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CARACTERIZAÇÃO DE EVENTOS DE VTCD EM SISTEMAS DE

DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA


Guilherme Leal Xavier1; José Rubens Macedo Jr2
1 – Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências Exatas, Rio Paranaíba – MG,
2- Universidade Federal de Uberlândia, Faculdade de Engenharia Elétrica, Uberlândia – MG
guilhermexavier@ufv.br; jrubens@ufu.br

Resumo – Eventos de variação de tensão de curta


duração, ocorridos no sistema de distribuição de energia I. INTRODUÇÃO
elétrica, podem resultar em diversos problemas para as
instalações elétricas conectadas neste sistema. Quantificar O termo Qualidade da Energia Elétrica (QEE) está
estes eventos em um determinado ponto de monitoração associado a qualquer desvio que venha a ocorrer na
pode auxiliar na atenuação dos efeitos associados aos magnitude, forma de onda ou frequência tanto da tensão
mesmos. Neste contexto, o presente trabalho tem como quanto da corrente elétrica [1]. Podendo ser de natureza
objetivo apresentar de forma clara e objetiva os permanente ou transitória, este desvio afeta o desempenho da
procedimentos para caracterização de eventos de geração, transmissão, distribuição e utilização da energia
variação de tensão de curta duração, assim como os elétrica.
procedimentos para agregação de eventos individuais que Nos últimos anos, a preocupação com a QEE cresceu e a
venham a ocorrer de forma simultânea e/ou consecutivas. área se consolidou a nível mundial. No Brasil,
Adicionalmente, são apresentados os conceitos referentes especificamente, as regulamentações dos fenômenos
à variação de tensão de curta duração, assim como o relacionados à QEE vêm passando por constantes
procedimento para obtenção da tensão eficaz a partir de aperfeiçoamentos. Atualmente, a normatização da QEE pode
uma medição da tensão instantânea. ser dividida em duas vias, uma visando o âmbito do sistema
interligado nacional (Rede Básica) e outra a nível de sistemas
Palavras-Chave – Distribuição de energia elétrica, de distribuição de energia elétrica (tensão inferior a 230 kV).
módulo 8 PRODIST, qualidade da energia elétrica, O gerenciamento dos indicadores de QEE para Rede Básica
tensão eficaz, variação de tensão de curta duração. está descrito no submódulo 2.8 dos Procedimentos de Rede
[2], elaborados sob a coordenação do Operador Nacional do
Sistema Elétrico (ONS). A normatização e padronização das
CHARACTERIZATION OF VTCD EVENTS
atividades técnicas relacionadas ao funcionamento e
IN DISTRIBUTION SYSTEMS desempenho dos sistemas de distribuição de energia elétrica,
estão documentadas nos Procedimentos de Distribuição
Abstract – Short-time rms voltage events occurred in (PRODIST), elaborados pela Agência Nacional de Energia
distribuitions systems may result in sereval problems for Elétrica (ANEEL), que especifica a QEE em seu Módulo 8
eletrical installations connected in this systems. Quantify [3].
these events, at a monitoring point, can help to mitigate A regulamentação relativa à QEE estabelecida no Módulo
the cause. In this context, the present paper aims to 8, aborda a qualidade do serviço e a qualidade do produto. A
present clearly and objectively the procedures for qualidade do serviço está associada com a disponibilidade da
characteration of short-time rms voltage variation events tensão para o fornecimento de energia elétrica, destacando os
and to establish the necessity to aggregate individual indicadores de continuidade coletivos e individuais. A
events that happen simultaneously and/or consecutively. qualidade do produto avalia a conformidade da tensão de
In addition, the concepts related to short-time rms fornecimento em regime permanente e as perturbações na
voltage variation are presented, as well as the procedure forma de onda da tensão. Os fenômenos tratados na
to calculate the rms voltage from an instantaneous qualidade do produto em regime permanente são: tensão em
voltage measurement. regime permanente, fator de potência, harmônicos,
1 desequilíbrio de tensão, flutuação de tensão e variação de
Keywords - Distribution systems, chapter 8 PRODIST, frequência. E para o regime transitório, temos as Variações
power quality, rms voltage, short-time rms voltage de Tensão de Curta Duração (VTCD).
variation. Neste contexto, o presente artigo visa abordar os aspectos
específicos associados com a caracterização de eventos de
VTCD, em consonância com a nova metodologia do
PRODIST, em vigor desde janeiro de 2017. Tal metodologia
é aplicável para sistemas de distribuição de energia elétrica
no sistema elétrico nacional.
Diante desse cenário, o objetivo principal deste artigo é
apresentar os conceitos relacionados ao processo de
agregação de eventos de VTCD, assim como apresentar uma
análise de caso prático de aplicação para as diversas

