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APOSTILA ILUSTRADA

SOBRE PLANTIO E PÓS


PLANTIO DA
PIMENTA-DO-REINO
(PIPER NIGRUM)

Por Rogério Franco – Empório Piper-nigrum – Direitos reservados 2018, ES São Mateus1
PIMENTA-DO-REINO (Piper-nigrum)
A Pimenta-do-reino

Figura 1: Pimenta-do-reino
(nome científico Piper nigrum)
A pimenta-preta (Piper nigrum), também conhecida como pimenta-
redonda e, no Brasil, como pimenta-do-reino, é uma das mais antigas
especiarias conhecidas. Os seus grãos, secos e moídos, são muito
usados na culinária de diversos países. Tem um sabor forte,
levemente picante, proveniente de um composto químico chamado
piperina.
O clima mais apropriado
para a pimenta-do-reino é o
quente e úmido, com
precipitação pluviométrica
acima de 1500mm de chuva
bem distribuída ao longo
dos meses do ano, com
temperatura média de 25ºC
e umidade relativa em torno
de 80%. O solo deve ser de
textura mediana bem
Figura 2: Pimenta-do-reino preta seca drenado com relevo plano
em grãos ou levemente inclinado.
As variedades mais recomendadas para cultivo são a cingapura,
bragantina e a guajarina. Porém já temos notícias de outra espécie
conhecida como tucunadã.

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Formação das mudas
A pimenta-do-reino é propagada comercialmente por via vegetativa
pelo metodo de estaquia. Pode-se utilizar também as sementes,
porém o tempo de formação da planta desta forma é muito
demorado.
A formação das mudas por estaquias as hastes devem ser retiradas
de ramos de crescimento, provenientes
de plantas jovens, vigorosas e sadias
(denominado matrizes). É
recomendável utilizar estaca de
coloração verde, com 1 cm de diâmetro
com 2 a 3 nós (A ou B), caso você tenha
disponibilidade de estaquias em sua
propriedade. Comercialmente
utilizamos estaquias de apenas 1 nó Figura 3: Tipos de estaquias
(C). A, B e C
Preparo das estacas (clones)
Retire as estacas utilizando uma tesoura de jardineiro previamente
desinfectada com cloro ou água sanitária. Corte as plantas que
servirão como estaquias. Faça as separação dos clones deixando um
nó e uma folha conforme Figura 3 imagem ‘C’.

Figura 4: Clone de Pimenta-do-reino já


podado

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Caso o nó não possua folha descarte-o. Finalizado esta etapa e de
posse de uma tesoura (previamente desinfectada) faça corte
longitudinal da folha de maneira que fique apenas 50% da folha
conforme figura. Esse processo facilita a orientação no plantio da
estaquia e também propicia melhor germinação da planta.

Figura 5: Estaquia pronta para plantio na sacolinha

Antes de fazer o plantio das estacas é necessário mergulhá-las numa


solução enraizadora e desinfectante. Para isso utilize uma solução de
Enervig 70ml/80lt + Carbomax 12ml/10lt. A quantidade de água deve
ser levado em conta o suficiente para cobrir todas as estaquias dentro
balde ou bacia de plastico. Misture a solução em seguida mergulhe as
estaquias mantendo-as de 7 a 10 minutos na solução.

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Figura 6: Clones de Pimenta-do-reino mergulhado na solução
enraizadora

Em seguida retire as estaquias da solução e siga com o plantio das


estaquinas nas sacolinhas previamente preparadas (próxima etapa).
Não descarte essa solução enraizadora, pois você aproveitará mais
tarde.
Instalação do viveiro de mudas
É imprescindível que as mudas sejam mantidas em local bem arejado
e sobreado afim de permitir seu desenvolvimento rápido sem ser
afetado por incidência de sol forte ou chuva torrencial.

