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Donna Grant

Guerreiros Sombrios 03
Sedução da Meia-Noite
Resumo

Cativante e sedutora, Saffron Fletcher é uma raridade no mundo Druida - uma


Vidente. Ela é o prêmio máximo em uma batalha épica. Depois de sofrer terrivelmente
nas mãos do mal, sua sede de justiça é tudo o que a faz continuar. Ela pode colocar sua
confiança em Guerreiro pecaminosamente lindo, maravilhoso e perigoso que
assombra seus sonhos e promete retribuição por seu inimigo em comum?

Camdyn MacKenna está sedento por vingança... até que ele é vítima da magia
sedutora de Saffron. Ela o encanta como nenhum outro. Mas se Camdyn render-se à
sedução dela, ele será forte o suficiente para derrotar seu inimigo jurado - e resistir às
forças crescentes do mal que podem destruir o amor deles para sempre?

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CAPÍTULO UM

Castelo MacLeod
Janeiro de 2012

Saffron tragou uma áspera respiração enquanto instantaneamente acordava.


Mas manteve seus olhos bem fechados, com medo de abri-los e ver nada além de
escuridão. De novo.
Ela ouviu o crepitar do fogo na lareira, e o vento que soprava contra a janela
da feroz tempestade de inverno que assolava por dias.
Três anos estando cega, de lutar contra a escuridão a que tinha sido
confinada, e ela estava muito assustada para abrir os olhos e ver se o feitiço tinha
verdadeiramente sido quebrado.
Um feitiço que tinha sido colocado nela por Declan Wallace, um Druida com
magia negra inimaginável. Um Druida que queria usar as habilidades dela como
Vidente para sua vantagem.
Mesmo agora, só o pensamento do poder da magia dele enviou um calafrio
serpenteando abaixo pela espinha de Saffron.
Mas não era só sua magia. Era o mal dentro de Declan, a malícia e a alma
rancorosa que era tão negra quanto piche. E ele mesmo, possuído por Satanás.
Saffron descobriu muito dolorosamente o quão extensa a magia de Declan
era. Ele usou seu medo de aranhas para atormentá-la. Para torturá-la eternamente,
incessantemente.
Cruelmente.
Ela respirou profundamente quando o medo que tinha estado com ela por
três anos começou a assumir o controle mais uma vez. Saffron lutou para lembrar-se
da gloriosa sensação da magia de Declan sendo quebrada quando Danielle encontrou
o feitiço dele profundamente na mente de Saffron. E quebrou-o.
Alívio derramou-se por Saffron. Alívio e... calma. Ela relaxou quando a mesma
mistura de emoções a acalmou mais uma vez. O feitiço de reversão, porém, afetou
Saffron de um modo que até agora fazia seu estômago apertar de terror.
Ela não deveria ter desmaiado. Ela não deveria ter sentido o puxão da magia
de Declan enquanto lutava para manter o controle sobre ela.
Ainda assim ela o fez. Ela sentiu tudo isso sutilmente.
— Pare de ser tola, e abra seus olhos. —sussurrou para si mesma.

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Saffron tragou através do nó em sua garganta e apertou o pesado cobertor
que estava sobre ela. Seu coração pulsava com uma doentia batida lenta que ecoava
em seus ouvidos.
E antes de poder mudar de ideia, ela abriu os olhos.
Não havia meia medida para ela. Não abrindo uma brecha para ver se via
qualquer luz. Era tudo ou nada.
Imediatamente, ela levantou a mão para proteger os olhos quando a luz da
mesa ao lado dela a fez virar a cabeça depressa. Seu coração perdeu uma batida
enquanto ela piscava contra a luz brilhante.
Saffron sentou-se e balançou as pernas acima da cama de forma que suas
costas ficaram contra luz e ela deixou seus olhos vagarem pelo quarto. Ela tinha estado
no Castelo MacLeod por várias semanas. Ela chegou a conhecer o quarto como
qualquer pessoa cega poderia. Por toque e saber quantos passos de qualquer ponto
até outro.
Mas agora ela podia olhar para o castelo como todo mundo fazia.
Uma parede de pedra cinza levantava-se ante ela, quebrada pela janela e uma
tapeçaria medieval com matizes ricos de Borgonha, verde e ouro. Saffron teve que
piscar várias vezes para dar a seus olhos tempo para ajustar ao brilho que parecia tão
estranho para ela.
Ela amassou os dedões do pé no tapete e olhou abaixo para seus pés. Houve
um tempo em sua vida quando ela não teria deixado passar um mês sem uma
pedicure. Suas impecavéis unhas polidos antigamente precisavam ser aparadas, e de
um bom molho.
Se seus pés mudaram tanto, o que o resto dela pareceria? Mesmo antes de
sua viagem para a Inglaterra, ela ia para a academia regularmente para manter a
forma. Não era apenas para ficar em forma, era sobre ser saudável, especialmente
depois da morte do seu pai devido a uma doença do coração.
Saffron prontamente afastou os pensamentos de seu pai da mente. Se ela
pensasse nele, ela teria que pensar sobre sua mãe e padrasto, e ela não podia lidar
com isso e sua nova visão ao mesmo tempo.
Lentamente, Saffron levantou da cama e caminhou até a janela. Ela sabia que
eram exatamente oito passos da cama até a janela, mas desta vez ela não contou. Ou
pelo menos ela tentou não contar. Estava tão arraigado nela que não poderia evitar
isto.

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Quando ela alcançou a janela, apertou o rosto contra o vidro e suspirou
quando o frio a tocou. O movimento da água fora da janela fez sua respiração prender
na garganta. Ela não tinha nenhuma ideia de que seu quarto encarava o mar. Depois
de mais alguns momentos observando a escura água batendo, ela endireitou-se.
Então ela se virou para enfrentar o resto do quarto.
Ela teve que proteger seus olhos da luz, e levou várias tentativas antes de ser
capaz de ver através da claridade. Seus olhos vagaram da cômoda até sua esquerda
para a porta pequena que levava a um banheiro privado. Então à frente para uma
cadeira no canto próximo a porta que levava ao corredor. Ao lado da porta estavam
ganchos que Saffron sabia que tinham estado lá desde que o castelo tinha sido
construído.
Mais adiante estava uma penteadeira onde sua escova e outros pertences
estavam apoiados. Depois vinha a mesa ao lado da cama com a luminária, a cama, e
então a lareira.
Saffron olhou fixamente para as chamas, pasma com os matizes de laranja,
amarelo, vermelho e até azul que ela via. Havia passado tanto tempo desde que tinha
visto cores que se encontrou hipnotizada. Completamente encantada.
Ela podia facilmente permitir-se ficar perdida na luz do fogo. O desejo era tão
opressivo que Saffron deu um passo em direção à lareira, decidida a fazer justamente
isto.
Foi o som de passos se aproximando de sua câmara que tirou sua atenção do
fogo para a porta um segundo antes do golpe soar.
A porta abriu uma brecha, e uma mulher enfiou a cabeça. Seu olhar foi para a
cama primeiro. Ela franziu o cenho ligeiramente antes de seus olhos moverem-se
através o quarto. Quando ela achou Saffron, sorriu e entrou na câmara.
Saffron não tinha nenhuma ideia de quem ela era. Ela conhecia as vozes e a
cadência dos passos da pessoa, mas ela não conhecia o rosto de ninguém. O pânico
começou a surgir. Ela cavou seus dedos na pedra atrás dela e tentou controlar a
respiração.
— Você está acordada.
Saffron soltou um suspiro quando reconheceu o sotaque suave de Cara. Ela
tinha sido a primeira Druidesa no castelo, a pessoa que trouxe os MacLeods para o
mundo. — Cara.
— Sim, — disse a morena delicada com amáveis olhos cor de mogno. Seu
cabelo castanho encaracolado estava puxado atrás em um solto rabo-de-cavalo baixo,
com cachos emoldurando seu rosto. — Perdoe-me. Eu devia ter dito a você quem eu
era.

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Saffron dispensou suas palavras. — Eu soube assim que você falou.
— Não importa. Eu deveria ter pensado sobre isto. Mas estou contente em
ver você. Como está sua visão?
— Como se o feitiço de Declan nunca tivesse existido. — Claro que Saffron
sabia a mentira que era. A presença do mal de Declan tinha estado dentro dela por
três longos anos. E seus olhos estavam sensíveis à luz.
— Estas são notícias maravilhosas. Dani tem estado tão preocupada com
você.
— Como está Danielle? — Saffron perguntou, sabendo o risco que Dani teve
ao entrar na sua mente para quebrar o feitiço. — Eu preciso agradecê-la.
Saffron sabia o quão terrível tinha sido para Dani entrar em sua mente e
sentir a escorregadia massa enjoativa que era a magia de Declan. Saffron tinha estado
tão preocupada que isso prejudicasse Dani que quase não a deixou tentar quebrar o
feitiço esta última vez.
— Dani e Ian têm estado em sua câmara. — Cara disse com uma risada.
Saffron trocou seus pés nas pedras frias. Ian acabara de retornar ao castelo,
com ajuda de Dani, depois de quatro séculos desaparecido. Mas seu desaparecimento
não tinha sido sua escolha. Tinha sido de Declan. E de Deirdre.
O pensamento do outro drough causou um calafrio em Saffron. Deirdre e
Declan eram droughs, Druidas que desistiram de sua magia pura para ter magia negra.
E com isto, deram suas almas para o Diabo.
Saffron conheceu sobre Deirdre pelas outras mies, ou bons Druidas, no
castelo. Deirdre tinha estado viva por mais de um milênio, e era a pessoa que libertara
os deuses nos MacLeods, e assim começando a guerra que eles travavam. Uma guerra
que o resto do mundo não tinha nenhuma ideia que estivesse acontecendo.
Mas Dani e Ian acharam um ao outro. Dani, outra Druidesa, precisou da ajuda
de Ian para chegar ao castelo. E Ian, lutando para controlar o deus dentro dele,
precisou de Dani para ter controle sobre seu deus.
Deuses. Saffron riu interiormente. Isto é com quem ela estava vivendo.
Druidas e Guerreiros com deuses primitivos trancados dentro deles. Estes Guerreiros
podiam detectar magia, mas mais que isto, eles eram imortais e tinham poderes
surpreendentes.
Ou pelo menos ela tinha sido informada sobre os poderes. Ela, na verdade,
não os viu por si mesma.

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Mas ela ouviu os rugidos dos Guerreiros. Ela conheceu a força deles, como a
sensação dos grossos músculos de Camdyn sob sua mão.
Só pensar em Camdyn fazia o estômago dela agitar. Saffron tragou e afastou
esses pensamentos da mente. Ela disse a si mesma que só estava atraída por ele
porque ele tinha sido quem a libertou da prisão de Declan.
Não havia nenhuma dúvida que se lhe tinham dito que os Guerreiros tinham o
poder de controlar fogo ou teleporte, era verdade. Mas ela mal podia esperar para ver
por si mesma.
— Saffron? — Cara perguntou.
Ela se agitou e piscou quando olhou para Cara. Saffron começou a perguntar-
se como todo mundo pareceria. Ela queria ver especialmente os casais juntos, como
Cara e seu marido, Lucan MacLeod. — Desculpa. Eu estou...
— Não é necessário, — Cara a interrompeu com uma piscada. — Eu entendo.
Você está com fome?
— Faminta. Quanto tempo eu dormi?
— Apenas através noite. Amanheceu uma hora atrás.
Saffron olhou abaixo para suas roupas do da anterior e fez careta. — Deixe-
me trocar primeiro.
— Nós estaremos esperando. — Com um último sorriso, Cara se foi.
Saffron caminhou para a arca e abriu uma gaveta. Ela olhou para as meias do
lado de dentro, todas brancas, e todas dobradas nitidamente assim ela saberia o que
pegou. Ela pegou um par, determinada a comprar cada cor imaginável agora que podia
ver novamente.
Ela vestiu às pressas as meias em seus pés gelados e tirou sua calça jeans e
suéter. Ela sorriu quando pensou sobre quanto ofendida sua mãe estaria em vê-la não
só em calça jeans, mas com um suéter também.
Seu sorriso aumentou quando ela cavou outra calça jeans e um suéter
amarelo suave. Ela deu um olhar em suas roupas e notou que elas eram todas de cores
básicas que podiam facilmente se misturar uma com a outra assim ela não misturaria
nada.
Todas as roupas que ela tinha foram-lhe dadas pelas outras Druidesas no
castelo. Nada nas gavetas era somente dela, com exceção de suas calcinhas e sutiãs.
Reaghan trouxe uma sacola cheia de lingerie para ela, e para encanto de Saffron, elas
eram todas de rendas e sensuais. E todas de cores diferentes.

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Existia tanta coisa que ela precisava cuidar. Primeiro, ela precisava ligar para
seu advogado. Se o que Gwynn disse a Saffron noutro dia fosse verdade e sua mãe
estava tentando declará-la legalmente morta, então sua mãe e o filho da puta que era
seu padrasto conseguiria todo seu dinheiro. O dinheiro que seu pai recusou dar a sua
mãe.
— Sobre meu cadáver, mãe, — Saffron disse enquanto calçava seus pés com
botas pretas.
Ela passou uma escova pelo cabelo, incapaz de olhar para si no espelho. Uma
coisa de cada vez. Iria levar muito mais coragem do que ela tinha agora mesmo para se
ver no espelho depois de três anos.
Saffron saiu de sua câmara e virou à direita. Ela parou um momento,
escutando o som de vozes abaixo dela no grande salão. O castelo era enorme, mas sua
audição melhorou quando sua visão tinha sido tomada.
Havia riso e conversa. Refeições no castelo eram quase sempre uma reunião
divertida. Havia tantos pares no castelo, dos três irmãos MacLeod, Fallon, Lucan, e
Quinn, e suas esposas, Larena, Cara, e Marcail, até Hayden e Isla, Galen e Reaghan,
Broc e Sonya, Logan e Gwynn, e agora Ian e Dani.
Ela não era a única pessoa solteira no castelo, porém. Existia o filho de Marcail
e Quinn, Aiden. Fiona, e seu filho crescido Braden, e a mais nova Druidesa no castelo,
Kirstin. Então havia os outros Guerreiros, Ramsey, Arran, e Camdyn.
Saffron ignorou o modo que seu coração acelerou quando pensou em
Camdyn. Ela sentia um tormento dentro de Camdyn, como um aperto em torno dele
que recusava ceder. Ainda assim, quando ele lidou com ela, era sempre gentil, se não
silencioso.
Como ele pareceria? Ela esfregou as pontas dos dedos sobre seu polegar
quando se lembrou da sedosa fria textura de seu cabelo contra a palma quando ele a
impediu de cair da última vez que ela teve uma visão.
Camdyn sempre parecia estar próximo dela. Até quando ele não falava nada,
ela sabia que ele estava lá. E estranhamente, isso a confortava. Todo mundo cuidava
dela no castelo, mas com Camdyn era diferente. Ele tinha um tom diferente em sua
voz quando falava com ela, e havia uma gentileza diferente misturada com o poder
quando ele a tocava.
Ela tocou em seu rosto uma vez. Tinha sido a única maneira de saber como ele
parecia sem sua visão. Suas palmas ainda sentiam o picar da barba, os ângulos afiados
de seu rosto, e os lábios cheios e largos.
Ele não soube o que ela fez porque tinha sido rápida, mas a necessidade em
conhecê-lo a tinha atormentado. Ela conseguiu uma olhada em seu rosto usando suas
mãos, e tinha sido suficiente para sua mente desenhar uma imagem dele.
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E era uma imagem gloriosa.
A pergunta agora, porém, era se ele estaria à altura do que sua mente criara.
Algo similar à excitação correu por ela com a ideia de ver todo mundo pela
primeira vez. Ela estava nos degraus que levava ao grande salão quando percebeu que
desejou ter lavado o cabelo e talvez colocado um pouco de maquiagem primeiro.
— Saffron!
Sua cabeça balançou na direção da voz quando uma mulher com longo cabelo
loiro platinado saltou de seu lugar à mesa e correu para ela.
Saffron reconheceu a cadência dos passos e não pôde evitar sorrir quando os
braços de Danielle Buchanan embrulharam ao redor dela. Ela retornou o abraço de
Dani e a apertou, percebendo então que tinha perdido o casamento de Dani e Ian a
noite anterior.
— Funcionou, — Dani sussurrou.
Pela primeira vez desde despertar, Saffron se achou piscando de volta
lágrimas. — Sim. Você fez isto, Dani. Sua magia me permitiu ver de novo.

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CAPÍTULO DOIS

Ilhas Orkney
Circulo de Brodgar

Camdyn MacKenna permanecia no silêncio do amanhecer próximo com os


companheiros Guerreiros Arran e Fallon. Lucan, com sua habilidade de comandar
escuridão e sombras, estava patrulhando a área para ver se Deirdre já estava lá.
Eles estavam espalhados em torno da área, agachados e esperando na
expansão de terra varrida pelo vento com apenas as pedras para protegê-los. Para
exasperação de Camdyn ele encontrou seus pensamentos vagando. Mas não para
qualquer tempo. Para um tempo quando ele era feliz.
Um tempo com Allison.
Ele apertou os olhos fechando-os quando pensou em sua esposa, seus olhos
sorridentes castanhos. A vida que eles compartilharam juntos.
Uma vida em que ela não foi embora apesar do deus dentro dele. Ela sabia
que ele era um Guerreiro. Ela sabia de seu poder em manipular a Terra, sua velocidade
incrível e sentidos realçados. E sua imortalidade.
Apesar de tudo isso, ela ficou com ele.
Sua Allison.
Camdyn abriu seus olhos e enfocou no círculo de pedras em pé que era
provavelmente mais antigo quanto os deuses dentro dos Guerreiros. Ninguém sabia de
onde as pedras vieram, ou por que elas haviam sido construídas.
Os celtas usaram-nas, veneraram-nas. As pedras eram vistas por toda parte da
Britãnia, sua origem um mistério. Poucos perceberam que era a magia contida dentro
delas que atraia as pessoas.
Mas um Guerreiro sabia. Um Guerreiro tinha a habilidade de sentir magia, boa
e má. Camdyn enterrou calcanhar de sua bota preta na Terra, grato que a magia que
ele sentia não estava mergulhada em maldade como a magia drough estava.
Droughs. Como ele os odiava. Ou uma em particular. Deirdre.
Só pensar nela fez a bílis subir em seu estômago. Ele tinha uma boa vida antes
de Deirdre achá-lo e libertar seu deus, tornando-o o monstro que era.

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Camdyn sobreviveu a montanha amaldiçoada e conseguiu escapar. Ele achou
refúgio nas florestas profundas e nas montanhas. Até que topou com Allison. Ela tinha
sido como uma luz na escuridão.
Assim que Camdyn a viu ele soube que ela era a única para ele. Ela não piscou
um olho quando ele disse-lhe como os celtas antigos permitiram os droughs libertar os
deuses primitivos trancados no Inferno. Os guerreiros mais fortes em cada família se
voluntariaram e permitiram aqueles deuses em seus corpos, criando os primeiros
Guerreiros.
Foram aqueles primeiros Guerreiros que libertaram a Britânia de Roma. Mas
isso veio com um preço — a morte de muitos celtas antes dos droughs e mies
combinarem sua magia para prender os deuses dentro dos homens desde que não
podiam fazer os deuses partirem.
Os deuses viajaram pela linhagem sanguínea destes guerreiros, esperando
pelo dia quando pudessem ter controle novamente. Deirdre deu-lhes esse desejo
quando achou o pergaminho oculto e descobriu que os MacLeods mantinham um
deus.
Três irmãos, de fato, compartilhavam um dos deuses mais poderosos entre
eles. Uma vez que Deirdre libertou esse deus neles, ela começou a procurar o resto.
Camdyn bufou, as garras de seu deus alongando de seus dedos quando ódio
rolou dentro dele. Ele sugou uma respiração longa e profunda até que teve a si mesmo
de volta sob controle e suas garras desapareceram.
Allison acreditou em cada palavra de sua história, mas mesmo assim levou a
Camdyn quase cinco anos antes dele permiti-la ver no que ele mudava quando
chamava seu deus. Nas vezes anteriores, ele tinha certeza que estava longe dela e de
sua cabana antes dele mudar.
Ainda assim, nem mesmo sua transição podia fazê-la acovardar-se de medo.
Camdyn raramente a deixava. Ficou a seu lado, vivendo a vida que a eles tinha sido
concedida.
E quando ela começou a envelhecer, ele viu a tristeza em seus olhos.
Uma mudança no ar atraiu o olhar de Camdyn à esquerda e seus
pensamentos para o presente. Ele virou a cabeça para encontrar Arran observando-o
de perto. Arran já chamara seu deus, e sua pele branca, garras e olhos permaneciam
na escuridão.
Arran inclinou a cabeça de lado, uma pergunta silenciosa.

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Camdyn deu uma sacudida rápida de cabeça antes de olhar de volta às
pedras. Eles vieram para ter a certeza que estavam a sós, porque em algum lugar
abaixo das pedras descansava a irmã gêmea de Deirdre, Laria.
A resposta para acabar com a vida de Deirdre de uma vez por todas.
Momentos se passaram antes de uma nuvem de escuridão começar a dissipar
e Lucan MacLeod sair e olhar para cada um deles.
— Bem? — Fallon, o MacLeod primogênito e líder dos Guerreiros em seu
castelo, perguntou.
Lucan ergueu uma sobrancelha. — Eu não senti Deirdre ou algum de seus
wyrrans.
Camdyn cuspiu com a menção dos wyrrans. Eles eram os mascotes de
Deirdre, criados por ela para serem comandados apenas por ela. Eles eram pequenos
em estatura, calvos e magros, mas mortais com suas garras em suas mãos e pés. Seus
olhos amarelos eram sinistros olhando, mas eram suas bocas cheias de dentes que
seus lábios não podiam se encaixar que os tornavam verdadeiramente feios.
— Eu concordo, — Lucan murmurou para Camdyn.
Arran moveu-se em direção a Lucan de seu esconderijo, a pele branca de seu
deus desaparecendo mais uma vez. — Será que o chão foi perturbado?
— Não, — Camdyn respondeu. Desde que seu poder era comandar a terra,
ele podia também dizer quando tinha sido mexida e como. — Nada tocou as pedras,
especialmente dentro do círculo, em muito tempo.
— Camdyn está certo, — Lucan disse.
Fallon cruzou os braços acima do largo tórax enquanto olhava para as pedras.
— A magia é inebriante aqui.
Os outros três assentiram silenciosamente.
Camdyn esfregou as mãos juntas. — Finalmente, depois de duzentos e
cinquenta anos, eu vou ajudar a exterminar Deirdre.
— Seiscentos e cinquenta, — Arran corrigiu com um sorriso. — Lembre-se,
nós permitimos aos Druidas nos lançar no futuro.
Como Camdyn podia continuar esquecendo que ele perdeu quatro séculos de
sua vida? Não que ele se importasse. Ele estava se acostumando a este mundo
moderno muito bem, e com a ajuda de seu deus ele aprendeu a entender o idioma
rapidamente.
— Sim. — Camdyn disse.

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Lucan se moveu para aguardar seu irmão Fallon. — De qualquer maneira, está
prestes a acabar.
— Quase parece muito bom para ser verdade, — Fallon disse suavemente.
Os quatro permaneceram juntos enquanto o sol subia no horizonte,
iluminando o Anel de Brodgar com seu brilho dourado.
Camdyn teve que admitir que a visão era gloriosa. As pedras permaceciam em
pé num padrão circular enorme em uma estreita faixa de terra sobre um planalto
inclinado a leste separando dois lagos.
Vinte e sete pedras permaneciam vertical no círculo, e até mais interessante
era a área onde as pedras estavam. Era como se tivesse sido esvaziada. Nenhuma erva
daninha ou flores silvestres cresciam onde as pedras estavam. A grama era mais verde,
deixando um círculo distinto que podia ser visto de qualquer ângulo.
Não havia nenhuma dúvida na mente de Camdyn que era mágico.
As sombras começaram a enfraquecer quando o sol continuava sua subida no
céu, e embora Camdyn soubesse o quão perigoso era estar ao ar livre com Deirdre
prestes a aparecer a qualquer momento, ele não conseguia partir.
Havia algo tão atraente, tão... confortante sobre as pedras que faziam-no
desejar ficar.
Camdyn olhou para Arran, Lucan, e Fallon, e um por um, os Guerreiros tiraram
seus olhares das pedras.
— É hora de retornar ao castelo e dizer aos outros o que descobrimos, —
Fallon disse.
Arran sorriu, seus olhos brilharam com excitação. — E preparar-se para uma
batalha.
Camdyn não teve tempo para dizer qualquer coisa quando Fallon pôs a mão
em seu ombro, e no tempo que levou um piscar, eles estavam em pé na muralha do
Castelo MacLeod. Fallon chamava isto de salto; o termo mais moderno era
teletransporte, e Camdyn gostava bastante da velocidade com que eles podiam viajar.
— Lucan! — Cara gritou e correu para seu marido quando eles caminharam
dentro do castelo.
Fallon apressou-se para sua esposa, e solitária Guerreira, Larena, e embrulhou
seus braços ao redor dela. Camdyn e Arran continuaram através deles para as duas
mesas longas que tinham sido postas juntas.
Enquanto Camdyn caminhava entre seus companheiros Guerreiros, ele notou
apenas quantos tinham achado suas mulheres. Ele, Ramsey, e Arran eram os únicos
Guerreiros restantes sem companheiras no castelo.

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Pelo menos eles não eram os únicos homens solteiros. Existia Aiden, Filho de
Quinn, e Braden.
Aquele pensamento tinha apenas passado por sua mente quando ele sentiu
uma onda poderosa, brilhante, e muito agradável magia passar por ele.
Camdyn não precisou olhar para saber que era Saffron. Sua magia tinha um
sentimento diferente para ele desde que ele a ergueu em seus braços na prisão de
Declan.
Ele olhou para o topo dos degraus onde Saffron estava em um suéter amarelo
pálido e calça jeans que ajustavam em suas longas pernas magras à perfeição. Seu
cabelo cor de nogueira caia livremente sobre seu rosto enquanto seus olhos moviam
vagarosamente pelo salão.
Ele soltou uma respiração que não sabia que segurava. Quando Danielle
correu para Saffron, e os olhos de Saffron seguiram-na, Camdyn soube que o feitiço de
Declan para cegar Saffron estava verdadeiramente desfeito.
Todo mundo se preocupou que o feitiço não liberaria Saffron, mas o simples
fato de que nenhum pesadelo tinha atormentado-a na noite anterior, como ela tinha
no passado, dizia a Camdyn que ela ficaria bem.
Ele tinha sido o único a ir para ela toda noite e tranquiliza-la, entretanto ela
nunca soube disto. Ninguém soube, e isto é como ele queria que permanecesse.
Camdyn tinha sido incapaz de ficar longe dela esta última noite, porém. Ele a
verificou várias vezes. E todo tempo ela tinha dormido pacificamente.
Ainda assim, era bom ver por ele mesmo que o feitiço de Declan estava
verdadeiramente acabado.
Ele manteve silêncio, tentando ouvir o que Saffron e Dani diziam uma para
outra, mas todo mundo estava tão excitado em ver Saffron que eles começaram a
conversar de uma vez.
Cara desembaraçou-se dos braços de Lucan e esperou na parte inferior dos
degraus por Saffron e Dani. Saffron sussurrou algo para Cara que deu um aceno com a
cabeça e um sorriso suave.
Saffron caminhou com passos lentos, medidos que era gracioso e elegante.
Sua postura era impecável, mas o sorriso em seu rosto era forçado.
Camdyn perguntou-se se qualquer outro percebera. Ela passou por ele com
apenas um olhar, e então de repente parou. Seus olhos se encontraram, colidiram.
Prenderam.
Por várias batidas do coração eles não disseram nada, mas ele viu seus
ombros relaxarem uma fração antes dela caminhar em torno da mesa para se sentar
próxima a Fiona e Braden.
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Camdyn queria que ela soubesse quem era ele mas como ela poderia? Ela só
conhecia sua voz, não seu rosto. Porque ele queria que ela o reconhecesse, Camdyn
não podia imaginar. Mas isso o deixou desconfortável.
Ele furtivamente olhou para Saffron para encontrar Fiona e Braden ambos
conversando com ela.
Era por causa da magia de Isla para proteger o castelo da visão, como também
mantendo os mortais livres de envelhecer, que os Druidas, inclusive Fiona e Braden,
que tinham estado no castelo por quatrocentos anos, não ficavam mais velhos.
Camdyn não culpou Fiona e Braden por ficar no castelo. O mundo mudou
drasticamente desde que eles abrigaram-se no castelo no século dezessete, e com
Deirdre ainda lá fora caçando Druidas, era melhor ficar escondido.
Mas ele não podia evitar perguntar-se o que eles fariam quando Deirdre se
fosse. Existia ainda Declan para considerar, mas Declan não caçou Druidas por suas
magias como Deirdre.
Uma vez que Deirdre se fosse, Declan era o próximo em sua lista.
O pensamento de Declan lembrou a Camdyn de Saffron. Ele nunca esqueceria
como ele a encontrou primeiro, encadeada e meio esfomeada, como ela tinha tremido
em seus braços quando ele quebrou as correntes e a ergueu.
Ela estava assustada com ele, mas apesar do horror que Declan a fez passar,
ela juntou sua coragem e embrulhou os braços ao redor do pescoço de Camdyn.
Ele tinha sido o único que poderia ter acesso à prisão de Saffron por causa de
seu poder em mover a terra, e assim foi como ele se tornou seu salvador. Ou então ele
dizia a si mesmo.
A verdade era, uma vez que ele a viu, ele quis ser o único a libertá-la, o único
a trazê-la fora da escuridão. Camdyn não estava certo do porque, nem entendia esta
ânsia que ele tinha de estar próximo a ela no caso dela precisar dele.
Saffron provou ser capaz e corajosa. No entanto independentemente — ou
talvez apesar disso — Camdyn mantinha um olho nela a toda hora.
Pelo canto do olho ele observou quando ela colocou uma mecha de cabelo
atrás da orelha. Era um gesto nervoso que ela provavelmente nem saiba. Mas a
ansiedade dela chamou sua atenção.
— Como você sente, Saffron? — Quinn perguntou.
Os olhos castanhos de Saffron moveram para o MacLeod mais jovem. —
Melhor agora que a magia de Declan se foi, Quinn.
Quinn riu. — Como você sabia quem eu era?
— Sua voz. — ela respondeu.
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Um por um Camdyn assistiu ela falar o nome de cada pessoa depois que
falava com ela. Seus ombros relaxavam cada vez, e seu sorriso cresceu mais genuíno.
Interiormente ele assentiu quando percepção surgiu. Ela tinha medo.
Isso era algo que Camdyn não esperava. Desde que Saffron tinha estado no
castelo ela teve uma vontade de ferro, uma atitude irrompível.
Porém, não era a primeira vez que Camdyn via uma rachadura em sua
armadura. Ninguém exceto ele sabia dos pesadelos que ela sofreu, e ele só soube
porque a ouviu nas horas solitárias da noite quando ele caminhava pelos corredores
do castelo.
Ele tinha sido incapaz de afastar-se de seu grito estrangulado na primeira
noite. Toda noite desde então ele foi até ela. Ele não fez nada além de colocar uma
mão em sua testa, mas isso parecia tranquilizá-la.
Até a próxima noite.
A princípio ele tinha estado só para acalmá-la, e então ele precisava tocá-la,
vê-la. Ele ousava apenas tocar em sua testa, mas veio a amar a sensação de seu cabelo
espesso e o modo que caia contra o travesseiro. Ele veio a precisar do som de sua
respiração suave quando ela caia em um sono sem sonhos.
Camdyn tentou não ver suas pernas nuas que chutavam as cobertas, ou ver o
mamilo escuro que cutucava por sua camisa branca.
Ele tentou e falhou.
Um transbordamento de calor ardeu por seu corpo quando a memória de seu
corpo esbelto relampejou em sua mente.
Ele inclinou a cabeça de lado enquanto a estudava. Ela teria mais pesadelos
agora que a magia negra de Declan se foi? Mais importante, ele podia manter-se
afastado dela?
De repente, seus olhos castanhos moveram para ele e o segurou cativo. Ela
olhou fixamente para ele por vários momentos silenciosos. Camdyn tomou aquele
tempo para beber a visão atordoante dela, de seu rosto oval e pescoço esbelto para
seus lábios largos e maçãs do rosto altas.
Cachos grossos de seu cabelo marrom rico caíram por seu ombro para deitar
artisticamente acima de seu peito. Ele quis alcançar e tocar em seu cabelo porque ele
sabia justo o quanto suave era.

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Havia uma atitude sobre ela que mostrava de refinamento e classe, ainda que
em seu olhar ele viu uma selvageria, um descuido que quase combinava com a sua
própria. Era tão inesperado e surpreendente que fez suas bolas apertarem em um
desejo tão feroz, tão intenso, ele teve que agarrar o banco que sentava para evitar de
ir até ela.
— Camdyn.
Sua voz, suave e gentil, abanou as chamas de desejo que já estavam fora de
controle. Ele deu um arco leve de cabeça, e sorriu interiormente. Não tinha sido uma
pergunta mas uma afirmação. Outra prova da confiança dela. — Sim.
Por vários minutos seus bonitos olhos castanhos seguraram o dele antes dela
olhar para longe. Mas Camdyn não podia parar de olhar para ela. Não podia parar o
modo que sua magia o envolvia, o cobria.
Seduzindo-o.

17
CAPÍTULO TRÊS

Saffron inalou profundamente e sentiu-se relaxando conforme a respiração


deixava seus pulmões. Ninguém a tratou diferente do que a tinham tratado antes, e
isso estava dizendo algo.
A maioria das pessoas lidavam com os cegos com luvas de pelica, mas não os
residentes do Castelo MacLeod.
Pelo menos agora ela não conhecia só a voz de todo mundo, mas também
seus rostos. Lucan, o irmão MacLeod do meio, com as pequenas tranças em suas
têmporas e torque de metal de cabeça de grifo.
Fallon, o MacLeod primogênito e líder, com seu torque de metal de cabeça de
javali e olhos verdes escuros. Quinn MacLeod, com seu torque de metal de cabeça de
lobo e atitude alerta. Hayden, o mais alto dos homens, permanecia em pé como um
gigante loiro. Galen tinha amáveis olhos índigo que pareciam ver direito em sua alma.
Broc, que permanecia em guarda sobre todos eles; Logan, que tinha um
sorriso malicioso; Ian, que só tinha olhos para Danielle; Ramsey, que era o calado com
olhos prateados; Arran, que era o ávido por uma briga; E Camdyn...
Saffron recusou-se a olhar para o Guerreiro novamente porque nas
profundidades de seus olhos escuros ela viu a mesma solidão e raiva que estava dentro
dela mesma. A mesma tristeza, a mesma ânsia por algo mais.
Ela soube que era ele quando o passou no salão. Ele não falou, não se moveu,
mas ela conheceu quem ele era simplesmente pelo sentimento do homem em si.
Isso tinha enviado um tremor de prazer através dela, um calafrio que fez seu
estômago agitar e seu coração perder uma batida.
Depois de um só olhar para ele, seu rosto estava marcado com ferro em sua
mente. De seu cabelo preto longo e liso que ele deixava cair livremente ao redor de
seu rosto esculpido, até a sombra escura de uma barba em suas bochechas cavadas
que só o fazia mais sensual.
Podia também ser seus olhos escuros e as sobrancelhas espessas que
inclinavam acima deles. Ela tragou quando recordou a linha dura de sua mandíbula e
seus lábios cheios, lábios que ela sabia que provavelmente podiam fazer qualquer
mulher desmaiar. Tudo que ela sentiu com sua mão, mas não tinha sido preparada
para ver justo quanto diabolicamente bonito ele era.
Mas não era só seu rosto. Ela sentiu a espessura de seus músculos, mas sentir
e ver eram duas coisas diferentes, especialmente quando era Camdyn.

18
Seus ombros carnudos eram visíveis pela camiseta preta esticada acima de
seus braços e tórax enquanto apoiava os antebraços na mesa e escutava algo que
Ramsey disse.
Ela pegou um vislumbre de seu traseiro e o modo que o escuro jeans o
abraçava. Com um olhar, ela pegou tudo que era Camdyn. E ela queria mais.
— O que aconteceu na ilha? — Broc perguntou a Fallon, tirando Saffron de
seus pensamentos e de volta para a guerra que os assolava.
Ela mudou seu olhar para Fallon, que se sentava na cabeceira da mesa, suas
mãos dobradas acima do estômago firme quando se debruçou no encosto da cadeira.
— Deirdre não chegou, — Fallon respondeu.
Arran bufou. — Ainda. Nós precisamos chegar lá antes dela.
— Você a sentiu por perto? — Hayden perguntou.
Lucan agitou a cabeça. — Não. O Anel de Brodgar é enorme, e eu caminhei
por ele várias vezes a procura do cheiro de sua magia corrompida.
— A área é destituída de árvores, — Camdyn disse. — Não existia nenhum
lugar para ela se esconder. A península onde as pedras são localizadas é longa e
estreita com lagos em cada lado.
Reaghan, um dos Druidas com poderosa magia e esposa de Galen, debruçou
os cotovelos na mesa e assentiu. — É justo como eu lembro disto como foi descrito
para mim.
Saffron ainda tinha um momento difícil acreditando que Reaghan, bonita,
Reaghan de fala suave, tinha posto um feitiço em si mesma que limpava suas
memórias a cada dez anos para esconder de Deirdre o local onde Laria estava.
Era difícil dizer quem era a mais velha das Druidesas, Reaghan ou Isla. Elas
duas atravessaram muitos mais séculos sendo mais imortais do que quaisquer dos
Guerreiros.
— O que nós estamos esperando então? — Sonya, a curandeira, perguntou
enquanto ela olhava pela mesa.
Foi Ian que levantou uma sobrancelha escura e disse, — Parece muito fácil.
— Exatamente os meus pensamentos, — Logan disse.
— Fácil ou não, nós precisamos chegar a Laria, — Quinn declarou.
Broc encolheu os ombros. — Eu posso sempre localizar Deirdre com o uso de
meu poder.
Galen tamborilou os dedos na mesa e disse, — Nós precisaremos de você para
fazer exatamente isto, meu amigo.

19
Existia um crepitar de tensão quando Fallon enfocou seu olhar em Ramsey.
Saffron olhou para Ramsey que se sentava a sua esquerda um pouco depois dela. Ele
retornou o olhar fixo de Fallon com indiferença, como se estivesse testando Fallon de
alguma forma.
— Eu penso que é hora de você dizer-nos quem é o Druida da Floresta de
Torrachilty, — Fallon disse.
Ramsey lentamente se endireitou na cadeira. — Você disse que confiava em
mim.
— E nós confiamos. Eu me sentiria muito melhor se soubesse quem é o
Druida.
— Ele estará lá, — Ramsey jurou.
Saffron tinha sido testemunha da suficiente tensão entre seus pais quando
seu pai ainda era vivo para ficar desconfortável no silêncio que se seguiu.
Foi Camdyn que quebrou o silêncio. — Todos nós sabemos que Deirdre pôs
Charlie aqui como espião. Nós não temos nenhuma ideia quanta informação ela
obteve antes de Arran matá-lo, mas o simples fato que importa é, nós esperamos
séculos para matar esta cadela.
— Eu concordo, — Logan disse com um brilho em seu olho.
Ian assentiu. — Estou ansioso para acabar com ela de uma vez por todas.
Larena, com a mão sobre a de Fallon, disse, — Não terá acabado. Nós teremos
Declan.
— Um vilão é melhor que dois, — Quinn declarou com um encolher de
ombros.
Marcail mordeu seu lábio inferior com os dentes um momento antes dela
dizer, — Nós precisamos achar o feitiço para prender os deuses dentro de vocês
Guerreiros. Se eu lembrasse de tudo isso antes de Deirdre tentar me matar então...
— Shh, — Quinn disse quando a levou em seus braços e beijou o topo da
cabeça de sua esposa. — Nós acharemos um modo.
— E se não, minha magia manterá todos esses mortíferos imortais dentro
deste escudo, — Isla disse quando Hayden tomou sua mão.
Aiden bateu sua mão na mesa. — E se nós não quisermos ficar no castelo? E
se nós quisermos ver o mundo?
Saffron olhou de Aiden até seus pais, Quinn e Marcail. Saffron podia ver a
apreensão nos olhos turquesas de Marcail e a resignação no verde de Quinn.

20
— Eu só pedi que você espere até que Deirdre, e agora Declan, estejam
exterminados antes de você partir, — Quinn disse.
A mandíbula de Aiden apertou, o músculo marcando. — Eu esperarei. Mas
assim que eles estejam mortos eu estarei partindo. Eu não me importo que mal surja
repentinamente. Eu estou cansado de ser enjaulado.
Saffron olhou abaixo em suas mãos para encontrá-las apertadas juntas
firmemente. Uma conversa semelhante entre ela e seus pais aconteceu anos atrás
quando ela queria ver o mundo enquanto seus pais queriam que ela começasse a
faculdade no Colorado imediatamente.
— Saffron? — Chamou a voz de um macho que ela reconheceu como Galen.
Sua cabeça levantou para ver todo mundo olhando para ela. — Sim?
— Você está bem? — Galen perguntou.
Ela tragou e forçou um sorriso, um sorriso que ela aprendeu cedo em sua vida
a chamar quando necessário. — Eu estou bem.
Um levantar das sobrancelhas escuras de Lucan em resposta. — Nós
chamamos seu nome por algum tempo, moça.
Saffron lambeu os lábios enquanto embaraço arrastou sobre ela. — Desculpa.
Eu estava... em outro lugar por um momento. O que é que você precisa?
— Você teve alguma visão? — Fallon perguntou.
Ela limpou sua garganta suavemente e achou um lugar interessante na mesa
para olhar fixamente à medida que disse, — Não.
Usando sua unha do polegar, Saffron delineou o nó na madeira repetidas
vezes enquanto ela escutava todo mundo falar do círculo de pedra. Ela tinha estado
inconsciente quando eles souberam que precisavam ir para as Ilhas Orkney para achar
Laria. Então ela se sentou e escutou, misturando no fundo.
Seu estômago roncou, lembrando a ela que tinha passado horas desde que
tinha comido pela última vez. Saffron levantou e silenciosamente caminhou para a
cozinha e pegou alguns ovos, salsicha, e biscoitos da geladeira. Ela ligou o fogão e
estava quebrando os ovos quando Fiona entrou na cozinha.
— Você gostaria de alguma ajuda? — A Druidesa perguntou.
Saffron sorriu. — Isso seria bom.
Elas trabalharam em silêncio por vários momentos antes de Saffron
perguntar, — Você lamenta passar todos estes séculos no castelo enquanto assistia o
mundo mudar ao seu redor?

21
— Não, — Fiona disse sem olhar para cima de onde cozinhava a salsicha. —
Minha prioridade era manter Braden vivo a todo custo. Com Deirdre lá fora, nossa
única chance estava aqui no castelo onde todo mundo deu-nos boas-vindas. Graças à
magia da Isla, Braden pôde amadurecer enquanto eu não envelheci. Era mais do que
eu podia ter esperado, especialmente desde que eu tenho muito pouca magia.
— E agora Braden não está envelhecendo.
Fiona olhou para Saffron e sorriu. — Sim. Há momentos que eu o vejo
olhando fixamente das ameias. Ele tem estado fora no mundo várias vezes com Aiden,
e eu sei que eles dois querem ver o que mais tem lá fora. Eles querem visitar os lugares
que eles veem na televisão. E eles querem suas próprias mulheres e famílias.
— Mas você o manteve aqui.
— Nunca. Eu estava decidida a ficar em nossa aldeia próxima do Lago Awe.
Reaghan também estava lá, embora por uma razão diferente. Ainda assim, ela atestará
como os anciões nos manipularam para ficar quando tudo que queríamos era partir.
Braden ficou aqui porque ele quer ajudar.
Saffron despejou os ovos na panela, lembrando de seus próprios desejos de
ver o mundo. Depois da faculdade ela apenas fez isto. Ela teve o momento de sua vida
até que Declan a achou.
— Você acha que nós podemos realmente exterminar Deirdre? — Fiona
perguntou.
Saffron começou a mexer os ovos. — Todo mundo trabalhou incansavelmente
para conseguir os artefatos necessários para acordar Laria. Alguns até perderam suas
vidas. Então, sim, eu acho que eles podem acordar a irmã de Deirdre. — Ela pausou e
olhou para Fiona. — Então caberá à Laria matar Deirdre.
— Sim, — Fiona disse com um suspiro. — Que tal Declan? Eu ouvi tantas
coisas sobre ele.
Saffron achou-se apertando o cabo da espátula. — Declan é meu para matar.
Pelo canto do olho ela viu como a cabeça de Fiona empurrou em direção a
ela, mas Saffron não se importou. Depois do que Declan fez, depois da vida que ele
tirou dela, ela o faria pagar.
— Isso cheira delicioso, — Gwynn disse quando verificou os biscoitos no
forno. — Reaghan disse que Galen já invadiu a cozinha esta manhã, mas ele está com
fome novamente.
Fiona riu quando a salsicha começou a chiar na caçarola. — Galen está sempre
faminto.

22
Não demorou muito para terminar de cozinhar a comida e mais algum tempo
para levá-la para o grande salão. Saffron sentiu algo em sua cabeça mudar, uma
advertência que uma visão estava a caminho.
Ela inclinou as mãos contra o balcão e respirou fundo enquanto fechava os
olhos. Ao longo de sua vida ela sempre teve visões. Algumas eram tão horrorosas que
a deixaram com pesadelos, e algumas trouxeram um sorriso a seu rosto.
As visões sempre eram sobre alguém diferente dela mesma. Nenhuma vez
teve uma visão sobre seu próprio futuro. Nem podia chamar as visões.
Elas vinham e iam como o vento. E normalmente elas vinham para ela quando
ela menos esperava.
Mas mais que isto, ela estava cansada das pessoas a querendo porque ela era
uma Vidente. Era a razão porque Declan a procurou. Os MacLeods poderiam tê-la
salvo, mas eles viram a sabedoria de ter uma Vidente a seu lado.
Até que sua cegueira tivesse sido revertida, Saffron tinha sido incapaz de
partir. Agora ela podia, mas afim de matar Declan ela precisaria da ajuda daqueles no
castelo. Então enquanto eles a estavam usando, ela os estava usando também.
Só quando ela pensou que a visão esperaria, ela bateu em sua mente. Ela
ouviu gritos ecoando em sua cabeça e sangue cobria as paredes. Uma mulher lutava
contra um homem que segurava suas costas contra seu tórax.
— Onde ela está?
Os olhos de Saffron abriram de repente quando a voz de Declan reverberou
em sua mente: As imagens enfraqueceram, e ela sentiu-se caindo.
Repentinamente, braços fortes estavam ao redor dela e ela inalou o cheiro de
cedro, poder crepitando e homem.
Camdyn.
Ela soube que era ele sem abrir os olhos. Seu cheiro, o modo que ele a
segurou. Não havia outro homem em todo o mundo que podia aproximar-se de
Camdyn MacKenna.
— Eu peguei você, — ele sussurrou perto de seu ouvido então ninguém mais
pôde ouvir.
Só ele sabia como seu corpo tremia depois de uma visão, e o quanto fraca ela
ficava. Ele sabia porque estava sempre lá, sempre pronto para pegá-la se ela caisse.
Uma menina podia certamente se acostumar a isto, e Saffron temia que já
acostumara-se a isto. O pensamento a assustou. Ainda assim, em vez de afastar-se, ela
agarrou-se a ele tanto quanto seus braços trêmulos permitiam.

23
Com uma de suas mãos espalmada em suas costas segurando-a perto contra
seu tórax de pedra, Saffron descansou o rosto na curva de seu pescoço enquanto sua
outra mão segurou a parte de trás de sua cabeça.
Ela poderia se sentir fraca, mas nos braços de Camdyn ela sabia que nada
poderia machucá-la. E depois de tudo que ela suportara com Declan, ela estava pasma
que podia sentir-se desse modo.
— Qual foi a visão? — Gwynn perguntou, seu sotaque do Texas saindo
espesso com emoção.
O coração de Saffron bateu enquanto ela ergueu sua cabeça para olhar para
Gwynn. — Era Declan.
Sem uma palavra Gwynn andou até ela e pôs sua mão no braço de Saffron.
Gwynn e Logan tiveram seu próprio encontro com Declan que quase custou suas vidas.
O pai de Gwynn também tinha sido recrutado por Declan para traduzir um livro
mágico, e ele não sobreviveu.
Saffron segurou-se em Camdyn muito depois do que ela deveria o ter soltado.
Camdyn não se mexeu, ele simplesmente a segurou enquanto passos se aproximaram
da cozinha e Danielle apareceu. Dani pausou, e então correu para ela.
Os três eram os únicos dos Estados Unidos. Gwynn era do Texas, Danielle da
Flórida antes de vir viver na Escócia depois da morte dos seus pais, e Saffron do
Colorado.
— O que você viu? — Dani perguntou.
Saffron estremeceu quando recordou o som duro da voz de Declan, e os
braços de Camdyn apertaram uma fração ao redor dela. Ela descansou a cabeça em
seu tórax e fechou os olhos enquanto considerou cuidadosamente a visão.
— Declan está procurando por alguém. Ou ele procurará por ela. Eu não sei
seu nome, ou por que ele a quer, — ela disse e abriu os olhos. — Mas eu senti sua
necessidade em encontrá-la, e era grande.
Gwynn se inclinou para trás e esfregou as mãos para cima e para baixo nos
braços.
— A magia de Declan se foi, — Dani adicionou. — Eu sei porque eu puxei isto
de você.
— Ninguém pode tocá-la aqui, — Camdyn disse, sua voz profunda enchendo a
cozinha.
Saffron assentiu e tentou acreditar em suas palavras, mas era difícil quando
ela sabia em seu âmago que as coisas com Declan estavam só começando.

24
Ela olhou para cima e seus olhos encontraram os olhos chocolate escuro de
Camdyn. Ele olhava só para ela, seu olhar penetrante, sondando. Totalmente
cativante.
— Você está segura. — Sua voz era suave e profunda. O timbre fez seu sangue
aquecer.
E seu coração acelerar.
Dani limpou a garganta e agarrou a cesta de biscoitos. — Eu acho que nós
precisamos levar o resto da comida para os outros.
Camdyn deu um passo atrás e soltou seus braços de Saffron. — Você está
bem?
Saffron lambeu os lábios e assentiu. Camdyn franziu, virou-se e partiu.
— Ele é estranho, — Gwynn disse.
Dani encolheu os ombros. — Não tão estranho. Apenas... quieto e retirado. Eu
acho que tem mais dele do que qualquer um percebe.
Saffron meramente assistiu sua saída sem adicionar nada à conversa, porque
ela sabia que havia muito mais sobre Camdyn.

25
CAPÍTULO QUATRO

Camdyn retomou sua cadeira à mesa, interiormente repreendendo-se pela


corrida para Saffron. Só porque ele sentiu o medo em sua magia.
Ele não era seu protetor, nem ela precisava de um no castelo. Especialmente
agora que podia enxergar novamente.
Então por que ele encontrou-se na cozinha antes dele perceber o que estava
fazendo? Camdyn queria muito saber a resposta. O que quer que seja sobre Saffron
que o atraia era uma maldita inconveniência. E ele queria que parasse.
Imediatamente.
Ele não podia se concentrar nas tarefas à mão com sua necessidade muito
perto da superfície e surgindo para a vida sempre que ela estava próxima.
— E sobre a essa visão? — Larena perguntou quando Saffron, Dani, e Gwynn
emergiram da cozinha.
Saffron tragou, perplexa pelo conhecimento que a audição avançada de
Larena, como também as do resto dos Guerreiros no castelo, tinham permito a ela
ouvir sobre a visão.
— Eu vi Declan, — Saffron disse enquanto tomou sua cadeira. — Ele estava
procurando por uma mulher, e era importante. Ele estava... ansioso para encontrá-la.
— Isso não pressagia bem, — Galen disse com a boca cheia de comida.
Saffron colocou alguns ovos em seu prato antes de passa-los adiante. — Como
eu disse a vocês todos antes, o que eu vejo em minhas visões é sempre incompleto. Eu
não sei quando acontecerá ou se é algo que já aconteceu.
— Mas você sabe que ele está procurando por alguém, — Ian disse.
— Parece isso, — ela respondeu. Ela suspirou e lambeu os lábios. — A mulher
que ele estava questionando o temia. Imensamente. Ela é mais velha, então a mulher
que ele procura podia ser sua filha ou sobrinha.
Marcail se debruçou adiante para olhar para Saffron. — Você não conseguiu
um nome, não é?
— Não. Eu apenas vi Declan, a mulher, e alguém a segurando. Declan estava
furioso e irritado. — Saffron parou, sua sobrancelha enrugada. — Quase como se ele
precisasse achar esta outra mulher logo.
— Deixe-nos saber se você souber mais, Saffron, — Fallon disse. — Quanto
mais nós saibamos sobre Declan, melhor.

26
Camdyn assistiu os olhos dela endurecerem e seus lábios aplainarem pelo
canto do olho. Ele entendeu a raiva de Saffron. Ele tinha a sua própria por Deirdre. Se
alguém tinha o direito de matar Declan era Saffron, pelos feitiços e tortura que ele a
impôs durante esses anos. E só Deus sabia o que mais o homem demente fez para ela.
Camdyn sabia quão malignos eram seus pesadelos. O terror e medo que se
misturavam com sua magia quando ela era pega em um pesadelo deixava Camdyn
constrangido. Agitado.
Pelo menos agora ele não mais sentia aquela linha de magia drough misturada
com a de Saffron. Ele nunca pensou que alguém poderia rivalizar com a magia negra de
Deirdre, mas Declan, parece, chegava bem perto.
Que Declan tinha sido capaz de penetrar na mente de Saffron e se misturar
com sua magia definitivamente deixava Camdyn cauteloso. Mas apesar de tudo o que
Declan tinha feito para ela, Saffron era firme em suas visões e sua magia.
Declan poderia ter tomado suas visões e sua vida por aqueles anos, mas ele
não amorteceu seu espírito ou destruiu sua magia.
Embora Camdyn tivesse gostado de aprender mais sobre o que Declan fez
para Saffron, a atenção de todo mundo estava focada em chegar a Laria e exterminar
Deirdre. Então sua curiosidade teria que esperar. Que era provavelmente o melhor
desde que ele não confiava em si mesmo para ficar muito perto dela.
Sempre que ele fez, ele quis segurá-la como fez na cozinha. Com certeza, ela
estava para cair, mas ele a segurou muito mais tempo que o necessário.
Ele fechou suas mãos quando pensou sobre como ela tremeu, suas mãos
tentando agarrar sua camisa enquanto ela enterrava a cabeça em seu pescoço.
Ele recordou a sensação de suas curvas contra ele, sua respiração contra sua
pele. Era demais para um homem que não permitiu-se prazer em muito longo tempo.
A necessidade estava atormentando, o desejo irresistível. A fome... absoluta.
O quão fácil teria sido para inclinar-lhe o queixo, selar os lábios sobre os dela.
Suas mãos tinham sido ávidas para pegá-lo, e seu corpo moldou-se ao dele.
— Eu acho que nós deveríamos voltar para o Anel de Brodgar agora mesmo,
— Arran disse quando terminou a última mordida de seu café da manhã e afastou seu
prato.
Reaghan abaixou seu garfo lentamente antes de olhar para Arran. — Meu pai
disse-se que havia uma passagem secreta para entrar no labirinto.
— O mesmo pai que disse a você que Laria estava enterrada nas montanhas?
— Broc perguntou. Não havia nenhuma raiva em sua voz quando ele repetiu o que
27
28
Reaghan disse a eles depois de ser libertada de seu feitiço.
Reaghan encolheu os ombros. — Eu não sei como responder a isto, Broc.
Sempre que ele falava de Laria não era para dizer onde ela estava enterrada, mas o
que eu precisaria para acordá-la.
Galen pôs a mão sobre a da sua esposa e encontrou o olhar de Broc. — Eu
pensei sobre isso também, meu amigo. Eu suspeito que o pai de Reaghan sobia que ela
iria de artefato em artefato até que acharia o mapa escondido no Tábua de Orn como
Logan e Gwynn fizeram.
— Os Anel de Pedra sempre foi venerado, — Camdyn disse. — É um lugar de
magia significante. Faz sentido ter Laria posta dentro de um em vez de em uma
montanha.
Reaghan sorriu para ele antes de dizer, — O feitiço que costumava apagar
minhas memórias era para não guardar informações para Deirdre. Podia ser isso se ela
descobrisse algo, tudo que ela poderia ter averiguado era que Laria estava enterrada
nas montanhas.
— Assim mandando-a em uma busca inútil, — Broc terminou com um sorriso
leve. — Eu não culpo seu pai, Reaghan. Eu meramente quero ter certeza que nós não
nos encontramos em algo assim.
— Nós estamos todos de acordo, — Fallon disse. Ele olhou para cada pessoa à
mesa e suspirou. — Eu estou mais que pronto para acabar com Deirdre. Eu tenho que
concordar com Arran nisto. Acho que nós precisamos ir lá agora e encontrarmos nossa
entrada.
Lucan se debruçou de volta em sua cadeira e pôs o braço ao redor de Cara. —
Nós sabemos que Deirdre não esteve lá. Broc, onde ela está?
Camdyn e os outros assistiram enquanto Broc fechou os olhos. Uma vez,
todos os Guerreiros tinham que chamar seus deuses e transformar antes deles
poderem usar sua magia. Mas quanto mais tempo um Guerreiro alojava um deus, mais
forte aquele poder se tornava até que era parte do Guerreiro da mesma forma que
respirar.
Broc teve séculos para dominar seu deus e seu poder, então tudo que ele
precisou fazer era chamar aquele poder.
— Ela está em sua montanha, — Broc disse depois de vários momentos de
silêncio. Ele abriu os olhos e sorriu. — Nós devíamos fazer isto agora. Ela não vai estar
esperando isto.
Fallon assentiu e ficou em pé, sua cadeira deslizando para trás nas pedras. O
som das outras cadeiras raspando encheu o salão quando todo mundo levantou-se.

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— Eu levarei todo mundo em grupos. O castelo estará seguro e escondido
com a magia de Isla.
— Não, Aiden, — Quinn disse quando seu filho também levantou.
Aiden apertou a mandíbula. — Eu quero ajudar.
Fallon levantou a mão antes de Quinn e Aiden brigar mais. — Como líder aqui,
Aiden, eu preciso de você, Braden, Fiona, e Kirstin permanecerem para trás.
— Eu acho que eles deveriam vir, — Saffron disse no silêncio que seguiu o
decreto de Fallon.
O olhar de Camdyn moveu para Fallon esperando sua resposta.
As sobrancelhas de Fallon ergueram. — E por que isto? Você teve uma visão
disto?
— Não precisa de um Vidente para saber que toda Druidesa será necessário
lá, não importando quanta magia elas tenham. Até a menor gota de magia poderia
fazer a diferença nesta batalha.
Fallon soltou uma respiração. — ponto feito. Aiden, Braden, Kirstin, e Fiona,
se preparem para partir com os outros.
Saffron soltou a respiração que ela tinha segurado e moveu-se com os outros
quando eles colocaram seus casacos e agruparam-se como Fallon solicitou. Fallon era
o líder, e entretanto ele gostava de ter a opinião de outros em questão, ele já tinha
tomado uma decisão.
Ela tinha contraposto isto e, felizmente para ela, foi bem. Ainda que não
tivesse, ela sabia que tinha que dizer o que pensava.
Enquanto ela vestia um casaco e cachecol, Saffron achou-se observando
Fallon enquanto Larena, Lucan, Cara, Quinn, e Marcail permaneciam em um círculo,
cada um deles com uma mão no ombro da pessoa ao lado.
Ela ouviu outros falando sobre o poder de teleporte de Fallon. Ou saltando,
como eles chamavam isto. Agora ela finalmente o testemunharia por si mesma.
Com um sorriso e um beijo nos lábios de Larena, Fallon pôs as mãos no ombro
de Larena e Lucan. E no próximo momento eles se foram.
Antes de Saffron poder piscar, Fallon retornou e o próximo grupo avançou.
Sua mente ainda estava rebobinando do quão rápido ele movia de um lugar
para outro quando Fallon a chamou em direção ao grupo que consistia em Logan,
Gwynn, Ian, Dani, e Camdyn.

30
Saffron caminhou para o lugar aberto entre Camdyn e Fallon, seu coração na
garganta. Fallon a saltou da mansão de Declan para o castelo quando eles a salvaram,
mas ela tinha estado tão feliz por estar livre, sem mencionar estar cega, ela não
percebeu o que iria acontecer.
— Você não vai sentir nada, — Fallon disse com um sorriso.
Ela assentiu e encontrou o olhar de Gwynn em frente a ela. Gwynn piscou
quando Fallon colocou a mão no ombro de Saffron. No momento seguinte Saffron
achou-se de pé em uma península coberta de neve com água em ambos lados.
Sua cabeça rodou para Fallon só para vê-lo desaparecer.
Saffron piscou quando o sol brilhante machucou seus olhos. Ela ergueu uma
mão para proteger os olhos quando ela desesperadamente tentou ver tudo que estava
ao redor dela.
Uma sombra grande cruzou na frente dela, bloqueando o sol. Ela soltou sua
mão e procurou até encontrar Camdyn.
— Melhor? — Ele perguntou.
— Melhor. Obrigada.
Ele encolheu os ombros. — Seus olhos ainda estão se ajustando. Eu acho que
levará um tempo para eles recuperarem totalmente.
— Eu não gosto de parecer fraca.
Um levantar de sobrancelha escura em resposta. — É isso que você acredita
que nós pensaremos? Você sobreviveu a Declan. Dê a si mesma um pouco de crédito.
Ela trocou seus pés na neve, fazendo suas mãos escovar. Uma corrente de
algo primitivo, necessário, ampliou através dela. Saffron tragou uma respiração e
olhou longe dele.
— Eu assusto você? — Ele perguntou.
Seu olhar empurrado de volta para ele. — Assustar-me? Claro que não. Por
que você pensaria isto?
— Você tenta não olhar para mim.
Se ele apenas soubesse a razão verdadeira.
Saffron limpou sua garganta quando agitou a cabeça. — Eu despertei apena
algumas horas atrás para saber que tinha minha visão de volta, Camdyn. Eu estou
simplesmente tentando absorver tudo. Eu não quis te ofender.
— Claro.

31
Ele ergueu o olhar acima de sua cabeça, mas Saffron não podia parar de olhar
fixamente para ele. Ela soabia que ele sentiu isto, sabia que deveria parar. Mas ela não
podia.
Camdyn atraia seu olhar e seu corpo. Ela se forçou a desviar o olhar e tomou o
tempo para olhar ao redor dela. Quanto mais alto o sol subia, menos a alta forma
muscular de Camdyn poderia a ajudar.
Tinha passado tanto tempo desde que Saffron viu o mundo. Ela apostaria sua
fortuna considerável que no verão a grama era um brilhante tom de verde. Era muito
ruim que ela não pudesse ver isto agora desde que estava coberta de neve, mas o azul
glorioso céu junto com as águas azuis escuras do lago era uma visão para se ver.
— Tantos se foram, — Reaghan disse em angústia.
Saffron girou ao redor para encontrar-se olhando fixamente para um anel
enorme de pedras em pé. Ela depressa contou vinte e sete em pé, mas haviam espaços
onde muitos mais deveriam ter estado.
— Olhe para onde as pedras estão colocadas, — Lucan disse. — Nenhuma
neve, ervas daninhas, ou qualquer coisa, exceto grama cresce ali.
Saffron tragou uma respiração quando ela espiou a grama verde claro entre e
em torno das pedras. Fazia um círculo perfeito, deixando o meio e fora empilhado com
neve.
— Magia, — Camdyn sussurrou por trás dela, sua voz profunda e sedutora. —
Você pode sentir isto?
Saffron não estava certa com quem ele falou, mas ela assentiu. — É tão forte
que até eu sinto isto. Eu nunca senti qualquer coisa como isto.
— Eu sinto, — Galen disse.
Logan assentiu. — Em Loch Awe, e então novamente na Ilha de Eigg.
Em questão de segundos Fallon trouxe todo mundo para o Anel de Brodgar.
Saffron fechou os olhos e ergueu seu rosto para o sol. O calor dele vazou em sua pele e
a fez sorrir.
A presença de Camdyn atrás dela só a fez mais ciente de seu entorno. E ele.
Seu cheiro de cedro e poder fez sua pele formigar, fê-la pensar sobre noites escuras,
lençóis emaranhados e gritos de prazer.
Ela não podia manter seus olhos fechados por muito tempo entretanto. Ela
queria ver tudo. Em toda sua viajam pela Escócia antes de Declan encontrá-la, ela viu
muito, mas ela nunca viu as Ilhas Orkney. E ela perdeu um tesouro com certeza.
— É tão bonito aqui. Tão pacífico. É quase como se você pudesse sentir a
história e magia desta terra de pé ao seu lado, — ela sussurrou.

32
Os olhos escuros de Camdyn vieram pousar nela quando ele veio ficar
próximo a ela. — Sim.
Ele ficou tão perto que ela podia se debruçar contra ele, mas de alguma
maneira ela conteve-se. Ela poderia virar seu rosto longe dele, mas seu corpo sabia
onde ele estava a toda hora.
Eles estavam juntos em um grupo observando enquanto Reaghan andou de
um lado para outro. Galen estava tentando conversar com ela, mas ela continuou
agitando a cabeça.
Saffron ficou desconfortável quando ela percebeu o quanto expostos eles
estavam fora ao ar livre. Ela estava acostumada à segurança do castelo. Agora, haviam
apenas as pedras. Não havia uma árvore à vista para esconder-se atrás.
— Nós estamos seguros, — Camdyn disse, lendo sua mente.
Ela bufou, não acreditando nele. Saffron aprendeu sua lição com Declan. Ela
não seria pega de surpresa novamente.
Por ninguém.
— Você acha que eu minto? — Camdyn perguntou com tal confusão que
quase a fez sorrir.
Ela balançou a cabeça ao invés. — Eu acho que você dirá o que precisa dizer a
fim de fazer-me sentir segura. Você acha que porque você é um Guerreiro você pode
lutar contra qualquer coisa.
— Porque eu posso. Eu lutei com Deirdre muitas vezes.
— Talvez. Mas você não lutou com Declan. Ele é um homem moderno,
Camdyn. Ele luta diferente. Ele virá para você de modos que você menos esperaria.
— Eu gostaria que ele tentasse.
— Eu estou certa que ele irá.
Os lábios de Camdyn ergueram em um sorriso cruel. — Então eu o matarei.

33
CAPÍTULO CINCO

Saffron não teve uma chance de dizer mais quando a angústia de Reaghan se
tornou mais óbvia.
— O que é isto? — Fallon perguntou quando Galen finalmente tomou
Reaghan em seus braços.
Reaghan ergueu a cabeça e colocou uma mecha grossa de cabelo ruivo atrás
de sua orelha quando o vento levantou. — Eu não posso achar a entrada. Muitas
pedras tombaram.
— O que você está exatamente procurando? — Cara perguntou.
Reaghan encolheu os ombros e saiu dos braços de Galen. — Eu não sei. Eu
deveria reconhecer isto, ou pelo menos é isso que meu pai me disse.
— Vamos ficar mais perto das pedras, — Galen sugeriu. — Talvez lá você
poderá sentir algo.
Saffron seguiu o caminho feito na neve pelos passos de todo mundo. Atrás
dela estava Camdyn. Perto dela mais uma vez. Tão assustada como ela estava por ficar
fora ao ar livre, ele estava certo. Ela se sentia segura com ele perto dela.
Ela olhou acima de seu ombro para encontrar seu olhar nela. Arrepios
correram por sua pele que não tinham nada a ver com o frio. Ela se aconchegou mais
fundo em seu casaco e olhou adiante mais uma vez.
Mas mesmo isso não a impediu de sentir seu olhar.
Quanto mais perto eles ficaram do maciço anel de pedras mais a antiga magia
lavou acima dela. Ela inalou profundamente, sentindo a magia encher seus pulmões e
corpo. Era inebriante, diferentemente de qualquer coisa que ela já experimentara.
Ela teria sentido que tinha que vir aqui antes de Declan levá-la? Era raro para
um Druida sentir magia, mas com magia tão forte quanto a que estava nas pedras,
Saffron suspeitava que alguém sentiria isto.
— Dizem que toda a Inglaterra uma vez sentiu assim, — Sonya disse.
Saffron olhou para a curandeira ruiva e viu os olhos de Sonya fechar e Broc
olhar para ela com tal amor e devoção que Saffron teve que olhar para longe.
Envergonhada de ter pego um vislumbre de algo tão privado.
E por que seu primeiro pensamento depois de testemunhar o amor do casal
foi para Camdyn? Era porque Saffron queria o mesmo tipo de amor? Ou ela estava tão
confusa com seu confinamento e tortura que ela estava agarrando-se à primeira
pessoa que a ajudou?

34
Saffron interiormente agitou a cabeça. Era difícil de saber. O que ela sabia era
o quão bom sentiu ser segurada por ele. Era uma coisa perigosa, o desejo que ela
sentiu.
Uma vez que eles estavam na extremidade da neve que limitava a grama em
torno das pedras, todos se espalharam. Saffron não ficou surpresa quando Camdyn
ficou com ela. Ninguém disse qualquer coisa enquanto o vento aumentou e nuvens
passaram rapidamente acima deles.
Saffron manteve seus olhos no chão, olhando para cima por apenas segundos
de cada vez. Ela odiou como seus olhos ainda não ajustavam. Isto era pior que ser
cega. Tudo que ela queria ver estava bem em sua frente, mas a dor da luz solar era
demais para seus olhos aguentarem.
— É apenas pedras, — Camdyn murmurou. — As mesmas pedras você viu de
longe. Pedras e neve.
Ela mudou seu olhar para olhar as botas de combate pretas que ele usava. Ele
permanecia com seus pés separados. Ela não precisou olhar para ele para saber que
ele estava em alerta, pronto e esperando por qualquer ação que viesse em seu
caminho.
Ele era um guerreiro em todo sentido da palavra. Enrolada dentro dele estava
uma violência tangível que a teria afastado anos antes. Agora, ela achava isto
divertido, excitante estar ao redor de alguém tão viril e perigoso.
Mas com Camdyn, havia mais. Embora ela não pudesse nomear isto. Ele não
teria um deus dentro dele se não fosse um guerreiro formidável, mas havia algo que o
separava do resto.
Uma desolação que ela mesma podia identificar-se.
A calmaria da magia das pedras pulou para Saffron, virando sua atenção para
magia antiga e poderosa. Puxou-a. Atraiu-a.
Ela era impotente para negá-lo quando pisou fora da neve na grama. Atrás
dela, Camdyn disse seu nome. Mas Saffron não podia parar. Ela não queria parar. Ela
manteve-se andando até que veio para a primeira pedra.
Uma vez que ela estava ao lado dela fechou os olhos enquanto a magia
começou a brilhar mais brilhante que o sol. Com seus olhos fechados, Saffron parou de
tentar ver e usou outros sentidos.
Um sorriso puxou de seus lábios quando ela ouviu a magia sussurrando ao
redor dela. Ela pôs uma mão na pedra e ofegou quando a magia correu por sua mão. A
força dela, a pura potência disto, fê-la balançar em seus pés.

35
Uma mão suave tomou a sua, e Saffron olhou para sua esquerda para ver
Gwynn ao lado dela. Um por um os Druidas alinharam-se e deram as mãos entre duas
das pedras de pé.
Saffron soube o momento que uma Druidesa tocou a outra pedra. A magia
cantou através dela e em Gwynn antes de passar por cada uma delas então dentro da
próxima pedra.
Ela não soube quanto tempo elas ficaram lá enquanto a magia os levava, mas
quando alguém afastou-se, Saffron sentiu como se sua alma tinha sido rasgada dela.
— Eu sei onde entrar, — Reaghan gritou feliz.
Saffron soltou as mãos de Gwynn e girou para caminhar de volta para
Camdyn. Ela ergueu sua mão para proteger os olhos novamente, rapidamente
piscando para evitar a luz.
Mãos grandes, fortes pegaram seus ombros e a moveram à direita. Ela pegou
um vislumbre de botas de combate pretas, que todos os Guerreiros usavam, mas ela
soube pela sensação das mãos que era Camdyn que a tocou.
Saffron estava para pedir a alguém para levá-la para onde Reaghan tinha ido
quando Fallon apareceu diante dela.
— Larena sugeriu que eu pegasse estes para você, — ele disse, e estendeu
algo para ela.
Saffron sorriu quando pegou os óculos de sol. Ela soltou um suspiro quando
deslizou-os e pôde abrir completamente seus olhos. — Obrigada.
— Não precisa.
Agora que Saffron podia ver, ela levantou seu rosto para Camdyn. — Você é
meu guardião?
— Por que você pergunta isto?
Ela encolheu os ombros, insegura de si. Ela gostava de tê-lo ao redor, mas
queria saber se ele estava lá porque queria estar, ou por que... ele tinha que estar. —
Eu não sou mais cega, mas eu não estou cem por cento ainda. Eu sou um estorvo.
Vocês Guerreiros são experientes em batalha, então faz sentido que alguém seria
atribuído para ficar comigo assim eu não dificulto as coisas se nós formos atacados.
Seu olhar nunca oscilou dela, mas ela viu um músculo em sua mandíbula
tencionar. O que ele estava pensando? Ela estava morrendo para saber, mas suspeitou
que o que quer que fosse, ele não iria dizer a ela.
— A maior parte dos outros tem esposas. Eu estou só tendo certeza que você
tenha o que precisa. Até que você esteja cem por cento.

36
Era uma grande explicação, e uma plausível. Por que então machucou que ele
não estava com ela porque queria? Saffron forçou um sorriso e assentiu.
— Como eu presumi. Nós devemos nos juntarmos aos outros?
Ela começou a sair quando a mão dele pegou seu braço em um gentil, mas
rígido, aperto. Saffron olhou para ele, surpresa por achar seu cenho franzido.
— Eu chateei você, — ele disse.
Como ele podia ter sabido disto? Saffron era uma perita em esconder suas
emoções. De nenhuma maneira ele podia ter sabido que ela estava qualquer coisa
diferente de feliz com sua resposta.
Mas pelo olhar que ele estava dando a ela, ele diferentemente sabia. — Eu
não quero ser um fardo, — ela admitiu. — Eu quero minha vida de volta, do modo que
era antes. Meus olhos se ajustarão, e até que eles o façam, eu terei certeza de ficar
próxima aos outros de forma que eu não seja um impeçilho para ninguém.
— Você não é, — ele murmurou.
Era sua vez de franzir o cenho. — Eu não sou o que?
— Um estorvo. — Ele soltou sua mão e respirou fundo, olhando além dela
para onde o outros foram. — Eu estou impressionado com sua coragem.
Isto ela não esperava. Sua boca caiu aberta, mas antes dela poder responder,
ele encaminhou-se para os outros.
Saffron não teve nenhuma escolha senão segui-lo. Ela prolongou seus passos
e apressadamente o alcançou enquanto Reaghan caminhava para sudeste ao redor de
uma solitária pedra em pé.
Com Saffron metade correndo, metade caminhando, eles alcançaram o grupo.
E só quando ela pensou que ninguém notou sua ausência, Ramsey girou e olhou para
eles.
Ela deu a ele um sorriso, e então prontamente o ignorou e o sorriso
lentamente levantou seus lábios. — Homens, — ela sussurrou.
— O que foi? — Camdyn perguntou.
— Nada.
A pedra enorme que Reaghan rodeou ficava em uma plataforma oval baixa
com dois tocos de pedras saindo do chão, sinalizando que a pedra não tinha estado
originalmente só.
— Esta é a Pedra Cometa, — Reaghan disse quando correu sua mão pelo
monólito.

37
Saffron virou de volta para o Anel de Brodgar e a entrada pegou seu olho. Ela
então olhou de volta para Pedra Cometa e ao redor dela para ver as pedras em pé de
o’Stenness.
Reaghan sorriu quando ela olhou Saffron. — Sim, — ela disse. — A Pedra de
Cometa e suas duas irmãs que não estão mais aqui eram um ponto central entre os
dois anéis de pedra.
— Esta é a entrada? — Isla perguntou.
Reaghan balançou a cabeça. — Não, mas eu sei como encontrá-la.
— Como? — Ramsey perguntou.
Reaghan apontou para o céu. — A península inteira que nós estamos é
alinhada com as estrelas. O cinto de Orion para ser exata. O cinto de Orion sobe e
aparece exatamente no mesmo lugar que o sol durante o inverno.
Camdyn, seus braços cruzados acima do tórax, riu quando ele assentiu em
compreensão. — Se você sobrepusesse o Cinto de Orion onde as pedras estão,
corresponderia, não é?
Saffron estudou e amava astronomia desde que se podia lembrar, e ela não
esperava ninguém saber sobre sobrepor o alinhamento do Cinto de Orion.
Ela ficou agradavelmente surpresa, e achou-se olhando para Camdyn em uma
nova luz. Ela imaginou-o sendo todo músculos. E ela presumiu errado.
— Exatamente! — Reaghan disse com uma risada para Camdyn. — Os celtas
antigos adoraram o sol, a lua e as estrelas. Cada disposição de pedras está numa
relação direta a um dos três. Uma vez que você sabe qual, você pode às vezes
adivinhar seus segredos.
— Como o que? — Saffron perguntou.
Reaghan piscou para Galen. — Neste caso, a entrada para o labirinto onde
Laria aguarda.
— O que nós precisamos fazer? — Hayden perguntou.
Pela primeira vez o sorriso de Reaghan deslizou. Ela olhou no céu e as nuvens
chegaram. — Uma vez que o Cinto de Orion subir nós esperamos pela lua. A luz de
uma lua cheia iluminará o caminho. Isto deveria ser feito durante o inverno. Em
nenhum outro momento o Cinto de Orion combina com esses monólitos.
— São dois dias até a lua cheia, — Quinn disse.
Fallon beliscou a ponte de seu nariz com o polegar e o indicador. — Reaghan,
você está certa que não pode encontrar outro modo? Eu não quero esperar.

38
— Eu sinto muito. Isto foi feito com magia, Fallon. Magia e a razão pela qual
as pedras foram construídas. Era para ser difícil, portanto, não é qualquer um que
poderia encontrar Laria. Se fosse verão nós teríamos que esperar até o inverno. E a
paisagem mudou em mil e quinhentos anos. A maior parte das pedras se foram.
— E se uma que se foi é a que nós precisamos? — Camdyn perguntou.
O rosto apreensivo de Reaghan disse tudo.
— Nós temos tempo agora mesmo, — Dani disse. — Vamos procurar.
Logan balançou a cabeça. — Nós estamos muito expostos. Eu não gosto disto.
— Nós temos que olhar algum dia, — Ian disse. — Eu prefiro fazer isto agora
do que quando Deirdre estiver atacando.
Fallon levantou uma mão para silenciar todos antes de girar para Broc. —
Deirdre ainda está em Cairn Toul?
Broc fechou os olhos, e um momento depois eles estalaram aberto. — Não.
Ela se foi para o norte. Se isso significa aqui ou não, eu não sei.
— Isso não é uma chance que eu estou disposto a ter com Reaghan, — Galen
disse.
— De volta para o castelo, — Fallon disse.
Um fio de ansiedade correu pelas Druidesas, e Saffron não podia evitar sentir
isto também. Ela achou-se sendo movida em direção a Fallon por Camdyn.
— Sem discussão, — Camdyn sussurrou.
Uma vez que ela estava no grupo, Saffron girou e olhou de volta para Camdyn.
Ele deu um pequeno aceno com a cabeça, que foi tudo que ela viu antes de achar-se
de volta no Castelo MacLeod.
Ela esperou para ter certeza que todo mundo chegara seguramente em casa
antes de apressar-se para seu quarto. Ela tirou suas roupas emprestadas e jaqueta e
foi para o chuveiro.
Estar fora e enxergar tinha sido maravilhoso, e ela apreciou sua conversa com
Camdyn. Embora ela nunca encontrou Deirdre pessoalmente, reconheceu que ela era
um inimigo formidável.
O medo que tinha atravessado ela com o pensamento de Deirdre os
encontrando lembrou Saffron demais de Declan. Deixou-a fria todo caminho para sua
alma. Uma frieza que ela não esperou sentir novamente.
O medo que tinha tomado conta dela, que a imobilizou. Agradecidamente
Camdyn tinha estado ali para fazê-la se mover.

