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24/08/2018

NEUROPSICOPATOLOGIA I

Prof. Leonardo Ferreira Faria


Perito Psicólogo: CRP 09/3584
contato@leonardofaria.com.br

Mestrando em Ciências Criminológicas-Forenses | Pós-graduação em Neuropsicologia


Pós-graduação em Criminologia | Pós-graduação em Psicologia Jurídica
1

FUNDAMENTOS DE NEUROANATOMIA
FUNCIONAL

• Divisão anatômica o SN

– Sistema nervoso periférico


• Nervos
- Espinhais
- Cranianos
• Gânglios
• Terminações nervosas

FUNDAMENTOS DE NEUROANATOMIA FUNCIONAL

• Divisão anatômica
– Sistema nervoso central
• Encéfalo
Cérebro: diencéfalo e telencéfalo
Cerebelo
Tronco encefálico
- mesencéfalo
- ponte
- bulbo
• Medula espinhal

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FUNÇÕES BÁSICAS DO SISTEMA NERVOSO

• Função Integradora => Coordenação das


funções do vários órgãos (↑Pressão
arterial→↑Filtração Renal e ↓Freq.
Respirat.)

• Função Sensorial => Sensações gerais e


especiais.

• Função Motora => Contrações


musculares voluntárias ou
Involuntárias

• Função Adaptativa => Adaptação do


animal ao meio ambiente (sudorese,
calafrio)
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Sistema nervoso
central é protegido
por caixa craniana e
coluna vertebral

Sistema Nervoso

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Sistema nervoso central e periférico

Encéfalo

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FUNDAMENTOS DE NEUROANATOMIA
FUNCIONAL

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Vasos
sanguíneos
na face

Vasos
sanguíneos
no encéfalo

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Neurônios

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• Há uma centena de bilhões de neurônios num único


cérebro humano e um número cerca de dez vezes maior de
outras células que não executam funções computacionais.

TIPOS DE NEURÔNIOS

NEURÔNIO SENSORIAL

CORPO CELULAR
CORPO CELULAR

Direção da condução
AXÔNIO
NEURÔNIO
ASSOCIATIVO
DENDRITOS

AXÔNIO

CORPO CELULAR
AXÔNIO
NEURÔNIO MOTOR

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DENDRITOS

CÉLULAS DA GLIA

MACRÓGLIA .São células lábeis capazes de


exercer uma importância vital aos
neurônios, sendo a principal
função a Nutrição.
.Não produzem potencial de ação.

• ASTRÓCITOS: Nutrição e metabolismo


MACRÓGLIA • CÉLULAS EPENDIMÁRIAS :
Revestimento dos Ventrículos cerebrais e do
canal espinhal

MICRÓGLIA • OLIGODENDRÓLIA: Síntese de mielina


• HORTEGÁGLIA: Células de limpeza

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=== NEURÔNIOS===

Quanto à posição

NEURÔNIO AFERENTE
Conduz o impulso nervoso do
receptor para o SNC.
Responsável por levar
informações da superfície do
corpo para o interior.
Relaciona o meio interno com o
meio externo.

NEURÔNIO EFERENTE
Conduz o impulso nervoso do
SNC ao efetuador (músculo ou
glândula).

NEURÔNIO INTERNUNCIAL
OU DE ASSOCIAÇÃO
Faz a união entre os dois tipos
anteriores. O corpo celular deste
está sempre dentro do SNC.

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http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp#neurotransmissores

NEURÔNIO

Quanto à velocidade de condução

TIPO A => Grande calibre mielinizadas.

Alfa => proprioceptores dos músculos esqueléticos


Beta => mecanorreceptores da pele (Tato)
Gama => dor e frio

TIPO B => Médio calibre - pré-ganglionares do SNA.

TIPO C => Pequeno calibre - pós-ganglionares do SNA.

Quanto maior o calibre = Maior a velocidade de condução


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SISTEMA NERVOSO

LOCALIZAÇÃO:

• Corpos Celulares: encéfalo, medula


raquidiana e gânglios nervosos
(centros nervosos).

• Prolongamentos: (DENDRITOS e
AXÔNIOS) formam os NERVOS
espalham para todo o corpo.

Ex: AXÔNIOS variam de 1m até 1 micrômetro de comprimento


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Sinapse

Circuito Neuronal

PROPAGAÇÃO DO IMPULSO NERVOSO

----- ----- -----


+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + ++ + + + + + + + + + + + + + +
__________________________ _____________
+++ ++ +++ ++ +++ ++

Potencial de repouso: diferença de potencial entre a superfície externa e interna,


mantida pela Bomba Na/K

Potencial de ação: inversão (despolarização) do potencial de repouso, ocasionado


pela mudança temporária de permeabilidade aos íons Na/K

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EVENTOS ELÉTRICOS NA CÉLULA NERVOSA

PROPAGAÇÃO DO IMPULSO

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Vídeo: Bomba de Sódio e Potássio

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Acerca dos neurotransmissores

• Os neurotransmissores são armazenados em


minúsculas bolsas na extremidade do neurônio
• Impulsos elétricos fazem estas bolsas se fundirem
com a membrana externa
• Os neurotransmissores são liberados na fenda
sináptica
• Estas substâncias se unem aos seus respectivos
receptores no neurônio adjacente
• Os neurotransmissores são absorvidos e resultam
em moléculas que são quebradas e reabsorvidas e
armazenadas pelo primeiro neurônio para uso
posterior
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Neurotransmissores Funções
Dopamina Controla a estimulação
(atenção); controle motor;
atenção
Serotonina Humor, memória e aprendizado

Acetilcolina Atenção, aprendizagem e


memória
Noradrenalina Induz a excitação física e mental
e bom humor
Glutamato Excitatório do sistema nervoso

