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ANÁLISE DE IMPACTOS AMBIENTAIS

1ª edição SESES rio de janeiro

2015

autora

MARINA VIANNA

ANÁLISE DE IMPACTOS AMBIENTAIS 1ª edição SESES rio de janeiro 2015 autora MARINA VIANNA

Conselho editorial

tânia maria bulhões figueira

regiane burger; roberto paes; gladis linhares; karen bortoloti;

Autora do original

marina vianna

Projeto editorial

roberto paes

Coordenação de produção

gladis linhares

Coordenação de produção EaD

karen fernanda bortoloti

Projeto gráfico

paulo vitor bastos

Diagramação

bfs media

Revisão linguística

amanda carla duarte aguiar

Imagem de capa

ben goode | dreamstime.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2015.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip) V617a Vianna, Marina Análise de impactos ambientais /
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)
V617a Vianna, Marina
Análise de impactos ambientais / Marina Vianna.
Rio de Janeiro : SESES, 2015.
136 p. : il.
isbn: 978-85-60923-58-8
1. Meio ambiente. 2. Impacto ambiental. 3. Gestão ambiental
I. SESES. II. Estácio.
cdd 333.714

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj cep 20261-063

Sumário

Prefácio

7

1. Introdução ao Estudo de Impacto Ambiental

9

Objetivos

10

1.1

Introdução ao Estudo de Impacto Ambiental

11

1.1.1

Evolução humana e os impactos ambientais

14

1.1.2

Impactos Ambientais - Relação causa e consequência

16

1.1.3

Critérios de classificação dos impactos ambientais

21

1.1.4

Avaliação de Impacto Ambiental

25

1.1.5

EIA/Rima

28

Atividades

30

Reflexão

30

Referências bibliográficas

31

2. Avaliação de Impacto Ambiental - Histórico, Política e Legislação Ambiental

33

Objetivos

34

2.1

Avaliação de Impacto Ambiental – histórico, política e

legislação ambiental

35

2.1.1

Legislações de proteção dos recursos ambientais e a

Política Nacional do Meio Ambiente

36

2.1.2

Lei de Crimes Ambientais

40

2.2

Licenciamento Ambiental

42

2.3

Gestão Ambiental

45

2.3.1

A norma ambiental ISO 14000

46

2.3.2

Certificação Ambiental

50

Atividades

50

Reflexão

51

Referências bibliográficas

52

3.

Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental

53

 

Objetivos

54

3.1

Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental

55

3.1.1

Avaliação de Impacto Ambiental

55

3.1.1.1 Escopo ou Termo de Referência

58

3.1.1.2 Diagnóstico

59

3.1.2 Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental

59

3.1.3 Biomas brasileiros - Caracterização

62

3.2

Métodos de Avaliação de Impacto Ambiental

65

Atividades

75

Reflexão

75

Referências bibliográficas

76

4. Cenários e Prognósticos – Considerações de Risco, Incerteza e Irreversibilidade

77

 

Objetivos

78

4.1

Cenários e Prognósticos – considerações de risco,

incerteza e irreversibilidade

79

4.1.1

Cenários ambientais e construção de cenários

80

4.1.2

Métodos prospectivos

83

4.1.2.1

Método Delphi

83

4.1.2.2

Métodos de Cenários múltiplos

88

4.1.3

Técnicas de cenários

89

4.2

Risco ambiental

91

4.2.1

Avaliação de risco ambiental

92

4.3

Incertezas

95

4.3.1

Vulnerabilidade

97

4.3.2

Desastres

98

Atividades

98

Reflexão

99

Referências bibliográficas

100

5. Programas e Relatórios de Monitoramento Ambiental

101

 

Objetivos

102

5.1

Programas e Relatórios de Monitoramento Ambiental

103

5.1.1 Componentes de uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)

106

5.1.1.1 EIA

106

5.1.1.2 RIMA

109

5.2 Monitoramento ambiental

113

5.3 Outros documentos para avaliação de impactos ambientais

117

5.4 Medidas mitigadoras

120

Atividades

122

Reflexão

122

Referências bibliográficas

123

Gabarito

124

Prefácio

Prezados(as) alunos(as),

O Livro da disciplina “Análise de Impactos Ambientais” traz uma compila- ção sobre o Estudo de Impacto Ambiental, diferentes métodos para Avaliação de Impacto Ambiental, o uso de Modelos na Avaliação de Impacto Ambiental, fornece conhecimento e capacidade de utilização das principais ferramentas para análise de Impacto Ambiental e sua aplicação, visando minimizar os da- nos ambientais, e dá um panorama geral e histórico da legislação ambiental. O livro está dividido em 05 capítulos intitulados:

Capítulo 1 – Introdução ao Estudo de Impacto Ambiental; Capítulo 2 – Avaliação de Impacto Ambiental - histórico, política e legislação ambiental; Capítulo 3 – Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental; Capítulo 4 – Cenários e Prognósticos - considerações de risco, incerteza e irre- versibilidade; Capítulo 5 – Programas e Relatórios de Monitoramento Ambiental.

Foram utilizadas informações atualizadas das principais fontes bibliográfi- cas da área, com figuras, tabelas, diagramas que facilitam o entendimento da teoria, bem como atividades ao final de cada capítulos e sugestão de leituras relacionadas aos temas.

Bons estudos!

1

Introdução ao Estudo de Impacto Ambiental

No primeiro capítulo iremos discutir o conceito de Impacto Ambiental, suas diferentes abordagens, principais classificações. Veremos também a relação do homem com a natureza desde o início das civilizações e como isso inter- feriu no aumento e na gravidade dos impactos ambientais. E por fim anali- saremos as principais fontes de impacto ambiental, e abordaremos alguns critérios de classificação de impactos para realização de estudo e relatórios de impacto específicos.

Vamos lá?

de estudo e relatórios de impacto específicos. Vamos lá? OBJETIVOS •  Definir o que é Impacto

OBJETIVOS

•  Definir o que é Impacto Ambiental; •  Classificar os impactos ambientais: positivo/negativo; direto/indireto; local/regional; cur- to/longo prazo; reversível/irreversível; •  Relacionar a evolução humana com os impactos ambientais; •  Identificar as principais fontes de impacto ambiental; •  Compreender o que é uma Avaliação de Impacto Ambiental, quais os critérios de classifi- cação de impactos utilizados para a avaliação.

1.1 Introdução ao Estudo de Impacto Ambiental

Meio Ambiente é o conjunto de condições, leis, influência e interações de or- dem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abri- ga e rege a vida em todas as suas formas (CONAMA 306/2002). Sabe-se que vários fatores como crescimento demográfico, desenvolvimen- to e difusão da tecnologia industrial, os avanços da medicina, a crescente ur- banização são apontados como causadores de pressão antrópica sobre os re- cursos naturais. E, quando pensamos em pressão sobre os recursos naturais, imediatamente associamos ao termo Impacto Ambiental. Impacto Ambiental é mencionado com frequência na mídia e no dia a dia. Num sentido comum, é sempre associado a um aspecto negativo, a algum dano à natureza. Porém, é importante lembrar que essa é apenas uma parte do con- ceito de Impacto Ambiental. Conforme a Resolução n° 01/86 do CONAMA, Impacto Ambiental pode ser definido como:

Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota e a qualidade dos recursos ambientais.

Qualquer atividade que o homem exerça na natureza é considerada como

e sendo assim, um impacto pode ter consequências

benéficas ou maléficas ao ambiente. Sanchez (2013) define Impacto Ambiental como qualquer alteração da qualidade ambiental que resulta da modificação de processos naturais ou sociais provocada pela ação humana. A figura 1.1 ilus- tra uma representação do conceito de impacto ambiental.

um impacto ambiental,

Projeto iniciado Situação sem projeto Impacto ambiental Situação com projeto Indicador ambiental
Projeto iniciado
Situação
sem projeto
Impacto
ambiental
Situação com
projeto
Indicador ambiental

Tempo

Figura 1.1 – Representação do conceito de impacto ambiental. Fonte: Sánchez (2013).

Analisando a figura é possível visualizar a diferença entre a situação do meio ambiente (natural e social) futuro, modificado pela realização de um projeto, e a situação do meio ambiente futuro tal como teria evoluído sem o projeto. Ainda com relação à figura, tem-se a impressão de que os impactos podem ser medidos com a ajuda de indicadores, mas na prática nem sempre isso é possí- vel. Nem sempre os impactos são passíveis de descrição adequada através de indicadores ou mesmo a coleta de dados para mensuração pode ser onerosa ou demorada (Sánchez, 2013). Quando se pensa em Impacto Ambiental, várias questões podem surgir:

Oqueéimpacto?QuemcompõeoMeioAmbiente?Oqueépoluição?Impacto ambiental é sinônimo de poluição? O que é qualidade Ambiental? Degradação Ambiental? Recuperação Ambiental? Processo Impactante? Empreendimento Impactante? Quais são os indicadores de Impacto Ambiental? Qual a área dire- tamente afetada e indiretamente afetada? Impacto Ambiental é um conceito bastante amplo e que difere do conceito de poluição. Poluição tem somente conotação negativa, diferente de impacto ambiental, que pode ter conotação positiva ou negativa. A poluição é apontada como uma das causas de impacto ambiental, como discutiremos mais à frente, mas os impactos podem ter outras causas, além da poluição. Sánches (2013) afirma que toda poluição causa impacto ambiental, mas nem todo impacto am- biental tem a poluição como causa.

Para dar início à discussão sobre os impactos ambientais, é importante des- tacar as principais classificações desses impactos.

Impactos positivos X negativos

Os impactos são considerados positivos ou benéficos quando sua ação re- sulta na melhoria de um fator ou parâmetro ambiental. Exemplo: refloresta-

mento de uma área, recuperação de mata ciliar, obras de revitalização. A coleta

e o tratamento de esgoto resultam em melhorias da qualidade da água Os impactos negativos ou adversos são aqueles cuja ação resulta em dano

à qualidade de um fator ou parâmetro ambiental. Exemplo: os lixões e as áreas de despejo de esgoto.

Impactos diretos ou indiretos

Impactos diretos (ou primários) consistem na alteração de determinados aspectos ambientais por ação do homem, sendo de mais fácil identificação. Exemplos de impactos diretos são: a remoção de árvores de uma encosta que pode causar erosão do solo, o aumento na concentração de gás carbônico libe- rado dos automóveis, etc. Impactos indiretos (ou secundários) resultam de uma reação secundária, ou quando é parte de uma cadeia de reações, sendo mais difíceis de serem quanti- ficados. Como impacto indireto pode-se citar, por exemplo, o crescimento de- mográfico resultante do assentamento da população atraída por um projeto.

Impactos locais ou regionais

Impacto é dito local quando sua ação afeta o próprio sítio e suas imedia- ções. Exemplo: desmatamento de uma área específica. Impacto regional é quando a ação afeta além das imediações locais. Exemplo: a poluição do ar atingindo outros territórios. Porém, um impac- to, à primeira vista local, pode ter também consequências em escala global. Exemplo: a devastação de florestas pelas queimadas para a introdução de pas- tagens pode provocar desequilíbrios no ecossistema por causar a extinção de espécies, o empobrecimento do solo, assoreamento dos rios,

Impactos imediatos ou a médio e longo prazo

Impactos imediatos são aqueles cujo efeito surge no instante da ação. Exemplo: as queimadas. Impactos a médio e longo prazo são citados quando os efeitos da ação são ve- rificados posteriormente. Exemplo: a aridez do solo causada pelas queimadas.

Impactos temporários ou permanentes

Impacto temporário ou de curto prazo são identificados quando a ação tem duração determinada. Exemplo: ruídos de turbinas, de eletrodomésticos, ruí- dos da construção de um empreendimento. Impacto permanente é aquele que não pode ser revertido. Exemplo: a reten- ção de sólidos em transporte nas barragens, impedindo o curso normal do rio e o transporte de substâncias em direção à foz.

