria Pública da União, é tão educado que

parece um preto de alma branca.

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Módulo I

Todo político, no fundo, é sempre ladrão.

O caminho das drogas é sempre um caminho sem volta.

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Todo político, no fundo, é

Importante

 

Vale ressaltar que em um discurso, ou redação ofi cial, não cabem clichês ou ideias

 

vazias de sentido, uma vez que o poder público é o emissor do qual muitas vezes se

exige justamente o oposto da ideia presente em cada clichê: a defesa da igualdade

social e racial, a proteção dos valores e direitos democráticos e políticas públicas

de combate às drogas.

 

vi. Pleonasmo

É a repetição sempre desnecessária de uma palavra ou ideia no conteúdo de uma frase, o que a

torna redundante e cansativa.

Forma com vício:

O certo seria:

 

O servidor subiu para cima, do subsolo

O servidor subiu do subsolo para o terceiro

para o terceiro andar, quando encontrou o

andar, quando encontrou o guarda-chuva

guarda-chuva no canto da escada.

 

no canto da escada.

O advogado pediu que o julgamento fosse

O advogado pediu que o julgamento fosse

adiado para depois, uma vez que houve

adiado, uma vez que houve cerceamento do

cerceamento do direito constitucional à

direito constitucional à ampla defesa e ao

ampla defesa e ao contraditório.

 

contraditório.

Entre o réu e a parte acusadora, havia um

Entre o réu e a parte acusadora, havia um

elo de ligação: já foram casados e têm um

elo: já foram casados

e

têm um

fi lho

em

fi lho em comum.

comum.

O magistrado chegou atrasado e entrou

O magistrado chegou atrasado e entrou

 

imediatamente para

dentro

da

sala

de

imediatamente para a sala de audiência.

 

audiência.

 
 

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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Forma com vício: O certo
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Módulo I
Forma com vício:
O certo seria:
Qualquer operador do direito deve encarar
Qualquer operador do direito deve encarar
de frente o desafi o de levar aos excluídos o
o desafi o de levar aos excluídos o pão da
pão da cidadania.
cidadania.
O político deve responder por desvio de
O político deve responder por desvio de
verba do erário público.
verba do erário.
O vocábulo erário já signifi ca tesouro público, sendo assim, nos
textos ofi ciais deve-se evitar o uso da expressão erário público,
por tipifi car vício de pleonasmo.

vii. Cacófato

É o som desagradável que ocorre quando há um encontro de vocábulos ou sílabas que acabam

formando uma expressão imprópria ou obscena.

Forma com vício:

 

O certo seria:

Ela tinha assinado o documento sem

Ela assinou o documento sem conhecimento

conhecimento das cláusulas.

 

das cláusulas.

Vou-me

para

o

Fórum,

onde

tenho

Vou ao Fórum, onde tenho audiência.

audiência.

1.3.4.4 Uso indevido do sujeito como complemento

Para compreender como se dá o uso indevido do sujeito como complemento é importante, antes de

tudo, saber:

  • Que o sujeito é o termo sobre o qual incide a predicação e com o qual o verbo concorda;

  • Que o sujeito pode ter complemento, porém ele não pode ser complemento e muito

menos ser regido por preposição;

  • Que a língua falada é diferente da língua escrita.

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Importante Regra de ouro: O
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Módulo I
Importante
Regra de ouro:
O sujeito NUNCA pode ser preposicionado.
Exemplos:
Apesar dela, as aulas continuaram. (correto: o pronome ela fi ca
contraído com a preposição de).
Apesar de ela ter faltado, as aulas continuaram. (correto: ela
assume a função sintática de sujeito do verbo ter, por isso não pode
ser contraído com a preposição).

Na língua oral, ou seja, na fala há uma natural fusão da preposição de com os artigos o/a e com a

primeira vogal dos pronomes ele, ela, este, esta, esse, essa, aquele, aquela, fi cando:

do, da, dele, dela, deste, desta, desse, dessa, daquele, daquela

Entretanto, nem sempre essa fusão é permitida pelas regras da gramática normativa, vejamos as

orações abaixo para seguirmos com as análises:

  • a) O fato dele ganhar bem não foi sufi ciente para adquirir a casa própria. (ERRADO)

  • b) O livro dele está rasgado. (CERTO)

Embora, no dia a dia, falamos e ouvimos enunciados parecidos com esses, apenas a oração “o livro

dele está rasgado” está em conformidade com a língua preconizada pela gramática.