39
Saffron permaneceu debaixo da água quente durante algum tempo antes de
achar-se agarrando a garrafa de xampu com os olhos fechados.
Ela estalou abertos os olhos e continuou a lavar seu cabelo e corpo. Não foi
até que esteva do lado de fora do chuveiro secando-se que ela viu o espelho
pendurado acima da pia.
Mais cedo ela tinha estado com muito medo de olhar no espelho. Mas ela
teria que fazer isso mais cedo ou mais tarde. Ela esqueceu como se parecia. Oh, ela
lembrou que tinha os mesmos olhos castanhos-dourado de sua mãe, mas ela tinha o
espesso cabelo cor de nogueira de seu pai.
Ela embrulhou a toalha ao redor de si e foi para o espelho.

***

Camdyn bateu na porta de Saffron que rangeu aberta ligeiramente desde que
não tinha sido trancada. Ele agarrou a maçaneta e abriu-a mais para gritar por ela
quando ele a viu em pé no banheiro.
A toalha azul escura embrulhada ao redor de seu corpo ainda úmido fez suas
bolas apertarem e seu sangue imediatamente aquecer. Especialmente quando uma
gota de água correu abaixo de sua coxa, acima do joelho, e desceu abaixo de seu
tornozelo para cair no tapete que ela estava.
Ele lambeu os lábios, seu pau ficando mais duro a cada momento quando o
desejo o capturou, reivindicou. Agarrou-o.
Maldição, ele não queria estar atraído por ela, não queria sentir a queimadura
de necessidade feroz e inflexível em suas veias. Ele não queria ansiar por seu toque,
almejar seu beijo.
Ele não queria doer por um gosto dela, faminto por ter seu corpo delicioso
debaixo dele. Especialmente agora que ele viu tanto de sua pele de seda exposta.
As mãos de Camdyn fecharam em punhos quando ele pensou sobre ir até ela,
de puxá-la em seus braços e levantar seu rosto para o beijo dele. Ela o aceitaria? Ela
daria boas-vindas ao forte desejo?
Seus pensamentos deslizaram para uma pausa quando ele viu o reflexo dela
no espelho. Ela deu minúsculos passos em direção ao espelho, seus olhos para o chão
como se tivesse medo de olhar para cima.
Quando ela chegou à pia, agarrou a porcelana até que suas juntas ficaram
brancas. E então, lentamente, ela levantou o rosto com seus olhos ainda fechados.

40
Sua respiração era forçada, a pulsação em sua garganta irregular. Camdyn não
podia afastar os olhos dela enquanto ela juntava coragem para se enfrentar. Seu
desejo enfraqueceu quando preocupação e ansiedade o encheram.
Ele quis ir até ela, ajudá-la, mas isto era algo que ela tinha que fazer sozinha.
Camdyn achou-se segurando a respiração enquanto ela manteve seus olhos fechados,
seu corpo tão quieto quanto uma estátua.
E então seus olhos abriram de repente. Um segundo depois eles encheram
com lágrimas antes de transbordar seus olhos e cair em suas bochechas.
Camdyn franziu o cenho, perguntando-se o que podia ser tão triste. Ela era
linda, e ainda mais pela determinação e firmeza para conseguir sua vida de volta.
A compreensão veio quando ela tocou sua bochecha, nariz, lábios e queixo
como se vendo pela primeira vez.
E ela estava. Tinha passado três anos desde que ela olhou para si em um
espelho. Camdyn perguntou-se o que ela estava pensando. Ela via as mesmas maçãs
do rosto altas, os mesmos lábios cheios, beijáveis, e o mesmo queixo determinado? Ela
via olhos de um selvagem castanho-dourado que sempre o paralisou?
Ela via a mulher que ele sabia que ela era?
As mãos dela então alisaram suas clavículas claramente visíveis. Seus dedos
pararam em uma velha cicatriz de meia-lua em seu ombro esquerdo.
Quando suas mãos foram para seu cabelo e seu rosto começou a desmoronar,
seus ombros agitaram da força de suas lágrimas, Camdyn soube que Saffron não
gostou do que viu. Ele não podia ficar para trás e observar. Mas justo quando ele
começou a ir em direção a ela, ele ouviu alguém se aproximando.
Com o rapidez e cautela de um Guerreiro, ele desapareceu antes que alguém
pudesse vê-lo.

***

Saffron saltou quando Dani gritou seu nome enquanto entrava no quarto. Não
importa quão depressa ela afastou as lágrimas, Saffron soube que Dani as viu.
— Oh. Desculpe, — Dani disse timidamente. — Sua porta estava aberta.
— Está tudo bem, — Saffron disse quando ela afastou-se do odiado espelho.
Dani estendeu um secador de cabelos. — Eu achei que você poderia precisar
disto.

41
— Faz tanto tempo. Não estou certa de saber como usar isto, — Saffron disse
com uma risada forçada.
— Eu não tenho nenhuma dúvida que isso voltará para você. Você é
magnífica, Saffron. Eu estou certa que você era uma daquelas meninas na escola que
eu invejei porque podiam fazer seu cabelo em todos os estilos que era popular. O meu
fazia isto, — ela disse enquanto ergueu uma mecha de seu cabelo liso, loiro-platinado.
Mas suas palavras lembraram Saffron que ela tinha outra coisa para lidar. Sua
mãe e padrasto. — É espantoso o que dinheiro pode fazer. — Ela não quis deixar a
raiva sair, mas suas palavras estavam atadas com isto.
— Eu não quis dizer... — Dani começou.
Saffron levantou uma mão. — Eu sinto muito. Eu não devia ter dito qualquer
coisa. É só que aquelas pessoas eram meus amigos por causa de meu dinheiro. Eu não
percebi que isto ainda me aborrecia.
— Eu sou sua amiga porque você é uma boa pessoa e uma Druidesa. Nós
temos um destino para ajudar estes Guerreiros a exterminarem Deirdre. Mas você não
é apenas minha amiga. Cada mulher aqui é como uma irmã para mim. Por favor
lembre-se de que você é uma de nós.
Agora Saffron sentia-se mais baixa que uma lesma. Antes dela poder se
desculpar-se novamente, Dani se foi. Saffron enquadrou seus ombros e gastou os
próximos dez minutos secando seu cabelo e inventando um plano de ação.
Havia tempo antes dela ser necessária para acordar Laria. Tempo para ela
cuidar dos negócios da família.

42
CAPÍTULO SEIS

Saffron enrolou a cintura da calça de moletom cor de vinho emprestada e


rapidamente colocou um suéter. Ela caminhou silenciosamente demeias para a porta
ao lado no quarto de Ian e Dani.
Ela ouviu o riso de Dani quando correu para a porta, com Ian dizendo algo em
sua voz baixa, profunda que fez Dani rir novamente.
A porta de repente abriu e Dani deu-lhe um grande sorriso. — Nós estamos
para começar um filme, quer assistir? Eu ainda estou aclimatando Ian a este tempo.
Nós assistimos Duro de Matar ontem à noite, que, claro, ele amou. Algo sobre homens
e explodir coisas. — Dani balançou a cabeça, mas ela estava ainda sorrindo. — Nós
vamos assistir Orgulho e Preconceito hoje à noite.
Dani se debruçou perto e sussurrou, — Eu tenho um pressentimento que Ian
não apreciará tanto este.
Saffron não podia evitar sorrir. Tinha passado tanto tempo desde que ela
assistiu um filme. Ela costumava amar ir ao cinema toda semana, vendo dois filmes um
atrás do outro, às vezes.
— Obrigada, mas não, — Saffron disse. — Realmente, eu vim para perguntar
se eu podia pegar emprestado seu celular.
— Celular? — Dani disse, seu rosto franziu. Então ela riu enquanto afastou-se
da porta e caminhou para um banco onde sua bolsa estava — Ah, você quer dizer meu
telefone móvel. Eu sei que eu fui criada na Flórida por vários anos, mas eu me
acostumei ao modo britânico de dizer as coisas.
Saffron deu um aceno com a cabeça para Ian quando ela encontrou-o olhando
fixamente para ela.
— Está tudo bem, Saffron? — Ian perguntou.
Ela engessou um sorriso falso e assentiu. — Claro. Eu só tenho alguns
telefonemas para fazer.
Dani caminhou de volta para a porta e entregou seu iPhone para Saffron.
Ela tomou o telefone e segurou isto por um momento antes de dizer, — eu
vou ter que fazer alguns telefonemas internacionais. Eu pagarei a você as taxas.
— Não, — Dani disse. — Nós somos irmãs aqui. Podemos não ser de sangue,
mas somos ligadas por magia, que é igualmente profundo. Faça seus telefonemas,
Saffron, e não se preocupe sobre o preço.

43
Saffron sorriu em agradecimento e retornou a seu quarto. Ela não estava
acostumada à generosidade que tinha sido mostrada à ela no Castelo MacLeod desde
que chegou.
Por que ela teve que viajar meio mundo e ser sequestrada por três anos por
um psicopata demente antes de achar o tipo de amigos que sempre desejou?
Saffron fechou sua porta e caminhou para a cama enquanto olhava fixamente
para o telefone celular. — Móvel, — ela disse, imitando o sotaque escocês de Dani.
Ela sorriu, mas o sorriso logo enfraqueceu quando seu estômago deu um nó
com a precepção de que ela iria ter que fazer telefonemas que preferia não fazer.
Mas ela começaria fácil. O primeiro telefonema foi para seu advogado, o
mesmo advogado que seu pai usou em todos os seus negócios e assuntos pessoais.
Saffron discou o número que conhecia desde que tinha sido velha o suficiente
para discar um telefone. Levou um momento para o telefonema iniciar. Três toques
depois, ela ouviu a voz calmante, culta de Arthur Myles, advogado extraordinário.
— Arthur, — Saffron disse, e sentiu um peso enorme sair de seus ombros só
dizendo seu nome.
— Saffron, — ele sussurrou, a surpresa evidente em sua voz. —É realmente
você, menina?
Ele sempre a chamou de “menina” desde o momento de seu nascimento.
Arthur e seu pai tinha sidos melhores amigos crescendo no Colorado, e aquela amizade
continuou pelos anos.
— Sou eu, — ela disse. — Sou realmente eu.
— Mas sua mãe preparou documentos para ter você declarada legalmente
morta. Faz três anos desde que alguém ouviu sobre você. Até eu pensei o pior quando
vi que nada tinha sido comprado com seus cartões de crédito, menina.
Ela soltou uma respiração e enquadrou os ombros. — Eu estou muito viva,
Arthur. Eu preciso que você pare o arquivamento deste documento de minha mãe
imediatamente.
— Claro. Porém, pessoas vão querer ver você pessoalmente como prova.
Especialmente Elise.
Saffron encolheu na menção do nome de sua mãe. — Eu sei. E eu estou
preparada para fazer-me disponível para você e um juiz, se necessário.
Arthur pausou, um suspiro suave soando pelo telefone. — Você não tem
nenhuma intenção de ver Elise?

44
— Você realmente precisa perguntar isto?
— Não, — ele disse com um grunhido. — Eu suponho que não. Você pelo
menos pode dizer-me onde está?
— Eu prefiro não. Ainda não. Eu estarei em contato logo.
— Cuide-se, menina. É bom ouvir sua voz, — ele disse, e a linha desligou.
Saffron terminou o telefonema e esfregou a parte de trás de seu pescoço, que
começou a doer. Uma enxaqueca de tensão era tudo o que ela não precisava, ela
pensou com um rolar dos olhos.
Os próximos quinze minutos foram gastos no telefone com suas companhias
de cartão de crédito fazendo novos cartões como também obtendo um novo telefone
celular. Desde que todas as contas eram automaticamente pagas de sua conta
bancária, nenhum cartão expirou, que foi uma sorte para ela.
Com todos os telefonemas feitos, havia só uma coisa restante a fazer.
Saffron mais uma vez deixou seu quarto. Devolveu o iPhone de Dani para ela
antes de continuar corredor abaixo e subir um lance de escadas para a câmara
principal.
Fallon não ia ter muito prazer com o que ela queria, mas ele não teria uma
escolha no assunto.
Ela deu um golpe rápido na grossa porta de madeira. Foi aberta quase
imediatamente por Fallon.
— Saffron.
— Eu gostaria de uma palavra, por favor, — ela disse.
Ele se pôs de lado e gesticulou para ela entrar.
Saffron olhou em torno da câmara espaçosa, notando que, embora as paredes
de pedra tivessem sido mantidas, todo resto tinha sido modernizado.
A cama era uma cama king-sized de quatro postes com simples mas elegante
bronze escuro e roupa de cama ouro pálido. Na mesa de lado da cama estavam dois
iPods carregando. Uma tapeçaria medieval agarrava-se à parede, mas havia também
arte de quase toda época que Fallon e Larena viveram.
Havia uma grande TV de tela plana e um sofá de couro marrom escuro onde
Larena descansava, e um tapete espesso, em uma cor de nata suave, na frente disto.
Ao todo o quarto era aconchegante e confortável. A mistura do passado e presente
funcionou bem.
— Eu deixarei você dois, — Larena disse quando começou a levantar do sofá.

45
Saffron estendeu uma mão para pará-la. — Não há necessidade. Todo mundo
sabe o que aconteceu comigo e o que minha mãe está tentando fazer.
— Eu ainda não posso acreditar nisto, — Fallon disse quando se debruçou
contra o pé da cama e cruzou os braços acima do tórax.
Saffron bufou quando a raiva chamejou dentro dela. — Você não conhece
minha mãe ou o que o dinheiro pode fazer com as pessoas.
— É sobre isso? — Larena perguntou quando ela varreu seu cabelo loiro
dourado para trás longe de seu rosto. Com alguns toques de suas mãos criou um
coque frouxo na base do pescoço.
— Sim. — Saffron estava envergonhada em admitir isto, entretanto
novamente, sua mãe só casou com seu pai pelo dinheiro. Elise nunca teve intenção de
ficar grávida, mas foi um acaso do destino. Aquele acaso tinha sido Elise tomando
remédio para resfriado enquanto também usava a pílula. Eles cancelaram um ao outro,
e a próxima coisa que Elise soube, estava grávida.
Saffron ficou surpresa por Elise não fazer um aborto. Mas ela não tinha
nenhuma ideia que estava grávida, pensou que estivesse apenas doente. Saffron sabia
que foi só pela graça de Deus que seu pai levou Elise para o médico para ouvir as
notícias de sua gravidez ele mesmo ou Saffron não estaria em pé agora.
— Saffron? — Larena chamou.
Ela agitou a cabeça e puxou-se de suas memórias. — Eu queria deixar você
dois saber meus planos.
— Claro, — Fallon disse.
Saffron lambeu os lábios e disse, — existem algumas... coisas... que eu tenho
que cuidar em Londres e Edinburgh, são meu banco e companhia de cartão de crédito
e outras coisas. Desde que nós temos algum tempo antes de podermos acordar Laria,
eu gostaria de tomar esta oportunidade para fazer estas coisas.
— O que por sua vez provará para sua mãe e os outros que você não está
morta, — Larena disse com um sorriso.
— Precisamente, — Saffron disse. — Minha mãe exigirá provas, então eu vou
dar isto à ela. Agora, eu sei que o castelo é protegido e não pode ser achado, mas eu
arrumei um helicóptero me levar em algumas horas.
Quando Fallon não respondeu, ela continuou. — Nada que eu tenho aqui é
meu. Por três anos eu estive à mercê de um lunático demente. Eu preciso achar-me
novamente, e não só para provar para todo mundo que estou viva então minha mãe
não poderá pegar meu dinheiro. Eu quero...

46
— Fazer compras, — Larena disse com um sorriso brilhante. — Eu acho que
seria uma ideia maravilhosa. Você tem sua visão de volta, mas como você disse, você
precisa encontrar-se.
Saffron não podia acreditar que Larena realmente compreendia. Ela girou seu
olhar para Fallon. — Eu não demorarei muito. Eu prometo. Quanto mais rápido eu for
vista, e pelas pessoas certas, mais rápido esta coisa com minha mãe terminará. Eu só
preciso saber de um local perto de forma que eu possa dizer ao piloto do helicóptero.
— Não, — Fallon disse, e correu uma mão por seu espesso cabelo marrom. —
Não há necessidade para você contratar um helicóptero enquanto me tiver. Permita-
mesaltá-la onde você precisa ir, e ele será feito muito mais rápido.
Saffron piscou, surpresa por sua oferta.
— Meu amor, — Larena disse quando se debruçou até sussurrar na orelha de
Fallon, — eu acho que ela está surpresa com sua proposta.
— Ela está, — Fallon disse com um sorriso.
Saffron se agitou mentalmente. — Eu me desculpo. Eu estou apenas
acostumada a fazer tudo por mim mesma.
— Você perceberá enquanto está aqui que nós ajudamos um ao outro, —
Larena disse enquanto ela puxou um par de botas de salto alto.
Fallon assistiu-a com seus lábios apertados. — E onde você está indo?
— Às compras com Saffron, claro. Ela precisa de um Guerreiro com ela, e
quem melhor que eu?
Fallon rolou seus olhos, mas havia um sorriso inclinado para um lado de seu
rosto. — Qualquer desculpa para ir às compras, meu amor.
— Muito certamente. — O sorriso de Larena era largo quando ela saltou em
cima e beijou Fallon antes de girar para Saffron. — Você está pronta?
Excitação levantou-se dentro de Saffron à medida que ela assentiu. — Eu
estou.
Fallon saiu da cama e andou em direção à porta. — Nós precisamos dizer às
outras mulheres. Elas poderiam querer vir também.
— Diga a elas, — Saffron disse quando ela se apressou para a porta. — Eu vou
mudar de roupa. Eu encontrarei você no grande salão em cinco minutos.
Saffron não esperou para ouvir o que foi dito enquanto correu para sua
câmara e tirou o moletom. Ela procurou por um par de jeans e botas. Uma escova
rápida em seu cabelo e ela estava fora da porta novamente e a caminho do grande
salão.

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Para sua surpresa Gwynn, Dani, Isla, e Marcail também estavam vindo com
eles.
— Nós vamos ter que fazer isto novamente uma vez que isso estija terminado
e eu possa ir, — Reaghan disse quando levantou o olhar de um mapa do Anel de
Brodgar. — Eu vou precisar disto.
Cara esticou sua cabeça da cozinha e franziu. — Se eu não estivesse no meio
de assar pão…
Fallon agitou sua cabeça enquanto sorria e caminhou para o grupo. — Onde
você quer ir primeiro, Saffron?
Ela tragou, olhou procurando por Camdyn no grande salão. Ela queria dizer a
ele onde estava indo, entretanto ela não tinha nenhuma ideia por que. Mas ele não
pôde ser achado. — Londres. High Street.
— É uma boa coisa que eu tenha estado lá ao longo dos últimos quatro
séculos, — Fallon disse quando colocou a mão em seu ombro.
A tranquilidade do castelo foi substituída pelo tráfego espesso e tantas vozes
que era difícil de ouvir qualquer coisa. Saffron olhou ao redor e sorriu. Londres. Ela
sempre amou fazer compras em Londres.
— Dê-nos cinco horas, — Larena disse quando beijou Fallon. — Nós
estaremos esperando aqui por você.
Com uma piscada, Fallon se foi.
— Eu não posso dizer-lhe o quão conveniente seu poder é, — Gwynn disse.
Elas todos riram quando caminharam entre dois edifícios para a calçada.
— Onde vamos primeiro? — Dani perguntou.
Saffron levou um segundo para se orientar, então foi para esquerda. —
Primeira parada, meu banco. Isto não é apenas uma viagem de lazer para mim. Eu
tenho que ser vista pessoalmente a fim de deter a reivindicação da minha mãe que eu
esteja morta. Há alguns formulários que eu tenho que preencher com meu advogado,
que não deve tomar muito tempo. Segunda parada é um salão. Eu quero um corte de
cabelo.
— Oh, — Larena disse melancolicamente. — E eu acho que eu terei uma
manicure.
— E uma pedicure, — Gwynn disse com um sorriso.
Saffron não sentia-se tão livre e certa de si desde que aterrissou pela primeira
vez na Inglaterra quatro anos antes. Desta vez ela tinha Druidesas com ela, e uma
Guerreira.

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Ainda que a viagem não fosse apenas por diversão, ela queria estar lá. Sendo
vista no banco devia pôr uma espera permanente no movimento legal de sua mãe em
declará-la morta. Era muito ruim Saffron não estar lá para ver rosto de sua mãe
quando ela recebesse as notícias.
Enquanto ela caminhou pela rua abaixo com suas amigas, a felicidade de
Saffron cortou longe quando ela enfrentou realidade. Ela disse que precisava
encontrar-se, mas nenhuma quantidade de compras ou novos cortes de cabelo a
ajudariam com isto. Só o tempo iria.
E até então Saffron não estava certa se ela acharia a paz e amor que desejava
tão desesperadamente.

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CAPÍTULO SETE

Camdyn soube o momento que Saffron deixou o castelo. Ele estava pescando
na praia com Hayden e Quinn quando a sensação de sua magia simplesmente
desapareceu.
Ele continuou como se nada tivesse acontecido, porque se houvesse um
acidente, alguém teria vindo e levado-os. Pelo menos é isso que ele disse a si mesmo,
mas ele ainda achava-se olhando na estrutura imponente do castelo que levantava-se
dos precipícios.
— O que está errado? — Hayden perguntou.
Camdyn encolheu os ombros. — Nada.
— Você mente mal, — Quinn disse com uma risada antes dele lançar a rede
na água.
Hayden já tinha nadado nas profundidades frias do mar e retornado com
vários peixes, mas Quinn gostava de fazer isto do modo que ele e seu pai faziam.
Camdyn ajustou a rede em suas mãos e virou para o lado antes de lançá-la na
água e lentamente puxando-a de volta. — Eu não gosto de esperar ao redor é tudo.
Hayden e Quinn olharam para um ao outro e riram.
Camdyn rolou os olhos. — O que foi agora?
— Você sempre foi um mentiroso tão terrível? — Hayden perguntou com um
sorriso largo e olhar conhecedor.
Camdyn soube que ele teria que dar-lhes a verdade, ou pelo menos parte
dela. — Eu senti alguma magia desaparecer.
— Sim, — Hayden disse com um assentimento. — Isla partiu.
— Marcail também, — Quinn disse.
Camdyn olhou para eles com confusão. — E nenhum de vocês está
preocupado?
Hayden abriu a boca para responder quando a voz de Fallon alcançou-o
detrás. — Eles não precisam estar preocupados. Marcail e Isla foram com Larena,
Gwynn, Dani, e Saffron para Londres. Para fazer compras.
Quinn agitou a cabeça. — Eu imaginei que isto era algo assim.
— Ela não devia ter dito a você? — Camdyn perguntou. Ele estava confuso
pelo quão desinteressados ambos Quinn e Hayden estavam, sabendo que Deirdre e
Declan ainda eram uma ameaça.

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Ele tinha esperado que eles, pelo menos, seguissem suas mulheres.
Quinn olhou para ele com um meio sorriso. — Eu sei que Marcail nunca se
poria em perigo. Ela normalmente diz a mim quando sai, e embora eu gostaria de
saber antes de minha esposa sair do castelo, eu sei pela sensação de sua magia.
— Saffron não deu-lhes tempo para dizer a você ou Hayden, — Fallon disse.
— Ela estava decidida e determinada a partir.
O intestino de Camdyn apertou com as palavras de Fallon. O pensamento de
nunca ver Saffron novamente era como uma espada cortando-o pela metade.
— Por quê? — Hayden perguntou, sua sobrancelha franzida. — Seguramente
ela sabe que nós precisamos de sua magia.
— Ela está retornando. Além disso, existe o assunto com sua mãe que tem
que ser tratado, e Saffron sabe disto, — Fallon disse.
Camdyn não quis avaliar o quanto de sua preocupação aliviou sabendo que
Saffron não estava só e que ela etaria retornando. Saffron era uma distração que ele
não precisou ou queria. Não importando como a visão dela fez seu corpo chamejar
com um desejo tão grande que o deixou ofegando para respirar.
— Ela já tinha chamado um helicóptero para levá-la, — Fallon disse com uma
risada. — Ao invés eu as levei. Apesar de tudo pelo que ela passou, ela manteve sua
determinação.
— Teimosia é mais como isto, — Camdyn murmurou.
Hayden levantou uma sobrancelha. — Eu acho que “teimoso” pode ser
aplicado a toda Druidesa no castelo.
Camdyn olhou para Fallon. — Ela devia ter levado um Guerreiro com ela.
— Ela levou. Larena. Ou você não estava ouvindo? — Quinn perguntou.
Camdyn jogou a rede da água e manteve seu olhar longe dos outros. Ele não
devia estar tão chateado porque Saffron tinha saído. A não ser porque ele sabia o
quanto Declan queria sua habilidade como Vidente. Ele podia muito bem capturá-la
novamente.
— Com Larena e as outras Druidesas acompanhando Saffron ela ficará segura,
Camdyn, — Fallon disse.
— Eu sei. — Ele sabia, e mais que isso, ele entendia por que ela tinha que sair
e provar-se viva e bem.
— Ela passou pelo inferno. Literalmente, — Quinn disse depois de um longo
momento de silêncio preenchido apenas pelo impacto das ondas. — Nada aqui é seu.

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— Foi isso que Larena disse, — Fallon respondeu.
Hayden assentiu. — Saffron finge que tudo está bem, mas não está. A magia
de Declan pode estar fora de sua cabeça, mas o que ele fez para ela viverá nela por
muito tempo.
— Adicione ainda sua mãe tentando reivindicar que ela está morta, e nós
lutando contra Deirdre, e ela está mantendo isto junto melhor que eu iria, — Quinn
disse.
— Eu concordo. Ela é forte, mas eu gostaria que nós a vigiassemos por via das
dúvidas. Camdyn, você parece ter desenvolvido um vínculo com ela. Mantenha-se
perto dela, — Fallon disse, e agachou até levantar uma pedra. — Você devia ter visto a
excitação em seus olhos quando eu as deixei em Londres. Iluminou seu rosto inteiro.
Camdyn rosnou, odiando o modo que suas emoções estavam tumultuando
dentro dele. Ele viu muitos dos sorrisos falsos de Saffron. Eles eram amáveis, mas eles
não alcançaram completamente seus olhos. Era uma coisa rara que alguém tivesse
visto felicidade verdadeira em seu rosto.
Entretanto novamente, quem poderia culpá-la depois de tudo que passou?
— Ela voltará em algumas horas, — Fallon disse.
Camdyn olhou para ele. — Por que você está dizendo isso para mim?
Fallon encolheu os ombros despreocupadamente antes de saltar de volta para
o castelo. Quinn girou sua cabeça, mas não antes de Camdyn ver seu sorriso. O único
que encontrou seu olhar era Hayden.
— Ela é bonita, — Hayden disse. — E ferida. Uma mulher assim podia
encontrar-se apoiando em um homem que estivesse disposto.
— Saffron não apoia-se em ninguém. Ela é uma mulher forte.
— Sim. Isla também, mas ela se apoia. E é uma coisa fabulosa, Camdyn.
Quinn assentiu. — Oh, Sim. Uma coisa fabulosa.
— Eu me lembro de você me advertindo sobre o amor, — Hayden disse a
Quinn com um sorriso inclinado de um lado.
Quinn lançou sua cabeça para trás e riu. — E olhe onde aquela advertência o
levou.
— Para o amor de minha vida, — Hayden gritou para o céu com seus braços
estendidos.
Camdyn brincou com a rede, fingindo que havia um nó nela, quando de fato

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havia um nó em seu peito. O amor de sua vida morreu centenas de anos atrás.
Nenhuma vez em todo aquele tempo uma mulher jamais roubou sua atenção.
Até Saffron.
Ele esperava que fosse simplesmente porque ele tem sido o único que a
libertou de Declan. Camdyn tinha sido o único que podia alcançá-la através da magia
da prisão.
Ele tinha sido o único a levá-la daquele lugar maléfico para o Castelo
MacLeod.
Podia ter sido o modo que ela agarrou-se a ele, seu corpo magro e frágil
enquanto ele a segurou? Podia ter sido o modo como ela abaixou a cabeça contra seu
ombro para esconder suas lágrimas? Podia ter sido as noites que ele tinha sido
compelido a passar por sua câmara enquanto ela chorava pelos pesadelos?
Qualquer que fosse, ele era impotente em manter distância.
Ele amou uma vez antes e teve seu coração rasgado. Camdyn nunca quis
experimentar esse tipo de dor novamente. Nunca.
— Você está muito quieto, — Hayden disse enquanto sorriu para Camdyn. —
Cada Guerreiro está achando seu companheiro. Você teme que seja o próximo?
Camdyn olhou para cima da rede enqaunto ele ficava de cocóras. — Não, —
ele respondeu.
— Não? — Quinn perguntou, suas sobrancelhas levantadas em questão. — O
que faz você tão certo? O amor não é algo que você pode fugir, meu amigo.
— Amor não é para todo mundo. E eu já amei uma vez.
Hayden franziu, seu sorriso apagado. — Eu não sabia.
— Está no passado, — Camdyn disse com um encolher de ombros. — Há
muito tempo.
Quinn deixou de lado sua rede e caminhou para ficar entre Hayden e Camdyn.
— O que aconteceu com ela?
Camdyn fechou brevemente seus olhos e soltou uma respiração. — Ela
morreu. Em meus braços. Nós tivemos anos juntos, mas ela envelheceu enquanto eu
fiquei o mesmo.
— Então ela sabia o que você era? — Hayden perguntou.
— Sim. Eu mostrei a ela.
Quinn balançou a cabeça. — Como você ficou longe de Deirdre e manteve sua
fêmea segura?

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— Eu fiquei tão longe de Deirdre quanto eu podia. Eu estava nas terras baixas
próximo à borda com a Inglaterra, — Camdyn disse e jogou de lado a rede. Ele ficou
empé e olhou o mar.
Hayden apertou-o no ombro. — Você a amou muito.
— Sim.
Quinn cruzou os braços acima do tórax e balançou atrás em seus calcanhares.
— Não significa que você não pode amar novamente.
Camdyn olhou para ele. — Se Marcail morresse, se você a segurasse em seus
braços e assistisse a vida drenar dela, você podia imaginar amar novamente? Eu não
vou colocar-me nesse tipo de dor uma segunda vez.
— Mas a magia de Isla previne as Druidesas de envelhecerem, — Hayden
assinalou depressa.
Camdyn lançou seu deus. Estendeu as garras em seus dedos e encheu sua
boca de presas. Um olhar abaixo em sua pele mostrou a mesma cor marrom escura da
terra.
Ele não disse outra palavra para seus amigos quando saltou para cima do
precipício até que aterrissou na neve. Com as memórias de Allison batendo dentro
dele como também pensamentos de Saffron, Camdyn chocou-se com a floresta. Ele
correu e correu e correu, nunca diminuindo a velocidade, nunca olhando para trás.
Quando ele finalmente parou, põe suas mãos nos joelhos e inclinou-se, sua
cabeça pendurada. Ele não tinha nenhuma ideia quão longe tinha ido, mas estava a
milhas do castelo.
Ainda assim, a corrida pareceu boa. Era apenas algo para acalmá-lo.
Camdyn endireitou-se e olhou ao redor. Ele olhou na montanha imponente e
a terra vasta à sua frente. Sua mente ainda estava em uma revolta com pensamentos
de Saffron, e ele não ainda estava pronto para retornar.
Ao invés, ele caminhou. Manteve a estrada a uma distância e seguiu a
montanha para cima. E então a próxima e a próxima, e a próxima. Até que ele
percebeu que a maior parte do dia passara.
Enquanto estava caminhando, manteve sua mente em branco e isso deu-lhe
uma pouco de paz. Ainda assim quando ele viu onde o sol estava, seu primeiro
pensamento foi para retornar ao castelo e ver Saffron.

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Camdyn desejou que saber o que ela tinha que o atraia. Com um suspiro
resignado ele começou a corrida de volta para o castelo. Com sua velocidade, não
levou muito tempo para alcançar os subúrbios das terras MacLeod. Ele olhou para o
céu e viu a lua visível no céu azul. Era muito ruim a lua cheia não ser naquela noite
porque ele estava ansioso para pôr fim a Deirdre.
Ansioso e ah, tão pronto.
Ele diminuiu para um cpasseio quando alcançou a proteção de Isla no castelo.
Assim que ele caminhou por ela, a doce atraente magia de Saffron bateu nele tão duro
que Camdyn deu um passo atrás.
Com uma mão em seu peito, ele parou e deixou sua magia o cercar. Envolvê-
lo. Abraçá-lo.
Sua magia o agarrou por sua pele até a alma.
E o quão maravilhoso se sentiu. Ele odiou ansiar sentir sua magia cada vez
mais cada dia. Quanto mais ele sentia isto, mais ele a queria. E mais ele estava ficando
viciado nisto.
Uma coisa muito perigosa, isto.
Não era só sua magia que ele ansiava também. Era seu toque, um olhar, um
sorriso. Qualquer coisa.
E quanto mais ele lutava para afastar-se dela, mais ele sentia-se sendo atraído
para ela. Como se o destino estivesse arrastando uma linha invisível entre ele e
Saffron, puxando-os juntos.
Ele agitou longe tais pensamentos e continuou para o castelo. Era algumas
horas na antes do pôr-do-sol e ceia. Ele quis um chuveiro e talvez algum tempo
jogando Wii com Broc.
Quando Camdyn entrou no castelo, seu olhar achou Saffron imediatamente. E
ele parou congelado em seu caminho.
Seu cabelo, que tinha sido todo de um mesmo comprimento e alcançou o
meio de suas costas, tinha sido cortado apenas abaixo dos ombros. E mechas de
cabelo agora enfeitaram sua fronte. Suas unhas tinham uma cor de rosa pálido nelas,
mas mais que isto, ela estava com roupas que o fizeram muito ciente de suas curvas e
a mulher que as vestia.
Como se ele precisasse ser lembrado o desejo que ela causava.
Antes, quando ela estava com roupas emprestadas, tudo encaixava só um
pouco muito livremente nela e escondia seu hipnotizante corpo. A calça jeans azul
escura que ela estava usando ajustava à perfeição, acentuando seu traseiro e pernas
longas.

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Mas era a camisa púrpura escura moldada a seus peitos e abdômen que fez
seu pau imediatamente, dolorosamente duro. A jaqueta cor de nata que ela vestiu
acima da camisa só trouxe mais atenção para a forma cheia de seus peitos e sua
cintura pequena.
Arran soltou um assobio baixo quando veio ficar ao lado de Camdyn. —
Maldição. Eu sempre achei que Saffron era bonita, mas o que quer que ela fez em
Londres, a fez atordoante.
Camdyn moveu mais perto de Saffron enquanto ela falava com Cara e
Reaghan e mostrava-lhes as outras coisas que ela comprou. Ele não se importou com
suas roupas, ele queria ver todas as mudanças que ela fez.
Era algo além de seu cabelo e a cor de suas unhas. Camdyn olhou para ela da
cabeça até dedão do pé, e não foi até que seu olhar recuou em cima de seu corpo que
ele percebeu o que era.
Ela tinha cor rosa em suas pálpebras e cor em suas bochechas. Até seus cílios
pareciam mais longos e mais espessos que antes. E seus lábios! Deus o ajude, mas o
modo que seus lábios brilharam o fez querer saboreá-la. Um beijo longo, lento ou um
beijo quente, frenético. Ele não se importava desde que pudesse sentir sua boca em
baixo da dele.
Hayden e Quinn de repente estavam de cada lado dele. Ambos os homens
tiveram os braços cruzados acima do tórax e estavam olhando fixamente para Saffron.
— Eu gosto da franja, — Quinn disse.
— Hum. A maquiagem é sutil mas boa, — Hayden adicionou.
Camdyn não podia aguentar mais. Se ele não saísse ele iria fazer algo louco.
Como beijar Saffron.
E beijar era definitivamente algo que ele não podia fazer com ela.
Ele andou para os degraus, mas quando ele passou por ela, ela olhou para
cima, seus olhares colidindo. O modo que seus lábios sutilmente levantaram em um
sorriso fez seu sangue cantar.
Ela virou-se em direção a ele, suas mãos roçando quando ele passou. Camdyn
apertou sua mandíbula e tomou três degraus de cada vez enquanto cada instinto, cada
fibra de seu ser, persuadia que ele a beijasse.

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CAPÍTULO OITO

Saffron assentiu enquanto escutava qualquer coisa que Cara estava dizendo,
mas suas palavras tinham desvanecido no momento que ela viu Camdyn entrar no
castelo.
Ela olhou rapidamente. Até agora ela fingia que não notou que ele estava
próximo. Observando-a. Ela não entendia como seu corpo e sentidos vieram à vida a
qualquer hora que ele estava perto. Como se ela estivesse em sintonia com ele em um
nível mais profundo que as pessoas normais.
Tanto quanto ela odiava isto, achou-se perguntando-se o que ele pensou
sobre seu novo corte de cabelo, a maquiagem e roupas. Ele vinha de tempos
medievais, embora isso era difícil de lembrar às vezes. Suas mulheres não usavam
maquiagem ou cortavam seus cabelos.
Saffron tragou uma respiração profunda e sorriu quando Cara passou a mão
pelo suéter coral de casimira que Saffron comprou.
— É esplêndido, — Cara murmurou.
Saffron mudou seu olhar para Lucan que permanecia atrás e ao lado de Cara.
Então ela fez com a boca, — Lembre disto.
Lucan assentiu, um sorriso lento espalhando sobre seu rosto bonito antes dele
andar próximo à Cara e embrulhar seus braços ao redor dela, aninhando em seu
pescoço.
As roupas de Saffron foram logo esquecidas quando Cara e Lucan foram
embora.
— Eles sempre foram assim, — Marcail disse.
Larena rolou os olhos e riu. — O mesmo pode ser dito de você e Quinn.
— E você e Fallon, — Saffron respondeu.
As duas mulheres olharam para ela, e Saffron encolheu os ombros. — Eu
podia ser cega, mas o profundo amor entre todos vocês podem ser sentido por outros
sentidos.
Marcail riu e começou a juntar as bolsas. — Vamos. Eu ajudarei você a levar
para cima todas estas bolsas.
— Não esqueça as suas, — Larena chamou.
Gwynn apressou-se e pegou suas próprias bolsas. — Ou as suas, Larena.
Enquanto os outros se afastavam, Saffron não podia segurar-se mais e olhou

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para Camdyn. Suas emoções estavam fechadas para ela, mas 1quanto ela gostaria
saber se ele aprovava ou não. Ela não fez nada disso para ele. Ainda assim, seria
agradável saber que um homem apreciou seus esforços.
E então Camdyn estava vindo em direção a ela depois de algo que Hayden e
Quinn disseram para ele. Ela virou em direção a ele, e só quando ela pensou que ele
pararia, ele continuou em frente. Mas não antes de suas mãos se tocarem.
Foi o mais simples dos toques, inocente e acidental. Mas o contato a deixou
com a cabeça leve e dolorida por... mais.
Saffron juntou suas bolsas e subiu os degraus. Ela esperou até que estava em
seu quarto e todo mundo tenha colocado suas bolsas e partiu antes de se afundar
contra a porta.
Tinha sido exaustivo sair, mas pareceu magnífico. Seus olhos doeram com
tudo, e seus pés mal podiam esperar para sair dos saltos. Ela comprou completamente
demais no caminho das roupas e sapatos. E joias e maquiagem. E até sabonete e
xampu.
Mas eram suas coisas, coisas que ela escolheu para si mesma. Era tolo querer
tais artigos mundanos, mas foi a primeira vez que sentiu-se como ela mesma. Como a
mulher que ela tinha sido antes de Declan a sequestrar.
Saffron pensou que aquela mulher tinha se ido, mas talvez, só talvez, ela
estava ainda em algum lugar bem no fundo esperando para sair novamente.
Ela empurrou a porta e começou a puxar coisas para fora das numerosas
bolsas. Foi a primeira vez em muito tempo que ela estava feliz, que teve o dinheiro que
seu pai a deixou. E era uma soma volumosa de vários milhões de dólares.
Dinheiro que sua mãe queria desesperadamente.
Saffron recusou-se a pensar sobre sua mãe enquanto separava a maquiagem
que comprou. Ela estava colocando isto no lugar no armário do banheiro quando um
golpe soou em sua porta.
— Entre, — ela chamou.
A porta rangeu aberta quando pôs a última maquiagem guardada. Saffron saiu
do banheiro para encontrar Fallon de pé em sua entrada.
— Obrigada, — ela disse. — Eu não estou certa que te disse, mas eu apreciei
você me saltando para Londres e Edimburgo.
Fallon sorriu e se debruçou contra a armação da porta. — Como Larena disse,
você precisava disto. Eu espero que não pense que estou tentando mantê-la aqui.
— De forma alguma, — ela disse com um balançar de sua mão. — Eu sei que

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você se preocupa sobre cada Druidesa. Agora mesmo não é um bom tempo para estar
fora e conosco preparando-se para acordar Laria.
— E sobre Declan?
Ela endureceu na menção do odiado nome. — Eu não o temo, se é isso que
você está perguntando.
— Não é. É meramente uma pergunta. Ele está lá fora e é um perigo.
— Você não precisa lembrar-me disto. Até que ele esteja morto, até que eu o
mate por mim mesma, eu sempre lembrarei dele.
— Pretende matá-lo você mesma?
Ela sorriu ao ouvir a surpresa em sua voz. — Você não acha que eu possa?
— Eu não disse isto, — ele respondeu, suas palmas para fora na frente dele.
— Todos nós vimos o que Declan fez para Logan e Gwynn.
— Você quer dizer seus mercenários. Onde Deirdre tinha Guerreiros, Declan
recorreu a mercenários para executar suas tarefas desagradáveis. Ele não quereria ter
suas mãos perfeitamente cuidadas sujas com tais trabalhos servis.
— O que ele fez para você, Saffron?
Ela se virou e puxou outros artigos para fora das bolsas para colocar em sua
cama. — Nada que eu não possa lidar.
— Marcail tem a habilidade de tirar sua dor se você precisar.
Saffron empurrou sua cabeça em torno para prender Fallon com um olhar. —
Eu carreguei isto comigo por mais de três anos, Fallon. Eu posso lidar com isto.
Seus olhos abaixaram para o chão por um momento à medida que ele
assentiu. Quando ele encontrou seu olhar da próxima vez ele disse, — Se você mudar
de ideia, só venha para mim.
Saffron voltou a retirar seus novos artigos quando a porta clicou fechada atrás
dela.

***

Através do chuveiro de Camdyn ele podia sentir o tumulto na magia de


Saffron um nível abaixo dele. Tornou difícil para ele se concentrar enquanto sua magia
foi de satisfação para raiva, para lamento e para ansiedade.

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Ele desligou a água e começou a secar-se. O chuveiro com a água quase
instantaneamente quente era algo que ele veio a amar imediatamente neste novo
tempo.
As roupas tinham sido uma história diferente. Desistir de seu kilt era algo que
ele fez de boa vontade para encaixar-se com o novo tempo e cultura. Mas ainda assim,
ele sentia falta de ver o tartan vermelho escuro, preto e azul de seu clã.
Ainda parecia estranho ter algo ao redor suas pernas, mas ele estava se
acostumando às calças diferentes. Ele colocou um par de calça jeans desgastado e uma
camiseta.
Ele caminhou descalço para fora de sua câmara, só parando quando alcançou
o corredor. Não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar Saffron agora. Indo para
ela e perguntando o que estava errado só a deixaria saber que ele sentiu sua magia
diferentemente.
Ao invés, ele andou para a câmara de Broc por um pouco mais de jogos de
videogame. A câmara de Broc, porém, estava no mesmo nível que a de Saffron.
Camdyn desceu os degraus e virou à direita para a câmara de Broc em vez da
esquerda que o levaria para a de Saffron. Quando ele se aproximava do quarto de Broc
passou pela o de Ian onde Dani estava tentando explicar algum jogo que estava na
televisão. Rugby ou futebol? Ele não podia lembrar.
Não foi até que ele bateu na porta de Broc e não houve nenhuma resposta
que Camdyn girou e olhou fixamente abaixo no longo corredor em direção à câmara
de Saffron.
A maior parte dos casais no castelo estavam passando tempo juntos,
sozinhos. Que deixou-lhe como opções Ramsey, Arran, Fiona. Ou Saffron. Até Braden e
Aiden interessaram-se por Kirsten e raramente deixaram seu lado.
Camdyn franziu o cenho quando pensou sobre a mais nova Druidesa no
castelo. Havia algo estranho sobre Kirsten, mas ele não podia identificar o que era..
Outro olhar na porta de Saffron e a luta para ir ou não à ela permanecia. O
que ele faria se fosse? Ele nunca tinha sido bom com palavras, e não faria como seu
corpo urgia que a beijasse desde que ele não queria complicar qualquer coisa. Então
qual era o ponto?
Ele balançou a cabeça e começou a refazer seus passos de volta para sua
câmara. Haviam alguns livros que ele queria ler, filmes esperando por ele assistir, e até
seu iPod Touch estava cheio com músicas.
Camdyn sorriu quando caminhou para sua câmara e viu a televisão de tela
plana e outros acessórios modernos que pareciam tão estranhos no castelo, ainda ao
mesmo tempo parecendo como se pertencessem.

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Ele não estava surpreso que a tecnologia avançara tanto, não depois de toda a
magia que ele viu em sua vida. Com um clicar do controle remoto e a televisão estava
ligada.
Camdyn estatelou-se em sua cadeira e tentou se concentrar no filme e não
pensar sobre as imagens deleitáveis de Saffron enquanto ela estava em pé com sua
toalha, seu corpo ainda molhado do chuveiro.

***

Deirdre tamborilou os dedos em suas queridas pedras. Tocar as pedras


ajudava a mantê-la tranquila, e tranquilidade era exatamente o que ela precisava
agora.
Ela usou sua magia para adivinhar onde Malcolm estava. Sua tarefa tinha sido
fácil. Vá para Edimburgo, ache a Druidesa trabalhando como professora, e mate todas
as crianças eliminando-as. Então, Malcolm ia trazer a Druidesa para ela.
Ainda assim, de alguma maneira, Malcolm acabara em Glasgow. Sem a
Druidesa.
Ninguém, nem mesmo Malcolm, podieria arruinar uma missão e não ser
castigado por isto. Ela tinha esperado quase três dias por ele retornar, e sua paciência
estava ficando perigosamente curta.
O grito alto de um wyrran atrás dela avisou Deirdre que alguém estava vindo.
Ela manteve suas costas para eles enquanto olhava para a vasta caverna que abrigava
centenas de wyrran e dúzias de Guerreiros antes de Declan puxá-la adiante no tempo.
— Os MacLeods chegaram à Druidesa, — Malcolm disse.
Deirdre agarrou as pedras com ambas as mãos quando ira ferveu dentro dela.
Primeiro eles mataram seu espião, Charlie, e agora eles chegaram ao Druida primeiro.
Os MacLeods tinham sido um espinho em seu lado desde o dia que ela libertara seu
deus.
Ela pensou em mantê-los em sua montanha, mas não contou com sua força.
Antes dela perceber, eles escaparam.
Então eles começaram a matar seus mascotes, os wyrran, e recrutar outros
Guerreiros e Druidesas com sua oferta para matá-la. Ela ganhou uma vantagem
quando capturou Quinn. Quinn sempre tinha sido o único que ela queria, o que ela
quis a seu lado para governar. O que ela quis ser o pai da criança da profecia. Uma
criança deles.

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Mas os irmãos de Quinn, Lucan e Fallon, e o resto dos Guerreiros no castelo
tinham invadido sua montanha. Todo porque Broc a traiu.
Eles até conseguiram matar seu corpo, mas sua magia tinha sido muito forte e
seu espírito permaneceu até que ela recebeu outro corpo pelo Diabo.
— Deirdre.
— Eu ouvi você, — ela disse, e girou para enfrentar Malcolm. Seu cabelo
branco, que caia para o chão, rodou ao redor dela, se contorcendo com sua raiva. —
Era uma missão simples que eu te mandei. Você disse que não tinha nenhum problema
matando crianças.
— Eu não tinha, nem tenho. Os MacLeods, junto com Broc e Isla, já estavam
em Edimburgo quando cheguei. Eles acharam a Druidesa antes de mim, — Malcolm
disse.
— Então eles a têm.
— Não.
Deirdre animou-se em ouvir isto. — Realmente? Onde ela está?
Malcolm encolheu os ombros, sua expressão chateada. — Ela se foi, e Fallon
me despejou em Glasgow. Ache outra Druidesa.
— Existem muito poucas! — Ela apertou sua mandíbula enquanto lutava para
manter sua ira em cheque.
Um lado do lábio de Malcolm ergueu em um zombar. — Você tem magia
negra poderosa, Deirdre. Use-a.
Ela olhou para ele, perguntando-se não pela primeira vez se ela cometeu um
engano libertando seu deus. Malcolm tinha um laço forte com os MacLeods desde que
sua preciosa prima, Larena, era casada com Fallon MacLeod.
Deirdre usou aquela conexão entre Malcolm e Larena para atrai-lo para seu
lado. Ela usou sua magia para apagar as cicatrizes feias em seu rosto e curar o lado
direito de seu corpo. Embora tivesse sido sua ordem para os Guerreiros dela que deu-
lhe aquelas cicatrizes. Mas isso foi antes dela perceber que ele podia alojar um deus.
Era a necessidade de Malcolm manter Larena segura que o mantinha sob seu
comando. Desde que ela não tinha mais os Guerreiros que costumava encher sua
montanha, Malcolm era sua força.
— Onde está Charlie? — Malcolm perguntou. — Ele não deveria estar aqui
agora?
— Meus mesmo pensamento. Eu o achei usando minha magia. Ele está
morto.

62
Malcolm nem mesmo piscou em seu comentário.
Charlie tinha sido seu único outro Guerreiro, mas ele permitiu-se ser pego
espionando no Castelo MacLeod. Tudo que ele tinha que fazer era retornar a ela com
os artefatos. O que ele deveria ter feito facilmente.
Ela o teria castigado por tomar seu tempo em retornar a ela se ele já não
estivesse morto.
Se ela tivesse aqueles artefatos ninguém poderia acordar Laria. E Deirdre
podia mais uma vez enfocar em governar o mundo como ela queria.
Como tinha sido prometido à ela por Satanás.
Mas agora tudo mudou. Agora os MacLeods tinham os artefatos. E eles
estavam empenhados em despertar Laria.

63
CAPÍTULO NOVE

Tinha passado minutos das dez da noite quando Saffron deixou seu quarto
para dar um passeio. Ela tinha sentado em seu quarto com as luzes desligadas, o que
era mais fácil para seus olhos.
Durante sua viagem de compras, ela comprou cinco pares de óculos de sol
assim ela nunca estaria sem um. Mas mesmo eles nem sempre ajudariam seus olhos a
ajustar ao sol ou algumas luzes brilhantes em recinto fechado. E luzes piscando eram
outro assunto completamente diferente.
As luzes dentro do castelo e outros lugares podiam machucá-la mais que o sol.
Para dar a seus olhos um descanso e ajudar a batida que começou em suas têmporas,
ela se sentou e escutou seu iPod por algumas horas.
Ela viu a lua fora de sua janela e não pôde sair lá fora rápido o suficiente. Ela
sempre amou a lua, achando que ela costumava segui-la quando era uma criança.
As estrelas a fascinavam. Em seu oitavo aniversário ela pediu um telescópio e
livros de astronomia. Daquele primeiro olhar através do telescópio para ver a lua, ela
foi cativada.
Ela devorou tudo e qualquer coisa a ver com as estrelas, o sistema solar, e
astrologia. Seus telescópios ficaram maiores assim ela podia ver mais distante.
Quando Saffron embrulhou-se em seu novo casaco de lã e saiu sobre as
ameias, ela desejou que tivesse um telescópio com ela no castelo. Talvez em sua
próxima viagem ela comprasse um.
Ela ergueu o rosto e sorriu quando viu o piscar das estrelas através das nuvens
movendo preguiçosamente acima dela. Como ela sentiu falta delas. Antes no Colorado,
ela poderia deitar no jardim e passar suas noites olhando para o céu.
A lua pendurou apenas quase cheia, sua luz fazendo a neve parecer como se
estivesse brilhando. Saffron correu sua mão pelas pedras das ameias.
Ela tinha estado nas ameias muitas vezes e aprendeu a forma e tamanho
delas com suas mãos. Mas ela nunca as viu.
Com um lento olhar medindo, ela observou a portão, muralha, e até parte do
castelo. Na escuridão da noite as pedras pareciam cinza escuro, mas nada podia
esconder a magia dentro delas.
As torres, quatro que ela podia ver, mas ela sabia que haviam seis,
levantavam altas acima dela. A muralha agora guardava SUVs e carros quando
originalmente via nada além de cavalos e pessoas.

64
Enquanto seu olhar passava por cima de cada pedra, ela viu sinais de
queimaduras. Saffron agachou-se nas ameias e passou as mãos pelas marcas de
queimado.
Ela sabia da história como o clã MacLeod inteiro tinha sido assassinado por
Deirdre enquanto Fallon, Lucan, e Quinn estavam fora encontrando a noiva pretendida
de Fallon. Quando os irmãos retornaram, todo mundo estava morto e sua casa
queimando.
Saffron perguntou-se como os MacLeods podiam viver depois disto,
especialmente com seu deus libertado e dando-lhes poderes. Embora novamente, os
irmãos ficaram escondidos em seu castelo por vários séculos antes de Cara entrar em
cena.
Quando ela recordou a história de Cara de escorregar das falésias antes de
Lucan pegá-la, Saffron ficou em pé e girou para o som das ondas.
Não importa o quão fixamente Saffron olhava, ela não podia ver as ondas
colidindo na praia de seu ponto de vista. Mas ela podia ver a extensão do mar vasto no
horizonte e via precipícios em cada lado do castelo que descia muito abaixo dela.
— É o que você pensou que seria?
Ela girou ao som da voz de Camdyn mas não pôde encontrá-lo. Ela procurou
nas sombras até que ele finalmente saiu delas. A escuridão agarrava-se a ele, como se
não quisesse deixá-lo ir.
Ela bebeu à vistão dele sob a luz azul da lua. Seus olhos estavam cobertos, seu
rosto parecia linhas duras, ainda que sua voz tivesse sido suave, questionadora. — É
mais atordoante do que eu podia ter imaginado.
Camdyn assentiu quando veio para ficar ao lado dela. Ele não vestia nenhum
casaco sobre de sua fina camiseta de mangas curtas. — Existe um caminho para descer
para a praia, mas eu não sugiro experimentar isto pela primeira vez à noite. É bastante
íngreme.
— Obrigada pela advertência.
Ele ergueu um ombro em um meio encolher de ombros. — Você não estava
feliz com o que viu de você mesma quando sua visão retornou?
Embora ele não olhasse para ela, ela sabia que ele estava ciente de cada ação
sua. Saffron olhou fixamente para seu perfil duro antes de responder. — Não. Eu não
estava. O rosto que eu vi olhando de volta para mim não era a pessoa que eu
costumava ser.
— Não. E a pessoa olhando de volta para você no espelho três anos a partir de
hoje não vai ser a mesma também. As pessoas mudam, Saffron.
— Não do modo que eu fiz, — ela murmurou antes de pensar melhor nisto.
65
— Novas roupas e penteado ajudarão?
Ela virou para enfrentá-lo, descansando seu quadril contra a pedra. — Tudo
que eu tenho vestido desde que fui trazida aqui foi-me dado por outras, o que eu
muito aprecio. Não havia nenhuma razão que eu não pudesse comprar minhas
próprias roupas então as outras podiam ter as suas de volta.
— Você sabe que elas não se importam com roupas.
Finalmente ele virou a cabeça para ela, e ela foi pega em seus olhos de
profundo chocolate, presa no interesse que ela viu neles. Seu estômago sacudiu
quando ela se tornou muito ciente do macho muito viril, muito atraente à sua frente.
— Talvez não, mas eu sim. Eu queria... não, — ela disse com uma sacudida de
cabeça, — eu precisava de algo que fosse meu.
— Roupas não vão ajudá-la a encontrar-se. Você não está perdida, você
apenas não está olhando no lugar certo.
Ela piscou. Duas vezes. Ela tinha estado tão desesperada por ser a pessoa que
ela costumava ser, que ela não olhou para a pessoa que ela era.
— Eu gosto do cabelo, a propósito, — Camdyn disse.
Ela estava tão surpresa por seu elogio que não o viu se mover em direção a
ela ou sua mão subir para seu rosto até que seu dedo acariciou suavemente próximo a
sua sobrancelha quando ele empurrou de lado uma mecha de cabelo que tinha estado
presa em seus cílios.
Sua pele chiou onde ele tocou, e Saffron encontrou-se inclinado em direção a
ele. Tinha passado tanto tempo desde que ela foi beijada, desde que ela sentiu desejo,
que ela estava se afogando nas emoções.
Ela ansiava em diminuir a distância entre eles, desejava erguer seu rosto e
colocar seus lábios nos dele. Ser desejada, necessária. Ser amada.
A dor começou em seu peito e mudou abaixo, entre suas pernas. Sua
respiração ficou superficial e ela lutou para formar um pensamento coerente. Que foi
quando ela percebeu que ele a elogiou.
— Obrigada, — ela murmurou.
Seu coração derrapou quando os olhos dele abaixaram para seus lábios. Ele
estava perto o suficiente que ela podia sentir seu calor, praticamente podia saborear o
poder dentro dele.
Era uma combinação inebriante, especialmente misturado com a necessidade
surgindo dentro dela. Ela lambeu os lábios, e por um momento ela pensou que ouviu
um grunhido.

66
— Você não devia estar aqui fora sozinha, — Camdyn disse. Sua voz baixou, se
tornou mais grave.
— Eu estou segura aqui.
Seu olhar escuro ergueu e capturou o dela. — Você foi pega desprevenida
uma vez. Não deixe acontecer uma segunda vez.
A menção do que aconteceu quando Declan levou-a foi como estar sendo
mergulhada em um balde de água com gelo. Saffron deu um passo distante quando
necessidade foi substituída com fúria.
— Como você ousa, — ela disse entre dentes.
Os olhos de Camdyn estreitaram. — Como eu ouso? Eu estou tentando
impedi-la de cometer o mesmo erro duas vezes.
— Você não tem nenhuma ideia do que aconteceu. Então não seja um idiota e
finja que sabe.
Ela girou e precipitou-se de volta no castelo. Ela bateu a porta fechada com
um empurrão duro, só que não houve estrondo em resposta.
Saffron não precisou olhar para trás para saber que Camdyn parou a porta.
Tinha sido infantil, ela sabia, mas ela estava irritada, e estava tão cansada de ter aquela
raiva dentro dela.
Ela fez um caminho direto para seu quarto, querendo apenas estar só. Mas
quando ela tentou bater a porta também, nada aconteceu. De alguma maneira, ela
não ficou surpresa em achar a grande forma de Camdyn enchendo a entrada quando
ela virou para olhar.
— O que você quer? — Ela exigiu quando empurrou fora sua jaqueta.
— Se você não tivesse se afastado, eu teria dito. — Ele pausou e olhou o
quarto como se de repente ciente que eles estavam na escuridão. — Por que as luzes
não estão acesas?
— Então diga-me o que você quer agora assim você pode partir. — Ela cruzou
os braços acima do peito e bateu a ponta de sua bota no chão quando recusou
responder para ele.
Ele levantou uma sobrancelha e olhou para seu pé antes de lançar outro
tronco ao fogo que apagava. As chamas saltaram mais altas, espalhando um brilho
laranja através do chão. — Diga-me o que aconteceu com Declan.

67
Imagens do rosto bonito de Declan que ria com triunfo enquanto a torturava,
a assustou, e o tormento relampejou por sua mente.
Seu estômago se agitou com náusea quando ela pensou sobre todas as vezes
que ele tinha batido nela ou chutado. Ou ambos. Das vezes que deixou-a com fome,
congelada.
— Não, — ela disse quando pôde finalmente falar.
Camdyn ergueu uma sobrancelha. — Isso precisa ser conhecido, e se eu tiver
que fazer, irei trazer Galen.
Saffron empalideceu e soltou suas mãos. O poder de Galen era a habilidade
de ver na mente das pessoas quando ele as tocava. Ela não o queria em qualquer lugar
perto dela, não quando sua cabeça estava tão cheia de atrocidades.
— Por que você está sendo tão cruel? — Ela perguntou. Como ele podia fazê-
la se sentir tão desejada para isto? Suas emoções estavam tão bagunçadas que ela não
sabia a diferença?
— Eu estou tentando ajudar.
— Besteira. Você gosta de ter-me revivendo aquelas memórias? Você gosta
de ver como me chateia?
Ele franziu o cenho, seus lábios aplainando quanto mais ela falava.
— Qualquer coisa que Declan fez para mim é melhor ser mantido trancado
em minha cabeça, — ela disse. Ela começou a se virar quando ele tomou seu braço e
manteve-a encarando-a.
Tanto quanto ela odiou isto no momento, seu toque chiou através de seu
suéter até sua pele. E ela quis mais.
Seu olhar era duro e calculado enquanto ele olhava fixamente. — Você
sempre foge de problemas?
Suas palavras bateram muito perto de casa. Ela o acotovelou nas costelas,
sabendo que não faria nenhum dano além de surpreendê-lo. Mas ela pôde torcer seu
braço fora de seu agarre.
— Não finja me conhecer.
Camdyn riu secamente. — Não se preocupe, moça. Você mantém todo
mundo no comprimento do braço. Ninguém pode chegar a conhecer você.
Saffron quis negar isto, mas ela não podia. Ela manteve todo mundo no
comprimento do braço. A princípio ela usou o mal da magia de Declan como uma
desculpa, mas quanto mais tempo ela ficava no castelo, mais ela usava sua cegueira
como uma desculpa.

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E tinha sido uma desculpa pobre.
Ela nunca teve uma chance de responder porque seu telefone celular tocou
naquele momento. Contente por uma desculpa para não continuar a conversa em que
tinha estado, Saffron respondeu isto sem olhar o número.
— Alô, — ela praticamente gritou.
— Saffron? Docinho, é você?
O som da voz de sua mãe fez todo sangue correr de sua cabeça. Saffron
balançou, e de repente Camdyn estava lá. Seus braços fortes a seguraram enquanto
ele a se sentava no banco em frente da cama.
— Saffron?
Ela tragou. — Oi, mãe. — Ela não quis conversar com sua mãe, não agora,
provavelmente nunca.
— Por que você não me chamou? Eu estava doente de preocupação.
— E é por isso que você tentou me declarar morta? — Ela perguntou.
— Tsc... tsc... Docinho, nós contratamos investigadores particulares para
procurar você. Nós achamos o carro que você alugou em Edimburgo, mas nada mais.
Toda sua bagagem e bolsa tinham sumido. E você não respondia seu celular.
Saffron riu. Era isso ou chorar. — Então levou a você apenas três anos para
desistir e me declarar morta assim você poderia pegar o dinheiro.
Houve uma pausa antes de Elise dizer, — Você sempre faz isto sobre o
dinheiro. Seu pai me deixou pouco mais de cem mil, eu não tenho necessidade de
mais.
— Então é sobre o dinheiro. Eu dei a você quase um milhão antes de eu partir
três anos atrás.
— Eu tenho necessidades, docinho.
Saffron fechou os olhos. — Bem, eu não estou morta. Eu estou muito viva, e
você não conseguirá um centavo daquele dinheiro. Eu já estive com Arthur fazendo um
novo testamento. Eu estou deixando para você tanto quanto o papai deixou.
— Sua cadela ingrata! — Elise gritou. — Você tem alguma ideia quanta dor
você me fez passar durante o trabalho de parto de quase dois dias? Quando você não
saiu eles me abriram! Não só você estragou meu corpo, mas eu tenho uma cicatriz que
eu tenho que cobrir desde então.

69
— E todos nós sabemos o quão importante um bom corpo é para um traje de
banho, não é? Eu peço muitas desculpas por você ter ficado grávida e bagunçar seu
corpo perfeito, e que a cicatriz da cesariana seja tão difícil de aguentar.
— Você não tem nenhuma ideia, — Elisa disse, perdendo completamente o
sarcasmo no tom de Saffron. — Você sabe que terá que ser vista pessoalmente para
impedir minha reivindicação.
Saffron riu. — Oh, eu cuidei disto hoje. Veja os documentos amanhã, Mãe.
Ela desligou o celular, e se sentou lá, desesperadamente tentando obter sua
respiração e emoções furiosas sob controle. Ela manteve a esperança atrás de sua
mente que sua mãe poderia realmente ter sentido falta dela, que era mais que apenas
o dinheiro.
Mas ela tinha estado errada novamente.
Levou-lhe alguns momentos para perceber que ela não estava só. Camdyn
não estava apenas no quarto com ela, ele estava sentando ao lado dela. E estava
agarrando sua mão.
Quanto tempo ela a segurou? Saffron olhou abaixo em suas mãos juntas e o
modo que suas unhas cavaram em sua pele. Imediatamente ela o soltou e esfregou
suas mãos nos braços enquanto levantou para seus pés.
— Eu sinto muito que teve que ouvir isto.
Quando ela girou ao redor, ele estava em pé bem em frente a ela. Seus olhos
escuros suavizaram, e eram quase amáveis. Mas foi o desejo que atravessou por ela,
povoando com um calor baixo entre suas pernas, que a fez muito ciente dele. De seus
olhos escuros até a proximidade de seu corpo ao dela, ela via nada exceto ele.

70
CAPÍTULO DEZ

Camdyn soube que estava muito perto de Saffron. Inferno, ele nunca devia tê-
la seguido das ameias até sua câmara, mas sua raiva faiscou a sua própria. Ele queria
saber o que a direcionou, o que propulsou a necessidade de vingança que assentou
muito fortemente em seus ombros.
Então ele a tinha seguido.
De todas as vezes que ele observou Saffron ele sempre a viu serena, sempre
resguardada, como se ela não pudesse mostrar seu verdadeiro eu.
Quando sua raiva começou a mostrar, ele empurrou mais duro. Ele poderia
ter conseguido as respostas que buscava se seu telefone celular não tivesse tocado. E
se não tivesse sido sua mãe do outro lado.
A audição avançada de Camdyn permitiu que ele ouvisse a conversa inteira, e
estava chocado que uma mãe pudesse tratar sua filha desse modo.
Quando Saffron pegou em sua mão, suas unhas cavando em sua carne, ele
manteve-se quieto e deu-lhe qualquer força que ela precisava dele.
Entretanto ele cometeu seu segundo erro. Ele não partiu.
Ao invés, ele levantou quando ela levantou. E achou-se a meros centímetros
da mais bela, atraente mulher que ele já encontrou.
Seus olhos castanhos-dourado olharam acima nele com uma mistura de
tristeza e desejo. E foi a sua ruína.
Camdyn tinha que saboreá-la, tinha que senti-la. Tinha que tocá-la. Poderia
ter sido a pior decisão que ele já teve, mas a necessidade, a ânsia, roendo nele era
muito grande para ignorar.
Com apenas o desejo arranhando-o, ele afastou todos os pensamentos e
cedeu a seu próprio corpo. Ele embrulhou uma mão ao redor da cintura de Saffron e
puxou-a os poucos centímetros restantes em direção a ele.
As mãos dela vieram descansar em seu tórax, seus lábios separaram e sua
respiração superficial. A cabeça dele abaixou para a dela, seus olhares bloquearam.
Camdyn estava dando-lhe ampla oportunidade para escapar dele. Quando ela
permaneceu em seus braços, seu deus, Sculel, deus do submundo, rugiu com
aprovação e apreciação.
Seus rostos estavam tão perto que ele podia ver os flocos de ouro em seus
olhos e a minúscula cicatriz próxima ao canto de seu olho esquerdo.

71
Mas tudo se tornou demais. Ele não podia esperar mais. Tinha que saboreá-la.
Ele inclinou sua boca na dela em um duro beijo explosivo que o deixou cambaleando.
Desejando.
Completamente instável.
Totalmente à deriva.
O corpo dela era suave e curvilíneo, ajustando contra ele com precisão. Um
pequeno gemido quebrou atrás da garganta dela enquanto eles continuaram o
ardente, beijo escaldante que abanou as chamas do desejo deles mais e mais alto,
consumindo-os. Os dedos dela cavados em seu tórax antes dela enrolar os braços ao
redor de seu pescoço.
A sensação dela moldada contra ele fez suas bolas apertarem e seu sangue
pulsar em suas orelhas. A necessidade que tinha sentido um momento antes era nada
comparada ao que bombeava através dele agora.
Estava indo muito rápido, e se ele não parasse agora, nunca iria. Era o prazer
que esse pensamento causou que, de alguma maneira, forneceu-lhe a força para
terminar o beijo.
Ele relutantemente, lentamente, afastou-se e encontrou seu olhar confuso. —
Oh, merda, — ele murmurou.
Camdyn sabia que ela teria gosyo do paraiso, ele apenas não esperava tal
reação tão feroz e física por ela, uma reação que ele nunca sentiu em sua longa vida.
Uma que fez seu pau doer, ele a queria tão desesperadamente.
Obrigou-se a deixar cair os braços em torno dela e dar um passo para trás. A
perda de seu corpo, suas curvas tentadoras contra ele, era quase demais.
As palavras que queriadizer, para explicar porque ele a beijou, presas em sua
garganta. Porque todas elas eram uma mentira. Ele não podia dizer a verdade — que
ele precisava beijá-la, precisava saber seu gosto.
Camdyn não precisou de ninguém em... um tempo muito longo, e não queria
encontrar-se de volta nesta situação. Ele não sobreviveria a isto.
Ele apertou a mandíbula fechada e saiu às pressas de sua câmara sem outra
palavra. Quando ele saiu, notou Gwynn e Ian de pé do lado de fora da câmara, mas ele
não falou com eles. Ele não podia.
Camdyn estava quase nos degraus quando Broc saiu de sua câmara. — Eu
estava justo indo encontrá-lo. Quer jogar o jogo de caçador que você estava
interessado?
— Não, — Camdyn respondeu enquanto tomou três degraus de cada vez.

72
Ele não parou até que estava em sua câmara. Mas ele estava muito inquieto.
Seu corpo estava queimando, aquecido ao ponto que sentia dor física. E a única que
podia aliviá-lo era uma pessoa que ele não podia tocar novamente.
Camdyn descansou sua cabeça no vidro gelado da janela e lutou para
tranquilizar sua respiração. Ele enrolou as mãos antes de espalmá-las largamente
quando ele pensou em tocar, em segurar Saffron, sobre quão suave e bom ele a sentiu
contra ele.
Sobre ela tinha um sabor maravilhoso. O golpe de sua língua, o som de seu
gemido.
Ele tragou e ainda podia saboreá-la em sua língua, ainda podia sentir o cheiro
do luar e neve que era apenas dela.
Nada que ele fazia pôde apaga-la de sua mente, nem mesmo pensamentos
sobre Allison, que pareciam ter desbotado para nada de repente. Tudo que ele soube
era que tinha estragado as coisas tremendamente.
Antes ele tinha apenas imaginado como seria o sabor de Saffron ou a sentiria
contra ele.
Agora, ele sabia em excruciantes detalhes de como ela era perfeita, o quão
sedutor seu beijo era.

***

Saffron suavemente tocou em seus lábios inchados e fechou os olhos


enquanto ela revivia o crepitante, beijo devorador novamente em sua mente. O beijo
varreu-a para longe. Levou-a. Ocupou-a.
E ela odiou que terminou tão abruptamente.
Mais confusa era a reação de Camdyn quando ele terminou bruscamente o
beijo. Ele tinha estado tão afetado quanto ela?
Saffron balançou a cabeça e pôs uma mão em seu coração enquanto ele
continuava acelerado. Não, Camdyn não era um homem que deixa suas emoções
conduzi-lo. Ele quis o beijo, e iniciou, mas ele também foi o único a terminá-lo.
Ele a achou carente?
Saffron franziu. Tinha passado anos desde que um homem a beijara ou a
abraçara, e nunca com tal desejo cru, indomado que a fez sacudir com desejo.

73
Ela tinha estado desprevenida para isto a princípio, mas seu corpo logo
entendeu. E agora... agora necessidade, calor e consumindo, ainda pulsando dentro
dela.
Depois de soltar um fôlego, ela andou em direção à cama quando viu seu
iPhone no banco. Ela esqueceu tudo sobre a conversa com sua mãe. Mesmo agora, ela
percebeu que não estava tão brava quanto tinha estado antes de Camdyn beijá-la.
Saffron põe a mão em sua fronte e gemeu. Como ela o enfrentaria agora? Ele
saiu de seu quarto sem uma palavra. Amanhã à noite era a lua cheia. O momento de
acordar Laria onde eles estariam todos juntos.
Para levar sua mente longe de tudo, ela limpou seu quarto, então decidiu
mover toda sua maquiagem para a penteadeira antes de levar de volta ao banheiro,
então finalmente decidindo que devia ficar na penteadeira.
Saffron estava uma bola de nervos, seu corpo pulsando com necessidade.
Todo som que ela ouvia ela encontrava-se olhando para a porta perguntando-se se
Camdyn iria voltar. Mesmo quando ela sabia que ele não iria.
O que tinha o Guerreiro que a atraia tanto? Ele era solene, raramente
sorridente, e gostava de fechar-se para si mesmo. Ele funcionava bem com os outros
porque todos os Guerreiros gostavam dele, mas mesmo assim, Camdyn era um
solitário.
Talvez fosse isso. Saffron também era um tipo de solitária. Ela não começou
desse modo, mas quando ficou mais velha e descobriu que as pessoas só queriam ser
suas amigas por causa de seu dinheiro ela começou a se distanciar das pessoas.
Isto tornava menos provável que ela fosse machucada, dessa forma. Mas
também deixou a vida solitária.
Ela pensou que tinha alguns amigos verdadeiros, mas mesmo eles
esqueceram dela quando ela rebelou-se contra sua família e saiu em uma viagem pela
Europa. Sozinha.
Saffron não podia evitar perguntar-se se Declan a teria convencido tão
facilmente se ela tivesse alguém com ela. Provavelmente, ela nunca teria estado na
pequena cidade ao sudoeste de Oban desde que era muito fora do caminho. Ela estava
dirigindo para a Ilha de Skye, e ir para Oban exigiu um significante desvio.
Mas ela ouviu tantas coisas ótimas sobre Oban dos habitantes que ela decidiu
ver por si mesma.
Onde ela estaria agora se Declan não a prendesse? Ela teria voltado para
casa? Casado talvez? Com uma carreira nos negócios do seu pai como ele queria?

74
Saffron sabia que era sem sentido pensar sobre o que podia ter sido, mas era
mais fácil que permitir que suas memórias dos três anos anteriores a enterrassem. O
que elas sempre faziam.
Ela se abaixou na frente do fogo e olhou nas chamas. Havia algo hipnotizante
sobre o fogo e o crepitar das chamas.
Puxou sua mente longe de sua linha de pensamentos e deixou-a vagar. Ela
não soube quanto tempo se sentou lá antes de ouvir o som de tambores e o murmúrio
distante de cânticos.
Sua magia imediatamente alcançou isto, puxando-a com isto enquanto o
cantico e tambores ficavam mais altos. A hipnotizou, até que seus olhos fecharam.
Ela podia sentir a magia rodando mais e mais rápido dentro dela, ficando mais
e mais forte a cada momento. Quanto mais alto a batida soava mais sua magia surgia.
E o cantíco de repente pareceu vir de tudo ao seu redor. Embrulhando-a. Cercando-a.
Envolvendo-a.
As muitas visões que ela teve ao longo dos anos ampliaram através do olho de
sua mente. Pessoas que ela não conhecia e não pôde ajudar, famílias que tinham
desviado de desastres. Todos eles estavam unidos como um funil enorme em sua
mente antes de desaparecer.
Mas algumas permaneceram.
As visões que ela teve de Deirdre, Declan, e qualquer outro envolvido nesta
guerra agora estavam na linha de frente de sua mente. Ela as viu diferentemente,
examinando cada partícula das visões na esperança de achar alguma pista ou
mensagem perdida.
Ela sentiu as visões mais que antes. Declan estava gritando mais alto, e a ira
de Deirdre fê-la tremer por dentro. Tudo era ampliado então ela sentiu isto vinte vezes
mais que antes.
Sua cabeça começou a bater, e ela tentou afastar-se. Porém, o cântico só
ficou mais alto, levando sua dor e seu medo.
— Quem são vocês? — Ela perguntou à força invisível que podia sentir ao
redor dela.
— Os anciãos, — os milhares de vozes responderam dentre o cântico.
Pela primeira vez em muito tempo Saffron achou um lugar onde ela podia
deixar-se ir, onde sua magia era mais forte, e onde ela podia ser completamente
segura.
De alguma maneira, instintivamente, ela soube que nem Declan nem Deirdre
poderiam alcançá-la onde estava. Ninguém poderia machucá-la novamente.

75
CAPÍTULO ONZE

Declan reclinou-se em seu sofá de couro no seu escritório olhando através das
janelas do chão ao teto a neve que continuava a cair. Com um braço descansando ao
longo do encosto do sofá ele bebeu um gole de seu whisky malte puro, saboreando o
gosto inebriante enquanto seus pensamentos concentraram-se em Tara e como
encontrá-la.
Ele já estabelecera a desculpa lamentável da mãe de Tara. A mesma mãe que
tentou matá-la. Mas Declan tinha levado Tara longe de tudo aquilo. Ele sabia que havia
algo especial nela. Muito mal que ele não percebeu justamente o quão especial Tara
era antes dela ir embora.
Era ruim o suficiente que ela teve a audácia de deixá-lo, mas para piorar, era
como se Tara nunca tivesse existido. Ela desapareceu, quase como um fantasma. Até
com toda sua considerável magia ele não podia encontrá-la. Com todo seu dinheiro e
conexões, Declan não podia achar um rastro dela.
Oh, houve casos onde a pessoa que tinha estado lá meses antes pudesse ter
sido Tara, mas ele não sabia com certeza. Não podia saber com certeza.
Ele devia ter sabido que Marie daria a ele nada não importa quanto ele a
fizesse sofrer. Ela e Tara não se falaram em anos, mas Declan manteve um pequeno fio
de esperança que Tara cedeu à necessidade pelo amor de sua mãe e contatou Marie.
Mas ele não teve sorte.
Com Saffron fugida, Declan precisava de outra Druidesa. O que fazia Tara tão
especial era que vinha de uma longa linhagem de droughs muito poderosos. Tudo que
ele tinha que fazer era aplicar a pressão certa e a convencê-la que pertencia a ele, e
ele teria outro drough a seu lado.
A magia de Tara era volátil, mas ele podia ajudá-la a controlar isto. O
pensamento de ambas Tara e Deirdre junto com ele contra o mundo trouxe um sorriso
a seu rosto.
Se ele apenas pudesse convencer Deirdre que ela precisava dele. Ela
sobreviveu por muito tempo sozinha para pensar que precisava de ninguém, mas
Declan não iria desistir.
Ele estava tão perdido em seus pensamentos que não viu a fumaça negra até
que estava nele. — Então você acha que precisa de Deirdre? — A voz perguntou em
sua mente.