Impactos reversíveis, irreversíveis ou cíclicos

Impacto reversível é aquele que, quando cessada a ação, o ambiente volta à forma original. Exemplo: os impactos causados durante a construção de uma obra. Impactos cíclicos apresentam efeitos que se manifestam em intervalos de tempo determinados. Impacto irreversível é aquele que, quando cessada a ação, o ambiente não volta mais à forma original. Exemplo: assoreamento dos rios causado pela ero- são das margens.

1.1.1 Evolução humana e os impactos ambientais

De acordo com Kormondy e Brown (2002) podemos dividir, didaticamente, a evolução humana e o uso dos recursos naturais em várias fases.

Descoberta do fogo

A primeira fase tem início com os primeiros Homo sapiens e termina quan- do começam a surgir as primeiras práticas agrícolas. Nesse período, as fontes

de energia alimentar vinham basicamente da caça e da pesca. As populações eram nômades e, a medida que os recursos locais iam se esgotando, as popu- lações mudavam para outras áreas. O domínio do fogo representou a primeira forma de alteração do ambiente de forma significativa. Esse foi o início dos pri- meiros registros de impactos ambientais.

Domesticação dos animais e plantas/agricultura

Essa fase tem início com o surgimento dos primeiros sistemas agrícolas, in-

cluindo a horticultura e o pastoreio. A agricultura surge como uma opção para

a maior obtenção de alimento. As populações começam a se fixar por mais tem-

po nas regiões e o tamanho das populações começa a aumentar. Embora as so- ciedades agrícolas primitivas provocassem maior impacto sobre o ambiente do que as de caçadores-coletores, a extensão e a frequência dessas alterações não causavam impactos tão relevantes como os observados nas fases posteriores.

Início das civilizações e das cidades

Essa fase teve início quando os primeiros seres humanos passaram a vi- ver em cidades. As populações urbanas dependiam do alimento produzido no campo e se mantinham pelo comércio de produtos manufaturados e não ma-

nufaturados, entre as diferentes sociedades. Com isso aumentou o comércio, o consumo de bens, a produção de lixo e consequentemente, aumentou também

a quantidade e gravidade dos impactos ambientais.

Revolução Industrial

Considerada como a fase de alto consumo de energia que teve início com

a Revolução Industrial e perdura até os dias atuais. Os grandes avanços tec-

nológicos alcançados resultaram na melhoria geral das condições de vida das pessoas, embora de forma muito mais acelerada nos países industrializados. Maior oferta de alimentos, moradias, entre outros, resultaram em aumento da natalidade e da sobrevivência, de forma que o crescimento populacional huma- no tornou-se exponencial. A partir daí tem início os primeiros registros de impactos ambientais de maior escala.

1.1.2 Impactos Ambientais - Relação causa e consequência

Impacto Ambiental é sempre o resultado de uma ação, que é a sua causa. De- vemos ter em mente a diferença entre causa e consequência. Uma rodovia, por exemplo, não é um impacto ambiental, ela é a causa dos impactos futuros. E do mesmo modo, um reflorestamento com espécies nativas, por exemplo, tam- bém não pode ser apontado como um impacto ambiental benéfico, mas uma ação que tem o propósito de proteger o solo, recompor uma área, esses seriam os impactos resultantes. Sánchez (2013) faz uso dos termos “aspecto” e “impacto”. Assim, a emissão de um poluente não é um impacto ambiental; o impacto é a alteração da quali- dade ambiental que resulta dessa emissão. As ações são as causas e os impac- tos, as consequências, como vemos na figura 1.2 e na tabela 1.1.

Ações humanas:

Atividades

produtos

Serviços

Aspectos ambientais
Aspectos
ambientais
Impactos ambientais
Impactos
ambientais

Figura 1.2 – Relação entre ações humanas, aspectos e impactos ambientais. Fonte: Adaptado de Sánchez (2013).

 

ASPECTO

IMPACTO

ATIVIDADE

AMBIENTAL

AMBIENTAL

Lavagem de roupa

Consumo de água

Redução na disponibilidade hídrica

Pintura de uma peça metálica

Emissão de compostos orgânicos voláteis

Deterioração da qualidade do ar

 

ASPECTO

IMPACTO

ATIVIDADE

AMBIENTAL

AMBIENTAL

Transporte de carga por caminhões

Emissão de ruídos

Incômodo aos vizinhos

Transporte de carga por caminhões

Aumento do tráfego

Maios frequência de congestionamentos

Armazenamento de

 

Contaminação do solo e água subterrânea

combustível

Vazamento

Cozimento de pão em forno à lenha

Emissão de gases e partículas

Deterioração da qualidade do ar

Tabela 1.1 – Exemplo de relações atividade – aspecto – impacto ambiental. Fonte: Adaptado de Sánchez (2013).

– impacto ambiental. Fonte: Adaptado de Sánchez (2013). CONEXÃO O documentário “A História das Coisas” é

CONEXÃO

O documentário “A História das Coisas” é a versão em português do “The Story of Stuff”, de Anne Leonard: um documentário de curta duração que aborda a sociedade de consumo, apontando para a necessidade de vivermos de forma mais justa e sustentável. Esta obra aponta, de maneira brilhante e muito didática, o papel da mídia sobre o nosso padrão de consumo e como nossas relações estão intrinsecamente ligadas à economia de mercado. Esse documentário nos lembra que tudo o que consumimos tem uma história oculta, cujo fim possivelmente chama-se lixo, e este nem sempre pode ser - ou é, de fato - reaproveitado ou mesmo reciclado. Como as matérias-primas são limitadas, podemos afirmar que este sistema baseado no consumo desenfreado não pode sobreviver por muito tempo. Podemos assim, estabelecer uma relação entre o conteúdo visto nessa unidade e a mensagem passada pelo documentário. Você pode assistir ao documentário no link:

https://www.youtube.com/watch?v=Q3YqeDSfdfk

A partir do princípio de que impactos locais podem gerar efeitos negativos

em escalas muito maiores, é possível observar pequenas ações locais gerando impactos globais. E nesse sentido, torna-se importante destacarmos as princi- pais fontes de impactos ambientais.

Desmatamento florestal

É o principal responsável pela destruição da biodiversidade, erosão e deser-

tificação do solo, as mudanças climáticas significativas, as enchentes frequen- tes e também a proliferação de inúmeras doenças.

Poluição por agrotóxicos

O desenvolvimento da agricultura foi o maior responsável pelo aumento no

uso de agrotóxicos e contaminação ambiental. Os agrotóxicos causam conta- minação do solo e da água, diminuem a biodiversidade e podem comprometer a própria plantação.

Erosão

A erosão tem como causa direta o desmatamento, mencionado anterior-

mente, a agricultura que toma o lugar de grandes áreas de vegetação nativa. Pode-se citar como consequências diretas do processo de erosão, o resseca- mento do solo, a perda de suas propriedades, mudanças climáticas ao redor da área. Braga et al. (2006) relata que a monocultura sem a reposição de nutrientes esgota o solo, reduz sua produtividade, podendo-se chegar à sua esterilização e eventual desertificação. E vale lembrar também que a erosão deve ser caracteri- zada entre erosão geológica ou lenta e erosão acelerada. A primeira se processa sob ação dos agentes naturais e a segunda, ocorre como consequência da ação do homem no ambiente.

Efeito Estufa

Processo também causado pelo desmatamento, pelas queimadas, pelo lan- çamento de gases tóxicos na atmosfera. As consequências diretas disso são: o acúmulo de gases tóxicos na atmosfera e grandes efeitos climáticos.

Diminuição da camada de ozônio

A camada de ozônio está situada na estratosfera, entre 15 e 50 km de altitude,

e tem a capacidade de bloquear as radiações solares, em especial, a radiação ul-

travioleta, impedindo que níveis excessivos atinjam a superfície da Terra (BRAGA et al., 2006). Os gases tóxicos acumulados na atmosfera reagem com o ozônio e diminuem sua concentração. Isso é responsável pelo chamado “buraco na cama- da de ozônio”. Com isso, os raios solares incidem diretamente na superfície da Terra e os danos causados são cada vez maiores e difíceis de serem quantificados, como, por exemplo, os crescentes índices de câncer de pele na população.

Inversão térmica

O ar frio (mais denso) é impedido de circular por uma camada de ar quente

posicionada logo acima. Consequências: concentração da poluição, mudanças climáticas, proliferação de doenças (respiratórias, principalmente). Esse fato tem maior incidência nas grandes metrópoles e centros urbanos e se intensifi- ca no inverno.

Chuva ácida

A chuva ácida é originada da queima do carvão e dos combustíveis fósseis,

dos poluentes industriais que são liberados na atmosfera. Esses compostos rea- gem com as moléculas de água na atmosfera e acabam precipitando uma chuva com o pH bem abaixo do normal, inferior a 5,6. Esse processo altera a compo- sição química do solo e das águas, podendo atingir as cadeias alimentares, des- truir florestas, lavouras, atacar estruturas metálicas, monumentos, edificações

histórias e com perdas patrimoniais significativas. Braga et al. (2006) menciona

a acidificação da água, principalmente em lagos de reservatórios destinados ao abastecimento e produção de energia elétrica.

Lixo

O aumento populacional causa uma maior produção de lixo, especialmente

no atual modelo de produção e consumo. A quantidade de lixo gerada decor- re da população servida. Cada pessoa produz, diariamente, de 0,4 a 0,7 kg de

lixo/dia, valor que pode ultrapassar 1 kg em países desenvolvidos (BRAGA et al., 2006). Em muitos locais, o lixo é despejado nos chamados Lixões, locais sem es- trutura para o tratamento dos resíduos, trazendo sérios problemas para o meio ambiente e para a população. De todos esses aspectos causadores de impactos, as principais consequên- cias para a população são:

•  Aparecimento de doenças respiratórias •  Aparecimento de doenças de veiculação hídrica •  Câncer por radiação ultravioleta •  Desconforto térmico – formando as chamadas ilhas de calor •  Migração das áreas agrícolas por falta de condições de cultivo devido à desertificação •  Redução na qualidade de vida •  Contaminação em áreas de mineração •  Inundação de áreas florestais, agrícolas, vilas e tribos em projetos de usi- nas hidrelétricas •  Extinção de várias espécies por caça e pesca predatória

Ilha de calor é o nome que se dá a um fenômeno climático que ocorre principalmente nas cidades com elevado grau de urbanização. Nestas cidades, a temperatura média costuma ser mais elevada do que nas regiões rurais próximas. São Paulo que é consi- derada uma ilha de calor; tem grande concentração de asfalto e concreto, concentra mais calor, fazendo com que a temperatura fique acima da média dos municípios da região. A umidade relativa do ar também fica baixa nestas áreas. Além disso, a pequena quantidade de áreas verdes o e alto índice de poluição atmosférica, favorecem a eleva- ção da temperatura. A formação de ilhas de calor é extremamente negativa para o meio ambiente, pois favorece a intensificação do aquecimento global.

Vale lembrar que existem muitos aspectos ambientais (ações humanas) e muitos impactos associados (figura 1.3). É recomendado que se estabele- çam critérios e métodos para determinar aqueles que serão considerados significativos.

Ação proposta
Ação proposta

Supressão de elementos do ambiente Inserção de elementos no ambiente Sobrecarga

Situação futura do ambiente Impactos ambientais
Situação futura do ambiente
Impactos
ambientais
Processos modificados Qualidade ambiental modificada
Processos modificados
Qualidade ambiental
modificada

Situação atual do ambiente

Processos ambientais

Qualidade ambiental
Qualidade ambiental

Figura 1.3 – Processos e Impactos Ambientais. Fonte: Sánchez (2013).

1.1.3 Critérios de classificação dos impactos ambientais

Quando se trata de impactos ambientais, é importante que se tenha conheci- mento dos principais impactos, quais deles são mais significativos e como isso pode ser classificado (figura 1.4).