Isso acontece porque há uma grande diferença entre a língua que falamos e a língua escrita, a saber:

  • A linguagem oral é fl exível e permite inúmeras variações linguísticas. Sendo assim, não há problema em falar: “o fato dele ganhar muito

...”;

“agora

é a vez deles reivindicarem

...”

ou “antes dos juízes proferirem

...”,

pois não existe

obrigatoriedade em se comunicar oralmente conforme os padrões da norma

culta.

  • A linguagem escrita, por sua vez, segue os preceitos gramaticais, sobretudo a produzida em textos ofi ciais.

Dessa forma, as colocações anteriores devem ser escritas da seguinte forma:

“o fato de ele ganhar muito

...”;

“agora é a vez de eles reivindicarem

...”

e “antes

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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Importante Regra de ouro: O

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Módulo I

de os juízes proferirem

...”,

porque, pela gramática normativa, não se deve fundir

a preposição com a forma imediata quando ela exercer na oração a função

sintática de núcleo do sujeito.

Assim, nota-se, ao analisar a frase “o livro dele está rasgado”, que a contração “de + ele = dele” é de

natureza diferente da contração “de + ele = dele” presente na frase “o fato dele ganhar bem não

foi sufi ciente para adquirir a casa própria”.

Vejamos o porquê:

Exemplo 1:

O livro dele está rasgado.

Qual é o sujeito da oração?

Para identifi car o sujeito basta fazer a seguinte pergunta:

O que está rasgado?

Resposta: o livro dele.

Logo, o sujeito é “o livro dele”.

Qual é o núcleo do sujeito?

Resposta: o livro.

Na oração “o livro dele está rasgado”, a fusão da preposição “de” com o pronome “ele” está correta

porque o pronome não é o núcleo do sujeito:

Exemplo 2:

O fato dele ganhar bem não foi sufi ciente para adquirir a casa própria.

Qual é o sujeito da oração?

Para identifi car o sujeito basta fazer a seguinte pergunta:

Qual é o sujeito do verbo infi nitivo “ganhar”?

Resposta: ele.

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Logo, o sujeito é “ele”.

Na oração “o fato dele ganhar bem não foi sufi ciente para adquirir a casa própria”, a fusão da

preposição de com o pronome ele está errada porque o pronome é o núcleo do sujeito.

Em outras palavras, se o sujeito é ele, a preposição de não poderá ser fundida com o pronome ele,

que neste caso exerce a função sintática de sujeito da oração.

Assim, segundo as regras gramaticais, a forma correta de se escrever a oração é:

O fato de ele ganhar bem não foi sufi ciente para adquirir a casa própria.

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Logo, o sujeito é “ele”.

De acordo com a gramática normativa, não se deve fundir a pre-

posição de com os artigos o/a e com a primeira vogal dos prono-

mes ele , ela , este , esta , esse , essa ,

exercem a função de sujeito.

aquele e aquela quando estes

Do mesmo modo, o sujeito não pode ser regido por preposição.

Assim:

É hora de ele ir para a faculdade.

[sujeito: ele]

É hora de ele ir para a faculdade. (CERTO)

É hora dele ir para a faculdade. (ERRADO)

É hora de o assistido ser entrevistado na DPU.

[sujeito: o assistido]

É hora de o assistido ser entrevistado na DPU.

(CERTO)

É hora do assistido ser entrevistado na DPU.

(ERRADO)

Partindo do princípio de que o sujeito de uma oração não deve ser precedido de preposição,

quando se escreve, por exemplo, “passou da hora do governo intervir na economia”, a palavra

“governo”, que assume, nessa oração, a função sintática de sujeito do verbo infi nitivo intervir, fi ca

precedida por uma preposição em desacordo com as normas gramaticais.

Por isso, em textos formais, a construção correta da oração é “passou da hora de o governo intervir

na economia”.

Passou da hora do governo intervir na economia. (ERRADO)

Passou da hora de o governo intervir na economia. (CERTO)

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Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Importante O Novo Acordo Ortográfi
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Módulo I
Importante
O Novo Acordo Ortográfi co ratifi cou essa norma gramatical, já presente na antiga
ortografi a, ao reafi rmar:
“(
)
Quando a preposição ‘de’ se combina com as formas
articulares ou pronominais ‘o’, ‘a’, ‘os’, ‘as’, ou com quaisquer
pronomes ou advérbios começados por vogal, mas acontece
estarem essas palavras integradas em construções de infi nitivo,
não se emprega o apóstrofo, nem se funde a preposição com
a forma imediata, escrevendo-se estas duas separadamente:”a
fi m de ele compreender”; “apesar de o não ter visto”; “em virtude
de os nossos pais serem bondosos”; “o fato de o conhecer”; “por
causa de aqui estares. ( )” ...

Com o propósito de aprofundarmos esse estudo, passamos, a seguir, a analisar o caso das orações

infi nitivas.