76
Declan não tinha medo da voz profunda, ressoante. Ele sorriu. — Bem-vindo,
Mestre. Perguntei-me quando você me visitaria. Para respondê-lo, sim, eu necessito
Deirdre. Ela tem estado ao redor por mais de mil anos. Sua experiência em controlar o
mundo seria vital. Sem mencionar sua habilidade para criar wyrran.
— Eu podia dar-lhe essa habilidade.
— Sim, e eu não recusaria seu presente. Você parece bravo com Deirdre. O
que aconteceu?
— Ela se recusa fazer como eu mando. Eu disse a ela que esquecesse os
artefatos, mas ela não irá.
— Foi uma das razões que você me permitiu trazê-la para meu tempo.
A fumaça preta rodou ao redor de Declan espessa e pesada, a fúria de Satanás
evidente no modo como a fumaça agarrou-se em Declan. — Eu permiti. Eu adicionei
muito poder a sua magia, e pensei que com Deirdre, o dois já teriam conquistado o
mundo e permitido a escuridão assumir o comando.
— E nós iremos, Mestre, — Declan apressadamente assegurou-o. Existia
apenas uma coisa que Declan temia, e isso era o Diabo. Ele faria o que precisasse ser
feito, diria o que precisasse ser dito. Porque a última coisa que ele queria era achar-se
à mercê de Satanás. — Eu peço-lhe para não fazer qualquer coisa precipitada sobre
Deirdre.
— Você falaria em seu favor?
Declan tragou. Ele sabia que estava andando em terreno frágil. Satanás tinha
estado irritado com Deirdre por bastante tempo. — Eu falo.
— Eu estava para tirar toda magia que dei a ela, mas mesmo se eu fizer, ela
ainda seria uma Druidesa poderosa.
Declan inclinou-se, fazendo a fumaça espessa se mover. — Se eu puder
persuadir Deirdre que ela está em melhor situação comigo a seu lado, então seu plano
para ter o mal assumindo o controle do mundo acontecerá. Dê-me uma chance,
Mestre, para provar meu valor.
Houve um silêncio longo antes da voz profunda dizer, — Eu concederei a você
isto, Declan. Mas eu te advirto. Não falhe.
Com isso a fumaça sumiu. Declan correu uma mão por seu cabelo loiro e
suspirou. Ele esperava ter feito a decisão certa, porque sua vida agora descansava em
ganhar a confiança de Deirdre.

77
As portas duplas para seu escritório abriram de repente e Robbie encheu a
entrada vestido num uniforme todo preto, seu favorito. Ele sorriu quando avistou
Declan e apressou-se. — Seu espião fez isto novamente.
— Kirstin? — Declan perguntou. — Que informações ela verificou?
— Eu sei onde todo mundo no Castelo MacLeod foi ontem de manhã.
Declan olhou para o relógio em sua parede e percebeu que era perto de cinco
de manhã. — Onde?
— Imagens de satélite mostram vinte e quatro corpos nas Ilhas Orkney
próximo ao Anel de Brodgar.
Um sorriso lento estendeu acima do rosto de Declan. — E você está certo que
eram os MacLeods?
— Eu tive a imagem realçada. Vi três homens usando colares de metal. São os
MacLeods, Declan.
— Bom trabalho, primo, — Declan disse quando levantou-se. —Pergunto-me
quanto Deirdre apreciaria esta informação.

***

— Onde está Saffron? — Gwynn perguntou quando todo mundo juntou-se em


torno da mesa para comer na próxima manhã.
Camdyn não se aborreceu em olhar para cima enquanto ele atacava a pilha de
panquecas colocadas em camadas no seu prato. Ele deu uma mordida no bacon
crocante enquanto todos os outros admitiram não ver Saffron.
Finalmente ele teve que falar mais alto. — Eu a vi nas ameias ontem à noite.
Então ela foi para sua câmara.
Uma cadeira arrastou quando Isla levantou da mesa. — Eu vou procurá-la.
Camdyn sabia que ela estava bem. Ele sentiu a força de sua magia a noite
toda enquanto ele se debatia e virava na cama pensando sobre seus lábios cheios e
pele cremosa, suas curvas moldadas junto a seu corpo.
Até agora ele podia sentir o poder absoluto de sua magia. Era mais forte que
antes, mas ainda era a magia de Saffron.
Hayden de repente saltou da mesa e começou a correr para os degraus. —
Algo está errado com Isla.
Um segundo depois a voz de Isla ecoou de acima, — Eu preciso de ajuda!

78
Camdyn esqueceu sobre sua comida quando saltou para o topo dos degraus,
aterrissando justo à frente de Hayden, e correu pelo corredor abaixo para a porta de
Saffron.
A porta estava aberta, e ele derrapou até parar quando viu Isla agachada ao
lado de Saffron, que se sentou oscilando de um lado para outro na frente do fogo.
— O fogo é mágico, — Hayden disse por trás dele.
Camdyn andou até Saffron, querendo descobrir o que estava errado, mas
quando ele foi tocá-la, magia disparou de seu corpo e acertou-o.
Não machucou. Não fez nada mas que aturdir. Ainda assim ele estava
enervado. Perturbado.
Apreensivo.
O outros começaram a se amontoar na câmara, cada um dando um passo
atrás quando viram Saffron. Camdyn caminhou devagar ao redor de Saffron até que
esteve diretamente na frente dela. Ele abaixou-se de forma que olhou-a no olho, mas
seu olhar castanho-dourado que o assombrou a noite toda não era o mesmo que
olhava fixamente para ele agora.
— O que está errado com ela? — Ele perguntou a Isla.
— Ela foi para o cântico, — Isla respondeu.
— Traga-a de volta.
Olhos azuis gelo de Isla seguraram uma riqueza de incerteza que fez o sangue
de Camdyn ficar gelado. — Eu não sei se nós podemos.
— Nós também não temos nenhuma ideia quanto tempo ela tem estado com
eles, — Marcail disse.
— Com quem? — Camdyn exigiu, sua ansiedade crescendo no momento.
Reaghan pôs uma mão em seu ombro. — Os anciãos, Camdyn. Cada um de
nós Druidas ouviu a batida e os cânticos uma vez ou outra. É um abrigo para Druidas,
um lugar onde nós podemos descobrir respostas ou só achar tranquilidade.
Camdyn recordou que Dani quase sucumbiu apenas alguns dias atrás. Como
ele podia ter esquecido tal coisa?
— Todo Druida tem algo que fortalecer sua magia, — Sonya disse. — Para
mim são as árvores. Eu acredito que isto é o fogo para Saffron.
— Apague o fogo então, — ele ordenou enquanto olhou mais perto a Saffron,
rezando para algum tipo de resposta dela.

79
Foi Hayden que andou para a lareira e pôs sua mão o fogo. Ele grunhiu e
agitou sua cabeça. — Sem magia, isso será impossível. Saffron está mantendo este
fogo aceso, e nem mesmo meu poder apagará.
— Merda, — Camdyn murmurou e correu uma mão por seu rosto. — Tem que
haver algo que nós possamos fazer para trazê-la de volta.
Quinn pegou o olhar de Camdyn. — É melhor você se apressar, meu amigo. Eu
quase perdi Marcail quando ela foi atraída pelo cântico.
Camdyn não quis ser o único a tentar e puxar Saffron de volta, nem pensou
que ele fosse a pessoa certa. Sua magia já era um farol para ele. E nenhuma
quantidade de aviso a si mesmo para afastar-se pareceu ajudar.
— Faça isto, — Ramsey disse ao lado dele.
Camdyn friccionou seus dentes e estendeu a mão para tocar no ombro de
Saffron. Desta vez sua magia o deixou passar e ele pegou-a.
— Saffron, acorde. — Quando ela não respondeu, ele gritou mais alto,
balançando-a mais forte.
Mas nada funcionou. Por quinze minutos ele tentou cada sugestão dita a ele
para despertá-la, até que ele teve uma ideia.
— Saffron, sua mãe está aqui. Ela exige falar com você. Ela disse que veio pelo
dinheiro.
Saffron ouviu a voz de Camdyn de longe, longe. Pegou sua atenção, mas a
batida e o canto soaram tão bons que ela estava reticente a partir.
Mas Camdyn persistiu.
Às vezes sua voz soava como se estivesse bem próxima a ela, enquanto outras
vezes como se estivesse vindo de um longo túnel. Mas ele sempre estava lá, chamando
por ela.
Saffron estava determinada a ignorá-lo, embora sua voz faiscou a memória de
seu beijo e o modo que seus lábios largos moveram sobre os dela com tal paixão e
calor que fez seu coração acelerar e seu corpo vir para a vida.
Ela ficou curiosa sobre o que ele queria. Ele não percebeu que ela estava
segura? Ele não percebeu que ela não precisou de ninguém nunca mais?
Quanto mais ela tentou escutar suas palavras, mais o canto e batidas
enfraqueceram. Não passou muito tempo antes que ela ouviu suas palavras
claramente como se ele estivesse sentado em frente a ela.
Sua mãe. No castelo.

80
— Não! — Ela gritou e tentou se virar.
Mãos fortes a seguraram, mãos e um toque que ela reconheceu muito bem.
— Abra seus olhos, — Camdyn exigiu suavemente.
Saffron balançou a cabeça, agarrando-se a ele. Ele era firme, uma pedra que
ela sabia que podia segurar-se na tempestade que era sua mãe. — Faça ela ir embora.
Faça minha mãe ir embora.
— Ela se foi, — ele murmurou em seu ouvido enquanto ele a segurou perto.
— Ela se foi.
Saffron respirou fundo e abriu os olhos. Ela sentiu falta do cântico, mas havia
algo completamente confortante e maravilhoso em estar nos braços de Camdyn. Ela
gostou de estar lá, quis ficar lá. Sempre em seu abraço.
— Graças a Deus, — Gwynn disse.
Saffron mudou seu olhar à direita e viu Gwynn como também a maioria de
todo mundo do castelo. Ela puxou-se longe de Camdyn, seus olhos travando com os
dele.
Profundamente em seu olhar chocolate ela viu preocupação lá. Por ela? Ele
tinha estado preocupado por ela?
— Você nos deu um susto, — Isla disse com uma pequena risada forçada. —
Por favor não faça isto novamente.
Saffron assentiu, mas não podia olhar longe do escuro olhar compelindo de
Camdyn.
Dani lançou os braços ao redor de Saffron por trás e a abraçou. — Camdyn
gritou para você por quase vinte minutos antes dele finalmente conseguir. Todos nós
sabíamos que ele podia fazer isto.
Saffron bateu levemente no braço de Dani, insegura do que dizer.
Um por um todo mundo deixou seu quarto exceto Camdyn e Ramsey. Ramsey
pôs uma mão no ombro de Camdyn antes de colocar a outra mão em seu ombro.
— É bom que você retornou para nós, Saffron, — Ramsey disse antes de sair.
Camdyn limpou a garganta e foi o primeiro a olhar para longe. — O que
aconteceu?
Ela encolheu os ombros. — Eu não estou certa. Eu estava observando o fogo,
então a próxima coisa que eu soube é que eu ouvi as batidas e o cântico mais bonito.
Eu o segui, e…
— E? — Ele incitou quando sua voz enfraqueceu.

81
— Algo estranho aconteceu com minha magia. Todas as antigas visões que eu
tive pelos anos evaporaram, e aquelas relacionadas com esta guerra em que estamos
ficaram mais fortes, claras.
Camdyn levantou e estendeu a mão para ela. Quando ele a puxou para seus
pés perguntou, — Você viu qualquer coisa diferente?
— Não. Mas... mas eu acho que minha magia ficou mais forte.
— Ficou.
Ela lambeu os lábios e puxou a bainha da camiseta. — Eu não quis assustar
todo mundo. Obrigado por me trazer para fora.
Ele girou de lado e olhou para o fogo agora morto. — Seja cuidadosa, Saffron.
Você é necessária aqui.
— Porque eu sou um Vidente?
— Porque você é uma Druidesa e seu destino está entrelaçado com o nosso, e
porque você é uma parte desta família. Não tem nada a ver com você ser uma Vidente.

82
CAPÍTULO DOZE

As palavras de Camdyn ecoaram na cabeça de Saffron depois que ele partiu.


Ainda assim, quando ela caminhou, estremecendo pela dureza em suas pernas e
costas, o sol matutino que brilhava pela janela pegou seu olhar.
— Maldição, — ela murmurou quando correu para colocar as botas de neve
que ela comprou.
Pareceu uma eternidade desde que ela viu um amanhecer, e ela planejara
levantar cedo aquela manhã e assistir o seu primeiro em anos. O cântico, porém,
mudou tudo isto.
Se ela não pudesse ver o sol subir, ela podia pelo menos sair e assisti-lo subir
no céu. Seriam horas antes que eles tivressem que prepararem-se para sair para o Anel
de Brodgar, e ela tinha intenção de fazer tanto uso das horas livres quanto podia.
Saffron pegou seu casaco grosso do cabide próximo à porta à medida que ela
passou. Ela tinha um braço em sua jaqueta e o outro entrando quando começou a
descer os degraus no grande salão.
— Você não está com fome? — Sonya gritou.
— Mais tarde, — Saffron disse, um sorriso ávido em seu rosto.
Ela vestiu um gorro lavanda e apressou-se para fora. O frio bateu nela quase
imediatamente, mas ela tinha sido criada com neve. Colorado Springs podia não ser
tão úmido quanto a Escócia, mas ela conhecia neve.
Uma risada escapou dela enquanto desceu apressada os degraus e saltou na
neve. Saffron então caminhou pela muralha, tomando em conta cada pedaço dela, dos
estábulos até a ferraria para a igreja que tinha sido usada várias vezes para casar os
Guerreiros e sua Druidesas.
Ela tinha estado naquela igreja, apesar de por pouco tempo, e ela estava ávida
para vê-la. Mas não agora. Agora, ela queria sentir o vento em suas bochechas, para
piscar com o sol, e brincar na neve.
Antes dela caminhar através da pequena porta no enorme portâo, Saffron
pegou um par dos óculos de sol que ela enfiara dentro do bolso de seu casaco e
colocou-os.
Seus olhos já estavam ajustando melhor para a luz. Logo, ela não precisaria
dos óculos de sol o tempo todo como ela precisava agora.
— Oh, Deus! — ela murmurou quando viu os precipícios e o escuro, mar
selvagem abaixo.

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Saffron bebeu tudo que ela via enquanto caminhava para mais perto da borda
dos precipícios, das gaivotas que planavam suspensas nas fortes correntezas para a
água que rolava na praia ao longo das pedras.
Ela observou os precipícios e viu por um momento várias entradas de
cavernas que seriam muito distantes para qualquer um exceto um Guerreiro alcançar.
Quando ela alcançou a borda, olhou até achar a praia abaixo cheia de pedras
de todas as dimensões, desde algumas do tamanho de bolas de baseball até
pedregulhos volumosos que saiam do chão. Muito parecido com aqueles espalhados
em torno do castelo.
— Cara caiu não muito longe de onde você está em pé, — uma voz disse por
trás ela.
Saffron sorriu quando reconheceu a voz de Arran. — Eu não tenho nenhuma
intenção de cair. Eu não estou certa que você teria um reflexo tão rápido quanto
Lucan.
— Oh, ho, — Arran disse com uma calorosa risada quando veio para ficar ao
lado dela. — Se importa de fazer um teste?
— Eu passarei, obrigada, — ela respondeu com um sorriso brilhante.
— Eu estou contente por vê-la bem depois de como nós te achamos esta
manhã.
Ela encolheu os ombros. — Eu sei que há motivo para se preocupar sobre uma
Druidesa cair no cântico e tambores, e eu até pensei sobre isto. Há segurança lá com
os anciãos. É um lugar que ninguém pode nos machucar. E fortalece nossa magia de
formas que eu não posso nem começar a explicar. Ainda assim, se uma Druidesa sabe
o que está fazendo, é seguro.
— Você sabia o que estava fazendo?
— Não, — ela respondeu com uma risada quando olhou de lado para ele. —
Eu sei agora. Ainda, é quase viciante, como uma droga. É um lugar tão bonito e
maravilhoso para se estar, eu entendo por que ninguém quer partir, ou tem
dificuldade partindo.
— Eu estou apenas contente que Camdyn pôde puxar você.
— Por que ele fez isto? — Ela perguntou, e imediatamente lamentou. Ela não
queria saber a razão, não se a machucasse.
Arran enfiou suas mãos nos bolsos dianteiros de sua calça jeans e levantou os
ombros. Ele estava vestindo apenas uma camiseta azul marinho e jaqueta cinza com
capuz. — Talvez porque ele alcançou você antes? Eu realmente não sei, Saffron. Tudo
que eu sei é que eu não pensei em dizer a você que sua mãe estava lá por dinheiro.

84
Ela afastou a franja sobre a testa e considerou suas palavras. — Infelizmente,
Camdyn tinha conhecimento de um telefonema bastante sórdido entre eu e minha
mãe ontem.
— Independentemente, funcionou, e nós estamos todos contentes por isto.
Eles observaram as ondas chegarem e violentamente impactarem nos
precipícios por vários silenciosos momentos. Saffron achou seus pensamentos girando
novamente para Camdyn e aquele surpreendente, beijo empolgante.
— Então, eles mandaram você para me observar? — Ela perguntou quando
não podia permanecer pensando sobre Camdyn outro momento ou no modo que seu
corpo desejou o toque dele e sua boca os lábios dele.
Arran riu e virou em direção a ela. — Não mesmo. Eu estava com Lucan na
ferraria quando vi você deixar o castelo. Eu pensei que você poderia gostar de um
pouco de companhia.
— Isso seria bom. Há tanto que eu quero ver e fazer agora que tenho minha
visão de volta. Só não existem suficiente horas no dia.
Ele sorriu e estendeu o braço ao redor dele. — Você tem um vasto
playground, minha senhora.
Saffron jogou sua cabeça para trás e riu. — Eu tenho, não é?
—Apenas olhe para as pedras escondidas na neve. Elas podem arruinar um
dia. Então o que você quer fazer?
Saffron tinha estado enrolando um punhado de neve, e assim que Arran
perguntou, ela arremessou ele nele. Batendo-o bem no peito.
Ele bufou, olhando da neve caindo seu peito para ela. — Sua pequena
atrevida, — ele disse com um sorriso enquanto começou a juntar sua própria bola de
neve, que era três vezes o tamanho da dela.
Saffron afastou-se dos precipícios, mas não podia evitar a bola de neve de
Arran. Bateu-a nos ombros, com neve então saltando sobre seu rosto.
Ela deslizou para uma parada e chamou, — Minha vez!
O sorriso de Arran enfraqueceu quando ele começou a correr em direção a
ela. Saffron apressou-se, suas mãos frias e desajeitadas mesmo com suas luvas postas.
Mas ela conseguiu pegar a neve compactada junta e lançou em Arran antes dela
decolar correndo novamente.
Ela ouviu ele tossindo e examinou por cima de seu ombro para ver que ela
lançou a bola de neve em seu rosto. O riso tomou conta dela até que ela estava
dobrada pelo esforço.

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— Oh, Deus, minhas bochechas doem, — ela disse entre o riso enquanto ela
tentou empurrar as bochechas.
Arran, enquanto isso, não estava dando nenhuma folga. Ele tinha uma bola de
neve considerável em cada mão e lançou-as ambas ao mesmo tempo.
Tudo que Saffron pôde fazer era dobrar seus braços acima de sua cabeça
segundos antes delas baterem. A força delas empurrou-a para trás na neve grossa, que
amaciou sua queda.
Ela rolou para o lado e começou a juntar mais neve enquanto os passos de
Arran aproximaram-se.
— Saffron? Eu machuquei você? — Ele perguntou, preocupação espessando
sua voz.
Ela esperou até que ele virou-a para cima e então ela empurrou a neve em
seu rosto e abaixo de sua camisa. Ele berrou com riso e enxugou a neve de seus olhos.
Saffron empurrou-se para seus pés, mais neve em suas mãos. Ela esperou
apenas pelo momento certo para lançar novamente.

***

Camdyn estava a caminho da aldeia para fazer um pouco mais de trabalho em


sua cabana quando ele viu Saffron e Arran rindo enquanto lançaram bolas de neve um
no outro.
Uma dor estranha começou no peito de Camdyn quando o riso doce de
Saffron o alcançou. Ele nunca ouviu sua risada com tanta alegria e felicidade antes, e
ele desejou ouvir mais disto.
Quando ela caiu do choque dos arremessos de Arran, Camdyn começou a
andar em direção a ela antes dele saber o que estava fazendo. Foi só quando ele
estava quase neles que ele parou.
Arran o viu, seu sorriso largo e seus olhos brilhantes. — Você veio juntar-se a
nós?
Camdyn conteve o grunhido que formou em sua garganta. Era óbvio pela
atenção de Arran que ele estava atraído por Saffron. Camdyn quis bater os punhos em
seu rosto, mergulhar suas garras no peito de Arran.
Qualquer coisa para fazer Arran ir embora.

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— Eu lançaria isto nele se eu achasse que o faria sorrir, — Saffron disse
quando movimentou a cabeça em direção a Camdyn.
Camdyn odiou que suas palavras o aborreceram tanto. Ele poderia ser
sombrio, mas ele sabia como divertir-se. Não é?
Foi Arran que acabou respondendo. — A ideia de um Guerreiro de divertir-se,
Saffron, é matar wyrran. E sonhar com matar Deirdre.
Ela mordeu seu lábio e sorriu. — Eu posso ver isto. Mas este é um novo tempo
para você dois. Existe muito a fazer para entretenimento. Você dois deviam dar a isto
uma chance.
Antes de Camdyn poder pensar em formar uma resposta, a bola de neve em
na mão dela de repente estava voando em direção a ele. Ele podia ter facilmente
evitado isto, mas ela tentou tanto pegá-lo desprevenido, que ele permitiu que o
batesse no lado do rosto.
A próxima coisa que Camdyn soube era que ambos ela e Arran estavam
lançando as bolas de neve nele.
Camdyn abaixou, um sorriso formando em sua boca enquanto ele trabalhou
seu caminho mais perto de Saffron mesmo quando ela tentou se afastar. Ele conseguiu
alcançá-la e embrulhar uma mão ao redor da dela que estava para lançar a bola de
neve nele. Ele girou-a de forma que a bola de neve foi em direção a Arran ao invés.
Eles estavam todos rindo naquela hora. E então se tornou Camdyn e Saffron
contra Arran. A neve começou a voar implacavelmente quando Camdyn repeliu Arran
com Saffron ajudando.
Então o calcanhar da bota de Saffron bateu em uma pedra e ela perdeu o
equilíbrio. Camdyn reagiu imediatamente e embrulhou seus braços ao redor dela
quando ele girou assim ele tomou o impacto da queda no caso de haver pedras
embaixo da neve.
Ele mordeu de volta uma maldição quando caiu sobre várias pedras grandes
com suas costas. O mesmo lugar que Saffron teria aterrissado se ele não estivesse lá.
Camdyn a rolou acima e alisou seu cabelo de volta do seu rosto com as mãos.
Seus olhos castanhos-dourado piscaram nele, surpresa ainda em seu rosto.
O que quer que ele estivesse para dizer desapareceu de sua mente quando
seu corpo percebeu que ele estava embalado sobre sua suavidade, uma perna
aconchegada entre as delas. Ele apertou a mandíbula para evitar gemer. Seu pau
endurecendo estava apertado contra seu quadril, e havia nenhum modo que ela não o
sentiu.
O olhar de Camdyn abaixou para seus lábios. Imediatamente lembrou o

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quão incrível seus lábios sentiram abaixo dele, o quão maravilhoso sentiu tê-la
respondendo tão depressa a seu toque. E como espantosamente rápido seu próprio
corpo reagiu.
Sua cabeça abaixou em direção à dela. Nada, ele disse a si mesmo, podia
parar a fome inimaginável que ele tinha por saborear seus lábios novamente, aspirar
cheiro de luar e neve dela.
Ouvir seu gemido de prazer. Por ele.
Ele a queria com uma paixão que o surpreendeu e assustou. Ele desejava fazer
amor com ela de novo e de novo, só para tirá-la de seu sangue.
Seguramente isto é tudo que era. Tinha sido um tempo desde que ele teve
uma mulher. Ele apenas precisava achar uma moça disposta. Uma que faria ele
esquecer o intoxicante sentimento de Saffron em seus braços.
Os passos de Arran enquanto ele corria atravessou o desejo que surgiu em
Camdyn.
— Ela está bem?
Camdyn examinou os olhos de Saffron e viu a paixão lá. Suas bolas apertaram,
e ele estava grato que Arran estava com ele ou ele cederia e a beijaria. Novamente.
— Ela está bem, — Camdyn disse enquanto saltou para seus pés.
Ele estendeu a mão para ela, mas ela tomou a de Arran ao invés. Por alguma
razão irritou Camdyn de forma que ele quis esmurrar Arran novamente.
— Você é imprudente, — ele disse a Saffron. Era uma coisa ridícula para se
dizer, mas ele teve que fazer algo para lançar a necessidade e frustração dentro dele.
Ela levantou uma sobrancelha marrom clara. — Com licença? O que você
acabou de dizer?
— Eu disse que você é imprudente, — Camdyn repetiu. — Sua vida é tão
pequena, tão facilmente eliminada. Você podia conseguir um resfriado por estar aqui
fora, ou bater sua cabeça em uma das pedras sob a neve. Sua vida terminaria em um
instante. Você é imprudente.
— Imprudente? — Ela repetiu, sua voz baixa e seus olhos olhando fixamente
para ele com intenção mortal. — Bem, perdoe-me, Sr. Arrogante. Talvez eu devesse
me desculpar por não ser imortal ou ter poderes para curar-me como outras
Druidesas, mas eu não irei. Eu sei melhor que ninguém o quão pequena uma vida pode
ser. Para que não você esqueça, eu fui mantida prisioneira por três anos. Então, sim,
eu poderia ser imprudente, mas é minha vida para viver. Minha!
Camdyn abriu a boca para tentar e acalmá-la, uma vez que percebeu que ele

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podia ter extrapolado, mas falou antes dele.
— Pessoas pegam resfriados o tempo todo. As pessoas quebram ossos o
tempo todo. As pessoas morrem o tempo todo. É parte da vida. E se eu quiser ser
imprudente com minha vida, eu serei a única a pagar as consequências.
Ela começou a ir embora quando Camdyn pegou seu braço e a puxou para
parar. Seu corpo vibrando com raiva, mas ele podia ver a dor em seus olhos. Dor que
ele causou.
— Eu sinto muito. Eu nunca fui muito bom com as pessoas. — Camdyn soltou
seu braço e começou a andar em direção ao castelo.
O que tinha Saffron que enviava seu mundo a girar? Ele não era o único que
nunca perdeu sua calma, ainda assim, com Saffron, isto é tudo que ele parecia fazer.

89
CAPÍTULO TREZE

De alguma maneira Deirdre não ficou surpresa por encontrar Declan em sua
montanha. As pedras deixaram-na saber o momento que ele e seus homens colocaram
o pé em seu domínio.
Deirdre comandou as pedras a abrir a porta escondida e esperou. Ela sorriu
quando Declan e seus homens alcançaram a porta e olharam para dentro.
— Deirdre, — Declan disse com um sorriso preguiçoso e seus olhos azuis
ondulando nos cantos. — É bom ver você. Você está bonita como como sempre.
— Tanto quanto eu amo elogios, diga seu negócio, Declan.
Ele riu e puxou o punho da manga de sua camisa embaixo do terno e do
sobretudo longo que ele vestia. — Está frio aqui fora. Por que não me permite entrar.
Era justamente o que ela queria que ele dissesse. — Certo.
Declan entrou facilmente, mas quando os outros quatro homens tentaram
segui-lo, sua magia impediu isto.
— O que é isto? — Declan exigiu quando seus olhos azuis viraram para ela.
Desaparecido o provocante sedutor que implorou pela entrada.
Ela encolheu os ombros. — Um show de magia, talvez. Você pediu para
entrar, o que eu concedi. Se você gostaria de lutar, eu estou no jogo. Seus homens
poderiam ser mortos com meramente um pensamento meu para minhas pedras, —
ela disse quando acariciou a parede atrás dela.
Os olhos de Declan estreitaram enquanto ele pareceu pesar suas palavras.
Finalmente ele soltou uma respiração e sorriu quando começou a desabotoar seu
sobretudo. — Você ganhou. Eu não vim aqui para discutir ou lutar. Eu vim para
oferecer informações e esperançosamente uma solução que podia beneficiar a ambos.
Tanto quanto ela odiava admitir, Deirdre ficou intrigada. Ela olhou para os
dois wyrran que tinham estado nas sombras e tinha-os guardando a entrada enquanto
ela comandou as pedras a fecharem a porta.
— Siga-me, — ela disse a Declan e virou nos calcanhares de sua bota de
couro.
— Eu vejo que você favorece o couro agora, da mesma forma que eu esperei
que você fizesse.
Ela riu. — Admita que você apenas gostou de ver o modo que ajustou ao meu
corpo.
— Exatamente. Por que mais eu teria dado isto para você vestir?

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Ele certamente era um encantador, mas ela tinha estado viva tempo
suficiente para saber que embaixo do charme estava um homem disposto a fazer
qualquer coisa para conseguir o que queria. E agora mesmo, ele a queria.
Mas a que distância ele iria? Ela perguntou-se.
Ela entrou na pequena sala de estar fora de sua câmara e sentou-se no sofá
de pelúcia que Malcolm recuperou para ela. Deirdre gesticulou para Declan tomar a
cadeira oposta à dela, mas depois de lançar seu longo casaco no encosto da cadeira,
ele ao invés se sentou na outra extremidade do sofá.
— Que informações você tem para mim? — Deirdre perguntou.
Declan sorriu e se inclinou no canto, um braço descansando no braço do sofá
e o outro no encosto. — Nenhuma amabilidade?
— Você me puxou de meu tempo até este, tirando-me tudo que eu acumulei,
então me manteve prisioneira em sua casa por três meses, e você quer amabilidades?
Talvez eu devesse matar você agora.
— Você faria isso para a pessoa que poupou-lhe de nosso mestre?
O estômago de Deirdre apertou em terror, embora ela não permitisse que
isso se mostrasse em seu rosto. — Como você fez isto?
— Ele está chateado, Deirdre. Ele queria tirar toda magia que deu a você
porque você não desistiu de sua necessidade pelos artefatos que os MacLeods têm.
Ela sabia que o Diabo não tinha ido vê-la há algum tempo, mas isso não era
sempre tão estranho. Porém, ela não tinha nenhuma ideia que ele iria levar sua magia.
— Você sabe o que aqueles artefatos farão, Declan?
Ele encolheu os ombros. — Ilumine-me.
— Eles acordarão minha irmã gêmea, que tem a habilidade de me matar não
importando quanta magia eu uso para tentar e salvar meu espírito mais uma vez.
Um lado da boca de Declan ergueu em um sorriso. — Eu confesso, eu sabia
disto. Eu quis saber se você também.
— Então o que são suas informações? Que Satanás está bravo comigo?
— Isto é uma parte, meu doce. A segunda parte é que os MacLeods acharam
o refúgio de sua querida irmã. E eles a estão acordando hoje à noite.
Deirdre pulou para seus pés e começou a andar. Não hoje à noite. Não podia
acontecer hoje à noite. Ela não estava pronta para enfrentar Laria. Todos aqueles anos
crescendo ela pensou que Laria não tinha nenhuma magia, mas sua gêmea escondeu
isto dela.

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Se Deirdre iria matar Laria ela precisava de mais Druidesas para tomar a
magia, e ela precisava de mais Guerreiros. Ela parou e pôs as mãos em seu estômago.
— Saia, — ela disse a Declan.
— Eu achei que você gostaria de ouvir o resto de minha proposta, — ele disse
enquanto se debruçava adiante e apoiava os braços nos joelhos.
Deirdre balançou ao redor quando sua magia correu por ela. Uma mecha de
seu cabelo branco comprido até o chão golpeou e embrulhou ao redor da garganta de
Declan. Ele não agarrou ou mesmo vacilou quando ela começou a apertar.
— Não desta vez, meu bem, — ele disse, e cortou a mecha com um pequeno
punhal que ela não o viu retirar. Ele levantou e tirou o cabelo ao redor de sua
garganta.
Ele virou o punhal sobre a extremidade enquanto foi pegar seu casaco. Ele
olhou para ela. — Muito em breve você virá para mim por ajuda. Muito em breve você
estará me implorando.
— Nunca.
— Ah, você devia observar o que diz.
Quando ele pegou seu casaco e saiu de sua sala de estar, Deirdre perguntou-
se pela primeira vez em milhares de séculos se ela devia ter escutado.

***

A feliz manhã de Saffron tornou-se severa depois de sua discussão com


Camdyn. O que tinha esse homem que desencadeava sua raiva toda vez que ele abria a
boca?
Embora ela quisesse retornar ao castelo, Arran a convenceu em deixá-lo
mostrar-lhe em torno do terreno. Eles gastaram algumas horas na aldeia olhando para
todas as cabanas que tinham sido restauradas. Ele, Ramsey, e Camdyn todos tinham
cabanas.
— Mas existe quartos suficiente no castelo, — ela disse.
— Está ficando apertado. Foi sempre o plano para os Guerreiros não casados
viverem aqui e todos as Druidesas no castelo.
Fazia sentido para ela, e embora ela não quisesse saber, ela tomou interesse
especial na cabana de Camdyn quando Arran assinalou-a.
Depois eles passaram algum tempo nas antigas ruínas da abadia. Entristeceu

92
Saffron que tantas pessoas inocentes morreram nas terras MacLeod. Se ela fosse se
acreditar em fantasmas esperaria que tudo fosse assombrado.
Saffron pediu para ser levada para a praia, e eles estavam a caminho pelo lado
do castelo onde Cara tinha seu jardim e o caminho que levava até a água.
Eles estavam de pé no caminho quando Arran a parou. — É gelado e não é
seguro para você.
— Eu posso voar com ela abaixo, — Broc disse quando saiu da cozinha e
lançou seu deus de forma que suas asas brotaram de suas costas.
Saffron assistiu a cor índigo de sua pele e o azul escuro de suas garras como
também as enormes asas duras que levantaram alto acima de sua cabeça quando ele
dobrou-as atrás de suas costas.
Gwynn explicou a transformação dos Guerreiros para ela muitas vezes, mas
ver as garras, presas, e o modo que a cor do deus assumindo o controle de sua pele e
olhos era outro assunto completamente diferente.
— Não, você não pode, — Sonya disse quando colocou sua cabeça para fora.
— Fallon está procurando por você, amado. Eu acho que ele quer que você tenha
certeza que Deirdre está ainda em Cairn Toul.
Broc encolheu os ombros, e só assim o azul índigo de sua pele e olhos se
foram como as asas, garras, e presas. — Desculpe, Saffron. Outra vez.
Ela sorriu e estava pronta para ver se podia ajudar no castelo quando Broc
pausou e disse, — Camdyn pode levar você, porém.
A cabeça escura de Camdyn levantou de onde ele estava sentado próximo à
porta da cozinha. Saffron não percebeu que ele estava lá porque Broc estava na frente
dele, mas agora que ela viu Camdyn, não podia olhar para longe.
Ele pôs de lado o punhal no banco ao lado dele e levantou-se. Com passos
determinados ele moveu-se em direção a ela.
— Eu... ah, eu vou indo, — Arran disse, e se afastou-se rapidamente.
Saffron respirou fundo e olhou para suas mãos enluvadas. Ela limpou a
garganta e disse para Camdyn, — Você não tem que fazer qualquer coisa. É
provavelmente melhor se eu espere até a primavera de qualquer maneira.
Quando ele não respondeu, ela olhou até encontrá-lo estendendo a palma da
mão para cima. Saffron olhou dela para seu rosto e franziu.
— Você confia em mim? — Foi tudo que ele perguntou.
Saffron assentiu. — Eu confio.

93
— Então tome minha mão.
Ela não hesitou uma segunda vez. Assim que ela pôs a mão na dele, seus
dedos enrolaram ao redor da mão dela e ele a puxou contra ele de forma que seus
braços embrulharam com firmeza ao redor dela. Deu-lhe a desculpa que ela queria
para enrolar seus braços ao redor do pescoço dele.
— Agarre-se, — ele sussurrou em sua orelha.
Um calafrio de antecipação, de prazer, correu por sua espinha abaixo. Seus
braços apertaram, e ela teve apenas um momento para recuperar o fôlego. Um
momento eles estavam nos precipícios pelo castelo, e no próximo eles estavam caindo
no ar.
O estômago de Saffron saltou para sua garganta, mas ela não tinha medo. Ela
ouviu que os Guerreiros saltavam para a praia o tempo todo. Então, em vez de
enterrar seu rosto no pescoço de Camdyn com medo, ela lançou sua cabeça para trás e
riu da ideia de apenas estar viva.
Logo eles aterrissaram. Mais suavemente do que Saffron esperava.
Ela ainda estava sorridente quando olhou acima no rosto de Camdyn. — Isso
foi incrível.
— Você não ficou assustada. — Não era uma pergunta, e a confusão em seus
olhos chocolate a surpreendeu.
— Não.
Ela sentiu suas mãos estenderem em suas costas por sua jaqueta e roupas,
sentiu ele puxá-la mais apertada contra ele. Ficou difícil respirar enquanto ela achou-se
afogando em seu olhar.
Afundando.
Caindo.
Em tudo que era Camdyn MacKenna. Ela não queria sentir esta atração
insaciável por ele, mas parecia não ter como negar isto.
Ela não o parou ou se virou quando sua cabeça começou a abaixar para a dela,
embora ela soubesse em seu coração que devia. Ela devia correr o mais longe e mais
rápido de Camdyn que podia.
Porque ele era o tipo de homem que podia machucá-la muito pior que
qualquer coisa que Declan já fez para ela.
Saffron esqueceu sobre correr, esqueceu de tudo exceto Camdyn e a
maravilhosa sensação dele quando seus lábios tomaram os dela. Ele mordiscou sua
boca suavemente, sedutoramente, provocando-a antes de sua língua deslizar entre
seus lábios.
94
Ela ofegou quando sua língua acariciou ao longo da dela, abanando as chamas
de desejo que tinham-na abrasado desde seu primeiro beijo.
A sensação de sua ereçãi dura estava pressionada em seu estômago. Seu
gemido, baixo e longo, quando ela retornou o beijo com fervor só a empurrou mais.
Quanto mais eles beijavam, mais quente o beijo tornava. Consumia-os.
Devorava-os.
E ela amou cada momento quente, maravilhoso disto.
Suas mãos deslizaram em sua jaqueta e a seguraram firmemente, como se ele
não pudesse deixá-la ir. Suas mãos estavam em todos lugares, tocando-a, acariciando-
a. Saffron estava bêbada com seus beijos, sua paixão voando alto enquanto ele
agarrou seus quadris e roçou sua estimulação nela.
Ela gemeu e agarrou-se nele mais apertado.
Camdyn soube que ele estava caminhando numa borda tão afiada quanto
uma lâmina, e a qualquer momento ele iria cair em tudo o que era Saffron. Seu cheiro
estava por toda parte dele, seu corpo uma tentação que ele não podia ignorar.
E seus beijos... eles falavam de sua paixão, de seu desejo. De seu anseio.
Ele virou-a ligeiramente e segurou seu seio. Ela ofegou quando ele circulou
seu mamilo através de seu suéter antes de anusear o bico duro.
Camdyn sabia que ele tinha que parar logo ou encontraria-se passando do
ponto sem retorno. Foi só o pensamento de passar por outra morte que extinguiu as
chamas de seu desejo.
Ele abaixou a mão e lentamente terminou o beijo. Então amaldiçoou-se de
dez tipos de tolo quando ele viu os lábios de Saffron inchados pelo beijo e a pergunta
em seus olhos.
— Camdyn?
— Eu não posso fazer isto. — Ele não reconheceu sua própria voz que estava
tão rouca, mas ele teve que conseguir dizer as palavras. — Não importando o que meu
corpo quer, eu não posso.
Ela assentiu e deixou seus braços caírem ao redor dele. Camdyn não queria
soltá-la, não queria cortar o que estava entre eles, mas permitiu que ela fizesse isto
quando ela andou ao redor dele.
— Eu acho que é melhor que você partir, — ela disse e girou suas costas para
ele.

95
Ele observou-a por vários momentos quando ela desviou a vista para o mar,
suas costas rígidas e seus braços cruzados acima do peito. As mechas cor de noz do seu
cabelo dançaram ao redor do rosto no vento do mar. No fim, ele sabia que ela estava
certa. Ele precisava partir.
O único problema era, ele nunca podia ficar longe o suficiente dela.

96
CAPÍTULO QUATORZE

Saffron achou-se mais uma vez no grande salão que esperando por Fallon
para teleportá-la para o Anel de Brodgar nas Ilhas Orkney.
Não era que não estivesse pronta e disposta a ajudar os outros a exterminar
Deirdre, porque ela estava. Foi o pensamento de ter que ir ao subterrâneo que deixou-
a tremendo em suas botas.
Literalmente.
Todo mundo estava calorosamente empacotado desde que o vento
chicoteando dos dois lagos junto às temperaturas já frias fariam as coisas muito
desconfortáveis.
Vários dos Guerreiros tinham mochilas abastecidas com a água e comida, e
todo mundo tinha barras energéticas enfiadas nos bolsos de seus casacos por via das
dúvidas.
Saffron levantou seu cachecol de forma que ele cobriu sua boca justo debaixo
de seu nariz então ninguém podia ver seus dentes batendo. Com sua jaqueta ninguém
podia ver como ela estava perto de hiperventilar, também.
Era terrível que a simples menção de ir para o subterrâneo podia apavorá-la.
Só outra razão para odiar Declan. Por três longos anos petrificantes ela tinha estado
profundamente debaixo da casa dele, em seu calabouço. Torturada de modos que ela
dificilmente podia envolver em torno de sua mente.
Atormentada por seus maiores medos.
Sofrendo de fome por dias de cada vez.
Espancada até que finalmente implorar que parassem.
Mas o pior...
Saffron mentalmente agitou a cabeça. Ela não se aventuraria por aquela
estrada e se abriria para aquelas memórias. Não agora.
Nunca novamente.
— Todo mundo pronto? — Fallon perguntou quando olhou ao redor.
— Eu tenho estado pronto por mais de sete séculos, — Quinn respondeu.
Lucan sorriu para seu irmão e assentiu. — Inferno sim, irmãozinho.
Os outros Guerreiros aplaudiram, mas quando Saffron olhou para as
Druidesas, eles não estavam tão alegres. Eles estavam mais preocupados que seus
maridos.

97
Alguém esbarrou com Saffron à sua esquerda e ela olhou acima para ver
Kirstin, Braden, e Aiden. Saffron rolou os olhos pelo modo que os dois sujeitos estavam
caindo em cima do jovem Druida, embora Kirstin estivesse certamente apreciando a
atenção. Quando não parecia como se sua mente estivesse tomando umas pequenas
férias.
Isla avançou no círculo ao lado de Fallon. O salão aquietou quase que
imediatamente. — Como antes, a proteção ficará no lugar protegendo o castelo. Mas
da mesma forma que antes, sempre que nós sairmos daqui não seremos imortais.
— Eu estou esperando que nós acordemos Laria antes de Deirdre chegar lá, —
Fallon disse. — Mas se o pior vir a acontecer e uma das Druidesas ficar ferida, levarei-a
para Sonya imediatamente assim ela poderá curá-la.
Quando Fallon começou a agrupar as pessoas, algo liso e mal deslizou por
Saffron. Por um momento ela não pôde respirar, não pôde mover-se, enquanto ela
reconheceu a sensação daquela maldade.
Ela tragou e tentou andar para o lado só para colidir com Logan e Gwynn.
— Você está bem? — Gwynn perguntou, sua sobrancelha enrugando em
preocupação.
Ela girou a cabeça para eles e deu um pequeno assentimento. — Preciso.
Afastar.
Logan e Gwynn não fizeram quaisquer perguntas enquanto cada um tomou
um braço e a levou para a cozinha. Quanto mais distante Saffron ficou da maldade,
melhor ela se sentiu.
— O que aconteceu? — Logan perguntou, suas sobrancelhas uniram-se acima
de seus olhos castanhos. — Você estava branca como a morte.
Saffron estremeceu. — Eu senti o mal de Declan. Está aqui. Neste castelo. Em
alguém.
— Você está certa? — Gwynn perguntou.
— Eu apostaria minha vida nisto.
— Isto é bom o suficiente para mim, — Lucan disse da entrada da cozinha.
Saffron não percebeu que ele os seguira na cozinha. Mas ele não foi o único.
Ramsey ficou em um lado de Lucan e Camdyn do outro.
Camdyn não articulou uma palavra, simplesmente observou-a com seus olhos
cobertos e expressão em branco. Ela não podia dizer o que ele estava pensando, e isso
a preocupou. Especialmente depois de seu beijo na praia.

98
Ela começou a suar e empurrar fora suas luvas, cachecol, e jaqueta. Ainda não
era suficiente para tranquilizar seu estômago. Saffron inclinou-se e apoiou as mãos
sobre os joelhos.
— O que você precisa? — Gwynn perguntou.
Saffron apertou seus olhos fechados e tentou se libertar do terror. — Matar
Declan.
— Ele é o próximo, — Ramsey disse.
Ela agitou a cabeça, seu cabelo marrom batendo dos lados de sua bochecha.
— Ele está aqui. De alguma maneira ele está aqui.
— Quem ela estava próxima? — Camdyn exigiu.
Foi Logan que respondeu. — Aiden, Kirsten, e Braden.
A cozinha ficou quieta, e não levou muito tempo para Saffron perceber o que
tinha que fazer. Lentamente ela endireitou-se e respirou fundo acalmando seu
estômago.
Seu olhar encontrou o surpreendente verde de Lucan à medida que ela disse,
— existe apenas uma maneira de estar certa de quem que é. Eu preciso aproximar-me
de todos três novamente. De preferência um de cada vez.
Lucan deu um aceno e virou-se enquanto saia da cozinha. Um copo de água
foi empurrado em sua mão. Saffron olhou para a água e de repente desejou algo muito
mais forte.
Como se lendo sua mente, Camdyn tomou a água e deu-lhe um copo com
uma dose de whisky. — Beba isto. Você se sentirá melhor.
Ela inclinou a cabeça para trás e drenou o conteúdo. Queimou sua garganta
abaixo antes de sentar-se em seu estômago, o calor espalhando por ela.
Saffron cobriu sua boca com o pulso que segurou o copo à medida que tossiu.
Ela rapidamente piscou para parar seus olhos de lacrimejar.
— Da próxima vez, tente bebericar, — Logan disse com um sorriso.
Ela colocou o copo na bancada enquanto Fallon e Quinn entraram na cozinha
com Lucan. A boca de Quinn parecia uma linha dura, seus olhos tentando segurar sua
preocupação.
Fallon estendeu a mão para ela. — Lucan me informou. Você está pronta?
— Não, — ela respondeu, mas pôs sua mão na dele de qualquer maneira.
— Nós não vamos permitir que Declan machuque você, — Ramsey prometeu.
— Eu vou cobrar isso a todos vocês.

99
Lucan deu-lhe uma piscada de encorajamento enquanto eles seguiram ela e
Fallon fora da cozinha. Os passos de Saffron hesitaram quando ela viu todo mundo
acomodado em torno da mesa observando-a.
Marcail se sentou ao lado de Aiden acariciando sua mão quando o olhar de
Aiden bloqueou em Saffron. Saffron rezou que não fosse Aiden por causa de Marcail e
Quinn.
— Para que Saffron possa determinar seguramente quem detém a magia de
Declan dentro deles, ela precisará permanecer ao lado de cada um de nós
individualmente até que ela descubra, — Fallon disse no grande salão.
Saffron suspirou. Ela estava contente que ele estava dirigindo isto desta forma
em vez de nomear o três que ela sabia que tinham que deter isso.
Fallon girou para ela. — Você sente a magia de Declan em mim?
Saffron balançou a cabeça. O próximo foi Lucan, então Quinn. Depois dos
MacLeods vieram para Logan, Dani, Ramsey, e Camdyn. Uma pequena excitação
atravessou Saffron quando a mão de Camdyn escovou a sua quando ele veio ficar ao
lado dela.
— Não, — ela sussurrou, e ousou encontrar seu olhar chocolate. Para sua
surpresa, ele apertou sua mão antes de ir embora.
Um por um o resto do castelo veio ficar ao lado dela. Quando era a vez de
Aiden, foi todo que Saffron podia fazer para não olhar para Marcail ou Quinn que
permaneceram fora, ao lado segurando um ao outro.
Saffron segurou sua respiração esperando pela terrível sensação da magia de
Declan. Mas não havia nada. Ela sorriu e balançou sua cabeça para Aiden, que
retornou a seus pais com um sorriso brilhante em seu rosto.
Depois veio para Fiona, que Saffron sabia que não era parte disto. Mas foi
quando Kirstin começou a aproximar-se que Saffron sentiu isto. Ela tropeçou para trás
até que bateu na parede, levantando suas mãos para impedir Kirstin de vir para mais
perto.
— Sou eu? — Kirstin perguntou confusa.
Saffron assentiu, e teve que tragar duas vezes antes de dizer, — Sim.
Kirstin olhou ao redor dela com olhos azuis selvagens. — Como? Eu nunca
encontrei Declan Wallace.
Fallon andou em direção a ela. — Você está certa?
— Sim! — Ela gritou.
— De onde você é? — Quinn perguntou quando ficou mais próximo.

100
— Kinlochleven.
Lucan caminhou para o outro lado de Fallon. — Mas você sabe quem Declan
é?
— Todo mundo sabe, — Kirstin respondeu.
Ramsey moveu atrás dela, e isto foi quando Saffron percebeu os homens
estavam cercando Kirstin.
— Você estava caminhando ao lado da estrada quando encontrei você, —
Ramsey disse. — Como você chegou lá?
Kirsten encolheu os ombros. — Isto é a coisa mais estranha. Eu não tenho
nenhuma ideia. A última coisa que eu lembro antes de acordar era estar no trabalho.
Suas palavras fecharam hermeticamente seu destino.
O braço de Reaghan embrulhou ao redor de Saffron e puxou-a longe da
parede onde ela se sustentou e a encaminhou para a mesa. Ela, junto com o resto,
assistiu quando os Guerreiros seguraram Kirstin enquanto Dani usou sua magia para
cavar na mente de Kirstin.
Quase imediatamente Dani empurrou suas mãos longe de Kirstin. — Meu,
Deus, — Dani sussurrou e compartilhou um olhar surpreso, chocado com Saffron. —
Ele está quase tão fundo na mente dela como estava na sua.
— Não, — Kirstin gritou e tentou libertar-se.
Saffron não podia assistir mais. Ela virou seu rosto e enterrou-o em suas
mãos. Como ela não percebeu que a magia de Declan estava em Kirstin antes? Como
ela perdeu isto?
Se Saffron tivesse passado mais tempo com a jovem Druida ela teria
reconhecido a sensação da magia de Declan imediatamente. Porque ela não tinha, não
tinha como dizer quanta informações Declan soube sobre os acontecimentos no
Castelo MacLeod.
Não era nenhuma coincidência que Declan escolheu Kirstin. Ela tinha muito
pouca magia, e obviamente sua mente era facilmente controlada. Mas o que ele
queria?
O estômago de Saffron rolou quando ela percebeu quanto eles falaram sobre
os artefatos e Laria na frente de Kirstin. Eles até a levaram para o Anel de Brodgar
porque Saffron disse que ela seria necessária.
Bílis subiu por sua garganta quando ela percebeu que sua missão tinha sido
comprometida. Ela ergueu a cabeça ao mesmo tempo que Dani soltou seu agarre em
Kirstin.
— Nós fomos comprometidos, — Saffron e Dani disseram em uníssono.
101
As narinas de Camdyn chamejaram, seu olhar em Saffron. — Explique.
— É bastante fácil pôr junto. Kirstin tem pouca magia, e Declan deve ter
manipulado seu cérebro para nos espiar, — Saffron disse quando ela levantou da mesa
e caminhou para Kirstin.
Lágrimas despejaram abaixo do rosto de Kirstin, mas ela não mais lutou
contra os Guerreiros a segurando.
Dani soltou uma respiração e assentiu. — Isto é exatamente o que Declan fez.
Eu senti sua magia onde tocou apenas certas partes de sua mente.
— Ele sabe onde nós estamos indo, — Saffron disse. — Ele sabe sobre o Anel
de Brodgar.
Arran soltou uma série de maldições e bateu o punho na parede e pedra
desintegrou ao redor dele quando seu punho atravessou-o.
— Que significa que Deirdre sabe, — Broc disse.
— Foda-se, — Galen rosnou.
Saffron não podia ter dito melhor.

102
CAPÍTULO QUINZE

Camdyn não podia afastar o medo que arranhou sua barriga quando ele
sentiu o medo na magia de Saffron. Bateu em seu intestino, embrulhando ao redor
dele como um torno. Por um momento, ele tinha estado tão chocado pelo ataque de
sua magia que tinha sido incapaz de se mover.
Então ele viu Gwynn e Logan ajudarem-na para a cozinha.
Cada fibra de seu ser informou que ela não era sua preocupação, mas ele
achou-se rapidamente correndo depois de Lucan e Ramsey enquanto eles entraram na
cozinha.
A última coisa que Camdyn queria era vê-la passar pela sensação da magia de
Declan novamente, especialmente por causa de quão pálida e abalada ela estava
depois do primeiro roçar. Mas ele devia ter sabido que Saffron se poria junto e
enfrentaria o que fosse pedido. Seu poder de recuperação, sua força, deu orgulho bem
dentro dele. Orgulho e... prazer.
Ela levantou com seus ombros para atrás, seu queixo alto, e seu olhar
determinado. Foi só quando Aiden avançou que Camdyn viu o mais leve vacilo nela. Foi
tão fraco que ele duvidou que qualquer outro viu isto.
Mas ele tinha procurado por isto.
Então quando foi a vez de Kirstin, ela deu só dois passos em direção a Saffron
antes de todo mundo poder ver que ela era a única sendo usada pela magia de Declan.
Ainda assim, nenhum deles realmente entendeu o que Declan fez até que
Dani, com sua habilidade de procurar na mente da pessoa, e Saffron disseram isto
juntas.
Já tinha sido deduzido quando Reaghan tentou anteriormente usar sua magia
para ver se Kirstin mentia, a magia de Reaghan tinha sido parada pela magia de Declan
de alguma maneira.
O fato que Declan invadiu o castelo de vários modos trouxe uma
preocupação, um alarme para Camdyn que ele não queria sentir. Ele disse a Saffron
que ela estava protegida de Declan, mas tinha sido uma mentira.
Camdyn quis berrar sua fúria para os céus. Eles todos trabalharam tanto para
ter um lugar onde eles e as Druidesas estariam seguros, mas parecia que não havia tal
lugar.
O que pôs tensão extra em cada Guerreiro lá. Camdyn podia ver isto em seus
rostos, a apreensão e nervosismo sobre proteger o que era seus. O fato de que eles
estavam protegendo não apenas Druidesas, mas mulheres que eram acasaladas com
eles, era outro assunto completamente diferente.
103
Camdyn era sortudo que não estivesse ligado a ninguém. Mas assim que
aquele pensamento passou por sua mente seu olhar travou em Saffron.
Guerreiros eram poderosos. Eles eram imortais e podiam curar ferimentos
depressa. Eles recebiam poderes especiais de seus deuses, mas não importa o quão
potente o deus era, magia drough — e até aquela de um mie — podia parar um
Guerreiro em seu caminho, se sua magia fosse forte o suficiente.
A magia drough de Deirdre atrapalhara todos eles em um ponto ou outro.
— Nós precisamos chegar às pedras, — Marcail disse, um pequeno tremor em
sua voz.
Hayden assentiu. — Quanto antes melhor.
Não importa que horas chegarameos lá se perdermos o alinhamento. Nós
temos que temporizar isto perfeitamente. Agora que sabemos que Deirdre vai estar lá,
chegar cedo pode não ser uma boa ideia, — Reaghan disse.
Arran empurrou o queixo para Kirstin, quem ele ainda estava segurando. — O
que nós fazemos com ela? Ela não pode vir conosco, e eu não a quero ouvindo mais de
nossos planos.
Braden levantou-se, um músculo em sua mandíbula pulsando. — Eu a
escoltarei para sua câmara. Ela não vai machucar ninguém de lá.
Mas Camdyn não estava tão certo. Ainda assim, não era seu castelo. Fallon
deu seu consentimento e Kirstin foi libertada para seguir Braden para cima pelos
degraus.
Todos eles esperaram até o par estivesse longe da vista antes de Fallon dizer,
— Broc, eu preciso de você para localizar Declan e Deirdre. Eu quero saber onde eles
estão antes de nós chegarmos nas pedras.
Broc deu um aceno com a cabeça e se sentou, as mãos apoiadas na mesa
enquanto ele fechava os olhos. Camdyn ainda tinha dificuldade para se acostumar a
alguns deles podendo usar seu poder sem trazer à tona seu deus.
Porque ele, Ian, Logan, Ramsey, e Arran tinham sido lançados no tempo, os
outros tiveram séculos para afiar suas habilidades como Guerreiros. Ele estava
esperando ansiosamente o momento que ele poderia fazer o mesmo.
E embora ele odiasse admitir, estava preocupado sobre como Saffron reagiria
quando visse todos os Guerreiros com seus deuses libertados. Ela tinha estado ao
redor deles quando fizeram isso, mas isso foi quando ela ainda estava cega.
A última vez que ele se importou com o que uma mulher pensava dele foi

104
quando ele tinha estado com Allison. Agora, ele achava-se preocupado sobre o que
Saffron pensaria quando ele libertasse seu deus. E odiou a ansiedade disto.
— Mãe! — A voz apavorada do Braden filtrou abaixo dos pisos superiores.
Fiona subiu e começou a ir em direção aos degraus, mas Galen foi rápido em
pará-la.
— Deixe-nos ir primeiro, — ele disse a ela.
Camdyn olhou para Saffron para ver suas mãos pressionando a mesa tão forte
que suas juntas estavam brancas. Ele correu depois de Galen quando a voz de Fallon o
deteve.
— Galen, Lucan, Ramsey, Hayden, Larena, e Logan, venham comigo, — Fallon
gritou. — Camdyn, Ian, Quinn, e Arran, fiquem com Broc e os Druidas.
Camdyn friccionou os dentes, mas fez como ordenado enquanto os outros
correram acima dos degraus.
— Nós não devíamos tê-la deixado só, — Saffron disse.
Isla franziu. — Por que?
— Se Declan sabe que nós descobrimos o que ele fez para ela, não tem como
dizer o que ele a fará fazer.
— Fazê-la fazer? — Camdyn repetiu, o nó de preocupação em seu estômago
ficando maior. — Eu não entendo.
Foi Dani que suspirou fortemente. — Ele a estava controlando, — ela
explicou. — Não o tempo todo, você sabe, mas ele a estava controlando. Eu não sei do
que ele estava atrás, mas ele a enviou aqui para espionar, é minha suposição.
— Justo como Deirdre enviou Charlie, — Arran disse.
Ian cruzou os braços em seu peito quando ele olhou fixamente para cima nos
degraus. — Deirdre e Declan fizeram um pacto, você acha?
— Difícil de dizer, — Gwynn respondeu.
Saffron esfregou as mãos acima e abaixo de seus braços. Camdyn moveu-se
então estava em sua linha de visão. — O que mais você acha? — Ele perguntou a ela.
Ela ergueu um ombro esbelto. — Declan é desonesto. Ele fará qualquer coisa,
e eu quero dizer qualquer coisa, para conseguir o que quer. Ele não se importa de usar
uma mulher jovem que é descartável para sua causa.
Assim que ela terminou de falar eles ouviram Braden berrar um “não”, e
então silêncio.

105
Alguns momentos depois, Larena, seus olhos vermelhos, apareceu no topo
dos degraus. — Kirstin saltou da torre no mar. Ela se desculpou e disse que sabia que
algo estava errado com ela, mas não sabia o que. Braden tentou pegá-la e quase caiu.
Hayden e Galen apenas o pegaram a tempo.
O choro suave de Fiona encheu o corredor. Mas o olhar de Camdyn ainda
estava em Saffron. Ele podia ver como o toque da magia de Declan, até por outra
pessoa, a afetava. Fez ele querer saber tudo pelo que ela passou nas mãos de Declan
ainda mais.
E ele temeu o que aquele conhecimento faria para ele ao mesmo tempo.
Fallon e o outros caminharam de volta no grande salão deprimido, mas
determinado. — Assim que Broc dizer onde Deirdre e Declan estão, eu começarei a
saltar todo mundo para as pedras.
O tempo esticou enquanto eles esperaram por Broc abrir seus olhos. O único
outro momento que levou tanto tempo foi quando Declan puxou Deirdre no futuro, e
Ian com ela.
Os nervos de Camdyn estavam estirados tensos, seu deus rosnando dentro
dele, ávido por uma batalha e derramamento de sangue.
Depois do que pareceu como uma eternidade, Broc abriu os olhos e seus
ombros afundaram. — Deirdre ainda está em Cairn Toul, mas Declan... eu não posso
achá-lo.
— Maldição, — Lucan murmurou.
Um músculo na mandíbula de Fallon saltou. — Todo mundo permaneça
alerta. Eu quero uma mistura de Druidesas e Guerreiros todo tempo. Eu nos saltarei
tão perto de uma pedra quanto puder para dar-nos um pouco de abrigo. O sol está
descendo, de forma que ajudará. Todos os artefatos estão prontos?
— Sim, — Larena e Reaghan disseram em uníssono.
— Então vamos, — Fallon disse.
Camdyn conseguiu manobrar-se no segundo grupo com Saffron. Ele não
perguntou-se porque ou questionou a urgência e a necessidade avassaladora que
encheu-o para protegê-la. Ele apenas fez isto.
Ele inalou, e antes de poder soltar a respiração eles estavam no Anel de
Brodgar. Fiel à sua palavra Fallon saltou-os para uma pedra próxima ao anel.
Camdyn e os outros Guerreiros circularam os Druidas quando aguardaram
Fallon retornar com o último grupo. Quando ele fez, eles giraram como um para olhar
para o céu onde o sol estava afundando.

106
— Orion subirá lá, — Saffron disse, e apontou para o céu.
Reaghan sorriu e assentiu. — Exatamente. Como você sabia?
Saffron encolheu os ombros. — Eu costumava estudar as estrelas.
Mais e mais sobre Saffron intrigou Camdyn, o que era uma coisa muito
perigosa. Ele e os outros mantiveram um olho cauteloso na paisagem circundante com
sua visão e audição realçadas enquanto os Druidas esperaram pelas estrelas e lua
iluminar o caminho.
Quanto mais tempo eles ficavam em campo aberto, mais ansiosos os
Guerreiros ficavam. Camdyn sabia que eles precisavam ir para o subterrâneo logo. Ele
praticamente podia sentir que o perigo estava a caminho.
— Nós precisamos nos apressar, — Broc murmurou. Sua óbvia cautela
mostrou pelo modo que seu olhar lançou ao redor. — Deirdre deve ter deixado Cairn
Toul depois que eu verifiquei da última vez porque ela está quase aqui.
Camdyn rosnou e lançou seu deus justo quando os outros fizeram. Ele viu a
surpresa nos olhos de Saffron quando ela pegou um vislumbre dele.
Ele sabia com o que se parecia. Ele viu-se no espelho. As presas podiam ser
muito para suportar, mas as garras eram mais que repelentes. Então havia a cor que
cada deus favorecia.
Para Sculel, o deus dentro de Camdyn, era um profundo, rico marrom. O
mesmo marrom de terra bem cultivada. Quando o olhar de Saffron pegou o seu, seus
olhos alargaram uma fração. Ele quis perguntar a ela se a assustava o modo que o
marrom encheu seu olho completamente, de canto a canto, até mesmo colorindo os
brancos. Era o mesmo para todos os Guerreiros e a cor que seu deus escolheu.
A tensão dentro dele soltou um pouco quando Saffron ofereceu um sorriso
trêmulo. Se ela estivesse assustada, escondeu isto bem, mas ela teria que se
acostumar a sua aparência desde que era melhor para todos se seus deuses
estivessem libertados.
— Eu vejo movimento a oeste, — Logan sussurrou.
Depois de um momento, a voz de Quinn estava cheia de desprezo à medida
que respondeu, — São wyrrans.
Camdyn sorriu. Fazia muito tempo desde que ele matara um wyrran. Suas
garras estavam ávidas para rasgar suas cabeças dos corpos fracos, prontas para
remover aquele pedaço do mal do mundo.
— Aqui vem ele, — Reaghan disse.

107
Camdyn girou para ver o céu escurecer o suficiente de forma que as três
estrelas em uma linha, o Cinto de Orion, podia ser visto por todos. Apareceu
diretamente sobre o segundo monólito na península.
— Nós esperamos pela lua agora, — Saffron disse.
Nuvens obscureceram a luz da lua, e com cada segundo, os wyrrans estavam
aproximando-se deles. Seus gritos agudos encheiam o ar, fazendo as Druidesas
vacilarem e os Guerreiros dobrarem suas garras em antecipação.
— Nós não vamos fazer isto a tempo, — Camdyn disse quando se agaichou na
frente de Saffron, pronto para tirar os wyrrans indo a seu caminho.
Ao lado dele Hayden grunhiu. — Não deixe os pequenos amaldiçoados
tocarem em algum de nossos Druidas.
A cabeça de Saffron chicoteou ao redor quando ela ouviu um rosnado
perigoso próximo dela e percebeu que era Camdyn. Ela perguntou-se no que ele
parecia com seu deus libertado, e todas suas ideias não a prepararam para a visão
surpreendente, assustadora e impressionante dele.
Ela não tinha medo por si. Ela sabia que nenhum dos Guerreiros lá a
machucariam, ainda mesmo conseguindo um vislumbre de Broc antes não a
prepararam para o que a visão de Camdyn em forma de Guerreiro faria para ela.
Seu coração correu, seu sangue pulsou ruidosamente em suas orelhas. Existia
poder dentro dele, poder e dominação. Autoridade que ninguém ousaria tirar dele.
Supremacia que ninguém poderia negar.
E a excitou que ela era uma parte de tudo isso, uma parte de algo a ver com
Camdyn.
Ela ofegou quando ele saltou longe dela e aterrissou sobre uma criatura
amarela diminuta que soltou um grito agudo, que a levou cobrir suas orelhas. Logo
todos os Guerreiros estavam lutando com os wyrrans em uma batalha cheia de
rugidos, grunhidos, e domínio puro pelos Guerreiros.
Saffron não pensou que as nuvens jamais se moveriam sob lua, e quando elas
fizeram, deu-lhes o mais breve dos momentos para ver onde seu caminho levava.
Ela e Reaghan agarraram as mãos quando observavam a luz brilhante da lua
tocar a primeira Pedra de Cometa antes de derramar um caminho da Pedra de Cometa
até o Anel de Brodgar.
Na Pedra de Cometa, iluminada apenas pela luz da lua, estava uma espiral
dupla que pareceu com um S a seu lado. Saffron assistiu a espiral dupla ficar mais
brilhante e mais brilhante.

108
— Isto é onde nós precisamos estar, — Reaghan disse. — A Pedra de Cometa.
A entrada está lá.
Saffron começou a seguir os outros quando eles correram para a Pedra de
Cometa, mas ela olhou para trás para ver Camdyn lutando contra cinco wyrrans. Sua
camisa estava cortada em cinco longas linhas através de seu peito, e ela estava certa
que havia sangue também.
— Vocês não vão ajudá-lo? — Ela perguntou a Ian.
Ian riu, sua mão segurando Dani firmemente. — Camdyn não necessita da
minha ajuda.
Certo o suficiente, quando ela olhou de volta para ele, Camdyn matou todos
os cinco.
— Pelo que você está esperando, mulher? — Camdyn exigiu quando correu
em direção a ela e tomou seu braço para puxá-la depois dele.
Eles voaram acima do chão muito depressa seus pés apenas tocando a terra.
A alegria encheu Saffron quando eles correram em direção à Pedra de Cometa. Até
que ela deslizou para uma parada e viu onde Reaghan colocou sua mão sobre a espiral
dupla e a terra de repente retirou-se, abrindo uma seção grande na frente da pedra.
A outros logo desapareceram na terra. Na escuridão.
Tudo que ela temia mais que qualquer coisa.

109
CAPÍTULO DEZESSEIS

Camdyn cortou a cabeça do último wyrran que estava combatendo enquanto


seus amigos preenchiam a abertura, e sorriu quando o corpo bateu no chão. Ele olhou
para cima quando ouviu gritos agudos. Mais estavam vindo.
Ele virou para ver Lucan, Hayden, e Arran desesperadamente tentando fazer
Saffron entrar no túnel que abriu na frente da Pedra do Cometa.
— Nós não temos tempo para isto, — Hayden disse quando uma bola de fogo
estourou em sua mão e ele lançou-a em um wyrran correndo em direção a eles.
O wyrran estourou em chamas, seus gritos ecoando em torno da península.
— Eu não posso, — Saffron disse, e empurrou fora do agarre de Arran.
Camdyn soltou um rugido quando viu o modo como Arran grosseiramente
agarrou o braço de Saffron. Ele empurrou seu amigo longe de Saffron e olhou para
Arran.
Arran ergueu as mãos. A pele branca de seu deus brilhava ao luar. — Então
você lida com ela, — ele disse.
Antes de Camdyn poder voltar para Saffron, Arran amaldiçoou e atirou uma
bola de gelo em outro wyrran que se aproximava, batendo sua cabeça.
Camdyn enfrentou Saffron e tomou nota de seus olhos selvagens e respiração
rápida. — Você não estará só lá embaixo.
— Eu não estava só antes, — ela murmurou.
Não pela primeira vez Camdyn perguntou-se o que Declan fez para ela, mas
teria que esperar. No momento, ele precisava levá-la abaixo antes dos wyrrans pegá-
la.
Camdyn agarrou seus ombros e deu-lhe uma sacudida leve. — Saffron, nós
precisamos entrar lá para acordar Laria.
— É embaixo da Terra. — Seus olhos castanhos-dourado encontraram os dele,
e ela não tentou esconder seu medo.
— Inferno sangrento, — Lucan disse quando utilizou seu poder para controlar
sombras e escuridão. As sombras os cobriram, escondendo-os dos wyrrans. — A porta
está fechando!
Camdyn olhou para ver que realmente a entrada do labirinto estava fechando.
— Todo mundo precisa de você, Saffron. Por favor. Eu dou-lhe meu juramento como
um Highlander e um Guerreiro, que eu não vou deixar qualquer coisa prejudicar você
lá.

110
Ela afastou uma solitária lágrima que vazou do canto de seu olho e deu um
único aceno com a cabeça. Camdyn não esperou por mais. Ele a ergueu nos braços e
usou sua velocidade incrível para entrar no túnel.
Um segundo mais tarde, Lucan, Hayden, e Arran estavam logo atrás dele. O
som da porta de pedra fechando foi um alto estrondo subterrâneo. As Druidesas
estremeceram com gritos altos de raiva dos wyrran acima deles.
— Deirdre está aqui, — Broc disse de repente. — Ela viu onde nós entramos,
mas não vai levar muito tempo para perceber que ela não pode chegar a nós.
Fallon perguntou, — E Declan? Você sabe onde ele está?
— Não, — Broc respondeu. — Ele está usando sua magia para obscurecer-se.
Esta é a única explicação.
— Ah, não sendo uma menina ou qualquer coisa, mas eu realmente gostaria
de poder ver, — Gwynn disse no silêncio.
Para seu alívio, Camdyn ouviu Saffron rir junto com os outros no comentário
de Gwynn.
— Nunca deixem dizer que eu não me curvo aos desejos de minha mulher, —
Logan disse quando cutucou Hayden. — Dê-nos alguma luz.
Camdyn sabia que os Guerreiros podiam ter guiado as Druidesas facilmente
pelo labirinto com sua habilidade de ver na escuridão, mas provavelmente era melhor
para todos se todo mundo pudesse ver.
Hayden ergueu sua mão acima da cabeça e uma chama de repente apareceu.
O brilho amarelo-laranja dançou sobre a pele vermelha do Guerreiro de Hayden e nos
pequenos chifres vermelhos que apareceram no topo de sua cabeça através de seu
cabelo loiro.
Broc reprimiu seu deus porque o teto do labirinto era muito baixo e suas asas
continuavam raspando contra ele, e um por um os outros fizeram o mesmo.
— E agora? — Ian perguntou.
Fallon caminhou através de seu grupo até que ficou na frente de Ramsey. —
Você disse que havia um Druida da Floresta de Torrichilty.
— Eu disse, — Ramsey respondeu com um pequeno elevar de seu queixo. —
Eu não menti, Fallon.
— Eu não vi ninguém mais.
— Você está olhando para seu Druida.

111
Camdyn podia apenas piscar, ele estava tão surpreso. Nunca tinha-lhe
ocorrido que um Guerreiro podia também ser parte Druida. Por que Ramsey não disse
nada antes?
— Como eu pensei, — Larena disse com um sorriso.
Fallon sorriu e estendeu o braço para Ramsey. Eles apertaram-se os
antebraços. — Eu queria que você tivesse confiado em nós o suficiente para dizer
antes.
— Eu não queria que Deirdre soubesse, — Ramsey disse para explicar.
— Inferno santo, — Quinn murmurou. — Como você escondeu isso de Deirdre
todos estes séculos, Ramsey?
Ramsey, sempre um homem de poucas palavras, encolheu os ombros. — Não
foi fácil.
— Nós podemos discutir isso mais tarde, — Reaghan disse. — Agora mesmo
nós precisamos determinar que caminho seguir.
Camdyn olhou através das outras pessoas para ver que eles realmente
estavam numa encruzilhada. Havia uma parede enorme que levantava-se acima deles
na Terra. Em cada lado estava um corredor para eles escolherem.
— Eu não suponho que você possa ter uma visão para nos guiar na direção
certa, não é? — Camdyn sussurrou para Saffron.
Ela rigidamente agitou sua cabeça. — Nem uma vez já tive uma visão que
envolveu meu destino. Eu duvido que parasse agora.
— Sim, — ele murmurou desanimado.
Nada nunca era fácil, e Camdyn tinha uma suspeita secreta que iria custar a
todos eles muito mais que esperavam só para chegar a Laria.

***

Charon se sentou em um canto de sua taverna, a mão em torno de uma dose


intocada de cerveja. Ele retornou a sua aldeia para descobrir que os wyrrans não
voltaram.
E nem Deirdre.
Ele quase se dirigiu de volta aos MacLeods. Quase. Mas no fim, ele sabia que
seu lugar era aqui, com seu povo. Eles eram impotentes para protegerem-se dos
wyrrans ou até de magia Druida. Charon jurou defendê-los quatrocentos anos atrás.
Ele não os abandonaria agora.

112
113
Um crepitar de algo mágico, algo urgente, correu por sua pele. Seu deus,
Ranmond, respondeu com um rugido que quase saiu pela garganta de Charon.
Ele ergueu a cabeça e levantou-se da mesa para ir ao lado de fora. Sem saber
como ou por que, Charon achou-se enfrentando o norte. E ele soube sem dúvida que
precisava ir para lá. Imediatamente.

***

Phelan estava saindo do cinema após ver seu terceiro filme do dia. Ele parou
enquanto olhava para o céu e a lua cheia. Ele estava em Aberdeen por quase duas
semanas e percebia que gostava bastante da cidade.
Ele virou-se e começou a voltar em direção à pequena casa abandonada que
estava usando quando a força da magia parou-o no caminho.
O desejo de ir para noroeste o estava subjugando. Esmagando. Dominando.
Phelan tinha estado sozinho por tanto tempo, sentindo tão pequena magia
pelos últimos quatro séculos, que a sensação dessa forte magia fez sua pele coçar.
Isso não o machucou. Sentiu-se como quando era um rapaz e uma ferida
estava começando a curar e coçava.
Quanto mais Phelan tentava ignorar a atração da magia, mais isso o
engolfava. Antes dele saber, seus pés estavam levando-o para onde a magia ditava.

***

Malcolm permanecia ao lado de Deirdre com uma boa visão da península


onde os dois círculos de pedra ficavam. A península inteira zumbia com magia. Magia
Mie.
Isso corria por sua pele, deixando uma trilha de arrepios que ele não tentava
esconder. A atração da magia era persuasiva. Se impondo.
Ele queria ir com os homens que ele chamara de amigos. Ele ansiava ficar ao
lado de Larena quando eles despertassem Laria. Ele desejava assistir quando Deirdre
fosse morta.
Mas ele não podia fazer nenhuma dessas coisas.

114
Malcolm prometeu-se para Deirdre em retorno da segurança de Larena. Ele
não arriscaria isso para salvar sua própria alma.
Além disso, sua alma tinha sido perdida muito tempo atrás.
— Descubra onde eles foram, — Deirdre comandou.
Ele girou e levantou uma sobrancelha loira para ela, a pele castanha de seu
deus parecendo mais escura ao luar. — Os wyrrans não puderam descobrir isto e eles
estavam justo sobre os MacLeods, e você quer que eu ache?
— Eu não repito meus comandos, Malcolm. Faça como foi informado.
Malcolm apertou os dentes e começou a caminhar ao longo da longa
península estreita. Ele podia meramente respirar por causa da força da bonita, pura,
magnífica magia que enchia o ar.
Ele tinha estado ao redor de tal magia no Castelo MacLeod, no entanto ele
tinha sido mortal e não sentiu a magia. A pesada, enjoativa sensação da magia drough
fazia-o querer cortar sua pele em tiras de seus ossos com as próprias garras.
Mas a sensação da magia mie... não duraria muito, só até que ele retornasse a
Deirdre. Mas ele saborearia este pequeno pedaço do céu, este alívio minúsculo do
inferno que era sua vida.
Os wyrrans o viram se aproximar e se reuniram ao redor dele. Malcolm não
lhes deu um olhar enquanto passava do primeiro anel de monolitos.
A bagunça ao longo da península era remanescente de mais pedras que
tinham caído ou tinham sido derrubadas através dos séculos. Era uma vergonha.
Malcolm teria gostado de ver este lugar quando todas as pedras estavam em pé e
brilhantes contra o céu.
Quando ele alcançou a grande pedra central onde os MacLeods e sua prima
Larena desapareceram, Malcolm pôde sentir o pulsar de magia maior.
Ele ajoelhou na base da pedra e correu sua mão na grama. Em nenhuma parte
ele via evidências que o chão tinha sido remexido. Então novamente, o poder de
Camdyn era a habilidade de mover a terra. Ainda que Malcolm tivesse a suspeita que
isto foi feito por magia Druida, não poderes de Guerreiro.
Malcolm ergueu a cabeça e olhou para a pedra imponente a sua frente. A lua
tinha movido mas um pouco de sua luz ainda caia na pedra. E isto foi quando ele viu
parte do que pareceu com uma espiral.
— Um símbolo Celta, — ele murmurou enquanto levantava e corria os dedos
ao longo da espiral.
Não era esculpido na pedra. Era como se aparecesse só pela luz da lua.
Malcolm sorriu. — Magia Druida, claro.
115
Ele olhou a seus pés novamente. De alguma maneira a lua na pedra permitiu a
terra abrir e os outros entrarem. Mas aquilo não podia ser tão simples ou alguém
poderia ter encontrado inesperadamente isto mais cedo.
Então ele se lembrou quando Reaghan disse a eles que ela era a chave para
achar Laria. Então foi Reaghan que abriu a entrada.
— Boa sorte, meus amigos, — ele sussurrou para aqueles abaixo dele. Ele não
podia mencionar os MacLeods ou quaisquer dos outros Guerreiros pelo nome. Os
wyrrans ouviriam e reportariam para Deirdre.
Então ele manteve suas esperanças para si mesmo e girou para correr de volta
para Deirdre. Como sempre ele manteve longe toda expressão de seu rosto.
Não era tão duro de fazer. Ele não tinha sentimentos dentro dele. Deirdre
matou todos eles quando libertou seu deus.