Extensão Magnitude Duração Frequencia
Extensão
Magnitude
Duração
Frequencia

Natureza

Impacto

Ambiental

Efeito Significância Probabilidade Reversibilidade
Efeito
Significância
Probabilidade
Reversibilidade

Figura 1.4 – Critérios para classificação dos impactos ambientais

Desse modo, podem-se classificar os diferentes impactos da seguinte ma- neira, de acordo com as normas da NBR ISO 14000:

Magnitude do impacto

Refere-se à grandeza, com escala espacial e temporal, de um impacto. Classifica-se em:

•  Baixa (1) •  Média (2) •  Elevada (3)

Significância do impacto

Refere-se à intensidade do efeito relacionado com um dado fator ambiental ou outros impactos. Classifica-se em:

•  Desprezível (1) •  Tolerável (2) •  Significativo (3) •  Moderado (4) •  Crítico (5)

Extensão do impacto

Refere-se à distribuição e dimensão da área afetada por um respectivo im- pacto. Classifica-se em:

•  Isolado – só na área da atividade •  Restrito – dentro e fora da unidade de trabalho •  Abrangente – para fora da unidade de trabalho

Duração do impacto

Refere-se à duração (em tempo) de um respectivo impacto. Classifica-se em:

•  Curto (ex: ruído de construção) •  Longo (ex: inundação do solo pela construção de uma barragem) •  Intermitente (ex: explosão) •  Duradouro (ex: campos eletromagnéticos de linhas elétricas)

Frequência do impacto

Refere-se à frequência de ocorrência do impacto. Classifica-se em:

•  Ocasional – no máximo uma vez ao mês •  Frequente – em média uma vez por semana

Ou

•  Baixa (1) – improvável •  Média (2) – provável •  Alta (3) – frequente

Reversibilidade do impacto

Refere-se à possibilidade ou não de eliminação do impacto. Classifica-se quanto à severidade do impacto em:

•  Baixa (1) – reversível com ações imediatas •  Média (2) – danos reversíveis ao meio ambiente sem danos à saúde huma- na com ações mitigadoras •  Alta (3) – irreversível ao meio ambiente e à saúde humana

Probabilidade de ocorrência

Refere-se à probabilidade de ocorrência de um determinado impacto. Alguns impactos podem ser previstos com maior ou menor possibilidade de ocorrência, maior ou menos certeza. Classifica-se em:

•  Pouco provável •  Provável •  Certo •  Desconhecido

A tabela 1.2 mostra a classificação dos impactos segundo dois critérios: a natureza do impacto (benéfico ou adverso) e possibilidade de ocorrência do impacto.

     

COMPONENTES

 
   

FÍSICO

BIÓTICO

 

SOCIOECONÔMICO

 
   

Clima/qualidade do ar/ruído

Geologia/recursos naturais

 

Ecossistema terrestre/restinga

Ecossistema maguezal e de transição

Ecossistema aquático

Uso e ocupação do solo

Patriônio arqueológico

Patrimônio paisagismo

Pesca artesanal e esportiva

Condições de vida da população

   

Natureza do impacto

Recursos hídricos

Economia local

Porto de Santos

 

P

(positivo) – N (negativo)

Possibilidade de ocorrência

 

C

(certa) – Pr (provável) – In (incerta)

 

Recrutamento de mão de obra

                   

P

 

P

                   

C

 

C

Implantação e operação do canteiro de obras e instalações provisórias

   

N

N

N

N/P

 

N

       

P

   

Pr

C

Pr

Pr

 

Pr

       

Pr

Desmatamento e limpeza do terreno

N

 

N

N

N

N

 

N

N

N

     

Pr

 

Pr

C

C

Pr

 

In

C

Pr

     

Utilização de áreas de empréstimo/ jazidas mineiras

N

P

N

     

N

 

N

       

Pr

C

In

     

In

 

In

       

FASES – IMPLANTAÇÃO

Bota-fora do material de limpeza do terreno e do entulho das obras

N

N

N

     

N

 

N

       

Pr

In

In

     

In

 

In

       

Implantação de diques periféricos

N

 

N

 

N

               

Pr

 

Pr

 

Pr

               

Execução de dragagem na área entre

   

N

   

N

             

o

canal e o cais

   

Pr

   

Pr

             
 

Execução do aterro hidráulico

   

N

   

N

             
   

Pr

   

Pr

             

Bota-fora do material de dragagem não aproveitáveis

   

N

   

N

             
   

Pr

   

Pr

           

P

Implantação das obras civis (cais, pavim, armazéns, tancagem)

N

         

P

         

C

Pr

         

C

       

Pr

 

Dispensa de mão de obra da construção civil

                   

N

N

 
                   

C

C

 

Tabela 1.2 – Exemplo de matriz de interação de impactos. Fonte: Sánchez (2013).

1.1.4 Avaliação de Impacto Ambiental

Avaliar as consequências das atividades sobre o meio ambiente é uma forma de evitar que acidentes ambientais ocorram e minimizar os impactos sobre o meio ambiente, além de constituir um item de fundamental importância para um sistema de gestão ambiental adequado. Cendrero (1982 apud Ribeiro, 2014) mostra que nas últimas décadas foram realizados inúmeros trabalhos de planejamento ambiental, zoneamento eco- lógico, ordenação de território. Segundo o autor, planejamento ambiental ou territorial é definido como:

Uma atividade intelectual pela qual se analisam os fatores físico-naturais, econômicos, sociais e políticos de uma zona (país, região, província ou município) e se estabelecem as formas de uso que consideram adequadas para ela, definindo sua amplitude e loca- lização e fazendo recomendações sobre as normas que devem regulamentar o uso do território e de seus recursos na área considerada.

A avaliação de impacto ambiental aparece como um dos instrumentos do planejamento ambiental, no que se refere à análise dos impactos de um empre- endimento proposto. Ribeiro (2014) diz que o objetivo de uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é analisar as consequências ambientais prováveis de uma atividade hu- mana no momento de sua proposição. E, em virtude de sua importância e acei- tação, a AIA passou a ser, a partir da década de 70, uma prática comum aplicada ao processo decisório em vários países do mundo que a adotaram em sua legis- lação ambiental. No Brasil, a AIA foi introduzida pela Lei n. 6.803/80, que “dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição”. Em 1981 foi aprovada a Lei n. 6.938/81 que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e criou o SISNANA (Sistema Nacional do Meio Ambiente). A partir daí, a AIA passou a ser um instrumento da política nacional do meio am- biente. E a Constituição da República Federativa do Brasil, aprovada em 1988, no artigo 225° impõe ao poder público a incumbência de exigir um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para a instalação de obras ou atividades potencial- mente causadoras de impacto ambiental (RIBEIRO, 2914).

A concepção de AIA é um processo mais amplo que inclui:

EIA – Estudo de Impacto Ambiental RIMA – Relatório de Impacto Ambiental AAE – Avaliação Ambiental Estratégica RAP – Relatório Ambiental Preliminar EIV- Estudo de Impacto de Vizinhança RIVI- Relatório de Impacto de Vizinhança Análise de Risco

RIVI- Relatório de Impacto de Vizinhança Análise de Risco CONEXÃO A RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de

CONEXÃO

A RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de 23 de janeiro de 1986, publicado no D. O . U de 17

/2/86; dispõe sobre procedimentos relativos ao Estudo de Impacto Ambiental. O CONSE- LHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, no uso das atribuições que lhe confere

o artigo 48 do Decreto nº 88.351, de 1º de junho de 1983, para efetivo exercício das res-

ponsabilidades que lhe são atribuídas pelo artigo 18 do mesmo decreto, e considerando a necessidade de se estabelecerem as definições, as responsabilidades, os critérios básicos e

as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Você pode ver a Resolução na íntegra no link abaixo:

http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html

Inúmeros aspectos determinam um processo para avaliação de impactos ambientais, podendo-se destacar:

•  A descrição do empreendimento projetado. •  A descrição do meio ambiente na área de influência do projeto. •  A definição dos limites espaciais da área estudada. •  O conhecimento das possíveis alternativas da proposta em estudo (locali- zação e / ou processo operacional). •  A avaliação dos impactos previstos (nas etapas de implantação, operação, planejamento, e desativação). •  A proposição de medidas preventivas, mitigadoras, compensatórias e potencializadoras. •  A definição de um programa de monitoramento.

Descrição do projeto

É a primeira etapa em um Estudo de Impacto Ambiental. É preciso descre-

ver todas as atividades e as formas como elas serão desenvolvidas, os recursos utilizados, os resíduos gerados. Além disso, é importante destacar a justifica- tiva da escolha do projeto e do local de implantação, indicando benefícios so- ciais, econômicos, ambientais que possam existir.

Descrição do meio ambiente e área de influência do projeto

Essa descrição exige estudos mais aprofundados. A descrição deve abran- ger sua totalidade e cobrir os aspectos do meio físico, meio biológicos e meio antrópico. É o conhecimento do meio onde o projeto vai ser implantado que permite identificar as alterações possíveis dos aspectos ambientais em função das ações do projeto.

Determinação e avaliação dos impactos

É a etapa mais crítica da elaboração de um EIA, já que é necessário um co-

nhecimento aprofundado sobre todas as atividades e seus efeitos no ambiente. Existem inúmeras metodologias para se determinar os impactos ambientais e cada equipe escolhe aquela ou aquelas que melhor atenderem as necessida- des do projeto. É necessário que os impactos sejam descritos para cada fase do empreendimento.

Prevenção, atenuação, potencialização e compensação

São medidas que podem ser tomadas de modo a prevenir, atenuar ou eli- minar eventuais efeitos negativos do empreendimento e, se possível, melho- rar a qualidade do meio ambiente. Para os efeitos positivos ou benéficos, são propostas medidas potencializadoras para otimizar a utilização dos recursos. Medidas compensatórias só serão utilizadas quando, após esgotadas as medi- das preventivas e mitigadoras, ainda restem impactos negativos do projeto em questão.

Monitoramento

Programas de monitoramento são extremamente importantes porque regis- tram a dinâmica do processo, identificam impactos não previstos, permitem a verificação de compromissos assumidos, determinando a eficácia de medidas mitigadoras e permitindo o estabelecimento de medidas compensatórias.

1.1.5 EIA/Rima

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto sobre o Meio Am-

biente (Rima) são um conjunto, a diferença entre estes dois documentos é que apenas o RIMA é de acesso público. Assim, o texto do RIMA deve ser mais acessí-

vel ao público, e instruído por mapas, quadros, gráficos e tantas outras técnicas quantas forem necessárias ao entendimento claro das consequências ambien- tais do projeto.

O EIA/RIMA é feito por uma equipe multidisciplinar, pois deve considerar

o impacto da atividade sobre os diversos meios ambientais: natureza, patrimô- nio cultural e histórico, o meio ambiente do trabalho e o antrópico.

O EIA/RIMA cumpre o princípio da publicidade, pois permite a participação

pública na aprovação de um processo de licenciamento ambiental que conte- nha este tipo de estudo, através de audiências públicas com a comunidade que será afetada pela instalação do projeto. O conteúdo de um EIA/RIMA é estipu- lado por termo de referências dos órgãos ambientais competentes e pela legis- lação pertinente.

EIA

O EIA é um relatório técnico elaborado por uma equipe multidisciplinar,

independente do empreendedor, tecnicamente habilitada para analisar os as-

pectos físicos, biológicos e socioeconômicos do ambiente, e que deve obedecer às seguintes diretrizes gerais (CONAMA, 1986):

I. Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do pro-

jeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto.

II. Identificar e avaliar os impactos ambientais gerados nas fases de im-

plantação e de operação.

III.

Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afe-

tada pelos impactos, denominada área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza.

IV. considerar os planos e programas governamentais, propostos e em im-

plantação, na área de influência do projeto e sua compatibilidade.

Como conteúdo mínimo o EIA deverá apresentar:

I. Informações gerais do empreendedor (identificação, histórico,

localização

II. Caracterização do empreendimento (objetivo, porte, etapas de

implantação).

III. Área de influência do empreendimento.

IV. Diagnóstico ambiental da área de influência – descrição e análi-

se dos recursos ambientais e suas interações com o meio físico, biológico e socioeconômico.

V. Análise dos impactos e empreendimentos e de suas alternativas – identi-

ficação, previsão de magnitude e importância dos impactos relevantes prováveis.

