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11/09/2018 República Rio-Grandense – Wikipédia, a enciclopédia livre

República Rio-Grandense
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A República Rio-Grandense, também conhecida como
República Rio-Grandense
República de Piratini, foi um Estado-nação reconhecido
República Rio-Grandense
exclusivamente pelo Uruguai, formado no extremo sul do Império do
Brasil, em território equivalente ao atual estado do Rio Grande do Reconhecido Unicamente Pelo Uruguai
Sul. O período constituiu sendo a mais longa revolta brasileira da
história[1]. Foi proclamada em 11 de setembro de 1836, pelo general

Antônio de Sousa Neto, como consequência direta da vitória obtida 1836 – 1845
por forças oligárquicas gaúchas na Batalha do Seival (1836), durante ←

a Revolução Farroupilha (1835-1845). No entanto, o objetivo


principal nunca foi proclamar um estado-nação próprio, e, portanto,
separado do Estado brasileiro, mas sim mostrar ao Império do Brasil
que as oligarquias gaúchas não estavam nem um pouco satisfeitas
com os altos impostos.

A bandeira oficial da República Rio-Grandense era composta pelas Bandeira Brasão


cores verde, amarelo e vermelho. Há duas versões para o motivo da
Lema nacional
composição da bandeira: uma versão explica que seriam as cores- Liberdade, Igualdade, Humanidade
símbolos do Brasil, o verde-amarelo, com o vermelho, que simboliza
a república, entrecortando as mesmas; outra versão explica que o
verde representava a mata dos pampas, o vermelho o ideal
revolucionário, e o amarelo as riquezas do território gaúcho; e uma
outra versão diz tratar-se o verde da bandeira portuguesa e o amarelo
da bandeira espanhola (respectivamente, o mais importante
colonizador e o segundo mais importante colonizador do território do
estado do Rio Grande do Sul), entrecortados pela listra vermelha em
vertical que seria símbolo de federação na região platina desde a
época de José Gervásio Artigas (1764-1850). No entanto, o verde só
seria adicionado à bandeira portuguesa em 1910, 65 anos depois do
término da Revolução Farroupilha, o que descarta esta última versão.
Da mesma forma, a atual bandeira do estado do Rio Grande do Sul
vem a ter as mesmas cores, tendo sido adicionado o brasão da Continente América do Sul
República Rio-Grandense no meio da bandeira. Capital Oficiais
Piratini
Os principais líderes sul-rio-grandenses eram estancieiros, que Caçapava do Sul
estavam insatisfeitos com os altos impostos sobre o charque e o Alegrete
couro, de modo que os mesmos produtos estrangeiros fossem mais São Gabriel
baratos que os nacionais. A Constituição da República Rio-grandense Não-oficiais
foi aprovada em 1843, em Alegrete. No entanto, as oligarquias
gaúchas se consideravam brasileiras, ainda que tivessem se rebelado Bagé (somente por
duas semanas)
por essa disparidade econômica. O mesmo acontecia com a
São Borja
população do Rio Grande do Sul, que também se considerava
brasileira, ainda que tenham sido convencidos a lutar em favor dos Língua oficial Português
estancieiros gaúchos, em função dos altos impostos sobre o charque e Religião Catolicismo Romano
o couro, que prejudicavam diversos setores da economia local. Entre Governo República
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as principais cidades da então Província de São Pedro do Rio Grande presidencialista


Presidente
do Sul que não aderiram aos revoltosos, está Porto Alegre, que por
• 1836 - 1841 Bento Gonçalves da
esse motivo recebeu do Império o título de "Leal e Valerosa Cidade de Silva
Porto Alegre", seu lema oficial até hoje. Essa " brasilidade" não era • 1841 - 1845 José Gomes de
Vasconcellos Jardim
unânime, pois os riograndenses estavam em contato com os povos
platinos, afeitos a uma liberdade sem serem subvircentes ao régio História
• 11 de setembro Proclamação da Repúbli
poder da corte do Rio de Janeiro, a ex província da Cisplatina era um de 1836 Rio-Grandense
exemplo que poderiam se livrar das amarras brasileiras. Quando o • 24 de julho de Confederação com a
império perdeu a província da Cisplatina, tornando como nome a
1839 República Juliana (embo
os poucos catarinenses
república da banda oriental do Uruguai, os riograndenses fizeram o que se encontravam no
maior esforço na guerra da Cisplatina, sendo depois renegados pela pequeno território
catarinense tomado pelo
perda dessa província rica em gado do qual alimentava as revoltosos (o território
charqueadas no Rio Grande do Sul. É inegável a aproximação de compreendia somente a
amizade das autoridades uruguaias com os principais líderes
cidade de Laguna) não
reconhecessem a
riograndenses na guerra de independência do Rio Grande do Sul, do República Juliana, além
qual erroneamente se chama de " guerra dos farrapos". O fato que os desta "república" ter
durado apenas de 24 de
" farroupilhas" eram liberais exaltados e não toleravam uma regência julho a 15 de novembro d
centralista da corte do Rio de Janeiro, alheia às aspirações e 1839)
interesses regionais.
• 8 de fevereiro de
1843 Constituição
• 1 de março de Tratado de Poncho Verd
1845 (que põe fim à Revoluçã
Farroupilha e extingue da
Índice República Rio-Grandens