116
CAPÍTULO DEZESSETE

Saffron queria muito poder dizer aos outros que caminho seguir, mas não
importa o quanto duro ela tentava, nenhuma visão vinha para ela.
Era tão frustrante, especialmente quando ela sabia quão desesperadamente
eles podiam usar as informações.
— Vá para direita, — Reaghan sugeriu.
Foi Hayden e Isla, que eram os mais próximos, que começaram a adentrar o
corredor à direita. A luz da bola de fogo de Hayden mostrou o que parecia buracos nas
pedras retangulares que compunham as paredes, teto, e chão.
Saffron levantou-se nas pontas dos pés e olhou acima dos ombros assim
poderia ver o que estava acontecendo. Fallon e Larena foram os próximos a segui-los.
Hayden estava na frente de Isla e caminhando com passos lentos, medidos quando seu
pé caiu sobre uma pedra que rachou embaixo de seu peso.
O som era como um tiro no silêncio.
— Filho de uma puta, — ele gritou e agarrou Isla em seus braços quando
correu de volta para o cruzamento.
— Hayden, — Isla gritou quando alcançou acima de seu ombro e retirou uma
pequena flecha.
A boca de Saffron abriu quando Hayden girou e ela podia ver uma dúzia ou
mais cutucando suas costas. Isla começou a arrancá-las, e agradecidamente Hayden
curou quase imediatamente.
— Nenhum sangue drough, — Fallon disse quando inspecionou uma das
setas. — A ponta é feita de pedra, não metal.
— O que significa que eles colocaram armadilhas neste lugar quando o
construíram, — Gwynn disse.
Arran bufou, seus lábios torcidos em resignação. — Justo o que nós
precisamos!
— Nós devemos ir para a esquerda então? — Camdyn perguntou.
Saffron tinha intenção de ficar perto de Camdyn porque ele prometeu mantê-
la segura, mas se ele fosse liderar o caminho no escuro, úmido e pequeno túnel, ela
preferiria ficar atrás.
Ela nunca tinha sido claustrofóbica antes, mas três anos na prisão de Declan
mudaram isto. Agora, ela não podia ficar em lugar fechado.

117
Seu couro cabeludo já formigava e seus nervos estavam apertados a cada
pequeno som que ela ouvia no labirinto. E eles nem realmente tinham começado
ainda.
Ninguém tinha qualquer ideia do quão grande era este labirinto ou quanto
tempo levaria para alcançar Laria.
— Será a esquerda, — Fallon disse. Ele estendeu sua mão e Larena tomou-a
com um pequeno sorriso.
Era melhor ter os Guerreiros indo no corredor primeiro já que eles eram
imortais. Mas eventualmente as Druidesas teriam que fazer aquele mesmo caminho.
Saffron vira muitos filmes em sua vida. Ela sabia como as coisas poderiam
ficar com um pequeno passo em falso. A última coisa que ela queria era que alguém
ficasse machucado.
Mas o que eles estavam fazendo era extremamente perigoso. Não apenas no
subterrâneo, mas em cima enquanto Deirdre os aguardava. Seria um milagre se todo
mundo retornasse ao castelo são e salvo.
Ela olhou para Camdyn. Não podia imaginá-lo ferido. Ele sempre tinha sido
tão vivo e resistente.
— Nós passamos, — Fallon chamou, quebrando os pensamentos de Saffron.
Os próximos a seguir foram Hayden e Isla, e quando eles fizeram isto
incólumes, o resto deles seguiram. Quando foi a hora de Saffron caminhar pelo longo
corredor, ela quis manter seus olhos à frente dela para onde os outros esperavam,
para ajudar a diminuir sua ansiedade, mas ela estava tão preocupada em pisar em uma
pedra errada que seus olhos estavam colados ao chão.
Pareceu uma eternidade antes dela, Camdyn, e Braden alcançarem os outros.
Saffron deu uma respiração profunda e lentamente soltou-a.
Camdyn sabia que Saffron não estava lidando bem em estar no subterrâneo,
mas até agora ela estava mantendo isto sob controle. Na proporção que eles estavam
indo, porém, ele não sabia quanto tempo duraria.
Ele notou como ela aproximava-se mais perto dele quando pensava que havia
uma ameaça. Infelizmente, ele gostou muito de tê-la tão perto.
Diferentemente das outras Druidesas, Saffron não tirou sua jaqueta,
entretanto suas luvas tinham sido enfiadas nos bolsos do casaco e seu cachecol agora
pendurado livremente sobre seus ombros.

118
Seu cabelo cor de noz caia por suas costas, sua espessura e sedosidade
fazendo-o se debruçar perto e inalar seu cheiro de luar e neve.
Não importa o que ele fizesse, não importa como tentasse afastar-se dela, ele
parecia não poder fazer isto. E depois de segurá-la, prová-la, acariciá-la, ele não queria
se afastar.
Nunca.
— Sonya, — Lucan chamou.
Sonya e Broc trabalharam seu caminho através do grupo até que enfrentaram
o próximo cruzamento.
Broc franziu o cenho para Lucan. — Por que você chamou Sonya?
Cara ergueu seu dedo, e disse, — Reaghan foi o primeiro artefato, e Sonya
achou o segundo no amuleto. Nós assumimos que é o segundo para ser usado.
— Ela tem um ponto, — Sonya disse. Ela tirou o amuleto que usava ao redor
do pescoço e ergueu-o acima de sua cabeça. — Mas o que eu faço com isto?
— Boa pergunta, — Quinn murmurou.
Dani avançou e moveu o braço de Hayden para ver mais da parede à frente
deles. — Tem que haver um lugar para pôr isto, é minha suposição. O que mais você
faria com isto?
— Talvez só usando isso a ajudará, — Marcail ofereceu.
Sonya retornou o amuleto a seu pescoço. — Nós temos que escolher um
caminho novamente. Esquerda ou direita?
Foi decidido tentar a esquerda novamente. Camdyn manteve Saffron ao lado
dele, embora tivesse a certeza de mover-se um pouco à frente dela para protegê-la.
Eles passaram por mais quatro cruzamentos antes de chegar a um beco sem
saída e ter de voltar. Desde que eles foram para a esquerda todo tempo, foi fácil
retornar onde eles estavam.
— Seria muito mais fácil se nós pudéssemos nos separar, — Ramsey disse.
Logan assentiu. — E mais rápido.
— Mas nós precisamos dos artefatos em determinados locais antes de irmos
adiante, — Reaghan disse.
Camdyn sentiu os dedos de Saffron apertarem ao redor de sua mão, e ele
respondeu com um leve aperto. — É compreensível que isto possa tomar um

119
tempo muito longo, mas nós precisamos nos mover adiante.
— Sim, nós precisamos, — Sonya admitiu. Ela e Broc mais uma vez avançaram
e viraram à direita desta vez.
Como antes, nada aconteceu. Isso colocou Camdyn no limite. Ele tinha estado
completamente preparado para algo disparar das paredes em Sonya e Broc já que eles
ficaram bem quando viraram à esquerda. Mas o mesmo aconteceria indo à direita?
Nunca sabendo se haveria uma armadilha ou não, só estava tornando esta
expedição até mais desesperadora.
Sonya e Broc viraram a esquerda no próximo cruzamento e os fizeram
caminhar por um corredor que Camdyn não achava que acabaria jamais.
Quando acabou, todos eles pensaram que haviam chegado noutro beco sem
saída até que o fogo da mão de Hayden mostrasse uma maciça espiral dupla que
tomava a largura de toda a porta.
— É o mesmo que o amuleto, — Sonya disse. Ela ergueu-o acima de seu
pescoço para segurá-lo até a gravura quando um pulsar de magia voou da porta acima
deles, fazendo todo mundo dar um passo atrás pela força disto.
Ao mesmo tempo, uma fenda na porta apareceu que era a forma exata do
amuleto. Sem hesitação Sonya deu um passo à frente e pôs o amuleto no buraco.
Houve um clique alto, então um estrondo quando a porta começou a erguer-
se para cima. Pó e terra choveram abaixo neles enquanto a porta movia-se lentamente
para cima, permitindo-lhes entrar mais adiante no labirinto.
Todos eles se apressaram pela porta já que não sabiam quanto tempo ficaria
aberta. Quando os últimos deles tinham atravessado, a porta começou a descer.
— Espere, — Sonya disse quando a porta fechou com um estrondo. — O
amuleto.
— O labirinto tomou isto, — Reaghan disse. — Pelo menos agora Deirdre já
não o pegará.
Camdyn inclinou-se para tirar a sujeira do cabelo quando ouviu o baixo
assobio de Fallon antes do som de metal batendo pedra enchesse o silêncio.
Ele ergueu a cabeça para ver a espada que eles roubaram de Deirdre no chão.
— O que aconteceu?
— Me queimou, — Fallon respondeu.
Quinn embrulhou sua mão sobre ela, e prontamente a soltou. — A mim
também.

120
Sem parar Lucan tentou, mas da mesma maneira que com seus irmãos, ele foi
queimado.
— Todos nós tentaremos então, — Ramsey disse.
Um por um os Guerreiros tentaram tocar a espada, e cada vez ela os rejeitou.
Camdyn foi o último a avançar.
— Talvez um Guerreiro não deva carrega-la, — Camdyn disse enquanto
estudava a espada.
Hayden agitou a cabeça. — É suposto que um Guerreiro a carregue.
Camdyn soltou um suspiro e agarrou o cabo da espada. Ele esperou sentir dor,
mas tudo que sentiu foi o toque fresco de metal contra sua palma.
— Diabos, — Galen murmurou.
Fallon sorriu. — Parece que a espada achou quem procurava. Você é o
próximo, Camdyn.
Camdyn temia esta parte. Ele podia deixar Saffron com Ramsey e Arran
vigiando-a, ou levá-la com ele. E ele suspeitava que ela não gostaria nem de uma ou de
outra opção.
— Sim, — ele disse. Camdyn sentiu um tremor correr por Saffron. Ele girou
para ela e disse, — Ramsey manterá você segura.
Ele não tinha terminado de falar antes dela negar com a cabeça. — Você
prometeu, — ela disse.
Como ele imaginara. Ele soltou um suspiro. — Certo.
Ele caminhou adiante, Saffron em seu rastro. Agora, cabia a ele fazer as
decisões. Ele olhou à esquerda no cruzamento, então para a direita.
Nada podia ajudá-lo a tomar uma decisão em que caminho seguir. E não havia
nenhum modo que poria a vida de Saffron em perigo, não se ele pudesse evitar isto.
Camdyn agachou-se e colocou as mãos no chão. Ele comandou a terra para
respondê-lo, ajudar a descobrir padrões onde havia algo diferente de pedra e a rocha
para ajudar a mantê-los seguros.
Mas os Druidas tinham sido muito espertos para ele. Sua magia cobria cada
centímetro do labirinto. Ele levantou com uma maldição e apontou à direita.
— Eu vou tentar este caminho.
Ele deu dois passos e olhou atrás para os outros. Em seu terceiro passo, ele
sentiu o movimento da terra de um modo que não tinha nada a ver com armadilhas.
— Voltem, — ele gritou quando alcançou e agarrou os braços de Saffron.

121
Ele a arrancou fora do caminho antes das pedras desmoronarem sobre ela.
Por muitos minutos sujeira e pedras continuaram a chover ao redor deles, mas
Camdyn usou seu poder para manter isto afastado dele e de Saffron.
Quando ele ergueu sua cabeça achou-se sendo atacado, mas não por wyrrans
ou Deirdre.
Por Saffron.
Era tudo que Camdyn podia fazer para mantê-la de quebrar seu abraço. Se ela
sabia disto ou não, estava usando sua magia misturada com o terror e era uma
combinação poderosa.
Quase imediatamente Camdyn sentiu a inconfundível sensação de magia
drough acima dele. Não havia nenhuma dúvida que era Deirdre. Com Deirdre acima
dele tentando romper seu poder, e Saffron na frente dele fazendo seu melhor para
afastar-se, Camdyn estava se segurando numa linha fina.
Ele tinha que conseguir Saffron sob controle de alguma maneira, de alguma
forma.
— Saffron, — ele chamou.
Pela forma como ela continuava arranhando seu rosto era óbvio que ela não
podia ouvi-lo. Se ele não pudesse chegar a ela dessa forma, ele teria que usar outra.
Camdyn não quis tocá-la com suas garras e arriscar cortá-la, e ele precisava de
seu deus libertado a fim de impedir a terra de esmagá-los.
Sem outra escolha, ele ordenou suas garras desaparecer antes dele agarrar
primeiro um pulso, então o outro e segurá-los acima da cabeça de Saffron. Sua cabeça
balançou de lado a lado enquanto ela gritava para deixá-la ir.
De alguma maneira ele conseguiu afundar seu deus o suficiente que suas
presas desapareceram, mas ele ainda era capaz de usar seu poder. Isso era tudo que
ele precisava fazer para reivindicar sua boca. Ela resistiu contra ele e tentou virar sua
cabeça, mas ele não iria desistir. Ele tinha que tranquilizá-la assim eles poderiam lutar
contra Deirdre juntos.
Ele lambeu seus lábios, pressionando a boca duramente contra a dela e com
toda a paixão que segurou sob controle até aquele momento. Ela tomou uma
respiração, e quando ela fez, ele deslizou a língua dentro de sua boca e correu contra a
dela.
Seu gemido suave foi sua ruína. Seu pau endureceu enquanto a perna dela
rolou ao redor de sua cintura. Camdyn a beijou com todo o abandono, toda a
necessidade, que ele conteve dela — e de si mesmo.

122
Ele a beijou como se não houvesse amanhã. Porque para eles, poderia não
haver.
Ele a beijou como se esperasse sua vida inteira para saboreá-la. Porque ele
tinha.
Ele a beijou como se nunca quisesse beijar outra mulher.
Porque ele não queria.

123
CAPÍTULO DEZOITO

Saffron soube no momento que lábios de Camdyn tocou os dela que ela era
impotente para resistir à sua tentação. Seu beijo persuadiu, provocou. Atraiu.
Seu corpo duro apertado contra ela, urgindo sua paixão mais alto, dirigindo
sua necessidade mais profunda. Até mesmo através de sua jaqueta grossa ela podia
sentir a paixão radiando de seu corpo. Ela estava se afogando nisto. E se sentiu feliz.
Quando sua língua deslizou entre os lábios dela, Saffron derreteu-se contra
ele. Queria tocá-lo, segurá-lo, mas Camdyn não soltava seus pulsos.
Com uma mão ele segurava os braços dela para cima enquanto continuava a
extasiar sua boca com necessidade tão forte que nunca passou por sua mente afastá-
lo. Tudo que ela queria era mais dele e seus beijos que fizeram-na fraca por toda parte.
Ela gemeu quando ele inclinou a cabeça e aprofundou o beijo. Ele tomou,
exigiu. Reivindicou.
Ele soltou suas mãos e deslizou em baixo de sua jaqueta e debaixo de seu
suéter para tocar pele nua. Saffron ergueu sua perna para embrulhar-se ao redor da
cintura dele e o trazer mais perto, tê-lo contra ela.
O comprimento duro de sua excitação só exaltou seus próprios desejos, que
estavam rapidamente queimando fora de controle. Tinha passado tanto tempo desde
que seu corpo achou liberação, tão terrivelmente longo desde que ela tinha estado nos
braços de um homem.
Ela queria Camdyn. Ansiou por ele, desejou-o. Seus beijos eram como uma
droga, uma intoxicação que ela não podia conseguir o suficiente.
— Pelos santos! Você tem um sabor tão malditamente bom, — ele murmurou
e a beijou novamente.
Profundamente. Intensamente.
E Saffron estava fascinada.
Ela arqueou-se contra ele quando sua mão deslizou acima de suas nádegas e a
balançou contra seu comprimento rígido. Seu corpo pulsou com inextinguível
necessidade enquanto ela sentia-se ficar úmida. Necessidade, forte e urgente, deslizou
sobre dela como seda.
Seu corpo não era dela mesma enquanto esperava para sentir mais de
Camdyn, faminta para tocá-lo como ele a estava tocando.
Ele segurou-a quieta contra a parede de pedra com seu corpo duro enquanto
a beijava com despreocupado abandono, selvagem necessidade. Seu beijo tomou,
ocupou. E ela era mais que feliz em dar-lhe tudo que ele procurava.
124
Ela podia apenas estar lá, seu corpo queimando, enquanto as mãos dele
esfregavam abaixo de seus braços antes de arrastá-la contra ele.
Saffron mergulhou as mãos nas mechas frias de seu cabelo de carvão preto e
o beijou com todo o desejo, todo o anseio, dentro dela.
Seu beijo ficou insistente, quase desesperado enquanto as chamas
enfureceram entre eles. Saffron podia sentir a necessidade apertando entre suas
pernas enquanto ele continuava a roçar-se contra ela.
E então ele terminou o beijo tão de repente quanto começou.
Saffron piscou seus olhos abrindo-os enquanto lutava para conseguir sua
respiração de volta, sob controle. Por vários momentos eles simplesmente olharam
fixamente um para o outro, suas respirações irregulares o único som a ser ouvido.
Ela podia apenas distinguir sua silhueta na escuridão, e ela quis examinar seus
olhos, ver se a paixão que ela sentiu tinha sido real.
— Eu preciso de sua ajuda, — ele finalmente disse, sua respiração severa,
seus lábios molhados de seus beijos.
Saffron abaixou a perna e assentiu embora ela não podia dispersar o desejo
dentro dela tão facilmente quanto Camdyn podia. Ela inspirou uma respiração
irregular, tentando tranquilizar seu coração acelerado. — O que você precisa?
— Deirdre é a pessoa que desmoronou o túnel. Eu não sei como, mas ela fez.
Ela também está usando sua magia contra mim assim eu não posso colocar a terra de
volta do modo que era.
Saffron ajustou seu suéter e tentou sair de seus braços, mas ele não permitiria
isto. — E eu fiz isto pior lutando contra você.
— Eu não culpo você. Mas agora que você está sob controle, sua magia
misturada com meu poder podia subjugar a magia negra de Deirdre.
— Eu duvido disto, — Saffron murmurou, mas estava disposta a tentar
qualquer coisa para conseguir um pouco de espaço de volta, ainda que fosse nos
túneis estreitos do labirinto. — O que eu faço?
— Se concentre e enfoque sua magia em mim.
Ela viu a cabeça dele abaixar para a sua, sentiu sua respiração morna na pele
dela. Seus olhos baixaram fechados e seu corpo moveu em direção a ele. Logo antes
de seus lábios tocarem-se novamente, ele afastou-se. A boca de Saffron separou
enquanto lambia os lábios e respirava fundo.
Surpreendentemente, sua magia era mais forte do que ela já tinha sentido

125
quando chamou-a. Isto correu por seu corpo como um maremoto, a força disto
prendendo sua respiração.
Saffron canalizou a magia em direção a Camdyn. Ela retratou isto invadindo
sua pele e enchendo seu corpo como fazia no dela.
Ele grunhiu, seu corpo rígido. O gemido que retumbou do fundo, dentro dele,
não teve nada a ver com dor. — Merda!
Ela sorriu com sua reação, mas isso logo desapareceu quando ela sentiu algo
empurrar contra sua magia.
— É Deirdre, — Camdyn disse, sua voz baixa e cortada.
Saffron sabia o quão poderosa a magia negra era. Experimentou isto em
primeira mão por três anos. Ela tinha sido puxada daquele inferno, e não havia
nenhum modo que ela iria morrer enterrada embaixo de toneladas de terra e pedra.
Ela pôs sua mão no meio das costas de Camdyn enquanto fechava os olhos. A
batidas e cântico encheram suas orelhas como se eles tivessem esperado por ela.
Tudo que Saffron queria fazer era ir para eles, mas ela se manteve sob
controle. Ela podia sentir sua magia fortalecer, mas não era nada comparado a quando
ela tinha olhado fixamente para o fogo. Quando ela achou-se esquecendo de Camdyn
e escutando apenas o cântico, ela parou isto imediatamente.
Não era só ela e Camdyn que estavam presos. Os outros podiam estar
também. E independentemente de seus medos, ela precisava levantar-se e fazer o que
podia para combater Deirdre.
— Saffron, — Camdyn murmurou, sua voz áspera com desejo.
Seu estômago sacudiu ao som de sua voz, o modo como seu nome soava
como uma carícia nos lábios dele. Ninguém jamais dissera seu nome assim antes, e ela
sabia que ninguém iria dizer novamente.
Saffron ouviu algo mudar ao redor deles, mas ela não abriu os olhos. Não
ainda.
— Eu estou recebendo isso, — ele disse.
Ela sorriu e deu um passo mais perto dele. A sensação de seu calor, seus
músculos fortes embaixo de sua palma, enviado seu coração acelerado. Não havia
nenhum medo nela agora. Ela sabia que Camdyn a manteria segura. Ele já provara isto
impedindo-os de serem esmagados.
Mesmo quando ela surtara, ele a tinha mantido sob controle enquanto ainda
os mantinha seguros. Ela não podia imaginar quanto poder levou para impedir todo
aquele peso de cair sobre deles.

126
Apenas pensar sobre isso fez um arrepio correr por sua espinha. Declan
apreciaria isto se soubesse que ele a fez temer estar no subterrâneo. E ela odiou isto.
— Quase, — Camdyn disse entre dentes. — Não diminua sua magia.
— Nunca, — ela sussurrou, e aumentou seu aperto nele.
Seu corpo tremeu embaixo de suas mãos, mas se foi pela tarefa de lutar
contra Deirdre ou por sua magia, Saffron não sabia.
Ela ouviu seus nomes sendo gritados freneticamente. — Camdyn.
— Eu os ouço, — ele disse.
Saffron girou a cabeça ao lado, mas tudo que ela viu foi escuridão. Ela podia
ouvir os outros como se eles estivessem ficando mais perto. E então de repente, ela
viu um raio de luz atravessar a pedra.
— Eu disse a eles que você dois estavam vivos ainda, — Hayden disse quando
olhou entre duas pedras.
Saffron nunca se sentira tão feliz em ver luz novamente. Estar na escuridão
lembrava-a de quando era cega, e embora era algo que ela se acostumara, agora que
tinha mais uma vez recolhido a incrível variedade de cores no mundo, não podia
imaginar não vê-las novamente.
Camdyn deu um maciço arremesso e Saffron olhou para cima para ver o topo
do túnel mover-se de volta no lugar. Hayden saltou atrás quando a terra que os
bloqueava também retornou onde estava.
Saffron deixou cair as mãos quando Camdyn girou para encará-la. Ela pôde
ver que ele queria dizer algo, mas antes dele poder, eles foram cercados pelos outros.
— Foi Deirdre, — Camdyn disse.
Os lábios de Broc franziram. — Sim. Nós sabemos. Ela não atravessou o chão e
nos viu, porém.
— Nós desperdiçamos suficiente tempo aqui, — Fallon gritou. — Sonya já
curou aqueles que foram feridos. Algum de vocês está machucado?
— Não, — Saffron disse e olhou para Camdyn.
Fallon deu a ela um sorriso rápido. — Vamos partir então.
Saffron pensou que era uma brilhante ideia até que ela olhou para o lugar
onde Camdyn a beijara como se não houvesse amanhã, como se todo seu ser entrasse
naquele beijo.
Ela permitiu a Dani e Gwynn puxá-la com elas quando começaram a caminhar.

127
Camdyn recuperou a espada que ele soltou e logo estava de volta a frente liderando-
os. E ela se encontrou querendo estar com ele.
Não importando os perigos.
Camdyn a tirou da prisão de Declan quando ninguém mais poderia. Ele a
trouxe fora de seu transe quando ninguém mais poderia.
E ele a acalmou quando ela sabia que ninguém mais poderia depois do
desmoronamento.
Seu olhar estava atrás da cabeça dele quando ele chacoalhou-a, limpando
seus cachos negros dos detritos. Ela mordeu de volta um sorriso quando ele puxou seu
cabelo longo fora de seu rosto e amarrou uma tira de couro ao redor na base de seu
pescoço.
Uma trança como ela o tinha ouvido chamar isto.
Ainda assim, mechas de seu cabelo caíam ao redor do seu rosto para enrolar
levemente. Novamente ele afastou-as de volta de seu rosto, mas aquelas mechas de
cabelo estavam determinadas a cair como queriam.
— Você está bem? — Dani perguntou a ela.
Saffron sorriu, seu olhar ainda em Camdyn. — Eu estou.
— Nós pensamos que você estaria pirando como o inferno, — Gwynn disse,
sua voz densa de preocupação.
— Oh, eu pirei. — Saffron estava envergonhada em pensar sobre justo como
ela tinha ficado.
A cabeça de Gwynn virou para ela. — Mas... você está tranquila agora.
Saffron encolheu os ombros. — Camdyn me acalmou.
— Ah, — Dani disse, um sorriso em sua voz.
Mas Saffron não se importou. Ela lutou através de seu terror, sendo beijada
como nunca antes, e ajudou a alcançar uma pequena vitória sobre Deirdre.
Tudo com Camdyn.
Ele virou uma esquina, e logo antes de caminhar longe da sua visão, ele olhou
para ela. Seus olhos presos, segurando. Saffron perdeu um passo quando seu corpo
zumbiu com o desejo correspondendo ao que ela viu no olhar escuro de Camdyn.
Sem uma palavra, ela afastou-se de suas amigas, meneando através dos
outros até que permaneceu ao lado de Camdyn.
— Você não deveria estar aqui, — ele murmurou furiosamente.

128
Ela levantou uma sobrancelha para olhar para ele. — E quem mais me
protegerá de cada coisa que mais temo?
Ele soltou um suspiro alto. — Você estará melhor longe de mim.
— Talvez, mas eu prefiro não apostar minha vida nisto hoje à noite.
Camdyn parou e olhou fixamente para ela. — Qual caminho então?
Saffron correu uma mão por seu cabelo e fez uma careta quando sentiu a
sujeira lá. Ela inclinou a cabeça de lado e agitou seu cabelo para tirar tanto quanto ela
pudesse enquanto ela olhava para a esquerda. Então ela trocou de lado e repetiu tudo
enquanto olhava para a direita.
— A esquerda cheira engraçado. Eu digo que nós vamos para a direita.
Uma sugestão de sorriso apareceu nos lábios dele antes virar para longe dela
para ir pelo corredor à direita. Era pequeno, e ele tinha apenas alcançado a esquina
onde só lhe permitia ir para a esquerda quando Saffron andou atrás dele.
Ela ouviu um alto ruído à frente dela. Sem pensar em sua própria segurança,
começou a correr em direção a Camdyn mesmo quando os outros tentavam segurá-la
de volta.
Camdyn soltou uma maldição alta antes dela ouvir o que pareceu como garras
deslizando pelas pedras.
Os Guerreiros tentaram chegar perto dela, mas o túnel era muito estreito.
Saffron torceu-se longe de Quinn e correu para o canto onde parou quando viu o chão
faltando.
— Camdyn! — Ela berrou quando caiu de joelhos e examinou a extremidade
do chão afundado.
Ela achou-o pendurado em uma das mãos, suas garras presas na pedra. Seu
coração afundou para os pés quando ela percebeu quão facilmente ele poderia ter
caído. Ela observou abaixo dele, mas tudo que via era escuridão. Não havia nenhum
modo de saber quando o buraco terminava. Ou se terminava.
Saffron debruçou-se acima da extremidade para ajudar.
— Você ficou louca? — Camdyn calmamente exigiu. — Volte assim eu posso
saltar para cima.
Ela rolou os olhos, mas levantou-se para achar os outros Guerreiros atrás
dela. Alguns estavam abertamente sorridentes com sua conversa com Camdyn.
Antes dela poder explicar por que correu para ele, Camdyn aterrissou ao seu
lado e agarrou seus ombros para girá-la para encará-lo.

129
Sua boca abriu, mas ele apertou-a fechada quando um músculo em sua
mandíbula pulou repetidamente.
Saffron limpou sua garganta. — Assim, o corredor da esquerda então?

130
CAPÍTULO DEZENOVE

A ira de Deirdre não conhecia limites. Ela atacava com seus cabelos qualquer
perto dela, inclusive seus preciosos wyrrans.
Quando uma mecha embrulhou o pescoço de Malcolm e apertou, o Guerreiro
castanho simplesmente levantou uma sobrancelha loira para ela. — Matar-me não
será de seu melhor interesse. Especialmente já que eu sou seu último Guerreiro.
Tanto quanto ela odiava admitir isto, ele estava certo. Ela libertou o aperto
nele e jogou sua cabeça para trás para gritar sua raiva para os céus.
Ela tinha ouvido e sentido o chão se mover abaixo dela. Ela sabia que houve
um desmoronamento, mas por que ela não podia ir abaixo da superfície?
Era ruim o suficiente que ela não pudesse ficar perto dos círculos de pedra por
causa da magia mie, mas agora ela não podia nem ir abaixo do chão onde os MacLeods
iriam alcançar Laria antes deles.
— Magia mie não deveria ser capaz de parar-me, — ela disse quando
conseguiu controle sobre sua ira. Ela olhou para Malcolm. — Você sabe o que eu fiz
para ter a magia negra dentro de mim? Você sabe o que eu tive que sacrificar?
— E quantos inocentes você matou? — Malcolm replicou.
Existia algo no tom dele que fez seus olhos estreitarem nele. — Você lamenta
por aqueles inocentes?
— Não. Nem lamento por você. Você escolheu este caminho, Deirdre. Não
tente fazer parecer como se isso foi forçado em você. Você foi a pessoa que empurrou
isto em Isla.
Deirdre cuspiu na menção de Isla. — Aquela cadela pagará por me trair. Todo
mundo que me traiu vai conseguir sua punição.
— Você quer dizer se eles não acordarem Laria primeiro.
Seu tórax expandiu à medida que ela respirou fundo. Não havia mal
entendimento no sorriso no rosto de Malcolm. — Você acha isto engraçado? Eles
matarão você também por me ajudar.
— Eu conheço meu destino. Eu não tento fugir dele como você, — Malcolm
declarou. Ele cruzou os braços acima do tórax. — Você não vai conseguir ir para baixo
do chão. Por que não se prepara para quando Laria estiver acordada?
— Você tem um ponto, — ela concedeu. Ela examinou a península.
Ela iria criar um bloqueio. Os MacLeods e seu grupo tentando matá-la teriam

131
que passar por ela, seus wyrrans, e Malcolm.

***

Camdyn não se importava que quase tivesse caído no buraco que parecia
continuar para sempre. O que o assustou como o inferno foi que Saffron tentou salvá-
lo.
Ele!
Ele era imortal. Por que ela continuava esquecendo disto, especialmente
quando ele não podia esquecer que fora do castelo ela era mortal? Sua vida podia ser
eliminada com o mais simples dos acontecimentos.
Camdyn regressou seus passos até que veio para o corredor da esquerda.
Como Saffron, ele não gostara deste corredor. Não era apenas do cheiro também. Algo
apenas parecia... errado.
— Nós não temos uma escolha, — Ian disse ao lado dele. — Este é nosso
único caminho para seguir.
Camdyn balançou a cabeça. — Nós podíamos superar aquele chão caído. Broc
podia voar as Druidesas ou Fallon poderia saltá-los. Quanto a nós, não seria nada saltar
acima disto.
— Verdade, — Ramsey concedeu. — Exceto que eu tenho que acreditar que
foi concebido para nos afastar de ir adiante. Este tem que ser o único caminho.
Fallon deu a Camdyn um assentimento, e Camdyn deu um passo à frente
quando ele sentiu a magia de Saffron se movia ao lado dele. Ele pensou que tinha se
torturou beijando-a com tanta imprudência e sem restrições, mas a sensação de sua
magia quando ela empurrou isto nele para combater Deirdre estaria com ele pela
eternidade.
Sua magia parecia maravilhosa antes. Mas agora... agora era como se
estivesse vivendo dentro dele, fundindo a seus ossos, músculos e carne. Como se
tivesse tomado residência em sua alma.
Onde ele sentiria Saffron. Sempre.
Eternamente.
Ele olhou para ela para encontrar seu olhar castanho dourado observando-o
com receio. Ela pensou que ele estivesse bravo, e ele estava. Ele não a queria
arriscando sua vida por ele. Ele não valia a pena.

132
— Pronto? — Ele perguntou a ela enquanto eles se moveram ao longo do
corredor, que era muito mais longo que o último.
— Não completamente.
Ele tomou sua mão enquanto liderava o caminho corredor abaixo.
Caminharam sem parar, e parecia ir descendo uma inclinação leve.
— Isto não parece certo, — Saffron murmurou.
Ele apertou sua mão. — Ficará bem, — ele mentiu.
Atrás deles Camdyn podia ouvir os outros Guerreiros dizendo a mesma
mentira para suas mulheres. Todos eles estavam no limite, e nenhum deles sabia o
porquê.
Camdyn usou seus sentidos realçados para olhar e ouvir à frente deles por
qualquer coisa que pudesse estar esperando. O labirinto não tinha sido aberto em
séculos, então a ideia que algo ou alguém estivesse vivo lá em baixo era absurda.
Ainda assim, nenhum dos Guerreiros deveria estar vivo e eles estavam. Então
quem sabia o que os aguardava?
Quanto mais caminhavam, mais sua apreensão crescia. Mas nada aconteceu.
O ar nem sequer se mexia. Era estranho, mesmo para Camdyn. Estranho, e não apenas
certo.
Depois de mais um desvio, Camdyn encontrou-se encarando uma porta
enorme com uma aldrava. A aldrava propriamente era uma cabeça de dragão maciça
que parecia ter sido pendurada lá pelo longo pescoço. Segurava a aldrava em sua boca
e tinha safiras nos olhos.
— Parece que está me observando, — Saffron disse.
Cara assentiu. — Eu concordo. Eu juro que seus olhos estão se movendo.
— Você não pode ver nesta meia-luz, — Lucan disse à sua esposa. — Aqueles
olhos são apenas pedras.
Camdyn estava para concordar com Lucan quando uma fumaça branca saiu
das narinas do dragão. — Eu não sei se está vivo, mas é certamente algo.
— Vamos usar a aldrava? — Saffron perguntou.
Camdyn respirou fundo. Só havia uma maneira de descobrir. Ele soltou a mão
de Saffron e avançou. Quando ele ergueu o braço para pegar a aldrava, ele também
sentiu como que os olhos de safira do dragão haviam focado nele.
— Espere, — Saffron disse antes que a mão dele pegasse a aldrava. Ela deu-
lhe um pequeno empurrão de forma que ela estava diretamente diante do dragão.

133
— Saffron, o que você está fazendo? — Camdyn exigiu.
Ela encolheu os ombros. — Eu não sei. Só parece certo que uma Druidesa
deveria fazer isto e não um Guerreiro.
— Você podia ser ferida.
Ela sorriu e olhou sobre seu ombro para ele. — Talvez. Talvez não.
Camdyn fechou suas mãos em punho assim ele não alcançaria e puxaria
Saffron longe da cabeça do dragão. Ele segurou sua respiração quando ela estendeu a
mão e gentilmente acariciou da testa do dragão até suas narinas.
Ela repetiu a carícia novamente, desta vez demorando na cabeça do dragão.
Quando ela ficou mais perto e envolveu seus braços em torno do dragão, Camdyn
conseguiu manter seus pés enraizados no lugar por pura força de vontade.
— Camdyn, traga a espada, — Saffron sussurrou.
Ele não a questionou. Ele cautelosamente estendeu a espada.
— Erga a espada acima da cabeça do dragão. Existe uma fenda lá onde eu
acredito que a espada pertença.
Camdyn encontrou seu olhar e viu que ela estava agora pedindo para ele
confiar nela. Como ele não poderia? Ela, assim como todos, conhecia as apostas e o
que poderia acontecer se eles falhassem.
Ele ergueu a espada para que a ponta estivesse acima da cabeça do dragão.
Novamente, ele sentiu como se o dragão o observasse, esperando que ele fizesse um
movimento errado.
Saffron tomou a ponta da espada, e quando ela o fez a lâmina cortou seus
dedos. Ela não soltou um som. Suavemente, ela guiou a ponta da espada por detrás da
cabeça do dragão perto de seu pescoço.
Camdyn deslizou a espada para baixo até o cabo da espada descansar sobre
do pescoço do dragão e a lâmina estendida pela parte inferior do dragão.
Imediatamente os olhos do dragão começaram a brilhar um azul claro como se
iluminado de dentro. Camdyn agarrou a mão de Saffron e tentou arrastá-la para trás.
Eles haviam dado dois passos quando mais fumaça despejou das narinas do
dragão. Tanta que eles puderam segui-la quando desapareceu debaixo da parede à
direita deles.
— E por aí onde nós precisamos ir, — Saffron disse quando ela caminhou para
a parede e pôs sua mão onde a fumaça tinha ido. — Sinto ar.
Camdyn e os outros Guerreiros andaram até a parede e tentaram empurrá-la,
erguê-la, deslizá-la. Qualquer coisa. Mas não se moveu.

134
Saffron observou-os por vários minutos antes de pôr uma mão nos ombros de
Camdyn e dizer, — Este lugar foi feito com magia. Não parece lógico que para entrar
precisasse de magia?
— Ah, sim, — Reaghan disse com uma pequena risada enquanto ela esfregava
as mãos j e se juntou à Saffron na frente da porta.
Uma vez que todas Druidas estava lá elas olharam uma para o outra. Foi
Marcail, cuja magia era fortalecida estando no subterrâneo, que pôs sua mão na
parede primeiro.
Saffron e as outras seguiram o exemplo e despejaram suas magias nas pedras.
A excitação passou por Saffron quando ela sentiu o movimento da porta. Foi só uma
pouco, mas foi suficiente para saber que estavam fazendo a coisa certa.
— Não é suficiente, — Isla disse. — Para que a magia mie seja tão poderosa
quanto magia negra, nós precisamos combinar nossa magia.
Com sua mão ainda na parede, as Druidesas colocaram sua outra mão na
pessoa ao lado. A força da magia que corria através de Saffron era incrível. Ela deixou
vazar nela, por ela, e na parede e nas Druidesas em ambos os lados dela.
A parede começou a se abrir. Passo a passo as Druidesas abriram a porta até
ficarem dentro de uma pequena caverna. Saffron olhou para as oito passagens
diferentes e interiormente gemeu.
— E agora? — Dani perguntou.
— Continuamos nos movendo, — Camdyn disse.
Logan caminhou para uma das entradas e olhou do lado de dentro. — Tomar
o túnel errado pode ser desastroso.
Saffron desejou poder ter uma visão para saber que túnel tomar. Ela sentiu os
outros olhando para ela e cruzou as mãos na frente assim eles não veriam o quão
nervosa ela estava.
— Nós somos Druidesas, — Sonya disse. — Nós temos magia. Tem que haver
um modo de podermos determinar que caminho seguir.
Gwynn assentiu. — Ou pelo menos reduzir isto.
— Mas como? — Cara perguntou.
Saffron encontrou seus olhares. — Vocês sabem que não posso ter uma visão
sobre meu futuro.
— Não, eu tenho uma ideia melhor, — Reaghan disse. — Broc, você acha que
pode encontrar Laria?
Broc sorriu. — A menos que ela esteja bloqueada como Declan está.

135
Eles esperaram enquanto Broc fechava os olhos e usava seu poder para
encontrar Laria. Saffron mais uma vez chamou sua magia. Quanto mais ela a usava
mais parecia ser fácil para ela. Por tanto tempo ela teve medo de suas visões, e então
ela tentou fingir que não tinha qualquer magia.
Fora seu pai que lhe contou que sua tataravó tinha sido uma Druidesa. Saffron
pesquisou sobre os Druidas, que provou-se irritante já que ninguém sabia com certeza
o que podiam e não podiam fazer.
Com nada mais para fazer, Saffron tinha começado a usar sua magia depois
que foi para a universidade. Começara pequena a princípio, mas cresceu rapidamente.
Quando viajou para a Europa sua magia ficou tão forte quanto antes.
Até que ela tinha sido trazida para o Castelo MacLeod. E conheceu Camdyn
MacKenna.
Sua mente estava em Camdyn e em como eles continuavam a circular ao
redor de sua atração um para o outro, e como eles poderiam seguir ou ver onde a
paixão os levaria.
A ideia de estar nos braços de Camdyn, de ser amada por ele e despertar em
seus braços, era algo que ela temia e desejava.
— Lá, — A voz de Broc ecoou.
Os olhos de Saffron abriram de repente para encontrar Camdyn observando-
a. Os outros se apressaram para a entrada que Broc assinalou, mas Saffron e Camdyn
permaneceram firmes.
Somente quando os outros haviam passado Camdyn deu os quatro passos que
os separavam. Ela olhou para seus escuros, insondáveis olhos e perguntou, — O que
você está pensando?
— É melhor para nós dois se eu não responder.

136
CAPÍTULO VINTE

Camdyn estava brincando com fogo, e estava para ser queimado. O modo
como Saffron olhou-o com desejo e necessidade brilhando em seus olhos dourados o
fez desejar puxá-la em uma das cavernas escuras e a pregar contra a parede como ele
fizera mais cedo.
Beijar seus lábios doces e ao longo de seu pescoço sensual. Ter as mãos em
sua pele nua novamente e abarcar seu peito.
Sua frequência cardíaca aumentou quando ele lembrou como ela se esfregou
contra seu pau, os suaves gemidos música para seus ouvidos.
Camdyn teve que se afastar antes de correr para a necessidade dela, a fome
por ela era tão forte. Ele encontrou os outros agrupados em torno da terceira entrada
à direita, que Broc assinalara.
— O que é foi? — Ele perguntou, qualquer coisa para conseguir sua mente
longe de Saffron assim ele podia conseguir-se de volta sob controle.
— Eu não sei, — Fallon disse. — Nenhum de nós pode passar pela porta.
Camdyn observou enquanto Hayden e Ian tentaram passar pela entrada, só
para serem retidos por uma barreira invisível.
— A magia é tão espessa, — Ian disse quando deu um passo atrás, suas
sobrancelhas enrugadas profundamente em sua fronte.
— Nenhum das Druidesas podem passar? — Camdyn perguntou.
Reaghan balançou a cabeça. — Não. Isso é muito estranho.
— Os únicos que não tentaram passar foram você e Saffron, — Cara disse.
Camdyn olhou para Saffron, que estava próxima a Dani. O olhar de Saffron
virou para ele, e ela deu de ombros antes de andar em direção à entrada.
Ele prendeu a respiração querendo que ela conseguisse atravessar, mas
também querendo que fosse impedida como o resto deles.
Sua cabeça estava elevada quando parou à frente da entrada em arco. Ela
tocou as pedras de fora, um pequeno sorriso tocando acima de seus lábios. — Existem
símbolos Célticos marcados em torno da entrada.
— Eles são os mesmos símbolos daqueles no cilindro que guardava o mapa
dentro do Tablet de Orn, — Ian disse.
Camdyn prendeu a respiração quando Saffron soltou a mão a seu lado e deu
um passo pela entrada. Houve um suspiro audível quando ela foi autorizada a passar.

137
Ele apertou as mãos em punhos, o desejo de estar com ela era esmagador. De
alguma maneira Camdyn segurou-se no controle quando ela parou e girou para olhar
para ele.
— Por que eu? — Ela perguntou, seu olhar mudando dele para os outros. —
Por que isso me deixou passar?
Gwynn se apressou para a porta e tentou atravessar novamente, mas
exatamente como antes ela não pôde. — Talvez porque você tocou o dragão?
Isla caminhou até a cabeça do dragão e acariciou da mesma maneira que
Saffron fizera antes de retornar e tentar seguir Saffron pela entrada. Mas não foi
permitido a ela passar também.
— Eu não entendo, — Saffron disse. — Eu não posso ser a única permitida.
Camdyn ouviu o tremor de medo em sua voz enquanto todos viraram para
olhar para ele. Ele queria ver se podia atravessar a entrada, mas se ele não pudesse...
Sem outra escolha, Camdyn moveu-se adiante. Tentou afastar olhar para
Saffron, mas não conseguiu. Seu olhar, junto com cada fibra de seu ser, estava nela.
Ele parou na frente da entrada e olhou as marcas talhadas na pedra. Saffron
permanecia parada como uma pedra, mas ele podia sentir a linha de medo em sua
magia que estava crescendo a cada momento que passava.
Camdyn respirou fundo e ergueu o pé. Para sua surpresa, a entrada o permitiu
passar. O alívio que encheu os olhos de Saffron o fez querer tomá-la em seus braços e
segurá-la, dizer a ela que tudo iria ficar bem.
Quando ele duvidava muito que iria.
Ela apoiou uma mão contra a parede ao lado dela e sorriu. — Obrigada, Deus.
Eu não queria ficar sozinha nisto.
Ele entendeu exatamente como ela se sentia, porque não queria que ela
estivesse sozinha também. Camdyn virou para os outros e coçou o pescoço.
— E agora? — Ele perguntou.
Galen debruçou um ombro contra a entrada e sorriu. — Parece que você e
Saffron estão destinados a fazer isto sozinhos, meu amigo.
— Se este for o caso, você vai precisar disto, — Logan disse enquanto lançava
algo através da passagem.
Camdyn pegou o cilindro de ouro que era o Tablet de Orn.
— E disto, — Dani disse.

138
Camdyn estendeu a mão e agarrou a antiga chave de ferro no ar, e deu-a para
Saffron.
Ian caminhou até a passagem, o cilindro em suas mãos. Ele moveu os
mostradores de madeira em torno do cilindro. — Esta é a ordem exata que os símbolos
precisam estar, — ele disse.
Camdyn tomou o cilindro que Ian entregara e olhou para os pequenos
quadrados com os mesmos símbolos que estavam na entrada.
Não levou muito tempo para que ele memorizasse a ordem dos símbolos do
cilindro, mas ainda assim o entregou a Saffron, para que ela pudesse dar uma olhada
também.
— Seja cuidadoso, — Lucan disse.
Camdyn assentiu. — Você não tem que me lembrar.
— Vamos tentar encontrar um caminho até você, — Fallon disse.
Logo que as palavras deixaram a boca de Fallon a parede em que as Druidesas
usaram sua magia até abrir fechou com um baque retumbante.
— Merda! — Ramsey disse, e tentou caminhar por uma das outras passagens.
Mas o que quer que os tinha impedido de entrar com Camdyn e Saffron os
impedia de entrar em quaisquer das outras entradas agora.
Lucan encontrou o olhar de Camdyn. — Parece que estaremos aqui esperando
até que você possa encontrar Laria.
— Faça isto rápido, — Arran disse quando bateu um ombro em uma das
barreiras invisíveis de uma passagem.
— Espere, — Sonya gritou. Ela abriu a mochila que estava levando e lançou
várias garrafas de água para eles.
Saffron sorriu e empurrou-as nos bolsos de seu casaco. — Obrigada.
— Tenham cuidado, — Quinn disse a eles.
Camdyn deu um aceno com a cabeça e virou-se. Ele mudou de lado para
passar por Saffron e tragou uma respiração quando sua mão roçou o quadril dela. Um
pequeno toque foi tudo que precisou para fazê-lo queimar. E como ele queimava por
ela.
Ela saiu um passo atrás dele enquanto se afastavam da entrada e do grupo de
amigos.
— Eu odeio admitir isto, mas eu estou assustada.
Ele olhou sobre o ombro para ela. — Eu sei. Nós conseguiremos, entretanto.

139
— Por que só deixou passar a nós? Por causa do dragão?
— Talvez. É difícil de dizer. Este lugar está tão cheio de magia e armadilhas
que eu não sei sua intenção.
Ela bufou. — A intenção é impedir Laria de ser encontrada.
— Mesmo que tenhamos os artefatos?
— E se fosse Deirdre que achasse todos os artefatos? E se o seu espião Charlie
tivesse sido capaz de fazer Dani contar onde os artefatos estavam guardados no
castelo?
Camdyn rosnou. — Eu não quero nem pensar sobre o que poderia ter
acontecido, mas eu entendo seu ponto. Se fosse Deirdre ou algum outro malvado aqui
embaixo, o labirinto quereria impedi-los.
— Você acha que a magia daqui sente o deus dentro de você?
Camdyn parou e virou para olhá-la. — Você quer dizer, sabe que eu tenho
maldade dentro de mim?
Ela trocou os pés e encolheu os ombros. — Sim.
— Provavelmente. — Ele olhou sobre o ombro dela, mas o túnel tinha uma
curva e não podia mais ver os outros. — Independentemente, permitiu-nos vir a esta
distância.
— Nada assusta você? — Ela perguntou, a cabeça inclinada para o lado de
forma que uma mecha de cabelo roçou seu seio.
Existia uma coisa em particular que o assustava como inferno, mas Saffron
não precisava saber que era ela. Camdyn curvou uma sobrancelha e disse, — Eu sou
um Guerreiro Highland imortal. O que devo temer?
Eles retomaram a caminhada, e Camdyn tentou manter seus sentidos afiados
para qualquer coisa adiante enquanto eles faziam sua passagem pelo túnel. O som da
respiração dela, cada passo que ela dava, cada vez que seus corpos roçavam
acidentalmente, enviava seu sangue aquecendo até que seu corpo chiava com desejo,
um desejo que o consumia.
Ele estava ciente de tudo relativo a Saffron, e isto o estava levando para
distração. Uma distração maravilhosa, dolorosa. Ele queria segura-la contra ele, sentir
seu corpo suave e doces curvas.
Camdyn encontrou-se encarando três degraus que levavam abaixo para uma
pequena sala. Ele levantou uma mão para que Saffron soubesse que era para esperar e
caminhou para dentro da sala.

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Moveu-se por cada centímetro da sala para ter certeza que era seguro antes
de chamar Saffron. Camdyn cruzou os braços sobre o tórax e olhou fixamente para as
paredes e a evidência que eles não eram capazes de seguir em frente.
— Nós perdemos uma saída em algum lugar do túnel? — Saffron perguntou
enquanto olhava ao redor.
— Não.
— Maldição. E agora?
— Descansemos por um tempo.
Saffron debruçou contra uma parede e deixou-se deslizar para o chão. —
Bom. Eu estou faminta.
Camdyn virou para longe assim ela não veria sua carranca. Ele tinha estado
tão atento em mantê-la longe de perigo que esqueceu que ela precisava comer. Como
um Guerreiro, ele podia continuar indefinidamente sem comer, embora enfraquecesse
seu corpo.
— Eu tenho suficientes barras de força em meu bolso se você quiser uma.
Ele balançou a cabeça enquanto examinava as paredes na sala redonda. —
Não. Você precisará delas.
— Você precisa comer também. Eu sei que você pode ficar sem, mas apesar
de ser imortal, seu corpo ficará fraco. E... bem, eu preciso de você, Camdyn.
Ele lentamente girou para encará-la. A última pessoa que precisara dele foi
Allison. Ele esqueceu como era ser necessário, aquela sensação de calor se espalhou
por ele de que ele não estava só no mundo.
Camdyn pegou a barra oferecida e abriu a embalagem. A barra era insípida,
mas comeu isto porque ela pediu.
Saffron comeu sua barra, bebeu tanta água quanto podia, e então se sentou.
E sentou e sentou. Então, ela caminhou em torno do quarto, procurando por qualquer
pista de como poderiam prosseguir. Mas não havia nada.
Finalmente, ela voltou a sentar-se e levantou os joelhos até o peito. — Eu não
posso permanecer neste silêncio. Converse comigo, Camdyn.
Ele se sentou nos degraus da entrada, os cotovelos descansando em seus
joelhos. Seu cabelo preto como tinta tinham tudo menos saído do rabo de cavalo. —
Sobre o que você quer conversar?
— Fala-me sobre você? De onde você vem? De que época?
Ele sentou-se ereto e removeu a tira couro que segurava seu cabelo. Seu

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Cabelo preto caiu ao redor de seu rosto e pescoço, fazendo-o parecer até mais jovial
que seu normal rosto taciturno.
Saffron esperou enquanto ele brincava com a tira de couro, quase como se ele
estivesse tentando decidir o que dizer a ela. Ele era muito mais interessante de olhar
que as teias de aranha que pareciam ficar maior e mais numerosas quanto mais
profundo no labirinto eles entravam. Era algum tipo de lei cósmica que dizia que
aranhas tinham que estar em todos os lugares? Especialmente no subterrâneo?
Mas seus pensamentos sobre aranhas foram detidos quando a voz de Camdyn
encheu a pequena sala.
— Eu nasci em 1333. Meus pais eram como qualquer família então. Eles
lutavam ao lado de nosso laird, criando ovelhas, e tentamos fazer o melhor da vida.
Meu pai era... um homem duro. Minha mãe uma mulher com um coração amável.
Ela sabia que os Guerreiros eram imortais, mas pôr uma idade nele, saber que
ele tinha quase setecentos anos de idade, confundiu sua mente. — Você teve irmãos?
Camdyn deu um pequeno aceno com a cabeça. — Dois irmãos mais velhos e
três irmãs mais jovens.
— Uma família grande então.
— Quanto mais crianças, mais ajuda com tarefas.
A maneira que ele falou tão natural deixou Saffron tentando ler mais em suas
palavras. — Você não era feliz então?
— Era a única vida que eu conhecia. Até Deirdre me achar. Que tal você?
Como sua vida era?
Saffron não gostou de como ele tinha virado a conversa para ela. Ela queria
fazer mais perguntas, especialmente sobre como Deirdre o capturou e como ele
escapou dela. Mas o justo era justo. Ele compartilhou uma parte de sua vida, então ela
compartilharia a dela.
— Eu adorava meu pai. Minha mãe era outra história, uma que você ouviu
uma parte.
Ele olhou abaixo para suas mãos. — Minha audição é muito melhor que a sua,
então, sim, eu ouvi a conversa que você teve usando o celular com sua mãe.
Saffron fez uma careta. — Você ouviu tudo que ela disse?
Outro aceno com a cabeça.
— A primeira coisa que eu lembro crescendo era como eu estava sempre com
meu pai. Nós fizemos tudo juntos. Eu via minha mãe no jantar ou quando ela me
comprava uma roupa.

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Ela não gostava de ter uma filha, mas se ela iria ter uma, ela queria que eu fosse
perfeita. Eu não posso contar-lhe quantas vezes ela disse-se isso ao longo dos anos.
Saffron riu e inclinou sua cabeça contra a pedra para olhar o teto escurecido
acima dela. Seus olhos se ajustavam à escuridão bem o suficiente para que ela pudesse
ver melhor que antes.
— Minha mãe tratava-me como uma boneca. Sempre me vestindo e me
apresentando para seus amigos, então me esquecendo quando estava pronta para
partir. Meu pai estava sempre lá quando isso acontecia. Ele me acolhia em seus
braços, e nós íamos fazer algo divertido.
— Quanto mais velha eu ficava, porém, mais duro era para mãe me controlar
como ela queria. Eu comecei a me rebelar. As brigas eram horrendas. E então, ela
parou tudo. Parou de conversar comigo, parou de saber sobre mim, parou de olhar
para mim.
— Eu sinto muito.
A profunda voz e rica de Camdyn a empurrou para fora de suas memórias. Ela
sorriu para ele, e encolheu os ombros. — As coisas melhoraram então. Para mim pelo
menos. Durante algum tempo eu fui feliz. Até que meu pai começou a forçar-me para
frequentar a Universidade de Denver assim eu estaria próxima deles.
— O que você queria?
— Cair fora. Longe, longe de minha mãe.
— O que você fez?
Saffron colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. — A melhor coisa na
minha vida era meu pai. Ele implorou que eu ficasse no Colorado, então eu fiquei. Até
que eu me formei na universidade. Todos aqueles anos eu estava tentando começar a
minha própria vida enquanto ele tentava me manter próxima a ele. Eu fiz tudo que
podia para afastar-me da minha mãe, o que significou que eu não via meu pai. E então
era muito tarde.
Ela enxugou os olhos enquanto olhava para longe do olhar penetrante de
Camdyn. — Meu pai queria-me perto porque ele estava morrendo. Ele tinha um
coração ruim e nunca disse para mim. Eu não percebi sua intenção até que ele estava
no leito de morte e me disse. Todos aqueles anos que passei longe.
— Mas ele compreendeu.
Saffron fungou. — Ele compreendeu. Eu pensei que isso tudo terminaria com
sua morte, entretanto veio a leitura do testamento. Minha mãe pensou que iria pegar
o dinheiro, mas papai tinha uma última carta para jogar. Ele deu-lhe só uma porção
muito pequena, e o resto foi dado para mim. Você pode imaginar como foi. Eu apenas
pensava que tinha problemas com minha mãe até aquele ponto.
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CAPÍTULO VINTE E UM

Camdyn odiou a tristeza em sua voz, mas quanto mais ela falava, mais ele
queria saber. — Quando você veio para a Escócia?
— Depois do enterro do meu pai, eu tive que me afastar de minha mãe. Para
uma mulher que nunca me quis, ela de repente queria ser minha melhor amiga. Era
tudo pelo dinheiro.
— Eu descobri em meu aprendizado desta época de agora que dinheiro é
importante para as pessoas.
Saffron brincava com seus dedos quando ergueu um ombro esguio. — Para
alguns. Muitos quiseram ser meus amigos por causa da riqueza do meu pai. Até os
caras que me relacionei estavam apenas atrás do dinheiro. Chegou a um ponto que eu
pensei que ninguém era meu amigo só por mim mesma.
— O que você fez?
Ela riu, o som seco e sem humor. — Eu fiz a coisa covarde e fui embora. Eu
voei para Roma e passei uma semana lá antes de começar uma viagem de um ano pela
Europa. Eu sempre quis vir para a Inglaterra, então fiz dela minha última parada,
pretendendo passar mais tempo aqui.
— Você fez tudo isso sozinha?
— Sim, — ela disse, e olhou para ele. Ela parecia particularmente interessada
em seus dedos. — Eu tinha chegado na Escócia apenas há um mês quando encontrei
Declan Wallace.
A respiração de Camdyn bloqueou em seus pulmões enquanto ele esperou
Saffron continuar. Ele sabia com certeza que não iria gostar do que ouviria, mas tinha
que saber o que Declan tinha feito para ela, assim soubesse quanto fazer Declan
sofrer.
Saffron soltou uma gargalhada. — Declan me varreu fora de meus pés.
Nenhum homem tinha feito isso comigo antes. Ele disse que era porque nós dois
viemos de famílias tão ricas que nós podíamos entender um ao outro. Como uma
escolar tola, eu acreditei em cada mentira que saiu de seus lábios.
Camdyn observou o modo que seu corpo endureceu ligeiramente quando ela
falou de Declan. O ódio por Declan estava em cada sílaba, cada palavra.
Ele reconheceu esse ódio porque era o que ele sentia por Deirdre. Esta
aversão tinha apodrecido em sua alma por duzentos e cinquenta anos antes dele viajar
no tempo para o futuro.

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— Sabe, eu não posso acreditar que eu fui tão crédula, — Saffron disse. — Foi
tão bom ter alguém comigo por mim mesma. Ou então eu achava. Levou menos de
uma semana para ele deixar suas intenções claras.
— O que ele fez? — Camdyn odiou que sua voz saísse principalmente como
um rosnado, mas a ira dentro dele estava aumentando rapidamente.
Saffron de repente levantou-se e começou a andar lentamente, correndo os
dedos ao longo da parede de pedra. — Primeiro, era tudo sobre mim. Ele quis saber
cada detalhe de meu passado, então ele começou a lançar ao redor palavras como
‘magia' e ‘Druidas.’ Me surpreendeu a princípio, mas quando eu não pulei fora e disse-
lhe que eu era uma Druidesa, ele decidiu me mostrar que era um.
Ela parou e franziu a testa. — No momento eu não percebi que existiam duas
seitas de Druidas. Eu achei que nós éramos todos apenas Druidas, que nós seríamos
como o resto do mundo tendo pessoas boas e algumas pessoas ruins. Eu não sabia…
— Como você poderia saber? — Camdyn disse. — Você não foi criada como
uma Druidesa.
— Não, e nenhuma pesquisa que eu fiz me levou a qualquer coisa sobre mies
e droughs. Se eu soubesse, teria sido mais cautelosa. Se eu soubesse, eu podia ter
tentado defender-me contra Declan.
Camdyn encontrou seu olhar. — Tão potente quanto Isla é com sua mistura
de magia drough e mie dentro dela, alguém como Declan ou Deirdre poderia dominá-
la com sua magia negra. Você não teria uma chance.
— Eu suponho que não, — ela murmurou e olhou para baixo quando colocou
uma mão na parede. — Ele quis que eu me juntasse a ele, Camdyn. Declan pintou este
retrato de poder e dominação que me fez doente do estômago. Ele disse que tudo que
eu tinha que fazer era uma cerimônia e minha magia aumentaria dez vezes.
— A cerimônia para se tornar drough.
Ela assentiu. — Eu não sabia disto no momento, mas isto é exatamente o que
era. Eu o fiz explicar o que era esperado de mim, e compreendi o que aconteceria, que
minha alma pertenceria a Satanás. Eu recusei. Ele me implorou, suplicou-me, mas eu
não mudaria de ideia.
Camdyn flexionou os ombros. Ele continuou a seguir Saffron com os olhos. —
Bom para você.
— Talvez não, — ela disse com um bufar e chutou ligeiramente a parede
enquanto encarava-a. — Sua paciência acabou quando eu tentei deixar a mansão. A
próxima coisa que eu soube é que ele estava torturando um cara com sua magia.

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Declan disse que estava demonstrando o que aconteceria comigo se eu não
me juntasse a ele. Eu nunca fiquei tão assustada em minha vida.
Suas garras estenderam pelos dedos quando ele sentiu o medo gélido
percorrer sua magia. Ela manteve as costas para ele, mas ele não precisou ver seu
rosto para saber que as memórias eram difíceis para ela reviver.
— Você sobreviveu a isto. Justo como um verdadeiro Highlander, — ele disse
a ela.
Ela pôs sua fronte nas pedras e fez um som abafado. — Ele me queria porque
eu era uma Vidente. Ele pensou que eu podia controlar minhas visões.
— O que ele fez para você?
— Qual vez? — Ela perguntou.
Camdyn fechou os olhos quando sentiu seu deus rebelar-se através da fúria
que correu por ele. Como alguém podia ousar machucar alguém tão bonita e pura de
espírito como Saffron?
Tudo que ele sabia era que Declan iria sofrer uma lenta, agonizante morte.
— Ele me desnudou na frente de seus homens. — A voz dela intrometeu-se
em seus pensamentos. — Até a última peça de roupa foi tirada de mim. Ele amarrou
minhas mãos acima de minha cabeça. Eu achei que ele iria me bater, mas ele deu um
passo atrás. Seus homens... seus homens começaram a lutar por quem iria ter-me
primeiro.
— Declan então sussurrou em minha orelha que eu podia ser só dele se eu me
juntasse a ele. Eu quase concordei, mas eu não podia. Mesmo o medo de ser
estuprada por seus homens não permitiu que eu desse minha alma para Satanás.
Camdyn limpou a garganta duas vezes antes de poder perguntar, — Eles
tocaram em você?
Finalmente Saffron girou para enfrentá-lo. — Quando eu ainda recusei
Declan, ele teve seu primo me batendo. Quando os outros homens ficaram
enfurecidos em não me ter, Declan matou dois deles. Com só algumas palavras que eu
não pude sequer entender. Até aquele momento eu achava que poderia escapar de
Declan, mas eu vi a força de sua magia. E eu soube a verdade então — que eu nunca
iria sair.
Camdyn soltou a respiração que tinha segurado. Era um pequeno consolo que
Saffron não tinha sido estuprada. Mas espancada? Uma mulher era para ser estimada
e amada. Protegida.
Não espancada.

146
— Eu sobrevivi ao espancamento, — Saffron disse com um meio sorriso e os
olhos nadando em lágrimas. — Ele trancou-me na prisão, e eu perdi toda noção de
tempo. Eu não tinha nenhuma ideia quantos dias passaram. Ele viria para mim e me
pediria para juntar-me a ele. Toda vez que eu recusasse, ele me castigaria.
— Se eu tivesse uma visão, ele exigiria saber cada detalhe dela. Se eu tentasse
esconder qualquer coisa, Robbie viria me bater novamente.
— Eu vou matar aquele filho de uma puta, — Camdyn rosnou.
Saffron embrulhou os braços ao redor de seu tronco e se encostou um ombro
contra a parede. — Eu tentei escapar. Três vezes diferentes. Uma vez eu consegui toda
a distância até a estrada e estava sinalizando para um carro quando eles me
alcançaram. Depois da terceira tentativa, Declan usou o feitiço para cegar-me.
Camdyn sabia que não era o fim de sua história. Havia mais, mas ela não
estava pronta para compartilhar isto ainda. Ela já tinha dito para ele mais do que disse
a qualquer outro, e no momento, isso era suficiente.
— Você está livre dele agora.
A cabeça de Saffron girou até que seu olhar dourado chocou-se o dele. — Eu
não serei livre de Declan até que ele esteja morto.
— Isso será cuidado.
Ela riu e deixou a parede para ir no centro da sala. — Não o menospreze. Ele
tem magia negra poderosa.
— E Deirdre também, — Camdyn disse. — Existe sempre um caminho para
matar o mal. Você só tem que saber como fazer isto.
— Você me ajudará?
Ele ficou surpreso com sua suave pergunta. Camdyn levantou-se e caminhou
até encontrá-la. — Não gostaria de nada melhor.
O sorriso dela foi lento mas radiante e encheu seu rosto. Ele segurou suas
pernas para impedir-se de agarrá-la. Ela se abriu para ele, mostrou-lhe sua
vulnerabilidade, e tudo que ele queria fazer era confortá-la.
Segurá-la. Acariciá-la.
Amá-la.
Camdyn mal conseguia respirar com seus pulmões enquanto imaginava
Saffron com seu rico cabelo marrom espesso espalhado ao redor dela, sua cabeça
lançada para trás, e suas pernas abertas enquanto ele posicionava-se acima dela.

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O suor estalou em sua fronte enquanto ele lutava para impedir-se de tocá-la.
Porque um toque seria tudo que precisava para quebrar a fino fio de controle que ele
tinha sobre si mesmo.
O olhar dela moveu-se sobre o ombro dele, e seu sorriso lentamente
enfraqueceu. — Camdyn, olhe.
Ele respirou fundo e fechou brevemente os olhos enquanto ela passava por
ele. Só quando soube que ela estava longe o suficiente dele, ele girou para ver o que
ela estava olhando.
Camdyn viu o esboço fino de algo gravado na pedra. Ele caminhou para ela e
eles olharam para isto juntos.
— Está se apagando? — Ela perguntou.
— Não. Eu acho que foi feito assim de propósito.
— Por que?
— Assim não seria visto facilmente. — Camdyn lentamente caminhou ao
longo da parede.
Saffron foi na outra direção, e os dois procuraram por mais. — Eu achei um
outra, — ela gritou.
— Eu também.
— Estas marcas são as mesmas que aquelas na entrada que passamos mais
cedo.
— As mesmas do cilindro, — Camdyn murmurou.
Saffron retirou o cilindro do bolso e o dois alinharam os pequenos quadrados
na ordem correta.
— Não podemos mover as pedras, — Saffron disse.
Camdyn se aproximou de uma das esculturas e sorriu. — Nós empurramos as
pedras.
— Empurrar? — Ela repetiu.
Camdyn procurou pela sala até encontrar a gravura que era a primeira no
cilindro. Ele respirou fundo e deu à pedra um empurrão.

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CAPÍTULO VINTE E DOIS

O som de pedra deslizando sobre pedra encheu a sala enquanto ela afundava
na parede. Saffron mordeu o lábio quando a euforia correu por ela.
Uma a uma, ela e Camdyn se revezaram achando o próximo símbolo e
empurrando a pedra. As gravuras estavam dispersas ao longo da sala, algumas no alto,
algumas em baixo. Teria sido mais fácil achá-las com uma luz, mas eles fizeram sem.
— Aqui, — ela disse enquanto ajoelhava na última gravura. Justo quando ela
colocou a mão na pedra, Camdyn juntou a sua.
Eles compartilharam um olhar antes dele dar um aceno com a cabeça, e
juntos deram um empurrão à pedra. Por um momento nada aconteceu, e Saffron
estava quase dizendo que eles deviam ter feito algo errado quando o chão afundou.
Ela gritou, e braços fortes envolveram ao redor dela quando eles começaram
a cair. Saffron segurou-se em Camdyn com toda sua força quando bateram em algo
que reverberou pelo corpo dela. Seus dentes bateram juntos embora Camdyn tomasse
o impacto do choque. Com a mente ainda confusa eles começaram a deslizar.
Saffron sentiu uma unha quebrar quando ela tentou agarrar a camisa de
Camdyn enquanto eles continuavam a deslizar. Se não tivesse sido tão assustador, ela
pensaria que estava em um daqueles enormes tobogãs no parque de diversões.
Mas isto não era um parque temático. Isto era um labirinto com armadilhas e
Deus sabia o que mais aguardando por eles. A batida constante do coração de Camdyn
embaixo de sua orelha ajudou a mantê-la um pouco tranquila.
Até que eles foram despejados sem a menor cerimônia em um quarto.
Saffron mal sentiu alguma coisa quando Camdyn moveu-se e ela caiu sobre
ele, antes dele rolá-la de costas. Ela piscou para ele, notando tarde demais como suas
mãos estavam fechadas em sua camisa.
Cautelosamente ele afastou o cabelo do rosto dela. — Você está machucada?
Alguma coisa quebrada? Sangrando?
— Não, embora eu acho que meu coração saltou para fora do meu peito.
Ela pensou ter visto um leve sorriso antes dele se levantar e ajudá-la a
levantar também, então ele se virou.
Saffron limpou sua calça jeans e olhou ao redor deles. Ela não sabia a que
distância caíram, mas era obviamente alguma distância a julgar pela umidade e gotejar
de água que ela ouviu.

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O ar não cheirava velho, apenas... parado. Como se raramente fosse
perturbado onde eles estavam. A forma como Camdyn caminhou silenciosamente e
não falou levou Saffron a fazer o mesmo.
Ela soltou um suspiro suave. Onde esta aventura os levaria depois? E ela
sobreviveria a isto?
— Eu achei algo, — Camdyn sussurrou em sua orelha.
Ela estremeceu, assustada por encontrá-lo logo atrás dela. Ela não o ouviu se
aproximar. Saffron girou e Camdyn seguiu para a outra parede.
Quando ele apontou para algo, ela teve que apertar os olhos e inclinar-se para
frente para ver a gravura da silhueta da cabeça de um dragão. A água que pingava
sobre a gravura começara a apaga-la de forma que quase não se visse.
Saffron olhou sobre seu ombro para Camdyn. Ele deu um aceno com a
cabeça, e juntos eles começaram a descer por outro corredor. Este era mais largo que
os outros, mas aqui o ar cheirava quase podre.
Ela estava tão ocupada olhando em torno dela que não estava prestando
atenção onde estava pisando. Saffron sentiu a rocha desmoronar-se abaixo de seus
pés, e a próxima coisa que ela soube era que estava caindo novamente.
Antes dela poder gritar, foi puxada para o alto por um braço, então arrastada
contra a parede com Camdyn em pé na frente dela.
Mais uma vez ela se viu agarrada a ele. — Eu sou uma ameaça, — ela
murmurou.
Houve um ligeiro ruído em seu peito que poderia ter sido riso, mas quando
ela examinou o rosto dele, ele não estava sorrindo. De fato, o brilho do seu olhar a fez
repensar sobre se segurar nele.
Enquanto o medo se dissipava, Saffron estava muito ciente dos músculos
duros como pedra contra ela. Muito ciente do calor de Camdyn, das mãos dele
envoltas ao redor de seus braços.
Muito ciente de como seu lábio inferior era mais cheio que seu superior. E o
quão deliciosos seus beijos eram.
Ela tragou quando suas mãos apertaram ao redor de seus braços um
momento antes dele soltá-la e dar um passo atrás.
— É nas pedras com cabeça de dragão que temos que nos manter. Pise onde
eu pisar, — ele disse, e girou suas costas para ela.
Saffron respirou fundo, tremendo e olhou para as costas deles. Mas seu olhar
fixo na sua camiseta estava rasgada e ela conseguia vislumbres de suas costas e o

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modo que os músculos moviam e contraíram em cada movimento seu. Ela odiava
como seu corpo reagia muito depressa por ele, quando aparentemente ela nem
sequer o afetou.
Maldito corpo. Era típico dela encontrar-se se apaixonando por um cara que
só a machucaria. Ela não havia pedido que sua vida fosse virada de cabeça para baixo
ou viver no inferno que ela estivera.
Mesmo agora Saffron não tinha certeza de como tinha sobrevivido. Houve
momentos que ela orara pela morte. Em várias ocasiões ela pensou que poderia ter
conseguido seu desejo durante os espancamentos.
Saffron se apressou em seguir Camdyn enquanto ele se movia de um lugar
para outro. Ela pensou que as pedras embaixo dela poderiam ter algo gravado nelas,
mas na escuridão, ela não conseguia ver tão bem.
Ela teve que manter seus braços esticados em um ou outro lado para ajudar a
manter o equilíbrio, e mais de uma vez seus dedos tocaram uma teia de aranha.
Tomou todo seu controle para não gritar cada vez. De alguma forma, ela conseguiu
morder o lábio, mas não havia como parar o tremor, que a tomou enquanto ela tirava
a teia pegajosa.
Quando ela olhou a próxima pedra não era só um passo largo, mas um salto,
ela ficou preocupada.
Então ela demorou muito perguntando-se como chegar à próxima pedra,
porque quando olhou para Camdyn ele moveu-se tão adiante que ela não tinha
nenhuma ideia onde pisar.
— Camdyn, espere, — ela disse quando ele escolheu a próxima pedra e pisou.
Ele pausou e girou o tronco para olhá-la. — O que é?
— É um salto muito grande. Eu não posso fazer isto. Tem certeza que não há
outra entre estas duas?
Seus lábios franziram quando ele lentamente balançou a cabeça.
— Droga, — ela sussurrou. Não havia nada mais para isto. Ela tinha que fazer
isto ou ficaria lá para sempre.
Saffron respirou fundo e saltou. A ponta de sua bota pegou a pedra correta,
mas ela rapidamente perdeu o equilíbrio e se debateu com os braços.
Desesperadamente tentou não baixar o outro pé, mas estava tão fora de
equilíbrio que era susceptível de colocá-lo em qualquer lugar, exceto na pedra do
dragão.

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Sem realmente saber como, Saffron conseguiu se agarrar na parede próxima a
ela para ajudar a endireitar-se. Ela baixou seu outro pé e deslizou o primeiro
completamente sobre a pedra.
— Você vai me matar, — Camdyn disse no silêncio.
Saffron estava muito fraca pela descarga de adrenalina para fazer qualquer
coisa diferente além de ficar lá e tremer. Como ela já havia gostado de andar em
montanhas russas? Como ela havia gostado da sensação de seu estômago levantando
quando o carrinho despencava trilhos abaixo?
Depois disto, ela nem sequer olharia para um parque temático ou parque de
diversões novamente.
— Saffron?
O tom sombrio de Camdyn, afiado com preocupação, levantou sua cabeça. —
Eu preciso de um momento.
— E eu preciso de você fora dessas pedras.
Ela tentou empurrar a franja de seus olhos, mas sua mão tremia muito. E ela
não soltaria a parede para a outra.
— Você tem que manter-se movendo, — Camdyn disse.
— Eu sei. — E ela sabia. Ela apenas precisava convencer seu corpo a se mover.
A última coisa queria era Camdyn deixando-a para completar a missão.
Saffron se reestruturou e olhou para as pedras à procura do próximo dragão.
— Eu não posso vê-la, — ela disse quando seu medo começou a subir
novamente.
— Três pedras à sua direita e então duas acima. Você vê isto?
— Para falar a verdade não. Está muito escuro.
Camdyn andou de um lado para outro. Ele se apressou para alcançar o outro
lado da armadilha para que pudesse ajudar Saffron, mas agora ele não tinha certeza de
como poderia fazer isso se ela não pudesse ver.
— Eu posso ver as três, mas são aquelas acima, — ela disse. — Eu não consigo
saber onde uma termina uma e a outra começa.
Ele amaldiçoou os Druidas que adicionaram estas armadilhas ao longo do
labirinto. — Eu estou voltando para ajudar você, — ele chamou.
— E se isso não deixar você? E se você fizer tudo desmoronar?
Camdyn pausou com seu pé sobre a primeira pedra e franziu. Ele não pensara
sobre isto, entretanto novamente, ela podia estar certa. — Você assiste muitos filmes.

152
— Provavelmente. Independentemente disso, eu poderia estar certa, e você
sabe disto ou já estaria aqui.
Ele queria ir para provar que ela estava errada, mas a ideia de que ele mesmo
pudesse ser a causa da morte dela o manteve quieto. Mas se ele não fizesse nada
poderia também causar sua morte.
Camdyn estava em uma posição em que nunca pensou encontrar-se. De
qualquer modo, ele poderia condená-la a morte. Ele não sabia o que fazer.
Entretanto ficou fora de suas mãos quando Saffron moveu-se de seu lugar
para a outra pedra.
Ele curvou-se para a frente com as mãos em seus joelhos quando ela
conseguiu cair sobre a pedra certa. Era uma boa coisa que ele fosse imortal, porque ela
já tirara décadas de sua vida.
Ela encontrou seu olhar e soltou um suspiro que fez sua franja levantar de sua
fronte. — Eu ultrapassei. Esta não é a pedra que eu estava apontando.
Camdyn endireitou-se e esfregou a mão por sua mandíbula enquanto tentava
controlar seu coração batendo no peito. — Há apenas mais três pedras para encontrar.
— Três?
Ele ouviu o horror em sua voz e deu um duro assentimento. — Sim, e eu vou
leva-la através delas. A próxima está duas à esquerda e duas acima.
— Você sabe que eles não colocaram exatamente assim, então elas estão em
ordem
— Eu sei. Conte as da primeira fila.
Ela ergueu as mãos, mas fez como ele pediu. Ela se debruçou tão longe à
esquerda quanto podia. — Um... dois.
— Não. Não conte aquela pequena depois da primeira. É parte de uma pedra
maior atrás de você.
As narinas de Saffron chamejaram quando ela deu-lhe um olhar duro. —
Certo. Então isso significa que a segunda está lá, — ela disse e apontou.
— Sim. Agora, dois acima, — ele persuadiu.
Ela se agachou para tentar ver. — Há alguma pedra que eu não esteja
contando?
A maioria delas, mas ele não queria assustá-la mais que ela já estava.
— Dane-se. É tudo ou nada, — ela disse quando levantou e deu o passo.
Camdyn soube um momento antes dela escolher a pedra errada. — A próxima
acima! — Ele gritou.
153
Com seus pés ágeis ela foi capaz de mover-se rapidamente para a pedra certa
com seu outro pé. No entanto, a área inteira da armadilha começou a tremer e
balançar.
— Dê-me sua mão, — Camdyn chamou.
Ela esticou a mão, mas ainda estava muito longe.
As pedras começaram a rachar e cair ao redor dela, e Camdyn soube que
tinha que fazer algo depressa. Ele deu alguns passos atrás, seus olhos presos nela.
Então ele correu e saltou no ar. Ele plantou um pé na parede à direita e trocou
seu impulso para a parede oposta. Enquanto fazia isso, agarrou Saffron em seus braços
enquanto se afastava da parede.
Eles aterrissaram onde ele tinha esperado por ela enquanto as pedras caíam
para deixar um buraco enorme no chão.
Mas a atenção de Camdyn estava em Saffron. Ele a segurou, seus braços
envoltos firmemente ao redor dela enquanto sua cabeça estava enterrada em seu
pescoço, e ela tremia em seus braços.
— Eu não vou sobreviver a isto, não é? — Ela sussurrou.
Camdyn segurou a parte de trás de sua cabeça. — Sim, você vai. Eu não vou
deixar qualquer coisa acontecer com você.
— Algumas coisas estão fora de seu controle.
— Algumas coisas não estão. — Ele afastou-se para olhar para ela e viu seu
esgotamento.
Ele a levantou em seus braços e começou a descer o corredor. Camdyn queria
encontrar um lugar onde ela pudesse descansar. Não queria pensar sobre como era
certo ter a cabeça dela em seu ombro ou os braços ao redor de seu pescoço.
Ele não queria pensar como era correto sentir que era ele que a protegia.
Camdyn virou na esquina e parou. O ar parecia mais limpo. Havia um ponto no canto
onde a água não se infiltrava através das pedras.
Ele abaixou Saffron e suspirou. Ela precisava de um fogo, mas não havia
qualquer madeira, nem um lugar para a fumaça sair também.
— Sente-se, — ela disse, e bateu levemente no lugar ao lado dela.
Camdyn fez como ela pediu, achando que ele só ajudaria a mantê-la aquecida.
E sabia a mentira que isso era.

