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11/09/2018 República Juliana – Wikipédia, a enciclopédia livre

República Juliana
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
República Juliana foi um Estado, já extinto, proclamado na
República Juliana
então província de Santa Catarina, do Império do Brasil (1822-
República Juliana
1889), que constitui o atual estado brasileiro de Santa Catarina,
em 24 de julho de 1839, e que perdurou até 15 de novembro do Estado extinto
mesmo ano. Foi uma extensão da Revolução Farroupilha (1835-
1845), iniciada na província vizinha do Rio Grande do Sul, onde
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havia sido proclamada a República Rio-Grandense (1836-1845). A 1839
República Juliana, proclamada por David Canabarro e Giuseppe ← →

Garibaldi, formou uma confederação com a república vizinha,


porém, sem condições de expandir-se pela província de Santa
Catarina, não conquistando a Ilha de Nossa Senhora do Desterro
— atual Florianópolis —, sede da província. Em novembro do
mesmo ano — quatro meses após sua fundação —, propiciaram-se
condições para que as forças do Império retomassem Laguna, Bandeira
cidade-sede do governo da República Juliana. No planalto
catarinense, Lages aderiu à revolução, mas submeteu-se no Lema nacional
começo de 1840. Liberdade, Igualdade, Humanidade

Continente América do Sul


Capital Laguna
Índice 28° 28' S 48° 46' O

Língua oficial Português


A preparação
Governo República
A tomada de Laguna presidencialista
A república Presidente David Canabarro
O fim da república Período histórico Século XIX
• 29 de julho de Proclamação da
Legado 1839 República Juliana
Ver também • 24 de julho de
1839 Tomada de Laguna
Referências • 10 de setembro
de 1839 Seival
Bibliografia
• 15 de novembro
de 1839 Retomada de Laguna

A preparação
A Marinha Imperial Brasileira controlava as principais vias de comunicação dos farrapos, a lagoa dos Patos, entre
Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande e a maior parte dos rios navegáveis. Foi preciso engendrar uma manobra incomum
para conquistar um ponto que pudesse ligar o Rio Grande dos farrapos com o mar. Este ponto era Laguna, em Santa
Catarina.

O primeiro passo era constituir a marinha rio-grandense. Giuseppe Garibaldi conhecera Bento Gonçalves da Silva
ainda em sua prisão, no Rio de Janeiro, e obteria dele uma carta de corso para aprisionar embarcações imperiais.

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O plano era criar um estaleiro em Camaquã, trazer os barcos pela lagoa dos Patos até o rio Capivari, e dali, por terra,
sobre rodados especialmente construídos para isso, até a barra do rio Tramandaí, onde os barcos tomariam o mar.

Foram construídos, os lanchões Seival e Farroupilha, que após pouco tempo na lagoa dos Patos, eram fustigados pela
retaguarda pelo temível John Pascoe Grenfell, comandante da marinha imperial na província. Despistando conseguem
enveredar pelo estreito do rio Capivari, iniciando o caminho difícil por terra, por causa das chuvas invernais, que
haviam tornado o chão um grande lodaçal.

Além disso, a região sul de Santa Catarina, já era desde 1836 um local frequentado por refugiados do Rio Grande do
Sul, que fugiam da revolução, apesar de a apoiarem. Alguns dos refugiados aproveitavam para contrabandear pólvora
e armamentos para a República Rio-Grandense.[1]

A tomada de Laguna
Em 14 de julho de 1839 os lanchões rumavam a Laguna, sob o comando geral de David Canabarro. O Seival era
comandado pelo norte-americano John Griggs, conhecido como “João Grandão”, e o Farroupilha comandado por
Garibaldi.[2]

Na costa de Santa Catarina, próximo ao rio Araranguá, uma tempestade pôs a pique o Farroupilha, salvando-se uns
poucos farrapos, entre eles o próprio Garibaldi.

Finalmente atacaram por terra, com as forças de Canabarro, e por água. Entrando em Laguna através da lagoa de
Garopaba do Sul, cruzando a barra do Camacho, passando pelo rio Tubarão e atacando Laguna por trás,
surpreendendo os imperiais que esperavam um ataque de Garibaldi pela barra de Laguna e não pela lagoa. Garibaldi,
com o Seival, tomou Laguna com ajuda do próprio povo lagunense, a 22 de julho de 1839. A 29 de julho de 1839
proclama-se a República Juliana, para a preservação do porto em mãos republicanas. O nome "Juliana" refere-se ao
mês da proclamação.