Figura 7: Modelo simples e barato de viveiro para mudas

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As instalações para produção das mudas de pimenta-do-reino podem
ser bastante simples, constituindo-se basicamente de um ripado para
proteger as mudas. O local para instalação do viveiro deve ser de fácil
acesso e ter disponibilidade de água, em quantidade suficiente para a
irrigação das mudas. Além disso, o viveiro deve ser próximo do local
onde será implantada a cultura e distante de pimentais doentes.
Construa o viveiro com uso de hacha de eucalipto tratado ou bambu e
cubra com sombrite 70% (podendo ser substituído por folhas de
bananeira ou palhas de coco).
A dimensão do viveiro deve ser calculada de acordo com a
quantidade de mudas que se deseja produzir. Utilizando-se sacos
plásticos de 15 X 20cm ou 15 X 28cm, cada metro quadrado é
suficiente para acomodar de 80 a 100 sacolas.
Cada canteiro deve ter a medida de 1,20m de largura e o
comprimento que você desejar. Deixe de 0,5m a 0,6m entre cada
canteiro e 1,0m nas laterais para circulação e facilitar a manutenção
das mudas.
Além disso, deve-se considerar a produção de 20% de mudas a mais
como margem de segurança. Por exemplo:
- Considerando-se a necessidade de 3.000 mudas para implantação
de uma área de cultivo.
- As mudas serão produzidas em sacos plásticos.
- O número total de mudas será 3.600.
- A área necessária será de 36 m2 (considerando-se 100 sacolas por
m2) ou 45 m2 (para 80 sacolas por m2).
- Ao valor obtido, acrescentam-se 40% para a circulação. Então,
obteremos 50,40 m2 ou 63 m2.
Preparação das sacolinhas de mudas
Para o substrato deve ser utilizado 4 carrinhos de mão de terra para 1
carrinho de mão de esterco curtido, 0,5 carrinho de mão de areia
lavada, 1,0kg de calcáreo (corretor de solo) e 0,5kg Producote – NPK
(opcional).

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Figura 8: Enchimento das
sacolinhas
Você deverá preparar as sacolas duas semanas antes de plantar os
clones (estaquias) para que o adubo agregue à terra. Para facilitar o
enchimento utilize um pedaço de tubo de irrigação com diâmetro um
pouco menor que o diâmetro da sacolinha e com corte transversal
num lado do cano (Figura 8).

Figura 9: Sacolinhas de mudas com substrato

Plantio dos clones nas sacolinhas


Após o tratamento dos clones você deve afundar o clone até que as
raizes do nó fiquem cobertas. As folhas devem ser alinhadas para a
mesma direção para facilitar a penetração da água no solo durante a
irrigação. Nesse momento regue as mudas com a solução usada no
preparo das estacas. Vide sequencia das figuras a seguir:
1) Regar as sacolinhas.

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Figura 10: Primeiro regar as sacolinhas

2) Selecionar o clone

Figura 11: Posicionar o clone com a


folha referência para cima
3) Introduzir o clone na terra até cobrir o nó com a raiz

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Figura 12: Introduzir o clone na
terra até cobrir o nó com a raiz

4) Mudas em formação

Figura 13: Clones recém plantados com os primeiros


brotos (a frente)

Irrigação das mudas


A irrigação das mudas é imprescindível para o sucesso da brotação.
Para isso, irrigar sempre que perceber muito calor ou estiagem. Aqui
em nosso viveiro efetuamos irrigação a cada hora por 1 a 2 minutos
para baixar a temperatura e uma rega maior uma vez por semana.