As orações infi nitivas

Nas expressões de o ou do, não é recomendável a fusão da preposição de com os artigos o/a ou

com os pronomes ele, ela, este, esse e aquele quando representarem o sujeito de uma oração

infi nitiva. Isto porque quem passa a ser regido pela preposição é o verbo, e não o sujeito.

Na linguagem falada, fazemos naturalmente a contração de artigos defi nidos “o/a” com a preposição

de” ou com os pronomes “ele”, “ela”, “este”, “esse”, “aquele”, mesmo quando representam, na frase,

o sujeito de uma oração infi nitiva.

Na linguagem coloquial, é comum dizermos:

Exemplo:

O fato dele ganhar bem não foi sufi ciente para adquirir uma casa própria.

No entanto, pelos preceitos gramaticais, a preposição “de” não deve ser contraída com o sujeito em

forma de oração infi nitiva (com o verbo no infi nitivo), quando se trata de linguagem escrita. Assim,

devemos grafar, na linguagem formal, a frase anterior da seguinte maneira:

O fato de ele ganhar bem não foi sufi ciente para adquirir uma casa própria.

Sujeito: ele (a preposição de não faz parte do sujeito).

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Se dissermos, por exemplo:

Todo cidadão tem direito a um advogado, antes de o juiz proferir uma sentença.

Devemos nos perguntar:

Qual é o sujeito do verbo infi nitivo (verbo proferir)?

No caso, é o juiz. Se o sujeito é “o juiz”, a preposição “de” não faz parte do sujeito. Por isso, não deve

ser contraída com o artigo defi nido “o”.

Da mesma forma, a regra se aplica aos pronomes pessoais:

Ela gritou na hora de ele sair.

Qual é o sujeito do verbo [sair]?

O sujeito é [ele].

Portanto, se o sujeito é ele, a preposição de não faz parte do sujeito e não deve se fundir com o

pronome [ele].

Diferentemente, deve-se notar que a fusão da preposição com o pronome pode acontecer desde

que a preposição ou o pronome façam parte do sujeito:

Exemplo 1:

 

O carro dele foi visto no estacionamento.

 

Qual é o sujeito?

O que foi visto? O carro dele.

O sujeito é: o carro dele.

Exemplo 2:

A biblioteca da cidade fi ca aberta à noite.

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O que fi ca aberto à noite?

A biblioteca da cidade.

Aqui, verifi camos também que os verbos não se encontram no infi nitivo. Seria incompreensível se
Aqui, verifi camos também que os verbos não se encontram no infi nitivo.
Seria incompreensível se alguém dissesse:
O carro [de ele] foi visto no estacionamento.
Vemos que aqui a contração é necessária e correta.
Somente quando
o sujeito
está regido por
um verbo no infi nitivo,
a fusão
de

preposição e pronomes com os artigos defi nidos a/o torna-se desnecessária na

linguagem escrita.

Por isso, o correto é escrever, por exemplo:

Está na hora de o Brasil punir seus políticos corruptos.

(lembre-se de que a preposição [de] não faz parte do sujeito, que é o Brasil)

Portanto, torna-se incorreto gramaticalmente dizer:

Está

na

hora

[do]

Brasil

punir

seus

(como se a preposição fi zesse parte do sujeito)

políticos

corruptos.

Resumindo: Quando o verbo está no infi nitivo (verbo não fl exionado), não ocorre a contração
Resumindo:
Quando o verbo está no infi nitivo (verbo não fl exionado), não ocorre
a contração ou fusão da preposição ou pronome com os artigos “a/o”
ou “as/os”:
Apesar [de o] prefeito negar, houve desvio de verba na
construção das ciclovias.
Quando o verbo está fl exionado, ocorre a contração ou fusão da preposição ou
pronome com os artigos “a/o” ou “as/os”:
Apesar [dos] desafi os, a prefeitura conseguiu entregar a tempo
a nova praça de esportes.
Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Importante A regra gramatical posta
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Módulo I
Importante
A regra gramatical posta em relação ao uso da preposição ou dos pronomes com a
contração ou não dos artigos “a/o” é esta, da síntese anterior.
No entanto, há autores que sustentam ser aceitável escrever como se fala, pela
facilidade de pronúncia e uso corriqueiro da língua.
Intuitivamente, todo falante sabe que o sujeito, por exemplo, de “está na hora do
Brasil punir seus políticos corruptos” é Brasil e não do Brasil.
Assim, todo falante pode discernir que a preposição não faz parte do sujeito.
No entanto, para cumprir a regra gramatical, que não prevê exceção a esta regra,
devemos, em linguagem ofi cial, escrever conforme os parâmetros da norma culta,
seguindo o que determina seu regramento linguístico.