154
155
CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Fallon andava de uma entrada até a outra, seu olhar indo novamente para a
entrada por onde Saffron e Camdyn aventuraram-se.
— Eles estarão bem, — Hayden disse.
Fallon passou a mão pelo cabelo. — Eu espero que você esteja certo. Eu só
desejo que estivéssemos lá para ajudá-los.
— Eu também, — Larena disse quando ela puxou-o para sentar-se ao lado
dela. — Fazer um buraco nestas pedras enquanto você marcha não vai ajudá-los
entretanto.
— Tem que haver outro caminho para chegar a Laria, — Arran disse quando
esmurrou uma pedra.
A chuva de pedra que caiu sobre o chão ecoou em torno da caverna.
— Nós acordaremos Laria, — Logan disse.
Broc sorriu. — E assisti-la derrotar Deirdre.
Fallon encontrou os olhos de seus irmãos. Se por alguma razão Camdyn e
Saffron falhassem, seu primeiro e único modo de matar Deirdre se fora.
Depois de todo sofrimento e morte que Deirdre lhes deu, Fallon queria que
ela sofresse como eles sofreram. Ele queria que ela sentisse dor como eles sentiram.
Fallon beijou as costas da mão de Larena. Eles esperavam por quatro séculos
para terem seus deuses presos assim eles poderiam ter filhos e ter a família que ambos
queriam tão desesperadamente.
Larena sorriu tristemente, seu olhar dizendo a ele que sabia exatamente o
que ele estava pensando. Eles falaram muitas vezes sobre a família e o futuro que eles
queriam.
Agora tudo descansava nas mãos de Camdyn e Saffron.
Fallon era um proativo. Ele não gostava de esperar por alguém fazer um
trabalho para ele, ainda nesse caso, ele não tinha nenhuma outra escolha. A magia não
deixaria nenhum deles passar para seguir Camdyn e Saffron.
Dani usou sua magia para examinar cada entrada. Ela tinha sido insistente que
nenhum deles forçasse o caminho em quaisquer das outras entradas. O que os
aguardava se fizessem Fallon não sabia. E ele preferia não descobrir.
***

156
Camdyn não ficou surpreso quando Saffron adormeceu quase imediatamente.
Sua cabeça pendeu de lado para descansar no ombro dele.
Ele teria se contentado em ficar assim se não tivesse sentido um tremor
percorrê-la. A água podia não estar estado vazando pelas pedras, mas o ar estava
úmido e fresco.
Camdyn moveu-se de forma que envolveu um braço ao redor dela e puxou-a
mais apertado contra seu corpo. Ela dormiu como os mortos depois disto.
Todo o tempo, seus pensamentos examinaram cuidadosamente tudo que eles
suportaram desde que entraram no labirinto. Se fosse qualquer indicação, havia mais
esperando por eles. Quanto mais era a questão.
Haviam mais três artefatos para usar. O que significava mais três perigos pelo
menos. Seu coração podia suportar isso? Ele sabia que não podia. Cada vez que a vida
de Saffron era ameaçada, ele sentia como uma lâmina em seu intestino.
Ele era responsável por sua segurança. Somente ele. Antes, ele podia ter
estado cuidando dela, mas então também estavam os outros. Se ela morresse, seria
sua culpa.
Camdyn não sabia quanto tempo ele permaneceu ali sentando com esse
pensamento entorpecente rodando por sua mente. Mas na próxima vez que ele olhou
para baixo, Saffron estava olhando fixamente para ele.
— O que há de errado? — Ela perguntou.
Sua voz, rouca e sedutoramente baixa de sono, enviou calor reunindo em seu
pau dolorido. — Nada.
Ela se sentou e bocejou antes de levantar os braços acima de sua cabeça e
espreguiçar-se, suas costas curvaram de forma que sua jaqueta separou-se e seus seios
empurraram para frente.
Camdyn tentou desviar o olhar, mas desejo o tinha sob controle. E isso não
estava deixando ir.
— Você é um mentiroso muito ruim, — Saffron disse com outro bocejo. —
Quanto tempo eu dormi?
Ele encolheu os ombros e rapidamente levantou-se. O fato é que ele sentiu
falta de tê-la apertada contra ele, seu cheiro enchendo seus sentidos, ele fez seu
melhor para ignorar. — Não sei.
— Precisamos continuar nos movendo, eu suponho.
— Não, — ele disse, estendendo a palma da mão para impedi-la de se
levantar. — Coma algo. Você precisa manter sua força.

157
O fato dela não discutir com ele disse-lhe que ela devia estar morrendo de
fome. Enquanto ela puxava outra barra de sua jaqueta e desembrulhava, Camdyn
olhou o corredor por onde deveriam seguir.
— O labirinto está tomando de volta os artefatos, — Saffron disse mordendo
a barra.
Camdyn virou a cabeça para ela. — O que você quer dizer?
— Eu quero dizer que todo artefato que nós trouxemos aqui para baixo e que
foram usados foram pegos de volta pelo labirinto. Os próximos três serão usados da
mesma forma, é minha suposição.
Camdyn assentiu. — Claro. Nós temos o Tablet de Orn...
— Isto não é realmente um tablet, — Saffron lançou.
— Verdade. É uma caixa cilíndrica. Então tem o cilindro que estava dentro do
Tablet de Orn.
Ela enxugou a boca com o dorso da mão. — E a chave.
— Sim. A chave. Isso podia ser usado de várias formas. São os outros dois
artefatos que me fazem pensar.
O barulho da embalagem quando ela amassou-a na mão e colocou-a em seu
bolso chamou sua atenção. — Vamos descobrir, não é?
A apreço de Camdyn por sua coragem e fortaleza aumentou. Ele deveria ter
sabido que ela cresceria nesta ocasião. Ela era uma mulher forte, independente, e
surpreendente.
Ele esperou até que ela o alcançasse antes de andar corredor abaixo. O túnel
estreitou, forçando Camdyn a girar seus ombros para poder ajustar-se.
— Tenho um pressentimento de que isto não vai levar a nada de bom, —
Saffron disse.
— Qualquer outra coisa levou?
Ela deu uma risada. — Não. Eu achei que conseguir entrar no labirinto seria a
maior proeza. Mas, vamos lá. Deveria ser mais fácil encontrar e despertar Laria do que
isto.
— Os Druidas nunca fizeram qualquer coisa pela metade. Eles queriam estar
certos de que Deirdre não chegaria à sua irmã.
— Eles certamente tiveram sucesso. Temos sorte por termos conseguido
chegar até aqui. E se não houvesse mais Druidas no mundo? Eles pensaram nisso
quando construíram isto? Não. Então onde estaríamos? Na merda, isso sim.

158
Camdyn tossiu para cobrir sua risada. Ela estava agitada, qualquer um estaria,
mas ele conhecia bem o suficiente as mulheres para não deixá-la saber que achava seu
aborrecimento engraçado.
Ele manteve-se na frente dela para afastar as teias de aranha que ele
encontrava bloqueando seu caminho. Se ela tivesse medo de estar no subterrâneo,
então aranhas podiam muito bem manda-la ao limite.
— Eca! — ele ouviu atrás dele. Então isso tornou-se um suspiro antes dele
senti-la esfregando sua mão de um lado para outro em suas costas.
— O que foi? — Ele perguntou quando virou.
— Eu... eu…— ela gaguejou enquanto tentava tirar algo de sua mão.
Era óbvio pelo modo que seus olhos alargaram que ela estava realmente com
medo de aranhas. Camdyn viu a teia e correu para ajudá-la a fim de mantê-la
tranquila.
— Lá, — ele disse quando estava fora de sua mão e braço. Olhou para cima
para dizer-lhe para não se preocupar quando ele viu a aranha em seu ombro.
Ele gemeu interiormente enquanto sua mente correu para descobrir um
caminho de tirá-la de Saffron sem que ela soubesse. O fato deles estarem em um túnel
apertado não ajudava.
— Eu preciso sair daqui, — ela disse quando empurrou-se contra ele. —
Mantenha-se andando. Se há uma teia, há uma aranha, e eu não quero isto em
qualquer lugar perto de mim.
— Por que temer um pequeno inseto? — Embora ele tivesse que admitir,
aquela rastejando por ela era qualquer coisa exceto pequena.
Ela estremeceu, seu rosto transformando-se em horror. — Todas aquelas
pernas cabeludas rastejando. E os olhos. — O Saffron coçou a cabeça. — Só pensar
sobre elas faz-me sentir como se estivessem rastejando por cima de mim. Elas estão
rastejando em mim? Eu sei que elas estão rastejando em mim. Eu tenho que tirá-las.
Tire-as!
Sua histeria crescia a cada palavra, e Camdyn não tinha ideia do que fazer. Ele
não queria contar a ela sobre a aranha e piorar as coisas, mas não podia ignorar o fato
que estava em seu ombro.
Desde que a aranha estava ficando mais perto de seu pescoço, Camdyn soube
que precisava fazer algo imediatamente. Ele bateu na aranha com as mãos e puxou os
cabelos dela.
— O que? — Ela gritou e tentou fugir, só conseguindo bater na parede.

159
— Eu tenho uma em mim? Oh, Deus, por favor diga-me que não está em mim.
— Não está, — Camdyn respondeu honestamente. — Só um pouco de teia em
seu cabelo.
Ela deu-lhe outro empurrão duro. — Obrigada, mas eu realmente preciso sair
deste lugar. Agora. Mova-se!
Camdyn foi adiante novamente e continuou ao longo do túnel, seus ombros
constantemente batendo na parede, embora seu tronco estivesse lateralmente virado.
Ele sorriu para ela exigindo mover-se. Ela realmente tinha medo de aranhas.
Ficou grato por ter tirado a aranha de Saffron antes dela notar. Tão assustada
quanto estava, ela provavelmente teria subido sobre ele para fugir dela.
— Declan usou-as contra mim, — ela disse suavemente no silêncio.
— Quando nós achamos você, você pensou que elas estavam rastejando em
você.
— Antes dele tomar minha visão, isso era um dos modos que ele me
torturava. Ele sabia que era a única coisa que eu realmente ficava petrificada. Eu
sempre fui, desde menina. Ele as tinha por toda parte em mim, e o feitiço que usou era
um onde eu não podia me mover. Foi terrível. Não posso nem olhar para aranhas
agora.
Camdyn estava rapidamente começando a odiar Declan tanto como odiava
Deirdre. — Larena disse quando descobriu que Declan estava mantendo você que você
pensou que as aranhas estavam sobre você. Mas elas não estavam. Ele sabia que isso
te assustava.
— É errado que eu queira descobrir seu maior medo e fazê-lo sofrer uma e
outra vez?
Camdyn olhou para ela. — Não.
— Quero matá-lo.
— Como eu quero matar Deirdre.
Houve uma longa pausa antes de Saffron perguntar, — Deirdre te machucou
como Declan me machucou?
Camdyn suspirou. — Deirdre é má como Declan, mas Deirdre veio de um
tempo diferente. Ela fazia coisas diferentes. Declan torturou você, mas Deirdre não
tinha nada que a impedisse de matar nossas famílias se não fizéssemos o que ela
queria.
— Ela fez …?
Camdyn esfregou as costas a nuca. — É uma longa história.

160
— Suspeito que tenhamos tempo suficiente.
Ele abriu a boca para começar a história quando o túnel de repente alargou e
tochas tremulando para a vida.
— Este lugar fica mais e mais estranho, — Saffron disse quando olhou ao
redor do braço dele.
A luz dançava na parede, tremulando acima das pedras numa dança
selvagem. Camdyn deixou seu olhar mover-se devagar ao redor da parte alargada do
túnel. — Fica mais estreito adiante.
— Ah, mas é para onde deveríamos ir? Olhe, — ela disse e cutucou seu lado
esquerdo.
Ele seguiu seu dedo quando ela apontou para a parede.
— Parece que a pedra tem uma forma de cruz escavada nela.
Camdyn foi em direção a cruz e olhou para a pedra. — É uma cruz Celta, — ele
disse a ela. — Vê as gravações?
— Deslumbrante, — ela disse enquanto corria o dedo ao longo das marcas.
— Mas por que escavar a cruz? Por que não apenas esculpir a cruz como eles
fizeram com as pedras acima?
Ela apalpou em seu bolso e trouxe o Tablet de Orn com seu cilindro de ouro.
— Talvez porque isto entre lá?
Camdyn olhou do Tablet de Orn para a cruz. Ambas as áreas horizontais e
verticais da cruz eram a forma exata. — Sim. Mas de que modo?
— Apenas uma vez apenas eu gostaria que eles fizessem isto fácil, — ela
murmurou.
Camdyn teve que concordar com ela. Ele observou algo na pedra escavada. —
Olhe. Há algo aqui.
— Uma espiral e um símbolo tríade na parte horizontal. Na vertical há um
1
tríscele e uma espiral. Você sabe o que quer dizer?
— Não.
— Então temos uma chance de 50% de escolher o caminho certo.
Camdyn olhou para Saffron. — O que você acha?
— Vertical.

1
Um tríscele ou triskelion é um símbolo formado por três espirais entrelaçadas, por três pernas humanas flexionadas ou por
qualquer desenho similar contenham a ideia de simetria rotacional. O tríscele da Bretanha é também um símbolo celta.

161
— Será vertical, — ele disse quando tomou o Tablet de Orn dela e deslizou-o
na fenda.

162
CAPÍTULO VINTE E QUATRO

O coração de Saffron acelerou, o sangue batia em suas orelhas. Todas aquelas


vezes que ela esteve sentada assistindo filmes de aventura que tanto amava dizendo
que desejava que pudesse ter uma vida como essa parecia estar eras atrás.
E agora ela sabia que ela não queria uma vida como Indiana Jones porque seu
coração simplesmente não podia administrar as constantes surpresas e episódios
ameaçando sua vida.
Houve um suave clicar quando o Tablet de Orn se ajustou perfeitamente na
fenda. Saffron olhou para o chão e rapidamente correu para a parede.
— O que foi? — Camdyn perguntou.
Ela encolheu os ombros enquanto olhava para o chão, esperando por algo
acontecer. — Eu estou cansada de cair. Eu estou cansada do chão mover-se debaixo
dos meus pés. Estes Druidas parecem ter uma coisa sobre mergulhar pessoas para
morrerem.
Camdyn lambeu os lábios e apressadamente virou a cabeça para tentar
esconder um sorriso. — Eu não acredito que o chão desmorone desta vez.
— Você não acredita, — ela repetiu, imitando seu sotaque irlandês. Ela deu
um bufar pouco feminino que teria estarrecido sua mãe. — Bem, eu me sinto melhor
agora.
Saffron não queria permitir sua ansiedade aparecesse, mas ela estava
cansada, gelada, e queria mais que outra barra de cereal para comer. Ela estava no
final de seu humor com toda esta provação, e sabia que mais estava vindo. É isso que a
assustava mais.
— Eu estive me perguntado por que eles forneceram fogo.
Ela ergueu o olhar para as quatro tochas e encolheu-se. — Agora que você
mencionou isto, por que fizeram? Em nenhuma outra parte neste inferno de labirinto
existe qualquer luz. Por que agora?
— Por que, de fato? — Camdyn murmurou quando observou mais perto uma
das tochas.
— Pelo menos eu posso agora levar uma comigo e ser capaz de enxergar. —
Saffron pegou o ferro na parte inferior da tocha e ergueu.
No entanto a tocha não se moveu. Pensou que poderia estar presa, então deu
um puxão mais forte, mas ainda nada.

163
Finalmente, Camdyn tentou retirar a tocha que estava próxima a ele. Nem
mesmo sua força considerável pôde movê-la. Ele olhou para Saffron e encolheu os
ombros.
— Ótimo. Então os Druidas não nos permitirão levar as tochas conosco, e não
forneceram luz mais cedo. Isto não pode ser bom.
Camdyn balançou a cabeça. — Não, eu suponho que não será. E pôr o Tablet
de Orn no lugar não fez nada.
— Não há quaisquer portas que eu possa ver, então parece que nós estamos
presos novamente até que coloquemos o Tablet de Orn do jeito certo.
Saffron retirou o cilindro e virou-o na horizontal. Fez o mesmo suave clicar da
primeira vez quando ela empurrou-o no lugar.
Quando nada aconteceu, Saffron deu um empurrão para ver se devia ir mais
fundo. O cilindro não moveu. Saffron bateu as mãos em suas pernas em frustração e
afastou-se.
Ela permaneceu contra a parede do fundo e observou quando Camdyn
caminhou até onde o Tablet de Orn estava preso na cruz. Ele correu os dedos através
dos nós lentamente.
— Você vê alguma? — Saffron perguntou.
— Talvez.
Quando ele bateu em algo na pedra, Saffron endireitou-se. — Você achou
algo.
Camdyn olhou sobre o ombro para ela. — Venha ver.
Ela correu para ele e olhou onde ele apontou. Com o fogo tremulando nas
paredes, teve dificuldade em ver qualquer coisa claramente. E então ela viu a linha
fina, mal visível.
Seu dedo traçou isto em um círculo perfeito em torno da cruz. Ela deu um
passo atrás, o inicio de medo crescendo.
— Nós temos que girar isto, — Camdyn disse. — Eu acho que a cruz inteira
gira baseada na linha ao redor dela.
— Mas de que lado? E como colocamos o cilindro?
As narinas de Camdyn flamejaram quando seus olhos estreitaram na cruz e no
Tablet de Orn. — Só há uma maneira de descobrir.
Saffron deu outro passo atrás quando Camdyn retirou o cilindro e girou-o de
forma que estava mais uma vez na vertical antes de pô-lo de volta na cruz.

164
Com sua mão ainda no artefato, ele olhou para Saffron antes de girá-lo à
direita.
Os olhos dela foram atraídos para as tochas quando as chamas subiram. Ela as
viu virarem em direção a ela, e embora sua mente gritasse para que se movesse,
aconteceu muito rápido para ela fazer qualquer coisa.
De repente, ela foi arrastada bruscamente para o lado e empurrada contra a
parede. O corpo duro de Camdyn protegeu-a das chamas enquanto ele se inclinava
sobre ela, mas o calor logo fez o suor escorrer pelo rosto e entre seus seios.
Camdyn grunhiu, seu corpo duro e as mãos apoiadas em cada lado da cabeça
dela. Mas nenhuma das chamas a tocou. Depois de um momento, as tochas voltaram
ao normal como se nada tivesse acontecido.
Saffron ergueu a cabeça do peito de Camdyn e o viu encarando-a. A fumaça
enchia a pequena área e flutuava ao redor deles, e ela sentiu o cheiro de algo
queimado. Começou a entender exatamente o que Camdyn tinha feito.
— Você está ferido.
Ele encolheu os ombros, e ela viu a dor que causou. — Vou me curar.
— Imortal ou não, eu não gosto da ideia de você se machucar. — Ela não
podia mais aguentar o calor e tirou a jaqueta.
Ele afastou-se da parede, e o que restou de sua camiseta caiu no chão. Saffron
viu as marcas de queimadura em volta das bordas da camisa e soube que ele tinha
sofrido terrivelmente.
Porque, embora um Guerreiro sempre se curava, eles sentiam os ferimentos.
Ela suavemente tocou em seu rosto, seu coração doendo. — Obrigada.
— Você é uma Druidesa, alguém para ser protegida. Há muito poucas de
vocês.
— Então você fez isso por obrigação? — Ela realmente odiava o quanto a ideia
disso doía.
Ele soltou um suspiro. — Eu dei-lhe minha palavra que a manteria segura.
Ela assentiu e ele se virou. Saffron cobriu a boca com sua mão quando
vislumbrou a extensão das queimaduras que cobriam suas costas. Suas costas eram
uma massa de carne queimada torcida e disforme. Suas costas já estavam curando,
mas ela sabia que ele tinha que estar com uma dor considerável.
Camdyn caminhou de volta para a cruz. — Pronta para outra tentativa?
— Não.
Ele sorriu então, um meio sorriso, mas um sorriso. E derreteu seu coração.

165
Os pulmões de Saffron prenderam, seu mundo inclinou. Porque aquele
pequeno sorriso fez o já bonito Camdyn em um conjunto diabolicamente bom de
olhar. E se seu coração estivesse em perigo antes, não havia nenhuma dúvida agora.
— Fique ai, — ele advertiu enquanto voltava o cilindro para a posição original.
Saffron agarrou as pedras atrás dela e se encontrou rezando que fosse a
forma correta. Ela encontrou o olhar de Camdyn quando ele girou a cruz à esquerda.
Mais uma vez as chamas saltaram para cima, mas desta vez elas não se
moveram em direção a ela. As chamas continuaram enquanto o Tablet de Orn
afundava mais fundo na pedra.
— Me dê o outro cilindro, — Camdyn disse quando estendeu a mão.
Saffron correu até sua jaqueta e arrancou-o do bolso colocando-o nas mãos
dele. — O que é isto?
— Eu acho que ambos devem entrar aqui. Vê como o primeiro entrou mais
fundo na parede? Deixa espaço para o outro.
Ela encolheu os ombros. — Tente.
Seu olhar encontrou o dela antes de ajustar o segundo cilindro menor na
fenda aberta na cruz. Assim que ele fez, a cruz virou-se sozinha, fazendo um círculo
completo.
Quando estava vertical novamente, ambos os artefatos tinham desaparecido.
De repente, as chamas se apagaram e a câmara inteira começou a mover-se em um
círculo.
Saffron agachou, suas unhas raspando enquanto ela agarrava-se nas pedras.
Em dois passos Camdyn estava ao lado dela. Seus braços se envolveram ao redor dela.
Tão abruptamente quanto o quarto começou a mover-se, parou. Ambos
acharam-se olhando para a mesma passagem que entraram mais cedo.
— Aquilo parece ser nossa saída.
Saffron balançou sua cabeça. — Não há nada para nós se voltarmos.
— Eu tenho a sensação que não estaremos voltando, — Camdyn disse quando
a puxou em pé.
Com certeza, logo que entraram no corredor, podiam dizer que estavam em
um local diferente. Sem água escorrendo pelas paredes, mas estavam cobertas ainda
mais de teias de aranha.
Saffron caminhou com os ombros curvados para frente, no meio do túnel,
assim não teria que tocar as paredes. Não olhava para baixo, nem mesmo quando

166
sentiu algo triturar em baixo de seu pé.
— Abaixe, — Camdyn a advertiu.
Saffron não olhou para cima, só fez como ele disse. Ela curvou-se o mais baixo
para o chão como podia sem realmente tocar as pedras em baixo de seus pés.
— Você pode levantar agora.
Ela podia sentir o terror a enchendo, os arrepios absolutos correndo por sua
pele. Porque haviam aranhas.
Camdyn pegou sua mão e eles começaram a correr pelo túnel. Ela deveria
adverti-lo sobre armadilhas, mas tudo o que queria fazer era ficar tão longe das
aranhas quanto possível.
Um olhar para cima mostrou que haviam aranhas penduradas nas paredes e
no teto. Aranhas enormes, aranhas pequenas. Não importava o tamanho, eram
aranhas.
O túnel os conduziu à esquerda, direita, esquerda, direita, e esquerda
novamente até Camdyn parou. Saffron estava sem fôlego, mas teria corrido por dias se
ficasse longe de seu medo.
— Eu acho que passamos isto agora, — Camdyn disse enquanto olhava para
ela.
Ela podia sentir seu olhar analisando em seu rosto. Saffron assentiu. — Sim.
Obrigada.
Ele girou e olhou ao redor.
— Onde estamos? — Perguntou enquanto passava as mãos acima e abaixo de
seus braços, desejando sua jaqueta novamente. Ela deveria ter feito melhor do que
esquecê-la, mas o labirinto com sua magia estava enviando suas emoções em um
passeio infinito de montanha russa.
— Parece que precisamos decidir se vamos à esquerda ou direita.
— Nós temos mais um artefato, — ela disse.
Ele deu um único aceno de cabeça e tocou seu bolso onde a chave
descansava. — Mais um, então nós acordamos Laria.
Saffron afastou o cabelo dos olhos com a mão e tentou manter o controle em
sua raiva e frustração que estavam aumentando lentamente. Se ela não saísse do
labirinto logo iria estourar como o Monte Vesúvio.
— Você decide, — ela disse a ele, e pôs a mão contra a parede.
Em vez de sua mão apoiá-la, ela sentiu-se caindo.
— Camdyn! — Gritou quando a parede virou e ela caiu em um quarto escuro.
167
Ela girou e bateu na parede, esperando que pudesse voltar para Camdyn.
— Camdyn! Camdyn, você pode me ouvir!
Ela gritou até que sua garganta estivesse esfolada, mas nem uma vez ele
respondeu. Mas ainda pior, ela ouviu o som inconfundível de aranhas.

168
CAPÍTULO VINTE E CINCO

Camdyn tentou alcançar Saffron antes da parede girar, mas ele a perdeu. Ele
empurrou seu ombro na parede duas vezes para tentar movê-la como fez para ela.
— Saffron! Saffron, você está bem?
O grito dela ecoou em sua cabeça, lembrando-o que ele falhara em protegê-
la. Seu deus enraiveceu-se dentro dele, e Camdyn não incomodou em tentar reprimi-
lo. Ele liberou seu deus, e jogou a cabeça para trás com um rugido.
— Saffron!
Quando ela não respondeu, ele esmurrou a parede, chutou-a, e até esfregou
as pedras com suas garras. Mas nada a faria se mover.
Camdyn estendeu as mãos na parede, e foi então que sentiu o toque de
magia. — Malditos Druidas! — ele murmurou.
Ele não tinha ideia onde Saffron estava ou se estava ferida. Mas não desistiria
de encontrá-la. Ele dizia a si mesmo que era por causa da obrigação e sua promessa
para ela, mas suspeitava que era muito mais profundo que isto.
Camdyn moveu-se ao longo da parede até que a sensação constante da magia
começou a enfraquecer. Então ele fechou o punho e esmurrou a parede. As pedras
caíram ao redor dele.
Ele arregaçou os lábios acima de suas presas e rosnou quando começou a
derrubar a parede pedra por pedra. Se ele tivesse que desmontar o labirinto a fim de
encontrar Saffron, ele faria.
— Eu estou indo, Saffron! — Ele berrou. — Não desista!
Ele empurrou de lado outra pedra pesada. — Não desista, — ele murmurou.
— Eu acharei você.

***

O medo segurou Saffron num aperto de aço. Ela não podia mover-se, embora
soubesse que aranhas estavam ao redor dela. Tudo que ela tinha que fazer era correr,
pisar nelas, mas seu corpo estava congelado.
Ela não podia ver as aranhas, mas ela sabia que estavam lá. Milhares delas, e
estavam todas vindo em direção a ela. Sua respiração era irregular, seu coração
batendo como um tambor em sua orelha, e seu sangue estava gelado.

169
Saffron odiava o terror dentro dela, a ansiedade e medo, mas os anos de
Declan torturando-a com aranhas tinha apenas aumentado sua aracnofobia em algo
mais que apenas medo.
A paralisava.
— É este seu medo? — Uma voz como dezenas de pessoas falando ao mesmo
tempo sussurrou.
Saffron sentiu as lágrimas rolarem por seu rosto quando uma aranha oscilou
na frente a ela. Tudo que ela tinha que fazer era afastá-la e passar por cima dela.
Se ela apenas pudesse se mover.
— Você é uma Druidesa. Com magia.
Saffron gritou quando uma aranha caiu sobre seu braço e a mordeu. Esse grito
a liberou de sua paralisia e ela gritou e gritou e gritou.
Todos aqueles anos de segurar tudo, assim Declan não saberia que ficava
apavorada, todos aqueles anos de esconder quão magoada estava pela indiferença de
sua mãe. Todos aqueles anos de fingir que ela estava bem sozinha explodiram.
Ela estendeu os braços e magia estourou de suas mãos. Saffron moveu as
mãos em todos lugares que achou que houvesse aranhas. Ela poderia estar com muito
medo de aproximar-se delas, mas sua magia podia fazer isto por ela.
Quanto mais ela usava magia para matar as aranhas, mais seu medo
começava a desaparecer. Tudo que ela segurara dentro de si todos aqueles anos
dissipou até que as aranhas não eram mais gigantes em seu subconsciente governando
sua vida.
A magia estava curando-a, e sentia-se gloriosa. Saffron fechou os olhos e
deixou a magia fluir por ela, cerca-la.
Tomá-la.

***

O estômago de Camdyn deu um tombo quando ouviu os gritos de Saffron. Ele


urrou seu nome e arranhou pelas pedras mais e mais rápido.
Ele chamou seu deus para ajudá-lo. Era uma coisa arriscada. Os deuses dentro
deles queriam controle, e se um Guerreiro tinha a mente fraca ou dava demais para o
deus, o deus os governaria.
Era um jogo que Camdyn estava disposto a arriscar. Por Saffron. Ela sofreu
como nenhuma Druidesa deveria ter sofrido, e estava sofrendo novamente.

170
Ele manteve contato com outros Guerreiros, como Galen, que tinha visto
através dos séculos. Mas Camdyn fechou-se depois da morte de Allison.
Não foi até que encontrar Saffron que sentiu tal tumulto de emoções. Ela o
deixou bravo, o fez querer estrangula-la. Mas o fez querer sorrir e rir. E o fez ansiar por
ela com uma fome que o consumia.
Embora soubesse que precisava pôr distância entre eles antes que se
aproximasse demais dela, ele fez o inconcebível e mudou parte de seu controle para
seu deus, Sculel.
Camdyn sentiu o aumento de sua força imediatamente. Ele rugiu quando
ouviu Saffron gritar novamente. Ele rasgou a parede que tinha vários centímetros de
espessura e encontrou-se em outro túnel que corria ao lado da câmara onde Saffron
estava.
A magia cercando a câmara era suficiente para impedir até um Guerreiro de
entrar.
— Não, — ele berrou e bateu um punho nas pedras.
O fato de que as pedras nem sequer se agitassem contra seu ataque disse-lhe
o quão poderosa era a magia. Ele estava amaldiçoando sua sorte quando visualizou
uma porta.
Camdyn correu para a porta e pôs a mão nela. Ele podia sentir a magia dentro,
podia sentir a poderosa magia. Ele colocou as mãos na porta e colocou a testa contra a
grossa madeira quando ouviu Saffron gritar novamente.
Se qualquer coisa acontecesse com ela...
Não. Ele não se permitiria pensar nisso. Ele não podia. Ele tinha que manter-
se focado e achar um caminho para alcançá-la. Ele era tudo que ela tinha para salvá-la
do que estava lá dentro, e pelos sons de seus gritos, ela estava apavorada.
— Saffron!
Seus gritos silenciaram, e Camdyn perdeu o pequeno controle que tinha de
sua ira. Ele bateu na porta, cortando-a com suas garras enquanto berrava seu nome
várias vezes.
Ele não sabia quanto tempo ficou assim antes da porta, de repente, se abrir.
Camdyn ficou imediatamente cauteloso. Suas garras estavam prontas e ávidas por
sangue, seu deus faminto por morte. Se qualquer coisa estivesse lá além de Saffron,
estaria morto.
Camdyn viu uma luz lânguida pela fenda da porta. Ele empurrou a porta
pesada com a ponta do pé e espiou em volta. O que ele viu impediu-o de seguir em
frente.

171
Saffron levitava no meio da câmara com os braços estendidos ao lado. Uma
lânguida, luz pálida emanava de suas mãos e pés. Seus olhos estavam fechados, seu
rosto sereno.
E então a força de sua magia bateu nele.
Camdyn dobrou-se, não de dor, mas do prazer intenso de sua magia. Ele ficou
imediatamente duro, sua necessidade tão forte, seu desejo tão poderoso, que ele
queria tomar Saffron imediatamente.
Deitá-la no altar de pedra que ele via atrás dela e rasgar suas roupas com as
garras. Ele queria seu corpo descoberto para que pudesse ver seus seios.
Queria abrir suas pernas e lentamente entrar nela. Ouvir seus gemidos de
prazer, seus gritos de paixão enquanto empurrava dentro e fora de seu sexo.
Camdyn segurou seu pau dolorido e ajustou-o para ajudar a aliviar sua
necessidade, mas nada o ajudaria até que estivesse dentro de Saffron. Reivindicando-
a.
Endireitou-se com uma careta e olhou em volta da câmara para saber o que a
tinha prejudicada. Mas tudo o que viu foi o altar atrás dela, e uma porta além disto.
— Camdyn.
Seu olhar disparou para Saffron, cujos olhos estavam abertos e olhando para
ele. Ele deu um passo lento em direção a ela. Camdyn não tinha certeza se ela tinha
feito isso para si mesma, ou se outra pessoa o tinha. A última coisa que ele queria fazer
era machuca-la.
— Você veio por mim, — ela sussurrou.
— Eu disse a você que o faria. Eu não faço promessas que não pretendo
cumprir.
Uma única lágrima caiu pelo rosto dela, e foi sua ruína. Ele reprimiu seu deus,
brevemente notando a facilidade com que fez isto, e caminhou para ela até que ele
teve que olhar para cima para ver em seu rosto.
A luz emitida de suas mãos e pés começou a enfraquecer quando ela abaixou
para o chão. E com isto, sua magia diminuiu também.
Camdyn sentiu-se dolorido com a perda disso, mas ao mesmo tempo,
conseguiu controlar o desejo que sentia por ela. Foi pouco, mas mais do que ele tinha
um momento antes.
Seus pés tocaram o chão e ela andou para ele. Camdyn permaneceu em

silêncio quando ela envolveu os braços ao redor dele e encostou a cabeça em seu
peito. Hesitante, ele a envolveu em seus braços e simplesmente a segurou.
172
— O que aconteceu? — Ele perguntou.
— As aranhas. Elas estavam em todos lugares. Por toda parte, nas paredes, no
chão, no teto. Eu não podia sair. Não podia me mover por causa do medo.
Camdyn correu uma mão de cima e para baixo por suas costas quando ela
começou a tremer.
— Eu escutei uma voz, mas estava muito assustada para ouvir. E então uma
aranha me mordeu. — Sua cabeça ergueu então ele olhou abaixo em seu rosto. — Eu
não sei o que aconteceu, Camdyn. É como algo sacudisse dentro de mim. Minha magia
assumiu o comando.
Ele segurou em suas bochechas e limpou o que sobrou das lágrimas. — O que
aconteceu, acabou agora. Não há nenhuma aranha.
Ela franziu a testa e olhou no chão. — A voz. Perguntou-me sobre meu medo.
As aranhas. Eu as matei. Milhares delas. Onde estão os corpos?
— Eu não vejo nenhum.
— Exatamente. A voz então me disse que eu era uma Druidesa, que eu tinha
magia. Depois disto foi quando eu estalei.
— Então você acha que isto foi um teste?
Ela fungou e deu um meio encolher de ombros. — Se foi, quem veio com esta
ideia precisa sofrer seu próprio medo cem vezes.
Ele tinha que concordar, porque o terror que apoderou-se dele por não poder
alcançar Saffron tinha sido a pior coisa que ele já experimentou em sua muito longa
vida. E ele não se importava em jamais repetir isto.
Um teste para ela? Ou tinha sido um teste para ele? Talvez para ambos. Ele
conseguido dar um certo controle sobre seu deus, e de alguma forma ele pegou-o de
volta. Ele nunca tentara isto antes, mas ele não hesitou. Porque Saffron quem
precisava dele.
— Um teste ou não, você derrotou qualquer coisa que estava neste quarto de
forma que eu pude chegar a você. Havia magia impedindo-me de entrar.
— Eu? Eu derrotei o que estava no quarto?
— Sim. Você.

173
Ela balançou a cabeça e tentou sair de seus braços, mas ele segurou-a
apertado. — Eu não tenho esse tipo de poder em minha magia.
— Eu acho que você tem.
Eles ficaram presos no olhar um do outro por vários momentos antes que
Camdyn afastasse o olhar. Ele tinha que tomar seus lábios novamente. Precisava
montá-la, e ele queria nada além de saboreá-la, mas agora não era o momento para
ceder a seus desejos.
— Há uma porta atrás do altar, — ele disse.
Saffron girou para olhar. Ela caminhou em direção a porta, e quando passou
pelo altar deixou sua mão correr pela pedra.
Camdyn seguiu-a, nunca mais que um passo atrás. Ele não iria deixá-los serem
separados novamente. Da próxima vez, ele poderia não ser capaz de alcançá-la.
Ela girou para olhar para ele, excitação fazendo seus olhos dourados
dançarem. — Há uma fechadura na porta.
— Perfeito, desde que temos só a chave restando.
Ela assentiu. — Você faz isto.
— Nós faremos isto juntos, — ele disse.
Camdyn pegou a chave. Quando ela a pegou, ele envolveu os dedos ao redor
dos dela, e juntos eles inseriram a antiga chave e giraram. O clicar quando destrancou
pareceu alto demais no silêncio do quarto.
Eles pausaram quando as paredes começaram a agitar ao redor deles.
Camdyn apurou os ouvidos para escutar. — Soa como portas abrindo. Ou fechando.
Não posso dizer qual.
— Vamos terminar, — Saffron disse.
— Nós temos.
— Não, nós não temos.
Camdyn girou a chave mais uma vez com ela, e para sua surpresa houve outro
clicar antes da chave ser arrancada fora de seu aperto e desaparecer na fechadura.
Ele moveu-se de forma que estivesse na frente de Saffron quando a porta
rangeu aberta.

***

174
Fallon e os outros saltaram quando uma rajada de vento saiu na caverna de
uma das entradas, como se os convidando.
— Saffron e Camdyn devem ter conseguido, — Logan disse.
Dani pausou ao lado da porta e sorriu. — Este é o caminho que precisamos ir.
— Então vamos nos apressar, — Fallon disse quando tomou a mão de Larena
em sua própria.
Finalmente, Deirdre seria exterminada.
Finalmente, eles podiam ter sua família e o futuro que desejaram.

***

Saffron não se importava que Camdyn estivesse caminhando à frente dela no


quarto, mas quando ela ouviu sua inspiração afiada ela correu para ficar ao lado dele.
Então ofegou.
No meio da grande câmara estava outro altar, e em cima deitada uma mulher
com longo cabelo loiro dourado vestindo um vestido medieval verde escuro.
— Nós conseguimos, — Saffron sussurrou.
Camdyn voltou seus olhos escuros para ela. — Você conseguiu.
Saffron rapidamente esqueceu tudo sobre a mulher quando os dedos de
Camdyn enrolaram os dela. Nunca em sua vida pensou que poderia ter sobrevivido a
todas aquelas aranhas, mas ela sobreviveu. Não sozinha entretanto. Camdyn deu-lhe
aquela força, ele deu-lhe a coragem.
Porque ela não queria desistir como quis tantas vezes na prisão de Declan.
Não, ela queria uma vida, e estava disposta a fazer o necessário para tê-la.
Ter Camdyn, ainda que só por um momento.

175
CAPÍTULO VINTE E SEIS

Camdyn perdeu-se no olhar castanho dourado de Saffron. Ele ficou à deriva,


flutuando. Arrastado. E ele nunca queria que isso terminasse.
A mistura de excitação e paixão em seu olhar era demais para ele. Como um,
eles se encararam. Ele colocou a mão na parte inferior de suas costas e puxou-a para
mais perto enquanto as mãos dela pousaram sobre seus braços.
Tinha manchas de sujeira pelo rosto, seu cabelo estava desordenado, e suas
roupas sujas. Mas aos seus olhos ela era a coisa mais bonita que ele já vira.
— Camdyn, — ela sussurrou quando se inclinava para ele.
Ele queria desesperadamente beijá-la, beber o primoroso sabor dela. Como
ele doía por afogar-se em seu cheiro de meia-noite e neve.
Seus dedos se curvaram, puxando-a em direção a ele. Os lábios dela
separaram e isso enviou uma sacudida de desejo por ele diretamente para seu pau.
Um desejo tão profundo que Camdyn sabia que se a beijasse, se cedesse ao desejo
pulsante por ela, se perderia nela.
As pálpebras dela lentamente fecharam enquanto o rosto dele aproximou-se
do dela. Uma suave exalar alcançou seus ouvidos. Seu rosto inclinando para cima, para
ele, tão ávida por seu beijo como ele estava pelo dela.
Mas logo antes de seus lábios tocarem os dela, sua audição realçada ouviu o
som inconfundível de pés correndo em direção a eles.
Os olhos de Camdyn memorizaram o rosto de Saffron por longos anos à frente
dele antes de soltá-la e dar um passo atrás. Era a última coisa que queria fazer, mas ele
sabia que se salvara fazendo isso.
Os olhos de Saffron tremularam abertos. A paixão se derretia de seu rosto
para ser substituída por confusão e uma linha de raiva. Ela tinha todo direito de estar
irritada. Camdyn não conseguia manter as mãos longe dela. Não podia parar de olhar
para ela.
Não podia parar de sentir fome pela única coisa que não poderia ter.
Mas ele também não podia dar-lhe o que ela queria.
Ela respirou fundo, seus olhos enchendo até a borda com fúria. Mas antes que
ela pudesse soltar a bronca que ele sabia que viria, Arran e Logan pararam na entrada.
Camdyn girou para eles quando os outros agruparam-se atrás dos Guerreiros.
Ele não sabia o que dizer ou fazer. Ele sentiu-se como o pior tipo de idiota por
repetidamente beijar Saffron, mas empurrando-a para longe ao mesmo tempo.

176
Haviam palavras que ele precisava dizer a ela, mas elas estavam presas em
sua garganta. Ele não era cara charmoso, não era uma pessoa que sempre sabia o que
dizer. E nesse momento, era melhor guardar suas palavras para si mesmo, impedir
Saffron de saber quanto ele a queria.
Porque se dissesse a ela, se ela soubesse, as coisas só ficariam piores para ele.
Ele tinha que se controlar. Por cem anos ele viveu como um monge nas
florestas depois da morte de Allison. Ele tinha estado contente com sua vida. Enquanto
outros homens queriam achar uma mulher para compartilhar sua vida, Camdyn estava
muito feliz em estar só.
Bem, não exatamente feliz, mas em paz com seu destino.
O que era sobre Saffron que o atraiu como um homem agonizante para água?
O que era sobre a magia dela que enviou seus desejos para um estado que ele nunca
sentiu antes?
O que ela tinha que o fazia querer estar com ela sempre?
— Eu sabia que vocês conseguiriam, — Gwynn disse quando caminhou para
eles com um sorriso enorme.
Fallon bateu nas costas de Camdyn. — Bom trabalho. Vocês dois.
Camdyn e Saffron aceitaram os agradecimentos dos outros. Ele não precisava
olhar para ela para saber cada movimento ou reação dela.
Ela estava sofrendo, e era sua culpa. Ele inspirou profundamente e girou para
os outros, que olhavam fixamente para Laria enquanto ela deitava dormindo
pacificamente.
Camdyn fechou as mãos quando Dani colocou um braço ao redor dos ombros
de Saffron e a atraiu no largo círculo que eles tinham formado ao redor de Laria.
— Ela parece como se apenas se deitou, — Cara disse.
Camdyn encontrou seu olhar viajando para Saffron. Ele podia dizer pela forma
que seus lábios estavam comprimidos e seus ombros apertados que ela estava
segurando sua raiva.
Poucos momentos antes dele ter se afastado dela ele tinha visto seus olhos
acesos felicidade. Ele a vira retraída, brava, assustada, furiosa, e até cheia de paixão.
Mas ele nunca a tinha visto tão alegre.
E ele estragou isto.
Agora que sabia o que Declan fez para ela, ele, de todas as pessoas sabia que
ela merecia ser feliz. Isso simplesmente provou que ele não era a pessoa para dar-lhe
isto.

177
— Camdyn?
Ele parou e acenou sua cabeça para Quinn que permanecia ao lado dele. —
Sim?
— Eu perguntei se você ou Saffron tocaram em qualquer coisa quando
entraram?
Camdyn balançou a cabeça. Ele só tinha tocado Saffron. Um toque que
provavelmente seria o último. — Não. Nós destrancamos a porta e então andamos
para dentro. Alguns momentos depois vocês chegaram.
— Tanto quanto eu adoraria descobrir o que você e Saffron tiveram que
passar para chegar aqui, eu quero Laria acordada e terminar essa batalha, — Galen
disse.
Fallon assentiu. — Concordo. Ramsey, é sua vez.
Camdyn lambeu os lábios, também estava ávido por despertar Laria. Ele
esperara pelo momento da morte de Deirdre por muito tempo. Ficou ainda pior
quando eles pensaram que a haviam matado quando libertaram Quinn.
Mas a magia negra de Deirdre tinha sido mais forte do que qualquer um deles
percebeu. Seu corpo poderia ter sido morto naquele dia, mas sua magia permitiu que
sua alma permanecesse. Não demorou muito para Deirdre gerar outro corpo.
Ramsey pausou ao lado da enorme placa de pedra e olhou abaixo para Laria.
— Talvez você a beije como todas as princesas nos filmes da Disney, — Dani
disse com um sorriso.
Houve algumas risadas em resposta.
Ramsey olhou para Dani e sorriu. — Se assim fosse tão fácil.
— O que você tem que fazer? — Hayden fez a pergunta antes de Camdyn
pudesse.
Ramsey encolheu os ombros quando lentamente caminhou em torno do altar.
— É isso que eu estou tentando determinar.
Ficaram calados enquanto o observavam. Quando Ramsey ajoelhou e tocou
em algo no altar, Hayden produziu uma bola de fogo nas mãos e se inclinou mais perto
assim todo mundo poderia ver as esculturas complicadas que pareciam parte céltica e
parte algo muito mais antigo.
— Essas não são como qualquer escrita gaélica que eu já tenha visto, — Logan
disse.
Broc grunhiu. — Ou arte céltica.

178
— Estas são escritas do meu povo, — Ramsey disse a eles.
Camdyn ainda estava admirado pelo fato de que Ramsey era parte Druida
como também um Guerreiro. Ele perguntou-se se sua magia fortaleceu o poder de
Ramsey sobre seu deus ou dificultou isto.
— O que aconteceu com seu povo? — Camdyn perguntou.
Ramsey ergueu o olhar para Camdyn. — Eu gostaria de saber.
Camdyn olhou para as gravuras na pedra e perguntou-se o que elas
significavam. Era óbvio pela testa enrugada de Ramsey que ele também não sabia.
— A magia ao redor de Laria é sufocante, — Ramsey disse quando enxugou
sua testa com seu braço.
— Nós podemos sentir isto, — Lucan respondeu.
Camdyn ficou impaciente. Ele sabia que era só uma questão de tempo antes
de Deirdre tentar prendê-los novamente, embora suspeitasse que eles estavam tão
profundos embaixo do solo que sua magia não poderia penetrar.
Mas uma vez que voltassem à superfície Deirdre estaria esperando. Camdyn
apenas esperava até lá que tivessem Laria acordada. E então havia Declan.
Muitos puseram isso em segundo plano no fundo de suas mentes, mas
Camdyn não. Seus instintos lhe diziam que Declan poderia muito bem juntar-se a ela
na próxima batalha.
Só de pensar nisso o olhar de Camdyn moveu-se mais uma vez para Saffron.
Ele observou a mão dela tirar o cabelo do rosto para trás da orelha em um movimento
elegante. A extensão exposta de seu pescoço o fez desejar que tivesse beijado aquela
porção de pele. Deixou-o querendo deslizar os dedos por seu pescoço para tocar sua
carne que ele sabia ser tão suave quanto seda.
Uma onda de magia, antiga e forte, de repente encheu a câmara. Camdyn
moveu seu olhar para o altar e Laria. Ramsey ajoelhou-se na base do altar e segurou
uma mão sobre a gravura, sua cabeça pendeu para o lado e seus olhos fecharam.
Como Camdyn, Arran, e Logan, Ramsey ainda usava cabelo comprido, como
tinha sido no século XIV, antes deles viajarem no tempo para o futuro. O cabelo de
Ramsey ocultava parte de seu rosto, mas não havia como negar o sorriso que puxou
seus lábios.
Não houve aviso quando Ramsey estendeu sua outra mão e colocou-a na
outra gravura. A explosão de magia que correu por Camdyn o fez dar um passo atrás,
era tão feroz. E ele não era o único.
Todo mundo, inclusive as Druidesas, tinha sido afetado pela magia.
— Oh, minha nossa, — Saffron sussurrou ofegante, sua mão na garganta.
179
A câmara começou a vibrar com magia. Várias pequenas luzes brancas se
aproximaram do altar como pequenos insetos voadores. Elas corriam para lá e para cá,
em torno de Laria tão rapidamente que as trilhas de suas luzes podiam ser vistas muito
tempo depois te terem se movido.
A cabeça de Ramsey estava inclinada para trás, palavras que Camdyn nunca
ouviu antes saíram de seus lábios. Quanto mais Ramsey falava, mais rapidamente as
luzes moviam até não passavam de um borrão.
Houve um alto estalo e as luzes desapareceram. A magia antiga, embora ainda
presente na câmara, era sentida diferente. Quase como se tivesse sido acordada.
Despertada.
Reavivada.
Camdyn inspirou fundo, seu deus afetado por essa magia antiga tão poderosa
que não sentira desde que foi puxado de sua prisão no inferno.
Ele colocou a mão sobre o peito enquanto seu deus se enfurecia dentro dele,
persuadindo-o a fugir. Esta foi a primeira vez que Camdyn sentiu seu deus temer
alguma coisa, e isso inquietou Camdyn.
Um olhar para Quinn de lado dele e Arran no outro disse a Camdyn que ele
não era o único cujo deus não estava feliz.
— O que está acontecendo? — Arran grunhiu.
Fallon friccionou os dentes e disse, — Mantenha-se firme.
Mas quanto mais a magia empurrava contra eles, mais seus deuses
blasfemavam dentro deles.
Marcail moveu-se na frente de Quinn e colocou as mãos em seu peito com
seus olhos fechados. No mesmo instante o corpo de Quinn aliviou. Camdyn olhou ao
redor para ver que cada Guerreiro com uma Druidesa como esposa estava tendo o
mesmo processo feito para eles.
Fallon e Larena, ambos Guerreiros, não eram capazes de se ajudarem, mas
Fiona foi rápida para ajudá-los antes de ir ajudar Arran.
Camdyn sentiu o olhar de Saffron sobre ele e olhou para ela. Ele queria que
fosse ela que o aliviaria, mas sabia que não tinha direito de pedir. Não depois do que
fez para ela.
Para seu assombro, ela caminhou até ele e suavemente, gentilmente o tocou.
Sculel logo se aquietou, acalmou-se. Camdyn respirou fundo e abriu a boca para
agradecê-la.
Mas ela virou de costas e retornou ao seu local antes que ele pudesse.
— O que você fez para ela? — Arran se inclinou e sussurrou.
180
Camdyn olhou para o chão. — Eu fui eu mesmo.
Os lábios de Arran franziram em uma carranca, mas ele não disse mais nada.
Não havia nada mais para dizer.
Camdyn voltou sua atenção para Ramsey e Laria. Sculel poderia estar
tranquilo mais uma vez, mas a magia ainda não tinha diminuído. E isso o preocupou.
Eles precisavam ser capazes de lutar contra Deirdre, mas o modo que seus deuses
reagiram à magia de Laria poderia tornar isso impossível.
De repente, o peito de Laria levantou quando ela respirou fundo e lentamente
expirou. Ficaram em silencio quando Ramsey levantou e olhou para Laria enquanto
mais do seu idioma estranho saía de seus lábios.
Uma onda de antecipação encheu Camdyn quando ele viu os dedos de Laria
mexerem.
As palavras de Ramsey ficaram mais altas, sua magia mais forte. No entanto, a
sensação de sua magia era estranha, porque misturado com ela estava seu deus. Não
era tão agradável quanto outra magia Druida, como a de Saffron, mas também não era
desagradável.
Apenas... diferente.
E então os olhos de Laria se abriram.

181
CAPÍTULO VINTE E SETE

Saffron estava ocupada olhando fixamente Camdyn assim ela não viu quando
os olhos de Laria abriram. Não foi até que Laria sentar-se que Saffron enfocou na
Druidesa.
Embora Saffron tivesse tido visões de Deirdre, ela estava despreparada para a
beleza atordoante de Laria. Sua pele era pura e tão lisa quanto nata. Suas mechas
douradas penduradas diretamente abaixo de suas costas para agrupar ao redor de
seus quadris. Seus olhos eram um azul tão brilhante que Saffron estava hipnotizada
por eles.
O rosto oval de Laria tinha a estrutura óssea de nobreza, e a beleza de uma
supermodelo. Ela olhou lentamente ao redor da câmara até que seu olhar veio
descansar em Saffron.
Saffron ficou desconfortável debaixo de seu olhar direto. Então Laria falou em
um idioma que Saffron reconheceu mas não entendeu.
— Gaélico, — Ramsey disse. — Ela está falando gaélico.
Gwynn suspirou. — Então comunicar-se com ela não será fácil.
— Fáilte, bem-vindo, — Ramsey disse em Gaélico.
Laria girou sua cabeça para ele. — Fáilte.
— Eu sou Ramsey.
Laria levantou uma mão e girou seu olhar de volta para Saffron. Ela chamou
Saffron com um dedo.
Saffron engoliu em seco. Não sabia por que Laria estava tão interessada nela,
mas estava prestes a descobrir. Saffron caminhou para o altar e ficou ao lado de
Ramsey.
— Não tenha medo dela, — Ramsey disse.
Saffron olhou em seus olhos cinzas. — O que ela quer comigo?
Em resposta, Laria pôs sua mão no lado do rosto de Saffron. Uma sacudida de
poderosa magia passou por Saffron, fazendo-a gritar do choque como também de
pequena quantidade de dor.
O olhar de Saffron estava travado com o de Laria, mas pelo canto do olho ela
viu Camdyn andar em direção a ela só para ser contido por Quinn, Arran, e Hayden.
Tão rápido quanto o pequeno desconforto começou, terminou. Calor inundou
Saffron. E paz. A mesma paz que ela experimentou com o cântico e a batida.

182
— Não tenha medo de mim, — disse uma voz feminina em sua cabeça. — Eu
preciso aprender seu idioma e seu tempo.
Saffron não soube quanto tempo ficou lá enquanto Laria a tocava, mas
quando Laria deixou cair a mão, Saffron soube que nunca seria a mesma novamente.
Tinha sido tocada por magia diferente de qualquer coisa que pudesse
imaginar. Era tão pura, tão poderosa, que trouxe lágrimas a seus olhos. E o fato que
duas das Druidesas mais formidável que ela conhecia — Isla e Reaghan — estavam de
pé no mesmo quarto dizia algo.
— Obrigada, — Laria disse, e sorriu para Saffron.
Saffron olhou abaixo para sua mão na pedra, que estava coberta pela de Laria.
— Por que eu?
— O labirinto escolheu que você me achasse. — Laria virou-se para olhar para
Ramsey. — Você é Druida e Guerreiro?
Ramsey deu um aceno leve de cabeça. — Não por minha escolha.
— Ah, — Laria disse com uma pequena quantidade de desgosto em sua voz.
— Minha irmã.
Saffron não podia acreditar que ninguém estivesse surtando ao saber que
Laria tinha aprendido seu idioma tão rapidamente. Mas novamente, com magia como
a de Laria, Saffron imaginou que ela poderia fazer quase qualquer coisa.
— Sim, — Fallon disse enquanto avançou. — Deirdre deve ser detida.
— Então não vamos desperdiçar mais tempo. — Laria foi ajudada a descer da
pedra por Ramsey.
Ela tomou a mão de Saffron e a levou pelo grupo. Quando Saffron passou por
Camdyn ela olhou para ele e viu que seus olhos escuros estavam cheios de
preocupação.
Não houve para dizer-lhe para não se preocupar quando Laria caminhou em
direção à parede de pedra e estendeu a mão, palma fora, enquanto ela murmurava um
feitiço que Saffron nunca ouvira antes.
As pedras moveram, e uma porta se abriu.
— Você pode falar com as pedras, também? — Quinn perguntou a ela.
Laria olhou para ele. — Não. Esse era o dom de Deirdre. A única maneira de
sair do labirinto é através de feitiços que só eu sei.

183
— Espere, — Lucan disse, parando-a antes dela poder atravessar a porta. —
Você devia saber que Deirdre está esperando por nós.
— Eu não esperaria nada menos de minha irmã, — Laria disse com um sorriso
antes de continuar adiante.
Saffron não sabia por que Laria a queria ao lado dela. Atrás dela, Saffron podia
sentir os olhos de Camdyn nela. Cada vez que Saffron desacelerava Laria sorria e
acenava para que se apressasse.
— Seu homem pensa que eu quero machucar você, — Laria sussurrou.
Saffron franziu. — Meu homem? Oh, você quer dizer Camdyn. Ele não é meu.
— Realmente? — Laria perguntou com um levantar de sobrancelha loira. —
Ele certamente age como se fosse.
— Ele está só fazendo isso porque eu o fiz prometer me manter segura.
Atrás deles Isla bufou. — Saffron, ele está protegendo você porque ele quer,
não porque você o fez prometer. Eu dou-lhe minha palavra nisto.
Laria compartilhou um olhar com Isla antes de assentir para Saffron. — Ela
está certa. Um Guerreiro, mais especialmente um Highlander, não faz nada que não
quer fazer.
Saffron não sabia como responder àquilo. Elas não tinham estado a sós com
Camdyn. Elas não saborearam seus beijos e sentiram sua paixão.
Ou experimentaram sua rejeição.
Então ela não teve que responder porque Laria diminuiu a velocidade quando
eles alcançaram um conjunto de degraus que estavam rachados e desgastados pelo
tempo. — Eu posso sentir Deirdre, — Laria disse suavemente.
Ela girou o olhar para aqueles ao redor dela, encontrando o olhar de cada um.
Em Fallon, ela parou. — Deirdre estará enfocada em mim. Dê-nos espaço para nossa
batalha, mas acima de tudo, mantenha suas Druidesas seguras.
— Será feito, — ele respondeu.
Camdyn olhou fixamente para Laria. Ele não sabia por que ela queria Saffron
com ela, mas não gostou disto. Se Laria estava indo para batalhar com Deirdre então
Saffron precisava estar com as outras Druidesas, não na linha de fogo.
Os olhos de Laria moveram-se para ele então. Ele estreitou seu olhar. Era
difícil de olhar para ela e não ver Deirdre. O cabelo de Laria entretanto era loiro e não
branco, e seus olhos azuis e não brancos, elas ainda eram iguais.
Mesma constituição. Mesmos maneirismos. Mesma voz.
— Não se preocupe, Guerreiro. Saffron não estará em perigo.

184
— Melhor ela não estar.
Em resposta a sua ameaça, Laria simplesmente sorriu. Laria então deu um
pequeno aceno de mão e o chão acima dos degraus começou a mover-se.
Camdyn e Arran avançaram rapidamente para Laria. Camdyn olhou para ela e
disse, — Nós atrairemos Deirdre para você.
Ele piscou contra o brilho do pôr do sol quando eles alcançaram o topo dos
degraus. Um segundo depois e uma onda de magia drough bateu nele e o lançou para
trás em um dos monólitos enquanto era mantido imóvel acima do chão.
Camdyn viu que Arran também tinha sido preso. Havia um sorriso no rosto de
Deirdre enquanto ela permanecia mais ou menos cinquenta passos dos degraus que
levavam para fora do labirinto.
— Eu sabia que vocês falhariam em despertar minha irmã, — Deirdre disse
com uma risada.
— Oh, mas eles não falharam.
Camdyn começou a rir quando o sorriso de Deirdre se apagou ao som da voz
de Laria. A cabeça de Laria apareceu, e com isto, uma explosão de magia apontou para
Deirdre.
Quase imediatamente Camdyn e Arran foram soltos. Camdyn não
desperdiçou um momento quando correu para ver Saffron ao lado de Dani e Ian
enquanto saíam o labirinto.
Camdyn viu um wyrran correr em direção a Saffron. Ele soltou um rugido e
pediu à terra para responder a seu poder. O chão rolou em baixo do wyrran antes de
engolir a pequena criatura amarela.
Camdyn alcançou Saffron e Dani a tempo de ajudar Ian a combater seis
wyrrans. Dani e Saffron estavam usando suas magias contra o wyrran, mas não era o
suficiente para Camdyn.
Seu deus gritou por sangue e morte, e Camdyn estava totalmente de acordo.
Seu corpo doía com sua necessidade por Saffron. Esta batalha era uma perfeita
liberação para ele.
Saffron estremeceu quando um wyrran gritou próximo a sua orelha, mas ele
não era nada comparado ao rugido de ira de Camdyn. Era o grito de batalha do
Guerreiro, um sinal para outros que era hora da morte, hora de vingar-se com sangue.
Três anos atrás ela ficaria horrorizada pelo que estava testemunhando, mas
agora ela ficou admirada pelo modo como Camdyn movia-se.

185
Ele era rápido com os pés, rápido de corpo. Suas garras tinham pontaria
mortal. E uma vez que seu olhar alfinetava um inimigo, não havia escapatória.
Saffron esqueceu sobre usar sua magia contra o wyrran se aproximando. Ela
estava muito fascinada pela visão de Camdyn na sua forma de Guerreiro com sua pele
marrom profundo. Ao redor deles estavam os outros Guerreiros do Castelo MacLeod
cada um com seu deus liberado e usando sua vasta gama de poder.
— Saffron!
Ela ouviu o grito de Camdyn no mesmo momento que sentiu as garras do
wyrran em sua perna. Saffron reagiu imediatamente e empurrou contra a criatura
enquanto a magia disparava dela.
O wyrran foi caindo para trás. Antes de poder levantar Camdyn estava sobre
seu peito com um pé e dividiu a cabeça com as garras.
A cabeça de Camdyn virou para ela. Tinha salpicos de sangue nele, e suas
mãos estavam cobertas disso. Foi-se a pele bronzeada que ela conhecia, substituída
com o profundo marrom de seu deus. Suas garras flexionadas, lembrando-a que elas
eram suas armas. E suas pesas cintilavam no pôr do sol.
Seus olhos estavam cheios de canto a canto com o mesmo profundo, escuro
marrom, olhando-a, seu peito nu levantando.
— Eu estou bem, — ela disse.
Ele deu um aceno, e estavam ambos de volta na batalha. Não levou muito
para Saffron perceber que nem todos eles saíram do labirinto.
Ela enviou um wyrran rolando para Camdyn, que depressa matou-o, e
arriscou um olhar para Laria e Deirdre. As gêmeas estavam presas na batalha.
Deirdre com seu cabelo branco que caia até o chão e roupa de couro preto
que era moldada a ela como uma segunda pele. Seu cabelo rodava ao redor dela em
uma exibição sinistra de magia.
O cabelo loiro de Laria se erguia atrás dela como se estivesse preso no vento
enquanto suas saias verdes emaranharam sobre suas pernas. Ambas as irmãs
enviavam toda a força de sua magia contra a outra.
Parecia ser um impasse até que, de alguma forma, Deirdre conseguiu uma
vantagem e começou a empurrar Laria para trás.
— Nós precisamos ajudar, — Saffron disse enquanto agarrava o braço de Dani
e apontou para as irmãs.
Haviam onze Druidesas no Castelo MacLeod, mas só cinco delas estavam na
superfície e lutando. Saffron, Dani, Isla, Cara, e Marcail logo enviaram suas magias para
misturar com a de Laria.

186
Levou tudo que Saffron tinha para não recuar com o poder da magia drough
de Deirdre. Lembrava demais a Saffron de Declan. Lembranças que ela
desesperadamente queria enterrar.
Não era apenas as lembranças que tinha que lidar, porém. Havia força na
magia negra de Deirdre que Saffron não estava preparada.
Finalmente ela entendeu por que levou outros séculos para encontrar um
modo para matar Deirdre. O conhecimento assustou-a muito mais do que ela quis
admitir, porque não conseguia imaginar Declan escapando tantas vezes como Deirdre.
No entanto, ele tinha a mesma poderosa magia negra. Aquela mesma
enjoativa magia drough.
Mas Saffron não iria desistir. Ela deu um grito e canalizou mais de sua magia
contra Deirdre.

***

Deirdre gritou sua frustração. Ela não podia acreditar que a magia da sua irmã
fosse tão poderosa que Deirdre não a eliminou imediatamente.
Pensou que seria tão fácil matar Laria. Mas Deirdre não conseguiu prender
todos as Druidesas no labirinto. Algumas conseguiram sair, e logo adicionaram sua
magia com a de Laria.
Magia drough era incrivelmente poderosa.
Mas um grupo de mies poderia dominar um drough.
Em todos os seus séculos de vida Deirdre nunca tinha sido superada. E ela não
seria agora. Porque se Laria ganhasse, Deirdre não apenas perderia. Ela morreria.
Ela não estava pronta para morrer, mas da forma como as coisas estavam
indo, isto era exatamente onde ela estava indo. Deirdre decidiu que era hora de
retroceder e achar outro caminho para vencer. Porque ela venceria.
— Até da próxima vez, irmã! — Ela gritou antes de desaparecer.

187
CAPÍTULO VINTE E OITO

Declan assistiu a batalha de um ponto de vista longe o suficientemente longe


para que Deirdre não o visse, mas perto o suficiente para poder ver o que estava
acontecendo. Ele podia ter entrado e auxiliado Deirdre. Poderia tê-la ajudado a vencer.
Mas se ele o fizesse, não a teria onde queria.
Agora que ela tinha partido sem derrotar Laria, Declan sabia que era só uma
questão de tempo antes de Deirdre vir até ele.
Ele cresceu ouvindo histórias incríveis sobre Deirdre. Ela era a razão dele ter
abraçado ser um drough em vez de virar as costas para a magia como outros em sua
família tinham.
Por tantas noites Declan sonhou em ter Deirdre para si. Ele a trouxe para seu
tempo. E agora, ela seria sua.
Declan sorriu e olhou para Robbie. — Não vai demorar agora.
— Você devia tê-la ajudado. Nós podíamos ter exterminado os MacLeods de
uma vez por todas. Então tomado suas Druidesas.
— Eu não preciso de Druidas, — Declan disse. — Quanto a exterminar os
MacLeods, não se preocupe, primo. Isso vai acontecer muito em breve.
Declan virou-se e desceu a colina para onde Robbie estacionara o elegante
Jaguar preto.
— A propósito, acho que podemos ter uma pista sobre Tara, — Robbie disse
quando Declan abriu a porta do carro.
Declan parou e moveu seu olhar para Robbie. — Que poderia ser?
— Nós sabemos que ela passou algum tempo em Aberdeen três anos atrás.
Depois disto, seu rastro desaparece. Quase. — Robbie se inclinou apoiando o
antebraço no capô do carro e sorriu para Declan. — Tara ficou descuidada, Declan. Nós
achamos seu rastro novamente em Edimburgo.
— Bom. Muito bem. Agora você precisa achá-la e trazê-la para mim.
— Tudo a seu tempo, — Robbie disse com um sorriso.
Declan conhecia aquele sorriso. Robbie não ia permitir que Tara
desaparecesse. Não novamente. Tara tinha superado Robbie e o fez parecer um bobo,
e por isso Robbie caçaria Tara até o fim de seus dias.
Enquanto Declan reclinava no assento de seu carro, não podia evitar sorrir.
Tudo estava acontecendo da forma que ele queria. O único infortúnio foi perder
Saffron,

188
mas mesmo isso seria corrigido. Breve.
Muito em breve.

***

Camdyn olhou para o lugar que Deirdre tinha estado apenas um momento
antes. Ele não podia acreditar que ela se foi, não podia acreditar que ela partiu sem
eles matarem-na.
— O que aconteceu? — Ele exigiu de qualquer um que poderia responder.
Isla encostou-se contra Hayden cansada e disse, — Nós precisávamos das
outras Druidas.
— Eu pensei que Laria deveria ser capaz de matá-la sozinha.
Laria virou-se para Camdyn e suspirou. — Não é tão fácil assim, Camdyn
MacKenna. Enquanto minha magia é forte, Deirdre tomou a magia de outros Druidas
como também teve a sua fortalecida sendo uma drough. Eu posso segurar-me contra
ela, mas derrotá-la, para exterminá-la, eu precisarei das Druidesas do Castelo
MacLeod.
— Maldição, — Hayden murmurou. — Teria sido bom saber isso antes de
começarmos a batalha.
Camdyn silenciosamente concordou. Ele olhou onde o Deirdre desmoronou a
saída do labirinto e facilmente chamou a Terra para obedecer seu comando. O chão
abriu, separou, e os outros correram-se para fora, seus rostos uma mistura de fúria,
surpresa, e confusão.
— O que aconteceu? — Fallon ordenou.
Camdyn devolveu a Terra em seu lugar correto e pôs as mãos nos quadris. —
Deirdre partiu. Laria precisa de todas as Druidesas do castelo para ajudá-la.
— Maldito inferno, — Lucan disse quando passou uma mão pelo cabelo.
Camdyn pegou o movimento pelo canto do olho e girou para ver Saffron com
os olhos fechados e uma mão no braço de Dani.
— Precisamos voltar para o castelo, — Camdyn disse.
Ele vigiou Saffron enquanto Fallon começou a saltar todo mundo de volta para
o castelo. Camdyn se assegurou propositalmente de ficar no último grupo com Saffron.
Camdyn sabia melhor que tocá-la, ou mesmo aproximar-se de Saffron, não
podia evitar notar os círculos escuros debaixo de seus olhos ou sua palidez, que era
cinzenta.
189
— Eu estou apenas cansada, — ele ouviu Saffron dizer a Dani.
Ela só tinha conseguido algumas horas de sono enquanto eles estavam no
labirinto, e o labirinto em si tinha tomado um duro tributo dela.
Quando chegou a vez deles de Fallon saltá-los para o castelo, Camdyn achou-
se próximo a Saffron desde que os outros os colocaram juntos. Ele não questionou
isto. A forma como a magia de Saffron agarrava-se ao redor dela, como se dando
suporte extra, disse-lhe quão exausta ela estava.
Justo quando Fallon pôs a mão no ombro de Camdyn, Camdyn ouviu Saffron
tragar um suspiro. Ele olhou para encontrar os olhos dela branco leitoso enquanto
uma visão a pegava.
Não houve tempo para dizer a Fallon, e quando eles chegaram ao grande
salão, Camdyn foi quem a pegou contra ele quando ela começou a cair.
Ele observou, impotente, quando seus olhos reviraram. A magia que agarrava-
se a ela agora inchava e embrulhava em torno dele. Puxava-o, atraia-o com
inconfundível facilidade.
Camdyn fechou os olhos à inebriante sensação disto. De como isso seduzia.
Encantava.
Cativava.
Foi apenas o som de Saffron arrastando uma respiração irregular que abriu
seus olhos. Ela piscou nele antes de descansar sua cabeça em seu ombro.
— Ramsey, — ela sussurrou.
O olhar de Camdyn procurou o grande salão até que achou Ramsey na parte
de trás e chamou seu amigo, — Ramsey.
Ramsey apressou-se para eles, sua sobrancelha franzida em preocupação. —
O que foi?
— Eu não sei, — Camdyn disse.
Saffron ergueu a cabeça, sentindo-se mais fraca que um momento atrás. Ela
precisava de comida, um banho, e dormir. E não necessariamente nessa ordem.
De alguma forma ela não se surpreendeu de achar-se nos braços de Camdyn.
O fato de que gostava tanto estar lá era a única coisa que estragava isto.
Levou-lhe duas tentativas mas ela endireitou-se, e só foi capaz de sair do
abraço de Camdyn com sua ajuda. Então ela girou para enfrentar Ramsey. Os olhos
cinzas de Ramsey estavam focados nela. Ela esfregou seus braços com as mãos quando

190
arrepios a percorreram enquanto ela pensava sobre sua visão.
Tinha sido tão clara, tão vívida. Isso nunca tinha acontecido antes, e assustou-
a como o inferno.
— Saffron. O que você viu? — Ramsey persuadiu.
Ela engoliu seco e respirou fundo. — Eu vi uma mulher. Ela estava sendo
perseguida e sua vida estava em perigo.
— Por quem? — Camdyn perguntou.
— Eu não sei, — ela disse quando olhou para ele. — Ele era... perigoso, do
mal. E ela estava petrificada. Eu ainda sinto seu terror.
A sobrancelha de Ramsey ergueu em pergunta. — Você sentiu seu medo?
Saffron começou a balançar a cabeça que não, quando parou. — Eu não senti
isto exatamente, mas eu sabia. Eu vi você, — ela disse a Ramsey. — Você é parte da
visão, e se Tara é para ser salva, você tem que achá-la antes de quem quer que esteja
atrás dela.
— Tara? — Ramsey repetiu o nome.
— Sim. Este é o nome dela. — Saffron não ouviu o nome, não ouviu quaisquer
vozes, mas ela sabia de alguma maneira que era Tara que ela viu ser perseguida. Era
Tara que Ramsey estava ao lado, protegendo-a do mal.
Ramsey olhou sobre sua cabeça para Camdyn, então girou a cabeça para
Fallon. — Não posso sair agora.
Saffron quis discutir que ele podia, mas ela não tinha ideia da linha do tempo
de sua visão. Podia acontecer naquele dia ou o no próximo mês. E tanto quanto ela
queria ajudar Tara, Saffron sabia que Deirdre tinha que ser tratada primeiro.
Ela pôs uma mão no braço de Ramsey. — Eu vou te ajudar a achar Tara depois
que matarmos Deirdre.
Ramsey cobriu a mão dela com a sua e sorriu. Saffron piscou, seus olhos
sentindo como tivesse areia. Ela retirou sua mão e seguiu para a escada. Ela queria sair
de suas roupas sujas e tomar ducha quente que durasse por pelo menos três dias.
Depois disto, talvez dormir.
Saffron não conseguia lembrar de subir os degraus ou caminhar para seu
quarto. Assim que ela chutou sua porta fechada, tirou o suéter por cima de sua cabeça
e lançou-o no chão. Sua camiseta e sutiã logo seguiram.
Ela teve que pular em um pé para desatar sua bota antes de chutá-la fora e
repetiu o processo com o outro pé.

191
Sua calça jeans, úmida e suja, e calcinha ela arrancou maneando sua saída
pelos quadris enquanto caminhava para o banheiro. Ela usou os pés para segurar a
calça jeans quando puxou suas pernas fora delas.
Uma risadinha escapou dela quando olhou atrás e viu a trilha de roupas que
levava a sua porta do banheiro, mas ela não se importou. Ela as pegaria mais tarde.
Saffron ligou a água e então ficou em baixo do jato, deixando o vapor e o jato
acalmarem seus cansados músculos doloridos. Ela pôs as mãos na parede do chuveiro
e simplesmente ficou lá, seus olhos fechados.
Não foi até que ela adormeceu que soube que tinha que lavar-se e sair do
chuveiro antes de desmoronar.

***

Charon ficou em sua posição agachada, um dedo esfregando o queixo


distraidamente, enquanto olhava para o lugar onde a batalha acontecera. Wyrrans
mortos ainda cobriam o chão. Deirdre não estaria satisfeita com a matança de seus
mascotes.
Charon se irritou por não ter ajudado na matança das vis criaturas.
Ele não devia se surpreender que os Guerreiros e Druidesas do Castelo
MacLeod tinham acordado a gêmea de Deirdre, Laria. O que o desapontou, porém, era
que eles falharam em matar Deirdre.
Charon quase juntou-se aos Guerreiros enquanto eles matavam os wyrrans,
mas ele viu — e sentiu — a magia virar em favor de Deirdre. Charon passou muitos
anos sob seu controle, e ele preferia morrer que estar à sua mercê novamente.
Ele a queria morta. Desesperadamente. Mas ele não se colocaria em uma
posição em que estivesse do lado perdedor. Ele tinha construído uma casa para si, e
sua aldeia dependia dele.
Charon suspirou quando pensou sobre Ian persuadindo-o a juntar-se aos
Guerreiros na luta contra Deirdre. Talvez ele devesse. Outro Guerreiro contra ela
favoreceria os MacLeods, e seria bom combate-la.
Entretanto Charon recordou a prisão de Deirdre. Ele lembrou o que ela fez
para sua família. E mais importante, o que ela o fez fazer para seu pai.
Havia um buraco em seu peito, em seu coração, pelo que ele fez. Nada jamais
encheria aquele buraco.
Charon levantou-se e passou a mão pelo rosto. No momento, ele podia
continuar a observando na retaguarda.
192
Quando se virou para voltar ao seu Mercedes, que tinha estacionado alguns
quilômetros de distância, ele viu algo. Charon parou e ficou em silencio enquanto seu
olha estreitava.
Era uma pessoa, um homem. E ele estava olhando fixamente para a mesma
cena da batalha que Charon tinha observado. Quem era este homem? Estaria do lado
do Deirdre?
A mandíbula de Charon apertou quando o olhar do homem ergueu para ele.
Quase imediatamente Charon percebeu que ele era um Guerreiro. Só um Guerreiro
poderia ver através de uma distância tão grande claramente.
O Guerreiro não juntou-se a Deirdre, nem ajudou os MacLeods. De que lado
ele estaria?
Charon riu de sua própria pergunta. — Que direito eu tenho a esse
conhecimento já que eu não tomei um lado também?
Sem olhar para trás para o Guerreiro, Charon andou até seu carro. Uma vez
que ele alcançou o CLS Mercedes preto, ele deslizou atrás do volante e simplesmente
se sentou lá.
Todo instinto dele disse que fosse para os MacLeods. Mas tinha feito a coisa
certa uma vez antes e isso o entregou nas mãos de Deirdre. Ele teve seu deus libertado
e se transformou em um monstro.
Então Deirdre empurrou seu pai na cela com ele. Charon nunca esqueceria de
esforçar-se para ganhar o controle sobre seu deus só para perceber que havia matado
seu pai.
Aquilo assombrava Charon até agora.
Ele poderia querer ajudar os MacLeods, sabia que deveria. Era a coisa certa a
fazer para lutar contra aquele mal como Deirdre.
Mas ele aprendeu sua lição do modo duro na primeira vez. Ele não precisava
aprender isto novamente.