Encefalina Modulam a dor e reduzem o


estresse. Elas podem estar
Endorfina envolvidas nos mecanismos de
dependência física

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Aminas biogênicas

• Dopamina

• Noradrenalina e adrenalina

• Serotonina

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Peptídeos neurotransmissores

• Opioides endógenos

• Substância P

• Neurotensina

• Colecistocinina

• Vasopressina e ocitocina

• Neuropeptídeo Y

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Aminoácidos neurotransmissores

• Glicina

• Histamina

• Acetilcolina

• GABA

• Glutamato

• Receptores de cainato

• Receptores metabotrópicos

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Outros neurotransmissores

• Nucleotídeos

• Eicosanoides

• Anandamidas

• Receptores б

• Melatonina
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SIST. NERVOSO PERIFÉRICO

S.N. VOLUNTÁRIO S.N. AUTÔNOMO

SIMPÁTICO PARASSIMPÁTICO

Nervos que Nervos que


partem das partem das
regiões regiões

TORÁCICA e ENCÉFALO e
MEDULA FINAL
LOMBAR
(SACRAL)

Principal Principal
neurotransmissor neurotransmissor

ADRENALINA e ACETILCOLINA
NORADRENALINA

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DIFERENÇAS ANATÔMICAS E FUNCIONAIS ENTRE OS SISTEMAS SIMPÁTICO E


PARASSIMPÁTICO

Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002.


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VÍDEO - SNA

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Sistema nervoso autônomo


• O sistema nervoso autônomo (SNA) controla as
funções internas do corpo.

• É dividido em dois componentes distintos: 1.


sistema nervoso simpático e 2. sistema nervoso
parassimpático.
• Os dois componentes são estimulados por
múltiplos centros cerebrais, localizados,
principalmente, no tronco cerebral e no
hipotálamo.
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Sistema límbico
–Estrutura
Componentes corticais
– Giro do cíngulo, giro
parahipocampal, hipocampo
• Componentes subcorticais
– Corpo amigdalóide, área septal, nucleos
mamilares, núcleos anteriores do tálamo e
habenulares
Funções
• Controle de emoções
• Regulação do SNA
• Organização memória e aprendizagem

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O que é normalidade mental?

• Aspectos sociais
• Aspectos clínicos
• Aspectos jurídicos

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Caso clínico

• Rebecca apresentou-se voluntariamente à clínica de


psicoterapia da universidade. Ela é caloura da
faculdade, vivendo fora de casa pela primeira vez. Após
a primeira semana letiva, Rebecca relata que está tendo
problemas para dormir, dificuldade para se concentrar
nas aulas e que, com frequência, se sente irritável. Está
frustrada pela complexidade dos trabalhos de seu curso
e declara que está preocupada porque suas notas estão
começando a ser prejudicadas. Ela também relata que
está problemas para fazer amizades e que tem se
sentido sozinha porque não tem amigos íntimos com
quem possa falar abertamente.

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Caso clínico

• Rebecca é muito apegada a seu namorado, com


quem se relaciona há três anos, embora ambos
tenham iniciado faculdades em cidades diferentes.
Ela estava chorosa durante toda primeira sessão,
declarando que, pela primeira vez em sua vida, se
sente esmagada por sentimentos de
desesperança. Relata que, embora a primeira
semana na faculdade parecesse uma tortura,
pouco a pouco está se acostumando com seu novo
estilo de vida, mas ainda sente falta da família e
de seu namorado, bem como dos amigos dos
ensino médio.

Caso clínico

• Caso Rebecca: tem ou


não tem Transtorno
Mental?

• Que sintomas ela


possui?

Transtornos Mentais

• É provável que condições como a de Rebecca


afetem você de maneira muito pessoal.

Ansioso?
Triste?
Alcoolismo?
Depressão?
Suicídio?
Transtorno alimentar?
Demência?

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Definindo normalidade

Normalidade Estatística

• Fenômenos quantitativos, com determinada distribuição


estatística na população geral

• Norma = aquilo que se observa com mais frequência, ou


seja, seria o comportamento, a atitude mental, o
rendimento psíquico global mais comum,
estatisticamente mais frequente. Nem tudo que é
frequente é necessariamente saudável ( sintomas
ansiosos).

Definindo normalidade

Normalidade funcional/valorativa

• Fenômeno é considerado patológico a partir do


momento em que é disfuncional, produz
sofrimento.

• É o valor que o sistema sociocultural atribui à


maneira de o indivíduo existir

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Definindo normalidade

Normalidade como processo

• É considerado aspectos dinâmicos do


desenvolvimento psicossocial, das
desestruturações e reestruturações ao
longo do tempo, de crises, de mudanças
próprias a certos períodos etários.

Definindo normalidade

• “Mente”: produto do sistema nervoso central

• Padrão recorrente de comportamentos anormais


- Não estão de acordo com a idade, escolaridade e
história de vida
- Causam prejuízo
- Fora dos padrões de análise estatística

É preciso descartar outras possibilidades


de alteração psíquica para poder afirmar
que é transtorno mental:

• Uso de drogas lícitas ou ilícitas


• Estados febris
• Tumores cerebrais
• Alterações hepáticas
• Etc.

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Psicopatologia é o estudo científico dos


transtornos psíquicos / psicológicos.

Trata-se de área onde devemos privilegiar as


avaliações multi, trans e interdisciplinares.

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Transtornos mentais

• Os transtornos mentais não surgem


repentinamente, nós aprendemos a ser
doentes: resultado de influências genéticas
e ambientais
• Modelos unidimensional X
multidimensional: influências
comportamentais, biológicas, emocionais,
sociais e de desenvolvimento

Transtornos Mentais –
O que causa?