Após conquistar Laguna, as forças farroupilhas continuaram avançando para o norte, perseguindo as tropas imperiais,
avançaram cerca de 70 quilômetros até a planície do rio Maciambu. O avanço foi contido devido a um
entrincheiramento das forças imperiais protegido pela geografia do morro dos Cavalos, que dificultava o acesso das
tropas farrapas e lhes bloqueava o avanço para o ataque a Desterro (atual Florianópolis).[1]

Os farroupilhas fizeram incursões mais ao norte, chegando a atacar a barra de Paranaguá, em 31 de outubro de 1839.
Uma escuna e um lanchão farroupilhas capturaram a sumaca Dona Elvira, porém foram combatidos pelos canhões da
fortaleza e obrigados a retroceder. A escuna recuou rumo ao norte, porém o lanchão, mais pesado, por ali parou e foi
capturado por uma lancha com vinte homens comandada pelo alferes Manuel Antônio Dias e a lancha Dona Elvira foi
recuperada.[3]

A república
Com a tomada de Laguna , praticamente metade da província catarinense ficou em mãos republicanas e com a
incorporação da vila de Lages, também sob controle rebelde, ao novo estado, o território da República Juliana se
estendia do extremo meridional até o planalto catarinense.[1]

Foi então organizada a República Juliana, sendo convocadas eleições para constituição do governo. David Canabarro
ficou à frente do governo da nova república até 7 de agosto de 1839, quando foi convocado o colégio eleitoral. Foram
eleitos para presidente o tenente-coronel Joaquim Xavier Neves e para vice o padre Vicente Ferreira dos Santos
Cordeiro, como Xavier Neves estava em São José bloqueado pelas forças imperiais, o padre Vicente Cordeiro assumiu
a presidência.[1]

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Foi também montada uma estrutura para organizar e dirigir os assuntos de interesse
Museu Anita Garibaldi
do novo estado, ministros foram nomeados para as diversas áreas. A administração
geral ficou a cargo de seu secretário de Estado, o italiano Luigi Rossetti. Antônio José
Machado, juiz de paz, foi nomeado para o conselho governativo da República
Juliana.

A república enfrentou uma série de dificuldades em seus quatro meses de existência,


foram enfrentados problemas econômicos e políticos, além dos militares, com falta
de pessoal e de recursos.[1]

Apesar de toda mercadoria do porto ter sido apreendida e de todo o dinheiro


abandonado na vila durante a fuga das tropas e do governo imperial, uma das

Estado Catharinense primeiras medidas tomadas pelo Secretário de Estado foi solicitar ao governo da
Livre e Independente República Rio-Grandense um empréstimo.[1] Para piorar a situação, a marinha
imperial promoveu um bloqueio ao porto de Laguna, estrangulando o comércio e a
comunicação da vila com o exterior.[1]

Os revolucionários mantiveram por um longo período a pressão sobre Desterro.

Ainda em 11 de setembro ocorre a revolta da


guarnição da Fortaleza da Barra do Sul,
Placa na sala onde foi localizada no extremo sul da ilha de Santa
proclamada a República
Catarina, onde os militares imperiais rebeldes
Juliana
mataram o alferes reformado Pedro Fernandes e
deixaram os revolucionários tomar posse da
Fortaleza. Praticamente toda a guarnição da fortaleza, composta
aproximadamente de 50 soldados, entre praças e oficiais, unem-se aos
farroupilhas levando boa parte do armamento, munição e da pólvora existente.
Entretanto já no dia 13 a fortaleza se encontrava novamente sob domínio
imperial.[1] A rebelião tinha sido incitada por João Rebelo de Matos, Bento José
Roiz, José Pinto Ribeiro, João Francisco Régis, todos transferidos da Bahia e
envolvidos na Sabinada, com o estopim sendo os constantes castigos físicos
Retrato de Anita Garibaldi
ordenados pelo comandante da fortaleza, José Joaquim Pereira.[1] No final de
outubro se retiraram para o sul.

Nesta epopeia, Giuseppe Garibaldi conhece Ana Maria de Jesus Ribeiro, que passa a ser sua companheira nas lutas e
na vida: surge então a lendária Anita Garibaldi.

O fim da república
O bloqueio do porto e a continuada presença de tropas em Laguna afetaram interesses particulares e acabou por levar
a população contra os republicanos. A falta de gêneros como sal e fumo e a dura repressão farroupilha levaram à
deserção de lagunenses das linhas de frente e dos batalhões de defesa da vila às centenas. No início de novembro de
1839, os habitantes da Freguesia de Imaruí se revoltaram contra os rebeldes rio-grandenses. Giuseppe Garibaldi foi
encarregado de combater a rebelião, que foi reprimida com força.[4]

Os farroupilhas preparavam um ataque à ilha do Desterro, hoje Florianópolis, mas as forças imperiais contra-
atacaram de surpresa, com força total. A frota da república, preparando-se para a invasão de Desterro, foi descoberta
na foz do rio Maciambu e destruída. [5]

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Comandados pelo novo presidente da província, general Francisco José de Sousa


Soares de Andrea, mais de 3000 homens por terra, e por mar, uma frota de 13
navios, mais bem equipados e mais experientes, retomaram Laguna a 15 de
novembro de 1839, expulsando os revolucionários.

Terminou assim a República Juliana; porém a República Riograndense,


confederada a esta, durou até 1 de março de 1845, quando foi celebrada a paz pelo
tratado de Poncho Verde, e a república integra-se ao Império do Brasil.
Lanchão Seival
No Museu Anita Garibaldi, em Laguna, está exposta uma "Nota Promissória" de
vultosa quantia para a época, assinada pela República Juliana em favor da
República Rio-Grandense. Ao lado constam os seguintes dizeres: "A República Catarinense já nasceu devendo."