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Atenção: as mudas devem ficar no viveiro até estarem prontas para
irem para o campo.
Pesquise sobre produtos (exemplo Embrapa) para tratamento das
mudas tanto defensivos quanto adubos foliares essa prática ajuda a
deixar as mudas resistentes e vigorosas.
Manutenção do viveiro
É preciso manter o viveiro livre do mato, fazendo capinas sempre que
necessário. Aplicar, quinzenalmente, fungicidas cúpricos à base de
óxido cuproso ou oxicloreto de cobre, na base de 30g do produto
comercial por 10L de água.
Preparação para plantio definitivo no campo
O solo e a escolha da área
A Pimenta-do-reino se adapta a diversos tipos de solo, especialmente
aos bem drenados, com teor de argila suficiente para reter a umidade
durante todo o período mais seco. No estado do Espírito Santo, a
pimenteira tem sido cultivada em quase todos os tipos de solo. No
entanto, a pimenteira é uma cultura que sofre muita influência do
local. É uma planta que aos três anos, normalmente está com uma
raiz em torno de 0,30m a 0,40m de profundidade, e caso seja
plantada num local muito úmido, no período que começar a produzir e
a raiz alcançar um local encharcado, facilita a instalação de doenças
como as podridões. Em ordem de preferência, recomendam-se as
terras mais arenosas, logo depois recomendam-se o barro,
classificado como latossolos ou podzólicos (solos de textura areno-
argilosa) e por último a terra roxa estruturada. A maior preocupação é
escolher solos que não tenham encharcamento.
Além das características de solo, deve-se considerar o aspecto
fitossanitário na escolha da área de plantio do pimental,
principalmente em relação à funsariose. A nova área de plantio deve
estar, no mínimo, a 500 metros distante de área que já foi infectada.
Análise do solo
Para determinar a necessidade de correção da acidez, e de adubação,
deve ser feita uma análise química do solo. Para a Pimenta-do-reino, o
solo deve ter pH na faixa de 5 a 6. Para isso, é preciso coletar
amostras do solo em vários pontos da área e enviar uma amostra
composta para um laboratório de análise de solos. Para que a
amostra seja representativa da real situação do solo da área, a coleta
deve ser feita de acordo com um procedimento padronizado (consulte
um técnico agrícola ou cooperativas agrícolas).
Coveamento

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Utilize eucalipto tratato ou árvore de Neem indiano como tutor para a
pimenta-do-reino, porém para este deve-se plantar quando o Neem
está a no máximo um metro de altura para evitar a concorrencia por
substrato e água. Os tutores devem ser fixados 1,20m entre tutores
por 2,0m de rua numa profundidade de 50 a 60cm.

Figura 14: Fixação dos tutores:


2,0m de rua por 1,2m entre tutores
Faça covas de aproximadamente 40 x 40cm e misture uma pá de
esterco curtido, uma mão de calcáreo dolomítico (detalhe pelo menos
um mês antes do transplantio das mudas) afim de que o adubo
incorpore na terra.

Figura 15: Preparação da cova


com colocação de adubo

Aproveite para efetuar a colocação das mangueiras de irrigação que


facilita a manutenção da roça (consulte todo o procedimento e
método de implantação de irrigação de pimenta no sitio da Amanco
ou Tigre)

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Plantio definitivo
As mudas após atingirem uma altura média de 25cm (ou 50cm de
ponta a ponta) já poderão ser transplantadas nos locais definitivos.

Figura 16- Mudas de Pimenta-do-reino prontas para


o plantio definitivo
Geralmente, o período de permanência da planta, dentro do viveiro,
para chegar aos 25cm de altura, tende a variar entre 100 a 120 dias.

Figura 17: Muda da Pimenta-do-


reino recém plantada protegida
com palha de coqueiro
Faça o plantio preferencialmente após as chuvas, no por do sol e faça
a cobertura das mudas com palhas de coco (+/- 50 cm) para evitar
que o sol forte queime ou mate as mudas recém plantadas.

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Nas primeiras quatro semanas manter irrigação dia sim dia não e
depois duas a três vezes por semana (depende do clima e frequencia
de chuvas). Lembre-se a pimenta do reino não suporta solo
encharcado e nem solo muito seco.

Figura 18: Plantação de Pimenta-do-reino na fase inicial

Pós plantio e tratos culturais


À medida que a pimenta vai crescendo é importante que você amarre
o guia principal da planta para que ela não quebre ou perca a força.
Nesse processo utilize barbante grosso ou corda de pneu. Quando a
pimenta atingir o topo do tutor faça uma amarração mais reforçada
utilizando arame liso e grosso para que ela não despenque com o
peso da planta.

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Figura 19- Modo de amarrar o guia principal da planta no
tutor

De três em três meses é importante aplicar adubação química para


que os cachos crescam com vigor e peso. Utilize adubo de carga
granulado, sempre após a estação das chuvas. E de tempo em tempo
aplique adubo foliar para corrigir deficiências de nutrientes. Neste
caso consulte um agronomo ou páginas especialistas em agricultura.

Figura 20: Pés de Pimenta-do-reino na fase adulta, já formada

Após o primeiro ano você já terá os primeiros cachos de pimenta que


você poderá colher quando estiverem maduros ou amarelados
“devez” (termo muito comum na agricultura).