VI. Definição de medidas mitigadoras dos impactos negativos.

VII. Definição de programa de acompanhamento e monitoramento dos im-

pactos e das medidas mitigadoras através dos fatores e parâmetros ambientais de interesse.

Rima

O Relatório de Impactos do Meio Ambiente é um relatório resumo dos es-

tudos do EIA, em linguagem objetiva e acessível para não técnicos, contendo:

I. Objetivos e justificativas do empreendimento.

II. Descrição do empreendimento e das alternativas locacionais e tecnoló-

gicas existentes (área de influência, matéria-prima, energia, processos, efluen-

tes, resíduos

).

III. Síntese dos resultados do diagnóstico ambiental.

IV. Descrição dos impactos prováveis.

V. Caracterização da qualidade ambiental futura.

VI. Efeitos esperados das medidas mitigadoras.

VII. Programa de acompanhamento e monitoramento.

VIII. Conclusões e recomendações da alternativa mais favorável.

Resumo do processo decisório para habilitação ao licenciamento no estado de SP

1. O empreendedor deverá entregar, na Secretaria do Meio Ambiente (SMA), os

seguintes documentos:

•  requerimento do pedido de análise do EIA/Rima •  6 cópias do EIA e do Rima, bem como súmula do EIA/Rima •  cópia da publicação sobre o empreendimento em periódico do local ou região •  comprovante de regularização a que esteja filiada a empresa consultora respon- sável pela elaboração do EIA/Rima

2. A SMA procederá sequencialmente:

•  análise preliminar, em até 15 dias, para saber se o EIA/Rima está de acordo com a legislação •  análise do EIA/Rima com emissão de parecer técnico em até 3 meses •  envio do parecer técnico e respectiva súmula indicando a aprovação, repro- vação ou aprovação com exigências complementares ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA).

ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA). ATIVIDADES 01. Defina Impacto Ambiental. 02. Analise a

ATIVIDADES

01. Defina Impacto Ambiental.

02. Analise a matriz de interações apresentada na tabela 1.2 desse capítulo e discuta ao

menos 03 impactos positivos e/ou negativos presentes na fase de implantação do projeto

em questão.

presentes na fase de implantação do projeto em questão. REFLEXÃO Para um melhor entendimento sobre Avaliação

REFLEXÃO

Para um melhor entendimento sobre Avaliação de Impacto Ambiental, precisamos compre- ender o que são os impactos ambientais, quais as principais fontes de impacto, e sempre tendo em mente que os impactos podem ser positivos ou negativos. A Avaliação de Impacto Ambiental é um dos instrumentos mais importantes para a prote- ção dos recursos ambientais e se tornou instrumento previsto na lei para autorização de em- preendimentos ou atividades potencialmente causadoras de degradação ambiental e deve ser elaborada por pessoas habilitadas numa equipe multidisciplinar, atendendo às exigências mínimas de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e de um Relatório de Impacto do Meio

Ambiente (Rima). Existem inúmeras atividades que estão sujeitas à elaboração de um estudo de impacto ambiental, porém existem outras que não constam desse rol e poderão sujeitar- se às mesmas exigências. A decisão dos órgãos competentes sobre a possibilidade ou não de autorização de um empreendimento ou atividade, sujeitas à elaboração de um EIA vai depender das condições dos impactos, e merece ser observado que o referido estudo não se limita a demonstrar os efeitos da realização do projeto sobre o meio ambiente, mas analisa, também, as consequências de sua não execução.

analisa, também, as consequências de sua não execução. LEITURA SILVA, M. M. A.; LACERDA E MEDEIROS,

LEITURA

SILVA, M. M. A.; LACERDA E MEDEIROS, M. J.; SILVA, P. K. SILVA, M. M. P. Impactos Ambientais causados em decorrência do rompimento da Barragem Camará no município de Alagoa Grande, PB. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v.6, n.1, p.20-34, 2006. O artigo em questão trata dos impactos ambientais causados em decorrência do rom- pimento da Barragem de Camará no município de Alagoa Grande / PB, mostrando que o rompimento da barragem ocorreu devido a falhas em sua construção, trouxe diversos impac- tos negativos, como: perda de bens materiais, de imóveis, do patrimônio público, da reserva hídrica, a morte de animais e de seres humanos, desequilíbrios emocionais, econômicos, ecológicos e agrícolas; e como impacto positivo, a solidariedade. Várias espécies animais e vegetais foram afetadas. Os autores afirmam que é preciso motivar a realização de Educação Ambiental no município, no sentido de fomentar mudanças e resgate da autoestima local.

sentido de fomentar mudanças e resgate da autoestima local. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAGA, B. et al. Introdução

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2ª dição, 318 pp., 2006. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, Brasil. Resolução n° 001. Brasília, 1986. GRANATO, S. F.; SIMÕES, N. Lixo: problema nosso de cada dia. Editora: Saraiva, 1ªedição, 64 pp.,

2005.

KORMONDY, E. J.; BROWN, D. E. Ecologia humana. São Paulo: Atheneu, 503 pp., 2002. NBR ISO 14001:2004. 2004. Sistemas da Gestão Ambiental – Requisitos com orientações para o uso, 20 p. PHILIPPI JR., A.; ROMÉRO. M. A.; BRUNA, G. C. Curso de Gestão Ambiental. Editora Manole, 2ª edição atualizada e ampliada, 1245pp., 2014.

RIBEIRO, H. Estudo de Impacto Ambiental como instrumento de planejamento. IN: PHILIPPI JR., A.; ROMÉRO. M. A.; BRUNA, G. C. Curso de Gestão Ambiental. Editora Manole, 2ª edição atualizada e ampliada, p. 853-882, 2014. SANCHES, L. E. Avaliação de Impacto Ambiental – conceitos e métodos. Oficina de textos, 2ªedição, 583 pp., 2013.

2

Avaliação de Impacto Ambiental - Histórico, Política e Legislação Ambiental

No segundo capítulo iremos conhecer um pouco mais sobre as políticas am- bientais. Quais as principais leis, resoluções que tratam da questão ambiental no Brasil e como elas se relacionam com o processo de Avaliação de Impacto Ambiental. Veremos também o que é Gestão Ambiental, o Sistema de Gestão Ambiental baseado na norma ISO 14001. E por fim analisaremos o processo de certifica- ção ambiental, os passos, requisitos necessários e aplicações. Vamos lá?

passos, requisitos necessários e aplicações. Vamos lá? OBJETIVOS •  Conhecer as principais leis e resoluções

OBJETIVOS

•  Conhecer as principais leis e resoluções relativas ao Meio Ambiente e um breve histórico desse processo; •  Identificar os principais instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, com ênfase no zoneamento ambiental, Avaliação de Impactos Ambientais e Licenciamento Ambiental; •  Identificar os principais pontos da Lei de Crimes Ambientais; •  Compreender as etapas do processo de licenciamento ambiental, as diferentes formas de licença ambiental; •  Ampliar os conhecimentos sobre o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), certificação am- biental e a norma ISO 14001.

2.1 Avaliação de Impacto Ambiental – histórico, política e legislação ambiental

De maneira geral e em vários países, a poluição era vista como um indicador de progresso. E essa visão perdurou até que os problemas ambientais começas- sem a se tornar evidentes. A partir daí, começaram a surgir as primeiras normas de controle ambiental editadas pelo Poder Público. Braga et al. (2006) relata que no Brasil, a evolução da legislação ambiental, foi semelhante à que ocorreu em outros países, tendo sido criada uma estrutura bastante complexa para se desenvolvimento e implantação. Na Constituição Federal, o capítulo VI se refere especificamente ao meio ambiente, e incorpora várias disposições de lei federal anterior, a Lei 6.938/81, considerada um marco na área ambiental. A seguir, um dos principais artigos da legislação ambiental: CF de 1988, capítulo VI, art. 225 (Brasil, 1989):

Art. 225 – Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibra- do, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1° – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I. preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o ma-

nejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II. preservar a diversidade e integridade do patrimônio genético do país

e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

III. definir, em todas as Unidades da Federação, espaços territoriais e seus

componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supres-

são permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que compro- meta a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

IV. exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencial-

mente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

V. controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, mé-

todos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e ao meio ambiente;

VI.

promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a cons-

cientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII. proteger a fauna e a flora, vedadas na forma da lei, as práticas que co-

loquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade;

§ 2° – Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o

meio ambiente degradado, de acordo coma solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

§ 3° – As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujei-

tarão aos infratores, pessoas físicas ou jurídicas, sanções penais e administrati- vas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

§ 4° – A Floresta Amazônica Brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o

Pantanal Matogrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utili- zação far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preserva- ção do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

§ 5° – São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias a proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6° – As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em Lei Federal, sem o que não poderão ser instaladas.

2.1.1 Legislações de proteção dos recursos ambientais e a Política Nacional do Meio Ambiente

Na década de 60 foram promulgadas algumas leis federais de grande impor- tância para o meio ambiente, mas somente em 1981, a Lei Federal 6.938, es- tabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), fixando princípios, objetivos e instrumentos. Foi estabelecido o SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) e criado

o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Foi reconhecida nessa lei,

a legitimidade do Ministério Público da União para propor ações de responsa-

bilidade civil e criminal por danos causados ao meio ambiente. Após sua pro- mulgação, essa lei ainda sofreu algumas alterações. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.

É importante notar que a Lei n° 6.938/81 ampliou o conceito de poluição,

definindo como “degradação da qualidade ambiental” e inclui, não apenas o

lançamento de matéria e poluentes nas águas, solo e no ar, e também qualquer atividade que, direta ou indiretamente, cause os efeitos descritos na lei.

O artigo 2º da Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a pre-

servação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, vi- sando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios, como vemos abaixo (BRASIL, 1981):

Art. 2º – A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preserva- ção, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos inte- resses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, aten- didos os seguintes princípios:

I. ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, conside-

rando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo;

II. racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;

III. planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;

IV. proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;

V. controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente

poluidoras;

VI. incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso

racional e a proteção dos recursos ambientais;

VII. acompanhamento do estado da qualidade ambiental;

VIII. recuperação de áreas degradadas; (Regulamento)

IX. proteção de áreas ameaçadas de degradação;

X. educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação

da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.

Art. 6º – Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental, cons- tituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA, assim estruturado:

I.

órgão superior: o Conselho de Governo, com a função de assessorar o

Presidente da República na formulação da política nacional e nas diretrizes go- vernamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais; (Redação dada pelo(a) Lei nº 8.028, de 1990).

II. órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente

CONAMA, com a finalidade de assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e es- sencial à sadia qualidade de vida; (Redação dada pelo(a) Lei nº 8.028, de 1990).

III. órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da

República, com a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar,

como Órgão Federal, a política nacional e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; (Redação dada pelo(a) Lei nº 8.028, de 1990).

IV. órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos

Naturais Renováveis, com a finalidade de executar e fazer executar, como Órgão Federal, a política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; (Redação dada pelo(a) Lei nº 8.028, de 1990).

V. órgãos seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela

execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades ca- pazes de provocar degradação ambiental.

VI. órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo

controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições. (Redação dada pelo(a) Lei nº 8.028, de 1990).

§ 1º Os Estados, na esfera de suas competências e nas áreas de sua jurisdi- ção, elaborarão normas supletivas e complementares e padrões relacionados com o meio ambiente, observados os que forem estabelecidos pelo CONAMA.

§ 2º Os Municípios, observadas as normas e os padrões federais e estaduais,

também poderão elaborar as normas mencionadas no parágrafo anterior.

§ 3º Os órgãos central, setoriais, seccionais e locais mencionados neste arti-

go deverão fornecer os resultados das análises efetuadas e sua fundamentação, quando solicitados por pessoa legitimamente interessada.

§ 4º De acordo com a legislação em vigor, é o Poder Executivo autorizado a

criar uma fundação de apoio técnico e científico às atividades do IBAMA. A seguir são listados os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, conforme a artigo 9° da Lei n° 6.938/81, com suas alterações posteriores.

