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AMOR?

Não sei se é amor, talvez nunca saiba. Cansei de dar nomes aos sentimentos. Só sei que
quando a dor me sufoca e oprime, quando o grito por socorro sai como se fosse o último gesto
desse corpo frágil, ele me ouve, vem e me salva. Dá-me carinho, alimenta minha alma e corpo
famintos.

Preciso desse “amor”, desses cuidados, do seu olhar terno e compreensivo e da sua mão
quente e protetora. O seu abraço forte me tira do limiar do abismo e me leva para um lugar
seguro.

Sei que novamente ele irá embora dizendo um “até amanhã, amor” e vai ficar dias longe
de mim sem saber se estou viva ou morta. Vou pegar o telefone e ligar, mas não vou deixar a
ligação se completar. Vou novamente entrar no meu casulo fechar os olhos e esperar... Até
quando? Não sei. Não tenho respostas e nem estou preocupada com isso. Já me perdi em
indagações. Foram tantos por quês que quase fiquei louca. Entendem? Não posso perder a
razão. Por isso não questiono a fúria das ondas e se não posso lutar contra elas simplesmente
deixo elas me levarem. Por enquanto elas me arrebatam contra as rochas num castigo
impiedoso e no final me lançam na praia com o corpo exaurido, estropiado, dores pra todo
lado.

Não importa. Viverei na esperança que as próximas ondas me levem para um remanso
tranquilo e calmo. Aí entenderei o significado da palavra misericórdia.