Biológico

Sócio -
cultural

Personalidade

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Transtornos mentais

FATORES PREDISPONENTES

FATORES DESENCADEANTES

FATORES AGRAVANTES

1ª UNIDADE FUNCIONAL – TRONCO ENCEFÁLICO


Unidade para regular o tono, a vigília e os estados mentais
2ª UNIDADE FUNCIONAL – CÓRTEX POSTERIOR
Unidade para receber, analisar e armazenar informações

3ª UNIDADE FUNCIONAL – CÓRTEX ANTERIOR


Unidade para programar, regular e verificar a atividade

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Avaliação Psicológica

Anamnese

Raciocínio Avaliação
DIAGNÓSTICO
Clínico Informal

Testes

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A Entrevista Psicológica

1. Dados de identificação 10. Exame do estado mental


2. Queixa principal (mini-mental)
3. Informantes 11. Formulação da hipótese
4. Motivo da consulta ou diagnóstica
admissão em hospital 12. Aplicação de testes
5. História da doença atual 14. Recursos e pontos-forte
6. História neuropsiquiátrica 15. Diagnóstico psicológico
pregressa 15. Prognóstico e sugestão de
7. História médica geral plano de tratamento
8. História psicossocial e
funcionamento pré-mórbido
9. História familiar e heredograma

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Avaliações psíquicas não se baseiam em


dados subjetivos. “Objetividade é
essencial”.

• Aparência física
• Comportamento
• Processos de pensamento
• Humor
• Afetividade
• Cognição
• Sensório 74

Aparência física

• Vestuário
• Postura
• Gestual
• Higiene corporal
• Cuidados de beleza
• Exame físico (cicatrizes compatíveis
com tentativas de autoextermínio?)

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Atitude

• Cooperativo • Negativista passivo


• Passivo • Apático
• Arrogante • Irritado
• Evasivo • Hostil
• Desconfiado • Indiferente
• Negativista ativo

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Comportamento

• Coerências
• Bizarrices
• Repetições de atos
• Busca de paralelos
• Imobilidade

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Alterações patológicas da consciência


• Quantitativas: rebaixamento do nível de consciência – alteração de
forma progressiva (estado normal – coma profundo).

• Consciência é estar vígil – estímulos sendo percebidos

1) Obnubilação ou turvação da consciência: diminuição da clareza


do sensório, com lentidão da compreensão e dificuldade de
concentração; pensamento pode estar confuso
2) Sopor ou torpor: paciente pode ser despertado apenas por
estímulo somatosensitivo, sobretudo doloroso. Sonolento. Incapaz
de reação espontânea, só reações de defesa.
3) Coma: grau mais profundo de alteração. Não é possível qualquer
atividade voluntária consciente – ausência de resposta a estímulo
de qualquer tipo.

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Síndromes associadas ao rebaixamento do


nível de consciência

Delirium: estado confusional agudo onde predomina


hiperatividade autonômica com comprometimento da
atenção, presença de alucinações, desorientação
temporoespacial, ansiedade.

Fala incongruente: relação pensamento

“Há Quadro de rebaixamento leve a moderado”

A Sra.Richardson, uma mulher afro-americana de 74 anos, foi


trazida á sala de emergência de um hospital pela polícia.
Apresenta-se desarrumada, suja e malcheirosa. Ela não olha
para o entrevistador e está aparentemente confusa, não
respondendo à maior parte das perguntas. Ela sabe seu nome
e endereço, mas não o dia ou o mês é incapaz de descrever os
acontecimentos que levaram à sua admissão. No dia seguinte
enquanto a Sra. Richardson aguardava a transferência para a
unidade de clínica médica para tratamento de seu diabete
descompensado, o supervisor psiquiátrico tentou entrevistá-la.
Sua expressão facial ainda era, na maior parte do tempo,
impassível, e continuava sem saber o mês, nem sabia dizer em
que hospital se encontrava.

Síndromes associadas ao rebaixamento


do nível de consciência
•Estado onírico: turvação de consciência + estado de sonho muito vívido

Características:
• Alucinações visuais intensas, com cenas, predomínio do fantástico,
mágico;
• As emoções acompanhadas de movimentos, falas
• Geralmente, não se lembra – amnésia
• Presentes nas psicose, abstinência e quadros febris tóxico-infecciosos

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Alterações qualitativas da consciência


• Mudança parcial ou focal do campo da consciência. Parte
preservada, parte alterada

• Geralmente acompanhada de rebaixamento do nível de


consciência

1) Estados crepusculares: obnubilação da consciência com


conservação da atividade motora. Restrição a um circulo de
idéias, sentimentos ou representações. Surge e a aparece de
forma abruta, duração variável. Causas orgânicas.

Alterações qualitativas da consciência

2) Estado segundo: atividade psicomotora ordenada, a qual,


entretanto, permanece estranha a personalidade do sujeito
acometido e não se integra a ela. Causas emocionais. Os atos
cometidos são geralmente incongruentes, extravagantes, em
contradição com a personalidade do sujeito
3) Dissociação da consciência: fragmentação ou divisão do
campo da consciência, ocorrendo perda da unidade psíquica
comum do ser humano. Geralmente desencadeado por
traumas, duração variável, raramente dias. Quadros histéricos.

Alterações qualitativas da consciência

4) Transe: estado de dissociação da consciência semelhante ao


sonhar acordado, mas com atividade motora automática e
estereotipada acompanhada de suspensão parcial dos
movimentos voluntários. Contexto religiosos e culturais.
5) Estado hipnótico: estado de consciência reduzida e
estreitada e de atenção concentrada, que pode ser induzido
por outra pessoa.
6) Experiência de quase-morte: sensação de paz, de estar fora
do próprio corpo, de estar rodeado por uma luz intensa, etc.