Art. 9º – São Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:

I. o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;

II. o zoneamento ambiental;

III. a avaliação de impactos ambientais;

IV. o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente

poluidoras;

V. os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou

absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental;

VI. a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder

Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas;

VII. o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente;

VIII. o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa

Ambiental;

IX. as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento

das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.

X. a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser di-

vulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; (Incluído pela Lei nº 7.804/89).

XI. a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente,

obrigando-se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes; (Incluído pela Lei nº 7.804/89).

XII. o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/

ou utilizadoras dos recursos ambientais. (Incluído pela Lei nº 7.804/89).

XIII. instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão am-

biental, seguro ambiental e outros.

O Zoneamento ambiental é um dos principais instrumentos dentro da Política Nacional do Meio Ambiente. Pode-se afirmar que o zoneamento ambiental é o instrumento mais adequado para a obtenção respostas amplas com relação à viabilidade da ocupação de diferentes áreas, tanto em relação aos fatores ambientais que devem ser considerados como também na delimitação das áreas de influência e/ou identificação de conflitos. Trata-se, portanto, de um instrumento essencial para a efetividade de outros instrumen- tos (MONTAÑO et al., 2007).

O Estudo de Impacto Ambiental faz parte da Avaliação de Impacto Ambiental, outro importante instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. Os Estudos de Impacto Ambiental exigidos em processos de licenciamento ambiental. A avaliação da capacidade de suporte do meio diante de uma ação definida, ao ser previamente contemplada por um zoneamento ambiental, pode contribuir para o Estudo de Impacto Ambiental, fornecendo respostas importantes para a tomada de decisão relacionada ao empreendimento proposto.

2.1.2 Lei de Crimes Ambientais

Braga et al. (2006), relata que a Lei n° 9.605/98 é um dos instrumentos legais que ganhou bastante destaque dentro do conjunto de normas para o controle da qualidade ambiental. Essa lei passou a ser conhecida como Lei de Crimes Ambientais, e dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente e dá outras providências. Diferentemente do que ocorria no passado, a lei define a responsabilidade das pessoas jurídicas, permitindo que grandes empresas sejam responsabili- zadas criminalmente pelos danos que seus empreendimentos possam causar

à natureza. Um exemplo, matar animais continua sendo crime, exceto para sa-

ciar a fome do agente ou da sua família; os maus-tratos, as experiências doloro- sas ou cruéis, o desmatamento não autorizado, a fabricação, venda, transporte ou soltura de balões, hoje são crimes que sujeitam o infrator à prisão. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei N.º 9.605/98), os crimes am- bientais são classificados em cinco tipos diferentes:

•  Crimes contra a fauna (arts. 29 a 37): São as agressões cometidas contra animais silvestres, nativos ou em rota migratória, como a caça, pesca, trans-

porte e a comercialização sem autorização; os maus-tratos; a realização expe- riências dolorosas ou cruéis com animais quando existe outro meio, indepen- dente do fim. Também estão incluídas as agressões aos habitats naturais dos animais, como a modificação, danificação ou destruição de seu ninho, abrigo ou criadouro natural. A introdução de espécimes animal estrangeiras no País sem a devida autorização também é considerado crime ambiental, assim como

a morte de espécimes devido à poluição.

•  Crimes contra a flora (art. 38 a 53): Causar destruição à vegetação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), em qualquer estágio, ou a Unidades de Conservação (UC); provocar incêndio em mata ou floresta ou fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocá-lo em qualquer área; extração,

corte, aquisição, venda, exposição para fins comerciais de madeira, lenha, carvão

e outros produtos de origem vegetal sem a devida autorização ou em desacordo

com esta; extrair de florestas de domínio público ou de preservação permanente

pedra, areia, cal ou qualquer espécie de mineral; impedir ou dificultar a regenera- ção natural de qualquer forma de vegetação; destruir, danificar, lesar ou maltra- tar plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia; comercializar ou utilizar motosserras sem a devida autorização. •  Da poluição e outros crimes ambientais (art. 54 a 61): Todas as atividades humanas produzem poluentes (lixo, resíduos, e afins), no entanto, apenas será considerado crime ambiental passível de penalização a poluição acima dos li- mites estabelecidos por lei. Além desta, também é criminosa a poluição que provoque ou possa provocar danos à saúde humana, mortandade de animais

e destruição significativa da flora. Assim como, aquela que torne locais impró- prios para uso ou ocupação humana, a poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público e a não adoção de medidas preventivas

em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível. São considerados cri- mes ambientais a pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem auto- rização ou em desacordo com a obtida e a não recuperação da área explorada;

a produção, processamento, embalagem, importação, exportação, comerciali-

zação, fornecimento, transporte, armazenamento, guarda, abandono ou uso de substâncias tóxicas, perigosas ou nocivas à saúde humana ou em desacordo com as leis; a operação de empreendimentos de potencial poluidor sem licença ambiental ou em desacordo com esta; também se encaixam nesta categoria de crime ambiental a disseminação de doenças, pragas ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora e aos ecossistemas. •  Crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural (art. 62 a 65): Ambiente é um conceito amplo, que não se limita aos elementos naturais (solo, ar, água, flora, fauna). Na verdade, o meio ambiente é a interação destes, com elementos artificiais -- aqueles formados pelo espaço urbano construído e alterado pelo homem - e culturais que, juntos, propiciam um desenvolvimento equilibrado da vida. Desta forma, a violação da ordem urbana e/ou da cultura também configura um crime ambiental.

•  Crimes contra a administração ambiental (art. 66 a 69): São as condutas que dificultam ou impedem que o Poder Público exerça a sua função fiscaliza- dora e protetora do meio ambiente, seja ela praticada por particulares ou por funcionários do próprio Poder Público. Comete crime ambiental o funcionário público que faz afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar infor- mações ou dados técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental; ou aquele que concede licença, autorização ou per- missão em desacordo com as normas ambientais, para as atividades, obras ou serviços cuja realização depende de ato autorizativo do Poder Público. Também comete crime ambiental a pessoa que deixar de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental, quando tem o dever legal ou contratual de fazê-la, ou que dificulta a ação fiscalizadora sobre o meio ambiente.

que dificulta a ação fiscalizadora sobre o meio ambiente. CONEXÃO A Lei 9.605, de 12 de

CONEXÃO

A Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, dispões

sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente,

e dá outras providências. O capítulo V, em especial, trata dos Crimes contra o Meio Ambiente.

Você pode ter acesso a Lei na íntegra pelo link abaixo:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm

2.2 Licenciamento Ambiental

O Licenciamento Ambiental é um dos instrumentos de maior importância, dentro da Política Nacional do Meio Ambiente; juntamente com a Avaliação de Impacto Ambiental que será discutida com maior profundidade nos próximos capítulos. De acordo com a norma federal, estão sujeitas a licenciamento as obras ou atividades que utilizem recursos ambientais consideradas efetivas ou poten- cialmente poluidoras, bem como as atividades capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. (BRAGA et al., 2006). Nos termos da Resolução CONAMA 237/97, a competência legal para licen- ciar, quando definida em função da abrangência dos impactos diretos que a atividade pode gerar, pode ser:

•  do município – se os impactos diretos forem locais; •  do estado - se os impactos diretos atingirem dois ou mais municípios; •  do IBAMA- se os impactos diretos se derem em dois ou mais estados.

A Lei n° 6.938/81 deu origem ao sistema de tríplice licença, instituído por meio da resolução CONAMA n° 237, de 19.12.1997:

Licença Prévia (LP) – fase preliminar do planejamento da atividade, contendo re- quisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, instalação e operação, observados os planos municipais, estaduais ou federais de uso do solo. É nessa fase que deve ser solicitado, quando for o caso, o estudo de impacto ambiental. Licença de Instalação (LI) – autoriza o início da implantação, de acordo com as especificações constantes do projeto executivo aprovado. Licença de Operação (LO) – autoriza, após as verificações necessárias, o início da operação da atividade licenciada e o funcionamento de seus equipamentos, de acordo com o estabelecido nas licenças prévias e de instalação. Parágrafo único - As licenças ambientais poderão ser expedidas isolada ou su- cessivamente, de acordo com a natureza, características e fase do empreendimento ou atividade.

Vale reforçar a diferença entre Licenciamento Ambiental e Licença Ambiental. Licenciamento ambiental é um procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambien- tais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental (art. 1°, resolução CONAMA n° 237/97). Licença ambiental é um ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle am- biental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurí- dica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental (art. 1°, resolução CONAMA n° 237/97). E quais atividades estão sujeitas ao licenciamento ambiental?

Atividades elencadas no Anexo I da resolução CONAMA n° 237/97:

•  Extração e tratamento de minerais •  Indústria de produtos minerais não metálicos •  Indústria metalúrgica •  Indústria mecânica •  Indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações •  Indústria de material de transporte •  Indústria de madeira •  Indústria de papel e celulose •  Indústria de borracha •  Indústria de couros e peles •  Indústria química •  Indústria de produtos de matéria plástica •  Indústria têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos •  Indústria de produtos alimentares e bebidas •  Indústria de fumo •  Indústrias diversas •  Obras civis •  Serviços de utilidade •  Transporte, terminais e depósitos •  Turismo •  Atividades diversas •  Atividades agropecuárias •  Uso de recursos naturais

Atividades agropecuárias •  Uso de recursos naturais CONEXÃO O Anexo I da resolução CONAMA n° 237/97

CONEXÃO

O Anexo I da resolução CONAMA n° 237/97 traz a lista de todas as atividades que estão sujeitas a licenciamento ambiental e os setores que necessitam de tal procedimento. Você pode ver a lista completa no link abaixo:

http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html

O cancelamento de uma licença se dá automaticamente nos seguintes

casos:

•  Não atendimento a condicionantes técnicas •  Incoerência nas informações prestadas pelo empresário •  Ocorrência de graves riscos ambientais e de saúde

Dependendo da gravidade da situação, a licença poderá ser cassada ou sus- pensa temporária ou definitivamente. Uma licença cancelada pode ser reavida mediante atendimento das condicionantes pelo órgão ambiental. Ressalta-se que o EIA/RIMA não é o único estudo ambiental considerado no processo de licenciamento. Outros estudos, que abordam os aspectos am- bientais relacionados à localização, instalação e operação de uma atividade ou empreendimento, podem ser usados como subsídio para a análise de licença requerida, como o Plano de Controle Ambiental – PCA e Relatório de Controle Ambiental – RCA, dentre outros. Esses e outros documentos importantes serão abordados no capítulo 05.

2.3 Gestão Ambiental

A gestão do meio ambiente deve ser integrada com a gestão global da organi- zação, e a melhor forma de se conseguir isso é através da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental. Um Sistema de Gestão é a maneira como o trabalho de uma organização deve ser realizado, necessita que se tenha uma visão do todo. Essa Gestão deve incluir:

•  Estrutura organizacional •  Responsabilidades •  Procedimentos •  Processos e recursos

Já um Sistema de Gestão Ambiental é o processo desenvolvido para resolver

questões de caráter ambiental, visando sempre o desenvolvimento sustentável através de diretrizes voltadas para uma política ambiental numa empresa ou unidade produtiva, para avaliar e controlar os impactos ambientais causados por suas atividades.

Um Sistema de Gestão Ambiental busca:

•  Fornecer as ferramentas necessárias para alcançar as metas ambientais e melhoria contínua do desempenho de uma empresa. •  Buscar a qualidade ambiental. •  Avaliar a estratégia da empresa. •  Adotar medidas de prevenção da poluição.

Uma empresa que consegue estabelecer um Sistema de Gestão Ambiental

garante a qualidade dos produtos, serviços e processos; apresenta economia

e redução no consumo de recursos ambientais; aumenta as possibilidades de financiamento devido ao bom histórico ambiental.