1
situações passíveis de ocorrência nos sistemas elétricos de princípio semelhante ao curto, ocasiona elevadas quedas de
uma forma geral. tensão no sistema.
As elevações momentâneas ou temporárias de tensão
II. VARIAÇÃO DE TENSÃO DE CURTA DURAÇÃO representam um outro tipo possível de VTCD. Esses eventos
também podem ser originados por curtos-circuitos
A VTCD é um fenômeno transitório definido como um assimétricos nos quais, em função do deslocamento de
desvio significativo na amplitude do valor eficaz da tensão, neutro, as tensões de fase das fases sãs podem apresentar
durante um intervalo de tempo inferior a 3 (três) minutos. A elevação de magnitude. Outra fonte de eventos que resultam
VTCD pode ser classificada de acordo com o tipo na elevação momentânea ou temporária de tensão são as
(afundamento, elevação ou interrupção de tensão) e a falhas em equipamentos reguladores de tensão, comumente
duração (temporária ou momentânea) [3]. conectados nas redes aéreas de média tensão.
O afundamento de tensão é caracterizado quando a Um evento de VTCD no sistema elétrico pode ocasionar
amplitude da tensão (valor eficaz) estiver no intervalo de 0,1 desde o desligamento de cargas sensíveis, na ocorrência de
a 0,9 pu da tensão de referência, já a elevação, quando a afundamento ou interrupção de tensão, até a degradação de
amplitude da tensão for superior a 1,1 pu da tensão de equipamentos quando da ocorrência de eventos de elevação
referência e a interrupção é quando a tensão está abaixo de de tensão. Processos industriais são os mais prejudicados
0,1 pu da tensão de referência. A Tabela I mostra a pelas VTCDs, podendo ser interrompidos parcialmente ou
classificação da VTCD de acordo com a duração e a totalmente, levando a prejuízos de paradas de produção,
amplitude da tensão em relação à tensão de referência. perdas de produtividade, perdas de insumo, entre outros
danos [6].
Tabela I – Classificação das Variações de Tensão de Curta Duração
Amplitude da
tensão (valor III. REGISTRO DA TENSÃO EFICAZ
Duração da
Classificação Denominação eficaz) em
Variação Um evento de VTCD é caracterizado pela sua amplitude e
relação à tensão
de referência duração em um determinado ponto de monitoração. Desta
Interrupção forma, é de suma importância a definição do método para
Momentânea Inferior ou igual a
de Tensão três segundos
Inferior a 0,1 p.u cálculo da tensão eficaz ao longo do tempo. Segundo [4], o
(IMT) cálculo da tensão eficaz de uma determinada onda de tensão
Variação
Afundamento
Superior ou igual a Superior ou
é realizado adotando uma janela de 1 (um) ciclo de duração,
Momentâneo a partir da passagem por zero da fundamental, de valores
Momentânea um ciclo e inferior ou igual a 0,1 e
de Tensão
de Tensão
(AMT)
igual a três segundos inferior a 0,9 p.u discretos amostrados diretamente da tensão instantânea,
Elevação conforme equação (1).
Superior ou igual a
Momentânea Superior a 1,1
um ciclo e inferior ou
de Tensão p.u
igual a três segundos N
1
v
(EMT)
Interrupção Superior a três Vrms  2
i (1)
Temporária de segundos e inferior a Inferior a 0,1 p.u N i 1
Tensão (ITT) três minutos Onde:
Variação Afundamento Superior a três Superior ou
Temporária Temporária de segundos e inferior a igual a 0,1 e
N - Número de amostra da tensão instantânea por ciclo da
de Tensão Tensão (ATT) três minutos inferior a 0,9 p.u tensão fundamental.
Elevação Superior a três vi - A i-ésima amostra da tensão instantânea em cada ciclo.
Superior a 1,1
Temporária de segundos e inferior a
p.u Vrms - Valor eficaz calculado para uma janela de 1 ciclo de
Tensão (ETT) três minutos duração da tensão instantânea.
A origem da VTCD pode se dar por diversas causas, Para a referência [5], a equação (1) pode ser aplicada a
sendo uma das principais causas do afundamento de tensão, o cada ciclo da tensão instantânea, com deslizamento de janela
curto-circuito. No instante do curto, uma elevada corrente (atualização) a cada ½ ciclo (Vrms(1/2)) ou 1 ciclo (Vrms(1)). Para
circula no sistema elétrico, ocasionando grandes quedas de medidores do tipo Classe A (utilizados onde medições
tensão nas diversas impedâncias do sistema. Algumas precisas são necessárias, como por exemplo para aplicações
ocorrências de curto-circuito são inevitáveis, como por contratuais, verificações de conformidades com padrões,
exemplo, no caso de uma descarga atmosférica atingindo a dentre outros) deve-se calcular um valor eficaz de tensão
rede. Em outros casos, as ocorrências de curtos-circuitos sobre um ciclo atualizando a cada ½ ciclo. Para medidores
podem ser minimizadas com manutenções preventivas nas Classe S (utilizados para aplicações estatísticas, como
redes como, por exemplo, efetuação de podas de árvores pesquisas ou avaliações de qualidade da energia) pode-se
próximas das redes elétricas. Dependendo da intensidade da usar o valor eficaz da tensão medido a cada ciclo e
corrente de curto-circuito e da duração, a proteção do sistema atualizados a cada 1 ciclo ou ½ ciclo.
pode atuar, eliminando o curto e consequentemente isolando Portanto, no caso da tensão Vrms(1), a cada um ciclo
a região afetada. Neste caso, os consumidores situados à completo da tensão instantânea é calculado um valor para a
jusante do elemento de proteção sofrerão uma interrupção do tensão eficaz, e este valor é atualizado a cada ciclo. Da
fornecimento de energia elétrica. mesma forma para a tensão Vrms(1/2), é utilizado um ciclo
Outra causa para ocorrência dos afundamentos de tensão completo da tensão instantânea, porém a tensão eficaz agora
são as partidas de grandes motores elétricos, que pelo