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Orientação
• A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto
ao ambiente é um elemento básico da atividade mental.

• Importante valioso para a verificação das perturbações


do nível de consciência.

• Toda alteração da orientação é secundária

CONCEITOS

• Autopsíquica: orientação em relação a si mesmo (quem é,


como se chama, idade, nacionalidade, profissão, estado civil
e religião).

• Alopsíquica: orientação em relação ao mundo, dividindo-o


em tempo e espaço.
- Espacial: lugar onde está, andar do prédio, bairro, cidade,
estado, país, a distância entre o local da entrevista e sua
residência.
* Verificar se paciente sabe o tipo de lugar que está, se pode
dizer o nome do lugar e onde se situa esse lugar

Orientação

• Temporal: avalia hora e período atual, dia, data e


estação do ano. É a mais sofisticada, adquirida
mais tardiamente, exige integração + elaborada
de estímulos ambientais, + fácil prejuízo.
- Avaliar duração dos eventos e da continuidade
temporal (quanto tempo está nesse local/ quanto
tempo internada)

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Desenvolvimento da temporalidade

• Quem altera primeiro: orientação temporal e espacial?

• 1ª alteração: temporal, seguindo-se espaço e


autopsíquica.

Função Executiva do lobo frontal

• Iniciação / Volição/ Motivação


• Planejamento
• Levantamento de hipóteses
• Tomada de decisão
• Controle inibitório
• Flexibilidade do pensamento
• Auto-regulação
• Julgamento
• Utilização de feedback
• Auto-percepção
• Pudor social
• Memória operacional
Malloy-Diniz, Sedo, Fuentes e Leite (2008)

Função Executiva
Seleção de
método

Definição de Escolha e
objetivo Meta monitoramento
de estratégias

Resolução de
problemas

Serafim, Ribeiro e Malloy-Diniz (2015)

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Processos atencionais

Posner (2012): 3 componentes dissociados: alerta,


orientação e atenção-executiva.
1. Alerta: ativação e responsividade do SNC a
estímulos internos e externos, envolvendo a
ativação de regiões subcorticais como tronco
encefálico, tálamo e diencéfalo.

Processos atencionais

2. Processos atencionais automáticos:


direcionamento do foco atencional diante de
estímulos ambientais, envolvendo modulação dos
recursos sensoriais e de processamento com relação
ao estímulo-alvo, além de esquema fortemente
consolidados (leitura, escrita). Relação com regiões
posteriores do córtex cerebral, sobretudo lobos
occipitais e parietais.

Processos atencionais

3. Atenção-executiva ou processos atencionais


controlados: natureza executiva, permitindo o
sujeito a mudança voluntária de foco, a
manutenção do tônus atencional e a resolução de
conflitos atencionais em situações que demandam
inibição, flexibilidade e alternância.

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Atenção

• Distratores
– concorrem com o foco atencional
– exigem constante monitoramento

• Envolve habilidades de selecionar e inibir

Atenção

Direção da atenção
• Externa- voltada para o mundo exterior
• Interna- voltada para os processos mentais do
indivíduo
Amplitude
• Focal- concentra-se sobre um campo delimitado da
consciência
Ex.: Dispersa

Natureza da atenção
• Natureza da atenção:

Atenção
voluntária Dividida
Seletiva

Alternada Concentrada

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ATENÇÃO INVOLUNTÁRIA

 Estímulo externo atrai o


foco da atenção;

• Estímulo em conflito com


expectativa e contexto.

- Inédito
- Incongruente
- Surpreendente
- intenso
- complexo

Atenção - Subdivisão
• Sustentada/concentrada
• Habilidade de manter-se atento de forma continuada e
consistente ao longo do tempo.
• Testes de vigilância (d2).
• Seletiva / Detecção de sinais
• Capacidade de manter o foco seletivamente para
informações relevantes, a despeito de estimulação
distratora.
• Capacidade de identificar e isolar pistas relevantes a partir
das informações sensoriais disponíveis (Teste dos sinos)

TESTE DE CANCELAMENTO- SINO

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TESTE DE CANCELAMENTO- SINO

Atenção - Subdivisão
Atenção Dividida Atenção Alternada

• Capacidade de dividir • Capacidade de modificar


a atenção realizando o foco da atenção de um
mais de uma componente da tarefa
atividade ao mesmo para outro e retomar sua
tempo. Ex: dirigir continuidade

Ex.:Testes de trilhas e tarefas ecológicas (Trail Making B)

Teste d2

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Trail Making A

Trail Making B

Teste de Trilhas Coloridas (TTC)

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Teste de Trilhas Coloridas (TTC)

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Aspectos do pensamento

• Curso: O curso se refere à velocidade e ritmo do pensamento, e também


à quantidade de idéias ao longo do tempo.
• Forma: A forma esta relacionada com estrutura do pensamento e
também com a relação entre as idéias. É a base, arquitetura preenchida
pelos mais diversos conteúdos e interesses do indivíduo.
• Conteúdo: O conteúdo diz respeito à temática do pensamento, e às
qualidades ou características do pensamento. Ex.: Temas, assuntos.

Alterações quantitativas do Pensamento/ curso

• Alentecimento do Curso do Pensamento – (Bradipsiquismo):


É a lentificação de todos os processos psíquicos. O Pensamento é tão
lento que diminui o conteúdo do pensamento. Tempo de latência
aumenta entre as perguntas formuladas e as repostas.
A voz é monotemática. Aparenta uma dificuldade de “começar a
pensar”, manifestada pela grande demora em responder questões
simples.
No início dos processos esquizofrênicos pode-se encontrar a inibição
do pensamento percebido conscientemente pelo indivíduo, que se
queixa de dificuldade no curso mental.