2.3.1 A norma ambiental ISO 14000

A ISO (Internacional Organization for Standadization) é uma organização inter-

nacional privada, sem fins lucrativos, que foi criada na Suíça, em 1946, e cujo principal o objetivo era criar um conjunto de normas de fabricação, comércio

e comunicações, estabelecendo padrões mínimos de aceitação (RAMOS et al.,

2006). Os autores relatam que as normas voltadas para o meio ambiente são recentes. A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) também é uma entidade privada, independente, sem fins lucrativos, e é membro fundador e único representante da ISO no Brasil. As normas da série ISO 14000 compreendem um conjunto de normas de gestão ambiental, não obrigatórias e de âmbito internacional, que fornece à empresa uma estrutura para gerenciar os impactos ambientais e possibilita de- terminada organização a obter a certificação ambiental. Essas normas também tratam das diretrizes para auditoria ambiental, rótulos e declarações ambien- tais, avaliação do desempenho ambiental e análise do ciclo de vida (BRAGA et al., 2006) (figura 2.1).

Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental

Gestão Ambiental

ISO 14000

ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000
Gestão Ambiental ISO 14000 Sistema gestão ambiental Avaliação Auditoria desempenho ambiental ambiental
Gestão Ambiental ISO 14000 Sistema gestão ambiental Avaliação Auditoria desempenho ambiental ambiental
Gestão Ambiental ISO 14000 Sistema gestão ambiental Avaliação Auditoria desempenho ambiental ambiental
Sistema gestão ambiental Avaliação Auditoria desempenho ambiental ambiental Organização
Sistema gestão
ambiental
Avaliação
Auditoria
desempenho
ambiental
ambiental
Organização
Análise ciclo de vida Rotulagem ambiental Aspectos ambientais padrões produtos
Análise ciclo de vida
Rotulagem ambiental
Aspectos ambientais
padrões produtos

Produto

Figura 2.1 – Divisão das normas ISO 14000 em normas orientadas para produtos e para processos. Fonte: Pombo & Magrini (2008).

A seguir, a família das normas da ISO 14000, que aborda a gestão ambiental por meio de vários grupos de normas (figura 2.2).

Subcomitê da ABNT/CB-38

Norma NBR-ISO

SC 01 – Sistemas de gestão ambiental

NBR-ISO 14001:2004. Sistemas de gestão ambiental – requisitos com orientações para uso. NBR-ISO 14004. Sistemas de gestão ambiental – diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio.

SC 02 – Auditorias ambientais

NBR-ISO 14015. Sistemas de gestão ambiental – avaliações ambientais de localida- des e organizações. NBR-ISO 19011. Diretrizes para auditorias de qualidade e ambiental.

SC 03 – Rotulagem ambiental

NBR-ISO 14021. Auto declarações ambientais (rótulo ambiental tipo II). NBR-ISO 14024. Rótulo ambiental tipo I (de terceira parte).

SC 04 – Avaliação de desempenho ambiental

NBR-ISO 14031. Avaliação do desempenho ambiental – diretrizes.

SC 05 – Avaliação do ciclo de vida

NBR-ISO 14040. Avaliação do ciclo de vida – princípios e estrutura. NBR-ISO 14041. Avaliação do ciclo de vida – denição de escopo e análise do inventário. NBR-ISO 14042. Avaliação do ciclo de vida – avaliação do impacto do ciclo de vida. NBR-ISO 14043. Avaliação do ciclo de vida – interpretação do ciclo de vida.

SC 06 – Termos e denições

NBR-ISO 14050 Rev. 1. Termos e denições.

SC 07 – Aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos (ecodesign)

NBR-ISO TR 14062. É um relatório técnico, com o mesmo título do subcomitê.

Figura 2.2 – As normas NBR-ISO publicadas até o momento. Fonte: Pombo & Magrini, 2008.

Da subsérie, a mais importante é a ISO 14001, que trata dos requisitos com orientações para uso de um Sistema de Gestão Ambiental e é passível de certi- ficação junto a terceiros.

Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental

A figura 2.3 traz a abordagem básica com relação os requisitos estabeleci-

dos pela ISO 14001.

Programa de Gestão Ambiental, conforme a Norma ISO 14.001. Melhoria contínua Revisão do Gerenciamento
Programa de Gestão Ambiental,
conforme a Norma ISO 14.001.
Melhoria
contínua
Revisão do
Gerenciamento

Política

Ambiental

contínua Revisão do Gerenciamento Política Ambiental Planejamento • Aspectos Ambientais • Requisitos

Planejamento

Aspectos Ambientais

Requisitos Legais

Objetivos e Metas

Programa de Gerenciamento Ambiental

Objetivos e Metas • Programa de Gerenciamento Ambiental Checagem e Ação Corretiva • Monitoramento e medição
Objetivos e Metas • Programa de Gerenciamento Ambiental Checagem e Ação Corretiva • Monitoramento e medição

Checagem e Ação Corretiva

Monitoramento e medição

Não conformidades e ações corretivas

Registros Auditoria do SGA

e ações corretivas • Registros Auditoria do SGA Implementação e Operação • Estrutura e

Implementação e Operação

Estrutura e responsabilidades

Treinamento, conscientização e competências

Comunicação

Documentação do SGA

Controle operacional

Controle de emergências e responsabilidades

Figura 2.3 – Programa de Gestão Ambiental conforme a norma ISO 14001. Fonte: Braga et al. (2006).

A seguir são detalhados os elementos de um Sistema de Gestão Ambiental,

com base na norma ISO 14001.

•  Requisitos gerais: a norma contém requisitos baseados no processo de planejar, implementar, verificar e analisar, permitindo à organização estabele- cer uma política ambiental apropriada, dentre outros. •  Política ambiental: dá um senso global de direção e apresenta os princí- pios de ação para uma organização sendo estabelecidas metas relativas ao de- sempenho e responsabilidade ambiental. •  Planejamento: com base na política ambiental, a organização deve fazer um planejamento com o objetivo de atender aos requisitos estabelecidos. •  Implementação e Operação: deve ser conduzido de forma a serem atingi- dos os objetivos e metas estabelecidas.

•  Verificação e ações corretivas: são necessários procedimentos estabeleci- dos para monitorar e medir as principais características das operações e ativi- dades que podem causar impacto ao meio ambiente e devem ser estabelecidas ações corretivas para eliminar as causas reais ou potenciais, que poderiam re- sultar em impactos ambientais. •  Revisão do gerenciamento: a administração da organização deve, em in- tervalos predefinidos, revisar o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), asseguran- do que ele continue adequado e efetivo. Assim, as quatro fases de execução de um SGA são:

•  Definição e comunicação do projeto, onde é produzido um documento de trabalho que irá detalhar e especificar como será implantado o SGA. •  Planejamento do SGA, realizando uma revisão ambiental inicial e plane- jando o sistema. •  Instalação do SGA. •  Auditoria e certificações.

Um SGA desenvolvido e implantado com base na norma ISO 14001 pode ser certificado por uma organização independente ou, então, pode ser usado para que a empresa emita uma autodeclaração de conformidade com a norma, de maneira a melhor se posicionar no mercado (BRAGA et al., 2006). Nos controles da documentação de um SGA, deve-se assegurar que (FORTE, 2007):

•  Sejam facilmente localizados; •  Periodicamente revisados conforme necessário e aprovado por pessoal autorizado; •  As versões atualizadas dos documentos estejam nos locais onde sejam re- alizadas as operações; •  Documentos obsoletos sejam prontamente removidos, prevenindo o uso não intencional.

Quando uma empresa reduz de modo eficiente suas despesas com recursos naturais e eliminação de rejeitos, ela diminui suas despesas, podendo, portan- to, até reduzir o preço de seus produtos. Esse aumento na produtividade e, con- sequentemente, na competitividade, permite que a empresa supere a concor- rência, tanto no mercado interno, quanto no mercado externo.

2.3.2 Certificação Ambiental

De acordo com as normas da ISO 14001 (ABNT, 2004), a parte interessada é o grupo relacionado ou afetado pelo desempenho ambiental de uma organiza- ção. Os fabricantes garantem eficácia da implantação dos sistemas de controle e garante a qualidade nas empresas, diminuindo a perda de produtos, os custos da produção e evita desperdícios. A certificação também aumenta a satisfação do cliente, facilita a venda de produtos e abre novos mercados. O produto certi- ficado tem maior confiabilidade pelo consumidor. (BRAGA et al., 2006). As organizações certificadas obtêm uma imagem positiva, em reposta às crescentes pressões ambientais, obtendo vários benefícios: instituições finan- ceiras e governos (maiores facilidades de crédito e incentivos); companhias de seguro (planos mais atrativos); acionistas (maior valorização dos negócios da empresa); mercado (menos barreiras comerciais); clientes (maior confiança e credibilidade); funcionários, ONGs e da comunidade em geral (maior conscien- tização, conforto e tranquilidade). Depois de certificada, a empresa passa por auditorias ambientais de certifi- cação. Nessas auditorias verifica-se, principalmente:

•  O cumprimento da legislação ambiental; •  Diagnóstico atualizado dos aspectos e impactos ambientais de cada atividade; •  Procedimentos padrões e planos de ação para eliminar ou diminuir im- pactos ambientais sobre os aspectos ambientais; •  Pessoal devidamente treinado e qualificado.

•  Pessoal devidamente treinado e qualificado. ATIVIDADES 01. Qual a diferença entre licenciamento

ATIVIDADES

01. Qual a diferença entre licenciamento ambiental e licença ambiental?

02. Quais são as principais licenças ambientais e quais os principais requisitos para sua

obtenção?

03. Faça uma pesquisa sobre outras licenças ambientais específicas, definidas pelo CO-

NAMA.

REFLEXÃO

REFLEXÃO

Por fim “Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende,

e não há sucesso no que não se gerencia”

(William Edwards Deming) .

A reflexão acima é um exemplo da importância de se conhecer, de se entender num pri-

meiro momento a estrutura e o funcionamento de uma empresa para que possa se implantar,

num segundo momento, um adequado sistema de gestão.

num segundo momento, um adequado sistema de gestão. LEITURA GRAVINA, M. G. P. 2008. O processo

LEITURA

GRAVINA, M. G. P. 2008. O processo de certificação ISO 14001. Estudo de caso: a usina siderúrgica da ArcelorMittal em Juiz de Fora – mg. Trabalho de conclusão de curso, Curso de Especialização em Análise Ambiental, Universidade Federal de Juiz de Fora, 70 p.

O Trabalho faz uma boa revisão sobre a norma ISO 14001, justificando a importância

para diferentes tipos de empreendimentos. Várias experiências têm demonstrado as van- tagens de se obter uma certificação ISO 14001. Entre os principais benefícios podem ser citados: a economia, resultante de uma maior eficiência nos processos produtivos; a conquis- ta de novos mercados e os benefícios para o meio ambiente. O trabalho tem como objetivo servir de fonte de informação para as empresas, apresentando um estudo de caso que de- monstra a estruturação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) de uma empresa do ramo siderúrgico, a unidade da ArcelorMittal, em Juiz de Fora, MG. O estudo permitiu ilustrar em termos práticos o funcionamento de um SGA, elucidando como cada requisito da norma é cumprido nesta empresa. Como complementação, são sugeridas algumas adaptações para a implantação da ISO 14001 nas pequenas e médias empresas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, NBR ISO 14001. Sistemas de Gestão Ambiental:

especificação e diretrizes para o uso, 2004. BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2ª dição, 318 pp., 2006. BRASIL. Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 – Política Nacional do Meio Ambiente. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. São Paulo: editora Revista dos Tribunais, 1989. BRASIL. Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 – Lei de Crimes Ambientais. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, Brasil. Resolução n° 001. Brasília, 1986. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, Brasil. Resolução n° 237. Brasília, 1997. FORTE, A. P. S. O. Auditoria ambiental: um estudo de caso em uma Empresa de geração de energia elétrica. Monografia de conclusão de curso, UFSC, 64pp., 2007.

GRANATO, S. F.; SIMÕES, N. Lixo: problema nosso de cada dia. Editora: Saraiva, 1ªedição, 64 pp.,

2005.