2
é atualizada a cada ½ ciclo da tensão instantânea. A Figura 1 identificação do instante final do evento, possa levar a erros
exemplifica este procedimento. de interpretação de um evento de VTCD, resultando em
múltiplos eventos durante uma oscilação. A histerese em
geral é igual a 2% da tensão de referência [5]. Na Figura 2 a
histerese é exemplificada. Note que, tanto no evento de
afundamento, quanto de elevação, a duração do evento
individual é maior quando se considera a histerese.

Fig. 1. Exemplo de cálculo do k-ésimo valor eficaz considerando


uma tensão instantânea amostrada a uma taxa de 8 amostras por
ciclo, sendo: (a) deslizamento da janela amostral a cada ciclo
[Vrms(1)] e (b) deslizamento da janela amostral a cada ½ ciclo
[Vrms(1/2)].

IV. CARACTERIZAÇÃO DE EVENTOS DE VTCD

Conforme já mencionado, a caracterização de um evento


de VTCD deve ser efetuada considerando sua amplitude e
duração. A expressão para determinação da amplitude de um
evento individual de VTCD é indicado na equação (2). Para
evento de afundamento ou interrupção de tensão, a tensão
residual é o ponto de menor amplitude da tensão eficaz. Já no
caso de elevação de tensão, a tensão residual é o ponto de
maior amplitude da tensão eficaz.
Fig. 2. Caracterização de eventos de VTCD com e sem a
consideração de histerese em: (a) eventos de afundamento
Vres momentâneo de tensão e (b) eventos de elevação momentânea de
Ve  100 (2) tensão.
Vref
Onde: Quando se trata de sistemas polifásicos, o evento de
Ve - Amplitude do evento de VTCD (em %). VTCD inicia quando uma das fases do sistema viola seu
Vres - Tensão eficaz residual do evento de VTCD (em Volt). limiar. Seu término é quando a tensão eficaz em todas as
Vref - Tensão eficaz de referência (em Volt). fases do sistema transcende o limiar de violação acrescido da
tensão de histerese, retornando para a faixa normal de
A duração do evento individual é quantificada conforme operação. Desta forma, em um sistema trifásico, por
expressão (3). exemplo, um evento de VTCD pode iniciar em uma
determinada fase e terminar em outra fase.
t e  t f  ti (3) No caso de interrupção de tensão de curta duração em
sistema polifásicos, ela inicia quando a tensão eficaz em
Onde: todas as fases ultrapassa o limiar de interrupção de tensão e
te - duração do evento de VTCD (em milissegundos). termina quando a tensão de qualquer uma das fases é igual
tf - Instante final do evento de VTCD. ou superior ao limiar de interrupção de tensão, acrescido da
ti - Instante inicial do evento de VTCD. histerese [5]. Dessa forma, a interrupção de uma fase em um
sistema polifásico, pode ser vista como uma interrupção de
A detecção de um evento de VTCD irá depender se o fornecimento para consumidores monofásicos conectados a
sistema em questão é monofásico ou polifásico. Para este sistema, embora ela não seja classificada como uma
sistemas monofásicos, um evento de VTCD tem seu início interrupção em uma medição polifásica.
quando a tensão eficaz viola o limiar de afundamento, Segundo [3], elevações e afundamentos de tensão de curta
elevação ou interrupção e termina quando a tensão transpõe duração devem compor eventos distintos. A Figura 3
seu limiar somado à tensão de histerese. apresenta tal situação evidenciada. Neste caso, temos um
Aqui, a terminologia histerese, trata de um acréscimo no evento de afundamento que inicia na fase B e termina na fase