193
CAPÍTULO VINTE E NOVE

Camdyn andava de um lado para outro em sua cabana. Sentou-se à mesa,


sentou na cama, e andou um pouco mais. Não importa o que ele fizesse, ele não podia
parar de pensar em Saffron.
Em sua pele suave.
No gosto doce de seus beijos.
No seu corpo que era feito para o pecado.
Camdyn queria ir para ela. Ele queria encontrá-la e ceder ao desejo
inextinguível que abrasava seu sangue desde que a beijou tão profundamente no
labirinto.
Mas se ele fizesse, se ele cedesse, ele ia abrir-se à dor novamente.
Ele parou, por não ter pensado em Allison há dias. Ela tinha desbotado de sua
mente ao longo dos anos para o ponto que ele não podia lembrar da cor de seu cabelo
ou a sombra exata de seus olhos.
Não foi até que ele foi tentado por Saffron que Allison encheu sua mente mais
uma vez. Mas mesmo agora sua esposa há muito morta tinha sido ultrapassada por
Saffron. Era como se tudo ao redor dele estivesse de alguma maneira conectado a
Saffron.
A única maneira de se salvar seria para ficar tão longe do castelo quanto
pudesse. Mesmo enquanto pensava nisto, sabia que não o faria.
Ele tinha esperado muito tempo para ver Deirdre morta para ir embora agora
quando seus irmãos o necessitaram mais.
Mas não podia suportar a dor do desejo por Saffron por mais um momento.
Ou precisava encontrar liberação com outra mulher, ou achar Saffron e a tomá-la
como ele pensou em tomá-la da primeira vez que a segurou nos braços.
Camdyn apoiou as mãos na mesa e baixou o queixo para o peito. Ele não
conseguia lembrar de querer outra mulher tanto quanto a queria. Ele não podia
lembrar de estar faminto pelo gosto de outra mulher como ele estava por ela.
Ele endireitou-se e saiu da cabana. Ele correu para o castelo e saltou para as
ameias, aterrissando com seus joelhos curvados e uma mão nas pedras. Ele levantou e
olhou ao redor.
Ramsey e Arran estavam na muralha, e Logan estava nas ameias vindo em

194
direção a ele. Não havia como ir pela porta da frente e saudar ninguém no grande
salão. Ele não estava em condição para conversa fútil. Com ninguém.
Camdyn virou suas costas para Logan e andou para a porta que levava ao
castelo. Mal havia percebido que não estava sozinho quando Ian saiu das sombras e
bloqueou seu caminho para a porta.
— Camdyn, — Ian disse em saudação.
Camdyn apertou a mandíbula e assentiu. — Ian.
Seu amigo suspirou e olhou abaixo antes de encontrar o olhar de Camdyn
mais uma vez. — Tem certeza que deveria estar fazendo isto?
— O que estou fazendo? — Camdyn não gostou do fato que Ian sabia quem
ele iria ver, porque se Ian sabia, então isso significava que os outros provavelmente
sabiam também.
— Indo ver Saffron.
— Então?
— Ela passou por muito. Dani está preocupada que você possa machucá-la.
Camdyn fechou suas mãos. Não havia nenhuma dúvida que ele
provavelmente machucaria Saffron, mas mesmo isso não podia fazê-lo se afastar dela.
— Você não nega isto? — Ian perguntou, surpresa em sua profunda voz.
— Eu não sou bom para ninguém, muito menos para Saffron.
O olhar de Ian aguçou, como se ele apenas percebeu algo. — Então por que
vai para ela?
— Saia de meu caminho. — Não havia nada que faria Camdyn admitir a
nenhum deles por que ele tinha que ver Saffron. Era melhor se nenhum deles, mais
especialmente Saffron, soubesse quanto ela o afetava.
Cara e as outras mulheres eram casamenteiras. Se havia uma sugestão de algo
entre ele e Saffron, eles começariam a jogá-los juntos de qualquer modo que
pudessem.
E isso não podia acontecer. Uma noite, sim. Uma noite de prazer e paixão era
tudo que ele poderia permitir que houvesse.
Por vários segundos Ian simplesmente olhou para ele. Então, finalmente, ele
moveu-se permitindo a Camdyn passar. Só quando Camdyn aproximou-se Ian alcançou
e pegou seu braço para pará-lo.
— Você é um bom homem, Camdyn. Não a machuque.

195
Camdyn puxou o braço do punho de Ian, passou pela porta, e caminhou pelo
corredor até a porta da câmara de Saffron. Ele apoiou as mãos nas pedras em cada
lado da porta e tentou tranquilizar-se.
Ele bateu na porta de carvalho duas vezes e retomou sua posição. A porta
abriu e seu olhar banqueteou-se em Saffron com seu cabelo úmido e um robe dourado
embrulhado ao redor de seu corpo esguio.
Camdyn sabia que deveria dizer algo, mas sua necessidade era muito grande.
Ele agarrou-a quando a puxou contra si para um duro beijo arrebatador quando ele
entrou em sua câmara.
Ele chutou a porta fechada com um pé e lançou suas costas sobre a cama.
Camdyn depressa deitou seu corpo sobre o dela e a beijou novamente. Ele a beijou
com todo o desejo, todo o anseio que tinha.
Se não pudesse colocar em palavras o que queria dizer, ele mostraria a ela
com sua boca, mãos e corpo.
Assim que a tocou, seu corpo já aquecido se incendiou. Elas o lamberam,
persuadindo-o mais para ela, para ter mais dela.
As mãos dela subiram por seus braços e ao redor de seu pescoço enquanto
ela abriu a boca para ele. Seu gemido, suave e sedutor, encheu seus ouvidos quando
suas línguas deslizaram uma contra a outra.
Camdyn logo estava afundando em tudo o que era Saffron. Caindo.
Tombando.
E não queria parar.
Ele gemeu quando ela ergueu os quadris para esfregar contra seu pau. Uma
onda de paixão queimou por suas veias tão forte que ele teve seu joelho entre suas
pernas antes de saber o que estava fazendo.
Camdyn usou seu lendário controle e segurou-se de tomá-la na hora. Ele a
queria, não havia nenhuma dúvida, mas queria saborear Saffron. Guardar cada
centímetro dela em sua memória.
Ele levantou-se em suas mãos e olhou para ela. Seus lábios estavam molhados
e inchados de seus beijos, e seus olhos dourados estavam com as pálpebras pesadas e
cheios com paixão.
— Não se atreva a parar, — ela sussurrou antes de puxar sua cabeça de volta
abaixo para um beijo.
Camdyn deslizou uma mão dentro de seu grosso robe. Com só um girar de seu
pulso, seu cinto amarrado folgadamente se desfez e ele espalhou seu robe aberto.

196
Ele tragou a respiração quando encontrou-a nua em baixo. Camdyn quebrou o
beijo para olhar o corpo que ele tinha desejado ver. Sua mão acariciou entre seus seios
cheios, passou por sua cintura pequena, e acima de sua barriga plana, e então para
seus quadris suavemente largos.
Camdyn parou por um segundo para deixar seus dedos roçarem sobre seus
cachos castanho claro que escondiam seu sexo. Sua mão continuou abaixo por sua
coxa até que ele alcançou seu joelho onde levantou sua perna para cima de modo que
pudesse tocar abaixo em sua perna até seu pé.
Ela era mais bonita que ele jamais imaginou. Sua pele estava ainda pálida de
falta do sol, mas era luminosa agora que brilhava com saúde.
Camdyn encontrou seu olhar e soube naquele momento que ele tem sido um
tolo por lutar contra o que havia entre eles. Ele perdera há muito tempo e não tinha
percebido isto.
Mas se iria tê-la, ele iria tomar seu tempo e apreciaria cada momento.
Ele segurou seu seio e suavemente massageou. Os olhos de Saffron fecharam
e seus lábios separaram. Mas quando girou seus mamilos ele ouviu o gemido que tinha
esperado.
Camdyn foi impiedoso quando começou a provocar seus mamilos. Ele fechou
os lábios ao redor de um e deixou sua língua deslizar acima da ponta enquanto sua
mão rolava seu outro mamilo entre os dedos.
As unhas dela cravaram em suas costas quando ela arqueou para cima da
cama. Camdyn não cedeu quando moveu-se para o outro seio e amamentou o bico
inchado no fundo de sua boca.
Ele não conseguiu parar um gemido quando os quadris dela esfregavam
contra os dele. Ele queimou mais quente com cada gemido, cada esfregar de seus
quadris.
Camdyn rolou-os até que ele estava de costas e ela descansou em seu peito.
Ela se sentou, e com um simples mover de ombros, o robe amontoou ao redor de seus
quadris.
Ele não tinha visto nada mais encantador em todos seus longos anos. Se ele
tinha fome por ela antes, ele estava faminto agora. Não havia nada, nem mesmo
Deirdre, que o impedisse de reivindicar o corpo de Saffron esta noite.
Ela agarrou a bainha da camiseta dela, mas Camdyn foi mais rápido. Ele
lançou o robe dela para o chão e segurou seus seios. Ela sugou uma respiração
enquanto ele apertava seus mamilos já sensíveis, misturando prazer com dor.

197
Os quadris balançaram para frente enquanto sua cabeça caiu para trás.
Camdyn não podia tirar seus olhos dela. Sua paixão era uma coisa bela, como se ela
tivesse esperado para vir para a vida por alguém.
Antes de conseguir pensar demais nisto, ele moveu uma mão para baixo em
seus cachos e pressionou.
Ela gemeu seu nome quando sua respiração ficou irregular.
Camdyn lambeu os dedos antes de empurrar por seus cachos e achar seu
clitóris. E suavemente começou a circulá-lo. Atormentando a ambos.
Ela se acalmou, suas coxas apertando os lados dele quando um grito travou
em sua garganta.
Camdyn moveu sua mão dentro dela e sentiu sua excitação nos dedos.
Qualquer controle que ele tinha acabou naquele momento.
Ele virou Saffron deitando-a de costas e encaixou-se, assim, ele ficou entre
suas pernas. Ele tinha um dedo dentro dela antes mesmo dela cair de costas.
A sensação de suas paredes lisas quase o fizeram gozar naquele momento.
Seu calor úmido e os gemidos suaves o levaram querer ouvi-la gritar sua libertação. Ele
não estaria satisfeito até então.
Camdyn começou a golpear seu dedo dentro e fora dela. Repetidas vezes
mergulhou o dedo em seu calor antes de adicionar um segundo dedo.
Ela tentou agarrar seus braços, seus quadris subindo ao encontro de suas
punhaladas. Ele sabia que ela estava chegando. Podia ver seu corpo apertando e
pronto para libertar-se.
E assim que sua respiração mudou, ele retirou sua mão.
Os olhos de Saffron se abriram de repente. Tinha chegado muito perto do
clímax, tão perto. Ela abriu os lábios para perguntar a Camdyn por que ele parou
quando ele se levantou e ajoelhou no chão.
Ele agarrou seus tornozelos e a puxou para a borda do colchão. Seu olhar
encontrou o dele logo antes de sua boca tocar seu sexo e sua língua a lamber.
Os pensamentos dela dispersaram quando sua língua lavou seu inchado
clitóris. Seus braços travavam suas coxas abertas enquanto suas grandes mãos
espalham seus lábios.
Saffron nunca tinha ficado tão exposta. E nunca sentira nada tão bom antes.
Suas mãos agarraram a colcha enquanto seus olhos rolaram para trás.
Ninguém a tinha beijado como Camdyn. Ninguém a tinha olhado como Camdyn.

198
E certamente ninguém a tocou como ele.
Seu corpo estava em chamas com desejo que apertava em sua barriga a cada
lamber de sua língua. Trazendo-a mais e mais perto da liberação.
Um grito rasgou de sua garganta quando ele deslizou um dedo dentro dela
enquanto sua língua continuava a lambê-la. Ela arqueou contra ele. Seus dedos a
enchendo, sua língua provocando.
O clímax, quando bateu, veio de repente. Levou-a longe em uma maré de
êxtase glorioso que a jogou num abismo de prazer.
Camdyn continuou seu assalto, prolongando seu orgasmo até que uma
segunda onda a tomou.
Com seu corpo ainda estremecendo de tanto prazer de uma vez só, Saffron
percebeu que Camdyn levantou. Ela abriu os olhos para vê-lo olhando para ela.
Seu cabelo preto caído livremente pelos ombros, as pontas enrolando
ligeiramente ao redor de seu rosto. Seus olhos chocolate estavam cheios com uma
necessidade que a fez prender a respiração.
Ele arrancou a camiseta, dando outro vislumbre de seu abdômen cinzelado e
ombros largos. Mas ela realmente prestou atenção quando ele tirou o jeans.
Saffron tinha visto David de Michelangelo quando estava em Florença, e
outros poderiam pensar que David fosse um espécime perfeito, mas ninguém tinha
visto Camdyn.
Seu peito musculoso fazia um “V” até sua cintura e quadris estreitos. Pernas,
longas e musculosas, estavam separadas, permitindo que ela o visse inteiro.
Mas era sua grande, forte ereção que se erguia para cima que prendeu sua
atenção.
Saffron sentou-se e envolveu sua mão em torno de seu comprimento,
maravilhando-se na suavidade e no calor de sua vara. Ela olhou para cima para ver
seus olhos fechados e mandíbula apertada enquanto ela corria a mão de cima abaixo
por seu comprimento.
Saber que ele estava sentindo o mesmo tipo de desejo ainda correndo por
suas veias era uma experiência inebriante. Ela queria mais daquele controle.
Ela inclinou a cabeça e envolveu os lábios ao redor de seu pau. As mãos dele
imediatamente emolduraram sua cabeça enquanto ele dizia seu nome com uma
mistura de desejo e agonia.
Antes que pudesse fazer mais, ela se viu de costas e Camdyn se inclinando
sobre ela. Ele segurou uma de suas pernas com sua grande mão enquanto posicionava
sua ereção em seu sexo.

199
Lentamente, vagarosamente, ele esfregou a cabeça de seu eixo por seu sexo.
Sua carne sensível clamou por mais enquanto gemia de prazer. E então ele
empurrou dentro dela com punhaladas lentas, medidas.
Ele segurou seus quadris quando ela tentou resistir contra ele. Ela conseguia
sentir-se estirando para tomar tudo dele. Mas fazia muito tempo que ela tinha havia
sexo, e seu corpo não ajustava.
E então de repente aconteceu.
Ela gemeu quando ele deslizou completamente nela, estirando-a, enchendo-a
até que ela não sabia onde ela terminava e ele começava.
Ele se inclinou sobre ela e beijou-a ferozmente, apaixonadamente. Ela
envolveu os braços ao redor de seu pescoço quando ele aprofundou o beijo. E então
ele começou a empurrar.

200
CAPÍTULO TRINTA

A respiração de Saffron travou em seus pulmões enquanto ele movia com


golpes pequenos, suaves e punhaladas longas, duras. Ele bateu dentro dela, criando
um ritmo implacável.
Ela se agarrou a ele, seu corpo não era mais dela. Era dele para fazer o que o
agradasse. E ela respondeu a cada toque seu, cada respiração como se ela tivesse
esperado a vida inteira por ele.
Seus olhos abriram para encontrar Camdyn olhando para ela, seus escuros
olhos chocolate capturando os dela e recusando deixar ir. Saffron nunca olhou nos
olhos do parceiro antes enquanto fazia amor.
Parecia muito íntimo, muito pessoal.
Mas com Camdyn tudo era diferente. Ela não pôde se guardar como
normalmente fazia, e de alguma maneira ela não queria. Ela queria ser ela mesma, a
pessoa que ela afastou de todo mundo.
Ela envolveu seus braços ao redor de seu pescoço quando ele curvou e a
beijou. O beijo tinha tanto desejo e necessidade como ela via em seus olhos.
Ele mergulhou fundo dentro dela e segurou quieto enquanto aprofundava o
beijo. Isso tirou seu fôlego. As paredes ao redor de seu coração começaram a rachar
com cada varrida de sua língua contra a dela, com cada golpe de sua ereção dentro
dela.
— Saffron, — ele sussurrou, e beijou abaixo por seu pescoço quando ele
começou a bombear seus quadris mais uma vez.
Ela ergueu suas pernas e envolveu-as ao redor de sua cintura. Isso mudou o
ângulo de seus quadris e ele afundou muito mais profundo nela. Um suspiro saiu dela
quando seu ritmo ficou mais rápido.
Com seus braços fechados apertados, ela se manteve firme enquanto ele
reivindicava seu corpo golpe após golpe. Ele mergulhou mais rápido, mais duro. Mais
fundo.
O corpo dela endureceu. A paixão subiu mais alto, enrolando mais rápido,
mais apertado. Saffron sentia os rápidos, movimentos suaves de seus quadris
enquanto o corpo dele deslizava contra o dela. Dentro dela.
Ela fechou os olhos, dando seu corpo para o clímax crescendo dentro dela.
Sua respiração travou enquanto ela foi engolida pelas chamas do desejo.
Um grito rasgou de sua garganta quando o orgasmo a golpeou.

201
Camdyn se inclinou e observou Saffron gozar pela terceira vez. Os olhos dela
estavam fechados, seus lábios separados em seu grito, e suas costas arqueadas.
Mas era a sensação de suas paredes apertando em torno de seu pau dolorido
que o pegou lutando contra sua própria liberação. Fazia muito tempo que ele a
desejava desesperadamente para conter o clímax.
Com os tremores do último orgasmo dela ainda percorrendo seu corpo,
Camdyn desesperadamente bombeou seus quadris. A combinação de seu calor liso e
necessidade era demais.
Ele jogou a cabeça para trás e agarrou seus quadris firmemente enquanto
cedia a sua liberação. O poder atordoou-o, assombrou-o. Surpreendeu.
Nunca, nem uma vez em seus séculos de vida, ele tinha experimentado algo
tão... comovente.
Foi suficiente para tocar sinos de advertência em sua mente e sair, mas em
vez de partir, ele caiu ao lado de Saffron. Ela girou seu rosto para ele, mechas de
cabelo pegando em sua bochecha.
Ele viu a pergunta em seus olhos e esperou por ela perguntar por que ele
tinha vindo até ela. Mas ele rezou que ela não verbalizasse isto porque ele não poderia
responder. Pelo menos não do jeito que ela queria ouvir.
— Eu não acho que possa me mover, — ela disse com um sorriso cansado.
Camdyn notou sua pele arrepiada e levantou-se para puxar as cobertas antes
de movê-la para que sua cabeça estivesse no travesseiro. Ele a cobriu, mas justo
quando estava prestes a se afastar, percebeu que não queria. Ele deslizou para a cama
ao lado dela, e o sorriso que ela lhe deu o fez sorrir também.
— Você devia fazer isto mais, — Saffron disse enquanto passava um dedo
suavemente nos lábios dele.
Ele agarrou sua mão e girou-a de forma que beijou a parte de trás de seus
dedos. — Fazer mais? Fazer amor com você até que você não possa se mover?
— Oh, definitivamente isso, — ela disse com uma risada ofegante. — Mas eu
estava realmente falando sobre seu sorriso. Parece bastante encantador, sabe.
— Eu não tenho tido muito para sorrir.
— Você terá uma vez que Deirdre se for.
Camdyn suspirou e rolou de costas para olhar o teto. — Eu esperei séculos por
sua morte. Eu não acredito que seja real até que eu veja com meus próprios olhos.
— Você vai me dizer o que ela fez para você?

202
Ele olhou abaixo para as mãos deles ainda unidas, entre eles. — Minha
história não é tão diferente da dos outros Guerreiros aqui.
— Talvez não, mas eu gostaria de ouvir. O que é que você não quer que eu
saiba?
— Tudo. É melhor não me conhecer.
— É um pouco tarde para isso. — Ela se virou de forma que ficou de lado
encarando-o.
Camdyn suspirou e correu seu polegar pela parte de trás da mão dela. Ele
realmente deveria soltá-la, mas até aquele pequeno gesto ele não conseguia fazer.
— Diferentemente dos outros, Deirdre não tinha família para usar contra
mim. Eu era um órfão. Minha mãe morreu dando à luz a um de meus irmãos que não
durou a noite, e meu pai um ano depois na batalha. Eu era só um pequeno rapaz na
época com nenhum lugar para ir. Eu fui criado pelo clã.
— Eu não entendo.
Ele encolheu os ombros. — Eu fui passado de família em família.
— E seus irmãos e irmãs?
— Minhas irmãs foram postas para trabalhar no castelo, e meus irmãos foram
levados por famílias diferentes.
— Isto é tão triste. Vocês eram felizes?
— Eu não conheci outra maneira. Assim que fiquei velho o suficiente, eu tive
que ganhar minha permanência no clã desde que eu não tinha família. Eu cacei por
comida como também pastoreei ovelhas. O próximo passo para mim foi defender meu
clã e saber usar uma espada.
— Eu acredito que você era bom.
Ele girou a cabeça para ela quando ouviu o sorriso em sua voz. Ele levantou
uma sobrancelha, um lado de seus lábios subindo num sorriso. — Eu era muito
competitivo.
— Era? Você não é mais?
— Talvez um pouco. A imortalidade tende a mudar as perspectivas de um
homem.
— Você foi para Deirdre como Logan, então?
Camdyn balançou a cabeça. — Não. Eu estava no meio de uma batalha entre
meu clã e outro. Eu fui ferido. Uma espada no estômago.
Ele parou quando o dedo dela traçou a fina cicatriz no lado esquerdo de seu
estômago lentamente, seu toque suave.
203
— Eu sabia que era um ferimento mortal, mas continuei a lutar. Eu matei o
homem que me feriu. Eu não sei quanto tempo lutei antes de perder sangue demais
para continuar. Naquela hora nós estávamos ganhando. Eu tentei voltar para meu
cavalo. Mas era muito tarde.
— Você não morreu, não é?
— Foi por pouco. Eu estava enlouquecido com a dor como também delirante.
Eu pensei que a bela mulher com cabelo e olhos brancos era somente algo que eu
compus em minha mente. E os wyrrans que me arrastaram para o bosque e longe de
meu clã eu achei que fossem apenas crianças.
— Então você não sabia o que estava acontecendo?
— Não. Eu podia ouvi-la falando, mas eu não podia entender o que ela estava
dizendo. E então a dor verdadeira começou quando ela libertou meu deus.
Camdyn parou, porque até quase setecentos anos depois, ele ainda podia
sentir o modo que seus ossos estalaram deslocados das junções e quebraram
enquanto seu deus se estirava. Ele podia ainda sentir o modo que seus músculos
rasgaram antes de costurarem juntos novamente.
— Curou seu ferimento, não foi?
Ele assentiu. — Sim, mas deixou a cicatriz porque eu ainda era mortal quando
eu recebi o ferimento.
— Entendo. O que aconteceu a seguir?
— Eu acho que perdi a cabeça por um tempo. — Ele não podia acreditar que
tinha dito isso. Era um segredo que ele escondia de todo mundo.
Sua mão suave descansou sobre o coração dele. — E só um Highlander tão
forte quanto você podia ter encontrado seu caminho de volta.
— Só porque eu fiquei sozinho. Ela tinha outros que estava tentando levar
para seu lado, e desde que eu já estava naquela estrada, ela enfocou neles. Mas
aquela solidão deu-me o tempo que precisei.
— Hoje foi a primeira vez que eu realmente vi Deirdre, — Saffron admitiu. —
Eu só a vi em minhas visões, mas é muito pior vê-la pessoalmente. Sua maldade. Eu
posso ainda sentir isto em mim.
Camdyn encontrou-se puxando Saffron em seus braços. Ele não pensou na
sua razão para fazer isso, apenas permitiu-se sentir a certeza disso quando a cabeça
dela descansou em seu peito e seu corpo moldado contra seu lado.
— O mal de Cairn Toul é igualmente ruim, — Camdyn disse. — Vaza das

204
pedras e cerca você até que você esteja sufocando com isto. Combine isso com seu
deus, que está furioso dentro de você pelo controle, e não é de admirar que tantos
Guerreiros sucumbiram a ela.
— Deve ter sido muito para você lidar com isso e ver seu ferimento curado.
— Eu nunca vi a ferida curar, mas olhar para baixo e ver a carne remendada,
bem como ouvir e sentir o deus dentro de mim quando eu sabia que era errado, foi
demais para mim. Eu tentei voltar para meu clã, mas Deirdre me parou e trouxe-me
para Cairn Toul. Ela me jogou nas masmorras onde outros Guerreiros lutavam eles
mesmos por controle. Poucos ganharam.
— Quem é seu deus?
Camdyn soltou um longo suspiro. — Sculel, deus do submundo.
— Como você conseguiu o controle?
— Eu não sei exatamente. Eu sempre fui teimoso, então talvez foi que eu
nunca desisti, não importa o quão fácil teria sido. Eu lutei contra ele dia após dia,
década após década.
Os dedos de Saffron traçaram vagarosamente desenhos no peito de Camdyn.
— Quanto tempo você ficou na montanha do Deirdre?
— Trinta anos.
— Trinta anos? — Ela ecoou e olhou para ele. — E como você escapou?
Camdyn sorriu então. — Deirdre gostava de nos ver lutar. Nós éramos
imortais afinal, e desde que nós não tomássemos a cabeça um do outro, poderíamos
sobreviver para lutar outro dia. O Guerreiro com que eu deveria lutar cedeu a seu deus
completamente. Não foi preciso nada para deixa-lo agitado o suficiente para que ele
começasse a cortar com suas garras todos a sua volta.
— Eu esperei até que todo mundo estivesse tentando puxá-lo de cima de um
dos Druidas que Deirdre usava como escravo e então eu corri. Eu conheci Galen anos
antes e ele me contou de uma segunda saída que ele conhecia. Eu arrisquei tudo na
palavra de Galen e corri para aquela saída.
— E você a achou.
— Eu achei. — Camdyn olhou para o teto, memórias daquele dia o assaltando.
— E eu corri.

205
CAPÍTULO TRINTA E UM

Doeu em Saffron tudo que Camdyn tinha passado. Suas reservas sobre estar
próximo de alguém fizeram perfeito sentido agora que ela sabia que ele tinha sido um
órfão.
Pelo menos ela teve o amor de seu pai. Isso pôs a vida dela em perspectiva.
Até com uma mãe que era uma cadela de primeira linha, sua vida tinha sido boa. Ela
estava segura, vestida, alimentada, e amada. Ela pôde viver uma vida que queria na
maior parte.
— Uma vez que você deixou Cairn Toul, o que você fez?
Assim que a pergunta deixou sua boca ela sentiu Camdyn tenso, ela soube
que tinha sido a coisa errada a perguntar. Mas ela queria saber tudo sobre sua vida.
— Eu vaguei, — ele respondeu alegremente.
— Se você não quiser me dizer, então apenas diga isso. Mas não minta, — ela
disse, e se sentou virando.
Ela se encontrou de costas com Camdyn se debruçando sobre ela no próximo
batimento cardíaco. Seu rosto estava a centímetros do dela e ela sentiu seu pau
endurecer contra sua perna.
— Por que você quer saber?
— Por que você queria saber o que Declan fez para mim? — Ela respondeu
com uma pergunta.
Camdyn deu um leve balançar de cabeça. — Você não quer saber sobre minha
vida.
— Eu não teria perguntado se eu não qui...
Suas palavras foram interrompidas quando Camdyn a beijou.
Fervorosamente. Vorazmente. Freneticamente.
Em um instante seu corpo veio para a vida. As mãos dele estavam em todo
lugar, tocando cada parte dela enquanto a beijava sem sentido, a beijava para que ela
esquecesse quem era. Esqueceu tudo, exceto o homem que a tocava.
Saffron encontrou-se virando sobre seu estômago com as mãos de Camdyn
em seus quadris enquanto ele a levantava para que ficasse de joelhos. Ela tinha as
mãos ao lado, pronta para se empurrar para cima quando ele pôs uma palma entre
suas omoplatas.
— Não, — ele sussurrou entre beijos que choveu em suas costas.

206
Ela ficou como estava, seu corpo pronto e aberto para ele. As mãos dele
deslizaram abaixo de suas costas, sobre seu traseiro para o vinco entre suas nádegas.
Ele parou quase tocando seu sexo.
Saffron gemeu com a necessidade percorrendo-a. Mais uma vez, a mão dele
deslizou por suas costas e entre seu traseiro, desta vez, seus dedos cobriram seus
cachos.
Ela suspirou profundamente quando houve um leve toque em seus clitóris já
inchado.
— Camdyn. Por favor, — ela implorou quando ele a provocou duas vezes
mais.
Ele se debruçou acima dela, sua boca próxima à sua orelha. — O que você
quer?
— Você. Eu quero você.
Seus dentes marcaram ligeiramente sua pele onde o pescoço encontrava seu
ombro antes dele beijar. — Eu quero você gritando.
No ritmo que ele estava indo, Saffron sabia que conseguiria o seu desejo. Ela
nunca imaginou que seu corpo pudesse reagir assim, nunca imaginou que um homem
pudesse realçar sua paixão tão diligentemente.
A cabeça inchada de sua ereção roçou contra seu sexo sensível. Saffron
afastou seus quadris para atrás, mas Camdyn segurou-a parada.
Ele alcançou e segurou um seio para massagear suavemente antes de beliscar
seu mamilo. Saffron ofegou quando seus seios incharam com seu toque.
— Sim, — ele sussurrou em seu ouvido.
Podia sentir-se cada vez mais úmida quanto mais ele a provocava e tocava.
Seu sexo latejava, doído. Ela nunca esteve tão perto de gozar com tão pouco toque.
Sua respiração parou quando ele manuseou seu mamilo inchado e seu pau
deslizou por seu sexo. Ela jogou os quadris para trás e foi recompensada com um
gemido dele.
— Atrevida, — ele murmurou.
Saffron se acalmou, os dedos cavando nas cobertas amarrotadas quando a
cabeça do pau de Camdyn encheu sua abertura. As mãos dele seguravam firmemente
seus quadris assim ela não podia se mover não importa o quão duro ela tentasse.
— Pelos santos, você está molhada, — Camdyn disse.
Então lentamente, centímetro por agonizante centímetro, ele a encheu.

207
Ela choramingou nas cobertas enquanto sua paixão aumentava quanto mais
ele entrava nela. Ela o queria duro e rápido, e ele estava fazendo-a esperar,
prolongando seu desejo até que ela estivesse em febre para tê-lo.
Quando ele estava completamente acomodado, ele girou seus quadris.
Saffron gemeu, querendo, precisando de mais. Ela estava exposta para ele, seu corpo à
sua mercê. E ele estava dando-lhe mais prazer do que ela tinha experimentado na vida.
Lentamente ele se afastou dela até que só a ponta dele permaneceu. E então
ele empurrou fundo.
Saffron gritou com a sensação dele deslizando dentro dela, profundamente,
mais duro que antes. Os dedos dele cravaram sua carne quando ele retirou-se
novamente, desta vez segurando ainda mais tempo.
Ela maneou seu traseiro tentando consegui-lo empurrando novamente. Ao
invés, foram os dedos dele em seu clitoris. Afagando, acariciando, manuseando a
pequena protuberância até que o corpo inteiro de Saffron tremia da necessidade
agarrando-a.
Enquanto isso, Camdyn mantinha apenas a cabeça de sua vara dentro dela.
Mas agora ele empurrou seus quadris para frente e mergulhou dentro dela.
Saffron gritou seu nome. Ele bombeou furiosamente dentro dela, seu pau
grosso acariciando-a cada vez mais alto. A sensação da carne dele batendo contra a
parte de trás de suas pernas só aumentou sua paixão.
O clímax varreu-a rapidamente em um flash ofuscante de prazer que a fez cair
numa espiral num abismo de felicidade. E exatamente como ele pediu, Saffron gritou
por ele.
Seu corpo ainda abalado pelos tremores de um orgasmo tão intenso, Saffron
ouviu o som áspero da respiração de Camdyn em sintonia como rápido batimento
cardíaco dela.
Ele nunca diminuiu a velocidade, só continuou a empurrar dentro e fora de
seu canal, prolongando seu prazer. Até que ele deu um grito e ela sentiu sua semente
despejar dentro dela.
Camdyn afundou sobre ela, bochecha contra bochecha. Ele estava ainda
dentro dela, ainda duro quando sua bainha apertou ao redor dele.
Como ele tinha sido tolo o suficiente por pensar que um gosto de Saffron o
libertaria do domínio dela? De fato, só ficou mais apertado.
Mesmo agora, ele a queria novamente.
Ele retirou-se dela e rolou de costas. Quando ele virou a cabeça, seus olhares

208
colidiram e ela moveu a mão para pegar a dele.
Era uma oferta tão íntima e simples, mas o fez perceber que ela tinha
compartilhado seus segredos com ele. Ele precisava fazer o mesmo, ainda que o
matasse fazer isso.
Ele devia isto a Saffron, a Allison, e a si mesmo.
— Eu fui casado, — ele disse no silêncio.
A sobrancelha dela enrugou ligeiramente, mas ela não articulou uma palavra.
— Foi depois que Deirdre libertou meu deus. Eu tinha vagado por quase vinte
anos quando encontrei acidentalmente Allison. Ela estava sozinha e a roda de seu
carro quebrou. Então eu a ajudei.
Camdyn sorriu com memória. — Havia uma graça fácil sobre Allison que me
atraiu. Depois que consertei a roda eu ofereci ajudar com qualquer outra coisa. Eu
fiquei uma noite, então uma noite se tornou uma semana, e então um mês. Logo, nós
éramos amantes. Eu nunca fui tão feliz.
Ele olhou para Saffron para encontrá-la observando-o quietamente,
atentamente.
Camdyn encolheu os ombros. — Eu a quis. Eu não pensei sobre qualquer coisa
exceto isto. Antes de pedi-la para casar-me comigo, eu disse a ela, e mostrei o que eu
era. Ela ficou assustada, mas não foi embora.
O sorriso de Saffron era pequeno e triste.
— Nós casamos no dia seguinte. Os próximos anos foram alguns dos meus
mais felizes. Até Allison começar a envelhecer.
— E você não.
Camdyn assentiu. — Eu não me importei que seu cabelo ficou branco. Mas ela
sim. Ela tentou fazer-me partir, mas eu não iria. Foram cinco anos mais tarde que nós
tivemos uma tempestade terrível de inverno. Eu tinha saído para caçar. Allison deixou
a cabana para pegar um pouco de lenha que eu empilhei do lado de fora da casa. Eu
demorei mais tempo do que eu esperava, e ela ficou sem troncos do lado de dentro.
— Eu retornei para achá-la caída na neve. Ela não sabia quanto tempo ela
tinha estado lá. Ela escorregou no gelo e bateu a cabeça. Seu corpo estava muito fraco
para rechaçar a febre quando a atingiu. Eu fiquei com ela dia e noite por uma semana
enquanto ela lutava para viver. Eu estava lá, segurando-a, quando ela deu seu último
suspiro.
Os dedos de Saffron apertaram os seus.
— Ela desistiu no fim, — Camdyn disse. — Eu vi isto. Eu soube disto. Mas eu

209
não lhe disse uma palavra. Ela não tido estado feliz por tanto tempo. Como eu podia
pedir para ficar comigo quando ela queria partir?
Saffron puxou sua mão para seus lábios e a beijou.
Camdyn não podia deixar de olhar em seus olhos dourados. Sua pele brilhava
e seu cabelo estava despenteado. Seus lábios estavam inchados, e sua pele ainda
corada de fazer amor com ele.
Ela estava impressionante. Hipnotizante. Sedutora.
E ele a queria novamente.
Sem quaisquer palavras ela levantou-se e escarranchou seus quadris antes de
se debruçar e por seus lábios nos dele em um beijo suave. Ele deslizou uma mão ao
redor de seu pescoço para segurar a parte de trás de sua cabeça enquanto ele inclinou
os lábios nos dela e deslizou a língua entre seus lábios. Um gemido ressoou de seu
peito quando ela alcançou entre eles e envolveu seus dedos esguios ao redor de seu
pau duro.
Ela ergueu os quadris e guiou-o dentro dela. Camdyn quebrou o beijo e abriu
os olhos para olhar para ela.
Antes ela era apenas uma fêmea que o tentava. Então ela se tornou uma
mulher que havia sofrido desnecessariamente.
Agora ela era uma Druidesa que conseguiu achar os últimos fragmentos de
sua alma e tocá-lo.
Suas mãos acariciaram abaixo por seus lados para apertar suas nádegas
enquanto ela balançava suavemente contra ele. Eles tiveram sexo apaixonado, e sexo
duro, rápido. Isto era algo novo, algo que Camdyn não estava certo que poderia lidar.
Era lento, sedutor. E sentiu-se completamente bem.
Também era muito perigoso.
Ele sorriu quando Saffron sentou-se, suas mãos descansando em seu peito e
seu cabelo selvagem sobre os ombros. Para cima e para baixo ela balançou os quadris,
puxando-o mais fundo e mais fundo em tudo que era ela.
Camdyn segurou seus seios e observou como seus mamilos endureciam
enquanto ele os provocava. A cabeça dela caiu para trás, um grito suave saindo de
seus lábios quando ele subiu.
Ele fechou os olhos com o som de seu nome sussurrado com tanto prazer.
Era impossível para ele não tocá-la. Quanto mais ele deslizava suas mãos pelo
seu corpo, mais ela gemia. Seus gritos suaves encheram a câmara quando a paixão
deles montou mais uma vez.

210
— Camdyn, — ela gritou quando gozou.
Desta vez ele não se conteve. Assim que seu corpo apertou em volta de seu
pau, ele cedeu à liberação e seguiu-a no paraíso.
Inundou-os, agarrou-os. Prendeu-os.
Uniu-os.
E quando Saffron desmoronou sobre seu peito e adormeceu, nunca passou
pela mente dele partir.

211
CAPÍTULO TRINTA E DOIS

Declan não se incomodou olhar e assinar os documentos em sua escrivaninha


quando o golpe soou na porta de seu escritório. — Entre! — Ele gritou.
Ele colocou os documentos de lado e agarrou outro para examinar toda a
linguagem legal que seus advogados adicionaram para a próxima propriedade que
estava comprando.
— O que é? — Ele perguntou a Robbie quando olhou para cima e viu seu
primo de pé na entrada, a mão de Robbie ainda na maçaneta.
— Você vai querer vir para a porta da frente.
Declan suspirou e pôs de lado sua caneta quando se inclinou para trás na
cadeira. — A única coisa que vai me conseguir fora desta cadeira é se Deirdre estiver
aqui.
O sorriso de Robbie era lento mas largo. — Você vai querer vir para a porta da
frente, primo.
Sem outra palavra Declan levantou e seguiu Robbie para a porta da frente. O
coração de Declan estava batendo com excitação em finalmente ter Deirdre vindo para
ele. Ele sabia que só seria uma questão de tempo e agora...
Seu trem de pensamento veio para uma parada quando ele achou um homem
em seus degraus dianteiros, não Deirdre.
Declan olhou para Robbie. — O que é isto?
— Espere, — Robbie advertiu e levantou uma mão. — Confie em mim.
Declan virou sua cabeça de volta para o homem. — Quem é você?
— Eu sou Toby, e estou aqui em nome de minha mestra, Deirdre, — o homem
respondeu, embora seus olhos tivessem o olhar vago de alguém cuja mente estava sob
o controle de outro.
Declan cruzou os braços acima do peito. Ele preferia ter Deirdre vindo para
ele, mas o fato que ela enviou um de seus escravos conseguiu sua atenção. — E que
Deirdre quer?
— Uma reunião, — Toby respondeu.
— Ela sabe onde eu moro.
Toby sorriu. — Ela quer se encontrar em local neutro. Em algum lugar privado.
E só você.
— Ela virá só também?

212
Toby deu um lento aceno com a cabeça. — Sim.
Declan podia não ter wyrrans como Deirdre, ou até um Guerreiro. Mas o que
ele tinha eram mercenários com X90s e balas recheadas com sangue drough que
derrubavam um Guerreiro imediatamente.
Ele queria que Deirdre viesse para ele implorando por sua ajuda, mas deveria
ter sabido que ela seria muito orgulhosa para isto. O fato dela querer encontrá-lo
podia muito bem leva-lo a tudo que procurava.
— Onde? E quando? — Ele exigiu de Toby.
— Meio-dia amanhã no Anel de Brodgar.
Declan baixou os braços e bateu a porta na cara de Toby antes dele girar. Ele
sorriu para Robbie. — Eu te disse que ela viria para mim.
— Cuidado, primo. Ela não pediu sua ajuda ainda.
— Ah, mas ela irá.
— Você está indo só? — Robbie perguntou.
Declan encolheu os ombros e bateu no ombro de Robbie. — A maior parte.

***

Saffron despertou, mas não abriu os olhos. Ela sorriu internamente quando
escutou a batida do coração de Camdyn em sua orelha. Sua respiração era nivelada,
estável.
Ela abriu os olhos e olhou para janela. Ainda estava escuro, mas com o cinza
do amanhecer aproximando. Desde que ela estava ávida para ver seu primeiro
amanhecer em três anos, Saffron lentamente saiu dos braços de Camdyn. Caminhou
descalça até a janela, grata pelos tapetes que comprou ajudavam a manter o frio longe
de seus pés.
Com as pontas do dedo no vidro gelado, Saffron assistiu o sol subir no
horizonte. A tonalidade vermelho-dourado refletindo na água era uma visão incrível.
Mas não era nada comparado à explosão de cores no céu.
Saffron afastou as lágrimas que encheram seus olhos enquanto ela olhava
para as nuvens encharcadas de cor desde vermelho escuro, ao roxo, até o mais
brilhante rosa.
Não foi até que teve sua visão tirada dela que ela tinha percebido que tomara
tantas coisas por certas. Como observar um amanhecer. Houve muitas vezes que ela
ficou acordada a noite toda olhando para as estrelas e viu o sol subir no horizonte.

213
Ela sempre achou isto bonito, mas agora era ainda mais.
O sorriso em seu rosto duraria por semanas, ela tinha certeza. Depois de uma
noite surpreendente com Camdyn, e então finalmente conseguindo ver o amanhecer,
nada poderia abafar seu dia.
Ela olhou sobre o ombro para ver Camdyn ainda adormecido. Seu corpo
estava dolorido de fazer amor, mas era uma sensação maravilhosa. Ninguém a possuiu
como Camdyn. Ninguém chegaria próximo, agora ou sempre. Disso ela tinha certeza.
Seu olhar retornou ao amanhecer magnífico. Ela observou o modo que o mar
movia-se, deslocando o arco-íris de cores. De repente, braços familiares envolveram ao
redor dela por trás.
— É lindo, — Camdyn murmurou próximo a seu ouvido.
Saffron sorriu quando ele se aninhou em seu pescoço. — Eu não quis acordar
você.
— Você não acordou.
Ela lambeu os lábios quando a preocupação que encheu sua mente justo
antes dela ir dormir veio novamente. — Camdyn, não usamos proteção ontem à noite.
— Proteção?
— Para prevenir gravidez. Sei por ouvir das outras que nenhum dos
Guerreiros carregam doenças, mas...
Sua costeleta suavemente raspou ao longo de sua bochecha à medida que ele
sorriu. — Cara e Sonya têm feito infusões para prevenir todo mundo de ter crianças
desde que Sonya veio para cá. É dada para toda Druidesa a cada mês a menos que
especificamente peçam para não terem isto.
Saffron franziu. — Eu não sabia que elas faziam isto.
Ele encolheu os ombros. — Não há nada para você se preocupar. Eu vou
conseguir algo para comermos.
— Parece ótimo, — ela disse, e girou em seus braços para sorrir para ele. —
Eu vou entrar no chuveiro.
Camdyn observou a forma como os quadris dela moviam sensualmente para
cada lado quando ela andou nua para longe dele. Ele soube o momento que ela deixou
a cama.
Para sua surpresa, ele realmente tinha dormido. Ele não esperava isso já que
ele raramente fazia mais que cochilar por algumas horas de cada vez.

214
Talvez tenha sido porque ele finalmente deu a seu corpo a liberação que
precisava. Ele recusava pensar que podia ter qualquer coisa a ver com abraçar Saffron.
Ela parou na porta do banheiro e olhou acima do ombro para dar-lhe um
sorriso. Assim que ela desapareceu no banheiro e ele ouviu o chuveiro ligar, Camdyn
empurrou-se em suas calças e camisa e dirigiu-se à porta.
Ele abriu a porta e saiu no corredor, suavemente fechando-a atrás dele. Lá,
ele parou e se debruçou de volta contra porta de Saffron.
Seus olhos se apertaram, ele sabia que estava em apuros. A noite tinha sido
tudo que ele poderia ter imaginado e muito mais. Abraçando Saffron, acariciando-a,
beijando-a. Ela estava gravada em sua mente, marcada com ferro em sua alma.
Ele passou a mão pelo rosto e soltou um suspiro suave quando abriu os olhos.
Ele queria evitar isto mesmo, mas parece que quando veio para Saffron ele ficou à sua
mercê.
O que ele precisava fazer era retornar à sua cabana e esquecer o modo que
sentiu o corpo dela deslizando contra o dele, esquecer a forma como se sentiu estar
enterrado bem no fundo dela.
Mas Camdyn sabia que nunca esqueceria.
Ele deixou a porta e deu vários passos em direção aos degraus quando
encontrou Ian debruçado contra a parede oposta. Camdyn parou quando as palavras
de Ian na noite anterior encheram sua cabeça.
— Eu conheço este olhar, — Ian disse. — Este é o olhar de um homem que se
encontrou em um lugar que não queria estar.
Camdyn não respondeu.
Ian encolheu os ombros e afastou-se da parede. — Fallon pediu que todo
mundo esteja no grande salão às dez.
Camdyn ficou onde estava por vários longos minutos depois que Ian foi
embora. Ian sabia o que ele tinha feito ontem à noite. Camdyn podia ver isto em seus
olhos. Também havia decepção lá.
Embora talvez Camdyn só viu aquilo porque ele estava desapontado consigo
por falhar em manter-se afastado de Saffron. Porque apesar de suas palavras, Camdyn
sabia que iria machucá-la. E ela não merecia isto.
Não era culpa dela, entretanto. Ele era aquele que não podia sofrer perdendo
outra pessoa que amava.
Camdyn respirou fundo e continuou para os degraus. Quando ele alcançou o
grande salão ficou surpreso por encontrar apenas Braden e Aiden à mesa.

215
Ele deu-lhes um aceno com a cabeça em saudação, mas não parou para
conversar. O mais cedo ele juntasse comida e retornasse com ela para Saffron, mais
cedo ele poderia voltar a sua própria cabana.
Mas quando Camdyn retornou à câmara de Saffron, o pensamento de voltar
para sua cabana sozinho não o atraia. Ele podia ainda cheirá-la em sua pele, saboreá-la
em sua língua.
E ele queria mais. Muito mais dela.
Ele estava em pé junto à lareira segurando a comida e bebidas em sua mão
quando Saffron saiu do banheiro com seu robe dourado. Ele conhecia os tesouros
debaixo daquele robe. Camdyn segurou os pratos mais apertado em um esforço para
não alcançá-la e arrastá-la contra ele.
— Hmm. Isso cheira bem, — ela disse enquanto agarrava um biscoito.
Camdyn colocou os pratos e suco de laranja na mesinha.
— O que é? — Saffron perguntou.
Ele olhou para ela para ver sua sobrancelha franzida e seu olhar procurando o
dele. Como ele poderia dizer a ela que tinha feito o impensável vindo para ela ontem à
noite? Como poderia dizer a ela que não importava o que, eles só poderiam ter uma
noite juntos?
Era o que ele precisava dizer a ela, mas a ideia de nunca abraçá-la novamente
fez seu deus rugir com fúria. Camdyn não estava certo que poderia ficar longe dela.
Que era o cerne de seu problema.
— Camdyn?
Ele balançou a cabeça e se virou para o banheiro. — Nada. Eu vou tomar
banho.
Saffron deu uma mordida no biscoito enquanto Camdyn ligava o chuveiro. Por
um momento ela pensou que ele iria partir. Ela viu isto em seus olhos.
Ela deu um gole longo no suco de laranja enquanto tentava dizer a si mesma
para guardar seu coração. Mas era muito tarde. Seu coração já pertencia a Camdyn.
O pensamento lhe deu um momento de alarme, entretanto ela recordou
como ele a segurou, como ele a tocou. Ela lembrou do gosto de seu beijo e o modo
que ele olhou para ela.
E aquele alarme virou alegria.
Ela não esperava encontrar o amor na Escócia.
Mesmo sabendo que provavelmente terminaria em desastre, ela não

216
podia afasta-lo. Estar com ele, perto dele, estabilizava-a. Ele deu-lhe coragem para
enfrentar as memórias de seus anos com Declan e olhar adiante.
Camdyn era a pessoa que deu-lhe coragem no labirinto. Era o conhecimento
de que Camdyn estava lá com ela que a ajudou a enfrentar as aranhas.
Ela terminou seu biscoito e estava no meio de secar seu cabelo quando houve
uma batida na porta. Saffron abriu-a para encontrar Laria.
Saffron ficou tão chocada por um momento que não conseguiu falar. — Por
favor, entre, — ela disse, e acenou para Laria entrar.
Laria sorriu e entrou no quarto. Saffron notou que seu vestido medieval tinha
ido, substituído por um agasalho de veludo rosa pálido que pertencia a Larena.
Logo que Saffron fechou a porta, Camdyn saiu do banheiro em um par de
jeans desabotoado, seu cabelo ainda molhado e pingando em seu peito nu.
Laria levantou uma sobrancelha para ele, um sorriso puxando em seus lábios.
— Bom dia, Camdyn.
— Laria, — ele disse com um assentimento.
Saffron limpou a garganta e moveu-se para a comida. — Você está com fome?
— Não, — Laria respondeu. — Eu vim aqui para falar com vocês dois.
Reservadamente.
Saffron encontrou o olhar de Camdyn. Enquanto ele colocava a camisa,
Saffron nervosamente esperou pelo que Laria queria deles.
Só depois que Laria sentou-se na cadeira à mesa Camdyn pediu que Saffron
sentasse na cadeira oposta a Laria. Sem outro recurso, Saffron fez como ele pediu e
observou quando ele acomodou sua grande figura no banco em frente à cama.
— O que você quer de nós? — Camdyn perguntou.
Laria encolheu os ombros e olhou dele para Saffron. — O labirinto escolheu os
dois para me achar e despertar. Você sabe por que isto?
— Porque eu toquei a cabeça do dragão? — Saffron ofereceu.
Laria balançou a cabeça. — Não. O labirinto escolheu os dois porque cada um
tem uma conexão com Deirdre que pode ajudar-me a derrota-la.
— Todos nós temos uma conexão com Deirdre, — Camdyn disse. — Ela é a
pessoa que libertou nossos deuses. Além disso, outros Guerreiros estiveram mais
próximos dela do que eu jamais fui.
O sorriso da Laria foi suave. — Você toma minhas palavras no sentido literal,
Guerreiro. Abram suas mentes e vocês encontrarão sobre o que eu falo.

217
Saffron franziu o cenho. — Mas eu nem mesmo conheço Deirdre. Eu nem
sequer a encontrei. Ela não sabe sobre mim também.
— Não ainda, mas ela irá. Muito em breve, — Laria disse. — E uma vez que ela
souber, fará tudo para ter você. Saffron, você é uma Vidente. Sempre houve muito
poucos Videntes dentre os Druidas para começar, mas agora que os Druidas se
afastaram de sua magia, você se tornou até mais especial.
— Ela já foi encarcerada porque é uma Vidente, — Camdyn resmungou.
Saffron ficou surpresa por ouvir a raiva em sua voz. Ela olhou para ele, mas
seu olhar estava focado em Laria. Saffron virou e encontrou Laria olhando para ela.
— E agora você encontrou sua conexão para Deirdre, — Laria disse.

218
CAPÍTULO TRINTA E TRÊS

Camdyn queria rugir sua fúria. Ele queria negar tudo que Laria estava dizendo
a eles.
Mas ele sabia bem no fundo de sua alma que era a verdade.
— Como você sabe isto? — Ele exigiu.
Os dedos de Laria brincaram com as pontas de seu longo cabelo loiro e olhou
nos olhos de Saffron. — Quando eu toquei Saffron para aprender sobre seu tempo e
idioma, eu senti um vislumbre de algo…
— Enjoativo, — Saffron ofereceu.
Laria assentiu. — Sim. Naquele curto olhar eu detectei um mal que quase
combinava com o da minha própria irmã.
— Declan Wallace, — Camdyn disse através de dentes apertados. Ele não
podia olhar para Saffron. Se o fizesse, lembraria como ela parecia quando a tirou
daquela prisão.
E ele se lembrou de todas as noites que a ajudou através de seus pesadelos
sem que ela soubesse disto. Declan fizera tudo isso para ela.
— Sim, — Laria sussurrou. — Aprendi com Danielle que Saffron foi
sequestrada por Declan porque ela é Vidente. Adicione isso ao fato que Declan trouxe
Deirdre através do tempo. Com tão grande magia negra como Declan tem, é
simplesmente uma questão de tempo antes deles se unirem.
Camdyn assentiu. — Deirdre não compartilha o poder.
— Ela vai mata-lo.
O olhar de Camdyn mudou para Saffron no som rouco de sua voz e a onda de
sua magia para ver seus olhos tornarem-se leitosos. Ele estava a seu lado em um
momento, suas mãos segurando os braços dela.
Laria levantou-se e pegou as mãos de Saffron. — O que você vê?
— Deirdre, — Saffron disse. — Eu vejo Deirdre de pé acima de corpo de
Declan. Ela o matou. E…
O aperto de Camdyn aumentou quando Saffron começou a tremer. — O que é
isto?
— Deirdre é pesada com uma criança. —Saffron piscou, e quando sua
pálpebra levantou, olhos dourados viraram para ele. — Eu vi Declan morto.

219
Laria começou a andar antes de Camdyn pudesse responder. Ele podia ver a
excitação no olhar de Saffron no pensamento da morte de Declan, mas havia mais que
isto.
— Isto não é bom, — Laria disse quando parou no meio do quarto. — Se
Deirdre ficar grávida, então eu devo ter falhado.
— Ou você não a combateu novamente, — Saffron disse.
Camdyn soltou suas mãos quando Saffron levantou para caminhar até Laria.
Ele endireitou-se, seu olhar preso no intenso olhar de Laria.
— O que? — Saffron perguntou, e apertou o cinto de sua bata. — O que está
errado com você dois? Declan precisa morrer. Que modo melhor que pela mão de
Deirdre?
Laria sorriu tristemente. — Houve uma outra vez em minha vida que estive na
presença de uma Vidente. Ela salvou minha vida como também me deu informações
para me ajudar quando chegasse o dia que eu tivesse que combater minha própria
irmã. Algumas coisas que uma Vidente vê ajudará você. Outras a prejudicarão.
— Não havia nada em minha visão que sugeriria que você tinha sido
derrotada, — Saffron discutiu.
Camdyn pôs uma mão no ombro dela e permaneceu atrás dela. — O que Laria
está tentando dizer é que embora sejam boas notícias para você que Declan morra
pela mão de Deirdre, não é necessariamente uma boa notícia para nós.
Saffron virou assim podia vê-lo. — Declan tem que morrer. Eu não posso
passar o resto de minha vida me escondendo dele. Eu não farei isto.
— Nem terá, — Laria disse. — Descanse. Eu verei vocês dois na reunião que
Fallon pediu. Saffron, por favor compartilhe sua visão com os outros então.
Camdyn deu um aceno com a cabeça para Laria antes dela deixar a câmara.
Não antes da porta fechar Saffron girou para encará-lo.
— O que você está escondendo de mim? Eu tenho que saber, — ela exigiu.
Ele passou a mão pelo rosto e sentou-se na cadeira, olhando fixamente para a
comida que tinha trazido. — Eu não sei nada com certeza. O que eu estou prestes a
dizer é apenas especulação.
— Talvez, — ela disse quando tomou a outra cadeira. — Mas eu quero saber.
Camdyn arrastou uma mecha de seu cabelo castanho claro atrás da orelha. —
Eu não acredito que Deirdre permitirá a Laria esperar por muito tempo. É um assunto
de horas, o mais provável, antes de Deirdre atacar.
O estômago de Saffron tombou com o peso de chumbo. Mas ela não iria

220
desistir facilmente. — Possivelmente. Mas pode ser que elas ainda não tenham lutado.
Minha visão não me mostrou isto. Nós não podemos saber ao certo.
— Não, nós não podemos.
Ela estava prestes a dizer mais quando seu celular tocou. Saffron levantou e
caminhou para pegá-lo de sua bolsa. Ela suspirou fortemente quando viu nome de sua
mãe na tela. — É minha mãe.
— Eu irei assim você pode conversar reservadamente. Eu devo cuidar de
minhas obrigações de qualquer maneira.
Ela não queria que ele partisse, mas com um castelo tão grande, existia
sempre algo para todo mundo fazer. Com um suspiro, ela atendeu o telefone
enquanto Camdyn fechou a porta atrás dele.
— Oi, Mãe.
— Eu queria dar a você outra chance de se desculpar pelo modo que me
tratou, — Elise disse.
Saffron rolou os olhos e caiu de costas na cama. — Se isto é sobre o dinheiro,
eu acho que devíamos terminar a conversa agora.
— É em parte sobre o dinheiro. Eu realmente estou ligando para dizer te dizer
que eu aterrissei em Londres ontem à noite. Albert e eu vamos voar e vamos ver você
se nos disser onde na Escócia você está.
Saffron sentou-se. Ela não estava surpresa que sua mãe a localizou na Escócia.
Embora não estivesse exatamente feliz com ela, Elise ainda era sua mãe e ela não a
queria em perigo. — Agora não é um bom momento, mãe.
— Eu voei toda a distância de Colorado Springs, — Elise disse, sua voz ficando
mais alta quanto mais agitada ela ficava. — Por que você é tão egoísta?
— Talvez porque você poderia estar caminhando para uma situação perigosa
e eu quero manter você segura? — Saffron disse, tentando a verdade.
— Oh, por favor. — Elisa deu um delicado bufar. — Eu sou sua mãe, e o único
pai que você tem. Eu achei que você estava morta, Saffron. Eu quero ver minha filha.
Saffron baixou sua testa na mão e fechou os olhos. Sua mãe sempre
conseguia fazê-la parecer culpada. — Certo. Eu verei você, mas não até o próximo
mês. Agora não é um bom momento.
Houve um alto, prolongado suspiro. — Pelo menos reembolse as passagens
de avião de primeira classe para mim e Albert pela inconveniência que você nos deu.
— Mãe, eu apenas não vou fazer isto agora.

221
Antes de terminar de falar sua mãe desligou.
Saffron olhou para o telefone antes de jogá-lo na cama. Como se ela já não
tivesse o suficiente para lidar, a ameaça de sua mãe estar na Escócia era suficiente
para manda-la esconder-se.
Ela soltou um suspiro e levantou da cama para terminar de vestir-se. Havia
muitas pessoas no castelo, e ela precisava ajudar as outras cozinharem.
Depois de uma escovada rápida no cabelo e uma pincelada leve de
maquiagem, ela escolheu um par de calças cáqui e um suéter borgonha. Ela abriu a
porta para encontrar Gwynn de pé lá com o punho levantado, pronta para bater.
— Você está aí, — Gwynn disse com uma risada. — Eu quis ver como você
estava se sentindo.
— Melhor, — Saffron disse quando saiu do quarto e elas começaram a descer
o corredor para os degraus.
— Eu dificilmente pude dormir ontem à noite depois de tudo o que
aconteceu, — Gwynn disse.
Saffron sorriu para sua amiga. — Eu não consegui dormir tanto quanto eu
queria.
Gwynn virou a cabeça, mas não antes de Saffron ver o sorriso.
Ela parou e girou Gwynn para enfrentá-la. — O que?
Gwynn encolheu os ombros com olhar conhecedor. — Nada.
— Gwynn.
— Oh, certo, — Gwynn disse com uma risada. — Eu vi Camdyn trazendo
comida para seu quarto esta manhã.
Saffron bateu a ponta de sua bota contra o chão. — Ele trouxe.
— Ele ficou a noite? — Gwynn perguntou a uma voz baixa, conspiratória.
Saffron não podia parar o sorriso. — Sim.
Gwynn ganiu e cobriu a boca com as mãos enquanto elas duas riam. — Eu
sabia que algo estava acontecendo pelo jeito que ele ficou próximo a você no labirinto.
— Bem, isso pode não dar em nada, — Saffron disse, uma advertência para
Gwynn como também para si mesma
— Oh, sim. Certo, — ela disse, sua voz pesada com sarcasmo.
Eles começaram a descer os degraus para o grande salão para encontrar
quase todo mundo lá. A comida já estava na mesa e as pessoas estavam comendo.

222
Saffron tomou a cadeira próxima a Gwynn, e Dani logo se sentou do outro
lado dela. Ela virou para Dani para responder uma pergunta quando seu olhar caiu em
Camdyn, que permanecia contra a parede, os braços cruzados no tórax e seu escuro
olhar nela.
Tudo que ela ia dizer apenas flutuou longe. Ele tinha deixado o cabelo solto de
forma que enrolava ligeiramente ao redor de seu rosto. Uma camiseta preta justa
abraçava seu corpo, mostrando cada músculo definido, músculos que ela tinha
acariciado apenas horas atrás. Assentando baixo em seus quadris estava um par de
desbotados jeans.
Ele podia ter sido o garoto propaganda para exatamente como um bad boy
deveria parecer. Exceto que Camdyn ultrapassava os bad boys que ela conhecia e
encontrara.
Sua imortalidade, o poder que irradiava dele tão forte quanto os raios do sol,
e sua confiança que dizia que ele não tinha nenhuma dificuldade em tomar alguém, fez
seu coração bater o dobro.
Sua atenção foi puxada de Camdyn e todas as fantasias que ele evocava pelo
som da voz de Fallon.
— Nossa meta em despertar Laria foi alcançada graças a Camdyn e Saffron, —
Fallon disse. — Mas a batalha real está só começando. Antes de nós entrarmos nisto,
eu fui informado que Saffron teve outra visão esta manhã.
Saffron lambeu os lábios e levantou-se quando Dani a persuadiu. — Como
alguns de vocês sabem, as visões que eu recebo são às vezes muito detalhadas. Outras
vezes, eu entendo muito pouco. O que eu vi esta manhã só me mostrou três coisas.
— O que eram? — Lucan perguntou.
Ela olhou ao redor da mesa, engolindo em seco. Ela lembrou as palavras de
Camdyn e sabia que não importava quanto ela queria sua visão funcionasse em seu
benefício, as chances eram pequenas. — Eu vi Deirdre de pé acima do corpo de
Declan. Ela o matou.
Logan assentiu, um sorriso em seu rosto. — Que certamente resolveria nosso
problema em como matar Declan. O que mais você viu?
Esta era a parte que ela não queria dizer a eles. — Deirdre estava pesada com
uma criança.
— Não, — Marcail disse, enquanto ela balançou a cabeça de novo e de novo.
— Não.
Quinn embrulhou os braços ao redor de sua esposa e olhou para Saffron. —
Você está certa? Era Deirdre?
— Eu estou mais que certa. Por quê?
223
Arran foi quem respondeu. — Deirdre capturou Quinn porque ela o queria
como pai de uma criança, uma criança predita por uma profecia que manteria o mal
em sua forma mais pura.
Os joelhos de Saffron ficaram fracos, e ela lentamente se abaixou para o
banco.
— Aquela criança não pode ser concebida, — Ian disse. — Se ele nascer, nossa
chance de ganhar contra tal força do mal é quase impossível.
Um músculo saltou na mandíbula de Quinn. — Eu cortarei aquele bebê de seu
estômago e matarei aquilo eu mesmo se precisar. Deirdre quase matou Marcail em
seu esforço para me ter em sua cama. Eu não vou permitir que ela tenha minha
criança.
— O bebê é mais provável de Declan, — Camdyn disse. — Por que outro
motivo ela o mataria?
— Porque ela não compartilha o poder, — Galen disse.
Saffron ergueu seu olhar encontrar primeiro o de Laria e então o de Camdyn.
— Deirdre precisa ser detida antes de poder conceber esta criança.
— Exatamente! — Hayden gritou, e bateu um punho na mesa.
Saffron sabia que era a coisa certa a fazer, mas significaria que Declan estaria
ao redor muito mais tempo. Ela pensou em deixar Deirdre matar Declan, e então Laria
poderia matar Deirdre. Tudo teria sido amarrado tão bem.
Mas a vida nunca era tão educada e arrumada.
— Nós mataremos Declan, — Camdyn sussurrou em sua orelha por trás dela.
Ela virou a cabeça para olhar para ele por cima de seu ombro. Ela sequer o viu
mover-se de seu lugar. — Promete?
— Eu prometo.

224
CAPÍTULO TRINTA E QUATRO

Deirdre ergueu o rosto para o rigoroso vento do inverno enquanto corria pela
da água e abraçava seu longo casaco contra ela. Como ela sentiu falta de seu manto
forrado de pele.
Seu olhar estava voltado para o mesmo lugar onde Laria emergiu debaixo da
terra entre dois monólitos.
Sua irmã. Sua gêmea.
Como Laria poderia ter escondido sua magia de Deirdre todos aqueles anos?
Se Deirdre tivesse sentido só uma pitada de magia, ela teria matado Laria como ela fez
com o resto de sua família.
Mas não havia nenhum rastro de magia.
Agora, Laria ameaçava arruinar tudo isso. O mero pensamento de todo o
trabalho duro que Deirdre fez para assegurar sua posição como governante a deixou
doente do estômago.
O que era pior era que ela tinha apenas um Guerreiro a quem recorrer agora.
Encontrar Druidas para roubar sua magia era tão difícil quanto encontrar mais homens
que tinham um deus dentro deles.
Havia muitas pessoas, e nenhuma delas a temia.
Tudo porque Declan levou-a adiante a tempo. O imbecil pensou em governa-
la, mas ninguém governava Deirdre.
Ainda assim, ela não podia esquecer que estava sozinha agora. Todos aqueles
anos de serviço dedicado a Satanás, e ele a abandonou também. Sem outro recurso,
Deirdre virou-se para Declan. Da mesma forma que aquele idiota queria que ela
fizesse.
Como ela o odiava. Mas ele podia servir a um propósito. Uma vez que ela
derrotasse Laria, Deirdre teria certeza que Declan não sobreviveria ao dia.
— Você está lembrando de sua derrota? — Gritou uma voz masculina acima
do vento.
Deirdre girou para enfrentar Declan. Suas mechas loiras estavam arrastadas
pelo vento, e seu longo casaco de lã ondulava sobre suas pernas, mas não havia dúvida
do terno caro abaixo. Seria tão fácil usar seu cabelo para estrangular a vida dele. Ou
arrancar suas bolas.
O pensamento trouxe um sorriso a seus lábios.

225
— Agora você está sorrindo? — Declan perguntou. — É porque você tem
muito prazer em me ver?
— Você veio sozinho, — ela declarou. Claro que ela sabia que ele tinha. Ela
tinha wyrrans postados em torno da área, e eles comunicaram-se com ela pelo vínculo
mental que tinha com eles.
Declan levantou uma sobrancelha loira. — É o que você pediu. O que eu posso
fazer por você, Deirdre?
— Você sabe o que eu quero.
— Sim, eu sei. — Declan sorriu então e caminhou para mais perto dela, assim
eles estavam só a centímetros de distância. — Mas, minha querida, eu quero ouvir
você dizer isto.
Como Deirdre o menosprezava. Ela não implorou a nenhum homem no
milênio que viveu. Mas se ela quisesse continuar com seu plano de dominar o mundo,
desta vez ela agiria como uma submissa, uma mulher necessitada.
E esperava que Declan acreditasse nisto.
— Eu preciso de sua ajuda.
— Por favor, — Declan adicionou, seu olhar azul segurando o dela.
Deirdre pôs a mão em seu peito e sorriu sedutoramente. — Por favor, Declan.
— Eu esperei muito tempo para ouvir essas palavras. — Ele asperamente a
puxou contra ele. Ele olhou em seu rosto um momento antes de reivindicar seus lábios
em um beijo.
Deirdre ficou agradavelmente surpresa no quão bom o beijo era. Declan era
um homem bonito com sua mandíbula quadrada, olhos azuis claros, e charme devasso.
Se ele a tivesse abordado diferente, em vez de trancá-la em sua mansão por três
meses, ela poderia não odiá-lo.
Ela enrolou seus braços ao redor do pescoço dele e retornou o beijo com
fervor. Seu gemido em resposta a fez sorrir.
Deirdre deixou o beijo continuar e aprofundar, ela permitiu que ele ficasse
frenético enquanto a paixão montou. Só então ela terminou o beijo e inclinou atrás
para olhar para ele.
— Você me ajudará?
Os olhos azuis de Declan arderam com desejo. — Sim, mas eu preciso de algo
de você em retorno.
Isto ela esperou. — Você me quer.
— Claro, — ele respondeu, e correu a mão abaixo da base de sua garganta e

226
empurrou o casaco aberto de forma que seu dedo mergulhou em seu decote. — Isso
não precisa dizer.
— Você me quer e algo mais? — Ela perguntou, de repente o vendo com
novos olhos. Talvez ele não fosse tal idiota afinal.
— Existe uma Druidesa com os MacLeods. Ela era minha, e eles a levaram.
Deirdre riu. — Se ela era sua, por que não retornou?
— Ela era minha, ela apenas precisava de um pouco mais tempo para chegar a
um acordo com isto.
— Ah, — Deirdre disse enquanto retirou-se de seus braços. — Quem é esta
Druidesa?
— Seu nome é Saffron Fletcher.
— E por que ela é tão importante você?
Declan encolheu os ombros e pôs suas mãos nos bolsos do casaco. — Ela é
uma Vidente. Minha Vidente.
— Uma Vidente? — Deirdre repetiu, seu interesse despertado. Agora isto era
algo que ela certamente não esperava. Ela teve uma Vidente há muitos séculos, um
Druidesa, que por acaso era a irmã de Isla. Era uma das únicas coisas que fizeram Isla
concordar com o que Deirdre queria.
Os olhos de Declan estreitaram. — Você a deixará para mim.
Não era uma pergunta e Deirdre sabia disto. — Eu a deixarei para nós.
— Nós. Eu gosto disso.
— Bom. Então vamos começar.
Declan não se sentiu enganado com a facilidade que Deirdre concordara com
suas condições, ou como ela havia caído em seus braços. Mas ele era um homem
paciente. Ela veio para ele por ajuda. Ele trabalharia por sua confiança depois que ele
se provasse para ela.
No fim, ele sabia que ele a teria para si. E em sua cama.

***

Camdyn permaneceu com os braços cruzados no peito atrás de Saffron


enquanto ele assistia Fallon andar na frente deles e eles se sentavam em um círculo na
frente da lareira. Em cada lado de Saffron estava Isla, com Hayden atrás dela, e Gwynn,
com Logan atrás dela.

227
— Eu não entendo, — Fallon disse quando parou próximo à cadeira onde
Larena se sentou. Ele pôs a mão sobre a dela e olhou para Laria.
Camdyn e Saffron já tinham ouvido esta parte quando Laria os visitou na
câmara de Saffron. E Camdyn não entendia nada melhor agora.
— Não há muito para compreender, — Laria disse. — Eu chamei Gwynn e
Logan, Isla e Hayden e Saffron e Camdyn para esta reunião porque eles têm a conexão
mais profunda com Deirdre.
Fallon balançou a cabeça. — Todos nós temos essa conexão com Deirdre.
Todos as Druidesas precisam ser protegidas, e todos podem ajudar você.
— Todas elas precisarão me ajudar, — Laria disse suavemente,
pacientemente. — Você é líder aqui, Fallon, e você fez um trabalho maravilhoso
reunindo os Guerreiros e dando boas-vindas as Druidesas. Mas eu conheço minha irmã
melhor que ninguém. Eu vi com meus próprios olhos o que ela era capaz de fazer. Eu
estive escondida por séculos até o dia em que pudesse derrotá-la. Você confiará em
mim para fazer isto?
Fallon assentiu. — Sim. Eu não queria que você achasse que não confio em
você.
— Estas pessoas são sua família. Eu entendo. Eu não quero colocá-los em
perigo, mas infelizmente eu preciso.
Isla se debruçou-se pôs a mão na de Laria. — E com prazer faremos se isso
significar a morte de Deirdre.
Camdyn olhou abaixo para achar a cabeça de Saffron curvada. Ele viu a
decepção em seus olhos dourados quando ela percebeu que eles tinham que matar
Deirdre antes dela poder matar Declan.
— Eu estou curiosa, — Gwynn disse. — Por que eu? Eu só vi Deirdre por um
breve momento. Parece que Cara ou até Marcail têm uma conexão mais profunda com
Deirdre do que eu.
Laria sorriu. — Não é só você. Deirdre estava mergulhada na mente de Logan.
Você viu isso por si mesma enquanto vocês dois estavam sob a Ilha de Eigg procurando
pelo Tablet de Orn.
Camdyn ficou desconfortável enquanto a conversa continuava. Ele achou que
estivesse lá para proteger Saffron, mas ele poderia ser envolvido também?
— Você e Logan são duas metades de um todo. Vocês precisam um do outro,
— Laria continuou. — Deirdre tentará dividir vocês, mas devem permanecer juntos.
O coração de Camdyn começou a bater em seus ouvidos.

228
O olhar de Laria virou para Isla e Hayden. — Isla, Deirdre vai querer vingança
por você virar as costas para ela. Ela virá por você.
— Deixe-a, — Hayden disse com os dentes apertados.
Laria sorriu. — É o amor que vincula você e Isla que Deirdre atacará.
Isla girou e sorriu para seu marido. — Depois de tudo o que passamos, seria
preciso mais do que Deirdre para cortar nosso amor.
Camdyn trocou de pé a pé. Toda essa conversa de amor o fazia mais
consciente que nunca de Saffron. Ela tinha estava em silêncio, seu corpo quieto. Mas
sua magia não mentia. Girava em torno dele em agitação e pânico.
Ele queria puxá-la em seus braços, dizer a ela que tudo ir ficar bem. Mas ele
combateu Deirdre por muitos séculos para mentir. Não havia como dizer quando eles
seriam capazes de matar Declan.
Deirdre tinha sobrevivido antes quando eles a mataram. Como eles saberiam
que Declan não faria a mesma coisa? E Declan não tinha um gêmeo escondido em
algum lugar que pudesse matá-lo.
Maldição, como ele odiava isto.
— Saffron, — Laria chamou.
Camdyn observou quando Saffron deu um pequeno empurrão e ergueu a
cabeça.
— Se Deirdre não sabe que você é uma Vidente, é simplesmente uma questão
de tempo. Para alguém com sua quantidade de magia negra, uma Vidente é uma
ferramenta poderosa. E eu não acredito que Declan vai desistir de ter você para si.
Camdyn apertou a mandíbula quando Laria ergueu o olhar para ele. Esperou
para saber como ligação com Deirdre era maior do que a de Quinn ou Broc. Esperou
para saber por que ele era tão importante.
E orou para que Laria não lhe dissesse que Saffron era dele. Ele não podia
lidar com isto agora, não quando estava muito confuso sobre sua necessidade de estar
com ela. O destino não seria tão cruel de dar-lhe outra mulher que ele tinha que
assistir morrer.
— Seja vigilante, — Laria disse a ele.
Camdyn soltou um suspiro. — Você tem minha palavra.
— Espere, — Larena disse. — Depois do que você disse a Logan e Hayden,
tudo que você diz a Camdyn é para ser vigilante? O que é a ligação dele com Deirdre?
Laria suavemente sorriu. — Alguém precisa estar lá para proteger Saffron.

229
Quem melhor que Camdyn?
Alívio como ele não conheceu por décadas percorreu Camdyn. Se ele e
Saffron estivessem destinados a estar juntos, então Laria teria afirmado isto.
Uma vez que não o fez, podia significar que Camdyn podia considerar
continuar seu namorico com Saffron.
— E quanto aos outros? — Saffron perguntou. — Deirdre tentou chegar a
todas Druidesas aqui.
Laria levantou-se e apertou as mãos na cintura. — O enfoque principal de
Deirdre será em mim. Quando ela vir as outras Druidesas comigo, ela escolherá
certamente algumas para atacar simultaneamente.
— E você sabe com certeza que seremos nós três? — Gwynn perguntou.
Laria lentamente balançou a cabeça. — Nada é certo. Saffron pode ver uma
visão do futuro, mas um pequeno evento pode mudar tudo. Eu aprendi tudo que
precisava sobre todo mundo aqui. Eu também sei como minha irmã pensa. Vocês três
são minha melhor suposição.
— Talvez as outras devam ser informadas por via das dúvidas, — Logan
sugeriu.
— Claro, — Laria disse quando andou em direção aos degraus.
— Eu tenho mais uma pergunta, — Fallon disse.
Laria parou e girou para encará-lo. — Pergunte.
Fallon olhou em Larena antes de dizer, — Você conhece o feitiço para prender
nossos deuses?
Por vários instantes Laria não se moveu. Finalmente, ela disse, — Eu sinto
muito, Fallon. Eu não sei.
— Os Druidas souberam uma vez, — Larena disse, desespero em sua voz. —
Alguém tem que saber o feitiço.
Camdyn não percebeu até aquele momento quanto alguns dos Guerreiros
deviam querer seus deuses presos. Uma vez, ele teria alegremente cortado seu próprio
braço para saber aquele feitiço. Agora, não importava.
Laria lambeu os lábios, seus olhos azuis segurando uma riqueza de tristeza. —
Deirdre matou qualquer Druida que ela achou ter o feitiço. Ela também destruiu cada
rolo de papel onde estava escrito. Cada rolo de papel exceto um.
Logan empurrou. — Onde está isto?
— Certa vez estava escondido na biblioteca no Castelo de Edimburgo. Eu não

230
tenho ideia onde está agora. Eu ouvi que um feitiço foi usado para mascarar o que era
em um esforço para esconder isto de Deirdre. Por tudo que eu sei, ela já achou e
destruiu isso.
— Precisamos procurar, — Hayden disse.
Laria olhou para cada um deles. — Eu l desejo-lhes sorte.
Antes que Camdyn pudesse conversar com Saffron, ela, Isla, e Gwynn
levantaram e entraram na cozinha enquanto Laria caminhou para as escadas.
— O que você acha sobre o que Laria disse sobre Deirdre? — Hayden
perguntou a ele.
Camdyn olhou para ele, Logan, Fallon, e Larena, que estavam todos
observando-o. — Eu acho que não importa o que, Deirdre virá atrás de todos nós.
— Mas Laria deve achar que você seis são importantes, — Fallon disse.
Logan arranhou seu queixo pensativamente. — Sim. Mas como?
— Importa? — Hayden perguntou.
Camdyn bufou. — Não. Tudo o que importa é que Deirdre morra. De uma vez
por todas.

231
CAPÍTULO TRINTA E CINCO

Saffron não tinha certeza como conseguiu passar o resto da manhã. Ela
pensou em sair e dar um passeio, mas outra nevasca tinha chegado, mantendo-a do
lado de dentro.
Ela até perdeu o almoço por causa de um telefonema com seu advogado.
Arthur tinha s boas notícias sobre a tentativa de sua mãe de tentar declará-la morta.
Ele conseguiu declarações de algumas pessoas que recentemente a viram em
Edimburgo e Londres e puderam confirmar que era realmente ela.
Mais uma coisa que ela podia riscar de sua lista para fazer.
Quando ela saiu do quarto e aventurou-se no grande salão, ela esperava
encontrar Camdyn. Ela não gostou de como achou-se precisando dele, mas ela não
queria tomar o tempo para olhar mais fundo em suas emoções. Com sua mãe, a visão
sobre Declan, e a ameaça de Deirdre atacar a qualquer momento, ela não podia lidar
com mais isso.
O humor pelo castelo era tenso. Saffron notou isto quando entrou no salão e
encontrou Cara, Marcail, Reaghan, e Fiona jogando cartas.
Na cozinha Isla e Larena estavam assando. Normalmente a cozinha era um
lugar onde havia muita conversa e riso. Mas hoje não havia nada.
Saffron refez seus passos e foi para a torre traseira que era mais perto de seu
quarto. Ela afundou na cadeira enorme e escorou os pés no otomano 2. Depois de um
momento ela pegou um livro na mesa ao lado dela.
— Jane Eyre, — ela leu o título em voz alta.
Ela sempre gostou do livro, mas não importava quantas vezes ela lesse a
primeira página, sua mente continuava vagando para os problemas a rodeavam.
Saffron desistiu e pôs o livro de volta. Ela olhou pela janela para o mar que
parecia se estender pela eternidade. Ela nunca sentiu o desejo de ir para o mar, mas
agora com todas as paredes fechando em torno dela isso parecia uma boa opção.
Ela disse a todo mundo, inclusive a si mesma, que estava melhor, que ela
superou o que Declan fez para ela. Mas a verdade era que estava longe de superar isso
Sempre estaria lá no fundo de sua mente, lembrando-a do que ele poderia
fazer. Do quão impotente ela era contra ele.