KORMONDY, E. J.; BROWN, D. E. Ecologia humana. São Paulo: Atheneu, 503 pp., 2002. MONTAÑO, M.; OLIVEIRA, I. S. D.; RANIERI, V. E. L.; FONTES, A. T.; SOUZA, M. P. O zoneamento ambiental e a sua importância para a localização de atividades Revista Pesquisa e Desenvolvimento Engenharia de Produção, N.6, p.49– 64, Jun., 2007. POMBO, F. R.; MAGRINI, A. Panorama de aplicação da norma ISO 14001 no Brasil. Revista Gest. Prod., v.15, n.1, p.1-10, jan.-abr. 2008. PHILIPPI JR., A.; ROMÉRO. M. A.; BRUNA, G. C. Curso de Gestão Ambiental. Editora Manole, 2ª edição atualizada e ampliada, 1245pp., 2014. SANCHES, L. E. Avaliação de Impacto Ambiental – conceitos e métodos. Oficina de textos, 2ªedição, 583 pp., 2013.

3

Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental

No capítulo 3 iremos aprofundar nosso estudo sobre a Avaliação de Impac- to Ambiental (AIA). Começaremos a discutir como é realizado o processo de avaliação, em especial, o diagnóstico da área de influência, ou seja, a caracte- rização do ambiente (meios físico, biótico e socioeconômico), primeiro passo dentro de uma avaliação. Veremos as características dos principais biomas bra- sileiros e fecharemos o capítulo analisando os principais métodos de análise de impactos ambientais, instrumentos importantes para a Avaliação de Impacto Ambiental. Vamos lá?

para a Avaliação de Impacto Ambiental. Vamos lá? OBJETIVOS •  Analisar as etapas de uma Avaliação

OBJETIVOS

•  Analisar as etapas de uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA); •  Conhecer os componentes necessários para um Estudo de Impacto Ambiental (EIA); •  Discutir como é realizada a etapa de diagnóstico ambiental para uma AIA, uma das etapas iniciais do processo; •  Discorrer sobre a caracterização ambiental dos principais biomas brasileiros, importante também para uma AIA; •  Analisar os principais métodos utilizados em AIA para caracterização dos impactos am- bientais de um projeto – diferentes métodos, aplicações, vantagens e desvantagens de cada um deles.

3.1 Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental

A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é um instrumento político formado por um conjunto de procedimentos que buscam assegurar que sejam reali- zados exames detalhados dos impactos ambientais causados por um projeto. Essa avaliação também procura garantir que os resultados sejam apresenta- dos de forma adequada ao público e aos gestores responsáveis pela tomada de decisão. Devemos lembrar que após ser tomada a decisão ou ser executada a ação impactante, a AIA perde sua finalidade, pois seu principal objetivo é fornecer alternativas para a correção de situações que podem causar danos significati- vos ao meio ambiente. Uma Avaliação de Impactos Ambientais apresenta como características básicas:

•  Descrever a ação proposta e suas alternativas, prevendo até a não realiza- ção do projeto em questão; •  Prever a natureza e magnitude dos impactos ambientais; •  Identificar preocupações humanas relevantes; •  Listar os indicadores de impactos a serem utilizados; •  Determinar o valor de cada indicado de impacto.

3.1.1 Avaliação de Impacto Ambiental

Dentro do processo de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), um dos itens mais importantes é o desenvolvimento e a apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento. O Estudo de Impacto Ambiental dá ori- gem a outro documento, o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Inúmeras são as atividades que dependem da elaboração de um EIA/RIMA para aprovação:

•  Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; •  Ferrovias; •  Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; •  Aeroportos;

•  Oleodutos, gasodutos, emissários de esgoto sanitário; •  Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos; •  Extração de combustível fóssil; •  Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; •  Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária.

Para um modelo completo, e com relação a projetos de grande porte, as principais fases do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) são (figura 3.1):

•  Seleção; •  Escopo (Termo de Referência); •  Diagnóstico; •  Avaliação de Impactos Ambientais; •  Prognósticos; •  Planejamento Ambiental; •  Diretrizes gerais para a implantação do empreendimento; •  Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); •  Revisão; •  Tomada de decisão; •  Envolvimento público.

Existem outros elementos que podem ser incluídos, tais como: participação de órgãos do governo e agências que são parte integrante do processo, previsão de melhorias contínuas durante as fases de implantação do empreendimento, etc

Identificação da necessidade Descrição da proposta Seleção Requer EIA Exame inicial do Meio Ambiente Não
Identificação da necessidade
Descrição da proposta
Seleção
Requer EIA
Exame inicial do
Meio Ambiente
Não requer EIA
Escopo
Envolvimento público
Identificação do impacto
avaliação ambiental (AIA)
Análise do impacto/previsão
Significância do impacto
Envolvimento público
ocorre tipicamente nestas fases.
Isto pode ocorrer para qualquer
outro estágio do EIA
Relatório
Revisão
Qualidade do documento
Participação dos interessados
Aceitabilidade da proposta
Envolvimento público
Tomada de decisão
Informações para este
processo contribuem para
um efetivo futuro EIA
Não
Aprovado
Aprovado
Auditoria e
avaliação do EIA
Revisão
Resubmissão

Figura 3.1 – Principais fases do desenvolvimento de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Fonte: Stamm (2003).

A seleção serve para identificar quais projetos ou atividades deverão passar

pelo processo de Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Depois de identificadas, deverá ser definido também, qual o nível de avaliação que devem receber, par- cial ou completa (STAMM, 2003).

3.1.1.1 Escopo ou Termo de Referência

É o instrumento orientador de qualquer tipo de Estudo de Impacto Ambiental.

Deve apresentar uma descrição de todos os processos que envolvem o empre- endimento e de todos os assuntos que serão analisados no estudo.

É feita uma divisão da área próxima ao local escolhido para o empreen-

dimento para facilitar o estudo, identificando a amplitude dos trabalhos de Avaliação de Impacto Ambiental. Sendo assim, as áreas de estudo podem ser classificadas em:

•  Área de influência direta (AD) – área na qual se insere o empreendimento

e também aquelas áreas cuja intensidade e magnitude dos impactos incidentes

as identifiquem como diretamente afetadas. •  Áreas de influência indireta (AI) – área onde há influências do empreen- dimento sobre o meio ambiente ou deste sobre o empreendimento. As influ- ências ocorrem, na sua maioria, de forma indireta, com abordagem de estudos regional (STAMM, 2003).

Há diferentes maneiras ou estilos para preparar os termos de referência. Alguns são ex- tremamente detalhados, podendo estabelecer obrigações para o empreendedor e seu consultor quanto à metodologia a ser utilizadas para levantamentos de campo, quanto à forma e frequência de consultas públicas a serem realizadas durante o período de preparação do estudo de impacto ambiental, e ainda quanto à forma de apresentação dos estudos. Outros listam os pontos principais que devem ser abordados, deixando ao empreendedor e seu consultor a escolha das metodologias e procedimentos (Sánchez, 2013). O atendimento às orientações dos termos de referência pode tomar várias for- mas num EIA. Algumas exigências podem ser tratadas no texto principal, enquanto a compreensão de estudos de detalhe pode ser facilitada se o estudo for apresentado de forma completa em anexo.

3.1.1.2 Diagnóstico

O diagnóstico ambiental permite uma visão geral da área de estudo. São feitas

observações dos aspectos ambientais das situações que podem ser modifica- das com a implantação do empreendimento. No item referente ao diagnóstico ambiental deve ser realizado:

•  Completa descrição e análise dos recursos ambientais e de suas interações; •  Caracterização ambiental da área antes da implantação do empreen- dimento; •  Descrição dos meios: físico, biológico e dos ecossistemas naturais e tam- bém do meio socioeconômico.

Nesse capítulo trataremos, especificamente, do item diagnóstico dentro do Estudo de Impacto Ambiental.

3.1.2 Métodos para Avaliação de Impacto Ambiental

Métodos são mecanismos estruturados para coletar, analisar, comparar e or- ganizar informações e dados sobre os impactos ambientais de uma proposta, incluindo os meios para apresentação escrita e visual dessas informações.

O primeiro passo para se realizar o diagnóstico ambiental é analisar o ce-

nário em questão, observar suas características físicas e a vida que ali existe, fazendo um levantamento da área. Deve-se levar em conta o tipo de projeto que está sendo proposto e os levantamentos direcionados para os impactos previs- tos com aquele projeto. Sánchez (2013) afirma que o conhecimento do meio afetado é extremamen-

te importante para fornecer informações para confirmar a identificação preli-

minar e para a previsão da magnitude dos impactos. Quanto mais se conhece

sobre um ambiente, maior é a capacidade de prever impactos e, portanto, de gerenciar o projeto de modo a reduzir os impactos negativos.

É preciso dispor de uma estratégia de estudo para coordenar os vários pro-

gramas de coleta de dados (Sánchez, 2013). O autor relata que o planejamento dos estudos deve responder a quatro questões perguntas:

1. Quais as informações necessárias e para qual finalidade serão utilizadas?

2.

Como serão coletadas essas informações?

3. Onde serão coletadas?

4. Durante quanto tempo, com qual frequência e em que época do ano

serão coletadas?

O diagnóstico é realizado coma descrição e análise dos fatores ambientais e suas interações, por meio de variáveis que descrevem o estado ambiental, ca- racterizando a qualidade ambiental (BRAGA et al., 2006). O diagnóstico é divi- dido em 03 partes, como vemos a seguir, como os aspectos analisados em cada uma das partes.

Meio físico

•  Clima e condições meteorológicas da área potencialmente atingida pelo empreendimento;

•  Qualidade do ar da região; •  Níveis de ruído da região; •  Formação geológica da área potencialmente atingida pelo empreendimento; •  Formação geomorfológica da área potencialmente atingida pelo empreendimento; •  Solosdaregiãoqueserãopotencialmenteatingidospeloempreendimento; •  Recursos hídricos, abordando hidrologia superficial, hidrogeologia, oce- anografia física, qualidade das águas e uso da água.

Meio biótico ou biológico

•  Os ecossistemas terrestres existentes na área de influência do empreendimento; •  Os ecossistemas aquáticos existentes na área de influência do empreendimento; •  Os ecossistemas de transição existentes na área de influência do empreendimento;

Meio socioeconômico

•  Dinâmica populacional na área de influência do empreendimento; •  Uso e ocupação do solo, com informações, em mapas, na área de influên- cia do empreendimento; •  O nível de vida na área de influência do empreendimento; •  Estrutura produtiva e de serviços; •  Organização social na área de influência do empreendimento.

Abaixo vemos um exemplo de estrutura de diagnóstico ambiental utilizada em Estudos de Impacto Ambiental (EIA) (figura 3.2).

USINA HIDRELÉTRICA EASTMAN 1, QUEBEC, CANADÁ

Parte 3: Descrição do Meio

Capítulo

1: Zona de estudo 2: Meio físico

Capítulo

1. Geografia física geral

2. Geomorfologia

3. Clima

4. Hidrologia e regime térmico

5. Qualidade da água

Capítulo

3: Meio biológico

1. Vegetação

2. Ictiofauna

3. Avifauna

4. Grande fauna

5. Pequena fauna

6. Mercúrio no meio natural

Capítulo

4: Meio Humano

1. Histórico da ocupação do território

2. Perfil socioeconômico

3. Utilização do território

4. Paisagem

5. Arqueologia

Figura 3.2 – Exemplo de estrutura de diagnóstico ambiental em EIAs. Fonte: Sánchez (2013).

CONEXÃO

CONEXÃO

O diagnóstico ambiental é de fundamental importância para uma boa avaliação de impactos

ambientais. Abdon (2004) faz uma excelente revisão sobre Avaliação de Impactos Ambien-

tais, Diagnóstico Ambiental e dá ênfase aos os impactos ambientais no meio físico – Erosão

e assoreamento. Você pode ter acesso à tese na íntegra pelo link abaixo:

http://www.dsr.inpe.br/site_bhrt/download/Tese.pdf

3.1.3 Biomas brasileiros - Caracterização

Para se construir a caracterização ambiental é importante conhecer um pouco mais sobre os biomas. Coutinho (2006) relata que o termo fitofisionomia foi proposto praticamen- te ao mesmo tempo que o termo formação. O termo bioma, proposto mais tar- de, apenas adicionou a fauna à uniformidade fitofisionômica e climática, ca- racterísticas desta unidade biológica. Várias modificações conceituais foram apresentadas por diversos autores, ao longo do tempo, acrescentando outros fatores ambientais ao conceito original, como o solo, por exemplo. A seguir listaremos algumas características dos diferentes biomas brasilei- ros (Ricklefs, 2010).