limiar de afundamento ou elevação no instante final de um C e evento de elevação de tensão na fase A.
evento. Dessa forma, teremos uma diferença de magnitude Eventos simultâneos e/ou consecutivos de VTCDs, em um
entre os valores de limiares do início e término de um evento. período de 3 (três) minutos, registrados em um determinado
Esta prática é adotada visando evitar que um comportamento ponto de monitoração, devem ser agregados de forma a
oscilante da tensão eficaz, em torno do limiar de compor um único evento de VTCD. A referência [3]

3
considera duas formas de agregação de eventos individuais, a A amplitude do evento agregado será obtida a partir da
agregação de fases e a agregação temporal. tensão residual que mais se distanciou da tensão de
referência. A Figura 5 ilustra um evento de afundamento em
duas fases. Neste caso, adotando a agregação por parâmetros
críticos, a duração do evento individual será o intervalo de
tempo entre o instante em que a fase B ultrapassa o limiar
inferior do afundamento e o instante que a tensão transpor o
mesmo limiar, acrescido da histerese. Já a amplitude será
calculada utilizando a tensão residual da fase C, a qual foi a
que mais se distanciou da tensão de referência.

Fig. 3. Eventos simultâneos envolvendo afundamento e elevação de


tensão de curta duração.

A. Agregação de Fases
A agregação de fases estabelece que, para um determinado
Fig. 5. Agregação de fases pelo critério dos parâmetros críticos.
ponto de monitoração, uma VTCD deve ser caracterizada a
partir da agregação da amplitude e da duração dos eventos
individuais registrados em cada fase. Dessa forma, eventos 3) Agregação pela fase crítica
simultâneos são primeiramente agregados compondo um Como alternativa temos ainda a agregação de fases pelo
mesmo evento para um ponto de monitoração. critério da fase crítica. Neste caso, utiliza-se apenas a fase
A agregação de fases pode ser feita pelo critério de união que mais se distanciou da tensão de referência. A amplitude
de fases ou por outras duas formas alternativas, que são a do evento agregado será definida pela tensão residual da fase
agregação por parâmetros críticos e agregação pela fase com maior desvio em relação à tensão de referência e a
crítica. duração desse mesmo evento individual será a duração do
evento agregado. Esta situação está ilustrada na Figura 6,
1) União das fases onde a tensão residual da fase C foi a que mais se distanciou
Este método defini que a duração do evento é o intervalo da tensão de referência. A agregação por esse critério adota a
decorrido entre o instante em que uma das fases ultrapassa o tensão residual da fase C e a duração deste mesmo evento
limiar estabelecido e termina quando todas as fases individual. Mesmo com a duração do evento da fase B senda
transpõem o mesmo limiar, acrescido da histerese. Esta maior, para este critério, a agregação adota a duração da fase
agregação é ilustrada na Figura 4, onde um evento de C, por ser a fase que teve o maior desvio em relação a tensão
afundamento de tensão inicia na fase B e termina na fase C. de referência.
A amplitude do evento agregado é obtida a partir da tensão
residual da fase que mais se distanciou da tensão de
referência. No caso da Figura 4, a amplitude da VTCD é
definida a partir da tensão residual da fase C.