Alterações quantitativas do Pensamento/Curso

Aceleração do Curso do Pensamento –


(Taquipsiquismo): Caracteriza-se pela rapidez do
pensamento e pela fuga de ideias. Esta fuga de
ideias: é consequência da aceleração do
pensamento. O pensamento é tão acelerado que a
linguagem não acompanha o que ele pensa.

Ex.: Excitação maníaca

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Alterações quantitativas do Pensamento/curso

• Interrupção do curso do Pensamento – (Bloqueio do pensamento): consiste


numa abrupta parada do curso associativo, de tal modo que o pensamento se
interrompe, ou muda abruptamente de direção. O Paciente queixa que não pensa
com continuidade, ou acusa uma sensação subjetiva na seqüência das suas idéias.

• É freqüente na esquizofrenia. Por vezes, o paciente interpreta como sendo


conseqüência da ação de alguém que interferir “roubou seu pensamento”. ( é
uma atribuição do paciente pois o Roubo do Pensamento e o Pensamento
Imposto é uma alteração da atividade do eu psíquico e não um distúrbio do
pensamento). É considerada quase que exclusivamente da esquizofrenia.

Alterações qualitativas do Pensamento/ Forma

• Desagregação do pensamento: Ocorre uma quebra dos laços


associativos. Total perda de coerência do pensamento. O
pensamento se mostra despedaçado e desagregado, perdendo
assim toda a coerência lógica. Sobram pedaços do pensamento.

“Meu irmão policia, eu tava fazendo xixi na roupa...Me dá sorvete


de morango?”

É uma Perda dos laços significativos, do nexo. São Frases entre si


não fazem sentido. (No delírio faz sentido)

Alterações qualitativas do Pensamento/ Forma

• Descarrilhamento do pensamento:
O pensamento passa a extraviar-se de seu curso
normal, toma atalhos colaterais, desvios,
pensamentos supérfluos, retomando aqui e acolá ao
seu curso original. É marcante a distraibilidade.
Ex.: Esquizofrenia e transtornos maníacos.

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Alterações qualitativas do Pensamento/ Forma

• Fuga de ideias: Caracteriza-se pela variação rápida e


incessante de tema, com preservação da coerência do relato e
da lógica na associação de idéias.
• A tendência dominante do pensamento está enfraquecida e,
consequentemente acontece um afastamento da ideia-alvo.
• Na fuga de ideias, as associações entre as palavras deixam de
seguir uma lógica ou finalidade do pensamento e passam a
ocorrer por assonância (amor, flor, cor, calor..) e as ideias se
associam muito mais pela presença de estímulos externos
contingentes (coisas presentes no meio externo)

Fuga de ideias

 “É como falava Shakespeare, espirra, atichim,


soneca e zangado, marido da branca de neve,
com sete anões, sete filhos para cada dia da
semana”

 É sem sentido aparente, confuso, mas não é


desconexo, ou seja, tem associação do
pensamento.

Alterações qualitativas do Pensamento/ Forma

Afrouxamento das associações: ainda há


concatenação lógica entre as ideias, mas há o
afrouxamento dos enlances associativos. Fase
inicial da esquizofrenia e em transtornos da
personalidade.

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Pensamento

Conteúdo:

• Ideias delirantes
• Ideias obsessivas
• Ideias prevalentes

Temas mais comuns em delírios são: persecutórios,


mitomanias, eróticos, mítico-religiosos

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O delírio
• Delírio: juízo patológico falso/alteração da
crença

O delírio constitui uma alteração


relacionada à formação de juízos. Através
dos juízos, discernimos a verdade do erro.
Através do juízo de realidade, distinguimos o
que é real do que é fruto de nossa
imaginação.

O delírio
• Todo delírio é de certa forma auto-referente, no
sentido de que o seu conteúdo está direta ou
indiretamente relacionado com o indivíduo.

• Não é passível de mudança à luz de evidências


conflitantes.

• Variedade de temas

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O que seria isto?

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Delírio erotomaníaco

Paciente, 39 anos, sexo masculino: “... Tenho muitas


namoradas, namoro muitas ao mesmo tempo, uma
em cada cidade, tem a Maria no Mato Grosso, a
Conceição e a Ivália na Bahia, duas Andréias, uma
do Parque das Nações e a outra é sobrinha do
Amado Batista. Mas minha preferida é a Sheila do
“É o Tchan” conhece? Eu falo com ela por telefone
direto, ela fica me ligando, pedindo pra eu não trair
ela. Não gosto disso, sabe? Esse negócio de
namorar só com uma... Mas ela não entende”

Delírio de Grandeza
“Depois que ele me bateu pensei que ia morrer, eu
não queria que ele fosse preso, ai eu arrumei
atestado falso. Meu rosto ficou todo machucado,
estourou um monte de veia. Depois de 15 dias a
gente se separou, larguei ele numa boa. No dia 30
de julho ele me bateu e no dia 15 de agosto eu
larguei ele. Minha filha tá sofrendo por causa dele,
ela fala “liga pro papai, liga pro papai, to com
saudade do papai ” e ela só tem 1 ano. Depois eu
ficava atrás dele, em cima dele, entrando no face. Ai
eu pensei, não preciso de homem, vou me lascar no
mundo, ai comecei a sair pra boate, pegava quem
eu queria, fiquei até com o Gustavo Lima...