Biomas litorâneos

Biomas compostos pelos manguezais, dunas, praias, ilhas, costões rocho- sos, recifes de corais, Apresenta como características principais:

•  Rica biodiversidade; •  Manguezal é um habitat muito procurado pela fauna marinha para pro- criação e crescimento dos filhotes, serve como rota migratória de aves e para alimentação de peixes.

Caatinga

Localizada no sertão no nordeste brasileiro, com vegetação de arbustos de porte médio, galhos retorcidos, presença de ervas e cactos. Apresenta:

•  Temperaturas altas e chuvas escassas, concentradas nos meses de verão; •  Solos pedregosos e secos, ocasionando rápida evaporação; •  Rios e córregos secam de 7 a 9 meses por ano e reaparecem na época de chuvas; •  Flora adaptada à escassez de água e fauna relativamente pobre.

Campos

Localizado na região Norte do país e nos campos sulinos. Apresenta:

•  Pequenos arbustos, gramíneas e vegetação herbácea; •  Clima quente no verão com inverno chuvoso; •  Pecuária é uma atividade forte na região; •  Queimadas nas pastagens impedem o crescimento da vegetação.

Cerrado

Encontrado nos estados de MT, MS, GO, TO com áreas no PA, MA, PI e SP. Apresenta:

•  Gramíneas, arbustos e árvores retorcidas, longas raízes; •  Clima tropical, de altas temperaturas, com forte estação seca; o solo de pH baixo, baixa fertilidade, alumínio e pouca disponibilidade de água na superfície; •  Queimadas frequentes, naturais ou provocadas; •  Alta biodiversidade; •  Agricultura e pecuária foram responsáveis por devastação desse bioma.

Amazônia

Presente na região norte do país e em mais 08 países vizinhos. Apresenta:

•  Árvores de grande porte; •  Clima quente e úmido o ano todo; •  Vegetação é extremamente diversificada: matas alagadas, várzeas e iga- pós e florestas de terra firme; •  Biodiversidade é enorme; •  Até 2003: 16% da área total já tinham sido devastados; •  Falta de fiscalização (baixo n° fiscais e locais de difícil acesso).

Mata dos Pinhais

Conhecida como Mata de Araucárias, em função da grande presença da Araucária angustifolia neste bioma. Presente no Sul do Brasil. Apresenta:

•  Presença de pinheiros, em grande quantidade (floresta fechada); •  Clima característico subtropical.

Mata Atlântica

Hoje corresponde a apenas 7% da área original. Apresenta:

•  Rica biodiversidade, floresta fechada; •  Grande número de espécies endêmicas; •  Clima e temperatura variam de acordo com a região; •  Taxas de desmatamento caíram nas últimas 2 décadas.

Mata dos Cocais

Bioma encontrado na região norte dos estados do MA, TO e PI.

Apresenta:

•  Características da Floresta Amazônica, Cerrado e da Caatinga, conhecido como bioma de transição; •  Presença de palmeiras com folhas grandes e finas; •  Espécies mais comuns são: carnaúba, babaçu e buriti.

Pantanal

Presente nos estados de MT e MS. Apresenta:

•  Presença de gramíneas, arbustos e palmeiras; •  Chuvas abundantes no final da primavera e verão, com alagamento de grandes áreas e clima seco no restante do ano; •  Período seco: áreas alagadas formam lagoas, fundamentais para a flora e fauna; •  Grande biodiversidade adaptada às mudanças entre os períodos alagados e secos; •  UNESCO: declarou o Pantanal como “Reserva da Biosfera”.

3.2 Métodos de Avaliação de Impacto Ambiental

Impactos ambientais podem surgir em todas as fases de um empreendimento:

•  Fase de planejamento •  Fase preparatória •  Fase de implantação •  Fase de operação •  Fase de desativação •  Fase de fechamento

Stamm (2003) menciona que existem vários métodos conhecidos para Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). Devido à extensa variedade de tipos de projetos, as diferentes escalas de cada um, a quantidade de impactos ambientais

possíveis de ocorrer e suas respectivas quantidades e qualidades de informações em cada um desses projetos, não existe um método específico para ser utilizado em todos os tipos de projeto. Cada método tem seus pontos fortes e fracos e exis- te uma gama de projetos onde sua aplicação é mais proveitosa. Os métodos de AIA são utilizados para identificar, coletar, organizar e apre- sentar dados sobre impactos ambientais, de maneira compreensível e objetiva. Os principais métodos utilizados em AIA são:

•  Ad Hoc •  Listas de controle (Checklist) •  Simples •  Descritivas •  Escalares •  Questionários •  Multiatributos •  Matrizes de Interação •  Redes de Interação •  Sobreposição de mapas •  Diagramas de sistema •  Modelos de Simulação •  Combinação de Métodos

A seguir, descrição de cada um deles.

Método Ad hoc

Consiste em reuniões de um grupo de especialistas, com formações varia- das os quais realizam a avaliação, inicialmente, dos principais impactos do empreendimento. Pode ser considerado como um método indicado para uma análise prévia dos impactos prováveis de um projeto, sendo útil na definição da melhor alter- nativa a ser adotada. Geralmente é usado quando as informações disponíveis são poucas ou quando a experiência existente sobre o projeto é insuficiente para utilização de métodos mais sofisticados (STAMM, 2003). Como desvantagem desse método pode ser citada uma possível subjetivida- de dos resultados, que vai depender principalmente da qualidade do grupo de especialistas reunido e do nível de informação existente para o projeto.

A tabela 3.1 ilustra a aplicação desse método.

     

IMPACTO AMBIENTAL

 

ÁREA AMBIENTAL

   

EL

EP

EN

B

EA

P

CP

LP

R

I

Vida selvagem

       

x

   

x

x

     

Espécies ameaçadas

   

x

                 

Vegetação

       

x

   

x

   

x

 

Vegetação exótica

   

x

                 

Aragem

       

x

   

x

 

x

 

x

Características do solo

   

x

                 

Drenagem natural

   

x

                 

Água subterrânea

     

x

 

x

           

Ruído

     

x

     

x

     

Pavimentação

             

x

       

Recreação

   

x

                 

Qualidade do ar

       

x

 

x

   

x

 

x

Comprometimento estático

 

x

                 

Áreas virgens

       

x

 

x

   

x

 

x

Saúde e segurança

   

x

                 

Valores econômicos

     

x

 

x

     

x

   

Utilidades publicas (incluindo escolas)

           

x

x

x

   

Serviços públicos

   

x

                 

Compatibilidade com planos regionais

   

x

 

x

     

x

   
 

EL

Efeito Nulo

EP Efeito Positivo

EN Efeito Negativo B Efeito Benéfico EA Efeito Adverso

 

P

Problemático

CP Curto Prazo

LP Longo Prazo

R Reversível

I

Irreversível

Tabela 3.1 – Ilustração do método Ad Hoc de impactos ambientais X área ambiental. Fonte: Braga (2006).

Método Checklist ou Listagens de Controle

Apresentam uma relação dos impactos mais relevantes de um empreendi- mento, podendo associá-los às características ambientais afetadas e às ações que os provocam. Podem constar de uma simples relação de impactos, como também atribuir pontos aos mesmos, de forma a indicar sua magnitude, ou, ainda, fazer uma comparação entre diversas alternativas para um empreendimento. Podem ser apresentadas, também, na forma de questionários. A desvantagem é que não existe a possibilidade de diferenciar impactos diretos dos impactos indiretos. As listas de controle simples levam em conta apenas os atributos ambien- tais, não considerando o comportamento de casa impacto ambiental. As listas de controle descritivas apresentam os fatores ambientais e as consequências

ligadas à implantação do projeto. Listas de controle escalares servem para análise de projetos com várias alternativas de viabilização, permitindo a com- paração entre elas. Questionários são usados na falta de dados específicos e confiáveis, ou devido aos custos elevados para obtenção da informação. Listas de multiatributos devem ser empregadas na análise de projetos que envolvam mais de uma alternativa, com diferentes tipos de impactos que necessitem ser avaliados (STAMM, 2003). A seguir, dois exemplos de listagem de controle (tabelas 3.2 e 3.3).

   

CONSTRUÇÃO

 

OPERAÇÃO

 

IMPACTO AMBIENTAL

EFEITO

EFEITO

EFEITO

EFEITO

EFEITO

EFEITO

 

ADVERSO

NULO

BENÉFICO

ADVERSO

NULO

BENÉFICO

B

– USO DA TERRA

           

a) Espaço aberto

           

b) Recreacional

           

c) Agrícola

           

d) Residencial

           

e) Comercial

           

f) Industrial

           

C

– RECURSOS DE ÁGUA

           

a) Qualidade

           

b) Irrigação

           

c) Drenagem

           

d)

Água do solo

           

D

– QUALIDADE DE AR

           

a)

Óxidos (sultato,

           

carbono, nitrogênio)

b) Água de percolação

           

c) Químico

           

d) Odores

           

e) Gases

           

E

– SERVIÇOS

           

a) Escolas

           

b) Polícias

           

c) Proteção ao fogo

           

d) Abastecimento de

           

água e de energia

e)

Sistema de esgotos

           

Tabela 3.2 – Listagem de controle por área de impacto. Fonte: Braga (2006)

 

ECOSSISTEMAS TERRESTRES

 

a)

Qualquer dos ecossistemas listados a seguir pode ser classificado como significativo ou único pela

natureza de seu tamanho, abundância ou tipo?

 

•  floresta

Sim

Não

Desconhecido

•  savana

Sim

Não

Desconhecido

•  campo

Sim

Não

Desconhecido

•  deserto

Sim

Não

Desconhecido

b)

Estão esses ecosssistemas:

•  integrados moderadamente? •  integrados? •  gravemente integrados?

Sim

Não

Desconhecido

Sim

Não

Desconhecido

Sim

Não

Desconhecido

c)

Observa-se a tendência de alteração desses ecossistemas por corte, queimada etc. para uso

agrícola, industrial ou urbano?

 

Sim

Não

Desconhecido

d)

A população local usa esses ecossistemas para extração de:

 

•  plantas comestíveis?

Sim

Não

Desconhecido

•  plantas medicinais? •  madeira? •  fibra? •  pele? •  animais comestíveis

Sim

Não

Desconhecido

Sim

Não

Desconhecido

Sim

Não

Desconhecido

Sim

Não

Desconhecido

Sim

Não

Desconhecido

Tabela 3.3 – Exemplo de listagem de controle na forma de questionários. Fonte: Braga

(2006).

Método de Matriz de interação

Permitem associar as ações de um empreendimento às características am- bientais de sua área de influência, através de uma listagem bidimensional. Em um dos eixos, são relacionadas as características do ambiente e, no ou- tro, as ações do projeto, em suas diversas fases. Na quadrícula de interseção dos dois eixos, são assinalados os impactos ambientais que podem ocorrer, avaliando-se os mesmos quanto ao tipo, magnitude, duração, etc. é interessan- te que, nessa representação, uma determinada ação pode causar impacto sobre diferentes componentes, porém os mecanismos como se manifestam os im- pactos não são descritos (tabela 3.4). Como em métodos anteriores, há o risco de subjetividade na fixação dos valores.

     

COMPONENTES

 
   

FÍSICO

BIÓTICO

 

SOCIOECONÔMICO

 
   

Clima/qualidade do ar/ruído

Geologia/recursos naturais

 

Ecossistema terrestre/restinga

Ecossistema maguezal e de transição

Ecossistema aquático

Uso e ocupação do solo

Patriônio arqueológico

Patrimônio paisagismo

Pesca artesanal e esportiva

Condições de vida da população

   

Natureza do impacto