Fig. 6. Agregação de fases pelo critério da fase crítica.

B. Agregação Temporal
Fig. 4. Agregação de fases pelo critério de união de fases. Além da agregação de fases, deve-se também proceder
com a agregação temporal, a qual considera que eventos
consecutivos em um período de 3 (três) minutos, deve
2) Agregação por parâmetros críticos
compor um único evento de VTCD para um mesmo ponto de
Outra alternativa que pode ser utilizada para agregação de
monitoração.
fases é pelo critério dos parâmetros críticos. Neste caso, a
Conforme referência [4], a agregação temporal é realizada
duração do evento agregado será definida como a máxima
levando em consideração os parâmetros críticos dos eventos
duração entre todas as fases que violaram o limiar de VTCD.

4
consecutivos. A amplitude do evento de VTCD será obtida a total de apenas 8 eventos agregados a serem efetivamente
partir da tensão residual que teve o maior desvio em relação contabilizados.
a tensão de referência dentro do intervalo de 3 (três) minutos. Note que os 3 (três) primeiros eventos ocorreram no
A duração do evento agregado será definida como sendo a mesmo dia. Devido a agregação de fases, o evento teve início
máxima duração entre todos os eventos individuais na fase A e término na fase B. Este evento trata-se de um
registrados. afundamento momentâneo de tensão que aconteceu nas 3
A Figura 7 ilustra a ocorrência de 3 (três) eventos (três) fases do sistema. Como a tensão da fase B foi a menor,
consecutivos no mesmo ponto de medição, que devem ser ou seja, a que mais se distanciou da tensão de referência, está
agregados, resultando em apenas um evento de VTCD. Neste deve ser considerada como sendo a amplitude do evento
caso, os eventos foram agregados devido ao fato de terem agregado.
ocorridos consecutivamente em um tempo inferior a 3 (três)
minutos. Nesta situação, a amplitude do evento agregado é Tabela II – Registro de eventos individuais de VTCD em um ponto
calculada usando a tensão residual da fase B na primeira de monitoração de uma rede de distribuição de energia elétrica
ocorrência. Já a duração do evento agregado é o intervalo de Seq. Data
Instante Instante Duração Ampl.
Fase
tempo em que a fase C, da terceira ocorrência, ultrapassou o inicial (ti) final (tf) (∆te) (Ve%)
limiar de afundamento até o instante que a fase B transpõe o 1 05/01/2017 15:27:16,723 15:27:17,686 00:00,963 80% A
mesmo limite, acrescido da histerese.
2 05/01/2017 15:27:16,800 15:27:17,840 00:01,040 75% B

3 05/01/2017 15:27:17,010 15:27:17,654 00:00,644 85% C

4 10/01/2017 18:12:24,450 18:12:28,655 00:04,205 81% B

5 12/01/2017 21:45:16,356 21:45:16,879 00:00,523 85% B

6 12/01/2017 21:45:16,425 21:45:16,921 00:00,496 78% C


Fig. 7. Eventos consecutivos de afundamento de tensão de curta
7 12/01/2017 21:45:16,567 21:45:16,995 00:00,428 112% A
duração.
8 24/01/2017 15:56:23,367 15:56:24,231 00:00,864 68% A
Ressalta-se que a agregação temporal deve ser realizada
após as devidas agregações de fase para eventos simultâneos. 9 24/01/2017 15:56:23,367 15:56:24,231 00:00,864 65% B