232
Ela odiava o pensamento de vê-lo novamente. Saffron achou irônico que
tivesse dito a Camdyn que queria ser a pessoa a matar Declan quando ela sabia que
não capaz de fazê-lo.
Um olhar para Declan e ela congelaria. Ela lembraria da tortura, as ameaças.
Mas, o mais importante, ela recordaria quão facilmente ele tomou sua visão com
apenas algumas palavras.
Alguém com esse tipo de magia assustava-a como o inferno. E se Declan podia
fazer tudo isto, o que Deirdre faria para ela?
Saffron debruçou sua cabeça contra a cadeira e perguntou-se novamente o
que ela estava fazendo como uma Druidesa. Em um momento ela foi capaz de ajudar
seus amigos, mas agora... agora ela só ficaria no caminho.

***

Camdyn piscou contra a neve que caiu sobre seus cílios. Ele olhou através da
terra dos MacLeods de seu ponto de visão nas ameias. O chão estava coberto com
neve picada.
O assobio suave do vento marinho era o único som que quebrava o silêncio.
Com o céu pesado com nuvens espessas, era difícil determinar onde o sol estava.
Seus ouvidos se agarraram ao ruído de neve debaixo de pés. Camdyn olhou
para sua esquerda para ver Hayden se aproximar.
— Eu espero que a cadela não nos faça esperar por muito tempo, — Hayden
disse parando perto de Camdyn.
Camdyn descansou as mãos nas pedras a sua frente e olhou para as árvores
balançando, sabendo que Hayden estava se referindo a Deirdre. — Eu não acho que
ela irá.
— Sonya e Broc retornaram?
— Não ainda. Eles se foram há pouco.
Hayden grunhiu. — Sim, mas espero que o que quer que seja as árvores digam
a Sonya nos ajudará.
— Broc ainda não pôde localizar Deirdre ou Declan?
— Não, — Hayden respondeu com um balançar rápido de sua cabeça loira,
enviando neve caindo para seus ombros. — Laria acha que eles estão se bloqueando
para nós.

233
— O que significa que eles podem chegar a qualquer momento. — Maldição,
mas Camdyn estava cansado deste jogo. Ele queria que a batalha começasse, assim ele
poderia ou continuar com sua vida ou ser morto como o Guerreiro que era.
Hayden girou a cabeça para Camdyn. — Gwynn não pôde conseguir nada do
vento. Tudo que lhe disse a foi que o problema estava chegando.
— Tem dito isso a ela.
— E nós não precisamos do vento para dizer-nos o que já sabemos.
— Se Sonya voltar de mãos vazias, qual é o plano?
Hayden soltou um suspiro. — Isso eu não sei. Talvez Saffron tenha uma visão.
— Ela não tem visões que incluem seu futuro.
— Maldição. Então colocamos todas as nossas esperanças em Sonya.
Eles ficaram em silêncio, e Camdyn achou-se pensando sobre as outras
batalhas que eles tiveram nas terras MacLeod. Tantos inocentes, inclusive o clã
MacLeod que Deirdre assassinou, tinham sido tomados nessa terra.
— Eu costumava odiar ir para batalha, — Camdyn disse. — Eu ia porque meu
senhor exigia isto de mim, e porque eu era bom com uma espada. Mas eu
frequentemente perguntava-me por que eles não se sentavam e conversavam.
— Esta é a primeira vez que eu ouvi você falar de seu passado, — Hayden
disse.
Camdyn encolheu os ombros e olhou para as pedras cinzas cobertas de gelo
do castelo. — O que há para dizer? Todos nós temos nossos passados.
— Palavras muito verdadeiras, meu amigo.
— Você sabe que nem todos vão sobreviver a esta batalha.
Hayden brevemente fechou os olhos. — É improvável que todos nós sairíamos
incólumes.
— Deirdre vai vir contra nós com tudo que tem.
— Você acha que Declan se juntara a ela?
Camdyn afastou uma mecha do cabelo que caiu em seus olhos. — Sim. Por
que mais Laria escolheria Saffron?
— Ou você para protegê-la?
Ele olhou nos olhos pretos de Hayden e assentiu. — Ou eu.
Os olhos de Hayden alargaram uma fração quando ele girou para enfrentar
Camdyn. — Você espera morrer durante a batalha, — ele disse com surpresa e fúria
atando sua voz.

234
— Eu não tenho uma esposa. Os únicos que não são acasalados somos eu,
Ramsey, e Arran. Eu prefiro ser a minha vida à sua ou um dos outros Guerreiros com
uma esposa.
Hayden balançou a cabeça, incredulidade endurecendo suas feições. — Se
você cair, quem vai afastar Saffron de Declan?
Era como se Hayden soubesse exatamente o que dizer para irritar Camdyn.
Ele deu duas respirações profundas antes de dizer, — Ramsey ou Arran
prazerosamente a vigiariam.
— Hummm. Do três, por que Laria escolheu você para vigiar Saffron?
Camdyn deu um desinteressado encolher de ombros. — Eu não sei.
— Sabe. Você sabe e não vai admitir isto. — Hayden deu um passo mais perto
e olhou profundamente nos olhos de Camdyn. — Eu sei que você perdeu uma esposa.
Eu sei que você não quer sentir esse tipo de dor novamente, mas eu também vi o
modo como você olha para Saffron. Não é nenhum segredo onde você dormiu ontem à
noite, Camdyn. Então se você quiser mentir para si mesmo, vá em frente. Mas faça a
seus irmãos a cortesia de não mentir para nós.
Hayden passou por Camdyn, batendo seu ombro no de Camdyn.
Camdyn soltou um suspiro e girou ao redor. — Hayden. Espere.
Hayden parou e girou.
— Sim, eu estava com Saffron na última noite, mesmo quando eu sabia que
não deveria estar.
O rosto de Hayden relaxou e ele caminhou de volta para Camdyn. — Eu sei
que você, Logan, Ian, Ramsey, e Arran ainda estão todos se ajustando neste tempo. As
relações entre homens e mulheres não são levadas tão a sério quanto eram quatro
séculos atrás. Saffron é…
— Não como os outros, — Camdyn disse. — Aye. Eu sei.
— Nós nem sabemos o que Declan fez para ela.
— Eu sei. — Camdyn viu a surpresa de Hayden e assentiu. — Eu sei por que
ela não quer dizer a ninguém. Eu não sei por que disse para mim, mas se eu tiver a
chance, eu vou arrancar a cabeça dele de seu corpo.
Hayden respirou fundo e olhou para céu. — Saffron confiou em você. Foi essa
confiança que os levou através do labirinto e para Laria. Poderia muito bem ser essa
confiança que Deirdre atacará.
— Eu nunca devia ter ido para ela ontem à noite. Eu não posso dar-me para
alguém como eu fiz com Allison. Ver Allison morrer me quebrou, Hayden. Se eu fosse

235
um homem diferente, um homem inteiro, eu poderia ver onde isto levaria com
Saffron. Mas eu não posso.
— Eu acho que entendo. Eu sei quão perdido me senti, como minha alma se
despedaçou quando eu pensei que Isla estava morta. Ela é minha vida. Não haverá
outra mulher para mim.
Camdyn assentiu, mas ele não tinha nenhuma palavra porque ele podia ver
outra mulher para si.
Saffron.
— O que você vai fazer? — Hayden perguntou.
— Eu faço ideia.
— Você sabe como Saffron se sente? Ela disse alguma coisa?
Camdyn balançou a cabeça. — Não é como se nós conversássemos sobre isto.
A atração é quase esmagadora. Eu a vejo e preciso tê-la.
— Ela é uma das únicas fêmeas solteiras no castelo. Talvez isto seja tudo.
Muito casual.
— Casual? — Camdyn ponderou isso por um momento e recordou como a
paixão os levou, varreu. Prendeu-os.
Não era casual.
— Sim, — Hayden disse. — Duas pessoas se unindo que precisa um do outro
durante um curto período de tempo. Pode ser uma relação explosiva, pelo que eu li.
Explosivo. Isso podia certamente se aplicar à fome por Saffron que o
consumiu ontem à noite. E até agora.
— Estas relações nunca duram muito, — Hayden continuou.
— Elas terminam mal?
Hayden encolheu os ombros. — Às vezes.
— Como você sabe disto?
— Livros, televisão, e, claro, a Internet.
— Como você sabe a diferença entre relacionamento casual e um muito mais
sério?
Hayden arranhou sua bochecha enquanto olhou ao redor e se debruçou mais
perto. — Isla tem uma coisa sobre ler livros de romance. Eu escolhi um para ver sobre
o que era. É espantoso o que você pode aprender sobre mulheres naqueles livros.
Esses livros falam sobre relacionamentos sérios. Você deveria emprestar um algum
dia.

236
— Sim. — Camdyn limpou sua garganta, ainda não totalmente convencido
que Hayden estava falando a verdade. Era difícil não acreditar nele, entretanto.
Hayden viveu por quatro séculos enquanto Camdyn tinha-os saltado. Tanto
mudou durante aquele tempo, muito mais do que só como as mulheres se vestiam.
— Talvez você esteja certo.
— Claro que eu estou, — Hayden disse, e bateu no ombro dele quando se
virou e foi embora.
Camdyn viu Hayden partir, considerando cuidadosamente tudo que ele disse.
De repente Hayden parou logo antes de saltar até a muralha e disse, — Pelo
menos você não sentiu sua magia diferente das outras Druidesas. Porque então você
realmente estaria em apuros, meu amigo.
Camdyn podia apenas olhar fixamente para o lugar que Hayden tinha estado
com a boca aberta. Ele deu dois passos largos e saltou para a muralha, aterrissando
próximo de Hayden.
— Pare, — ele disse. — Diga-me o que você quis dizer.
O sorriso de Hayden lentamente desapareceu. — Como um Guerreiro você
sente a magia Druida, sim?
— Sim.
— Elas todos parecem as mesmas, sim?
Novamente Camdyn disse, — Sim.
— Eu soube que Isla era diferente no momento que senti sua magia. Era
diferente de tudo que eu tinha experimentado antes. Eu sei onde ela em todos os
momentos porque sua magia tem uma sensação diferente das outras Druidesas.
O peito de Camdyn se contraiu, seu olhar foi para o chão enquanto o mundo
balançou precariamente em volta dele.
— Lucan, Quinn, Galen, Broc, Logan, e Ian todos dizem a mesma coisa sobre a
magia de suas esposas. Então você não tem nada com que se preocupar.
Camdyn lentamente ergueu seu olhar para Hayden.
— Ah, porra, — Hayden murmurou.

237
CAPÍTULO TRINTA E SEIS

Os ouvidos de Camdyn começaram a apitar como se sua mente se recusasse a


acreditar no que Hayden disse a ele. Depois de tudo que ele sofreu, O destino não
podia ter feito isto com ele novamente.
—... você verá.
Camdyn piscou e percebeu que Hayden estava conversando com ele. Ele não
tinha ideia do que Hayden disse, e no momento não importava. Ele ainda estava se
recuperando do que tinha sabido.
— Só porque eu sinto sua magia diferentemente não significa que ela deva ser
minha, certo?
Hayden esfregou sua mão na mandíbula. — Eu não posso responder isso com
certeza. Não sei se alguém pode.
Camdyn se virou quando viu Quinn emergir do castelo e andar em direção a
eles.
— O que está acontecendo? — Quinn perguntou.
Hayden olhou para Camdyn antes de dizer, — Um bocado de problema.
— Não é nada para você se preocupar, — Camdyn disse antes de Quinn poder
questioná-lo. — Eu lidarei com isto.
— Você não tem que lidar com nada sozinho, — Quinn disse.
Mas Camdyn estava acostumado a estar sozinho, acostumado a fazer as
coisas sozinho. Até no castelo, ele mantinha-se afastado. Era um fato que ninguém
questionara antes.
Camdyn aprendeu muito novo após ser movido de família à família que se
quisesse qualquer coisa, ele tinha que confiar só em si mesmo. Isso se tornou ainda
mais claro quando Deirdre libertou seu deus.
— Quinn está certo, sabe, — Hayden disse.
O olhar verde de Quinn era firme. — Nós ajudaremos você através do que
quer que seja.
Camdyn soltou uma gargalhada. — A única coisa que pode me ajudar agora é
distância, e não vou estar conseguindo isto em breve.
— Isso tem a ver com Saffron, não é? — Quinn perguntou.

238
— Ele sente sua magia, — Hayden disse para Quinn.
Quinn soltou um longo, assobio baixo.
Camdyn correu a mão pelo cabelo e suspirou alto. — Eu estava feliz comigo
mesmo. Feliz até. Eu não pedi isto.
— Fugir não vai ajudar. Você não pode fugir disto, — Hayden disse.
Quinn inalou uma profunda respiração. — Você não tem que estar sozinho
neste mundo. Por que não toma o que está diante de você?
— Eu tomei, — Camdyn disse com uma maldição. — Eu tomei Saffron mesmo
sabendo que eu nunca poderia ser nada mais para ela.
A sobrancelha de Quinn enrugou. — Por que isto?
— Eu nunca darei meu coração para outra mulher. Eu já fiz isto uma vez. E eu
certamente não darei para uma mulher mortal para depois vê-la envelhecer e morrer
novamente. — Camdyn descobriu seus lábios e soltou o grunhido que subiu de dentro
dele. — Nunca mais.
O olhar de Hayden seguiu Camdyn enquanto ele se afastava e saltou de volta
para o topo das ameias. Hayden girou para Quinn e disse, — Isto não vai dar certo.
— Pelo bem de Saffron, eu espero que dê.
— Não vai, — Ian disse quando saiu das sombras dos estábulos.
Quinn empurrou o queixo para Ian. — Você ouviu?
— Sim. E eu tentei advertir Camdyn para ficar longe dela na última noite, —
Ian disse. — Dani diz que Saffron está vulnerável agora.
Hayden grunhiu e cruzou os braços no peito. — Ela certamente está, mas não
há como negar que há algo que está puxando os dois juntos.
— Eles fariam um bom par, — Quinn disse.
Ian limpou a neve do ombro. — Se Camdyn permitir. Ele está fechado sobre si,
e não só para Saffron.
— Ele sempre foi um solitário, — Hayden disse. — Eu somente o conheci por
causa de Galen. Mas eu nunca encontrei Camdyn antes dele chegar aqui.
Quinn disse, — Eu também perdi uma esposa antes de Marcail entrar em
minha vida. Talvez eu possa ajudá-lo.
— Camdyn é teimoso. A única que será capaz de fazê-lo mudar de ideia e abrir
seu coração é Saffron, — Ian disse.
Hayden assentiu enquanto pensava nas palavras de Ian. — Ela certamente é

239
forte o suficiente. Precisamos ficar de olho nesses dois.
— Especialmente depois que Laria disse que Deirdre irá atacar Saffron, —
Quinn declarou.
Os três olharam um para o outro, seus rostos sombrios.

***

Saffron terminou seu telefonema com o banco e esticou os braços acima da


cabeça antes dela cair na cama. As horas estavam rastejando enquanto todo mundo
esperava ansiosamente Deirdre atacar.
Ela limpou, assistiu um filme, escutou música, e olhou para fora pelas janelas
da torre. E ainda era só início da noite.
Os homens estavam guardando o castelo e mantendo guarda em torno da
área. Com o cair da noite Broc deveria subir para os céus e observar por qualquer um
se aproximando.
O humor no castelo tinha se transformado de tenso para conturbado quando
a única coisa que Sonya soube pelas árvores era que Deirdre e Declan se encontraram
no Anel de Brodgar. Então eles reiteraram o que o vento já havia dito à Gwynn, que
problema estava chegando.
Saffron rolou os olhos. Como se eles precisassem ser advertidos disto. Era um
fato.
No entanto, desde o momento que Sonya disse-lhes sobre Declan e Deirdre se
encontrando, o estômago de Saffron tinha estado em nós. Declan usou considerável
magia para puxar Deirdre para seu tempo. Ele nunca lhe dissera o porquê, mas ela
ouviu a alegria em sua voz quando ele teve sucesso.
Declan não desistia das coisas que ele queria. Ele apenas os perseguia mais
arduamente. Se Declan queria Deirdre para algo, então ela suspeitava que ele faria
algum tipo de aliança com ela.
Ela disse aos outros isto, e por várias horas eles discutiram o que Declan e
Deirdre poderiam fazer juntos. A mente de Saffron ficou entorpecida com todas as
coisas que ela apresentou. Adicionado a isso estavam as histórias que os Guerreiros
falaram de coisas que Deirdre fez.
E isso apenas fez Saffron enjoada.
Ela foi salva quando o telefonema que fez mais cedo para Arthur tinha sido
retornado. Ela não era de muita ajuda para todo mundo no castelo desde que suas

240
visões vinham por conta própria, mas havia uma coisa que ela tinha que eles poderiam
usar. Dinheiro.
Saffron transferiu um milhão de dólares para uma conta no Banco da Escócia
que foi criada para que os MacLeods pudessem acessar a qualquer hora.
Ela tinha comprado lote completo de móveis que Lucan projetou e construiu.
A casa que ela planejava pôr isto, não tinha decidido ainda.
A ideia de ficar na Escócia atraia-a de muitas formas. Isto é, se ela
sobrevivesse à batalha. Mesmo que não encontrasse uma casa, a mobília seria
guardada, com a chave dada para os MacLeods na leitura de seu testamento.
Saffron arrumou a franja e sentou-se. Seu testamento tinha sido outra coisa
que ela cuidara nesse dia. Foi revisado e enviado durante a noite por UPS para chegar
a seu banco em Edimburgo, onde ela esperava convencer Fallon a saltá-la pela manhã.
Quanto mais rápido ela conseguisse os documentos assinados, mais rápido
seu testamento entraria em vigor.
Ela levantou da cama e olhou para o relógio. Estava na hora de ajudar com o
jantar. Ela nunca apreciou cozinhar, mas estar com as outras e podendo realmente
ajudar era algo que ela encontrou e gostou.
Mas uma vez a porta aberta o aroma delicioso que era inconfundivelmente de
pizza a alcançou.
Saffron apressou-se para os degraus e desceu para o grande salão para achar
caixas e caixas de pizza. Pizza de Nova Iorque. Havia um enorme balde cheio de gelo e
lotado com quase todas as marcas de cerveja disponíveis.
— Você está aí, — Cara disse. — Nós estávamos prestes a procurar por você.
— O que é tudo isso? — Ela perguntou.
Gwynn encolheu os ombros timidamente. — Eu queria pizza.
— E eu não queria cozinhar nada, — Isla disse.
Sonya riu. — Então eu sugeri que Fallon usasse seu poder e nos trouxesse
alguma autêntica pizza de Nova Iorque.
— Ele não ficou exatamente feliz com quantas pizzas nós pedimos, —
Reaghan disse.
Larena pegou um pepperoni de uma fatia e jogou-o em sua boca. — Foi tudo
barulho. Confie em mim, ele queria isto.
— Sim, ele queria, — Marcail disse com uma risada.
Dani abriu outra tampa e inalou o aroma. — Eu estou morrendo de fome.

241
— Comam, — Fallon disse quando entrou no castelo vindo da muralha. — Os
homens comerão em turnos já que estamos mantendo guarda então não esperem por
nós.
As mulheres prontamente ignoraram Fallon. Só quando Galen, Quinn, e Ian
entraram Reaghan, Marcail, e Dani pegaram sua comida. Saffron assistiu os pares à
medida que eles interagiam. A facilidade com que eles se tocaram, os sorrisos secretos
que compartilharam, as palavras suaves sussurradas só entre eles.
Isso a fez perceber o quanto ela queria um relacionamento como o deles.
Durante muito tempo ela não acreditou que pudesse existir tal coisa exceto em livros e
cinema.
No entanto, os casais no Castelo MacLeod mudaram sua opinião muito antes
de recuperar a visão volta. Ela poderia não ter visto a intimidade compartilhada antes,
mas ela ouviu em suas vozes quando eles falavam um com o outro.
Talvez fosse esse anseio que a atraiu para Camdyn. Ele não a queria, ou ela
não achava que ele queria. Até a noite anterior. O que mudou? E ela realmente queria
saber por que ele veio para ela?
Ela não tinha conseguido falar com Camdyn porque ele estava em guarda,
mas mesmo que tivesse, não saberia o que dizer. Seus relacionamentos passados
foram todos fracassos completos. Ou por causa dos homens, ou porque ela não estava
disposta a dar-se completamente a eles. Porque ela não confiava neles.
Mas ela confiava em Camdyn. Disso ela tinha certeza. Isso seria suficiente
para permitir-se abrir-se para ele, ver se havia mais entre eles do que sexo incrível?
Saffron mordeu o lábio e pegou uma cerveja e uma fatia de pizza de
pepperoni e linguiça. Ela não tinha ninguém por quem esperar. Oh, ela podia esperar
por Camdyn, mas eles não tinham falado sobre o futuro. E ela tinha a sensação que ele
não estava interessado em um futuro com ela.
O aqui e agora era o que importava para ele.
E talvez devesse ser para ela também. Quem sabia o que o amanhã traria, ou
quando Deirdre atacaria. A única coisa que Saffron estava certa era que quando a
batalha entre Laria e Deirdre acontecesse, todo inferno se libertaria.
Com Declan agora aliado com Deirdre, não havia nenhuma dúvida na mente
de Saffron que Declan viria por ela.
Não havia nenhum jeito dela voltar para sua prisão, de modo algum permitiria
que ele ficasse perto o suficiente para pôr outro de seus feitiços nela.
Mas Declan não desistiria. Ele viria por ela novamente. Saffron lutaria
novamente. Só um deles ganharia, e ela sabia que não seria ela.

242
Ela afundou sobre um dos bancos em torno da mesa e mordeu a pizza. Tinha
passado quatro anos desde que ela saboreou pizza de Nova Iorque. Ela teve uma
escala em Nova Iorque antes de seu vôo para Londres e ela teve certeza de comer uma
fatia.
Isto trouxe de volta memórias da garota que ela tinha sido então. Uma
menina cheia de sonhos ingênuos, despreocupada se viajasse só ou não. Uma menina
que pensava que o pior que podia acontecer para ela era ser roubada.
Uma garota que não poderia escapar de seu destino.
Ela sempre se considerou uma pessoa forte, mas ela realmente não teve que
alcançar essa força até que esteve na prisão de Declan.
Como ela sobreviveu a isto, ela nunca saberia. Mas ela tinha, e isso a fez olhar
para vida diferentemente.
Fê-la olhar para sua vida diferentemente.
Ela não queria mais ficar sozinha. Ela queria alguém ao lado dela, alguém que
faria seus joelhos fracos quando olhasse para ela. Alguém que podia fazê-la esquecer
seu próprio nome quando a beijasse.
Alguém que fizesse amor com ela como se ela fosse a única mulher para ele.
Alguém como Camdyn.

243
CAPÍTULO TRINTA E SETE

Camdyn conseguiu ficar fora do castelo e longe de Saffron até a meia-noite.


Isto foi quando seu turno de guarda terminou. Ele quis ficar, mas Fallon foi inflexível
sobre cada um deles ter seu descanso.
Camdyn caminhou para grande salão e olhou às poucas caixas de pizza ainda
na mesa. Ele nunca comeu pizza, e embora ele quisesse experimentar, seus
pensamentos estavam em outra coisa.
Outra pessoa, realmente.
Saffron.
Tudo que ele tinha que fazer era fechar os olhos e podia identificar
exatamente onde ela estava no castelo só pela sensação da magia dela. Sua magia que
afetava apenas ele. Magia que fazia querer enterrar-se bem fundo dentro ela.
Ele sempre teve controle sobre si mesmo e seu deus, mas esse controle
estava rapidamente se desfiando quando ele lembrou a sensação da pele sedosa de
Saffron sob suas palmas e sua bainha quente e molhada pulsando ao redor de seu pau
enquanto ela gozava.
Não importa quantas vezes ele dissesse a si mesmo que tinha que ficar longe,
ele não podia.
Camdyn virou para os degraus, levando três de cada vez enquanto subiu para
o topo e parou. Ela estava andando pelos corredores. Só. Sua magia chamando por ele,
sussurrando para ele.
Acenando para ele.
Ele gemeu, seu corpo imediatamente reagindo. Camdyn debruçou-se contra a
parede e deixou suas garras alongarem de seus dedos e cravar nas pedras.
O desejo, a ânsia. A atração.
Era demais.
Sculel exigiu que ele fizesse Saffron dele, insistiu que Saffron sucumbisse à
paixão. E por uma vez Camdyn estava em completo acordo com seu deus.
Camdyn endireitou-se quando sentiu que se aproximava dele. Seu olhar se
moveu para o próximo conjunto de escadas que levavam ao nível acima dele. Tão
silencioso quanto as sombras, Camdyn caminhou para os degraus e esperou.
Saffron odiava quando não conseguia dormir e decidiu que uma caminhada
pelo castelo poderia ajudar. Ela estava retornando a seu quarto quando ela foi

244
subitamente arrancada da escada e contra um peito que ela conhecia muito bem.
— Camdyn, — ela sussurrou antes dele apertá-la contra a parede e a beijá-la.
Ele varreu a língua em sua boca e a reivindicou com um beijo repleto de fogo.
E fome. Só um toque dele e seu corpo inflamou, pronto e esperando por ele.
Ela se agarrou a ele, devolvendo seu beijo com toda a necessidade dentro
dela. Ele inclinou a cabeça e aprofundou o beijo, um gemido baixo rosnando do peito.
O chinelo de Saffron caiu de seu pé quando a mão dele deslizou atrás de seu
joelho e puxou a perna na cintura dele. Ela ansiosamente seguiu sua direção.
Querendo, precisando dele com uma intensidade que a abalou seu núcleo.
Ela nunca sentira nada remotamente perto disto com ninguém, e isso a
assustava. Mas nem mesmo essa sugestão de pressentimento poderia fazê-la deixar
seus braços.
— Eu preciso de você, — ele sussurrou entre beijos.
— Me tome. Sou sua.
Como se estivesse esperando por sua aprovação, ele a levantou em seus
braços e andou em direção a seu quarto.
— Meus chinelos, — ela silvou quando o segundo caiu no chão.
— Deixe-os. Eu os pegarei mais tarde.
Ele abriu a porta, e com o ombro, fechou-a atrás deles. Saffron em seguida
encontrou-se de pé. Os olhos escuros de Camdyn estavam cheios com uma potência
que a mantinha encantada. Ele ergueu uma mão e suas garras se alongaram das
pontas dos dedos.
Saffron respirou estremecendo enquanto sua excitação crescia. Ela lambeu os
lábios quando ele colocou uma de suas garras afiadas como navalha em seu peito nu
acima do decote de sua blusa.
— Tem medo de mim?
Sua voz, toda sombria e rouca, enviou um arrepio correndo sobre ela, através
ela. — Não, — ela respondeu sem vacilar.
Com o menor dos movimentos ele dividiu sua blusa ao meio. Saffron olhou
abaixo em seu peito, e como ela esperava, ele não tocou sua pele.
Ela mal notou que suas garras se foram quando suas mãos suavemente,
sedutoramente empurrou a blusa de seus ombros, que caiu de seus braços e tremulou
para o chão.
— Adorável, — ele murmurou, caindo de joelhos à frente dela.

245
Saffron fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás quando ele segurou seus
seios e beijou o interior de cada um. Os dedos dela deslizaram nas brilhantes mechas
pretas dele.
Seus seios incharam, ávidos por seu toque. Sua língua quente e molhada
passou por um mamilo antes dele suga-lo profundamente dentro de sua boca.
Ela gritou e agarrou sua cabeça mais forte. As mãos dele vagaram acima de
suas costas e nádegas, tocando-a e acariciando-a. Ele deu um beliscão leve em seu
mamilo inchado e seus joelhos curvaram pela pontada de prazer.
Seus braços apertaram ao redor dela, sustentando-a enquanto ele movia a
boca para seu outro seio. Onde ele repetiu sua provocação até que as pernas dela não
podiam mais sustentá-la.
Em um instante ele se levantou, erguendo-a de forma que suas pernas
embrulharam ao redor da cintura dele. Ele os virou para que as costas dela estivessem
para a parede. Ela sussurrou seu nome enquanto ele roçava sua vara grossa contra sua
carne dolorida.
Ele beijou abaixo por seu pescoço, deixando uma trilha de calor em seu rastro.
Ele parou quando alcançou sua orelha onde chupou o lóbulo em sua boca e deu-lhe
um rápido beliscão.
Saffron ouviu um rasgo e então sentiu ar fresco na parte inferior do corpo. Ela
sorriu quando o viu lançar de lado a parte de baixo de seu pijama.
O sorriso desapareceu quando ela percebeu que estava nua, mas Camdyn
não. Ela agarrou a camiseta dele, levantando-a à medida que eles se beijavam. De
alguma forma ela conseguiu enrolá-la nos braços dele quando tentou tirá-la sem soltá-
la.
Ela deu uma risadinha, e um momento depois o riso profundo dele juntou-se
ao dela antes dele arrancar a camisa e descartá-la. Seus olhos encontraram-se,
colidiram, e o riso morreu quando a paixão chamejou mais uma vez.
Abaixando as mãos, ela desesperadamente trabalhou para desabotoar sua
calça jeans e passá-los por seus quadris enquanto ele chutava-as fora de suas pernas.
E então eles estavam carne contra carne.
O mundo de Camdyn estreitou para incluir somente ele e Saffron. Nada mais
existia. Nada mais importava.
A forma como seu corpo respondia tão rápido e acaloradamente a seu toque
deixou-o doendo por mais. Não importava quanto a tocava, não importava quantas
vezes ele a beijava, nunca era o suficiente.
246
E Deus o ajudasse, mas ele temia que uma eternidade nunca seria o
suficiente.
Ele a levantou pelos quadris de forma que ela pairou acima de seu pau. Suas
pálpebras se ergueram e seu olhar dourado encontrou o dele. Lentamente ele a
abaixou até que a cabeça dura de seu pau tocou sua entrada.
Ela respirou fundo, seu pulso batendo rapidamente na base de sua garganta.
Seus mamilos estavam duros contra o peito dele e sua umidade cobriu sua vara.
Ele segurou seu olhar enquanto a abaixou em sua ereção até que estivesse
enterrado. Os lábios dela estavam separados e seus olhos dilatados com paixão.
E então ele inclinou seus quadris de forma que fosse muito mais fundo.
Ela gritou quando suas unhas afundaram nos ombros dele. Mas ele não
terminado com ela ainda. Ele retirou-se dela só para empurrar com força. Uma vez.
Duas vezes.
Quando ela tentou balançar contra ele, ele segurou-a quieta e sorriu.
— Por favor, — ela sussurrou, e beijou através de sua mandíbula.
Camdyn virou e andou para a cadeira.
Saffron ofegou, seu corpo inteiro se esticou, como ela sentia seu pau mover
cada vez que ele dava um passo. O modo que ele esfregava contra seus clitóris e
acariciava seu sexo deixam-na pronta para gozar antes dele alcançar a cadeira.
— Ainda não, — ele disse com uma risada.
Ela moveu seus quadris, buscando mais da maravilhosa sensação dele. Mas,
mais uma vez, suas grandes e calejadas mãos seguraram-na firme.
Ele os abaixou na cadeira e as pernas dela apoiaram dos lados, com seus
dedões roçando as pedras frias. As mãos dele moveram de seus quadris até seus
peitos.
— Tão linda, — ele sussurrou enquanto acariciava seus mamilos.
Saffron arqueou suas costas para ele a ele enquanto o prazer a atravessava
dela e se apertava em uma pulsação em seu sexo. Ela balançou seus quadris para
frente.
Seu gemido de resposta era tudo que ela precisou ouvir. Ela sensualmente
balançou seus quadris para frente e para atrás, tomando-o mais fundo. A sensação
dele tão quente e duro dentro dela só aumentou sua excitação.
Ela ofegou então gemeu quando ele começou a erguer os quadris. Cada

247
deslizamento e mergulho em resposta de seu pau dentro dela deixou seu desejo mais
e mais apertado.
— Ainda não, — ele sussurrou.
Saffron tentou segurar a maré de prazer, mas era tão forte. Ela balançou mais
rápido enquanto seu desejo crescia.
Camdyn estava perdido. À deriva.
Ele não desviava do olhar de Saffron. Ela o prendia cativo, escravizado.
Encantado.
Todo instinto que ele tinha dizia-lhe que corresse para longe dela. Mas seu
corpo não obedeceria. Seu corpo a queria, precisava tê-la.
Ele segurou seus quadris, incitando-a mais rápido enquanto ela o cavalgava.
Suor brilhava na pele deles, suas respirações pesadas e irregulares.
Seu olhar caiu para os seios dela que saltavam sedutoramente. Ele curvou-se
e capturou um mamilo na boca e sugou. Ela gemeu e o montou mais duro.
Camdyn alcançou entre eles e achou o pequeno, inchado nó. Seus dedos
circularam seus clitóris em compasso com seus quadris.
O corpo dela empurrou enquanto seu clímax a golpeou. Camdyn agarrou seus
quadris e empurrou bem no fundo dela com movimentos bruscos urgentes. A
sensação de seu corpo agarrando ao redor seu pênis o mandou acima da borda de seu
próprio orgasmo.
Ela caiu sobre seu peito, e ele embrulhou os braços ao redor dela, segurando-
a apertado enquanto derramava sua semente dentro dela, seu clímax continuando
cada vez que sua bainha apertava ao redor dele.
O poder de sua união misturado com a magia de Saffron cercando-os,
envolveu-os. Prendeu-os.
Ele não tentou conter a paz e serenidade que os cercou, não tentou negar o
prazer extraordinário que ele achou nos braços de Saffron.
Camdyn não queria olhar mais fundo no que acabou de acontecer. Ele não
podia. Não ainda. Talvez nunca.
Ele levantou, ainda segurando Saffron, e caminhou para a cama. Depois que a
abaixou sobre o colchão, brevemente pensou em partir, entretanto ela abriu os olhos
e sorriu satisfeita.
Camdyn levantou as cobertas e subiu ao lado dela. Ele suspirou quando ela se
aconchegou contra ele, a cabeça em seu peito. Sentia-se bem abraçando-a, e era por
isso que sabia que estava tão errado.

248
— Aquele era meu pijama favorito, — ela murmurou.
Ele riu e beijou o topo de sua cabeça. — Eu comprarei outro para você.
— Eu tenho mais. Você pode destruir aqueles também. Isso foi incrível.
Ele olhou fixamente para o teto e franziu. — Saffron...
— Shhh, — ela o interrompeu. — Nenhuma palavra. Não hoje à noite. Não
depois do que acabamos de experimentar. Elas podem esperar até amanhã.
Ele a apertou e cedeu a seu pedido. Era provavelmente melhor desse modo já
que realmente não tinha ideia do que ele iria dizer a ela.
Ele queria dizer a ela como maravilhosa, forte e linda ela era. E ele precisava
dizer a ela que o quer que fosse que havia entre eles tinha que terminar.
Mas como poderia quando ele não queria que acabasse?
Camdyn colocou seu outro braço acima dos olhos. Ele sabia que tinha que
afastar-se de Saffron. Ele sabia que a atração entre eles só poderia lhe trazer
problemas.
Ainda assim, ele não se afastou dela como ele tinha feito com incontáveis
mulheres ao longo dos anos.
O que quer que a fazia diferente daquelas outras sem rosto também a fazia
impossível de deixar. E não era só por ele que ele queria terminar. Ele se lembrava
muito bem como Allison sofreu como sua esposa. Esse não era o tipo de vida que
alguém tão vibrante quanto Saffron deveria levar.
Camdyn segurou-a mais apertado porque sabia que seria a última vez. Não
importa o que sonhasse quando dormisse, ele tinha que ir embora.

249
CAPÍTULO TRINTA E OITO

Phelan olhou para a mulher nua ao seu lado enquanto ela dormia. Ele sequer
sabia seu nome, mas, novamente ele não se importava em saber. Ele só queria aliviar
seu corpo. Isto é tudo para que as mulheres serviam de qualquer maneira.
Tinha sido Isla e Deirdre que mostraram a ele que mulheres — mais
especialmente Druidesas — não se podia confiar.
Ainda assim, ele não conseguia tirar a batalha no Anel de Brodgar de sua
mente. Tinha apenas olhado para a beleza loira que estava com os MacLeods para
saber que ela era a gêmea de Deirdre.
Ele tinha assistido a batalha começar e como aqueles do Castelo MacLeod
ajudaram a bela Druida contra Deirdre. E justo quando Phelan pensou que Deirdre
poderia ser derrotada, ela desapareceu.
Foi muito ruim. Ele esperou que todos as Druidesas se matassem umas às
outras. Porém, o pensamento que havia Druidesas se rebelando contra Deirdre o
intrigou.
Ele viu Isla, claro, e o Guerreiro gigante que a defendia constantemente.
Phelan não entendia os Guerreiros do Castelo MacLeod que prontamente e
de boa vontade protegiam as Druidesas. Eles não percebiam que seria melhor para
todos se as Druidesas fossem varridas da Terra?
Ele soltou um suspiro e puxou seu braço de baixo da moça a seu lado. Ela
rolou sobre o estômago, seu cabelo ruivo na altura do ombro contra os lençóis
brancos.
Phelan se sentou e esfregou uma mão pelo rosto. A batalha certamente tinha
estado em sua mente, mas tinha sido outro Guerreiro que viu que realmente aguçou
sua curiosidade.
Quem ele era? Ele não ajudara os MacLeods ou Deirdre e o Guerreiro marrom
ao lado dela.
Phelan pensava que ele fosse o único Guerreiro restante que não escolheu um
lado. Mas, novamente, havia quatrocentos anos que Deirdre não tinha sido vista ou
ouvida.
Ele não tinha se importado em descobrir sobre ela. O simples fato que ela o
deixara sozinho era suficiente. Agora, porém, Phelan estava começando a se perguntar
se ele deveria encontrar algumas respostas.
A cama rangeu quando ele levantou e puxou sua calça jeans e botas pretas de

250
motociclista. Demorou um momento para encontrar sua camiseta vermelha e a
jaqueta de couro preta.
Phelan correu as mãos pelo cabelo escuro que agora passavam dos ombros.
Ele provavelmente deveria cortá-lo novamente, mas gostava dele assim.
Agarrou seu capacete e silenciosamente saiu do quarto. Uma vez no corredor
da pequena pousada, Phelan deixou seu olhar vagar primeiro à esquerda então à
direita antes de ir para a escada.
O amanhecer estava a um par de horas quando ele colocou seu capacete e
prendeu-o. Ele montou sua Ducati e ligou-a.
Ele acelerou a moto antes de colocar o pé no concreto e acelerar para fazer
uma rápida meia-volta, os pneus gritando no chão molhado. Ele olhou a direção que o
outro Guerreiro tinha ido quando foi embora, e Phelan o tinha seguido por um tempo.
Embora Phelan não soubesse exatamente onde este outro Guerreiro vivia, ele
tinha a sensação que não demoraria muito para descobrir.

***

Saffron acordou lentamente, um sorriso nos lábios. Ela rolou para onde
Camdyn estava deitado apenas para encontrar os lençóis frios ao toque.
Seus olhos abriram e o sorriso desapareceu quando ela percebeu que ele se
fora. Ela sentou-se e olhou ao redor do quarto, esperando que ele tivesse acabado de
levantar da cama, mas o silêncio em torno dela lhe disse tudo que ela precisava saber.
— Talvez fosse seu turno de guarda novamente, —murmurou para si mesma
embora soubesse que era mentira.
Havia apenas uma razão para um homem deixar a cama da mulher antes dela
acordar. Era porque ele queria evitar qualquer tipo de conversa sobre o que eles
tinham feito.
Saffron apertou seus olhos fechados enquanto a dor a atravessava,
sufocando-a de forma que ela mal podia respirar.
— Maldito, Camdyn. Maldito seja.
Ela teria ficado bem se ele não viesse para ela ontem à noite. Ela não esperava
mais dele, não pensou que haveria mais.
Mas ele deu a ela esperança nas escuras horas da noite enquanto fez amor
com ela e então segurou-a contra ele.

251
Não demorou muito para raiva substituir sua dor. Ela livrou-se das cobertas e
levantou da cama. Abriu uma gaveta e puxou roupas antes de entrar no banheiro e
ligar a água.
Saffron entrou na água fumegante e começou a lavar o cheiro de Camdyn de
seu corpo, embora ela nunca seria capaz de tirá-lo facilmente de seu coração.
Uma lágrima caiu por sua bochecha, mas ela recusou-se a reconhecer isto. Ela
tinha sido apenas uma garota de dezoito na última vez que chorou por um cara. E ela
não faria isto agora.
Ela se lavou mais três vezes antes de pegar o xampu. Seus dedos esfregaram
contra o couro cabeludo. Ela inclinou a cabeça para trás no jato de água para enxaguar
o cabelo quando sua magia brotou dentro dela.
Saffron teve pouco tempo para apoiar na parede antes que a visão a tomasse.
A escuridão rodou ao redor dela antes de achar-se olhando para um céu brilhante.
Ela ouviu risos — de um homem e uma criança. No instante seguinte o rosto
de Camdyn encheu sua visão. Seu cabelo estava mais curto, e havia uma leve barba em
seu rosto. Ele riu novamente, os cantos de seus olhos escuros enrugaram.
E então ela viu o menino.
Ele tinha o mesmo cabelo preto de Camdyn com uma leve onda nele, os
mesmos olhos cor de chocolate. O coração de Saffron parou ao reconhecer que estava
olhando para Camdyn com seu filho.
A visão terminou abruptamente. Saffron se inclinou no chuveiro e envolveu os
braços ao redor do estômago. Ela piscou o sabão de seus olhos, não tentando impedir
que suas lágrimas fluíssem.
Nem uma vez em seus vinte e sete anos tinha tido uma visão que envolvesse a
si mesma. Nem uma vez. Não importava o que ela sentisse por Camdyn, sua visão
provou que eles não teriam um futuro juntos.
Camdyn seria feliz, entretanto. Ele encontraria paz e a liberdade para abrir seu
coração. Seu filho poderia muito bem ser a razão para isso.
Saffron endireitou-se, seu corpo ainda fraco da visão. Ela enxugou as lágrimas
e terminou de enxaguar os cabelos. Levou toda sua força para fechar a água e torcer o
cabelo antes de pegar a toalha.
Ela abriu a porta do chuveiro e saiu para o pequeno tapete. Quando ela
ergueu o olhar foi para achar-se olhando para seu reflexo no espelho.
Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto manchado. Ela sempre parecia
horrível quando chorava. Pelo menos a maquiagem consertaria isto.

252
Ela enxugou-se vigorosamente. Levou tempo extra, mas usou a chapinha para
alisar o cabelo. Ela ainda se maquiou. Ela tinha que fazer uma boa impressão no banco
afinal.
Saffron ignorou a calça jeans e suéter que pegou mais cedo e escolheu uma
saia lápis, preta, uma fina camisa creme confortável com decote baixo sobre os seios, e
o casaquinho de cashmere combinando. Mostrava suficiente para atrair atenção para
seus seios sem ser excessivo.
Ela então deslizou os pés nos saltos pretos de dez centímetros, adicionou um
relógio Cartier, o anel de platina que seu pai lhe deu em sua graduação que tinha
estado seguro no banco, e um colar Tiffany com brincos combinando.
Saffron deu-se um último olhar antes de vestir seu longo casaco preto e
agarrar sua bolsa. Ela respirou fundo e deixou o quarto. Seus saltos clicando
ruidosamente nas pedras enquanto ela subiu os degraus para a câmara máster onde o
Fallon e Larena residiam.
Com a cabeça erguida ela deu dois golpes rápidos na porta de Fallon.
— Só um momento, — veio a voz abafada de Fallon de dentro do quarto.
Alguns segundos depois, a porta abriu para mostrar o peito nu de Fallon e calça jeans.
Ele olhou acima de seu traje, e franziu. — Saffron. Está tudo bem?
Antes que pudesse responder Larena olhou por cima do ombro de Fallon e
levantou as sobrancelhas. — Uau! Você está deslumbrante.
— Eu preciso de um favor, — Saffron disse. — Eu não pediria se não fosse
importante. Especialmente sabendo que Deirdre pode atacar a qualquer momento.
A sobrancelha de Fallon enrugou à medida que ele assentiu. — O que é?
— Eu preciso de você me salte para Edimburgo novamente. Para o Banco da
Escócia. Eu preciso assinar alguns papéis.
— Papéis? — Ele repetiu.
Larena deu-lhe um leve soco no braço. — Ela disse que era importante, amor.
— Eu não perguntaria se não fosse vital, — Saffron adicionou. Quando ele não
respondeu ela sabia que tinha que dizer a ele. — Eu queria que isso fosse mantido em
segredo até mais tarde, mas se precisar, direi a você agora. Fallon, eu não estava
brincando quando disse que tinha muito dinheiro, dinheiro que meu pai me ensinou a
usar sabiamente. Eu criei uma conta no Banco da Escócia em Edimburgo com dinheiro
para todo mundo que mora no castelo.
Larena cobriu a boca com sua mão.
— Eu também fiz uma compra significativa de móveis de Lucan que eu preciso

253
Mover para o armazenamento uma vez que esteja completa.
Fallon esfregou os olhos com o polegar e indicador. — Nós não esperamos
nada disso de você.
— Eu sei. O que vocês todos fizeram para o mundo nestes séculos, não pode
ser reembolsado. Mas eu posso ajudar. Não sei se sobreviverei à batalha iminente,
mas caso não sobreviva, meu novo testamento, que eu também tenho que assinar,
declara que metade de minha fortuna irá para a conta que eu criei para vocês. A outra
metade irá para caridades que eu apoio.
— Saffron, — Larena sussurrou.
Saffron limpou sua garganta. — Por favor. Eu organizei isto de forma que o
banco me verá cedo, antes de abrir para os negócios. Voltaremos em menos de uma
hora. Nós nem mesmo seremos notados, estaremos fora por pouco tempo.
— Poderia ser perigoso, — Fallon disse.
Ela balançou a cabeça e disse, — eu organizei tudo isso ontem. Só meu
advogado que elaborou os documentos e o CEO do banco sabe o que está
acontecendo. É seguro.
— Leve-a, — Larena pediu a seu marido.
Fallon suspirou. — Será rápido?
— Todos os documentos estão em ordem, — ela disse. — Eu só preciso
assiná-los e então fazer você assinar assim pode acessar o dinheiro.
— Eu não gosto disto, — Fallon disse quando se debruçou contra a porta.
Larena beijou sua bochecha. — Será seguro, meu amor. Se isso te faz sentir
melhor, leve outro Guerreiro.
— Não há necessidade, — Saffron interrompeu antes de Fallon pudesse
responder. — Menos de uma hora. Por favor.
Depois de um momento Fallon deu um aceno rápido com a cabeça. — Dê-me
um momento para vestir algumas roupas.
Ele se afastou mas Larena permaneceu. Seu olhar procurou no rosto de
Saffron antes dela perguntar, — Tudo está bem?
— Eu só estou ansiosa sobre a batalha iminente. —Saffron falou a mentira
praticada.
Ela não gostava de mentir para seus amigos, mas não queria que soubessem o
que aconteceu entre ela e Camdyn. Era ruim o suficiente que todo mundo já soubesse
que tinham dormido juntos.

254
— Claro, — Larena respondeu.
Mas Saffron ouviu a dúvida em sua voz.
— Estou pronto, — disse Fallon ao aparecer ao lado de sua esposa. Ele deu
um beijo nos lábios Larena antes de sair de sua câmara e ficar ao lado de Saffron. — Eu
devia provavelmente dizer a Lucan e Quinn.
— Eu farei isto, — Larena ofereceu. — Apenas vá.
Fallon olhou para Saffron. — Pronta?
— Sim.
Ele colocou a mão em seu ombro e no instante seguinte ela estava parada do
lado de fora do banco. Poucas pessoas estavam andando nas ruas cobertas de neve
nesta hora, e ninguém notou a aparição súbita deles.
Fallon os trouxera para o lado do banco, e com a mão em seu cotovelo, eles
caminharam até as portas da frente. Um guarda armado observou-os por um
momento e imediatamente destrancou as portas.
— Bom dia, Senhorita Fletcher. Daniel disse que você estaria nos visitando, —
o guarda disse com um sorriso amável.
Ela devolveu seu sorriso e olhou no crachá em sua camisa. — Obrigada,
Angus. Daniel está esperando por mim em seu escritório?
— Não, Madame, — ele disse enquanto trancava a porta atrás deles. — Ele
sabia que você estaria com pressa assim trouxe tudo aqui para baixo. É a terceira porta
à sua direita.
Saffron começou a caminhar para onde Angus tinha apontado quando ela
olhou em Fallon e viu seu cenho franzido. — O que foi?
— Eu não sei. Pensei que me sentiria melhor sobre nós estarmos aqui
sozinhos, mas algo parece... errado.
— É um edifício enorme, e quando não há muitas pessoas poder se sentir
assim.
Ele grunhiu em resposta.
Saffron abriu a maçaneta quando eles alcançaram a terceira porta. Dentro
estava Daniel mas também outro homem que parecia vagamente familiar.
Ela não pensou nada sobre ele desde que tinha estado no banco várias vezes
antes de ser sequestrada. — Obrigada por me ver tão cedo, Daniel. Vamos começar?
Algo estalou e Fallon segurou seu estômago e curvou-se. Saffron olhou para
baixo para ver sangue escorrer pelos dedos dele.
Fallon ergueu seu olhar aturdido para ela. — Corra!
255
Saffron olhou para ver o homem que ela achava familiar segurando uma
arma, um sorriso sádico em seu rosto. Foi então que ela percebeu que ele era um dos
homens de Declan.
Ela deixou cair sua bolsa e girou para correr quando uma figura entrou em seu
caminho. A mulher tinha cabelos brancos que caiam até o chão e misteriosos olhos
brancos.
— Faz muito tempo desde que eu estive na presença de um Vidente, —
Deirdre disse.

256
CAPÍTULO TRINTA E NOVE

Camdyn levantou-se num impulso de sua cama assim que a sensação da


magia de Saffron desapareceu. Saltou fora da cama e estava fora de sua cabana um
segundo depois.
Ele libertou seu deus e correu como o vento para o castelo. Ele saltou acima
da parede do castelo em um salto. Assim que aterrissou na muralha, ele estava
correndo para a porta do castelo.
A porta abriu sob suas mãos e ele correu para grande salão para ver Larena
sentada com Lucan e Quinn à mesa.
— Onde ela está? — Camdyn exigiu.
Larena olhou de seus cunhados até Camdyn. — Quem?
— Ele está falando de Saffron, — Quinn disse enquanto levantava. — Você
poderia querer ouvir o que Larena está nos dizendo.
— Diga-me que ela está bem, — Camdyn persuadiu.
Larena assentiu. — Sim. Ela está bem.
Ele soltou um suspiro que não sabia que estava segurando e prolongou seus
passos para caminhar para a mesa. Ele não se sentou, entretanto. Ao invés, ele
permaneceu ao lado de Lucan.
Larena puxou a trança que estava pendurada em seu ombro. — Como eu
estava justo dizendo a Lucan e Quinn, Saffron veio na minha câmara esta manhã e
pediu a Fallon para levá-la a Edimburgo.
Camdyn cruzou os braços no peito assim ninguém podia ver como suas mãos
tremiam. Ela partiu. Saffron deixou o castelo sem uma palavra para ele.
Mas o que ele esperava? Ele saiu de sua cama no meio da noite.
— Por que? — Lucan perguntou. — Por que era tão importante para Saffron ir
para Edimburgo agora?
Larena apertou as mãos juntas na mesa. — Ela criou uma conta para nós
como também mudou seu testamento. Aqueles documentos tinham que ser
assinados.
— Ela não acha que sobreviverá à batalha? — Quinn perguntou.
— Esta é minha suposição, — Larena respondeu. — Saffron parecia...
angustiada. Como se algo tivesse acontecido. Ela agendou a assinatura no início da
manhã assim ninguém estaria lá. É seguro.

257
— Em nenhuma parte é seguro para ela já que Declan está vivo, — Camdyn
disse.
— Traga Broc, — Quinn disse a Lucan depois de um olhar no rosto de Camdyn.
— Nós vamos ter certeza que ela esteja bem. Isso acalmará Camdyn, e nos
tranquilizará.
Camdyn não podia mais ficar parado. Ele começou a andar, cada passo
fazendo sua preocupação crescer até que seu estômago estava em nós. Ele não sabia o
porquê, mas não podia afastar o pensamento que Saffron estava em apuros.
— Ela está com Fallon, — Larena disse. — Se algo estivesse errado, Fallon
saltaria eles de volta aqui imediatamente.
— Eu sei. — E Camdyn sabia disto, mas isso não impedia a inquietação.
Ele olhou para cima quando ouviu passos para ver Broc e Sonya descendo a
escada seguindo Lucan. Camdyn respirou fundo e apertou a mandíbula.
O olhar de Broc pousou nele. — Dê-me um momento. Eu acharei Saffron.
Antes que Broc pudesse começar Fallon apareceu no grande salão. Mas ele
não estava em pé. Ele estava deitado sobre as pedras com sangue cobrindo-o.
— Fallon! — Larena gritou, e correu para seu lado.
Camdyn estava atrás de Larena olhando para Fallon enquanto seus irmãos o
cercavam.
— O que aconteceu? — Quinn exigiu enquanto eles olhavam estupidamente
para o sangue.
Lucan de repente afastou-se. — Eu cheiro sangue drough.
— Merda, — Broc grunhiu enquanto se movia assim Sonya podia chegar a
Fallon.
Camdyn não podia fazer nada além de olhar. Fallon estava definhando rápido.
A magia de Sonya varreu pelo salão enquanto ela usava seu dom de cura.
— Eles... tem…— Fallon tentou.
O intestino de Camdyn apertou dolorosamente. — Declan tem Saffron, não é?
Fallon assentiu. — Desculpe.
— Deixe Sonya curar você, — Camdyn disse antes de girar e andar para a
porta.
Ele agarrou a maçaneta e começou a abri-la quando uma grande mão a
fechou. Camdyn girou a cabeça para encontrar Hayden em um lado dele e Ian no
outro.

258
— Você vai para ela agora e eles matarão você, — Hayden disse.
Camdyn rosnou e girou longe da porta. — Se eu não for para ela não tem
como dizer o que eles farão para ela!
— Não posso encontrá-la, — Broc disse, sua voz áspera e suor cobrindo seu
rosto. — Saffron está tão escondida quanto Deirdre e Declan.
Camdyn não tentou suprimir Sculel quando ele se libertou. Camdyn abraçou
seu deus e esmagou sua mão na parede de pedra. Seu punho mergulhou pela pedra,
quebrando osso e cortando sua pele.
Mas ele não sentiu a dor.
Tudo dentro dele estava rugindo sua recusa que Saffron tinha ido embora.
Que Declan a tinha.
— Nós temos que achá-la, — ele declarou quando puxou a mão das pedras.
Ian balançou a cabeça. — Não até Fallon estar curado.
— Você não sabe o que ele fez para ela! Eu sei. Ela me disse, Ian, e eu não vou
sentar aqui enquanto ele a tortura novamente!
Camdyn percebeu então o quão silencioso ficou o salão. Ele balançou a
cabeça e olhou ao redor para encontrar todos reunidos no salão e olhando para ele.
Todos exceto Sonya, Fallon, e Larena.
Ele observou o modo como Larena pairava sobre Fallon, segurando sua mão e
beijando sua bochecha enquanto Sonya o curava.
— Eu tenho que achar Saffron, — Camdyn disse novamente, mais
silenciosamente que antes.
Uma mão apertou seu ombro enquanto Ian assentiu. — Nós vamos.
— Mas você não vai fazer isto sozinho, — Hayden disse.
Arran assentiu. — Precisamente. Eu quero meu próprio tiro contra Declan por
machucar uma Druidesa, especialmente uma tão especial quanto Saffron.
— É melhor você me incluir nisto, — Ramsey disse.
Logan bufou. — Além disso, você devia saber que se algo afetar um de nós,
afeta todos.
— Nós faremos isto por Saffron. E por você, — Galen disse a ele.
Camdyn respirou fundo. Todos tinham expressado que ele era parte de sua
família, mas Camdyn não entendeu o que isso implicava até aquele momento.

259
Ele não se permitiu ser uma parte deles por causa de seu passado. O que ele
tinha perdido porque era tão teimoso?
Camdyn olhou para Fallon para encontrar as outras Druidesas se juntado a
Sonya para adicionar à sua magia. Até Laria juntou-se. Larena deu seu sangue para
despejar no ferimento de Fallon, muito como ele fez quando ela estava morrendo com
sangue drough. Foram vários momentos tensos depois antes de Fallon respirar fundo.
— O sangue drough está enfraquecendo, — Sonya disse quando se levantou.
Foi o sorriso de Larena quando ela olhou abaixo para Fallon que lhes disse que
ele iria ficar bem. Depois de um beijo que fez todos olharem para longe, Fallon ficou
em pé.
Ele imediatamente andou para Camdyn. — Eu soube que algo estava errado
no momento que chegamos lá. Eu devia tê-la trazido então.
— O que aconteceu? — Camdyn perguntou.
Fallon rasgou fora sua camisa encharcada de sangue e deu para Lucan
queimar. — Nada a princípio. Nós tivemos permissão para entrar no banco pelo guarda
que reconheceu Saffron. Não foi até que estávamos dentro do banco que algo pareceu
errado.
— Você não sentiu nenhuma magia? — Quinn perguntou.
Fallon lentamente balançou a cabeça, seus olhos cheios de remorso enquanto
olhava para Camdyn. — Eu devia ter sabido que eles mascarariam a si mesmos e sua
magia. Nós entramos na sala de conferência e um dos homens de Declan atirou com
uma bala X90. Eu disse para Saffron correr, mas antes que pudesse, Deirdre estava lá.
Camdyn tentou tragar através do caroço em sua garganta. — Como eles
souberam?
— Não importa como eles souberam. Deirdre fez o primeiro movimento, —
Laria disse.
O rosto de Arran ficou escuro de raiva. — Eu achei que a batalha seria aqui.
— Eu nunca disse onde a batalha seria, — Laria respondeu.
Camdyn cortou seu braço através do ar. — Não importa onde nós
combateremos Deirdre. Todos nós sabíamos que estaria vindo.
— Eu ter avisei para você manter Saffron segura, — Laria disse quando virou
seus olhos azuis para ele.
Fallon levantou as mãos. — Não foi culpa de Camdyn. Eu assumo a culpa por
Saffron ser sequestrada.

260
— Não, — Camdyn disse. — É minha culpa. Se eu não tivesse deixado Saffron
enquanto ela dormia, ela teria me levado com ela. Eu jurei a ela que a protegeria, e
não fiz isto.
Laria caminhou um pequeno círculo enquanto olhava para os Guerreiros que a
rodeavam. Camdyn estreitou seu olhar nela, perguntando-se o que ela fazia.
— Tudo não está perdido, — Laria disse.
Ao lado dele, uma das sobrancelhas de Ian levantou. — E como é isto?
— Deirdre sabe que nós iremos pela Vidente.
Camdyn deixou um rosnado rugir do fundo dentro dele. — Eles não vão deixá-
la ir facilmente.
— Não, — Laria disse suavemente. — Se eles a soltarem.
Ele recusou-se a reconhecer aquelas palavras.
— Mas se Deirdre for morta Declan seguramente não vai tentar segurar
Saffron, — Ramsey disse.
Camdyn apertou os olhos quando Laria baixou seu olhar para o chão. O fato
dela não responder era resposta suficiente.
Mas Camdyn não tinha intenção de desistir tão facilmente. Ele faria o que
precisasse para libertar Saffron, ainda que significasse sua própria vida.
Tinha medo de permitir-se sentir algo por Saffron porque ela envelheceria e
morreria como Allison. Ele nunca pensou que ela seria tomada por Declan novamente.
Camdyn ainda podia ouvir o terror e angústia em sua voz quando ela contou o
que Declan fez para ela. Saffron tinha sobrevivido, mas mal. Ela sobreviveria
novamente?
Ele recusou-se a pensar por essa linha.
Seu coração já estava pesado com o conhecimento que ela se fora,
possivelmente para sempre. Era suficiente para fazê-lo desejar que pudesse voltar no
tempo e ficar com ela em vez de fugir de sua câmara enquanto ela dormia.
Era suficiente que ele admitisse, se apenas para si mesmo, que Saffron
significava mais do que ele já pensou que uma mulher pudesse significar para ele.
Ele esfregou seu peito quando a dor, que começou quando ele soube que ela
saiu do castelo, aumentou. Empurrou contra ele, arranhando seu interior de forma
que ele sentia como se estivesse sangrando ao avesso.
Nada em sua muito longa vida já pareceu tão terrível, tão horroroso.

261
Tudo o que ele era, tudo o que ele tinha se tornado desde que encontrou
Saffron, começou a desaparecer. Era como se com a ausência de luz dela, que
começara a preencher sua vida, estivesse partindo.
Ele pensou que fosse um homem quebrado antes. Agora, ele sabia que se
quebraria em um milhão de pedaços se não pudesse ter Saffron de volta em seus
braços novamente.

262
CAPÍTULO QUARENTA

Saffron gemeu e tentou pôr a mão na cabeça, mas foi interrompida, o som de
correntes fez seus olhos abrirem de repente.
— Não, — ela sussurrou quando se achou na prisão de Declan mais uma vez.
— Não, não, não, não, não.
A risada profunda veio das sombras do lado de fora da porta de sua cela. E
com o som veio o terror. Seus pulmões travaram, seu coração batia.
E sua alma murchou.
— Você realmente pensou que poderia escapar de mim? — Declan perguntou
quando se moveu para luz.
Saffron tentou engolir, mas toda a umidade tinha saído de sua boca. Não
adiantava nem mesmo se incomodar em responder. Se ela lutasse contra ele, só o
provocaria. Se ela tentasse argumentar com ele, ele só retaliaria de outra maneira.
Silêncio era sua melhor opção.
— Robbie, eu acho que o gato comeu sua língua, — Declan disse.
Saffron começou a tremer quando Robbie apareceu próximo a Declan. Robbie
enrolou um punho e bateu em sua outra mão. Quantas vezes os punhos de Robbie a
atingiram? Quantas vezes seu riso tocou em seus ouvidos até que ela desmaiar?
Houve mais movimento e Deirdre surgiu. Ela caminhou para as barras e
enrolou seus dedos em torno do metal. — Eu tive um Vidente uma vez.
Saffron assistiu uma mecha do longo, cabelo branco de Deirdre erguer e
alcançá-la. Estendeu-se, alongando-se diante de seus olhos. Saffron virou o rosto e
pressionou-se tão perto da parede como podia. Mas ela estava presa.
Ela tinha ouvido o que Deirdre podia fazer com seu cabelo, mas quando a
tocou, a mecha meramente acariciou sua bochecha.
— Videntes são muito importantes, — Deirdre disse. — Especialmente para
nós. Junte-se a nós, Saffron, e eu livrarei você dessas correntes.
— Nunca, — Saffron disse com toda força que pode apesar do tremor em sua
voz.
Declan riu novamente. — Oh, mas Saffron, você deveria saber melhor que
tentar me combater. Lembra o que aconteceu com você da última vez? Embora eu
veja que sua visão voltou.
— Não graças a você, — Saffron disse entre dentes cerrados.

263
A porta da cela abriu-se com um ondular da mão de Declan e ele caminhou
para dentro. Seu sorriso mantinha um tom sádico quando ele se agachou na frente
dela. — Eu posso fazer isto fácil, ou eu posso fazer isto difícil. A escolha é sua, Saffron.
Ela nunca tinha estado mais assustada em sua vida, mas ela nunca odiou
ninguém tanto. As duas emoções guerrearam e misturaram dentro dela. — O que você
fez para Fallon?
— Não se preocupe com ele. Ele não está sentindo nada mais.
Lágrimas encheram os olhos de Saffron embora ela soubesse que era melhor
não mostrar qualquer tipo de emoção na frente de Declan. Ele usaria isto contra ela.
— Sangue Drough mata Guerreiros, — Deirdre disse com um sorriso. — Eu
nunca entendi por quê. Os deuses são maus, e magia negra é seu próprio tipo de
maldade.
— Você vai morrer, — Saffron disse quando ela olhou para Deirdre. —
Nenhuma quantia de magia negra vai impedir Laria de matar você de uma vez por
todas.
Saffron estava preparada para o bofetão de Declan, mas foi seu punho ao
invés. Seu lábio dividiu imediatamente e sua cabeça empurrou para trás, batendo
contra os tijolos atrás dela.
O gosto metálico de sangue encheu sua boca até que ela quase vomitou com
isto. Ela lentamente girou sua cabeça e olhou para Declan.
— Você encontrou um pouco de coragem, entendo, — ele murmurou.
Deirdre bufou quando seus cabelos se enrolaram na garganta de Saffron. —
Isso pode ser resolvido com suficiente facilidade.
— Eu pensei que você dois disseram que precisavam de um Vidente, — veio
uma voz profunda das sombras.
Saffron empurrou contra as correntes quando o cabelo do Deirdre apertou. O
sufocar parou e Saffron esforçou-se para ver quem falara, mas as sombras eram muito
profundas para ela mesmo distinguir o contorno de seu corpo.
— Infelizmente, ele está certo, — Declan disse, e bateu um dedo no cabelo de
Deirdre.
Imediatamente, as mechas brancas soltaram a garganta e retornaram para
Deirdre.
— Uma advertência então, — Deirdre disse.
Declan girou uma abotoadura com os dedos quando se levantou e sorriu. —

264
Sim, uma advertência. Como eu disse, Saffron, nós podemos fazer isto do modo fácil
ou do modo difícil. Você tem trinta minutos para decidir.
Ele partiu, a porta de ferro tinindo fechando atrás dele. Ela assistiu ele,
Deirdre, e Robbie irem embora, mas Saffron sabia que não estava só.
Quem estava nas sombras ainda estava lá. Assistindo. Esperando.
Ela fechou os olhos, sua mente indo imediatamente para Camdyn. Ela desejou
que ele estivesse com ela, mas mais que isso, ela desejou que ela escutasse a
advertência de Fallon e saísse do banco.
— Levará mais que uma bala de X90 para matar Fallon.
Os olhos de Saffron empurraram abertos. — Como você sabe?
— Eu sei, — foi sua resposta.
Saffron lambeu os lábios quando ela percebeu a quem a voz pertencia. —
Você é Malcolm, não é? Primo da Larena.
Silêncio saudou sua pergunta.
— Ela se preocupa com você, — Saffron continuou. — Eles todos se
preocupam.
— Eu disse para eles esquecerem.
Ela soltou um lento suspiro. Malcolm poderia estar do lado de Deirdre, mas
ele nem sempre tinha estado. Talvez ela pudesse conseguir que ele a ajudasse.
— Larena não esquecerá, e nem os outros. Você é família para eles.
De repente Malcolm avançou na pequena luz fora de sua cela. Seu cabelo
loiro era longo e pendurava solto sobre seus ombros largos. Seu rosto era bonito com
a mandíbula quadrada e nariz aquilino.
Mas seus olhos azuis, tão bonitos quanto eram, eram repletos com vazio. — É
muito tarde para mim.
— Nunca é muito tarde. Ajude-me a sair daqui.
Ele balançou a cabeça, uma grossa mecha de cabelo loiro caindo nos olhos. —
A magia de Deirdre e Declan é muito forte. Ninguém achará você nem você será capaz
de escapar novamente.
Uma lágrima que ela não podia conter rolou abaixo por sua bochecha. — Eu
lutarei contra eles. Eu não me submeterei.
— Então eles tomarão seu corpo e mente à força. Você é forte o suficiente
para resistir a eles?

265
Ela engoliu em seco, trêmula quando a compreensão de que ela estava bem e
verdadeiramente fodida afundou em sua mente. — Você pode cair fora, entretanto.
Você pode salvar a si mesmo.
Os olhos de Malcolm estreitaram enquanto sua cabeça inclinou para o lado.
— Por quê?
— Porque eu ouvi as histórias de Larena e Fallon e os outros. Eu sei que tipo
de homem você era antes…— Ela hesitou quando suas narinas chamejaram. — antes
do ataque Guerreiro que deixou seu braço incapaz de funcionar.
— Você não me viu, Druidesa. Você não viu as cicatrizes em meu rosto e
corpo. — Ele ergueu seu braço direito. — Eu posso usar este membro agora só por
causa de Deirdre.
— Você é tão vaidoso que acha que tem que ser perfeito para fazer as coisas
certas? Larena não desistiu de você, mas você desistiu de si mesmo há muito tempo.
— Eu faço isto para protegê-la, — Malcolm disse em uma voz baixa, perigosa.
Saffron parou, lembrou novamente o quão mortais Guerreiros podiam ser. — Deirdre
tem ainda que derrotar o MacLeods. Você faz aqueles que lutam contra ela um
desserviço por não acreditar que eles poderiam ganhar novamente.
— Desta vez eles não podem, — ele disse suavemente. — Eu farei qualquer
coisa para manter Larena segura.
— Como você acha que ela se sentirá se Fallon morrer? Agradecida que você
teve certeza que ela foi poupada? E sobre os outros? Nenhum deles importa?
Toda emoção fugiu de seu rosto quando ele virou lateralmente. — Você tem
pouco tempo restante para fazer sua decisão.
— Espere, — Saffron disse quando ele começou a sair. — Eu imploro um favor
de você. É um pequeno.
Um músculo empurrou em sua mandíbula, mas ele disse, — Você pode pedir
este favor, mas eu não concordo em levá-lo adiante.
— Você dirá a Camdyn que eu... eu o amo?
A cabeça de Malcolm virou lentamente e considerou-a silenciosamente por
vários momentos. — Eu não prometo nada.
Em vez de partir como ela esperava que fizesse, Malcolm permaneceu.
Quanto mais Saffron esperava por Deirdre e Declan retornar, mais seu medo crescia
até que ela tremeu com isto.
Ela fechou os olhos e tentou pensar sobre seu pai e como ele lidaria com a
situação, mas ela não consegui se concentrar o suficiente.

266
Finalmente ela respirou fundo e deixou que a magia a envolvesse. Foi quando
ela ouviu os tambores como se estivesse a uma grande distância.
Quanto mais ela puxou sua magia em torno dela, mais alto os tambores
ficavam. E então ela ouviu o cântico. Era forte e vibrante e acolhedor.
Saffron sabia o risco de entregar-se ao cântico, mas pelo menos lá talvez
Deirdre e Declan não pudessem prejudicá-la ou obrigá-la a fazer algo que ela não
queria.
Era um preço alto que teria que pagar, mas ela com prazer se isso significasse
que Declan não poderia usá-la, especialmente contra as pessoas que ela agora
considerava sua família.
E Camdyn.
Outra lágrima se juntou à primeira quando ela pensou nele. Deu-lhe um
pouco de alegria saber que ele um dia seria feliz. Ela queria que fosse com ela, mas ela
o amava o suficiente para deixá-lo ir.
O cântico estava ao seu redor, os tambores tão altos que reverberavam por
seu corpo. Eles queriam que ela cedesse. Para dar-se a eles.
Os anciãos estavam esperando.
E com um sorriso, Saffron foi até eles.

***

Malcolm observou a Druidesa cuidadosamente. Ele podia ter avisado Deirdre


que a magia da Druidesa estava crescendo, expandindo, de modo que encheu toda a
prisão abaixo da casa de Declan.
Mas ele não o fez.
Ele não pôde.
Seu simples pedido para dizer a Camdyn que ela o amava tinha quebrado a
parede que ele pensava que cercava o lugar onde seu coração costumava estar.
Então em vez de alertar Deirdre, Malcolm permitiu Saffron mergulhasse em
sua magia. O que aconteceria ele não tinha nenhuma ideia, mas assumiu que o que a
Druidesa estava fazendo só iria ajuda-la contra o mal que vinha em seu caminho.
— Está na hora! — Declan declarou enquanto abria a porta da escada e
descia.

267
Ao seu lado, como sempre, estava Robbie com uma arma e balas X90 cheias
de sangue drough treinadas em Malcolm. Deirdre caminhava próximo a Declan, seu
sorriso triunfante.
— Sim, Saffron. Vamos ouvir sua decisão, — Deirdre disse aproximando-se de
Malcolm.
Quando chegaram a cela Declan olhou para Saffron antes de sua cabeça
empurrar para Malcolm. — O que você fez com ela?
— Nada, — Malcolm respondeu.
Deirdre pôs uma mão no peito de Declan. — Malcolm sabe melhor do que ir
contra mim. Certo, Malcolm?
Malcolm permitiu seu deus ir para superfície. Sua boca encheu de presas, e
ele tiniu suas garras juntas. Os olhos de Declan alargaram uma fração, mas era
suficiente. E o que Malcolm estava procurando.
— Eu sou seu para comandar, mestra, — ele disse a Deirdre.
— Bom. Agora me diga o que aconteceu aqui? Por que ela não está
respondendo?
Malcolm girou seu olhar para Deirdre. — Ela tentou fazer com que eu a
soltasse; Quando não o fiz ela fechou os olhos. Achei que ela estivesse descansando.
— E sua magia? — Declan perguntou. — Você sentiu sua magia?
Malcolm lentamente balançou sua cabeça. — Não.

268
CAPÍTULO QUARENTA E UM

— Eu estou cansado de esperar, — Camdyn disse quando bateu a mão na


mesa.
Eles estavam sentados no grande salão tentando descobrir como encontrar
Declan e Deirdre. E Saffron.
Camdyn não podia aguentar mais. Ele tinha que agir. Ele tinha que fazer algo
para encontrá-la.
— Independente o que Declan esteja fazendo, é magia negra poderosa, —
Broc disse. — Ele é o único que já bloqueou o poder do meu deus.
Sonya enfiou um pequeno cacho vermelho atrás da orelha. — As árvores só
repetirão que o perigo está vindo. Nada mais. Elas estão assustadas.
Fallon se inclinou adiante na mesa e pegou o olhar de Camdyn. — Assim que
Deirdre ou Declan deixar-nos saber onde querem que a batalha aconteça, nós iremos.
Até então, eu não acho sábio alguém deixar a área.
— Não demorará agora, — Laria disse. — Minha irmã nunca foi conhecida por
sua paciência. Tenho certeza que ela já teria contactado o castelo se não fosse por
Declan.
Camdyn não podia ficar para ouvir outro round do que poderia acontecer.
Levantou-se e saiu do castelo. A explosão de ar frio encheu seus pulmões, mas ele deu
boas-vindas a isto.
Fê-lo sentir algo além da esmagadora impotência que o enchia. Ele nunca quis
gostar de alguém novamente, nunca quis ser posto na posição de perder alguém
novamente.
Mas de alguma forma Saffron tinha encontrado o caminho de sua alma sem
que ele soubesse disto. Ela estava bem e verdadeiramente em seu coração se ele a
queria lá ou não.
— Nós a acharemos, — Arran disse atrás dele.
Camdyn não ouviu a porta abrir. — Mas será a tempo?
— Vamos encontra-la, e a traremos de volta para você.
Camdyn olhou para Arran e seus olhos castanhos claro. — Obrigado.
Não esperou que Arran dissesse mais. Camdyn caminhou sem rumo em torno
da muralha recordando o riso de Saffron e o modo como seus olhos dourados
escureciam quando ela estava excitada. Ele lembrou da sensação de seu espesso,
sedoso cabelo enquanto deslizava por seus dedos, e a suavidade de sua pele.

269
Ele recordou o quão especial e maravilhoso se sentiu quando fizeram amor.
Camdyn parou ao lado da muralha do castelo e inclinou a testa contra ela. Ele
soltou o rugido que tinha segurada dentro de si e esmurrou a parede uma, duas, três
vezes.
— Saffron, — ele sussurrou.
Ele não conseguia respirar, não podia pensar além do desespero que o
dominava. Camdyn fechou os olhos e virou de forma que suas costas estivessem
contra as pedras.
Com o rosto erguido para o céu, sentiu o primeiro floco de neve contra sua
bochecha. Ele tocou sua bochecha, a garganta entupida com emoção, enquanto ele
recordou vê-la brincando com a neve.
Ele pôs as palmas das mãos contra os olhos e deslizou parede abaixo até que
estava sentando na neve.

***

Hayden olhou para a cabeça curvada de Camdyn das ameias e cruzou os


braços no peito. — Ele poderia não querer se apaixonar por Saffron, mas ele se
apaixonou.
— Sim, — Quinn respondeu. — Nós vamos ter que observá-lo. Ele pode fazer
algo imprudente para chegar até ela.
Os lábios de Hayden afinaram à medida que ele suspirou. — Não iríamos
todos nós se fossem nossas mulheres que Declan e Deirdre tivessem?
— Sim, — Lucan disse suavemente.
Ramsey apoiou suas mãos contra a pedra cinza. — Nunca enfrentamos dois
droughs antes. Seja lá o porquê que eles pegaram Saffron, você pode garantir que é
para ser usado contra nós de alguma maneira.
— Assim como Deirdre usou a irmã de Isla, — Logan disse.
Arran trocou de pé. — Deirdre está fazendo isto porque Laria tem a magia
para destruí-la. Precisamos confiar em Laria.
— Diga isso para Camdyn, — Ian disse.
Fallon balançou a cabeça, a raiva endurecendo suas feições. — Nós não
desapontamos ninguém nesta família antes. Não vou começa agora. Laria pediu muito
pouco de nós. Nós só precisamos manter as Druidesas seguras.
— Enquanto encontramos Saffron, — Hayden adicionou.
270
Fallon olhou para Camdyn. — E mantê-lo vivo. Eu me recuso perder outro
Guerreiro.