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Durante a produção de cachos poderão surgir galhos “ladrões”, ou
seja, galhos improdutivos que sugam a força da pimenta e fazem
reduzir a produção da planta. Esses galhos normalmente tem a
coloração verde clara e não apresentam nenhum cacho de pimenta.
Você deve cortá-los literalmente.
Colheita e beneficiamento da pimenta
No Espírito Santo o período da colheita da Pimenta-do-reino
concentra-se nos meses de março a abril e de outubro a novembro.
As espigas são colhidas quando os frutos apresentam cor verde clara
ou vermelha e a semente endurecida.

Figura 21: Cachos maduros ou 'devez' aptos para a colheita

Após a colheita, as espigas são debulhadas manualmente ou


mecanicamente (Figura 22 e Figura 23) e, após a debulha, os grãos
são postos para secarem ao sol ou em secadores mecânicos.

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Figura 22: Máquina de bater pimenta em atividade

Figura 23: Compartimento de depósito das espigas que serão


debulhadas

O tempo de secagem é de 2 a 3 dias, dependendo da incidência de


sol, dando rendimento final de 30 a 35% do peso dos frutos frescos.
A secagem dos cachos poderão ser feitos em terreiros de cimento ou
asfalto. Durante a permanência da pimenta no terreio de secagem é
importante que ela seque homogêneamente, para isso é necessário

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que a pimenta seja revirada pelo menos três vezes ao dia. Para esse
processso você pode utilizar um rastelo de polietileno ou de madeira.
Depois que as sementes estiverem secas você poderá peneirar para
retirar o excesso de pó e limpar os grãos de pimenta secos.

Figura 24- Terreiro de cimento com pimenta no processo de


secagem
Para confirmar se os grãos estão secos basta encher a palma da mão
com um punhado de grãos, apertar e soltá-los virando a palma da
mão para baixo. Se todos os grãos cairem sem ficar nenhum grudado
na palma da mão a Pimenta-do-reino estará no ponto de retirada.
Armazenamento
O acondicionamento do produto seco em recipientes
convenientemente fechados e mantidos longe da umidade prolonga a
sua conservação. Após a secagem a pimenta é ensacada em sacos de
polipropileno ou aniagem limpo, de 50 kg e guardadas em armazéns
simples, na propriedade.
Evitar concentração de animais selvagens nos locais de
armazenamento (por exemplo, ninhos de aves, morcegos e roedores),
bem como de animais domésticos. Os roedores são perigosos não só
pelo contínuo consumo de alimentos, mas, principalmente, pela sua
facilidade de contaminar a pimenta por fezes, pela urina, e pelo
hábito e necessidade de mastigar materiais duros para manter os
dentes incisivos em tamanhos adequados.
Para fazer a prevenção contra insetos e roedores, alguns cuidados
básicos devem ser tomados:

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• Construção adequada dos depósitos e armazéns para melhor
controle da população de insetos, o uso de telas nas janelas;
• Prover o teto e a parte inferior das paredes do armazém com
aberturas controláveis protegidas, para renovação natural do ar;
• Instalar exaustores se possível;
• Impermeabilizar o piso ou construir pisos suspensos e,
• Mesmo que o piso seja impermeável, é indispensável a utilização de
estrados para permitir a circulação de ar na base da pilha.

Comércio da Pimenta-do-reino1
Os maiores importadores atuais da pimenta brasileira são os Estados
Unidos, Holanda, Argentina, Alemanha, Espanha, México e França.
Enquanto a Índia, maior produtor mundial de imenta-do-reino
consome 50% do total produzido, o Brasil consome apenas 12% na
forma de grãos inteiros, grãos moídos, em misturas com outros
condimentos principalmente cominho, patês, molhos, maionese e
embutidos (salame, salsicha, mortadela, presunto). Por muitos anos o
consumo doméstico não ultrapassou 5%, no entanto a recuperação
da economia brasileira melhorou as condições econômicas da
população o que estimulou o aumento do consumo, principalmente
na forma de embutidos.
A melhor forma de escoamento da produção em grande escala é
através de cooperativas. Consulte em sua região.

1 Fonte: informação obtida em https://pt.wikipedia.org/wiki/Pimenta-preta,


03 Jan 2018.
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