10 24/01/2017 15:56:23,367 15:56:24,231 00:00,864 67% C


V. ANÁLISE DE CASO
11 24/01/2017 15:57:02,234 15:57:03,154 00:00,920 72% A
Para demostrar o procedimento para caracterização de
12 24/01/2017 15:57:02,234 15:57:03,154 00:00,920 71% B
eventos de VTCD, em consonância com a nova metodologia
do PRODIST, válida a partir de janeiro de 2017, utilizaremos 13 24/01/2017 15:57:02,234 15:57:03,154 00:00,920 73% C
uma medição realizada em um determinado ponto de
14 26/01/2017 12:14:45,786 12:14:45,824 00:00,038 54% A
monitoração. Esta medição é fruto de uma monitoração em
um sistema trifásico de distribuição de energia elétrica em 15 26/01/2017 12:14:45,818 12:14:45,895 00:00,077 60% B
13,8 kV.
A Tabela II apresenta o registro de vários eventos 16 26/01/2017 14:43:56,126 14:43:56,765 00:00,639 86% C
individuais, obtidos para um determinado ponto de 17 26/01/2017 14:43:56,997 14:43:57,702 00:00,705 88% A
monitoração. Analisando um período de 30 dias
consecutivos, para este ponto de monitoração foram 18 29/01/2017 17:34:56,345 17:34:56,879 00:00,534 89% A
registrados um total de 26 eventos individuais de VTCD. 19 29/01/2017 17:34:56,345 17:34:56,879 00:00,534 87% B
De acordo com o PRODIST, eventos simultâneos e/ou
consecutivos, em um período de 3 (três) minutos, registrados 20 29/01/2017 17:34:56,345 17:34:56,879 00:00,534 42% C
em um determinado ponto de monitoração, devem ser 21 29/01/2017 17:36:06,121 17:36:06,675 00:00,554 87% A
agregados de forma a caracterizar um único evento de
VTCD. O primeiro passo é a realização da agregação de 22 29/01/2017 17:36:06,121 17:36:06,675 00:00,554 86% B
fases e após a agregação temporal. 23 29/01/2017 17:36:06,121 17:36:06,675 00:00,554 45% C
Dessa forma, analisando os 26 eventos individuais
registrados, procede-se com as agregações, resultando os 24 29/01/2017 17:37:46,340 17:37:47,002 00:00,662 88% A
eventos devidamente agregados apresentados na Tabela III. 25 29/01/2017 17:37:46,342 17:37:47,176 00:00,834 89% B
Primeiramente deve ser realizado a agregação de fases de
eventos simultâneos, para na sequência proceder com a 26 29/01/2017 17:37:46,348 17:37:46,994 00:00,646 47% C
agregação temporal dos eventos consecutivos. Nesta análise
de caso, para realizar as agregações de fases será adotado o O evento de número 4 (quatro), foi um evento que ocorreu
critério de união de fases. em apenas uma fase. Dessa forma, não tem agregação sendo
Como pode ser observado na Tabela III, os 26 eventos considerado o próprio evento. Por se tratar de um evento com
individuais, após as devidas agregações, resultaram em um duração superior a 3 (três) segundos, ele é classificado como
afundamento temporário de tensão.