História
Cisma religioso
Reconhecimento entre os povos
Perenidade
Questionamento sobre o documento do Tratado de Poncho
Verde
Mídia
Ver também
Referências
Bibliografia

História
A economia da então província de São Pedro do Rio Grande do Sul do Império do Brasil era
voltada principalmente para a produção de charque e couro. A província voltava a sua
produção para o mercado interno, do qual dependia inteiramente. Mas com o câmbio
sobrevalorizado e os benefícios tarifários então oferecidos, o charque importado tinha um
custo inferior ao nacional. Assim sendo, os estancieiros da região iniciaram uma rebelião
Bandeira usada contra o Império do Brasil, e, no dia 10 de setembro de 1836, ocorreu a Batalha do Seival.
pelos farrapos Com a fulminante vitória dos revoltosos, liderados por Antônio de Sousa Neto, a ideia
durante a revolta separatista tomou forma. No dia seguinte, em 11 de setembro, o general Souza Neto
(1835-1845).
proclamou a República Rio-Grandense.[2]

Outro líder separatista, Bento Gonçalves, então preso por forças imperiais na província da Bahia, foi aclamado presidente
em 6 de novembro de 1836, junto com 4 vice-presidentes:

1. Antônio Paulino da Fontoura,


2. José Mariano de Matos,

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3. Domingos José de Almeida,


4. Inácio José de Oliveira Guimarães.
Como Bento Gonçalves estava preso, foi necessário eleger um
novo presidente, José Gomes de Vasconcelos Jardim, que
imediatamente nomeou o ministério da república:[2]

Domingos José de Almeida – ministro do interior e fazenda


José Pinheiro de Ulhoa Cintra – ministro da justiça e
estrangeiros
José Mariano de Matos – ministro da guerra e marinha
Ao longo da guerra foram nomeados generais da república: Parreiras, Antônio (1915). Proclamação da
República Piratini. [S.l.: s.n.].
João Manuel de Lima e Silva
Bento Gonçalves
Antônio de Sousa Neto
Bento Manuel Ribeiro
Davi Canabarro
João Antônio da Silveira
A primeira capital da nova república foi a cidade de Piratini.[2] Em 1839, forças lideradas pelo revolucionário italiano
Giuseppe Garibaldi e pelo gaúcho Davi Canabarro proclamaram a República Juliana na província de Santa Catarina,
tomando a cidade de Laguna. A nova república formou uma confederação com a Rio-Grandense mas não durou muito,
pois não conseguiu tomar a capital provincial de Nossa Senhora do Desterro (depois renomeada Florianópolis).

A República Rio-Grandense foi dissolvida em 1 de março de 1845, pelo Tratado de Poncho Verde, que manteve em vigor
algumas leis derivadas da constituição rio-grandense. Teve ao todo seis capitais durante os seus nove anos de existência:
Piratini, Caçapava do Sul, Alegrete e São Gabriel (capitais oficiais), Bagé (somente por duas semanas) e São Borja. Os seus
presidentes foram Bento Gonçalves e Gomes Jardim.

Cisma religioso
As paróquias gaúchas estavam vinculadas ao bispado do Rio de Janeiro, o que
trazia vários entraves para a República Rio-Grandense. Para romperem com o
Império do Brasil, os farroupilhas separaram-se completamente da corte. Em
22 de junho de 1838, nomearam o padre Chagas como vigário apostólico,
negando obediência ao bispo do Rio de Janeiro, criando um cisma na Igreja
Católica da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. O vigário
apostólico tinha verdadeira autoridade religiosa: crismava, nomeava padres e
dava dispensas matrimoniais.[3] O padre Chagas, então, foi excomungado e
Alegoria Farroupilha, acervo do seus atos foram declarados ilícitos pelo bispo do Rio de Janeiro – a autoridade
Museu Júlio de Castilhos, em Porto máxima da Igreja Católica no Brasil.[3] Assim mesmo, a maior parte do clero
Alegre. gaúcho aderiu à nova autoridade eclesiástica.[4]

A situação durou até o final da Revolução Farroupilha (1835-45). Com a


derrota, o padre Chagas buscou uma reconciliação com o bispo do Rio de Janeiro, tendo sido secretário do novo bispo de
Porto Alegre.[3]

Após o fim da revolução, o padre Fidêncio José Ortiz foi encarregado pelo bispo do Rio de rever todos os atos praticados e
demais documentos.