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... Eu louca no mundo precisava de roupa, entrava em


boate de graça, tinha a vida que eu queria, ganhava bem,
mas eu queria mais, mais, mas e foi ai que eu encontrei
com os bandidos, eles me davam bala, a droga do
momento, uísque, garrafas de chandon, mas eu nunca
ficava satisfeita, sempre queria mais. Vocês estão
entendendo minha personalidade? Eu sempre quero mais,
eu quero ir pra Jurerê, minha ascensão era Goiânia a
Miami. Fui na missa domingo de manhã, tomei a santa
comunhão, o padre não foi, ai um diácono, tipo sacerdote,
que tem família, filho, esposa, que celebrou a missa. ...

...Foi uma maravilha, eles me convidaram pra cantar no


culto, pra preparar os cânticos, ai depois eu fui almoçar na
casa da minha tia, chegando lá fui mexer na internet, eu
tava no twitter, de repente eu vi o assunto do momento, a
Anitta tava no domingo legal, ai eu pensei que ridícula! Ai
pensei eu vou acabar com isso, minha filha vendo essas
imoralidades na TV, essa mulher rebolando, eu vou
esculachar com aquela mulher, ela não pode fazer isso,
aquela vagabunda. Eu mandei recado para o programa ai
ela falou comigo, ela vinha e eu mandava outro, até o
programa sair do ar. Eu não aceito maldade, não aceito
loucura, não aceito malícia....

.... Esse lugar pode até ser pra mim, mas pra minha
filha não. Eu quero que minha filha seja sã, educada,
de Deus. Eu sou missionária de Deus, vim para salvar
as pessoas do pecado. Eu consigo saber quem vai
para o céu ou não, e aquela pirigete da Anitta com
rebolado do demônio não vai. Eu não bebo, não
fumo, sou uma pessoa educada, alguém precisa me
dar alta pra eu ver minha filha, ela precisa de mim,
eu comecei a pregar a palavra de Deus e começaram
a dizer que eu tava louca, tudo em mim é pelo bem,
eu penso em cada minuto da minha vida..”

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Delírio de ciúmes

Paciente, 24 anos, sexo feminino, internada em clínica após tentar


matar a empregada da vizinha com uma faca: “Meu marido não
gosta de mim, ele tem muito dinheiro, trabalha vendendo calcinha,
já tem 3 anos só que ele bebe o dinheiro todo, e conheceu muitas
mulheres, ele comprou uma camionete Ranger preta. A
empregada da minha vizinha tava de olho nele, aquela vadia. Eu
sei que eles estão juntos...eu nunca vi, mas eu sei. Toda vez que ele
está saindo de casa, olha no retrovisor, entende? Ele tá
comunicando com ela, marcando encontro no motel. Daí, ele me
disse que não tem tempo pra isso, já que eu levo e busco ele do
trabalho. Mas é mentira, porque pensa: se ele saí as 18 horas do
trabalho e eu pego ele as 18: 10, o que ele tá fazendo nesses 10
minutos? Ele diz que está descendo no elevador, ele trabalha em
prédio. Mas aposto que tá transando com a secretária...

... Ele pensa que eu não sei, mas todos os dias ele foge da
cama a noite pra encontrar com a empregada. prédio.
Meu marido é sínico, mente que não faz nada, ele aplica
injeção no meu braço quando estou dormindo para eu
não ver ele saindo da cama” .

O marido relata que durante os últimos 6 meses seu


mulher tornara-se progressivamente ciumenta e
acusadora. Ela media meticulosamente a localização de
cada peça da mobília. Qualquer mudança resultava em
uma tirada sobre a infidelidade do marido. Apesar das
acusações, a atividade sexual do casal permaneceu no
nível habitual.

SENSOPERCEPÇÃO

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Sensação Percepção

Passivo (não depende Ativo


de mim)

Exclusivamente Psicológica e
fisiológica neuropsicológica
Mais físico Tomada de consciência
do estímulo sensorial

Alterações patológicas da
sensopercepção
Alucinose:

• O paciente percebe tal alucinação como estranha à


sua pessoa

• São criticadas pelo sujeito, reconhecendo seu


caráterpatológico

131

Sensopercepção:

Ilusão:
• Percepção deformada, alterada, de um objeto
real.
• Pode ocorrer em 3 condições:
1)Rebaixamento do nível de consciência
2)Fadiga grave ou inatenção marcante
3)Estados afetivos

132

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Sensoperceção
Alucinação: Tipos:

É a percepção real de um
objeto inexistente, ou seja, • Alucinação visual
são percepções sem um • Alucinação auditiva
estímulo externo. Dizemos
que a percepção é real, • Alucinação tátil (somatosensitiva)
tendo em vista a convicção • Alucinação gustativa
inabalável que a pessoa • Alucinação olfativa
manifesta em relação ao
objeto alucinado, portanto,
será real para a pessoa que
está alucinando.

Alterações patológicas da
sensopercepção

“Eu fui sentindo que o meu coração e o meu cérebro ia parando. Eu fiquei muito
doente por causa do pecado. Até que algo sobrenatural aconteceu comigo: era
umas 3 horas da manhã, e eu estava dormindo. Então eu acordei. E depois eu
fiquei olhando para o teto e vi um espírito cheio de luz. Porque Deus é luz. E eu vi
ele descendo devagarinho do teto. Eu olhei para o rosto dele e parecia homem,
mas quando eu fui olhar para o sexo, não tinha sexo. Era cheio de luz. E ele foi
descendo e foi chegando perto de mim .... Quando foi chegando perto, ele virou
e entrou dentro de mim, e desde lá ele não saiu mais. E a minha alma, agora, eu
não sei onde foi (riso). Então eu fui sentindo o meu coração voltando a bater e o
meu cérebro e senti ele voltando, e parecia um estalo na cabeça...”