Em 1845, a província de Santa Catarina, já inteiramente pacificada, recebeu a visita do imperador Pedro II e da
imperatriz Teresa Cristina.

Legado
O município de Laguna permanece fortemente influenciado pela República Juliana; sua bandeira é composta da
tricolor verde-branca-amarela usada pela República Juliana com a adição do brasão municipal ao centro,[6] além de
ser comemorado anualmente a Independência da República Juliana e a Tomada de Laguna.[7]

A história da República Juliana já foi abordada em diversos livros, como Anita Garibaldi — A Guerreira da Liberdade
de Adilcío Cadorin,[8] e A Casa das Sete Mulheres de Letícia Wierzchowski.[9] O romance de Wierzchowski gerou uma
minissérie de mesmo nome em 2003, que teve 52 episódios produzidos pela Rede Globo, com Thiago Lacerda e
Giovanna Antonelli como Giuseppe e Anita Garibaldi, respectivamente.[10] Também foi adaptada em peça teatral com
A Tomada de Laguna, inspirada pelo livro de Cadorin, que conta a história de amor de Giuseppe e Anita Garibaldi,
passando pela proclamação da República Catarinense. Encenada ao ar livre em Laguna desde 1999, nos fins-de-
semana do mês de julho,[11] tem como cenários os locais onde ocorreram os fatos, e apresenta Werner Schünemann e
Samara Felippo nos papéis principais.[8]

A República Juliana foi citada como uma das referências utilizadas para a criação do movimento secessionista O Sul é
o Meu País, em 18 e 19 de julho de 1992 em Laguna, que objetiva, por vias democráticas e plebiscitárias, a separação
da região Sul do Brasil para a formação de um novo país.[12]

Ver também
República Rio-Grandense
Guerra dos Farrapos
Giuseppe Garibaldi

Referências
1071-3
1. COSTA, Gustavo Marangoni da, Entre contrabando e
5. Collor, Lindolfo (2016). Garibaldi e a Guerra dos
iniquidades: outros aspectos da República Juliana —
Farrapos (https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/
Laguna — 1836-1845, Florianópolis, UFSC, 2006. (ht
handle/id/530470/001077982_Garibaldi_Guerra_Farr
tp://www.tede.ufsc.br/teses/PHST0261.pdf)
apos.pdf?sequence=1) (PDF). Brasília: Edições do
2. SANT’ANA, Elma; STOLARUCK, André Sant’Ana. Senado Federal. p. 270-318
(2002). A odisséia de Garibaldi no Capivari 1 ed.
6. Joseph McMillan (17 de agosto de 2002). «Flag of
Porto Alegre: AGE. 95 páginas. ISBN 85-7497-130-8
Laguna» (http://flagspot.net/flags/br-sc-lg.html). Flags
3. História da Fortaleza de Paranaguá (http://www.ilhad of the World. Consultado em 18 de janeiro de 2009.
omel.com/a_fortaleza.htm)
7. Becker, Marcelo. (10 de junho de 2008). «Laguna
4. DUMAS, Alexandre (2000). Memórias de Garibaldi 1 revive proclamação da República Juliana» (http://ww
ed. Porto Alegre: L&PM. 354 páginas. ISBN 85-254- w.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=
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1&local=1&section=Geral&newsID=a1958296.xml). 10. «A Casa das Sete Mulheres» (http://epipoca.uol.com.


Diário Catarinense. Consultado em 17 de janeiro de br/filmes_detalhes.php?idf=10003). E-Pipoca.
2009. Consultado em 19 de janeiro de 2009.
8. Salgado, Mylene (30 de julho de 2003). «Governador 11. «Passeios e Programas» (http://www.santacatarinatur
assistirá ao espetáculo A Tomada de Laguna» (http:// ismo.dzo.com.br/interna_br.php?secao=02&item=sub
www.sc.gov.br/webimprensa/arquivo/noticias/julho/3 0205&miolo=passeios). Santa Catarina Turismo.
0/tomadalaguna.htm). Governo do estado de Santa Consultado em 17 de fevereiro de 2009.
Catarina. Consultado em 19 de janeiro de 2009. 12. «CARTA DE PRINCÍPIOS» (http://www.sullivre.org/ca
9. «A CASA DAS SETE MULHERES Ficha técnica» (htt rta-de-principios). O Sul É o Meu País. 27 de abril de
p://www.record.com.br/detalhe.asp?tituloLivro=2666). 2007. Consultado em 16 de fevereiro de 2009.
Editora Record. Consultado em 19 de janeiro de
2009.

Bibliografia
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Edição Eletrônica (17 Mb). (http://www.memorial.rs.g 0%20%20%20%20%20%20&dtHoraQuarto=14:42&tx
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Bez, Edinho. Discurso sobre Laguna (http://www.cam Laguna 329 anos de Fundação (http://www.diariodos
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