Chegamos ao fi nal do módulo 1 ...

Neste módulo você teve a oportunidade de conhecer os aspectos gerais da Redação Ofi cial, isto é,

as principais características que distinguem os documentos produzidos pela Administração Pública

dos elaborados por particulares.

Ao estudarmos os elementos da comunicação, você deve ter conseguido compreender que o emissor

é o elemento que melhor identifi ca se um documento é ou não ofi cial, já que o poder público é o

emissor de todo texto ofi cial.

Ainda neste módulo, você pôde entender as particularidades fundamentais da redação administrativa,

que são fatores essenciais para a qualidade do texto ofi cial, como a impessoalidade, a uniformidade,

a formalidade, a padronização, a clareza, a objetividade, a coesão, a concisão, a correção gramatical

e o uso da norma culta.

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Módulo I

Ao estudar sobre a produção textual, você compreendeu que alguns de seus aspectos, como estilo,

harmonia e polidez, assim como o emprego correto dos pronomes oblíquos e da crase, agregam

valor ao documento ofi cial, mas, em sentido contrário, os vícios de linguagem e o uso indevido do

sujeito comprometem sua qualidade.

Assim, é importante ter sempre em mente as qualidades desejáveis e vícios a serem evitados na

redação dos textos ofi ciais:

1. Qualidades necessárias aos textos ofi ciais: • Impessoalidade • Coesão • Uniformidade • Concisão •
1. Qualidades necessárias aos textos ofi ciais:
Impessoalidade
Coesão
Uniformidade
Concisão
Clareza
Formalidade
Objetividade
Harmonia
2. Vícios de linguagem que devem ser evitados nos textos ofi ciais:
Prolixidade
Ambiguidade
Estereótipos
Subjetividade
Detalhismo
Coloquialismo
Linguagem
Pedantismo
Regionalismo
rebuscada
Ofi cialismo
Redundância

Agora, com o propósito de fi xação e aplicação da aprendizagem, realize os exercícios avaliativos do

módulo 1.

Nos encontramos no módulo 2. Até lá !

Redação Oficial, com ênfase na prática da DPU - Módulo I Gabaritos • Exercício 1 Gabarito:
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Módulo I
Gabaritos
Exercício 1
Gabarito: Alternativa D
Exercício 3
Gabarito: Alternativa B
Exercício 2
Gabarito: 3 - 4 - 2 - 6 - 1 -
5
Exercício 4

Gabarito Texto 1: É mais fácil mostrar o Brasil como um país modernizado, ainda que

grande parte da população vive em estado de miséria.

Gabarito Texto 2: A Internet é uma tecnologia desgastante, pois, apesar de oferecer

aos jovens momentos de distração, reduz o tempo que poderiam dedicar ao cine-

ma ou ao esporte.

Exercício 5

Gabarito: Alternativa E

Exercício 6

Gabarito: Alternativa C

Exercício 7

Gabarito: Alternativa C

Exercício 8

Gabarito: a) bicudinho-do-brejo-paulista, Stymphalornissp.nov e pássaro.

b) O leitor, ao analisar a retomada do referente, adquire algumas informações novas. Ele

toma ciência de que a espécie é nova, que ela tem como nome popular “bicudinho-do-

-brejo-paulista” e como nome científi co “Stymphalornissp.nov”.

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Módulo I

REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Presidência da República. Manual de Redação da Presidência da República. Gilmar

Ferreira Mendes e Nestor José Forster Júnior. 2 ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da

República, 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 15 de abril de 2017.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 5 ed.

Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. 800p.

LUFT, Celso Pedro. Gramática resumida. Rio de Janeiro: Editora Globo. 2. ed. 2004. 235p.

LUFT, Celso Pedro. Grande manual de ortografi a. Rio de Janeiro: Editora Globo. 3. ed. 2013. 296p.

MATERIAL COMPLEMENTAR

BRASIL.

Secretaria

Municipal

de

Educação.

Coerência

-

contexto

e

coesão .

Trecho

do

Programa

“Conexão

e

cia.”

da

Série

Palavra

Puxa

Palavra

da

MultiRio.

Rio

de Janeiro: Educopédia. Disponível em: (https://www.youtube.

com/watch?v=dz6-QI5ActQ) Acessado em 09/10/2017 .

MATERIAL SUPLEMENTAR

YOUTUBE,Brasil. Pleonasmo. Trecho do espetáculo Nós Na Fita com Marcius Melhem e

Leandro Hassum. Rio de Janeiro: agosto, 2008. Disponível em: (https://www.youtube.

com/watch?v=dz6-QI5ActQ) Acessado em 09/10/2017 .