Afetividade
• Afetividade é um termo genérico que
compreende várias modalidades de vivências
afetivas, como o humor, as emoções e os
sentimentos.

• Os tipos básicos de vivências afetivas que


compõem a afetividade são:
• Humor ou estado de ânimo
• Emoções
• Sentimentos
• Afetos
• Paixões

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Humor
• Também conhecido como estado de ânimo, o humor
consiste no tônus afetivo do indivíduo, isto é, o estado
emocional em que a pessoa se encontra em
determinado momento.

• O humor transpõe toda a experiência psíquica, sendo


capaz de ampliar ou reduzir o impacto das experiências
reais, alterando muitas vezes a natureza e o sentido
das experiências vivenciadas.

• Paim (1986): confluência entre a vertente somática e a


psíquica.

Emoções
• São reações afetivas agudas, momentâneas,
desencadeadas por estímulos significativos.

• Também definidas como um estado afetivo intenso, de


curta duração, originado geralmente como a reação da
pessoa a certas excitações internas ou externas,
conscientes ou inconscientes.

• Juntamente com o humor, as emoções revelam sempre


a unidade psicossomática básica do ser humano.

Sentimentos
• São mais estáveis, intensos e menos reativos a estímulos
passageiros, quando comparados com as emoções.
Também diferentemente das emoções, os sentimentos
constituem um fenômeno mais mental que somático.
• São associados a conteúdos intelectuais, valores e
representações, dependendo assim das palavras na língua
e na cultura de cada povo, que possam codificar o estado
afetivo em questão.
• A ordenação dos sentimentos em pólos como agradável e
desagradável e, em grupos de acordo com sua tonalidade
afetiva (sentimentos da esfera da alegria, da tristeza...).

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Afetos
• Afeto é a qualidade que acompanha uma idéia. Em
outras palavras, seria o componente emocional de
uma idéia.

Paixões
• A paixão é um estado afetivo completamente
intenso que domina a atividade psíquica como
um todo, sendo capaz de dirigir a atenção e o
interesse do indivíduo em uma única direção,
inibindo os demais interesses.

• As idéias de Charles Darwin (1955) e as emoções


universais sugeridas por Brown(1991) - (dor,
esperança, alegria, medo, raiva, orgulho...).

Alterações Patológicas da Afetividade


• Alterações do Humor:
• Distimia
Como sintoma: alteração básica do humor, tanto no sentido da
inibição como da exaltação.
Como transtorno: rebaixamento crônico do humor, persistente
por pelo menos 2 anos, mas não chega a satisfazer os critérios
de um transtorno depressivo maior.
• Disforia
Quadro de distimia acompanhado de uma afetividade
desagradável, mal-humorada. Fortes componentes de irritação,
amargura, desgosto ou agressividade.

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Alterações Patológicas da Afetividade

• Timopatias
Os dois pólos básicos das alterações do humor. Hipotimia é o
pólo depressivo. Hipertimia é o pólo da exaltação e da alegria.

• Ciclotimia
Instabilidade persistente do humor que comporta períodos de
depressão ou leve elação (sentimento de expansão e
engrandecimento do eu), nenhum deles suficientemente grave
ou prolongado para responder aos critérios de um transtorno
afetivo bipolar.

Alterações Patológicas da Afetividade


• Puerilidade
Alteração do humor caracterizada pelo aspecto infantil,
simplório, regredido.

• Irritabilidade Patológica
Hiper-reatividade desagradável, hostil e eventualmente
agressiva a estímulos (mesmo leves) externos.

Alterações das Emoções e Sentimentos

• Apatia - diminuição da excitabilidade afetiva e emotiva.; não sente


alegria, tristeza, raiva...nada. Sabe da importância afetiva da situação.
- Estado afetivo próprio dos quadros depressivos, apesar de poder
ocorrer de forma inespecífica em um grande número de transtornos
mentais.

• Hipomodulação Afetiva- incapacidade do paciente de modular a


resposta afetiva de acordo com a situação existencial, indicando rigidez
na sua relação com o mundo.

• Inadequação do afeto ou Paratimia - relação completamente


incongruente as situações existenciais ou a determinados conteúdos
ideativos, revelando desarmonia profunda da vida psíquica,
contradição profunda entre a esfera ideativa e a afetiva.

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Alterações das Emoções e Sentimentos


• Pobreza de sentimentos e Distanciamento afetivo- perda
progressiva e patológica das vivências afetivas.
- Ocorre nas síndromes psico-orgânicas, nas demências e em
algumas formas de esquizofrenia.

• Embotamento afetivo - perda profunda de todo tipo de vivência


afetiva.
- Ocorre tipicamente nas formas negativas, deficitárias de
esquizofrenia.

• Sentimento de falta de sentimento - é a vivência da incapacidade


para sentir emoções, experimentada de forma muito penosa pelo
paciente. Intimamente morto ou vazio.
- Pode ocorrer em formas depressivas graves.

Alterações das Emoções e Sentimentos

• Anedonia - é a incapacidade de sentir prazer com determinadas atividades e


experiências da vida.
- É sintoma central nas síndromes depressivas podendo ocorrer também nos
quadros de esquizofrenia crônica, em transtornos da personalidade e em
formas graves de neuroses.

• Indiferença afetiva - frieza afetiva incompreensível diante dos sintomas que o


paciente apresenta. Bela indeferença (histeria); triste indiferença (depressão);
pálida indiferença (esquizofrenia).

• Labilidade afetiva e Incontinência afetiva - são estados nos quais ocorrem


mudanças súbitas de humor, sentimentos ou emoções.
- Ocorrem em quadros de depressão ou mania, estados graves de ansiedade e
esquizofrenia.