5
No dia 12 de janeiro de 2017, foram registrados um agregação temporal dos três eventos resultantes. Portanto,
evento de afundamento momentâneo de tensão nas fases B e desses 9 eventos individuais resultou em 1 evento agregado
C e uma elevação momentânea de tensão na fase A. Para a de AMT nas fases A, B e C com duração de 836
agregação, como afundamento e elevação devem compor milissegundos e amplitude de 42%.
eventos distintos, neste caso é considerado um evento de
AMT, iniciando na fase B e terminando na fase C, e um VI. CONCLUSÕES
evento de EMT na fase A.
O presente artigo contemplou o procedimento para
Tabela III – Agregação de eventos de VTCD em um ponto de caracterização de eventos de variação de tensão de curta
monitoração de uma rede de distribuição de energia elétrica duração, em consonância ao módulo 8 do PRODIST, em
Ampl. vigor desde janeiro de 2017.
Seq. Duração (∆te) Fase Tipo
(Ve%)
Através de uma análise de caso foi possível observar que
1
eventos individuais, para um determinado ponto de
2 00:00:01,117 75% ABC AMT
monitoração, ocorridos de forma simultânea e/ou
3
consecutivos, dentro de um intervalo de 3 minutos, devem
4 00:00:04,205 81% B ATT ser agregados resultando em um único evento.
5 Para eventos simultâneos, temos que proceder com a
00:00:00,565 78% BC AMT
6 agregação de fases, sendo que um evento pode ter uma
7 00:00:00,428 112% A EMT duração com início em uma das fases do sistema e término
8 em outra fase. Para eventos consecutivos, em um período de
9 3 (três) minutos, após proceder com a agregação temporal,
10 vários eventos individuais passam a compor um único evento
00:00:00,920 65% ABC AMT
11 de variação de tensão de curta duração. Os eventos
12 consecutivos associados a religamentos automáticos na rede
13 de distribuição são exemplos típicos de situações nas quais
14 deve ser utilizado esse tipo de agregação.
00:00:00,109 54% AB AMT
15 Na análise de caso apresentada, 26 eventos individuais
16 foram devidamente agregados, resultando em 8 eventos
00:00:00,705 86% CA AMT
17 agregados. Eventos de afundamento e elevação, mesmo
18 ocorrendo de forma simultânea no sistema trifásico, devem
19 compor eventos distintos.
20 A caracterização de eventos aqui apresentados, visa
21 consolidar o indicador denominado fator de impacto, o qual,
22 00:00:00,836 42% ABC AMT por sua vez, caracteriza a severidade da incidência de eventos
23 de VTCD em um determinado ponto de monitoração. A
24 implantação das novas regulamentações dos parâmetros de
25 qualidade da energia elétrica visa melhorias dos padrões de
26 fornecimento de energia elétrica por parte das distribuidoras.
Já no dia 24 de janeiro de 2017, foram registrados 6 (seis)
REFERÊNCIAS
eventos individuais de VTCD, que após a agregação,
culminou em 1 (um) evento agregado com duração de 920 [1] R. C. Dugan, M. F. Mcgranaghan e H. W. Beauty,
milésimos de segundos, nas 3 (três) fases e com amplitude de Electrical Power System Quality, EUA: McGraw-Hill,
65%. 1996.
No dia 26 de janeiro de 2017 ocorreram 4 (quatro) eventos [2] ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico,
individuais. Para a agregação temporal os eventos “Procedimentos de Rede - Submódulo 2.8 -
consecutivos devem ocorrer em um intervalo de tempo de 3 Gerenciamento dos indicadores de qualidade da energia
(três) minutos. Dessa forma, para os eventos 14 e 15, temos elétrica da Rede Básica,” 2017.
um evento de AMT nas fases A e B com amplitude de 54% e [3] ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica,
durante de 109 milissegundos. Já para os eventos 16 e 17, “Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no
temos também um AMT nas fases C e A com amplitude de Sistema Elétrico Nacional – PRODIST. Módulo 8 –
86% e duração de 705 milissegundos. Note que os eventos Qualidade da Energia Elétrica,” 2017.
individuais 16 e 17 são consecutivos e não simultâneos, de [4] IEEE Power and Energy Society, “IEEE Guide for
forma que foram considerados os critérios de agregação Voltage Sag Indices,” IEEE Std 1564, 2014.
temporal para caracterização do evento representativo dos [5] IEC – International Electrotechnical Commission, “IEC
mesmos. 61000-4-30 - Electromagnetic compatibility (EMC) –
Por fim, no dia 29 de janeiro de 2017 registrou-se 9 Part 4-30: Testing and measurement techniques – Power
eventos individuais. A agregação desses eventos foi realizada quality measurement methods,” Edition 2.0, 2008.
considerando-se inicialmente a agregação de fases para os [6] M. H. J. Bollen, Understanding Power Quality
conjuntos de eventos 18-20, 21-23 e 24-26. Com base nos Problems: Voltage Sags and Interruptions, New York:
resultados dessas agregações de fases, procedeu-se à IEEE press, 1960.