***

Phelan soube no momento que entrou na pequena aldeia próxima de Ferness


que tinha encontrado onde o outro Guerreiro vivia. Foi o modo que os homens
estavam parados ao redor da estrada que levava à aldeia e empoleirados sobre
edifícios que o alertou.
Entendeu que era um segredo de todo mundo. Não houve uma única pessoa
em quatro séculos em quem ele confiou o suficiente para mostrar-lhes o que era.
Mas de alguma forma este outro Guerreiro não apenas fez isto, como
também tinha uma cidade inteira atrás dele.
— Interessante, — Phelan murmurou enquanto levava sua Ducati para uma
parada ao lado de um CLS Mercedes macio e lustroso preto na frente de uma taverna
que parecia como se tivesse estado por ali por pelo menos sete séculos.
Phelan colocou abaixou o cavalete de sua moto e desligou-a. Ele removeu o
capacete e deixou seu olhar vagar acima dos edifícios ao redor dele.
A porta para a taverna abriu e um homem forte com um peito de enorme de
barril andou para fora, seu olhar em Phelan.
Phelan lançou sua perna acima da moto para desmontar e levantou uma
sobrancelha no homem.
— Chega Tom, — disse uma voz atrás de Phelan.
Phelan girou e viu o Guerreiro. Ele permaneceu parado enquanto o Guerreiro
se aproximava dele depois que Tom retornou à taverna. — Quem é você? — Phelan
perguntou.
O Guerreiro ergueu uma sobrancelha escura. — Poderia fazer a mesma
pergunta. Guerreiro.
— O nome é Phelan Stewart, — ele disse quando pendurou o capacete em um
dos guidões de sua motocicleta.
— Bem, Phelan, não se sinta confortável aqui. Eu não sei o que você quer,
mas você não vai ficar.
— Você não ajudou os MacLeods. Ou Deirdre. Por que não?
O Guerreiro suspirou. — Você é persistente.
— Me diga seu nome. Você sabe o meu.
271
— Charon Bruce.
— Parece, Charon, que você e eu temos algo em comum. Nenhum de nós está
do lado de Deirdre, e nenhum de nós parece propenso a ajudar os MacLeods.
— Há quanto tempo você é um Guerreiro?
Phelan encolheu os ombros e disse, — Cerca de quinhentos e sessenta anos.
Você?
— Seiscentos e vinte e dois. Quanto tempo Deirdre teve você?
As narinas de Phelan chamejaram e seus lábios aplainaram. — Isla me
enganou quando eu era apenas um menino de quatro. Fui mantido naquela maldita
montanha até que eu chegar aos vinte anos. Então Deirdre libertou meu deus.
— Isso significa… — a voz de Charon parou quando seu olhas baixou para o
chão. Quando olhou de volta para Phelan ele disse, — Venha comigo.
Phelan seguiu Charon na taverna e subiu um lance de escada para o que era
aparentemente o escritório particular de Charon. Belas obras de arte de Michelangelo
e da Vinci enfeitavam as paredes enquanto caros tapetes Persas cobriam o chão.
A escrivaninha de Charon era quase tão velha quanto ele, mas era bem
preservada.
— Sente-se, — Charon disse enquanto despejava whisky de uma garrafa de
cristal em dois copos. Ele deu um copo para Phelan e disse, — Eu acredito que nós dois
estávamos presos por Deirdre ao mesmo tempo. Estive lá por várias décadas. Não foi
até os MacLeods atacarem a montanha que eu fui libertado.
Phelan ergueu o copo aos lábios e tomou um gole. — Ah. Excelente, whisky
fino de um único malte. Deirdre me manteve bem abaixo do solo em uma câmara
onde eu era visitado apenas por ela e Isla.
— Quem te libertou?
— Isla. — Embora Phelan odiasse admitir isso. Ele detestava a Druidesa, mas
ela veio até ele e o libertou.
Ele pensou que ela tinha morrido pelo seu ferimento, mas imagine sua
surpresa quando ele a viu não muito tempo atrás.
— Isla está com os MacLeods agora. Se você sabe disto ou não, Deirdre usou a
irmã e sobrinha de Isla contra ela. Era o único modo que Deirdre poderia controlar Isla.

272
— Eu realmente não dou uma merda para Isla. Quero saber por que você não
ajuda os MacLeods.
Charon virou o líquido âmbar em seu copo. — Eu sei que a causa deles é justa.
Eu sei que o mundo seria um lugar muito melhor sem Deirdre, mas ela me forçou a
espionar Quinn quando o prendeu na montanha. Deirdre tem um modo de manipular
as pessoas para sua vantagem. Os MacLeods poderiam me dar boas-vindas, mas não é
uma chance que eu estou disposto a tomar. Qual é sua desculpa?
— Eu recuso a lutar ao lado de Druidesas. Na verdade, eu vim para ver se você
me ajudaria a matá-las.
— Matar quem?
— As Druidesas. Todas elas.
Charon pousou o copo e olhou para Phelan com novos olhos. — Quanto você
conhece da história dos Guerreiros?
— O que há para saber?
Como Charon pensara. — Nem todos Druidas ou Druidesas são maus, Phelan.
Esta terra, a nossa Escócia, foi construída sobre a magia. Sem os Druidas, essa magia
desaparecerá e deixará de existir.
— Então?
— Há muito tempo atrás os Romanos invadiram a Grã-Bretanha. Os celtas,
nossos ancestrais, lutaram contra eles por anos. Eles foram capazes de impedir que os
Romanos de aventurarem-se nas Highlands, mas os Romanos recusaram-se a partir.
— Os Druidas naqueles dias dividiam-se em duas facções. O mies mantiveram
o caminho dos Druidas originais e continuaram a curar, ensinar, e guiar os líderes dos
clãs. Os droughs, porém, viraram-se para a magia negra dando suas almas para o
Diabo.
— Os líderes do clã se voltaram para os Druidas em busca de ajuda, mas os
mies não tinham respostas de como derrotar os Romanos. O droughs tinham. Eles
chamaram deuses primitivos há muito aprisionados no Inferno. Estes deuses tomaram
por hospedeiros os guerreiros mais fortes de cada família.
Phelan abaixou os olhos para o copo em sua mão.
— Estes homens se tornaram os primeiros Guerreiros. Eles derrotaram os
Romanos e os fizeram recuar da Grã-Bretanha. Mas os deuses não estavam satisfeitos.
Eles queriam continuar matando. Precisou a combinação de magia mies e droughs
para prender os deuses dentro dos homens. Eles foram incapazes de forçar os deuses
de volta ao Inferno, e os deuses viajaram através da linhagem sanguínea, indo para o
guerreiro mais forte cada vez.

273
— Os feitiços não eram para terem sido escritos, mas eles foram. E Deirdre
achou o feitiço para libertar nossos deuses. Esse pergaminho listou um clã, os
MacLeods. Então, Deirdre começou lá. Quando ela achou Fallon, Lucan, e Quinn, ela
assassinou seu clã inteiro para tê-los para si mesma.
— Pare, — Phelan disse. — Eu não quero ouvir mais.
— Mas você deve. Você precisa conhecer sua história. Você precisa saber em
quem você pode confiar e quem não pode.
— Você pode confiar nos MacLeods?
Charon assentiu. — Os MacLeods conseguiram escapar de Deirdre. Eles
voltaram para seu castelo onde ficaram por trezentos anos. Então Lucan apaixonou-se
por uma mulher que não tinha ideia de que era uma Druidesa. Outros Guerreiros que
procuravam os MacLeods os encontraram. E os MacLeods abriram seu castelo para
qualquer Guerreiro disposto a lutar contra Deirdre. Como também qualquer Druida ou
Druidesa — mie ou drough — procurando por santuário.
Phelan tomou outro gole do whisky e contemplou o líquido por um momento
antes de perguntar, — existem realmente Druidas bons?
— Sim. Você os viu no Anel de Brodgar. Até Isla, que foi forçada a se tornar
drough por Deirdre, não é verdadeiramente uma drough. Ela tem o poder da magia
negra, mas a maldada não a controla.
— É por isso que ela me libertou?
— Eu acho que ela libertou você porque nunca quis levá-lo para lá para
começar. Isla teve muitas oportunidades para prejudicar-me enquanto eu estava em
Cairn Toul. Ainda assim, ela nunca o fez.
Phelan se inclinou adiante e colocou o copo na escrivaninha de Charon
cuidadosamente. — Se tudo o que você disse é verdade, e você acredita nisto tanto
que está tentando me convencer, eu pergunto-lhe novamente. Por que não ajuda os
MacLeods?

274
CAPÍTULO QUARENTA E DOIS

Uma guerra explodiu dentro de Malcolm. Suas garras estavam afundadas em


suas palmas enquanto lutava para se manter quieto e não matar aqueles que o
rodeavam.
Não que ele pudesse matá-los. Deirdre sobreviveu à morte uma vez, e Declan,
bem, Malcolm estava relativamente certo que o bastardo de alguma maneira
sobreviveria à morte também.
No entanto, Malcolm não conseguia tirar os olhos de Saffron. Deirdre e
Declan haviam se revezado tentando despertá-la de seu sono induzido pela magia.
Quando isso não funcionou, começaram a usar magia nela.
Não demorou muito para o cheiro de sangue enchesse o calabouço. Isso não
os satisfez, entretanto. E de alguma forma Saffron tinha dormido ao longo de tudo
isso.
— Robbie, amarre-a, — Declan chamou.
Malcolm rosnou enquanto Robbie enfiava sua arma para trás para descansar
contra suas costas. Robbie sorriu para ele e entrou na cela onde Saffron ainda estava
sentada. O sangue escorria do canto de sua boca e nariz, mas ela não movia um
músculo.
— Ajude-o, — Deirdre ordenou a Malcolm.
Ele queria recusar, queria dizer a Deirdre que fosse para o inferno onde ela
pertencia. Mas então, Malcolm pensou em Larena. Ele engoliu suas palavras e entrou
na cela onde Robbie tinha agarrado a parte superior do corpo de Saffron.
Malcolm mostrou os dentes, mostrando a Robbie suas presas, seguido de um
rosnado baixo e ameaçador, e Robbie deu um passo atrás tão rápido que Saffron caiu,
batendo a cabeça no piso de cimento.
Sem outro olhar para Robbie, Malcolm ergueu Saffron em seus braços. Tudo
que ele pensava enquanto levava para onde Declan e Deirdre aguardavam, era ela
pedindo para que ele dissesse a Camdyn que ela o amou.
Amor.
Malcolm certamente acreditava nisto. Ele viu isto com seus próprios olhos
entre Larena e Fallon, assim como os outros casais no castelo.
Embora nunca esperasse encontrar isso para ele mesmo.

275
De algum modo, contra todas as probabilidades, o silencioso e retirado
Camdyn encontrou-a. Malcolm não pôde deixar de pensar se Camdyn sabia onde
Saffron estava. Assim que pensou nisto, soube que Camdyn não sabia. Porque todo
Guerreiro no Castelo MacLeod teria voado na mansão de Declan para salvar Saffron.
Declan levantou uma sobrancelha. — O que você está esperando, Guerreiro?
Eu disse para amarrá-la.
A ira começou a queimar dentro de Malcolm, tornando difícil para ele manter
seu rosto impassível. Segurou Saffron com um braço ao redor da parte superior de seu
corpo enquanto soltava suas pernas. Malcolm agarrou a corda pendendo do teto e
colocou o laço ao redor das mãos de Saffron.
Assim que o fez, Saffron foi arrancada de seus braços quando Robbie puxou a
corda.
O sorriso de Robbie era pura maldade. — Alguma coisa errada, Guerreiro?
Ele e Declan tratavam Malcolm assim, como se Malcolm estivesse
envergonhado por ter um deus dentro dele com os poderes que ninguém poderia
compreender. Quando de fato, o oposto era verdade.
Malcolm caminhou para Robbie e raspou uma garra contra seu ombro até que
sangue fluiu e encharcou a camisa preta. — Um dia, muito em breve, você e eu vamos
ter uma séria divergência.
— Não tenho medo de você.
O sorriso de Malcolm foi lento enquanto puxava seus lábios. — Veremos
como você é corajoso sem a sua preciosa arma.
— Basta, — Declan gritou. — Malcolm, volte ao seu lugar.
Malcolm não se moveu. Ele recebia ordens apenas de uma pessoa, e então só
quando ele quisesse.
A risada de Deirdre encheu o calabouço. — Ah, Declan, você devia saber
melhor. Ninguém manda em Malcolm ou em meus wyrrans exceto eu.
— Então controle seu Guerreiro, — Declan rosnou.
Houve uma longa pausa antes de Deirdre dizer, — Malcolm, você fez seu
ponto. Deixe-nos continuar.
Com grande esforço Malcolm retornou a seu posto nas sombras. O corpo de
Saffron pendia por seus pulsos, balançando lentamente de um lado para outro.
Malcolm estava se perguntando o que eles iriam fazer com Saffron quando o
cabelo de Deirdre chicoteou acertando as costas de Saffron.

276
***

Camdyn entrou na câmara de Saffron e fechou a porta suavemente. Ele olhou


ao redor do quarto, imaginando-a quando ela se sentou na frente de sua penteadeira e
escovou o cabelo, ou como ela girou uma mecha de cabelo castanho claro ao redor do
dedo enquanto ela conversava no telefone celular.
Ele caminhou para a cama e se afundou sobre o colchão. As imagens das
vezes que eles fizeram amor brilharam em sua mente. Camdyn se debruçou adiante
para apoiar os cotovelos em seus joelhos e soltou a cabeça em suas mãos.
Ele havia deixou Saffron ontem à noite porque ele não tinha sido capaz de
enfrentar o que sabia desde o início. Que ela era especial. Não só porque ela era uma
Druidesa, mas especial para ele.
Ela era feita para ele. Ele sabia disso agora. Agora que era tarde demais.
Ele não queria amar uma mulher novamente, não queria pôr-se em uma
posição para ser ferido como tinha sido no passado. Mesmo que ele não estivesse
procurando por amor, ele o encontrou. E não havia escapatória.
Por mais que tentasse negá-lo, Saffron era uma parte dele. Ela estava em sua
alma, sua psique. E ele a queria lá.
— Se eu somente tivesse percebido isto mais cedo, — Camdyn murmurou.
Sua idiotice poderia muito bem ter custado a segunda mulher que ele já tinha
amado.
— Não! — Camdyn gritou e levantou-se. — Eu não vou desistir tão facilmente.
Caminhou até a porta e abriu-a com tanta força que bateu na parede atrás
dela. Camdyn deu-lhe pouca atenção enquanto caminhava para câmara de Broc.
Camdyn bateu na porta. Quando Broc não respondeu imediatamente,
Camdyn bateu novamente.
— Certo! — Broc gritou. — Eu estou indo.
A porta abriu-se e Camdyn disse, — Preciso de você procure Saffron
novamente.
Broc assentiu cansado. — Camdyn, eu tentei. Várias vezes. Não posso
encontrá-la, Deirdre, ou Declan.
— Tenho que achá-la.
— E eu posso ajudar, — disse uma voz à esquerda de Camdyn.

277
Ele e Broc viraram para encontrar Laria observando-os.
— Venha, — Laria disse, e andou para os degraus que levavam até o grande
salão.
— Ela é sua melhor chance, — Broc disse.
Camdyn deu um curto aceno com a cabeça e apressou-se a seguir Laria.
Esperança acendeu em seu peito. Era como um farol na mais escura das noites, e
Camdyn sabia muito bem como seria esmagador se essa esperança falhasse.
Mas ele não pensaria sobre isso agora. Concentrou-se em Saffron, no amor
crescendo em seu coração. Ele tinha que encontrá-la. Ele iria encontrá-la.
E ele a traria de volta ao castelo.

***

Saffron podia ver os cabelos de Deirdre chicoteando suas costas numa espécie
de experiência fora do corpo. Ela podia ver a raiva no rosto de Deirdre quando Saffron
não tinha nenhuma resposta. Ela podia ver a satisfação no rosto de Declan por seu
sangue escorrer por suas costas. Podia ver seu corpo nu pendurado por seus pulsos.
— Eles não vão parar, — os anciãos disseram, sua voz coletiva falando como
um. — Eles vão acabar matando você.
Saffron não estava pronta para morrer. Tinha pensado que estaria protegida
com os anciãos. Até agora os tambores e cântico a estavam chamando.
— Você é necessária para derrotar Deirdre.
Isso fez com que Saffron parasse. Ela pensou que precisava somente Laria que
ser acordada para acabar com Deirdre. O que mais ela não sabia?
— Não importa. Você deve despertar. Você não pode lutar contra Deirdre se
estiver morta.
Ainda assim Saffron hesitou. Ela sabia que não era forte o suficiente para
resistir ao que Declan e Deirdre planejaram para ela.
— Você é. Seu amor por Camdyn lhe dará essa força.
De repente a mente de Saffron estava cheia de imagens de Camdyn. Seu
coração doía pelo que poderia ter sido. — Ele não é meu.
— É seu amor por ele que lhe dará força.

278
Saffron esperou que os anciãos lhe dissessem que Camdyn era dela, que,
independente do que ela tinha visto em sua visão, eles ficariam juntos.
Ela devia ter sabido melhor.
Com mais um olhar para suas costas nuas onde Declan arrancara sua camisa,
Saffron viu o entrecruzamento de cortes e soube que iria estar com uma tremenda
dor.
Mas ela faria isto. Por Camdyn. Porque ela sabia como desesperadamente ele
e os outros Guerreiros queriam Deirdre morta.
Saffron só esperava que ela sobrevivesse para que pudesse achar um jeito de
matar Declan. Mesmo quando o pensamento atravessou sua mente ela soube que não
iria.
Declan nunca a deixaria ir. Nunca.
Saffron ouviu o cântico novamente e deixou a magia enchê-la. Quando a
magia estava quase explodindo de seu corpo, permitiu-se retirar-se da batida e do
cântico.
Ela manteve seus olhos fechados quando voltou a si. Ela apertou as mãos,
engolindo um grito enquanto a dor inundava seu corpo. Sentia suas costas em chamas,
e cada respiração que ela dava só fazia a agonia florescer.
Quando sentiu como se estivesse se afogando na dor, sua magia brotou e a
acalmou. Saffron concentrou-se em sua magia, pondo todo seu foco nela. Até que
pôde respirar normalmente mais uma vez.
Ela abriu os olhos para encontrar-se olhando fixamente para Malcolm. Os
olhos castanhos do Guerreiro brilharam por um segundo. Foi tão rápido que ela teria
perdido se não estivesse olhando para seu rosto inflexível.
— Eu perguntei-me quanto tempo você levaria para se juntar a nós, — Declan
disse enquanto acariciava um dedo abaixo de sua bochecha. — Eu estava esperando
que Deirdre não tivesse que cortar você em pedaços, mas eu estava disposto a deixá-la
tentar.
Saffron cortou seus olhos para Declan e cuspiu em seu rosto. — Faça o que
você tem que fazer. Me cegue, me mate. Tanto faz. Mas eu nunca ajudarei você.
— Deveria saber para nunca dizer nunca, — disse Deirdre, sua voz baixa e
cheia de riso.
Saffron ergueu o queixo. Ela nunca esteve com tanto medo em sua vida, mas
ela recusava-se a permitir que eles vissem ver isso. Eles usariam contra ela. E mesmo
que eles provavelmente fossem ganhar no final, ela pretendia lutar contra eles a cada
passo do caminho.

279
Ela só esperava que isso fosse suficiente. Sua magia não era tão forte, e ela
não tinha sido capaz de conter a magia de Declan. Não havia dúvida em sua mente que
ela perderia contra ambos, Declan e Deirdre.
Mas talvez ela pudesse segurá-los por tempo suficiente para Camdyn e os
outros chegarem lá. Se ao menos soubesse como quebrar seu feitiço de bloqueio por
um curto tempo. Talvez então Broc pudesse localizá-la.
— Ninguém achará você a menos que nós queiramos, — Deirdre disse
enquanto seu cabelo acariciava Saffron.
Declan se inclinou perto e olhou para seus seios nus. — Eu lhe disse que
sempre seria minha. Achou que eu estava brincando?
— Você pode ganhar dos MacLeods desta vez, mas no final, eles derrotarão
vocês dois. Nenhuma quantidade de feitiços, nenhuma quantidade de magia negra,
salvará vocês da morte, — Saffron disse.
Deirdre agarrou um punhado de seu cabelo e empurrou a cabeça de Saffron
atrás. — Eles matarão você conosco, porque você será uma de nós.
O pavor encheu o estômago de Saffron até pensar que vomitaria. A dor que
ela tinha impedido surgiu novamente. Ela fechou os olhos para lutar contra isso.
E então ela sentiu as magias de Declan e Deirdre circulando-a, engolindo-a.
Dominando-a.

280
CAPÍTULO QUARENTA E TRÊS

— Os anciãos têm Saffron, — A voz de Laria ecoou no grande salão.


Camdyn piscou e olhou em volta para ver se alguém entendia o que Laria
estava falando. — Explique-se.
Laria sorriu para ele. — Ela se retirou para o cântico, Camdyn. Foi sua defesa
contra Declan e Deirdre. Enquanto os anciãos querem protegê-la, Declan não vai
desistir. Em sua busca para dominar Saffron, ele acabará matando-a.
Camdyn se levantou com um rugido.
Foi Ramsey e Galen de ambos os lados que o seguraram.
— Camdyn, nós precisamos ouvir isto para salvar Saffron, — Dani disse.
O aperto de Ian aumentou no ombro de Camdyn. Tudo que Camdyn queria
fazer era rasgar alguém. Ele queria lidar com a morte, ver sangue e ouvir gritos de
terror, sua fúria era tão grande.
Mas por Saffron ele freou seu deus e tomou sua cadeira mais uma vez.
— Os anciãos estão convencendo Saffron a deixar sua segurança e lutar
contra Deirdre e Declan, — Laria continuou.
Gwynn mexeu com seus dedos e perguntou, — Ela pode? Saffron tem magia
suficiente para combater ambos?
Camdyn soube a resposta antes que Laria sacudir a cabeça lentamente.
Existiam poucas Druidesas que tinham bastante magia para afastar dois poderosos
droughs como Declan e Deirdre.
— Saffron está pegando a magia dos anciãos agora. Espero que isso seja
suficiente para quebrar o feitiço de bloqueio de Declan para que Broc possa achá-la, —
Laria disse.
Sem ser solicitado, Broc fechou os olhos. Camdyn observou seu amigo através
da mesa, silenciosamente implorando que Laria estivesse correta e Broc pudesse
encontrá-la. Mesmo que fosse só um momento, seria suficiente para eles localizá-la e
possivelmente resgatá-la.
— Eu a tenho! — Broc gritou quando seus olhos abriram de repente. —
Espere... eu a perdi novamente.
Laria soltou um suspiro. — Como eu supus.
Camdyn bateu o punho na mesa, sacudindo os copos. — Onde ela está? — Ele
exigiu de Broc.

281
Um músculo na mandíbula de Broc saltou. — Ela está na masmorra de Declan
novamente.
Camdyn fechou os olhos apertados. O lugar que Saffron foi tão aterrorizada
naqueles pesadelos que a tinham atormentado. Camdyn soltou um profundo suspiro e
olhou ao seu redor. — Eu vou atrás ela.
— Espere, — Laria advertiu.
Fallon estreitou os olhos para Laria. — Por quê? Sabemos onde Saffron está.
— Juntamente com os mercenários de Declan e suas balas de X90, — Gwynn
adicionou com um olhar para Logan.
Logan franziu. — A fortaleza de Declan não é o lugar para atacar. Sua magia é
muito forte lá.
— Não vou esperar! — Camdyn berrou.
Ramsey disse, — Mas você deveria. Se nós quisermos resgatar Saffron na
primeira tentativa, nós devemos ser espertos sobre isso.
— Eu concordo com Ramsey, — Hayden disse.
Um por um, todos eles concordaram. Camdyn afundou suas garras na mesa.
Cada fibra de seu ser queria correr para resgatar Saffron imediatamente, mas sua
mente dizia que os outros estavam certos. Ele precisava fazer isso com cuidado.
Finalmente, ele deu um rápido aceno de cabeça.
— Ótimo, — Fallon disse quando levantou. — Já que nós sabemos que eles
estão na fortaleza de Declan, eu vou para lá agora e ver o que estão fazendo.
— Não sem mim, você não vai, — Larena disse quando se levantou e tomou
sua mão.
Camdyn viu-os compartilhando aquele sorriso secreto, amoroso e sentiu seu
coração quebrar pelo que estava perdendo com Saffron.
— Confie em Laria. Encontraremos Saffron, — Ramsey sussurrou.
Camdyn removeu suas garras uma por uma da madeira. — Da última vez ele
tomou sua visão. O que você acha que Declan fará para ela desta vez?

***

Saffron olhou-se no espelho e odiou o que viu. Ela estava vestida com jeans
apertado e algo que era nada além de um espartilho.

282
Obvio que foi Declan que escolheu suas roupas.
— Incrível, — Declan disse quando entrou no quarto e assobiou.
Saffron olhou para ele no espelho e quis usar as unhas para cortar os olhos
dele. Mas não importava o que ela quisesse fazer, ou implorasse a seu corpo que
fizesse, era Declan e Deirdre que a controlaram.
Mas não conseguiram controlar sua mente.
Ela os deixou pensar que a controlaram, mas mesmo aquela pequena charada
tinha seu preço. Saffron não sabia ao certo quanto tempo mais aguentaria fingir.
A cada minuto ela esperava um deles percebesse que estava fingindo. Saffron
não achou que pudesse sobreviver a outra explosão de suas magias drough
combinadas.
Apenas pensar nisso a fez querer vomitar.
— Está quase na hora, — Declan disse enquanto usava um dedo para mover o
cabelo por seu ombro para cair com o resto por suas costas.
Saffron apenas olhou para ele. O controle deles sobre seu corpo era quase
absoluto. Eles lhe disseram onde ir e o que fazer. Ela não podia nem falar. Eles
tomaram isso dela também. Ela gostou de pensar que era porque temiam que feitiços
ela poderia usar.
— Venha, — Declan disse, estendendo a mão e virando-se para a porta.
Saffron tentou resistir, mas seu corpo obedeceu sem hesitação. Ela se virou e
colocou a mão na dele. Saffron estava gritando dentro de sua mente, chamando
Declan dos piores tipos de nomes, mas nada disso importava.
Ela era deles, e por mais assustador que fosse, não saber o que eles
planejaram para ela mantinha seu estômago amarrado em nós.
Tudo que ela podia esperar era que não envolvesse aqueles no Castelo
MacLeod. Mesmo quando ela sabia em seu coração que sim.
Não havia nenhuma maneira que ela pudesse ficar lá e fazer algo para
prejudicá-los. Ela nunca se perdoaria. Tinha que haver alguma forma de quebrar este
feitiço que Deirdre e Declan lançaram sobre ela.
Saffron caminhou ao lado de Declan enquanto desciam os degraus e
alcançaram a porta da frente onde Robbie e Malcolm ficaram de cada lado das portas
duplas.
— Tenho novidades sobre a outra investigação, — Robbie disse.
Declan soltou sua mão. — E o que seria?
— Nós reduzimos para o noroeste. Logo teremos uma cidade para lhe dar.

283
— E outro dos meus fugitivos voltarão aonde pertencem, — Declan disse com
um sorriso.
Deirdre apareceu no alto da escada então, vestida em couro preto colado ao
corpo, e desceu. — Declan, você escolheu essas roupas horríveis para Saffron, não foi?
— Claro. Eu sei o que parece bom em mulheres.
Deirdre rolou os olhos. — Não. Você gosta de pensar que sabe o que parece
bom em mulheres.
— Você gostou do couro o suficiente para que ainda vista isto.
O sorriso de Deirdre era frio e malicioso. — Eu visto isto porque me convém,
não porque você escolheu.
— Você não pode mentir para mim.
— Observe-me.
No instante seguinte Declan apertou Deirdre contra a parede beijando-a.
Saffron engoliu a bílis que subiu em sua garganta. Recordou muito bem a visão que
teve de Deirdre, seu estômago grande com uma criança, de pé sobre um Declan
morto.
Eles já tinham compartilhado uma cama? A criança já crescia dentro de
Deirdre?
Saffron abaixou o olhar para encontrar botas de combate pretas na frente
dela. Ela podia não fazer nada enquanto o dedo de Robbie roçava o inchaço de seus
seios, o desejo evidente em seu olhar.
— Você vai ser minha, — ele sussurrou. — Eu farei você gritar no momento
que eu acabar com você.
Saffron estava interiormente sacudindo a cabeça para um lado e outro,
tentando malditamente levantar uma mão e estapear Robbie. Mas sem permissão ela
não passava de um manequim que respirava.
O dedo de Robbie deslizou entre seus seios enquanto ele esfregava sua
ereção contra ela. De repente, soltou um grito quando Malcolm dobrou sua mão para
trás até o osso estar a ponto de quebrar.
— É assim que você toma as mulheres? — Malcolm exigiu. — Elas precisam
estar sob um feitiço onde não podem recusá-lo para que você possa aliviar-se?
— Você vai quebrar minha mão, — Robbie chorou enquanto caia de joelhos.

284
Saffron observou enquanto Malcolm segurou o ombro de Robbie e curvou o
pulso atrás outra fração. Os olhos de guerreiro de Malcolm estavam estreitados em
fendas enquanto ele olhava fixamente para Robbie.
— Eu acho que estes dois realmente se odeiam, — Deirdre disse.
— Pare-o agora, Deirdre, — Declan exigiu.
Deirdre levantou uma sobrancelha branca. — Ou o que?
— Você precisa de mim, — Declan lembrou-lhe. — Se você ainda quiser minha
ajuda, chame seu Guerreiro.
Deirdre revirou os olhos e suspirou. — Malcolm, liberte Robbie.
Saffron ficou surpresa que Malcolm não obedecesse imediatamente. Houve
um momento onde ela pôde ver como ele debateu por quebrar o pulso de Robbie de
qualquer maneira, entretanto ele respirou fundo. Malcolm soltou a mão de Robbie e
moveu seu olhar para ela.
Ela queria agradecê-lo, deixá-lo saber que estava feliz por ele ter parado
Robbie, mesmo que não fosse por causa dela, mas por causa de seu ódio pelo
mercenário.
Malcolm virou-se e abriu a porta. Saffron viu-o sair no sol em direção ao
helicóptero que esperava por eles.
— É hora, — Deirdre disse.
Declan fez sinal para que Saffron o seguisse. Ela estava no helicóptero e
afivelada quando Declan mandou mover as hélices.
Saffron achou-se no meio com Robbie de um lado e Malcolm subindo no
outro. Saffron notou como Malcolm endureceu e tocou o rosto com os dedos.
Ele não disse uma palavra quando se sentou e fechou a porta logo antes de
partirem.

***

Camdyn observou o helicóptero subir no céu e então decolar. Levou algum


esforço, mas ele conseguiu convencer Fallon em trazê-lo junto. Mas agora ele desejou
que não tivesse.
Ver Saffron caminhar para aquele helicóptero como se ela quisesse estar lá,
vestida em... algo que certamente não era seu estilo, deixou sua mente cambaleando.
— Não acredite em tudo que vê, — Fallon aconselhou. — Deirdre tem seus
truques.
285
— Você a viu, Fallon. Ela não estava lutando contra eles.
Fallon soltou um suspiro. — Nós não sabemos o que eles fizeram com ela.
Você precisa lembrar disto. E...
— Eu sei, — Camdyn disse. — Mesmo que consigamos Saffron de volta, ela
talvez nunca mais seja a pessoa que era antes.
Fallon pôs uma mão em seu ombro e apertou. — Deirdre forçou Isla a se
tornar drough. Eu não ficaria surpreso em saber que ela fez isto de novo.
Camdyn assentiu. — Como você está segurando essa?
Fallon recusou encontrar seu olhar. — Larena é uma Guerreira forte. Seu
poder de ser invisível dar-nos-á uma vantagem, como também nos ajudará a saber o
que eles fizeram para Saffron.
— Eu não teria sido capaz de deixar minha esposa ir com eles.
— Às vezes você tem que confiar que elas podem manterem-se seguras.
Camdyn, seu olhar ainda no helicóptero, perguntou-se se Fallon acreditava
nas próprias palavras. Apesar de sua segurança, Camdyn sabia que Fallon estava tudo,
menos bem.
Sem alertá-lo, Fallon saltou-os de volta para o castelo.
— Funcionou? — Lucan perguntou quando eles apareceram no grande salão.
Fallon assentiu. — O plano da Larena foi executado à perfeição. Ela está com
eles agora. Eles tomaram um helicóptero.
Broc sorriu enquanto olhava para Fallon. — Nem mesmo magia drough os
permitirá bloquear Larena de mim.
A impaciência de Camdyn cresceu quando Broc tocou o colar de metal de
Fallon e fechou os olhos. Larena usava um bracelete que os ligava. Era magia poderosa
que não podia ser bloqueada. E algo que Deirdre não sabia nada.
— Eles estão indo para o Anel de Brodgar, — Broc disse.
Camdyn olhou para Fallon. — Vamos agora.

286
CAPÍTULO QUARENTA E QUATRO

Charon pôs seu Mercedes em ponto morto e suspirou. Com ambas as mãos
no volante ele olhou acima da vasta expansão da ilha de Orkney. Até sem sua visão
realçada ele ainda poderia ver as pedras volumosas do Anel de Brodgar subindo da
Terra.
Houve um golpe em sua janela. Charon girou a cabeça para encontrar Phelan
curvado acima dela, uma sobrancelha levantada em questionamento. Charon deu uma
sacudida em sua cabeça e abriu a porta.
— Tendo segundos pensamentos? — Phelan perguntou quando se afastou
assim Charon podia sair.
— Não. — Charon fechou a porta e inalou o fresco ar do inverno.
— Por que você quis voltar aqui?
Charon encolheu os ombros. — Apenas parecia algo errado sobre Deirdre
saindo tão de repente. Ela teve metade dos Druidas MacLeod presos no subterrâneo e
seus wyrrans estavam mantendo os Guerreiros que saíram ocupados.
— Então?
— Então, havia outro Druida aqui.
Phelan cruzou os braços acima de seu peito e franziu as sobrancelhas. — Um
mie?
— Não. Um drough com quase tanto poder quanto Deirdre.
— Então por que o sujeito não ajudou Deirdre?
— Esta é a questão, não é? — Charon perguntou quando começou a caminhar
em direção às pedras.
Phelan facilmente o alcançou. — O que você sabe que não está me dizendo?
— Nada.
— Eu não acredito em você.
Charon parou e virou sua cabeça para olhar o Guerreiro. — Você não confia
em qualquer um, não é?
— Você confia? — Phelan perguntou em resposta.
Charon sorriu e balançou a cabeça. — Não.
— Então qual é o problema?

287
Charon riu e começou a caminhar novamente. Ele não queria gostar de
Phelan, mas ele gostou. Ainda confundia sua mente saber que Phelan tinha sido
mantido em Cairn Toul desde que era um pequeno rapaz. Não admira que ele odiasse
Druidesas. Ele viu o pior lado delas.
E embora Charon concordasse com muitos dos sentimentos de Phelan em
relação as Druidesas, até Charon sabia que havia uma linha traçada entre as Druidesas.
Marcail sabia que ele estava espionando Quinn, Ian, Duncan, e Arran. Ela
sabia que Deirdre estava usando algo contra ele.
— Como você sabe a diferença entre magia mie e drough? — Phelan
perguntou.
— Magia mie parece pura e brilhante enquanto magia negra drough parece
pesada e sufocante. — Charon olhou para Phelan e as feições pensativas em seu rosto.
— Você já sentiu magia mie, não foi?
Phelan assentiu. — Muitos séculos atrás eu ajudei um Guerreiro alado e uma
Druidesa a escaparem de Deirdre.
— Isso seria Broc. Ele espionou contra Deirdre, ganhou a confiança dela e
ajudou os MacLeods a juntar informações. Broc ainda está vivo, e eu apostaria minha
fortuna inteira que a Druidesa que você ajudou está com os MacLeods. Por que você
os ajudou se odiava tanto as Druidesas?
— Foi o Guerreiro. O modo como ele se colocou contra Deirdre. Ele sabia que
iria morrer e não se importava.
— Se você não o tivesse ajudado, não tenho nenhuma dúvida que Deirdre
teria conseguido sua vingança contra ele.
— Sim, — ele disse pensativamente. — Então esta outra magia drough que
você sentiu, pareceu com a de Deirdre?
— Semelhante. Muito semelhante, — disse Charon quando eles alcançaram o
anel de pedras. — Você sente a magia aqui?
— Eu acho que até um mortal sentiria a magia deste lugar.
— Os monólitos uma vez foram usados para propósitos cerimoniais pelos
antigos Druidas.
Charon parou e olhou para o céu. Um segundo depois Phelan girou na mesma
direção.
— Um helicóptero, — Phelan disse.
— E magia drough.

288
— Eles ainda estão longe.
Charon enrijeceu ao sentir a magia agitar atrás dele. Ele girou e viu Ian, assim
como Quinn caminhando em direção a ele. As Druidesas permaneceram em um grupo
assistindo. — Phelan, você está prestes a encontrar os MacLeods.

***

Camdyn e Hayden estavam atrás de Ian e Quinn enquanto eles caminhavam


para os outros dois Guerreiros. Isla quis ir, mas Hayden recusou.
Camdyn ouviu a conversa de ambos Phelan e Charon, e ele ficou surpreso por
encontrá-los aqui. Especialmente juntos.
— Charon, — Ian disse, e estendeu o braço.
Charon não hesitou em apertar o antebraço de Ian. — Ian.
— Eu odeio soar pouco acolhedor, mas o que vocês dois estão fazendo aqui?
— Quinn perguntou.
Charon olhou para cada um deles antes de dizer, — Por coincidência, mas já
que todos vocês estão aqui e eu suspeito que o helicóptero a caminho tem Deirdre, eu
acho que vai haver outra batalha.
— Outra? — Camdyn repetiu.
Phelan deu um passo mais perto. — Isso foi o que ele disse.
Camdyn estreitou os olhos em Phelan com seu longo cabelo escuro e olhos
azuis cinzas. — Isto é um problema para mim se qualquer um de vocês esteve aqui na
primeira batalha e não se preocupou em ajudar.
— Por que iriamos? — Phelan exigiu com um desdém.
Camdyn aproximou de seu rosto até que seus narizes estavam separados por
centímetros. — Isla pode querer trazer você de volta, mas eu estou lhe dizendo, agora
mesmo, que se você não nos ajudar hoje, eu o farei pagar.
— Camdyn, calma, — Hayden disse quando pôs uma mão entre eles e os
empurrou.
Charon correu uma mão por seu rosto e começou a se afastar. Mas Camdyn
sabia que quanto mais Guerreiros eles tivessem, melhores eram as chances de
sucesso.
— Nós precisamos de sua ajuda. Por favor, — Camdyn adicionou. — Preciso
de sua ajuda.

289
Foi Quinn que pôs uma mão confortante no seu ombro um momento antes
dele virar-se para Charon. — Deirdre não é nosso único inimigo. Existe outro drough.
— Declan, — Camdyn rosnou.
Phelan olhou para Charon. — Você disse que existiam dois.
Ian esfregou sua mandíbula. — Como você soube de Declan, Charon?
— Eu não soube, — Charon respondeu. — Eu senti um segundo drough aqui
durante a primeira batalha. Mas nunca o vi.
— Santo inferno, — Quinn disse e esfregou a nuca.
Camdyn estava perdendo rapidamente o controle de sua fúria. — Ele estava
aqui. O bastardo estava aqui.
— E nós vamos terminar tudo isso hoje, — Hayden disse.
— Eu digo que nós comecemos trazendo o helicóptero abaixo, — Phelan disse
com um sorriso.
As narinas de Quinn chamejaram. — Você faz isso e mata a esposa do meu
irmão. Ela está naquele helicóptero.
Charon franziu. — A esposa de Fallon?
Quinn assentiu.
Phelan rolou os olhos. — Eu gostaria de ser incluído nesta conversa.
— Seu nome é Larena, — Camdyn respondeu. — Ela é uma Guerreira.
A atitude convencida de Phelan mudou imediatamente. — Qual é seu poder?
— Invisibilidade, — Ian respondeu.
Camdyn olhou para o céu. — Eles estarão aqui logo. Não poderemos estar
descobertos
Charon estendeu seu braço para Camdyn. Eles apertaram antebraços, mas
Charon não o soltou. — Quem é ela?
Camdyn não fingiu não saber o que ele queria dizer. — Seu nome é Saffron.
Ela é uma Vidente. Declan manteve-a prisioneira por três anos.
— Nós a salvamos, — Hayden disse.
— E Declan a capturou novamente.
A mão de Charon apertou seu braço antes dele soltá-lo. — Parece que
precisamos trazê-la de volta mais uma vez.

290
Os quatro, assim como Charon e Phelan caminharam de volta para os outros.
As apresentações foram feitas e Camdyn notou o quão desconfortável estava Phelan
em torno das Druidesas. Ele falou com elas, contudo, todas com exceção de Isla.
Ela fingiu que não se importava, mas Camdyn viu o modo que ela se voltou
para Hayden por conforto. Camdyn queria estar lá e oferecer conforto para Saffron.
Ele queria segurá-la, apreciá-la.
Amá-la.
Ele fechou os olhos quando o som do helicóptero ficou mais perto.
— Escondam-se, — Fallon gritou.
Camdyn se agachou atrás de um dos poderosos monólitos enquanto
mantinha seu olhar no helicóptero. Saffron apareceria em breve. Ele faria qualquer
coisa para livrá-la de Declan, até mesmo sacrificar sua própria vida se fosse necessário.
Ele não permitiria que ela ficasse presa naquele mundo.

***

Saffron olhou para o Anel de Brodgar e recordou-se da última vez que estivera
lá. Tanto coisa havia mudado em sua vida naquele dia. Pareceu eras atrás quando de
fato tinham sido dias.
Ela tinha enfrentado seu último medo, achou a magia que não acreditava que
existia dentro dela, e se abriu para Camdyn.
Camdyn.
Deus, como ela sentia sua falta.
O helicóptero começou a descer do céu. Robbie pôs a mão em sua coxa e
lentamente moveu-a acima de suas pernas até que estava quase em seu sexo.
— Eu já te adverti sobre tocá-la, — Malcolm disse com a voz profunda e
grave.
Robbie piscou para ela. — Não se preocupe, amor. A besta não estará por
perto o tempo todo. Podemos nos divertir quando ele for embora.
Saffron fechou os olhos e virou o olhar longe dele. Logo eles aterrissaram em
Orkneys. Declan desligou o motor, e todos saíram do helicóptero.
— Quero que todos se preparem antes de alertar minha irmã que nós
estamos aqui, — Deirdre disse.

291
O coração de Saffron saltou no peito quando ela ouviu o grito alto de um
wyrran quando dezenas deles vieram correndo em direção a Deirdre. Depois de alguns
momentos em que Deirdre falou com eles, os wyrran se espalharam pela península.
Saffron olhou para um dos monólitos e lembrou-se como se sentiu ligada com
as Druidesas entre tanta magia. E ter Camdyn lá vigiando-a.
Um par de olhos escuros de repente se encontraram com os dela. Saffron
sorriu interiormente enquanto olhava fixamente para Camdyn. Ela queria correr para a
segurança de seus braços.
— Saffron, venha aqui, — Declan ordenou.
Ela lutou contra a ordem, lutando contra o feitiço. Por alguns momentos
preciosos ela realmente conseguiu superar e pôde se impedir de mover-se. Mas o
feitiço rapidamente a dominou.
Saffron virou-se e caminhou em direção a Declan, longe de Camdyn. A cada
passo, seu coração quebrava. Sua chance de quebrar o feitiço e ajudar os outros veio e
se foi. Ela falhou com eles e consigo.
Deirdre parou no meio do caminho e girou para Declan. — Parece que eu não
preciso contatar Laria. Ela já está aqui.
Uma figura moveu por detrás de uma das pedras, seu longo cabelo loiro
trançado e caindo por seu ombro. — Isso mesmo, irmã. Você realmente não achou que
poderia ficar escondida de nós para sempre, não é?
— Eu não precisava para sempre. Eu apenas precisei de alguns dias.
Laria esfregou suas mãos juntas. — Nós devemos começar, então?
— Ainda não, — Deirdre disse, e embrulhou seus dedos ao redor do braço de
Saffron. Puxou Saffron próximo a ela. — Eu acredito que você conheça Saffron. Ela
juntou-se a mim.
— Então ela morrerá junto com o resto de vocês.
Saffron quis chorar quando ouviu o berro de Camdyn, mas as lágrimas não
viriam.
Deirdre deu um puxão maligno enquanto outro feitiço caiu de seus lábios. O
mundo começou a girar mais rápido e mais rápido com cada palavra, e não havia nada
que Saffron pudesse fazer para parar a visão.
— Diga-me sua visão, — Deirdre sussurrou.
Saffron não podia parar as imagens que encheram sua mente, nem sua voz
que as traduziu em palavras.

292
CAPÍTULO QUARENTA E CINCO

Camdyn observou Saffron cuidadosamente. Ela permaneceu ao lado de


Deirdre, mas algo não estava certo. Ele não sabia o que era, só que Saffron não era ela
mesma.
Assim que Deirdre a agarrou, Camdyn ficou em pé, pronto para fazer o que
precisasse para levar Saffron longe de Deirdre.
— Cuidado, — Charon disse, e moveu-se na frente de Camdyn.
— Saia. Do. Meu. Caminho.
Charon balançou a cabeça. — Se eu fizer você só conseguirá se matar em vez
de salvar aquela linda Druidesa.
— Escute-o, — Ian aconselhou.
Camdyn encheu os pulmões com ar e escutou seus amigos. — Vou tirar
Saffron de Declan.
A atenção de Camdyn voltou-se para Saffron quando sentiu uma onda de
magia de Deirdre. Camdyn viu o rosto de Saffron ficar branco e seu olhar fixar no céu.
Ele não precisou ver seus olhos para saber que estavam brancos e rolando.
De alguma forma, Deirdre estava fazendo Saffron ter uma visão.
— Diga a eles! — Deirdre gritou para Saffron.
— Um Guerreiro trairá vocês, inclinando a balança do equilíbrio.
Camdyn pôs uma mão no peito enquanto a dor aumentava. Doía ver Saffron
nas garras deles, saber que haviam feito algo para mudar a mulher por quem ele se
apaixonara.
— Não, — Gwynn disse atrás de Camdyn, seu sotaque grosso de emoção. —
Eu não acredito em qualquer um de vocês faria isto.
O olhar de Camdyn virou-se para Phelan que estava olhando para Deirdre com
tanto ódio. A cabeça de Phelan rodou até que encontrou os olhos de Camdyn.
— Se você acredita que eu serei aquele a apoiar Deirdre, você entendeu tudo
errado, companheiro.
Camdyn então girou para Charon.
Charon bufou. — Automaticamente vocês todos viram para mim.
— Não, — Ian disse. — É só que você não nos ajudou no passado.

293
— Por causa disto, — Charon disse, — eu sabia que todos vocês duvidariam
de minha lealdade, eu apenas não pensei que seria tão cedo.
— Não é nenhum Guerreiro no castelo, — Camdyn disse. — Você dois
estavam aqui até mesmo antes de nós.
Phelan riu, sua pele tornando ouro enquanto suas garras prolongaram de seus
dedos. Quando ele olhou para Camdyn novamente, olhos dourados olharam fixamente
para ele. — Nós podíamos dizer-lhe a história, mas eu não acho em que tenhamos
tempo para isto.
— Eu concordo, — Charon disse e libertou seu deus para que sua pele ficasse
cobre.
Ian cutucou Camdyn. Camdyn se virou para ver que todos os outros
Guerreiros tinham libertado seus deuses. Sculel estava pronto para a batalha, exigindo
isto. Com um mero pensamento o deus de Camdyn surgiu livremente.
O poder ondulou por Camdyn. Aquela era sua mulher em perigo, sua mulher
que estava sendo usada. Declan pagaria por tudo que fez para Saffron.
O riso de Deirdre encheu a península. — Você ouviu isto? Um dos infames
Guerreiros do Castelo MacLeod trairá vocês!
Fallon se moveu de trás de uma pedra com Lucan e Quinn se movendo a cada
lado dele. Os irmãos ficaram juntos, suas peles negras de seu deus.
— Eu conheço meus homens. Eles não vão me trair, — Fallon respondeu.
— Basta, — Laria disse. — Deirdre, esta briga é entre você e eu, mas se quiser
fazer disto mais, eu concordarei.
Deirdre zombou de sua irmã e empurrou Saffron para longe dela. — Sempre
tão cortês, Laria. Diga-me, como você escondeu sua magia de mim quando éramos
crianças?
A resposta de Laria foi um sorriso malicioso. — Realmente não importa agora.
Camdyn sentiu a magia de Laria aumentando um segundo antes dela lançar
uma explosão em direção a Deirdre. E só assim, a batalha começou.
Wyrrans vieram correndo em direção a eles gritando sua fúria. Camdyn olhou
para ver vários Guerreiros cercando as Druidesas que permaneciam atrás de Laria
adicionando sua magia à dela.
Camdyn soltou um rugido e correu para encontrar dois wyrrans. Ele estendeu
suas garras e fatiou suas cabeças enquanto corria para eles.
Ele viu a pele iridescente de Larena enquanto ela empalava um mercenário
pelo coração justo antes de ficar invisível novamente.

294
Camdyn rosnou quando um wyrran saltou em suas costas e as garras
afundaram em sua pele. Ele acotovelou a pequena besta no rosto e sorriu quando
ouviu os dentes racharem.
— Talvez agora você realmente possa fechar seus lábios sobre esses dentes
sórdidos, — ele gritou.
Camdyn alcançou atrás dele e agarrou o wyrran. Ele sacudiu a criatura acima
de sua cabeça, o que fez com que as garras do wyrran rasgasse violentamente suas
costas. Ele ergueu a mão e decapitou o wyrran.
Com cada morte, com sangue em suas mãos e cobrindo a terra, o deus de
Camdyn sorria com satisfação. Pela primeira vez desde que ele conseguiu o controle de
seu deus, Camdyn deu a ele rédea livre. Ele não se importava quantos tinha que matar
desde que chegasse a Saffron.
Camdyn olhou para ver Saffron em pé ao lado de Declan, mas seus olhos
estavam nele. Vários mercenários cercaram Declan e Saffron e começaram a abrir fogo
nos Guerreiros.
Camdyn apenas teve tempo para agarrar o wyrran morto e segurá-lo na
frente de seu corpo. Mas isso proporcionou-lhe tempo suficiente para mergulhar fora
do caminho.
Quando ele levantou, pegou Phelan e o puxou para o chão enquanto balas de
X90 passaram voando por eles.
Phelan ergueu sua cabeça e olhou ao redor. — Obrigado, companheiro.
— Permaneça alerta. Aquelas balas têm sangue drough nelas.
— Diabos! — Phelan murmurou enquanto estava fora novamente.
Camdyn olhou ao redor para ver Logan de joelho, sua mão sobre a cabeça e
Gwynn chamando desesperadamente seu nome. Laria os advertiu que Deirdre tentaria
algo, e pareceu que ela não estava errada.
Ele procurou os outros até que achou Isla com Hayden ao lado dela. Pelo jeito
que ela balançava em seus pés, o olhar fixado com Deirdre, algo estava acontecendo
entre elas.
Mas Camdyn sabia que ambos Logan e Isla estariam bem desde que Gwynn e
Hayden estivessem lá. Então em vez de ajudar seus amigos, ele voltou para a batalha.
Camdyn saltou em pé e enfrentou seis wyrrans. Ele sorriu para eles, pronto
para mais morte. Ele fatiou a cabeça de um, e tomou o coração de outro quando a bala
bateu em seu lado esquerdo.

295
Sua perna cedeu e ele caiu de joelhos. Apesar do fogo agora queimando por
seu sangue, Camdyn pôde matar mais três wyrran.
E então a segunda bala perfurou seu ombro direito.
Camdyn rugiu, o mundo começando a girar. Ele apoiou a mão esquerda no
chão e tentou cortar no sexto wyrran que o estava rodeando.
O wyrran cortou cinco tiras abaixo por suas costas. Antes que Camdyn
pudesse reagir, o wyrran fez isto duas vezes mais. Dor do sangue drough enchia cada
parte de seu corpo, cegando-o com agonia.
Camdyn tentou levantar, tentou usar suas garras, mas o sangue drough estava
minando sua força. Tanto que seus ferimentos não estavam curando tão rapidamente
quanto estavam antes.
E então o wyrran desmoronou no chão, sangue empoçando de um buraco em
seu peito onde o coração estava.
— Levante, — falou a voz de Larena perto dele.
Camdyn não podia ver já que ela estava invisível, mas sentiu as mãos em seu
braço tentando levantá-lo. Seria tão fácil deitar e deixar o sangue drough em suas
veias tê-lo.
Mas havia Saffron.
Levou duas tentativas, mas Camdyn embarcou em seus pés. — Vá, — ele disse
a Larena. — Tire os mercenários.
— Meu prazer.
Camdyn sabia que não tinha muito tempo antes que o sangue drough o
matasse. Ele tinha que fazer algo para ajudar a libertar Saffron, e não parecia que ele
estaria lutando seu caminho para seu lado agora.
Ele puxou o poder de seu deus e enfocou no chão. A Terra começou a fazer
um ruído surdo. E então uma onda ondulou sob o chão, começando nos pés de
Camdyn e apontando para Declan e seus mercenários.
Camdyn tinha poder suficiente apenas para garantir que Saffron fosse lançada
livre um momento antes da Terra abrir e tragar Declan e os dois mercenários
restantes.

***

296
Saffron não podia tirar os olhos de Camdyn. Ela o viu ser atingido. Duas vezes.
Ela sabia que ele estava com dor, mas ainda ele lutava contra Declan.
Ela sabia, assim que a Terra começou a rugir, que Camdyn estava usando seu
poder. Para seu choque, ele a expulsou do caminho.
Saffron esperou que a queda matasse Declan, mas se tivesse, sua magia ainda
estava no lugar e a controlando. Ela tentou erguer um braço, tentou gritar para
Camdyn. Mas o feitiço não libertou.
Não havia nenhuma maneira que ela teria magia a segurando enquanto
Camdyn estava arriscando sua vida para salvá-la. Tinha que haver algo que ela pudesse
fazer.
Então ela recordou as palavras que os anciãos disseram a ela. Que seu amor
por Camdyn a ajudaria.
Saffron buscou dentro dela e apegou-se no amor que tinha por Camdyn.
Lembranças encheram sua mente dos momentos preciosos que passaram juntos. Seu
sorriso, sua voz, seus beijos.
Ela os deixou preenchê-la até que ela estava explodindo com o seu amor por
ele.
Seus dedos enrolaram em punho. A esperança surgiu em seu peito, e ela
continuou a deixar seu amor enchê-la. Para sua surpresa, sua magia brotou também.
Empurrando contra o feitiço como um aríete. E em cada batida do coração Saffron
encontrou-se gradualmente ganhando de volta o controle sobre seu corpo.
Mas seria a tempo?
Ela viu os irmãos MacLeod lutando lado a lado com precisão mortal. Hayden,
Ian, e Galen mantinham as Druidesas seguras enquanto Ramsey, Charon, Arran,
Phelan, e Broc continuavam a combater os wyrrans Só Logan e Isla pareciam estar em
desconforto.
Foi quando recordou a advertência de Laria para eles. Não importa que Laria
tivesse razão, o que importava era todos saindo com suas vidas intactas.
Saffron notou mercenários mortos deitados ao redor dela, mas ela não viu
quaisquer Guerreiros perto o suficiente para matar um.
— Saffron?
Ela estremeceu quando ouviu a voz da Larena mas não pôde vê-la. Como ela
podia ter esquecido que Larena era capaz de ficar invisível graças à deusa dentro dela?
— Você pode me ouvir?
Saffron conseguido separar seus lábios, mas nenhuma palavra veio.

297
Uma mão tocou a sua e Larena disse, — Se você pode me ouvir, aperte meus
dedos.
Saffron ansiosamente fez como solicitado.
— Bom. Eu entrei no helicóptero, então sei que existe um feitiço em você.
Você pode quebrá-lo?
Saffron deu um leve aperto que ela esperou que dissesse a Larena que ela
estava tentando.
— Fique segura. Eu vou pegar Camdyn assim ele pode tirar você daqui.
Saffron tentou apertar novamente, mas Larena já tinha ido. Tudo que ela
podia fazer agora era continuar a lutar contra o feitiço e usar o amor dentro de si para
libertar-se.

***

Malcolm permaneceu fora, de lado, e assistiu a carnificina que os outros


Guerreiros estavam fazendo. Era uma visão ver a pele colorida dos Guerreiros e como
facilmente e barbaramente eles matavam.
E como ferozmente eles protegiam suas mulheres.
O olhar Malcolm achou a pele marrom escura de Camdyn. Os ferimentos do
Guerreiro não estavam cicatrizando, e o sangue que fluía livremente do ferimento em
seu ombro e lado disse a Malcolm que as balas de X90 tinham sido usadas.
Ele virou e encontrou Saffron, ainda sob feitiço de Deirdre e Declan e incapaz
de se mover.
Ele ouviu sua profecia, mas ao contrário dos outros, ele sabia que nenhum dos
Guerreiros do castelo os trairia. Não foi até Saffron dizer que Malcolm soube o que
tinha que fazer.
A magia de Laria podia ser forte, mas mesmo com as Druidesas adicionando
suas magias à dela, não era melhor do que Deirdre. Pelo menos Declan e Robbie não
eram mais capazes de ajudar Deirdre.
O que deixava apenas uma pessoa que poderia ajudar a virar a mesa e dar a
vantagem para os MacLeods.
Malcolm se aproximou de Deirdre. Ele encontrou o olhar de Fallon, e com um
rugido, mergulhou suas garras nas costas de Deirdre.

298
CAPÍTULO QUARENTA E SEIS

Saffron não conseguia tirar os olhos de Malcolm. Com suas garras enterradas
profundamente nas costas de Deirdre, Deirdre gritou e tentou o desalojá-lo como
também manter sua magia forte enquanto lutava com Laria.
Esse era o momento para Saffron quebrar o feitiço. Esse era o momento para
ela finalmente superar Declan.
Ela podia mover seus braços agora, e estava começando a mover suas pernas.
Se ela apenas pudesse caminhar para Camdyn. Ele ainda estava indo em direção a ela.
Em ambos os lados dele estava um Guerreiro de pele dourada e um Guerreiro
com pele de bronze. Ela não tinha ideia quem eles eram, mas era o suficiente que eles
o estavam ajudando a combater os wyrran.
Saffron quis gritar de alegria quando pôde deslizar um de seus pés para
frente. Não demoraria muito para quebrar o feitiço para sempre.

***

A agonia era insuportável cada vez que Camdyn tentava respirar. Mas ele não
desistiria. Seu olhar estava focado em Saffron mesmo quando decapitou um wyrran.
Quando ele hesitou, ficou surpreso ao encontrar Charon e Phelan em cada
lado. Camdyn tentou agradecê-los, mas toda sua concentração estava focada em ficar
em pé.
— Você parece uma merda, — Phelan disse.
Camdyn grunhiu e arranhou os lábios enquanto o fogo em suas veias
queimava mais forte. Ele podia sentir seu corpo começar a desacelerar, e nem mesmo
seu deus podia salvá-lo agora.
Ele iria morrer, estava certo disso. Mas se ele pudesse salvar Saffron ele iria
feliz.
— Você pode usar seu poder novamente? — Charon perguntou.
Camdyn parou. Tão fraco quanto estava não podia caminhar e usar seu poder
ao mesmo tempo. — Vou. Tentar, — ele rosnou.

299
O chão embaixo de seus pés começou a agitar, mas foi tão fraco quanto ele.
Ainda assim, poderia ser suficiente matar alguns dos wyrrans.
Camdyn abriu a Terra para tragar dúzias de wyrran. Seus gritos agudos foram
cortados no meio quando ele fechou o buraco.
— Foda-se, — Phelan disse. — Isto é impressionante.
Houve uma onda de magia mie que cresceu rapidamente de Laria e as outras
Druidesas. Camdyn virou e encontrou Ramsey agora de pé ao lado de Laria.
A magia ficou mais rica, mais forte, e completamente mais potente quando
Ramsey juntou sua magia com a de Laria. Ainda confundia a mente de Camdyn que
Ramsey era parte Druida e também um Guerreiro.
Wyrrans subitamente atacaram os Guerreiros que protegiam as Druidesas, e
sem pensarem duas vezes Phelan e Charon juntaram-se aos outros para defender as
mulheres.
Camdyn queria ajudá-los, mas ele nunca conseguiria. Ele estava mais perto de
Saffron de qualquer maneira. Com vigor renovado, ele ergueu um pé e andou em
direção a ela.
A magia mie que o rodeava era tão poderosa que ele sabia que era a única
coisa que retardava a velocidade do sangue drough dentro dele. Tinha dado meia dúzia
de passos quando Deirdre soltou um grito frustrado, bravo.
Camdyn observou enquanto a magia de Laria e Ramsey empurrava Deirdre
para trás. Malcolm, ao que parece, traiu Deirdre. Ele arranhou suas costas de novo e
de novo, cortando seu cabelo de cada vez.
Sendo atacada pela frente como também por trás, sem Declan e seus
mercenários para ajudá-la estava tomando seu pedágio em Deirdre.
Camdyn sorriu. Ele esperou muito tempo para a cadela morrer. Ele queria ser
uma parte disto, mas agora a única pessoa com quem ele se importava era Saffron.
Quando ele olhou de volta para Saffron foi para achá-la dando um passo em
direção a ele. Era como se ela não pudesse se mover. Como se um feitiço tivesse sido
colocado nela.
Camdyn enrolou suas mãos em punhos e fez suas pernas e pés moverem
novamente. Ele estava mais ou menos a dez passos dela quando a magia aumentou
novamente, logo antes de haver um estrondo alto.
Ele olhou acima para encontrar Deirdre deitada no chão com Malcolm de pé
acima dela, mas ninguém estava aplaudindo. Foi quando Camdyn viu lágrimas rolando
pelo rosto de Saffron.

300
Um olhar para os outros mostrou que havia outro corpo no chão também.
Sonya se ajoelhou ao lado de Laria tentando curá-la, mas não estava funcionando.
Nenhum deles percebeu que podia muito bem custar a vida de Laria exterminar
Deirdre.
Alívio precipitou-se por Camdyn que Deirdre finalmente tinha sido derrotada,
entretanto ele odiou que Laria tinha perdido sua vida no processo.
Agora, ele apenas precisou segurar Saffron em seus braços uma última vez.
Ele conseguiu dar mais dois passos antes de suas pernas cederem.
Com a magia mie não mais enchendo o ar, o sangue drough não tinha nada
para retardá-lo.
— Camdyn! — Saffron gritou.
Levou uma quantia considerável de esforço para erguer seu olhar para
Saffron. Ela deu outro passo em direção a ele, mas não iria ser rápida o bastante.

***

O coração de Saffron se contraiu no peito quando ela viu Camdyn cair de


joelhos. Seu deus tinha enfraquecido, e sua pele era pastosa. Ele deixou uma trilha
espessa de sangue a caminho dela.
Ela tinha quase superado o feitiço quando ele caiu. E agora que ela podia ver a
vida drenando dele, seu amor empurrou o resto do feitiço. Ela não podia permitir que
ele morresse sem abraçá-lo.
Instantaneamente ela pôde sentir a diferença em seu corpo. Ela correu em
direção a ele quando uma mão a agarrou por trás, embrulhando ao redor de seu
pescoço.
— Você realmente não pensou que podia escapar de mim? — Declan
sussurrou em sua orelha. — Eu disse a você, Saffron, você é minha.
— Não, — ela disse por dentes apertados.
— O Guerreiro está morrendo. Você parece preocupada. Ele significa algo
para você?
— Deixe-a, — Camdyn rosnou quando sua pele começou a ficar o profundo
marrom escuro de seu deus.
Declan riu. — O que você pode fazer, Guerreiro? Minhas balas são muito
inventivas, não são? É tão doloroso como eu ouvi, ter sangue drough em você?

301
O tempo diminuiu a velocidade quando Saffron ouviu Camdyn rugir quando
ele se lançou em Declan, suas garras para fora e prontas para matar. Camdyn agarrou
Declan e o girou longe dela.
A força enviou Saffron caindo no chão. Ela não tirou os olhos de Camdyn
entretanto. Ele os aterrissou de forma que tinha um joelho no peito de Declan,
prendendo-o.
Camdyn levantou o braço para trás, suas garras para fora.
— Não! —Saffron gritou enquanto Robbie levantou-se atrás de Camdyn e
disparou o rifle. Camdyn sacudiu do choque da bala e ergueu seus olhos para Saffron
quando caiu de lado.
Robbie ajudou Declan a levantar, e quando ele a agarrou, Saffron soltou uma
explosão de magia tão forte que Declan e Robbie foram voando para trás.
Saffron os ignorou quando se apressou a ajoelhar ao lado de Camdyn. As
lágrimas caiam livremente por seu rosto enquanto ela acariciou seu rosto. A visão de
seu magnífico Guerreiro enfraquecendo diante de seus olhos era demais.
— Não chore, — Camdyn sussurrou.
Ela fungou e curvou para beijá-lo enquanto o som das lâminas do helicóptero
começou a encher o ar. — Você ficará bem.
— Não. É muito tarde.
— Não diga isto. Por favor não diga isto.
Ele pegou a mão dela na sua e tentou sorrir. — Eu sinto muito por não estar
em sua cama quando você acordou.
— Shh. Não importa, — ela disse.
— Mas importa. Eu estava com medo dos sentimentos que você mexia dentro
de mim. Eu jurei que nunca me apaixonaria novamente.
Saffron piscou através de suas lágrimas e descansou a testa na dele. O som do
helicóptero ficou distante enquanto levantou no ar e voou para longe. — Você não
pode morrer. Eu tive uma visão de você, Camdyn. Você estava rindo, e você tinha uma
criança. Um filho.
Ele apertou sua mão. — Eu amo você, Saffron Fletcher.
O som de passos correndo em direção a eles fez Saffron olhar acima. Ela viu
Sonya e chamou a Druidesa para se apressar. Quando Saffron olhou de volta para
Camdyn seus olhos estavam fechados e sua respiração diminuiu para quase nada.
— Não, — Saffron disse. — Não. Ele não pode morrer.

302
Dani envolveu um braço ao redor dela e a segurou enquanto a magia curativa
de Sonya envolvia Camdyn.
— Eu vou precisar de sangue de Guerreiro, — Sonya chamou.
Foi Phelan que estendeu o braço. — Tome o meu.
Saffron assistiu com a respiração suspensa enquanto eles viravam Camdyn
assim a magia de Sonya podia puxar as terríveis balas drough de seu corpo.
Phelan cortou seu braço com uma de suas garras douradas e o sangue fluiu
nos ferimentos de Camdyn.
— Eu vou precisar de mais, — Sonya disse.
Isla balançou a cabeça. — Não. O sangue de Phelan é... especial.
Com apenas uma pequena quantidade de sangue de Phelan em cada
ferimento, Saffron podia vê-los cicatrizando. Ela levantou-se em seus joelhos e beijou
Phelan na bochecha.
— Obrigada. Do fundo do meu coração, obrigada.
Phelan piscou, parecendo surpreso por sua demonstração de afeto.
— Saffron, — Dani chamou, sua voz cheia de horror. — Oh, meu Deus. Suas
costas.
Saffron esqueceu de suas costas e o que Deirdre fez para ela. Tinha sido fácil
porque a magia de Deirdre escondeu os ferimentos e levou a dor.
Agora que Saffron lembrou, ela podia sentir que as feridas se abrirem e o
sangue estava escorrendo por suas costas e no espartilho que ela vestia. A dor de suas
costas e a temperatura fria não importavam agora que Camdyn viveria.
Phelan esticou seu braço na frente da boca de Saffron. — Beba. Curará você.
Ela recuou. — Você quer que eu beba seu sangue?
— Só um pequeno gosto. Você curará mais rápido se ingerir que se eu puser
em suas feridas.
Saffron ergueu seu olhar para Isla que deu um sorriso e um assentimento
encorajador. Saffron esperou Phelan cortar seu braço novamente, e então se inclinou
e lambeu uma gota de sangue que escorreu em seu braço.
Imediatamente ela podia sentir seu corpo curando. — Como? — Ela
perguntou a ele.
Phelan encolheu os ombros e afastou-se dela para ficar ao lado de Charon.

303
Saffron esqueceu tudo sobre Phelan quando Camdyn gemeu e abriu os olhos.
Saffron sorriu através das lágrimas e afastou uma mecha de cabelo meia-noite que
caiu no rosto dele.
— Saffron? — Camdyn disse.
— O sangue de Phelan é aparentemente muito poderoso. Ele curou você
depois que Sonya tirou as balas.
Camdyn não esperava sobreviver. Ele sentira a vida drenando dele, sabia que
ele estava deixando tudo que conhecia e amava para trás. Ele não queria, mas nem
mesmo seu deus poderia salvá-lo.
Ele levantou, e depois de ajudar Saffron a levantar-se estendeu o braço para
Phelan. Quando eles apertaram antebraços Camdyn disse, — Tenho uma dívida com
você.
— Não, — Phelan disse e soltou seu braço.
Camdyn ajudou Sonya a levantar. — Obrigado.
Sonya deu uma pequena risada. — Eu não fiz nada. Foi tudo Phelan.
— Ele curou Saffron também, — Dani disse.
O olhar de Camdyn empurrou de volta para Saffron. — Sobre o que Dani está
falando?
Saffron encolheu os ombros quando alguém colocou um casaco ao redor de
seus ombros. — Nada.
— Deirdre esfolou suas costas, — disse uma voz masculina atrás da multidão.
Todo mundo afastou até que Malcolm pôde ser visto. Ninguém disse uma
palavra enquanto olhavam para ele, as cicatrizes que os Guerreiros de Deirdre lhe
haviam feito mais uma vez visível agora que Deirdre estava morta.
Malcolm deu um assentimento para Saffron. — Você mesma pode dizer a
Camdyn agora.
— Eu irei, — ela disse com um sorriso e deslizou sua mão na de Camdyn.
Camdyn viu o corpo de Deirdre como também o de Laria. — Então as duas
estão mortas?
— Laria era gêmea de Deirdre, — Ramsey disse. — No esforço de Laria em
matar Deirdre, custou sua vida já que elas estavam conectadas.
Ian assentiu solenemente. — Os gêmeos estão conectados de formas que as
pessoas não entendem.
Houve uma pausa em que a mente de todo mundo foi para Duncan, gêmeo de
Ian, que foi morto por ordem de Deirdre mas pela mão de Malcolm.
304
— Eu nunca poderei compensar isto, — Malcolm disse.
Ian soltou um profundo suspiro. — Você ajudou a matar Deirdre. Isto é
certamente um bom começo.
— É hora de celebrar a morte de Deirdre, — Logan disse enquanto esfregou as
mãos juntas.
Camdyn olhou para Saffron e acariciou a linha de sua mandíbula.
— Você não parou de vir por mim, — ela disse.
— Eu disse a você que sempre te protegeria.
— Eu não menti, Camdyn. Tive aquela visão de você com seu filho. Eu não
tenho visões sobre meu futuro.
Ele puxou-a contra si e deu seu um leve beijo. Ele queria que ela esquecesse
sobre aquela visão agora. Agora ele queria que ela soubesse quanto ele a amou. —
Você me ouviu? Eu te amo.
Ela riu e embrulhou os braços ao redor ele. — E eu te amo.
— Então isto é tudo o que importa. Eu lutei contra o que havia entre nós, e fui
um tolo. Eu sei o que sinto, e eu sei que você é minha outra metade. — Ele parou e
engoliu em seco. Seu futuro dependida dela. — Eu preciso de você, Saffron. Comigo.
Sempre. Sem você...
Ela o beijou, parando suas palavras. Sua incrível magia girou ao redor dele,
unindo-os e fortalecendo seu amor. — Eu nunca poderia resistir a você, meu
Guerreiro. Eu sou sua. Eu sempre fui sua.
— Exatamente o que eu precisava ouvir.

305
EPÍLOGO

Castelo MacLeod
Mais tarde naquele dia...

Camdyn tinha uma nova visão da vida agora que tinha recebido uma segunda
chance. Ele afastou a dor do passado e olhou para a mulher que abriu seus olhos para
o mundo ao redor dele.
Ele riu mais em algumas horas do que em séculos. Ele até dançou.
Surpreendeu Saffron quando a puxou para a pista, mas seu riso quando dançaram em
volta do grande salão valia a pena.
Mas, mais que qualquer coisa, ele tinha Saffron. Não se importava com a visão
que ela teve dele e seu filho. O que quer que o futuro reservasse, não era algo que ele
pudesse mudar. Ele enfrentaria, por mais doloroso fosse, porque o amor dela dava-lhe
forças.
Somado à sua alegria estava o telefonema que ela recebeu do seu advogado
declarando que o juiz tinha suspendido todos o processo de reivindicação de Elise pela
morte de Saffron. Elise, porém, era outro assunto que eles teriam que cuidar em
breve.
Camdyn não estava ansioso para encontrar a mulher, mas
independentemente, ela era a mãe de Saffron.
Saffron tocou em seu braço e sussurrou, — Preciso me sentar.
Camdyn olhou seu rosto pálido feito cera e imediatamente a levou para a
mesa onde ela se afundou no banco. — Sonya, — ele chamou.
— Eu estou bem, — Saffron disse enquanto apoiava a cabeça nos seus braços
sobre a mesa. — Só estou um pouco enjoada.
Sonya correu para eles. — O que foi?
— Saffron. Ela não é parece bem.
— É tudo pelo que passei, — Saffron disse.
Camdyn não precisou cutucar Sonya porque a Druidesa já tinha suas mãos
levantadas acima de Saffron e sua magia curativa fluindo. Alguns momentos depois
Sonya abaixou os braços e olhou lentamente para Camdyn com olhos arregalados.
Seu intestino apertou. Depois sobreviver à morte e Saffron ficando um tempo
nas mãos de Declan e Deirdre, ele não podia imaginá-la doente. — O que foi?
— Ela está carregando seu filho.
306
Saffron pulou para cima tão abruptamente que ela quase caiu do banco.
Camdyn a segurou, tão surpreso quanto ela.
— Mas eu estava tomando a poção que você e as outras fazem mensalmente
para nos impedir de ficarmos grávidas, — Saffron disse.
Sonya riu e encolheu os ombros quando se levantou. — O que será, será.
Nenhuma magia pode parar isto.
Camdyn se sentou ao lado de Saffron enquanto eles se olharam. Então um
sorriso lento puxou em seus lábios. — Meu filho, talvez?
— Mas... eu nunca tive visões do meu futuro.
— Há uma primeira vez para tudo. Você disse que sua magia aumentou
depois de estar no labirinto.
Saffron piscou, um sorriso excitado se formando. — Eu não acho que já estive
mais feliz.
Camdyn concordou com ela, e soube que havia algo mais que precisava. — Só
há mais uma coisa que pode completar este dia.
— O que é?
— Seja minha esposa.
Seus olhos encheram de lágrimas antes pular no seu pescoço. — Sim. Deus,
sim!
— Nós vamos ter outro casamento, — Hayden berrou perto deles.
Camdyn e Saffron compartilharam um sorriso e vários beijos enquanto o
grande salão explodia em alegria.

***

Malcolm sorriu enquanto observava Camdyn e Saffron celebrarem seu amor.


Ele sentiu o puxão da pele cicatrizada em sua bochecha e o sorriso desapareceu. Ele
podia mover seu braço direito, mas apenas por causa do poder de seu deus. Com
Deirdre morta, sua magia também desapareceu, o que significava que as cicatrizes que
ela escondeu para ele estavam mais uma vez visíveis para o mundo.

307
Ainda não tinha olhado em um espelho, mas não precisava. Ele sabia
exatamente como as cicatrizes pareciam. Mas suas cicatrizes não eram nada. Um dos
maiores males do mundo tinha desaparecido.
Foi bom derrotar Deirdre e retornar ao Castelo MacLeod.
Mas ele não podia ficar.
Por mais que quisesse chamar o castelo de lar, ele não podia. As coisas que
ele fez sob comando de Deirdre eram horríveis demais. Ele precisava reconciliar-se por
essas coisas antes de se sentir confortável no castelo novamente, e ele não estava
certo se a eternidade era longa o suficiente para expiar seus pecados.
— Você está partindo, não é? — Larena perguntou quando o abordou.
Malcolm assentiu. — Eu ia me despedir desta vez.
— Certo, — ela disse deprimida.
Ele tentou ignorar seu sorriso triste. — Eu retornarei. Um dia.
— Você é bem-vindo para ficar. Você pertence aqui, Malcolm.
Ele abriu a porta e olhou as nuvens pairando no céu, sinalizando outra
nevasca. — Não sei onde pertenço.
— Você é da família. Lembre-se disso, — ela disse, e beijou sua bochecha.
Malcolm envolveu os braços em volta dela e a abraçou ferozmente. —
Obrigado por não desistir de mim.
— Nunca, — ela sussurrou.
Malcolm ergueu seu olhar para encontrar Fallon olhando para eles. Malcolm
inclinou a cabeça para Fallon que retornou o gesto. Com um suspiro, Malcolm afastou-
se de Larena.
— Tenha cuidado lá fora, — Larena disse.
Malcolm forçou um meio-sorriso para ela. — Sou um Guerreiro. Você devia se
preocupar com todo o resto.
Ele saiu do castelo antes de mudar de ideia e ficar. Ele já tinha decidido para
onde iria primeiro. A mansão de Declan. O bastardo precisava morrer.

***

Phelan suspirou quando Isla ficou na frente dele. Ele a ignorou até agora, mas
a Druidesa não seria desconsiderada.

308
— Obrigada por nos ajudar, especialmente pelo que você fez para Camdyn e
Saffron.
Ele encolheu os ombros e ergueu a caneca de cerveja aos lábios. — Não foi
nada.
— Eu espero que você e Charon decidam ficar, — Isla disse, seus olhos azuis
gelo esperançosos enquanto o observava.
Phelan deu um encolher de ombros. — Eu fiz o que vim para fazer.
— Ainda há Declan para derrotar.
— Desde que o bastardo fique longe de mim, eu não tenho um problema com
ele.
Isla rolou os olhos. — Não seja tolo. Declan não acabou. Ele tem um plano, e
tudo que nós podemos esperar é matá-lo antes dele conseguir executar.
Phelan levantou-se e abaixou a caneca. — Boa sorte com isso.
— Você não quer prender seu deus?
Ele parou no caminho e lentamente girou para enfrentá-la. — Você que tem
esse feitiço?
— Não, mas nós estamos procurando por ele. Laria deu-nos uma pista onde
poderia estar. Agora que Deirdre está morta, nós podemos procurar por isso.
Por algum momento ele a olhou antes de dizer, — Eu gosto de ser imortal.
— Você pode me perdoar pelo que fiz com você? — Isla perguntou antes que
ele pudesse ir embora.
Phelan não se preocupou em olhá-la quando balançou a cabeça. — Você me
tirou da minha família quando eu tinha apenas quatro anos de idade. Eu nem mesmo
me lembro deles ou de onde eu vim. O que você acha?
— Você é do norte das Highlands, próximo de Oykel Bridge, Phelan. Você
tinha dois irmãos mais velhos e três irmãos mais novos.
Era mais do que ele já tinha antes, e ele não imploraria por mais. Phelan saiu
do castelo em direção à sua motocicleta. Uma viagem para o norte estava em
andamento.

***

309
Declan sentou-se na cadeira e segurou o espelho para ver como David
costurava os cortes que o Guerreiro lhe dera quando o arrancou para longe de Saffron.
Ainda não podia acreditar que Saffron o tinha superado. Ela deveria ter estar
sob seu feitiço, mas parecia que a Vidente era mais poderosa do que ele percebera.
Mas, mais perturbador que perder Saffron foi descobrir que Deirdre estava
bem e verdadeiramente morta. Os MacLeods a tinham abatido com a ajuda de Laria.
Deirdre deveria ter sido dele. Eles deveriam ter governado o mundo juntos.
Os MacLeods com seus Guerreiros e Druidesas pagariam pelo que tiraram dele.
— Declan, — Robbie disse quando entrou no quarto de Declan. — Nós a
achamos.
Declan finalmente tinha algo para sorrir. — Tara pensou que podia ficar
escondida de mim. Eu disse a ela que ela voltaria.
— Devo ir buscá-la?
— Não, — Declan disse com uma sacudida de cabeça. — Eu vou busca-la. Ela
não poderá me recusar. Prepare o carro.
Robbie hesitou e Declan estreitou o olhar. — O que?
— Eu acho que seria melhor se eu recrutasse mais homens primeiro. Todos
morreram durante a batalha.
Declan bateu o punho em sua perna e olhou para o médico quando ele furou
Declan com a agulha. — Vou dar-lhe dois dias para reunir alguns homens.
— Dois dias, — Robbie repetiu, e deixou o quarto.
Declan tamborilou os dedos em sua perna. Ele sabia que tinha sido sortudo
por deixar Orkney com vida. Saffron podia ter feito muito mais dano se não estivesse
tão preocupada com aquele Guerreiro.
Com os feitiços que ele pôs em volta da casa não havia ninguém do Castelo
MacLeod que pudesse entrar. E uma vez que ele tivesse Tara eles não poderiam fugir
dele rápido o suficiente.

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