Alterações das Emoções e Sentimentos


• Ambivalência afetiva - é o termo que designa sentimentos opostos
para um mesmo estímulo ou objeto, sentimentos que ocorrem de
modo absolutamente simultâneo.

• Neotimia - é a designação para sentimentos e experiências afetivas


inteiramente novos vivenciados por pacientes psicóticos.

• Medo - é um estado de progressiva insegurança e angústia, de


impotência e invalidez crescentes ante a impressão iminente de que
acontecerá algo que o indivíduo quer evitar, ou que se considera
incapaz de fazer. É dividido em seis fases de acordo com a imensidão e
extensão que nele alcançam as manifestações de inativação. São elas:
prudência, cautela, alarme, ansiedade, pânico e o terror.

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MEMÓRIA
• Armazenamento de informação aprendida.

Organização da Memória

1- Aquisição: absorção da informação


– Privilegia a utilidade da informação, como fator que determina a
manutenção ou descarte da informação.

2-Estocagem/Armazenamento: transferência da memória


temporária para a permanente
– As informações são constantemente usadas para aquisição de
novos traços de memória, que se organizam entre si.

3-Recordação/Evocação: A informação é requisitada de acordo


com a necessidade

Diferentes Classificações

• Relacionados à sequencia temporal

• Atualmente
- Memória de curto prazo- MCP: retenção de itens por apenas
alguns segundos

- Memória de longo prazo- MLP (memória tardia): retenção de itens


por mais de 3 minutos

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MEMÓRIA A LONGO PRAZO

MEMÓRIA MEMÓRIA
EXPLÍCITA IMPLÍCITA

CONDICIONAMENTO APRENDIZADO
PROCEDURAL PRIMING
CLÁSSICO NÃO
ASSOCIATIVO

RESP. RESP.
FATOS EVENTOS
EMOCIONAL MUSCULAR

Vias
Reflexas
Lobo
Corpo Neocórtex Amígdala
Temporal Cerebelo
Estriado

Vontade

• A vontade é uma dimensão complexa da vida mental,


relacionada intimamente à esfera instintiva e afetiva,
assim como a esfera intelectiva (avaliar, julgar,
analisar, decidir) e ao conjunto de valores, princípios,
hábitos e normas socioculturais do indivíduo.

• Motivo: razões intelectuais


• Móveis: razões afetivas

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Fases do processo volitivo

1. Fase de intenção ou propósito: inclinações, interesses

2. Fase de deliberação: ponderação consciente, levando-se em


consideração tantos os motivos como os móveis implicados
no ato volitivo.

3. Fase de decisão propriamente dita: começo da ação

4. Fase da execução.

Alterações de vontade

• Quantitativas:
 Hipobulia- corresponde à diminuição da capacidade de
atividade espontânea, à perda de iniciativa e da disposição
voluntária. Ocorre em esquizofrenia, depressão. Associação com
apatia

 Abulia- ausência total de vontade

• Negativismo- é a oposição do indivíduo às solicitações


do meio ambiente;

• Obediência automática- nesse caso o individuo


obedece automaticamente as solicitações das pessoas
que entrem em contato com ele;
• Fenômenos de eco - o indivíduo repete de forma
automática, durante a entrevista, os últimos atos do
entrevistador, suas palavras ou sílabas, reações
mímicas ou escritas

• Automotismo - consiste em atos automáticos,


impensados, inconscientes.

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Alterações da volição

• Frangofilia
• Piromania
• Automutilação
• Tricotolinomania
• Cleptomania
• Avolia

Características dos Atos Impulsivos:

• Ser realizado sem uma fase prévia de intenção,


deliberação e decisão.
• Ser realizado de forma egossintônica; o indivíduo não
percebe tal ato como inadequado e nem tenta evitá-
lo ou adiá-lo.
• Ser geralmente associado a impulsos patológicos, de
natureza inconsciente, ou intolerância à frustração e
necessidade de adaptação à realidade objetiva.

Atos Compulsivos:

• São atos reconhecidos pelo indivíduo como


indesejáveis e inadequados, havendo a tentativa
de refreá-lo ou adiá-lo. A compulsão é
geralmente uma ação motora complexa que
pode envolver desde atos compulsivos simples,
como coçar-se, arranhar-se, até rituais
compulsivos complexos, como tomar banhos de
forma repetida e muito ritualizada.

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Características dos Atos Compulsivos:


• Vivência frequente de desconforto subjetivo por parte do indivíduo
que realiza o ato compulsivo.

• Ser egodistônico, ou seja, ser experienciado como indesejável, já que


vai de acordo aos valores morais e anseios de quem o sofre.

• Tentar “resistir” à realização do ato compulsivo.

• Haver sensação de alívio ao realizar o ato compulsivo, seguido do


desconforto subjetivo e da urgência em repeti-lo novamente.

• Ocorrem frequentemente associados a ideias obsessivas muito


desagradáveis, representando muitas vezes esses atos tentativas de
“neutralizar” tais pensamentos.

Bibliografia:

• FUENTES, D, MALLOY-DINIZ, L.F., CAMARGO, C.H.P.,


CONSENZA, R.M. et al. Neuropsicologia: teoria e prática.
Porto Alegre: Artes Médicas; 2008.
• CORDIOLI, A.V; cols. Psicofármacos - Consulta Rápida.
Editora Artmed, 2005
• JASPERS Karl. Psicopatologia Geral. Editora Atheneu, 2005.
• KAPLAN, H.I. e Sadock, B.J. Compêndio de Psiquiatria.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1993
• LENT, R. Cem Bilhões de Neurônios: Conceito Fundamental
da Neurociência. Rio de Janeiro: Vieira & Lent Casa
Editorial, 2002
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