Reconhecimento entre os povos

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As Províncias Unidas do Rio da Prata à época estavam sendo unificadas pelo ditador Juan Manuel de Rosas e tentavam
recuperar o território uruguaio (Guerra Grande), não afastando também a possibilidade de auxílio aos separatistas
riograndenses. Juan Manuel de Rosas, o ditador argentino, ofereceu apoio para que David Canabarro continuasse a
luta.[5] Juan Manuel de Rosas foi afastado do poder na Argentina em confronto de que participaram tropas brasileiras.

Perenidade
A República Rio-grandense está simbolicamente perenizada na bandeira e no
brasão do estado do Rio Grande do Sul, da mesma forma que outros estados
brasileiros mantiveram em seus símbolos cívicos evocações a feitos relevantes.
Seu território derivou de cisão parcial da Província de São Pedro do Rio Grande
do Sul, que teve seus limites totalmente definidos em relação ao Uruguai somente
após o final da Guerra dos Farrapos (1835-45). Após a proclamação da República
brasileira (1889), todo o território da Província passou a constituir uma das
unidades federativas do Brasil, o estado do Rio Grande do Sul.

Questionamento sobre o documento do Tratado de


Poncho Verde
Numa hipótese de nulidade do Tratado de Poncho Verde, por inexistência formal
ou incompetência dos signatários, a República remanescente nos dias posteriores Retrato de Bento Gonçalves,
acervo do Museu Júlio de
careceria de soberania, pois não detém os requisitos que a legitimem:
Castilhos, em Porto Alegre.
Não detém o monopólio da força, já que deixou de ter exército próprio: sedia
o Comando Militar do Sul, do Exército Brasileiro.
A sua administração não é independente da União, dentro do pacto federativo brasileiro, e tampouco houve
posterior indicação ou eleição de outro presidente nacional desta República para além de Bento Gonçalves e
Gomes Jardim.
Finalmente, os habitantes do território se declaram brasileiros e participam da vida política brasileira; carecendo
assim do terceiro elemento fundamental para a existência legítima de qualquer Estado nacional.
Dentre os numerosos entendimentos sobre o que é Estado, podemos citar o firmado na Convenção de Montevideo em 26
de dezembro de 1933, sendo o Brasil um dos signatários. Nessa convenção a definição de estado consiste num(a):

governo,
população permanente,
território definido e
capacidade para se relacionar com outros Estados-nações.[6]

Mídia
? Hymno Republicano Riograndense de 1835

Hino da República Rio-Grandense para download em MP3 (http://www.pampalivre.info/hino_rio_grandense_mp3_pa


ra_download.htm)

Ver também
Império do Brasil
República Juliana
Guerra dos Farrapos
Giuseppe Garibaldi
Constituição da República Rio-grandense

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Rio-Grandense 4/5
11/09/2018 República Rio-Grandense – Wikipédia, a enciclopédia livre

1. A República - Movimento Gaúcho Independente (http://movimentogauchoindependente.blogspot.com/search/label/


A%20Rep%C3%BAblica)
2. SPALDING, Walter (1956). «A revolução farroupilha». Enciclopédia Rio-grandense. Canoas: Regional.
3. Hastenteufel, Zeno. O Rio Grande do Sul no tempo do Brasil Império (http://www.forumdaigrejacatolica.org.br/artigos/
rs_no_tempo_brasil_imperio.pdf) (PDF). [S.l.]: Fórum da igreja católica
4. História da Igreja no Rio Grande do Sul. 1. [S.l.]: EdiPUCRS. 1994. p. 181
5. D Canabarro (http://www.ahimtb.org.br/dcanabarro.htm). BR: AHIMTB.
6. http://www.britannica.com/EBchecked/topic/390844/Montevideo-Convention

Bibliografia
MENÉNDEZ, Jorge Otero.Un escollo para la Patria Grande (http://www.eumed.net/libros/2006a/jo/5u.htm) In:
Uruguay, un destino incierto. Edición electrónica. (2006) Texto Completo (http://www.eumed.net/libros/2006a/jo/) (em
espanhol)
PICCOLO, Helga: "A paz dos caramurus". Edição Eletrônica. (http://www.memorial.rs.gov.br/cadernos/caramurus.pd
f) Caderno de História, nº 14, Memorial do Rio Grande do Sul.
SANT'ANA, Elma, "Garibaldi e as Repúblicas do Sul". Edição Eletrônica (17 Mb). (http://www.memorial.rs.gov.br/cad
ernos/garibaldi.pdf) Cadernos de História, Memorial do Rio Grande do Sul.

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